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As ânforas do Teatro Romano de Olisipo (Lisboa, Portugal): campanhas 2001-2006

Filipe, Victor

Abstract

O texto que se dá à estampa consiste no estudo das ânforas romanas exumadas nas intervenções arqueológicas realizadas no teatro romano de Lisboa nas campanhas de 2001, 2005 e 2006. Trata-se de um conjunto relativamente amplo e tipologicamente diversificado recolhido em contextos arqueológicos relacionados com a edificação e remodelação do edifício. Estes contentores testemunham, em Olisipo, a importação de produtos alimentares de vá- rios locais do império desde meados do século II a.C. até ao terceiro quartel do século I d.C., constituindo-se como importantes indicadores para o estudo da dinâmica comercial de Olisipo.

Full text

SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL): CAMPANHAS 2001-2006 AMPHORAE FROM THE ROMAN THEATRE OF OLISIPO (LISBON, PORTUGAL): 2001-2006 CAMPAIGNS VICTOR FILIPE* Resumo: O ex o que se dá à es ampa consis e no es udo das ân o as omanas exumadas nas in e enções a queo- lógicas ealizadas no ea o omano de Lisboa nas campa- nhas de 2001, 2005 e 2006. T a a-se de um conjun o ela- i amen e amplo e ipologicamen e di e si icado ecolhido em con ex os a queológicos elacionados com a edi icação e emodelação do edi ício. Es es con en o es es emunham, em Olisipo, a impo ação de p odu os alimen a es de á- ios locais do impé io desde meados do século II a.C. a é ao e cei o qua el do século I d.C., cons i uindo-se como impo an es indicado es pa a o es udo da dinâmica come - cial de Olisipo. Pala as cha e: Tea o omano, Olisipo, ân o as, comé cio, p odu os alimen a es. Abs ac : This ex consis s in he s udy o he Roman am- pho ae eco e ed in he a chaeological exca a ions accom- plished in he Roman hea e o Lisbon in he 2001, 2005 and 2006 campaigns. I is a ela i ely wide and ypolog- ically di e si ied se , collec ed in a chaeological con ex s ela ed wi h he cons uc ion and emodelling o he hea- e. These con aine s es i y, in Olisipo, he impo a ion o alimen a y p oduc s om se e al places o he empi e om he middle o he 2nd cen u y B.C. o he hi d qua e o he 1s cen u y A.D., ep esen ing impo an indica o s o he s udy o he comme cial dynamics o Olisipo. Keywo ds: Roman hea e, Olisipo, ampho ae, ade, ali- men a y p oduc s. 1. INTRODUÇÃO O es udo que aqui se ap esen a co esponde a um abalho desen ol ido em 2008 no âmbi o da dis- se ação de Mes ado em P é-His ó ia e A queolo- gia, ap esen ado pelo au o à Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa, e sando sob e as ân o- as de Época Romana documen adas nas in e enções a queológicas le adas a cabo no Tea o Romano de Lisboa em 2001, 2005 e 2006. Desde logo, o desen ol imen o des e ema e es- ia-se de alguns aspec os que se conside a am pe i- nen es e, simul aneamen e, alician es: a exis ência de um conjun o exp essi o e di e si icado de ma e iais an ó icos p o enien es de esca ações ecen es e com con ex os bem de inidos, pe mi indo uma lei u a das diac onias e sinc onias; o ac o des es con ex os se e- po a em a um pe íodo his ó ico ela i amen e cu o e bem de inido no empo - do p incipado de Augus o ao de Ne o -, sob e o qual a in o mação se man ém assaz * Bolsei o de Dou o amen o em A queologia: UNIARQ (Cen- o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa), FCT (Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia). Co eo-e: ic o [email p o ec ed] Recepción: 18 de diciemb e de 2013. Acep ación: 23 de ene o de 2014 130 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 escassa na cidade de Olisipo, especialmen e no que se e e e à dinâmica come cial e die a alimen a ; po im, a associação des a ealidade a queológica aos momen- os de cons ução e emodelação do ea o omano de Lisboa. Tendo em con a as especi icidades da amos a, op- ou-se po es u u a o abalho em ês pa es. Na p i- mei a, ap esen a-se o supo e es á ico do e i ó io no con ex o geog á ico do ale do Tejo e achada a lân- ica e sin e iza-se a e olução his ó ica de Olisipo a é à época de cons ução do ea o. Pa alelamen e ealiza- -se um b e e esumo das in e enções ecen es le adas a e ei o no ea o omano de Lisboa, ap esen ando-se os con ex os a queológicos e as lei u as es a ig á icas, p ocu ando-se es abelece um aseamen o diac ónico a a és das sinc onias documen adas e a sua associa- ção e in e p e ação com os momen os de cons ução e emodelação do edi ício público. Seguidamen e, p i ilegiando-se os á ios aspec os elacionados com a mo ologia, ipologia, c onologia, con eúdo e âmbi os de p odução e di usão ap esen am- -se e ca ac e izam-se suma iamen e as ipologias iden- i icadas, p ocu ando-se de e mina as dis in as á eas de p o eniência. Po im, analisam-se os dados quan o ao seu sig- ni icado quan i a i o e quali a i o, e de e minam-se as á ias lei u as e ap eciações possí eis, p ocu ando in e- g á-las no es udo da economia an iga de Olisipo. Re i a-se ainda que o ex o que ago a se publica oi, como já se mencionou, edigido em 2008, endo- -se aqui op ado po não ealiza uma ac ualização do mesmo, com excepção da e isão de um ou ou o po - meno . Embo a o e e ido ex o se man enha gene ica- men e ac ual, há na u almen e algumas ques ões que aqui se abo dam que conhece am algum desen ol i- men o desde en ão (pa a além, na u almen e, das ques- ões que pouco mais ep esen am - pa a es e es udo, cla o es á - que me os “pon os no mapa”). Tal é o caso, po exemplo, da ques ão das ân o as o oides p oduzi- das no ale do Guadalqui i , que o am ecen emen e sis ema izadas no abalho monog á ico de Rui Al- meida (2008) e num ex enso a igo po Ga cía Va gas, Rui de Almeida e González Ces e os (2011). Ainda as- sim, e independen emen e da ele ada qualidade dos e- e idos abalhos e do seu ele an e con ibu o pa a o es udo daquelas p oduções, conside a-se que esses e- sul ados não al e am signi ica i amen e as lei u as que en ão o am ei as ace ca das dinâmicas come ciais e hábi os de consumo na cidade de Olisipo, a pa i do es udo do conjun o an ó ico do ea o omano de Lis- boa. (Figu a 1) 2. O VALE DO TEJO, OLISIPO E O TEATRO ROMANO 2.1. O ale do Tejo O p imi i o núcleo u bano de Lisboa desen ol eu- -se na colina onde hoje se implan a o cas elo de São Jo ge, à en ada do Tejo, jun o a um an igo es ei o de io onde desagua am á ias ibei as. Ladeada a Oes e pelo es ei o de io e a Sul pelo p óp io Tejo, o sopé da colina do cas elo eunia excelen es condições po uá ias, que, aliás, i iam a es a na o igem do seu c escimen o e de- sen ol imen o. A No e, sob essaem colinas calcá ias e mon es ulcânicos lanqueados po pequenas linhas de água, onde se explo a am os icos ales alu iais ca- ac e izados po uma ag icul u a ica e a iada (Gaspa 1994: 12). Ace ca da geog a ia dos a edo es de Lisboa, O lando Ribei o az a seguin e desc ição: «…os ba os basál icos dão campos limpos e abe os des inados à cul u a do ce eal; os calcá ios secundá ios, cha necas abandonadas ao ma o e pas o; os calcá ios e ciá ios cob em-se de oli edo; as baixas a gilosas, de ho as egadas; o pinhal e es e as colinas de a eni o imp o- du i o» (Ribei o 1998: 154). O io Tejo, e dadei a es ada de acesso ao in e io , egulou e moldou, desde empos an igos, o desen ol i- men o da u be que se ixou à en ada do seu es uá io, o necendo-lhe uma impo ância es a égica ímpa que ainda nos dias de hoje man ém. Es a imensa ia lu ial pe mi iu que desde cedo se es abelecesse o con ac o en- e os po os da bacia medi e ânica e aqueles que ha- bi a am as egiões do in e io a mon an e da sua oz, omen ando, assim, impo an es in e câmbios cul u ais e come ciais. As pa icula idades opog á icas do local onde se implan a a ac ual cidade de Lisboa pe mi iam um am- plo con olo isual da egião en ol en e, p incipal- men e da en ada do io e do seu acesso ao in e io , bem como da ma gem Sul, aliada a excelen es condições na- u ais de de esa. Ou os ac o es hou e, deco en es da sua localiza- ção geog á ica especí ica, que po encia am o seu desen- ol imen o económico e lhe concede am o es a u o de impo an e cen o u bano desde o p imei o milénio a.C. A iqueza au í e a das a eias do Tejo e a bem conhe- cida na an iguidade e apa ece e e ida nas on es clás- sicas (Plínio-o-Velho, 4, 115), do mesmo modo, aliás, que é e e ida a abundância de pescado (Es abão, III, 3, 1). As ac i idades di ec a e indi ec amen e elaciona- das com a explo ação dos ecu sos ma inhos e lu iais pau a am, em g ande medida, a economia de Olisipo, 131 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 dando o igem a impo an es indús ias de ans o ma- ção do pescado, de ab ico e p odução de en ases ce- âmicos e de explo ação do sal, ac o es que i iam a do a es e cen o u bano de uma o e componen e in- dus ial, pa icula men e ocacionada pa a a ansacção de p odu os piscícolas. Es abão desc e e de o ma algo cu a e concisa a egião da oz e do ale do Tejo, mas á-lo de o ma elo- quen e: O Tejo, na oz, em ce ca de in e es ádios de la - gu a, e ão g ande é a sua p o undidade que po ele na egam ba cos de dez mil ân o as. Nas planícies que icam a mon an e, o ma, na ma é-cheia, dois es uá ios que alagam uma supe ície de cen o e cin- quen a es ádios e o nam a planície na egá el. No es- uá io, que ica mais a mon an e, en ol e uma ilho a com uns in a es ádios de comp imen o e pouco me- nos de la gu a, cobe a de ege ação e de inhas (Es- abão, III, 3, 1 - adução de A. Espí i o San o, 2004: 412-413) Em suma, a sua localização geog á ica, en e o No e a lân ico e o Sul medi e ânico, na oz de um ex enso e na egá el io, eunindo condições que lhe pe mi i am a i ma -se como um impo an e pólo de con ac o cul u- al e come cial en e o in e io , a achada a lân ica e o ma Medi e âneo, bem como explo a que as é eis Figu a 1. Localização do ea o omano na plan a de Lisboa e da cidade na Península Ibé ica. 132 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 e as das imediações que a iqueza que o Tejo o e e- cia, g anjeou-lhe a impo ância que desde cedo se co- meçou a desenha . 2.2. Olisipo Embo a exis am es ígios de ocupações an igas na á ea do mo o do cas elo e ales ci cundan es, enqua- d á eis no Paleolí ico (Mu alha 1988), no Neolí ico An igo, Calcolí ico e Idade do B onze (Mu alha e al. 2002: 246; Angelucci e al. 2004: 27), oi sob e udo a pa i da Idade do Fe o que aqui se desen ol eu um cen o u bano de dimensão conside á el. Os es ígios conhecidos pa a es e pe íodo pe mi- em esboça um quad o do que e á sido a ocupação sidé ica de Lisboa, alice çados, p incipalmen e, nos dados das in e enções a queológicas le adas a cabo nos úl imos in e anos. Os esul ados dessas in e - enções, desen ol idas na á ea do p imi i o núcleo u bano de Olisipo, êm indo sucessi amen e a con- i ma as conside ações que Ana Ma ga ida A uda (2002) eceu em elação ao po oado da Idade do Fe o que e á exis ido em Lisboa. En e ê-se um po oado de g andes dimensões, po en u a o maio po oado o ien alizan e do e i ó io ac ualmen e po uguês, «… de impo ancia capi al y una población p obablemen e muy nume osa.» (A uda 2002: 129), o que, aliás, em de encon o ao que Es abão (III, 3, 1) ela ou, a i - mando que Olisipo e a uma das duas cidades mais impo an es do ale do Tejo. De ac o, os dados dispo- ní eis deixam pe cebe que a á ea ocupada ab angia o opo da colina do cas elo e as suas encos as a é ao io Tejo, a Sul, ao es ei o de io, a Oes e, na ac ual Baixa, e a é à ac ual Rua da Reguei a, Al ama, a Es e, onde co ia um pequeno cu so de água, c is alizado na opo- nímia da cidade no nome da ua. Ainda segundo Ana Ma ga ida A uda, Olisipo pode á e ep esen ado, na ges ão do e i ó io en- ol en e, um papel ele an e, «…não podendo des- ca a -se a hipó ese de se es a pe an e o sí io que, ao coo dena as ac i idades come ciais e de ges ão dos ecu sos, assumi ia o papel de “Luga Cen al”.» (A - uda e al. 2000: 29). Me cê de condicionalismos p óp ios da in es i- gação, os es ígios conhecidos a ibuí eis a uma p i- mei a ase da ocupação sidé ica de Lisboa, com cla as in luências o ien alizan es e conjun os a e ac uais de ca ác e ma cadamen e medi e ânico, são em maio núme o que aqueles que se epo am à ase subse- quen e. Os dados a queológicos da Rua de São João da P aça (Pimen a e al. 2005), do Palácio do Ma quês de Angeja (Filipe e al. 2005) e do cas elo de São Jo ge (Pimen a 2005), êm con ibui pa a um a oluma de in o mação demons a i o daquilo que Ana Ma ga ida A uda in i ulou de «conse ado ismo o ien alizan e» (A uda 2002: 258), e idenciando uma con inuidade cul u al, con a iamen e ao que acon ece em ou as e- giões do in e io , e i icá el que na impo ação de p o- du os alimen a es en asados em con en o es an ó icos de p o eniência me idional, que de ce âmica g ega de e niz neg o e igu as e melhas (Pimen a 2005), mui o p o a elmen e igualmen e di undida no ociden e peninsula pelos me cado es daquela egião. Den o dos locais in e encionados que êm con i- buído pa a o que hoje se conhece ace ca da ocupação sidé ica de Olisipo pode -se-ão e e i , en e ou os, o claus o da Sé de Lisboa, com ocupação pelo menos desde o século VI a.C. (Ama o 1993; A uda e al. 2000; A uda 2002); o Núcleo A queológico da Rua dos Co eei os, séculos V a III a.C. (Ama o 1995; Bu- galhão 2001); a zona da alcáço a islâmica do cas elo de São Jo ge, onde se egis a am con ex os es a ig á- icos bem p ese ados com uma diac onia de ocupa- ção que ab ange g ande pa e do I milénio a.C., desde o século VII a é à chegada dos p imei os con ingen- es mili a es omanos no e cei o qua el do século II a.C. (Gomes e al. 2003; Pimen a 2005); a Rua de São Mamede (Sil a e al. 2005); o Palácio do Ma quês de Angeja, com uma diac onia de ocupação comp eendida en e o século VII a.C. e a omanização (Filipe e al. 2014); a Rua São João da P aça (Pimen a e al. 2005); e a Casa dos Bicos (Ama o 2002). Em elação ao opónimo p é- omano, Olisipo, que nos é ansmi ido que pelas on es clássicas (Es a- bão e Plínio-o-Velho, po exemplo) que pela epig a ia (Sil a 1944), es e denuncia cla as in luências medi e - ânicas, endo sido suge ido que a sua o igem e imo- lógica se de e ia p ocu a no mundo enício (Fon es 1947). A e minação em «-ipo» elaciona-se com ou os opónimos si uados, sob e udo, na egião da ac ual An- daluzia e na achada a lân ica peninsula (Fabião 1993: 143), deixando an e e uma mesma ealidade linguís- ica (Gue a 2000). Em aços la gos, é es e o pano ama hoje conhecido pa a a Lisboa p é- omana, e a ealidade que os omanos encon a am quando, no con ex o da conquis a omana da Península Ibé ica, ocupa am es a egião. O palco da p imei a ase das gue as a adas em solo hispânico si uou-se essencialmen e na zona Es e e sudes e da Península Ibé ica, bas an e longe, po - an o, da á ea geog á ica que aqui nos ocupa. Exis e, 133 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 po ém, uma e e ência ao ociden e peninsula no pe- íodo da segunda gue a púnica (218-206 a.C.), con- c e amen e no in e no de 210 a.C. A in o mação ansmi ida é con adi ó ia, po um lado Políbio (10, 7, 4) e e e que Asd úbal, ilho de Giscão e che e de exé ci o ca aginês, in e nou com o seu exé ci o na Lusi ânia, jun o à oz do Tejo; po ou o, Ti o Lí io (26, 19, 20) a i ma que o mesmo che e ca aginês e- ia in e nado com o seu exé ci o nas imediações de Cádis (Fabião 1993: 210). Ainda que a in o mação de Políbio es eja co ec a, não deixa de se es anho que o exé ci o in e nasse em local ão dis an e do palco de gue a, deixando an e e , nesse caso, algum oco de ins abilidade su icien emen e impo an e pa a aze desloca , numa al u a ão delicada, um exé ci o pa a local ão a as ado (idem: 211). Essencialmen e mili a , a ocupação omana da Pe- nínsula Ibé ica nos inais do século III e no dealba do século II a.C. pau a a-se p incipalmen e pela explo a- ção e pelo es abelecimen o da o dem no e i ó io con- olado. Em 197 a.C., a Península Ibé ica é di idida em duas p o íncias: a Hispânia Ul e io , a ociden e, e a Hispânia Ci e io a o ien e, naquilo que se cons- i uiu como a p imei a di isão adminis a i a do e - i ó io (idem: 212). Apenas com o inal das “Gue as Lusi anas” (155-139 a.C.) se ol am a e e e ências sob e Olisipo e o ale do Tejo nas on es clássicas (Pi- men a 2005: 24). Embo a nem semp e o egis o a queológico se con- siga a icula com as in o mações na adas pelos au o- es clássicos, no caso da mais an iga p esença omana na cidade de Olisipo log ou-se es abelece uma liga- ção en e as on es clássicas e os dados o necidos pela a queologia. Es abão, e e indo-se à eme á ia cam- panha mili a le ada a cabo po Décimo Júnio B u o no ociden e peninsula em 138 a.C., naquela que se cons i uiu como a p imei a g ande in es ida e ec uada pelos con ingen es mili a es omanos nes a zona da Península Ibé ica, e e iu-se a Olisipo nos seguin es moldes: Pa a mon an e de Mó on o cu so na egá el é ainda mais longo. Se indo-se des a cidade como base de ope ações, B u o, cognominado o Calaico, a acou os Lusi anos e subme eu-os. Fo i icou Lisboa pa a domi- na o cu so do io e, des e modo, man e li e a na- egação lu ial e o anspo e de abas ecimen os, a al pon o es as e am as cidades mais impo an es das ma - gens do Tejo.» (Es abão, III, 3, 1 - adução A. Espí- i o San o, 2004). In eg á eis nes e âmbi o c onológico, conc e amen e en e 140 e 130 a.C., são alguns con ex os ecen emen e esca ados na an iga alcáço a islâmica de Lisboa e es- udados po João Pimen a (2005). O au o , embo a sublinhando que os con ex os são limi ados quan o à pe cepção do ipo de ocupação que ali oco eu, suge e, como p opos a de abalho, que se possa a a de e i- dências de uma ins alação mili a omana (idem: 130). É inegá el a impo ância que os dados ecolhidos na- quelas esca ações êm pa a a comp eensão das p imei- as ocupações omanas na ac ual cidade de Lisboa (e ociden e peninsula ), que pela iqueza de in o mação que apo a am, que pelos pa cos es emunhos des a época conhecidos em ou as pa es da cidade. Também na Rua São João da P aça, no âmbi o de uma in e en- ção de eme gência, o am de ec ados con ex os conse - ados que ab angem um a co empo al que se es ende desde meados do século III a.C. a é à chegada dos p i- mei os con ingen es omanos (Pimen a e al. 2005). Vol ando à campanha mili a ence ada po Dé- cimo Júnio B u o, de aco do com as on es, es e ge- ne al e á en ão es abelecido o seu qua el-gene al no ale do Tejo jun o à cidade de Mó on, cuja exac a loca- lização se desconhece, não descu ando, oda ia, a e a- gua da, endo, a a és da o i icação de Olisipo, c iado condições pa a ga an i um ácil abas ecimen o po ia ma í ima ao seu exé ci o (Fabião 1993: 217). Ainda e- la i amen e à localização de Mó on, segundo Fabião (idem), há que buscá-la em ês locais - Chões de Al- pompé, Alpia ça (Al o do Cas elo) ou San a ém, em- bo a a p imei a hipó ese seja a mais consis en e (Fabião 2006: 28). O papel que o ale do Tejo e á ido no con ex o das acções mili a es desen ol idas po Roma no ex emo ociden e peninsula não se esgo a na campanha de Dé- cimo Júnio B u o, deixando-se en e e igualmen e nas ope ações mili a es le adas a cabo po C. Júlio Césa , já em 61-60 a.C., con a os Lusi anos. O en ão P e o da p o íncia da Ul e io es abeleceu o seu qua el-gene al em Scallabis e a ançou pa a No e eco endo ao apoio de meios na ais (Fabião 1989: 46), endo, po ce o, Olisipo desempenhado um papel ac i o no âmbi o das ac i idades ans e sais que es as mo imen ações mili- a es semp e es imulam. En e 31 e 27 a.C., Olisipo ecebeu o es a u o de municipium ci ium Romano um e, com ele, a designa- ção de Felici as Iulia Olisipo (Fa ia 1999: 37), indício e iden e da impo ância que es a u be de inha à época. Du an e o p incipado de Augus o assis e-se a uma ené - gica ees u u ação u banís ica na cidade de Olisipo, endo en ão sido cons uídos alguns dos edi ícios pú- blicos mais emblemá icos de pe íodo omano que hoje se conhecem nes a cidade, como o ea o - que aqui 134 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 nos ocupa - e, p esumi elmen e, o ó um e as e mas (Ala cão 1994; Fe nandes 1997; Sil a 1999; Bugalhão 2001). Es a ees u u ação insc e e-se num conjun o de e o mas mais amplo emp eendido po Augus o na His- pânia, e no es an e impé io, cons i uindo-se como um es emunho do impulso u banizado daquele que é no - malmen e designado como o p imei o impe ado o- mano (Le Roux 1995; Fabião 2006). 2.3. O ea o omano O ea o omano de Lisboa localiza-se na encos a Sul da colina do cas elo de São Jo ge, no local onde ac ualmen e con luem as uas da Saudade e de São Mamede. Embo a de modes as dimensões, quando compa ado com ou os ea os omanos da mesma época, es e impo an e equipamen o de laze da Lisboa omana e idencia-se pela excelência da sua cons ução e écnicas cons u i as adop adas, bem como pelo hábil e e icaz ap o ei amen o da opog a ia do e eno (Fe - nandes 2006: 194). A descobe a des e edi ício nos empos mode nos de e-se ao e amo o de 1755. Com e ei o, oi du an e as ob as de econs ução da cidade, em 1798, que ele oi iden i icado e desa e ado sob a o ien ação dos a - qui ec os F ancisco Xa ie Fab i e Manuel Cae ano de Sousa. Se ia em 1964, mais de um século e meio depois de F ancisco Fab i p opo ao ei a sal agua da das uí- nas, que, na sequência da aquisição de alguns dos edi- ícios cons uídos sob e o ea o omano, se i iam a e ec ua as p imei as in e enções a queológicas no lo- cal. A inicia i a coube a D. Fe nando de Almeida, en ão P esiden e da Associação dos A queólogos Po ugueses e p o esso na Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa (Almeida 1966: 563; Fe nandes 2007: 30). Es as in e enções a queológicas i iam a e con- inuidade en e 1966 e 1967 sob a di ecção de I isal a Moi a, na al u a conse ado a dos Museus Municipais da Câma a Municipal de Lisboa. A á ea in e encio- nada na década de sessen a co esponde essencialmen e à zona que ha ia sido iden i icada e egis ada po F an- cisco Xa ie Fab i e Manoel Cae ano de Sousa nos inais do século XVIII, edescob indo-se a zona da o ches a e o embasamen o do mu o do p oscaenium, endo-se ainda pos o a descobe o ou as es u u as, como o iní- cio dos deg aus da imma ca ea a No e, e o a anque da pa ede Sul do adi us maximus a Es e (Moi a 1970: 7-37; Fe nandes 2006: 182). Embo a I isal a Moi a e- nha con inuado a desen ol e es o ços no sen ido de ga an i a con inuação das in e enções a queológicas no local, os abalhos i iam a se in e ompidos, po di iculdades di e sas, em 1967. (Figu a 2). En e 1985 e 1988 o Ins i u o A queológico Ale- mão p ocedeu ao le an amen o g á ico exaus i o dos es ígios a queológicos do ea o omano de Lisboa. O abalho oi dado à es ampa em 1990, jun amen e com uma p opos a sob e a dimensão o al do monumen o (Hauschild 1990: 348-392), hoje pos a em causa ace aos no os dados en e an o ob idos no decu so das e- cen es in e enções (Fe nandes 2007: 30). Da a de 1987 a c iação do en e an o ex in o Gabi- ne e Técnico do Tea o Romano de Lisboa, en ão sob a esponsabilidade de Ad iano Vasco Rod igues. As in- e enções a queológicas inicia -se-iam em 1989, sob a esponsabilidade de An ónio Dias Diogo, p olongan- do-se a é 1993. Du an e es es anos as in e enções cen- a am-se sob e udo na zona das bancadas, a No e, sob a ua da Saudade, onde se exumou pa e da ca ea e do adi us maximus, a Es e. P ocedeu-se ainda ao desmon e de pa e das achadas dos edi ícios da ua da Saudade, pa cialmen e demolidas na década de sessen a (idem: 30 e 31). Ainda du an e es as campanhas, oi iden i i- cado um dos omi o ia, localizado no opo da imma ca- ea, en ão pos a a descobe o, bem como um pequeno mu o em ped a ã que Dias Diogo conside ou pa icu- la men e impo an e na de inição da c onologia de al- e ação da uncionalidade do ea o, possi elmen e na segunda me ade do século V (Diogo 1993: 222 e 224). Os esul ados des as campanhas i iam a se pa - cialmen e publicados po Dias Diogo em 1993. O mesmo au o publica ia, anos mais a de, conjun a- men e com Eu ico de Sepúl eda, o es udo das luce nas p o enien es das in e enções a queológicas ealizadas en e 1989 e 1993 no ea o omano (Diogo e Sepúl- eda 2000: 153-161), bem como o es udo das ân o as aí exumadas (Diogo 2000: 163-179). (Figu a 3) Em 1998 oi desac i ado o Gabine e Técnico do Tea o Romano de Lisboa e, simul aneamen e, ap e- sen ado po Ana C is ina Lei e (Che e de Di isão dos Museus e Palácios do Depa amen o de Pa imónio Cul u al da Câma a Municipal de Lisboa) um P og ama de Recupe ação e Valo ização do Tea o Romano, que comp eendia um conjun o de objec i os que engloba- am: a conse ação e es au o das es u u as colocadas a descobe o em an e io es in e enções e espec i a musealização; c iação do Museu do Tea o Romano; in e enção a queológica dos locais a se em a ec ados pelas ob as pa a ins alação do u u o museu; in eg a- ção u bana e eabili ação da á ea en ol en e (Fe nan- des 2007: 31). 135 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 Figu a 2. Le an amen o e p opos a de dimensão o al do ea o omano de T. Hauschild (1990), e localização das in e enções a queológicas de 2001, 2005 e 2006. Figu a 3. Aspec o ge al sob e a á ea de esca ação do pá io, obse ando-se em cima à esque da o mu o do pos caenium ( o og a ia do au o , 2012). 136 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 É nes e p ojec o que se inse em as mais ecen es in- e enções a queológicas le adas a cabo no ea o o- mano de Lisboa em 2001, 2004, 2005 e 2006, sob a di ecção cien í ica de Lídia Fe nandes 3. REALIDADE ARQUEOLÓGICA E SIGNIFICADO DOS CONTEXTOS ESTRATIGRÁFICOS O conjun o ce âmico objec o des e es udo p o ém in eg almen e das in e enções a queológicas le adas a cabo em 2001, 2005 e 2006 na zona localizada a Sul do ea o. P ocede -se–á aqui apenas à análise dos con- ex os de Época Romana documen ados nas esca ações de 2005 e 2006. Nos depósi os a ibuí eis ao e cei o qua el do sé- culo I d.C. egis a-se sob e udo a p esença de ma e- iais a do- epublicanos e do p incipado de Augus o, bem como da Idade do Fe o, cla amen e descon ex- ualizados, es emunhando uma ocupação inin e up a nes a zona da cidade pelo menos desde o século VII a.C. a é ao e cei o qua el do século I d.C. (Fe nandes 2007: 35). A o mação des es depósi os co esponde a uma acção de a e o in encional apa en emen e eali- zada num único momen o, es ando ce amen e elacio- nada com as ob as de emodelação do ea o omano, que se sabe e em oco ido no ano de 57 d.C., du an e o einado de Ne o, a a és da insc ição do ons pulpi um do p oscaenium, o e ecida po Caius Heius P imus, se- i o augus al, que dedicou ao impe ado as ob as do p oscaenium e da o ches a (Fe nandes 2007: 35; Fe - nandes e Filipe 2007: 230). A associação de ce âmicas de pa edes inas da á- eis do p incipado de Augus o e do pe íodo de Tibé io a Ne o, de luce nas da mesma época, de á ias o mas de e a sigilla a i álica e sudgálica com p odução gene- icamen e balizada en e 15 a.C. e 60 d.C. (Sepúl eda e Fe nandes 2009), a pa da exis ência de ân o as de ipo D essel 20, Ve ulamium 1908 e algumas a ian es possi- elmen e mais a dias de Hal e n 70, apon a, como a ás se e e iu, pa a uma c onologia coinciden e com a da a de emodelação do ea o, is o é, 57 d.C., ou, e en ual- men e, pa a um momen o pos e io não mui o dis an e. Nos ní eis mais an igos em que o am ecolhidas ân o as omanas - camada 24 da ala 11, camada 16 das alas 9 e 11 e camada 11 da ala 10 - egis a-se a p e- sença de G eco-I álicas, D essel 1 I álicas, Lamboglia 2 e Mañá C2 (T-7.4.3.3.) a pa de um agmen o de ce- âmica de engobe e melho pompeiano da o ma 6 de Agua od O al (1991), p oduzida a pa i de Augus o, e de e a sigilla a i álica com p odução a es ada a pa i de 27 a.C. Es es depósi os encos am à base do mu o do pos caenium e co espondem a um a e o p esumi el- men e e ec uado num momen o imedia amen e após a cons ução da e e ida es u u a, sendo, po an o, coe- os da cons ução daquele impo an e equipamen o de laze da cidade de Olisipo. A exis ência dos sup aci ados ní eis de a e o de época omana pa ece encon a explicação na cons- ução de uma pla a o ma ni elada en e o mu o do pos caenium e o pa edão que delimi a o espaço a Sul, igualmen e cons uído naquele pe íodo, e que pe mi e ence um desní el na u al bas an e acen uado em ela- ção à ua Augus o Rosa, cons i uindo-se, assim, como um pa ama a i icial coe âneo da cons ução do ea o e pe ei amen e a iculado naquele conjun o edi icado (Fe nandes 2007: 35). Nas camadas 12a, 18, 11a, 18b, 20 e 22 da ala 11, e 13 da ala 10, que se sob epõem aos depósi os an e io - men e desc i os, obse a-se a associação de uma moeda de Augus o, ce âmica de engobe e melho pompeiano e e a sigilla a i álica a ân o as de ipo G eco-I álico, D essel 1 I álica, Mañá C2 (T-7.4.3.3.), T-9.1.1.1., Obe- aden 83, Hal e n 70 e O óides Lusi anas, eme endo- -nos, à semelhança dos ní eis an e io men e e e idos, pa a um ho izon e c onológico gene icamen e enqua- d á el no p incipado de Augus o. (Figu a 4). Com base nas especi icidades es a ig á icas e nas ca ac e ís icas dos ma e iais ce âmicos a ás e e idos, e seguindo de pe o não só os dados c onológicos o neci- dos pelas ân o as, mas ambém a c onologia de p odu- ção de algumas das ipologias de e a sigilla a i álica exumadas em ní eis co esponden es à emodelação do ea o, algumas das quais com p odução bas an e ci - cunsc i a no empo (en e 15 a.C. e 5 d.C.; en e 1 e 15 d.C.; e ou as a pa i de 15 e 10 a.C.), pode -se–á p opo que a cons ução do ea o omano e á oco ido algu es du an e os p imei os quinze ou in e anos da nossa E a, p opos a que, aliás, es á de aco do com aquelas que Lí- dia Fe nandes em ap esen ado com base nos es udos que em indo a e ec ua sob e as soluções e elemen os a qui ec ónicos u ilizados nes e espaço cénico (Fe nan- des 2006, 2007 e 2008; Sepúl eda e Fe nandes 2009). Assim, ela i amen e ao pe íodo omano, e pe an e os dados an e io men e expos os, pode -se-ão es abe- lece duas ases c onológicas dis in as pa a os con ex- os p ese ados: — Fase 1: Enquad á el nos inais do p incipado de Augus o/inícios de Tibé io e coe ânea da cons ução do ea o omano. Ve i ica-se a associação de ân o- as G eco-I álicas, Mañá C2 (T-7.4.3.3.), T-9.1.1.1., 137 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 D essel 1, Lamboglia 2, Obe aden 83, Hal e n 70 e O óides Lusi anas, jun amen e com e a sigilla a i álica com p odução a es ada a pa i de 27 a.C., ce âmica de engobe e melho pompeiano - o ma 6 de Agua od O al (1991) - e uma moeda de Augus o. A p esença de nume osos ma e iais do pe íodo de Augus o nos con ex os da ase seguin e sublinha a exis ência de uma in ensa ocupação des e espaço du an e es a p imei a ase, da mesma o ma que demons a e em exis ido, pos e io men e, g andes pe u bações nos ní eis p eceden es. — Fase 2: T aduz-se num conjun o de depósi os in eg an- es de um a e o que e á, p esumi elmen e, oco ido du an e um cu o espaço de empo, elacionando-se di ec amen e com as ob as de emodelação do ea- o, ealizadas no ano de 57 d.C.. Pa a além de inú- me os ma e iais de c onologias mais an igas, que se es endem diac onicamen e desde a Idade do Fe o a é à p imei a me ade do século I d.C., cons a a-se a p esença de ân o as c onologicamen e enquad á- eis no segundo e e cei o qua éis do século I d.C., de ipo D essel 20, Ve ulamium 1908 e algumas a- ian es a dias de Hal e n 70, al como de ce âmicas de pa edes inas da á eis do pe íodo de Tibé io a Ne o, de e a sigilla a sudgálica da mesma época, de e a sigilla a i álica p oduzida du an e a p i- mei a me ade do século I a é ao ano 60 do mesmo século, e de luce nas de pe íodo idên ico. Figu a 4. Pe il es a ig á ico a Oes e do pá io (modi icado a pa i de Fe nandes e Filipe 2007). 144 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 Figu a 9. ân o as oleícolas bé icas (Guadalqui i ): Obe aden 83. 145 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 comuns a odos - asas com uma dep essão longi udi- nal no do so e com uma digi ação no ema e ao omb o, undos cónicos in a ia elmen e p eenchidos com uma bola de a gila, bo do em banda e a gene alização do opé culo em a gila -, indiciando uma o igem análoga no espaço e no empo, e o mesmo “sabe aze ” (idem: 669 e 670). (Figu as 9 e 10)). Se i e mos em con a a a iedade e simili ude o - mal que ca ac e iza os ês ipos, O oide 6, Obe aden 83 e Hal e n 71, apidamen e nos ape cebemos que, quando pe an e pequenos agmen os de bo do, a sua classi ica- ção se e es e ine i a elmen e de con o nos alí eis. A a ibuição do ipo Obe aden 83 aos exempla es do ea o omano de Lisboa (pelo menos alguns deles) não es á, ace ao que se e e iu, isen a de possí eis equí- ocos. A simili ude o mal, p incipalmen e ao ní el dos bo dos, en e es a o ma e as o mas O oide 6 e Hal e n 71 aduz-se na possibilidade de exis i em alguns ag- men os de bo do que, na ealidade, pe ençam a um dos ou os ipos. Da mesma o ma, os nºs 780 e 781, que nes e abalho se a ibuem ao ipo Hal e n 70, ap esen am ca ac e ís icas o mais ao ní el do bo do que os ap oxi- mam subs ancialmen e do Subg upo 1 e 2 do G upo IX de San a ém (Almeida 2008), podendo, e en ualmen e, a a -se de exempla es dessa ipologia. Sublinhe-se que o e e ido ipo oi p oduzido na bacia do Guadalqui i a pa i do segundo qua el do século I a.C., es ando do- cumen ado em locais como San a ém (Almeida 2008), Mesas do Cas elinho, Lomba do Canho (Fabião 1989, 1998b e 2000) e Conímb iga (Bu aca 2005). Iden i icou-se ainda a ma ca de olei o L. HOR (L. Ho a i - n.º 653). Foi aplicada sob e uma asa cu a, de secção subci cula e com uma dep essão longi udinal no do so, de uma ân o a p oduzida com as ípicas pas as do Guadalqui i . Embo a se enha op ado po ag upa es e agmen o na ipologia Obe aden 83 - pelas ca ac e ís- icas mo ológicas mas ambém pelo ac o de aquela ma ca se conhecida sob e udo em ân o as de ipo Obe- aden 83, ipologia que se encon a bem ep esen ada no ea o -, as suas ca ac e ís icas mo ológicas pode iam igualmen e au o iza a sua classi icação den o dos ipos O oide 6, Hal e n 70 ou Classe 67. (Figu a 11). Figu a 10. ân o as oleícolas bé icas (Guadalqui i ): D essel 20 (2422, 2429, 2552, 230, 2407, 2632, 2624, 2438, 2494, 611, 735, 2425, 662 e 707). ân o as oleícolas No e a icanas (T ipoli ânia): T ipoli ana An iga (2456 e 688). 146 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 T a a-se de uma ma ca bem documen ada na a- chada a lân ica, es ando egis ada no Cas o de Vigo (Hidalgo Cuña o 1987; CEIPAC 4863), Cas o de San a Tecla (Bel an Llo is 1970; CEIPAC 27236), Cas o de Viei o, Pon e de Lima (Sil a 2008), San a ém (Almeida 2008), La Alcudia, Elche (Má quez Villo a e Molina Vidal 2001; CEIPAC 24073), Bae ulo, Bada- lona (Comas i Solá 1997; CEIPAC 18061) e Mahón, Meno ca (De Nicolas 1979; CEIPAC 12612). Pa ece cla a a elação en e a ma ca do ea o e aquelas iden i icadas em San a ém e em ou os locais da Península Ibé ica, nomeadamen e os exempla es do No oes e da península, indiciando uma ede de abas e- cimen o comum, mui o p o a elmen e enquad á el na o a a lân ica. O exempla do ea o omano p o ém de um de- pósi o medie al. Con udo, as ma cas elacioná eis documen adas em San a ém o am exumadas em ní- eis a ibuí eis a Augus o/inícios de Tibé io (Almeida 2008) e a peça de Bae ulo em con ex os da á eis en- e 27 e 1 a.C. (Comas i Solá 1997), pelo que a ma ca do ea o omano de e -se-á, mui o p o a elmen e, en- quad a no mesmo âmbi o c onológico. 4.4. Ân o as piscícolas As ân o as des inadas ao anspo e de p odu os pis- cícolas são sob e udo p o enien es da egião me idio- nal peninsula e da Lusi ânia, com a excepção de um único agmen o de bo do de Mañá C2 (T-7.4.3.1.), ab icada na á ea de Ca ago-Tunes, cons i uindo-se como uma imi ação/e olução dos modelos da egião da T ipoli ana p oduzidos a pa i do úl imo qua el do século III a.C. (Ramón To es 1995: 206). Da egião me idional peninsula es ão p esen es as ân o as pis- cícolas T-9.1.1.1., Mañá C2 (T-7.4.3.3.), G eco-I áli- cas hispânicas, Classe 67, D essel 12 e D essel 7-11, aba cando um a co c onológico que se es ende desde a p esença omana mais an iga no ex emo ociden e pe- ninsula , e cei o qua el do séc. II a.C., a é ao e cei o qua el do séc. I d.C.. A o ma melho ep esen ada é a Mañá C2 (T- 7.4.3.3.), endo sido ecolhidos 30 agmen os de bo do p oduzidos nas o icinas do “Cí culo do Es- ei o de Gib al a , em con ex os omanos da Fase 1 e da Fase 2, bem como em ní eis medie ais e mo- de nos. As Mañá C2 (T-7.4.3.3.) equi alem a 14,22% do NMI, sendo uma das ipologias melho ep esen- adas. Quan o às D essel 7-11, o am iden i icados 16 agmen os de bo do, co espondendo a 8% do NMI. Com excepção do agmen o n.º 2380, que ap esen a as ípicas pas as do Guadalqui i , odos os exempla- es são p o enien es da egião cos ei a da Bé ica. A maio ia des as ân o as oi exumada em con ex os o- manos da Fase 2, e as es an es em ní eis medie ais e mode nos. As T-9.1.1.1., G eco-I álicas hispânicas, Classe 67 e D essel 12 êm pouca ep esen ação no conjun o, endo-se documen ado ês agmen os de bo do do p imei o ipo e um bo do de cada uma das ou as o mas. As ân o as de p odução lusi ana do conjun o do ea- o omano in eg am-se, c ono e ipologicamen e, no conjun o das mais p ecoces p oduções an ó icas plena- men e omanas ab icadas na Lusi ânia, endo indo nos úl imos anos a se gene icamen e designadas de “O oi- des Lusi anas” (Mo ais 2003; Pimen a e al. 2006; Mo- ais e Fabião 2007; Filipe 2008; Fabião 2008). Figu a 11. Ma ca sob e asa de ân o a Obe aden 83 (Guadalqui i ): L. Ho a i. 147 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 Fo am iden i icados qua en a agmen os de bo do que encon am bons pa alelos o mais em alguns exem- pla es de Alcáce do Sal (Pimen a e al. 2006: 306, ig. 5), de San a ém (A uda e al. 2006: 240 e 242, igs. 3 e 4), de Lisboa (Mo ais e Fabião 2007: ig. 1, conc e amen e o n.º 1; Fe nandes e al. 2006; Filipe 2008), de Abul (Maye e Sil a 2002: 130 a 136, igs. 52 a 58), de Se úbal (Sil a 1996: 54, ig. 4) e do Pinhei o (Maye e Sil a 1998: 89 e 90, igs. 19 e 20), ou mesmo em algumas peças do Cas o de San a Tecla (Mo ais e Fabião 2007: 132). Ce ca de me ade des e conjun o é p o enien e de ní eis medie ais e mode nos, endo-se egis ado eze exempla es em con ex os omanos da Fase 2, e cei o qua el do século I, e se e agmen os de bo do em con- ex os da Fase 1, enquad á el no p incipado de Augus o. É inegá el a impo ância do econhecimen o des- es conjun os an ó icos nos cen os de consumo, cujas ca ac e ís icas o mais nos epo am aos ma e iais a - do- epublicanos ap esen ados po Rui Mo ais e Ca los Fabião (Mo ais 2003; Mo ais e Fabião 2007), con i- buindo, en e ou os ac o es, pa a uma melho pe cep- ção do que e á sido a geog a ia de dis ibuição des es con en o es, a sua exp essão quan i a i a e a iedade o mal. (Figu as 12-15) Con udo, um denominado comum pa ece acompa- nha quase odos os casos expos os (di ia mesmo odos com excepção daqueles ecolhidos em ní eis augus a- nos em San a ém e em ní eis epublicanos na ua dos Co eei os em Lisboa): a inexis ência de ma e iais e- colhidos em con ex o p imá io e associados a es a i- g a ias segu as que pe mi am comp o a a an iguidade dessas p oduções e p ecisa a c onologia da sua p o- dução e di usão. O es ado agmen ado da esmagado a maio ia desses ma e iais em impedido, de igual modo, uma melho ipi icação des as ân o as. T a a-se de p oduções que e ão ido início po ol a de 30 a.C., podendo e en ualmen e ecua a é meados desse século, e e -se-ão es endido a é ao p imei o e ço/ meados do século I d.C. (Mo ais e Fabião 2007: 131). 4.5. Ân o as des inadas a ou os con eúdos Pa a além das ân o as des inadas a anspo a i- nho, azei e e p odu os piscícolas, o am ainda iden- i icados dois agmen os (um undo e uma asa) do ipo Richbo ough 527, ân o a des inada a anspo a “Alun”, p oduzida na Ilha de Lipa i no Sul de I ália, en e o segundo qua el do século I a.C. e o século III/ inícios do século IV d.C. (Bo ga d 1994: 197; 2005: 157 e 158). 5. APRECIAÇÃO QUANTITATIVA No quad o ge al dos ma e iais ce âmicos exumados no decu so das ecen es in e enções no ea o omano de Lisboa, as ân o as co espondem, com excepção, al- ez, da ce âmica comum, à ca ego ia quan i a i amen e mais exp essi a. De en e a o alidade de peças exis- en es, o am iden i icados e seleccionados 532 ag- men os, a que co espondem 209 bo dos, 247 asas e 76 undos, a ibuí eis a 19 ipologias dis in as, aduzin- do-se num Núme o Mínimo de 211 Indi íduos (NMI), ac escen ando-se ainda um conjun o de 44 opé culos. A ap eciação quan i a i a do p esen e conjun o a i- gu a-se pe inen e numa pe spec i a de análise global, uma ez que uma pe cen agem signi ica i a des as ân- o as oi documen ada em con ex os de época Medie- al, Mode na e Con empo ânea. Po ou o lado, e no que se e e e aos ma e iais exumados em con ex os de época omana, quan i a i amen e o conjun o em ap eço adqui e especial signi icado se se i e em con a que p o ém de con ex os gene icamen e balizados en e o pe íodo de Augus o e o e cei o qua el do século I d.C., ou seja, epo a-se a um pe íodo ela i amen e cu o e bem ci cunsc i o no empo, pe mi indo uma lei u a p i- ilegiada sob e os i mos de consumo e dinâmica co- me cial de Olisipo du an e es e pe íodo. Ac escen e-se ainda que, de aco do com os p essupos os de Molina Vidal (1997: 47), a amos a do ea o omano pode con- side a -se de “ iabilidade acei á el”, uma ez que a quan idade de bo dos é supe io a 200. No conjun o global das ân o as do ea o omano (NMI) des aca-se o p edomínio das p oduções me idio- nais hispânicas, que co espondem a 67%, pa icula - men e os ab icos a ibuí eis à egião do Guadalqui i que ep esen am 65% den o das p oduções do Sul pe- ninsula . A Lusi ânia cons i ui-se como a segunda egião p odu o a melho ep esen ada, 19%, enquan o a Penín- sula I álica, sob e udo ep esen ada pelos inhos i é- nicos e ad iá icos, co esponde a 13%. As p oduções a icanas co espondem apenas a 1%, e ma e ializam- -se em um exempla de Mañá C2 (T-7.4.3.1.), con en o piscícola p o enien e da egião de Ca ago/Tunes, e um ou o de ipo T ipoli ana An iga, ân o a oleícola p oce- den e da egião da T ipoli ânia, na ac ual Líbia. Os p epa ados piscícolas pa ecem e sido os p o- du os p e e en emen e impo ados, ep esen ando 44% do o al de NMI, que numa ase mais ecuada, em ân- o as Mañá C2, T-9.1.1.1. e G eco-I álicas Hispânicas, que a pa i do e cei o/úl imo qua el do século I a.C., em con en o es de ipo Classe 67, D essel 7-11, D essel 12 e O oides Lusi anas. No que diz espei o à ase mais 148 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 Figu a 12. ân o as piscícolas da baía gadi ana: Mañá C2 (T-7.4.3.3.). ân o a piscícola No e a icana: Mañá C2 (T-7.4.3.1.) (2595). 149 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 Figu a 13. ân o as piscícolas da egião me idional hispânica: D essel 7-11 ( egião cos ei a: 2555, 715, 665, 600, 833, 601, 2538, 725, 2549, 666, 2385, 2437, 2521, 2484, 2634, 663, 2664, 2432 e 776; Guadalqui i : 2380); T-9.1.1.1. (4754, 599 e 591), baía gadi ana; G eco-I álica (2529), baía gadi ana; Classe 67 (169), Guadalqui i ; e D essel 12 (2603), Guadalqui i . 150 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 Figu a 14. ân o as piscícolas de p odução lusi ana: Lusi anas an igas. 151 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 ecuada, não deixa de se cu ioso que no ea o omano as ân o as piscícolas hispânicas se egis em em maio núme o (55%) que as iná ias i álicas (42%) - e den- o des as úl imas uma maio quan idade de G eco-I- álicas -, algo que não sucede, po exemplo, no cas elo de São Jo ge (Pimen a 2005) e em San a ém (A uda e Almeida 1999; Ba gão 2006), onde se assis e a uma cla a p eponde ância das úl imas, especialmen e do ipo D essel 1. ((Figu as 16 e 17). Sob epondo es es dados com os ela i os às ocupa- ções epublicanas do cas elo de São Jo ge e i ica-se, p incipalmen e a pa i da segunda me ade do século I a.C. e inícios do século seguin e, um acen uado de- c éscimo das impo ações i álicas em Olisipo em de- imen o dos p odu os p o enien es da bé ica. O inho i álico é g adualmen e subs i uído pelo inho me idio- nal hispânico, embo a a p esença de ipologias como a D essel 2-4 possa indica a con inuidade da impo ação de inhos i álicos, ainda que em pe cen agens quase e- siduais. O inho ep esen a 34% no o al de NMI. Rela i amen e ao inho bé ico (62% das ân o as i- ná ias), es á p incipalmen e documen ado pela p esença signi ica i a de ân o as p oduzidas na egião in e io do ale do Guadalqui i que se des ina iam ao anspo e do ap eciado líquido, como as Hal e n 70 (45%), Ve u- lamium 1908 (13%), D essel 2-4 (1%) e ân o as de ipo Figu a 15. ân o as piscícolas de p odução lusi ana: Lusi anas an igas. Península I álica 42% Baía Gadi ana 55% No e de Á ica 3% Figu a 16. Rep esen ação das á eas p odu o as em Época epublicana (NMI). 152 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 U ceus (1%), bem como po ân o as p oduzidas nas e- giões cos ei as daquela p o íncia, como a D essel 28 (1%). (Figu as 18 e 19). (Tabela 1). O desab ocha da indús ia piscícola na Lusi â- nia a pa i , pelo menos, do úl imo qua el do século I a.C., ep esen ado no ea o po um conjun o bas- an e exp essi o das mais p ecoces p oduções an ó i- cas daquela p o íncia, em aduzi algumas mudanças nos i mos de impo ação e nas dinâmicas come ciais de en ão. De ac o, pelo que os dados do ea o indi- cam, o consumo de p epa ados piscícolas bé icos em Olisipo pa ece diminui , ela i amen e ao pe íodo an e- io , e i icando-se, a pa i do p incipado de Augus o, a p edominância dos p odu os de o igem lusi ana, e- p esen ando 65%. No que se e e e ao azei e, o am iden i icadas 46 ân o as des inadas ao seu anspo e (22% do o al de NMI), cons a ando-se que oi impo ado quase exclu- si amen e da p o íncia da Bé ica (98% das ân o as oleícolas), conc e amen e da egião do ale do Guadal- qui i , com excepção de uma ân o a da o ma T ipoli- ana An iga (2%), p o enien e da egião da T ipoli ânia no No e de Á ica. Num pe íodo mais ecuado obse - a-se a impo ação do azei e a icano em acas quan i- dades. A pa i do p incipado de Augus o o azei e bé ico começa a chega em g andes quan idades anspo ado p imei o em ân o as de ipo Obe aden 83, e depois, já em meados/ e cei o qua el do século I d.C., nas suas sucesso as D essel 20. (Tabela 2). 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados que o am expos os ao longo des e a- balho pe mi em ece algumas conside ações ace ca do signi icado da amos a disponí el, au o izando uma análise dos aspec os elacionados com a o igem dos con en o es iden i icados e dos p odu os anspo ados, e possibili ando, ainda que pa indo de um conjun o ob- iamen e uncado - aliás, condição in ínseca a odos Península I álica 1% Bé ica cos ei a 11% Guadalqui i 61% Lusi ânia 27% Vinho e de i ados 42% P odu os piscícolas 56% Azei e 2% Vinho e de i ados 30% P odu os piscícolas 39% Alumen 1% Azei e 30% Figu a 17. Rep esen ação das á eas p odu o as em Época Al o Impe ial (NMI). Figu a 18. P odu os impo ados e consumidos em Época epublicana (NMI). Figu a 19. P odu os consumidos em Época Al o Impe ial. 153 SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 AS ÂNFORAS DO TEATRO ROMANO DE OLISIPO (LISBOA, PORTUGAL) : CAMPANHAS 2001-2006 Tabela 1. Tabela ge al da quan i icação po NMI das ân o as do ea o omano (não es ão incluídos 31 agmen os de ipologia inde e minada e 44 opé culos). Con eúdo Tipologias Nº F agmen os NMI NMI % República NMI % To al P o eniência República Vinho G eco-I álica 94 14 22,58% 6,64% Península I álicaD essel 1 I álica 11 17,74% 5,21% Lamboglia 2 1 1 1,61% 0,47% Peixe T-9.1.1.1. / CCNN 3 3 4,83% 1,42% Baía Gadi anaMañá C2 / T-7.4.3.3. 54 30 48,39% 14,22% G eco-I álica Hispânica 7 11,61% 0,47% Mañá C2 / T-7.4.3.1. 1 1 1,61% 0,47% Ca ago-Tunes Azei e T ipoli ana An iga 2 1 1,61% 0,47% T ipoli ânia To al República 162 62 100%, Con eúdo Tipologias Nº F agmen os NMI NMI % Al o Impé io NMI % To al P o eniência Meados séc. I a.C. - Al o Impé io Vinho D essel 2-4 I álica 3? 10,67% 0,47% Península I álica D essel 2-4 Guadalqui i 3? 10,67% 0,47% Guadalqui i Hal e n 70 93? 32 21,48% 15,17% Tipo U ceus 1 1 0,67% 0,47% Ve ulamium 1908 9 9 6,04% 4,27% D essel 28 1 1 0,67% 0,47% Bé ica Cos ei a Peixe Classe 67 1? 10,67% 0,47% Guadalqui i O oide 1 1 1 0,67% 0,47% D essel 7-11 Guadalqui i 2 1 0,67% 0,47% D essel 7-11 Bé ica cos ei a 20? 15 10,07% 7,11% Bé ica Cos ei a Lusi anas an igas 104 40 26,85% 18,96% Lusi ânia Azei e Obe aden 83 99 31 20,81% 14,69% Guadalqui i D essel 20 14 9,39% 6,64% Ou os p odu os Richbo ough 527 2 1 0,67% 0,47% Ilha de Lipa i To al Al o Impé io 339 149 100% To al da amos a 501* 211 100% 160 VICTOR FILIPE SPAL 24 (2015): 129-163 ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924 h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.06 Lídia Fe nandes (Museu do Tea o Romano de Lisboa, CML) de o a opo unidade de es uda o conjun o an ó- ico do ea o omano e o incansá el acompanhamen o que, desde o p imei o ao úl imo dia, lhe dedicou. Ao D . João Pimen a (Câma a Municipal de Vila F anca de Xi a) a possibilidade de obse a as pas as das ân- o as do Cas elo de São Jo ge e compa á-las com as do ea o. Ao Ma co Calado pela ajuda na iagem dos ma e iais dis ibuídos po incon á eis con en o es. E i- nalmen e à Anabela de Cas o, po signi ica pa e des e abalho. 7. BIBLIOGRAFIA Ala cão, J. (1994): “Lisboa omana e isigó ica”, in Lisboa sub e ânea: 58-63. Lisboa, Lisboa Capi al Eu opeia da Cul u a 94. Almeida, F. (1966): “No ícias sob e o ea o de Ne o, em Lisboa”. Luce na 5: 561-571. Almeida, R. (2008): Las Án o as del Guadalqui i en Scallabis (San a ém, Po ugal). Una apo ación al conocimien o de los ipos mino i a ios. Col.lecció Ins- umen a, 28. Ba celona, Uni e sidad de Ba celona. Ama o, C. (1993): “Ves ígios ma e iais o ien alizan es do claus o da Sé de Lisboa”. Es udos O ien ais IV - Os Fenícios no e i ó io Po uguês: 183-192. Lisboa, Ins i u o O ien al da Uni e sidade No a de Lisboa. Ama o, C. 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