Full text
*USF G ão Vasco, ACeS Dão La ões
INTRODUÇÃO
Amias enia g a is (MG) é uma doença neu oló-
gica au oimune das es u u as pós-sináp icas
da junção neu omuscula dos músculos es ia-
dos esquelé icos, c ónica, ca ac e izada po a-
queza e adiga muscula localizada ou gene alizada.1-2
Consis e numa pa ologia pouco comum, com uma
p e alência mundial es imada em 20 po 100.000 pes-
soas. No en an o, es udos ecen es a i mam que a sua
p e alência em aumen ado nos úl imos anos.3Es a
doença pode mani es a -se em odos os g upos e á ios e
em ambos os géne os. Exis e uma maio incidência no
géne o eminino, en e a adolescência e os 40 anos3e um
aumen o de no os diagnós icos em idades mais a dias.2
Rela i amen e à e iopa ogenia, sabe-se que a p esen-
ça de an ico pos con a ece o es da ace ilcolina (AChR)
aca e a a des uição dos locais de ligação disponí eis
pa a a ace ilcolina na memb ana pós-sináp ica.2-3 An i-
co pos con a ou as p o eínas da junção neu omuscu-
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Ma isa Benigno Biza o,* Ma co And é Oli ei a,* Lu des Ne y,* Do a Isabel Al es*
Mias enia g a is, o diagnós ico
no olha : ela o de um caso
RESUMO
In odução: A mias enia g a is (MG) é uma doença neu ológica au oimune c ónica, que a e a as es u u as pós-sináp icas da junção
neu omuscula dos músculos esquelé icos, ca ac e izada po aqueza e adiga muscula localizada ou gene alizada.
Desc ição de caso: Mulhe de 31 anos, sem an eceden es pessoais de ele o. Reco eu à consul a da USF po di iculdade em ence a
de o ma comple a ambas as pálpeb as e descon o o na egião ce ical an e io com início há um mês. Ao exame obje i o cons a ou-
-se apa en e exo almia, endo-se colocado inicialmen e a hipó ese de pa ologia i oideia. Uma semana depois, pa a além das queixas
iniciais, exis ia noção de oz nasalada e descon o o acial que ag a a a sob e udo ao inal do dia, mo i o pelo qual oi solici ada TC
dos seios pe i-nasais pa a exclusão de sinusi e ou lesão ocupan e de espaço. Na semana seguin e man inha sin oma ologia mas, após
anamnese cuidada, cons a ou-se que ap esen a a ambém isão u a, pa es esias aciais e dis agia. Pe an e es a sin oma ologia oi
excluída, em p imei o luga , lesão ce eb al ocupan e de espaço po RMN-CE e suspei ou-se de pa ologia do o o neu ológico e/ou mus-
cula , nomeadamen e MG, endo sido e e enciada pa a consul a de neu ologia. A EMG com es imulação epe i i a e a pesquisa de an-
ico pos an i-AChR co obo a am a hipó ese diagnós ica colocada. A espos a inicial à pi idos igmina oi us e, com impac o nega i-
o na qualidade de ida da u en e. En e an o, após sucessi os eajus es e apêu icos, o seu es ado clínico melho ou signi ica i amen e
e nes e momen o encon a-se clinicamen e es á el com apenas limi ações mínimas. Man ém-se em seguimen o egula de ido ao
ca á e c ónico da doença e pelo isco de lu uações que a ní el da e olução clínica que a ní el da espos a ao a amen o.
Discussão: Es e caso clínico cons i uiu um eno me desa io diagnós ico. Re le e a impo ância da anamnese, do índice de suspeição
(deco en e do conhecimen o eó ico e da expe iência clínica), da con inuidade e a iculação dos cuidados.
Pala as-cha e: Mias enia g a is; Pálpeb as; F aqueza muscula ; Diagnós ico; Rela o de caso
la pós-sináp ica, como a i osina quinase músculo es-
pecí ica (MuSK), comp ome em ambém a ansmissão
neu omuscula ,2-3 que se i á mani es a como aqueza
músculo-esquelé ica. A e iologia pa a a sín ese de an i-
co pos au oimunes pe manece obscu a. Em ce ca de
50% dos doen es, a MG pode es a associada a hipe pla-
sia olicula ímica e em 10% a imoma.4E en ual asso-
ciação com ou as pa ologias au oimunes, especialmen-
e i oidi e, lúpus e i ema oso sis émico ou a i e eu-
ma oide, em sido cons a ada.5Além disso, podem exis-
i c ises mias énicas induzidas po á macos.
Habi ualmen e, a queixa inicial consis e em aqueza
muscula que en ol e um g upo muscula especí ico em
ez de aqueza muscula gene alizada.3F equen emen-
e, os doen es no am que essa aqueza muscula lu ua
de dia pa a dia, pio ando com a a i idade muscula con-
inuada ( a igabilidade) e melho ando com o epouso e
o io.3A aqueza dos músculos ocula es com p ose ou
diplopia es á inicialmen e p esen e em 50% dos doen es
e oco e du an e o cu so da doença em 85-90%.6-7 A in-
capacidade em ence a as pálpeb as ( aqueza das pál-
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peb as in e io es que expõe a escle a do olho),7a mími-
ca acial pob e e a di iculdade em sop a são sin omas de
aqueza dos músculos aciais.3O en ol imen o dos mús-
culos bulba es é ambém comum, podendo condiciona
disa ia lingual, bucal ou pala al ( oz nasalada), dis a-
gia e di iculdades na mas igação.3De e e i que am-
bém pode es a p esen e p op ose ligei a de ida à a-
queza dos músculos ex a-ocula es.7
O cu so da MG é a iá el, podendo a ia desde MG
ocula isolada a MG gene alizada ou o o a íngea e, a a-
men e, c ises mias énicas com insu iciência espi a ó ia
com necessidade de en ilação mecânica.3,5 Ce ca de 50
a 87% dos doen es êm doença gene alizada nos p imei-
os 13-24 meses.6-7 Menos equen emen e, a doença pode
pe manece exclusi amen e nos músculos ocula es.5
A abo dagem diagnós ica assen a sob e udo no índi-
ce de suspeição (associado ao conhecimen o eó ico e ex-
pe iência clínica), na ele omiog a ia (EMG) com p o a
de es imulação ne osa epe i i a e na pesquisa de au-
oan ico pos, em especial os an i-AChR.
DESCRIÇÃO DO CASO
Mulhe de 31 anos, aça caucasiana, esiden e em Vi-
seu e que abalha como ope á ia de loja. Inse e-se numa
díade nuclea al amen e uncional, na ase I do Ciclo de
Du all e pe encen e à classe média de G a a . Sem an-
eceden es pessoais (pa ológicos ou ci ú gicos) ele an-
es. Sem hábi os medicamen osos (à exceção da con a-
ceção o al ho monal combinada), abágicos, alcoólicos
ou consumo de d ogas. Dos an eceden es amilia es sa-
lien a-se mãe com his ó ia de ca cinoma colo ec al,
subme ida a hemicolec omia em 2005, e pai com hipe -
ensão e diabe es melli us ipo 2.
A 28 de agos o de 2015 eco eu à consul a p og ama-
da na USF po sensação de peso nos olhos, di iculdade
em ence a de o ma comple a ambas as pálpeb as, com
início há ce ca de um mês. Re e iu ainda descon o o na
egião ce ical an e io , que não soube especi ica . Ne-
gou ou os sin omas, nomeadamen e emo es, aqui-
ca dia, palpi ações, sudo ese in ensa, ansiedade, i i a-
bilidade ou pe da de peso. Ao exame obje i o cons a ou-
-se ence amen o incomple o das endas palpeb ais com
apa en e exo almia dos olhos. Ap esen a a pupilas iso-
có icas e iso ea i as, mo imen os ocula es p ese ados
e sem nis agmo, ele ação man ida e simé ica das pál-
peb as supe io es e sem assime ias aciais. Na egião
ce ical: sem ume ações isí eis, sem massas ou ade-
nopa ias palpá eis, i oide mole de dimensões apa en-
emen e no mais, simé ica, mó el à deglu ição e indo-
lo à palpação. O o a inge sem al e ações. Pe an e es as
queixas colocou-se a hipó ese de se a a de uma i oi-
di e pelo que oi solici ado doseamen o de T4 li e, TSH,
an ico pos an ipe oxidase (ATPO), an ico pos an i ece-
o da TSH (TRAb) e ecog a ia da i oide.
Uma semana depois, a 4 de se emb o, eco eu à con-
sul a com os esul ados dos exames solici ados: ap e-
sen a a TSH de 2,55 µmU/mL, T4 li e de 12,4 pmol/L
(den o dos pa âme os no mais), ATPO e TRAb nega i-
os e a ecog a ia da i oide e ela a glândula i oideia de
dimensões no mais, homogénea, sem imagens nodula-
es apa en es. A u en e ap esen a a pe sis ência dos sin-
omas ocula es, sem diminuição da acuidade isual ou
diplopia. Re e iu, ainda na consul a, um descon o o na
ace e ga gan a que não soube especi ica e noção de oz
nasalada, que ag a a a sob e udo ao inal do dia. Ao exa-
me obje i o ap esen a a oz nasalada, a palpação dos
seios pe i-nasais e a indolo e o es an e exame ísico so-
b eponí el ao an e io . Foi solici ada omog a ia com-
pu ado izada (TC) dos seios pe i-nasais pa a exclusão
de sinusi e ou de lesão ocupan e de espaço.
A 10 de se emb o eg essa à consul a com o esul ado
da TC dos seios pe i-nasais que não e elou al e ações e-
le an es. Re e iu que eco eu ao se iço de u gência do
hospi al de e e ência, onde oi obse ada po médico o -
almologis a que ecomendou colocação de penso ocula
du an e o sono e uso de lág imas a i iciais pa a p o eção
ocula du an e o dia. Foi-lhe solici ada consul a de ea a-
liação após a ealização dos exames solici ados nos cui-
dados de saúde p imá ios. A u en e man inha di iculda-
de em echa comple amen e os olhos, sob e udo o olho
esque do (Figu a 1A), e oz nasalada. Re e iu ainda isão
u a, pa es esias aciais quando so ia, po ezes com di-
iculdade em so i e com di iculdade em engoli . Quan-
do melho ques ionada sob e es e úl imo sin oma, cons-
a ou-se que se a a a de dis agia c ico a íngea sob e u-
do pa a sólidos. Ve i ica a ag a amen o dos sin omas ocu-
la es e aciais, sob e udo no inal do dia. Negou dé ices de
o ça muscula que em epouso que após o es o ço ísi-
co, bem como desequilíb io. Sem ou os sin omas.
Pe an e uma doen e com dis agia c ico a íngea e di-
minuição na o ça muscula pa a ence amen o dos
olhos se ia pe inen e, em p imei o luga , exclui lesão
ce eb al ocupan e de espaço e, na sua ausência, coloca
a hipó ese de pa ologia do o o neu ológico e/ou mus-
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cula . Assim, ealizou essonância magné ica c ânio-en-
ce álica (RMN-CE) que excluiu lesão ocupan e de espa-
ço, endo sido e e enciada, a 17 de se emb o, como u -
gen e pa a a consul a de neu ologia do Cen o Hospi a-
la Tondela-Viseu (CHTV, EPE) com a hipó ese de diag-
nós ico de doença neu omuscula , nomeadamen e
mias enia g a is, pa a melho a aliação e o ien ação e-
apêu ica. Foi ainda aconselhada a colocação de io/gelo
pa a alí io das queixas ocula es e man e as lág imas a -
i iciais, bem como o penso ocula du an e o sono.
No deco e das semanas seguin es iniciou disa ia
com ag a amen o p og essi o. Ap esen a a discu so qua-
se impe ce í el, o que condicionou signi ica i amen e o
seu exe cício p o issional, mo i o pelo qual consul ou mé-
dico neu ologis a pa icula . Nesse con ex o ealizou EMG
com es imulação ne osa epe i i a do ne o adial, que
e elou espos a dec emen al signi ica i a e ep odu í el,
compa í el com a hipó ese diagnós ica e e ida, endo ini-
ciado pi idos igmina 60mg ½ + ¾ + ¾ + ¾ dia iamen e.
Na consul a hospi ala de neu ologia, a 19 de ou ub o,
ap esen a a poucas melho ias apesa da e apêu ica ins-
i uída. O exame neu ológico e a sob eponí el, exce o o
su gimen o de disc e a p ose palpeb al de p edomínio
esque do. Foi pedida TC do medias ino que excluiu i-
moma. O doseamen o de an ico pos an i-AChR oi po-
si i o, mas os an ico pos an i-Musk o am nega i os.
ANA, an ico pos an i-dsDNA e an i-mi ocond iais M2
ambém posi i os. A endendo aos úl imos esul ados oi
igualmen e e e enciada pa a a consul a de doenças au-
oimunes com a hipó ese de possí el coexis ência de ou-
os enómenos au oimunes pa a além da MG.
Inicialmen e a espos a à e apêu ica oi us e e, ao
longo do seguimen o hospi ala , hou e necessidade su-
cessi a de ajus a a e apêu ica pa a melho con olo sin-
omá ico. Apesa do apoio que ob e e po pa e do côn-
juge, amília, amigos e do médico de amília, hou e um
impac o nega i o na sua qualidade de ida, que de e -
minou o su gimen o de sin omas como insónia ini-
cial/ e minal e humo dep imido.
A 20 de ab il de 2016 ap esen a a-se clinicamen e es á-
el com limi ações mínimas (Figu a 1B e 1C), es ando me-
dicada com pi idos igmina 60mg (dois comp imidos de 4/4
ho as), p ednisolona 20mg (um a dois comp imidos/dia
em dias al e nados), aza iop ina 50mg 2 id, esci alop am
10mg id, esomep azol 20mg id, ca bona o de cálcio + cole-
calci e ol 500mg/400 UI id e e iniles adiol + le ono ges el
0,02/0,1mg. Agua da a es udo comple o de doenças au oi-
munes e decisão clínica de e en ual imec omia. Man e e
seguimen o egula em consul a com o seu médico de a-
mília e em consul as hospi ala es de neu ologia, medicina
in e na – doenças au oimunes e de oculoplas ia.
DISCUSSÃO
Es e caso cons i uiu um eno me desa io diagnós ico.
A sin oma ologia inicialmen e ap esen ada, nomeada-
men e a incapacidade de ence amen o das pálpeb as e
a ligei a p op ose, não azem pa e da clínica inicial ípi-
ca da MG, mas a p ose palpeb al com ag a amen o es-
pe ino. Inicialmen e di igiu-se a in es igação pa a pa-
ologias mais equen es e só depois, du an e o segui-
men o con ínuo da doen e e median e uma anamnese
cuidada com a explo ação de ou os sin omas que o am
su gindo, oi possí el chega à hipó ese de doença neu-
omuscula , como a MG. Apesa de se a a de uma pa-
ologia a a, de e se equacionada nos doen es que ap e-
sen em sin omas de aqueza muscula ocula (p ose, di-
plopia), acial e bulba (dis agia e disa ia), ag a ando
sob e udo ao im do dia.
A
B
C
Figu a 1. (A) – Ence amen o incomple o de ambas as endas pal-
peb ais (se emb o de 2015); (B) – Ence amen o quase comple o
das pálpeb as (ab il de 2016, com e apêu ica a macológica); (C) –
Ligei a p ose do olho esque do (ab il de 2016, com e apêu ica a -
macológica).
Além de um ele ado índice de suspeição, pa a o diag-
nós ico de MG é eque ido o doseamen o de an ico pos
an i-AChR2de ido à sua ele ada especi icidade. Es es an-
ico pos são posi i os em 90% dos doen es com MG ge-
ne alizada, mas apenas em 50-70% dos doen es com MG
ocula .8A pesquisa do an ico po an i-Musk pode á se po-
si i a em mais de me ade dos doen es com an ico pos
an i-AChR nega i os8e, nes es casos, con i ma o diagnós-
ico. A es imulação ne osa epe i i a (ENR) ou a ele o-
miog a ia de ib a única, caso a ENR seja du idosa ou ne-
ga i a, de em se conside adas pa a auxilia no diagnós-
ico uma ez que ap esen am ele ada especi icidade.5,8 Na
MG com sin omas limi ados ao olho ou à ace é essencial
a exclusão de lesões in ao bi ais ou in ac anianas que
possam comp imi os ne os c anianos, es ando indica-
da a ealização de TC ou RMN-CE.7A TC do ó ax de e se
ealizada em odos os doen es ecém-diagnos icados pa a
exclusão de imoma ou hipe plasia ímica.7Se exis i dis-
pneia, o es e de unção pulmona é manda ó io.7
A es a égia e apêu ica depende da g a idade da sin-
oma ologia,9podendo se di idida, segundo a sua un-
cionalidade, em e apêu ica sin omá ica, e apêu ica mo-
di icado a de doença e in e enção e apêu ica aguda.10
No a amen o sin omá ico u ilizam-se os inibido es da
ace ilcolines e ase, como a pi idos igmina, com o in ui o
de acili a a ansmissão neu omuscula .9-10 Rela i amen-
e à e apêu ica modi icado a de doença, os glucoco icoi-
des e a aza iop ina são os imunossup esso es de p imei a
linha.10 Ou os á macos imunossup esso es, como ciclos-
po ina, me o exa o, mico enola o de mo e il e ac olimus,
podem se u ilizados no caso de con aindicação, in ole-
ância ou con olo clínico inadequado com o a amen o
de manu enção de p imei a linha.9-10 Ri uximab ou pulsos
de ciclo os amida podem se usados como e apêu ica de
escalonamen o do a amen o de manu enção. A imec o-
mia pode se ambém uma opção e apêu ica, sob e udo
na p esença de imoma.10-11 O a amen o da c ise mias é-
nica ou a sua p e enção, em si uações de MG ins á el, são
ealizados a a és de in e enções que eduzem os an i-
co pos ci culan es como a plasma e ese, a imunoadso ção,
a adminis ação de imunoglobulina in a enosa ou com
pulsos de me ilp ednisolona.10
Com um adequado acompanhamen o, a maio ia dos
doen es man ém uma qualidade de ida sa is a ó ia e
uma espe ança média de ida semelhan e à população
ge al.11 Podem oco e exace bações desencadeadas po
e en os s essan es, nomeadamen e in eções, exposição
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a á macos, ci u gias, auma, g a idez, neoplasias ou
ou os a o es. Apesa de a mo alidade se a a, impo -
a e e i que as c ises mias énicas com en ol imen o
dos músculos espi a ó ios podem se po encialmen e
a ais se não econhecidas e a adas a empadamen e.11
Os doen es de em se a i os o quan o possí el, de-
endo e i a a i idade ísica sus en ada e ealiza e-
pouso equen e.7No caso de exis i di iculdade no en-
ce amen o dos olhos, es es de em aplica lág imas a -
i iciais ao longo do dia e penso ocula du an e o sono.
Na p esença de dis agia podem u iliza espessan e na
die a líquida com o in ui o de p e eni em egu gi ação
nasal ou aspi ação. Es es doen es necessi am, ainda, de
capaci ação pa a econhece em e epo a em de ime-
dia o uma c ise espi a ó ia eminen e.
Além des es cuidados, o econhecimen o e o a a-
men o imedia o de uma in eção são imp escindí eis,
po que es a cons i ui um a o impo an e pa a o de-
sen ol imen o de uma c ise mias énica. De e se e i a-
da, ainda, a p esc ição de á macos que possam desen-
cadea uma exace bação, nomeadamen e alguns an i-
bió icos (aminoglicosídeos, cip o loxacina, clindamici-
na, e i omicina), co icoides em doses ele adas,
p opanolol, e apamil, eni oína, en e ou os.7
Em mulhe es em idade é il com MG, a decisão de en-
g a ida de e se omada em conjun o com a equipa mé-
dica. Habi ualmen e es as mulhe es não ap esen am
complicações g a es na g a idez, sendo possí el oco e
MG ansi ó ia neona al que ge almen e e e e após ês
semanas.12 A e apêu ica ins i uída pode se p ejudicial
pa a o desen ol imen o e al, mas exis em á macos que
pa ecem se segu os.12 Já o cu so da MG du an e a g a i-
dez é imp e isí el, podendo oco e ag a amen o, e-
missão ou es abilidade da sin oma ologia.12 A g a idade
dos sin omas, bem como a mo alidade ma e na, são
maio es nos p imei os dois anos após o início da doen-
ça e mínimas se e anos após o seu diagnós ico, mo i o
pelo qual é aconselhá el p o ela em a g a idez pelo me-
nos dois anos após o diagnós ico da pa ologia.12
Des e modo, es es doen es eque em uma a iculação
adequada en e os dois ní eis de cuidados de saúde. Po
um lado, de em man e a igilância egula em consul as
de neu ologia de ido ao ca á e c ónico da doença e pelo
isco de lu uações, que a ní el da e olução clínica que
a ní el da espos a ao a amen o. Po ou o lado, neces-
si am de um seguimen o nos cuidados de saúde p imá-
ios, com o seu médico de amília, que passa a e um pa-
pel impo an e que na capaci ação pa a a doença e pa a
os cuidados a e , que no acompanhamen o p óximo e
con ínuo, com especial a enção não só a sinais de exa-
ce bações agudas ou aos seus a o es de isco, mas am-
bém ao es ado emocional e à dinâmica amilia e, ainda,
ao planeamen o amilia em mulhe es em idade é il.
A desc ição des e caso clínico, que e a a uma pa o-
logia a a mas impo an e nos cuidados de saúde p imá-
ios, p e endeu elemb a a exis ência des a doença e sin-
e iza a sua abo dagem diagnós ica e e apêu ica. O mé-
dico de amília desempenhou aqui um papel essencial
pelo econhecimen o p ecoce da pa ologia, pelo acom-
panhamen o con ínuo e pela a iculação dos cuidados.
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CONFLITOS DE INTERESSE
Os au o es decla am não e quaisque con li os de in e esse.
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Ma isa Benigno Biza o
E-mail: [email p o ec ed]
Recebido em 14-06-2016
Acei e pa a publicação em 11-12-2017
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ABSTRACT
MYASTHENIA GRAVIS, THE EYE AS DIAGNOSTIC CLUE: A CASE REPORT
In oduc ion: Myas henia g a is (MG)is a ch onic au oimmune neu ologic disease, which a ec s he pos synap ic s uc u es o he
neu omuscula junc ion, cha ac e ized by localized o gene alized weakness and muscle a igue.
Case desc ip ion: 31-yea -old woman, wi hou signi ican pas medical his o y, epo s di icul y in comple ely closing bo h eyelids
and discom o in he an e io ce ical egion, wi h onse one mon h ago. Physical examina ion e ealed appa en exoph halmos, and
he hypo hesis o hy oid pa hology was ini ially conside ed. A week la e , in addi ion o he ini ial complain s, he pa ien also e-
po ed nasal oice and acial discom o ha wo sened a he end o he day. A CT scan o he pa anasal sinuses was eques ed o ex-
clude he p esence o sinusi is o space occupying lesion. The ollowing week, he pa ien main ained he same symp oms bu , a e
ca e ul examina ion, i was e i ied ha he pa ien also p esen ed wi h blu ed ision, acial pa es hesia and dysphagia. The p esen-
ce o an in ac anial space occupying lesion was excluded by magne ic esonance imaging o he b ain and hen he hypo hesis o a
neu omuscula disease, namely MG, was conside ed. The pa ien was e e ed o a neu ologis . The elec omyog aphy wi h epe i i e
ne e s imula ion and he sea ch o an i-AChR an ibodies co obo a ed his diagnos ic hypo hesis. The ini ial esponse o py idos ig-
mine was poo , wi h a nega i e impac on he pa ien s’ quali y o li e. Howe e , a e successi e adjus men s, he clinical s a us has
signi ican ly imp o ed and she is cu en ly clinically s able wi h only mino limi a ions. Due o he ch onic na u e o he disease and
he isk o luc ua ions bo h in clinical e olu ion and esponse o ea men , he pa ien has egula ollow-up appoin men s.
Discussion: This case epo p esen ed a g ea diagnos ic challenge. I e lec s he impo ance o anamnesis, high le el o suspicion
(due o heo e ical knowledge and clinical expe ience), and o con inui y and ansi ions o ca e.
Keywo ds: Myas henia g a is; Eyelid; Muscle weakness; Diagnosis; Case epo