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Resiliência de comunidades rurais: a freguesia de Cernache do Bonjardim, Portugal

Marçal Gonçalves, Marta; Pérez Cano, María Teresa; Rosendahl, Stefan

Abstract

A temática abordada neste artigo é a resiliência de uma comunidade rural, situada no interior de Portugal continental. O objectivo foi retratar a resiliência desta comunidade e elaborarem-se análises posteriores para percepção dos pontos positivos e negativos apresentados. Actualmente a resiliência de uma comunidade é bastante discutida, mas não foram encontrados em Portugal, estudos que quantificassem ou permitissem percepcionar a real resiliência de uma comunidade rural. Para se conseguir este objectivo, foram feitas pesquisas bibliográficas que ajudaram a compreender esta questão e foram elaborados inquéritos, com base no método utilizado, para se conseguir delinear a questão. O principal resultado foi a confirmação do que se intuía na prática, o que veio a confirmar-se à posteriori: que a freguesia em estudo tem uma resiliência inata, mas que esta corre o risco de desaparecer devido ao problema da desertificação.

Full text

Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, p. 162-185, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 162 DOI: 10.17058/ edes. 24i2.13201 Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Ma a Ma çal Gonçal es Uni e sidade do Alga e – Fa o – Po ugal Ma ía Te esa Pé ez Cano Uni e sidad de Se illa – Se illa – España S e an Rosendahl Ins i u o Supe io Dom Dinis – Ma inha G ande – Po ugal Resumo A emá ica abo dada nes e a igo é a esiliência de uma comunidade u al, si uada no in e io de Po ugal con inen al. O objec i o oi e a a a esiliência des a comunidade e elabo a em- se análises pos e io es pa a pe cepção dos pon os posi i os e nega i os ap esen ados. Ac ualmen e a esiliência de uma comunidade é bas an e discu ida, mas não o am encon ados em Po ugal, es udos que quan i icassem ou pe mi issem pe cepciona a eal esiliência de uma comunidade u al. Pa a se consegui es e objec i o, o am ei as pesquisas bibliog á icas que ajuda am a comp eende es a ques ão e o am elabo ados inqué i os, com base no mé odo u ilizado, pa a se consegui delinea a ques ão. O p incipal esul ado oi a con i mação do que se in uía na p á ica, o que eio a con i ma -se à pos e io i: que a eguesia em es udo em uma esiliência ina a, mas que es a co e o isco de desapa ece de ido ao p oblema da dese i icação. Pala as–cha e: Comunidades esilien es. Desen ol imen o egional. Análise SWOT. Ce nache do Bonja dim. Po ugal. Ru al communi ies’ esiliency: he pa ish o Ce nache do Bonja dim, Po ugal Abs ac The heme add essed in his a icle is he esilience o a u al communi y, loca ed in he in e io o mainland Po ugal. The objec i e was o po ay he esilience o his communi y and o elabo a e la e analyses o pe cei e he posi i e and nega i e poin s p esen ed. Cu en ly, he esilience o a communi y is highly discussed, bu no s udies we e ound in Po ugal ha quan i ied o allowed o pe cei e he eal esilience o a u al communi y. In o de o achie e his objec i e, bibliog aphical esea ch was done o help unde s and his issue, and su eys we e de eloped based on he me hod used o delinea e he issue. The main esul was he con i ma ion o wha was in ui ed in p ac ice, which came o be con i med la ely: ha he pa ish in s udy has an inna e esilience, bu ha i uns he isk o disappea ing due o he p oblem o dese i ica ion. Keywo ds: Resilien communi ies. Regional De elopmen . SWOT Analysis. Ce nache do Bonja dim. Po ugal. Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 163 Resiliencia de comunidades u ales: la pedanía de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Resumen El ema abo dado en es e a ículo es la esiliencia de una comunidad u al, ubicada en el in e io del Po ugal con inen al. El obje i o ue e a a la esiliencia de es a comunidad y elabo a pos e io men e el análisis pa a la pe cepción de los pun os posi i os y nega i os iden i icados. Ac ualmen e la esiliencia de una comunidad es un ema muy deba ido, aunque no encon amos en Po ugal es udios que cuan i iquen y pe mi an pe cibi la au én ica esiliencia de una comunidad u al. Pa a log a es e obje i o, se ealiza on in es igaciones bibliog á icas que ayuda on a comp ende el es ado de la cues ión, se elabo a on encues as, en base a la me odología u ilizada, odo ello pa a consegui delimi a nues o obje i o. El p incipal esul ado ue la con i mación de lo que se in uía en la p ác ica y se con i mó a pos e io i: que la pedanía en es udio iene una esiliencia inna a, aunque és a co e el iesgo de desapa ece debido al p oblema de la dese i icación. Palab as cla e: Comunidades esilien es. Desa ollo egional. Análisis DAFO. Ce nache do Bonja dim. Po ugal. 1 In odução, con ex ualização e me odologia O p esen e a igo esul a de uma ese de dou o amen o (GONÇALVES, 2016) desen ol ida en e 2011 e 2016, con endo, en e ou os aspec os, uma ca ac e ização da esiliência da comunidade u al da eguesia 1 de Ce nache do Bonja dim, Po ugal, pelo que se aconselha a sua consul a, semp e que se p e ende em mais de alhes do que aqui é expos o. Es a eguesia, localizada no in e io de Po ugal con inen al, ap esen a o que se in uiu como uma esiliência ina a: apesa de odos os e ezes que os habi an es so em e êm so ido, semp e eagem, eo ganizam-se e conseguem sob e i e . O ipo de pe u bações que em indo a so e , nega i as, são do ipo “ as - mo ing” ( ápidas) e do ipo len o “slow-bu n” (PIKE; DAWLEY; TOMANEY, 2010): em 1951 so e am o impac e da cons ução de uma ba agem de albu ei a, a jusan e, que inundou os melho es campos ag ícolas, mui o pa imónio e aldeias (pa cial ou o almen e); em 2017 so e am o impac e dos ca as ó icos ogos lo es ais que queima am ce ca de me ade do e i ó io. A pa des es enómenos, desde os anos 60 do século XX a eguesia começou a pe de , g adualmen e, população. O que se e i icou no caso da cons ução da ba agem e no caso dos incêndios lo es ais, oi que a população eagiu, eo ganizou-se e sob e i eu, o que demons a que a comunidade ce nachense em uma esiliência ina a que eio a se con i mada pelas análises e ec uadas nes e abalho. A ques ão do despo oamen o é um p oblema que a ança mui o len amen e, não lhe sendo a ibuída a impo ância de ida pois passa quase despe cebido. P e ende-se expo nes e a igo o mé odo u ilizado e as suas p incipais conclusões, aplicadas à população da eguesia em ques ão. A base eó ica p ende-se com o concei o de esiliência aplicada a comunidades u ais. Insis e-se na pala a u al po que a ealidade i ida nas g andes cidades e no campo é comple amen e di e en e. 1 O e i ó io conside ado pa a o es udo é de inido segundo a Ca a Adminis a i a e O ganizacional de Po ugal, CAOP2011. Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 164 O objec i o p incipal oi a a aliação da esiliência da comunidade ce nachense, de inindo-se o que se designou po “ e a o da esiliência da comunidade” e a sua pos e io in e p e ação, a a és de análises do ipo SWOT. Pa a al, adop ou-se o mé odo p opos o po Colussi (2000). À da a da elabo ação des a análise, oi o único mé odo encon ado pa a en a ca ac e iza a esiliência de comunidades u ais. Sendo um mé odo canadiano, oi necessá io e ec ua em-se algumas adap ações ao caso po uguês, nomeadamen e em elação à legislação, já que a es u u a polí ica dos dois países em algumas di e enças. Es e mé odo de ine cinco unções-cha e pa a a i alidade da economia local e egional da comunidade, baseando-se em qua o dimensões da esiliência e in e e ês ca ac e ís icas comuns às comunidades esilien es. As dimensões elacionam-se com as ca ac e ís icas e as ca ac e ís icas ambém se elacionam en e si pe mi indo a elabo ação de análises do ipo SWOT, como se desc e e adian e. Pa a se aplica o mé odo e e ido an e io men e, oi necessá io e ec ua inqué i os que pe mi i am uma análise quali a i a. No deco e do abalho encon a am-se algumas limi ações, nomeadamen e a elu ância, po pa e dos pa icula es, em esponde em ao inqué i o, pois a a-se de uma comunidade ela i amen e pequena (3000 habi an es, segundo os CENSOS2011), onde odos se conhecem e onde udo se sabe. Des a o ma, oco eu mui a negação em esponde aos inqué i os, que apenas o am espondidos po pessoas que ocupa am ca gos nas á ias ins i uições, como as de ensino, bombei os, sociais, e c. Em 2016, quando es e abalho oi ap esen ado (GONÇALVES, 2016), ainda não exis ia nenhum semelhan e em Po ugal, pelo que oi pionei o, ino ado e o iginal. Es e abalho pode ajuda es a comunidade a aze uma au o-análise, endo os seus pon os posi i os e nega i os, o nando-se mais coesa e a p ojec a , den o dos limi es que em, o seu u u o. Dando uma al e na i a de se e um pensamen o di e en e, com ou a a i ude, as a i udes dos ce nachense pode ão melho a . Ve i icou-se g ande espec a i a com o abalho desen ol ido, sendo e iden e que os ce nachenses p e endem que lhes ap esen em suges ões e al e na i as pa a que possam segui em en e e pe spec i a algum u u o. Esse é um dos objec i os a a ingi . 2 A eguesia de Ce nache do Bonja dim A eguesia de Ce nache do Bonja dim si ua-se na pa e Oes e do município da Se ã localizado na pa e Oes e do dis i o de Cas elo B anco, em Po ugal con inen al (Figu a 1). É a segunda eguesia mais populosa do concelho da Se ã. Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 165 Figu a 1 – Localização do dis i o de Cas elo B anco (esque da) e do município da Se ã (di ei a) Fon e: Wikipedia (acedido a 15/2/2019). É limi ada a Oes e e No e pelo io Zêze e, um dos maio es ios o almen e po uguês e a Sul pela ibei a da Se ã (Figu a 2). O io Zêze e, com as suas ba agens hid oeléc icas de albu ei a, in luencia es a eguesia, nomeadamen e a ba agem do Cas elo do Bode, a jusan e, e a ba agem da Bouçã, a mon an e. A albu ei a do Cas elo do Bode é a p incipal esponsá el pela al e ação so ida pelo lei o das linhas de água p incipais des e e i ó io (GONÇALVES; ROSENDAHL, 2010). Figu a 2 – O e i ó io da eguesia de Ce nache do Bonja dim com a ila e as p incipais linhas de água assinaladas Fon e: baseado nas ca as mili a es 1:50000 de 2003. Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 166 Es e e i ó io é cons i uído, p incipalmen e, po zonas de se a. Sendo uma eguesia essencialmen e u al, onde ce ca de 50% da população ac i a se dedica à ag icul u a de au oconsumo, o sec o lo es al ambém em luga de des aque na economia da egião. No en an o, o sec o e ciá io em indo a ganha alguma impo ância em elação ao sec o p imá io (ib.). As ias de comunicação odo iá ias são cons i uídas pela EN 238 (Es ada Nacional), que liga Toma (a Sudoes e) à Se ã e pela ligação da Se ã ao IC 8 (I ine á io Complemen a ), que a a essa o e i ó io po uguês nes a zona de Es e (desde Pombal) pa a Oes e, que depois p ossegue pa a a A 23 (Au o-es ada) - IP 2 (I ine á io P incipal) a é à on ei a e Vila Fo moso, a No des e. Apesa da melho ia das acessibilidades a pa i da sede do Concelho, as que se em a eguesia em es udo são ainda de ici á ias: a EN 238, mui o equen ada pois é a ligação mais acessí el pa a Lisboa e pa a a es ação e o iá ia mais p óxima (si uada em Toma ), ap esen a um açado o uoso e cheio de cu as po que o e eno é mui o aciden ado, sendo uma es ada de se a. Apesa de udo, o seu piso es á num es ado azoá el. De e ia se dada mais a enção a es as ligações odo iá ias pa a o a da eguesia, pois os anspo es públicos não são mui o equen es e são mo osos; não exis e caminho de e o; só os poucos locais jun o à ibei a da Se ã e ao io Zêze e conseguem usu ui da ede lu ial pa a se desloca em. Todas es as di iculdades es angulam a economia local. 3 Ques ões sob e o desen ol imen o de zonas u ais Quando alamos de zonas u ais, como a de Ce nache do Bonja dim, es amos a ala nas designadas “zonas u ais des a o ecidas” ou ZRD, de inidas como “zonas de baixo po encial de capi al humano, es u u as p odu i as pob es e um ambien e económico e social dep imido” (MOREIRA, 2010, p. 1329), exis en es em Po ugal, que, sob o pon o de is a e i o ial são mui o impo an es mas que, do pon o de is a populacional, êm uma impo ância mui o eduzida; é exac amen e nes as egiões, onde a eguesia de Ce nache do Bonja dim se inse e, que é u gen e e o ça a esiliência comuni á ia e, nou a escala, a egional. Assim, sob o pon o de is a económico, o ac o de não se em a ac i as pa a a ixação de emp esas, não ge a em liquidez e não e em me cados, somado à endência pa a se aplica um modelo gene alizado, do ipo one i s all (um modelo se e a odos), que não unciona nes es casos, ob iga a que seja necessá ia uma no a pos u a e abo dagens al e na i as, em elação a es e ipo de e i ó ios. Es as são ques ões que não são colocadas nem se em a ibuído a impo ância eno me que êm no con ex o das ZRD, já que cada comunidade, em unção das suas ca ac e ís icas, o igina di e en es in e p e ações às unções emp esa iais (ib.). As es a égias de desen ol imen o de em c ia condições pa a aze en e ao declínio socioeconómico e incen i a inicia i as pa a desen ol e a comunidade economicamen e, demons ando uma a i ude p ó-ac i a e não eac i a. A abo dagem mais adequada é uma abo dagem endógena, onde as ace as da comunidade u al se a iculam com o objec i o de se desen ol e , cons uindo capacidades, conjugando as di e sas dimensões comuni á ias, como a cul u al, social, Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 167 his ó ica, écnica, económica, e a alo ização dos seus ecu sos endógenos, a pa i de uma economia de pequena escala e lexí el (NATÁRIO; BRAGA; REI, 2010). Em elação ao desen ol imen o egional endógeno, in e essa “sabe como as egiões podem ge a mecanismos endógenos de c iação de iqueza com base nos seus ecu sos especí icos” (ib., s.p.). Vá ios au o es (CORREIA; FIGUEIREDO, 2010; FERNANDES, 2010b; NATÁRIO; BRAGA; REI, 2010; SÁNCHEZ ARROYO; HERRERA PEREA, 1997) de endem que a alo ização dos p odu os locais é undamen al pa a o desen ol imen o u al, dinamizando a economia local. Es es p odu os podem se os adicionais ou a sua in e p e ação mode nizada, u ilizando as écnicas adicionais, po exemplo. Como o ma de alo ização des es p odu os adicionais, pode-se eco e ao b anding (ma ca egis ada) dos p odu os e da egião, como a c iação de uma ma ca e i o ial ou uma denominação de o igem, ap o ei ando o sen ido de iden idade como aspec o di e enciado de uma egião (PACHON; MARTÍNEZ, 2011). É po isso que, que Mo ei a (2010), que Colussi (2000) de endem que é mui o impo an e a iden i icação de que ipo de emp esas in e essam e são necessá ias e quais os ecu sos de que a comunidade dispõe pa a que essas emp esas possam se bem-sucedidas. Nes e ipo de e i ó io, como o de Ce nache do Bonja dim, ão ligado à e a e à ag o-pecuá ia, os sis emas socio ecológicos ainda êm uma impo ância undamen al. A c ise económica eio con i ma que a polí ica económica globalizan e, de endida po Ma ga e Tha che , designada TINA 2 não unciona nes es casos, onde o impac o na comunidade, p oduzido pela alência de uma g ande emp esa pode se a al, sendo a iloso ia LOIS 3 mui o mais ap op iada, impulsionando e consolidando a esiliência comuni á ia. A esiliência comuni á ia de ende que as decisões e a ges ão dessa comunidade de em se do ipo bo om-up (de baixo pa a cima) e não op-down (de cima pa a baixo), como em sido a é ago a. São as pessoas que cons i uem a comunidade que de em decidi sob e a ges ão do seu e i ó io e não apenas acei a passi amen e as o dens que êm de um go e no, cen alizado na capi al e alheio aos p oblemas dos pequenos municípios e eguesias, já que nem semp e as soluções indas do opo dão espos a às necessidades e desa ios locais. O en ol imen o do Es ado nas comunidades u ais az com que haja um meno en ol imen o dessa comunidade, e, eg a ge al, ejei am a au o idade ex e na, endendo a conse a a sua o ma de ac ua adicional. Des e modo, é mais adequado deixa que es as comunidades con olem e gi am os seus ecu sos 2 TINA (The e Is No Al e na i e): p o ém da in ocação de Ma ga e Tha che “ he e is no al e na i e o global economy!”. É uma polí ica económica que em ês g andes es a égias, que são: a) a ai o maio núme o de g andes emp esas/ áb icas pa a a sua egião; b) expo a os bens p oduzidos na sua egião pa a ão longe e ão amplamen e quan o possí el, pois baseia-se na concepção de que as expo ações são a única o ma de ob e iqueza “ eal” na sua comunidade; c) con ence as emp esas locais de que a) e b) são do seu maio in e esse (SHUMAN, 2011). 3 LOIS (Local Owned business; Impo -Subs i u ing de elopmen ): é uma polí ica económica que en a iza: LO = emp esas de p op ie á ios locais, ou seja, o con ole da maio ia das emp esas é ei o na comunidade onde a emp esa ope a e IS = desen ol imen o de subs i uição das impo ações, um e mo dos economis as pa a signi ica au o-su iciência (ib.). Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 168 (CORREIA; FIGUEIREDO, 2010), o que é exac amen e a iloso ia da esiliência comuni á ia. Desde 1996 que as zonas u ais e os seus habi an es são is os como uma iqueza, endo a capacidade de se em zonas compe i i as (A DECLARAÇÃO DE CORK, 1996); o que ou o a e a designado como “a aso” é exac amen e o que hoje cons i ui as “po encialidades” (FERNANDES, 2010a) que o nam cada comunidade única, desempenhando um papel impo an e na coesão e equidade dos e i ó ios (NATÁRIO; BRAGA; REI, 2010). No en an o, es es e i ó ios so em p essões, se, po um lado, êm de se adap a à sociedade mode na e às exigências ac uais po ou o lado, não podem pe de a sua mais- alia que é exac amen e a sua u alidade (CORREIA; FIGUEIREDO, 2010). Do mundo u al espe a-se que man enha o seu passado, as suas adições, a sua iden idade, po ezes numa ideia oman izada dos u bani as, e, simul aneamen e, em de ga an i a sus en abilidade, a na u eza, o u u o, en e ou as coisas (FERNANDES, 2010a), o que cons i ui um desa io cons an e e di ícil. De e, con udo, chama -se a a enção pa a o pe igo da monoac i idade que pode e consequências mui o g a es em comunidades pequenas como é a de Ce nache do Bonja dim, icando ulne á eis e dependen es das a iações do me cado e cons i uindo uma u ilização pa cial dos ecu sos endógenos, o nando a comunidade mais ágil do pon o de is a esilien e (SÁNCHEZ ARROYO; HERRERA PEREA, 1997). 4 Resiliência da comunidade Uma comunidade é an o mais esilien e quan o melho consegui da espos a, supe a , eo ganiza -se e sob e i e a impac os como sejam o u as, c ises e ca ás o es. Edwa ds (2011) de ende que as comunidades êm demons ado a sua esiliência nessas si uações, podendo-se a i ma que, as comunidades êm uma esiliência ine en e e que a espos a mais e icaz a essas si uações é a espos a dos locais, que êm de sob e i e nessas si uações, encon ando soluções mais ap op iadas. Collussi (2000) a i ma que odas as comunidades êm ca ac e ís icas p óp ias que podem es ingi ou pe mi i a sua esiliência e mos ou que há de e minadas ca ac e ís icas que são comuns às comunidades esilien es. Daqui esul a a impo ância em se conhece em os pon os posi i os e nega i os de cada comunidade, de inindo cla amen e as p io idades a a ingi e po quê. A mesma au o a admi e que a esiliência é uma qualidade que as comunidades possuem, que não é es á ica, podendo se desen ol ida e e o çada ao longo do empo. Pa a dos San os (2009, p.16): a esiliência depende da capacidade de adap ação e no que diz espei o às comunidades humanas, al capacidade depende em la ga medida da o ma como es as conseguem ap ende colec i amen e e con e gi em unção de objec i os comuns. Mas pa a “ap ende colec i amen e” é necessá io aze uma análise da si uação sob a pe spec i a da esiliência. É essa análise que o “ e a o da esiliência da comunidade”, p opos o po Colussi (2000), nos pe mi e aze . Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 169 5 Os impac os so idos na eguesia de Ce nache do Bonja dim 5.1 Impac o de ido à água O io Zêze e oi semp e uma on ei a na u al da eguesia mui o u ilizada, que como ia de comunicação en e as ma gens, que como uma o ma de subsis ência, pois as ac i idades da pesca, ga impagem, ap o ei amen o como o ça mo iz pa a a moagem e i igação, en e ou as, e am mui o equen es. Em 1951 a ba agem do Cas elo do Bode, uma ba agem de albu ei a si uada no io Zêze e, a jusan e da eguesia em es udo, com uma á ea ap oximada de 32.9 km2 (AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE, [s.d.]) é e minada, enchendo-se a sua albu ei a e subme gindo odos os campos nas ma gens do “ io elho”, os “na ei os”, campos de cul i o mui o é eis, sinónimo de iqueza pa a os seus p op ie á ios. Com o enchimen o des a albu ei a, oda a paisagem mudou, al como a auna exis en e no io e ep esen ando um eno me impac o na população da eguesia, ão “ligada à e a”, pois mui o apidamen e se pe de am excelen es e as de cul i o, as azenhas e moinhos, cuja o ça mo iz e a a água, ica am subme sos e as pessoas não inham onde “moe o pão”, que é a exp essão local pa a moe o igo pa a aze pão (GONÇALVES; ROSENDAHL, 2011). Passou-se de um io es ei o e sel agem pa a um eno me espelho de água, com uma paisagem igualmen e deslumb an e. Do “ io elho” apenas chega am a é nós poucas o og a ias e algumas pin u as e desenhos; o “ io no o” pode se is o po quem pe co a es as pa agens (Figu a 3). Figu a 3 – “Rio elho”, à esque da e “ io no o” à di ei a Fon e: imagem da esque da Mendes (2009). Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 170 Desde essa al u a, a é aos dias de hoje, como pode se acilmen e e i icado pa a quem isi a es e e i ó io, a população de Ce nache conseguiu adap a -se à no a si uação, eagi , eo ganiza -se e sob e i e . Foi esilien e. 5.2 Impac o de ido à mig ação A mig ação, que seja pa a ou as pa es do País, que seja pa a o es angei o, em indo a aumen a com o consequen e despo oamen o des e e i ó io. Na his ó ia de Po ugal o p incipal pe íodo que ez diminui a população da eguesia de Ce nache coincide com o pe íodo da Gue a Colonial (1961-1974) onde hou e um êxodo eno me da população po uguesa, p incipalmen e masculina, pa a a Eu opa, em especial F ança, não só à p ocu a de melho es condições de ida, como pa a ugi à opa e à quase ce a ida pa a a gue a nos e i ó ios do Ul ama (Figu a 4). Pa a a I G ande Gue a (1914-18) não de em e pe ecido mui os homens des a eguesia, pois a a iação de população nesse pe íodo pa ece se quase nula. O pe íodo assinalado no inal do séc. XIX coincide com um pe íodo de g ande êxodo dos ce nachenses pa a o B asil, em especial pa a a zona de Manaus, onde se ize am g andes o unas; no en an o, es es emig an es ol a am pa a a sua e a, azendo meios económicos pa a desen ol e a sua comunidade, o que se e i icou ealmen e: que ao ní el económico, que ao ní el in elec ual, Ce nache deu um “pulo” eno me nes a época. Is o é ácil de pe cebe se se pensa que Ce nache e a uma aldeia pe dida no in e io de Po ugal, mas onde ha ia uma escola p imá ia eminina, um ea o, uma escola de música, a sede de um banco, en e ou as mais alias, e onde o mo imen o pos al – indicado do desen ol imen o económico - e a supe io a mui as ou as eguesias da sua municipalidade, mesmo somadas. Não se ob i e am dados pa a explica a queb a de população en e 1920 e 1930. Nesse pe íodo áu eo e i icou-se um aumen o g adual da população, mas, desde 1960, quando a ingiu o pon o máximo com 5041 habi an es, a diminuição g adual em sido uma cons a ação, endo ac ualmen e, segundo os CENSOS de 2011, 3052 habi an es. Es e é um impac o len o, g adual, o qual se ia impo an e e e e . 5.3 Impac o de ido ao ogo Nes a eguesia ha ia a adição de plan a um pinhal semp e que nascia um ilho pa a que se pudesse co a e ende a madei a quando esse ilho casasse e cons uísse a sua casa. Com a c escen e p odução da pas a de papel em Po ugal, plan a eucalip o o nou-se mui o mais a ac i o, já que se a a de uma á o e de c escimen o ápido, onde se ê um e o no mais ápido do in es imen o do que se se plan a em pinhei os (GONÇALVES; ROSENDAHL, 2010). In elizmen e, o eucalip o é uma á o e acilmen e in lamá el, al como o pinhei o. Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 177 saúde, co eios, e c.; pa a as campanhas de “comp a local” con ibui o o e sen ido de iden idade e de pe ença; exis em in a-es u u as de á ios géne os, como despo i as, eligiosas, e c.; exis em mui as associações e o ganizações in o mais sendo a comunidade a ac i a pa a quem em de o a. Pos e io men e, e ec uou-se o que se designou como uma análise SWOT a ançada. Como o mé odo adop ado pa a a de inição do e a o de esiliência pe mi iu elaciona algumas das qua o dimensões da esiliência com algumas das in e e ês ca ac e ís icas de esiliência, podem-se, assim, selecciona os elemen os que azem pa e da análise SWOT inicial e p eenche os campos de in e cepção p e endidos, apenas com as ca ac e ís icas da esiliência que êm elação en e si, excluindo-se as demais. Es a análise SWOT a ançada pe mi e aze a hie a quização dos pon os iden i icados, dando impo ância aos pon os que êm maio impac o e pe mi indo a concen ação de ecu sos onde ealmen e e ão mais esul ado (APRENDA A ANÁLISE SWOT COM MODELO NO EXCEL, [s.d.]). A análise e e ida consis e na a ibuição de pesos pa a a ele ância de cada i em lis ado na ma iz SWOT, sendo 100% pa a o que em mais o ça em compa ação com odos os ou os i ens e 0% pa a con á io, endo de soma , no inal, 100%, que pa a os ac o es in e nos como ex e nos. A a ibuição desses pesos é ei a endo em conside ação o p o á el impac e dessa ca ac e ís ica na posição es a égica da comunidade (ib.). Em seguida, a ibuiu-se uma classi icação a cada i em, indicando se a sua o ça ou aqueza é máxima (3), média (2) ou mínima (1) pa a a comunidade, em unção da espos a que a comunidade em a esse i em. E ec uando o p odu o en e a ele ância e a classi icação ob ém-se a pon uação. Nes e momen o, cada i em enume ado na ma iz SWOT em uma pon uação associada e pode-se e ec ua a in e cepção dos pon os endógenos e exógenos da ma iz SWOT, como indicado na Figu a 7 (ib.). Figu a 1 – Esquema da análise SWOT a ançada conside ada Fon e: Au o es •Fo ças •Opo unidades Ala ancagens •Fo ças •Ameaças Vulne abilidades •F aquezas •Opo unidades Res ições •F aquezas •Ameaças P oblemas Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 178 Des e modo de inem-se os seguin es pon os (ib.): • Ala ancagens – são o ças que es ão ou podem es a ligadas às opo unidades e que pe mi em o c escimen o e a e olução da comunidade. • Vulne abilidades – são as o ças que se in e cep am com as ameaças não con olá eis. As ulne abilidades podem se p ejudiciais a cu o, médio ou longo p azo e êm de e mina , de inindo es a égias de de esa. • Res ições – é a elação en e aquezas e opo unidades, is o é, o que não pode se ap o ei ado pela comunidade, de ido às suas agilidades. Com o de ido empo, es as aquezas êm de se eliminadas pa a que se possam conquis a as opo unidades. • P oblemas – esul am da in e cepção en e aquezas e ameaças, cons i uindo os e dadei os p oblemas que e ão de se esol idos. Ao esol e os p oblemas, man endo-se as ameaças, mas conseguindo ans o ma as aquezas em o ças, passa emos a e ulne abilidades. A pon uação ob ida numa in e cepção, consis e na soma de cada i em sepa adamen e, po exemplo, se a o ça 6 (S6) em pon uação de 0.015 e a opo unidade 4 (O4) em a pon uação de 0.12, en ão a pon uação des a in e cepção é de 0.135, ou seja, a soma das duas pon uações an e io es. Assim, es a ala ancagem em como classi icação 0.135. As ala ancagens (23) são quase an as como os p oblemas (25), no en an o as ulne abilidades (49) são mui as, mas as es ições (13) são ela i amen e poucas. Des e modo e suma iamen e, os esul ados ob idos são: • Os aspec os mais o es des a comunidade são a sua a ac i idade pa a quem em de o a, a di e sidade de emp ego, o ele ado ní el de o gulho da população e o ac o da maio ia dos p incipais emp egado es se em na u ais. Pa a quem em de o a, os p incipais ac o es de a acção são o espi i o de en eajuda que exis e e o ac o de as pessoas se em ela i amen e abe as a no as ideias e a no as manei as de aze . As campanhas de “comp a local” são ambém um dos pon os mais impo an es pa a o desen ol imen o da comunidade. O ele ado sen ido de pe ença e o gulho que exis e, o op imismo que se i e nes a comunidade, o ac o de pensa em que se ão capazes de ul apassa es e mau pe íodo, e a a i ude de “pode aze ” e de ac edi a que podem in luencia o u u o são ou as ala ancagens des a comunidade, que acili a a sua e olução e c escimen o. Es as são as ala ancagens com maio peso. • As p incipais ulne abilidades encon adas o am o eduzido núme o de c ianças com menos de 14 anos, que é uma ulne abilidade mui o g a e, podendo indica a diminuição do núme o de amílias jo ens e o en elhecimen o da população, comp ome endo o u u o, apesa do op imismo e i icado. Que o ní el de o gulho, que o sen ido de pe ença das pessoas nes a comunidade são mui o ele ados, o que az com que as pessoas con inuem a pe manece e a lu a pela comunidade, coope ando umas com as ou as, apesa da conjun u a económica di ícil, com desemp ego e pob eza. No en an o, udo is o es á ameaçado pelo en elhecimen o da população. Es á a oco e um “ e o ço” da população idosa, o iginá ia de o a da eguesia, que se em ixa aqui quando en a na idade de e o ma, ag a ando a ques ão do en elhecimen o populacional que em como consequência o despo oamen o do e i ó io da eguesia. A p op iedade pe encen e a na u ais não é alo izada e não es ão iden i icadas as emp esas em isco de echa nem quais os Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 179 segmen os de me cado onde in e essa in es i . Não exis indo um plano económico, ac esce di iculdade na coope ação en e as o ganizações e na pa icipação mais ac i a da população em elação aos assun os de in e esse pa a a comunidade. A mudança de men alidades é di icul ada pelo ac o da educação adicional não se alo izada e ambém pelo ac o de não exis i em opo unidades de emp ego pa a jo ens com g au supe io . • Apesa do ele ado núme o de g upos in o mais, o ganizações e associações, as euniões públicas são pouco equen adas, não sendo ap o ei ada a opo unidade de pode em exp imi opiniões, em pa e po que não se em uma pe cepção cla a se essa pa icipação in luencia ou não as decisões mais impo an es. Po ou o lado, es a a i ude não ajuda a modi ica a manei a de pensa que a c ise económica po encia. Es es pon os são as es ições mais impo an es encon adas. O ac o de não ac ua em quando o assun o en ol e izinhos, di icul a a exp essão de opiniões e a mudança de a i udes. Quem ol ou à eguesia po e pe dido o emp ego nos g andes cen os u banos são, no malmen e, quad os sem quali icação. A ques ão da alo ização da educação pode se melho ada, uma ez melho adas as acessibilidades, o acesso ao conhecimen o, a no as opo unidades de me cado, acili ando a c iação de no os p odu os. • O desemp ego e o en elhecimen o da população são os p incipais p oblemas encon ados. A não exis ência de um plano económico pa a a comunidade, de inido pela comunidade é ou o p oblema, pois com es e plano pode -se-ia concen a ecu sos e es o ços, de inindo-se es a égias pa a se a ingi um objec i o comum. A ges ão de undos p óp ios e a classi icação p o issional es ão elacionadas com o ac o de não se em alo izadas as emp esas p op iedade de na u ais da eguesia e as emp esas em isco de echa não se em iden i icadas, o que não pe mi e di ecciona ecu sos nem de ini segmen os de me cado que pode iam ge a mais bem-es a à população, o nando a aen e, po exemplo, o in es imen o na p óp ia o mação, com o objec i o de esponde às solici ações que o am apa ecendo. Ou o p oblema são as men alidades, que de e iam se al e adas: a maio ia con inua a pensa que a solução eside na ixação de uma g ande emp esa que emp ega um núme o ele ado de pessoas. A al e ação das men alidades só se consegue com o mação, ap endizagem e boas ias de comunicação. Es a eguesia es á mui o ulne á el, so endo mui as ameaças ex e nas, que di icul am o ap o ei amen o das o ças que em. Apesa das suas aquezas, a comunidade ai ap o ei ando algumas das opo unidades que su gem, não ap esen ando mui as es ições. Há p oblemas que são de di ícil esolução, mas, i ando pa ido e aumen ando o melho que em es a comunidade – as ala ancagens – é possí el que se enham a esol e mui os dos p oblemas apon ados. 8 Suges ões pa a o desen ol imen o des a eguesia As comunidades como a de Ce nache do Bonja dim êm uma g ande necessidade de se em e i alizadas, epo oadas e a é ein en adas, mas isso não é a e a ácil num con ex o u bano/ u al que é exigido a es es e i ó ios. Sendo uma comunidade essencialmen e u al e mui o ligada à ag o-pecuá ia, a p imei a suges ão que oco e é a ag icul u a biológica, dado que, ha endo apoio e o ien ação po pa e das en idades compe en es, a ansição da ag icul u a Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 180 adicional ac ualmen e p a icada, pa a a p odução biológica, não se ia mui o di ícil e pode ia se uma on e de desen ol imen o. Pa e ou oda a eguesia de Ce nache pode ia se abo dada como um “pa que cul u al”, en endido como (FILIPE; DE MASCARENHAS, 2010, p. 373): um modelo de pa icipação ac i a cujos objec i os e aplicabilidade se encon am elacionados com a conse ação e alo ização das paisagens cul u ais, a melho ia da qualidade de ida da população u al, a p ese ação da memó ia local, no as p á icas de desen ol imen o sus en á el e o inc emen o de no as á eas do conhecimen o e de ap endizagem. Con ibui ambém pa a uma comp eensão in eg ada dos alo es paisagís icos. Exemplos de pa ques cul u ais enume am-se, po exemplo, o Pa que Cul u al Vila de São Vicen e no cen o de São Paulo, B asil e o Pa que Cul u al de Wes e gas ab iek em Ames e dão, Holanda, que o am ecupe ados, eu izados e dinamizados. A eguesia em es udo demons ou, desde mui o cedo, p opensão pa a as a es; des e modo, o chamado “ ea o de ua” pode ia unciona como um chama iz; es i ais de música a aem milha es de pessoas, como em Pa edes de Cou a, uma pequena po oação no No e de Po ugal; oda a eguesia pode unciona como um eno me cená io pa a exposição de escul u a, que icam expos as pelas po oações, cons i uindo ambém o mas a ís icas de di e enciação, como se passa em Hecho, A agão (Espanha) (Figu a 8). Figu a 8. Exemplo de escul u as expos as na aldeia de Hecho, A agão (Espanha) Fon e: Au o es. Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 181 Ti ando pa ido das p oduções adicionais, algumas delas de excelen e qualidade – azei e, mel, inho, queijo de cab a e o elha, u as e legumes – a c iação de pequenas indús ias de conse as a esanais, incen i ando a au o-su iciência, pode ia da no o ôlego à economia local; a man eiga e o lei e de cab a não são explo ados ac ualmen e. Es a eguesia ainda possui um po encial económico não ap o ei ado, em elação ao comé cio é nico, ao a esana o ou à alo ização eco cul u al, conjugando a Na u eza, a paisagem e a cul u a pa a p omo e a di e enciação e i o ial. Uma di ulgação e icaz do pa imónio ma e ial e ima e ial des a eguesia, como o ma de ea i ma a iden idade local, pode e como consequência a sua ecupe ação e p o ecção, que u ge. Tendo em is a a ecupe ação demog á ica, a c iação de meios económicos e de c édi o especialmen e des inado a jo ens esiden es ou na u ais da eguesia pa a a econs ução das an igas casas em uinas que se encon am pela eguesia, pe mi i á o es au o e a conse ação do pa imónio que (ainda) exis e. Acções des e géne o o am le adas e cabo em Que ença, Po ugal, com bons esul ados. Ti a pa ido e alo iza o pa imónio na u al que exis e, comple ando alguns dos ci cui os pedonais e de BTT, ac escen ando passeios de ba co e despo os náu icos, já que a eguesia em esse po encial subap o ei ado, a c iação de um cen o de es ágio pa a despo os náu icos em águas anquilas ( emo, canoagem, modelismo náu ico…), podem se ou as medidas. O u ismo em espaço u al é ou a das hipó eses de dinamização que exis e, ecupe ando a a qui ec u a ca ac e ís ica do local. A pa icipação em abalhos ag ícolas (ag o- u ismo), a pa icipação em ac i idades de p ese ação ambien al (eco u ismo), o u ismo de a en u a, o cul u al, o de in e io são apenas algumas o mas de u ismo al e na i o que podem se implemen ados nes a eguesia. O alojamen o pa icula , do géne o “Alojamen o Local” ou B&B (bed and b eak as ), a cons ução de albe gues, eabili ando as imensas quin as e sola es da eguesia, ou os “hos el”, são á ias suges ões de alojamen o al e na i o, uma ez que o alojamen o é um pon o ela i amen e aco da eguesia. No B egenze Wald, na Áus ia, exis e o chamado “bilhe e u ís ico” pa a quem pe noi a duas ou mais noi es, dando di ei o a usu ui g a ui amen e de di e sas in a-es u u as, como sejam anspo es públicos, museus ou piscinas, po exemplo, conseguindo-se que os u is as iquem po mais do que um dia. Es e ipo de es a égia ambém é uma ideia in e essan e pa a Ce nache. A maio ia des as suges ões exigem mais o ganização do que in es imen o inancei o, sendo de ácil implemen ação e êm a pa icula idade de pode dinamiza es a eguesia, azendo com que haja um maio dinamismo económico de pequena escala. 9 Comen á ios inais Ac ualmen e, as comunidades u ais, como a de Ce nache, são conside adas uma opo unidade, ap esen ando capacidades compe i i as, pois o que se conside a como a aso pode, na ealidade, se uma po encialidade, p incipalmen e sob o pon o de is a da sus en abilidade e da esiliência. Ma a Ma çal Gonçal es, Ma ía Te esa Pé ez Cano, S e an Rosendahl Redes (San a C uz do Sul. Online), . 24, n. 2, maio-agos o, 2019. ISSN 1982-6745. 182 A iden i icação dos á ios pon os o es e acos que a comunidade ce nachense possui é mui o impo an e pa a de ini o umo a oma , e o çando a sua esiliência. Es a comunidade ap esen a um saldo posi i o dos aspec os in e nos, com mais o ças do que aquezas, mas os aspec os ex e nos, como as ameaças e as opo unidades, ap esen am um saldo nega i o. No en an o, em elação aos ac o es endógenos, al e a a si uação ac ual apenas depende da comunidade; já em elação aos ac o es exógenos, sendo ei o algum abalho in e no, ambém se o na possí el melho a um pouco a si uação. A eguesia es á mui o ulne á el, di icul ando o ap o ei amen o e desen ol imen o das suas o ças, pois so e mui as ameaças ex e nas. No en an o, não ap esen a mui as es ições, ap o ei ando algumas opo unidades que su gem. Melho ando as suas ala ancagens, que é o que de melho es a comunidade possui, conseguem-se a enua alguns p oblemas de di ícil esolução. Como conclusão das análises e ec uadas, pode-se a i ma que a eguesia de Ce nache do Bonja dim em uma esiliência ine en e que lhe pe mi e sob e i e , eagi e eo ganiza -se aos á ios con a empos que em so ido. Já o p o ou no passado, p o a-o no p esen e e espe a-se que enha a p o a no u u o. Tudo indica que sim. No en an o, a dese i icação e o en elhecimen o da população são impo an es ameaças ao u u o des a comunidade pois êm, pa a além de consequências di ec as, consequências indi ec as que in luenciam mui os pon os que ca ac e izam es a comunidade. 10 No as e ag adecimen os O ex o es á esc i o em po uguês p é io ao Aco do O og á ico. Os au o es gos a iam de ag adece a Michele Collussi a disponibilidade em nos ajuda na aplicação do mé odo e a odos os ce nachenses que pa icipa am nos inqué i os pe mi indo a ealização des a análise. REFERÊNCIAS A Decla ação de Co k. LEADER Magazine, [s. l.], p. 1–2, 1996. AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. Ba agens de Po ugal. [s.d.]. Disponí el em: <h p://cnpgb.apambien e.p /g _ba agens/gbingles/FichasIng/Cas elodoBode ichaI ng.h m>. Acesso em: 9 e . 2018. Ap enda a análise SWOT com modelo no EXCEL. [s.d.]. 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A qui ec a (Uni e sidad de Se illa, Espanha), dou o a em U banís ica e O denamen o do Te i ó io (Uni e sidad de Se illa, Espanha), P o esso a na Uni e sidad de Se illa, Espanha. [email protected] S e an Rosendahl. Geólogo (S u ga Uni e si ä , Deu schland), dou o em Ciências da Na u eza (S u ga Uni e si ä , Deu schland), P o esso Associado no Ins i u o Supe io Dom Dinis, Ma inha G ande, Po ugal. s [email protected] Como ci a : GONÇALVES, Ma a Ma çal; CANO, Ma ía Te esa Pé ez; ROSENDAHL, S e an. Resiliência de comunidades u ais: a eguesia de Ce nache do Bonja dim, Po ugal. Redes, San a C uz do Sul, . 24, n. 2, p. 162-185, maio 2019. ISSN 1982-6745. Disponí el em: h ps://doi.o g/10.17058/ edes. 24i2.13201. Subme ido em: 20/12/2018 Ap o ado em: 17/03/2019