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Ânforas da Idade do Ferro e de tradição pré-romana do Porto do Sabugueiro, Muge, Portugal

Sousa, Elisa de; Pimenta, João; Silva, Inês; Mendes, Henrique; Dorado Alejos, Alberto; Arruda, Ana Margarida

Abstract

Durante as várias intervenções efectuadas no sítio do Porto do Sabugueiro foram recolhidas mais de duas centenas de fragmentos de ânforas da Idade do Ferro ou de tradição pré-romana. Trata-se de um conjunto importante no quadro regional, não só pela variedade tipológica das produções locais/regionais (tipos 1, 3, 4, 5, 6 e 7 do estuário do Tejo), mas também pela diversidade de fabricos identificados, revelando a complexidade das redes de produção e circulação dos recipientes anfóricos nesta área específica do território ocidental. A importância deste conjunto recai também na presença de um grupo considerável de materiais importados do sul da Península Ibérica (ânforas dos tipos 10.1.1.1 de Ramon Torres, Pellicer B/C, Pellicer D e 8.1.1.2 de Ramon Torres), uma situação que não é frequente no contexto regional, e que é discutida com detalhe.

Full text

SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIÇÃO PRÉ-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO (MUGE, PORTUGAL) IRON AGE AND PRE-ROMAN TRADITION AMPHORAE FROM PORTO DO SABUGUEIRO (MUGE, PORTUGAL) ELISA DE SOUSA Responsable de la co espondencia Uni e sidade de Lisboa – Faculdade de Le as – Unia q (Cen o de A queologia) Co eo-e: [email protected] . h ps://o cid.o g/0000-0003-3160-108X Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /AAG-6086-2019> JOÃO PIMENTA Cen o de Es udos A queológicos Vila F anca de Xi a – CEAX Co eo-e: joao.ma [email p o ec ed]. h ps://o cid.o g/0000-0001-5149-5566 Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /AAG-6215-2019> INÊS SILVA Mes anda em A queologia pela Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa Co eo-e: [email protected] . h ps://o cid.o g/0000-0002-8779-7328 Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /AAG-6469-2019> HENRIQUE MENDES Cen o de Es udos A queológicos Vila F anca de Xi a – CEAX. Co eo-e: hen iquec[email p o ec ed]. h ps://o cid.o g/0000-0002-3416-8990 Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /AAG-6988-2019> ANA MARGARIDA ARRUDA Uni e sidade de Lisboa – Faculdade de Le as – Unia q (Cen o de A queologia). Co eo-e: a.m.a uda@le as.ulisboa.p . h ps://o cid.o g/0000-0002-7446-1104 Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /F-3570-2016> ALBERTO DORADO-ALEJOS Labo a o io de A queome ía – Depa amen o de P ehis o ia y A queología – Uni e sidad de G anada (Espanha) Co eo-e: do adoalejos@ug .es. h ps://o cid.o g/0000-0003-0351-7550 Resea che ID: <h ps://publons.com/ esea che /AAG-8112-2019> Resumo: Du an e as á ias in e enções e ec uadas no sí io do Po o do Sabuguei o o am ecolhidas mais de duas cen e- nas de agmen os de ân o as da Idade do Fe o ou de adição p é- omana. T a a-se de um conjun o impo an e no quad o egional, não só pela a iedade ipológica das p oduções lo- cais/ egionais ( ipos 1, 3, 4, 5, 6 e 7 do es uá io do Tejo), mas ambém pela di e sidade de ab icos iden i icados, e elando a complexidade das edes de p odução e ci culação dos eci- pien es an ó icos nes a á ea especí ica do e i ó io ociden- al. A impo ância des e conjun o ecai ambém na p esença de um g upo conside á el de ma e iais impo ados do sul da Abs ac : Du ing he a ious in e en ions ca ied ou on he si e o Po o do Sabuguei o, mo e han wo hund ed ampho a agmen s o he I on Age o p e-Roman adi ion we e col- lec ed. This is an impo an assemblage in he egional con- ex , no only because o he ypological a ie y o local / e- gional p oduc ions (Types 1, 3, 4, 5, 6 and 7 o he Tagus es ua y) bu also by he di e si y o ab ics we we e able o iden i y, e ealing he complexi y o he ne wo ks o p oduc- ion and ci cula ion o ampho ae con aine s inside he Tagus es ua y. The impo ance o his se also lies in he p esence o a conside able g oup o impo ed agmen s om he sou h o Recepción: 30 de mayo de 2019. Acep ación: 21 de sep iemb e de 2019 De Sousa, E., Pimen a, E., Sil a, E., Mendes, H., A uda, A.M., Do ado-Alejos, A. (2020): “Ân o as da Idade do Fe o e de adição p é- omana do Po o do Sabuguei o (Muge, Po ugal)”, Spal 29.1: 129-156. DOI: h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 130 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS Península Ibé ica (ân o as dos ipos 10.1.1.1 de Ramon To - es, Pellice B/C, Pellice D e 8.1.1.2 de Ramon To es), uma si uação que não é equen e no con ex o egional, e que é dis- cu ida com de alhe. he Ibe ian Peninsula (Ramon To es ype 10.1.1.1, ype Pel- lice B/C, ype Pellice D and Ramon To es 8.1.1.2), which a e no equen in he egional con ex , and is discussed in de ail. Pala as-cha e: A lân ico, Tejo, 1º milénio, comé cio, p o- dução, a queome ia. Keywo ds: A lan ic, Tagus, 1s millennium, ade, p oduc- ion, a chaeome y. 1. INTRODUÇÃO O Po o do Sabuguei o é um impo an e sí io a queo- lógico localizado no es uá io do Tejo, mais especi ica- men e no concelho de Sal a e a de Magos ( ig. 1 e 2), eguesia de Muge (CNS – 2693), endo sido iden i i- cado na década de 30 século passado, po Mendes Co - ea (Pimen a e al. 2014a). Implan a-se na ma gem esque da do io Tejo, nas p oximidades da ala de Alpia ça, numa á ea de baixa al i ude que oscila en e os 5 e os 8 me os, endo a zona um po encial ag ícola conside á el. In elizmen e, es a úl ima ca ac e ís ica oi ambém um dos ac o es que mais p ejudicou a sua conse ação. A p esença de a e- ac os à supe ície es ende-se po uma á ea ampla, com ce ca de 25 hec a es, sendo mui o di ícil de e mina se es a ex ensão es á di ec amen e elacionada com as suas dinâmicas de ocupação na An iguidade (sob e udo desde a Idade do Fe o a é ao pe íodo omano impe- ial), ou se é esul an e da dispe são de ma e iais de ido às in ensas p á icas ag ícolas aí desde há mui o ealiza- das (Pimen a e al. 2014a). As in e enções a queológicas que o am ealizadas no Po o do Sabuguei o, e ec uadas inicialmen e po dois dos signa á ios (Pimen a e Mendes 2008, 2013) e pos e io men e desen ol idas no quad o do p ojec o de in es igação FETE – Fenícios no Es uá io do Tejo (PTDC/EPH-ARQ/4901/2012), inanciado pela Funda- ção pa a a Ciência e a Tecnologia, pe mi i am cons a- a que o local oi, e ec i amen e, mui o a ec ado pelas p á icas ag ícolas a que oi, e con inua a se , sujei o. Com e ei o, os dados ob idos indicam que o po encial es a ig á ico do sí io oi, quase na sua o alidade, i e- media elmen e des uído (Pimen a e al. 2014a). Ainda assim, os ma e iais ecupe ados que em p ospecção que du an e as á ias campanhas de esca- ação, pe mi i am comp eende que o espaço e á es- ado in ensamen e ocupado du an e o 1º milénio a.n.e. e as p imei as cen ú ias da nossa e a, endo e elado uma quan idade e dadei amen e ex ao diná ia de a e ac os dos di e en es pe íodos c onológicos, al- guns dos quais já publicados (Pe ei a 1975, Pimen a e Mendes 2008, 2013, Pimen a e al. 2014a, A uda e al. 2016, Pe ei a 2017, Ga cía Fe nández 2019, Rod i- gues e al. no p elo). Es es es udos indicam ainda que a sua ocupação p o o-his ó ica se e á iniciado em o no ao século VII a.n.e., e que se p olongou, sem apa en es descon inuidades, a é ao pe íodo omano impe ial (Pi- men a e al. 2014a). En e os á ios ma e iais ecupe ados, cabe des a- ca a p esença abundan e de agmen os de ân o as da Idade do Fe o e de adição p é- omana que, apesa de não pe mi i em qualque lei u a con ex ual, ap esen- am pa icula idades que jus i icam um es udo mais de- alhado, que se á ap esen ado nas páginas seguin es. Cabe, po ém, e e i que nes e es udo não se incluí am os ecipien es que se enquad am cla amen e na época omana ( epublicana e impe ial), ainda que á ias das o mas documen adas, que se elacionam com as adi- ções olei as da Idade do Fe o da á ea do Tejo, enham a ingido ambém es es momen os mais a dios, conc e- amen e do pe íodo omano- epublicano (Sousa e Pi- men a 2014), daí a u ilização da exp essão “de adição p é- omana”. A impo ância do es udo que ago a se ap esen a e- side sob e udo no ac o de se e em iden i icado, en e os á ios ma e iais, um conjun o mui o signi ica i o de con en o es an ó icos que exibem ca ac e ís icas ma- c oscópicas que indicam que se a a de p oduções lo- cais, si uação que pa ece se ago a co obo ada com as análises adiomé icas ealizadas. A iden i icação e comp eensão da e dadei a com- plexidade e dimensão da p odução de ân o as no es uá- io do Tejo é uma ealidade que só ecen emen e em sido alo izada (Sousa 2014, Sousa e Pimen a 2014), mas a e dade é que ainda nos al am dados pa a com- p eende mos de o ma mais de alhada os seus ci cui os de ab ico e dis ibuição. O conjun o que ago a se ap e- sen a, ainda que não disponha de dados con ex uais, é o e cei o mais nume oso conhecido em odo o es uá io 131ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… do Tejo, depois do da Rua dos Co eei os, em Lisboa (Sousa 2014), e do da Quin a do Alma az, Almada (Olaio 2018). Es es úl imos, in eg ados na zona e - minal da oz do Tejo, es ão, mui o p o a elmen e, nas p oximidades dos espec i os cen os p odu o es. A ci - culação des as p oduções an ó icas da á ea de Lisboa/ Alma az chega ambém, e com mui a exp essi idade, à egião mais in e io do cu so do Tejo, como se e i ica não só no Po o do Sabuguei o, mas ambém em ou- os sí ios p óximos como o Cabeço Guião (A uda e al. 2017), Al o dos Cacos (Sousa e al. 2017), Al o do Cas elo (A uda e al. 2014) e Ei a da Alo na (Pimen a e al. 2018). Con udo, a exis ência de uma ou a á ea p odu o a de con en o es an ó icos nes a zona mais in- e io , localizada mui o p o a elmen e na p óp ia zona do Po o do Sabuguei o (Sousa e Pimen a 2014), o - nece con ibu os ines imá eis pa a a comp eensão da complexidade des as edes dis ibu i as. Des a o ma, jus i ica-se a necessidade de p ocu a ca ac e iza , que a ní el o mal, que mac oscópico e a queomé ico, es- as p oduções mais in e io es. Um úl imo aspec o que de e se en a izado é a iden- i icação de um g upo bas an e signi ica i o de con en- o es an ó icos impo ados no conjun o do Po o de Sabuguei o, especialmen e no con ex o das ealidades cen o-a lân icas conhecidas a é à da a (Sousa 2017), e que mos am que es e local, conside a elmen e in- e io , es e e ligado, de ce a o ma, às edes come - ciais das á eas mais me idionais da Península Ibé ica ao longo de odo o 1º milénio a.C. 2. O CONJUNTO ANFÓRICO DO PORTO DO SABUGUEIRO Nes e abalho, incluem-se, po an o, os agmen os de ân o as do Po o do Sabuguei o que es ão elaciona- dos, di ec a ou indi ec amen e, com o ho izon e p é- o- mano. Como já oi an e io men e e e ido, a ausência de dados con ex uais di icul a a a ibuição de balizas c onológicas especí icas pa a uma pa e signi ica i a des es ma e iais, não se podendo exclui a possibilidade Figu a 1. Localização do Po o do Sabuguei o no e i ó io peninsula . 132 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS de alguns (ou á ios) pode em e in eg ado a compo- nen e a e ac ual da ase omano- epublicana. Con udo, apenas com a publicação mais de alhada de con ex os des a c onologia no es uá io do Tejo, e pa icula men e de ma e iais de adição egional que acompanha am as impo ações i álicas e da Hispânia Ul e io que chega- am à egião a pa i do úl imo e ço do século II a.n.e., se á possí el de e mina , com mais p ecisão, es e ipo de pe i ências e coexis ências. As á ias in e enções e ec uadas no Po o de Sa- buguei o pe mi i am ecupe a um o al de 240 ag- men os de bo do de ân o as de c onologia ou adição p é- omana, que o am sub-di ididos em dois g andes g upos: os ma e iais de p odução local e egional (231 exempla es), ou seja, da á ea do Es uá io do Tejo, e os que pa ecem co esponde a impo ações das zonas mais me idionais do e i ó io peninsula (no e exem- pla es), alguns dos quais já publicados (Ga cía Fe nán- dez 2019: 137). A es es somam-se ainda dezenas de agmen os de asas e alguns undos, ainda que a in o - mação que es es elemen os p opo cionem seja bas an e limi ada. 2.1 As p oduções locais/ egionais 2.1.1 Os g upos de ab ico Den o dos exempla es que conside ámos se em de o igem local e egional, oi possí el dis ingui qua o g andes g upos de ab ico, um dos quais com ca ac- e ís icas que jus i ica am uma ul e io subdi isão. Es- es co espondem, g osso modo, a dis inções e c i é ios já u ilizados em es udos an e io es (Sousa e Pimen a 2014), ainda que a análise mais de alhada dos ag- men os ecolhidos no Po o do Sabuguei o enha pe - mi ido dis ingui ago a dois g upos dis in os no quad o das p oduções da á ea mais in e io do es uá io do Tejo (g upos II e III), e um ou o que pa ece e o igem numa zona mais p óxima da oz (g upo IV). Dois agmen os ap esen a am ainda especi icidades que jus i ica am a iden i icação do que de inimos, dada a sua escassa e- p esen a i idade, como ab icos a os A e B. 2.1.1.1 G upo I O p imei o g upo ca ac e iza-se po ap esen a pas as compac as e com ac u a egula , sendo o seu g au de depu ação a iá el (en e 5% e 20%). Nes e g upo, a análise mac oscópica pe mi iu iden i ica a p esença de mosco i es, bio i es, qua zos, plagióclase e calci es, sendo es as úl imas pa icula men e abundan es. A co- lo ação das pas as a ia en e o cas anho e o la anja, podendo po ezes mos a ambém onalidades acin- zen adas, possi elmen e de ido aos p ocessos de co- zedu a. T a a-se, mui o p o a elmen e, de p oduções o iginá ias da oz do es uá io do Tejo, mais conc e a- men e da zona de Lisboa/Alma az. Um elemen o ca ac e izado des e g upo é a p e- sença de mic o ósseis que, con udo, êm uma ep esen- a i idade bas an e a iá el que jus i icou a sub-di isão em dois ab icos dis in os. O g upo I-A ca ac e iza-se pela p esença equen e des es elemen os; no g upo I-B os mic o ósseis são bas an e mais a os. Nas ân o as do Po o de Sabuguei o, o g upo I en- globa 49 exempla es (dis ibuídos pelo ab ico I-A, com 26 agmen os, e I-B, com 23 agmen os), que co es- ponde a 21% do conjun o p esen emen e analisado. 2.1.1.2 G upo II O segundo g upo de ab ico eúne exempla es de pas as compac as e escassamen e depu adas (supe io a 20%). A análise mac oscópica pe mi iu iden i ica a p esença equen e de pa ículas de qua zo, elemen os ca bona ados e ambém de desengo du an es de ce â- mica moída em á ios dos exempla es. Em e mos de colo ação, es es ecipien es ap esen am ons mais escu- os, que a iam en e o cas anho e o cinzen o. A con- side á el ep esen a i idade des e ab ico no Po o de Sabuguei o (61 exempla es – 26% do conjun o), as- sim como a sua escassez em ou as á eas do es uá io do Tejo, são elemen os que pode ão indica uma o igem local pa a es es ecipien es. 2.1.1.3 G upo III O g upo III inclui agmen os de pas as mediamen e compac as e pouco depu adas (20%). A obse ação mac oscópica pe mi iu a iden i icação de elemen os de qua zos, po ezes de g ande dimensão, e algumas mosco i es. As suas onalidade são ge almen e acas a- nhadas, podendo po ezes ap esen a ons mais acin- zen ados. Es as ca ac e ís icas são semelhan es às do g upo an e io (g upo II), ainda que se no e um maio cuidado na p odução e p epa ação das pas as. Ainda as- sim, é mui o p o á el que co esponda ambém a uma p odução local ou das p oximidades, de endo, nes e as- pec o, assinala -se a g ande semelhança e elada nos dados a queomé icos ( e 2.1.2). No conjun o aqui analisado, es e g upo inclui 65 exempla es, co espondendo a 28%. 133ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… Figu a 2. Localização do Po o do Sabuguei o (a neg o) e dos p incipais núcleos de po oamen o do Es uá io do Tejo du an e a Idade do Fe o (séculos V a III a.n.e.). 134 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS 2.1.1.4 G upo IV O g upo IV in eg a peças de pas as bas an e compac as e ela i amen e depu adas (en e 10 e 20%). A obse - ação mac oscópica pe mi iu a iden i icação de abun- dan es elemen os de qua zos, calci es, mosco i es e desengo du an es a e melhados, possi elmen e de ce- âmica moída, mas ambém de óxidos de e o. Cabe ainda indica a p esença de mic o ósseis, iden i icá eis mac oscopicamen e. As suas onalidades são enden- cialmen e ala anjadas, ainda que po ezes ap esen em um núcleo acinzen ado. Es as ca ac e ís icas pa ecem quase ep esen a uma p odução “in e média” en e os dois g upos an e io men e de inidos (II e III) e os a- b icos ípicos da zona de Lisboa/Alma az (G upo I-A e I-B). Ainda que não se possa exclui comple amen e a possibilidade de se uma p odução um pouco mais in- e io , a mac oscopia e as análises a queomé icas pa- ecem indica uma p o eniência p óxima da p opos a pa a o G upo I, quiçá ligei amen e mais in e io , con- side ando que os ma e iais do G upo IV são, e ec i- amen e, menos depu ados. Con udo, es a ques ão só pode á se de ini i amen e esol ida a a és da iden i- icação dos espec i os cen os p odu o es. Os agmen os in eg ados no g upo IV o alizam 50 peças, co espondendo a 23%. 2.1.1.5 Fab ico a o A Nes e g upo in eg a-se apenas um exempla (1% do conjun o), cujas ca ac e ís icas são bas an e semelhan- es às do g upo III, mas que exibe uma pas a bas an e mais depu ada e uma onalidade cinzen a acas anhada, ainda que es a se de a, quase segu amen e, a a iações no quad o do p ocesso de cozedu a do ecipien e. 2.1.1.6 Fab ico a o B Também nes e caso con amos com apenas um ag- men o (1% do conjun o), que se dis ingue po ap esen- a uma pas a de onalidade cas anha ama elada, com p esença equen e de micas, ainda que seja, em e mos ge ais, semelhan e aos exempla es do g upo III. 2.1.2 Análises a queomé icas A de inição de g upos de ab ico com base na me a aná- lise mac oscópica em, na u almen e, o es limi ações sob e udo ao ní el da ca ac e ização das inclusões e de- sengo du an es que azem pa e das pas as ce âmicas (De la Fuen e e Ve a 2015: 265, no a 3). Po essa a- zão, os elemen os de inidos mac oscopicamen e e ão de se con i mados po u u os es udos mine alógi- cos e pe og á icos. Ainda assim, e com o objec i o de complemen a as di isões an e io men e esboçadas, oi ealizada uma p imei a ap oximação da composição química de alguns dos exempla es, sob e udo daqueles que o am conside ados como possí eis p oduções das á eas mais in e io es do es uá io do Tejo (g upos ma- c oscópicos II e III), assim como de ou os apa en e- men e mais p óximos da oz (g upo IV). Assim, o am ecolhidas 16 amos as do conjun o an ó ico eco- lhido no Po o do Sabuguei o ( ab. 1). Pa a de e mina ou co obo a as o igens p opos as pa a es as p odu- ções o am incluídas no espec o de análise ou as se e amos as ecolhidas em ou os sí ios localizados na e- gião do Tejo, conc e amen e do Cabeço Guião (A uda e al. 2017), Lisboa (Sousa e Gue a 2018) e da Alcá- ço a de San a ém (A uda 2000, Sousa e A uda 2018), alguns dos quais p o enien es de zonas mais in e io es, e ou os p o a elmen e o iginá ios da á ea da oz (Lis- boa/Alma az). A me odologia u ilizada eco eu a um analisado pXRF Ni on XL3 de PANATEC com ubo de aio-x 50 kV e 100 mic oampe es. O il o usado oi o Soils, de dois eixes, a 60” po eixe pa a um o al de 120”. Cada modo ope a com uma ol agem di e en e, que ape ei- çoa a luo escência de um conjun o de elemen os e se- leciona di e en es il os pa a o imiza as elações de pico/ undo. Essa écnica pe mi iu-nos quan i ica os se- guin es elemen os: Mo, Z , S , U, Rb, Th, Pb, As, Zn, Cu, Fe2O3, MnO, C , V, TiO2, CaO e K2O. Es es esul- ados o am a ados es a is icamen e pela Análise de Componen es P incipais (ACP) (Ai chison 1983, 1984, Whallon 1990, Glasckoc 1992, Bax e 1994, 2003), uma análise es a ís ica mui o ú il pa a in e p e a a ela- ção en e di e en es p oduções ce âmicas (Gómez Siu- ana 1987, Gal án Ma ínez 1995, Ca mona e al. 2008, Aldazábal e al. 2010, en e ou os). Os esul ados ob idos pe mi i am con i ma a ela- i a homogeneidade já e i icada na análise mac oscó- pica das p oduções an ó icas des e impo an e núcleo de po oamen o no in e io do es uá io do Tejo ( ig. 3). No g upo compos o pelas amos as 1703, 1681, 1545, 1608, 1623, 1561 e 1711, odas azendo pa e dos g upos mac oscópicos p e iamen e es abelecidos como II e III, obse a-se uma ce a homogeneidade ela i a ( ig. 4). Es e p imei o g upo ap esen a os meno es a- lo es dos elemen os maio i á ios, sendo es es Fe2O3 (33349 ppm), TiO2 (4420 ppm), CaO (9232 ppm) e K2O (23336 ppm), em elação aos demais ag upamen os, 135ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 sendo MnO (388) o mais ele ado do conjun o. Os es- an es elemen os são o denados, de aco do com a sua p esença, como segue: S (191 ppm), Z (184 ppm), Rb (157 ppm), V (123 ppm), Zn (115.07 ppm), C (72 ppm), Pb (23 ppm), Cu (15ppm), Th (14 ppm), As (12 ppm), U (4 ppm) e Mo (3 ppm). Os dados pe mi em p opo que an o a ex ação como o a amen o das ma- é ias-p imas ealizado pelos olei os locais são simila- es. Es as p oduções ap esen am, com equência, ons acinzen ados na zona do núcleo, de ca á e edu o , en- quan o suas zonas ex e nas são de ons bege e ala an- jado, de eminen e cozedu a edu i a. A al a de uma p epa ação ideal de ma é ias-p imas le ou à p esença de desengo du an es de pequena dimensão, que o am iden i icados como qua zo, micas e es os de ma é ia ege al, em quan idades que a iam en e 10 e 30 % do o al das a gilas. Além disso, sua mo ologia é sub-a - edondada, ou seja, ap esen am uma al a axa de e osão que pode es a ligada a con ibuições alu iais e de de- sengo du an es que são o ien adas de o ma pa alela/ oblíqua em elação às pa edes, como consequência de sua modelagem a o no. Finalmen e, que emos ealça a p esença de pequenos po os que es ão elacionados com a ase de secagem, que às ezes se ans o mam em es ias que co em na mesma di eção das pa edes. Um segundo g upo inco po a as amos as 920, 1622, 1624, 1708, 1613, 1695 e 1667 que o am englo- badas no g upo mac oscópico IV ( ig. 5). Es e conjun o ap esen a ce as a iações nas quan idades dos ele- men os maio i á ios, de modo que em uma maio p e- sença de Fe2O3 (37852), TiO2 (5211.04) e K2O (28912), sendo in e io em MnO (131). Também obse amos ce as a iações nos es an es elemen os, que são o - denados, de aco do com sua p esença, con o me se- gue: Z (163), Rb (160), V (151), S (128), C (118), Zn (109), Pb (21), Cu (15), Th (13), As (8), U (6) e Mo (3). Ainda que ela i amen e p óximas das an e io es, es as amos am o mam um ag upamen o bas an e ho- mogéneo, es ando mui o p óximas de ou os agmen- os ecolhidos em Lisboa, San a ém e Cabeço Guião, e cujas ca ac e ís icas mac oscópicas indiciam uma p o- dução o iginá ia na oz do es uá io (zona de Lisboa/ Figu a 3. Rep esen ação no diag ama de dispe são 3D dos ês ac o es ex aídos da Análise de Componen es P incipais. 136 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS Alma az). A ap oximação mac oscópica ei a nes e conjun o pe mi e apon a ce as a iações de onali- dade em elação aos g upos an e io es (II e III), que são ago a mais ala anjadas e com onalidades mais e- gula es na ma iz ce âmica. Em e mos ge ais, a a-se de p oduções mais e inadas, com meno p esença de desengo du an es, localizadas em o no de 10 a 15% do o al de ma é ias-p imas, de modo que de e minados p ocessos de a amen o pudessem se deduzidos (Coll Conesa 2000). Esse conjun o ap esen a, po an o, um Figu a 4. Conjun o de amos as co esponden es às p oduções conside adas o iginá ias do in e io do es uá io iden i icadas pelo pFRX: a) 1703 (g upo II); b) 1681 (g upo II); c) 1545 (g upo II); d) 1608 (g upo III); e) 1711 (g upo II); ) 1623 (g upo III). Figu a 5. Conjun o de co esponden es às p oduções conside adas o iginá ias jun o à oz do es uá io (g upo IV) iden i icadas pelo pFRX: a) 920; b) 1622; c) 1624; d) 1708; e) 1613; ) 1695. 137ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… cozimen o ge almen e oxidan e e no qual se obse a uma ce a egula idade no desen ol imen o das es a- égias de cozedu a. As inclusões iden i icadas o am o qua zo, micas e alguns o aminí e os, que de em se encon ados nas ma é ias-p imas. Além disso, des a- cam-se pequenos nódulos de a gila que de e iam e sido adicionados ao g upo de ma é ias-p imas du an e os di e sos p ocessos de a amen o p é io à cozedu a. Os desengo du an es, como no caso an e io , ap esen- am uma al a es e icidade e, po an o, de em se en en- didos como elemen os de ma é ias-p imas do con ex o alu ial, em que a e osão e ia de inido a sua mo ologia inal. Da mesma o ma, e como consequência do uso do o no no p ocesso de modelagem, esses desengo du- an es o am o ien ados p e e encialmen e de manei a oblíqua/pa alela em elação às pa edes. Po im, pe - cebe-se que os possuem uma mo ologia esicula e, em casos a os, possuem sulcos que são o ien ados no mesmo sen ido que as pa edes dos con en o es como consequência da con ação de a gilas du an e a seca- gem/cozedu a. Es es esul ados pe mi em, assim, con i ma ou co - obo a a exis ência de in ensas elações come ciais en- e di e en es núcleos de po oamen o no in e io do es uá io do Tejo. No en an o, é necessá io, no u u o, aumen a o uni e so de amos as dos á ios sí ios, que do p óp io Po o de Sabuguei o, como dos es an es lo- cais si uados nos seus a edo es. Um ou o esul ado in e essan e é demons ado pela amos a 1204, que es á cla amen e indi idualizada do es o das p oduções que se p esumem se em o iginá ias do es uá io do Tejo ( ig. 6). Es a p odução é ca ac e i- zada po con e os maio es alo es de Fe2O3 (38256) e CaO (66759) e alo es médios de K2O (24071) e MnO (199), con endo os meno es de TiO2 (4330). Po ou- o lado, essas di e enças obse adas nos componen- es maio i á ios ambém o am obse adas nas azões composicionais mino i á ias, sendo sua o dem: S (193), V (124), Zn (119), Rb (116), C (89), Z (85.05), Cu (23), As (11), Th (10), Pb (9) e Mo (7). Finalmen e, es a amos a não con ém u ânio. Cabe, con udo, adian- a desde já que es a peça oi classi icada de aco do com o ipo 10.1.1.1 de Ramon To es (1995), e que as suas ca ac e ís icas mac oscópicas indicam uma o igem alóc one, mui o p o a elmen e da egião mais me idio- nal da Península Ibé ica. Es e elemen o pe mi e, po um lado, co obo a as p opos as de de inição dos ab icos an e io men e esboçada, uma ez que mos a uma cla a di e enciação na composição das p oduções aganas e ou as que pa ecem se cla amen e o iundas do sul pe- ninsula . A supe ície des a ân o a não e ia nenhum a amen o especí ico, ou pelo menos es e não pôde se iden i icado; a exis i , a a -se-ia de uma aguada ei a com base ao ecu so das mesmas ma é ias-p imas. As onalidades de sua ma iz são ca ac e izadas po seu om bege que, além disso, deno a uma g ande homogenei- dade du an e a cozedu a oxidan e. Os desengo du an es iden i icados a iam subs ancialmen e em elação aos iden i icados nos g upos an e io es, sendo o qua zo e os o aminí e os, que oco em em alo es p óximos a 20% do o al das ma é ias-p imas u ilizadas. Po ou o lado, os desengo du an es possuem uma mo ologia a - edondada como consequência de ac o es e osi os, es- ando o ien ados pa alelamen e às pa edes. Finalmen e, as po osidades iden i icadas são es ias e po os, que se o mam du an e a secagem e a cozedu a. 2.1.3 As o mas En e os agmen os que o am in eg ados no g upo das p oduções locais/ egionais, oi possí el econhece seis mo ologias dis in as ( ipos 1, 3, 4, 5, 6 e 7), endo sido u ilizada a abela ipológica p opos a pa a as ân o as do es uá io do Tejo (Sousa e Pimen a 2014). A es e con- jun o somam-se ainda 24 agmen os de bo do que não o am passí eis de classi icação de ido ao seu mau es- ado de conse ação. 2.1.3.1 Tipo 1 As ân o as do ipo 1 do es uá io do Tejo co espondem a p oduções egionais inspi adas nos p o ó ipos do Sul Figu a 6. Ân o a n.º 1204 do Po o de Sabuguei o, classi icada como uma p o á el p odução da á ea de Málaga a ibuída ao ipo 10.1.1.1. de Ramon To es. 144 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS de ce a o ma, as ca ac e ís icas de algumas ân o as da á ea da Campina Gadi ana do ipo 8.1.1.2. (Ramon To - es 1995; Ca e e o Poble e 2004). 2.1.3.7 Fo mas de di ícil classi icação Den o das p oduções locais/ egionais, cabe ainda e- e i qua o agmen os de bo do que não pe mi i am uma classi icação p ecisa ( ig. 12). Todos eles se in- eg am nos ab icos que conside amos se em o iginá- ios das á eas mais in e io es do es uá io (g upo II – um agmen o; III – um agmen o), e de ou a zona mais di ícil de de e mina (g upo IV – dois agmen os), si- uação que pode jus i ica algumas das pa icula idades mo ológicas. Um des es agmen os (n.º 1672) pode ia e en ual- men e ap oxima -se do ipo 1 do es uá io do Tejo, ainda que enha uma secção mais ci cula e um bo do de en- dência mais e ical do que os exempla es que no mal- men e são in eg ados nes e ipo. Dois agmen os (n.º 1612 e 1713) ap oximam-se, po sua ez, an o do ipo 3, pelas ca ac e ís icas do bo do, como do ipo 6, pela ho izon alidade do omb o, sendo, po an o, di ícil a ibui -lhes uma classi icação especí ica. O úl imo agmen o de bo do, mui o mal conse - ado, pa ece exibi um bo do de endência e ical, que pode ia apa en a -se, ainda que com ese as, com o ipo 7 (n.º 1646). Res a e e i ainda a ecolha de dezenas de ag- men os de asas pe encen es aos á ios ab icos de ini- dos, que exibem secções ci cula es e, em alguns casos, o ais com sulco na zona ex e io , e alguns undos de pe il cónico ( ig. 13). 2.2. Os ma e iais impo ados Den o do conjun o ecolhido no Po o do Sabuguei o oi ainda possí el iden i ica no e agmen os de ân o as ( ig. 12) que, pelas suas ca ac e ís icas de ab ico, pa e- cem co esponde a impo ações das egiões me idionais da Península Ibé ica, conc e amen e da Andaluzia. Dois des es exempla es (n.º 1211 e 1204) ap esen- am ab icos que são ge almen e associados à á ea de Málaga. A mo ologia do bo do e o essal o que ap e- sen a no lábio, na junção à pa ede, pe mi em uma clas- si icação no ipo 10.1.1.1 de Ramon To es, ainda que se de a assumi que a dis inção en e es e e a o ma que lhe sucede ( ipo 10.1.2.1) nem semp e seja ácil de es- abelece com p ecisão. No conjun o do Po o do Sabuguei o, su gem am- bém cinco agmen os que pa ecem co esponde a ân- o as do ipo Pellice B/C (n.º 1736, 1730, 1734, 1735, 1733), algumas das quais já publicadas (Ga cía Fe - nández 2019: 137 – P.SAB-08-3185 = n.º 1733; P. SAB-08-0989 = n.º 1734; P.SAB-08-0301 = n.º 1736; P.SAB-08-3211 = n.º 1735), ainda que um des es (n.º 1734) ap esen e a zona in e na mais eng ossada, o que pode ia pe mi i uma ap oximação ao ipo Pellice D. As suas pas as ala anjadas (po ezes com núcleos acinzen ados), compac as e ela i amen e bem depu a- das, indicam uma o igem no Baixo Guadalqui i . De e ainda e e i -se que as duas ou as ân o as conside adas como possí eis impo ações (Ga cía Fe nández 2019) o am, após a análise in eg al do conjun o, conside a- das como pe encen es aos g upos II e IV (2019: 137 – P.SAB-08-0161 = n.º 1703 do ipo 3 do es uá io do Tejo; P.SAB-08-0046 = n.º 1622 do ipo 5 do es uá io do Tejo). Um ou o agmen o, cujo bo do é pouco di e- enciado e de endência mais ho izon al, sendo ainda espessado in e namen e, pode á e en ualmen e co - esponde a uma ân o a do ipo Pellice D (n.º 1651). As ca ac e ís icas da sua pas a são mui o semelhan es às an e io es, suge indo, igualmen e, uma o igem do Baixo Guadalqui i , ainda que es a p opos a seja ei a com algumas ese as, sendo necessá io co obo á-la com análises a queomé icas u u as. Uma si uação mui o simila aplica-se ambém ao úl imo agmen o que conside amos se de impo ação (n.º 1647). As ca ac e ís icas da sua pas a e mesmo a sua mo ologia pe mi em uma ap oximação às p odu- ções da Campiña Gadi ana do ipo 8.1.1.2 de Ramon To es (Ramon To es 1995; Ca e e o Poble e 2004), ainda que es a associação enha sido ei a ambém com ese as. 3. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO O conjun o de ân o as da Idade do Fe o e de adição p é- omana ecupe ado no Po o do Sabuguei o é um dos mais ep esen a i os do es uá io do Tejo, con ando com mais de duas cen enas de agmen os de bo do ( ab. 2). A di e sidade mo ológica e a a iedade de a- b icos documen ados es ão segu amen e elacionadas com a longa diac onia de ocupação do sí io du an e o 1º milénio a.n.e., sendo de lamen a que as p olongadas e in ensi as p á icas ag ícolas enham impossibili ado conjuga es e es udo com dados es a ig á icos e con- ex uais mais p ecisos. 145ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… Figu a 9. Ân o as do ipo 5 do es uá io do Tejo. 146 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS Figu a 10. Ân o as dos ipos 5 e 6 do es uá io do Tejo. 147ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… O g upo das p oduções locais e egionais (g upos de ab ico I, II, III, IV e ab ico a o A e B) é, sem qual- que dú ida, o mais ep esen a i o, co espondendo a 96% do conjun o, enquan o que os ma e iais de p o á- el impo ação co espondem a apenas 4%, sendo es a escassa exp essão eco en e no quad o dos conjun os a e ac uais egionais (Sousa 2014, 2017). Den o ainda das p oduções aganas ( ig. 14 e 15), a única mo ologia ausen e é o ipo 2 do es uá io do Tejo (Sousa e Pimen a 2014), sendo, con udo, de e e i que a o ma é ambém a a em ou os sí ios localizados nas á eas mais in e io es do es uá io. Os es an es ipos es- ão odos ela i amen e bem ep esen ados. O ipo 1, c onologicamen e mais an igo, mas que se p olonga a é momen os bem a ançados do 1º mi- lénio a.n.e., como já oi an e io men e e e ido, cons i ui 7% do conjun o (17 agmen os), podendo ac escen a -se ainda as o mas de ansição 1/3, que co espondem a ou os 2% (cinco agmen os). Es- as mo ologias englobam ecipien es p oduzidos, so- b e udo, na oz do es uá io, mais especi icamen e na á ea de Lisboa/Alma az, in eg ados no g upo de a- b ico I (18 agmen os). O g upo de ab ico IV, que pode á localiza -se nas suas p oximidades, con a com ês agmen os, e as pas as mais ípicas do cu so in- e io do es uá io (g upo III) con am com apenas um exempla . O ipo 3, eco en e nas p oduções egionais a pa i da segunda me ade do século VI a.n.e., con a com 7% do conjun o o al (16 agmen os). Nes e caso, encon- amos um maio equilíb io en e as p oduções da oz (no e exempla es), “in e médias” (dois exempla es) e as do in e io (cinco exempla es), o que pode á al ez indica que o início do ab ico de ân o as nas á eas mais in e io es do es uá io pode á e oco ido apenas a pa - i da segunda me ade do século a.n.e.. A o ma menos bem ep esen ada é o ipo 4, ca ac- e ís ico da segunda me ade do 1º milénio a.n.e., com apenas 3% (seis exempla es), no ando-se uma maio ia dos ab icos da oz ( ês exempla es) e uma ce a sime- ia en e os ab icos “in e médios” (um exempla ) e da zona in e io (um exempla ). A mesma si uação e i ica-se no ipo 7, mais a dio, que con a com 6% (14 exempla es – dos quais seis e- ão sido p oduzidos na zona da oz e cinco na á ea mais in e io , sendo ês da zona “in e média”). As o mas dominan es são, sem qualque dú ida, os ipos 5 e 6, que cons i uem, espec i amen e, 38% (88 exempla es) e 25% (57 exempla es) do conjun o. A g ande maio ia des as peças são pe encen es aos ab icos que assumimos se em do p óp io Po o do Sabuguei o ou de uma á ea mui o p óxima (103 ag- men os dos g upos II e III). Apenas um, da o ma 6, é passí el de se in eg ado nas p oduções ípicas da zona de Lisboa/Alma az (g upo I), sendo os es an es do g upo IV, pa a o qual se assume uma o igem p óxima da an e io (40 agmen os). A exp essi idade des as p oduções locais no Po o do Sabuguei o oi já associada à possibilidade de o lo- cal e cons i uído, du an e os momen os mais a dios do 1º milénio, um cen o de p odução de con en o es an ó icos (Sousa e Pimen a 2014), p o a elmen e e- lacionado com a p oximidade de locais ocacionados pa a a explo ação ag ícola, como é o caso do Cabeço Guião, ocupado du an e o século IV e III a.n.e. (A - uda e al. 2017), e localizado exac amen e em en e do Po o do Sabuguei o, na ma gem opos a do Tejo (Sousa 2017). Con udo, não podemos deixa de es- anha a escassez, nesse mesmo local, de agmen- os que pa ilhem as ca ac e ís icas de ab ico des a zona mais in e io , assim como a ausência de ân o- as que sejam cla amen e in eg á eis no ipo 5 (A - uda e al. 2017), que são ão abundan es no Po o do Sabuguei o. Es a es anha si uação pode ia e en ualmen e expli- ca -se de duas o mas. Po um lado, pode ia equaciona -se que o Po o do Sabuguei o osse, du an e a Idade do Fe o, um nú- cleo de p imei a impo ância, capaz de euni e con- cen a os exceden es ag ícolas do e i ó io imedia o, en azando-os di ec amen e em con en o es de p odu- ção local que se iam depois dis ibuídos pa a ou as á eas. Es a elação de ipo unidi ecional pode ia, as- sim, jus i ica a escassez desses mesmos ecipien es nos sí ios de ocação ag ícola das p oximidades, que se iam, po sua ez, abas ecidos sob e udo po ou os p odu os com o igem na zona mais me idional do es- uá io. Es a hipó ese en en a, con udo, um sé io obs- áculo, que é jus amen e a escassez des es ab icos an ó icos mais in e io es em ou as á eas do es uá io do Tejo, apesa dessa ca ência pode se impu ada a p oblemas de iden i icação dos mesmos. Con udo, a e dade é que en e os á ios conjun os a e ac uais que emos indo a publica (A uda e al. 2014, 2017, 2018, Ca doso e al. 2014, Sousa 2014, Sousa e A - uda 2018, Sousa e Gue a 2018, Sousa e al. 2017, Pimen a e al. 2018) as p oduções da á ea da oz, Lis- boa/Alma az, pa ecem se semp e la gamen e maio i- á ias. Ainda assim, pa ece impo an e e e i que os es udos sob e os ab icos do es uá io do Tejo se en- con am ainda numa ase p elimina , sendo necessá- io co obo a es as p opos as de p o eniência com a 148 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS Figu a 11. Ân o as dos ipos 6 e 7 do es uá io do Tejo. 149ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… Figu a 12. Ân o as dos ipos 7 do es uá io do Tejo, o mas de di ícil classi icação e impo ações. 150 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS u u a iden i icação de cen os de p odução e com da- dos a queomé icos. Uma segunda possibilidade de e se , po ém, am- bém equacionada. Mesmo não dispondo de in o mação p ecisa sob e as c onologias exac as des as p oduções, alguns dados, sob e udo os ipológicos, pe mi em ad- mi i que elas pode ão co esponde a uma e apa a - dia no quad o das p oduções an ó icas aganas, iniciada num momen o mui o a ançado da Idade do Fe o ( al- ez a pa i do século III a.n.e.) ou mesmo já den o da ase omano- epublicana. Es a c onologia a dia pode- ia assim jus i ica a ex ema escassez de ân o as p o- duzidas em Po o do Sabuguei o na g ande maio ia dos sí ios p é- omanos do es uá io, ocupados sob e udo en- e o século V e IV a.C. (Sousa 2017), e a ausência, a é ao momen o, de ân o as do ipo 5 em odos eles, com a excepção do p óp io Po o do Sabuguei o. Só o es udo de alhado de conjun os a e ac uais de ase omano- e- publicana, que es ão ainda po conc e iza , pode á es- ponde a es a ques ão. Uma ou a e e ência de e se ei a ao núme o de ma e iais impo ados iden i icados no Po o do Sa- buguei o, que, apesa de udo, é bas an e ap eciá el quando compa ado com ou os da mesma á ea geog á- ica (Sousa 2017), o alizando no e agmen os. Des es, dois in eg am-se segu amen e no ho izon e c onológico da chamada I Idade do Fe o, conc e- amen e as duas ân o as de p o á el p odução mala- guenha do ipo 10.1.1.1 de Ramon To es (1995), que e ão chegado ao Po o do Sabuguei o du an e o sé- culo VII a.n.e.. Es as impo ações an igas da Andalu- zia não cons i uem uma no idade no cená io egional, como icou demons ado, po exemplo, em San a ém e em Lisboa (A uda 2000; Pimen a e al. 2014b, Sousa e Gue a 2018). As ân o as do ipo Pellice B/C, mui o p o a el- men e p oduzidas no Baixo Guadalqui i , es ão ep e- sen adas po cinco exempla es. T a a-se de con en o es p oduzidos en e momen os a ançados do século VI e o século III a.n.e. (Pellice Ca alán 1978), endo chegado ao e i ó io ociden al a lân ico du an e es e pe íodo. Com e ei o, e no que diz espei o à impo ação de p o- du os alimen a es da ac ual Andaluzia, es a mo ologia é, apesa dos eduzidos núme os que ap esen a, a mais equen e na á ea do Tejo, es ando ep esen ada, a é ao momen o, em Lisboa (um exempla , ecolhido em con- ex os do século V/inícios do IV a.n.e. na Rua dos Co - eei os e ou os dois na T a essa do Cha a iz d´el Rei – Sousa 2014 e Ga cía Fe nandez 2019) e no Cabeço Guião (um exempla – A uda e al. 2017), somando-se ago a os cinco do Po o do Sabuguei o. Cabe, con udo, ealça , uma ez mais, es a ep esen a i idade do ipo do Guadalqui i nes e sí io do cu so supe io do es uá- io, que cons i ui o conjun o mais nume oso des as im- po ações em oda a egião. De e, con udo, e e i -se que, numa publicação e- cen e, F. J. Ga cía Fe nández (2019) p opõe, com base na análise mo ológica de algumas peças publicadas, ou as possí eis impo ações des es p odu os u de a- nos na á ea do Tejo. Apesa de es a possibilidade se pe ei amen e álida, a g ande semelhança que as ân- o as do ipo Pellice B/C ap esen am com as p odu- ções locais do es uá io le am-nos a e alguma cau ela em conside a esses exempla es como impo ações, a é se pode ealiza uma análise mais de alhada das es- pec i as pas as. Tabela 2: Quan i icação das p oduções locais e egionais do Po o do Sabuguei o de aco do com o g upo de ab ico e o ma. Fab ico/ o ma 1 1/3 3 4 5 6 7 Di ícil classi icação Inde e minada To al G upo I-A 8 2 5 3 — — 2 — 6 26 G upo I-B 7 1 4 — — 1 4 — 6 23 G upo II — — 4 — 34 17 2 1 3 61 G upo III 1 — 1 2 31 21 2 1 6 65 G upo IV 1 2 2 1 22 18 3 2 3 54 Fab ico a o A — — — — 1 — — — — 1 Fab ico a o B — — — — — — 1 — — 1 To al 17 5 16 6 88 57 14 4 24 231 151ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… Figu a 13. F agmen os de asas e undos de ân o as ecolhidos no Po o do Sabuguei o. 152 SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ALBERTO DORADO-ALEJOSLABORATORIO DE ARQUEOMETRíA – DEPARTAMENTO DE PREHISTORIA y ARQUEOLOGíA – UNIVERSIDAD DE GRANADA (ESPANHA) ELISA DE SOUSA / JOÃO PIMENTA / INÊS SILVA / HENRIQUE MENDES / ANA M. ARRUDA / ALBERTO DORADO-ALEJOS As es an es impo ações são um pouco mais p o- blemá icas de analisa . O agmen o que classi icámos, ainda que com algumas ese as, como ipo Pellice D, e que é, mui o possi elmen e ambém, o iginá io do Baixo Guadalqui i , em uma c onologia que se ini- cia em momen os a ançados do século IV a.n.e., mas pe manece nos in en á ios a é momen os a ançados do pe íodo omano- epublicano. Assim, é mui o di ícil de e mina se es a ân o a e á chegado ao Po o de Sa- buguei o du an e a Idade do Fe o ou já du an e o sé- culo II ou inícios do I a.n.e.. De e, con udo, e e i -se que as ân o as do ipo Pellice D p oduzidas na Anda- luzia são mui o a as na egião, conhecendo-se, a é ao momen o, apenas o caso da Quin a do Alma az (Olaio 2018), in elizmen e, e ambém nes e caso, sem dados con ex uais. Uma si uação simila aplica-se ao agmen o que classi icámos como 8.1.1.2, apa en emen e p oduzido na Campiña Gadi ana, e que se ia um dos p imei os exempla es des a mo ologia a se econhecido no es- uá io do Tejo. T a a-se de uma o ma que começa a se p oduzida a pa i do século IV a.n.e., endo-se assumido que não ul apassa ia o inal da cen ú ia seguin e (Ca e e o Poble e 2004). Con udo, o es udo de conjun os a e ac uais ecupe ados no ociden e do Alga e em indo a e ela quan idades conside á- eis de ân o as do ipo 8.1.1.2 em con ex os de inais do século II / inícios do século I a.n.e., o que em le- an ado algumas ques ões sob e a c onologia do i- nal da sua p odução (A uda e Sousa 2013; Sousa e al. 2016). Assim, e apesa de es es dois úl imos ipos ( ipo Pellice D e 8.1.1.2) se em adicionalmen e ag ega- dos às ases inais da Idade do Fe o, não de emos as- socia , inequi ocamen e, es as e idências ao pe íodo p é- omano, de endo e -se em conside ação a possi- bilidade de es as e em chegado à egião já no quad o da in eg ação da á ea do Tejo nos ci cui os come ciais de época omano- epublicana. Mais uma ez, só da- dos con ex uais mais segu os pode ão da espos a a es a ques ão. De qualque o ma, o conjun o de ân o as da Idade do Fe o e de adição p é- omana do Po o do Sabu- guei o o nece dados impo an es sob e a p odução e dis ibuição des es con en o es nas á eas do cu so médio e supe io do es uá io do Tejo. Ainda que não Figu a 14. G á ico de dis ibuição das p oduções locais/ egionais de aco do com os ipos mo ológicos. 153ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… SPAL 29.1 (2020): 129-156 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2020.i29.05 ÂNFORAS DA IDADE DO FERRO E DE TRADIçÃO PRé-ROMANA DO PORTO DO SABUGUEIRO… possamos deixa de lamen a a inexis ência de dados con ex uais, es es ma e iais mos am, sem qualque dú- ida, a impo ância que es e sí io e á desempenhado ao longo do p imei o milénio no quad o da ede de po oa- men o des e e i ó io. O es udo da complexidade das edes de p odução e dis ibuição de con en o es an ó icos no es uá io do Tejo, ainda que endo uma ex ensão essencialmen e e- gional, podendo de ini -se como uma espécie de ci - cui o echado, encon a-se ainda numa ase p elimina . Como já oi e e ido an e io men e, a impo ância e a dimensão des e enómeno o am econhecidas apenas du an e os úl imos cinco anos, sendo absolu amen e ne- cessá io desen ol e os es udos ipológicos e a queo- mé icos que pe mi am conhece , com mais de alhe, as suas especi icidades. O abalho que oi aqui ap esen- ado é, assim, de p imei a impo ância na co ec a de i- nição des as ealidades: as ca ac e ís icas do conjun o, a sua ep esen a i idade quan i a i a e a di e sidade de p oduções iden i icadas é um con ibu o essencial pa a en ende a g ande complexidade que a p odução e co- me cialização de con en o es an ó icos a ingiu, no es- uá io do Tejo, du an e o 1º milénio a.n.e. Ag adecimen os Es e abalho oi ealizado no âmbi o do P ojec o FETE – Fenícios no Es uá io do Tejo (PTDC/EPH- -ARQ/4901/2012), inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia. BIBLIOGRAFIA Ai chison, J. (1983): “P incipal Componen Analysis o Composi ional Da a”. Biome ika 70-1: 57-65. Ai chison, J. 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