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Destino : educação – diferentes países, diferentes respostas

Araújo, Lúcia

Abstract

A série Destino: educação – diferentes países, diferentes respostas busca entender os desafios do acesso à educação de qualidade. Para isso, viaja pelo mundo exibindo boas práticas de países que têm em comum a boa colocação no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a qualidade da educação nos países por meio do desempenho dos estudantes. Para entender como em cenários tão distintos, como Coréia do Sul, Canadá, Chile, dentre outros, a educação chega ao aluno, o espectador é convidado a seguir viagem e retornar com mais informação para refletir sobre a realidade brasileira.

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1664 Destino: educação – diferentes países, diferentes respostas Lúcia Araújo 2 Canal Futura [email protected].br [email protected] Resumo: A série Destino: educação – diferentes países, diferentes respostas busca entender os desafios do acesso à educação de qualidade. Para isso, viaja pelo mundo exibindo boas práticas de países que têm em comum a boa colocação no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a qualidade da educação nos países por meio do desempenho dos estudantes. Para entender como em cenários tão distintos, como Coréia do Sul, Canadá, Chile, dentre outros, a educação chega ao aluno, o espectador é convidado a seguir viagem e retornar com mais informação para refletir sobre a realidade brasileira. Palavras chave: Educação, PISA, desenvolvimento. 2 Jornalista, já foi editora de diversos departamentos e programas de televisão em empresas de comunicação como Bandeirantes, Cultura e Rede Globo. Desde 1999, é gerente geral do Canal Futura. 1665 Vamos começar com uma pergunta: como fazer para a educação de qualidade chegar a todas as crianças? Para responder, nada melhor do que quem vive o dia-a-dia da educação nos países que são exemplo nesse setor. Coréia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e a província de Xangai, na China. O que esses locais tão diferentes têm em comum? Todos estão bem colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA 3 ), que avalia a qualidade da educação em cada país por meio do desempenho dos estudantes. A proposta do programa é, de forma intimista, entrar na sala de aula, se aproximar dos alunos, falar com os professores, ir até a casa dos estudantes para mostrar sua rotina de estudos e conversar com seus pais. Para evitar distorções, o programa foi até escolas que representavam o padrão nacional, evitando as que estavam muito acima ou abaixo da média. Tudo para entender como em cenários tão distintos a educação chega até quem mais interessa - o aluno. A partir desses personagens, constrói o contexto político, histórico, social e cultural do local, além de colher depoimentos e análises de especialistas, entre eles o criador do PISA, Andreas Schleicher. Em formato de documentário, Destino: educação tem sete episódios. Realizada em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI), com consultoria da educadora Maria Helena Guimarães de Castro e também do Todos pela Educação e da Comunidade Educativa (CEDAC), a série baseou-se nos resultados do último ranking do PISA (2009) para escolher os locais retratados. Xangai, a número um do mundo, desfruta de liberdade para inovar e adaptar as rígidas regras do governo chinês e oferece uma educação de qualidade excepcional para os estudantes, inclusive os migrantes. Neste episódio, o público conhece estudantes nota dez, pais exigentes e professores qualificados. Em Xangai, a dedicação ao ensino é levada tão a sério, que o Estado teve que criar leis para limitar as horas de estudo em casa. Tanto esforço tem bases históricas e culturais, principalmente na ênfase da educação como mecanismo de ascensão social ao longo da história. A Finlândia, o número três, é famosa pela qualidade de ensino, e apontada como modelo para todas as nações. Por lá, para dar aula, um professor deve ter, no mínimo, mestrado, e a autonomia é palavra de ordem. No Ensino Médio, por exemplo, os estudantes têm direito a escolher o que querem aprender. A carga horária não é exageradamente grande e a biblioteca é um dos passatempos preferidos. Em média, um estudante vai doze vezes à biblioteca ao longo de um ano. Com ajuda de especialistas, esse episódio discute também: como o governo conseguiu a difícil tarefa de igualar a qualidade do ensino; por que a profissão de professor é a mais desejada pelos jovens, mesmo sem oferecer os salários mais altos da região; e, ainda, por que aos melhores profissionais cabe a tarefa de trabalhar nas piores escolas. Coréia do Sul, o número cinco, tornou-se exemplo de desenvolvimento econômico e social por haver, no último ranking do PISA, aparecido com uma das melhores notas, exemplo de superação para quem, no início da década de 60, estava no atual patamar de desenvolvimento do Afeganistão. Neste programa, o público conhecerá a rotina de oito horas na escola, as tarefas de casa, a competição em sala de aula, a rigorosa disciplina e o uso da tecnologia como aliada no aprendizado. O objetivo é descobrir como a educação de qualidade se tornou marca da sociedade coreana e também refletir sobre questões como a aceitação de castigos físicos em sala de aula. 3 Desenvolvido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o PISA é um sistema de avaliação considerado extremamente relevante no campo da educação. Atualmente, avalia os sistemas educacionais de 65 nações de acordo com o desempenho dos estudantes na faixa dos 15 anos, idade média para a conclusão da escolaridade básica obrigatória na maior parte dos países. Realizado a cada três anos, teve a última edição feita em 2009 e divulgada em 2010. 1666 O Chile foi o melhor colocado da América Latina no ranking do PISA. O Destino:educação atravessa o portão da escola para mostrar as novas medidas e acordos feitos pelo Estado e verificar se os bons salários, a premiação por desempenho, a constante avaliação do ensino e a participação da família realmente influenciaram na nota final do PISA. Avalia também como diminuir as diferenças entre o aprendizado dos alunos de distintas classes sociais e revela como funciona o sistema, dividido entre escolas particulares, subvencionadas e públicas. Desde a primeira avaliação, o Chile serve de exemplo para o continente e sua nota cresce de forma consistente. Por lá, o ministro da Educação é uma das autoridades de maior prestígio e costuma ser o nome forte para disputar as eleições presidenciais. O Canadá, com sua política de imigração integradora, se mantém entre os sete melhores. Na última década, o governo canadense vem concedendo aos estrangeiros com qualificação quase todos os direitos conquistados pelos canadenses, incluindo ensino de qualidade para seus filhos. Essa política foi adotada como forma de compensar a carência por profissionais especializados em função do envelhecimento da população e da baixa taxa de natalidade. Em um país com duas línguas oficiais e sem Ministério da Educação, pais de alunos estrangeiros falam sobre o sistema; especialistas discutem o impacto de uma política de educação descentralizada e falam sobre o monitoramento e nivelamento do desempenho das escolas, a cooperação entre elas e os métodos usados para incentivar aquelas com baixo rendimento. O espectador poderá ver também que se tornar professor no Canadá pode ser tão difícil quanto enfrentar seu inverno rigoroso, apesar de ganharem salários acima da média nacional. O Brasil e o PISA A série também tem um episódio dedicado ao Brasil. O país participa do PISA há quatro edições (2000, 2003, 2006 e 2009) e, embora ainda esteja na 53ª colocação, é apontado pelo ranking internacional como um dos que mais evoluíram na última década. A média, que era de 368 pontos no ano 2000, subiu para 401 na avaliação de 2009. O salto de 33 pontos foi superado apenas por Chile (37 pontos) e Luxemburgo (38 pontos). O Brasil entrou com o pé direito no século XXI para deixar de ser só uma promessa. Mas qual a relação entre o período de bons resultados na economia e melhorias efetivas em termos de educação? O país pode ter crescido no PISA, mas, como partiu de resultados muito baixos, ainda está a quilômetros de distância do ideal. Quando o assunto é repetência, somos campeões. Apesar de 86% dos estudantes estarem matriculados na rede pública, os salários não atraem os melhores docentes. A formação desses profissionais, pouco pautada em didática, também vai mal. Resultado: na lista das profissões mais desejadas, ser professor vira falta de opção. “A educação brasileira tem progredido de modo marcante nos últimos anos. Mas ainda ocupamos a 53ª posição entre os 65 países que participam do PISA. Isso coloca de maneira muito clara a necessidade de uma agenda pela qualidade da educação”, ressalta Rafael Lucchesi 4 , diretor de Educação e Tecnologia do Sistema Indústria, que reúne o SESI, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto EuvaldoLodi (IEL). Embora a educação seja um direito de todos, as horas em classe ainda são poucas. O turno integral só faz parte do cotidiano de alguns estudantes. A diferença na qualidade de ensino entre regiões e classes sociais é tão grande quanto o Brasil. Mas, por quê? Afinal, o que nos separa das melhores notas do PISA? Qual o papel do governo e das famílias? Quais os caminhos para se chegar à qualidade e equidade em salas de aula? O que tem sido feito? Em busca de respostas, o 4 Em: seção Notícias do sítio - www.frm.org.br: “Futura, em parceria com SESI, viaja por cinco países para investigar como funcionam os sistemas educacionais que estão entre os melhores do mundo”. 17 de outubro de 2011. Disponível em (26.2.2012): http://www.frm.org.br/main.jsp?lumPageId=FF8081811D972EC5011DABBBB64442B 1&itemId=FF80808131AF8A3B01331269A9FF1806 1667 espectador acompanha o dia a dia dos alunos, além do envolvimento de pais e professores. Especialistas e representantes de ONGs também foram ouvidos pelo programa. Objetivo é provocar reflexão, não mostrar fórmulas prontas Se quisermos ter uma educação que seja realmente boa e chegue a todos os alunos, nada melhor do que buscarmos inspiração onde isso já é realidade. O objetivo desta série não é estabelecer comparações, mas subsidiar o debate sobre a qualidade da educação no Brasil por meio de exemplos de experiências internacionais bem-sucedidas. Neste sentido, em todos os programas as mesmas inquietações pautam a exploração das diferentes experiências: qual a preocupação dos governos com o ensino? O que eles têm feito para melhorar os indicadores de qualidade e como isso é percebido no aprendizado desses alunos? Qual a articulação entre as políticas macro e as práticas do dia a dia escolar? Como valorizar e formar o elemento-chave do processo, o professor? Quem são as pessoas que estão por trás dos bons resultados do PISA? A família tem realmente papel decisivo na educação? Para encerrar a série dentro do que se propôs – baseando-se na troca de experiências –, o último programa faz uma abordagem detalhada, país a país, revisando o que foi exibido nos episódios anteriores. O objetivo é oferecer um olhar internacional sobre a educação sem buscar fórmulas prontas ou julgamentos, mas destacar as soluções e estratégias encontradas em cada sistema educacional a partir da visão somente daqueles que estão inseridos na realidade retratada. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASTRO, Maria Helena Guimarães de (2011): Caderno Destino: educação – diferentes países, diferentes respostas – base para elaboração do projeto televisivo do Canal Futura. Rio de Janeiro, Canal Futura. MOURSHED, Mona, CHIJIOKE, Chinezi, e BARBER, Michael (2010): “How the world’s most improved school system keep getting better” en McKinsey & Company Report, 2010. OCDE (2007): PISA 2006 – Estrutura de Avaliação - Conhecimentos e habilidades em ciências, leitura e matemática. São Paulo, Moderna.