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A NOÇÃO DE ESPESSURA NA LINGUAGEM ARQUITECTÓNICA

ALMEIDA, Pedro Vieira de

Abstract

Neste volume trata-se da espessura – nas suas duas vertentes de paredes delgadas e paredes espessas – entendida como um vector expressivo, dotado de grande significado, quer em relação à compreensão do espaço na arquitectura propriamente dito, quer em relação àquilo que definitivamente o molda e define, que é a qualidade da luz em cada caso utilizada

Full text

Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o A NOÇÃO DE ESPESSURA NA LINGUAGEM ARQUITECTÓNICA Ped o Viei a de Almeida Ped o Viei a de Almeida A NOÇÃO DE ESPESSURA NA LINGUAGEM ARQUITECTÓNICA Publicação sujei a a pee e iew Edições Casei as / 20 Tí ulo: A NOÇÃO DE ESPESSURA NA LINGUAGEM ARQUITECTÓNICA Au o : Ped o Viei a de Almeida Edi o a: Ma ia Helena Maia © Ped o Viei a de Almeida, CESAP/ESAP, 2013 A anjo g á ico: Jo ge Cunha Pimen el Composição: Joana Cou o Edição: Cen o de Es udos A naldo A aújo da CESAP/ESAP P op iedade: Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o R. do In an e D. Hen ique, 131 4050-298 PORTO, PORTUGAL Tele : +351 223 392 100/40 Fax: +351 223 392 101 Imp essão e acabamen o: LITOPORTO A es G á icas Lda 1ª edição, Po o, Julho de 2013 Ti agem: 300 exempla es ISBN: 978-972-8784-51-5 Depósi o Legal: Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o La go de S. Domingos, 80 4050-545 PORTO PORTUGAL Tele .: 223392130 / Fax.: 223392139 e-mail: [email p o ec ed] www.ceaa.p A equipa do p ojec o A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a C í ica, que deco e en e 1 de Ab il de 2010 e 31 de Ma ço de 2013 é cons i uída po Ped o Viei a de Almeida (in es igado p incipal), Alexand a Ca doso, Joana Cunha Leal e Ma ia Helena Maia e em como consul o es Jose ina Gonzalez Cube o, Ma iann Simon e Miguel Angel de la Iglésia. O p ojec o é inanciado po undos FEDER a a és do P og ama Ope acional Fac o es de Compe i i idade – COMPETE (FCOMP-01-0124- FEDER-008832) e po Fundos Nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/AUR-AQI/099063/2008). A noção de espessu a na linguagem a qui ec ónica é um ex o que Ped o Viei a de Almeida começou a esc e e em 2005, dando o ma a uma ideia que o inha a p eocupa e que acabou em 2009 po da o igem ao p ojec o de in es igação A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a C í ica, no âmbi o do qual desen ol eu a e lexão sob e dois pa âme os da a qui ec u a, p ecisamen e a espessu a e o espaço- ansição, u ilizando o ma e ial do Inqué i o à A qui ec u a Regional, publicado pelo Sindica o dos A qui ec os em 1961, como uni e so de expe imen ação. Faz pois odo o sen ido publica es a e lexão no âmbi o des e p ojec o, não só po que ajuda a cla i ica e melho comp eende algumas das ideias e in ensões que ica am suspensas nos ex os do au o , mas ambém po que pa eceu à equipa cons i ui ma é ia impo an e pa a as conclusões des e mesmo p ojec o, embo a a sua his ó ia nos enha ei o op a pela sua au ónoma. Algumas decisões edi o ias i e am, no en an o, que se omadas, uma ez que se a a de um abalho que não chegou a se concluído. Assim, as no as e chamadas de a enção pa a desen ol imen o u u o, incluídas no ex o pelo au o , o am eme idas pa a no a de odapé, sem qualque comen á io e as e e ências bibliog á icas o am comple adas. A selecção de imagens e espec i as legendas ambém oi uma decisão edi o ial baseada na con icção de que con ibui iam pa a uma melho comp eensão do que o au o p e endia ansmi i . Espe o que o esul ado inal seja adequado. A é po que ac edi o a a -se de um con ibu o impo an e pa a a eo ia da a qui ec u a. NOTA INTRODUCTÓRIA Ma ia Helena Maia 15 A inal o CIAM inha sido o mado em 28 e desse ano ambém, as áspe as discussões com Hugo Ha ing. En endido gene icamen e com supe icial ligei eza e acuidade, o pe il de Ronchamp, pôde assim so e os di e idos mas ú eis comen á ios g á icos 12 de Hillel Schocken que Jenks e e e , e que ainda que al ez imagina i os, não se e ão dado con a, da sua desas ada desadequação, indo a inal a signi ica de ac o a ca ica u a de si mesmos e da sua p óp ia incapacidade de lei u a da ob a complexa que a a am que os desa ia a e de ini i amen e não sabiam le . As me á o as de Hillel Schocken, po ca ica u ais que sejam, pode ão se di e idas mas são c i icamen e edu o as. G upo escul ó ico, Mãos em p ece, Po a-a iões, Chapéu ou Pa o, as me á o as de Schoken, esul am pouco menos que con angedo as. Em ez de ende em a uma esponsá el abe u a de sen idos, ala deiam uma pob eza in e p e a i a de uma lei u a meno , lei u a apenas ex e io , desen endendo que aquela ob a se exigia ambígua e que como al de e ia pe manece na nossa in e p e ação, sem qualque codi icação espú ia. Cha les Jenks e e e ainda de passagem, no li o an e io men e e e ido que Le Co busie e á admi ido pa a a capela de Ronchamp – não especi ica se o e á ei o pa cialmen e po i onia su da – duas me á o as, a de “acús ica isual” a que esponde ia a dinâmica das pa edes encu adas e a de “casca de ca anguejo”, e e en e à cobe u a. Pe cebe-se a e e ência à “acús ica isual”, se e i ica mos que es a capela su ge em pa e no pe íodo em que Le Co busie ap esen a na Fei a de B uxelas em 58 o Pa ilhão Philips, elabo ado com a pa icipação de Yannis Xenakis, ou em que com a colabo ação ambém de Xenakis, es u u a o Con en o de S . Ma ie de la Tou e e. 13 E lemb e-se a p opósi o a obse ação que Debo ah Fausch az ace ca da Capela do Con en o de La Tou e e, que assinala se uma a qui ec u a não pa a “ e , mas pa a “ou i ”. Já mais i ónica necessa iamen e, su ge a obse ação, que Le Co busie e á admi ido, sob e a casca do ca anguejo. No en an o o p óp io Jenks, alando a p opósi o de Ronchamp, pe cebe ou as dimensões possí eis e mais esponsá eis ao ala em “ agmen o de ci iliza- ções pe didas”, em “ i os” a caicos. Tal ez sem o sabe , aí oca a no undo. No en an o Jenks não a ança excessi amen e na dilucidação des e caminho que ao que pa ece, p essen ia. De ac o naquelas lei u as sumá ias de Jenks e Schocken a ançam, al a uma, al ez a mais signi ica i a, p ecisamen e aquela que em ez de se edu o a de 12. Cha les JENKS – The language o pos -mode n a chi ec u e. Academy Edi ions,1991, pág. 44 13. Debo ah FAUSCH – “The Knowledge o he Body and he P esence o His o y – Towa d a Feminis A chi ec u e” in A chi ec u e and Feminism. Deb a Coleman, Elizabe h Danze and Ca ol Hende son, edi o s. New Yo k: P ince on A chi ec u al P ess, 1996, pág. 42 16 signi icados, em ez de se ap esen a ca ica u al, pode ia e sido a mais p omisso a e seminal, a mais de aco do com a lei u a úl ima de i os a caicos que Jenks a ança a, que e a a de uma densa es u u a lí ica. No seu odo, a capela de Ronchamp e oca o olume de uma sólida “an a”, com odas as consequências es u u ais de signi icados a qui ec ónicos que de aí se podem i a , mas que e iden emen e não cabe ago a aze . Não são no en an o odos esses aspec os – ainda que impo an íssimos cla o – que ago a me in e essa e e i , mas sim o ac o de se Ronchamp uma ob a que pode osamen e cong ega uma poé ica de pa edes delgadas, em con on- o com uma poé ica de pa edes espessas. Não conheço ob a an e io ou pos e io , em que es e con on o es eja ão cla amen e de inido, nem ão in eg ado. A exp essi idade de Ronchamp i e mesmo dessa con aposição. E po isso a capela pode a é se i pa a in oduzi o ema das duas poé icas di e enciadas, que conc e amen e e e em o signi icado da espessu a, na linguagem exp essi a da a qui ec u a, nela cons i uindo como disse an e io men e, um pa âme o impo an e e a meu e , decisi o. Ou o aspec o que me in e essa insis i ainda que b e emen e, é o do aspec o da luz que ambas as pa edes – espessas e delgadas – di e enciadamen e p opo cionam. As abe u as na pa ede espessa de Ronchamp, de inem-se eno mes pa a o in e io , e de eduzida dimensão no ex e io dando po um lado a le oda a espessu a da pa ede em que se inse em, e em simul âneo c iando um espec áculo de luz que a penumb a ge al acen ua. Le Co busie , Ronchamp © Alexand a Ca doso 17 Vimos an e io men e a ap eciação de Ze i a es e espei o. Eille S een Rasmussen, na lei u a que az da capela, e i ica no en an o e pa ece-me que com azão, o quan o é p ejudicial pa a odo o jogo de iluminação, a p esença da enda e ical jun o do al a , já que in oduz um asgo de luz que esul a encandean e pa a a no mal posição da assembleia. Es e se á, pa ece, o único pon o dissonan e exis en e em oda a Capela. Pa en e des a magní ica ob a e quase sua con empo ânea, cabe á ci a ou o edi ício, es e ago a de Al a Aal o que ambém joga num con ole da luz, p óp io de uma pa ede espessa, embo a aqui a espessu a não seja ão di ec amen e a ada. Pe cebendo que a massa pode se agilmen e descons uída po planos, como os olumes em algumas escul u as de Naun Gabo, Al a Aal o es abelece um jogo de planos que em conjun o e azem o sen ido de massa p op iamen e di a, com isso pe mi indo aquela modelação de luz que em ge al é ca ac e ís ica de uma pa ede espessa. Re i o cla o, a Ig eja de Vuoksennisca de Ima a, da á el de 1956-1958. Nes e caso há como que uma e olução da linguagem que inha sido u ilizada em Ronchamp. Se no ex e io , a Capela de Ima a pa ece não e a mesma coe ência olumé ica da p imei a – suponho no ó io nes a capela inlandesa, o sen ido desligado e um pouco adi i o do olume da o e, aspec o nega i o inexis en e em Ronchamp – no en an o a capela de Ima a ap esen a pelo in e io um modelado de massas e de luz, que cla amen e e oca e al ez complexi ique e en iqueça, a já po si complexíssima e iquíssima es u u a exp essi a de Ronchamp. Al a Aal o, Ig eja de Vuoksennisca de Ima a © Alexand a Ca doso 18 Mudando ago a pa a um ho izon e de maio p oximidade, penso ainda, embo a o p oponha pa a já, unicamen e como me a hipó ese de abalho, que se pode ia a isca e na espessu a um a gumen o em g ande pa e esponsá el pela nacional incomp eensão mú ua en e duas lei u as possí eis do uni e so a qui ec ónico, incomp eensão que se en ol eu de algum mal- es a e que se ins alou de manei a inegá el na nossa cul u a, du an e a igência do Es ado No o. C eio, mas isso se á um es udo mais longo a aze , que aquilo que e dadei amen e es a a em jogo e mais incomoda a alguns na gené ica acei ação da a qui ec u a mode nis a, não e am nem as cobe u as- e aço, nem as janelas ho izon ais nem ou os p incípios idên icos. E a na ealidade o ac o de a a qui ec u a mode nis a p i ilegia mili an e- men e uma linguagem de pa edes delgadas. Isso podia de ac o cons i ui como que uma ameaça, ainda que apenas p essen ida de manei a nebulosa. Ameaça de quê? Se ia imp o á el que mesmo os a qui ec os mode nis as disso es i essem cien es, mas as pa edes delgadas inham signi ica de ac o pa a odos, uma espécie de a qui ec u a “cool”, sem mis é io nem con olo exp essi o da luz, sem que espacialmen e nela se mani es assem quaisque “enca oçamen os” e densi icações especí icas. “Enca oçamen os” e densi icações omadas al ez ap essadamen e, como ele ando essencialmen e de uma men alidade bu guesa do séc. XIX. Se iam ce amen e, mas ambém in oca am e isso e a de alguma manei a esquecido, alguns alo es que semp e se associa am ao ac o de habi a . Assim simul aneamen e aquelas mesmas pa edes delgadas inham pô di ec amen e em causa uma ge al noção de habi a ei a de in imidades e eca os, que e ec i amen e só as pa edes espessas pa eciam e possibilidade de assegu a . Reco de-se como a habi ação que Bachela d analisa na sua Poé ica do Espaço e oca de imedia o uma casa de pa edes espessas, embo a a um ní el c í ico mais so is icado que ago a não ou ap o unda , seja igualmen e signi ica i o que Bachela d diga que em igo numa análise opo ílica, 14 ambém a somb a é uma habi ação . E a al ez inad e idamen e, e sem que se ape cebessem da impo ância global do ec o espessu a no seu uni e so a qui ec ónico, que de ac o os a qui ec os mode nis as, apenas cediam com alguma candu a a p es igiados e es i os pa âme os de mode nidade, induzidos pelo Mode nismo. Já numa his ó ia b e e da a qui ec u a, me pa eceu de sublinha , essa impo ância da espessu a, sob e o sen ido das moldu as nas janelas 15 manuelinas . 14. Gas on BACHELARD – La Poé ique de l'Espace. Pa is: P esses Uni e si ai es de F ance, 1958, pág. 127 15. Ped o Viei a de ALMEIDA e Ma ia Helena MAIA – “ Episódio A e No a e a a qui ec u a do e o” in His ó ia da A e em Po ugal, ol 14, A A qui ec u a Mode na. Lisboa: Al a,1986, pág 91 e seg. Suponho mesmo que ao longo da his ó ia da a qui ec u a, aquela dimensão da espessu a oi quasi semp e uma das dimensões omadas em con a, ainda que mui as ezes sem excessi a consciência eó ico c í ica da sua impo ância. In e essa-me cla o, ap o unda o pon o de is a da a aliação das implicações espaciais da espessu a das pa edes. Não se á de espan a que em Po ugal quase não haja signi ica i as e e ências eó icas a es a dimensão. Se ia di ícil aze-lo, den o do esquema de dependências in elec uais em que nos mo íamos. Mas aqui enho de conside a uma excepção no á el que é a de Raul Lino. An es de con inua gos a ia de deixa bem cla o que não alimen o nenhum p econcei o posi i o em elação à igu a p o issional de Lino, nem me en endo como um especialis a em Raul Lino, no sen ido de em que na li e a u a se ala em camilianos ou pessoanos. Não sou, nem o p e ende ia se , nem an o quan o o pude conhece ele alguma ez acei a ia que eu o p e endesse, se um aulineano. A é já a i mei em empos e decidido não esc e e mais sob e Raul Lino. Mas nada posso aze se a cada passo me su ge a sua igu a a a és de esc i os ou de ob a cons uída. E é com e ei o na sua ob a esc i a que en e nós se az mais consis en es e e ências à espessu a. Em Casas Po uguesas, li o de 1933 que o p óp io au o emia pudesse se 16 omado como “li o de ecei as” , Lino sublinha a “g ande consolação” que 17 se sen e em casas de pa edes espessas , e já mui o an es em 1918 no li o A Nossa Casa e be a o e o de “igno a quan o em ce os casos o ca ác e de 18 uma cons ução é de ido à simples espessu a das suas pa edes” . Nem no ex o de 33 em que Lino apenas e e e o “aconchegado nos igo es de 19 In e no” , nem no ex o de 18, não se chega e dadei amen e a ap o unda os elemen os de linguagem a qui ec ónica que a pa ede espessa em implica . E enho pena que Lino o não enha ei o, po que e ia ce amen e mui o a escla ece . No en an o suponho pode in e p e a a sua campanha con a a moda “a assalado a” dos chale s, ambém como uma eacção con a as implicações ine i á eis que esul a am do ac o de se em aqueles, ca ac e is icamen e cons uções de pa edes delgadas. E não se á po acaso que na sua ob a cons uída “o Cip es e”, me ece um luga de des aque. Que o c e que pa e do seu encan o exp essi o, da sua coe ência es u u al, lhe em de se ap esen a exp essi amen e como uma ob a de pa edes 20 espessas . E a isca -me-ia ago a a conside a que as sucessi as “ eduções exp essi as” 16. Raul LINO – Casas Po uguesas. Alguns apon amen os sob e o a qui ec a das casas simples. Lisboa: Valen im de Ca alho, 1933, pág. 42. 17. Raul LINO – Casas Po uguesas…,pág. 27 18. Raul LINO – A Nossa Casa. Apon amen os sob e o bom gôs o na cons ução das casas simples. Lisboa: A lân ida, 1918, pág 31. Sublinhado meu 19. Raul LINO – Casas Po uguesas…,pág. 27 20. Numa isi a à Casa do Cip es e, o a q. Diogo Pimen el, ne o de Raul Lino, lemb ou-me o ap eço que es e inha com o ac o de a po a da ua echa com sólido e ace ado uído su do, que ansmi e a sensação de segu ança e anquilidade que é comum com a segu ança de uma casa de pa edes espessas. Também e e e em A Nossa Casa… (pág. 42) que a po a de e mos a “que é espessa e boa gua dado a” 19 que em empos a e idamen e pensei pode de ec a na sua linguagem, se de em ao ac o de Lino en a adap a a sua p óp ia linguagem de edo a de uma poé ica de pa edes espessas, a uma o mulação a que na u almen e e a es anho, que e a a de uma linguagem de pa edes delgadas que o Mode nismo naquele momen o de alguma manei a de e mina a. Se ia possi elmen e esse, o sen ido daquilo que conside ei se o emp ego de 21 uma linguagem “mais seca”, no pe íodo que se inicia ce ca dos anos 30 . Apenas como indicação b e e, gos a ia ainda de ac escen a a lei u a que aço de alguma da a qui ec u a cons uída no empo do Es ado No o, em que os a qui ec os ambiguamen e pa eciam po um lado, en a segui os di ames da época, época em que apenas conside a a como exp essão possí el de uma a qui ec u a mili an emen e mode na, a pa ede memb ana – po an o pa ede delgada – e po ou o, sen indo ainda que agamen e a necessidade a é, ou sob e udo, psicológica, de uma a qui ec u a de pa edes espessas. Se á que e o dizendo se es e um descolamen o cul u al pa ilhado na al u a po quase odos os in e enien es? C eio que quando en e nós se ala a da a qui ec u a adicional, osse pa a a 21. Ped o Viei a de ALMEIDA – “Raul Lino. A qui ec o Mode no” in Raul Lino. Exposição Re oespec i a da sua Ob a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1970, pág. 170. Casa do Cip es e, Raul Lino © Ped o Viei a de Almeida 20 magni ica osse pa a a ejei a , se es a a no undo, embo a sem que os pa icipan es na polémica disso se ape cebessem, a pensa de ac o nessa ca ac e ís ica de espessu a das pa edes. Olhando um pouco mais de pe o, penso pode em adica aqui algumas das azões de um ce o a i icialismo da Casa Rica do Se e o (1904), a i ici- alismo que quan o a mim, pa a além de ou as incong uências, p o ém do ac o de nela se p e ende uma casa de adicionais alo es de habi a , a pa i de uma sin axe quase oda ela es u u ada numa desadequada linguagem de pa edes delgadas. Ou al ez seja possí el numa ou a lei u a, en ende que a “qualidade” da Casa Rica do Se e o pudesse es a p ecisamen e nessa en a i a, ainda que alhada, de aduzi alo es de um habi a de pa edes espessas, numa edi icação que se ap esen a a como de edo a de uma linguagem de pa edes delgadas. Pa a já no en an o suponho um pouco o çada al in e p e ação. Mas esse aspec o al ez só enha a se possí el apu a com melho c i é io em es udo de conjun o que se es u u e de manei a c i icamen e exigen e e que en ol a oda a ob a de Se e o. Com ou a coe ência, uma década an es, em Cascais o Conde de A noso inha ei o cons ui uma casa que ainda que possi elmen e c i icá el nas suas e e ências egionais, ap esen a a uma consis en e e sólida es u u a de pa edes espessas, ca ac e ís ica que al ez enha mais a de, le ado Ramalho a uma e e ência elogiosa. Aí de ac o pa ece esidi pelo menos uma das suas inegá eis qualidades. De uma manei a su p eenden e ão su gi no chamado “Inqué i o do 22 Sindica o”, algumas e e ências ao signi icado a qui ec ónico da espessu a . embo a a e e ência se limi e à sua qualidade enquan o isolamen o é mico, sem nenhuma análise ao ní el da exp essi idade p óp ia. Digo su p eenden e, em p imei o luga po que ep esen a uma sensibilidade a um especí ico ac o de linguagem, que de imedia o se não suspei a ia. E ainda em segundo luga su p eenden e, po essa sensibilidade acaba po su gi em zonas nas quais odo o es o da análise desen ol ida não pa ecia apoia um al e inamen o. Es as dispa idades que de es o al ez se possam jus i ica , pela al a de uma es u u ada elabo ação c í ica pos e io , pode ão mesmo e con ibuído pa a uma ce a con enção no enquad amen o gené ico da a qui ec u a adicional. Te -se-á pelo menos en e is o o alo da espessu a, mas limi ando adicalmen e o seu po encial signi icado. E no undo no pe íodo do Es ado No o, a p opos a da c iação de uma a qui ec u a “mode na e nacional”, como aquela que es a a con ida na 22. A qui ec u a Popula em Po ugal. Lisboa: Associação dos A qui ec os Po ugueses, 1980 (1961), pág. 569 e 628 21 “Rep esen ação 35”, pode ia se en endida como uma áci a alo ização dessa dimensão de espessu a. Nes e momen o e ia que ol a a ás pa a desen ol e es e aspec o e po isso limi o-me po ago a ao enunciado des e ema que al ez enha a e in e esse desen ol e . Mas ambém aí, nessa dimensão da espessu a e nas suas á ias implicações, suponho adica g ande pa e do signi icado das go das moldu as de ped a que se ensaia am em po as e janelas, na suposição de que elas i iam p ecisamen e con e i espessu a apa en e a pa edes que dela se sen ia ca ece em, osse esse o esul ado de conside ações de o dem cons u i a e dos ma e iais emp egues, osse esul ado de conside ações de o dem es i amen e económica. Pode ia cla o ci a á ios exemplos, mas odos se lemb a ão de á ios. Mas es e ecu so que de alguma manei a pode á e ca ac e izado aquilo a que Keil do Ama al chama a “po uguês sua e”, ligando o signi icado da exp essão à a qui ec u a de p eocupação mais ou menos egionalis a, es e ecu so, nem semp e e á sido in ei amen e assumido, su gindo como ecu so “en e gonhado”, que al ez enha sido um dos g andes esponsá eis po aquela imidez que enho apon ado pa a a débil ca ac e ização da a qui ec u a de p eocupação “mode na”, naquilo a que eu p e e i chama “a qui ec u a doce”, e mo que pela p imei a ez u ilizei, suponho, num b e e es udo in eg ado no ca álogo publicado em 1996 quando da Exposição do a q. Viana 23 de Lima . Mas ambém podíamos ainda e po exemplo, na adesão en usias a de Keil em elação à a qui ec u a holandesa, na qual ele econhecia um ca ác e ma cadamen e holandês em simul âneo com um ca ác e e dadei amen e mode no, como que a su p esa e o econhecimen o da possibilidade de uma conjugação de pa âme os apa en emen e ão opos os e que na a qui ec u a po uguesa gené ica, se pensa am em absolu o inconciliá eis. Assim ali na Holanda pa ecia esol e -se uma apa en e con adição, o que a é se pode acilmen e en ende dado que gene icamen e a adição holandesa na sua a qui ec u a egional, esul a a ambém uma longa p á ica de uma poé ica de pa edes delgadas. As pin u as de in e io es de Ve mee ou de Pe e de Hooch, e e em ambien es mui o ma cados na sua exp essão a qui ec ónica p óp ia, em que é de e minan e a qualidade da luz in e io , c ia i amen e moldada pelo sis ema 24 de janelas de po adas múl iplas, que aliás Rasmussen analisa . Mas aí as pa edes são pa edes delgadas. Po an o na Holanda, endo já longamen e insc i o essa poé ica de pa edes delgadas na sua a qui ec u a de exp essão adicional, ce amen e que se ia mais ácil inco po a esses p ecisos aspec os da p édica Mode nis a, sem que se le an assem di iculdades de maio e sem qualque con adição in e na. 23. Ped o Viei a de ALMEIDA – “Viana de Lima” in Viana de Lima a qui ec o 1913-1991. Ca álogo da exposição. S.l.: Fundação Calous e Gulbenkian / Á o e - Cen o de Ac i idades A ís icas, C.R.L., 1996 24. S een Eile RASMUSSEN – Expe iencing A chi ec u e… 22 Po con as e, is o pode ia e ei o pe cebe que pelo con á io, a nossa a qui ec u a adicional – enquad ada gene icamen e, como eu suspei o, po uma poé ica mais so ida de pa edes espessas – inha desde logo impo a necessidade de ou o ipo, mais complexo e exigen e, de adap ação a uma g amá ica Mode nis a a que se que ia ade i . Que não es á amos o almen e capazes de analisa es es aspec os, pa ece-me se quase p oba ó io, o ac o de que em ob as de signi icado indiscu í el, e alo nada menos do que da undamen al peça na a qui ec u a po uguesa iniciada em 1948 que é a Ig eja de Águas de Nuno Teo ónio Pe ei a, me pa ece pode egis a algum des asamen o en e a lei u a de pa edes espessas que a ob a nos ap esen a do ex e io , e a lei u a de pa edes delgadas que podemos ap ecia pelo in e io . Mas is o não impede que na Ig eja de Águas, se u ilize um gama iquíssima na modelação da luz, modelação exp essi a que aqui apa ece pela p imei a ez na a qui ec u a nacional e nela ma ca luga his ó ico. Ou o caso que di ia ex emo numa a qui ec u a de exp essão de pa edes delgadas, se á o da capela de S. Jo ge, de Jo ge Segu ado. Tenho de con essa não e podido ade i aquela ob a. E a é de ce a manei a iquei su p eendido, não só po e achado desadequada aquela opção que na capela su ge quase como uma iolência exp essi a, mas po que no meu imaginá io inha iden i icado Segu ado, al ez abusi amen e, com a memó ia do seu esplêndido edi ício da “Casa da Moeda”. O a qui ec o semp e alo izou es a ob a e mui o a de quando o conheci não deixa a de se lhe e e i com empenho. Po mim enho de escla ece não a c e mui o signi ica i a, mas suponho não e a dizendo que o que azia Jo ge Segu ado ap ecia aquela sua ob a, e a exac amen e po en ende se aquela – uma linguagem de pa edes delgadas – a exp essão que sem discussão acei a a como penho de uma inequí oca mode nidade. Um ou o exemplo de o jun a : o da Ig eja de S a Ma ia que Siza Viei a 25 ealiza no Ma co de Cana ezes . A isco-me a dize se es a, a ob a-p ima de Siza. O ágil con olo da massa, o pe ei o con olo da luz, a densidade exp essi a do odo, esul am num uni e so o almen e no o. Como em ou os p ojec os, e elam-se aqui p o undas e lúcidas lei u as de ob as conhecidas. Com e ei o nela es ão p esen es, desde cul as e e ências his ó icas de épocas emo as, a é algum G opius ainda na Alemanha, bem como a pos e io es ecomendações de um Le Co busie ace ca do jogo dos “ olumes simples”, nes e caso i onicamen e e e idos em nega i o. 23 25. Ob a em co-au o ia com Rolando To go Po ou o lado di ia que aqui, no Ma co, pa e dos p oblemas exp essi os coincidem com os que imos abo dados nos casos an e io es da Ig eja de Ronchamp, Ima a ou Águas, e que nes e sen ido é possí el e al ez desejá el, no pon o de is a c í ico, es abelece uma linha gené ica que as a icule. De ac o eem odas em comum o conside a um exp essi o do jogo de pa edes espessas, em que elas de e minam idên ico con ole de luz. Mas ago a, no Ma co, c eio pode dize que udo a a és de um jogo mais coe en e e equin ado. Assim a “casca de ca anguejo” que Le Co busie pa ece e acei e como me á o a da cobe u a de Ronchamp, e que ali “esmaga” o espaço in e no, unciona aqui com a mesma unção plás ica de adensamen o do espaço, não já como esul ado de uma exp essi a p essão exe cida na e ical, mas esul a como equi alen e p essão la e al. Também se pode ia aqui e um in eligen e epensa do Pa ilhão Finlandês do Aal o em 1939 na Exposição Mundial de No a Yo k. A luz que en a a jo os, pelas g andes janelas supe io es, é il ada e moldada como luz de pa ede espessa, mas exac amen e como acon ece em Ima a, es a 24 Ig eja do Ma co, Siza Viei a © Ped o Viei a de Almeida