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"Los Indignados" sob o olhar de Luhmann. A comunicação no dissenso

Curvello, João; Rodrigues Mateus, Tatiane

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------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- Capí ulo 23 “Los Indignados” sob o olha de Luhmann. A comunicação no dissenso João Cu ello * Ta iane Rod igues Ma eus ** 1. INTRODUÇÃO. m meados de e e ei o de 2011, A União Eu opéia 1 passa a po uma g ande c ise econômica po con a da des alo ização do eu o. A Espanha, Es ado- pa e da União Eu opeia, i ia um dos pio es empos em sua polí ica social e econômica. Pa a hon a seus comp omissos com o bloco eu opeu, po p essão do FMI 2 e da Alemanha, o go e no espanhol co ou gas os * P o eso en la Uni e sidad de B asília (UNB), B asil. ** Miemb o del “Obse a ó io La ino-Ame icano de Indús ia e Con eúdos Digi ais” de la Uni e sidad Ca ólica de B asília (UCB), B asil. 1 A União Eu opéia é uma união econômica e polí ica de 28 Es ados-memb os independen es si uados p incipalmen e na Eu opa. A UE em as suas o igens na Comunidade Eu opéia do Ca ão e do Aço(CECA) e na Comunidade Econômica Eu opéia (CEE), o madas po seis países em 1958. Nos anos que se segui am, o e i ó io da UE oi aumen ando de dimensão a a és da adesão de no os Es ados-memb os, ao mesmo empo que aumen a a a sua es e a de in luência a a és da inclusão de no as compe ências polí icas. O T a ado de Maas ich ins i uiu a União Eu opéia com o nome a ual em 1993. A úl ima e isão signi ica i a aos p incípios cons i ucionais da UE, o T a ado de Lisboa, en ou em igo em 2009. B uxelas é a capi al de a o da União Eu opéia. 2 Fundo Mone á io In e nacional (FMI) é uma o ganização in e nacional que se iniciou em 1944 na Con e ência de B e on Woods e que oi o malmen e c iada em 27/12/1945 po 29 países-memb os (homologado pela ONU em ab il de 1964). O obje i o decla ado do FMI e a ajuda na econs ução do sis ema mone á io in e nacional no pe íodo pós-Segunda Gue a Mundial. Os países con ibuem com dinhei o pa a o undo a a és de um sis ema de quo as a pa i das quais os memb os com desequilíb ios de pagamen o podem pedi undos emp es ados empo a iamen e. A a és des a e ou as a i idades, ais como a igilância das economias dos seus memb os e a demanda po polí icas de au o-co eção, o FMI abalha E ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- nas á eas da saúde, da educação e dos se iços sociais. Em espos a à pos u a do go e no, g upos da sociedade ci il se o ganiza am pela in e ne , nas edes sociais, e pos e io men e nas uas , azendo das p aças acampamen os que unciona am como ó um de discussão social e mobilização con a a co upção e ei indicando melho a nos se iços o e ecidos pelo Es ado à população. Es e a igo p opõe uma e lexão sis êmica sob e a dinâmica da comunicação nos no os mo imen os sociais, pa icula men e os chamados “Los Indignados” da Espanha. De o ma sucin a, busca apon a o con ex o sis êmico no qual se dão as di e enciações , a au onomia e as negociações do sis ema “sociedade” em elação ao cen o , nes e caso o “Es ado”. O obje i o p incipal des e abalho é in e p e a “Los Indignados” sob as pe spec i as de Niklas Luhmann. Os obje i os especí icos são : comp eende o con ex o sis êmico e azões do p ocesso des as mani es ações na Espanha, conhece a dinâmica das elações comunicacionais no ambien e de dissenso e analisa a aje ó ia sis êmica de “Los Indignados”. Nesse sen ido, o p oblema cen al do es udo e e e-se à impo ância da pe spec i a sis êmica quando a a mos dos mo imen os sociais espanhóis de 2011, e le indo sob e os sis emas en ol idos, suas elações de comunicação e pode e as es a égias e ins umen os u ilizados na comunicação. Daí as pe gun as: qual o papel da eo ia lumahnniana pa a os no os mo imen os sociais? Quais as ca ac e ís icas “sui gene is” dos no os mo imen os?Como iden i ica a au opoiesi nes es mo imen os? Es es mo imen os são a no a endência pa a as mani es ações num mundo globalizado? Em se a ando de uma e lexão sob e as mani es ações sociais sob a pe spec i a sis êmica e suas implicações, os e e enciais concei uais e eó icos do es udo pa i am das o mulações de Cas ells (2014), Luhmann (2007), Rod igues & Ne es(2012), Vasconcellos (2013 ) e Ma io i (2010). Esse es udo jus i ica-se po busca analisa as implicações dos mo imen os sociais “Los Indignados”, além de salien a o alo do dissenso pa a melho a as economias dos países.O FMI se desc e e como "uma o ganização de 188 países, abalhando pa a p omo e a coope ação mone á ia global, a es abilidade inancei a segu a, acili a o comé cio in e nacional, p omo e ele ados ní eis de emp ego e c escimen o econômico sus en á el e eduzi a pob eza em odo o mundo".Os obje i os decla ados da o ganização são p omo e a coope ação econômica in e nacional, o comé cio in e nacional, o emp ego e a es abilidade cambial, inclusi e median e a disponibilização de ecu sos inancei os pa a os países memb os pa a ajuda no equilíb io de suas balanças de pagamen os. Tem sede em Washing on, D. C., Es ados Unidos. ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- pa a as elações comunicacionais, po aze eme gi a di e enciação en e os sis emas , o equilíb io de pode e a não- manu enção do s a us quo. Na medida em que esses escopos de elações engend ados pelo p ocesso de mo imen os e p o es os na Espanha se desdob am em mudança de compo amen o do pode cen al. O es udo oi desen ol ido a pa i das seguin es pa es. Na p imei a, analisa-se o concei o de mo imen os sociais e p o es os e de que o ma o p ocesso a que eles se e e em se cons i ui num p ocesso sis êmico. Na sequencia , examina-se o con ex o que ge ou o su gimen o de “Los Indignados” na Espanha. Na segunda pa e, analisa-se o pensamen o sis êmico dando ên ase aos Sis emas Sociais de Luhmann .Na e cei a e úl ima pa e, disco e-se sob o olha de Luhmann, quais as elações comunicacionais es abelecidas en e os sis emas pa e dos mo imen os sociais em ques ão. 2. MOVIMENTOS SOCIAIS E DE PROTESTOS: ASPECTOS CONCEITUAIS. Os Mo imen os Sociais e de P o es os são enômenos que oco em há mui os séculos. Mas nes e a igo, nos in e essa apon a alguns concei os dos chamados “no os mo imen os sociais”. Segundo a de inição de Wa e (2006) no seu a igo “Das Mobilizações às edes de mo imen os sociais” , os mo imen os de p o es o : “[…] são u o da a iculação de a o es dos mo imen os sociais localizados, das ONGs, dos ó uns e edes de edes, mas buscam anscendê-los po meio de g andes mani es ações na p aça pública, incluindo a pa icipação de simpa izan es, com a inalidade de p oduzi isibilidade a a és da mídia e e ei os simbólicos pa a os p óp ios mani es an es (no sen ido polí ico-pedagógico) e pa a a sociedade em ge al, como uma o ma de p essão polí ica das mais exp essi as no espaço público con empo áneo”. (Wa en, 2006). De aco do com Luhmann (2007), os mo imen os sociais de p o es os se iden i icam com a eo ien ação da sociedade pa a a di e enciação uncional, a qual nos le a a ou o pa adoxo. “[…] Segundo Pa sons, podemos pa i do con es o de maio di e enciação e maio gene alização e as bases simbólicas, pa icula men e àqueles alo es com os quais a sociedade a a de o mula sua unidade. O que acon ece quando os alo es gene alizados ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- ainda não podem esul a em sociedade di e enciada? O que acon ece se ainda que es ejam o mulados e sendo econhecidos, sua ealização deixe a deseja ? Apa en emen e, os mo imen os sociais buscam espos as pa a es e p oblema, espos as que adqui em em o ma de ou o pa adoxo que se exp essa com o p o es o da sociedade con a a sociedade […]”. (Luhmann, 2007: 673). Em ambos os concei os de mo imen os sociais, pode-se in e i que a o ganização de pa e da sociedade a iculada busca, a a és do dissenso, p essiona o sis ema cen al a aze concessões ela i as às ei indicações e p o es os.Os mo imen os sociais – especialmen e os in i ulados “no os mo imen os sociais” – são concebidos como um enômeno p óp io da sociedade pós-mode na.A eo ia da sociedade desen ol ida po Niklas Luhmann comp eende que a sociedade é ca ac e izada po sua o ma de di e enciação, sendo que, na mode nidade, essa o ma consis e na di e enciação uncional.Nesse sen ido os mo imen os sociais eme gi iam como sis emas ípicos da sociedade uncionalmen e di e enciada, mas não po possuí em uma unção exclusi a. Luhmann en ende que os mo imen os sociais não são classi icá eis como sis emas uncionais da sociedade, assim como não podem se desc i os simplesmen e como o ganizações ou in e ações. T a am-se de enômenos que não podem se comp eendidos sob essa ipologia, mas de um con on o da sociedade con a a sociedade, con o me o echo: “[...] os mo imen os a an de mo iliza – po el solo hecho de es a siemp e abie os a nue os adhe en es – a la sociedad con a la sociedad. Como es possible?” (Luhmann, 2007: 672). 3. “MOVIMIENTO 15 M”, “LOS INDIGNADOS” OU “SPANISH REVOLUTION”. O cená io polí ico-social espanhol, em e e ei o de 2011,pode se desc i o pelos co es o çamen á ios nas á eas da saúde , educação e se iços sociais e p io ização na capi alização das ins i uições públicas e edução de dé ici público .A Espanha é um Es ado- Pa e da União Eu opeia, e az pa e da zona do eu o .A im de se enquad a nos e mos condicionan es da Eu ozona , o país cedeu às p essões do Fundo Mone á io In e nacional (FMI) e à Alemanha e omou medidas d ás icas na á ea social , o que não ag adou em absolu o aos espanhóis, deixou os sindica os con usos e di undiu asco con a polí icos, pa idos e banquei os. Segundo Cas ells (2014), do descon en amen o de alguns cidadãos, nasceu um g upo no Facebook in i ulado “Pla a o ma de Coo denação de ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- G upos P ó- Mobilização Cidadã”. Dos g upos pa icipan es da pla a o ma, alguns já inham expe iência em “ en e de campanhas” em de esa da libe dade na in e ne con a a “Lei Sinde”, pela jus iça global e ou os inspi ados pelas lu as que se alas a am no con inen e eu opeu con a as consequências sociais da c ise inancei a em e olução. A pla a o ma e oluiu pa a um g upo de deba es e ação no Facebook, a “Democ acia Real Ya - DRY”. Es e g upo inha ó um, blog e lis a de e-mails. O “Democ acia Real Ya” se a a a de uma ede descen alizada com núcleos anônimos espalhados em odo o país,os seus memb os se eunião nas manhãs de domingo .Eles dela a am a omissão da democ acia ep esen a i a e em suas concepções, os p incipais pa idos polí icos não ep esen a am os in e esses cole i os , mas os in e esses das ins i uições inancei as. Em 2 de ma ço de 2011, o “Democ acia Real Ya” con ocou os cidadãos pa a mani es a o seu p o es o nas uas em 15 de maio, num domingo, com o slogan que le a a o nome do g upo: “Democ acia Real Ya! Ocupe as uas. Não somos me cado ias nas mãos de polí icos e banquei os”. E publica am um mani es o esc i o em á ios diale os da Espanha e em línguas inglesa, ancesa, i aliana, alemã, e a é em lib as. O apelo não e e apoio polí ico, sindical ou de associação ou midiá ico. Sua di ulgação oi ealizada a a és das edes sociais. Em 15 de maio, às éspe as das eleições municipais, as mani es ações oco iam sem lide ança o mal, ha ia p epa ação de mani es ações que se seguiam po semanas. Nes e dia, Cas ells (2014) apon a que mais de cinquen a cidades pa icipa am das mani es ações. No inal do dia, as p aça “Pue a del Sol”, em Mad i, e depois “Ca alunya”, em Ba celona, o am ocupadas e u ilizadas como ó um pa a se discu i o eal signi icado da democ acia a é que hou esse consenso em o no do assun o e pa a deba e os emas igno ados nas campanhas elei o ais municipais. “[…] Não se econheciam líde es: odos ep esen a am a si mesmos , e as decisões ica am a ca go da assembléia ge al, que se eunia no im de cada dia , assim como das comissões o madas em o no de cada ema sob e o qual as pessoas desejassem in e i ” (Cas ells, 2014: 89). Mais de oi en a cidades em odo o mundo segui am o exemplo dos mo imen os, e saí am às uas. O mo imen o e e cobe u a midiá ica, mas com um iés equi ocado. Em 23 de julho, na p aça “Pue a del Sol”, hou e uma mani es ação de mais de 250 mil pessoas, que Cas ells (2014) diz e sido a ea i mação da de e minação do mo imen o de con inua lu ando em p ol da democ acia e em epugnância ao ge enciamen o injus o da c ise econômica .Es a mani es ação oi esul ado das ma chas iniciadas em di e en es pon os da Espanha que con e gi am pa a Mad i e oi saudada po uma mul idão que as agua da a e se ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- jun ou à ela pa a a e apa inal. Os mani es an es espanhóis inham caminhado em passea a po cidades e aldeias, explicando a mo i ação do p o es o e azendo ou os adep os da causa no deco e do caminho. Em agos o hou e ações de p o es os e en a i as us adas de ecupe a a “Pue a del Sol” pela ocupação de policiais. Nes e mês a en ão p emie alemã Ângela Me kel impôs ao go e no espanhol que o asse uma emenda à cons i uição p oibindo dé ici s o çamen á ios pa a anquiliza os me cados inancei os que especula am con a a dí ida espanhola. A o ação e e apoio do Pa ido Socialis a (Psoe) e do Pa ido Popula (PP conse ado ), nas é ias pa lamen a es, em quase sigilo. Con á ios à emenda, os “Indignados” p o es a am dian e do Pa lamen o, pedindo um e e endo e se mani es a am em á ias cidades espanholas, des a ez, ecebendo apoio de sindica os e do pa ido de esque da que ez oposição à emenda. Em 15 de ou ub o 2011, “Los indignados” ize am uma mani es ação global, pela in e ne , po inicia i a da ede a i is a que ha ia se eunido em Ba celona em meados de se emb o .A mobilização alcançou 951 cidades em 82 países. 4. O PENSAMENTO SISTÊMICO E OS SISTEMAS SOCIAIS DE LUHMANN. Edga d Mo in (1990, apud Vasconcellos, 2013), a i ma que pa a se comp eende o pa adigma da complexidade (leia-se “sis êmico”), é p eciso sabe an es que exis e um pa adigma da simplicidade. O pa adigma clássico, ou da simplicidade oi um pa adigma que e e sua gênese na G écia an iga, pe passou a Idade Média e a é chega à Idade Mode na. Vasconcelos (2013) pincela os ma cos do desen ol imen o da concepção de conhecimen o cien í ico, passando pela descobe a do logos e a epis eme a negação do mi o e da opinião com os g egos, a iloso ia eligiosa medie al o pensamen o do homem mode no com a ágica sepa ação en e ciência e iloso ia e a ma ema ização da expe iência na qual concebe-se o posi i ismo. En e os séc. VIII a.C e VI a.C hou e a “descobe a do logos”. Os g egos econhece am que a azão pode se usada como ins umen o de conhecimen o do mundo, es a é a p imei a in lexão da linha do empo de Vasconcellos (2013, p.53). Es e ei o oi ealizado na cidade de Mile o, pelos pensado es Thalles, Anaximand o e Anaxímenes que são elacionados espec i amen e aos momen os empi is a, idealis a e ealis a, na e olução do pensamen o humano, no pe íodo p é-soc á ico. A “descobe a do logos” só oi consolidada pos e io men e en e os sec. V a. C. e IV a. C., em A enas, com Sóc a es, Pla ão e A is ó eles. O p imei o abalhou a ideia de que é necessá io jus i ica as ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- p oposições, po meio de demons ação, cujo io condu o é o a gumen o. Os dois úl imos en a iza am a impo ância de ins ala um conhecimen o e dadei o e comba e am o mi o e a opinião. Vin e séculos depois “du an e a Idade Média, oda a e lexão sob e o conhecimen o se dá nos quad os de uma iloso ia de ipo eligioso, icando ince as as on ei as en e a iloso ia e a eologia”. (Vasconcellos, 2013: 58). Os dois ilóso os e eólogos de des aque nes e pe íodo o am San o Agos inho e São Tomás de Aquino. O p imei o a i mou que a humanidade an es de C is o e ou ao oma o pode da azão como o maio pode do homem, pois a azão é ince a e somen e a e elação di ina pode ia mos a is o. San o Tomás ac edi a a que a azão só pode ia se i -se dos seus pode es se osse iluminada pela g aça di ina. O modelo de acionalidade da Idade Média en a a acalen a , numa busca pa adoxal, o pensamen o acional e eligioso. O con ex o do nascimen o da acionalidade mode na pode se concebido pelo empi ismo, di e en e da an iguidade g ega: “O nascimen o da acionalidade mode na de e-se à e olução cien í ica que oco eu nos séculos XVI e XVII. Seus p incipais expoen es o am Keple , Copé nico, Galileu, Desca e e New on. No cen o das concepções que de am o igem à ciência mode na es e e a c ença num modo acional de pensa e es a idéias, essencialmen e dis in o das idéias que sus en a am a ciência da An igüidade, ou ‘a is o élica’”. (Kaspe , 2000: 37). A pa i do séc. XVII d. C. acon eceu a sepa ação en e ciência e iloso ia. Vasconcellos (2013: 59) a i ma que “essa cisão em a e com a ma ema ização da expe iência.” Es e no o pad ão de acionalidade p ospec a a na u eza de o ma a omizada, a eduz aos elemen os mensu á eis ,à leis de medições e quan i icações. A ma ema ização do conhecimen o se es endeu do uni e so ísico ao mundo social e in oduziu o empi ismo e a expe iência como o ma de con ole da na u eza pelo homem. Os p incipais nomes da mode nidade, segundo Vasconcellos (2013), o am:Bacon, Galileu, Desca es, New on e Com e. F ancis Bacon, ilóso o inglês, oi p ecu so da iloso ia empí ico-posi i is a e associado ao mé odo indu i o, o que signi ica p ocede a uma desc ição po meno izada dos a os obse ados.Galileu Galilei, ísico i aliano, associado aos p incipios da dinâmica, in oduziu e alo izou o mé odo expe imen al nas ciências da na u eza, po ge a conhecimen o público aos quais odos podem e acesso. Ele ez da ma emá ica o no o modelo pa a a acionalidade. René Desca es, ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- pensado ancês, ísico e ma emá ico,pe sonalidade na o igem da ciência mode na.Ele assumiu uma posição dualis a na ques ão on ológica en e o pensamen o e o se , de modo a aciona o icialmen e o mundo em ma e ial e espi i ual,co po e men e, nos se es i os. Ele az a disjunção en e as coisas e o sujei o pensan e, en e a ciência e a iloso ia e p opôs como mé odo a dú ida , é conside ado o pai do acionalismo. Isaac New on, ísico e ma emá ico inglês. O nosso pa adigma de ciência é o pa adigma new oniano do mundo como uma máquina . Com New on a ciência deixa de se ampa a na ma emá ica ,pa a se ampa a em o no das ciências da na u eza: a ísica empí ica. No século XIX hou e a sepa ação en e o homem e a na u eza. Com e, ilóso o ancês, undou o posi i ismo. Ele conside a a os ilóso os especialis as em gene alidades. Também es abeleceu a “Lei dos T ês Es ágios”, ela i os às e apas do pensamen o humano: eológica, me a ísica e posi i a. E oi a a és des a lei que ele hie a quizou as ciências. O posi i ismo di a que o conhecimen o de e se buscado com a neu alidade do indi íduo, dominou as disciplinas da ciência da na u eza e do homem, depois mos ou suas limi ações com as ciências do homem. O pensamen o sis êmico é a abo dagem de um no o pa adigma da ciência em con aposição ao pensamen o " educionis a-mecanicis a" he dado dos ilóso os da Re olução Cien í ica do século XVII. O pensamen o sis êmico não ecusa a acionalidade cien í ica, mas ac edi a que ela seja insu icien e pa a se i como pa âme o no que conce ne às ciências humanas. O pensamen o sis êmico inclui a in e disciplina iedade. Um sis ema é compos o po pa es, que de em se elaciona de o ma di e a ou indi e a. É limi ado pelo pon o de is a do obse ado ou um g upo de obse ado es, pode ab iga ou o sis ema, e é inculado ao empo e espaço. O su gimen o do pensamen o sis êmico em seu con ex o desenhado pela Segunda Gue a Mundial. A G ande Gue a con ibuiu pa a o desen ol imen o de ecnologias, e as no as ecnologias le a am a pensa em e mos de “sis emas”, negando a o ma isolada do pensamen o. De aco do com Be alan ly (1975, apud Kaspe ) , somen e a pa i dos anos qua en a, como deco ência das g andes ans o mações ecnológicas impulsionadas pela Segunda Gue a , que o clima in elec ual se o nou p opício à adoção de uma no a es u u a de e e ência. Vasconcellos (2013) as eia as o igens das abo dagens eó icas dos sis emas no deco e do séc. XX, com Ludwing on Be alan y, que no pós- gue a , começou a discu i sua Teo ia Ge al dos Sis emas na Eu opa, apesa de não se ão aca ada po con a de on ei as disciplina es. Enquan o isso, Wiene , ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 23. Págs. 300 a 314 --------- e e seu abalho es imulado pela gue a pela demanda da indús ia bélica e desen ol eu a Cibe né ica nos Es ados Unidos, azendo duas g andes publicações. “A Teo ia Ge al dos Sis emas se p opõe como uma ciência da o alidade, ou como uma disciplina lógica- ma emá ica aplicá el a odas as ciências que a am de odos o ganizados.” (Vasconcellos, 2013, p.196). A Teo ia Cibe né ica su giu como uma p opos a de cons ução de sis emas que ep oduzissem os mecanismos dos sis emas i os em máquinas. Ambas as eo ias su gi am com a p e ensão de anscende os limi es disciplina es e são eo ias sis êmicas, desen ol idas pa alelamen e no século XX. Es as eo ias só se encaixa iam nos p ecei os do pensamen o no o-pa adigmá icos após se em epensadas e acolhe em o p ecei o da subje i idade, o que oco e em ou a ase com ou os cien is as como Ma u ana e Va ella. “[...] É a pa i dos es udos desen ol idos po Ma u ana e Va ela (1997), que se inco po a a isão de que os sis emas se iam ope acionalmen e echados, em um p ocesso ci cula de au ocons ução, capaz de cons ui iden idade, eduzi complexidade e pe mi i a di e enciação do ambien e”. (Cu ello e Sc o e neke , 2008: 4). Ao subs i ui a pe spec i a do odo e da pa e pela pe spec i a da di e ença en e sis ema e en o no, os sis emas passam a se is os como acoplamen o cen ado mais no uído e na i i ação p o ocada pela complexidade do en o no do que no en endimen o e no equilíb io ha mônico. É nes e con ex o de dissenso a Teo ia dos Sis emas Sociais de Niklas Luhmann se ap esen a. 5. A TEORIA DOS SISTEMAS SOCIAIS. O sociólogo alemão Niklas Luhmann (1927-1998), p opôs uma eo ia social undamen ada na noção de sis ema. Suas in es igações se ocupa am do sis ema social chamado sociedade mode na, en endida como “concei o de sociedade adicalmen e an i-humanis a, adicalmen e an i egional e adicalmen e cons u i is a” (Luhmann, 2007: 20). O au o se enuncia a concei ua a sociedade a pa i de uma ó ica humanis a e egional limi an es, e a i ma que es a enúncia ge a a possibilidade de se pe cebe os pad ões no ma i os e a alia i os das elações en e os indi íduos. A sua eo ia se a a de uma sociedade conc e a, não idealizada. E é a pa i da obse ação des a sociedade que Luhmann a desc e e de o ma cons u i is a, na qual cabem inúme as o mas e possibilidades de in e p e ação pa a cada enômeno.