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Prevalência e preditores de fibrilhação auricular numa coorte de doentes com insuficiência cardíaca submetidos a terapêutica de ressincronização cardíaca ou implantação de cardioversor-desfibrilhador

Marques, Ana Catarina Ribeiro Correia Ferreira

Abstract

Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de Medicina

Full text

MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA – TRABALHO FINAL ANA CATARINA RIBEIRO CORREIA FERREIRA MARQUES P e alência e p edi o es de ib ilhação au icula numa coo e de doen es com insu iciência ca díaca subme idos a e apêu ica de essinc onização ca díaca ou implan ação de ca dio e so -des ib ilhado ARTIGO CIENTIFÍCO ORIGINAL ÁREA CIENTIFÍCA DE CARDIOLOGIA T abalho ealizado sob a o ien ação de: NATÁLIA SOFIA CLÁUDIO ANTÓNIO ANA RITA MORGADO GOMES ABRIL/2022 2 . 3 Faculdade de Medicina da Uni e sidade de Coimb a PREVALÊNCIA E PREDITORES DE FIBRILHAÇÃO AURICULAR NUMA COORTE DE DOENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA SUBMETIDOS A TERAPÊUTICA DE RESSINCRONIZAÇÃO CARDÍACA OU IMPLANTAÇÃO DE CARDIOVERSOR- DESFIBRILHADOR PREVALENCE AND PREDICTORS OF ATRIAL FIBRILLATION IN A COHORT OF PATIENTS WITH HEART FAILURE SUBMITTED TO CARDIAC RESYNCHRONIZATION THERAPY OR CARDIOVERTER-DEFIBRILLATOR IMPLANTATION Au o es: Ana Ca a ina Ribei o Co eia Fe ei a Ma ques* Ana Ri a Mo gado Gomes+ Na ália So ia Cláudio An ónio*+ A iliações: +Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a; P ace a P o esso Mo a Pin o, 3000-075 Coimb a *Faculdade de Medicina, Uni e sidade de Coimb a, Po ugal; Azinhaga de San a Comba, 3000-548 Celas – Coimb a Con ac o pessoal: ca a inama [email protected] . 4 RESUMO In odução: A ib ilhação au icula (FA) é a a i mia pe manen e mais comum nos doen es com insu iciência ca díaca (IC). A ualmen e exis em poucos dados sob e a sua incidência e p edi o es em doen es subme idos a e apêu ica de essinc onização ca díaca (CRT) ou ca dio e so -des ib ilhado (CDI). Obje i os: O obje i o des e abalho é es uda a p e alência de FA e possí eis p edi o es de isco de desen ol imen o de FA de no o numa coo e de doen es com IC, po ado es de CDI ou CRT. Incluiu ambém a a aliação de p edi o es de mo alidade nessa mesma população. Ma e ial e mé odos: Es udo obse acional e ospe i o de doen es com IC subme idos a implan ação de CRT ou CDI no Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a de 31 de dezemb o de 2010 a 8 de agos o de 2019. Doen es com diagnós ico p é io de FA o am excluídos. A a aliação do desen ol imen o de FA du an e o seguimen o oi auxiliada pelos dados da in e ogação dos disposi i os. Fo am compa adas ca ac e ís icas basais en e o g upo de doen es que desen ol eu FA e o que não desen ol eu FA du an e o ollow-up. Fo am es udadas a a és da eg essão de Cox os p edi o es independen es de desen ol imen o de FA, assim como os p edi o es de mo alidade du an e o ollow-up. Resul ados: Dos 286 doen es subme idos a implan ação de CDI ou CRT no pe íodo em análise, 223 doen es não ap esen a am FA p é ia e cons i uí am a amos a des e es udo. A idade média da população em es udo oi de 62,0±12,0 anos e a maio ia dos doen es e am do sexo masculino (72,4%). Den o da população em es udo, 39,5% e am po ado es de CDI, 52,5% de CRT-D e 8,1% de CRT-P. O empo de ollow-up médio oi de 61,4±30,0 meses. Du an e o ollow-up 29,5% dos doen es desen ol e am FA, sendo a incidência de FA na amos a de 5,04%/ano. O desen ol imen o de FA du an e o ollow-up oi signi ica i amen e supe io no subg upo dos doen es subme idos a CRT compa a i amen e com os doen es subme idos a CDI (39,8% s 18,1%, p=0,002) e a p e alência de hipe ensão a e ial (HTA) oi mais equen e no subg upo de doen es que não desen ol e am FA no ollow-up (p=0,045). Nenhuma das a iá eis es udadas mos ou se p edi o a de FA. A p esença de FA du an e o ollow-up é um p edi o de mo alidade (p<0,001), mas é dependen e da e iologia da IC. Conclusões: A incidência de FA em doen es com IC subme idos a CDI ou CRT é ele ada. O desen ol imen o de FA oi supe io nos doen es subme idos a CRT. A FA mos ou se um p edi o de mo alidade po ém não independen e da e iologia da IC. Pala as-cha e: ib ilhação au icula , insu iciência ca díaca, e apêu ica de essinc onização ca díaca, ca dio e so -des ib ilhado IV 5 ABSTRACT In oduc ion: A ial ib illa ion (AF) is he mos common pe manen a hy hmia in hea ailu e (HF) pa ien s. Limi ed da a exis s on i s incidence and p edic o s in pa ien s wi h ca diac esynch oniza ion he apy (CRT) and implan able ca dio e e de ib illa o (ICD). Objec i es: This s udy aims o e alua e AF incidence and possible p edic o s in HF pa ien s wi h CRT and ICD. As a seconda y ou come, o e alua e possible p edic o s o mo ali y in he same popula ion. Me hods: Re ospec i e analysis o HF pa ien s admi ed o CRT o ICD implan a ion in Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a, be ween Decembe 31s 2010 and Augus 8 h 2019. Pa ien s wi h AF p io o de ice implan a ion we e excluded. Long- e m ollow-up o new onse AF was aided by de ice in e oga ion. Baseline cha ac e is ics we e assessed and compa ed be ween pa ien s wi h and wi hou new onse AF. Cox eg ession analysis was pe o med o iden i y AF and mo ali y p edic o s in his popula ion. Resul s: F om a o al o 286 pa ien s, 223 pa ien s (median age o 62.0±12.0 yea s old, 72.4% males) had no p e ious his o y o AF and we e included in his s udy. A ound hal (52.5%) o he pa ien s had a CRT wi h de ib illa o (CRT-D), 39.5% had an ICD and 6.8% had a CRT wi hou de ib illa o (CRT-P). Median ollow-up ime was 61.4±30.0 mon hs. Du ing ollow-up ime, 29.5% o he pa ien s we e diagnosed wi h AF, being AF incidence a e 5.04% pe yea . New onse AF was signi ican ly highe in he subg oup o pa ien s wi h CRT compa ed wi h ICD (39.8% s 18.1%, p=0.002) and a e ial hype ension p e alence was highe in he subg oup o pa ien s wi hou AF (p=0.045). None o he s udied a iables p o ed o be p edic o s o AF. The de elopmen o AF du ing ollow-up p o ed o be a p edic o o mo ali y (p<0.001), dependen on HF e iology. Conclusion: The incidence a e o new onse a ial ib illa ion in HF pa ien s wi h CRT o ICD was 5.04% pe yea . The de elopmen o AF was highe in pa ien s wi h CRT de ices. AF p o ed o be a p edic o o mo ali y bu no independen o he e iology o HF. Keywo ds: a ial ib illa ion, hea ailu e, ca diac esynch oniza ion he apy, ca dio e e - de ib illa o V 6 Lis a de ab e ia u as/siglas CDI: Ca dio e so -des ib ilhado CHUC: Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a CRT: Te apêu ica de essinc onização ca díaca CRT-D: Te apêu ica de essinc onização ca díaca com des ib ilhado CRT-P: Te apêu ica de essinc onização ca díaca sem des ib ilhado DM: Diabe es melli us DRC: Doença enal c ónica FA: Fib ilhação au icula FEVE: F ação de ejeção en icula esque da HTA: Hipe ensão a e ial IC: Insu iciência ca díaca NYHA: New Yo k Hea Associa ion VI 7 In odução A insu iciência ca díaca (IC) é de inida como um sínd ome clínico ca ac e izado po di e sos sinais e sin omas ípicos – dispneia de es o ço, o opneia, edemas pe i é icos, ingu gi amen o jugula , e luxo hepa ojugula , en e ou os – associado a edução do débi o ca díaco e/ou aumen o das p essões de enchimen o in aca díacas em epouso ou du an e o es o ço. Com uma p e alência de 26 milhões de pessoas em odo mundo e de 4,36% em oda a população po uguesa1, a IC é um p oblema c escen e de saúde pública2. No a amen o da IC com ação de ejeção eduzida, pa a doen es sin omá icos e ação de ejeção en icula esque da (FEVE) in e io a 35%, apesa de e apêu ica médica o imizada, podem se conside adas ou as e apêu icas nomeadamen e a Te apêu ica de Ressinc onização Ca díaca (CRT) ou a implan ação de ca dio e so - Des ib ilhado (CDI).3 Segundo as guidelines da Sociedade Eu opeia de Ca diologia4, a CRT es á ecomendada nos doen es com IC, que apesa de e apêu ica médica o imizada, man ém FEVE ≤ 35% e que êm du ação de QRS ≥ 150 ms e bloqueio do amo esque do ( ecomendação IA). É de no a que não es á indicado a CRT em doen es com IC se du ação de QRS o in e io a 130ms ( ecomendação IIIA). Já os doen es candida os a CDI e com indicação pa a CRT es á ecomen ada a implan ação de CRT-D. Es á p o ado que a CRT melho a a sin oma ologia e eduz a mo bilidade e a mo alidade. Já a CDI é e icaz na p e enção da mo e súbi a, pela in e upção de a i mias en icula es po encialmen e a ais.5 A ib ilhação au icula (FA) é a a i mia man ida pe manen e mais comum nos doen es com Insu iciência ca díaca, e po ou o lado a IC é um dos p incipais a o es de isco pa a o desen ol imen o de FA.6 Os disposi i os de CDI e CRT azem o egis o de di e en es ipos de a i mias ca díacas, não só a i mias en icula es a ais mas ambém de a i mias au icula es como a FA.7 A a aliação do desen ol imen o de FA du an e o seguimen o dos doen es com IC pode se auxiliada pelos dados da in e ogação dos disposi i os. É ainda de e e i que os doen es subme idos a es as e apêu icas são acompanhados em consul as de ollow-up onde é a aliado o seu co e o uncionamen o e se e i ica se hou e oco ência de e en os ca díacos, nomeadamen e de episódios de FA. Sabe-se que o diagnós ico de FA es á associado a edução de espe ança de ida e maio equência de hospi alização nos doen es com IC.8,9 Daí se impo an e 8 ca ac e iza a p e alência de FA nos doen es com IC subme idos a CRT ou CDI e iden i ica p edi o es pa a a sua oco ência de o ma a iden i ica e a a a empadamen e os doen es em isco.10 O obje i o p incipal des e abalho é a alia a p e alência/incidência de FA e possí eis p edi o es de isco de desen ol imen o de FA de no o em doen es com IC po ado es de CDI ou CRT. Como obje i o secundá io, incluímos o es udo de p edi o es de mo alidade nessa mesma população. 9 Ma e iais e mé odos Es udo obse acional e ospe i o de doen es com IC com ação de ejeção eduzida admi idos consecu i amen e pa a implan ação de e apêu ica de essinc onização ca díaca ou de ca dio e so -des ib ilhado no Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a (CHUC), de 31 de dezemb o de 2010 a 8 de agos o de 2019. Os dados ecolhidos o am ob idos a a és da consul a do his ó ico clínico digi al, disponí el no so wa e Ca diobase e egis os de consul a do SClínico do CHUC. Es e abalho ob e e pa ece a o á el pela Comissão de é ica do CHUC, com a e e ência in e na 148/CES (P oc. nº OBS.SF.25/2021), e cump e as no mas deon ológicas e é icas, incluindo a con idencialidade e anonimização dos dados ecolhidos. A me odologia es a ís ica u ilizada pa a análise de dados e e como base o p og ama in o má ico IBM S a is ical Package o Social Sciences e são 27 (SPSS, Chicago, IL, USA). Nes e es udo o am incluídos odos os doen es com IC subme idos a CRT ou CDI, du an e o empo e local acima desc i os com seguimen o nesse mesmo local. Fo am excluídos odos os doen es sem ollow-up no CHUC e sem dados egis ados ela i os à sua doença. O empo de ollow-up é dado pelo empo que deco eu en e a da a de implan ação do disposi i o e a da a de úl imo seguimen o em consul a ou, quando aplicá el, a da a de mo e. Após e sido a aliada a p e alência de FA na população inicial, no momen o de implan ação de disposi i o, o am excluídos odos os doen es que ap esen a am o diagnós ico de FA ao momen o de implan ação, ob endo assim uma amos a de doen es com IC subme idos a CRT ou CDI sem FA conhecida no momen o de implan ação, sendo essa a amos a inal do nosso es udo (N=223). A análise desc i i a da população, incluiu ca ac e ização das seguin es a iá eis: idade, géne o, ipo de disposi i o implan ado (CRT ou CDI), e iologia da IC (isquémica ou não isquémica), classe de NHYA no momen o da implan ação do disposi i o, a o es de isco ca dio ascula es e p esença de doença enal c ónica. Foi a aliada a oco ência de FA du an e o ollow-up e a mo alidade global. 16 eduz o isco de FA.19 O nosso achado é di ícil de explica à luz do conhecimen o a ual e apesa de á ios es udos que associam a HTA e a FA, a é ao momen o não exis e nenhum es udo que enha a aliado o e ei o da HTA no desen ol imen o de FA em doen es com IC e ação de ejeção eduzida, pelo que se ia ú il aze um no o es udo pa a pe cebe a in e ação en e HTA e FA em doen es com IC subme idos a CDI ou CRT, bem como o es udo de possí eis a iá eis con unden es. Apesa do nosso es udo não ap esen a di e ença signi ica i a en e os géne os no que oca ao desen ol imen o de FA, es á desc i o que as mulhe es com IC ap esen am maio isco de desen ol e FA e a é mesmo pio p ognós ico, ela i amen e aos homens.20,21 Das múl iplas a iá eis em análise nenhuma mos ou se p edi o a de FA nos doen es com IC. De ac o, sabe-se que a IC e a FA são duas en idades que es ão co elacionadas22 e que pa ilham a o es de isco e p ocessos isiopa ológicos comuns,23 pelo que é di ícil desc e e um a o que seja p edi o independen e de FA. Is o ai de aco do com o que acon ece na p á ica clínica, sendo di ícil p e e que doen es e quando ão desen ol e FA. Com es e es udo pe cebemos que a FA é p edi o a de mo alidade apesa de não se independen e da e iologia de IC, o que mais uma ez co obo a a ideia de que exis em mecanismos coexis en es em ambas as pa ologias ainda não pe ei amen e comp eendidos. Is o le a-nos a conclui que o desen ol imen o de FA aca e a pio p ognós ico,11,24 po ém não é a única condição a azê-lo e não o az de o ma independen e. Inclusi amen e no es udo Zake i R. e al. 2020, es á desc i o que nos doen es com FA de no o o isco de en a e é supe io , e que nes es doen es a u ilização de an icoagulan es é ulc al pa a o p ognós ico e edução da mo alidade.5 Apesa dos esul ados do nosso es udo não i em comple amen e de encon o com o inicialmen e espe ado, com es e abalho podemos pe cebe algumas elações sob e o desen ol imen o de FA em doen es com CRT e CDI, que pode ão e implicações clínicas u u as. Caso se conseguisse iden i ica e po encialmen e con a ia ou e i a p edi o es de FA isso pode ia e um impac o signi ica i o no p ognós ico do doen e com IC a ançada. Também se ia ele an e in es iga mais ap o undadamen e p edi o es de FA em doen es com IC, já que es a mos ou associa -se a pio p ognós ico. Com es e es udo ambém mos amos que, além des es disposi i os se em uma e apêu ica ú il na IC, são ambém uma e amen a de diagnós ico p ecoce de FA. Uma das limi ações des e es udo, consequen e à sua na u eza e ospec i a, é a ele ada pe cen agem de missings, mas que oi em pa e ul apassada pela ele ada 17 dimensão da amos a, assim como o ac o de depende de egis os de di e en es p o issionais, dos quais não podemos ga an i a qualidade dos dados, bem como uni o midade de egis o en e p o issionais. Ou a limi ação oi a mo alidade dos doen es se ele ada (18,8%), pelo que diminuiu o empo a é ao possí el desen ol imen o de FA. É de no a que ambém pode á e ha ido algum iés de seleção, já que os doen es em es udo inham maio i a iamen e IC g a e com indicação pa a e apêu ica com CRT ou CDI. 18 Conclusão Es e abalho con i ma a es ei a elação en e IC e FA, com os doen es com IC po ado es de CDI ou CRT a ap esen a em uma incidência de FA de 5,04%/ano. O isco de desen ol imen o de FA pa ece se supe io nos doen es subme idos a CRT compa a i amen e com os doen es subme idos a CDI. Nes e es udo não oi possí el iden i ica nenhum p edi o independen e da oco ência de FA após implan ação de CDI/CRT. Es e es udo con i ma ainda que o desen ol imen o de FA du an e o ollow-up é um a o p edi o de mo alidade, po ém não independen e da e iologia de IC. 19 Ag adecimen os Deixo aqui o meu p o undo ag adecimen o à D a. Na ália An ónio po e acei e a minha p opos a de abalho, po me e ecebido de b aços abe os no Se iço de Pacing do Cen o Hospi ala Uni e si á io de Coimb a e me e o ien ado ao longo de odo o p ocesso. À D a. Ana Ri a Gomes ag adeço pela ajuda undamen al na ealização des e abalho, pelo auxílio na ecolha e a amen o de dados. A ambas ag adeço odo o empo que me disponibiliza am e os ensinamen os que le o pa a a ida. Um ag adecimen o especial à minha i mã que me deu odo o apoio na pa e in o má ica. E inalmen e, ag adece a oda a minha amília, em especial à minha mãe e a ó, pelo apoio incondicional que me dão pa a que possa segui e conc e iza odos os meus sonhos. 20 Re e ências Bibliog á icas 1. Fonseca C, B ás D, A aújo I, Ceia F. Hea ailu e in numbe s: Es ima es o he 21s cen u y in Po ugal. Re Po Ca diol. 2018;37(2):97–104. 2. Ka nik AA, Gopal DM, Ko D, Benjamin EJ, Helm RH. Epidemiology o A ial Fib illa ion and Hea Failu e: A G owing and Impo an P oblem. Ca diol Clin. 2019;37(2):119–29. 3. Chia PL, Foo D. O e iew o implan able ca dio e e de ib illa o and ca diac esynch onisa ion he apy in hea ailu e managemen . Singapo e Med J. 2016;57(7):354–9. 4. Glikson M, Nielsen JC, K onbo g MB, Michowi z Y, Au icchio A, Ba bash IM, e al. 2021 ESC Guidelines on ca diac pacing and ca diac esynch oniza ion he apy. Eu Hea J. 2021;42(35):3427–520. 5. Zake i R, Mo gan JM, Phillips P, Ki S, Ng GA, McComb JM, e al. 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