As práticas educativas e modelos de ensino dos professores de educação moral e cívica das escolas secundárias em Lubango (Angola). Uma abordagem etnobiográfica.
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0 MANUEL CALUVI NICOLAU 2019 Programa de Doctorado de Educación de la Facultad de Ciencias de la Educación Universidad de Sevilla Director: Dr. José González Monteagudo TESIS DOCTORAL «AS PRÁTICAS EDUCATIVAS E MODELOS DE ENSINO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS EM LUBANGO (ANGOLA). UMA ABORDAGEM ETNOBIOGRÁFICA»
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3 UNIVERSIDAD DE SEVILLA Facultad de Ciencias de la Educación Departamento de Teoría e Historia de la Educación y Pedagogía Social TESIS DOCTORAL «AS PRÁTICAS EDUCATIVAS E MODELOS DE ENSINO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS EM LUBANGO (ANGOLA). UMA ABORDAGEM ETNOBIOGRÁFICA» Autor: Manuel Caluvi Nicolau Director: Dr. José González Monteagudo Sevilla, febrero de 2019
4 JOSÉ GONZÁLEZ MONTEAGUDO, Profesor titular de la Universidad de Sevilla, HACE CONSTAR: Que la investigación realizada por el doctorando D. Manuel Caluvi Nicolau con el título «AS PRÁTICAS EDUCATIVAS E MODELOS DE ENSINO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS EM LUBANGO (ANGOLA). UMA ABORDAGEM ETNOBIOGRÁFICA» realizada bajo mi dirección, reúne las condiciones científicas y formales para proceder a su depósito y poder ser presentada a examen público, a los efectos de la colación del Grado de Doctor por la Universidad de Sevilla. SRA. PRESIDENTA DE LA COMISIÓN ACADÉMICA DEL PROGRAMA DE DOCTORADO EN EDUCACIÓN DE LA FACULTAD DE CIENCIAS DE LA EDUCACIÓN DE LA UNIVERSIDAD DE SEVILLA Departamento de Teoría e Historia de la Educación y Pedagogía Social
5 Por: Manuel Caluvi Nicolau Director: Dr. José González Monteagudo Sevilla, febrero de 2019 Citación APA recomendada para este trabajo: Caluvi Nicolau, M. (2019). As práticas educativas e modelos de ensino dos professores de educação moral e cívica das escolas secundárias em Lubango (Angola). Uma abordagem etnobiográfica. Tesis Doctoral. Universidad de Sevilla.
6 Tese apresentada à Universidad de Sevilla para o cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Educação, realizada sob a orientação científica do Prof. Dr. Jóse González Monteagudo, Professor da Universidad de Sevilla - Espanha, Facultad de Ciencias de la Educación - Departamento de Teoría, Historia de la Educación y Pedagogía Social.
7 Dedicatória: Para minha mãe e ao meu pai (em memória). Aos meus filhos, irmãs e toda a família. Aos amigos e investigadores.
8 Agradecimentos Especiais A direção dos centros escolares e cada um dos participantes: professores, professoras, alunos, alunas, famílias, diretores, diretoras, responsáveis do Ministério da Educação de Angola que participaram e contribuíram com entusiasmo e generosidade para realização deste estudo etnográfico. Ao meu director de tese, Dr. José González Monteagudo, pela oportunidade que deu-me em trabalhar com ele, que incansavelmente dedicou-se a dar orientações, mostrando o grande grau de profissionalismo que possui, sempre de bom humor, trato fácil e muito inteligente. É um diretor amigo, companheiro e aliado que sacrificou muitas vezes as horas de lazer para trabalhar em prol da melhoria deste trabalho de investigação, apoiando-me sempre e sempre, mesmo durante as suas viagens académicas ou estando de féria, nunca deixou de dar indicações pertinentes, o que permitiu concluir a presente investigação doutoral. Agradeço a Universidade de Sevilha, especialmente à Faculdade de Educação concretamente, à coordenação do programa de doutoramento, que ajudou para que a investigação fosse possível realizá-la principalmente pela dedicação do coordenador do curso, o professor Carlos Marcelo. Os votos são extensivos a todos os professores e especialistas do Departamento de Teoria e História da Educação e Pedagogia Social que lecionaram no curso de doutoramento em educação, pelo fato de terem utilizado metodologia ativa que nos animaram e orientaram nesta tarefa de investigação mediante discussões e debates para se realizar melhorias e desenvolver um trabalho positivo. Aos meus colegas: Abel, Albertina, Cangue, Ernesto, Patrão, Ndembele, Cabamba, Chissuva e ao amigo Adérito Sicato pelo apoio prestado e pelos bons conselhos e incentivos que recebi. Finalmente, agradeço a toda minha família pela compreensão, pois, teve de sacrificar-se ficando muitos dias longe de mim devido a formação realizada no exterior do país, bem como a ajuda incondicional que deram, tranquilizando-me sempre apesar da distância e disponibilizaram seus valores para o que necessitasse, o importante era não fracassar. Nesta ótica destaco especialmente os meus irmãos, irmãs e filhos: Bernarda, Juliana, Joana, Joaquina, Maria, Teresa, Júlia, Caluvi, Canto e a Rebeca.
15 Tabela 2 - Género e habilitações dos participantes ............................................................... 109 Tabela 3 – Habilitações e idade dos participantes ................................................................ 110 Tabela 4 - Cumprimento do programa ................................................................................... 133 Tabela 5 – Planificação de aulas ........................................................................................... 137 Tabela 6 – Grau de participação na aula .............................................................................. 139 Tabela 7 – Colaboração entre os atores ................................................................................ 141 Tabela 8 – Utilização das tic na aula ..................................................................................... 168 GRÁFICOS Gráfico 1- Nível académico dos participantes ........................................................................ 95 Gráfico 2- Habilitações dos participantes ............................................................................ 109 Gráfico 3– Grau do cumprimento do programa ................................................................... 134 Gráfico 4- Caraterização de conceitos e o conteúdo escolar ............................................... 135 Gráfico 5- Caraterização dos conceitos ................................................................................ 136 Gráfico 6- Gestão do tempo de aula ..................................................................................... 137 Gráfico 7- Percentagem e frequência da pontualidade ........................................................ 138 Gráfico 8- Estilos de liderança ............................................................................................. 140 Gráfico 9- Interação entre o professor e o aluno .................................................................. 141 Gráfico 10- Colaboração entre os atores.............................................................................. 142 Gráfico 11– Relação entre a família e a escola .................................................................... 149 Gráfico 12– Planificação de aulas ........................................................................................ 163 Gráfico 13– Modelos de ensino ............................................................................................. 164 Gráfico 14- Formação dos professores ................................................................................. 172 Gráfico 15 – Prática educativa ............................................................................................. 179 Gráfico 16– Método e modelo de ensino .............................................................................. 185 FIGURAS Figura 1. Mapa África: Localização de Angola....................................................................... 26
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17 Resumo Esta pesquisa visou observar e descrever compreender as práticas educativas e curriculares dos professores de Educação Moral e Cívica em escolas secundárias da cidade do Lubango (Angola). A razão da investigação reside no fato de não existirem trabalhos que fazem referência à esta temática no contexto de Angola. Esta é uma pesquisa de estudo de casos de natureza qualitativa, caráter descritivo e interpretativo, que estudou uma situação real em seu contexto cotidiano, realizado em três escolas do ensino secundário. A amostra é intencional de 50 participantes entre professores, alunos, directores, famílias e outros responsáveis da educação. Para recolha de informações utilizamos as seguintes técnicas: análise documental, observação participante (perspectiva etnográfica), entrevista em profundidade e para o tratamento e interpretação dos dados utilizamos as técnicas de análise descritiva, estatística e a análise de conteúdo. Os resultados demonstram que a prática educativa é deficiente e faz recurso ao ensino tradicional e modelo transmissivo, sendo realizada por docentes que, na sua maioria, não possuem a formação inicial porque os critérios de admissão valorizam apenas as habilitações literárias. A formação contínua de que beneficiam não reflete as reais dificuldades dos docentes, é pouco notório o trabalho prestado pela administração escolar no acompanhamento das atividades escolares. A supervisão e a inspeção são cruciais para o sucesso das atividades escolares, por isso, devem funcionar em equipa porque contribuem para orientação e melhoria dos trabalhos que os professores realizam antes, durante e depois das aulas. Portanto, para existir boa prática educativa e com qualidade é fundamental investir na formação específica dos professores, fazer avaliação interna e externa das escolas, a fim de construir-se mais infra-estruturas escolares, apetrechá-las e atribui-las uma boa gestão face aos desafios atuais da educação. Palavras-chave: Prática educativa, modelos de ensino, formação de professores, escolas secundárias, administração escolar.
18 Abstract: This research aimed to observe and describe the educational and curricular practices of teachers of Moral and Civic Education in secondary schools in the city of Lubango, Angola. The reason for the investigation lies in the fact that there are no studies that refer to this theme in the context of Angola. This is a case study based on qualitative and interpretive approaches, which studied a real situation in its everyday context, conducted in three secondary schools. The sample is intended to be 50 participants among teachers, students, principals, families and other education officials. The following techniques were used to collect information: document and content analysis, participant observation (ethnographic perspective) and indepth interview. Techniques of descriptive and statistical analysis were used for data processing and interpretation. The results show that educational practice is deficient and makes use of the traditional teaching focused on transmission models, and it is carried out by teachers who, for the most part, do not have initial training because the admission criteria only value academic qualifications. The in-service teacher training they receive does not reflect the real difficulties faced by teachers. The work carried out by the school administration in monitoring school activities is not very noticeable. Supervision and inspection are crucial to the success of school activities, so they should function as a team because they contribute to guiding and improving the work that teachers do before, during and after school. Therefore, in order to have good educational practices and high quality learning, it is essential to invest in the specific training of teachers, make internal and external evaluation of schools to build more school infrastructure, equip them and assign them good management in view of the current challenges of education. Keywords: Educational practice, teaching models, teacher training, secondary schools, school management.
19 INTRODUÇÃO Atualmente considera-se que no processo de ensino-aprendizagem para além de assuntos científicos que visam desenvolver a componente instrutiva, é crucial associar também a componente educativa que tem a ver com o modo de agir, a conduta da pessoa humana. Em Angola, a educação em valores não é só vista como tema transversal, pois existe uma disciplina obrigatória denominada «Educação Moral e Cívica» que se encarrega em fazer a respetiva abordagem. Geralmente fala-se em educação em valores e a sua aplicabilidade nas relações interpessoais, defende-se a coerência que deve existir entre a teoria e a prática. Ou seja a correspondência que pode subsistir entre o dizer, pensar e fazer na interação entre os homens no seu dia-a-dia. Abordar um tema como este, relacionado a prática educativa dos professores no seu contexto laboral é complexo, e também interessante porque visa responder as constatações vividas diariamente quer pelos professores quer pelos alunos. Deste modo, decidimos abordar nesta tese de doutoramento o seguinte tema: «As práticas educativas e modelos de ensino dos professores de educação moral e cívica das escolas secundárias em Lubango (Angola)» Com este trabalho de estudo de caso, procuramos descrever como têm decorrido as práticas educativas dos professores de Educação Moral e Cívica durante o processo de ensinoaprendizagem e sua influência no comportamento dos estudantes das escolas secundárias do Lubango. Ou seja, compreendermos as práticas educativas e curriculares desenvolvidas pelos professores de EMC em escolas secundárias de Lubango em função dos objetivos da referida disciplina. As perguntas orientadoras deste trabalho visaram caraterizar: Como descrevem e compreendem a prática educativa e curricular os professores de EMC em escolas secundárias de Lubango? Que perspetivas têm os estudantes, diretores de escolas, famílias e outros atores sociais acerca da prática educativa de E.M.C. nas escolas secundárias em função dos contextos institucionais e socioculturais? A razão desta investigação importa pelo fato de considerarmos, que a educação moral e cívica, pode ajudar e facilitar nas relações interpessoais e de convivência no contexto educativo e fora dele, em função da atual diversidade cultural existente nas salas de aulas das diversas escolas. Para tal, é necessário o profissionalismo dos professores, porque a qualidade do sistema educativo depende também da qualidade e iniciativa dos professores. Acreditamos que se compreendermos as práticas educativas realizadas na disciplina de EMC, pode
20 igualmente ajudar aos professores a fazer a introspeção, reflexão acerca da sua maneira de atuar e perspetivar cada vez mais o melhoramento da atitude dos principais atores do processo de ensino e aprendizagem de maneira ajudar a nova geração a aprender, construir e estimarem valores que fazem com que sejam mais responsáveis, livres, iguais em direitos entre os outros, em função da diversidade cultural existente neste mundo globalizado. Assim, este trabalho está subdividido em cinco capítulos, onde no primeiro apresentamos a problemática, justificação da investigação e a fundamentação teórica resultou de pesquisas de artigos científicos que na sua maioria estão indexados nas revistas de maior impacto científico tais como Jcr e Scopus, de conformidade com a orientação da Universidade de Sevilha no âmbito do curso de doutoramento. Deste modo, realizamos o estado de arte sobre os mais diversos trabalhos que versam sobre o contexto e caraterísticas do sistema educativo em África e em particular em Angola, desde o período colonial até aos dias de hoje e sua influência no atual sistema de ensino, tendo em conta a dimesnsão política, económica, legislativa e educativa; O segundo capítulo dedica a abordagem sobre a prática educativa realizada pelos docentes em escolas secundárias, caraterizando a atividade realizada pelos intervenientes do processo pedagógico e a forma de pensar dos docentes para que se realize as boas práticas educativas; o terceiro descreve o sistema de formação de professores em Angola tendo em atenção a realidade em que atuam os atores. Por isso, faz-se uma caraterização acerca da maneira em que se realiza esta formação, que modelos de ensinos são predominantes nas aulas e que papel a administração escolar desempenha para realizar-se aprendizagem significativa; no quarto apresentamos a metodológica usada, sobressaindo a qualitativa. Deste modo, a escolha recaíu no estudo de casos de natureza qualitativa, caráter descritivo e interpretativo, que estudou uma situação real em seu contexto cotidiano, realizado em três escolas do ensino secundário. A amostra selecionada é intencional pelo fato de selecionar os atores que dominam a reakidadeemestudo. Para recolha de informações utilizamos as seguintes técnicas: análise documental, observação participante (perspectiva etnográfica), entrevista de grupo e em profundidade e para o tratamento e interpretação dos dados utilizamos as técnicas de análise descritiva, estatística e a análise de conteúdo; o quinto, está dedicado a apresentação e discussão dos principais resultados obtidos e finalmente apresentamos as conclusões e limitações do estudo para se perspetivar outras pesquisas.
21 CAPÍTULO I: CONTEXTO DO SISTEMA EDUCATIVO EM ÁFRICA
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23 CAPÍTULO I: CONTEXTO DO SISTEMA EDUCATIVO EM ÁFRICA A educação em África existe desde o tempo colonial e vai evoluindo em função dos investimentos realizados pelos respetivos países. O continente africano durante o período colonial foi pacto de disputas de várias potências europeias para a sua espoliação por longos séculos fruto da divisão feita em 1885 entre os colonizadores tais como: França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Itália, Holanda e já no fim do processo entrou a Espanha. Os povos africanos viram-se obrigados a proteger-se desta evasão colonial, mediante a luta pela independência, que na sua maioria ocorreram entre o chamado «ano de África», isto é em 1960, servindo de impulso para anos posteriores outros países tornarem-se independentes, mas os problemas não terminaram com o fim da guerra (Ribeiro, 2015). O processo de colonização empobreceu os africanos a nível educativo e cultural, pois perdeu os seus valores profundos com a boa hospitalidade, harmonia em que acreditavam durante a vivência em famílias e sendo esta extensa por ser constituída por muitos membros Para Brás & Gonçalves (2017), atualmente a África tem se deparado com novos desafios no sentido de continuar a buscar e alcançar os governos democráticos capazes de contribuir para o equilíbrio social e desenvolvimento dos mesmos. Este desafios da recuperação da autoestima africana só é possivel por intermédio da educação, se esta adotar uma visão construtiva durante o processo de ensino e aprendizagem para continuar a conquistar a justiça social e o bem estar. Assim, neste panorama procuramos abordar a veracidade educativa dos países africanos, em função da herança colonial que apresentam e de uma forma particular, a realidade angolana no que concerne ao contexto: político, económico, cultural, legislativo, educativo e seus desafios para compreensão e perspetivar a melhoria na problemática em estudo. 1. Caraterização da Educação em África Os sistemas educativos em África estão implementados já desde o período colonial, mas atualmente, ainda enfrenta em diferentes países e na sua maioria possuem vários problemas, que para Oya & Begué (2006), estão relacionados com os currículos não atualizados nem adaptados a realidade de cada país, pouca qualificação de professores, escassez de professores, poucas salas de aulas. Em função disso, passou a existir turmas com muitos alunos que na sua maioria são do género masculino, pouca participação da família, escassez de livros de texto e material escolar, professores com pouca motivação, devido as condições de trabalho e os baixos salários que auferem. No entanto, cada país tem procurado fazer algo em prol do desenvolvimento educacional ajudando os jovens e adultos a lutarem contra a
24 pobreza e contribuir para o bem-estar das pessoas. Destarde, este objetivo só poder ser alcançado de forma sustentável se os políticos, legisladores e decisores compreenderem cada vez mais a importância do ensino e fazerem análises situacionais e descrições fatuais do estado do ensino. A maioria dos estados africanos faz investimentos no setor da educação em função do orçamento geral. O estudo regional realizado na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), refere que alguns países valorizam muito o ensino em detrimento de outros, atribuindo proporções relativamente elevada aos orçamentos nacionais em educação, tal como podemos verificar os investimentos feitos nos exemplos que se seguem: Lesoto 25% (2012), Namíbia 29% (2012), Moçambique 20% (2010), Suazilândia 19 % (2009) e Angola 7 % (2016). Está evidente que os países que menos investem vivem mais problemas no sistema de ensino, daí a necessidade dos governos continuarem a atualizarem as políticas educativas para garantir melhores condições de trabalho nas escolas (Aitchison, 2012). 1.1. Caraterização de Angola Para conhecermos um pouco sobre o contexto angolano, pensamos que é imprescindível fazer um panorama descritivo sobre a origem e evolução do contexto educativo deste país, desde o período colonial até aos nossos dias com o alcance da independência e da paz efetiva. Assim, apresentamos alguns cenários que ajudam a compreender a realidade em que ocorre o processso de ensino – aprendizagem, tais como: o contexto histórico-político, económicosocial, cultural, legislativo e educativo. 1.1.1. Contexto Histórico/ Político Aos africanos atribuiram-se expressões pejorativas e as teorias raciais existentes na época, que foram criadas com a finalidade de identificar e caraterizar os africanos, segregá-los e criar barreiras internas que os mantivessem ocupados por muito tempo em processo de transição que passava diretamente pela aquisição de algum saber. Deste modo, a política de ensino para os indígenas adequava-se numa trilogia orientadora que abarcava a expansão da fé e do seu aprendizado de costumes portugueses, visando a assimilação pelo trabalho. Assim, a difusão desses valores de ensino ultramarina se baseava na fé, civilização e trabalho, ficando essa função na responsabilidade das ordens religiosas, ambos os acontecimentos, pouco ou nada alteraram a situação das populações locais. No entanto, não tiveram muito impacto, servindo apenas para pressionar a comunidade internacional sobre o ocorrido. O fato que veio alterar definitivamente a posição vigorante nas colônias portuguesas foi o início das lutas de
31 contexto, ao contrário de conteúdos que só descrevem valores e realidades de Portugal. Assim, com aquele ensino, os angolanos foram afastados e retirados a possibilidade de promover os seus valores, sua história e cultura. Com a independência alcançada em 1975, a maioria da poulação cerca de 85% era analfabeta, e a preocupação do governo angolano foi o seu combate, para tal criou a comissão nacional de analfabetos. A alfabetização contemplava uma formação que contribuísse em pouco tempo ter quadros que podiam ajudar no desenvolvimento do país. Com essa abertura houve muita adesão pelos cidadãos ao projeto, podendo estudar onde eles se encontravam, desde o local de trabalho, quartéis, fábricas, escolas ou na ausência destas ficavam debaixo das árvores. Isto permitiu nacionalizar o ensino e fazendo dele um instrumento do Estado para o desenvolvimento da sociedade e eliminando do currículo aspetos educativos de caráter português (Brás & Gonçalves, 2017). Após a independência, concretamente no ano de 1978, Angola adotou o seu sistema de educação, caraterizado essencialmente por uma maior oportunidade de acesso a educação e a continuação dos estudos, o alargamento da gratuitidade e o aperfeiçoamento permanente do pessoal docente. As pesquisas realizadas em África sobre a educação, segundo Sacco et al. (2016), referem que os conflitos armados influenciaram negativamente o sistema de ensino dos países em que houve guerra, e Angola não é uma exceção. Assim, em 1986 foi realizado um Diagnóstico ao Sistema de Educação, onde constatou-se o fraco desempenho do setor da educação em termos qualitativo e quantitativo, provocado por vários fatores endógenos e exógenos. Nesta base, para dar resposta a essas dificuldades teve de aprovar a nova Lei de Bases do Sistema de Educação, conhecida como a Lei 13/01, de 31 de Dezembro. Consequentemente foi necessário outra aprovação do Decreto nº2/05 de 14 de Janeiro - Plano de implementação progressiva do Novo Sistema de Educação, que estabelece as bases legais para realização da 2ª Reforma Educativa em Angola, cujos objetivos gerais são: a expansão da rede escolar; a melhoria da qualidade de ensino; o reforço da eficácia do sistema de educação e a equidade do sistema de educação. Portanto, a história recente do ensino em Angola, como país independente, pode ser dividida em três períodos: 1º Período, 1975-1990 (1ª Reforma Educativa e Diagnóstico do Sistema de Educação), 2º Período, 1991-2001 (Concepção do Novo Sistema de Educação e aprovação da lei 13/01 de 31 de Dezembro) e 3º Período, 2002-2012 (2ª Reforma Educativa, implementação do novo sistema de educação), (MED, 2014).
32 A quando da independência nacional, a população angolana na sua maioria era analfabeta na ordem de 85%. Deste modo, segundo Helena André (2014), o governo teve de enfrentar vários desafios devido, a falta de quadros e aliado ao fator de liderança no setor educativo ser feita por líderes sem formação. Diante este quadro, o governo teve de recorrer ao apoio de outros países para auxiliar no sistema de ensino, devido a explosão massiva da rede escolar numa altura em que havia fraca rede de infra-estruturas, sem materiais escolares, programas e currículos mais sistematizados e eficientes. Para este 3 º período, segundo a ADRA (2016), O número de alunos matriculados em todos os níveis de ensino aumentou de 2,2 milhões em 2001 para 8 milhões em 2014. No entanto, a Lei Constitucional Angolana (2010), consagra no seu artigo 23°, a educação como um direito para todos os cidadãos, independentemente do sexo, raça, etnia e crença religiosa. Entretanto, ainda existe fortes assimetrias no seu acesso, em que 22% das crianças em idade escolar, estão fora do sistema educativo, tanto nas áreas urbanas e rurais. Este número deve-se a falta de escolas, pois o colonizador deixou apenas algumas nos centros urbanos. Neste contexto, as crianças que vivem em famílias pobres, apresentam níveis de participação escolar muito inferior, particularmente nas zonas rurais. Deste modo, os desafios do setor foram confirmados pelo Censo 2014 que demonstrou que a taxa de analfabetismo permanece elevada e estável no país, calculada em 34%, sendo a maioria na ordem de 60% corresponde a zona rural. 1.3. Origem e justificação da investigação Atualmente é muito comum assistir-se denúncias, de que nas relações interpessoais não se fazem sentir as boas relações humanas como no antigamente. Pois, estas relações agora estão marcadas pela ausência ou perca de valores morais, cívicos e princípios que afetam o desenvolvimento integral e harmonioso das pessoas. É notória também esta realidade, no setor da educação, nas escolas secundárias e outras de diferentes níveis. A situação é tão recorrente que mesmo a nível presidencial, existe a preocupação de se continuar a orientar acerca da necessidade de se trabalhar cada vez mais a educação moral e cívica nas escolas e famílias a fim de se mudar este clima, para que se possa viver melhor na diversidade com todas as pessoas. A exemplo disso, mesmo o presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos na sua mensagem de fim de ano, mais uma vez manifestou a sua preocupação, acerca da educação moral e cívica, tal como podemos conferir no extrato do seu discurso que se segue:
33 «… Como restabelecer a todos os níveis e a partir da primeira infância a educação moral, cívica e patriótica? Este é um assunto que o Ministério da Educação e Cultura deve estudar. Os longos anos de conflitos desestruturaram por completo a sociedade e levaram a desintegração e desajustamento familiar é necessário, um grande esforço para voltarmos ao respeito pelos valores e princípios que caraterizavam a sociedade angolana no passado, valores e princípios como: o tratamento honroso dos mais velhos, a proteção natural da criança e dos portadores de deficiência, a assistência social, o espírito de solidariedade e entreajuda, a convivência harmoniosa entre vizinhos, o respeito e preservação dos bens comuns, o amor, a terra e suas gentes que tantos os nossos poetas escritores enalteceram. Tudo isso, só será possível com a função e consciência do seu papel neste processo por parte de cada cidadão, das famílias, da sociedade civil, igreja e do Estado…» 29 /12/2014. De acordo o contexto angolano, a problemática reside no fato de não se conhecer (o quê, como, onde, quando, como e com quem), os professores contam na realização de atividades escolares para o sucesso das mesmas. Pois, não existem trabalhos que fazem referência as práticas educativas dos professores no contexto de Lubango (Angola). No entanto, pensamos que para compreendermos esta problemática, é necessário observar e supervisionar as práticas educativas dos professores das escolas secundárias, para se descrever o que se tem feito no âmbito da educação moral e cívica e se perspetivar melhoria no processo educativo. Estamos consciente que é um desafio árduo levar avante este trabalho numa sociedade que apresenta as situações anteriormente mencionadas. Porque mesmo existindo a disciplina de Educação Moral e Cívica, que fornece as linhas orientadoras acerca dos objetivos, conteúdos e diretrizes para uma sociedade com valores, e que contribui para uma vivência harmoniosa e em paz. Ainda assim, existe dificuldades no que concerne ao relacionamento interpessoal realizado em diferentes contextos. Pensamos que é crucial refletir conjuntamente com os agentes envolvidos no processo de ensino aprendizagem acerca da prática educativa que é realizada em diversos contextos, como têm trabalhado, que conteúdos e competências resultam do mesmo e sua aplicabilidade por parte dos estudantes das três escolas secundárias da comunidade lubanguese selecionadas para o estudo. Nesta perspetiva, Villalta & Palacios (2014), defendem que conhecer as práticas de ensinar desde o discurso e a prática real do
34 trabalho do professor, é uma forma de abordar as dissonâncias, que podem surgir entre o discurso e a prática partindo de onde coincidem. Assim, é necessária a compreensão do que os professores crêem e pensam sobre os fenómenos educativos, é um elemento essencial para se descrever como atuam durante a aula. Esta investigação tem interesse, pois com os seus resultados podemos descrever e interpretar o que se passa na realidade quotidiana dos professores das escolas secundárias e perspetivarmos, o que os futuros investigadores poderão planificar sobre o que se terá que se fazer para mudar este quadro. Lembremos que a disciplina de Educação Moral e Cívica foi introduzida no currículo em 1992, visando melhor os valores morais e cívicos que contribuem para a integração e vivência harmoniosa e pacífica entre todos os homens devido a guerra que assolava o país (MED, 2004) Nesta base, este estudo ainda importa pelo fato de considerarmos, que a educação moral e cívica, pode ajudar e facilitar nas relações interpessoais e de convivência no contexto educativo e fora dele, em função da atual diversidade cultural existente nas salas de aulas das diversas escolas. Para tal, é necessário o profissionalismo dos professores, porque a qualidade do sistema educativo depende também da qualidade e iniciativa dos professores. Acreditamos que se compreendermos as práticas educativas realizadas na disciplina de EMC, pode ajudar aos professores a fazer a introspeção, reflexão acerca da sua maneira de atuar e perspetivar cada vez mais o melhoramento da atitude dos principais atores na sala de aula, de maneira ajudar os alunos ou a nova geração a aprenderem, construírem e estimarem valores que fazem com que sejam mais responsáveis, livres, iguais em direitos entre os outros. Desta forma, ela contribuirá para que haja boa convivência e aprendizagem significativa tendo em conta as caraterísticas da sociedade atual, tida como a sociedade de informação e da diversidade que faz parte do mundo globalizado (Changwoo & Hyemin, 2013). Por isso, decidmos selecionar os docentes que trabalham com a disciplina de Educação Moral e Cívica a fim de compreendermos o que fazem no âmbito educativo, pois os professores têm enormes responsabilidades no desenvolvimento da componente cívica-moral que é de crucial importância na vida das pessoas. Portanto, precisamos de compreender qual tem sido a atitude dos professores e alunos durante a aula de educação moral e cívica e conhecer a visão que têm acerca da influência destas práticas em função da realidade da sociedade lubanguese atual e suas controversas sociais, éticas e culturais. Acreditamos que a
35 escola secundária e a família tem a função de estabelecer e criar condições propícias, para continuarem a melhorar a prática pedagógica dos professores das mais diversas disciplinas. Sabemos que o sucesso do processo de ensino-aprendizagem, depende também da melhor colaboração, que deve existir entre as instâncias responsáveis pela educação, de maneira responder o que está na base de certos comportamentos inadequados nas relações humanas. As questões orientadoras deste trabalho são as seguintes: Como descrevem e compreendem a prática educativa e curricular os professores de EMC em escolas secundárias de Lubango? Que perspetivas têm os estudantes, diretores de escolas, famílias e outros atores sociais acerca da prática educativa de E.M.C. nas escolas secundárias em função dos contextos institucionais e socioculturais? E que dificuldades ou necessidades sentem os professores de E.M.C. durante a atividade laboral com vista ao melhoramento da prática educativa? 1.4. Desafios da educação Tendo em conta o contexto atual de desenvolvimento do sistema educativo angolano, assim como as dificuldades que apresenta, o MED (2010), reconhece que algo não vai bem, daí surgir a necessidade de encarar os desafios para melhorar a qualidade de educação, analisado de vários pontos, tais como: a construção de mais infra-estruturas escolares para garantir mais oferta de serviços de escolarização, disponibilidade de livros suficientes para todos alunos, material escolar de qualidade, formação inicial e contínua dos docentes, seleção rigorosa na contratação de professores de Educação Moral e Cívica e de outras disciplinas em quantidade e com qualidade. É necessário o currículo adaptado à realidade do país, e uma distribuição bem racionalizada dos professores e material escolar entre os principais níveis de escolaridade em função da prioridade das escolas e passar a realizar visitas às aulas pelos (diretores gerais, subdiretores pedagógicos, supervisores, inspetores, coordenadores de disciplinas e professores de reconhecida experiência), de maneira a se efetuar análises periódicas acerca do grau de cumprimento dos programas. Sabemos que tanto a educação atual, como a educação de futuro tem de responder a infinidade de objetivos, que não só visam o nível político, mas também as demandas de nossa sociedade civil, pois se trata de aprender a ensinar (Domínguez, 2017). O contexto atual requer transformações quer a nível da escola tanto como aos próprios professores que devem atuar de diferentes maneira durante o trabalho, é necessário que se
36 faça a redefinição da profissão docente para que os docentes assumam as suas competências profissionais no âmbito do processo de ensino aprendizagem, colocando em prática o saber ou o conhecimento científico, pedagógico, cultural, com vista a motivar o aluno para as novas aprendizagens, evitando a exclusão social, envolvendo todos os intervenientes da comunidade. Para tal, é indispensável que o ensino deve ser encarado com metodologias ativas e participativas de maneira ajudar o aluno a construir o seu conhecimento. Por isso, os professores vivem um grande desafio, pois precisam de aprender, acompanhar as mudanças ou transformações que ocorrem na sociedade de maneira a contribuir conscientemente para o desenvolvimento de competências da nova geração em função do seu cotidiano (Clock et al., 2018). De igual modo, é necessário realizar a formação de professores mais rigorosa e que haja mais conexão entre a teoria e a prática, nesta dimensão o trabalho de Medina & Pérez (2017), contribui para compreender essa dicotomia entre a teoria e a prática, referindo que durante a formação docente, não podemos esquecer a aquisição por parte do aluno de uma sensibilidade prática, nem tão pouco subestimar a importância que o conhecimento teórico representa no momento de desenvolver o conhecimento prático de cada professor. Sabemos que atualmente existe problemas na formação de professores por não combinar suficientemente os conhecimentos teóricos com a sua implementação na prática, daí ser essencial existir a conexão entre o conhecimento disciplinar e o formal, baseado na disciplina académica dentro de um esquema de formação rígida, capaz de desenvolver competências que permitem aos docentes atuarem corretamente em situação real de aula. Portanto, ao tual contexto angolano exige dos seus intervenientes maior entrega para se encarar de boa disposição na perspetiva de se melhorar as insuficiências que ainda enfermam o processo docente educativo. Há necessidade de se elaborar políticas educativas que contribuem para se elevar a qualidade de ensino tendo em conta os desafios deste mundo globalizado. 5.1. Resumo do capítulo I O conhecimento sobre o panorama do contexto do sistema educativo em África ajuda a esclarecer as reais condições em que se desenrolam o processo docente educativo concretamente realizado em Angola. Nesta base, o sistema educativo conheceu várias mudanças e dificuldades herdadas do período colonial e consequentemente o conflito
37 resultante na busca da independência e um clima de paz, esses conflitos decorreram de 1961 até 2002. Este fato contribuiu para que a educação vivesse muitos constrangimentos que vão desde a falta de professores suficientes e qualificados para exercerem a profissão docente, fraca rede escolar para o ensino secundário com excessivo número de alunos por turmas, que apresentam uma diversidade cultural, currículos não atualizados nem adaptados a realidade de cada contexto. Essa realidade podia ser bem explorada, mas existe poucos trabalhos que versam sobre o funcionamento das instituições escolares e a prática educativa realizada pelos docentes. Apesar dos estados africanos valorizarem a educação, mas em contrapartida parece contraditório porque na prática os investimentos feitos no setor ainda são insuficientes, concretamente em Angola com uma média de 7% de investimento em cada ano letivo. Assim, lança-se os desafios sobre a necessidade dos políticos, legisladores e decisores compreenderem mais a importância do ensino e fazerem deste modo mais descrições e análise situacionais sobre o processo de ensino-aprendizagem. Para tal, é imprescindível exisitir mais professores formados e a construção e apetrexamento de mais infraestruturas escolares, com um clima de trabalho colaborativo entre todos intervenientes do processo educativo, onde a supervisão escolar deve fazer o acompanhamento de todas atividades realizadas nas escolas. É interessante realizar pesquisas para se compreender o que se faz nas instituições escolares de maneira a conciliar a teoria e a prática e realizar a introspeção sobre o modo de atuação com vista a perspetivar melhorias para que haja aprendizagem significativa.
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39 CAPÍTULO II: A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM ESCOLA SECUNDÁRIA
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47 pois constam do plano de estudos do primeiro ciclo do ensino secundário um total de 12 disciplinas que irão possibilitar o aluno, após a conclusão da 9ª classe, prosseguir os seus estudos nas escolas do segundo ciclo do ensino secundário ou nos institutos médios técnicos e normais. Deste modo, o Plano de Estudos prevê na sua implementação, um máximo de 30 horas semanais durante 30 semanas para as três classes, com uma frequência semanal de cinco dias letivos. Neste contexto, cada disciplina terá a carga horária semanal e anual, tal como podemos verificar na tabela seguinte: Disciplinas Horário semanal / Classe Total por disciplina 7 ª 8 ª 9 ª Língua Portuguesa 4 4 4 360 Língua Estrangeira 3 3 3 270 Matemática 4 4 4 360 Biologia 2 2 3 210 Física 3 2 2 210 Geografia 2 2 3 210 Química 2 3 2 210 História 3 3 2 240 Educação Física 2 2 2 180 Educação Moral e Cívica 1 1 1 90 Educação Visual e Plástica 2 2 2 180 Educação Laboral 2 2 2 180 Total de tempos letivos semanal 30 30 30 --- Total de tempos letivos anual 900 900 900 2700 Total de disciplinas 12 12 12 36 Tabela11. Plano curricular do I ciclo do ensino secundário Fonte: Ministério da Educação de Angola Está evidente que no atual plano curricular a disciplina de Educação Moral e Cívica tem a carga horária mais baixa de todas, 1 tempo semanal contrariamente ao plano anterior que
48 contava com 2 tempos, inserida com o objetivo de contribuir para um perfil de saída que visa resgatar os valores morais e cívicos para uma boa educação para cidadania. 2.2.3. Caraterísticas do perfil dos alunos da escola secundária Apesar da diversidade cultural dos alunos e alunas das escolas secundárias existentes em Angola, duma forma particular realizaremos um estudo nas escolas do I ciclo do ensino secundário sedeadas no município do Lubango. Sabemos que nos dias de hoje, alguns alunos e alunas apresentam comportamentos inadequados nas relações interpessoais, pois, as crianças fazem o que lhes apetece, saem de casa sem darem satisfação nem o fazem quando regressam. Os pais são mais ausentes, muitas famílias são desestruturadas, a onda de conflitos afetou muito as famílias. Alguns filhos ofendem, batem e em alguns casos, chegam a serem mais radicais, matando os próprios pais e vice-versa, vendem a casa dos pais, em outros casos os adultos violam as crianças. Acusam as mesmas de feitiçaria, porque os valores da cultura angolana que se acreditou durante muito tempo estão ficando para atrás, como a divindade (Deus) e seus ensinamentos, devido a confusão de divergências de ideologias existentes, umas baseadas na religião e outras no ateísmo (Kundongende, 2013). Como se não bastasse a globalização / modernização, afetou os angolanos de uma forma muito forte, que até em alguns casos esquecem as suas próprias ideologias e culturas, realizando ações que não dignificam as pessoas como por exemplo, o aumento de crimes e vícios. No entanto, devido a mal interpretação da globalização, nos dias de hoje há muita influência de realidades e práticas estrangeiras na cultura angolana em função dos novos hábitos e costumes principalmente proveniente da Europa e América. Por isso, o desafio que se lança ao angolano está em rever-se na sua cultura em primeiro lugar e depois receber o que tem de bom em outras culturas (García-Valcárce et al., 2014). Assim, neste nível espera-se como perfil de saída, que os alunos aprendam a viver bem com os seus semelhantes, razão pela qual procura-se no dia-a-dia na sala de aula, que os professores contribuam para o desenvolvimento das dimensões socioafetiva e intelectual dos alunos. Uma vez que as relações interpessoais, são indispensáveis no processo de ensinoaprendizagem e espera-se que no fim do I ciclo, o aluno no domínio socioafetivo e intelectual, seja capaz de organizar-se em função da sua escala de valores. Iniciar a sua integração na sociedade, especialmente no que concerne a certeza na escolha de uma profissão.
49 Nesta base, segundo o documento do Governo de Angola (2004), sustenta que neste período, diminuem as oscilações morais e começa a aparecer a maturidade na sua conduta e nas suas relações interpessoais: - A ideia da entrada no mundo do trabalho e as preocupações dos estudos superiores tornam cada vez mais sensível aos problemas dos jovens; - Do ponto de vista intelectual, o aluno desenvolve as capacidades lógicas e de representação simbólica, tal como são usadas pelos adultos. Aprende a equacionar um problema, na base de várias alternativas de soluções possíveis, decidindo entre elas quais as mais apropriadas; - É de notar que o estádio de desenvolvimento depende em grande parte do grau de instrução da pessoa em causa. Este é o quadro esperado, no entanto procuramos compreender até que ponto se tem desenvolvido estas competências para sabermos o que está na base das relações interpessoais não acontecerem de forma mais salutar, uma vez que existe no plano curricular esta componente moral e cívica. Deste modo, procuramos compreender como tem desenrolado a prática educativa dos professores e alunos, a maneira em que se desenrolam as aulas e o que estava na base desta problemática da não aplicabilidade dos valores ético-morais nas relações interpessoais, razão pela qual na altura (1992), se criou e implementa a respetiva disciplina de Educação Moral e Cívica no plano curricular com a finalidade de contribuir para a formação integral do aluno ou aluna. 2.3. A administração escolar Para existir o sucesso educativo é necessário segundo Ayala et al. (2012), que a administração escolar tome medidas pertinentes com vista ao alcance dos objetivos. Ela deve articular deliberações relativas à organização das escolas, currículos e a formação dos professores tendo em conta as reais possibilidades que elas podem oferecer para que se alcance os objetivos do ensino. Para tal, segundo Fernández & Hernández (2013), é imprescindível que a administração escolar utilize um modelo de liderança compartilhada (colaborativa), capaz de contribuir para que haja boas práticas educativas nas escolas, pois fomenta a implicação, colaboração e participação democrática na maneira de atuar. Assim, somos apologistas que a qualidade de ensino a semelhança de Mulford (2006), depende também da liderança e responsabilização que os docentes utilizam no contexto de
50 trabalho. Daí a necessidade de se compreender o trabalho realizado pelos líderes nas escolas secundárias tendo em consideração o desenvolvimento internacional acerca da liderança para o setor educativo com a finalidade de contribuir para uma educação integradora. No entanto, no pensar de Amorim (2017), para implententação da gestão ou administração das instituições há que ter em conta alguns enfoques como o de administração escolar que refere que a escola está dividida por áreas, precisando unir as partes, passando de uma ação que ocorre para um processo contínuo, com hierarquização das ações, tendo a participação individual como chave do processo, que irá progressivamente envolvendo os demais participantes da escola neste processo de mudança. O enfoque de gestão considera que o todo da instituição escolar, faz parte do mesmo processo, por isso, são essenciais as ações planificadas e que sejam executadas de maneira coletiva para buscar soluções que ocorrem durante o funcionamento das instituições. Finalmente, o enfoque da gestão inovadora é aquele que exige a participação de todos de forma a consolidar as mudanças que ocorrem na escola com vista a despertar e criar bom clima de trabalho educacional que contribui para o desenvolvimento de competências inovadoras que visam fortalecer o bom trabalho de gestor apoiado com uma equipa colaborativa. Assim, é necessário a administração escolar ter em conta os diversos modos de atuar, mantendo a relação estreita entre a liderança e a gestão administrativa, pois para que se produza uma transformação e melhoria dos processos de ensino e aprendizagem, é necessário também ter em conta as rotinas e manter os assuntos correntes da vida da escola. Assim, se necessitam temáticas que promovem a realização de investigação para melhorar a sustentabilidade dos problemas que ocorrem, já que as únicas tarefas que se realizam são da administração ou gestão da vida rotineira da escola, de maneira que o diretor da escola seja capaz de cumprir o seguinte: - Estabelecer direções e construir uma visão instrucional com altas expetativas de éxito; Redesenhar a organização, modificando as estruturas organizativas; Construir uma cultura e clima escolar capaz de sustentar as normas e valores de confiança, colaboração; Fomentar uma cultura de interesse para melhoria dos processos de ensino-aprendizagem; Dirigir o programa instrucional, fazendo supervisionamento de maneira sumativa e formativa do progresso na aprendizagem e na inovação no ensino; Apoiar o desenvolvimento profissional do professor tanto de forma individual como coletiva; Procurar e distribuir os recursos
51 materiais, tempo e apoio necessário para que se produzam as melhorias (Santaella et al., 2016). 2.3.1. Função da administração escolar A gestão escolar apresenta uma pluralidade de interpretação, pode ser também compreendida como um processo político de disputa e manifestação do poder sobre outros integrantes da escola pautando-se predominantemente pelos seus próprios olhares e interesses acerca de todos os passos desse processo. Para Ricardo (2012), a administração escolar visa garantir que as suas formas de compreender a instituição e os seus objetivos prevaleçam sobre as dos demais sujeitos participantes no processo educativo e leva-los a agirem de acordo os propósitos preconizados pela direção escolar. A gestão é a execução da política, é por onde a política opera e o poder se realiza, uma vez que não é possível separar a teoria da prática e vice-versa, tal como é impossível a separação da administração em relação ao poder ou com o governo. Nessa perspetiva, Abdian et al. (2017), descrevem que não é eficaz perceber os estudos da gestão como um ramo da política, tal como foi referido anteriormente. Já que, pode fragilizar a própria gestão escolar ao afastar a possibilidade da capacidade e potencialidade da elaboração de políticas escolares. Assim, há necessidade de se explorar mais, pois a administração escolar tem o papel de alargar o grau de compreensão da gestão escolar para além de sua posição de mediadora da política educacional visando a garantia da qualidade das práticas educativas ocorridas em cada contexto escolar. Para Alberto (2010), a administração escolar desempenha um crucial papel no campo da decisão política em educação em função da gestão dos diferentes espaços educativos, para que se realize bem o trabalho entre os intervenientes do processo. Ainda a administração escolar, vela para que se concretize os princípios da regulação e funcionamento global do sistema educativo de maneira que o desenvolvimento de diferentes paradigmas, concorra com lógicas específicas, com a finalidade de conceber uma aprendizagem organizacional que contribua para o progresso nas relações desejáveis entre todos os agentes responsáveis pelo processo de ensino-aprendizagem. No pensar de Fernández et al. (2016), considera a competência docente, como sendo o conjunto integrado de caraterística pessoais, conhecimentos, habilidades e atitudes que são necessárias para uma atuação eficaz no processo de ensino-aprendizagem em diversos
52 contextos. Acreditamos que o professor para cumprir com esse desiderato, há necessidade da administração escolar avaliar as competências docentes, de maneira a contribuir para evidenciar o nível de competências e encontrar argumentos que permitem emitir juízos de valor pertinente para elaboração de desenhos curriculares e sua aplicação na formação inicial de futuros docentes e a formação permanente dos professores já em desempenho da profissão. A escola tem a função de ser transmissora dos saberes produzidos socialmente pelas comunidades onde elas estão inseridas ou atuam. Isto sempre ocorre ao longo de toda história de formação das novas gerações colocando as instituições de ensino como organização marcante na vida das pessoas. Essas instituições procuram mudar em seu ambiente pedagógico para criar a nova cultura que seja individual e coletivamente referenciada, com práticas também individuais e sociais que se aproximam e se contradizem ao mesmo tempo, servindo de espaço inovador durante as aprendizagens. A função da escola também se realiza através das instituições de ensino para aproximar o passado ao presente, já que o presente abre espaços dinâmicos para aproximar e perspetivar o futuro, antecipando e revelando as experiências e saberes socioeducacionais, socioemocionais e sociopessoais que engrandecem a perspectiva histórica da educação (Amorim, 2017). Em suma, a administração escolar também tem a função de controlar ou gerir a instituição escolar para garantir a definição e cumprimento dos ideais sobre o qual se construiu o processo de gestão, que é um processo de procura, disputa, conquista e socialização da supervisão desse controle de decisão que cada escola segue durante o seu funcionamento. Portanto, a administração escolar é responsável pelo desenrolar de todas atividades escolares em função do supervisionamento que faz no âmbito de coordenação da política escolar para a boa gestão escolar. 2.4. O conceito de Educação, Moral e Cívica A educação é entendida, como uma busca de igualdade para todos os indivíduos, que se alcança pela aplicação de métodos eficazes para a aprendizagem do saber selecionado para ser ensinado, e por outra, é a implementação de um sistema educativo de responsabilidade do estado de qualquer pais que garante a educação para todos, sustentando a promessa de progresso e acesso a todos os indivíduos (Vergara, 2015). Atualmente se fala de educação intercultural como uma proposta de ação educativa teórico-prática em que prevaleceo o reconhecimento da existência dos outros como sujeitos possuidores de uma cultura diferente e o conhecimento do que isto significa em tremos de
53 semelhanças e diferenças com a própria cultura escolar caraterizada por múltiplas influências. A educação intercultural se carateriza pelo intercâmbio e a interação e favorece o desenvolvimento humano para o qual devemos adquirir competências e habilidades interculturais. Assim, esta educação deve buscar promover nos alunos, o desenvolvimento de capacidades de pensamento crítico que permite gerar uma implicância entre os sujeitos na necessidade de construir um projeto social comum. Para tal, a rotina docente deve estar focalizada em implementar práticas pedagógicas contextualizadas baseadas em estratégias de ensino aprendizagem, com o diálogo, reflexão e criatividade, promovem o desenvolvimento do pensamento crítico e a autonomia do estudante (Beltrán-Véliz et al. 2019). Segundo os gregos a palavra moral vem do latim moralis, que significa maneira de viver, já os romanos associam esta origem a palavra ethos, que é entendida como a maneira de fazer ou adquirir as coisas, costume, hábito. No entanto, moralis diz respeito aos costumes. Assim, a noção de moralidade é apontada como sendo complexa em sua concepção clássica (baseada na razão e no agir corretamente) e da “afeição natural” (predisposição interna para amar e fazer o bem). A moralidade é uma dimensão humana estreitamente vinculada aos valores e tem um aspeto psicológico, na medida em que o indivíduo depende de mecanismos racionais e emotivos. Está condicionada com o desenvolvimento da personalidade sofrendo a influência de fatores socioculturais. Porém, o estudo da moralidade tem interessado particularmente a psicologia evolutiva desde uma perspetiva genética que permite o seguimento graduado acerca do desenvolvimento moral, podendo identificar-se os fatores determinantes e as relações entre eles (Raiza & Trina (2010). Changwoo & Hyemin (2013), consideram a "ética ou filosofia moral" como disciplina preocupada com o que é moralmente bom e mau, certo e errado. Ele afirmou que o termo é também aplicado a qualquer sistema ou teoria dos valores morais ou princípios. Da mesma forma, a ética comummente é considerada como um campo de reflexão filosófica que orienta o nosso comportamento. A palavra cívica em muitos casos é associada a educação para cidadania, em outros como formação cívica, todos eles procurando compreender acerca dos valores humanos que permitem uma boa vivência em sociedade. Assim, o objetivo da formação cívica é conseguir que o sujeito atue de acordo com o que é o bem ou aquilo que é considerado bom. A formação cívica deverá proporcionar ao indivíduo um conjunto de critérios para atuar de forma autónoma e racional perante situações que apresentem conflitos de valores.
54 Apesar das diferenças, a base comum em que se apoia a competência social e cívica é fundamentada exatamente na formação e no exercício da cidadania. Daí a necessidade de pensar sempre na responsabilidade moral da escola e em consequência Fernández-Soria & Mayordomo Pérez (2014) enfatizam o desejo de organizar como uma comunidade moral que reproduz um processo e condições de vida e considera que seus procedimentos hão de estar concebidos para insistir mais na construção e a produção que na observação é a mera aprendizagem. E deixa claro que tanto a formação de caráter como a preparação da vontade dos hábitos morais têm uma perspetiva ou finalidade social importante, dado que a ação moral é uma questão não individual, mas também social, de maneira que a responsabilidade moral da escola e dos que conduzem, e o sistema educativo que não conhece este fato da responsabilidade moral seria incompleta. Só podemos saber se nós somos a maioria na verdade pela ação realizada dentro da própria responsabilidade para os outros e com os outros na comunidade a que pertencemos. No entanto, como argumentam Gutiérrez & Lozano (2015), a educação é tida como um fator chave para o desenvolvimento de capacidades, competências, habilidades e atitudes que garantem uma boa convivência e salvaguardar os direitos e deveres dos seres humanos. Por isso, em função da diversidade é necessário que as instituições escolares sejam reconhecidas como espaço que contribui para ajudar os integrantes da mesma a viverem a democracia e os valores que garantam a convivência e respeitando a diferença. Para Bruno, Jofré & Jover (2009), citados por Fernández & Mayordomo (2014), pensam sempre que a responsabilidade moral da escola, antes é da sociedade e enfatizam o desejo de organiza-la como comunidade moral, que reproduz um processo e condições de vida. E considera que seus procedimentos devem estar relacionados com a construção e produção em que a observação é o meio de aprendizagem. Considera a formação de caráter como preparação da vontade ou os hábitos, costumes e têm uma perspetiva ou finalidade social importante. Dado que a ação moral é uma questão não só individual como social, o sistema educativo que não reconhece este fato seria incompleto e caduco. Portanto, com a contribuição de Gregori & Cervantes (2012), refletiremos acerca de educar em valores em função da importância que representa. Por isso, incentivam a criar condições para estimar os valores que permitem o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes próprias para a convivência pacífica. Assim, considera que os valores consagrados nas sociedades plurais e democráticas são o que se denomina educação moral, a
55 qual pretende aproximar as crianças e jovens a pautarem por uma conduta e hábitos coerentes com os princípios e normas ou regulamentos. 2.5. O Professor de Educação Moral e Cívica O professor é considerado como aquele que ensina e organiza o trabalho prático e colabora na investigação. Ele é muito importante, porque tem como principal objetivo formar seres humanos para a vida, capazes de responderem as demandas de um mundo em constante mudança. De acordo o contexto de Angola, o professor de Educação Moral e Cívica é alguém recrutado para trabalhar no setor educativo a fim de lecionar mesmo não tendo a formação inicial. Pois, os critérios de seleção como professor, não condicionam a formação inicial ou profissional que possui o candidato. O importante são as habilitações literárias que o candidato possui, tendo como habilitação mínima exigida a 9 ª classe em diante, não importa se esta formação resultou da formação geral ou se resulta da formação profissional. Diante este quadro, as investigações no âmbito de atitudes dos professores, tendo em conta a diversidade cultural existente na escola, fazem menção a existência segundo Sanhueza et al. (2014), das seguintes formas de atuar: alguns docentes estão preocupados principalmente com o conteúdo escolar; outros docentes estão centrados na metodologia de trabalho, enquanto também há docentes que centram o trabalho no desenvolvimento de competências dos alunos tendo em conta o crescimento socioafetivo. Atualmente existe informes que destacam a maior complexidade de trabalho dos professores de educação secundária. Deste modo, segundo Lorenzo et al. (2015), as novas funções e direções fazem com que a mudança de trabalho dos professores seja evidente: a aparição e uso das novas tecnologias de informação e comunicação, a necessidade de seu conhecimento e uso por parte dos professores. Sobretudo, desde a perspetiva didática, gestão da aula e escola, atenção de necessidade educativas, atenção a diversidade cultural e a necessidade de resolver problemas de comportamento. Assim, espera-se do docente de EMC, que contribua para o desenvolvimento de atitudes positivas nos alunos, deve ser reflexivo, investigador, intelectual, crítico e transformador, capaz de dominar saberes, compreender a cultura e o meio que o rodeia, bem como trabalhar e aprender em equipa. Ainda na visão de Colomer et al. (2010), o docente tem de passar de uma posição passiva para ativa para que possa cumprir algumas funções: diagnosticar necessidades, planificar as lições, eleger materiais didáticos pertinentes e motivar os estudantes no processo de ensino-aprendizagem.
56 Nesta ordem de pensamento, Marcelo (2009a), faz menção de que o professor influencia toda aprendizagem dos alunos e alunas. Daí que a aprendizagem depende do tipo e nível de conhecimento e da capacidade de realizar as atividades por parte do professor. Para tal, é necessário que ele seja responsável, investigador, reflexivo e comprometido em realizar boas práticas. A concepção atual de profissão se refere a uma atividade socialmente institucionalizada, que proporciona uma série de bens ou serviços necessários para a sociedade. Se requer uma formação especializada e reconhecida para poder exerce-la, em função das normas e códigos éticos orientadores estabelecidos para o exercício da mesma. Para o efeito, é necessário possuir as competências docentes, entendidas como a forma prática em que se articula o conjunto de capacidades, habilidades e competências que possui ou deve possuir o professor e que determinam os resultados de suas intervenções pedagógicas. Assim, o papel do professor na apropriação das políticas de apoio educativo é chave para que a resposta educativa oferecida aos estudantes na busca de conhecimento. É crucial elaborar-se normativas incentivadoras para se realizar investigações que contribuam para que as práticas educativas se desenvolvam dentro das escolas e em aulas, para que os atores se apropriem dos processos e originem ações e práticas que ajudem os alunos a desenvolverem competências e a qualidade de ensino (Monarca, 2017). Neste sentido, para Núñez et al. (2012), o exercício da profissão docente, quando assumido como exercício da profissionalização passaria de expressão de ação e rotinas para converter-se em uma praxis intencionada, geradora de sentidos e de saberes para os docentes. Para tal, é essencial ter em conta a sua função que desempenha que no pensar de García et al. (2018), todas as funções do docente são importantes, destaca que a orientadora é determinante e cosntitui apoio essencial à formação de integral de alunos como pessoas comprometidas consigo mesmo e com a sociedade com mente crítica e com habilidades para conseguir a autorientação e trabalhar para adquirir e difundir os valores humanos. Embora o professor tutor não seja propriamente um orientador, pois seu papel mais preciso é responder a necessidade de educar pessoas concretas, particulares, individuais com problemas singulares, motivacionais e caraterísitcas distintas uma em relação a outra. Entretanto, a figura de tutor se institucionaliza numa parte da ação educativa orientadora. No trabalho desenvolvido por Reloyo et al. (2017), expõe que os professores em serviço ativo de educação secundária deviam possuir caraterisitcas que concorram para ser um
63 Para Hernández et al. (2013), a prática educativa consiste num conjunto de ações sociopedagógicas organizadas num tempo e espaço de caráter histórico, que permite ensinar e aprender a partir de experiências formativas e práticas, a função fundamental é reconstruir e reinventar a existência humana dos homens. Ainda nos basearemos no trabalho de Garcia et al. (2008), intitulado «a análise da prática educativa dos docentes», onde apresenta-se a ação que o professor desenvolve em aula, referindo-se especificamente o processo de ensinar em contexto institucional. Considerando o centro da educação, o aluno que aprende, que vai a busca do seu conhecimento, pelo que supõe transformações no processo de maneira a basearse não só no ensino, mas também uma educação baseada na aprendizagem. Nesta perspetiva, defende-se que deve existir maior interação entre os professores e alunos ou alunas nos centros escolares e principalmente durante o processo de ensinoaprendizagem de maneira a compartilharem experiências que podem ser indispensáveis para o desenvolvimento integral de cada pessoa, docente e alunos. Por isso, Munoz et al. (2010) defendem que investigar sobre a prática docente para melhorar o processo de ensinoaprendizagem deve ocupar um lugar central na preocupação dos professores de continuar com a nobre tarefa de pesquisar para ensinar bem na disciplina que trabalha, investigar para fazer bem e orientar melhor a aprendizagem. No trabalho de Vallejos & Dujo (2011), apresenta-se a discussão de como deve ser a educação tendo em conta a evolução da sociedade e a diversidade de povos existente atualmente a fim de poder selecionar para a educação, aquilo que constituiu a memória individual e privilegiar a “memória colectiva” como modelos culturais, que vão orientar a vida pessoal e comum de um povo como forma para o melhor enquadramento na vivência em coletividade. A contribuição de Travería (2008), visa dirigir os professores das escolas secundárias, em função da dinâmica protagonizada pelos alunos das respetivas escolas, o que faz com que haja no século XXI um novo perfil de professores, que comporta mudança epistemológica de conceito, de maneira a enfatizar a capacidade de construir conhecimento entre os intervenientes do processo de ensino-aprendizagem de maneira a superar com êxito esta nova complexidade social. Pensamos que esta dinâmica, por vezes implica na visão de Cerecer & Gutiérrez (2014), a reforma educacional que exige uma reestruturação de organização bem como a formação de professores, uma mudança de condições de trabalho para os professores e assim
64 proporcionar um desenvolvimento profissional ao longo da carreira. Ainda, Mercado & Martínez (2014), fazem menção acerca das práticas pedagógicas que os professores devem realizarem para melhorar a qualidade da educação, já que defendem a ideia de que o desempenho dos alunos melhora também se o professor usa avaliações de acordo a abordagem que tem realizado em sala de aula. Por isso, a avaliação tem sido caraterizada como formação e não apegar-se apenas à presença ou ausência de certos comportamentos. Contudo, ainda considera-se a prática docente como a ação que o professor desenvolve na aula, especialmente referida ao processo de ensinar, e se distingue da prática institucional global e a prática social do docente. Entretanto, se procura distinguir entre a prática docente desenvolvida nas aulas e uma prática mais ampla, levada acabo pelos professores no contexto institucional, denominada prática educativa. Esta última, para Garcia et al. (2008), se define como o conjunto de situações realizadas no contexto institucional e que influencia indiretamente nos processos de ensino-aprendizagem propriamente dito; se refere a questões mais interativa entre professores e alunos na sala de aulas, determinadas em grande medida, pela lógica de gestão e organização institucional do centro educativo. Tudo o que acontece dentro da sala de aula tendo em conta, a complexidade dos processos e das relações que se estabelecem, fazem parte da prática docente. A prática docente se compreende como o conjunto de situações dentro da aula, que configuram o fazer do professor e dos alunos, em função de determinados objetivos de formação circunscritos ao conjunto de atuações que incidem diretamente sobre a aprendizagem dos alunos. Nesta ordem de ideia, Juan et al. (2015), argumentam que a análise da prática educativa deve realizar-se através dos acontecimentos que resultam da interação entre professor – aluno e aluna e vice-versa. Uma vez que o comportamento e sentimentos dos alunos dependem de fatores sociais, como a atitude do professor, o ambiente que cria na sala de aula é um elemento essencial para motivar e desenvolver as emoções dos alunos. Outro autor a ter em referência sobre a prática educativa é Leguizamon (2013), que considera crucial a reflexão do praticante sobre sua experiência nas práticas, pois, é um conceito chave no desenvolvimento do trabalho, uma vez que a reflexão sobre a ação educativa durante o processo de ensino-aprendizagem se processa em três momentos: antes, durante e depois da ação que é entendida como prática docente. Para o bom desenrolamento desta atividade é necessário levar em consideração e reflexão as práticas educativas e sua planificação, procedimentos didáticos a ter em conta no contexto da sala de aula. A
65 planificação é a base para a prática docente e ajuda a decidir, prever, selecionar, escolher, organizar, avaliar, refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem antes, durante e depois da ação concluída. Se considerarmos a aula como panorama físico e psicosocial, que ocorre na relação entre professor e aluno com vista a construção de conhecimentos, então para compreendermos a prática pedagógica é imprescindível segundo Monteagudo (2012), centrarmos a nossa atenção nela. Tendo em conta os elementos que a compõem como o espaço, sujeitos, conteúdos, organização social e o pensamento dos intervenientes tais como: professor, aluno, diretor e famílias, de maneira a compreender as mudanças sociais verificadas no dia-a-dia das escolas e sua significação pedagógica. Portanto, a prática docente é um conceito que em princípio refere as dinâmicas e acontecimentos próprios da formação e ensino de saberes específicos na aula. Esta aproximação inicial basea-se em três componentes fundamentais: 1. Docentes e estudantes como atores principais; 2. A formação, o conhecimento, o ensino e a aprendizagem como eixos que os vinculam; 3. A aula escolar como espaço central que na sua abordagem inclui as relações entre as componentes referidas anteriormente. Nesta perspetiva, o respeito é necessário para reconhecer que as atividades e os princípios dos docentes e alunos são produtos de sistemas de crenças, saberes, opiniões, atitudes e valores (Barrios-Martíne et al. 2019). 2.8. A avaliação no sistema educativo A avaliação é a recolha de informação que ajuda a fazer um juízo de valor sobre o que está ocorrendo no processo pedagógico, de maneira a tomar decisão que contribua para existir qualidade nas atividades e na própria avaliação. A lei de base do sistema de educação é da exclusiva responsabilidade do Estado Angolano e refere o seguinte: As iniciativas de educação podem pertencer ao poder central e local do Estado ou a outras pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, competindo ao Ministério da Educação e Cultura a definição das normas gerais de educação, nomeadamente nos seus aspetos pedagógicos e andragógicos,
66 técnicos, de apoio e fiscalização do seu cumprimento e aplicação (Governo de Angola, 2001, art. 2, p. 3). Está claro que, o ministério de educação tem muitas responsabilidades na fiscalização do processo, podendo utilizar todos mecanismos favoráveis para o sucesso. Para tal, é necessário também envidar esforço para realizar cabalmente as atribuições que lhe são inerente quer na realização de avaliação externa e interna. Assim, Bernardes & Rothen (2016), referem que a avaliação não é um fim em si mesmo, mas um meio para transformar a realidade e transformar-se a si próprio. Durante o processo de ensino aprendizagem no sistema angolano, de acordo o trabalho de Afonso & Agostino (2005), as modalidades de avaliação previstas são: Avaliação diagnóstica, que é realizada antes do ciclo de aprendizagem; a avaliação contínua que ocorre durante o ciclo de aprendizagem e a finalmente temos a avaliação formativa que é realizada no final da aprendizagem de cada trimestre. Sabemos que para além destes tipos de avaliação existem outras modalidades para melhorar o processo educativo. A avaliação de escola enquanto promotora da melhoria está presente nos discursos que sustentam a importância da recolha de informação útil sobre o funcionamento das escolas, de modo que possibilite a tomada de consciência de situações e processos. A crença desse sentido de avaliação de escolas é de que ela tem o potencial de identificar questões centrais a partir das quais pode ser pensada para melhoria do setor educacional (Figueiredo et al., 2018). Para tal, é indispensável que a avaliação se estruture e se atue sobre a base comportamental bastante explícita, de modo que o bom docente levará os alunos a praticarem ou atuem de acordo ao esperado e o bom avaliador aplicará os critérios de avaliação de um modo mais ou menos rígido, sem necessitar esforçar-se demasiadamente e desenvolver um juízo formado. Isto é possível devido a natureza reducionista dos critérios previamente especificados, que se supõe garantirem que a avaliação seja objetiva, e espera-se que os docentes emitem juízos de valores sendo também uma avaliação subjetiva (Standish, 2016). No processo de avaliação angolano predomina mais as avaliações padronizadas que segundo Alves (2016), consistem em mensurar as aquisições cognitivas dos alunos a partir de provas cuja concepção, administração e correção são uniformizadas. Porém, esta forma de avaliar parece fragilizar a criatividade. No entanto, existe a avaliação interna das escolas que na perspetiva de Ferreira (2016), é aquela em que o processo é conduzido e realizado apenas
67 pelos membros da comunidade educativa da mesma escola. Em Angola, esta avaliação é realizada pelo coordenador de disciplina da área em que o professor estiver a lecionar e tem por tarefa recolher informações e fornecer a direção da escola. Em outros casos, simplesmente os professores são chamados para assinarem as respetivas fichas, seguida da assinatura do avaliador e depois é homologada pelo diretor provincial da educação, ciência e tecnologia. De acordo o Decreto 3/2008, no seu artigo 2º, refere que os objetivos da avaliação dos professores visam: a) Despertar nesses trabalhadores a necessidade de superação constante, capacitandoos científica e pedagogicamente para as suas tarefas cotidianas; b) Incentivá-los para a disciplina pessoal no cumprimento de todas as tarefas diárias ou periódicas que concorram para a planificação, organização ou execução da atividade laboral; c) Contribuir para o aumento do seu prestígio social e brio profissional. Os referidos decretos também referem as modalidades de avaliação do corpo docente e especialistas de administração da educação, que nomeadamente são duas: 1. A avaliação comum, na qual o processo de avaliação efetua-se anualmente até ao mês de Janeiro, relativamente ao ano letivo anterior; 2. A avaliação especial é aquela em que o processo de avaliação efetua-se por iniciativa dos interessados e visa proporcionar-lhes a possibilidade de acelerar a promoção na carreira, por força da especialização, ou de correção de classificação negativa obtida na avaliação comum. Assim, a avaliação de desempenho do docente é feita em função dos elementos constantes no Diário da República na I série, número 74/2008 que orienta o preenchimento de uma ficha que consta de 5 indicadores que fazem referência o seguinte: - Qualidade do processo de ensino aprendizagem; - Aperfeiçoamento profissional; - Inovação pedagógica;
68 - Responsabilidade; - Relações humanas no trabalho. Assim, a influência da prática avaliativa do professor é clara, tendo em conta a forma em que é concebida e tem repercussões diretas nas práticas pedagógicas dos professores e esta influi na aprendizagem dos alunos. Igualmente, existe várias concepções acerca da avaliação, tal como destacam Javier et al. (2015), que passamos a relatar: - A avaliação como melhora, que segundo esta perspetiva, a avaliação fornece informações que contribuem para mudar e melhorar o processo de ensino – aprendizagem, Os docentes utilizam diversas estratégias de para avaliar os estudantes, recolhendo informação quantitativa e qualitativa tanto para os docentes como para os alunos. Deste modo, a revelância e o protagonismo que adota a competência avaliativa no perfil profissional do professor segundo Bilbao & Villa (2018), incide nos seguintes focos de atenção: - Avaliação e resultados de aprendizagem, refere que a avaliação tradicional foi utilizada como instrumento acreditativo, a avaliação representa um recurso didático previlegiado para contribuir ao longo de metas de aprendizagens definidas. É considerada como um recurso para a compreensão profunda do processo de aprendizagem, ajuda melhorar a mesma e o seu rendimento. - Avaliação e qualidade de ensino - está visão faz menção a avaliação como uma caraterística chave associada ao ensino. O docente é considerado um profissional que assume a reflexão sobre a acção como pilar de seu exercício profissional, investigando sobre a sua própria atividade docente. - Avaliação e qualidade institucional, é aquela que concebe a avaliação como um fator estratégico para inclementar a qualidade institucional. Esta visão parte dos benefícios potenciais da avaliação sobre os processos de aprendizagem e ensino. Contudo, no processo docente educativo, as razões éticas da avaliação das aprendizagens e dos valores morais são requisitos essenciais da profissão docente. Assim, as escolas de formação de professores são responsáveis pela formação inicial de docentes em todos os níveis, e são os modelos de conduta a imitar pelos jovens no futuro, pelo que não
69 cabe maior motivo para a formação e investigação desta temática. Desta forma, estes estudantes serão os futuros professores e suas boas práticas serão motivo de exemplo e efeito multiplicador aos cidadãos que educarão (Cebrián-Robles et al 2016). Portanto, a avaliação é tida como indicador para o trabalho do docente, e é da responsabilidade da escola e, serve também para demonstrar a qualidade de ensino nela praticada, tendo igualmente influência na responsabilidade avaliativa das competências dos estudantes em função do seu grau de escolaridade. Assim, essa questão é polémica, devido a finalidade, fiabilidade e validez dos resultados da avaliação, porém é um elemento essencial no processo educativo. 2.9. Resumo do capítulo II A prática pedagógica constitui um indicador essencial no processo de ensino-aprendizagem e se vê influenciada com o contexto em que é realizado, tendo em conta a quantidade elevada de alunos nas salas correpondente ao primeiro ciclo do ensino secundário, onde muitas escolas clamam devido a falta de condições. Mas se existir um bom contexto escolar, pode influenciar no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e competências em função do perfil de saída dos alunos que frequentam o nível secundário. Assim, é necessário que as escolas estejam bem orgnizadas para contribuirem na verificação de mudanças qualitativas, capazes de satisafazerem as condições para se realizar aprendizagem significativa e inovadora. Para tal, é indispensável que a família desempenhe também o seu papel no acompanhamento das atividades escolares para ajudar na luta contra o analfabetismo. No entanto, a administração escolar joga igualmente uma função preponderante na tomada de decisões pertinentes, no que concerne a organização da escola e dos currículos para o alcance dos objetivos, utilizando para tal uma liderança colaborativa que permite a implicação das famílias no processo contribuindo também para realização de boas práticas educativas. Relativamente ao perfil do professor de Educação Moral e Cívica, é alguém recrutado e contratado para lecionar independentemente da formação que possui se resultou da formação geral ou inicial de professor. Em função disso, encontramos docentes preocupados com a transmissão dos conhecimentos, outros centrados na metodologia, ao passo que apenas uma menoria centra-se no desenvolvimento de competência dos alunos. Porém, com a aparição e utilização das tecnologias de informação e comunicação por parte do professor, fazem com que a função
70 seja mais evidente desde a perspetiva didática, gestão de aula e atenção de necessidades educativas, a diversidade cultural e a necessidade de resolver problemas de comportamento. Ao longo do historial educativo, é ainda presente que alguns docentes utilizam diversos modelos de ensinos, tais como: o tradicional, em que o ensino é centrado no professor; transmissivo por ser realizado num processo unidirecional, enquanto outros, usam o construtivismo que ajuda os alunos a fazerem coisas novas tendo em conta a interação e as distintas dinâmicas integradoras ou seja, uma forma de trabalho baseado na construção de conhecimentos, habilidades e competências. Portanto, entender a prática pedagógica dos professores requer fazer uma reconstrução de conhecimento donde a teoria deve contribuir para analisar e transformar a prática, considerada como uma praxis objetiva e intencional que implica processos de formação, experiência, crenças, concepções pedagógicas e visão do mundo para melhorar as atividades educativas em sala de aula.
71 CAPÍTULO III: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM ANGOLA
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79 Assim, os docentes que frequentaram a formação inicial seguiram as seguintes especialidades: Especialidade: Francês; Especialidade: Inglês; Especialidade: Português; Especialidade: Matemática e Física; Especialidade: História e Geografia; Especialidade: Biologia e Química; Especialidade: Educação Visual e Plástica; Especialidade: Educação Física. De salientar que a execução deste plano curricular não é de cumprimento obrigatório a nível de todo país. Pois, depende das condições de cada contexto e em função deste, implementar os cursos na especialidade onde existir condições para tal. Nesta base, no contexto das escolas de formação de professores sedeadas no Lubango, não prevê a formação de professores para lecionarem a disciplina de Educação Visual e Plástica, Educação Laboral e Educação Moral e Cívica. Em paralelo a essa formação, também existe a formação geral em outras áreas do saber tais como: especialidades de ciências económicas e jurídicas, ciências humanas, ciências físicas e biológicas, agronomia, enfermagem, construção civil e electricidade. Devido o ínfimo número de professores, os quadros formados nestas especialidades, mesmo sem agregação pedagógica também estão lecionando nos diversos níveis de escolaridade. Por isso, os técnicos apresentam dificuldades devido a falta de formação inicial nesta área do saber para o bom desenvolvimento do processo educativo. No entanto, atualmente ainda não existe no mercado laboral docentes especializado para todas disciplinas existentes no plano curricular do I ciclo do ensino secundário. Sabemos que os conteúdos desenvolvidos profissionalmente, como os curriculares não são estáticos, são sujeitos a evolução, de maneira que a seleção dos mesmos esteja exposta a ideologias sociais, culturais, educativas e políticas que pugnam por prevalecer.
80 Daí que os conteúdos de desenvolvimento profissional supõem um espaço singular donde entram em jogo os valores, ideias, interesses e certas apostas de acordo ao tipo de professor criado. Portanto, a maioria das mudanças retóricas na formação continuada estão centradas nas formas e estruturas (colaboração entre os professores, participação em atividades formativas, relações entre a teoria-prática, visitas a outros centros ou aulas, sua duração e contextos (Dominguez & Entrena, 2017). 3.1.3. Objetivos gerais do Subsistema de Formação de Professores Qualquer formação para que se realize no contexto aceitável é crucial saber os propósitos da mesma. Nesta base, o Governo de Angola (2016), menciona na lei nº17/16, no seu artigo 44º, como objetivos gerais do Subsistema de Formação de Professores em Angola os seguintes: a) Formar professores e demais agentes de educação com o perfil necessário à materialização integral dos objetivos gerais da educação nos diferentes subsistemas de ensino; b) Formar professores e demais agentes de educação com sólidos conhecimentos científicos, pedagógicos, metodológicos, técnicos e práticos; c) Promover hábitos, habilidades, capacidades e atitudes necessárias ao desenvolvimento da consciência nacional; d) Promover a integridade e idoneidade patriótica, moral e cívica, de modo que os professores e agentes de educação assumam com responsabilidade a tarefa de educar; e) Desenvolver ações de atualização e aperfeiçoamento permanente dos professores e agentes da educação; f) Promover ações de agregação pedagógica destinadas a indivíduos com formação em diversas áreas de conhecimento para o exercício de serviço docente. Ainda neste panorama, segundo Garcia & Garcia (2009), a formação de professor se propõe dotar aos profissionais não apenas capacidades técnicas para ensinar, mas também de habilidades de investigação adequadas para a análise das consequências do que estão fazendo em relação aos alunos, escola e a sociedade. Atualmente, como argumenta Maria (2015), a aprendizagem dos professores, é a transformação ou colocação do seu conhecimento em prática, em benefício do crescimento dos alunos, têm sido os principais problemas associados com a necessidade constante do desenvolvimento profissional do professor num sentido mais amplo para contribuírem na evolução da escola e qualidade de ensino.
81 3.2. Perspetiva de pensamento do professor Ao longo dos anos sempre houve preocupação com os enfoques de pesquisa sobre o pensamento dos professores tendo resultado segundo Palma (2010), distintas linhas de investigação tais como: a) Os estudos sobre a metacognição, que se interessam pelo conhecimento dos próprios processos cognitivos e a forma em que influi este conhecimento nos processos de aprendizagem e seu controlo; b) A teoria da mente se centrou em buscar a origem e a formação de concepções implícitas; c) Os estudos relacionados com as crenças epistemológicas, as quais estão centrados principalmente na natureza de conhecimento, suas fontes e justificação; d) O enfoque fenomenográfico que visa analizar a maneira em que os professores interpretam suas próprias experiências de aprendizagem; e) O enfoque das teorias implícitas se centram nas concepções e componentes implícitos, não acessíveis diretamente e asume que as pessoas criem declarar de forma coerente com suas crenças; f) Finalmente, o enfoque mais centrado na prática, cujo interesse principal é a análise integrada da planificação e ação, o pensamento do professor e seus reflexos sobre a própria prática. Portanto, o pensamento é o crucial guia de orientação e ação do professor na prática pedagógica, e o professor é um sujeito reflexivo, racional que toma decisões, emite juízos de valor e tem crenças que geram rotinas de pensamento do professor tais como: a planificação, os pensamentos e decisões interativas, as teorias e crenças. Para a compreensão de teorias e crenças dos professores de Educação Moral e Cívica acerca da prática, é importante ter em consideração que as crenças são entendidas como proposições, premissas que mantém as pessoas e influem na forma de aprender e compreender as mudanças que os professores podem introduzirem. Como afirma Stenhouse (1987, p.103) citado por Roa (2014), não é possível o desenvolvimento de currículo sem o desenvolvimento de professor. Assim, as concepções, crenças e teorias dos docentes estão presentes em suas ações pedagógicas.
82 O professor possui significados (explícitos e implícitos) adquiridos pela formação, a experiência e interação com os alunos. Desde esta perspetiva, segundo Palma (2010), as teorias implícitas pretendem explicar qual o sentido que o professor dá ao ensino. Elas podem dar explicação sobre o que os professores pensam, como pensam e como este pensamento se relaciona com a prática. Em outras palavras, representam estes pensamentos e os relacionam com a ação. Assim, as teorias implícitas são as teorias pedagógicas pessoais reconstruidas sobre a base de conhecimentos pedagógicos historicamente elaborados e transmitidos através da formação e a prática pedagógica. Logo, devemos considerar as teorias implícitas como uma síntese de conhecimentos que se ativam, segundo as diversas situações as quais podem ser teóricas, práticas, afetivas e sociais. Daí que, as mudanças educativas são possíveis tendo em conta a disponibilidade de modificar as crenças e suas práticas. Logo, mudar a educação exige entre outras questões transformar a representação que professores e estudantes têm sobre o processo de ensinoaprendizagem. No entanto, as concepções dos professores provêm do saber formal, que resulta da escolarização realizada e que serve para compreender e analisar os fenómenos. Outro conhecimento é aquele que resulta em função das experiências pessoais que é uma manifestação de educação informal. Nesta ordem de pensamento, ao primeiro tipo de conhecimento corresponde as teorias explícitas que se caraterizam por desenvolver a competência de saber dizer. O segundo tipo de conhecimento equivale a teoria implícita, que é de natureza inconsciente de cada pessoa na sua maneira de fazer para além de apenas dizer (Barrón, 2015). As teorias implícitas são consideradas como uma síntese de conhecimentos pedagógicos individuais que são elaborados e transmitidos através da formação e na prática pedagógica. Elas são usadas para interpretar, recordar e deduzir acerca de sucessos e planificar suas atividades práticas de ensino e aprendizagem, sua influência, percepções e juízos tendo em conta o comportamento dentro da sala e durante a aula. A importância do pensamento prático do professor, para Colén Riau et al. (2015), resulta na maneira dos profissionais desenvolverem um conhecimento pessoal, como consequência de sua atividade diária, que lhe ajuda a interpretar os episódios práticos de sua profissão. Deste modo, o conhecimento prático não deve ser encarado como uma mera reprodução de esquemas e rotinas empíricas que modelam a prática profissional, sem que suponha uma integração da teoria e a prática mediante atividades de análises e reflexão.
83 Existe alguns pressupostos básicos da investigação sobre o pensamento do professor que são os seguintes: - O professor é um sujeito reflexivo, racional que toma decisões, emite juízos, tem crenças e origina rotinas próprias de seu desenvolvimento profissional; Segundo, os pensamentos dos professores influem significativamente em sua conduta incluindo as ações realizadas durante a aula; Um terceiro aspeto significante e definitivamente fundamental é o reconhecimento de que tanto a reflexão de docente, como seu pensamento deve ser comprendido em duas dimensões: uma explícita, de relativo e fácil acesso, pelo que os questionários podem ser um instrumento adequado e uma implícita; dimensão esta última que requer o concurso de métodos mais qualitativos (Palma, 2010). Portanto, quando pensamos na prática docente consideramos o que revela o estudo das práticas pedagógicas, mostrando que os saberes docentes são mobilizados e experimentados, colocados à prova na prática, e se forem considerados inadequados pelo professor, são repensados, abandonados ou substituídos pelos outros a fim de melhorar as práticas e mostrando deste modo que, como atores sociais que são, os professores pensam, dão sentido e significado permanentemente às suas ações (Vellojo & Granja, 2016). 3.3. As boas práticas docentes A educação atualmente se converteu em todos seus níveis e especialidade num espaço de muita complexidade e diversificação em função da heterogeneidade de sujeitos e contexto escolar existente. Assim, coloca-se o desafio de entender essa diversidade com nova forma de atuar, porque o que funciona bem num contexto com determinado professor, pode não acontecer o mesmo noutro contexto com outro professor. Daí a necessidade dos docentes segundo Pérez (2010), fazerem a teorização prática acerca da relação entre a experiência e o saber, bem como o saber que resulta da própria experiência. Deste modo, a teorização prática é uma reflexão sobre a maneira de atuar, a luz de experiências e resultados educativos relevantes. O enfoque das boas práticas nos situa acerca da necessidade de se fazer a planificação e cumprimento das normas, que servem de orientação nos modos de fazer, de forma mais artístico. Permitindo que os técnicos tenham e façam uma melhor reinterpretação e reconstrução da sua experiência, tomando em consideração as situações do contexto. Para que haja aprendizagem significativa é importante que ela ocorra num clima e espaço favorável a prática educativa, onde cada aluno pode interpretar, argumentar e refletir entre pares e com o
84 professor. E a escola deveria ser um lugar prioritário de formação dos alunos, que dá resposta a todos agentes implicados no processo de ensino-aprendizagem (Rivas et al., 2015). Deste modo, Garcia & Garcia (2009), argumentam que é necessário acompanhar os docentes nos seus processos de desenvolvimento profissional e conhecer como atuam na aula, o que fazem, como vivem o seu trabalho. É imprescindível descrever as caraterísticas de casos concretos que acontecem durante a aula tanto com o professor e o aluno, já que as boas práticas não são perfeitas, precisam de planificação para melhorar a qualidade de ensino. Assim, as atividades desenvolvidas pelo professor antes e depois de entrar na aula oferecem oportunidades inestimáveis de compreensão e análise da prática. A planificação do ensino e as atitvidades da avaliação são meios que permitem detetar as dificuldades de aprendizagem dos alunos. Já que a experiência prática é uma das fontes mais importantes na aprendizagem docente. Neste sentido ela é entendida não unicamente como dedicação prolongada à prática, tendo como possibilidade de depurar, refutar e ampliar os conhecimentos profissionais do docente pela sua consciente participação nas situações de ensino (Mentado Labao et al., 2017) Nesta perspetiva, já Escudero (2009), justificava a pertinência de trabalhar com boas práticas por se interessar em aprender exemplos de atuação de sucesso, originais e inovadores em qualquer âmbito de ação humana. Criar padrões de caraterizar a prática educativa para que seja boa, não significa que temos de considera-la como aquela que é absoluta, fixa, predeterminada e externa a ação dos intervenientes e seus contextos. Assim, uma boa prática se entende como um empenho reflexivo, interpretativo, dialogado, cultural, social e pessoal. Implica operações e reconstrução das próprias ideais e ações por parte dos indivíduos tendo em conta os conhecimentos e experiências bem como os saberes e experiências de outros. Igualmente, as ações e estratégias com carácter inclusivo e integrador, segundo Ritacco et al. (2009), são entendidas como boas práticas são aquelas que visam um conjunto de valores, princípios de atuação e objetivos dirigidos a tirar melhor possibilidade do aluno, estar implicado e ser solidário com o seu semelhante. Para Day (2013), a melhoria da docência também passa pelo nível de conhecimento, acerca do que fazem e pensam os professores, sua experiência e a forma como fundamentam o seu conhecimento. Assim, pode servir como marco de referência de boas práticas, daí a necessidade de observar as aulas orientadas pelo professores para conhecer-se o que fazem, quando e como para se perspetivar continuamente o desenvolvimento profissional dos professores.
85 As boas práticas educativas também estão relacionadas com o uso das tecnologias de informação e comunicação durante as aulas, pois dentro do processo docente educativo, existem professores que utilizam as mesmas no contexto de aula, pelo fato de ter desenvolvido a competência digital criando recursos didácticos com as tic, esforçando-se em obter o maior rendimento na aprendizagem dos alunos. Outros professores utilizam-as apenas como mero instrumento, sem influir na qualidade do ensino em plena era digital. Por último, existe o grupo de professores que não têm a competência digital desenvolvida, devido a falta de condições e pela desmotivação de acreditar de que não serão capazes de adaptar-se ao novo mundo complexo e em constante evolução com a realidade das tic, ou também devido a insegurança de pensar que os alunos são os melhores dominadores destas ferramentas e por isso, nunca conseguiram manejar as mesmas para que haja aprendizagem significativa (Ramos & González, 2016). Para isso, acontecer é indispensável o sistema educativo de qualquer país pode considerar-se como um dos determinantes essenciais de seu nível de crescimento. A partir dalí, é crucial estudar os fatores que influem na obtenção dos desafios educativos favoráveis com o fim de realizar considerações de política social e educativa com fundamento. Para Alderete et al. (2017), uns dos elementos que tem influenciado bastante o sistema educativo nos últimos anos são as tecnologias de informação e comunicação. Deste modo, essas tecnologias ocupam atualmente um lugar muito significativo entre as prioridades educativas devido o seu contributo no processo de ensino-aprendizagem dos alunos de maneira a favorecer a realização de boas práticas educativas. Assim, a prática educativa e a teoria educativa estão interligadas, pelo que o objeto de estudo dos professores é a sua própria prática, alegando a prática dos processos mecânicos, no sentido comum ou carentes de reflexão e se posiciona em processos planeados, desenvolvidos, avaliados e potencialmente transformados desde os fundamentos teóricos, produzindo saberes para si mesmo. Por isso, ela implica uma abordagem alternada do que sucede na aula, dando voz e dialogando com os participantes, pois através da observação somos capazes de identificar as inter-relações na aula e perspetivar soluções que concorrem para que haja melhoria no processo educativo (Tovar-Gálvez, 2018). No entanto, para continuar a exisitir as boas práticas é fundamental que se faça a análise acerca das mesmas, o que permite identificá-las pelo trabalho de troca coletiva tal como sustenta Wittorski (2014), ou apreender as suas tendências comuns, os princípios que as
86 organizam, sendo estes últimos úteis para desenvolver outras práticas de retorno à situação profissional. Isso designa-se por princípio organizador da prática. Trata-se de regras de ação (de validade individual ou coletiva), que regem as práticas profissionais e passíveis de gerar outras. A análise das práticas ajuda os docentes a transformá-las em conhecimentos e em saberes (validação pelo grupo) e a extrair de suas práticas voluntárias alguns princípios organizadores transferíveis a situações profissionais futuras, no sentido de que sejam potencialmente geradores de novas práticas. Em suma, para Saiz Linares & Susinos Rada (2018), a reflexão como prática colaborativa ou reflexiva, não pode entender-se como uma ação individual que se desenvolve separadamente, é preciso realizar os processos reflexivos de maneira conjunta com os colegas ou companheiros. É de capital importância para poder compreender as situações de interpretação e questionamento dos supostos resultados da prática. A própria prática como catalizador dos processos reflexivos consta de: pergunta deliberada, sistemática e colaborativa sobre as práticas e se configuram como um potente mecanismo para favorecer que os candidatos à docentes reflitam sobre a sua prática como docentes, se questionem acerca das práticas e outras culturas escolares, repensem o currículo, os métodos de ensino e comecem a evoluirem para um processo aberto de aprendizgem que supõe converter-se em um docente investigador de sua própria prática. 3.4. Resumo do capítulo III O sucesso do processo docente educativo não surge do acaso, depende entre outros elementos, se os professores estiverem formados profissionalmente, isto é, possuírem a formação inicial de professor realizada num contexto apropriado. Em Angola, a estrutura de educação implementada desde o ano de 1978, contempla o ensino médio normal e o magistério primário, todos os cursos com duração de 4 anos, aliada à outra formação e superação de professores que era feita num período relativamente inferior. No entanto, o plano curricular de formação de professores não contempla a preparação para todas disciplinas existentes no plano curricular do 1º ciclo do ensino secundário. Assim, a formação dada ao fututo professor é muito genérica, teórica, repetitiva e dominada por abordagens normativas e prescritivas, realizada em escolas onde existem falta de laboratórios, biblioteca, cantina, livrarias, programas atualizados e uniformizados. Nesta base, a formação científica-técnica e cultural, moral e cívica é um fator decisivo no crescimento e desenvolvimento educacional dos alunos e contribuem para evolução da
87 qualidade de ensino. Para tal, não é possível o desenvolvimento do currículo sem o desenvolvimento dos professores, daí que, as crenças, teorias implícitas, pensamentos dos docentes estarem sempre presentes na ação pedagógica. Daí que coloca-se o desafio em função da diversidade e heterogeneidade de sujeitos o que faz com que o que funciona bem com um professor num determinado contexto, pode não acontecer o mesmo com outro professor num contexto diferente. Por isso, há necessidade de fazer-se a teorização prática, isto é, reflexão acerca da maneira de atuar na relação entre a experiência e o saber bem como o saber que resulta da própria experiência. É fundamental criar-se condições para que as aulas ocorram num clima harmonioso e favorável capaz de contribuir para os alunos envolverem-se mais na sua aprendizagem, o que só é possível se os professores forem formados e supervisionados nas atividades que realizam antes, durante e depois das aulas. Uma das várias formas desse acompanhamento pode ser feito observando as aulas, pois, é ai onde poderemos verificar o que os docentes fazem, quando e como atuam durante o processo de ensino-aprendizagem, a fim de se corrigir o que está mal e fortificar o que esta bem com vista ao desenvolvimento profissional dos docentes e consequentemente a melhoria da qualidade de ensino.
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95 atribuidos. No geral, quanto ao nível académico, a amostra está caraterizada da seguinte forma: Gráfico 1- Nível académico dos participantes 4.4. Instrumentos de investigação utilizados Para o presente trabalho nos apoiamos em algumas técnicas para a recolha de informações que podem contribuir na compreensão do estudo. Nesta base, utilizamos as seguintes técnicas: análise documental, observação participante com perspetiva (etnográfica devido o seu prolongamento e repetição em função das ações que acontecem). Para tal, nos apoiamos no diário de campo, assim como na entrevista aberta em profundidade e de grupo com perspetiva biográfico-narrativo. Em seguida apresentamos detalhadamente como utilizamos cada uma das técnicas mencionadas. 4.4.1. A observação participante A observação é um processo de contemplar sistematicamente como se desenrola a vida social sem manipular-la nem modificar-la tal qual ela decorre de si mesma para Olabuénaga (2012), Esta observação e generalizada pode transformar-se em uma poderosa ferramenta de investigação social e em técnica científica de recolha de informação se se efetua ou admitir que seus problemas incluem questões de validez e fiabilidade dos riscos por parte do observador e observados. Assim, é crucial orientar, planificar, controlar e submeter para realização de observação que visa a descrição dos fenómenos que acontecem na realidade. A observação participante é a principal técnica muito utilizada na investigação qualitativa, tal como referem Goetz & LeCompte (2010), em que o investigador passa maior tempo possível com os sujeitos que estuda, de forma interagir diretamente e refletir as atividades em notas de campo do que se produziu ou contemplou durante a atividade dos
96 indivíduos, escutando suas conversas e interatuar com eles para converter-se num aprendiz que deve socializar-se com o grupo onde está inserido. Para Flick (2012), a observação participante é uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise de documento, a entrevista a respondentes e informantes, visando a participação direta na observação e introspeção. Por esta razão, selecionamos e utilizamos esta técnica para recolher informações acerca da maneira como os professores de educação moral e cívica trabalham no contexto escolar e como influenciam os alunos nos seus comportamentos. Também para Diaz (2013) a observação ajuda a melhorar e trocar experiências para que se realizem boas práticas educativas. A observação participante segundo Angrosino (2012), permite ao investigador recolher informação durante períodos breves ou prolongados de observação, que podem contribuir para no momento posterior, poder estabelecer o contexto para realizar entrevistas ou outro tipo de investigação. Assim, utilizamos este instrumento durante a observação de aulas para recolher informações acerca da dinâmica que acontece na escola antes, durante e depois da prática educativa. 4.4.2. O diário de campo Para realizar a observação, utilizamos o diário de campo, que é o texto escrito elaborado ou registado pelo investigador, em função dos acontecimentos que transcorrem no dia-a-dia da experiência profissional ou académica em que resultam dados significativos para compreensão do processo de ensino-aprendizagem de educação moral e cívica. Nesta base, inicialmente anotavam-se os acontecimentos ocorridos durante a aula. A fase seguinte era destinada aos relatos dos professores sobre questões colocadas imediatamente após a aula, em que as perguntas faziam referência a intervenção do professor durante a aula. A finalidade era de esclarecer determinadas situações que suscitavam dúvidas durante a aula, finalmente a terceira fase do diário de campo dizia respeito às reflexões, fatos e atitudes recorrentes e relatados (Flick, 2012). As reflexões feitas eram registadas no dia em que eram feitas as descrições das aulas através de um diário de campo onde fizemos a descrição dos momentos observados, as conversas mantidas com os professores depois das aulas, onde incluímos igualmente as observações e reflexões do pesquisador. As notas de campo segundo Rekalde et al. (2014), ajudam a registar aquilo que se está se observando durante o desenvolvimento da investigação de maneira a conhecer as razões, motivações e expectativas de cada participante em função
97 dos distintos significados que apresentam determinados conceitos. O diário de campo, foi dividido em partes: descrição dos momentos observados; conversas com os professores após as aulas; observações e reflexões do pesquisador. 4.4.3. Análise documental A noção do termo documento se refere ao conjunto de registos escritos e símbolos bem como qualquer material e dados disponíveis. Deste modo, Rapley (2014), sustenta que os documentos são utilizados como fontes de informações, indicações e esclarecimentos que trazem seu conteúdo para elucidar determinadas questões e servir de prova para outras, de acordo com o interesse do pesquisador. Por exemplo, com os documentos governamentais angolanos procuramos, identificar as legislações e formas como perfilam as diretrizes das políticas educativas ou económicas e sociais. Assim, nos apoiamos na análise documental, que valeu-se de documentos originais que receberam um tratamento analítico e, é uma das técnicas decisivas para a pesquisa em ciências sociais e humanas. Neste contexto, esta técnica serviu para recolher informações nos programas escolares, cadernos, regulamentos, a lei de bases nº 13/2001;17/16 e os manuais (livros) das classes selecionadas e outros documentos, que considerarmos importante para o trabalho, e compreendermos a maneira como são realizadas as práticas educativas dos professores de Educação Moral e Cívica e sua influência no comportamento social dos alunos. Atendendo a classificação sobre os tipos de documentos que se estabelece é aconselhável como argumenta Tojar (2006), utilizar aqueles que são oficiais, públicos e de caráter privado (tendo em conta o consentimento informado). 4.4.4. Entrevistas Para descrever o que se passa com as pessoas tendo em conta as suas experiências, sentimentos e esperança, temos de manter uma interação na base da conversação de entrevista. Assim, foram realizadas as entrevistas baseando-se em um guião semiestruturado com perguntas abertas para colher dos participantes, os relatos relacionados com os seus pensamentos, atitudes, comportamentos e opiniões acerca da prática educativa dos professores de educação moral e cívica, tendo em atenção a realidade educativa atual das escolas secundárias do Lubango. Para tal, utilizamos a entrevista em profundidade e a entrevista de grupo.
98 4.4.4.1. Entrevista em profundidade A entrevista é uma ferramenta metodológica favorita e considerada como a segunda técnica de utilização em investigação qualitativa, representada pela entrevista em profundidade, de grupo que implica sempre um processo de comunicação entre o entrevistado e o entrevistador. É considerada uma conversação na qual se exercita a arte de colocar perguntas e escutar respostas, podendo ser um encontro reiterado cara a cara. Ainda nesta perspetiva, Fernández (2014), refere que a entrevista, consiste em uma proposta inicial, feita por parte do entrevistador para que o sujeito relate sua história de vida em referência. A entrevista é uma técnica de obter informação mediante auma conversação profissional com uma ou várias pessoas para um estudo analítico de investigação ou para contribuir nos diagnósticosou tratamento social. Ela compreende um desenvolvimento de interação, criação e captação de significado no que influi decisivamente as caraterísticas pessoais: biológicas, conduta, culturais e sociais do entrevistador e do entrevistado. Em função desta investigação, acreditamos que a seleção da entrevista em profundidade com o caráter semiestruturada tinha sido a mais adequada e representativa pelo seu alcance e formato, pois indaga na profundidade das perspetivas, ideias, emoções e experiências que possuem os professores acerca do seu modo de agir, atuar em profissão bem como dispõem de variadíssimas perguntas que são referências e se repetem de maneira idêntica para todos participantes (Olabuénaga, 2012). 4.4.4.2. Entrevista de grupo O cenário da entrevista se prepara normalmente com um guia para entrevista, pois este consite num guião que estrutura o curso da entrevista, de maneira a ser mais organizada e ajustada de acordo a temática em exploração. Para Flick (2007), a entrevista de grupo é aquela realizada com um pequeno grupo de pessoas entre seis a oito participantes, cuja durabilidade da entrevista decorre de meia hora a duas horas. É uma técnica de recolha de dados altamente eficiente que exerceu um controlo de qualidade sobre os dados produzidos de maneira que fossem mais valiosos, suprimindo as opiniões falsas e chegando apresentar resultados importantes como de amostra representativa. A entrevista de grupo é a técnica que sumamente eficiente que proporciona a qualidade durante a recolha de informação já que os participantes tendem a controlar-se e comprovar uma coisa ou outra de maneira a validar o que realmente pretenderam informar, e
99 é fácil de controlar em que medida existe uma posição partilhada e relativamente consistente entre os participantes (Flick, 2012). Deste modo, utilizamos a entrevista de grupo para os alunos, responsáveis, diretores e famílias para conhecermos a visão dos participantes acerca das práticas educativas que são realizadas no âmbito da disciplina de educação moral e cívica, sua relação, influência, opiniões, atitudes, experiências sobre o que observam em termos de atitude/comportamento dos principais intervenientes do processo de ensino-aprendizagem. Ainda esta técnica permitiu aos diretores das escolas, responsáveis da direção da educação, relatarem sobre o funcionamento das instituições escolares e a visão que têm sobre o trabalho realizado na escola por parte de todos intervenientes do processo docente educativo, bem como analisar a realidade social dos professores em termos de satisfação ou não na carreira docente, bem como aclarar as eventuais dificuldades e necessidades constatadas durante o processo educativo (Flick, 2015). 4.4.5. Guião da entrevista Sabemos que o cenário da entrevista se prepara habitualmente com um guião. Um guia de entrevista é um guião que estrutura o curso normal da entrevista de maneira adequada. Assim, ele pode conter alguns temas que serão objetos de reflexão. Para o tipo de entrevista semiestruturada deve incluir um resumo dos dados em função dos objetivos traçados (Kvale, 2011). Nesta dimensão, a realização de entrevista pressupõe igualmente o desenho do guião de entrevista, em função da problemática e objetivos da investigação. No entanto, o guião apresenta uma terminologia própria e, é consensual entre os pensadores e tal como refere Scribano (2007), é crucial que o guião de entrevista seja desenhado e planificado, apesar do caráter flexível que apresenta a entrevista em profundidade semi-estruturada. Para a realização de entrevistas tivemos de elaborar e nos basear nos guiões de entrevista, que constou de propostas iniciais de questões que foram inicialmente concertadas e adaptadas de maneira que servisse de base para a realização das entrevistas quer para professores, alunos, famílias, diretores e outros responsáveis do ministério da educação, tal como podemos conferir nos anexos n º 1, 2, 3 e 4). Assim, para compreensão da problemática em estudo, elaboramos perguntas relacionadas com a trajetória docente, onde abordamos questões relacionas com a prática educativa dos professores de EMC, decisões para ecolher está profissão.
100 Trata-se de averiguar as condições acerca do presente e passado profissional dos participantes, já o estado testemunhal, visou abordar aspetos pessoais que referem a autoanálise e autodefinição dos docentes tendo em conta as fortalezas e debilidades que apresentam. Finalmente, outras perguntas estão relacionadas com a vivência atual da prática educativa que permitiu compreender a dinâmica de ensino-aprendizagem predominante durante o referido processo face ao mundo globalizante. No que concerne a dinâmica da tipologia de pergunta, seguiu a recomendação de Patton (2015), que defende que as perguntas se classifiquem em cinco grupos: perguntas demográficas ou biográficas; sensoriais; de experiência/conduta; sobre sentimentos e de opinião/valor. Cada uma delas se caraterizou da maneira seguinte: 1. Perguntas demográficas ou biográficas: visam conhecer os aspetos como, faixa etária, formação académica, situação económica e profissional. Assim, as perguntas chaves para está entrevistas por exemplo foram as seguintes: - Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida? - Descreva a sua trajetória académica e como começou a trabalhar na educação e como professor de EMC? - Como professor, analise a formação que tem beneficiado para o seu desenvolvimento profissional? 2. Perguntas sensoriais: que permitem recolher informações sobre questões relacionadas ao que se pode escutar, ouvir, tocar e provar. Assim, para esta pesquisa foi necessário nos apegarmos a esta dimensão. Selecionamos apenas a seguinte questão: - Descreve como os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professores e alunos durante a aula têm contribuído para o bom perfil de saída do aluno no contexto de Angola? 3. Perguntas de experiência ou conduta: baseia-se ao informante descrever ações realizadas ou vividas em uma dada situação e contexto. Assim, formulamos as seguintes questões:
101 - Como professor, analise a formação que tem beneficiado para o seu desenvolvimento profissional? - Descreve como tem decorrido a prática educativa de Educação Moral e Cívica e sua qualidade? - Analise os modelos e métodos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC? Justifica. - Aclare como avalias os seus alunos e como és avaliado? - Explica como tem decorrido o processo de planificação diária e a nível da coordenação? - Carateriza a relação que estabelece com o aluno e que liderança predomina no processo de ensino-aprendizagem? - Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua atividade educativa? Pode comentar? 4. Perguntas sobre sentimentos: se busca informação sobre aspetos de ordem emocional que sente o participante sobre a problemática. Nesta base, perguntamos o seguinte: - Tendo em conta as mudanças sociais. Como avalia o salário dos professores em Angola? Pode justificar? - Avalie o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? 5. Perguntas de opinião /valor: visa recolher informações acerca de determinado tema, informação sobre intenções e desejos do participante: - Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula no âmbito da educação moral e cívica? Pode justificar? - Carateriza e analisa qual é o papel que a família tem desempenhado na educação dos filhos?
102 - No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? - Os meios de comunicação social são importante para educação moral e cívica. Analise o papel que tem desempenhado de acordo a realidade angolana? Fundamenta. 4.4.6. Instrumentos de recolha de dados Para a recolha de dados em todos os trabalhos de investigação, há necessidade de eleger alguns instrumentos que servem de suporte para auxiliar na recolha e interpretação das informações. Nesta base, utilizamos os seguintes instrumentos: Quantidade Instrumentos de recolha de dados Participantes 104 Observação participante Alunos e professores 17 Entrevista em profundidade Professores, alunos, diretores, famílias e outros responsáveis da direção da educação Diário de campo Professores, alunos, diretores, famílias e outros responsáveis da direção da educação Análise documental Professores Quadro 1- Instrumentos e participantes da pesquisa 4.4.6.1. Cronograma das atividades O trabalho decorreu em função das fases seguintes: a primeira se desenrou entre o ano letivo de 2013/2014, com a elaboração do projeto de investigação: revisão da literatura sobre a teoria e metodologia qualitativa. Na segunda: elaboração e aplicação dos instrumentos para recolha de dados provisórios – o trabalho de campo decorreu no ano lectivo de 2014/2015. Finalmente, a terceira fase, consistiu em reelaborar as notas de campos, analisar, interpretar, escrever a informação final da investigação, atividades que foram desenvolvidas durante o
103 ano letivo de 2015/2016. De 2016/2018, realizou-se as atividades que podemos constatar no quadro abaixo: Atividades / Ano Letivo: 2013/2014 Revisão bibliográfica sobre a Problemática Outubro – Maio Elaboração do plano de investigação Outubro – Maio Entrega do plano de investigação Junho Atividades / Ano Letivo: 2014/2015 Elaboração dos instrumentos de investigação: guião de entrevista e grelha de observação Outubro – Março Observação de aulas Abril – Novembro Realização de entrevistas Abril até Novembro Resultados provisórios da investigação Junho Atividades / Ano Letivo: 2015/2016 Recolha de dados Setembro – Dezembro Revisão da literatura Janeiro – Fevereiro Análise e discussão dos dados Março e Abril Resultados e conclusões da investigação Maio e Junho Atividades / Ano Letivo: 2016/2018 Participação em congresso internacional Janeiro – Fevereiro Revisão da literatura Janeiro – Fevereiro Análise e discussão dos dados Março e Abril Apresentação de conclusões Elaboração e publicação de artigo científico Março – Dezembro
104 Conclusões Setembro – Junho Quadro 2– Cronograma das atividades da investigação 4.4.7. Análises de dados Em toda investigação, depois da colecta de informação ou dados, há necessidade de selecionar-se algumas técnicas essenciais para interpretação e compreensão da problemática. Deste modo, de acordo o paradigma seguido, pode-se optar por técnicas adequadas ao estudo quantitativo ou qualitativo. No entanto, todos eles conduzem a compreensão do fenómeno dependendo do rigor, fiabilidade e a validez integrada na pesquisa. Vejamos como decorreu o processo de análise de dados num estudo de natureza qualitativa. 4.4.7.1. Técnicas de análises de dados A análise de dados em estudos qualitativos, segundo Olabuénaga (2012), requer selecionar as estruturas de significação, determinar um campo social e seu alcance aos métodos qualitativos baseando-se na narração e relatos designados por descrições densas. Isto é, a interpretação das interpretações dos participantes que fazem parte da investigação. Interpretar os dados é como tratar de ler no sentido de interpretar um texto, as vezes com emendas, incoerências e comentários tendenciosos. Segundo assinalam Goetz & LeCompte (2010), os seres humanos ao longo da sua vida, fabricam e utilizam coisas. Os manufaturados resultantes desta fabricação constituem dados que indicam as sensações, experiências e conhecimentos das pessoas, podendo denotar as opiniões, valores e sentimentos que para sua compreensão, é necessário saber a sua localização, identificação (descrição e classificação), análise e avaliação destes artefatos. A análise de conteúdo segundo Carlomagno & Da Rocha (2016) é uma técnica de delineação, recolha, sintetização e interpretação de dados resultantes da investigação e que requer paciência e tempo, na reunião quantitativa ou qualitativa de informações, ocorrências que derivaram da pesquisa. Ela destina-se a classificar e categorizar o conteúdo de diversas fontes, podendo reduzir seus elementos e caraterísticas essenciais, de maneira a ser analisados com os outros. Assim, para a análise de dados, utilizamos a técnica de análise de conteúdo por ser a técnica mais empregada para além da análise estatística (cálculo de frequência e percentagem)
111 Docente Nível educativo Titularidade da escola Contexto escolar Disciplina que leciona Anos de experiência Cassinda Secundário Pública Desafiante Biologia / EMC 6 Catapepo Secundário Pública Favorável EMC 24 Catumbo Secundário Pública Favorável EVP/EMC 32 Lucombo Secundário Pública Desafiante EMC 13 Makeyeye Secundário Pública Favorável Geografia/ EMC 9 Mutango Secundário Pública Favorável EMC 27 Ndala Secundário Pública Desafiante EMC 9 Ndinelau Secundário Pública Desafiante E. Laboral / EMC 7 Nhama Secundário Pública Favorável Francês / EMC 18 Nzunzi Secundário Pública Favorável História/ EMC 12 Tchissingui Secundário Pública Desafiante EMC 22 Quadro 3 – Perfil dos participantes Nota: Os nomes dos docentes que aparecem são fitícios, devido a finalidade de preservar o anonimato e confidencialidade. Fonte: Elaboração própria. 4.9.2. Contexto do estudo O clima de trégua que se verificou nos conflitos que Angola viveu em 1992, contribuiu para que se adoptasse nova política educativa, fruto da qual foi possível inserir a disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo das escolas do I ciclo do ensino secundário. A mesma foi atribuída a carga horária de 45 minutos por semana, com um caráter obrigatório para todas escolas do referido nível de todo o Estado Angolano. Assim, ela surgiu como resposta as solicitações da política educativa do Ministério da Educação de acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo. As turmas estão constituídas por vários alunos que na sua maioria possuem mais de 45 alunos por turmas.
112 4.9.2.1. Escolas A escola 2 de Março, está situada em frente de uma igreja, constituída por 19 salas, construída com material defintivo; Já a Escola Catambori do I ciclo, situada ao lado de mercado informal, no interior do quintal (pátio) da mesma escola, funciona outras 24 turmas pertencentes a escola do ensino primário, cujas aulas são dadas ao ar livre, debaixo das árvores e outras dentro de tendas. Ao passo que as aulas do I ciclo do ensino secundário são realizadas em salas com paredes e cobertura. Finalmente a Escola Augusto Ngangula, está constituída por 5 salas, construídas com material precário e não possui cobertura e carteiras. 4.10. Credibilidade dos dados Sabemos que a credibilidade da investigação com perspetiva etnográfica tem sido uma das grandes preocupações entre os investigadores que realizam pesquisas no contexto educacional, pois tem sido considerada como subjetiva, imprecisa, distorcida pelo fato de ser descritiva e não quantitativa. Na ótica de Olabuénaga (2012), os critérios para a validez específica não existem e, perante essa dificuldade, há autores que asseguram que não se trata de validez de conteúdo, mas de construção de conjunto, ou seja, tem a ver com o grau de refinamento, coerência para se determinar na base e na contrastação os resultados. No entanto, para se garantir a fiabilidade e validez dos dados etnográficos desta pesquisa, sobretudo os resultados da observação foi necessário, tal como sustenta Angrosino (2012), apoiar-se na técnica de indução analítica e a técnica de escrita designada verosimilitud que visa introduzir o leitor ao mundo, em que se realizou a investigação, mediante uma linguagem descritiva e rica de maneira a ter coerência interna e reconhecida pelos leitores a partir de suas experiências. Quando as observações cumprem com estes requisitos, são consideradas autênticas aos olhos de quem lê. Assim, Flick (2013) acrescenta que para que haja credibilidade dos dados é necessário ter em conta o seguinte: - Contextualização: fazer o estudo dentro da real situação, de maneira a compreender as várias perspectivas sociais e culturais que decorrem durante a prática educativa dos professores de EMC ao longo do tempo, resultando daí a fiabilidade diacrónica; - Saturação: tem a ver com a repetição dos dados depois de várias buscas em que os últimos resultados se repetem, não trazendo nada ou algo de novo. Neste caso, considera-se que se atingiu a saturação dos dados recolhidos correspondendo a fiabilidade sincrónica;
113 - Negociação com os implicados na investigação a fim de poder averiguar as informações fornecidas por eles, se são autênticas ou justas, relevantes e precisas, então poderá se garantir a validez e credibilidade dos dados; - Triangulação: outra estratégia de validação dos dados, que tem a ver com a contribuição dada pelos intervenientes tendo em conta a triangulação dos métodos, sujeitos, teorias, espaços, tempo, dados e de investigadores ou quando se recorre a contrastação do método. Para Olabuénaga (2012), a triangulação consiste na utilização de diversas técnicas de investigação para compreensão do fenómeno em estudo. Para Denzin & Lincoln (2012), a triangulação é considerada um procedimento de usar percepções múltiplas para reduzir a mal interpretação do significado dos dados. Para tal, é importante que as notas de campo estejam padronizadas e na entrevista, a fiabilidade pode ser aumentada mediante a troca de opiniões sobre os procedimentos de interpretação e os métodos de codificação. De acordo Lincoln & Cuba (1985) citado por Flick (2013), proclamam a confiança, a credibilidade, a segurança, a transferibilidade e a confidencialidade como critérios da investigação qualitativa. 4.10.1. Análise e transcrição da informação Durante a recolha de informação utilizamos vários instrumentos que contribuíram para que fosse possível arquivar a mesma. Assim, tivemos de registar as evidências resultantes da observação bem como a transcrição dos relatos realistas, que se caraterizam por citações extensas pois, têm raízes profundas na representação etnográfica, cuidadosamente editada e procedente das pessoas observadas ou entrevistadas (Angrosino, 2012). 4.10.2. Análise e interpretação de dados Em toda investigação depois da coleta de dados, os mesmos merecem um tratamento para compreensão da problemática em estudo. No entanto, existe diversas formas de se fazer a análise dos dados, podendo ser feita mediante a análise manual ou fazer a análise através de recursos a programas informáticos. Assim, ao longo deste trabalho utilizamos as duas formas de tratamento da informação anteriormente referidos. 4.10.2.1. Análise manual Pode parecer que a análise de dados etnográficos é mais uma arte do que ciência, mas na realidade ela fornece regularidade nas suas formulações e pontos importantes que servem como busca para a análise, tendo em conta os seguintes passos:
114 A gestão de dados – porque atualmente é importante organizar de um modo claro as notas de campo, quer em forma de arquivo informático ou não. Segundo Denzin & Lincoln (2012), nenhum método é melhor que o outro, o essencial é saber arquivar os dados e poder recuperar sempre que for necessário para posterior análise; Leitura geral – é boa ideia repassar nossas notas de campo antes de continuar com a análise, uma vez que a leitura, refresca a memória de forma que reflita sobre o que necessita entender; Finalmente temos a clarificação das categorias - visa fazer descrições do que se viu, seguida de sua classificação das notas. Assim, existem várias formas de análise de dados, mas os autores abaixo defendem que há duas formas principais de análise de dados tais como as seguintes: - A análise descritiva que é o processo de tomar o registo detalhado de dados e decompô-los em partes ou componentes, é a forma de compreender os padrões e regularidades resultantes destes dados; - Análise teórica que consiste em averiguar como se inter-relacionam essas partes ou componentes de maneira explicar os padrões e regularidades percebidas. É notório que existe diversas formas de analisar a informação, tal como refere Angrosino (2012), que não há uma única fórmula aceite por todos etnográficos, que pode servir como estratégico para análise de dados recolhidos no campo, daí que cabe ao investigador selecionar e optar por uma. 4.10.2.2. Análise por software Com a necessidade de facilitar ao investigador qualitativo o árduo trabalho de armazenamento, recolha, análise e interpretação de dados, surgiram nos últimos anos os programas informáticos que se denominam Computer Assisted Qualitative Data Analysis Software, o que é o mesmo que CAQDAS. Entre estes se destaca o Atlas.ti, Nvivo, maxqda em alguns casos auxiliado com o programa SPSS. Sabemos que a prática interpretativa está relacionada com o procedimento, condições e recursos mediante os quais se aprende, entende, organiza e transmite a realidade na vida diária das pessoas. Deste modo, Denzin & Lincoln (2012), argumentam que a interpretação visa responder o como e o quê da realidade social, tendo em conta que os indivíduos constroem
115 suas experiências e seus mundos ao longo da sua vivência. Portanto, utilizamos também o programa SPSS versão 20, e para a análise e interpretação de dados utilizamos a análise estatísitca que serviu para destacar a frequência e percentagem das categorias durante a observação e apoiando-se fundamentalmente na análise de conteúdo. Portanto, está análise é importante e ajuda o investigador em menos tempo fazer as analisem que forem necessário, daí a necessidade de ser utilizado sempre que for indispensável e as condições permitem, porque é mais uma forma alternada de analisar os dados porque fazer análise qualitativa requer também ler o texto e buscar nele o essencial (Gibbs, 2012). 4.11. Resumo do capítulo IV Para realizar um trabalho de investigação é crucial definir uma metodologia que se considera vantajosa para condução da mesma. Assim, o estudo centrou-se no estudo de caso por fazer descrição da situção real da prática educativa dos professores que lecionam a disciplina de Educação Moral e Cívica. Está caraterizado por um enfoque qualitativo pelo fato do investigador permanecer mais tempo no campo de ação contribuindo desta forma para os participantes poderem revisarem as descrições e significados que estão acontecendo. No entanto, apoiamo-nos na metodologia qualitativa pelo fato de enfatizar e conhecer a realidade desde uma perspetiva que ajuda a captar o significado particular que se atribui a cada protagonista em função do subjetivismo dos participantes estudados como parte integrante do processo. É a investigação que evita números por ser interpretativa, porque visa combinar uma análise intencional de detalhes da conduta e significado durante a interação social em função do contexto, visando compreender a experiência humana, percepções, prática educativa vivida e sentida pelos participantes e que se ajuste melhor. Esta pesquisa também caraterizou-se pela flexibilidade uma vez que sempre que o estudo exigiu, fez-se modificações para adaptar-se ao contexto. O trabalho realizou-se em três escolas secundárias e contou com uma amostra intencional de 50 participantes entre professores, alunos, diretores, responsáveis do ministério da educação e a família. Para recolha de dados utilizou-se a observação participante, apoiando-se no diário de campo, a análise documental e a entrevista. Depois desta fase, definiu-se as técnicas de análise de dados utilizando indiscutivelmente a análise de conteúdo, o método estatístico baseado na utilização do programa spss, versão 20 usado para a compreensão dos resultados da observação em função
116 da frequência e percentagem das categorias. Já os etnográfos utilizam para análise de dados, a técnica de teorização, estratégia de seleção e os procedimentos analíticos. Para interpretação da informação recorreu-se a análise manual e a análise feita através de programas informáticos e para entrevista utilizou-se a análise descritiva e a análise teórica. No entanto, a utilização de cada é opcional, pois nenhuma análise é melhor que outra e quanto a credibilidade e validez, assegurou-se mediante a contextualização, negociação, saturação e a triangulação.
117 CAPÍTULO V: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
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119 CAPÍTULO V: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Neste capítulo se apresenta, analisa e se discute os resultados obtidos em função dos objetivos preconizados nesta tese doutoral, tendo em conta as evidências empíricas que foram referidas inicialmente na revisão do estado de arte desta investigação. Para a materialização da mesma tivemos de realizar várias atividades que passaremos a descrever. 5.1. Negociação do acesso ao campo de pesquisa Atualmente para se levar avante uma pesquisa etnográfica ou uma outra, é necessário antes negociar com os participantes, devido as suas implicações em termos de audiências na investigação a desenvolver. Assim, inicialmente endereçamos as cartas de solicitação anexadas com o desenho da investigação às direções de escolas e aos participantes selecionados para fazer parte do estudo com a finalidade de pedir e informar acerca do projeto de investigação bem como receber uma autorização para o efeito. Neste sentido, Yáñez (2010), adverte que a relação entre docentes e investigadores não é sempre fluida quando não se negoceia o acesso ao campo, resultando daí concorrência com lógicas diferentes e mal entendido. Por isso, acreditamos também que a colaboração entre os participantes abriu boas possibilidades para o desenvolvimento da investigação relacionada com práticas sociais complexas. Depois de recebermos a resposta favorável, começamos a interagir com os participantes, observando as aulas nas escolas do I ciclo do ensino secundário, na disciplina de Educação Moral e Cívica. O trabalho de campo iniciou com a observação de aulas e, depois foi se alastrando pela comunidade escolar mediante a realização de entrevistas aos professores, alunos, diretores de escolas, outros responsáveis do ministério, sindicalista e as famílias. A medida que o trabalho decorria a relação interpessoal ficava cada vez melhor, devido a amizade conquistada. Portanto, de forma a proteger a identidade dos participantes na investigação, tivemos de negociar com os mesmos apresentando o objetivo da investigação e garantir o anonimato acerca da identidade. Ainda na ótica de Banks (2010), existem outras maneiras de garantir ou proteger a identidade dos participantes nos estudos de caso, é saber que o anonimato e a identidade dos participantes pode-se assegurar também pelo uso de números, pseudónimos para pessoas, instituições e lugares a publicar nos resultados.
120 5.2. Apresentação dos resultados da observação Relativamente a apresentação dos dados em estudo qualitativo, a mesma foi feita mediante as tabelas e gráficos. Para a recolha de informações, inicialmente realizamos visitas aos professores e professoras explicando o projeto e os seus objetivos bem como garantir aos participantes o sigilo e o anonimato da informação resultante da mesma, pois está foi apenas usada para investigação. Assim, depois de aceite o pedido, fruto das cartas endereçadas as direções de escolas assim como o consentimento dos docentes, fomos ao campo com a finalidade de observar as aulas de Educação Moral e Cívica nas três escolas, com uma amostra intencional de onze professores, distribuídos da seguinte forma: sete no período da manhã e quatro no período da tarde. Os nomes dos professores e professoras que aparecem nas notas de campo são todos fitícios para salvaguardar o anonimato ou a identidade de todos participantes. As observações decorreram de Abril até Novembro de 2015, tendo observado um total de 104 sessões de aulas. Desta atividade de campo, resultaram descrições acerca de como aconteceram as práticas educativas dos professores de Educação Moral e Cívicas, tendo em conta a relação entre professores e alunos, atividades que realizam, materiais utilizados, atitude dos participantes e a metodologia usada. Assim, entre as várias informações, foi mais recorrente em termo de constatação as seguintes notas de campo: Abril No dia 07/04/2015, na Escola Popular do I ciclo, situada ao lado de mercado informal, no interior do quintal (pátio) da mesma escola, funciona outras 24 turmas pertencentes a escola do ensino primário, cujas aulas são dadas ao ar livre e debaixo das árvores. Ao passo que as aulas do I ciclo do ensino secundário são realizadas em salas com paredes e cobertura. Observou-se as aulas na 7ª, 8ª e 9ª classe com a duração de (45) minutos. A aula teve início as 8h20 e nela verificou-se algumas evidências registadas no diário de campo, estando patente que o professor Ndala durante a aula, fez a chamada através dos números dos alunos e não por nomes. Fato interessante de observar, pois quando o aluno é chamado pelo nome ganha a sua identidade e não pelo número. Na aula havia conversas paralelas entre os alunos e alunas, mas sempre o professor procurava manter a organização, pedindo silêncio e perguntando se já haviam terminado de escrever, as vezes adverte e chama atenção aos mesmos. Os alunos e alunas só participam da aula, quando o professor regista e atribui nota (classificação), daí que cada aluno que dá sua contribuição, depois de terminar diz
127 Já na escola popular, na aula das 13 horas e 50 minutos da mesma semana de revisões, a professora Lucombo pediu que cada aluno verifica-se se tem lixo na carteira para poderem colocarem no cesto de lixo. Fez a chamada bem como o controlo da tarefa do dia anterior, relativamente a preparação da prova foi trabalhando em função dos tópicos das unidades que serviriam de avaliação. Depois da realização de provas em bloco, no dia 14 e verificou-se que nas turmas onde os professores dispensaram os alunos na aula de preparação, apresentaram mais dificuldades na interpretação da prova e nas turmas cujos professores deram tópicos e trabalharam neles terminaram mais cedo e consideram a prova fácil. Setembro No dia 24 pelas 9 horas e 10 minutos, a professora Ndinelau orientou a aula cujo tema é: «Violência na família» durante a mesma, foi patente a atitude ameaçadora dela: quem não prestar atenção vou lhe colocar fora da sala, não vieram para fazer fofocas na minha aula. Em seguida perguntou ao delegado: já fizeram chamada escrita (avaliação)? Este respondeu: sim, mas ainda não recebemos. A professora disse: «Não faz mal, vamos fazer mais outra no final da aula». No decorrer da mesma disse: que quer ver se todos passaram já a matéria do livro para o caderno. Uma aluna que senta em frente justificou que não terminou porque não tem livro e aproveitou passar uma parte da matéria na escola a partir do livro do colega. E ela pediu que saíssem os alunos que não fizeram a cópia da matéria. O curioso é que a professora sabe que a maioria dos alunos não possuem livros, dos 30 alunos apenas 5 tinham livros. Depois dos alunos saírem decidiu marcar outra tarefa e dispensou os alunos. Os alunos no corredor faziam tanto barulho que o professor da sala a seguir vinha reclamar e procurou saber o que se passava a professora respondeu que estes alunos não têm material e não estudam. Por isso, lhes coloquei fora, não dá para dar mimos nestes alunos. Ainda as 11 horas 50 minutos voltamos a observar outra aula «Reconciliação na comunidade», a atitude dos alunos foi de muita calma, porque na aula anterior a professora Nzunzi marcou falta indisciplinada e expulsou os três alunos, porque estavam a conversar. Havia recomendado que só voltariam assistirem aulas depois de trazerem os seus encarregados, mas infelizmente durante a aula os encarregados de educação dos meninos não apareceram e consequentemente os alunos ficaram sem aulas na disciplina de EMC.
128 No mesmo dia, pelas 15 horas 40 minutos observamos a aula do professor Tchissingui com o tema: «Eu e a cidadania democrática», constatou-se que os alunos já tinham domínio da matéria, então o professor perguntou como aprenderam? E os alunos responderem que uma professora estagiária na ausência da professora tinha já dado este tema. Então a professora fez uma revisão. Acreditamos que o professor devia estar mais atento e atualizar-se como os colegas acerca das atividades realizadas. Dia 28, as 13 horas observamos a aula com o tema «Vamos discutir os problemas», depois da escrita dos preliminares pediu ao chefe de estudo para fazer o levantamento dos alunos que não fizeram e constatou-se que a maioria não fez. A professora criticou os alunos por essa atitude e estes em resposta, um aluno disse: não fizemos porque a professora nunca corrigiu a tarefa então sentimos preguiça. A professora Nhama disse: tu falas muito atoa, se não queres reprovar é melhor calar a boca. Vamos escrever um pouco, foi ditando... alguns alunos reclamavam que estão atrasados, a professora respondia: correm mais e não repetia a parte em falta...os apontamentos ficaram incompletos. Dia 29, na sala 7, observamos a aula da professora Catumbo com o tema: «A sexualidade e a lei», foi notória a boa vontade em trabalhar, mas ela grita muito com os alunos, não permite erros do aluno porque pensa que se o aluno não responde bem significa que não se interessou pela aula. E utiliza expressões como: se não sabe nada continua a vir fazer o quê? Se não quer aprender fica em casa. Essa atitude contribuiu para os outros alunos ficarem com receio de participarem mais, dando seus contributos. Ditou e depois perguntou se alguém tem dúvidas, mas infelizmente ficaram calados e o sino tocou para saída. A professora disse ninguém sai, mas um aluno levantou-se e ela marcou a falta de indisciplina. Outubro No dia 1, as 15 horas 40 minutos realizou-se a aula com o tema: «O divórcio», na qual identificou-se a boa relação entre os integrantes do processo. Os alunos organizadamente participaram intensamente dando contributo sobre o tema, que o professor Tchissingui não dominava em função da diversidade cultural que apresentam os alunos. O professor mostrouse humilde e agradeceu a participação dos alunos e deu por terminada a aula porque outro professor já estava na porta a espera para entrar já que houve má gestão do tempo. Dia 6, as 11 horas observamos a aula com o tema: «Eu, o meu país e a reconciliação nacional», a professora Cassinda fez o controlo de presença, explicou e interagiu com os
129 alunos. Criticou um aluno dizendo: «tu não tens participado na aula, agora fala!» e o aluno disse: a professora nunca me chamou. Também foi visível a falta de calma na hora de usar o quadro porque escreveu três palavras erradas, durante o registo ditava virada para o quadro e não se movimentava para ver o que os alunos escreviam. No dia 7, as 11horas 50 minutos observamos a aula que teve o seguinte tema: «os símbolos que identificam o meu país», a professora Mutango interagia bem com os alunos num clima de harmonia, os alunos participavam para saberem mais sobre o seu país, mas como o livro apresenta vários elementos que identificam o país, a professora acabou confundindo, alguns símbolos culturais e deixando os mais essenciais. Mais uma vez faltou boa preparação do professor e cooperação entre eles a nível da coordenação, porque para este mesmo tema os conteúdos são diferentes de professor para professor. Ainda no mesmo dia, as 9 horas observamos a aula com o tema «Vamos discutir problemas», o professor Makayeye, fez a introdução da aula, se dirigiu aos alunos chamando pelos números e não nomes, assim foi chamando pelos números aleatoriamente até de alunos que não estavam presentes na aula. Ficou claro que o professor não conhece os alunos, por isso, dirigia-se à eles pelos números em vez dos nomes. Quando o aluno participa na aula por cada intervenção ele dita o seu número para ter classificação. Quando eram as 13 horas 50 minutos observamos a aula «A sexualidade e a lei» depois de entrarmos, havia alguns alunos fora pertencentes à turma, mas não entraram para participarem da mesma, depois a professora Lucombo, pediu ao delegado chamarem os colegas. Mas este do seu regresso disse que já foram. Orientou a aula e os alunos participavam entusiasmado em função da curiosodade acerca do tema. Dia 12, as 7 horas 30 minutos com o tema: «Reconciliação na comunidade», observamos a aula que iniciou com atraso devido a chegada tardia da professora Catapepo, e logo depois da saudação, escreveu os preliminares e começou a ditar, um aluno fez lembrar que tinha tarefa para corrigir. A professora respondeu que: vamos ver no outro dia, orientou o registo até ao toque de saída e não explicou prometendo faze-lo na próxima aula, razão pela qual os alunos reclamaram de tanto escreverem e por saírem 10 minutos depois. Dia 16, as 13 horas e 50 minutos observamos a aula com o tema: «Reconciliação na comunidade», no início escreveu erradamente duas palavras e de seguida os alunos corrigiram dizendo à professora que não é assim que se escreviam aquelas palavras. A professora
130 Lucombo aceitou e se defendeu dizendo que foi um lapso. Primeiro ditou a matéria depois deu a explicação, mas dois alunos conversavam e ela não prestava atenção ao lado esquerdo da sala. Finalmente dia 20, as 8 horas 20 minutos, observamos a aula do professor Ndala sobre: «Os símbolos que identificam o nosso país», depois de cumprir com as formalidades fez o controlo da tarefa, orientou os alunos em função dos objetivos da aula, explicou e depois pediu as contribuições dos alunos, escreveu algumas palavras ao quadro e depois não apagava o quadro, o que dificultava localizar a nova palavra escrita. Não conseguiu explicar o significado da cor amarela da bandeira nacional, fez o resumo da aula, marcou tarefa e terminou a aula. Novembro Do dia 9 até 13, realizou-se a aula de preparação para as provas de escolas (finais), foi visível as dificuldades pelo fato de existir muitos conteúdos e não tendo delimitações por onde começar e terminar. Em 45 minutos por semana é quase impossível rever os conteúdos dados ao longo do ano letivo tendo em conta a proporção de conteúdos que são avaliados ao longo de todo ano. O regulamento da elaboração de provas finais prevê conteúdo na ordem de 20 % referente ao I trimestre, 30 % para o II trimestre e 50 % para o III trimestre. Dia 21 realizou-se a prova de escola de EMC as 10 horas e constatou-se em algumas turmas muitas lamentações dos alunos pelo fato dos professores não terem dado determinados temas, em função de alguns terem iniciado o ano letivo tarde, devido a falta de condições locais organizativas. Em certas situações deve-se a falta de cooperação entre as escolas e com a direção de educação, porque as propostas dos professores acerca do grau do cumprimento do programa não são levadas em consideração. Outro caso tem a ver com a escola do interior (meio rural) em que os conteúdos que apareceram na prova de exame, por exemplo das perguntas propostas no enunciado, apenas os alunos conseguiram estudar ao longo das aulas um conteúdo que perfaz uma percentagem de 33,33 % contra os 66,67 % correspondentes ao conteúdo não dado durante o ano letivo de 2015. 5.2.1. Algumas considerações acerca da observação A observação de aulas foi levada a cabo ao longo de 8 (oito) meses durante o ano letivo de 2015, em três escolas secundárias, o que permitiu-nos fazer algumas considerações acerca da
131 maneira como desenrolaram as aulas de Educação Moral e Cívica. Assim, como nota de realce, destacou-se que as mesmas estão marcadas pelo excessivo número de alunos por turma a oscilar entre 60 – 70 na escola popular; na escola 2 de Março variam de 50 - 55 alunos e na escola Augusto Ngangula existe uma média de 46 alunos por turma, sendo está última localizada dentro da capital da cidade. Outros resultados indicam que algumas atitudes dos docentes não são as mais ideais para que realizem boas práticas educativas, que consequentemente contribuam para a existência de um processo de ensino-aprendizagem mais significativo, capaz de desenvolver alunos competentes nos vários domínios do saber. Para tal, há necessidade de se trabalhar mais para se melhorar este quadro, pois, ainda chama atenção alguma evidência da relação professores e alunos durante o processo, tal como se segue nas seguintes constatações: 5.3. Atitude dos docentes na sala de aula Os professores se movimentam pouco durante a aula e, não fazem o acompanhamento das atividades que realizam os alunos, pelo fato das salas terem muitos alunos e as carteiras ficarem muito juntas. Em outros casos, tal deve-se ao desconhecimento dos professores acerca da necessidade de se fazer tal acompanhamento para supervisionar a atividade a ser realizada pelos alunos. No entanto, é necessário o professor colocar em ação toda sua experiência, saber produzido e adquirido no de melhorar cada vez mais a sua arte de ensinar. Pois, o saber é o que engloba os conhecimentos, as competências, as habilidades, aptidões e as atitudes dos docentes, sobre aquilo que foi muitas vezes chamado de saber, de saber-fazer e de saber-ser. Assim, se enfatiza que a experiência de trabalho docente se configura em um espaço em que o docente aplica saberes para realizar determinado trabalho mediante a: reflexibilidade, reprodução, reiteração daquilo que se sabe, que se sabe fazer, a fim de produzir a sua própria pratica profissional (França & Souza, 2018). 5.4. Caraterização dos recursos materiais Está dimensão visou descrever a realidade em que labutam dia a dia os professores e alunos, tendo a destacar alguns elementos que podem influenciar as aprendizagens quando não são suficientemente valorizados, tal como podemos conferir mais abaixo. 5.4.1. Mobiliário escolar Ainda observa-se nestas escolas, a falta de carteiras suficientes, chegando alguns alunos a sentarem dois ou três alunos por carteira, ao passo que noutros contextos, os alunos chegam a sentar por cima de pedra ou tronco cortado e apoiando o caderno na coxa. É essencial o
132 equipamento escolar para que a aprendizagem ocorra em condições favoráveis, quer da parte do aluno como para os professores. Sem as condições adequadas os docentes não se sentirão confortáveis, nem conseguiraim manter a motivação e atenção por muito tempo, daí a necessidade de se apetrechar as escolas. Por isso, uma escola com mobiliário completo ajuda na convivência e se concebe como o processo mediante o qual todos os membros da comunidade educativa aprendem a viver com os demais. Para Vélez et al. (2015, é o elemento que facilita a aprendizagem e promove o desenvolvimento social e afetivo do aluno. O clima das instituições escolares, se carateriza por ser um conceito globalizador (referido ao ambiente da escola), multidimensional (determinado pelos elementos estruturais e funcionais da organização), relativamente permanente no tempo, e joga um papel influente no alcance dos distintos objetivos académicos e de desenvolvimento pessoal. 5.4.2. Programas escolares e outros materiais Esta categoria visou descrever os elementos da componente não pessoal no processo de ensino e aprndizagem, isto é, a realidade material que serve de suporte para o sucesso da mesma. Constatou-se que os programas apresentam deficiências e os livros de igual modo carecem de melhoria de conteúdo. Este dado é reforçado pela visão dos docentes, e relativamente a esta dimensão argumentaram o seguinte: Não temos programas e materiais excelentes, mas são aceitáveis, a dificuldade reside na materialização daquilo que vêm nestes programas. No entanto, os livros trazem algumas lacunas em termos de informação e com erros (Nhama, entrevista professora 03/11/2015). Nesta base, na ótica de Barbero Consuegra et al. (2018), os programas que são utilizados na preparação dos professores precisam de considerar as demandas da escola de hoje, em relação a ampliação do conhecimento de base sobre a aprendizagem e ensino. Estas demandas apoiam os professores sobre a aprendizagem no compromisso destas expectativas. Assim, ensinar paraa sociedade de conhecimento implica: desenvolver uma profunda aprendizagem cognitiva, a criatividade e iniciativa investigativa dos estudantes, o trabalho em redes e equipas e a formação profissional permanente como docentes. Deste modo, é crucial promover a resolução de problemas, a elimicação de riscos, a confiança no processo de colaboração, a habilidade para enfrentar-se a mudança e compromisso com a melhoria contínua como organização. De igual modo, é importante que
133 os livros estejam bem sistematizados, tal como referem Occeli &Valeiras (2013), porque os livros de texto constituem ferramentas pedagógicas mediadoras destinadas a aprendizagem, que traduzem e concretizam significados incluídos no currículo prescrito pelo governo de cada país. Onde impõem a distribuição e hierarquia de ideias tendo em conta a transformação e recriação de conhecimento. 5.4.3. Cumprimento do programa O contraste verificou-se na escola do interior onde durante as provas de escola e nos exames elaborados pelos técnicos do ministério da educação ou da direção provincial de educação e, distribuídos aos responsáveis ou diretores municípais, consistiram na sua maioria de conteúdos não abordados durante o ano letivo, por incumprimentos dos programas. O que contribui para que nas escolas do interior, os alunos resolvessem poucas questões, chegando a responderem em alguns casos apenas uma ou duas perguntas. Essa atitude pode ter contribuído pelo elevado grau de aproveitamento escolar, devido a resolução de poucas questões. Ao passo que para a maioria dos professores o cumprimento dos programas é ainda deficiente estando cifrado na ordem de 54,54%, tal como podemos verificar a seguir: Cumprimento do programa Frequência Percetagem Deficiente 6 54,54 Aceitável 4 36,36 Bom 1 9,10 Tabela 4. Tabela 4 - Cumprimento do programa
134 Fazendo uma representação gráfica, o cumprimento do programa ficou escalonado da seguinte forma: Gráfico 3– Grau do cumprimento do programa Diante esta situação, é crucial que no processo de ensino-aprendizagem, os diretores escolares cumpram com as suas funções que é de fazerem o acompanhamento e gerir com responsabilidade a organização e gestão do processo educativo em que trabalham, de maneira a promover mudanças e inovação educativa. Pois, em seu papel de liderança se vem obrigado a conhecer e mediar as atitudes, crenças, motivações e comportamentos do professor, assim como implementar e responder de todos os processos de administração, desenvolvimento e inovação de uma organização educativa estabelecida para atender a demanda da educação e atuar em função dos objetivos preconizados no âmbito da inovação educativa. Portanto, eles desempenham um essencial papel para a implementação de estratégias instituicionais e sua competência, mediante a aplicação de tecnologias e das mudanças organizativas, bem como o desenvolvimento pessoal de competências pessoais, de maneira modificar as atitudes, modelos pedagógicos através da introdução de novos projetos, materiais curriculares, estratégias de ensino e aprendizagem ou outras formas de organização escolar (Campíon et al. 2016). 5.4.4. Livros de textos A maioria dos alunos não têm livros para poderem dar continuidade com as tarefas escolares. Pois os que possuem os mesmos representam em média 12%, razão pela qual algumas vezes na sua maioria dos alunos são excluídos das atividades escolares por não possuírem os livros de educação moral e cívica. Com essa atitude os docentes pensam que colocando essa pressão
135 aos alunos, seriam obrigados a comprar os livros. O estudo dos materias curriculares, estão relacionados com a linha de investigação centrada no pensamento e a prática educativa dos docentes, representando uma área sensível e emergente de investigar. Assim, a atividade que os alunos realizam sob orientação do professor está relacionado com o tipo de material que terá de usar em função de aula, por isso, é crucial os professores produzam material indispensável para melhoria da aprendizagem. Sabemos que encontramos aqueles professores apegados ao livro ou ao texto único, baseando-se no modelo de ensino tradicional, ao passo que existem outros profissionais que apresentam uma autonomia profissional do livro ou texto único, sendo mais crítico e reflexivo usando materiais ou recursos didáticos mais heterogéneos que contribuem para o desenvolvimento de competências aos alunos (Soto & Travé, 2018). 5.4.5. Caraterização do conteúdo escolar Existem poucos livros no sistema educativo, e para suprir algumas dificuldades os docentes elaboram algum material escrito à mão, que ao ser analisado relativamente ao conteúdo em termos de apresentação, sistematização e profundidade apresenta as caraterísticas seguintes: Gráfico 4- Caraterização de conceitos e o conteúdo escolar Mesmo na representação gráfica a seguir é visível que a maioria dos conteúdos não foram abordados em profundidade entre professores e alunos durante a aula, daí ser crucial que haja mais trabalho por realizar-se para melhor cada vez mais a prática pedagógica, tal como ilustra o gráfico a seguir:
136 Gráfico 5- Caraterização dos conceitos As atuais mudanças nas políticas de educação requereram a inclusão de todos alunos com necessidades educativas especiais nas escolas de ensino regular, resultando entre os alunos as dificuldades de adaptação. Pois, não se elaborou material específico para os alunos com necessidades educativas, exigindo que utilizem os mesmos manuais escolares e materiais entre todos os alunos, originando dificuldades de aprendizagem. Para atender a diversidade é importante se produzir manuais e material que responda com a realidade educativa. Nesta ordem de pensamento, Rodríguez & Paiva (2017), mencionam que os manuais e materiais escolares devem providenciar alternativas que promovam atenção a superação das dificuldades de aprendizagem. Assim, os manuais devem conter estratégias e propostas metodológicas orientadoras para ajudar a realizar bem o seu trabalho e superar as insuficiências dos estudantes no processo de construção e formação de atitudes. 5.5. Organização e gestão da turma Relativamente a organização e gestão da turma durante a aula, foi visível que os docentes demonstram dificuldades nesta dimensão. Os professores ainda sentem dificuldades de gerirem o tempo da aula, em muitos casos são convidados a terminarem a aula e saírem para entrar outro docente, tal como podemos conferir no gráfico a seguir:
143 conhecimento pode resultar do uso de tecnologia de informação e comunicação, em particular a internet de maneira eliminar as barreiras geográficas e o acesso a diversos conteúdos. É necessário implementar estratégias mais ativas de maneira despertar o interesse do aluno para a aprendizagem e não dedicar-se a desencorajar: se não querem estudar deixam lugar para os outros ... não chamei ninguém para vir a escola (professora Ndinelau) ou em certos casos a intimidar os alunos com expressões: a paciência tem limites (Professor Tchissingui). Diante esta reação, pensamos que os docentes precisam desenvolverem ainda mais a competência intercultural para poderem se relacionarem de acordo a diversidade cultural dos alunos. 5.6. Perfil de saída do aluno Outro elemento não menos importante faz alusão ao perfil de saída do aluno, em termos de competências e não ter apenas em consideração a elevada percentagem de aprovação, é necessário que se reflita também no domínio do saber, saber fazer e saber ser. Porquanto a estatísitca da educação refere o índice de aproveitamento escolar calculado na ordem de 90%, semelhante a dos países já desenvolvidos, o que deixa dúvida e provavelmente não seja assim em função da constatação feita. 5.7. Análise da entrevista Para descrevermos e compreendermos as informações resultantes da observação, tivemos também de fazer a triangulação com a entrevista para verificar a credibilidade do que observamos com o pensamento dos participantes. Assim, entrevistamos os professores, alunos, directores, famílias e outros agentes responsáveis do ministério da educação, perfazendo um total de dezassete entrevistas. Para Gibbs (2012), existem várias formas de transcrever as notas de campo, podendo faze-la na totalidade, analisar a partir da gravação ou simplesmente destacar as citações mais importantes para análise e interpretação. Deste modo, optamos pela primeira opção, destacando também as citações que consideramos cruciais para compreensão do estudo. No entanto, fazer a transcrição da entrevista facilita todos os leitores para poderem lerem ou terem uma cópia. Para levar avante este processo, temos a salientar que o primeiro passo foi aquele em que criamos as condições para começarmos com a gravação de entrevistas. Por questão de ética e garantir o anonimato, os nomes dos participantes que aparecem na entrevista são fitícios. Assim, apresentamos apenas algumas narrações dos
144 participantes sobre a realidade do seu quotidiano laboral com maior incidência as categorias que ajudaram a compreender a realidade da prática educativa realizada em escolas secundárias. 5.7.1. Codificação e categorização Depois da realização das entrevistas, as mesmas foram transcritas para se chegar ao processo analítico e iniciar com a análise conceitual, tendo em conta as citações extraídas das entrevistas, que o pesquisador considera coerente, relevante, significativa e indispensável para o próprio processo investigativo. Deste modo, foi necessário fazer a categorização e estabelecer os códigos, considerados como etiquetas com sentido próprio e definidas de forma cautelosa pelo próprio investigador. 5.7.2. Entrevista aos alunos Esta visou compreender a percepção dos alunos acerca da ocorrência da prática educativa de educação moral e cívica. Assim, os dados provenientes da entrevista foram categorizados, transcritos e codificados em que os números que aparecem serviram para proteger a identidade dos alunos, tal como se pode conferir nos resultados plasmados nas categorias seguintes: 5.7.2.1. História de vida Esta dimensão visou compreender como é que os alunos desenvolvem-se no seu dia-a-dia e na comunidade onde estão inseridos. Chama atenção ao fato de que, a maioria das famílias dos alunos são monoparentais caraterizadas, pela carência de uma estrutura de convivência, afetividade entre seus membros, já que vivem apenas em muitos casos com um dos progenitores tal como podemos conferir nas seguintes narrações: Eu desde sempre tive uma infância muito distante dos meus pais, a minha infância foi sempre com o meu irmão mais pequeno que nunca nos deixamos. E os pais separaram-se muito cedo uma vez que ainda éramos pequenos e crescemos com ajuda dada pela igreja (entrevista aluno 5, 04/05/2015). Diante este quadro a quem desejou crescer sempre ao lado dos seus pais, mas infelizmente as circunstâncias foram diferentes: A infância não foi assim tão boa, porque naqueles instantes era necessário que os pais tivessem juntos e prontos para que pudessem acompanhar o processo de
145 desenvolvimento… Seria bom se tivesse um acompanhamento mais viável dos pais e ajudaria muito a relacionar-me com outras pessoas (entrevista aluno 6, 04/05/2015). Nesta tentativa de entender os currículos escolares e suas relações com as histórias de vida dos professores, Xavier (2014), destaca a importância das vozes dos alunos e professores no processo de investigação sobre a escola, pois considera que a análise das questões curriculares e das práticas pedagógicas pode se beneficiar da atenção para com as histórias de vida dos participantes, de acordo com as suas formas de atuação que no contexto escolar estão diretamente ligadas às suas experiências. O autor argumenta que os dados sobre as vidas dos professores constituem fatores importantes para a investigação educacional, já que os estilos de vida dos professores, dentro e fora da escola, bem como suas identidades e culturas ocultas têm impacto sobre os modelos de ensino, assim como sobre as práticas educativas. 5.7.2.2. A importância da disciplina de EMC No que diz respeito a disciplina de Educação Moral e Cívica é defendida pelos participantes que é de grande importância, tendo em conta o papel que desempenha na convivência e interação entre os homens na sociedade, tal como se segue nas afirmações abaixo: A disciplina de EMC é muito fundamental para dotar uma sociedade de bons procedimentos de valores morais, para sabermos como conviver e viver numa determinada sociedade. Ela tem ajudado bastante para a boa convivência para o desempenho e funcionamento normal das atividades na escola (entrevista, aluno 1, 04/05/2015). A disciplina de EMC vai ajudar o aluno a se relacionar, socializar com os demais membros da própria sociedade, na escola, tanto faz com os colegas, com os professores e todos membros de uma escola (entrevista aluno 2, 04/05/2015). Neste caso, exige-se tal como refere Domínguez (2017), que haja um compromisso ético-profissional, projetos docentes que haverão de estar impregnados de novas metodologias, atividades práticas e ferramentas didáticas que possibilitam o enriquecimento pessoal e moral em valores dos alunos que dia a dia fazendo da educação de uma nova aventura no sistema educativo democrático. Assim, uma educação válida e eficaz deve consistir em oferecer respostas a todas as dimensões do ser humano para ajudar a desenvolver todas as capacidades maneira ensinar a dar respostas eficazes e humanamente produtivas em
146 três dimensões básicas e inseparáveis das pessoas: pensar (respostas cognitivas), fazer (respostas condutais) e sentir (respostas emocionais e afetivas). 5.7.2.3. Atividades da direção com os alunos São aquelas que visam estreitar as relações com os alunos incentivando a participarem nas atividades intra e extra-escolares para se realizar com sucesso este processo de ensinoaprendizagem. Neste sentido, temos a destacar a visão dos protagonistas que defendem o seguinte: A escola não realiza atividade tendo em conta a resolução de problemas atuais vividos na escola e fora dela, se preocupa mais em interromper as aulas para os alunos assistirem atividades políticas partidárias ou cobrar o dinheiro da comparticipação e emitir ordem de expulsão para aqueles que não pagaram (entrevista aluno 10, 14/08/2015). A escola ainda peca na transmissão de valores, porque existe muitas paralisações de aulas para se realizar mais atividade de caráter político partidário e não académico como as atividades extra escolares (entrevista aluno 12, 14/08/2015). É notório que a atividade que a direção da escola realiza com os alunos, ainda não satifaz aos anseios dos alunos, para tal é imprescindível rever a forma de gestão destas atividades. Segundo Valle et al. (2017), referem que as estratégias de estudo, influidas pela motivação ajuda na forma de conceber a aprendizagem, considera que o enfoque de trabalho que realiza o aluno a fazer os seus deveres escolares segue umas pautas idênticas em seus aspetos motivacionais e cognitivo. Por isso, na ótica de Moral et al. (2016), o êxito da escola depende da habilidade do seu líder, para aproveitar a capacidade de todos integrantes do ensino, de maneira que os elementos que formam parte do processo educativo, possam também construir comunidades mais responsáveis. Assim, a liderança deve ser geradora de comunidade de aprendizagem para melhoria da comunidade da escola e deixar de abandonar a clássica concepção de diretor solitário, heróico-carismático e entendendo a direção como uma tarefa partilhada por toda comunidade escolar. A atividade restringe-se na sala de aulas, porque o professor não conhece a realidade que vivi o aluno e o professor não tem tempo, devido os seus estudos de ir visitar os alunos (entrevista aluno 13, 14/08/2015).
147 Neste contexto, para Escudero (2009), os professores ainda necessitam de mais conhecimentos, procedimentos adequados para conhecerem a realidade pessoal e o mundo em que estão inseridos os alunos, de maneira a supervisionar a sua trajetória de aprendizagem bem como o próprio trabalho a desenvolver de maneira a poder fazer reflexão antes, durante e depois das atividades para perspetivar cada vez mais melhorias na prática educativa. 5.7.2.4. Relação entre o professor e o aluno No que concerne ao relacionamento existente entre os integrantes do processo de ensinoaprendizagem durante a aula, tem se baseado na maneira da atuação dos professores durante a aula que na visão dos participantes está sofrendo alguma mudança, tal como é justificado no exemplo que segue: Há professores que respeitam os alunos, mas existe outros que não respeitam, criam mau ambiente na sala, e se o aluno reage ou responde a ofensa, o professor expulsa o aluno considerando-o de indisciplinado e fruto disso, o aluno passa a ser um potencial candidato a reprovação (entrevista aluno 5, 04/05/2015). A relação professor e aluno tende a melhorar, é preciso continuar a acompanhar, pois, o professor ainda continua assumir a liderança autoritária em função das ameaças que faz e ao lembrar sempre aos alunos que ele é a lei na sala (entrevista aluno 21, 16/09/2015). Sabemos que o sucesso do processo de ensino-aprendizagem, depende também das relações que se estabelece entre os seus intervenientes. Nesta ordem de ideia, as contribuições dos professores são as seguintes: Depende do clima criado pelo professor quando trata bem os alunos estes retribuem tratando-o bem. Entendo que se o professor gerir bem o seu comportamento, acredito que poderá ajudar em certa medida que os alunos venham respeitar também o próprio professor (Mutango, entrevista professora 29/04/2015). Na sala de aula vamos encontrar alguns alunos com comportamento inadequado, para que não haja mau ambiente na relação, o professor tem de ser promotor do bom relacionamento entre os integrantes do processo educativo (Catumbo, entrevista professora 14/04/2015).
148 A relação interpessoal no processo educativo é essencial por isso pretende-se que a escola e os professores atuem com a perspectiva de que todos são capazes de aprender, do seu jeito e no seu tempo. Isso orienta para a utilização de estratégias variadas de ensino, dinâmicas de organização do espaço da sala de aula para identificar e promover competências, interesses e os diferentes estilos ou formas de aprendizagem (Souza, 2018). 5.7.2.5. Interação na aula Esta categoria tem a ver com a maneira como interagem na aula o professor e o aluno para que haja aprendizagem significativa. A mesma é caraterizada segundo os atores da seguinte forma: A interação restringe-se na sala de aulas, porque o professor não conhece a realidade que vivi o aluno e justifica tal procedimento, a falta de tempo devido os estudos e, também alegam que não têm tempo de acompanhar os alunos e dizem que o que ganham não é suficiente, saiem cedo para irem fazer outras atividades de colaboração para ter um pouco mais de dinheiro (entrevista aluno 11, 14/08/2015). O professor pensa que se relacionar com os alunos fora da sala de aulas as pessoas vão pensar mal dele e das suas intenções. As vezes o professor já vêm com as suas frustrações e não tem como interagir bem com os alunos. Criam barreiras na relação com os alunos o que torna difícil as relações interpessoais fora da sala... eles pedem que os alunos façam o que orientam e não façam o mesmo que os professores (entrevista aluno 12, 14/08/2015). Os resultados revelam que alguma coisa não está bem na interação durante a aula, é necessário que os professores se envolvam mais no processo. Pois, segundo Festas (2015), o pensamento e o conhecimento transcorrem da relação entre os participantes embuidos na atividade em função do contexto em que elas ocorrem, já que a aprendizagem é situada na prática do mundo em que vivemos e resulta da atividade e da participação do indivíduo nessa prática. Para tal, é crucial observar, escutar, agir e participar para que se desenvolva os conhecimentos que futuramente fortificarão a identidade profissional de cada um deles. 5.7.2.6. Relação da família com a escola É aquela que se estabelece entre o centro educativo e os familiares dos alunos e alunas para se compreender as diferentes vias de atuação dos pais e as mães na educação. Daí a necessidade de se compreender a relação que existe com a escola. Nesta perspetiva, é reconhecido pela
149 maioria dos participantes que esta relação não é a mais adequada cifrada em 20,19% como podemos conferir no gráfico que se segue: Gráfico 11– Relação entre a família e a escola E qualitativamente os participantes justificam tal fato salientando o seguinte: Alguns comportamentos verificados no processo de ensino e aprendizagem dão a entender que não existe interação aceitável entre a escola com a família, porque se assim fosse, não poderíamos ter este tipo de comportamento de pouca afluência da família. E mesmo por minha experiência enquanto encarregado de educação não tenho acompanhado nem me inteirando junto dos meus colegas acerca da maneira que acontece o processo (Mutango, entrevista professora 29/04/2015). Geralmente os pais não vão ao encontro dos professores a fim de se inteirar acerca da ocorrência do processo educativo, só aparecem no início do ano letivo para fazer matrícula e no fim para reclamar se o filho reprovou, daí a relação ser fraca (Catumbo, entrevista professora 14/04/2015). Nesta dimensão, os entrevistados têm ideias divergentes sobre a relação da família com a escola, como podemos confirmar porque para a maioria dos participantes, a realidade é bem diferente em função dos seguintes argumentos: A relação entre a família e a escola pode ser boa, mas é necessário o acompanhamento de todos responsáveis deste processo, colaborando e incentivando os participantes a melhorarem cada vez mais essa relação.
150 Atualmente muitas famílias ainda deixam muito a desejar por não se preocuparem com a formação e a educação dos seus filhos, daí a deficiente presença dos encarregados de educação (entrevista aluno 21, 19/09/2015). Das vezes que a família vai à escola, é porque o professor ou a direção escolar convidou para comparecer, a fim de resolver a situação em que o aluno está envolvido. Assim, em muitas ocasiões a família se recusa a ir a escola (entrevista aluno 6, 04/05/2015). Para o sucesso das atividades escolares é imprescindível contar com a participação de famílias neste processo, daí que Colás & Rosado (2013), apresentam uma reflexão sobre os tipos de participação que as vezes adotam as famílias, desde os consumidores – que concebem a educação como um produto de consumo que quando não se está satisfeito elege-se outro. Os clientes que são as famílias que consideram que os professores são especialistas e responsáveis pela educação; já a modalidade de participantes, refere-se as famílias implicadas com a educação dos filhos e filhas, podendo colaborar com os docentes e finalmente, os sócios reportam-se como sendo aquelas famílias que envolvem-se na relação família - escola e colaboram em grande escala na educação dos educandos e educandas, resultando êxitos escolares. 5.7.2.7. Os meios de comunicação social São aqueles que servem de veículo de comunicação e informação, atualizando as pessoas sobre o que se passa no mundo nos vários domínios. Outra questão que se coloca é de saber qual tem sido a influência/papel dos mídias ou dos meios de comunicação na moralização ou aprendizagem da educação moral e cívica por parte dos alunos e alunas. Assim, os participantes defendem o seguinte papel: Podemos ser educado com os órgãos de comunicação social, mas muitas das vezes o próprio homem é que não sabe usar as tic positivamente chocando com a dignidade humana de qualquer pessoa (entrevista aluno 2, 04/05/2015). Outro reconhecimento do papel dos meios de comunicação é apresentado nestes argumentos: Os órgãos de comunicação estatal promovem muito as publicidades de bebidas alcoólicas, e os adolescentes fruto disso, também fazem o consumo das mesmas,
151 influenciando-os para o fenómeno mata aula realizado as Sextas-feiras (entrevista família 6, 16/10/2015). Os meios de comunicação social são importantes, mas certos programas de tv como o big brother Angola, promovem comportamentos sexuais negativos e mesmo algumas músicas do estilo «kuduro» transmitem mensagem de contravalores, com letras que são um atentado a moral pública (entrevista família 2, 16/10/2015). Está evidente na visão dos participantes que os meios de comunicação de social são importantes e quando mal usados concorrem para o mal da sociedade. Hoje vivemos numa sociedade em que a mudança faz parte da nossa vida cotidiana. Temos mudado nossa maneira de relacionar-nos, de comunicar-nos, de trabalhar, de informarmos, aprender, comprar e interagir. As mudanças que se produziram em nossa sociedade nas últimas décadas, deve-se principalmente pela extensão de novas tecnologias de informação e comunicação que geraram as novas maneiras de entender a forma como as pessoas se situam na sociedade em relação a si mesma e as demais. Por isso, segundo Marcelo (2013), são as instituições educativas as que deveriam atuar como modelos no processo de educar aos novos cidadãos e reeducar o desenvolviemnto das pessoas ao longo de toda vida. Assim, a instituição escolar se há convertido em ponto de observação para o bom e para o mal, de uma sociedade que espera que seus sistemas educativos contribuam para promover a existência de cidadãos educados. 5.7.2.9. O comportamento dos alunos e professores Já a dimensão comportamentos visa perceber essa realidade no seio entre professores e alunos no dia-a-dia, em função das relações/interação que ocorrem durante o processo de ensinoaprendizagem. Nesta perspetiva, os alunos entrevistados são de opiniões diversas alegando que tal atitude deve-se: A existência de alguns professores que apresentam essa escassez de bons comportamentos, de ato moral com relação aos próprios alunos … ou deve-se ao fato dos professores não estarem adequadamente formados, para posteriormente também passar essa informação de valores morais sem magoar outrem, porque a base começa com os professores (entrevista aluno 1, 04/05/2015). O comportamento de alguns professores é bom, mas outros se comportam mal, tal como também podemos igualmente notar nos alunos que alguns têm comportamento muito negativo. Porém, tem a ver com o pouco acompanhamento dos pais a partir de
152 casa, porque as questões cívicas são feitas de antemão a partir de casa (entrevista aluno 6, 04/05/2015). Ainda acerca desta posição, uma outra visão para compreensão da mesma é apresentada pelo outro aluno que sustenta, que tal comportamento resulta por exemplo em função: … do próprio desempenho por parte dos professores, a própria formação por parte dos professores ou se empenham mais na transmissão dos valores, porque as vezes não clarificam aos estudantes e quando estes perguntam ou colocam dúvidas os professores consideram como sendo indisciplina (entrevista aluno 3, 04/05/2015). Perante este fato e para alcançar o nível de desenvolvimento educacional que se necessita, se exige que se forme professores capacitados para fomentar nos alunos habilidades de pensamento para trabalhar em contexto de diversidade e em muitos casos de vulnerabilidade social e económica. Em virtude disso, diversas publicações hão afirmado a urgente necessidade de melhorar a formação inicial e contínua dos professores, dado que este é um requisito essencial no melhoramento da qualidade de aprendizagem dos alunos. Porque a prática educativa bem sucedida é aquela que contribui para que os alunos tornem-se mais humanos do ponto de vista sócio-histórico de modo a compreender também que bem sucedida é toda prática educativa que afeta os sujeitos de alegria e, contribui para aumentar a potência de ser e agir tanto do professor quanto do aluno. Ou seja, práticas educativas bem sucedidas são aquelas que geram aprendizagem e desenvolvimento humano, porque contribuem para a expansão de afetos alegres que potencializam mentes e corpos humanos a agirem com compromisso social (Marques & Carvalho, 2017). 5.7.2.9.1. Origem de comportamentos negativos Esta categoria visou abordar aquele comportameno que Tirado Morueta & Conde Vélez (2015), consideram como sendo aquelas ações que dificultam o normal desenvolvimento das classes; indisciplina nas relações entre o professorado e os alunos; problemas relacionais entre o aluno, aqui se podem incluir vandalismo, danos materiais, extorsões, agressões, violência física. Na ótica das famílias essta atitude de comportamento negativo dos alunos tem a ver com os fatores seguintes: Há muita desigualdade social e problema de extrema pobreza em que estão mergulhados e vivenciando as famílias, que na procura de melhorar as condições
255 No dia 8 na aula do professor Tchissingui notamos que realizou bem a organização inicial, depois escreveu o tema «Direitos humanos» e começou a orientar o apontamento sem explicação nem contribuição dos alunos. Não tratou do tema de maneira mais aprofundada, utilizou bem os meios materiais, escrita de erros por falta de calma e humildade durante a correção feita pelos alunos. Manteve um controlo suficiente da turma, os alunos igualmente colaboraram durante a construção de novos saberes. Não marcou a tarefa nem fez controlo de presenças, porque já estava em crise de tempo. Alguns alunos questionaram sobre os trabalhos que o professor ainda não devolveu aos alunos. Este em resposta disse que vocês no sabem nada, só reclama, mas não estudam nada. Ainda no mesmo dia, as 9 horas observamos a aula com o tema «Vamos discutir problemas», o professor Makayeye, fez a introdução da aula, se dirigiu aos alunos chamando pelos números e não nomes, assim foi chamando pelos números aleatoriamente até de alunos que não estavam presentes na aula. Ficou claro que o professor não conhece os alunos, por isso, dirige-se à eles pelos números em vez dos nomes. Quando o aluno participa na aula por cada intervenção ele dita o seu número para ter classificação. Ainda as 13 horas 50 minutos observamos a aula «A sexualidade e a lei» depois de entrarmos, havia alguns alunos fora pertencentes à turma, mas não entraram para participarem da mesma, depois a professora Lucombo, pediu ao delegado chamarem os colegas. Mas este do seu regresso disse que já foram. Dia 12, as 7 horas 30 minutos com o tema: «Reconciliação na comunidade», observamos a aula que iniciou com atraso devido a chegada tardia da professora Catapepo e logo depois da saudação, escreveu os preliminares e começou a ditar, um aluno fez lembrar que tinha tarefa para corrigir. A professora respondeu que: vamos ver no outro dia, orientou o registo até ao toque de saída e não explicou prometendo faze-lo na próxima aula, razão pela qual os alunos reclamaram de tanto escreverem e por saírem 10 minutos depois. N o dia 13, na aula da professora Cassinda com o tema «Definição da amizade, a companhia sã e o diálogo», ficou evidente que os alunos estavam entusiasmados e bem motivados devido a metodologia participativa que adotou a professora. Notou-se o bom domínio do conteúdo, assim como utilização de boa linguagem, utilização dos meios de ensino e boa gestão do tempo. Fez o resumo e consolidação da aula com a participação sempre dos alunos. A relação entre os intervenientes foi boa, e finalmente fez a chamada pelos números, escreveu o sumário e marcou a tarefa para casa e deu por encerrada a aula. Dia 16, as 13 horas e 50 minutos observamos a aula com o tema: «Reconciliação na comunidade», no início escreveu erradamente duas palavras e de seguida os alunos corrigiram dizendo à professora que não é assim que se escreviam aquelas palavras. A professora Lucombo aceitou e se defendeu dizendo que foi um lapso. Primeiro ditou a matéria depois deu a explicação, mas dois alunos conversavam e ela não prestava atenção ao lado esquerdo da sala. Dia 19, as 7h30, observamos a aula da professora Catapepo, verificamos que a professora interagia bem com os alunos, mas ao longo da aula as explicações dadas, não correspondiam com o tema em estudo «A sexualidade na adolescência» induzindo aos alunos em erros, utilizando predominante uma metodologia que contribuiu para a passividade dos alunos. Em conversa com ela justificou que tal deve-se as dificuldades em não saber o que podia se
256 ensinar com aquele tema. Quando verificamos o esboço do plano de aula constatamos que os objetivos formulados no presente do indicativo. Não ficou claro se os alunos alcançaram os mesmos devido a falta do momento da consolidação e resumo da aula. Finalmente dia 20, as 8 horas 20 minutos, observamos a aula do professor Ndala sobre: «Os símbolos que identificam o nosso país», depois de cumprir com as formalidades fez o controlo da tarefa, orientou os alunos em função dos objectivos da aula, explicou e depois pediu as contribuições dos alunos, escreveu algumas palavras ao quadro e depois não apagava o quadro, o que dificultava localizar a nova palavra escrita. Não conseguiu explicar o significado da cor amarela da bandeira nacional, fez o resumo da aula, marcou tarefa e terminou a aula. Dia 23, observamos a aula da professora Lucombo, com as seguintes evidência, boa organização inicial, controlo da tarefa do dia anterior, fez a orientação até ao objetivo e os alunos participaram bastante no tema «A vida em família começa na família», não elaborou os meios de ensino. Conseguiu manter a turma controlada e teve domínio do conteúdo. No final da aula não fez a consolidação da aula, mas fez o resumo da aula e marcou a tarefa e não fez o controlo de presença. Observado o plano, constatou-se a mal na formulação de objetivos específicos, nem estava no modo infinitivo. No dia 20, durante a aula do professor Ndala, verificou-se que o professor tinha elaborado o plano com boa formulação dos objetivos e na organização fez o controlo da tarefa do dia anterior, fez o controlo de presença pelos números, escreveu o sumário e começou a explicar os subtemas e os alunos escutavam atentamente e questionou se havia dúvida, quando os alunos respondia que não há, então passava para outro tema. Não forneceu apontamentos para os alunos e nem os alunos possuem livros. Mas o professor pensa que esta é a maneira de obrigar os alunos a comprarem livros. No final da aula marcou a tarefa e recomendou os alunos que comprassem livros e estudassem todos os temas já abordados, porque sairia na prova. E assim terminava mais uma aula, alguns alunos triste por não terem oportunidade de registarem alguma coisa. Novembro Do dia 9 até 13, realizou-se a aula de preparação para as provas de escolas (finais), foi visível as dificuldades pelo facto de existir muito conteúdo e não tinham por onde começar. Em 45 minutos por semana é quase impossível rever os conteúdos dados ao longo do ano lectivo tendo em conta a proporção de conteúdos que são avaliados ao longo de todo ano. O regulamento da elaboração de provas finais prevê conteúdo na ordem de 20 % referente ao I trimestre, 30 % para o II trimestre e 50 % para o III trimestre. Dia 21 realizou-se a prova de escola de EMC as 10 horas e constatou-se em algumas turmas muitas lamentações pelo facto dos professores não terem dado determinados temas, em função de alguns terem iniciado o ano lectivo tarde devido a falta de condições locais organizativas. Em certas situações deve-se a falta de cooperação entre as escolas ou com a direção de educação, porque as propostas dos professores acerca do grau do cumprimento do programa não são levadas em consideração. Outro caso tem a ver com a escola do interior (meio rural) em que os conteúdos que apareceram na prova de exame, por exemplo das perguntas
257 propostas no enunciado apenas os alunos conseguiram estudar ao longo das aulas um conteúdo que perfaz uma percentagem de 33,33 % contra os 66,67 % correspondentes ao conteúdo não dado durante o ano lectivo de 2015.
258 Anexo 3 Guião de Entrevista para Professor A presente entrevista visa descrever e compreender as práticas educativas e curriculares dos professores de EMC em escolas secundárias de Lubango (Angola), tendo em conta as actividades de aula, o uso dos materiais curriculares e as relações com os estudantes. Solicitamos e agradecemos pela sua colaboração e disponibilidade, sua contribuição será de grande valor para o desenvolvimento educativo. Durante a escritura da tese os dados relativos às pessoas estarão sujeitos ao anonimato e privacidade com alto grau de sigilo possível, para salvaguardar ou evitar a identificação das pessoas participantes nesta pesquisa. 1 - Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida? 2 - Descreva a sua trajectória académica e como começou a trabalhar na educação e como professor de EMC? 3 - No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? 4 - Descreve como tem decorrido a prática educativa de Educação Moral e Cívica e sua qualidade? 5 - Analise os modelos e métodos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC? Justifica. 6 - Aclare como avalias os seus alunos e como és avaliado? 7 - Explica como tem decorrido o processo de planificação diária e a nível da coordenação? 8 - Analise e aclare os comportamentos dos alunos da escola secundária e que factores estão na sua base? 9 - Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula no âmbito da educação moral e cívica? Pode aclarar? 10 - Os meios de comunicação social são importante para educação moral e cívica. Analise o papel que tem desempenhado de acordo a realidade angolana? Fundamenta. 11 - Descreva como os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professores e alunos durante a aula têm contribuído para o bom perfil de saída do aluno no contexto de Angola? 12 - Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua actividade educativa? Pode comentar? 13 – Tendo em conta as mudanças sociais. Como avalia o salário dos professores em Angola? Pode justificar?
259 14 - Como professor, analise a formação que tem beneficiado para o seu desenvolvimento profissional. 15 - Avalie o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? 16 – Explica a relação que estabelece com o aluno e que liderança predomina no processo de ensino-aprendizagem. 17 – Caracteriza e analisa qual é o papel que a família tem desempenhado na educação dos filhos?
260 Anexo 4 Transcrição das entrevistas dos professores Entrevista ao professor Ndala 20/04/2015 - E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e como começou ingressou na educação? R - Devido a guerra cresci longe da família, comecei a trabalhar quando conclui a 8ª classe, depois conclui a 12ª na especialidade de ciências físicas e biológicas, não estou a estudar. E. No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? R. - Pela sua essência da sua actividade que é instruir e educar deve ter a obrigação de transmitir os valores através de seus ensinamentos e exemplos de actos humanos as novas gerações. Estou a favor da inclusão da disciplina até porque tem se notado a perda de valores morais. Esta disciplina vem mesmo com o objectivo de ajudar aconselhar fazendo palestras em relações aos problemas que a nossa sociedade enfrenta. E. Descreve como têm decorrido as práticas educativas de EMC? R - Por falta de maior empenho, dedicam-se a ditarem muita matéria e estão muito preso ao livro. Por exemplo, pouca busca ou pesquisa por parte dos professores. Eles apresentam dificuldades de preparação de aulas e na realização prática das aulas, na relação entre professores e o seu no novo contexto de trabalho, sobretudo os que trabalham no interior das capitais de cidade. Estamos distante daquilo que se pretende porque daquilo o que os manuais trazem se temos cumpridos talvez é na ordem de 50 ou 60 porcento. E. Analise os modelos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC. Justifica. R - É preciso trabalharmos muito para se alcançar o necessário. Em suma, quando falamos de modelos utiliza-se ainda os modelos tradicionais, precisamos acompanhar a dinâmica para que haja um bom desenvolvimento educativo. O professor ainda usa métodos tradicionais porque não recorre ao uso diversificado de estratégias nem meios, tão pouco sabe usar as tic para a aula. Ainda procuramos compreender os outros modelos para melhorar o trabalho. Predomina mais o modelo tradicional devido a falta de condições o professor é o único que traz saber para os alunos. É notório em muitos casos que a aula está centrada no professor e o aluno é visto como alguém ou tábua rasa ou sem luz e as tecnologias não eram tão desenvolvidas como nos dias de hoje. Pena é que os docentes na sua maioria não usam e aproveitam as mesmas para melhorarem o trabalho que fazem no seu dia a dia. O que faria com que o aluno seja um membro activo no processo de ensino-aprendizagem. E. Explica como tem decorrido as planificações a nível da coordenação?
261 R - Não se abre momentos para troca de experiência de como abordar determinados temas que podem oferecer mais dificuldades ou grau de complexidade, não se faz a planificação entre professores que leccionam a mesma disciplina e classe o que facilitaria o debate entre os colegas. Têm decorrido de forma sistemática, isto é do que tenho observado em que o coordenador que dirige esta mesma planificação, a princípio fala das actividades realizadas e das actividades por se realizar. Ele situa sobre o que vai ser feito, quais são os temas a serem ensinados durante um mês, ai vai decorrendo as actividades. Cada um vai opinando sobre o que deu, ou falta por dar. Elas têm sido até certo ponto interessantes, isto porque além de distribuírem os temas que serão leccionados durante os próximos dias. Dão certas dicas sobre o comportamento dos alunos da mesma escola e por fim lembrar os docentes acerca das normas. E. Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula? Pode aclarar? R - As tic são importantes para formação e informação do indivíduo e ajuda no processo de socialização do indivíduo, o uso das tic durante a aula é crucial embora depende das condições do professor que vai leccionar esta aula. Porque é necessário que ele tenha domínio da mesma, mas não estou de acordo como alguns professores que exageram demais o seu uso. Pois, todo trabalho pequeno, pede que envie no facebook do professor. Elas são importantes no processo de ensino aprendizagem quando bem exploradas ajudam a estar actualizados e permite a busca de novos saberes. Infelizmente muitas vezes são mal uso e interpretados por exemplo, as publicidades e novelas que passam o que tem contribuído para desestruturação do pensar e comportamento. E. Analise o papel que os meios de comunicação social têm desempenhado de acordo a realidade angolana? Fundamenta. R - Se coisas boas passam com aquela intensidade, coisas más ao passarem com a mesma intensidade é mais fácil influenciar-se pelas coisas negativas. Desempenham um papel importante no que tange a transmissão de valores morais e cívicos. Existem certos programas que têm ajudado no relacionamento com a sociedade atendendo a nossa realidade angolana. Há pais que não têm tempo para sentarem com os filhos, de modo que os seus filhos, não se deixem levar pelas más influências desta. Por outro lado, tem ajudado na sensibilização da sociedade de modo a evitar a violência doméstica. E. Descreva até que ponto os conteúdos programados e os materiais utilizados têm contribuído para o bom perfil de saída do aluno. Os conteúdos programados e outros materiais utilizados nas aulas são bons e contribuem para um bom perfil de saída dos alunos. O que tem dificultado é a falta de boa utilização dos mesmos de formas racional. Encontramos valores bons nos nossos materiais, a grande dificuldade tem sido a transferência dos conteúdos programados à prática. No entanto, em alguns temas existem algumas insuficiências no livros já que falta sistematizar bem. Contudo, os materiais utilizados são bons e contribuem para um bom perfil de saída dos alunos, o que tem dificultado é a falta de boa utilização dos mesmos de formas racional.
262 E. Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua actividade educativa? Pode comentar. R - A formação média ou superior não tem nada a ver com a disciplina que lecciono. A experiência como coordenador ajuda a perceber as dificuldades dos professores relativamente ao processo de ensino-aprendizagem de EMC. Apresentam dificuldades de domínio do conteúdo. Por vezes, nota-se que o professor não planificou antes de vir na sala de aula e transporta os problemas de casa para turma e desconta nos alunos. Outra dificuldade prendese ao facto de compreender, quando o aluno tem problemas. E. Descreve como é a relação entre o professor e o aluno no processo de ensinoaprendizagem. R - Entendo que para o professor se gerir bem o seu comportamento acredito que poderá ajudar em certa medida que os alunos venham respeitar o próprio professor. A relação tem melhorado significativamente devido os conhecimentos que os professores que continuam a estudar estão adquirindo. E. Quais são os critérios de admissão como professor na educação? R - Alguns são admitidos mediante um teste e entrevista, outros não fazem teste, são admitidos mesmo assim. E o teste não tem nada a ver com a especialidade que cada seguiu é mais conhecimentos de cultura geral, português e matemática. Tem existido pouca transparência no processo. E. Aclare como avalias os seus alunos e como és avaliado? R - Ela feita mediante a participação nas aulas individualmente ou em grupo mediante a realização de tarefas e chamadas escritas, trabalhos de grupos. Os alunos são avaliados todos os dias de aula, o professor faz a selecção de alunos que têm avaliações em atraso. O professor faz a avaliação oral e escrita de maneira obter a média de avaliação contínua. E. Analise a relação da família com a escola e que papel tem jogado na educação dos filhos? Pode justificar? R - Apesar do esforço das escolas a relação ainda é débil e também falo por experiência própria como professor e como pai que sou também não tenho passado pelas escolas onde estudam os filhos. É fraca a relação da família com a escola porque o sucesso das aprendizagens escolares depende do comprometimento das famílias, o que não tem se verificado na prática. Porque as famílias demitiram-se desse papel devido as desculpas de falta de tempo. Por esta razão, tem havido incompreensões, porque as famílias não acompanham os filhos e não sabem o tipo de comportamento fora de casa. Infelizmente, apenas se preocupam em matricularem os seus educandos, depois volta a passar no fim do ano lectivo para saber o aproveitamento. As famílias deixam a tarefa de educar os seus filhos na responsabilidade da escola em velar pela educação e instrução dos filhos. Seria bom que existisse colaboração entre as instâncias responsáveis pela educação. Sabemos que o Lubango
263 é uma sociedade com muitos problemas, em termos de moral, já que devemos reconhecer que há degradação de valores na sociedade, existe muitas famílias monoparentais. E. Descreva acerca da formação contínua dada aos professores R - Atualmente ela está melhorar, atendendo as tecnologias alguma coisa está mudar pois, a mudança pode significar desenvolvimento. Mas tem se dado as vezes formação muito repetida, já que os professores têm dúvidas que as vezes não são respondidas nesta formação ou seminários organizados. Um tenho a formação inicial e estes conseguem se adaptarem com facilidade, já que possuem agregação pedagógica. Em outros casos, os docentes que não possuem formação inicial, tem participado em seminários que tem ajudado pouco, por não fazerem referências as dificuldades dos docentes. E. Como avalias a condição salarial dos professores R - Ainda estamos mal atendendo as possibilidades que o nosso país tem, os professores merecem muito mais do que aquilo que ganham. Sem se esquecer do atraso quanto ao pagamento do mesmo, já basta ser pouco e ainda tem que demorar um ou dois meses. Sinto que o Estado exige muito dos professores e ele faz muito pouco para os professores. No entanto, apesar das dificuldades existe professores que apresentam amor pelo que fazem, empenhando-se com todo esforço e vontade mesmo sendo mal pagos. Infelizmente o salário em certos casos é miserável, sendo o professor um grande participante indirecto da vida do homem, isto porque é ele que forma todas as profissões. Acho que os professores poderiam ser um pouco mais valorizados e bem remunerados. Existe professores com nível superior, mas continuam a ganharem como técnicos médios, devido a falta de actualização das categorias dos docentes. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista a professora Mutango 29-04-2015 E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e como começou ingressou na educação? R - Cresci no meio rural, com a minha família, tive a educação religiosa. A infância foi difícil, devido a falta de condições sociais. Depois fui estudar na escola da missão, fiz o ensino médio em ciências económicas e jurídicas, depois fui admitido como professor actualmente não estou a estudar. E. No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? R - Estou a favor, com esta disciplina os alunos aprendem sobre os valores morais e éticos, seus direitos e deveres. Se um aluno é mal comportado em casa e na escola, a EMC estará ali para ajudar a moldar a atitude do aluno. Espera-se que venha ajudar as pessoas, a pensar cada vez mais no respeito dos valores.
264 E. Descreve como têm decorrido as práticas educativas de EMC? R - Elas têm decorrido a bom nível, mas apesar da ausência de alguns professores das disciplinas. Ela é importante por ser o pilar para uma boa aula e, com a planificação conseguimos ministrar bem as aulas. Mas na realidade, a planificação não tem sido muito boa porque para planificar é necessário ir ao contexto da realidade, planificar uma coisa e dão outra coisa, porque o que está na planificação não condiz com o meio. A prática de EMC têm decorrido a medida do possível, constitui desafio trabalhar com os alunos de culturas diferentes. E. Analise o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? R - Na minha opinião, não se faz sentir o papel da supervisão das actividades que os professores realizam. Isto porque, durante os anos que estou a trabalhar, nunca me observaram em nenhuma aula. Esta a falta de acompanhamento do trabalho dos professores tem contribuído para que não haja planificação, daí que os professores têm falhado em aspectos muito mais importantes na orientação de aulas. Duma maneira geral, podemos afirmar que não se faz sentir, acabando muitas das vezes em dar liberdade do bem fazer. Com a supervisão das actividades escolares, elas decorreriam da melhor maneira possível, permitindo que os professores planifiquem as aulas e que orientem os professores a ultrapassarem as dificuldades, que apresentam e sejam mais responsáveis no trabalho. E. Analise e aclare os comportamentos dos alunos da escola secundária e que factores estão na sua base? R - Atualmente tenho a dizer, que a assiduidade é um dos factores muito raramente verificada, já que tem se notado muita falta dos alunos nas aulas. Por incrível que pareça, alguns só aparecem no dia da prova. Outro factor, é a pontualidade já que muitos deles têm imensos problemas em chegar cedo. Contudo, digo que se estes aspectos continuarem, teremos imensas dificuldades em acompanhar o rendimento dos alunos no processo de ensinoaprendizagem. Bem como pode resultar em alunos deformados, em termos de conhecimentos. Acho que tal deve-se, a falta de responsabilidade, pouca segurança naquilo que fazem. A falta de respeito também tem a ver com o egoísmo e o imediatismo que os adolescentes perseguem. É necessário os adultos darem bons exemplos, para os adolescentes seguirem e não simplesmente criticarem. E. Analise os modelos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC. Justifica. R - Muitas questões que o professor traz, esta já tudo direccionado e, os alunos prestam atenção a exposição e não precisam de ajudar na formulação ou construção destes saberes durante a aula. Na sala de aulas, o professor é o orientador das aprendizagens e facilitador dos conhecimentos, ao passo que o aluno é o elemento que é orientado, o receptor dos conhecimentos, bem como aquele que está aprendendo e buscando mais conhecimentos.
271 metodológicos mediante as críticas e conselhos construtivos. Se assim for, o professor conseguirá desenvolver as suas competências, capacidades, potencialidades e avaliar suas limitações de forma a autosuperar-se. Se os supervisores desempenharem o seu papel, servirá de estímulo à pesquisa por parte do professor a ser observado e, também motiva o professor a ser observado e auxiliado na teoria e prática com o objectivo de tornar seus conhecimentos em sabedoria, podendo desta forma alcançar os objectivos traçados para cada aula. E. – Caracteriza e analisa qual é o papel que a família tem desempenhado na educação dos filhos? Pode justificar? R - Algumas famílias não estão em condições de ajudar e acompanhar os seus educandos, em contrapartida vamos encontrar filhos que vivem sozinhos apresentando, comportamento inaceitável e transporta-o para escola. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista de professor Tchissingui 11/06/2015 E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e formação? R - Cresci com o meu avô, um período ia a escola e no outro ia pastar os bois. Tive dificuldade de porque fiz isso num período de guerra. A igreja nos ensinava a amar o próximo e acreditar na existência de Deus, já a doutrina do marxismo nos ensinava o contrário. Actualmente conclui a 12 ª classe. E. Caracterize a inclusão da disciplina de EMC no currículo? R - Com a inclusão desta disciplina, espera-se que venha ajudar as pessoas a pensarem cada vez mais no respeito dos valores. Embora temos os professores propriamente dito de EMC, mas todo professor que pela sua essência e da sua actividade que é instruir e educar, deve ter a obrigação de transmitir os valores. Pode faze-lo através de seus ensinamentos e exemplos de actos humanos as novas gerações. E. Descreve como deve ser o perfil do professor de EMC? R - Entendo que o professor de EMC deve diferenciar-se, possuindo ou seja, o seu papel é: instruir, definir e exemplificar esses valores. Mas na prática deve ser de todos os professores, porque todos em sua plena actividade, deviam praticarem valores positivos e que esses serviriam de exemplo de inspiração dos seus alunos (pausa), é outra forma de ensinar os valores. E os professores de EMC não devem ensinar só os conceitos devem ir mais além, não ficando apenas nos valores como por exemplo: a solidariedade, amizade é necessário praticar, viver os mesmos nas acções a realizar. E. Descreve a rotina semanal de práticas educativas de EMC?
272 R - Ainda encontramos muitas dificuldades, porque os professores formaram-se nas outras áreas do saber que não tem a ver com a formação de professores. Quer dizer, fizeram o ensino médio noutras instituições escolares que não têm nada a ver com a formação de professores. O mais agravante, os professores não estão a estudar para auto superar-se para realizar bem as práticas educativas. O resultado é aquele em que o aluno estagiário vem leccionar e o professor tutor por falta de humildade, repudia negativamente o aluno, enquanto este tem preparação pedagógica para esta disciplina. Por isso, precisamos mais de encontro e cooperação com os colegas, para podermos superar o mar de problemas que vivemos sobre a prática. E. Aborde os modelos de ensino-aprendizagem mais utilizados R - Apesar do esforço de uma minoria utilizar as tic durante as aulas, muitos continuam a preferirem o modelo tradicional por ser aquele que de acordo a realidade de formação de professores é único que têm mais domínio. O modelo de ensino mais predominante nas aulas é o tradicional porque não se recorre ao trabalho muito interactivo e colaborativo e nem se faz o uso de outras formas de construir o conhecimento de maneira libertar o aluno na realização e participação de todas actividades da aula. E. Explica como tem decorrido as planificações a nível da coordenação? R - As escolas mais afincadas procuram levar o processo de ensino-aprendizagem com mais responsabilidade. Fruto disso, nestas reuniões para com vista a dar mais ênfase o coordenador convoca os professores onde apresentarão propostas de como ensinar certos temas na sala de aulas e se possível um professor disponibiliza-se a simular uma aula durante a planificação. Tem decorrido a bom nível, mas apesar da ausência de alguns coordenadores das disciplinas. Ela é importante por ser o pilar para uma boa aula, e com a planificação conseguimos ministrar bem as aulas. Mas na realidade a planificação não tem sido muito boa, porque para planificar é necessário ir ao contexto realidade, planificar uma coisa e dão outra coisa, porque o que está na planificação não condiz com o meio. E. Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula de educação moral e cívica? Pode aclarar? R - Para sermos sinceros nunca utilizamos as técnicas de informação e comunicação durante a aula. Não se faz sentir devido a falta de condições nas nossas escolas, uma vez que não têm internet, projector, nem computador, também muitos professores não estão preparados para tal. E. Descreve o papel dos meios de comunicação R - Olhando para os aspectos positivos através dos meios de comunicação recebemos informações bastante ricas quer através dos nossos cantores, peças de teatro, novelas, filmes. Mas ao mesmo tempo o outro lado é assistirmos algumas novelas e ouvirmos se é desabafo de coisas que não dignifica para nossa geração e a questão do mal quando se passa com a ideia de que se vai extrair o bem porque o mal que aparece é para dizer que não é assim mas é o
273 oposto deste. Não concordo porque devia existir mais censura porque quem assiste interpreta o contrário, se coisas boas passam com aquela intensidade, coisas más ao passarem com a mesma intensidade é mais fácil influenciar-se pelas coisas negativas. Quanto as publicidades não vamos só pensar no dinheiro existe várias formas de ganhar dinheiro e não usarmos o corpo da mulher quase nua ou semi-nua para fazer publicidade com o intuito de que assim é que vamos ter clientes, são situações que não ajudam na moralização da própria sociedade. E. Descreve como são os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professor de EMC? R - Não temos materiais excelentes nem programas, mas são aceitáveis a dificuldade reside na materialização daquilo que vem nestes programas, neste conteúdos programados tem sido muito pouca. Encontramos valores bons nos nossos materiais, a grande dificuldade tem sido a transferência dos conteúdos programados à prática, daí que apesar do perfil de saída do nosso aluno nas instituições escolares seja ela do primário, I ciclo podem ter até ponto os valores, mas a materialização na prática ou a vivência destes valores, sua concretização está muito longe dessa realidade. E. Sente dificuldade em trabalhar com essa dificuldade disciplina? R - Sim, porque não tivemos uma formação inicial de professores, outras tem a ver com o distanciamento que existe entre as disciplinas que leccionamos e naquelas em que nos formamos. A formação média ou superior não tem nada a ver com a disciplina que lecciona. A experiência como coordenador ajuda a perceber as dificuldades dos professores relativamente ao processo de ensino-aprendizagem de EMC. E. Qual deve ser o perfil do professor de EMC? R - Existe várias qualidades que deve possuir o professor. Assim, deve ter todas qualidades indispensáveis para ser professor, mas acima de tudo deve procurar educar na base dos seus actos, porque não basta que fale bem, é importante passar essa mensagem através de actos … deve ser assíduo, pontual, actualizado que procura fazer o bem e na sala de aula procurar fazer o bem e ajudar a corrigir comportamentos negativos procurar nas suas acções transmitir uma mensagem positiva não é só falar coisas boas o bem não pode ficar no conceito deve ser vivido por exemplo não podemos estar em frente dos alunos embriagado dai o professor deve ficar atento nas suas acções e não estar a falar coisa boa e faço o contrário. O professor deve procurar com as suas acções fazer o bem, pois ensinar valores é necessário vivenciar os mesmos. E. Como caracteriza a formação contínua de professores R - Tem se dado uma formação contínua aos professores, mas que na realidade não reflecte aquilo que é indispensável para os professores no momento e fica-se uma semana a abordar questões repetitivas. É preciso realizar acções de formação que vão de acordo as necessidades dos professores e não formar por formar apenas na vertente política não estamos a fazer nada porque em certos casos como não se faz diagnóstico das reais dificuldades e necessidades dos
274 professores e depois se dar alguns contributos. Outra situação é que o formador seleccionado devia ser um professor com maior experiência para poder interagir bem com os colegas. E. Avalie o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? R - A supervisão do trabalho que o professor orienta não é devidamente acompanhado, não se faz sentir. Hoje, muitos professores não cumprem com os seus deveres, aparecem na escola apenas para assinar o livro de maneira evitar falta e não dão aulas. Outros até podem dar, mas não dominam o conteúdo e não conseguem ter boa relação com os alunos. Não se faz sentir acabando muitas das vezes em dar liberdade do bem fazer, com a supervisão das actividades escolares, elas decorreriam da melhor maneira possível, permitindo que os professores planifiquem as aulas que orientam os professores a ultrapassarem as dificuldades que apresentam e sejam mais responsável no trabalho. E. Explica a relação que estabelece com o aluno e que liderança predomina no processo de ensino-aprendizagem R - As vezes o comportamento do aluno é reflexo do comportamento do professor e normalmente entendo que para os professor terem mau relacionamento com os alunos depende da gestão do professor, porque se o se gerir bem o comportamento acredito que poderá ajudar em certa medida que os alunos venham respeitar o próprio professor. Agora nós como professor devemos estar preparados que na sala vamos encontrar alguns alunos com comportamento inadequado e sabermos corrigir para que não haja mau ambiente na relação professor aluno como ele geralmente é que tem de ser promotor do bom relacionamento por mais que seja mais novo como professor. Mas se ele se relacionar bem com os alunos mais velhos a relação será boa de contrário será censurado com críticas de o professor é menor de idade apesar de ter estudado deve também nos respeitar. E. Aborde a relação da família com a escola e que papel tem jogado na educação dos filhos? Pode justificar? R - Se se cumprisse com essa relação, acredito que muitos problemas estariam resolvido a nível da escola. Tem se constatado, que convoca-se os pais /família nem se quer se fazem presente. Numa turma de mais de trinta alunos podem aparecer 4, por isso alguns casos nem a própria relação existe. Porque normalmente problemas que podiam ser resolvidos durante o decorrer das aulas seriam, resolvidos antes de se chegar ao fim com o ano lectivo. E. Descreva o que está na base de comportamentos inaceitáveis dos adolescentes? R - Na minha opinião em relação ao que tenho visto acerca dos alunos que apresentam um comportamento inaceitável tem muito a ver com a nossa própria realidade da nossa própria sociedade. Eu tenho pensado mesmo que isso é resultado da influência da crise de valores que se verifica na nossa sociedade e como nós temos algumas famílias em plena desestruturação não estão em condições de ajudar o filho a mudar de atitude negativa e acaba sempre estando mais exposto a valores da rua e ao mesmo tempo traz consigo esses valores para escola e a
275 tendência é que aquele que tem família estruturada acaba tendo bom comportamento e aqueles que apresentam famílias desestruturadas é que apresentam ausência de bom comportamento, não fazem tarefas e as vezes são muitos arrogantes. Devemos reconhecer que o comportamento do aluno é reflexo do comportamento do professor porque quando o professor se comporta mal, o aluno também se comportará mal, o próprio comportamento do professor deve ser exemplar. E. Descreve como avalia os alunos e que tipo de prova se aplica? R - Ela feita mediante a participação nas aulas individualmente ou em grupo mediante a realização de tarefas e chamadas escritas, trabalhos de grupos. São avaliados mediante as provas orais e escritas, trabalhos em grupo, individual, tarefas, alguns professores obrigam o aluno a decorarem o conteúdo. Os alunos são avaliados mediante chamada oral, escrita com relação a matéria abordada, realizando alguns trabalhos individuais. A avaliação que faz acaba adulterando o perfil de aproveitamento para não ser sancionado. E. Como avalia o salário dos professores face a inflação? Pode justificar? R - Infelizmente o salário em certos casos é miserável, sendo o professor um grande participante indirecto da vida do homem, isto porque é ele que forma todas as profissões. Acho que os professores poderiam ser um pouco mais valorizados e bem remunerados. Existe professores com nível superior, mas continuam a ganharem como técnicos médios devido a falta de actualização das categorias dos docentes. O nível social de alguns professores é baixo e por isso, andam descontentes com o rendimento que obtém da sua actividade. Infelizmente sou licenciado, mas estou enquadrado como técnico médio. A entrega e motivação não é tanta porque é necessário colaborar em outros sectores para poder ganhar mais dinheiro e diminuir as dificuldades. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista a professora Nzunzi 17/08/ 2015 E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e como começou ingressou na educação? R - Eu vim do governo provincial e a minha vida foi de colaborador, estive 4 anos na escola secundária, minha vida sempre foi esta. Antes disso, fui militar cumpri o serviço militar e depois fui para o governo e depois fui colocado aqui. Dei continuidade a minha formação na área de educação. E. Será que existe diferença entre a educação no passado e actualmente? R - A diferença que existe é que, no passado que vivemos anteriormente, é muito diferente dos dias de hoje, só estamos com 40 anos de independência e 13 anos de paz, então tudo leva tempo, as memórias ainda estão mais magoada por vivermos período conturbado do período de guerra e não é fácil termos condições que possam satisfazer as necessidades das nossas
276 crianças e pelo facto de existir crianças e mais velhos de ruas que de dia passam o dia a mendigar. Mais tudo leva tempo, razão pela qual está se construindo moradias para albergar os velhos com excepção na província do Cunene onde os lideres defendem que os velhos devem viverem com os seus filhos. E. Como avalia a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no Currículo. R - O tempo é muito curto e é necessário mais tempo já que nós hoje vivemos de período do fenómeno das tic... e as pessoas são influenciadas pelas essas informações resultantes das tecnologias. Por isso, o aparecimento da EMC nas escolas é muito importante por ajudar a esclarecer aos alunos o que é que deve-se efectivamente fazer para as pessoas não confundirem o que assistem na televisão e aquilo que deve ser nossa realidade. Por isso, essas tic beneficiam as crianças se forem muito bem aproveitadas tirando o positivo e separar do negativo. É preciso esclarecer como devem ser as coisas é necessário paciência, tempo para as pessoas mudarem de mentalidade do contrário desvirtua mesmo as pessoas. E. Carateriza e analisa o papel da família na educação dos filhos? R - É saber esclarecer aos filhos os aspectos negativos dos positivos nas redes sociais há casos que agente assiste para tirar algumas ilações porque nem tudo que passa os meios de comunicação servem de exemplo, regras para isso é necessário que os pais desempenhem um papel preponderante e ajudem os professores... para além da educação de casa é complementada com a do professor da escola é normal o professor de EMC ter falhas, o erro é natural, o negativo é repetir muitas vezes.. Perguntam quem é o professor de EMC quando se nota desvio na conduta do filho naquilo que deve seguir, o papel do professor de moral e cívica é este...tem esse papel de acompanhar os alunos, mas é associadas a contribuição da família porque se ela não fazer nada... Fica difícil o professor sozinho trabalhar essa dimensão... é necessário dar indicações as crianças para se enquadrar na sociedade e os pais devem também orientarem os filhos como complemento das actividades realizadas na escola. E. Descreve como tem sido a rotina semanal de prática docente de EMC? R - Durante a semana, cada professor tem o seu horário e dá cumprimento ao mesmo dando aulas e cumprindo os seus deveres e obrigações da actividade laboral, que é ensinar durante a semana. Assim, ao longos dos dias procuramos, realizar as nossas actividades planificando quando possível as aulas e dando as mesmas. Depois regresso a casa e assim se desenrolam as aulas. E. Como é a relação entre professor e aluno e que liderança utiliza? R - A principio deve ser boa, mas nós lutamos para que haja boa relação porque só assim é que conseguimos atingir os objectivos. Também existe casos que quando o professor é democrático dizem tem um espírito de deixa andar, há momentos que o professor tem que adoptar o estilo autoritário, isso vêem em função do comportamento dos alunos porque se formos liberais cairemos na libertinagem. Professor é aquele ou deve ser aquele que morde e sopra para deixar os outros respirarem bem e se sentirem a vontade e o aluno também só
277 assimila se estiver bem posicionado em termos de comportamento sossego tem de sentir que está com o professor e o professor está ali e é um elemento que dirige e algumas vezes depende do aluno valorizando a ideia dos alunos...se for muito autoritário os alunos não se abrem com receio de retalhar. É necessário permitir existir disciplina na aula. E. Aclare como é feito a avaliação no processo de ensino aprendizagem? R - O professor avalia em função do seu comportamento, conforme o nosso sistema os alunos participam e há sempre aqueles que se destacam mais e as notas vão variando em função da sua capacidade de assimilar porque não somos iguais cada um é diferente a quem assimila rápido e outras lentas, é necessário não colocar os alunos em pé de igualdade... É necessário conhecer os alunos, neste aspecto para não avaliar mal, não pelos nomes, mas conhecimentos em termos de assimilação. E. Como avalia a distribuição e os materiais da reforma educativa em função do contexto angolano? R - Por mim acho que o governo tem feito esforço e os materiais da reforma estão bem a quem diga não porque devia se ver porque para se andar bem é necessário levar tempo há sempre aqueles caminhos que agente atropela. Acho estão bem, alguma coisa pode não estar, mas quem inventou isso, foi chamado atenção para melhorar. Quanto a distribuição dos materiais tem havido reclamações de que não há material suficiente, mas vemos vendedoras informais a venderem materiais que não se sabe quem fornece esse material. É necessário a inspecção trabalhar e investigar mais para se saber de onde as vendedoras conseguem adquirir o material porque tem havido fuga de material com envolvimento dos responsáveis do sector. E. Como é feito o acompanhamento ou supervisão aos professores pela direcção da escola. R - O que está primado é que devia acompanhar, mas na realidade eles dizem que acompanham (riso), mas nunca vi e não se faz sentir... em escolas primárias poucas vezes se faz, já no ensino secundário não se faz sentir... o professor quando chega está mais preocupado em regressar para cidade devido outros compromissos que o professor tem... os professores fazem pouco tempo no local de trabalho, porque precisa de dar continuidade aos estudos. E para não quebrar o princípio de unidade nacional que faz com que sejam admitidos trabalhadores não residentes que vivem a 300 ou 400 km da cidade e as aulas é de segunda a sexta. Logo, o professor falta muitas vezes pelo facto de estudar na capital da província... os jovens trabalham um ano lectivo e no ano seguinte, com o rendimento (salário) que auferi, decide aumentar o seu nível académico matriculando-se numa faculdade e tendo recurso para pagar a propina. Por outro lado, prejudica bastante no seu local de trabalho. Porque quando volta esta atrasado em termos de planificação e acaba não tendo paciência para ensinar todos os temas programados mesmo a avaliação que faz acaba adulterando o perfil de aproveitamento para não ser sancionado e ser louvado de maneira que se fique com a impressão que trabalhou bem. O professor de EMC não deve se comportar desta forma porque os professores devem ser exemplos para a juventude porque um jovem mal preparado a sociedade futura também estará mal preparada. É próprio de um país que vem da guerra e é muito que se faz que comparando com outros países que tem independência a muitos anos 50,
278 80, 100 muitos não chegaram aquilo que fizemos até ao momento e estamos num bom caminho e o futuro é promissor esses desvios podem ser ultrapassados quando colocarmos os pés assentes no chão não podemos dizer que tão rapidamente que tudo está bem com o tempo as coisas vão melhorar e a EMC é muito importante e a religião ajuda bastante a sociedade para moralização dos espíritos e construção de uma sociedade séria e verdadeira. E. O professor de moral está preparado para esta actividade de docência? R - Não. A maioria dos professores não têm formação aproximada para leccionar a disciplina de EMC, porque não têm agregação pedagógica, mas é melhor continuarmos assim do que fecharmos as escolas, vamos ter que aguentar mesmo assim... quando termos quadros formados para leccionar a disciplina de EMC então iremos fazer o devido enquadramento. As escolas de formação de professores quando formarem muitos, então teremos docentes preparados para tal. E. Descreva e analise até que ponto a formação que tem recebido tem contribuído para o seu desenvolvimento profissional? R - O que temos notados é que quando se dá o seminário é para o refrescamento do professor e recuperar aquilo que tem sido o seu dia a dia pois que com ele se torna mais fácil estar em frente do aluno. A quem vai ao seminário como passatempo para não verem as pessoas em casa... e chega na sala de aula o professor não é inovador é muito tradicional, não investiga porque acha que já sabe o caminho... quando a formação não é dirigida em função das necessidades dos professores fica difícil introduzir nova dinâmica nas actividades pedagógicas... é necessário temas de interesses e que ajudam na actividade docente como o uso das tic de forma que os professores sejam pesquisadores e inovar os conteúdos para não ser como agora em que alguns professores não investigam, ficam com o mesmo plano todos os dia até o papel ficar rasgado e mesmo na correcção querem o aluno responda tal como o professor ditou, qualquer diferença o professor risca... os seminários são importantes e têm beneficiado bastante aqueles que participam e reconhecem a importância de seminários. Caso contrário, seremos sempre os mesmos ano após ano. Durante a formação devia se dar o que realmente os professores precisam se de antemão realizarem um diagnóstico e não ser cada prelector abordar tema que ele achar conveniente. E. Aclare os modelos de ensino-aprendizagem mais predominante na aula? R - Na aula combina-se o modelo tradicional com o construtivista, mas predomina mais o modelo tradicional por ser aquele que os professores mais dominam e porque estão mais preparados e foram formados na base deste modelo. E. Conte acerca do papel que desempenha os meios de comunicação social de acordo a realidade angolana. R - A rádio estatal e privada em qualquer parte do mundo serve para moralização dos espíritos se forem bem utilizadas. Actualmente se for bem utilizadas tem jogado o duplo papel porque algumas vezes passa publicidade indecente... melhorou com a comunicação social, é normal
279 os outros defenderem o contrário... os problemas das novelas é que o importante é não confundir as coisas porque o que for bom devemos seguir e o negativo colocar de parte.. devemos deixar as crianças assistirem e depois corrigir o certo e o errado... mas os pais nem sempre estão presente na hora que em apresenta a novela devido a dinâmica da vivência nas cidades. Algumas pessoas religiosas não deixam os filhos assistirem novelas... assistimos aqui quando estavam a distribuir preservativos os alunos foram negando alegando que se os pais vissem estes preservativos teriam problemas em casa... ainda muitos pensam que distribuindo os preservativos é promover a prostituição... é preciso conversarmos mais com os filhos, amadurecer as consciências, as novelas são muito importantes é necessário orientar as crianças acerca do que se deve seguir porque a evolução resulta também dessa abertura. E. Explique como são feitas as reuniões ou planificações pedagógicas na coordenação? R - Têm sido regulares e é assim mesmo como os conselhos de direcção, servem para balancear as actividades realizadas num determinado período e planificar outras para o período seguinte é importante isso e só quem trabalha é que faz isso. Cada um diz onde chegou e explica as razões do atraso. Não se vive momento de troca de experiência entre colegas nem debater como se irá abordar temas que podem constituir dificuldade. As reuniões pedagógicas são importantes, necessárias e servem de guia para nossas acções. E. Que dificuldades / necessidades sentem os professores durante a actividade educativa? R - Na área urbana as turmas variam de 46 a 50 alunos contra os 35 previstos na reforma educativa. Outra dificuldade prendem-se com a falta de material, o nosso material é de apanhar aqui e ali o professor é que tem de fazer alguns apanhados e «desarrascar» o termo é mesmo esse. Agora durante as aulas as dificuldades que os professores podem encontrar... o elevado número de alunos por turma... o comportamento dos alunos por não se envolverem muito nas actividades escolares... falta de salas de aulas porque as aulas ao ar livre não contribuem para o bom clima de aprendizagem. E. Analise a relação da família com a escola e que papel joga na educação dos filhos? R - Primeiro é que deve ser saudável, mas na prática a família não tem muito tempo para acompanhar as crianças... já na área rural o filho em vez de ir a escola vai apascentar o gado. Não aparece com regularidade na escola porque os pais sem formação não compreendem bem a importância dos estudos para a vida quotidiana por isso, valorizam mais o gado considerado como riqueza. Portanto, a relação está a melhorar um pouco. E. Como os alunos tratam os professores e vice-versa? R - Depende, cada aluno tem a sua forma de proceder alguns tratam o professor como professor e deve ser aquele que os alunos devem respeitar, mas há alunos cujo comportamento é bastante negativo... existe professores que deixam muito a desejar... os professores que temos apresentam dificuldades. E. Actualmente existe uma valorização do (salário) do professor em função do nível académico que possui?
280 R - O problema é os escalões existentes, o que faz com que haja diferença salarial abismal com os colegas e nesta promoção os que mereciam ser promovido ficaram de fora em detrimento de outros cujos nomes não constaram na proposta...não há transparência na promoção dos trabalhadores, não existe uma satisfação salarial porque não chega para suprir as necessidades... o que tem influenciado no desenrolar do processo porque as vezes os professores têm de sair um pouco mais cedo para poder ir atender outros afazeres de maneira obter mais dinheiro para o seu sustento. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista de professora Cassinda 22/10/ 2015 E. Conte um pouco acerca da História de vida: origem, educação R - Nasci na área rural tive a educação familiar, a minha infância ficou um pouco atrapalhada, quando tinha 6 anos. Aprendemos muita coisa no seminário, mas depois tivemos de adoptar outro comportamento com o aparecimento do marxismo-leninismo que negava a existência de Deus. Foi difícil porque tínhamos tendência de ir a igreja, mas as coisas complicaram e deixamos de ir. Me formei graças as missões da igreja católica. Conclui a 12 ª classe na especialidade de ciências económicas e jurídicas, depois fui recrutado para ser professora. E. Descreve acerca da inclusão da disciplina de EMC no currículo? R - Espera-se que venha ajudar as pessoas a pensar cada vez melhor, antes de agir porque esta disciplina os ensinamentos que concorrem para a existência de comportamentos bons na sociedade. Ajudando a tornar as relações interpessoais mais amigáveis com todos integrantes da sociedade. No entanto, é pena que a carga horária atribuída não tem sido suficiente para se abordar assuntos de tal importância. E. Descreva a rotina semanal de práticas educativas de EMC? R - A prática educativa de EMC constitui uma dor de cabeça (risos) … é verdade que se tem dado alguns passos positivos que ainda assim consideramos poucos, mas na verdade temos muitas as dificuldades porque os professores de educação moral e cívica na sua maioria tiveram formação noutras áreas, o que normalmente os alunos dizem acerca dos professores contraria não só em determinados passos metodológicos mas também o próprio comportamento do professor que deixa muito a desejar, não estou a dizer que nós os professores de EMC somos perfeitos. Estou a dizer que os tais professores que estão a dar essa disciplina deixam muito a desejar por outro lado, refere-se as metodologias porque nós procuramos seguir… não é fácil transferir as questões metodológicas na prática porque na sua implementação encontramos muitas dificuldades. E. Analise os modelos e métodos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC? Justifica.
287 professor a ser observado e também motiva o professor a ser observado e auxiliado na teoria e prática com o objectivo de tornar seus conhecimentos em sabedoria, podendo desta forma alcançar os objectivos traçados para cada aula. E. Explica a relação que estabelece com o aluno e que liderança predomina no processo de ensino-aprendizagem? R - Existe muito o estilo autoritário e não se deixa muito os alunos interagirem sobre que o pensam acerca do tema ou assunto em abordagem, geralmente por ser o estilo mais predominante dificulta os alunos participarem devido as ameaças que os docentes fazem. O professor utiliza mais o método expositivo e durante toda aula e só pará quando a aula acabar. É necessário maior liberdade para que haja boa participação. E. Descreve a sua rotina semanal de trabalho? R - Antes de ir à escola planifico as aulas, os materiais necessários que devo usar na sala de aula. Faço os planos de aula para ensinar bem aos alunos o conteúdo, preparo algumas técnicas e meios para trabalhar até ao fim e atingir os objectivos e eles receberem a informação. A minha rotina de trabalho é planificar as aulas, ir dar as mesmas depois regresso a casa onde permaneço porque não estou a estudar. E. Explica a relação existente entre a família e a escola R - Não é tão boa porque os pais atribuem toda responsabilidade aos professores e os pais vão mais a escola no princípio do ano para matricularem os filhos e depois vão lá mais no fim do ano lectivo para irem ver as pautas se aprovaram ou não enquanto que não devia ser assim, é obrigação dos pais manter contacto com os professores e saberem como os filhos se comportam pode até não ser toas semanas, mas pelo menos três vezes ao ano e interagir com os docentes. Por isso, ainda está relação é bastante fraca por não se verificar com frequência a presença dos pais nas escolas. Os pais nunca sabem o que o filho faz na escola, mesmo indisciplinado acaba em alguns casos transitar de classe, se calhar os pais se desempenhassem o seu real papel não aceitariam que com esse comportamento negativo o filho aprovasse de classe. E. Como é feito o uso das tic na aula? R - Ainda estamos distantes, e é raro porque não se verifica os docentes a fazerem o uso das mesmas durante as aulas. Não sei como justificar, mas não se faz sentir a não ser orientar os alunos a fazer um trabalho informatizado, mas na aula como tal nunca usei e nunca vi alguém usar. E. Porque os professores não usam? R - Pode ser a falta de condições, mas esse tempo os alunos têm telefone e podiam muito bem orientarem os alunos que investigassem e depois debatessem. É necessário computador com internet, outro fator é que os professores ainda não dominam muito bem as referidas tecnologias. As escolas também não facilitam devido a falta de condições e, nas que existem
288 computadores os alunos sentam os 4 (quatro) num único computador é difícil trabalhar neste contexto. E. Quais são os critérios de admissão para os professores na educação? R - Faz-se mediante um concurso, os que forem admitidos ingressam, embora tem sido difícil conseguir um lugar, porque não tem havido muita transparência no processo. Daí que ingressam mais aqueles que não possuem formação inicial de professores e, estes últimos ficam de fora da selecção em detrimento daqueles que possuem formação geral, mas sem agregação pedagógica. Outros porque são protegidos pelo facto de serem filhos de responsáveis e consequentemente terem as vagas já garantidas. É uma questão de sorte conseguir uma vaga quando não temos influências. E. Explica como estão organizadas as escolas e como é feita a distribuição do material escolar? R - Nos livros de EMC por exemplo, há mais desenhos, perguntas do que a matéria. Como tal deveria haver mais matéria e não desenhos porque há mais desenhos e, isso dificulta trabalhar e há contraste entre as actividades e o conteúdo. Porque as actividades estão duma forma e o conteúdo está de outra forma. O professor tem de investigar porque senão o professor perdese muito. E havendo mais que tem vezes que na reunião de planificação só dão os temas e o conteúdo o professor investiga e o conteúdo as vezes dados pelo coordenador é bastante amplo e é necessário resumir. O que torna difícil porque as vezes retiramos aquilo que é importante e fica complicado devido a falta dessa colaboração e unificar aquilo que trabalhos e não cada um investigar e fazer o que entender com os seus alunos. E. Como é feita a avaliação e tipo de provas se aplica? R - Agente avalia todos os dias, ela é diária e as respostas que os alunos vão dando ao longo da aula e seu comportamento é que vai determinar a nota subir ou descer. Tem que estar no mesmo nível o comportamento com a nota. Avalia-se mediante a realização da chamada escrita, orais e provas. Geralmente as questões colocadas nas provas exigem copiar e decorar, mas os alunos não estão acostumados a resolverem perguntas complexas por exigirem mais reflexão e existe muita aprovação fruto destas actividades. E. Qual é o papel dos meios de comunicação e que papel desempenha na moralização da sociedade? R - Antes havia muita novela, agora há mais coisas educativas e contribui para moralização porque agora há muitos temas construtivos que vale apenas sentar e ver e existe programas interactivos e mesmo na rádio. Geralmente aprende-se muito em programas de crianças, mas na realidade existe défice de programas infantis, as crianças passam mais tempo ver televisão do que noutros sítios e programas para eles são raros e elas estão sempre expostas a ver coisas que não são para elas. Programas big brother, publicidades indecentes de festas e bebidas. Devia existir lei para regularizar a venda e consumo de bebidas porque parece que quem consumir será muito feliz tal como se constata nas publicidades enquanto a realidade é outra.
289 E. Descreve a formação de professores e desafios dos professores? R - Não sei como era antigamente, mas os que exercem agora alguns estão preparados, já que a autoridade do professor reside no domínio do conteúdo. O tempo e a dedicação é que contribuirão para o desenvolvimento profissional. A formação contínua é feita algumas vezes, numa periodicidade de uma vez por ano e não trazem temas interessantes em função das dificuldades dos professores de maneira responder os anseios dos alunos. E. Como analisa a condição salarial e o nível social dos professores? R - Existem professores que têm um nível social aceitável, mas para a maioria passam dificuldades já que o que ganham não permite ter um nível social aceitável por ser baixo e não corresponder com o poder de compra em função do agregado familiar dos docentes. Infelizmente o salário do professor é, baixo não chega para satisfazer as necessidades básicas do professor e sua família e ainda o próprio salário atrasa. É preciso prestar atenção ao sector da educação para se desenvolver e melhorar a qualidade de ensino para se evitar a falta de pontualidade nas escolas porque os professores do interior a sua viagem ou deslocação para o local de trabalho depende deste salário. E. Narre com é a relação entre o professor e aluno R - Ela é boa quando o professor também é bom. Se não respeita os alunos claro que eles não respeitarão o professor, embora seja dever do aluno respeitar o professor ainda assim é bom quando existe reciprocidade de respeito para que o processo de ensino decorra num bom clima de harmonia e colaboração. Há casos que os professores se comportam mal, mas mesmo que se fazer queixa, o aluno perderá sempre o caso diante a direcção de escola e assim o aluno será sempre obrigado a respeitar o professor. Mas ainda assim, existem aqueles professores que sabem tratarem os alunos como tal., professores humanistas e respeitam os alunos e fazem com que a relação seja melhor. Há boa relação entre professores e alunos apesar de existir professores de não me toques criando distância entre ele e o aluno. E. Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua actividade educativa? Pode comentar? R - Existe porque há sempre alunos que não colaboram e faz com seja difícil trabalhar com eles ainda mais agora com a inclusão de todos alunos nas escolas e numa mesma turma com aqueles que apresentam necessidades educativas especiais. O professor deveria ter uma formação a esse nível, de forma facilitar o processo e interagir com alunos que apresentam deficiência sobretudo a visual e auditiva. Outras tem a ver com a falta de condições de ensino, muitas vezes a escola não tem condições para fornecerem aos professores de modo que o trabalho dos professores seja facilitado, já que a sociedade espera um ensino de qualidade e competente. Ainda apresentam dificuldades de domínio do conteúdo, por vezes nota-se que o professor não planificou antes de vir na sala de aula, transportar os problemas de casa na turma e descontar nos alunos, falta de dificuldade de compreender quando o aluno tem problemas ditam muita matéria e estão muito preso ao livro por exemplo pouca busca ou pesquisa por parte de outros professores.
290 E. Descreve a sua rotina de trabalho semanal R - Semanalmente vamos a escola trabalhar, mas antes precisamos de planificar as actividades depois realizamos os trabalhos e no período oposto vou a escola. Quando estou muito sobrecarregado faço um pequeno esboço com conteúdo e tarefa para casa e numa folha A4 é suficiente. Mas os professores planificam mais quando tem garantia de que alguém vai assistir a sua aula. E. Que análise faz acerca da qualidade de ensino R - Não estamos bem nem mal, talvez 50 % da qualidade de ensino em todo sistema educativo, quanto a problemática das escolas privadas possuírem mais qualidade de ensino, mas não acredito que tenham mais qualidade porque o professor é mesmo para os dois sistemas. Não há muita serenidade na avaliação porque no privado o professor é obrigado a realizar avaliações até que o aluno tenha positiva e aprove de classe, mesmo não tendo competência. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista professora Catumbo 14/04/2015 E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e como começou ingressou na educação? R - Cresci na área urbana, sem os pais e a minha educação ficou afectada, devido a nova ideologia baseada no marxismo-leninismo, que negava os valores religiosos. Depois de concluir a 12ª classe no IMN, fui admitido como professor e comecei a trabalhar, e agora sou licenciada em filosofia. E. No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? R - Vai ajudar a reflectir cada vez mais e sou apologista que se melhor. É preciso fazer um trabalho mais aturado. Estou a favor porque ela visa regular as acções humanas e permite interagir com outros membros da comunidade. Pois, ajuda a reflectir antes de realizar determinada acção. Esta disciplina de educação moral e cívica é de grande importância, porque ajuda os alunos a prepararem-se para as grandes mudanças a lidar com os problemas do quotidiano, além disso é uma grande ferramenta fundamental, para o resgate dos valores éticos e morais dos adolescentes. E. Descreve como têm decorrido as práticas educativas de EMC? R - A prática educativa de EMC constitui uma dor de cabeça (risos), é verdade que se tem dado alguns passos positivos, que ainda assim consideramos poucos, mas na verdade temos muitas dificuldades.
291 Analise os modelos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC. Justifica. R - O modelo de ensino mais predominante nas aulas, é o tradicional porque não se recorre ao trabalho muito interactivo e colaborativo. E nem se faz exploração sobre o uso de outras formas de construir o conhecimento, de maneira libertar o aluno e ajuda-lo na realização e participação de todas actividades da aula. O mais importante é levar os alunos a entenderem os conteúdos através da transmissão. E. Explica como tem decorrido as planificações a nível da coordenação? R - As escolas mais afincadas procuram levar o processo de ensino-aprendizagem com mais responsabilidade, fruto disso, nas reuniões com vista a dar a maior ênfase, o coordenador convoca os professores onde apresentarão propostas de como ensinar certos temas e se possível um professor disponibiliza-se a simular uma aula durante a planificação. Recebe-se as temáticas para cada um trabalhar de acordo a sua maneira, não deixando espaço para se discutir algumas temáticas, que podem constituir dificuldades. E. Analise o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? R - Quando se deseja qualidade, é necessário a supervisão das actividades que os professores realizam com os seus alunos, de forma que o processo decorra da melhor maneira possível relativamente ao cumprimento dos objectivos. É necessário, que haja acompanhamento para que os professores se sintam motivados e continuem a fazer o trabalho com a devida competência. Uma vez que quanto mais haver supervisão escolar, os professores deixarão de negligenciar o trabalho profissional. A supervisão do trabalho que o professor orienta não é devidamente acompanhado, não se faz sentir e hoje muitos professores não cumprem com os seus deveres, aparecem na escola as vezes para assinar o livro, para evitar falta e não dão aulas. Outros até podem dar, mas não dominam o conteúdo e não conseguem ter boa relação com os alunos. E. Os meios de comunicação social são importante para educação moral e cívica. Analise o papel que tem desempenhado de acordo a realidade angolana? Fundamenta. R - Há questão importante para se reflectir, porque os realizadores dizem que colocam as novelas onde aparecem cenas indecentes, para depois se tirar o lado positivo que é o oposto. Mas a realidade é bem diferente, aquilo que se emite de negativo, é exactamente o que é colocado em prática, parece está a oficializar a indecência. E. Analise e aclare os comportamentos dos alunos da escola secundária e que factores estão na sua base? R - Os alunos se comportam mal, devido a dificuldade no cumprimento as normas préestabelecidas. E outras que procuram estar de maneira mais correcta possível. Há muitos factores que condicionam tal situação: desde o comportamento e perfil do professor, a expectativas e angústias por parte dos alunos, ao verem que a escola não está como eles
292 desejam. Ainda assim, o comportamento dos alunos é bom, embora existem aqueles alunos que faltam respeito aos outros. E. Descreva até que ponto os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professores e alunos durante a aula têm contribuído para o perfil de saída do aluno no contexto de Angola. R - O perfil de saída dos alunos não tem correspondido, aquilo que são os conteúdos programáticos. Os materiais utilizados pelos professores durante as aulas, não têm correspondência, porque se houvesse poderíamos ter bons alunos em termos de instrução e comportamento. E. Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua actividade educativa? Pode comentar. R - Os professores se preocupam em ensinar ao aluno sobre o que está certo, justo, aconselhado, mas ao sair da escola para casa ao longo do trajecto depara-se com situações opostas, em relação aquilo que aprendeu na escola (…) sinto dificuldade de aliar a teoria e a prática, no âmbito da educação moral e cívica e os modelos de aprendizagem. E. Como professor, analise a formação que tem beneficiado para o seu desenvolvimento profissional. R - Na realidade as formações que nos dão, são repetitivas e não ajudam muito. Outra situação é que o formador seleccionado devia ser um professor com maior experiência, para poder interagir bem com os colegas. E. Descreve como é a relação entre o professor e o aluno no processo de ensinoaprendizagem. R - Na sala de aula vamos encontrar alguns alunos com comportamento inadequado, para que não haja mau ambiente na relação, o professor tem de ser promotor do bom relacionamento. A relação professor aluno é boa embora, há sempre pequenos atritos com alguns alunos, já que a liderança escolar implementada as vezes não facilita muito nas relações interpessoais ou na interacção durante a aula. A relação entre os actores influencia bastante no processo de ensino-aprendizagem, daí a necessidade de se continuar a estreitar cada vez mais essa relação. E. Conte quais são os critérios de admissão de professores? R - Alguns são admitidos mediante um teste e entrevista, outros não fazem teste, são admitidos mesmo assim. E o teste não tem nada a ver com a especialidade que cada seguiu é mais conhecimentos de cultura geral, português e matemática. O teste segundo os responsáveis visa descobrir o nível de competências que possuem os candidatos, se conseguir obter uma nota positiva serão admitidos. E. Analise a relação da família com a escola e que papel tem jogado na educação dos filhos? Pode justificar?
293 R - Geralmente os pais só aparecem no início do ano lectivo para fazer matrícula e no fim para reclamar se o filho reprovou, daí a relação ser fraca. Constitui um elemento importante em conexão com a escola, para o sucesso do aluno, porque a família conhece o aluno em casa e escola procura trabalhar mais com o mesmo a fim de ajuda-lo a se conhecer melhor. Portanto, a família não deve excluir-se têm o papel da ajudar a escola a alcançar e realizar aprendizagem mais significativa. Infelizmente existem ainda famílias que não cooperam com a escola nem com o professor. E. Sente algumas dificuldades/necessidades para melhorar a sua actividade educativa? Pode comentar? R - O momento difícil é planificar as actividades sem programas para se basear. Outra tem a ver com a falta de sala de aula com condições para se realizar bem as aulas. Outra está relacionada comigo. Estou a estudar, o meu horário coincide com o trabalho. Pedi a direcção para trocar, mas infelizmente não estão aceitar. Dizem para eu escolher entre o emprego e a formação. Assim, como é que o professor vai se desenvolver com essas barreiras fica muito difícil. E. Analise o papel da família na educação dos filhos. Pode justificar? R - Algumas famílias passam boa educação aos filhos, mas existem outras que não fazem o mesmo. Por um lado, devido a ausência constante e por outro, por negligenciar este aspecto. Fruto disso, alguns alunos apresentam um comportamento inaceitável, resultando a crise de valores. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Entrevista professora Lucombo 10/09/2015 E. Por favor, apresenta-se e conte a sua origem, história de sua vida e da sua formação? R - Cresci no convento, os pais morreram durante a guerra. Comecei a trabalhar depois de concluir a 10ª classe, actualmente sou estudante do 1° ano da faculdade de economia. Alguns ingressam fazendo concurso tem sido assim, mas na minha vez, fui eu e meus irmãos bater a porta do papá a dizer que queríamos emprego. O papá resolveu esta situação, não concorremos, mas todos temos emprego na educação, nenhum dos meus irmãos fez concursos. E. No que diz respeito a inclusão da disciplina de Educação Moral e Cívica no currículo, esta a favor ou contra? Pode aclarar a resposta? R - Sim, estou a favor embora na família aprende-se também a moral, mas nela não temos muita abertura para abordar determinados temas. Esta disciplina ajuda a romper certos preconceitos sobretudo as doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, considero está disciplina importante e se justificar a sua inclusão no currículo.
294 E. Descreva a rotina semanal de práticas educativas de EMC. R - Os professores preparam as aulas e, vão dando as mesmas. Muitos professores não planificam as aulas, alguns planificam. Uma vez o director perguntou, se nós tínhamos planificado, eu respondi que não e ele disse: «é preciso passarem a planificarem, mesmo que seja aula de revisão». Muitas vezes não planifico, devido a falta de tempo, já que tenho de ir estudar. E. Se não planificar consegue orientar bem a aula? R - Sim, consigo porque o fato de não planificar não é sinónimo de realizar mal a aula. Consigo fazer um improviso. Mas há situações que também têm sido difíceis, porque se você não planificar encontra muitas dificuldades por não conseguir dominar a matéria. Para tal, é necessário investigar para ter argumentos para trabalhar melhor. Quando temos dificuldades, as vezes partilhamos com os colegas, mas existem muitos colegas que não dizem nada acerca das suas debilidades e saiem com dúvidas e notamos que ao longo da semana comentem erros. E. Explica como tem decorrido as planificações a nível da coordenação? R - E mesmo na planificação uns ficam só calados porque sentem complexo de inferioridade para não serem corrigidos se errarem. No entanto, o coordenador procura trocar experiência com os colegas. Também procurar saber onde cada um chegou e depois disso os atrasos procuram recuperarem e os avançados esperam, dando revisões dos temas já abordados. Aqueles que têm dúvidas, são esclarecidas quando os professores se abrem naquilo que não dominam. E. Analise os modelos de ensino-aprendizagem mais predominantes nas aulas de EMC. Justifica. R - As vezes os professores tentam utilizarem outros modelos mais modernos, mas estamos longe daquilo que são os desafios actuais. Os professores ainda estão limitados porque dominam mais o modelo tradicional fruto da formação que também receberam. Assim, procuram sempre fazerem tudo para poderem transmitirem os conhecimentos... e por isso, as provas que são elaboradas exigem do aluno responder taxativamente na base do que o professor ensinou. É preciso nos adaptar ao desenvolvimento da própria dinâmica educacional. E. Descreve como avalia os alunos e que tipo de prova se aplica? R - Realizamos a avaliação contínua através de chamadas orais, escritas e as próprias provas. Ainda verificamos os cadernos e as tarefas feitas pelos alunos. As questões da prova são de fácil compreensão e muitos alunos acabam tendo uma percentagem alta de resultados ficando acima de 70 %. No entanto, as provas que são elaboradas exigem do aluno, responder taxativamente na base do que o professor ensinou. É preciso nos adaptar ao desenvolvimento da própria dinâmica educacional.
295 E. - Analise e aclare os comportamentos dos alunos da escola secundária e que factores estão na sua base? R - Alguns alunos comportam-se bem e outros mal. Há alunos que em casa é malandro na escola também o é. Outros são calmos na escola, mas em casa se comporta mal e vice-versa. Alguns justificam que em casa se comportam bem, porque de contrário são castigados, batidos. E. O que está na base desses comportamentos? R - Penso que tem a ver com as amizades ou o facto dos pais não prestarem a devida atenção aos filhos. E - Carateriza e analisa o papel da família na educação dos filhos? R - Na sua maioria alguns pais tentam educarem os filhos, embora não sendo muito presentes. Porque há quem está presente, mas também acaba não orientando. Por causa das dificuldades da vida obrigam os homens a terem outros costumes. Assim, há pai que sai de manhã e volta a noite e cansado que já consegue orientar os filhos e vai dormir. Em outros casos já encontra os filhos a dormirem, e os filhos só conseguem ver o pai no Domingo, é complicado. E. Aborde a relação da família com a escola e que papel tem jogado na educação dos filhos? Pode justificar? R - Os alunos fazem tarefas erradas porque os pais não têm tempo para acompanharem. Em muitos casos deve-se ao facto dos encarregados de educação possuírem um nível baixo de escolaridade. Ainda existe falta de orientação, porque o aluno só faz mesmo errado para evitar castigo. Os pais e encarregados dos alunos problemáticos não aprecem quando são convocados, alegam a falta de tempo devido os trabalhos. Porque pensam que os professores é que exclusivamente tem esta tarefa e, ganham para o efeito. Se as famílias colaborassem, haveria bons resultados na educação. Infelizmente as famílias têm estado muito longe da realidade das escolas, já que não fazem o devido acompanhamento da vida escolar dos seus educandos. Deixando simplesmente esta tarefa para a escola, esquecendo-se que para melhor desenvolver os alunos, é necessário que a família participe deste processo. E. Descreve o papel dos meios de comunicação na educação dos adolescentes? R - Desempenha bom papel, é pena que certos programas indecentes as crianças assistem quando os pais estão fora de casa. Faltando a orientação daquilo, que estão observando e do que é a realidade e comportamento considerado certo. Assim, devido a falta de mais diálogo com os pais, as novelas têm influenciado negativamente a medida que imitam mais a parte negativa das mesmas. Existem publicidades indecentes, que promovem atitudes menos aceitáveis. Os alunos ao contrário dos professores utilizam mais as redes sociais para interagirem entre eles através do facebook e o whatsap. E. Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula no âmbito da educação moral e cívica? Pode aclarar.
296 R - A maioria não usa, devido a falta de domínio das mesmas. Em certos casos, os professores não têm computador e não sabem usá-los. E muitos mesmo, não elaboram as provas manuscritas ou ir a cónica pagar para informatizar a prova. Muitas escolas não possuem condições para tal, daí que as minipautas são também manuscritas. E. Descreva como os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professores e alunos durante a aula têm contribuído para o bom perfil de saída do aluno no contexto de Angola? R - Têm falhas, erros e há temas que constam do programa, mas no livro não tem ou no livro tem, mas no programa não tem e está muito resumido e exige os professores enriquecerem mais. E. Como caracteriza a distribuição do material escolar R - Há atraso na distribuição do material escolar, e o material não é suficiente para todos e por causa disso, há desvio do mesmo para o mercado informal. Os programas existem em pequena quantidade e quem precisa do mesmo tem de fotocopiar porque a instituição só possui um exemplar. E. Tendo em conta as mudanças sociais. Como avalia o salário dos professores em Angola? Pode justificar? R - Existe um trabalho e pouco salário, aquilo que o professor faz não é reconhecido mesmo depois de estar formados porque não há muita transparência na gestão das categorias dos docentes. Alguns são licenciados e recebem salário de técnico médio ou básico . E. Avalie o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? R - Não se faz sentir, porque desde o inicio do ano lectivo até ao fim não parece ninguém para observar a aula. Assim, fica difícil o professor progredir porque não terá um indicador de como está realizar as actividades na sala de aula. Quer dizer, o coordenador, subdirector ou director nunca saiem dos gabinetes para supervisionar o trabalho feito pelos docentes. E. Explica a relação que estabelece com o aluno e que liderança predomina no processo de ensino-aprendizagem. R - A relação é boa, apesar de em alguns momentos se verificar algum mal entendido, penso que é próprio da relação. Sabemos que tem professores que criam barreiras para que haja boa relação e interacção entre os mesmos. Esta varia de professor para professor em função do seu carácter, interagem também de forma diferentes. Uns sabem lidar com os alunos e outros não, uns são mais compreensíveis, mais afectivos, mais solidários em relação aos outros. Assim, a relação tem dependido do estilo que o docente utiliza, pois se for autoritário cria mal clima de interacção, haverá falta de colaboração. Dai adequar a liderança escolar de acordo ao estilo mais favorável à realização de aprendizagens significativas. Há momentos que os professores utilizam a liderança democrática, mas os alunos abusam desta. O que obriga ao professor a ser
303 considerados importantes, deixou-se de acreditar e se ensinar os mesmos assim como apresentava uma negação radical da própria religião e seus valores, foi difícil porque nós tínhamos tendência de ir a igreja participar da missa. Conclui a 12 ª classe na especialidade de ciências económicas e jurídicas, depois fui recrutado para ser professor e deram-me o horário de disciplina de EMC e actualmente não estou a estudar. E. Descreve acerca da inclusão da disciplina no currículo. R - É um aspecto muito importante no meu ponto de vista, dizendo mais que podemos ter poucos professores de EMC, mas devíamos ter professores preparados para as aulas. Seja qual tipo de aula, devia-se em alguns momentos abordarmos questões relacionadas com a educação moral e cívica de forma que os professores de outras disciplinas como matemática, física, química, etc. participem, mas simplesmente ignoram a disciplina de EMC, o que nos dificulta ainda mais. Porque todos professores deviam estar envolvidos na educação da nova geração independentemente da disciplina que lecciona. Por outro lado, apesar da carga horária de 45 minutos por semana ser pouco é também fundamental que os professores de EMC estejam suficientemente e moralmente preparados. E. Descreva a rotina semanal de práticas educativas de EMC? R - Em relação a prática estamos distante daquilo que se pretende porque daquilo o que os manuais trazem se temos cumpridos talvez é na ordem de 50 ou 60 porcento. Fala-se muito da metodologia activas e participativas de facto se faz esforço mas há dificuldade de utilizar estas metodologias permanece por isso, precisamos mais de encontro e cooperação com os colegas para podermos superar o mar de problemas que vivemos sobre a prática. A prática educativa de EMC constitui uma dor de cabeça (risos). É verdade que se tem dado alguns passos positivos, que ainda assim consideramos poucos. Mas na verdade temos muitas dificuldades, porque os professores de educação moral e cívica têm formação nas áreas que não têm nada a ver com a educação. O que normalmente os alunos dizem acerca dos professores, contraria não só em determinados passos metodológicos, mas também o próprio comportamento do professor que deixa muito a desejar, não estou a dizer que nós os professores de EMC somos perfeitos. Estou a dizer, que os tais professores que estão a leccionarem está disciplina apresentam muitas dificuldades na sua implementação. E. Que modelos de ensino-aprendizagem predominam nas aulas? R - Acho que o que mais predominante é o modelo tradicional, transmissivo e mesmo isso é notório também nas provas, porque as questões colocadas exigem do aluno simplesmente decorar e reproduzirem os conhecimentos, copiar e colar, já que não ajudam o aluno a criar e a construir o seu pensamento. E. Explica como tem decorrido o processo de planificação diária e a nível da coordenação? R - Durante a reunião pedagógica cada integrante anuncia onde parou se cumpriu com a planificação anterior, em seguida começa por orientar-se o registo de conteúdos que serviram para se trabalhar nos próximos dias porque só se apresenta os temas aos colegas que
304 leccionam as respectivas classes e que cada um vai procurar trabalhar bem ou mal, pois que não se abre momentos para troca de experiência de como abordar determinados temas que podem oferecer mais dificuldades ou grau de complexidade, não se faz a planificação entre professores que leccionam a mesma disciplina e classe o que facilitaria o debate entre os colegas. Devia se planificar para todo grupo e outra para professores que leccionam a mesma classe e disciplina de forma que possam discutir algumas temáticas que podem constituir dificuldades. E. Como tem utilizado as tecnologias de informação e comunicação durante a aula no âmbito da educação moral e cívica? Pode aclarar? R - Nas aulas não se faz sentir o uso das tic, nunca utilizamos e nem possuímos tais meios, talvez um dia iremos aprender para podermos utilizar nas aulas se é bom ou não. Desempenham um papel importante e positivo por um lado por ajudar no desenvolvimento de hábitos morais correctos, mas por outro lado, tem influenciado negativamente na exposição ou apresentação de muitos programas e publicidades que destorcem a imagem ou perfil do que se pretende criar na sociedade a nível da formação moral e cívica, por exemplo o programa big brother. E. Os meios de comunicação social são importante para educação moral e cívica. Analise o papel que tem desempenhado de acordo a realidade angolana? Fundamenta. R - São de capital importância, mas a realidade é bem diferente aquilo sai. Já que o que se aprende, é exactamente o negativo que é colocado em prática. Assim, parece até que estão a oficializar essa indecência e até hoje continuamos com o problema porque é que passam coisas que a princípio já sabemos que não educam mas justificam que a ideia é dizer que isso é errado e deve praticar o contrário. Infelizmente a interpretação que se faz é oposta, porque os adolescentes praticam acções tal como assistiram. Talvez devia-se passar coisas indecentes. E em seguida passa as coisas decentes em termos de atitude e comportamento, porque os pais no momento que passa as novelas, não estão nas suas casas para dar uma orientação. Porque uma mensagem recebida nestes moldes, tem muito impacto e influencia facilmente em relação aos pais. Melhor seria, o mesmo meio passar algo indecente e a seguir mostrar o comportamento certo por mesma via, os aspectos negativos embora sejam pouco acabam por sobressair, as mensagens trazem informação negativa. E. Descreve como são os conteúdos programados e os materiais utilizados pelos professor de EMC? R - Não temos maus, programas e materiais, o problema tem sido este de os nossos alunos assimilarem apenas os valores e acabando de não viverem os mesmos, é preciso assimilar o conteúdo e depois esse conteúdo se conseguirmos compreendermos e depois nos reveremos com estes conteúdos para transferirmos na prática. Precisamos de compreender, rever assimilar e depois influenciar no nosso comportamento, no meu ponto de vista o perfil de saída não tem correspondido aquilo que são os conteúdos programáticos e os materiais utilizados pelos professores durante as aulas, não tem correspondência porque se houvesse poderíamos ter bons alunos em termos de instrução e comportamento.
305 E. Sente dificuldade em trabalhar com essa dificuldade disciplina? R - Para trabalhar, eu acho que ainda continuamos, a transmitir os conteúdos, conceitos, mas a vivência das temáticas abordadas durante a aula é uma dor de cabeça. Se calhar também tem a ver com a maneira como vamos ensinando, os tais contrastes que existe daí a tal crise de valores que na nossa sociedade enfrenta porque se por um lado os professores se preocupam em ensinar o que está certo, justo, aconselhado, mas ao sair da escola para casa ao longo do trajecto depara-se com situações opostas aquilo que aprendeu na escola. Assim, sente dificuldade de aliar a teoria e a prática, no âmbito da educação moral e cívica e os modelos de aprendizagem. Os professores apresentam dificuldades de preparação de aulas, na realização prática das aulas, na relação entre professores no novo contexto de trabalho sobretudo os que trabalham no interior das capitais de cidade. Os professores sentem dificuldades de gerirem o tempo, planificação de aulas, a falta de saberes e bom domínio dos conteúdos a abordar. E. Que perfil deve possuir o professor? R - Duma forma geral o professor deve ter as três competências básicas: científica que lhe permite ter o domínio dos conteúdos, que ele vai ensinar. É necessário a competência didáctica-pedagógica, para saber como orientar uma aula, para não dificultar a aprendizagem. Sabemos que, para cada tema selecciona-se metodologias próprias e a ultima que é importante é a competência interpessoal que tem a ver com a boa interacção, estar preparado para qualquer tipo de comportamento e poder corrigir nas situações que não seja bom para evitar conflito com os alunos. Quando se fala do professor de emc deve ter essa competência de forma conciliar com o saber, saber fazer e saber ser, que é capaz de investigar, resolver os problemas que surgem no contexto. E. Como caracteriza a formação contínua de professores R - A formação dada é boa ajuda os professores a melhorarem o seu desempenho na sala de aulas. Ajuda o professor a fazer um trabalho mais profissional na empresa. Acções dessa natureza devem repetir-se para que haja desenvolvimento de competências a nível dos trabalhadores. E. Avalie o papel da supervisão escolar no acompanhamento do trabalho dos professores? Pode aclarar? R - O acompanhamento de aulas é feito pelos coordenadores já que não se faz sentir a figura do supervisor porque ainda não está criada, temos inspector que fazem acompanhamento de algumas actividades escolares e o seu papel é diferente do que vai desempenhar o supervisor. Relativamente a liderança na aula utiliza-se os três estilos de liderança: democrático, liberal e autoritário. Não existe o melhor estilo por isso aplica todos dependendo do contexto. O mau ambiente resulta também do estilo de liderança a utilizar pelo professor. E. Como é a relação entre professores e a direcção de escola? R - Temos problemas de «barramento» os meus colegas não podem saber mais do que eu, por isso criam obstáculos para que os colegas não se formem. Isto faz com que haja mal clima nas
306 escolas. Porque as direcções de escolas ajudam pouco aos trabalhadores estudantes. O que mais fazem é criar dificuldades ao professor estudante. E. Aborde a relação entre o professor e o aluno na escola? Pode justificar? R - As vezes o comportamento do aluno é reflexo do comportamento do professor e normalmente entendo que para os prof terem mau relacionamento com os alunos depende da gestão do professor, porque se o se gerir bem o comportamento acredito que poderá ajudar em certa medida que os alunos venham respeitar o próprio professor. Agora nós como professor, devemos estar preparados que na sala vamos encontrar alguns alunos com comportamento inadequado. Temos de saber e ajudar a corrigir para que não haja mau ambiente na relação professor e aluno. Como ele, geralmente é que tem de ser promotor do bom relacionamento por mais que seja mais novo como professor. Mas se ele se relacionar bem com os alunos mais velhos, a relação será boa de contrário será censurado com críticas de o professor é menor de idade apesar de ter estudado deve também nos respeitar. E. Explica a relação da família com a escola e que papel tem jogado na educação dos filhos? Pode justificar? R - Alguns comportamentos dão a entender que não existe interacção escola com a família porque se assim fosse não poderíamos ter este tipo de comportamento. Apesar do esforço das escolas, a relação ainda é débil e também falo por experiencia própria. Eu sou professor e também sou pai, mas não tenho tido tempo de passar pelas escolas onde estudam os meus filhos. Geralmente, os pais só aparecem no início do ano lectivo para fazer matrícula e no fim para reclamar se o filho reprovou. E. Descreva o que está na base de comportamentos inaceitáveis dos adolescentes? R - Como é uma fase turbulenta para os alunos, em aparecem comportamentos inadequados. Mas por outro lado, analisamos a questão de factores que podem contribuir para isso, sabemos que é uma sociedade com muitos problemas em termos de moral. Já que, devemos reconhecer que há degradação de valores na sociedade. Assim, também muitas famílias não estarão em condições de ajudar os seus educandos em contrapartida vamos encontrar os filhos que vivem sozinhos. Porque fazem o que querem, ninguém repreende e orienta pois, os pais não estão em condições de acompanhar os filhos. Assim, admitimos que esse tipo de comportamento pode vir a escola e, trazendo aqui na escola e se nós não encontrarmos professores capazes de darem exemplo, para inverter o comportamento negativo do aluno, pode constituir dificuldades no processo. No entanto, o próprio comportamento do professor pode contribuir negativamente, porque alguns professores na sua maneira de actuar, se relacionar com os alunos, a indumentária que usa, as vezes não é adequada. Outro aspecto tem a ver com o uso de bebidas alcoólicas, que retira a boa apresentação do professor na sala de aulas, nem mesmo os alunos deixam de respeitar o professor. Devido essas falhas, os alunos vão apresentando diferentes comportamentos que é necessário corrigir para que haja bom comportamento quer por parte do professor como do aluno. E. Aclare como avalias os seus alunos no processo educativo?
307 R - Os alunos são avaliados todos os dias de aula, o professor faz a selecção de alunos que têm avaliações em atraso. O professor faz a avaliação oral e escrita de maneira obter a média de avaliação contínua. Os professores exigem na correcção que o aluno responda, tal como o professor ditou, qualquer diferença o professor risca. E. Tendo em conta as mudanças sociais. Como avalia o salário dos professores em Angola? Pode justificar? R - Ainda estamos mal, atendendo as possibilidades que o nosso país tem, os professores merecem muito mais do que aquilo que ganham. Sem se esquecer do atraso quanto ao pagamento do mesmo, já basta ser pouco e ainda tem que demorar um ou dois meses. Sinto que o Estado exige muito dos professores e ele faz muito pouco para os professores. No entanto, apesar das dificuldades existe professores que apresentam amor pelo que fazem empenhando-se com todo esforço e vontade mesmo sendo mal pagos. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim.
308 Anexo 5 Guião de entrevista de Grupo para alunos A presente entrevista tem como finalidade conhecer a visão que os participantes têm acerca da prática educativa que se realiza no âmbito da disciplina de Educação Moral e Cívica de maneira compreender as relações e influências entre os integrantes do processo de ensinoaprendizagem. Para tal, precisamos da vossa colaboração que se traduz na participação da entrevista. Asseguramos-lhe que todas informações que prestarem serão mantidas em anonimato e confidência e só servirão para fins científicos. 1 - Por favor, conte como passou o dia de ontem e em que momento a educação moral e cívica esteve presente? 2 - Descreve como viveu a sua infância e que contributo tem dado a tua família nuclear? 3 - Narre sobre a importância da EMC no plano curricular? 4 – As tic têm contribuído para a aprendizagem da educação moral e cívica? Pode aclarar? 5 – Descreve como é a relação entre professores e alunos e vice-versa e que lideranças utilizam? Pode comentar? 6 - O material (livro) que é utilizado durante a aula facilita a compreensão? Pode aclarar? 7 - Conte acerca do comportamento dos professores e sua interacção com os alunos na aula? 8 – Apresenta a relação existente entre a família e a escola? 9 - Caracteriza as actividades que a direcção realiza com os alunos? 10 - Descreve o papel que a família tem desempenhado na educação dos filhos. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim. Tem mais algo por acrescentar?
309 Anexo 6 Transcrição das entrevistas de grupos de alunos Entrevista de grupos de alunos nº 1 04/ 05/ 2015 Duração: 1h34 Entrevistador. Como passou o dia de ontem e em que momento a educação moral e cívica esteve presente? R - Aluno 3 - O dia de ontem digo, que passou bem porque ao ritmo no qual houve a EMC, foi no momento que cruzei com algumas pessoas. Saudei, começando já no período da manhã com a vizinhança. Neste caso, alguns conhecidos e, houve também outras conversas com eles. Conversei com eles, mas neste caso, posso mais contar em termos de saudação. Isso posso incluir também ou relacionar com a educação cívica, é um gesto de moral e cívico ... também não sei se posso dizer se é ético ou cívico quando ajudei uma senhora a atravessar a estrada. R - Aluno 2 - Falar de EMC, acho que está incluso em os todos dias da nossa vida, do nosso quotidiano, é impossível vivermos e passarmos todos dias sem metermos em prática alguns aspectos morais. Acho que falando no dia de ontem, meti em prática alguns princípios morais como sendo, a moral um dos factores que nos ajudam a ter boas maneiras de como se comportar na sociedade. Acho que praticar acções como a saudação, em saudar mesmo que não tenhamos algo em troca ... é sempre bom nós saudarmos e ajuda na nossa maneira de se comportar, eu pelos menos ontem … tive uma alguma (pausa) como posso dizer, conversando com alguém que se comportou de maneira pouco adequado. Eu fui chamando-lhe a atenção de como se comportar ... dei-lhe alguns princípios morais e consoante isso, digo que é impossível um ser humano viver sem moral. Embora é uma simples disciplina, mas está sempre presente no nosso dia-a-dia. R - Aluno 7 - Falando da moral sobre o que passou ontem, é como disse o colega, a moral está connosco sempre e sempre, por mais que há aquelas pessoas que não apresentam aqueles valores ético-morais. Mas sim, sempre tem algo que é moral ... então para falar da moral, o que aprendi ontem na moral e que passei de valor na moral, é que sempre quando nós estamos perante uma sociedade, onde há alguém ou conjunto de pessoas que passam ou fazem a transmissão de valores, de conhecimentos. Ai já está incluso a moral, reina a moral, aquilo que nós vamos aprender em casa, vamos adquirir em casa, nos nossos amigos, vizinhos. Tendo em conta a saudação, como a maneira de se comportar permite verificar aqui e acolá que a moral anda connosco e vive connosco para que nós possamos ser alguém e com bons valores. É necessário que a moral esteja connosco, ontem aprendi muita coisa da moral: a saudação, muitas coisas. R - Aluno 1 - como já foi frisado aqui, a moral ou disciplina de educação moral e cívica, uma ciência que faz parte da nossa vida e nos deparamos com ela onde quer que estejamos. Então, falar primeiramente da educação moral e cívica, ou dos dados morais no meu dia de ontem. Eu gostaria de frisar, que ontem não foi um dia muito lá bom para mim... passei por alguns dissabores e, é ali onde nós podemos ver se alguns dados morais fazem-se sentir em nossas
310 próprias vidas como futuros professores. Tinha que enfrentar alguns dissabores e aplicando os valores morais, tive de pensar antes de resolver para não perder a calma e aplicar os valores morais para resolver um determinado problema. Vi que eles têm sido úteis numa boa forma de agir, para quem é dirigido por valores morais e éticos numa determinada sociedade. Agindo com esses mesmos valores, o indivíduo evita ferir sensibilidades e também ferir-se a si mesmo, era o meu comentário sobre essa afirmação que os valores morais não se criam. R - Aluno 6 - acerca dos valores morais e como aplica-los no nosso dia-a-dia, acho que tem uma grande importância, porque pelos vistos são importantes. Porque eles permitem com que nós possamos coadjuvar a interacção entre nós próprios e outras pessoas que fazem parte da sociedade. Então, quando alguém possui normas ou valores morais e aplica eles no seu dia-a- dia, é mais fácil de interagir com os outros e dificilmente terá dificuldades em resolver os seus problemas. Principalmente quando tiver o problema, que ele precisa de ter mais calma e resolver. Então, os valores morais também permitem, saber de antemão em que momentos ou de que maneira poder proceder para resolver um determinado problema. Assim, queremos dizer que ontem ao aplicar os valores morais ou os princípios morais no meu dia-a-dia. Simplesmente começaria pelo ponto de que... acordei de manhã muito cedo e me preparei para vir à escola, posto cá na escola encontrei a sala quase vazia, porque normalmente é assim. Encontramos a sala quase sem carteiras, então eu fiz a questão de colocar algumas carteiras, para alguns colegas que não estavam presentes neste momento. Penso que é uma das coisas que eu fiz de moral ontem. E também ah:: recebi uma questão de uma sobrinha cujo... pai não tem dado muita atenção, eles estão neste momento separados um do outro, o pai trabalha numa outra província e ela está cá no Lubango então tem tido dificuldade em pagar as suas taxas de propina no colégio e também pagar o autocarro para os seus irmãos. Então ela sempre que tenta falar com o pai, o mesmo diz que está bem vou fazer, vou fazer e o tempo foi passando desde o ano passado até agora nada... quando ele vem e a filha toca no assunto, o pai fica chateado e diz: estás a me faltar respeito. Ela está assim com alguns problemas e, resultando também nela algumas dores de cabeça e outros tipos de dificuldades psicológicas. Então ela veio até mim, para que eu pudesse dar uma ajuda. Então, o que fiz não tendo possibilidades de ajudar de outra maneira, é o seguinte: fui dando alguns conselhos, para que ela pudesse falar... encontrar alguém, um mais velho para que pudesse falar com seu encarregado para resolver essa situação acho que é tudo que tinha a dizer. R - Aluno 4 … relatando um pouco sobre o meu dia de ontem, acho que não tenho muita coisa para falar, o meu dia foi da maneira mais calmo. Não teve momentos assim marcantes, ehh (pausa), mas no que tange sobre a presença da EMC … é o que geralmente nos falta, que o acto de saudação ou outro são regras básicas para manter um bom convívio com a vizinhança e não só, assim o meu dia foi calmo, acho que é tudo. E. Descrevem como é que viveram a infância e que contributo a família tem dado? R - Aluno 6 - Há aqueles casos que se calhar a quem cresceu junto da família, mas há outros casos crescemos longe da nossa família nuclear, mas ainda assim, que infância tivemos? Na fase em que frequentamos o ensino primário, nesta parte enquanto nós éramos mais pequenos, a nossa infância correu bem com lembranças. Alguns familiares nos levavam que várias
311 actividades realizadas no dia-a-dia de Segunda a Sexta, Sábado e Domingo. Assim, posso dizer que comparando o hoje e o ontem poderia dizer se continuassem a viver o ontem estaria bem olhando o hoje e o ontem. Posso dizer que a infância não foi assim tão boa (...), porque naqueles instantes era necessário que os pais tivessem juntos e prontos para que pudessem acompanhar o processo de desenvolvimento… seria bom se tivesse um acompanhamento mais viável dos pais e ajudaria muito a me relacionar com outras pessoas. Mas eu cresci até aos 10 anos fora da casa dos meus pais, eles já tinham... já estavam separado a um bom tempo mas com as actividades. Acho que não tive muitos problemas, porque sendo uma criança não exige tanto ao mais velho para que possa dizer: agora quero isso, leva-me no sítio tal. Quero fazer isso, a criança procura fazer aquilo que é melhor para ela própria, então é isso que eu também fiz na minha infância. Construi amizade com os outros, mas facilmente as vezes quando ninguém estava disponível, eu procurava arranjar alguma maneira de estar sozinho, mas ocupado a fazer alguma coisa ... seria bom se tivesse um acompanhamento mais viável dos pais e ajudaria muito a me relacionar com outras pessoas, mas mesmo assim posso dizer que foi uma fase um pouquinho divertida. R - Aluno 5 - O que diz respeito a questão sobre a minha infância, eu desde sempre tive uma infância muito distante dos meus pais, sempre a minha infância foi sempre com o meu irmão mais pequeno, que nunca nos deixamos. Os pais separam muito cedo, eles tiveram noutra província e nós também estivemos noutra província, então eu diria que a minha infância foi muito complicada (pausa), porque a gente sempre viveu os dois, não tivemos acompanhamento dos pais, nem a distância apenas do irmão. A minha infância foi uma que se compararmos hoje, penso que foi uma infância muito complicada. Porque fui uma criança muito traquina, muito malandra, mas graças a Deus consegui passar essa fase e, eu digo que hoje valeu apenas viver aquela infância e vou transmitir nos meus vindouros filhos, que o vosso pai foi muito malandro, mas foi uma infância boa. R - Aluno 2 - No meu caso particular, digo que a minha infância foi boa eh::: comparando o hoje e o ontem, posso dizer que a minha infância foi como no país das maravilhas, porque assim como a infância é uma das fases em que eu não tinha muita responsabilidade. Apenas eu era livre de fazer o que quisesse: corria bem ou mal e a família também ajudou bastante. Porque a minha família é totalmente baseada nos ensinamentos referentes a Deus, os conselhos... eu sempre nasci numa família em que o foco principal está ligado a Deus e neste caso a igreja também ajudou bastante no meu desenvolvimento psicológico, a minha infância também de princípio, depois os pais separam-se e tive de deixar os pais para ir viver com os meus avós. Tirando este tempo todo tive que … tenho a agradecer os conselhos que os meus avós têm dados, porque eu fui uma criança, que depois naquela fase da adolescência infância... eu era uma criança que comparando, o ontem foi melhor do que hoje. Pois, é mais complicado nos dias actuais, dão muita responsabilidade aos adolescentes e os pai começam a vos olhar com outros olhos, com mais responsabilidades. R - Aluno 1 - Neste processo de infância, queria dizer que eu passei toda minha infância, ao lado dos meus pais, tive um convívio familiar quer na parte do acompanhamento das actividades escolares. Isto é, efectuando o ensino primário sempre tive aproximação dos meus pais. Por isso, não vejo tanta coisa para debruçar sobre os aspectos referente a minha infância,
312 sempre vivi com os meus pais, sempre me acompanharam em todas actividades escolares, fazendo uma breve comparação do período de infância com o período que nós atravessamos agora. Eu diria que para mim, o período menos bom o período que eu passo, atravesso agora no momento da adolescência foi mais difícil, embora que as responsabilidades agora são maiores, mas é uma situação que não podemos fugir da responsabilidade que nós carregamos. Penso que tem sido mais bom, os momentos que temos atravessamos agora fazendo comparação com o período que fui atravessando na infância. Porque é um período em que nós não temos muitas escolhas ou determinadas escolhas para fazer, simplesmente somos acompanhados e guiados pelos nossos pais, para mim acho que é bom o período que eu atravesso agora, que é o período de adolescência. R - Aluno 4 – A minha infância foi da maneira mais saudável, eu tive sempre de perto os pais. Estavam nos momentos que eu precisei, dando seu apoio em todos os sentidos da minha infância e adolescência... foi tudo bem graças a Deus, correu tudo bem apesar de algumas interrupções, isso acontece em toda vida, em todos os sentidos da vida ou em todas as fases. Mas com dedicação, empenho e esforço por parte dos pais e não só, foi algo meramente ultrapassado... fazendo uma comparação com os dias de hoje não vejo muita diferença com relação aquilo que é a interligação familiar… mas dizendo que tempo da infância foi bem melhor, isso é obvio porque enquanto criança é como nos tivéssemos tudo por cima da mesa e nós chegávamos e comíamos, mas já agora temos de ir atrás dos nossos sonhos, agora que estamos a crescer temos de ir atrás da luta na realização daquilo que é nosso sonho ou desejo, mas graças a Deus tive uma infância calma. R - Aluno 3 - É como tudo nem, tem os bons e os maus momentos. Nesse caso, eu passei também na minha infância e percebi, que vivo neste centro, tive perto dos meus pais… na minha infância teve momentos bons e momentos maus. Falando dos momentos bons brinquei muito, que é o desejo de toda criança porque quem passou nesta fase brincou se divertiu... momentos de diversão brincadeiras com os amigos, isso termos de brincadeiras de carro … foi bom para mim também me marcou muito em termos de actividades escolares ... Também tive acompanhamento dos meus pais principalmente da minha mãe, ela sempre esteve presente em qualquer momento que acontecesse ... qualquer coisa comigo ela sempre esteve presente. Momentos maus, posso dizer que fui uma criança muito traquina ... ya fazia umas confusões com os outros e quando arranja-se confusões, lá ia directamente aos meus pais queixar-me que há mau comportamento e na mesma era castigado. Já se sabe que naquele tempo, quando se fala de castigo, recebe umas palmadas, chicotadas... ya esses formam os maus momentos, mas não é por isso que posso dizer que afectou tanto a minha infância. Por isso, com esses maus momentos que passei … houve mais coisas boas em relação as más, porque nas actividades, os meus pais sempre me acompanharam quer em actividades ou outras, é tudo acerca da minha infância. E. A EMC tem ajudado na sua integração e adaptação na escola com os colegas? R - Aluno 3 - A respeito desta questão de a EMC… tem ajudado bastante a mim na integração com os colegas na escola, isto porque a princípio já é sabido de que a gente duma forma consciente ou inconsciente, já estão ou andamos com a EMC. Só que há momentos em que é
319 das vezes o próprio homem é quem não sabe usar a internet, coloca-se certas coisas que chocam com a dignidade humana de qualquer pessoa. R - Aluno 6 - Tem se dito na ausência do melhor o pior serve, enquanto não se procurar melhorar aquilo que nós temos, o que nós temos é que sempre vai servir. Então, é difícil porque aquilo que nós estamos a usar tem pouca influência ou então tem pouco conteúdo consoante o ensino da EMC, é difícil observar ali como seria se nós pudéssemos mudar esses mesmos meios... a questão é melhorar os meios que se usam para trabalhar os valores e, realizar mais actividades práticas no âmbito do ensino relacionado com a solidariedade e outras. E. Descreve a liderança que se faz sentir na aula e como os professores e os alunos interagem entre si? R - Aluno 3- Nos dias de hoje penso eu, que não mudou tanto em termos de inovação a respeito disso, desde o tempo que em foi implementada essa disciplina, até aos dias de hoje. Mas falando sobre a interacção professor e aluno, aluno e professor... as formas de tratamento, há momentos que tem sido aquelas de medidas adequadas, mas isso também partindo do professor, da forma que vai interagir com o aluno, da maneira que vai tratar o aluno. Se o professor respeita o mesmo ou não e, o aluno só vai tratar o professor consoante a forma de tratamento do professor. Por exemplo, se o professor faltar respeito ao aluno, claro que o aluno vai reagir, vai defender-se neste caso. Mas se o professor tratar bem o aluno, de uma forma geral o aluno também tratará e respeitará o professor de uma forma devida e isso é vice-versa. Porque isto tudo parte do topo que é o professor e que é o modelo e, sendo modelo ele é quem deve dar exemplo. Como já se tem dito, o aluno claro a sua acção irá consoante o comportamento do professor e, ai é claro... que o aluno deve respeitar mais o professor e a forma de liderança do professor na turma. Quando se administra essa mesma disciplina, ele vai variando os estilos de liderança: autoritária, liberal e democrática … deixar que os alunos investiguem mais para enriquecer os conhecimentos a respeito dos valores da mesma disciplina. Utilizam o estilo autoritário, quando os alunos conversam algo que não tem nada a ver com a aula, de forma a manter ordem na sala. Assim, é facultativo em função dos temas surge estilos de liderança de acordo a aula, devido a participação dos alunos de forma liberal ou democrática. R - Aluno 2- Para dizer que a relação professor aluno nos dias de hoje melhorou bastante, o professor assumia o estilo autoritário, no período em que se considerava o aluno como tábua rasa ou considerava o aluno como alguém que não sabia nada. Ele chegava na sala, transmitia os conteúdos e, muitas vezes não explicava e os alunos não participavam. O que os alunos pensavam ou deixam de pensar para o professor não tem nada a ver e não significava nada. Nos dias de hoje, acho que o professor tem vindo assumir um papel democrático, em que a sala de aula se tornou um lugar ou campo de debate entre professor e aluno. Porque hoje, o professor considera o aluno e valoriza os seus pontos de vista... em que o aluno estando na sala de aula tem possibilidade de debater acerca do seu ponto de vista, porque todos tem direitos a uma opinião... o professor vai a sala transmitir conhecimentos e adverte os alunos sobre quem colocar dúvidas e sabotar a aula vai sair da sala…
320 R - Aluno 1... Falou-se muito bem da liderança e a interacção professor e aluno, aluno e professor. Para não ser repetitivo, gostaria falar da relação professor aluno e vice-versa relativamente ao comportamento que há entre ambos. Eu sempre estou convicto de que a formação adequada daquele que ensina é muito importante, o professor deve ser profissionalmente útil para ensinar, porque o professor não só ensina como também ele é um educador. Para mim, é necessário o professor ser profissionalmente útil, para ensinar e também educar, porque o professor só deve ensinar ou passar determinado conhecimento se ele for preparado de uma forma adequada para ensinar ... E quando não há isso, nós vamos constatar uma má interacção entre professor e alunos numa sala de aula, em que nós vamos verificar que o professor por descuido ou por nervosismo, ele pode tratar o aluno de uma forma sem ter em conta os valores morais chamando-o de nomes. Porque ele não está preparado eminentemente para trabalhar com essa disciplina de EMC e sendo ele na qualidade de professor. Deve enfrentar o provocador ou as coisas que o provocam... sendo ele professor e um modelo ele não pode interagir de forma a criar distúrbios na sala de aula, criar mal ambiente na sala de aula. Por isso, sendo ele profissionalmente, formado para ensinar esta cadeira de EMC , evita-se muitos distúrbios na interacção entre professor e aluno, aluno e professor. R - Aluno 4 - sem muito comentário sobre esse aspecto, até porque os meus colegas já frisaram quase tudo com relação a interacção entre professor e aluno e vice-versa. É só para dar um chega e dizer que é viável e óptimo para todos. Que hoje é melhor que o antigamente, porque a qualidade de ensino está cada vez a melhorar, a crescer e o ambiente ou a interligação entre professor e aluno também não está fora, é só para dizer que tem uma grande diferença, está mesmo cada vez melhor. E. Descreva o papel da família na educação dos filhos e as referências para a criança? Comente. R - Aluno 4 - sobre este aspecto não gosto de generalizar, eu coloco sempre a bola aos jogadores entre aspas, isso depende muito de cada família, depende muito de cada adulto, depende muito de cada indivíduo ou apresenta-se a uma criança. Se apresenta comportamentos lícitos e um bom modelo para essa criança ou então … diz não tem nada a ver com o crescimento ou desenvolvimento psicológico e não só da mesma criança. Mas contudo uma percentagem das famílias têm participado intensamente no desenvolvimento dos seus filhos … porque nós vemos que dificilmente encontramos crianças fora do sistema de ensino, não simplesmente pelo facto de vermos o filho do vizinho a ir para a escola e colocamos também o filho na escola ... a escola vai munir e desenvolver as qualidades que antes o filho já ganhou no seio familiar, então eu diria que as famílias tem trabalhado muito para este aspecto. E com relação a um adulto perante uma criança, isto depende muito do adulto como encara, relaciona-se com a criança. R - Aluno 3 - Digo que isso é relativo, porque varia de família para família e, duma forma geral posso dizer que toda família é modelo para uma criança, positiva ou negativa é um modelo e a criança é que decide se vai seguir ou não neste caso. Mas duma forma restrita, há famílias que têm sido modelo aceitável, em uma sociedade em que os seus educandos têm
321 seguido orientações e, não só ao comportamento dos mesmos educadores. Por outra, como já disse, existe outras famílias que deixam muito a desejar, daí a existência de crianças que apresentam comportamentos negativos no recinto escolar. Porque os adultos em casa, também se comportam duma forma negativa o que faz com que o mesmo adopte estes comportamentos, transportando-os de casa para fora neste caso, na escola e nos convívios com os amigos. E outra que faz referência de que uma pessoa adulta, também representa um bom modelo para uma criança. Isso também é relativo, por exemplo se um adulto aparece embriagado na rua, é uma influência negativa que está transmitir a criança, porque para estas podem pensarem que é uma coisa boa de se fazer. Isso também cabe aos familiares ou encarregados ajudar bastante na educação dos filhos, conversando bastante com eles, acerca das coisas que acontecem na sociedade. R - Aluno 5 - A criança desperta um interesse em relação aos pais, imitando as práticas dos mesmos, que se for negativa criaria uma disparidade para o futuro convívio da comunidade. R - Aluno 3 - É bem verdade que quando a criança vê o pai com duas famílias, é isso que ele vai querer futuramente, mas com o andar do tempo poderá ou não ter outra mentalidade, porque ele não está só naquele sítio, mas também convive com outras pessoas. Nessa convivência é provável, que ele possa mudar de consciência caso queira. Porque não estará em condições de estar presente em todas as famílias e, perante este mal, a disciplina de EMC ajuda a mudarmos de mentalidade para essa problemática. R - Aluno 7 - Não vamos ficar nesta probabilidade, tendo em conta que normalmente a base da criança é fruto da sociedade, ela nasce e vai ser consoante aquilo que a sociedade lhe mostrar e ensinar, ela só vai acatar … é do nosso conhecimento saber, que uma família é constituída por pai, mãe e criança. Neste caso, os filhos na ausência de qualquer um deles, já ficam com distúrbios psicológicos e tantos outros. Por exemplo, a criança vai se inserir na escola, há certos casos que é necessário a presença do pai e da mãe, ele vem simplesmente com a mãe e vê outros colegas a virem com o pai e a mãe e, ele vai se perguntar que era suposto, o meu pai também estar aqui e não está. Automaticamente já é um conflito… Acho que para um bom funcionamento de uma família, se nós quisermos ter uma geração, que esteja no bom caminho como na verdade, o conceito de ser mais velho é questão de responsabilidade. Dar exemplo as crianças neste caso estaríamos a dar mau exemplo. Porque a criança mentaliza que vou ser, o que o meu pai é… para evitar distúrbios na sociedade, é necessário criar-se uma base sólida, para termos também adultos mais responsáveis. R - Aluno 1 - Fez-se menção entre os vários pontos de crianças, que vivem só com a mãe ou só com o pai, aproveito para dizer que o aproveitamento escolar desta criança pode baixar… Visto que as crianças gostam de ou têm a tendência de imitarem … diz-se que com exemplos práticos, elas têm tendências de imitarem... eu serei como o papá é, ou como a mamã. Farei as coisas tal como eles fazem e, isso é recíproco, nem toda criança que diz isso, sempre observa o comportamento do pai ou da mãe. Futuramente, irá desempenhar as atitudes e comportamentos deles. Há acções dos nossos pais que realizam e, nós analisamos e dissemos que futuramente quando for grande, não poderei agir desta determinada maneira. Há um aspecto muito importante, a convivência social que existe. Isto é importante porque se ela
322 simplesmente vivesse na base de observar o que o pai ou a mãe faz. Obviamente, vai desenvolver as mesmas características, mas a criança além de estar no convívio familiar, ela também tem outro que não é o familiar, por intermédio dos amigos e por intermédio da escola. A escola passa outro tipo de conhecimento assim, ela vai analisar o que o professor lhe ensina e a forma de agir ou as características do seu pai ou sua mãe... ela decidirá em função da visão que terá sobre a socialização. R - Aluno 6 - O futuro é imprevisível e não acho que a nossa sociedade vai desenvolver tanto com as coisas... as vezes somos aquilo que a sociedade nos mostrou, conheço pessoas que estão na rua, sei que gostariam estar numa escola, mas infelizmente através da base que não foi sólida porque o apoio … ou a presença do pais na vida da criança é muito importante… há crianças na rua devido a falta do apoio familiar, o que faz com que siga diferentes caminhos e desvios de normas e regras para uma boa vivência ... Pode ser que aprenda outros valores fruto do meio em que estiver inserido, a escola joga um papel importante na socialização das crianças, para que sejam futuramente adultos responsáveis. R - Aluno 5 – A família é o modelo das crianças, vou contradizer o colega que diz que a criança vai se adaptar na escola. Não concordo porque quando ela está ver aquilo que o pai ou a mãe faz, tem a tendência de imitar, isso é bem verídico e leva em mente que quando eu crescer vou tentar fazer como é o pai ou a mãe. Por exemplo, nas zonas rurais, os adultos levam as crianças na caça e na pesca e quando ela cresce vai continuar a seguir os caminhos que o pai andou .. R - Aluno 4 - A criança só segue os passos do pai, quando ela não quer mudar ou só segue, quando não tem outra opção, sem oportunidade para fazer algo diferente. Porque a criança é flexível, se por exemplo nós vermos no nosso contexto, filhos que fazem algo totalmente diferente em relação a mãe ou o pai. Porque não quis ser como os progenitores, se o pai passa boa imagem ao filho como se tem visto ao filho de pastor, as vezes realiza acções inconcebíveis? Se calhar o pai e a mãe fizeram de tudo, mas ainda assim a criança desviou-se em termos de conduta. Porque para ele, faltou mais algo, além dos ensinamentos do pai e da mãe e, deixa-se levar pela influência negativas que recebe de outrem. R - Aluno 6 - Eu penso que consoante, o que já foi referido tenho a dizer, que tanto os pais como a sociedade servem como modelo quando a criança tem algo ou quer algo semelhantes com os seus progenitores. Se por exemplo, a criança tem desejo de ser professor. Mas a mãe é enfermeira, claro que há algumas características semelhantes da forma de agir que a criança poderá adoptar aquilo que será importante para ela consoante aos objectivos dela. R - Aluno 2 - não tenho muito a dizer … o pai as vezes se comporta de maneira inadequada, bate a mãe e muitas vezes as atitudes negativas, as crianças aprendem na família … a criança poderá encontrar ou ver um modelo, identificando-o no pai ou na mãe, na professora ou professor…dependentemente do meio em que ela estiver inserida. Muito obrigado, nossa entrevista chegou ao fim.
323 Entrevista de grupo de alunos nº 2 14/08/2015 E. Como se caracteriza o comportamento dos adolescentes actualmente. R - Aluno 8 - Se tem dito que a nossa sociedade é conforme são as nossas famílias, isso quer dizer se temos pessoas mal comportadas, devemos analisar bem qual é o papel da família. Por isso, é preciso pensar como são as nossas famílias. Como nós como filhos nos comportamos, como os pais e as mamãs se comportam em casa? Se são efeitos da globalização. Mas há quem não tem e nem é usuário de tic, mas se comporta mal ou as vezes devido a influência dos pais. R - Aluno 10 - Muitas vezes os maus comportamentos podem resultar da influência de amigos e pessoas que convivemos com elas. E. Narre a influência da globalização na conduta dos adolescentes. R - Aluno 9 - A influência da globalização, as pessoas imitam o lado negativo em detrimento do positivo ... ou seja procuram materializar na prática tudo que assistem pensando que é a verdade (pausa), e os pais e as mães não advertem os filhos acerca dos comportamentos observados. R - Aluno 12 - Os filhos levam tudo que aprendem de uma forma positiva, mesmo as influências dos amigos e amigas na adopção de comportamentos negativos ... devido a pouca orientação dos adultos sobre os mais novos. E. Descreve qual tem sido o papel da família na educação dos filhos. R - Aluno 9 - As famílias deixaram de acompanharem os filhos acerca do que fazem. As redes sociais oferecem conteúdos não censurados, é necessários as famílias ajudarem. R - Aluno 11 - Existem pessoas que têm comportamentos positivos em casa, mas na rua se comportam mal, algumas vezes esse mal comportamento não resulta só do uso das tic, porque há quem não tem essas condições, mas mesmo assim se comporta mal... Os maus comportamentos deve-se ao facto das famílias não saberem / terem acompanhado a educação dos filhos, em outros casos, são os filhos que não acatam as orientações dadas pelos adultos. E. As tic têm contribuído para a aprendizagem da educação moral e cívica? Pode aclarar? R - Aluno 11 - Estamos assim porque agora o mundo está assim, temos de viver em função da sociedade em que estamos inseridos e continuar a usar as redes sociais (...), mas é necessário responsabilidade na utilização das redes sociais. A responsabilidade cabe a cada pessoa ou a cada família, porque a educação varia de família para família, existindo atitudes que podem ser correctas para alguns e incorrectas para outros. Os pais têm dado alguma informação aos filhos, só que estes ignoram e fazem suas escolhas. R - Aluno 10 - os pais não tem sido pacientes na correcção de comportamentos dos filhos porque quando o filho comete um erro optam mais pelo castigo físico. Em vez de conversar e procurar compreender porque agiu desta maneira. Assim, o filho cresce com essa
324 desobediência e não aproveita nada. A família serve de base e, é nela onde a criança deve aprender bons valores e os pais são culpados por não estarem a desempenhar o seu papel na educação dos filhos. R - Aluno 9 - A culpa é dos pais porque se a criança cresce no meio de tanta violência, ela poderá também adoptar comportamentos negativos, violentos em função do que observa quando o pai bate a mãe ou a mãe bate o pai. Deste modo, a criança cresce sem muita educação para se relacionar com os outros. R - Aluno 8 - Quando o filho já é adolescente age, segundo a sua consciência, cometendo actos imorais porque a sua consciência permite, não significa que isso partiu da família. Existem pais que não acompanham a educação dos filhos, deixando essa responsabilidade com os irmãos mais crescidos para supervisionarem os mais pequenos. R - Aluno 12 - A escola e a família também têm seu papel na educação dos filhos ... há crianças que tinham pais presentes, mas que ao longo do tempo depois desapareceram. Outras têm pais não muito presente porque tem duas, três ou mais esposas e fica difícil estar presente com os filhos na mesma semana. A família e o meio influem muito no comportamento dos filhos e os pais têm dado muita liberdade. R - Aluno 10 – O conceito de educação é as vezes mal entendido, porque a criança quando faz algo de negativo, os pais pensam que a forma de educar é dar castigo e prova disso é que quando é interpelado acerca da sua atitude ele justifica que está dar castigo (bater) para educar o filho. É de pequeno que se deve orientar os filhos acerca dos comportamentos, a adoptar na vivência em sociedade. Pau que nasce torto é difícil endireitar, mas devemos continuar a investir na educação de todos. E. Como é a relação entre o professor e aluno / escola? R - Aluno 8 - No processo de ensino-aprendizagem só existe a interacção professor aluno na sala de aula, fora dela não existe... assim, fica difícil trabalhar ou ajudar a mudar determinado comportamento do aluno, não tem tempo de interagir com a família dos alunos ou a comunidade. R - Aluno 11 - A relação professor aluno restringe-se na sala de aulas, porque o professor não conhece a realidade que vivi o aluno e, o professor não tem tempo devido os estudos de ir visitar os alunos. R - Aluno 10 - Eles limitam a relação na sala de aula porque o professor pensa que se relacionar com os alunos fora da sala de aulas as pessoas vão pensar mal dele e das suas intenções. As vezes o professor já vêm com as suas frustrações e não tem como interagir bem com os alunos. R - Aluno 12 - Os professores criam barreiras na relação com os alunos, o que torna difícil as relações interpessoais fora da sala ... eles pedem que os alunos façam o que orientam e não façam o mesmo que os professores.
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