scieee Open visual document viewer

[Re]interpretar e [Re]habilitar o Mosteiro de Santa Cruz

Rebelo, Gabriela Marques

Abstract

Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia

Full text

Disse ação no âmbi o do Mes ado In eg ado em A qui e u a, o ien ada pelo P o esso Dou o João Mendes Ribei o e coo ien ada pelo P o esso Dou o Rui Ped o Mexia Lobo e ap esen ada ao Depa amen o de A qui e u a da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni e sidade de Coimb a. Fe e ei o de 2022 Gab iela Ma ques Rebelo [RE]INTERPRETAR E [RE]HABILITAR O MOSTEIRO DE SANTA CRUZ [Re]in e p e a e [Re]habili a o Mos ei o de San a C uz Gab iela Ma ques Rebelo Disse ação de Mes ado In eg ado em A qui e u a sob o ien ação do P o esso Dou o João Mendes Ribei o e coo ien ação do P o esso Dou o Rui Ped o Mexia Lobo Depa amen o de A qui e u a, FCTUC, Fe e ei o de 2022 No a: O documen o segue com o no o Aco do O og á ico; U iliza-se pa a ci ações a no ma APA, edição 6ª; O símbolo “ ” indica que exis e con eúdo na pa e pos e io da página Pa a a melho comp eensão do p oje o Es e abalho oi desen ol ido no âmbi o do P oje o SANTACRUZ - Recons i uição digi al em 3D do Mos ei o de San a C uz de Coimb a em 1834 ( e e ência PTDC/ART-DAQ/30704/2017 - POCI-01-0145-FEDER-030704), inanciado po FEDER - Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional a a és do COMPETE 2020 - P og ama Ope acional Compe i i idade e In e nacionalização (POCI) e po undos po ugueses a a és da FCT - Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia. Resumo Desde cedo na his ó ia de Po ugal, pa icula men e da cidade de Coimb a, o Mos ei o de San a C uz es abeleceu-se como um pon o de e e ência, an o pa a o desen ol imen o u banís ico da cidade como pa a impulsionamen o cul u al do p óp io país. Cons uído no século XII, es e Monumen o Nacional oi, ao longo de di e en es pe íodos da his ó ia, al o de di e sas e o mas ma can es. Pa e in eg an e des e conjun o, a Fon e da Manga, de ca ác e enascen is a e cons uída du an e a e o ma do pe íodo Joanino, assumia-se inicialmen e como elemen o cen al de um claus o, o e cei o do an igo Mos ei o. No en an o, com o passa do empo não só se pe deu es e con ex o e es a elação, mas ambém o ca á e cen al des a peça ca egada de his ó ia e simbolismo. A inexo á el passagem do empo e o p og essi o desen ol imen o da sociedade ci adina ie am a e idencia , p incipalmen e na con empo aneidade, uma negligência de odo o conjun o. A diluição des e edi icado que ou o a se assumia coeso, pa alelamen e com a dispe são do espólio do mos ei o po di e sos pon os da cidade que em nada eme em pa a a his ó ia e con ex o do mesmo, esul a na des i ualização do Mos ei o. O espaço cen al da Fon e da Manga, ou o a isicamen e in e ligado com o Mos ei o, encon a-se, a ualmen e, desp o egido e desca ac e izado, ca ecendo de um elemen o que lhe dê iden idade ou que eme a pa a essa associação como pa e in eg an e do odo. Des a o ma, a p esen e disse ação, endo como ema cen al “Cons ui no Cons uído”, assumiu como p incipal obje i o p opo uma no a lei u a do conjun o do Mos ei o e da Fon e da Manga, pe mi indo a sua econ ex ualização no espaço u bano da cidade. Assim, decompôs-se es e obje i o em ês ou os: 1. a eunião de odo o espólio exis en e e a sua musealização e exposição no espaço do Mos ei o; 2. a a ibuição de uma no a uncionalidade e i ência a es e monumen o; e 3. a e o mulação da elação en e a Fon e da Manga, o Mos ei o e a Cidade. Uma ez es abelecidos os obje i os, o nou-se necessá io de ini a me odologia a abo da . Nes e sen ido, es ipula am-se, ambém, ês mé odos essenciais: 1. a lis agem do espólio; 2. a p opos a do núcleo in e p e a i o e museológico; 3. a c iação de dois olumes em ipado de madei a que eme em pa a a ideia de claus o, ou o a aqui exis en e, e que, simul aneamen e, es abelecem a ligação en e o edi icado. Em suma, p ocu ou-se es abelece um diálogo en e a p eexis ência e no o, numa linguagem coe en e, edesenhando simul aneamen e o espaço u bano en ol en e. Pala as-cha e: Mos ei o de San a C uz, Fon e de Manga, Reabili ação, euso, pa imónio, Museu, Res au o, Núcleo cul u al. 14 15 INTRODUÇÃO A p esen e disse ação su ge no âmbi o da disciplina de A elie II de P oje o, o ien ada pelo p o esso dou o João Mendes Ribei o, com o ema Cons ui no cons uído, pa a e lec i sob e a cidade na a ualidade, em pa icula num con ex o u bano his ó ico. O obje o de es udo é o Mos ei o de San a C uz, em pa icula a Fon e da Manga, e o exe cício p á ico que se p opõe consis e na adap ação do Mos ei o a um museu, que em como base undamen al de abalho a c iação de um P oje o de Valo ização, Reabili ação e Conse ação. A disse ação deco eu do ema que oi p opos o e desen ol eu-se em p imei a ins ância numa ase de g upo, onde se de iniu a es a égia u bana pa a a globalidade da zona de in e enção, o mos ei o e os edi ícios da sua en ol en e. Pos e io men e, na ase indi idual, incidi -se-ia sob e os edi ícios e espaços p e iamen e de inidos na ase da es a égia u bana ge al. O abalho desen ol e ia, nes a ase, a ca ac e ização olumé ica, o ma, espacialidade e p og ama da p opos a, e oluindo no sen ido da de inição das opções ma e iais e cons u i as, e e en es an o às in e enções de es au o e eabili ação, como de no as cons uções, undamen adas nas eo ias in e p e a i as de au o es ligados às co en es i alianas do es au o c í ico. Pa a en ende mos e e i amen e a p opos a, epa e-se es a in es igação em dois g andes capí ulos: a Con ex ualização e Es ado de A e, e e en es à ecolha que in o mação e comp eensão do obje o de es udo, e a P opos a, associado à e en e p á ica da in e enção. O p imei o capí ulo, Con ex ualização e Es ado da A e, su ge da necessidade de comp eensão des e Monumen o Nacional na con ex ualização da cidade. Nesse sen ido, se ia especialmen e impo an e en ende o con ex o his ó ico que du an e a Re o ma Joanina, le a ia à cons ução do Claus o da Fon e da Manga e de que modo as al e ações da malha da baixa de Coimb a a e a iam, no início do séc. XX, a ipologia do claus o que lhe e a p óp io. Sendo assim, o na-se essencial engloba a in o mação sob e a sua e olução u bana a é à con empo aneidade, ep oduzindo assim uma consciencialização his ó ica, que undamen e as opções de p oje o e jus i ique a elação en e os no os edi ícios p opos os e aqueles a eabili a . 17 Em sucessão des as ap endizagens é necessá ia a lis agem do Espólio do Mos ei o 1 , numa pe spe i a de análise his ó ica e de iden idade do luga . Jun amen e com es e ema c onológico, ques iona-se a iloso ia de como in e i numa p é-exis ência enomada, com his ó ia e a qui e u a. Ao mesmo empo, p ocu a-se undamen a a p opos a num conjun o de eo ias de es au o, já explo adas po di e sos au o es e a qui e os, com o obje i o de pe cebe qual a melho abo dagem de in e enção no Monumen o, pois cada eo ia o igina um esul ado di e en e, podendo e epe cussões di e sas no meio ci adino. A pa des e conjun o de esoluções, ac escen a-se ainda a ques ão museológica, de como adap a odos os elemen os que cons oem um complexo museológico, em conco dância com os di e sos pon os cul u ais da cidade. O segundo g ande capí ulo, a P opos a, in es e no desen ol imen o p á ico do p oje o da p esen e disse ação, em que o p imei o subcapí ulo ai de encon o aos g andes obs áculos que hoje se colocam. Pos e io men e, su ge a análise u bana da á ea de in e enção desen ol ida, eme gida no en endimen o da unção dos edi ícios, que se i á e le ida no exe cício de p oje o. A es a égia ge al se á o capí ulo onde se de ine o desenho da in e enção, desen ol ida p imei amen e pelo g upo e pos e io men e a ní el indi idual. Nes e capí ulo, é possí el en ende o conhecimen o aplicado no açado da ideia, que de ine es a égia u bana ge al desde o núcleo como concei o. Na con inuação do p oje o, a ase indi idual, no capí ulo da Es a égia Indi idual ap o unda o p og ama do edi ício-museu, o desenho da p opos a a é ao momen o cen al, a Fon e da Manga, as suas elações com o no o edi ício e ainda as de inições composi i as e cons u i as, no con ínuo en ol imen o na linha de pensamen o sus en á el, en e o uso e o euso. O p og ama e a ex ensão do Me cado se ão ambém al o de a enção, no in ui o de concebe um meio con empo âneo, com o obje i o de con e gi numa es a égia que esol a a espacialidade e a acessibilidade que melho se adap a e espei a a dinâmica da u be. Po im, a ap esen ação de di e sos desenhos igo osos, o omon agens e esquiços que acompanha am o desen ol imen o e ealização do p oje o – [Re]in e p e a e [Re]habili a o Mos ei o de San a C uz. 1 Iden i icado no capí ulo e e en e aos Anexos. 19 I. CONTEXTUALIZAÇÃO E ESTADO DA ARTE II. A his ó ia do edi ício, elação com a cidade e espólio A undação da ob a Românica O mos ei o de San a C uz, localizado na baixa de Coimb a, conside a-se um dos cenóbios com mais des aque não só nes a cidade, como ambém em odo o país, endo sido e guido na p imei a me ade do século XII, a pa i de 1131, com a p o eção de D. A onso Hen iques (C a ei o, 2011). O espaço cedido pa a a cons ução do Mos ei o, em e eno an e io men e conhecido po Banhos Régios e si uado numa á ea ex e io às mu alhas, oi p o enien e de uma doação ei a po D. A onso Hen iques ao A cediago D. Telo (Ala cão, 2008; C a ei o, 2011) e na qual o p óp io e eno, numa época p eceden e à cons ução, desc e ia-se: “A no e, o mo o desce íng eme sob e um ale de alha que a a enida de Sá da Bandei a e a ua de Olímpio Nicolau Rui Fe nandes hoje ocupam. Co ia po esse ale um ibei o que e ia sua o igem ao cimo do ac ual Pa que de San a C uz. Nos inícios do séc. XII, chama a-se o en e dos Banhos Régios.” (Ala cão, 2008, p. 13). Nes a á ea i ia ambém a aze pa e uma zona “que incluía (…) o ho o comp ado pa a o e ei o à diocese em 1129” (C a ei o, 2002, p.25), que oi igualmen e doada, mas apenas no ano de 1137, comple ando, assim, uma eunião de espaços amplos e cen ais que p opo ciona iam uma na a i a de c escimen o e expansão numa cidade que i ia a se palco de momen os no ó ios. Ao longo dos empos, es e complexo c úzio oi-se ajus ando às épocas consoan e os mo imen os a ís icos p esen es em Po ugal. O Mos ei o passou en ão po ês ases signi ica i as - o Românico, o Manuelino e o Joanino, de inindo e esculpindo assim uma ob a que mani es a a e. Con udo es es es ilos cul u ais “… deixa am a sua ma ca na es é ica e na o ganização espacial da cons ução do edi ício eligioso, e po ou as cons uções pos e io es” (Cou o, 2014, p.11), a Sac is ia e o San uá io. O culmina de odas es as ci cuns âncias cul u ais, polí icas e eligiosas des e Mos ei o de inem, en ão, odo um pe cu so que in luenciou o que é hoje a cidade de Coimb a. Na dinamização dos modelos omânicos em Po ugal o am á ias as ob as cons uídas em 21 solo po uguês, dispe sas pelo país, que se podem encon a em cidades como Coimb a, Lisboa, Po o, en e ou as. No caso da cidade de Coimb a, encon am-se com mais des aque as Sés de Coimb a e o imponen e Mos ei o de San a C uz. A undação do Mos ei o e le e-se “…num empo de in ensa eno ação espi i ual que o ien a a exp essamen e a ida dos cónegos pa a a o ação, pa a a lei u a dos ex os sag ados e pa a a ajuda assis encial aos pob es.” (C uz, 1963 in C a ei o, 2011, p.20). Um espaço concen ado na de oção e dou ina, a a és de um mo i o eligioso que se ege pela eg a de S o. Agos inho, uma no a condu a canonical. (C a ei o, 2011). O mos ei o encon a a-se en ol ido no cen o da eli e polí ica e eligiosa. Es a si uação, p o idenciada pelo econhecimen o dos g andes nomes que o guia am e supe isiona am, epe cu ia-se numa p o eção dos pode es égios e dos es ados papais. Sendo assim, al hegemonia esul ou num “… p i ilégio de Isen o colocando o mos ei o sob a p o ecção di ec a do papado.” (C a ei o, 2002, p.27). Des a o ma, o nou-se assim possí el uma ga an ia da sua longe idade, e o çada pelo o e desen ol imen o demog á ico e u bano da cidade de Coimb a, cul i ando uma dinâmica cul u al expansi a em simbiose com o mos ei o (Gomes, 2000). No deco e da Idade Média, os c úzios ge a am um conside á el pa imónio, auxiliado pelo c escen e espólio. Todas es as mais alias pe mi i am que o Mos ei o osse conside ado um dos mais impo an es mos ei os da eu opa (Gomes, 2000). No que oca à iden i icação dos espaços es abelecidos no século XII, es es não so e am g andes al e ações a é às e o mas do pe íodo manuelino (C a ei o, 2002). A Ig eja do Mos ei o oi cons uída no es ilo omânico que se ap esen a a como um “labo a ó io expe imen al” numa cons ução co esponden e à “… p imei a ob a do segundo pe íodo do omân ico coimb ão (…) de um omânico ecnicamen e mais e oluído em Coimb a” (C a ei o, 2002 in Cou o, 2014, p.27). (Fig.3) Foi concebida com uma na e e ês capelas la e ais, sendo a na e cobe a com abóbada de be ço. Sob e o ná ex p imi i o, localizado na en ada da Ig eja, o que es a a ualmen e são apenas pequenos de alhes e es ígios, salien ados nas pa edes la e ais da inicial cons ução omânica (Viei a, 2001). A achada des a ig eja emon a a uma e olução de épocas cons u i as desde o omânico a é século XVIII. An e io men e ao claus o do Silêncio exis ia um p imi i o claus o omânico que oi de as ado com o empo (Viei a, 2001). Fig. 3 - Plan a da Ig eja Românica de San a C uz, econs i uição po Manuel Real, Adap ada de Cou o (2014). Fig. 4 e 5 - Esboço da Ig eja Românica de San a C uz adap ado de Viei a (2001, p. 21) 23 No luga des e, su giu o a ual Claus o do Silêncio, conside ado po mui os um dos mais céleb es claus os po ugueses (Viei a, 2001). De aco do com Viei a, es e claus o “…engloba em si e nos seus anexos, mo i os mais que su icien es pa a uma demo ada isi a que, pa a além de epouso espi i ual que p opo ciona, nos az pe eg ina , e endo a a e e his ó ia nos sucessi os séculos da sua exis ência…” (Viei a, 2001, p.44). Es e claus o não se ia o único do Mos ei o, subsis ia ambém, um claus o de humilde dimensão, pe ença do mos ei o anexo das Donas, que i ia a da luga ao Claus o da Po a ia (C a ei o, 2011). Segundo o que oi apu ado, es e con en o eminino a ia pa e da ce ca con en ual, e es a ia dispos o a no e da Ig eja c úzia, com pouca dimensão (C a ei o, 2011). Pa e in eg an e do Mos ei o de San a c uz, o Mos ei o das Donas e o espe i o claus o, jun os ocupa iam en ão, o co en e espaço da a ual Câma a Municipal de Coimb a (Cou o, 2014). A no des e do mos ei o, encon a a-se a imponen e To e dos Sinos do Mos ei o de San a C uz, da ada do século XII, onde oi colocada no inal do século XX a Fon e dos Judeus e a escada ia adjacen e, man endo-se es es úl imos na a ualidade (Gomes, 2000). A p og essi a dila ação social do Mos ei o Medie al acabou po e um e ei o di e o no planeamen o e i o ial e u bano nas á eas em edo , e com isso es abelece um obus o pode u banís ico (C a ei o, 2011). Ao mesmo empo, e a p ese ada a imagem de pode , median e uma con ínua p eocupação dos c úzios, no cuidado e coleção das elíquias (C a ei o, 2011). O mos ei o, como eco en e pon o de pa agem, espi i ual e eligioso, o e ecia ci cuns âncias p opícias a a o de al sucesso, a a és da “ajuda assis encial” e do “descanso”, que se epe cu iam nos ideais da comunidade c úzia (C a ei o, 2011). Es es con ex os p e iamen e e e idos, coadju a am o Mos ei o a o na -se um pon o de e e ência. Pe encen es a uma pa e do pe cu so eligioso do mos ei o, as elíquias dos má i es de Ma ocos 2 “… são, assim, al o dessas p eocupações exposi i as que passam pela p omoção da sua acessibilidade aos iéis e pela digni icação do espaço en ol en e...” (C a ei o, 2011, pp. 21-22) ac escen ando-se assim mais esou os ao epe ó io espi i ual do mos ei o em dinamização. (Fig. 6) Apesa do epe ó io a ís ico imenso des e mos ei o conquis ado a é à al u a, as gene alidades das peças medie ais habi am não no mos ei o, mas sim em espaços museológicos, biblio ecas e ambém a qui os nacionais. 2 “… ambém conhecidos po p o omá i es anciscanos…” inham como unção di undi o e angelho, no começo do século XIII (Viei a, 2001, p.71). No en an o, não e minam a sua missão, uma ez que se o na am p isionei os e consequen emen e má i es no ano de 1220 (Viei a, 2001). Fig.9 - Cal á io, po C is ó ão de Figuei edo, 1522-1530 Fig. 10 - Ecce Homo, po C is ó ão de Figuei edo, 1522-1530 32 Fig. 11 - Conjun o escul ó ico da Úl ima Ceia de C is o, do escul o Hoda 33 do mi ó io, p olonga a o mos ei o 22 b aças, ce ca de 48,4 me os, pa a nascen e, consag ando o Claus o da Manga, e pa a poen e, en onca a no bloco de inido pela no a li a ia.” (Dias, 1983 & Ga cia, 1923 ci ado em Cou o, 2014, p.91). (Fig. 12) Aquando da ex ensão dos do mi ó ios, Diogo de Cas ilho emp ei ou uma es u u a o ganizada e di idida em duas olume ias, na qual a sua ligação cons i uía um ângulo de no en a g aus, esul ando assim, num ges o idên ico ao o ma o “T”. (Cou o, 2014). O conjun o das celas epa idas unciona iam como unidade pad ão epe ida. Es a se ia uma ipologia que João de Cas ilho i ia a ep oduzi no do mi ó io do Con en o de C is o, no momen o da sua ampliação (Lobo, 2006). A en e ma ia se ia colocada no piso in e médio com di e en es dimensões, com a capacidade de doze celas igualmen e acionalizadas al como o bloco do do mi ó io, ixando-se en ão a o ien e do ecen e claus o da Manga. A cons ução do Claus o da Po a ia eio subs i ui pa e do Mos ei o das Donas (C a ei o, 2011; Cou o, 2014) e p ocedeu-se à cons ução de um ou o no o: o Claus o da Manga. Es as cons uções desdob a am-se a pa i do âmago já exis en e do claus o do Silêncio e com especial “…incidência nas ês alas no e, nascen e e poen e.” (C a ei o, 2011, p.35). A li a ia si ua -se-ia na ala poen e do claus o do silêncio, “…p ecisamen e na con luência en e o claus o do Silêncio e a no a po a ia…” (Cou o, 2014, p.47). Fig. 12 - Claus o da Fon e da Manga, do mi ó ios do Mos ei o de San a C uz e To e dos Sinos 35 A Fon e do Claus o da Manga Em 1527, F . B ás de Ba os dá en ada no mos ei o in ocado po D. João III. Aquando da sua chegada, põe em p á ica a e o ma espi i ual de in luência anciscana no mos ei o, com o obje i o de co igi os cos umes do cle o, e epondo, à semelhança da eg a p imi i a da o dem dos Cónegos Reg an es de San o Agos inho, a ob iga o iedade da clausu a jun amen e com os o os de obediência, pob eza e cas idade. “A a e a e o mado a le ada a cabo no Mos ei o de San a C uz de Coimb a, a sua Casa mais impo an e, só pode ia espelhá-la; e o ideal de ida simples, eg essado à pu eza das Esc i u as e dos esc i os dos Pad es da Ig eja, deu aqui u os que a ingi am um singula pon o de ma u ação.” (Ab eu, 2008-2009, p. 36). Os ideais des a e o ma podem se iden i icados em ês ob as, sendo duas esc i as pelo p óp io F . B ás: o Memo ial de Cõ esso es, a pedido dos c úzios como guia o ien ado e o Li o das Cons i uições e Cos umes, que da ia a conhece as bases da e o ma b asiana. A e cei a ob a e e encial se ia a adução, ei a pelo e o mado , do Espelho de Pe eycam, de Hend ik He p, como um ins umen o de disciplinação dos ícios, comba endo as a i udes mundanas em unção da sal ação da alma e pe eição espi i ual (Ab eu, 2008-2009, p. 40). Os espaços p opos os des a e o ma egiam-se pelos lemas p esen es nas ob as sup aci adas, p opo cionando as condições ideais pa a aca a com de ido igo a clausu a, o ecolhimen o e o silêncio. “Tal in e dependência en e a e o ma de cos umes e a dos espaços monás icos e i ica-se em quase odas as si uações” (Ab eu, 2008-2009, p. 38). A cons ução da Fon e execu ada pelo escul o e a qui e o João de Ruão, po ol a de 1533 e 1535, o na -se-ia um ma co na e o ma enascen is a do mos ei o (Ab eu, 2008-2009). Inicialmen e conhecida como Claus a e cei a da En e ma ia, a peça desen ol eu-se a pa i da linguagem me a ó ica, na exposição do sen ido e emí ico de ecolhimen o in e io , e na ansposição das dou inas di undidas no Espelho de Pe eycam (Ab eu, 2008-2009). Es a Fon e esul a no açado em dupla c uz de cen o ma cado a iculado de um p og ama escul u al e jogos de água (Ab eu, 2008-2009). Fig. 13 – ilus ação do Fon e e Claus o da Fon e da Manga, desenho de Alb ech Haup 37 “O conjun o, pese embo a a sua in ulga idade, mos a-se he dei o de oda a adição monacal do Ociden e na igu ação do ho us conclusus claus al como pa aíso e es e. A di isão qua e ná ia do seu espaço eme e pa a os qua o ios genésicos que, b o ando do cen o edénico, do local onde c esce a Á o e da Vida, co em axialmen e no sen ido dos qua o pon os ca diais. O edi icado cen al da Fon e da Manga, de ca ác e an iquizan e, po sua ez soco e-se de o mas geomé icas a que ípicas na acen uação de al ca ác e sag ado e cósmico, sob e udo da conjugação do cí culo com o quad ado.” (Ab eu, 2008-2009, p. 40). Jun amen e a es as associações simbólicas adiciona-se a passagem da ida mundana pa a um ní el espi i ual a a és dos se e deg aus, necessá ios pa a a ap oximação da pe eição espi i ual. “Es a i ó ia alcança-se com a conquis a p og essi a de i udes, equi alen es aos dons do Espí i o San o, que são se e” (Ab eu, 2008-2009, p. 41). A chegada ao emple e, no cen o da plan a, se ia onde se encon a ia a “Fons Vi ae, ou a água egene ado a do espí i o” e pu i icado a de odo o pecado (Ab eu, 2008-2009, p. 41). Ainda os qua o edi ícios sa éli e, ao edo do emple e, se iam os espaços dedicados à in ospeção, ecolhimen o e clausu a. To na-se assim econhecí el a anscendência que ad ém da a qui e u a des a ob a, ca egada de simbolismos an o mí icos, como espi i uais, a a és dos núme os, geome ias e e ocações ipológicas que pe mi em o eligioso acede ao espi i ual a a és do co pó eo (Ab eu, 2008-2009). O su gimen o da denominação que pe du a a é aos dias de hoje, a Fon e do Ja dim da Manga, é di ulgada na Desc ipçam e Debuxo de Mos ey o de San a C uz de Coimb a po F ancisco Mendanha, na qual suge e a ideia de que D. João III e ia desenhado o claus o na manga da oupa que inha es ida, ou en ão, de que nasceu po que o ei man inha uma a enção cons an e enquan o se aziam as ob as, azendo p eso na manga da sua oupa eal o desenho do que se i ia edi ica (Bole im da biblio eca ge al da uni e sidade de Coimb a, 1957). Segundo a seguin e desc ição são expos as as ca ac e ís icas do conjun o da Fon e num om escla ecedo : Fig. 14 – Desenho do Claus o da Fon e da Manga 39 “… Claus o da Manga, o qual é mui o galan e e em mui o que e pa a os que isi am o Mos ei o. É odo pin ado a esco, an o pa edes como o madei amen o do e o, que é de ábua lisa e plana, segundo o cos ume de Po ugal. O pá io des e Claus o não é de lajes ou ja dim, mas sim de água, embo a não al em ped a e e du a pa a pe eição da ob a.” (DGEMN, 1957 ci ado em Pa ei a, 2015, p.161). Pa e des e conjun o Claus al, a cúpula, de unção p o e o a, ele a-se do ní el da on e, man endo a sua es u u a sob oi o colunas clássicas ma e ializadas com ped a de Ançã (Bas o, 2015). Os a cobo an es conec am-se po ínculos adiais, que po sua ez são ema ados pelos qua o o a ó ios em plena conco dância com a geome ia do Ja dim (Bas o, 2015). O encan o po es a ob a epe cu iu-se e ao que udo indica, e á a é sido eplicada. Es e modelo ep oduzido e -se-ia es abelecido no claus o dos E angelis as do Esco ial, concluído em 1593, à semelhança do coimb ense, ambas possuido as de uma cen alização de inida, in e dependências en e os elemen os e ainda a c is alização da Fon e da Vida (C a ei o, 2011). No ex o de Ped o Na ascués Palacio, El Pa io y emple e de los E angelis as de el Esco ia,l sob e a on e do claus o do Esco ial, e e e que ou os au o es nomeadamen e Kuble sus en am a ideia da sua eplicação. Ainda San iago Sebas ián indica essa possibilidade, di e amen e ligada à iagem do au o da ob a do esco ial, Juan He e a, acompanhado de D. Felipe II às co es e e en ualmen e à Fon e da Manga, sendo es as conclusões pos e io men e con es adas po Ped o Na ascués, a i mando que es e conjun o não es abelecia ligações di e as do pon o de is a a qui e ónico: “Pa a mí, el conjun o de la uen e, emple e y capillas o celdas de la Manga nada iene que e con el Pa io de los E angelis as desde el pun o de is a a qui ec ónico. Es deci , ni el p oyec o, ni el mundo de ideas y modelos a los que pe enece, ni las o mas ni ma e iales, así como ampoco las soluciones cons uc i as ni el papel jugado sob e el plano pueden compa a se con el Temple e escu ialense.” (Palacio, 1987, PP. 67-68). Fig. 19- Re ábulo do San uá io Fig. 20 – San uá io 47 que de ido à dissolução das o dens eligiosas esul a am no des io e des uição de pa e do espólio c úzio. Toda uma e olução que acabou po di a a pe da e dispe sões das suas iquezas pa imoniais, com di e sos espaços do mos ei o ocupados. No en an o, o que oi sal agua dado do espólio pe encen e à li a ia se ia encaminhado pa a di e sas ins i uições, en e os quais o Museu Machado de Cas o no cen o da al a, po ém a diamen e, apenas em 1911. A pa i des e momen o, segui am-se á ios momen os da ados de modi icações, subs i uições e al e ações de pa e do mos ei o e en ol en e, que guia -lho-ia ao Mos ei o do p esen e. Em 1867, assinala-se a ocupação dos e enos pe encen es a San a C uz, e e en es ao an igo ho o do mos ei o, que se iam ocupados pelo Me cado Municipal. (Fig. 21) Pos e io men e, o me cado ecebeu uma ampliação e cons ói-se o no o pa ilhão dedicado à come cialização do peixe (Fig. 22), concluída en e 1905 e 1907, pela au o ia do a qui e o Sil a Pin o. (Rel ão, 2014). Ainda em 1999 é ap o ada a cons ução do no o me cado D. Ped o V, sal agua dando o Pa ilhão do Peixe. No Mos ei o, em 1877, desapa ecia o Claus o da Po a ia, a im da cons ução da Câma a Municipal de Coimb a. (Fig. 23) A pa i da segunda me ade do século XIX, começou-se a desen ol e a ca og a ia u bana, à exceção dos simples le an amen os mili a es (Rel ão, 2014). No en an o só na década de 1870 é que “…começou a su gi uma no a consciência do planeamen o u bano.” (Rel ão, 2014, p. 236). No es o ço de equipa a a cidade aos exemplos in e nacionais, é c iado um concu so que almeja o es udo e planeamen o da cidade pelos no os mé odos de ca og a ia. O concu so, lançado em 1872, do le an amen o a ualizado de Coimb a é a ibuído aos i mãos F ancisco e Cesa Goulla d, e em 1874, cons i ui-se a plan a opog á ica da cidade de Coimb a. (Fig. 24) Es a plan a pe mi iu o início do es udo undamen ado e ainda a ampliação do ecido u bano na p omoção “…da cidade higiénica, mode na e o denada. O município na posse des e ins umen o undamen al pa a o planeamen o u bano, ence ou uma no a o ma de enca a a cons ução da cidade pa a lá da espos a imedia a aos p oblemas que a assola am.” (Rel ão, 2014, p. 237), sendo assim, com o ecu so a ca og a ias cien í icas e p o issionais des acados, o nou-se possí el a expansão da cidade. “Demo ou, po ém, a conc e iza ‐se es a cidade mode na. Po um lado, a expansão da cidade, ao con á io dos exemplos Fig. 21 - Me cado Municipal de D. Ped o V, 1870-1880 Fig. 22- Pa ilhão do peixe Fig. 23 - Câma a Municipal de Coimb a Fig. 24 – Plan a da Cidade de Coimb a, de F ancisque e Césa Goulla d, 1874. 51 eu opeus, não e a uma consequência da densidade exis en e, mas an es de mais a on ade de p og esso sonhada pela edilidade.” (Rel ão, 2014, p. 432). A imponen e To e dos Sinos, pa e emblemá ica da cidade, i ia en ão a e o seu im, p oposi adamen e des uída a 3 de Janei o de 1935. A decisão da sua demolição oi omen ada pelo ac o de a o e encon a -se em iminen e pe igo de desabamen o em pleno cená io ci adino (Gonçal es, 1980 ci ado em Ala cão, 2013). (Fig. 25 e 26) No início do século XX, oi cons uída a A enida Sá da Bandei a sob e o an igo ale de San a C uz, ligando assim a baixa à al a de Coimb a. (Fig. 27). Na década de in a, oi e guido o Edi ício dos Co eios (CTT), no local da an iga Es ação Telég a o-Pos al, que se ia a e ada po um incêndio, no início de 1926, e o edi ício da Di eção Regional da Cul u a do Cen o (DRCC) onde ou o a exis iu o lanço do segundo do mi ó io que ence a a, a poen e, o claus o da Fon e da Manga. (Rel ão, 2014). A Fon e da Manga, ou o a enquad ada po um claus o que e e o seu im em 1888, onde o am a asadas as alas no e e nascen e e, pos e io men e, os incêndios que a e a iam essa zona em 1917 e 1922, o na am o espaço desca ac e izado. A pa i desse momen o, a peça cen al oi deixada em desg aça a é à in e enção da Di eção Ge al dos Edi ícios e Monumen o Nacionais (DGEMN), iniciando o p oje o de ein eg ação e ecupe ação da Fon e da Manga pelo a qui e o Luiz Bena en e, a qual oi enca egue a pa i de 1931 (Rel ão, 2014). A Fon e do Claus o da Manga oi classi icada em 1934, segundo a Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al, como Monumen o Nacional. Dois anos depois, inicia am as ob as de ecupe ação da peça e a cons ução do Res au an e Ja dim da Manga, concluídas em 1940. Na p óp ia achada do mos ei o su gi am al e ações. A Ig eja S. João Bap is a, an iga pa oquial, e i e, no que ainda é p esen emen e, o conhecido Ca é San a C uz. Em elação à Ig eja cen ena , “em 1940, o eceio de bomba deamen os di a a a cobe u a do po al da ig eja.” (C a ei o, 2011, p. 59). Na p imei a me ade do século XX, é ainda e guida a gale ia pe encen e ao Claus o do Silêncio, pela Di eção-Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais (DGEMN). “O e ei ó io man e e-se en ão na u ela da Câma a, adqui indo a designação de “Sala da Cidade”, e unciona hoje como espaço exposi i o p i ilegiado na ligação da comunidade ao núcleo museológico possí el no complexo monás ico.” (C a ei o, 2011, p. 135). Fig. 25 e 26 - Demolição da To e sinei a, em 1935 Fig. 27 – A enida Sá Bandei a Fig. 28 - Vis a do edi ício da DRCC 63 apenas concedidas a uma pa e da população com maio pode económico e inancei o. Es e g upo de pessoas se ia o único que pode iam ende eça con i es ao es o da população (Suano, 1986). Só bas an e empo depois é que oi possí el a abe u a desses museus p i a i os (Suano, 1986) “…ou seja, abe o ao público em ge al, sem dis inções, local li e, de ca á e educa i o, cuja missão é ecupe a , p ese a e dissemina a memó ia cole i a po meio de seus obje os.” (Lace da, 2021). “Sabemos que cul u a é um e mo amplo e complexo, podendo se de inido a pa i de di e sos pon os de is a. Sob a análise an opológica, cul u a é o conjun o de cos umes, adições, hábi os e mani es ações de uma população, que cons ói sua iden idade e seu modo de ida e os ansmi e ge ação após ge ação. O museu em o papel de in o ma e educa po meio de exposições pe manen es, a i idades ec ea i as, mul imídias, ea o, ídeo e labo a ó ios.” (Lace da, 2021). O Museu se á, en ão, um espaço capaz de es imula a cu iosidade, as e lexões e o deba e na p omoção da socialização e dos p incípios da cidadania a im de p omo e a “…sus en abilidade das ans o mações cul u ais.” (Lace da 2021). “An es de mais nada, não podemos nos esquece que o museu é o local úl imo no longo p ocesso de pe da de unções o iginais – ou p ocesso de musei icação – pelo qual o obje o a a essa. Fo a do seu con ex o o iginal, alo izado po ca ac e ís icas a ele o almen e alheias, o obje o deixa de se obje o e passa a se “documen o” e aquilo que ele em de mais in ínseco, que é se p odu o e e o de ação humana, (…) não é le ado em conside ação. O p imei o es udo do obje o de e ia se semp e aquele que nos pe mi e a ingi as manei as segundo as quais os homens se o ganizam em sociedade pa a p oduzi-lo e quais e am suas unções nessa sociedade.” (Suano, 1986, p. 88). O obje o, como indica a au o a, em o seu p ocesso: começa como obje o, seguindo-se a musei icação, e no inal é documen o, is o é, o obje o quando e i ado do seu local de o igem pe de 65 po ezes pa e da iden idade in ínseca ao mesmo (Suano, 1986). Quando se ecupe a um obje o é necessá ia uma no a in eg ação e, dependendo do seu ca á e , is o pode se solucionado a a és da sua eposição no p imi i o luga , ou quando não é possí el, a sua ins alação num espaço p opício ao escla ecimen o do seu passado. Nes e momen o en a o concei o de coleção/ espólio, que engloba um conjun o ou um singula núme o de obje os, que de em se dispos os, selecionados e o ganizados (coleção) numa exposição de o ma que a sua na a i a seja lida de manei a anslúcida, complemen ando, desse modo, a sua his ó ia, pe encendo assim ao p esen e, pois odo o p ocesso en ol ido na exposição eco e aos mé odos da a ualidade. Os obje os des e abalho iden i icam-se como peças, u ensílios, ins umen os, quad os, indumen á ia, espaços e udo o que ansmi e a i ência no mos ei o e na sua en ol en e, enquan o a coleção es u u a os obje os que o mam um encadeamen o adequado numa exposição que esul a da me odológica dispe são dos obje os den o de um pe cu so. 67 Ca as e Con enções In e nacionais sob e o Pa imónio A cidade de Coimb a, como cidade his ó ica, e ém na sua u be bas an es edi icações an igas, que eque em uma especial a enção de ido ao seu peso his ó ico e de ca ác e e udi o. Assim sendo, se ia sensa o uma abo dagem p oje ual undamen ada no conhecimen o de eabili ação e conse ação do pa imónio. Es e capí ulo e le e o p é-pensamen o pe an e a ob a, nes e caso o mos ei o e a sua bagagem his ó ica, de modo a c ia uma linha de pensamen o iel à iden idade da cidade e do p óp io complexo monás ico de San a C uz, epe cu indo-se nas ações a qui e ónicas ap esen adas em p oje o. A lei u a dos ex os p o enien es das ca as e con enções de monumen os e pa imónios, iden i icam pon os essenciais sob e como a a e p ese a a his ó ia. O mos ei o de San a C uz ca ego iza-se hoje como Monumen o Nacional, pa e do Pa imónio Cul u al de Po ugal, de pe se e an e unção eligiosa e cul u al (Sil a, 2006). As emá icas in oduzidas na conse ação e es au ação são possí eis de ap o unda a a és da ob a esc i a de á ios es udiosos, que desen ol e am conhecimen o ilosó ico en e eo ias de es au o. “O homem e e, desde semp e, sen ido de aze pe du a no empo odos os objec os que ossem ú eis às suas necessidades, epa ando aquilo que i esse alguma unção especí ica. O p io i á io não e a p ese a es emunhos his ó icos, mas sim epa a algo que deixou de exe ce as unções pa a que oi concebido, se necessá io al e ando-o. O iginalmen e, o edi ício não é comp eendido como um bem que possui alo his ó ico ou cul u al, mas sim como um bem ú il ou que ep esen a algo nessa época. Só nes e caso a á sen ido aze o edi ício pe du a no empo. A ac i idade de es au o em o igem nos séculos XVIII e XIX. A é es a da a, os monumen os so e am di e sas acções de conse ação, al e ação de uso e eno ação, que não de em se designadas de es au o, al como hoje é en endido. Assim como a his ó ia da a qui ec u a se modi icou ao longo dos anos, al e ando écnicas de cons ução e undamen almen e os es ilos de concepção e deco ação, ambém edi ícios já 69 exis en es conhece am no as achadas e o namen ações.” (Luso, Lou enço & Almeida, 2004). Pos e io men e, no século XX, o hábi o do es au o e conse ação e oluiu bas an e de ido à exis ência das ca as e con enções in e nacionais sob e o Pa imónio, as quais apoia am a p o eção dos monumen os e eunião de undos mone á ios pa a a p og essão, cada ez maio , da diligência segu a do pa imónio. No seu início, ma cada pela Ca a de A enas, da ada de 1931, onde a o ganização - Se iço In e nacional de Museus - delineou pela p imei a ez, in e nacionalmen e, uma dou ina es ipulando pa âme os e p incípios ge ais no que oca à adminis ação e legislação dos Monumen os His ó icos, a alo ização dos monumen os, os ma e iais do es au o, as deg adações dos monumen os, a écnica de conse ação, a conse ação dos monumen os e a colabo ação in e nacional, num meio que p opunha um início de uma ida p opícia e jus a ao Pa imónio (Ca a de A enas, 1931). Em Veneza, em 1964, o Se iço In e nacional de Museus essal a o alo da p imei a ca a, a Ca a de A enas, que con ibuiu de o ma essencial, pa a o desen ol imen o de g ande dimensão da exis ência ísica de documen ações en e o ganizações como a UNESCO e ICOM e ainda a c iação do Cen o In e nacional pa a o Es udo e P ese ação e Res au o dos Bens Cul u ais (Ca a de Veneza, 1964). Ao longo des as ca as o am semp e adicionados c i é ios de alo impo an íssimo pa a o pa imónio, adequadas ao seu empo de modo a man e cons an e a supe isão do pa imónio, desde p eocupações económicas, essal adas na Ca a de Viena em 2009 a é às “… elações en e o pa imônio angí el e in angí el e os mecanismos cul u ais e sociais in e nos do espí i o do luga .” (Ca a de Québec, 2008, p. 2), e que cada ez mais ab ange um ho izon e ma e ial e ima e ial das c iações do Homem. As Ca as, Con enções e Recomendações posicionam assim o pa imónio e a cul u a como ins umen o de desen ol imen o sus en á el. G adualmen e se obse ou uma p eocupação na p ese ação e alo ização dos edi ícios p eexis en es, e alguns pela conse ação do pa imónio cul u al. No en an o, o que em omado mais des aque é o âmbi o da sus en abilidade o nando-se assim uma p eocupação, cada ez mais, eco en e nas polí icas go e namen ais e no sec o da cons ução. Es e pa âme o de sus en abilidade em des e modo a se c ucial pa a um mundo 71 melho a ní el ambien al, mas ambém p oli e ando a mensagem de sensibilização na p ese ação do meio ambien e. Jun amen e com o a o do c escimen o sus en á el, as abo dagens ão-se al e ando: “No mundo de hoje, já não az mais sen ido a demolição in eg al das p eexis ências pa a a cons ução do no o a pa i de uma olha em b anco. Ao con á io, obse a-se, cada ez mais, uma espécie de econciliação com o passado, em que os esquícios ma e iais de ou os empos deixam de se obs áculos pa a a c iação e passam a se obje o cen al do p oje o con empo âneo, p omo endo di e en es diálogos en e o an igo e o no o.” (Ve one, 2018, p.1). Nes a e lexão exp ime-se uma di e en e p eocupação pe an e a ob a, uma possí el ia a a és da conexão en e o p eexis en e e o con empo âneo. No en an o nem semp e oi assim, a ando-se de um esul ado de di e en es juízos e concei os ao longo dos empos. O aumen o das p á icas de in e enção nos edi ícios p eexis en es ajudou a impulsiona “…alguns dos p incipais eó icos ligados à p ese ação do pa imônio a desen ol e uma sé ie de concei os pa a lida com essa no a ealidade no âmbi o da a qui e u a con empo ânea.” (Ve one, 2008). Fig. 33 – Ca ego ias in e p e a i as de Gio anni Ca bona a 79 “Em seu ex o Il mode no sull’an ico. Le u a dell’in e en o con empo âneo, Vi io de ende que, a in e enção sob e o exis en e cons i ui um desa io p oje ual mais complexo do que a cons ução à pa i do ze o, e que, po es a azão, é ce amen e um es ímulo ao desen ol imen o de no as expe iências e p oje ual mais complexo do que a cons ução à pa i do ze o, e que, po es a azão, é ce amen e um es ímulo ao desen ol imen o de no as expe iências e eo ias a qui e ônicas. Nes e con ex o, a au o a abo da, en e ou os aspec os, a ques ão da elação empo al das in e enções com as ob as p eexis en es, de modo que, suas ca ego ias in e p e a i as assimilam ambém essa componen e, além daquelas ligadas à dialé ica o mal e linguís ica já abalhadas pelos ou os au o es.” (Ve one, 2018, p. 14). Vi io de ende a c iação de no e ca ego ias assumindo o ca á e empo al ine en e à ob a (p esen e - passado) mas man endo a hono abilidade da p eexis ência: (Conse ação - des uição). Es as ca ego ias são inculadas po qua o g upos de aco do com a elação empo al da peça, que são: Negação da exis ência; oposição/ Ruído; Au onomia do no o; Con as e dialé ico; In eg ação di e enciada; Con inuidade sem cuidado com a dis inção; Lógica da ha monia; Mínima in e enção e Não in e enção. As abo dagens de cada au o possuem quase semp e lógicas semelhan es, apesa de algumas oscila em en e si. No en an o, a abo dagem de Bea ice Vi io eio a o na -se, nes e p isma de e olução, mais comple a que os es an es, pois o alo empo al o na o obje i o mais cla o e límpido. Se ia possí el c ia um quad o de ideias sin e izadas na qual Ve one explici a em que momen o as ideias se sob epõem. A pa i desse esquema a de inição de cada au o o na-se mais e iden e, e assim mais ácil de adap a ao monumen o/ ob a. “A pa i da in e p e ação das ca ego ias p opos as po Va agnoli, Ca bona a e Vi io, ica e iden e a p esença de dois impo an es aspe os na lei u a da in e enção na p eexis ência: a Linguagem e a Ma e ialidade de cada in e enção. É possí el adiciona um e cei o aspe o Fig. 34 – Esquema sob e as ca ego ias in e p e a i as de Bea ice Vi io, explo adas em p oje o. 81 ele an e pa a a lei u a dos p oje os: a elação de Uso e Função. Es e aspe o ab ange o es udo das ques ões p og amá icas e uncionais in ínsecas à p eexis ência, colocadas em con on o com as no as exigências con empo âneas, além de uma p eocupação com a inco po ação de alo es ela i os à espacialidade p eexis en e no p oje o do no o. Além des es ês aspe os, as ca ego ias p opos as po Vi io e idenciam ainda uma qua a componen e pa a a análise, que diz espei o às elações de Tempo alidade en e a ob a p eexis en e e a in e enção con empo ânea, que nenhum dos ou os au o es apon a de manei a di e a. Ao elabo a o concei o de diálogo en e passado e p esen e, bem como as di e en es o mas que os alo es des es empos podem sob epo -se ou equilib a -se den o do p oje o, Vi io ab e um leque de lei u as possí eis que ende pa a uma pe cepção da in e enção como um p ocesso de up u a ou de con inuidade empo al.” (Ve one, 2019, pp. 76-88). As modalidades que se ap oximam da ia nes e p esen e abalho si uam-se no g upo de in e ação an igo – no o no equilíb io e diálogo, nas quais ão e -se aplicadas em di e en es si uações, consoan e o espaço, o alo his ó ico, o alo cul u al, o alo ma e ial e ima e ial em especí ico, pois de ido à dimensão do mos ei o e en ol en e, se á necessá io pensa não só no odo, mas nas pa es que o compõem. A igu a 29, ilus a assim as e en es a se em conec adas com o p oje o p á ico. A e o mulação do edi ício é de e minada nes e p oje o pelas suas qualidades e a o es, como a es u u a, a ma e ialidade, a espacialidade, a ambiência, a es é ica e a qualidade que jun as e ponde adas, pe mi em a sua possí el eu ilização na a ual malha u bana, pensamen o es e aplicado ao longo do desen ol imen o do p oje o. Fig. 35 – Esquema do c uzamen o das ca ego ias p opos as po Va agnoli, Ca bona a e Vi io 83 III. PROPOSTA III.I P oblemá ica e Obje i os e Pe inência As camadas da his ó ia des e complexo monás ico ajudam a en ende os p oblemas a uais, e e en es ao mos ei o e à sua en ol en e e a pe cebe uma sé ie de elações que se c ia am e pe de am ao longo do empo, de modo a da co po à nossa p opos a. É com es a e lexão em men e que se desen ol e a ideia de cons ui no cons uído, na adap ação do sis ema museológico, aduzindo-se na pe inência p og amá ica e de desenho que acima de udo, p ese em o p é- exis en e, espei ando a sua in eg idade. Localizado num espaço singula da u be, en e a Baixa e a Al a de Coimb a, o mos ei o oi in luenciado pela expansão u banís ica da en ol en e, na elação da a ual P aça 8 de Maio com o amplo boule a d, a A enida Sá Bandei a. A e olução libe al e a ex inção das o dens eligiosas a e a am o mos ei o, com a ocupação das suas dependências pelos mais di e sos se iços públicos, com a dispe são do espólio, com a dissolução de espaços como o an igo Claus o da Manga, episódios que conduzi am o an igo conjun o monás ico à si uação p esen e. Os edi ícios como a Câma a Municipal de Coimb a, o edi ício da Di eção Regional de Cul u a do Cen o, o edi ício dos Co eios, o Res au an e do Ja dim da Manga e o Ca é San a c uz, com unção come cial ou adminis a i a, azem ago a pa e da á ea an e io men e ci cunsc i a ao an igo mos ei o. A cons ução do es au an e, apesa de aze um no o ambien e ao an igo Claus o da Manga, não demons a elação com o complexo monás ico. Na en ol en e da Fon e da Manga, é no ó ia a desca ac e ização. A on e encon a-se ap isionada en e dois edi ícios, os CTT e a DRCC, que nem a acolhem nem a libe am, ealçando ainda, que o p imei o des es edi ícios a ança sob e os limi es o iginais do an igo claus o, con ibuindo pa a o desequilíb io da aclamada sime ia e geome ia do conjun o. Apesa da no o iedade do mos ei o, a cons ução de no os edi ícios, de di e en es unções, impede a lei u a coe en e do mesmo, não azendo jus ao que ou o a oi um g andioso complexo monás ico, endendo, assim, a pe de a sua iden idade como um odo. Es as consequências aduzi am-se no a as amen o da elação o iginal com a cidade, culminando na necessidade de equali ica o espaço, em pa icula o da Fon e da Manga. No espaço do an igo Claus o da Fon e da Manga, ca ecendo de um sus en o co pó eo, p opõe-se a ins alação de olumes Fig. 36 – Vis a da á ea de in e enção. Fig. 37 – Vis a da á ea de in e enção. Fig. 38 – Enquad amen o a ual da Fon e da Manga. Fig. 39 – Vis a la e al da on e da Manga, lado do CTT Fig. 40 – Vis a la e al da on e da Manga, lado da DRCC 87 que a supo em e deem um no o ambien e ao espaço, se indo simul aneamen e o p opósi o do museu. A implemen ação do Museu p opõe uma no a lei u a do espaço, con e indo uma no a azão de se ao di e gen e conjun o de edi ícios, pela a ualização das suas dependências. Ao p og ama dos edi ícios adicionados ao mos ei o é, assim, ac escen ada a c iação de um no o oco cul u al da cidade, que e á ambém a unção de cen o in e p e a i o. Numa cidade em que g ande pa e da a enção é des iada pa a a Uni e sidade de Coimb a, o na-se necessá io de ini as es a égias que pe mi am o ma um no o Núcleo Cul u al que insi a o Mos ei o numa ede de monumen os a isi a , obje i ando não só a ai massa u ís ica, mas ambém a população local, a a és do soma ó io de peças pe encen es ao espólio do Mos ei o de San a C uz. O an igo Pá io da Inquisição, com in e enção de João Mendes Ribei o, os Colégios da Rua da So ia, o an igo Celei o, a zona da an iga o e demolida, o Edi ício dos Co eios, o me cado D. Ped o V e a Fon e da Manga, se iam um conjun o com ex emo po encial pa a o desen ol imen o de um a iculado conjun o museológico e cul u al, de g ande in e esse pa a a cidade. Es es edi ícios a iam pa e do núcleo que se p opõe, o Núcleo Cul u al e Museológico, que alo iza á a his ó ia da e olução do mos ei o de San a C uz de Coimb a, endo como peça de des aque a Fon e da Manga. A en ol en e monás ica so e ambém pela in ensa e longa linha iá ia que segue jun o ao alçado no e do Mos ei o (Rua Olímpio Nicolau Fe nandes que p o ém da ua da So ia e segue a é à A . Sá da Bandei a), com o cons an e luxo de ca os e de anspo es públicos odo iá ios que p o ocam um cons an e uído sono o e isual, impedindo a con emplação do Mos ei o, com calma e anquilidade. Es a ques ão é esol ida no nosso p oje o, com uma sequência de ajus es: na Rua Olímpio Nicolau Fe nandes p ocede-se à edução da la gu a da ia e à minimização da ci culação de ca os, pe manecendo a ci culação dos anspo es (Me o Mondego) e de eículos de eme gência, ação es a que impede ambém a ci culação iá ia a i a na ua da So ia. De ende-se a adoção da linha do me o como sis ema de ci culação de mobilidade ápida que liga os pon os undamen ais da cidade, como po exemplo a bei a- io, a Uni e sidade e os hospi ais. Ainda na en ol en e, ao longo da ua Olímpio Nicolau Fe nandes e dian e da A . Sá Bandei a, encon amos o Me cado D. Ped o V, des acado pela sua densidade olumé ica, de co po alongado cobe o, si uado no undo de um ale. Es a ampli icação apa en a al a de ligações aos á ios ní eis de co a ao edo , e ambém, de comunicação pedonal às uas adjacen es e ainda de espaços li es e e des. 95 Numa segunda ins ância, o obje i o se ia en ende as ans o mações que exis i am na p eexis ência, desde a sua c iação a é aos dias de hoje, en ol endo a sua o ma, num mo imen o de expansão ou comp essão. A Fig. 48 e 49 ep esen am as ans o mações da adas en e 1845 e 1874, demons ando já al e ações na o ma do complexo monás ico, como a pe da do co po que a unila a no limi e da Rua Olímpio Nicolau e a P aça de Sansão (A ual P aça 8 de Maio) que azia a união en e a a ual PSP e o a ual Mos ei o. Na plan a de econs i uição de Fe nando Cou o, que edesenha a si uação do Mos ei o em 1834, já demons a o e e ido claus o que desapa eceu a oes e onde su gi ia a Câma a Municipal de Coimb a e ainda se ê a imponen e o e dos Sinos, os do mi ó ios, o celei o e o claus o das Donas. Na plan a a ual podemos en ende a agmen ação des a ins i uição, como ou o a g ande cen o, eduzida apenas ao seu claus o do Silêncio, à sua Ig eja, ao desampa o do seu an igo celei o e ainda a uma pequena amos a do que e a o Claus o da Fon e da Manga. Pode-se obse a que a Fon e da Manga ai sendo cada ez mais isolada do complexo, azendo com que ique sepa ada do conjun o. Es es espaços o am endo al e ações compondo-se de manei a i egula a é aos dias de hoje, pe dendo es as conexões e a inidades. Na análise à plan a da cidade de Coimb a, de F ancisque e Césa Goulla d, 1873-74 e a econs i uição de Fe nando Cou o, de 1834, na igu a 51 e 52, e i ica-se que a o ma o iginal ap esen a -se-ia simé ica. No en an o, a ualmen e a sua o ma disco da des as plan as, no que se conclui que es a a peça cen al oi e alhada. Es as i egula idades e iam sido execu adas em ob as pos e io es, em pa icula no a anjo da DGEMN (1936-1940), e possi elmen e na cons ução do edi ício dos CTT em 1935-39. Além da pe da da o ma o iginal que p olonga a os anques a é aos limi es do quad ado, a Fon e o nou-se assimé ica, com uma o ma sem sen ido pe an e a peça. Es e ema do quad ado o na-se assim pe inen e pa a es e abalho, de ido a odo o simbolismo e essência do que ou o a oi es e Claus o, ão e e enciado pelo o mado que impulsionou es a ob a, F B ás Ba os. Fig. 48 – Plan a de Edi ícios Classi icados na a ualidade Fig. 49 – Plan a de Funções Fig. 50 - Plan a opog á ica da cidade de Coimb a 1845 Fig. 51 - Plan a de Coimb a, i mãos Goulla d, 1873 - 74 Fig. 52 - Plan a econs u i a do Mos ei o de San a C uz, 1834, com iden i icação do Claus o da Fon e da Manga Fig. 53- Plan a do Mos ei o de San a C uz, a ualidade, com iden i icação da Fon e da Manga Fig. 54- Plan a igo osa dos i mãos Goulla d, da ada de 1873-1874; Fig. 55 - Plan a da on e do claus o da Manga do mos ei o de San a C uz, pos e io as ob as da DGEMN (1936-1940) adap ada do Bole im da DGEMN dedicado à in e enção na Fon e da Manga, nº 89, de Se emb o de 1957 103 III.III. Es a égia Ge al P opos a Ge al – do u bano ao p og ama Museológico A es a égia ge al des e p oje o ai de encon o ao p ocesso p á ico desen ol ido, en iquecido pelo açado da ideia e subdi idido pela ase inicial, a ní el de g upo e pos e io men e a ní el indi idual. Des e modo ai se possí el en ende o p oje o globalmen e, numa escala maio da in e enção. A união dos elemen os do g upo e le iu e ponde ou sob e os p incipais p oblemas na dinâmica e ex ensão cul u al da zona de in e enção. A p imei a ia ai en a iza a c iação de um ideal que aga e odo o po encial ao dispo da cidade, na ideia de Núcleo Cul u al. O desenho des e p oje o i á pe aze o ópico da Es a égia Ge al. A á ea de in e enção, de ido à sua ex ensão, se ia pa ilhada en e o g upo, sendo di idida po edi ícios e zonas, consequen emen e deixando libe dade na execução pessoal de cada indi íduo do g upo, com o in ui o da conco dância em g upo, em p ol de uma esolução conec ada. O g upo se ia cons i uído po qua o elemen os, onde o ema da e i alização do Claus o do Ja dim da Manga, a sua en ol en e, Edi ício dos Co eios e Biblio eca do Museu (Úl imo piso do edi ício da D.R.C.C.) ica ia sob a au o ia de quem esc e e a p esen e Disse ação, culminando assim no ema cen al des e abalho. A pa e co esponden e ao Mos ei o exis en e jun amen e com a Ig eja de San a C uz e edi ício da Di eção Ge al da Cul u a (à exceção do úl imo piso), se ia e e en e à colega Ca olina Magalhães. O ema da To e Sinei a e espe i o Cen o Audio isual e a ese ado à colega Lau a Paulos e po im o ema da ex ensão do Me cado e sua en ol en e ao colega B uno San os. Na con inuação des e exe cício sus en á el, p opõem-se a al e na i a de e i a o ânsi o au omó el da Rua da So ia e da Rua Olimpo Nicolau Rui Fe nandes, azendo o seu c uzamen o apenas po anspo es públicos e pedonais, sal o exceções, e ainda o ap o ei amen o do p oje o do Me o Mondego. Começando pelo u bano, as ias de maio a luência, a Rua Olímpio Nicolau Rui Fe nandes, que se guia a é à A enida Sá Bandei a, e a Rua da So ia, eduzi -se-ia a la gu a das uas, alo izando o pedonal e a comunicação com a P aça Oi o de Maio, concedendo na medida ce a o espaço necessá io pa a os anspo es públicos. A opção po um bom sis ema de anspo es públicos Fig. 59 – Maque e de in e enção, ase de g upo, escala 1:200 Fig. 60 – Maque e de in e enção, ase de g upo, escala 1:200 111 Fig. 62 - Axonome ia explodida da p opos a en ol en e do Ja dim da Manga Fig. 64 -Co e ans e sal da p opos a da Fon e da Manga 0 10 Fig. 63 - Co e Longi udinal da p opos a da Fon e da Manga 0 10 115 III.IV. Es a égia indi idual Núcleo Cul u al – As ês expansões e o p og ama A ideia de Núcleo Cul u al p olonga-se no desen ol imen o indi idual. No en an o, ami ica-se em ês í ulos, que dão a possibilidade de obse a e o ganiza cada cons ução segundo cada p opósi o no p oje o. O Núcleo Cul u al es ende-se assim na zona ap esen ada na Fig. 65, indicando os pon os que se ão pe inen es à o mação da ideia p opos a de e alo ização do Mos ei o e da peça cen al. Os edi ícios des e p oje o es ão o ganizados em ês no os sub emas que man êm en e si uma elação concep ual – a p oli e ação do conhecimen o e da i ência, unidos pela sua p opos a uncional. O mo i o da união des es edi ícios é exp essamen e e le ido na ideia de cidade a an -ga de, iabilizando a c iação de espaços no os e con empo âneos, e abdicando dos que se encon a iam obsole os. Os sub emas in i ulam-se de Espaço Museológico, Espaço His ó ico e ainda Espaço de ins alações Come ciais e zona e de. O Espaço Museológico, já c iado no capí ulo da Es a égia Ge al, con e ido à ins alação do museu, eco e a zonas exis en es e a zonas p opos as, que não c iem con li os na p ese ação ideológica des e abalho. O Espaço his ó ico inclui oda a zona de pode his ó ico em o no do Mos ei o, que padece de ele ância. Já o Espaço de Ins alações Come ciais e zona e de é nes e caso e e en e à zona do me cado onde se encon am pa ques de es acionamen o e ligações às uas. O p imei o conjun o, engloba o mesmo Núcleo Museológico de inido a ní el de g upo. O No o Museu in eg a o Edi ício dos co eios, de ca ac e ís ica obus as e com o e impac o pa a quem o obse a, o nando-se assim indicado pa a a en ada do Museu. Es e edi ício, sendo uma cons ução do século XX, possui a sua es u u a concebida com conhecimen o e ecnologia, algo que p opicia ao seu uso e ein eg ação, p omo endo assim a polí ica de eabili ação no planeamen o u bano da cidade, alo izando-o e obedecendo aos pad ões de sus en abilidade implemen adas na o mulação dos p og amas e obje i os des e p oje o. No p óp io Mos ei o ão se usados pa a além das peças de exposição, o espólio, espaços como a Sala da Cidade, os Claus os, as Capelas, o San uá io, e a sua Ig eja, p omo endo a comp eensão do Mos ei o, como um luga que ou o a oi habi ado po eligiosos. A sua 116 117 adap ação museológica passa pelos c i é ios in eg ados no Mé odo A ís ico e C ia i o de Res au o, onde o p é-exis en e coabi a com o con empo âneo na elação de diálogo, que es é ica, que empo almen e. Passa ia en ão, o Mos ei o a exe ce unções museológicas em conco dância com a conse ação, jun amen e com os olumes p opos os na á ea da Fon e da Manga, com a enção a um espaço de es au ação de se en ia a quem o isi a. O no o Museu es u u a o in e io do Mos ei o, p ese ando os locais com qualidade es u u al e uncional, assim como a adap ação do edi ício dos co eios como espaço de chegada e espe i as adminis ações, jun amen e com um espaço de especial dedicação à Exposição Tempo á ia, onde pe mi e a anunciação de peças a ís icas de na u ezas di e sas. Es a á ea de exposição em a ocupa o piso é eo, acompanhado de uma gale ia que se elaciona isualmen e com a Fon e da Manga e ainda espaço de o icinas, p o idenciando um local em que se ia possí el o es au o das ob as de a e. No cen o da o mulação do p oje o, su gi ia como ema a peça cen al da Fon e da Manga, um espaço que pede uma eu ilização, que eque a enção e sensibilidade. O ema do claus o su ge na in enção de e i e o espaço, mas ambém na necessidade de elemb a a sua p é-exis ência, obje i ando a digni icação da Fon e. Es a in e enção ai pode o e ece uma no a linguagem con empo ânea egida pela o ma geomé ica do quad ado que epousa à sua ol a, con o nando-o e pe mi indo uma comunicação en e o edi ício dos Co eios e o edi ício da Di eção Ge al da Cul u a. O desenho aqui p opos o, a a és da sua ele ação ma e ializada, iabiliza não só a ci culação museológica, como ambém a ci culação ex e io pública, pe mi indo que o cidadão a a esse a Fon e da Manga, con emplando-o enquan o pe co e o seu na u al aje o. O in ui o des e olume é cla o: e i e o espaço e cul i a a ideia de p ese ação e cuidado, o nando-se o cen o pa a oda uma ede de edi ícios exis en es e p opos os. Es e conjun o que o ma o g upo do Espaço Museológico, comp eendido en e á ios edi ícios de ca ac e ís icas e c onologias di e en es, pe mi e a o ganização de espaços necessá ios à adap ação de um Museu, is o com a cons ução de espaços adminis a i os, es au ação, espaço de exposições empo á ias e ainda uma biblio eca. O segundo g upo ap esen a-se uni icado pela Cul u a adjacen e ao Mos ei o, desdob ando- se em unções de se en ia à cul u a e à his ó ia. Engloba os Colégios da Rua da So ia, o Pá io da 119 Inquisição, o an igo colégio das a es, eabili ado pelo P o esso e A qui e o João Mendes Ribei o e ainda o Edi ício que é a ualmen e a ibuído à PSP. Nes e ema su gem ambém cons uções con empo âneas e e en es à an iga To e do Mos ei o e à Fon e dos Judeus. O idealizado e a abso e oda a in o mação possí el sob e es es colégios em unção da pa ilha da sua na a i a, assim como a possibilidade de isi a ao público. Adiciona-se a es e núcleo, a p opos a do cen o audio isual, acompanhado da ele ação da To e e o Cen o Cul u al, no Edi ício que ou o a oi o Celei o do Mos ei o (A ual PSP) que ence a es e ema. O e cei o g upo en ol e-se na emá ica do Comé cio, onde o Me cado D. Ped o V e a sua ex ensão en a e se e de palco de ans o mações de modo a apoia a sus en abilidade e dinamiza as ins alações de comé cio. C ia-se uma zona de plan ação no e aço des a cons ução, as ho as u banas, demons ando dedicação à população, ao mesmo empo que ac escen a zonas e des à cidade, cul i ando a ideia de pa ilha e euso. A seguin e plan a da cobe u a ge al da p opos a, Fig. 67, ap esen a o desenhado esul an e, acompanhado de odos os edi ícios p opos o e zonas e des, incluídas nos núcleos. O ema dos núcleos aplicado em desenho em en ão c ia os espaços da no a ex ensão do me cado e do a amen o do in e io da Fon e da Manga. O conjun o monás ico e os edi ícios da en ol en e pe azem os espaços museológicos que se iam expos os no seguin e capí ulo, e as plan as sequen emen e ap esen adas a iam a base pa a a explicação do pe cu so Museológico. Sendo um conjun o de edi ícios de di e en es épocas, nomeadamen e de cons uções e apa ências díspa es, se ia necessá io a consciencialização dos espaços e das plan as pa a pos e io men e se explicada a o ganização e escolha dos pe cu sos p opos os. Os pe cu sos in luenciam a c iação do p oje o, logo, a sua explicação o na-se essencial, e só pos e io men e se á analisada as de inições Composi i as e cons u i as da p opos a. A segunda plan a, ig. 68 i a mos a pa e do edi ício dos Co eios e pa e do a amen o das co as jun o à ex ensão do me cado. No edi ício dos Co eios demons a-se os espaços de documen ação e a qui os pe encen es ao complexo do Museu. Já a nascen e da ex ensão do me cado, a no a zona de es acionamen o dedicado a ca gas e desca gas pe encen es ao me cado e espe i a ex ensão. 126 Fig. 69 – Plan a da co a 34.5 Fig. 70 – Plan a da co a 30 Fig. 71 – Plan a da co a 30 0 10 Fig. 71 – Plan a da co a 27 129 Pe cu so museológico e público O pe cu so público do museu se ia di idido em ês caminhos. O p imei o se ia ela i o à exposição pe manen e, dando a conhece o espólio e a na a i a do Mos ei o, seguida pela exposição empo á ia, que p omo ia a anunciação de a is as e a demons ação das suas peças e, po úl imo, o pe cu so exclusi o à Ig eja de San a C uz. Todo o conjun o do espólio a ís ico se ia acompanhado de um painel, pouco in usi o, com o in ui o de se i de apoio in o ma i o, ela i amen e às in o mações écnicas, ou seja, as suas ca ac e ís icas, ma e ialidade, época de c iação, es au ações e ainda au o ia, de modo a cons ui um pe cu so de ap endizagem. O pe cu so pe encen e à Ig eja de San a C uz a ia pa e apenas dos espaços pe encen es à mesma. Es e caminho de ca á e cu o se ia acompanhado das capelas da Ig eja, o al a e ainda os úmulos égios. O pe cu so do espaço Museológico inicia-se no edi ício dos Co eios, que se o nou um elemen o p opício pa a a escolha da en ada do Museu, sendo um edi ício que se des aca a quem p o ém do me cado e das uas ao seu edo . O espaço amplo do piso de en ada pe mi e a c iação do oye , a bilhe ei a/ eceção. Es e piso acomoda ia os espaços pe encen es ao bengalei o/ caci os de apoio ao isi an e, e ambém as ins alações sani á ias. Ainda na ocupação des e piso ac escen am- se espaços de laze e wo kshop, dedicados ao p og ama do museu. O pe cu so p incipal é iniciado pelos no os olumes, sendo uma pon e de ligação que a a essa a Fon e, pe mi indo a sua con emplação, conec ando os edi ícios dos CTT e da DRCC, p oduzindo um momen o de con as e en e o no o e o exis en e. No seu in e io , a a és de painéis indica i os, exibe-se a in odução his ó ica do Mos ei o e do an igo claus o da Fon e da Manga, a a és de supo es o og á icos e a ís icos. No olume de meno dimensão, angen e ao edi ício da DRCC, se iam exibidas peças do espólio com meno p opo ção na adequação do espaço. As abe u as nes es olumes demons am-se pon uais, indica ó ias de is as especi icas. Na con inuação do pe cu so, encon a-se a conexão que pe mi e a en ada no piso do edi ício da DRCC, onde é possí el acede ao San uá io, ele ado nos pisos al os, um espaço o al de ca ac e ís icas do Rococó. 130 Na chegada à gale ia do piso supe io do claus o do silêncio, é obse ado um conjun o de 131 Na chegada à gale ia do piso supe io do claus o do silêncio, obse a-se imagens e painéis p o enien es da e olução do mesmo e as suas de idas es au ações. Ao longo des e claus o se ia possí el isi a á ios espaços, onde a p imei a sala dedica -se-ia às peças de maio dimensão, seguida de uma isi a ao Co o al o da Ig eja de San a C uz, que pe mi e a is a ampla do espaço in e io da ig eja. No seu piso in e médio edi ício da DRCC, a en ada se ia ei a po ampas a é chega à sala do p imei o piso, de longo comp imen o e que i ia supo a as peças de pequena dimensão, ca ac e izadas pela escul u a em madei a, incluindo os g upos escul ó ios dos má i es de Ma ocos. A a és do acesso e ical acede-se ao piso supe io da ala nascen e do Mos ei o, e e en e aos an igos do mi ó ios, espaço es e que ecebe ia uma abóbada de be ço, ao longo do co edo , à memó ia da que ha ia no mesmo luga . Es e co edo se ia in e ompido po en adas que acedem às salas de exposição de meno dimensão, c iando sensação de con as e. Os espaços la e ais, de meno dimensão, se iam in e ligados po en adas, expondo a pa amen a ia, e do lado opos o os a qui os de o og a ias dos an igos do mi ó ios. As peças de amanhos, em conjun o, demasiado g andes pa a os espaços adicionais do mos ei o, se iam en ão expos as no p óximo espaço a se explo ado do pe cu so, a sala da cidade. Es a sala exibi ia as pin u as pe encen es aos dois an igos e ábulos da Ig eja de San a C uz, peças c iadas po C is ó ão de iguei edo, Simão Rod igues e Domingos Viei a Se ão. Ainda na capela des a sala a ecolocação das escul u as de Hoda , A Úl ima Ceia, p o enien es do Museu Machado de Cas o. Já no piso é eo do Claus o do silêncio, a sua espacialidade e deco ação é ap esen ada como exposição, a pa das capelas que expandem pon ualmen e ao seu edo , e en e elas, a capela do senho dos Passos, que pe mi e a passagem a é ao espaço da Ig eja. Na Ig eja de imenso signi icado eligioso, obse a-se a capela-mo , os pe encen es úmulos égios, o púlpi o, as capelas e ainda a en ada da Sac is ia. Nes e úl imo espaço, o pe cu so passa ia pela Sala do La abo e ainda a capela das elíquias/ esou o. O caminho en iesado da Sac is ia pe mi i ia a con inuação da isi a. Es a en ada da ia comunicação com a sala do capí ulo inculada com a Capela de São Teo ónio e ainda anexada com a capela dos a canjos, que me ece se ap eciada de ido ao al a em ped a ca ac e ís ica do mos ei o, a ped a ançã, pelo escul o Ma cos 132 espada de D. A onso Hen iques e a c uz de D. Sancho I. Pos e io men e isi a -se-ia, a black box, que 133 Pi es. A sala do capí ulo se ia a conexão de ol a ao Claus o do silêncio, que segui ia pa a o piso é eo do edi ício da DRCC, que p esen ea a a isi a com peças ecupe adas do espólio, como a espada de D. A onso Hen iques e a c uz de D. Sancho I. Já no no o espaço c iado, onde se si ua a a es au ação dian e da Fon e da Manga numa black box, onde se p oje a ia con eúdo cinema og á icO sob e o Mos ei o. A inalização do pe cu so se ia na Loja do Museu, es a com is a pa a a Fon e e com acesso à es au ação. O pe cu so empo á io se ia igualmen e acedido pelo oye da en ada p incipal. A sala exposi i a se ia acedida pelas escada ias, onde se encon a ia a exposição, no espaço cen al do piso é eo do edi ício dos Co eios, que usu ui ia da isualização das zonas das o icinas, pe mi indo a obse ação de pe i os du an e o es au o de ob as. Em conco dância com o pe cu so pe manen e, se ia inalizado no mesmo local a loja do Museu. No p og ama su gi ia ambém a pa e p i ada, os acessos dos uncioná ios do Museu, que se ia acessí el pela Rua Ma ins de Ca alho, en ada adjacen e do edi ício dos Co eios, já exis en e. O espaço de chegada e a dedicado a zonas de alimen ação, balneá ios e espe i os sani á ios. A a iculação dos caminhos se ia e ical, onde os ele ado es da iam en ão acesso a odos os pisos, incluindo a zona adminis a i a, si uada no úl imo piso do edi ício. Es e úl imo piso dedica -se-ia ao se iço adminis a i o, com salas de eunião, di eção, sec e a iado, ges ão, di ulgação e comunicação, se ido es in o má icos, esou a ia e a qui o. As ca gas e desca gas do espólio a ap esen a no Mos ei o, se iam ei as a a és do ascenso , localizado na mesma ua do acesso p i ado, ao lado do San uá io, com espaço su icien e pa a mo e peças de g andes amanhos. A liga o espaço de ca gas e desca gas às o icinas, encon a -se-ia o a mazém, com locais especí icos consoan e o amanho das peças, com apoio de a má ios de co e . As o icinas si uadas no piso é eo, e iam a sua en ada pela gale ia no a do edi ício dos Co eios, de modo a acili a o acesso dos p o issionais. O caminho público que c uza a Fon e da Manga oi pensado de modo a se in ui i o na sua a essia. O acesso pedonal pode p o i an o da Rua Olímpio Nicolau Rui Fe nandes, como da Rua Ma ins de Ca alho. No caso do caminho público a pa i da Rua Nicolau, de maio a luxo, o na-se cla a a chegada, sendo o conjun o da Fon e escondido pelo olume de ligação en e o edi ício dos Co eios e da DRCC, com o obje i o de p o oca cu iosidade a isi á-lo. A en ada é ei a po en e os pila es que de inem a medida do quad ado, enquan o se obse a a peça cen al. 135 Ao con o na a on e, pelo lado do edi ício dos Co eios, encon a -se-ia uma gale ia, i mada com a es u u a do edi ício onde su gi iam ês abe u as que ilumina iam o in e io da sala de exposições empo á ias. Pelo lado do edi ício da DRCC, o caminho segui ia en e os pila es a é chega ao acesso que demons a a en ada pa a o p óximo piso, guiando o isi an e a é à es au ação do Museu e à sua Loja. Es e espaço se e an o o público, como os isi an es do museu. A Rua Ma ins de Ca alho, como ua con e gen e de á ias ou as, o e ece o pe cu so opos o, pe mi indo a isualização do odo, a Fon e e os no os olumes, azendo a sensação opos a do caminho da Rua Nicolau, no in ui o de que cada isi a aga uma sensação di e en e. A Fon e po sua ez, pode se con emplada an o de longe, como de pe o, podendo a a essa -se cen almen e em di eção à sua cúpula, e o nando- se assim possí el obse a com p oximidade a peça. Em ambas as di eções, se ia possí el c uza a Fon e da Manga jun amen e com o ja dim e con emplá-la. 142 Fig. 78 – Plan a co a 27 – Piso é eo da Fon e da Manga 143 suas pa edes em ped a. Na sua achada p opõe-se a al e ação apenas das caixilha ias, pois es as apa en am al a de isolamen os an o sono os, como é micos. O seu in e io , começando no p imei o piso de en ada, se ia onde se aplica ia os no os e es imen os simpli icados com gesso ca onado e a camada de isolamen o é mico. Os e os plani ica -se- iam em placas igualmen e de gesso ca onado, dando assim unidade ao espaço, e angen es às pa edes. As no as pa edes in e io es se iam o adas com o isolamen o sono o de lã de ocha, de modo a con e i con o o en e espaços, eplicadas em odos os pisos. A iluminação po sua ez se ia embu ida nos e os à exceção das o icinas e do piso adminis a i o que me ecem luzes dedicadas à p oximidade e ao de alhe. Os acessos se iam eu ilizados, de ido à sua boa o ma e à sua espessu a, que pe mi em a ins alação de ele ado es que acedem aos pisos do p og ama museológico e adminis a i o. No cen o des e edi ício encon a-se uma cla aboia que ilumina oda a en ada Foye do Museu, subs i uída po peças en id açadas de o ma os quad angula es, a ualizando o espaço. O piso adminis a i o em a gale ia com abe u as de luz à ol a da cla aboia, pe mi indo uma ci culação luída. As salas adminis a i as uncionam ao edo da gale ia, con endo salas de euniões, sec e a iado, ins alações in o má icas, en e ou as, que ambém são iluminadas na u almen e pelas abe u as das achadas e da gale ia. No piso é eo, onde se o ma a no a gale ia da Fon e da Manga, os ãos das janelas se iam abe os a é à linha do chão da Fon e da Manga, de modo a c ia em um deambula ó io. Já a pa ede in e io do limi e da gale ia, se ia de inida pela ex u a em be ão apa en e do lado ex e io à semelhança da cons ução da no a loja do museu. No in e io aplica -se-ia o mesmo e es imen o usado no es an e edi ício. As en adas de luz se iam como um asgo na pa ede. A a és da sua caixilha ia de id o duplo, ixo, conduzi iam os isolamen os e p opo ciona iam is as di ecionadas à Fon e. As o icinas se iam auxiliadas de mó eis e g andes mesas, possibili ando o abalho em peças de di e sos amanhos. As abe u as de luz, num piso en e ado em duas das qua o en es, se iam ideais pa a as condições das peças, não de e io ando os ma e iais das mesmas. As pa edes e espaços des a unção se iam acomodadas com o mesmo egis o, com di isões de id o pa a a obse ação dos isi an es da exposição empo á ia. Fig. 79 – Es udo dos ãos da achada do edi ício dos CTT Fig. 80 – Resul ado da achada do edi ício dos CTT 144 Fig. 81 – De alhe cons u i o e co e e longi udinal do Edi ício dos CTT e in e enção Fig. 82 – Co e longi udinal do Edi ício dos CTT, in e enção e o edi ício da DRCC 147 O in ui o des es Volumes que se ins ala iam à ol a da Fon e da Manga, se ia a p opos a de uma massa que ansmi isse le eza e suspensão. A explicação e in odução des es e mos e le e-se na in enção de p oje o. A isão des es olumes in eg a-se na dialé ica C í ico- c ia i a/ ein e p e ação, que e le e a in enção do p oje o na “…exal ação da p eexis ência em e mos de qualidade igu a i a e de igo me odológico do no o pos o a se iço do an igo.” (Ve one, 2018, p.12) em que o no o coexis e com o p eexis en e, em ha monia. A suspensão e e e-se à ele ação dos olumes a uma co a que pe mi e a passagem e a c iação de uma gale ia, ele ada pelos pila es que de inem alinhamen os. Pe mi e-se assim o dis anciamen o em al u a dos olumes, p opondo a coabi ação do espaço da Fon e com o en ol en e. Já a le eza en ende-se pela dimensão aligei ada dos pila es, e pela ina espessu a dos ma e iais que compõem a achada an o ex e io , como in e io da Fon e, indicando uma ideia de de alhe ap oximado. A simbiose signi ica nes e p oje o a in e ação e comunicação en e os edi icados, a pon e que liga os edi ícios pe an e um espaço público, a ideia de uma pon e i ada pa a a Fon e. Es a no a ins alação engloba um conjun o de ês peças, a p imei a de maio p opo ção, azendo en e à Fon e. O segundo, de meno amanho, ajus ado aos alinhamen os do edi ício da DRCC., e ainda uma pala que acompanha a geome ia do quad ado, pe mi indo o seu acesso a ní el supe io e a ní el é eo. A o ma exibida dos olumes que con o nam o Ja dim são de inidas a a és dos alinhamen os en e os edi ícios a que azem en e. Es a ins alação é cons uída em módulos me álicos, de inidos po pila es, igas, e ainda eliças apenas no encon o com o edi ício dos Co eios, de modo a se uma peça independen e de ca ác e le e. O encos o nos edi ícios é ei o de manei a angen e, acen uando a ideia de au onomia. Já a sua es u u a me álica esponde à p a icidade p ocu ada no p oje o, a a és da ex ema esis ência que supo a a es u u a das peças p oje adas. Es es módulos se iam assim encaixados po ixações apa a usadas ambém me álicas, que pe mi em assen a a subs u u a das ipas e das chapas de zinco ag a adas. As abe u as de inidas en e os pila es são, à semelhança das abe u as do claus o do silêncio, espaçadas com cinco abe u as a cada lado. Os pila es es u u ais pousam num piso ca a e izado com a ped a, mui o usada no Mos ei o, a ped a a aíja, que é usada pa a con o na Fig. 83 – Rende da in e enção, is a da Rua Ma ins de Ca alho Fig. 84 – Rende da in e enção, is a da Rua Olímpio Nicolau Fig. 85 – Rende da in e enção, is a da esplanada do es au an e do museu Fig. 88 – Fo og a ia da Maque e de es udo da in e enção, escala 1:200 Fig. 89 – Fo og a ia da Maque e de es udo da in e enção, incluída na exposição do p oje o “SANTACRUZ”, escala 1:200 Fig. 86 e 87 - Es udo da luz no Volume de meno dimensão 149 a Fon e e de ini o pe cu so. O ex e io da p opos a ma e ializa-se em ipados de madei a, e icais, como um ma e ial que não dê um aspe o obus o, mas sim le e, como podemos e na ob a de eabili ação, Villa Cas o, localizada em Mal a e ealizada pelos esc i ó ios AP Valle a e Jens B uenslow. Es a ob a man ém-se, assim, em ha monia com as ma e ialidades en ol en es e em cons an e comunicação com a p eexis ência, coincidindo na in enção des e p oje o. No p opósi o da le eza, os ipados in e calam-se de modo a da anspa ência à olume ia. Es e ma e ial componen e das achadas, inspi ado na e e ência de Villa Cas o, supo a-se po longas ipas de madei a ho izon ais, que po sua ez são ixadas à es u u a e ical, os pila es me álicos. Es es pila es me álicos se iam acompanhados das chapas em zinco que azem uma camada ge al à ol a dos olumes, e pe mi i ia não só o supo e das ipas no elhado como ambém a p o eção do isolamen o é mico. A es u u a do elhado, po sua ez, unciona ia com uma laje colabo an e, pe mi indo ence longos ãos com pouca espessu a. Es e e o acompanha -se-ia de camadas e e en es ao isolamen o acús ico, supo e de pladu pe u ado com componen es e ainda iluminação dedicada à exposição, pe azendo assim um espaço de exposição. Os edi ícios que azem a achada do Ja dim encon am-se em desequilíb io em e mos de al u as en e os seus pisos, como se pode e na ig. 82. O edi ício do Co eios possui uma cons ução de pés di ei os al os, em desconco dância com os do edi ício da DRCC, que apesa de mais con idos, pe azem uma di e ença con as an e. O desencon o dos pisos dos edi ícios e e idos é esol ido no in e io da p opos a, na massa de maio dimensão, a a és de uma pla a o ma mais al a, o mezanino, que pe mi e a obse ação do espaço, a sala exposi i a, que segue no piso mais baixo de amplas dimensões. A iluminação di eciona-se aos obje os em exposição, e uma secundá ia indicando o caminho, endo em con a a expe iência que se que ansmi i segundo o es udo do obje o museológico. O espaço, de ido à sua dimensão em uma abe u a de luz, ho izon al e esbel a, p opo cionando uma is a pano âmica pa a a peça cen al, somb eada espaçadamen e com a ma e ialização ex e io , não pe mi indo a is a comple a, enquan o que a abe u a do p óximo olume pe mi e a isão comple a, num o ma o e ical e esguio. Es as janelas pon uais são axialmen e ligadas ao cen o da Fon e da Manga. 150 Fig. 90 – De alhe cons u i o do encon o do olume com o edi ício dos CTT e o edi ício da DRCC Legenda: Pa ede em Ped a; 2. Camada ela de impe meabilização 4mm; 3. Laje as de be ão 3cm; 4. Pedes ais; 5. Camada de o ma de be ão le e; 6. Camada dupla Pá a- apo 3mm; 7. Laje de Be ão; 8.Isolamen o é mico 10cm; 9. Tubula pa a ixação 7x16 cm; 10. Calha da Iluminação Compa linea e co; 11. Placa de madei a 2mm ; 12. Camada de enchimen o; 13. Isolamen o acús ico 5mm; 14. Soalho de madei a Pinho a ado 4,5cm; 15. Ba o e de Madei a 10x5cm; 16. Pe il de ixação; 17. ábua de madei a 4x2,5cm; 18. Gesso ca onado 13mm; 20. Camada de egula ização; 21. Camada de lã de ocha; 22.Blackou ; 23. Fixação me álica do gesso ca onado; 24. Pa ede de be ão b anco 35cm; 25. Solo compac ado; 26. Te eno; 27. Fundações do Edi ício; 28. Laje as de A aíja C eme 3x80cm; 30. Man a de Impe meabilização 5mm; 31. Laje colabo an e 12cm; 32. Ripas de Madei a 9x9cm; 33. Calei a 34. Pe il me álico 4,2x18cm ; 35. Gua da em Madei a 8cm; 36. Pe il Ipe, 430x170mm; 37. Isolamen o é mico 16cm ; 38.Caixilho ebe s yle, id o duplo ixo; 39. Caixilho ebe s yle, id o duplo, ba en e; 40. Tubula 16cm; 41. Viga em Madei a 23x23 cm 42. Camada egulado a 8cm; 43. Ba o e de madei a 4cm; 44.A ac; 45. Pei o il da janela em Ped a; 46.Enchimen o a gamassa; 47. Bio- eboco à base de cal 3cm; 48. Isolamen o acús ico 11cm; 49. Iluminação; 50. Chapa me álica 3cm; 51. Man a impe meabilizan e 2cm; 52.Soalho em Madei a Ca alho eu opeu 20x3cm; 53. Po a de co e em madei a 2,5cm; 54. Painel exposi i o em aço co en; 55. Vid o de p o eção da peça exposi i a 7mm; 56. Man a Geo ex il 3mm; 57. Es u u a de supo e de peças em Madei a; 58.Ripa de madei a 9x6 cm; 59. Tampo de Madei a secção 19 x 5,25 cm; 60. Con aplacado ma í imo 21mm; 61. Tela impe meabilizan e de baixa espessu a 62mm; 62.Ped a de A aíja C eme 4cm 63. Es u u a de be ão; 64. Pe il Heb 200, 200x200mm; 65. Pe il me álico em I 42cm; 66. Isolamen o é mico com espuma de p ojeção 100mm; 67. Te o acús ico pe u ado Pladu Fun C3-8 Mic o 13mm; 68. Viga me álica 20 cm; 69. Caixilho de id o duplo de ebe s yle, po a; 70. Fixação me álica da Viga; 71. Viga de madei a 18 cm; 72. Lage de be ão 27 cm; 73. Placa me álica; 74. Man a impe meabilizan e; 75. Pila edondo 20cm; 76. Painel exposi i o ; 77. Pedes al em bo acha; 78. Pa ede es u u al 30cm; 79. Mu o de con enção; 80. Isolamen o é mico 10cm; 81. Viga me álica 21 cm; 82. Camada impe meabilizan e 83. gesso ca onado 20cm; 84. Iluminação Compa linea e co, 85. Isolamen o é mico 8cm; 86. Pe il Heb 500, 500x200mm; 87. Fixação da Iluminação Compa linea e co; 88. Tubula p eenchido com isolamen o22x20 cm; 89. Fixação me álica em L das ipas de madei a; 90. Dupla camada de isolamen o é mico 15cm 91. Memb ana acús ica 62mm; 92. Massame de be ão a mado com ede de malhasol; 93. B i a; 94. Memb ana impe meabilizan e 1mm; 98. Isolamen o é mico 7cm; 99. memb ana impe meabilizan e 4mm; 100. Massame de be ão a mado com ede malhasol; 101. lã de ocha 10cm; 102. Pei o il em chapa me álica; 103. Lã de ocha 8cm; 104. Isolamen o é mico 11 cm; 105. Chapa de zinco com jun a ag a ada; 106. Memb ana pi onada 10mm; 107. Camada de o ma em be ão le e; 108. Viga de madei a em is a 9x9cm; 109. Viga de supo e em madei a, em co e 7x7cm; 110. Isolamen o é mico, 111. Fixação me álica da chapa de zinco; 112. Ripa de madei a de ixação 5x5cm; 113. Can onei a de abas iguais 120x120mm; 114. Fixação me álica da iga; 115. ba o e de madei a 11x3,5cm; 116.Tubula 6x5cm; 117. Ru o; 118. Telha; 119.Ripado e con aplacada em madei a 20x40cm; 120. Tela pá a apo 6mm; 121. Isolamen o é mico com poliu i eno ex udido 40mm; 122.Painel de OSB, 18mm; 123. Va a em madei a 70x70mm; 124.Lã de ocha 40mm, in e alo das a as; 125. Mad e em Madei a 17x10cm; 126. Cumeei a; 127. esco a 12x12cm; 128. Pa ede exis en e 129. Ta ugo em madei a 19x5cm;130. Enchimen o be ão le e; 131. Lã de ocha 5cm; 132. Viga em madei a 18x18cm; 133. Dupla man a de polie ileno; 134. Caixa de b i a 15cm; 135. Gesso ca onado 13mm; 136. Gesso ca onado 13+13mm;137. Placa de osb 3cm; 138. Al ena ia de ped a 30x22cm; 139. Blocos de ped a, p eenchimen o do ão,78x44cm;