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Bem-te-vi : como vejo mundo e como o mundo me vê. A produçao audiovisual de crianças e adolescentes

Costa Rimoli, Ariane Porto

Abstract

Bem-te-vi é um projeto de pesquisa de pós doc realizado na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) com o apoio da FAPESP. A proposta é acompanhar, examinar e sistematizar o desenvolvimento (processos e resultados) de oficinas de audiovisual com crianças e adolescentes de diferentes procedências, situando a experiência em um cenário teórico da Educomunicação. O Projeto Bem-te-vi está em desenvolvimento desde 2006 e já foram produzidos mais de 130 vídeos de animação, ficção e documentário por crianças e jovens entre 6 e 17 anos.

Full text

BEM-TE-VI: A PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES A iane Po o Cos a Rimoli aop [email protected] Escola de Comunicações e A es (ECA) Uni e sidade de São Paulo (USP) – B asil Cineas a, an opóloga, dou o a em Comunicaçõe e A es, pós dou o anda em Comunicação Resumo: BEM-TE-VI: A PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES é um p oje o de pesquisa de pós doc ealizado na Escola de Comunicações e A es (ECA/USP) com o apoio da FAPESP. A p opos a é acompanha , examina e sis ema iza o desen ol imen o (p ocessos e esul ados) de o icinas de audio isual com c ianças e adolescen es de di e en es p ocedências, si uando a expe iência em um cená io eó ico da Educomunicação. O P oje o Bem- e- i es á em desen ol imen o desde 2006 e já o am p oduzidos mais de 130 ídeos de animação, icção e documen á io po c ianças e jo ens en e 6 e 17 anos. Pala as cha e: c iança, educomunicação, di e sidade cul u al, ecnologias digi ais. Resumen: BEM-TE-VI: UNA PRODUCCIÓN AUDIOVISUAL DE NIÑOS Y ADOLESCENTES es un p oyec o de in es igación de pos doc o ado ealizado en la Escuela de Comunicaciones y A es de la Uni e sidad de Sao Paulo(ECA/USP) con apoyo de la FAPESP. La p opues a es acompaña , examina , y sis ema iza el desa ollo (p ocesos y esul ados) de Talle es de Audio isuales con niños y adolescen es de di e en es p ocedencias, si uando la expe iencia en un escena io eó ico de la Edu-comunicación. El p oyec o Bem- e- i se iene desa ollando desde 2006 y ya se han p oducido más de 130 ideos de animación, icción y documen ales in an iles y pa a jó enes en e 6 y 17 años. Palab as cla e: niños, Edu-comunicación, di e sidad cul u al, Tecnologías digi ales. Abs ac : BEM-TE-VI: AUDIOVISUAL PRODUCTION BY CHILDREN AND TEENAGERS is a pos doc esea ch p ojec made in he School o A s & Communica ion (ECA) a Uni e si y o Sao Paulo (USP) wi h he suppo o FAPESP. The aim is o ollow, analyse and sy emize he de elopmen (p ocesses and esul s) o he audio isual wo kshops wi h child en and eenage s coming om all social classes, placing he expe ience on a educommunica i e heo ic scena y. The p ojec is on since 2006 and up o now i was p oduced o e 130 anima ion, ic ion and documen a y ideos, all made by child en and eenage s om 6 o 17 y.o. Keywo ds: Child, Educommunica ion, Cul u al di e si y, Digi al Technologies O P oje o de pesquisa BEM-TE-VI: A PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES em como p opos a acompanha , examina e sis ema iza o desen ol imen o (p ocessos e esul ados) de o icinas de audio isual minis adas pa a c ianças e adolescen es de di e en es p ocedências, si uando a expe iência em um cená io eó ico da Educomunicação. A a és dos ilmes ealizados pelas c ianças de o igens sócio cul u ais di e sas, buscamos mon a um painel mul i ace ado com alguns aspec os da in ância e adolescência con empo âneas: sonhos, aspi ações, medos, di iculdades, o mas de elacionamen os com a amília, amigos, com o mundo. Ou o aspec o analisado é a p óp ia me odologia emp egada, que conside a não só a he e ogeneidade do público, como ambém a necessidade e possibilidade de democ a ização das no as ecnologias digi ais. Nesse sen ido, buscamos sis ema iza a expe iência inse indo-a no con ex o da educomunicação: suas p opos as, p ocessos e po encial ans o mado de ealidades. Na p esen e pesquisa, ecupe amos, o ganizamos e analisamos os dados de o icinas ealizadas no pe íodo de 2006 a 2010, com c ianças, adolescen es e jo ens de g upos di e enciados. Pa a an o, u ilizamos os ela os das expe iências dos educado es, moni o es e alunos, bem como os emas dos ídeos p oduzidos pelas c ianças e adolescen es. Ao odo, es ão são 130 ídeos ealizados nas écnicas de animação, icção e documen á io po ap oximadamen e 1.300 alunos, o ien ados po mais de 30 educado es. A sis ema ização da expe iência com c ianças si uadas num luga di e en e do adicionalmen e ocupado po elas – que de consumido as de p odu os audio isuais passa am a se p odu o as – nos eme e a ou o oco de e lexão e obse ação: a isão con empo ânea de in ância e as ans o mações no sen ido do e mo “in an il” e i icadas ao longo dos úl imos empos. A pa i daí, pode emos pensa nos sen idos de “in ância e adolescência” que anspa ecem na p odução audio isual in an il ealizada po emp esas de comunicação, p odu o as de en e enimen o e publicidade, emisso as públicas e educa i as, e compa á-los aos p odu os ealizados pelas c ianças e adolescen es. A p eocupação em de ini o luga da c iança na sociedade, em pe passando in e esses de es udiosos ao longo dos empos. Em 1921, Gilbe o F ey e coloca a seu desejo de: “esc e e uma es ó ia do menino – da sua ida, dos seus b inquedos, dos seus ícios – b asilei o, desde os empos coloniais a é hoje (...) E c eio que só po uma his ó ia desse ipo – his ó ia sociológica, psicológica, an opológica e não c onológica – se á possí el chega -se a uma idéia sob e a pe sonalidade do b asilei o. É o menino que e ela o homem”. Se a c iança é o “pai do adul o”, qual o papel que a sociedade em a ibuindo à c iança ao longo dos úl imos empos? Pa a Ma y Del P io e, as in e ogações sob e o que seja in ância e adolescência p o ocam uma angús ia: “É como se as adicionais cadeias de socialização i essem, hoje, se ompido. Socialização na qual os laços de obediência, de espei o e de dependência do mundo adul o acaba am sendo ocados po uma ba ulhen a au onomia. In luência da ele isão? Fal a de au o idade dos pais? Pob eza e exclusão social de uma imensa pa cela de b asilei os? Mais. E se udo isso sec e asse, nas ma gens da sociedade, uma b u al delinqüência ju enil, ou, se ge asse um p o undo mal-es a ei o de incomp eensão e b igas mesmo en e as amílias mais equilib adas nas quais a p esença dos pais e o excesso de amo subs i uem a educação?” (in “His ó ia das C ianças no B asil” Ed. Con ex o, 1999:8). Se a condição social de e mina um pe il de c iança e uma noção de in ância, a o igem é nica c ia ou o “pad ão”. A c iança neg a, além de se a maio ia en e os abalhado es mi ins b asilei os, ainda ca ega o es igma é nico. Se o pequeno imig an e i aliano abalha a na áb ica em condições pe e sas pa a ajuda a alimen a a amília, o mesmo acon ecia com a c iança esc a a. Po ém, com uma di e ença: a c iança esc a a e a, ela p óp ia, me cado ia. A c iança esc a a que escapasse aos al os índices de mo alidade in an il e conseguisse e algum ap endizado, alcança a um p eço maio no me cado. Os laços amilia es e am subs i uídos pelos do abalho, e “os meninos e meninas começa am a aze a p o issão po sob enome: Chico Roça, João Pas o , Ana Mucama” (José Robe o de Góes M. Flo en ino, 1999:184) Os “meninos índios” no B asil quinhen is a e am, po sua ez, ins umen os eles mesmos de um ou o ipo de abalho, mais su il, po ém não menos impo an e: a con e são dos adul os à no a eligião ca ólica. O ensino das c ianças, o ap endizado da língua, esc i a e dou ina c is ã, oi um dos p incipais obje i os da Companhia de Jesus na Amé ica po uguesa. A ans o mação adical da sociedade se ia implemen ada a pa i das c ianças. Po ém, his o icamen e, o que se e i ica é que essa ans o mação não a ingiu odas as c ianças. Apesa de em 1891 e sido p oibido o abalho de c ianças em máquinas em mo imen o e em axina (Dec e o no. 13.113 de 17 de janei o de 1891), a é o século XXI, a melho al e na i a pa a os ilhos dos pob es êm sido sua ans o mação em “cidadãos ú eis e p odu i os”, seja nas la ou as, áb icas, casas ou a é mesmo nas uas. A é hoje, o abalho em se mos ado, na p á ica, a “melho ” al e na i a pa a essas c ianças e adolescen es, apesa dos discu sos p esen es nas “polí icas públicas” pa a o se o . C iança e “a es” – abalho ou b incadei a? A Cons i uição B asilei a p oíbe o abalho de meno es de 16 anos. Po ém, a Con e ência In e nacional do T abalho, de 1973, ab e uma b echa pa a que as c ianças possam pa icipa de mani es ações a ís icas. Baseados na jus i ica i a de que o abalho a ís ico in an il não é con ínuo, uma comissão de p ocu ado es c iada em 2007 de iniu algumas eg as pa a a a i idade, den e elas a necessidade de al a á judicial, espei o à ida escola e abe u a de poupança em nome da c iança pa a depósi o de pa e do luc o. Ou as no mas são subje i as, como o e o a abalhos “p ejudiciais à mo alidade”. A ques ão do abalho a ís ico in an il é uma polêmica que e o na cons an emen e à cena, especialmen e quando, na ele isão, despon a mais uma “pequena es ela”. Nesses momen os a sociedade – ou “os pais da c iança” – dispu am concei os e pad ões mo ais e a noção de in ância ado a sen idos e signi icados múl iplos. No momen o assis imos no B asil mais uma polêmica ace ca da pa icipação de c ianças em no elas. O ano passado, a polêmica gi ou em o no de uma pequena ap esen ado a de TV, que iniciou sua ca ei a p ecocemen e aos 5 anos de idade. Minis é io Público, pais, emp esá ios de comunicação, pedagogos, ad ogados, público, en im, di e en es segmen os dispu am o di ei o de decidi “o que é melho pa a a c iança”. Em ma é ia publicada ecen emen e em jo nal de g ande ci culação em São Paulo, o coo denado no B asil do p og ama In e nacional pa a a Eliminação do T abalho In an il da OIT (O ganização In e nacional do T abalho), Rena o Mendes decla ou que: “O que emos em con enção sob e o ema na OIT, da qual o B asil é signa á io, é exceção a ‘pa icipação em mani es ações a ís icas’. É di e en e de abalho. No caso da a iz da no ela de Globo, como de ou os, há salá io, equência de e minada pelo emp egado e elação de subo dinação com o di e o .” Na mesma ma é ia Vee Vi a a, Sec e á io Execu i o da Andi (Agência de No ícias dos Di ei os das C ianças) decla a que a p esença da c iança na TV é posi i a. O ó gão de ende que elas es ejam inclusi e nos bas ido es, ajudando a p oduzi p og amas, pa a que sejam melho ep esen adas na mídia. Pa a Vi a a “é cla o que isso p ecisa de acompanhamen o, pa a que as c ianças não sejam en ol idas em uma ama cuja complexidade não sejam capazes de assimila . Pais, TVs e pode público de em analisa o con ex o em que as c ianças i ão abalha .” A inal, qual o limi e saudá el pa a o abalho de uma c iança p odígio? A é que pon o a c iança sabe di e encia o pe sonagem de sua ida eal? É possí el que uma c iança enca e como “b incadei inha” sua pa icipação em uma no ela, que pode du a mais de 6 meses. De odos os pon os e isões con li an es deco en es do emba e de opiniões sob e o que seja “ abalho” e “a e” e os limi es pa a a pa icipação da c iança em “ abalhos a ís icos” (especialmen e na indús ia do audio isual), a ques ão que nos pa ece ocal quando pensamos no ema “meno es, meios e cul u as digi ais” diz espei o especi icamen e ao luga ocupado po essa c iança. Ou seja, qual papel es amos dispos os a “cede ” pa a a c iança ocupa no meios de comunicação: “c iança consumido ”, “c iança p odu o” ou “c iança p odu o ”? P oje o Bem- e- i: uma expe iência No âmbi o da sociedade ci il, a iculados em o no de ong’s ou escolas, á ios são os p oje os em desen ol imen o que buscam o p o agonismo in an il a a és dos meios digi ais. Ap esen a emos aqui uma dessas expe iências, em desen ol imen o desde 2005: o p oje o Bem- e- i. Em 2005 sis ema izamos uma p opos a de o icinas de audio isual pa a c ianças e adolescen es que i essem como p é equisi o o acesso e domínio sob e os equipamen os de g a ação e edição. A p emissa em que nos baseamos é a de que, como qualque ou a linguagem, apenas com a con inuidade do exe cício é que se alcança o domínio sob e o audio isual. En e os obje i os iniciais, podemos ci a : - con ibui pa a a democ a ização do acesso às ecnologias de in o mação e comunicação - con ibui pa a o mação de c ianças e adolescen es pa a a ecepção c í ica de p odu os eiculados po canais de ele isão - possibili a às c ianças a o ma ação de p odu os audio isuais com emá icas pe inen es às ealidades de suas comunidades - con ibui pa a ap op iação das écnicas de p odução de mídia e audio isual - con ibui pa a a exp essão da di e sidade cul u al - con ibui pa a o desen ol imen o das capacidades de comunicação, exp essão e c iação. A p opos a do P oje o Bem- e- i oi, desde o início, se um espaço onde as c ianças e jo ens se o nassem p o agonis as da cons ução de sua iden idade e de seu desen ol imen o cul u al, median e o conhecimen o e a ap op iação, não só da linguagem audio isual, mas ambém das no as ecnologias da in o mação e comunicação. O p oje o oi concebido pa a se desen ol ido em “ninhos” - espaços ísicos do ados de equipamen os como câme a de ídeo digi al com acessó ios; compu ado com so wa es de edição, composição e a amen o de imagem; ki s de luz com ipés, lâmpadas e cases; mic o ones di ecional e de lapela; imp esso a e scanne . As o icinas e iam a du ação de 72 ho as, di ididas em 3 meses, pe íodo du an e o qual se iam ealizados cu as me agens nas écnicas de animação, icção ou documen á io. Nas o icinas, as c ianças e iam con a o com odas as e apas de ealização do audio isual e p oduzi iam um ídeo in eg almen e, desde a c iação do o ei o a é a edição inal, passando pelas e apas de p é p odução, ilmagem e pós p odução. O público al o do Bem- e- i em en e 6 e 17 anos. O abalho desen ol ido pelos educado es em cada o icina é acompanhado (p esencial e i ualmen e) pelas coo denações ge al, écnica e pedagógica, com o obje i o de o e ece um abalho sis emá ico de o ien ação median e uma seqüência de a i idades ol adas pa a a e lexão sob e emp ego da linguagem cinema og á ica e ideog á ica em p ocessos educa i os a pa i de uma pe spec i a educomunica i a. Usando p ocedimen os como pales as, wo kshops, euniões de abalho, lei u as di igidas e de exe cícios jun o ao público a endido pelos ninhos, são colocados em discussão concei os e p á icas no campo da elação en e comunicação, linguagem audio isual e educação, de o ma a pe mi i aos educado es que planejem e execu em suas ações de o ma a ga an i : a) as condições adequadas e indispensá eis pa a o exe cício do di ei o que as c ianças e adolescen es êm de se em al abe izados nas e pa a as no as linguagens igen es no mundo con empo âneo, em especial, a linguagem audio isual; b) a p omoção da solida iedade na ap endizagem e na ges ão dos p ocessos comunica i os nos espaços educa i os; c) a c iação de c i é ios pa a a sis ema ização e a a aliação dos p ocedimen os ine en es à iloso ia e à me odologia educomunica i a do P oje o Bem e i. d) A p omoção de um espaço pe manen e de oca e in e câmbio de e lexões e expe iências en e os educado es con ocados a lide a a implemen ação dos Ninhos do P oje o Bem e i. O P oje o Bem- e- i iniciou suas a i idades em janei o de 2006 com o apoio da Sec e a ia de Cul u a do Es ado de São Paulo. Nos dois p imei os anos (2006/2007), o am a endidas ap oximadamen e 900 c ianças e adolescen es, com uma equipe o mada de 11 pessoas na p odução e 20 ideoeducado es po semes e. Fo am ealizados 90 ídeos no pe íodo e os p ocessos das o icinas o am egis ados em o ma de Making O . Desde a p imei a ase do p oje o, buscou-se a ende um público di e enciado, p i ilegiando a di e sidade sócio cul u al. Fo am a endidas c ianças e adolescen es de bai os da pe i e ia, emanescen es de cul u as adicionais (índios e quilombolas), c ianças e a amen o oncológico e de icien es ísicos e men ais. O obje i o oi possibili a a abe u a de canais de exp essão não apenas aos excluídos econômicos (público adicional de o icinas) como ambém aos excluídos sócio-cul u ais. Após o p imei o ano de expe iências di e sas com g upos di e enciados onde cons a amos o po encial de desen ol imen o dos alunos, a iqueza e, em alguns casos, a complexidade das emá icas escolhidas pelos g upos, sen imos a necessidade de a icula os p ocessos em o no de uma me odologia educomunica i a. Em 2007, a assesso ia pedagógica passa a se exe cida pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e A es da USP, coo denado pelo P o . D . Isma de Oli ei a Soa es, esponsá el pela de inição e di ulgação do concei o da Educomunicação. O NCE, ó gão de pesquisa, cul u a e ex ensão da Uni e sidade de São Paulo, especializado em assesso a p og amas na á ea da in e - elação Comunicação/Educação, passou a a ua jun o ao P oje o Bem- e- i pa a amplia a busca de caminhos e icazes de in eg ação da comunicação no espaço educa i o dos “ninhos”. A pa i de en ão o P oje o Bem- e- i ado a a de inição a ibuída po Soa es ao concei o de Educomunicação, en endida como “o conjun o das ações ine en es ao planejamen o, implemen ação e a aliação de p ocessos, p og amas e p odu os des inados a c ia e a o alece ecossis emas comunica i os em espaços educa i os p esenciais ou i uais, assim como a melho a o coe icien e comunica i o das ações educa i as, incluindo as elacionadas ao uso dos ecu sos da in o mação no p ocesso de ap endizagem” (in Soa es, Isma de Oli ei a, O campo da Educomunicação e suas á eas de in e enção. EducomTV, 2002.). Pa indo do concei o de ges ão comunica i a, a educomunicação en ende que a comunicação p ecisa se planejada, adminis ada e a aliada pe manen emen e. In oduzida nos “ninhos” – espaços educa i os do Bem- e- i - a educomunicação o aleceu a busca de alianças possí eis en e os agen es sociais de o ma a ga an i o essencial do p ocesso educomunica i o: o conhecimen o e a ges ão democ á ica e c ia i a dos ecu sos da in o mação. Nes a pe spec i a, o ecossis ema comunica i o es á semp e e necessa iamen e em cons ução, a pa i da in eg ação de oda a comunidade educa i a e não apenas do pon o de is a do co po di igen e ou dos ídeoeducado es. O p ocesso de cada o icina oi sendo egis ado em o ma de ela ó ios p i ilegiando depoimen os de alunos, educado es e amilia es. A p odução de ela ó ios com ais ca ac e ís icas, su giu da “exigência epis emológica de incula a p odução do conhecimen o à in e enção p á ica sob e a ealidade, con e indo-lhe uma dimensão polí ica que isa ans o ma a ealidade social, humanizando a p á ica cien í ica”. (CF. ALVES, Pa ícia Ho a. Educom. ádio : uma polí ica publica em Educomunicação. São Paulo, 2007. Tese de Dou o ado. ECA/USP). Des a o ma, a p á ica incula necessa iamen e ação e e lexão como momen os indissociá eis de uma p áxis.  Cons uindo me odologías Desde p imei a e apa do Bem- e- i, i emos como obje i o desen ol e me odologias di e enciadas pa a cada ipo de público a endido, já que conside á amos que o p oje o de e ia se cons uído em conjun o com os alunos, no p óp io p ocesso de ensino/ap endizagem. Como a ende c ianças em a amen o con a o cânce , índios com pouca desen ol u a na língua po uguesa e ga o os de pe i e ia com a mesma me odologia p e iamen e de inida? Con udo, e a necessá io pa i de uma base, conscien es de que os p ocessos de abalho e me odologia se iam cons uídos a pos e io i. De inimos en ão um c onog ama inicial e colocamos como me a pa a os ídeo educado es a ealização, pelos alunos, de um cu a me agem em uma das écnicas – animação, icção ou documen á io. Tão impo an e quan o o cump imen o da me a, se ia o acompanhamen o e egis o do p ocesso a a és de imagens (making o ), ela ó ios dos ídeo educado es e equipe écnica, depoimen os de alunos, pais e memb os da comunidade e exe cícios ealizados. No inal de 2007, a pa ce ia com a Sec e a ia de Cul u a do Es ado de São Paulo oi inalizada e buscamos no as al e na i as pa a a con inuidade do desen ol imen o do p oje o, man endo uma de suas condições undamen ais – a posse dos equipamen os de p odução audio isual po pa e das comunidades. Foi en ão es abelecida uma pa ce ia com o Minis é io da Cul u a, a a és do P oje o Cul u a Vi a (Pon os de Cul u a). Nessa segunda e apa do p oje o, oi inse ido um no o obje i o: a o mação de mul iplicado es. Essa no a me a – o ma u u os ídeo educado es – su giu da necessidade de p o issionais com capaci ação écnica pa a o uso das no as ecnologias digi ais, com um pe il educomunica i o, capaz de p omo e a in eg ação en e a educação e as no as ecnologias digi ais. Além das o icinas p esenciais, oi c iado um cu so à dis ância, como o ma de a ende e ag ega ao p oje o um público di e enciado, de ou as egiões do B asil. O cu so eó ico e p á ico - “Vídeo pa a Todos: Es a égias de Vídeo Educomunica i o” e e o con eúdo elabo ado em pa ce ia com o NCE-USP (Núcleo Comunicação e Educação), acon eceu du an e 5 meses e oi compos o po aulas eó icas ansmi idas po ídeo-con e ências seguidas de uma sequência de o ien ações p á icas ansmi idas po uma pla a o ma i ual disponibilizada num blog, com o acompanhamen o de uma u o ia. Os exe cícios deco en es (en ol endo a pla a o ma, a u o ia e a ação dos cu sis as) o am denominadas de “O icinas Vi uais”, endo como obje o especí ico a g a ação e a edição de ídeo digi al. O obje i o oi o e ece , a a és da me odologia educomunica i a, uma al e na i a pa a a o mação de educado es a ua em comunidades, ope ando equipamen os digi ais e a p oduzindo os p óp ios ídeos (cu as-me agens) nos o ma os animação, icção e documen á io, pa a se em exibidos no ambien e i ual. Temas Den e as 130 p oduções ealizadas pelas c ianças e adolescen es, alguns emas apa ece am com maio equência, demons ando o in e esse e a p eocupação dos alunos em discu i-los. São eles: - di iculdade e supe ação - p econcei o - co idiano/ modos de ida - di e enças e desigualdades - mig ação – p oblemas e possibilidades - ecologia - elações amilia es - a escola - nosso luga - amizade - in ância, adolescência e ma u idade - elacionamen o e sexo - eligião - es ó ias de mis é io e e o - o igens cul u ais e é nicas - esponsabilidade e culpa Ac edi amos que o g ande desa io e iqueza dos p oje os que, como o Bem- e- i, se p opõe a a ua nas in e aces en e comunicação, educação e no as ecnologias digi ais, é a pe cepção de que a comp eensão e espei o à di e sidade sócio cul u al é base undamen al pa a a c iação de diálogos. Es abelece elações, mediadas pelas no as ecnologias digi ais, en e se o es da cul u a e udi a, acadêmica, cul u as adicionais e popula es, signi ica acei a no os in e locu o es. Signi ica econhece que g upos, a é pouco empo a ás excluídos das polí icas públicas passa am a se conside ados po enciais “cidadãos p odu o es de cul u a”. Po ém, esse po encial ainda não se mani es ou plenamen e, pois a democ a ização digi al ainda é incipien e e os g upos pe i é icos ainda lu am pa a e em seus sabe es e p oduções cul u ais econhecidos e incluídos. Comunidades adicionais como os índios e quilombolas, po exemplo, azem consigo uma he ança cul u al de mais de 500 anos de explo ação e lu a pela manu enção de suas iden idades. Não só as comunidades adicionais, mas ambém os p odu o es cul u ais da “pe i e ia” azem essa he ança, que não pode se apagada a cu o p azo. Esse p ocesso ela i amen e no o, es á al e ando signi ica i amen e o mapa das elações sócio cul u ais do país, al e ações essas que êm exigindo uma e lexão cons an e. A exclusão his ó ica de segmen os da sociedade aca e ou, en e ou as coisas, uma desigualdade no acesso aos bens (cul u ais, de consumo, educacionais), e é signi ica i a pa a a alia mos o desen ol imen o dos p oje os nesses “no os empos de democ acia cul u al”. Essas ques ões apa ecem ambém den o da p óp ia cul u a acadêmica, den o de seu p ocesso ( ambém ela i amen e no o) de conside a ou as o mas de sabe e se elaciona com g upos que se encon am “ o a dos mu os das uni e sidades”. Nesse sen ido, p oje os que, como o Bem- e- i, azem em sua espinha do sal a elação en e g upos di e enciados (sabe adicional e acadêmico, ecnologias digi ais e pa imoniais, mo imen os sociais, uni e sidades, emp esas e Es ado) pa a a cons ução de um p oje o cole i o, de em ge a diálogos, con li os e pa ce ias que supe em a desigualdade e man enham a di e sidade. De em ge a ambém indicado es que possam ajuda a e le i sob e esse momen o de ans o mação sócio cul u al pelo qual passa o país e o mundo.