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Da Filosofia Aplicada às necessidades filosóficas das pessoas, nas empresas e organizações. justificação do papel do consultor filosófico

Sousa, Joana

Abstract

Este artigo estuda as bases da Filosofia Aplicada dentro das empresas e organizações. Assim, aprofunda nas necessidades filosóficas dos trabalhadores que trabalham nessas instituições e propõe uma metodologia de trabalho para o consultor filosófico baseado nas suas descobertas.

Full text

DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS, NAS EMPRESAS E ORGANIZAÇÕES. JUSTIFICAÇÃO DO PAPEL DO CONSULTOR FILOSÓFICO1 ON PHILOSOPHY APPLIED TO PHILOSOPHICAL NEEDS OF PEOPLE IN COMPANIES AND INSTITUTIONS. JUSTIFICATION OF THE ROLE OF PHILOSOHICAL COUSELOR JOANA SOUSA Ins i u o Uni e si a io ISLA joana [email protected] RECIBIDO: 25 DE MAYO DE 2012 ACEPTADO: 1 DE NOVIEMBRE DE 2012 Resumen: Es e a igo es uda as bases da Filoso ia Aplicada den o das emp esas e o ganizações. Assim, ap o unda nas necessidades ilosó icas dos abalhado es que abalham nessas ins i uições e p opõe uma me odologia de abalho pa a o consul o ilosó ico baseado nas suas descobe as. Palab as cla e: consul o ilosó ico, emp esas, necessidades ilosó icas Abs ac : This pape S udies Philosophical P ac ice g ound de eloped inside companies and ins i u ions. So, i deepens in philosophical necessi ies o employees o hose ins i u ions. In addi ion, i is p oposed a speci ic me hodology based on i s disco e ies. Keywo ds: philosophical counsello , companies, philosophical needs. In odução Pe inência do es udo Um p oblema ilosó ico em a seguin e o ma: “ Não me sei o ien a ”2 Da licencia u a de Filoso ia icou uma ques ão a esol e : o que aze com es e diploma? A ida p o issional a as ou-nos do amo à sabedo ia3, mas a academia 1 Es e abajo cons i ui pa e da eses de maes ado da candida a Joana Sousa. Foi di igida pelo P o eso José Ba ien os y de endida em e e ei o de 2012. 2 WITTGENSTEIN Ludwig. – T a ado Lógico- ilosó ico.In es igações Filosó icas. – Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1995, 2ª edição. - p. 261 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 118 soube ap oxima -nos da Filoso ia. A p opósi o de uma in es igação sob e consul o ia espi i ual4, encon amos e e ências a “aconselhamen o ilosó ico”, “o ien ação” ou “consul o ia ilosó ica”. Nessa al u a, o nam-se amilia es os nomes de Lou Ma ino , Pe e Raabe, Tim LeBon e Ósca B eni ie . E a cu iosidade aumen a: se á possí el imp imi um dinamismo ou o ao ilóso o, que á pa a lá do espaço de sala de aula ou da in es igação eó ica? Pode a Filoso ia conhece aplicações p á icas? Em 1980 Seymon He sh esc e e um ex o in i ulado The Counselling Philosophe 5 inaugu a o momen o em que se econhece o papel do ilóso o como conselhei o ou consul o . Ge d Achenbach, au o de Philosophische P axis6 inicia a p á ica da consul a ilosó ica em 1981. Um ano depois undou a Associação Alemã pa a a P á ica Filosó ica, que se o nou, em 1998 na In e na ionalen Gesellscha u Philosophische P axis (IGPP). Los é minos “philosophical counselling” e “philosophical p ac ice” an a se la aducción de “Philosophisce P axis und Be a ung” de Ge d Achenbach7 De “Philosophisce P axis und Be a ung” de i am as exp essões iloso ia p á ica, o ien ação ilosó ica e aconselhamen o ilosó ico8; a sua adução li e al é 3 «(…) Pi ágo as e ia sido o p imei o a u iliza a pala a ilóso o e iloso ia (…) pa a signi ica que o nome de sábio só a Deus con ém, de endo os homens con en a -se com ama e pe segui a sabedo ia. (…) Com Pla ão, a pala a iloso ia adqui e ida au ónoma e acede a uma dignidade nunca dan es imaginada. Ao sen ido me amen e li e al de amo da sabedo ia, Pla ão ac escen a-lhe o sen ido pa adoxal da ciência da igno ância ou sabe do não sabe , po que o ilóso o nem de odo sabe nem de odo não sabe, i endo numa si uação in e média en e a igno ância absolu a da sabedo ia e a sua posse plena.» FREITAS Manuel da Cos a, Filoso ia – Logos Enciclopédia Luso B asilei a de Filoso ia, Lisboa: Edi o ial Ve bo, 1991, ol. 4, pp. 576-577 4 Dessa in es igação esul ou o nosso abalho: SOUSA, Joana - Da in eligência in elec ual à in eligência espi i ual – p opos a de pe il de compe ências espi i uais do consul o - p ojec o desen ol ido no âmbi o da Pós G aduação de Consul o ia de Emp esas, ISLA, 2005/06. A denominação de «consul o espi i ual» em como base a ob a de Dan e Ian ZOHAR, QS In eligência Espi i ual - São Paulo: Edi o a Reco d, 2000. C ., ainda, o pon o 2.4. do p esen e abalho. No Anexo B ap esen amos a nossa p opos a de pe il de consul o ilosó ico, com base nesse abalho ealizado em 2006. Du an e a ealização des a ese, e imos o abalho ap esen ado nessa al u a. 5 SCHUSTER Shlomi C. - The Meaning o Philosophical Counseling - [On-Line] 1996, [24.10.2010]. h p://si es.google.com/si e/ hephilosophicalcounselingweb/publica ion-lis / he- meaning-o -philosophical-counseling Jose Ba ien os Ras ojo ambém az e e ência a es e a igo. C . BARRIENTOS RASTROJO Jose. – In oducción al Aseso amien o y la O ien ación Filosó ica. – San a C uz de Tene i e, Ediciones Idea, 2005. – p. 20 6 Es a ob a oi publicada em 1984, endo conhecido a sua segunda edição em 1987. 7 BARRIENTOS RASTROJO Jose. – Op. Ci . – p. 21 8 «Philosophy is seen as an ongoing dialogue wi h li e and eali y, a he han as a heo e ical HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 119 p á ica e consul a ilosó ica. Ac ualmen e, usam-se as exp essões iloso ia p á ica ou iloso ia aplicada. Mas que sen ido az a exis ência de um ilóso o p á ico9 nos dias de hoje? O que az com que as pessoas p ocu em um ilóso o? E que sen ido10 a á isso numa emp esa ou o ganização (E/O)?11 They isi a Philosophical P ac ice in o de o unde s and and o be unde s ood. I is almos ne e he Kan ian ques ion “How shall I li e” which mo es hem, bu mo e o en he ques ion o Mon aigne: “Wha am I ac ually doing”?12 Um pouco po odo o mundo, os ilóso os passa am a cons a , po exemplo, de comissões de é ica. Ac uam na emissão de pa ece es, assumindo o pon o de is a ilosó ico sob e delibe ações. O ilóso o p opo ciona o diálogo, pe mi indo o eino do uso de écnicas ilosó icas, po exemplo, no p ocesso de omada de decisão. Nigel Lau ie13 ques iona-se: se á que a culpa de udo is o é de Sóc a es, o a eniense que se passea a pelas uas de A enas, p omo endo o diálogo? Em 1929 Leona d Nelson publica um ex o de nome Die sok a ische Me hode e que isa e o mula e ea i a a Filoso ia. O seu modelo de diálogo soc á ico ap esen a p ocedimen os igo osos adop ados nas o ganizações.14 F ancisco Ba e a15 apon a pa a a necessidade de p ocu a no os caminhos e de muda de a i ude, ao ní el das E/O. Tal mudança implica a ans o mação dos modelos o ganiza i os, no sen ido da diminuição do au oma ismo e aumen o da espon aneidade. Nes e âmbi o, Ba e a menciona o abalho de Daniel Goleman sob e a In eligência Emocional16. A edução da acção humana à cons uc ion o abs ac heo ies abou li e and eali y. The idea is ha indi iduals encoun e basic philosophical li e-issues h oughou hei li es, and he ole o philosophical counseling is o help hem deal wi h hese issues mo e ully.». LAHAV Ran. – The E icacy o Philosophical Counselling: A is ou come s udy. – The Bene i s o Philosophy in P ac ice. – P ac ical Philosophy. Jou nal o he Socie y o Philosophy in P ac ice.- 2001, ol. 4, nº 2, p. 5. 9 Em inglês: philosophical p ac i ione . 10 Sob e o abalho, a saúde e a iloso ia leia-se o dossie AA.VV. - Le a ail nui -il à la san é?, publicado na Philosophie Magazine, nº 39, 2010. 11 De o a em dian e u iliza emos E/O pa a nos e e i mos a emp esas ou o ganizações. 12 ACHENBACH Ge d. - A sho answe o he ques ion: Wha is Philosophical P ac ice?. – [On- Line] [17.11.2010] h p://www.igpp.o g/eng/philop ac ice.asp 13 C . LAURIE Nigel - Philosophie goes o Wo k. – Thinking Th ough Dialogue. – P ac ical Philosophy P ess, 2001, pp. 192-194. 14 C . NELSON, Leona d. - El mé odo soc á ico. - Cádiz: Huqualya,, 2008, bem como, do mesmo au o , Soc a ic me hod and c i ical Philosophy. - No a Io que: Delec ed Essays, 1965 15 BARRERA F ancisco. - Su emp esa puede es a necesi ando un ilóso o. – La iloso ia a las pue as del e ce milénio. – Se ilha: Fénix Edi o a, p. 165. 16 Du an e décadas, as o ganizações ac edi a am que as emoções p ejudica am o p o issionalismo, o aciocínio e que de iam ica es i as às idas e cada indi íduo. O no o pa adigma passa po sabe HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 120 p odução e o esquecimen o das ac i idades especi icamen e humanas em como consequência a exis ência de E/O onde o colabo ado não conhece a inalidade, nem seque o sen ido do seu abalho. O Homem é, enquan o abalhado , a ancado da sua p óp ia humanidade.17 Na emp esa, o ilóso o p opo ciona uma e lexão sob e a cul u a emp esa ial, c iando um espaço pa a a pe gun a sob e a o ma de aze as coisas.18 Ques ão de pa ida e objec i os P e endemos sabe de que o ma pode o consul o ilosó ico con ibui com um olha dis in o no seio das E/O. Pe gun amos: no âmbi o das E/O, as pessoas ap esen am necessidades ilosó icas? A ançamos com a hipó ese de que, sim, os ecu sos humanos das E/O ap esen am necessidades de índole ilosó ica. Pa a isso, p opomo-nos a - de ini que necessidades ilosó icas são essas e; - p ocu a a sua iden i icação numa dada população. O passo seguin e se ia o de a ina a cons ução do pe il de compe ências19 pa a o consul o ilosó ico, passo que ica á adiado pa a uma u u a in es igação. como lida com as emoções, em ez da p eocupação em sabe se as mesmas são posi i as ou nega i as e con olá eis. Sob e es a emá ica aconselhamos a lei u a de alguns a igos como GARDNER Howa d. - Using Mul iple In elligences o Imp o e Nego ia ion Theo y and P ac ice - Nego ia ion Jou nal; Oc 2000; 16, 4; ABI/INFORM Resea ch, pp. 321-324; bem como a ob a de Daniel GOLEMAN, T abalha com in eligência emocional (Lisboa. Temas e Deba es, 2005, 3ª edição). No Anexo A ap esen amos um mapa- esumo dos au o es e eo ias elacionadas com a In eligência Emocional. Ap o ei amos pa a e e i o abalho do po uguês An ónio DAMÁSIO: «Conhece a ele ância das emoções nos p ocessos de aciocínio não signi ica que a azão seja menos impo an e do que as emoções, que de a se elegada pa a segundo plano ou de a se menos cul i ada. Pelo con á io, ao e i ica mos a unção ala gada das emoções, é possí el ealça os seus e ei os posi i os e eduzi o seu po encial nega i o. Em pa icula , sem diminui o alo da o ien ação das emoções no mais, é na u al que se quei a p o ege a azão da aqueza que as emoções ano mais ou a manipulação das emoções no mais podem p o oca no p ocesso de planeamen o e decisão. (O E o de Desca es. Emoção, Razão e Cé eb o Humano. - Lisboa: Publicações Eu opa Amé ica, 2003, 23ª edição p. 252) 17 BARRERA F ancisco – A . Ci ., p. 166. 18 Ti emos opo unidade de de ende es a ideia no #6 Igni e Po ugal, a 16 de Junho de 2010, com uma ap esen ação in i ulada «Filoso ia nas Emp esas». h p://www.you ube.com/wa ch? =T4OXgweJT3Y [16.01.2011] 19 Con o me indicámos na no a nº 3, desen ol emos um abalho onde a ançamos com uma p opos a de pe il de consul o «espi i ual», que na al u a de inimos, ambém, como consul o ilosó ico. Reme emos es a p opos a pa a o Anexo A do p esen e p ojec o. Realizamos, en e an o, algumas al e ações ace à e são p esen e no p ojec o da Pós-g aduação. Conside amos que pode emos ap esen a esse pe il e is o e melho ado, com base nos esul ados ob idos du an e es a in es igação. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 121 P e endemos euni alguns ins umen os de abalho pa a o consul o ilosó ico, no que espei a ao le an amen o das necessidades ilosó icas jun o dos ecu sos humanos, nas emp esas e o ganizações. Con ibu o académico O caminho das No as P á icas Filosó icas (NPF)20 em indo a conhece a consolidação jun o da academia. Regis amos alguns con ibu os in es iga i os: Pe e Raabe é o au o da p imei a ese de dou o amen o na á ea da iloso ia p á ica; Jose Ba ien os Ras ojo conclui, em 2009, em Espanha, uma ese de dou o amen o in i ulada Vec o es Zamb anianos pa a una Teo ía de la Filoso ía Aplicada a la Pe sona21. Em Po ugal exis em já algumas eses de mes ado na á ea da Filoso ia pa a C ianças22 e su gem ecos que anunciam abalho 20 De o a em dian e, u iliza emos NPF pa a designa No as P á icas Filosó icas. As NPF ab angem duas g andes á eas: a iloso ia pa a c ianças e a consul o ia ilosó ica. A p imei a em o igem no p og ama que o P o esso Ma hew Lipman concebeu nos anos 60: «P o esso es de qualque disciplina p eocupam-se quando seus alunos apenas memo izam os con eúdos pelos quais se ão es ados e não ap endem a pensa numa disciplina. (…) a iloso ia é a disciplina cuja o ma e pedagogia são uma só coisa. A é onde is o o assim – que a o ma dialé ica da iloso ia é idên ica à sua pedagogia -, a iloso ia o nece um modelo o midá el pa a o p ocesso educacional como um odo.» Ma hew LIPMAN. – A Filoso ia ai à Escola. – São Paulo: Summus Edi o ial, 1998, p. 47- 53. O P o esso Lipman aleceu no passado dia 26 de Dezemb o de 2010 e deixa-nos um legado bas an e ico na á ea da iloso ia pa a c ianças, e não só. Is o po que as me odologias que o P o esso de endeu como undamen ais em e mos de compe ências c í icas, c ia i as e é icas pe passam mui o daquilo que se esc e e e se de ende a p opósi o da iloso ia nas E/O e ou as á eas em que se p ocu a le a a Filoso ia ao «cidadão comum». Desde 2008 que desen ol emos in es igação e abalho na á ea da Filoso ia pa a C ianças; ainda assim, os nossos p imei os passos acon ece am no âmbi o da consul o ia ilosó ica, com a ap esen ação de comunicação no III Encon o Po uguês de Filoso ia P á ica» - Cong esso Po uguês de É ica Aplicada, 23 e 24 de Ou ub o de 2006, UCP (Po o), com comunicação denominada Pe il de Compe ências de Consul o Espi i ual nas Emp esas e nas O ganizações. Foi nes e Cong esso que i e a opo unidade de conhece pessoalmen e aquele que i ia a se o o ien ado do p esen e abalho, o P o esso Jose Ba ien os Ras ojo, bem como o P o esso Lou Ma ino . 21 BARRIENTOS RASTROJO Jose. - Vec o es Zamb anianos pa a una Teo ía de la Filoso ía Aplicada a la Pe sona. – [On-Line] [08.12.2010] h p:// ondosdigi ales.us.es/ esis/ esis/1010/ ec o es-zamb anianos-pa a-una- eo ia-de-la- iloso ia- aplicada-la-pe sona/ 22 A í ulo de exemplo, indicamos dois abalhos: ASSUNÇÃO Susana da Conceição Maio. - Filoso ia com C ianças e Jo ens - uma p opos a de Educação do pensa como um luga -comum. – Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, No emb o de 2010 [On-Line] [29.01.2011] h p://siga a.up.p / lup/ eses_posg ad. ese?P_SIGLA=MEFIL&P_ALU_NUMERO=080739062&P_ LANG=0 e LIMA Denise Ma ia Domingues de. - Filoso ia pa a c ianças : uma abo dagem c í ica den o da iloso ia da educação – [On-Line] 2004 [15-09-2008] h p:// eposi o ium.sdum.uminho.p /handle/1822/4925 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 122 académico na á ea da consul o ia ilosó ica. Com o p esen e abalho, p e ende- se da um con ibu o académico, uma p imei a sus en ação eó ica undamen ada, pa a uma á ea da Filoso ia que se ap esen a como p á ica e/ou aplicada. Ainda que pouco abalhada no seio académico, a aplicação da Filoso ia aos meios emp esa ial e o ganizacional é, já, e e ida como an ajosa nalgumas e is as da á ea da ges ão.23 Em 2010 a Uni e sidade de Se ilha concedeu um p émio à emp esa FAME, no âmbi o de um concu so de inicia i as emp esa iais da Uni e sidade.24 Na e is a Pessoal25, Paulo Mo gado a i ma que “A Filoso ia pa ece uma coisa é e ea pa a quem não a conhece. A Filoso ia, designadamen e nas suas componen es mais lógicas e de linguagem, o e ece-nos excelen es ensinamen os que podem se u ilizados nas emp esas. Vou-lhe da um exemplo: a linguagem que se u iliza den o de uma o ganização.” Paulo Mo gado e e e a ques ão da linguagem e de como a al a de consciência daquilo que es amos e ec i amen e a dize pode a ec a e/ou dize algo sob e a o ganização em si. Es u u a do abalho O abalho encon a-se di idido em seis capí ulos: o capí ulo I in oduz-nos à emá ica e à sua ele ância enquan o elemen o de in es igação académica; o capí ulo II diz espei o à e isão de li e a u a, no qual abo damos a emá ica da iloso ia aplicada no seio emp esa ial/o ganizacional; é nes e capí ulo que desen ol emos a ques ão do pe il do consul o ilosó ico e das necessidades ilosó icas das pessoas que se cons i uem enquan o ecu sos humanos. No capí ulo III ap esen amos o nosso modelo de análise e no capí ulo IV a me odologia cien í ica escolhida pa a o a amen o des e ema. O capí ulo V é dedicado à ap esen ação dos esul ados da aplicação das me odologias. O capí ulo VI ence a es e abalho, ap esen ando as conclusões do mesmo, bem como as ecomendações pa a o u u o. 23 C . PEREIRA Joana Madei a. – Pensamen os (ú eis) pa a a a e de ge i . – Exame, nº320, Dezemb o de 2010, 24 h p:// iloso ia-aplicada.blogspo .com/2010/06/en ega-de-p emio-la-emp esa-de.h ml [On-Line] [14-08-2011] Pode le -se ainda es e a igo sob e a Filoso ia e o seu caminho da ca e na pla ónica às emp esas: h p:// iloso ia-aplicada.blogspo .com/2010/08/en e- iloso ia-aplicada-y-uni e sidad.h ml [On-Line] [14-08-2011] 25 C . CARREIRA Dua e Albuque que – Faz al a Filoso ia na Ges ão RH. – Pessoal, nº 102, Ab il de 2011. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 123 Re isão de li e a u a Filóso o nas E/O?- Da mudança ao diálogo This is a wo ld o mo emen , ension, and con lic , balanced by ewa ds o he small, skilled, lexible, and echnologically awa e o ganiza ions ha succeed by wo king in ha mony and pa ne ship wi h a wide and shi ing selec ion o o he o ganiza ions om ac oss he wo ld. This is a wo ld o mig a ion and con lic o he echnologically poo , and one o small clus e o ganiza ions, high skill, and mobili y, and longe i y o he echnological eli e. This will a ec us all— in luencing ou jobs and ou secu i y—and also ou mo ali y. As we p epa e ou s uden s o become HR p o essionals, academics, and manage s we should be an icipa ing wha hei u u e needs will be: p epa ing hem o he u u e, no he pas . To do ou jobs p ope ly we ha e o look a he wide pic u e26 Hoje em dia, as E/O i em a mudança27 de uma o ma p o undamen e ápida, con on ando-se equen emen e com momen os de c ise.28 A mudança é algo que a maio ia das pessoas eme no seu local de abalho: “Uma mudança ápida, a é e iginosa, e quase cons an e pa ece es a a acon ece à nossa ol a em odos os sec o es da economia.”29 Mas já He acli o de É eso, um dos p imei os ilóso os, ala a da mudança (o de i ), conside ando-a como a única coisa cons an e no nosso mundo.30 Ainda assim, oi o pensamen o de Pa ménides que 26 LEE Monica. - Human Resou ce De elopmen om a Holis ic Pe spec i e. - Ad ances in De eloping Human Resou ces [On-Line] 2007, ol. 9, nº. 1, p. 106 [27.04.2009] h p://adh.sagepub.com/cgi/con en /abs ac /9/1/97 27 «A ges ão da mudança de sucesso eque uma abe u a a p oblemas e soluções inespe adas, po que é nessa abe u a que eside a essência p ecu so a do no o desen ol imen o.» MORGAN Ga e h, ZOHAR Asa . - A ingindo a mudança quân ica: Inc emen almen e! – Emp esas, Caos e Complexidade, Lisboa: Edi o a RH, 2001, p. 201 A mudança é uma a iá el cons an e: «A ges ão da mudança o ganizacional é um ema con empo âneo amplamen e in es igado (Cunha e al, 2007). A mudança acabou po se ans o ma numa a iá el cons an e no cená io económico e social das úl imas décadas do século XX e início do século XXI acen uando uma paisagem compe i i a e oz, u bulen a, onde udo se desen ola a g ande elocidade, o que imp ime um ca ác e cada ez imp e isí el na mudança (Hube e Glick, 1993; Be is e Hi , 1995; Cunha e Rod igues, 2002).» SANTOS Alexand a. - Muda as o ganizações, muda as pessoas: O Impac o da Mudança nas Compe ências Indi iduais. – Disse ação pa a a ob enção do g au de Mes e em Ges ão e Recu sos Humanos, Lisboa, 16 de Julho de 2011, p. 8. 28 C . WANG Jia, HUTCHINS Holly M., GARAVAN Thomas N. – Explo ing he s a egic ole o human esou ce de elopmen in o ganiza ional c isis managemen . – Human Resou ce De elopmen Re iew [On-Line] 2009, pp. 21 – 53 [29.04.2009] h p://h d.sagepub.com/cgi/con en /abs ac /8/1/22 29 MORRIS Tom. – Se A is ó eles osse Adminis ado da Gene al Mo o s. – Lisboa: Publicações Dom Quixo e, 2009, p. 150. 30 KIRK G. S., RAVEN J. E., SCOFIELD M. – Os ilóso os p é-soc á icos. – Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1994, p. 187 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 124 ingou: “Vi emos uma época de mudança acele ada. Numa única ge ação assis imos a an as al e ações que, e en ualmen e, os nossos ilhos acha ão que o es ado de mudança é um ing edien e na u al da ida. Tal ez o meu ilho enha a ica in igado pe an e os esc i os de Pa ménides e su p eendido com o ac o de e sido possí el que a iloso ia ociden al enha, du an e an os séculos, pe sis ido na ideia que o mundo e a um elógio.”31 No local de abalho, a mudança p o oca ensão e pode a ec a a sa is ação no abalho, os índices de p odu i idade.32 Po ou o lado, a mudança pode cons i ui o e eno é il pa a a c ia i idade, ganhando, assim, um om de desa io posi i o.33 Pa a Nigel Lau ie, os ilóso os cons i uem-se como os candida os na u ais34 a p eenche o luga dos esponsá eis que pe mi am às E/O a cons ução de no os concei os ou modelos pa a os ajuda a pensa .35 Lau ie apon a ês azões pa a jus i ica a p esença do ilóso o no meio emp esa ial: o desen ol imen o de e amen as u ilizadas com sucesso (exº: o diálogo soc á ico); as mudanças ápidas que a ec am as o ganizações; e, po úl imo, a consciência c escen e daquilo que a Filoso ia pode o e ece .36 José Manuel Fonseca a i ma no li o O Pa adoxo da Ino ação Emp esa ial: “Sendo o conhecimen o uma ealidade não adi i a, e se a sua emp esa possui capacidade inancei a pa a al, conside e a possibilidade de, em ez de mais um engenhei o de uma á ea em que já possui essa alência, con a a 31 FONSECA José Manuel. – O Pa adoxo da Ino ação Emp esa ial, p. 84 32 MORRIS Tom. – Op. Ci . - p. 150.. 33 Ibidem. 34 A 22 de Ou ub o de 2007, o jo nal Le Figa o publica a um a igo in i ulado «De la philosophie à la banque, il n'y a pa ois qu'un pas», onde ela a a casos de emp esas, nes e caso da á ea bancá ia, que ec u a am pessoas licenciadas em Filoso ia po conside a em que se iam po ado as de mais alias pa a o ecido o ganizacional: «Nous sommes con aincus que ces jeunes on leu place chez nous. Ce son des ê es bien ai es. Nous a ons ec u é pa exemple plusieu s philosophes qui son pa ai s dans les pos es de middle o ice qui demanden une g ande mé hodologie, de l'o ganisa ion e de la cu iosi é», acon e Vé onique Leenha d ». [On-Line] [29.01.2011] h p://www.le iga o. /emploi/2007/10/06/01010-20071006ARTFIG90891- de_la_philosophie_a_la_banque_il_n_y_a_pa ois_qu_un_pas.php 35 LAURIE Nigel. – A . Ci ., p. 192. Sob e o pensa , leia-se o a igo de Jo ge La osa BONDIA: «(...)E pensa não é somen e “ aciocina ” ou “calcula ” ou “a gumen a ”, como nos em sido ensinado algumas ezes, mas é sob e udo da sen ido ao que somos e ao que nos acon ece.». No as sob e a expe iência e o sabe de expe iência. - Re is a B asilei a de Educação [On-Line] [15.09.2008] h p://www.anped.o g.b / be/ bedigi al/RBDE19/RBDE19_04_JORGE_LARROSA_BONDIA.pd Mais uma ez, sublinhamos aqui um sen ido amplo pa a o pensa , que não se eduz à in elec ualidade ou à lógica, mas que é isso e algo mais. C . a no a nº 15 de p esen e abalho, ela i a à in eligência emocional. 36 Ibidem. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 125 an es um his o iado , um ilóso o ou um an opólogo. A o ma de e o mundo des as pessoas se á di e en e da igen e na emp esa, que da econs ução da ealidade e dos p ocessos da emp esa que ad i á das isões que possuem, pode ão esul a ideias mais ino ado as sob e canais de dis ibuição ou sob e p odu os do que aquilo que o seu a cép ico ao le es as linhas pe mi e pe cebe .”37 Pa a o p o esso José Manuel Fonseca, o ilóso o (a pa do his o iado e do an opólogo) con ibui com um olha no o pa a a emp esa, podendo e um papel posi i o e p oac i o na ino ação. Pa a o edi o de Philosophy o Managemen , Nigel Lau ie, o consul o ilosó ico su ge como o p o issional com eino, capaz de o e ece um conjun o único de skills à o ganização. A que eino se e e e Lau ie? Explo ação de concei os e sua aplicação nos compo amen os de ges ão, elação das ideias com a acção, a aliação dos di e en es pon os de is a, p á ica na cons ução de pensamen os expe imen ais, ques ões de lógica ( es e da alidade das p oposições, iden i icando e ul apassando con adições e gene alizações abusi as), capacidade de e aquilo que se encon a implíci o no pensamen o (as eg as de que não se ala, bem como os alo es dados como adqui idos) e que limi am o pensamen o ou o o nam ígido. Os consul o es ilosó icos são acili ado es do diálogo e do ques ionamen o, o que pode á e consequências na e icácia o ganizacional. Nes es espaços de diálogo, a E/O e os seus colabo ado es êm a opo unidade de abalha e desen ol e as suas compe ências (pessoais e in e pessoais). Quais são as an agens do diálogo? Segundo Lau ie, o diálogo é an ajoso po pe mi i a quem o p a ica a ap endizagem  da ges ão do compo amen o e bal e não e bal,  da p ocu a dos dados de que p ecisa,  da capacidade pa a e lec i pe an e a expe iência e ap ende pela c iação de no as pe spec i as,  da escu a ac i a,  do espei o pelos ou os,  do pensamen o e dos concei os (de o ma a o na cla o o que é que aquele concei o signi ica no momen o conc e o),  da capacidade de pe mi i o consenso e a ges ão das di e enças de uma o ma lexí el. 37 FONSECA José Manuel – O Pa adoxo da Ino ação Emp esa ial. – Oei as: Me á o a, 1998, pp. 171-172. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 132 Pa a Tim Lebon, o ilóso o é po ado de uma oolbox única que lhe pe mi e um abalho di e enciado no seio das E/O, bem como no counselling one- o- one66. Essa oolbox comp eende cinco mé odos67: 1. Pensamen o c í ico;68 2. Análise concep ual; 3. Fenomenologia; 4. Expe iências de pensamen o; 5. Pensamen o c ia i o. “Thinking s aigh is hei business.”69 Reco demos Nigel Lau ie: pa a o au o de Philosophy Goes o Wo k, o con ibu o da Filoso ia no abalho em uma ipla acção: pode se aplicada ao abalho, pode se pos a em p á ica no abalho e pode se di eccionada pa a o mundo do abalho como uma ac i idade da ges ão. Uma ez aplicada ao abalho, a Filoso ia pode es a p esen e nos assun os elacionados com a é ica e p ocedimen os in e nos. No que espei a à Filoso ia que se coloca em p á ica no abalho, es a acon ece quando os ilóso os ope am enquan o acili ado es e p o esso es do pensamen o. Nesse momen o, os colabo ado es com quem o ilóso o es á a abalha encon am-se em p ocesso de p á ica da Filoso ia. Pa a Do ine Bauduin e Ida Jongsma70, os mé odos ilosó icos podem con ibui pa a a mudança das a i udes das pessoas ace ao seu abalho. As au o as apon am pa a a necessidade de philosophical skills nos ca gos mais al os no que espei a à comunicação in e pessoal (e iciência de euniões, abalhos em g upo, desen ol imen os de p ojec os); ale ando pa a o aumen o de ques ões é icas no seio da sociedade con empo ânea, sem esquece a necessidade que as E/O êm em jus i ica as suas polí icas de o ma pública. O que podem os consul o es ilosó icos o e ece às E/O? Segundo as au o as, exis em cinco aspec os que jus i icam a p esença do consul o ilosó ico numa emp esa: 66 Tim LeBon ap esen a-nos uma pe spec i a da iloso ia p á ica, aplicada ao ní el da e apia. 67 LEBON Tim. - Wise The apy – Lond es: Sage Publica ions, 2007, p. 4. 68 Em inglês, c i ical hinking. «(…)un modo de maximiza la capacidad de a gumen a , de des ela e o es de pensamien o y analiza el peso de unas azones sob e o as.» BARRIENTOS RASTROJO Jose. – Philosophical Counselling as C i ical Thinking – I Encon o Po uguês de Filoso ia P á ica, 29 de Agos o de 2005. No Anexo A ap esen amos o esquema/quad o eco en e ap esen ado po Jose Ba ien os Ras ojo, na sua disse ação de dou o amen o. O pensamen o c í ico é, ambém, uma «bandei a» da iloso ia pa a c ianças. C . Ma hew LIPMAN. – Op. Ci ., p. 54. 69 LAURIE Nigel. – Philosophy goes o wo k – in CURNOW T e o (ed.) Thinking Th ough Dialogue. – P ac ical Philosophy P ess, 2001, p. 192 70 BAUDUIN Do ine, JONGSMA Ida. – Fo be e o o wo se? Philosophy in Business - Thinking Th ough Dialogue. – P ac ical Philosophy P ess, 2001, p. 204 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 133 1. Ap esen am as skills que pe mi em o na explíci as as pe spec i as ocul as e modos de pensa , sublinhando eg as e alo es, de o ma a salien a o ób io; 2. São capazes de e lec i nos concei os e na o ma como os concei os in luenciam a nossa acção. O ilóso o consegue ilus a a o ma como o pensamen o e a acção es ão elacionados e desmasca am possí eis inconsis ências.71 3. Facili am uma análise comum dos concei os, a a és de ins umen os me odológicos, como o diálogo ou as écnicas dialéc icas, de o ma a “desmon a ” a a gumen ação. 4. São es imulan es do pensamen o independen e; incen i am a que cada um de nós pense po si e seja capaz de pensa pelo ou o. 5. O seu conhecimen o amplo de eo ias e pe spec i as ilosó icas pode se aplicado na p á ica ilosó ica, no seio emp esa ial. F ancisco Ba e a ela a-nos o caso de ês emp esas sujei as à p esença do ilóso o. Num desses casos a Filoso ia assumia o papel de ensina os colabo ado es a pensa , no sen ido de p omo e a mudança no seio da o ganização. O O ien ado Filosó ico de ine dois ipos de colabo ado es: os nocionais e as pessoas pensan es.72As p imei as cons i uem-se como “biblio ecas i ine an es”, onde é possí el consul a os p ocedimen os adminis a i os. Toda ia, não sabem decidi nem usa a in o mação de que são de en o es pa a decidi . As segundas são a cha e mes a capaz de ab i qualque po a. Numa e a em que se de ende a bandei a das lea ning o ganiza ions e mesmo uma pe spec i a espi i ual73 e holís ica74 no local de abalho, a p esença de um ilóso o su ge-nos como uma possibilidade de imp imi sen ido ao dia a dia dos colabo ado es. 71 Nas pala as das au o as: «(…) he philosophe wo ks owa ds p ac ical wisdom by aking e e yday p ac ice and he expe iences o pa icipan s as a s a ing poin o analysis, and by cla i ying he p econcep ions ha o m he basis o e e yday p ac ice.» - A . ci ., p. 205. Tal pe spec i a ol a a ap oxima -nos da igu a de Sóc a es, bem como do ex o de Leona d NELSON ( El mé odo soc á ico. - Cádiz: Huqualya,, 2008). C . no a de odapé nº 14. 72 BARRERA F ancisco. – A . Ci ., p. 167. 73 QUATRO Sco A. - New Age o Age Old: Classical Managemen Theo y and T adi ional O ganized Religion as Unde pinnings o he Con empo a y O ganiza ional Spi i uali y Mo emen . - Human Resou ce De elopmen Re iew [On-Line] 2004, ol 3, nº 3, pp. 228-249 [27.04.2009] h p://h d.sagepub.com/cgi/con en /abs ac /3/3/228 74 LEE Monica. – A . Ci ., pp. 97-110 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 134 Ap oximações ao pe il do consul o ilosó ico Las modi icaciones i idas en sociedad c ean en la pe sona un conjun o de necesidades (muchas de ellas ilosó icas) y un deseo de anquilidad. Pa a mí, la o ien ación es una espues a de algunos p o esionales a las necesidades ( ilosó icas) conducen es a un sen imien o de equilib io y ealización.75 Jus i icamos a exis ência do consul o ilosó ico jun o dos ecu sos humanos, nas E/O, po conside a mos que as pessoas ap esen am necessidades in insecamen e ilosó icas. Nos úl imos dois anos, onde que que á nos Es ados Unidos, enho es emunhado uma coisa que nunca inha p e is o. No osso de di iculdades inancei as ou na sequência de sucessos emendos, em luga es onde nunca se imagina ia, em bons e maus momen os, pessoas de odos os ipos começam, inespe adamen e, a aze uma coisa que do meu pon o de is a de ilóso o es á p o undamen e ce a. Depois de esgo a em odas as possibilidades, pessoas no mais em odo o lado começam de epen e a o na -se ilóso os. Pessoas de odos os ipos es ão a en ol e -se naquela espécie de comp omisso de a enção e in elec o (…) Em odas as egiões do país, i pessoas começa em a pensa de uma o ma no a ace ca do seu abalho e das suas idas. Começam a iloso a , a e lec i p o undamen e sob e algumas das suas suposições mais básicas e a ques iona como que em i e ealmen e. Es ão a p ocu a con on a as g andes ques ões e a pe gun a como é que essas ques ões se aplicam às suas idas nes e momen o.”76 Lou Ma ino de ine como componen es da a is y77 do consul o ilosó ico que ac ua nas E/O “cha isma, con idence, c edibili y, cha m, ene gy, lai , pe cep i eness, eac i i y, spon anei y, s yle, echnical mas e y, imp o isa ional skill, showmanship, and he igh balance o g a i y and le i y. 78 Necessidades ilosó icas Don Pe e sen, an igo p esiden e da Fo d Mo o Company, con a uma his ó ia in e essan e. Uma ez, quando es a a a isi a uma me alú gica em Bu alo, No a 75 DIAS Jo ge Humbe o. – La elicidad como objec i o de la iloso ia aplicada. – Filoso ia Aplicada a pe sonas y g upos. – Se ilha: Doss Ediciones, 2008, p. 55 76 MORRIS Tom. – Op. Ci ., - p. 26 77 Algumas aduções possí eis pa a es a pala a: mes ia ou habilidades. 78 «Some o hese quali ies (e.g. echnical mas e y, pe cep i eness, s yle) can be de eloped by di ec p ac ice; o he s (e.g. con idence, spon anei y, ene gy) can be enhanced by indi ec p ac ice; o he s s ill (e.g. allu e, in ensi y, humo ) appea o be gi s o na u e, which can be diminished by ad e se ci cums ance bu canno be g ea ly augmen ed by exe cise.» C . MARINOFF Lou. – Philosophical P ac ice. - ., p. 169 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 135 Io que, um homem eno me ap oximou-se dele e disse: “Sabe, que o dize -lhe uma coisa. Eu de es a a i abalha pa a aqui. No en an o, ul imamen e pe gun a am- me o que penso e isso az-me sen i que sou alguém. Nunca pensei que a emp esa me isse como um se humano. Ago a, gos o de i abalha .”79 As pessoas, nas E/O, ap esen am necessidades ilosó icas? Conside amos que sim e que es as necessidades não êm só mani es ação nas E/O, mas sim onde que que exis am pessoas. Mas oquemo-nos nos ecu sos humanos das emp esas e o ganizações. Em 200780 i emos opo unidade de ap esen a um p imei o esboço do que se ão as necessidades ilosó icas, endo es abelecido qua o g andes núcleos, que passamos a enuncia : necessidade de inquisição, necessidade de diálogo e sus escu a ac i a, necessidade de pe spec i as di e en es sob e a mesmidade e a necessidade de comp eensão das con icções. Necessidade de inquisição/ques ionamen o Why o deny he ques ioning as a o m o communica ion? Howe e , Soc a ic dialogue is he communica ion be ween wo beings: once you s a a dialogue, you begin o communica e. Ques ions simply seek knowledge, unde s anding o wo ds and links be ween hem. Ques ions o ce us o ind ou knowledge somewhe e in ou mind, in a collec i e hinking81 Ósca B eni ie de ende o ques ionamen o como uma o ma de comunicação e a ques ão como o p imei o passo da comunicação en e dois se es. No seu abalho de ques ionamen o (com c ianças e adul os), B eni ie conside a a pe gun a como uma abe u a pa a o mundo e o se , a ibuindo-lhe, a é, um alo es é ico, p o ocado . A pe gun a p oduz um concei o ou uma ideia, na o ma de uma espos a – ou não. Diz-nos o esponsá el pelo Ins i u de P a iques Philosophiques que as pe gun as boas e p o undas não podem se espondidas. Diz mesmo que não de em se espondidas, mas sim p oblema izadas. O ques ionamen o é de endido como uma e amen a que nos pe mi e explo a os limi es do conhecimen o e da comp eensão.82 79 MORRIS Tom. – Op. Ci . - , p. 51. 80 C . no as de odapé 50 e 54. 81 BRENIFIER Ósca . - Philosophy and Communica ion - [On-Line] 29.09.2010 [30.01.2011] h p://www.ins i u -de-p a iques-philosophiques.com/?p=152 82 BRENIFIER Ósca – How o a oid child en’s ques ions. – [On Line] 29.09.2010 [30.01.2011] h p://www.b eni ie .com/english/# Ósca B eni ie é au o de inúme os li os de Filoso ia pa a C ianças e ealiza seminá ios de ques ionamen o com adul os, um pouco po odo o mundo. Ce o dia, num seminá io, pe gun ámos HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 136 The idea is ha a ques ion has alue in i sel , i is an opening upon he wo ld and being, i has necessa ily p oduced a concep o an idea, in a nega i e o m which is no less aluable han i s mi o image: he answe . A ques ion has an es he ic alue, i s o m is mind p o oking, simila in his aspec o a pain ing o sculp u e which he spec a o con empla es wi hou back hough s and eme gency p eoccupa ions abou he u ili y, he u h o he esolu ion o he p oblem o e ed o his senses and eason. This pe spec i e does no p ohibi any en a i e o answe ing, bu he answe is de- emphasized, de-idolized, loosing he e o e i s s a us as he inal and ul ima e s ep o mind ac i i y and p ocess. Good and p o ound ques ions canno be answe ed, and should no be answe ed. They can only be p oblema ized, which o us means ha we can ini ially analyze hei con en and app ecia e hem o wha hey b ing, and in a second s ep s a p oducing ideas as hin s ha can shed a ligh on di e en pa hs i can emba k us upon. Ques ioning is a mind expe imen , a ool allowing o explo e he limi s o knowledge and unde s anding Lou Ma ino sublinha: “Os se es humanos que em e p ecisam de pe cebe o sen ido das coisas que acon ecem – ou que não acon ecem -, an o a cu o como a longo p azo.”83 Necessidade de diálogo s escu a ac i a O diálogo e a escu a ac i a cons i uem-se como uma necessidade ilosó ica pelo ac o de pe mi i em o acesso aos concei os que es ão subjacen es àquilo que se diz. Temos acesso ao se a a és do pensa , exp esso pela linguagem. Pa a que esse acesso se e ec i e, é necessá io dialoga e escu a . Pa a Ma in Heidegge , a linguagem é o acon ecimen o o iginá io. O au o de Sein und Zei a ibui à linguagem uma unção essencial: “(…) a linguagem é o que p imei o az ao abe o o en e enquan o en e.”84 Nigel Lau ie ala-nos do papel do consul o ilosó ico enquan o mode ado ou acili ado dos diálogos soc á ico.85 De uma o ma es u u ada, es es diálogos ao P o esso se não pode ia i a Po ugal minis a um cu so sob e a me odologia da iloso ia pa a c ianças. A sua espos a oi: «Pa a quê? É a mesma coisa. Tudo gi a em o no do ques ionamen o.» Po es e mo i o, ap esen amos es e exce o de um a igo sob e as pe gun as das c ianças pa a ilus a a necessidade de inquisição/ques ionamen o das pessoas, pelo o ma como é desc i a e enca a a a pe gun a. Es a cons i ui o mo imen o p imei o pa a a comunicação, en e as pessoas. 83 MARINOFF Lou - As G andes Ques ões da Vida - , Lisboa: Edi o ial P esença, 2005, 1ª edição; p. 17 84 HEIDEGGER Ma in. – A O igem da Ob a de A e. – p. 59. 85 C . LAURIE Nigel - Philosophie goes o Wo k. – Thinking Th ough Dialogue. – P ac ical Philosophy P ess, 2001, p. 193. C . a in odução do p esen e abalho, em que e e imos o ex o de NELSON, Leona d. - El mé odo HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 137 pe mi em que os colabo ado es discu am ques ões elacionadas com a lide ança, a cul u a o ganizacional, as o ças e as aquezas da E/O, a isão do negócio, a missão; des a o ma, o colabo ado pode, a pa i de uma ques ão colocada pelo p óp io ou po ou o, ques iona e p ocu a , em g upo, espos as, caminhos, hipó eses que os conduzam (e à E/O) num caminho de maio e icácia. Pa a Do ine Bauduin e Ida Jongsma, o diálogo soc á ico86 e ela-se como um mé odo de inquisição igo osa aos nossos pensamen os, concei os e alo es que conside amos como sendo nossos, como sendo e dadei os. Es e mé odo e ela-se uma o ma de in es igação87, em comunidade,88 ace ca das nossas assumpções ao p o e i de e minada a i mação. O papel do diálogo é indicado como uma o ma de ob enção de lexibilidade es u u al e lide ança nas emp esas: “pe mi a que os seus colabo ado es dialoguem abe amen e, acili e a ci culação de in o mação, p omo a a ci culação de a igos e e is as sob e écnica e ecnologia (…)”89. José Manuel Fonseca e Tom Mo is conco dam, assim, que o conhecimen o de e se pa ilhado. Mo is diz que o conhecimen o pa ilhado se expande: “E, à medida que o conhecimen o se expande, o pode expande-se.”90 A abo dagem de Mo is ace à ida emp esa ial cen a-se no concei o de pa ilha de conhecimen o com odos os colabo ado es; is o implica adop a a “ges ão de li o abe o”; o soc á ico. 86 Sóc a es é omado como e e ência pelo coaching, nomeadamen e a sua exp essão «da à luz as ideias»: «O coaching é essencialmen e “a a e de aze da à luz”, ou seja, um p ocesso ma cadamen e maiêu ico. O execu i o é o pa u ien e e denomina-se “clien e” do p ocesso de coaching. (…) O coach é o pa ei o (…).» REGO A ménio, PINA E CUNHA Miguel. OLIVEIRA Ca los Miguel, MARCELINO Ana Regina. – Coaching pa a execu i os – Lisboa: Escola Edi o a, 2004, p. 24. Gos a íamos de e ido opo unidade de explo a o coaching, numa pe spec i a compa a i a ace à consul o ia ilosó ica nas E/O. Numa p imei a abo dagem, conside amos que o coaching ai bebe mui o do seu mé odo à iloso ia e, consequen emen e, à iloso ia aplicada às E/O. 87 BAUDUIN Do ine, JONGSMA Ida. – Fo be e o o wo se? Philosophy in Business - Thinking Th ough Dialogue. – P ac ical Philosophy P ess, 2001, p. 206. 88 Mais uma ez, salien amos aqui a me odologia lipmaniana no que espei a à p á ica da iloso ia pa a c ianças. O P o esso Lipman de endia, p ecisamen e, o concei o de comunidade de in es igação. «O p og esso da in es igação é p og essi o no que espei a à quan idade das c enças es abelecidas no p og esso de in es igação. “É p eciso cul i a um p ocesso de in es igação sem limi es nem obs áculos na ixação de c enças cada ez mais sólidas.” (1999a, 104) Nes a pe spec i a o pionei o de FpC [Filoso ia pa a C ianças] ê a comunidade como o pon o de pa ida e de chegada do diálogo da a en u a de cada in es igação na iloso ia. Sendo que pa a Pei ce a in es igação “é que almeja descob i suas p óp ias anquezas e co igi o que é alho em seus p óp ios p ocedimen os.” (2001, 179).» LIMA Denise de. - Filoso ia pa a c ianças : uma abo dagem c í ica den o da iloso ia da educação – disse ação de mes ado em Educação, Uni e sidade do Minho, 2004 [29.01.2011]. h p:// eposi o ium.sdum.uminho.p /handle/1822/4925 89 FONSECA José Manuel. – p. 172. 90 MORRIS Tom. – p. 66. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 138 que na p á ica conduz a que a emp esa ap esen e aos seus colabo ado es oda a in o mação sob e aquela. De ende-se o p incípio de que as pessoas bem in o madas ap esen am uma p es ação de excelência, a longo p azo. Necessidade de pe spec i as di e en es sob e a mesmidade A a i ude de olha pa a a mesma ealidade, ainda que de modo di e en e. De aco do com Ba ien os Ras ojo,91 o ilóso o pe mi e o amplia do campo de isão da pessoa a quem a ele eco e. A Filoso ia Aplicada é, ambém, uma o ma de au oconhecimen o. Ma ia Zamb ano de endeu isso mesmo.92 Ma ino sublinha: “Mas as pessoas sen iam a al a do ipo de conselhos que os ilóso os podem da e das di e sas pe spec i as que podem o e ece e, po isso, nas úl imas décadas, a p á ica ilosó ica e e um essu gimen o su p eenden e.”93 Salien amos aqui o papel do pensamen o c ia i o, indicado po Lipman como uma das á eas a se desen ol ida em Filoso ia pa a C ianças. As c ianças dizem, com equência, que o modo como êem as coisas é o único possí el, sem conside a al e na i as. O papel da iloso ia (pa a c ianças) é o de “(…) libe á- las de uma men alidade es ei a – suge indo que pode ha e ou as possibilidades a explo a e ajudando-as a iden i ica em e examina em essas possibilidades al e na i as.”94 Já Edwa d de Bono, um “gu u” da c ia i idade jun o das emp esas e o ganizações, de ende: “Cada ez mais a c ia i idade começa a se conside ada um ing edien e essencial pa a a mudança e o p og esso. Começa a se colocada acima do conhecimen o e da écnica, já que es es dois úl imos são cada ez mais acessí eis”95 Há quem aconselhe aos emp esá ios e ges o es a o gqanização de concu sos de ideias absu das, alo izando a ecompensa da c ia i idade (pa a além da p odu i idade). José Manuel Fonseca diz-nos ainda que a emp esa pode (e de e) p omo e o encon o dos seus colabo ado es com consul o es e in es igado es 91 C . no a de odapé nº 57 do p esen e abalho. 92 ZAMBRANO, Ma ia. - Hacía un sabe sob e el alma – Alianza: Mad id, 2004. 93 MARINOFF Lou - As G andes Ques ões da Vida - , Lisboa: Edi o ial P esença, 2005, 1ª edição; p. 17 94 LIPMAN Ma hew, OSCANYAN F ede ick D., SHARP Ann Ma ga e - Filoso ia na sala de aula. – São Paulo: No a Alexand ia, p. 170 95 BONO Edwa d de – O Pensamen o La e al – Lisboa: Pe gaminho, 2005, 1ª edição, p. 11. Diz-nos ainda o au o : « Um sal o em en e c ia i o pode empu a o nosso pensamen o pa a a en e. Pa imos de um pon o mais adian ado. Sem o pensamen o c ia i o, pa imos de ás e emos de aze um es o ço pa a empu a a ideia pa a a en e a pa i daquilo que já sabemos. A a i ude c ia i a implica que haja on ade de a ança e explo a no as possibilidades.» Edwa d de BONO - Ensine os Seus Filhos a Pensa - Cascais: Edi o a Pe gaminho, 2003, 1ª edição, p. 231. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 139 que de endam pe spec i as di e gen es.96 “As pessoas gos am de no idade. Sen em cu iosidade. E, pa adoxalmen e, gos am de mudança, de expe imen a coisas di e en es.”97 A ménio Rego e Miguel Pina e Cunha ap esen am-nos mais exemplos ino ado es que ab em po as à c ia i idade, aliadas ao iso e à p edisposição pa a a mudança.98 Paulo Mo gado publicou ecen emen e um li o in i ulado O Riso em Be gson - Mecanismo do Cómico99, onde explo a o cómico e a ges ão das emp esas. “Pe cebendo os mecanismos do cómico pe cebemos os mecanismos da in eligência e es a é, en e ou as coisas, a capacidade que emos pa a esol e os p oblemas. Se al a humo den o das nossas emp esas? Pa a já, al a cla amen e aos ca gos de al a di eção mais capacidade pa a aze em coisas sem se exe ce os seus ca gos, os en a o seu pode e joga gol e. Fal a um ambien e cul u al que inham ob igação de aze , saindo dos seus p odu os. Há ainda hoje mui o p o incianismo... Um exe cício mui o in e essan e pa a essas pessoas é i em-se delas p óp ias.”100 Necessidade de comp eensão das con icções ins ead o ushing o o he ideas, o a he o he in ui ions, be o e piling mo e wo ds, why no o ake ime o de e mine and e alua e connec ions be ween concep s and ideas, in o de o become awa e o he na u e and he ange o ou speech. The e again, impa ience is eigning : his wo k is plodding, i is ob iously less glo ious and mo e us a ing, and ye , is i no mo e consis en ?” 101 96 O pa adoxo da ino ação emp esa ial. – p. 171. 97 Idem. – p. 83. 98 Po que alham as mudanças – ou po que as pessoas esis em à mudança. - A essência da lide ança. – Lisboa: RH Edi o a, 2004, pp. 77 - 131 99 «Em “O Riso em Be gson - Mecanismo do Cómico”, o au o adop a uma es u u a baseada em se e pila es (Analogia, T ansposição, Ambiguidade, Absu do, Con as e, Ressal o e Ca ica u a) pa a explica , com g ande de alhe, como é que es es se podem conjuga pa a despole a o iso (ou o pensamen o…). Os exemplos de u ilização des es mecanismos são abundan es ao longo das páginas des a ob a, não al ando hila ian es piadas e anedo as que ilus am, de o ma ap op iada e c ia i a, os di e sos passos do pensamen o do au o .» [On-Line] [22. 08.2011] h p://www. honline.p /no icias/de aul .asp?IDN=864&op=2&ID=12&IDP=5&P=5 Ainda sob e a Filoso ia e o Cómico, ecomendamos CALERO Ped o González – A Filoso ia com humo . – Lisboa: Plane a, 2009, 1ª edição. 100 C . CARREIRA Dua e Albuque que – A . Ci ., nº 102, Ab il de 2011 101 BRENIFIER Ósca - Knowing wha we a e saying. - [On-Line] 29.09.2010 [30.01.2011] h p://www.ins i u -de-p a iques-philosophiques.com/?p=154 Pa a o ap o undamen o des a ques ão, leia-se ainda ORDÓÑEZ GARCÍA, J. – MACERA GARFIA, F. – BARRIENTOS RASTROJO, J. - C eencia, eo ía, e elación y coincidencia consigo mismo - La iloso ía a las pue as del e ce milenio – Se ilha: Féniz Edi o a, 2005, pp.. 229-237. Fal a-nos, de momen o, ap esen a aquí a isão de Cha les Pei ce, um p agma isma que se encon a HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 140 Pa a pa a pensa – é uma das ases mais epe idas nos seminá ios de ques ionamen o minis ados pelo P o esso Ósca B eni ie . Po quê ? P ecisamen e po que nós es amos habi uados a pensa , pa ilha ideias, de ende posições, mas nem semp e sabemos o po quê, nem mesmo as consequências do meu pensa e como pode o agi encon a -se em ha monia com o pensa . B eni ie salien a a necessidade de comp eensão no que espei a à ques ão do pensamen o c í ico : “(…) no e hèse sou ien l’idée que l’essen iel de la ci oyenne é epose su l’esp i c i ique. (…) C i ique implique d’abo d de connaî e, en ou e de comp eend e, ca s sans comp end e, commen passe ao c ible, commen c i ique ?”102 Mais uma ez, eco emos a Ma ino : “Comp eende de que o ma as con icções, e as con icções sob e con icções, podem melho a – ou pio a – a ida dos se es humanos ambém é uma a e a ilosó ica.”103 Aquilo que nos acon ece depende da nossa in e p e ação da ealidade – a causa é pessoal, depende da in e p e ação de cada um. Assim, se eu con ola a in e p e ação, se ei capaz de in e p e a o seu e ei o.104 Modelo de análise Tendo em con a as noções de Filoso ia Aplicada abo dadas na e isão de li e a u a, p ocu a emos aplicá-las ao con ex o dos ecu sos humanos105 inqui indo sob e a exis ência de necessidades ilosó icas no seio das E/O. Conside amos que o consul o ilosó ico pode con ibui com um olha dis in o nas E/O. A nossa in es igação cump e-se es ando a hipó ese de que as pessoas, nas E/O, ap esen am necessidades de índole ilosó ica. De o ma a de ini essas necessidades, cons uímos um ques ioná io e uma en e is a,106 que na o igen dos p og amas de Filoso ia pa a C ianças, ap esen ados pelo já aquí e e ido P o esso Lipman: «(…) as ideias (que em si mesmas são apenas pa e da nossa expe iencia) o nam-se e dadei as p ecisamen e e na medida em que nos ajudam a es ablece uma elação sa is a ó ia com as ou as pa es da nossa expe iencia.» GOMES F. Soa es – P agma ismo – Logos Enciclopédia Luso B asilei a de Filoso ia, Lisboa: Edi o ial Ve bo, 1991, ol. 4, p. 396. 102 BRENIFIER Ósca . – Enseigne pa le déba . – CRDP de B e agne: F ança, 2002, p. 25. 103 MARINOFF Lou - As G andes Ques ões da Vida - , Lisboa: Edi o ial P esença, 2005, 1ª edição; p. 27 104 Jose BARRIENTOS - In oducción al Aseso amien o y la O ien ación Filosó ica. – San a C uz de Tene i e: Ediciones Idea, 2005, p. 94). 105 De e á en ende -se ecu sos humanos como as pessoas, os colabo ado es das E/O, independen emen e do ca go ou unção que ocupem. 106 C . capí ulo IV do p esen e abalho. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 141 nos ão pe mi i comp eende que necessidades são essas, bem como a sua iden i icação jun o de uma dada população. A a és des e abalho p ocu amos da azões e jus i ica o papel do consul ó io ilosó ico no meio emp esa ial, bem como con ibui pa a a p óp ia iloso ia aplicada, com um abalho académico que p e ende da co po a uma isão de pa ce ia en e a Filoso ia e os Recu sos Humanos. P e endemos con ibui pa a a cons ução do pe il do consul o ilosó ico, dando con inuidade a um p imei o esboço ealizado no passado, bem como desen ol e e amen as pa a a iloso ia aplicada. ILUSTRAÇÃO 2 – MODELO DE ANÁLISE Me odologia Cien í ica Me odologia A nossa in es igação ap esen a um modelo hipo é ico-dedu i o107. Signi ica que pa imos de um modelo, c iando uma hipó ese. Temos consciência de que nos 107 «A cons ução pa e de um pos ulado ou concei o pos ulado como modelo de in e p e ação do enómeno es udado. Es e modelo ge a, a a és de um abalho lógico, hipó eses, concei os e indicado es pa a os quais se e ão de p ocu a co esponden es no eal.» CAMPENHOUDT LucVan, HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 148 Psicólogo 6 2,6 Ou as 40 17,2 TABELA 1 - CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA (QUESTIONÁRIOS) Rela i amen e às qua o en e is as ealizadas, ês dos nossos en e is ados e am mulhe es, com idades comp eendidas en e os 31 e os 49 anos; ês indica am e mes ado e apenas um o bacha ela o/licencia u a. Todos indica am encon a -se no me cado de abalho há mais de dez anos e as á eas das E/O indicadas o am educação/ o mação, comé cio/indús ia e banca/segu os (c . abela 2). Inqui idos Sexo Idade Habili ações Li e á ias Há quan o empo es á inse ido no me cado de abalho? Á ea em que se inse e a E/O? Qual é a unção que desempenha na E/O? A F en e 31 e 34 Mes ado há mais de 10 anos Educação / Fo mação o mado a na á ea compo amen al B M en e 31 e 34 Mes ado há mais de 10 anos Comé cio / Indús ia di ec o do cen o de p odução C F en e 35 e 40 Mes ado há mais de 10 anos Banca / Segu os in ane manage D F en e 35 e 40 Bacha ela o / Licencia u a há mais de 10 anos Comé cio / Indús ia écnico supe io de ecu sos humanos TABELA 2 - CARACTERIZAÇÃO DOS ENTREVISTADOS HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 149 Ap esen açao dos esul ados Necessidades Filosó icas: Necessidade de inquisição/ques ionamen o As ques ões ela i as à necessidade de inquisição/ques ionamen o encon a am- se en e os núme os 1 e 9. Con o me se pode apu a na abela 3, coloca em causa p ocedimen os (pe gun a 1) é algo com o qual 95,7% dos inqui idos conco da. A pe cen agem de “indi e en es” é ão baixa como a dos que esponde am que nunca inham pensado sob e o assun o (1,7%). A alo ização do pe gun a encon a-se bas an e sublinhada na ques ão 4 (pa a comp eende melho o que me dizem aço mui as pe gun as), com 70,3% de inqui idos a conco da . 23,3% disco dam dessa pos u a in e oga i a. 88,4% dos inqui idos a i mam que não p ecisam que lhes expliquem mui as ezes a mesma coisa (pe gun a 3); a comp eensão da a e a é undamen al pa a que 87,5% dos inqui idos ap esen em um bom desempenho na sua execução (pe gun a 2). Rela i amen e às euniões de abalho (pe gun a 4), 70,3% conco dam que es as cons i uam espaços pa a comunica ideias; na pe gun a 6, 96% dos inqui idos e e em a impo ância de ha e um espaço pa a as ques ões, nas euniões.124 O ques ionamen o é aqui alo izado pela maio ia dos indi íduos (pe gun a 7). 98,3% dos indi íduos a i mam conco da com “pensa sob e aquilo que es amos a aze pode melho a o nosso desempenho”. Rela i amen e a es a ques ão, nenhum dos indi íduos espondeu “nunca pensei sob e o assun o”. Quando ques ionados sob e o conhecimen o que êm do seu papel na emp esa (pe gun a 8), 14,7% e elam não conhece e 80,2% a i mam que conhecem. 3% dos inqui idos e ela am que es e ópico lhes é indi e en e. Quan o ao papel da caixa de suges ões como uma possibilidade de con ibu o dos colabo ado es jun o da emp esa, 15,5% e elou nunca e pensado sob e isso, 11,6% conside am que lhes é indi e en e; 9,9% disco da e a maio ia conco da (62,9%). Es es esul ados podem se obse ados na abela que se segue (nº 3). 124 No âmbi o da Filoso ia Aplicada, conside amos que icou uma ques ão po a alia , po pa e dos inqui idos: «Na minha emp esa, as euniões de abalho ap esen am um espaço especí ico pa a as ques ões.». U ilizando es e ques ioná io como uma e amen a de le an amen o de necessidades, po pa e do consul o ilosó ico, há que apu a es e ipo de a aliações e conside ações do colabo ado pe an e a E/O onde se encon a. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 150 Ques ão Disco do Conco do É-me indi e en e Nunca pensei sob e o assun o 1. Há p ocedimen os que de em se colocados em causa 2 (0,9%) 222 (95,7%) 4 (1,7%) 4 (1,7%) 2. Pa a desempenha bem a a e a, enho que a comp eende a 100%. 23 (9,9%) 203 (87,5%) 4 (1,7%) 2 (0,9%) 3. Não p eciso que me expliquem mui as ezes a mesma coisa. 21 (9,1%) 205 (88,4%) 6 (2,6%) 4. Pa a comp eende melho o que me dizem, aço mui as pe gun as 54 (23,3%) 163 (70,3%) 9 (3,9%) 6 (2,6%) 5. As euniões de abalho são espaços pa a comunica ideias. 22 (9,5%) 204 (87,9%) 5 (2,2%) 1 (0,4%) 6. As euniões de abalho de em e um espaço pa a as ques ões. 5 (2,2%) 223 (96,1%) 2 (0,9%) 2 (0,9%) 7. Pensa sob e aquilo que es amos a aze pode melho a o nosso desempenho 1 (0,4%) 228 (98,3%) 3 (1,3%) 8. Conheço pe ei amen e o meu papel na emp esa. 34 (14,7%) 186 (80,2%) 7 (3%) 5 (2,2%) 9. A exis ência de uma caixa de suges ões pe mi e o con ibu o dos colabo ado es jun o da emp esa. 23 (9,9%) 146 (62,9%) 27 (11,6%) 36 (15,5%) TABELA 3 - NECESSIDADE DE INQUISIÇÃO / QUESTIONAMENTO HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 151 Um dos en e is ados ca ac e izou o ques ionamen o na sua emp esa da seguin e o ma: “Na minha emp esa exis em dois ipos ques ionamen o, o alea ó io e espon âneo, [o p imei o diz espei o ao] con ac o diá io en e as di e sas hie a quias, sendo uma o ma mui o dinâmica esolução de p oblemas. [o segundo] a a és de euniões p og amadas onde se azem deba es de ideias e pensamen o o ganizacionais.” Decidimos c uza as ques ões 3 e 4. U ilizando a écnico do qui-quad ado, es ámos a seguin e hipó ese: A i ma que “não p eciso que me expliquem mui as ezes a mesma coisa” é independen e de a i ma que “pa a comp eende melho o que me dizem aço mui as pe gun as”. Concluímos que não há azões pa a ejei a a hipó ese, pois o esul ado de p = 0,280, ou seja é > a 0,05. As a iá eis são, po is o, independen es. TABELA 4 - QUI-QUADRADO [VARIÁVEIS 3 E 4] TABELA 5 - QUI-QUADRADO [VARIÁVEIS 3 E 4] HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 152 Necessidades Filosó icas: Necessidade de diálogo e sus escu a ac i a 87,5% dos inqui idos admi e que as euniões são momen os que pe mi em conhece as ideias dos colegas (pe gun a 10). 8,2% disco da e 2,6% conside am que al si uação lhes é indi e en e. No que espei a à ques ão da en abilidade das euniões median e a p á ica da escu a pe an e as ideias dos ou os (pe gun a 11), 95,3% conco da. Apenas 2,6% dos inqui idos disco da des e ópico. Com quem é que os inqui idos êm mais à on ade pa a discu i as ideias? Com os colegas ou com a che ia (pe gun as 12 e 13)? 84,9% admi e e à on ade pa a discu i as ideias com os seus colegas e 10,8% disco da des a a i mação. Rela i amen e à discussão com a che ia, as espos as a i ma i as baixam um pouco, pa a 78,4% e os “disco do” sobem pa a 17,7%. Os inqui idos que mani es a am uma pos u a de indi e ença pe an e es as duas ques ões ap esen am uma pe cen agem maio no que espei a aos colegas (3,4%) do que à che ia (2,6%). 68,5% admi e que epa a com equência que as pessoas não sabem explica o e ei o p á ico das suas ideias (pe gun a 15). 6% nunca inha pensado nisso. Reuniões de abalho como pe da de empo (pe gun a 14), po al a de escu a ac i a: nes e ópico, 83,2% disco dam e 12,5% conco dam. Apenas 4,3% se e ela indi e en e pe an e es e ópico e ninguém denunciou nunca e pensado sob e es e assun o. Quan o à ques ão 16, iden i icamos alo es mui o p óximos en e o “disco do” e o “conco do”. Signi ica is o que o núme o de inqui idos que sen e que as ideias que pa ilha não são ap o ei adas po al a de on ade (45,3%) em ou i-los é idên ico ao núme o de inqui idos que admi e não se sen i assim (46,6%). Na abela 6 é possí el a e igua os alo es em de alhe. Ques ão Disco do Conco do É-me indi e en e Nunca pensei sob e o assun o 10. Os momen os de eunião pe mi em-me conhece melho as ideias dos colegas. 19 (8,2%) 203 (87,5%) 6 (2,6%) 4 (1,7%) 11. As euniões se iam mais p o ei osas se as pessoas ou issem as 6 (2,6%) 221 (95,3%) 4 (1,7%) 1 (0,4%) HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 153 ideias dos ou os. 12. Sin o-me à on ade pa a discu i as ideias com os meus colegas. 25 (10,8%) 197 (84,9%) 8 (3,4%) 2 (0,9%) 13. Sin o-me à on ade pa a discu i ideias com a minha che ia 41 (17,7%) 182 (78,4%) 6 (2,6%) 3 (1,3%) 14 As euniões são uma pe da de empo, pois as pessoas não se ou em umas às ou as 193 (83,2%) 29 (12,5%) 10 (4,3%) 15. Repa o, com equência, que as pessoas não sabem explica o e ei o p á ico da aplicação das suas ideias 58 (25%) 159 (68,5%) 1 (0,4%) 14 (6%) 16. Po ezes sin o que as ideias que pa ilho não são ap o ei adas, po que não me que em ou i 105 (45,3%) 108 (46,6%) 12 (5,2%) 7 (3%) TABELA 6 - NECESSIDADE DE DIÁLOGO VERSUS ESCUTA ACTIVA Op ámos po c uza as ques ões 11 e 16. A a és da écnica do qui-quad ado p ocu ámos es a a hipó ese: a i ma que as euniões se iam mais p o ei osas se as pessoas ou issem as ideias dos ou os é independen e de a i ma que po ezes sin o que as ideias que pa ilho não são ap o ei adas, po que não me que em ou i . Somos ob igados a ejei a a hipó ese, pois o esul ado de p = 0,005, ou seja é < a 0,05. As a iá eis são, assim, dependen es. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 154 TABELA 7 - QUI-QUADRADO [VARIÁVEIS 11 E 16] TABELA 8 - QUI-QUADRADO [VARIÁVEIS 11 E 16] Necessidades Filosó icas: Necessidade de pe spec i as di e en es sob e a mesmidade No que espei a às ques ões elacionadas com es a necessidade, salien amos 90,1% de “conco do” pe an e a ques ão 21 (a o ina pode se e i ada se nos o dada a opo unidade de es a di e en es o mas de execução dos p ocessos), bem como 87,5% na ques ão 20 (p e i o conhece al e na i as que me pe mi am conhece melho a a e a e o im a que ela se des ina). Cu ioso é con on a os “conco do” da ques ão 20 com a 19 (p ocu a al e na i as que me pe mi am poupa empo) e e i ica que há um maio núme o de inqui idos que p e e em as al e na i as numa pe spec i a de conhecimen o da a e a (87,5%) do que p op iamen e pa a poupa empo (75,9%). HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 155 Quan o à ques ão 17, 85.3% dos inqui idos e e iu que conco da e 5,2% nunca pensou sob e es e ópico (an es de inicia uma a e a, gos o de escolhe a o ma como me ou dedica a ela). Ques ão Disco do Conco do É-me indi e en e Nunca pensei sob e o assun o 17. An es de inicia uma a e a, gos o de escolhe a o ma como me ou dedica a ela. 3 (1,3%) 198 (85,3%) 19 (8,2%) 12 (5,2%) 18. Os p ocedimen os que exis em de em se seguidos. 73 (31,5%) 139 (59,9%) 13 (5.6%) 7 (3%) 19. P e i o p ocu a al e na i as que me pe mi am poupa empo. 40 (17,2%) 176 (75,9%) 8 (3,4%) 8 (3,4%) 20. P e i o p ocu a al e na i as que me pe mi am conhece melho a a e a e o im a que ela se des ina. 11 (4,7%) 203 (87,5%) 10 (4,3%) 8 (3,4%) 21. A o ina pode se e i ada se nos o dada a opo unidade de es a di e en es o mas de execução dos p ocessos. 12 (5,2%) 209 (90,1%) 3 (1,3%) 8 (3,4%) TABELA 9 - NECESSIDADE DE PERSPECTIVAS DIFERENTES SOBRE A MESMIDADE HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 156 No que espei a à ques ão 18, 31,5% dos inqui idos disco da que os p ocedimen os que exis em de am se seguidos e 59,9% conco da com essa a i mação. Segue-se a abela 9 que nos ap esen a os esul ados de alhados. Necessidades Filosó icas: Necessidade de comp eensão das con icções 88,4% dos indi íduos a i mam conhece a missão da emp esa (pe gun a 22) e 81,9% a i mam conhece os alo es da sua emp esa (pe gun a 23). No que espei a à ques ão 24, em que p ocu amos apu a se os inqui idos se iden i ica am com a missão da emp esa, 18,1% e elou disco da , 69,4% conco dam e 2,6% conside am que es e ópico lhes é indi e en e. 3,4% nunca pensa am sob e o assun o. Quan o à mesma ques ão, mas des a ez sob e os alo es (pe gun a 25) os esul ados são ela i amen e idên icos aos da ques ão 24, ap esen ando uma pe cen agem maio de indi íduos que nunca pensa am sob e o assun o. “P eciso de empo pa a in eg a as ideias que me são comunicadas”: a maio ia dos inqui idos disco da (46,6%) e 13% conco da. Pa a 5,6% dos inqui idos es e assun o é-lhes indi e en e (pe gun a 26). A indi e ença ambém é signi ica i a no que espei a ao ópico 27: 10,8% dos inqui idos e ela que lhes é indi e en e o in es imen o de empo que possam aze pa a conhece a emp esa onde abalham. 78% conco dam com es a a i mação. Já no que espei a à ques ão 28, em que p ocu amos apu a se pa a os inqui idos é impo an e pe cebe a o ma como o seu abalho con ibui pa a a ealização da missão da emp esa, 95,7% conco da com es a a i mação e apenas 1,3% não conco da. 62,5% dos nossos inqui idos admi em que a sua emp esa é um espaço onde se sen em ealizados e apenas 29,3% (pe gun a 29) esponde de o ma nega i a. Os indi e en es e os que não pensa am sob e o assun o somam uma pe cen agem de 8,1%. A abela 10 pe mi e-nos uma lei u a de alhada das espos as ela i as a es a necessidade ilosó ica. Ques ão Disco do Conco do É-me indi e en e Nunca pensei sob e o assun o 22. Conheço a missão da minha emp esa. 17 (7,3%) 205 (88,4%) 7 (3%) 3 (1,3%) 23. Conheço os 28 190 6 (2,6%) 8 (3,4%) HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 157 alo es da minha emp esa. (12,1%) (81,9%) 24. Conco do com a missão da minha emp esa e iden i ico-me com ela. 42 (18,1%) 161 (69,4%) 18 (7,8%) 11 (4,7%) 25. Conco do com os alo es da minha emp esa e iden i ico-me com eles. 49 (21,1%) 151 (65,1%) 19 (8,2%) 13 (5,6%) 26. P eciso de empo pa a in eg a as ideias que me são comunicadas. 108 (46,6%) 107 (13%) 13 (5,6%) 4 (1,7%) 27. Gos o de in es i algum empo a conhce a emp esa onde abalho. 15 (6,5%) 181 (78%) 25 (10,8%) 11 (4,7%) 28. É impo an e pe cebe a o ma como o meu abalho con ibui pa a a ealização da missão da emp esa. 3 (1,3% 222 (95,7%) 4 (1,7%) 3 (1,3%) 29. A minha emp esa é um espaço onde me sin o ealizado(a). 68 (29,3%) 145 (62,5%) 11 (4,7%) 8 (3,4%) TABELA 10 - NECESSIDADE DE COMPREENSÃO DAS CONVICÇÕES No que espei a à ques ão do conhecimen o e iden i icação com a missão da emp esa, os nossos en e is ados a i mam conhece , mas nem odos se iden i icam com ela. Sublinhamos aqui uma das espos as: “Conheço. Iden i ico[-me]. Ten o que udo o que aço e a manei a como me compo o na HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 164 A dependência das a iá eis e i icou-se quando elacionámos a ques ão 8 necessidade de inquisição/ques ionamen o) e a ques ão 29 (necessidade de comp eensão das con icções). Es a mesma ques ão oi elacionada com a 13 (necessidade de diálogo e sus escu a ac i a) e ambém se e i icou dependência. Podemos, en ão, a i ma que o esul ado é es a is icamen e signi ican e. O mesmo acon eceu ao es a as a iá eis 16 e 29: omos ob igados a ejei a a hipó ese. A abela 16 pe mi e-nos uma lei u a des as conclusões. Va iá el 1 Va iá el 2 x2 p alue Resul ado 1. Há p ocedimen os que de em se colocados em causa 18. Os p ocedimen os que exis em de em se seguidos. 0,425 acei a Ho 8. Conheço pe ei amen e o meu papel na emp esa. 28. É impo an e pe cebe a o ma como o meu abalho con ibui pa a a ealizaçãoda missão da emp esa. 0,987 acei a Ho 8. Conheço pe ei amen e o meu papel na emp esa. 29. A minha emp esa é um espaço onde me sin o ealizado 0,04 ejei a Ho 13. Sin o-me à on ade pa a discu i ideias com a minha che ia. 29. A minha emp esa é um espaço onde me sin o ealizado 0 ejei a Ho 16. Po ezes sin o que as ideias que pa ilho não são ap o ei adas, po que não me que em ou i . 29. A minha emp esa é um espaço onde me sin o ealizado 0,05 0 ejei a Ho TABELA 17 - RELAÇÕES ENTRE NECESSIDADES FILOSÓFICAS HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 165 Nas en e is as oi possí el de ec a algumas elações en e as necessidades ilosó icas; a p opósi o da impo ância do diálogo, diz-nos um dos en e is ados: “Conside o mui o impo an e e pe inen e uma ez que a consciência de di e sas al e na i as [necessidade de pe spec i as di e en es sob e a mesmidade] ajuda na omada da melho decisão. Além disso, odos os in e enien es na decisão se sen em alo izados e pa e in eg an e do p ocesso, o que conduz a uma maio mo i ação, sa is ação, empenho e p odu i idade.” Conclusões e ecomendações Da análise dos ques ioná ios e das en e is as Os esul ados ob idos no pon o “necessidade de inquisição/ques ionamen o” e elam que os inqui idos alo izam o ac o de pe gun a e a é mesmo o coloca os p ocedimen os em causa. O ac o de pensa sob e aquilo que es amos a aze e a consequen e melho ia do nosso desempenho é equen emen e sublinhado pelos nossos inqui idos. É in e essan e assinala uma das espos as à en e is a, elacionada com a in eligência emocional. Es a é ap esen ada como um elemen o di e enciado na emp esa, mas ambém como algo nega i o: “o papel do aciocínio e da lógica ica am comple amen e al e ados (…) po ezes omam-se decisões emocionais e não acionais.” E ec i amen e, o pensamen o exige empo. Se á que as E/O dispõem de empo pa a o diálogo, pa a o deba e, p é io à omada de decisão? O mesmo en e is ado e ela: “em ce os momen os, não exis e empo pa a o deba e ou diálogo, sendo necessá io oma decisões imedia as, co endo alguns iscos.” Pode á o ilóso o agi na p e enção desse isco habili ando os deciso es com e amen as simples que lhes pe mi am, em pouco empo, oma a melho decisão possí el? José Manuel Fonseca assinala des a o ma a necessidade das pessoas, no seio das E/O, em pa a pa a pensa : “É que uma das coisas mais in igan es com que o au o se em depa ado, enquan o consul o , consis e na eco ência da ase: “não consigo pa a pa a e lec i an o quan o se ia desejá el e necessá io.”129 Re omando os esul ados dos inqui idos no que espei a à necessidade de diálogo e escu a ac i a, emos que salien a que 95,3% dos inqui idos conco da que as euniões se iam mui o mais p o ei osas se as pessoas ou issem as ideias dos ou os. Ou seja, a alo ização a ibuída ao deba e/diálogo con as a com es e aspec o da p á ica que nos e ela que há al a de escu a. Daí que me ade dos 129 FONSECA José Manuel. – O pa adoxo da ino ação emp esa ial. – p. 87 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 166 inqui idos denuncie que sen em que as ideias que pa ilham não são ap o ei adas po que não há quem as quei a ou i . Conside amos que es e se ia ou o campo de abalho pa a o ilóso o, um ou o desa io: a p omoção de deba es de ques ionamen o en e colabo ado es, u ilizando écnicas como as do P o esso Ósca B eni ie de o ma a a e igua se o p ocesso de escu a e ec i amen e acon ece. 130 Rela i amen e às necessidades de pe spec i as di e en es sob e a mesmidade,131 podemos conclui que os inqui idos alo izam as al e na i as, numa pe spec i a de e i a as o inas. Es a necessidade é e e ida com bas an e equência nas en e is as e é ambém sublinhada como mo i o pa a a p esença do ilóso o na E/O po quem espondeu SIM à pe gun a 31 do ques ioná io. Quan o à necessidade de comp eensão das con icções132 encon amos associações en e o sen ido de ealização dos inqui idos na emp esa e o ac o de conco da em com os alo es, de se iden i ica em com eles. Ou seja, se eu econheço os alo es da emp esa como meus, mais acilmen e me sen i ei ealizado po aze pa e dela. Comp eende o que azemos na emp esa de e mina o sen ido de ealização. Se ia in e essan e explo a es a necessidade ilosó ica com aspec os elacionados com a p odu i idade dos colabo ado es, bem como com a mo i ação, a sa is ação e o empenho (assim nos suge e um dos nossos en e is ados). Ve i icamos que as pessoas não conhecem a inalidade, nem seque o sen ido do seu abalho: os inqui idos admi i am a impo ância de conhece o p opósi o do seu abalho.133 É impo an e salien a as elações que se e i ica am en e as necessidades ilosó icas: a necessidade de ques ionamen o e as pe spec i as di e en es sob e a mesmidade, a ques ão da necessidade de comp eensão das con icções e de diálogo e escu a ac i a, o ques ionamen o e a necessidade de comp eensão das con icções. Gos a íamos ainda de sulbinha o papel do ques ionamen o, conside ando es a necessidade como undamen al. A pa i do momen o em que a pessoa olha pa a a ealidade à sua ol a e pe gun a “po quê?”, “como?”, “mas não há ou a o ma de aze is o?”, inicia-se um p ocesso de au onomia do pensa ao qual de e á se dado o ma a a és da in es igação das pe gun as que se colocam. É ce o que nem semp e as emp esas alo izam es e ipo de a i ude, mas ambém aí o ilóso o pode á abalha : pa a muda as a i udes das p óp ias emp esas. 130 C . BRENIFIER Ósca – La p a ique de la philosophie. – Toulose: Sed ap, 2007, pp. 32-40. 131 C . pon os 2.4.1.3. e 5.1.3. do p esen e abalho. 132 C . pon os 2.4.1.4. e 5.1.4. do p esen e abalho. 133 «As pessoas necessi am de ce eza quan o ao que delas é espe ado, e de sabe qual é a escala que se á u ilizada na a aliação de desempenho.» FONSECA José Manuel. – Op. Ci . – p. 75. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 167 Pe an e a pe gun a sob e os possí eis bene ícios da p esença de um ilóso o na sua E/O, os inqui idos di idi am-se em igual núme o en e o Sim e o Não, in iabilizando qualque conclusão posi i a ou nega i a. As espos as à ques ão 30 do ques ioná io e ambém às espos as dos en e is ados con i mam o papel do ilóso o jun o dos Recu sos Humanos, A pe cen agem de pessoas que a i ma am que não ha ia qualque á ea onde o ilóso o se pudesse in eg a é pouco exp essi a (8,6%). Toda ia, somado esse esul ado com os “não sabe” e os “não espondeu” o aliza 17,20% da amos a. Pa a que a iloso ia aplicada às E/O ingue é necessá io con a ia es a endência. Não podemos deixa de sublinha aqui uma das espos as de um dos en e is ados em que nos e a indicado que se ia necessá ia a mudança da cul u a da emp esa pa a que o ilóso o pudesse aze sen ido den o des a. Se á o ilóso o az sen ido em odos os ipos de E/O? P opos a: o consul o ilosó ico na E/O O papel do consul o ilosó ico nas E/O diz espei o à o ien ação (1) das pessoas nas E/O; (2) das pessoas das E/O; (3) e das pessoas e das E/O. O ilóso o pode á agi no sen ido de c ia sen ido en e aquilo que as pessoas são e azem nas E/O (1). O ilóso o pode á, em a iculação com os ecu sos humanos, cons ui elemen os de abalho (em al e na i a, pode eco e a e amen as já exis en es) pa a que numa ase de ec u amen o e selecção (po ex.) sejam escolhidos os candida os cujo pe il ab aça aquilo que a E/O e ec i amen e é. Pa a isso, é p eciso ambém sabe “quem é” a E/O e pa a onde caminha. O consul o ilosó ico pa e pa a a E/O com o objec i o de comp eende quem são as pessoas que se encon am po lá e de p ocu a sabe se há sin onia en e aquilo que as pessoas espe am da E/O e o que a E/O espe a das pessoas. (2) Po úl imo (3), o ilóso o pode aze um abalho com as pessoas (no âmbi o emp esa ial) e com as E/O no sen ido de abalha aspec os ligados a á eas ão di e sas como aquelas apon adas pelos nossos inqui idos: depa amen o de ecu sos humanos, o mação, consul o ia, adminis ação e ma ke ing. Tal o ien ação ai no sen ido do encon o en e aquilo que se de ende ( eo ia) e aquilo que e ec i amen e se az (p á ica). O alo especí ico da consul o ia ilosó ica encon a-se di ec amen e ligado ao alo da p óp ia iloso ia, como ciência que es uda á eas ão di e sas como a linguagem, a lógica, a he menêu ica, a me a ísica e a é ica. O ilóso o ap esen a-se como um HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 168 especialis a não especializado, mas que p opo ciona uma cla i icação com base no conhecimen o especializado. Pa adoxal? Sim. A mais alia da consul o ia ilosó ica passa pelo ac o de se desen ola de o ma a que as pessoas, nes e caso os ecu sos humanos das E/O, ganhem au onomia no p ocesso de pensamen o. A iloso ia aplicada e ela aqui, como nou as á eas em que é desen ol ida, um ca ác e eminen emen e p e en i o e p oac i o: não eco o ao ilóso o apenas e somen e quando egis o um p oblema, mas sob e udo pa a explo a ques ões elacionadas com possí eis si uações com as quais possa se con on ado no âmbi o da minha ac i idade p o issional. A iloso ia aplicada não se cons i ui, na sua essência, como um elemen o ea i o, mas dispõe de possibilidades de abalho nesse con ex o. Recomendações pa a o u u o Conside amos que o p óximo passo implica á a cons ução e implemen ação de um p ojec o de iloso ia aplicada, jun o de uma emp esa, pa a ap esen ação u u a desse abalho como case s udy. Nesse sen ido, podemos aplica o ques ioná io aqui ap esen ado numa dada E/O, de o ma a es uda essa ealidade conc e a. Gos a íamos que o u u o nos p opo cionasse a in es igação da consul o ia ilosó ica ace a ou as linhas dos ecu sos humanos, como o coaching ou o men o ing. O nosso objec i o se ia o de es abelece uma análise compa a i a, p ocu ando as suas di e enças, mas ambém elemen os de in e esse mú uo, assumindo uma pe spec i a ansdisciplina . É undamen al p omo e , po um lado, a in es igação jun o das academias; po ou o lado, a di ulgação de abalhos na á ea da Filoso ia Aplicada, de o ma a desmis i ica a ideia que ainda é comum: a Filoso ia es á condicionada à sala de aula. Es amos con ian es de que o p esen e abalho de in es igação se cump iu enquan o p imei o passo no es abelecimen o de elações en e os ecu sos humanos e a iloso ia aplicada. A pa i daqui, agua da-nos uma caminhada longa. HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 DA FILOSOFIA APLICADA ÀS NECESSIDADES FILOSÓFICAS DAS PESSOAS 169 COMENTARIOS, INFORMES Y ENTREVISTAS STUDIES, REPORTS AND INTERVIEWS HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168 JOANA SOUSA 170 HASER. Re is a In e nacional de Filoso ía Aplicada, nº 4, 2013, pp. 117-168