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O contacto no acolhimento familiar. O que pensam as famílias de acolhimento e de origem e quais os desafios que se colocam para o desenvolvimento da sua relação

Delgado, Paulo; Pinto, Vânia S; Caravalho, João M.S; Oliveira, Joana

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206 O CONTACTO NO ACOLHIMENTO FAMILIAR. O QUE PENSAM AS FAMÍLIAS DE ACOLHIMENTO E DE ORIGEM E QUAIS OS DESAFIOS QUE SE COLOCAM PARA O DESENVOLVIMENTO DA SUA RELAÇÃO PAULO DELGADO InED, Escola Supe io de Educação do Po o / CIEC, Uni e sidade do Minho, Po ugal [email protected] VÂNIA S. PINTO InED, Escola Supe io de Educação do Po o / REES Cen e, Depa men o Educa ion, Uni e si y o Ox o d, UK ania.pin [email protected] JOÃO M. S. CARVALHO CICS.NOVA.UMinho, InED / Escola Supe io de Educação do Po o, UNICES-Ins i u o Uni e si á io da Maia, Po ugal jca [email protected] JOANA OLIVEIRA InED, Escola Supe io de Educação do Po o joana.oli ei a.18@ho mail.com Pala as-cha e Sis ema de P o eção de C ianças e Jo ens; Acolhimen o Familia ; Con ac o; Educação de Adul os; Desen ol imen o. 1. In odução Quando uma c iança ou jo em mal a ada é e i ada da sua amília e passa a i e em acolhimen o amilia , o con ac o en e a sua amília de o igem e a amília de acolhimen o é ine i á el, mas coloca ques ões complexas. A elação que se es abelece, de modo di e o ou indi e o, en e os acolhedo es e a amília da c iança acolhida, pode-se pau a pela ecusa ou pela acei ação, pela coope ação ou pelo con li o, e depende de um as o e complexo g upo de a o es in e dependen es, como a disponibilidade da amília de o igem, o empo de pe manência no acolhimen o, os ipos de maus a os so idos, o pe cu so no sis ema de p o eção, a pos u a dos acolhedo es, o acompanhamen o p es ado pela equipa de acolhimen o, e c. (Moye s, Fa me , & Lipscombe, 2006; Osbo n & Del abb o, 2009; Sen & B oadhu s , 2011). Os acolhedo es desempenham um papel cen al no elacionamen o en e a c iança e a sua amília de o igem, que é econ igu ado com a colocação. Espe a-se que a amília de acolhimen o seja capaz de ama e de educa de modo comp ome ido, e de ge i a elação e os con ac os com a amília de o igem, de modo a con ibui pa a a ansição 207 que a c iança enha a aze , no cu o, médio ou longo p azo, con o me se conc e iza o seu p oje o de ida. O desen ol imen o de uma boa elação com a amília de o igem acili a, em p incípio, o con ac o e a p óp ia in eg ação da c iança. P oduz po encialmen e e ei os bené icos na c iança, de que são exemplos: o o alecimen o da sua iden idade; a diminuição da ansiedade e de um possí el sen imen o de culpa; a edução dos sen imen os de pe da e de ejeição; e a p omoção da au oes ima (T iselio is, 2010). O es udo des a emá ica assume uma ele ância c escen e pe an e a necessidade de se conhece em os pa âme os do con ac o, de modo a po encia as a iá eis que p omo em a elação en e aqueles a o es, e a con ola e a ge i as condicionan es associadas a esul ados mais pob es ou inacei á eis, que podem, inclusi e, conduzi ao abandono da c iança po pa e dos seus pais du an e o acolhimen o, ou à u u a do p óp io acolhimen o (Vande aeillie, Van Holen, & Coussens, 2008). Es e es udo p e ende e le i sob e o con ac o en e acolhedo es e a amília de o igem da c iança, no malmen e os seus pais, iden i ica os obs áculos pa a a sua ealização, e analisa o modo como as amílias de o igem e as amílias de acolhimen o se elacionam, assim como pe cecionam e a aliam a ealidade. 2. Mé odo e amos a Numa ase inicial, desc e emos o pe il das amílias de o igem e das amílias de acolhimen o, eco endo a um es udo ealizado no dis i o do Po o, que ca a e iza o acolhimen o amilia e o pe il dos seus p o agonis as (Delgado e al., 2013), e que disponibiliza dados e e en es a 214 amílias de o igem e 168 amílias de acolhimen o. Es e es udo se á complemen ado com dados que o am ecolhidos ecen emen e, num segundo es udo que abo da o con ac o no acolhimen o amilia no mesmo e i ó io (Delgado e . al, 2016), e que euniu in o mação e e en e a 39 c ianças que o am colocadas após a ealização do es udo de 2013. A in o mação ob ida a pa i dos ques ioná ios ealizados jun o das amílias de acolhimen o e das equipas das en idades de enquad amen o que as acompanham, oi a ada es a is icamen e com ecu so ao so wa e SPSS. Num segundo momen o, o abalho apoia-se numa abo dagem de ca iz quali a i o, com base na análise das en e is as ealizadas a uma amos a de 10 amílias de o igem e 10 amílias de acolhimen o do dis i o do Po o. A pa i das c ianças e jo ens acolhidos no dis i o do Po o, escolhe am-se, alea o iamen e, 17 c ianças e jo ens que inham con ac o com a amília de o igem pa a pa icipa em em g upos ocais, com base em ês c i é ios: géne o, escalão e á io e empo de acolhimen o. Po sua ez, a pa i des a amos a, oi possí el em eze casos agenda en e is as com os p o issionais que acompanha am o seu acolhimen o, as suas amílias de o igem e espe i as amílias de acolhimen o. No deco e das en e is as, ês amílias de o igem desis i am do es udo, icando a amos a inal eduzida a um o al de dez casos. 208 P e endeu-se com es a iangulação c uza a pe spe i a dos p o agonis as da medida, de e ando conco dâncias e disco dâncias que, no seu conjun o, cons oem uma in e p e ação a alia i a dos esul ados do con ac o en e os acolhedo es e a amília de o igem da c iança acolhida. Reco eu-se à análise de con eúdo dos ex os das en e is as e dos g upos ocais u ilizando o so wa e MAXQDA 10.0, endo-se ag upado a in o mação em dimensões emá icas (ca ego ias), mu uamen e exclusi as. 3. Resul ados 3.1. Pe il das amílias de o igem De aco do com os dados ecolhidos em 2013, no es udo de Delgado e . al (2013), o pe il das 214 amílias de o igem das c ianças e jo ens em acolhimen o amilia é cons i uído po pais jo ens que, na sua maio ia, se cons i uí am como casal, embo a à da a do es udo apenas 20% se man i essem nes a si uação, de ido a sepa ação ou à mo e de um dos elemen os do casal. À da a do acolhimen o, as idades médias dos p ogeni o es si ua am-se nos 36,8 anos (DP = 7,616) pa a os pais e nos 34,12 anos (DP = 7,966) pa a as mães. A maio ia das amílias de o igem das c ianças em acolhimen o amilia em mais de dois ilhos, sendo o g upo de amílias com dois e ês ilhos o mais ep esen a i o (44,1%), ha endo 25 (12,3%) com um único ilho e 51 com cinco ou mais ilhos. Rela i amen e à si uação labo al, o desemp ego e o abalho p ecá io são mui o equen es. Quando se analisam os dados e e en es às p o issões dos pais que se encon am no a i o, elas são sob e udo ligadas à indús ia e cons ução ci il (23 pais), ou aos se iços, comé cio e anspo e (como po exemplo, calce ei o, ca pin ei o, pin o de au omó eis, e c). São, essencialmen e, ca a e izadas po se em p o issões que não exigem ele adas quali icações escola es, su gindo a cons ução ci il como a mais exp essi a (13 pais). Quando es udamos a si uação p o issional das mães, es es dados di e em mui o daqueles ob idos pa a a si uação dos pais: e i ando as 85 mães de quem não se em in o mação e e en e a es a a iá el, das 129 es an es, quase me ade das mães es a a desemp egada (60 mães, o que co esponde a 46,5%), es ando apenas 23 mães emp egadas (17,8%). As mães exe ciam, al como os pais, p o issões que não exigem ele ada escola idade e a que co esponde baixo salá io (ope á ias, auxilia es de educação ou limpeza). Nes e g upo, 16 mães abalha am na á ea de se iços e comé cio ( es au ação, limpeza, endas, ou auxilia es de educação); 2 na indús ia êx il; as es an es em abalhos p ecá ios; e uma es a a de ida. Os pais das c ianças em acolhimen o amilia são pessoas na sua maio ia com p oblemas económicos, psicológicos/psiquiá icos e sociais g a es. Nos 124 pais, de quem oi possí el ecolhe in o mação, o compo amen o adi i o é o p oblema com maio exp essão (64%), p eponde ando o alcoolismo nes e g upo (57 pais), logo seguido da 209 condu a ag essi a (15,3%). Os p oblemas económicos e as doenças ( ísicas e psiquiá icas) su gem ambém com alguma ele ância (7,3% e 5,6%, espe i amen e). Tal como no g upo dos pais, nas mães, os p oblemas mais equen es são: o compo amen o adi i o (25,6%), com 36 si uações de alcoolismo e 10 de ou o ipo de dependências; os p oblemas de saúde ou de de iciência ísica ou men al em 24,5% dos casos (44 mães); os p oblemas económicos em 22 si uações (12,2%); a p os i uição (13,3%); as condu as ag essi as (5,6%); e as ou as si uações em meno equência. Em 2016 (Delgado e al., 2016), o am ecolhidos dados que ca a e izam as 39 no as c ianças e espe i as amílias de o igem, que en a am desde 2013 no sis ema de acolhimen o amilia . A idade média dos pais des as c ianças e a de 40,7 anos (DP = 8,9), enquan o nas mães, a idade média e a de 35,4 anos (DP = 9). Quan o à si uação labo al, não o am acul ados dados ace ca de 15 pais e oi o mães. Es a am emp egados somen e dois pais (um na á ea da cons ução ci il e ou o numa á ea não especi icada pelo écnico) e duas mães (ajudan e de cozinha e ope á ia ab il). Os desemp egados são 16 nos pais (41%) e 24 nas mães (61,5%). Seis pais es a am em ou as si uações não disc iminadas. Sabe-se que uma mãe e a es udan e, que duas mães es a am e o madas (in alidez e p oblemas psiquiá icos), e que ou as duas se dedica am à p os i uição. Fo am e e enciados á ios ipos de p oblemas com os pais des as c ianças, mui os deles cumula i amen e: 48,6% dos pais e am ag esso es num con ex o de iolência domés ica (17); 22,9% inham p oblemas económicos g a es (oi o); 17,1% e am alcoólicos (seis); 14,3% es a am p esos (cinco); 11,4% e am oxicodependen es (qua o); 3,7% e am delinquen es (dois); um e a mendigo; e não o am acul ados dados ace a oi o casos. As mães ap esen a am p oblemas semelhan es ou complemen a es: 48,7% e am í imas de iolência domés ica (19); 38,5% inham p oblemas económicos g a es (15); 17,9% p oblemas psiquiá icos (se e); 6,2% e am alcoólicas (qua o); 6,2% e am oxicodependen es (qua o); 5,1% ap esen a am de iciência psíquica (dois); 5,1% inham en e midade c ónica; uma mãe dedica a-se à mendicidade; e não o am acul ados dados sob e no e mães. 3.2. Pe il das amílias de acolhimen o No que se e e e à es u u a das 168 amílias de acolhimen o do dis i o do Po o, a maio ia dos acolhedo es e am casais (78,6%), ha endo 35 mulhe es que acolhiam sozinhas (20,8%) e uma si uação em que o homem acolhia sozinho. A média de idades da acolhedo a e do acolhedo são bas an e p óximas, espe i amen e de 54,12 (DP = 8,9) e de 56,29 (DP = 8,6) anos. T a am-se de amílias maio i a iamen e en elhecidas, uma ez que os acolhedo es com mais de 56 anos ep esen a am p a icamen e me ade do o al dos acolhedo es (49,8%, co esponden e a 148 acolhedo es de um o al de 300). 210 Os acolhedo es êm essencialmen e o 1º ciclo do ensino básico (107 acolhedo as [64,8%] e 89 acolhedo es [67,4%]), e acolhem maio i a iamen e enquan o casal. Mais de 90% das acolhedo as êm ilhos p óp ios e aqueles que i em na esidência da amília êm uma média de idades bas an e supe io à das c ianças acolhidas (21,91 e 13,88, espe i amen e), o que nos le a a p esumi que a disponibilidade pa a acolhe c ianças é maio quando os ilhos p óp ios já são jo ens/adul os, podendo o acolhimen o signi ica pa a os acolhedo es uma espécie de al e na i a que possibili a a con inuidade do desempenho de unções pa en ais. Es a ealidade pode ambém explica o ac o de mui os acolhedo es e em mais de 56 anos. Enquan o as acolhedo as são maio i a iamen e domés icas (64,3%), mais de me ade dos acolhedo es es ão a i os p o issionalmen e (51,2%). A maio ia dos casais (60,3%) em só um dos elemen os a abalha e em 33,6% dos casais ambos os elemen os es ão sem abalha , o que nos pe mi e conclui que es amos pe an e amílias com uma conside á el disponibilidade pa a cuida das c ianças acolhidas. Es as amílias êm longos pe cu sos no acolhimen o amilia , embo a o núme o o al de c ianças acolhidas ao longo do acolhimen o seja eduzido e as c ianças se man enham acolhidas na amília du an e mui os anos, pa adoxalmen e, ace ao ca á e empo á io da medida. 3.3. Análise dos dados ecolhidos nas en e is as Es e abalho p e ende analisa como as amílias de o igem e de acolhimen o se elacionam, uma ez que, ace à exis ência de con ac os com a c iança, ce amen e se ão es es os dois in e enien es com maio in e ação, po se encon a em equen emen e no início e é mino das isi as e po que na maio ia dos casos as isi as deco em na casa das amílias de acolhimen o (Delgado e al., 2016). É no ó io que ace aos dez casos, as amílias de o igem pe cecionam a elação com os acolhedo es como de maio qualidade (com a exceção de dois casos), sendo possí el ex ai a a és do seu discu so que as classi icam maio i a iamen e com ‘ azoá el’ ou ‘bom’, compa a i amen e aos acolhedo es que conside am a qualidade da elação com as amílias de o igem como ‘ azoá el’ (Figu a 1). Exis em conco dância em apenas 4 casos. Figu a 1 – Compa ação da a aliação da elação en e as Famílias de Acolhimen o e as Famílias de O igem, em e mos de qualidade. Fon e: Elabo ação p óp ia 12345678910 Acolhedo Família biológica Medíoc e Razoá el Bom Mui o bom 211 A di iculdade de comunicação é ilus ada no seguin e es emunho da FA4: “ oi semp e di ícil, com es a amília (…) Com o senho J. e a senho a N. não, ele só sabe be a . Na ideia deles, se não exis issem amílias de acolhimen o não lhes i a am os ilhos. E na ideia dele se os ilhos i essem que sai de casa, mais ale i em pa a um colégio in e no. Ele disse isso ao juiz, que p e e ia que ossem pa a um colégio. Não acei am amílias de acolhimen o”. Su gem ou as ci cuns âncias em que a comunicação a é é ácil, mas nem semp e p oduz os e ei os espe ados. De aco do com a FA7 ( amília de acolhimen o), “Eu consigo comunica acilmen e com ela ou com a ia a é se o p eciso. Só que depois, aquilo que eu digo, ela diz-me udo que sim, que sim, que sim, mas não ai cump i nem me ade do que disse, ou do que eu en o explica -lhe, ou mos a -lhe… Ela não é uma pessoa assim mui o, não dá mui o eedback a ní el de con e sação”. As c ianças êm uma pe ceção do elacionamen o que os pais desen ol em com os acolhedo es. No caso de Rena o (7 anos), o pio de e sido acolhido é o pai alha com a sua acolhedo a. Anabela (12 anos), esponde que “O meu pai e a minha ia (a acolhedo a) es ão semp e a discu i ao ele one, o meu pai cha eou a minha ia. Na minha opinião o meu pai não az nada, a minha mãe ainda en a esol e os p oblemas com a minha ia, mas ambém quando pode ajuda, quando não pode não ajuda. P- E o eu pai acaba po discu i ao ele one com a ua ia po que a ua ia gos a a que ele e p ocu asse mais ezes e ele não o az é isso? A.F. - Sim, sim. E ambém po que nós ambém chamamos a amília de acolhimen o po io e o po ia e o meu pai diz pa a não a a mos po ios”. Na igu a 2, pode-se cons a a que as amílias de o igem são classi icadas maio i a iamen e como coope an es ace à colocação da c iança ou jo em, po 5 amílias de acolhimen o e po 7 p o issionais da equipa de acolhimen o, bem como po 5 amílias de o igem, que se au oa alia am da mesma o ma. Des aca-se igualmen e uma signi ica i a equência de classi icações de oposição, po 4 acolhedo es, 3 p o issionais da equipa de acolhimen o e 4 amílias de o igem. Em conco dância encon am-se 80% dos acolhedo es e p o issionais da equipa de acolhimen o, e 60% dos acolhedo es, p o issionais da equipa de acolhimen o e amílias de o igem. Figu a 2 - Compa ação da a i ude da amília de o igem ace à colocação. Fon e: Elabo ação p óp ia 1 4 5 0 3 7 1 4 5 Ambígua Oposição Coope açã o Acolhedo Técnico de acompanhamen o 212 Uma pa e das amílias de o igem e oluiu da oposição inicial pa a uma acei ação da sepa ação, po conco da com ela ou po que desen ol e am uma es a égia de adap ação que lhes pe mi e man e a espe ança do eg esso da c iança a sua casa. A FO2 ( amília de o igem), po exemplo, a i ma que a ualmen e “acei o bem as coisas. Calma. Tenho de es a calma”. Toda ia, no início da colocação “não acei a a mui o, mas ago a enho que acei a . Foi complicado. Sen i-me e ol ada. Encos a am-me à pa ede. Acho que is o não se az a ninguém. Ti á-los no meio de uma aula, puxá-los. Há ou a manei a de aze as coisas sem se à b u a. Re ol ada. Como se me espe assem uma aca no pei o”. A FO7, po seu u no, ace à pe gun a «como se sen e a ualmen e pe an e a colocação», esponde: “ago a, à inda pa a cá, cus a mais. Eu que o é i ê-los. Pa a cá a gen e já em mui o em baixo. Não é que eu seja mais o imis a do que ele ( e e e-se ao pai), mas… Temos de olha pa a a en e, po mais que nos cus e, po mais que nos doa. Temos de aze o melho po que não con ém os pais i em abaixo”. P. (Pe gun a)- E no início da colocação? “Foi mui o dolo oso pa a os ês”. Es a e olução é econhecida pelas amílias de acolhimen o. Pa a a FA1, a a i ude inicial da amília de o igem oi mui o ag essi a: “Eles ica am mui o e ol ados, que iam ba e em oda a gen e, ize am pa a lá mui as coisas. P. - E ago a no p esen e? – Ago a no p esen e es á mais…acei am melho . Vêm ambém que o An ónio es á mui o melho e acei am”. Numa das si uações, oi possí el p epa a a ansição da c iança pa a a amília de acolhimen o (FA2). No início, a mão es a a p eocupada se os ilhos iam ica bem na no a casa. Os acolhedo es ize am en ão um apanhado “de algumas o og a ias que ínhamos da casa e mos amos à mãe. Não oi logo no p imei o dia que nos encon amos que ela eio pa a nossa casa. Foi p imei o uma p epa ação, explica o que ia acon ece , o que é que e a. Ap esen a am-nos à mãe e a ou o casal que ambém es a a lá e que, na al u a icou com o mais pequenino, mos amos a nossa casa po o os. P. - E acei ou que ela icasse aqui colocada? - Acei ou, lág ima no olho, na mesma, como qualque mãe. Mas depois olhou pa a nós e começou a en ende que… eu acho que ela pensa «se calha a é es á melho ali», pe cebe? Mui as das ezes eu penso assim «ela não lhe que liga , mas se calha ela já não em à isi a mais ezes, po que pensa ela es á melho ali» po que ela é capaz de não e capacidade e condições pa a lhe da um u u o que…, no mal, não é? Também pode se po esse lado. P – E essa a i ude de acei ação, po que no undo a mãe acei ou e pe spe i ou que a menina es a ia bem aqui con osco, man ém-se ambém ago a no p esen e? Po an o, no início ela acei ou, e ago a? 213 Tudo no mal. Sim, ela acei a.” Nou os casos, a oposição inicial p olonga-se a é ao p esen e, como sucede no caso da FO9, que eclama o eg esso imedia o da c iança: “Mãe (M.) - Acho que já…já é sa u an e… Pai (P.) - Já bas a, já chega, já… M. - Já bas a, acho que já es a a na al u a de ele… P. - É que es ão a es aga o miúdo e es ão-nos a es aga a nossa ida a nós ambém. M. - Acho, acho…p on o, já es a a na al u a de…eles, de o ibunal, i da uma pe spe i a… P. - A única coisa que eu que ia a anja , e a um emp ego pa a… e os miúdos em casa. (…) M. - Eu sei que sem abalho… Eu sei ambém, eu sei. Sei po que eu já i lá, sei de duas ou ês senho as que não inham abalho e as c ianças ol a am pa a casa, mesmo com o Rendimen o de Inse ção Social. E ica am na mesma com o Rendimen o de Inse ção Social e os miúdos ol a am pa a casa (…) P. - Es amos a pe de a in ância, a in ância dos ilhos (…)” No pon o de is a dos p o issionais, a a i ude da amília de o igem depende do seu consen imen o e da o ma como se p ocessa a e i ada. Si uações de oposição associadas a exposição pública ge am sen imen os de e ol a que demo am empo a ul apassa , ou que se p olongam e pe manecem no elacionamen o com a equipa de acolhimen o. É o caso na ado pelo P10 (p o issional), em que uma c iança “ oi e i ado de o ma iolen a, com a p esença da polícia, não oi a ancado dos b aços da mãe po que já e a mais c escidinho, mas a imagem oi a mesma, o con ex o e a mui o complicado, po an o sem consen imen o, com manda os judiciais pa a a e i ada, po que o con ex o e a mui o mau de á ico e consumo de d ogas (…) e, po an o, i emos a oposição des a mãe e das ou as mulhe es, e das pessoas que i iam ali no con ex o”. Os dias seguin es o am necessá ios pa a acalma , p ocessa e i e com a no a si uação, “e ela ade iu, po que apidamen e pe cebeu que os meninos es a am bem e a oposição e minou. A oposição es á ci cunsc i a ao momen o, que é um momen o público de ua, (…) embo a odo o meio se compadecesse com as his ó ias des es meninos pois oi o meio que denunciou, oi o meio que denunciou a ome e os maus- a os em que eles es a am, mas a a i ude oi essa naquela ase”. O es emunho do P3 é o almen e di e en e, um caso em que a amília de o igem dá o consen imen o e em que oco e uma isi a p é ia an es da e i ada: “an es da p imei a is a, ma camos uma en e is a com a amília de o igem, não sabíamos do dia da e i ada, pa a nos conhece em a nós e ao se iço que p es amos, explicando quem es á a acompanha os ilhos, de qual é o nosso da papel, o papel da amília de acolhimen o, 214 de o ma a odos os papéis iquem bem de inidos e bem comp eendidos, logo nessa pa e”. A mãe acei ou a saída da ilha “e em a expe a i a - a cu o ou médio p azo - que os meninos eg essem. Es á a cump i as ações com as quais se comp ome eu, pa a que possa ob e esul ados”. Em suma, a acei ação e a comp eensão possibili am uma elação posi i a en e a amília de o igem e a de acolhimen o: “nes e caso, a mãe ê as pessoas da amília de acolhimen o como e e ências, de apoio, cuidado es. Acei a a colocação, sen e que es ão mui o bem cuidados, es ão mui o melho e que no u u o os e á de ol a. É esse o pensamen o”. 4. Discussão e conside ações inais En e as p incipais implicações pa a a p á ica des aca-se, po um lado, a necessidade de in e i com a amília de o igem, p e enindo as si uações de negligência, e ga an i o acesso à educação, à o mação, ao emp ego e à saúde; e po ou o, desen ol e es a égias que incen i em a coope ação das amílias pa a a mudança necessá ia, pa a que a euni icação se conc e ize, se o possí el, ou pa a p omo e o elacionamen o com os acolhedo es e a c iança, se o acolhimen o se p olonga . Impo a igualmen e conhece melho as consequências da medida do acolhimen o amilia na ( e)o ganização da amília e in es i na sua quali icação, uma ez que es es homens e mulhe es, pais e mães de c ianças colocadas em amílias de acolhimen o, cuidam de ou os ilhos, que não es ão sob medida de p o eção. No que diz espei o às amílias de acolhimen o, é undamen al p io iza os p ocessos de seleção e o acompanhamen o dos acolhedo es, aumen ando e quali icando a “bolsa” de amílias disponí eis, e assegu ando espos as adequadas a p oblemas especí icos das c ianças e jo ens. As e idências ecolhidas apon am pa a a necessidade de se ape eiçoa o sis ema de comunicação e a in e ação en e os acolhedo es, a c iança e a amília de o igem. U ge cla i ica o papel que cabe, nes a eia complexa de elações, a cada um dos seus a o es, pa a ga an i a e e i a p o eção e segu ança da c iança, e pa a pe mi i uma a aliação adequada sob e a con inuidade do con ac o e do p óp io acolhimen o. A in e enção, nes e âmbi o, em de p es a mais a enção à amília de o igem e p ocu a in e p e a c i icamen e as azões que le am ao seu a as amen o do p ocesso, e à adoção de uma pos u a c í ica ela i amen e ao acolhimen o. Des e modo se á possí el desen ol e p ocessos elacionais inclusi os, que en em melho a a elação com os acolhedo es e que p ocu em ap oxima as amílias de o igem dos seus ilhos e da omada de decisão du an e o acolhimen o. Ao ní el das p incipais di iculdades pa a a ealização do con ac o, pode-se des aca que os acolhedo es iden i icam a elação com a amília de o igem, enquan o as amílias de o igem iden i icam po sua ez as di iculdades económicas e logís icas, associadas às deslocações, como os meios de anspo e disponí eis e a despesa que ep esen a pa a as amílias. Es as di iculdades são ul apassá eis, podendo o sis ema de p o eção disponibiliza os ecu sos que acili em as iagens e supo em os enca gos, de modo a