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Zine como suporte do Jornalismo Alternativo no debate sobre o Direito à Cidade

Novais, Cristiane Silva; Carvalho, Carmen

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------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- Capí ulo 19 Zine como supo e do Jo nalismo Al e na i o no deba e sob e o Di ei o à Cidade C is iane Sil a No ais  Ca men R. O. Ca alho** * G aduada en Comunicación Social, especialidad de Pe iodismo, po la Uni e sidad del Su oes e de Bahía (UESB), B asil, y A qui ec u a y U banismo po la Facul ad Independien e de No des e (FAINOR), B asil. ** P o eso a de Pe iodismo en la Uni e sidad Es a al del Su oes e de Bahía (UESB), B asil. Doc o anda en la Uni e sidad de San iago de Compos ela, España. Responsable del G upo de Es udio/In es igación/Ex ensión “Jo nalismo Impo a” y del si io web “A oado ”: a oado .com.b . INTRODUÇÃO. con ex o his ó ico da imp ensa al e na i a é de esis ência, com aízes no imaginá io de gue ilha. Fo mados po publicações da esque da, de con acul u a e de mo imen os sociais, elas buscam iabiliza con eúdos de manei a democ á ica e ho izon al, sendo ais ca ac e ís icas cons i uin es do espec o em que o zine ope a. Hen ique Magalhães (1993) diz que, apesa do jo nalismo al e na i o e os zines e em suas pa icula idades e con ex os, há uma elação en e ambos. En e as ca ac e ís icas comuns, es á a ase em um iés ideológico, opondo-se aos modos dominan es, se indo como po a- oz pa a di e en es mo imen os no deco e da his ó ia. Sob essa pe spec i a, es e a igo em como obje i o ge al ap esen a o zine como uma mídia adical al e na i a, seguindo o concei o p opos o po John Downing (2001), uma ez que sua essência es á no a i ismo e oposição aos pode es hegemônicos e adicionais. Na pe spec i a em que o zine e a imp ensa al e na i a ap esen am a mesma p emissa, que se á abo dada O ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- ao deco e desse abalho, a pe gun a que o no eia é: como o zine pode unciona como supo e pa a o jo nalismo al e na i o? A me odologia u ilizada oi a pesquisa bibliog á ica, ab angendo ês eixos es u u an es do abalho: jo nalismo al e na i o, zines e cidade. Pa a no ea e con ibui pa a cons ução des e abalho, o am u ilizados os es udos de An onio G amsci (1999), John Downing (2004), Ma cio Sno (2015), Raquel Rolnik (1994), Hen i Le eb e (2001), Da id Ha ey (2014), en e ou os. Po an o pa a in o ma , o ma e le a conhecimen o pa a os mo ado es sob e o meio cole i o em que i em, os zines podem se p oduzidos pelas p óp ias comunidades u banas com o ien ações de jo nalis as pa a deba e os emas u gen es nas cidades, como a explo ação imobiliá ia exace bada e uma es é ica plu al. Seu o ma o de e e um design a aen e como ambém um con eúdo explica i o cla o e obje i o, de modo a conquis a os lei o es e mobiliza em em ações em de esa do di ei o a uma cidade de odos. MÍDIA E CULTURA DA MÍDIA. A mídia pode se en endida como o meio mu á el que possibili a a comunicação, uma ez que ela é “um sis ema em con ínua mudança, no qual elemen os di e sos desempenham papéis de maio ou meno des aque” (B iggs e Bu ke, 2004, p. 15). Apesa do e mo mídia – de i ado do la im media; no plu al, médium – e sido u ilizado a pa i da década de 1920, o a o de comunica é ine en e ao se humano e semp e oco eu de a iadas o mas, a depende do con ex o de uma espec i a época. Con udo, apenas nos anos de 1950, “passa am a menciona uma „ e olução da comunicação” (B iggs e Bu ke, 2004, p. 11). No en an o, con o me os au o es, o in e esse sob e o assun o já oco ia em momen os an e io es. A mídia é ab angen e e inco po a di e sos meios de comunicação, cuja inalidade es á em ansmi i uma mensagem. É impo an e le a em conside ação a his ó ia, uma ez que di e en es enômenos de mídia oco e am em dis in as épocas, sob e udo nos con ex os das ino ações ecnológicas. Como ela é mu á el, já hou e a e a do imp esso, da ádio, da TV e, ago a, es amos na e a in e ne . Po conseguin e, segundo Asa B iggs e Pe e Bu ke (2004), as mudanças que oco e am i e am consequências cul u ais e socais. Ela, a mídia, con igu a-se como uma pode osa e amen a que molda a ida do indi íduo. Nesse sen ido, Douglas Kellne (2001) a de ende ci cunsc i a em uma cul u a, uma ez que “a cul u a, em seu sen ido mais amplo, é uma ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- o ma de a i idade que implica al o g au de pa icipação, na qual as pessoas c iam sociedades e iden idades” (Kellne , 2001, p. 11). Is o é, a cul u a modela o indi íduo. Po an o, de ido a onip esença da mídia, seu consumo, po conseguin e, induz a iden i ica -se àquilo que con emple a um sis ema de dou inação ideológica. Is o pos o, a cul u a da mídia é ambém uma o ma de cul u a de consumo, uma ez que ineb ia o público a pa i de um sis ema de g a i icação come cial (Kellne , 2001). Nesse sen ido, “a cul u a da mídia e a de consumo a uam de mãos dadas no sen ido de ge a pensamen os e compo amen os ajus ados aos alo es, às ins i uições, às c enças e às p á icas igen es” (Kellne , 2001, p. 11). A ua em p ol de uma hegemonia, po meio da disseminação de signi icados e mensagens dominan es, que induzem os indi íduos a con o ma em-se ao sis ema igen e. Con udo, Kellne (2001) essal a que o público pode esis i e a p óp ia mídia o e ece ecu sos pa a o alecê-los na oposição. HEGEMONIA GRAMSCIANA. A e imologia do e mo hegemonia de i a do g ego eghes ai, que em como de inição conduzi , guia e lide a . Do g ego an igo eghemonia, a pala a e a u ilizada em cono ação mili a . A pa i da ob a esc i a pelo i aliano An onio G amsci, du an e o seu pe íodo de cá ce e, en e 1927 e 1935, “hegemonia” passou a se essigni icada. Segundo a ó ica g amsciana, a elação hegemônica se ca ac e iza quando um g upo social exe ce domínio ideológico sob e uma sé ie de g upos subo dinados, nas es e as polí ica, econômica, social e cul u al. Pa a o au o , a ideologia é como ins umen o p á ico undamen al pa a o exe cício da hegemonia, en e an o, “desde que se dê ao e mo „ideologia‟ o signi icado mais al o de uma concepção do mundo, que se mani es a implici amen e a a és da a e, do di ei o, da a i idade econômica e em odas as mani es ações de ida indi iduais e cole i as” (G amsci, 1999, . 1, o. 98). Po an o, a ideologia dominan e p oje a uma ealidade que lhe é bené ica, expe enciando a o alidade da ida, c iando um sis ema de signi icados e alo es, que é “a exp essão ou p ojeção de um de e minado in e esse de classe” (Williams, 1979, p. 111). Pa a que uma elação hegemônica oco a, é necessá ia uma elação pedagógica, “que se e i ica não apenas no in e io de uma nação, en e as di e sas o ças que a compõem, mas em odo o campo in e nacional e mundial, en e conjun os de ci ilização nacionais e con inen ais” (G amsci, 1999, . 1, p. ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- 366). Logo, além de e o consen imen o dos dominados, o g upo dominan e ambém os educa, sob e udo, a pa i da cons ução de ideologias. G amsci (2007) ê a imp ensa como e olucioná ia no mundo ambien a, social e cul u al, dando à memó ia um subsídio de alo ines imá el e pe mi indo uma ex ensão inaudi a da a i idade educacional. No con ex o midiá ico global, a a uação hegemônica oco e de manei a que apenas uma pa cela das in o mações e con eúdos disponí eis são eiculados pela chamada “mídia adicional”, que é pe passada pela es u u a do modo de p odução capi alis a, ma cada, sob e udo, pelo luc o, pelo consumo, pela alienação do abalhado . Po conseguin e, quando a mídia dá isibilidade apenas aos que man êm uma ealidade que lhe é bené ica e luc a i a, es á a i icando o p ocesso de sus en ação e ampliação da ideologia hegemônica. RESISTÊNCIA E MÍDIA RADICAL ALTERNATIVA. No cená io hegemônico há ambém mo imen os de oposição e lu a, que podem oco e de o ma indi idual ou cole i a, exis indo ambém os concei os de con a-hegemonia e con a-hegemônico. Con udo, apesa do concei o se a ibuído ao co pus eó ico g amsciano, segundo os es udos de He be Glauco de Souza (2013), a o mulação em de Raymond Williams, em sua ob a in i ulada Ma xismo e Li e a u a, da ada em 1977. O en endimen o sob e o p ocesso con a-hegemônico é de como uma esis ência e con es ação às es u u as da ideologia hegemônica, pode, sob e udo, se iniciado a pa i das c ises hegemônicas, pon uadas po G amsci. “A ealidade de qualque hegemonia, no sen ido semp e dominan e, jamais se á o al ou exclusi a. A qualque momen o, o mas de polí ica e cul u as al e na i as, ou di e amen e opos as, exis em como elemen os signi ica i os na sociedade” (Williams, 1979, p. 116). Nesse sen ido, no con ex o da cul u a da mídia, Kellne apon a que: a p óp ia mídia dá ecu sos que os indi íduos podem aca a ou ejei a na o mação de sua iden idade em oposição aos modelos dominan es. Assim, a cul u al eiculada pela mídia induz os indi íduos a con o ma -se à o ganização igen e, da sociedade, mas ambém lhes o e ece ecu sos que podem o alece-los na oposição a essa mesma sociedade. (Kellne , 2001, p. 11-12). Den o do espec o con a-hegemônico, inse e-se a mídia adical al e na i a, exp essão cunhada po John Downing (2004). Sob a pe spec i a do au o , a mídia adical al e na i a é, em ge al, de pequena escala e exe ce múl iplos impac os em di e en es ní eis. Sua essência es á no a i ismo, opondo- ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- se à hegemonia. “Não exis e nenhuma alquimia ins an ânea, nenhum p ocedimen o socioquímico incon es e, capaz de dis ingui , num elance ou com esul ados de ini i os, a mídia e dadei amen e adical da mídia apa en emen e adical ou mesmo não adical” (Downing, 2004, p. 24). O au o ado a a e minologia “mídia adical al e na i a”, pois u iliza apenas “mídia al e na i a” é quase um pa adoxismo, uma ez que “qualque coisa, em algum pon o, é al e na i a a ou a coisa” (Downing, 2004, p. 27). Pa a ele, a designação ex a de adical i ma a de inição de mídia al e na i a. No cená io da mídia adical al e na i a es á inse ida uma his ó ia de sob e i ência e ensão pe an e um pode hegemônico. Logo, a impo ância de se es a a en o pa a “as múl iplas o mas de pode e subo dinação, que com equência se encon am en elaçadas” (Downing, 2004, p. 54). A lu a con a esse cená io se az p esen e na cul u a de esis ência e nos mo imen os sociais, dos quais são exp essões i as da ealidade. CONTRACULTURA E IMPRENSA ALTERNATIVA. A con acul u a su giu em meio ao capi alismo a ançado nos Es ados Unidos, na década de 1960, e oi um mo imen o con a os alo es da cul u a dominan e. Ca los Albe o M. Pe ei a (1992) a i ma que, inicialmen e, e a um enômeno limi ado a ma cas supe iciais, mas logo começou a signi ica no as manei as de pensa , modos di e en es de enca a e de se elaciona com o mundo e com as pessoas. Com uma base o emen e libe á ia, a con acul u a e a o mada pela ju en ude de camadas médias u banas e com uma p á ica-ideológica con apos a aos alo es cen ais da cul u a ociden al. T a a a-se de um mo imen o p o undamen e ca alisado e ques ionado . Nesse con ex o, Theodo e Roszak (1981) c iou o e mo “con acul u a” pa a designa esse mo imen o que eme giu en e os jo ens. Nesse pe íodo, a é pa a di ulga as ideias do mo imen o, su giu uma o e imp ensa al e na i a b asilei a, da ada en e 1964 e 1980, que no B asil a ua am du an e 15 anos da di adu a mili a . Segundo Be na do Kucinski (1991), o adical de al e na i a ca ega as ca ac e ís icas essenciais dessa imp ensa, como não e ligação com polí icas dominan es, e uma opção en e duas coisas ecip ocamen e excluden es e se a única saída pa a uma si uação di ícil. ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- Isso pos o, pa a os jo nalis as, es a em à en e de odo o mo imen o al e na i o signi ica a libe dade quan o às es ições e aos alo es emp egados pela mídia hegemônica. Assim, a imp ensa al e na i a é a o ça con a- hegemônica necessá ia pa a epensa no os modelos e alo es e se con apo ao que é es abelecido ao jo nalismo p oduzido pela mídia adicional, que pode e ou os in e esses além de le a a in o mação ao público. O ZINE COMO UMA ALTERNATIVA. Sno (2015) dis ingue dois ci cui os: o p imei o, chamado po mains eam, o qual comp eende a uma co en e dominan e, mos ando aquilo que es á em oga e incen i ando o consumo desen eado; pa alelamen e a ele, há o segundo, chamado de unde g ound, que diz espei o a uma cul u a al e na i a, o mada po udo que es eja o a da no ma igen e. O zine ope a no segundo ci cui o. O zine, con o me Denise Lou enço (2006), é uma publicação que ai de encon o à plu alidade, he e ogeneidade, a iedade e di e ença. Nesse sen ido, pode-se dize que cada zine é único, ei o a pa i da subje i idade de cada p odu o , que, ao deco e de odo o seu p ocesso de p odução, exp essa um pouco de si em seu p odu o. Já Hen ique Magalhães (1993) diz que o zine é uma ob a al e na i a e amado a, com pequena i agem e imp essa a esanalmen e. Cos uma se edi ado po apenas um indi íduo ou g upo, que de ém oda uma libe dade edi o ial, abo dando emas especí icos di ecionados a um de e minado público. S ephen Duncombe (1997) explica ainda que os zines são não come ciais, não p o issionais, com uma pequena ci culação, cheios de discu sos “es anhos” e ap esen ados em um design caó ico. Amy Spence (2008) compa ilha do mesmo pensamen o, complemen ando que são publicações p oduzidas e dis ibuídas pelos seus c iado es. Sin e izando as múl iplas de inições do que enha a se um zine, é possí el dize que se a a de uma publicação que pe mi e expe imen a udo aquilo que mui as ezes não apa ece na mídia hegemônica, uma ez que p omo e a li e exp essão e sem censu a. Aquém do sis ema de p odução me cadológico, sua p odução não isa luc os, logo seu obje i o es á, sob e udo, em se comunica , le ando a mensagem de quem o p oduz. ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- O URBANO E A CIDADE. Le eb e (2001) dis ingue a cidade e o u bano, uma ez que a p imei a comp eende a ealidade p esen e, imedia a, dado p á ico-sensí el, a qui e ônico e o segundo comp eende a ealidade social compos a de elações a se em concebidas, cons uídas ou econs uídas pelo pensamen o. No en an o, a dis inção en e um e ou o não pode ecai em simples de inições. T a am-se de elações complexas en ol idas po ques ões e e lexões c í icas. En e an o, pa a que se possa en ende a cidade e o u bano e, po conseguin e, as suas pa ologias na a ualidade, é necessá io comp eende odo o seu p ocesso de p odução e ep odução no deco e dos anos. De aco do com Le eb e (2001), o pon o de pa ida pa a al es á no p ocesso de indus ialização. Há um século e meio, esse p ocesso é ido como o mo o das ans o mações na sociedade. Logo, ca ac e izando a sociedade mode na, ma cada pelo capi al. A cidade em um his ó ico de ans o mações que oi açado ao longo dos anos. Ao longo da his ó ia, exis i am di e en es ipos de cidades que p eexis i am à indus ialização. Cada uma com as suas espec i as ca ac e ís icas que ma ca am de e minada época. A cidade o ien al e a ligada ao modo de p odução asiá ico; a cidade a caica – g ega ou omana – e a ligada à posse de esc a os; já a cidade medie al inha uma si uação complexa quan o às ou as, e a inse ida em elações eudais, em que ha ia uma lu a con a a eudalidade da e a (Le eb e, 2001). Po ém, com a indus ialização, hou e uma up u a do sis ema u bano p eexis en e, implicando na deses u u ação das es u u as es abelecidas, po conseguin e, “a passagem do capi alismo come cial e bancá io e da p odução a esanal pa a a p odução indus ial e pa a o capi alismo conco encial az-se acompanha po uma c ise gigan esca” (Le eb e, 2001, p. 14). No seu início, comumen e, a indús ia nascia o a das cidades, uma ez que se implan a a p óxima de on es de ene gia, de meios de anspo e, de ma é ias-p imas e de ese as de mão-de-ob a. Concomi an emen e, “as elhas cidades são: me cados, on es de capi ais disponí eis, locais onde esses capi ais são ge ados (bancos), esidências dos di igen es econômicos e polí icos, ese as de mão-de-ob a” (Le eb e, 2001, p. 14). P og essi amen e, a indús ia passa a se ap oxima dos cen os u banos. Po conseguin e, esul a em duplo p ocesso, pon uado po Le eb e (2001): indus ialização e u banização, c escimen o e desen ol imen o, ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- p odução econômica e ida social. No en an o, são p ocessos con li an es, uma ez que “exis e, his o icamen e, um choque iolen o en e a ealidade u bana e a ealidade indus ial” (Le eb e, 2001, p. 18). Ademais, o au o pon ua o enômeno de implosão-explosão da cidade, podendo se comp eendido como: eno me concen ação (á eas cen ais) en e a uma eno me dispe são (pe i e ias e subú bios), po an o, esul ando em uma ans o mação na mo ologia u bana. Po an o, como conclui Raquel Rolnik (1994, p. 73), “o que acon eceu com as cidades quando passa am a ab iga as g andes indús ias oi, sem dú ida, uma e olução que al e ou decididamen e o ca á e e a na u eza da aglome ação u bana”. Is o é, impulsionando um p ocesso de u banização da sociedade, implicando em odos os âmbi os do con ex o u bano. O DIREITO À CIDADE. Re lexões que comp eendem ao di ei o à cidade comumen e implicam a qual cidade o indi íduo deseja. As necessidades sociais ine en es à sociedade u bana o am moldadas a pa i do p ocesso u bano impulsionado po ações pode osas, logo é p eciso ei indica o di ei o à cidade. Assim, “ ei indica algum ipo de pode con igu ado sob e os p ocessos de u banização, sob e o modo como nossas cidades são ei as e e ei as, e p essupõe azê-lo de manei a adical e undamen al” (Ha ey, 2012, p. 30), uma ez que a cidade é, sob e udo, ambém pe meada pela lu a de classes ge ada pelo capi alismo. Da id Ha ey (2012) apon a a ligação que su ge en e o capi alismo e a u banização. Com isso, as cidades passam a se ees u u adas a a o dos in e esses das o ças que a dominam e a con olam - o me cado imobiliá io, o qual comp eende a cidade como negócio. Pa a al, o desen ol imen o geog á ico desigual a ua em p ol do sis ema, sob e udo, pa a que se es abeleça (Ha ey, 2012). Po an o, “ao analisa a cidade capi alis a apon amos pa a alguns aços essenciais de seu desen ol imen o: a p i a ização da e a, a seg egação espacial, a in e enção egulado a do Es ado, a lu a pelo espaço” (Rolnik, 1994, p. 71). Ademais, o in es imen o público em in aes u u a (água, luz, as al o, ele one, esgo o, guias, sa je as) e equipamen os (escolas, hospi ais, c eches, pa ques) segue a lógica do me cado imobiliá io (Rolnik, 1994), uma ez que de e mina o alo de de e minada localidade, is o é, “supe equipamen o de um e a al a de in a-es u u a do ou o” (Rolnik, 1994, p. 64). Assim, omen ando a exis ência da “especulação imobiliá ia”, po conseguin e, endo cidades cada ez mais ca as e seg egadas. ------------------------------------------------------------------ Capí ulo 19. Págs. 274 a 288 --------- Nesse sen ido, a con igu ação espacial da cidade passa se cons i uída de uma c escen e pola ização, uma ez “que cada ez mais se ans o mam em cidades de agmen os o i icados, de comunidades mu adas e de espaços públicos man idos sob igilância cons an e” (Ha ey, 2012, p. 48). In elizmen e, é um p ocesso em cons an e ep odução e com dimensão de classe. Sendo assim, a cidade pau ada no capi al não con e e nenhum di ei o à cidade, o qual se con igu a cole i amen e. Como pon ua Ha ey (2012), a ualmen e o di ei o à cidade es á exclusi amen e nas mãos de uma pequena eli e polí ica e econômica, que de ém o pode pa a molda a cidade cada ez mais em p ol de suas necessidades e in e esses. Pelo con á io, como pon ua Le eb e (2001, p. 134), “o di ei o à cidade se mani es a como o ma supe io dos di ei os: di ei o à libe dade, à indi idualização na socialização, ao habi a e ao habi a ”. T a a-se de uma libe dade cole i a, sem dis inção de aça, co ou gêne o. Pa a al, “a e olução de nossa época em de se u bana – ou não se á nada” (HARVEY, 2012, p. 66). CIDADE DE E PARA PESSOAS. A dimensão humana ge almen e é esquecida, negligenciada e p og essi amen e eliminada no que ange o planejamen o do espaço u bano. Nesse pon o, “uma ca ac e ís ica comum de quase odas as cidades (...) é que as pessoas que ainda u ilizam o espaço da cidade em g ande núme o são cada ez mais mal a adas” (Gehl, 2014, p. 3). Is o é, esul an e do que Jane Jacobs (2011) apon a po eo ia u banís ica o odoxa, a qual, apesa de se p ejudicial, é is a como na u al. Segundo a au o a, Planejado es, a qui e os do desenho u bano e aqueles que os seguem em suas c enças não desp ezam conscien emen e a impo ância de conhece o uncionamen o das coisas. Ao con á io, es o ça am-se mui o pa a ap ende o que os san os e os sábios do u banismo mode no o odoxo disse am a espei o de como as cidades de e iam unciona e o que de e ia se bom pa a o po o e os negócios den o delas. (Jacobs, 2011, p. 17) Comumen e os au omó eis são is os como os ilões das cidades, no en an o, Jacobs (2011, p. 17) apon a que a causa da incompe ência do desen ol imen o u bano não es á neles, mas nos “insucessos e na inu ilidade do planejamen o u bano”. Em o no da década de 1960, hou e o aumen o signi ica i o da quan idade de ca os nas cidades. Po conseguin e, oi iniciado o p ocesso que implicou as condições das pessoas no espaço u bano (Gehl,