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Refutação de posição de Andrei Ujica e Boris Groys. Partilhas: cineastas-pintores/pintores-cineastas

Trindade, Carlos Alberto de Matos; Trindade, Maria Elisa Coelho de Almeida

Abstract

Neste artigo abordamos aqueles cineastas cujas origens, ou fonte de criatividade, se situam na Pintura, refutando uma posição contida num texto do catálogo da exposição dedicada a David Lynch na Fundação Cartier em Paris (2007), que regista uma conversa entre o crítico de arte e filósofo alemão Borys Groys e o argumentista e realizador romeno Andrei Ujica. Como procuramos demonstrar, não é um grupo tão minoritário como nos querem fazer crer. In this article we discuss those filmmakers whose origins, or source of creativity, resides in the Painting, rebutting a position contained in one text of the catalogue of the exibition in the Fondation Cartier, Paris, dedicated to David Lynch (2007), which record a conversation between the German critic and philosopher Borys Groys and the Romanien director and screenwriter Andrei Ujica. As we hope to demonstrate, is not a group as minority as would have us believe.

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ANABELA BRANCO DE OLIVEIRA ANA CATARINA PEREIRA ALFREDO TAUNAY LILIANA ROSA NELSON ARAÚJO (Edi o es) DIÁLOGOS E INQUIETUDES ARTÍSTICAS CINEMA E OUTRAS ARTES III LABCOM COMUNICAÇÃO & ARTES CINEMA E OUTRAS ARTES III DIÁLOGOS E INQUIETUDES ARTÍSTICAS ANABELA BRANCO DE OLIVEIRA ANA CATARINA PEREIRA ALFREDO TAUNAY LILIANA ROSA NELSON ARAÚJO (Edi o es) LABCOM COMUNICAÇÃO & ARTES Tí ulo Cinema e Ou as A es III Diálogos e Inquie udes A ís icas Edi o es Anabela B anco de Oli ei a, Ana Ca a ina Pe ei a, Al edo Taunay, Liliana Rosa, Nelson A aújo Edi o a LabCom www.labcom.ubi.p Coleção A s Di eção F ancisco Pai a Re isão Com o apoio do Depa amen o de A es da UBI e da Associação Po uguesa de Ciências da Comunicação – Sopcom Design G á ico Liliana Rosa (capa) C is ina Lopes (paginação) ISBN 978-989-654-664-9 (papel) 978-989-654-666-3 (pd ) 978-989-654-665-6 (epub) DOI 10.25768/20.04.05.01.12 Depósi o Legal 469489/20 Ti agem P in -on-demand Uni e sidade da Bei a In e io Rua Ma quês D’Á ila e Bolama. 6201-001 Co ilhã. Po ugal www.ubi.p Co ilhã, 2020 © 2020, Anabela B anco de Oli ei a, Ana Ca a ina Pe ei a, Al edo Taunay Liliana Rosa, Nelson A aújo. © 2020, Uni e sidade da Bei a In e io . O con eúdo des a ob a es á p o egido po Lei. Qualque o ma de ep odução, dis ibuição, comunicação pública ou ans o mação da o alidade ou de pa e des a ob a ca ece de exp essa au o ização do edi o e dos seus au o es. Os a igos, bem como a au o ização de publicação das imagens, são da exclusi a esponsabilidade dos au o es. Ficha Técnica PARTE 2 PINTURA 123 Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 125 Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade O impulso ec ás ico no ilme-ensaio: uma análise a pa i de San iago, de João Mo ei a Salles 147 Jo ge Vaz Gomes O Reg esso – Exemplo de um ilme em diálogo com ou as a es 161 Ma ia do Rosá io Lupi Bello O que p ocu am e encon am os pin o es no cinema? 177 Faus o C uchinho Re lexões em o no das possí eis e e ências a ís icas pa a a econs i uição his ó ica no ilme Os c imes de Limehouse, de Juan Ca los Medina 193 Ca los Albe o de Ma os T indade Má io Peixo o’s Limi e|Limi (1931) in be ween a an -ga de and mode nism 215 Juliana F oehlich PARTE 3 PROCESSOS CRIATIVOS 237 Hello, his is my day oday – dos Wea he Dia ies de Geo ge Kucha à ge ação pós-in e ne 239 Ana Luísa Aze edo A enciclopédia como a e cinema og á ica: ensaio sob e um géne o impossí el e indispensá el 259 Luís Noguei a REFUTAÇÃO DE POSIÇÃO DE ANDREI UJICA E BORIS GROYS. PARTILHAS: CINEASTAS-PINTORES/PINTORES-CINEASTAS Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade In odução Num dos ex os do ca álogo da exposição dedicada a Da id Lynch, na Fundação Ca ie , em Pa is (2007), aquele que egis a uma con e sa en e o c í ico de a e e ilóso o alemão Bo is G oys e o a gumen is a e ealizado omeno And ei Ujica (2007: 105-112), é colo- cada uma ques ão não mui as ezes abo dada. Segundo Ujica, p ocu ando e idencia o caso singula de Lynch, aqueles cineas as cujas o igens ou on e de c ia i idade se si uam na Pin u a o am semp e, no Cinema, uma mino ia, cons i uindo mesmo o g upo mais pequeno. Como diz, “… a maio pa e dos cineas as em da li e- a u a, e sob e udo da p osa, po ezes ambém êm do ea o, uns poucos da poesia, o que o na mani es o que o cinema é essencialmen e uma a e na a i a” (G oys & Ujica, 2007: 107 [ adução nossa]). Mas como am- bém admi e, essa mino ia, na his ó ia do Cinema, não oi de manei a nenhuma insigni ican e. Os exemplos mais signi ica i os que apon a dessa mino ia (salien e- -se, que só e e e es es) são os seguin es: Mu nau, que es udou His ó ia da A e e cuja con ibuição p incipal oi anspo pa a o cinema um es ilo de pin- u a, o Exp essionismo; Ta ko sky, cuja aspi ação mais p o unda e á sido semp e se pin o , p á ica que não exe ceu senão como hobby, assim como não se o nou poe a, o seu ou o g ande desejo; e Da id Lynch. Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 126 O que dis ingui ia es e úl imo é que abalhou como a is a plás ico desde o início da ca ei a, e con inua a azê-lo, embo a, a pa i do momen o em que os seus ilmes lhe de am enome in e nacional, essa ace a e ia icado, po assim dize , ‘obscu ecida’. O a, é acilmen e comp o á el que o que a i mam os dois au o es ci ados é, em ce a medida, pouco igo oso, como p ocu a emos demons a : a a-se de um e o de a aliação ou e ela desconhecimen o; ou, en ão, in encional- men e p ocu am des alo iza a con ibuição dos cineas as com o mação em a es plás icas. Cineas as-pin o es/pin o es-cineas as Começamos po e e i , p oposi adamen e, um conjun o de cineas as que, como Lynch, p ossegui am uma ca ei a como a is as plás icos. São eles: os ingleses Humph ey Jennings, De ek Ja man e Pe e G eenaway, o japo- nês Hi oshi Teshigaha a, e o no e-ame icano Julian Schnabel. Filho de pai a qui ec o e mãe pin o a, Humph ey Jennings (1907, Walbe swick – Po os, G écia, 1950), conhecido como cineas a sob e udo pe- los documen á ios que ealizou du an e a II Gue a Mundial, como Lis en o B i ain (1942), começou a pin a an es de ealiza ilmes, endo sido ambém cenóg a o de ea o. Em 1934 jun ou-se à GPO Film Uni , di igida po John G ie son, mas con inuou a pin a e a expo ; em 1936, expôs na Exposição Su ealis a In e nacional de Lond es (nas Bu ling on Galle ies), da qual oi aliás um dos o ganizado es, jun amen e com And é B e on, He be Read e Roland Pen ose1. Elena Von Kassel-Siambani (2007: 184) ambém o pe ila como um p ecu so da Pop A , po conside a que as suas colagens são mui o p óximas das ealizadas em 1956 po Richa d Hamil on. 1. Também oi co- undado da e is a London Bulle in, ó gão o icial do mo imen o su ealis a inglês. O p imei o núme o oi edi ado em Ab il de 1938, ainda com o í ulo London Galle y Bulle in, depois ab e iado nos núme os seguin es. Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 127 Imagens 1 e 2: Humph ey Jennings, The House o he Woods (1939-44), à esque da; T ain (Locomo i e), 1939-49, à di ei a. Pin u as a óleo s/ ela. Filho de um a is a mul i ace ado, Hi oshi Teshigaha a (Tóquio, 1927-2001) g aduou-se em 1950 na Tokyo Na ional Uni e si y o Fine A s. Pin o e escul o – ambém ce amis a, calíg a o, encenado de nô –, celeb ado ci- neas a de angua da, iniciou a sua ca ei a no cinema com o documen á io Hokusai (1953), dedicado ao amoso pin o japonês do século XIX. Mas icou conhecido sob e udo po dois ilmes adap ados de no elas do esc i o japo- nês Kobo Abe: Woman in he Dunes, de 1964, que lhe aleu o P émio Especial do Jú i no Fes i al de Cannes do mesmo ano, e oi nomeado em 1965 pa a o Ósca de melho ilme es angei o, e The Face o Ano he (1966). Como pin o , oi in luenciado pela a e ociden al, sob e udo pelos su ealis as – além dos cubis as –, mas p e endeu e a a a ealidade social e polí ica japonesa2. Mais a de, como escul o , celeb izou-se pelas suas ins alações com bambus3, endo pa icipado – com Passage de bambous – nomeadamen- e na amosa exposição Magiciens de la Te e, no Cen o Geo ges Pompidou e na G ande Halle de la Ville e (1989), conside ada um dos momen os un- dado es do p ocesso de globalização da a e con empo ânea. 2. Pa a um maio desen ol imen o sob e as ca ac e ís icas da ob a de Hi oshi, e sob e udo enquan o pin o e cineas a, d. Jacline Mo iceau (2010: 126-139). 3. De ac o, descendia de uma linhagem de a esãos do ikebana (a anjo lo al), an iga p á ica a is oc á ica. O seu a ô Wa u oi um mes e amoso, e o pai So u undou, em 1926, a Soge su School o Ikebana, com a qual impulsionou a ideia do ikebana como o ma a ís ica, mais do que p á ica deco a i a, ao inco po a ou os ma e iais além de lo es. Em 1979, após a mo e do pai, assumiu a di ecção da escola, como o iemo o (‘g ande mes e’), e ala gou o ikebana a no os e i ó ios. Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 128 Imagens 3, 4 e 5: Hi oshi Teshigaha a, xilog a u a pa a edição do Seiki no Kai (The Cen u y Associa ion), 1949/50, à esque da; Lunch (1953), pin u a a óleo sob e ela, ao cen o; Dancing Bamboo (1997), ins alação no Hi oshima Museum o Con empo a y A , à di ei a. Após e es udado His ó ia da A e no King’s College, em Lond es, De ek Ja man (1942, No hwood – Lond es, 1994), que ambém oi poe a, p os- seguiu os seus es udos em Pin u a na Slade School o A , a pa i de 1963. Conside ou-se semp e sob e udo um pin o , que e e a opo unidade ocasio- nal de usa o ilme ou o ídeo pa a alguns p ojec os. De ac o, Ja man nunca se assumiu como cineas a, apesa de se au o de um núme o ap eciá el, e ele an e, de ilmes. O úl imo, o seu ilme- es amen o, Blue (1993)4, icou pa a a his ó ia como uma expe iência-limi e em e mos o mais, ao mesmo empo mais pessoal e mais a ojado do que os p eceden es: insóli o e di í- cil de classi ica , a é po que pode pa ece um con a-senso apelida como ‘ ilme’ uma película que não con ém qualque iconog a ia pa a p ojec a ; oda ia, pe sis e a luz, a p ojecção inin e up a de um aio de luz azul no ec ã ec angula ans o mado num campo de co , que ai a iando, umas ezes mais escu o ou as ezes mais cla o, apenas acompanhada de uma banda sono a eclé ica, em que se c uzam di e sas na a i as com acompa- nhamen o musical e e ei os de som (na u alis as ou abs ac os). O mínimo que se pode dize em elação a Pe e G eenaway (n. 1942, Newpo , País de Gales) é que as e e ências à his ó ia da a e, e sob e u- do à pin u a, são uma cons an e nos seus ilmes, mesmo quando es es não abo dam di ec amen e emas a ís icos. Além disso, é possí el es abelece uma con inuidade emá ica en e as ob as que p oduziu na qualidade de a is a plás ico e alguns ilmes que ealizou. Ac esce que mui os dos seus 4. Realizado quando já es a a mui o debili ado e p a icamen e cego de ido à sua si uação de doen e e minal de Sida (AIDS). Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 135 pin ou cená ios pa a o ea o, e ealizou ilus ações pa a li os. Também se sabia que, po ezes, de ido a p oblemas de inanciamen o pa a os seus p o- jec os se se iu do seu alen o pa a paga o salá io dos seus colabo ado es, com pequenas pin u as15. Con udo, al ez não se i esse uma e dadei a consciência da ampli ude do seu labo enquan o pin o : uma lacuna colma- ada com o ecen e documen á io The Eyes o O son Welles (2018), de Ma k Cousins16. Os i alianos Michelangelo An onioni (1912, Fe a a – Roma, 2007), Damiano Damiani (1922, Pasiano di Po denone – Roma, 2013) e Pie Paolo Pasolini (1922, Bolonha – Ós ia, 1975). Após e equen ado a Academia de Belas-A es de B e a, Milão, Damiani iniciou-se no cinema como deco ado e cenóg a o, an es de e passado à ealização. An onioni, a qui ec o de o mação, começou desde jo em a pin- a e desenha , e nunca deixou de o aze . A in luência da pin u a nos seus ilmes ez-se sen i a a és do a amen o do espaço, mui o enquad ado e o ganizado, mas ambém no in e esse que semp e p es ou às possibilida- des do uso exp essi o da co no cinema. Nos úl imos anos, sucede am-se exposições em que o am expos as pin u as suas, sob e udo uma sé ie de pequenas agua elas de ca ác e quase abs ac o que começou a p oduzi no início da década de 196017, in i ulada Mon agne incan a e, a que aplicou um p ocesso expe imen al: em inais dos anos 70, esol eu o og a á-las pa a amplia os de alhes, con e endo as minia u as em imp essões de g ande o ma o. Também Pasolini, nome maio do cinema e da li e a u a i aliana do pós-II Gue a Mundial, oi pin o au odidac a. Coincidindo com uma e ospec i a dos seus ilmes no MoMA de No a Io que (13 Dezemb o 2012 / 5 Janei o 15. Como acon eceu quando ez uma adap ação do Me cado de Veneza, de Shakespea e: d. Jean- Pie e Be homé e F ançois Thomas (2007: 286). 16. En e an o, na sequência da es eia do documen á io, oi edi ada a seguin e ob a, que se aconselha a quem quei a conhece melho es a ace a de O son Welles: Simon B aund (2019). O son Welles po olio. Ske ches and D awings om he Welles Es a e. Lond es: Ti an Books. 17. Mas ambém as ealizadas a pa i de 2001, sob e ela ou ca ão. Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 136 2013), es e e pa en e numa gale ia do Soho a exposição Pie Paolo Pasolini: Po ai s, Sel Po ai s,que ap esen ou 40 pin u as e desenhos, di ulgando jun o do g ande público es a ace a menos conhecida da sua ac i idade a ís- ica. Pasolini começou a in e essa -se pela pin u a ainda jo em es udan e, após as aulas de His ó ia da A e que e e na Uni e sidade de Bolonha, no início dos anos 1940, com o p oeminen e his o iado Robe o Longhi, e man e e ao longo dos anos ac i idade egula como pin o dile an e, embo a com alguns hia os. Os seus pin o es a o i os o am Masaccio, Gio o, Pie o della F ancesca e alguns manei is as como Pon o mo ou Rosso Fio en ino. Em ilmes como E angelho Segundo São Ma eus (1964), La Rico a, episódio de Rogopag (1963), ou Decame on (1971), no qual enca - na ele p óp io o papel do ‘melho discípulo de Gio o’, como é designado, essas suas p e e ências são mui o ób ias. Imagens 12, 13 e 14: O. Welles, au o- e a o, n. da ado, à esque da; An onioni, agua ela da sé ie Mon agne incan a e, ao cen o; Pasolini, Sel -Po ai wi h a Flowe in His Mou h (1947), óleo s/ca ão, à di ei a. Os polacos And zej Wajda (1926, Suwalki – Va só ia, 2016), Roman Polanski (n. 1933, Pa is) e Je zy Skolimowski (n. 1938, Łódź). Depos de e cu sado a Academia das Belas-A es de C acó ia, Wajda an- si ou pa a a Na ional Film School em Łódź, onde se diplomou. A pin u a oi uma in luência ma can e na sua linguagem isual, em pa icula a pola- ca, como escla ece no documen á io My inspi a ions (2016), onde compa a pin u as especí icas a imagens dos seus ilmes. Também oi um no á el de- senhado , que anda a semp e com um ske chbook; o desenho oi semp e Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 137 pa a ele uma e amen a impo an e pa a o ajuda a conc e iza as suas ideias. Polanski, em 1950, iniciou es udos na Escola de Belas A es de C acó ia, e concluiu-os em Ka owice, an es de es uda Realização na Escola de Łódź (a pa i de 1954). Skolimowski, nome essencial do cinema polaco, conside ado o ‘pai’ da Nou elle Vague do seu país, g aduou-se na Faculdade de E nog a ia de Va só ia an es de ing essa na Escola de Łódź. Além de a gumen is a e ac o , ealizou mais de 20 ilmes desde 1960; po ém, a pa i de 1991 (en- e es e ano e 200818, não ealizou qualque ilme), dedicou-se sob e udo à ac i idade de pin o , que conside a a sua e dadei a paixão, e hoje em dia enca a-se mais como a is a plás ico do que como cineas a19. In luenciado pelo exp essionismo abs ac o, e ambém po F ancis Bacon, p oduz no - malmen e ob as de g ande escala, em mui as das quais a igu a humana em p esença ele an e: êm sido expos as egula men e desde 1996, que em exposições indi iduais, que em colec i as. Se ainda concede ilma de ez em quando, al pa ece de e -se em g ande pa e a azões inancei as, como e e iu numa en e is a: NOTEBOOK: I you’ e ound ha you p e e pain ing o ilmmaking, hen why make ilms? SKOLIMOWSKI: I ’s di icul o make a li ing ou o pain ing, and since I pain la ge-sized [can ases], he e a e no oo many o hem. Wo king on a ilm is economically much mo e ewa ding. And also, I know ha I ha e a ce ain alen o ilmmaking, and I shouldn’ be was ing i . [jokingly] I p e e pain ing, bu om ime o ime I ha e o su e and go make a mo ie. (Skolimowski apud Sachs, 2011) 18. Ano de que da a o ilme Qua o noi es com Ana. Seguiu-se o h ille polí ico Essen ial Killing, que ecebeu o P émio especial do Jú i no Fes i al de Veneza de 2010. 19. Em 2015, ecebeu um dou o amen o hono is causa da Academia de Belas A es de Łódź. Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 138 Imagens 15, 16 e 17: And zej Wajda, desenho (1987), à esque da; Je zy Skolimowski, Sel - po ai e The Judgemen (2000), óleo s/ ela, ao cen o e à di ei a. Também o am pin o es o usso-a ménio Se gei Pa ajano (1924, Tbilisi – E e an, 1990), o i aliano E manno Olmi (n. 1931, T e iglio, Be gamo) e os anceses René Allio (1924, Ma selha – Pa is, 1995) e Mau ice Piala (1925, Cunlha – Pa is, 2003). Es e úl imo é, sem somb a de dú idas, au o de um dos melho es ilmes ealizados a é hoje sob e um a is a: Van Gogh (1991); o qual se inicia com um plano de uma mão (do p óp io Piala ) a pin a um céu azul. A pin u a oi de ac o a p imei a ocação de Piala , abandonada con a sua on ade, que se diplomou pela École Na ionale Supé ieu e des A s Déco a i s de Pa is, e chegou a expo no Salon des moins de 30 ans, após a Libe ação de Pa is no im da II Gue a Mundial. Em 2013, po ocasião do décimo ani e sá io da sua mo e, em pa alelo com uma e ospec i a de odos os seus ilmes, a Cinema eca F ancesa o ganizou a exposição Piala , Pein e e Cinéas e – pa en e en e 18 de Fe e ei o e 7 de Julho –, na qual oi ex- pos a uma selecção de 33 pin u as e 16 desenhos ealizados en e 1942 e 1947, na sua maio ia, en e an o deposi ados nas suas colecções (jun amen- e com a qui os inédi os) pela iú a do cineas a. T a ou-se de uma ocasião a a pa a en a em con ac o com uma ace a do u u o cineas a p a ica- men e desconhecida do g ande público: an es des a, apenas algumas das suas pin u as inham sido expos as em 2003 (15 Se emb o/30 Ou ub o) no Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 139 G enie des G ands-Augus ins, seguindo-se ou a no Ins i u Lumiè e em Lyon (6 Dezemb o 2003/11 Janei o 2004), po inicia i a de Syl ie Piala . Imagens 18, 19 e 20: M. Piala , En an assis, óleo s/ ela, à esque da; Paysage, óleo s/ ela, ao cen o; R. Allio, Sans i e (1961), in a s/papel, à di ei a. René Allio, pouco conhecido em Po ugal – al ez, só a a és de La Vieille Dame indigne (1965), a sua p imei a longa-me agem e a mais amosa –, an es de ealiza ilmes, iniciou a sua ca ei a a ís ica como pin o , em pa- alelo com a de cenóg a o pa a ea o (e, mais a de, ambém pa a ópe as), onde alcançou g ande no o iedade in e nacional, endo sido colabo ado habi ual dos maio es encenado es da sua ge ação. A sua pin u a de ca iz abs ac o in o malis a, undada no aço do ges o, oi semp e ei indicada po ele como a unidade p o unda de oda a sua ob a. Alguns dos seus ilmes, como Les Camisa ds (1973) ou Un médecin des Lumiè es (1988), e elam uma cla a inspi ação pic ó ica. Foi ambém um no á el pensado sob e as ela- ções en e o cinema e as ou as a es, mo men e a pin u a.20 En e os cineas as mais con empo âneos, encon amos ainda ou os exem- plos: Dennis Hoppe , Rob Nilsson, Ma co Bellocchio, F anco Pia oli, Abbas Kia os ami, Jean-Jacques Beineix, Lam Lê, Takeshi Ki ano, Jane Campion, Hal Ha ley, Todd Haynes, ou Ma eo Ga one.21 20. Sob e a sua ca ei a ele an e como pin o , cenóg a o e cineas a, d. Guy Gau hie (1993). Pa a conhece o seu pensamen o, d. René Allio (2016). 21. Sob e Ma co Bellocchio, F anco Pia oli e Ma eo Ga one, d. Anna Ma ia Mon aldo e Giona A. Nazza o (2015). Sob e Lam Lê, d. Jacques Fa on, Benoî Pee e s e Philippe de Pie pon (1992: 63-71). Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 140 O no e-ame icano Rob Nilsson (n. 1939, Rhinelande , Wiscosin), p es igiado au o do cinema independen e, ealizado (com John Hanson) de No he n Ligh s (1978), p emiado com a Camè a d’o no Fes i al de Cannes de 1979, ou de Hea and Sunligh (1988), encedo do G ande P émio no Sundance Fes i al (1988), en e ou os, é ambém ac o , poe a e pin o . Es udou A e na Uni e sidade de Ha a d, e começou a pin a du an e uma es ada na Eu opa, nos anos 60; au o de pin u as com cunho exp essionis a22, man- e e desde en ão uma ac i idade egula . Tem ealizado exposições do seu abalho sob e udo em gale ias na á ea de Camb idge/Bos on, mas ambém em São F ancisco. A pin u a oi o p imei o amo do i aniano Abbas Kia os ami (1940, Tee ão – Pa is, 2016), diplomado pela Escola de Belas-A es da Uni e sidade de Tee ão. An es de inicia a sua ca ei a no cinema, du an e os anos 60, man e e uma g ande ac i idade como ilus ado pa a li os de c ianças, designe de ca azes e, sob e udo, na publicidade e na c iação de gené icos pa a ilmes. Homem de mui as ace as, o ancês Jean-Jacques Beineix (n. 1946, Pa is), ealizado de Di a (1980), aquele que ainda se á hoje o seu ilme mais a- moso, de ido ao eno me sucesso de público e algum c í ico, a sua p imei a longa-me agem, ou de Be y Blue (37º,2 le ma in, 1986), nomeado pa a o Ósca de melho ilme es angei o, é ambém a gumen is a, o óg a o, es- c i o , músico (pianis a) e pin o . Começou a dedica -se à pin u a na década de 1990, quando ealizou a sua p imei a exposição indi idual (em 1996); não é su p eenden e esse seu in e esse, como e e e Ka l F ench (2004: 20), “[c] onside ing his alen o elegan ly designed composi ions and o he isual lou ishes…” 22. O seu si e o icial inclui uma secção onde podem se is as algumas das suas pin u as: h ps:// www. obnilsson.ne / ilm. Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 141 Imagens 21, 22 e 23: R. Nilsson, pin u a em capa de li o, à esque da; Beinix, La in du mon- de (2000), óleo s/ ela, ao cen o; Ki ano, pin u a pa a Hana-bi, à di ei a. A is a plás ico au odidac a, Takeshi Ki ano (n. 1947, Tóquio) começou a pin a em 1994 na sequência de um aciden e de mo a, como pa e do seu p ocesso de eabili ação23. As suas pin u as, mui o idiossinc á icas, pu- de am se ap eciadas publicamen e, pela p imei a ez, na g ande mos a o ganizada em 2010 pela Fundação Ca ie , em Pa is: Bea Takeshi Ki ano, Gosse de pein e (19 Ma ço/12 Se emb o). A é aí, ecusa a semp e expô- -las, po as conside a uma p á ica pessoal, p i ada: po ém, pin u as suas ma cam p esença nos ilmes Hana-bi (1997) e Kikuji o (1999), e, an es dis- so, publica a ob as numa e is a de a e japonesa (a Geiju su Shincho). A mesma exposição – concebida como uma g ande ins alação, com objec os insóli os, cená ios, máquinas, além das pin u as – oi ap esen ada depois em Tóquio em 2012 (na Tokyo Ope a Ci y Galle y). Jane Campion (n. 1954, Welling on, No a Zelândia) diplomou-se em Pin u a no Sydney College o he A s (1979)24. Apesa de e deixado de pin a , po causa da sua o mação a ís ica gos a de pensa a a és do desenho, que lhe é bas an e ú il no seu p ocesso c ia i o, po que aciocina sob e um ilme so- b e udo em e mos isuais. É ela p óp ia que ealiza semp e os s o yboa ds pa a os seus ilmes, a pa i daquelas que conside a se em as cenas-cha e25. 23. Vd. Ka l F ench (2004: 115-118). 24. Após se e g aduado em An opologia, na Vic o ia Uni e si y o Welling on. 25. Vd. en e is a com a ealizado a em Mike Good idge (2002: 80-83). Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 142 São ilmes que, como Piano (1993) ou O Re a o de uma Senho a (1996), sem dú ida e elam um g ande alen o pa a a composição plás ica das imagens. Figu a impo an e do cinema independen e no e-ame icano das décadas de 1980 e 1990, Hal Ha ley (n. 1959, Lindenhu s , Long Island) es udou Pin u a no Massachuse s College o A , em Bos on, an es de p ossegui uma o mação cinema og á ica26, e ealiza os seus p imei os ilmes. Ha ley, que ambém é músico (sob o pseudónimo de Ned Ri le), e á op ado pelo cinema em de imen o da pin u a po que, como a i mou numa en e- is a, “I was in igued by ine a , bu my skills we e in g aphic design” (Ha ley apud Bauche , 2010: 223)27. Con udo, um aspec o impo an e pe maneceu da sua elação com a pin u a; como é e i icá el, a co em uma g ande impo ância nos seus ilmes, que, em alguns, é bem i a, luminosa, como em T us (1990) ou Ama eu (1994). De ac o, ealça Ma ie-Cécile Bauche : la couleu es u ilisée comme ‘ aleu ajou ée’; le cinéas e semble é en- d e la du ée des plans, alen i les mou emen s de camé a a in que le spec a eu puisse se concen e , p omene son ega d su la ‘composi- ion de la couleu ’, comme il le e ai su une oile. (2010: 223) Em 2014, Ha ley edi ou um li o28 con endo ep oduções de pin u as suas de pequeno o ma o, dos seus anos de o mação e inícios dos anos 80, além de s o yboa ds, esboços e desenhos écnicos, ealizados já no seu abalho pos e io no cinema e no ea o. Todd Haynes (n. 1961, Encino, Los Angeles) diplomou-se em A s and Semio ics pela B own Uni e si y, onde começou a aze expe iências no cinema du an e a década de 1980 – oi aí que di igiu a sua p imei a cu - a-me agem Assassins –, an es de se muda pa a No a Io que onde se 26. Na Uni e sidade de No a Io que: ing essou em 1980 na Pu chase Film School. 27. A ci ação é e i ada da seguin e ob a: Hal Ha ley (1992). Simple Men and T us . Lond es: Fabe and Fabe , p. xii. 28. Hal Ha ley (2014). F om He e o he S a ion. L.d.: Possible Films LLC. Edição limi ada de 700 exempla es. Ca los Albe o de Ma os T indade e Ma ia Elisa Coelho de Almeida T indade 143 en ol eu no cinema independen e. A pin u a e o desenho cos umam aze pa e do p ocesso c ia i o de Haynes, que em e elado um sen ido plás i- co apu ado em ilmes como Fa F om Hea en (2002), I’m No The e (2007) ou Ca ol (2015); nomeadamen e pa a o es udo e ca ac e ização das pe so- nagens p incipais e pa a a elabo ação dos s o yboa ds. O úl imo ci ado é a a essado po mui as e e ências pic ó icas, p incipalmen e ao pin o no - e-ame icano Edwa d Hoppe . Imagens 24, 25 e 26: H. Ha ley, B oke, pin u a, à esque da; T. Haynes, es udo pa a Fa F om Hea en (2002), pin u a pa a I’m No The e (2007), ao cen o e à di ei a espec i amen e. Mas, além de odos aqueles que já e e imos, ambém é signi ica i o o núme o de ealizado es que i e am uma educação o mal (académica), ou ap endizagem au odidac a e p á ica p o issional, na á ea adjacen e do Desenho, amiúde insepa á el da Pin u a. Po azões de limi ação de espaço, limi amo-nos a nomeá-los: os anceses Geo ges Méliès (Pa is, 1861-1938) e Pa ice Ché eau (1944, Lézigné – Pa is, 2013); o so ié ico Se gei M. Eisens ein (1898, Riga – Mosco o, 1948); os ingleses Al ed Hi chcock (1899, Lond es – Los Angeles, 1980) e Ridley Sco (n. 1937, Sou h Shields); o i aliano Fede ico Fellini (1920, Rimini – Roma, 1993); o indiano Sa yaji Ray (Calcu á, 1921-1992); os ame icanos Vincen e Minnelli (1903, Chicago – Be e ly Hills, 1986), Saul Bass (1920, No a Io que – Los Angeles, 1996), Te y Gilliam (n. 1940, Minneapolis) e Tim Bu on (n. 1958, Bu bank); o canadia- no Gilles Ca le (1928, Maniwaki – G anby, 2009); o espanhol Ca los Sau a (n. 1932, Huesca); o mexicano Guille mo del To o (n. 1964, Guadalaja a). Re u ação de posição de And ei Ujica e Bo is G oys. Pa ilhas: cineas as-pin o es/pin o es-cineas as 144 Po im, ambém não de emos deixa de e e i o campo especí ico do Cinema de Animação, ge almen e e e adamen e conside ado um géne- o meno pa a c ianças, mas que o insuspei o cineas a e eó ico so ié ico Se gei M. Eisens ein conside a a a o ma mais pu a e comple a de cinema, onde mui o na u almen e encon amos mui os nomes o iundos das a es plás icas. O mesmo acon ece no campo especí ico do denominado Cinema Expe imen al ou angua dis a, onde an as e undamen ais pesquisas se ize am. Se ia possí el, assim pudéssemos, elenca dezenas de nomes. Re e ências bibliog á icas Allio, R. (2016). Les Ca ne s I. 1958-1975. La é une: Édi ions L’En e emps. Balles e , J. P. (2011). La pin u a en el cine y los ‘s o yboa ds’ de Aki a Ku osawa. In Los dibujos de Aki a Ku osawa. La mi ada del Samu ái (pp. 47-48). Mad id: Fundación Colección ABC/ T Edi o es. Ba sacq, L. (1970). Le Déco de Film. Pa is: Édi ions Seghe s. Bauche , M.-C. (2010). La couleu comme quê e d’absolu dans l’oeu e de Hal Ha ley. In P.-L. Thi a (Di .), LIGEIA Dossie s su l’a . Pein es Cinéas es. XXIII Ano, n.º 97-98-99-100, Janei o-Junho, pp. 221-232. Be homé, J.-P., & Thomas, F. (2007). O son Welles en acción. Mad id: Ediciones Akal. B aund, S. 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