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Saúde Mental: A Arquitetura como Terapêutica. Alojamento Temporário e Clínica Médica das Fontainhas

Nunes, Catarina Alexandra Gonçalves

Abstract

Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia

Full text

Disse ação de Mes ado no âmbi o do Mes ado In eg ado em A qui e u a, o ien ada pelo P o esso Dou o José Fe nando de Cas o Gonçal es e ap esen ada ao Depa amen o de A qui e u a da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni e sidade de Coimb a. Dezemb o de 2022 Ca a ina Alexand a Gonçal es Nunes SAÚDE MENTAL: A ARQUITETURA COMO TERAPÊUTICA ALOJAMENTO TEMPORÁRIO E CLÍNICA MÉDICA DAS FONTAINHAS Saúde Men al: A A qui e u a como Te apêu ica Alojamen o Tempo á io e Clínica Médica das Fon ainhas       Ca a ina Alexand a Gonçal es Nunes Disse ação de Mes ado In eg ado em A qui e u a Sob o ien ação do P o esso Dou o José Fe nando Gonçal es Depa amen o de A qui e u a, FCTUC, dezemb o de 2022 No a à edição O documen o segue o no o Aco do O og á ico; U iliza-se pa a ci ações, po decisão da au o a, a no ma bibliog á ica APA (Ame ican Psycological Associa ion) 7ª edição; O símbolo “ “ indica que exis e con eúdo na pa e pos e io da página; Pa a a melho comp eensão do p oje o, p opõe-se o acompanhamen o da lei u a com os desenhos em anexo. Ag adeço, Ao meu o ien ado , p o esso dou o José Fe nando Gonçal es, pela exigência e acompanhamen o ao longo do abalho. Ao a qui e o Jo ge Ca alho, à a qui e a Dési ée Ped o, à D ª. Paula Valen e e ao D . Manuel Qua - ilho pela colabo ação e pa ilha de conhecimen o in e disciplina . Aos meus amigos de semp e, po me e em acompanhado nes a e apa, pela paciência e pala as asse - i as. À minha amília de Coimb a, Alexand a Ma ins, Inês Almeida, Ad iana Luís, F ancisco Vaz e Ma ia Rocha, pelo apoio, amizade e po odos os momen os pa ilhados. Ao meu i mão Edua do pela cons an e mo i ação e comp eensão. Em especial aos meus pais, po udo. RESUMO A p esen e disse ação su ge no âmbi o da unidade cu icula de A elie de P oje o, que, a a és do ema “O Es angei o”, p omo e uma e lexão sob e o papel dos a qui e os na sociedade, desa iando a sua capacidade de p oje a edi ícios e cidades nas quais odos se sin am in eg ados. O con ex o polí ico e social a ual é ca ac e izado po di e sas p oblemá icas, en e elas as al e ações climá icas a que somos expos os, a ecen e pandemia p o ocada pela COVID-19, assim como a a ual gue a en e a Uc ânia e a Rússia. Es es acon ecimen os êm p o ocado um aumen o signi ica i o dos luxos de mig ação, endo-se es as populações, de o igens a iadas, ob igadas a deixa os seus países em busca de um u u o com melho es condições. Pa alelamen e aos e ugiados e mig an es, é ambém essencial menciona as pessoas em si uação de sem-ab igo, pois são ambém um g upo ma ginalizado na sociedade, cujo núme o ende a aumen a pe an e as c ises ambien ais, económicas e sociais. Nes e sen ido, e endo como local de in e enção as Fon ainhas, na cidade do Po o, es e a elie p opõe o desen ol imen o de um no o desenho u bano, assim como a implan ação de um p og ama social. En e as opções ap esen adas, oi desen ol ido um alojamen o empo á io, com o in ui o de c ia um espaço de ab igo, que con i a dignidade e con o o aos simbolicamen e denominados “es angei os”. A a és de uma análise do público-al o, o na-se e iden e uma no a p oblemá ica – a saúde men al. A população em causa ap esen a ele adas axas de incidência de doenças men ais, de ido aos seus con- ex os de ida. Toda ia, es as são equen emen e des alo izadas, o que p omo e o seu ag a amen o. P ocu ando uma a qui e u a senso ial, em cons an e ligação com o es udo psiquiá ico da in luência do espaço na men e, p e ende-se e le i ace ca de como es e pode e in luência di e a no es ado psi- cológico dos u ilizado es. P i ilegiando a p i acidade e a iden idade de cada um, explo a-se assim a ligação en e a A qui e u a e a Psiquia ia, num p ocesso em que uma se assume como e amen a da ou a, su gindo o p oje o como e lexo des a conexão. Pala as-Cha e: A qui e u a, Psiquia ia Cul u al, Saúde Men al, In eg ação Social, Iden idade ABSTRACT This disse a ion a ises wi hin he scope o he A elie de P oje o cu icula uni , which, h ough he heme “The Fo eigne ”, p omo es a e lec ion on he ole o he a chi ec s in socie y, challenging hei abili y o design buildings and ci ies in which e e yone eels in eg a ed. The cu en poli ical and social con ex is cha ac e ized by se e al issues, including clima e change o which we a e exposed, he ecen pandemic caused by COVID-19, as well as he cu en wa be ween Uk aine and Russia. These e en s ha e caused a signi ican inc ease in mig a ion lows, wi h hese popula ions, om a ious o igins, o ced o lea e hei coun ies in sea ch o a u u e wi h be e condi ions. Alongside e ugees and mig an s, i is also essen ial o men ion homeless people, as hey a e also a ma ginalized g oup in socie y, whose numbe ends o inc ease in he ace o en i onmen al, economic and social c ises. In his sense, and ha ing as i s in e en ion si e he Fon ainhas, in he ci y o Po o, his s udio p opo- ses he de elopmen o a new u ban design, as well as he implemen a ion o a social p og am. Among he op ions p esen ed, i was decided o de elop a nigh shel e , wi h he aim o c ea ing a shel e space ha con e s digni y and com o o he symbolically called “ o eigne s”. Th ough an analysis o he a ge audience, a new p oblem becomes e iden – men al heal h. The popula ion in ques ion has high incidence a es o men al illness, due o hei li e con ex s. Howe e , hese a e o en unde alued, which p omo es hei agg a a ion. Looking o a senso y a chi ec u e in cons an connec ion wi h he psychia ic s udy o he in luence o space on he mind, i is in ended o e lec on how i can ha e a di ec in luence on he psycho- logical s a e o he use s. P i ileging he p i acy and iden i y o each one, he connec ion be ween A chi ec u e and Psychia y is explo ed, in a p ocess in which one assumes i sel as a ool o he o he , wi h he p ojec eme ging as a e lec ion o his connec ion.  Keywo ds: A chi ec u e, Cul u al Psychia y, Men al Heal h, Social In eg a ion, Iden i y 2 qualidades, é eme gen e uma equali icação do espaço u bano. Assim sendo, e após se elabo ada a p opos a u bana em g upo, oi desen ol ido, indi idualmen e, o p oje o pa a um alojamen o empo á io, des inado a e ugiados e ambém a pessoas em si uação de sem-ab igo, cujo núme o em endencialmen e a aumen a . P e ende-se p oje a um espaço de ab igo, que con i a dignidade e con o o às pessoas mais des a o ecidas, ajudando-as a c ia em um u u o com odas as condições que são delas po di ei o. Segundo o “Rela ó io de Análise de Dados – Inqué i o de Ca ac e ização das Pessoas em Si uação de Sem-ab igo do Município do Po o”, em 2019, exis iam, à da a, 560 sem-ab igo, dos quais 40 a i e na ua e 420 em alojamen os empo á ios. Em ge al, o “sem-ab igo pad ão” do município es á ambém bas an e expos o à possibilidade de desen ol e doenças ísicas e men ais, de ido à al a de acompanhamen o e ambém à comum ligação com o consumo de álcool ou subs âncias psicoa i as ilíci as, sendo es a uma das possí eis causas ou consequências des a si uação social. (Câma a Munici- pal do Po o, 2019b). Após uma e lexão sob e os dados ap esen ados, e um es udo das necessidades do público-al o, su ge uma no a p oblemá ica – a saúde men al. Apesa de se em cons an emen e des alo izadas, as doen- ças men ais ep esen am uma pa e signi ica i a das pa ologias exis en es, especialmen e em pessoas em si uação ca enciada. É u gen e comp eende que “(...) não exis e saúde sem saúde men al (…).” (Qua ilho, 2020, p. 14). De aco do com a Sociedade Po uguesa de Psiquia ia e Saúde Men al, 12% do o al de doenças em odo o mundo são do o o men al, alo es e que aumen a pa a os 23% se apenas conside a mos os países desen ol idos. Es e ipo de pa ologias em indo a o na -se na p in- cipal o igem da incapacidade de in eg ação na sociedade, e os núme os de a e ados são ala man es. Anualmen e, ce ca de 165 milhões de pessoas são diagnos icadas com uma doença men al, sendo que apenas um qua o dos doen es ecebe a amen o, e apenas 10% ecebe a amen o conside ado adequado. (Sociedade Po uguesa de Psiquia ia e Saúde Men al). A ní el nacional, es as pa ologias ep esen am 11,8% das doenças, e i icando-se que 22,9% dos po ugueses so e de uma pe u bação psiquiá ica. Po ugal é o segundo país na Eu opa com maio incidência des as doenças. (Sociedade Po uguesa de Psiquia ia e Saúde Men al). Após es a análise, é pe ce í el que es e ipo de pa ologia em indo a o na -se na p incipal o igem da incapacidade de in eg ação na sociedade. De modo a ealça a impo ância da saúde – ísica e men al - no p ocesso de in eg ação social, oi omada a opção de expandi o p og ama p opos o, desen ol en- do ambém uma clínica médica, di ecionada que pa a os u en es do alojamen o, que pa a a es an e população. A densidade de e ugiados e pessoas em si uação de sem-ab igo em aumen ado signi ica i amen e, po ém, a sua saúde men al em sido cons an emen e des alo izada, apesa de es a comp o ada a e- lação en e os p ocessos mig a ó ios e o su gimen o de pa ologias men ais. É a pa i des e con ex o, e da consciência do seu impac o na sociedade a ní el global, que su ge a mo i ação pa a es a in e - enção. É u gen e c ia mecanismos de apoio, social e económico, que auxiliem es a população no p ocesso de ein eg ação, pa a que possam, de no o, p es a o seu con ibu o pa a a e olução da socie- dade. “Pessoas saudá eis, cidades saudá eis. Cidades saudá eis, pessoas saudá eis.” (Qua ilho, 2022). 3 4 É nes e aspe o que se p e ende que a a qui e u a con ibua, p oje ando espaços que p omo am o bem-es a ísico e psicológico da comunidade. Nes e sen ido, que a p opos a u bana, que o edi ício p oje ado, êm a in enção de desen ol e um espaço no qual se p omo e a comunidade, a in eg ação social e a alo ização da cul u a de cada um. Não se isa o ma a as pessoas pa a um no o modo de ida socialmen e acei e, mas sim, azê-las comp eende as necessidades exis en es na sociedade a ual, pa a que, a a és do acompanhamen o psicológico, sejam capazes de e inicia i a pa a ol a em a se pessoas a i as na sociedade. A a és des e pensamen o, su ge um edi ício pensado senso ialmen e, no qual cada ma e ial u ilizado, cada asgo de luz colocado e cada pe cu so de inido, em a in enção de c ia um ambien e e apêu- ico, que es imule a ha monia do espaço, e, consequen emen e, auxilie o p ocesso de a amen o de doenças psicológicas. A conceção de um ambien e senso ial es á di e amen e elacionada, não só com os aspe os an e io - men e e e idos, como ambém com as co es, ex u as, e capacidade de abso ção é mica e acús ica dos acabamen os u ilizados. Não obs an e, são ambém aplicados os c i é ios es udados na a qui e- u a hospi ala psiquiá ica que se en endem adequados e an ajosos pa a os p og amas em causa. En e eles, é possí el des aca eg as de segu ança, no mas de higienização, assim como di e izes de o ganização espacial ob iga ó ias pa a espaços de saúde. A in enção é p oje a um espaço que con i a uma a mos e a de con o o, se enidade e pe ença. “(...) a ha monia dos espaços, o ac o de os espaços se em concebidos e c iados de uma o ma ha moniosa, endo em con a o bem-es a das pessoas que os ão usa , pode á es a associado à p omoção do bem-es a e da saúde men al (...)”. (Valen e, 2022). 5 6 Es u u a e Mé odo O p ocesso de in es igação baseia-se que numa e en e eó ica, a a és da lei u a de e e ências bibliog á icas, que numa e en e p á ica, a a és do desenho. Além dis o, odo o p ocesso é comple- men ado po isi as a casos de es udo e en e is as, o que pe mi e um con ac o di e o com a população e a comp eensão das suas eais necessidades. A p esen e disse ação es á di ida em ês capí ulos, os quais e le em odo o p ocesso de desen ol- imen o da mesma. Nes e sen ido, o p imei o capí ulo inicia-se com a con ex ualização do ema do a elie , e le indo sob e as p oblemá icas que es e coloca e a sua ele ância. Pos e io men e, é ap e- sen ado o local de in e enção selecionado, seguido da sua con ex ualização his ó ica, a qual pe mi e comp eende a e olução do luga ao longo dos úl imos séculos. Após es a abo dagem, é en ão possí el e e i os obje i os de in e i nes a á ea, assim como a sua pe inência. Pos o is o, num segundo mo- men o do capí ulo, é ap esen ada a p opos a de equali icação u bana elabo ada em g upo. Es a inclui uma de alhada análise ao luga , seguida da explicação do mé odo e da es a égia de abalho, e, po im, os desenhos inais da p opos a. Po sua ez, o capí ulo II diz espei o à ase inicial da segunda e apa do abalho, is o é, a e lexão eó ica que an ecede a in e enção indi idual. Assim sendo, es e inicia-se com uma e lexão pessoal sob e as p oblemá icas colocadas pelo a elie , sendo abo dado o aumen o dos luxos mig a ó ios, ela- cionando-o com a ins abilidade polí ica, económica e social que ca ac e iza a sociedade. A pa i des a p oblemá ica, é ei a uma ca ac e ização do público-al o da in e enção, e idenciando a sua g ande p obabilidade de desen ol e doenças do o o men al. Com base nos aspe os mencionados, é, pos e- io men e, in oduzido o ema indi idual de in es igação. Is o é, após a cla i icação da p oblemá ica ge al, oi es abelecido um ema especí ico – a in luência da a qui e u a na saúde men al – que de ine pa âme os segundo os quais o desenho a qui e ónico é desen ol ido. Po im, é ainda ei a uma cla- i icação dos p incípios ge ais pa a o desen ol imen o de uma a mos e a e apêu ica, e idenciando os c i é ios que a de inem. Após a explicação das p oblemá icas e da escolha do concei o eó ico pa a o p oje o, su ge o e cei o capí ulo, no qual são ap esen adas as ob as de e e ência, sendo ealizada uma e lexão sob e a sua pe inência. Es as ob as são e e ência pois o am p oje adas segundo as mesmas p eocupações sen- so iais, espaciais ou uncionais p esen es no p oje o, independen emen e do seu p og ama. Po im, o capí ulo e mina com a p opos a indi idual, sendo ap esen ado o p oje o pa a uma clínica médica e um alojamen o empo á io des inado a e ugiados e pessoas em si uação de sem-ab igo. Nes a ase, são jus i icadas odas as opções omadas, desde o mé odo e a es a égia ado ados, a localização da á ea de in e enção, o p og ama escolhido e a sua ampliação, assim como, inalmen e, a de inição ma e ial e cons u i a. 7 8 Fig. 2 - Fon ainhas I (Re)Desenha cidade: In e enção u bana e social 1.1 Obje o de es udo: Luga das Fon ainhas O a elie em causa p omo e uma e lexão sob e o papel dos a qui e os na sociedade, assim como sob e a in luência que as suas in e enções podem e na e olução da mesma. Pa indo des e p incípio, p o- mo e-se ambém uma e lexão sob e as p oblemá icas sociais, polí icas e económicas que p edominam a ualmen e, e sob e o impac o das suas consequências. Com base nas p emissas e e idas, o enunciado p opos o é ca ac e izado po dois momen os dis in os de in e enção, sendo a p imei a ase do abalho elabo ada em g upo, e a segunda indi idualmen e. Numa p imei a ase, e endo como local de in e enção o luga das Fon ainhas, no Po o, é p opos a a elabo ação de um p oje o de equali icação u bana. Es e p e ende não só c ia espaço público de qualidade, como ambém con ibui pa a a consolidação do luga e, consequen emen e, pa a a sua in eg ação na es an e cidade. Num segundo momen o do exe cício, é p opos a a implan ação de um edi ício de ca á e social, à escolha en e um cen o comuni á io, um edi ício de banhos públicos ou um alojamen o empo á io. Es e edi ício de e es a di e amen e elacionado com a p opos a u bana, con ibuindo pa a a coesão o al do p oje o. Todos os p og amas e e idos êm como público-al o pes- soas em si uação de sem-ab igo, e ugiados e mig an es, azendo assim a elação com as p oblemá icas eó icas p e iamen e mencionadas. Rela i amen e à á ea selecionada pa a a in e enção, o luga das Fon ainhas, es e localiza-se na egue- sia do Bon im, no Po o. Ao longo do século XIX, es e local o nou-se no p incipal polo indus ial da cidade, sendo nele p edominan e a indús ia êx il. De ido à mul iplicação dos edi ícios indus iais, oi no ó io um aumen o do luxo de população que se deslocou pa a es a egião e nela se ins alou, a ando-se, maio i a iamen e, de ope á ios ab is. Consequen emen e, oi necessá io encon a uma solução pa a aloja es a população ac escida, endo nes a época su gido uma no a ipologia de habi a- ção social. Es e conjun o de habi ações icou conhecido como “ilhas”, a ando-se de cons uções com dimensões mínimas e poucas condições de habi abilidade. A ualmen e, os equipamen os indus iais e e idos já não se encon am em uncionamen o, pe mi- indo o apa ecimen o de no as a i idades económicas. En e elas, é ele an e e e i o comé cio e a es au ação, assim como o u ismo. Es e úl imo em sido um elemen o essencial no p ocesso de di ul- gação do luga , p omo endo a cul u a e o pa imónio local. 9 10 Fig. 3 - Relação en e a esca pa e o io Dou o Fig. 5 - En ada de uma ilhaFig. 4 - Alameda das Fon ainhas O luga das Fon ainhas é econhecido pela sua incada cul u a, a qual é ca ac e izada po di e sas a- dições. Além do simbolismo da habi ação social, é ainda essencial e e i e en os es i os e come ciais, ais como as es as de São João e a ei a da Vandoma, espe i amen e. Po ou o lado, es a é ainda uma zona com um eno me po encial de ido à sua p oximidade com o io Dou o e às is as p i ilegiadas que es e p opo ciona. Como se o na e iden e, a a-se de um luga cen al e com um eno me po encial, po ém, sem o in es imen o que ca ac e iza a es an e cidade. Is o de e-se ao ac o de o con ex o de habi ação social e modo de ida p ecá io que ca ac e iza am a época indus ial e pe pe uado a é à a ualidade, sendo no ó ia a al a de in es imen o no luga e a sua consequen e deg adação. Des e modo, é cla a a pe - inência de uma in e enção u bana e a qui e ónica, a qual pe mi a não só c ia espaço público de qualidade, como ambém in oduzi equipamen os que p omo am o bem-es a não só dos habi an es locais, como de oda a comunidade. 11 18 Fig. 12 - Plan a de análise dos espaços e des, Fon ainhas Fig. 11 - Plan a de análise das ias, Fon ainhas 1.1.2 Análise de es udo Ao inicia o p ocesso de abalho, e a a és de isi as ao e eno, oi de imedia o no ó io um dis an- ciamen o do luga das Fon ainhas em elação à es an e cidade, sendo e iden e a al a de in es imen o que na ecupe ação do espaço u bano, que na eabili ação da habi ação social exis en e. A pon e do In an e, po sua ez, assume-se, simbolicamen e, como um pon o de queb a que sepa a o cen o his ó ico do Po o, eabili ado e alo izado, do luga das Fon ainhas, esquecido como um subú bio na cidade. Des e modo, su giu de imedia o a necessidade de ealiza uma análise ge al do local de in e - enção, de modo a oma conhecimen o do es ado de conse ação do mesmo, econhecendo as suas p incipais agilidades e o seu po encial. Assim sendo, a análise incidiu em á ios aspe os essenciais pa a a elabo ação de uma p opos a de planeamen o u bano, sendo eles a iden i icação do ipo de edi i- cado e o seu es ado de conse ação, os se iços exis en es, a qualidade e ipos de espaços e des, o es a- do de conse ação das ias assim como os eixos de o ganização dos lo es nos qua ei ões habi acionais. Tal como e e ido inicialmen e, um dos p incipais p oblemas de e ados oi a o ma como a Pon e do In an e simboliza um pon o de queb a en e duas zonas da cidade. Is o é, de um lado encon amos uma á ea mais egula , com espaços bem o ganizados e com capacidade pa a acolhe e da espos a às necessidades da população. Es a é uma á ea cen al, endo uma g ande impo ância his ó ica e u ís ica, o que jus i ica o in es imen o nela ei o. Po sua ez, do ou o lado da pon e, encon a-se o luga das Fon ainhas, onde apidamen e se de e a uma deso ganização e deg adação do espaço, sendo ambém e iden e a al a de acessos à es an e cidade. Rela i amen e às ias, a análise incidiu em ês e en es dis in as: acessos odo iá ios, pedonais e e o iá ios. Os acessos odo iá ios assumem uma g ande impo ância na o ganização do espaço e da cidade, pois condicionam o modo como as pessoas se mo imen am. A a és da análise do luga , e i icou-se que na zona habi acional es e ipo de acessos são poucos e com dimensões eduzidas, con a iamen e ao que acon ece na es an e en ol en e, onde as uas êm dimensões gene osas. Ape- sa de a zona das ilhas se , maio i a iamen e, acedida a a és da Rua de Gomes F ei e e da Rua de S. Ví o , com as ca ac e ís icas já e e idas, es ão ambém p esen es no local de es udo ias impo an es como a Rua Duque de Saldanha, a Rua das Fon ainhas e a Rua Alexand e He culano, que pe mi em a aze a ligação do luga à es an e cidade. Nes e sen ido, apesa de as odo ias do local assegu a em a conexão com a en ol en e, é pe ce í el um ní el de qualidade in e io ao que p edomina em ou as á eas da cidade, o que in luencia os pe cu sos da população, e, consequen emen e, p omo e o seu a as amen o. Po sua ez, os acessos pedonais são escassos e localizam-se p incipalmen e jun o à Pon e do In an e, sendo o mais e iden e a Alameda das Fon ainhas. Além dis o, exis em ambém os passeios 19 20 Fig. 14 - Plan a de análise das unções do edi icado, Fon ainhas Fig. 13 - Plan a de análise do es ado de conse ação do edi icado, Fon ainhas de ci culação jun o às odo ias, po ém com pouca qualidade. Po úl imo, é ainda conside ada a linha e o iá ia exis en e que, pe co endo a encos a, az a ligação en e a es ação de Po o-Campanhã e Po o-São Ben o. Es e elemen o po ezes é iden i icado como um p oblema, de ido ao seu impac o paisagís ico e acús ico, po ém, é ambém possí el o ná-lo num aspe o bené ico pa a o local. Rela i amen e aos espaços e des, es es o am analisados azendo a dis inção en e ês ca ego ias: espaço e de público, espaço e de p i ado e log adou os. Des e modo, e com base no p ocesso de análise ealizado, oi possí el e i ica que os qua ei ões da en ol en e do luga das Fon ainhas são quali icados com a p esença de elemen os na u ais, azendo es es pa e do espaço e de público. Ainda nes a ca ego ia, é possí el iden i ica algumas p aças assim como a encos a, sendo es a úl ima a maio á ea de espaço e de público exis en e no luga , e idenciando um g ande po encial. Rela i amen e ao espaço e de p i ado, es e consis e em e enos sem cons ução e com a p esença de elemen os na u- ais. Fo am iden i icados ês pon os de maio p e alência, es ando um deles p esen e na en ol en e da P aça da Aleg ia, ou o na en ol en e do an igo asilo da mendicidade e, po im, o úl imo jun o ao La go Pad e Bal aza Guedes. Po im, oi ainda analisada a p esença de log adou os, espaço e de pe encen e às habi ações, o qual ap esen a uma eno me p esença no luga . T a ando-se de uma á ea ca ac e izada pela p esença de á ias zonas habi acionais, é ine en e a es as que su gem os log adou os, jus i icando a sua g ande equência. Em elação à análise do edi icado, es a pe mi iu iden i ica um núme o signi ica i o de cons uções abandonadas, assim como ou as a necessi a de eabili ação de ido ao seu a ançado es ado de de- g adação. Além dis o, icou ambém e iden e a escassez de p og amas de se iços básicos nes e local, ob igando a população a desloca -se a ou as zonas da cidade pa a da espos a às suas necessidades. Após o p ocesso de análise ealizado, o am de e ados cinco p incipais aspe os nega i os no luga , cuja impo ância é cen al no planeamen o u bano de uma cidade. Assim, e se indo como base pa a a es a égia pos e io men e de inida, icou cla a uma al a de conexão en e os di e en es espaços assim como com a es an e cidade. Is o pode á se ambém consequência da e iden e des alo ização da iden idade da ipologia habi acional p edominan e, assim como da cul u a do luga . Po sua ez, é ambém no ó ia a al a de qualidade dos acessos exis en es, assim como um eduzido núme o de espaços e des pa a uso da população. Po ou o lado, é ainda e iden e a escassez de p og amas que consigam da espos a às necessidades básicas da população. 21 22 Fig. 15 - Sis ema de ap op iação da esca pa 1.2 P oje o de g upo: Requali icação u bana A p imei a e apa do p oje o desen ol ido diz espei o a uma p opos a elabo ada em g upo, a qual se cen a em ques ões de planeamen o e eabili ação do espaço público. P e ende-se, nes a ase, e um olha c í ico sob e o pa imónio, o edi icado e o espaço público exis en e, e i icando qual a sua impo ância no luga e no con ex o his ó ico da cidade. De modo a ob e o conhecimen o necessá io pa a a c iação de uma opinião c í ica sob e o ema, é essencial eco e a uma análise ge al do luga , que em e mos a qui e ónicos e u banos, como ambém em e mos cul u ais, pois es e é um a o de e minan e na o ma como o espaço público é u ilizado. Tomado conhecimen o dos aspe os an e io men e e e idos, é en ão de inida uma es a égia de in e - enção u bana cujo obje i o é não só equali ica o luga , como ambém con ibui pa a a in eg ação e alo ização da comunidade na cidade. Além dis o, p e ende-se ambém c ia um con ac o p óximo com os habi an es, dialogando de modo a comp eende quais as suas e dadei as necessidades e am- bições. Com base num p ocesso de a qui e u a pa icipa i a, é possí el não só obedece ao enunciado p og amá ico p opos o, como ambém o na ine en e ao p oje o de a qui e u a a capacidade de se o na num mecanismo social. O espaço público é comp eendido como um mecanismo capaz de ans o ma o modo de ida da po- pulação, in luenciando as suas o inas diá ias, a o ma como se mo imen am na cidade, assim como, consequen emen e, o seu es ado psicológico. A p eocupação undamen al do g upo, que o iginou a es a égia pos e io men e explicada, elaciona-se com a c iação de um espaço público dinâmico, com di e en es e en es p og amá icas, que pe mi a e impulsione as elações in e pessoais en e u i- lizado es. Toda ia, udo is o é pensado p ese ando a cul u a e iden idade do luga , alo izando as dinâmicas já exis en es. Em suma, a in enção é desenha o espaço de modo a que es e con ibua pa a a melho ia da qualidade de ida daqueles que dele usu uem, i ando pa ido de odas as e amen as que a a qui e u a em ao seu dispo . “A ques ão eme gen e é, pois, planea e desen ol e o espaço u bano de o ma a possibili a mais p ospe idade económica, mais jus iça social e e i o ial, mais bem-es a e mais saúde à popula- ção.” (Noguei a, 2020, p.440). 23 24 1.2.1 Obje i os e pe inência da in e enção A in e enção em causa su ge a pa i do A elie de P oje o, o qual chama a a enção pa a duas p o- blemá icas cen ais na sociedade a ual: a impo ância do planeamen o u bano e a necessidade de implemen ação de p og amas com e en e social. Ambos os pa âme os e le em uma p eocupação com a elação en e o espaço e os u ilizado es, demos ando que es e de e se desenhado com base nas necessidades e ca ac e ís icas da comunidade. A pa i das p emissas e e idas, é escolhido o local de in e enção, já mencionado, o qual se enquad a adequadamen e no con ex o eó ico ap esen ado. Nes e sen ido, e a pa i da ca ac e ização do local de in e enção an e io men e ealizada, é p opos- o o desen ol imen o de um no o desenho u bano, que pe mi a i a p o ei o de odo o po encial exis en e. Es ando o luga das Fon ainhas localizado numa zona p i ilegiada, com uma en ol en e paisagís ica, mo ológica e social do ada de um eno me po encial, é p opos a a ealização de uma in- e enção que ealce e pe mi a usu ui das ca ac e ís icas únicas do luga . Is o é, que o ne o espaço público mais con o á el e ap azí el pa a os seus u ilizado es, e consequen emen e, que p omo a a in eg ação des a á ea no plano de in es imen o u bano da cidade. “Uma cidade saudá el p ocu a p opo ciona à sua população mais saúde e melho qualidade de ida, pe mi indo-lhe o desen ol imen o de odas as suas po encialidades.“ (Noguei a, 2020, p. 440). É de aco do com es e pensamen o que se p e ende desen ol e uma p opos a de in e enção u bana que es imule o sen ido de comunidade e pe ença, p omo endo o bem-es a ísico e psicológico da população. P e ende-se que es a es a égia eó ica seja ma e ializada a a és da alo ização do espaço e pa imónio exis en e, eabili ando-o e explo ando-o de o ma a alo izá-lo. Numa segunda ase do p oje o, é p opos o o desen ol imen o de um p og ama de ca á e social, o qual p e ende se um mecanismo de comba e às desigualdades sociais e di iculdades económicas que p edominam na á ea de in e enção. Além dis o, o obje i o é que es e p og ama ambém auxilie o p ocesso de ein eg ação social de e ugiados e pessoas em si uação de sem-ab igo, cuja densidade em aumen ado signi ica i amen e. De en e as opções ap esen adas, cen o comuni á io, edi ício de banhos públicos ou alojamen o empo á io, op ou-se po desen ol e o p oje o pa a um alojamen o empo á io, alo izando o signi icado simbólico do “ab igo”, a que odos nós, enquan o cidadãos, emos di ei o. Tal como oi possí el comp eende , ao longo da in es igação eó ica, a a ualidade é ca ac e izada po uma sé ie de p oblemá icas que êm indo a p o oca o empob ecimen o ge al da população, sendo 25 26 eme gen e a c iação de espaços desenhados e pensados pa a acolhe os mais ca enciados. Espaços nos quais se sin am in eg ados e onde lhes sejam o necidas e amen as pa a se em capazes de ol a a e uma ida a i a na sociedade. Além dis o, o luga das Fon ainhas é ambém um local pe inen e pa a a implan ação des e ipo de p og ama de ido ao con ex o de habi ação social já exis en e. Dele azem pa e as ilhas, an iga ipologia desen ol ida no século XIX que su giu com o obje i o de aco- lhe ope á ios ab is numa época de g ande p ospe idade indus ial. Po ou o lado, es e luga é ainda ca ac e izado pela p esença do a ual Colégio dos Salesianos, que no passado se des ina a a acolhe c ianças ó ãs. Como se o na e iden e, as Fon ainhas semp e se assumi am como um local de acolhi- men o pa a a população mais ágil e des a o ecida, independen emen e das ci cuns âncias que de am o igem a esse con ex o de ida. A ualmen e, es a pa e da cidade con inua ainda a se ma cada pela p esença de uma população maio i a iamen e en elhecida, com di iculdades económicas e a i e em habi ações com poucas condições de habi abilidade. A pa i do ema de abalho ap esen ado, e de aco do com a con ex ualização das p oblemá icas so- ciais que lhe são ine en es, é nes e capí ulo que se p e ende e le i sob e a de inição de uma es a égia de p oje o que não só alo ize o espaço de in e enção, como ambém, simul aneamen e, ajude a a enua as consequências das p oblemá icas já mencionadas. Des e modo, oda a in e enção, desde a p imei a a é à úl ima ase, é desen ol ida segundo p incípios que es imulem a sensação de con o - o, pa ilha e comunidade. P e ende-se que os u ilizado es adqui am a sensação de pe ença e que o espaço es imule a c iação de dinâmicas in e pessoais. A g ande ambição do abalho em causa, que se jus i ica com a ele ância das p oblemá icas sociais e económicas exis en es a ní el a mundial, é con- segui con e i à a qui e u a a capacidade de in luencia posi i amen e o es ado psicológico dos seus u ilizado es, con ibuindo, dia iamen e, pa a o bem-es a ísico e psicológico da população. 27 Fig. 18 - Plan a da es a égia de g upo usu uindo do seu po encial. Es e edi ício p e ende p es a auxilio ao ní el dos cuidados do co po, e, nes e sen ido, a a-se de um luga simbólico pa a o implan a . Is o é, a escolha des a localização jus i ica-se com o simbolismo da cul u a das ilhas, assim como com as poucas condições de habi abi- lidade que ainda hoje as ca ac e izam. Assim, p e ende-se que es e p og ama enha ajuda a comba e as di iculdades económicas que ainda p edominam nas ilhas, pe mi indo a odos e em acesso a boas condições de higiene. Po sua ez, p opõe-se a implan ação do alojamen o empo á io num e eno sem in e enção, locali- zado na encos a e delimi ado pela Rua de Gomes F ei e e pelo La go Pad e Bal aza Guedes. T a a-se de um local com g andes dimensões, boa exposição sola e uma is a p i ilegiada sob e o io Dou o e Vila No a de Gaia. Com base nes as ca ac e ís icas, p e ê-se que seja um bom local pa a implan a um edi ício esidencial, endo em con a que pe mi i á aos u en es usu ui do espaço ex e io , o nando-o numa componen e undamen al do p oje o. Em e mos a qui e ónicos, é p opos o um olume que acompanhe os limi es do e eno, i ando pa ido da mo ologia exis en e. Além dis o, sendo es e um local já ca ac e izado pela habi ação social e pelos hábi os de acolhimen o, é ambém simbolicamen e ap op iado implan a nele um alojamen o empo á io. Tal como e e ido inicialmen e, além da de inição dos locais de implan ação dos p og amas indi i- duais, o p oje o é cons i uído po um conjun o de p opos as de g ande e pequena escala, localizadas ao longo da á ea de es udo. De modo a oca a a enção numa á ea conc e a, oi de inido um núcleo de in e enção, o qual se encon a delimi ado po ias de acesso impo an es, ais como a Rua das Fon- ainhas, a A enida de Rod igues F ei as, a Rua Duque de Saldanha e a sul, o io Dou o. As in e en- ções es ão ca ego izadas en e p incipais e secundá ias, de aco do com a sua escala, sendo pe inen e e e i que as p incipais es ão localizadas na encos a e no in e io dos qua ei ões habi acionais, e as secundá ias dizem espei o a in e enções pon uais que ajudam a consolida a p opos a global. Rela i amen e à in e enção na á ea habi acional, es a é mo i ada po uma ambição do g upo em p ese a a iden idade das ilhas. Sendo uma ipologia habi acional ca ac e ís ica do luga , p e ende-se man ê-la como e e ência cul u al. Nes e sen ido, além da eabili ação das habi ações que necessi em, a p opos a consis e, p incipalmen e, na emodelação dos log adou os exis en es, con e endo-os em pá ios públicos e p i ados. Is o é, espaços des inados à comunidade ou aos habi an es locais, espe i- amen e. Os pá ios públicos são espaços dos quais oda a população pode usu ui , podendo es es se u ilizados como espaços de es a ou apenas como uma ia de acesso. T a a-se da c iação de um espaço e de de pequena escala, que pe mi e não só c ia zonas de laze pa a a população, como ambém pe mi e c ia um no o conjun o de ligações en e as di e en es zonas do luga . T a a-se de c ia espaço público de qualidade, que pe mi a à população usu ui do po encial do seu local de esidência. Po sua ez, os pá ios p i ados consis em na emodelação dos log adou os das habi ações, que, ag upados, o mam espaços com gene osas dimensões pa a usu u o dos esiden es. P e ende-se que es es sejam espaços de con í io e pa ilha, nos quais é possí el ealiza a i idades lúdicas e didá icas, p omo e as elações in e pessoais en e habi an es e ambém a alo ização da cul u a do luga . De modo a que a p opos a ganhe um ca á e ealis a, o p ocesso de emodelação dos pá ios oi p e is o em ês ases, e le indo p eocupação com os p ocessos eais de comp a e enda. Além das ques ões legais, o aseamen o p e ende ambém pe mi i à população e um pe íodo de empo pa a se adap a à no a u ilização do espaço. Des e modo, o obje i o é que o i mo da in e enção acompanhe o i mo da mudança de men alidade da comunidade. Fig. 19 - Fo omon agem esquemá ica. Imagem ilus a i a de um pá io público Fig. 21 - Pe il de es udo. Relação en e pá io p i ado e edi ício de Banhos Públicos Fig. 20 - Fo omon agem esquemá ica. Imagem ilus a i a de um pá io p i ado 35 36 Fig. 25 - Faseamen o de cons ução de pá ios públicos e p i ados - á ea inal Fig. 23 - Faseamen o de cons ução de pá ios públicos e p i ados - ase 2 Fig. 24 - Faseamen o de cons ução de pá ios públicos e p i ados - ase 3 Fig. 22 - Faseamen o de cons ução de pá ios públicos e p i ados - ase 1 Fig. 26 - Fo omon agem esquemá ica. Imagem ilus a i a dos ele ado es e icais Fig. 28 - Pe il de es udo. Relação en e a encos a e a en ol en e Fig. 27 - Fo omon agem esquemá ica. Imagem ilus a i a da eabili ação da an iga áb ica de ce âmica e da cons ução de um audi ó io ao a li e O segundo oco de in e enção do g upo diz espei o à esca pa, pa a a qual o am p oje ados uma sé ie de p og amas que isam o seu ap o ei amen o o al, usu uindo de odo o seu po encial. T a a-se do núcleo de in e enção que mais e idencia a es a égia do g upo - “Pe cu sos” - sendo nele p opos a a c iação de uma ede de caminhos pedonais que a a essam a encos a em á ios ní eis, pe mi indo à população des u a de um espaço na u al e da is a que es e p opo ciona. São ainda de inidas di e sas pla a o mas, com p og amas lúdicos, didá icos e comuni á ios, es ando es as a i idades des- inadas a oda a comunidade. En e os p og amas de inidos, é pe inen e e e i a c iação de ho as comuni á ias, á eas de ja dinagem, mi adou os, assim como um pequeno espaço come cial. Po sua ez, são ambém c iados espaços sem p og amas especí icos, deixando a sua u ilização ao c i é io dos u ilizado es. É ainda pe inen e e e i a implan ação de pequenas cons uções des inadas a o icinas de ca pin a ia e a es manuais. Po ou o lado, é necessá io ealça a p opos a de eabili ação da an iga áb ica de ce âmica, adap ando-a pa a um cen o de exposições no âmbi o educa i o. Ine en e a es e p og ama, su ge ainda a c iação de um audi ó io ao a -li e, na co a in e io da Pon e do In an e, i ando pa ido do decli e exis en e. P e ê-se que es e seja u ilizado pa a a ealização de sessões de cinema ao a -li e, o qual se ia p oje ado na e e ida pon e. Todos es es luga es são acedidos a a és dos pe cu sos c iados, e idenciando a sua pe inência, pois pe mi em i a pa ido de oda a encos a. Po ou o lado, es a p opos a, além de quali ica o espaço, p e ende ambém incen i a a p á ica de exe cício ísico e de um es ilo de ida saudá el. Mais uma ez, o obje i o é que a a qui e u a p omo a o bem-es a ísico e men al das pessoas, sendo is o con- c e izá el, nes e caso, a a és do planeamen o u bano. Con udo, omado conhecimen o de que os habi an es das Fon ainhas são pessoas maio i a iamen e en elhecidas, e de modo a ga an i que odos êm acesso aos p og amas implan ados na esca pa, independen emen e das suas condições ísicas, o am ambém p oje ados dois ele ado es e icais, que azem a ligação di e a en e a Alameda das Fon aínhas, a encos a e a ia odo iá ia na co a in e io . Além dis o, e man endo a lógica da c iação de uma ede u bana de pequena escala, que pe mi e não só des u a de odos os espaços, como ambém e maio acilidade em acede a qualque local da en ol en e, p opõe-se ainda a ea i ação da Pon e D. Ma ia Pia como uma pon e pedonal. A a és des a p opos a in ensi ica-se ambém o incen i o à a i idade ísica já p omo ido na esca pa. Jun o à Pon e Ma ia Pia, é ainda implan ado um e cei o ele ado e ical, de meno escala, de ido às mesmas p oblemá icas que jus i icam a sua implan ação na encos a. Es e em associado um mi adou o na co a supe io , e pe mi e o acesso ao espaço come cial localizado na esca pa, elacionando-se assim com as es an es p opos as. Tal como e e ido inicialmen e, além dos núcleos de in e enção p incipais, o am ainda de e ados ou os ocos de in e enção de escala eduzida. Nes e sen ido, e de modo a complemen a a es an e p opos a, oi de inido um conjun o de cinco in e enções secundá ias, as quais p ocu am soluciona p oblemas localizados. Es as si uam-se em zonas opos as da á ea de abalho, es ando ês p esen es na en ol en e da Pon e do In an e, e as es an es jun o à en ol en e da zona habi acional. Rela i amen e ao núcleo de in e enção a oes e, p opõe-se a ocupação de um e eno sem in e enção com a cons ução de um edi ício de habi ação, na Rua das Fon ainhas. A a és da sua implan ação, p e ende-se não só es abiliza a en e de ua como ambém p omo e a eabili ação dos edi ícios de- olu os na en ol en e. Associado às habi ações, é p opos a a c iação de um es acionamen o p i a i o pa a os esiden es. Como consequência da in e enção, é ambém pe inen e emodela o espaço público en ol en e, c iando acessos que pe mi am aze a ligação en e as di e en es co as. Jun o a 37 38 Fig. 29 - Pe il sín ese da p opos a es e luga , é p opos a a eo ganização da p aça do bai o de S. Ví o , de modo a adap á-la à escala das habi ações. Com a in enção de uni o miza o espaço, é ainda p oje ado um no o edi ício habi acional que p e ende es abiliza a o ma do luga . Po sua ez, é ei a uma pequena in e enção no espaço ex e- io do Colégio de Nossa Senho a da Espe ança, p omo endo uma eo ganização do es acionamen o já exis en e e a c iação de um no o pa que sub e âneo. Rela i amen e ao segundo conjun o de in e enção, es e é compos o po duas p opos as. Uma delas diz espei o à emodelação do la go pad e Bal aza Guedes, ans o mando-o numa p aça de eceção pa a o Colégio dos Salesianos. Além dis o, é ainda ap o ei ado o decli e exis en e pa a a c iação de um pa que de es acionamen o sub e âneo. Po sua ez, p e ê-se a implan ação de no os edi ícios habi acionais na Rua de Gomes F ei e e na Rua de S. Ví o , com o in ui o de acolhe as pessoas desa- lojadas das habi ações que seja necessá io demoli ou eabili a . Po úl imo, conside a-se pe inen e a eabili ação de edi icado de olu o com is a a acolhe ga agens p i adas pa a os habi an es. 39 40 Fig. 30 - Des uição do e i ó io uc aniano causada pelo con li o com a Rússia II Re lexão eó ica: A qui e u a e Saúde Men al 2.1 P oblemá ica: O aumen o dos luxos mig a ó ios A segunda ase do p oje o inicia-se com uma e lexão pessoal sob e as p oblemá icas colocadas pelo a elie , despe ando um olha a en o sob e a sociedade. Nes e sen ido, e com base numa análise da sociedade a ual, é e iden e que p edomina um con ex o de ins abilidade - polí ica, económica e social - que em despe ado um clima de insegu ança a ní el global. De en e um as o conjun o de p oble- má icas que ma ca am a úl ima década, é essencial e e i acon ecimen os como a aques e o is as e desc iminações aciais e de géne o, que oco em dia iamen e, sem que os consigamos e i a ou puni de o ma e icaz. Po ou o lado, o eapa ecimen o de doenças como o Ébola, Legionella e g ipe A, con ibuiu pa a acen ua o clima já e e ido. Além dos aspe os mencionados, exis em ainda inúme os ou os acon ecimen os que êm con ibuído pa a a de e io ação económica da sociedade. En e eles, é pe inen e e e i a Gue a na Sí ia, ini- ciada em ma ço de 2011 e ainda a deco e , sendo já conside ada o pio desas e humani á io a ual. (Nações Unidas,b). Além dis o, é ambém opo uno menciona a ecen e pandemia p o ocada pela COVID-19, que su giu em Dezemb o de 2019, na China, e se alas ou po odos os con inen es, as- sim como a chegada ao pode do g upo de ebeldes Talibãs no A eganis ão. Es es alcança am de no o o pode em Agos o de 2021, após a e i ada das opas no e-ame icanas, e a consequen e dissolução do go e no exis en e. Po sua ez, e ainda deco e a ualmen e, a 24 de Fe e ei o de 2022, iniciou-se a in asão da Uc ânia pela Rússia, a qual em ge ado um clima de des uição o al. Como se o na e iden e, i em-se empos con o e sos, não só na Eu opa como em odo o mundo, o que em pe u bado o clima de es abilidade e e olução que se ambiciona a. A a és da con ex uali- zação do es ado a ual da sociedade, é ambém possí el comp eende que es a é ca ac e izada po um empob ecimen o da população, o que po sua ez p o oca um no o p oblema: o aumen o dos luxos mig a ó ios. De aco do com o Glossá io sob e Mig ação, um luxo mig a ó io consis e na “Con agem do núme o de mig an es que se deslocam ou êm au o ização pa a se desloca pa a (ou de) um país a im de e acesso a um emp ego ou ixa -se du an e um de e minado pe íodo de empo.” (O ganização In e nacional pa a as Mig ações, 2009, p.29). A deslocação de pessoas em massa, que se eem ob i- gadas a deixa os seus países de o igem em busca de um u u o com melho es condições nou o local, é um p ocesso bas an e complexo e demo ado, de ido a odas as limi ações encon adas ao longo do pe cu so a é ao país de des ino. 41 42 Fig. 31- Sí ia: Ras o de des uição p o ocado pela gue a De ido à equência des e ipo de mo imen os, e ao consequen e aumen o de mig an es e e ugiados, o am desen ol idos mecanismos de apoio a es as comunidades. En e eles, é possí el menciona , em 1951, a undação da O ganização In e nacional pa a as Mig ações. T a a-se da p incipal o ganização nes a á ea social, ocando-se em “(...) ga an i a ges ão o denada e digna da mig ação pa a o bene ício de odos, pa a p omo e a coope ação in e nacional em ques ões de mig ação, pa a auxilia na busca de soluções p á icas pa a p oblemas de mig ação e p es a assis ência humani á ia aos mig an es ne- cessi ados, incluindo e ugiados e deslocados in e nos.” (Nações Unidas,a). Além dis o, oi ambém desen ol ida uma pla a o ma, in i ulada “Sou um Mig an e”, a qual pa ilha “(...) as expe iências de mig an es de odas as o igens e em odas as suas iagens mig a ó ias.”. (Nações Unidas,a). Po ou o lado, oi ainda desen ol ido um as o leque de ins i uições go e namen ais dedicadas ao es udo e apoio da ein eg ação social des a comunidade. De en e as á ias exis en es, é essencial e e i o Pa lamen o Eu opeu, o Conselho Eu opeu, o Conselho da União Eu opeia, a Comissão Eu opeia, o Comi é Económico e Social Eu opeu e o Comi é das egiões, sendo odas es as ins i uições esponsá- eis pela c iação, ap o ação e p omulgação de polí icas eu opeias pa a a mig ação. Po sua ez, o T i- bunal de Jus iça da União Eu opeia, em como unção e i ica a aplicação e o cump imen o das leis po pa e dos es ados-memb os. A Agência Eu opeia da Gua da de F on ei as e Cos ei a e o Se iço Eu opeu de Polícia, exe cem unções ao ní el do con olo de on ei as e comba e ao á ico de se es humanos, espe i amen e. Po im, a Agência da União Eu opeia pa a o Asilo, a Agência dos Di ei os Fundamen ais da União Eu opeia e ainda a Agência da UE pa a a Ges ão Ope acional de Sis emas In o má icos, assegu am a p o eção dos di ei os humanos assim como os egis o de odos os dados dos p ocessos. A pa i da con ex ualização ap esen ada, o na-se e iden e que os luxos mig a ó ios são, a ualmen e, uma p oblemá ica cen al na sociedade. De aco do com as Nações Unidas, “Em 2017, o núme o de mig an es in e nacionais em odo o mundo (...) alcançou os 258 milhões (de 244 milhões em 2015).” (Nações Unidas,a). De modo a a enua a g a idade dos ac os e e idos, é necessá io assegu a o in- es imen o em mecanismos de apoio social a mig an es e e ugiados, com a in enção de os apoia no p ocesso de in eg ação e adap ação a uma no a cul u a e a um no o luga . É essencial ga an i que es e g upo social seja capaz de p ese a a sua in eg idade ísica e psicológica, de modo a que se o ne de no o p odu i o e possa con ibui pa a a e olução económica e social da comunidade. 43 50 Rela i amen e aos e ugiados e à especi icidade do seu con ex o de ida, o psiquia a Manuel Qua i- lho e e e que “Nós sabemos que a expe iência mig a ó ia é uma expe iência s essan e, e que, e en- ualmen e, há pessoas que anspo am consigo uma ce a ulne abilidade, o que az com que no p ocesso mig a ó io descompensem do pon o de is a clínico, e, po an o, enham aquilo a que nós chamamos uma doença men al, seja ela qual o . Nós sabemos que é assim.” (Qua ilho, 2022). A pa i des as decla ações, ica e iden e a elação en e os aumas ge ados pelo p ocesso mig a ó io e o su gimen o de doenças do o o psiquiá ico. Tal como o D . Qua ilho e e e, não é possí el aze a ligação di e a en e de e minado con ex o e de e minada pa ologia, po ém, é do conhecimen o públi- co que es a população em, de ac o, uma o e incidência de doenças psiquiá icas. Além do p ocesso mig a ó io, ambém a possí el di iculdade de adap ação a um no o país e a uma no a cul u a pode ge a p oblemas psicológicos. Is o é, “O p ocesso mig a ó io es á associado a si uações de descompen- sação clínica, e há a é condições clínicas especí icas, que de alguma o ma, a o ecem essa ese. Es ou a pensa , po exemplo, na esquizo enia. Pessoas mig an es, que de alguma o ma são desc iminadas no país de acolhimen o, e que a desen ol em.” (Qua ilho, 2022). Po ou o lado, ambém as pessoas em si uação de sem-ab igo se encon am ab angidas pelo mesmo p oblema. Apesa de o seu con ex o de ida se dis in o, ambém es a comunidade ap esen a uma sig- ni ica i a agilidade psicológica consequen e dos seus de e minan es sociais da saúde. Tal como e e e o psiquia a, “Eu ac edi o que mui as das pessoas que i em na condição de sem-ab igo, que i em na ua, mui as dessas pessoas êm, de ac o, pa ologia men al especí ica. E en ualmen e, são pessoas com quad o clínicos psicó icos, nomeadamen e, a esquizo enia.” (Qua ilho, 2022). No en an o, apesa da e e ência à esquizo enia, é pe inen e salien a , mais uma ez, que não exis e uma ligação ob i- ga ó ia en e es e con ex o e uma pa ologia especí ica. Impo a ealça que “São pessoas mui as ezes a e adas po expe iências de p i ação ma e ial em idade p ecoce ou po ou o ipo de expe iências de ad e sidade que, de alguma o ma, culmina am nes a condição de sem-ab igo. Po an o, não em de ha e uma pa ologia men al especí ica, não em de ha e um diagnós ico psiquiá ico especí ico, mas há mui as ezes uma si uação de mal-es a ísico e men al que esul a de uma aje ó ia biog á ica complicada.” (Qua ilho, 2022). 51 52 2.3 Concei o: In luência da A qui e u a na saúde men al O abalho em causa e le e sob e o papel da a qui e u a na sociedade, en ando comp eende de que o ma es a pode con ibui pa a uma posi i a e olução da mesma. Numa época de g ande desen ol- imen o ecnológico e cien í ico, é cada ez mais alo izado o conhecimen o in e disciplina , e é a pa i des e concei o que se p e ende es uda e e le i sob e uma possí el elação en e a a qui e u a e a psiquia ia. Is o é, comp eende de que o ma, a a és do conhecimen o psiquiá ico, é possí- el p oje a espaços que in luenciem o es ado psicológicos dos u ilizado es. Nes e caso, p e ende-se, a a és da elação en e as duas disciplinas e e idas, iden i ica qual a melho es a égia pa a p oje a um alojamen o empo á io des inado a pessoas com g ande p obabilidade de desen ol e em algum ipo de pa ologia men al. O obje i o cen a-se em o na o p oje o de a qui e u a em algo mais do que apenas uma ques ão p og amá ica e uncional. Des e modo, a in enção é p oje a um espaço que con ibua pa a o bem-es a dos u en es, pa a a melho ia da sua saúde men al e, consequen emen e, acili e o p ocesso de ein eg ação social. De modo a ob e opiniões álidas sob e es a es a égia, o am ealizadas duas en e is as a médicos psiquia as, pa a que, de aco do com o seu conhecimen o, pudessem iden i ica a p opos a como algo iá el, ou não. A escolha dos psiquia as a se em en e is ados de eu-se não só ao seu pe cu so p o issional, como ambém ao espaço clínico no qual deco e ia a en e is a. Es e úl imo pa âme o é ele an e pa a o p ocesso de abalho pois pe mi e compa a as di e en es sensações que os di e en es ipos de espaço de consul a p o ocam, sendo assim possí el bene icia do conhecimen o ob ido a a- és de uma expe iência pessoal. Assim sendo, oi, numa p imei a ase, en e is ada a D a. Paula Valen e, psiquia a e psico e apeu a na cidade do Po o. A en e is a deco eu na sua clínica, sendo es e um espaço pensado à medida do u i- lizado , p i ilegiando as ques ões de p i acidade e de con o o isual e acús ico ine en es ao p ocesso e apêu ico. Quando ques ionada ace ca da possí el elação en e a a qui e u a e a psiquia ia, a D a. Paula começou po escla ece que “Eu não di ia ão especi icamen e en e a psiquia ia e a a qui e u a, mas di ia de uma o ma mais gené ica en e a a qui e u a e a saúde men al. E aí podemos pensa em saúde men al de uma o ma global e podemos ambém pensa naquilo em que a a qui e u a pode á ajuda na p omoção do bem-es a e da saúde men al. Não só em elação à conceção e cons ução de clínicas ou hospi ais psiquiá icos mas ambém em elação aoplaneamen o e conceçãode habi ação e ao planeamen o das cidades em ge al.” (Valen e, 2022). De aco do com es a a i mação, e com a es- an e en e is a, comp eende-se que é, de ac o, possí el, aze uma elação en e as duas disciplinas. Não da o ma inicialmen e p e is a, mas sim enca ando a a qui e u a como uma o ma de p omo e 53 54 a saúde men al. Des e modo, é e iden e a an agem de ob e conhecimen o mul idisciplina , o qual pe mi e explo a a a qui e u a como um mecanismo p odu o de bem-es a . Pos e io men e, com a in enção de ob e uma no a opinião sob e o ema em causa, oi ealizada uma segunda en e is a, nes e caso ao D . Manuel Qua ilho, médico psiquia a no CHUC, em Coimb a. A en e is a deco eu no seu gabine e médico no CHUC, sendo uma expe iência con as an e com a an e io . Ao longo da con e sa, quando ques ionado ace ca do mesmo ema, o D . Qua ilho a i mou ambém que conside a possí el uma elação en e a qui e u a e saúde men al, e e indo que “(...) ac edi o que haja, de ac o, uma elação, da mesma o ma que há uma elação en e cidade e saúde men al, ha e á com ce eza uma elação ambém en e o luga em que a pessoa i e e a saúde men al. Ha e á com ce eza uma elação en e a a qui e u a e a saúde men al.” (Qua ilho, 2022). Com base nes a a i mação, o na-se pe ce í el que o luga in luencia o u ilizado , sendo assim possí el ans o - ma uma expe iência espacial em algo bené ico pa a a saúde men al. Após a ealização das en e is as, e ambém com base na expe iência espacial ob ida, icou e iden e que a elação en e a a qui e u a e a saúde men al é algo plausí el e iá el, sendo possí el usa esse ema como concei o de inido de uma es a égia de p oje o em qualque ipo de p og ama. Po sua a ez, a ligação en e a qui e u a e psiquia ia, inicialmen e p opos a, se á iá el quando se a a de um p og ama dedicado à saúde men al, de aco do com a psiquia a Paula Valen e. Nes e sen ido, é en ão necessá io iden i ica qual o mé odo adequado pa a o desenho do espaço, de modo a e le i es a ligação, deixando e iden e que “(...) a ha monia dos espaços, o ac o de os espaços se em concebidos e c iados de uma o ma ha moniosa, endo em con a o bem-es a das pessoas que os ão usa , pode á es a associado à p omoção do bem-es a e da saúde men al (ao con á io dos espaçosdeg adados, sob elo ados ou andalizados, que em ins i uições de saúde men al que em cidades). A ha monia dos espaços espe a-se que possa ajuda na ha monia in e io .” (Valen e, 2022). 55 56 Fig. 36 - Li o “The eyes o he skin - A chi ec u e and he senses”, de Juhani Pallasmaa Fig. 37 - Li o “ Habi a ”, de Juhani Pallasmaa 2.3.1 P incípios pa a o desen ol imen o de uma a mos e a e apêu ica Com base na opção es a égica p e endida, o am es udadas di e en es ob as e au o es, de modo a ob- e e e ências pa a a c iação de um luga no qual odos, independen emen e das suas ca ac e ís icas, se sin am acolhidos. Numa p imei a ase, é essencial começa po aze uma dis inção en e os concei os de espaço e luga , endo em con a que, an o os a qui e os como os psiquia as, lhes con e em um signi icado dis in o. Is o é, “O luga é a in e p e ação do espaço, es ando assim na essência da exis ência e da iden idade humanas. É a expe iência que cada indi íduo em dos luga es que de ine as suas i ências, as suas pe enças, as suas iden idades. A amilia idade ans o ma o espaço em luga es.” (Noguei a, 2020, p. 438). A pa i da explicação ap esen ada, su ge a in enção de o na o p oje o num “luga ”, no qual odos se in eg em e do qual se possam ap op ia . Des a o ma, az sen ido es uda au o es como Juhani Pallasmaa, que esc e e sob e a impo ância de p oje a c iando a mos e as que in e e i am com a pe ceção senso ial dos u ilizado es. De aco do com o au o , “Toda a expe iência como en e com a a qui e u a é mul issenso ial, as ca ac e ís icas do espaço, ma é ia e escala são medidas igualmen e po nossos olhos, ou idos, na iz, pele, língua, esquele o e músculos. A a qui e u a e o ça a expe iência exis encial, nossa sensação de pe ence ao mundo, e essa é essencialmen e uma expe iência de e o ço da iden idade pessoal.” (Pallasmaa, 2011, p. 39). Re le indo sob e a exp essão ap esen ada, é possí el comp eende que o au o de ende uma a qui e u a pensada senso ialmen e, is o é, uma a qui e u a que in e aja com os u ilizado es e com os seus sen idos. A a és des e mé odo, é possí el c ia di e en es expe iências espaciais em cada u iliza- do , de aco do com a sua pe ceção indi idual do espaço. “A a mos e a comunica com a nossa pe ceção emocional (…)”, (Zum ho , 2006, p.12) e é a pa i des e concei o que, po sua ez, Pe e Zum ho de ine no e pon os undamen ais que de em se conside ados no momen o de p oje a . O p imei o pon o diz espei o ao co po da a qui e u a, is o é, o seu olume cons uído, e o impac o da cons ução. Es a de e se pensada endo em conside ação odas as suas componen es e ca ac e ís icas, como se de um e dadei o co po se a asse. O segundo pon o diz espei o à consonância dos ma e iais. Es es de em se escolhidos e expe imen ados endo em con a a o ma como eagem quando são conjugados. Exis e um conjun o in ini o de composições cons u i as e ma e iais que de em se explo adas em busca da a mos e a p e endida. Po sua ez, o e cei o e qua o pon o dizem espei o ao som do espaço e à empe a u a do espaço, es ando es es di e amen e elacionados com os ma e iais ado ados e com a o ma com es es se adequam ao uso do 57 58 Fig. 38 - Li o “A mos e as”, de Pe e Zum ho Fig. 39 - Li o “Ques ions o pe cep ion: Phenomenology o A chi ec u e”, de S. Holl, J. Pallasma, A. Pé ez-Gómez espaço. O quin o pon o es á elacionado com as coisas que me odeiam, is o é, a en ol en e e aquilo que a ca ac e iza. Os obje os que são de alhadamen e escolhidos pa a con ibui em pa a o p ocesso de c iação da a mos e a p e endida. De seguida, é abo dado o ema en e a se enidade e a sedução, que se elaciona com a o ma como nos mo imen amos no espaço a qui e ónico. A o ma como o desenho in e io nos guia em de e minada di eção, ou nos pe mi e aguea , explo ando cada compa imen o Os dois pon os seguin es dizem espei o à ensão en e in e io e ex e io e aos deg aus da in imidade, e le indo sob e as ques ões da p i acidade e da escala, espe i amen e. Po im, é ainda conside ada a luz sob e as coisas, sendo es e um pon o se ealça a impo ância de es uda os concei os de luz/ somb a e a sua impo ância na ca ac e ização de um luga . (Zum ho , 2006). De aco do com es e pensamen o, é pe inen e in oduzi um no o concei o que diz espei o à elação en e a a qui e u a e os sen idos do co po humano, a enomenologia. O ilóso o ancês Mau ice Me leau-Pon y es udou e e le iu sob e a enomenologia e a pe ceção do mundo, pa ilhando as suas conclusões a a és do li o Phenomenologie de la Pe cep ion. Na sua in es igação, esc e eu ambém sob e as eações e os mé odos de lei u a do Homem, incluindo a sua elação com a a qui e u a. Nes e sen ido “(…) é possí el a a as elações en e A qui e u a e o homem, em que o espaço é esponsá- el po es imulá-lo, ísica ou psicologicamen e, a pa i das suas ca ac e ís icas. A es a elação es ão associadas ques ões como a pe ceção espacial, uição senso ial e enomenologia na A qui e u a (…)”. (Lou enço, 2016, p. 27). Com di e izes semelhan es, é u ilizada pa a o desenho da clínica a me odologia E idence Based Design, popula izada po Roge Ul ich, e que consis e numa humanização dos ambien es hospi a- la es. “Es es ambien es ca ac e izam-se, de g osso modo, pela elação en e os espaços in e io es e o espaço ex e io , sob e udo se o espaço ex e io o aja dinado, a ado, com is as paisagís icas e de boa o ien ação, mas ambém pela ca ac e ização dos espaços in e nos a a és do con o o dos di e sos ní eis ( é mico, acús ico, de iluminação), e se a expe iências de pe manência o e ece qualidades de ambien es domés icos.” (Sil a, 2020, p. 31). De aco do com as conclusões e i adas das en e is as ealizadas, assim como do es udo eó ico, e- i icou-se que a me odologia da a qui e u a senso ial co esponde à ca ac e ização do espaço ideal ei a pelos psiquia as. Is o é, um espaço ha monioso, cuja en ilação, acús ica e é mica enham sido de alhadamen e es udadas pa a es imula uma sensação de con o o, p omo endo uma melho adap- ação e ap op iação do espaço. É, simul aneamen e, impo an e que se es ímule o sen ido de pe ença e comunidade, de modo a acili a o p ocesso de ein eg ação, e, consequen emen e, dinamiza as elações in e pessoais. 59 66 Fig. 43 - Vis a ex e io do edi icado Fig. 45 - Plan a ilus a i a da á ea esidencialFig. 44 - Ap op iação do co edo como espaço de es a 3.1.2 Homes o Senio Ci izens, Pe e Zum ho A ob a Homes o Senio Ci izens, localiza-se em Chu , na Suíça e oi p oje ada pelo a qui e o Pe e Zum ho en e 1989 e 1993. O edi ício consis e numa esidência pa a idosos, sendo des inado a pes- soas com idade a ançada, po ém, que man êm a sua au onomia e capacidade de mo a em sozinhas. A cons ução em causa oi pensada de modo a elaciona -se di e amen e com a en ol en e, i ando pa ido do espaço ex e io , que pe mi e um con ac o p óximo com um ambien e na u al. Rela i amen e à unção p og amá ica do edi ício, e após uma análise do p oje o, é possí el comp e- ende que o au o dá espos a ao p og ama esidencial e e ido a a és de uma es a égia di e en e da habi ual. Is o é, es e eco e à elabo ação de apa amen os, ao in és de qua os, o que con e e maio p i acidade e con o o aos seus u ilizado es. Po sua ez, a ligação da á ea p i ada às es an es zonas do edi ício é assegu ada a a és da c iação de co edo es com gene osas dimensões, que acabam po se assumi ambém como espaços comuns e de es a . As dimensões e e sa ilidade do espaço pe mi em ambém a colocação de mobiliá io semelhan e ao domés ico, o que con ibui pa a a es imulação de um ambien e amilia . Com base na análise dos di e en es espaços in e io es, p i ados e comuns, o nou-se cla a a in enção de c ia uma a mos e a que ansmi a a sensação de amilia idade aos u en es. Is o é conseguido não só a a és do desenho e o ganização do espaço, como ambém a a és da ma e ialidade ado ada, o que con e e aos espaços in e io es do edi ício um ca á e p óximo do domés ico. Po sua ez, é ainda ele an e e e i que es á p esen e a p eocupação de man e a elação isual com o ex e io e de i a pa ido da incidência de luz na u al, sendo os alçados ca ac e izados po g andes ãos en id açados. Além dos e e idos ãos, as achadas são ainda ca ac e izadas pela ma cação das uma mé ica egula , o que con e e simplicidade e i mo ao edi ício. Pos o is o, es a ob a ap esen a-se como uma e e ência pe inen e pa a o abalho em desen ol imen- o, não só de ido às semelhanças p og amá icas, como ambém às semelhanças en e ambos os con- cei os de p oje o. Inicialmen e, es e complexo começou po se es udado em unção do seu p og ama esidencial, com a in enção de comp eende o modo como o espaço é o ganizado, assegu ando odas ques ões de p i acidade, acessibilidade e con o o. Toda ia, ao longo do p ocesso, o nou-se cla a a pe inência de uma análise mais de alhada, en ando comp eende de que o ma a o ganização do espaço in e io , assim como a ma e ialidade, o am explo adas de modo a c ia uma a mos e a de se enidade e con o o, acili ando a adap ação. 67 68 Fig. 46 - T ans o mação dos espaços de ci culação em espaços de es a Fig. 48 - Pá io ex e io Fig. 47 - Receção 3.1.3 Casa de Saúde Rainha San a Isabel, A elie do Co o A Casa de Saúde Rainha San a Isabel, localizada em Condeixa, consis e numa Ins i uição Pa icula de Solida iedade Social no âmbi o da saúde men al. Sendo um edi ício especializado e de g ande escala, p es a se iço em di e en es á eas de in e enção, en e elas psiquia ia, psicoge ia ia, incapacidade in ec ual, eabili ação psicossocial e ambula ó io. Nes a úl ima es ão incluídas consul as das á ias especialidades ine en es ao acompanhamen o médico. T a a-se de um edi ício com g ande capacidade de eceção de u en es, es ando ap o pa a consul as ex e nas e in e namen o. O p oje o de a qui e u a oi desen ol ido pelo A elie do Co o, em 2020, endo a encomenda sido p omo ida pelas I mãs Hospi alei as do Sag ado Co ação de Jesus. A ob a em causa consis e na e- modelação do an igo edi ício Ben o menni, ao qual ac esceu uma ampliação do olume, dedicada aos se iços adminis a i os. Do conjun o a qui e ónico ambém az pa e a Ig eja da Ressu eição. T a ando-se de uma eabili ação, e de ido à necessidade de cump i odos os equisi os uncionais e p og amá icos impos os, o am ealizadas di e sas ans o mações no edi ício exis en e. En e elas é undamen al e e i a ampliação da á ea de in e enção pa a Nascen e, o ac éscimo de um no o piso, assim como a demolição da cobe u a de duas águas. Apenas os elemen os es u u ais o am p ese a- dos, sendo ap o ei ados pa a a de inição da linguagem e i mo in e io p e endidos. Em e mos p og amá icos, o edi ício é, maio i a iamen e, dedicado à saúde men al, es ando des ina- do não só à ealização de consul as, como ambém ao in e namen o de doen es men ais p o undos. Po ém, es á ambém disponí el o acompanhamen o médico nas es an es especialidades, sendo es e necessá io ao longo do in e namen o dos u en es. Re le indo sob e as ca ac e ís icas dos di e en es es ágios e g aus de doença men al acolhidos, o am desenhados qua os com di e en es ipologias. Is o é, o am p oje ados qua os indi iduais e iplos pelos quais são dis ibuídos os u en es, de aco do com a sua pa ologia e a sua capacidade de socialização ou necessidade de p i acidade. Além dos qua os, o am ainda p oje ados pequenos apa amen os indi iduais des inados a doen es mais au ónomos, demons ando assim p eocupação com a sua p i acidade e a alo ização da sua au onomia. Po ém, de ido à especi icidade do p og ama, o am impos as á ias condicionan es, p incipalmen e ao ní el da segu ança e acessibilidades. Não obs an e, apesa des as imposições, exis iu, po pa e dos au o es do p oje o, a in enção de con a ia a a mos e a hospi ala que, equen emen e, p edomina nes es luga es. 69 70 Nes e sen ido, e al como a au o a e e e na en e is a ealizada, es e e semp e ine en e a es e p oje o a in enção de desenha um espaço que, apesa de odos os equisi os hospi ala es ob iga ó ios, pudesse ambém se ap azí el e con o á el. A a és da c iação de di e en es a mos e as ao longo da sequência dos espaços, com escalas e ma e ialidade dis in as, p e endeu-se desenha um espaço à medida do u en e, no qual es e se sin a acolhido e alo izado, despole ando o sen imen o de pe ença. Um espaço dinâmico mas simul aneamen e acolhedo . Um e dadei o la pa a os que e ão a necessidade de i e nele o es o das suas idas. Es e concei o de p oje o oi possí el de ido à es a égia u ilizada pa a o desenho in e io . Tal como a a qui e a e e e, os espaços de ci culação o am desenhados como uas, sendo p o undos e com dimensões gene osas. (Ped o, 2022). Fo am c iados i mos a a és do a anço e ecuo de olumes, o que con ibuiu pa a con e i dinamismo ao espaço. Po sua ez, a ma e ialidade oi ambém escolhida com a in enção de ansmi i o máximo de con o o possí el, ans o mando a a mos e a hospi ala na a mos e a de um la . Não obs an e, dada a exigência do p og ama em causa, oda a es a égia an e- io men e e e ida oi desen ol ida e ap o ada jun amen e com uma equipa de psiquia as, psicólogos e en e mei os, de modo a que as escolhas a qui e ónicas não in e e issem no p ocesso de a amen o médico. Des a o ma, conciliando duas á eas disciplina es dis in as - a qui e u a e psiquia ia/psicolo- gia - oi possí el desenha um espaço à medida daqueles que o u ilizam, com a in enção de acili a o p ocesso de in eg ação e adap ação a uma no a ealidade. Como se o na e iden e, após a explicação ap esen ada, es e edi ício é um caso de es udo pe inen e, pois oi desen ol ido segundo as mesmas p eocupações concep uais p esen es no p oje o em desen- ol imen o. Tal como nes e úl imo, ambém no caso de es udo hou e a in enção de concilia di e- en es á eas de in es igação, de modo a ob e uma espos a a qui e ónica o mais e icien e possí el. A ma e ialidade e os i mos in e io es ado ados pe mi i am c ia di e en es a mos e as ao longo da sequência dos espaços, o que o na es a ob a numa e e ência essencial ao desen ol imen o de qual- que p og ama dedicado à doença/ saúde men al. O que se p e ende, em ambos, é es uda a c iação de di e en es ambien es, a a és da ma e ialidade e da o ma, de modo a que es es con ibuam pa a a p omoção da saúde men al. 71 72 Fig. 49 - Á ea de en e is a Fig. 51 - Receção e ligação à sala de espe aFig. 50 - Á ea de abalho indi idual do psiquia a 3.1.4 Medical Clinic, aNC a qui e os A Medical Clinic localiza-se na cidade do Po o, e oi p oje ada pelo a elie aNC a qui e os, em 2014. T a ando-se de um espaço des inado à ealização de psico e apias, oi p oje ada segundo um concei o a qui e ónico dis in o do habi ual “(…) dis anciando-se dos espaços de saúde higienis as e ap oxi- mando-se de um ambien e ese ado, ín imo e acolhedo .” (aNC a qui e os). Apesa de se um p o- je o de pequena escala, é e iden e, no desenho in e io , a p eocupação em pensa a sequência dos es- paços, di e enciando-os pela sua o ma e ma e ialidade, sem nunca desco a a ques ão da p i acidade. Sendo es e um local dedicado à saúde men al, oi ambém ele pensado como uma e amen a sim- bólica de auxilio aos a amen os p es ados. Tal como e e iu o au o do p oje o, o espaço “(…) oi pensado pa a a e a psicologicamen e e pa a con e i se enidade. Pelo menos, al ez seja o mínimo, en a e i a enção à en ada no espaço e, po an o, ao e i a ensão, da espaço à elação en e a médica e o pacien e.” (Ca alho, 2022). Is o é, o p oje o oi desen ol ido p i ilegiando concei os como silêncio e p i acidade, c iando uma a mos e a de acolhimen o e con o o, a qual bene icia os a amen o ealizados. Es e obje i o é conseguido a a és do es udo da o ma, da ma e ialidade, da incidência de luz na u al e da escala u ilizada, esul ando num espaço que e le e não só a p eocupação com o cump imen o dos pa âme os uncionais exigidos, como ambém p e ende con e i o máximo de con o o e se enidade aos u en es. Po ou o lado, é ainda essencial ealça que o p oje o oi desen ol ido obedecendo a di e izes eco- mendadas pela psiquia a p op ie á ia do espaço, o que comp o a a iabilidade da elação en e am- bas as disciplinas. Tal como a p óp ia a i ma, “(…) A o ma como são concebidas a ualmen e, pelos a qui e os, as ins i uições e ambien es e apêu icos, ambém ajuda á a cons ui a imagem de como é is a a doença men al (...) e aí o diálogo com os écnicos de saúde men al pode á se uma mais alia.” (Valen e, 2022), demons ando assim os bene ícios do abalho mul idisciplina . Is o é, a linguagem a qui e ónica u ilizada na conceção de espaços dedicados à saúde men al, pode á ambém in luencia a o ma como es e ipo de pa ologias são enca adas pela sociedade, con ibuindo pa a a diminuição do es igma exis en e. Nes e sen ido, o p oje o em causa o na-se numa e e ência a qui e ónica pe inen e, pois consis e num exemplo de capacidade de sín ese en e a complexidade do p og ama e a simplicidade do espaço. Além disso, ap esen a semelhanças concep uais com o p og ama em desen ol imen o, pois es á p e- sen e a p eocupação de ans o ma a a qui e u a em algo mais do que apenas equisi os uncionais. 73 74 Fig. 52 - Fo omon agem da p opos a 3.2 P opos a: Alojamen o empo á io e clínica médica Numa segunda ase de desen ol imen o do p oje o, e sendo p opos a a implan ação de um p og a- ma de ca á e social, oi possí el escolhe en e a implan ação de um cen o comuni á io, edi ício de banhos públicos ou de um alojamen o empo á io. En e as opções e e idas, op ou-se pela úl ima, de ido à necessidade e impac o social des e p og ama. Is o é, op ou-se pelo desen ol imen o de um alojamen o empo á io, pois a a-se de um p og ama capaz de comba e as p oblemá icas associadas ao ema eó ico do a elie , sendo ambém ca ac e izado po uma e sa ilidade que lhe pe mi e adap- a -se às demais exigências do u u o. Po ou o lado, o p og ama oi ambém selecionado de ido à sua simbologia, e o çando a ideia de que odos os cidadãos, independen emen e da e nia, do géne o ou da classe social, odos êm di ei o a possui em um “ab igo”, um luga de acolhimen o. Des a o ma, es e concei o az ainda mais sen ido sabendo que es e espaço se des ina á a e ugiados e pessoas em si uação de sem-ab igo, es ando ine en- e a in enção de p omo e e acili a o p ocesso de ein eg ação social des a população, comba endo a desc iminação e exclusão à qual es ão expos os. Aliada a es a in enção, su ge ambém a p eocupação com a saúde men al do público-al o, pois é do conhecimen o público que as suas ci cuns âncias de ida p omo em o apa ecimen o de doenças men ais. É de aco do com es es aspe os que su ge o obje i o de p oje a um espaço que seja algo mais do que apenas um local pa a habi a , sendo es e desen ol ido com base numa sé ie de p eocupações além das inicialmen e p e is as. Além do enunciado p opos o, oi ainda omada a opção de desen ol e uma no a e en e p og amá- ica, uma clínica médica e de psico e apia, endo es a opção su gido após o es udo eó ico da p oble- má ica do a elie e das ca ac e ís icas do público-al o. Des a o ma, en a-se e idencia a impo ância da saúde e da saúde men al no p ocesso de ein eg ação social, e é a pa i des e pensamen o que su ge a es a égia pa a o p oje o. Po ou o lado, oi ambém cons an e a ambição de inclui no p oje o espaços des inados a a i idades em g upo, podendo es as se de ca á e didá ico ou lúdico. Foi ainda econhecida a pe inência de desenha espaços especialmen e dedicados à es imulação das elações in e pessoais. Espaços onde se p omo em momen os de con í io, nos quais se possam elemb a memó ias, desc e e cul u as e pa ilha os desejos pa a o u u o. O local de in e enção ambém se encon a pe ei amen e enquad ado com es e ipo de p og ama, sendo já ca ac e izado po um as o con ex o his ó ico de habi ação social. Es a zona con inua bas- 75 82 Fig. 56 - Relação da á ea de implan ação com a en ol en e p óxima Fig. 57 - Impac o isual da á ea de implan ação 83 enunciado p opos o, pe mi indo assim desen ol e um p og ama complemen a ao inicialmen e p e- is o. Além das ca ac e ís icas do espaço, ambém o p óp io con ex o his ó ico do luga onde o e eno se localiza o o na pe inen e pa a a in e enção. Is o é, com base numa b e e análise his ó ica, é possí el comp eende que, jun o ao La go Pad e Bal aza Guedes, se localiza o Colégio dos Salesianos, sendo es e um ma co a qui e ónico do luga . T a a-se de um edi ício com á ios séculos de his ó ia, que oi abandonado e deixado em uínas após o Ce co do Po o, que se deu en e 1832 e 1833. Pos e io men- e, ainda no século XIX oi eabili ado o nando-se no Real Colégio dos Meninos Ó ãos de Nossa Senho a da G aça da Cidade do Po o, undado pelo pad e Bal aza Guedes, inicialmen e nou a localização. Mais a de, o edi ício oi adqui ido pela Fundação Salesianos, endo sido, ecen emen e, eabili ado e ans o mado num colégio p i ado, o chamado Colégio dos Salesianos. Po sua ez, é ambém nes e local que se localizam as ilhas, ipologia de habi ação social ca ac e ís ica do século XIX, maio i a iamen e des inada a ope á ios da indús ia êx il. São habi ações ca ac e izadas pelas suas dimensões mínimas, com poucas condições de habi abilidade, nas quais ainda hoje em dia apenas habi am amílias ca enciadas. Como se o na e iden e, es e luga é ca ac e izado, ao longo dos séculos, po um con ex o de agi- lidade social e económica, sendo o p ocesso de acolhimen o de des a o ecidos um alo já ine en e e ípico des a população. Des e modo, a implan ação de um alojamen o empo á io des inado a e u- giados e pessoas em si uação de sem-ab igo o na-se bas an e pe inen e, não só pelas ca ac e ís icas do e eno de in e enção e pelo po encial da sua localização, como ambém pelo con ex o em que se inse e, sendo um mecanismo que pode á ambém con ibui pa a a enua as agilidades da comu- nidade. É com es a in enção que se p e ende que, apesa da e en e esidencial se apenas des inada ao público-al o e e ido, as es an es e en es cul u ais, sociais e médicas do edi ício sejam de acesso público, es ando ao dispo de oda a comunidade. 84 Fig. 58 - Iden i icação das di e en es componen es p og amá icas 3.2.3 Implan ação e o ganização p og amá ica Após o p ocesso de análise ealizado, assim como a de inição da es a égica concep ual p e endida, oi possí el da início ao desen ol imen o do desenho a qui e ónico pa a a p opos a do alojamen o empo á io e clínica médica das Fon ainhas. Numa p imei a ase de de inição de olumes, op ou-se po uma es a égia de implan ação que con i- bui ambém pa a a consolidação da p opos a u bana, enquad ando-se nos seus p incípios ge ais. Is o é, p opõe-se a implan ação de um edi ício cons uído pelo limi e ex e io do e eno, que, azendo a en e de ua, e idencia a on ei a en e o espaço público e p i ado. Po ou o lado, ela i amen e ao in e io das pla a o mas, são es ipuladas es a égias dis in as em cada uma delas. Na pla a o ma da co a in e io , esponsá el po acolhe o p og ama de saúde e o es acionamen o p i a i o, a cons ução p opos a u iliza odo o espaço de in e enção disponí el, sendo o olume es endido a é aos limi es exis en es. No cen o do olume é c iado um g ande pá io que cump e não só os equisi os uncionais necessá ios como ambém é in eg ado no concei o a qui- e ónico u ilizado no p og ama. Po sua ez, na pla a o ma supe io , a es a égia é dis in a. De ido às suas gene osas dimensões, op ou-se po di idi o espaço e c ia dois pá ios, a a és da implan ação de um no o olume cen al, endo es es unções dis in as. Des a o ma, é possí el i a p o ei o do espaço ex e io exis en e, es ando o seu desenho incluído na es a égia do p oje o. Nes e sen ido, a p opos a é ca ac e izada po um conjun o de olumes que se encon am diagonalmen e en e si, os quais ep esen am di e en es unções. Como se o na e iden e, a es a égia ado ada pa a a implan- ação p e ende não só in eg a -se no planeamen o u bano p opos o, como ambém i a o máximo p o ei o das ca ac e ís icas espaciais e en ol en es da á ea de in e enção. Assim, não só a localização dos olumes como ambém a dis ibuição das di e en es á eas uncionais ine en es ao p og ama o- am es abelecidas de modo a se possí el usu ui o máximo do espaço ex e io , da exposição sola e is a paisagís ica que o local p opo ciona. Des a o ma, a en ol en e na u al é ado ada como pa e essencial do concei o a qui e ónico, sendo uma mais- alia pa a os obje i os ambicionados. De modo a e uma noção exa a sob e a escala da in e enção, é pe inen e e e i que o e eno em causa em uma á ea o al de 3133.68 m2, es ando eles dis ibuídos po duas pla a o mas em ní eis dis in os. Rela i amen e ao p og ama, es e oi sendo cons uído ao longo do desen ol imen o do p oje o, com base na in es igação ealizada sob e o público-al o e as suas especi icidades. Além dis o, oi ambém pensado pa a pode se usado, em de e minadas e en es, pela comunidade, de modo a se um me- canismo que con ibua pa a a in eg ação e não pa a a c iação de mais on ei as en e classes sociais. Nes e sen ido, além da á ea esidencial des inada pessoas em si uação de sem-ab igo e e ugiados, são 85 86 Fig. 59 - Receção da clínica Fig. 61 - Sala poli alen e Fig. 60 - Receção do alojamen o Fig. 62 - Pan a de cobe u a c iadas, no mesmo edi ício, á eas de acesso público, ais como uma clínica médica, um e ei ó io social e espaço pa a a i idades lúdicas e didá icas. De modo a aze uma dis inção en e as di e en es zonas, ap o ei ou-se a opog a ia do e eno pa a a dis ibuição dos p og amas, es ando a componen e públi- ca na pla a o ma à co a in e io e a componen e p i ada na pla a o ma supe io . No ní el in e io do e eno, é possí el começa po e i ica o desen ol imen o de um es aciona- men o p i a i o aos u en es e uncioná ios do edi ício, sendo o acesso ei o a a és da Rua de Gomes F ei e. Des e modo, é possí el i a o máximo p o ei o do espaço de in e enção disponí el, come- çando a p opos a à co a 59.5. O es acionamen o em 18 luga es de capacidade, dos quais qua o são des inados a pessoas com mobilidade eduzida. Além dis o, são ambém incluídas nes e espaço ês a ecadações com dimensões gene osas, des inadas ao a mazenamen o de p odu os alimen a es, de limpeza e ou os mecanismos ine en es ao bom uncionamen o e manu enção do edi ício. Nes e espaço exis e ainda um bloco de acessos e icais, o qual pe mi e, a a és do uso de escadas ou ele a- do , aze o acesso aos qua o pisos exis en es. Sendo o es acionamen o ambém des inado a ca gas e desca gas, oi incluído um ele ado apenas des inado a es a unção, azendo a dis inção en e acessos pa a o público e acessos de se iço, apenas des inados a uncioná ios. Ainda nes a pla a o ma, o piso supe io , que se encon a à co a 63.5, é des inado à implan ação da clínica médica, sendo es a des inada que aos u en es do alojamen o que à es an e comunidade. T a a-se de um p og ama desen ol ido em o no de um g ande pá io cen al, o que pe mi e, simboli- camen e, es imula o sen ido de comunidade e con o o. O p og ama é cons i uído po di e sas á eas clínicas, p e endendo p es a apoio nos p incipais se iços de saúde. Nes e sen ido, ela i amen e à saúde ísica, o am p oje ados qua o gabine es de medicina ge al e um de en e magem, assegu ando o acompanhamen o de odos os u en es. Es es es ão localizados a oes e, usu uindo da is a e da luz na u al exis en e. Em elação à saúde men al, e sendo essa uma ques ão cen al no desen ol imen o do p oje o, o am incluídos ês consul ó ios com unções dis in as. Assim, exis e um consul ó io de psicologia, um de psiquia ia e um de psicanálise, dando espos a aos di e en es ipos de pa ologias ou necessidades exis en es. Com a in enção de assegu a as ques ões de p i acidade ine en es ao a a- men o psicológico, es es gabine es usu uem de salas de espe a p i a i as. Es ando di ecionados a sul, ambos os espaços, de espe a e de consul a, usu uem da paisagem pa a o io Dou o e Vila No a de Gaia. Po sua ez, o am ainda p oje ados mais ês espaços des inados a a i idades especí icas, sendo eles uma sala de e apia de g upo, uma sala de isio e apia e uma sala Snoezelen, que consis e num espaço mul i-senso ial, ecomendado não só pa a pessoas com demência mas ambém pa a comba e si uações de s ess e ansiedade. Des e modo, em uma á ea o al de 739.69 m2, incluindo espaços de ci culação, de espe a e de se iço, en a-se da espos a às p incipais necessidades dos u en es. O pá io, com 208.77 m2, é ambém uma pa e cen al do p oje o, pe mi indo não só cump i os equisi os uncionais exigidos como ambém pode se u ilizado pa a a ealização de a i idades e apêu icas ex- e io es. O piso seguin e az a ligação en e as duas pla a o mas, es ando di idido em duas á eas com desní el de um me o. Es e piso é o que ap esen a maio es dimensões, 1414.82 m2, sendo compos o po di- e en es unções. À co a 69, jun o ao c uzamen o da Rua de Gomes F ei e, Rua das Fon ainhas e Rua Duque Saldanha, encon a-se a en ada do edi ício, a qual é ei a a pa i de um pá io público. Nes a co a, além da eceção e adminis ação, e da zona de se iços compos a pela la anda ia e a ecadações, é ambém possí el encon a uma das á eas esidenciais, sendo es a compos a po se e apa amen os 87 88 Fig. 63 - Qua o duplo Fig. 65 - Vis a pa a o ex e io a pa i de um qua o Fig. 64 - Co edo de dis ibuição dos qua os Fig. 66 - Pan a à co a 61 Fig. 67 - Plan a à co a 65 Fig. 68 - Co e G des inados a amílias de e ugiados. A sua capacidade p e is a é en e duas e qua o pessoas, po ém, em condições pa a a colhe um maio núme o, dependendo do mobiliá io ado ado. Es es pequenos apa amen os azem ambém uma e e ência simbólica às ilhas, ipologia habi acional ca ac e ís ica do luga . Todos eles êm uma en ada p i ada e acesso di e o ao pá io e apêu ico, de modo a p ese a os p incípios de iden idade e independência das amílias acolhidas. Ainda nes e piso, mas à co a 68, o p og ama imedia amen e po cima da clínica, diz espei o ao e ei ó io público e aos se iços a ele ine en es. T a a-se de um espaço amplo, com capacidade pa a cinquen a e seis luga es sen ados. Além dis o, o e ei ó io usu ui ainda de um as o pá io ex e io , que pe mi e não só des u a da is a pa a o io Dou o, como ambém se i e eições ao a li e, se necessá io. Ainda à co a 68, es e espaço em con inuidade, no in e io , pa a uma zona mul i uncional, is o é, uma á ea que pode se adap ada às di e en es necessidades. P e ê-se que es e espaço seja u ilizado como biblio eca/ audi ó io, po ém, em ca ac e ís icas que ambém lhe pe mi em se um espaço de con í io ou de ealização de a i idades lúdicas e didá icas. Po sua ez, o piso supe io , implan ado à co a 73.5 e com 981.60 m2, cump e apenas a unção esidencial, sendo esponsá el po acolhe dezoi o qua os, p e e encialmen e des inados a pessoas em si uação de sem-ab igo. En e es es, dez são duplos, des inados a pessoas com boa capacidade de in e ação in e pessoal, e oi o são indi iduais, des inados a pessoas com algum ipo de pa ologia men al associada ou com di iculdade em pa ilha o espaço p i ado. Apesa das ipologias de inidas, odos os qua os êm capacidade pa a colhe um maio núme o de pessoas, dependendo do mobiliá io u ilizado. Além do edi ício p oje ado, ambém o espaço ex e io se assume como uma impo an e componen e do p oje o, sendo essencial pa a a ma e ialização do concei o a qui e ónico, is o é, a p omoção do bem-es a ísico e men al dos u en es. Con o me se o nou pe ce í el ao longo da explicação ap e- sen ada, a in e enção p opos a inclui a p esença de 3 pá ios, endo eles unções e escalas dis in as. O p imei o pá io a se e e ido é o de en ada, sendo a sua unção apenas a eceção das pessoas. É a a és des e pá io que se em acesso à en ada e zona do eceção do edi ico, sendo a pa i daí ei a a dis ibuição pa a as di e en es á eas. O segundo pá io es á localizado na clínica, e cump e equisi os uncionais e e apêu icos. Po um lado, o pá io pe mi e ilumina as zonas de ci culação assim como as salas de espe a, sendo ambém ú il no p ocesso de en ilação. Além da ques ão uncional, p e ê-se que es e seja ambém um complemen o dos p ocessos e apêu icos ealizados nas consul as, es ando disponí el pa a a ealização de e apias ao a li e e qualque ipo de a i idade ex e io que se julga be- né ica pa a os a amen os em causa. Além dis o, es e pode ainda se ado ado como um espaço de es a ex e io des inado ao en e imen o de jo ens e c ianças. Po im, em elação ao e cei o pá io, p e en- de-se que es e seja um luga de comunhão en e os dois p og amas, sendo des inado que aos u en es do alojamen o, que aos da clínica. T a a-se de um espaço com gene osas dimensões, 1041.27 m2, e nes e é p oje ado um ja dim e apêu ico com o in ui o de auxilia no a amen o de doenças men ais. Es e espaço é compos o po ês componen es dis in as, es ando nele p esen e uma zona dedicada ao cul i o, uma ou a dedicada a ja dinagem, e ainda um espaço des inado à p á ica de exe cício ísico. Des a o ma, é possí el es imula á ios sen idos simul aneamen e, ais como o a o, o ol a o e isão. Sabendo que o apa ecimen o de dis ú bios psicológicos es á di e amen e elacionado com pe cu sos de ida aumá icos, com di iculdades económicas e com o en elhecimen o, é de p e e que que o público-al o da in e enção, que a comunidade en ol en e, es ejam bas an e expos os ao desen ol i 89 90 Fig. 69 - Pá io de en ada do alojamen o Fig. 71 - Pá io da clínica Fig. 70 - Ja dim do alojamen o Fig. 74 - Co e H Fig. 72 - Pan a à co a 70.5 Fig. 73 - Plan a à co a 75 men o des as pa ologias. Nes e sen ido, julga-se pe inen e a implan ação de um ja dim e apêu ico, econhecidamen e bené ico no a amen o de Alzheime e ou as demências. Além des a unciona- lidade, e de ido às suas dimensões, é possí el que o espaço seja simul aneamen e u ilizado apenas como zona de es a ex e io dos u en es do alojamen o, usu uindo assim da is a e do con ac o com a en ol en e na u al. Em ambos os casos, o in ui o é que o es e espaço seja uma e amen a p odu o a de bem-es a , seja a a és do a amen o de doenças conc e as, seja a a és da es imulação de uma a mos e a de se enidade. Como se o na e iden e, além do p og ama esidencial inicialmen e p opos o, o p oje o acolhe ou as e en es p og amá icas, sendo es as consequência das p eocupações que su gi am ao longo da ase de análise do luga e do público-al o. Assim, p e ende-se p oje a um espaço que pa a além cump i o enunciado a que se p opõe, seja ambém capaz de despe a ou o ipo de sensações nos seus u ilizado- es, con ibuindo assim pa a o seu bem-es a e, consequen emen e, pa a um p ocesso de ein eg ação social mais ácil. 91 92 98 de p oje o. A cla i icação des e concei o de p oje o apenas oi possí el de ido a um p ocesso de in es igação eó ico e p á ico, que pe mi iu comp eende a sua alidade e pe inência. Assim sendo, a p opos a desen ol eu-se com base em e e ências a qui e ónicas, e e ências bibliog á icas, en e is as e isi as a casos de es udo, endo sido os dois úl imos a o es essenciais pa a a ap oximação à p oblemá ica e ao público-al o. O obje i o des e abalho cen a-se em, a a és de uma in es igação mul idisciplina , em que além da a qui e u a se es udam á eas como psicologia, psiquia ia, sociologia e an opologia, comp eende como se pode desenha o espaço de modo a ans o má-lo num mecanismo p omo o de bem-es a . Es a é uma ambição ge ada a pa i da necessidade de a enua as consequências nega i as que a ins a- bilidade polí ica, económica e social nos p o oca a ní el psicológico. Po sua ez, p e ende-se ealça que a complexidade e exigência ine en es ao p og ama e ao ema de es udo escolhidos o na am es e p oje o ainda mais desa ian e e mo i ado . Es e não se á, ce amen e, o único modo de da espos a às p oblemá icas colocadas pelo a elie , con udo, julga-se que seja uma o ma pe inen e de o aze , chamando a a enção pa a a capacidade que a qui e u a em de se mais do que apenas um mecanismo uncional. Po im, é ainda pe inen e e e i que o abalho em causa oi bas an e en iquecedo a ní el pes- soal, pois pe mi iu não só explo a e adqui i no as compe ências de pesquisa e in es igação, como ambém con ibuiu pa a o desen ol imen o de um pensamen o es a égico que con e e ele ância às a uais p oblemá icas da sociedade. Além dis o, a me odologia ado ada pe mi iu desen ol e um conhecimen o mul idisciplina , a a és do con ac o com disciplinas como a psicologia, psiquia ia e an opologia, conseguindo assim da espos a à maio quan idade de p oblemá icas possí el, a a és do p oje o. Nes e sen ido, e de ido a odo o conhecimen o ob ido, oi possí el não só c ia uma no a isão sob e a a qui e u a, como ambém sob e a ele ância do papel dos a qui e os na sociedade. 99 100 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  Adminis ação Cen al do Sis ema de Saúde (2011). Recomendações Técnicas pa a Se iço de Medi- cina Física e Reabili ação. Câma a Municipal do Po o. (2018). ARU do Bon im - Á ea de Reabili ação U bana Câma a municipal do Po o. (2019)a. Diagnós ico à Realidade Social do Po o: O Cená io em 2018  Câma a Municipal do Po o. Es a égia Municipal pa a a In eg ação de Pessoas em Si uação de Sem Ab igo 2020-2023  Câma a Municipal do Po o. (2019)b. Inqué i o de ca ac e ização das pessoas em si uação de sem ab igo Câma a Municipal do Po o. (2020). Mapeamen o e Pe il das Respos as da Rede Social do Po o  Câma a Municipal do Po o. (2019)c. Plano de Desen ol imen o Social: 2019-2021 Domingos, P., Xa ie , M. (2019). 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Fon e: h ps://www.newyo ke .com/podcas /poli ics-and-mo- e/a-uk ainian-diploma -on- he- u u e-o - ussian-agg ession - p.40 Figu a 31 - Sí ia: Ras o de des uição p o ocado pela gue a. Fo og a ia de Aleppo Media Cen e , dpa pic u e-alliance. Fon e: h ps://www.deu schland unkkul u .de/aleppo-in-sy ien-zehn ausende- -zi ilis en-in-lebensge ah -100.h ml - p. 42 Figu a 32 - P ocesso mig a ó io de e ugiados. Fon e: h ps://eacnu .o g/es/ac ualidad/no icias/e en- os/la-onu- i ma-el-pac o-mundial-sob e- e ugiados - p. 44 Figu a 33 - Pessoa em si uação de sem-ab igo. Fo og a ia de Ben Ke ckx | PIXABAY. Fon e: h ps:// www.jpn.up.p /2020/04/07/cama a-do-po o- ai-ala ga -p og ama-de- as eios-a-sem-ab igo-e-pes- soas-com-de iciencia/ - p. 46 Figu a 34 - Li o “Cul u a, Medicina e Psiquia ia”, de Manuel Qua ilho. Fon e: h ps://mbooks. p /p odu o/cul u a-medicina-e-psiquia ia/ - p. 48 Figu a 35 - Li o “Psiquia ia Social e Cul u al - Diálogos e Con e gência”, de Manuel Qua ilho. 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Fo og a ia de João Fe and e Ma iana Themudo. Fon e: h ps://www.a ch- daily.com.b /b /01-50452/cen o-comuni a io-sao-ci ilo-e-edi icio-de-esc i o ios-nuno- alen im-e- - ede ico-eca-a qui ec os/50452_50456?nex _p ojec =no - p. 62 Figu a 43 - Vis a ex e io do edi icado. Fo og a ia de Filipe Oli ei a, ma ço de 2007. Fon e: h ps:// zum ho .o g/p ojec /masans/ - p. 66 Figu a 44 - Ap op iação do co edo como espaço de es a . Fo og a ia de Ped o Va ela, ab il de 2007. Fon e: h ps://zum ho .o g/p ojec /masans/ - p. 66 Figu a 45 - Plan a ilus a i a da á ea esidencial. Fo og a ia de Hélène Bine . Fon e: h ps://www. a laso places.com/a chi ec u e/homes- o -senio -ci izens/ - p. 66 116 117 Figu a 46 - T ans o mação dos espaços de ci culação em espaços de es a . Fo og a ia de Ri a Canicei- o | A chdaily. Fon e: h ps://www.a chdaily.com.b /b /968645/casa-de-saude- ainha-san a-isabel-a- elie -do-co o/6143d660 91c8168820000de-casa-de-saude- ainha-san a-isabel-a elie -do-co o- o- o?nex _p ojec =no - p. 68 Figu a 47 - Receção. Fo og a ia de Ri a Canicei o | A chdaily. Fon e: h ps://www.a chdaily.com. b /b /968645/casa-de-saude- ainha-san a-isabel-a elie -do-co o/6143d665 91c813a2 0000d0-ca- sa-de-saude- ainha-san a-isabel-a elie -do-co o- o o?nex _p ojec =no - p. 68 Figu a 48 - Pá io ex e io . Fo og a ia de Ri a Canicei o | A chdaily. Fon e: h ps://www.a chdaily. com.b /b /968645/casa-de-saude- ainha-san a-isabel-a elie -do-co o/6143d5c3 91c813a2 0000ca- -casa-de-saude- ainha-san a-isabel-a elie -do-co o- o o?nex _p ojec =no - p. 68 Figu a 49 - Á ea de en e is a. Fo og a ia da au o a, maio de 2022. p. 72 Figu a 50 - Á ea de abalho indi idual do psiquia a. Fo og a ia da au o a, maio de 2022. p. 72 Figu a 51 - Receção e ligação à sala de espe a. Fo og a ia da au o a, maio de 2022. p.72 Figu a 52 - Fo omon agem da p opos a. Desenho da au o a. p. 74 Figu a 53 - Maque e de es udo, janei o de 2022. Fo og a ia da au o a, janei o de 2022. p. 78 Figu a 54 - Desenho de p ocesso. Fo og a ia da au o a. p. 78 Figu a 55 - Iden i icação da á ea de implan ação, dezemb o de 2022. Imagem p oduzida pela au o- a a pa i de o og a ia aé ea do Google Ea h. p. 80 Figu a 56 - Relação da á ea de implan ação com a en ol en e p óxima. Fo og a ia de Ana Cou o. p. 82 Figu a 57 - Impac o isual da á ea de implan ação. Fo og a ia de Ana Cou o. p. 82 Figu a 58 - Iden i icação das di e en es componen es p og amá icas. Desenho da au o a. p. 84 Figu a 59 - Receção da clínica. Imagem p oduzida pela au o a. p. 86 Figu a 60 - Receção do alojamen o. Imagem p oduzida pela au o a. p. 86 Figu a 61 - Sala poli alen e. Imagem p oduzida pela au o a. p. 86 Figu a 62 - Plan a de cobe u a. Desenho da au o a. Figu a 63 - Qua o duplo. Imagem p oduzida pela au o a. p. 88 Figu a 64 - Co edo de dis ibuição dos qua os. Imagem p oduzida pela au o a. p. 88 Figu a 65 - Vis a pa a o ex e io a pa i de um qua o. Imagem p oduzida pela au o a. p.88 Figu a 66 - Plan a à co a 61. Desenho da au o a. Figu a 67 - Plan a à co a 65. Desenho da au o a. Figu a 68 - Co e G. Desenho da au o a. Figu a 69 - Pá io de en ada do alojamen o. Imagem p oduzida pela au o a. p. 90 Figu a 70 - Ja dim do alojamen o. Imagem p oduzida pela au o a. p. 90 Figu a 71 - Pá io da clínica. Imagem p oduzida pela au o a. p. 90 Figu a 72 - Plan a à co a 70.5. Desenho da au o a. Figu a 73 - Plan a à co a 75. Desenho da au o a. Figu a 74 - Co e H. Desenho da au o a. Figu a 75 - Alçado sul (D). Desenho da au o a. Figu a 76 - Alçado no e (B). Desenho da au o a. Figu a 77 - Co e G com po meno cons u i o. Desenho da au o a. p. 94 Figu a 78 - Co e E com po meno cons u i o. Desenho da au o a. p. 94 Figu a 79 - Co e com po meno cons u i o. Desenho da au o a. 118 119 ANEXOS En e is as ealizadas pela au o a Ma e ial de p ocesso Desenhos de p oje o Painéis de ap esen ação 120 Anexo 1: En e is a 1 Fon e: En e is a ealizada pela au o a En e is ado : Au o a En e is ado: A qui e o Jo ge Ca alho Da a: 7 de ab il de 2022 O meu nome é Ca a ina Nunes, sou es udan e de a qui e u a na Uni e sidade de Coimb a e encon- o-me nes e momen o no 5º ano a desen ol e a minha ese de mes ado sob a o ien ação do p o- esso dou o José Fe nando Gonçal es. A ese é compos a pelo p oje o de a qui e u a, que em sido desen ol ido em A elie de P oje o desde o 4º ano, e po um ema eó ico, escolhido po mim, o qual de ine eg as pa a o desenho a qui e ónico. Rela i amen e ao p og ama do p oje o, es e a elie p o- punha o desen ol imen o de p og amas sociais, à escolha en e um cen o comuni á io, um edi ício de banhos públicos ou um alojamen o empo á io. Todos es es equipamen os êm como público-al o pessoas em si uação de sem-ab igo, e ugiados e mig an es, sendo o local de in e enção o luga das Fon ainhas, no Po o. Após a con ex ualização do a elie e do abalho p opos o, eu op ei po desen- ol e um alojamen o empo á io des inado a pessoas em si uação de sem-ab igo e e ugiados. Com base nas p oblemá icas polí icas, económicas e sociais que p edominam a ualmen e, op ei po elaciona o p oje o de a qui e u a com a saúde men al, sendo a minha ese in i ulada “Saúde Men al: A A qui e u a como e apêu ica”. O obje i o é, a a és des e ciclo de en e is as, em que enho ido con ac o com a qui e os e psiquia as, pe cebe de que o ma as ca ac e ís icas do espaço podem in- luencia a saúde men al, e, pos e io men e, aplica esses c i é ios no p oje o. Nes e sen ido, e de o ma a o na mais explíci a a impo ância da saúde men al e do acompanhamen- o psicológico no público-al o, op ei po expandi o p og ama e p oje a ambém uma clínica médica e de psiquia ia, no mesmo edi ício do alojamen o. Após a explicação do abalho que es ou a desen ol e , e endo como e e ência o p oje o que desen- ol eu pa a uma clínica psiquiá ica, desen ol i algumas ques ões pa a lhe coloca . Quando lhe oi p opos o p oje a um espaço dedicado à saúde men al, p ocu ou ecomendações de algum psiquia a/ psicólogo em elação à o ganização do espaço, ou o p oje o oi desen ol ido apenas segundo os equisi os uncionais e p og amá icos necessá ios? Nes e caso, a encomenda oi ei a pela dou o a Paula Valen e, que é especialis a em psiquia ia e ambém com o mação em psicanálise. Uma das unções que aquele espaço em de desempenha são os a amen os. Po an o, no undo, cump i a unção em de se pa a cump i a unção de a a as pessoas. E, po an o, não há di e ença en e os cuidados e o ma de a a e a unção, as duas são a mesma coisa. Tudo oi discu ido com ela, no en an o nunca no ei que hou esse uma p esc ição obje- i a quan o a ca ac e ís icas psicológicas, ou uma de e minação po ia da psicologia do espaço ou da pe ceção. Nesse sen ido, as qualidades que se p e endia que o espaço i esse e am qualidades gené i- cas, de bem-es a . Embo a hou esse uma que e a mais obje i á el, que e a a ques ão da insono ização. Mui as das pessoas que p ocu am a amen o psiquiá ico êm insegu anças, medos, e, po an o, a ques ão do con eúdo das con e sas não se ou ido é impo an e. Po um lado pelo espei o pelas pes- soas, po que começam a lida com assun os mui o ín imos, e po ou o po que mui as ezes a am-se 121 de pessoas que são hípe sensí eis a essas ques ões da p i acidade. Além des as ecomendações mais gené icas e das qualidades do espaço, ha ia que esponde com dimensionamen o de espaços pa a a i idades especí icas do a amen o. En ão em elação às ca ac e ís icas do espaço, a não se a ques ão acús ica, o es o icou mais à sua esponsabilidade, à esponsabilidade do a qui e o? Foi. Du an e o desen ol imen o do p oje o, ez alguma consul a de psicologia/ psiquia ia, de modo a pe - cebe quais são, pa a si, as ca ac e ís icas ideais pa a es e ipo de p og ama? A sua expe iência pessoal e e in luência no p oje o? Não, não de odo. O es udo que hou e oi pesquisa de e e ências na cul u a a qui e ónica e con e sas com a dona da ob a ace ca das ca ac e ís icas desejá eis.  En ão, enquan o a qui e o, não conside a impo an e e mos a expe iência no espaço e sabe mos como é aquele con ex o, o con ex o da consul a, pa a pe cebe mos como é que nós p óp ios nos sen- i íamos con o á eis? Bem, eu conheci o consul ó io an e io dela, mas é impossí el e mos a expe iência de uma consul a com ou a pessoa po azões de sigilo, e a é po que a p esença de um es anho anula a possibilidade de sucesso de uma consul a. Eu es a a a pe gun a no sen ido de o p o esso i a um psicológico ou psiquia a e uma consul a, pa a sabe como se i ia sen i no espaço. Não me passou pela cabeça, es ou a se ques ionado pela p imei a ez quan o a essa ques ão, mas o que me dá ideia é que ao con á io de ou as si uações que são desd ama izadas socialmen e, no caso de uma doença psiquiá ica, pa ece que não é assim. Há mui as pessoas que es ão doen es e não êm a o ça seque pa a econhece e não a anjam o ças pa a se i em a a , po que eque alguma au o- disciplina. Implica um p ocesso, diz-me a Paula Valen e. Implica um p ocesso den o da pessoa, de chega a um es ado de uma ce a g a idade, pa a a pessoa econhece a necessidade de se a a . Ou seja, a expe iência de quem ai a uma consul a é uma expe iência de alguém que es á mui o agili- zado, e pa ece-me que é impossí el eu simula isso. Eu não es ando nessa si uação, ou lá e não ou sen i nada do que sen em essas pessoas. E po ou o lado, há mui os ipos de pa ologias e, po an o, o que as pessoas sen em é mui o di e en e. Às ezes os p oblemas não são só medos, são de ou os ipos, po an o são expe iências mui o di e en es. Não sei se se pode simula essa expe iência, enho a imp essão que não é possí el. Ao longo do desen ol imen o do p oje o, e e con ac o com o público-al o pa a pe cebe qual a opi- nião deles sob e as ca ac e ís icas do espaço ideal pa a ecebe acompanhamen o psicológico? Não, não i e. Mas i e essa in o mação a a és da Paula Valen e, p ocu ei e essas in o mações. O que ela diz é que mui as pessoas apa ecem com ais p oblemas na es u u a do seu se , que ou êm hípe sensibilidade a de e minados aspe os do mundo ex e io , ou êm insensibilidade ela i amen e a ou os aspe os. Po ezes, mesmo as coisas mais belas e ha moniosas lhes pa ecem mons uosas. Nou os casos, são-lhes indi e en es, ou mesmo as coisas mais mons uosas lhes são indi e en es. Uma coisa cu iosa que ela con a é que po ezes, e is o já é um eedback no uncionamen o des e espaço, de e minadas pessoas, ao im de alguns meses, po que os a amen os são mui o demo ados, ao im de 122 alguns meses há uma consul a em que dizem “Olhe, es e espaço da clínica é boni o.” ou “Es e espaço é in e essan e.”, e ela pe cebe “Es a pessoa es á a ica cu ada.”. E, po an o, indo ago a mais di e amen- e à pe gun a, p o a elmen e alguém que não é um clínico, a ala com uma pessoa e a aze pe gun as, não ai ecebe uma espos a obje i a em elação aos espaços. Na explicação que acompanha os desenhos do p oje o, e e e que “A conceção des a clínica pa a psi- co e apias e le e sob e os códigos a qui e ónicos des a ipologia a qui e ónica.” Pode explica melho no que consis em es es códigos a qui e ónicos? Se lhe o am ecomendados po algum especialis a ou se es ão elacionados com a a qui e u a hospi ala psiquiá ica, po exemplo? A ideia que eu enho, e is o oi discu ido ambém com a Paula Valen e, é que os espaços de saúde em ge al, po boas azões, pelas azões ce as, êm de se assé icos. No en an o, os espaços de saúde men al, em g ande pa e, seguem ambém es as ca ac e ís icas, e a assepsia le a à escolha de de e mi- nados ma e iais e geome ias que le am à quali icação de um ambien e clínico, que é ido como io, como écnico. Há uma adição de desenha os espaços de saúde men al inse idos nes a linha, e is o cons i ui códigos ambém. No undo, es as ca ac e ís icas da assepsia codi ica am-se numa a qui e u a que é ida como écnica. Quando en amos num hospi al emos a noção, e é e dade, que es amos a en a numa máquina. É uma máquina an o po que o edi ício es á supe equipado com a e ac os ecnológicos, como ambém, no seu uncionamen o, ele é o imizado pa a udo o que são luxos, pa a uma g ande e iciência. Is o c uzado com a assepsia comple a es es códigos de uma máquina. O que se p e endeu aqui oi en a a as a desses códigos e i busca mais os códigos do con o o. Também, po ou o lado, a pequena escala aqui pe mi ia ap oxima mais da escala do que e a o an igo consul ó io médico domés ico. Po an o, a o ece uma sensação de p oximidade e in imidade en e o pacien e e o clínico. A necessidade de assepsia nos espaços de saúde em a e com i em mui as pessoas com doenças in eciosas e concen a em-se no mesmo local. Aqui isso não se passa, são ou o ipo de pa o- logias, e, po an o, o espaço ica li e dessa es ição e é possí el explo a uma linguagem a qui e ónica mais elacionada com a in imidade e bem-es a e en a en a iza os códigos de con o o. Quando digo “códigos” em a e com algo que es á codi icado na cul u a. Re e e ambém que, nes e p oje o, p e ende “(...) dis ancia -se dos espaços de saúde higienis as e ap o- xima -se de um ambien e ese ado, ín imo e acolhedo .”. Is o signi ica que o espaço oi p oje ado pa a, ele p óp io, e in luência e con ibui posi i amen e pa a a eabili ação dos doen es? Ou é só uma p eocupação com o con o o, mas o espaço não oi pensado pa a a e a psicologicamen e? Ele oi pensado pa a a e a psicologicamen e e pa a con e i se enidade. Pelo menos, al ez seja o mí- nimo, en a e i a enção à en ada no espaço e, po an o, ao e i a ensão, da espaço à elação en e a médica e o pacien e. Pelas azões que disse an e io men e, não sei se o espaço em mais pode do que isso. Ob iamen e que o espaço não em o pode de a a ninguém, mas se pude e i a alguma ca ga de ensão e in imidação, que po ezes os espaços de saúde êm, pelo menos o espaço não a a mas dá espaço pa a o que o a amen o acon eça. Conside a que é possí el p oje a um espaço de modo a que es e seja uma e amen a e apêu ica? Não me ac edi o que algo possa e uma elação assim, que seja uma causa di e a. Se i e mos uma compa ação en e o mesmo pacien e a ecebe o mesmo a amen o, mas em espaços di e en es, em que um deles oi pensado a a és de ca ac e ís icas e apêu icas, os ais códigos a qui e- ónicos, e o ou o não, conside a que o espaço em que es ão a se a ados az di e ença? Se pode ajuda 123 a o na o p ocesso mais ápido, is o que no malmen e são p ocessos len os? Sim, penso que sim. Ago a o g au em que isso acon ece, emos de e alguma cau ela e não nos iludi - mos com o pode da a qui e u a ace aos ou os meios do a amen o. Mas is o não é uma ques ão de ac edi a , amos se obje i os, po que is o não pode se uma ques ão de é. Se calha de ias en e is a a Paula Valen e, po que pelo que ela me diz, isso em impo ância. Ago a qual a impo ância e como se mede essa impo ância em compa ação com as ou as componen es do a amen o, emos de e alguma cau ela e al ez ela seja melho pessoa pa a de ini isso.  Rela i amen e à linguagem in e io do p oje o, as co es e os ma e iais de acabamen o o am esco- lhidos de aco do com algum c i é io que de ine que es es con ibuem pa a o bem-es a men al dos pacien es? Qual oi o c i é io pa a a escolha dos acabamen os? A insono ização, como expliquei an e io men e, e a um pa âme o impo an e. Po ou o lado, nós demos ambém impo ância não só a que a insono ização es i esse assegu ada, mas que essa insono i- zação osse pe cebida. Po an o, do a os espaços de abso ção acús ica maio do que a que é habi ual, eduzi o empo de e e be ação, o que consis e numa e ocação da insono ização, embo a sejam coisas di e en es. Nós sen imos a abso ção acús ica e isso le a-nos a con ia mais na insono ização, embo a os alo es de insono ização possam se os mesmos com e e be ações mais longas. Essa oi uma es- a égia, joga com essa mensagem p opo cionada pelo a amen o acús ico. Uma ou a ques ão oi usu ui do en id açado pa a o ex e io , a o ganização dos espaços en ou i a pa ido disso e não in e ompe o en id açado longo. Deixa que osse um só compa imen o ao longo do en id açado. Aí é uma ques ão de elação com a na u eza, de o imização daquilo que já lá es a a. A co a do e o oi ace ada pelo ex e io , pa a alo iza essa anspa ência, a a és do encon o do e o com o caixilho. Em e mos das co es, e não só as co es, a ex u a da co iça e con e i -lhe uma co que man i esse a ex u a da co iça num dos espaços, pe mi iu e ambém uma e ocação a uma e e ência o gânica, na medida em que nós conseguimos pe cebe que é um ma e ial mole, e mesmo pa a quem não pe cebe mui o do que é o ma e ial, p o a elmen e man ém a noção de que é um ma e ial de o igem na u al. Mui as ezes isso é um código pa a con o o, não an o de um pon o de is a clínico, mas gené ico. En ão a ques ão dos acabamen os in e io es es e e mais elacionada com ques ões a qui e ónicas e não an o com ques ões psicológicas? Tem a e com o desejo de c ia um espaço de in imidade e con o o, po an o es á. Mas c ia um espaço ín imo e de con o o não de e mina que a solução seja es a. Es a encaixa-se nessa ideia, mas ha e á ou as espos as.  Pa a si, enquan o a qui e o, quais o am os p incipais desa ios ao p oje a um espaço dedicado à saúde men al? Pa ece-me que não e mos a es ição da assepsia é que az uma di e ença mui o g ande. Ab e mui as ou as possibilidades pa a o p oje o. Se calha é mais ácil aze um espaço sem assepsia do que ou os espaços de saúde que êm essa necessidade. Pa a inaliza , se i esse de sin e iza , qual oi o seu concei o de p oje o ao desen ol e es e p og ama? Foi en a p oje a um espaço que in luencie a saúde men al? Foi apenas cump i odos os equisi os uncionais necessá ios? Foi en a c ia uma no a pe spe i a da a qui e u a psiquiá ica ou apenas segui os c i é ios que já exis em? Eu gos a ia que se inse isse numa linhagem de p oje os que abalha pa a que nos espaços de saúde os 130 em salas. Ao ci cula em nos co edo es podem e mina o ci cui o de dis ibuição numa bow window que se i a pa a a paisagem, onde um banco lhes pe mi e sen a em-se e in e agi com ou as pessoas que passam. O ma e ial que escolhemos ambém oi mui o impo an e nesse sen ido. P e endiam que usássemos em odos os pa imen os o inílico po uma ques ão de acilidade de limpeza, e nós suge imos que se usasse o inílico apenas nos qua os e, nes es espaços públicos in e io es de dis ibui- ção, p opusemos o mosaico hid áulico, que é usado desde semp e nes e edi ício. Tem uma esis ência inc í el, e a co que usamos é uma co que, de alguma manei a, se ap oxima da madei a, que e a o elemen o que que íamos usa . Se ia a madei a que o a ia as pa edes, e i ando es a cono ação com um ambien e hospi ala . Mas não conseguimos que os qua os ossem e es idos a madei a, endo-o apenas conseguido ealiza num qua o, que oi o p o ó ipo. Essa esolução oi omada pelo clien e po e ha ido uma de apagem o çamen al po pa e das especialidades. Não es a a con abilizado o núme o de cabos e edes in a-es u u ais, e oi p eciso diminui quase quinhen os mil eu os, que se poupa am na a qui e u a. Po an o, os qua os ica am apenas com os a má ios em madei a e as pa edes em gesso ca onado. A calha écnica que oi desenhada pa a de ini a a és de um asgo oda a ede de equipamen os e simul aneamen e e luz na pa ede/ cabecei a das camas, se ia em madei a e passou a se em gesso ca onado.  Pegando naquilo que es a a a e e i , a ques ão dos pa imen os em madei a nos qua os e e só a e com o p oblema o çamen al ou com equisi os écnicos? Não, não podíamos pô madei a nos qua os, não nos é pe mi ido, de odo. Tem a e com a ques- ão da manu enção e limpeza. Nós que íamos aze mosaico pa a den o dos qua os, a é po que ínhamos pa imen o adian e, mas não que iam, que iam mesmo que osse inílico. E essa é uma das ecomendações que nós i emos de espei a . Alguns des es doen es men ais po ezes podem usa a iolência com os ou os e sob e si p óp ios. Podem-se magoa , e uma das ques ões que oi colocada é que não podíamos e mosaico. A madei a es a a o a de ques ão po causa da higienização pe manen- e, e mosaico não po causa das pessoas pode em magoa -se. Essa esolução e e implicações mesmo no desenho dos mó eis. Po exemplo, não pode ia ha e cha es, nem pode ia ha e nada co an e. A en ilação das janelas e e de se es udada pa a que o espaço que ab e seja mínimo, de modo a nin- guém pode passa , e ia de se ancado, e uma sé ie de ou as ques ões de segu ança. Pa a além das in enções de p oje o que e e iu, exis i am algumas condicionan es impos as pelo dono de ob a? Se sim, o am exigências elacionadas com o ipo p og ama (dedicado à saúde men al) ou ques ões de es ilo a qui e ónico? Fo am semp e ques ões elacionadas com a segu ança. Po exemplo, es as ques ões das janelas, a ques- ão dos obje os co an es ou a ques ão das escadas. As escadas de eme gência, que são acessí eis a odas as pessoas, êm de e uma p o eção, po causa da bomba da escada, que ínhamos de e po causa da segu ança con a os incêndios, uma ez que se p e i am ubagens onde se ligam as manguei as pa a o nece a água pa a as si uações de eme gência. O p oje o de segu ança con a incêndios necessi a a de uma bomba de escadas, mas simul aneamen e é pe igoso pa a as pessoas caí em e se a i a em, po que mui as des as pessoas êm in enções suicidas, po an o e a uma si uação que de e íamos acau- ela . A ques ão do c uzamen o do p oje o de segu ança com a “segu ança” dos u en es oi complexa, po que é ob iga ó io cump i os egulamen os que ob igam a que haja saídas de e acuação de x em x espaço, mas simul aneamen e a segu ança dos u en es implica que as saídas de e ão se abe as, e es a em zonas em que seja possí el aos uncioná ios consegui em con ola as pessoas que po ali passam. Po que essas pessoas ão sai pa a o ex e io , mas esse ex e io em de se ambém, de alguma manei a, 131 condicionado. Ou seja, sim, odas essas ques ões i e am que se idas em con a. T a ando-se de um p oje o dedicado à saúde men al, p ocu ou ecomendações de algum psiquia a/ psicólogo em elação à o ganização do espaço? Conside a pe inen e es a elação en e o a qui e o e o psiquia a, de modo a que jun os, pe cebam quais as ca ac e ís icas do espaço ideal pa a se ealiza o a amen o psicológico? Acho undamen al. Nós eco emos ao psiquia a, psicólogos e en e mei os da ins i uição, e a uma sé ie de ecomendações, sob e udo bibliog a ia ancesa, que são as eg as que as I mãs ado a am e que nós in es igamos. Algumas delas são um bocadinho dis in as da in o mação que es udamos pa a o Ca alo Azul, po que aí eco emos a alguma bibliog a ia anglo-saxónica. Is o em a e com ques ões como ba ei as a qui e ónicas, as co es, a empe a u a dos ma e iais, a p eocupação de, po exemplo, nas zonas mui o abe as, que êm uma elação com o ex e io , pe cebe se a incidência sola pode p o- oca encadeamen o, po que essa si uação pode á p o oca c ises. Hou e uma sé ie de ques ões que i e am de se mesmo es udadas. Dou como exemplo a p imei a coisa que quisemos aze quando che- gamos lá: odos os qua os inham g ades e ob iamen e não que íamos man e , po isso i amos odas as g ades. Mas essa decisão ob igou a pensa num ipo de caixilha ia que não podia se oscilo-ba en e, po que não nos ga an ia que numa si uação de descon olo de um pacien e ele não conseguisse, com o ça, pa i a po a. Po an o, e e de se es udado um sis ema que ga an isse que a po a ica ia es- anque. É undamen al ha e um abalho sé io de le an amen o das necessidades p og amá icas com psiquia as e psicólogos ligados à saúde men al, po que se a am de si uações mui o especí icas e de- licadas. Todo o nosso es o ço e dedicação passou semp e po en a pensa no pon o de is a de quem ai i e lá, do pacien e, mas ambém de quem abalha lá e po isso p ecisa de e zonas de descanso e de pausa con o á eis, que lhes pe mi am e a capacidade de, e e i amen e, descansa em, po que é um abalho mui o iolen o e in enso. Tudo isso e e de se ido em con a po que há uma sé ie de condicionan es e es ições que balizam as soluções. Po isso, nes e p oje o, a nossa p eocupação com os espaços ex e io es, com os pá ios que ão busca luz e com a elação com o ex e io , ob iamen e são uma espos a a qui e ónica, mas esul am ambém da consul a des a bibliog a ia especí ica e das con e sas com a psiquia ia, com a psicologia e com mui os ou os écnicos en ol idos nes e p ocesso de a amen o e acompanhamen o da doença men al. Ao longo do desen ol imen o do p oje o, e e con ac o com o público-al o pa a pe cebe qual a opi- nião deles sob e as ca ac e ís icas do espaço ideal pa a ecebe acompanhamen o psicológico? Os pacien es pa a quem p oje ámos não êm essa capacidade. São doen es men ais p o undos. Ob ia- men e, i emos con ac o com eles po que izemos o le an amen o dos espaços. Íamos lá com mui a equência pa a i a medidas ao espaço e nessas al u as c uzá amo-nos com os doen es, mas mui os deles não êm capacidade de in e agi . Po an o, essa ques ão, nes e caso, não oi possí el. Mas pa e- ce-me, pelo eco que ecebemos, que sim, que as pessoas es ão, de alguma manei a, sa is ei as. Den o do que é possí el es a em sa is ei as, po que mui as delas não sai ão mais dali. Mas sim, os espaços passa am a se mui o mais gene osos, luminosos, mais con o á eis. Conside a que é possí el p oje a um espaço de modo a que es e seja uma e amen a e apêu ica? Is o é, nes e ipo de p og ama, é pe inen e p oje a um espaço senso ial que en e, de algum modo, con ibui posi i amen e pa a o p ocesso de cu a de doenças men ais? Cla o que sim, conco do comple amen e. Como emos á ios g aus de doença men al, emos que e dis in as espos as. Há desde a doença men al p o unda, onde as pessoas não saem da cama, a é aos 132 pacien es que êm au onomia. Es as pessoas como êm um g au de doença men al menos p o undo, conseguem se au ónomas, e nesse caso podem e um apa amen o. Po exemplo, pessoas com Al- zheime , podem e uma ida au ónoma, mas êm de pode se igiadas, po que pe dem o sen ido de o ien ação, en e uma sé ie de ou as coisas. É po isso possí el que es as pessoas possam e , nes e edi ício, os seus apa amen os au ónomos com uma elação di e a com o ex e io mas simul anea- men e con olada. Têm a sua i ência au ónoma, conseguem e acesso a odos os cuidados médicos, êm acesso a um ginásio, uma sala de isio e apia, piscina, en e ou as coisas, e con inuam a e o seu espaço p i ado. Em algumas das alas que alamos, emos qua os que são iplos e qua os que são indi iduais, dependendo do g au da doença que cada pessoa em. Além dis o, emos os apa amen os indi iduais. É uma solução que é cada ez mais usada nos países eu opeus que es ão a abalha nes e sen ido, sob e udo pa a doen es com Alzheime e pa a a e cei a idade.  Rela i amen e às co es, po exemplo, o am escolhidas de aco do com algum es udo ou não exis iu nenhum ipo de e e ência? Ti emos, mas não as seguimos à isca. Op amos pelos ma e iais c us. O mosaico hid áulico em uma de e minada co , oi escolhido pa a e alguns pigmen os mais sua es e pon uado po alguns elemen os mais colo idos. E i amos usa co es mui o o es, só nos pá ios de iluminação dos se iços écnicos é que emos um ama elo o ado mais o e. Ti ando essa exceção os ons são os dos ma e iais. Quando usamos o be ão e a ped a p ocu amos que enham uma e e be ação elú ica em con apon- o à madei a de sicómo o, que é uma madei a cla a, com um om épido, e que ansmi e um ce o con o o. Também usámos o b anco nos e es imen os in e io es de pa edes e e os p ocu ando um ambien e se eno em que apenas os ma e iais sob essaiam disc e amen e, sem uído. Op ámos po usa a co an aci e pa a udo o que osse me al, po que que íamos acen ua a ideia de se um ma e ial io, e que não é pa a es a semp e a oca nele. Man i emos essa ideia nos caixilhos, que ambém são dessa co . No ex e io , usamos a ped a, o g ani o azul a aco. Escolhemos o g ani o apesa de g ande pa e do complexo usa ijolo e al ena ia ebocada. Mas há um edi ício, o de São José, onde es ão as consul as ex e nas, e que é ecen e, em que a equipa p oje is a decidiu usa placagem de g ani o e essa opção o nou-o numa es anha exceção. Hesi amos mui o en e o calcá io, que é uma ped a da egião e o ijolo maciço, mas as I mãs não es a am mui o con encidas des a úl ima solução e en ão op amos po i pa a uma placagem de ped a. A dú ida es a a en e o calcá io e o g ani o. Acabámos po op a pelo g ani o, pa a en a cose o que já inha sido ei o, en ando da uma no a in eligibilidade a es e se o . Mas como o ijolo con inua a a ecoa , decidimos usa a ped a com uma es e eo omia p óxima do ijolo manu a u ado. Es e g ani o, o azul a aco, oi escolhido po que pe mi e que haja mudança de co ao longo do dia. Umas ezes é mais cinzen o, ou as ezes é mais azulado, e quando cho e ica comple amen e azul. E isso in e essa a-nos mui o, po que es a mudança de co que o edi ício ia en- do ao longo do dia e das es ações, como se osse uma ca apaça que ia endo di e en es e e be ações da co a a és da luz, da a-lhe uma sub il incons ância e imp e isibilidade que o o na a mais ico, menos monó ono e igual odos os dias. Exis iu alguma ecomendação ou p eocupação especí ica em elação ao desenho dos qua os? Se sim, qual a in enção? As ecomendações que i emos, sob e udo nos qua os de ês unidades, inham a e semp e com a ques ão das acessibilidades. As camas são médicas, com g ades, uncionam quase como macas, que podem en a e sai , po isso se ia necessá io que osse simples execu a manob as, mas ambém ha e espaço pa a os pacien es, quando es ão no qua o, não se sen i em con inados. Na elação com os 133 a má ios, não hou e esse ipo de ecomendação, mas pa imos do p incípio que e a uma ine ência, que as manob as pudessem oco e com acilidade e que não de e iam exis i obs áculos à sua exe- cução. Os a má ios o am es udados pa a consegui que cada pacien e i esse a sua pa e, a sua zona p i ada, po que isso é uma coisa impo an e, nes e ipo de pacien es. Pode íamos, po p econcei o, pensa que são pessoas que não êm consciência do que é seu, mas êm. E ambém é impo an e que sin am que a sua p i acidade es á ga an ida, e que con inuam a es a na posse daquilo que é seu. A ques ão das manob as com as camas oi impo an e na c iação das bolsas das casas de banho, espaços de desa ogo que ga an em que se possa ci cula e i a , sob e udo no con on o com o desenho i e- gula do co edo . As po as i e am que se ei as de modo a ga an i em que uma cama possa semp e passa po que basicamen e é o equipamen o mais complexo que emos ali. Passando uma cama, a cadei a de odas passa. Pa a si, enquan o a qui e a, quais o am os p incipais desa ios ao p oje a um espaço dedicado à saúde men al? P oje a um espaço pa a a saúde men al é semp e um exe cício complexo. Qualque p oje o é um p oje o complexo, e iden emen e, mas es e em ac escido ainda mais as suas p óp ias condicionan es. Nes e caso, em pa icula , a p é-exis ência, po que e a uma p é-exis ência que inha algumas limi a- ções e po isso é que nos ob igou, pa a consegui mos esponde às exigências écnicas do p og ama, a c esce . C esceu mais um piso e c esceu na dimensão dos qua os e dos espaços de a amen os e e ei ó ios, endo passado a e uma implan ação em c uz, pa a consegui albe ga o p og ama. Po isso é que se omou a opção de apenas man e a es u u a, po que aqueles ãos não nos in e essa am de odo, não e am aquele ipo de enes ações e g ades que que íamos, não e a aquela linguagem que p e endíamos, e a pa i do momen o em que oi p eciso c esce não azia sen ido es a a man e a mesma linguagem. Man i emos a es u u a exis en e que es a a impecá el, e aumen amos o edi ício, po que ele e e de c esce , ho izon almen e e e icalmen e. O edi ício oi es udado pa a pe cebe se ele es a a p epa ado pa a supo a mais essa ca ga uncional e de e es imen o pa a pode mos conse- quen emen e al e a a linguagem. Es e p oje o oi mui o complexo p ecisamen e pela especi icidade do p og ama. A quan idade de gabine es que inha de e , os e ei ó ios pa a cada unidade uncional, a ques ão de cada uma das alas e de unciona independen emen e, mas simul aneamen e comunica com o bloco cen al que dis ibui pa a ambas as alas. Nes a p é-exis ência, oi necessá io acomoda um p og ama denso e mui o maio que incluía uma ba e ia de gabine es e de elemen os que são essenciais ao a ual uncionamen o des as á eas, como o a mazenamen o de medicamen os, os depósi os de lixo, as salas de euniões de uncioná ios e salas de es a dos pacien es. A g ande complexidade oi inse i odo o no o p og ama em algo que já exis ia e consegui um edi ício coe en e e ín eg o. A is o ac esce a especi icidade da doença men al e as ba ei as que ela implica, is o é, como baliza e de ini á eas de p o eção e segu ança e como é que essas ba ei as são in eg adas no espaço e azem pa e in eg an e da a qui e u a. Eu di ia que mui as ezes acabamos po assumi essas ba ei as e elas acabam po condi- ciona mui as das opções que omamos. Pa a inaliza , que ia só pe gun a , mais di e amen e, se a sua in enção nes e p oje o oi c ia um espa- ço que con ibuísse posi i amen e pa a o p ocesso de cu a de doen es men ais. Enquan o u opia e on ade nossa, sim, isso es á semp e subjacen e. Mas eu acho que nós não emos de modo algum essa capacidade. A a qui e u a não cu a udo, pode ajuda mui o, mas não em essa capacidade, de consegui esol e odos esses p oblemas. É um p oblema que implica mui os c u- zamen os disciplina es, não podendo po isso es a a solução do p oblema apenas num dos mui os 134 in e enien es. Ago a ac edi o que se á mui o mais ap azí el, a quem es á ali, i e num espaço que não lhe p opo ciona semp e a mesma isão, a mesma pe spe i a, 24 ho as po dia, a mesma imagem e a mos e a. Daí a nossa p eocupação de ha e pon os de is a di e en es, olumes di e en es que c iem no as p o undidades, ap oximações. Que a luz en e, e quando en a a pe ceção do espaço é comple- amen e di e en e. Que se consiga pe cebe que o empo ai mudando lá o a, que ai icando dia e que ai icando noi e, que as es ações do ano ambém ão passando. Sim, isso é mui o impo an e, cla o que sim. Mas quando emos mui os pacien es a e de i e nes es espaços, e com pa ologias ão g a es, não é a a qui e u a que ai consegui esol e isso só po si. Em e mos de pe gun as, e minei, não sei se em algo que gos asse de ac escen a ou se que e e i algo que enha sido impo an e pa a si ao longo do desen ol imen o do p oje o. A bibliog a ia de e e ência é ancesa, como disse. Em elação às ob as de e e ência, es udámos uma sé ie de edi ícios, analisámos o hospi al de Co busie pa a Veneza, os sana ó ios de Al a Aal o, um la do Zum ho na Suíça mas, cu iosamen e, o que izemos não em nada a e com o que pesquisámos. Tal ez po que são p og amas, que pela sua escala, não inham a e com o espaço que nós ínhamos que aze . No en an o, sabíamos que ínhamos que e como é que es es a qui e os esol e am algumas ques ões que a nós ambém se coloca am. A e dade é que as ques ões écnicas que nós ínhamos pa a esol e e am ão especí icas, e es a am mui o aga adas aquele local, que basicamen e as e e ências são mais o mais e espaciais, endo-as usado pa a esol e ques ões da desma e ialização do olume, dos espaços de es a e das elações en e o ex e io e o in e io . Nós ínhamos uma mé ica mui o ma - cada po uma es u u a p é-exis en e e um p og ama com condicionan es écnicas mui o especí icas. 135 Anexo 4: En e is a 4 Fon e: En e is a ealizada pela au o a En e is ado : Au o a En e is ado: A qui e o Nuno Valen im Da a: 17 de maio de 2022  O meu nome é Ca a ina Nunes, sou es udan e de a qui e u a na Uni e sidade de Coimb a e encon- o-me nes e momen o no 5º ano a desen ol e a minha ese de mes ado sob a o ien ação do p o- esso dou o José Fe nando Gonçal es. A ese é compos a pelo p oje o de a qui e u a, que em sido desen ol ido em A elie de P oje o desde o 4º ano, e po um ema eó ico, escolhido po mim, o qual de ine eg as pa a o desenho a qui e ónico. Rela i amen e ao p og ama do p oje o, es e a elie p o- punha o desen ol imen o de p og amas sociais, à escolha en e um cen o comuni á io, um edi ício de banhos públicos ou um alojamen o empo á io. Todos es es equipamen os êm como público-al o pessoas em si uação de sem-ab igo, e ugiados e mig an es, sendo o local de in e enção o luga das Fon ainhas, no Po o. Após a con ex ualização do a elie e do abalho p opos o, eu op ei po desen- ol e um alojamen o empo á io des inado a pessoas em si uação de sem-ab igo e e ugiados. Com base nas p oblemá icas polí icas, económicas e sociais que p edominam a ualmen e, op ei po elaciona o p oje o de a qui e u a com a saúde men al, sendo a minha ese in i ulada “Saúde Men al: A A qui e u a como Te apêu ica”. O obje i o é, a a és des e ciclo de en e is as, em que enho ido con ac o com a qui e os e psiquia as, pe cebe de que o ma as ca ac e ís icas do espaço podem in- luencia a saúde men al, e, pos e io men e, aplica esses c i é ios no p oje o. Nes e sen ido, e de o ma a o na mais explíci a a impo ância da saúde men al e do acompanhamen- o psicológico no público-al o, op ei po expandi o p og ama e p oje a ambém uma clínica médica e de psiquia ia, no mesmo edi ício do alojamen o. Após a explicação do abalho que es ou a desen ol e , e endo como e e ência o Cen o Comuni á- io São Ci ilo, que já i e opo unidade de isi a , desen ol i algumas ques ões pa a lhe coloca . Tal como e e e na desc ição que acompanha o p oje o, “O p og ama oi-se elabo ando - não exis ia nenhum edi ício cons uído de aiz com es a especi icidade, apenas cen os adap ados.” Começando po aze a ligação à o ma como eu in e p e ei o meu enunciado, quando lhe oi p opos o p oje a um p og ama de ca á e social, com um público-al o com an as agilidades, a ques ão da saúde men al e e in luência na o ma como desen ol eu o p oje o? Se sim, como? É uma pe gun a pe inen e mas como comp eende á Ca a ina, nós es á amos a esponde a um p og ama que e a o almen e no o no país em 2000/ 2001/ 2002. Quando se começou a ala dis o, nós sen íamos os mig an es de les e a chega a Po ugal, cu iosamen e, uc anianos e molda os. E, po - an o, os jesuí as no Po o iden i ica am es a comunidade, que na al u a aguea a nas uas do Po o sem apoio. Es a a a se explo ada, es a a a se como uma das g andes omissões sociais. Is o é ou não é ambém uma espécie de p oblema de saúde men al? Eu julgo que odas as si uações de eno me ca- ência e agilidade, abandono, alcoolismo e incapacidade de in eg ação são p oblemas que êm, ine- i a elmen e, uma dimensão de agilidade psicológica associada, que é necessá io a a , cuida . Po exemplo, a ques ão da cul u a po uguesa, a ques ão do ensino do po uguês, a ques ão da in eg ação 136 labo al. P eocupou-nos essa agilidade no odo, e não an o especi icamen e a ques ão da saúde men- al. Sabíamos, desde a o igem, que e a impo an e e um gabine e médico, um gabine e de en e ma- gem, um gabine e de apoio à inse ção no me cado de abalho, um gabine e dos se iços de es angei- os e on ei as, um gabine e de apoio ju ídico, um gabine e de apoio eligioso, po que sabemos que esse apoio ambém é mui o impo an e na ajuda da in eg ação, e um gabine e de apoio à amília, às especi icidades de cada amília. Po an o, nós omos mon ando o p og ama com base nesse le an a- men o de necessidades que se o na am e iden es em es u u as mui o iniciais, como po exemplo, em Lisboa, o Jesui Re ugee Se ice. Foi, de ac o, cons uído um bocadinho empi icamen e, nem a Segu ança Social sabia como ca aloga o nosso ipo de apoio de equipamen o e de p og ama, po - que não exis ia nada semelhan e. Mesmo a c iação de do mi ó ios e qua os de apoio, oi algo que oi su gindo, po que inicialmen e não ha ia. A ideia e a encon a em-se espaços ex e io es pa a as amílias es a em, mas depois oi-se chegando à conclusão que, mesmo a ní el de encaminhamen o de inanciamen os e de espos a de eme gência social, e a impo an e e uns qua os de eme gência, pa a mulhe es, homens e amílias. Po an o, es a não é uma espos a di e a à sua pe gun a, mas é a espos a que lhe posso da em elação à cons ução do p og ama comum pa a quem es á numa si uação de agilidade social e de enquad amen o da sociedade. Pa a além das in enções de p oje o que e e iu, exis i am algumas condicionan es ou ecomendações impos as pelo dono de ob a? Se sim, o am exigências elacionadas com a o ganização do p og ama ou com ques ões de ca ác e a qui e ónico? O dono de ob a semp e oi mui o dialogan e e abe o aos nossos con ibu os. Foi um p og ama cons uído à ol a da mesa, com con ibu os nossos, de assis en es sociais, dos jesuí as e do al Jesui Re ugee Se ice, po an o, oi um p og ama cons uído de o ma pa icipada. Não pelos u en es, po que não ha ia essa capacidade, esse empo, mas pa icipada pelas pessoas que pode iam, de alguma manei a, i a da con ibu os. É e iden e que ambém hou e coisas que, e en ualmen e, não o am p e is as mas que se o am adap ando com o empo. Dou-lhe um exemplo, o espaço de oupa ia, pa a acolhe as dádi as de oupas, e am a ecadações na ca e que acaba am po se ans o ma em oupa ias pa a pode acolhe isso. Não es a a inicialmen e p e is o mas chegou-se à conclusão que e a ób io que se inha de e um espaço pa a esse apoio. Ainda nes e p eciso momen o, São Ci ilo não em mais espaço de a umo e pediu-nos ajuda pa a iden i ica espaços pa a acolhe mobiliá io que possa ajuda os uc anianos, que es ão chega nes e momen o ao país, a ins ala em-se em casas de olu as que não êm mobiliá io. Eles es ão a ecebe mui as dádi as de mobiliá io que ão ajuda es as amílias a ins ala em-se cá no Po o. T a ando-se de um p oje o de ca á e social, p ocu ou ecomendações de algum assis en e social, psi- quia a ou psicólogo, em elação ao ipo de p og amas a inclui e à o ganização do espaço? O p oje o inha de passa pela segu ança social, po an o a segu ança social e e de se p onuncia o - malmen e sob e isso. Na equipa que es a a à ol a da mesa ha ia á ias alências e á ios con ibu os disciplina es. Eu acho que a ques ão da saúde men al não é p op iamen e o oco. Há aqui um oco na agilidade social e de acolhimen o, de con ex ualização, de enquad amen o. E não um oco na ques ão ão psíquica, que eu admi o que possa e sido a é um bocadinho desco ada. Mas o oco e a, mesmo a ní el a qui e ónico, e a u iliza as e amen as que es ão ao nosso dispo e que semp e es i e- am pa a ge a boas conduções de ida. Is o é: espaço, luz, en ilação. Foi mui o cu ioso e a eação das assis en es sociais e dos polí icos quando isi a am o cen o, po que eu acho que não es a am à es- pe a de um espaço que, com poucos meios, p i ilegiasse es a dimensão espacial e a qui e ónica. Sob e 137 os psiquia as, nós emos ou a expe iência, como sabe, que são os Albe gues No u nos do Po o, que são a p imei a linha de apoio aos sem-ab igo na cidade. Esses sim, i e am uma p eocupação e um oco maio na dimensão do des io da doença, a é po que a equipa que de iniu o p og ama e a uma equipa de psiquia as. Os sem-ab igo são uma comunidade com mui as especi icidades. Há p opos- as de in eg ação na sociedade que es ão, de alguma manei a, es udadas e alidadas e que se em a consciência que ajudam es a comunidade a sai da sua si uação de agilidade social e que melho am ambém o seu es ado de espí i o men al. Po an o, des es dois abalhos, com uma dimensão mui o social, eu di ia que aquele que es á mais p óximo da ques ão da doença men al e do p oblema psíquico a é se ão mais os Albe gues No u nos do que p op iamen e o Cen o São Ci ilo. Mas en ão ap o ei o o que acabou de e e i pa a lhe pe gun a se o am ei as, po essa equipa de psiquia as, algumas ecomendações especí icas em elação à o ganização do espaço. Em elação a São Ci ilo não. Nos Albe gues sim, ha ia ecomendações mui o especí icas quan o ao núme o máximo, po exemplo, de pessoas. Po exemplo, um dos exe cícios que izemos oi eduzi o núme o de pessoas po cama a a e po qua o, po que sabíamos que e a um oco de p oblemas, e aze um dimensionamen o mais equilib ado. A a qui e u a da p é-exis ência possibili ou isso, mas am- bém uma eo ganização da dis ibuição masculina e eminina e a é das amílias ao longo do p óp io edi ício. Também a ques ão da co é mui o cu iosa, po que o am os p óp ios u en es que escolhe am a co do edi ício. Ele em um om um bocadinho hospi ala , no in e io e no ex e io . Não hou e ali uma cedência a qualque ipo de en ação excessi a de domes icidade po que é supos o se um espaço de ansição, de a amen o. É um equipamen o, de ac o, e po isso ele em um a um bocadinho hospi ala como, achamos nós, con ém numa si uação de p imei a passagem de ein eg ação. Po que é semp e um si uação de ab igo empo á io. Ao longo do desen ol imen o do p oje o, e e con ac o com o público-al o, de modo a pe cebe quais as suas eais necessidades? Já comp eendi que no p ocesso de desen ol imen o do Cen o Co- muni á io São Ci ilo não oi possí el, mas nos Albe gues No u nos en endi que sim. Sim, em con e sas e no p óp io dia a dia deles. Ten amos pe cebe quais e am as dinâmicas do dia a dia, os i uais, as ho as. Os i uais, não só dos u en es mas ambém da p óp ia limpeza e higienização pa a um ipo de espaço des a na u eza. A é o po meno do ní el de aquecimen o. Nós não podemos e um espaço des es aquecido como emos as nossas casas, po que são pessoas que ie am da ua. Po - an o, o ní el de aquecimen o de e se algo in e médio. Mas ambém, ao mesmo empo, a en ilação, po causa das pa ologias, em que se mui o g ande. Po an o sim, hou e um con ac o p óximo com a equipa de psiquia as, psicólogos e com os u en es. Aliás, há um ídeo que eu acho que lhe in e essa e , que é um ídeo dos p émios “Simon” sob e os Albe gues No u nos, onde é mui o in e essan e e como é que o Laudelino ala do edi ício. O Laudelino é um an igo u en e que ago a é igilan e e po - ei o dos Albe gues. É mui o cu ioso e em pa alelo a his ó ia da eabili ação do edi ício e a his ó ia da eabili ação do p óp io Laudelino, é mui o in e essan e. Rela i amen e à o ma e o ganização do edi ício, ela é bas an e ma cada pela exis ência de pá ios. Es es o am c iados apenas pa a assegu a a iluminação na u al e a sepa ação de p og amas, con o me e e e na desc ição do p oje o, ou o am c iados ambém com um ca á e simbólico: símbolo de co- munidade e local de con í io e pa ilha? Há pá ios simbólicos, digamos assim, quase inacessí eis mas undamen ais pa a aze en ilação, luz e ege ação pa a o in e io , po exemplo, dos qua os e dos gabine es. Há ês ou qua o na u ezas de 138 pá ios. Há pá ios que ma cam. Po exemplo, o p imei o pá io, que ma ca a en ada no cen o, é um pá io undamen al pa a sepa a o edi ício de esc i ó ios, que ago a es á ocupado pelo CEF, do Cen o. Ao mesmo empo, ele pe mi e que o edi ício de esc i ó ios ique suspenso, que en e luz po baixo do edi ício. Ele em essa unção mui o a qui e ónica, espacial e de banha com luz os p imei os p og a- mas mais ligados ao ex e io , que são as salas de aula e as salas de es a . Depois há um pá io in e io mui o uncional, no sen ido de aze chega a luz aos gabine es e aos qua os, mas ambém pe mi i pô ege ação, uma sequência de oli ei as, que az esse lado na u al pa a o in e io dos qua os e dos gabine es. Depois há um e cei o pá io, o pá io cen al, o g ande pá io, que é, de ac o, um espaço undamen al pa a ilumina os compa imen os mas ambém pa a aze a i idades. É nesse espaço que es á sol a a capela, que em, cu iosamen e, uma geome ia mui o semelhan e ao osso Colégio das A es, em Coimb a. Eu iz es a p opos a sem pensa no osso pá io mas a pensa num claus o que conhecia em Veneza, que inha uma biblio eca ci cula no meio do claus o. Foi essa a e e ência que inha na memó ia. E depois ainda exis e um pá io comple amen e de se iço, de es endal de oupa, onde pe mi e e equipamen os. Po an o, sob e udo um pá io pa a en ilação. Há pá ios pa a odos os gos os e que inham es es obje i os mui o di e en es. Mas como o edi ício se desen ol e em ex en- são e num piso só, eles o am quase uma espécie de ecu so ób io e na u al, sem dispensa ambém, na u almen e, o seu simbolismo, Em elação ao p og ama, mais especi icamen e aos qua os, não oi possí el isi á-los po ques ões de p i acidade. Gos a a de lhe pe gun a se exis iu alguma ecomendação ou p eocupação especí ica em elação ao desenho dos qua os e à ma e ialidade escolhida. Nos Albe gues o exe cício e a mui o cla o po que nós sabemos que a cada sem-ab igo co esponde uma cama, uma cadei a, uma omada, um a má io e um pon o de luz associado a uma mesinha de cabecei a. E a is o o p og ama, den o de um espaço comum que nunca de e ia e mais de 6, 7 ou 8 u en es. No caso de São Ci ilo, nós sabíamos que os qua os e am sob e udo duplos, pa a homens, mulhe es e amílias. O layou esul ou mui o da geome ia a qui e ónica do p óp io edi ício. Ten a- mos, na u almen e, que ossem qua os com boa luz, êm uma boa janela. Nós deixamos umas es as de en ilação que eles apidamen e se enca ega am de apa com i a cola, po causa, e en ualmen e, do descon o o sen ido, mas pa a nós e a impo an e es a ques ão en ilação. Tinha um bom es o e de somb iamen o ex e io , pa a não e sob eaquecimen o. Eu acho que e a mui o uncional, com uma boa luz, seja pa a es a , seja pa a le . Tinha um espaço ambém de apoio de lei u a. Tinha um bom oupei o. Mas lá es á, oi ambém um p og ama cons uído po nós, com bom senso a qui e ónico, com o espaço disponí el, com a nossa p óp ia expe iência. Mas en ão não hou e nenhuma ecomendação po pa e de nenhum u en e? Não. Rela i amen e à ma e ialidade ge al do edi ício (co es e ma e iais de acabamen o) oi escolhida de aco do com alguma condicionan e uncional ou o çamen al, ou oi uma escolha elacionada com a iden idade a qui e ónica p e endida? Como eu lhe disse há pouco, nós p i ilegiamos a luz e o espaço. É quase como se a ma e ialidade osse, eu sei que não se pode dize is o em a qui e u a, mas é como se osse secundá ia. Nós não ínhamos dinhei o, po an o, sabíamos que as pa edes iam se ebocadas e pin adas, que o pa imen o ia ecebe um linóleo ou um inílico e os qua os de banho iam e azulejo. O dinhei o não da a pa a mui o mais. Quan o às co es, a pale a oi mui o neu a, cla a. Imaginámos ambém que pudessem exis i 139 dádi as de mobiliá io, que os abalhos p oduzidos no p óp io cen o começassem a in adi a pa edes. Que osse po si p óp io ganhando essa co , e po isso apos ámos num undo de g ande neu alidade, pa a pe mi i essa ap op iação. O g ande co edo cen al oi inicialmen e pensado como uma gale ia, onde eles iam expo os seus abalhos. No inal da desc ição do p oje o e e e que apesa de odas as condicionan es, p ocu ou desenha uma casa luminosa e humana, capaz de ansmi i espe ança aos imig an es que a i ão habi a . Is o e le e algum ipo de p eocupação com a saúde men al, ou com o desen ol imen o de um espaço senso ial? Conside a que é possí el p oje a um espaço de modo a que es e seja uma e amen a e apêu ica? Is o é, um espaço senso ial que en e de algum modo con ibui pa a a enua as agilidades psicológicas do público-al o? Eu acho que a a qui e u a ajuda mui o no nosso bem-es a , sem qualque dú ida. Uma casa com luz bem o ien ada, com a possibilidade de e um espaço in e io e ex e io , um espaço ambém com pou- ca luz e de ecolhimen o. Eu acho que a a qui e u a pode melho a mui íssimo o nosso dia a dia como se iu ago a du an e es es empos de con inamen o. Sem qualque dú ida, ac edi o na a qui e u a como es a égia pa a melho a a ida das pessoas e da comunidade. Acho que o a qui e o em de se ensinado a aze isso na u almen e, au oma icamen e, semp e. É como pensa nas ques ões ambien- ais, é micas e acús icas, isso de ia se algo que nasce, ine i a elmen e, jun o com a boa a qui e u a, com a a qui e u a que se p eocupa em esponde à maio quan idade de p oblemas possí el. Po an o, não acho que enha sido com esse oco, mas acho g aça que das minhas pala as e i e essa in enção que, cla amen e, nunca deixou de es a na nossa mesa e no nosso subconscien e, que é como é que o dia a dia des as pessoas pode se o melho possí el den o des a casa empo á ia. Pa a si, enquan o a qui e o, quais o am os p incipais desa ios ao p oje a um p og ama de ca á e social des inado a um público-al o ão ágil e, possi elmen e, com ca ac e ís icas ão di e en es en e si? Como é que pessoas de cul u as ão di e en es se podem sen i igualmen e in eg adas nes e edi ício? Essa ques ão oi pensada? É uma pe gun a de di ícil espos a. Eu não que o dize que essa ques ão oi pensada le ianamen e. Que essa ques ão es e e semp e no nosso subconscien e, desenha um espaço que possa acolhe e in eg a o melho possí el quem chega a es e país, isso sem qualque dú ida. Com a dimensão que ínhamos, com o p og ama que ínhamos pa a esol e com os meios que ínhamos, mui o limi ados. Po que o cus o oi mui o con olado. Es e edi ício cons uiu-se com 500€ po m2, que já na al u a e a um alo quase milag oso. Po an o, eu gos a a de dize -lhe que sim. Que com os meios que í- nhamos, com o o çamen o que ínhamos, com o conhecimen os que ínhamos, izemos um edi ício ocado nesse acolhimen o. Mas a a qui e u a é semp e uma espos a con ex ualizada e que esponde a esse obje i o com os meios que em. Com a geome ia e o espaço que em disponí el, com o o ça- men o que em disponí el. Po an o, é e iden e que se os meios ossem ilimi ados, se o espaço osse ilimi ado, se o oco osse exclusi amen e o bem-es a dessas pessoas, a espos a se ia o almen e ou a. A a qui e u a é uma a e de sín ese mul idisciplina , é semp e um exe cício de sín ese, um exe cício de eunião e de es a égia, de p ocessos com á ias o igens. Nunca es amos a pensa numa “a qui e u a pa a a doença men al”, uma “a qui e u a pa a acolhe os mig an es”, ou uma “a qui e u a pa a acolhe os sem-ab igo”. É e iden e que o obje i o é esse, mas é um obje i o inse ido den o de imensas exigên- cias. É um obje i o p incipal com imensos ou os obje i os, como cump i o o çamen o, não excede a olume ia que emos disponí el, ein eg a a maio quan idade de ma é ia he dada possí el po que es amos a aze uma eabili ação. Em ambos os casos, se capaz de acolhe um núme o de e minado de