scieee Open visual document viewer

Estado, sociedade e meio ambiente no Brasil em 200 anos de Independência

Horta Duarte, Regina

Abstract

Este artigo intenta apresentar uma visão panorâmica da complexidade histórica das relações entre sociedade, estado e meio ambiente no Brasil. Argumenta que a genealogia dessas relações evidencia uma trajetória não linear, multifacetada e conflituosa. Há diversas tradições no palco dos confrontos políticos atuais: o Brasil se destaca por uma longa história de destruição, que remonta ao início da colonização do território, mas também por uma fértil tradição de pensamento conservacionista, significativas lutas socioambientais, e pelo pioneirismo nas pautas globais em prol do ambiente. Recuperar e valorizar a complexidade das relações entre sociedade e ambiente pode ser um ato decisivo na construção de caminhos futuros diversos para a questão socioambiental no Brasil, projetando e demonstrando a riqueza e o vigor de diferentes atores e práticas dissonantes.

Full text

A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência1 S a e, Socie y and En i onmen in B azil in 200 Yea s o Independence Regina Ho a Dua e2 Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais (B asil) ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0003-0808-5435 Recibido: 30-04-2022 Acep ado: 26-05-2022 Resumo Es e a igo in en a ap esen a uma isão pano âmica da complexidade his ó ica das elações en e sociedade, es ado e meio ambien e no B asil. A gumen a que a genealogia dessas elações e idencia uma aje ó ia não linea , mul i ace ada e con li uosa. Há di e sas adições no palco dos con on os polí icos a uais: o B asil se des aca po uma longa his ó ia de des uição, que emon a ao início da 1 A au o a ag adece ao CNPq (p ocesso 305599/2020-8) e à FAPEMIG (p ocesso CHE- PPM-00401-17) 2 ([email p o ec ed]). Licenciada em His ó ia pela Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais (1985), mes e e dou o a em His ó ia pela Uni e sidade Es adual de Campinas (1988 e 1993, espec i amen e). A uou como p o esso a i ula -li e da Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais, e hoje é p o esso a pe manen e do P og ama de Pós-G aduação em His ó ia na UFMG. Tem expe iência na á ea de His ó ia, com ên ase em His ó ia do B asil República, his ó ia e na u eza, his ó ia da biologia na P imei a República, his ó ia dos animais. In eg ou a di e o ia da Associação Nacional de His ó ia (ges ão ago 2007-jul 2009, ANPUH nacional), na qual a uou como edi o a che e da Re is a B asilei a de His ó ia. Em 2008, ocupou aga de P o esso a Residen e no Ins i u o de Es udos A ançados T ansdisciplina es da UFMG. Pa icipou da undação da Sociedade La ino Ame icana Y Ca ibeña de His o ia Ambien al (SOLCHA), e oi elei a pa a a p imei a Jun a Di e i a, ges ão 2006-2010, en idade à qual pe ence como memb o e e i o. Pe maneceu na Jun a Di e i a dessa en idade como edi o a- che e da e is a HALAC, en e 2011 e 2014. Foi Edi o a Che e da e is a Va ia His o ia en e janei o de 2015 e dezemb o de 2017. É memb o do Edi o ial Boa d da Hispanic Ame ican His o ical Re iew. É coo denado a do Cen o de Es udos sob e os Animais (CEA), na UFMG. A ualmen e pesquisa os zoológicos na Amé ica La ina no século XX, e p oduz o canal You ube As 4 Es ações, dedicado à di ulgação da His ó ia Ambien al pa a o público amplo. www.you ube.com/c/AsQua oEs ações. São publicações ecen es: Dua e, R. H. “El zoológico del po eni -: na a i as y memo ias de nación sob e el Zoológico de Chapul epec, Ciudad de México, siglo XX”. His o ia C i ica, . 21, p. 93-113, 2019; Dua e, R. H. “Ne wo ks o Na u al His o y in La in Ame ica”. In: H.A. Cu y; N. Na dine; J.A. Seco d; E. Spa y. (O g.). Wo lds o Na u al His o y. 1ed.Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2018, . 1, p. 484-495; Dua e, R. H. Noi es Ci censes, 2a edição e is a e ampliada. 2. ed. Belo Ho izon e: Fino T aço, 2018. 248p. 348 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 colonização do e i ó io, mas ambém po uma é il adição de pensamen o conse acionis a, signi ica i as lu as socioambien ais, e pelo pionei ismo nas pau as globais em p ol do ambien e. Recupe a e alo iza a complexidade das elações en e sociedade e ambien e pode se um a o decisi o na cons ução de caminhos u u os di e sos pa a a ques ão socioambien al no B asil, p oje ando e demons ando a iqueza e o igo de di e en es a o es e p á icas dissonan es. Pala as-cha e: meio ambien e no B asil, socioambien alismo, Es ado e ambien e no B asil, his ó ia e na u eza. Abs ac This a icle in ends o p esen a pano amic iew o he his o ical complexi y o B azil's ela ions be ween socie y, s a e, and en i onmen . I a gues ha he genealogy o hese ela ionships shows a non-linea , mul i ace ed, and con lic ing ajec o y. The e a e se e al adi ions on he s age o cu en poli ical con on a ions: B azil s ands ou o a long his o y o des uc ion, which da es back o he beginning o he colonisa ion o he e i o y, bu also o a e ile adi ion o conse a ionis hough , signi ican socio-en i onmen al s uggles, and i s leade ship in global guidelines o he en i onmen . Reco e ing and aluing he complexi y o he ela ions be ween socie y and he en i onmen can be decisi e in cons uc ing di e en u u e pa hs o he socio-en i onmen al issue in B azil, p ojec ing and demons a ing he ichness and igou o di e se ac o s and dissonan p ac ices. Keywo ds: en i onmen in B azil, socioen i onmen alism, S a e and en i onmen in B azil, his o y and na u e Em 7 de se emb o de 2021, na comemo ação de 199 anos de Independência, espe áculos insóli os oma am as uas de cidades b asilei as. Em São Paulo, ce ca de 125 mil pessoas lo a am a a enida Paulis a, em apoio ao go e no de Jai Bolsona o. Os mani es an es es iam oupas com as co es da bandei a e empunha am ca azes. O discu so do p esiden e oi o acionado po uma mul idão sem másca as de p o eção con a a COVID, com g i os de o dem como “eu au o izo”, em alusão a uma desejada in e enção mili a e ompimen o da o dem democ á ica. Jo nalis as o am ag edidos. Em B asília, g upos bolsona is as in adi am a Esplanada dos Minis é ios. Pelo país, ou as capi ais e cidades ambém o am palco de mani es ações exp essi as, eunindo amílias com seus idosos e c ianças, mo oquei os, u alis as, colecionado es de a mas de ogo, pas o es e angélicos e seus iéis, polí icos, en e ou os g upos. Assim, amplos se o es da sociedade ci il a aca am o es ado b asilei o 349 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 egido pela Cons i uição de 1988. Mesmo se o es libe ais conse ado es da sociedade denuncia am o pe igo la en e naqueles e en os3. No mesmo dia, g upos de esque da o ganiza am o “g i o dos excluídos”, adicionalmen e ealizado na da a há mui os anos. A adesão a essas mani es ações oi menos exp essi a, apesa da o e c í ica ao go e no e da cla a sensação de co osão das ins i uições democ á icas. Poucos meses depois, em B asília, no dia 09 de ma ço de 2022, g upos de a is as, indígenas, quilombolas e o ganizações ambien alis as o ganiza am o “A o pela e a”. O e en o compôs a onda de p o es os con a o desmon e não apenas das ins i uições democ á icas, mas ambém das ins i uições de p o eção ambien al. En e as á ias ações do go e no, os pa icipan es c i ica am o p oje o que egulamen a a mine ação em e as indígenas, o chamado “o paco e da des uição”, o PL 191/2020. A PL p e ê ainda cons ução de hid elé icas, es adas e in odução de cul i os ansgênicos em e as indígenas. Mas ambém se p o es a a con a os p oje os 490/2007 (g ande obs áculo à dema cação de e as indígenas), 6.299/2022 ( acili ado do egis o legal de ag o óxicos), PL 510/2021( “PL da g ilagem”), assim con a o ag essi o desman elamen o dos ó gãos de iscalização ambien al. Os mani es an es se encon a am, na ocasião, com o p esiden e do Senado e do Sup emo T ibunal Fede al – pode es cons i ucionais na mi a de a aque da ul adi ei a – com a en ega de um mani es o (Va gas, 2022, B8). O que os dois e en os demons am é a complexidade da elação en e es ado, sociedade ci il e meio ambien e no B asil con empo âneo. E idenciam ainda como há di e sas adições no palco dos con on os polí icos a uais: o B asil se des aca po uma longa his ó ia de des uição, que emon a ao início da colonização do e i ó io, mas ambém po uma é il adição de pensamen o conse acionis a, signi ica i as lu as socioambien ais, e pelo pionei ismo, em alguns momen os, nas pau as globais em p ol do ambien e. Às éspe as das comemo ações do bicen ená io da Independência, no p óximo 7 de se emb o de 2022, e da la gada pelas eleições p esidenciais pa a o go e no no pe íodo 2023-2026, as ensões se ap o undam, num clima de ameaça a al ao meio ambien e no B asil, com udo o que essa pala a engloba e mescla do meio na u al e da sociedade. Es e a igo in en a ap esen a uma isão pano âmica da complexidade his ó ica das elações en e sociedade, es ado e meio ambien e no B asil. A gumen a que a genealogia dessas elações e idencia uma aje ó ia não linea e, sob e udo, mul i ace ada e con li uosa dessas elações, numa na a i a his ó ica al e na i a a ou as que ão somen e ela am o a anço da des uição 3 “Edi o ial: Os p essupos os da Independência”, Es ado de São Paulo, 07 de se emb o de 2021, p. A3. “A os i am apos a de al o isco do p esiden e”, Es ado de São Paulo, 07 de se emb o 2021, p. A6; “Edi o ial: O dia seguin e”, Es ado de São Paulo, 08 de se emb o 2021, p. A2. 350 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 desde a chegada dos colonizado es. Recupe a e alo iza a complexidade das elações en e sociedade e ambien e pode se um a o decisi o na cons ução de caminhos u u os di e sos pa a a ques ão socioambien al no B asil, p oje ando e demons ando a iqueza e o igo de di e en es a o es e p á icas dissonan es. Gigan e pela p óp ia na u eza Nação independen e de Po ugal em 1822, o B asil o ganizou-se como mona quia cons i ucional. Além dos pode es Execu i o, Legisla i o e Judiciá io, o pode Mode ado exis iu como cha e de oda a o ganização polí ica do Es ado Impe ial B asilei o, que concilia a o cons i ucionalismo libe al com ó mulas do An igo Regime. Sag ado, in iolá el, inimpu á el, o Impe ado eina a pela g aça de Deus e unânime aclamação dos po os. Concen a a o exe cício dos pode es Execu i o e Mode ado , assim como lide a a a Ig eja no e i ó io nacional, man endo o egime de pad oado da an iga me ópole po uguesa. Ao eme gi como Es ado-nação mode no, o B asil independen e não oi concebido como Es ado ins i uído po um pac o social si uado na empo alidade his ó ica. O Es ado ap esen ou-se como agen e an e io à sociedade, p ecedido apenas pela on ade di ina e pela na u eza g andiosa. A P oclamação da República em 1889 não al e ou adicalmen e as bases dessa concepção. A despei o do ca á e laico e libe al do no o egime, e da e e ência ao pac o social na Cons i uição de 1891, man e e-se a ideia do Es ado demiu go, cuja ação impedi ia iscos de agmen ação e i o ial, p omo e ia a o mação de um po o e, sob e udo, ga an i ia a con inuidade e o alecimen o da essência ag á ia e ex a i is a a ibuída pelas eli es dominan es à nação b asilei a. Nas ep esen ações da on ade di ina, da na u eza e do Es ado como agen es me a ísicos cons i uin es do B asil, o oman ismo do pe íodo impe ial oi seguido pelo u anismo, com lou o es e cân icos à g andeza do e i ó io, às suas belezas e iquezas, à na u eza p i ilegiada, en im (Chauí, 2010, 32-53). En e os símbolos ado ados pela República Fede a i a do B asil, a no a bandei a azia o e de das ma as, o ama elo do ou o, e o C uzei o do Sul. Esses elemen os, he dados da bandei a do Impé io, não aludiam aos aspec os his ó icos, polí icos ou sociais do país. O no o hino man inha a melodia do hino do Impé io, mas ganhou no a le a que celeb a a o B asil como “gigan e pela p óp ia na u eza”. O imaginá io de uma “na u eza b asilei a” – esplendo osa, di e sa, luxu ian e, supos amen e e e na, imu á el e in indá el – oi impo an e no p ocesso de iden idade nacional. O p óp io nome, B asil, alude ao pau-b asil (Caesalpinia echina a), á o e da qual se ex aía o co an e come cializado pela co oa Po uguesa nos p imó dios do século XVI (Ca alho, 1990, pp. 109- 351 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 28; Pádua, 2019). A comunidade imaginada assumia assim, aspec os mui o peculia es.4 A República b asilei a em sido ma cada po o e ins abilidade ins i ucional. Desde 1889, o país e e seis di e en es cons i uições. Regimes di a o iais ou de exceção domina am ce ca de um qua o do pe íodo, en e golpes e es ados de sí io. Nos úl imos anos, nossa ágil democ acia passa po um p ocesso co osi o. No seio de an as u bulências, ês emas são decisi os pa a comp eende mos as elações en e Es ado, sociedade e ambien e no B asil. Em p imei o luga , há si uações pa adoxais en ol endo ideias de conse ação e p og esso e – dos anos 1940 em dian e – conse ação e desen ol imen o. O meio na u al no B asil é, epe idamen e, ão elogiado quan o p e e ido em a o de in e esses econômicos. Em segundo luga , a expansão sob e o e i ó io ganhou impulso especial ao longo do século XX, em ondas di e sas, como a descobe a dos se ões na P imei a República, a “ma cha pa a o oes e” du an e a E a Va gas, o plano de in eg ação nacional du an e a di adu a ci il-mili a iniciada em 1964. Nas úl imas décadas, a expansão do ag onegócio, com des aque pa a o cul i o de soja, em de e minado a des uição implacá el de la gas ex ensões de ce ado e a ualmen e se di ige ao chamado MATOPIBA, nos es ados de Ma anhão, Tocan ins, Pa aíba e Bahia. Finalmen e, a ocupação e i o ial desencadeou iolen os con li os sociais com populações adicionais. En e mui as dispu as, a ques ão indígena se ap esen a como um pon o ulc al. Essas populações, suas e as e suas cul u as es ão sob cons an e ameaça pelo a anço de a i idades ag ícolas, mine ação, ex ação de madei a, ga impei os, cons ução de es adas, e o ias, hid elé icas, e mesmo pela ação de pas o es e angélicos que en am nos e i ó ios indígenas isando aumen a o núme o de seus iéis. Assim, o impasse a ual em o no da já ci ada PL191/2020 é mais um capí ulo desse con li o secula na his ó ia da sociedade b asilei a. Em busca das adições A busca da adição, quando se ap esen a como cons ução de uma o igem, pode se uma a madilha pa a o his o iado . Tan as adições são in en adas pa a o alece posições polí icas do p esen e, c iando alsas con inuidades, cons uindo icções de undação, echando possibilidades de encon o com a al e idade do passado (Bloch, 1964, p. 29-34; Foucaul , 1977, p. 139-164; Hobsbawn, 1983, p. 1-15). En e an o, o concei o de adição pode se ope ado isando a e omada de a os e p á icas dissonan es obscu ecidos, agmen ando 4 Sob e o concei o de nação como comunidade imaginada, e Ande son (2003). 352 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 ce ezas es abelecidas sob e o passado, o p esen e e o u u o de uma sociedade (A end , 2006, pp. 17-40; S a ling 2018, p. 273-276). A cul u a polí ica e a his ó ia b asilei a o am an as ezes eduzidas às na a i as da e iginosa conquis a do e i ó io a e o e ogo e da apa ia da sociedade desde a chegada dos Po ugueses (Dean, 1977). En e an o, há uma plu alidade de acon ecimen os dissonan es que podem se iden i icados em con ex os polí icos, sociais e cul u ais de en en amen o social. Eles e idenciam a plu alidade do passado e a inexis ência de um caminho linea ou p é-de e minado pa a as elações en e essa sociedade e o meio ísico. Recupe a esses con li os e as descon inuidades é ambém a gumen a que, em cada momen o do passado, o u u o e a inde e minado. A his ó ia se az no de i do empo, no choque dos en en amen os polí ico-sociais, no jogo en e necessidades e acasos. Pádua iden i icou uma linhagem igo osa de pensamen o conse acionis a no B asil en e ins do século XVIII e o início da República, em 1889. Nesse pe íodo, cen o e cinquen a li os e olhe os o am publicados po cinquen a au o es, com análises e p opos as de endências cien i icis as, isioc a as e p og essis as pa a a conse ação da na u eza. Tais ob as ale a am sob e as consequências do uso imp e iden e de lo es as, solo, minas e ios.P opunham mudanças de cos umes, écnicas e p á icas de explo ação econômica (Pádua 2000, pp. 255-87; Pádua 2002). En e esses au o es, al ez enha sido José Boni ácio de And ada e Sil a (1763-1838) a alcança o maio impac o. Quase semp e lemb ado como “pa ia ca da Independência” e de enso adical da mona quia, Boni ácio oi um g ande na u alis a e legou impo an es esc i os denunciando a des uição da na u eza no B asil, a gumen ando a u gência de explo á-la acionalmen e. Boni ácio ep esen ou o igo dos in elec uais o mados na Uni e sidade de Coimb a que, e o mada em 1772, o nou-se um locus de i adiação do pensamen o iluminis a e cien í ico. Mas sua igu a ambém oi e e ência pa a ge ações u u as no B asil Impe ial, especialmen e ao de ende o im do abalho esc a idão como condição sine qua non pa a uma eal ans o mação cul u al. A despei o da quan idade e qualidade de seus esc i os, ele e ou os au o es não log a am in luencia polí icas públicas de conse ação da na u eza, en e ao pode das classes senho iais esc a is as. A ua am de o ma quase semp e agmen ada, em di e en es con ex os polí icos ao longo de mais de um século, em egiões di e sas do ex enso e i ó io b asilei o. É ainda impo an e essal a que suas concepções sob e o meio na u al e isões de nação inham an as semelhanças quan o ma izes ele an es (Pádua 2002). 353 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 P imei a República: populações, na u eza e e i ó io A cons i uição epublicana de 1891 inaugu ou a sepa ação en e Es ado e Ig eja, num egime p esidencialis a. A despei o das expec a i as nu idas po alguns g upos epublicanos numa no a o dem democ á ica, a hegemonia polí ica das eli es ag oexpo ado as con o mou a ins i uição de um es ado libe al oligá quico que excluiu a a maio pa e da população de seus di ei os polí icos, po meio da ecusa do di ei o de o o aos anal abe os e mulhe es. A aude elei o al gene alizada, po sua ez, o na a inú il a pa icipação dos cidadãos nos plei os (Ca alho, 1987, pp. 44-5). O iun o do ede alismo oi especialmen e a iculado po es ados expo ado es de p odu os, como São Paulo, p odu o de ca é pa a o me cado mundial. O “boom” de explo ação de bo acha ambém bene iciou a economia de es ados como Pa á e Amazonas. No cen o sul do país, a chegada maciça de imig an es o ganizada pelo go e no b asilei o p omo eu uma p o unda ans o mação demog á ica. A ação go e namen al oi ambém decisi a na p omoção de p oje os de in aes u u a, incluindo concessões e a ação de in es imen os in e nacionais pa a a cons ução de e o ias, po os, na egação de ios. Tudo isso al e ou paisagens e biomas, com consequen e p essão sob e ege ações e ida sil es e. A ausência de leis de con ole da explo ação de á eas na i as a o ecia o a anço das a i idades de ex ação de madei a, ou mesmo as queimadas pa a “limpeza” dos e i ó ios pa a expansão de azendas. A ocupação das e as de olu as oco eu po meios audulen os, com sua pos e io o malização como p op iedade p i ada. A iolência en ol ida na ocupação do e i ó io ap o undou a pob eza das comunidades u ais de pequenos la ado es, e inc emen ou o ex e mínio de mui as populações indígenas, que iam sendo compulso iamen e concen adas em pequenos aldeamen os onde di icilmen e pode iam se man e como sociedades cul u almen e di e enciadas. A explo ação de iquezas mine ais no sobsolo oco ia sem qualque legislação especí ica. Pelo B asil a o a, animais sel agens o am caçados implaca elmen e pa a come cialização de penas e peles, mesmo que na u alis as apelassem pa a os go e nos es aduais e ede ais em a o de leis que egulassem essas a i idades (Dean, 1977, pp. 214-5; Cunha 1992, p.16; Cons i uição 1891, a igo 72 §171; Dua e, 2014, p. 270-301). Enquan o o libe alismo da Cons i uição de 1891 jus i ica a a ação mínima do es ado em alguns se o es, á eas c uciais pa a o sucesso do modelo ag oexpo ado ecebe am in e enções o es e decisi as. A imig ação oi uma delas: la gamen e subsidiada, causou p o undas impac os demog á icos, é nicos, cul u ais e ambien ais. Cidades como Rio de Janei o e São Paulo assis i am ao c escimen o da indus ialização e di e si icação de se iços, com aumen o do consumo de p odu os básicos (como alimen os e lenha), mas 354 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 ambém de bens impo ados de luxo pa a as eli es. O B asil se inse iu ainda mais p o undamen e na ede global de populações humanas, plan as, animais, pa ógenos, com p o undas consequências pa a o meio na u al.5 Todas essas mudanças o am acompanhadas do ag a amen o de doenças, com impac os na saúde pública, le ando o es ado a p o e assis ência às populações humanas. Em 1899, uma epidemia de pes e bubônica o iginá ia na Ásia alcançou o po o de San os, em São Paulo, local es a égico da expo ação de ca é. As au o idades oma am medidas i mes e imedia as pa a con ola o con ágio, c iado o Ins i u o Fede al So o e ápico no Rio de Janei o, pa a p odução de acinas e so os, assim como pa a o es udo de doenças opicais. Oswaldo C uz di igiu a ins i uição nos p imei os anos, o ganizou e o mas sani á ias em cidades e po os, a uando ainda no con ole da malá ia du an e a cons ução da e o ia Madei a-Mamo é no co ação da lo es a amazônica. Ou a ins i uição c iada oi o Ins i u o Bu an ã, pelo go e no de São Paulo, pa a p odução de so os, des acando-se especialmen e no a amen o de picadas po cob as e ou os animais peçonhen os, e en os cada ez mais comuns à medida que o e i ó io des lo es ado a o ecia encon os en e se es humanos, cob as, a acnídeos a o ecia encon os en e se es humanos, cob as e a acnídeos. Após consolida -se como cen o de pesquisa biológica, o Ins i u o Oswaldo C uz lide ou expedições cien í icas pelo in e io do país. Memb os do Ins i u o conduzi am abalhos de campo e implemen ação de p ocedimen os pa a o con ole de inse os ansmisso es de malá ia, eb e ama ela, dengue, leishmaniose, doença de Chagas, en e ou as ações. Eles ambém a alia am o e ei o de endopa asi as nas populações humanas u ais, e o papel dos animais domes icados nos ciclos de con aminação. Semp e sob o apoio do es ado b asilei o, o Ins i u o p opôs medidas de saúde pública, desc e endo o B asil como um “imenso hospi al” (Lima, 1999, pp. 55-126). Ou a inicia i a pa a a explo ação do e i ó io oi a “Comissão Es a égica de Linhas Teleg á icas do Ma o G osso ao Amazonas”, c iada em 1907 na p esidência de A onso Pena. Além do mapeamen o e i o ial, ocupação e de inição de on ei as, as missões lide adas po Cândido Rondon ga an i am a sis ema ização de conhecimen os geog á icos, an opológicos, bo ânicos e zoológicos, ab angendo as as á eas a é en ão habi adas po populações indígenas, num p ocesso que adicionou uma dimensão inédi a na cons ução nacional. Mui os na u alis as do Museu Nacional acompanha am Rondon, e e dadei amen e se o ma am em expe iências decisi as i idas nessas expedições. Nessas andanças, sen iam-se como no os descob ido es do B asil, cons uí am conhecimen os sob e populações humanas e não humanas. Adqui i am ambém uma expe iência polí ica, ao es emunha a iolência nas on ei as de ocupação, o desma amen o absu do, a caça desen eada. Cole a am 5 Como oco eu ambém em ou os países da Amé ica La ina (McCook, 2011, p.11-31). 355 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 ma e iais di e sos que en iquece am as coleções do Museu que, po sua ez, alimen a am as in es igações de bo ânicos, zoólogos, geólogos e an opólogos. Segundo Edga Roque e-Pin o, di e o do Museu, a iagem com Rondon em 1912 mudou sua isão sob e o B asil, seu e i ó io e po o. No Museu Nacional, desen ol eu-se um g upo a iculado e a i is a em o no da ques ão da na u eza, compos o po Roque e-Pin o, F ede ico Hoehne, Albe o Sampaio, Mello Lei ão, Be ha Lu z, Heloisa Albe o To es, en e ou os. Suas ações mescla am p odução de conhecimen o, nacionalismo, p essão sob e au o idades po medidas legais de conse ação e p oje os educa i os. Jun o à Academia B asilei a de Ciências, unda am a Rádio Sociedade, em 1923, com p og amas de di ulgação cien í ica. Inaugu a am, em 1927, o Se iço de Assis ência ao Ensino de His ó ia Na u al, ol ado pa a alunos de escolas públicas. Alguns deles in eg a am o mo imen o da Escola No a, a iculados com os p incípios de ensino laico, uni e sal e público de Anísio Teixei a. Cons uí am uma sala de cinema no Museu, mon a am labo a ó ios pa a p odução de ilmes educa i os pa a o g ande público. Es i e am en ol idos na undação da Sociedade dos Amigos das Á o es (1931), na Sociedade dos Amigos de Albe o To es (1932), na o ganização da P imei a Con e ência B asilei a de P o eção à Na u eza (1934). Mello Lei ão, Sampaio e Roque e-Pin o esc e e am o an ep oje o do Código de Caça e Pesca, em 1932, pa a o Minis é io da Saúde e Educação. Sampaio pa icipou da esc i a do an ep oje o do Código Flo es al, na mesma época. Publica am li os e a igos cien í icos, a icula am-se com a comunidade cien í ica in e nacional. Sob e udo, sua concepção de conse ação da na u eza incluía deba es sob e saúde e educação, sob e o papel do Es ado nessas á eas, sob e o papel dos cien is as na ques ão social. Apos a am no pode da di ulgação do conhecimen o. Uma ez o alecidos po polí icas de saúde, e ans o mados pela educação, os b asilianos comuns – que i essem no campo ou nas cidades – ama iam e p o ege iam lo a, auna, ios e solos (Dua e, 2016). A e a Va gas: na u eza, nacionalismo e desen ol imen o O mo imen o de 1930 e a omada do pode al e ou o jogo de o ças das eli es oligá quicas. O no o go e no de endeu um es ado cen alizado e o es ei amen o da au onomia das unidades da ede ação, a e e i a ocupação do e i ó io nacional, e a p omoção da educação e da saúde pública como obje o de polí icas do es ado. Nesses p oje os, a a a-se de o ma uma população saudá el, educada pa a o abalho, a sal o dos pe igos da ideologia bolche ique (nas cidades), ou do bandi ismo e da ebeldia milena is a (nas á eas u ais). 362 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 Os se inguei os em lu a a aí am a a enção e o apoio de o ganizações in e nacionais, in elec uais, jo nalis as e de di e en es a o es polí icos que en ão se mo imen a am na cena b asilei a. Eles p opunham soluções ans o mado as que concilia am abalho u al e p ese ação ambien al, p oje ando um no o ipo de á ea de conse ação, a ese a ex a i is a, na qual o abalho cole i o explo a ia a lo es a de o ma sus en á el, em e as da União (Almeida 2004, Sed ez 2014). Su gi am lide anças comba i as, en e as quais se des acou Chico Mendes. F ancisco Al es Mendes Filho nasceu em Xapu i, em 1944, e abalhou como se inguei o desde a in ância. Nos anos 1970, passou a a ua no sindicalismo de abalhado es u ais, o nando-se um dos g andes líde es na de esa da lo es a. Se ia assassinado em 1988, o nando-se um emblema dos mo imen os socioambien ais na Amazônia b asilei a (Ga dne , 1993; Rod igues, 2007; Ven u a 2003). Ou o megap oje o lançado na di adu a mili a oi a cons ução da Hid elé ica de I aipu, lançado em 1973. O a anço econômico daqueles anos exigia o aumen o da p odução ene gé ica. A inaugu ação da hid elé ica, em 1982, euniu os di ado es João Figuei edo e Al edo S oessne . O echamen o das compo as, iniciando os abalhos, subme giu 43.000 hec a es de lo es as na i as e as Ca a a as Se e Quedas. Cen enas de ambien alis as p o es a am, acampados nas imediações, ealizando um i ual indígena, o Qua up, em con as e com a ce imônia o icial. Se os p oje os iniciais em 1973 apenas se gaba am das p omessas de desen ol imen o con idas na cons ução da hid elé ica, o clamo con a a des uição ambien al assinala a as no as sensibilidades ecológicas eme gen es no B asil e o su gimen o de mo imen os sociais ambien alis as (U ban, 2001, p. 94-124, Oli ei a e Flo en in 2018). Em 1971, su giu a Associação Gaúcha de P o eção do Ambien e Na u al (AGAPAN), lide ada pelo ag ônomo José Lu zenbe ge . A associação iniciou seus p o es os em o no do co e de á o es em Po o Aleg e, e c esceu com a mobilização con a a emp esa Celulose Bo egaa d, cujos esíduos poluen es e am um g ande isco à saúde da população. Lu zenbe ge o nou-se ainda uma das ozes mais espei adas no B asil con a o uso dos ag o óxicos. Em 1976, publicou o Mani es o Ecológico B asilei o, que se o nou uma e e ência cha e pa a os ambien alis as no B asil, sis ema izando uma é ica ecológica na qual de endeu a necessidade de ede ini o concei o de p og esso. Lu zenbe ge desempenha ia ainda um impo an e papel na de esa da Amazônia como minis o do Meio Ambien e, en e 1990-1992, já no pe íodo democ á ico (Pe ei a, 2016)6. A indus ialização a ançou acele adamen e no pe íodo do “milag e econômico”, especialmen e no cen o sul do B asil. Algumas á eas indus iais 6 Sob e Lu zembe ge , consul a ainda o canal do You ube Lu z Global h ps://www.you ube. com/c/Lu zGlobal 363 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 concen a am indús ias pe oquímicas, side ú gicas, cimen o, au omó eis, equipamen o, e bens de consumo du á eis. Não ha ia egulamen ações ambien ais pa a con ole de emissões a mos é icas ou esíduos indus iais, e a con aminação do a e da água ge ou imensas p essões ambien ais em mui os luga es, en e os quais a cidade de Cuba ão oi al ez o mais g a e exemplo. Nas cidades, o c escimen o demog á ico oi alimen ado pela mig ação de populações u ais, expulsas pelo ag essi o a anço do ag onegócio, ca apul ando o consumo de água e ge ação de esgo os, ge ando uma c ise de is es consequências, num quad o assus ado pa a a saúde pública (Dua e, 2015). Mui os mo imen os da sociedade ci il se le an a am con a essa si uação. Em 1973, em São Paulo, o a is a Miguel Abellá lide ou o Mo imen o A e e Pensamen o Ecológico (MAPE). O MAPE ealizou pe o mances nas uas da cidade de São Paulo, p o es ando con a a poluição a mos é ica. En e 1978 e 1988, publicou a e is a Pensamen o Ecológico, omen ando o deba e e o engajamen o de um público c escen e pa a o ema (U ban, 2001). Em Belo Ho izon e, em 1978, su giu a Associação Minei a de De esa do Meio Ambien e, o mada po es udan es e in elec uais. O can o Be o Guedes, in eg an e do mo imen o musical Clube da Esquina, es ou ou nas pa adas de sucesso, em 1981, com a canção Sal da Te a, que e oca a o mais boni o dos plane as, mal a ado po dinhei o. F en e a isso, Guedes con oca a odos a se em “o sal da e a”, e ocando as pala as de Jesus aos seus discípulos, na missão de ans o ma o mundo. Com a anis ia polí ica, em 1979, mui os exilados polí icos ol a am com uma no a pe spec i a sob e as ques ões ambien ais, como Fe nando Gabei a, Ca los Minc e Al edo Si kis, cons i uindo uma lide ança in elec ual e polí ica de a i ismo ecológico no país. Assim, hou e c í icas à c escen e des uição ambien al, mesmo que a ep essão e o con ole da imp ensa pela di adu a impedissem a di ulgação das c í icas. Assim, a agenda ambien al g ada i amen e se impôs no cená io dos deba es nacionais. Alguns e en os p opicia am o ala me da opinião pública e au o idades de saúde. Em 1980, um su o de anence alia na cidade de Cuba ão, São Paulo, oi iden i icado como deco ência da emissão descon olada de poluen es e subs âncias al amen e óxicas pelas indús ias locais. Qua o anos depois, um azamen o químico causou um incêndio que a ingiu oda uma izinhança de Cuba ão, a Vila Socó, deixando um as o de des uição, mo e e do . Fica a e iden e a negligência das au o idades esponsá eis. Além das oposições in e nas, ques ões elacionadas à Amazônia, à Se e Quedas e lo es as inundadas po I aipu e à poluição a mos é ica o am ópicos de ques ionamen o di igidos ao go e no b asilei o du an e a Con e ência de Es ocolmo, em 1972. Du an e o e en o, ep esen an es do B asil a aca am as ecomendações de egulamen ação ambien al como uma ameaça à sobe ania nacional. O go e no mili a deu cla as ecomendações aos ep esen an es 364 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 sob e as posições es a égicas a se em de endidas po eles, semp e se opondo a qualque medida que pudesse se um obs áculo ao desen ol imen ismo. (Figuei edo, 1972, p. 4-10; Guima ães, p. 157-9; Lago, 2006, p. 115-44). Uma pa e da opinião pública b asilei a, gozando a eu o ia do c escimen o econômico, aplaudiu a pos u a da delegação em nome da sobe ania nacional. Tan as ques ões ilus am as ensões en e desen ol imen ismo e conse ação, nacionalismo/globalismo, es ado cen alizado /ausência de egulações ambien ais. Mesmo ado ando uma pos u a i me na Con e ência, o go e no acabou c iando a Sec e a ia do Meio Ambien e (SEMA) em 1973. Paulo Noguei a-Ne o – cien is a enomado e undado da FBCN, como imos acima –acei ou a p esidência da SEMA en e 1974 a 1986. Seu empenho e espei abilidade cien í ica iabilizou a c iação de 3,2 milhões de hec a es de á eas p o egidas em di e en es ecossis emas no B asil (Noguei a-Ne o, 2010; p. 153-7; Guima ães, 1991, p. 143-171). Ainda no plano ins i ucional, impo an es conquis as oco e am. A c escen e impo ância da ques ão ambien al na opinião pública p essionou a ap o ação da Lei de Polí ica Nacional do Meio Ambien e, em 1981 (Lei 6.937) e a c iação do Conselho Nacional de Meio Ambien e (CONAMA, com g ande pode de deba e e delibe ação). A es u u a ins i ucional desse ó gão inaugu ou expe iências de pa icipação democ á ica, incluindo memb os da sociedade ci il. Ainda no pe íodo mili a , abalhado es u ais o ganizados unda am o Mo imen o dos T abalhado es sem Te a (MST), num encon o em Casca el, Pa aná, em 1984. A mode nização ag ícola inha des uindo unidades amilia es de p odução, e inc emen ando o êxodo u al. F en e ao p ocesso de c escen e exclusão do pequeno ag icul o , o MST passou a lide a a lu a pelo acesso à e a. Mas ambém ques ionou o mas de cul i o, p opugnando cuidados com a p ese ação do solo e da água em p oje os de ag icul u a amilia e o gânica, em con aposição aos usos p eda ó ios nos g andes la i úndios ag oexpo ado es. Numa pla a o ma polí ica que combina ei indicações de e o ma ag á ia e p á icas de ag oecologia, o MST, desde en ão ques iona o modelo hegemônico de ag icul u a no B asil (Le e e Medei os, 2014, p. 111-135; Pádua, 2012, 456-473). A edemoc a ização e a cons ução de uma agenda ambien al Em 1985, o país e e suas p imei as eleições, mesmo que po sis ema indi e o. O no o go e no c iou o Minis é io do U banismo e Meio Ambien e. Ambien alis as de di e en es pa es do B asil unda am, em 1985, a Coo denação In e es adual de Ecologis as pa a a Assembléia Cons i uin e (CIEC) com o obje i o de p essiona po uma agenda ambien al a se 365 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 de endida pelos candida os. O CIEC publica a “lis as e des” com nomes de candida os comp ome idos com emas socioambien ais. Po úl imo, mas não menos impo an e, o Pa ido Ve de su giu em janei o de 1986 (Pádua, 1991, p. 135-61). A Cons i uição de 1988 con ém um capí ulo especial sob e o meio ambien e e, jun o com a undação do Ins i u o B asilei o do Meio Ambien e e dos Recu sos Na u ais Reno á eis (IBAMA) em 1989, es abeleceu uma no a ase da egulamen ação ambien al no B asil (D ummond and Ba os-Pla iau, 2006: 83-110). O IBAMA a ua na p ese ação e conse ação do pa imônio nacional, con ole e iscalização do uso de ecu sos na u ais, assim como concede ou não licenças pa a emp eendimen os, numa a aliação écnica de seus impac os ambien ais. Quase duas décadas depois, em 2007, o Minis é io do Meio Ambien e –en ão ocupado po Ma ina Sil a, uma pionei a mili an e do mo imen o dos se inguei os na Amazônia – c ia ia ainda o Ins i u o Chico Mendes de Conse ação da Biodi e sidade (IMCBio). Nesse no o e complexo quad o polí ico, ins i ucional e social, o en en amen o de in e esses ganhou no os pa âme os e possibilidades de a uação de uma sociedade ci il c escen emen e sensí el à ques ão ambien al. Todos esses ó gãos passa am a con a , ao longo dos anos, com quad os expe ien es, do ados de conhecimen os écnicos, cien í icos e sociológicos. Em 1992, a Ea h Summi oi sediada no Rio de Janei o, a Rio-92. A Con e ência oi c ucial pa a o alece o a i ismo socioambien al na sociedade b asilei a. Os ela ó ios inais econheciam a insepa abilidade en e as ques ões ambien ais e sociais. P opugna am ambém a necessidade de mudanças que combinassem p opos as econômicas al e na i as, ambien ais e de jus iça social. Esses emas e am pa icula men e con o e sos em empos da ascendência de endências neolibe ais e maio inse ção do país nos me cados mundiais. Di e sos con li os socioambien ais em odo o e i ó io b asilei o en ol e am po os indígenas, se inguei os, comunidades quilombolas, comunidades a ingidas pela cons ução de ba agens, pescado es ibei inhos, abalhado es u ais e ou as comunidades adicionais (Acsel ad, 2004). O ambien alismo ganhou o ça e p o issionalização. Agências in e nacionais es abelece am esc i ó ios no B asil, como o Wo ld Wild Fund (WWF, 1990), Conse a ion In e na ional (1990), G eenpeace (1991), The Na u e Conse ancy (1994). Su gi am o ganizações nacionais ele an es como a SOS Ma a A lân ica (1986), Fundação Biodi e si as (1989), Ins i u o Sociambien al (1994), en e cen enas de ONGS espalhadas po es ados di e sos b asilei os. Hou e ainda um o alecimen o do a i ismo da sociedade ci il e a i mação do ca á e holís ico da ques ão ambien al, com en ol imen o de p o issionais de múl iplas á eas do conhecimen o e expe ise, e p og essi o es ímulo à o mação de quad os compe en es pa a a ua nas ONGS e ó gãos go e namen ais (Pádua 2016, p. 129; Alonso and Maciel, 2010). 366 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 A eme gência da emá ica da jus iça ambien al desco ina um quad o mui o mais complexo, com a ascensão de agudos con on os socioambien ais. Em 2001, mais de 100 o ganizações popula es c ia am a Rede B asilei a pa a Jus iça Ambien al, em Ni e ói, Rio de Janei o. O encon o esul ou ainda na di ulgação de um Mani es o, que ques iona a o modelo de desen ol imen o dominan e no B asil e as injus iças ambien ais dele deco en es. O Mani es o denunciou a pe manência da concen ação de pode na ap op iação dos ecu sos ambien ais nas mãos de alguns poucos em de imen o de abalhado es u banos e u ais, í imas de exclusão e i o ial e social. Nas pe i e ias da cidade, abalhado es i em sem saneamen o, ameaçados po enchen es, po lixo, al a de acesso a água e a pu o, em condições de abalho insalub es. No meio u al, populações so em deslocamen os compulsó ios, expulsões po g andes p oje os hid elé icos e iá ios, a anço da ag opecuá ia e explo ação mine al e madei ei a, p ejudicadas ainda pela p oibição de sua p esença nas unidades de conse ação ambien al. Pesquisado es e a i is as que ope am o concei o de jus iça ambien al a gumen am que o acesso aos ecu sos na u ais é in insecamen e con li i o, dado o seu con ole e monopólio po g andes in e esses econômicos. Denunciam a despoli ização do deba e ambien al pelo chamado ambien alismo de esul ados. De endem a ees u u ação p o unda da sociedade u bano- indus ial-capi alis a, e lu am pelo di ei o de au onomia e decisão sob e o p óp io des ino pelas di e sas populações a ingidas po injus iças ambien ais (Acsel ad 2004; Zhou i, Lasche ski e Pe ei a, 2005; Zhou i e Lasche ski, 2010). Mesmo go e nos democ á icos como os de Lula e Dilma Rousse o am du amen e c i icados como man enedo es da lógica desen ol imen is a, ea i ando p oje os es u u ais de al o impac o socioambien al, como a cons ução da Hid elé ica de Belo Mon e e a ansposição do São F ancisco, e p opondo no os, como as ba agens no Rio Madei a, além do amplo apoio ao ag onegócio (Zhou i 2010). En im, o campo de en en amen o em o no das ques ões ambien ais no B asil es a a longe de se esol ido e coloca a em oposição g andes in e esses econômicos e as comunidades exis en es na e a dos p oje os de desen ol imen o. Mais ecen emen e, desas es como a up u a das ba agens de ejei os da mine ação em Ma iana (2015) e B umadinho, em Minas Ge ais (2019), mos am como a jus i ica i a de luc os c iou si uações de inac edi á el i esponsabilidade e dano ambien al, em agédias mais que anunciadas (Acsel ad, 2017; Espindola, Noda i e San os, 2019). Ques iona o desen ol imen ismo signi ica desbanca a ideia de que essa é a única opção pa a a sociedade b asilei a, econhece a p imazia da sociedade ci il e do campo polí ico pa a a de inição de no os umos (Sachs 1998, p. 161-3). Sem ques iona o ca á e decisi o de polí icas públicas elacionadas à ques ão socioambien al, é p eciso semp e lemb a que o es ado não é um 367 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 guia demiú gico, mas o esul ado de con on ações sociais e his ó icas. O o alecimen o das associações ci is semp e oi e, mais que nunca, se mos a indispensá el pa a a lu a ambien alis a no B asil. Desa ios no Bicen ená io: gado, g ãos, miné io e a mas Eis que as eleições de 2018 no B asil escanca a am a insa is ação das eli es com os limi es impos os po décadas de lu as ambien ais aos seus p oje os de desen ol imen o. As chamadas bancadas do boi, da bala e da bíblia apoia am o emen e o candida o elei o, Jai Bolsona o. Pa a o ag onegócio, desa a am- se empecilhos aos usos e comp as de ag o óxicos, mui os deles p oibidos em mui os países, como o he bicida gli osa o. A expansão das on ei as ag ícolas oi ca apul ada com sucessi as ações do Minis é io do Meio Ambien e. Pa a os in e essados na libe ação de enda de a mas há, além dos luc os p ome idos nesse no o me cado, a possibilidade de posse e po e de a mas po p op ie á ios u ais, o que ce amen e ap o unda a iolência no campo e ameaça a ágil exis ência de comunidades indígenas, quilombolas, ex a i is as, e a i is as ambien ais. Pa a a bancada da Bíblia, ep esen an es das ig ejas e angélicas no B asil, a ques ão da na u eza é comp eendida pela isão an opocên ica de um mundo c iado ão somen e pa a que o homem dele disponha a é o im dos empos que, assegu am, es á p óximo. O B asil i e um momen o de aci amen o de con li os, da ascensão do pode de g andes in e esses econômicos ligados à expo ação de ca ne, soja, miné io. O desman elamen o dos ó gãos ambien ais e o ho izon e de e ocessos o am denunciados num encon o de oi o ex-minis os do Meio Ambien e, ealizado no Ins i u o de Es udos A ançados da Uni e sidade de São Paulo, em maio de 2019.7 Uma des uição do meio ambien e sem p eceden es encon a-se em cu so no B asil. Nessa enc uzilhada, é p eciso na a a his ó ia dos mo imen os ambien ais, com seus discu sos e p á icas de ciência, a e, cul u a e jus iça ambien al, assim como a his ó ia da ins i ucionalização de egulamen os ambien ais pelo Es ado b asilei o. Vi emos um pe íodo decisi o, no qual an as ques ões es ão em jogo. As comemo ações do bicen ená io se ão ma cadas, p o a elmen e, pelo gos o das ince ezas, num momen o cha e pa a os umos ambien ais da sociedade b asilei a, com udo o que ela engloba: populações humanas di e sas, animais, ios, solos, cidades, li o ais, manguezais, plan as, a mos e a e mon anhas. Pois que odos coexis em. 7 O ídeo do deba e se encon a disponí el em: h p://www.iea.usp.b /midia eca/ ideo/ ideos-2019/encon o-dos-ex-minis os-de-es ado-do-meio-ambien e 368 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 Bibliog a ia Acsel ad, H. 2004. Con li os ambien ais no B asil. Rio de Janei o: Relume Duma á, 2004. Acsel ad, H. 2017. “Ma iana, No embe 2015: he poli ical genealogy o a disas e ”, Vib an , 14 (2017), pp. 149-157. Almeida, M. B. 2004. “Di ei os à lo es a e ambien alismo”, Re is a B asilei a de Ciências Sociais 19 (2004), pp. 33–53. Alonso, A. and Maciel, D. 2010. “F om P o es o P o essionaliza ion: B azilian En i onmen al Ac i ism a e Rio 1992”, The Jou nal o En i onmen and De elopmen 19 (2010), pp. 300-317. Ande son, B. 2003. Imagined Communi ies, 30 h Ed., London, Ve so. A end , H. 2006. Be weeen Pas and Fu u e. New Yo k: Penguin. Bloch, M. 1964. The His o ian’s C a . To on o: Vin age. Bo ges, A. C. 1987. Po ás do e de. Diss. Mes ado. Viçosa: Uni e sidade Fede al de Viçosa. Ca alho, J.M. 1987. Os bes ializados. São Paulo, Cia das Le as. Ca alho, J.M. 1990. A o mação das almas. São Paulo, Cia das Le as. Chauí, M. 2010. B asil, mi o undado e sociedade au o i á ia. São Paulo: Pe seu Ab amo. Comissão Nacional da Ve dade. Rela ó io, .2, B asilia, p. 197-257, www.cn . go .b (acesso 30 /04/22). Cons i uição da República dos Es ados Unidos do B asil. 1891. Cunha, E. 1905. Os Se ões, 3ª ed. Rio de Janei o: Lemme e Cia. Cunha, M.C. 1992. His ó ia dos Índios no B asil. São Paulo: Cia das Le as. Cunha, M.C. e Almeida, M. 2000. “Indigenous People, T adi ional People, and Conse a ion in he Amazon”, Dædalus, 129 (2000), pp. 315–338. Dean, Wa en. 1997. Wi h B oadax and Fi eb and. Be keley: Uni e si y o Cali o nia P ess. D ummond de And ade, C. 1951. “Bei a Rio”, In Con os de Ap endiz. Rio de Janei o: José Olympio Edi o a. D ummond, J. and Ba os-Pla iau. 2006. “B azilian En i onmen al Laws and Policies”, Law and Policy 28 (2006), pp. 83-110. Dua e, R. H. 2014. “Bi ds and Scien is s in B azil”, In Cen e ing Animals in La in Ame ican His o y, Ma ha Few and Zeb To o ici eds. Du ham: Duke Uni e si y P ess, pp. 270—301. Dua e, R.H. 2015. “Tu n o pollu e”: poluição a mos é ica e modelo de desen ol imen o no “milag e” b asilei o, Tempo, 21 (2015), pp. 64-87 Dua e, R.H. 2016. Ac i is Biology. Tucson: A izona Uni e si y P ess. Espindola, H., E. Noda i E. and San os. 2019. “Rio Doce: iscos e ince ezas a pa i do desas e de Ma iana”, Re is a B asilei a de His ó ia 39: 141–162. 369 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 Foucaul , M. 1977. “Nie zsche, Genealogy, His o y”, In Donald Boucha d ed. Language, Coun e -Memo y, P ac ice. I haca: Co nel Uni e si y P ess. F anco, J. and D ummond, J. 2009. “Wilde ness and he B azilian Mind”, en. En i onmen al His o y 14 (2009), p. 82-101. F anco, J. e D ummond, J. 2009a. “O cuidado da na u eza: A FBCN e a expe iência conse acionis a no B asil”, In Tex os de His ó ia 1 (2009), pp. 59-84. Figuei edo, J. B. 1972 “Ins uções pa a a delegação do B asil”, In Rela ó io da Delegação do B asil à Con e ência das Nações Unidas sob e o Meio Ambien e Humano, ol. 2. B asília: CSN, pp. 4-10. Ga dne , R. 1993. “End o he Beginning: Chico Mendes and he Ba le o B azil’s Rains Fo es ,” Re e ence Se ices Re iew 21 (1993), pp. 23–30. Ga ield, S. 2013. In Sea ch o he Amazon. Du ham: Duke Uni e si y P ess. Gomes, A.C. 2013. “População e Sociedade”, In A. C. Gomes ed. Olhando pa a Den o: Coleção His ó ia do B asil Nação, ol. 4. São Paulo: Obje i a, pp. 41-90. Guima ães, R. 1991. The Ecopoli ics o De elopmen in he Thi d Wo ld. Boulde : Lynne Rienne Publishe s. Ha dman, F.F. 1988. T em Fan asma. São Paulo: Companhia das Le as. Hobsbawn, E. 1983. The In en ion o T adi ions. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. Hochs e le , K. and Keck, M. 2007. G eening B azil. Du ham: Duke Uni e si y P ess. Io is, R. 2014. T ans o ming B azil. New Yo k: Rou ledge. Lago, A.C. 2006. Es ocolomo, Rio, Joanesbu go. B asília, Ins i u o Rio B anco. Leal, V. N. 2012. Co oelismo, enxada e o o. 7ª ed. São Paulo: Cia das Le as. Lenha o, A. 1986. A sac alização da polí ica. 2ª ed. Campinas: Papi us. Le e , D. and Medei os, L. 2014. “Food So e eign y and S uggle o Land: The Expe ience o he MST in B azil”, In Cons ance, MC. Rena d, M Ri e a-Fe e eds. Al e na i e ag i- ood mo emen s. Lond es: Eme ald, 2014, p.111-135 Lima, N. 1999. Um se ão chamado B asil. Rio de Janei o, Re an. Lima, A C. 1992. “O go e no dos índios sob a ges ão do SPI”, In M. C. Cunha ed. His ó ia dos índios no B asil. São Paulo: Cia das Le as, pp. 155-72. Li le, P. 2001. Amazonia: Te i o ial S uggles on Pe ennial F on ie s. Bal imo e: The John Hopkins Uni e si y P ess. Noguei a-Ne o, P. 2010. Uma aje ó ia ambien alis a, diá io. São Paulo: Emp esa das A es. Ma son, A. 1979. A ideologia nacionalis a em Albe o To es. São Paulo, Duas Cidades. 370 Regina Ho a Dua e A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 McCook, S. 2011. “The Neo-Columbian Exchange”, La in Ame ican Resea ch Re iew 46(2011), pp.11-31. Oli ei a, N. C. e Flo en in, C. G. 2018. “Hyd oelec ic dams and he ise o en i onmen alism unde dic a o ship in B azil and Pa aguay”, In S B ain and V. Pál ed. En i onmen alism unde Au ho i a ian Regimes. New Yo k: Rou ledge. Pádua, J. 1991. “O Nascimen o da polí ica e de no B asil”, In H. Leis ed. Ecologia e polí ica mundial. Rio de Janei o: Vozes, pp. 135-161. Pádua, J. 2000. “Annihila ing Na u al P oduc ions’: Na u e’s Economy, Colonial C isis and he O igins o B azilian Poli ical En i onmen alism (1786–1810)”, In En i onmen and His o y 6 (2000), pp. 255–87. Pádua, J. 2002. Um sop o de des uição, Rio de Janei o: Jo ge Zaha . Padua, J. 2012. “En i onmen alism in B azil: a his o ical pe spec i e”, In J. R. McNeill and E. S ewa eds. A Companion o Global En i onmen al His o ,. Ox o d: Wiley-Blackwell, pp. 456–473. Pádua, J. 2016. “Ci il Socie y and En i onmen alism in B azil”, In F. Rajan and L. Sed ez eds. The G ea Con e gence. New Delhi: Ox o d Uni e si y P ess, pp. 113-134. Pádua, J. 2019. “El dilema de la ‘cuna espléndida’”, In C. Leal, J. Solu y y J Pádua eds. Un passado i o. Bogo á: FCE, pp. 103-126. Pandol i, D. 2003. “Os anos”, In Fe ei a, J. Delgado, L. eds. O B asil Republicano: o empo do nacional-es a ismo. Rio de Janei o: Ci ilização B asilei a, pp. 13-38. Pe ei a, E. 2013. Roessle , o homem que ama a a na u eza. São Leopoldo: Oikos,. Pe ei a, E. 2016. A é ica da con i ência ecossus en á el. Tese de Dou o ado., Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul. Rod igues, G. 2007. Walking he Fo es wi h Chico Mendes. Aus in: Uni e si y o Texas P ess. Roque e- Pin o, E. 1941. Ensaios B asilianos. São Paulo, Cia Edi o a Nacional. Sachs, I. 1998. “Do c escimen o econômico ao ecodesen ol imen o”, In P. Viei a ed. Desen ol imen o e meio ambien e no B asil. Po o Aleg e, Pallo i. San os, J.; F. 1997. Feliz 1958, o ano que não de ia e mina . Rio de Janei o: Reco d. Sed ez, L. 2014. “Rubbe , T ees and Communi ies”, In M. A mie o and L. Sed ez eds. A His o y o ed. Ma co A mie o and L. Sed ez . New Yo k: Bloomsbu y, pp. 147–166. Sla e , C. 2002. En angled Edens. Be keley: Uni e si y o Cali o nia P ess. S a ling, H. and Schwa cz, L 2015. B asil, uma biog a ia. São Paulo: Cia das Le as. 371 Es ado, sociedade e meio ambien e no B asil em 200 anos de Independência A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica, Humanidades y Relaciones In e nacionales, año 25, nº 51. Te ce cua imes e de 2022. Pp. 347-371. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 h ps://dx.doi.o g/10.12795/a auca ia.2022.i51.15 S a ling, H. 2018. Se Republicano no B asil Colônia. São Paulo, Companhia das Le as. To es, A. 1914. A o ganização nacional, Rio de Janei o, Imp ensa Nacional. U ban, T. 2001. Missão (quase) impossí el. São Paulo: Pei ópolis. U ban, T. 1988. Saudade do Ma ão. Cu i iba: Ed. UFPR. Va gas, M. “Cae ano lide a a o em B asília con a desmon e ambien al”, Folha de São Paulo, 10 de ma ço de 2022, p. B8. Ven u a, Zueni . 2003. Chico Mendes: C ime e Cas igo. São Paulo: Companhia das Le as. Viola, Edua do. 1987. “O mo imen o ecológico no B asil”, In j. Pádua ed. Ecologia e Polí ica no B asil. Rio de Janei o: Espaço e Tempo, p. 63-109. Vi ei os de Cas o, E. 1992. “P e ácio” in R. A n e S. Schwa zman, Um a i ício o gânico. Rio de Janei o: Rocco. Wisnik, J. 2018. A máquina do mundo. São Paulo: Companhia das Le as. Zhou i, A.; Lasche ski, K. e Pe ei a, D. 2005. A insus en á el le eza da polí ica ambien al. Belo Ho izon e: Au ên ica. Zhou i, A. 2010. As ensões do luga . Belo Ho izon e: Edi o a UFMG, 2010. Zhou i, A. e Lasche ski, K. 2010. Desen ol imen o e con li os ambien ais. Belo Ho izon e: Ed. UFMG.