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Consensus document on chronic coronary syndrome assessment and risk stratification in Portugal: A position paper statement from the [Portuguese Society of Cardiology's] Working Groups on Nuclear Cardiology, Magnetic Resonance and Cardiac Computed Tomography, Echocardiography, and Exercise Physiology and Cardiac Rehabilitation

Bettencourt, Nuno,Mendes, Lígia,Fontes, José Paulo,Matos, Pedro,Ferreira, Catarina,Botelho, Ana,Carvalho, Sofia,Durazzo, Anaí,Faustino, Ana,Lopes, Ricardo Ladeiras,Vasconcelos, Mariana,Vieira, Catarina,Correia, Miguel,Ferreira, António M,Ferreira, Nuno,P

Abstract

Despite constant medical evolution, the reimbursement policy of Portuguese National Health Service (NHS) for the study and risk stratification of coronary heart disease has remained unchanged for several decades. Lack of adjustment to contemporary clinical practice has long been evident. However, the recent publication of the European Guidelines for diagnosis and treatment of chronic coronary syndromes further highlighted this gap and the urgent need for a change. Prompted by these Guidelines, the Working Group on Nuclear Cardiology, Cardiac Magnetic Resonance and Cardiac CT, the Working Group on Echocardiography and the Working Group on Stress Pathophysiology and Cardiac Rehabilitation of the Portuguese Society of Cardiology, began a process of joint reflection on the current limitations and how these recommendations could be applied in Portugal. To this end, the authors suggest that the new imaging methods (stress echocardiogram, cardiac computed tomography and cardiac magnetic resonance), should be added to exercise treadmill stress test and myocardial perfusion scintigraphy in the available exam portfolio within the Portuguese NHS. This change would allow full adoption of European guidelines and a better use of tests, according to clinical context, availability and local specificities. The adoption of clinical guidance standards, based on these assumptions, would translate into a qualitative improvement in the management of these patients and would promote an effective use of the available resources, with potential health and financial gains.

Full text

Re is a Po uguesa de Ca diologia 41 (2022) 241---251 www. e po ca diol.o g Re is a Po uguesa de Ca diologia Po uguese Jou nal o Ca diology GUIDELINES Documen o de Consenso sob e Es a ificac¸ão de Risco Ca dio ascula e es udo da doenc¸a co oná ia em Po ugal: a posic¸ão dos G upos de Es udo de Ca diologia Nuclea , Ressonância Magné ica e Tomog afia Compu o izada Ca díaca, de Ecoca diog afia e de Fisiopa ologia do Es o c¸o e Reabili ac¸ão Ca díaca Nuno Be encou a,∗, Lígia Mendesb, José Paulo Fon esc, Ped o Ma osd, Ca a ina Fe ei ae, Ana Bo elho , Sofia Ca alhoc, Anaí Du azzog, Ana Faus inoh, Rica do Ladei as Lopesi,j, Ma iana Vasconcelosj,k, Ca a ina Viei al, Miguel Co eiam, An ónio M. Fe ei an,o, Nuno Fe ei ap, Gus a o Pi es-Mo aisp, Ana G. Almeidaq, Ma ia João Vidigal Fe ei a , Madalena Teixei ap, em nome do GECNRMTC, do GEE e do GEFERC da SPC aFaculdade de Medicina do Po o, Po o, Po ugal bHospi al da Luz, Se úbal, Po ugal cCen o Hospi ala de T ás-os-Mon es e Al o Dou o, Vila Real, Po ugal dHospi al CUF Tejo, Lisboa, Po ugal eCen o Hospi ala de T ás-os-Mon es e Al o Dou o, Faculdade de Ciências da Saúde, Uni e sidade da Bei a In e io , Vila Real, Po ugal Cen o Hospi ala Uni e si á io de Coimb a, Coimb a, Po ugal gCen o Hospi ala de Lisboa Ociden al, Hospi al de San a C uz, Ca naxide, Po ugal hCen o Hospi ala do Baixo Vouga, A ei o, Po ugal iCen o Hospi ala de Vila No a de Gaia/Espinho, Vila No a de Gaia, Po ugal jFaculdade de Medicina do Po o, Po o, Po ugal kCen o Hospi ala Uni e si á io São João, Po o, Po ugal lHospi al de B aga, B aga, Po ugal mCen o Hospi ala Tondela/Viseu e Hospi al CUF-Viseu, Viseu, Po ugal nCen o Hospi ala de Lisboa Ociden al, Hospi al de San a C uz, Ca naxide, Po ugal oHospi al da Luz, Lisboa, Po ugal pCen o Hospi ala de Vila No a de Gaia/Espinho, Vila No a de Gaia, Po ugal ∗Au o pa a co espondência. Co eio ele ónico: [email p o ec ed] (N. Be encou ). h ps://doi.o g/10.1016/j. epc.2020.10.009 0870-2551/© 2020 Publicado po Else ie Espa˜ na, S.L.U. em nome de Sociedade Po uguesa de Ca diologia. Es e ´ e um a igo Open Access sob uma licenc¸a CC BY-NC-ND (h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/). N. Be encou e al. qCen o Hospi ala Lisboa No e, Hospi al de San a Ma ia e Faculdade de Medicina de Lisboa, Lisboa, Po ugal Cen o Hospi ala Uni e si á io de Coimb a e Faculdade de Medicina, Uni e sidade de Coimb a, Coimb a, Po ugal Recebido a 4 de ou ub o de 2020; acei e a 29 de ou ub o de 2020 Disponí el na In e ne a 18 de dezemb o de 2020 PALAVRAS-CHAVE Doenc¸a co oná ia; Es a ificac¸ão de isco; Cuidados de saúde p imá ios; Técnicas de diagnós ico ca dio ascula ; Técnicas de imagiologia ca díaca; P o a de es o c¸o; Tomog afia compu o izada; Ressonância magné ica; Ecoca diog afia; Cin ig afia de pe usão miocá dica; Tomog afia de emissão de posi ões; Recomendac¸ões Resumo Apesa dos a anc¸os da medicina, há já á ias décadas que os exames compa icipados pelo Se ic¸o Nacional de Saúde (SNS) pa a o es udo e es a ificac¸ão de isco da doenc¸a co oná ia se man êm inal e ados em cuidados de saúde p imá ios. Apesa do desajus e à p á ica clínica con empo ânea se há mui o e iden e, a ecen e publicac¸ão das Recomendac¸ões Eu opeias pa a o diagnós ico e a amen o da sínd ome co oná ia c ónica eio ealc¸a ainda mais es e des asamen o e e idencia a necessidade impe iosa de mudanc¸a na o ma como são es udados es es pacien es em Po ugal. No seguimen o des a publicac¸ão, o G upo de Es udo de Ca diologia Nuclea , Ressonância Magné ica (RM) e Tomog afia Compu o izada (TC) Ca díaca, o G upo de Es udo de Ecoca diog afia e o G upo de Es udos de Pa ofisiologia do Es o c¸o e Reabili ac¸ão Ca - díaca da Sociedade Po uguesa de Ca diologia inicia am um p ocesso de eflexão conjun a sob e as limi ac¸ões a uais e a o ma como pode iam se aplicadas as ecomendac¸ões in e nacionais no nosso país. Pa a al, os au o es suge em que os no os mé odos de imagem (ecoca diog ama de es o c¸o ou de sob eca ga, TC e RM ca díaca) se associem à p o a de es o c¸o e cin ig afia de pe usão do miocá dio no po ólio de exames o e ecidos pelo SNS. Es a al e ac¸ão pe mi i ia uma plena adoc¸ão das ecomendac¸ões eu opeias e uma melho u ilizac¸ão dos meios, de aco do com o con ex o clínico, a disponibilidade e as pa icula idades locais. A adoc¸ão de ‘‘no mas de o ien ac¸ão clínica’’ baseadas nes es p essupos os aduzi -se-ia numa melho ia quali a i a na abo dagem e o imizac¸ão e apêu ica des es pacien es, ao mesmo empo em que po encia ia uma ges ão eficaz dos ecu sos disponí eis, com po enciais ganhos de saúde e financei os. © 2020 Publicado po Else ie Espa˜ na, S.L.U. em nome de Sociedade Po uguesa de Ca diologia. Es e ´ e um a igo Open Access sob uma licenc¸a CC BY-NC-ND (h p://c ea i ecommons.o g/ licenses/by-nc-nd/4.0/). KEYWORDS Co ona y Hea Disease; Risk assessmen ; P ima y Heal h Ca e; Ca dio ascula diagnos ic echniques; Ca diac Imaging Techniques; T eadmill Tes ; Compu ed Tomog aphy; Magne ic Resonance; Echoca diog aphy; Myoca dial scin ig aphy; Posi on Emission Tomog aphy; Guidelines Consensus documen on ch onic co ona y synd ome assessmen and isk s a ifica ion in Po ugal: A posi ion pape s a emen om he [Po uguese Socie y o Ca diology’s] Wo king G oups on Nuclea Ca diology, Magne ic Resonance and Ca diac Compu ed Tomog aphy, Echoca diog aphy, and Exe cise Physiology and Ca diac Rehabili a ion Abs ac Despi e cons an medical e olu ion, he eimbu semen policy o Po uguese Na i- onal Heal h Se ice (NHS) o he s udy and isk s a ifica ion o co ona y hea disease has emained unchanged o se e al decades. Lack o adjus men o con empo a y clinical p ac ice has long been e iden . Howe e , he ecen publica ion o he Eu opean Guidelines o diag- nosis and ea men o ch onic co ona y synd omes u he highligh ed his gap and he u gen need o a change. P omp ed by hese Guidelines, he Wo king G oup on Nuclea Ca diology, Ca diac Magne ic Resonance and Ca diac CT, he Wo king G oup on Echoca diog aphy and he Wo king G oup on S ess Pa hophysiology and Ca diac Rehabili a ion o he Po uguese Socie y o Ca diology, began a p ocess o join eflec ion on he cu en limi a ions and how hese ecommenda ions could be applied in Po ugal. To his end, he au ho s sugges ha he new imaging me hods (s ess echoca diog am, ca diac compu ed omog aphy and ca diac magne ic esonance), should be added o exe cise eadmill s ess es and myoca dial pe usion scin- ig aphy in he a ailable exam po olio wi hin he Po uguese NHS. This change would allow ull adop ion o Eu opean guidelines and a be e use o es s, acco ding o clinical con ex , a ailabili y and local specifici ies. The adop ion o clinical guidance s anda ds, based on hese assump ions, would ansla e in o a quali a i e imp o emen in he managemen o hese pa i- en s and would p omo e an e ec i e use o he a ailable esou ces, wi h po en ial heal h and financial gains. © 2020 Published by Else ie Espa˜ na, S.L.U. on behal o Sociedade Po uguesa de Ca diologia. This is an open access a icle unde he CC BY-NC-ND license (h p://c ea i ecommons.o g/ licenses/by-nc-nd/4.0/). 242 Re is a Po uguesa de Ca diologia 41 (2022) 241---251 In oduc¸ão As doenc¸as ca dio ascula es (CV) são a p incipal causa de mo alidade e mo bilidade em Po ugal. En e es as, a doenc¸a co oná ia, pela mo e p ema u a ou pe da de anos de ida a i a (labo al e social) que condiciona e pelos cus os médicos associados (in e enc¸ão, a maco e apia, in e namen os po sínd omes co oná ias agudas ou insufici- ência ca díaca), assume pa icula ele ância no pano ama nacional1,2. Em ce ca de me ade dos casos, a p imei a mani es ac¸ão da doenc¸a co oná ia é o en a e agudo do miocá dio ou a mo e súbi a3, o que a o na uma doenc¸a pa icula men e emí el, ealc¸ando a necessidade de se in es i p incipal- men e na p e enc¸ão. Nas úl imas décadas a e oluc¸ão no a amen o des a pa ologia aduziu-se numa len a, mas p og essi a, diminuic¸ão da mo alidade em e mos nacio- nais e in e nacionais. Ainda assim, uma g ande p opo c¸ão de casos com danos i e e sí eis pode ia se e i ada a a és de uma de ec¸ão p ecoce e co ec¸ão a empada dos a o es que p omo em a p og essão da doenc¸a. Sendo uma doenc¸a de e oluc¸ão len a, man ém-se sub- clínica du an e g ande pa e da ida de um indi íduo. Es a ca ac e ís ica pe mi e que a sua e oluc¸ão na u al seja modi- ficada, se de e ada p ecocemen e. Uma ez que 90% da e oluc¸ão da doenc¸a podem se jus ificados po a o es de isco ca dio ascula modificá eis4, exis e um eno me po en- cial de in e enc¸ão e modificac¸ão da sua his ó ia na u al, e i ando danos i e e sí eis, como o en a e ou a mo e súbi a. O obje i o p imo dial do nosso sis ema nacional de saúde de e á se , po isso, o omen o da saúde ca dio as- cula , a a és da p omoc¸ão de es ilos de ida saudá eis e a iden ificac¸ão dos indi íduos em isco ou com doenc¸a ca - dio ascula já es abelecida que necessi am de e apêu icas específicas com is a à modificac¸ão p ognós ica e à melho ia da qualidade de ida da populac¸ão. O Se ic¸o Nacional de Saúde (SNS), mais p op iamen e no ní el dos cuidados de saúde p imá ios, assume um papel p imo dial na p omoc¸ão da saúde ca dio ascula , as eio dos a o es de isco ca dio ascula , de ec¸ão de doenc¸a em ase assin omá ica e decisão e apêu ica. Conscien es da impo ância dos cuidados de saúde p imá ios na de ec¸ão e a uac¸ão p ecoce na doenc¸a ca dio ascula , espe a-se que um especialis a em medicina ge al e amilia (MGF) seja capaz de as ea os seus u en es e iden ifica aqueles que, pelo seu isco ca dio ascula aumen ado ou pela p esenc¸a de doenc¸a subclínica, necessi am de o ien ac¸ão e apêu ica subsequen e. Pa a al, é undamen al um uso ap op iado dos meios auxilia es de diagnós ico disponí eis, isando a uma ele ada eficácia diagnós ica e e apêu ica, ap imo ando os ecu sos exis en es. A si uac¸ão a ual A ualmen e, pa a o es udo da doenc¸a co oná ia es á el ou pa a a es a ificac¸ão de isco ca dio ascula em cuidados de saúde p imá ios, o médico de MGF em ao seu dispo , no SNS, o ele oca diog ama simples, a p o a de es o c¸o e a cin ig afia de pe usão miocá dica (CPM). A a és de uma equisic¸ão (P1), o médico pode e e encia o pacien e a um cen o con encionado com o Es ado pa a a sua ealizac¸ão. Exames auxilia es de diagnós ico (EAD) com ele ado desempenho como a omog afia compu o izada (TC) ca - díaca, a ecoca diog afia de sob eca ga ( a macológica e de es o c¸o) ou a essonância magné ica ca díaca (RMC) de sob eca ga es ão excluídos do leque de opc¸ões; o Se ic¸o Nacional de Saúde não em aco dos de con enc¸ão pa a es as écnicas, nem au o iza que o médico de MGF equi- si e di e amen e es es exames ao hospi al de e e ência. Den o do SNS, es es EAD apenas podem se equisi ados no ní el hospi ala con ibuindo pa a a sob eca ga da consul a de ca diologia com pacien es e e enciados pa a exames de confi mac¸ão/exclusão de doenc¸a co oná ia. Numa espe- cialidade em que, pela sua na u eza, as lis as de espe a êm de se man idas cu as --- sob o isco de não se em o necidos cuidados médicos a empados a si uac¸ões po en- cialmen e a ais em cu o p azo --- o impac o nega i o des as e e enciac¸ões não de e se negligenciado. Po que azão es á assim o sis ema o denado? Numa abo - dagem supe ficial pode pensa -se sob e udo em ques ões de sus en abilidade financei a. De ac o, o ele oca dio- g ama e a p o a de es o c¸o são exames com um cus o inicial ela i amen e baixo5. Po ém, o mesmo não se passa com a CPM, cujo cus o é da mesma o dem de g andeza de uma RMC de sob eca ga e mui o supe io ao de um eco- ca diog ama de sob eca ga, segundo as abelas de p ec¸os do SNS publicadas em diá io da epública5. Além disso, a disponibilidade da CPM como único exame de imagem az com que es a seja usada na es a ificac¸ão de isco ou na exclusão de doenc¸a co oná ia em pacien es com uma p oba- bilidade p é- es e in e média/baixa ou mesmo baixa. Nes e con ex o, a TC ca díaca em um cus o ancamen e in e- io , que em e mos de es a ificac¸ão de isco a a és da quan ificac¸ão de cálcio co oná io (sco e de cálcio)6--- com um cus o p óximo a uma p o a de es o c¸o --- que na exclu- são de doenc¸a co oná ia, a a és de co ona iog afia não in asi a (angioTC co oná ia) --- com um cus o in e io em ce ca de 30% ao da CPM5. Po ou o lado, a abo dagem inicial de um pacien e com suspei a de doenc¸a co oná ia a a és da ealizac¸ão de uma p o a de es o c¸o, apesa de e um cus o inicial ela i amen e baixo, pode aduzi -se em cus os ac escidos jus ificados pela sua baixa especifi- cidade/ alo p edi i o posi i o7e na casca a de exames subsequen e a que equen emen e conduz. Es e ac o, bem documen ado em es udos de cus o-e ec i idade8---10, é o p incipal mo i o pelo qual as ‘‘no mas de o ien ac¸ão clí- nica’’ do Reino Unido, desde 2014 e, mais ecen emen e, as guidelines eu opeias11, deixa am de ecomenda es a abo dagem, es imulando, pelo con á io, uma e e enciac¸ão inicial mais cus o-eficaz, baseada em es udos de imagem (pa icula men e TC ca díaca)12. Na ealidade, o único mo i o que jus ifica a a ual si uac¸ão é pu amen e his ó ico: es as e am as modalidades disponí- eis nos anos 70 e 80 do século XX, al u a em que o SNS oi es abelecido. Felizmen e, nes es 40 anos a medicina e oluiu mui o e á ias o am as ino ac¸ões in oduzidas no ambien e hospi ala , que con ibuí am pa a a melho ia da sob e ida e qualidade de ida dos pacien es com doenc¸a co oná ia. Po ém, nos cuidados de saúde p imá ios, onde eside a maio ia dos pacien es com isco CV e onde se de e- iam cen aliza os es o c¸os de comba e ao desen ol imen o e p og essão da doenc¸a co oná ia, as e amen as man êm- -se imu á eis há 40 anos. 243 N. Be encou e al. É nosso en ende que a a ual o ma de acesso aos EAD nos cuidados p imá ios do SNS não é eficaz, é dispendi- osa e não se adequa às meno es p obabilidades p é- es e obse adas em es udos mais ecen es/con empo âneos de g andes populac¸ões13. Con ibui ambém pa a uma ele ada axa de e e enciac¸ão inap op iada a consul as hospi ala- es na á ea da ca diologia, com po encial impac o nega i o na lis a de espe a pa a p imei as consul as. Pa ece-nos, po isso, essencial que se epense oda a es a égia de diagnós- ico e o ien ac¸ão da doenc¸a ca dio ascula no con ex o da MGF, i ando pa ido da eficácia e cus o-e e i idade de odas as écnicas de diagnós ico a ualmen e disponí eis14. E oluc¸ão in e nacional Vá ios sis emas nacionais de saúde eu opeus abandona am a u ilizac¸ão p imo dial da p o a de es o c¸o como p imei a linha nes e con ex o, p omo endo uma u ilizac¸ão acio- nal dos EAD baseados em imagem e ese ando a p o a de es o c¸o pa a si uac¸ões em que é necessá ia in o mac¸ão adicional específica. As Guidelines Eu opeias de Sínd omes Co oná ias C ónicas, endossadas pela Sociedade Po uguesa de Ca diologia, e que são as ecomendac¸ões de e e ência pa a Po ugal, seguem a mesma ia de aciocínio e ecomen- dam que a p o a de es o c¸o não seja p ima iamen e usada no diagnós ico de doenc¸a co oná ia, uma ez que o seu baixo desempenho na confi mac¸ão/exclusão de doenc¸a co oná ia ob iga á equen emen e a es es adicionais, a asando o diagnós ico a empado, aumen ando cus os e ge ando ansie- dade desnecessá ia aos indi íduos com p o as alsamen e posi i as ou, al ez ainda mais impo an e, c iando uma alsa sensac¸ão de segu anc¸a aos pacien es com p o as alsa- men e nega i as15. Es a publicac¸ão, de se emb o de 2019, eio ealc¸a o des asamen o da ealidade po uguesa em elac¸ão às boas p á icas médicas in e nacionais no diag- nós ico de doenc¸a co oná ia e se iu de mo e à publicac¸ão des a posic¸ão de consenso dos nossos g upos de es udo. Nas a uais condic¸ões do SNS, um médico de MGF não pode exe - ce uma medicina baseada na e idência sem sob eca ega as consul as hospi ala es de ca diologia ou, em al e na i a, e e encia odos os seus pacien es com suspei a de doenc¸a co oná ia pa a CPM --- o que pode não se o mais indicado na si uac¸ão específica16. Po encial desigualdade de géne o Es a si uac¸ão é especialmen e disc imina ó ia pa a as mulhe es, uma ez que as écnicas a ualmen e acessí eis em cuidados de saúde p imá ios êm pio desempenho em e mos de sensibilidade e especificidade no sexo emi- nino. Vá ios es udos demons am, de o ma consis en e, que a p o a de es o c¸o, maio i a iamen e alidada pa a populac¸ões do sexo masculino, em um desempenho insufici- en e no sexo eminino, com sensibilidades e especificidades pouco acima dos 50%17---19. Po ou o lado, a CPM expõe as pacien es a adiac¸ão ionizan e (especialmen e ele an e em mulhe es em idade é il) e pode e pio desempenho no sexo eminino de ido à meno esoluc¸ão espacial e a a e- ac os deco en es da a enuac¸ão mamá ia16,20---22. Redefinic¸ão do papel da p o a de es o c¸o Recomendac¸ões pa a um uso acional, à luz da e idência cien ífica a ual Após a publicac¸ão das ecomendac¸ões pa a o diagnós ico e abo dagem das sínd omes co oná ias c ónicas, o na-se p emen e uma edefinic¸ão do papel da p o a de es o c¸o na ealidade po uguesa. Assim, a abo dagem e os algo i mos p opos os nes e documen o não p essupõem o seu uso indis- c iminado pa a es udo da doenc¸a co oná ia e es a ificac¸ão de isco ca dio ascula , mas ambém não p e endem exclui a sua u ilizac¸ão em con ex o clínico adequado. Pelo con á- io, a p o a de es o c¸o ap esen a ca ac e ís icas únicas que a o nam uma impo an e pec¸a do a mamen á io dos EAD em doenc¸a co oná ia. Nes e con ex o, o seu papel não se limi a à de ec¸ão de doenc¸a co oná ia quando os es es de imagem não es ão disponí eis (classe IIb, ní el de e idên- cia B) ou como modificado da p obabilidade clínica, como é suge ido pelas guidelines11. O seu alo diagnós ico, p og- nós ico e impac o na decisão clínica es á bem es abelecido em di e en es á eas da ca diologia, que anscendem o p o- pósi o des e documen o, nomeadamen e na a aliac¸ão de a le as, a aliac¸ão e seguimen o de doen es em p og ama de eabili ac¸ão ca díaca, a aliac¸ão de doen es com sin o- mas compa í eis com a i mias induzidas pelo exe cício, a aliac¸ão da capacidade uncional e desen ol imen o de sin omas, que no doen e co oná io, que no doen e com pa ologia al ula ou congéni a23. P ocesso ecomendado Os nossos g upos de es udo basea am-se nas mais ecen es ecomendac¸ões eu opeias (sínd omes co oná ias c ónicas, dislipidemia e es a ificac¸ão de isco CV) pa a elabo a no mas de e e enciac¸ão a EAD que se possam adap a à ealidade nacional. Foi nomeada uma comissão de eda o es iniciais (AF e RLL pa a a es a ificac¸ão de isco ca dio as- cula em pacien es assin omá icos e AB, CF e MV pa a a suspei a de doenc¸a co oná ia) que ap esen a am as suas p o- pos as aos es an es au o es des as ecomendac¸ões. Com base nes e abalho inicial, o am c iados os cená ios de e e enciac¸ão adequada a EAD e qual a o ien ac¸ão pos e io ecomendada, de aco do com os esul ados dos es es. Es a ificac¸ão de isco CV em pacien es assin omá icos No con ex o dos cuidados de saúde p imá ios, a es a ificac¸ão de isco CV em pacien es assin omá icos assume pa icula ele ância. Os pacien es de maio isco ascula de em se iden ificados, de o ma a inicia es a égias de p e enc¸ão adequadas, ao mesmo empo em que se e i a o sob e a amen o em pacien es de meno isco ca dio ascula --- que não beneficiam de es a égias e apêu icas mais in ensi as e que podem so e com os seus e ei os ad e sos. Pacien es com mais de 40 anos de em se es a ificados de aco do com o sco e de isco eu opeu6,24. Em indi íduos com isco CV mode ado e em casos sele- cionados de baixo isco segundo es a a aliac¸ão inicial, 244 Re is a Po uguesa de Ca diologia 41 (2022) 241---251 Figu a 1 Recomendac¸ões pa a a es a ificac¸ão de isco CV em assin omá icos (1) A a aliac¸ão sis emá ica do sco e de isco ca dio ascula em idades < 40 anos e na ausência de a o es de isco conhecidos não es á ecomendada, sal o em alguns g upos pa icula es nos quais a a aliac¸ão desse isco pode á se equacionada (po exemplo: pilo os de a iac¸ão, condu o es de pesados). (2) A aliac¸ão de isco epe ida a cada cinco anos (pe íodo indica i o, podendo a ia ). (3) Conside a es udo uncional não in asi o se sin omas suges i os de doenc¸a co oná ia. ScCa --- Sco e de cálcio. o esul ado de um ‘‘sco e de cálcio co oná io’’ pode á ajuda a ees a ifica o isco em ele ado ou eduzido, se indo como um p ecioso auxilia à decisão e apêu ica. Com e ei o, o ‘‘sco e de cálcio co oná io’’ é um ma cado da ca ga a e oscle ó ica co oná ia indi idual esul an e da in e ac¸ão dos di e en es a o es de isco ca dio ascula e demons ou se cus o-e ec i o na o ien ac¸ão da e apêu ica com es a inas25. Nes e sen ido, pa ece se pa icula men e ele an e na decisão de inicia es a inas26 e na definic¸ão do al o e apêu ico de educ¸ão do coles e ol LDL, de aco do com as mais ecen es ecomendac¸ões da Sociedade Eu o- peia de Ca diologia27. A Figu a 1 ep esen a o fluxog ama de decisão e o ien ac¸ão no con ex o da es a ificac¸ão de isco ca dio ascula em indi íduos assin omá icos. Após o cálculo do sco e de isco eu opeu, uma es a ificac¸ão adicional de isco a a és do sco e de cálcio pode á es a indicado em pacien es com isco CV mode ado (sco e ≥ 1% e < 5%), em pacien es com indicac¸ão pa a aze es a ina e elu an es em inicia e apêu ica e em pacien es com isco CV baixo (sco e < 1%) na p esenc¸a de ou os FRV não con emplados no sco e eu opeu (diabe es melli us [DM] em jo em {DM1 < 35 anos, DM2 < 50 anos}, doenc¸a co oná ia p ecoce em pa en e de 1.◦g au [♂ < 55 anos; ♀ < 60 anos], doenc¸a inflama ó ia sis émica [a i e euma oide, lúpus e i ema oso sis émico, í us da imunodeficiência humana], menopausa p ecoce [< 40 anos], quimio e apia ou adio e apia do ó ax p é ia, doenc¸a psiquiá ica e apneia obs u i a do sono). Po ou o lado, não az sen ido uma es a ificac¸ão adi- cional de isco em pacien es assin omá icos com doenc¸a CV já documen ada e pacien es com isco CV mui o baixo (sco e < 1% sem ou os FRV e sem indicac¸ão pa a e apêu- ica a macológica hipolipemian e) ou ele ado (sco e ≥ 5%, DM ≥ 10 anos ou com ou o FRV associado ou com lesão de ó gão-al o, hipe coles e olemia amilia e doenc¸a enal c ónica) --- uma ez que pa a es es pacien es a es a égia não se al e a á significa i amen e, independen emen e do esul ado do es e. Um sco e de cálcio «ze o» iden ifica pacien es com isco mui o baixo de e en os co oná ios em médio p azo e con- fi ma ou ees a ifica no g upo de baixo isco em que se ecomenda apenas man e ou p omo e es ilo de ida sau- dá el. Um sco e de cálcio 1-99 iden ifica pacien es com isco in e médio de e en os co oná ios em médio p azo, sendo ecomendá el modificac¸ão do es ilo de ida e ponde a es a- ina se pe cen il 50-74 (coles e ol LDL al o < 100 mg/dL). Um sco e de cálcio ≥ 100 ou pe cen il ≥ 75 pa a a idade e sexo es á associado a um isco aumen ado de e en os co oná- ios em médio p azo, sendo de conside a início de es a ina (com o obje i o de uma educ¸ão do coles e ol LDL ≥ 50% e al o < 70 mg/dL); embo a menos bem es abelecido, se á ambém de ponde a o início de ácido ace ilsalicílico se pe - cen il ≥ 75. Um sco e de cálcio supe io a 400 iden ifica pacien es com isco mui o aumen ado de e en os co oná- ios a médio p azo pa a os quais se á de conside a início de es a ina e ácido ace ilsalicílico: nes e g upo é pa i- cula men e impo an e confi ma a ausência de sin omas [em caso de sin oma ologia suges i a de isquemia, ponde a e e enciac¸ão a es udos uncionais]. O sco e de cálcio co oná io es á pa icula men e indicado na ees a ificac¸ão de isco de indi íduos assin omá icos, pelo que não de e se usado isoladamen e em pacien es sin omá icos com suspei a de sínd ome co oná ia c ónica. Po ém, assim como a p o a de es o c¸o, pode á se usado como ees a ificado da p obabilidade clínica nes e con- ex o ( e fluxog ama de decisão na suspei a de doenc¸a co oná ia, Figu a 2). 245 N. Be encou e al. Figu a 2 Algo i mo decisão de aco do com a PPT e p obabilidade clínica (passos 2 A e 2 B) CPM --- cin ig afia de pe usão miocá dica; DC --- doenc¸a co oná ia; FEVE --- ac¸ão de ejec¸ão do en ículo esque do; FRCV --- a o es de isco ca dio ascula ; PE --- p o a de es o c¸o;PET --- omog afia de emissão de posi ões; PPT --- p obabilidade p e- es e; RMC --- essonânica magné ica ca díaca; ScCa --- sco e de cálcio; VE --- en ículo esque do. Tabela 1 Valo izac¸ão de sin omas e cálculo da p obabilidade p é- es e (passo 1) Que sin omas alo iza ? Os sin omas êm ca ac e ís icas suspei as /anginosas? Angina ípica Cump e as ês ca ac e ís icas: 1 - Descon o o op essi o/cons i i o na ace an e io do ó ax ou no pescoc¸o, mandíbula, omb o ou b ac¸o; 2 - Desencadeada pelo exe cício ísico; 3 - Ali iada pelo epouso ou ni a os em 5 minu os Angina a ípica Cump e duas das ca ac e ís icas an e io es Do o ácica não anginosa Cump e apenas um ou nenhuma das ca ac e ís icas an e io es Qual a p obabilidade do pacien e com es es sin omas e doenc¸a co oná ia? Angina ípica Angina a ípica Do o ácica não anginosa Dispneia Idade Homem Mulhe Homem Mulhe Homem Mulhe Homem Mulhe 30-39 3% 5% 4% 3% 1% 1% 0% 3% 40-49 22% 10% 10% 6% 3% 2% 12% 3% 50-59 32% 13% 17% 6% 11% 3% 20% 9% 60-69 44% 16% 26% 11% 22% 6% 27% 14% >70 52% 27% 34% 19% 24% 10% 32% 12% P obabilidade p é- es e de doenc¸a co oná ia de aco do com a idade, géne o e sin omas Classificac¸ão clínica adicional da suspei a de sin omas anginosos Es a ificac¸ão de isco CV em pacien es sin omá icos Em pacien es sin omá icos pode á es a indicada a ealizac¸ão de EAD que pe mi am confi ma ou exclui a p esenc¸a de doenc¸a co oná ia e/ou isquemia miocá - dica, com o obje i o de inicia e apêu ica adequada. Na a aliac¸ão inicial des es pacien es de e se de e minada a p obabilidade p é- es e de doenc¸a co oná ia baseada na idade, no sexo e na sin oma ologia (Tabela 1). De e am- bém bem se e e uado um es udo analí ico com hemog ama, c ea inina, pe fil lipídico, glicose em jejum e hemoglobina glicada (HgA1c), assim como um ele oca diog ama e um ecoca diog ama ans o ácico. Desde logo, a de ec¸ão de uma ac¸ão de ejec¸ão en icula esque da (FEVE) in e- io a 50%, especialmen e se associada a al e ac¸ões da mo ilidade segmen a , de e mina uma p obabilidade mui o ele ada de doenc¸a co oná ia e jus ifica uma e e enciac¸ão di e a à consul a de ca diologia. A ealizac¸ão de EAD adicio- nais, nomeadamen e p o a de es o c¸o e/ou «sco e de cálcio co oná io», de e se ponde ada indi idualmen e. Embo a não sejam exames ob iga ó ios, as guidelines eu opeias ecomendam a sua in eg ac¸ão no algo i mo de decisão, pa icula men e como modificado es de p obabilidade clí- nica em pacien es com p obabilidades p e- es e in e médias (baseadas na idade, sexo e sin oma ologia) (Figu a 2A). A ele adiog afia o ácica pode ambém se um EAD impo - an e em casos de do o ácica a ípica ou dispneia --- pa a despis e de pa ologia pulmona . A in eg ac¸ão da p obabilidade p é- es e de doenc¸a co o- ná ia com o esul ado dos EAD acima desc i os (ele oca dio- g ama, ecoca diog ama, es udo analí ico e,e en ualmen e, 246 Re is a Po uguesa de Ca diologia 41 (2022) 241---251 Tabela 2 O ien ac¸ão de aco do com os esul ados do AngioTC (CAD-RADS) CAD-RADS Es enose máxima In e p e ac¸ão A aliac¸ão adicional? O ien ac¸ão p opos a 0 0 (ausência de placas) Ausência de DC Nenhuma T anquilizac¸ão. Conside a causas não a e oscle ó icas pa a a sin oma ologia 1 < 25% [sem es enose/ es enose mínima] DC mínima, não obs u i a Nenhuma Conside a causas não a e oscle ó icas pa a a sin oma ologia. Conside a e apia p e en i a e modificac¸ão de FRV 2 25-49% (es enose ligei a) DC ligei a, não obs u i a Nenhuma Conside a causas não a e oscle ó icas pa a a sin oma ologia. Conside a e apia p e en i a e modificac¸ão de FRV 3 50-69% Es enose mode ada Conside a a aliac¸ão uncional (RMC, ecoca diog ama de sob eca ga ou cin ig afia) Conside a e apêu ica an i-isquémica guiada po sin omas, e apêu ica p e en i a e modificac¸ão de FRV 4 A - 70-99% B - TC > 50% ou 3 asos ≥ 70% Es enose se e a A - Conside a a aliac¸ão uncional ou e e enciac¸ão hospi ala à ca diologia B - Re e encia a ca diologia Te apêu ica an i-isquémica guiada po sin omas, Te apêu ica p e en i a e modificac¸ão de FRV. Conside a e e enciac¸ão hospi ala à ca diologia 5 100% (oclusão o al) Oclusão co oná ia Re e encia à ca diologia Te apêu ica an i-isquémica guiada po sin omas. Te apêu ica p e en i a e modificac¸ão de FRV. Re e encia a ca diologia N Não diagnós ico Não se pode exclui DC obs u i a A aliac¸ão adicional/al e na i a pode se necessá ia Modificado es CAD-RADS: S = s en ; G = bypass Ao-co oná io; V = placa com ca ac e ís icas de ulne abilidade. D C --- doenc¸a co oná ia; FRV --- a o es de isco ascula es; RMC --- essonância magné ica ca díaca. p o a de es o c¸o e sco e de cálcio) de e mina a p o- babilidade clínica de doenc¸a co oná ia (Figu a 2). Se a p obabilidade clínica o baixa (≤ 15%) não exis e indicac¸ão pa a in es igac¸ão adicional. Se a p obabilidade clínica o in e média ou ele ada (> 15%), es ão indicados es es de imagem pa a a exclusão ou confi mac¸ão do diagnós ico e pa a a es a ificac¸ão de isco de e en os co oná ios. Es es es es de em se selecionados de aco do com as suas an agens e limi ac¸ões, ca ac e ís icas dos pacien es e disponibilidade local.7(Tabela A --- ma e ial suplemen a ). Duas es a égias são possí eis: 1) uma a aliac¸ão ana ó- mica, a a és da ealizac¸ão de uma angioTC co oná ia; ou 2) uma a aliac¸ão uncional, a a és de es es capazes de de e a isquemia miocá dica. Enquan o a p imei a o - nece in o mac¸ões ace ca do p ocesso a e oscle ó ico e é pa icula men e eficaz na exclusão de doenc¸a, em paci- en es com p obabilidades mais baixas, a segunda, o nece in o mac¸ões ace ca do impac o da doenc¸a na dis ibuic¸ão 247 N. Be encou e al. Figu a 3 P opos a de algo i mo de o ien ac¸ão de aco do com o esul ado dos es es de imagem uncionais pa a es udo de isquemia (1) pa a a amen o a macológico da sin oma ologia de ango /dispneia con on a com as ecomendac¸ões ela i as a es a emá ica (páginas 432-433, 2019 ESC Guidelines o he diagnosis and managemen o ch onicco ona y synd omes. Eu opean Hea Jou nal (2020) 41, 407-477). (2) como pa a qualque es e, há esul ados que podem co esponde a um also posi i o ou a um also nega i o. Se o esul ado o nega i o e se excluídas ou as po enciais causas pa a a sin oma ologia do doen e, pode á se equacionada a ealizac¸ão de ou o es e, conside ando a p obabilidade p é- es e do doen e como guia de apoio a es a decisão. Pode á se conside ada a ealizac¸ão de um exame di e en e do inicial. (pa a escolha de exame mais adequado, consul a a abela A do ma e ial suplemen a «Ca ac e ís icas dos p incipais es es de imagem pa a a aliac¸ão de doenc¸a co oná ia»). do sangue ao miocá dio e é pa icula men e ú il na deci- são de e ascula izac¸ão em pacien es com p obabilidade mais ele adas ou com doenc¸a co oná ia já conhecida. Ambas p o a am u ilidade clínica e se capazes de influencia a o- a elmen e o p ognós ico des es pacien es.28,29 Uma co e a u ilizac¸ão des es es es e uma o ien ac¸ão subsequen e de aco do com os seus esul ados ( e Tabela 2 pa a a o ien ac¸ão de aco do com o esul ado da angioTC e Figu a 3 pa a a o ien ac¸ão de aco do com os esul ados dos es es de isquemia) assegu a á uma ele ada acuidade diagnós ica, ap imo amen o da e apêu ica indi idualizada e uma baixa axa de e e enciac¸ões inap op iadas a consul- as hospi ala es de ca diologia. A Figu a 4 suma iza a abo dagem que p opomos pa a o es udo de pacien es sin omá icos com suspei a de que doenc¸a co oná ia no con ex o dos cuidados de saúde p i- má ios. Em nosso en ende , es e modelo, que segue as ecomendac¸ões eu opeias a uais, se ia acilmen e aplicá- el no nosso país e em um g ande po encial de ap imo a ecu sos de o ma cus o-eficaz. Pe spe i as Julgamos que es a es a égia pode se implan ada com g ande sucesso no nosso país a a és de No mas de O ien ac¸ão Clínica nacionais, baseadas em e idência cien í- fica e numa ges ão ap imo ada dos ecu sos exis en es. Espe amos que es e documen o de consenso, elabo ado po pe i os da á ea, possa se i de ca alisado a uma discus- são há mui o necessá ia no nosso país e omen a o epensa da es a égia dos cuidados de saúde p imá ios na á ea ca - dio ascula , pa icula men e no diagnós ico e o ien ac¸ão da doenc¸a co oná ia. Passos pa a a mudanc¸a O g au de desajus e da nossa ealidade com as ecomendac¸ões in e nacionais é ago a ão e iden e que pa ece ine i á el a omada de decisões de mudanc¸a ela i amen e a es a á ea. Vá ias es a égias pode ão se es udadas com is a a colma a esse desajus e. O p ocesso aqui ecomendado é apenas uma das soluc¸ões possí eis, man endo a lógica de uncionamen o a ual dos cuidados de saúde p imá ios no SNS. Po ém, ou as es a égias pode ão se iá eis, nomeadamen e a e e enciac¸ão dos pacien es di e amen e a EAD ealizados em meio hospi ala , a pedido do seu médico de MGF, ou a cen alizac¸ão de odo o p ocesso nos hospi ais do SNS. Apesa de oda a e idência de cus o-eficácia p o enien e de ou as ealidades, pa ece-nos ob iga ó ia uma análise de cus os baseada em dados nacionais. Es a análise de e á se p omo ida pela u ela, pe mi indo que as decisões que enham a se omadas enham po base não só a e idência cien ífica como ambém a exequibilidade local. Em alguns 248 Re is a Po uguesa de Ca diologia 41 (2022) 241---251 Figu a 4 Algo i mo esumo decisão na suspei a de doenc¸a co oná ia 1) Modificado es da PPT: diminuem a p obabilidade clínica de doenc¸a co oná ia: 1. PE no mal; 2. Ausência de cálcio co oná io (Aga s on Calcium Sco e = 0). Aumen am a p obabilidade clínica de doenc¸a co oná ia: 1. P esenc¸a de FRV; 2. Ondas Q ou al e ac¸ões do segmen o ST-T no ECG em epouso; 3. Dis unc¸ão en icula esque da e/ou al e ac¸ões da con ac ilidade segmen a em ecoca - diog ama; 4. P o a de es o c¸o ano mal; 5. Calcificac¸ão co oná ia (especialmen e se ScCa acima do p e is o pa a a idade (> pe cen il 50% pa a a idade e sexo). ScCa --- Sco e de cálcio; PPT --- P obabilidade p é- es e; Med --- Médica. Quad o- esumo do algo i mo de decisão clínica em pacien es sin omá icos, com suspei a de doenc¸a co oná ia. países, a mudanc¸a de pa adigma oi acompanhada de um comp omisso de não aumen o de cus os no diagnós ico de doenc¸a co oná ia. Pode emos segui esses bons exemplos e es uda a melho es a égia pa a consegui mos os mesmos obje i os, com melho ias nos cuidados de saúde p es ados à populac¸ão, sem que isso signifique um enca go adicional pa a o SNS. Es a abo dagem sai, ob iamen e, do âmbi o des e documen o e das capacidades des e g upo de pe i os. Ainda assim, os GECNRMTC, GEE e GEFERC da SPC mani es- am a sua o al disponibilidade pa a pa icipa na discussão do p ocesso de mudanc¸a que se a izinha, assim desejem as au o idades compe en es. Obs áculos e esis ências Pa a além de uma pequena esis ência à mudanc¸a inicial, baseada sob e udo na meno amilia idade das indicac¸ões, con aindicac¸ões, an agens e des an agens das ‘‘no as’’ écnicas de diagnós ico da doenc¸a co oná ia, é de p e- e uma g ande acei ac¸ão e ápida adoc¸ão das no as ecomendac¸ões po pa e dos médicos de amília do SNS. Mui os deles u ilizam já as es a égias ecomendadas in e - nacionalmen e, nomeadamen e nas guidelines eu opeias, em pacien es que êm subsis emas de saúde, nomeada- men e ADSE, uma ez que pa a es es u en es é desde há mui o possí el cump i es as ecomendac¸ões (uma ez que es es como a ecoca diog afia de sob eca ga, a angioTC ca - díaca ou a RMC são compa icipados nes es subsis emas). Maio esis ência se á de p e e po pa e dos cen os com con enc¸ões com o SNS pa a a ealizac¸ão de exames de p o a de es o c¸o e de cin ig afia. Os p imei os, po que, em longo p azo, a p o a de es o c¸o, apesa de man e o seu papel em g upos e con ex os clínicos específicos, pe de á pa e da sua impo ância na abo dagem inicial do es udo da doenc¸a co oná ia. Os segundos po que, apesa de man e em a sua indicac¸ão, deixa ão de e a exclusi idade dos es es de imagem no SNS. Ainda assim, é de p e e uma adap ac¸ão g adual à no a ealidade, com os p imei os a expandi em a sua con enc¸ão à ecoca diog afia de es o c¸o ou de sob eca ga a macológica e os segundos a inco po a em os exames de TC e de RMC na sua o e a diagnós ica. Discussão/Conclusão A p á ica clínica impos a pela a ual o ganizac¸ão do SNS, nomeadamen e em e mos de acesso aos EAD da á ea ca dio- ascula em cuidados de saúde p imá ios, es á ancamen e desa ualizada e po encia ineficiências que se ansmi em ao longo de oda a cadeia de cuidados, com sob eca ga do sis- ema hospi ala . U ge muda o pa adigma da es a ificac¸ão de isco CV e a aliac¸ão de pacien es com suspei a de doenc¸a 249