Arqueologia em Desenvolvimento. Conimbriga/Condeixa-a-Velha: Um Polo de Investigação como força motriz da coesão urbana.
Abstract
Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia
Full text
ARQUEOLOGIA EM DESENVOLVIMENTO
CON IMBRIGA • Um Polo de In es igação como o ça mo iz da coesão u bana.
DEIXA-A-VELHA
Figu a 1: Recons i uição do oppidum de Coimb a
No a à edição:
O documen o segue com o no o Aco do O og á ico;
O símbolo “ ” indica que exis e con eúdo na pa e pos e io da página;
Pa a a melho comp eensão do p oje o, p opõe-se o acompanhamen o da lei u a com os desenhos p esen es em anexo.
Ag adeço,
ao P o esso Dou o Adelino Gonçal es, pela disponibilidade e acompanhamen o ao
longo o abalho,
ao meu Pai, à minha Mãe,
à minha amília e amigos pelo apoio,
a i, Daniela, pelo eu amo e ca inho,
ao di e o do Museu Monog á ico de Conimb iga, Dou o José Rui o,
e a odos que o na am possí el es e abalho.
Aos meus Pais, po udo.
RESUMO
Condeixa-a-No a ui da sua localização na egião do Cen o de Po ugal, al
como no seu passado, Conimb iga bene iciou da sua posição cen al no e i ó io da
Lusi ânia. Desde o séc. IX a.C. são conhecidos es ígios da ixação humana no e i ó io
de Condeixa. Da implan ação do oppidum à ixação no Vale a No e, do nascimen o
de uma no a Condeixa à a ualidade, o am á ias as ans o mações que i e am luga
no seu e i ó io. Como consequência des a e olução, á ios impac os associados à
expansão u bana e à cons ução de no os i ine á ios odo iá ios con ibuí am pa a
a seg egação de á ias á eas. Como espos a a es as agilidades, a es a égia des a
disse ação ensaia uma in e enção a qui e ónica, assen e na cul u a como pila de
desen ol imen o sus en á el, com e ei os posi i os no desen ol imen o económico,
social e na p ese ação ambien al. Com o obje i o de alo ização do pa imónio
a queológico singula p esen e no seu e i ó io, a p opos a de ende a c iação de um
Polo de In es igação em A queologia. Um obje o isolado que de e se en endido como
pa e in eg an e de uma es a égia global que em como p incipal obje i o, a coesão
u bana do e i ó io de Condeixa.
Pala as-Cha e: Desen ol imen o Sus en á el, Sal agua da em Desen ol imen o,
A queologia, Pa imónio A queológico, In es igação, Coesão U bana, Conímb iga,
Condeixa-a-Velha, Condeixa-a-No a.
ABSTRACT
Condeixa-a-No a enjoys an ad an ageous loca ion ha comes om he
cen al posi ion o he u ban se lemen in he e i o y o Lusi ania ha o igina ed
i : Conimb iga. T aces o human occupa ion o his e i o y a e known since he 9 h
cen u y BC and he e ha e been se e al ans o ma ions in i s e i o y since hen, om
he es ablishmen o he oppidum o he se lemen in he No h Valley, om he bi h
o a new Condeixa o he p esen . As a consequence o his de elopmen , se e al impac s
associa ed wi h u ban sp awl and he cons uc ion o new oads con ibu ed o he
seg ega ion o a ious a eas o he Condeixa u ban sys em. To add ess hese weaknesses,
he s a egy es ed in his disse a ion p oposes an a chi ec u al in e en ion based on
cul u e as a pilla o sus ainable de elopmen , wi h posi i e e ec s on economic, social
de elopmen and en i onmen al p ese a ion. To alue he unique a chaeological
he i age p esen in his e i o y, he p oposal ad oca es he c ea ion o a Cen e o
Resea ch in A cheology, a piece o equipmen is an in eg al pa o a global s a egy
whose main objec i e is o s eng hen he u ban cohesion o he u ban sys em o
Condeixa.
Keywo ds: Sus ainable De elopmen , Sa egua d in De elopmen , A cheology,
A chaeological He i age, In es iga ion, U ban Cohesion, Conimb iga, Condeixa-a-
-Velha, Condeixa-a-No a.
IV PROPOSTA 147
4.1 Obje o da es a égia 147
Localização de Condeixa-a-No a 147
E olução His ó ica/U bana 147
Ca ac e ização do e i ó io 151
4.2 O(s) cen o(s) em Condeixa 157
Con ex o do exe cício 157
IC2: de I ine á io que desag ega a A enida que Une 163
CoiN: com um no o Cen o, Condeixa Ino a 165
ZIL: Zona Indus ial. L de Ligei a, I de In eg ada 167
ConCaV - Conímb iga e Condeixa-a-Velha, um Único Luga 169
4.3 A queologia em Desen ol imen o 171
Es a égia global 171
Re o ço de ligações 175
Pa que U bano 177
Polo de In es igação 183
CONSIDERAÇÕES FINAIS 193
BIBLIOGRAFIA 199
FONTE DAS IMAGENS 231
ANEXOS 233
17
19
INTRODUÇÃO
Em linha com as di e izes in e nacionais es abelecidas na Recomendação
sob e a Paisagem His ó ica U bana (UNESCO, 2011), es a disse ação de ende o no o
pa adigma da sal agua da em desen ol imen o, assen e num conhecimen o cabal do
obje o de es udo, o a queossí io de Conimb iga, de o ma a e o ça a sua in eg ação
no desen ol imen o local.
Com es e no o pa adigma p e ende-se que o pa imónio, a a és da sua
exp essão his ó ica, desempenhe uma unção ex emamen e impo an e como
mo o de desen ol imen o, con a iamen e à o ma como es e oi classicamen e
conside ado, enquan o conjun o de bens cul u ais a p o ege , a as ando dos p ocessos
de desen ol imen o e i o ial.
Pa a es e e ei o, as p opos as desen ol idas o am pensadas com base nos e ei os
mul iplicado es de dois g andes g upos de in e enções no espaço ísico de Condeixa-
a-Velha: a equali icação paisagís ica da en ol en e p óxima e a c iação de um Polo
de In es igação em A queologia. Em conjun o, os e ei os des as in e enções e dos
p og amas a e os con ibui ão pa a a conc e ização do g ande obje i o da es a égia
global desen ol ida no âmbi o do exe cício de A elie de P oje o IID em 2017/2018
que as enquad a: o e o ço da coesão u bana do sis ema u bano de Condeixa1.
Con ex ualizando, Condeixa-a-No a é um sis ema u bano polinucleado, ou
seja, é compos o po á ios núcleos u banos com ca ac e ís icas di e sas: aldeias; a ila;
u banizações ecen es; á ea indus ial e cen o his ó ico. Des es, des acam-se o núcleo
u bano de Condeixa-a-No a, o cen o do município, onde es ão ins alados os se iços
públicos, os equipamen os de ensino e de saúde, e o núcleo de Condeixa-a-Velha,
a a essado pelo IC3, que é dominado pela p esença do oppidum de Conimb iga.
Como qualque ou o e i ó io, Condeixa em as suas o ças e as suas agilidades.
En e es as, des acam-se as in aes u u as odo iá ias p esen es no e i ó io, que
1 O execício em como obje o de es udo o município de Condeixa-a-No a e é di idido em qua o se o es e é desc i o de alha-
damen e no Capi o IV - A queologia em Desen ol imen o.
21
ge am impac os nega i os de idos às a u as que p o ocam, como ambém a o e
p essão imobiliá ia e po oamen o dispe so. Po ém, embo a es as in aes u u as c iem
es e ipo de impac os, ambém c iam algumas o ças. Desde logo po que p opo cionam
g ande acessibilidade e in eg ação egional e nacional. Além des a o ça, con am-se
ambém o pa imónio a queológico do a queossí io de Conimb iga, ‘‘boas condições
ísicas do e i ó io (solos e ecu sos híd icos)’’ – que pe mi em a p odução de bens
ag oalimen a es a iados e de qualidade – e as ca ac e ís icas paisagís icas do Baixo
Mondego, que ‘‘ap esen am mo i os e alo es que jus i icam o e o ço ou ing cul u al e o
u ismo de na u eza’’2.
A es a égia desen ol ida no e e ido A elie de P oje o IID em a ambição
de con ibui pa a o con olo de algumas agilidades do e i ó io de Condeixa. No
caso das p opos as desen ol idas nes a disse ação, esse con ibu o é dado pelo e o ço
da in eg ação de Condeixa-a-Velha, azendo ace à sob e udo à sua seg egação, mui o
de ida ao I ine á io Complemen a (IC3), cons uído na década de 90.
O concei o assen a na c iação de um Polo de In es igação em A queologia, que
se p e ende que se cons i ua como um mo o de desen ol imen o de Condeixa, a a és
de um conjun o de ondas de choque posi i as que pode c ia , nomeadamen e a a és
da p omoção de a i idades cul u ais e pedagógicas, p es ação de se iços, laze , e c.
A p oximidade às uínas e o a o de apenas 1/7 da á ea do a queossí io es a a
descobe o, são a o es de e minan es pa a jus i ica a pe inência do p oje o, sob e udo
pela alo ização de Conimb iga que pode á p opo ciona .
As ca ac e ís icas u ais de Condeixa-a-Velha são um alo iden i á io do luga
e ambém são alo izadas nas p opos as aqui de endidas. De o ma a e o ça essa
iden idade, é c iado um pa que u al que con ibui pa a a equali icação ambien al da
en ol en e de Conimb iga. Como o mesmo obje i o, ambém é c iado um la go em
en e da Ig eja Ma iz de São Ped o e do cemi é io, que esul a á da implan ação do
p óp io Polo.
O p og ama do Polo de In es igação em A queologia, além da unidade de
in es igação p op iamen e di a, inclui uma unidade de alojamen o pa a in es igado es,
localizada nas p oximidades.
A pa da ins alação do Polo, é ambém p opos a a c iação de no os se iços e
no os equipamen os de in e esse comuni á io, como um pa que u bano que possui
um bel ede e como elemen o ma can e na paisagem, a mazenamen o de es ígios
2 Tal como é di o no enunciado do exe cício e e ido no Cap. IV e incluído nos anexos.
23
a queológicos, ho a comuni á ia, es au an es ou ca és.
Além dos p óp ios obje i os da es a égia aqui de endida, es a disse ação em
o obje i o de c ia bases de discussão sob e as agilidades e o ças de Condeixa pelas
pa es in e essadas, sejam pessoas indi iduais ou o ganizadas, bem como o ganizações
ci is e emp esa iais. Po úl imo, é espe ado que es a disse ação con ibua pa a um
a anço no conhecimen o das ma é ias a adas: a dimensão u bana da eabili ação e a
sal agua da em desen ol imen o.
Es u u a
Es a disse ação desen ol e-se em qua o capí ulos. O p imei o,
‘‘Desen ol imen o Sus en á el’’ ap esen a o p óp io concei o e a sua e olução ao
longo empo. No seguimen o des a con ex ualização, é iden i icado o papel das
cidades no desen ol imen o sus en á el e é in oduzido o con ex o nacional e as suas
especi icidades, no que diz espei o ao modelo de desen ol imen o u bano na segunda
me ade do século XX e às suas consequências na desag egação das cidades e seg egação
dos cen os his ó icos.
No segundo capí ulo - A queologia em Po ugal: pe spe i a his ó ica – é
ca ac e izada a e olução da a queologia como disciplina no con ex o nacional e, des a
o ma, são iden i icados os momen os mais impo an es da sua his ó ia, bem como os
seus in e enien es.
No e cei o capí ulo – Sí ios A queológicos – são desen ol idos alguns pon os
essenciais da ges ão do pa imónio a queológico, nomeadamen e os que se elacionam
di e amen e com iscos na u ais e iscos an ópicos, e a e olução do concei o pa imónio.
De o ma a alcança um melho en endimen o das p eocupações p esen es na
ges ão do pa imónio e o seu con ibu o pa a a alo ização e desen ol imen o e i o ial,
são analisados os casos de es udo de T oia, da Escola P o issional de A queologia do
F eixo e, po úl imo, Conimb iga, que é igualmen e o obje o de es udo des a disse ação.
O qua o e úl imo capí ulo – P opos a – incide nas p opos as desen ol idas
pa a Conimb iga e Condeixa-a-Velha. Na p imei a pa e des e capí ulo são analisadas
as ca ac e ís icas do e i ó io in e encionado, como obje o da es a égia ‘‘O(s) Cen os
em Condeixa’’, ealizada na unidade cu icula A elie de P oje o IID no ano le i o
2017/2018.
Po im, o desen ol imen o da p opos a A queologia em Desen ol imen o.
25
I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
1.1 a e olução do concei o
Poluição, deg adação ambien al, explo ação inusi ada de ecu sos, c escen es
assime ias sociais e c escimen o ex ensi o da u banização, são alguns sinais de modelos
de desen ol imen o que são insus en á eis. Como causado des es desequilíb ios, o
homem de e á se ambém o a o das soluções, de modo a ga an i as suas necessidades
no p esen e e sem comp ome e a possibilidade de as ge ações u u as sa is aze em as
suas p óp ias necessidades.
A consciência dos e ei os nega i os dos modelos de desen ol imen o que c ia am
o cená io p eocupan e que se i e hoje, não é ecen e. Na década de 60 e ao longo
das décadas seguin es, o am á ios os sinais que o am sendo dados demons ando o
e o ço da consciência dos e ei os nega i os daqueles modelos de desen ol imen o e da
necessidade de de ini polí icas de o denamen o do e i ó io capazes de ins ala uma
mudança de pa adigma.
Em 1972, na cidade de Es ocolmo, oi ealizada a Con e ência das Nações
Unidas Sob e o Ambien e Humano, que oi a p imei a ação mundial com o obje i o
de sal agua da o meio ambien e, a a és da consciencialização da sociedade pa a as
consequências de um modelo de desen ol imen o que sob e alo izou o c escimen o
económico, em de imen o da p ese ação dos ecu sos na u ais. Como esul ado dos
abalhos des e encon o que en ol eu ep esen an es de 113 países e de inúme as
o ganizações go e namen ais e não-go e namen ais, oi lançado um ela ó io compos o
po 26 p incípios e 109 ecomendações pa a as polí icas de o denamen o e i o ial,
in i ulado ‘‘Repo o he Uni ed Na ions Con e ence on Human En i onmen ’’, ambém
conhecido po S ockholm Con e ence (ONU,1972). Segundo Je emy Ca adonna
(2014:145) es a con e ência ma cou um momen o de e minan e na his ó ia da
coope ação in e nacional em ques ões ambien ais.
Figu a 3: Oi o obje i os de Desen ol imen o do Milénio.
33
descon olado num plane a com ecu sos ini os, o am epe idas com a publicação da
e cei a edição do The Limi s To G ow h, in i ulado: Limi s To G ow h - The 30 Yea
Upda e. Passado 30 anos, as p eocupações e am as mesmas, mas p ocu ou-se passa a
mensagem de uma o ma mais impac an e e com dados mais ecen es (MEADOWS e
al., 2004).
Mais ecen emen e, em 2012, o comp omisso com o desen ol imen o
sus en á el oi eno ado a a és da Decla ação Final da Con e ência das Nações Unidas
sob e Desen ol imen o Sus en á el11 de endendo-se, mais uma ez, ‘‘...an economically,
socially and en i onmen ally sus ainable u u e o ou plane and o p esen and u u e
gene a ions’’ (ONU, 2012, a . 1) . Es a con e ência, que e e luga no Rio de Janei o,
con ou com a pa icipação de ep esen an es de ce ca 188 Es ados e Nações e com a
pa icipação da sociedade ci il, econhecendo assim a impo ância e o papel a i o da
sociedade no p ocesso de desen ol imen o sus en á el (ONU, 2012, a . 44) .
Além do documen o inal e dos comp omissos assumidos pa a p omoção
do desen ol imen o sus en á el, iniciou-se um p ocesso de desen ol imen o de um
conjun o de Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el (ODS), baseados nos Obje i os de
Desen ol imen o do Milénio (ODM) ap o ados em 2000 pela ONU12.
O a, com es e conjun o de documen os dou iná ios, e a desejá el que os
esul ados da implemen ação dos seus p incípios e ecomendações ossem animado es,
no en an o, não são. Po isso, é necessá io da espos a ao desa io de c ia comp omissos
a cu o p azo, com negociações mais e icien es, pa a diminui as esis ências à
implemen ação de medidas há mui o de inidas, de modo a implemen a es a égias
de desen ol imen o sus en á el de uma o ma e e i a. Es e desa io es á p esen e
nos comp omissos assumidos na Cúpula das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o
Sus en á el, que e e luga em No a Io que em 2015.
Como esul ado des e encon o, oi publicado o documen o T ans o ming
ou wo ld: he 2030 Agenda o Sus ainable De elopmen 13, que es e es abelece um
comp omisso com a humanidade a a és dos seus 17 obje i os e da enume ação de á ias
me as, de modo a abo da de o ma in eg ada as á ias dimensões do desen ol imen o
sus en á el: social, económica, ambien al e cul u al.
11 Em ONU Doc. A/CONF.216/16.
12 Em se emb o do ano 2000, odos os pa icipan es dos 191 es ados memb os (à da a), assina am um comp omisso com o
obje i o de alcança os 8 obje i os de inidos na Decla ação do Milénio das Nações Unidas ap o ada na Cimei a do Milénio. Em
A/RES/55/2).
13 Resolução ap o ada em Assembleia Ge al da ONU em 25 de Se emb o de 2015 (A/RES/70/1)
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Figu a 4: Os dezasse e obje i os do Desen ol imen o sus en á el.
35
No âmbi o des a disse ação me ece ele o o 11.º obje i o – ‘‘Cidades e
Comunidades Sus en á eis’’ – que em como inalidade, o na as cidades e comunidades,
inclusi as, segu as, esilien es e sus en á eis. Das 10 me as que inco po am es e obje i o
des aco as seguin es:
• ...
• 11.3 -‘‘A é 2030, melho a a u banização inclusi a e sus en á el e a capacidade
de planejamen o e ges ão de assen amen os humanos pa icipa i os, in eg ados e
sus en á eis em odos os países’’ (ONU, 2015:21);
• 11.4 -‘‘Fo alece os es o ços pa a p o ege e sal agua da o pa imônio cul u al e
na u al do mundo’. (ONU, 2015:22).
• ...
Em 2016, na e cei a Con e ência das Nações Unidas sob e Habi ação e
Desen ol imen o U bano Sus en á el, Habi a III14 , o papel undamen al das cidades
no desen ol imen o sus en á el oi mais uma ez econhecido, bem como as ameaças
causadas pela ápida u banização.
Habi a III oi a p imei a con e ência global depois da adoção da Agenda
2030, onde se discu i am e p oje a am no os caminhos pa a esponde aos desa ios
da u banização e às ques ões que se le an am pa a a implemen ação dos obje i os
de desen ol imen o sus en á el, com o oco no p ocesso de u banização sus en á el,
de modo a ga an i um no o comp omisso da sociedade e do pode polí ico com o
desen ol imen o u bano, mas ambém a alia os esul ados alcançados desde a úl ima
con e ência, Habi a II.
No seguimen o des es deba es e com o econhecimen o do p o agonismo que
as cidades de em e pa a o desen ol imen o sus en á el, odos os es ados-memb os
das Nações Unidas e le i am os comp omissos en ão assumidos nas suas polí icas
de desen ol imen o e i o ial e seguidamen e ado a am uma no a agenda pa a
u banização, New U ban Agenda15.
Es a no a agenda é um documen o ex enso, que engloba 175 i ens. Des es, ele o
o i em 41, que ai de encon o à mudança de pa adigma que é necessá io implemen a
14 Con e ência que deco eu na capi al do Equado , Qui o, en e 17 e 20 de ou ub o de 2016 (HABITAT, 2016a).
15 A a és da Resolução da Assembleia Ge al em 23 de Dezemb o de 2016. Em ONU Doc. A/RES/71/256
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
1950 2015 2050
750 902 3 594 868 6 679 756
29,50% 53,90% 68,40%
População To al 2 536 431 7 383 008 9 771 822
População U bana
Tabela 1: Pe cen agem da população mundial que eside em á eas u banas (milha es)
37
no que diz espei o à o ganização ins i ucional, c iação e desen ol imen o de p á icas
do planeamen o es a égico, baseadas em modelos de go e nança local. É impo an e
p omo e mecanismos que ga an am a pa icipação da sociedade no p ocesso de
planeamen o u bano, e assim espe a-se que se e li a em polí icas de desen ol imen o
in eg ado (HABITAT, 2016b:12,13).
No con ex o da união eu opeia, um dos e i ó ios mais u banizado do mundo,
es es comp omissos já êm e lexo em documen os de p og amação de polí icas como
a Agenda U bana pa a a UE, esul an e do ‘‘Pac o de Ames e dão’’16 , a a és de uma
abo dagem in eg ada do desen ol imen o u bano. Os obje i os des a agenda assen am
em ês pila es: 1) uma egulamen ação mais asse i a; 2) a simpli icação do acesso ao
inanciamen o; 3) e o en iquecimen o do conhecimen o c í ico das á eas u banas, pa a
assim se e le i em melho es p á icas u banas.
Con endo 12 emas p io i á ios, como, po exemplo, a pob eza humana, a
habi ação e a mobilidade u bana, em como base es a mudança de pa adigma em
elação ao p ocesso de u banização (CONCELHO DA UNIÃO EUROPEIA, 2016).
1.2 cidade e desen ol imen o sus en á el: opo unidade ou ameaça?
Seja como consequência da indus ialização ou da p ocu a de melho es
condições de ida, o p ocesso de expansão das cidades e e um o e impulso a pa i
do séc. XIX e in ensi icou-se a pa i do pós-gue a, embo a com exp essões di e en es,
dependendo dos luga es. O c escimen o nos meios u banos é uma endência a ní el
global, como mos a a abela 1.
A população u bana em c escido apidamen e, passando de ce ca de 30% da
população mundial em 1950, pa a 54% em 2015, sendo espec á el que a inja os 68%
em 205017 (ONU, 2018a).
Po isso, há espos as que êm de se dadas às p essões e necessidades c iadas
pelo c escimen o da população em e mos ge ais e da população u bana em pa icula ,
e as p eocupações a e em con a não de em incidi só no a o de c escimen o, mas
16 Aco do esul an e da Reunião In o mal dos Minis os da UE Responsá eis pelos Assun os u banos em 30 de maio de 2016
em Ames e dão, Holanda.
17 Dados disponí eis em h ps://popula ion.un.o g/wup/.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Tabela 2: População do Con inen e Eu opeu (milha es)
Tabela 3: População do Con inen e A icano (milha es)
Figu a 5: Pe spec i as da População Mundial (2015-2050) - Re isão 2017.
39
ambém na ( e)quali icação dois e i ó ios u banizados.
No comunicado de imp ensa do Wo ld U baniza ion P ospec s: The 2018
Re ision18, a ‘‘u banização sus en á el é a cha e pa a um desen ol imen o bem-sucedido’’
(ONU, 2018b:2). Com o c escimen o da população mundial, não é apenas nas á eas
u banas que é necessá io ga an i a qualidade de ida dos habi an es, mas ambém nas
á eas u ais, ou seja, é necessá io p og ama espos as com uma pe spe i a in eg ada.
Desse modo, é ambém impo an e que sejam e o çadas ‘‘as ligações en e as zonas
u banas e u ais, baseando-se nas suas economias económicas, sociais e laços ambien ais’’
(ONU, 2018b:2) , ou seja, que se e o ce a coesão u bana.
O c escimen o da população mani es a-se com in ensidades di e en es,
dependendo das ca ac e ís icas de cada luga e de a o es como o ní el de desen ol imen o,
a economia e o emp ego. De ac o, como se pode e na igu a 4, endo como e e ência
o ano de 2015 a população do con inen e Eu opeu ap esen a á um dec éscimo de ce ca
de 12% (p e isão em baixa) pa a o ano de 2050, ag a ando-se pa a os 34% em 2100.
Numa endência opos a, o con inen e A icano em 2050, segundo a p e isão média,
ap esen a á um c escimen o de ce ca 111%, e de 76% em 2100 (ONU,2017).
Des e modo, é necessá io con ola um conjun o di e si icado de desa ios das
cidades deco en es da e olução demog á ica e da u banização, como ambém c ia
soluções e modelos de desen ol imen o sus en á eis.
As cidades, que albe ga ão ce ca de 68% da população em 2050 (ONU, 2018a),
consomem mais de 60% da ene gia global, são esponsá eis po 70% das emissões de
gases do e ei o de es u a e da p odução de lixo no mundo, ce ca de 70% dos esíduos
globais19.
A edução da pob eza e os o es impulsos no desen ol imen o são an agens da
u banização, mas é impo an e salien a que udo is o acon eceu num cu o espaço de
empo e não oi de idamen e con olado, o que pe mi iu o c escimen o deso denado
e de o ma alea ó ia, c iando g andes di iculdades pa a o desen ol imen o sus en á el.
Mas as cidades não ep esen am apenas ameaças ao desen ol imen o sus en á el. As
cidades, que ocupam “apenas” ce ca de 2% da á ea e es e e ep esen am 70% da
economia global (PIB), são g andes cen os de a i idade e g andes cen os cul u ais
(HABITAT,2016c).
18 Mais in o mação em h ps://popula ion.un.o g/wup/Publica ions/
19 Dados ecolhidos em h p://habi a 3.o g/ he-new-u ban-agenda/.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
G á ico 1: Con ex o global das cidades
41
Num mundo em cons an e mu ação, as á eas u banas são os p incipais mo o es
de c escimen o económico e on es de ino ação, os en ando um c escimen o demog á i-
co con ínuo. Pa alelamen e, eme gem p oblemas e agilidades quem êm me ecido um
g ande empenho da comunidade In e nacional na p ocu a de espos as e soluções que se
êm aduzido na de inição de linhas o ien ado as pa a as polí icas a segui . As cidades
des a o ma, ep esen am um papel essencial na aplicação dessas di e izes. Como cen o
polí ico local é necessá io e le i e planea as cidades com o obje i o do desen ol imen-
o sus en á el de modo a sa is aze as necessidades da sociedade sem comp ome e as
necessidades das ge ações u u as. Des e modo, é necessá io um p og ama/planeamen o
u bano assen e sob isões in eg adas de desen ol imen o sensí eis a odos os aspe os
cons i uin es da cidade. Cada á ea u bana possui ca ac e is icas que, com o aumen o da
população e a expansão u bana, podem o na -se impe ce í eis e a é se apagadas.
Em simul âneo com os comp omissos assumidos in e nacionalmen e com o
desen ol imen o sus en á el, a in eg ação do Pa imónio e da Cul u a, em e mos
ge ais, de e se e o çada. An e io men e egulado po medidas de ígida p o eção
e de sal agua da, a pe ceção em elação Pa imónio em indo a e olui no sen ido
de igu a um ecu so impo an e no desen ol imen o u bano. Es a pe spe i a em
me ecido ele o cada ez mais, a a és do econhecimen o do papel da Cul u a no
e o ço da iden idade social e no seu en endimen o como mo o de desen ol imen o,
dependen emen e semp e da pa icula idade de cada luga .
As singula idades de cada á ea u bana podem ep esen a um a o essencial ao
seu desen ol imen o u bano. Re i o-me pa icula men e ao Pa imónio A queológico,
não e i ando c edibilidade a ou os aspe os a e em conside ação no planeamen o
u bano. Compa a i amen e com ou as cidades, é uma an agem albe ga um
pa imónio, po ezes único a ní el mundial, podendo aduzi -se ine i a elmen e
num impo an e mo o de desen ol imen o.
Com is o, su ge assim uma no a consciência que da sociedade ci il que da
adminis ação cen al em elação às polí icas e e en es ao Pa imónio em i ude dos
comp omissos assumidos in e nacionalmen e com o desen ol imen o sus en á el,
economicamen e iá el, ambien almen e co e o, socialmen e jus o e cul u almen e
en iquecedo .
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
49
1990, icou e iden e a al a de o ien ação es a égica desses mesmos planos.
Ci ando Adelino Gonçal es (2018:300), ‘‘...na esmagado a maio ia dos casos,
a p imei a ge ação de PDM simplesmen e sujei ou os cen os his ó icos a no ma i as
elemen a es, dedicadas à p o eção do edi icado e adiou o seu planeamen o in eg ado
pa a um u u o inde inido’’. A ualmen e exis e uma consciência maio de que es es
planos não passa am de egulamen os adminis a i os que di e encia am di e en es
ocupações do e i ó io dos municípios e implan a am eg as e usos especí icos, mas
sem p og amação pa a a sua implemen ação, além das edes de in aes u u as e de
equipamen os públicos.
Cen os His ó icos
Associado à en ada na EU, o in es imen o em g andes in aes u u as
odo iá ias aumen ou, p o ocando impac os e e ei os indesejados no e i ó io, dada a
ausência e/ou ine icácia de polí icas que con olasse a sua ocupação. Um desses e ei os
oi a seg egação dos cen os his ó icos (GONÇALVES, 2018:23-41) e as agilidades
u banas esul an es, só se ão con oladas a a és da eabili ação u bana in eg ada e do
seu epo oamen o, de modo a in eg a es as á eas no desen ol imen o.
De ac o, en endo a eabili ação u bana como um conjun o de in e enções de
di e en es ní eis e ipos (social, económico, cul u al, uncional) que isam o con olo de
agilidades di e si icadas que se mani es am de uma o ma exp essi a em alguns se o es
u banos, nomeadamen e nos cen os his ó icos, só com uma pe spe i a in eg ada é que
pode ão se alcançadas espos as esilien es.
Um dos ní eis diz espei o à eabili ação do quad o ísico dos cen os his ó icos,
sob e udo do edi icado, além dos espaços públicos. De ac o, em mui os casos, o pa que
edi icado dos cen os his ó icos encon a-se deg adado e, em mui as si uações, ap esen a
sinais de uína, o que cons i ui uma das g andes agilidades dos cen os his ó icos.
Ou o ní el de ações implica isões in eg adas pa a o desen ol imen o u bano, na
medida em que diz espei o a p oblemas que não se esol em apenas a eabili ação do
quad o ísico des as á eas, nomeadamen e o seu despo oamen o, o ence amen o do
comé cio ou a exis ência de ocos de insegu ança.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
51
Pa a se comp eende de uma o ma cabal as azões que c ia am a necessidade
des es ní eis de in e enção nos cen os his ó icos, se em planeados e p og amados de
uma o ma in eg ada, is o é, pensando o u u o des as á eas inse ido nas dinâmicas de
desen ol imen o dos con ex os u banos de que azem pa e, é impo an e e em con a
di e sas ca ac e ís icas do desen ol imen o u bano desde o início da segunda me ade
do século passado.
Como e e e Adelino Gonçal es (2018) sob e es e ipo de aspe os, a p imei a
ge ação de PDM, a cons ução de g andes supe ícies come ciais nas pe i e ias e
as in e enções que os cen os his ó icos o am sendo sujei os ao longo do empo,
con ibuí am de o ma nega i a pa a o seu desen ol imen o.
O c escimen o dos pe íme os u banos e o su gimen o de no as á eas u banas
na pe i e ia, de inidos na p imei a ge ação de PDM, supe a am amplamen e as
necessidades eais de c escimen o u bano, eme endo, às á eas dos cen os his ó icos, a
egulamen ação di ecionada apenas à p o eção do seu edi icado, adiando des a o ma,
o seu planeamen o in eg ado.
Associadamen e a es e aspe o, o in es imen o em in aes u u as odo iá ias e
o ácil acesso ao c édi o bancá io con ibuí am pa a a pe i e ização e dispe são u bana
com a cons ução de no os núcleos, o e ecendo mais e melho es condições em elação
às á eas dos cen os his ó icos.
Um ou o aspe o es á elacionado com a cons ução de g andes supe ícies
come ciais nas pe i e ias e a inexis ência de es a égias que assegu assem de uma o ma
e e i a a i alidade come cial dos cen os his ó icos. Des a o ma, e i ando as ensões.
Em elação às in e enções, ealizadas dos cen os his ó icos, incidi am
essencialmen e sob e seu edi icado e o am sendo sujei as às polí icas de sal agua da e
a as adas das polí icas de o denamen o e de desen ol imen o do e i ó io. Es e aspec o
é designado po Adelino Gonçal es (2018:272) como “planeamen o da sal agua da”.
Es e úl imo a o , a sal agua da do pa imónio, associada à p imei a ge ação
de PDM, passou a ab ange , além de monumen os, as á eas delimi adas como cen os
his ó icos, inculando-os de uma o ma global ao mesmo ipo de inibições.
Todos es es a o es con ibuí am pa a o abandono dos cen os his ó icos,
acele ando o seu p ocesso de deg adação e seg egação em elação aos no os polos u banos
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Figu a 6: Imagem ilus a i a dos qua o pila es de desen ol imen o sus en á el
53
nas pe i e ias. Des e modo, as consequências nega i as do ipo de desen ol imen o
u bano ao longo das úl imas 4, 5 décadas, não êm exp essão apenas no espaço ísico
des as á eas, mas ambém êm exp essão em e mos sociais, económicos e uncionais,
como o ence amen o de se iços, comé cio e abandono de edi ícios habi acionais.
(GONÇALVES, 2018).
As polí icas públicas mos a am-se incapazes de e i a es a si uação, po an o,
só uma es a égia e dadei amen e dedicada a p omo e o desen ol imen o sus en á el,
desencadea á as espos as necessá ias à mul iplicidade de agilidades dos cen os
his ó icos.
1.4 cul u a: 4º pila do desen ol imen o
O alo das ob as cons uídas e p ese adas ou o a pelos nossos an epassados
ob iga-nos a nós, sociedade, a espei a e a sal agua da esse Pa imónio, não só ma e ial,
mas ambém ima e ial.
Sob e a sua p o eção, há mui o que es á ins alado um hábi o de pensamen o
o ien ado pa a que es e pe maneça inal e ado ao longo do empo, con ibuindo desse
modo, pa a a diminuição do seu papel no desen ol imen o.
Em en e is a ao Jo nal Exp esso das Ilhas, Wal e Rossa (2018:10) a i ma que
‘‘É necessá io da o sal o, em e mos de opinião pública e da p óp ia lógica de uncionamen o
das polí icas públicas, de que o pa imónio não é uma coisa pa ada, do passado. Pa imónio
é P esen e”. Es a mudança de pensamen o é essencial e como exemplo des aca-se o
Tu ismo, a a és do con ibu o de odas as suas economias associadas ao p ocesso de
desen ol imen o, como a c iação de no os equipamen os ho elei os, de no as a i idades
conexas ao u ismo, que ine i a elmen e i ão ge a no os pos os de abalho.
Num con ex o de dec éscimo demog á ico, como an e io men e e e ido,
Po ugal em no Tu ismo uma impo an e on e de ecei a, ocupando o 14º luga 30 na
lis a The T a el & Tou ism Compe i i eness Index 2017 Ranking (CROTTI & MISRAHI,
2017:9). Nomeado, po ês ezes consecu i as, em 2017, 2018 e 201931 como melho
30 Num o al de 136 países.
31 Mais in o mação disponí el em h ps://www.wo ld a elawa ds.com.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
55
des ino Tu ís ico do Mundo nos Wo ld T a el Awa ds32, Po ugal não despe a in e esse
u ís ico apenas pela qualidade gas onomia nem pelos seus di e enciados ecu sos/
paisagens na u ais, mas ambém pela sua cul u a e ine i a elmen e, o seu as o
Pa imónio (CROTTI & MISRAHI, 2017).
Na á ea da Educação, o papel dos es emunhos ma e iais do passado con inuam
a possui um impo an e papel no desen ol imen o. Po um lado é essencial sensibiliza
os mais jo ens e oda a sociedade, pa a a ques ão do Pa imónio como ecu so pa a a
educação. Po ou o lado, a a és da ealização de isi as de es udo, ep esen a um
impo an e apoio e complemen o á sua ap endizagem po pa e da comunidade
escola . Também as a i idades ealizadas pela comunidade cien í ica com a con ínua
in es igação ealizada, e o as o conhecimen o p oduzido ep esen am exemplos da
elação do Pa imónio com o desen ol imen o.
Ou o impo an e exemplo de como o Pa imónio pode se ele an e, é a coesão
social, pois pode se um impo an e a o do desen ol imen o Humano e do e i ó io
onde es á inse ido.
Com is o, o Pa imónio A queológico pode cump i odos es es papéis no
desen ol imen o, a a és da p omoção u ís ica, do seu con ibu o pa a o ensino e pa a
o conhecimen o cien í ico como pa a a coesão social e iden idade local, mas é necessá io
e em conside ação as di e enças em e mos de dimensões e impac os dos bens/sí ios
a queológicos. Como exemplo e obje o de es udo des a disse ação, o A queossí io de
Conimb iga, con a com ce ca de 80% da á ea o al po esca a /descob i , ep esen ando
assim um po encial ele ado e único.
Des e modo o Pa imónio de e se en endido a a és do seu papel undamen al
no desen ol imen o sus en á el nos cen os u banos. Tal como o Obje i o 11 dos
ODS an e io men e e e ido, salien a a co espondência en e o Pa imónio e a
Sus en abilidade.
Associada a es a mudança de pa adigma em elação ao Pa imónio es á a
inclusão da Cul u a como 4 Pila de Desen ol imen o Sus en á el.
O an e io concei o de endido po B und land, ‘‘Sus ainable de elopmen is one
ha mee s he needs o he p esen wi hou comp omising he abili y o u u e gene a ions
32 Os Wo ld T a el Awa ds são gala dões a ibuídos como sinónimo de econhecimen o e p emiação da excelência nas á ias á eas
do Tu ismo, endo sido c iados em 1993.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Figu a 7: Fi een yea s o Cul u e
57
o mee hei own needs’’ assen e em ês dimensões – c escimen o económico, inclusão
social e equilíb io ambien al –, mos ou-se insu icien e pa a o ien a e acompanha a
e olução da sociedade (B und land, 1987:41).
Es a ‘‘no a abo dagem’’ ao concei o de desen ol imen o sus en á el es á ‘‘em
p imei o luga ’’ comp eendida no desen ol imen o da Cul u a ‘‘como se o p óp io,
a a és do pa imónio, indús ias cul u ais e do u ismo cul u al’’. Em segundo luga ,
é necessá io ga an i que a ‘‘cul u a enha o seu luga de di ei o em odas as polí icas
publicas’’ especialmen e as elacionadas com a ‘‘educação, economia, ciência, comunicação,
ambien e, coesão social e coope ação in e nacional’’. Den o da go e nança, o obje i o da
sua inclusão como a o impo an e de decisão, é o na a sociedade mais ‘‘saudá el,
segu a’’ e ‘‘c ia i a’’ (CGLU,2010:4-5).
Fo am ealizadas desde o início do século, de o ma a deba e o concei o que e a
en ão de endido, á ias inicia i as po pa e de ins i uições in e nacionais, da academia
e pela sociedade.
Con ex ualizando, em Maio de 2004 oi ap o ada a Agenda 21 pa a a Cul u a,
no IV Fó um de Au o idades Locais pela Inclusão Social de Po o Aleg e, ealizado em
Ba celona o ganizado pela O ganização Mundial das Cidades e Go e nos Locais
Unidos (CGLU). Documen o que se ca a e iza po se ‘‘o p imei o documen o com
missão mundial que de ende o es abelecimen o da base de um comp omisso das cidades e dos
go e nos locais pa a o desen ol imen o cul u al’’ (CGLU, 2004:3).
No ano de 2010, no III Cong esso Mundial da CGLU ealizado na Cidade do
México, o gabine e execu i o da CGLU ap o ou a decla ação polí ica denominada
“Cul u e is he 4 h pilla o he Sus ainable De elopmen ”. Em pleno cong esso oi e e ida
a an e io Decla ação Uni e sal da UNESCO sob e Di e sidade Cul u al (2001), a
Con enção sob e Di e sidade de Exp essões Cul u ais (2005), e a Agenda 21 pa a a Cul u a,
e con o me decla ado, icou econhecido uma ez mais, que os ês pila es an e io men e
de endidos (c escimen o econômico, inclusão social e equilíb io ambien al) ‘‘já não
e le em odas as dimensões de nossas sociedades globais’’ (CGLU,2010:6). Mas não só
os ‘‘Reconhecimen os’’ que são incluídos a decla ação, ‘‘A i mações’’ como ‘‘a cul u a em
oda a sua di e sidade é necessá ia pa a esponde aos desa ios a uais da humanidade’’
(CGLU,2010:6) es ão incluídas, da mesma o ma pensamen os como ‘‘a go e nança em
odos os ní eis (local, nacional e in e nacional) de e inclui uma o e dimensão cul u al’’
(CGLU,2010:6).
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
65
nomeadamen e a a és da c iação de um museu público na cidade de Se úbal, onde se
exibisse odo o espólio encon ado deco en e das esca ações (FABIÃO, 2011).
No deco e dos abalhos des a Sociedade, o am encon ados á ios edi ícios,
assim como pa imen os em mosaico, e o am publicados depois no bole im Annaes da
Sociedade A cheologica Lusi ana, em ês ascículos, en e 1850 e 1851.
Con a iamen e ao que oi pensado aquando da c iação da Sociedade, o museu
em Se úbal não oi cons uído. De ac o, não só oi b e e a exis ência da Sociedade
A cheologica Lusi ana (1849-1857), como demons ou uma pa icula idade no âmbi o
da a queologia Po uguesa que e á di icul ado a conc e ização do p oje o: e sido o
esul ado de uma ação nascida no âmbi o social bu guês, sem nenhum apoio es a al,
sus en ada apenas pela quo ização dos sócios e po dona i os (FABIÃO, 2011). Como
de ende Ca los Fabião (2011:93), es a inicia i a ‘‘... e ela a a i ude de uma no a
sociedade libe al, bu guesa e emp eendedo a, mas, p o a elmen e a sua cu a exis ência
espelha ambém as agilidades da mesma’’.
Con ex ualizando, na Eu opa, na segunda me ade do séc. XIX, o iginou-se uma
eno me e olução cul u al. O c iacionismo38 dissipa-se, dando luga ao pensamen o
e olucionis a, onde se de ende que a e olução das espécies de se es i os é o p odu o de
longas modi icações, len as e p og essi as (FABIÃO, 2011). Resumidamen e, a ciência
inha o enca go de analisa e explica odo es e p ocesso da exis ência humana que não
es a a o almen e escla ecido pela ig eja e que e a ido como e dade absolu a a é en ão
(FABIÃO, 2011).
Em Po ugal su gi am e lexos des a mudança de pa adigma cul u al. Com
a p ocu a po es emunhos que con a iassem a ideia da c iação do Mundo po ação
di ina, o am descobe os á ios ab igos pe encen es ao an epassado do Homem. Des a
o ma, á ias explo ações i e am luga em g u as como, po exemplo, as exis en es no
planal o das Cesa edas39 e o am encon ados es ígios e p odu os da indús ia humana,
es emunhando assim a p esença humana na an iguidade (CARDOSO, 2000).
Su giu en ão a Comissão Geológica do Reino em 1857, com a unção de e e ua
o ‘‘... econhecimen o geognós ico do país e elabo a a espe i a ca og a ia em di e en es
escalas...’’ que se aduzi ia num ‘‘...ins umen o undamen al pa a o conhecimen o dos
38 C ença eligiosa que consis e na ideia de que o p ocesso de conceção do Uni e so e de odas as o mas de ida inham po
base a ação di ina.
39 O Planal o das Cesa edas, si ua-se no cen o da egião Oes e de Po ugal e possui uma á ea ap oximadamen e de 49km2,
di idida po qua o concelhos: Bomba al, Lou inhã, Óbidos e Peniche.
ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL
67
ecu sos do subsolo, indispensá eis ao desen ol imen o do país’’ (BRANDÃO, 2013:866).
O seu p incipal oco não e a a pesquisa do passado do homem, mas p omo eu á ios
abalhos que i e am esse con ibu o e o am publicados no domínio da A queologia
da P é-His ó ia (FABIÃO,1999).
Pos e io men e, em 1863, oi c iada a Associação dos A chi ec os Ci is e A cheólogos
Po ugueses40 e des e modo é e i mada a consciencialização da necessidade de p ese a
e sal agua da o pa imónio, embo a, segundo Ca los Fabião (1999:111), não exis isse
‘‘...uma e icaz p o eção dos es ígios ma e iais do passado, po pa e de ins âncias públicas e
p i adas...’’.
Nes e con ex o, impo a salien a duas impo an es in es igações ealizadas. A
Ca a A queológica do Alga e de Sebas ião Philippes Es ácio da Veiga41 e a Ci ânia de
F ancisco Ma ins Sa men o42 (Fabião,1999).
No p imei o caso, é impo an e salien a que oi a p imei a ez que exis iu uma
inicia i a legisla i a dedicada à a queologia e a a és de uma Po a ia de 15 de janei o
de 1877, Philippes Es ácio da Veiga icou enca egue de ealiza o le an amen o e o
econhecimen o dos locais de in e esse a queológico e elados pela g ande cheia do io
Guadiana no In e no de 1876 (FABIÃO, 2011).
Em elação ao segundo caso, F ancisco Ma ins Sa men o abalhou com
capi ais p óp ios cen ando a sua pesquisa na descobe a das o igens de Po ugal que
po ezes e a iden i icado na li e a u a an iga (FABIÃO, 2011). As suas explo ações
em B i ei os43 e em Sab oso, ‘‘con e i am-lhe enome in e nacional’’, que se e le iu na
isi a de á ios a queólogos es angei os que pa icipa am no IX Cong esso In e nacional
de An opologia e A queologia P é-His ó ica que e e luga em Lisboa em 1880 e des e
modo con ibuiu pa a o desen ol imen o de Guima ães (CARDOSO, 2000:17).
Inúme as pesquisas e egis os o og á icos o am ealizados po F ancisco Ma ins
40 A Associação dos A chi ec os Ci is ‘‘... ecebeu o pa ocínio égio em 1867 passando a denomina -se Real Associação dos A chi ec os
Ci is e A cheólogos Po ugueses’’ (FABIÃO,1999:111). Com a saída do nome ‘‘A qui e os’’ e com a implemen ação da República em
1910, passou a denomina -se Associação dos A queólogos Po ugueses.
41 Sebas ião Philippes Es ácio da Veiga (1828-1891) o mado em Engenha ia de Minas pela Escola Poli écnica de Lisboa (1837-
1911). O seu in e esse pelo es udo do Pa imónio A queológico ‘‘ascende, de ac o, à década de 1960’’ a a és da publicação de
uma das suas ob as, in i ulada de Po os Balsenses ‘‘na qual abo da a an iguidades omanas encon adas na quin a de To e d’A es,
pe o de Ta i a’’ (Ca doso & G adim, 2004:67). Foi elei o pa a a Real Associação dos A qui ec os Ci is e A queólogos Po ugueses
em 13 de No emb o de 1873, des inculando-se em 1875.
42 F ancisco Ma ins Sa men o (1833-1899) concluiu o cu so em Di ei o pela Faculdade de Di ei o da Uni e sidade de Coim-
b a em 1853 mas o seu econhecimen o ad ém sob e udo da á ea da A queologia com a explo ação da Ci ânia de B i ei os. Como
esc i o , publica em e is as e em jo nais cien í icos. O gos o pela o og a ia es á p esen e pela sua u ilização em con ex o cien í ico,
como egis o e seguidamen e como di ulgação.
43 F ancisco Ma ins Sa men o de inha uma p op iedade em B i ei os. Em 1874, iniciou o seu econhecimen o e pos e io -
men e ealizou as suas p imei as esca ações. (FABIÃO, 2011)
ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL
Figu a 9: oppidum de Conimb iga (1970)
69
Sa men o, deixando um as o conhecimen o cien í ico no con ex o da A queologia
e da His ó ia de Po ugal, pos e io men e econhecido com a c iação da Sociedade
Mo ais SARMENTO44 em sua homenagem, que se man ém a i a a ualmen e.
Con inuando no século XIX, a Associação dos A chi ec os Ci is oi enca egue
em 1880 de c ia a p imei a lis a de monumen os nacionais po ugueses, es ando
‘‘ inalmen e comple a’’ no ano de 1904 (FABIÃO, 2011:158). Somen e em 191045,
oi publicado e ap o ado pelo Go e no o diploma onde es abelece a classi icação dos
Monumen os Nacionais Po ugueses (CUSTÓDIO,1993:53). Com es e documen o
icou demons ada a aca exp essão do pa imónio a queológico nos bens classi icados
(FABIÃO, 2011:158). De ac o, do o al de 468 monumen os, apenas ce ca de 18%
e am bens a queológicos. Compa a i amen e com o p esen e ano de 2019, o Pa imónio
A queológico ocupa ce ca de 21% num o al de 810 Monumen os Nacionais46.
Mais a de, no ano de 1893, oi undado o Museu E hnog á ico Po uguês pela
inicia i a de José Lei e de Vasconcelos47 e segundo Ca los Fabião (2011:167), ‘‘Na
p imei a década do século XX...’’ e a conside ado o ‘‘...mais pode oso a i o o ganismo...’’
no con ex o da A queologia Po uguesa. Em 1895 é edi ada a sua p imei a publicação
da e is a cien í ica, O A queólogo Po uguês e a ualmen e é denominado como Museu
Nacional de A queologia (MNA) (FABIÃO, 2011).
Em 1932, com a publicação do Dec e o 2111748, oi a ibuída ao Museu a
‘‘p io idade na ealização’’ de odos os abalhos a queológicos que iessem a se ealizados
em Po ugal (FABIÃO, 2011:171), o que susci ou a discó dia en e alguns a queólogos
e um dos os os desse descon en amen o oi Mendes Co eia49. No ano seguin e é
c iado o Ins i u o Po uguês de A queologia, His ó ia e E nog a ia50, en idade de
u ilidade pública, mas com di ei o p i ado, com sede no Museu E hnog á ico Po uguês.
Segundo Ca los Fabião (2011:171), ‘‘Assim es alou o con li o en e as duas mais ele an es
pe sonalidades da A queologia po uguesa de en ão’’, esul ando em ‘‘...sé ios p ejuízos
pa a a disciplina e pa a a sua imagem’’ (FABIÃO, 2011:171).
Foi nes e con ex o que nasceu a ‘‘...mais impo an e ealização da A queologia
44 Sociedade Ma ins Sa men o é uma ins i uição cul u al undada em Guima ães em 1881.
45 No Dec e o de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910
46 Dados ecolhidos em h p://www.pa imoniocul u al.go .p .
47 José Lei e de Vasconcelos (1858-1941) – impo an e a queólogo Po uguês, o mado em Ciências Na u ais em 1881 e em
1886 o mou-se em Medicina na Escola Médico-Ci ú gica do Po o.
48 Diá io do Go e no n.º 91/1932, Sé ie I de 1932-04-18 . Regulado das esca ações a queológicas em Po ugal.
49 Mendes Co eia (1888-1960) - an opólogo po uguês, o mado em Medicina em 1911, e em 1921 o na-se p o esso ca e-
d á ico da Faculdade de Ciências da Uni e sidade do Po o da cadei a de an opologia.
50 Dec e o n.º 22338. Em Diá io do Go e no n.º 64/1933, Sé ie I de 1933-03-20.
ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL
71
po uguesa da época: a esca ação e musealização da cidade de Conimb iga’’ (FABIÃO,
2011:173).
A ideia e o conhecimen o da p esença de uínas omanas não e a no o na
época. Ao longo do empo, á ias ins i uições e pe sonalidades ica am ligadas à sua
in es igação e di ulgação.
Em 1873 e e início o es udo do local e segundo Ca los Fabião (2011:173),
com o con ibu o da ‘‘ins i uição Coimb ã, O Ins i u o, Academia Cien í ica e Li e á ia
c iada em 1852’’. Des a o ma, o am ealizados abalhos me amen e à base de ‘‘acções
de pesquisa de objec os, pela abe u a de alas e sondagens em di e en es sí ios em
di e en es locais do sí io a queológico’’ (FABIÃO,2011:173).
Em 1929 a a és de uma pa ce ia da Uni e sidade de Coimb a com a Di eção-
Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais51 (DGEMN), oi adqui ida uma pa cela
de e eno com o obje i o de c iação de um espaço de ap endizagem p á ica de
A queologia que e e como seu p omo o Vi gílio Co eia52 (FABIÃO, 2011). O seu
econhecimen o es á in ei amen e ligado à pesquisa da cidade Romana de Conimb iga.
Já em 1912 e ia ealizado uma esca ação a enca go do Museu E hnológico, an e io men e
denominado Museu E hnog á ico Po uguês, onde oi iden i icado a camada p é- omana
do sí io (CORREIA, 1916).
No ano de 1930 oco eu o XV Cong esso In e nacional de An opologia
e A queologia P é-His ó ica, que e e luga em Coimb a e no Po o. Des e modo,
oi essencial da a conhece à comunidade in e nacional que Po ugal p omo ia a
A queologia e ambém conse a a os seus monumen os (FABIÃO, 2011).
A conse ação e di ulgação dos es ígios esul an es dos abalhos ealizados em
Conimb iga, oi assegu ada com a cons ução do Museu Monog á ico de Conimb iga,
endo sido inaugu ado em 1962, des e modo oma o ma ‘‘uma das mais impo an es
e e ências da A queologia po uguesa’’ (FABIÃO, 2011:175).
Nos anos seguin es, i e am luga á ias campanhas de in es igação
em Conimb iga. Des as, me ece um ele o pa icula o p oje o de in es igação
a queológico53 luso- ancês Mission A chéologique F ançaise au Po ugal sob a di eção
51 An igo se iço cen al do Minis é io do Equipamen o, do Planeamen o e da Adminis ação do Te i ó io do go e no de
Po ugal, c iado a a és do Dec e o-Lei n.º 204/80.
52 José Vi gílio Co eia Pin o da Fonseca (1888-1944) – a queólogo, p o esso uni e si á io, Licenciado em Di ei o pela
Faculdade de Di ei o da Uni e sidade de Coimb a em 1911, e Dou o ado em Le as pela Faculdade de Le as da Uni e sidade de
Coimb a em 1935.
53 P oje o que con ou com 6 abalhos de esca ação: 1964-1966; 1967; 1968; 1969; 1970; 1971.
ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL
73
de Robe E ienne54, João Manuel Bai ão Olei o55 e Jo ge de Ala cão56 que, a a és dos
seus abalhos e publicações57, dinamiza am a imagem in e nacional de Conimb iga,
como a sua ‘‘imagem de qualidade do sí io’’ (FABIÃO, 2011:175).
O seu po encial e alo a queológico é imenso, con inuando a se no P esen e,
‘‘uma e e ência incon o ná el da A queologia po uguesa’’ (FABIÃO,2011:175)
Em 1974 nasce um no o Po ugal com a e olução de 25 de Ab il e apesa de
a A queologia e o Pa imónio A queológico não e em ido uma a enção imedia a ao
ní el das polí icas públicas, a a i idade da a queologia p osseguiu ‘‘pa icula men e a de
âmbi o uni e si á io’’ (FABIÃO, 2011:179).
Com a c iação do Ins i u o Po uguês do Pa imónio Cul u al em 1980,
a á ea da A queologia é alo izada no seio da ‘‘adminis ação cen al po uguesa’’
(FABIÃO,2011:179). Nes e con ex o são lançados no os p oje os a queológicos, como
po exemplo o Campo A queológico de Mé ola (CAM). Es e p oje o é um exemplo
impo an e de como o pa imónio a queológico pode cons i ui um dinamizado de
uma pequena ila cada ‘‘isolada’’ e despo oada no in e io do país. Com o con ibu o
das a i idades do CAM, a ila de Mé ola passou a se conside ada como um local
de e e ência a a és do seu pa imónio a queológico e assim e o çou o alo do seu
Pa imónio como ecu so, não só social e cul u al, mas ambém económico (FABIÃO,
2011).
No âmbi o do ensino supe io , a a queologia alcançou algum ele o na década
de 1980 a a és da c iação das p imei as licencia u as, o que con ibuiu pa a o aumen o
do núme o de pessoas com o mação supe io nes a á ea disciplina (FABIÃO, 2011).
Des a o ma, es a am c iadas condições ‘‘...obje i as e du adou as pa a o es udo,
alo ização e adequada di ulgação do nosso pa imónio a queológico, obje o e on e
inesgo á el de in es igação.’’ (CARDOSO, 2000:18)
Em elação à Cul u a e ao Tu ismo, é de ele a a inicia i a conjun a des es
minis é ios com o obje i o de “...c ia a p imei a ede de cen os in e p e a i os de sí ios
54 Robe É ienne (1921-2009), his o iado ancês, equen ou a École No male Supé ieu e (1942-1946) e a École P a ique des
Hau es É udes (1946). Dou o ado em 1958, de endeu uma ese de dou o amen o Le cul e impe ial dans 10 péninsule Ibe ique d’
Augus e à Dioclé ien. Em 1983, ecebeu a hon osa dis inção hono is causa pela Uni e sidade de Coimb a. (Ala cão, 2009)
55 João Manuel Bai ão Olei o (1923-2000) o mou-se em 1947 em Ciências His ó icas e Filosó icas pela Faculdade de Le as da
Uni e sidade de Coimb a. P o esso a é 1993 (da a da sua jubilação) e de in es igado undou o Ins i u o de A queologia em 1954
e em 1959, lançou a e is a Conimb iga. Foi ambém o p imei o di e o do Museu Monog á ico de Conimb iga (Ala cão, 2000)
56 Jo ge de Ala cão (1934) é licenciado em Ciências His ó icas e Filosó icas pela Faculdade de Le as de Coimb a e P o esso
ca ed á ico (aposen ado) do Ins i u o de A queologia da Faculdade de Le as de Coimb a. Mais in o mação disponí el em h p://
www.uc.p /uid/cea/in es igado es/in es igado esphd/jo geala cao.
57 Coleção Fouilles de Conimb iga di idida em 7 olumes, (1974-1979).
ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL
81
III SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
3.1 iscos: na u ais e an ópicos
Os sí ios a queológicos são a p o a ma e ial da exis ência de ci ilizações
an e io es. Os seus ecu sos são singula es, ini os e cons i uem uma impo an e
he ança cul u al que de e se alo izada e sal agua dada de modo a ansmi i-la às
ge ações u u as (PEREIRA, 2009).
A passagem des e legado não depende apenas das medidas de p o eção que
sob e ele ecai, ace aos iscos. Em Wo ld Repo 2000 on Monumen s and Si es in Dange
(ICOMOS, 2000), o am iden i icados á ios iscos, p o enien es de causas na u ais,
sociais ou económicas.
Fenómenos como as empes ades ou os e amo os, são iscos na u ais, mas
ou os enómenos como a e osão cos ei a, a de e io ação na u al de ma e iais (ex.
co osão), a ação de calo ou io, ambém cons i uem iscos pa a os sí ios a queológicos
(ICOMOS, 2000). No mesmo ela ó io são iden i icadas algumas epos as que de e ão
se dadas a pa i do desen ol imen o ecnológico, com a c iação de no as e amen as
e meios de ale a e a c iação de soluções que minimizem os impac os nega i os desses
enómenos no pa imónio. Como exemplo, a e osão cos ei a associada ao aumen o de
ní el do ma , coloca á em isco á ios es ígios a queológicos do sudes e dos Es ados
Unidos. Nes e caso, com uma subida de apenas um me o do ní el do ma , esul a á
a pe de de mais de 1300068 dos seus sí ios a queológicos no Digi al Index o No h
Ame ican A chaeology (DINAA) (ANDERSON e al., 2017:7).
Os compo amen os humanos são uma impo an e he ança cul u al, mas
alguns cons i uem uma ameaça pa a os bens cul u ais. O e o ismo ou os con li os
sociais e polí icos, po exemplo, podem cons i ui iscos pa a o pa imónio a queológico
(ICOMOS, 2000). Po esse mo i o, não causa admi ação que os ó gãos nacionais e
68 Mais dados disponí eis em h ps://jou nals.plos.o g/plosone/a icle/ igu e?id=10.1371/jou nal.pone.0188142. 001.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
83
in e nacionais dedicados à sal agua da do pa imónio, delibe em no sen ido da sua
p o eção. De ac o, em 1954, sob inicia i a da O ganização das Nações Unidas pa a
a Educação, a Ciência e a Cul u a (UNESCO), e e luga em Haia sob O ganização
UNESCO, a Con enção pa a a P o eção dos Bens Cul u ais em Caso de Con li o A mado69
na sequência da des uição massi a de bens du an e a Segunda Gue a Mundial.
(BANDARIN, 2007:19)
Na e dade, as a i idades humanas elacionadas com o desen ol imen o são
ge ado as de di e sas ameaças ao pa imónio. Aliás, a sal agua da do pa imónio é
u o da eação às ameaças c iadas pelos impac os do desen ol imen o. O u ismo é
ou o exemplo e a sua massi icação ep esen a á ias ameaças ao pa imónio e, de um
modo pa icula , aos sí ios a queológicos (PALUMBO, 2002). Com o c escimen o
signi ica i o de isi an es, aumen a a p obabilidade de oco e em danos nos es ígios
ou nos equipamen os e es u u as de apoio às isi as. São locais sensí eis e mui os
ap esen am limi ações pa a a cons ução de in aes u u as no as e adequadas. Além
disso, o compo amen o inadequado dos isi an es ambém pode p o oca á ios danos
no pa imónio, o que e o ça a impo ância da consciencialização das p á icas co e as
nas isi as (ICOMOS, 2000).
Como consequência des e ipo de impac os, em 1963, as ca e nas de Lascaux70,
F ança, o am ence adas ao público de ido aos e ei os nega i os da p esença humana,
de ido ao dióxido de ca bono esul an e da espi ação (LISON, 2018:110). An e io
ao seu ence amen o icou egis ada, em 1962, a isi a a ce ca de 100.000 pessoas
Des a o ma, a solução encon ada passou pela cons ução de uma éplica na u al de
o ma a possibili a o conhecimen o das g a u as sem causa nenhum ipo de dano
(Lison,2018:112).
O Cen o In e nacional de A e Rupes e albe ga a qua a éplica cons uída
– Lascaux IV –, inaugu ada em dezemb o de 2016 (LISON, 2018:110), num edi ício
mode no onde p edominam as mais ecen es e amen as digi ais, como a ealidade
i ual em elas 3D (LISON, 2018:115). Segundo Céline Lison (2018:115), são
espe ados ce ca de 400.000 isi an es po ano.
A poluição é ambém uma ameaça ao pa imónio a queológico (ICOMOS,2000)
e os seus impac os podem se i e e sí eis. Como exemplo, em Roma, na Coluna de
69 No dia 14 de Maio es e encon o simboliza o p imei o aco do ado ado sob a emá ica da p o eção do pa imônio cul u al
du an e os con li os a mados.
70 Mais in o mação em h ps://www.lascaux. / .
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
85
T ajano, os mais apu ados de alhes que, de aco do com Gae ano Palumbo (2002:6),
e am isí eis há ce ca de ‘‘cinquen a anos a ás’’, o am des uídos pela ação das chu as
ácidas.
Como consequência da globalização e da exp essão ísica das dinâmicas de
desen ol imen o no e i ó io e nas cidades, os sí ios a queológicos es ão cada ez
mais ameaçados. Po isso, são necessá ias polí icas o es que os p o ejam, mas que
não os seg eguem, pois a pe da do pa imónio a queológico ambém de i a da aca
pa icipação do papel da cul u a na economia e no desen ol imen o sus en á el. De
ac o, a aplicação de es a égias de o denamen o inadequadas, ambém esul am em
‘‘ilhas’’ de um passado sem qualque elação com o p esen e (PALUMBO, 2002:5).
Na e dade, os egimes de p o eção do pa imónio e as polí icas públicas
dedicadas à sua sal agua da, ambém pode cons i ui ameaças ou p o oca e ei os
pe e sos. A implemen ação de “...leis assen es em concei os desa ualizados...” ou a “...
al a de en ol imen o da comunidade...”, são aquezas des e ipo iden i icadas pelas mais
al as ins âncias dedicadas ao pa imónio (ICOMOS, 2000:§9).
Suma iamen e, as ameaças aos sí ios a queológicos, di icilmen e se ão esol idas
de uma o ma ‘‘de ini i a’’, mas podem se ‘‘ge idas’’ de o ma a diminui e ‘‘con ola ’’
os seus impac os nega i os (DEMAS, 2002:27).
3.2 a abo dagem hul e a ges ão in eg ada do pa imónio
A p o eção de ecu sos cul u ais es á in ei amen e ligada ao desen ol imen o
e, ao longo da His ó ia, o am sendo publicados á ios documen os dou iná ios com
o obje i o de os p o ege , man endo-se ainda álidos. Po ém, ao longo das úl imas ês
décadas oi-se ins alando uma isão di e en e pa a as polí icas de sal agua da que e olui
a pa do p ocesso que le ou à in eg ação da cul u a na agenda in e nacional pa a o
desen ol imen o. Como esul ado des e p ocesso oi ado ada pela UNESCO em 2011
a Recomendação da Paisagem U bana His ó ica (HUL)71.
Desde en ão, a comunidade cien í ica em-se empenhado no exe cício da
chamada “abo dagem Paisagem U bana His ó ica’, con ibuindo pa a que se en enda
71 His o ic U ban Landscape, ado ada na 36.ª sessão da Con e ência Ge al da UNESCO, no dia 10 de No emb o em Pa is.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
87
que a Recomendação não é apenas mais uma “ca a do pa imónio”. No undo, a
Paisagem U bana His ó ica é uma a ualização das abo dagens da ges ão do pa imónio,
um “concei o-ação” al como o iden i ica Wal e Rossa (2015:494), com o qual são
iden i icadas á ias di eções a segui pa a in eg a o pa imónio, conside ando de em
se adap adas às si uações especí icas de cada local (BANDARIN & an OERS,
2012:212). Nes e sen ido, a he ança cul u al de e se p ese ada, mas a sua in eg ação
no planeamen o de polí icas e p á icas ge ais, que a ní el local que num con ex o
u bano mais amplo, é essencial, e o pa imónio de e se en endido ambém como um
ecu so impo an e do desen ol imen o (BANDARIN & an OERS,2012:214).
De aco do com a mesma ecomendação, o pa imónio e a cul u a, de um modo
ge al, com os seus alo es e signi icados, são in eg ados nos p ocessos de decisão local,
com me odologias baseadas na pa icipação cí ica e na iden i icação de alo es-cha e,
pa a de ini planos de ação e me as com o obje i o de sal agua da o pa imónio em
desen ol imen o (BANDARIN & an OERS, 2012:215). Pa a isso, como de endem
F ancesco Banda in e Ron an Oe s (2012:215), é necessá io o uso de ins umen os
e mé odos que e o cem o conhecimen o e c iem bases pa a o planeamen o e ges ão
do pa imónio, com o obje i o de ‘‘p o ege a in eg idade e au en icidade dos a ibu os”
dos bens cul u ais. Além des es, de endem ambém o uso de ins umen os inancei os,
de modo a ‘‘ e o ça e apoia um desen ol imen o ino ado e ge ado de ecei as”, bem
como sis emas de egulamen ação que ‘‘de em e le i as condições locais’’, sob ‘‘medidas
legisla i as e egulamen a es des inadas à conse ação e ges ão dos a ibu os angí eis e
in angí eis do pa imónio u bano, incluindo os seus ‘‘ alo es sociais, ambien ais e cul u ais’’
(BANDARIN e an OERS, 2012:215).
Des a o ma, a ges ão do pa imónio não é dissociá el do planeamen o u bano
em e mos ge ais, mas an es um domínio de a i idades que de e es a inse ido nas
polí icas públicas locais, endo po base a ideia de que elas não en ol em apenas as
ações que isam assegu a a sua ‘‘p ese ação’’, embo a sejam indispensá eis no p ocesso
de desen ol imen o (LIPE, 2009:43).
Com es e en endimen o, um sí io a queológico de e se en endido como um
“ ecu so cul u al” e, na sua ges ão, de em se iden i icados os “ ecu sos que alo izam esse
sí io” e de que o ma é que podem se comp eendidos “como bene ícios públicos” (LIPE,
2009:41) sem comp ome e a sua sus en abilidade.
Segundo William Lipe (2009:43), de em se ido em con a seis a o es nos
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
89
p og amas de ges ão dos ecu sos a queológicos. Em p imei o luga a ‘‘iden i icação’’
do p óp io sí io é essencial no seu p ocesso de ges ão, po que só desse modo se á
possí el conhece e da a conhece o(s) ecu so(s) p esen e(s) no e i ó io. Após o seu
econhecimen o é necessá io conside a odas ‘‘as suas ca ac e ís icas’’ e ‘‘os seus alo es’’
como ecu sos inse idos em de e minados con ex os his ó icos, o que é pa a Lipe
(2009:43) um segundo a o .
No p ocesso de ges ão de um sí io a queológico, é necessá io da espos as
aos e ei os nega i os de i ados de um desen ol imen o assen e essencialmen e no
c escimen o económico. Como exemplo, as consequências nega i as da expansão
u bana, com no as cons uções, podem conduzi à des uição de inúme os ecu sos
a queológicos p esen es nos e enos que da ão luga a essas edi icações. Des e modo,
é essencial um ‘‘planeamen o p oa i o’’, que não se baseie na ob enção de espos as
após o desapa ecimen o desses ecu sos, mas que ‘‘selecione’’ an ecipadamen e esses
luga es pa a sua ‘‘p ese ação’’ e que dessa manei a con ibua pa a o seu ‘‘es udo’’ (LIPE,
2009:43).
Ou o a o a e em conside ação na sua ges ão é a implemen ação de medidas
de modo a ‘‘p omo e a p ese ação dos ecu sos a queológicos a cu o e a longo p azo’’ de
modo a da con inuidade ou no caso de no os achados, inicia o p ocesso de conse ação
pa a no u u o lega às u u as ge ações (LIPE, 2009:43).
Além da sua conse ação é necessá io ambém ecupe a os es ígios
a queológicos. Al o de inúme as ameaças, como e e ido an e io men e, mui os dos
ecu sos quando são encon ados es ão em ele ado es ado de deg adação e des a o ma,
é impo an e ga an i que odos os ‘‘ egis os e coleções an e io es sejam de idamen e
ecupe ados’’ (LIPE, 2009:43).
Po im, William Lipe (2009:43) e e e, um sex o úl imo e úl imo sex o a o ,
elacionado com a c iação de p ocessos de di ulgação e inicia i as que p opo cionem
o acesso ‘‘di e o ou indi e o’’ aos alo es do pa imónio a queológico a, pelo menos,
alguns segmen os da sociedade. Valo es esses que ep esen am a p incipal azão pa a a
ges ão desses mesmos ecu sos (LIPE, 2009:43).
O en endimen o e a iden i icação dos alo es associados ao pa imónio êm
so ido al e ações ao longo do empo (LIPE, 1984). Como e e e William Lipe (2009:41),
nos “ alo es dos ecu sos a queológicos” es ão comp eendidos a “p ese ação, pesquisa,
he ança cul u al, educação, es é ica e economia” e, enquan o elemen os undamen ais na
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 11: Localização dos sí ios a queológicos egis ado no Po al do A queólogo à da a de 8 de Julho de 2019
97
(Lipe,2009), o ‘‘ alo na u al’’, o ‘‘ alo espi i ual e eligioso’’, e o ‘‘ alo na u al’’ (Mason
& A ami, 2002).
Toda es a plu alidade de sen idos é impo an e pa a a ges ão dos sí ios
a queológicos e pa a a sua conse ação. Os es ígios ma e iais não são dissociá eis
dos seus alo es. Só a a és de ‘‘um p ocesso baseado em alo es’’ é possí el a ingi uma
‘‘conse ação sus en á el’’ do pa imónio a queológico, a a és da ‘‘abe a e ampla
pa icipação, ocada no u u o’’ (Mason & A ami, 2002:25).
3.3
casos de es udo
No con ex o po uguês es ão iden i icados 34753 sí ios a queológicos74.
Ab angendo á ios con ex os his ó icos é o pe íodo Romano que me ece
des aque. Ce ca de 28%75 dos sí ios iden i icados diz espei o à época Romana
comp o ando assim o o e impac o, de ou o a, no e i ó io Po uguês.
Nes e con ex o, é selecionado um conjun o de sí ios que se i am de base pa a
o desen ol imen o da es a égia de endida no p esen e abalho.
Tendo em con a a es a égia ‘‘A queologia em Desen ol imen o’’, o am
selecionados o caso das Ruínas de T oia, da Escola P o issional de A queologia (EPA)
e po úl imo o caso das Ruínas de Conimb iga, obje o de es udo des e abalho.
Exemplos que pe mi em analisa os esul ados e e ei os p oduzidos na ges ão de um
sí io a queológico, sob uma ges ão p i ada, no caso de T oia, sob uma ges ão pública,
no caso de Conimb iga, e no caso da Escola, o seu con ibu o a a és da in es igação
pa a o desen ol imen o do sí io A queológico.
Conside ando os aspe os e e idos nos capí ulos an e io es e a ca a e ização
dos p esen es casos de es udo, endo em con a as es a égias e mecanismos seguidos no
seu desen ol imen o, na sua e olução e como esul ado, o seu impac o no e i ó io,
ep esen am des a o ma, um impo an e con ibu o pa a o desen ol imen o do
abalho.
74 Pesquisa ealizada no dia 8 de Julho de 2019, no Po al do A queólogo.
75 Co esponde a 9505 sí ios. In o mação disponí el no dia 8 de Julho de 2019.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 12: Localização das Ruínas Romanas na Península de T oia
99
oia
Na península de T oia es á si uado “...uma das mais excecionais indús ias de
salga de peixe do impé io Romano...” (MONTEIRO & FARIA, 2006:274).
Inse ido no concelho de G ândola, a sua en ol ência é ma cada pela p esença
do Oceano A lân ico, de um lado, e do ou o o es uá io do Sado, azendo pa e de uma
paisagem duna inse ida na Rede Na u a 200076. De âmbi o eu opeu, o seu obje i o é
sal agua da a biodi e sidade dos di e en es habi a s na u ais p esen es (SEQUEIRA e
al.,2009:14).
Ao longo do empo, á ias ans o mações na u ais e u banas o am oco endo
na paisagem de T oia. Po ação de ma és, en os ou p ocessos de sedimen ação
deco en es de co en es ma í imas que con ibuí am pa a a al e ação da o la cos ei a
da Península. Em e mos u banos, os e enos que an e io men e e am de uso ag ícola,
dão luga a emp eendimen os u ís icos e imobiliá ios, que ão su gindo e ma cando a
paisagem, o nando-se ícones de T oia (FERREIRA,2004:73).
De ido à sua implan ação e à o e p esença de ecu sos ma inhos e lu iais, oi
cons uído no inal do século I a.C. o cen o de p odução de salgas de peixe, man endo-se
a i o a é meados do século III d.C. (MONTEIRO & FARIA, 2006:274). Des e modo,
oi desen ol endo-se um aglome ado u bano quando, do qual exis em es ígios de
“ e mas, nec ópoles, um mausoléu e uma basílica paleoc is ã” (PINTO e al., 2014:29).
As suas ca ac e ís icas en ol en es o am impo an es pa a o seu desen ol imen o, mas
con ibuí am ambém pa a a sua des uição e abandono.
Segundo Sil a e Cab i a (1966:148), ‘‘ á ias êm sido as hipó eses es u u adas
com o obje i o de explica em a des uição e abandono da po oação Romana de T oia’’. De
o igem na u al, o am analisados á ios ac os77 comp eendidos em ês g upos: ‘‘Ruínas
inundadas pelas águas da p aia-ma ’’; ‘‘Ruínas subme sas’’ e ‘‘sedimen os com ácies de
es uá io cob indo as uínas’’ (SILVA & CABRITA,1966:150-151). Após a análise e em
o ma de conclusão, Sil a e Cab i a (1966:152-154) econhecem as seguin es causas
como explicação pa a a des uição da po oação Romana de T oia: ‘‘Inundação p o ocada
76 A Resolução do Conselho de Minis os n.º 142/ 97, de 28 de Agos o, que elencou a 1ª ase da Lis a Nacional de Sí ios, no
âmbi o da Rede Na u a 2000, a ibuiu ao Es uá io do Sado o código PTCON0011.
77 Os ac os enume ados pelos au o es es ão comp eendidos em ês g upos: ‘‘Ruínas inundadas pelas águas da p aia-ma ’’; ‘‘Ruí-
nas subme sas’’ e ‘‘sedimen os com ácies de es uá io cob indo as uínas’’ (Sil a & Cab i a,1966:150-151).
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 13: Ruínas Romanas de T oia
101
po agas sísmicas’’; ‘‘Ação e osi a do Rio Sado’’ e ‘‘Subme são mo i ada po um enómeno
de ansg essão ma inha’’.
A e olução do seu aglome ado u bano de eu-se essencialmen e às áb icas
de p ocessamen o do peixe, “A necessidade de mão-de-ob a e á sido de e minan e na
e olução do sí io” (PINTO e al.,2016:311). A a és dos es ígios encon ados, as
cons uções indicam a p esença de ipologias ‘‘ és-do-chão e de p imei o anda ’’ (PINTO
e al,2016:315).
O in e esse po es e pa imónio conduziu inúme os e udi os a isi a a Península.
‘‘Pompeia de Se úbal’’ oi a denominação dada po Hans Ch is ian Ande sen78 às uínas
de T oia após uma isi a a Po ugal em 1866 (ANDERSEN,1972).
As p imei as esca ações i e am luga no séc. XVIII, po de e minação de D.
Ma ia I que, du an e uma “ iagem lu ial”, icou imp essionada pelos es ígios ali
p esen es (CARDOSO, 2014:13). Pos e io men e, em 1849 a Sociedade A cheologica
Lusi ana, como e e ido no capí ulo II, desen ol eu impo an es abalhos de esca ação
em T oia, desde a sua c iação a é Ou ub o de 1856 (CARDOSO, 2014:13), ano em
que os abalhos o am suspensos.
Segundo a Pla a o ma do A queólogo Po uguês79, as esca ações seguin es
i e am início quase 100 depois, em 194880, e desde en ão o am ealizadas di e sas
campanhas a queológicas, como sondagens e p ospeções, abalhos de conse ação,
es au o e alo ização.
O pa imónio singula de T oia oi classi icado em 1910 como Monumen o
Nacional81. A sua classi icação como Pa imónio Mundial da UNESCO é um obje i o
a se alcançado no u u o e o seu p ocesso, já oi iniciado. A candida u a à Lis a
Indica i a de Po ugal ao Pa imónio Mundial oi inicia i a da equipa de a queólogos
esponsá eis pelo sí io de T oia, endo como di e o a Inês Vaz Pin o82. Ap esen ada
78 Hans Ch is ian Ande sen (1805-1875) oi um no á el esc i o e poe a dinama quês. O Pa inho Feio, O Soldadinho de
Chumbo, e A Pequena Se eia são algumas das ob as econhecidas in e nacionalmen e. O seu con ibu o e gos o pela li e a u a
ju enil, oi econhecido a a és do econhecimen o da sua da a de nascimen o (2 de Ab il) como o Dia In e nacional do Li o
In an oju enil. Em 1956, em sua hon a, é ba izado com o seu nome, o p émio que é conside ado o Nobel da li e a u a in an il e
ju enil, c iado pelo The In e na ional Boa d on Books o Young People (IBBY).
79 O Po al do A queólogo é uma pla a o ma di ecionada ao público em ge al, a p o issionais e en idades na á ea da a queologia,
com o obje i o de disponibiliza in o mações da base de dados da DGPC. Fon e: h p://a queologia.pa imoniocul u al.p /index.
php
80 T abalhos que i e am o seu é mino em 1955 e a sua di eção es e e a ca go de Manuel Heleno.
81 A a és do Dec e o de 16-06-1910, Diá io do Go e no n.º 136, de 23-06-1910.
82 Inês Vaz Pin o (1961) equen ou o Cu so de Ciências His ó icas da Uni e sidade Li e de Lisboa (1979-1983). Em 1986
e mina o cu so de Mes ado em A queologia Clássica, na Uni e sidade do A izona, Tucson, E.U.A. e é dou o ada em A queologia
na Uni e sidade Lusíada em 1999.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
G á ico 2: Núme o de Visi an es das Ruínas po Ano
103
em 2014 depois de um longo p ocesso de p epa ação da candida u a, que implicou
o desen ol imen o de alguns pon os, como a ap esen ação e discussão na Comissão
Po uguesa da UNESCO, em 2015, endo sido ap o ada em Maio de 2016, no dia 30.
Em 2005, oi celeb ado um P o ocolo en e o Ins i u o Po uguês do Pa imónio
A qui e ónico (IPPAR) e o Ins i u o Po uguês de A queologia (IPA), com a en idade
p i ada, de en o a do e i ó io, Imoa eia - Sociedade Imobiliá ia, S. A., a ualmen e
denominada T oia eso , Sgps, S. A., a ibuindo-lhe a ges ão, conse ação e alo ização
do sí io a queológico.
A ges ão do sí io é ei a com um o çamen o anual e o alo associado aos
encimen os da equipa de a queólogas, “ ep esen a o maio cus o ixo” (BRUM, 2013:59),
seguido pelos que se elacionam com a conse ação e manu enção do sí io. As ecei as
di e as, além do inanciamen o p i ado anual, de i am da bilhe ei a dos isi an es e
das a i idades e espe áculos ealizados, como o ‘‘Ca alo de T óia con ado pelos omanos’’.
Em elação às ecei as indi e as, não exis e nenhum mecanismo, nem en idade que
con abilize as mesmas ecei as associadas às Ruínas de T oia. Mas é impo an e
conside a o seu con ibu o à economia na en ol en e, nomeadamen e a a és da
u ilização de di e en es se iços, como o alojamen o, a es au ação e anspo es.
O g á ico 2 demons a a e olução do núme o de isi an es das Ruínas de T oia.
Es a in o mação é impo an e pa a a alia o impac o das medidas ado adas no p ocesso
de ges ão do sí io, de o ma à pe ceção do e o no económico a ingido, como à sua
alo ização. Os núme os de isi an es egis ados di idem-se em á ios segmen os:
passan es ( u is as e isi an es que êm de o a), clien es T oia Reso (de en o es de
um descon o), g upos em excu são ( amílias, amigos, associações cul u ais, g upos
senio es, e c.). Relacionadas com o alo educa i o, são egis adas isi as guiadas
abe as ao público em ge al, assim como à comunidade escola , como ou as a i idades
pedagógicas.
De 2011 a é 2016, o pe íodo de abe u a es e e comp eendido en e Junho e
Agos o, man endo-se ence ado apenas aos domingos. Em 2017 o pe íodo oi ala gado
a é Ou ub o e desde o ano passado, passou a se desde Ma ço a Ou ub o. Apesa des e
pe íodo de abe u a, é impo an e salien a que o sí io a queológico man ém a sua
o e a u ís ica e educa i a ao longo de odo o ano, embo a seja necessá ia a ma cação
exclusi a de g upos, com um núme o mínimo de 10 pessoas. Es a o e a inclui isi as
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
105
guiadas, abe as ao público em ge al como às escolas, como a i idades di e si icadas83.
No p ocesso de ges ão dos sí ios são p ocu adas pa ce ias e pa ocínios de modo
a ob enção de mais apoios inancei os e uma maio di ulgação pública. No âmbi o
des e ipo de a i idades da ges ão do sí io, em 2013 oi assinado um p o ocolo com a
Associação Mu ualis a Mon epio, pe mi indo a en ada g a ui a do seus associados e
amilia es e apoiando assim, a di ulgação e dinamização do p óp io sí io.
Em 2014 oi assinado um p o ocolo com a Adminis ação dos Po os de Se úbal
e Sesimb a (APSS), na qual oi ga an ido o inanciamen o pa a pa e do es au o da
pin u a mu al da Basílica de T oia. Ainda no ano de 2014 a ma ca Coca-Cola, a a és
de uma campanha publici á ia, b inda a os seus consumido es com p émios semanais
e iagens incluindo Miami, San o ini e T oia.
No dia 16 de Maio de 2015 oi assinado ou o p o ocolo, des a ei a com
a Fundação Buehle -B ockhaus84 e a en idade ges o a do T oia Reso , de o ma a
p omo e no as ações de es au o da pin u a mu al da Basílica, como con ibu o pa a
a in es igação, sal agua da e alo ização do sí io.
Mas as pa ce ias não en ol em apenas en idades p i adas. As ligações com
ins i uições públicas, como a DGPC e as Uni e sidades, são um impo an e con ibu o
pa a a p odução con ínua de conhecimen o.
Relacionado com a sua localização es ão iden i icados alguns iscos como a o e
p obabilidade de oco ência de en os o es, a ele ada pe cen agem de humidade, e
o desen ol imen o de ege ação de ido às condições do p óp io solo da egião, que
podem a o ece a co osão das uínas que se encon am expos as (MONTEIRO &
FARIA, 2006).
A p oximidade com o Oceano A lân ico cons i ui ambém uma ameaça
elacionada com o isco de e osão “...p o ocado pela ação da ondulação de ge ação local
e das ma és no es uá io do Sado” (SILVEIRA e al., 2014:260). A ausência de p o eção
adequada ace os iscos na u ais, pode p o oca danos i e e sí eis no pa imónio.
No inal de 2006, e e início o p ocesso de enchimen o de a eias pa a p o eção das
uínas p o enien es da zona No e da Península, local onde deco iam os abalhos de
implan ação de no os emp eendimen os u ís icos (SILVEIRA e al., 2014).
83 Nas a i idades es ão en endidos: passeios pedes es e ou as a i idades lúdicas e educa i as. Pa a mais in o mação consul a o
ende eço do T oia eso : h p://www. oia eso .p /.
84 A Fundação Buehle -B ockhaus, é cons i uída po Ma ion Buehle -B ockhaus e Hans-Pe e Buehle , casal alemão e es á
sediada em Se úbal.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 16: Localização das Ruínas de Tongob iga
Figu a 15: Escola P o issional de A queologia (EPA)
113
A sua localização na aldeia do F eixo, no concelho do Ma co de Cana eses,
esul a da eabili ação e do eap o ei amen o de edi ícios exis en es. No edi ício sede,
o am ei as algumas adap ações, mas semp e com os sob epos os de obedece a odas
as eg as a qui e ónicas que o p óp io IPPAR de inia a a és da classi icação da Á ea
A queológica do F eixo95 como Monumen o Nacional em 198696. O ap o ei amen o
de an igas habi ações su giu com a necessidade de ins alação de odos os equipamen os
ine en es à o mação, como salas de aulas, ca e a ia, biblio eca, semp e sem al e a
a iden idade do luga . A escola não cons uiu nenhum edi ício no o, embo a haja
e e ência a um concu so de a qui e u a pa a a cons ução de uma no a escola97.
A aldeia possui apenas 8 esiden es pe manen es, núme o bas an e di e en e
do das pessoas que a escola mo imen a du an e o pe íodo le i o. Num o al de 100
pessoas98, apenas alguns dos alunos de o a do concelho esidem na aldeia du an e a
sua o mação e des a o ma oi c iada uma dinâmica com alguns dos esiden es da
aldeia. Além dos con ibu os inancei os, p o enien e das endas, em e mos sociais, a
população maio i a iamen e do sexo eminino com idades a onda os 70 anos, iú as
em alguns casos, encon a ambém algum con o o e companhia.
O en ol imen o da comunidade escola com os habi an es não es á p esen e
apenas na elação com os alunos esiden es na aldeia, mas ambém a a és da elação
como ‘‘cuidado es’’ em e en uais necessidades dos habi an es, como po exemplo
em necessidades elacionadas com o anspo e e des a o ma, a escola é assume um
impo an e e dinamizado da aldeia.
Tan o a aldeia, como a escola, o seu desen ol imen o es á in ei amen e
elacionado com a p oximidade das uínas da cidade Romana de Tongob iga. A EPA ui
pa icula men e des e a o , desde o seu con ibu o p á ico ao ensino da A queologia à
singula idade como ‘‘sala de aula’’.
Tongob iga, an iga cidade Romana localiza a-se onde a ualmen e es á
implan ada a aldeia do F eixo. Cons uída no inal do século I d.C., a ingindo o seu
apogeu na segunda me ade do século II d.C., ‘‘com a cons ução do Fo um e os demais
edi ícios públicos, que a impuse am como cen o de a ação e decisão’’ (ROCHA e
95 Imó el a e o à Di eção Regional de Cul u a do No e (DRCN) a a és da Po a ia n.º 829/2009, DR, 2.ª sé ie, n.º 163 de
24 Agos o 2009.
96 Dec e o do Go e no n.º 1/86, publicado em Diá io da República n.º 2/1986, Sé ie I de 1986-01-03.
97 A p opos a encedo a oi a do esc i ó io Menos é Mais - A qui e os. Mais in o mação disponí el em h p://menosemais.com/
pagina-p oje os.
98 O co po docen e é cons i uído po 20 elemen os, os se iços adminis a i os in eg am 10 pessoas e nos es an es 70 es ão
con abilizados os alunos.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 18: Fo og a ia dos Labo a ó ios e esc i ó ios da Á ea A queológica
Figu a 17: Fo og a ia do Cen o in e p e a i o
115
al., 2015:44). Como comp o am os es ígios encon ados, a cidade de Tongob iga
pe maneceu ocupada a é ao inal do século VII d.C., endo sido pos e io men e
‘‘abandonada e desin eg ada’’ e ‘‘habi ada na e a medie al’’ (ROCHA e al., 2015:44).
Com a passagem do empo os usos de ou o a, associados à an e io cidade, ão
se al e ando, dando luga a usos elacionados com a a i idade ag ícola, con ibuindo
assim pa a a modi icação da paisagem.
Fo am á ios os p oje os ealizados em Tongob iga.
Em 1981 oi ins alado na Á ea A queológica do F eixo um Gabine e de
In es igação99 pe manen e. Um edi ício que, a é ao p esen e, ‘‘con inua a se undamen al
pa a ges ão e in es igação de odo o sí io a queológico’’ (Rocha e al., 2015:38).
Cons uções de apoio como: a emodelação de casa da aldeia pa a sani á ios
públicos e de apoio aos abalhos de esca ação e isi an es em 1993; a conclusão e
início de u ilização do edi ícios dos Labo a ó ios e esc i ó ios da Á ea A queológica
do F eixo em 1993; a emodelação de casa da aldeia pa a Receção/Loja em 1999; a
cons ução de Audi ó io em 2003; a cons ução de es au an e/ca e a ia em 2003100; a
cons ução do Cen o In e p e a i o em 2004101 e a cons ução dos a mazéns/ ese a de
espólio/ga agens em 2003, cons i uem impo an es con ibu os pa a desen ol imen o
e alo ização da p óp ia Á ea A queológica como da p óp ia aldeia onde es á inse ida
a a és dos isi an es (g á ico 3, p. 116).
Ao longo dos abalhos de in es igação em Tongob iga, a EPA, nomeadamen e
após a sua c iação, desempenhou um papel undamen al como pa cei a da Es ação
A queológica do F eixo.
A es ação possui, um écnico supe io em A queologia, em écnico supe io
em His ó ia, um écnico in e médio, dois assis en es ope acionais pa a limpezas e ês
ope á ios de manu enção. Uma equipa eduzida que não possui os ecu sos humanos
necessá ios nem ecu sos inancei os pa a pode ec u a e con a a elemen os pa a
ealização do abalho de campo. Des e oma, a Escola, a a és dos seus alunos, possui
os ecu sos humanos necessá ios e complemen a es à ealização desses abalhos.
Como exemplo, nas Esca ações102 ealizadas na zona habi acional em 1998
con a am com a pa ce ia da EPA.
99 P oje o de a qui e u a do A qui e o Fe nando Maia Pin o.
100 Com início de u ilização em 2011.
101 Com início de u ilização em 2016.
102 T abalhos iniciados no dia 31 de Agos o de 1998 e e minados no dia 31 de Dezemb o de 1999.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
G á ico 3: Núme o de Visi an es das Ruínas po Ano
117
Ambos os p oje os de in es igação da Es ação A queológica desen ol e, que
en ol am esca ações a queológicas, são desen ol idos semp e em pa ce ia com os
alunos e a escola.
Ou as pa ce ias são es abelecidas em á ios e en os, como no Me cado
Romano103 e nas Olimpíadas da An iguidade104, como ambém na ealização de no os
p oje os, como o p oje o105 de emodelação do Museu Municipal Ca men Mi anda106,
sob coo denação107 da EPA e o p oje o idealizado pa a a ecupe ação do campo
despo i o, de o ma a albe ga as pessoas a e as aos abalhos de campo du an e um
la go pe íodo de empo. P oje o in ei amen e elacionado com o u ismo, in es igação,
undamen ado em p o ocolos com Uni e sidades Nacionais e Es angei as.
Des a o ma os impac os posi i os da EPA, não são pe ce í eis apenas na
aldeia, mas ambém no concelho do Ma co. Simila men e, na Es ação A queológica o
con ibu o da EPA p o em das á ias ge ações de alunos que o am con ibuindo pa a
a e olução das campanhas a queológicas e dos abalhos que se ão desen ol endo.
Todas es as a i idades e pa ce ias êm con ibuído pa a a e olução da p óp ia
Escola como pa a a sua adap ação no con ex o e i o ial.
O desen ol imen o da Escola em acompanhado a e olução da A queologia e
de ou as á eas em Po ugal. A sua o e a o ma i a não é apenas a c iação de écnicos
in e médios numa á ea que an e io men e não exis ia. O obje i o p incipal é a o mação
de jo ens na á ea do pa imónio cul u al possibili ando o ing esso di e amen e no
me cado de abalho ou mesmo a p og essão nos es udos. Es e p osseguimen o é o
caminho de endido pela Escola, pelo conhecimen o adqui ido ao longo do cu so
se conside ado uma alência no u u o cu so supe io na á ea da A queologia. São
á ios os casos de alunos que ocupam ca gos em Câma as mas como exemplo, o Jo ge
Sampaio108 equen ou o cu so Assis en e de A queólogo, seguidamen e equen ou
o ensino supe io , en ou no Côa como assis en e de a queólogo e pos e io men e
103 E en o que em como obje i o di ulga o Pa imónio singula de Tongob iga a a és da ealização de uma econs i uição
his ó ica do pe íodo Romano.
104 E en o sob o ganização da EPA que consis e numa p o a despo i a inspi ada nas Olimpíadas Da An iguidade Clássica
en ol endo os alunos das escolas do concelho do Ma co de Cana eses. Lançamen o do disco, lançamen o do da do, sal o em
comp imen o, co ida de elocidade, es a e a e Jogos Romanos de Tabulei o são as modalidades a se dispu adas.
105 P oje o a qui e ónico que p e ê a c iação de um polo cul u al.
106 Museu si uado em Ma co de Cana eses que in eg a um de ace o museológico, um espaço de exposições empo á ias e uma
sala em hon a da ilus e ma coense (na u al de Ma co de Cana eses) Ca men Mi anda.
107 Dos abalhos de in en a iação, consolidação, conse ação e es au o do di e so espólio p esen e.
108 Jo ge Da ide Ma inho Simões Sampaio (1974) é licenciado em Ciências His ó icas pela Uni e sidade Po ucalense. Em
2009, concluiu o mes ado em A queologia na Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o. Assumiu o ca go de p esiden e
in e ino a a és do despacho da Fundação Côa Pa que de dia 13 julho 2017. Luga ocupado pelo a queólogo An ónio Ma inho
Bap is a, que en e an o se aposen ou.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
119
assumiu o ca go de écnico-cien í ico do Museu e Pa que A queológico do Vale do Côa
de o ma in e inamen e a é que es i esse concluído o p ocesso e e en e ao Concu so
In e nacional pa a admissão de um no o esponsá el écnico-cien í ico.
São á ios os casos de sucesso que es udan es que inicia am a sua o mação na
EPA, comp o ando assim a sua impo ância na o mação no campo da A queologia.
Segundo análise ealizada pela Escola ce ca de 60% dos alunos p ossegui am os es udos
e es ão a abalha na á ea da A queologia.
A O e a de o mação p o issional em Assis en e de A queólogo es á limi ada
apenas a duas Escolas. A Escola P o issional de Recupe ação do Pa imónio de Sin a109
o e ece ambém uma o e a o ma i a nes a á ea.
Em e mos de elemen os a equen a o cu so, segundo a Escola, duas u mas
po cada ano é o co e o, de o ma a não sob eca ega o me cado de abalho com
mão de ob a que depois não i á e colocação. Nes e con ex o o seu uncionamen o
é conc e izado a a és de uma ede. São ealizados pa ece es a emp esas de modo a
pe cebe qual a necessidade e a qual a á ea o ma i a a inicia em cada ano le i o.
A sua o e a o ma i a incide p incipalmen e na His ó ia e na A queologia110.
Re e en e ao ano le i o 2019/2020 es ão abe as as insc ições pa a os cu sos p o issionais
de Assis en e de A queólogo, de Técnico de Fo og a ia, de Técnico de Animação em
Tu ismo e Ope ado de Fo og a ia111.
A adap ação a no as o ma i as é uma in enção da EPA. Um no o cu so
‘‘Técnico de ecupe ação do pa imónio edi icado’’ se á uma no a o e a o ma i a. É
um cu so pe inen e quando a ualmen e se ala po inúme as ezes em eabili ação, e os
cen os his ó icos. É expec á el uma g ande a luência a esse cu so que e á como base
a eabili ação a ní el de madei as, es uques, a gamassas, no undo, elemen os únicos
que es emunham o passado. Com a no a cons ução es á p epa ada pa a o no o, pa a
o uso de no os ma e iais e des a manei a as a es e o ícios ligados a eabili ação ão-se
pe dendo.
Exis e um gabine e de apoio aos an igos alunos que ealiza inqué i os
pe manen es. Em elação à u ma do ano 2016/2017 passado es ão 80% a abalha
mas nem odos na á ea da A queologia.
109 Comp eendendo o ciclo de o mação 2019-2022.
110 Á ea de Educação e Fo mação nº 225 (His ó ia e A queologia).
111 Consis e num Cu so de Educação e Fo mação (CEF) Tipo III que após conclusão con e e uma ce i icação equi alen e ao
9ºano de escola idade (3º ciclo).
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
121
De o ma a p oje a a imagem da escola são ealizadas di e sas a i idades.
Além da p óp ia publicidade, a Escola az e dispõe de uma se ie de a i idades
denominadas po ‘‘o icinas de educação pa imonial’’. Com o obje i o de di ulgação da
p óp ia o e a o ma i a, ambém es á e iden e a componen e de educação pa imonial.
A i idades como ‘‘A queólogo po um dia’’, onde é p e endido simula os
abalhos de um a queólogo, ‘‘P odução de mosaicos Romanos’’ onde é p opos o aos mais
jo ens p oduzi em mosaicos com ma e iais di e en es como a a gamassa, e o icinas de
conse ação e es au o são exemplos das a i idades ealizadas ao longo do ano de o ma
a consciencializa a impo ância da ‘‘educação pa imonial’’ e ca i a no os es udan es.
Em 2018, oi desen ol ido um p oje o denominado ‘‘P oje o de museus
pelo mundo’’ que consis e num p oje o pos c ossing como o ma de di ulgação do
pa imónio cul u al. Após a eceção de pos ais, p o enien es de qualque pa e do
mundo, é ealizada uma p o a o og á ica endo como undo a p óp ia aldeia ou o
complexo das uínas de Tongób iga com obje i o de di ulgação do seu pa imónio e da
con inuidade ao concei o. No mesmo ano, oi-lhe a ibuído uma menção hon osa na
ca ego ia ‘‘Comunicação Online’’ nos P émios da Associação Po uguesa de Museologia
(APOM).
A Escola P o issional de A queologia ui, de o ma singula no con ex o
Nacional, da sua p oximidade com os es ígios a queológicos de Tongob iga. O di e so
ma e ial p oduzido pela Escola, ao longo da o mação dos seus alunos, é um impo an e
con ibu o pa a a in es igação A queológica. Mas não é só na á ea da in es igação que a
Escola assume um papel impo an e, mas igualmen e na di ulgação e na econs i uição
do Pa imónio singula de Tongob iga, como nos seus e ei os posi i os no e i ó io
onde es á inse ida.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 25: Esca ações em Conimb iga sob os e enos ag ícolas (1935)
Figu a 24: Plan a de Conimb iga, de 1899. Au o E. Belo Fe az
129
a queológico. Des a o ma, ‘‘em Conimb iga mui o há ainda po e ela , uma ez que
apenas uma pa e diminu a de que e á sido a cidade se encon a esca ada’’ (ALARCÃO,
2009:205).
In e enções/T abalhos
Na sua á ea o al, apenas ce ca de 15% se encon a a descobe o, como
esul ado dos longos abalhos de in es igação que i e am e con inuam a se ealizados
em Conimb iga.
Numa p imei a ase (1873-1929), como an e io men e e e ido, es á en endido
o início do es udo de Conimb iga, a a és do Ins i u o de Coimb a.
Pos e io men e em 1899, a a és do pa ocínio da ainha D. Amélia, o mesmo
Ins i u o de Coimb a ‘‘ ealizou as p imei as sondagens o iciais’’ (ALARCÃO, 2009:252).
T abalhos que i e am como esul ado, o descob imen o de á ios agmen os de
pa imen os em mosaico.
Em 1910, in eg a a Lis a de Monumen os Nacionais115 e a sua di ulgação c esce
em e mos nacionais e in e nacionais.
No ano de 1912 é ealizada uma no a sondagem a ca go do P o . Vi gílio
Co eia e pa ocinada pelo Museu E hnológico na qual o am encon ados es ígios,
an e io men e iden i icados, e e en es ao pe íodo P é-Romano (CORREIA,1916).
Numa segunda ase de in e enções (1929-1962), no pe íodo en endido en e
1930 e 1948 i e am luga ou os abalhos de ‘‘esca ação, consolidação e econs i uição’’
sob a di eção da DGEMN (ALARCÃO,2009:254). Em 1930 oi encon ada a Po a
da Mu alha do Baixo-Impé io, em 1937 a Casa de Can abe oi al o de abalhos de
econs i uição e de esca ação. Pos e io men e em 1939 sob di eção do P o . Ve gílio
Co eia oi esca a a á ea e e en e à Casa dos Repuxos.
Os abalhos de in e enção da DGEMN o am essencialmen e de ‘‘consolidação
do que ha ia sido descobe o’’ (ALARCÃO,2009:279). Des a o ma, em 1951 em luga
em Conimb iga a p imei a ‘‘campanha de es au o dos mosaicos’’, na casa dos Repuxos
115 A a és do Dec e o de 16-06-1910, Diá io do Go e no n.º 136, de 23-06-1910.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 26: Plan a ge al de Conimb iga (1977)
131
sob e o mosaico do Sileno (ALARCÃO, 2009:279).
Seguidamen e numa e cei a ase, ‘‘áu ea’’ de Conimb iga (1964-1998)
(CORREIA, 2008:72), no pe íodo en e 1964 e 1971 oco e am mais uma ez no as
campanhas de esca ação, sob coo denação da Uni e sidade de Bo déus e pelo Museu
de Conímb iga (ALARCÃO, 2009:300). Di ididas em doze campanhas, as esca ações
Luso- ancesas i e am como cen o de es udo ‘‘o cen o monumen al da cidade omana
e um conjun o de ínsulas, na sua p oximidade’’ con o me desc i as na Coleção Fouilles de
Conimb iga (ALARCÃO e al., 1979).
Sob a In e enção do Ins i u o Po uguês de Pa imónio Cul u al116 (IPPC)
en e 1986-1994, os abalhos o am me amen e de conse ação. Nes e con ex o oi
cons uída a cobe u a, al como é conhecida a ualmen e, da Casa dos Repuxos em
1986 a a és da e o mulação, po pa e do a qui e o Luís So omenho Ma ei os, do
p oje o an e io de T indade Chagas que p e ia uma cobe u a em es u u a de madei a
(ALARCÃO, 2009:306).
Mais ecen emen e, po in e enção do Ins i u o Po uguês de Museus117
(IPM) (1996-2006) em a iculação com o Museu Monog á ico de Conimb iga,
oi implemen ado um no o P og ama de Conse ação e Valo ização das Ruínas de
Conimb iga p opondo a in e enção no Fó um e nas Te mas do Aquedu o e as a Sul
do Fó um (ALARCÃO, 2009:313). Des a o ma su ge o p oje o, ealizado po C uz &
Ala cão - A qui e os, con emplando ambém a c iação de um pe cu so de isi a, al como
é conhecido a ualmen e. In e enção que pa a além do obje i o de p o eção, assume
‘‘o papel pedagógico que de e e o pa imónio, c iando assim maio es ins umen os de
pe ceção e comp eensão do monumen o’’ (ALARCÃO, 2009:314-315).
Des a o ma, a á ea abe a ao público aumen ou de encon o com ‘‘a missão
essencial da ins i uição: a uição dos es ígios do passado expos os pelo labo dos a queólogos’’
(CORREIA & RUIVO, 2015:147).
Es a p imei a ase de alo ização (1999-2004), ‘‘cujos p imei os passos se inham
dado em 1994’’, além da abe u a ao público da á ea das an e io es esca ações, ab angeu
undamen almen e abalhos de conse ação e alo ização. Ci ando Vi gílio Hipóli o
Co eia & José Rui o (2015:147) ‘‘... espondeu a ês pon os p og amá icos essenciais:
116 In eg ado na Sec e a ia de Es ado da Cul u a, oi c iado a a és do Dec e o-Lei n.º 59/80 na sequência de uma ees u u-
ação adminis a i a.
117 Na sequência da ex inção do IPPC, em 1990 oi c iado o Ins i u o Po uguês de Museus (IPM). Em 2007 a a és do Dec e-
o-Lei 97/2007 oi c iado o Ins i u o de Museus e da Conse ação (IMC) a a és da usão do Ins i u o Po uguês de Conse ação
e Res au o (IPCR) (1997-2007) com do IPM.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
133
p o ege adequadamen e os es ígios do po oado p é- omano (...); a a , do pon o de is a
a qui e ónico, as cobe u as de p o eção dos es ígios p é- omanos e a sua elação com os
monumen os la ianos (...); adiciona alências adequadas à si uação a ual do sí io, do
pon o de is a cul u al e sociológico’’. Em suma, es a in e enção ‘‘...de e conside a -se
uma p imei a ase de um p og ama mais ge al’’. (CORREIA & RUIVO, 2015:147).
Numa segunda ase, es á comp eendido o P oje o de Desen ol imen o
In aes u u al do P og ama Museológico de Conimb iga, já elabo ado em 2002 po
Vi gílio Hipóli o Co eia118. No p oje o de desen ol imen o de Conimb iga, es á p e is a
a ‘‘expansão do p oje o museológico, com a cons ução de uma sé ie de in aes u u as
de apoio em Condeixa-a-Velha’’ (ALARCÃO, 2009:374). Comp eendendo uma no a
en ada/bilhe ei a com espe i a eceção e ins alações sani á ias, uma sala de exposições
empo á ias e um alojamen o pa a in es igado es, em como obje i o cons i ui um
mo o de desen ol imen o da localidade adjacen e de Condeixa-a-Velha e des a o ma
o alece as elações en e Conimb iga e a aldeia, ‘‘queb adas p a icamen e desde ali se
inicia am as esca ações’’ (ALARCÃO, 2009:375).
A ‘‘expansão do pe íme o das Ruínas pa a os seus limi es na u ais’’, ‘‘o a amen o
de odo o espaço abe o ao público’’, a c iação de ‘‘espaços pa a a ealização de uma gama
as a de a i idade cul u ais den o do pe íme o a queológico’’e a c iação de ‘‘condições
de uição das á eas monumen ais da cidade’’ pe mi indo a ‘‘ luidez de ci culação en e o
Pa que e o espaço u bano en ol en e, como o ma de po encia o impac o u ís ico no ecido
socioeconómico local’’ são ‘‘elemen os essenciais desse quad o ge al de desen ol imen o’’
(CORREIA & RUIVO, 2015:147-148). Elemen os que de em ‘‘p opo ciona os
equisi os’’ necessá ios ao aumen o do núme os de isi an es e do seu empo de
pe manência du an e a isi a, como a melho ia das condições de uição po pa e do
público, que po pa e da equipa do Museu (CORREIA & RUIVO, 2015:148).
Em 2009, a a és do P og ama de Valo ização Económica dos Recu sos
Endógenos (PROVERE), é ap o ada a segunda ase do P oje o de Desen ol imen o
In aes u u al do P og ama Museológico de Conimb iga (2009-2020) com seguin es
obje i os: ‘‘1) p omoção do pe íme o a queológico enquan o pa que u bano; 2) o e o ço
da imagem pa imonial e a ação de públicos; 3) a alo ização de a i os e a ação e ixação
de ecu sos quali icados’’ (CORREIA & RUIVO, 2015:148).
118 Vi gílio Nuno Hipóli o Co eia é licenciado em His ó ia, na a ian e de A queologia pela Uni e sidade do Po o em 1984.
Em 1993 concluiu o mes ado em A queologia na Uni e sidade do Po o e dou o ado em His ó ia, com especialidade de A queo-
logia pela Uni e sidade de Coimb a em 2011. Di e o do Museu Monog á ico de Conimb iga de 1999 a 2017.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
G á ico 4: Núme o de Visi an es das Ruínas po Ano
135
Nes e sen ido, no dia 9 de Junho de 2015, oi assinado um p o ocolo de
colabo ação en e a DGPC e a Câma a Municipal de Condeixa-a-No a (CMC) com o
obje i o de amplia e p omo e o pe íme o a queológico, em linha com a segunda ase
do p oje o Desen ol imen o In aes u u al do P og ama Museológico de Conimb iga.
P oje o que, no mesmo ano, oi candida o a undos comuni á ios ao ab igo do p og ama
Po ugal 2020. Ou o ma co impo an e, que e e luga no Museu Po ugal Romano
em Sicó (PO.RO.S.), no dia 1 de Se emb o de 2016 com a assina u a da missi a,
en e os dezano e municípios119 que compõem a Comunidade In e municipal da
Região de Coimb a (CIM RC), de apoio à ealização de in es imen os no complexo de
Conimb iga e e en es à segunda ase do mesmo P oje o, demons ando a o in e esse
na alo ização do pa imónio singula de Conimb iga.
Como esul ado des as o malidades e das inúme as in e enções ealizadas
em Conimb iga, além do seu p óp io obje i o de p o ege , conse a e alo iza , es á
p esen e a c iação de conhecimen o cien í ico. Es e de e se en endido ambém, como
impo an e ecu so cul u al, de modo a con ibui pa a o desen ol imen o sus en á el
‘‘das comunidades que a ualmen e ocupam o e i ó io em ques ão, alo izando o
pa imónio local e po enciando o desen ol imen o económico da egião’’ (CORREIA
& RUIVO, 2015:150).
Museu Monog á ico
Com o início dos abalhos ealizados em Conimb iga su ge a necessidade de
a mazena e es uda odo o ipo de es ígios encon ados.
Em simul âneo com os abalhos iniciados em 1873, o Ins i u o de Coimb a,
unda o seu Museu de A queologia com os obje i os de p ese ação e exposição de
odos os ma e iais de i ados dos abalhos ealizados em Conimb iga (ALARCÃO,
2009).
No deco e dos abalhos, os es ígios encon ados ão aumen ando al como
a di ulgação de Conimb iga ai a a essando on ei as ‘‘in e essando cada ez mais
119 Compos o pelos os municípios de A ganil, Can anhede, Coimb a, Condeixa-a-No a, Figuei a da Foz, Góis, Lousã, Mea-
lhada, Mi a, Mi anda do Co o, Mon emo -o-Velho, Mo água, Oli ei a do Hospi al, Pampilhosa da Se a, Penaco a, Penela,
Sou e, Tábua e Vila No a de Poia es.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 28: Museu, e olução. Au o : Filipe Coelho (2016)
Museu Monog á ico de Conimb iga, anos 60 do séc. XX
137
es udiosos e o público em ge al’’ (ALARCÃO,2009:353). Des a o ma, segundo Ped o
Ala cão (2009:353) ‘‘São es as as azões que jus i ica am a c iação de um museu no local,
que i ia a se o p imei o museu monog á ico po uguês.’’
Desde a descobe a da casa dos Repuxos, em 1940, o P o . Ve gílio Co eia
‘‘solici a a a cons ução de um edi ício que albe gasse’’, en e ou os edi ícios, ‘‘um pequeno
museu pa a expo o ma e ial ecolhido’’. (ALARCÃO,2009:353).
No mês de Ab il do ano 1959, Amo oso Lopes120 ap esen a a p imei a p opos a
pa a o Museu Monog á ico de Conimb iga e no ano seguin e são iniciados os abalhos
de cons ução. Seguidamen e, em 1962, é inaugu ado o p imei o Museu de um
sí io a queológico edi icado em Po ugal (LOPES, 1959). P oje o, de o ma simples,
compos o po dois pisos que con empla no piso é eo, um á io de eceção, ês salas
de exposição pe manen es e uma sala de con í io o ien ada sob e o oppidum e o io
dos Mou os. Em elação à ca e, é compos a pelas á eas de se iço e as á eas de apoio ao
Museu, como um labo a ó io e a mazém de depósi os dos es ígios a queológicos.
Con ex ualizando, em 1964, são iniciadas as campanhas luso- ancesas. O
ma e ial esul an e dos abalhos ai aumen ando como a necessidade de os in es iga
e conse a , e as á eas do ecen e museu ão se mos ando insu icien es. Fac o que
con ibuiu ambém, oi a pa icula idade do Labo a ó io se único a ní el Nacional,
ecebendo assim, ma e ial de i ado de ou os sí ios a queológicos (Bole im da Di eção-
Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais, 1964, p.29).
De i ado a es es a o es, em 1965, Bai ão Olei o121 solici a a ampliação das
ins alações (ALARCÃO, 2009:365) na qual, no ano seguin e, a a és de uma isi a,
‘‘O minis o A an es e Oli ei a ap o a a p e ensão de amplia o Museu Monog á ico
de Conimb iga’’ (ALARCÃO, 2009:366).
Em 1968, é adjudicado o p oje o de ampliação a A mando Al es Ma ins po
pa e da DGEMN (ALARCÃO,2009:368). Ap esen ado o p oje o inal, em 1970, a
ampliação (1170m2) e a compos a, no és do chão, po ês no as salas de exposição, um
audi ó io e ins alações de modo a albe ga in es igado es. Re e en e ao piso in e io , a
ampliação (413m2) p e ia a cons ução de um labo a ó io e sala de desenho, a qui o e
sec e a ia como á eas écnicas ao Museu.
Sob di eção de Adília Ala cão, em 1971 são iniciados os abalhos de ampliação
120 A qui e o-che e de 4º Secção da Di eção dos Monumen os Nacionais de Coimb a.
121 Di e o do Museu Monog á ico de Conimb iga à época.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
145
o alidade. Des a o ma, além do conhecimen o cien í ico p oduzido das in e enções
iniciadas há 120 anos, é necessá io conside a os ce ca de 80% da á ea que es a esca a
da an iga cidade Romana e odo o conhecimen o daí p o enien e.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Figu a 30: Localização Condeixa-a-No a
147
IV PROPOSTA
4.1 obje o da es a égia
Localização de Condeixa-a-No a
O concelho de Condeixa-a-No a, inse ido no dis i o de Coimb a, possui uma
á ea de ce ca de 140 km2. Tem como limi e No e, o concelho de Coimb a, a les e, o
de Mi anda do Co o, a sues e o de Penela, a sudoes e e oes e o de Sou e e a no oes e
o de Mon emo -o-Velho e é compos o po se e eguesias: Anob a, Ega, Fu adou o,
União de F eguesias de Sebal e Belide, União de F eguesias de Vila Seca e Benda é,
Zambujal e União de F eguesias de Condeixa-a-No a e Condeixa-a-Velha.
E olução His ó ica/U bana
Após o abandono de Conimb iga, como an e io men e e e ido, pa e da
população ixou-se no ale a No e do oppidum onde ou o a se e gue a a cidade
omana. O desen ol imen o des e po oado, denominado po Condeixa-a-Velha, e e
como base pa e dos an igos edi ícios omanos, a a és da u ilização das es u u as
omanas pa cialmen e des uídas du an e as in asões, mas ambém a a és do
ap o ei amen o das suas uínas pa a uma ácil ob enção de ma e iais de cons ução.
A p óp ia denominação de Condeixa-a-No a p essupõe a exis ência de uma Condeixa
an e io . Em 1219 apa ece nomeado pela p imei a ez o luga de Condeixa-a-No a,
implan ado mais a No e, dis ingue-se do an e io , passando des a o ma a designa -se
po Condeixa-a-Velha. No séc. XIII, o luga não possuía uma á ea supe io a 800m2,
e o seu desen ol imen o e a en e a a ual Ig eja Ma iz e a Rua Wenseslau Ma ins de
Ca alho (Rua No a).
PROPOSTA
G á ico 5: População Residen e em Condeixa-a-No a
Figu a 31: E olução da es u u a u bana a a és da ca og a ia (ca a mili a 1951, 1983 e 2003)
149
Em 1514, é a ibuído o o al po D. Manuel I mas, embo a dispondo de
o al, Condeixa-a-No a con inuou a pe ence a Coimb a. Pos e io men e em 1541, é
cons i uída a eguesia de Condeixa-a-No a.
Inse ido no impo an e i ine á io que liga a cidade de Lisboa à cidade do
Po o, o município bene iciou conside a elmen e da sua localização. Condeixa, com
es a ca ac e ís ica a o á el a seu desen ol imen o, c esceu e ganhou signi ica i amen e
impo ância em e mos geog á icos, como local de passagem es a égico, o nou-se
num local impo an e pa a iajan es e come cian es. Des a o ma, em 1601, Condeixa
já albe ga ia ce ca de “200 izinhos” (CONCEIÇÃO, 1983:19).
No p incípio do sec. XIX, a e olução de Condeixa oi in e ompida com a
e cei a in asão ao e i ó io po uguês po pa e das opas F ancesas e nes e con ex o,
Condeixa é des uída e incendiada. A a ual Ig eja Ma iz, que ha ia sido edi icada
em1502 a mando do Rei D. Manuel, oi des uída como ambém as á ias casas
apalaçadas que e am ca a e ís ica des e e i ó io.
No dia 17 de Ab il de 1838, po in e médio de D. Ma ia II, Condeixa alcança
a sua independência adminis a i a, deixando de pe ence ao município de Coimb a,
seguidamen e, em 1845, o município de Condeixa é ele ado à ca ego ia de ila.
Com os danos causados po pa e da in asão F ancesa no séc. XIX, Condeixa
ul apassou odas as di iculdades e guendo-se no amen e. O c escimen o ol ou a se
e iden e nes e e i ó io, a a és de no as edi icações como em á ea, ul apassando em
os es an es aglome ados do município. De pequeno luga , de ou o a, a ila o na-se
p óspe a e mo imen ada, assumindo o seu pode social e económico.
A e olução da população de Condeixa é um sinónimo do c escimen o des e
e i ó io ao longo do empo. Como iden i ica o g á ico da população Condeixa,
ap esen a um c escimen o demog á ico nos úl imos anos.
Em e mos u banos, ao longo do empo, a sua e olução es á in ei amen e
associada à p esença de impo an es ias de comunicação, al como no seu passado, no
con ex o omano. A p esença de impo an es ias de comunicação pe mi iu a ixação de
no as pessoas, mas ambém ma cou, em e mos o mais, a malha u bana de Condeixa,
o ien ando o seu desen ol imen o sob esses eixos.
No p esen e, Condeixa-a-No a é um sis ema u bano polinucleado, ou seja,
é compos o po á ios núcleos e de di e sos ipos, nomeadamen e: aldeias; a ila;
PROPOSTA
Tabela 7: Tabela de Lo eamen os que con êm um núme o supe io a cinquen a lo es. (*) in o mação não disponí el
151
u banizações ecen es; á ea indus ial e cen o his ó ico. O núcleo de Condeixa-a-No a
é o cen o do município e é onde se localiza a maio ia dos se iços públicos, onde
es ão implan ados odos os equipamen os de ensino e de saúde, odos os equipamen os
despo i os como ambém os espaços de laze . Com um sen ido di e en e do núcleo
cen al exis em á ios núcleos habi acionais com di e en es dimensões. Como se pode
e na abela 7, são á ios os núcleos iden i icados onde o núme o de lo es de habi ação é
supe io a cinquen a, como ambém se pode e que aumen ou o núme o de habi an es
egis ados nas mesmas da as.
Ca ac e ização do e i ó io
Como qualque ou o e i ó io, Condeixa em as suas p óp ias ca ac e ís icas e
os seus a o es posi i os e as suas agilidades. Bene icia, po exemplo, da sua localização
e p oximidade a núcleos de se iços e a ações. Como exemplo, Coimb a, a a és da sua
o e a em se iços de saúde, ensino, in es igação, u ismo, e comé cio, a Mon emo -o-
Velho e Figuei a da Foz a a és do despo o, u ismo e bens alimen a es.
Condeixa bene icia ambém da p oximidade a impo an es in aes u u as
odo iá ias, p incipais e complemen a es, e das excelen es condições ísicas do e i ó io
(solos e ecu sos híd icos) e das ca ac e ís icas paisagís icas do Baixo Mondego com
solos a o á eis pa a a p odução ag ícola e icos em ecu sos híd icos.
Des a o ma, a plu alidade de ias de comunicação em pe mi ido ao e i ó io
de Condeixa i a pa ido da p oximidade dos núcleos u banos mais p óximos. Po
sua ez, as condições únicas do seu e i ó io, pe mi em a p odução de di e sos bens
ag oalimen a es de qualidade que jus i icam o e o ço na p omoção des e se o de
a i idade p esen e ao longo da His ó ia de Condeixa. As suas ca ac e ís icas paisagís icas
cons i uem ambém uma singula idade, ica em alo es que jus i icam o e o ço no
u ismo cul u al e no u ismo de na u eza.
O sis ema u bano de Condeixa bene icia da sua localização cen al no con ex o
da CIM-RC, um e i ó io com ce ca de 4336 Km2 e com um e e i o populacional
de ce ca de 440 mil habi an es ( egis ados em 2016) , ap esen a um dec éscimo de 32
mil em elação ao ano de 2001. Des a o ma é ele an e o ac o dos 19 municípios
PROPOSTA
Figu a 32: Bu acas do Casmilo
153
que compõe a CIM-RC ap esen a em di e en es c escimen os. En e 2001 e 2016,
Condeixa é uma exceção, egis ando um c escimen o de ce ca de 2 mil habi an es,
jun amen e com a Lousã e Mon emo -o-Velho. Todos os es an es 16 ap esen am
alo es de c escimen o demog á ico nega i os. Como exemplo, Coimb a como capi al
do dis i o, no mesmo in e alo, ap esen ou um dec éscimo populacional de ce ca de
13 mil esiden es.
Um e i ó io p edominan emen e e de, enquad ado desde o maciço de
Sicó ao Paúl de A zila, com supe ícies essencialmen e planas, embo a a Sul e Sudes e
encon a-se um sis ema mon anhoso compos o pelas se as de Janeanes e do Fu adou o.
Com e enos a o á eis à a i idade ag ícola, com á eas na u ais de ele ado alo
paisagís ico e geológico, bene icia de uma paisagem compos a po á eas p o egidas,
á eas lo es ais e á ios ecu sos híd icos.
O Paul de A zila, inse ido na Rede Na u a 2000, é compos o po duas unidades
paisagís icas: o campo, co esponden e a uma planície alu ial sujei a a inundações com
encha camen o pe manen e em alguns locais; e o mon e, co esponde às encos as que
delimi am a planície alu ial.
As á eas lo es ais co espondem às g andes manchas de pinhei os, eucalip os
e ca alhos, como exemplo, a Ma a da Abu a da, es a o iginalmen e cobe a po
ca alhos, azinhei as e sob ei os, embo a al e ada ao longo do empo, ainda conse a
nume osas espécies ca ac e ís icas da lo es a medi e ânica.
Pe encen e ambém às paisagens na u ais com alo paisagís ico es ão as Bu acas
do Casmilo, que são o mações ochosas que consis em em en âncias localizadas nas
e en es do canhão lu iocá sico p esen e no Vale das Bu acas.
Todos es es ecu sos na u ais ma cam e alo izam a paisagem do e i ó io de
Condeixa.
A p oximidade com o maciço da Se a do Sicó, Condeixa, bene icia das suas
ca ac e ís icas na u ais mas ambém do p oje o in e municipal Te as de Sicó.
Em 1995, a Associação de Desen ol imen o Te as de Sicó (ADSICÓ), com o
obje i o de uma in e enção mais ab angen e no e i ó io, p omo e a c iação da Te as
do Sicó como apos a em um p oje o de e i ó io e uma ma ca de e e ência a a o do
desen ol imen o local e das suas populações.
O e i ó io Te as de Sicó si ua-se na Região Cen o de Po ugal, englobando
PROPOSTA