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Trabalhando num arquivo. Uma abordagem integrada ao Fundo ”Teófilo Rego – Foto Comercial”

MATEUS, Joana; AZEVEDO, Inês

Abstract

Este texto reflete sobre a constituição de um arquivo tendo como fundo o trabalho pessoal e comercial do fotógrafo portuense Teófilo Rego, entre os anos 40 e 90 do século XX. A Fundação Manuel Leão, através da Casa da Imagem, propõe desenvolver o seu estudo e dinamizar a sua divulgação em função de quatro objetivos fundamentais: dá-lo a conhecer ao público em geral, promover a sua investigação em diversas áreas do conhecimento científico e da criação artística e permitir à comunidade escolar a construção de aprendizagens significativas sobre o campo da produção das imagens. A presente colaboração com o Centro de Estudos Arnaldo Araújo no projeto de investigação “Fotografia, Arquitectura Moderna e a «Escola do Porto»: interpretações em torno do Arquivo Teófilo Rego” contribui para a concretização deste conjunto de objectivos de forma integrada e significativa.

Full text

Um Museu pa a um a qui o Pa indo da ap esen ação do Museu Casa da Imagem, es e ex o dá a conhece as suas di e en es linhas de ação in ensamen e a iculadas em o no de um a qui o, a a és da abo dagem in eg ado a do seu Se iço Educa i o. P e ende-se expô uma ep esen ação ge al e ab angen e des e p oje o museológico, dando des aque e ap o undamen o aos conce os subjacen es à exposição pe manen e, que cons i ui a sua linha de ação cen al e possibili a a con igu ação das es an es ações. O Museu Casa da Imagem (MCI), en idade dependen e da Fundação Manuel Leão, iniciou a sua a i idade p oje ual em 2011, com a c iação da Casa da Imagem, como en ão oi designado. A Casa da Imagem, es u u a abe a ao público, e e como obje i os iniciais: a p ese ação e in es igação do Fundo “Teó ilo Rego – Fo o Come cial” — ep esen a i o da a i idade pessoal e come cial de um o óg a o a i o en e os anos 40 e 90 do séc. XX — adqui ido pelo ins i uido da Fundação Manuel Leão e pos e io men e doado à Fundação, en e 1999 e 2001; a c iação de um p oje o museológico que in eg asse o e e ido ace o, com e e ência a in e p e ações educa i as, his ó icas, cien í icas e a ís icas ala gadas sob e a p odução das imagens; o desen ol imen o e a implemen ação de um se iço educa i o, que desen ol esse pa ce ias de abalho com as escolas locais na á ea da educação a ís ica. Em Agos o de 2014 oi o malmen e cons i uído pela Fundação Manuel Leão o Museu Casa da Imagem (MCI). Pe encem ao seu A qui o o Fundo “Teó ilo Rego - Fo o Come cial” jun amen e com ou as coleções: a Coleção de Disposi i os Ó icos, a Coleção de P oje os Escola es, o A qui o de p oje os Cien í icos, a Coleção de P oje os A ís icos. O MCI es abelece como unções da sua a i idade p omo e o es udo e a in es igação do ace o, p ocede ao in en á io e documen ação dos bens cul u ais nele inco po ados, ga an indo as suas condições de conse ação, segu ança e es au o de aco do com p io idades de conse ação p e en i a, pe mi indo o desen ol imen o de ações de in e p e ação, exposição e educação. O seu a qui o em indo a se ampliado a a és de inco po ações esul an es de comp a e doação que uncionam como um impo an e ins umen o da sua alo ização, esul an e do acompanhamen o da ac i idade TRABALHANDO NUM ARQUIVO. UMA ABORDAGEM INTEGRADA AO FUNDO “TEÓFILO REGO – FOTO 1 COMERCIAL” Joana Ma eus e Inês Aze edo 1. Es e abalho é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE – P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do p ojec o PTDC/ATP-AQI/4805/2012 ("Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego"). 9 2 cien í ica, a ís ica e educa i a, no seu âmbi o emá ico e disciplina . A a iculação das di e sas linhas de ação – exposições empo á ias, es udos, in es igação, ecupe ação e conse ação p e en i a e se iço educa i o — na linha de ação cen al do Museu O ca á e das exposições empo á ias ealizadas no Museu Casa da Imagem mani es a, desde o início, a on ade de a icula as p opos as a ís icas que aí acon eçam com a iden idade do a qui o e do co po exposi i o pe manen e do Museu. O abalho pessoal de cada a is a elaciona-se, a á ios ní eis e in ensidades, com o con eúdo e o concei o do MCI, p oblema izando o seu obje o e a sua cons i uição como a qui o. Po um lado, o co po exposi i o pe manen e pe manece a base a pa i do qual se desen ol em ou os discu sos complemen a es e ou as abo dagens à in e p e ação da imagem. Po ou o lado, esse co po c esce e desen ol e-se alimen ado po essas ou as in e p e ações e no as ligações es abelecidas com o concei o cen al do Museu: a imagem enquan o cons ução de sen ido a a és da expe iência complexa de e . A p imei a exposição empo á ia, inaugu al, oi cons i uida em Se emb o de 2011 com base numa seleção a ulso de imagens o og á icas e obje os do Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego. Com o obje i o de da início ao abalho sis emá ico de in e p e ação a ís ica a pa i do a qui o, culminando na conceção de exposições empo á ias, oi lançado, em Ou ub o de 2012, o P oje o de A e Con empo ânea Imagens La en es assim esumido pela sua Di eção A ís ica: “Es e p ojec o, ao a icula á ios momen os de abalho, in es igação e con e sa, cons ói-se como uma ede de elações. (…) p e ende -se-á con oca an o os pa icipan es ac i os do p ocesso a ís ico, assim como in e enien es que expandam o abalho ealizado e po enciem a iculações com o espólio do o óg a o Teó ilo Rego, pe encen e à 3 Fundação Manuel Leão.” A p imei a das esidências coube a Manuel San os Maia, conc e izada na exposição “É a minha p óp ia casa, mas c eio que im aze uma isi a a alguém”, seguido de “HOTAL” de Mónica Bap is a e “G ande Ho el #1:Po o” de Luísa Homem. A a és do abalho de c iação e de in es igação de cada a is a se iu amplia o campo da expe iência possí el de ealiza com os disposi i os do Museu. A es es p oje os, concebidos em o no do a qui o, se jun am ês ou os: a exposição de I ene Lou ei o “Mão que Dá, Mão que A i a”, um “p oje o que se elaciona com a cons ução de um a qui o e as na a i as que dele pa em, o ien ado pa a a discussão sob e a cons ução de sen ido e a composição de no as imagens pa a o a is a, p opondo uma abo dagem que queb a a linea idade ho izon al da lei u a mas que ab e à c iação pessoal de no as associações en e imagens, pa indo dos concei os de palimpses o e 4 anac onismo” ; o e en o de Ma ia Mi e “Lan e nas — p ojeções num espaço p é-museológico” um abalho que esga a apa elhos óp icos da colecção do 10 2. Fundação Manuel Leão — P og ama Museológico do Museu Casa da Imagem, 2014. 3. C is ina Ma eus e Ma ia Mi e — “Imagens La en es — p oje o pa a exposições, con e sas e o icinas” in www.casa. mleao.p /p oje o/89, 2012, consul ado em Ou . 2014. 4. I ene Lou ei o— “Mão que Dá, Mão que A i a — olha de sala”. Vila No a de Gaia: Casa da Imagem, 2014. Museu, pa a “ilumina pequenas acções sob e es es disposi i os da 5 imagem” ; a pe o mance “Cu a Ascenden e” de Tânia Dinis, “a explo ação do con on o da imagem com aqueles nela ep esen ados, eco endo a 6 supo es e disposi i os de imagem associados ao uni e so a ec i o amilia ” . Es as ês p opos as exposi i as abalham e en es mui o di e sas do Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, ope ando a a iculação dos con ex os especí icos de e lexão p á ica de cada a is a com os obje os do co po exposi i o pe manen e do Museu. Pe mi i am expô di e en es ca á e es desse Fundo, 7 ealizando cons uções signi ica i as a a és de um modo de e mode no , con e indo-lhe iden idade a pa i do conhecimen o e econhecimen o das suas imagens. Ainda no âmbi o das exposições empo á ias, o Museu em indo a con ibui pa a a conc e ização de p oje os exposi i os esul an es do abalho dos alunos e p o esso as de ins i uições educa i as pa cei as do Museu, di ulgando o abalho a ís ico e educa i o que se ai ealizando nas escolas. O Museu acolhe a a i idade da educação a ís ica pela sua possibilidade de co igu a um e eno de discussão ala gado sob e ce os modos ac uais de ap eensão, ansmissão e expe iência sob e a imagem. Re ela-se undamen al na c iação de laços en e as en idades Museu e Escola, ab indo a possibilidade de uma colabo ação mais ap oximada e signi ica i a, de aco do com as o ien ações de ação exp essas nos obje i os do Museu. A ealização de di e sos es udos, di e a ou indi e amen e, sob e o Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego e es an es obje os do Museu pe mi em sus en a e desen ol e a conceção da exposição pe manen e. Os es udos le ados a cabo no espaço do Museu Casa da Imagem são pa icula men e impo an es pa a sua a dinâmica de uncionamen o. Es abelecem-se como ou o modo de ealiza a cons ução de discu sos, de in e p e ações e de imagens pa alelamen e às p opos as exposi i as do Museu. Con ibuem pa a a a iculação do co po exposi i o com as p opos as a ís icas e educa i as, já que conc e izam conhecimen os e p á icas que se o nam pa ilhados e comuns aos in e enien es. Desde 2008 que o Fundo “Teó ilo Rego - Fo o Come cial” em sido obje o de es udo po pa e da Fundação Manuel Leão, 8 endo daí esul ado qua o publicações . Em 2013 oi ealizado um es udo sob e o egis o a a és da luz pa a o Se iço educa i o do Museu po pa e de 9 Mónica Fa ia, Inês Aze edo e Joana Ma eus . Já em 2014, a equipa do Museu desen ol eu uma edição sob e disposi i os ó icos, de í ulo “Ca ilha das 10 Ma a ilhas” que se i á de cade no de apoio ao p oje o escola 2014/2015. Dando con inuidade e pe manência aos es udos sob e o undo de Teó ilo Rego, as pa ce ias escola es, de aco do com as dinâmicas es abelecidas em cada p og ama de colabo ação, ealizam a e as de in en a iação e egis o o og á ico dos obje os do ace o, a e as de in e p e ação e de expe imen ação écnica e a ís ica. O Museu em indo a es abelece p o ocolos com es abelecimen os de ensino nas á eas da museologia e da 11 5. h p://www.casa. mleao.p /e en o/254. 6. h p://www.casa. mleao.p /e en o/262. 7. Susan Son ag — Ao mesmo empo. Lisboa: Que zal Edi o es, 2011, p. 144. 8. Li os de o og a ias Ros os, A qui ec u a, Dou o e Ma . Edições Fundação Manuel Leão. 9. Mónica Fa ia, Inês Aze edo e Joana Ma eus— ”Body's o mless agmen becomes a piece o he wo ld” in Chloe B iggs (ed.) Se en y- wo assignmen s — he ounda ion cou se in a and design oday. Pa is: PCA P ess, 2013. 10. No p elo. conse ação e es au o, da o og a ia, das a es plás icas, do mul imédia. En e es as di e sas a iculações, a colabo ação com a Á omo 47, um labo a ó io de o og a ia e cinema independen e acolhido nas ins alações do Museu, em-se e elado undamen al. Pe mi e dinamiza a p ese ação do conhecimen o eó ico e p á ico das ecnologias analógicas da p odução da imagem pela luz. A a és da coo denação de Rica do Lei e, em sido desen ol ido na Casa da Imagem o es udo expe imen al e a pesquisa cien í ica de no as al e na i as biodeg adá eis aos adicionais químicos u ilizados na e elação de película. Fo am já ealizadas o mações des es no os mé odos com c ianças desde os 3 anos de idade e com adul os, jun o de escolas do dis i o do Po o e ambém a ní el in e nacional. A á ea da p odução o og á ica amplamen e ep esen ada no a qui o do Museu, conc e iza-se em e mos da sua expe imen ação e ec i a, po ém, espei ando uma consciência con empo ânea sob e a necessidade da esponsabilidade ecológica e ambien al da p odução a ís ica. A pa dos es udos, a in es igação cien í ica no Museu Casa da Imagem 11 con ibui pa a a conc e ização dos objec i os es abelecidos pa a o Museu de documen a , conse a , di ulga e in es iga o pa imónio cien í ico, cul u al e a ís ico que em à sua gua da, de o ma in eg ada e signi ica i a. Nes e âmbi o, o Museu desen ol e o p oje o de in es igação "P ojec o Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: in e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego", em pa ce ia com o Cen o de Es udos A naldo A aújo da Escola Supe io de A es do Po o e inanciado pela Fundação Ciência e Tecnologia. A pa i des a in es igação ica assinalada uma pa e signi ica i a do Fundo “Teó ilo Rego — Fo o Come cial”, espei an e à a qui e u a, incluindo-a na his ó ia da o og a ia em Po ugal e con ibuindo, assim, pa a a di ulgação do Fundo Fo og á ico do Museu. O p oje o pe mi e, ambém, conse a e ecupe a um conjun o impo an e de imagens o og á icas, e e i ando uma impo an e linha de ação do Museu, a ecupe ação e conse ação p e en i a dos espécimes o og á icos do Fundo “Teó ilo Rego — Fo o Come cial”. Es e abalho em sido ealizado simul aneamen e ao abalho de in en á io ge al do undo e p ocedimen os de conse ação nou a amos a do mesmo undo, po pa e de um écnico de conse ação e es au o a ec o à equipa do Museu. O acesso ao a qui o de imagens o og á icas po pa e dos in es igado es, al como aos écnicos do museu que mais di e amen e abalham na ges ão das coleções, em p og amas educa i os e de ex ensão cul u al, oi an ecipado no Plano de Conse ação P e en i a do Museu, po se conside a indispensá el pa a a dinamização das suas linhas de ação. A p odução de um discu so cien í ico, em o no de ques ões especí icas da elação en e a qui ec u a e o og a ia, az sen ido pa a o Museu na medida em eme e, não só pa a o público especializado, mas ambém pa a o g ande público, p omo endo o con ac o des e com o a qui o do Museu. Tal se á 11. Fundação Manuel Leão — Regulamen o Museu Casa da Imagem, 2014. 12 possí el a a és da cons i uição de uma base de dados on-line pa a as imagens do Fundo Fo og á ico, no âmbi o do p oje o de in es igação; e, pa icula men e, a a és de uma exposição inal do P oje o, cons uída de aco do com a in es igação do Se iço Educa i o do Museu, in eg ada nos abalhos do P oje o, e a iculada com o seu co po exposi i o pe manen e. A exposição que pe mi i á esse con a o do público com o p oje o de in es igação e o Fundo Fo og á ico esul a á numa in e p e ação complexa do luga da imagem o og á ica na his ó ia da a qui ec u a e da o og a ia, mas a á, ambém, po p oblema iza a p óp ia o og a ia enquan o imagem, ab indo as possibilidades de encon o e diálogo com o obje o o og á ico enquan o al. P opo ciona á o encon o com o obje o de p oblema ização essencial da exposição pe manen e, a ques ão do e , al como se á enunciado na segunda pa e des e ex o. I á cons i ui uma p opos a de a iculação com o co po exposi i o do Museu, na medida em que e idencia á, em coe ência, uma ce a cons ução de discu so sob e a imagem. Na base do discu so in e p e a i o da exposição es a á, ine i a elmen e, a conside ação de que os espécimes o og á icos in eg ados no p oje o de in es igação e es an es ma e iais e obje os do co po exposi i o do Museu 12 ap esen am lacunas , ma cas mui o isí eis da passagem do empo, da uína, do des oço. Es as são imagens c í icas, no sen ido a ibuido po Didi- Hube man, nelas ope ando um abalho c í ico da memó ia e uma dialé ica: ”Fala de imagens dialé icas é, no mínimo, p ojec a uma pon e en e a dupla dis ância dos sen idos (os sen idos da sensibilidade, o óp ico e o ác il, nes e caso) e a dos sen idos (os sen idos semió icos, com os seus equí ocos, os seus 13 espaçamen os p óp ios)” . É, po an o, necessá io econhece um duplo modo de e as imagens com que se lidam no p oje o de in es igação e p ocu a expô-las espei ando essa di e ença e especi icidade. Se á unção do Se iço Educa i o, em colabo ação com a es an e equipa do p oje o, concebe uma p opos a exposi i a dedicada ao público ido como iajan e es angei o, o ien ada pa a a p oblemá ica do e , de aco do com o sen ido de expe iência museológica pa adigmá ico do Museu Casa da Imagem. E e i amen e, o se iço educa i o do Museu Casa da Imagem é o pólo a pa i do qual se o ien am as suas di e sas linhas de ação, pa a que se usu ua delas signi ica i amen e e daí de i em múl iplas ap endizagens. As suas a i idades êm indo a se concebidas como esul ado dos es udos e da expe imen ação da equipa do Museu, dos seus colabo ado es e dos a is as que já aí expuse am e ealiza am disposi i os que pe encem ao uni e so de e e ências do a qui o do Museu. São disso exemplos a mon agem de câma a escu as, caixas ó icas, lan e nas mágicas, as p ojeções múl iplas, a u ilização de ma e ial de isualização obsole o como os e op oje o es, os es e eoscópios, as écnicas de imp essão a esanal, os dio amas em papel, as ciano ipias. Uma pa e des es obje os, écnicas e disposi i os ez pa e do p oje o com escolas do ano le i o passado És um pos al – que pa e de uma 13 12. Inês Aze edo, Joana Ma eus, Assunção Pes ana — “Lacunas and hei in e p e a ions: a con empo a y look a he pho og aphic wo k o Teó ilo Rego”in Con empho o'13 - Con empo a y Pho og aphy Con e ence. Visualisa ion & U ban His o y in Con empo a y Pho og aphy, Is anbul: Dakam Publishing, , 2013, pp. 28-35. 13. Didi Hube man— O que nós emos, o que nos olha. Po o: Da ne Edi o a, 2011, p. 141. coleção de Pos ais com o og a ia de Teó ilo Rego ealizados nos anos 80 po encomenda do Colégio do Pe pé uo Soco o, no Po o. Uma ou a pa e az pa e do p oje o escola pa a o co en e ano le i o e ou a ainda em indo a se abalhada num conjun o mais ala gado de expe iências p á icas em o ma de o icina que pe encem à o e a educa i a anual do Museu. O Se iço Educa i o conc e iza, assim, a desejada a iculação en e as linhas de ação do Museu e o seu co po de imagens, p imei amen e econhecido na exposição pe manen e do Museu. Po seu lado, os p oje os exposi i os empo á ios po a is as e escolas, os es udos, a in es igação, a ecupe ação e conse ação p e en i a, ão o mando uma ede dis ibuída de in o mações, his ó ias, expe iências e conhecimen o que supo am a a i idade do Se iço Educa i o. Linha de ação cen al: a exposição pe manen e do Museu Casa da Imagem Em 2013, oi mon ada a exposição pe manen e no espaço exposi i o do 1ºpiso do edi ício do Museu, numa conceção in eg ada do a qui o em ge al, a iculada em o no do concei o de imagem e comp eendendo an o as imagens o og á icas como os disposi i os pa a isualiza , c ia , ep oduzi , egis a e cap u a , expo , di ulga e expe imen a imagens. Deu-se início a um impo an e p ocesso de ap esen ação aos p o esso es e alunos do p oje o museológico em desen ol imen o, conside ando-se a necessidade de i semp e e o mulando o obje o exposi i o e a o ma de o expô em unção das in e p e ações, das elações e da expe iência que ão sendo expos as e comunicadas pelo seu público. A exposição liga as his ó ias das imagens aos disposi i os que as acompanham e in eg a coleções de o og a ias, câma as o og á icas e de cinema e disposi i os ó icos desde o séc. XVII a é ao séc. XXI, com especial en oque pa a os obje os e o og a ias do Fundo ”Teó ilo Rego – Fo o Come cial”. Es e Fundo comp eende 50 anos de abalho o og á ico suscep í el de se i a documen ação e a ep esen ação do pa imónio his ó ico e quo idiano do no e de Po ugal, colecionado e p oduzidos en e inais dos anos 40 e anos 90 do séc. XX, na cidade do Po o. Inclui máquinas o og á icas de coleção e ma e ial de es údio e labo a ó io do o óg a o, bem como uma g ande di e sidade de espécies o og á icas: nega i os de gela ina e p a a em ace a o de celulose e id o, nega i os c omogéneos em ace a o, diaposi i os c omogéneos, p o as em papel de e elação plas i icadas e o oli os. Têm luga na exposição pe manen e as ou as coleções de disposi i os ó icos, de p oje os escola es, a ís icos e cien í icos ele an es pa a a con ex ualização his ó ica da p odução da expe iência e do conhecimen o sob e a imagem, esul an es do c uzamen o en e ciência, ecnologia e a es. Na conceção do p oje o exposi i o, decidiu-se que os espaços de e iam 14 man e o ca á e o iginal de casa de amília, como o ma de in oca as e e ências his ó icas do luga e, simul âneamen e, e e ências da his ó ia da museologia: os Qua os de Ma a ilhas e os Gabine es de Cu iosidades. Es a escolha pe mi e es abelece uma pon e en e esses espaços de expe iência ime si a do passado, os Qua os de Ma a ilhas, e os modos de ealidade i ual do p esen e. Pe mi e, ambém, comp eende a cons i uição his ó ica do obse ado iniciada com a sis ema ização e ca ego ização dos Gabine es de Cu iosidades. Os Qua os de Ma a ilhas ins alados nas casas da ealeza do séc. XVI e XVII, e am locais de isi a e de encon o, onde con i iam o mas dos einos da Na u alia e da A i icialia em con usão e de aneio, deslocadas dos seus con ex os de o igem e expos as à especulação. Da Na u alia aziam pa e as plan as, animais e mine ais e à A i icialia pe enciam odas as coisas ei as pelo homem. Os obje os dos Qua os de Ma a ilhas e am escolhidos, não po uma ce a o dem ou in e esse pa icula , mas pelas suas qualidades enigmá icas e exó icas, a sua es anheza, a idade, os alo es mís icos e supe s ições associadas, ou o ca ác e de agmen o e de uína de um mundo que ainda es a a a se descobe o pela sociedade ociden al. Nes es espaços encon a am-se a má ios, mas abe os, pois não con inham absolu amen e os obje os expos os. Pelo con á io, es es iam-se ixando e pendu ando às pa edes e ao e o. As ma a ilhas saíam do a má io pa a, na sua apa ência, se em is as e ocadas pelo obse ado e pa a elas p óp ias olha em o obse ado , a ingido na sua suscep ibilidade. Iniciada a a e a de in en a ia os obje os pe encen es ao undo do Teó ilo Rego e que pe encem à sua coleção de câma as e ao ma e ial de es údio e labo a ó io u ilizados pelo o óg a o na sua a i idade come cial, mui os desses obje os pa ece am, p ecisamen e, enigmá icos, es anhos, agmen os de um con ex o desconhecido. Foi, en ão, ealizada, em ce a con usão e ince eza a p imei a p opos a exposi i a des e ace o, sujei ada à especulação do isi an e. P e endeu-se compo um cená io no qual os obje os su gissem como ade eços: nas salas deg adadas pela humidade — e os caídos, madei as co oídas — do espaço do Museu des inado à exposição, as câma as e demais coisas do es údio do o óg a o compõem um ambien e que e oca in ensamen e odos os sen idos, num espaço singula e o a do nosso empo. O Museu, ao p opo o e oma de um modo a caico de expe iência ime si a — Os Qua os de Ma a ilhas — p e ende que o obse ado seja comple ado pelo u ilizado , implicando as ou as dimensões da pe ceção. Nes e âmbi o, é undamen al a in es igação de Ma ia Te esa C uz, apoiada em McLuhan e em Jona han C a y, em o no dos media e da ecnologia nas suas elações com a a e e o se humano A au o a ala sob e como a ecnologia ans o ma as elações dos sen idos e dos modelos de pe ceção, p oduzindo uma “a c iação de uma es u u a ecnológica de sensibilidade a i icial az consigo 15 al e ações que se mani es am ao ní el da a eccionalidade em ge al, nomeadamen e ao ní el das emoções e das paixões, ou do que chama a um 14 «clima emo i o».” A ecnologia ope a o “apa elhamen o écnico da pe cepção” que, hoje, não incide “p i ilegiadamen e na isão, mas an es num 15 modelo mul isenso ial” . A ecnologia ap esen ada no Museu, sendo obsole a, é es anha pa a a maio ia dos isi an es (c ianças e jo ens). É no ó io como sen em um con on o ísico com o espaço em uína e com o ca á e enigmá ico dos obje os expos os, e nos comen á ios que ão azendo, e elam-se eceios, ascínios e supe s ições. O isi an e é con idado a p ocu a sen ido e o ma na exposição, a especula a pa i de analogias en e os apa elhos do seu mundo e as coisas do o óg a o. Disponibilizamo-nos a auxilia o cu ioso a econhece a ope a i idade dos disposi i os e a elaciona -se com eles isicamen e manipulando-os, expe imen ando-os, descob indo ou as no as e di e en es mecânicas das coisas, induzindo o odo de um clima senso ial e emo i o que já não exis e de ou a o ma que não a de des oço. A museologia e olui á num sen ido mui o di e so dos Qua os de Ma a ilhas: es es es abelece am um modo de expe iência que, com os Gabine es de Cu iosidades e o Iluminismo, oi subs i uído po uma isão mode na que cons i uiu o sujei o em obse ado , com consequen e alo ização da isão, sob e udo em e mos cien í icos, ilosó icos e polí icos. Nos séculos que se seguem, os Qua os de Ma a ilhas são desman elados em p ol da ca ego ização cien í ica que con ina os espécimes a con en o es cada ez mais especí icos e especializados. Celes e Olalquiaga e e e que “By aking he collec ions o he walls and ceilings and enclosing hem ins ead wi hin he co ines o shel es and d awe s, cabine s in gene al ac ed as media o s be ween objec s and spec a o s, adding a laye o concealemen and dis ance o wha had un il hen been p esen ed as an in eg al pa o he iewe 's uni e se, no some hhing 16 ha equi ed di e en ia ion.” E e i amen e, com o desen ol imen o da ciência, os Gabine es de Cu iosidades passa am a expo os seus objec os de modo a demons a o conhecimen o e sua sis ema ização. O a má io com id o, a i ina, é ins au ado como disposi i o de exposição, uma al e ação que dis ancia o obse ado do obje o e que conduz a sua pe cepção po um mo imen o de lei u a baseado num en endimen o linea e ca egó ico. O obse ado comp eende, p imei amen e, um odo p e iamen e classi icado e o ganizado em p a elei as e ga e as e, pos e io men e, o objec o como pa e desse odo. Es e modo de expe iência dis anciada exis e no Museu em con on o com o modo eme si o e senso ial, pa a que se ome consciência dessa di e ença e, ao mesmo empo, se i e pa ido das qualidades de cada qual. Nesse p ocesso, p opõe-se ao isi an e que expe iencie o Museu à manei a do iajan e 17 es angei o que, con a-nos João Ca los B igola , ia conhece os Qua os de 14. Ma ia Te esa C uz — “Da no a sensibilidade a i icial” in h p://bocc.ubi.p /pag/c uz- e esa- sensibilidade-a i icial.h ml, 2000, consul ado em Ou . 2014. 15. Ma ia Te esa C uz — “Da no a sensibilidade …” 16. Celes e Olalquiaga — “Objec Lesson / T ansi ional Objec ” in Cabine , nº 20 Shadows, 2005, pág. 8. 17. João Ca los B igola — Os iajan es e o «li o dos museus». Po o: Da ne Edi o a / CHAIA, 2010. 16 Ma a ilhas e, mais a de, os Gabine es de Cu iosidades; en ende o isi an e como iajan e e ela uma p eocupação undamen al em concebe a igu a do público na elação com o obje o exposi i o: um sujei o a i o na in e p e ação das imagens e das suas his ó ias e pa icipan e na sua esc i a. O Museu concebe e a icula os espaços da exposição pe manen e de o ma a o na possí el coloca ques ões c í icas sob e os p oblemas do e que são, 18 undamen almen e, ques ões sob e o co po e a ope ação do pode social . Pa a al, em p imei o luga , p omo e a conside ação do obse ado como um 19 e ei o de um sis ema discu si o, social, ecnológico e ins i ucional e in eg a disposi i os ó icos que ão co espondendo à ans o mação do es a u o do obse ado desde o séc. XVII a é à ac ualidade; em segundo luga , p opõe a abo dagem c í ica da cen alidade da isão, como eo ia, panóp ico ou espec áculo, pelos seus e ei os pe e sos; em e cei o luga , ins iga a comp eende a mu ação d ás ica da na u eza da isualidade, em decu so na a ualidade, pela qual as imagens isuais deixam de e qualque e e ência à posição de um obse ado localizado num mundo eal, pe cepcionado 20 ó icamen e ; e, pa alelamen e, p omo e uma abo dagem in eg ada das á ias coleções que cons i uem o a qui o e o en endimen o do mesmo como um campo de abalho hipe ex ual, ou seja, dis ibuído e c uzado. O Museu Casa da Imagem, endo como eixo cen al a exposição pe manen e, ai concebendo, a a és do Se iço Educa i o, a in eg ação das á ias linhas de ação, p o ocando a al e nância do obje o de e e ência e de es udo num en ec uzamen o de pe spec i as e p opos as in e p e a i as a pa i do a qui o e que o ão, simul aneamen e, cons i uindo. 18. Jona han C a y — Techniques o he Obse e . Camb idge/London: MIT P ess, 1990, p.3. 19. Jona han C a y — Techniques o …, p.6. 20. Jona han C a y — Techniques o …, p.2. 17