Em de esa do ensino de a e:
a gumen ações e limi es a
pa i do con ex o b asilei o
In de ense o a educa ion: a gumen s and limi s
om he B azilian con ex | En de ensa de la
educación a ís ica: a gumen os y lími es desde el
con ex o b asileño
KARINE STORCK · ka ines o
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS) · BRASIL
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LUCIANA GRUPPELLI LOPONTE · [email p o ec ed]
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Recibido · Recebido · Recei ed: 18/09/2023 | Acep ado · Acei o · Accep ed: 07/11/2023
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2023.i10.01
A ículo bajo licencia C ea i e Commons BY-NC-SA · A igo sob licença C ea i e Commons BY-
NC-SA · A icle unde C ea i e Commons license BY-NC-SA.
Cómo ci a es e a ículo · Como ci a es e a igo · How o ci e his a icle: S o ck, K., & Lopon e, L.G. (2023). Em
de esa do ensino de a e: a gumen ações e limi es a pa i do con ex o b asilei o, Communia s. Re is a de Imagen, A es
y Educación C í ica y Social, 10, 10-23. h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2023.i10.01
Resumo:
Le ando em conside ação que, no B asil, equen emen e, somos con ocadas a agi e a gumen a
em de esa da a e na escola, desen ol emos es e a igo, à luz de um olha que busca comp eende
o ca á e não na u al da p esença da a e na educação (Ma ins, 2012; 2014 e Sabino 2020; 2021)
e os cons an es mo imen os de de esa a im de assegu a sua inse ção e ob iga o iedade na escola
(He nández, 2000; E ázu iz, 2019; Hono a o, 2018; e ou os). Nesse mo imen o, pe co emos as
p incipais legislações b asilei as e e en es à inse ção do ensino de a es isuais no cu ículo da
educação básica, desde 1961. T a a-se de um exe cício de expo e idências do ca á e
his o icamen e cons uído do ensino de a e e de comp eende que es e ambém se a icula com as
concepções localizadas de educação e de sujei os que se p e ende o ma . Na pa e inal do ex o,
pon uamos algumas das di e sas acionalidades que sus en a am e ainda sus en am mui os de
nossos a gumen os, a en ando à sua desna u alização e, po an o, a seus limi es e à necessidade de
no as elabo ações. Se en endemos que seja necessá io ainda agi em de esa da a e na escola,
ac edi amos que, al ez, seja p eciso e igo a nossos modos de azê-lo e, a pa i disso, o alece
nossa a uação docen e enquan o p á ica polí ica.
Pala as-cha e:
Ensino de a e. A es Visuais. Educação básica no B asil. Legislação educacional b asilei a. A e no
cu ículo escola . A e e educação.
Ka ine, & Lopon e, 2023 · Communia s, 10, 10-23
COMMUNIARS · ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2023.i10.01
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Abs ac :
Taking in o accoun ha , in B azil, we a e o en called upon o ac and a gue in de ense o a a
school, we de eloped his a icle, in he ligh o a pe spec i e ha seeks o unde s and he unna u al
cha ac e o he p esence o a in educa ion (Ma ins, 2012; 2014 and Sabino 2020; 2021) and he
cons an ad ocacy mo emen s in o de o gua an ee hei inse ion and obliga ion in school
(He nández, 2000; E ázu iz, 2019; Hono a o, 2018; and o he s). In his mo emen , we ha e been
h ough he main B azilian legisla ion (since 1961) ega ding he inse ion o isual a s eaching in
he basic educa ion cu iculum. I is an exe cise in exposing e idence o he his o ically cons uc ed
cha ac e o a educa ion and in unde s anding ha his also a icula es wi h he localized
concep ions o educa ion and subjec s ha i is in ended o o m. In he inal pa o he ex , we
poin ou some o he di e en a ionales ha ha e suppo ed many o ou a gumen s, paying
a en ion o hei dena u aliza ion and, he e o e, hei limi s and he need o new elabo a ions. I
we unde s and ha i is s ill necessa y o ac in de ense o a a school, we belie e ha , pe haps, i
is necessa y o ein igo a e ou ways o doing so and, om his, s eng hen ou eaching
pe o mance as a poli ical p ac ice.
Keywo ds:
A educa ion. Visual a s. Basic educa ion in B azil. B azilian educa ional legisla ion. A in he
school cu iculum. A and educa ion.
Resumen:
Teniendo en cuen a que, en B asil, ecuen emen e se nos con oca a ac ua y a gumen a en de ensa
del a e en la escuela, desa ollamos es e a ículo, a la luz de una pe spec i a que busca comp ende
el ca ác e an ina u al de la p esencia del a e en la educación (Ma ins, 2012; 2014 y Sabino 2020;
2021) y los cons an es mo imien os de de ensa pa a asegu a su inclusión y obliga o iedad en la
escuela (He nández, 2000; E ázu iz, 2019; Hono a o, 2018; y o os). En es e mo imien o,
eco emos las p incipales legislaciones b asileñas e e en es a la inse ción de la enseñanza de las
a es isuales en el cu ículo de la educación básica, desde 1961. Se a a de un eje cicio de expone
las e idencias del ca ác e his ó icamen e cons uido de la educación a ís ica y de comp ende la
ambién en a iculación con las concepciones localizadas de educación y suje os que se p e ende
o ma . En la pa e inal del ex o, señalamos algunas de las di e en es acionalidades que
sus en a on y sus en an muchos de nues os a gumen os, poniendo a ención a su desna u alización
y, po an o, a sus lími es y a la necesidad de nue as elabo aciones. Si en endemos que aún es
necesa io ac ua en de ensa del a e en la escuela, c eemos que, al ez, sea necesa io e i aliza
nues as o mas de hace lo y, a pa i de ello, o alece nues a ac uación docen e como p ác ica
polí ica.
Palab as cla e:
Educación a ís ica. A es isuales. Educación básica en B asil. Legislación educa i a b asileña.
A e en el cu ículo escola . A e y educación.
…
Ka ine, & Lopon e, 2023 · Communia s, 10, 10-23
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1. "A e na escola pa a quê?" A in e miná el a e a de
a gumen a pela a e na educação
A de esa do ensino de a e1 na escola ou no cu ículo escola b asilei o não é uma ques ão
ecen e2, e ambém não é apenas uma ques ão mac opolí ica. A lu a em de esa da
manu enção e da e e i ação do ensino de a e na educação básica (da educação in an il
ao ensino médio) elaciona-se ao in es imen o na o mação de p o esso as/es, ao
abalho pa a que a escola e sua comunidade comp eendam a a e como á ea de
conhecimen o, à dispu a po espaços ísicos e cu icula es, às condições de abalho
docen e, en e ou as ques ões. Po ém, o que desejamos aze à discussão e à e lexão
nes e a igo é seu ca á e cons uído enquan o á ea de conhecimen o que passa a in eg a
a escola ização dos sujei os.
Na pa ce ia de es udiosas/os do campo da educação e do ensino de a e, es e ex o p opõe
um exame das p incipais legislações b asilei as ela i as à p esença da a e na escola, a
im de ques iona a necessidade dela mesma (da a e na educação) e de comp eendê-la
como his o icamen e cons uída em espos a a p opósi os ou concepções de educação
localizadas. Tal mo imen o não que dize coloca -se em con a iedade à sua de esa, ou
desac edi a de sua impo ância; ao con á io, in e essa no sen ido de comp eende em
quais g elhas de acionalidade es ão undadas (Ma ins, 2012) nossas de esas e p á icas
e po que nossos a gumen os em p ol da a e na educação pa ecem já não cabe mais no
p oje o de educação e de sociedade igen es. Ao coloca mos em suspensão aquilo que,
apa en emen e, é dado como inques ioná el, in encionamos comp eende seu ing esso
no cu ículo escola b asilei o, pa a que possamos ques iona a que concepções de a e,
de sujei o, de educação e de sociedade se elacionam nossos a gumen os de de esa, ou
nossa in enção de a ualização de ais a gumen os.
Pa a al emp ei ada, pa imos da obse ação da inse ção da a e na educação po meio
de disposi i os legais que balizam a á ea de conhecimen o e e en e à a e no cu ículo
escola b asilei o, assim como de con ibuições de es udos elacionados à in e p e ação
de ais disposi i os e das possí eis comp eensões de a e e educação aí p esen es.
Conside ando essas ques ões, o a igo é o ganizado em ês seções p incipais: na
p imei a, in oduzimos a discussão sob e o ca á e não na u al do encon o da a e com
a educação, especialmen e a pa i dos es udos de Sabino (2020; 2021) e Ma ins (2012;
2014); na segunda, conside ando a pe spec i a an e io , abo damos a elação en e a a e
e a educação a pa i das legislações educacionais igen es desde 1961, p oblema izando
sua elação com nossas jus i ica i as pa a o ensino de a e; e, po úl imo, e isi amos
alguns dos a gumen os e acionalidades que p e endem sus en a a de esa do ensino de
a e, a en ando pa a o ca á e cons uído e, po an o, pa a a possibilidade e a
necessidade de no as elabo ações.
1 Nes e ex o op amos pelo uso da exp essão "ensino de a e" pa a nos e e i mos às discussões p opos as
em o no da a e e da educação, en e an o, alamos especialmen e a pa i de nossas expe iências e
o mação no campo do ensino das a es isuais no B asil. Ainda que não especi iquemos a cada menção da
exp essão "ensino de a e" que na g ande maio ia das ezes se a a do ensino das a es isuais, elucidamos,
desde já, que é a pa i des e local que p oduzimos a e lexão p opos a.
2 No A eVe sa - G upo de es udo e pesquisa em a e e docência (UFRGS/CNPq), em 2018, p oduzimos
“ ex os pa a ab i uma con e sa” elacionados à impo ância da a e na escola, conside ando a ei e ada
necessidade de sua de esa: h ps://www.u gs.b /a e e sa/ca ego y/ ex os-pa a-ab i -uma-
con e sa/page/4/
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2. O encon o não na u al da a e com a educação
A aliança en e a e e educação no B asil já oi pe sc u ada po á ios au o es b asilei os
– sob o pon o de is a his ó ico, especialmen e po Ana Mae Ba bosa (2008, 2012, 2014,
2015). A pesquisado a Kelly Sabino (2021) a a da ques ão a pa i de uma pe spec i a
bem dis in a. Em seus es udos, a au o a emon a ao momen o em que se deu al aliança,
a pa i da análise de qua o a qui os po ela compos os: (1) 55 pe iódicos educacionais
b asilei os (do pe íodo de 1996 a 2019), em que buscou explici a alguns deba es
con empo âneos elacionados à díade a e/educação; (2) a igos publicados na Re is a
B asilei a de Es udos Pedagógicos (RBEP), a pa i de 1944, a im de esmiuça a
discu si idade p esen e an es do pe íodo e e en e ao p imei o a qui o; (3) documen os
ela i os ao ensino na Academia Impe ial de Belas A es (AIBA), buscando um no o
ecuo empo al pa a comp eende a ins i ucionalização das p á icas de ensino de a e no
B asil; e, po im, (4) documen os que emon am às concepções de a e da Co e
po uguesa e à o ma como podem e in luenciado o ensino desen ol ido na AIBA.
A pa i de suas análises, Sabino con igu a “a manei a pela qual a o ja da mão e, depois,
a in es ida em um olha in e io izado sus en a am um acen o go e namen alizan e das
p á icas educa i as em o no da a e” no con ex o b asilei o (2021, p. 09), sem que,
mui as ezes, nos demos con a de al acen o e das concepções de educação e sujei o que
es ão em jogo. Os es udos da au o a pe mi em-nos elaciona a “ladainha” que insis e
em, cons an emen e, epe i jus i ica i as ace ca da impo ância e da de esa do ensino
de a e na escola (Sabino, 2021, p.177) a uma ideia de “na a i as do pas o ado a ís ico-
pedagógico”.
Po “na a i as do pas o ado a ís ico-pedagógico”, Sabino comp eende “um ipo
especí ico de pas o ado pela a e, o qual a ibui a es a, ia de eg a, uma po ência
dis up i a pe se” (2021, p.177). Seus es udos e e enciam o ilóso o Michel Foucaul ,
ap esen ando concei os p óp ios do au o , pa a e le i mos ace ca da cons i uição do
campo da a e-educação.
A pa i do con ex o po uguês, os es udos que a p o esso a Ca a ina Sil a Ma ins em
desen ol ido ambém nos ins igam, pela pe spec i a oucaul iana, a “ques iona as
pla a o mas de pa ida que se ins ala am como na u ais a es e campo e que con olam a
p odução do discu so” (Ma ins & Almeida, 2013, p. 17), p ocu ando, de ce o modo,
pe cebe o que se incula, ainda, “a acionalidades que se es abelece am, e
na u aliza am, num dado con ex o e momen o da his ó ia” (Ma ins, 2014, p.58).
O mo imen o que iniciamos aqui é de analisa os dize es e dadei os sob e o que jus i ica
a de esa da a e na educação em de e minado empo ou de que modo de e minadas
acionalidades ou o mas de pensa ans o mam-se em e dades que balizam p á icas e
modos de o ganização cu icula , po exemplo. Nessa di eção, en endemos que algumas
no ma i as educacionais indicam e dades de uma época e que aspec os des as o am e
ainda são ep oduzidos no ensino de a e ou em seus p óp ios a gumen os de de esa.
Na p óxima seção, nos de e emos na con ex ualização das no ma i as educacionais
elacionadas ao ensino de a e no B asil, a im de p oblema iza como os a gumen os em
de esa da a e na escola pe passam (e são pe passados) po ais disposi i os.
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3. A a e nas legislações educacionais b asilei as (a pa i
de 1961)
Como ânco as pa a pensa na elação en e a a e e a educação b asilei a, amos oma
as seguin es no ma i as: a Lei n. 4.024/1961, a Lei n. 5.692/1971, a Lei n. 9.394/1996 e
a Base Nacional Comum Cu icula (BNCC), de 2018.
A Lei n. 4.024/1961 oi a p imei a Lei de Di e izes e Bases da Educação B asilei a (LDB),
que, no âmbi o da educação escola , con e iu maio au onomia aos es ados e municípios
pa a a o ganização do sis ema educacional. Na e e ida legislação, o ensino de a e oi
inse ido jun o ao a . 38: “Na o ganização do ensino de g au médio se ão obse adas as
seguin es no mas: [...]", na exp essão do inciso IV “a i idades complemen a es de
iniciação a ís ica” (B asil, 1961). No Ensino P imá io (com du ação de, no mínimo,
qua o anos, na época), icou elegada aos sis emas de ensino, que, no caso de escolhe em
amplia a du ação do Ensino P imá io pa a a é seis anos, pode iam o e a , nos dois
úl imos anos, uma iniciação em “ écnicas de a es aplicadas, adequadas ao sexo e à idade”
(a . 26, B asil, 1961).
An ecede esse mo imen o um con ex o b asilei o em que a escola ização ainda exis ia
pa a poucos3, em que ha ia a di e enciação en e cu ículos escola es pa a as eli es e
educação popula (e, ambém, en e educação pública e p i ada). Nessa si uação, as
disciplinas que podiam elaciona -se ao ensino de a e e am “isoladas e écnicas, ais
como o Desenho Geomé ico, o Desenho Técnico e o Can o O eônico” (D’Oli ei a &
Mei a, 2016, p. 172).
O mo imen o ambém se elaciona a um con ex o pos e io , em que os a eliês e
Escolinhas de A e (em sua maio ia, de ca á e pa icula ) espalha am-se pelo B asil4 e
quando, de ce o modo, amplia am-se os en endimen os sob e o ensino de a e (an es
cen ado na cópia, passando ao desenho écnico, ol ado à indús ia e à o mação
p o issional), a pa i da alo ização da a e como exp essão.
A pa i das análises sob e a a e na educação na RBPE (a pa i de 1944), Sabino (2020)
obse a que, ao longo da e is a, o discu so dos sabe es psi e a sua elação com os
enunciados da a e na educação oi apa ecendo cada ez mais. Inicialmen e ais
apa ições e idencia am-se "na coadunação en e desenho e in ância, como se po
in e médio do p imei o se pudesse des ela a in e io idade da c iança" (Sabino, 2020,
p. 327).
Desse pe íodo ambém se des aca a in luência da ob a de John Dewey e o mo imen o da
Escola No a no B asil e, pos e io men e, das p oduções de He be Read e Vik o
Lowen eld, e e en es ao "Mo imen o da Educação po meio da A e", bem como ao
desen ol imen o do desenho in an il, espec i amen e, que e le em aspec os do que
e idencia a a “li e exp essão” das c ianças, desde que ossem o e adas condições
adequadas pa a al.
3 Pa a uma análise sócio-his ó ica a pa i de dados es a ís icos do pe íodo, e le indo o ca á e eli is a e
desigual do p ocesso de escola ização b asilei a, e Gil (2022).
4 A p imei a Escolinha de A e no B asil (EAB) da a de 1948, undada pelo a is a Augus o Rod igues, no Rio
de Janei o. No B asil, chega am a exis i 144 Escolinhas (Ba bosa, 2021, p. 13). Ana Mae Ba bosa a en a pa a
o a o de a c iação das Escolinhas de A e no B asil es a elacionada ao mo imen o de edemoc a ização do
país, após o go e no di a o ial (pe íodo conhecido po Es ado No o) (2021, p. 12). A concepção de ensino de
a e p esen e nesses espaços e a mode nis a, calcada na li e-exp essão, ambém conhecida como laissez-
ai e.
Ka ine, & Lopon e, 2023 · Communia s, 10, 10-23
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Em um con ex o mais amplo, em 1954, oi undada a InSEA - In e na ional Socie y o
Educa ion h ough A , o ganização não go e namen al que a ua em pa ce ia com a
UNESCO - O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e a Cul u a. A
InSEA ambém se coloca nas lu as po ga an ia e manu enção do ensino de a e,
conse ando, a ualmen e, em seu si e, uma seção especí ica a esse espei o.5
Na sequência, a Lei n. 5.692/1971, p omulgada du an e a igência da di adu a mili a no
B asil (1964-85), uni ica o chamado p imá io e ginásio em um pe íodo de oi o anos, com
o nome de 1º. g au, e o ensino de 2º. g au (a ual Ensino Médio) passa a se
p o issionalizan e. Em seu a igo 7º., a Lei expõe que “Se á ob iga ó ia à inclusão de
Educação Mo al e Cí ica, Educação Física, Educação A ís ica e P og amas de Saúde nos
cu ículos plenos dos es abelecimen os de 1º e 2º g aus [...]” (B asil, 1971). Nesse
con ex o, a a e é conside ada “a i idade educa i a” do cu ículo, e não mais “a i idade
complemen a de iniciação a ís ica”.
Tal inse ção aciona concepções ecnicis as do ensino de a e, em que es a se e a ou as
disciplinas e/ou ol a-se à o mação p o issional. O con eúdo não ica exp essamen e
e idenciado, mas se e e e à ideia de c ia i idade, ao desenho, às écnicas a ís icas, à
comunicação e exp essão.6
Ou a ques ão do pe íodo diz espei o à al a de docen es com o mação pa a minis a
“Educação A ís ica”. Daí o iginam-se os cu sos de licencia u a que isa am a uma
o mação poli alen e do/a p o esso /a: saía habili ado/a ao abalho com a es plás icas,
educação musical e a es cênicas.
Sob e os ma e iais didá icos do pe íodo, Sub il (2012) apon a que, em sua maio ia, eles
ap esen am a i idades que en ocam elemen os isuais, como o pon o, a linha, as co es,
en ol endo écnicas de pin u a e colagem. Também es ão p esen es con eúdos de
desenho geomé ico, in eg ados a a i idades de educação a ís ica. A linguagem ea al
não é ão e idenciada, ap esen ando algumas ques ões his ó icas e suges ões de
a i idades. Em elação a música, es ão p esen es hinos e canções olcló icas, pa i u as,
gêne os, o mas e eo ias musicais.
A pa i de sua análise, a au o a p opõe a e lexão sob e o papel desempenhado po esses
ma e iais didá icos, em um con ex o em que os p o esso es não inham a o mação
especí ica pa a o abalho com a e, des acando, ainda, o educionismo dos
conhecimen os do campo a ís ico ali ep esen ado7 e as a i idades que apon a am pa a
uma in an ilização dos es udan es (Sub il, 2012).
Ou a análise dessa legislação p o ém de Ana Mae Ba bosa (2008, p. 11), es udiosa
undamen al do campo da a e e da educação, a qual ela conside a que “não oi uma
conquis a de a e-educado es b asilei os, mas uma c iação ideológica de educado es
5 Ve h ps://www.insea.o g/ad ocacy-ne wo king/
6 Pa a uma análise mais ap o undada da educação a ís ica no cu ículo escola a pa i da Lei n. 5.692/1971
e pa ece es deco en es, e Sil a (2019). No ex o, há uma in e essan e análise do Pa ece n. 540/77, “Sob e
o a amen o a se dado aos componen es cu icula es p e is os no a . 7º. da Lei n. 5692/71”, que e oca
uma concepção de a e di e amen e elacionada ao laze e, po an o, sem c i é ios especí icos a im de
o ien a seu ensino, sendo es e elegado a op a i o, no caso de desin e esse dos es udan es pela á ea. A
au o a ambém e le e os p ocessos de e e i ação da e e ida Lei em seu con ex o (es ado de Pe nambuco,
B asil).
7 Sob e esse a o, podemos es abelece um pa alelo com os ma e iais didá icos e sis emas de ensino que
su gem com a implemen ação da Base Nacional Comum Cu icula (BNCC), a ualmen e, e, ainda, com as
undações de in e esses p i ados, en ol idas na explicação e e e i ação da BNCC, o e ando ma e iais aos
p o esso es e edes de ensino.
Ka ine, & Lopon e, 2023 · Communia s, 10, 10-23
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no e-ame icanos que, sob um aco do o icial (MEC-USAID8), e o mulou a educação
b asilei a”.
Sabino (2020, p. 309) comen a que Ana Mae Ba bosa, em um de seus a igos publicados
na RBPE, em 1973, a i mou que “‘a si uação do ensino de a es isuais no país e a caó ica’
(BARBOSA, 1973, p. 578)” e que, no ano de 1975, “em seu p imei o li o, in i ulado
‘Teo ia e p á ica da educação a ís ica’, a au o a conside a a comp eensí el que os
es udos da á ea da a e na educação insis issem em p o a a impo ância da a e,
median e os p econcei os que ha ia con a ela” (Sabino, 2020, p. 309).
É impo an e des aca que, nesse pe íodo, já se inicia am mo imen os elacionados ao
o alecimen o do ensino de a e, como, po exemplo, com o I Encon o Nacional de
Educação A ís ica9 e o Mo imen o das Escolinhas de A e do B asil (MEAB). Na
sequência, oco e am e en os como a Semana de A e e Ensino da USP (1980) e a c iação
das Associações Es aduais de A e-Educado es, das quais deco e a c iação da Fede ação
dos A e Educado es do B asil (FAEB), em 1987. Tais acon ecimen os demons am o
início da o ganização e da mobilização polí ica dos a e-educado es em p ol de seu
campo de a uação.10
Desse momen o, cabe ambém aze mos e e ência à impo ância a ibuída ao ensino de
a e pelo abalho com as imagens, dado que i emos em um mundo com uma p o usão
de imagens, mesclando-se aos es udos da cul u a isual. Ganham des aque au o es como
Fe nando He nández (2000; 2007) e, em ou a linha, Ellio Eisne , com a publicação, no
B asil, de seu ex o “O que pode a educação ap ende das a es sob e a p á ica em
educação?”, em 2008. Esses subsídios ambém ão sendo inco po ados aos a gumen os
de de esa do campo.
Com a edemoc a ização do país pós-di adu a mili a e ambém com os deba es pa a a
elabo ação da Cons i uição Fede al, em 1988, en a em cena a de esa de uma educação
pública de qualidade como di ei o de odos e de e do es ado. Tais deba es já
encaminham a de inição de uma no a LDB (1996), pa a a qual passam a se cons an es
as mobilizações em p ol da inse ção da ob iga o iedade do ensino de a e em suas
especi icidades (a es isuais, música, ea o e dança).
Com a no a LDB, Lei n. 9.394/1996, eio a ão sonhada conquis a pelos a e-educado es:
a inse ção do ensino de a e como “componen e cu icula ob iga ó io, nos di e sos
ní eis da educação básica, de o ma a p omo e o desen ol imen o cul u al dos alunos”
(a . 26, §2º.), ainda que não es i essem especi icadas as qua o linguagens a ís icas, o
que só oco e no ano de 201611. Em 2017, no amen e, somos su p eendidos (ou não?),
com a e i ada da exp essão “nos di e sos ní eis da educação básica” do a . 26, §2º., que
passa a exp essa , apenas, “componen e cu icula ob iga ó io da educação básica”,
8 Minis é io da Educação e Cul u a (MEC) – Uni ed S a es Agency o In e na ional De elopmen (USAID).
9 Realizado em 1970, em Po o Aleg e-RS, eunindo ce ca de 800 p o esso es de di e sas pa es do B asil
(Sabino, 2020, p. 304).
10 Ou as associações impo an es, que e le em ambém a p odução de conhecimen o da á ea são a
Associação Nacional de Pós-G aduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), com a c iação do o GT 24 -
Educação e A e, em 2008; e a Associação Nacional de Pesquisado es em A es Plás icas (ANPAP), undada
em 1987.
11 “§6º. As a es isuais, a dança, a música e o ea o são as linguagens que cons i ui ão o componen e
cu icula de que a a o § 2o des e a igo. (Redação dada pela Lei n. 13.278, de 2016)” (B asil, 1996), após
anos de ami ação no Cong esso Nacional, como uma demanda an iga dos p o issionais da á ea.
Ka ine, & Lopon e, 2023 · Communia s, 10, 10-23
COMMUNIARS · ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2023.i10.01
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deixando a in e p e ação da inse ção de como se da ia a a e no cu ículo ao enca go das
sec e a ias de educação.12
A LDB/1996 ambém de iniu, no a . 26, que os cu ículos da educação básica b asilei a
de e iam e uma base nacional comum, “a se complemen ada, em cada sis ema de
ensino e em cada es abelecimen o escola , po uma pa e di e si icada, exigida pelas
ca ac e ís icas egionais e locais da sociedade, da cul u a, da economia e dos educandos”
(B asil, 1996). A pa i dessa Lei, o am p oduzidos ou os documen os que
menciona iam e, de ce o modo, subsidia iam a cons ução de al base, como, po
exemplo, os Pa âme os Cu icula es Nacionais (PCN), de 1997; o Plano Nacional de
Educação (Lei n. 10.172/2001; pos e io men e, Lei n. 13.005 de 2014); e as Di e izes
Cu icula es na Educação Básica, de 2003.
Ou o aspec o a conside a , que ge a impac os e ou as ensões sob e os cu ículos
escola es (e sob e a alo ização ou não de de e minadas á eas de conhecimen o), oi a
eme gência das a aliações em la ga escala no sis ema educacional b asilei o a pa i dos
anos 1990. Essas a aliações, inicialmen e, ad êm da p essão de o ganizações
in e nacionais e, pos e io men e, expandem-se, consolidando o Sis ema de A aliação da
Educação Básica (SAEB), c iado pelo Go e no Fede al e desen ol ido com o apoio de
go e nos es aduais e municipais (Bonamino & F anco, 1999), e não conside am
de e minadas á eas de conhecimen o, como a a e, po exemplo.
Nos mo imen os que seguem, são p omo idos deba es que p ecedem a p odução da
BNCC. Neles, é p oduzido o documen o “Po uma polí ica cu icula pa a a educação
básica” (B asil, 2014), que busca aze subsídios ao deba e cu icula nacional a pa i
da concepção de “di ei o à ap endizagem e ao desen ol imen o”. Sob e as p eocupações
com o ensino de a e, o documen o em ques ão egis a que a a e, al como componen e
cu icula p esen e na escola naquele momen o, ainda ap esen a esquícios de uma isão
u ili a is a, sem dispo de in aes u u a adequada pa a seu desen ol imen o. Também
p e alece a p á ica poli alen e do ensino de a e, ou seja, sem conside a as
especi icidades de cada uma das qua o linguagens a ís icas assim como os cu sos de
o mação docen e.
Tal documen o explici a ainda a condição do ensino de a e, que em mui as escolas, é
eduzida e con undida com a ealização de p á icas pon uais; " elegada a um ca á e
u ili á io pa a i uais pedagógicos de o inização do co idiano escola - ais como
ma cação dos empos de en ada, saída, ec eio, bem como das es as e comemo ações
do calendá io escola (B asil, 2014, p. 59-60). A en ando pa a pon os que ainda p ecisam
de in es imen o, a im de ompe com o ca á e u ili a is a da a e na educação, de modo
a alo iza e busca a implemen ação daquilo que já oi p oduzido pelo campo.
Em 2015, inicia-se, e e i amen e, o p ocesso de elabo ação da BNCC, o qual em,
inicialmen e, ca á e democ á ico, com a pa icipação de di e sos se o es e o ganizações
da sociedade. En e an o, po im, a Base acaba po se ins i uída, en e 2017 e 2018,
con o me os in e esses do go e no daquele momen o, conca enado com in e esses
p i ados e com um p oje o neolibe al de educação.
Na BNCC do Ensino Fundamen al, mesmo que a a e ap esen e ca á e de á ea de
conhecimen o e que, po an o, seja componen e cu icula dessa e apa de ensino,
conside ando-se as qua o linguagens a ís icas (dança, música, a es isuais e ea o),
12 Pa a uma análise mais ap o undada da LDB/1996 e de suas al e ações ace ca do ensino de a e a é o
p esen e, e Vasconcellos e al. (2018).
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es as são mencionadas no documen o apenas como “unidades emá icas”13. Ainda, são
incluídas as “a es in eg adas” (B asil, 2018), ab indo b echas pa a uma ol a à
poli alência, à al a da con a ação de p o esso es com o mação nas di e en es
especi icidades da a e, e c. (ou à con inuidade disso?…).
Em elação à BNCC do Ensino Médio, a si uação se ag a a ainda mais, já que seque a
a e é mencionada como componen e cu icula (que explici a as qua o linguagens
a ís icas) e passa a in eg a a á ea de linguagens, diluindo-se e ab indo a possibilidade
pa a que não seja minis ada po docen e com o mação especí ica. Hono a o (2018)
des aca ou a al e ação p e is a pela LDB e, consequen emen e, pela BNCC, no que se
e e e à Re o ma do Ensino Médio, que:
in oduz de o ma eme á ia que “A Base Nacional Comum Cu icula e e en e ao ensino
médio inclui á ob iga o iamen e es udos e p á icas de educação ísica, a e, sociologia e
iloso ia” (A . 35-A § 2º da LDB, g i o meu). A exp essão “es udos e p á icas” nos eme e
à dis inção en e “disciplinas” e “á eas de es udo e a i idades” ei a em 1971, que pa ece
e elegado a Educação A ís ica a um segundo plano, sendo po isso mo i o de
ap eensão. (Hono a o, 2018, p. 544)
Nessa es ei a, obse amos a pe da do ca á e polí ico da concepção de a e inse ida nessa
no ma i a cu icula . Essa pe da des aca-se, especialmen e, na e apa do Ensino Médio,
que passa a ap esen a en oque na o mação ol ada ao me cado de abalho, com uma
p opos a de edução ex ema da ca ga ho á ia de componen es cu icula es que
compõem a base comum ou a o mação ge al básica.
A BNCC elaciona-se di e amen e a um p oje o neolibe al de educação, inculado à
manu enção e à expansão dos in e esses do me cado, cuja elabo ação e e, ao inal, a
condução e o incen i o à implemen ação po undações de in e esses p i ados.
E idencia-se, desse modo, um p ocesso de des alo ização dos sabe es de p o issionais
da educação, na onda de um discu so de mode nização da educação. Relacionado a ais
ques ões, Sabino a en a pa a o “deslocamen o que a ideia de c ia i idade so eu ao longo
do século XX no campo educacional, me amo oseando-se, nas duas p imei as décadas
do século XXI, segundo uma no a acionalidade: o emp eendedo ismo” (Sabino, 2020,
p.331) – mui o p esen e na BNCC. Com isso, cabe o ale a pa a comp eende mos o que
emos ei o e ep oduzido (como ensino de a e) e, ambém, en ende mos nossas p á icas
a pa i de uma pe spec i a his ó ica. Dado o con ex o em que i emos, ainda cabe ia
jus i ica o ensino de a e pela ia da c ia i idade?
Quan o às cons an es e necessá ias jus i ica i as pa a o ensino de a e, Hono a o (2018)
ensiona uma análise de Ana Mae Ba bosa, em elação à Lei n. 5692/1971, quando es a
au o a condena que ais jus i ica i as não passa am de uma másca a humanís ica pa a
um p oje o educacional ecnicis a:
Po que a di adu a e ia se p eocupado em “masca a humanis icamen e” sua on ade
ecnicis a? Quais são as nossas ga an ias de que a ob iga o iedade a ual
ambém não es eja se indo de másca a? Qual e á sido e e i amen e o papel da
Educação A ís ica na escola p o issionalizan e que a di adu a quis omen a ? (Hono a o,
2018, p. 544. G i os nossos).
13 Pe ei a e Lopon e (2019) ale am pa a a edução d ás ica do ex o em sua e são inal, o que implicou
numa e são mui o esumida da desc ição de cada linguagem a ís ica, além de a á-las como unidades
emá icas. "Nos di e en es componen es cu icula es, a o ganização po unidades emá icas unciona
ealmen e como o ganização de emas de cada componen e. No caso do componen e cu icula A e, as
unidades emá icas e e em-se a á eas de conhecimen o consolidadas, com especi icidades e con ex os
his ó icos, cul u ais e p á icos bem delimi ados” (Pe ei a & Lopon e, 2019, p. 185).