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FOTOGRAFIA E ARQUIVO

AA.VV.

Abstract

Fotografia e Arquivo organiza-se em volta de três temas distintos, mas que se complementam: o primeiro “Arquivos”, no qual se refletiu sobre o tema da arquivística e conservação de fotografia; o segundo “Arquivo” incidiu no uso do arquivo a partir da prática artística; e o terceiro tema “Narrativas” que pensou a concepção do arquivo como veículo para a construção de narrativas e interpretações.

Full text

FOTOGRAFIA E ARQUIVO G aça Ba adas Inês Aze edo Joana Ma eus Edi o es CEAA Edições Casei as 25 I Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o CEAA I escola supe io a ís ica do po o coope a i a de ensino supe io a ís ico do po o.CRL As Edições Casei as, publicadas pelo Cen o de Es udos A naldo A aújo da ESAP, p e endem di ulga em pequenos cade nos, es udos académicos sujei os a e isão po pa es (pee e iew), elabo ados no seu âmbi o de in es igação e in e esses. Fo og a ia e A qui o o ganiza-se em ol a de ês emas dis in os, mas que se complemen am: o p imei o “A qui os”, no qual se e le iu sob e o ema da a qui ís ica e conse ação de o og a ia; o segundo “A qui o” incidiu no uso do a qui o a pa i da p á ica a ís ica; e o e cei o ema “Na a i as” que pensou a concepção do a qui o como eículo pa a a cons ução de na a i as e in e p e ações. Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o G aça Ba adas, Inês Aze edo e Joana Ma eus Edi o es FOTOGRAFIA E ARQUIVO Edições Casei as / 25 Tí ulo: FOTOGRAFIA E ARQUIVO Edi o es: Di ecção g á ica: Jo ge Cunha Pimen el A anjo g á ico: Joana Cou o Edição: Cen o de Es udos A naldo A aújo da CESAP/ESAP P op iedade: Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o R. do In an e D. Hen ique, 131 4050-298 PORTO, PORTUGAL Tele .: +351 223 392 100/40 Fax: +351 223 392 101 1ª edição, Po o, Julho de 2015 Ti agem: 500 exempla es Escola Supe io A ís ica do Po o La go de S. Domingos, 80 4050-545 PORTO PORTUGAL Tele .: +351 223392130 Fax.: +351 223392139 e-mail: [email p o ec ed] www.ceaa.p G aça Ba adas, Inês Aze edo e Joana Ma eus © dos au o es e CESAP/CEAA, 2015 Imp essão e acabamen o: Li opo o A es G á icas Lda ISBN: 978-972-8784-67-6 Depósi o Legal: 396207/15 Es e li o oi sujei o a a bi agem cien í ica (double blind pee e iew). Re e ees: Alexand a T e isan, F ancisco Jesus, Joana B i es, Ma ia Helena Maia, Ped o Bandei a, Rui P a a e Síl ia Viei a de Almeida Es a publicação é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE – P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do p ojec o "Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego" (PTDC/ATP-AQI/4805/2012) A ob enção dos di ei os de ep odução das imagens é da exclusi a esponsabilidade dos au o es dos ex os a que as mesmas es ão associadas, não se esponsabilizando os edi o es po qualque u ilização inde ida e espec i as consequências Cen o de Es udos A naldo A aújo NOTA INTRODUTÓRIA TRABALHANDO NUM ARQUIVO. UMA ABORDAGEM INTEGRADA AO FUNDO “TEÓFILO REGO – FOTO COMERCIAL” Joana Ma eus e Inês Aze edo O FUNDO FOTOGRÁFICO TEÓFILO REGO. DA PRESERVAÇÃO AO ACESSO ONLINE G aça Ba adas CONSERVAÇÃO DE FOTOGRAFIA. PERSPETIVAS DE UMA FOTÓGRAFA NUM ARQUIVO Cláudia Gaspa DO ARQUIVO COMO NORMALIZAÇÃO AO ARQUIVO COMO CRIAÇÃO Edua da Ne es O ANTERIOR E INTERNO AO FAZER. DESENHO A PARTIR DE IMAGENS DO ARQUIVO PESSOAL I ene Lou ei o O OBJECTO NO CENTRO: O ESPÓLIO COMO METODOLOGIA Aida Cas o EM EXPOSIÇÃO: O FUNDO FOTOGRÁFICO TEÓFILO REGO E AS “EXPOSIÇÕES MAGNAS” Inês Aze edo e Joana Ma eus G aça Ba adas, Inês Aze edo e Joana Ma eus Índice 7 9 19 29 37 41 51 59 Es e li o ap esen a uma selecção de a igos pa cialmen e desen ol idos a pa i das comunicações ap esen adas no âmbi o das I Jo nadas FAMEP – Fo og a ia e A qui o, o ganizadas pelo P ojec o Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a “Escola do Po o”: in e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego. Es as jo nadas o am o ganizadas com o objec i o de da a conhece publicamen e uma p imei a e lexão sob e a elação en e o og a ia e a qui o, endo como p incipal objec o de es udo o A qui o Fo og á ico Teó ilo Rego (Museu Casa da Imagem). Fo og a ia e A qui o o ganiza-se em ol a de ês emas dis in os, mas que se complemen am: o p imei o “A qui os”, no qual se e le iu sob e o ema da a qui ís ica e conse ação de o og a ia; o segundo “A qui o” incidiu no uso do a qui o a pa i da p á ica a ís ica; e o e cei o ema “Na a i as” que pensou a concepção do a qui o como eículo pa a a cons ução de na a i as e in e p e ações. NOTA INTRODUTÓRIA G aça Ba adas, Inês Aze edo e Joana Ma eus 7 coleção de Pos ais com o og a ia de Teó ilo Rego ealizados nos anos 80 po encomenda do Colégio do Pe pé uo Soco o, no Po o. Uma ou a pa e az pa e do p oje o escola pa a o co en e ano le i o e ou a ainda em indo a se abalhada num conjun o mais ala gado de expe iências p á icas em o ma de o icina que pe encem à o e a educa i a anual do Museu. O Se iço Educa i o conc e iza, assim, a desejada a iculação en e as linhas de ação do Museu e o seu co po de imagens, p imei amen e econhecido na exposição pe manen e do Museu. Po seu lado, os p oje os exposi i os empo á ios po a is as e escolas, os es udos, a in es igação, a ecupe ação e conse ação p e en i a, ão o mando uma ede dis ibuída de in o mações, his ó ias, expe iências e conhecimen o que supo am a a i idade do Se iço Educa i o. Linha de ação cen al: a exposição pe manen e do Museu Casa da Imagem Em 2013, oi mon ada a exposição pe manen e no espaço exposi i o do 1ºpiso do edi ício do Museu, numa conceção in eg ada do a qui o em ge al, a iculada em o no do concei o de imagem e comp eendendo an o as imagens o og á icas como os disposi i os pa a isualiza , c ia , ep oduzi , egis a e cap u a , expo , di ulga e expe imen a imagens. Deu-se início a um impo an e p ocesso de ap esen ação aos p o esso es e alunos do p oje o museológico em desen ol imen o, conside ando-se a necessidade de i semp e e o mulando o obje o exposi i o e a o ma de o expô em unção das in e p e ações, das elações e da expe iência que ão sendo expos as e comunicadas pelo seu público. A exposição liga as his ó ias das imagens aos disposi i os que as acompanham e in eg a coleções de o og a ias, câma as o og á icas e de cinema e disposi i os ó icos desde o séc. XVII a é ao séc. XXI, com especial en oque pa a os obje os e o og a ias do Fundo ”Teó ilo Rego – Fo o Come cial”. Es e Fundo comp eende 50 anos de abalho o og á ico suscep í el de se i a documen ação e a ep esen ação do pa imónio his ó ico e quo idiano do no e de Po ugal, colecionado e p oduzidos en e inais dos anos 40 e anos 90 do séc. XX, na cidade do Po o. Inclui máquinas o og á icas de coleção e ma e ial de es údio e labo a ó io do o óg a o, bem como uma g ande di e sidade de espécies o og á icas: nega i os de gela ina e p a a em ace a o de celulose e id o, nega i os c omogéneos em ace a o, diaposi i os c omogéneos, p o as em papel de e elação plas i icadas e o oli os. Têm luga na exposição pe manen e as ou as coleções de disposi i os ó icos, de p oje os escola es, a ís icos e cien í icos ele an es pa a a con ex ualização his ó ica da p odução da expe iência e do conhecimen o sob e a imagem, esul an es do c uzamen o en e ciência, ecnologia e a es. Na conceção do p oje o exposi i o, decidiu-se que os espaços de e iam 14 man e o ca á e o iginal de casa de amília, como o ma de in oca as e e ências his ó icas do luga e, simul âneamen e, e e ências da his ó ia da museologia: os Qua os de Ma a ilhas e os Gabine es de Cu iosidades. Es a escolha pe mi e es abelece uma pon e en e esses espaços de expe iência ime si a do passado, os Qua os de Ma a ilhas, e os modos de ealidade i ual do p esen e. Pe mi e, ambém, comp eende a cons i uição his ó ica do obse ado iniciada com a sis ema ização e ca ego ização dos Gabine es de Cu iosidades. Os Qua os de Ma a ilhas ins alados nas casas da ealeza do séc. XVI e XVII, e am locais de isi a e de encon o, onde con i iam o mas dos einos da Na u alia e da A i icialia em con usão e de aneio, deslocadas dos seus con ex os de o igem e expos as à especulação. Da Na u alia aziam pa e as plan as, animais e mine ais e à A i icialia pe enciam odas as coisas ei as pelo homem. Os obje os dos Qua os de Ma a ilhas e am escolhidos, não po uma ce a o dem ou in e esse pa icula , mas pelas suas qualidades enigmá icas e exó icas, a sua es anheza, a idade, os alo es mís icos e supe s ições associadas, ou o ca ác e de agmen o e de uína de um mundo que ainda es a a a se descobe o pela sociedade ociden al. Nes es espaços encon a am-se a má ios, mas abe os, pois não con inham absolu amen e os obje os expos os. Pelo con á io, es es iam-se ixando e pendu ando às pa edes e ao e o. As ma a ilhas saíam do a má io pa a, na sua apa ência, se em is as e ocadas pelo obse ado e pa a elas p óp ias olha em o obse ado , a ingido na sua suscep ibilidade. Iniciada a a e a de in en a ia os obje os pe encen es ao undo do Teó ilo Rego e que pe encem à sua coleção de câma as e ao ma e ial de es údio e labo a ó io u ilizados pelo o óg a o na sua a i idade come cial, mui os desses obje os pa ece am, p ecisamen e, enigmá icos, es anhos, agmen os de um con ex o desconhecido. Foi, en ão, ealizada, em ce a con usão e ince eza a p imei a p opos a exposi i a des e ace o, sujei ada à especulação do isi an e. P e endeu-se compo um cená io no qual os obje os su gissem como ade eços: nas salas deg adadas pela humidade — e os caídos, madei as co oídas — do espaço do Museu des inado à exposição, as câma as e demais coisas do es údio do o óg a o compõem um ambien e que e oca in ensamen e odos os sen idos, num espaço singula e o a do nosso empo. O Museu, ao p opo o e oma de um modo a caico de expe iência ime si a — Os Qua os de Ma a ilhas — p e ende que o obse ado seja comple ado pelo u ilizado , implicando as ou as dimensões da pe ceção. Nes e âmbi o, é undamen al a in es igação de Ma ia Te esa C uz, apoiada em McLuhan e em Jona han C a y, em o no dos media e da ecnologia nas suas elações com a a e e o se humano A au o a ala sob e como a ecnologia ans o ma as elações dos sen idos e dos modelos de pe ceção, p oduzindo uma “a c iação de uma es u u a ecnológica de sensibilidade a i icial az consigo 15 al e ações que se mani es am ao ní el da a eccionalidade em ge al, nomeadamen e ao ní el das emoções e das paixões, ou do que chama a um 14 «clima emo i o».” A ecnologia ope a o “apa elhamen o écnico da pe cepção” que, hoje, não incide “p i ilegiadamen e na isão, mas an es num 15 modelo mul isenso ial” . A ecnologia ap esen ada no Museu, sendo obsole a, é es anha pa a a maio ia dos isi an es (c ianças e jo ens). É no ó io como sen em um con on o ísico com o espaço em uína e com o ca á e enigmá ico dos obje os expos os, e nos comen á ios que ão azendo, e elam-se eceios, ascínios e supe s ições. O isi an e é con idado a p ocu a sen ido e o ma na exposição, a especula a pa i de analogias en e os apa elhos do seu mundo e as coisas do o óg a o. Disponibilizamo-nos a auxilia o cu ioso a econhece a ope a i idade dos disposi i os e a elaciona -se com eles isicamen e manipulando-os, expe imen ando-os, descob indo ou as no as e di e en es mecânicas das coisas, induzindo o odo de um clima senso ial e emo i o que já não exis e de ou a o ma que não a de des oço. A museologia e olui á num sen ido mui o di e so dos Qua os de Ma a ilhas: es es es abelece am um modo de expe iência que, com os Gabine es de Cu iosidades e o Iluminismo, oi subs i uído po uma isão mode na que cons i uiu o sujei o em obse ado , com consequen e alo ização da isão, sob e udo em e mos cien í icos, ilosó icos e polí icos. Nos séculos que se seguem, os Qua os de Ma a ilhas são desman elados em p ol da ca ego ização cien í ica que con ina os espécimes a con en o es cada ez mais especí icos e especializados. Celes e Olalquiaga e e e que “By aking he collec ions o he walls and ceilings and enclosing hem ins ead wi hin he co ines o shel es and d awe s, cabine s in gene al ac ed as media o s be ween objec s and spec a o s, adding a laye o concealemen and dis ance o wha had un il hen been p esen ed as an in eg al pa o he iewe 's uni e se, no some hhing 16 ha equi ed di e en ia ion.” E e i amen e, com o desen ol imen o da ciência, os Gabine es de Cu iosidades passa am a expo os seus objec os de modo a demons a o conhecimen o e sua sis ema ização. O a má io com id o, a i ina, é ins au ado como disposi i o de exposição, uma al e ação que dis ancia o obse ado do obje o e que conduz a sua pe cepção po um mo imen o de lei u a baseado num en endimen o linea e ca egó ico. O obse ado comp eende, p imei amen e, um odo p e iamen e classi icado e o ganizado em p a elei as e ga e as e, pos e io men e, o objec o como pa e desse odo. Es e modo de expe iência dis anciada exis e no Museu em con on o com o modo eme si o e senso ial, pa a que se ome consciência dessa di e ença e, ao mesmo empo, se i e pa ido das qualidades de cada qual. Nesse p ocesso, p opõe-se ao isi an e que expe iencie o Museu à manei a do iajan e 17 es angei o que, con a-nos João Ca los B igola , ia conhece os Qua os de 14. Ma ia Te esa C uz — “Da no a sensibilidade a i icial” in h p://bocc.ubi.p /pag/c uz- e esa- sensibilidade-a i icial.h ml, 2000, consul ado em Ou . 2014. 15. Ma ia Te esa C uz — “Da no a sensibilidade …” 16. Celes e Olalquiaga — “Objec Lesson / T ansi ional Objec ” in Cabine , nº 20 Shadows, 2005, pág. 8. 17. João Ca los B igola — Os iajan es e o «li o dos museus». Po o: Da ne Edi o a / CHAIA, 2010. 16 Ma a ilhas e, mais a de, os Gabine es de Cu iosidades; en ende o isi an e como iajan e e ela uma p eocupação undamen al em concebe a igu a do público na elação com o obje o exposi i o: um sujei o a i o na in e p e ação das imagens e das suas his ó ias e pa icipan e na sua esc i a. O Museu concebe e a icula os espaços da exposição pe manen e de o ma a o na possí el coloca ques ões c í icas sob e os p oblemas do e que são, 18 undamen almen e, ques ões sob e o co po e a ope ação do pode social . Pa a al, em p imei o luga , p omo e a conside ação do obse ado como um 19 e ei o de um sis ema discu si o, social, ecnológico e ins i ucional e in eg a disposi i os ó icos que ão co espondendo à ans o mação do es a u o do obse ado desde o séc. XVII a é à ac ualidade; em segundo luga , p opõe a abo dagem c í ica da cen alidade da isão, como eo ia, panóp ico ou espec áculo, pelos seus e ei os pe e sos; em e cei o luga , ins iga a comp eende a mu ação d ás ica da na u eza da isualidade, em decu so na a ualidade, pela qual as imagens isuais deixam de e qualque e e ência à posição de um obse ado localizado num mundo eal, pe cepcionado 20 ó icamen e ; e, pa alelamen e, p omo e uma abo dagem in eg ada das á ias coleções que cons i uem o a qui o e o en endimen o do mesmo como um campo de abalho hipe ex ual, ou seja, dis ibuído e c uzado. O Museu Casa da Imagem, endo como eixo cen al a exposição pe manen e, ai concebendo, a a és do Se iço Educa i o, a in eg ação das á ias linhas de ação, p o ocando a al e nância do obje o de e e ência e de es udo num en ec uzamen o de pe spec i as e p opos as in e p e a i as a pa i do a qui o e que o ão, simul aneamen e, cons i uindo. 18. Jona han C a y — Techniques o he Obse e . Camb idge/London: MIT P ess, 1990, p.3. 19. Jona han C a y — Techniques o …, p.6. 20. Jona han C a y — Techniques o …, p.2. 17 Recupe ação e p ese ação de undos o og á icos Em Po ugal, os es údios o og á icos começa am a su gi em meados da segunda me ade do século XIX, sob e udo nas g andes cidades, e alguns anos mais a de nas cidades do in e io . No Po o, alguns dos p imei os o óg a os, ainda amado es, o am es angei os, como o escocês F ede ick William 2 Flowe (1815-1889) e o inglês Joseph James Fo es e (1809-1861). Os es údios o og á icos começa am a eme gi na in ic a inicialmen e ocacionados pa a a o og a ia de e a o, como o es údio de Miguel No aes, undado no Po o em 1854, ou os seus con empo âneos João Bap is a Ribei o (1790-1868) ou Domingos Pin o de Fa ia (1827-1871). Mais a de des aca - se-iam ainda os es údios da Casa Biel (an e io men e Casa F i z) de Emílio Biel (1838-1915) adqui ida em 1874; a Fo og a ia Al ão (an e io men e Fo o Velo-Clube) undada em 1902 po Domingos Al ão (1872-1946); e a Fo o 3 Beleza undada em 1907 po An ónio Beleza . Ao longo da his ó ia, nem semp e a o og a ia oi econhecida como pa e in eg an e da ca ego ia das on es p imá ias, que po a qui is as que po his o iado es, o que deu o igem a que mui as ezes se e i icasse alguma negligência ela i amen e aos undos e coleções o og á icas, eme idos 4 equen emen e pa a a “ca ego ia de miscelâneas ou memo abilia” . A di usão da o og a ia ao longo dos anos ambém se de e em g ande pa e ao desen ol imen o dos p ocessos o og á icos e ao p ocesso ep og á ico das imagens. Assim, podemos es abelece duas e apas essenciais do p ocesso o og á ico: a p imei a c ia i a, que pa e da ideia o iginal da oma de uma 5 o og a ia, e a ou a ep odu i a, que copia o o iginal an as ezes quan o se quei a, p ocesso es e que o nou possí el a democ a ização da o og a ia. Foi com o in ui o de p ese a e da a conhece o pa imónio o og á ico nacional, que desde o inal do século XX, di e sas ins i uições públicas e p i adas êm indo a adqui i , po comp a ou doação, espólios, coleções ou undos o og á icos. Mui os des es documen os o og á icos pe enciam a en idades p i adas que, po ezes, não êm possibilidade de man e uma boa conse ação dos documen os, nem de p o idencia a sua disponibilização ao público de o ma e icaz. Nes e âmbi o, des aca-se a a uação do Cen o 6 Po uguês de Fo og a ia (CPF) que adqui iu di e sos undos o og á icos, mui os an e io men e cus odiados pelo ex in o A qui o Nacional de O FUNDO FOTOGRÁFICO TEÓFILO REGO. 1 DA PRESERVAÇÃO AO ACESSO ONLINE G aça Ba adas 19 1. Es e abalho é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE – P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do p ojec o PTDC/ATP-AQI/4805/2012 ("Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego"). 2. A Fundação Se al es ap esen ou no 1º Fo opo o, em 1988, a exposição e espe i o ca álogo F ede ick William Flowe a pionne o po uguese pho og aphy. 3. Após a mo e de Emílio Biel, An ónio Beleza comp ou em has a pública pa e do seu espólio no ano de 1916. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio Fo og á ico Po uguês. Coo denação de Fe nando de Sousa. s/l: CEPESE, 2008, p. 18. 4. Ma ge y Long, “Pho og aphs in A chi al Collec ions” in A chi es and Manusc ip s: Adminis a ion o Pho og aphic Collec ions. Chicago: Socie y o Ame ican A chi is s, 1984, p. 9. 5. Juan-Miguel Sánchez-Vigil e An onia Sal ado - Baní ez – Documen ación Fo og á ica. Ba celona: Edi o ial UOC, 2013, p. 19. 6. C iado pelo Dec e o-Lei nº160/97 de 25 de Junho, o CPF oi ex in o como ins i u o do Minis é io da Cul u a pelo Dec e o-Lei nº 93/2007 de 29 de Ma ço, icando como uma unidade o gânica dependen e da Di ecção-Ge al de A qui os. Fo og a ia, e que a ualmen e de ém ce ca de 2 milhões de documen os 7 o og á icos . O CPF, desde 2005, p ocedeu à desc ição, digi alização e di usão a a és da base de dados Digi A q, de undos o og á icos de en idades p i adas que se encon am sob a sua cus ódia, de que são exemplo os es údios o og á icos Ta a es da Fonseca, Lda (Po o), a Fo og a ia Al ão (Po o), ou a Fo og a ia Ho ácio No ais, he dei os (Lisboa). Es a base de dados encon a-se in eg ada com a do A qui o Nacional da To e do Tombo – Di eção Ge al do Li o, dos A qui os e Biblio ecas (DGLAB). Exis em igualmen e ou as ins i uições po uguesas que adqui i am undos o og á icos pa icula es, p ocedendo pos e io men e ao seu a amen o e di usão, como o caso da Fundação Calous e Gulbenkian que ecupe ou o undo Es údio No ais (Lisboa), adqui ido em 1985, e o di ulgou a a és da página web da Biblio eca de A es da Fundação. Po úl imo, e e imos ainda o p oje o Espólio Fo og á ico Po uguês de 2007, com a denominação O Espólio da Fo o Beleza. O undo, com ce ca de 8 600.000 espécies o og á icas , oi ecupe ado pelo Cen o de Es udos da População, Economia e Sociedade (CEPESE), disponibilizando online pa e das imagens com in ui o come cial, di ididas en e os seguin es emas: Ciclo do Vinho do Po o; Paisagís icas; Emp esa iais e associa i as; Documen ais e monumen os; e Re a o. Mui as ezes na di usão de a qui os o og á icos são-nos ap esen adas subdi isões emá icas que o iginam uma lei u a algo equí oca da o ganização o iginal dos undos, eduzindo a poucos emas a p odução o og á ica do es údio. É algo comum a adul e ação da sua o dem o iginal em unção do que se c ê se o in e esse do u en e / in es igado , ou seja, ap esen ando-a de o ma emá ica, p incipalmen e se o in ui o dessa di usão é a come cialização de imagens. À semelhança da ecupe ação dos undos dos es údios o og á icos an e io men e mencionados, o p oje o de in es igação “Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego" (FAMEP) em como um dos obje i os a seleção, desc ição, acondicionamen o, digi alização e di usão de pa e do undo o og á ico Teó ilo Rego. O Cen o de Es udos A naldo A aújo (CEAA) da Escola Supe io A ís ica do Po o (ESAP), em coope ação com o Museu Casa da Imagem da Fundação Manuel Leão, p opôs-se seleciona um conjun o de ce ca de 5000 imagens ela i as ao ema da a qui e u a mode na, ap oximadamen e en e o âmbi o c onológico de 1940 a 1960. O p oje o em como obje i o p incipal a p omoção e di usão do es udo da a qui e u a mode na, em especial do Po o e no e de Po ugal e da sua elação com a o og a ia. A seleção e e uada po in es igado es do p oje o e á em con a a qualidade e o iginalidade an o das ob as a qui e ónicas ep esen adas como da p óp ia es é ica da o og a ia, salien ando ob as inédi as / não publicadas, mon agens o og á icas o iginais e a boa conse ação dos nega i os. 20 7. Sil es e Lace da e Na ália G a a o - Guia de Fundos e Colecções Fo og á icos 07. Lisboa: CPF/DGARQ, 2007, p. 8. 8. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio…, p. 20. Teó ilo Rego – o o óg a o Teó ilo Rego nasceu a 2 de Julho de 1914 no B asil, iajando pa a Po ugal em 1924. No ano seguin e ing essa nas O icinas Ma ques Ab eu: zincog a u a, o og a u a, símile-g a u a (Po o), impo an e o icina no pano ama das a es g á icas e de edição o og á ica em Po ugal. Nas o icinas abalhou inicialmen e como ipóg a o imp esso passando pos e io men e pa a a á ea da g a u a, onde ap endeu ambém o og a u a e ipog a ia. Em 1944 começa a abalha nas o icinas Li o Maia (Po o) como o óg a o de 9 o oli o, onde pe manece dois anos . Teó ilo Rego iliou-se no G émio Nacional dos Indus iais de Fo og a ia (Lisboa), Sindica o dos T abalhado es G á icos dos Dis i os do Po o, B agança e Vila Real, Associação Fo og á ica do Po o, e Associação Nacional dos Indus iais de Fo og a ia, a qual emi ia a ca ei a p o issional e licença o og á ica. No ano de 1947 inaugu a o Es údio Fo o-Come cial na Rua da Aleg ia nº 482, no Po o, onde desen ol eu o seu abalho a é 1956, quando muda o es údio pa a a Rua San a Ca a ina nº 1583. Após a sua mo e em 1993, o negócio con inua com a sua ilha e ne a a é o ano de 2001. No domínio do o ojo nalismo ez abalhos de epo agem pa a o Diá io do No e, assim como epo agens encomendadas pelo Sec e a iado Nacional da 10 in o mação, Cul u a Popula e Tu ismo (SNI) como a isi a do Gene al F anco ao Po o e Bussaco, de Oli ei a Salaza a B aga, ou da isi a da 11 Rainha de Ingla e a Isabel II à Fei o ia Inglesa no Po o . Também o og a ou pa a edição de coleções de pos ais como, po exemplo, as encomendas pa a a Nossa Senho a do Pe pé uo Soco o (Po o). Teó ilo Rego pa icipou em di e sas publicações na sua maio ia elacionadas com es udos de his ó ia da a e e a qui e u a, seguindo a linha das O icinas Ma ques de Ab eu, onde iniciou a sua ca ei a. Ma ques de Ab eu des acou- se p incipalmen e na edição o og á ica no âmbi o do pa imónio nacional e no es udo da his ó ia da a e, como o demons am as publicações A ilus ação mode na (1898-1903), a e is a A e: A chi o de ob as de a e (1905-1912), 12 e especialmen e A ilus ação mode na (1926-1932) . Teó ilo ealizou abalhos de o og a ia ilus a i a pa a á ias monog a ias como A alha no 13 concelho de Vila do Conde da Câma a Municipal de Vila do Conde , Capela 14 das Almas. Uma jóia da azuleja ia po uguesa de Alexand ino B ochado , ou em ob as de Domingos de Pinho B andão (Bispo Auxilia da Diocese do Po o) como, po exemplo, Algumas das mais p eciosas e belas imagens de 15 Nossa Senho a exis en es na Diocese do Po o. Consag ando-se como o óg a o come cial, en e os seus clien es con a am- se di e sas en idades como câma as municipais, ins i u os, emp esas, a is as e a qui e os. Des es des acam-se, pela assiduidade com que eco e am ao 16 Es údio Fo o-Come cial: Ma ques da Sil a , João And esen, Januá io Godinho, José Ca los Lou ei o, Rogé io de Aze edo, Ricca Gonçal es, en e ou os. 21 9. Po o, memo ia o og á ica: Teó ilo Rego. Po o: A qui o His ó ico Municipal / Casa do In an e, 1990, p. 4. 10. O Sec e a iado de P opaganda Nacional (SPN), oi c iado em 1933, al e ando a sua designação em 1944 pa a Sec e a iado Nacional da in o mação, Cul u a Popula e Tu ismo (SNI). O SNI oi ex in o em 1968, endo os espec i os se iços ansi ado pa a a Sec e a ia de Es ado de In o mação, Cul u a Popula e Tu ismo, da P esidência do Conselho de Minis os. 11. Po o, memo ia o og á ica…, p. 4. 12. José Ped o Aboim Bo ges - Ma ques de Ab eu: A o og a ia e a edição o og á ica na de esa do pa imónio cul u al (Tese de Dou o amen o). Lisboa: FCSH-Uni e sidade No a de Lisboa, 2013, p. 21. 13. Po o: Li a ia Telos Edi o a, 1985. 14. Ca álogo de Exposição de Fo og a ia, Vila do Conde: CMVC, 1978. 15. Po o: Diocese do Po o, 1988. Com es udo g á ico do a qui e o Fe nando Lanhas. 16. Ins i u o Ma ques da Sil a / Ins i u o de Recu sos e Inicia i as Comuns da Uni e sidade do Po o (ed.), Ma ques da Sil a e a o og a ia: Imagens de uma época, Po o: Uni e sidade, 2005. A única exposição indi idual de Teó ilo Rego oi em 1990, ap esen ada na Casa do In an e (Po o), com 80 o og a ias a p e o/b anco sob e o ema da 17 cidade do Po o, a con i e da Câma a Municipal . Teó ilo Rego – o undo o og á ico O undo o og á ico oi adqui ido em 1998 pelo Pad e Manuel Leão à amília do o óg a o Teó ilo Rego e, mais a de, oi doado à Fundação Manuel Leão, encon ando-se a ualmen e em depósi o no Museu Casa da Imagem (Vila No a de Gaia), acondicionado em ce ca de 3550 unidades de ins alação, caixas e en elopes, na sua maio ia de o igem. Pa a além do undo o og á ico Teó ilo Rego - denominado de undo po se 18 cons i uído po documen ação de uma mesma p o eniência - ambém oi 19 adqui ido um espólio , pe encen e ao o óg a o, cons i uído po máquinas o og á icas an igas que coleciona a, ma e ial o og á ico do Es údio Fo o- Come cial, en e ou os. Es e undo es á di idido o iginalmen e em ês a i idades dis in as: duas den o do uncionamen o do es údio, a come cial e a de e a o; e ou a a i idade dedicada às imagens que ealizou num con ex o pessoal, ou seja, imagens não encomendadas, e cap adas consoan e a sua es é ica e in e esses como o óg a o. P ecisamen e po inclui o og a ias de ca á e come cial e de ca á e pessoal es e conjun o é denominado de undo Teó ilo Rego e não somen e de undo Fo o-Come cial. É cons i uido po ce ca de 600.000 documen os o og á icos, maio i a iamen e po nega i os de o ma o 9x12 cm de gela ina e sais de p a a em ace a o de celulose, algumas unidades de amanho 13x18 cm, e alguns id os das mesmas dimensões, p o as em papel em 9x12 cm e o oli os. A ní el de conse ação mui os dos nega i os em ace a o de celulose ap esen am algum es ado de de e io ação a ançado. A sé ie de e a os cons a de ce ca de 730 unidades de ins alação de pequena dimensão, iden i icadas pela da a da cap u a: mês/ano. A maio pa e dos egis os o og á icos de Teó ilo Rego co espondem a abalhos come ciais, ao con á io do que se passa a nos es údios no início do século XX em que o e a o p edomina a, é o caso po exemplo do Es údio Fo o Beleza no qual 20 mais de 98% do seu undo co esponde a o og a ia de e a o . A sé ie come cial, que se p e ende oca maio i a iamen e nes e a igo, é a que se des aca nes e undo pela sua dimensão e di e sidade, ce ca de 80% do o al de imagens que o cons i uem, o que demons a cla amen e a p incipal a i idade e econhecimen o de Teó ilo Rego enquan o o óg a o p o issional. Es a sé ie es á, à semelhança de ou os es údios da época como, po exemplo, 21 o Es údio Má io No ais, o ganizada po clien es , cada caixa co esponde a um clien e e encon a-se sequenciada po o dem al abé ica. A sé ie pessoal encon a-se acondicionada em caixas, apa en ando es a o ganizada po alguma p oximidade empo al e emá ica, con udo, não se 22 17. Po o, memo ia o og á ica…, p. 4. 18. De inição dis in a de “coleção”, a qual cons i ui um conjun o de documen os com ca ac e ís icas comuns eunidos a i icialmen e. Con . ICA - In e na ional Council on A chi es. Mul ilingual A chi al Te minology. <h p://www.cisc a.o g/ma /> (9 de Ou ub o de 2014). 19. Denominação que inclui documen os ou obje os de di e sa na u eza segundo a NP 4041 – In o mação e documen ação, 2005. 20. Fe nando de Sousa - "In odução” in Espólio…, p. 20. 21. Fundação Calous e Gulbenkian - Má io No ais. Exposição do Mundo Po uguês 1940. Lisboa: FCG, 1998, p. 35. conhecendo a sua o dem o iginal. Rela i amen e aos emas, Teó ilo Rego explo a na o og a ia pessoal os seus in e esses pa icula es enquan o a is a, e a ando a pa e mais an iga e pi o esca da cidade, como as uas an igas do Po o, a Ribei a e seus habi an es, os ba cos no Dou o e os pescado es, ou as endedo as de cas anhas. Fo og a ou igualmen e a pa e mais mode na da cidade como a A enida dos Aliados ou a P aça D. João I, pa a além de e ei o expe iências di e sas de o og a ia u bana no u na. Ma ia do Ca mo Se én engloba Teó ilo Rego no pe íodo do Es ado No o den o do g upo dos salonis as do Po o, cujas imagens ealizadas não di e iam mui o dos seus congéne es es angei os, p edominando as paisagens 22 pic ó icas e mo i os humanis as . Se én salien a ainda a semelhança da o og a ia de Rego com a do o óg a o Ta a es da Fonseca (1908-90's), undado da emp esa publici á ia Bela e em 1939, e dos Es údios Ta a es da Fonseca Lda. em 1955. A i ma ainda que es a semelhança se e i ica na dedicação que coloca a o og a a a cidade do Po o “man endo a di e iz 23 salonis a da pe eição écnica e dos e ei os o mais da emá ica.” Ao con á io de alguns es údios o og á icos, como o caso do Es údio Fo o Beleza, o undo o og á ico Teó ilo Rego possui mui o pouca documen ação ex ual de supo e às imagens, como egis os de encomendas ou lis agens de clien es. Também são poucos os casos em que se encon a egis ada a da a de cap u a da imagem, ou a iden i icação de local ou obje o o og a ado. A digi alização e o acesso online. O p ocedimen o no undo o og á ico Teó ilo Rego A ualmen e a digi alização de undos e coleções o og á icas p o idencia o acesso a milha es de imagens em qualque o ma o, supo e nado digi al ou 23 22. Ma ia do Ca mo Se én – “A o og a ia salonis a” in O Po o e os seus o óg a os. Coo denação de Te esa Siza. Po o: Po o Edi o a, 2001, p. 237. 23. Ma ia do Ca mo Se én – “A o og a ia… p. 250. Quad o 1 Unidades de ins alação que compõem o undo. De odas es as di iculdades que os a qui os en en am hoje em dia, as duas p incipais di iculdades es ão elacionadas an o com a al a de e bas, como a escassez de ecu sos humanos especializados pa a assegu a a manu enção e a amen o dos seus espólios, endo em con a que ambas são a o es que colocam em isco a sal agua da dos obje os. Com is a a con o na a al a de e bas é possí el a ua ao ní el da conse ação p e en i a de o ma a minimiza os iscos aos quais a documen ação o og á ica es á expos a. A conse ação p e en i a em como obje i o minimiza o isco de danos p o ocados nos obje os, a uando no con olo dos a o es de isco a que os obje os es ão sujei os num a qui o, pe mi indo a sua p ese ação ao longo do empo. En e ou os podem des aca -se como sendo os p incipais a o es de 3 isco, a humidade ela i a (HR), a empe a u a (T), poluen es a mos é icos, a o es biológicos, luz, o manuseamen o e a mazenamen o inco e os. Den o des es a o es exis em á ias o mas de con ola ce os iscos in e nos e ex e nos à documen ação, no en an o, e como é o caso da Casa da Imagem, quando não há o çamen os ele ados é necessá io eco e a es a égias low-cos que consigam ep oduzi esul ados sa is a ó ios a longo p azo. Uma g ande pa e do abalho passa pela escolha do local de a mazenamen o dos obje os, os depósi os, e o con olo ambien al dos mesmos. A HR e a T são os dois a o es ambien ais cuja moni o ização e con olo são ex emamen e necessá ios, pa a que possam p e eni -se oscilações uma ez que são elas que ão po encia o desen ol imen o de de e io ações nas espécies o og á icas. 4 Tan o em ambien es mui o húmidos como secos, o po encial hig oscópico dos componen es das o og a ias ai eagi e aze acele a as di e sas o mas 5 de de e io ação. A gela ina, que é o meio ligan e mais comum dos p ocessos o og á icos do século XX, na p esença de humidade ela i a ele ada (acima do 60%) ul apassa o pon o c í ico, ica como gel o que acili a a ade ência de sujidades e mig ação de compos os químicos que le a à deg adação da 6 imagem em p a a. Em ambien es mui o secos a gela ina seca pode es ala e, em supo es plás icos, pode acon ece o seu encu amen o pela ensão exe cida pela gela ina sob e os mesmos. Segundo La éd ine em A Guide o he P e en i e Conse a ion o 7 Pho og aph Collec ions, eduzindo a empe a u a em 10ºC es á-se a duplica o empo de ida do ma e ial o og á ico po que, as eações químicas es ão 8 ligadas à empe a u a de o ma exponencial. De o ma ge al os alo es p e e enciais de HR de em si ua -se en e os 30%-50% sem nunca ul apassa os 60% e com oscilações de ± 5%. A T de e si ua -se abaixo dos o 18 C, com oscilações in e io es a 1ºC, pa a a gene alidade dos ma e iais o og á icos. É adequado pa a p o as a p e o e b anco, nega i os em supo e de id o e poliés e . 3. Quan idade de apo de água que exis e no a compa ada com a quan idade máxima de apo de água que o a pode con e à mesma empe a u a, e é exp essa em pe cen agem. 4. Po encial que os ma e iais êm pa a abso e água. 5. Camada de uma o og a ia que em em suspensão os sais que cons i uem a imagem. 6. Be and La éd ine, Jean-Paul Gandol o e Sibylle Monod - Les collec ions pho og aphiques. Guide de conse a ion p é en i e. Pa is: A sag, 2000, pág. 109. 7. Be and La éd ine - A Guide o he P e en i e Conse a ion o Pho og aph Collec ions. Los Angeles: Ge y Publica ions, 2003, pág. 95. 8. Segundo a Equação de A henius. 30 Os p ocessos in insecamen e ins á eis - como é o caso dos políme os na u ais, ni a os e ace a os de celulose e p ocessos de c omogéneos - de em se a mazenados em a qui o io de o ma e a da os p ocessos de de e io ação, ou congelamen o pa a os es agna . Uma boa o ma pa a con ola es es a o es a baixo cus o, é a u ilização de desumidi icado es. Começando po escolhe uma sala pa a depósi o sem janelas (ou que possa se selada), ai pe mi i que a é com desumidi icado es come ciais haja maio con olo da HR. Es a sala só de e se i a unção de 9 a qui o, não sendo local de passagem ou de con í io. Pa a es e espaço não são ecomendados locais como um só ão ou uma ca e pois são os mais p opensos à a iação ambien al. Um dos maio es desa ios na conse ação de o og a ia consis e no ipo de acondicionamen o e a mazenamen o das espécies o og á icas. Mui os são os a qui os que se deba em com a al a de espaço e po es a azão mui as ezes os obje os são a mazenados em locais menos ap op iados e expos os a a o es ambien ais, biológicos, químicos e ísicos ad e sos. É po isso impo an e que se es abeleçam o mas de acondicionamen o e a mazenamen o que p opo cionem alguma es abilidade às espécies o og á icas. 10 Ainda segundo La éd ine, exis em 3 ní eis de p o eção das espécies o og á icas. O ní el I - o mais p óximo do documen o ísico (que es á em con a o di e o com o documen o) são po exemplo, os en elopes ou as caixas; O ní el II - que é o espaço ísico (es an es po exemplo) onde são colocadas; E po im o ní el III - o local onde são a mazenadas as espécies, o depósi o. Is o pe mi e que haja á ias "camadas" de p o eção no caso de desas es nos depósi os, p o idenciando ambém um mic oambien e em que as espécies icam p o egidas con a po enciais a o es danosos. A escolha do ma e ial pa a o acondicionamen o, ní el I de p o eção, das espécies o og á icas é c ucial, se não se que co e iscos de pe de ou causa mais danos nos o iginais. É essencial e a in o mação sob e a composição dos ma e iais, e a enção à sua composição química e e i ica se passa am 11 no es e PAT, an es de oma qualque decisão e e em con a ma e iais li e de ácidos, sem ex u as e quimicamen e es á eis. Pa a o ganiza as espécies o og á icas den o de um depósi o, ní el II de p o eção, as es an es são a melho opção. De p e e ência es an es de me al, uma ez que as de madei a ão a ai mais a i idade biológica e eque em maio manu enção. Embo a não sejam as as as opções pa a um a qui o, quando não há o çamen o pa a adqui i a melho gama de p odu os pa a a conse ação, exis em algumas opções que ão ga an i a sal agua da das espécies 9. Luis Pa ão - Conse ação de Coleções de Fo og a ia. Lisboa: Dinali o, 1997, pág. 196. 10. Be and La éd ine, Jean-Paul Gandol o e Sibylle Monod - Les collec ions..., pág. 65. 11. Pho og aphic Ac i i y Tes - Tes e pad ão (ISO18916) desen ol ido pelo Image Pe manence Ins i u e pa a a alia ma e iais pa a acondicionamen o e exposição de o og a ias. 31 o og á icas. Como já oi e e ido, a escolha do espaço pa a depósi o é c ucial, um espaço expos o à luz, com g andes oscilações de HR e T, ai p opo ciona um ambien e ideal pa a o desencadeamen o e p og essão das de e io ações que 12 são ge almen e i e e sí eis. A pa des a p oblemá ica, mui as ezes o desconhecimen o do con eúdo dos Fundos e Coleções não pe mi e a um a qui o a ua da o ma mais e icaz. Pa a al, assim que o a qui o adqui e um Fundo/Coleção, necessi a de aze uma b e e a aliação (in en á io) que pe mi a euni in o mação su icien e sob e odos os seus aspec os; são eles: a dimensão, quan idades, es ado de conse ação, se exis em ou não u gências e quais, se há necessidade de seg egação, e o seu con eúdo in elec ual que pe mi e a alia p io idades no a amen o e o seu po encial in e esse pa a o público. É impo an e consegui euni o maio nume o de in o mação possí el, sem que seja demasiado ex enso ou que se enha que despende mui o empo. E só assim é possí el elabo a p opos as de a amen o e es a égias de conse ação p e en i a adequadas. Um Fundo/Coleção que possua ni a os de celulose de e desde logo aze a sua seg egação. O ni a o de celulose é um políme o na u al al amen e ins á el, com o empo libe a ácido ní ico e con amina as espécies que es ejam nas p oximidades. Ou o g ande p oblema des e plás ico é pode en a em combus ão espon ânea, po causa da sua composição química que o 13 o na al amen e in lamá el, se não es i e de idamen e acondicionado. Em 1889, a Kodak começou a p oduzi , indus ialmen e, películas de ni a o 12. Luis Pa ão - Conse ação... pág. 201. 13. Be and La éd ine - A Guide..., pág.17. 32 Figu a 1. In e io do depósi o sujo na Casa da Imagem, ní el de p o eção II - es an es. (Cláudia Gaspa , 2014) de celulose, como o ma de acili a o p ocesso de anspo e e de c ia um supo e mais esis en e que o id o e de cus os eduzidos. Mas po azões de segu ança e pela sua ins abilidade, em 1950 es e plás ico oi banido. Sendo um supo e popula que se encon a em Fundos e Coleções, há necessidade de oma a enção à iden i icação des e ipo de plás ico. O plás ico que eio subs i ui o ni a o oi o ace a o de celulose, que ambém é um políme o na u al e al como o ni a o de celulose é ins á el, não sendo no en an o ão pe igoso. A molécula de celulose possuí uma al a a inidade com a água, sendo es a uma das causas pela qual es es plás icos são ão ins á eis e suscep í eis às mais pequenas a iações nas condições ambien ais. O p ocesso de de e io ação do ace a o de celulose é mui o pa icula , nas p imei as e apas são a humidade ela i a e o calo que ão aze acele a o p og esso da de e io ação. O ácido acé ico ai sendo acumulado na base da película a é chega a um pon o c í ico, a pa i des e pon o, as eações passam a se au oca alí icas azendo com que a p og essão das de e io ações seja mui o mais ápida. A de ecção de ace a o de celulose é mui o ácil de se ei a, uma ez que o acido acé ico, sínd ome de inag e (conhecido como chei o/odo a inag e), que libe am o na-se mui o e iden e à medida que as espécies o og á icas se de e io am. Já o id o, o poliés e , o papel e o e o são supo es que mos am maio esis ência e es abilidade, compa a i amen e a es es dois plás icos. São es as pa icula idades, an o dos supo es como dos p ocessos o og á icos, que p ecisam se a aliadas na ho a do a mazenamen o. Te num depósi o espécies em bom es ado de conse ação e algumas já de e io adas pode aze com que haja con aminação. De o ma ge al e, mui as ezes, po al a de ecu sos humanos ou o çamen ais, os a qui os acabam po coloca udo no mesmo depósi o. Mas o na o ambien e num depósi o que pe mi a boas condições pa a odo o ipo de obje os, não só aca e a cus os ele ados como nem semp e é possí el po al a de espaço. Segundo Susie Cla k do P ese a ion Ad iso y Cen e da B i ish Lib a y, e James M. Reilly, di e o do Image Pe manece Ins i u e, o aconselhá el é que as espécies ins á eis, como os plás icos de políme os na u ais, e p ocessos c omogéneos, de am se a mazenadas em condições de a qui o io ou congelamen o pa a pa a o a anço das de e io ações. Nes es casos os igo í icos come ciais No F os são uma ó ima solução. Mesmo que não seja possí el in e i logo sob e as espécies o og á icas, com um igo i ico (ambien e io e baixa humidade) é possí el aze logo de inicio a seg egação das espécies mais de e io adas. O io ai e a da o p ocesso de de e io ação aumen ando a longe idade das o og a ias, ao mesmo empo, possibili a ao a qui o algum espaço de manob a pa a consegui ecu sos mone á ios que pe mi am a in e enção de possí eis a amen os de conse ação. 33 No que diz espei o à escolha dos ma e iais pa a acondicionamen o, ou seja, os en elopes e caixas, es e ma e iais ambém aca e am os seus cus os e a é mui as ezes são ma e iais que só es ão disponí eis po encomenda. De o ma a con a ia es a p oblemá ica, é possí el se u ilizado, o papel Na iga o (pa a en elopes ou pa a in e cala en e o og a ias) ou o CLA (en elopes, capilhas e pas as). Há algum empo a ás es es papeis o am es ados e passa am no PAT, es ão ap os pa a a conse ação e são opções de baixo cus o e de ácil ob enção. Na comp a do ma e ial pode-se poupa algum dinhei o apenas na comp a de ca ão ou papel e cons ui caixas e en elopes, seguindo o lema " aça ocê mesmo". Reque no en an o pe ícia e es udo de desenhos e o mas de acondicionamen o manuais. Quando o acondicionamen o de o ma indi idual não é possí el pa a cada espécie, pode se ei o em conjun o. Quan o às caixas pa a acondicionamen o em depósi o sujo, podem se u ilizadas as caixas das esmas de papel, que não adicionam cus os ou ou o ipo de caixas de ca ão limpas, que podem se pedidas às lojas que as enham em exceden e. É possí el ambém eap o ei a caixas de ou as coleções que es ejam em boas condições, limpas e capazes. A qualidade do a é de igual modo impo an e, po que é um dos condicionan es da p ese ação das espécies o og á icas. Sob e udo quando se a a de um a qui o que es eja localizado num g ande cen o u bano sujei o a al os ní eis de poluen es a mos é icos. Os poluen es a mos é icos são gases ag essi os que podem se p o enien es da combus ão de de i ados do pe óleo nos au omó eis e de indus ias (dióxido de enxo e, ácido sul ú ico, monóxido de ca bono, en e ou os), o dióxido de azo o e as pa ículas sólidas. A melho o ma de con ola es as o mas de de e io ação é a a és da ex ação de a no depósi o, no en an o, es a é uma opção que aca e a alguns cus os. Em casos em que não é possí el ins ala es e ipo de sis emas, mais uma ez a sala com janelas e po as seladas, aliado à boa manu enção do espaço, é um bom modo de p e enção de co en es de a que anspo am es e ipo de poluen es. A ní el biológico são os oedo es, inse os e ungos as p incipais ameaças num a qui o, que azem dos obje os a sua on e alimen o. Pa a e i a e desenco aja a p oli e ação des e ipo de ameaças de em-se moni o iza e egis a a a i idade dos oedo es, e e a enção a obje os que possam es a con aminados colocando-os numa á ea à pa e. Tan o a luz na u al como a a i icial em excesso, podem causa danos aos obje os num a qui o, uma ez que em um e ei o cumula i o. As de e io ações p o ocadas pela luz causam des anecimen o e al e ações de co e uma ez que oco em são pe manen es e i e e sí eis. Pa a p e eni o apa ecimen o de o mas de de e io ação pelo excesso de luz, é possí el u iliza co inas pa a ajuda a il a a luz di e a do sol, desliga as 34 luzes quando não são necessá ias e não deixa os obje os expos os du an e 14 longos pe íodos de empo ( o a i idade de obje os). No im, mesmo que se consigam con ola odos es es a o es, se não exis i con olo e cuidado no manuseamen o, as espécies o og á icas ão es a semp e sujei as a danos. A boa o ganização no acondicionamen o e a mazenamen o, combinado com o mapeamen o dos depósi os, su ge como uma das soluções pa a que não haja excesso de manuseamen o das o og a ias. Pa a p e eni algumas a i udes menos co e as é necessá io que haja uma consciencialização dos iscos e que sejam ealizadas ações de o mação pa a os elemen os do a qui o, po pessoas especializadas. Ou a solução pa a 15 es ingi o manuseamen o das o og a ias é a sua cap u a digi al, digi alização ou cap u a o og á ica. A cap u a digi al não só es inge o manuseamen o dos o iginais, como pe mi e o seu amplo acesso a a és dos sis emas in o ma izados, com o 16 obje i o da sal agua da e alo ização do pa imónio. Pa a consegui alcança es e obje i o, é necessá io aze a elabo ação de planos de cap u a digi al de aco do com: os equisi os do público, e noção da capacidade de a mazenamen o dos ichei os digi ais, os obje i os do a qui o, e aça as p io idades do Fundo/Coleção. Não compensa a um a qui o possui os melho es scanne s se depois não em ha dwa e - e écnicos o mados na á ea - que consiga supo a a in o mação que é p oduzida, da mesma manei a que não há necessidade aze a cap u a das o og a ias po o dem, po exemplo, se o publico al o só p e ende uma pa e especi ica. Es e são exemplos de como é possí el aze gas os desnecessá ios em ma e ial ou despende empo excessi o numa a e a. É p eciso ambém c ia pa âme os de cap u a digi al que consigam colma a es e ipo de complicações. Passa em p imei o luga pelo ha dwa e, uma ez que o obje i o é aze a cap u a digi al uma única ez assim de e-se apos a no melho disposi i o possí el que o o çamen o possibili e, seja um scanne ou uma câma a o og á ica digi al. De seguida, de e se a aliada a capacidade de a mazenamen o disponí el e o ipo de so wa e. Só depois de e oda a in o mação e sabe quais os obje i os do a qui o é possí el elabo a um plano de cap u a digi al em que os ichei os digi ais, cap ados hoje, pe manecem legí eis nos so wa es u u os. Depois de odos os es o ços aplicados na conse ação p e en i a, ainda há necessidade de a amen os de conse ação. O p imei o passo a se ealizado é um cuidadoso planeamen o das necessidades das espécies o og á icas. Quando o o çamen o não pe mi e g andes comp as de ma e iais e sol en es 14. Ka en E. K. B own - Low-Cos Ways o P ese e Family A chi es in ALCTS Webina Celeb a ing P ese a ion Week. Uni e si y a Albany, Suny, 2014, pág. 11 a 13. 15. Con e são de documen os a qui ís icos em o ma o digi al, que consis e em unidades de dados biná ios, com os quais os compu ado es c iam, ecebem, p ocessam, ansmi em e a mazenam dados. Conselho Nacional de A qui os (CONARQ) - Recomendações pa a Digi alização de Documen os A qui ís icos Pe manen es, Ab il 2010, pág. 5. 16. CONARQ - Recomendações..., pág. 6. 35 de e apos a -se na limpeza po ia seca a a és da emoção das pa ículas que es ão à supe ície das o og a ias. Es as pa ículas podem pene a pa a den o da o og a ias e causa mais danos se não o am emo idas. As opções nes e caso podem se : nos supo es de plás ico de e io ados (ni a os e ace a o de celulose) como não há mui as opções de a amen o, a limpeza po ia seca com pê a de sop o é o ipo de a amen o mais ap op iado; nos supo es de id o pode se u ilizada a pê a de sop o ou um pincel de ce das macias; as p o as (supo e de papel) ambém podem se limpas com a pê a de sop o, pincel de ce das macias ou bo acha (Ro ing® ou S aedle ® po exemplo). Es es são alguns dos a amen os que podem se execu ados às espécies o og á icas, que não implicam cus os a ul ados e conseguem logo alguns esul ados posi i os. Em pleno século XXI, em que emos a o og a ia se cada ez mais alo izada, c esce ambém a consciência da impo ância da sua sal agua da e p ese ação pa a as ge ações u u as. A pa des a c escen e alo ização da o og a ia, emos cada ez menos a qui os que conseguem encon a ecu sos pa a con inua em com es a égias de conse ação, seguindo odos os pa âme os ideais des a á ea. Mui o impo an e são a o mação e o ní el de in o mação que um p o issional da á ea pode aze a um a qui o. Como oi expos o a cima, exis em manei as de con o na algumas di iculdades e desa ios que se podem coloca , mas acima de udo é necessá io e alguém na Ins i uição que consiga desen ol e planos e es a égias pa a cada caso em especí ico. Um a qui o com escassos ecu sos mone á ios, com as es a égias ce as, consegue desen ol e abalho e sal agua da os seus espólios. 36 37 DO ARQUIVO COMO NORMALIZAÇÃO AO ARQUIVO COMO CRIAÇÃO Edua da Ne es O a qui o (...) é o sis ema ge al da o mação e da ans o mação dos 1 enunciados. O a qui o é “um olume complexo, em que se di e enciam egiões he e ogéneas, (…). São odos esses sis emas de enunciados (acon ecimen os 2 de um lado, coisas de ou o) que p oponho chama de a qui o.” Desde o século XIX que nas ins i uições de o dem ju ídica, médica, cien í ica, polí ica ou económica, a o og a ia é usada como documen o e a qui o, in eg ando as es a égias e p og amas de expansão dos Es ados capi alis as. A associação en e indús ia o og á ica e economia capi alis a oi-se e o çando nos inais do século XIX, g aças às p og essi as e oluções écnicas e à p odução c escen e de equipamen os mais áceis de manipula e anspo a . Todos es es aspec os con ibuem pa a a aplicação da o og a ia a á ios domínios, en e os quais o do a qui o. Assim, po exemplo, os a qui os da polícia, desde aquele século que se encon am cheios de o og a ias no malizadas, iden i icando delinquen es e c iminosos. O disposi i o o og á ico, acili ando o abalho de con ole an o ao ní el da cons i uição de um a qui o como no egis o de p o as documen ais, a i ma-se como ins umen o ao se iço da polícia e da p isão, do hospi al e do asilo, da áb ica ou da escola, ope acionalizando as es a égias de pode do uni e so polí ico egulado pela no a o dem ins i ucional. Se pa a o espí i o posi i is a do século XIX o a qui o podia cons i ui um modelo que aça a as isionomias dos c iminosos ou dos loucos, ambém o in en á io o og á ico da ealidade se cons ói a a és da ín ima elação en e a o og a ia e o álbum. Es e c uzamen o a i mou-se como a p imei a “g ande máquina mode na de documen a o mundo e a en esou a as imagens. O álbum e a o og a ia-documen o unciona am em simbiose du an e quase um século, an es de se desen ol e em as agências e os a qui os. Em odo o caso, 3 a o og a ia-documen o em como ho izon e o a qui amen o”. P ocu a-se econs ui uma unidade a pos e io i, a iculada numa o alidade que o álbum e o a qui o cons ui ia, numa compulsão obsessi a pela in en a iação. 1. Michel Foucaul – A queologia do Sabe . Rio de Janei o: Edi o a Fo ense Uni e si á ia, 2008, p.147- 148. 2. Michel Foucaul – A queologia do Sabe …, p.146. 3. And é Rouillé – La pho og aphie. En e documen e a con empo ain. Pa is: Gallima d, 2005, p. 120. Classi icam-se documen os, o ganizam-se objec os pa a os museus, aspi a-se 4 à c iação de uma enciclopédia uni e sal. Se á p eciso espe a sob e udo pela segunda me ade do século XX pa a, no con ex o da p á ica a ís ica con empo ânea, a e lexão dos a is as em o no do a qui o e da memó ia con ibui pa a que o uso da imagem o og á ica se desloque do en endimen o no malizado do a qui amen o, pa a uma concepção e p á ica do a qui o a iculadas com um p og ama a ís ico. Es a ope ação acon ece, aliás, no con ex o da abe u a que, sob e udo a pa i dos anos sessen a e se en a, o campo da a e mani es a em elação à imagem o og á ica, con ibuindo pa a a sua legi imação como pa adigma das a es isuais. Nes e âmbi o, o ganizando e classi icando documen os e en e is as, os a is as jun am e conse am agmen os de um pe cu so. O ecu so a múl iplos supo es e a ap oximações de o dem c í ica, his ó ica, an opológica, polí ica, económica e mesmo biog á ica é igualmen e de g ande signi icância. O a qui o enquan o signi icação conduzi á a uma ce a geog a ia da in e p e ação e da p óp ia memó ia. Em 2001, Roland Nach igälle , F iedhelm Scha e Ka in S engel, p epa ando a exposição Wiede o lage d5. Eine Be agung des A chi s zu ( NA) documen a 1972, Kassel, no Museu F ide icianum e Os ilde n Rui e omam a ques ão das e en uais sob eposições e ligações en e a unção dos a qui os e dos museus, ou, ainda 5 mais especi icamen e, da exposição. Como eco da F iedhelm Scha no á io da Neue Gale ie, em Kassel, e a ap esen ada uma secção di e en e da documen a 5, onde se podiam e os museus de Ma cel B ood hae s, Claes Oldenbu g, He be Dis el e Ben Vau ie . In e essa a aos o ganizado es da exposição Wiede o lage d5. Eine Be agung des A chi s zu documen a 1972, Kassel, a p oblema ização que es es a is as ope a am em o no das concepções sociais dominan es e a pe spec i a con encional dos disposi i os de pe cepção; po ou o lado, p e endia-se e lec i sob e o signi icado his ó ico dos ma e iais eunidos nos museus pessoais, expos os em 1972 e conse ados, a é aquela da a, nos a qui os da documen a. P ocu a a-se esponde ao lei mo i ge al da documen a In e oga o eal – os mundos da imagem hoje. Os museus pessoais dos a is as, sub e iam os p essupos os ideológicos do museu e as con enções em o no do concei o de exposição, como e a o caso de uma das acções de Ben Vau ie , salle de é lexion, He be Dis el com Musée en i oi s, Claes Oldenbu g com Mouse Museum ou Ma cel B ood hae s e o Musée d a mode ne, dépa emen des Aigles. O uso do a qui o ou mesmo a sua diluição no abalho pessoal dos a is as, egis a o esba imen o da adicional on ei a en e a p á ica a ís ica e o documen o, o nando-se es e o cen o da p óp ia p á ica. Cada ez mais os 38 4. And é Rouillé – La pho og aphie. En e documen e a con empo ain..., p.124. E mais adian e con inua o au o : “Não an o como o a qui o ou os disposi i os que se lhe segui ão, o album não é um ecep áculo passi o. Ele não acumula, não conse a, não a qui a, sem classi ica e edis ibui as imagens, sem p oduzi sen ido, sem cons ui coe ências, sem p opô uma isão, sem o dena simbolicamen e o eal. Associado a es a u opia de pô sis ema icamen e em imagens o mundo in ei o, a o og a ia- documen o, associada ao álbum ou ao a qui o, é in es ida da a e a de o o dena . Nes a as a a e a, a o og a ia-documen o e o álbum (ou o a qui o) jogam papéis opos os e complemen a es: a o og a ia agmen a, o álbum e o a qui o ecompõem os conjun os. Eles o denam.” p.125. 5. F iedhelm Scha – “La Documen a 5 ou le musée ec éé pa les a is es” in Les A is es Con empo ains e l`a chi e. In e oga ion su le sens du emps e de la memoi e a l`e e de la nume isa ion. Ac es du Colloque. 7-8 Decemb e, 2001, Rennes: P esses Uni e si ai es de Rennes, 2004, p.50 e ss. a is as “pa ecem ascinados pela ideia de subs i ui a es es objec os du á eis e ão especí icos, o modelo do a qui o como es u u a ou ma e ial semió ico 6 dos seus abalhos.” Como ma e ial a se expos o e ans o mado ou u ilizado como meio de in es igação c í ica em o no do concei o de colecção, o a qui o o na-se um núcleo de documen ação do pe cu so do a is a, conse ado pa a se consul ado ou disponí el pa a no a ans o mação. Salien ando o in e esse que os a is as econhecem à po encialidade c í ica do 7 a qui o e po que assume um luga cen al na a e con empo ânea , Be and Gaugue analisa as suas implicações em ce os p ojec os, nos quais os a is as eco em à enunciação de uma sequência de acon ecimen os e na a i as. Nes e âmbi o, a ques ão da e dade o na-se pe i é ica: pe an e documen os, no as, in o mações múl iplas, imagens, encon adas, o alo da e acidade é secundá io. O a qui o não é o que p ese a e gua da pa a pe mi i mais a de o eapa ecimen o. Ele é o que de ine ele p óp io, desde o p incípio, o “sis ema 8 da sua enunciabilidade” e “o sis ema do seu uncionamen o”. Mesmo quando os e ei os pa ecem econhecí eis ou semelhan es, o a qui o a as a-se de um ca ác e me amen e desc i i o ou ilus a i o: não se p ocu a a a és da ob a econs i ui o a qui o mas, an es, indisciplina classi icações e in e oga o já di o. Como a i ma Michel Foucaul , o a qui o não designa a o alidade de documen os ou ex os que uma dada cul u a gua dou como es emunhos da sua iden idade ou do seu passado. T a a-se, pa a o au o , de coisas di as em elação às quais não se o na necessá io pe gun a a sua azão imedia a. Nem às coisas nem àqueles que as disse am mas sim “ao sis ema da discu si idade, às possibilidades e às impossibilidades enuncia i as que ele conduz. O a qui o é, de início, a lei do que pode se di o, o sis ema que ege o 9 apa ecimen o dos enunciados como acon ecimen os singula es.” A qui o não signi ica igualmen e a manu enção de discu sos que as ins i uições egis am pa a u iliza , desen e a , quando que em eco da . O a qui o não obedece ao jogo das ci cuns âncias ou à o dem dos acon ecimen os. É assim que Walid Raad, a p opósi o do abalho do A las G oup, e e e que não inicia p ojec os pensando de o ma global ou endo como pon o de pa ida uma esc i a da His ó ia; pelo con á io, en ende o local como oco de esis ência ou, nas suas pala as, uma con a-na a i a à 10 His ó ia. Não podemos ala de a His ó ia, mas sim de con a-na a i as. Pensa o a qui o não é eduzi-lo às coisas di as ou àqueles que as disse am. Se, po um lado, ele compo a enunciados possí eis e impossí eis, não nos o e ecendo uma qualque he menêu ica his ó ica, po ou o, é ambém a a és dele que se o mulam p oblemas, ac i am con adições e descon inuidades, alhas e abe u as. Recupe ando o sen ido que o concei o 39 6. Jean-Ma c Poinso – “Gilles Mahé e l`a chi e”, in Les A is es Con empo ains e l`a chi e. In e oga ion su le sens du emps e de la memoi e à l`e e de la nume isa ion. Ac es du Colloque..., p.128. 7. Sob e a elação en e os a qui is as e o uso do a qui o pelos a is as diz Lioba Reddeke : “Com a In e ne , os a qui os o na am-se nómadas e podem inse i -se num as o ese a ó io de cen os de documen ação. As ques ões ma e iais dizem espei o, em elação a si mesmas, à uni o mização dos meios de acesso ou ainda à legislação sob e a p op iedade in elec ual. (…) Os a qui is as êm uma ou a ap eensão do empo. Eles colocam uma lupa sob e o u o de dois anos de abalho do a is a. Os a qui is as einsc e em esse ins an e do culmina no empo da his ó ia, que se concebe na con inuidade. Mas eles ambém es ão subme idos à acele ação, no meio de um u bilhão de imagens, de in o mações e de possibilidade cons an emen e eno adas. Mesmo o desapa ecimen o acele a-se, é a condição p é ia a oda a e olução ápida. Tal como o a elie , o luga da nossa ac i idade o nou-se pa e in eg an e de um sis ema dinâmico. Consolidando os nossos laços, cons ui emos uma es u u a que se o na á, espe o, um e e en e de qualidade nos di e sos mundos da a e.” (Lioba Reddeke – “'Making o ' – A elie s e a chi es dans la dynamique de la p oduc ion documen ai e” in Les A is es Con empo ains e l`a chi e. In e oga ion su le sens du emps e de la memoi e a l`e e de la nume isa ion. Ac es du Colloque..., p.30). 8. Michel Foucaul – A queologia do Sabe …, p.147. 9. Michel Foucaul – A queologia do Sabe …, p.147. 10. Walid Raad – “Ficción y acon ecimien o Dislocando la his o ia”. En e is a, EXIT Exp ess - Au o ep esen ación. Ras os del yo en el a e con empo áneo. # 43 Ab il, Mad id, 2009, p.13. A imagem é en ão a camada supe icial isí el ememo a i a do que não es á lá. Tem uma his ó ia ei a de ínculos a ou as imagens, disseminações e des ios – essigni icações - que as o nam singula es. Cada imagem, é en ão um momen o dinâmico de o ças con adi ó ias en e empo, discu sos, ideologias e disciplinas que as azem se do seu empo. As imagens alegó icas são despojos da essonância de sen ido das imagens o iginais, subme idos à in e p e ação e signi icação do alego is a que os abalha enquan o po ência gene a i a que se ab e a ou as imagens elacionadas; a imagem alegó ica é en ão a ep esen ação que e ela os seg edos das imagens ap op iadas, assume e condensa o que nos ascina nas imagens. De o ma a escla ece essa po ência in e na às imagens, Aby Wa bu g, no ex o «Las imágenes ambién su en eminiscências», e e e que a imagem condensa dimensões psíquicas e plás icas que de e minam o es ilo, ga an indo o “se das imagens”. Es e “se ” epo a-se a imp essões o iginá ias das imagens o nadas símbolos igu a i os, que ao se em e o muladas plas icamen e o mam sedimen ações p o idas de uma 10 memó ia inconscien e que ga an e a sob e i ência da dimensão psíquica das imagens. No enómeno de sob e i ência, a memó ia inconscien e das imagens é ap eendida em momen os-sin oma, em que se en elaçam 11 momen os anac ónicos e sis emas de insc ição he e ogéneos . O sin oma é a mani es ação de uma ede complexa de sinais incomp eensí eis, ilógicos, dispa a ados que a i am a memó ia inconscien e ligada às eminiscências das 12 o mas, e que ga an em a dimensão psíquica que pe ence às imagens . As imagens condensam símbolos mnemónicos que eco dam e sin e izam 10. T adução co esponden e ao e mo alemão “Nachlaben” u ilizado po Aby Wa bu g. 11. Pe cebe as mo imen ações do enómeno de sob e i ência das imagens, implica pe co e em sen ido con á io o caminho da ans o mação das o mas ao longo dos empos. Implica esca a , de uma o ma conscien e, a memó ia inconscien e das o mas. Tal caminho em p o undidade implica a iden i icação dos sin omas po p ocessos de es a i icação. 12. Geo ges Didi-Hube man - «Las imágenes ambién su en eminiscências», La Imagen Supe i ien e, His o ia del A e y Tiempo de Los Fan asmas Según Aby Wa bu g. Mad id: Abada Edi o es, 2009, pp. 277-280. 46 Figu a 3. Exce os do ilme Ou Cen u y de A a azd Pelechian, 1982, p/b, 50 min. A a azd Peleshian: Ou cen u y. Kuns halle Wien: Ke be Ve lag, 2004, p. 231. acon ecimen os ge ado es de emoções e de ope ações men ais. É aqui que eside o in e no das imagens: al como a mani es ação de sin omas e e ida po Aby Wa bu g, é ela i o à dimensão psíquica das imagens, põe em ação a memó ia e a i a a imaginação. Assim, o in e no não es á sensí el na imagem mas é-lhe la en e; é a po ência gene a i a de ou as imagens na cons ução de no as signi icações po elações de analogia: elaciona imagens pelo in e no, é a ingi a legibilidade pa a além do imanen e, “é i pa a além da copa da á o e”, po um en edo de analogias que nomeiam o que é in isí el, mas sem que nada seja ixo nem e iden e. Con igu ação da imaginação: colagem diag amá ica En endendo o desenho como um mecanismo de elação de imagens po analogias, os mo imen os de desloca , jus apo , sob epo , ag upa e encadea pe mi em pensa o desenho enquan o a mon agem que con igu a as ope ações da imaginação. O modo como a aculdade combina ó ia da imaginação es abelece possibilidades de elação en e o que é díspa po pensamen os ugidios e cu os, p oje a-se nos desenhos inacabados suge idos po espaços em b anco, acejados, co es, colagens, epe ições e a iações. Ambos, imaginação e desenhos inacabados, pa ilham o ugaz, ansi ó io, ágil e agmen á io. Os desenhos inacabados, mesmo não de inindo cla amen e um assun o, apon am di eções e con eúdos, e pe mi em pe cebe o que se pensa e como se pensa, o nando-se undamen ais po que condensam momen os de p ocu a e de descobe a, con udo, são insu icien es pa a escla ece o luxo disseminado e agmen á io da imaginação. Uma ep esen ação isual da a iculação do pensamen o guiado pela imaginação é uma abs ação, é uma imagem que aduz o que pe ence ao domínio do in e no, o que não é isí el. Um esquema mui o con uso e de ligações in e ompidas se ia o que se ob e ia se ossem açadas odas as ligações es abelecidas na a iculação de dados pela imaginação. Con udo, «o espaço in e no não em duas dimensões, como a olha de papel, é an es um sis ema de elações espaciais, onde al o e baixo, den o e o a, an es e depois 13 não exis e» . Conside ando es a a i mação, a imaginação pode se pensada enquan o luxo, num p ocesso semelhan e ao do diag ama, aqui en endido de duas manei as: como a alho g á ico, mas ambém como mecanismo gene a i o. A mesma conceção de diag ama pode se en endida segundo Gilles Deleuze, enquan o «possibilidade de quad os in ini os, uma 14 possibilidade in ini a de quad os» , sin e izada em ês momen os da c iação: o p é-pic ó ico e e indo-se ao cliché da pin u a, o de caos-ca ás o e da pin u a que des ói a es abilidade do p é-pic ó ico, e o de ge minação de no as o mas pelo a o de pin a . A pa i des a noção, é en ão aqui e e ida uma aceção mui o pa icula do diag ama, não como uma imagem de sín ese e cla a, mas enquan o sis ema de elações espaciais de ligações in e ompidas 13. Jean Fishe - «On d awing» in The S age o D awing: Ges u e and Ac , Selec ed om he Ta e Collec ion. No a Yo k: Ta e Publishing and The D awing Cen e , 2003, p. 222. 14. Gilles Deleuze - Pin u a, El Concep o de Diag ama. Buenos Ai es: Cac us, 2007, p. 46. 47 da imaginação em es ado de po ência. O desenho é en ão po aqui p opos o como uma “colagem diag amá ica” enquan o es u u a isual, como uma espécie de elação combina ó ia espacial que ag ega os desenhos e as imagens do a qui o pessoal, na qual pa icipam o que omo como in e no às 15 imagens e o concei o de colagem . O que de manei a mais di e a se ap oxima des a colagem diag amá ica é uma aglome ação de in o mação di e si icada mon ada em sis ema elacional, em que imagens são associadas, jus apos as, deslocadas e ans e idas, dando isibilidade às elações de sen ido combinadas na imaginação: seja um desenho ou uma pa ede cobe a de imagens, as ope ações da imaginação ganham co po na supe ície; uma o ma é encadeada nou a o ma, e o sen ido de um desenho é comple ado po uma imagem do a qui o pessoal. O desenho é en ão e e ido como a mon agem que con igu a as conexões o madas pela imaginação: es á abe o à acumulação e à deslocação de imagens na o mação de possibilidades de sen ido consoan e o encadeamen o do pensamen o; cons ói um labi in o de analogias e de ol e um en edo cen o, a i mando o agmen á io e o ansi ó io em ez da unidade. Non ini o: a qui o, analogia, a las Nes e con ex o, a p á ica a ís ica é a a essada pela p ocu a de disposições das imagens em co espondência com a es u u a men al subjacen e ao pensamen o c ia i o: as imagens são jus apos as, ag upadas e deslocadas, encon ando a sua con igu ação numa colagem diag amá ica a i ada po analogias o madas na imaginação. De o ma a conclui a cons ância des as elações de analogia no p ocesso c ia i o, o a las, é aqui p opos o como a á ica de deses abilização das imagens do a qui o pessoal, mas ambém como modelo es u u al de odo a p á ica. Po de inição, um A las é uma eunião de imagens sob e de e minado assun o, que consul amos pa a uma pesquisa especí ica ou que olheamos descomp ome idamen e pa a nele “ iaja ” de imagem em imagem. Sem a exigência de uma o dem de lei u a, e à pa ida sem um ex o exaus i o que de ina as suas imagens, abusa e i a pa ido des a libe dade de “ iaja ”, é es a no limia de odos os caminhos possí eis. A na u eza agmen á ia, incomple a e sensí el de um a las, p opõe a abe u a a múl iplas lei u as, ao não sequencial e ao não de ini i o. Também, a es u u a isual de um a las, mos a o conhecimen o sob e o mundo a a és da acumulação e da jus aposição imagens. O ca á e abe o da sua mon agem, em que as páginas são o ganizadas po conjun os de imagens he e ogéneas e anac ónicas numa dimensão espacial p oli e an e, po encia no as possibilidades de en endimen o das imagens po co espondências, analogias e in e alos. A pa icula idade do a las é en ão o inci amen o ao en endimen o do mundo pela explo ação heu ís ica dos con eúdos das suas 15. Cláudia Amandi, na sua ese de dou o amen o, p oblema iza a mesma co espondência en e “diag ama” e “colagem”: o p imei o, numa aceção abs a a elacionada com os mo imen os implíci os ao p ocesso c ia i o, o segundo, implicado com a disposição ísica dos elemen os no p ocesso de desenho: “O desenho, enquan o co po de imagens, é ambém esse diag ama abs ac o em con ínua elação e associação en e as coisas, o nando-se um híb ido que e lec e a es u u a men al do au o . (...) Se podemos iden i ica o diag ama como modelo ísico, a sua manei a conc e a de aze as coisas no plano ma e ial, é uma espécie de con ínua ope ação de colagem. Não apenas na sua acepção elemen a como acção que ade e duas supe ícies com cola, mas, sob e udo, como ope ação ísica e me a ó ica que liga, ajus a, ap oxima, que jun a ou une elemen os di e sos pa a equaciona o dens e ligações no con ex o do p ocesso”. Cláudia Amandi - «Híb idos isuais pa a es u u as men ais» in Funções e Ta e as do Desenho no P ocesso C ia i o, Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o, 2010, p. 63. 48 imagens. Didi-Hube mam no ex o «Dispa (a )es, lee lo nunca esc i o», nomeia o a las 16 simul aneamen e como “obje o isual” e “ o ma isual de sabe ” , na medida em que modela o conhecimen o dedu i o baseado no sensí el. Po aqui, ap oxima a con igu ação do a las do que pode á se denominado de “es é ica impu a da imagem”: ca ac e izada como p oli e an e, múl ipla, di e sa, e opos a ao quad o de he ança es é ica enascen is a, exigen e da in eg ação ha moniosa das pa es na cons ução da unidade encenada e ence ada nos limi es do supo e. A es é ica enascen is a é baseada na unidade es abelecida po c i é ios, e é conco dan e com o conhecimen o acionalis a: Albe i esumiu o quad o à unidade o mula como um odo comple o. No mode nismo, G eenbe g ele ou a a e a um pu ismo le ando ao limi e a p oposição de que a imagem é uma elação ideal. Po aqui, o quad o é unidade e idenciada no ence amen o 17 espacial, é axioma esul an e de uma lógica, é encenação e ob a-p ima . Nes e sen ido, Didi-Hube man no ex o «El a las das imágenes. Relee ( emon a ) el mundo», con apõem as páginas do a las ao quad o: - enquan o que o quad o é ence ado em dois mo imen os, e ical e cen ípe o, o a las é abe o po dois mo imen os, ho izon al e cen í ugo; - enquan o que o quad o é unidade esul an e de um pe cu so de ap imo amen o da p á ica e do conhecimen o, que c i a pa a o na pu o, ideal, dos deuses, o a las, des ói a singula idade pa a a i ma a 18 mul iplicidade. O a las é uma apologia ao abe o e ao múl iplo, cuja es u u a baseada na acumulação e na jus aposição, é conco dan e com o pensamen o que po encia. Assim, no con ex o da p á ica a ís ica dependen e da p o ocação 49 16. Fo ma isual de sabe que ecupe a a génese do modelo epis émico pla ónico, na qual, o conhecimen o é ex aído das imagens. 17. Geo ges Didi-Hube man - «Díspa (a )es, lee lo nunca esc i o» in A las ¿Cómo Lle a El Mundo a Cues as?. Mad id: Museo Nacional Cen o de A e Reina So ía, 2011, pp. 14-22. 18. Geo ges Didi-Hube man - «El a las de imágenes. Relee ( emon a ) el mundo» in Exi : Cu & Pas e, 35, 2009, p. 5. Figu a 4. T abalho do au o , Mão Que dá, mão que a i a, 2009–2014. Guache, es e og á ica, g a i e e o ocópia, dimensões a iá eis ap oximadas do A4. Ao ag upa os desenhos é exe cida uma esis ência pa a não exclui possibilidades, mas an es acumula e de i a imagens em comp omisso com as elações ei as na imaginação. O mo imen o de elaciona imagens é pe manen e: cada imagem encon a luga en e as ou as imagens acumuladas na pa ede do a elie , e susci a uma ou a. Um desenho de i a de ou o desenho e cada desenho é ambém uma possibilidade isolada de um ou o encadeamen o de desenhos. Desenha é aze non ini o, no sen ido de imagens inacabadas, mas ambém sem conclusão, na medida que não ap esen a imagens inais mas um en edo não linea . das imagens de um a qui o pessoal, dos signi icados que lhe são a ibuídos e das analogias que se es abelecem en e elas, mas ambém, comp ome ida com a p ocu a de uma es u u a isual conco dan e a es e modo de pensa as imagens, o a las é en ão ido como modelo: aqui uma imagem não exis e nem é mos ada isolada, ao con á io, sendo o aze baseado na explo ação heu ís ica dos sen idos das suas imagens, uma imagem elaciona-se e ge a ou a imagem; e a es u u a isual co esponden e à con igu ação des e luxo da imaginação é uma acumulação de imagens jus apos as. 50 51 O p incipal acon ecimen o na elabo ação de um abalho pa ece se o encon o de uma me odologia. Uma me odologia que na sua o ma e lic a a sub ileza do a gumen o. Da o ma a uma componen e conside ada écnica ambém pode pa ece um ac o. Ou melho , uma p á ica associada a ges os. A a és da análise de (1.) alguns objec os e e enciais de um abalho e (2.) dos seus modos de apa ece na pesquisa, cons a a emos a impossibilidade de aco da com uma me odologia singula . Um p é-in en á io de objec os- e e ências se á ap esen ado enquan o espólio p óp io da in es igação em cu so. Es a sequência nume ada es u u a á (3.) um b e e ensaio e um es e, conside ando que esses objec os es ão de ac o colocados num espaço. Ao dispo (4.) ou as e e ências me odológicas em lis a, aco da emos com uma ex apolação de p á icas. 1. Alguns objec os e e enciais de um abalho O OBJECTO NO CENTRO: O ESPÓLIO COMO METODOLOGIA Aida Cas o Objec o #1: Cahie s d'A , nº1-2, 1936. Rep odução de uma página da e is a Cahie s d'A , in Emmanuel Guigon, Geo ges Sebbag — Su L'Obje Su éalis e, Pa is: Les p esses du éel, 2013, p. 143. 52 2. Dos seus modos de apa ece na pesquisa O que ap esen amos é um p é-in en á io. Alguns dos objec os- e e ências que pa icipam de um abalho de in es igação em cu so. Es es objec os- e e ências são ci ações o ganizadas numa sequência. Em conjun o não ep esen am o abalho, mas de i am da sua me odologia. En ão podemos dize que es a sequência de objec os ap esen a-se enquan o espólio: os objec os são e i ados desse abalho e no espaço des e ex o são apenas o início de uma lis a. A sequência é nume ada segundo o seu modo de apa ece na pesquisa. E o seu undamen o su ge de uma sé ie de lei u as, das pequenas explosões p o ocadas pelas ligações dos seus con eúdos e da junção dos Objec o #3: He wig Tu k, Hands On ( e s. 3), Quasic ys als o he Ha mony o Illusion, Exhibi ion Cen e Heiligenk euze ho , Vienna/A 2014. Fo og a ia: © Gebha d Sengmülle . Objec o #2: Paul Nougé, La Naissance de l'Objec e Les Bu eu s da sé ie Sub e sion des Images (1929 - 1930). Rep oduções de o og a ias in F édé ic Thomas — “Expé iences pho og aphiques e p a iques boule e san . Paul Nougé e la Sub e sion des Images”, in Colloque L'Image Comme S a égie: des usages du médium pho og aphique dans les su éalisme. O g. L'Associa ion de eche che su l'image pho og aphique (ARIP), l'équipe d'accueil “His oi e cul u elle e sociale de l'a ” - Uni e si é Pa is 1 Pan héon So bonne (HiCSA) e Ins i u Na ional d'His oi e de l'A (INHA), 2009. Disponí el: [h p://hicsa.uni - pa is1. /page.php? =133&id=411&lang= ]; úl ima consul a: 2 de Ou ub o de 2014. 53 1. V. Emmanuel Guigon — L'Objec Su éalis e. Pa is: Édi ions Jean-Michael Place, 2005, p.11. 2. Apud. And e B e on — Posi ions Poli iques du Su éalisme, Pa is: Edi ions du Sagi ai e anciennes edi ions K a, 1935, p.161. Op amos po aduzi as ci ações que se ap esen a am nou a língua. 3. Inaugu ada em 26 de Ma ço na Rue Jacques- Callo , com os abalhos “Tableux de Man Ray” e os “Obje s des Îles”. V. Emmanuel Guigon e Geo ges Sebbag — Su L'Obje Su éalis e, Pa is: Les p esses du éel, 2013, p.85. 4. Ci . Roge Caillois, “Spéci ica ion de la poésie”, in Su éalisme A.S.D.L.R, Nº5, 1933. Apud. Emmanuel Guigon e Geo ges Sebbag — Su L'Obje Su éalis e, Pa is: Les p esses du éel, 2013, pp. 42- 43. cacos. Coisas p óp ias da pesquisa ela i a ao abalho em cu so. Não in e essa aqui de ini esse abalho e escla ece o seu a gumen o, mas a opção de inicia pelas imagens ci adas, c iando objec os, ap oxima-se da con icção de aze um mapa. Um mapa de e e ências cons i uído po imagem e ex o. Sob e o objec o decidimos ap o unda . Po que ele apa ecia em di e en es modos na pesquisa e no seguimen o das lei u as. Po lei u as conside amos os ex os, odas as o mas de ex os, que se leu. E os objec os que apa ecem delas lhes são e i ados e ep oduzidos nou o espaço, po exemplo, no espaço des e ex o. A lis a e a sequência já mencionada, o espólio se quise mos, não é es á el. É inacabado. A lis a assemelha-se a uma qualque lis a bibliog á ica, mas o seu ca ác e e e encial que se exp ime em imagem o ganiza-a em objec os. 3. Um b e e ensaio e um es e O objec o oi cen al na p á ica a ís ica do Su ealismo: a in es igação sob e o objec o pa e do excesso, da sé ie de manu ac u ados, con ex o onde apenas se eclama uma (ainda) insigni ican e legi imidade écnica. Pa a B e on e ou os companhei os, o su eal, de inido como uma espécie de ealidade absolu a, dila a a expe iência do sujei o com os objec os, libe ando uma ida la en e. Sem as unções u ili á ias, cada objec o é suscep í el de al e a o 1 sen ido . O Objec o, al como de iniu Dali, é um “objec o que se p es a a um mínimo de uncionamen o mecânico e que é baseado nos an asmas e nas ep esen ações suscep í eis de se em p o ocadas pela ealização de ac os 2 inconscien es.” O “objec o sel agem”, po exemplo, apa ece no meio de uma expe iência de ca alogação, po en e uma genealogia sob e o objec o que se o dena à ol a do eixo encon ado( ou é)/ ab icado (Objec o #1). E sob e udo pa a si ua os objec os p o enien es de ou as cul u as. A gale ia su ealis a em Pa is inaugu ou em 1926 com uma exposição sob e a 3 coabi ação dos “objec os su ealis as” e os “objec os das ilhas” : oi aqui que a pala a “objec o” apa eceu no cen o da p á ica a ís ica. Os objec os sel agens são, en ão, pa a os su ealis as pa isienses, objec os e iches ou o que ulga men e se chama de “objec os p imi i os”, sob e os quais B e on inha um especial gos o. A ca alogação des es e ou os objec os jus i ica o a gumen o su ealis a de que “ (...) jamais a unção u ili á ia de um objec o legi ima po comple o a sua o ma, ou seja, a noção de objec o ansbo da a noção de ins umen o nele con ida. Assim é possí el descob i em cada objec o o al esíduo i acional de e minado, en e ou as coisas, pelas 4 ep esen ações inconscien es do in en o ou do écnico” . En e 1929 e 1930 Paul Nougé, conhecido como o eó ico do Su ealismo Belga, p oduziu uma sé ie de 19 imagens às quais deu o í ulo Sub e sion des Images. Es a sé ie con ex ualiza um momen o de c ise ipa ida: a c ise do Su ealismo, a c ise da o og a ia e, de uma o ma mais expansi a, a c ise da sociedade como um odo. Do Su ealismo po se o momen o onde se a i mou 54 5. Seguimos o es udo de F édé ic Thomas — “Towa ds a Mino Su ealism: Paul Nougé and he Sub e sion o Images”, in Mino Pho og aphy: Connec ing Deleuze and Gua a i o Pho og aphy Theo y. Ed. Mieke Bleyen, Leu en Uni e si y P ess, 2012, pp. 125-143. 6. F édé ic Thomas, 2009 — “Expé iences pho og aphiques e p a iques boule e san . Paul Nougé e la Sub e sion des Images”, in Colloque L'Image Comme S a égie: des usages du médium pho og aphique dans les su éalisme. O g. L'Associa ion de eche che su l'image pho og aphique (ARIP), l'équipe d'accueil “His oi e cul u elle e sociale de l'a ” - Uni e si é Pa is 1 Pan héon So bonne (HiCSA) e Ins i u Na ional d'His oi e de l'A (INHA). Disponí el: [h p://hicsa. uni -pa is1. /page.php? =133&id=411&lang= ]; úl ima consul a: 2 de Ou ub o de 2014. a dis ância (polí ica) en e o núcleo Belga e o núcleo Pa isiense. Da o og a ia po e sido o momen o de deba e sob e a sua au onomia enquan o meio, do seu alo enquan o documen o ou ob a de a e, a as ando-se do pic o alismo. E oi p ecisamen e em 1929 que sucedeu o “Wall S ee C ash”, que ascendeu 5 o ascismo e se es abeleceu o Es alinismo na URSS . As 19 imagens ep esen am encenações: são “encenações da ausência”. Da ausência de objec os. São o espaço nega i o, como di íamos se es i éssemos a ala de ep esen ações do desenho. É dessa ausência que que emos ala , po conside a mos que nela eside a po ência do espaço poé ico. Ou se quise mos, a hipó ese de abe u a do espaço poé ico. F édé ic Thomas e e e p ecisamen e es as duas imagens (Objec o #2), colocando-as como imagens que ope am en e a banalidade e o ma a ilhoso. Num sen ido quase in e so da isão do g upo su ealis a pa isiense, que p opôs uma oposição en e o banal e o ma a ilhoso na descobe a do inconscien e, as in es igações do g upo belga em o no do objec o a i mam uma pa adoxal p oximidade en e o egis o da banalidade e do quo idiano, da up u a e do mis é io. A ideia se ia in en a , a a és da encenação de momen os e acções com os objec os, um espaço de con emplação. E não an o ecupe a os momen os enigmá icos a pa i de uma pe spec i a pa icula que acede a essa ealidade ma a ilhosa e ocada nos objec os. Pa a Nougé e é um ac o. Nas imagens La Naissance de l'Objec e Les Bu eu s, como nos diz F. Thomas, assis imos a um jogo de deslocamen os, de combinações e manipulações, me odologias es as que p e endem pe u ba cons uções do pensamen o linea e ób io sob e os objec os e a sua p esença quo idiana. Es amos en ão pe an e uma explo ação de écnicas de sub e são, adicalmen e não simbólica, que in en a uma paixão. Ci cunsc i as na eo ia dos “obje s boule e san s” po Nougé, es as imagens são um con i e ao espec ado . Um con i e a p ocu a , a imagina o que em, ou o objec o que ai nasce . São uma p ocu a, e não um achado (obje ou é). Elas supõe um ac o e não um au oma ismo. La Naissance de l'Objec é uma encenação da ep odu ibilidade: as pe sonagens da o og a ia mime izam a eacção do espec ado pe an e a p óp ia imagem, sendo que o objec o p es es a nasce depende da a enção e do desejo (desejo de e ) e não exis e senão pe an e es a in e enção. Pa adoxalmen e, o objec o desejado é ausen e, ou melho , ao objec o p es es a apa ece é de ol ida uma isibilidade pela exci ação do seu con o no. 6 Les Bu eu s, seguimos F. Thomas , age sob e o luga do objec o. A acção é pe ei amen e in eligí el mesmo sem a sua p esença, een iando pa a a e lexão sob e os hábi os. Aquela acção pe mi e que a expe iência da ausência do objec o, num sen ido mais adical, incida sob e as elações do objec o com o sujei o e com o mundo. A pe o ma i idade des as imagens, ligada ao seu modo de ac o na encenação da ausência, e idencia o objec o conc e o an o quan o a sua plas icidade. E é na ensão p o ocada po es e pa adoxo que eside a abe u a do espaço e ambém um undamen o c í ico mais adical: o esboço de uma es a égia 7 poé ica num mundo pouco poé ico . Pa a Nougé a es a égia oi p ocu a no objec o e na banalidade do seu uso as dob as que po enciam um deslocamen o da ep esen ação e do amilia , ou uma o ção ao limi e. He wig Tu k ap esen ou um ídeo sob e o objec o écnico, ac escen ando ou as implicações ao nosso ex o. Em Hands On (Objec o #3) es amos a e ges os, ges os e es idos po lu as e ba as b ancas, co eog a ados sob e um undo de g elha clássico. Apesa de pa ece em ges os li es — são mãos sem objec os e b aços em mo imen o — a acção que encenam não é econhecí el po odos: é uma acção ope a i a. Es es ges os são especí icos e epe i i os, epe em-se, de ac o. Es ão em loop. Po momen os a é pa ecem não es a a dize nada, mas pa icipam de uma linguagem ecno-cien í ica, ainda assim, 8 empo á ia . Nes as imagens p ocu am-se as es u u as in isí eis do labo a ó io cien í ico: os i uais de uma p á ica ep odu í el encobe os pela o ina. Es as imagens são encenações da ausência. E ab em um espaço de e lexão no con ex o de um abalho ge ido pelo es ímulo maquínico. Dizemos es ímulo maquínico po es a encenação se apa elhada: e oca e ci cunsc e e o que não es á lá (objec os e p ocedimen os écnicos: câma as, ins umen os, máquinas.) Insc i as no espaço cien í ico, a isam-nos que pa a além da es imen a exis e um co po que en a se ope a i o, ges iculando po de ei o. Ap esen ado assim, o ges o sem a e amen a en ega-se a uma ans e salidade: a de pensa mos a écnica e os p ocedimen os mecânicos e indus iais enquan o es ímulos de ges os ené icos, au omá icos e (des)con olados. 4. Ou as e e ências me odológicas em lis a a) O concei o “objec o écnico” inse e-se supos amen e numa “sociedade cien í ico-indus ial”. Es a úl ima exp essão su ge ao longo da ob a 9 Expe imen um Humanum de He mínio Ma ins pa a, em pa e, cons i ui uma elabo ação c í ica da ac ualidade, ligando o signi icado his ó ico da exp essão à denominação p esen e (sociedade indus ial ou capi alis a), assim como, às isões p o é icas nele con idas. É desc i a a isão sain - simoniana da “sociedade cien í ico-indus ial” que a a és da c ença no in es imen o da écnica “pe mi i ia ul apassa as es u u as da op essão humana” e “acede a uma condição da sociedade e da his ó ia libe a de 10 jugos” . Es e concei o enunciado po Augus e Com e (séc. XIX, 1820), se ia um no o ipo de o mação social que, segundo Ma ins, “ ep esen a a ainda mui o mais uma an ecipação, no máximo uma ex apolação a mui o longo p azo pa a o Ociden e, do que uma delineação do es ado de coisas igen e em 11 qualque sociedade coe a, (...).” Como o au o sublinha, o que es á con ido nes a exp essão não dizia espei o a qualque o mação social exis en e na época, apon ando an es pa a “um ipo socie al em eme gência pu a i a, que 55 7. V. F édé ic Thomas — “Towa ds...”, 2012, p. 136. 8. Suspei amos que a linguagem ecno-cien í ica ac ual não seja econhecí el pelos écnicos do u u o, po isso a conside amos empo á ia. 9. He mínio Ma ins — Expe imen um Humanum: Ci ilização Tecnológica e Condição Humana, Lisboa: Relógio D'Água Edi o es, 2011. 10. He mínio Ma ins — Expe imen um..., p. 38. 11. He mínio Ma ins — Expe imen um..., p. 71. Quando o p ojec o FAMEP se cons i uiu e am conhecidas as o og a ias da exposição de homenagem a Ma ques da Sil a, bem como algumas das o og a ias da ob a de mais de ês dezenas de a qui ec os, de en e os quais João And esen, Januá io Godinho, Rogé io de Aze edo e Fe nando Tá o a. Cedo na in es igação se comp eendeu que a elação en e a qui ec os e o óg a o nem semp e se esumia ao o ício do a qui ec o e à p esença da sua ob a. Algumas das caixas de acondicionamen o, ealizadas po Teó ilo Rego, e que indicam no seu ex e io o nome do A qui ec o, es ão echeadas com o og a ias de amília ou com objec os do in e io da casa, como po exemplo, sal as de p a a. Es a plu alidade de e e ências na na u eza do objec o ep esen ado pe mi e supo que a elação do o óg a o com os A qui ec os não e a exclusi a ao egis o da ob a ou das suas ases de conc e ização, mas que, p o a elmen e numa ase pos e io a es e, se es endia ao ambien e amilia . E ec i amen e, não exis indo egis os esc i os sob e o p ocesso de abalho de Teó ilo Rego, nem sob e o modo como ia anga iando clien es, se á undamen al, nes a in es igação, eco e aos es emunhos daqueles com quem abalhou. Só assim se á possí el i esc e endo a his ó ia do seu pe cu so p o issional. Um desses es emunhos oi-nos dado pelo Eng.º An ónio Vasconcelos, que colabo ou com Teó ilo Rego na ealização de um ca álogo pa a a emp esa EFACEC (na qual abalha a e pa a o qual chegou a se i de modelo). Rela ou-nos aspec os da elação es abelecida en e ambos que nos pe mi em 62 Figu a 1. Inaugu ação da Exposição de homenagem a Ma ques da Sil a. Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem – Fundação Manuel Leão. Figu a 2. Fo og a ia in e io pe encen e à Caixa de acondicionamen o com o nome “Ma ques da Sil a”. Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem – Fundação Manuel Leão. i comp eendendo de que modo o o óg a o desempenha a a sua a i idade p o issional. O Eng.º An ónio Vasconcelos eco da a-se da câma a u ilizada po Teó ilo Rego na época e como se ia as especi icidades écnicas do abalho ealizado nessa encomenda em pa icula : “(...) lemb o-me pe ei amen e dele e uma máquina LINHOF, uma máquina em que a objec i a pode a ia , que ele u iliza a mui o pa a dis o ce a pe spec i a, no o caso da o og a ia de a qui ec u a.” Foi a pa i dessa colabo ação que o Eng. An ónio Vasconcelos disse e adqui ido uma sé ie de noções sob e o og a ia, pa icula men e, de edi ícios: “Na ampliação que ele azia ambém podia, con o me o a qui ec o quisesse, aumen a a pe spec i a ou, pelo con á io, eduzi-la. Um edi ício mui o al o, se quisesse da a noção de pe spec i a podia ape á-lo mais e ica a mais inclinado ainda. Se quisesse, podia quase elimina a pe spec i a e o edi ício ica a al o e o almen e pa alelo.” Es abeleceu-se en e ambos uma elação de cumplicidade baseada na pa ilha do conhecimen o écnico do o óg a o. Diz-nos ainda: “mais a de, esul ado dessa amizade desses pequenos uques que ap endi com ele, ealizei mui as ezes o og a ia... con idámo-lo pa a o og a a o nosso 10 casamen o e es e e lá p esen e; deu-nos um álbum bas an e boni o.” Seguindo a hipó ese de que Teó ilo Rego, na sequência do abalho o og á ico que ealiza, in es e e man ém elações p o issionais de p oximidade com os seus clien es, p omo endo u u as encomendas, supõe- se que a exposição de homenagem a Ma ques da Sil a e á dado aso a que no as solici ações se enham i mado. Numa ase pos e io à iden i icação das o og a ias i adas po Teó ilo Rego pa a a Exposição de homenagem a Ma ques da Sil a, decidiu-se inicia uma pesquisa sob e aquilo que es a ia p esen e nas caixas de acondicionamen o do 11 o óg a o com a indicação “Belas A es” . Pa a além de a iadíssimas o og a ias de abalhos indi iduais de alunos e p o esso es, nas caixas es a am p esen es o og a ias das “Exposições Magnas” da ESBAP, egis os esses que ão desde a p imei a Exposição, em 1952, a é à inal de 1968. A exis ência des es egis os e a possibilidade de c ia e e ências pa a o momen o exposi i o inal do p ojec o de in es igação, oi o que conduziu a que se dedicasse a enção a es e momen o em pa icula . A Escola Supe io de Belas A es do Po o: As Exposições Magnas O p ocesso de in es igação le a a que se me gulhe no passado da cidade do Po o e na his ó ia da Escola de Belas A es. Oc á io Lixa Filguei as, que oi aluno da ESBAP, az o ela o desse empo: “(Ou ub o de 1940 a Ab il de 1946) (...) Vi ia-se, en ão, sob o signo das “Beaux-A s”. (...) Mas num meio ão exclusi is a e ão pequeno como e a o da cidade, com a ascensão de uma no a camada de di igen es, na mu ação da cena polí ica desde a Di adu a, os en os não e am de eição pa a o na u al desen ol imen o das á eas cul u ais menos conc e as e con olá eis (Le as-A es).” O ensino a ís ico, con a, 63 10. En e is a ealizada com Eng.º An ónio Vasconcelos a 24 de Ab il de 2014, no âmbi o do Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego. 11. José Ma ques da Sil a oi di ec o da Escola de Belas A es do Po o en e 1913 e 1939. Sendo mui os dos seus discípulos docen es na ESBAP no momen o em que se ealizou a exposição de homenagem, 1953, conside ou-se opo uno ao desen ol imen o do p ojec o de in es igação, ap o unda a pesquisa das o og a ias p esen es nas caixas de acondicionamen o da Escola Supe io de Belas A es. ca ecia de es a u o social e de in es imen o polí ico: “O dogma de supe io idade da “ o mação” ma emá ica e o apa ecimen o duma ge ação de uni e si á ios de g ande p es ígio nesse amo, (...) em p ejuízo da imagem 12 semp e subal e nizada dos “a is as”. As Belas A es, onde se econhecia a ca ência de o mação, associada ao des azamen o da Escola em elação à con empo aneidade, ganham um no o ulgo quando, em 1941, o A qui ec o Ca los Ramos oma posse como P o esso in e ino da 4ª Cadei a da ESBAP, subs i uindo o A qui ec o Ma ques da Sil a, a é en ão P o esso des a cadei a. Em 1933, Ca los Ramos inha já p o e ido, numa “Pales a dedicada exclusi amen e a odos os alunos da Escola de Belas-A es de Lisboa”, as oi o eg as pa a o uncionamen o pedagógico mínimo da escola. Inicia a pales a com a con icção do papel undamen al do desenho que o aluno de e sabe aduzi em cada aço e na elação do seu odo; segue a i mando que o es udo de p oblemas de a qui ec u a de e á se ealizado em unção do local a que se des ina e “da na u eza, da o ien ação e da opog a ia de um de e minado e eno”; de ende a necessidade do ajus amen o p og essi o das di iculdades e exigências dos p og amas e salien a a impo ância das aulas eó icas se con igu a em ele an es pa a odos os alunos, pela sua e e ência aos pon os de abalho; po ou o lado, e idencia a impo ância de se ealiza em semanalmen e isi as às ob as em cons ução; eque a exis ência de um museu de ma e iais de cons ução; concebe a colabo ação dos alunos, em “indispensá el oca de imp essões”, na “execução de mo i os de escul u a e pin u a”, cujos emas esul em de “exigências dos p og amas e pon os de a qui ec u a, e que dali ossem emanados pa a as espec i as especialidades”; po im, apon a como conclusão a impo ância de ealiza uma exposição anual de A qui ec u a, Pin u a e Escul u a na Sociedade Nacional de Belas-A es, dos abalhos desse modo ealizados. Es e úl imo objec i o, econhecido po Ca los Ramos como mínima unção pedagógica da Escola, se á conc e izado no ano em que acei a o ca go de Di ec o da Escola de Belas A es do Po o, em Ou ub o de 1952, com o nome de I Exposição Magna. As Exposições Magnas (EM), que se ealiza am en e os anos de 1952 e 1968, concebe am-se como momen os de exibição pública do abalho de p o esso es e alunos da ESBAP. Po o ien ação do Conselho Escola da ESBAP, conside a-se undamen al o ganiza uma Exposição Magna, anual que eunisse “os abalhos dos alunos mais classi icados du an e o ano lec i o an e io , a pa dos dos p o esso es a que (compe ia) o ensino daquelas especialidades, dando assim a conhece a seu empo, e publicamen e, o 13 p odu o das ac i idades p o issionais e escola es de mes es e alunos.” Em 1954 é publicado o “A e Po uguesa - Bole im da Escola Supe io de Belas A es do Po o, nº 2 e 3, anos lec i os 1951-52, 1952-53”, um ipo de 64 12. Oc á io Lixa Filguei as - “A Escola do Po o” (1940/69)” in Ca los Ramos: exposição e ospec i a da sua ob a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian. 13. “A e Po uguesa - Bole im da Escola Supe io de Belas A es do Po o, nº 2 e 3, anos lec i os 1951- 52, 1952-53”. Coo denação/ Edua do Bai ada, Luis Cunha. Po o: Escola Supe io de Belas A es do Po o. ca álogo onde se podem isi a as ac i idades exposi i as da Escola e e en es aos dois anos lec i os. Es e Bole im es á maio i a iamen e 14 dedicado às Exposições Magnas , não deixando Ca los Ramos de apela , no ex o in odu ó io, à conc e ização da eo ganização das Escolas Supe io es de Belas-A es do Po o e Lisboa bem como à ins alação do “Cen o de Es udos de A qui ec u a e U banismo”. É nes e Bole im que podemos encon a os di e sos momen os des as duas exposições ilus ados po o og a ias de Teó ilo Rego. Na sua maio ia, endem a exis i dois ipos de egis o das Exposições: os planos a as ados que e a am o ambien e e enquad amen os p óximos que ap esen am o abalho indi idual dos alunos. Os planos mais a as ados, oscilam en e uma ep esen ação dos ambien es exposi i os azios ou dos momen os da inaugu ação, guiada po Ca los Ramos. São ap esen ados “ângulos da 15 exposição, aspec os da exposição, po meno es da mon agem” e is as dos di e en es espaços, semp e sem isi an es. No que conce ne à ep esen ação dos abalhos dos alunos, apenas os abalhos de pin u a e escul u a su gem jun os numa mesma o og a ia, sendo que os do cu so de a qui ec u a são ep esen ados isoladamen e. As o og a ias de a qui ec u a ap esen am o p ojec o, os desenhos, os es udos, as pe spec i as e as maque as. Já as o og a ias dos cu sos de pin u a e escul u a endem a mos a unicamen e o abalho inal de pin u a ou, no caso da escul u a, pode ão se abalhos pa a pos e io men e se em passados a b onze ou ou o ma e ial, apa acendo, con udo, ep esen ados como objec os inais. 65 14. O Bole im ap esen a mais duas exposições, a “Exposição de Res au o” e a “Exposição de A qui ec u a Religiosa Con empo ânea”, da qual exis e um ca álogo no qual pode ão se encon adas mais o og a ias de Teó ilo Rego. 15. Legendas p esen es no “A e Po uguesa - Bole im da Escola Supe io de Belas A es do Po o, nº 2 e 3, anos lec i os 1951-52, 1952-53”. Figu a 3. Imagem da página do Bole im “A e Po uguesa - Bole im da Escola Supe io de Belas o A es do Po o, n 2 e 3, anos lec i os 1951-52, 1952- 53”. Fo og a ias de Teó ilo Rego. Se á apenas na III Exposição Magna — po que a I Exposição Magna é dedicada a ap esen a a ob a do P o esso Escul o Sal ado Ba a a Feyo e a II 16 Exposição Magna ap esen a somen e abalhos de alunos — que Ca los Ramos consegue ap esen a em pleni ude a pa ilha de abalho exis en e en e p o esso es e alunos, bem como “o Pac o das T ês A es Maio es”. Diz Ca los Ramos, e lec indo sob e o exe cício duma acção p o issional in eg ada, que a III Exposição Magna “o e ece, sob e as an e io es, a no idade de ap esen a não só abalhos dos alunos, mas ambém de seus mes es nas ês a es maio es, que assim apa ecem a agasalhá-los em público, na mesma medida em que, na sua p óp ia casa, p a icam o mesmo sis ema de ensino suscep í el de o igina o clima mais a o á el ao abalho 17 de c iação, sublime p i ilégio dos a is as” . Nes a ase de conhecimen o sob e o Fundo Fo og á ico, não se sabe com ce eza se Teó ilo Rego egis ou odas as Exposições Magnas, sendo ce as 18 apenas a I, a II, a XII, a XIV e a XVI. Nessas imagens podemos encon a o mas de documen a o espaço exposi i o que ap esen am mais do que um cu so ao mesmo empo, ou seja, não só os ês cu sos são o og a ados indi idualmen e como, ambém, em conjun o. A XII Exposição Magna pe endeu imp imi um ca ác e acen uadamen e didác ico, p ocu ando ansmi i uma ideia ge al do abalho desen ol ido pelos alunos e seus p o esso es ao longo dos cinco anos dos cu sos de Pin u a 19 ou de Escul u a e dos seis anos do cu so de A qui ec u a. Po es a ocasião, Teó ilo Rego o og a ou di e sos p ojec os de alunos ou de equipas de abalho. Uma pa e das o og a ias incluídas nas exposições e am, p ecisamen e, essas imagens que documen a am os p oje os de 16. Os abalhos expos os esul a am de uma selecção p é ia. Em p imei o luga , e am escolhidos os abalhos dos melho es alunos dos quais, pos e io men e, e am seleccionados um conjun o pelos p o esso es das di e en es disciplinas. Uma ez c iada uma amos a, os p o esso es euniam-se pa a escolhe os abalhos em conjun o. 17. Ca los Ramos – III Exposição Magna da Escola Supe io de Belas A es do Po o. Po o: Minis é io da Educação Nacional, Di ecção Ge al do Ensino Supe io e das Belas A es. 1954, p.3. 18. No âmbi o do p ojec o FAMEP e da in es igação em o no das “Exposições Magnas”, em 2014 es abeleceu-se o con ac o com o Museu da Faculdade de Belas A es da UP. Nesse seguimen o, o am is as uma sé ie de o og a ias imp essas, mui as iden i icadas como endo sido ealizadas po Teó ilo Rego. É no en an o no á el a quan idade de casas o og á icas con empo âneas da “Fo o-come cial Teó ilo Rego” que ambém egis a am es as exposições, São elas: “Es údio Ta a es da Fonseca. Desenho. Fo o e Cinema”; “Fo o-chic”; “Olímpia Fo os”; “Impé io. Repo agens Fo og á icas”; “Fo o Lux – epo agens o og a ia de a e”; “Fo o Cine – Aleg e”; “Fo o Timó io”; “Uni o o”; e “A u Amo im”. 19. XII Exposição Magna da Escola Supe io de Belas A es do Po o. Po o: Minis é io da Educação Nacional, Di ecção Ge al do Ensino Supe io e das Belas A es. No emb o de 1963. 66 Figu a 4. Imagem esul an e da mon agem de duas páginas pe encen es ao Bole im “A e Po uguesa- Bole im da Escola Supe io de Belas A es do Po o, o n 2 e 3, anos lec i os 1951-52, 1952-53”. A imagem da esque da e e e- se a um p ojec o de A qui ec u a e a da di ei a ap esen a abalhos de Escul u a. Fo og a ias de Teó ilo Rego. a qui ec u a e que se iam mui as ezes o p opósi o de candida u as a concu sos nacionais (como o p ojec o de Sag es da equipa Ma No o de João And esen) ou ou os in e nacionais. As Exposições Magnas e a Exposição Final do FAMEP Sis ema izando os p incipais aspec os esul an es da in es igação an e io , iden i icam-se os locais e momen os que p omo em a exis ência das o og a ias; as e e ências aos modos de expo azidos pela obse ação das o og a ias; e as p opos as pedagógicas de endidas po Ca los Ramos p esen es nas Exposições Magnas. Da obse ação das o og a ias de Teó ilo Rego é possí el ag upá-las enquan o: - ap esen ação de um p ojec o a subme e a concu so nacional ou in e nacional – endem a se imagens desc i i as, com os desenhos de planeamen o e com as maque as em encenação; - documen ação de um abalho de p o esso e aluno pa a seu p óp io usu u o; - o og a ia documen al de um de e minado e en o – endem a se imagens da inaugu ação, onde es ão e a adas as pe sonalidades de ele ância polí ica nacional e local, ou das exposições, ap esen ando os espaços azios p i ilegiando a mos a dos objec os; Imagem que comunica algo sob e a na u eza daquilo que demons a – o 67 20. Figu a 5. Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem – Fundação Manuel Leão. 54M1_PT-FML-TR-COM-69-034. 21. Figu a 6. Fundo Fo og á ico Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem – Fundação Manuel Leão. PT-FML-TR-COM-69-020. Figu a 5. Exposição na Escola Supe io de Belas 20 A es do Po o. Figu a 6. Exposição na Escola Supe io de Belas 21 A es do Po o. 22. Ca los Ramos , 1953 – II Exposição Magna da Escola Supe io de Belas A es do Po o. Po o: Minis é io da Educação Nacional, Di ecção Ge al do Ensino Supe io e das Belas A es. 68 abalho indi idual, o p ojec o, a ob a ou a conjugação das “3 A es Maio es”. Rela i amen e às condições dos espaços ísicos das Exposições Magnas, as o og a ias de Teó ilo Rego e elam que os ja dins, as salas de aula, os co edo es e os salões se iam odos como espaços exposi i os. Mos am ambém que os supo es de exposição são os supo es de abalho, p o a elmen e u ilizados pelos alunos, como os ca ale es de desenho, ca ale es de pin u a e de escul u a. Supõe-se, há medida que os anos o am co endo - sabendo a al a de meios de que a ESBAP dispunha no início da década de 50 e conhecendo a pos e io emodelação ísica e apoio concedido pela Gulbenkian -, que es as al e ações enham con ibuido pa a que os ma e iais exposi i os ossem melho ando. Conseguimos obse a , em espaços idên icos, um mobiliá io exposi i o di e en e conside ando o dos p imei os anos em elação aos anos inais. Rela i amen e às p opos as pedagógicas de Ca los Ramos conc e izadas nas Exposições Magnas e às e e ências que es as pe mi em c ia pa a uma u u a exposição, conside am-se: 1. A disponibilidade e abe u a da Escola aos alunos; 2. A ideia de “escola-o icina”; 3. O abalho conjun o das “3 A es”. A p opósi o do pon o 1. e da disponibilidade c iada pa a que, no p ocesso de ensino-ap endizagem, haja espaço pa a a in e e ência do aluno diz Ca los Ramos, “Não indicando ou impondo qualque deles como sendo «o único caminho que conduz à e dade», só assim se assegu a da ce eza de impedi 22 que qualque aluno deixe, um belo dia, de nos dize algo de no o.” A não concepção de uma escola he mé ica e indi e en e aos empos e às pessoas, c iando a possibilidade de in eg a no os discu sos eme gen es e a abe u a ao c uzamen o de con ex os que e açam pensamen os, pe mi e esboça uma me odologia de abo dagem ao público da exposição. Se á, assim, um dado a e e : a concepção de um momen o exposi i o que não se demons e de en o de conhecimen os es anques e que pe mi a a in e e ência do público. Sob e a “escola-o icina”: a opo unidade que os alunos êm de abalha em equipas, pe an e si uações eais com p opos as esul an es da abe u a da Escola ao seu ex e io (sejam as pa ce ias com a Câma a Municipal do Po o ou os p og amas de “ ocação comuni á ia”), p omo em uma ap endizagem que se con e iza numa expe iência ap oximada ao que i e ão no u u o. Es a p opos a de concebe a ap endizagem pela i ência de um con ex o eal (ainda que p i ilegiado e p o egido pela ins i uição escola ), con ex ualiza o abalho do se iço educa i o e das u u as p opos as de abalho de ca ác e o icinal, a p omo e jun o do público que isi e a exposição. A p esença das “3 A es Maio es” nas Exposições Magnas e enquan o disciplina pe encen e ao p og ama cu icula dos alunos da ESBAP, suge e a possí el disponibilidade que es e p ojec o de in es igação possa e no es udo e comp eensão do con ex o a ís ico em que a o og a ia e a a qui ec u a 69 mode nis as es a am en ol idas. Todos es es pon os, aqui desc i os em modo de conclusão, ab em possí eis caminhos que pode ão se desen ol idos em momen os pos e io es a es e p ojec o de in es igação.