Full text
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
41
(2022)
241---251
www. e po ca diol.o g
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
Po uguese
Jou nal
o
Ca diology
GUIDELINES
Documen o
de
Consenso
sob e
Es a ificac¸ão
de
Risco
Ca dio ascula
e
es udo
da
doenc¸a
co oná ia
em
Po ugal:
a
posic¸ão
dos
G upos
de
Es udo
de
Ca diologia
Nuclea ,
Ressonância
Magné ica
e
Tomog afia
Compu o izada
Ca díaca,
de
Ecoca diog afia
e
de
Fisiopa ologia
do
Es o c¸o
e
Reabili ac¸ão
Ca díaca
Nuno
Be encou a,∗,
Lígia
Mendesb,
José
Paulo
Fon esc,
Ped o
Ma osd,
Ca a ina
Fe ei ae,
Ana
Bo elho ,
Sofia
Ca alhoc,
Anaí
Du azzog,
Ana
Faus inoh,
Rica do
Ladei as
Lopesi,j,
Ma iana
Vasconcelosj,k,
Ca a ina
Viei al,
Miguel
Co eiam,
An ónio
M.
Fe ei an,o,
Nuno
Fe ei ap,
Gus a o
Pi es-Mo aisp,
Ana
G.
Almeidaq,
Ma ia
João
Vidigal
Fe ei a ,
Madalena
Teixei ap,
em
nome
do
GECNRMTC,
do
GEE
e
do
GEFERC
da
SPC
aFaculdade
de
Medicina
do
Po o,
Po o,
Po ugal
bHospi al
da
Luz,
Se úbal,
Po ugal
cCen o
Hospi ala
de
T ás-os-Mon es
e
Al o
Dou o,
Vila
Real,
Po ugal
dHospi al
CUF
Tejo,
Lisboa,
Po ugal
eCen o
Hospi ala
de
T ás-os-Mon es
e
Al o
Dou o,
Faculdade
de
Ciências
da
Saúde,
Uni e sidade
da
Bei a
In e io ,
Vila
Real,
Po ugal
Cen o
Hospi ala
Uni e si á io
de
Coimb a,
Coimb a,
Po ugal
gCen o
Hospi ala
de
Lisboa
Ociden al,
Hospi al
de
San a
C uz,
Ca naxide,
Po ugal
hCen o
Hospi ala
do
Baixo
Vouga,
A ei o,
Po ugal
iCen o
Hospi ala
de
Vila
No a
de
Gaia/Espinho,
Vila
No a
de
Gaia,
Po ugal
jFaculdade
de
Medicina
do
Po o,
Po o,
Po ugal
kCen o
Hospi ala
Uni e si á io
São
João,
Po o,
Po ugal
lHospi al
de
B aga,
B aga,
Po ugal
mCen o
Hospi ala
Tondela/Viseu
e
Hospi al
CUF-Viseu,
Viseu,
Po ugal
nCen o
Hospi ala
de
Lisboa
Ociden al,
Hospi al
de
San a
C uz,
Ca naxide,
Po ugal
oHospi al
da
Luz,
Lisboa,
Po ugal
pCen o
Hospi ala
de
Vila
No a
de
Gaia/Espinho,
Vila
No a
de
Gaia,
Po ugal
∗Au o
pa a
co espondência.
Co eio
ele ónico:
[email p o ec ed]
(N.
Be encou ).
h ps://doi.o g/10.1016/j. epc.2020.10.009
0870-2551/©
2020
Publicado
po
Else ie
Espa˜
na,
S.L.U.
em
nome
de
Sociedade
Po uguesa
de
Ca diologia.
Es e ´
e
um
a igo
Open
Access
sob
uma
licenc¸a
CC
BY-NC-ND
(h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/).
N.
Be encou
e
al.
qCen o
Hospi ala
Lisboa
No e,
Hospi al
de
San a
Ma ia
e
Faculdade
de
Medicina
de
Lisboa,
Lisboa,
Po ugal
Cen o
Hospi ala
Uni e si á io
de
Coimb a
e
Faculdade
de
Medicina,
Uni e sidade
de
Coimb a,
Coimb a,
Po ugal
Recebido
a
4
de
ou ub o
de
2020;
acei e
a
29
de
ou ub o
de
2020
Disponí el
na
In e ne
a
18
de
dezemb o
de
2020
PALAVRAS-CHAVE
Doenc¸a
co oná ia;
Es a ificac¸ão
de
isco;
Cuidados
de
saúde
p imá ios;
Técnicas
de
diagnós ico
ca dio ascula ;
Técnicas
de
imagiologia
ca díaca;
P o a
de
es o c¸o;
Tomog afia
compu o izada;
Ressonância
magné ica;
Ecoca diog afia;
Cin ig afia
de
pe usão
miocá dica;
Tomog afia
de
emissão
de
posi ões;
Recomendac¸ões
Resumo
Apesa
dos
a anc¸os
da
medicina,
há
já
á ias
décadas
que
os
exames
compa icipados
pelo
Se ic¸o
Nacional
de
Saúde
(SNS)
pa a
o
es udo
e
es a ificac¸ão
de
isco
da
doenc¸a
co oná ia
se
man êm
inal e ados
em
cuidados
de
saúde
p imá ios.
Apesa
do
desajus e
à
p á ica
clínica
con empo ânea
se
há
mui o
e iden e,
a
ecen e
publicac¸ão
das
Recomendac¸ões
Eu opeias
pa a
o
diagnós ico
e
a amen o
da
sínd ome
co oná ia
c ónica
eio
ealc¸a
ainda
mais
es e
des asamen o
e
e idencia
a
necessidade
impe iosa
de
mudanc¸a
na
o ma
como
são
es udados
es es
pacien es
em
Po ugal.
No
seguimen o
des a
publicac¸ão,
o
G upo
de
Es udo
de
Ca diologia
Nuclea ,
Ressonância
Magné ica
(RM)
e
Tomog afia
Compu o izada
(TC)
Ca díaca,
o
G upo
de
Es udo
de
Ecoca diog afia
e
o
G upo
de
Es udos
de
Pa ofisiologia
do
Es o c¸o
e
Reabili ac¸ão
Ca -
díaca
da
Sociedade
Po uguesa
de
Ca diologia
inicia am
um
p ocesso
de
eflexão
conjun a
sob e
as
limi ac¸ões
a uais
e
a
o ma
como
pode iam
se
aplicadas
as
ecomendac¸ões
in e nacionais
no
nosso
país.
Pa a
al,
os
au o es
suge em
que
os
no os
mé odos
de
imagem
(ecoca diog ama
de
es o c¸o
ou
de
sob eca ga,
TC
e
RM
ca díaca)
se
associem
à
p o a
de
es o c¸o
e
cin ig afia
de
pe usão
do
miocá dio
no
po ólio
de
exames
o e ecidos
pelo
SNS.
Es a
al e ac¸ão
pe mi i ia
uma
plena
adoc¸ão
das
ecomendac¸ões
eu opeias
e
uma
melho
u ilizac¸ão
dos
meios,
de
aco do
com
o
con ex o
clínico,
a
disponibilidade
e
as
pa icula idades
locais.
A
adoc¸ão
de
‘‘no mas
de
o ien ac¸ão
clínica’’
baseadas
nes es
p essupos os
aduzi -se-ia
numa
melho ia
quali a i a
na
abo dagem
e
o imizac¸ão
e apêu ica
des es
pacien es,
ao
mesmo
empo
em
que
po encia ia
uma
ges ão
eficaz
dos
ecu sos
disponí eis,
com
po enciais
ganhos
de
saúde
e
financei os.
©
2020
Publicado
po
Else ie
Espa˜
na,
S.L.U.
em
nome
de
Sociedade
Po uguesa
de
Ca diologia.
Es e ´
e
um
a igo
Open
Access
sob
uma
licenc¸a
CC
BY-NC-ND
(h p://c ea i ecommons.o g/
licenses/by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Co ona y
Hea
Disease;
Risk
assessmen ;
P ima y
Heal h
Ca e;
Ca dio ascula
diagnos ic
echniques;
Ca diac
Imaging
Techniques;
T eadmill
Tes ;
Compu ed
Tomog aphy;
Magne ic
Resonance;
Echoca diog aphy;
Myoca dial
scin ig aphy;
Posi on
Emission
Tomog aphy;
Guidelines
Consensus
documen
on
ch onic
co ona y
synd ome
assessmen
and
isk
s a ifica ion
in
Po ugal:
A
posi ion
pape
s a emen
om
he
[Po uguese
Socie y
o
Ca diology’s]
Wo king
G oups
on
Nuclea
Ca diology,
Magne ic
Resonance
and
Ca diac
Compu ed
Tomog aphy,
Echoca diog aphy,
and
Exe cise
Physiology
and
Ca diac
Rehabili a ion
Abs ac
Despi e
cons an
medical
e olu ion,
he
eimbu semen
policy
o
Po uguese
Na i-
onal
Heal h
Se ice
(NHS)
o
he
s udy
and
isk
s a ifica ion
o
co ona y
hea
disease
has
emained
unchanged
o
se e al
decades.
Lack
o
adjus men
o
con empo a y
clinical
p ac ice
has
long
been
e iden .
Howe e ,
he
ecen
publica ion
o
he
Eu opean
Guidelines
o
diag-
nosis
and
ea men
o
ch onic
co ona y
synd omes
u he
highligh ed
his
gap
and
he
u gen
need
o
a
change.
P omp ed
by
hese
Guidelines,
he
Wo king
G oup
on
Nuclea
Ca diology,
Ca diac
Magne ic
Resonance
and
Ca diac
CT,
he
Wo king
G oup
on
Echoca diog aphy
and
he
Wo king
G oup
on
S ess
Pa hophysiology
and
Ca diac
Rehabili a ion
o
he
Po uguese
Socie y
o
Ca diology,
began
a
p ocess
o
join
eflec ion
on
he
cu en
limi a ions
and
how
hese
ecommenda ions
could
be
applied
in
Po ugal.
To
his
end,
he
au ho s
sugges
ha
he
new
imaging
me hods
(s ess
echoca diog am,
ca diac
compu ed
omog aphy
and
ca diac
magne ic
esonance),
should
be
added
o
exe cise
eadmill
s ess
es
and
myoca dial
pe usion
scin-
ig aphy
in
he
a ailable
exam
po olio
wi hin
he
Po uguese
NHS.
This
change
would
allow
ull
adop ion
o
Eu opean
guidelines
and
a
be e
use
o
es s,
acco ding
o
clinical
con ex ,
a ailabili y
and
local
specifici ies.
The
adop ion
o
clinical
guidance
s anda ds,
based
on
hese
assump ions,
would
ansla e
in o
a
quali a i e
imp o emen
in
he
managemen
o
hese
pa i-
en s
and
would
p omo e
an
e ec i e
use
o
he
a ailable
esou ces,
wi h
po en ial
heal h
and
financial
gains.
©
2020
Published
by
Else ie
Espa˜
na,
S.L.U.
on
behal
o
Sociedade
Po uguesa
de
Ca diologia.
This
is
an
open
access
a icle
unde
he
CC
BY-NC-ND
license
(h p://c ea i ecommons.o g/
licenses/by-nc-nd/4.0/).
242
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
41
(2022)
241---251
In oduc¸ão
As
doenc¸as
ca dio ascula es
(CV)
são
a
p incipal
causa
de
mo alidade
e
mo bilidade
em
Po ugal.
En e
es as,
a
doenc¸a
co oná ia,
pela
mo e
p ema u a
ou
pe da
de
anos
de
ida
a i a
(labo al
e
social)
que
condiciona
e
pelos
cus os
médicos
associados
(in e enc¸ão,
a maco e apia,
in e namen os
po
sínd omes
co oná ias
agudas
ou
insufici-
ência
ca díaca),
assume
pa icula
ele ância
no
pano ama
nacional1,2.
Em
ce ca
de
me ade
dos
casos,
a
p imei a
mani es ac¸ão
da
doenc¸a
co oná ia
é
o
en a e
agudo
do
miocá dio
ou
a
mo e
súbi a3,
o
que
a
o na
uma
doenc¸a
pa icula men e
emí el,
ealc¸ando
a
necessidade
de
se
in es i
p incipal-
men e
na
p e enc¸ão.
Nas
úl imas
décadas
a
e oluc¸ão
no
a amen o
des a
pa ologia
aduziu-se
numa
len a,
mas
p og essi a,
diminuic¸ão
da
mo alidade
em
e mos
nacio-
nais
e
in e nacionais.
Ainda
assim,
uma
g ande
p opo c¸ão
de
casos
com
danos
i e e sí eis
pode ia
se
e i ada
a a és
de
uma
de ec¸ão
p ecoce
e
co ec¸ão
a empada
dos
a o es
que
p omo em
a
p og essão
da
doenc¸a.
Sendo
uma
doenc¸a
de
e oluc¸ão
len a,
man ém-se
sub-
clínica
du an e
g ande
pa e
da
ida
de
um
indi íduo.
Es a
ca ac e ís ica
pe mi e
que
a
sua
e oluc¸ão
na u al
seja
modi-
ficada,
se
de e ada
p ecocemen e.
Uma
ez
que
90%
da
e oluc¸ão
da
doenc¸a
podem
se
jus ificados
po
a o es
de
isco
ca dio ascula
modificá eis4,
exis e
um
eno me
po en-
cial
de
in e enc¸ão
e
modificac¸ão
da
sua
his ó ia
na u al,
e i ando
danos
i e e sí eis,
como
o
en a e
ou
a
mo e
súbi a.
O
obje i o
p imo dial
do
nosso
sis ema
nacional
de
saúde
de e á
se ,
po
isso,
o
omen o
da
saúde
ca dio as-
cula ,
a a és
da
p omoc¸ão
de
es ilos
de
ida
saudá eis
e
a
iden ificac¸ão
dos
indi íduos
em
isco
ou
com
doenc¸a
ca -
dio ascula
já
es abelecida
que
necessi am
de
e apêu icas
específicas
com
is a
à
modificac¸ão
p ognós ica
e
à
melho ia
da
qualidade
de
ida
da
populac¸ão.
O
Se ic¸o
Nacional
de
Saúde
(SNS),
mais
p op iamen e
no
ní el
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios,
assume
um
papel
p imo dial
na
p omoc¸ão
da
saúde
ca dio ascula ,
as eio
dos
a o es
de
isco
ca dio ascula ,
de ec¸ão
de
doenc¸a
em
ase
assin omá ica
e
decisão
e apêu ica.
Conscien es
da
impo ância
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios
na
de ec¸ão
e
a uac¸ão
p ecoce
na
doenc¸a
ca dio ascula ,
espe a-se
que
um
especialis a
em
medicina
ge al
e
amilia
(MGF)
seja
capaz
de
as ea
os
seus
u en es
e
iden ifica
aqueles
que,
pelo
seu
isco
ca dio ascula
aumen ado
ou
pela
p esenc¸a
de
doenc¸a
subclínica,
necessi am
de
o ien ac¸ão
e apêu ica
subsequen e.
Pa a
al,
é
undamen al
um
uso
ap op iado
dos
meios
auxilia es
de
diagnós ico
disponí eis,
isando
a
uma
ele ada
eficácia
diagnós ica
e
e apêu ica,
ap imo ando
os
ecu sos
exis en es.
A
si uac¸ão
a ual
A ualmen e,
pa a
o
es udo
da
doenc¸a
co oná ia
es á el
ou
pa a
a
es a ificac¸ão
de
isco
ca dio ascula
em
cuidados
de
saúde
p imá ios,
o
médico
de
MGF
em
ao
seu
dispo ,
no
SNS,
o
ele oca diog ama
simples,
a
p o a
de
es o c¸o
e
a
cin ig afia
de
pe usão
miocá dica
(CPM).
A a és
de
uma
equisic¸ão
(P1),
o
médico
pode
e e encia
o
pacien e
a
um
cen o
con encionado
com
o
Es ado
pa a
a
sua
ealizac¸ão.
Exames
auxilia es
de
diagnós ico
(EAD)
com
ele ado
desempenho
como
a
omog afia
compu o izada
(TC)
ca -
díaca,
a
ecoca diog afia
de
sob eca ga
( a macológica
e
de
es o c¸o)
ou
a
essonância
magné ica
ca díaca
(RMC)
de
sob eca ga
es ão
excluídos
do
leque
de
opc¸ões;
o
Se ic¸o
Nacional
de
Saúde
não
em
aco dos
de
con enc¸ão
pa a
es as
écnicas,
nem
au o iza
que
o
médico
de
MGF
equi-
si e
di e amen e
es es
exames
ao
hospi al
de
e e ência.
Den o
do
SNS,
es es
EAD
apenas
podem
se
equisi ados
no
ní el
hospi ala
con ibuindo
pa a
a
sob eca ga
da
consul a
de
ca diologia
com
pacien es
e e enciados
pa a
exames
de
confi mac¸ão/exclusão
de
doenc¸a
co oná ia.
Numa
espe-
cialidade
em
que,
pela
sua
na u eza,
as
lis as
de
espe a
êm
de
se
man idas
cu as
---
sob
o
isco
de
não
se em
o necidos
cuidados
médicos
a empados
a
si uac¸ões
po en-
cialmen e
a ais
em
cu o
p azo
---
o
impac o
nega i o
des as
e e enciac¸ões
não
de e
se
negligenciado.
Po
que
azão
es á
assim
o
sis ema
o denado?
Numa
abo -
dagem
supe ficial
pode
pensa -se
sob e udo
em
ques ões
de
sus en abilidade
financei a.
De
ac o,
o
ele oca dio-
g ama
e
a
p o a
de
es o c¸o
são
exames
com
um
cus o
inicial
ela i amen e
baixo5.
Po ém,
o
mesmo
não
se
passa
com
a
CPM,
cujo
cus o
é
da
mesma
o dem
de
g andeza
de
uma
RMC
de
sob eca ga
e
mui o
supe io
ao
de
um
eco-
ca diog ama
de
sob eca ga,
segundo
as
abelas
de
p ec¸os
do
SNS
publicadas
em
diá io
da
epública5.
Além
disso,
a
disponibilidade
da
CPM
como
único
exame
de
imagem
az
com
que
es a
seja
usada
na
es a ificac¸ão
de
isco
ou
na
exclusão
de
doenc¸a
co oná ia
em
pacien es
com
uma
p oba-
bilidade
p é- es e
in e média/baixa
ou
mesmo
baixa.
Nes e
con ex o,
a
TC
ca díaca
em
um
cus o
ancamen e
in e-
io ,
que
em
e mos
de
es a ificac¸ão
de
isco
a a és
da
quan ificac¸ão
de
cálcio
co oná io
(sco e
de
cálcio)6---
com
um
cus o
p óximo
a
uma
p o a
de
es o c¸o
---
que
na
exclu-
são
de
doenc¸a
co oná ia,
a a és
de
co ona iog afia
não
in asi a
(angioTC
co oná ia)
---
com
um
cus o
in e io
em
ce ca
de
30%
ao
da
CPM5.
Po
ou o
lado,
a
abo dagem
inicial
de
um
pacien e
com
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia
a a és
da
ealizac¸ão
de
uma
p o a
de
es o c¸o,
apesa
de
e
um
cus o
inicial
ela i amen e
baixo,
pode
aduzi -se
em
cus os
ac escidos
jus ificados
pela
sua
baixa
especifi-
cidade/ alo
p edi i o
posi i o7e
na
casca a
de
exames
subsequen e
a
que
equen emen e
conduz.
Es e
ac o,
bem
documen ado
em
es udos
de
cus o-e ec i idade8---10,
é
o
p incipal
mo i o
pelo
qual
as
‘‘no mas
de
o ien ac¸ão
clí-
nica’’
do
Reino
Unido,
desde
2014
e,
mais
ecen emen e,
as
guidelines
eu opeias11,
deixa am
de
ecomenda
es a
abo dagem,
es imulando,
pelo
con á io,
uma
e e enciac¸ão
inicial
mais
cus o-eficaz,
baseada
em
es udos
de
imagem
(pa icula men e
TC
ca díaca)12.
Na
ealidade,
o
único
mo i o
que
jus ifica
a
a ual
si uac¸ão
é
pu amen e
his ó ico:
es as
e am
as
modalidades
disponí-
eis
nos
anos
70
e
80
do
século
XX,
al u a
em
que
o
SNS
oi
es abelecido.
Felizmen e,
nes es
40
anos
a
medicina
e oluiu
mui o
e
á ias
o am
as
ino ac¸ões
in oduzidas
no
ambien e
hospi ala ,
que
con ibuí am
pa a
a
melho ia
da
sob e ida
e
qualidade
de
ida
dos
pacien es
com
doenc¸a
co oná ia.
Po ém,
nos
cuidados
de
saúde
p imá ios,
onde
eside
a
maio ia
dos
pacien es
com
isco
CV
e
onde
se
de e-
iam
cen aliza
os
es o c¸os
de
comba e
ao
desen ol imen o
e
p og essão
da
doenc¸a
co oná ia,
as
e amen as
man êm-
-se
imu á eis
há
40
anos.
243
N.
Be encou
e
al.
É
nosso
en ende
que
a
a ual
o ma
de
acesso
aos
EAD
nos
cuidados
p imá ios
do
SNS
não
é
eficaz,
é
dispendi-
osa
e
não
se
adequa
às
meno es
p obabilidades
p é- es e
obse adas
em
es udos
mais
ecen es/con empo âneos
de
g andes
populac¸ões13.
Con ibui
ambém
pa a
uma
ele ada
axa
de
e e enciac¸ão
inap op iada
a
consul as
hospi ala-
es
na
á ea
da
ca diologia,
com
po encial
impac o
nega i o
na
lis a
de
espe a
pa a
p imei as
consul as.
Pa ece-nos,
po
isso,
essencial
que
se
epense
oda
a
es a égia
de
diagnós-
ico
e
o ien ac¸ão
da
doenc¸a
ca dio ascula
no
con ex o
da
MGF,
i ando
pa ido
da
eficácia
e
cus o-e e i idade
de
odas
as
écnicas
de
diagnós ico
a ualmen e
disponí eis14.
E oluc¸ão
in e nacional
Vá ios
sis emas
nacionais
de
saúde
eu opeus
abandona am
a
u ilizac¸ão
p imo dial
da
p o a
de
es o c¸o
como
p imei a
linha
nes e
con ex o,
p omo endo
uma
u ilizac¸ão
acio-
nal
dos
EAD
baseados
em
imagem
e
ese ando
a
p o a
de
es o c¸o
pa a
si uac¸ões
em
que
é
necessá ia
in o mac¸ão
adicional
específica.
As
Guidelines
Eu opeias
de
Sínd omes
Co oná ias
C ónicas,
endossadas
pela
Sociedade
Po uguesa
de
Ca diologia,
e
que
são
as
ecomendac¸ões
de
e e ência
pa a
Po ugal,
seguem
a
mesma
ia
de
aciocínio
e
ecomen-
dam
que
a
p o a
de
es o c¸o
não
seja
p ima iamen e
usada
no
diagnós ico
de
doenc¸a
co oná ia,
uma
ez
que
o
seu
baixo
desempenho
na
confi mac¸ão/exclusão
de
doenc¸a
co oná ia
ob iga á
equen emen e
a
es es
adicionais,
a asando
o
diagnós ico
a empado,
aumen ando
cus os
e
ge ando
ansie-
dade
desnecessá ia
aos
indi íduos
com
p o as
alsamen e
posi i as
ou,
al ez
ainda
mais
impo an e,
c iando
uma
alsa
sensac¸ão
de
segu anc¸a
aos
pacien es
com
p o as
alsa-
men e
nega i as15.
Es a
publicac¸ão,
de
se emb o
de
2019,
eio
ealc¸a
o
des asamen o
da
ealidade
po uguesa
em
elac¸ão
às
boas
p á icas
médicas
in e nacionais
no
diag-
nós ico
de
doenc¸a
co oná ia
e
se iu
de
mo e
à
publicac¸ão
des a
posic¸ão
de
consenso
dos
nossos
g upos
de
es udo.
Nas
a uais
condic¸ões
do
SNS,
um
médico
de
MGF
não
pode
exe -
ce
uma
medicina
baseada
na
e idência
sem
sob eca ega
as
consul as
hospi ala es
de
ca diologia
ou,
em
al e na i a,
e e encia
odos
os
seus
pacien es
com
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia
pa a
CPM
---
o
que
pode
não
se
o
mais
indicado
na
si uac¸ão
específica16.
Po encial
desigualdade
de
géne o
Es a
si uac¸ão
é
especialmen e
disc imina ó ia
pa a
as
mulhe es,
uma
ez
que
as
écnicas
a ualmen e
acessí eis
em
cuidados
de
saúde
p imá ios
êm
pio
desempenho
em
e mos
de
sensibilidade
e
especificidade
no
sexo
emi-
nino.
Vá ios
es udos
demons am,
de
o ma
consis en e,
que
a
p o a
de
es o c¸o,
maio i a iamen e
alidada
pa a
populac¸ões
do
sexo
masculino,
em
um
desempenho
insufici-
en e
no
sexo
eminino,
com
sensibilidades
e
especificidades
pouco
acima
dos
50%17---19.
Po
ou o
lado,
a
CPM
expõe
as
pacien es
a
adiac¸ão
ionizan e
(especialmen e
ele an e
em
mulhe es
em
idade
é il)
e
pode
e
pio
desempenho
no
sexo
eminino
de ido
à
meno
esoluc¸ão
espacial
e
a
a e-
ac os
deco en es
da
a enuac¸ão
mamá ia16,20---22.
Redefinic¸ão
do
papel
da
p o a
de
es o c¸o
Recomendac¸ões
pa a
um
uso
acional,
à
luz
da
e idência
cien ífica
a ual
Após
a
publicac¸ão
das
ecomendac¸ões
pa a
o
diagnós ico
e
abo dagem
das
sínd omes
co oná ias
c ónicas,
o na-se
p emen e
uma
edefinic¸ão
do
papel
da
p o a
de
es o c¸o
na
ealidade
po uguesa.
Assim,
a
abo dagem
e
os
algo i mos
p opos os
nes e
documen o
não
p essupõem
o
seu
uso
indis-
c iminado
pa a
es udo
da
doenc¸a
co oná ia
e
es a ificac¸ão
de
isco
ca dio ascula ,
mas
ambém
não
p e endem
exclui
a
sua
u ilizac¸ão
em
con ex o
clínico
adequado.
Pelo
con á-
io,
a
p o a
de
es o c¸o
ap esen a
ca ac e ís icas
únicas
que
a
o nam
uma
impo an e
pec¸a
do
a mamen á io
dos
EAD
em
doenc¸a
co oná ia.
Nes e
con ex o,
o
seu
papel
não
se
limi a
à
de ec¸ão
de
doenc¸a
co oná ia
quando
os
es es
de
imagem
não
es ão
disponí eis
(classe
IIb,
ní el
de
e idên-
cia
B)
ou
como
modificado
da
p obabilidade
clínica,
como
é
suge ido
pelas
guidelines11.
O
seu
alo
diagnós ico,
p og-
nós ico
e
impac o
na
decisão
clínica
es á
bem
es abelecido
em
di e en es
á eas
da
ca diologia,
que
anscendem
o
p o-
pósi o
des e
documen o,
nomeadamen e
na
a aliac¸ão
de
a le as,
a aliac¸ão
e
seguimen o
de
doen es
em
p og ama
de
eabili ac¸ão
ca díaca,
a aliac¸ão
de
doen es
com
sin o-
mas
compa í eis
com
a i mias
induzidas
pelo
exe cício,
a aliac¸ão
da
capacidade
uncional
e
desen ol imen o
de
sin omas,
que
no
doen e
co oná io,
que
no
doen e
com
pa ologia
al ula
ou
congéni a23.
P ocesso
ecomendado
Os
nossos
g upos
de
es udo
basea am-se
nas
mais
ecen es
ecomendac¸ões
eu opeias
(sínd omes
co oná ias
c ónicas,
dislipidemia
e
es a ificac¸ão
de
isco
CV)
pa a
elabo a
no mas
de
e e enciac¸ão
a
EAD
que
se
possam
adap a
à
ealidade
nacional.
Foi
nomeada
uma
comissão
de
eda o es
iniciais
(AF
e
RLL
pa a
a
es a ificac¸ão
de
isco
ca dio as-
cula
em
pacien es
assin omá icos
e
AB,
CF
e
MV
pa a
a
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia)
que
ap esen a am
as
suas
p o-
pos as
aos
es an es
au o es
des as
ecomendac¸ões.
Com
base
nes e
abalho
inicial,
o am
c iados
os
cená ios
de
e e enciac¸ão
adequada
a
EAD
e
qual
a
o ien ac¸ão
pos e io
ecomendada,
de
aco do
com
os
esul ados
dos
es es.
Es a ificac¸ão
de
isco
CV
em
pacien es
assin omá icos
No
con ex o
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios,
a
es a ificac¸ão
de
isco
CV
em
pacien es
assin omá icos
assume
pa icula
ele ância.
Os
pacien es
de
maio
isco
ascula
de em
se
iden ificados,
de
o ma
a
inicia
es a égias
de
p e enc¸ão
adequadas,
ao
mesmo
empo
em
que
se
e i a
o
sob e a amen o
em
pacien es
de
meno
isco
ca dio ascula
---
que
não
beneficiam
de
es a égias
e apêu icas
mais
in ensi as
e
que
podem
so e
com
os
seus
e ei os
ad e sos.
Pacien es
com
mais
de
40
anos
de em
se
es a ificados
de
aco do
com
o
sco e
de
isco
eu opeu6,24.
Em
indi íduos
com
isco
CV
mode ado
e
em
casos
sele-
cionados
de
baixo
isco
segundo
es a
a aliac¸ão
inicial,
244
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
41
(2022)
241---251
Figu a
1
Recomendac¸ões
pa a
a
es a ificac¸ão
de
isco
CV
em
assin omá icos
(1) A
a aliac¸ão
sis emá ica
do
sco e
de
isco
ca dio ascula
em
idades
<
40
anos
e
na
ausência
de
a o es
de
isco
conhecidos
não
es á
ecomendada,
sal o
em
alguns
g upos
pa icula es
nos
quais
a
a aliac¸ão
desse
isco
pode á
se
equacionada
(po
exemplo:
pilo os
de
a iac¸ão,
condu o es
de
pesados).
(2) A aliac¸ão
de
isco
epe ida
a
cada
cinco
anos
(pe íodo
indica i o,
podendo
a ia ).
(3) Conside a
es udo
uncional
não
in asi o
se
sin omas
suges i os
de
doenc¸a
co oná ia.
ScCa
---
Sco e
de
cálcio.
o
esul ado
de
um
‘‘sco e
de
cálcio
co oná io’’
pode á
ajuda
a
ees a ifica
o
isco
em
ele ado
ou
eduzido,
se indo
como
um
p ecioso
auxilia
à
decisão
e apêu ica.
Com
e ei o,
o
‘‘sco e
de
cálcio
co oná io’’
é
um
ma cado
da
ca ga
a e oscle ó ica
co oná ia
indi idual
esul an e
da
in e ac¸ão
dos
di e en es
a o es
de
isco
ca dio ascula
e
demons ou
se
cus o-e ec i o
na
o ien ac¸ão
da
e apêu ica
com
es a inas25.
Nes e
sen ido,
pa ece
se
pa icula men e
ele an e
na
decisão
de
inicia
es a inas26 e
na
definic¸ão
do
al o
e apêu ico
de
educ¸ão
do
coles e ol
LDL,
de
aco do
com
as
mais
ecen es
ecomendac¸ões
da
Sociedade
Eu o-
peia
de
Ca diologia27.
A
Figu a
1
ep esen a
o
fluxog ama
de
decisão
e
o ien ac¸ão
no
con ex o
da
es a ificac¸ão
de
isco
ca dio ascula
em
indi íduos
assin omá icos.
Após
o
cálculo
do
sco e
de
isco
eu opeu,
uma
es a ificac¸ão
adicional
de
isco
a a és
do
sco e
de
cálcio
pode á
es a
indicado
em
pacien es
com
isco
CV
mode ado
(sco e
≥
1%
e
<
5%),
em
pacien es
com
indicac¸ão
pa a
aze
es a ina
e
elu an es
em
inicia
e apêu ica
e
em
pacien es
com
isco
CV
baixo
(sco e
<
1%)
na
p esenc¸a
de
ou os
FRV
não
con emplados
no
sco e
eu opeu
(diabe es
melli us
[DM]
em
jo em
{DM1
<
35
anos,
DM2
<
50
anos},
doenc¸a
co oná ia
p ecoce
em
pa en e
de
1.◦g au
[♂
<
55
anos;
♀
<
60
anos],
doenc¸a
inflama ó ia
sis émica
[a i e
euma oide,
lúpus
e i ema oso
sis émico,
í us
da
imunodeficiência
humana],
menopausa
p ecoce
[<
40
anos],
quimio e apia
ou
adio e apia
do
ó ax
p é ia,
doenc¸a
psiquiá ica
e
apneia
obs u i a
do
sono).
Po
ou o
lado,
não
az
sen ido
uma
es a ificac¸ão
adi-
cional
de
isco
em
pacien es
assin omá icos
com
doenc¸a
CV
já
documen ada
e
pacien es
com
isco
CV
mui o
baixo
(sco e
<
1%
sem
ou os
FRV
e
sem
indicac¸ão
pa a
e apêu-
ica
a macológica
hipolipemian e)
ou
ele ado
(sco e
≥
5%,
DM
≥
10
anos
ou
com
ou o
FRV
associado
ou
com
lesão
de
ó gão-al o,
hipe coles e olemia
amilia
e
doenc¸a
enal
c ónica)
---
uma
ez
que
pa a
es es
pacien es
a
es a égia
não
se
al e a á
significa i amen e,
independen emen e
do
esul ado
do
es e.
Um
sco e
de
cálcio
«ze o»
iden ifica
pacien es
com
isco
mui o
baixo
de
e en os
co oná ios
em
médio
p azo
e
con-
fi ma
ou
ees a ifica
no
g upo
de
baixo
isco
em
que
se
ecomenda
apenas
man e
ou
p omo e
es ilo
de
ida
sau-
dá el.
Um
sco e
de
cálcio
1-99
iden ifica
pacien es
com
isco
in e médio
de
e en os
co oná ios
em
médio
p azo,
sendo
ecomendá el
modificac¸ão
do
es ilo
de
ida
e
ponde a
es a-
ina
se
pe cen il
50-74
(coles e ol
LDL
al o
<
100
mg/dL).
Um
sco e
de
cálcio
≥
100
ou
pe cen il
≥
75
pa a
a
idade
e
sexo
es á
associado
a
um
isco
aumen ado
de
e en os
co oná-
ios
em
médio
p azo,
sendo
de
conside a
início
de
es a ina
(com
o
obje i o
de
uma
educ¸ão
do
coles e ol
LDL
≥
50%
e
al o
<
70
mg/dL);
embo a
menos
bem
es abelecido,
se á
ambém
de
ponde a
o
início
de
ácido
ace ilsalicílico
se
pe -
cen il
≥
75.
Um
sco e
de
cálcio
supe io
a
400
iden ifica
pacien es
com
isco
mui o
aumen ado
de
e en os
co oná-
ios
a
médio
p azo
pa a
os
quais
se á
de
conside a
início
de
es a ina
e
ácido
ace ilsalicílico:
nes e
g upo
é
pa i-
cula men e
impo an e
confi ma
a
ausência
de
sin omas
[em
caso
de
sin oma ologia
suges i a
de
isquemia,
ponde a
e e enciac¸ão
a
es udos
uncionais].
O
sco e
de
cálcio
co oná io
es á
pa icula men e
indicado
na
ees a ificac¸ão
de
isco
de
indi íduos
assin omá icos,
pelo
que
não
de e
se
usado
isoladamen e
em
pacien es
sin omá icos
com
suspei a
de
sínd ome
co oná ia
c ónica.
Po ém,
assim
como
a
p o a
de
es o c¸o,
pode á
se
usado
como
ees a ificado
da
p obabilidade
clínica
nes e
con-
ex o
( e
fluxog ama
de
decisão
na
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia,
Figu a
2).
245
N.
Be encou
e
al.
Figu a
2
Algo i mo
decisão
de
aco do
com
a
PPT
e
p obabilidade
clínica
(passos
2
A
e
2
B)
CPM
--- cin ig afia
de
pe usão
miocá dica;
DC
---
doenc¸a
co oná ia;
FEVE
---
ac¸ão
de
ejec¸ão
do
en ículo
esque do;
FRCV
---
a o es
de
isco
ca dio ascula ;
PE
---
p o a
de
es o c¸o;PET
---
omog afia
de
emissão
de
posi ões;
PPT
---
p obabilidade
p e- es e;
RMC
---
essonânica
magné ica
ca díaca;
ScCa
---
sco e
de
cálcio;
VE
---
en ículo
esque do.
Tabela
1
Valo izac¸ão
de
sin omas
e
cálculo
da
p obabilidade
p é- es e
(passo
1)
Que
sin omas
alo iza ?
Os
sin omas
êm
ca ac e ís icas
suspei as
/anginosas?
Angina
ípica
Cump e
as
ês
ca ac e ís icas:
1
-
Descon o o
op essi o/cons i i o
na
ace
an e io
do
ó ax
ou
no
pescoc¸o,
mandíbula,
omb o
ou
b ac¸o;
2
-
Desencadeada
pelo
exe cício
ísico;
3
-
Ali iada
pelo
epouso
ou
ni a os
em
5
minu os
Angina
a ípica Cump e
duas
das
ca ac e ís icas
an e io es
Do
o ácica
não
anginosa Cump e
apenas
um
ou
nenhuma
das
ca ac e ís icas
an e io es
Qual
a
p obabilidade
do
pacien e
com
es es
sin omas
e
doenc¸a
co oná ia?
Angina
ípica
Angina
a ípica
Do
o ácica
não
anginosa
Dispneia
Idade
Homem
Mulhe
Homem
Mulhe
Homem
Mulhe
Homem
Mulhe
30-39
3%
5%
4%
3%
1%
1%
0%
3%
40-49
22%
10%
10%
6%
3%
2%
12%
3%
50-59
32%
13%
17%
6%
11%
3%
20%
9%
60-69
44%
16%
26%
11%
22%
6%
27%
14%
>70
52%
27%
34%
19%
24%
10%
32%
12%
P obabilidade
p é- es e
de
doenc¸a
co oná ia
de
aco do
com
a
idade,
géne o
e
sin omas
Classificac¸ão
clínica
adicional
da
suspei a
de
sin omas
anginosos
Es a ificac¸ão
de
isco
CV
em
pacien es
sin omá icos
Em
pacien es
sin omá icos
pode á
es a
indicada
a
ealizac¸ão
de
EAD
que
pe mi am
confi ma
ou
exclui
a
p esenc¸a
de
doenc¸a
co oná ia
e/ou
isquemia
miocá -
dica,
com
o
obje i o
de
inicia
e apêu ica
adequada.
Na
a aliac¸ão
inicial
des es
pacien es
de e
se
de e minada
a
p obabilidade
p é- es e
de
doenc¸a
co oná ia
baseada
na
idade,
no
sexo
e
na
sin oma ologia
(Tabela
1).
De e
am-
bém
bem
se
e e uado
um
es udo
analí ico
com
hemog ama,
c ea inina,
pe fil
lipídico,
glicose
em
jejum
e
hemoglobina
glicada
(HgA1c),
assim
como
um
ele oca diog ama
e
um
ecoca diog ama
ans o ácico.
Desde
logo,
a
de ec¸ão
de
uma
ac¸ão
de
ejec¸ão
en icula
esque da
(FEVE)
in e-
io
a
50%,
especialmen e
se
associada
a
al e ac¸ões
da
mo ilidade
segmen a ,
de e mina
uma
p obabilidade
mui o
ele ada
de
doenc¸a
co oná ia
e
jus ifica
uma
e e enciac¸ão
di e a
à
consul a
de
ca diologia.
A
ealizac¸ão
de
EAD
adicio-
nais,
nomeadamen e
p o a
de
es o c¸o
e/ou
«sco e
de
cálcio
co oná io»,
de e
se
ponde ada
indi idualmen e.
Embo a
não
sejam
exames
ob iga ó ios,
as
guidelines
eu opeias
ecomendam
a
sua
in eg ac¸ão
no
algo i mo
de
decisão,
pa icula men e
como
modificado es
de
p obabilidade
clí-
nica
em
pacien es
com
p obabilidades
p e- es e
in e médias
(baseadas
na
idade,
sexo
e
sin oma ologia)
(Figu a
2A).
A
ele adiog afia
o ácica
pode
ambém
se
um
EAD
impo -
an e
em
casos
de
do
o ácica
a ípica
ou
dispneia
---
pa a
despis e
de
pa ologia
pulmona .
A
in eg ac¸ão
da
p obabilidade
p é- es e
de
doenc¸a
co o-
ná ia
com
o
esul ado
dos
EAD
acima
desc i os
(ele oca dio-
g ama,
ecoca diog ama,
es udo
analí ico
e,e en ualmen e,
246
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
41
(2022)
241---251
Tabela
2
O ien ac¸ão
de
aco do
com
os
esul ados
do
AngioTC
(CAD-RADS)
CAD-RADS
Es enose
máxima
In e p e ac¸ão
A aliac¸ão
adicional?
O ien ac¸ão
p opos a
0
0
(ausência
de
placas)
Ausência
de
DC
Nenhuma
T anquilizac¸ão.
Conside a
causas
não
a e oscle ó icas
pa a
a
sin oma ologia
1
<
25%
[sem
es enose/
es enose
mínima]
DC
mínima,
não
obs u i a
Nenhuma
Conside a
causas
não
a e oscle ó icas
pa a
a
sin oma ologia.
Conside a
e apia
p e en i a
e
modificac¸ão
de
FRV
2
25-49%
(es enose
ligei a)
DC
ligei a,
não
obs u i a
Nenhuma
Conside a
causas
não
a e oscle ó icas
pa a
a
sin oma ologia.
Conside a
e apia
p e en i a
e
modificac¸ão
de
FRV
3
50-69%
Es enose
mode ada
Conside a
a aliac¸ão
uncional
(RMC,
ecoca diog ama
de
sob eca ga
ou
cin ig afia)
Conside a
e apêu ica
an i-isquémica
guiada
po
sin omas,
e apêu ica
p e en i a
e
modificac¸ão
de
FRV
4
A
-
70-99%
B
-
TC
>
50%
ou
3
asos
≥
70%
Es enose
se e a
A
-
Conside a
a aliac¸ão
uncional
ou
e e enciac¸ão
hospi ala
à
ca diologia
B
-
Re e encia
a
ca diologia
Te apêu ica
an i-isquémica
guiada
po
sin omas,
Te apêu ica
p e en i a
e
modificac¸ão
de
FRV.
Conside a
e e enciac¸ão
hospi ala
à
ca diologia
5
100%
(oclusão
o al)
Oclusão
co oná ia
Re e encia
à
ca diologia
Te apêu ica
an i-isquémica
guiada
po
sin omas.
Te apêu ica
p e en i a
e
modificac¸ão
de
FRV.
Re e encia
a
ca diologia
N
Não
diagnós ico
Não
se
pode
exclui
DC
obs u i a
A aliac¸ão
adicional/al e na i a
pode
se
necessá ia
Modificado es
CAD-RADS:
S
=
s en ;
G
=
bypass
Ao-co oná io;
V
=
placa
com
ca ac e ís icas
de
ulne abilidade.
D C ---
doenc¸a
co oná ia;
FRV
---
a o es
de
isco
ascula es;
RMC
---
essonância
magné ica
ca díaca.
p o a
de
es o c¸o
e
sco e
de
cálcio)
de e mina
a
p o-
babilidade
clínica
de
doenc¸a
co oná ia
(Figu a
2).
Se
a
p obabilidade
clínica
o
baixa
(≤
15%)
não
exis e
indicac¸ão
pa a
in es igac¸ão
adicional.
Se
a
p obabilidade
clínica
o
in e média
ou
ele ada
(>
15%),
es ão
indicados
es es
de
imagem
pa a
a
exclusão
ou
confi mac¸ão
do
diagnós ico
e
pa a
a
es a ificac¸ão
de
isco
de
e en os
co oná ios.
Es es
es es
de em
se
selecionados
de
aco do
com
as
suas
an agens
e
limi ac¸ões,
ca ac e ís icas
dos
pacien es
e
disponibilidade
local.7(Tabela
A
---
ma e ial
suplemen a ).
Duas
es a égias
são
possí eis:
1)
uma
a aliac¸ão
ana ó-
mica,
a a és
da
ealizac¸ão
de
uma
angioTC
co oná ia;
ou
2)
uma
a aliac¸ão
uncional,
a a és
de
es es
capazes
de
de e a
isquemia
miocá dica.
Enquan o
a
p imei a
o -
nece
in o mac¸ões
ace ca
do
p ocesso
a e oscle ó ico
e
é
pa icula men e
eficaz
na
exclusão
de
doenc¸a,
em
paci-
en es
com
p obabilidades
mais
baixas,
a
segunda,
o nece
in o mac¸ões
ace ca
do
impac o
da
doenc¸a
na
dis ibuic¸ão
247
N.
Be encou
e
al.
Figu a
3
P opos a
de
algo i mo
de
o ien ac¸ão
de
aco do
com
o
esul ado
dos
es es
de
imagem
uncionais
pa a
es udo
de
isquemia
(1) pa a
a amen o
a macológico
da
sin oma ologia
de
ango /dispneia
con on a
com
as
ecomendac¸ões
ela i as
a
es a
emá ica
(páginas
432-433,
2019
ESC
Guidelines
o
he
diagnosis
and
managemen
o
ch onicco ona y
synd omes.
Eu opean
Hea
Jou nal
(2020)
41,
407-477).
(2) como
pa a
qualque
es e,
há
esul ados
que
podem
co esponde
a
um
also
posi i o
ou
a
um
also
nega i o.
Se
o
esul ado
o
nega i o
e
se
excluídas
ou as
po enciais
causas
pa a
a
sin oma ologia
do
doen e,
pode á
se
equacionada
a
ealizac¸ão
de
ou o
es e,
conside ando
a
p obabilidade
p é- es e
do
doen e
como
guia
de
apoio
a
es a
decisão.
Pode á
se
conside ada
a
ealizac¸ão
de
um
exame
di e en e
do
inicial.
(pa a
escolha
de
exame
mais
adequado,
consul a
a
abela
A
do
ma e ial
suplemen a
«Ca ac e ís icas
dos
p incipais
es es
de
imagem
pa a
a aliac¸ão
de
doenc¸a
co oná ia»).
do
sangue
ao
miocá dio
e
é
pa icula men e
ú il
na
deci-
são
de
e ascula izac¸ão
em
pacien es
com
p obabilidade
mais
ele adas
ou
com
doenc¸a
co oná ia
já
conhecida.
Ambas
p o a am
u ilidade
clínica
e
se
capazes
de
influencia
a o-
a elmen e
o
p ognós ico
des es
pacien es.28,29
Uma
co e a
u ilizac¸ão
des es
es es
e
uma
o ien ac¸ão
subsequen e
de
aco do
com
os
seus
esul ados
( e
Tabela
2
pa a
a
o ien ac¸ão
de
aco do
com
o
esul ado
da
angioTC
e
Figu a
3
pa a
a
o ien ac¸ão
de
aco do
com
os
esul ados
dos
es es
de
isquemia)
assegu a á
uma
ele ada
acuidade
diagnós ica,
ap imo amen o
da
e apêu ica
indi idualizada
e
uma
baixa
axa
de
e e enciac¸ões
inap op iadas
a
consul-
as
hospi ala es
de
ca diologia.
A
Figu a
4
suma iza
a
abo dagem
que
p opomos
pa a
o
es udo
de
pacien es
sin omá icos
com
suspei a
de
que
doenc¸a
co oná ia
no
con ex o
dos
cuidados
de
saúde
p i-
má ios.
Em
nosso
en ende ,
es e
modelo,
que
segue
as
ecomendac¸ões
eu opeias
a uais,
se ia
acilmen e
aplicá-
el
no
nosso
país
e
em
um
g ande
po encial
de
ap imo a
ecu sos
de
o ma
cus o-eficaz.
Pe spe i as
Julgamos
que
es a
es a égia
pode
se
implan ada
com
g ande
sucesso
no
nosso
país
a a és
de
No mas
de
O ien ac¸ão
Clínica
nacionais,
baseadas
em
e idência
cien í-
fica
e
numa
ges ão
ap imo ada
dos
ecu sos
exis en es.
Espe amos
que
es e
documen o
de
consenso,
elabo ado
po
pe i os
da
á ea,
possa
se i
de
ca alisado
a
uma
discus-
são
há
mui o
necessá ia
no
nosso
país
e
omen a
o
epensa
da
es a égia
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios
na
á ea
ca -
dio ascula ,
pa icula men e
no
diagnós ico
e
o ien ac¸ão
da
doenc¸a
co oná ia.
Passos
pa a
a
mudanc¸a
O
g au
de
desajus e
da
nossa
ealidade
com
as
ecomendac¸ões
in e nacionais
é
ago a
ão
e iden e
que
pa ece
ine i á el
a
omada
de
decisões
de
mudanc¸a
ela i amen e
a
es a
á ea.
Vá ias
es a égias
pode ão
se
es udadas
com
is a
a
colma a
esse
desajus e.
O
p ocesso
aqui
ecomendado
é
apenas
uma
das
soluc¸ões
possí eis,
man endo
a
lógica
de
uncionamen o
a ual
dos
cuidados
de
saúde
p imá ios
no
SNS.
Po ém,
ou as
es a égias
pode ão
se
iá eis,
nomeadamen e
a
e e enciac¸ão
dos
pacien es
di e amen e
a
EAD
ealizados
em
meio
hospi ala ,
a
pedido
do
seu
médico
de
MGF,
ou
a
cen alizac¸ão
de
odo
o
p ocesso
nos
hospi ais
do
SNS.
Apesa
de
oda
a
e idência
de
cus o-eficácia
p o enien e
de
ou as
ealidades,
pa ece-nos
ob iga ó ia
uma
análise
de
cus os
baseada
em
dados
nacionais.
Es a
análise
de e á
se
p omo ida
pela
u ela,
pe mi indo
que
as
decisões
que
enham
a
se
omadas
enham
po
base
não
só
a
e idência
cien ífica
como
ambém
a
exequibilidade
local.
Em
alguns
248
Re is a
Po uguesa
de
Ca diologia
41
(2022)
241---251
Figu a
4
Algo i mo
esumo
decisão
na
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia
1)
Modificado es
da
PPT:
diminuem
a
p obabilidade
clínica
de
doenc¸a
co oná ia:
1.
PE
no mal;
2.
Ausência
de
cálcio
co oná io
(Aga s on
Calcium
Sco e
=
0).
Aumen am
a
p obabilidade
clínica
de
doenc¸a
co oná ia:
1.
P esenc¸a
de
FRV;
2.
Ondas
Q
ou
al e ac¸ões
do
segmen o
ST-T
no
ECG
em
epouso;
3.
Dis unc¸ão
en icula
esque da
e/ou
al e ac¸ões
da
con ac ilidade
segmen a
em
ecoca -
diog ama;
4.
P o a
de
es o c¸o
ano mal;
5.
Calcificac¸ão
co oná ia
(especialmen e
se
ScCa
acima
do
p e is o
pa a
a
idade
(>
pe cen il
50%
pa a
a
idade
e
sexo).
ScCa
---
Sco e
de
cálcio;
PPT
---
P obabilidade
p é- es e;
Med
---
Médica.
Quad o- esumo
do
algo i mo
de
decisão
clínica
em
pacien es
sin omá icos,
com
suspei a
de
doenc¸a
co oná ia.
países,
a
mudanc¸a
de
pa adigma
oi
acompanhada
de
um
comp omisso
de
não
aumen o
de
cus os
no
diagnós ico
de
doenc¸a
co oná ia.
Pode emos
segui
esses
bons
exemplos
e
es uda
a
melho
es a égia
pa a
consegui mos
os
mesmos
obje i os,
com
melho ias
nos
cuidados
de
saúde
p es ados
à
populac¸ão,
sem
que
isso
signifique
um
enca go
adicional
pa a
o
SNS.
Es a
abo dagem
sai,
ob iamen e,
do
âmbi o
des e
documen o
e
das
capacidades
des e
g upo
de
pe i os.
Ainda
assim,
os
GECNRMTC,
GEE
e
GEFERC
da
SPC
mani es-
am
a
sua
o al
disponibilidade
pa a
pa icipa
na
discussão
do
p ocesso
de
mudanc¸a
que
se
a izinha,
assim
desejem
as
au o idades
compe en es.
Obs áculos
e
esis ências
Pa a
além
de
uma
pequena
esis ência
à
mudanc¸a
inicial,
baseada
sob e udo
na
meno
amilia idade
das
indicac¸ões,
con aindicac¸ões,
an agens
e
des an agens
das
‘‘no as’’
écnicas
de
diagnós ico
da
doenc¸a
co oná ia,
é
de
p e-
e
uma
g ande
acei ac¸ão
e
ápida
adoc¸ão
das
no as
ecomendac¸ões
po
pa e
dos
médicos
de
amília
do
SNS.
Mui os
deles
u ilizam
já
as
es a égias
ecomendadas
in e -
nacionalmen e,
nomeadamen e
nas
guidelines
eu opeias,
em
pacien es
que
êm
subsis emas
de
saúde,
nomeada-
men e
ADSE,
uma
ez
que
pa a
es es
u en es
é
desde
há
mui o
possí el
cump i
es as
ecomendac¸ões
(uma
ez
que
es es
como
a
ecoca diog afia
de
sob eca ga,
a
angioTC
ca -
díaca
ou
a
RMC
são
compa icipados
nes es
subsis emas).
Maio
esis ência
se á
de
p e e
po
pa e
dos
cen os
com
con enc¸ões
com
o
SNS
pa a
a
ealizac¸ão
de
exames
de
p o a
de
es o c¸o
e
de
cin ig afia.
Os
p imei os,
po que,
em
longo
p azo,
a
p o a
de
es o c¸o,
apesa
de
man e
o
seu
papel
em
g upos
e
con ex os
clínicos
específicos,
pe de á
pa e
da
sua
impo ância
na
abo dagem
inicial
do
es udo
da
doenc¸a
co oná ia.
Os
segundos
po que,
apesa
de
man e em
a
sua
indicac¸ão,
deixa ão
de
e
a
exclusi idade
dos
es es
de
imagem
no
SNS.
Ainda
assim,
é
de
p e e
uma
adap ac¸ão
g adual
à
no a
ealidade,
com
os
p imei os
a
expandi em
a
sua
con enc¸ão
à
ecoca diog afia
de
es o c¸o
ou
de
sob eca ga
a macológica
e
os
segundos
a
inco po a em
os
exames
de
TC
e
de
RMC
na
sua
o e a
diagnós ica.
Discussão/Conclusão
A
p á ica
clínica
impos a
pela
a ual
o ganizac¸ão
do
SNS,
nomeadamen e
em
e mos
de
acesso
aos
EAD
da
á ea
ca dio-
ascula
em
cuidados
de
saúde
p imá ios,
es á
ancamen e
desa ualizada
e
po encia
ineficiências
que
se
ansmi em
ao
longo
de
oda
a
cadeia
de
cuidados,
com
sob eca ga
do
sis-
ema
hospi ala .
U ge
muda
o
pa adigma
da
es a ificac¸ão
de
isco
CV
e
a aliac¸ão
de
pacien es
com
suspei a
de
doenc¸a
249