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O fundo fotográfico Teófilo Rego – da preservação ao acesso online

BARRADAS, Graça

Abstract

A digitalização de fundos fotográficos, em particular no caso dos arquivos privados, os quais muitas vezes têm uma consulta restrita ou vedada ao público, é actualmente uma prática corrente com a dupla função de preservar e difundir. Assiste-se cada vez mais, e principalmente desde o final do século xx, à recuperação e/ou disponibilização ao público em geral, de fundos e colecções fotográficas, tanto por parte de entidades públicas como privadas. A presente comunicação pretende através da sistematização da experiência em curso do projecto de investigação “Fotografia, Arquitectura Moderna e a «Escola do Porto»: Interpretações em torno do Arquivo Teófilo Rego”, reflectir sobre o procedimento que se inicia na preservação de um fundo fotográfico até ao seu acesso online, destacando os paralelismos com o panorama actual da recuperação de fundos de estúdios fotográficos comerciais do século XX em Portugal.

Full text

Recupe ação e p ese ação de undos o og á icos Em Po ugal, os es údios o og á icos começa am a su gi em meados da segunda me ade do século XIX, sob e udo nas g andes cidades, e alguns anos mais a de nas cidades do in e io . No Po o, alguns dos p imei os o óg a os, ainda amado es, o am es angei os, como o escocês F ede ick William 2 Flowe (1815-1889) e o inglês Joseph James Fo es e (1809-1861). Os es údios o og á icos começa am a eme gi na in ic a inicialmen e ocacionados pa a a o og a ia de e a o, como o es údio de Miguel No aes, undado no Po o em 1854, ou os seus con empo âneos João Bap is a Ribei o (1790-1868) ou Domingos Pin o de Fa ia (1827-1871). Mais a de des aca - se-iam ainda os es údios da Casa Biel (an e io men e Casa F i z) de Emílio Biel (1838-1915) adqui ida em 1874; a Fo og a ia Al ão (an e io men e Fo o Velo-Clube) undada em 1902 po Domingos Al ão (1872-1946); e a Fo o 3 Beleza undada em 1907 po An ónio Beleza . Ao longo da his ó ia, nem semp e a o og a ia oi econhecida como pa e in eg an e da ca ego ia das on es p imá ias, que po a qui is as que po his o iado es, o que deu o igem a que mui as ezes se e i icasse alguma negligência ela i amen e aos undos e coleções o og á icas, eme idos 4 equen emen e pa a a “ca ego ia de miscelâneas ou memo abilia” . A di usão da o og a ia ao longo dos anos ambém se de e em g ande pa e ao desen ol imen o dos p ocessos o og á icos e ao p ocesso ep og á ico das imagens. Assim, podemos es abelece duas e apas essenciais do p ocesso o og á ico: a p imei a c ia i a, que pa e da ideia o iginal da oma de uma 5 o og a ia, e a ou a ep odu i a, que copia o o iginal an as ezes quan o se quei a, p ocesso es e que o nou possí el a democ a ização da o og a ia. Foi com o in ui o de p ese a e da a conhece o pa imónio o og á ico nacional, que desde o inal do século XX, di e sas ins i uições públicas e p i adas êm indo a adqui i , po comp a ou doação, espólios, coleções ou undos o og á icos. Mui os des es documen os o og á icos pe enciam a en idades p i adas que, po ezes, não êm possibilidade de man e uma boa conse ação dos documen os, nem de p o idencia a sua disponibilização ao público de o ma e icaz. Nes e âmbi o, des aca-se a a uação do Cen o 6 Po uguês de Fo og a ia (CPF) que adqui iu di e sos undos o og á icos, mui os an e io men e cus odiados pelo ex in o A qui o Nacional de O FUNDO FOTOGRÁFICO TEÓFILO REGO. 1 DA PRESERVAÇÃO AO ACESSO ONLINE G aça Ba adas 19 1. Es e abalho é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE – P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do p ojec o PTDC/ATP-AQI/4805/2012 ("Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego"). 2. A Fundação Se al es ap esen ou no 1º Fo opo o, em 1988, a exposição e espe i o ca álogo F ede ick William Flowe a pionne o po uguese pho og aphy. 3. Após a mo e de Emílio Biel, An ónio Beleza comp ou em has a pública pa e do seu espólio no ano de 1916. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio Fo og á ico Po uguês. Coo denação de Fe nando de Sousa. s/l: CEPESE, 2008, p. 18. 4. Ma ge y Long, “Pho og aphs in A chi al Collec ions” in A chi es and Manusc ip s: Adminis a ion o Pho og aphic Collec ions. Chicago: Socie y o Ame ican A chi is s, 1984, p. 9. 5. Juan-Miguel Sánchez-Vigil e An onia Sal ado - Baní ez – Documen ación Fo og á ica. Ba celona: Edi o ial UOC, 2013, p. 19. 6. C iado pelo Dec e o-Lei nº160/97 de 25 de Junho, o CPF oi ex in o como ins i u o do Minis é io da Cul u a pelo Dec e o-Lei nº 93/2007 de 29 de Ma ço, icando como uma unidade o gânica dependen e da Di ecção-Ge al de A qui os. Fo og a ia, e que a ualmen e de ém ce ca de 2 milhões de documen os 7 o og á icos . O CPF, desde 2005, p ocedeu à desc ição, digi alização e di usão a a és da base de dados Digi A q, de undos o og á icos de en idades p i adas que se encon am sob a sua cus ódia, de que são exemplo os es údios o og á icos Ta a es da Fonseca, Lda (Po o), a Fo og a ia Al ão (Po o), ou a Fo og a ia Ho ácio No ais, he dei os (Lisboa). Es a base de dados encon a-se in eg ada com a do A qui o Nacional da To e do Tombo – Di eção Ge al do Li o, dos A qui os e Biblio ecas (DGLAB). Exis em igualmen e ou as ins i uições po uguesas que adqui i am undos o og á icos pa icula es, p ocedendo pos e io men e ao seu a amen o e di usão, como o caso da Fundação Calous e Gulbenkian que ecupe ou o undo Es údio No ais (Lisboa), adqui ido em 1985, e o di ulgou a a és da página web da Biblio eca de A es da Fundação. Po úl imo, e e imos ainda o p oje o Espólio Fo og á ico Po uguês de 2007, com a denominação O Espólio da Fo o Beleza. O undo, com ce ca de 8 600.000 espécies o og á icas , oi ecupe ado pelo Cen o de Es udos da População, Economia e Sociedade (CEPESE), disponibilizando online pa e das imagens com in ui o come cial, di ididas en e os seguin es emas: Ciclo do Vinho do Po o; Paisagís icas; Emp esa iais e associa i as; Documen ais e monumen os; e Re a o. Mui as ezes na di usão de a qui os o og á icos são-nos ap esen adas subdi isões emá icas que o iginam uma lei u a algo equí oca da o ganização o iginal dos undos, eduzindo a poucos emas a p odução o og á ica do es údio. É algo comum a adul e ação da sua o dem o iginal em unção do que se c ê se o in e esse do u en e / in es igado , ou seja, ap esen ando-a de o ma emá ica, p incipalmen e se o in ui o dessa di usão é a come cialização de imagens. À semelhança da ecupe ação dos undos dos es údios o og á icos an e io men e mencionados, o p oje o de in es igação “Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego" (FAMEP) em como um dos obje i os a seleção, desc ição, acondicionamen o, digi alização e di usão de pa e do undo o og á ico Teó ilo Rego. O Cen o de Es udos A naldo A aújo (CEAA) da Escola Supe io A ís ica do Po o (ESAP), em coope ação com o Museu Casa da Imagem da Fundação Manuel Leão, p opôs-se seleciona um conjun o de ce ca de 5000 imagens ela i as ao ema da a qui e u a mode na, ap oximadamen e en e o âmbi o c onológico de 1940 a 1960. O p oje o em como obje i o p incipal a p omoção e di usão do es udo da a qui e u a mode na, em especial do Po o e no e de Po ugal e da sua elação com a o og a ia. A seleção e e uada po in es igado es do p oje o e á em con a a qualidade e o iginalidade an o das ob as a qui e ónicas ep esen adas como da p óp ia es é ica da o og a ia, salien ando ob as inédi as / não publicadas, mon agens o og á icas o iginais e a boa conse ação dos nega i os. 20 7. Sil es e Lace da e Na ália G a a o - Guia de Fundos e Colecções Fo og á icos 07. Lisboa: CPF/DGARQ, 2007, p. 8. 8. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio…, p. 20. Teó ilo Rego – o o óg a o Teó ilo Rego nasceu a 2 de Julho de 1914 no B asil, iajando pa a Po ugal em 1924. No ano seguin e ing essa nas O icinas Ma ques Ab eu: zincog a u a, o og a u a, símile-g a u a (Po o), impo an e o icina no pano ama das a es g á icas e de edição o og á ica em Po ugal. Nas o icinas abalhou inicialmen e como ipóg a o imp esso passando pos e io men e pa a a á ea da g a u a, onde ap endeu ambém o og a u a e ipog a ia. Em 1944 começa a abalha nas o icinas Li o Maia (Po o) como o óg a o de 9 o oli o, onde pe manece dois anos . Teó ilo Rego iliou-se no G émio Nacional dos Indus iais de Fo og a ia (Lisboa), Sindica o dos T abalhado es G á icos dos Dis i os do Po o, B agança e Vila Real, Associação Fo og á ica do Po o, e Associação Nacional dos Indus iais de Fo og a ia, a qual emi ia a ca ei a p o issional e licença o og á ica. No ano de 1947 inaugu a o Es údio Fo o-Come cial na Rua da Aleg ia nº 482, no Po o, onde desen ol eu o seu abalho a é 1956, quando muda o es údio pa a a Rua San a Ca a ina nº 1583. Após a sua mo e em 1993, o negócio con inua com a sua ilha e ne a a é o ano de 2001. No domínio do o ojo nalismo ez abalhos de epo agem pa a o Diá io do No e, assim como epo agens encomendadas pelo Sec e a iado Nacional da 10 in o mação, Cul u a Popula e Tu ismo (SNI) como a isi a do Gene al F anco ao Po o e Bussaco, de Oli ei a Salaza a B aga, ou da isi a da 11 Rainha de Ingla e a Isabel II à Fei o ia Inglesa no Po o . Também o og a ou pa a edição de coleções de pos ais como, po exemplo, as encomendas pa a a Nossa Senho a do Pe pé uo Soco o (Po o). Teó ilo Rego pa icipou em di e sas publicações na sua maio ia elacionadas com es udos de his ó ia da a e e a qui e u a, seguindo a linha das O icinas Ma ques de Ab eu, onde iniciou a sua ca ei a. Ma ques de Ab eu des acou- se p incipalmen e na edição o og á ica no âmbi o do pa imónio nacional e no es udo da his ó ia da a e, como o demons am as publicações A ilus ação mode na (1898-1903), a e is a A e: A chi o de ob as de a e (1905-1912), 12 e especialmen e A ilus ação mode na (1926-1932) . Teó ilo ealizou abalhos de o og a ia ilus a i a pa a á ias monog a ias como A alha no 13 concelho de Vila do Conde da Câma a Municipal de Vila do Conde , Capela 14 das Almas. Uma jóia da azuleja ia po uguesa de Alexand ino B ochado , ou em ob as de Domingos de Pinho B andão (Bispo Auxilia da Diocese do Po o) como, po exemplo, Algumas das mais p eciosas e belas imagens de 15 Nossa Senho a exis en es na Diocese do Po o. Consag ando-se como o óg a o come cial, en e os seus clien es con a am- se di e sas en idades como câma as municipais, ins i u os, emp esas, a is as e a qui e os. Des es des acam-se, pela assiduidade com que eco e am ao 16 Es údio Fo o-Come cial: Ma ques da Sil a , João And esen, Januá io Godinho, José Ca los Lou ei o, Rogé io de Aze edo, Ricca Gonçal es, en e ou os. 21 9. Po o, memo ia o og á ica: Teó ilo Rego. Po o: A qui o His ó ico Municipal / Casa do In an e, 1990, p. 4. 10. O Sec e a iado de P opaganda Nacional (SPN), oi c iado em 1933, al e ando a sua designação em 1944 pa a Sec e a iado Nacional da in o mação, Cul u a Popula e Tu ismo (SNI). O SNI oi ex in o em 1968, endo os espec i os se iços ansi ado pa a a Sec e a ia de Es ado de In o mação, Cul u a Popula e Tu ismo, da P esidência do Conselho de Minis os. 11. Po o, memo ia o og á ica…, p. 4. 12. José Ped o Aboim Bo ges - Ma ques de Ab eu: A o og a ia e a edição o og á ica na de esa do pa imónio cul u al (Tese de Dou o amen o). Lisboa: FCSH-Uni e sidade No a de Lisboa, 2013, p. 21. 13. Po o: Li a ia Telos Edi o a, 1985. 14. Ca álogo de Exposição de Fo og a ia, Vila do Conde: CMVC, 1978. 15. Po o: Diocese do Po o, 1988. Com es udo g á ico do a qui e o Fe nando Lanhas. 16. Ins i u o Ma ques da Sil a / Ins i u o de Recu sos e Inicia i as Comuns da Uni e sidade do Po o (ed.), Ma ques da Sil a e a o og a ia: Imagens de uma época, Po o: Uni e sidade, 2005. A única exposição indi idual de Teó ilo Rego oi em 1990, ap esen ada na Casa do In an e (Po o), com 80 o og a ias a p e o/b anco sob e o ema da 17 cidade do Po o, a con i e da Câma a Municipal . Teó ilo Rego – o undo o og á ico O undo o og á ico oi adqui ido em 1998 pelo Pad e Manuel Leão à amília do o óg a o Teó ilo Rego e, mais a de, oi doado à Fundação Manuel Leão, encon ando-se a ualmen e em depósi o no Museu Casa da Imagem (Vila No a de Gaia), acondicionado em ce ca de 3550 unidades de ins alação, caixas e en elopes, na sua maio ia de o igem. Pa a além do undo o og á ico Teó ilo Rego - denominado de undo po se 18 cons i uído po documen ação de uma mesma p o eniência - ambém oi 19 adqui ido um espólio , pe encen e ao o óg a o, cons i uído po máquinas o og á icas an igas que coleciona a, ma e ial o og á ico do Es údio Fo o- Come cial, en e ou os. Es e undo es á di idido o iginalmen e em ês a i idades dis in as: duas den o do uncionamen o do es údio, a come cial e a de e a o; e ou a a i idade dedicada às imagens que ealizou num con ex o pessoal, ou seja, imagens não encomendadas, e cap adas consoan e a sua es é ica e in e esses como o óg a o. P ecisamen e po inclui o og a ias de ca á e come cial e de ca á e pessoal es e conjun o é denominado de undo Teó ilo Rego e não somen e de undo Fo o-Come cial. É cons i uido po ce ca de 600.000 documen os o og á icos, maio i a iamen e po nega i os de o ma o 9x12 cm de gela ina e sais de p a a em ace a o de celulose, algumas unidades de amanho 13x18 cm, e alguns id os das mesmas dimensões, p o as em papel em 9x12 cm e o oli os. A ní el de conse ação mui os dos nega i os em ace a o de celulose ap esen am algum es ado de de e io ação a ançado. A sé ie de e a os cons a de ce ca de 730 unidades de ins alação de pequena dimensão, iden i icadas pela da a da cap u a: mês/ano. A maio pa e dos egis os o og á icos de Teó ilo Rego co espondem a abalhos come ciais, ao con á io do que se passa a nos es údios no início do século XX em que o e a o p edomina a, é o caso po exemplo do Es údio Fo o Beleza no qual 20 mais de 98% do seu undo co esponde a o og a ia de e a o . A sé ie come cial, que se p e ende oca maio i a iamen e nes e a igo, é a que se des aca nes e undo pela sua dimensão e di e sidade, ce ca de 80% do o al de imagens que o cons i uem, o que demons a cla amen e a p incipal a i idade e econhecimen o de Teó ilo Rego enquan o o óg a o p o issional. Es a sé ie es á, à semelhança de ou os es údios da época como, po exemplo, 21 o Es údio Má io No ais, o ganizada po clien es , cada caixa co esponde a um clien e e encon a-se sequenciada po o dem al abé ica. A sé ie pessoal encon a-se acondicionada em caixas, apa en ando es a o ganizada po alguma p oximidade empo al e emá ica, con udo, não se 22 17. Po o, memo ia o og á ica…, p. 4. 18. De inição dis in a de “coleção”, a qual cons i ui um conjun o de documen os com ca ac e ís icas comuns eunidos a i icialmen e. Con . ICA - In e na ional Council on A chi es. Mul ilingual A chi al Te minology. <h p://www.cisc a.o g/ma /> (9 de Ou ub o de 2014). 19. Denominação que inclui documen os ou obje os de di e sa na u eza segundo a NP 4041 – In o mação e documen ação, 2005. 20. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio…, p. 20. 21. Fundação Calous e Gulbenkian - Má io No ais. Exposição do Mundo Po uguês 1940. Lisboa: FCG, 1998, p. 35. conhecendo a sua o dem o iginal. Rela i amen e aos emas, Teó ilo Rego explo a na o og a ia pessoal os seus in e esses pa icula es enquan o a is a, e a ando a pa e mais an iga e pi o esca da cidade, como as uas an igas do Po o, a Ribei a e seus habi an es, os ba cos no Dou o e os pescado es, ou as endedo as de cas anhas. Fo og a ou igualmen e a pa e mais mode na da cidade como a A enida dos Aliados ou a P aça D. João I, pa a além de e ei o expe iências di e sas de o og a ia u bana no u na. Ma ia do Ca mo Se én engloba Teó ilo Rego no pe íodo do Es ado No o den o do g upo dos salonis as do Po o, cujas imagens ealizadas não di e iam mui o dos seus congéne es es angei os, p edominando as paisagens 22 pic ó icas e mo i os humanis as . Se én salien a ainda a semelhança da o og a ia de Rego com a do o óg a o Ta a es da Fonseca (1908-90's), undado da emp esa publici á ia Bela e em 1939, e dos Es údios Ta a es da Fonseca Lda. em 1955. A i ma ainda que es a semelhança se e i ica na dedicação que coloca a o og a a a cidade do Po o “man endo a di e iz 23 salonis a da pe eição écnica e dos e ei os o mais da emá ica.” Ao con á io de alguns es údios o og á icos, como o caso do Es údio Fo o Beleza, o undo o og á ico Teó ilo Rego possui mui o pouca documen ação ex ual de supo e às imagens, como egis os de encomendas ou lis agens de clien es. Também são poucos os casos em que se encon a egis ada a da a de cap u a da imagem, ou a iden i icação de local ou obje o o og a ado. A digi alização e o acesso online. O p ocedimen o no undo o og á ico Teó ilo Rego A ualmen e a digi alização de undos e coleções o og á icas p o idencia o acesso a milha es de imagens em qualque o ma o, supo e nado digi al ou 23 22. Ma ia do Ca mo Se én – “A o og a ia salonis a” in O Po o e os seus o óg a os. Coo denação de Te esa Siza. Po o: Po o Edi o a, 2001, p. 237. 23. Ma ia do Ca mo Se én – “A o og a ia… p. 250. Quad o 1 Unidades de ins alação que compõem o undo. po ep odução de o og a ia analógica. A o og a ia não conseguiu inicialmen e alcança o es a u o de documen o, mas a sua ep odução e di usão a ní el ins i ucional, ob igou de ce a manei a ao seu econhecimen o. A sua ápida di usão e consequen e p ocu a po pa e de u ilizado es, le ou a que se ocasse a a enção na digi alização e na ecupe ação da in o mação dos seus con eúdos a a és de e mos desc i o es, o iginando pon os de acesso pa a a pesquisa. A digi alização em a dupla unção de p ese a e di undi a documen ação. A p ese ação do o iginal que ao se digi alizado ica á sal agua dado de cons an e e inde ido manuseamen o, p incipalmen e no caso de documen os em mau es ado de conse ação. Mesmo no caso de se necessá io uma imagem pa a ep oduzi em g ande o ma o pode-se semp e eco e à imagem digi alizada se es a es i e com boa esolução, inclusi e nes es casos podemos amplia e de e a po meno es que não são isí eis mui as ezes no amanho o iginal. Em caso de pe da, u o ou dano po aciden e, uma o og a ia digi alizada com boa esolução pode á subs i ui o o iginal na sua unção in o ma i a. Rela i amen e à unção da di usão, a digi alização de uma o og a ia po encia o seu uso em núme o de u ilizado es, es as podem se acedidas de qualque local, a qualque ho a e po mais do que um u ilizado em simul âneo. Facili a a pesquisa sob e um de e minado ema, nome ou local a a és da indexação; e ambém acili a a ep odução de imagens, já que em o ma o digi al a sua mul iplicação é mais ápida e e icien e. Po ou o lado, emos ambém ine en e a ques ão dos di ei os de au o sob e as imagens. Po exemplo, o p oje o Es údio Má io No ais p opôs-se a 24 Figu a 1. P aça D. João I, Po o, s.d. Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem – Fundação Manuel Leão. PT-FML-TR-PES-16-037. di undi pa e do undo co esponden e às o og a ias que não se encon am p o egidas po di ei os de au o ou di ei os conexos, assim como o p oje o Espólio Fo og á ico Po uguês que igualmen e di unde e come cializa as o og a ias que não êm di ei os ine en es. Em alguns a qui os o og á icos desconhece-se qual a sua o ma de aquisição e as condições em que o am adqui idos, o que implica que po al a de in o mação pode se es ingido o acesso às o og a ias ou à sua ep odução pa a que não haja in ação ao 24 código dos di ei os de au o e di ei os conexos. O p oje o FAMEP em uma seleção de imagens de base emá ica, nes e caso a a qui e u a mode na no Po o e no e de Po ugal, selecionando as imagens de en e as a i idades come cial e pessoal des e undo, con udo espei ando a o dem do a qui o ísico. A opção de cons ui a es u u a do a qui o online po sé ies e unidades de ins alação segue a linha de isão a qui ís ica de Cen o Po uguês de Fo og a ia, que desc e e os seus undos de o og a ia u ilizando um sis ema hie a quizado. A es u u ação da base de dados do undo o og á ico Teó ilo Rego em, po um lado, como obje i o espei a e e le i a o dem o iginal do a qui o ísico e, po ou o lado, sal agua da os di ei os de au o ine en es à pa e pessoal e come cial. Ao incidi na seleção sob e duas sé ies dis in as ob e -se-á uma maio ab angência de emas e pe spe i as da o og a ia de Teó ilo Rego, an o de âmbi o mais documen al, como de âmbi o mais a ís ico. A o og a ia como documen o não exclui au oma icamen e a o og a ia a ís ica, ou ice- e sa, ambém dependen e da isão do ece o . Rosa Oli a es e e e a es e p opósi o que o e mo documen o pode-se e e i a qualque o og a ia, já que a a e é 25 um documen o de uma época e de uma o ma de e e analiza . Pa a a seleção das o og a ias do undo o og á ico Teó ilo Rego, o p oje o FAMEP seguiu os seguin es p ocedimen os: in en á io p elimina de odas as unidades de ins alação do undo; seleção das imagens a in eg a na base de 26 dados a ibuindo-lhe um código de e e ência segundo as no mas ISAD-G ; colocação de um “ an asma” na unidade de ins alação de onde o nega i o oi e i ado; en io dos nega i os em mau es ado de conse ação pa a es au o; desc ição da imagem e acondicionamen o em en elope de 4 abas acid- ee e em unidade de ins alação no a, e e indo a espe i a co a opog á ica. O p ocesso de digi alização se á e ec uado com uma esolução de 600 dpi e saída a 400%, sendo a ma iz gua dada em o ma o i , seguindo-se uma cópia jpeg pa a di usão online. As imagens não se ão subme idas po no ma a a amen o digi al, a não se em casos excecionais, pa a sal agua da a sua in eg idade. A ase de desc ição de uma imagem em em con a as di e sas on es onde se pode i busca in o mação, po um lado, a análise cono a i a da imagem, ou in e p e ação dos elemen os, po ou o, a análise sociológica ou in e p e ação 27 c í ica da imagem , ou seja, o con ex o que en ol e a p odução da imagem, 24. Sil es e Lace da e Na ália G a a o – Guia de..., p. 17. 25. Rosa Oli a es - “Cuad os de una exposición. F agmen os de una colección” in Fondos de la colección de o og a ía de la Comunidad de Mad id. Mad id: Conseje ía de las A es, 2003. 26. No ma Ge al In e nacional de Desc ição A qui ís ica: adop ada pelo Comi é de No mas de Desc ição, Es ocolmo: Suécia, 19-22 de Se emb o de 1999 / Conselho In e nacional de A qui os; ad. G upo de T abalho pa a a No malização da Desc ição em A qui o.- 2ª ed. Lisboa: Ins i u o dos A qui os Nacionais / To e do Tombo, 2002. 27. Joan Boadas, Lluís Es e e Casellas, M. Angels Suque – Manual pa a la ges ión de ondos y colecciones o og á icas. Gi ona: CCG Ediciones, 2001, p. 191, ci ando Jacques Chaumie . 25 como documen ação ex ual associada (li os de egis os, índices, e c.) ou, inclusi e, in o mação ecolhida da p óp ia o og a ia como ca imbos, assina u as ou da as. No caso do undo o og á ico Teó ilo Rego a in o mação ela i a a cada imagem e a documen ação ex ual associada é escassa. A desc ição em como obje i o sis ema iza a in o mação mais pe inen e ela i a a cada imagem, e jun amen e com a indexação acili a a pesquisa po pa e dos u ilizado es. Op ou-se po da í ulos au o-explica i os e obje i os, e o uso de linguagem con olada nos desc i o es ela i os a pon os emá icos, 28 geog á icos ou nomina i os, es e úl imo seguindo a no ma ISAAR(CPF) . No p ocesso que le a à digi alização e di usão de milha es de imagens, é ine i á el a necessidade da conse ação e a amen o des es no os documen os digi ais. A p ese ação digi al consis e em ga an i que a in o mação digi al pe manece acessí el e com a qualidade de au en icidade pa a se in e p e ada u u amen e, eco endo a uma pla a o ma ecnológica 29 di e en e da u ilizada no momen o da sua c iação . No p esen e caso as imagens es ão a se gua dadas em o ma o Ti , como já oi mencionado. 30 Segundo Iglésias F anch es e o ma o se á o mais indicado em e mos de p ese ação digi al, compa ando com o J i , Jpeg2000 e Png. As imagens Ti es ão g a adas num disco ex e no, do qual é e e uada semp e uma cópia de segu ança num segundo disco, a gua da em local isicamen e dis in o do p imei o. Pode-se menciona ainda que, pelo ac o de não se e digi alizado e di undido o a qui o comple o, não se consegue consul ando a base de dados e uma noção eal da sua dimensão, o ganização e di e sidade. Con udo, uma ez que a base de dados e le e a o ganização do a qui o ísico pode se semp e 28. No ma in e nacional pa a os egis os de au o idade a qui ís ica ela i os a ins i uições, pessoas singula es e amílias. Pa is: F ança, 15-20 No emb o 1995 Conselho In e nacional de A qui os. T ad. IAN/TT - Ins i u o dos A qui os Nacionais/To e do Tombo e BAD - Associação Po uguesa de Biblio ecá ios, A qui is as e Documen alis as. Lisboa, 1998. 29. M. Fe ei a - In odução à p ese ação digi al: concei os, es a égias e ac uais consensos. Guima ães: Escola de Engenha ia da Uni e sidade do Minho, 2006, p. 20. 30. Iglésias F anch - Fo og a ía digi al en los a chi os. Gijón: T ea. (A chi os siglo XXI, 8), 2008, p. 129. 26 Figu a 2 e 3. Unidade de ins alação o iginal, e após o no o acondicionamen o das o og a ias selecionadas. Fundo o og á ico Teó ilo Rego (Imagem do au o ). ampliada ac escen ando-se no as unidades de ins alação em p oje os u u os, complemen ando o abalho ago a ap esen ado. A inalidade da digi alização de o og a ias, cump e nes e p oje o a sua unção em pleno, po um lado, p ese ando os o iginais, já de si bas an e dani icados po condições de acondicionamen o e a iações de empe a u a e humidade ela i a; e po ou o lado, o imizando a ecupe ação da in o mação ela i a a imagens de a qui e u a, a a és da desc ição e c iação de pon os de acesso, po encializando o es udo da a qui e u a mode na e da sua elação com a o og a ia no con ex o po uguês. 27