scieee Open visual document viewer

Antropologia comprometida, antropologias de orientação pública e descolonialidade. Desafios etnográficos e descolonização das metodologias

Gimeno Martín, Juan Carlos; Castaño Madroñal, Ángeles

Full text

CLACSO Chap e Ti le: ANTROPOLOGIA COMPROMETIDA, ANTROPOLOGIAS DE ORIENTAÇÃO PÚBLICA E DESCOLONIALIDADE. DESAFIOS ETNOGRÁFICOS E DESCOLONIZAÇÃO DAS METODOLOGIAS Chap e Au ho (s): Juan Ca los Gimeno Ma ín and Ángeles Cas año Mad oñal Book Ti le: Epis emologías del Su Book Sub i le: epis emologias do Sul Book Edi o (s): Ma ia Paula Meneses and Ka ina Bidaseca Published by: CLACSO S able URL: h ps://www.js o .o g/s able/j.c np0k5d.11 JSTOR is a no - o -p o i se ice ha helps schola s, esea che s, and s uden s disco e , use, and build upon a wide ange o con en in a us ed digi al a chi e. We use in o ma ion echnology and ools o inc ease p oduc i i y and acili a e new o ms o schola ship. Fo mo e in o ma ion abou JSTOR, please con ac [email p o ec ed]. You use o he JSTOR a chi e indica es you accep ance o he Te ms & Condi ions o Use, a ailable a h ps://abou .js o .o g/ e ms This con en is licensed unde a C ea i e Commons A ibu ion-NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional License (CC BY-NC-ND 4.0). To iew a copy o his license, isi h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/. CLACSO is collabo a ing wi h JSTOR o digi ize, p ese e and ex end access o Epis emologías del Su This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 211 ANTROPOLOGIA COMPROMETIDA, ANTROPOLOGIAS DE ORIENTAÇÃO PÚBLICA E DESCOLONIALIDADE DESAFIOS ETNOGRÁFICOS E DESCOLONIZAÇÃO DAS METODOLOGIAS1 Juan Ca los Gimeno Ma ín Ángeles Cas año Mad oñal COMPROMISSO DA ANTROPOLOGIA E ORIENTAÇÃO PÚBLICA DO SEU CONHECIMENTO A an opologia, enquan o disciplina que se ins i ucionalizou no úl i- mo e ço do século XIX, en en a desa ios impo an es num mundo globalizado, que ob iga a e e a comp eensão an o do pa icula e do uni e sal como das suas elações. Conside amos que é possí el man e como pa e de um consenso na nossa disciplina que de en- demos cien i icamen e o ac o cen al de que nós os humanos somos uma espécie, mas que apenas somos e podemos se humanos não de uma o ma abs a a e gene al, mas, sim, de o ma elacional, en- quan o memb os de comunidades ou po os especí icos. Além disso, em an opologia, de endemos que as cul u as não cons i uem algo 1 Es e a igo su ge a pa i das e lexões p opiciadas a pa i da comunicação ap esen ada pelos au o es ao XIII Cong esso de An opologia da Fede ação de Associações do Es ado Espanhol (FAAEE), em se emb o de 2014, como p o ocação pa a uma ampla discussão sob e a an opologia e a descolonialidade. Es a é uma e são ampliada e e o mulado dessa p opos a. O a igo oi publicado o iginalmen e em Cas año, A.; Solazzi, J. L. e Gimeno, J. C. (eds.) 2016 “Descoloniza as Ciências Humanas: Campos de pesquisa, desa ios analí icos e esis ências — Pa e 2”, dossiê na e is a OPSIS, Ca alâo-GO, V. 16, Nº 2, julho/dezemb o, pp. 262-279. This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 212 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL p ede inido, mas, sim, algo que se “ az” ao agi mos como humanos, e ambém de endemos o di ei o de cada um e de odos nós, que p o- cedemos de uma a iedade de cul u as pa icula es, a o na mo-nos humanos de aco do com a ação especí ica das nossas p óp ias cul u- as e não em e mos abs a os. Cla o que ao longo do empo oco e- am á ios p ocessos que le a am à homogeneização e pad onização, mas semp e com alcance limi ado. Enquan o humanos, con inuamos a se o que semp e omos; somos humanos à nossa manei a. Es a concepção cien í ica da cul u a de ende que a humanidade é, e sem- p e se á, di e en e. Se le a mos a sé io es a decla ação sob e a di e - sidade cul u al humana, emos de en en a as suas consequências na nossa o ma de en ende os di ei os humanos, ou seja, o mais uni- e sal que hoje emos à mão. Como a i ma Te ence Tu ne : se, em an- opologia, “os di ei os humanos es ão de inidos como di ei os pa a chega a se humanos, es es de em consis i , no mínimo, na p o eção des a capacidade humana essencial pa a a p odução, obje i ação, e- alização e ans o mação de si mesmos e das suas elações sociais” (Tu ne , 2010: 59, neg i o ac escen ado). Essa capacidade só se ad- qui e em de e minados luga es e em condições his ó icas pa icula- es. Se acei a mos es es a gumen os da an opologia, que a iculam o uni e sal (di ei os) com o pa icula das cul u as em que nascemos e nos socializamos, de e íamos comp ome e -nos a c ia e man e as condições que p o ejam a sua capacidade pa a a p odução e ans o - mação de si mesmas, dos di e en es cole i os humanos, que, na sua di e sidade, cons i uem a humanidade, especialmen e nos casos de po os cujos di ei os es ão ameaçados. Uma ez mais, se le ássemos a sé io as consequências des es a gumen os, o u u o da an opologia não e ia que e apenas, ou an o, com o sucesso das elabo ações eó icas e me odológicas que se p essupõem numa disciplina, mas ambém com as es a égias pa a man e a a iedade e iqueza da di e sidade cul u al que emos conside ado como algo adqui ido e em elação ao qual se desen ol eu a disciplina. Como assinala June Nash, na sequência de uma e lexão sob e o seu p óp io pe cu so, nos úl imos sessen a anos da an opologia, as p á icas do abalho de campo da disciplina muda am d as icamen e (Nash, 2015: 63). Ela iden i ica uma sé ie de ans o mações: 1) a passagem do obse ado obje i o pa a o obse ado pa icipan e; 2) a mudança de oco da p á ica no ma i a pa a a inclusão da a u a social e da e ol a; e 3) uma ên ase especial na c iação de espaços pa a o diálogo e os in e câmbios cul u ais com as pessoas que es udamos. Es as mudanças podem se esumidas nas suas p óp ias pala as: This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 213 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal No pa adigma eme gen e do abalho de campo, os an opólogos es ão a da um passo em en e na c iação de espaços pa a um in e câmbio de pon os de is a que conduza à comp eensão mú ua. Como in es igado es comp ome idos não só emos que obse a e pa icipa num p ocesso con ínuo de mudança, mas ambém con ibui pa a as condições pa a a sob e i ência e a c ia i idade das pessoas que es udamos. (Nash, 2015: 68) Na concepção de June Nash, a an opologia ex a asa em á ias di e- ções, que ac edi amos que podem elaciona -se com a ideia de uma an opologia de o ien ação pública. Nos EUA, exis e uma an opo- logia chamada an opologia pública que em elação com o público e com a ida a ual, is o é, que não es á es i amen e es i a ao âmbi o académico e em que e uma pa icipação a i a. Es a posição en en- a a ideia dominan e no meio académico dos EUA de que o abalho académico em que se exclusi amen e pa a a p odução de conheci- men o académico e não de e suja -se com a polí ica. Pelo con á io, pa a alguns académicos do Sul, como Akhil Gup a2, não oma uma posição polí ica se ia uma abdicação de esponsabilidade po que as pessoas com p epa ação, incluindo os an opólogos, êm uma espon- sabilidade em elação às suas comunidades. A an opologia de o ien ação pública es á elacionada com uma isão p oblema izado a da “an opologia” que p ocu a mos a e desen ol e a sua capacidade pa a en en a de o ma e icaz a comp eensão dos p oblemas sociais do mundo con empo âneo, o que chamamos o “nosso empo”, iluminando essas p oblemá icas e con ibuindo pa a a sua discussão pública com a in enção explíci a de pa icipa a i amen e na p oposição e implemen ação das ans o mações sociais que se es ão a p oduzi , incluindo a a aliação e análise das suas consequências. Es as ans o mações há mais de 500 anos que se dão na a iculação do local e do global, cons uindo o mas de pode , de sabe e de se que são o obje o da an opologia, pelo menos desde o século XIX. Na an opologia, emos en ado dize algo sob e es as conexões, embo a as ên ases e as pe spec i as enham mudado ao longo do empo. Hoje, a globalização, e a consciência sob e ela, pe mi e-nos o mula no as pe gun as sob e es as ans o mações assim como ques iona os ins umen os concep uais e me odológicos 2 Vic o ia Sand o d, numa en e is a, ela a a sua descobe a des e ipo de an opologia, que a le ou a oma essa opção, numa eunião com um dos seus p o esso es de S an o d, Akhil Gup a, que inha ei o o seu abalho no seu país, a Índia: “Eu ala a com ele de uma con o é sia que exis e nos Es ados Unidos de que o abalho académico em que se exclusi amen e pa a a p odução de conhecimen o académico e não de e suja -se com a polí ica” (Ruiz, 2015). This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 214 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL adequados pa a as abo da , po ou as pala as, con ida-nos uma ez mais a “ ein en a mo-nos”. “An opologia de o ien ação pública” de ia se um e mo pa a nos ajuda a supe a a dis inção adicional en e “ eo ia” e “aplicação”. É di e en e da an opologia aplicada e ambém de uma an opologia es i amen e académica (mas az uso de ambas). Es e ipo de an opologia es á longe de conside a que o p incipal obje i o da p odução eó ica an opológica seja discu i eo icamen e, cen ando-se em “disponibiliza his ó ias e nog á icas simples e in o madas do mundo eal” (no sen ido de Said, 2006: 168) em que i emos ealmen e, his ó ias secula es e mundanas: ala do mundo e es á conscien e de que é p oduzida no mundo e pa a o mundo. As polémicas en e eo ia e aplicação an opológica êm como esul ado despe diça ene gias e inibi os deba es que são impo an es e u gen es, deba es elacionados com as lu as es a égicas que es ão a oco e na cons ução do mundo con empo âneo: as que se dão pela jus iça, pela dignidade humana, pelo di ei o de um mundo sus en á el, pela igualdade de géne o, e c. As pe gun as ele an es são, en e ou as, como e po que azão is o acon ece? o que ap endemos? o que podemos aze ? Tal ez as di e enças mais no á eis não es ejam en e a eo ia e a aplicação, mas, sim, en e o uso da eo ia e da aplicação pa a ações ans o mado as ou pa a ações que ep oduzem o s a u quo (San os, 2005). Tomemos como pon o de pa ida a pe gun a que coloca Osca Cala ia pa a as ques ões sob e a unção pública da an opologia (e das ciências sociais) (Cala ia, 2005): a quem pe ence a an opologia, o conhecimen o an opológico? Se a an opologia é conside ada como um conhecimen o social sob e o mundo, sob e a di e sidade his ó ica e cul u al que con ém, não se de ia conside a que a an opologia de ia pe ence a esse mesmo mundo? Se é um conhecimen o sob e os “ou os”, não de ia pe ence ambém a esses “ou os” que são conhecidos a a és da an opologia? UMA VASTA TAREFA DE DESCOLONIALIDADE PELA FRENTE O mundo con empo âneo, na sua di e sidade, con inua a es a o dena- do a pa i do pon o de is a dos an opólogos ociden ais, enquan o as ou as o mas de conhecimen o, os “ou os” sis emas de sabe , pe ma- necem subo dinados às exigências de uma me a eo ia dominan e an- opológica cen ada no Ociden e, que é a que apa ece nos manuais de an opologia e li os de his ó ia da disciplina. Po que não usa os concei os la ino-ame icanos, a icanos e asiá icos do mundo, de socie- dade, de g upos sociais, de p ocessos sociais, po que não usa as con- This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 215 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal cepções do bem i e e ou os concei os semelhan es cunhados pelos an opólogos e an opólogas de cada luga e que de i am dos modos a icanos, la ino-ame icanos ou asiá icos de codi ica a ealidade e cen a a nossa a enção nos elemen os dis in i os de i ados deles na ma iz disciplina da an opologia e ambém das ou as ciências so- ciais? Se a an opologia abalha na c iação e ep odução de in e p e- ações, se o seu obje i o oi semp e cons i ui um a qui o e uma biblio- eca dos di e sos signi icados que as sociedades humanas êm p oduzido e são capazes de p oduzi nos di e en es espaços e empos, en ão ai sendo ho a de não se limi a a ca aloga es es signi icados e in e p e ações, mas de os pô em p á ica. Cla o que is o é mais ácil de dize do que de aze . Po que é ão di ícil le a a cabo es e p oje o? Em que condições se pode ia aze ? Em que consis e a a e a? A p imei a a e a des e es o ço consis e em descons ui a “An opologia” como um sis ema de pensamen o p oduzido hegemonicamen e. É p eciso desmon a os mecanismos pelos quais uma e são pa icula de an o- pologia p oduzida num de e minado con ex o his ó ico — o su gimen- o da Mode nidade iluminada que sucede ao Renascimen o — deixa de apa ece como um p odu o localizado num e i ó io e num empo conc e os pa a se con e e num p oje o global e uni e sal, esc i o em maiúsculas. A segunda a e a, que em de se le a a cabo de o ma con e gen e com a p imei a, consis e em abo da a exis ência de con- igu ações de conhecimen o e pode que ão além do pa adigma da mode nidade, “ou os” pa adigmas, ou as o mas de pensa . Reco- nhece a exis ência dos p ocessos de p odução de ou os conhecimen- os signi ica e em con a o ac o de que o conhecimen o sob e o mun- do e sob e as ans o mações que oco em não se esgo a no pa adigma do conhecimen o hegemónico. Como di ia o sociólogo po uguês Boa- en u a de Sousa San os: o conhecimen o do mundo não se esgo a no conhecimen o ociden al do mundo (San os, 2005). T a a-se de con i- bui pa a o desen ol imen o de uma paisagem plu al de an opologias que seja menos de inida pelas hegemonias me opoli anas e es eja mais abe a ao po encial he e oglóssico da globalização. Faz pa e de uma an opologia c í ica da an opologia: uma an opologia que não cabe em si mesma, que ex a asa, ao descen a , his o iza e plu aliza o que du an e an o empo oi en endido como “An opologia” (Lins Ribei o e Escoba , 2006). A p odução de conhecimen os an opológi- cos que su gem a pa i de ou os e i ó ios e luga es de enunciação, a que se em chamado “an opologias do Sul”, eme ge aqui como uma plu alidade de ocos de p odução an opológica a pa i de posições p óp ias. O econhecimen o des a di e sidade de an opologias é acompanhado da demanda pa a cons ui “a” an opologia como e- This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 216 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL sul ado da p áxis das an opologias do mundo3. Uma ez que o luga de enunciação é undamen al pa a a na u eza do enunciado, emos a con icção de que a an opologia não pode se eduzida à que é p odu- zida pelas o ças hegemónicas. Pelo con á io, o econhecimen o da di e sidade de an opologias que se p a icam no mundo no início do século XXI e dos seus modos no po encial plu alizado da globalização pode ia pe mi i que os an opólogos em di e en es locais do mundo bene iciassem des a di e sidade. As an opologias são capazes de con- ibui de manei a dialógica pa a a cons ução de um conhecimen o mais he e oglóssico e anscul u al. O econhecimen o das di e en es an opologias o na possí el e -se mais consciência das condições so- ciais, epis emológicas e polí icas da p odução an opológica, en en- dendo que as “ou as” con igu ações an opológicas es ão localizadas no in e io de uma con igu ação de pode mundial de inida pela globa- lização impe ial e a globalidade colonial (o mundo que Aníbal Quijano, Wal e Mignolo e os in elec uais que pa ilham a abo dagem descolo- nial denominam mode no-colonial) que as p oduz como pe i é icas. Aqui é necessá io conside a a elação das an opologias, e o seu papel com as ecnologias da p odução da al e idade, e a sua ligação com p oje os socioeconómicos e polí icos que cons i uem a ma iz mode - no/colonial na sua ipla dimensão da colonialidade do pode /do sabe / do se . A e cei a a e a consis e em le a a sé io a ques ão da colonia- lidade, não apenas pa a exigi espei o pelas p oduções an opológicas do Sul, mas pelo p óp io “Sul”. As an opologias, e nós an opólogos como seus ep esen an es, de em e consciência de es a mos p esos numa posição in e média pa icula en e uma ciência, eli is a como oda a ciência, e a unção emancipado a que quise mos desempenha pa a os “seus” po os. De emos con inua a p oblema iza esses “seus” po os po que os po os são só seus, de si p óp ios e não são de nin- guém. Como podemos en ão e i a que a nossa p á ica de in es igação e esc i a (e ou as o mas de ep esen ação que u ilizemos) não seja a e ada po es a genealogia elacionada com o pode e o con olo? Es- c e e cons i ui uma p á ica li e á ia que es á semp e ligada a egimes de pode : a e nog a ia, esc e e sob e os ou os, é ine i a elmen e um exe cício de pode que pe mi e aos que esc e emos e au o idade so- b e os ou os sob e os quais esc e emos. Como podemos en ão se i pa a a emancipação mais ampla de que alá amos an es sem conside- 3 No li o cole i o sob e as an opologias mundiais (Lins Ribei o e Escoba , 2006), analisa-se a di e sidade de an opologias que se p a icam no mundo, analisando o empo p esen e como um momen o de ein enção da an opologia associado às al e ações nas elações en e os an opólogos localizados em di e en es locais do sis ema-mundo. O g upo em como pon o de e e ência o si e da “ ed de las an opologías del mundo” (<www. am-wan.ne >). This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 217 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal a o pode da “nossa” p óp ia posição? O que implica ia pa a a(s) an opologia(s) assumi que ela(s) mesma(s) é(são) o p odu o de um modo indus ial de p odução em e mos das mic op á icas da acade- mia? Ao aze is o de o ma sé ia, como a i mam Res epo e Escoba , al ez e mos como “an opologia” ou “an opólogos” de am se aban- donados dando luga a uma e a pós-an opológica (Res epo e Esco- ba , 2004), como a que é p opos a po Ma ele (Ma ele, 2001: 66). Vin- cula a p odução an opológica às p á icas cul u ais popula es e des es g upos — en endendo es as não de manei a ingênua, mas a iculada com as o mas em que ope a a colonialidade do pode , do sabe e do se e que az com que es as mesmas p á icas colabo em (ou possam azê-lo) na p odução da desigualdade, da disc iminação, da exclusão, da ma ginalização — pode ge a ou a agenda que se en ec uze com as an opologias eme gen es do mundo en en ando, ao mesmo em- po, a p odução impe ial da an opologia com a endência eli is a da p odução an opológica em oda a pa e. Es as p á icas cul u ais ques- ionam os nossos p óp ios concei os usados pa a as en ende . Es e é um apelo cla o pa a o desman elamen o das dis inções undacionais en e o académico e o não académico. Es a di isão suge e que exis em dois lados — a academia e o que lhe é ex e io —, o p imei o de inido po uma acionalidade especí ica e uma sé ie de p á icas ex e io es e di e en es de ou os campos da ida social. Po conseguin e, com e- quência a discussão cen a-se em como lança uma pon e ou c ia co- nexões en e a academia e os ou os campos. Mas a ques ão undamen- al é en ende que o que p oduz e man ém essa on ei a é, ele p óp io, um mecanismo que pe mi e o desen ol imen o de de e minadas polí- icas de conhecimen o. Pa a aze um pa alelo com a e nog a ia do Es ado, uma ez que se enham em con a as p á icas quo idianas de e/ p odução do conhecimen o académico, a on ei a adical en e acadé- mico e ou os campos da ida social o na-se di usa. Mas es e apelo não en ol e dei a o a o nosso abalho nem subo diná-lo pa a que abalhe “pa a” ou os. É nossa esponsabilidade con inua a disponi- biliza his ó ias e nog á icas simples e in o madas do mundo eal em que i emos ealmen e, his ó ias secula es e mundanas (no sen ido de Said, 2006), mas, p ecisamen e po isso, pa a p oduzi es as his ó ias que se dis anciem c i icamen e do pode , que digam a e dade ao po- de , é necessá io ab i o campo, ab i mos o campo não só às ou as an opologias com as quais dialoga , ambém aos “ou os” e às “ou- as”, ao que são e ao que que em e ao que sonham ambém, po que o desejo é ambém um mo o da cons ução do mundo. O encon o en e uma an opologia ex a asada e conscien e da sua he ança colonial e da plu alidade de âmbi os e ní eis da plu alidade de ex a asamen o p oduz uma plu alidade de This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 218 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL an opologias de o ien ação pública, comp ome idas e descolonizadas e, em consequência, um desa io pa a es abelece con e sas en e elas e en e elas e o mundo. AS PROPOSTAS DE DESCOLONIZAÇÃO DAS METODOLOGIAS EM DEBATE Incen i ados pelas expe a i as de e isão da p odução e das p á icas an opológicas que su gi am no XIII Cong esso de An opologia da Fede ação de Associações do Es ado Espanhol (FAAEE), que se ea- lizou em Ta agona, em se emb o de 2014, mani es ámos o in e esse de aze uma p opos a di ecionada pa a: 1) da isibilidade à endên- cia c escen e da abo dagem descolonial nas p á icas e nog á icas e na An opologia Social e 2) p omo e o deba e e a e lexão cole i a sob e elas. Conside ámos o Simpósio “An opologia e descoloniali- dade. Desa ios e nog á icos e descolonização das me odologias”, que e e luga no e e ido Cong esso, como uma opo unidade pa a es a- belece e p opo ciona um ó um no qual ap esen a as abo dagens me odológicas das e nog a ias de colabo ação e ab i um deba e sob e os desa ios e di iculdades que en ol em es as ans o mações na/da disciplina. P opo ciona um enquad amen o pa a o o alecimen o de edes de colabo ação en e in es igado es nes a pe spec i a ambém azia pa e do nosso in e esse ao e e ua es a p opos a. Pa imos de um conjun o de ideias que a am de cap a as ib ações e inquie u- des de uma sé ie de p á icas e nog á icas que ques ionam a in e a- ção clássica en e sujei os in es igado es e sujei os/obje os e nog a a- dos, p o ocando ans o mações epis emológicas na An opologia. A modo de sín ese, e com o obje i o de con inua a deba e sob e algo que apenas es á o mulado como esboço, e omamos as ques ões que lançámos nesse con i e, em que a ámos de es abelece a necessidade de a icula as elações en e p á icas an opológicas comp ome idas, ques ionado as de uma an opologia pu amen e académica e es é il, e coloca uma sé ie de p opos as de ação. Em p imei o luga , pe gun ámo-nos sob e as agendas que os an opólogos e as pessoas podem pa ilha e as possibilidades de p a ica a ph onesis, além da epis eme e da echné, como o ma de conhecimen o (Giménez, 2012). As on es da ph onesis são espaços colabo a i os pa a o desen ol imen o do conhecimen o, den o dos quais o sabe p o issional dos in es igado es se combina com o dos in e essados locais pa a de ini um p oblema a en en a . Se econhecemos que a An opologia e as suas me odologias são p odu os coloniais, e o çados pelos c i é ios de neu alidade e obje i idade, pe gun amo-nos como se ão as me odologias descolonizadas e pelas agendas que se p opõem pa a a p odução de This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 225 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal posição si ua-se cla amen e no p óp io p ocesso de lu a: ao o ganiza -se, ao analisa as condições op essi as e, acima de udo, ao lu a con a essas condições e e le i sob e a p óp ia expe iência, desen ol e-se uma comp eensão empí ica e eó- ica da ealidade social que nenhum académico con encional pode ia alcança . Po an o, os que de endem es a posição en- dem a en ende o seu papel não como a o es que p oduzem conhecimen o, mas, sim, como p omo o es e esc ibas: docu- men am sabe es já bem o mulados e, às ezes, assumem am- bém a a e a de aduzi-los pa a linguagens econhecidas pela academia. Os abalhos de colabo ação de Luis Guille mo Vas- co U ibe, especialmen e com os guambianos, especi icamen e como solidá io (com capacidades de an opólogos), exempli i- cam es a o ien ação (Dagua, Vasco e A anda, 1998). Hale insis e em de ini a in es igação mili an e como uma mili ância pela “ ida”. Wal e Mignolo, pelo seu lado, assinala que a in es iga- ção a i is a e os p oje os descolonizado es êm em comum a omada do pode epis émico ace ao domínio epis émico que mili a em p ol dos luc os e da acumulação indi idual (de pessoas, países ou emp e- sas) (Mignolo, 2011), mas é necessá io comp eende as di e enças nas agendas dos di e sos a o es en ol idos nes es p ocessos colabo a i os de in es igação. Pa a Linda Tuhiwai Smi h, in elec ual mao i que p o- mo e me odologias de in es igação descolonizado as consis en es em p á icas cul u almen e desen ol idas no mundo mao i conducen es à sua au ode e minação (TUHIWAI, 2012), pa a Cumes, an opóloga maia (Cumes, 2008), ou pa a Glo ia Anzaldúa, uma c í ica cul u al chicana (Anzaldúa, 1999), a in es igação eque uma in e são da ela- ção canónica en e disciplina e conhecimen o, en e academia e a i is- mo. Enquan o pa a os an opólogos o es o ço se cen a em e o mula a An opologia e despojá-la da sua he ança impe ial/colonial (ou seja, descoloniza a an opologia), pa a as an opólogas maia e mao i o p oblema cen al não es a ia na An opologia, mas na si uação e na posição dos maias e dos mao i no mundo. Pa a Cumes e Smi h, o seu papel como an opólogas consis i ia em aplica os seus conheci- men os e compe ências em desen eda es e nó; a An opologia se ia aqui um ins umen o simples. Pa a elas, o p oblema cen al es a ia nou a pa e, e a An opologia é apenas uma manei a de lhe acede e de o esol e . Aqui, a espos a à ensão en e academia e a i ismo ica esol ida a a o da segunda. É es a a única al e na i a? Pa a Hale, a espos a a es a pe gun a não é uní oca: depende. A pa i do econhecimen o de que as on ei as en e es as posições são ênues, e que mui os es o ços de in es igação This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 226 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL comp ome ida ab angem mais do que uma delas, Hale a gumen a que uma axonomia como es a pode ajuda -nos a en en a a agmen ação a ual de “in es igação comp ome ida”, o que nos en aquece pe an e os nossos ad e sá ios comuns. As di e enças en e elas são eais e mui as ezes p o undas. Os a gumen os de undo da in es igação descolonizada ão di e amen e con a o in elec ual público, descons oem o seu comp omisso, conside ando-o como uma co ina de umo pa a cob i mé odos que con inuam a ca ega o “ a do colonial”, e que, embo a si am pa a econhece academicamen e o seu abalho, deixam na somb a as p oblemá icas de injus iça e desigualdade que subjazem a essa ealidade. G edhill dá con a da capacidade de mui os p o issionais em aze uma ca ei a académica com es es p oblemas (G edhill, 2000). Hale econhece que ele mesmo, a pa i das posições da An opologia a i is a, c i icou as co en es mais mode adas da posição descolonizado a, que põem a ên ase p imo dial na p odução de no os pa adigmas epis emológicos e pouco nas elações de in es igação, que se pode con e e com acilidade num exe cício ão eli is a como o da academia adicional, cujo esul ado é a p omoção indi idual e académica. Os que pos ulam a e icácia da in es igação pa a o a anço na jus iça social cos umam exp essa impaciência em elação à in es igação mili an e, a gumen ando que a sua ên ase no p ocesso subes ima a possibilidade de alcança os esul ados e os bene ícios conc e os de uma in es igação “bem o mulada”. Os pa idá ios da in es igação mili an e c i icam, po sua ez, a in es igação a i is a po de ende ideais iguali á ios que con adizem as hie a quias pe sis en es en e os “académicos” e os in elec uais o gânicos. Po ezes, es as posições são de endidas com um adicalismo que deixa pouco espaço pa a o diálogo e as c í icas mú uas doem mais po que pe encemos, em úl ima ins ância, ao mesmo lado. Pe an e es a si uação, Hale p opõe-nos, como an opólogos, de ende um en endimen o plu alis a da in es igação comp ome ida que aba que es as qua o posições. Não emos que escolhe uma ou ou a, pelo menos não pa a semp e. Em cada ocasião podemos aze uso de algumas delas, dependendo do con ex o em que se p oduz a nossa in es igação e em unção dos pa cei os que enhamos nela. Como cole i o dedicado à an opologia, ge i es e plu alismo de an opologias comp ome idas passa ia em p imei o luga po en en a pe gun as como es as: Quais são os p incípios que p e endemos de ende em elação às condições con unden es de so imen o social e às desigualdades múl iplas no nosso meio? Como pomos em p á ica es es p incípios — a pa i do pos ulado de ab i as nossas ins i uições a memb os dos g upos ma ginalizados a é ao de assegu a que os This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 227 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal esul ados da in es igação sejam bem usados? Po ou as pala as: a ibui um nome e apelido ao adje i o “comp ome ido”. Hale, além disso, lança-nos uma e lexão incómoda. Se, como an opólogos, não somos capazes de iden i ica , ex e naliza e ap ende a pa i das con adições que exis em no in e io da An opologia comp ome ida que p a icamos — sem impo a seja qual o das qua o posições ou se é uma combinação delas —, en ão o nosso p óp io “comp omisso” (com a “ ida”, não com a academia) é pouco de ensá el. A a i mação an e io em uma impo ância p agmá ica, uma ez que cons i ui um con i e ao diálogo, à con e sa. Hale es á a chama - nos pa a con i e com as di e enças en e an opologias e con e ê- las num a o de en iquecimen o e de o ça cole i a. As con adições são ine en es a qualque p ocesso de in es igação comp ome ida (começando pela con adição que exis e en e o nosso comp omisso com um mundo melho e os p i ilégios e iden es — de o mação, de aça ou e nicidade, de géne o, de condições ma e iais — de que gozamos como os in es igado es) e que su gem ine i a elmen e da di e ença en e a in es igação em si e o a i ismo (Ley a, 2011). Ac edi amos que es a e lexão pode se complemen ada com ou as de Boa en u a de Sousa San os, quando se con on a com as di iculdades de cons ui a pa i de posições polí icas comp ome idas no con ex o a ual (San os, 2008). Um dos p oblemas que se a as am é o en en a a si uação de plu alidades pola izadas. Faz um apelo pa a in e e a ideia de que poli iza as di e enças é equi alen e a pola izá-las. No âmbi o das posições comp ome idas (com a “esque da”), p opõe que a poli ização se enha a da po meio da despola ização. Ou seja, da p io idade à cons ução de coligações e a iculações à ol a de p á icas cole i as conc e as, discu indo as di e enças no âmbi o dessa cons ução. Is o acili a ia que as ações cole i as não se subes imassem nem boico assem po causa das di e enças, c iando um con ex o de deba e (con e sa, di íamos) que acili a ia a unidade de ação. Dando p io idade à pa icipação em ações cole i as conc e as, não despe diçando qualque expe iência social de esis ência po pa e dos op imidos, explo ados ou excluídos; conside ando as dispu as eó icas e as di e enças no con ex o das ações e semp e com o obje i o de as o na mais isí eis e o alecê-las. E, po úl imo, mas não menos impo an e: semp e que um dado sujei o/cole i o ques ione o obje i o e abandone a ação cole i a, de e azê-lo de manei a que en aqueça o mínimo possí el a posição dos sujei os que con inuam comp ome idos com a ação. This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 228 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL BIBLIOGRAFIA Alexande , B. K. 2012 “E nog a ía pe o ma i a. La ep esen ación y la inci ación de la cul u a” in Denzin, N. K. y Lincoln, Y. S. (coo ds.) Manual de In es igación Cuali a i a, Vol. III. Las es a egias de in es igación cuali a i a (Ba celona: Gedisa) pp. 94-153. Anzaldúa, G. 1999 Bo de lands/La on e a: he new mes iza (San F ancisco: Aun Lu e Books). Bu awoy, M. 2005 “Po una sociología pública” in Polí ica y Sociedad, Nº 42(1), pp. 197-225. Cala ia, O. 2005 “Epílogo: no as sob e an opología ac i a” in Cala ia, O. e al. (eds.) Neolibe alismo, Ongs y pueblos indígenas en Amé ica La ina (Mad id: Sepha) pp. 263-270. Cumes, A. 2008 “La p esencia subal e na en la in es igación social: e lexiones a pa i de una expe iencia de abajo” in Bas os, S. (comp.) Mul icul u alismo y u u o en Gua emala (Gua emala: Flacso/Ox am-G an B e aña) pp. 247-273. Dagua, A.; Vasco, L. G. e A anda, M. 1998 Guambianos: hijos del a coi is y del agua (Bogo á: CEREC/Los Cua o Elemen os/ Fundación Alejand o Ángel Escoba /Fondo de P omoción de la Cul u a del Banco Popula ). Del Valle, T. 2005 “El po encial de la ensión y su apo ación a la an opología desde la c í ica eminis a: uen es, p ocesos y ipologías” in Maquiei a, V. e al. (eds.) Democ acia, eminismo y uni e sidad en el siglo XXI (Mad id: Ins i u o Uni e si a io de Es udios de la Muje , Uni e sidad Au ónoma de Mad id) pp. 227-242. Giménez, C. 2012 “Teo ía y p ác ica en la his o ia de las ideas. Implicaciones pa a la an opología aplicada” in Gaze a de An opología, Nº 28(3). G edhill, J. 2000 El pode y sus dis aces (Ba celona: Bella e a). Habe , A. 2011 “Nome odología Payanesa: No as de me odología indisciplinada” in Re is a de An opología (Ca ama ca, Chile) Nº 23, 1º semes e, pp. 9-49. Hale, C. 2011 “En e el mapeo pa icipa i o y la ‘geopi a e ía’: las con adicciones (a eces cons uc i as) de la an opología comp ome ida” in Ley a, X. e al. Conocimien os y p ác icas polí icas: e lexiones desde nues as p ác icas de conocimien o si uado ( omo II) (Chiapas/México DF/Cidade de Gua emala/ Lima: CIESAS/UNICACH/PDTG-UNMSM)pp. 482-512. Ha away, D. 1995 Ciencia, cybo gs y muje es. La ein ención de la na u aleza (Valencia: Cá ed a). This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 229 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal He nández, R. A.; Sie a, M. T. e Siede , R. 2009 “Rei indicaciones é nicas, géne o y jus icia” in Desaca os, Nº 31, se emb o- dezemb o. Jiménez, J. A. e Köhle , A. 2012 “P oducción ideog á ica y esc i a en co-labo . Un camino donde se encuen an y compa en conocimien os” in Kummels, I. (ed.) Espacios mediá icos: cul u a y ep esen ación en México (Be lim: T an ía) pp. 319-346. Ley a, X. 2010 “Caminando y haciendo o ace ca de p ác icas decoloniales” in Köhle , A. e al. Sjalel kibel ik. S s’isjel ja kech iki’. Tejiendo nues as aíces (México DF: RACCACH/ Cesmeca-Unicach/CIESAS/PUMCUNAM/IWGIA/O ê/Xenix Film Dis ibu ion) pp. 351-359. Ley a, X. 2011 “¿Academia e sus Ac i ismo? Repensa nos desde y pa a la p ác ica- eó ico polí ica” in Ley a, X. e al. Conocimien os y p ác icas polí icas: e lexiones desde nues as p ác icas de conocimien o si uado (Chiapas/México DF/Lima/ Cidade de Gua emala: CIESAS/PDTG-USM/UNICACH). Ley a, X.; Bu gue e, A. e Speed, S. (comps.) 2008 Gobe na (en) la di e sidad: expe iencias indígenas desde Amé ica La ina: hacia la in es igación de co-labo (México DF: Cen o de In es igaciones y Es udios Supe io es en An opología Social). Lins Ribei o, G. e Escoba , A. 2006 “Las an opologías del mundo. T ans o maciones de la disciplina a a és de los sis emas de pode ” in Lins Ribei o, G. y Escoba , A. (eds.) Wo ld An h opologies: Disciplina y T ans o ma ions Wi hin Sys ems o Powe (Ox o d: Be g Publishe s). Lo de, A. 2003 La he mana, la ex anje a (Mad id: Edi o ial Ho as y Ho as). Ma ele, A. 2001 An hopology in Pos -Independence A ica: End o an E a and he P oblem o Sel -Rede ini ion (Nai obi: Hein ich Böll Founda ion/Regional O ice Eas /Ho n o A ica). Maquiei a, V. 2008 “Tensiones c ea i as en el es udio de los de echos humanos en la e a global” in Jaba do, M. e al. (coo ds.) An opología de o ien ación pública: Visibilización y comp omiso de la an opología (Valencia: FAAEE) pp. 61-64. Mignolo, W. 2011 “El p oblema del siglo XXI es el de la línea epis émica” in Ley a e al. Conocimien os y p ác icas polí icas: e lexiones desde nues as p ác icas de conocimien o si uado ( omo II) (Chiapas/México DF/Cidade de Gua emala/Lima: CIESAS/UNICACH/PDTG-UNMSM) pp. 816-840. Nash, J. 2015 “La c eación de espacios pa a la e i alización cul u al. La in es igación an opológica en la globalización” in Be isey, This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 230 EPISTEMOLOGÍAS DEL SUR / EPISTEMOLOGIAS DO SUL D. e Me esons, S. (eds.) An opologías con empo áneas. Sabe es, eje cicios y e lexiones (Buenos Ai es/Mad id: Miño Dá ila) pp. 57-69. RACCACH 2011 “Tejiendo nues as aíces de ca a a las múl iples c isis” in Va gas, V. e al. (eds.) Cue pos, e i o ios e imagina ios. En e las c isis y los o os mundos posibles (Lima: P og ama Democ acia y T ans o mación Global). Disponí el em <h p:// www.encuen o ed oschiapas.jkopku ik.o g/BIBLIOGRAFIA/ JUSTICIACOGNITIVA/Tejiendo_nues as_ aices.pd > acceso 22/03/2014. Ramos, R. A. 2015 “Men es indígenas y ecúmene an opológico” in Be isey, D. e Me esons, S. (eds.) An opologías con empo áneas. Sabe es, eje cicios y e lexiones (Buenos Ai es/Mad id: Miño Dá ila) pp. 35-55. Rapappo , J. 2007 “Más allá de la esc i u a: la epis emología de la e nog a ía en colabo ación” in Re is a Colombiana de An opología, Nº 43, janei o-dezemb o, pp. 197-229. Reguillo, R. 2007 “Subje i idad si iada. Hacia una an opología de las pasiones con empo áneas” in E-mis é ica. Pe o mance and poli ics in he Ame icas (No a Io que: Hemisphe ic Ins i u e, NYU) Nº 4.1, maio. Disponí el em < h p://hemisphe icins i u e. o g/hemi/es/e-mis e ica-41/ eguillo> acceso 15/04/2014. Res epo, E. y Escoba , A. 2004 “An opologías en el mundo” in Jangwa Pana (San a Ma a: Uni e sidad del Magdalena) Nº 3, pp. 110-131. Disponí el em <h p://www. am-wan. ne /documen s/06_documen s/ es epo_y_escoba _2004_ an opologias_en_el_mundo.pd > acceso 12/06/2015. Ruiz, M. 2015 “’An opología pública y de echos humanos’. En e is a a la an opóloga Vic o ia San o d” in Re is a de An opología de O ien ación Pública (Mad id: Uni e sidad Au ónoma de Mad id) Nº 0. Disponí el em <h p://www. aop.ne / images/ e is as/ce o/A iculoMa isaRuizSep14.pd n> Acceso el 17/07/2015. Said, E. 2006 Humanismo y c í ica democ á ica (Ba celona: Deba e). San os, B. de Sousa 2005 “Sob e el pos mode nismo de oposición” in El milenio hué ano. Ensayos pa a una nue a cul u a polí ica (Mad id: T o a) pp. 97-113. San os, B. de Sousa 2008 “Plu alidades despola izadas: una izquie da con u u o” in Cha ez, D. e al. (eds.) La nue a izquie da en Amé ica La ina (Mad id: Los Lib os de la Ca a a a). San os, B. de Sousa 2010 Pa a descoloniza Occiden e. Más allá del pensamien o abisal (Buenos Ai es: CLACSO/P ome eo). This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms 231 Juan Ca los Gimeno Ma ín e Ángeles Cas año Mad oñal Smi h, L. T. 2012 “Caminando sob e e eno esbaladizo. La in es igación de los pueblos na i os en la e a de la ince idumb e” in Denzin, N. K. y Lincoln, Y. S. (eds.) Manual de in es igación cuali a i a I. Vol. 1: El campo de la in es igación cuali a i a (Ba celona: Gedisa) pp. 190-230. Tedlock, B. 2000 “E hnog aphy and e hnog aphic ep esen a ion” in Denzin, N. K. y Lincoln, Y. S. (comps.) Handbook o Quali a i e Resea ch (Thousand Oaks, Sage) 2ª ed., pp. 455-484. Tewolde, M. 2011 El uso del ea o del op imido como he amien a de empode amien o pa a homb es y muje es mig an es en Tapachula (Chiapas: Uni e sidad de Ciencias y A es de Chiapas/Cen o de Es udios Supe io es de México y Cen oamé ica). Tu ne , T. 2010 “La p oducción social de la di e encia humana como undamen o an opológico de los de echos humanos nega i os” in Re is a de An opología Social (Mad id: Uni e sidad Complu ense de Mad id) V. 19, pp. 53-66. Wilson, S. 2008 Resea ch is ce emony: Indigenous esea ch me hods (Hali ax: Fe nwood). This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms This con en downloaded om 193.147.173.134 on F i, 23 Ap 2021 15:56:40 UTC All use subjec o h ps://abou .js o .o g/ e ms