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Introdução

Horstink, Lanka,Fernandes, Lúcia,Campos, Rita

Abstract

Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através respectivamente dos contratos CEECIND/01132/2017/CP1426/CT0001, DL57/2016/CP1341/CT0027 e DL57/2016/CP1341/CT000.

Full text

e-cade nos CES 34 | 2020 Ale a e melho,ale a e de:da  o maà ans o maçãoecossocialis a In odução Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes e Ri a Campos Ediçãoelec ónica URL: h ps://jou nals.openedi ion.o g/eces/5388 DOI: 10.4000/eces.5388 ISSN: 1647-0737 Edi o a Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a REFÊRENCIA ELETRÓNICA Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes e Ri a Campos, «In odução», e-cade nos CES [Online], 34 | 2020, pos o online no dia 09 julho 2021, consul ado o 22 ou ub o 2021. URL: h p:// jou nals.openedi ion.o g/eces/5388 ; DOI: h ps://doi.o g/10.4000/eces.5388 2 e-cade nos CES , 34, 2020: 05-24 5 In odução* In memo iam Ma ia do Ca mo Bica (1963-2020; Paços de Vilha igues, Vouzela, Viseu, Po ugal) LaDonna B a e Bull Alla d (1956-2021; Fo Ya es, No h Dako a, Es ados Unidos da Amé ica) DEDICATÓRIA, CONTEXTUALIZAÇÃO E AGRADECIMENTOS Dedicamos es e núme o a duas ma a ilhosas mulhe es, que mui o admi amos, e que pa i am ecen emen e: Ma ia do Ca mo Bica e LaDonna B a e Bull Alla d. Ambas de am um eno me con ibu o pa a a “cons ução de uma p áxis ecossocialis a pa a as ans o mações sociais e o Bem Vi e pa a odas as pessoas da Te a” (Mani es o dos IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as, 2018). Fon e de ene gia e inspi ação, Ca mo Bica e a ag o-ac i is a, di igen e associa i a e engenhei a ag ícola. P esidiu a é 2020 à Coope a i a T ês Se as de La ões, em Vouzela, e du an e 18 anos es e e à en e da Associação de Desen ol imen o Ru al de La ões. In eg ou o G upo de T abalho de Ag icul u a do Pa ido da Esque da Eu opeia (2012-2020) e o G upo de T abalho de Ag icul u a e Desen ol imen o Ru al do Bloco de Esque da. Alimen ado a e cong egado a das lu as, LaDonna B a e Bull Alla d e a memb o da ibo S anding Rock Sioux, no Texas, Es ados Unidos da Amé ica, e his o iado a ibal. Dedicou a sua ida à p o ecção da água e oi líde do mo imen o global de oposição à cons ução do duc o de anspo e de pe óleo de Pa oka a é Nede land, no Texas, o Dako a Access Pipeline (DAPL). No con ex o des a lu a, oi a undado a do Sac ed S one Camp em S anding Rock, um acampamen o cul u al dedicado à p ese ação das adições cul u ais Dako a, Lako a e Nako a, pe o de Cannon Ball, na on ei a no des e da ese a. * Po on ade das au o as, es e ex o não segue as eg as do Aco do O og á ico de 1990. Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes e Ri a Campos ecebem inanciamen o da Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, a a és espec i amen e dos con a os CEECIND/01132/2017/CP1426/CT0001, DL57/2016/CP1341/CT0027 e DL57/2016/CP1341/CT0001 no âmbi o dos quais desen ol e am a o ganização des e núme o. Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 6 Além do econhecimen o pelas lu as que ab aça am, es amos ambém mui o g a as a ambas pela sua p esença nos “IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as – Ale a e melho, ale a e de: da o ma à ans o mação ecossocialis a”, que se ealiza am em Lisboa en e 23 e 25 de No emb o de 2018, o e en o que mo i ou a o ganização des e núme o emá ico. É com is eza que sen imos as suas ausências, con iando que as suas o ças e memó ias con inua ão a inspi a as lu as ecossocialis as do u u o. Lu as sociais e lu as ecológicas andam equen emen e a pa . As ac i idades elacionadas com o ag o-negócio, a explo ação de pe óleo e de gás, e a mine ação, po exemplo, es ão en e os p incipais impulsionado es de esis ências, que mui as ezes le am ao assassina o de ac i is as, nomeadamen e a mando de agen es do sec o p i ado. Em 2019 a Amé ica La ina concen ou dois e ços desses assassina os, 30% dos quais na Colômbia, o país onde hou e mais egis o de mo es de ac i is as (Global Wi ness, 2020). Ac edi amos que com a pandemia de COVID-19 e os con inamen os, as/os ac i is as ica am ainda mais ameaçadas/os e o núme o pode á já e aumen ado nos anos de 2020 e 2021. Face a es as con agens ágicas, ao ema dos Encon os e ao nosso espei o po quem lu a e exe ce esis ência, es endemos a nossa dedica ó ia às/aos 221 ac i is as assassinadas/os em 2019.1 Es e núme o emá ico é u o ambém de mui o abalho de cuidado ac i is a e académico, que ( al como o cuidado domés ico) é in isí el, des alo izado e não econhecido (Fede ici, 2019; Ba ca, 2020a, 2020b).2 Um p ocesso con ínuo de mo i a , sensibiliza , a icula pessoas, conhecimen os, isões de mundo, expec a i as e de esponde às solici ações adap ando-as ao “possí el” e à cons ução de algo que nos aça sen ido colec i amen e. Edi a es e núme o emá ico jun ando academia e ac i ismo – e em especial numa al u a de g andes pe u bações e mudanças de o ina da o ganização da ida causadas pela pandemia – oi uma in ensa caminhada echeada de ap endizagem e desa io. Es amos mui o g a as a odas as pessoas que, de alguma o ma, con ibuí am pa a es e esul ado colec i o. Con ámos com o abalho incansá el de oda a equipa edi o ial, mas deixamos um especial ag adecimen o à Ana So ia Veloso e à Alina Timó eo. Ag adecemos ambém a colabo ação de odas/os3 1 Es e núme o co esponde a um aumen o de ap oximadamen e 30% de assassínios em elação ao úl imo ela ó io, ela i o aos episódios de 2018. De no a que es e egis o é conside ado subno i icado: mui as/os ac i is as são silenciadas/os po ou os meios. Po ou o lado, 40% dos assassínios egis ados co espondem a pessoas pe encen es a ibos indígenas (Global Wi ness, 2020). 2 Uma es ima i a de 2019 mos a que as mulhe es e meninas dedica am 12,5 bilhões de ho as ao abalho de cuidado dia iamen e, uma con ibuição de pelo menos 10,8 ilhões de dóla es ame icanos po ano, o que equi ale a mais de ês ezes o alo ge ado pela indús ia de ecnologia do mundo no mesmo pe íodo (Lawson e al., 2020). 3 Apesa de es a mos a u iliza uma denominação biná ia, incluímos na e minologia “as/os” odos os géne os. In odução 7 que con ibuí am com ex os, e que pa icipa am no p ocesso de e isão po pa es. É impo an e econhece ambém o abalho das in es igado as Begoña Do onso o e Paula Sequei os, que pa icipa am na o ganização dos Encon os e de am o ça ao p ojec o de o ganização des e núme o. A e isão da In odução con ou com con ibu os aliosos de S e ania Ba ca e Sé gio Ped o, a quem es amos ambém mui o g a as. De en e as pessoas en ol idas mui as são mulhe es, que passa am a e uma ainda maio sob eca ga de abalho deco en e da ac ual si uação pandémica, dos con inamen os, do acompanhamen o de ilhas/os e ou os amilia es, e da necessidade de pe manência em casa po p ecaução ou doença. Ti e am uma maio di iculdade em concilia o abalho emune ado (p esencial ou emo o) com o abalho não emune ado e i am- se con on adas com no as necessidades de cuidados, nomeadamen e a ní el da saúde men al. A academia con encional ende a p omo e a pa ilha de conhecimen os de o ma apolí ica, ecnoc a a e ideologicamen e alinhada com o pode público. As pe spec i as ecossocialis as esis em a es a ep odução do es ado das coisas e p ocu am o en endimen o das o mas elacionais de comp eende p ocessos humanos e não- humanos, bem como as colabo ações e as implicações ecológicas en e eles (Cha opadhyay e al., 2018: 27). A INSPIRAÇÃO DOS IV ENCONTROS INTERNACIONAIS ECOSSOCIALISTAS Os IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as o am um palco onde se euniu um público di e so, cons i uído po colec i os ecossocialis as, eco eminis as e camponeses, sindica os, mo imen os sociais, o ganizações polí icas, in es igado as/es e cidadãs/ãos em nome indi idual. cole i amen e, olha am c i icamen e pa a as p imei as duas décadas do e cei o milénio, e em especial pa a o colapso social, que não es á apenas a equipa a -se a um desas e ecológico (es ando mesmo a ul apassá-lo) – um cená io que se em ag a ado com a pandemia. Desde 2014 que es es colec i os e o ganizações se êm encon ado pa a imagina cole i amen e, e pô em ma cha uma al e na i a ecossocialis a ao ac ual pa adigma económico des u i o. P imei o na Suíça, depois em Espanha e no País Basco, e po im em Po ugal, as sucessi as edições dos Encon os In e nacionais Ecossocialis as p ocu a am olha c i icamen e os desa ios com que o plane a e os seus habi an es humanos e não-humanos se depa am. Cons oem-se como espaços de encon o de uma mul iplicidade de isões, expe iências, sabe es e conhecimen os, pa a uma e lexão sob e o passado e o p esen e, e p ocu am da espos as al e na i as pa a muda o u u o. Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 8 A o igem des es Encon os emon a ao inal do século XX, ligada à publicação do mani es o ecossocialis a Po uma al e na i a e de na Eu opa (An unes e al., 1990) e à sua ap esen ação em Bilbao, em 1991. Es e momen o e á sido “o início de um p ocesso de cons ução ideológica de con luência en e ecologis as, sindicalis as e eminis as que con inua em andamen o 30 anos depois”4 (Ba cena, 2020). O mani es o ap esen a a uma al e na i a adical pa a ompe com a lógica dominan e do c escimen o cen ado numa economia ex ac i is a e des u i a, de endendo a “au ode e minação e a sobe ania de pessoas e po os, como abalhado es e consumido es, pa a se inse i em de o ma equilib ada nos ciclos e ecossis emas na u ais” (ibide. Já em 2001, su ge um segundo mani es o ecossocialis a (Ko el e Löwy, 2001), azendo um apelo in e nacional con a o a alismo in e io izado que sus en a a não ha e al e na i a possí el à o dem mundial capi alis a. Daqui nasceu a inspi ação pa a a ealização do p imei o Encon o Ecossocialis a In e nacional, em 2014, um luga de junção de di e en es expe iências ecossocialis as eu opeias, e de pa ilha do abalho de cada país, que p e endia c ia con luências e p opo al e na i as pa a a icula um p ojec o de emancipação ecossocial (Ba cena, 2020). A es e segui am-se o segundo Encon o, em Mad id, em 2015, e o e cei o, em Bilbao, em 2016, um momen o impo an e pa a ea i ma a necessidade de se p ocu a em al e na i as que se a as em da me a ep odução do modelo de p odução e consumo ac ual e pa a lança as bases pa a o qua o Encon o, que se ealizou em Lisboa (Ba cena, 2020). Em Po ugal, em 2018, um conjun o ala gado de pessoas ep esen ando di e en es o mas de o ganização colec i a oma am a a e a de o ganiza a qua a edição dos Encon os In e nacionais Ecossocialis as. Na o ganização es i e am a Climáximo, a ZERO, o SOS Racismo, a Associação de Comba e à P eca iedade, o LIVRE, o Mo imen o Al e na i a Socialis a, o mo imen o Peniche Li e de Pe óleo, o GAIA- G upo de Acção e In e enção Ambien al, a Academia Cidadã, o Bloco de Esque da e a O icina de Ecologia e Sociedade (ECOSOC) do Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a (CES-UC), com o apoio local da Escola Secundá ia de Camões e o apoio in e nacional do Solida i és. Sob o mo e “Ale a e melho, ale a e de: da o ma à ans o mação ecossocialis a”, o encon o si uou-se no pon o de eme gência ecológica e social à escala plane á ia, con ocando di e en es ozes a e lec i sob e esses desa ios. No seu mani es o (Mani es o dos IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as, 2018), ale a a- se pa a as elações en e as p o undas c ises ambien ais, como a pe da de biodi e sidade em ní eis equi alen es a uma sex a ex inção em massa (McCallum, 4 Todas as aduções são da nossa esponsabilidade. In odução 9 2015) ou a des uição dos ecossis emas, o su gimen o ou agudização de c ises sociais, como o apa ecimen o de no as doenças, de que a COVID-19 é exemplo, o eapa ecimen o de ou as, a pe da de bens comuns ou as deslocações em massa de pessoas de ido à pe da de casas, e as, locais de abalho, con li os ou ome. Des a complexa in e - elação en e p oblemas ambien ais e sociais esul a um aumen o das desigualdades e das op essões, iolências e disc iminações, como o acismo, o sexismo e a xeno obia. U ge, assim, pensa e pô em p á ica e dadei os modelos al e na i os, que ompam o ciclo pe pe uado pelas eli es polí icas e económicas capi alis as de con ínuos aumen os da inancei ização, da mili a ização, e da p i a ização de bens e se iços comuns. As soluções ecnológicas e de me cado como a economia e de, o desen ol imen o sus en á el, ou o capi alismo na u al, não podem se is as como e dadei as al e na i as, pois sus en am-se no mesmo p incípio: o da explo ação de pessoas e da na u eza. Ou, con o me se pode le no Mani es o dos IV Encon os Ecossocialis as (2018): “Sob a hegemonia capi alis a indus ial o que es amos a p oduzi , ep oduzi , dis ibui e consumi , em ez de p og esso, é um p o undo desen aizamen o e a des uição dos p óp ios meios ma e iais e cul u ais que sus en a am as ci ilizações humanas”. Du an e os ês dias dos Encon os, mais de 60 o ado es, p o enien es de 20 países e cinco con inen es (Eden, 2019), ep esen ando di e en es sec o es da sociedade, euni am-se pa a pa ilha sabe es e expe iências.5 Es e núme o emá ico p ocu a se uma ex ensão dessas pa ilhas e deba es, azendo olha es de den o e o a da academia, cons i uindo-se um p ojec o da “academia não con encional”. P e endemos assim c ia , com es e núme o, um espaço onde as/os silenciadas/os possam cons ui conhecimen o e ge a um p ocesso au o ans o mado da p óp ia academia e do mundo, uma p áxis que modi ica a es u u a do pode que o conhecimen o pe soni ica (Cha opadhyay e al., 2018). AS ORIGENS E MANIFESTAÇÕES DO ECOSSOCIALISMO Todas/os so emos de um caso c ónico do pa adoxo de G amsci, o de i e mos num empo em que a elha o dem es á a mo e (e a le a a ci ilização com ela) ao mesmo empo que a no a o dem não pa ece capaz de nasce . Mas pelo menos pode se anunciada. A somb a mais p o unda que pai a sob e nós não é o e o , o colapso ambien al nem a ecessão global. É o ascismo in e nalizado que a i ma 5 É possí el consul a um esumo de odas as comunicações ap esen adas em Eden (2019). Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 10 que não há al e na i a possí el pa a a o dem mundial do capi al. (Ko el e Löwy, 2001) O ecossocialismo em como p emissa p incipal a indissociabilidade do socialismo e da ecologia. Um socialismo não-ecológico é um beco sem saída e uma ecologia não- socialis a não es á p epa ada pa a lida com a complexidade da p esen e c ise ecológica (Löwy, 2015: xi). Assim, o ecossocialismo a i ma-se como uma espos a “ e melha- e de” aos desa ios d amá icos que a humanidade en en a: e.g., o colapso ambien al – incluindo a de e io ação acen uada dos ecossis emas –, a impa á el pe da de espécies, a des lo es ação descon olada, ou a acele ação do aquecimen o global. Es as c ises são emas eco en es an o na academia como na es e a polí ica desde há mais de 40 anos. Po ém, as pessoas com pode de decisão a odos os ní eis, desde o sup anacional ao local, alha am edondamen e em mi iga , ou mesmo e e e , a endência do aumen o das emissões globais de gases com e ei o de es u a e a deg adação ambien al ag egada, enquan o “a análise e o diagnós ico das aízes e causas da c ise ambien al é, na maio ia dos deba es co en es, emba açosamen e supe icial” (Bo gnäs e al., 2015: 2). Há p o as mais do que su icien es de que o capi alismo neolibe al não só c ia como se sus en a na p esença de mecanismos socioeconómicos ais como a desigualdade social, a acumulação do capi al, a inancei ização ex emada, e as democ acias débeis (ibidem). Löwy (2013: 79) ala a é em uma “ o al i acionalidade de um sis ema económico baseado na me can ilização de udo, na especulação desen eada, no o ali a ismo dos me cados inancei os e na globalização neolibe al ao se iço exclusi o do luc o capi alis a”. A abo dagem ecossocialis a a es es complexos p oblemas “diabólicos”,6 que assolam a humanidade desde há décadas, isa melho a o nosso conhecimen o da deg adação ambien al global a a és da análise c í ica dos mecanismos socioeconómicos do sis ema capi alis a de p odução (Bo gnäs e al., 2015: 3). Adicionalmen e, as/os eó icas/os do ecossocialismo ão pa a além da sua análise e comp eensão. An es p ocu am apon a es a égias pa a ans o ma o sis ema exis en e de aco do com os alo es ecologis as e socialis as. Nesse sen ido, deixam cla o que não êem “a ‘sus en abilidade ambien al’ como uma á ea de polí ica sepa ada e ci cunsc i a, que possa se ma ginalmen e emodelada den o das es u u as socioeconómicas e polí icas exis en es” (ibidem). 6 O concei o de wicked p oblems oi inicialmen e p opos o po Ri el e Webbe (1973) e e e e-se a um p oblema socioecológico de ele ada complexidade e in e conec i idade que é mui o di icil ou a é impossí el esol e . In odução 11 O ecossocialismo começou a desen ol e -se como co en e académica e polí ica nos anos 1970, pese embo a o e mo só se enha popula izado após os anos 1980, quando o Pa ido Ve de alemão se au ode iniu como ecossocialis a (Löwy, 2015: xii). Alimen ado po co en es como o ana quismo e de, a ecologia social – na sua e são do comunalismo (Bookchin, 2002) –, e o ambien alismo an i-capi alis a, o ecossocialismo oi ap o undado com as ecologias ma xis as de James O’Conno e John Bellamy Fos e , bem como a ecologia adical eminis a de Ca olyn Me chan . A p opos a do Ecologismo dos Pob es, de Joan Ma ínez-Alie (1992), e a p opos a la ino- ame icana à c ise socioambien al do buen i i (Le Quang e Ve cou è e, 2013) ajuda am a o na a co en e ecossocialis a mais sensí el à o ma de lu a de mo imen os ag á ios e indígenas no con ex o neocolonialis a em que o mundo é o ganizado, apesa de nem semp e exp essa explici amen e a gumen os ecologis as. Os pensamen os de eminis as socialis as ais como Ma y Mello e A iel Salleh con ibuí am igualmen e pa a en iquece a co en e. Ma y Mello a gumen ou a a o de um socialismo an o e de como eminis a no seu li o Queb a as on ei as (Mello , 1992), onde ale a que se á impossí el cons ui uma eo ia e p á ica e olucioná ias que jun em o ecossocialismo e o eminismo enquan o a análise económica con inua a e as mulhe es e a na u eza como objec os e não sujei os. A iel Salleh, uma das subsc i o as do p imei o mani es o ecossocialis a, em sido ins umen al em ge a diálogo en e p oponen es do ecossocialismo e do eco eminismo. Já em 1992 publica um ex o que coloca es as duas co en es em pa alelo, des acando suas complemen a idades e a i mando que um ecossocialismo coe en e p ecisa de inclui uma análise eco eminis a (Salleh, 1992). Salleh dialoga com o ex o de Daniel Fabe e James O’Conno (1988) pa a assinala as ideias em comum, em pa icula a descons ução da na u eza ei icada e a necessidade de lu a con a as condições hegemónicas de den o, bem como as ideias que ainda sepa am um ecossocialismo masculinizado do eco eminismo: na desconside ação das mulhe es no con ibu o eó ico bem como ac i is a, na sua exclusão das classes (excessi o oco na classe assala iada), e ainda na edução do eco eminismo a uma lu a omân ica de supe io idade do co po sob e a men e. No en an o, apesa de hoje o eco eminismo se incluído nas escolas que in o mam e o mam o ecossocialismo, mui os con ibu os álidos de eco eminis as pionei as o am e con inuam a se ma ginalizados. É exemplo desse esquecimen o colec i o o abalho exempla da Vandana Shi a, cujo li o Democ acia da Te a (Shi a, 2005) elenca p opos as pa a um mundo ecossocialis a baseado no concei o da sobe ania alimen a e numa cosmo isão não ociden al que ejei a ca ego icamen e a explo ação da na u eza (e odos os seus se es i os, incluindo se es humanos, em pa icula as mulhe es, gua diãs de conhecimen os e ap idões que Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 18 Iñaki Ba cena Hinojal az-nos um exe cício de e lexão sob e os ínculos e alianças en e ês mo imen os sociais – sindicalismo, ecologismo/ambien alismo e eminismo – a pa i da expe iência basca. Apoiando-se na e isão da his ó ia dos ês mo imen os no País Basco, nas obse ações pa icipa i as em acções e deba es, bem como na ealização de en e is as, o au o az à discussão algumas das p oblemá icas polí ico- sociais da co en e híb ida “ecossocialismo eminis a” basco. O au o obse a ainda no as e amen as que unem e dão es u u a aos mo imen os, como o concei o eco eminis a da “cuidadania” (cuidados+cidadania), que já en ou na agenda dos mo imen os sindicalis as bem como dos ecologis as, mas ambém a necessidade de de ende o bem comum, o impe a i o da ansição jus a e sus en á el, o di ei o ao abalho digno, en e ou os. Conclui com um apelo à u gência da união dos mo imen os ac i is as na ideologia in eg ado a ecossocialis a eminis a ace ao assal o con inuado do capi alismo neolibe al à p óp ia ci ilização, à ida, à jus iça e com um apelo à de esa da Mãe Te a. Gio anna Mica elli ap esen a uma discussão nos campos da sobe ania alimen a e do di ei o à alimen ação, a a és do abalho em/com algumas comunidades indígenas em qua o egiões da Colômbia. A au o a az uma e isão da li e a u a das ans o mações ecen es so idas pelo concei o de sobe ania alimen a , colocando-as em diálogo com as on ologias indígenas – que são azidas pelo abalho e nog á ico e au o-e nog á ico, p á icas alimen a es, con e sas, en e is as e ecolha de his ó ias de ida de académicas/os e in es igado as/os indígenas. Os ques ionamen os eme gen es dialogam ainda com o campo dos di ei os que colocam em causa a mode nidade ociden al dominan e. Ellen Monielle do Vale Sil a e Fe nanda Ca oline Al es Beze a de Melo azem uma análise da li e a u a sob e como as mulhe es so em e agem no que espei a às mudanças climá icas na Á ica Me idional. A a és das abo dagens da Teo ia Ve de e do Eco eminismo, as au o as p opõem um ques ionamen o das es u u as pa ia cais e neocoloniais ainda p esen es no con inen e a icano. Discu em ainda ace ca das p eocupações com ques ões de jus iça, di ei os, cidadania e meio ambien e, azendo uma análise mais ampla sob e as causas, os e ei os e os impac os das mudanças climá icas, a im de obse a no as possibilidades em elação à complexidade dos sis emas socioeconómicos de desen ol imen o ac uais. A mulhe da egião me idional de Á ica é a p incipal ep esen an e na linha de en e da ba alha pela sus en abilidade ecológica, o que a o na a po a- oz subs ancial das suas comunidades. Po ou o lado, é ambém a mulhe que mais so e com a desigualdade de géne o no âmbi o socioeconómico, in ensi icada pelos impac os ambien ais na egião, o nando-se o p incipal g upo a ec ado. In odução 19 O a igo de Ca men Rejane Flo es e Diana Ma ía Peña discu e a di isão sexual do abalho no modelo ag o-indus ial pa a expo ação como condição his ó ica da Amé ica La ina e o o necimen o de commodi ies ag ícolas pa a o me cado in e nacional, no pe íodo 1984-2015. Dois con ex os ge ais são discu idos: a lo icul u a na Colômbia e o ag onegócio da soja no B asil, a a és da eo ia neoma xis a ( egimes alimen a es, ep odução social e abo dagens eco e i o iais), ocando-se no abalho das mulhe es, nos mecanismos u ilizados pelo capi al pa a inco po a os alo es p oduzidos pelo campesina o em seus ci cui os de acumulação e nas es a égias de pe manência digna nos e i ó ios camponeses. T a ando-se de um ema onde a academia e os mo imen os associa i os, a eo ia e a p á ica, o es udo e a lu a se encon am o emen e associados, es e núme o da e-cade nos CES inclui ainda uma secção @ce e a dedicada a es as di e en es dimensões. Os seis ex os que in eg am a secção o e ecem-nos pe spec i as, expe iências e lei u as que expandem a e lexão sob e os ac uais modelos de desen ol imen o socioeconómicos e os di e en es impac os sob e o ambien e, a humanidade e as espécies não-humanas. A secção ab e com um ensaio de Ped o Miguel Ca doso, que nos dá uma con ex ualização dos pa adoxos e limi ações do capi alismo quando se con on a com ques ões ecológicas. O au o começa po desc e e sucin amen e o cená io ala man e de deg adação ecológica do plane a, iden i icando como causa p incipal o sis ema capi alis a dominan e e a ex acção e explo ação dos ecu sos na u ais que es e p omo e. Pe co endo di e en es co en es eó icas, con on a o concei o de capi alismo “ e de” com os impe a i os de me can ilização, c escimen o, luc o e acumulação subjacen es ao sis ema capi alis a (bem como a sis emas socialis as p odu i is as). Ao e de sa is aze es es impe a i os – e apesa do op imismo de algumas co en es e des que c êem pode egulamen a e desma e ializa a economia ou aplica panaceias ecnológicas milag osas –, o sis ema p odu i o não em como e i a en a em colisão com a sus en abilidade ecológica a médio ou longo p azo. O au o conclui com um ale a pa a es as con adições inul apassá eis do capi alismo, seja ele “ e de” ou não, ob igando-nos a pensa num ou o sis ema, al e na i o, a pa i de um diálogo en e pe spec i as ecossocialis as e de dec escimen o. Os ês ex os seguin es en aízam-se di ec amen e nos Encon os que se i am de mo e pa a a o ganização des e núme o, os IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as. Des e modo, Sinan Eden, que in eg ou a comissão o ganizado a dos Encon os, az um esumo dos objec i os e con ibuições des es Encon os, que se a i mam como um p ojec o undamen al na lu a pela jus iça climá ica. O seu ex o ap esen a uma desc ição do p ocesso de o ganização de um e en o que em como pa icula idade p opo ciona Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 20 um espaço de diálogo en e as pessoas ligadas ao meio académico e as en ol idas com mo imen os ac i is as, o ganizações e colec i os de di e en es países. Ao iden i ica o capi alismo como causa da c ise climá ica, os Encon os ac uam como ca alisado es de uma discussão pública sob e es a elação e sob e al e na i as possí eis. A pa i da pe spec i a c í ica da pa icipação logís ica da Associação Caldei a Neg a nos IV Encon os In e nacionais Ecossocialis as, Joana Fe nandes, co- undado a daquela Associação, o e ece ou a isão des e e en o. Po meio do concei o-cha e pelo qual es a Associação se ege – a ecossolida iedade – a Caldei a Neg a põe em p á ica o ecossocialismo na cadeia alimen a que dinamiza. Con o me ap esen ado pela au o a, a ecossolida iedade é o “apoio mú uo baseado na jus iça social e no espei o pelos ecossis emas nos quais os humanos (enquan o animais) se inse em e dos quais dependem”. Es a isão do mundo é conc e izada na p omoção da ag icul u a solidá ia e de p oximidade, em consonância com a p emissa de que as escolhas alimen a es são escolhas polí icas, com impac os sociais e ambien ais me ecedo es de e lexão e acção. A au o a iden i ica alguns a gumen os ansdisciplina es e cul u ais que sus en am as opções da Associação e as in e - elações en e alimen ação egana e jus iça social. Ap esen a a p epa ação das e eições o e ecidas a quem pa icipou nos Encon os não apenas como um exemplo da o ma de ac ua da Associação, mas ambém como modelo de ecossolida iedade no sis ema alimen a . Au o a San os, Cecília Fonseca e Sé gio Ped o azem uma impo an e e lexão sob e sis emas ag o-alimen a es e sua elação com o ecossocialismo, cons uída endo po base as suas expe iências, o que oi discu ido nas sessões dedicadas à economia polí ica da comida e sobe ania alimen a (Eixo 1 dos Encon os) e as suas lei u as de aspec os pouco p esen es e/ou ausen es nes as discussões. O ex o en elaça as di e en es dimensões do alimen o e da alimen ação, enquad ando de igual o ma es e deba e no con ex o dos Di ei os Humanos, ace aos impac os do modelo capi alis a sob e a di e sidade de sis emas ag o-alimen a es, ecendo c í icas aos sis emas in ensi os de p odução de alimen os. Deixam o apelo à esis ência a es es modelos capi alis as, assen es na acumulação e explo ação, e à ele ância no apoio aos mo imen os al e na i os, assen es na coope ação social e espei o pelos i mos ecológicos. A a és da his ó ia de ês mulhe es cien is as, I ina Cas o e Ri a Se a discu em o concei o de dissidência polí ica e o con ibu o undamen al de uma isão eminis a pa a a p opos a ecossocialis a. As au o as si uam a sua e lexão no no o eminismo ma e ialis a, ap esen ando a gumen os da sua o ça pa a esga a pessoas e p ocessos in isibilizados numa ciência ainda dominada po es u u as pa ia cais e mui as ezes subo dinada aos in e esses do capi al. Vêem assim a dissidência cien í ica, e em In odução 21 pa icula a eminina, como uma al e na i a c í ica capaz de con ibui pa a a no a es u u a ecnológica das o ças p odu i as e pa a uma na a i a his ó ica e con empo ânea da ciência mais ep esen a i a, espelhando a di e sidade do que é se -se cien is a, dos mé odos de cons ução de conhecimen o e das concepções de ciência. Finalizando a secção, João Cama go az uma ecensão ao li o Towa ds a Poli ical Economy o Deg ow h, o ganizado po Eka e ina Che ko skaya, Alexande Paulsson e S e ania Ba ca, e publicado em 2019 pela edi o a Rowman & Li le ield. O au o des aca as con ibuições do li o pa a os campos da eo ia polí ica, da sus en abilidade e da eo ia dos mo imen os sociais, apon ando, no en an o, a ausência do diálogo en e as discussões cen adas no dec escimen o com as implicações das al e ações climá icas nas c ises económicas, sociais e ambien ais. O dec escimen o é, nas pala as do au o , um mo imen o essencialmen e académico, e es e li o o e ece uma base pa a a cons ução de uma eo ia sob e a qual se possam o alece os discu sos, as p á icas e as polí icas do dec escimen o. Espe amos que os ex os des e núme o con ibuam pa a e lexões e acções que, an o na academia quan o nos mo imen os sociais, possam conduzi a uma e dadei a al e na i a ao modo capi alis a de p odução e de consumo, que assen a na explo ação do abalho e na des uição ecológica. Tendo sido co-p oduzido du an e um pe íodo longo e pa icula men e con u bado da his ó ia ecen e, a pandemia de COVID-19, é nosso desejo que es e conjun o de pe spec i as eó ico-p á icas e de expe iências consiga inspi a uma ans o mação social a pa i de um ou o pensamen o pa a uma sociedade pós-capi alis a. Re is o po Ana So ia Veloso LANKA HORSTINK Ins i u o de Ciências Sociais, Uni e sidade de Lisboa A . P o esso Aníbal de Be encou 9, 1600-189 Lisboa, Po ugal Con ac o: lanka.ho s [email protected] LÚCIA FERNANDES Cen o de Es udos Sociais, Uni e sidade de Coimb a Colégio de S. Je ónimo, La go D. Dinis, Apa ado 3087, 3000-995 Coimb a, Po ugal Con ac o: lucia[email p o ec ed] RITA CAMPOS Cen o de Es udos Sociais, Uni e sidade de Coimb a Colégio de S. Je ónimo, La go D. Dinis, Apa ado 3087, 3000-995 Coimb a, Po ugal Con ac o: i [email protected] Lanka Ho s ink, Lúcia Fe nandes, Ri a Campos 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS An unes, Ca los; Juquin, Pie e; Kemp, Penny; S enge s, Isabelle; Telkämpe , Wil ied; O o Wol , F iede (1990), “Po una al e na i a e de en Eu opa – Mani ies o ecosocialis a”, Mien as Tan o, 41, 59-171. T adução de San iago Jó dan, Jo ge Riechmann, Joaquim Sempe e, En ic Tello. Consul ado a 02.06.2021, em h ps://www.js o .o g/s able/27819829?seq=1#me ada a_in o_ ab_con en s. Ba ca, S e ania (2020a), Fo ces o Rep oduc ion. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess. 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