Serman em hum desempenho votivo ao SS. Sacramento, estando exposto, pregado no Mosteyro de Santa Clara de Villa-Real
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SERMAM em hum desempenho votivo A O SS. SACRAMENTO. ESTANDO EXPOSTO, PREGADO S\(o 7\íojlejro de Santa Clara de Villa-%eal 'ELO P. Fr. M A N O E L DE S.JOSEPH, •Pregador géral,&Prefentado em Santa Theologia, * da Ordem dos Pregadores. LISBOA OCCIDENTAL, N* Officinade PASCOAL D A SYLVAj _ Im P r e flbr de Sua Mageftade. M * DCCXVII. Co»» todas as licenças necefiarias.
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<of «t ?<*• «f i» «t«f i» «f fo. o| *0.: o| I* o|fa> -olfa. 5», LICENCAS D Da Religião. M.R.P.PROVINC1AL O B edecer-doàordemde V.P.M.R.li oSermaÓ.que pré. gou o R.P. Pregador geral Fr.Manoel deS.Jofeph.Prefentadona (agrada Theologia, Prior que foy íeis vezes dos principaes Conventos delta Provincia.Secretario della.Srfeu procuradornaCuriaRomana.no Mofteyro de Santa Clara de Villa Real,em hum defeirpenho votivoao Santiffimo Sa» cramento.eltandoefte manifefto.Eaffim pela matéria de oue trata,comopelodefempenhocom que fobreella diícorre me parece muytas vezes digno de pelo prelo fahira luz. Pela ma¬ téria , pois nelle refere no modo poffivel as virtuofas acções da venerável ferva de Deos Soror Leonor do Sacramento, Reli. eiofe p roferta n omefmoMofteyro .acreditadascom favores do Ceo,(quanto humanamente podemos entender)& naó era razao, queeftas fe fepultaffem todas no efquecimento • mas fim, que viveRem na noíTa lembrança , para íervirem a t’odo dee X emplo,tantoma,sefficazemperruadir. quanto mais dos noflbs dias. Também pelo engenho com que o Author nellas difcorre.para que polTafervirde norma aos mais Pregado es em femelhantes empenhos ; po , s nefte Sermaõ acharaõ t es difcurfos tirados do kuangelho fem vinUn^.o ures com formalidade,ornados deconcevto" n' í P r °k& ul ^ o s dos com textos excellentes, pr ° Va * prias.8í palavras genuínas Finalm» ? d / Ç o es mu y pro " coufaalgiia para (ergrandl& aín " "f <l u e lhe j a i t e fallandoa femelhante intento C » ü w d ° r 0 ' tur, qui tantis titulis opprobatusvidlulri < er cenfuram juropom* boa Occidental 8.de Lyode tyfy Ift ° h e ° q Ue fint °' L lf ’ Fr. Pedro Monteyro. Ai) For CaífioelJ Eunod, lib.7. cj 19 -
P O r o rdem de V.P.M.R.li o Sermaõ,que no Mofteyro de Santa Clara de Villa Real, pregou o M.R.P. Fr. M a n oel de SJofeph,Prègador gèral, & Preíétado em a fagrada Theologia,em humdeíempenho votivo ao Santiflimo Sacramento, ellandoefte manifeíto. E fuppofto,que para eu fazer juizo do Sermão,naõ era necefíario mais,do que ler o nome do Author, porque jà com a Univerfidade de Coimbra eftava convenci» do, de que o feu grande talento nafcèra para encher o lugar do púlpito: caufa porque fe precifou naquella grande Athenas de Portugal a fanta Cafa da Mifericordia a eternizar nas eftã - pasfpor não poder nas Eftrellas)alguns dos feus Sermões,que^ fervindode Magiíterio para os fcculos futuros, teftemunha a juítiça com que o reípeytàra como a feu Oráculo nos tempos pa fiados. Com tudo,vendome agora entre mãos com efte grande par¬ to do engenho do Author,& naõ podendo formar juizo diver» ío, do que jà tinha formado* queefta he a natureza dos gran* des Meltres, ou grandes rios, naõ lhe poder o mundo defeobrir menos, íenaõ tudo mais em todos os feus eftados,como af* feverou do rio Nilo Lucano lib. í o . Nec liquitpopultsparvurnte Nile videre , drc.achey,queoqueíópodiadepora V.P.M R» com verdade, era o afíombro, & a lufpenfaõ em que me deyxou a fempre admiravel Providencia de Deos , qual foy traí zeruos para a Corte hõa Obra, que verdadeyramente lhe efta« va roubada, por não poder caber na capacidade de hüa Villa, agora propriamente Real,depois que teve a fortuna de ouvir hum taõ Regio Prègador. Do Padre Antonio Vieyra, aquelle grande Aftro do firma¬ mento da Companhia de |efu, difie alguém,bem o podiaõ dizer todos) que os feus eícritos foraó occupaçaó da fama cõ í pplauloem dous mundos,Europa,6c America. Deve pois V* P.íVl. R . m a n d a r íe imprimalogoeíle Sermaõ nefte grãdeEm - porio do mundo,qual he Lisboa,aífim como mandàraõ jà íeuS anteceflbres, íe imprimifie outro cm outro Emporio do mun' do,qual heCoimbraj para que Univerfidade, & Corte, Cortelãcs, & Acadêmicos, quaes outros Soldados de Gedeaõ , le ;
vandoem hüa rnaÕ neífe papel a luz, & em outra o clarim,eri' chaõ, & occupem ,naõ fó osdous mundos.mas do mundo as fuas quatro partes com o talento defte grande homem , capa¬ cidade, engenho, & fortuna defte grande Pregador. Efte o meu parecer: V.P.M.R.farà o que for fervido. S. Domingos de Lisboa io.de May o de 1717. O Doutor Fr. Antonio do Sacramento,Prior. V I f tas as informações acima, damos licença para efte Ser¬ mão feprefentar na Meia do Santo Oíficio ,& fe poder imprimir* precedendo as mais diligencias neceífarias. S.Do. mingos de Lisboa aos 12.de May o de 1717. Fr. Doming os de Santo Thomà s, Prior Provincial. «I i 0, «! f 0, «§ f 0, «§ f» «§f» i «1 f» «I I» «I «i fr «f I» f» Do Santo Oíficio. eminentíssimo senhor. E S te Sermaõ naô contém coufa algúa, que repugne à noífa Santa Fè, 8r bons coftumes; pelo que me parece muv digno de fahir a luz.como parto felicifllmo do gráde engenho erudição.8c letras de feu Author. V.Eminencia mandará o que’ for fervido. Lisboa Occidental,ficCoiigregaçaÔ do üratorio 13.de Julho de 1717. Manoel Ribeyro. P EMINENTÍSSIMO SENHOR Or mandado de V.Eminencia li efte Sermaõ, què no defempenho de hum voto ao Santifíi mo Q,,.,. "° . gou o M.R.P.Fr.Mauoel deS lofení, P ° &acrame ? t0 Pf* ftre Prefentado nafagrada TheoloeL ’ ,cga ^ or S « ral ' & Me4 Prior Provincial daefclarecidiffima O.A P r cí j :nte p d , ? n ; f1,mo crrflnrifiilnJh* p 1 ' ) ^ < ? •mente fatisfeyto: com razaõ Iog * regador gèraltaõfingular Prègador, que de Aiij todos
todos pode fer Meftre,equivocando a Cadeyra com o Pulpitonoacerto com queexplica os pontos da Theologia mais profundos > fendo filho de hüa Religião, de quem he raõ pro» priojcomo titularoappellido de Pregadores,que para muytos he fo appellativo.elíe o indivídua,& faz taõ proprio feu,como quem entre todos fe fingulariza , na agudeza com que inventa,madureza com que difcorre,evidencia com que prova,proa priedade com quefalla,efficaciacom que conclue. Alèm de outros empregos da primeyra fuppoíiçaõ,emque a fua Religiaõoccupouofeu grande talento, íeis vezes foy Prior dos principaes Conventos defte Reyno,& em todos pra¬ ticando em fi,& nos feus,as maximas mais acertadas do zelo, j &obfervancia religiofa } acreditandojuntamenteos Púlpitos, • em todos deyxoueítampado hüadequado exemplar de Prc* lado dos Pregadores, a quem todos ao prefente reconhecem por Ítip2rior,dandolhecomuniveríal ap plaufo, £ fruto de húa taõ admiravel,como religiofa concordia) a primada,que com* figo traz o elevado titulo de Prior Provincial de todos os Pre¬ gadores jmoítrando a todas as luzes a genuína defcendencia com que participa os refplandores do meu grade Padre S.Do¬ mingos,a quem foraótaõnaturaes os rayos ,que antes de fa* hiraluz, jà defterrava trevas, tendo por precurforesdo feü naícimentoatresSoeSjSc outras tantas Luas,como diz Palmerio, para moftrar, que naícido hum íó Domingos, fobejavaó luzes para o mundo todo. Na propriedade com que difcorre fobre o altiílimo myfte* rio do Sacramento,prova a legitima irmandade com o Sol da9 Eícholas , ermanando (eus difcurfos com os dogmas do An* gelicoThomàs: nas tres finezas de Chrifto na Sacramento, fundamento dos (eus difcurfos,priniorofamentc correípondi' das pela venerável ferva de Deos Soror Leonor do Sacramétoj moítra o fino do feu engenho, & igualmente o voto da ferva dc Deos deíempenhadoiík íe o mayor extremo deitas finezas, hC fazer Chrifto, que pareça obrigaçaõ de juftiça, o que era do*' çaó gratuita,para livrar da mayor penfaõ,que comfigo traz hü beneficio,que hs a divida do agradecimento^o elevado defteS difcurfoí
difcurfòs fe faz tãojufto acrédor do applaufa de todos, que lhe faõ devidos dejuftiça os elogios,que para outros íó poderiaõ fer encarecimentos da liíonja:] todos os q lerem efte Ser* mão,fó hCia queyxa pódem formar do feu Author,& he, q não dèàeílampa os muytos que tem dado a luz ; mas como o Sa¬ cramento, quedeftehe oobje&o, he cópendiodosmaismyfterios,neíi e Sermão,como em compendio ,dà ofeuAuthor a conhecer a agudeza,difcrição, elegância , & erudição de que eftãoel °J a dososmuytoscom que authorizouos principaes púlpitos delta Monarchia 5 & fendo efte Sacramento myfterio por antonomafiade Fé, que de fua natureza tem oíerefeura, ex{^ ca ' f e com tanta clareza^ue me obriga a que repita , o q do Doutor Máximo diílé o grande Cafliodoro: Refolutis anigEefcj: Matumnodisjíáfeatintelligi^ttnazniwi arcanmn cahjlis Re° y }"* gishimamsfenfibus priusVohoraperiât : com eftylo tão claro, cdl ‘ c ** & não vulgar, feda a conhecer o primor da arte ccncionato* ria nefte Sermão,que àlem de ferem tudo conforme àexpoíiçãodos Santos Padres,& fcntidosda fagrada Efcritura s p ara nivel,& modello por onde íe poflaõ regular os que quizerem pregar com fruto, &: applaufo; fó julgo fedeve dar aopreln para que pofTa vir a noticia de todos V .Eminência mandará ó que for fervido. Lisboa, Collegio de Santo Antaó da CV,m^ nbia de Jefus 18.de Julho de 1717. * Cora P a * . • • o - Henrique de Carvalho. Ode-fe imprimir o Sermão de que trata efta petição *, depois de rnipreflò tornará para fe conferir. & dar I ’ K ro p d”s.T,‘Ã" i q o, ‘ Lisb “ Ribtyre. te*» 0 < • t)oOrdinário. P imp„abTo P r ™ à '* J ' p<,is d ‘ Çardofo. Dü
■ 0'^o'i 0 ^ I» 4 f» <1 f» 4. lo : o? !» «f ?» «f &> 4 f» o| §» i Do Defembargo do Paço. AP PROVA ÇAM. SENHOR. P O r mandado de V.Mageftade ví o Sermão do Santifll mo Sacramento,em que o P.M.Fr. Manoel de S. Joíepfr não íó deíempenhou o antigo voto da V. M. Soror Leonordí Tavora* mas também ( o que era mais difficultofo ) a grande expettação, que havia de tão grande Pregador , jà então fu‘ perior a todos os Pregadores, que por iflb depois com plaufi’ vel concordia lhe cederaõ a primaíia no governo, para exerfl' pio de todos os mais , que lhe pódtm ceder a palma no púlpito. Job defejava , que fe efcreveílem , & imprimiflert r^hum livro os íeus Sermões: o Author nefteíó Sermão deyx* imprimir hum grande livro efcrito, não,como odeJob,coiH eftylo de ferro , mas de ouro; nãoío pelapreciofa affluenci* de iua erudição, 6c elegancia* mas porque em pequena quan - tidadc, como ouro, nosdàfubftãcia demuyto preço, inciuifl' doem hum fó Sermão tres Panegyricos, hum do Sacramen' to, outro da venerável íerva de Deos, que fez o voto , & o ter ceyro, não intentado, mas nem por íflo menos illuftre,do meí mo Author,que lo ntíta,como nas mais obras íuas,póde achfl o louvor que merece. Para que o tenha na admiração de todo* he juíto queefte Sermaõ íe imprima. V. Mageítade mandar o que tor fervido. Lisboa Occidental 3 í.de J ulho de 1717. Pedro Alvarez . Q U efe pofía imprimir, vidas as licenças do Santo Of cio, 6c Ordinário ,& depois de impreílo torne à para fe conferir 16c taxar, 6c fem iíío não correrá. Lisboa 0 cidental 3. de Agoftode 1717. Cofia» Botelho. Pereyra, Oliveyra . Noronha•
ln me m *net, & ego ' m tf 0 . Joan.Ó.cap. «INDO os Panegyricos todos ordenados a lou¬ var virtudes,& manifeftar a£tos heroicos, ( Se* nnorj alguns ha pelas fuas circunftancias taõ íu* biacs,que nas admirações do filencio fó pódem fgaafiBSHfiSJ * e r e xprefTados } porque ha matérias taõ eleva¬ das, que as mefmas explicações as deyxão mais oífendidas.por íe naõ ajudarem as excellencias da fua grande¬ za 6 as menfuras da Rhetorica.ConfdTouefta verdade aquel. le que no mundo fe teve por mais elegante,& mais fciente: Su. per omnes docentes me mtellexi ■ porque em certa occafiaõ diíTque o ^encio mais profundo,era o Panegyrico mais ajudado • o .remos vendo. Era oempenho de David neí?a o--lfia'h”'* acçao de graças, as quaes (diz o npn u„ " d o^aíiao hua te Pfalmo; que a Deos as devem* Jl í 8 ° C ,? mment0 def ’ feytoa]gúaretirâdadhesdeu o m 4 mor \ aqUe CS qus tend ° nar a voltar: lllisquibus IWc a a ■ moi:>en » or auxilio para corgranas refern,&hm^ r à £X graças hum voto • TibimJ j., 1 ' hraacau( a defta acçaode havia de fer fatisfèvtoem r j ur ™ t,lm > 4 fendo feyto em Siaõ, rufalem ; & que vodoefcl^r ra: Rtiittnr l votumm *** hum voto do efl-adr. B r .°“M l z 0 mefmo Hugo , que fora i\elig.ofo, no qual fe proíeílaõ tres eou« B fas.
$ Sermão os infortúnios de roubada,8c as cruel Jades de ferida: Suftiüi jit aperirem diletfo meo^uafivi illum , invenernnt me violes , percufjerunt tne,tnlermt pallmrn mtim. CõfcíTo naó entendo as incoherencias deita Efpofa.Naô eraeíla a mefma que contei' fava que morria de amores pelo feu Efpofo ? Naõ era a mei' maquepediaa todas as q encõcrava.quefe vifiTem o feu Ama' do,lhediíTetfem,queafuaauíencia atinha enferma no \cyto< EllaodiíTe: Aâjnro vos filia Htmifalewfi inventntts diletf«m> dicite ei , quia nmon langueo.Voxs fe defejava tanto a fua preíen* 1 ça,como lhe naõabrio a porta quando ellea buí ca va? E W poítolhe naoquiz abrir ? como logo o foy buícar ? Sena W achaque de mulher, que fe nega quando pertendida, & bu depois de deyxada ? NaÓ por certo; porque iíto naõ o W ] de fazer hüa Alma,que era Santa, a hum Deos que a bufe* para Efpoía. Logo que mytterio podia haver,em naó lhe q'*, rer abrir,8c logo bufcallof* Eu o direy.Andavaõ eítesdous pofos em competência amoroía,fobre qual dellcs havia def* ceder nas finezas, & por iflb lhe naó quiz abrir, para depo» bufear • > porque feella b ufcàraprimeyroo Efpofo, fazia * fineza de graça * porém bufeandoo Efpofo depois dellea car aella, fazia hüa fineza de juítiça,( por fer de razaó,& ^ juítiça,bufear cada hum a quem o buí ca; & como o rea ! c e of fineza eítà em fazelladc modo,que a fineza pareça dlvida,P if!o a Eípofa de graça naõ quiz abrir.paraque parecelle ne divida o buícar: Sumxi,qu*fivi illum>&i ficafle e UUIVOl • omr V - v, —-. 9 - - quecfte era do amor o mayor extremo. T .ça* Naóheiífoomdmoquefuccedeo a Soror Leonor ^aoneutoomeimoqueuicceucu - -- 9 cramento? A mim me parece o mefmo*, porque buícan aquelle Senhorjuípirandolhe o fer Reiigiofa,eila moítrou „ r _i,.r-ta ar»Hn11 abtit * —-‘"lursunpiiauuuini- ^ n > —— , •- naó queria abrir as portas da alma ,fuppoíto mandou aP do Mofteyro para (ahir para fóra •, de tado naó chegou a mas logo ao feu Eípoíb foy bufear da grade daquelle cot 0t ~ dendolheas graçascomo obrigada, & promettendolhe ^ feita, para que a fua fineza extremofa tivefle as a PR arÉ? u a V j a de divida,quádo o ficar,6c o buícar íoy fmezarmasaíh 0 1 ^
em hum •voto ao Sdfitiflimo Sacramento. o < 3 e fer, para fe defpòfar com aquelle Senhor ,& para alh lhe correíponder •, porque fe elle alli he amante tão fino,que dan¬ do tudo, 6c dandoTe a fi mefmo, moftra fer elle o obrigado. Soror Leonor cambem ie devia moftrar obrigada faindaquãdo toda fe lhe offerecia)para correíponder àquelJa fineza , 6c por ifiocom aquelle Efpoío tão unida,que parece identificada,pois fédoella Leonor do Sacraméto, f icou fendo feu aquelle Senhor íacramentado : In me manet,&c. A fegunda fineza que faz alli aquelle Senhor íacramentado. he daríe aos homens em íuftento: Caro mea vere eH cibus fdnguismeusvereeflpotus $ 8c heefiafineza tãoextremofa’que achou o Doutor illuminado,fora eíta a maiseftupenda fineza: (gftamflitpenda, qnkmqne ineffabilis eft erga nos charilas tlliuL qnahnncmodmninvenitj difíeelle.) Teve razão, porque daí Ueos íuífento aos homens era obrigação de Creador: Guia qmdateffeM confequenüaad ^porèm darlcellemdmracs homersem íuftcnto,iflo he do amor omayor extremo. Oue aquelle Senhor fe déíle em fu dento aos Anjcs , grande fintza fora,porém menos para admiíada,porque faõ as creaturas rnai* puras, ; ma S que fe deffe em fuftento aos homens,aos pobres^aos ugeytos mais yis,8c bayxos, ifio he ccufa taõ maravilhoía â leva a admiração toda. Difiè»o meu Aneelico • n » mrabihs iM&nducat DoninÚ,pauperJeí zus& humilis c re í * ce mais a fineza na (ingularidade com que nos deu & nos d * aquella iguana, porque quando fe quizdar íacramenfado diz o Euangelifta.quc tomouopãoem fuasf^Pr^d.co d I Z virtude de quatro palavras o tranfubftanciou em p a ° S ’ & f em Boc efi Corpusmeum.O q fuppofto“ en t r a a m nt S° r P °, ftU: a a veriguar a caufa,porque aquelle Senhrfr^^* ef P ecu,a í 3 ° la iguana em virtude de quatro ml,, * nOÍ í u , z da r aquelboca)quando fem dizer palavra P âVF a j? ^ UC *** e ,a,)il3 ° da Eoquepudealcançar.ouo quevim P ° d ‘ a dara 9 uel I a delicia. Chnfto naquellc myfteriotraníc.?/ e n t e " d erío > ’ c l u ecomo do.qmzfeviirenáoíóeraamavor fi 6 0 ” fi , ne “ s d o . a m o r t0 * ado^nia em tirar da ° hneza (larfcn0! “ kcramen. urda lua boca,o que nos dava pot fuftento, e $c
Sup.cap* 4..via». Matth. 17. GicaJ. o A Lap. hfc. 10 Semaõ & porque não’cuydem,qiie ifto fomente he dito,ouviráóago* ra ao meímo Chrifto,que me deu o fundamento :Non infow pane vivit homo^àvífe elle ao demonio )fedin omm vefbo t q uoA procedit de oreVei.Quer dizer:Não fòconfi fte o íuftêto do ho« meai no pão,fenão nas palavras queíabem da boca de Deos. ( Jà fabem,que Deos não tem boca,Sr aílim íedevem enrender as palavras quehaviãode fahir da boca deChrdt jjQüe pala* vraseftasfoííem,dizoíapientiílimo A Lapide,que forãoasda coníagração, mediante as quaes fe dà a íi mefmo facra menta* do: Se d in omni verbojd eft>ChriJlo % feipfo t fuaque carne ,& Ver tatein Ettchariflia.Temoslogo^ue o manjar que Chriftonos dànaquella Mefa,para no lo haver de dar o tirou da íuaboca,' & heefteexcefTodacharidadetãoextremofo,queme atrevo a dizer faz mais heroico o amor de Chrifto naquelle Sacraméto» Chegarão em Capharnaú a S.Pedro hüs rendeyros tão cutivos,comoqueyxoíos, deq Chrifto lhes não pagava o trij* buto,que a Cefar pagavão todos os povos, & o ameaçarão, 4 fc não quizeííe pagar por graça,o obrigarilo a pagar por juí 1 ' ça:f queeftacaftade gente, nem a hum Chrifto perdoa.) P er# guntou Chrifto aos Diícipulos, íobreque era olirigio , St d'r zendolhe,que era fobre pagarem o tributo a Cefar , mandou Chrifto a S.Pedro,foííe logo ao mar,Sr lançaííeofeu anzol, 4 nellehavia detirarhum peyxe,em cuja boca havia de achai com que íatisfazer o tributo,Sr pagaria porambos.* Va eis pro rnet&te.Q Abulenfequer,que nãofo por Chrifto,& Pedro fo’ rio os rendeyros pagos,fenão cambem pelos mais Diícipulos: ProJingulis Apoftolis folutum fmt . Deyxo o muyto que aqui podia dizer nefte paíío,Sr vou ao que me chama o doutiílimo A Lapide com hum feu dito $ porque diíTe,que nelta occafiã 0 obràra Chrifto hum ado heroico : Chriftus hícelicuit atium he* mfWW^ConfeíTo^ue o não entendo; porque ou eíte ado h ô ’ roico conlihio na pontualidade de pagar , ou no milagre d^ moeda na boca do pey X e íe dcfcobrir,ôr nenhúa deftas acçóeS fc pódem chamar heroicas > porque nenhúa deyxou-de íer em Chrifto muy ordínaria.Em primey ro lugar o não foy,o pag ar a
em hum <voto ao SantiJJtmo Sacramento, ti S. e /rfkorhr t |>’ P O rqUero 4 ele T ! jra ’ q U eem outra occafiáo tinha dito Chrifto,que era divida de j u f tiça pagar a Deos era de Deos.&c pagar a Gefar.o queera de Cefar: Reddite trio quafimt Cafaris,Ctefari,&qnafunt Dei, Deo-,(&i não póde chamarfe acçao heroica.aquella que he divida de juftiça ./Não pode também ferafto heroico o milagre do dinheyrofpomu* fazendoChriftomuytos,& mayores prodígios, não veio aunenhum folie acclamado por heroico : logo que Angularidade houve nefte.ou com que fundamento diíe o A Lapide Chrifto nefta occafiáo obràra hum afto heroico ? Chriftu j \u elicmttérc. E u confeflb não foubera refponder, fe me não dèra luz para a repofta o meu Hugo Cardeal.Diz dle.que eftetV xe.que pefcou S.Pedro.era figurativamente o meimo Chrifto* Eumptfcem, v u pnmusafienderit,tollud eft, Chriftum S j? fe' Chrifto nopeyxe figurado? Tirou odinheyroda boca para remed,ar,& remir aos D.fcipulos: Profinguln Apojiolis íollts. bocao fublidmPd.ga-fe.que nelía occafiáo obrou Chrifto hfi ado heroico.que fe aquillo fe chama heroico, ó excede orno doordinatio.ieveia.que acharidade mais fina, & ma.sexTre' mofa,confi te em tirar da N a «naisextre. za: Chriftus hkeuZ,Íc ° PSfâ 3Codlr à Quem não admiraelta fineza dpP^fíT-o ~ \ faõ finezas, que íe bem as foub^n m , âiI ^ 0 ’ n a o / a k e q coufas efta de avaliar ; pois fe enfina ã experienriâ’ P n ? ^ r f ® havia no mundo em roubar por acodirà bô« hlve qUe f f ! p à r í - para remediar a necelfidade alheyaTÍoh^TÓ-^‘ i r f ida bo * divina,porq f e n á o vè nos individuós da nar * l que parece recerey encarecido,mas hú Texto !) “ r eza humana. Pa. retiro de hum deferco fe achou ft’ Ja,1 f icado. No to povo faminto,& querendo acod^ l acompaq h a d ° de muy. fultou como fe lhe poderia dar f.,n. qecom °remedio, con. Mmnducm hi> Houve grades d ememftfpaites, Jo !n ,« alii nada fe vendia, (k ainda nn» ^culdades nocafo,porque bem faltava.com q u s o s pobr^ nó r »° U - Ver ^ ° d , in! ieyro tam. r j psreciao. Quando fahio Santo Ç ij André
12 Sertnaü André com anoticia,de que na companhia eftava hum moço, que tinha cinco pães,5c douspeyxes* mas ifto vinha a fer na* da,para matar tanta fome.Ifto nãoobftante, tomou Chriíto os pães nas mãos,8c de tal modo fe multiplicarão* que todos cot mèrãoaté mais não querer, 8c doze alcofas fobejàrão, que le mandarão guardar.Efte foy o cafo.Entrão agora os Expoíito» res a averiguar quem foy efte moço,que deu o-pão-, 8c os pey* xes para comerem os famintos. Muytos dizem, q fora S. çal; porém o doutiífimo Lyra diz, que efte moço fora Moy* ty» fes: Fuer ejt Moyfes. C omo podia íer iftof Moyfés,que viveo no tempo da Ley Efcrita,podia miniftrar,ou dar o paó no tÇ 0 ' poda Ley da Graça? Moy fés, que jàeftava no Limbo , podi a ofFerecero paõ,8c o peyxe no deferto ?Gomohe ifto intelhg 1 * vel ? Eu o dircy.Que he o que fez efte moço? Achando íe co ciaco pães para elle comer,os foy ofFertara Chrifto ,para q u f acodifte à neceftldade dos mais;£ pois do Texto nem confaA aeftemoçoospediftem,nemque por ordem deChriftolhoj tirafifem) o que diz o Texto he,que Chriftoos recebeo evidente,de que o meímomoço osoffertou: Accepitjefusp*' nes. P ois (diz Lyra) efte moço não podia dey xar de fer aqu e ‘ # le velho; efte moço íó podia fer Moy fés do outro mundo» porque íe Moyfés no mundo foy ViceD eos nomeado: Co# m jlituo te DeumFharaonisSò hum fugeyto da carne jà defpidu» ouhum homem divinizado,podiaobrartal extremo ,qual n o tirar o paò da boca própria , para remediar a necelfida ^ alheyâi8c com razão,porque pedindo a boa ordem da charida de começar por fi: Imipit k ft ipfa, h aver quem corte por i, por remediar a outro,ifto he tranfeender a charidade humana» 8c moftrar hüa charidade divina : Efi puef v&bet qui que panes. p uer e fi Moyfes.Conftittio te Deum Pharaonts. A* vifta do que tenho dito,que querem agora que diga ^ venerável Madre Soror Leonor do Sacramento , íenão q P*. reee competiocom a fineza dofeu Efpofo íacramentado?p^; fe elle tirou da fua boca o manjar que nos dà naquclla M e Soror Leonor não iodava aos pobres quanto tinha, 8c < l ua ^ s
em hum voto ao Santiffimo Sacramento . j-j feus parentes lhe davão,(que não era pouco)fenaõ inda aquiU lo mefmo q tinha para comer,o tirava da boca, para remediar as neceílidadesdaquellcs,que ao Mofteyro hiaõ a pedir, &c5 tal excefib,quealgüa vez foy neccífario fazer Dcos hfi milagre para lhematar afome.Era a MadreD.Maria Roía,a Religiofa com quem Soror Leonor tinha no Mofteyro mais confiança* de forte,q quandofe via maisneceílitada,aellafó recorria pe* dindolhe hum bocado de paõ paraofuftento precifo,& indoà> fua cella pedirlho,a tempo q a naõ achou na cclla, achou nella fó hii bocadinho taõ pequeno,qefteve com a refoluçaõ de dev. xallo,por naõ ferfuffieiente: porém confiada em Deos come. çou a comer,& naõ fó ficou faciada, fenaõ excedèraõ as íobras a quantidade q achara. Mas afíim havia de fer, q fe no bãquete dodeferto foraomais os fobejos,que os pães, q o moço tinha dadojporque fe deraõ a tantos necefiitados,& famintosjnaõ he muy to,que também nefta occafiaò íe viíTe o paõ multiplicado hüa vez que foy para fuftento precifo,de quem tinha tirado o ieu da boca,para remediar hüa neceffidade alheya. ConfeíTo d inda que a veneranda Madre naõ tivera mais que efta virtude efta baftava para que em vida íe vilTe jà beacificada. Naõ fou cuo queodigOiDavid odeyxou provado. Beatas qui intelligit fuper egemtm , & pauperemóitte zUc-Eu Pfii tenho por homem f.nco,tenho por bemaventurado.aqu He l entendeaneceffidadedopobre:riftoagora mal fe entendei d iílera,qera beato aquelle que remediava a neceflidade doí,. mmto,eftava bem; mas d.zer.q de beato íe acreditava aque U que a entendia: Qtu wtelhgiti inintelligivel parece • mi „ mos a Filoíofia.que porella conheceremos,o a ue até * que entéde a nlceflidade dofobre díf 8 \ na fua pobreza,& neceffidade n, d modo fc cra " s f ormí porque tudo vemadar ■ & tkrhüa r ™ 0 P0brC Ch6ga 3 Ped ‘ r ’ > uar a^à creatura o q tem por amor Giij dè:
14 Sermão de Deos.com tal prodigalidade, q lhe feja neceíTario o pedir, para haver de fe fuftentar,he hum lance de charidade taó extremofo,queem vida achou Davidfe lhe podia chamar beato.* Beatusquiinteíligit,&c. Intelletfuswtelligendo t & c. Não he ildo o que fazia Soror Leonor do Saeraméto? Muytosoteftcmunhàrão,8c o affirmão hoje, porq afiim fe defpo» java de tudo,por acodiràsneceífidadesdosproximos, quefe precifava a pedir,para haver de fe fuftentar* fendo ella a mais bem provida para difpender.ella fe punha tão pobre,que como pobre fe punha a pedir.Logo bem fepóde dizer.qefteexcefió decharitativa,a tinha no mundo beatificada* mas como não havia de íeraííim ,fe heefte extremo de charidade tão eleva* do,que não parece humano,fenãoextremo divino* não parece procedido de graça limitada,fenaó de graçainfinita?Efcrevefl* do o A poftoloS. Paulo aos eímoleres de Corintho,lhes diííe a (• u #( j fim : Vos fcitis grafia Domim noftri Jefii Chrifti, quipropter Q 0 * Cotint. egenus faBusefl,cumejjet dives. Vòs (abeis muytobem a graç â de N.S.Jefu Chrifto,que fedo rico,por amor de vòs fe fezpo* bre.N ão reparo em que o extremo da charidade de Chrifto > 0 deyxaíTe pobre,Se detudoexhaufto, porque ninguém ignora* qelie nosdeutudo(& baftachegaradarfea fi meímo*) oem h reparo he,em dizer o Apoftolo,qos Corinthios fabião muyt° bem a graça de ]efu Chrifto * porq primeyramente à graça hc invifivel,Sí não fe póde conhecer, & àlem diftb a graça de Chrtfto era de Chrifto,cra de Deos,& Senhor. Logo íe era a ítf 3 graça infinita,como podia ferconhecidaafuagraça: VosfciÚ* gr aliam Deti Sabem como ? pelos eíFey tos, porque fe não póde comprehender a fuagraçao noífoentendiméto,peloseftey t oS póde conhecer a fua graça. Quaes forão os effey tos delia? Diy íe-os o Apoftolo: Cnm ejjet dives, propter nos egenus fatiusir Sendo rico,tudo nos deu,& ficou pobre ; & ficar no eftado de pobre, íó por dar aos pobres tudo ,ifto achou o Apoftolo er^ húacharidade tãoexceífiva,q íe não compadecia cõ hüa gra* çalimitada,anteserademonftraçãodehüa graça infinita:/^ jcitisgratiam DiíinoftriJe[u Çhrijti,quipropter vos egenus,
em hum ■ voto ao Santiffimo Sacramento. |r , Eu . ® na6 P o(, ° d ' z er de Soror Leonor do Sacramêto* <j teve infinita graça,porque era creatura.mas achou a pobreza nella tanta graça,q pelo muyto q delia recebia,parecia .nfinita a graça, porq nao tinhaõ termo as efmola,: masafiim havia díersporq feoque fe dá,por efmola fe recebe,nunca le havia de terminar o difpendio,porq havia de fer cõtinuoorecibo Ve! fe efte prodígio claro naquelle myfterio, pois dando-Íeaíli to. dos os dias,& a todos,difTeq facramentado fo fe havia de d« ate fe acabar o mundo: Ecce ego voUjenmfim ufi,ue ad confum. m nmemf* C uUE porq naô ha de haver mais Sacramento,d até eiletempo? Porqrazao fenaõhadedar facramentado,fenaô ate o d,a do Ju.zoíDtrey o q entendoiHe porq entaõ naõ ha de ha ver a quem fe polfa dar,& faltando ao Senhor qué o receba o q tem paradar.pareceacaba: U Jque*d confünationem feculk ,f m r V 3 3 hber f a,ldade - 0 1 1 a íua charidadeexcefllva naquella Mefa.que para faciar os pobres tirou aquelle manjar da boca,(como .» viraos)& a charidade da nolía ferva de Deos , efte extremo íeextendia.có razão dizia eu , que parece houv» competência entre Chrifto,8t Soror Leonor^do Sacramêtc! n» charidade para com os neceflltado S , & famintos; porq vemôt prommelTeaquelle Senhor mé '° alli he penhor da gloria : fftiftraolori^ „ b í ?P ° . r 3 f® e ' i e faciada pela charidadeexceffivafq ufoucAa 3 Verà o f.« Elpolounida »» ie unecoasíuas Efpofaspor s r a c a • ? ” nac l u elle a a crameto A cerceyra fineza,q fez‘aquel £ tnhn* ^ nitío. moftrarle taó amante de á tinha "° r facrame n tado , foy 4 e f tandoalli na realidadeV.vo nu f ' 0P ° r noffo remedl °» Recohtur mmoriapM ms eim 'V' conliderafiTem morto: Senhor.qocontéplafiemos allí m P ° rC1 r t zaó ft u ererua d u elle devivoiTempla noEuangeL W e ' hnd0alli " 3 r f al,da * gcino. òanguis meus vcre ejt potus, di fie
i6 Sermão difleaquellô Senhor, q nos queria dar alli o feu fangue liquido, porq nos queria dar o feu fangue potável: Vere ejtpotusfá co» mo aquelle Sacramento he o Sacramento das finezas, achou q nenhúa faria, d a n do -mos o fangue liquido de hü corpo vivojfaria fim grande fineza,dãdo-nos o fangue liquido de hü corpo repreíentativamcnte morto:& a razão he } porq íe fe naõ pode chamar fineza/enãoaquella acção,q vencealgúa repugnãciaj dar íangue liquido hú corpo vivo,iflb he natural j porem dar langue liquido hü corpo morto, naturalméte não pode fucce* der* & a f lim efta repugnância vencida, hea q tem o nome de fineza, & por iííoquiz aquelle Senhor o conlideraíTemos alh morto, para que no langue potável,& liquido,conhecefietnoS alli o íeu extremo. - Contemplando o Doutor Me!lifluo,ogo!pe q a Chrifto de/ raõ no peyto,difle,q naquella ferida fe acreditara mais a fu* y neza,porq lhe chamou ferida do amor por antonomafia s 0 * »f/r^m.Veneroaauthoridade,masnãoponro deyxar dey' tranhar a íingularidade. As mais feridas do corpo de Chfin 0 não forão por amor levadas? Não tem duvida.Pois como do lado por ferida do amor íe reputa ? He o caio, q as mais wridas deraó fangue liquido por nofib amor,eltando o corpo vo i porém a ferida do lado deu fangue liquido eítádo jà o co? po morto:C 7 / viderunteum \am mortuum % mus militü lartcea lati j* ejusapsruit i & c ontinuo exivit fanguisi&t achou o Doutor lifluo,q dar fangue liquido hü corpo vivo , ififo não era exttf mo, porq era natural no corpo* porém dar hum corpo morí fangue liquido, iflb fò era do amor extremo, por fer à naturcí contrario : J/ulnus amrts • Quem não dirà jà, q Soror Leonor do Sacraméto foy em u , la das finezas de Chritiofacramétadojfe vimos jàalgüas c&' reípondidasjSc elfa agora app írentemence emulada, pois ^ toda efia terra,q do leu corpo depois de quaréta horas mo íahio fãgue taõ liquido,como íeeftivera animadofTodoso j* bem , Ô c o fa ngue cm alguns lenços inda hojeexiíle*q íenãol^' tou.noCáivarJoquem coihelle o íangue do lado d .cQhlifiPgfy
em ’ voto <to Santiffimo Sacramento. 1 7 b*« fceo » VirgemM.riâ Senhora noíTa : Biaía Vtrgo Kuha rever enhacolltgit, c^io nao faltou também nefte Mofteyro . quem enfopafte nelie^"'- hum lenço, quando pelos golpes de hüa lanceta lahio, e f t ndo para fe enterrar no Cap.rulo. Muytas diflèrenças houve em hum, & outro golpe, & ha também em hum.& outro ían. gue.Nos golpes, porque odolado de Chrifto deu-o o odio enganado, & o de Soror leonor deu.ooamor para defengan o ; o d e Chrifto foy íeytocom hüa lança,o de Soror í eonor com hüa lanceta* o de Chrifto para fe manif ftar aquelle myfterio: VeUtere Ckrifli exierunt Sacramenta , o de Soror Leo¬ nor para íe acreditar efte Mofteyro; o íangue de Chrifto pa. ra remedio do mundo todr • Redem jli nos Deus in ftnguine ttto, o íangue de Soror Leonor, para medicina dc alguns en« fermos,fpois affirmaõ peíloas fidedignas, que alguns que bebèr óagoa ,em que o lenço fanguinolemo íe tinha mettido fem mais outro medicamento livràraõ.,» Frotefto nefte , 6c nos mais caibs,o meímo que proteíleyno exordio defteV. íumpto, & que naõ faço equipa ancia de hum ,6c outro fan. gue, porque o de Chrifto he no valor infinito , 6c o de Soror Leonor na virtude limitado,6c debayxo defte protefto, fe de¬ ve entender tudo aquillo que entrar nefte diícurío * pois a emulaçaõ nas finezas, naôhe mais que por femelhança * 6c fe efta nofanguede Abel, 6c o de Chrifto naõ foy censurada pois difie Origenes, que tiveraõ fua femelhança : Samms C Y M Abel typusf uitfangums Chrifti , fe a mef na ceve o u„g Ue dí,‘ u - d e lofeph, c omo d.íTe Santo Ambrofio : ldem figmficat L-f «•' gvts Jofeph, qui exqumtur j& 0 dejob como eicreveo a luz*"* 3 ^fin 0 , 80 ? 1 ? - ^k^catfangmjobnon operundus , & finalmente (o q hemaisj fe naõ .ncireo na cenfura de indecência,d.zerfe.queofang ue do novilho, do cordeyro. &odohirco tivera com ode Chr.fto lenethança , & deile roy manifeíra figura,fó a ignorância poderá agora eítrannar, aquillo que eu nefte ponto differ. Vamos agora ao pon» D No
Nam. 5 o * 24 Sermão venerável Madre efta promeíTa, de applaudír aquellè Sá* nhor facramentado com todas as demonftraçôes feftivas,dey» xou paffar tantos annos fem a fatisfazer, (fendo que em muy* tas que fez femprefeexperimentou pontual; & não me deu pouco em que entender, a caufa que haveria para a veneran* da Madre faltar: porém lendo o capitulo trinta dos Nume¬ ros, pareceme que defcobri nelle a caufa : Mulier qiu> eft l) \ domo patris ftii , fi quidquam voverit (fi pater tacuent , ^ 0Ít rea erit) fi autemcontradixerit pater , vot4 irrita erunt , & no# tenebitur fponfioni. A mulher fdilTe Deosa Moyfés) queeftafl' doemcafa de íeu pay,prometter,ou votar a l g íía couíaaDeo*» fe o pay confentir na promeíTa, ficara à fatisfaçaõ obrigada í porém fe o pay naõ confentir, ficará defobrigada da promel^' Efta era a determinação da I ey antiga. Agora jà entendo a fa,porq Soror Leonor devia de faltar à promefta.Naõ foyeft* de fazer àquelje Senhor facramentado húa fefla com a mayo f pompa? húa feftacom toda a magnificência ? hum applatd 0 feftivoatodoocufto,& difpendio, fe cila aqui profeiTafle 0 eftado Religiofo? Aílimfoy. Não ficou ella pela profifíaó fi' lha de meu Seráfico Padre S.Francifco? He certo. Agora ò\* gaô me,feconfentiria o Pay pobre por antonomafia, q htf* filha fua fizeíletaó coníideraveis defpezas ? Parece que naôí porque fc o mefmo Chrifto por fer pobre, querendo celebrai' le facramentado, commetteo as defpezas , St ornatos a huíU homem nobre ,5c rico, íò a fim de dar o exemplo : Ipfe oftc dit vobis Camactilutn grande ftratum : meu Seráfico Padre» que o imitou na pobreza, naõ havia de querer, que Soro f Leonor fizefife feda taõ cuftofa* & aífim à imitaçaõ do fcjj Efpoío,commetteo efte defempenho a hum amante íobri* nho, que fem reparo em defpezas, & com generofiJade Cavalheyro , fez a fefta com o luzímento, que teftemunhao os noííos olhos. Logo naõ faltou a veneranda Madre em u* tisfazer jo Pay que venerava , 6c imitava. foy o que a tez falcar, porque naõ qusbraííe a Ley, quando aliãs Ine uaoUl, Eava.qusm por ella a poiufa«sfaz;r, U com tanto CÍ P 1 ^
€fn burn -i dor; mas tudo be m dor ; mas tuuoij 0 « Santifftmo Sacramento. i , efte Cavalheyro d e f e * p r e g ado ’ P orc l ue ao meí „ mo qUe bem fe acredita * poi s nS 4 a promefla, a fi meímo tamninpuemfaz mais honrado ^ d ° , defta Corte tranímontana > me explicará. papel > que a íua Pefloa. O lugar De d o us grandes banquetes no ataS. Mattheos, & o Euang e lift a s I nottcia ° Euangelifqueteomeímonaopiniãodemuytos &d a8> & rendo ° t>an * célico , faó muy defiguaes os créditos da nuJíi Dcutor lerão} porque o que refere S. Lucas, diz au*e qUG c , s hoirem ordinário: Homo qtiidam fecit cwnammtf ™ hu £ o que refere S. Mattheos, diz que o fizera hu^ S & magnifico : Homni Regi f qui fecit nuptias . O que fuoJoftrf pergunto : Por ventura neftes banquetes , os manjares forão de dííferentes qualidades ? Não . porque como jà difle os guizados forão os meímos. Pois íe forão iguaes , & abun, dantes, como diz S. Lucas, que quem deu o primevrodbC hum homem ordinário : Homo quidam? & o fegundo diz i Mattheos, que o deu hum Principe generofo: HontiniRe/if Heocafo.queo pnmeyro homem (& na condição femmfol fez o banquete por obrigação própria com qtie íe achava gr ofegundor na qualidade pnmeyro) f e2 0 banquete lí alheyo , .do íó o faz quem he Príncipe quem, Penho generoío: Homini Regiam fecit rm r tmfitof m Não'"'"? 0 coolugar, porque naoneceílit a d e anni.v - Íí a o a P P b* com dizer ,que o feftejo não fó fi C a com ^j 0 ' ^ oncluo íenão também com grandes interefle* „ Credl ' os grandes , daMadrelheprometteoaelIf. „ cs > porque fe a veneran. lhe não havia de faltar com Vendo - í e diante deDeos, agora o farà melhor, vendo a ,‘ merceíl a õ mais empenhada, r. vendo defempenhada a fua promefla, E &
i 6 Sermib & he de razão, que a quem lhe deu tão primorofa fatisfaçío na terra ,dè cambem latísfação’ à palavra Leonor do Sacra* mento là na gloria iQuânmhii & vobis , &c. LAUS D E O’ c Beatiíjtmee Vi
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