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Descentramentos de sexualidade e genero masculino no esporte : reflexoes atraves do cinema

Chaves Nunes, Paula; Maia Mendes, Mayara Cristina; Araújo Carvalho, Allyson de

Abstract

pensar as relações de gênero e sexualidade no esporte torna-se cada vez mais uma demanda do mundo pós-moderno com seus sujeitos de identidades móveis. Diante disso, escolhemos o cinema como material de estudo, ao compreendê-lo enquanto veiculador e produtor de representações de gênero e sexualidade no esporte. Nessa direção, a pesquisa objetiva compreender estas representações vinculadas ao atleta masculino no cinema contemporâneo, sobre o prisma das categorias de corpo e eficiência. A pesquisa é de caráter descritivo e abordagem qualitativa, adotando como recurso metodológico de análise dos filmes a descrição da experiência estética das imagens. Ao término das análises, foi perceptível que os personagens tencionam diversas possibilidades de ser homem em seus corpos, afirmando, por vezes, códigos caricaturizados homossexuais ou códigos tradicionais masculinos. As películas também descentram noções de virilidade e eficiência atreladas à masculinidade clássica

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89 DESCENTRAMENTOS DE SEXUALIDADE E GÊNERO MASCULINO NO ESPORTE: REFLEXÕES ATRAVÉS DO CINEMA Paula Cha es Nunes Depa amen o de Educação Física Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e paulinha_nunes3@ho mail.com Maya a C is ina Maia Mendes Depa amen o de Educação Física Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e [email p o ec ed] Allyson A aújo Ca alho de Depa amen o de Educação Física Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e allyssonca alho@ho mail.com Resumo: pensa as elações de gêne o e sexualidade no espo e o na-se cada ez mais uma demanda do mundo pós-mode no com seus sujei os de iden idades mó eis. Dian e disso, escolhemos o cinema como ma e ial de es udo, ao comp eendê-lo enquan o eiculado e p odu o de ep esen ações de gêne o e sexualidade no espo e. Nessa di eção, a pesquisa obje i a comp eende es as ep esen ações inculadas ao a le a masculino no cinema con empo âneo, sob e o p isma das ca ego ias de co po e e iciência. A pesquisa é de ca á e desc i i o e abo dagem quali a i a, ado ando como ecu so me odológico de análise dos ilmes a desc ição da expe iência es é ica das imagens. Ao é mino das análises, oi pe cep í el que os pe sonagens encionam di e sas possibilidades de se homem em seus co pos, a i mando, po ezes, códigos ca ica u izados homossexuais ou códigos adicionais masculinos. As películas ambém descen am noções de i ilidade e e iciência a eladas à masculinidade clássica. Pala as cha e: gêne o, espo e, cinema 1. In odução É no ó io que a en ada do espo e nos meios de comunicação de massa, em especial os apa a os audio isuais, a o ece uma maio ap eciação do enômeno espo i o e in ensi ica a(s) ideologia(s) que possam pe co e es a mani es ação social. Nes e sen ido, iden i icamos que, a pa i da massi icação do espo e ia eiculação de sua imagem nos meios de comunicação, é possí el mapea as ep esen ações des as mani es ações com ins de p oblema iza a p á ica jun o aos di e sos g upos sociais. Ac edi a-se que a comp eensão de espo e exp essa nas no mas de p á ica he e ocen ada e masculinizada é desencadeada, ia de eg a, pelos alo es da compe ição, da egulamen ação, e do einamen o. A nosso e é necessá ia a comp eensão de um espo e que ab a ma gem pa a ou as o mas de exp essões que não só ap esen e co pos que ea i mem o masculino como local p i ilegiado no espo e, como já em sendo e i icado na ilmog a ia con empo ânea. Des e modo, podemos pensa que a ep esen ação de gêne o e sexualidade, acompanhando o mo imen o p óp io da cul u a pós-mode na em apon ado pa a o aumen o de isibilidade dos descen amen os que acompanham a lógica pa ia calis a e he e ocen ada. Esse aumen o de isibilidade oco e, num mo imen o mais amplo, “de ido à sua a i mação 90 da di e ença, sua ecusa das me ana a i as (na a i as ‘dominan es’)” (CONNOR, 2004, p. 183). Anco ados nes a pe spec i a de pensa as demandas sociais a pa i do consumo de imagens elegemos pa a es e espaço de deba e, as ep esen ações de gêne o e sexualidade que dialogam com o espaço espo i o. Obse a-se que as mani es ações que descen a am os p incípios espo i os o am, po ezes, ma geadas pelo discu so de e en e mo alis a. Enquad am-se nes e con ex o múl iplas mani es ações, mas emblema icamen e essa epulsa (ou o uscamen o) oi di ecionada aos p a ican es que não a i massem as pos u as do masculino e do eminino, a imagem de homem e de mulhe , espec i amen e. Os egis os do dis anciamen o dos sujei os des ian es dessa iden idade he e ocen ada são múl iplos e encon am nos espo es a gumen os pa a a i mações do bina ismo en e masculinidade e eminilidade, como é possí el pe cebe nos apon amen os de Dunning e Magui e (1997). […] em nume osos se o es da sociedade b i ânica, no adamen e em meios o almen e masculinos, os homens "des ian es" que po uma ou ou a azão op am pela ida an i-espo is a, se a iscam a se quali icados de o ma insul uosa pelos seus pa es, de "a eminados" e a é mesmo de "homossexuais". A mesma endência oco e com a quali icação ambém insul uosa de "masculinas” ou "lésbicas" ei a as mulhe es despo is as (DUNNING; MAGUIRE, 1997, p. 324). Con udo, os descen amen os de i ilidade do masculino e da delicadeza do eminino, enquan o a qué ipos de gêne o e da sexualidade de homens e mulhe es êm ganhando isibilidade nas úl imas décadas. Os mo i os que p o ocam essa ampliação de isibilidade dos descen amen os se inse em em um con ex o que e le e os mo imen os eminis as e gays, de meados das décadas de 1960 e 1970 do século passado, que inclui uma pos u a social con empo ânea ibu á ia do ealce dado às ques ões de al e idade com um dos elemen os cons i u i os da cul u a pós-mode na (HUYSSEN, 1992). O espo e, não alheio à conjun u a social que o aba ca, iden i ica (mesmo que com esis ência) ais ques ionamen os e descen amen os em seu campo que possibili am uma complexi icação das posições biná ias e maniqueís as em o no do gêne o e sexualidade dos sujei os/a le as. Con udo, des acamos a esis ência do enômeno espo i o a essa no a demanda po comp eende que es a deses abiliza a p á ica espo i a, inclusi e, em sua clássica o ma de o ganização das modalidades po ca ego ia e gêne o. É necessá io des aca que, nes e es udo, es amos comp eendendo o gêne o como cons ução cul u al do sexo, ou como condição social pela qual somos iden i icados como masculino e eminino, englobando di e en es p ocessos de p odução de masculinidades e eminilidades. Pa alelamen e en endemos a sexualidade como uma cons ução his ó ica e social e não como algo que é ine en e ao se humano, es a en ol e uma sé ie de c enças, compo amen os, elações e p á icas que pe mi em a homens e mulhe es i e em, de de e minados modos, seus desejos (a e i os e e ó icos) e seus p aze es co po ais (LOURO, 1999). Essas masculinidades e eminilidades di e sas e não no ma i as, que ogem do adicional p o ó ipo de gêne o biná io são cada ez mais isibilizadas no mundo espo i o, que assis e sujei os que ansi am en e os e i ó ios de gêne o, que a i mam em seus co pos códigos e signos não clássicos, na con amão do que se espe a de 91 homens e mulhe es a le as. Nes e sen ido, as no as demandas de usos do co po no espo e que conside am plu alidades de exp essões de masculinidades e eminilidades conside am que “os indi íduos, enquan o di e en es uns dos ou os, ambém esigni icam o ambien e espo i o de modo dis in o, elacionando-se com a homogeneidade e no ma i idade ins i uídas po esse cená io ambém de manei a di e sa” (CAMARGO; RIAL, 2009, p. 80). Nes e sen ido, o na-se necessá io comp eende quais as implicações que a comunicação de massa opo uniza na disseminação ou não de um es e eó ipo de co po es igma izado, em especial no espo e. No caso especí ico des a pesquisa, comp eende as ep esen ações dos sujei os masculinos descen ados no espo e, a pa i da comunicação, conside ando que, no pe íodo con empo âneo, a ecnologia e os meios de comunicação são e dadei os eículos da unção epis emológica: é den o do apa a o que a pe cepção es á mais indissolu elmen e ligada à epis emologia do que se pode ia es a nas o mas adicionais ou nos exe cícios adicionais dos sen idos pu os, não mis u ados (seja linguagem ou isão e co , ou in as) (JAMESON, 2006, p. 134) A escolha do cinema como eículo de ep esen ação é de endida po sua o ma ação que comunga de mui os p incípios comuns ao espo e, como p á ica que ab iga á nosso deba e, ambos p á icas sociais que esul a am da Mode nidade. Po an o, o cinema é comp eendido nes e momen o como e lexo da expe iência epis emológica que oco e na Mode nidade (CHARNEY, 2007, p. 332) que pode des ela os sen idos c edi ados ao espo e. Pa a começa a discu i as elações en e cinema e espo e, de emos des aca o a o de que ambos, mesmo possuindo aízes an e io es, são enômenos ípicos da mode nidade, se o ganizando no âmbi o de uma sé ie de mudanças cul u ais, sociais e econômicas obse á eis desde o im do século XVIII, c escen es no deco e do século XIX e consolidadas na ansição e no deco e do século XX. Não su p eende o a o de que o cinema e os Jogos Olímpicos enham su gido na mesma época (1895 e 1896, espec i amen e) e no mesmo luga : F ança, país-cha e pa a en ende um no o es ilo de ida que es a a sendo ges ado (MELO, 2006). Não obs an e, ambém obse amos nes as duas linguagens, o cinema e o espo e, con luências na o ma de in e pene ação na ida social da mode nidade, como a i ma Ruiz: “El depo e y el cine son lãs dos p incipales o e as de ocio del siglo XX y cons i uyen hoy los p incipales con enidos – em iempo de emisión y audiencias alcanzadas – de la indus ia audio isual em el mundo en e o” (RUIZ apud MELO, 2006, p. 16). Po an o, es e a igo e sa sob e a in e locução en e cinema, enquan o ep esen ação da ealidade, e espo e pa a pensa as ques ões conce nen es aos co pos e sujei os masculinos que descen am os pad ões de masculinidade e i ilidade adicional. Nesse sen ido, emos como obje i o ge al comp eende a ep esen ação de gêne o e sexualidade inculada ao a le a masculino no cinema con empo âneo, ecendo conside ações pa a a comp eensão do espo e mode no, sob e o p isma das ca ego ias de co po e e iciência. A elado a es e obje i o cen al, o abalho o ganiza-se em dois obje i os especí icos, a sabe : Mapea as o mas de ep esen a o co po masculino des ian e na sexualidade e/ou no gêne o p a ican e de espo e no cinema; e Iden i ica a noção de e iciência no espo e pa a pensa os es igmas a elados aos co pos masculinos des ian e na sexualidade e/ou no gêne o. 92 2. Hipó eses iniciais Nos anco amos na hipó ese cen al de que o espo e e sua ep esen ação no cinema ainda é pe meada po uma elação linea , p oduzida his o icamen e, en e o espo e, a i ilidade e a masculinidade adicional, como nos mos a Dunning e Magui e (1997, p.323), o espo e é “ al ez um dos luga es mais impo an es da exp essão e da p ese ação da masculinidade sob suas o mas adicionais”, cons i uindo-se, não a as ezes, em uma o ma de alidação dessa masculinidade. No en an o, ao mesmo empo, en endemos que no mundo pós-mode no essa linea idade apon ada acima se encon a em declínio com sujei os de iden idades mul i ace adas e não- ixas que descen am do pad ão clássico masculino no espo e. Nessa di eção co obo amos com o pensamen o de Jaege e Goellne (2011, p.966) ao a i ma em que: “iden i icamos o espo e como um espaço p opício pa a enciona as ep esen ações de gêne o, pois nele p oduzem-se co pos e subje i idades que deses abilizam as de e minações biológicas”. Dian e disso, as p á icas espo i as que po ezes celeb am uma masculinidade clássica, ambém em sido palco da exp essi idade de masculinidades e eminilidades não- adicionais e di e sas, que ompem com as es u u as e modelos uní ocos de gêne o e sexualidade. E quan o ao cinema nos balizamos na e lexão de que as p oduções e ep esen ações ílmicas se ope acionalizam ao mesmo empo em que nos alam sob e uma sensibilidade cul u al/ ealidade, en endida como expe iências e sensibilidades con empo âneas i idas, ep esen adas po imagens que e e endam uma “p edisposição cole i a pa a ce as p á icas cul u ais” (OLALQUIAGA apud ARAÚJO, 2012, p.28). Nesse sen ido, en endendo o cinema enquan o ep esen ação das up u as e descen amen os de gêne o e sexualidade no con ex o espo i o a ual, nos epo amos pa a a análise de algumas p oduções cinema og á icas do início do século XXI que azem pe sonagens que seguem um caminho diame almen e opos o no ocan e ao que se espe a dos pad ões de gêne o e sexualidade no espo e, na en a i a de con i ma a hipó ese de uma lexibilização ou up u a da masculinidade adicional e dos pad ões he eno ma i os nos espo es. 3. Me odologia A pesquisa é de ca á e desc i i o e de abo dagem quali a i a, endo os es udos cul u ais (EAGLETON, 2005; HALL, 2005; JAMESON, 2006) como moldu a eó ica. O abalho de cunho in e disciplina a icula, sob e udo, conhecimen o da á ea da comunicação e da educação ísica, além de eco e a ou as disciplinas humanís icas que podem con ibui com as e lexões, ais como: sociologia, an opologia, iloso ia, den e ou as. Tendo p oduções cinema og á icas como ma e ial de es udo, a in enção oi ealiza um es o ço eó ico pa a dialoga com ês ní eis de comp eensões do espo e. A sabe : O da expe iência conc e a do i ido, com sua ên ase nos mapas de sen ido que in o mam as p á icas cul u ais de de e minados g upos ou sociedades; o das o malizações dessas p á icas em p odu os simbólicos, os “ ex os” dessa cul u a, ex o omado aí em sua acepção mais ab angen e; e o das es u u as sociais mais amplas que de e minam esses p odu os, momen o em que exige lida com a his ó ia especí ica dessas es u u as (CEVASCO, 2008, p. 74). 93 As a gumen ações se dão a pa i da ap eciação e pela in e p e ação de imagens (AUMONT, 1993) que in e pela a signi icação p ima ia ou na u al ( a o ep esen ado e ní el exp essi o) e a signi icação secundá ia ou con encional (a ibuição de alo a pa i de e e ência cul u al). No conjun o das análises ado amos como ecu so me odológico a desc ição da expe iência es é ica das imagens do espo e a pa i de qua o concei os apon ados po Gumb ech (2006), a sabe : o con eúdo da expe iência, en endido como p oduções subje i as desencadeadas a pa i da ap eciação es é ica e que podem es a dialogadas com sensações, concei os e imp essões sob e o obje o; os obje os da expe iência es é ica, comp eendidos enquan o a ma e ialidade que dialoga com a pe cepção do sujei o; as condições da expe iência es é ica, pe cebida enquan o dema cação his ó ica e social da possibilidade de ap eciação e; os e ei os da expe iência es é ica que demandam uma mudança es u u al na comp eensão do enômeno ap eciado. O uni e so de cinco ilmes e e que se eo ganizado du an e a ealização da pesquisa, de ido a di iculdade de encon a algumas p oduções a as que ínhamos escolhido an e io men e. A pa i da eco ência dos emas de gêne o e sexualidade em ambien e espo i o chegamos ao seguin e co pus de análise com ilmes da úl ima década que e sam sob e os descen amen os do masculino no espo e: Somme S u m (2004), The I on Ladies (2000), Be lim 36 (2009), Guys and Balls (2004) e Beau i ul Boxe (2004). As p oduções o am ap eciadas pa a iden i ica as cenas que ques ionam o gêne o e a sexualidade dos pe sonagens em ação espo i a a a és da desc ição da expe iência es é ica sup aci ada. Foi c iada uma icha de análise, o ganizada em duas ca ego ias, a p imei a in i ulada de obje os e condições da expe iência es é ica se di ide nas seguin es subca ego ias: Foco Na a i o; cená io e igu ino; ilha sono a; câme a e o og a ia, cujos esul ados se ão ap esen ados. A segunda ca ego ia de análise diz espei o ao con eúdo e e ei os da expe iência es é ica, subdi idida em: co po e gêne o; co po e sexualidade; espo e e es igma; e iciência e descen amen o; co po e é ica. No caso da segunda ca ego ia, seus esul ados co obo am mais incisi amen e pa a comp eende as ca ego ias de co po e e iciência do sujei o a le a descen ado do masculino adicional, obje i o ge al de nosso es udo. Os ilmes o am u ilizados como ecu so analógico pa a pensa es as ques ões apon adas, disso de i a a não in enção de aze análises ílmicas, no igo que o e mo em se desenhado no o ma o acadêmico, mas an es uma a i ude do olha in e ogan e do pesquisado que mais se ap oxima de uma análise que conside a o ex o ílmico no que se e e e à ep esen ação de gêne o e sexualidade no cinema, bem como o con ex o da p odução da ob a, sendo o ilme um es emunho a ís ico da comp eensão do espo e. A pa i dos pon os elencados em cada icha de análise, o am ag upadas as eco ências de sen ido em cada subca ego ia, ou seja, o que oi pe cebido de comum en e os cinco ilmes, bem como as ep esen ações des oan es pa a que ossem o ganizados os esul ados da pesquisa. 4. Resul ados 4.1 Obje os e condições da expe iência es é ica Quando nos epo amos à p imei a ca ego ia de análise das ichas (obje os e condições da expe iência es é ica) no quesi o oco na a i o, emos que em qua o das cinco p oduções ílmicas analisadas a his ó ia é con ada de o ma obje i a, endo como na ado o p óp io au o do ilme, sem in e e ências na his ó ia das isões ou pon os de 94 is as dos pe sonagens. Apenas em Beau i ul Boxe , os acon ecimen os e aje ó ias são na ados pelo p óp io pe sonagem p incipal. No ocan e aos cená ios exis e uma eco ência na elação com o espo e em odos os ilmes, com cená ios que eme em ao einamen o espo i o, campeona os, con ex os de compe ições, seja no emo, no u ebol, no boxe, no a le ismo ou no oleibol. Nessa di eção, os igu inos não des oam dos aspec os espo i os, comum nas cinco p oduções, no en an o, des aco o ilme Damas de Fe o, apon ando que o igu ino de alguns a le as da equipe gay são mais colados, ape ados e cu os. Além disso, a maquiagem e ade eços são ecu sos eco en es aos pe sonagens da película, sendo u ilizados an o du an es os jogos quan o o a deles, momen os es es que e idenciam as es imen as a eladas ao mundo eminino usadas pelos a le as em sua ida co idiana. Tais ade eços e maquiagens adicionais emininas são ambém usados em mais um ilme pelo boxeado Nong Toon em Beau i ul Boxe . Na con amão des es ilmes, dois e idenciam a le as gays que a i mam em seu co po es imen as do mundo adicional masculino, são eles: Tempes ade de Ve ão e Guys and Balls. E po im, em Be lim 36, o igu ino das a le as e a compos o po oupas espo i as nos momen os de einamen o, e po oupas adicionalmen e emininas nas demais ins âncias das elações sociais como es idos, usados ambém pelo a le a homem. Na subca ego ia sono ização, é comum nas cinco ob as o p edomínio do som em o , sem a p esença eal de apa elhos de som nos cená ios, bem como os silêncios que são bas an e eco en es, simbolizando as angús ias dos pe sonagens, e semp e p esen es nos momen os de decisão nas compe ições. A ilha sono a é um aspec o ma can e nos ilmes, p opo cionando um ele o mais sensí el às ob as e sua idade ao ambien e e às ações. Os a anjos musicais são su is e nos dão a dimensão da p o undidade dos sen imen os dos pe sonagens, en ol endo emocionalmen e os espec ado es nas his ó ias. No caso de um dos ilmes (Be lim 36), exis em sons ex emamen e o es que eme em à ensão do nazismo com imagens des a época obscu a na his ó ia da humanidade, com a anjos ins umen ais o es que eme em à ensão. Quan o aos e ei os sono os, es es são isí eis em ês películas nas cenas dos jogos, nos quais p edomina o ba ulho da o cida e em momen os ensos do jogo com músicas de suspense. Des aca-se a película Guys and Balls ao mos a uma cena em que o ime descen ado es á se deslocando pa a o jogo escu ando e can ando a música “I Will su i e”, espécie de hino da população gay, deno ando uma ca ica u a dos pe sonagens. Quando nos epo amos à o og a ia e câme a, pe cebemos que a maio pa e das cenas nos ilmes são paisagens iluminadas ao e a a em os einamen os, jogos em campeona os. Con udo, as cinco p oduções, de o ma ímida ou ma can e, jogam com a iluminação, o a o e, o a aca. No caso de Be lim 36, po exemplo, exis e du an e odo o ilme um jogo en e cla o e escu o, dia e noi e. As cenas de einamen o são bas an e iluminadas, os diálogos ensos ge almen e acon ecem à noi e ou no escu o/penumb a. Essa escu idão ambém é eco en e nas demais p oduções em cenas emblemá icas de is eza, con usão men al e melancolia. No ocan e à câme a, o plano ge al é p edominan e nos cinco ilmes nas cenas que e a am os mo imen os e cená ios espo i os, enquan o em algumas cenas é ní ido o uso do p imei o plano no in ui o de ap esen a en a icamen e a exp essão acial dos pe sonagens p incipalmen e as exp essões de ai a, is eza, ensão. No caso de Be lim 36, a câme a en a iza em p imei o plano os os echados, concen ados e olha es que se comunicam em silêncio. Ou o aspec o comum em odas as películas diz espei o a len idão de algumas sequências, ge almen e em cenas decisi as nos jogos ou compe ições, como nos mo imen os de de esa do golei o Ecki em Guys and Balls, ou nos sal os de G e el em Be lim 36. 95 É in e essan e pe cebe , com a análise dos ilmes nes a p imei a ca ego ia mais de o dem “ écnica”, que a ep esen ação ágica e d amá ica p esen e na his ó ia do cinema gay da qual no ala Nazá io (2007) ainda pe meia o uni e so de ep esen ação do homossexual. Tal a o é e idenciado po alguns aspec os mais écnicos das p oduções, como oi possí el obse a nos esul ados. Nos epo emos, po exemplo, à sonoplas ia com a p edominância de silêncios e a anjos melancólicos pa a os momen os angus ian es dos sujei os descen ados. Pa a além da sonoplas ia, a len idão da câme a em algumas cenas e as escu idões eco en es nas cenas de is eza e con usão men al, e idenciam que ais mecanismos cinema og á icos em p oduzido sen ido pa a os momen os de op essão dos sujei os descen ados nos ilmes. Nesse sen ido, as na a i as semp e (ou quase) obje i am possibili a a p odução de sen ido de que descen a os pad ões de gêne o e sexualidade causa do e is eza. Nessa di eção, mesmo que a ualmen e possamos ala de um c escimen o de ilmes com a emá ica gay e a homossexualidade po mais que enha encon ado espaço em sua plu alidade, ela ainda pe manece en ol a po es e eó ipos no que se e e e a suas isibilidades no cinema, eco endo, pa a além da d ama icidade, colocando em pau a a comicidade, p esen e em alguns ilmes des e es udo. Nesse sen ido, “po ce o, ou os ilmes e i a am o ágico ou d amá ico e, e en ualmen e, apela am pa a o idículo ou o ca ica o pa a se ap oxima da emá ica [...] o homossexual oi (e é) ep esen ado mui as ezes como o homem gay a e ado.” (LOURO, 2008, p.86). Ou o a o in e essan e a se des acado a espei o do a amen o secundá io dado aos sujei os masculinos que ompem com os pad ões de gêne o nas películas analisadas, esidindo na eco ência de oco na a i o obje i o nas mesmas, ou seja, as his ó ias de sujei os descen ados são con adas po ou em, que não os p óp ios pe sonagens em qua o ilmes. Nesse sen ido, ao sujei o homossexual ou que ompe com pad ões de gêne o ainda não é dado o pode da oz, e de na a os acon ecimen os, que são con ados po um in e locu o “ex e no”. 4.2 Con eúdos e e ei os da expe iência es é ica: elações en e co po, gêne o, espo e e e iciência Op amos discu i as ep esen ações de gêne o e sexualidade dos sujei os masculinos nas cinco películas analisadas a a és das ca ego ias de co po e e iciência. P imei amen e, é p eciso pensa que “[...]é no co po e a a és do co po que os p ocessos de a i mação ou ansg essão das no mas egula ó ias se ealizam e se exp essam (LOURO, 2013, p.85). Essas ma cações são de o dem ísica, simbólica, social, ma e ial, e são eco en es nos pe sonagens das películas analisadas, po ezes de o ma mais e iden e. Alguns pe sonagens des as películas ma e ializam em seus co pos uma espécie de pa adoxo que descons ói o pad ão de gêne o, ao ap esen a em uma a qui e u a co po al o e e i il, cobe a po oupas pequenas, ape adas e cul u almen e a eladas ao uni e so eminino, e exp essando ges ualidades delicadas. Dois dos ês ilmes (Guys and Balls e Tempes ade de Ve ão) que e sam sob e imes quee ompem com a expec a i a co po al do gay como sujei o a eminado, endo equipes compos as po homens que ap esen am, em sua maio ia, uma a qui e u a co po al musculosa sem ejei os a eminados, con udo, mos am ao mesmo empo alguns pe sonagens com uma a e ação pa a o eminino bas an e ca ica u izada. Essa ca ica u a é simbólica no e cei o ilme (Damas de Fe o) com seus sujei os gays a e ados que a i mam em seus co pos ca ac e ís icas idas como a eminadas e dis an es do pad ão he e ossexual masculino socialmen e acei o. Esses co pos ansi am en e o masculino e eminino, emba alhando as noções ixas e biná ias do gêne o. 96 Essas ma cações e ca ac e ís icas co po ais a eladas ao eminino da o dem do isí el são esponsá eis po uma in e io ização de alguns sujei os gays nos ilmes, a elando sua apa ência descen ada, ou simplesmen e sua sexualidade des ian e a uma possí el al a de endimen o e e iciência nos espo es. A elado a isso exis e ambém um p ocesso de gene i icação das p á icas co po ais e idenciando que “o campo espo i o é eminen emen e um mundo di idido po gêne o, no seu sen ido “clássico”, o que inclusi e e ia desencadeado a ama de p econcei os con a os a le as homossexuais (ROJO; MELO, 2006, p. 4). Esses p econcei os e es igmas p esen es em odas as películas, são nel ágicos no p ocesso de impedimen o do acesso de a le as gays em compe ições ou equipes, como acon ece em Damas de Fe o, po exemplo. Essa di isão ambém p omo e discu sos como os obse ados em Beau i ul Boxe e Guys and Balls de que boxe e u ebol não são espaços pa a gays. Nesse sen ido, Tamagne (2013) a i ma que homossexual ainda é is o como o sujei o que alhou em sua i ilidade, ou seja, o sujei o que não é másculo ou su icien emen e i il pa a o mundo espo i o, sendo desac edi ado. Esses es igmas e idenciam o espo e enquan o espaço de alidação da masculinidade clássica (DUNNING; MAGUIRE,1997). Con udo, qua o ilmes en am descons ui os es e eó ipos e es igmas do homossexual no espo e, mos ando que sua compe ência independe dos indicado es cul u ais de a i mação da sexualidade, de ado nos, maquiagens ou es imen as emininas, p oblema izando ambém o es e eó ipo do gay como sujei o ágil, p incipalmen e após esses sujei os alida em sua habilidade e compe ência espo i a, seja balizada na o ça e a qui e u a co po al i il, ou com uma pe o ma i idade ges ual e co pó ea a elada e ado nada com o eminino, ou ainda mesclando as duas pe o mances. Ao nos epo a mos a essa exigência de o dem es é ica, que sub alo iza o gay a e ado pa a o eminino, em con apon o com o ideal de masculinidade, pe cebemos, que nos ilmes, os sujei os que descen am da sexualidade he e ono ma i a queb am com a ep esen ação cul u al de que a delicadeza da ep esen ação do eminino ou a homossexualidade a e a ia a compe ência do espo is a gay. Nesse sen ido: a iden idade da ins i uição espo i a, ge almen e inculada à i ilidade e acoplada a uma ideia de igo , ambém dialoga a ualmen e com sujei os ma geados pelo i uosismo a lé ico, que êm pe meando em g ande medida a mul iplicidade de signi icações dos espo es p esen es no nosso con empo âneo. A máxima olímpica do “mais al o, mais o e e mais eloz”, a ualmen e, de e se ac escida de alo es, como desejo, impulso, sonho e p aze (ARAÚJO, SANTOS e DIAS, 2013, p.121) Co obo ando com o pensamen o acima, as películas p oblema izam e ques ionam a ins i uição espo i a adicional ao mos a sujei os gays compe en es e e icien es com uma pe o mance da ep esen ação cul u al que mescla, às ezes, masculino e eminino adicionais no espo e, balizada ao mesmo empo na o ça e na delicadeza, que culminam com pe o mances i o iosas, con a iando as c enças e expec a i as biná ias e pessimis as quan o a e icácia dos homossexuais nos espo es. Essas pe o mances ajudam a ede ini os pa âme os de uma i ilidade homossexual, ao mesmo empo em que sub e em as noções de inidas do que é se masculino nos seus moldes adicionais. Os gays ompem com o modelo i il he e ossexual, ins au ando sua i ilidade singula , sem deixa de sê-lo. (TAMAGNE, 2013). Nesse sen ido “Esses sujei os suge em uma ampliação nas possibilidades de se e i e [...] a e am, assim, 97 não só seus p óp ios des inos, mas ce ezas, cânones e con enções cul u ais” (LOURO, 2013, p.24). Na aje ó ia ansg esso a de seus co pos, os pe sonagens con ibuem pa a emba alha os e i ó ios on ei iços e as no mas pe encen es unicamen e a de e minados espaços e e i ó ios gene i icados, como po exemplo, os códigos de i ilidade. Ou a con enção descons uída po algumas películas diz espei o à compa ação obje i a, uma das ca ac e ís icas p incipais do espo e mode no, que di idem homens e mulhe es em duas ca ego ias dis in as e inconciliá eis. Ao coloca mulhe es compe indo com homens, como em Tempes ade de Ve ão e Be lim 36, e mos a a di iculdade de “classi ica ” os a le as a es is e ansexuais em Damas de Fe o e Beau i ul Boxe , os ilmes emba alham as noções de gêne o e sua di isão ígida nos espo es. Os sujei os descen ados nos ilmes u ilizam-se do espo e como o ma de sub e são dos jogos (in) isí eis da dominação he e ono ma i a impos a (CAMARGO; RIAL, 2009). Especialmen e Guys and Balls, empes ade de Ve ão e Damas de Fe o mos am como é di ícil pa a g upos subo dinados desa ia em as p á icas espo i as inc us adas nas no mas he e ossexuais. Pa a an o, como o ma de esis i à masculinidade hegemônica e a i ma -se no espaço espo i o, os ilmes e idenciam a o mação de equipes majo i a iamen e gays ou quee s. De aco do com os au o es sup aci ados esses g upos espo i os semelhan es que são c iados po mino ias sexuais en am c ia , um 'po o segu o', li e das adições e dos i uais he e ossexis as. 5. Conside ações inais No ocan e às concepções de gêne o e sexualidade, é pe cep í el nesse cená io, uma e olução quan i a i a na ema ização do gay nos espo es, no en an o algumas ep esen ações es e eo ipadas ainda pe manecem, ao mesmo empo em que coexis em com up u as. Nes e p ocesso de c escimen o de ilmes com a emá ica gay, o espo e encon ou no cinema uma o ma da isibilidade aos enômenos e p á icas co po ais, endo em is a que es e “ ans o mou-se numa ins ância o ma i a pode osa, na qual ep esen ações de gêne o, sexuais e de classe e am (e são) ei e adas, legi imadas ou ma ginalizadas” (LOURO apud MELO; VAZ, 2009, p.128). Con udo, pe cebe-se que em g ande pa e das p oduções que “os a qué ipos biná ios do homem-masculino e mulhe - eminina se azem p esen es an o na his ó ia do espo e quan o no egime de isibilidade dessa p á ica no cinema, pe azendo uma eco ência da ep esen ação de gêne o elacionado ao espo e” (ARAÚJO, 2012, p.72-73). No en an o, algumas p oduções pon uais da p imei a década do século XXI êm chamado a enção jus amen e po aze em o pe cu so diame almen e opos o, ques ionando a lógica sexis a e biná ia dos co pos no espo e. Esse é o caso dos ilmes aqui ap esen ados, que nesse jogo de up u as e con inuidades, o na possí el ques iona e pensa sob e as no as ep esen ações do gay no cená io espo i o que es ão sendo ecidas nas películas aqui es udadas, que ompem com a lógica biná ia de gêne o, possibili ando masculinidades e eminilidades no plu al. Ao é mino das análises ílmicas, é pe cep í el que os pe sonagens encionam di e sas possibilidades de se homem em seus co pos, ompendo com algumas in e dições e a i mando, po ezes, códigos ca ica u izados homossexuais ou códigos adicionais do mundo masculino. As películas ambém descen am as noções de i ilidade e e iciência a eladas à masculinidade clássica ao isibiliza gays i is e e icien es no espo e. Essas pe o mances ajudam a ede ini os pa âme os de uma i ilidade homossexual no espo e, ao mesmo empo em que sub e e as noções de inidas e ixas do que é se masculino e i il nos seus moldes adicionais e clássicos. Esses co pos nos eme em a