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Oraçam funebre nas exequias da serenissima rainha, E S.N. D. Maria Sofia Isabel de Neoburg, celebradas no Real Monasteyro de S. Dinis de Odivellas no dia 19 de Outubro de 1699

Pedro de la Encarnación

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FÚNEBRE NAS EXEQUIAS DA SERENÍSSIMA RAINHA, E S.N. D. MARIA SOFIA ISABEL DE NEOBURG. CELEBRADAS NO REAL MOSTEYRO DE S.Dinis de Odivellas no dia 19.de Outubro de 1699. p R e g o v ■ A DOM PEDRO DA ENC ARN AC,AM, Conigo Regdar de Santo Auguflinho da Congregação de Santa C«<, de Coimbra, E A DEBICA \ O EMINENTÍSSIMO SENHOR LUÍS DE SOUSA, CARDEAL DA SANTA IGREJA DE ROMA, Arcebiípo de Lisboa,do Concelho de Eflado de Sua Mageílade,& feu Cappellaõ Mor, &c. LISBOA Na Officina de MANOEL LOPES FERREI R A ~ M. DCC. . Com todas as licenças necejjarias. <Dü üâLGi Kl d< m OÂYttiOM JJiSM 014 .ZAÚAtójãã th orhiuO sb.çx síbofi EcIbvibO^b ainiG.2 .v - ^ o o :í 'a h . * . . v/ -Vi Ovm^V^VvK QV.üãt v . ''dvv d‘i /• t' ■ Úí JdVi' - • •;Vi KH e; ;v ri K A .;• ' í t h 3 > o '-fi - * v K •: ■ ; ! ?: a o ;- ^ ^ J Í)P if.v 1 . *• -á'>^5 ; X_ P \,jk v-JL t / dG'-JT Síl AJ3ADI AT5ÍA2 A <3 JAdiA/., :. ; 3 vb obrdlH q:!hv:»ol> ob.sodd. í th o ; ; A .o. A . X\; V í-r s* •A O a' 2 í J •A:." : . 13:13 Z:K-)J : . d : ,fii r: : 0 .3 . p :j ci .h Vd^’iV; IVXY- )Ú Uv lü/: Vn',3) AO EMINENTÍSSIMO senhor LUIS DE SOUSA, CARDEAL DA S. IGREJA DE ROMA, Arcebiípo deLisboa,do Concelho de Eftado de Sua Mageftade,& leu Cappelláõ Mòr,&c. E -para feilluflrarem asfombras ,fá ■ podem contribuir alentos os refplandores, nos fublimes quanto magníficos luJimetos de Eminência buf ca o mais bnlkante patrocínio a minha ignorancia^feguro de que osprecifos óbices da cenfura pofjaó deslufir cflefúnebre Panegyricopois confeguird nos refpejtos do Mecenas o que pode re¬ cear nas faltas do Orador. A obediência de hum Su¬ perior ,0 a repetido preceyto me fe^ inefcufavel reprefentar aos olhos do mundo o que fó merecia os cár¬ ceres dofilencio:porem confiderej ao mefmo tempo , q fe mais que todos devia eu manifeftar hü inextinguivelfentimento^ainda era efie limitado facrificio j pois^ quem attender a motivo tao inef infavel , conjiderara fó que qui\ gravar nas letras os fufpiros 7 f em intrcu A jj dujtrje dujirfe a efpemUçdo dos erros .Comefle falvo condu¬ to dedico a V.Eminência, efta exterior viclima do meu pranto, por todas as rafe'Úes devida, & por todos os motivos juftificada.porque fe oleai a ffetlo de IS.Emi¬ nência mantfefta ainda o fentido excejfo da fu a ma¬ goa, pelo muy to qUea Rainha N.S.que Deos temfouhe eflitnar as prendas de N. Eminência, a quem fepol dia offerecer efie lucíuofo holotaüfto,fenao a que acer¬ ta a fabricar durações no fentimento ? No relevante dif:mfode IS Eminecia adquire efle Panegyrico ou¬ tro motivo inevitávelpar a fe lhe conflagrar;pois fe fá fahe fentir aquelle qns acerta a conhecer ,comolS.E - ( minencia ter d o melhor conceyto de tao fenofa falta, qualificara com melhor attemao efta incomparável pena. Finalmente fe quanto mais elevadofe fuhlima o monte, mais feguro de injurias f ? jacla o val!e,?w foA berano monte de IS. Eminência ter d o valle da minha wfufpcienáa as melhores fombras j em que fópeço a , N. Eminência defculpe bua oufadia fabricada na officina do affeão, para exprejjaô de hum rendimento o rnais obrigada,que efpera em IS. Eminência o auxilio tnaisgenerofo. Guarde Deos a IS, Eminência . Mais humilde Orador ; & íèrvo de V.Eminência, D. PEDRO DA ENCARNACjAM. NA NA ORAC,AM FU NE B R E, QUE 0 M.R-P-M-Dom Pedro da Encarfiaçafi, Conigo Regular da Ordem de Santo Aftfftftinho 0 fe^ nas Exéquias da Ser enigma Rainha N. S. no Real Convento de S. Dinis de Odivellas. DE TROILLO DE VASCONCELLOS SONETO. A Queila dor mortal hoje explicada Defuperioralento,fe duvida, Se executada he mais para fentida, Se repetida he mais para chorada ? Mas quando alta eloquência íuperada A verdade deyxou por excedida, Mais atormenta a magoa perfuadida, Menos avulta a pena executada. Sendo cruel eftimulo ao tormento, Mayor faõ da alma horror,da vida efpanto Pafmo a elegancia,a narraçaô portento. Obíèquio fabio a fentimento tanto, Que mais cultos dedica ao fentimento Quem mais motivos multiplica ao pranto. Aiij DO DO SENHOR DE MELLO D E C D E forte ms ele v afies Nefte Sermaõ quefifefles, One a magoa ms fufpendefles Quando a dor nos recordajles: Hüa mara vilha obrafies Com a luz. do entendimento, Pois etn tanto fentimento Ptidefles para mais gloria Traz.er a perda d memória, E tirar o ufo ao tormento. M A S. Sufpendeo-fc em cada qual Martyrio tao exceffivo, Porque entaõ o fenjitivo Se deu todo ao racional : NaÕ teve forças o mal , Que ouvindo a voffa Oraçao , Se embargou toda a afflicçaõ De taõjujlo fentimento } Porque a tra s do entendimento Foy também o coraçao. D0 M.R.R.M. DOM LEONARDO DE S.foftfpbyComgó Regular de S. Augúftmho,&‘ Pr egador de Sua Mageftade. decima. E S ta Oração funeral, Que tanto a fama apregoa, He digna de fer coroa Sb do tumulo real ; Se logra vida immortal A que reyna em pazfagrada, Ne fia Oraçao celebrada Se ve melhor efculpida , Por fer retrato da vida Morte que foy tao chorada. HEXf, 7 REU, HEU , HEU DOMINE DEUS , decepiftifiopulmn Jerufalem , <$- çens; eritvobis: & eccepewenit gladimufque ad animam? Hierem.cap. 4. Muyto alta, & muyto poderofa Rainha, & fenhora noíTa,íèmpre noflapelo affedo, jamais alta pelo throno 3 & nunca mais poderofa pelo celeftial domínio. ORROROSAS batalhas do penfamento, caliginofasreprefentaçõcs do difcurfo,fe fabcis fomentar o eftrago dos accidentes, para quando refervais o afogo dos defmayos?Sa na vacillante confufaõ das penas titubea o entendimento entre as anfias como naõ rôpe o fatal exceíTb das anfias nos triftes preci¬ pícios, que lhe perfuadem as penas ? Fúnebres afflicções^tenebrofas imagensjrremediaveis lembranças., faudofas potécias, obfcuros perturbadores obje&os atrozes melancólicos mi* niftros,ou haveis de afiiftir para o incefiavel tormento, ou tranfcende a voífa esfera o fuperior quebranto. Se em caraáeres de lagrymas perpetuas gravàraõ os Egypcios as faudadespenofas, que na falta daquella irracional Deidade profanàraó o fentimento com a vil reverencia. Tibull 1 Barbara Mmphitem ptanger e dottabovem. ce / et 7 , 2 . Como feraõ defta anguftia os deftroços,íe fc medern |Lf a ò . , , „ Oraçao Fúnebre B Ímndof°N/ e f alent f' ? C , omo ferà dos Pintos o combate, quando fabrica a meftna rafaõ o parocifmo? E como k nódem «agonias remediar guando naó fe akançaõ as faltas aS pender. AquelealTombro dos refpeytos, aqúelle eflimulo dos agrados, aquella Clicie das virtudes, k JJk firmam l aS ( i-' r ' ys°« a «nçada dos breves efpaços da vida humana, paííou a eímalcar os thronos da floria divina a Wní/r p Ja ca.uahdiíde do conforcio, mas também Monarca das vó tades no domínio. Oh morte quanto arrafiaõ os teus rieores' Quanto confeguem os teus atrevimentos i Pois naó fó desba ! ratas dos corpos o animado,, mas ainda deftroes das almas o fenfitivo! Oh tormento venenofo da aufencia .qüe poderofa efgnmes a aft.v.dade, pois quando faó as vozes remedia das SSS 35 hftimas “masmefmas vozes Nef SS^Í^r° S ^ CStra 8 Í C,? ? í ut0!; > neft ^orren. flLafi a ra? ftes P 3 ]P Itantes ecc os,fe def nterra da af !orô n? 1 ( ,t,,J qUSJ1Z d ° COra ? aÓ na vivent < ^P»!m r a , . P 3ra os-ameaços, viva para os golpes , defunta para as’ . ssaç^^—»»S: Marttal ‘Dulcia defeãâ modtdutur carmina lirrnuâ E rSt , r k<wtat(tr Çygnusfuneris ipfefui. ° a nofl^mwoa C & 3 n f oíia 1 ” o r C e > repitamos em vozu oproceilofo dat dentCf0g0 35 melsnCüIi ?' atear notando do povo o lamenuvel defvelo formanH j ^ r . . w < » f l S B q ; a s s viofas nas Exéquias da Rainha N. S 1 Dona Mar ia Sofia. 9 » viofaspalavras: Heu.heuheufiíomine^Deus \ e rgo ne deceftfti fopulum ifium^ê fierufalem>dicens: B ax erit vobis •* & eccepervenit gladius ufique ad animam ? Ay , ay, ay Se¬ nhor Deos Omnipotente , por ventura enganaltes a Jerufalem, 6c a e(te povo , pois quando promettieis da paz os mayores lauros,nosatravefla aefpadada alma osefpiritos?Eftas íaõ as palavras que tomey por thema , 6c eftas nas que fe cifra da noíía dor a magoa j pois no tempo da paz promettida nos fere da aftlicçaõ a efpada penofa. Vamos miudamente t fpeculando o que vagarofamente eftamos fcntindo. Quefeja figu¬ ra de Jerufalem expreííaefta gloriofa maravilha defunta, he taó evidente nos conceytos^comoinfallivel nas expofiçôes j pois fe Jerufalem fe interpreta vifaõde paz: Vifio pacis j por Index . quem logrou efte Reyno a vida da paz deít jada, fenaô por eftaflor fuprema., que fuípendendo as ameaçadas guerras de húa atenuada geraçaõ,deu em multiplicada fucceífaó de fruttos a melhor paz ? He Jerufakm herançajComo diz Laurt to: Hierufialem fecundüm aliquos intcrpretatur hareditas Lauret. ipfisXL foy a noíía Rainha txcelfa quem vinculou no Reyno Sylv.ala melhor,6í mais certa herança. Significa Jerufalem a confcileg . encia pura,6c a aímafanta ,como affirma Bercorio : Hieru - Berch. falem efi animafianSia^ conficientia furafa nefta myftitom3 / * ca Jerufalem admiramos na vida a mais pura confciencia, 6c i.verbcremos piamente na morte a fantidade da alma. Reprefenta Hierufi Jerufalem aCidade da mifericordiajComo notou meu Padre S. AuguRinho: { DefignatHierufialem calefiem Civitatcm piortim . E a mifericordiadefíeafibmbro coroado publica tor/*/* do o povo affli&o^Sc divulga dos pobres o pranto íaudofo. E 121 • fe Jerufalem, como notou Bercorio, he efpeciofa nos intrinfecos rayos^virtuofa nos exteriores lufimentos, 6c gloriofa nos g erC h. fuperiorescekftes t r i u n f os: Hierufialem efi fifeciofia latens U y t f u p, interiuSt virtuofia matiens inferais 3 gloriofa zaudens fuferias\ temos nefiastres myfteriofastxcellenciasda vida^6c da morte as rutilantes prercgativas; pois na vida rcfplan ^ eco nos intrinfecosefmaltes da alma ,exorn B sdos dos exterio¬ res x <$ Ora çaõ Fúnebre. feqüioías adorações:porém reparo no mefino capitulo,em que refere a Efcrittura efte fucceíío, osdiverfos titulos,com Matto. q Uea M ageítade oappellida,8c com que o Evangelifta S. I Ca P' l m Mattheus o exalta^ o Evangelifta chama a ChriftoJefus:C« natus ejfetjefus .Os Magos odivulgão RcyaVfo eft qui natus efi Rex?. Pois que heifto? No mefmo capitulo tal dif- ' ferençade vozes, & tão diverfo timbre de epitetos? Quando rufceo Chrifto não era Rey? Não fe deípofou com a terra 1 pela união hipoftatica, para conceder os fruttos da Redempçáo promettida, como notou com muytos odoutiílimo AlaAlap. in . Çhriftus m Incarnatione celebravit fponfalia ? Pois Luc.c. f e o titulo da redempção foy o de Rey, que lhe puferão na 12, CruzJ.N.R.J. porque no Nafcimento fe chama íójcíus, 6c porque na adoração fe publica Rey ?0 Evangelifta lhe dà o nome com m u m ^ StosReys lhetnbucãooexcelfo? Sim,que os Reys virão a grandefa de Chrifto no oriente de hüa nova Eftrella: Vidimus fie liam ejus in Oriente j & como no Nafj cimento defte Aftro íe exaltava a gloria de Chrifto, por iftô lhe dão o titulo de Rey, que foy o ultimo brazão de Redem¬ ptor, porque no nafcimento de hüa eftrella quiz Chrifto fymbolizar a íublimidade: Ubiefi qui natus efi RexWidimus fie liam ejus. Aftim parece que aconteceoá Coroa de Portugal, pois fe lograva hum vittoriofo Reyj não era fó pelo defpoforio prefente, fenão porque naícia hüa eftrella nova ^ em cujo efplendor fe afiançava a efta Coroa o efmalte dcfeu Rey na feliz defejada fucceftaõ. Que Chrifto não fe intitula Rey quindo cõ a terra fe cafa, fenão quando a eftrella apparece-, pois feoti* tulodeRc^y eraoefmaitc de Redemptor,não o permitte no Nafcimento proprio ,, fenão no da Eftrella refplandecente : Vidimus fiellam ejus in Oriente. A gora entendo o que difie C D. LeO; S. LeaõPapa falando na ventura de Abtib\o\T atriarcha ferm. 3. Abraha innumerabilisfueratfuccejfio j ad credendum crde Epipn 0 p romiflampofieritatern o ruinovifideris excitatur^uQ cap. 2 . fe lhe prometteráo a Abrahão innumeraveis Íuccefíões,mas ms Exéquias da Rainha N.S. T)om Maria Sofia . 1 7 para o credito deltas felicidades o animou dehua ^grel¬ ho nalcimento. Da meima forte a Portugal Ui C j h " l to .* e cundas promeflas : In tetfmfimne tuo: r e fPf et Jf^X bit . mastamberode húa eftrella o Oriente foy da myfteriola palavra o credito , baftavalhe a Abraháo para a ^cctílao promettidacafar com Sara, mas quiz Deos annunciafte o nalci menco deliria eftrella, porque repetidos em Portugal os pro¬ fundos gyros do tnyftcrio.fe veneraftem as mtrinlecas luzes d ° A m e í ma Sabedoria Divina parece que vaticinou efta dita ^ n^dh-OpertetpravenireSolemad beneduttonemtmm, J tâadortum luciste adorare-, myflico, 8c literal aflombro (e P fncerra nefte iiitricadoTexto.Queconv.nha (diz) prevenir oara a benção o Sol por adorar a Dcos no oriente da luz. Allim foyefte acalocom tanta illuminação de prodígio; pois no mefmo tempo, em que recebia o ítnhor Dom Affonío VI. como Sol as bênçãos da Igreja/adiava o nafcimento da luz na nofla fereniffima Rainha i P araque adorando de Deos a palavrapromettida,lografíe efteReyno . fucceftao fofbind*; Oportet praventre Solem ad benedtâ tonem tuam$$ ad crtum lucis te adorar-e. , luftamentepois illuftraa noíía ícrcnifilma Rainha ccm o titulo de Tetufalem omeuthema^oisjà nefte fagrado e p í t e¬ to fe incluhio pelo Ptofeta Ifaias efte lauro. Falacom Jctufalem, Sc diz que a fua luz ferà guia do Mundo, Sc oi e xpie ndo ^ de íeu nafcimento gloria dos Reys da terra : Et ambula J bunt çentes in lumine iuofS Reges m Jplendcre ertus Mi 8 c aflitn fe comprova nefte acafo, pois no luzente reíplandct de feu nafcimento fe figurou a exctlltncia do Lufitano Kcal tlirono, Sc os Reys que naquelle conforcio fe podião prcmctter.eráoosqueno feu nafcimento alcançava a prognolticar. Et Reges terra injplendore 01 tús tm. O h prtjdigit>afton> brofo do entendimento ! Mas rigoroío cbjiflo do P r a ‘ , s Que quanto mais fe efpeculáo as íoberanasexcellenci s^ ^ k augmenta a inextinguível corrente dashgrynias. yd 18 Ora çao Fúnebre poíTivei que fofra o alento como he faòtivel que fe tolere o deftroço, fe no nafcimento defcobre tantas prendas generofas, que flu£tuando o coração emaníias aufentes, nem alcança a íaudade remcdio., nem confegue a memória lenitivo , pois fo¬ mentando a lembrança o naufragio,cada prerogativa he hum rochedo, cada prenda he hum penhafco, cada reparo he hum perigo,cada difcurfo hum deípenho , 6c no penetrante Scylla das magoas, no cruel Carybdis das penas íó póde fer íris das tempeftades procdlofas a cõtinua exhalação das queyxas do¬ loridas ; Heu i heu\heu . Ofegundofufpirodefmayado he do que fe perdeon* vi¬ da gloriofi, 6c aqui como mais intrinfecas as affiicções, aturmentãomais terribeis as agonias; porque crefccndo a cada paíToo fatal horrorofo parocifmo, và fomentando a barbara uíura dos alentos no infeliz caliginofo empreftimo dos eftragos. Dozefaôas agudas pontas_,que trefpaíTaó na confideraçío as almas^nos doze annos venturofos, que illuftrou a nofla Sereniííima Rainha osdominios Lufitanos, que febem era mais prolongada a fua idade ,6c maisexcelfamente dilatada a fua vida,fónos permittio doze felices annos a íorie jôc fó deftes nos elevados progreíTos lamentaremos os defvanecidos aufentes t a unfosj &juftamente ainda prefeindindo defta idéa experimentadoconfirma do cõceyto aefpeculaçáo myfteriofa j pois fe fó doze annos reynou, fò forão eftes os que viveo; porque a vida dos Reys não fe conta pelo natural eltado., pois fó fe numera pelo imperial governo., Sc não dão principio aos alentos da vida até que pofluem a Coroa. Com as fuaves preferencias de Pay exalta aquelle Increado,& Eterno,a feu Unigénito Filho Cbriílo , falando pelo *Pfal. 2 . Real Profeta: Filius meus es tu>ego boâiegenui te ; mas noV-J. tem obedie:Wòs foismeuamado Filho,a quem gerey hoje: quando he efte hoje ? No feu Nafcimento, afíirma meugráde <D.Au?. Áuguftinho: IUe dies.quo Jefus Cbriftus fecnnâúm horninem natns eft mas notáveis reparos! Se o Padre Eterno eftà inTr*. todos osinftantes gerando a Chrifto, como diz expreífaméte ’ ' / . qus nas Exéquias da Rainha N.S. Dona Maria Sofia. i9 que nodia de íui NafcimentoíMaisipalTemos cfta difficuU dade j pois dirão que fala na temporal geração j mas temes outra mayor duvida.Se no dia da Encarnaçsofoy atemporal geração de Chriílo.,como diz que no dia do Nafcirnento ? O homem não fe gera quando nafce,pois como Chriílo nefle diafe gerar Como? O Pfalmo defata a ôuviàa:Ego autem cQTiJlitutusJtiTfl Eex &b € 0 1 nefle dia foy Chriflo ccnffituido novamente Rey: ah hm? Pois conte k deíde eíle dia a gera¬ ção , que ainda que foíTe antecedente, ainda que fe admirafle mais prolongada, nefle dia recebe a Coroa, nefle dia dà prin¬ cipio à Mageftade,& a vida dos Reys não fe conta pelo natu¬ ral efladOipois fó fe numera pelo imperial governo,& náo dão principio aos alentos da vida até que pofluem a Coroa: Ego hodiegenui te . D oze annos pois forão os que viveo a nofTa fe- ' reniíTima Rainha, pois doze annos pofiuhio o efrnaltado tim¬ bre da Coroa, & eltes faõ o obje&o das minhas vozes,porque faõ a tyranna meta das noflas lagrymas. Se fe houveflem de contar as virtudes, que executou neíles doze annos^ou fe precipitara o entendimento perigofo, ou finalizára o efpirito confiderativo. Notemcspois fó o que pô¬ de caber na limitada brevidade deíle fúnebre narratorio, & * acharemos aííombros nas excellencias,& pafmos nas circunftancias.A primeyra foy a Oração frequente,em cujo arrebata¬ do exercicio devoto ^ximindo-íe das aulicas atra&ivas reverenciaSjgaftava nodia repetidas horas. Que evidente final abrazadodo bem que concedeo a efte Reyno ditofolPois não fó o manifcftcu nas fecundas foberanias,mas também nas devotas orações, porque a oração dehüa Rainha póde mais* que deprecaçõcs de todo hum Reyno. Em inceíTaveis prãtos, em contínuos gemidos pedia a Deos Mardoqueo fufpendefíe a vexação de hu povo,íacriíicando juntamente com elle ví- &imas,& exercitando tedos fervorofas penitencias ; mas não deferio a eíla fupplica a divina mifericordia, ou memorialmeteindignada,ou inacceílivelmente fecreta.Convertea Rainha Eflher as regias delicias em abrazados holocauftos de orares. Efiher cap.iS. Matth. c.S.v 4. Niceph. Çalligd. 8.<-.31. Ecclef. hift‘ Id.l.n . cap.^i» 20 Ora çaõ Fúnebre '‘Deprecàbatttr 'Dominam T>eum lfrael,k logocompadeeido o celeftial domínio,mudáo-fe em tráquillidaoes as tunas, em glorias as perfeguições, em trofeos as humildades, & era appWos as ignominias* falando a Efther AíTuero, &conle* guindo a liberdade o povo: Plane e nim diemlOeus ommpo - moer or is, & luBds eis vertit ingaudiü. Pois fe Mardoque o pede, fe todo o povo roga,(ó Etthèr alcança ? Sim.que Efther he Rainha com orações , Efther he Rainha com afreauofasviaimas.&he de tal forte a oração de hüa Rainha,q póde mais que as deprecaçóes de todo hum Reyno: cabatur c Dòminum T>eum IJrael. Com füccefíivas orações pedia efte Reynoa Deos os tundamentaes alicerces da fucceftao; mas quiz o feu clemente ar¬ cano, que foífe a noíTa fereniíTima Rainha o inftrúmento, mio fó nas materiaes pompas,mas também nas myfticas prerogativas.Porém que muyto fe na fegunda circunftancia deite difcurfoattendermos da caridade ao abrazado exceíTo,que em tantas,6c tão mitificadas efmolas ainda mereceo mais, que nas compayxoesmas cautelas j liberal com grandefi, pródiga fem calümnia ■ generofa fem efperança,grandiofa fem foberba, mageftofafcm iaftancia fempre clemente fem publicidade ajuftando fe ao preceytode Chrifto,bufcava opportumda „es para o fegredo: Sit eleeáiofyna tua in abfcondito ; pois ínrormando-fe comcafuaes disfarces das peítoas neceditadaS , as mandavafoccorrér com abundancias occultas.l afmemas hi(- tòriasdà Emperatriz Santa Helena, porque executou tantos a£tosdecaridade,como o fervir aos pobres,oafiiítir aos neceíTitados.Sc cõfolar aos afftigidos, porque nefta Augufta mifericordiofa Rainha fe venere tão primorofa circunftancia. Náo fe celebrem jà os públicos difpendios de Placilla,pois os fezreprehendidos a manifèftação.* que da noíTa fereniilima Rainha as clementes dadivas palpitáo no efeondido refplandor das magnificências. Masparaquefecançao difeurfo em bufear comparações, fefó em hüa circunftancia téas mais eítranhas Angularidades? rsao nas Exéquias da Rainha N.S.Dona Maria Sofia , , 21 Não fó deu Sua Mageftade efmolas, não íó lavou os pésdos pobres,mas ( oh prodigiofa foberanía da mais efquecida bcllefa j) não lembrando-lhe as fupremas akivefas da Mageftade, curava com as próprias mãos as immundicias enfermas dos pobres.No meímo cempo.em que a eftranhefa de tão encendido facrificio movia as circundantes ao mais repugnante tedio.Mas que muyto.fe he de tal categoria efta virtude , q pafía os limites da comprehenfaó,& flutua entre os obftaculos do credito,porq abaterfe a Mageftade a tocar a immundicia,che2ar a Altefa aonde, jaz a afquerofidade,he prodígio comtaes circunftancias,que parece impoffivel entre as maravilhas. Chegou a Bethania Chrifto para refuícitar a Lazaro,£< du¬ vidando Martha efta gozoza ventura moftrou a Chrifto asdifiiculdades nefta palavra : Domine ^jam ftétet, quatri - J o an c ' duanus eft enim, Senhor, (dizia Martha) não vos canceis^qjà 1 * • eftà Lazaro corrupto,& afquerofo,porque tem quatro dias de defunto.Mas como ? Duvida acafo Martha o poder de Chrif¬ to ? Não póde fer: pois acaba de confeftar no mefmo inftãte que Chrifto náoeftiveffeaufente,nâo feria Lazaro falecido : Domine,fifuijfes hicfrater meus nonfaffetmortuiis.Yois qfe heifto? No mefmo tempo em que publica o poder, du¬ vida do milagre ? ( A f tim parece pela reprehenfaõ que lhe deu ChriftoriVíW ne dixi tibi,quoniamficr ediderisfuidebisglo¬ riam Dei?) S e encõtra capacidade em Chrifto para o farar da enfermidade,não a acha para o refufcitardamorte?Lazaro vivo póde fer obje£to do pafmo,6c morto impugna o prodí¬ gio ? Sim,que eftava afquerofo ijamfuetet t & fazer Chrifto hum milagre he pófliveh mas chegar à afquerofidade parecia a Martha difficultofo. Chama o Senhor: Domine,01 z que jà eftàimmundo: \fcetet , pois parecelhe impoílivel o milagre, q zç\uú\zDomine,& aquelle fcetet ,tem repugnância. Curar Chrifto a Lazaro vivo hefacil., chegar Chrifto a Lazaro aí* querofo parece impoííivehporque abaterfe a Mageftade a to¬ car a immundiciahe prodígio com taes c j r c . l J, n f t anc * as parece impoílivel entre as maravilhas: Duejafcetet,qt<* ^ duanus eft. c " ) 22 Oraçaõ Fúnebre Oh f oberano a batimento!Oh generofo defprefivel triun¬ fo ! Que não lhe parecendo baftantes as igualdades rt fulgen¬ tes,íe empenhou nas igualdades mais excelias ! Que jultificado gerogly fico retratou nas ferventes anfias do Pelicano que¬ rendo delinear a caridade hum douto moderno:À 7 ^ fibipar - cit y não difpenfa comfigo mefmo as atrocidades para não ex¬ ercitar as vehemencias. Aílim anofifa Augufliílima Rainha naõ perdoou a fi mefma a foberanía,para naõ executar a mais a&iva caridadede } p o z o triunfante folio ^abateo o relevante refpeyto para executar,vencendo da naturefa os fóros,os mais elevados lufidos afíè&os. Mas jà brada pelos elogios para accreícentar os queyxumes a ultima, & mayor circunftancia da fecundidade,vivente animado padrão da fua excellencia_,& frequente multiplicada li¬ ção da nofia magoa. Em fette brilhantes eftrellas illuminou defteReyno os tenebrofos horrores ,com fette feliciílimos partos,oferecendo a Deos o primogênito, ou para mayor vi- &ima dos afiuftados temores , ou para fublimidade maraviIhofa dos numeros. Forão fette., 6c jàfaõ feis; mas porque hao de ficar fó feis, fe podião viver todos fette ? Porque ? Porque manifcftando a fua grandefa, foflfem luminofos emblemas da T f ^ Lla ^ íCun ^idade : Senarius numeras Veneri dicatus , &pro- -T?' lificmoniymultiplicationi)foecnnditat /, creationh a dvertio rwJ. 1 . Mazzerinoi que íe o numero íexto foy emprefa de fecundas ^/W multiplicações, nefte numero havia de conftituir as inclytas tc f t emUn has.E acertadaméte fe faõ os Príncipes eftrellas,fe füdamentárão os noíTos no íexto numero pois fe ascftrellas de AUp. ifi mayor grandefa faõ íó feis, como notou odoutiflimo AlapiGen.c.i . de com o commum dos Aftrologos , não ficava digno lugar v.i6. ao fettimo,paralufic no firmamento terreftre* pois occupem os feis o numero de mayor grandefa ,8c afeenda o fettimo a brilhar nos thronos da Gloria, porque fe não poíTue digno lu¬ gar para a reverencia humana, íófe ha de collocar na habita¬ ção divina. Era a noíía fereniílima Rainha florida caftifilma açucena , q cxbalava os allegoricqs attributos da virtude^ fe 5 a pom- nas Exéquias da Rainha N. S. Dcna Maria Sofia. 2 3 apompofa magelhdsda açucena compocm de íeis folhas a cheyrofa fecundidade jmyíteriofoy., que açucena táo maravilhofa publicafle em íeis truttos a fecundidade íoberana. Sem duvida fe admirou neíla fecundidade o fíãmigero ex* cefíb da mifericordia, pois lembrando Bercorio defta o re¬ munerado defvelo,refere,que entre os Medos nafce húa arvo¬ re de qualidade tão prodigiofa, que tirando delia húmfruttOj renafce no mtfmo inftante outro frutto.-^r^ arbor tanta: y e rL ' J - foecunditatis exijUtjquòdpomo mo collefío,flatm aliud hh.i^c. naficitur j Sêcenfurgit. Symbolada caridade íe venera efta 37planta, 6 c acertado emblema da noíla fereniílima Rainha,pois Media. não fó íe verificou nas efmolas_,mas também íe confirmou nos régios fruttosj dava a luz hum glorioío Príncipe , 6 c logo no meímo inftante renaícia outro aílbmbro, fendo em fucceíliva dilatada fecundidade myfierioío prodígio da íoberania. Não explico aquelleardentiflirno zelo, & Fervorofo cuydado,com que aíliftindoá educação dos íerenifiimos filhos, apurou a esfera dos Catholicos defvelos * porquejà com mais douta penna debuxarão mais vagaroíamente efta circunftancia em dilatadas digrefibes tantos fubtilifiimos^ 8 c fabios diícuríos \ íó digo que nefte ardente eftudo lhe deve os mayores holocauftoso Reynojpsisfeastyrannias de Nero procede¬ rão dos deícuydos de Seneca, 6 c as meninices de Alexandre provierão das malícias de Leonidas, quanto deve efte Reyno a nofia fereniílima Rainha, pois para tirar as natur 2 esinclinaçõeSjpoz na educação as mais vigilantes aníias. Não como Domiciano A Chryfippo rigorofa., não como Timotheo 6 c Themiftocles defcuydada,mas fim como Fenices, 8 c Eurydice vigilante.Oh ditofo Reyno ! Oh feliciílimo aufpicio , que I íe o Macedonio Filipporendeu mais graças aos fabulcíos AulGeL deoíes^por ter naíeido no tempo de Ariftctdcs Alexãdre,À 7 ^- que pela mefma fortuna de ter herdeyro no Império; quanto Attic . deve efta Monarquia eftimar ver Iufir feus inclytos Príncipes no tempOjCm que para a educação mais ajuftada brilhou da noíTa Serenifiima Rainha a piedade religioía: 2 ^ Oraçao Fúnebre Mas para que me cançò em retratar as glorias/e nos doze annosque reynoii, venero as mayorescircunftancias.Aqutlla arvore do Parailb oftentou em doze fruttos as fuas virtudes .* Afferens fruftus duodecm , 6 c a noíía fereniílima Rainha Jpoc.ii fecopilou nosdozeannos as mefrnas excellécias ■ , vtjáo a pro- /priedadedosfuntos,notando de Alapide as expoíições; o Alap. ad p r j r ne y r o f rU tto he a purefa da mente; Turitas mentium , 8 c hüc loc. nc jj a reíplandeceo a mente mais pura , manifeftada na contépíaçáodivina. Ofegundo he o defprefo do mundo; AbjeBiotemporalium , & na benignidade virtuofa defprefou a põpa mundana.O terceyro he aconcordia das vontades : Çoncordia voluntatum , 6 c no vinculo mais aprafivel unio das võtades o dominio mais generofo. O quarto heafermofura das obras: { Pnlchritudo operumfc digão-no asefmolas, confefíem*no as admirações. O quinto he o recolhimento interior; Çollettio intermnm viriunt£t falem as orações, narrem as penitencias.O fexto hea purefa dos penfamentos: Munditia cogitationumfr publiquem noas virtudes., celebrem-no as foberanias.C) fettimo he a circunfpecção das palavras : C/rcunfpeõíio verborumM digão-no as mageftofas gravidades, 8 c as acertadas refoluções. O oyta vo he a quietação dos appetites.• Quiesappetituumfo admire-fenos defprefos, veja-fe nos cultos.O nono he a transformação em Deos : Transformatioin T)eum>& diga-o o arrebatado efpirito, 6 c o quoti¬ diano recolhimento*) decimo hea impaciência dos deíejos celeftes : lmftatientia defideriorum ctflejlium , 6 c diga-o a morte na mocidade. O undécimo he o foírimento das ad verfidades: Sufiinentia adverJitatiSj 8 c diga-o a prodigioía to¬ lerância nas doenças. O duodécimo , 6 c ultimo he o folicito affc&odas virtudes: Solicitudo virtutum ,& moftre o nas diligentes educações \ porque fendo pafmo dos myfterios, fabrique em doze gloriofosannos a abundancia copiofa dos celeftiaes fruttos. E no myftico epiteto deJerufalem, com que a chora o nufib thernsj achamos da vida toda a propriedade 5 pois k '^Ê^qtáus da Rainha N.S.T)om Maria Sofia. 2 ? Jerufalem, como affirma B rcor.o, foy do Reyo *r«o «jtuofo da piedade o templo clemente. Si do povo a Entidade abtazada - H.rn/aJfuHfedes tquUaUs , ^ * Templum pietatis , quo cultus viguit, pofulus verb. íauclitatis,qui c Deumcoluit ■ ,a nolTa feremflima RainhafeHieruf. {‘orou de Sua Mageltade o throno, augmentou da piedadco r u rjomrlificou do povoa reverencia com o exemplo, n °rí. mente fe podia repetir ao nofib fereniffimo Reyo que • o 0 aae oifTÍcodeTtijino:Tií>iuxorittdeçus,& Tlin. in ÍS, quld cmm illâfanÚiusj $uidantiqmus ? „/« Ta FJavano d eípoforio de Augufta ,oque íe refere mais juftan eg. ad mente á nofTafereniflima Rainha. Foy gloria , foy efplendor, Jrajan. Sfov decoro do Lufitano efclarecido Império. Quem mais virtuofi > Q uem antígtiamente mais ajudada ? Mas ay que efrasmemonasíó fervem de defpertaras triíles anguíhas.que oDprimidas na animada prifaõ do peyto bufeáo ás refpiraçoes confolador efpaço, fem que fe mitigue a pena, fem que fe modéreaanlia ,por mais que defpedaçando a d.afanidade dos ventos, exhale o coração inceffaveis dolorofos gemidos. Heu, híl> Á te^rceyra", Sc ultima queyxa he, do que fe deve choram, morte, em cujo arruinador fatal efpaço íe apura tanto a bifarriadofentimento.quechegandoatéosult.mosafogos.fodi lata a vida para affiigidos holocauftos ,que na tnfte pyra da dor mais vehemente confomem as cinzas do fofrimento ma * generofo. As memórias afogão,as circunaincias fereni. as fa - tas combatem, & ..infelicidade* perfiftem s m a s feaorepet do golpe do marte 11o íe fabrica daeftatua o memorial .dor no para que nocoraçáo fe erija da afflicçao hua eftatua durᬠvel,L da pena o martello rigorefo, & collocada nas ma. ntrinfecas aras do fentimento, eternize em fenfitivos padroes o venenofo quebranto.O primeyro pado para a m te foy a cruel vehemenc.a da enfermidade, quedefeonarta,^ do da vivente quietação os alentos , fomente Q, lporn . entreosnaturaesefpiritos.Ohfragihdadehuma • pa Ecclefi H32 Oraçao Fúnebre E fe notarmos a hum período da Divina Sabedoria, vere¬ mos ndle incluídos os fuccefibsda Tua grandefa: Et Jic in Si - on firmata fum , & in Civitate JanÜificata fimiliter requievi , & in Jerufalem pote fias mea. Et radicaviinpo - pulo honor ificato inparte ‘Dei meih ar editas illms J & inplenitudineSanSlorumdetentio mea. Fala a Divina Sa¬ bedoria, & diz, que teve em Sião a fua firmefa : EtJic in Sion firmata fitm ; & aílim a nofia ftreniílima Rainha, que k ao Meyo dia íe firüa Sião, como diz meu Auguftinbo ; Sion qtàppeht Meridie^ t a m b em.no Meyodia eüà Portugal: Et in Civitate fanttificata fimiliter requievi > aqui íe encon¬ tra a fepultura na Caía de Vicente fantificada : Et in Jeru - falempotejlasmea y o noOb thema inclue efte reíplandor nas gloriofas analogias de Jeruíalem: Et radicavi inpopulo honorificato: RadicesmiJij dizjanfenio. Ena multiplicação dosíereniffimos filhos deu a eíle Reyno as melhores raizesj. povo honorificado pelo meímo cdejftial auxilio : Ipfe refpiciet , & vide bit * in parte c Dei mei h ar editas illiuSj diz a Sabedoria que na parte de Deos confignou efia herança, juílamente applicado cfte Texto a efta Monarquia, pois tem Deos na fua herança a melhor parte: Imperium tnihi ftabilire. Et in plenitudine SanEiorum detentio mea, profere ul¬ timamente a-mefma Sabedoria, qüefoy entre-os Santos a fua detença i&afiim a noíla íereniílima Rainha nos primeyros alentos da mocidade pafifou ao fupremo throno da Gloria, que não fe havia de dilatar no mundo, porque a fua detença tra fó no Ceo: Et inplenitudineSanàorum detentio mea : que fe Sapientia he o mefmo que Sopha,júftimente lhe con¬ vém eftefentidoaccommodaticioànoíTaferenifiimaRainha, porque defabafando o coração no ardor dos afogos, alcance algum alento nos fufpiros. Mas^y que nada bafta para o fentimento^ porque não fe pódeprender odifctirfo J & : nem a almahe facil em fe enga¬ nar, nem openfamento docil para fe fufpenderj porque no arrebatado impulfo dos fentimentos não ha mayor impoílivel '^^na^jXequiãsdà tiiiinha N-S.'Dona Maria SojiUj 5 3 vel que os disfarces * & fe Anna chorou com irremediáveis lagrymas do filho aufente as faudades: Flebatigitur mater Xob.io. ejus irremediabilibus laCrymis > como fera hüa aufencia ienvefperançajhõa pena fem confo! ação,hum tormento fera alivio & hüa atividade fem remedio? No eclipfe do Sol fi¬ gurou hum erudito a morte de hurn prodigio com efta letra .* ‘Tjemit nil mihijedOrbi. O mefmo fe experimenta no cafo prefente,comoSol feeclipfouda nofia fereniílima Rainha a }uz,&fecobrio com funefto vapor > mas não lhe faltão os refplandoreSj fó fente o mundo a falta dos lufimentos, que ao Sol eclipfado não fe lhe tira oeífencial ardor gloriofo , fó á terra fe lhe ufurpa o efplendor luíido: Demit nil mihijfed Orbi. Pois defta perda, defta falta , fó fica no coração a me¬ mória, que batalhando contra as conftancias doefpirito,en¬ fraquece as fírmefas do animo,& eftalando na eícondida habi¬ tação do peyto, mandão à voz o exhalado fragmento do fuípiro: HeuJjeuJjefi. Temosconfideradoamayor esfera da magoa defte fúne¬ bre panegyrico na turbulenta memória, temos vifto as tres pe¬ netrantes efpadas nas tres melancólicas ruínas, do que fe per¬ deu no nafcimento, na vida, k na morte, & nunca enxuto o formidável maviofo pranto fulmina em correntes defperdiços o mayor afogo-, porque em liquidas vi&imas da lealdade fe manifeftcm asjuftifieadas adorações da reverencia. Mas vòs jò fereniílima Rainha efdarecida,jà com melhor diadertía ( como piamente cremos ) coroada defde os ele¬ vados thronosquepofiuhis, podeis mitigar 0 $ íoluços que caufais,fe nefie e n l u t ado p yramidalobelifco lembrais as tyrannas memórias do nofib lamento joeííe Empyreo que go¬ zais foberano, podeis inculcar as glorias do remedio appetecido. Comoaquèlla excelfa Molher do Apocalypfe brilhais no fupremo t;(irono celefte.-õ 'ignum magnim apparuit in ^p oc j 2 . Calo : Miilier amitfa Sote, & Lunafubpedibus ejus , & in * capite ejus corona Jlellarum duodecim. Que fe foy o Sol feu luzente veftido, fe foy a Lua oflammigero calçado ,6c * e E ' guarnecia 34 Oraçao FunelrY guarnecia de doze brilhantes eftrellas da mageflofa coroa as triunfantes maravilhas* vòs Auguftiflimò excelfo aflbmbro, veftifteso Sol nas claras luzes, calçaftes a Lua nos fecundos rayoSj& oftentaftes das eftrellas a gloriofadiademajnos doze felices annoS da voíTa foberania. Rogay ao Altiflimo Senhor, que vos exalta pela confervação,que efteReyno defeja^que fe aqudla Mulhercaufou ao infernal dragão a mayor ruína, voftos rogos lhe tornarão a vencer a aftucia , para que todos nòs ditofos convertamos as triftes magoas em alegrias, os funeftosapparatosem applaufos, os horrores em gozo, as trifteías em jubilo, as infelicidades em honra, os golpes em de¬ licia, as culpas em graça., & as mortalidades em gloria. Òuam mihij & voblspraftare dignetur Tater^Fthus^ Sftritus Santfus. Amen . LAUS D E O. ai ■ ' ! U z 5»aBatósaBS^SS.KSàSte*«tRK*tt«B LICENCAS V I f ta a informação, póde-fe impritnir o Sermão.,de que c fta petição trata., & depois de impreíío tornara para íe conferir, & dar licença para correr ,& fem ella não correra. Lisboa 19.de Janeyro de 1700. Caflro. Çarneyro. Fr.G. Monteyrv. V I f tas as informações,póde-íe imprimir o Sermão^de •queeíla petição trata,& depois de impreíío tornara para íe lhe dar licença para correr. Lisboa 5. de Fevereyro de l7 °°‘ F.T.B. Q U efepofla imprimir, viftas as licenças do Santo Officio,& Ordinário^ depois de impreíío tornará à Meia para íe conferir, & taxar, & fem ido náo correrá. Lisboa 8. de Fevereyro de 1700. Roxas. Ohveyra . M. C. sf ttfi : Ufi n ; ' • t 6 ' >*> >; : • ;: ,j q útiJ / v y : í -V 7 :.0 .03~: -boiv r.-!•>{., o» sodá-1 .v vcdV.VA , ? ■ i . . t~ i.vrwyrS* -ih . £ ccdiiJ/;; . jo* úq ?« V 7 /' ‘ lâb ifli 3 tuq . 0 0 \í *3i0 GlfifcS pb srçrmi! gs? t iimi J cbWctiBaiojdn^qrniíbzioq >b>3«omni iO ^ b ' .jP t ; i ; .00^1 "bor{ii:r;' r í .0.\ü .ir/.vSl