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As perigosas fronteiras da “comunidade”: um desafio à comunicação comunitária

Amaral Filho, Nemesio C.

Abstract

O texto reconhece a importância das associações comunitárias, principalmente as organizadas politicamente nesta época de globalização econômica e cultural, mas procura refletir sobre os usos do conceito de comunidade como instrumento de controle externo. O que encoraja os discursos que parecem querer manter os membros das comunidades atrás de muros físicos e conceituais? A discussão fundamental aqui é a possibilidade de auto-representação no momento em que a luta de diferentes grupos por visibilidade na mídia aumenta.

Full text

As pe igosas on ei as da “comunidade”: um desa io à comunicação comuni á ia Nemesio C. Ama al Filho In es igado del Labo a o io de Comunicación Comuni a ia de la Escola de Comunicación de la Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o (ECO/UFRJ) I/C - Re is a Cien í ica de In o mación y Comunicación 2009, 6, pp253-263 As pe igosas on ei as da “comunidade” 253 IC - 2009 - 6 / pp253 - 263 ISSN: 1696 - 2508 5 AS PERIGOSAS FRONTEIRAS DA “COMUNIDADE”: UM DESAFIO À COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA THE DANGEROUS BORDERS OF THE “COMMUNITY”: A CHALLENGE TO THE COMMUNICATIONS COMMUNITY I/C - Re is a Cien í ica de In o mación y Comunicación 2009, 6, pp253-263 Resumen O ex o econhece a impo ância das associações comuni á ias, p incipalmen e as o ganizadas poli icamen e nes a época de globalização econômica e cul u al, mas p ocu a e le i sob e os usos do concei o de comunidade como ins umen o de con ole ex e no. O que enco aja os discu sos que pa ecem que e man e os memb os das comunidades a ás de mu os ísicos e concei uais? A discussão undamen al aqui é a possibilidade de au o- ep esen ação no momen o em que a lu a de di e en es g upos po isibilidade na mídia aumen a. Abs ac The ex ecognizes he impo ance o communi y associa ions, especially hose poli ically o ganized in his ime o economic and cul u al globaliza ion, bu seeks o e lec on he uses o he concep o communi y as an ins umen o ex e nal con ol. Wha encou ages he discou ses ha seem o wan o keep he membe s o he communi ies behind (physical and concep ual) walls? The undamen al discussion he e is abou he possibili y o sel - ep esen a ion when he s uggle o di e en g oups o isibili y in he media inc eases. Palab as cla e Comunidad / Comunicación / Globalización / Visibilidad mediá ica Keywo ds Communi y / Communica ion / Globaliza ion / Media isibili y Nemesio C. Ama al Filho In es igado del Labo a o io de Comunicación Comuni a ia de la Escola de Comunicación de la Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o (ECO/UFRJ) Nemézio C. Ama al Filho 254 ISSN: 1696 - 2508 IC - 2009 - 6 / pp253 - 26 3 A comunidade é gua ida, é p o eção, mas ambém pode se a mais e í el das p isões, quase semp e simbólicas, com conseqüências não a amen e p á icas. O lei o de e en ende que não es amos de algum modo nos colocando con a exis ência ísica das comunidades ou mesmo negando sua impo ância enquan o me á o a de esis ência pa a g upos adicionalmen e subal e nizados, como as “comunidades” no Rio de Janei o, cidade em que o uso da pala a é mais ácil e mais ambíguo que na maio ia das capi ais b asilei as: a “comunidade” subs i ui pala as du as como “ a ela” e, po an o, de e ia limi a o pode ma ginalizan e da enunciação sob e g upos sociais mal a endidos pelo pode público e sub- ep esen ado pela mídia. “Comunidade”, en e an o, se ans o mou, em mui os cí culos u banos no Rio, numa ameaça: a minha comunidade (e oda a iolência po encial de meu engajamen o com ela) é mais o e que a sua. Como udo no eal, comunidade ca ega aspec os posi i os e nega i os. Pa a p ossegui mos um pouco mais no escla ecimen o daquilo que não es amos a ando aqui: en endemos que a comunidade não é uma coisa só, ainda que cla amen e disce ní el – ela possui on ei as mó eis, uma ez que é a a essada po espaços simbólicos in e ex uais (aqueles não de inidos, mas que odos sabem exis i no in e io do p óp io g upo e o a dele), num luxo de en ada e saída, de pe manência e pa ida, di o de ou o modo, comunidade é um espaço e uma si uação social se não em ala gamen o, mas em pe manen e cons ução, um mo imen o não linea em o no de me á o as uni icado as. Quando alamos em comunidade es amos nos e e indo a um ce o espaço de a uação, espaço que pode se an o ísico como simbólico; alamos de pe encimen o, de elemen os em comum que o mam de e minada comunidade. O p oblema é que oda denominação de comunidade é uma gene alização e, po isso, ambém é um educionismo. O que pa ece se um a o ca ac e ís ico de de e minado g upo comuni á io o na-se pa icula men e pe igoso quando g upos socialmen e des a o ecidos, subal e nizados, acei am a ca apuça concei ual de “mino ia” ou de “excluído” e não se a êm a conscien e a madilha social que os que a ás de on ei as disce ní eis pa a “os de o a” e, des a manei a, mais e e i amen e con olá eis. “Conscien e” em nossa análise não que dize que há um plano o ques ado “pela o dem igen e” pa a a manu enção de g upos ma ginalizados, e ainda menos a oposição concei ual eudiana básica en e o conscien e e o inconscien e: suge imos, sim, que a sociedade e sua mídia (e seu pode enuncia i o incluído) são esul ado de uma consciência cul u al especí ica, acos umada a na u aliza o que pa a nós de e ia se es anho (como a iolência na u al em á eas em que há ausência do Es ado ou a associação na u al en e iolência e a ela). A na u alização do e í el só pode eme gi com o uso noci o do es e eó ipo no discu so social, no mundo ei o em linguagem; po ou o lado, o es e eó ipo é sim um As pe igosas on ei as da “comunidade” 255 IC - 2009 - 6 / pp253 - 263 ISSN: 1696 - 2508 5 pode oso ins umen o comunican e (Ama al Filho, 2002). Es e eó ipo aqui no sen ido de inido po Bhabha (2002): o es e eó ipo é aquela e amen a que isola o Ou o e assim man ém dis ância en e as pessoas não apenas en e as sociedades, mas no in e io das p óp ias sociedades. O es e eó ipo age no campo da subjugação simbólica, mas com esul ados p á icos conc e os. Po exemplo, quase semp e ao nos e e i mos às “comunidades de mino ias é nicas” es amos lidando, como ale ou Bauman (2003), como uma de inição impos a de o a pa a den o, sem que se enha pedido o consen imen o a seus memb os pa a se em de inidos como “mino ia”. Na de inição ex e na do que em a se comunidade há a in enção incon essa de que es a seja uma de inição pe pé ua, o que, na p á ica, é ap op iado pelo discu so da mídia hegemônica pa a se e e i aos “índios” (Du a, 2005) ou às “comunidades de emanescen e de quilombo” (Ama al Filho, 2006). No caso dessa úl ima, o desejo de ácil ap eensão simbólica pela mídia az com que não a amen e, seu simbolismo seja emp es ado indisc iminadamen e pa a se e e i a odas as a elas como “quilombos mode nos”. Quilombo, oda ia, é espaço de libe dade, de espei o aos mais elhos, de o gulho iden i á io e de o ganização polí ica: é aquilo que a “comunidade” em oposição à “ a ela” p e ende se : uma me á o a de esis ência libe á ia. Mas a ca ego ia cons i ucional “ emanescen e de quilombo” ambém oi impos a de o a pa a den o aos memb os das comunidades com a Cons i uição de 88. Ago a seus mo ado es es ão num len o e du o p ocesso de cons ução de seus sen idos con empo âneos ( aze o quilombo pa a o p esen e pós-colonial), ainda que mui os an opólogos e ju is as insis am em man e es as comunidades de emanescen es sob o seu julgo eó ico (quando ao obje o e nog á ico não é pe mi ida a ala) e legal. Mas são es es ap isionamen os comuni á ios e, no limi e, “ aciais”, que explica am, no Pa á, o pedido de azendei os pa a que es es de DNA ossem ealizados e assim osse comp o ado se os emanescen es e am quilombolas “de e dade” (idem); ou o a igo ecen e de um ad ogado suge indo que o c i é io da au o- ep esen ação que g upos indígenas são de en o es não de e ia se ado ado pelo pode público po que não é possí el admi i que índios que di igem ca os ou desconhecem sua língua ances al possam se chamados de “índios” quando ei indicam a dema cação das p óp ias e as (O Globo, 15 dez. 2006). A assimilação cul u al, po es a lei u a, só pode se de mão única: a do subal e nizado pela sociedade hegemônica, negando a condição dialógica. Nomea con e e pode a quem nomeia, po an o se ia uma incoe ência pe mi i que aqueles g upos enham al pode , em ou as pala as, que elabo em um discu so explica i o a ce ca de si; p incipalmen e po que, nes es casos, o discu so nunca é um caminho pa a algo, mas um im em si mesmo como nos ale ou Foulcaul (1998). Nemézio C. Ama al Filho 256 ISSN: 1696 - 2508 IC - 2009 - 6 / pp253 - 26 3 Pa a além do a o de que es as duas posições polí ico-econômicas (au o- ep esen ação e e as) negam a possibilidade da hib idização, do con a o en e di e en es g upos é nicos-cul u ais e, po an o, de sua pe manen e a ualização cul u al, es á cla o que exis e uma moldu a in e p e a i a daquilo que é cada um desses g upos, um en endimen o es anque que, se pa a alguns g upos acadêmicos pode pa ece uma discussão supe ada amanho seu conse ado ismo, exemplos em con á io su gem a cada dia na a ena midiá ica. Como não há discussão na g ande mídia sob e compo amen os comuni á ios e suas mudanças, um g upo é semp e ep esen ado, esquecido, e ep esen ado no amen e, como no idade, mas pe dido lá a ás, na his ó ia, ou dis anciado numa geog a ia cul u al, ou seja, p esa numa comunidade simbolicamen e imó el, gené ica e, po isso mesmo, disponí el às p a elei as de es e eó ipos da mídia e de ou os agen es da manu enção do s a us quo. É des a manei a que a maio ia de nós não dis ingue um g upo indígena de ou o, po exemplo, e a pa i daí a pa icula idade de seus modos de ida em cada di e en e pon o do País. Temos apenas – se u iliza mos as elhas e comumen e eco í eis ca ego ias comuni á ias não p oblema izadas – apenas “Os Índios”, “Os Quilombolas” ou “O Mo ado da Fa ela”. E isso se es ende aos nossos con a os do dia-a-dia: “O Neg o”, “O Gay”, “A Mulhe ”. Sim, odos são memb os de nossa comunidade, mas pa a ans o ma um de seus memb os em “Ou o” é p eciso isolá-lo numa sub-comunidade gené ica. En e an o é cu ioso obse a o mundo a pa i do pon o de is a de cul u as nacionais, ou, se nos pe mi em, des as comunidades nacionais, po an o, de comunidades mais ala gadas. Com a a acuidade in e p e a i a Ab il (2003, p.46) obse a que “as cul u as nacionais que eqüen emen e se ap esen am como con á ias à mundialização não pode iam e se cons i uído sem o espaldo de ins i uições e p ocedimen os de mediação mundializados: a al abe ização, a escola ização, a p odução cien í ica e a ís ica, a apa ição da imp ensa, e pos e io men e das demais indus ias cul u ais, que con ibuí am pa a no maliza as línguas e cul u as nacionais nos espaços ju isdicionais dos es ados mode nos. Em ou as pala as: mais do uma ameaça pa a os es ados nacionais, a mundialização cul u al oi uma condição de sua possibilidade”. Se a en a mos pa a es a cons a ação num ní el nacional, podemos iden i ica duas manei as essencializan es, no sen ido polí ico-cul u al, de se posiciona em elação à comunidade. P imei o, a que a ê como algo que “con ibui” pa a a cul u a maio , mas dela e e i amen e não az pa e (um exemplo são os discu sos da mídia ace ca dos neg os em épocas e nicamen e comemo a i as, quando o segmen o é semp e lemb ado como aquele que “con ibuiu” pa a a o mação da cul u a do País, e não como “in eg an e” do p óp io e hos nacional); segundo, aquela manei a que ep esen a as comunidades como espaços in ocá eis, cujos alo es cul u ais ances ais de em se p ese ados, negando qualque possibilidade de As pe igosas on ei as da “comunidade” 257 IC - 2009 - 6 / pp253 - 263 ISSN: 1696 - 2508 5 e olução po que isso lhe i a ia a “au en icidade”. Num País mes iço, não a amen e a mes içagem cul u al, emanada ambém de suas á ias comunidades po que elas p óp ias p odu os dessa mes içagem, é eqüen emen e negada na sociedade hie a quicamen e di idida em classe, gêne o e co . “Cla o que, como odo espaço de dominação, os p oduzidos pela mes izagem são ambém espaços de esis ência” (idem, p. 47). Nem mesmo as e sões in e p e a i as classicamen e mul icul u ais admi idas na polí ica o icial de á ios países, ou ado adas como mé odo de eo cien í ico, não pa ecem, sozinhas, da con a das complexidades o iundas da manu enção ísica e simbólica das comunidades subal e nizadas. Hale (2002), em seu es udo sob e as polí icas públicas de iden idade ol adas pa a as comunidades indígenas na Gua emala, acen ua que o p oje o cul u al neolibe al a ua de manei a p ó-a i a, an ecipando as ei indicações mínimas das comunidades indígenas e ejei a odo o es o igo osamen e: a lu a pelo econhecimen o dos di ei os indígenas, nesse sen ido, é uma ameaça ainda maio do que as polí icas assimilacionis as de épocas an e io es. Tal polí ica de limi ação daquela comunidade é nica é denominada po Hale de “mu icul u alismo neolibe al”: esol em-se os p oblemas mínimos do g upo, dema ca-se o seu espaço de manob a social, enquan o o capi al ansnacional a ança com sua p óp ia agenda polí ica. Em ou as pala as, às comunidades indígenas subal e nizadas são mos ados os limi es “de a é onde se pode i ”, ou seja, coop ando memb os da p óp ia comunidade são c iados discu sos e ações de es ições in e nas (idem). A coop ação é undamen al nesse pa a a limi ação do g upo. As lide anças na u ais que su gem como o ma de esis ência aos ad e sá ios da e olução do g upo são o jados in elec ualmen e ao mesmo empo em que a ba alha polí ico-simbólica é a ada. Como bem sabem lide anças u banas e u ais das comunidades subal e nizadas b asilei as não é di ícil e a no p ocesso, esis i ao às p omessas de p og esso indi idual, acei a ajudas o iciais mínimas, mos a es a conquis a ao es an e do g upo e, en im, descansa um pouco, baixa a gua da , ende -se a uma si uação que possa se ep esen ada como simulac o con incen e de que aos poucos es á se a ançando. As comunidades, semp e ap esen adas como “ameaças” (pa a aze mos ou o uso da me á o a explica i a de Hale) quando ex apolam os espaços ísicos e simbólicos a elas des inados, êm suas lide anças pe manen emen e assediadas po que é conhecido o a o de que quando as ozes dissonan es são g i adas do in e io da comunidade são mais e icazes do que os p o es os ei os pelos bem in encionados “de o a” ou mesmo po memb os que po á ias azões es ão quase o almen e a as ados do g upo. Dessa manei a, comunica a si p óp io e da manei a mais independen e possí el é ques ão cen al. É po isso que quem de ém os meios da ep esen ação semp e es á em an agem, uma ez que é de um Nemézio C. Ama al Filho 258 ISSN: 1696 - 2508 IC - 2009 - 6 / pp253 - 26 3 julgamen o es é ico, e nesse sen ido, é ico, que a amos que undamen a nossa a gumen ação: julgamos pelo que as coisas nos pa ecem se , undamen almen e po que, em sen ido amplo, os mecanismos de ap eensão simbólica, p incipalmen e aqueles p opo cionados pela g ande mídia (cinema, jo nalismo, publicidade e ago a In e ne ), nos apon am nessa di eção: pad ões de beleza, de compo amen o, que dize , o ien ações pa a o nosso desejo cole i o. Gos a íamos de solici a ago a que ossemos do mac o ao mínimo pa a en ende mos, ainda que apidamen e, essas o ien ações da o dem do desejo e a elação como nossa discussão sob e as on ei as comuni á ias. Ab il (2003) iden i ica ce os “ma cos de comensu abilidade”, hegemonicamen e e guidos, que êm p opo cionado o sus en o simbólico da mundialização, e que con aminam as di e en es segmen ações da di e sidade cul u al mode na. O ma co eo icamen e desenhado po ele que ai nos in e essa mais de pe o é o da “pad onização dos imaginá ios sociais”, is o é, “os epe ó ios de imagens, de ep esen ações sensí eis e conc e as, que eiculam c enças, isões de mundo e da sociedade di ididas e in e io izadas, e que pe mi em ambém simboliza ei os de consciência abs a os mais além dos imaginá ios adicionais” (idem, p. 49). O que que emos suge i a pa i dessa conside ação é que quando olhamos pa a uma comunidade subal e nizada no campo ou na cidade, de gêne o, é nica, de classe ou de o ien ação sexual não emos a pa icula idade de cada um: o imaginá io social pad onizado iden i ica exa amen e isso – um pad ão, que como ca ego ia homogeneizan e só nos pe mi e codi ica o es e eó ipo com qual omos ensinados a nos comunica . E o es e eó ipo só exis e den o de on ei as sólida e cla amen e edi icadas. Pa a en en a mos eó ica e poli icamen e o bomba deio es e eo ipizan e da g ande mídia pode se de g ande auxílio ecupe a mos aqui o ale a me odológico de Shoha e S am (2005) quan o à análise nos discu sos cons uídos sob e as comunidades de maio ias subal e nizadas que imos nos a endo aqui. O ale a é con a “os pe igos do discu so alsamen e poli ônicos, que ma ginaliza e en aquece ce as ozes pa a em seguida ingi um diálogo com uma en idade- an oche já en aquecida po di e sas alsi icações” (p.312). Se pensa mos em lide anças coop adas (ob iamen e que “coop ação” é en endida nes e con ex o num sen ido pa a além do uso p ecipi ado e algo anac ônico do ma xismo ingênuo: de e se en endida como uma ação, de a o, polí ico-cul u al), o ale a o na-se um g i o: A poli onia não consis e no me o apa ecimen o de um ep esen an e de um ce o g upo, mas na c iação de um a anjo ex ual onde a oz daquele g upo pode se ou ida com o ça e essonância. A ques ão não se esume ao plu alismo, mas ao conjun o múl iplo de ozes, em uma abo dagem que p ocu a As pe igosas on ei as da “comunidade” 259 IC - 2009 - 6 / pp253 - 263 ISSN: 1696 - 2508 5 cul i a e isa as di e enças cul u ais enquan o sup ime as desigualdades sociais (idem). Tal ez seja impo an e lemb a nes e momen o que udo o que imos discu indo a é ago a ex apola os limi es das p eocupações me amen e acadêmicas. Pensamos que o melho exemplo pa a isso possa se , de a o, “A Fa ela” e oda sua imedia a associação com “A Violência” cons uída po á ios discu sos que poli onicamen e se encon am na mídia. Le an amen o ei o po Njaine, Souza, Minayo e Assis (1997) sob e a qualidade da in o mação sob e iolência no B asil du an e os anos 90, sendo o Rio de Janei o pa icula izadamen e es udado, cons a ou que a sociedade na u alizou a iolência con a os mo ado es da a ela e culpa-o mesmo quando ele é í ima de iolência, e não seu au o , achando desnecessá io uma in es igação maio pa a descob i o au o do deli o. Cabe a mídia uma des acada con ibuição nas in o mações sob e iolência, pois essa ocupa na sociedade con empo ânea um papel impo an e como mediado a social, como agen e de socialização, ao lado da amília, da escola e de ou as ins i uições (Rey, 1993). Desse modo, a ele isão e demais meios de comunicação são ins umen os, disposi i os cul u ais e sociais. Quando nesses meios ci culam in o mações sob e o ema iolência, é de o ma banalizada, ge ando mui as ezes um clima de medo e pânico na sociedade (Njaine, Souza, Minayo e Assis, 1997, p. 8). Es a ausência de iden i icação a e i a oco e an e a impossibilidade do es abelecimen o do ínculo comuni á io pela g ande mídia. A iolência é, de mui as manei as, a me á o a dessa ausência. Ci ando Agamben, Sla oj Zizek (2003) e omou a noção de Homo sace , ou seja, as duas o mas como se podem a a as mesmas pessoas: somos odos iguais pe an e a lei, mas há um plano incondicional azio em que as coisas pendem mais em a o de um lado que pa a ou o: não enxe gamos o mise á el, a dis ância en e nós e aqueles que e e i amen e não usu uem de cidadania é geog a icamen e cu a, mas comuni a iamen e gigan esca. Isso signi ica dize que i emos em ealidades supe pos as: po que a mo e de alguém no as al o da zona sul ca ioca como e mais a mídia e sua audiência do que a de um jo em desconhecido assassinado num mo o, ou seja, o a dos espaços consag ados de isibilidade social? Po que o am cons uídas comunidades no in e io daquela que compõe oda a cidade – oi a manei a pa a o que aquilo que denominamos de a lógica da azão cínica encon asse mecanismos de di e enciação e que a enuasse, de manei a é ica/es é ica, não esc i a e supos amen e c is ã (como na elha adição colonial), a isibilidade do so imen o daqueles inse idos na o dem Nemézio C. Ama al Filho 260 ISSN: 1696 - 2508 IC - 2009 - 6 / pp253 - 26 3 do consumo e dos que dela ecebem migalhas. A iolência oi uma cons an e ao longo do século XX na cidade do Rio de Janei o, mas é sabido que quando ela se o nou mais eqüen e do lado nob e do Túnel Rebouças começou a se a ada como mais que me o egis o pela mídia. A ba bá ie po algum mo i o se ecusa a pe manece onde supos amen e e a o seu luga de o igem. O discu so da iolência, independen e de exis ência conc e a, há mais de um século é moeda de oca, seja da classe polí ica (dê-me o pode que e da ei segu ança), seja apelo espe acula izado da imp ensa pa a ende a si mesma. Cla o que es e compo amen o da mídia em ge al e da imp ensa em pa icula – a exo ização daqueles es anhos a “nós” – é esul ado de um p ocesso ainda mais amplo, de uma adição o jada na manei a que ap endemos pa a cons ui nossas na a i as: a eu ocên ica. Pa a aqueles que insis em em conside a es a uma discussão supe ada, pode íamos lemb a uma ei e ação discu si a ainda mais eqüen e nes es empos de pola ização bélica: quando se e e iam as “jus i ica i as” do go e no no e-ame icano pa a a in asão do I aque, a maio ia dos meios de comunicação ociden ais, e mesmo os eículos do hib idizado B asil, diziam que Bush decla a a que “Deus” lhe disse em sonho que ele de e ia le a a paz ao mundo; po ou o lado, as í imas das bombas da in asão se con o a am en e elas ac edi ando que “Alah” é g ande. Não p ossegui emos apon ando a ób ia alácia da pax da ul a-di ei a ame icana pa a o mundo, ou a quem oi dado o di ei o de se e e i a quem como aná ico se, em im, a gue a pa ece san a pa a odos os en ol idos. Cen emo-nos, pa a o obje i o de nosso pequeno ex o, em apon a alguns iscos na acei ação de uma de inição comuni á ia desp oblema izada, num ques ionamen o simples: po que os jo nais de língua não inglesa, como no B asil, Espanha, F ança, aduzem a pala a God, quando em do discu so es adunidense, e não aduzem Alah, o iundo do discu so islâmico? Se á po que, quando aduzimos es amos dizendo que o “deus” no e-ame icano é o mesmo que o nosso, e que o “deus” islâmico é o “deles”? Qual o ipo de ação polí ica é legi imado jun o às audiências do Ociden e, e aquelas sob sua égide, com esse ipo de coe ência discu si a? A pala a comunidade pode se libe ado a, mas quando acei a sem maio es ques ionamen os po aqueles que de e iam se a ma e ialização do concei o pode e , como imos, conseqüências á icas na ealidade sensí el. Se às comunidades não é pe mi ido dize que ipo de comunidade que em comunica pa a o a de suas on ei as iden i á ias, e se é de o a que essas denominações são o iginadas, es amos mais uma ez pe mi indo a ma e ialização daquilo que Cha les Hale (2002) iden i icou em comunidades indígenas e miscigenadas na Gua emala como o já mencionado “a é onde se pode i ”, uma espécie de eio ep esen a i o. O a, o obje i o úl imo de qualque g upo comuni á io subal e nizado é