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Arte, criação e criatividade: entre a utilidade e a inutilidade na epistemologia ocidental

Afonso Medeiros, José

Abstract

Tanto para o senso comum quanto para o senso acadêmico, criação e criatividade são, respectivamente, um princípio privilegiado pelo campo da arte e uma habilidade desenvolvida principalmente por artistas. Desse modo, a arte tem sido considerada a atividade por excelência na qual imaginação e criatividade parecem indissociáveis. Essa concepção foi construída plenamente ao longo do século XIX. Entretanto, considerando-se a própria história da arte, nem sempre os artistas e os teóricos deram como certa essa aliança entre imaginação e criatividade no processo de produção artística, pois houve (e há) pensadores que defendem a ideia de que a criação/recriação artística seria inútil na lida do ser humano com o mundo e com a vida e, sobretudo, na constituição do conhecimento. O presente artigo pretende expor como os conceitos relativos à criação na arte foram construídos historicamente. Platão não reconhecia na arte de seu tempo qualquer princípio inventivo, mas de simulação completamente desnecessária ao conhecimento, enquanto Aristóteles, ao contrário, percebia na atitude mimética uma potencialidade cognitiva comum e necessária a todos os seres humanos. No Renascimento, criar significava sobretudo recriar e ressignificar os princípios da arte clássica, aplicando-os ao contexto moderno. Entretanto, foi nesse período que o artista tomou consciência plena de que seu trabalho, mais que repetição técnica e estilística, exigia criatividade na abordagem dos temas, sobretudo quando esse tema era bem conhecido. Junto com essa ideia de criação começou a se traçar a ideia do artista como gênio inventivo.

Full text

Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 // 27 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 A e, c iação e c ia i idade: en e a u ilidade e a inu ilidade na epis emologia ociden al A , c ea ion and c ea i i y: be ween use ulness and uselessness in Wes e n epis emology | A e, c eación y c ea i idad: en e la u ilidad y la inu ilidad en la epis emología occiden al JosÉ A onso Medei os | [email p o ec ed] UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ | BRASIL Recibido · Recebido · Recei ed: 17/01/2021 | Acep ado · Acei o · Accep ed: 10/04/2021 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 A ículo bajo licencia C ea i e Commons BY-NC-SA · A igo sob licença C ea i e Commons BY- NC-SA · A icle unde C ea i e Commons license BY-NC-SA Cómo ci a es e a ículo · Como ci a es e a igo · How o ci e his a icle: Medei os, A. (2021). A e, c iação e c ia i idade: en e a u ilidade e a inu ilidade na epis emologia ociden al. Communia s. Re is a de Imagen, A es y Educacion C í ica y Social, 5, 27-37. Resumo: Tan o pa a o senso comum quan o pa a o senso acadêmico, c iação e c ia i idade são, espec i amen e, um p incípio p i ilegiado pelo campo da a e e uma habilidade desen ol ida p incipalmen e po a is as. Desse modo, a a e em sido conside ada a a i idade po excelência na qual imaginação e c ia i idade pa ecem indissociá eis. Essa concepção oi cons uída plenamen e ao longo do século XIX. En e an o, conside ando-se a p óp ia his ó ia da a e, nem semp e os a is as e os eó icos de am como ce a essa aliança en e imaginação e c ia i idade no p ocesso de p odução a ís ica, pois hou e (e há) pensado es que de endem a ideia de que a c iação/ ec iação a ís ica se ia inú il na lida do se humano com o mundo e com a ida e, sob e udo, na cons i uição do conhecimen o. O p esen e a igo p e ende expo como os concei os ela i os à c iação na a e o am cons uídos his o icamen e. Pla ão não econhecia na a e de seu empo qualque p incípio in en i o, mas de simulação comple amen e desnecessá ia ao conhecimen o, enquan o A is ó eles, ao con á io, pe cebia na a i ude mimé ica uma po encialidade cogni i a comum e necessá ia a odos os se es humanos. No Renascimen o, c ia signi ica a sob e udo ec ia e essigni ica os p incípios da a e clássica, aplicando-os ao con ex o mode no. En e an o, oi nesse pe íodo que o a is a omou consciência plena de que seu abalho, mais que epe ição écnica e es ilís ica, exigia c ia i idade na abo dagem dos emas, sob e udo quando esse ema e a bem conhecido. Jun o com essa ideia de c iação começou a se aça a ideia do a is a como gênio in en i o. Pala as-cha e: A e. Imaginação. C ia i idade. Conhecimen o. 28 // Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 Abs ac : Fo bo h he common sense and he academic, c ea ion and c ea i i y a e, espec i ely, a p inciple p i ileged by he ield o a and a skill de eloped mainly by a is s. Thus, a has been conside ed he ac i i y pa excellence in which imagina ion and c ea i i y seem insepa able. This concep ion was buil up in i s en i e y h oughou he 19 h cen u y. Howe e , aking in o accoun he his o y o a i sel , a is s and heo is s ha e no always aken o g an ed his alliance be ween imagina ion and c ea i i y in he p ocess o a is ic p oduc ion, because he e we e (and a e) hinke s who de end he idea ha a is ic c ea ion/c ea ion would be useless in he human being's dealings wi h he wo ld and wi h li e and, abo e all, in he cons i u ion o knowledge. The aim o his a icle is o explain how he concep s o c ea ion in a ha e been cons uc ed his o ically. Pla o did no ecognise in he a o his ime any in en i e p inciple, bu a he a p inciple o simula ion comple ely unnecessa y o knowledge, while A is o le, on he con a y, pe cei ed in he mime ic a i ude a cogni i e po en iali y common and necessa y o all human beings. In he Renaissance, c ea ing mean abo e all ec ea ing and esigni ying he p inciples o classical a , applying hem o he mode n con ex . Howe e , i was in his pe iod ha he a is became ully awa e ha his wo k, a he han echnical and s ylis ic epe i ion, equi ed c ea i i y in he app oach o he subjec ma e , especially when ha subjec ma e was well known. Along wi h his idea o c ea ion, he idea o he a is as an in en i e genius began o eme ge. Keywo ds: A . Imagina ion. C ea i i y. Knowledge. Resumen: Tan o pa a el sen ido común como pa a el académico, la c eación y la c ea i idad son, espec i amen e, un p incipio p i ilegiado po el campo del a e y una habilidad desa ollada p incipalmen e po los a is as. Así, el a e se ha conside ado la ac i idad po excelencia en la que la imaginación y la c ea i idad pa ecen insepa ables. Es a concepción se cons uyó en su o alidad a lo la go del siglo XIX. Sin emba go, eniendo en cuen a la p opia his o ia del a e, los a is as y eó icos no siemp e han dado po sen ada es a alianza en e la imaginación y la c ea i idad en el p oceso de p oducción a ís ica, po que hubo (y hay) pensado es que de ienden la idea de que la c eación/c eación a ís ica se ía inú il en el a o del se humano con el mundo y con la ida y, sob e odo, en la cons i ución del conocimien o. El p esen e a ículo p e ende expone cómo se han cons uido his ó icamen e los concep os ela i os a la c eación en el a e. Pla ón no econocía en el a e de su iempo ningún p incipio in en i o, sino de simulación comple amen e innecesa io pa a el conocimien o, mien as que A is ó eles, po el con a io, pe cibía en la ac i ud mimé ica una po encialidad cogni i a común y necesa ia a odos los se es humanos. En el Renacimien o, c ea signi icaba sob e odo ec ea y esigni ica los p incipios del a e clásico, aplicándolos al con ex o mode no. Sin emba go, ue en es e pe iodo cuando el a is a omó plena conciencia de que su ob a, más que la epe ición écnica y es ilís ica, eque ía c ea i idad en el plan eamien o de los emas, sob e odo cuando ese ema e a bien conocido. Jun o con es a idea de c eación, comenzó a su gi la idea del a is a como genio in en i o. Palab as cla es: A e. Imaginación. C ea i idad. Conocimien os. … Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 // 29 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 Nas sociedades u banas con empo âneas, a c ia i idade es á em al a. Ou o a ligada ao empo li e das necessidades de subsis ência e ao cul i o do espí i o, a c ia i idade o nou-se uma qualidade que, desejá el an o no abalho quan o no laze (Russel, 2002 ; De Masi, 1997), man ém a men e ale a con a as mazelas da homogeneidade e a a o da busca de soluções inédi as em á ios campos do conhecimen o. Fala-se a é em uma economia e uma indús ia c ia i as e espe a-se que quaisque p o issionais sejam c ia i os ou in en i os ou engenhosos ou ino ado es na lida com o abalho, com a sociedade e consigo mesmo. En e an o, essa alo ização inédi a da c ia i idade na sociedade con empo ânea não es á anco ada numa e alo ização das ocas simbólicas e do conhecimen o em si mesmos, mas, ao con á io, na oca que ag ega alo mone á io a odos os obje os, elações e p oduções humanas. Não podemos a i ma a pa i de quando e como a capacidade c ia i a passou a incidi decisi amen e na aje ó ia do se humano, mas sabe-se que a pa i de 70 mil anos a ás, já do ados de habilidades que ga an iam sua sob e i ência (caça e cole a alimen os; alguma o ma de linguagem e comunicação) e na segunda le a em di eção às e as eu opeias e asiá icas, os homo sapiens passa am a u iliza di e sas capacidades, habilidades e es a égias que, en e ou as coisas, p opicia am a cos u a de oupas, a i ualização da mo e de seus en es, a ab icação de obje os com ca ac e ís icas es é icas apa en emen e inú eis, a a essia de oceanos e a submissão e ex inção de ou as espécies humanas. Embo a possamos a i ma que as ou as espécies humanas ambém inham essas mesmas habilidades, o a o é que as es a égias imagina i as no es uá io, na eligião, na a e e na gue a dos sapiens – odas ligados à uma capacidade ex ao diná ia de iccionaliza e necessá ias à sob e i ência do g upo – ende am-lhes a abe u a do caminho pa a o opo da cadeia e olu i a. O que acon eceu com nossos ances ais sapiens en e 70 e 30 mil anos a ás, pe íodo que comp eende o início da segunda g ande mig ação em di eção ao les e e ao oes e do hemis é io no e a é a chegada às e as do sul do Pací ico, onde não ha ia ou as espécies humanas? Segundo Yu al Ha a i (2015) e á ios au o es 1 , acon eceu uma “ e olução cogni i a” que pe mi iu o desen ol imen o das capacidades de comunica , memo iza e ap ende , possibili ando o uso da imaginação não só como es a égia de sob e i ência do g upo, mas como base das elações sociocul u ais que desde en ão êm sido a ônica de odas as sociedades humanas. Baseado em es udos da biologia, da an opologia e da a queologia e olu i as, Ha a i a i ma que oi jus amen e a pa i da comunicação, da memó ia e do ap endizado que o sapiens desen ol eu a capacidade de iccionaliza , is o é, de c ia o mas, p o ó ipos, elações, unções e es a égias que não exis iam na ealidade e que pe mi i am a sob e i ência da espécie. Com esse “sal o da imaginação”, nasce am as mais an igas o mas de conhecimen o acumulá eis que ainda hoje compa ilhamos a a és da ag icul u a, da culiná ia, da a e, do design, da comunicação, da eligião, da ciência, da engenha ia e da sociologia. Essa pe spec i a his ó ica é co obo ada pelas pesquisas a uais das neu ociências a a és da descobe a de que os nossos lobos on ais (localizados dian e de cada um dos dois hemis é ios ce eb ais, desp opo cionais se compa ados aos de ou as espécies), po si sós, não dão con a das habilidades cogni i as supe io es (como se ac edi a a a é ecen emen e); ou as á eas “p imi i as” do cé eb o (como o ce ebelo) e ela am-se igualmen e impo an es pa a a expansão da in eligência humana e isso o nou-se pa icula men e e i icá el nos es udos da 1 Klein e Blake (2005) ; Janson (2015) ; Picq (2016). 30 // Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 neu oes é ica desde os anos 1990 (Cappelle o, 2012). Esses es udos asse e am que os es ímulos p o ocados pela a e acionam p ocessos neu o isiológicos ances ais que, desde en ão, ize am com que aspec os gené icos e cul u ais ossem desen ol idos em es ei a colabo ação – Jean-Pie e Changeux (2013) chama esse modo in e a i o da e olução de “coe olução genes-cul u a”. Os p imei os obje os a ís icos que chega am a é nós ambém su gi am naqueles pe íodos que denominamos de paleolí ico e neolí ico. Es a ue as an opomó icas, u ensílios deco ados e pin u as pa ie ais o am da ados além de 30 mil anos a ás e cons i uem os p imei os es emunhos da capacidade humana de c ia ou ec ia o mas e obje os que, a p incípio, não indicam nenhuma unção u ili á ia, embo a seja bem conhecida a eo ia da unção mágico- eligiosa desses obje os es é icos pelo simples a o de que á ios deles o am encon ados em ca e nas de di ícil acesso ou p óximos de sepul u as. P o a elmen e, a maio ia daquelas cul u as do paleolí ico e do neolí ico não denomina am de “a e” esse ipo de p odução, mas o e mo é aplicado e ospec i amen e jus amen e po causa do ca á e não u ili á io de ais obje os, escul u as e pin u as. De qualque manei a, é a o que mui os desses p odu os que concebemos como es emunhos da gênese a ís ica êm um componen e lúdico que os dis anciam da ealidade. Johan Huizinga, ao de ende a ideia de que o homo sapiens e o homo abe não podem se comp eendidos sem o homo ludens, indica que a noção de jogo há mui o empo pe passa as elações humanas e é es a noção que dá sen ido à cul u a, obse ando que “o jogo si ua-se o a da sensa ez da ida p á ica, nada em a e com a necessidade ou a u ilidade, com o de e ou com a e dade” (Huizinga, 1999, p. 177). A a e nasce do cu o- ci cui o que oco e quando as capacidades de imagina , de iccionaliza , de abs ai e de joga in e agem en e si. Assim, do g a i ei o sapiens ao g a i ei o pop, a a e pa ece indica a necessidade ances al de se inú il. Se a c ia i idade se o nou moeda o e na sociedade con empo ânea assime icamen e globalizada, isso se de e à a e e seus di e sos p o issionais. É no campo da a e que a capacidade c ia i a é mais desejada, econhecida e aplaudida. Tal ez po isso mesmo, a c iação a ís ica (ou mais p ecisamen e a “u ilidade” ou a “inu ilidade” que ela p oduz) oi al o de mui as con endas nos campos da Filoso ia, da Religião e da Ciência, naquilo que Gilbe Du and (1998) chamou de “iconoclas ia endêmica do Ociden e” ou que, num ou o sen ido, A hu Dan o (2014) ca ac e izou como o “desc edenciamen o ilosó ico da a e”. Pelo is o, a imaginação, a c ia i idade e as o mas simbólicas há mui o es ão no cen o das discussões epis emológicas, is o é, no econhecimen o ou não da impo ância da a e pa a as o mas de conhecimen o do mundo e de au oconhecimen o. No Ociden e, essa discussão sob e a impo ância da a e pa a o conhecimen o emon a a Sóc a es e Pla ão. Pa a a eo ia da mimesis soc á ico-pla ônica, o a is a (me o imi ado ) nada sabe sob e as e dadei as ideias e o mas cons i uídas pelo demiu go (p imei o e e dadei o c iado ) que a alma humana imo al de e econhece e con empla . Assim, a pin u a, a escul u a e a poesia da con empo aneidade pla ônica nada mais a iam do que cons ui simulac os a pa i das cópias que o a esão az das c iações demiú gicas e que, po isso mesmo, e am inú eis. É po essa supos a azão que Pla ão (2016) “desabili a” o poe a como educado , o condena ao exílio de sua sociedade ideal e, ao mesmo empo, deixa uma ma ca p o unda na his ó ia das men alidades no Ociden e, qual seja, a de que a a e de ca á e na u alis a, com sua beleza inú il, manipula dados da expe iência a a és da imaginação e das sensações e o e ece en endimen os incompa í eis com a e dade. O aze do a is a Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 // 31 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 con empo âneo de Pla ão oi conside ado inú il jus amen e po que es e, supos amen e, não e a sábio ou não inha ciência das coisas sob e as quais ala a, pin a a ou esculpia. Funda-se assim, no Ociden e, a ideia de que a c iação a ís ica é um es o ço cogni i o comple amen e inú il pa a a sociedade. Um século depois de Pla ão, o ilóso o chinês Zhaungzi (“Mes e Zhaung”) econhecia a inu ilidade de um e dadei o sábio. Dizia que uma á o e só a ingia sua pleni ude se osse inú il, is o é, inadequada pa a uso humano (como alimen o ou lenha). Pe cebendo que a u ilidade de uma á o e e a a causa de seu in o únio, Zhaungzi a i ma a me a o icamen e que “pa a conhece o que é ú il é p eciso sabe o que é inú il” (Zhaungzi apud O dine, 2016, p. 94) – os esc i os de Mes e Zhaung o na am-se uma das on es pa a o desen ol imen o pos e io do zen-budismo. A is ó eles (2015), con adizendo Pla ão, pe cebe no impulso mimé ico uma ca ac e ís ica humana impo an e pa a o ap endizado e pa a a cul u a, en endendo que a e ossimilhança poé ica, lidando com a qué ipos e não com pa icula idades con ingenciais, ap oxima-se do discu so ilosó ico na en a i a de des ela as essências das coisas. Além disso, o discípulo de Pla ão comp eendeu que a ca a se, e ei o palpá el da e ossimilhança no ânimo do espec ado da agédia g ega, con ibuía (enquan o e ei o pu ga ó io) pa a a empe ança, o equilíb io e a ha monia dos espí i os, ou seja, pa a a “jus a medida” mo al e in elec ual que a beleza, aliada ao bem, de e ia imp imi nos humanos e nas elações sociais. Po udo isso, A is ó eles pe cebeu na imaginação a ís ica uma u ilidade que seus an ecesso es imedia os não pude am (ou não quise am) comp eende . E oi esse impulso mimé ico, aliado ao impulso lúdico que, endo a a e como mani es ação p i ilegiada, o na am-se imp escindí eis pa a a exp essão, a comunicação e o ap endizado humanos desde que “a nossa humanidade o nou-se consumada” – segundo as belas pala as de Geo ges Ba aille (2015) e e indo-se às pin u as de Lascaux. Mas é necessá io no a que a endência à imi ação lúdica, sob e udo a a és das a es, impulsionou a écnica, con e iu ao homem o e inamen o de sua mo icidade e po encializou sua capacidade de abs ação a a és da linguagem. A a e de nossos ances ais espalhados po odos os ecan os da e a nos su p eende não só po suas qualidades mais ou menos mimé icas, mas ambém po sua excelência écnica, po sua capacidade de ep esen ação e po sua manei a de nos aze conec a com as p o undezas da na u eza (humana incluída). À e elia do gos o a ís ico de Pla ão, a a e de seu empo (que já e a um co olá io de in luências cul u ais o iundas de ou as ci ilizações mais an igas) o nou-se a mais conhecida e disseminada o ma de exp essão da an iguidade medi e ânea, es endendo sua in luência ao O ien e Médio, à cos a no e da Á ica, à boa pa e do con inen e eu opeu e a é, quiçá, ao Vale do Indo e ao Ex emo O ien e, ambém po con a da disseminação p omo ida p imei o po Alexand e da Macedônia e depois pelos omanos. A his ó ia dessa in luência oi e omada no século XV e se es endeu (no bojo da colonização eu opeia) a é o século XIX, quando a a e (com o Roman ismo) e a iloso ia (com Nie zsche) inaugu a am a e isão c í ica sob e a he ança da cul u a clássica g ega. No longo in e egno que ai do es acelamen o do impé io omano a é o início da colonização eu opeia mode na, o cul o à imagem como e elação do sag ado icejou na Eu opa e no O ien e Médio c is ãos, nas cul u as budis as da Ásia e em á ias cul u as ame índias e 32 // Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 a icanas, enquan o a ep esen ação igu a i a do di ino es a a in e di ada nas cul u as judaicas e islâmicas, ge ando uma iconoclas ia que adqui iu eno ado ulgo com o p o es an ismo. Em odos esses casos, o que es a a em jogo e a o pode da imagem como exp essão e eículo do conhecimen o ou, mais p ecisamen e, o ipo de conhecimen o que a imagem pode ou não ansmi i e p i ilegia . En e an o, as di e sas o mas de ep esen ação/mani es ação do imaginá io mágico- eligioso seguiam, g osso modo, o ien ações bem especí icas que limi a am a capacidade c ia i a dos a is as, an o no c is ianismo quan o no budismo. Na a e c is ã, o a is a e a um écnico, um ope á io das chamadas “a es mecânicas”. O exe cício da c ia i idade enquan o capacidade in e p e a i a, mesmo que limi ada a uma concepção eligiosa da sociedade, e a uma p e oga i a dos p o issionais das a es libe ais ligados às uni e sidades eu opeias que nascem no século XII a pa i de se e disciplinas/assun os conside ados básicos pa a os es udos supe io es: G amá ica, Re ó ica e Lógica (o i ium) e A i mé ica, Geome ia, Música e Cosmologia (o quad i ium, que oi o mulado inicialmen e po Pi ágo as po ol a de 500 a.C.) (Ma ineau, 2014). Essa sis ema ização didá ica do conhecimen o em se e “a es libe ais” emon a à Alexand ia do início do século II (Joseph, 2008) e es a a baseada, em g ande medida, na assimilação da he ança pla ônica, a is o élica e es óica pela dou ina c is ã. “E oi no p incipal desdob amen o do Humanismo – o Renascimen o – que de a o começou a de o a -se o conjun o das Se e A es Libe ais, especialmen e ‘pela mão do eólogo [...] checo Jean Amos Comenius (1592- 1670), que, em sua p incipal ob a, Magna Didac ica, não apenas az pouco das Se e A es como es abelece as bases das pedagogias mode nas’” 2 que i ão omen a o ensino uni e si á io como o mação especializada e es i a ao exe cício p agmá ico de di e sas p o issões. Assim, paula inamen e ai saindo de cena a o mação uni e si á ia gene alis a pa a da luga ao conhecimen o especializado calcado na di isão acional do abalho e, consequen emen e, na di isão de classes que ca ac e iza á o con í io social na mode nidade. Enquan o isso, os a esãos – pin o es, escul o es e a qui e os, que ainda não e am conside ados a is as no sen ido mode no do e mo – ap endiam o o ício na p á ica com ou os a esãos o ganizados em o icinas e a eliês e de emos lemb a que pin o es e escul o es ge almen e es a am subo dinados aos a qui e os, já que pin u a e escul u a e am conside adas o ícios complemen a es à a qui e u a e não e a a o que esses ês o ícios ossem ap endidos conjun amen e. Não ha ia um conjun o de conhecimen os eó icos e écnicos dida icamen e o ganizados e aplicá eis a odas as o icinas, simplesmen e po que a maio ia dos a is as eu opeus e a anal abe a, mas a o mação do a is a nessas o icinas/a eliês e a bem sis ema izada e comp eendia di e sas e apas, seguindo mais ou menos as adições es ilís icas locais, passadas de ge ação em ge ação. Da G écia clássica a é aquele momen o, o a is a isual eu opeu quase nunca oi conside ado um e udi o, di e en emen e de ou as ci ilizações – na Índia, na China e no Islã – que i e am seus “ enascimen os” bem an es do lo escimen o humanis a da cul u a eu opeia. Como bem ea i ma Jack Goody, “ odas as sociedades le adas êm pe íodos de e ocação do passado, quando às ezes o an igo é es abelecido como uma eno ada explosão de ene gia e le a a um lo escimen o da cul u a. Essas sociedades ambém êm pe íodos em que o elemen o eligioso pe de impo ância, p oduzindo episódios humanis as que p opo cionam mais libe dade ao homem, an o nas ciências quan o nas a es. 2 Nasse apud Noygué (“P ólogo”) (Joseph, 2008, pp. 9-10). Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 // 33 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 Nessas á eas, a suspensão da c ença e e sua impo ância e a e ocação dos clássicos pagãos ce amen e acili ou o caminho” (Goody, 2011, p. 8). Segundo Goody, um an o de secula ismo (mesmo que ela i o), ou o an o de ole ância cul u al, algum ap eço pelos clássicos do passado e alguma disposição pa a a ino ação écnica e es ilís ica pa ecem compo a ecei a dos á ios enascimen os a ís ico-cien í icos e i icados nas sociedades le adas em di e sos ecan os do plane a e – di íamos – cons i uem algumas das condições p opícias pa a o exe cício da c ia i idade nas sociedades mode nas. Com o enascimen o eu opeu não oi di e en e. Em algum momen o da i ada do século XIV pa a o século XV, nas pin u as de Jan an Eyck, F a Angelico, Van de Weyden e Masaccio e nas escul u as de Ghibe i e Dona ello, a ep esen ação dos co pos (com ou sem es uá io) eadqui i am olume ia, a pe spec i a (ou o pon o de is a de quem ê) oi e omada, a na u eza ol ou a se ep esen ada de manei a mais ealis a, a pin u a à óleo oi in en ada, e a esana o e pin u a e escul u a adqui i am au onomia em elação à a qui e u a, o nando-se obje os colecioná eis. Ao mesmo empo, a ideia de a is a como “c iado ” e sua independência in elec ual dian e da adição eligiosa essu gem na Eu opa da época. Mis u ando c is ianismo com paganismo, ealismo com idealismo, e udi o com popula e a e com ciência, o a is a e e que de ende sua libe dade de pensamen o dian e da ú ia dos conse ado es: Michelangelo, Tiziano, A emizia, Ca a aggio, Ve onese e Goya são apenas alguns dos exemplos mais no ó ios de lu a pela libe dade de exp essão. Um dos e ei os mais impo an es dessa libe dade plena e ocada pela c iação a ís ica pode se pe cebido na p óp ia o mação do a is a que, di e enciando-se do a esão e do ope á io b açal, começa a p oduzi a ados, manuais e g a u as com ins pedagógicos, u ilizados como ma e iais didá icos em mui os a eliês e nas escolas de a e a pa i da Academia de Desenho de Flo ença, c iada po Gio gio Vasa i em 1562. Mesmo conside ando que nem oda a Eu opa oi igualmen e enascen is a ou ba oca e que o enascimen o i aliano não oi a “única cha e pa a a mode nidade e pa a o capi alismo” (Goody, 2011, p. 11), o a is a o na-se um schola , um connoisseu ão conscien e de sua independência in elec ual que chega a a on a não só os cânones a ís icos do passado imedia o, mas ambém as in e p e ações canônicas sob e o homem, a eligião e a na u eza. Com algum a aso em elação à cul u a chinesa, po exemplo, o a is a eu opeu passa a se conside ado como um in elec ual, is o é, um p odu o de conhecimen o. Esse no o s a us social do a is a ai, en ão, p oduzi e ei os mais p o undos no campo epis emológico e o p imei o deles se e i ica na iloso ia de Immanuel Kan que, des iando-se das que elas en e empi ismo e idealismo, p opõe no os e mos pa a a eo ia do conhecimen o em sua amosa ilogia c í ica. Nessas ês c í icas (pa icula men e na p imei a) 3 publicadas e aduzidas en e o inal do século XVIII e o início do XIX, Kan essal a o papel undamen al da imaginação pa a a cons ução do conhecimen o como uma espécie de pon e necessá ia en e a a iedade das pe cepções o iundas da sensibilidade e as sín eses p oduzidas pelo en endimen o. Com Kan , a imaginação é econhecida como condição ine en e a quaisque p ocessos cogni i os que o se humano u iliza – Baudelai e a quali ica como “a ainha das aculdades”. É nessa pe spec i a que os a is as omân icos ão en en a as ama as da azão humanis a-iluminis a e sua consequen e adução no classicismo ilosó ico e a ís ico g eco- 3 C í ica da azão pu a (1781; 1787), C í ica da azão p á ica (1788) e C í ica da aculdade do juízo (1790). 34 // Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 omano. Ad ogando o seu aze como p odu o da imaginação e da genialidade, os omân icos se ol am pa a as adições locais (pagãs ou c is ãs) que ha iam sido “esquecidas” pelas endências classicis as desde o século XV. A necessidade in elec ual da a e, assim pe cebida pelos omân icos, ajudou a sus en a a es é ica de Hegel que admi iu que a a e o na a-se, ao longo da his ó ia da humanidade, um eículo p i ilegiado pa a a mani es ação sensí el do espí i o em busca de sua ma u idade e au oconsciência – ques ão es a que os es e as zen- budis as chineses e japoneses já a a am mui o an es de Hegel (Ryckmans, 2010). Pa adoxalmen e, o oman ismo a ís ico oi um dos p imei os e o es e e lexos an o do mul icul u alismo quan o do nacionalismo, mas aquelas noções de imaginação, de c ia i idade e de genialidade do a is a “que queb a odas as eg as e ul apassa odos os limi es” (C oce, 2016, p. 278), sis ema izadas ainda no século XIX, se ão basila es pa a o cená io a ís ico-cul u al do século XX. Além do mais, é necessá io lemb a que a noção de au o ia, ão impo an e pa a a mode nidade ociden al, oi cons uída com o decisi o apo e dos a is as, do Renascimen o ao Roman ismo. O século XX es emunhou uma explosão c ia i a no campo das a es sem p eceden es, sus en ada pelas e oluções indus ial, ecnológica e u bana já cla amen e isí eis no século an e io . Pin u a, escul u a e a qui e u a expe imen a am no os ma e iais e écnicas e/ou encon a am no as aplicações p á icas pa a écnicas cen ená ias. O design passa a se di e enciado da a e exa amen e po causa de sua unção, ou seja, é design udo aquilo que, do ado de um sen ido es é ico, não ab e mão da u ilidade do p odu o – assim, a a e é cada ez mais con inada na ca ego ia do “inú il”. Comple amen e libe ada de quaisque in enção u ili á ia, a a e do humano mode no (u bano e indus ializado) amplia as en es pa a o exe cício da c ia i idade: o co po, o ambien e u bano e u al, o obje o indus ializado, a na u eza, o inconscien e e o conscien e... Tudo se o na campo de explo ação pa a a a e e, numa a i ude que adicaliza as p e ensões de genialidade dos omân icos, o a is a e oca pa a si o di ei o de dize o que é ou não a e e quais os seus limi es, independen emen e das concei uações que a ciência, a eligião, a iloso ia, a his ó ia, a sociologia ou a psicologia p e endiam da a ela. Su ge a chamada “a e pela a e”, en endida em “seu campo expandido” 4 , is o é, quaisque aspec os da ida psíquica e social que aba ca não só a sensibilidade humana, mas ambém sua capacidade de ans o ma a di e sidade da ida em p ocessos cogni i os que edundem em concei os. Isso signi icou, po um lado, up u as agudas e, po ou o, e omadas mais ou menos in encionais que causa am g andes impac os nos modos de concepção e ecepção da a e. Como odos sabemos, essa expansão c ia i a da a e no século XX p o ocou censu as di e sas, sendo as mais conhecidas aquelas impos as pelo nazismo, pelo s alinismo e pelo maoísmo, que conside a am essa p odução como “a e degene ada” ou “a e bu guesa”, ou seja, como “a es socialmen e inú eis” e pe igosas pa a a educação das massas. Dos enascen is as aos omân icos e aos mode nis as, as no as concepções de a e semp e causa am espan o e censu a, mas nessa longa aje ó ia o que de a o se expandiu oi a capacidade c ia i a do a is a, o nando a a e ão di e si icada e ecossis êmica que quase já não podemos mais obse á-la como um odo uníssono e ca ego izá el. 4 Exp essão cunhada po Rosalind K auss em elação à escul u a mode no-con empo ânea (K auss, 2002). Medei os, J. A. Communia s. 5. 2021: 27-37 // 35 DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.02 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681 A a e de on em e de hoje semp e nos in e pela sob e aquele pode de imagina que ez com que o homo sapiens galgasse o opo da cadeia e olu i a. Po mais que p esen emen e saibamos que não di e imos quase nada de ou os se es i os, semp e dizemos que os demais mamí e os, po mais in eligen es que sejam, “não compo ão uma sin onia, ou pin a ão o e o da Sis ina ou esc e e ão um belo omance”. A a ogância humana, bancada po sua p óp ia c ia i idade, coloca em isco a sob e i ência do homo di o sapiens sapiens ao insis i em pensamen os e p á icas monocul u ais. Tudo é eduzido ao alo mone á io – que em si mesmo é pu a icção – e à lógica p eda ó ia e genocida do luc o. Da mesma manei a que o humano em sepa ando as espécies animais e ege ais em “ú eis” e “inú eis” há milênios, os cinco úl imos séculos – di os “da mode nidade” – ambém es emunha am, no bojo do colonialismo eu opeu, a sepa ação en e conhecimen os “ú eis” e “inú eis” (ou en e conhecimen os “ci ilizados” e “sel agens”), condenando à ex inção línguas, sabe es e p á icas cul u ais an es mesmo que a maio ia da humanidade possa seque conhecê-las. Po igno a mos que a e olução ope a num ênue equilíb io en e he ança gené ica e he ança cul u al, i emos num empo não só de genocídios, mas ambém de es e icídios que colocam em isco a p óp ia sob e i ência do humano. Reco endo à Da win e à Lé i-S auss, Pascal Picq nos lemb a que “no en an o, uma espécie não é nada sem odas as elações que a ligam ecologicamen e às ou as” (Picq, 2016, p. 144). O mesmo aciocínio coe olu i o é aplicá el às a es. A e omada da concepção de a e g eco- omana pelos enascen is as e neoclássicos; as o mas de ap op iação do ba oco pelos a is as la ino-ame icanos; a in luência da ce âmica chinesa nas a es isuais eu opeias; a e alo ização das a es adicionais ou p é- a aeli as pelos omân icos; a abso ção das lições o mais e composi i as da g a u a japonesa pelos imp essionis as e pós-imp essionis as; a in luência da escul u a a icana no cubismo; e a elei u a da he ança popula e ame índia na a e mode nis a la ino-ame icana são p o as bem conhecidas de que a imaginação na a e sob e i e g aças ao que chamamos de “ecossis emas es é icos”(Medei os e Pimen el, 2013, pp. 7-13) e que são, em esumo, os esponsá eis pelas capacidades de imaginação e c iação que o humano em desen ol endo há milênios. Mas os ecossis emas es é icos só podem se pe cebidos e usu uídos se a en a mos pa a aquela ad e ência que Okaku a Kakuzo ez em seu O li o do chá: “de emos nos lemb a , con udo, que a a e é aliosa apenas na medida em que ela ale conosco. A linguagem pode se uni e sal se nós p óp ios o mos uni e sais em nossas simpa ias” (Okaku a, 2008, p. 89). A p óp ia a e con empo ânea – ainda que assime icamen e globalizada – e sua consequen e endência anscul u al sus en a-se naquela di e sidade de p á icas e de sabe es que, em úl ima ins ância, nos dão es emunho de que o espí i o c iado – que al ez seja a maio de odas as dádi as humanas (Hyde, 2010) – é an o mais p odu i o quan o mais p o undo e ecossis êmico o o nosso conhecimen o a ís ico-es é ico. Pa a co obo a essa a i mação de coe olução en e conhecimen o “ú il” e c ia i idade “inú il” que o humano imp ime no mundo e a pa i do mundo, eco o, po im, a Fayga Os owe : “É isso que cala ão p o undamen e em nós. Comp eendemos que os p ocessos de c iação ep esen am, na o igem, en a i as de es u u ação, de expe imen ação e con ole, p ocessos p odu i os onde o homem se descob e, onde ele p óp io se a icula à medida que passa a iden i ica -se com a ma é ia. São ans e ências simbólicas do homem à ma e ialidade das coisas e que no amen e são ans e idas pa a si” (Os owe , 1978, p. 53).