O papel da família na utilização da Internet por portugueses de 50 e mais anos: uma análise de género
Abstract
A Internet tem ganhado importância social. Contudo, as pessoas mais velhas têm ficado à margem da “revolução digital”. Os estudos têm-se centrado nas características sociodemográficas, económicas e de saúde destes indivíduos, como determinantes da utilização da Internet, não considerando o papel das relações familiares. Este trabalho visa, precisamente, analisar o papel da família na utilização da Internet numa perspetiva de género e incide sobre uma amostra de 1657 indivíduos com 50 e mais anos, inquiridos no projeto share. Os resultados evidenciam o distinto contributo da família para a utilização da Internet por homens e mulheres mais velhos/as e salientam a importância das políticas públicas na redução das desigualdades de género.
Full text
PATRÍCIA SILVA
ALICE DELERUE MATOS
ROBERTO MARTINEZ-PECINO
O papel da amília na u ilização da In e ne
po po ugueses de 50 e mais anos:
uma análise de géne o
Análise Social, l i (2.º), 2021 (n.º 239), pp. 322-341
h ps://doi.o g/10.31447/as00032573.2021239.06
issn online 2182-2999
edição e p op iedade
Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade de Lisboa. A . P o esso Aníbal de Be encou , 9
1600-189 Lisboa Po ugal — analise.soci[email p o ec ed]
Análise Social, 239, l i (2.º), 2021, 322-341
O papel da amília na u ilização da In e ne po po ugueses
de 50 e mais anos: uma análise de géne o. A In e ne em
ganhado impo ância social. Con udo, as pessoas mais elhas
êm icado à ma gem da “ e olução digi al”. Os es udos êm-se
cen ado nas ca ac e ís icas sociodemog á icas, económicas e
de saúde des es indi íduos, como de e minan es da u ilização
da In e ne , não conside ando o papel das elações amilia es.
Es e abalho isa, p ecisamen e, analisa o papel da amília
na u ilização da In e ne numa pe spe i a de géne o e incide
sob e uma amos a de 1657 indi íduos com 50 e mais anos,
inqui idos no p oje o sha e. Os esul ados e idenciam o dis-
in o con ibu o da amília pa a a u ilização da In e ne po
homens e mulhe es mais elhos/as e salien am a impo ância
das polí icas públicas na edução das desigualdades de géne o.
pala as-cha e: Família; In e ne ; géne o; adul os de 50+
anos.
The ole o he amily in he use o he In e ne by Po u-
guese aged 50 and o e : a gende analysis. The In e ne has
gained social impo ance. Howe e , olde people ha e been le
ou o he so-called “digi al e olu ion”. S udies ha e ocused
on sociodemog aphic, economic, and heal h cha ac e is ics
o hese indi iduals as de e minan s o In e ne use, wi hou
conside ing he ole o amily ela ionships. This wo k aims,
p ecisely, o analyze he ole o he amily in In e ne use, om
a gende pe spec i e wi h a sample o 1657 indi iduals aged 50
and o e , in e iewed in he sha e p ojec . Resul s show a di -
e en con ibu ion o he amily o In e ne use by olde men
and women and unde line he impo ance o public policies in
educing gende inequali ies.
keywo ds: amily; In e ne ; gende ; adul s 50+.
h ps://doi.o g/10.31447/as00032573.2021239.06
PATRÍCIA SILVA
ALICE DELERUE MATOS
ROBERTO MARTINEZ-PECINO
O papel da amília na u ilização da In e ne
po po ugueses de 50 e mais anos:
uma análise de géne o
A In e ne em indo a ganha impo ância no desen ol imen o da ida social,
ans o mando-se num dos p incipais meios de comunicação e in e ação.
Con udo, alguns g upos, como o dos idosos, êm icado à ma gem da e olu-
ção digi al.
Os es udos sob e adul os mais elhos êm iden i icado um conjun o de
ca ac e ís icas sociodemog á icas, económicas e de saúde des es indi íduos,
como de e minan es da u ilização da In e ne . Além des as ca a e ís icas, as
elações amilia es podem a e a conside a elmen e a u ilização des a ecnolo-
gia pa icula men e em países com adições amilia is as, ais como Po ugal.
Es e abalho isa, p ecisamen e, analisa o papel da amília na u ilização da
In e ne po po ugueses de 50 e mais anos, numa pe spe i a de géne o.
O p esen e es udo incide sob e uma amos a de 1657 indi íduos (747
homens e 910 mulhe es), inqui idos no âmbi o do p oje o sha e (Su ey o
Heal h, Ageing and Re i emen in Eu ope) e que ep esen am a população
po uguesa de 50 e mais anos.
Os esul ados ob idos, a a és de análises de eg essão logís ica biná ia,
e idenciam o dis in o con ibu o da amília pa a a u ilização da In e ne po
cada um dos géne os. Mais conc e amen e, cons a a-se que quan o maio o
núme o de ilhos, maio a equência de con ac os, assim como uma maio
dis ância geog á ica en e a esidência dos indi íduos de 50 e mais anos e es-
pe i os ilhos es á associada a maio p obabilidade de u ilização da In e ne
pelo géne o eminino. Mas nenhuma associação oi encon ada en e os e e i-
dos a o es e a p obabilidade de u ilização da In e ne pelo géne o masculino.
Po ou o lado, oi ainda possí el cons a a que a p obabilidade de as mulhe es
324 PATRÍCIA SILVA, ALICE DELERUE MATOS E ROBERTO MARTINEZ-PECINO
que esidem com um cônjuge/companhei o(a) u iliza em a In e ne é meno
do que a das mulhe es sepa adas, di o ciadas ou iú as. Es es esul ados apon-
am pa a o papel dis in o desempenhado pela amília no que diz espei o à
u ilização da In e ne po homens e mulhe es de 50 e mais anos.
Os esul ados des e es udo salien am a impo ância das polí icas públi-
cas na edução das desigualdades en e géne os ela i amen e à u ilização da
In e ne e na p omoção de uma sociedade mais inclusi a.
INTRODUÇÃO
O ápido desen ol imen o das Tecnologias de In o mação e Comunicação
( ic) o e ece aos indi íduos opo unidades sem p eceden es, mas nem odos
delas usu uem. Com e ei o, a sociedade Pós-Mode na ence a no as desigual-
dades elacionadas com o acesso e u ilização da ecnologia que êm jus i icado
o aumen o signi ica i o da a enção p es ada à di isão ou a u a digi al e seus
po enciais e ei os (C uz-Jesus, Oli ei a, & Bacao, 2012).
Os es udos iden i icam os adul os mais elhos, os jo ens pouco escola iza-
dos e as pessoas pe encen es ao qua il in e io de endimen os como os g u-
pos mais ulne á eis à exclusão digi al (Bucy, 2000; Hüsing & Selho e , 2004).
Es e osso digi al em sido conside ado mui o p eocupan e no caso dos idosos,
uma ez que cons i uem um g upo de impo ância numé ica c escen e.
De aco do com a eo ia da Mode nização, segundo a qual se p opõe expli-
ca a mudança que oco eu no es a u o e papéis dos idosos em unção do g au
de indus ialização (Dias, 2012), numa sociedade ma cada pela mudança ace-
le ada e pelo p og esso ecnológico, os mais elhos são ca ac e izados como
indi íduos esis en es à ino ação e à u ilização das ecnologias (Doll e al.,
2007). Em Po ugal, a u ilização da In e ne po es e g upo da população con-
inua a cons i ui um impo an e desa io dado o eduzido núme o de u ili-
zado es que o in eg am (ine, 2017; Sil a, Dele ue Ma os e Ma inez-Pecino,
2017), pelo que é impo an e conhece os a o es que a e am a u ilização da
In e ne , de modo a e i a a ma ginalização dos adul os mais elhos. Com
e ei o, a ecnologia es á cada ez mais associada à ealização de a e as ine en-
es ao quo idiano des as pessoas (Dias, 2012; Ne es, Ama o e Fonseca, 2013),
como comunica , ealiza comp as, ma ca consul as no Se iço Nacional
de Saúde, ealiza p ocedimen os adminis a i os, en e ou as. A impo -
ância do conhecimen o das de e minan es da u ilização da In e ne pelos
indi íduos mais elhos eside ainda no ac o de a sua u ilização na segunda
me ade da ida es a associada a uma maio qualidade de ida (qd ) (Sil a,
Dele ue Ma os e Ma inez- Pecino, 2018), a sen imen os de maio bem-es a
( An onucci, Aj ouch e Manalel, 2017; Chopik, 2016; Ne es e Ama o, 2015;
O PAPEL DA FAMÍLIA NA UTILIZAÇÃO DA INTERNET POR PORTUGUESES DE 50 E +ANOS 325
Russell, Campbell e Hughes, 2008) e de meno solidão (Sil a, Dele ue Ma os
e Ma inez-Pecino, 2020).
A li e a u a cien í ica em pos o em e idência algumas das de e minan es
da adoção e u ilização da ecnologia (Ne es e Ama o, 2015). Mui as pesquisas
sob e g upos e á ios mais elhos êm apon ado pa a o ac o de as ca ac e ís i-
cas sociodemog á icas, económicas e de saúde des es indi íduos condiciona-
em a u ilização da In e ne (Ca pen e e Buday, 2007; Choi e Dini o, 2013;
Demoussis e Giannakopoulos, 2006; Dias, 2012; Eas man e Iye , 2004; F iemel,
2014; Lee, Chen e Hewi , 2011; Luijkx, Peek e Wou e s, 2015; Rosen hal, 2008;
Selwyn, Go a d e Fu long, 2003; Wilson, Wallin e Reise , 2003). Tendo em
conside ação que as elações amilia es são conside adas mui o impo an es
pa a os indi íduos, au o es como Van Biljon e Renaud (2008) ecomendam
que os modelos explica i os de acesso e u ilização da In e ne in eg em a iá-
eis elacionadas com es e ipo de elações. Pa a os adul os mais elhos, em
pa icula , a amília assume g ande impo ância (Bowling, 1995) po , en e
ou as unções, p o idencia supo e e con ibui pa a a in eg ação social dos
indi íduos (Kohli, Künemund e Ludicke, 2005).
A UTILIZAÇÃO DA INTERNET POR INDIVÍDUOS DE 50+ ANOS:
O PAPEL DA FAMÍLIA
Os es udos no âmbi o da Ciência, Tecnologia e Sociedade (c s) êm en a i-
zado a impo ância de odos os elemen os en ol idos nos p ocessos de adoção
e u ilização da ecnologia, ejei ando o de e minismo ecnológico (Madsen e
K æmme gaa d, 2016; Xie, 2003) e salien ando a capacidade de agência dos
adul os mais elhos nes e ipo de p ocessos (Peine, 2019). Re e enciais eó-
icos, como a eo ia do A o -Rede ( a ), des acam a impo ância das in e-
ações en e indi íduos nos p ocessos de u ilização da ecnologia (La ou ,
2005), apon ando pa a a ele ância daquelas que são es abelecidas en e a o es
sociais in luen es, como é o caso dos amilia es p óximos (Ta nall, 2014). Tam-
bém Baka djie a (2005) salien ou a impo ância das edes sociais p óximas
nos p ocessos de adoção e u ilização da In e ne , desen ol endo o concei o
de “wa m expe ”. De aco do com Baka djie a (2005) os “wa m expe ” são
pessoas com conhecimen os e compe ências in o má icas (especialis as in o -
mais) que desempenham um papel mui o impo an e no apoio à u ilização das
ecnologias de in o mação e comunicação po pessoas com conhecimen os
ecnológicos eduzidos. De aco do com a mesma au o a, es es a o es sociais
es abelecem uma mediação en e o uni e so ecnológico e a si uação conc e a
do u ilizado da ecnologia com quem man êm um elacionamen o pessoal
p óximo (Baka djie a, 2005, p. 99).
326 PATRÍCIA SILVA, ALICE DELERUE MATOS E ROBERTO MARTINEZ-PECINO
Es e papel é ge almen e desempenhado pelos memb os mais jo ens da
amília (Taipale, 2019). Com e ei o, as pesquisas sob e g upos e á ios mais
elhos êm des acado a impo ância do papel desempenhado po amilia es
p óximos (Lüde s e Gje jon, 2017; Olsson e Visco i, 2018), ais como os ilhos
(Olsson e Visco i, 2018).
Os adul os mais elhos p e e em eco e aos “wa m expe ” do que a p o-
issionais o mais no p ocesso de adoção e in eg ação da ecnologia no seu
quo idiano (Olsson e Visco i, 2018). Com e ei o, num con ex o em que a
impo ância des es a o es sociais em aumen ado, Taipale (2019) e e e-se ao
“Wa m Expe 2.0” pa a ep esen a es es especialis as in o mais que, cada ez
mais, auxiliam os memb os mais elhos da amília na u ilização e ges ão da
ecnologia (Taipale, 2019).
O papel da amília na adoção e u ilização da ecnologia pelos mais
elhos em ambém sido en a izado po di e sos ou os es udos empí icos
( Ma inez-Pecino, Dele ue Ma os, e Sil a, 2013; Ne es, F anz, Mun eanu e
Baecke , 2018; Russell e al., 2008; Sil a, 2019; Sanday Tsai e al., 2017; Van
Biljon e Renaud, 2008).
No mesmo sen ido, os di e sos quad os eó icos na á ea do en elheci-
men o que eme em pa a a exis ência de uma es u u ação das edes sociais
à medida que as pessoas en elhecem (An onucci, Aj ouch, e Bi di , 2014;
Ca s ensen, 1995; Cha les e Ca s ensen, 2010; Khan e An onucci, 1980) des a-
cam o papel c escen e que a amília assume sob e elas. Apesa de se um p o-
cesso de es u u ação dinâmico, he e ogéneo e o emen e elacionado com o
pe cu so de ida (Co nwell, Laumann e Schumm, 2008), o p ocesso de en e-
lhecimen o ca ac e iza-se, em ge al, pelo e o ço das elações amilia es dos
indi íduos (Mollenho s , Volke e Flap, 2014; Shaw e al., 2007). Também os
con ex os de mig ação ou de dis anciamen o geog á ico de amilia es ins igam
os mais elhos a eco e à In e ne com o obje i o de assegu a em a comu-
nicação e a p ese ação dos laços sociais (An onucci e al., 2017; Ne es e al.,
2018). Nes e âmbi o, a In e ne em igu ado, em Po ugal, como uma ecnolo-
gia que pe mi e es abelece in e ações, mesmo que de o ma indi e a, en e os
mais elhos e seus amilia es (Ne es e Ama o, 2015; Sil a, 2019). De ac o, as
pesquisas cien í icas êm e idenciado o e ei o de compensação da In e ne , ou
seja, a sua capacidade de a enua alguns a o es ge almen e associados à idade
(Ne es, 2015), como, po exemplo, a edução da dimensão das edes sociais
po pe da de alguns dos seus elemen os. Simul aneamen e, a In e ne po encia
o impac o posi i o das edes sociais na qualidade de ida (qd ) dos po ugue-
ses de 50 e mais anos (Sil a e al., 2018).
As elações amilia es condicionam o acesso e uso da In e ne . Com e ei o,
os cônjuges são equen emen e e a ados como capazes de se in luencia em
O PAPEL DA FAMÍLIA NA UTILIZAÇÃO DA INTERNET POR PORTUGUESES DE 50 E +ANOS 327
mu uamen e de o ma posi i a, ainda que, com alguma equência, os homens
não apoiem as suas esposas na comp a de equipamen o ecnológico (Luijkx
e al., 2015). Os países do Sul da Eu opa ap esen am algumas especi icida-
des nes a ma é ia, pois, con a iamen e ao que acon ece na maio ia dos países
eu opeus, a ausência de cônjuge é a o á el à adoção e u ilização da ecnologia
(Peacock e Künemund, 2007).
Os ilhos e os ne os ambém êm sido conside ados impo an es agen es
de mo i ação pa a a u ilização da ecnologia (Lindsay, Smi h e Bellaby, 2007;
Luijkx e al., 2015; Ma inez-Pecino e al., 2013; Ne es e Ama o, 2012; Ne es e
al., 2018). Os ne os êm-se des acado pelo papel posi i o que desempenham no
p ocesso de amilia ização dos a ós com a ecnologia (Ne es e Ama o, 2012,
2015; Dele ue Ma os e Ne es, 2012). Já o papel assumido pelos ilhos ende a
se mais limi ado (Eynon e Helspe , 2015; Rebelo, 2015). Se alguns es udos
sublinham o ac o de es es incen i a em a u ilização da ecnologia (Russell e
al., 2008), ou os ac escen am que não auxiliam pos e io men e no p ocesso
de amilia ização com o equipamen o, o que desencadeia sen imen os de us-
ação nos mais elhos (Sil a, 2019).
A li e a u a cien í ica assinala a impo ância dos es udos sociológicos
sob e a elação en e a amília e a ecnologia (Ba bosa e Casimi o, 2018). Em
Po ugal, a impo ância da amília em sido e o çada po di e sos aba-
lhos ela i os à u ilização da In e ne pelas pessoas mais elhas (Dias, 2012;
Ma inez-Pecino e al., 2013; Ne es e Ama o, 2012, 2015; Sil a e al., 2018).
Con udo, pe manece pouco explo ada a impo ância que assumem, a es e
ní el, memb os especí icos da amília, ais como cônjuges e ilhos. Po ou o
lado, é sobejamen e conhecida a exis ência de di e enças de géne o nos papéis
desempenhados pelos indi íduos no seio da amília (Aboim, 2007; Aboim e
Wall, 2002; Wall e al., 2010) e a impo ância do géne o enquan o p edi o das
aje ó ias de ida dos adul os mais elhos, em Po ugal (Wall e Aboim, 2015).
Simul aneamen e, em sido ambém o emen e salien ada a impo ância das
ques ões de géne o nos p ocessos de u ilização da ecnologia (Bimbe e Ba -
ba a, 2000; Dias, 2012; König e al., 2018; Sil a, 2019). Con udo, al am es u-
dos que enham simul aneamen e em con a o impac o das elações amilia es e
do géne o na u ilização da In e ne , em Po ugal. Es e a igo isa p ecisamen e
analisa o papel da amília na u ilização da In e ne po po ugueses de 50 e
mais anos, numa pe spe i a de géne o.
METODOLOGIA
Es e es udo incidiu sob e 1657 indi íduos po ugueses (747 homens e 910
mulhe es), inqui idos no âmbi o do p oje o sha e (Su ey o Heal h, Ageing
328 PATRÍCIA SILVA, ALICE DELERUE MATOS E ROBERTO MARTINEZ-PECINO
and Re i emen in Eu ope) em 2015 ( aga 6) e que ep esen am a população
po uguesa, não-ins i ucionalizada, com 50 e mais anos.
Os ques ioná ios em capi (Compu e Assis ed Pe sonal In e iewing) o am
aplicados p esencialmen e po en e is ado es de idamen e o mados. In o -
mação adicional sob e a me odologia do es udo sha e pode se consul ada
nos manuais de me odologia do p oje o (Mal e e Bö sch-Supan, 2013, 2017).
As análises es a ís icas o am ealizadas com o so wa e spss, e são 25.
Em p imei o luga , ealiza am-se análises desc i i as. Pa a a alia a in e de-
pendência en e duas a iá eis quali a i as u ilizou-se o es e do Qui-Qua-
d ado. P ocedeu-se ambém à compa ação de médias a a és de es es de
S uden pa a amos as independen es. Os esul ados des es es es o am com-
plemen ados com medidas de magni ude de e ei o (Cohen’s d/Phi), pois, en e
ou os mo i os elacionados com a po ência do es e e com a p obabilidade de
e o ipo I, as amos as de g andes dimensões podem conduzi a esul ados
es a is icamen e signi ica i os mesmo que as di e enças en e os g upos sejam
eduzidas (Ma ôco, 2014, p. 248). A in e p e ação dos esul ados oi baseada
em Cohen (1988).
Num segundo momen o, ealizou-se uma eg essão logís ica biná ia
(mé odo En e ) pa a cada um dos géne os, de o ma a analisa o papel da
amília na u ilização da In e ne po po ugueses de 50 e mais anos. Com es e
obje i o, cons uiu-se um p imei o modelo que pe mi e a alia o con ibu o
das ca ac e ís icas sociodemog á icas e de saúde pa a a u ilização da In e ne .
A es e modelo o am pos e io men e adicionadas as a iá eis elacionadas com
a amília. Es e segundo modelo pe mi e es ima o con ibu o de algumas das
ca ac e ís icas da es u u a e dinâmica amilia es pa a a u ilização da In e ne .
VARIÁVEIS CONSIDERADAS NA ANÁLISE
Va iá el ela i a à u ilização da In e ne : a iá el dico ómica que pe mi e dis-
ingui os indi íduos que eco e am a es a ecnologia pelo menos uma ez
nos úl imos se e dias pa a en ia ou ecebe e-mails, p ocu a in o mações,
aze comp as ou pa a qualque ou a inalidade (1) dos indi íduos que não
a u ilizam (0). Es a a iá el em o es a u o de a iá el dependen e na análise
de eg essão logís ica biná ia, sendo a espos a a i ma i a (1) a ca ego ia de
e e ência.
Va iá eis elacionadas com a amília: si uação conjugal: (1) “casado(a) ou
em união de ac o a esidi com um cônjuge/companhei a(o)” ou (0) “sol ei-
o(a), iú o(a), di o ciado(a) ou casado(a) a i e sepa ado(a) do(a) ma ido/
esposa”; núme o de ilhos; idade dos ilhos; equência média de con ac os
du an e o úl imo ano com os ilhos (escala de (1) “nunca” a (7) “dia iamen e”);
O PAPEL DA FAMÍLIA NA UTILIZAÇÃO DA INTERNET POR PORTUGUESES DE 50 E +ANOS 329
dis ância geog á ica en e a esidência do p óp io e a esidência dos ilhos
(escala de (1) “no mesmo alojamen o/casa” a (8) “mais de 500 quilóme os de
dis ância”).
Ou as a iá eis sociodemog á icas e económicas: idade; anos de escola-
idade, au ope ceção de s ess inancei o: (1) “g ande di iculdade” ou “alguma
di iculdade” em supo a as despesas mensais e (0) “ acilidade” ou “mui a aci-
lidade” em aze ace às despesas mensais; pa icipação em a i idades sociais:
(1) pa icipação em pelo menos uma das seguin es a i idades: ealização de
abalho olun á io ou de ca idade; equência de um cu so ou o mação;
equência de uma associação despo i a, social ou de ou o ipo; pa icipa-
ção numa o ganização polí ica ou elacionada com a comunidade; lei u a de
li os, e is as ou jo nais; ealização de jogos com pala as e núme os com
pala as-c uzadas ou Sudoku; ealização de jogos de ca as ou ou os jogos
como o xad ez, ou (0) sem pa icipação nas a i idades an e io es; u ilização
do compu ado no local de abalho: (1) u ilização do compu ado ou able
no exe cício da p o issão a ual ou an e io e (0) não u ilização do compu ado
em con ex o p o issional.
Va iá eis de saúde: sin omas dep essi os a aliados pela escala eu o-d,
dis inguindo-se (1) os indi íduos com sin omas signi ica i os de dep essão,
ou seja, que ob i e am uma pon uação igual ou supe io a 4 pon os na escala
eu o-d de 12 i ens (P ince e al., 1999) e (0) os indi íduos que ob i e am pon-
uações in e io es na mesma escala; limi ações ísicas: núme o de limi ações
na ealização das dez a i idades seguin es: caminha 100 me os, es a sen-
ado ce ca de duas ho as; le an a -se de uma cadei a depois de es a sen ado
du an e algum empo; subi á ios lanços de escadas sem descansa ; subi um
lanço de escadas sem descansa ; inclina -se, ajoelha -se ou agacha -se; coloca
ou le an a os b aços acima do ní el dos omb os; puxa ou empu a obje os
g andes; le an a ou ca ega pesos com mais de 5 quilos; apanha uma moeda
pequena que se encon a em cima de uma mesa. A pon uação inal co es-
ponde ao núme o de limi ações ísicas, mencionadas po cada indi íduo.
RESULTADOS
quem são os u ilizado es da in e ne com 50+ anos,
em po ugal?
Em Po ugal, apenas ¼ dos adul os de 50 e mais anos, ap oximadamen e, u i-
liza a In e ne (27,2%). O ecu so a es a ecnologia é mais equen e no géne o
masculino (31,3%) do que no eminino (23,8%)1. Es as e idências e o çam
1 As di e enças de géne o são es a is icamen e signi ica i as: χ2 (1) = 11,584; p = ,001).
336 PATRÍCIA SILVA, ALICE DELERUE MATOS E ROBERTO MARTINEZ-PECINO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Es e es udo conco e pa a a discussão sob e o papel dos cônjuges e dos ilhos
na u ilização da In e ne pelos mais elhos, concluindo que a amília a e a de
o ma di e enciada a u ilização da In e ne po homens e mulhe es de 50 e
mais anos, em Po ugal. E idencia a impo ância dos papéis sociais de géne o
e da amilia ização p ecoce com a ecnologia du an e o exe cício da a i idade
p o issional pa a a u ilização da In e ne em idades a ançadas.
Es a pesquisa ap esen a, no en an o, algumas limi ações. A p incipal p en-
de-se com a escassez de in o mação exis en e no p oje o sha e sob e a u ili-
zação da In e ne . Com e ei o, o p oje o comp eende apenas uma pe gun a
sob e a u ilização e sus não-u ilização da In e ne , o que impossibili a que se
disc iminem os di e en es usos des a ecnologia (König e al., 2018). Também
a escassez de a iá eis ela i as à es u u a e dinâmica amilia es impede uma
análise mais ap o undada do papel da amília na u ilização da In e ne pelos
po ugueses de 50+ anos. Recomenda-se, assim, a inclusão de no as ques ões
sob e a u ilização da ecnologia e a ecolha de in o mação adicional sob e a
amília em p oje os u u os.
Apesa des as limi ações, es e es udo pe mi e ap esen a ambém eco-
mendações pa a as polí icas públicas. A p imei a p ende-se com a necessidade
de in eg a em uma pe spe i a de géne o, endo em con a as iniquidades das
mulhe es ace à ecnologia. A segunda ecomendação apon a pa a a impo -
ância das medidas polí icas ado a em uma pe spe i a de pe cu so de ida,
omen ando a ap endizagem ao longo da ida, de modo a e i a a ma ginali-
zação digi al em idades a ançadas e a capaci a os indi íduos mais elhos pa a
uma u ilização adequada da ecnologia.
O PAPEL DA FAMÍLIA NA UTILIZAÇÃO DA INTERNET POR PORTUGUESES DE 50 E +ANOS 337
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