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Para Além das Fronteiras

FAUSTINO, Carlos

Abstract

A obra Esculturas que fazem sons, sons que fazem escultura trata da interacção e intersecção entre som e escultura na prática artística moderna e contemporânea, identificando o surgimento de uma nova sensibilidade sonora no século XX, que toma o som-ruído como matéria e material escultórico (Maria Covadonga Barreiro) e analisando alguns dos processos de transformação de som em escultura (Carlos Faustino).

Full text

Nes e pequeno ensaio p ocu a-se e lec i sob e o p ocesso me amó ico no con ex o a ís ico, com ecu so à ob a de a is as como, Na halie Miebach, Jan Hen ik Hansen, Da id F ied e Daniel F anke, cujo abalho se baseia na in e acção en e a iadas á eas a ís icas, desde o som à escul u a passando pela concepção i ual do objec o a ís ico. 1 A ecolha, in e p e ação e u ilização de da a com ins a ís icos é pa e in eg an e, a um ní el p ocessual, de um g ande núme o de ob as a ís icas con empo âneas. 2 É o caso, po exemplo, da a is a plás ica Na halie Miebach que iniciou em 2006 o seu pe cu so a ís ico como in é p e e da in o mação esul an e da in e acção en e as condições me eo ológicas e ma í imas. Num p ocesso de conexão en e a e e ciência, a ecolha de in o mação sob e a in e acção das condições clima é icas e o meio e a espec i a in e p e ação du an e dezoi o meses, le ou à conc e ização de uma sé ie de ob as a ís icas. Tendo começado po ans o ma a in o mação ecolhida em escul u a, a a is a e oluiu pa a um p ocesso que implica a a adução dessa mesma in o mação em peças sono as (musicais) que, de seguida, são con e idas em escul u a. Inicialmen e, Na halie Miebach cons ói uma pau a musical com 3 ca ac e ís icas especiais , uma ez que nela usa símbolos e co es que, po no ma, não es ão p esen es na no ação musical clássica. Is o é, a a is a ap esen a-nos nes a pau a, a p imei a ans o mação de elemen os de ca ác e es a ís ico num objec o concep ual que oma a o ma de uma peça musical, soco endo-se de signos que apenas são passí eis de se em in e p e ados po músicos ou indi íduos com o mação musical. Tendo em conside ação a composição g á ica do objec o, es a me amo ose pe mi e ao in é p e e uma pe cepção, ainda que supe icial, do que pode á i a se o objec o sono o, que pode á, pos e io men e, i a assumi uma o ma escul ó ica. 4 Tal como ou os exemplos bem sucedidos de in e acção en e a is a e p o issionais das mais di e sas á eas cujo domínio da componen e écnica o na a-se o p incipal al o de in e esse, ambém Miebach é con on ada com a necessidade de colabo ação com músicos de o ma a ob e uma linha melódica e ha moniosa, a pa i da conjun o de in o mação ecolhida. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS No as sob e som e escul u a 1. da a: ac os indi iduais; es a ís ica; elemen os in o ma i os. Dados que ep esen am esul ados de análises. Dados que são inse idos no e minal pa a um p ocessamen o imedia o po compu ado . In h p://dic iona y. e e ence.com (Re ie ed in 28/07/2011) 2. MIEBACH, Na halie. S a emen in www.na haliemiebach.com/ (Re ie ed in 15/03/2011) 3. Idem, Sculp u al Musical Sco es. 4. Como po exemplo, Vi o Acconci, no es údio em que o mesmo c ia em colabo ação com engenhei os e a qui ec os, o Acconci S udio - h p://www.acconci.com/ (Re ie ed in 28/07/2011) 25 Ca los Faus ino Po im, o esul ado ap esen ado consis e num ichei o áudio, onde é acilmen e iden i icá el o piano como único elemen o da composição e o que ou imos usu ui de ca ac e ís icas apa en emen e con o e sas, em elação ao que se ia de espe a ao escu a uma peça musical baseada num conjun o de in o mação, e en ualmen e, não-linea . Uma segunda e apa, cons i uindo na execução da peça musical esul an e da ans o mação da in o mação analisada, só pode ia esul a numa peça melódica se os dados ap esen ados es i essem o ganizados de o ma linea , c escen e ou dec escen e, ou en ão se po coincidência, a a is a em colabo ação com os músicos, conseguissem ealiza um mapeamen o do compo amen o dos da a ao ní el da no ação musical. Es amos pe an e uma manipulação única e exclusi amen e execu ada po se es humanos, sem o usu u o de p ocessos compu acionais e sem que em nenhum momen o se pe ca o con olo da ob a. É c iado um sis ema a a és do qual os da a são ag upados, endo como p ocesso pos e io , a iden i icação de pad ões pa a que os mesmos possam se u ilizados pa a os ins a ís icos designados pela a is a. No en an o, não deixamos de es a pe an e uma adução li e des es da a numa peça sono a. Exis em alguns pad ões p é-es abelecidos que ajudam os músicos a cump i um mapeamen o minimamen e ígido, es abelecendo uma ó mula ou um conjun o de eg as, que pe mi em a ansmu ação dos da a numa peça musical. No en an o, exis e um p ocesso denominado de Sono ização, cujo e mo oi 5 ixado po um colec i o de au o es no seguimen o do li o de ac as do ICAD (In e na ional Communi y o Audi o y Display) ealizado na cidade de San a-Fé, nos Es ados Unidos da Amé ica. Segundo a de inição des es au o es, o concei o de Sono ização consis e na “ ans o mação das elações de da a em elação ap eendidas num sinal acús ico, com o p opósi o de 6 acili a a sua comunicação ou in e p e ação”. Regis e-se que se ia mais in e essan e a ibui es a écnica à p imei a e apa de ans o mação do objec o a ís ico de Miebach, mas de ido à impossibilidade de acesso aos da a o iginais, u ilizados pela a is a, es a mesma a e a acaba po se inexequí el. 7 8 E e i amen e, Thomas He mann iden i ica qua o equisi os mínimos pa a que uma ob a sono a es eja incluída den o des e géne o, no en an o, odos es es equisi os ob igam à e i icação dos da a u ilizados, o que o na impossí el a sua aplicação ao p ocesso le ado a cabo usado po Miebach. Con enhamos que o esul ado de uma ans o mação di e a de da a em som pode ia esul a numa sé ie de ' uídos' es anhos e desag a eis an o pa a um e en ual público, como pa a a p óp ia a is a. Aqui impo a lemb a que o concei o de uído em um papel de des aque no que diz espei o ao som, bem como ao p óp io p ocesso de comunicação. E ec i amen e, numa g ande pa e das si uações do quo idiano, é no á el a 5. G. K ame , B. Walke , T. Boneb igh , P. Cook, J. Flowe s, N. Mine , and J. Neuho , (1999) Soni ica ion epo : S a us o he ield and esea ch agenda. San a-Fé. Tech. Rep., In e na ional Communi y o Audi o y Display, h p://www.icad.o g/websi eV2. 0/Re e ences/ns .h ml. 6. G. K ame , B. Walke , T. Boneb igh , P. Cook, J. Flowe s, N. Mine , and J. Neuho , (1999) Soni ica ion... 7. He mann, T.(2008).Taxonomy And De ini ions Fo Soni ica ion and Audi o y Display .Pa is. P oceedings o In e na ional Communi y o Audi o y Display 8. “1) O som e á que e lec i p op iedades objec i as ou elações na da a u ilizada. 2) A ans o mação é sis emá ica. Is o signi ica que há uma de inição p ecisa com a in o mação de como a da a (e in e acções opcionais) azem com que o som mude. 3) A sono ização é ep oduzí el: dado a mesma da a e in e acções idên icas, o som esul an e em de se es u u almen e idên ico. 4) O sis ema pode se usado in encionalmen e com da a di e en e e pode ambém se usado epe i i amen e com a mesma da a.” In He mann, T., (2008) 26 di e ença empo al en e o que ou imos e o que emos. Numa pe cen agem ele ada dos acon ecimen os que expe ienciámos isualmen e, apenas associamos o sinc onismo imagem/som a uma pequena pa cela da o alidade de sons que ou imos num momen o especí ico pois udo o que se passa o a do nosso campo de isão acaba po se ape cebido como uído. Pe encemos a uma cul u a que se guia essencialmen e pela isão. Es e p incípio em como consequência o econhecimen o e a iden i icação de de e minado objec o a a és de um nome, is o é, da pala a. A pa i do momen o em que a is amos algo, sabemos iden i icá-lo a a és do nome, ao con á io do que se sucede com a iden i icação e classi icação de sons, em que nem semp e isso acon ece. Toda a panóplia de sons que nos é o e ecida ao ou ido pelo cen o de uma cidade é acilmen e igno ada e a nossa a enção em e mos audi i os oca-se essencialmen e no local que es á a se obse ado, p ocu ando assim sinc oniza a audição com a isão. O uído, em e mos sono os, e a sua concep ualização como pa e in eg an e de uma ob a é uma ques ão que já oi p oblema izada no início do século XX 9 no mani es o u u is a esc i o po Luigi Russolo em 1913, The A o Noises. A ca ego ização de sons que ou imos comummen e e a possibilidade da sua insc ição em peças musicais é uma p imei a eacção a es a p oblemá ica. 10 To ben Sangild , iden i ica ês de inições básicas de uído – acús ico, comunica i o e subjec i o. A p imei a ca ego ia consis e no aglome ado de sons 'impu os' e i egula es como esul an e de á ias equências em simul âneo. Pa a além des a de inição, o uído ambém é classi icado numa escala mais ampla, sendo iden i icado po co es, o iole noise [ uido iole a], pa a as equências agudas e o pu ple noise [ uido pu pu a], pa a as equências g a es. No e-se que ela i amen e à segunda de inição ace ca do aspe o comunica i o, o uído na eo ia da comunicação não é mais do que a dis o ção do sinal que ai do emisso ao ecep o , p o ocando e en uais alhas na ecepção da mensagem. E ec i amen e podemos es a a lida com sons desag adá eis, ca ac e ização ob iamen e subjec i a que em como elemen o p incipal do juízo a alia i o, o gos o de de e minado ou in e. Concen emo-nos na segunda ca ego ia ap esen ada pelo au o , o uído comunica i o. Es e elemen o é de ex ema impo ância na ansmissão de uma dada mensagem, ou seja, aplicando ao assun o que se em indo a a a , a ans e ência de in o mação de um meio pa a um ou o pode de e mina um 'mau- uncionamen o' no u u o o ma o, is o é, uma al e ação de pon o de is a es é ico/ uncional da ob a/mensagem. 11 Shannon e Wea e ap esen am-nos um esquema de ansmissão de uma mensagem em que é possí el no a a in e e ência de uma on e de uído. Es e 27 9. WEIBEL, Pe e , ed. (1997) – The A o Noises in die wiene g uppe: a momen o mode ni y 1954- 1960 / he isual wo ks and he ac ions; La Biennale di Venezia; Sp inge Wien New Yo k 10. SANGILD, To ben (2002) - The Aes he ics o Noise, h p://www.ubu.com/pape s/noise.h ml (Re ie ed in 15/03/2011) 11. Shannon, Claude E. and Wea e , Wa en (1964), The Ma hema ical Theo y o Communica ion (Illinois: The Uni e si y o Illinois P ess). inpu exis e semp e em qualque p ocesso comunica i o. Aplicando es e concei o à ans o mação de uma ob a supo ada po um de e minado meio pa a um ou o, a possibilidade de exis i um ele ado índice de uído é conside á el. Logo, pa a que a me amo ose seja ealizada de o ma a pe de o mínimo de in o mação e a man e -se o mais idedigna possí el, é necessá io que a 'mensagem' ansmi ida con enha um al o índice de edundância. Quan o maio o índice de edundância de uma mensagem, maio a possibilidade da mesma se ecebida com o mínimo de alhas. Pa alelamen e a es e p ocesso de ans o mação da peça musical em peça escul ó ica, conside o se pe inen e p oblema iza a in e acção en e o som e 12 escul u a que o abalho do a is a Da id F ied a a. No caso em ques ão, não exis e nenhum p ocesso de me amo ose mas sim, de indução das ondas sono as p o ocadas ex e io men e, com o in ui o de in oduzi mo imen o nas peças escul ó icas. O p ojec o que passo a desc e e , in i ula-se de Sel O ganizing S ill Li e 13 (S.O.S.) , baseado no desen ol imen o de escul u a in e ac i a ciné ica. Os objec os escul ó icos u ilizados são semp e es e as dos mais a iados amanhos, endo es a escul u a como objec i o p incipal a mo imen ação das es e as a a és de es ímulos sono os ex e io es. As es e as êm a capacidade de se mo e median e a in e p e ação acús ica de um senso que êm alojado no seu in e io e que de e mina um pe cu so, apa en emen e alea ó io, ainda que exis a mais do que uma es e a a se induzida pela mesma on e sono a. O senso é p og amado pelo a is a que ambém pode calib a a sensibilidade do mesmo pa a que os objec os espondam a um es ímulo especí ico, de e minando assim o compo amen o pos e io das es e as. Es ando con inadas a um espaço es i o, a p obabilidade de choque en e as es e as é in e samen e p opo cional ao pe íme o do ecin o onde es ão dispos as. Assim, pa a além do es ímulo sono o ex e io , as es e as c iam um e ei o de eedback quando chocam umas com as ou as, ol ando a al e a o pe cu so e assim sucessi amen e. Apesa de Da id F ied e um papel ac i o na p og amação do senso que es á inse ido nas es e as, enuncia delibe adamen e a qualque con olo sob e as mesmas, deixando-as mo imen a -se num pe cu so apa en emen e alea ó io, den o do ecin o p é-es abelecido. Des e exemplo podemos conclui que se a a da demons ação de como um sis ema es u u ado e o denado pode e como esul ado algo iminen emen e caó ico. Tendo em conside ação odos es es elemen os, c eio se pe inen e a i ma que es amos pe an e uma ob a que cump e alguns dos equisi os do 14 que se em indo a denomina A e Gene a i a . 15 Soco endo-nos do abalho eó ico desen ol ido po S ephen Wol am e espondendo a uma obse ação b e e do esul ado inal do abalho a ís ico de F ied, iden i ica íamos odo o pe cu so das es e as como pu amen e 28 12. FRIED, Da id - h p://www.da id ied.com/ ex _sculp u es_pg1.h ml (Re ie ed in 15/03/2011) 13. CALResCO, G oup Membe s 'Sel -O ganizing Sys ems (SOS) FAQ', (Re ie ed in 28/07/2011) 14. “A A e Gene a i a es á elacionada com qualque p á ica a ís ica em que o a is a cede o con olo da ob a em p ol de um sis ema que ope a com um g au ela i o de au onomia, con ibuindo assim ou esul ando numa ob a de a e comple a. (…) ”GALANTER, Philip (2008) – Wha is complexism? Gene a i e A and he Cul u es o Science and he Humani ies; Texas, E.U.A. h p://philipgalan e .com/ (Re ie ed in 15/03/2011) 15. WOLFRAM, S ephen (2002) – A New Kind o Science, Canada, Wol am Media, Inc 16 alea ó io, espondendo à eg a 30 , es ipulada po Wol am, ambém conhecida po classe 3. No en an o, nes e caso em conc e o, não es amos pe an e uma si uação a que se possa aplica essa mesma classi icação, mas sim, algo mais complexo, o que de es o, su p eendeu o p óp io Wol am. T a a-se da pe cepção de um esul ado apa en emen e alea ó io, mas que obedece a uma de e minada es u u a egula e que no caso das es e as de F ied, pode ou não es a sob e o con olo do a is a a a és do es ímulo sono o ex e io . Sendo assim, é 17 ele an e a ligação en e a ob a desen ol ida po F ied e a eg a 110 de Wol am, na sua eo ia dos pad ões e olucioná ios dos au óma os celula es. Abandonando es a b e e e lexão sob e a in e ac i idade en e som e escul u a, impo a ol a ao objec o des e ex o, a me amo ose de uma peça musical numa peça escul ó ica. 18 Na halie Miebach ap esen a-nos o esul ado inal desse p ocesso em que o objec o a ís ico esul a do c uzamen o do p ocessamen o de in o mação (da a) com o elemen o musical e pos e io men e com o elemen o escul ó ico. A a és da écnica de ab icação de ces os a a is a c ia os seus objec os idimensionais, delineados pela ambiência que a música p opo ciona. Es e p ocesso é egulado median e a mesma in o mação (da a) usada pa a a c iação musical, de e minando a cons ução da escul u a. A ans o mação sono a em objec o su ge ambém no abalho do a is a suíço 19 Jan Hen ik Hansen , cuja p emissa inicial pa a a c iação de um objec o a ís ico se assemelha à de Na halie Miebach, sal agua dadas algumas di e enças do pon o de is a p ocessual. No caso da p odução a ís ica de Hansen, a con e são de uma peça musical em escul u a dá-se a a és do emp ego de um algo i mo desen ol ido pelo mesmo. O a is a não op a pela ans o mação de in o mação (da a) em música na sua ob a, abalhando apenas aquela que, pa a Na halie Miebach cons i ui a e apa inal do p ocesso: a ansmu ação da música em escul u a. Hansen u iliza composições p óp ias en emeadas po músicas popula es (do conhecimen o ge al da população a uma escala mundial) de o ma a o na es e p ocesso ainda mais 'chocan e'. Uma peça de Bach ou de Bee ho en ans o mada em escul u a, é um acon ecimen o que pa a além de ge a polémica, c ia um ambien e de cu iosidade em o no de oda a ob a do au o . Vol ando ao que oi e e ido a ás ela i amen e ao mé odo p ocessual de ans o mação das peças musicais em escul u a, Hansen, baseando es a ans o mação num algo i mo, pe mi e que o público se ape ceba de como se ealizou o p ocesso. A a és da con e são de uma peça de Bee ho en num objec o idimensional – ge ado po um so wa e compu acional num ambien e digi al, em que a p og essão do objec o es á sínc ono com a música – é possí el dis ingui e iden i ica os pa âme os usados nessa mesma con e são. 16. Es a eg a de e mina que median e a c iação de um pad ão que já não é possí el iden i ica uma egula idade compo amen al, o mesmo passa a se iden i icado como alea ó io. 17. a eg a 110 es á ine en e a elabo adas es u u as localizadas ge ando uma in e acção num modo ex emamen e complexo. 18. MIEBACH, Na halie – Tu ning da a in o Sculp u e and Sound, h p://www. ebellionlab.com/2010/11/13/na halie- miebach- u ning-da a-in o-sculp u e-and-sound/ (Re ie ed in 15/03/2011) 19. HANSEN, Jan Hen ik - h p://janhen ikhansen.com/ (Re ie ed in 15/03/2011) 29 A a iá el em ques ão baseia-se na conjugação do pi ch da música e com as 'queb as/linea idade' des a, is o é, na conjugação da modulação de equências mais agudas ou mais g a es com a agmen ação da p óp ia peça musical, aspec os que de e minam a o ma da peça escul ó ica esul an e. É possí el aze aqui um pa alelismo com a ob a de Da id F ied, que se assemelha à ob a de Hansen, não do pon o de is a isual, mas sim me odológico. Repa e-se que Hansen, a a és da p og amação de um so wa e que possibili a es a ans o mação de música em escul u a median e um pad ão e um conjun o de eg as, cede po comple o o con olo do esul ado inal a uma máquina. Nes e con ex o, podemos ol a a aplica a eo ia de Wol am, ago a com mais ce eza, iden i icando a me odologia de Hansen como pe encen e 20 à eg a 110 . No en an o, em e mos p á icos, o a is a acaba po e um abalho p óximo do do a í ice, uma ez que o esul ado da ans o mação é exibido na pla a o ma compu acional, o que o ob iga ao seu uso como uma espécie de ascunho pa a a cons ução do objec o a ís ico ísico. É es a di e ença p ocessual que essencialmen e dis ingue o abalho de Na halie Miebach e Jan Hen ik Hansen que, no en an o, pa ilham o mesmo p incípio concep ual. O c uzamen o en e som e escul u a em e mos ísicos e mina nes e pon o, no momen o em que o p imei o dá luga à segunda. Ao conclui as possibilidades es udadas de in e acção e mu ação en e o elemen o sono o e escul ó ico, su ge-nos um ou o domínio onde se pode assis i a uma ase comple a de ans o mação numa ou a dimensão da 21 ealidade, o domínio do i ual . Nes e caso em pa icula , é possí el que o espec ado se ape ceba, em empo eal, de odo e qualque po meno na o igem e desen ol imen o da escul u a, is o é, desde a ideia a é ao olume inal. O p ocesso de ans o mação o na-se mais ' anspa en e'. 22 Veja-se po exemplo, a ob a do a is a alemão Daniel F anke p oblema iza es a in e acção den o do campo do i ual ( ealidade aumen ada). Em ês dos seus abalhos ealizados em 2009, a Sound Sculp u e 01, One Minu e Sound Sculp u e e Spa ial Sound Sculp u e, é possí el iden i ica alguma expe imen ação nos dois p imei os e uma g ande e olução e a ojo no e cei o. A Sound Sculp u e 01, ap esen a-nos um abalho de modelagem idimensional num ambien e i ual, que ap esen a semelhanças com a es é ica e algumas eg as o mais de um ideoclip. No e-se que a música lide a a acção e é es e domínio sob e a imagem que é ele an e ap eende , no campo do ídeo musical. Po ou o lado, a One Minu e Sound, embo a man enha algumas das ca ac e ís icas da an e io , já coloca o objec o escul ó ico i ual num 20. Co esponde à classe 4 segundo Wol am. Wol am, (2002). 21. Mais conc e amen e designado po Realidade Aumen ada = Augmen ed Reali y AZUMA, Ronald (1997) – A Su ey o Augmen ed Reali y; Cali o nia, E.U.A; Hughes Resea ch Labo a o ies 22. FRANKE, Daniel - h p://www.daniel- anke.com (Re ie ed in 15/03/2011) 30 apa en e cená io eal que es á a se ilmado e possui uma ela i a au onomia ao ní el da sua p óp ia ge ação, esul ando num olume abs ac o. Po im, chegamos à Spa ial Sound Sculp u e. Em compa ação com as duas an e io es, es a ob a-p ima pela complexidade das ma izes c iadas pa a a execução do p ojec o. A a és de uma sé ie de painéis dispos os nas pa edes de uma sala, de modo a que sejam in e p e ados po uma webcam que es á anexada a um moni o , o a is a az com que o mo imen o do público ao en a na sala aça com que um olume 23 idimensional, que es á a se ge ado no moni o , adqui a no as o mas , modulando ao mesmo empo o som que es á a se ep oduzido no local da ins alação ísica. Nes e exemplo, é o u ilizado que em o pode de manipula , ainda que apenas num g au limi ado o que ai sendo ge ado no moni o , bem como o ou pu sono o. A pa i dos exemplos ap esen ados de me amo ose de uma ob a a ís ica, é possí el no a a ele ância da in e acção en e di e en es á eas a ís icas na concepção de uma ob a que não depende do domínio écnico de apenas uma única á ea. Em ob as como as que emos indo a analisa , exis e a necessidade do a is a se man e ac ualizado em elação aos p og essos da écnica e é impo an e que domine múl iplos meios a ís icos. Desde o es udo e ecolha de in o mação a é à sua ans o mação numa peça sono a, po sua ez ans o mada em objec o escul ó ico – seja ele 'mudo' ou com possibilidade de in e acção com uma ambiência sono a –, o a is a p oblema iza não só as e apas de ansição do objec o a ís ico, como ambém ou as ques ões que eme em pa a a diluição de on ei as en e os di e en es domínios do campo da a e. Es as on ei as começa am a se ques ionadas a pa i do momen o em que o a is a passou a combina uma mul iplicidade de meios a ís icos den o da sua ob a, deixando de se oca apenas num só. A pa i des e momen o, deixa de se pe inen e a classi icação com exac idão da ob a execu ada a a és de uma de e minada écnica ou meio, passando a se necessá ia uma adequação da me odologia a ís ica an e io ao desen ol imen o ecnológico ac ual, conseguindo assim que uma única ob a pe co a mais do que um meio a ís ico. 31 23. Augmen ed Reali y – “(…) pe mi e a obse ação do mundo eal ao u ilizado , com a junção de elemen os i uais azendo pa e da composição da pe spec i a que es á a se ida do mundo eal. Sendo assim, a Realidade Aumen ada suplemen a a ealidade, em ez de a modi ica .” in Azuma, (1997). Es e abalho oi desen ol ido no CEAA | Cen o de Es udos A naldo A aújo da ESAP (uID 4041 da FCT) sendo po isso inanciado po Fundos Nacionais a a és da FCT - Fundação pa a a Ciência e Tecnologia.