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Introdução

Sancho Querol, Lorena,Reis, Daniel,Mendonça, Elizabete de Castro

Full text

e-cade nos CES 30 | 2018 Museusedemoc aciacul u al:diálogose ensões In odução Lo enaSanchoQue ol,DanielReiseElizabe edeCas oMendonça Ediçãoelec ónica URL: h p://jou nals.openedi ion.o g/eces/3652 DOI: 10.4000/eces.3652 ISSN: 1647-0737 Edi o a Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a Re ê enciaele ónica Lo ena Sancho Que ol, Daniel Reis e Elizabe e de Cas o Mendonça, « In odução », e-cade nos CES [Online], 30 | 2018, pos o online no dia 15 dezemb o 2018, consul ado o 25 se emb o 2020. URL : h p://jou nals.openedi ion.o g/eces/3652 ; DOI : h ps://doi.o g/10.4000/eces.3652 e-cade nos CES , 30, 2018: 4-13 4 In odução O olume da e-cade nos CES que aqui ap esen amos eúne um conjun o de es udos e expe iências que inspi am a e lexão sob e os desa ios, usos e ap op iações dos museus e dos pa imónios na p omoção da democ acia cul u al de um e ou o lado do A lân ico. Re le em, ao mesmo empo, a busca a en a e ci icamen e a i a pelo acesso u gen e a di ei os – que undamen ais, que di usos 1 – e a p incípios básicos de cidadania, pela ia da ges ão de ins i uições cul u ais e do planeamen o de polí icas públicas de cul u a median e ó mulas mais ho izon alizadas e acessí eis. Sob o í ulo “Museus e democ acia cul u al: diálogos e ensões”, o olume su ge a pa i dos diálogos en e ês p o issionais da academia inculadas/os ao Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a (Po ugal), ao Cen o Nacional de Folclo e e Cul u a Popula (CNFCP) e à Uni e sidade Fede al do Es ado do Rio de Janei o (B asil), e le indo o abalho de equipa desen ol ido nos úl imos anos, po meio da o ganização e/ou pa icipação conjun a em e en os cien í icos que cons i uí am pla a o mas de encon o de p oje os com o e e ido pe il. Nes e con ex o, o núme o emá ico ganha o ma a pa i do painel “Museus e democ acia cul u al: ensões, diálogos e sen idos”, que e e luga no VI Cong esso da Associação Po uguesa de An opologia (APA) em junho de 2016, e que ag upou in es igado es/as de nacionalidades, á eas cien í icas e aje ó ias di e sas. No en an o, as discussões subjacen es à emá ica e aos desa ios do painel inham-se desen ol endo desde o cong esso an e io o ganizado pela mesma associação em 2013, em simul âneo com ou os e en os des a conexão académica ansa lân ica e 1 Os di ei os di usos são de inidos após a Segunda Gue a Mundial e a Decla ação Uni e sal dos Di ei os do Homem. São di ei os ansindi iduais, po que ul apassam a es e a da pessoa singula e se ca ac e izam p incipalmen e pela sua indi isibilidade, e po que a sa is ação do di ei o de e a ingi a uma cole i idade inde e minada, po ém ligada po uma ci cuns ância conc e a. São exemplos o di ei o a espi a um a pu o ou o di ei o à memó ia (Cândido, 2014: 21). Lo ena Sancho Que ol, Daniel Reis, Elizabe e Mendonça 5 com alguns dos p oje os 2 que a equipa o ganizado a do núme o desen ol eu, a pos e io i, nos campos da museologia e da an opologia. Ao longo des es anos emos indo a e le i sob e os desa ios, expe iências e pe ceções elacionadas com os usos dos museus e dos pa imónios cul u ais em a iados con ex os. No amos que se o nam cada ez mais mecanismos e sá eis de acesso à cidadania cul u al; e amen as de ei indicação de di ei os e i o iais, cul u ais, sociais e de memó ia; pon es en e ealidades, mediado es en e empos e acili ado es na cons ução cole i a do p esen e. Po es es mo i os, conside amos necessá io ( e)pensa c i icamen e os p ocessos de musealização e pa imonialização, e ambém os p óp ios concei os, a o es/as sociais e elações de o ça que se mobilizam em cada um des es exe cícios cul u ais. Reconhecemos os mui os a anços conseguidos à p ocu a de uma isão mais ala gada sob e o pa imónio, capaz de da con a dos di e sos g upos sociais e isões sob e o passado e a his ó ia (San ’anna, 2005; Reis, 2015), bem como a a és do econhecimen o da unção social dos museus 3 e do seu ca á e in ínseco de ins i uição ao se iço da sociedade e do seu desen ol imen o, a pa i da década de 70 do século passado (Va ine, 2012). Di e sos são os exemplos que hoje nos pe mi em pe cebe o po encial des a ins i uição enquan o luga de en endimen o do mundo sob uma pe spe i a local (Sancho Que ol e Sancho, 2014), como e amen a de democ a ização cul u al (Mo ales Le ch e Cama ena Ocampo, 2009) e de es ímulo da c ia i idade (UNESCO, 2015) ou como domínio de es udo e conhecimen o de ima e ialidades nas mais di e sas o mas e escalas (Cândido, 2014: 20). Com e ei o, nos úl imos anos é c escen e o núme o de ins i uições que o ien am as suas p á icas pa a uma ges ão socialmen e a en a e cul u almen e inclusi a, p ocu ando assim ap oxima -se mais e melho da sociedade, com o obje i o de es ei a diálogos e ajuda a cons ui al e na i as em espos a às suas necessidades, 2 P oje o de pesquisa de pós-dou o amen o de Elizabe e de Cas o Mendonça denominado “Documen ação em Museu e Sal agua da do Pa imônio Cul u al Ima e ial: um es udo sob e a con ibuição da Ges ão In eg ada do Pa imônio no p ocesso de Democ acia Cul u al em museus po ugueses e b asilei os”, desen ol ido na Uni e sidade do Po o, en e 2017 e 2019, sob a supe isão dos P o esso es Dou o es Alice Semedo e Alexand e Ma os. P oje o de pesquisa de pós-dou o amen o de Daniel Reis denominado “En e a e e pa imônio: ci culações das a es popula es no mundo con empo âneo”, sob supe isão da P o esso a Nélia Dias, no ISCTE/IUL, Lisboa, en e 2015 e 2016. P oje o de pós-dou o amen o de Lo ena Sancho Que ol: “A Sociedade no Museu: es udo sob e pa icipação cul u al nos museus locais eu opeus” (SoMus), co inanciado pelo Fundo Social Eu opeu a a és do P og ama Ope acional Po encial Humano e po Fundos Nacionais a a és da Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, no âmbi o da Bolsa de Pós-Dou o amen o SFRH/BPD/95214/2013 (2014-2018). Bolsa de P o esso a Visi an e do Ex e io da mesma au o a, pela Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal de Ní el Supe io (PVE-CAPES-BRASIL), subo dinada ao p oje o: “Polí icas públicas, sociedade e pa imónio ima e ial: diálogos in e cul u ais B asil – Po ugal” (2015-2016). 3 Es e econhecimen o em luga no con ex o da “Mesa- edonda sob e o papel do museu na Amé ica La ina”, o ganizada pela UNESCO em San iago do Chile, em 1972. In odução 6 anseios e/ou con li os. Museus cuja p esença se az sen i , que pela missão que os mo e, que pela o ma como a desen ol em num p o undo e pe manen e enlaça com a sociedade. P opagam-se assim no os p oje os o iundos de di e en es ealidades sociais e cul u ais com os mais di e sos p opósi os e na u ezas. Museus nacionais ol ados pa a g andes na a i as são o çados a e e os seus pa adigmas, a olha os seus ace os a pa i de ou as pe spe i as, a comunica de o ma acessí el e inclusi a em cada uma das suas inicia i as. Museus de âmbi o local ligam-se a causas cul u ais especí icas e a desa ios elacionados com a sus en abilidade dos e i ó ios e das pessoas que neles habi am, ou ab açam enómenos de ca á e global que u ge conhece pa a pode in e i a i amen e. Museus indígenas, museus de pe i e ias, museus capi aneados po g upos mino i á ios ou po se o es p o issionais, museus de géne o, de elações ou de engenhos, museus da emig ação ou museus de indús ias em ex inção, são apenas alguns dos exemplos que nos põem em con a o com a di e sidade semân ica e cul u al da ins i uição na a ualidade. No en an o, impo a sublinha ao mesmo empo o longo caminho que os p oje os es a ais e as polí icas públicas de cul u a de em ainda pe co e , pa a pode a ingi um comp ome imen o e e i o com modelos e p á icas plenamen e pa icipa i as que pe mi em a cons ução de uma democ acia cul u al e que, po isso, se o nam u gen es nos empos a uais. Da mesma o ma, cons a amos que os p ocessos de pa imonialização endem ainda a se de inidos segundo uma linguagem consensual do pa imónio equen emen e associada a con ex os ci cunsc i os pela e ó ica da compe i i idade, hie a quizados pela indús ia u ís ica e di ecionados ao consumo cul u al (Peixo o, 2017: 138-139). Nes e cená io, e conscien es da necessidade de da um passo em en e no caminho que le a a uma supe ação dos modelos hegemónicos que a é hoje p edominam na maio ia dos museus, que emos con ibui pa a a disseminação de modos de ope a que açam da ho izon alidade, da descen alização, do empode amen o cidadão e da democ acia cul u al e amen as ú eis à consolidação de uma museologia a i is a (Sancho Que ol, 2016: 96; Janes e Sandell, 2019: 9) e de uma pa imonialização cole i a e emancipado a. Sob es a pe spe i a, e posicionando-nos simul aneamen e como académicos/as e cidadãos/ãs, de endemos que os sabe es cien í ico e p o issional de em hoje se cons uídos em espaços – e com ecu so a p ocessos – que pe mi am a oca de expe iências, e lexões, pe spe i as e p opos as de na u ezas á ias, e nos quais a pa icipação da sociedade assuma um papel es u u an e. Assim, en endemos que os museus, os pa imónios cul u ais, bem como as disciplinas nas quais a uamos são Lo ena Sancho Que ol, Daniel Reis, Elizabe e Mendonça 7 o mas de agi no mundo e com o mundo (Janes e Sandell, 2019: 8; Smi h, 2006; Reis, 2015). Deba e ais ques ões é necessá io e ambém inspi ado . P oblema iza emas a uais ais como a inalidade e os impac os das ações museológicas a di e sas escalas; a es u u a uncional da ins i uição e as di e en es o mas de a iculação en e as suas unções; os desa ios ine en es aos a os de coleciona , musealiza , ge i coleções e ins i uições, mas ambém dos a os de descoloniza , essigni ica e e i aliza cole i amen e as mani es ações que con o mam a nossa di e sidade cul u al, é hoje essencial pa a consolida es udos ino ado es e dissemina boas p á icas que es imulem a e lexão. Boas p á icas que e o cem as edes de abalho e ab am caminho a no os espaços de deba e que isem melho a as nossas museologias e os nossos museus. Sob es a pe spe i a, p ocu amos euni nes e olume es udos e análises c í icas sob e p oje os e inicia i as que con ibuem pa a a supe ação das polí icas de cul u a hegemónicas, neolibe ais, pa alisadas e pa alisan es que igo am nos nossos países. Buscamos pe cebe qual o luga , o papel e a esponsabilidade cul u al do museu na cons ução dos no os modelos democ á icos (IAP2, 2015; Mendonça, 2015; Sancho Que ol e Sancho, 2015; UNESCO, 2015; Reis, 2014). Des a con luência de mundos su ge um conjun o de con ibuições que pe mi e e le i sob e os po enciais usos e ap op iações dos museus na cons ução e p omoção da democ acia cul u al nos mais di e sos con ex os e luga es (P uulmann- Venge eld e Runnel, 2014), na mediação dos con li os his ó icos, sociais, ambien ais e/ou in e cul u ais que con igu am o mundo con empo âneo (Chagas e al., 2014; Meije -Van Mensch e Tie meye , 2013; Bauman, 2009; Hall, 2006; Cli o d, 1997), na ges ão pa icipa i a e nos no os modelos de au o idade compa ilhada, ão necessá ios quan o u gen es nas ins i uições museológicas (Sancho Que ol, 2017; Cândido, 2014). Tais con ibuições, incen i am ainda a e lexão sob e a de inição de no as o mas de uição cul u al elacionadas com uma educação a ís ica, cul u al e pa imonial dis up i a (Acaso, 2012) ou com o concei o de mind ul museum, ca ac e izado pela consciência social e cul u al da ins i uição, pela capacidade de adap ação e pela in uição emocional da sua equipa (Janes, 2010). Após uma cuidada seleção de abalhos que eúne os emas mais ele an es ap esen ados no e e ido Cong esso da APA, e ambém os a igos mais pe inen es p opos os ao con i e pa a es e núme o da e-cade nos CES, desenhámos uma cole ânea de expe iências plu ais e plu alis as com uma ana omia o mada po se e ex os e uma ecensão. O p esen e olume ab e com uma abo dagem aos concei os- cha e que o con igu am no pano ama a ual da museologia, deixando em abe o a In odução 8 e lexão que nos inicia nas seis expe iências que se seguem. Se a p imei a delas eme ge da Museologia e nos ap oxima dos seus p incípios, me odologia e desa ios, as es an es expe iências anspo am-nos a é ealidades especí icas onde pa imónios como o samba, p oje os de alo ização como o Po o Ma a ilha, p og amas de sensibilização com oco na cul u a popula ou em inicia i as de pedagogia pa imonial dis up i a e ainda no as ipologias de museus como a do Museu-O icina, ganham ida e são analisadas a pa i de uma pe spe i a abe a de museu que explo a no as g amá icas de ecip ocidade cul u al e pa imonial. Finalmen e, a ecensão o e ece-nos um me gulho concep ual e me odológico nos p ocessos de democ a ização cul u al com o igem nos museus de a e con empo ânea. O p imei o a igo, in i ulado “Democ acia cul u al, museu e pa imônio: elações pa a a ga an ia dos di ei os cul u ais”, é da au o ia de Alice Ba boza Sampaio e Elizabe e de Cas o Mendonça, que nos p opõem uma e isão da li e a u a pa a analisa os e mos ele an es des a publicação. Relacionando ais e mos en e si e a iculando-os com o concei o de mode nidade, o a igo ap esen a os desa ios que esses concei os azem ao deba e em o no de um modelo de ges ão cul u al baseado no pa adigma da democ acia cul u al. Des a o ma, as au o as con ibuem pa a uma e lexão mais ala gada sob e o papel dos museus e do pa imónio enquan o campos que pe mi em a ga an ia dos di ei os cul u ais como o ma de p omo e a cidadania en e os di e en es g upos sociais. O abalho de Ósca Na ajas Co al e Julián González F aile si ua-nos pe an e uma expe iência de alo ização sensí el de alguns dos pa imónios da Gue a Ci il Espanhola. Sob o í ulo “La aplicación de la Museología Social en España: desa íos pa a su implemen ación en el su es e de la Comunidad de Mad id”, o a igo elemb a as bases eó icas e me odológicas da No a Museologia ou Museologia Social, aplicando-as pos e io men e ao município de Ri as Vaciamad id (Mad id), com is a à ecupe ação e alo ização dos es ígios da Ba alla del Ja ama, no âmbi o de um p oje o de desen ol imen o cul u al, social e económico que oma como pon o de pa ida as memó ias e uínas da gue a. Nilcema Noguei a e Desi ee dos Reis San os, em “(Re)conhecendo pa imônios: o papel social do Museu do Samba”, ime gem no assun o da c iação e do papel social des e museu na sal agua da a i a das “Ma izes do Samba no Rio de Janei o: pa ido- al o, samba de e ei o e samba en edo” – pa imónio ima e ial b asilei o desde 2007. Concen ando a sua análise no p og ama educa i o da ins i uição, as au o as analisam as p á icas educacionais dialógicas e socialmen e esponsá eis desen ol idas pelo museu como es a égias pa a o econhecimen o social das comunidades sambis as. Lo ena Sancho Que ol, Daniel Reis, Elizabe e Mendonça 9 Desse modo, pau am o museu como um espaço de ações de ad ocacy, na mi a da cons ução cole i a de uma democ acia cul u al no con ex o b asilei o. No qua o a igo, Alejand a Saladino e Alicia Cas illo Mena ap esen am-nos os p imei os esul ados de um es udo de pe ceção social sob e o Ins i u o P e os No os, memo ial da esc a idão si uado no Rio de Janei o, em plena zona de e i alização u banís ica no âmbi o do p oje o Po o Ma a ilha (po mo i o do Campeona o do Mundo de Fu ebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016). In i ulado “La elación en e el Ins i u o P e os No os y las comunidades en el con ex o del Po o Ma a ilha, Río de Janei o, B asil”, o abalho p ocede a uma análise c í ica dos impac os do p oje o nas comunidades da á ea en ol en e, analisando as dimensões posi i as e nega i as do p ocesso de ans o mação u banís ica, en e as que des aca a p og essi a homogeneização cul u al des a á ea po uá ia decla ada Pa imónio da Humanidade em 2017. Em “Palhas que ans o mam idas: a c iação do Museu-O icina da Ilha das Caná ias, no Ma anhão, B asil”, Sami a Ama a Al es e Lo ena Sancho Que ol ap esen am o p ocesso de c iação colabo a i a de um museu de comunidade numa ilha do Del a do Rio Pa naíba (B asil), em espos a aos desejos e necessidades da população local. Tomando como pon o de pa ida o p ocesso de in en á io pa icipa i o de um sabe - aze local pa a a icula museologia, educação pa imonial e e i alização de sabe es ances ais, o p oje o desemboca na c iação de uma no a ipologia museológica, o Museu-O icina, com o obje i o de alo iza a di e sidade cul u al local e, simul aneamen e, ge a um endimen o essencial a a o das pessoas en ol idas na inicia i a. No ex o “P og ama Sala do A is a Popula : um espaço de encon os, ocas e democ a ização de cul u as”, Daniel Reis analisa o abalho desen ol ido pelo CNFCP no âmbi o das polí icas públicas de cul u a no B asil. Tomando como e e ência o P og ama, o au o p oblema iza os pa alelos en e ês pon os: 1. o c escen e in e esse pelas chamadas a es popula es em p ocessos de pa imonialização, polí icas go e namen ais, p oje os de ( e)musealização, p ocessos de a i icação; 2. o papel e a a uação que os museus e ins i uições cul u ais, nes e caso ep esen adas pelo CNFCP, ocupam como agen es no desen ol imen o de ações que ão desde epensa as suas coleções, exibições e os p oje os educa i os a é à busca de o mas mais ho izon alizadas de execução de polí icas públicas de cul u a; 3. o p o agonismo das/os a í ices. O au o deba e, assim, emas cen ais como o papel das ins i uições cul u ais e dos museus, ou a a uação de indi íduos e g upos de en o es de sabe es em p ocessos de p o agonismo cul u al. In odução 10 As au o as Inês Aze edo e Joana Ma eus, no a igo in i ulado “O oque, a p á ica, a uína e a i ine ância: mediação museológica e c iação de pode ”, ap esen am um ela o de expe iência sob e o p oje o de conceção do Museu Casa da Imagem, localizado em Vila No a de Gaia, Po ugal. Tomando como pon o de pa ida o ac o de o museu e sido concebido po meio de um se iço educa i o capi aneado pela Fundação Manuel Leão, as au o as analisam os concei os, os modelos, as pe spe i as e os desa ios dos p ocessos de mediação pa icipa i a do público no Museu, com o obje i o de p omo e um exe cício democ á ico e au ónomo de ap eensão do conhecimen o. P opõem-se assim, deba e o modo como a pe ceção, a c iação de sen idos e a ap eensão do conhecimen o em museus cons i uem ações de democ a ização cul u al. Fechando o olume su ge a ecensão de Ma ia Manuel Res i o sob e a exposição “Obje os es anhos: ensaios de P o o-escul u a”, o ganizada pelo Cen o In e nacional das A es José de Guima ães, Po ugal, em 2017. Sob o í ulo “Pa a além da his ó ia: sob e a exposição ‘Obje os es anhos: ensaio de P o o-escul u a’”, o ex o e le e sob e a me odologia, os concei os e os desa ios de uma exposição onde obje os da coleção p i ada do a is a José de Guima ães (p o enien es de Á ica, Ásia, México e B asil) dialogam com ob as de a e con empo ânea segundo uma lei u a não eleológica da his ó ia da a e, que ecusa a explo ação de na a i as con ínuas e linea es, p i ilegiando as múl iplas essonâncias en e obje os o iginá ios de di e en es espaços, empo alidades e ca ego ias. Seguindo a p opos a cu a o ial do Cen o, a inicia i a assen a numa conceção da a e emancipada de ca ego izações his ó icas, es ilís icas ou o mais, pa a assumi -se como espaço de expe iência e de libe dade em p ol da democ a ização dos museus de a e. Alguns des es a igos colocam no cen o do deba e um enómeno de ex ao diná ia ele ância pa a á eas como a museologia: a mudança de oco da democ a ização da cul u a (o acesso à cul u a) pa a a democ acia cul u al. A pa i daqui inicia-se o econhecimen o ela i o ao pode decisó io dos g upos de en o es dos conhecimen os, que ei indicam di ei os de cidadania e de pe ença à sua cul u a e ao seu pa imónio cul u al (Lace da, 2010). Es e p ocesso, cujos e ei os se azem sen i de di e sas o mas em cada campo do sabe , p opicia na museologia a idealização de p oje os onde a sociedade ci il supe a a ca ego ia de público uido das inicia i as, pa a se o na sujei o a i o nos mais di e sos p ocessos de alo ização cul u al, que com is a à pa imonialização, que à musealização, que ainda a ou os obje i os elacionados com uma cidadania cul u al a i a. Des a o ma su gem no os híb idos sociais de g ande ele ância pa a as equipas de museus, como é o caso do Lo ena Sancho Que ol, Daniel Reis, Elizabe e Mendonça 11 P o-Am ou amado p o issional (Leadbea e e Mille , 2004: 20), 4 que no campo dos museus em indo a p oli e a ou a é a o na -se um elemen o indispensá el nas á ias unções écnicas desen ol idas pelos museus. Sob es a mesma pe spe i a, ou os a igos do p esen e olume põem-nos em con ac o com expe iências de colecionismo pa icipa i o, de colecionismo de lide ança comuni á ia, de coc iação de inicia i as museológicas, de cocu ado ia ou cu ado ia social, de iden i icação e cop odução de signi icados de bens cul u ais ou de ges ão pa icipa i a e esponsá el dos museus. Es as opções o nam-se cada ez mais ele an es na cons ução de p ocessos museológicos, que pelo seu pe il democ á ico, que pela p óp ia necessidade dos museus de se ap oxima em da sociedade pa a desen ol e de o ma ú il e en iquecedo a a sua missão, mas ambém pa a se libe a em do he me ismo cul u al do discu so au o izado do pa imónio (Smi h, 2006). Que emos assim ag adece , po um lado, à equipa da e-cade nos CES a sua ex ao diná ia capacidade de abalho e o seu p o issionalismo em cada um dos passos des e p ocesso de publicação colabo a i o. Po ou o, ag adecemos aos au o es e au o as dos ex os que aqui ap esen amos, pela sua disponibilidade pa a expo ideias e pa ilha expe iências que con ibuem, gene osamen e, pa a um deba e essencial em p ol do museu como mo o de democ a ização cul u al, de descolonização pa imonial e de econhecimen o da di e sidade de isões de mundo. Da mesma o ma, a quem nos dedica a sua a enção e in e esse desejamos que as lei u as esul em ú eis, que pe mi am melho a algumas das suas p á icas, pe cebe as no as possibilidades e al e na i as me odológicas de uma mecânica museológica plu al, desen ol e o seu espí i o c í ico, ou simplesmen e en iquece as suas pe spe i as sob e as in ini as possibilidades de democ a ização cul u al que es a ins i uição pode o e ece num capí ulo da his ó ia como o a ual. Re is o po Ri a Cab al LORENA SANCHO QUEROL Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a Colégio de S. Je ónimo, La go D. Dinis, Apa ado 3087, 3000-995 Coimb a, Po ugal Con ac o: lo enaque [email protected] 4 P o-Am: cidadão/ã que desen ol e uma a i idade de amado /a numa de e minada á ea p o issional mo ido/a pela paixão, mas que se ege segundo c i é ios e lógicas p o issionais, o nando o seu abalho ex emamen e ú il pa a as ins i uições com as quais colabo a.