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Área de Economía Financiera y Contabilidad IMPUTAÇÂO DE CUSTOS INDIRECTOS A PROJECTOS FINANCIADOS DE INVESTIGAÇÂO ESTUDO DE CASO NA UNIVERSIDADE DO MINHO (PORTUGAL) Joño Baptista da Costa Carvalho Universidade do Minho María Manuela Cruz Cunha Instituto Politécnico do Cávado e do Ave A prestaçâo de um serviço social com a utilizaçâo de recursos de urna forma eficaz e eficiente é o objectivo principal dos organismos públicos sem fins lucrativos. No que se refere ao financiamento de projectos de investigaçâo, normalmente as entidades financiadoras permitem que custos indirectos ou de estrutura sejam elegíveis até urna determinada percentagem do valor total aprovado ou elegível (designado por Overhead). Contudo esse valor, cuja gama de variaçâo se situa entre os 5% (Programa Alfa) e os 15/20% (IV Framework Programme, Socrates e Tempus) deve, regra gérai, ser justificado. Verifica-se assim a necessidade, por parte da Instituiçâo, de definir um modelo para o cálculo da repartiçâo de custos indirectos elegíveis (taxa de overhead), que permita justificar os valores inscritos nesta rubrica e, adicionalmente, permita inferir se a Instituiçâo se encontra a co-financiar os custos adicionáis originados por cada um dos projectos. Esta comunicaçâo é um resumo do Estudo elaborado entre Julho e Dezembro de 1998 e encontra-se dividida em duas partes. Na primeira parte é caracterizada a estrutura orgánica da Universidade do Minho e o seu actual tratamento contabilístico da informaçâo. Na segunda parte sao analisadas as respostas a inquéritos conduzidos e discutidos os respectivos resultados, terminando corn a apresentaçâo e justificaçâo da taxa de overhead que a Universidade do Minho deve aplicar nos projectos financiados de investigaçâo. The main objective of non profit public organisations is the provision of a social service with an efficient and effective resource use. In what concerns to the financing of research projects, financial entities usually allow indirect or strucutre costs to be elegible up to a certain percentage of the total approved or elegible project cost (designated Overhead). However this amount, whose range of variation stands between 5% (Alfa Programme) and 15/20% (IV Framework Programme) must, in general, be justified. Therefore, the Institution requires the definition of a suitable model to estimate the partition of elegible indirect costs (overhead tax), allowing the justification of the amounts requested in this item, and, additionally, allowing to infer if the Institution is financing additional costs brought about by any of the projects. This paper summarises a study carried out from July to December 1998 and is partitioned in two parts. The first one consists on the characterization of the organic structure of Universidade do Minho and its actual accounting information treatment system. In the second one, the answers to the conducted inquiries are analysed, its results discussed, ending with the suggestion and justification of the overhead tax that Universidade do Minho should adopt in research financed projects. PALAVRAS CHAVE: Contabilidade de Gestâo, Custos, Overhead, Indutores de Custos, Investigaçâo, Universidade. KEYWORDS: Accounting Management, Costs, Overhead, Cost Drivers, Research, University. PARTE I - A Instituiçâo e o Actual Tratamento Contabilístico da Informaçâo 1. INTRODUÇÂO E OBJECTIVOS A prestaçâo de um serviço social com a utilizaçâo de recursos de urna forma eficaz e eficiente é o objectivo principal dos organismos públicos sem fins lucrativos. A gestâo das entidades públicas tem características próprias: 393
IX Jomadas Hispano-Lusas de Gestión Científica a) Administrant quantidades avultadas de recursos financeiros provenientes de diferentes financiadores onde predomina o Estado como principal financiador; b) Prestam contas a esses diferentes financiadores e a outros interessados na informaçâo económica, financeira e patrimonial da Instituiçâo; c) A prestaçâo dessas contas nâo é uniforme (pode respeitar apenas a um conjunto de actividades da Instituiçâo) nem na mesma data (normalmente, com a conclusâo do projecto ou no final do ano, no caso das verbas do Orçamento de Estado); d) A duraçâo dos mandatos dos dirigentes é de duraçâo limitada. Assim, a informaçâo contabilística centra-se essencialmente na análise dos recursos consumidos e, além disso, se este consumo obedeceu aos requisitos impostos pelos diferentes financiadores. Conclui-se fácilmente que o desenho de um sistema de Contabilidade de Gestâo para a Administraçâo Pública nâo é tarefa fácil pelo que deveria existir um modelo próprio integrado com vários sistemas e subsistemas contabilísticos. Por outro lado, a aplicaçâo integral ao Sector Público da Contabilidade de Cusios empresarial tem limitaçôes, pois a prioridade e objectivos da informaçâo nâo coincidem. Enquanto que a análise custo/benefício e cálculo dos cusios de inventários sáo objectivos prioritários da contabilidade de custos em empresas corn fins lucrativos, o mesmo nâo se verifica nas instituiçôes sem fins lucrativos, como é o caso dos Seviços Públicos. Para estes, a contabilidade de custos por produtos deve preocupar-se com o cálculo de custos por cada projecto e compará-los com os custos de projectos similares da mesma ou de outras entidades. Contudo, para que os custos obtidos sejam comparáveis e mais comprensíveis aos diferentes utilizadores, é necessária a uniformizaçâo de critérios de repartiçâo dos custos indirectos ás actividades e aos projectos, permitindo assim a imparcialidade e objectividade. No que se refere a entidades financiadoras de projectos, normalmente permitem que custos indirectos ou de estrutura sejam elegíveis até urna determinada percentagem do valor total aprovado ou elegível (designado por OVERHEAD). Contudo esse valor, cuja gama de variaçâo se situa entre os 5% (Programa Alfa) e os 15/20% (IV Framework Programme, Socrates e Tempus) deve, regra gérai, ser justificado. Verifica-se assim a necessidade, por parte da Instituiçâo, de definir um modelo para o cálculo da repartiçâo de custos indirectos elegíveis (taxa de overhead), que permita justificar os valores inscritos nesta rubrica e, adicionalmente, permita inferir se a Instituiçâo se encontra a co-financiar os custos adicionáis originados por cada um dos projectos. Como resposta a esta necessidade, foi elaborado um estudo, encomendado pela Universidade do Minho, tendo como objectivos o cálculo da percentagem de overheads a praticar pela Universidade de Minho nos projectos financiados de investigaçâo. Utilizando a Universidade o sistema de custeio total, foi necessário definir critérios de repartiçâo dos custos indirectos da Reitoria e das Faculdades. A metodologia seguida para a elaboraçâo deste estudo consistiu: 1. na análise de Balancetes da classe 9 do Plano de Contas (modelo Continental); 2. no estudo dos projectos financiados de investigaçâo em curso; 3. na definiçâo e justificaçâo de critérios de imputaçâo de diferentes custos; 4. identificaçâo de duas taxas de repartiçâo (Reitoria e Faculdades) para o cálculo do overhead total; 5. no inquérito a todos os docentes da Universidade do Minho para conhecer a distribuiçâo do tempo despendido em ensino, gestâo, prestaçâo de serviços, outras actividades, actividades de investigaçâo financiada e outra investigaçâo; 6. no inquérito a todos os coordenadores de projectos financiados em curso; 7. no inquérito aos directores dos departamentos para caracterizar a situaçâo actual dos docentes. Na implementaçâo da metodologia, deparamos com algumas dificuldades, destacando: 1. um elevado número de unidades orgánicas responsáveis por inúmeros projectos com diferentes financiamentos; 2. inexistência de informaçâo sobre o número de horas que cada docente gasta em cada projecto; 3. elevados custos que sâo comuns ás diferentes actividades da Instituiçâo (Ensino, Investigaçâo, Projectos à Comunidade); 394
Área de Economía Financiera y Contabilidad 4. nâo existéncia de urna Contabilidade Analítica por actividades que impute os custos comuns a cada projecto ou “produto final”; 5. nem todas as secçôes ou repartiçôes da Reitoria têm identificados os seus custos (por exemplo custos da Secçâo de Pessoal, da Tesouraria, da Contabilidade,...). Esta comunicaçâo é um resumo do Estudo elaborado entre Julho e Dezembro de 1998 e encontra-se dividida em duas partes. Na primeira parte é caracterizada a estrutura orgánica da Universidade do Minho e o seu actual tratamento contabilístico da informaçâo. Na segunda parte sao analisadas as respostas aos inquéritos e discutidos os respectivos resultados, terminando com a apresentaçâo e justificaçâo da taxa de overhead que a Universidade do Minho deve aplicar nos projectos financiados de investigaçâo. 2. A UNIVERSIDADE DO MINHO: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Unidades Orgánicas - Capacidade de Recursos ............ Escolas Unidades Culturáis Serviços Ensino Direcçàu de Cursas (Gestáo) Investigaçâo Centros de Investigaçâo Sen iços Especializados A Universidade do Minho foi criada em 1973 (Decreto-Lei n. 402/73, de 11 de Agosto), tendo o seu primeiro Reitor tomado posse a 17 de Dezembro do mesmo ano. Manteve-se em regime de instalaçâo até 31 de Dezembro de 1981 e posteriormente foi dotada de autonomia administrativa e financeira (Portaría n. 121/83, de 2 de Fevereiro). Definida como pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia estatuária, científica, pedagógica, administrativa, financeira e patrimonial, tem sede em Braga e dispôe de dois polos ñas cidades de Braga e Guimaráes, frequentando os seus cursos de licenciatura e mestrado, cerca de 15.000 alunos. A Universidade do Minho adoptou, desde o seu inicio, um modelo organizacional cujas bases assentam na existéncia de "grupos de projecto", dando forma a um sistema matricial e de gestáo por objectivos que en volve articuladamente projectos e unidades orgánicas. Os projectos sao definidos como actividades organizadas de ensino (projectos de ensino ou cursos), de investigaçâo e de serviços especializados, orientadas no sentido da realizaçâo dos fins próprios da Universidade. Por sua vez, as unidades orgánicas sao núcleos de recursos humanos e materials, nos quais assenta o desenvolvimento de todo o tipo de projectos da instituiçâo, podendo de acordo com os seus objectivos específicos assumir a forma de Faculdades, unidades culturáis, ou serviços. Projectos e unidades orgánicas, ou de recursos, constituent desta forma a estrutura básica da Universidade e é pela sua interaeçâo que se configura o modelo de gestáo matricial. Nâo sendo formalmente equivalentes, até pelo facto de o desenvolvimento de cada projecto ser frequentemente levado a cabo por diversas unidades orgánicas, nele envolvidas em simultáneo, projectos e unidades orgánicas sáo por este motivo dotados de estruturas diferenciadas de gestáo. Contratos Individuáis Modelo Organizacional da Universidade do Minho 395
IX Jomadas Hispano-Lusas de Gestión Científica 3. OS OBJECTIVOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS E INSUFICIÊNCIAS DO ACTUAL SISTEMA A legislaçâo vigente obriga a que todas as Universidades possuam um sistema de Contabilidade Orçamental (classificando as operaçôes de acordo com a classificaçâo económica das despesas e receitas), urna Contabilidade Financeira ou Patrimonial (classificando os documentos de acordo com um Plano Oficial de Contas) e urna Contabilidade Analítica ou de Custos (actualmente com um Plano de Contas facultativo). A inexisténcia de normas nacionais de implementaçâo de um sistema de Contabilidade Analítica, é compreensível (dada a diversidade das Instituiçôes) mas nâo deixa de ser preocupante pois dificulta a comparabilidade que é um dos objectivos da Contabilidade Analítica. Por exemplo, tendo conhecimento da existéncia de Universidades que repartent os custos dos docentes em 50% para ensino e 50% para Investigaçâo, e outras em 2/3 para Ensino e 1/3 para investigaçâo, difícilmente os custos quer de ensino, quer de investigaçâo serâo comparáveis (entre as instituiçôes). Por outro lado, nâo está justificado o critério de repartiçâo dos custos comuns ás diversas actividades de cada docente. Utilizando urna linguagem empresarial, há urna produçâo conjunta, isto é, com os mesmos gastos produzem-se diferentes produtos ou serviços. E mesmo que essa “produçâo” nâo seja simultánea, toma-se também difícil que cada docente em cada dia registe o serviço prestado, ou seja a existência da “ficha de obra” aplicada em muitas industrias é naturalmente impraticável, e possivelmente inaceitável, neste tipo de Instituiçôes. Contudo, e apesar destas dificuldades, um sistema de Contabilidade Analítica mima Universidade deve fomecer diferente informaçâo para diferentes utilizadores, em tempo oportuno e formato comparável. Várias têm sido as críticas ao actual sistema de Contabilidade de Custos. Há, de facto, urna preocupaçâo quase única pela apresentaçâo de Mapas designados por “Demonstraçôes financeiras ou contabilísticas” exigidas pela legislaçâo fiscal, pela valorizaçâo de inventários e por evidenciar a situaçâo económica e financeira do patrimonio em determinado momento (normalmente 31 de Dezembro). Ultimamente, tem-se defendido a necessidade de este sistema alargar as suas funçôes, como por exemplo assumir a responsabilidade de calcular os custos da qualidade. No entanto, sáo enumeradas várias falhas ao sistema contabilístico actual (convencional) quando se pretende obter outras informaçôes. E, por isso, necessário reajustar os sistemas contabilísticos tradicionais ás necessidades actuáis, elaborando documentos informativos específicos sobre a qualidade, o custo ambiental, o custo de oportunidade, o custo de subactividade, etc., ou seja, a Contabilidade Analítica deve proporcionar informaçâo que ajude os gestores nas suas tarefas de planificaçâo e controlo para que possam tomar decisóes fundamentadas e emitir juizos informativos sobre a actividade económica da entidade que dirigem e administran!. 4. ACTUAL MODELO DE CONTABILIDADE ANALÍTICA DA UNIVERSIDADE DO MINHO A Universidade do Minho possui dois sistemas de Contabilidade Analítica: ■ sistema de Contabilidade por Centros de Custos (orgánico) ■ sistema de Contabilidade Analítica por projectos (inorgánico) 4.1. Sistema de contabilidade analítica por centros de custo (orgánico) O sistema de Contabilidade Analítica por Centros de Custos está estruturado numa classe 9 (modelo da Europa Continental). Como características deste sistema, é de destacar: 1. a utilizaçâo do sistema digráfico onde cada conta tem movimentos a crédito e a débito; 2. é um plano de contas elaborado pela Instituiçâo, ao contrário do plano de contas para o sistema de Contabilidade Orçamental e para o sistema de Contabilidade Patrimonial; 396
Área de Economía Financiera y Contabilidad 3. nas contas de despesa, o movimento a débito refere-se às despesas processadas e o movimento a crédito ao orçamento atribuido a cada centro; 4. é urna contabilidade de despesas (correntes e de capital) e nao urna Contabilidade de Custos. Assim, nâo regista as amortizaçôes de imobilizado e nao separa despesas que nao sao custos do exercício. Em resumo, trata-se de urna Contabilidade Analítica Orçamental ou urna Contabilidade Orçamental por Centros de Responsabilidade. Como críticas ou limitaçôes deste sistema, será de referir: 1. nâo permite o registo dos cabimentos prévios; 2. nâo regista os compromissos pagos; 3. permite registar compromissos sem a existéncia de saldo; 4. as despesas da administraçâo deveriam estar repartidas pela diferentes repartiçôes ou secçôes dado poderem utilizar diferentes indutores de custos; 5. o orçamento das Faculdades deveria estar repartido pelos diferentes Departamentos, evitando-se assim urna difícil leitura dos valores fomecidos em cada Balancete; 6. o orçamento atribuido a cada Centro de Investigaçâo deveria estar separado pelas diferentes fontes de financiamento; 7. os encargos gérais de funcionamento deveriam estar desdobrados de forma a informar os encargos a imputar aos outros centros (comunicaçâo, ...) e os encargos que nâo sâo repartidos ou “facturados” (água,...); 8. a conta “984 - Investigaçâo e Desenvolvimento” (conta objecto de estudo deste trabalho) nâo permite obter toda a informaçâo necessária para urna completa análise de cada projecto financiado. Para todos os projectos deveria existir informaçâo sobre as verbas: aprovadas; financiadas; comprometidas; gastas; pagas; solicitadas; recebidas. Por exemplo, a diferença entre as verbas recebidas e as verbas pagas dáva-nos informaçâo do saldo de tesouraria por projecto, que normalmente nâo significa um saldo disponível para outros projectos. De facto, indiscutivelmente, nos organismos públicos a análise parcial é bem mais importante que urna análise global (lucro ou prejuízo total, saldo global de tesouraria,...). 4.2. Sistema de contabilidade analítica por projectos Visto que a Universidade do Minho utiliza o sistema de custeio total ou completo, no cálculo do custo de cada projecto foi necessária a definiçâo de critérios de imputaçâo dos custos de cada centro aos respectivos projectos. De referir ainda que, além dos normáis custos comuns de estrutura, é de assinalar o facto da Universidade do Minho estar organizada pelo sistema matricial pelo que, por exemplo, um curso ou outra actividade pode receber custos de diferentes departamentos de distintas Faculdades . Por este motivo, o ex-Reitor da Universidade do Minho, Professor Sérgio Machado dos Santos elaborou um documento que designou por “Bases para urna Contabilidade Analítica da Universidade do Minho. É com base nesse documento que actualmente é obtido o custo de cada projecto (curso, investigaçâo e serviço à comunidade), suportado por urna folha de cálculo. Trata-se de um excelente trabalho sobre este Sistema de Contabilidade de Custos por Projectos, sendo apenas de referir: 1. a repartiçâo nâo fundamentada dos custos comuns dos Departamentos em: 2/3 para a funçâo ensino e 1/3 para a funçâo investigaçâo; 2. a repartiçâo dos custos dos serviços centrais (repartiçâo P) é efectuada por urna única unidade de imputaçâo; 3. urna preocupaçâo quase única pelo cálculo do custo da funçâo Ensino 4. a dependéncia deste sistema em relaçâo ao sistema de Contabilidade Analítica por Centros de Responsabilidade. 397
IX Jomadas Hispano-Lusas de Gestión Científica Estrutura Global do Modelo de Imputaçâo de Custos C E N TR O S D E C U S T O S (Contas 9) PARTE II - Os Custos de Investigaçâo & Desenvolvimento na Universidade do Minho 5. OS CUSTOS DE INVESTIGAÇÂO E DESENVOLVIMENTO 5.1. Definiçôes e pressupostos a) Investigaçâo Financiada Um docente pode desenvolver cinco tipos de actividades: ensino, gestâo, prestaçâo de serviços, investigaçâo e outras actividades (orientaçôes, publicaçôes, seminârios, A actividade de investigaçâo pode, por sua vez, ser subdividida em “investigaçâo financiada” e “outra investigaçâo”. Consideramos “investigaçâo financiada” aquela a que corresponde: 1. urna dotaçâo financeira atribuida por urna entidade externa; 2. um plano de trabalhos a respeitar (contrato); 3. existéncia de um coordenador de projecto; 4. gestâo financeira respeitando as regras da entidade financiadora, com obrigatoriedade de prestaçâo de contas; 5. abertura de urna conta no centro de custos (conta 984), controlada pelo Conselho Administrativo; É únicamente sobre este tipo de actividade que recaiu o presente estudo. b) Docentes ETI (Equivalencia a Tempo Integral) 398
Área de Economía Financiera y Contabilidad Neste estudo, a uniformizaçâo da distribuiçâo dos tempos ocupados pelos docentes ñas diferentes actividades, obrigou à conversâo dos docentes a tempo parcial e/ou sem exclusividade, para o seu equivalente a tempo integral, considerando-se; 1. um docente a tempo integral em exclusividade trabalha 36 horas semanais; 2. um docente a tempo integral sem exclusividade é equivalente a 2/3 de 1.; 3. um docente a tempo parcial corresponde a urna percentagem de 2. Verifica-se que a Universidade do Minho, em Setembro de 1998, tinha em funçôes docentes, 962 professores que correspondiam a 921 ETI's, predominando os docentes com a categoría de Assistentes. Distribuiçâo dos Docentes por Categorías a Docentes em exclusividade ■ Docentes sem exclusividade 127 25 47 103 484 176 O Catedráticos BAssociados □Auxiliares □Assistentes BAssistentes Estagiários □ Leitores e Investigadores c) Tipos de Custos Perante a necessidade de prestaçâo de contas ás entidades financiadoras dos projectos, poderemos dividir os custos em dois grandes grupos: custos elegíveis e custos nâo elegíveis. No ámbito deste estudo, consideramos como custos nâo elegíveis os que nâo têm qualquer relaçâo ou contributo, directo ou indirecto, para a realizaçâo dos projectos, isto é, quando nâo existe qualquer variaçâo destes em virtude da realizaçâo dos projectos. Regra geral um projecto pode ter dois tipos de custos elegíveis: custos directos e custos indirectos. Os custos directos sáo aqueles que se identifican! total e exclusivamente com um único projecto, ao quai devem a sua existéncia. Os custos indirectos sâo de natureza comum a diferentes actividades e que normalmente se repartem por estas, através de urna chave de repartiçâo, que designamos por “cost driver" ou indutor de custos. Incluimos nesta classe, os seguintes custos de funcionamento e custos com Pessoal (da Reitoria, Serviços Administrativos e Serviços): 911: Reitoria 915: Serviços Administrativos 916: Serviços (excepto Gabinete de Relaçôes Públicas, Projectos Qualidade) 92: Faculdades 93: Centros de Investigaçâo 96: Encargos Gerais de Funcionamento (excepto Comunicaçâo e combustíveis cujos custos sáo mensalmente “facturados” aos respectivos Centros 399
IX Jomadas Hispano-Lusas de Gestión Científica d) Indutores de Custos e Repartiçâo de Custos Indirectos Para cada um dos custos indirectos considerados e acima listados, foi definido um indutor de custos ao quai foi associada urna chave de imputaçâo. A análise da estrutura da Universidade, da natureza dos custos e das características dos projectos, conduziu à selecçâo dos seguintes indutores de custos: Centro de Custos Indutor Chave de Repartiçâo Contabilidade + Tesouraria Quantidade de documentos processados Doc relativos a PFI / Total de doc. processados Serviço de Pessoal Número de docentes ETI’s em investigaçâo Encargos Gerais de Funcionamento Natureza das actividades desenvolvidas pelos docentes Taxa de ocupaçâo em investigaçâo financiada GAP + VR Projectos Número de projectos executados Número de PFI / Número de projectos executados Reitoria Orçamento global da UM Orçamento aprovado PFI / Orçamento global da UM Assessoria Jurídica Natureza das actividades desenvolvidas pelos docentes Taxa de ocupaçâo em investigaçâo financiada Faculdades + Centros de Investigaçâo Natureza das actividades desenvolvidas pelos docentes Taxa de ocupaçâo em investigaçâo financiada PFI: Projectos Financiados de Investigaçâo e) Overheads Consideramos “overheads” a percentagem dos custos elegíveis indirectos proporcional ao orçamento aprovado para os projectos financiados de investigaçâo. O cálculo da taxa real de “overhead” contemplou dois componentes: a componente Reitoria e a componente Escola. Se o overhead obtido neste estudo for superior ao overhead máximo admitido pela entidade financiadora, tal significa que a Instituiçâo está a comparticipar os custos em causa, no montante que excede aquela taxa. 5.2. Recolha e análise de dados Para efeitos de identificaçâo de todos os projectos de investigaçâo que decorreram ao longo dos últimos 12 meses (1 de Outubro de 1997 a 30 de Setembro de 1998), conhecimento da participaçâo dos docentes em Projectos Financiados de Investigaçâo e caracterizaçâo de cada departamento, foi utilizado o seguinte conjunto de questionários: 1. Quadro de Recursos Humanos por Departamento 2. Ficha de Projecto 3. Ficha de Distribuiçâo do Tempo do Docente. 400
Área de Economía Financiera y Contabilidad Em anexo incluimos o modelo destas fichas. Foram enviados: a) 140 Fichas de Projectos (a cada Coordenador dos 140 projectos identificados), tendo sido recepcionadas 56 respostas; b) 962 Fichas de Docente, tendo sido recepcionadas 520, o que corresponde a 54% do universo. Com estes dados procedeu-se a urna análise global da Universidade do Minho, de onde se pode constatar que a actividade média dos docentes é a seguinte: Ensino....................................................................45% Investigaçâo e outras actividades ............................ 41% Gestâo.....................................................................6% Projectos Financiados de Investigaçâo ................ 8% Com esta informaçâo, para além de se tomar conhecimento da distribuiçâo da actividade docente, foi possivel repartir os custos de Encargos Gerais de Funcionamento, de Assessoria Jurídica e do Serviço de Pessoal, bem como repartir os custos de Funcionamento das Faculdades e centros de investigaçâo. Distribuiçâo da Actividade dos Docentes g ]E n s in o ■In v e s tig a ç â o e o u tra s a c tiv id a d e s Q G e s tâ o Q P ro je c to s F in a n cia d o s de In v estig aç â o □ Ensino ■ Investigaçâo e outras actividades □ Gestâo □ Projectos Financiados de Investigaçâo □ Ensino ■ Investigaçâo e outras actividades □ Gestâo □ Proj. Financiados de Investigaçâo Docentes em exclusividade com Actividades dos docentes em Actividade da Universidade actividades de ensino exclusividade Constatou-se também que a distribuiçâo da actividade dos docentes nâo é uniforme ñas diversas faculdades. Por exemplo, no que se refere à percentagem de dedicaçâo à investigaçâo financiada, esta varia entre 0% (Escola de Arquitectura) e 14,1% (Instituto de Educaçâo e Psicologia). Dedicaçâo à Investigaçâo Financiada por Faculdade IEP Instituto de Educaçâo e Psicologia IEC Instituto de Estudos da Criança EE Escola de Engenharia EC Escola de Ciéncias ICS Instituto de Ciéncias Sociais ILCH Instituto de Letras e Ciéncias Humanas EEG Escola de Economía e Gestâo DAD Departamento Autónomo de Direito EA Escola de Arquitectura 401