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Sinais de luzes, o trabalho de Teófilo Rego para a Neolux

PINTO, Miguel Moreira

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39 A qui ec u a Mode na no a qui o Teó ilo Rego Sinais de Luzes, o abalho de Teó ilo Rego pa a a Neolux Miguel Mo ei a Pin o 40 Ao longo de oda uma ida dedicada à o og a ia, Teó ilo Rego (1913/1993) ai man e duas linhas de abalho em pa alelo que não a as as ezes se c uzam. A p imei a diz espei o à ac i idade come cial e ao exe cício da p o issão ao se iço do clien e p i ado ou ins i ucional – pessoas singula es, emp esas ou en idades públicas, exigindo dele a adap ação às mais di e sas si uações e géne os o og á icos que passam pelo e a o, epo agem, o og a ia publici á ia e de ca álogo, ou ainda pela o og a ia de a qui ec u a. Nes e caso, em que é chamado a documen a a conclusão ou o início de uma ob a ainda em maque a, colabo a nos anos 1940, 1950 e 1960 com á ios a qui ec os saídos da Escola de Belas A es do Po o, como Ma ques da Sil a, Rogé io de Aze edo, Viana de Lima ou o g upo ARS. De odos, des aca-se a es ei a elação que man ém com João And esen (1920/1967), e lec ida num lo e de imagens que pela quan idade e di e sidade de ma e ial o og á ico, pela quan idade e di e sidade dos p ojec os que comp eende, acusa uma colabo ação egula e con inuada, sem igual. Sem os cons angimen os da encomenda p o issional, Teó ilo Rego desen ol e pa alelamen e uma ob a pessoal, li e e descomp ome ida, e elado a de um in e esse pa icula pela e nog a ia, cul u a e adições u ais, mas ambém pela ida e paisagem u bana, em especial do Po o, a cidade onde i eu e abalhou, e que o og a ou exaus i amen e e a ando as suas gen es, os seus edi ícios e monumen os mais emblemá icos, e os locais mais iconog á icos – a A enida dos Aliados, a To e dos Clé igos ou a Pon e D. Luís I. Objec o de di e en es exposições, uma pa e des e abalho já se encon a eunida na colecção de li os de o og a ia de que azem pa e os ascículos sob e O Dou o, A Ribei a e A A qui ec u a do Po o po Teó ilo Rego, edi ados em 2005 e 2008 pela Fundação Manuel Leão. Algumas das o og a ias e imagens que p e endemos des aca desa iam a sepa ação en e a ac i idade come cial de Teó ilo Rego e o mais “a ís ico” egis o pessoal, e podem se conside adas ao mesmo empo o og a ia de p odu o, pos al e de a qui ec u a. Es as o og a ias o am i adas en e o inal de 1940 e o início de 1970 pa a a emp esa ab ican e de eclamos luminosos Neolux, pa a quem Teó ilo Rego oi o o óg a o pa a odo o se iço e ocasiões, cabendo-lhe a é aze a epo agem das es as de na al da i ma. Tendo em is a a c iação de um egis o e de um ca álogo de exemplos que pudesse se mos ado a po enciais clien es, a sua p incipal a e a oi no en an o a documen a os á ios eclamos em néon ab icados pela emp esa que se encon a am espalhados po oda a cidade do Po o, onde a Neolux inha a sua p incipal delegação. Como sabemos, a his ó ia do néon emon a ao início do século XX quando o engenhei o ancês Geo ges Claude in en ou e ap esen ou a iluminação ubula em néon, na o ma como ainda hoje a conhecemos, 41 A qui ec u a Mode na no a qui o Teó ilo Rego no Pa is Mo o Show de 1910. Claude e um dos seus associados, Jacques Fonsèque, comp eende am desde o início o uso po encial des a ecnologia como sinalização e publicidade: os ubos em néon podiam se ab icados em o mas a ís icas cu ilíneas de manei a a c ia desenhos e le as, podiam se ainda ab icados numa ampla a iedade de co es ao se em usados ou os gases (á gon, xénon, hélio), e inalmen e “ he new ubes seemed much easie on he eye han he ound and blinding incandescen ligh bulbs ha ea lie ad e ising had used” (Ribba ). Es as an agens explicam a popula idade e a ápida p oli e ação da iluminação em néon que, a pa i dos anos 1930, o na-se num enómeno à escala global com epicen o nos Es ados Unidos. Aqui, a in enção de Geo ges Claude o na-se numa pa e in eg an e de uma cul u a popula ib an e – os eclamos luminosos são en ão is os como um sinal de so is icação e glamou . Em No a Io que, B oadway e Times Squa e ans o mam-se numa das mais espec acula es e econhecí eis paisagens em néon que ajuda am a p omo e in e nacionalmen e es a ecnologia como um meio de in o mação e publicidade, e que, um pouco po odo o mundo, oma de assal o as cidades. Na Eu opa são amosos os casos do anúncio gigan e da CITROEN que en e 1925 e 1934 ocupa a o e Ei el em Pa is, os eclamos luminosos da GUINESS, SCHWEPPES e BOVRIL que in adem Piccadilly Ci cus em Lond es e em Mad id o anúncio de “TÍO PEPE, Sol de Andalucía embo ellado”, ins alado desde 1935 na Pue a del Sol, esis e à passagem dos anos a é se con e e num ma co e num símbolo da cidade, decla ado em 2009 pa imónio his ó ico municipal. Po ugal não é excepção à adopção gene alizada da publicidade em néon conhecendo aqui o seu pe íodo áu eo mais a diamen e nos anos 1950 e 1960. Du an e es e empo podemos iden i ica pelo menos ês emp esas que se especializa am no ab ico des e ipo de eclamos luminosos: a Elec o Reclamo Limi ada (de Lisboa), Fe ma (do Po o) e Neolux (com esc i ó ios nas duas cidades). A p imei a, a mais an iga do géne o, undada em 1926, se á esponsá el po alguns dos mais elabo ados e imp essionan es anúncios que encon amos na capi al do país, como os da VAQUEIRO, SINGER, TRIUNFO, OVOMALTINE, OMEGA, CONSTANTINO ou ainda os apa a osos eclamos da GAZCIDLA. Também em Lisboa, Teó ilo Rego chega a o og a a pa a a Neolux um anúncio da HOOVER, ins alado no Rossio. O abalho da emp esa pa ece no en an o concen a -se sob e udo a no e onde man ém o quase monopólio da publicidade que emos espalhada pelo Po o. Aqui os eclamos luminosos documen ados po Teó ilo Rego são gene icamen e de dois ipos. Os p imei os sinalizam e deco am a achada de odo o ipo de comé cio e negócios que encon amos pela cidade: ca és, es au an es, lojas de oupa, óp icas, papela ias, cinemas, e c. Es es le ei os, 42 ge almen e colocados nas achadas das lojas, ou en ão em “bandei as” e “ aixas” p ojec adas sob e os passeios, p ocu am chama a a enção de quem passa adop ando di e en es es ilos, calig a ias e po ezes uma imagem simbólica dos se iços ou p odu os come cializados. Nes a ca ego ia, os eclamos mais espec acula es são sem dú ida aqueles (como os da loja de música VADECA e da Fa mácia do Pad ão) que cob em e que à noi e iluminam po comple o o edi ício em que es ão ins alados, al e ando a pe cepção que emos da sua a qui ec u a. Um edi ício de ou a o ma indis in o e ulga , semelhan e a an os ou os que encon amos na cidade, ganha des a manei a uma no a ida e uma ou a isibilidade, à cus a po ém de se e eduzido a um imenso ou doo . A qui ec u a e publicidade são, nes e caso, uma e a mesma coisa. Em sen ido con á io, a iluminação do cinema Coliseu, no Po o, ou da es ação de se iço da SACOR, na Figuei a da Foz, en a iza a a qui ec u a de cada um des es edi ícios p opo cionando algumas das mais in e essan es o og a ias i adas po Teó ilo Rego. No p imei o exemplo o néon p oduz um e ei o d amá ico e ea al pondo em e idência o es ilo em A Déco da sala de espec áculos p ojec ada po Cassiano B anco em 1939. No segundo as luzes p oduzem uma imp essão de dinamismo e luidez sublinhando a mode nidade e a uncionalidade de uma cons ução desenhada em unção do au omó el. Em ambos os casos a a qui ec u a é sublimada e ele ada a uma condição iconog á ica, econhecí el e memo á el. O segundo ipo de eclamos o og a ados po Teó ilo Rego são aqueles que publici am os mais di e sos p odu os e ma cas de elec odomés icos (SIEMENS, BOSCH, HILL-MAN), ma cas de pneus (MABOR, FIRESTONE), ma cas de combus í eis (SACOR), ma cas de inhos e ce ejas (SANDEMAN, DIEZ, CRISTAL), bancos (BPA, BNU), companhias de segu o (FIDELIDADE, MUTUALIDADE, OURIQUE), companhias de a iação come cial (AIR FRANCE, SWISSAIR, TAP), e c. G a icamen e es es anúncios adop am a imagem co po a i a daquelas emp esas e es ão cons uídos a uma escala e em posição pa a se em is os ao longe, de ca o e a pé. Concen ada em locais cen ais e es a égicos da cidade – sob e udo na A enida dos Aliados e na P aça D. João I – es a publicidade pa asi a as achadas e os elhados dos edi ícios onde, ado mecida du an e o dia, ganha ida e co ao anoi ece . Das o og a ias des es eclamos, os da SACOR, da MUTUALIDADE e da MABOR GENERAL (ins alado sob e o Tea o Ri oli) chamam a a enção po mos a em o amanho exage ado e desp opo cionado que es es anúncios chegam po ezes a a ingi . As o og a ias mais ascinan es são no en an o aquelas que, à ol a das duas p incipais p aças da cidade, mos am como a iluminação em néon seduz e a ai o olha p o ocando ao mesmo empo a sensação de alguma deso ien ação. Não su p eende po isso a 43 A qui ec u a Mode na no a qui o Teó ilo Rego necessidade sen ida po Teó ilo Rego em encon a na es á ua de D. Ped o IV, quando o og a a a P aça da Libe dade, e nas escul u as dos co céis da P aça D. João I um pon o de e e ência e de o ien ação que ajuda a enquad a e con ex ualiza as imagens dos eclamos da BOSCH ou da DUPONT. No seu conjun o o abalho de Teó ilo Rego pa a a Neolux lemb a um passado não mui o dis an e em que as cidades, em maio ou meno escala, se i am ans o madas numa “neonscape” hipnó ica, con usa e caó ica, sa u ada de mensagens e in o mação, de luz e co es i as que só podemos pe cebe e dadei amen e po algumas, poucas, imagens colo idas da época. Uma “neonscape” como aquela de No a Io que o og a ada em 1924 po F i z Lang que ai inspi a os cená ios de Me opolis (1927); que po sua ez ai in luencia a isão dis ópica de Los Angeles em Blade Runne (1982) ealizado po Ridley Sco ; que po sua ez eme e-nos pa a imagens de Hong Kong dos anos 1980 e 1990, quando o néon conhece o seu apogeu; que po sua ez azem-nos ol a a a ás a Lea ning F om Las Vegas (1972) de Robe Ven u i e Denise Sco B own em que desc e em a i ó ia da a qui ec u a como “símbolo-no-espaço” na ez de “ o ma-no-espaço”. Embo a, como mos am as o og a ias de Teó ilo Rego, o néon seja u ilizado quase exclusi amen e pela publicidade, a pa i dos anos 1950 e 1960 assis imos à sua p og essi a ap op iação pelas a es plás icas e isuais, seja como ema – como podemos e pelas pin u as hipe - ealis as de Robe Co ingham ou pelo ecen e abalho o og á ico de Ma in S a a s (Ci y o Neon Ligh s S udies, 2013) – seja como meio de exp essão e comunicação. Nes e campo, Lucio Fon ana oi pionei o no uso do néon como ma e ial de escul u a na p á ica a ís ica com Spa ial Ligh , S uc u e in Neon (1951) pa a a IX T ienal de Milão – “The piece was a classic ep esen a ion o wha Fon ana called a «spa ial en i onmen » and «spa ial concep » – wha he saw as o e coming he di isions in a chi ec u e, pain ing and sculp u e o each a syn hesis in which colou , mo emen and space con e ged” (Pasini). Com es a ob a – a p opósi o da qual não podemos deixa de eg essa às imagens do Coliseu do Po o e em pa icula da es ação de se iço da Figuei a da Foz – Fon ana ab e o caminho à u ilização a ís ica do néon que emos explo ada no abalho de Dan Fla in, B uce Nauman, Kei h Sonnie , Joseph Kosu h ( odos eles a is as o iundos dos EUA, onde o néon conhece a sua máxima exp essão) e, de uma ge ação mais no a, T acey Emin e Massimo Ube i (cujas ins alações simulam espaços e a qui ec u a a pa i da luz). Depois de esga a mos as o og a ias i adas pa a Neolux, o og a ias que, po associação, suge em e eco dam ou as imagens, ou os empos, ou os luga es e ou os assun os que não apenas o da 44 publicidade, a sensação e a imp essão que ica é a de alguma nos algia po di e en es azões e mo i os. A nos algia de um empo e de uma cidade, ou pelo menos uma ace a da cidade, de que se ai pe dendo memó ia. A nos algia pelo desapa ecimen o de uma ecnologia exigen e do pon o de is a do abalho manual e a esanal, e que oi sendo p og essi amen e subs i uída po caixas de luz luo escen e ab icadas indus ialmen e e, mais ecen emen e, po painéis LED. A nos algia de uma idade (apesa de udo) inocen e da publicidade a que hoje já não podemos escapa como p ocu a demons a o pequeno ilme a p e o e b anco: KAPITAAL (S udio Smack, 2006), que nos dá uma ideia mui o cla a da quan idade de es ímulo isual e da poluição audio isual que inunda o nosso dia-a- dia – em ce os casos, a publicidade que encon amos ac ualmen e em Times Squa e, Piccadilly Ci cus (que já e e imos) e em Shibuya, em Tóquio, pe mi e-nos mesmo ala de uma “spec acula exhaus ion o u ban space” p o e izada po Guy Debo d e Paul Vi ilio, mas que só imaginá amos possí el em ilmes de icção cien í ica. Res a po im a nos algia susci ada pelas p óp ias imagens e pelo sujei o o og a ado po Teó ilo Rego, pa a quem o abalho encomendado pela Neolux ep esen ou em g ande medida uma opo unidade mais pa a o og a a o Po o e a sua a qui ec u a, is as de um ou o ângulo e pe spec i a. No inal as imagens que p oduz nada êm do b ilho glamo oso do néon pa ecendo pelo con á io ca ega em a mesma melancolia que podemos cons a a nas o og a ias que ealiza po con a p óp ia. Uma melancolia e nos algia ca ac e ís icas da iden idade da cidade e que mesmo as luzes da publicidade não pude am apaga . Re e ências Bibliog á icas Be ge , Tobias (2009) O -On: Neon in A , www. neonsigns.hk/neon-in- isual-cul u e/neon-in-a / Mcqui e, Sco ; Ma in, Me edi h; Niede e . Sabine (Ed.), U ban Sc eens Reade . Am- s e dam: Ins i u e o Ne wo k Cul u es. Pasini, F ancesca, I is no a lasso, an a abesque, no a piece o spaghe i, www. a e.o g.uk/con ex -commen / a icles/i -no -lasso-a abesque-no -piece-spaghe i/ Rami ez, En ique Gualbe o; Impu e Op icali y o : When U ban Sc eens We e A chi- ec u e, www.agg ega 456.com/2010/06/impu e- op icali y-o -when-u ban-sc eens.h ml Ribba , Ch is oph; Tomo ow’s Neon: A His o y, www.neonsigns.hk/neon-in- isual- cul u e/ omo ows-neon-a-his o y/ p