Full text
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
A esc i a da his ó ia da Fa oupilha na 1ª
República b asilei a: en e as Re oluções
Cispla inas, o PRR e o posi i ismo
The w i ing o he his o y o Fa oupilha
in he 1s B azilian Republic: be ween
he Cispla in Re olu ions, he PRR and
posi i ismo
Fab ício An ônio An unes Soa es1
Uni e sidade Es adual de Lond ina/PPGHS (B asil)
ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0002-6132-803X
Recibido: 20-01-2023
Acep ado: 02-04-2023
Resumo
O p esen e a igo examina como a ob a his o iog á ica Re oluções
Cispla inas, de 1915, do polí ico, diploma a e his o iado Al edo Augus o
Va ella, ep esen a an o uma dispu a polí ica como uma o ma de esc i a da
his ó ia sob e a Fa oupilha. A pa i da hipó ese de que na P imei a República,
no Rio G ande do Sul, hou e uma hegemonia social e polí ica do Pa ido
Republicano Rio-G andense se que in es iga como a ob a de Va ella a iculou-
se com o seu con ex o. Po an o, o obje i o é analisa como oi cons uída a
na a i a sob e a Fa oupilha no con ex o de dispu as em o no do bo gismo.
Pa a a ingi al obje i o, usa-se o concei o de ope ação his o iog á ica de
Michel de Ce eau, is o é, como a pa i de uma análise do luga social, da
p á ica cien í ica e da esc i a do ex o podem-se pe cebe as ans o mações na
1 ([email p o ec ed]). G aduado em his ó ia pela Uni e sidade Fede al de San a
Ma ia, mes e em his ó ia pela Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul, dou o em his ó ia
pela Pon i ícia Uni e sidade Ca ólica do Rio G ande do Sul com es ágio dou o al de um ano na
Uni e sidade Li e de Be lim no Ins i u o de Es udos La ino Ame icanos. A ualmen e sou p o esso
colabo ado do PPGHS/UEL e p o esso in es igado da Flacso/B asil. T ês publicações ecen es.
Soa es, F. A. A.. A esc i a li e á ia da his ó ia: O caso O gaúcho. Anos 90 (Online) (Po p Aleg e), .
30, p. 1-20, 2023. 2. Soa es, F. A. A.. Reesc e endo a his ó ia da Fa oupilha na comemo ação do seu
Cen ená io: En e o Pe íodo Va gas, a his o iog a ia de Souza Docca e a nacionalização do egional.
Ibe oame icana, . 22, p. 149-170, 2022. Soa es, F. A. A.. A esc i a li e á ia da Fa oupilha no século
XIX: Um es udo de caso - O co sá io. La Razón His o ica, . 55, p. 103-126, 2022.
62 Fab ício An ônio An unes Soa es
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
esc i a da his ó ia sob e a Fa oupilha. Po im, pe cebe-se que a ob a analisada
oi um obje o an o de lu a polí ica como de i ada in e p e a i a na esc i a da
Fa oupilha.
Pala as-cha e: His ó ia in elec ual, His ó ia da his o iog a ia, Teo ia da
his ó ia, Ope ação his o iog á ica.
Abs ac
This pape examines how he his o iog aphical wo k Re oluções
Cispla inas, 1915, by he poli ician, diploma and his o ian Al edo Augus o
Va ella, ep esen s bo h a poli ical dispu e and a o m o his o y w i ing abou
he Fa oupilha. F om he hypo hesis ha in he Fi s Republic, in Rio G ande
do Sul, he e was a social and poli ical hegemony o he PRR, we wan o
in es iga e how Va ella's wo k a icula ed wi h i s con ex . The e o e, he
aim is o analyse how he na a i e abou Fa oupilha was cons uc ed in he
con ex o dispu es a ound bo gismo. To achie e his goal, he concep o
his o iog aphical ope a ion o Michel de Ce eau is used, ha is, how om an
analysis o he social place, he scien i ic p ac ice and he w i ing o he ex one
can pe cei e he ans o ma ions in he w i ing o his o y abou he Fa oupilha.
Finally, i is pe cei ed ha he analyzed wo k was an objec o bo h poli ical
s uggle and in e p e a i e u n in he w i ing o Fa oupilha.
Keywo ds: In ellec ual his o y, His o y o his o iog aphy, His o y heo y,
His o iog aphical ope a ion.
1. In odução
Esse a igo analisa como a ob a Re oluções Cispla inas, publicada em
1915, pelo polí ico, ad ogado, diploma a e his o iado Al edo Va ella (1864-
1943), é uma análise his ó ica que, po um lado, se a icula à c í ica polí ica ao
egime bo gis a do Pa ido Republicano Rio-G andense2 (PRR) no Rio G ande
do Sul e, po ou o lado, é uma comp eensão his ó ica ino ado a de explicação
his o iog á ica da Fa oupilha. Pa a an o, a hipó ese que no eia o a igo é que
Va ella econs ói e e oma a his ó ia da Fa oupilha como uma o ma de c í ica
à cen alização polí ica das ins i uições dominadas pelo PRR.
Pa a desen ol e a hipó ese p opos a, o a igo ale-se da ope acionalidade
analí ica de en ende a ob a Re oluções Cispla inas como uma ope ação
his o iog á ica (Ce eau 2007: 65-119). Po an o, um dos caminhos des a
2 Pa ido Republicano Rio-G andense (1882-1929). Su giu no im do Impé io com is as a
abalha pela República. Po oda a República Velha oi o pa ido dominan e no Rio G ande do Sul.
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in es igação é sabe como a ob a, Re oluções Cispla inas, se a icula com
o luga social, com a p á ica e a esc i a, em ou as pala as, como é possí el
pe cebe a “ope ação his o iog á ica” na his o iog a ia sob e a Fa oupilha
(Rod igues 2019) (Soa es 2019). Assim sendo, examina a ob a de Va ella
como uma ope ação his o iog á ica signi ica analisá-la como a a iculação
en e a) um luga social b) p á icas cien í icas e c) a esc i a de um ex o
(Ce eau 2007: 66). Pa a comp eende , po an o, a his ó ia da his o iog a ia
sob e a Fa oupilha (Pesan en o 2009), pa e-se do p essupos o de que
qualque in es igação e na a i a his ó ica3 se encadeia com luga es, p á icas
e esc i as e, ambém, suas de e minações an o sociais e cul u ais como
polí icas e econômicas4. Isso aca e a uma o ma de p ocede na his o iog a ia
limi ada po condições ine en es ao luga de sua p odução. Esse é, en ão,
um dos equisi os do desen ol imen o da ope ação his o iog á ica, po an o,
além de o nece , po um lado, a solidez social à esc i a da his ó ia, po ou o
lado, o luga social, a p á ica e a esc i a, ambém a o nam possí el e, assim,
a esc i a da his ó ia delineia-se “po uma elação da linguagem com o co po
(social) e, po an o, ambém pela sua elação com os limi es que o co po
impõe” (Ce eau 2007: 76).
A Fa oupilha, ou Re olução Fa oupilha ou Gue a dos Fa apos5, oi um
con li o mili a e polí ico na P o íncia de São Ped o6 en e 1835 e 1845. Ela
az pa e de um duplo mo imen o his ó ico, a mon an e, az pa e das e ol as
egenciais que assola am o Impé io B asilei o em seu início de consolidação
(Piccolo 1985) e, a jusan e, az pa e dos con li os pla inos que a e am essa
egião na cons i uição de seus Es ados-nacionais (Guazzelli 1998). Desse
modo, a Fa oupilha começou como um mo imen o de au ônima polí ica da
P o íncia, como as demais p o íncias b asilei as, pa a um ano depois, o na
a P o íncia de São Ped o uma República sepa ada do B asil. Também, a
Fa oupilha o nou-se o pila cen al da iden idade do sul- io-g andense pelas
mais a iadas p á icas simbólicas ao longo de um século.
3 A na a i a, no caso des e a igo, econs ói o empo his ó ico no p esen e. Pa a Ricoeu (1994),
pela junção de um sujei o e um p edicado, algo é alegado sob e o sujei o da ase. Quando o omancis a
e o his o iado na am, c iam na ob a o que oi a his ó ia. A na a i a – his o iog á ica ou li e á ia –
ela a a ida de pe sonagens em um en edo que p oduz a con e gência a pa i da di e gência. Os
indícios do passado, nas on es e es ígios, adqui em sen ido no en edo de uma na a i a, e, des e
modo, um sen ido é cons i uído pa a os enômenos que su gem dispe sos na linguagem. Assim, o
mundo do ex o, que a na a i a ins i ui, é um dos luga es de sen ido do passado.
4 Isso a e iguado, é impo an e pa a o desen ol imen o desse a igo e -se em conside ação que
pa a examina a his o iog a ia é necessá io en ende não apenas o seu ca á e na a i o, mas, ambém,
sua dimensão social e os usos polí icos do passado na esc i a da his ó ia. As na a i as ci culam
socialmen e, mas não ci culam li emen e, elas são p oduzidas e ansmi idas em um con ex o
polí ico-social. São esc i as com uma inalidade: es abelece uma con o mação polí ica sob e o co po
social (Ha og; Re el, 2001).
5 Ou as denominações pela qual a Fa oupilha é conhecida.
6 Nome do a ual Es ado do Rio G ande do Sul.
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O li o his o iog á ico Re oluções Cispla inas oi esc i o e publicado
po Va ella em meados da segunda década do século XX, já sob a P imei a
República e o domínio au o i á io do PRR na ida polí ica do Es ado do Rio
G ande do Sul. Po an o, com uma es e a pública limi ada, a socialização
in elec ual de Va ella dá-se ainda quando e a in eg an e do PRR, no jo nal
A Fede ação (1884-1937) – ligado ao PRR – e sendo g aduado em di ei o
pela Faculdade de Di ei o em Reci e (Alonso 2002: 133-146). Em um
con ex o em que an o os in eg an es do PRR quan o a oposição ede alis a
se conside a am he dei os da Fa oupilha, há em Re oluções Cispla inas
um en endimen o de que e a não só uma no a in e p e ação his o iog á ica
da Fa oupilha, mas, ambém, uma ala anca pa a a c í ica em elação à
si uação polí ica p esen e de Va ella no Es ado sulino. Além disso, seu
libe alismo polí ico oi um co e que o sepa a do com ismo do PRR e das
demais in e p e ações da Fa oupilha7.
Po an o, pa a a ingi o obje i o aqui p opos o, di idiu-se o a igo em
cinco pa es. As duas p imei a in es igam o luga social de p odução de
Re oluções Cispla inas, is o é, o con ex o polí ico e social e o con ex o
in elec ual da p imei a República no Rio G ande do Sul, pe íodo em que
se ambien ou a esc i a do li o. A e cei a pa e a e igua a p á ica cien í ica
expos a na ob a Re oluções Cispla inas. As duas úl imas pa es examinam a
esc i a do ex o, em ou as pala as, como su ge, no ex o his o iog á ico, a
his ó ia ali na ada.
2. Luga social (I): Con ex o polí ico e social
O PRR com Júlio de Cas ilhos8, p oclamada a República em 1889,
assume o pode no Es ado do Rio G ande do Sul e, após o in e egno do
go e no lide ado po Ba os Cassal9, em 1892, o PRR ol a ao pode ainda
an es da Re olução Fede alis a de 189310. Ademais, nesse pe íodo his ó ico,
de ins i ucionalização do egime epublicano, p oduziu-se o sis ema polí ico
7 A p odução his o iog á ica an e io de ele o se ia: 1) A Gue a ci il no Rio G ande do Sul,
de T is ão A a ipe (1986), publicado em 1881, e, 2) His ó ia da República Rio-G andense de Assis
B asil (1982), publicado em 1882. Da p odução do mesmo pe íodo de Va ella, des aca-se: 3) Al edo
Fe ei a Rod igues (1865-1942), ele esc e eu sob e a Fa oupilha em seu Almanaque Li e á io e
Es a ís ico da P o íncia do Rio G ande do Sul que publicou de 1889 a é 1917. De modo esumido,
do p imei o Va ella di e ge sob e o ca á e au o i á io da Fa oupilha; do segundo, Va ella di e ge
sob e o ca á e ede alis a da Fa oupilha e, do e cei o, Va ella ac edi a a que a Fa oupilha se ia uma
con inuação das e oluções Cispla inas; pa a Rod igues (1990) a Fa oupilha e a uma con inuação das
e oluções na i is as a i mado as do espí i o nacional.
8 Júlio P a es de Cas ilho (1860-1903) oi o g ande líde polí ico do PRR.
9 João de Ba os Cassal (1858-1903) oi polí ico, jo nalis a e memb o do PRR.
10 Foi uma gue a ci il b asilei a, iniciada no Rio G ande do Sul, oco ida en e 1893 a 1895.
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co onelis a11 que oi a base do pode na República Velha12. O co onelismo,
enquan o sis ema, ins i uiu-se no pe íodo em que os che es locais p incipia am
a pe de a sua o ça polí ica local e necessi a am apela ao go e no que, po
sua ez, ainda não e a o e o su icien e pa a ga an i sua p esença ins i ucional.
Pa a Ax (2007: 92), o PRR no pode
cos u ou mais comp omissos conse ado es do que p og essis as, es e e longe
das decan adas idelidade pa idá ia e coe ência p og amá ica e es e e ão
en ol ido com as p á icas co onelis as como qualque ou o agen e polí ico
da época. Toda ia, o modelo polí ico conhecido no Rio G ande do Sul
ap esen ou inegá eis especi icidades. A p incipal delas diz espei o ao quad o
de ins i ucionalização au o i á ia e de sis ema ização do discu so polí ico-
ideológico de jus i icação do egime.
O PRR go e nou o Es ado do Rio G ande do Sul po oda a República
Velha, endo nas igu as de Júlio de Cas ilhos e Bo ges de Medei os13
seus expoen es. Quando em 14 de julho de 1891, a cons i uição es adual
oi p oclamada mui as o am as ques ões polêmicas, como o ealce aos
mecanismos de inge ência do pode es adual nos municípios, a omissão
do concei o libe al de sepa ação dos pode es e a possibilidade de eeleição
ilimi ada. Ademais, a Re olução Fede alis a iniciada em e e ei o de 1893 oi
uma espos a das oposições à cen alização polí ica impos a pela Cons i uição
de 1891. Em 1895, com o im da Re olução Fede alis a, o p esiden e P uden e
de Mo ais14 ga an iu a anis ia aos ede alis as.
O Pa ido Fede alis a15, de oposição ao PRR, eo ganizou-se em 1896,
mas limi ou-se a pa icipa da polí ica a a és da imp ensa a é as eleições pa a
a Câma a Fede al em 1906, quando elegeu ês depu ados (F anco, 2007).
Con udo, Júlio de Cas ilhos, em seguida à Re olução Fede alis a, concluiu a
o ganização do apa elho de Es ado. Pa a Ax (2007: 95-96),
o au o i a ismo de Cons i uição de 14 de julho de 1891 in es iu o Pode execu i o
de o midá eis ins umen os de in e enção nos municípios e de con ole do
apa a o es a al. Mas, ainda assim, o apa elho de es ado con inua a não sendo
in aes u u almen e o e o bas an e pa a possibili a à eli e di igen e assenho eada
do comando a implan ação de um egime di a o ial e de con ole absolu o.
11 Co onelismo é um concei o emp egado pa a explica a es u u a de pode que é exe cido pelo
co onel, no plano local, sob e o pode público, mas que aba cou odo o sis ema polí ico do B asil, no
deco e da P imei a República.
12 República Velho ou P imei a República du ou de 1889-1930.
13 An ônio Augus o Bo ges de Medei os (1863-1961) oi um polí ico sul- io-g andense, eminência
pa da do PRR após a mo e de Júlio de Cas ilhos. Também, oi p esiden e do Rio G ande do Sul po
25 anos.
14 P uden e José de Mo ais Ba os (1841-1902) oi um ad ogado e polí ico b asilei o. Foi
p esiden e do B asil de 1894 a 1898.
15 Pa ido polí ico que exis iu, no Rio G ande do Sul, de 1892 a 1928.
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P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
Con udo, ha ia no espaço polí ico e social sulino, com a p og essi a
u banização e indus ialização, no os sujei os sociais em cena, c iando ocos
de p essão que ameaça am o echamen o do sis ema polí ico. Pa a o au o ,
A especi icidade do Rio G ande do Sul em elação ao sis ema co onelis a
nacional es a a numa pe manen e ensão exis en e en e o pode es adual e
pode es locais, pois a na u eza dessa elação e a ao mesmo empo de coope ação
e de compe ição […] enquan o nos demais es ados a eg a oi a acomodação
en e esses dois e mos. Ou seja, no Rio G ande do Sul, o comando polí ico
egional – ambém eme so de uma ede de comp omissos co onelís icos –
p e endia sedimen a cada ez mais o con ole sob e o es ado, enquan o que
os pode es locais aspi a am escapa do jugo comp esso e o ja che ias
ela i amen e au ônomas (Ax 2007: 96).
Um p imei o elemen o se des aca como uma epos a a hipó ese: o
bo gismo. Is o é, após a mo e de Cas ilhos, Bo ges o na-se o che e do PRR
e do go e no do Es ado. Assim sendo, o bo gismo ep esen a o au o i a ismo
e a hegemonia es a al e polí ica do PRR, endo p o undas implicações na ida
es adual e na elação en e o Es ado e o B asil. Logo, o con ex o polí ico e
social o nece elemen os pa a o desen ol imen o da Fa oupilha a elliana e
sua c í ica ao bo gismo.
3. Luga social (II): Con ex o in elec ual
Em 16 de se emb o de 1864, nascia Al edo Va ella em Jagua ão, cidade
on ei iça com o U uguai. Va ella es abeleceu-se na Capi al da P o íncia em
1881 pa a p ossegui nos seus es udos. Ob e e ing esso no Ins i u o B asilei o,
onde oi aluno de Apoliná io Po o Aleg e16 e acabou in luenciado po suas
ideias epublicanas (Lazza i 2004). Finalizado o es udo no Ins i u o B asilei o,
oi pa a São Paulo pa a ing essa na Escola de Di ei o (Sil a 2010) (An oniolli
2017). Po ém, eg essa a Po o Aleg e só e o nando em 1886 aos es udos,
em Pe nambuco, onde concluiu o cu so de di ei o em Reci e no ano de 1889.
Assim, Va ella oi o mado no con ex o in elec ual iniciado pela ge ação de
1870 (Alonso, 2002) (Boei a 2019).
Va ella oi empossado P ocu ado Ge al da República no Rio G ande do
Sul em 1890 e, em seguida, Sec e á io dos Negócios do In e io e Ex e io
em 1891. Con e eu-se em um dos pe sonagens cen ais da República no
Es ado, além de se um de o ado pa idá io de Júlio de Cas ilhos. Também,
nessa época, alcançou a che ia do jo nal A Fede ação. Além disso, Va ella
16 Apoliná io Po o Aleg e (1844-1904) oi um omancis a, his o iado e jo nalis a sul- io-
g andense.
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P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
oi memb o in luen e dos epublicanos da elha gua da no Es ado, em meio
dos quais se encon a a no começo do PRR. Ademais, Va ella pa icipou da
gue a ci il ede alis a e oi depu ado de 1900 a 1906. En e an o, em seguida
ao é mino do seu manda o, a as a -se-ia da mili ância di e a na polí ica. Em
1907, com a dissensão ep esen ada pela candida u a de Fe nando Abbo 17 à
p esidência da Es ado, o que o iginou ans o mações nos quad os polí icos
epublicanos, Va ella icou ao lado da dissidência, disco dando da di eção
que o cas ilhismo assumiu. Após esses acon ecimen os, seguiu a i idade na
diplomacia e oi cônsul na Espanha (1909), no Japão (1910), em Po ugal
(1913) e na I ália (1914) quando aposen a-se (Sil a 2010). Em 1920, Va ella
oi memb o e socio undado do Ins i u o His ó ico e Geog á ico do Rio G ande
do Sul (IHGRGS), ambém é pa ono de uma das cadei as da Academia Rio-
G andense de Le as. Po im, é a p o issão de diploma a que pe mi iu-o
examina a qui os desconhecidos sob e o Es ado na al, ob endo, dessa o ma,
uma conside á el cole ânea de on es. Os a qui os examinados na Península
Ibé ica pe mi i am a Va ella delimi a
uma ela i a dis ância do que inha sendo ealizado en e a plêiade de
his o iado es egionais. Documen os sob e o desen ol imen o de líde es
a oupilhas com as nascen es epúblicas do P a a i iam endossa uma de suas
mais polêmicas eses, a espei o da in luência pla ina não apenas na o mação
do gen io io-g andense, mas ambém na p óp ia gênese e desen ol imen o da
Re olução Fa oupilha (Sil a 2010: 26).
Va ella es eou com seu p imei o li o chamado A cons i uição io-
g andense de 1896. Con udo, somen e em 1914 começa a esc e e a his ó ia da
Fa oupilha e após publica seus p incipais li os. O p imei o deles é Re oluções
Cispla inas, de 1915. Pa a Oli ei a (2005: 378-379),
Re oluções Cispla inas, edi adas pela li a ia po uguesa Cha d on, pode se
conside ada uma ob a in e mediá ia na ob a a eliana. P ecedia pelos esc i os
do im do século XIX e dezoi o anos an es de sua ob a magna His ó ia da G ande
Re olução, Re oluções Cispla inas em como oco o mo imen o a oupilha e o
ad en o da República Rio-G andense, a iculados aos acon ecimen os pla inos.
Em elação ao desen ol imen o da hipó ese, a socialização in elec ual de
Va ella, passa pelo epublicanismo de Apoliná io Po o Aleg e, pela ge ação de
1870, na aculdade de Di e o em Reci e, após, segue ca ei a ju ídica e polí ica
(no Rio G ande do Sul) e como jo nalis a e eda o no jo nal A Fede ação, po
im, é como diploma a que po encializa sua his o iog a ia an o pela possibilidade
de ci culação in e nacional como pela opo unidade de a qui os es angei os.
17 Fe nando Fe nandes Abbo (1857-1924) oi um médico e polí ico b asilei o. Foi p esiden e do
Rio G ande do Sul in e inamen e em duas ocasiões, a p imei a em 1891 e a segunda de 1892 a 1893.
68 Fab ício An ônio An unes Soa es
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
Com odos os elemen os do luga social apon ados a é aqui cabe pe gun a :
a que de e, no pe íodo do auge do pode do bo gismo, es e in e esse em uma
lei u a da Fa oupilha con a o PRR e Bo ges de Medei os? Is o é, como o luga
social ajudou a ope a al lei u a da Fa oupilha? C eio que uma conjec u a
explica i a pode se lançada a pa i do abalho de Lo e (1975) e de Ax (2007).
Aquele di ide a inse ção do Rio G ande do Sul na polí ica nacional (du an e a
República Velha 1889-1930) em qua o pe íodos: 1) 1889-1894 – dependência
dos p esiden es mili a es, 2) 1895-1903 – au onomia ela i a e isolamen o, 3)
1904-1908 – eme gência g adual como o ça polí ica impo an e e 4) 1909-
1930 – pa icipação em la ga escala da polí ica nacional. Assim sendo, apon a
Lo e (1975), a pa i de 1910, o Rio G ande do Sul jun o com exé ci o e am,
dois a o es/ a o es que pode iam deses abiliza o sis ema polí ico do ca é com
lei e18. O que eio a oco e nas eleições de 1910, de 1922 e a de 1930. Po an o,
o in e esse em uma elei u a da Fa oupilha, ac edi o es a nessa no a inse ção
do Rio G ande do Sul na polí ica b asilei a e, assim, sua iden idade pla ina ou
sepa a is a pode ia se usada poli icamen e. Po ou o lado, Ax (2007) di ide a
polí ica egional sulina, du an e a República Velha, em se e pe íodos: 1) 1889-
1895 – ins i ucionalização epublicana, 2) 1895-1903 – Hegemonia cas ilhis a,
3) 1903-1907 – C ise da hegemonia, 4) 1908-1913 – Cons ução da hegemonia
bo giana, 5) 1913-1920 – Hegemonia bo giana, 6) 1921-1923 – Con es ações
e c ise de hegemonia, 7) 1923-1930 – Recomposição da aliança hegemônica.
Po an o, a aje ó ia in elec ual e polí ica de Va ella que in e essa ao a igo é, a
pa ida c onologia de Lo e (1975) a ase 3 e 4 e a pa i da classi icação de Ax
(2007) a e apa 3, 4 e 5, is o é, em elação a Lo e (1975) a c escen e inse ção
nacional do Rio G ande do Sul, em elação a Ax (2007) a g ada i a dominação
bo gis a da polí ica es adual.
Também, segundo Lo e (1975: 88), Bo ges compa ilha a com Cas ilhos,
a sob iedade, o com ismo, a pouca idade com que o a ao pode e, em especial,
o au o i a ismo, logo, a ascensão de Bo ges à lide ança do pa ido ma ca a a
ins i ucionalização do sis ema do PRR (Lo e 1975: 89) e, assim, a con inuidade
pessoal e disciplina do PRR, ajudou a impulsiona Pinhei o Machado19 e Bo ges
no cená io nacional. Pa a Lo e (1975), a polí ica do PRR, em ní el nacional,
busca a o a o i ismo econômico e o pa ona o ede al e, dessa o ma:
Bo ges eassumiu o go e no do Rio G ande em 1913. Em ce o sen ido ele
não se di e encia a de qualque Go e nado de ou a egião: es a a in e essado
no pa ona o ede al. Mas oi melho sucedido que a maio ia de seus colegas.
Conseguiu no go e no He mes assegu a aos io-g andenses um núme o de
18 Como e a denominada a p edominância do Es ado de São Paulo e do Es ado de Minas Ge ais
na polí ica nacional.
19 José Gomes Pinhei o Machado (1851-1915) oi um polí ico b asilei o iliado ao PRR, endo sido
um dos mais in luen es da República Velha. Após a mo e de Cas ilhos di idiu a lide ança do PRR
com Bo ges.
69
A esc i a da his ó ia da Fa oupilha na 1ª República b asilei a: en e as Re -
oluções Cispla inas, o PRR e o posi i ismo
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
P ime cua imes e de 2024. Pp. 61-81. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2024.i55.03
pos os impo an es além do que ob i e a em qualque adminis ação an e io .
(...) Os emp egos ede ais no Rio G ande o am p eenchidos po Bo ges, que
simplesmen e en iou suas nomeações às á ias epa ições e minis é ios do Rio
(Lo e 1975: 166).
Assim sendo, Va ella es a a na oposição a Bo ges desde o cisma de 1906-
07, con udo, o a embaixado b asilei o com a anuência do PRR, is o é, no
momen o da cons ução da hegemonia e na ins i ucionalização da hegemonia
bo gis a (Ax , 2007), de al modo Va ella ope a his o iog a icamen e,
poli icamen e e p o issionalmen e em um luga social hos il, mas não echado
a sua ci culação. Po ou o lado, (Lo e 1975) na inse ção do Es ado sulino na
polí ica nacional, Va ella a ua na e agua da do bo gismo, is o é, ao mesmo
empo, o e ece uma explicação polí ica e his ó ica que a o ece a oposição
no Es ado sulino como a oposição em ní el nacional, pois, como no ou Lo e
(1975) o Es ado (comandado pelo PRR) e a um dos a o es de deses abilização
da polí ica do ca é com lei e, assim, a pena de Va ella auxilia a na con enção
do bo gismo.
4. P á ica (I): com is a, pe o no mucho
Va ella é o his o iado da ob a mais ex ensa e in ensa sob e a Fa oupilha.
Também manejou como poucos, a seu empo, as e amen as da his o iog a ia20.
Não obs an e econhece e c i ica o au o i a ismo do PRR de ma iz com iana,
em Re oluções Cispla inas, Va ella con essa se um seguido da iloso ia
posi i is a e de sua jus i icação do mé odo cien í ico, inspi ado nas ciências
da na u eza, na cons ução da esc i a his o iog á ica. Assim, uma ques ão a se
a aliada nesse pe íodo da cul u a his o iog á ica sul- io-g andense é sob e as
suas conexões com a iloso ia com iana (Diehl 1998), mais que um modismo
p edominan e, o com ismo es abilizou-se no Es ado, ex a asando os p óp ios
limi es do PRR, sendo modelo pa a o deba e público (Boei a 1980), assim, a
alusão ao posi i ismo “di uso” indica que o com ismo oi coligado a ou os
luxos de iloso ias cien i icis as do século XIX, ais como o da winismo, o
spence ismo e o e olucionismo. Pa a Oli ei a (2005: 378):
No caso especí ico de Alcides Lima, Assis B asil e Al edo Va ella, obse a-se
que, num p imei o momen o, a adoção do posi i ismo polí ico acompanhou
a aje ó ia de undação e de consolidação do p oje o epublicano sul- io-
g andense, que buscou, no com ismo, os elemen os que jus i icassem suas
p opos as pa idá ias. Con udo, o ompimen o dos in elec uais do PRR com
20 Também, Va ella semp e oi c i icado po seu es ilo gongó ico e empolado de esc e e ;
Guilhe mino (2006: 383) esume bem o espí i o dos c í icos a Va ella: “Quei amos ou não, é p eciso
supo á-lo”. Ve ambém: Sil a (2019).
76 Fab ício An ônio An unes Soa es
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
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izinha da casa que ege a a mos e a, no ale do P a a” (Va ella 1915: 26, n. 1).
Po an o, Va ella (1915: 30, n. 1) de ine o Es ado:
A ansição, de e dize -se, é maio ainda que pa ece. Fisicamen e é aqui o
ex emo do B asil, e en amos no Es ado o ien al. Plan as e animais, paisagens,
a p óp ia ida, indús ias e comé cio do B asil icam pa a ás. Poli icamen e, o
Impé io ai algumas cen enas de quilôme os adian e: socialmen e, odo o es o
da p o íncia g a i a pa a as Repúblicas pla inas.
Após as condições geo ísicas da egião, passa a na a o po oamen o.
Os p imei os po oado es o am os po ugueses de Laguna, o iginá ios de
São Vicen e. Pa a o his o iado de Jagua ão, é impo an e al a e iguação da
população, pois “que apu a quais os componen es biológicos que a me ópole
in oduziu aí, modi icações que acaso so e am o in luxo do meio, ipo que
esul ou, e sua in luência no desdob amen o do enômeno polí ico em es udo”
(Va ella 1915: 42, n. 1). En im,
Tal azou-se, em meio incompa á el, a população ené gica do Con inen e:
o b onze ijíssimo do po uguês de lei, com ac éscimo de ma é ia es anha
que o ap imo ou e lai os de ou a que não no deg ada am, como ainda com
ênues es ígios de aças mais colo idas, e o çan es da beleza e igo ou
aumen a i os dos a ibu os mo ais do exempla humano p imi i o (Va ella
1915: 64, n. 1).
Pa a en ende os e en os que esul a am no 20 de Se emb o26, Va ella
(1915) conside ou p imei amen e a e olução p epa a ó ia ou as causas
p edisponen es das ci cuns âncias que ope a am na população e no e i ó io
io-g andense, is o é, o meio geo ísico. Depois, con inua na ando a soma
de causas de e minan es do ompimen o e a de inição dos sin omá icos
abalos que esul a am no es ou o e olucioná io. Ademais, dis inguindo as
pa icula idades io-g andenses, o au o sus en a-se nos ela os de na u alis as
es angei os e nos aspec os climá icos da egião. Po an o, Va ella (1915)
co obo a dois aspec os que delimi am essa pa icula idade: a) a condição de
passagem do espaço io-g andense que cons i ui ia um ambien e de mudança
en e o B asil e o P a a; e b) a dualidade de seu meio geo ísico di idindo com
o B asil e o P a a semelhanças na paisagem.
A ançando no esboço da linhagem dos habi an es io-g andenses,
Va ella (1915) ac edi a que o subsídio aço iano cons i ui ia o aço
undamen al na o mação é nica do Rio-G ande, cunhando um as o
indelé el, sendo o Rio G ande um esul ado da ci ilização lusa. Em seguida,
exis iu a in luência espanhola. O in luxo indígena é conside ado limi ado,
26 Da a que iniciou a Fa oupilha.
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A esc i a da his ó ia da Fa oupilha na 1ª República b asilei a: en e as Re -
oluções Cispla inas, o PRR e o posi i ismo
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bem como o a icano, que, po causa da indús ia e do con abando, pouco
colabo a am pa a o ipo io-g andense.
Nas causas p edisponen es, pa a ap esen a as ligações en e o Rio G ande
e o Impé io b asilei o, Va ella (1915) usa uma lei ge al da ísica no qual a
unidade de um sis ema ende a ompe -se na medida em que as suas pa es não
ope em mu ações comuns. Na conjun u a de con ulsão egencial a endência
sepa a is a a ua como uma disposição gene alizada no espí i o popula sul- io-
g andense. E, assim,
No as o o ganismo combalido, udo consen e, udo conspi a, udo conco e,
pa a a queb a da unidade nacional e up u a dos elos que p endiam o Rio
G ande, a um sis ema cujas anslações ha iam deixado de se exa amen e
comuns, con o me pude a p e e quem es udasse os a os a luz da lição genial
de Galileu (Va ella 1915: 217, n. 1).
De oda o ma, segue Va ella (1915), exis i ia um p o incialismo a ibuído
ao io-g andense que, desde a colabo ação dos sul- io-g andenses no mo imen o
de maio de 181027 e nos con li os dos o ien ais, a pa i da p opaganda
e olucioná ia que igno a a on ei as, a i ica a o a elamen o do Es ado com
os a os polí icos do P a a. Pa a Va ella (1915), de i a a em depaupe amen o
do passado da Fa oupilha ecusa a ligação com o P a a e, assim, as ideias
sepa a is as e epublicanas e iam indo pa a a P o íncia pela on ei a.
Ademais, o p o incialismo se ia esul an e do a as amen o em elação à Co e e
da p oximidade polí ica, cul u al e geog á ica com a egião do P a a (Gu eind,
1992). E aqui, segu amen e, es á a mais impo an e con ibuição de Va ella à
his o iog a ia da Fa oupilha, is o é, o ema anhamen o da Fa oupilha com a
egião do P a a. Desse modo, Va ella ompe com uma adição his o iog á ica,
iniciada na República de 1889, que in e p e a a a Fa oupilha somen e den o
dos ma cos do Es ado e da nação b asilei a (Soa es 2016)28.
Assim, os p imei os abalos do a o e ol oso o am obse ados em 1829,
depois da pe da da Cispla ina29 pelo Impé io, momen o em que p incipia uma
in iga na on ei a sul- io-g andense, alusi o às conspi ações do pad e José
27 A Re olução de Maio oi uma sé ie de e en os que oco e am en e 18 e 25 de maio de 1810 na
cidade de Buenos Ai es (uma colônia do Impé io Espanhol). O esul ado oi a deposição do ice- ei
Bal asa Hidalgo de Cisne os e o es abelecimen o de um go e no local. A Re olução de Maio oi a
p imei a e ol a bem sucedida no p ocesso de independência da Amé ica do Sul
28 Em 1935, Va ella publica ia sua ob a-p ima, His ó ia da G ande Re olução, no qual de ende ia
a mesma ese, is o é, a Fa oupilha com o igem na egião do P a a. Isso, o le a ia a so e pesadas
c í icas de ou os le ados e cons angimen os polí icos (Sil a 2010) (Soa es 2016) (Gu eind 1992).
29 Cispla ina oi uma p o íncia b asilei a que exis iu de 1821 a 1828 c iada pela in asão luso-
b asilei a da Banda O ien al. De 1815 a 1822 o B asil oi um eino cons i uin e do Reino Unido
de Po ugal, B asil e Alga es. Após a independência do B asil e a o mação do Impé io do B asil
a p o íncia Cispla ina pe maneceu pa e dele. Em 1828, após a Con enção P elimina de Paz, a
p o íncia da Cispla ina o nou-se independen e como U uguai.
78 Fab ício An ônio An unes Soa es
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
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Caldas30, do caudilho Juan La alleja31 e do líde da on ei a Ben o Gonçal es32.
Po an o, a simul aneidade en e os e en os do P a a e os do Rio G ande é
a hipó ese do his o iado de Jagua ão pa a explica o mo imen o de 1835.
Va ella (1915) en endeu que a Fa oupilha nada mais se ia que um espelho das
Re oluções Cispla inas em sua ascendência e p ocesso, endo p ocedência no
P a a, po ém, em se en ia de odos os libe ais b asilei os. Os p essupos os de
Re oluções Cispla inas, po um lado, aca e a am a explicação de e minis a e
eleológica do Rio G ande do Sul, e, po ou o lado, posiciona am a Fa oupilha
em um con ex o mais complexo, não só em seu ínculo com o Impé io
po uguês, mas ambém com o P a a.
A escolha de Va ella (1915) po abo da o passado do sul- io-g andense
numa pe spec i a mais dila ada que sua o igem po uguesa se con e eu
num apo e no o em elação à o igem pla ina da Fa oupilha, ida como algo
danoso à iden idade nacional, ao con á io do que en ende Va ella (Gu eind,
1992), em que a ideia posi i a de libe dade em do P a a. En im, pa a ele, a
“Re olução de 1835”
nada mais oi que um e lexo das e oluções cispla inas, – a nossa, de 1835
a 1845 – em sua o igem e desen ol imen o a é o segundo semes e de 1837,
apoiando-se daí em dian e no Rio da P a a, mas buscando consegui a i ó ia
ambém com os libe ais do B asil, e, se possí el, em p o ei o de odo o B asil
(Va ella 1915: 522, n. 1).
Pa a Va ella (1915), a Re olução de 1835 oi uma al e ação no in e io de
um sis ema no qual a ação mecânica de elação en e as pa es e o odo pa ou de
unciona em sin onia. Também, dis inções geo ísicas assumi iam um ca á e
decisi o na explicação da Fa oupilha. Além disso, a ca ac e ís ica do Rio
G ande do Sul de se linha limí o e en e o Impé io do B asil, a Con ede ação
A gen ina e a Banda O ien al, is o é, se on ei a, su ge como uma azão pa a
a comp eensão da e olução de 1835 e só se az plausí el como elemen o de
um encadeamen o de sucessos mais ex ensos, as Re oluções Cispla inas, o que
suge e uma inclusão do passado do Rio G ande na conjun u a dos e en os da
egião do P a a (Sil a 2010).
Desen ol endo a hipó ese do a igo, o segundo pon o da esc i a da his ó ia
de Re oluções Cispla inas é o pla inismo33, is o é, a libe dade (do libe alismo)
30 José An ônio Caldas ou Pad e Caldas (1787-1850) oi um eligioso, jo nalis a e polí ico b asilei o.
31 Juan An onio La alleja y de la To e (1784-1853) oi um mili a e polí ico u uguaio, que lide ou
os T in a e T ês O ien ais.
32 Ben o Gonçal es da Sil a (1788-1847) oi um mili a e es anciei o sul- io-g andense e o g ande
líde da Fa oupilha.
33 Pla inismo e e e-se a egião do P a a, is o é, aos espaços que so em a a uação do io da P a a,
seus a luen es e de sua bacia hid og á ica, mo men e ao que hoje é a A gen ina, U uguai e Pa aguai,
países no qual o Rio G ande do Sul é limí o e. A ualmen e o Rio G ande do Sul e o Pa aguai não
azem on ei a, mas an es da Gue a do Pa aguai, a a ual egião de Missiones e a dispu ada en e
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impedida de iun a pelo Es ado moná quico b asilei o, só consegue pene a
no Rio G ande do Sul pela egião pla ina limí o e ao Es ado. Pa a isso, Va ella
cons ói uma p oximidade geo ísica en e o P a a e o Rio G ade do Sul, is o
se de a ao ca á e de on ei a da egião. Assim, Va ella ino a, na P imei a
República, ao mos a a his ó ia da Fa oupilha além dos ma cos do Es ado-
Nação b asilei o. O libe alismo que em pelo P a a é uma o ma, en ão, de
Va ella p opo ciona às oposições ao bo gismo um ou o a senal eó ico pa a o
emba e polí ico como uma ou a inse ção do Es ado sulino no B asil.
6. Conclusão
A pa i da me odologia da ope ação his o iog á ica pode desen ol e
a hipó ese sob e a conexão en e polí ica e his o iog a ia na Re oluções
Cispla inas. O caminho escolhido oi analisa o luga social, as p á icas
cien i icas e a esc i a de um ex o. Po um lado, a ob a de Va ella, es a a em
um luga social hegemonizado pelo bo gismo, que pouco espaço de a uação
p opo ciona a a oposição, ambém, sua socialização in elec ual oi en ol a no
epublicanismo e na Ge ação de 1870. Po ou o lado, sua p á ica cien í ica oi
guiada pela epis emologia da his ó ia posi i is a em que a his ó ia é uma ciência
com causas e elações mecânicas en e os e en os. Po im, em sua esc i a do
ex o o concei o de libe alismo pe mi e que ele se dis ancie do posi i ismo e,
assim, ep esen a a Fa oupilha de manei a ino ado a ao mesmo empo que
c i ica o bo gismo.
Na Re oluções Cispla inas, a Fa oupilha e ia sua eia pulsan e de
libe dade indo do P a a, mas, que, além disso, em uma lei u a a con apelo, é
uma o ma de ques iona o mando au o i á io do PRR no Es ado do Rio G ande
do Sul, na P imei a República. Con udo, es as suas a mas concei uais pa a c ia
uma ou a Fa oupilha só conseguem se en endidas em oda sua complexidade
quando a iculadas em uma explicação que coloque a p á ica cien i ica, a esc i a
do ex o de Va ella conjun amen e ao luga social em a ob a oi p oduzida.
a A gen ina e o Pa aguai. Va ella de endia que a Fa oupilha inha como p incipal in luencia os
acon ecimen os pla inos, is o é, acon ecimen os não b asilei os ou não somen e b asilei os.
80 Fab ício An ônio An unes Soa es
A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 26, nº 55.
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