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Jornalismo cultural e temporalidade nos dossiês da revista brasileira Cult (2019)

Cavalcanti, Anna; Golin, Cida

Abstract

Este artigo propõe uma leitura da dimensão temporal do jornalismo cultural, enfatizando a característica recorrente desse segmento editorial de atualizar o passado e de construir memória ao mediar a cultura. Valemo-nos da experiência da Cult, a mais longeva revista cultural brasileira, há 25 anos em circulação no mercado editorial. Com base no aporte teórico e metodológico da hermenêutica de Paul Ricoeur, particularmente de sua proposta de tríplice mímesis, analisamos uma amostra de seis edições mensais publicadas entre julho e dezembro de 2019, concentrando-nos na seção principal, intitulada Dossiês, por meio das chamadas de capa e dos textos internos. A partir da categoria temporal da diacronia e dos enquadramentos encontrados na amostra de dossiês, encontramos evidências do caráter contextualizador das narrativas comum ao perfil do jornalismo de revista. Identificamos a diacronia por intermédio de uma recorrente ausência dos tradicionais marcadores cronológicos jornalísticos, uma das características que impulsiona o potencial da publicação analisada de recircular ao longo do tempo, ainda que visando a um leitor restrito. Entendemos que os dossiês da Cult são recursos afirmativos de um jornalismo cultural que está em fricção com o passado por meio de um tempo presente lento e distendido, mostrando-se em contraponto à temporalidade jornalística comumente associada à velocidade, à aceleração e ao instantâneo.

Full text

Nº 58 | OTOÑO 2022 ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 72-88 Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Cul u al jou nalism and empo ali y in he dossie s o he B azilian magazine Cul (2019) Anna Ca alcan i Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul | Rami o Ba celos, 2705, 90035-007 Po o Aleg e, B asil 0000-0002-3005-6537 · annacca alcan [email protected] Cida Golin Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul | Rami o Ba celos, 2705, 90035-007 Po o Aleg e, B asil 0000-0002-6251-5435 · golin.cos[email p o ec ed] Fechas: Recepción: 30/06/2022 . Acep ación: 16/09/2022 . Publicación: 15/10/2022 Resumo Es e a igo p opõe uma lei u a da dimensão empo al do jo nalismo cul u al, en a izando a ca ac e ís ica eco en e desse segmen o edi o ial de a ualiza o passado e de cons ui memó ia ao media a cul u a. Valemo- nos da expe iência da Cul , a mais longe a e is a cul u al b asilei a, há 25 anos em ci culação no me cado edi o ial. Com base no apo e eó ico e me odológico da he menêu ica de Paul Ricoeu , pa icula men e de sua p opos a de íplice mímesis, analisamos uma amos a de seis edições mensais publicadas en e julho e dezemb o de 2019, concen ando-nos na seção p incipal, in i ulada Dossiês, po meio das chamadas de capa e dos ex os in e nos. A pa i da ca ego ia empo al da diac onia e dos enquad amen os encon ados na amos a de dossiês, encon amos e idências do ca á e con ex ualizado das na a i as comum ao pe il do jo nalismo de e is a. Iden i icamos a diac onia po in e médio de uma eco en e ausência dos adicionais ma cado es c onológicos jo nalís icos, uma das ca ac e ís icas que impulsiona o po encial da publicação analisada de eci cula ao longo do empo, ainda que isando a um lei o es i o. En endemos que os dossiês da Cul são ecu sos a i ma i os de um jo nalismo cul u al que es á em icção com o passado po meio de um empo p esen e len o e dis endido, mos ando-se em con apon o à empo alidade jo nalís ica comumen e associada à elocidade, à acele ação e ao ins an âneo. Pala as-cha e: jo nalismo cul u al, empo alidades, jo nalismo de e is a, diac onia, e is a Cul . Abs ac This pape p oposes a eading o he empo al dimension o cul u al jou nalism, emphasizing he ecu ing cha ac e is ic o his edi o ial segmen o upda ing he pas and building memo y by media ing cul u e. We d aw on he expe ience o Cul , he longes - unning B azilian cul u al magazine, which has been in ci cula ion in he publishing ma ke o 25 yea s. Based on he heo e ical and me hodological con ibu ion o Paul Ricoeu ’s he meneu ics, pa icula ly his p oposal o a iple mimesis, we analyzed a sample o six mon hly edi ions published be ween July and Decembe 2019, ocusing on he main sec ion, en i led Dossie s, h ough i s co e s and in e nal ex s. F om he empo al ca ego y o diach ony and he amewo ks ound in he sample o dossie s, we ound e idence o he con ex ualizing cha ac e o Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 73 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 na a i es in he p o ile o magazine jou nalism. We iden i ied diach ony h ough a ecu en absence o adi ional jou nalis ic ch onological ma ke s, one o he cha ac e is ics ha d i es he po en ial o he analyzed publica ion o eci cula e o e ime, e en i aiming a a es ic ed eade ship. We unde s and ha Cul ’s dossie s a e a i ma i e esou ces o a cul u al jou nalism ha is in ic ion wi h he pas h ough a slow and dis ended p esen ime, showing i sel in coun e poin o jou nalis ic empo ali y commonly associa ed wi h speed, accele a ion and ins an aneous. Keywo ds: cul u al jou nalism, empo ali ies, magazine jou nalism, diach ony, Cul . 1. In odução In é p e e e jú i do bom gos o, c í ico o az ap o a silencia ou da oz a quem elege, o jo nalismo de cul u a desempenha uma unção que ul apassa o pode de hie a quiza e aduzi : ele se p opõe a deses abiliza , ques iona , desloca o oco a no as pe cepções e p ocessos ela i os à cul u a con empo ânea, em diálogo cons an e com o passado1. Sendo o jo nalismo cul u al anco ado no p esen e da p odução pe iódica, en endemos que esse segmen o p i ilegia a dimensão con ex ual e e lexi a, inse indo seus emas em uma his o icidade. Nesse sen ido, sublinhamos a po ência do iés empo al na e lexão sob e o jo nalismo cul u al e seus p odu os, encon ando na á ea indícios de uma empo alidade que se con apõe ao empo jo nalís ico hegemônico, associado que é à acele ação, ao ins an âneo e ao chamado p esen eísmo. Tendo como p essupos o o jo nalismo como o ma de conhecimen o, azemos, nes e a igo, uma lei u a do jo nalismo cul u al a pa i de seu iés eco en e de a ualiza o passado e de cons ui memó ia ao media a cul u a. Pa a an o, a im de ilumina mos a dimensão empo al na a i a do jo nalismo cul u al, alemo-nos da he menêu ica do ilóso o ancês Paul Ricoeu , especialmen e de sua p opos a de íplice mímesis. Ac edi amos que, nesse nicho jo nalís ico, o empo pode se na ado de manei a dis endida, len a e ei e ada. Ca ac e ís icas comumen e discu idas, como o excessi o a elamen o à agenda cul u al, a supe icialidade dos ex os e a ma ginalização da c í ica, podem se epensadas quando omadas como obje o de e lexão, especialmen e no âmbi o das e is as cul u ais. Pa a es a mos nossa hipó ese, analisa emos uma amos a de seis edições mensais imp essas da e is a b asilei a Cul , odas as quais publicadas em 2019. Ressal amos que essa amos a az pa e da in es igação mais ampla de uma ese que a iculou ou as ca ego ias empo ais ela i as ao jo nalismo cul u al, como a e emé ide e a c í ica. T a a-se, nesse sen ido, de uma amos a limi ada, po ém ep esen a i a do pe cu so edi o ial que a e is a ap esen ou nos úl imos 10 anos. Fundada em 1997, a Cul é a e is a cul u al imp essa (hoje ambém em o ma o digi al) mais longe a do país, sendo emanescen e de uma adição p o ícua de e is as e de suplemen os cul u ais que, nas duas úl imas décadas, mig a am pa a e sões exclusi amen e digi ais ou ence a am suas a i idades. A opção po es uda uma e is a pa e, sob e udo, da ep esen a i idade da empo alidade po ela mediada, ou seja, da sua pe iodicidade mensal, po meio da qual ela se ap oxima de um cade no de cul u a semanal ou de um suplemen o quinzenal, ma e ialidades comuns ao segmen o aqui es udado. 1 Nas p imei as décadas do século XXI, em unção do ecossis ema digi al e da hegemonia das edes, o jo nalismo cul u al pe - deu seu p o agonismo no que conce ne à chancela da isibilidade da p odução cul u al. No en an o, al jo nalismo ainda man ém a o ça de con e i legi imidade e c edibilidade aos emas que escolhe di ulga . Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 74 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 Chamamos a a enção, ambém, pa a o a o de que algumas ca ac e ís icas associadas ao jo nalismo cul u al ganham no o a amen o quando abo dadas sob a pe spec i a do jo nalismo de e is a, segmen o ocado em de e minado pe il edi o ial, ol ado a um público-lei o p e is o e selecionado com an ecedência po uma publicação. Em con apon o ao pe iódico diá io, os ex os de uma e is a de cul u a êm a possibilidade de se em mais longos, o que in luencia di e amen e a possibilidade de ap o undamen o das ma é ias. Esse aspec o ambém possibili a que a c í ica, semp e que desejada, possa se con emplada, o que pe mi e que ela saia da ma gem e e o ne ao cen o da p odução edi o ial. A pa i do es udo dos dossiês de capa, po meio de suas chamadas e dos ex os in e nos, o am encon ados enquad amen os emá icos que, como conjun o, e e be am a p opos a edi o ial da publicação. Essa análise ap esen ou sime ias e epe ições as quais op amos po explo a a a és de uma lei u a he menêu ica, dando a e as elações en e na a i a e empo alidade. En endemos o eco e analisado como um agmen o de uma coleção, pis as que ep esen am um singula p oje o de e is a, mas que ambém e e be am no con ex o comum ao jo nalismo cul u al de e is a. Pa a esse es udo, emos como pano de undo abalhos an e io es que in es igam a e is a Cul nos campos jo nalís ico, li e á io e ilosó ico, como as disse ações de Tsu sui (2006), de Soa es (2012) e de Oli ei a (2015). No en an o, ale des aca que nenhuma dessas pesquisas analisa um en ec uzamen o en e jo nalismo cul u al e empo alidade. 2. A pe spec i a he menêu ica sob e o jo nalismo de cul u a: o undamen o docon ex o O jo nalismo, enquan o ins i uição social (F ancisca o, 2005), é uma e e ência undamen al pa a o en endimen o dos empos i enciados po uma sociedade. T a a-se de um dos pa âme os a pa i do quais os g upos sociais cons oem seu p óp io senso de empo público, ou seja, é um impo an e e e encial cole i o sob e o que é assumido como passado, p esen e e u u o. Esses e mos ela i os à empo alidade, co idianamen e compa ilhados, são eco en es do na a jo nalís ico, uma das ins âncias esponsá eis pela mediação do empo con o me o expe ienciamos. O i mo das na a i as jo nalís icas, ep oduzido no co idiano, é dominado po uma lógica acele ado a de empo. Mais do que isso: o ins an âneo, noção que en ol e a e e ência de a ualidade con empo ânea (An unes, 2007), eicula uma pe cepção de imedia ez, supondo que o empo do jo nalismo não pode se descola do empo do mundo. O e en o e ocado sob essa empo alidade de i a de um sen ido de que algo só ganha isibilidade po que i ompe; assim, quan o maio o o sen ido de in empes i o, maio a ca ga de no o iedade. Nessa di eção, o sen ido de a ualidade, colado à noção de “imedia ismo”, comp ime o passado, expande o u u o e ap eende o p esen e, como obse a Ricoeu (2010) ao desc e e aquilo que é sinc ônico. Pa a o au o , a quali icação do empo se elaciona di e amen e com o modo na a i o; a inal, é somen e pela dimensão na a i a que o empo pode se i ido e ap op iado pelo se humano. Como di o an e io men e, pa a pensa mos ace ca da empo alidade da na a i a jo nalís ica, pa imos da íplice mímesis icoeu iana. No p imei o omo da ob a Tempo e Na a i a, Ricoeu p opõe cons ui uma elação en e empo e na a i a, demons ando o papel mediado da cons ução da Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 75 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 in iga2 po meio de um cí culo de ês camadas supe pos as: mímesis I (p econ igu ação), mímesis II (con igu ação) e mímesis III ( econ igu ação)3. É cons uindo a elação en e esses ês modos mimé icos que o au o es abelece a mediação en e empo e na a i a. O cí culo he menêu ico icoeu iano co esponde, pois, ao ca á e ci cula empo al que cons i ui a na a i a. Ou seja, na a , enquan o a o ances al do se humano, é a possibilidade de con igu a e econ igu a os sen idos empo ais de nossa expe iência de lei u a no/do mundo4. A pe spec i a da análise he menêu ica no jo nalismo, segundo Qui oga (2017), pe mi e a comp eensão da p á ica jo nalís ica como p odu o a de consciência ace ca da his o icidade do empo. Con o me o au o , pa indo do ilóso o Hans-Geo g Gadame , a p odução jo nalís ica semp e oi decisi a à o mação de uma consciência que emos da his ó ia ou, ainda, da “plena consciência da his o icidade de odo p esen e” (Gadame , 2006, p. 17). Logo, comp eende os undamen os que ele am o jo nalismo à condição de na a i a da his ó ia do empo p esen e signi ica inse i -se em um campo que en ol e a his o icidade de um en endimen o de mundo (mímesis I). En endemos que o backg ound his ó ico e o uni e so cul u al, os quais cons i uem o con ex o associado a a os na ados no jo nalismo, de em e p o agonismo. A esse p opósi o, Zami h (2011) a i ica não exis i jo nalismo sem con ex ualização, de inindo es a como “uma ope ação da cons ução no iciosa que em em is a da ao ecep o da mensagem o con ex o em que o acon ecimen o se e i icou” (Zami h, 2011, p. 58). Con ex ualiza é, en ão, “um p ocesso que en ol e ope ações e es a égias cogni i as e é condição indispensá el pa a a cons ução de conhecimen o” (Lückman, 2020, p. 16). Pa a da ele o ao con ex o como elemen o que o e ece um pano de undo his o icizan e, p e endemos en endê-lo como uma ação na a i a que se ope acionaliza na mímesis I. O o necimen o de backg ound e de an eceden es his ó icos e sociais é, no jo nalismo cul u al, ca ac e ís ica comum quando da ope acionalização da na a i a. Isso se de e, especialmen e, po se nesse segmen o edi o ial que se encon am, com mais equência, ex os como ensaios, c í icas e esenhas, na a i as que êm po ca á e in ínseco a capacidade de e oma e lexi amen e aje ó ias e con eúdos do campo a ís ico. É a pa i de al aspec o que apon amos o acionamen o da diac onia5 como cha e de lei u a da empo alidade no jo nalismo de cul u a. 2 A ideia de “in iga” é de inida po Ricoeu como a pa e da na a i a na qual se expõe, de o ma encadeada, um acon ecimen o po meio de es ágios decisi os, ais como “começo”, “meio” e “desenlace”. 3 Essa p imei a ação mimé ica (mímesis I) e e e-se ao mundo cul u al que nos ce ca, p opondo que oda na a i a p essupõe, an o do na ado quan o de seu lei o , uma amilia idade no que diz espei o a agen es, obje i os, meios e ci cuns âncias. Já a mímesis II é a agenciado a dos a os, con igu a a sucessibilidade e exe ce as unções de mediação e in eg ação. Po im, a míme- sis III conce ne ao mundo do lei o e às di e en es in e p e ações pos as em ma cha no p ocesso de lei u a e de ap op iação. A pa i das lei u as de Agos inho e de A is ó eles, Ricoeu comp eende que cada uma dessas ações mimé icas co esponde, espec i amen e, a um mundo p é- igu ado (mímesis I), a um mundo em con igu ação (mímesis II) e a um mundo que se econ ig- u a con inuamen e (mímesis III), a pa i das múl iplas lei u as e expe iências que nos a a essam. 4 Cabe essal a que, pa a Ricoeu , o empo o na-se empo humano à medida que é na ado, ale dize , enquan o na amos e expe ienciamos o mundo, es amos simul aneamen e a in e p e á-lo, em uma lei u a e em uma essigni icação cons an es. 5 Tomamos, aqui, o e mo “diac ônico”, de emp és imo à linguís ica, como dis in o do e mo “sinc ônico”. Ambos os concei os indicam o mas di e en es de pe spec i a no es udo de uma língua – em um momen o especí ico (sinc onia) ou ao longo do empo (diac onia). Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 76 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 3. A empo alidadenas e is asimp essasdecul u a Na as a li e a u a sob e jo nalismo cul u al, encon amos alguns pon os comuns den e as mui as ca ac e ís icas a ibuídas a essa p á ica jo nalís ica. En endemos que o segmen o ealiza uma unção de mediação, que “con e e códigos a ís icos e li e á ios – he mé icos e eso é icos – em linguagem mais ampla, adequada a um audi ó io maio ” (Golin e  al., 2010, p. 129); que é uma espécie de “he dei o do ensaísmo humanis a” (Piza, 2003, p. 16); que “oscila en e a ep odução do já exis en e e disponí el pa a o consumo e a c iação pa cialmen e pe mi ida e exis en e nessa edi o ia” (Gadini, 2009, p. 29), além de cons i ui uma “pla a o ma in e p e ado a” (Fa o, 2006, p. 3), que dize , uma pe spec i a de lei u a dos mapas cul u ais de uma época. Há, ainda, na li e a u a sob e o ema, o consenso de que o segmen o “de e e espí i o c í ico, comen á ios in e p e a i os, desenho a a i o” (Zamb ano e Villalobos, 2010, p. 72), de e “in e p e a a c ia i idade po encial do se humano” (Ri e a, 2003, p. 17) e “não se [de ini ] in insecamen e po uma emá ica, mas po um modo p óp io de abo dagem” (Vogel, 2008). Nesse pe cu so em o no de um concei o, pe cebe-se que algumas ideias cen ais pa ecem se epe i e podem se condensadas po uma qualidade es u u an e: o jo nalismo cul u al se ca ac e iza po um modo p ocessual de c iação, apon ando pa a um passado em pe manen e la ência a pa i de um epe ó io c í ico, sele i o e, p incipalmen e, p odu o de memó ia. No jo nalismo cul u al, a c í ica, a esenha e a agenda são o ma os ex uais comumen e encon ados. A c í ica e a esenha endem a se e ospec i as po na u eza, is o é, discu em sob e coisas e ob as que já oco e am e já o am esc i as. Em con apon o, na cobe u a cul u al, a agenda é ou a o ma pa icula de mediação empo al no âmbi o de um cade no ou suplemen o. Local de se iço, cons am ali suges ões de a i idades semanais ou mensais que ma cam uma p og amação da ada, es ei amen e inculada com o p esen e e com o u u o. Dessa manei a, emos que, em um mesmo espaço, o jo nalismo cul u al pon ua um i mo que e o ça a espe a e o po i , ao mesmo empo que cons ói uma isão c í ica e ospec i a. Iden i icamos, nessa icção comum à cobe u a cul u al, uma pola ização empo al que ca ac e iza a c í ica como ea i a e a agenda, como p oa i a. É impo an e des aca que, no jo nalismo cul u al, as c í icas são esc i as an es ou depois de um de e minado e en o, con o me c onog ama alinhado ao mo imen o das edi o as, dos ea os e de ou as ins i uições de a es. Dian e dessa empo alidade dis in a de p odução, há um cla o descolamen o da empo alidade eme gen e, que i ompe, uma ez que algumas ma é ias não são p oduzidas necessa iamen e à medida que um de e minado e en o oco e ou du an e sua ealização mas an es ou depois dele – ha endo, pois, uma maio independência da ac ualidade, com is as a uma supos a a empo alidade do con eúdo a se c iado. O jo nalis a cul u al e ia, en ão, o papel delicado de aça o as e de se um mediado de expe iências; não como um di ecionado , que apon a obje i amen e e de o ma esolu a sob e aquilo que “é’ ou “não é” digno de se is o, lido, assis ido. Sua unção p incipal se ia a de despe a , lança luz, aze à ona aquilo que ainda é obscu o, alçando um olha de esis ência pa a o que já é ido como “dado”. Na discussão que aqui p opomos, há um gêne o ex ual undamen al – o ensaio – que se sob essai na ma e ialidade a se abo dada. No caso da e is a Cul , al gêne o se encon a p incipalmen e na mais impo an e seção da e is a, in i ulada “Dossiê”, que analisa emos a segui . En endemos o ensaio Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 77 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 como um gêne o ex ual de ele ância, uma o ma c í ica po excelência, o qual implica um ex o em abe o, que ensaia uma lei u a ab indo-se mais pa a pe gun as do que pa a espos as. Na cons i uição dos dossiês da e is a Cul , conseguimos pe cebe a exp essão de gêne os em p o usão, como c í ica, esenha e ensaio, p á icas ex uais que isam a ensiona os obje os em ques ão, emá icas que mui o equen emen e em p oximidade com os campos da iloso ia e da psicanálise. Em meio à demo a ou à u gência de uma esc i a, mas semp e a pa i da c iação de um espaço pa a o pensamen o, ac edi amos que as e is as cons i uem linhas múl iplas e sob epos as de uma época (Luna, 2017, p. 265). Com base em elemen os como c í ica li e á ia, c í ica cul u al e dossiês, esses pe iódicos alam sob e o con empo âneo a pa i de uma empo alidade edi o ial p óp ia, le ando com uma du ação que se dis ende na medida em que são p odu os colecioná eis. Vemos, aqui, os as os do concei o e imológico da e is a, ou seja, o a o da e- is a, de examina , de inspeciona mais de idamen e, p essupondo o exe cício da c í ica e do ensaio e, po an o, da e lexi idade em elação ao passado e ao po i , e lexi idade essa insc i a no agendamen o do p esen e. Isso e ela uma en a i a edi o ial de comp eende os con ex os sociais, um mo imen o dos eículos em es abelece pon es en e eo ia e p á ica, a iculando o pensamen o in elec ual e acadêmico com a sociedade. Po isso, é álido examina a seção “Dossiê” da Cul , que busca le , in e p e a e, consequen emen e, a ea um pouco as di e sas ealidades ci cundan es. 4. Apon amen ossob ealei u ahe menêu icadosdossiêsda e is acul A e is a Cul oi c iada em 21 de julho de 1997, em São Paulo, e pode se conside ada a mais longe a e is a de cul u a do B asil, es ando há 25 anos no me cado edi o ial. A p imei a ase da Cul , en e julho de 1997 e e e ei o de 2002, co esponde ao pe íodo da Edi o a Lemos, sob o comando do jo nalis a Manuel da Cos a Pin o. Nessa época, a Cul – Re is a B asilei a de Li e a u a da a ên ase à c iação li e á ia, endo como slogan “o mundo das pala as, da cul u a e da li e a u a”. Cons i uía- se em um espaço de e lexão sob e udo ace ca de li e a u a, po meio da publicação de ensaios, de esenhas li e á ias, de poesias e de ex os iccionais em p osa. Em 2002, a e is a oi endida pa a a Edi o a B egan ini. Com sede em São Paulo, a e is a abo da emas ligados às a es, à li e a u a, à iloso ia e à psicologia, com con eúdos p oduzidos po jo nalis as e po acadêmicos. Cada edição da Cul ap esen a um dossiê que, o ganizado em o no de um ema especí ico, p e ende con ibui com um deba e de sabe es e de conhecimen os de in e esse público. Obse amos que a Cul , paula inamen e, oi se ans o mando em um pe iódico acadêmico de iés mais ge al, is o é, po in e médio da publicação de ensaios, sob e udo, na seção Dossiê. T a a-se de ex os que p opõem uma isada e lexi a a espei o de ques ões do empo p esen e, isada em que é p eciso, necessa iamen e, olha o passado e o u u o de o ma simul ânea. Complemen am as edições, ia de eg a, ma é ias especiais, a igos, esenhas, ensaios, en e is as e pe is que con emplam aspec os a iados da cul u a. A e is a se man ém a a és de anuncian es e de assina u as. A ualmen e, quando ci cula em poucos exempla es imp essos pa a as bancas, a publicação ap esen a, na capa, especialmen e a seção Dossiê, a qual se o nou o elemen o cen al, o pon o ocal da ma e ialidade da e is a imp essa. Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 78 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 Ac edi amos que o o ma o da e is a Cul , mesmo nas suas dis in as ases edi o iais, ap oxima- se, em pa e, daquilo que pesquisado es a gen inos de inem como e is a independen e de cul u a. Essa exp essão designa pe iódicos que se “p opõem a se eículo[s] de algo”, ou seja, p oje os de in e enção não egidos pela lógica da me cado ia. A pa i disso, en ende-se que o pe iodismo cul u al não se cons i ui como um campo especializado de emas, mas pela possibilidade de o e ece um olha “especial” na lei u a da cul u a de seu empo. (Badenes, 2017, p. 22-23). As e is as cul u ais são, po an o, o mas de pa icipação no social e se es u u am como edes de sociabilidade. Em uma lei u a de conjun o da publicação, cen ada em suas chamadas de capa e ex os in e nos, a e iguamos que a publicação ap esen a, po meio de seus emas, um concei o de “a ualidade expandida”, ale dize , a e is a Cul abo da assun os que não se a êm ao p esen e imedia o. Assim, a ideia de “a ualidade jo nalís ica”, po mais p imazia que enha no campo p o issional, não impede que a e is a se insc e a em um empo p óp io, a pa i de um conjun o de epe ó ios com os quais deseja dialoga . A im de busca mos elemen os sob e esse empo p óp io da publicação, conside amos a p imei a página da publicação, a capa, como o espaço que se á e e encial pa a lei u a e análise do miolo. Como as ma é ias são poucas e ex ensas, p a icamen e odo o con eúdo ganha menção na capa, página mais impo an e e onde uma e is a de e ansmi i sua iden idade. Em pe iódicos de pe iodicidade ampliada, a capa ganha um peso ainda maio , con e indo uma isibilidade mais ampla ao ema abo dado. Po an o, é a pa i das chamadas de capa e de seus ex os in e nos que obse a emos a empo alidade da Cul , en endendo que, enquan o na a i a ex ual, a e is a es abelece uma mediação de conhecimen o e pa e de uma isão de mundo p é ia do lei o . Com base nesse aspec o, apon amos o acionamen o da diac onia como cha e de lei u a da empo alidade no jo nalismo cul u al. 5. Sob eadiac onianojo nalismodecul u a Analisando as ma é ias de capa das seis edições da e is a Cul – e e en es a julho, agos o, se emb o, ou ub o, no emb o e dezemb o de 2019–, ap esen adas po suas chamadas e pelos ex os in e nos, conseguimos pe cebe e idências sob e a ele ância do ca á e con ex ualizado e, ambém, a ên ase no backg ound, em um pano de undo no qual se anco a a na a i a. Essas ca ac e ís icas deno am um necessá io epe ó io po pa e de quem lê e de quem esc e e, dando a e , a p incípio, que o ex o ap esen a po encial diac ônico: ele não se a ém a um p esen e imedia o e pode ganha qualidade ao longo do empo, endo-se em is a seus ma cado es his ó icos e sociais. Ao pensa mos ace ca da diac onia, pa imos do pa adigma do p esen ismo jo nalís ico6, o qual é p edominan e na empo alidade jo nalís ica e epe cu e na cons ução na a i a do jo nalismo em ge al. A diac onia se ia, po an o, uma possibilidade de examina o jo nalismo de cul u a como um segmen o em que não há, necessa iamen e, um ínculo c onológico explíci o com o p esen e ac ual. Em ou as pala as, uma ausência, nesse segmen o edi o ial, de ma cado es empo ais mais ní idos, 6 O jo nalismo é econhecido po a ua na cons ução da expe iência do empo e exe ce a unção pública de in o ma e de o e ece o p esen e social (Gomis, 1991; F ancisca o, 2005) i enciado a ualmen e pela apologia do p esen ismo (Ha og, 2005). Ao anco a -se o emen e na p odução dessa a ualidade, o alece uma c ença cole i a na exis ência de uma empo alidade social sinc ônica (Té u, 2000). Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 79 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 da ados, o ien a a nossa o ma de expe iencia a cul u a. O p esen e ganha, assim, a dimensão ala gada de “con empo âneo”, aba cando um as o empo al mais ex enso e mais p o ícuo. A ausência de ma cado es como mês, da a, ho a, deixam o lei o sem o e e encial básico a espei o do que mo i a uma de e minada publicação. Dessa manei a, ao não es a anco ado em um empo c onológico especí ico, o ex o mos a-se inacabado: há semp e um no o p esen e possí el de en a em icção com o passado, há semp e no as o mas de lei u a e de ensionamen o. En endemos que, quando os ex os não se a êm c onologicamen e a uma da a ou a um acionamen o empo al especí ico, quando eles não se echam no c onos, eles se ab em a uma lei u a inacabada, inconclusa e, po an o, a empo al. Sob e isso, Ma de Fon cube a (1999) explica ha e dois ipos de con ex ualização no jo nalismo: a sinc ônica, de ca á e simul âneo ao acon ecimen o em ques ão, que abo da as ci cuns âncias polí icas, sociais, geog á icas e de ou as di e sas o dens elacionadas à no ícia; e a diac ônica, que desc e e a e olução c onológica dos a os inculados ao ema a ado. Nesse sen ido, pe cebemos, no jo nalismo cul u al, um ca á e “con ex ualizá el sinc onicamen e com o que es á acon ecendo em ou os luga es, e diac onicamen e com passados e u u os di e en es, de cu a, média ou longa du ação” (Bo a e Fon cube a, 2006, p. 280). Po isso, conside amos que o dis anciamen o empo al e, assim, o passado (longínquo ou não) são, no jo nalismo de cul u a, po en es acionado es da expe iência empo al. Ao se eximi em de um ma cado empo al especí ico, as ma é ias que ap esen a emos a segui ado am um pad ão diac ônico po não pe de em seu po encial ao longo do empo e, indo além, po se em passí eis de múl iplas elei u as. Logo, não en endemos que a ideia de “diac onia” se e le e como a epe ição de um alo e e no do passado no p esen e, mas, sim, como a cul u a pode se ein en a dian e de um p esen e que a e igu a. 5.1. A diac onia na e is a Cul Ao in es iga mos o ca á e diac ônico do jo nalismo cul u al nas capas da Cul com oco nas chamadas e nos dossiês, pe cebemos que a e is a ende a segui um pad ão, mês a mês, ao man e seções p e iamen e es abelecidas. Po isso, iden i icamos, em sua ma e ialidade, mais ên ase no po encial colecioná el – ca ac e ís ica comum a ou as publicações imp essas de cul u a ( igs. 1 a 6). A ideia de “coleção”, ca ac e ís ica em suplemen os e em almanaques, consolida-se pelo descolamen o daquilo que é no iciado ela i amen e ao p esen e ac ual. Essas e e ências ao passado pe mi em aos lei o es um en endimen o melho do p esen e, ao cons uí em conexões, ao suge i em in e ências, ao o e ece em analogias e ao o nece em explicações. Na Cul , esse ca á e colecioná el é um dos p incipais a o es que desdob a o as o empo al de cada publicação, ampliando a possibilidade de lei u as à luz de uma ideia de um empo p esen e que pode se es ende ao longo de anos. A iden idade edi o ial desses p odu os, ao ap esen a uma coe ência en e cada uma das edições, o ien a uma lei u a sob e al ca á e colecioná el po meio de ês dimensões: a o ganização, a du ação e a con emplação . A p imei a dimensão, a da o ganização, apon a pa a o a o de que os obje os em ques ão co espondem a um conjun o egido po uma o dem, po uma o ma de o ganização, endo sob p incípio o acúmulo, a posse ou a p ese ação. Tem-se, assim, um con a o comunica i o que ai além da in o mação eiculada pelos obje os. Já a segunda dimensão, a da du ação, eme e à po ência das e e idas edições de po a em “passados”, de deixa em o empo em abe o e de omá-lo Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 80 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 a pa i de e e ências empo ais ou as que não apenas o p esen e. Po im, a e cei a dimensão, a da con emplação, e e e-se à alo ização desses obje os e à capacidade de ado ação pela singula idade de uma coleção. Ve emos ais dimensões espelhadas nos dossiês da Cul , especialmen e em azão do po encial de econ igu ação dos emas abo dados, de um cons an e ea anjo con igu ado pelo lei o , que e o na àquelas capas como obje o de ap eço e de admi ação. Figu as 1. Capa da edição de julho de 2019 da e is a Cul Fon e. Re is a Cul . Figu as 2. Capa da edição de agos o da e is a Cul Fon e. Re is a Cul . Figu as 3. Capa da edição de se emb o da e is a Cul Fon e. Re is a Cul . Figu as 4. Capa da edição de ou ub o de 2019 Fon e. Re is a Cul . Jo nalismo cul u al e empo alidade nos dossiês da e is a b asilei a Cul (2019) Anna Ca alcan i /Cida Golin 87 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 58 · OTOÑO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.03 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 72-88 F ancisca o, C. (2005). A Fab icação do P esen e. Edi o a da UFS. Gadame , H. G. (2006). O P oblema da Consciência His ó ica. Fundação Ge úlio Va gas. Gadini, S. (2009). In e esses c uzados: a p odução da cul u a no jo nalismo b asilei o. Paulus. Golin, C., Ca doso, E., Kelle , S. y Muzykan , P. (2010, 8-10 de no emb o) Jo nalismo e ep esen ação do sis ema cul u al: a iden idade das on es na cobe u a de cul u a do jo nal Diá io do Sul (Po o Aleg e, 1986-1988) [ponencia]. VIII Encon o Nacional de Pesquisado es em Jo nalismo. Faculdade de Comunicação, Uni e sidade Fede al do Ma anhão. São Luís, B asil. Gomis, L. (1991). Teo ia del pe iodismo: como se o ma el p esen e. Paidós. Ha og, F. (2005). Time and he i age. 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Coo dena o Núcleo de Es udos em Jo nalismo e Publicações Cul u ais do Labo a ó io de Edição Cul u a & Design (LEAD- CNPq) da FABICO|UFRGS.