Full text
Educação Pa imonial no Te i ó io.
O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada
en e 1998 e 2018
Elisabe e da Gló ia Dias da Sil a Gonçal es
Disse ação de Mes ado em Pa imónio
Fe e ei o, 2022
Ve são co igida e melho ada após de esa pública
2
O ien ado a: Dou o a Raquel Pe ei a Hen iques
Coo ien ado a: Dou o a Leono de Medei os
Educação Pa imonial no Te i ó io.
O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada
en e 1998 e 2018
Elisabe e da Gló ia Dias da Sil a Gonçal es
Disse ação de Mes ado em Pa imónio
Fe e ei o, 2022
3
À F ancisca e ao Tomé
4
Ag adecimen os
Ag adeço em p imei o luga à Dou o a Raquel Pe ei a Hen iques, po me e o ien ado
semp e com mui a solici ude e in e esse. Foi um p i ilégio desen ol e es a disse ação
apoiada no seu sabe académico, na sua expe iência pedagógica e nas suas compe ências
p o issionais.
Ag adeço ambém à Dou o a Leono de Medei os, pelos con ibu os que en iquece am
a abo dagem aos emas, à Dou o a Paula Ochôa e à Dou o a Ca la Al e es Pin o, po me e em
le ado a comp eende p incípios ine en es à in es igação.
Um ag adecimen o especial ao Cen o de A queologia de Almada, po e ealizado o
que eio a se o meu obje o de es udo, e po udo o que me ensinou e pe mi iu.
Aos companhei os de es ada: Ana B aga, And eia Almeida, An ónio C is o, Ângela
Ribei o, José Ca los Se a, Ma ia José Rocha, Ma ga ida F ei e, Ma ga ida Mou a, Gab iela
F ade, Pa ícia Gaspa , Síl ia F anco, Sónia Tchissole, Vanessa Dias, Vic o Hugo e an os
ou os… ag adeço os bons momen os de c ia i idade e de abalho.
À Pa ícia Aze edo Godinho, pa cei a na a en u a da educação pa imonial, ico g a a
pelo exemplo e pela pa ilha.
Ag adeço ainda aos meus pais e aos meus sog os, que semp e me ajuda am em udo o
que podiam, e aos amilia es e amigos que me enco aja am.
Nunca se ei su icien emen e g a a ao F ancisco, que me incen i ou a aze es e
abalho, pa ilhou comigo as di iculdades e as conquis as, os conhecimen os e as
ap endizagens. Ob igada po udo.
5
Educação Pa imonial no Te i ó io.
O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada (CAA) en e 1998 e 2018
Pala as-cha e: Educação Pa imonial; Te i ó io; Almada; Cen o de A queologia de
Almada.
Resumo
Es a disse ação p ocu a ap esen a a ação educa i a do Cen o de A queologia de
Almada (CAA) como um exemplo de educação pa imonial anco ada no e i ó io.
Nesse sen ido, são analisadas as a i idades implemen adas po aquela associação local
en e 1998 e 2018. O es udo assen a em ês pila es: a ca a e ização das a i idades; a elação
das a i idades com os cu ículos de ensino; e a a aliação ei a pelos p o esso es.
A ca ac e ização das a i idades em em con a os emas abo dados, a ní el de
pa imónio, his ó ia, paisagem e e i ó io, bem como as es a égias didá icas aplicadas.
A elação com os cu ículos de ensino assen a na iden i icação de pa alelos en e as
a i idades e as o ien ações de inidas pelo Minis é io da Educação, designadamen e as
Ap endizagens Essenciais e o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia.
A a aliação que os p o esso es pa icipan es ealiza am ao longo do pe íodo
conside ado é examinada quali a i amen e. Os esul ados pe mi em a e i a pe inência das
a i idades a ní el de con eúdos, didá icas e ligações ao cu ículo, en e ou os aspe os.
Em conjun o, os ópicos a ados pe mi em e le i sob e as a i idades educa i as do
CAA enquan o ações de educação pa imonial anco adas no e i ó io de Almada.
A análise é enquad ada po e e enciais eó icos nos domínios do pa imónio e da
educação pa imonial e acompanhada de con ex ualização sob e o e i ó io de Almada e o
CAA.
6
He i age Educa ion in he Te i o y.
The Con ibu ion o he A cheology Cen e o Almada (CAA) be ween 1998 and 2018
Keywo ds: He i age Educa ion; Te i o y; Almada; A cheology Cen e o Almada.
Abs ac
This disse a ion seeks o p esen he educa ional ac ion o he A cheology Cen e o
Almada (CAA) as an example o he i age educa ion ancho ed in he e i o y.
In his sense, he ac i i ies implemen ed by ha local associa ion be ween 1998 and
2018 a e analyzed. The s udy is based on h ee pilla s: he cha ac e iza ion o he ac i i ies;
he ela ionship be ween ac i i ies and school cu icula; and he assessmen made by eache s.
The cha ac e iza ion o he ac i i ies conside s he opics co e ed in e ms o he i age,
his o y, landscape and e i o y, as well as he didac ic s a egies applied.
The ela ionship wi h he school cu iculum is based on he iden i ica ion o pa allels
be ween he ac i i ies and he guidelines de ined by he Minis y o Educa ion, namely
Ap endizagens Essenciais (Essen ial Lea nings) and he Pe il dos Alunos à Saída da
Escola idade Ob iga ó ia (S uden s’ P o ile upon Lea ing Manda o y Schooling).
The e alua ion pe o med by eache s du ing he pe iod conside ed is quali a i ely
examined. The esul s allow us o assess he ele ance o he ac i i ies in e ms o con en ,
didac ics, and links o he cu iculum, among o he aspec s.
Fu he mo e, he subjec -ma e co e ed leads o e lec on he educa ional ac i i ies o
CAA as he i age educa ion ac ions ancho ed in he e i o y o Almada.
The analysis is amed by heo e ical e e ences in he domains o he i age and he i age
educa ion and accompanied by con ex ualiza ion abou he e i o y o Almada and he CAA.
7
Índice Ge al
Resumo e Pala as-cha e .................................................................................................. 5
Abs ac and Keywo ds ...................................................................................................... 6
In odução ........................................................................................................................ 12
I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
1. Pa imónio Local ........................................................................................................ 15
1.1. Pa imónio Local: Con luência de Concei os ..................................................... 15
1.2. Rele ância Global do Pa imónio Local ............................................................. 18
2. Educação Pa imonial ................................................................................................ 19
2.1. Âmbi o e Ve en es da Educação Pa imonial .................................................... 19
2.2. Educação Pa imonial e Ensino .......................................................................... 21
3. Pa imónio Local como Recu so Educa i o .............................................................. 25
3.1. Didá ica do Pa imónio Local ............................................................................. 25
3.2. P á icas Educa i as de Con ac o com o Pa imónio Local ................................. 27
4. Te i ó ios Educado es e Pa imónio ......................................................................... 29
II. OBJETO DE ESTUDO
1. B e e Abo dagem His ó ico-Geog á ica ao Te i ó io de Almada ........................... 34
2. O Cen o de A queologia de Almada......................................................................... 37
3. O Depa amen o Pedagógico do CAA ....................................................................... 43
4. As A i idades Educa i as do CAA ........................................................................... 49
4.1. In en á io das A i idades ................................................................................... 49
4.2. Pe íodo de Realização ......................................................................................... 52
4.3. Te i ó io Ab angido ........................................................................................... 54
4.4. Con eúdos Abo dados ......................................................................................... 57
4.4.1. Pa imónio .................................................................................................. 58
4.4.2. Paisagens .................................................................................................... 88
4.4.3. Te i ó io .................................................................................................... 88
4.4.4. His ó ia ....................................................................................................... 92
4.4.5. Ou os Temas ........................................................................................... 106
4.5. Tipo de A i idades – Ca ac e ização Didá ica .................................................. 108
8
4.5.1. Visi as guiadas ......................................................................................... 109
4.5.2. Sessões emá icas com jogo ..................................................................... 113
4.5.3. Sessões emá icas com o icina ................................................................. 115
4.5.4. A i idades de explo ação de um espaço .................................................. 117
4.5.5. A i idades de expe ienciação .................................................................. 118
4.5.6. A i idades do ipo P og ama compos o ................................................... 122
4.5.7. Es a égias didá icas – a o es posi i os e cons angimen os .................. 123
III. LIGAÇÕES AOS CURRÍCULOS DE ENSINO
1. A i idades e Ap endizagens Essenciais ................................................................... 126
1.1. Ní eis de Ensino Ab angidos .............................................................................. 127
1.2. Relação en e os Con eúdos das A i idades e as Ap endizagens Essenciais ..... 129
2. A i idades e Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia .................... 131
2.1. Relação en e as A i idades e os Desc i o es Ope a i os do Pe il dos Alunos . 132
2.2. Á eas de Compe ências Po enciadas pelas A i idades ....................................... 132
IV. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES PELOS PROFESSORES
1. Ca ac e ização dos Ques ioná ios de A aliação ...................................................... 136
2. Cons i uição do Uni e so de Análise ....................................................................... 137
3. Ca ego ização ........................................................................................................... 139
3.1. Análise po Ca ego ia .......................................................................................... 139
3.1.1. Con eúdos ................................................................................................ 140
3.1.2. Didá ica .................................................................................................... 140
3.1.3. Cu ículo .................................................................................................. 141
3.1.4. Moni o es ................................................................................................. 141
3.1.5. Sa is ação dos Alunos .............................................................................. 142
3.1.6. Suges ões ................................................................................................. 142
3.1.7. Ou os ...................................................................................................... 143
4. Sín ese da A aliação ................................................................................................ 143
Conclusões ...................................................................................................................... 145
Re lexões inais ............................................................................................................... 146
Re e ências Bibliog á icas .............................................................................................. 150
9
G á icos
G á ico 1 - E olução do núme o de a i idades educa i as c iadas no CAA ........................ 46
G á ico 2 - Núme o de ações educa i as ealizadas ............................................................. 47
G á ico 3 - Núme o de pa icipan es nas a i idades educa i as do CAA ............................. 47
G á ico 4 - Núme o de escolas ab angidas pelas a i idades ................................................. 48
G á ico 5 - F eguesias con empladas nas a i idades ............................................................ 55
G á ico 6 – Núme o de a i idades de cada ipo ................................................................... 109
G á ico 7 – Ní eis de ensino ab angidos pelas a i idades ................................................... 127
G á ico 8 - Núme o de i ens das Ap endizagens Essenciais ab angidos ............................ 129
G á ico 9 – Pe cen agem de a i idades associadas ao desen ol imen o das á eas de
compe ências do Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia ........................ 133
Tabelas
Tabela 1 – A i idades c iadas no CAA no pe íodo conside ado ......................................... 53
Tabela 2 – Dis ibuição das a i idades pelas eguesias do concelho de Almada ................ 55
Temas abo dados nas a i idades:
Tabela 3 – Núcleos his ó icos ............................................................................................... 58
Tabela 4 – Edi ícios habi acionais ........................................................................................ 61
Tabela 5 - Edi ícios de se iços ............................................................................................ 62
Tabela 6 - Escolas ................................................................................................................. 63
Tabela 7 – Edi ícios eligiosos .............................................................................................. 65
Tabela 8 – Cole i idades ....................................................................................................... 67
Tabela 9 – Ins alações indus iais ......................................................................................... 68
Tabela 10 – Ins alações mili a es .......................................................................................... 69
Tabela 11 – Quin as .............................................................................................................. 70
Tabela 12 – Moinhos e laga es ............................................................................................. 72
16
de uma cidade omana”
5
e ao e ocá-lo es amos a dis ingui um de e minado espaço,
delimi ado ju ídica ou adminis a i amen e. No en an o, o e i ó io não é uma me a abs ação
bu oc á ica
6
. Con o me esc e eu Eugénio Tu i, o concei o aplica-se ao “espaço no qual
agimos, nos iden i icamos, no qual emos os nossos laços sociais, os nossos mo os, as nossas
memó ias, os nossos in e esses i ais, pon o de pa ida pa a o nosso conhecimen o do
mundo”
7
. O e i ó io é mais do que um pe íme o de chão, é o luga com o qual o se humano
in e age, onde unda aízes cul u ais, daí a sua ín ima associação com a noção de pa imónio.
Po isso, a i ma Ál a o Domingues, “É impossí el es abiliza a elação en e pa imónio e
e i ó io. Nenhum dos dois concei os possui eco es ní idos”
8
. O c uzamen o de ambos deu,
inclusi e, o igem a um no o concei o – pa imónio e i o ial – que é usado p incipalmen e
pela Geog a ia e pelo U banismo, em p ocessos ela i os à pa imonialização do e i ó io
com is a ao seu desen ol imen o económico
9
.
Um concei o de pa imónio aba cando decisi amen e paisagem e e i ó io su giu no
ex o da Con enção de Fa o, elabo ada pelo Conselho da Eu opa em 2005: “inclui odos os
aspec os do meio ambien e esul an es da in e acção en e as pessoas e os luga es a a és do
empo”
10
. Es e enunciado, que alia a o es an ópicos, geog á icos e his ó icos, conjugados
num meio ambien e que inclui ambém a o es na u ais, liga decididamen e o pa imónio à
paisagem e ao e i ó io, assumindo a con e gência en e os ês concei os naquela á ea
comum que diz espei o ao p odu o da elação en e os se es humanos e a na u eza. Essa á ea
é as a e ab e-se a incalculá eis possibilidades de inclusão, ompendo de ce a o ma com a
dis inção en e paisagem cul u al e na u al, bem como en e pa imónio ma e ial e ima e ial.
No que diz espei o às paisagens, a sepa ação en e o que é na u al e o que é cul u al em
5
Abo dagem his ó ica à pala a inglesa e alemã e i o ium do dicioná io online Lexico -
h ps://www.lexico.com
6
ASSUNTO, Rosa io, (1976) “Paisagem – Ambien e – Te i ó io” in Ad iana Ve íssimo Se ão (coo d.) (2011).
Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia, pp. 125-129 (p. 126). Lisboa – Cen o de Filoso ia da Uni e sidade de
Lisboa.
7
TURRI, Eugénio (s.d.). “A paisagem como Tea o. Do e i ó io i ido ao e i ó io ep esen ado” in Ad iana
Ve íssimo Se ão (coo d.) (2011). Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia, pp. 169-184 (p. 173). Lisboa – Cen o
de Filoso ia da Uni e sidade de Lisboa.
8
DOMINGUES, Ál a o (2020). "Pa imónio Te i o ial? Qual?" in Re is a Pa imónio Cul u al, nº 7. pp. 12-
21 (p. 16). Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al.
9
OROZCO-SALINAS, K. (2020). "Pa imonio e i o ial: Una e isión eó ico-concep ual. Aplicaciones y
di icul ades del caso Español / Te i o ial he i age: A heo e ical-concep ual e iew. Applica ions and di icul ies
o he Spanish case" in U bano, 23(41), 26 - 39. Bío-Bío: Depa amen o de Plani icación y Diseño U bano de la
Facul ad de A qui ec u a, Cons ucción y Diseño de la Uni e sidad del Bío-Bío. Disponí el em:
h ps://doi.o g/10.22320/07183607.2020.23.41.02 (consul ado em dezemb o de 2020)
10
Council o Eu ope F amewo k Con en ion on he Value o Cul u al He i age o Socie y, ap o ada na
Resolução da Assembleia da República n.º 47/2008 in Diá io da República, n.º 177/2008, Iª sé ie, p. 6648.
17
sendo cada ez mais colocada em causa, na medida em que a paisagem não é algo ex e no ao
Homem. Es e in eg a-a, nem que seja como espe ado , pelo que “já não ha e á ecan o do
plane a que não enha sido a e ado pela mão humana”
11
. Quan o aos aspe os ma e ial e
ima e ial do pa imónio, a abo dagem p opos a pela Con enção pa a a Sal agua da do
Pa imónio Cul u al Ima e ial (PCI) é no sen ido de conside a “a p o unda in e dependência
en e o pa imónio cul u al ima e ial e o pa imónio ma e ial cul u al e na u al”
12
. Po
conseguin e, não desag ega obje os e espaços que es ejam associados a p á icas,
ep esen ações, exp essões, conhecimen os e compe ências in en a iadas como PCI e
ab angidas po e en uais medidas de sal agua da.
O pa imónio local enquad a-se jus amen e no cená io e a ado: u o da elação duma
comunidade com o seu e i ó io, numa paisagem que oi sendo moldada ao longo da his ó ia.
Na exp essão pa imónio local es ão necessa iamen e implicados um e i ó io e a sua his ó ia,
desde logo po que o adje i o local pe ence ao léxico e i o ial e iden i ica uma zona com
unidade geog á ica, his ó ica, cul u al e populacional di e enciada
13
. O âmbi o local pe mi e-
nos islumb a mais acilmen e um pa imónio esul an e do diálogo en e as pessoas e o meio
en ol en e. A p opos a de Rodney Ha ison, de “um modelo elacional ou dialógico, que ê
o pa imónio como eme gindo da elação en e uma gama de a o es humanos e não humanos
e seus ambien es”
14
, embo a não se e i a exp essamen e à escala local, só e ia aplicabilidade
num egis o de p oximidade, pois é nele que al elação acon ece.
O diálogo do se humano com os luga es acon ece num egis o de p oximidade que
supe a uma isão uni e sal de pa imónio. A ideia de que um bem pa imonial em alo
uni e sal é ques ionada po au o es como Lau ajane Smi h, que põe em causa a legi imidade
de um discu so o icial com au o idade pa a decla a o que é o pa imónio
15
, ou po Ha ison,
que apon a a exis ência de con li os en e o concei o de pa imónio mundial e as adições
locais especí icas
16
. A pa i de um pon o de is a es i amen e local, a uni e salidade da
conceção de pa imónio é segu amen e eba ida, pois é a mul iplicidade de luga es que ge a a
di e sidade cul u al, e com ela, ambém, a a iedade de in e p e ações.
11
ROSSA, Wal e (2020). “O es o não é paisagem, mas sim o odo” in Re is a Pa imónio Cul u al, nº 7, pp.
22-29. Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al, p. 23.
12
Con enção pa a a sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial, UNESCO, 2003.
13
LÓPEZ TRIGAL, Lou enzo (di .) (2015). Dicciona io de geog a ía aplicada y p o esional. León:
Uni e sidade de Léon, p. 367 ( adução li e).
14
HARRISON, R. (2013). He i age: c i ical app oaches. Lond es: Rou ledge, p. 205.
15
SMITH, L. (2006). Uses o he i age. Lond es: Rou ledge, p. 29.
16
HARRISON, R., Op Ci , p. 205.
18
Olaia Fon al u iliza a exp essão “en oques mic o” pa a designa um pa imónio
p óximo e singula , onde inclui a es e a do e i ó io local, com na a i as p o agonizadas pela
população. Segundo a in es igado a, é com es e pa imónio de p oximidade que se podem
es abelece os ínculos mais po en es, sob e o qual se pode a ua de o ma mais di e a e
sus en á el
17
.
Abo dámos um concei o de pa imónio que es á in imamen e associado a paisagem e
e i ó io, na medida em que cada um deles pode se is o como p odu o da elação en e as
pessoas e a na u eza. Nesse quad o, me ece especial a enção a escala local, pois oi no meio
mais p óximo que aquela elação se es abeleceu de o ma subs ancial ao longo do empo.
Ve emos de seguida como a c iação de ínculos com o pa imónio local pode se impo an e
no mundo con empo âneo, não só no con ex o de p oximidade, mas ambém a ní el global.
1.2. Rele ância Global do Pa imónio Local
Os ínculos com o pa imónio local podem con ibui pa a liga as pessoas ao meio,
que é uma condição p opícia à sus en abilidade ambien al. De aco do com F ançoise Choay,
o se humano es á a a as a -se, pela p imei a ez na his ó ia, da dimensão espácio- empo al
da exis ência
18
. Em esul ado dos a anços ecnológicos que eduzem dis âncias e du ações,
co emos o isco de pe de a “consciência de luga ”
19
, a o que impulsiona ações humanas
bené icas ao seu meio en ol en e. De aco do com o axioma “pensa globalmen e – agi
localmen e” é no e i ó io local que o cidadão, indi idualmen e ou em comunidade, em um
papel a i o na conc e ização dos Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el, apon ados na
Agenda 2030 das Nações Unidas
20
. A mo i ação pa a agi localmen e é acili ada pela
exis ência de laços en e as pessoas e o e i ó io. Esses laços são o alecidos quando o
e i ó io é pa imonialmen e signi ica i o pa a os habi an es, pois o pa imónio en iquece os
ínculos a e i os que ge am sen imen os de pe ença a um luga . A psicologia ambien al
17
FONTAL, Olaia [Coo d.] (2020). Cómo educa en el pa imonio. Guía p ác ica pa a el desa ollo de
ac i idades de educación pa imonial. Mad id: Conseje ía de Cul u a y Tu ismo de la Comunidad de Mad id.
Di ección Gene al de Pa imonio Cul u al, p. 21. ( adução li e).
18
CHOAY, F ançoise (1999). A Alego ia do Pa imónio. Lisboa: Edições 70. p. 255.
19
Consciência de luga é um concei o de Albe o Magnaghi, men o do mo imen o e i o ialis a i aliano.
MAGNAGHI, Albe o (2012) "Il Mani es o dei e i o ialis i: che cos'è?". Con e encia o ganizada pela
associação 'Ripensa e il mondo', 27 de ab il 2012. B escia. Disponí el no you ube:
h ps://www.you ube.com/wa ch? =EGu hhLADHs (consul ado em 7/3/2021).
20
h ps://www.un.o g/sus ainablede elopmen /sus ainable-de elopmen -goals/
19
alida a impo ância do sen imen o de pe ença a a és do concei o de “place a achmen ” –
ínculo a e i o desen ol ido pelas pessoas com um luga ao longo do empo
21
. Em sín ese,
os ínculos com o pa imónio local consolidam os elos en e a população e o e i ó io,
mo i ando pa a a a uação sus en á el que emos hoje como p io i á ia a ní el global.
A a e a de p omo e ínculos com o pa imónio cabe à educação pa imonial.
Con o me de ende Ped o Pe ei a Lei e, é ela que “pe mi e c ia uma consciência c í ica sob e
o e i ó io e sob e as suas he anças, c ia condições pa a a população agi sob e esse
e i ó io”
22
. Vejamos o que é, na essência, a educação pa imonial e quais as suas e en es
de ação.
2. Educação Pa imonial
2.1. Âmbi o e Ve en es da Educação Pa imonial
Reconhece um de e minado elemen o como pa imónio implica a ibui -lhe um
signi icado. Quando se a a de bens pessoais a signi icação acon ece a í ulo p i ado,
en ol endo mecanismos elacionados com a memó ia, os a e os, as opções es é icas ou ou os
c i é ios indi iduais. Já no caso dos bens econhecidos a ní el público, es á no malmen e
en ol ido um agen e mediado que in e p e a o pa imónio e acili a o es abelecimen o de
ínculos com ele
23
. Esse a o de in e p e ação do pa imónio, que in encional ou
inconscien emen e o o na signi ica i o, é educação pa imonial
24
.
Pa a explica o que é a educação pa imonial, Olaia Fon al usa uma me á o a
in e essan e
25
. Pa e da imagem de um caleidoscópio onde se pode e o pa imónio de mui as
o mas. Es as comp eendem a isão his ó ica, social, polí ica, económica, iden i á ia, emo i a,
21
STEG, Linda; BERG, Agnes E. an den; G oo , Judi h I. M. (2012). En i onmen al Psychology. An
In odu ion. Ox o d: BPS Blackwell, p. 105. ( adução li e)
22
LEITE, Ped o Pe ei a (2017). "Educação Pa imonial e pa icipação comuni á ia" in In o mal Museology
S udies, nº 16, In e no 2017. Museu A o Digi al, p. 12.
h ps://www.academia.edu/32006856/Museologia_Social_e_Educa%C3%A7%C3%A3o_Popula _Pa imonial
(consul ado em agos o de 2021)
23
Vínculos esses que, segundo Olaia Fon al, são o p óp io pa imónio. C . Fon al (2020). Op ci .
24
TILDEN, F eeman (1957). In e p e ing Ou He i age. 3ª ed. Chapel Hill: The Uni e si y o No h Ca olina
P ess.
25
FONTAL, Olaia [Coo d.] (2013). La educación pa imonial. Del pa imonio a las pe sonas. Gijón: Ediciones
T ea, p.14-17.
20
e c. Pa a as obse a é necessá ia uma luz que a a esse o caleidoscópio. Essa luz é o necida
pela educação pa imonial. É ela que pe mi e econhece num de e minado elemen o –
ma e ial ou ima e ial – um alo pa imonial. Em úl ima ins ância, ninguém pode ia
econhece um bem pa imonial como al se não i esse sido sujei o a algum ipo de educação
que lhe enha suge ido um alo .
Que alo é a ibuído a um bem, de o ma a se conside ado pa imónio, e po que
mo i o é alo izado, são ma é ias que dependem ce amen e de quem o p opõe como al, do
signi icado que lhe dá, e a é do p opósi o com que o az, como asse e a Lau ajane Smi h
26
.
Consoan e o alo que lhe é a ibuído, assim os obje i os da educação pa imonial. Apon emos
dois exemplos. Se o pa imónio o is o como um ecu so económico, a educação pa imonial
e á como obje i o “ga an i um uni e so de po enciais consumido es u u os do pa imónio
cul u al”
27
. Es e pon o de is a é c i icá el, com o a gumen o de que o pa imónio não é um
bem de consumo e a sua enda no me cado es á “a si ia as inicia i as públicas e a limi a
se iamen e a pa icipação das comunidades na de inição dos seus comp omissos sociais”
28
,
con a iando assim as ecomendações da Con enção de Fa o, que “enco aja as comunidades
locais a lide a a ges ão do pa imónio cul u al, numa ação de baixo pa a cima”
29
. Se, po ou o
lado, o pa imónio é en endido como po ado de um alo social, a educação pa imonial
con ibui pa a o empode amen o das comunidades a a és da sua alo ização iden i á ia, endo
em con a a di e sidade cul u al. Foi a ia assumida pela me odologia desen ol ida no B asil,
a pa i do Ins i u o do Pa imónio His ó ico e A ís ico Nacional
30
, que eio a se aplicada em
escolas de odo o e i ó io b asilei o
31
. Essa inicia i a de educação pa imonial “ alo iza a
26
SMITH (2006).
27
GONÇALVES, Ca a ina Valença; CARVALHO, José Ma ia Lobo de; TAVARES, José (2020). Pa imónio
Cul u al em Po ugal: A aliação do Valo Económico e Social. Lisboa: Fundação Millennium BCP, p. 191.
28
LEITE, Ped o Pe ei a (2018). "Educação Popula Pa imonial", Comunicação Ap esen ada no Encon o de
In es igado es do CEIeD, em 6 de julho de 2018. Disponí el em:
h ps:// ecil.g upoluso ona.p /bi s eam/10437/10201/1/Educa%C3%A7%C3%A3o%20Popula %20Pa imonia
l_CEIed.pd , p. 13 (consul ado em agos o de 2021)
29
Snežana Sama džić-Ma ko ić, no ídeo de ap esen ação da b ochu a: Council o Eu ope (2020). The Fa o
Con en ion: he way o wa d wi h he i age. h ps://www.coe.in /en/web/cul u e-and-he i age/ a o-b ochu e
(consul ado em maio de 2021. T adução li e).
30
HORTA, Ma ia de Lou des Pa ei as; GRUNBERG, E elina; MONTEIRO, Ad iane Quei oz (1999), Guia
Básico de Educação Pa imonial. B asília: Ins i u o do Pa imônio His ó ico e A ís ico Nacional / Museu
Impe ial. Disponí el em h p://po al.iphan.go .b /uploads/ emp/guia_educacao_pa imonial.pd . (Consul ado
em no emb o de 2019).
31
A educação pa imonial nas escolas b asilei as es e e in eg ada no P og ama Mais Educação, c iado em 2007
pa a ala ga o ho á io escola e subs i uído em 2016 pelo “No o Mais Educação”, ocacionado pa a o e o ço
do ensino da ma emá ica e da língua po uguesa, que ence ou de ini i amen e em 2019.
21
os di e en es con ex os das comunidades cul u ais do país”
32
. Le a a as c ianças ao con ac o
di e o com o pa imónio e ao seu es udo, pa a que, ao comp eende as suas e e ências sociais
e his ó icas, se ap op iassem dele como um bem comum.
Independen emen e do que omamos como pa imónio, conco da emos que se a a de
algo alioso que desejamos p ese a . Daí cuida mos dele e p ocu a mos que se conse e
depois de nós. A educação pa imonial pa e da inicia i a de alguém que econhece o alo de
um bem e o ansmi e à ge ação seguin e.
Ao usa a me á o a do caleidoscópio, Olaia Fon al disc imina di eções de iluminação
que pe mi em apon a duas ias de educação pa imonial: a educação pa a o pa imónio e a
educação com o pa imónio. No p imei o caso encon am-se os exemplos dados
an e io men e, que pa em da a ibuição de um alo ao pa imónio pa a a ação educa i a que
ansmi e esse alo com um de e minado obje i o. T a a-se aí de educa pa a o pa imónio.
No segundo caso encon a-se a u ilização do pa imónio como ecu so pa a ou as
ap endizagens, nomeadamen e as que são conside adas impo an es no pe cu so escola .
Toda ia, c emos que essas e en es da educação pa imonial não se excluem en e si.
Qualque a i idade com ins educa i os que se cen e no pa imónio es á simul aneamen e a
educa pa a o pa imónio, po que o dá a conhece e ansmi e o seu alo aos des ina á ios, e
a educa com o pa imónio, pois as ap endizagens e compe ências que pe mi e desen ol e
ão além do con eúdo pa imonial em si. Em sín ese, a educação pa imonial é um i ine á io
de ap endizagem cen ada em bens pa imoniais, que os u iliza “como on e p imá ia de
conhecimen o”
33
e de acesso a ou os uni e sos do sabe , da cul u a e das a es.
2.2. Educação Pa imonial e Ensino
Foi com base no en endimen o de que a educação pa imonial é um “meio p opício de
acesso a ou os domínios do conhecimen o”
34
, que o Conselho Eu opeu ecomendou a
“inclusão da dimensão pa imonial cul u al em odos os ní eis de ensino”
35
. Em 2018, no
32
BORIN, Ma a Rosa (2019). "Educação Pa imonial em Espaços Fo mais de Ap endizagem" in Es udios
His ó icos - Ano XI - Dezemb o 2019. Ri e a (U uguai): Cen o de Documen acion His ó ica del Río de la Pla a
y B asil, p. 2. Disponí el em h ps://www.es udioshis o icos.o g/22/eh22d17.pd (consul ado em maio de 2021)
33
HORTA e al (1999). Op. Ci , p.4.
34
Council o Eu ope F amewo k Con en ion on he Value o Cul u al He i age o Socie y, [Op. Ci .] p. 6650.
35
Idem.
22
âmbi o do Ano Eu opeu do Pa imónio Cul u al, o Pa lamen o Eu opeu solici ou um es udo
ace ca das po enciais sine gias en e polí icas educa i as e do pa imónio, que eio a
ap esen a o mesmo ipo de ecomendação: “Es imula a inco po ação es u u al de educação
pa imonial em odos os cu ículos escola es: educação e he ança cul u al de em se
componen es undamen ais de odos os p ocessos de ap endizagem”
36
. De aco do com os
especialis as consul ados, essa medida a ia bene ícios em di e sas á eas: “cidadania
democ á ica; p o eção ambien al; c escimen o do emp ego; inclusão social; desen ol imen o
sus en á el; e bem-es a
37
”. De ac o, exis e hoje uma e e i a in odução de e e ências ao
pa imónio nos cu ículos escola es, como e emos nos documen os que egem o ensino em
Po ugal.
O Conselho Eu opeu publicou em 2016 o documen o Re e ence F amewo k o
Compe ences o Democ a ic Cul u e
38
, que p opõe um conjun o de compe ências a
desen ol e na escola, com is a à inclusão e à pa icipação democ á ica. Esse documen o
cons i uiu o modelo eó ico que eio a se i de base ao desen ol imen o dos cu ículos de
ensino. Em Po ugal, o modelo oi ado ado no Pe il dos Alunos à saída da Escola idade
Ob iga ó ia, documen o de e e ência pa a a o ganização de odo o sis ema educa i o
nacional. Conhecimen os, Capacidades e A i udes su gem in e ligados em dez á eas de
Compe ências ans e sais a qualque á ea disciplina . O pa imónio cul u al é in eg ado na
compe ência ela i a a Sensibilidade Es é ica e A ís ica, onde se indica que os alunos de em
se capazes de “ alo iza o papel das á ias o mas de exp essão a ís ica e do pa imónio
ma e ial e ima e ial na ida e na cul u a das comunidades”
39
.
Pa a a cons ução do no o pe il de aluno su gi am, em 2018, o ien ações pa a as
Ap endizagens Essenciais
40
a desen ol e em cada disciplina. É aí que, no 1º ciclo, o
pa imónio cul u al é mencionado na Educação A ís ica – A es Visuais, com is a ao
“ econhecimen o da impo ância do pa imónio cul u al e a ís ico nacional e de ou as
36
GESCHE-KONING, Nicole (2018). Resea ch o CULT Commi ee -Educa ion in Cul u al He i age, p.31.
Disponí el em h ps:// esea ch4commi ees.blog/2018/07/10/educa ion-in-cul u al-he i age/(consul ado em
maio de 2021) T adução li e.
37
Idem, p. 5
38
Re e ence F amewo k o Compe ences o Democ a ic Cul u e (2016). Es asbu go: Council o Eu ope
Publishing. Disponí el no si e Council o Eu ope - h ps:// m.coe.in /p ems-008418-gb -2508- e e ence-
amewo k-o -compe ences- ol-2-8573-co/16807bc66d (consul ado em no emb o de 2020).
39
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (2017). Lisboa: Minis é io da Educação/Di eção Ge al
da Educação, p. 25.
40
Ap endizagens Essenciais - Ensino Básico - Despacho n.º 6944-A/2018, de 19 de julho.
23
cul u as”
41
e no Es udo do Meio, isando “ econhece e alo iza o pa imónio na u al e
cul u al – local, nacional, e c.”
42
. No 2º ciclo, em His ó ia e Geog a ia de Po ugal, p e ende-
se “ alo iza o pa imónio his ó ico e geog á ico”
43
; e, em Educação Visual, “iden i ica
di e en es mani es ações cul u ais do pa imónio local e global”
44
. No 3º ciclo, em Educação
Visual, sublinha-se a impo ância de o aluno “ e le i sob e as mani es ações cul u ais do
pa imónio local e global”
45
; e, em His ó ia, de “ alo iza o pa imónio his ó ico da egião em
que habi a”
46
, bem como “o pa imónio his ó ico ma e ial e ima e ial, egional e nacional”
47
,
e ainda o “eu opeu, numa pe spe i a de desen ol imen o da cidadania eu opeia”
48
. No ensino
secundá io, es e úl imo obje i o man ém-se nos 3 anos de His ó ia e em His ó ia da Cul u a e
das A es.
O le an amen o de e e ências ao pa imónio nas Ap endizagens Essenciais mos a
como es á p e is a a sua abo dagem a ní el local, nacional, eu opeia e global. Nes e abalho
i emos deb uça -nos sob e a dimensão local e como a pa i dela se pode a ingi ou as escalas.
Po enquan o oquemos a nossa a enção nas compe ências que o ensino com o pa imónio
pe mi e desen ol e .
Na qualidade de e idência do passado o pa imónio é uma on e his ó ica. Nesse
sen ido pe mi e desen ol e uma das compe ências especí icas da disciplina de His ó ia,
designadamen e a u ilização adequada de “ on es his ó icas de ipologia di e sa”
49
. No âmbi o
da in es igação em educação his ó ica, es á p o ado o papel das e idências ma e iais do
passado no desen ol imen o da consciência his ó ica dos alunos. A ese de dou o amen o de
Helena Pin o, po exemplo, chegou a essa conclusão ao a alia de que o ma alunos e
p o esso es de Guima ães in e p e am a e idência de um sí io his ó ico. A sua in es igação
41
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 1º Ciclo do Ensino Básico / Educação
A ís ica - A es Visuais (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 8.
42
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 4º ano / 1º Ciclo do Ensino Básico / Es udo
do Meio (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 9.
43
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 5º ano / 2º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia
e Geog a ia de Po ugal (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5.
44
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 2º Ciclo do Ensino Básico / Educação Visual
(2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 6.
45
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 3º Ciclo do Ensino Básico / Educação Visual
(2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação.
46
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 7º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia
(2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5.
47
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 8º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia
(2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5.
48
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 9º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia
(2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5.
49
Idem, p. 3.
24
demons a se “essencial que os p o esso es omem consciência da impo ância do uso (…)
de on es pa imoniais no ensino e ap endizagem de His ó ia, dada a sua elação com o
p ocesso de cons ução de signi icado ace ca do passado”
50
.
Mas essa é só uma das possibilidades de u ilização do pa imónio no ensino. Nay a
Molina apon a odo um conjun o de compe ências que podem se desen ol idas a a és do
pa imónio: comp eende os es ígios do passado, dando-lhes um sen ido na ida quo idiana;
desen ol e compe ências men ais como obse a , desc e e , analisa , in e oga , aplica
mé odos de pesquisa, seleciona in o mação e desen ol e o sen ido c í ico; econhece a
di e sidade cul u al, di e en es o mas de mani es ações a ís icas e de in e p e ação; abalha
as emoções, a empa ia, p incipalmen e no con ac o com a comunidade local; c ia laços
in e ge acionais; conec a -se com o meio mais p óximo; a a emas e en ualmen e mais
incómodos, como a eligião, a gue a, o acismo; desen ol e a consciência humana, na
e lexão sob e a ida no passado e o ca ác e uni e sal da espécie; espei a os bens cole i os;
p ocu a a in e disciplina idade, na medida em que um bem pa imonial pode se abo dado de
di e sos pon os de is a, po exemplo geog á ico, his ó ico ou a ís ico; abalha a
mul issenso ialidade e as in eligências múl iplas; aplica as ecnologias da in o mação e
comunicação; en e ou as
51
. Ac escen e-se ainda que cada ipo de pa imónio em as suas
p óp ias po encialidades educa i as, con o me expos o po Rose Cala Masachs
52
. O
pa imónio da An iguidade omana, po exemplo, pe mi e uma abo dagem às me odologias
da a queologia, o con empo âneo possibili a abalha a his ó ia o al e o a ís ico a His ó ia da
A e. Di e en es ipos de pa imónio azem apelo a di e en es e e ências disciplina es e às
espe i as didá icas.
50
PINTO, Helena (2016). "Educação his ó ica e Pa imonial" in. Educação His ó ica: Pe spe i as de
In es igação Nacional e In e nacional. Po o: CITCEM, p 32.
51
LLONCH MOLINA, Nay a (2014). “La educación pa imonial como he amien a de “ ebeldía ciudadana” in
SOLÉ, Gló ia (o g.) (2015). Educação Pa imonial: Con ibu os pa a a cons ução de uma consciência
pa imonial. B aga: Uni e sidade do Minho, p. 42.
52
CALAF MASACHS, Rose (2008). Didác ica del Pa imonio – epis emologia, me odologia y es udio de
casos. Gijón: Ediciones T ea.
25
3. Pa imónio Local como Recu so Educa i o
Es ando o nosso abalho ocado no pa imónio local, i emos explo a de modo
pa icula a sua u ilização como ecu so educa i o, incluindo nes a abo dagem a his ó ia local
e o e i ó io local, po se em peças insepa á eis num mesmo uni e so de p oximidade ao qual
econhecemos alo pa imonial.
3.1. Didá ica do Pa imónio Local
Con o me e e imos no capí ulo an e io , a u ilização do pa imónio em si uação de
ensino e ap endizagem a o ece o desen ol imen o de di e sas compe ências. O con ex o
local pe mi e ap o unda em especial a elação com o meio mais p óximo, que o e ece
opo unidades especí icas. O abalho de Ma ia Cândida P oença e An ónio Ped o Manique,
publicado em 1994, Didác ica da His ó ia – Pa imónio e His ó ia Local, con inua a ual e
conside amos que é uma das nossas e e ências mais impo an es. A ob a cons i uiu uma
e lexão e, ambém, uma espos a de o dem p á ica às medidas implemen adas pela e o ma
do sis ema educa i o po uguês
53
, que a ança a à época com no as me odologias no ensino,
nomeadamen e da His ó ia. Já se a a a en ão de p opo a aliança en e con eúdos,
compe ências e consciência cí ica, ao que os au o es esponde am com suges ões de
abo dagem local: “a conciliação en e o sabe e o sabe aze , a p á ica in es iga i a a ealiza
pelos es udan es e a conscien ização dos p oblemas da sociedade em que se inse em, (…)
aconselham uma o ien ação decisi a pa a o es udo dos enómenos his ó icos locais, como
o ma de acili a a es u u ação do pensamen o his ó ico”
54
. Apon a a-se conc e amen e pa a
a pesquisa de on es p imá ias em a qui os e imp ensa local, pa a a ecolha de es emunhos
o ais, pa a a impo ância da descobe a da oponímia, da es a uá ia e das igu as locais, das
e amen as de abalho como es emunhos, e c. Todos os assun os que dizem espei o ao
passado de um e i ó io local podem se in e essan es e a sua alo ização não põe em causa
a iden idade nacional, po que é p eciso “acaba com o mi o de uma his ó ia nacional uni á ia
e e e na (…) que nada diz aos jo ens de hoje, nem con ibui pa a aze do ensino da His ó ia
53
Lei n.º 46/86 de 14 de ou ub o - Lei de Bases do Sis ema Educa i o.
54
MANIQUE, A. & PROENÇA, M. (1994) - Didác ica da His ó ia – Pa imónio e His ó ia Local. Lisboa:
Tex o Edi o a, p. 5.
32
En e os obje i os do documen o es á a consciencialização pa a o alo do pa imónio cul u al
como a o de coesão e de pe ença. A es a égia que ado a com esse im ai no sen ido de
eco e às po encialidades educa i as do pa imónio num e i ó io de p oximidade. Explica
que p e ende “ e i o ializa : somos um plano nacional, com a enção à especi icidade do local”
e c ia escolas comp ome idas com o pa imónio e a a e “no seu e i ó io p óximo, o seu
Km2”. O PNA econhece desse modo que o pa imónio local é um impo an e ecu so
educa i o e inspi a as escolas a p ocu á-lo no meio mais p óximo.
As escolas que se apoiam no seu e i ó io con am cada ez mais com as au a quias,
com os museus e com ou os equipamen os cul u ais, bem como com as associações locais,
como no caso que i emos analisa no deco e des e abalho. É a pa i dessa in e ação en e
escola, ins i uições e comunidade que o e i ó io assume uma pe spe i a pedagógica
83
. São
de sublinha as inicia i as p omo idas po en idades ex e io es à escola que a endem
e e i amen e às componen es cu icula es. O modelo do P og ama de Visi as de Es udo da
Comunidade In e municipal do Médio Tejo é ímpa no pano ama nacional. Tem como
inalidade a di usão do conhecimen o do e i ó io enquan o espaço de ap endizagem
cien í ica e cul u al. Pa a isso, aquela associação de municípios eco eu a uma ins i uição
académica – a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – pa a desen ol e 45 guiões de
isi a de es udo naquela egião, em unção das á eas disciplina es e ní eis de ensino
84
. Os
guiões disponibilizados pe mi em que os p o esso es, na sua p á ica, a iculem o pa imónio
e e i ó io egional com os cu ículos.
Ace ca das possibilidades de abalha o pa imónio local com os alunos, encon amos
á ios abalhos que ap esen am os ecu sos do pa imónio de uma cidade ou egião e
demons am a sua u ilização no ensino. Ma ia Celes e Cus ódio abalhou com alunos do 3º
ciclo em ês espaços das Caldas da Rainha – escola, museu e cidade – e com 3 e o es de
ação educa i a – his ó ia, pa imónio, didá ica – com o obje i o de ans o ma o ensino da
His ó ia
85
. Ângela Malhei o ealizou um le an amen o das po encialidades da zona u bana
83
DOMINGOS, An ónio; HENRIQUES, Raquel Pe ei a; FERREIRA, Sil ia; PERDIGÂO, Ru e; GOMES,
Susana (2019). «O papel das isi as de es udo no desen ol imen o cu icula in eg ado: o caso p á ico de um
p oje o ansdisciplina » pp.22-36, in Cu ículo, A aliação, Fo mação e Tecnologias educa i as (CAFTe)
Con ibu os eó icos e p á icos - II seminá io in e nacional. Po o: Cen o de In es igação e In e enção
Educa i as (CIIE) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCE) da Uni e sidade do Po o
(UPo o), p. 28.
84
Guiões disponí eis em h ps://medio ejo.p /index.php/p og ama-de- isi as-de-es udo (consul ado em junho de
2021)
85
CUSTÓDIO, Ma ia Celes e Fo una o (2009). A Relação Escola-Museu: Con ibu o pa a uma Didác ica do
33
Baixa-Chiado, em Lisboa, enquan o ecu so pa a o desen ol imen o das compe ências
de inidas pa a o Ensino Básico
86
. Ma ia Leono de Ca alho ez um es udo ela i o à egião
de Alcobaça, endo em is a ap esen a uma p opos a de in eg ação do pa imónio como
componen e local do cu ículo
87
. Ca la Susana Viei a elabo ou na sua disse ação os “Ro ei os
pa a o Ensino em Es a eja”, um in en á io dos elemen os do pa imónio cul u al e na u al de
cada eguesia, que conside a de in e esse pa a o ensino
88
. C is ina Ma ins abo dou a
a iculação en e a ap endizagem da His ó ia e o con ac o di e o com os elemen os do
pa imónio indus ial que pe manecem nas uas da Co ilhã
89
. Qualque uma des as p opos as
ap esen a conclusões no sen ido de comp o a a iqueza do pa imónio local como ecu so
educa i o. Re o cemos que, ao usá-lo pa a ensina , o p o esso p omo e a educação
pa imonial com o pa imónio, usando-o na sua p á ica pedagógica e, simul aneamen e, pa a
o pa imónio, pois acili a a c iação de ínculos en e os alunos e o e i ó io onde habi am.
Cada um dos exemplos acima ap esen ados cons a a as po encialidades educa i as do
e i ó io local, sob e udo do pa imónio, e p opõe o seu uso com ins pedagógicos, sendo de
des aca as ações que êm em con a o cu ículo escola . Sob essa pe spe i a amos ap esen a
o caso do CAA, enquan o p omo o de a i idades educa i as anco adas no e i ó io de
Almada, p ocu ando conhece essas a i idades e as ligações que es abelecem com a dimensão
cu icula .
Pa imónio. T abalho de P oje o de Mes ado em Didá ica da His ó ia. Lisboa: Faculdade de Le as da
Uni e sidade de Lisboa.
86
MALHEIRO, Ângela (2010). A Baixa-Chiado: uma sala de aula dinâmica e in e disciplina . T abalho de
P oje o de Mes ado em P á icas Cul u ais Pa a Municípios. Uni e sidade No a de Lisboa - Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas.
87
CARVALHO, Ma ia Leono Domingues (2011). «Es uda his ó ia com os pés na e a»: uma pe spec i a
museológica aplicada ao cu ículo da his ó ia no 3º ciclo do Ensino Básico: o caso de Alcobaça. Tese de
dou o amen o em Educação. Lisboa: Uni e sidade Lusó ona.
88
VIEIRA, Ca la Susana Nunes Fe ei a (2011), Educação e Pa imónio Cul u al. Ro ei os pa a o Ensino em
Es a eja. Disse ação de Mes ado em Ciências da Educação. A ei o: Uni e sidade de A ei o – Depa amen o
de Educação.
89
MARTINS, C is ina Ma ia Fonseca (2011), Educação Pa imonial – O Pa imónio Indus ial da Co ilhã
como Recu so Educa i o. Disse ação de Mes ado em Es udos do Pa imónio. Lisboa: Uni e sidade Abe a.
34
II. OBJETO DE ESTUDO
1. B e e abo dagem his ó ico-geog á ica ao e i ó io de Almada
Almada é um concelho na ma gem sul do Tejo, em en e a Lisboa. In eg a
ap oximadamen e 35 km con ínuos de en es de água, en e uma cos a banhada pelo Oceano
A lân ico, a oes e, e duas en es ibei inhas, a no e e a nascen e. Faz on ei a com os
concelhos de Sesimb a, a sul, e do Seixal, a es e. Tem ce ca de 70 km2 de á ea e 175 mil
habi an es (Censos 2011)
90
. Pe ence à Á ea Me opoli ana de Lisboa e ao dis i o de Se úbal.
Tem 11 eguesias, a ualmen e cong egadas em 5 Uniões de F eguesia: Almada, Co a da
Piedade, P agal e Cacilhas; Capa ica e T a a ia; Cha neca da Capa ica e Sob eda; La anjei o
e Feijó; e Cos a de Capa ica, que se man e e desag egada.
A ocupação humana des e e i ó io emon a à p é-his ó ia, com dezenas de sí ios
a queológicos iden i icados, p incipalmen e dos pe íodos Paleolí ico, Neolí ico e Idade do
Fe o. Nes e úl imo em luga de des aque o sí io da Quin a do Alma az onde es á
documen ada a in luência enícia no século VII a.C. e o comé cio com o Medi e âneo
91
. Na
época omana ins ala am-se a i idades que in ensi ica am a explo ação dos ecu sos
egionais, como a es am as ce á ias pa a p odução de p epa ados piscícolas, em Cacilhas
92
. A
cul u a á abe deixou es ígios p incipalmen e na a ual á ea u bana, mas ambém em zonas de
g ande ap idão ag ícola, como é o caso de Mu acém
93
. Da am do século XII as p imei as
e e ências documen ais a es e e i ó io, esc i as exa amen e po um á abe, o geóg a o Ed isi,
que menciona “o o e d’Almada, assi chamado po que e ec i amen e o ma em lança na
sua p aia palhe as de ou o”
94
. Em 1147, em pa alelo com a omada de Lisboa, a ila oi
90
In o mação disponí el no si e da Câma a Municipal de Almada: h ps://www.cm-almada.p /
91
OLAIO, Ana Ca a ina Sal ão (2015). Ân o as da Idade do Fe o na Quin a do Alma az (Almada). Disse ação
de mes ado em A queologia. Lisboa: Uni e sidade de Lisboa.
92
DIAS, Vanessa (2014). "O Complexo Fab il de Salga de Peixe de Época Romana de Cacilhas (Almada) –
pe spec i as e p ojec os pa a o Fu u o" in Ac as do 2º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal.
Almada: Cen o de A queologia de Almada.
93
RAIMUNDO, Ma ia Inês; DIAS, Vanessa (2012). "Al-Madan no con ex o da ocupação islâmica da ma gem
Sul do Tejo" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia
de Almada, pp. 9-15.
94
Es a ci ação é equen emen e u ilizada pa a explica o opónimo Almada, de o igem á abe, que signi ica “a
mina”. FLORES, Alexand e M.; NABAIS, An ónio J. (1983). Os Fo ais de Almada e seu e mo. I. Subsídios
pa a a his ó ia de Almada e Seixal da Idade Média. Câma as Municipais de Almada e Seixal, p. 22-23.
35
econquis ada po con ingen es mili a es c is ãos, alguns no e-eu opeus em ânsi o nas
C uzadas. Na ado po um desses c uzados, icou ou o documen o impo an e pa a a his ó ia
local, que desc e e es e e i ó io como um luga de abundância: “Ao sul do io ica Almada,
egião abundan e de inhas, igos e omãs. As sea as ali são ão é eis, que da mesma semen e
ecolhem o u o duas ezes; é ica em mel e celeb ada pelas mon a ias de animais”
95
.
Já sob pode da mona quia po uguesa, em 1190, Almada ecebeu Fo al de D. Sancho
I. Es e documen o é de g ande u ilidade pa a ca ac e iza a economia local nessa época,
baseada na explo ação da e a e do io
96
. O io Tejo é um elemen o e i o ial com mui a
in luência na his ó ia local e na elação des a com a his ó ia nacional. Também o Fo al de D.
Manuel, de 1513, a es a as a i idades p a icadas, en e as quais des acamos o anspo e de
me cado ias po ia lu ial
97
.
Du an e a Idade Mode na o am cons i uídas o a do núcleo u bano unidades
e i o iais ca a e ís icas da egião, as Quin as, mui as das quais in eg adas em mo gadios de
amílias ligadas à co e, ou p op iedade de O dens eligiosas, que aqui encon a am espaço
pa a p odução ag á ia en á el, em pa icula a inha, bem como pa a e i o ou laze . Es ão
e e enciadas 31 Quin as no século XVIII
98
. Os es ígios do mundo u al ainda pon uam a
paisagem com es u u as habi acionais e de apoio à a i idade ag ícola (moinhos, laga es,
celei os, poços, e c.), bom como capelas pe encen es às Quin as.
A é ao século XVIII, a en e a lân ica de Almada não e a habi ada. Só em 1770 su gem
na p aia as p imei as aglome ações habi acionais, o madas po cabanas de pescado es
o iundos da egião de Ílha o e do Alga e que aqui se ixam pa a a p á ica da A e Xá ega
99
,
uma écnica de pesca adicional que se encon a insc i a no In en á io Nacional de Pa imónio
Cul u al Ima e ial.
A pa i do século XIX as paisagens ibei inhas ans o ma am-se bas an e, com a
ins alação de áb icas na ma gem do io, onde a acilidade de anspo e e a um dos a o es
mais a a i os. As maio es áb icas e am as de co iça e de conse as, se o es impulsionados
95
Idem, p. 23.
96
Idem, p. 27
97
FLORES, Alexand e (di .) (2003). Almada na His ó ia, Bole im de Fon es Documen ais. nº 3-4. Câma a
Municipal de Almada – Di isão de His ó ia Local e A qui o His ó ico, p. 20.
98
SILVA, F ancisco Manuel Valada es (2008). Ru alidade em Almada nos séculos XVIII e XIX. Imagem,
Paisagem e Memó ia. Disse ação de mes ado em Es udos do Pa imónio. Lisboa: Uni e sidade Abe a, p. 34.
99
SILVA, F ancisco (2012). "B e e His ó ia da Cos a de Capa ica" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio
de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 39-45.
36
em g ande pa e po capi ais es angei os
100
. A indús ia chamou no as populações,
p o enien es de odo o país, que ie am a c ia as comunidades ope á ias p omo o as de
mudanças sociais e ideológicas de e ei os du adou os na iden idade local: unda am
associações de á ios âmbi os, pa icipa am a i amen e no mo imen o epublicano e na
oposição democ á ica ao egime de Salaza e ie am a compo os no os ó gãos de pode local
a segui ao 25 de Ab il
101
. Os núcleos u banos mais an igos (Almada, Cacilhas e Co a da
Piedade), p ese am edi ícios de ca a e ís icas associadas ao século XIX.
Pa alelamen e, a dinâmica u al al e ou-se p o undamen e na segunda me ade do
século XIX de ido a doenças que a e a am a inha. As Quin as o am p og essi amen e
u banizadas, enómeno que aumen ou subs ancialmen e com a ins alação do A senal da
Ma inha (1939), a inaugu ação da a ual Pon e 25 de Ab il (1966) e a en ada em
uncionamen o da Lisna e (1967). A necessidade de cons ui habi ação pa a da espos a à
c escen e a luência de mo ado es, a abe u a de no as ias de comunicação e a ins alação de
in aes u u as e equipamen os le a am ao desapa ecimen o da maio pa e da paisagem u al
no in e io do e i ó io
102
.
A no a pon e sob e o Tejo oi esponsá el ambém po al e ações p o undas nas
en es ibei inhas, uma ez que as a i idades desen ol idas nessas zonas bene icia am do
in enso á ego lu ial, ago a subs i uído em la ga medida pelo anspo e odo iá io. No
decu so do século XX, o ence amen o das áb icas, dos a mazéns e da Lisna e deixou
g andes á eas indus iais abandonadas. Já na en e ma í ima, a classi icação da Cos a de
Capa ica como es ância balnea , em 1925, deu início a um no o modelo de
desen ol imen o
103
. Os 13 km de p aia, a pa do san uá io de C is o-Rei, isi ado anualmen e
po á ios milha es de pessoas, são a o es de a ação u ís ica. A ualmen e, “76% da
população a i a es á emp egada no se o e ciá io, e le indo a e olução des e se o de
a i idade nos úl imos anos, em de imen o dos se o es indus ial e ag ícola”
104
.
100
CUSTÓDIO, Jo ge (1995). “Almada Minei a, Manu ac u ei a e Indus ial” in Al-Madan nº 4, IIª Sé ie.
Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 128-139.
101
POLICARPO, An ónio Manuel Ne es (2005). Memó ias da Nossa Te a e da Nossa Gen e. Almada: Jun a
de F eguesia de Almada.
102
CRUZ, Ma ia Al eda (1973). A Ma gem Sul do Es uá io do Tejo, Fac o es e Fo mas de O ganização do
Espaço, s.l., ed. Au o , p. 319-329.
103
SILVA, F ancisco (2012). Op ci .
104
In o mação ela i a aos Censos 2011, no si e da Câma a Municipal de Almada: h p://www.m-
almada.p /xpo al/xmain?xpid=cma 2&xpgid=gene icPage&gene icCon en Page_q y=BOUI=5771022&ac ua
lmenu=5770956
37
Apesa das al e ações sociais egis adas em Almada nas úl imas décadas, o concelho
ainda man ém aços de “capi al do associa i ismo”, uma ma ca singula que lhe oi
popula men e a ibuída. O papel das associações oi de e minan e em á ias épocas, sup indo
necessidades da população ou indo ao encon o das suas aspi ações, a a és da ges ão cole i a
de ecu sos p i ados e da pa ilha democ á ica das decisões. Nes e momen o es ão egis adas
no si e da Câma a Municipal de Almada 569 associações nas mais di e sas á eas de ação,
en e cul u a, despo o e ação social
105
.
2. O Cen o de A queologia de Almada (CAA)
A associação Cen o de A queologia de Almada nasceu num con ex o ma cado pelo
boom u banís ico do início dos anos 1970, quando a ans o mação da ácies local e a e iden e
e as in e enções no e eno deixa am a descobe o os es ígios do passado. Foi c iado em
1972 po um g upo de es udan es do Liceu de Almada que ie am a assina esc i u a pública
em 1976. Apesa de se e o mado an es do 25 de Ab il, acompanhou o a anque do
mo imen o associa i o em Po ugal, legalizado pelo a igo 46º da Cons i uição da República
Po uguesa (Libe dade de Associação), bem como a Lei 13/85
106
, que de iniu o âmbi o das
ADP – Associações de De esa do Pa imónio. Den o das ADP, So ia Cos a Macedo
dis inguiu á ios ipos, in eg ando o CAA na Tipologia 3 – Mis as, que in eg a “associações
de na u eza cul u al ge al com p eocupações especí icas, mas não exclusi as, na á ea de de esa
do pa imónio”
107
. Com e ei o, os es a u os publicados em 1977 apon am como obje i os o
apoio ao es udo da a queologia e da paleon ologia, mas as linhas de ação do CAA o am
omando di e sos umos ao longo do empo. Como explica Jo ge Raposo, a associação
“ala gou a sua pe spe i a de abo dagem a um plano holís ico, su icien emen e ab angen e pa a
in eg a o Pa imónio Cul u al na sua elação sis émica com o meio ambien e e as
105
h p://www.m-almada.p /PBPEXT/En idades/Lis
106
Lei do Pa imónio Cul u al Po uguês, A igo 6.
107
MACEDO, So ia Cos a (2018). Associações de De esa do Pa imónio em Po ugal (1947-1997). Lisboa:
Caleidoscópio, p. 112.
38
comunidades locais, a endendo às suas e idências ma e iais, mas ambém às mani es ações
ima e iais e à p ese ação e ec iação das memó ias sociais”
108
.
No início, o CAA e a maio i a iamen e o mado po jo ens e oi a p imei a associação
do dis i o de Se úbal insc i a no RNAJ – Regis o Nacional de Associações Ju enis. Ag egou-
se a á ias es u u as associa i as nacionais e in e nacionais, como o Fó um Eu opeu das
Associações de De esa do Pa imónio, do qual oi memb o undado , a Associação pa a o
Desen ol imen o da Coope ação em A queologia Peninsula , Con ede ação Po uguesa das
Associações de De esa do Ambien e, Sociedade Geológica de Po ugal, Associação pa a o
Desen ol imen o da Conse ação e Res au o e a Associação Eu opeia de A queólogos. Es á
classi icado como Ins i uição de U ilidade Pública desde 1985 e em 1997 oi decla ado
ins i uição de mani es o in e esse cul u al pelo Minis é io da Cul u a. Desde 1999 encon a-
se egis ado como O ganização Não Go e namen al de Ambien e de Âmbi o Local.
Passando em e is a o pe cu so de abalho da associação, começamos pelos p imei os
anos, em que os sócios do CAA se dedica am sob e udo à p ospeção a queológica.
Iden i ica am dezenas de sí ios a queológicos que pe mi i am ca ac e iza a ocupação humana
do e i ó io de Almada desde o Paleolí ico. As descobe as, acompanhadas de enquad amen o
cien í ico, e am di ulgadas em exposições, sessões públicas e pequenas edições
disponibilizadas à população do concelho. Po ou o lado, deu-se início ao le an amen o
o og á ico do pa imónio edi icado, u al e u bano. Que a ní el de a queologia, que de
pa imónio cons uído, oi possí el euni nesse pe íodo um ace o documen al inédi o,
ela i o a elemen os en e an o desapa ecidos de ido à p o unda ans o mação u banís ica de
que Almada em sido al o.
Em 1982 oi lançado o nº 0 da Iª Sé ie da e is a Al-Madan – A queologia, Pa imónio,
His ó ia Local. A Al-Madan é o p oje o do CAA com maio ele ância, uma ez que publica
a igos ela i os a odo o e i ó io nacional, em dis ibuição come cial e é pe mu ada com
ins i uições de á ios países do mundo. Te e uma Iª sé ie en e 1982 e 1986, com seis núme os
publicados; a IIª sé ie, publicada desde 1992, soma 23 núme os em no emb o de 2020. Desde
108
RAPOSO, Jo ge (2015). "Ciência e Cidadania: Sociabilização da A queologia e do Pa imónio" in An ope,
nº 2 julho 2015, pp. 10-21 (p. 12). Toma : Cen o de P é-His ó ia – Ins i u o Poli écnico de Toma .
39
2005, além da e is a imp essa exis e ambém uma e is a digi al – Al-Madan Online – de
pe iodicidade semes al
109
.
As pe mu as da Al-Madan alimen am uma biblio eca especializada em A queologia,
Pa imónio, His ó ia local e Conse ação e Res au o, que se encon a o ganizada e abe a à
consul a pública. Regis a mais de 10 mil olumes (em no emb o de 2020), en e monog a ias,
pe iódicos, a as e sepa a as. Além do undo bibliog á ico, a associação dispõe de um cen o
de documen ação mais as o: a qui o o og á ico, ídeo, áudio, ca og a ia, desenho, bases
de dados emá icas de his ó ia local, en e ou o ma e ial em supo e papel e digi al.
Con inuando com a abo dagem ao pe cu so do CAA, a pa i da década de 1980 há a
des aca a in e enção a queológica egional a a és do p oje o Ocupação Romana da
Ma gem esque da do Es uá io do Tejo. Nesse âmbi o, a associação pa icipou nas esca ações
da Fáb ica de Salga em Cacilhas (1981-1987), da Ola ia Romana da Quin a do Rouxinol,
Seixal (1986-1991) e da Ola ia Romana do Po o dos Cacos, Alcoche e
110
.
A á ea da conse ação e es au o, em pa icula de ce âmica a queológica e azuleja ia,
pa alelamen e à p odução de éplicas, o am e en es de a i idade que na década de 1990
adqui i am uma dimensão conside á el no CAA. Foi uma época em que a associação começou
a apos a mais na p es ação de se iços especializados como on e de inanciamen o. Nesse
sen ido, ambém se ealiza am di e sos abalhos de in en á io sis emá ico de pa imónio
edi icado e azuleja ia, po solici ação de au a quias da egião. É nesse con ex o que se ins i uiu
no CAA uma o ganização po depa amen os, en e os quais o depa amen o pedagógico.
A pa i de 2000 desen ol e am-se á ios p oje os de es udo do pa imónio e da
his ó ia local que de am o igem a monog a ias ou exposições emá icas. Des acam-se os
p oje os Ginjalma, sob e o Cais do Ginjal (Cacilhas), Po o B andão, a Te a e o Tejo, e
monog a ias sob e his ó ia e pa imónio das eguesias de Almada, P agal, Co a da Piedade
e Sob eda.
Em 2010 a sede do CAA mudou pa a no as ins alações, o que pe mi iu o c escimen o
da a i idade e o en ol imen o de mais pessoas. Implemen a am-se p og amas semanais de
109
Si e da Al-Madan: h p://www.almadan.publ.p /
110
RAPOSO, Jo ge (2017). "As Ola ias Romanas do Es uá io do Tejo: Po o dos Cacos (Alcoche e) e Quin a
do Rouxinol (Seixal) in Ola ia Romana: seminá io in e nacional e a eliê de A queologia expe imen al. Lisboa:
UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa / Câma a Municipal do Seixal / Cen o de
A queologia de Almada.
40
isi as emá icas guiadas nas á ias eguesias e os abalhos de in en á io em núcleos
his ó icos passa am a se elabo ados com base em Sis emas de In o mação Geog á ica (SIG).
Em janei o de 2018, o CAA des aca a en e as a i idades ealizadas nos 5 anos
an e io es
111
, a ní el de pa imónio, a elabo ação da Ca a do Pa imónio Cul u al do
Concelho de Almada – le an amen o dos Imó eis, Conjun os, A queossí ios, Paisagens
Cul u ais e Mani es ações de Pa imónio Ima e ial e da Ficha da A e Xá ega na Cos a da
Capa ica, in eg ada no In en á io Nacional do Pa imónio Cul u al Ima e ial em e e ei o de
2017. Da a i idade edi o ial des aca a a publicação das e is as Al-Madan imp essa e Online,
da monog a ia de his ó ia local Sob eda, His ó ia e Pa imónio, com um segundo olume em
p epa ação, a conceção de exposições, po exemplo, O P esidio e a T a a ia – 450 anos de
His ó ia ou Vinhas e Vinhos da Capa ica. A ní el da educação pa imonial, menciona-se o
desen ol imen o de a i idades – o icinas, pe cu sos e a eliês – em quase odas as escolas do
concelho. São enume adas inicia i as “que ligam os p og amas escola es à his ó ia local, com
o ma o a i o e expe imen al”, po exemplo: P og ama Quo idianos no Con en o – onde se
expe imen a a i ência dos ades no Con en o dos Capuchos; Ago a eu E a o Rei – pe cu so
em Almada Velha, em que as c ianças são as pe sonagens da his ó ia; Fo a de Po as –
expe iências amigas do pa imónio pa a o pequeno público – encon o de mediação cul u al
en ol endo 11 ins i uições / museus. O leque de a i idades é amplo e passa ambém pela
ealização dos pe cu sos emá icos em di e sos locais do concelho, a p omoção de wo kshops
e ações de o mação especializada, a o ganização dos Encon os sob e o Pa imónio de
Almada e Seixal, o acompanhamen o a queológico em Almada Velha e a consul ado ia na
á ea da a queologia.
A p epa ação des a lis a, que in eg a um ex o de ap esen ação à ecém-elei a edil
municipal, e e como inalidade chama a a enção pa a o conjun o de inicia i as com maio
alo local. Embo a não esgo e os Rela ó ios de A i idades dos anos a que diz espei o (2013-
2017), pe mi e classi ica as á eas de a i idade a i as à da a: a queologia; pa imónio; his ó ia
local; in es igação; di ulgação; educação; o mação. Nos Rela ó ios de 2018 e 2019 me ece
des aque a pa icipação no p oje o No os In en a ian es: in en á io da coleção do Núcleo
A queológico da Rua dos Co eei os, inco po ada no Museu Nacional de A queologia.
111
Des aques que cons am em documen o en egue pelo CAA à Câma a Municipal de Almada, em eunião
pública de câma a, 3 de janei o de 2018.
41
As pa ce ias semp e ize am pa e do “ADN” do CAA: com ins i uições académicas e
cien í icas, au a quias, escolas, emp esas e ou as associações. O abalho olun á io es á na
base do desen ol imen o da maio pa e dos p oje os. A pa i de 1990, ap oximadamen e, oi
possí el man e pelo menos um uncioná io e em alguns pe íodos chegou a ha e qua o
colabo ado es pe manen es, acompanhados de colabo ações ex e nas con a adas pa a
p oje os especí icos. O CAA em um ca á e inclusi o, na medida em que in eg a sócios de
odas as á eas p o issionais, idades e p o eniências. Ao longo de 48 anos o am admi idos
ce ca de 1500 sócios, dos quais pe maneciam insc i os 795 em dezemb o de 2020.
O papel social desempenhado pelo CAA ai ao encon o do que é p econizado na
Con enção de Fa o. Es a coloca as pessoas no cen o dos p ocessos pa imoniais, desde a
de inição do que é pa imónio a é à sua ges ão. A a és do concei o de “Comunidade
Pa imonial”, o ex o enco aja a democ a ização do Pa imónio: po um lado, es e pe de o
alo in ínseco e uni e sal, sendo o seu econhecimen o e alo ização mais ap op iado à
di e sidade cul u al das populações; po ou o, a sua de inição e comp eensão deixa de se
apenas a e a dos especialis as
112
. As ques ões “o que é o pa imónio?” e “de quem é o
pa imónio?” passam a inclui ambém hipó eses de espos a abe a, dada pelas pessoas, num
sen ido mais democ á ico e em cump imen o dos Di ei os Humanos, em pa icula o que se
e e e ao di ei o a pa icipa na a i idade cul u al. Uma das ca a e ís icas do CAA é a
capacidade de ap oxima especialis as e cidadãos sem o mação académica. Enquan o
associação, in eg a nos ó gãos di igen es e nos p oje os pessoas mui o di e en es en e si,
cong egadas em o no de uma isão comum de pa imónio. Os sócios êm opo unidades
conc e as de in e enção nas ações desen ol idas, desde a conceção à execução, e o
olun a iado con i ma a li e pa icipação. As a i idades le adas a cabo pelo CAA ao longo
do seu pe cu so encaixam ambém nas ecomendações elabo adas em 2018 pelo Conselho da
Eu opa
113
. A pa i do espí i o da Con enção, essas ecomendações dizem espei o a ês
componen es es a égicas: componen e social; componen e de desen ol imen o económico;
componen e de conhecimen o e educação. É possí el econhece a ação do CAA naquelas
ecomendações, em pa icula na componen e social, po exemplo na o ganização de isi as;
112
Council o Eu ope (2020). The Fa o Con en ion: he way o wa d wi h he i age.
Disponí el em h ps:// m.coe.in / he- a o-con en ion- he-way- o wa d-wi h-he i age-b ochu e/16809e3627
(consul ado em ab il de 2021)
113
Council o Eu ope (2018). Eu opean Cul u al He i age S a egy o he 21s cen u y. Facing Challenges by
ollowing Recommenda ions. Disponí el em h ps:// m.coe.in /eu opean-he i age-s a egy- o - he-21s -cen u y-
s a egy-21- ull- ex /16808ae270 (consul ado em ab il de 2021)
48
no depa amen o pedagógico, se ealiza am apenas 31 ações. Tal ez po se a a de uma ase
com condições pa a o elançamen o c ia i o, enha ha ido maio in es imen o na conceção de
no as p opos as do que na p omoção das a i idades egula es. Já no caso dos anos 2000 e
2005, que ap esen am meno núme o de ações, a jus i icação não se á a mesma, pois ambém
não há egis o de no as c iações. Os dados pode iam le a a conside a esses anos pouco
p odu i os no depa amen o pedagógico. Toda ia, logo após o ano 2000 su gem os p og amas
especí icos pa a de e minadas eguesias que e ão exigido um empo de in es igação p é ia.
Já em 2005, o baixo núme o de ações e a ausência de c iações pode á e acon ecido po que o
es o ço se di igiu pa a a o mação de p o esso es, igualmen e na á ea da educação pa imonial.
O núme o de escolas ab angidas nem semp e é indicado nos Rela ó ios de A i idades
mas, no en an o, oi possí el apu a dados ela i os a 10 anos, que apon am pa a uma média
de 21 escolas po ano, a maio ia si uada nos concelhos de Almada ou Seixal. Há e e ência a
ações ealizadas em Lisboa e ambém em Sesimb a. T a a-se acima de udo de escolas
públicas, mas ambém há ações em ins i uições de ensino pa icula e coope a i o e em
ins i uições p i adas de solida iedade social.
G á ico 4 – Núme o de escolas ab angidas pelas a i idades educa i as do CAA
No úl imo ano le i o em análise, 2017/2018, o P og ama Educa i o do CAA, di igido
a g upos do p é-escola ao 3º ciclo inha 10 pe cu sos, 16 o icinas e 8 a eliês. No si e da
associação, esse p og ama apa ece anexo ao seu p oje o de educação pa imonial, que é
ap esen ado nos seguin es e mos: “As a i idades de educação pa imonial dão a conhece o
25
20
17
15
24
19
15
33
22
24
0
5
10
15
20
25
30
35
49
pa imónio e alo izam-no como ma ca iden i á ia. Edi ícios, memó ias, luga es e obje os
usados no passado são ambém ecu sos de ap endizagem. Com eles, c iamos expe iências
educa i as em di e sas á eas do sabe e das a es”
121
. Esse ex o pe mi e conhece o concei o
de educação pa imonial que es á na base das a i idades do depa amen o pedagógico. Na capa
do P og ama há um desa io: “Vamos me e as mãos na His ó ia?”, com o qual se que aze
sob essai o cunho expe imen al das a i idades que ão se ap esen adas no in e io . Aí
encon amos os obje i os em ases apela i as: “Den o e o a da escola le amos a cada u ma
a His ó ia de Po ugal no Pa imónio de Almada e não icamos po aqui…”. Sob e os
pe cu sos lê-se: “Le am-nos pa a a ua e com jogos de az-de-con a, es imulam a descobe a
a i a do pa imónio”; as o icinas: “Fazem a pon e en e os P og amas escola es e a His ó ia
Local, usando expe iências, jogos e a i idades de “me e as mãos na massa”; os a eliês: “Usam
écnicas a esanais, e po ezes eu ilizam ma e iais, pa a cons ui obje os e b inquedos que
nos lemb am como e a an igamen e”. Es e P og ama mos a ao público o que p e ende o
depa amen o pedagógico do CAA: le a o pa imónio às escolas e aze os alunos à ua pa a
o descob i , mos a as ligações da his ó ia local com a his ó ia de Po ugal e c ia expe iências
a i as nesse sen ido.
4. As A i idades Educa i as do CAA
4.1. In en á io das A i idades
Fo am conside adas nes e abalho as a i idades desen ol idas en e 1998 e 2018. A
p imei a da a oi escolhida po que e e início o p oje o “Almada Velha, uma Visi a Guiada”
que ma ca o a anque de um p og ama educa i o es u u ado. O úl imo ano conside ado oi
2018, pois pela p imei a ez as a i idades educa i as do CAA o am suspensas, po mo i os
inancei os. Den o desses limi es c onológicos iden i ica am-se 47 a i idades educa i as,
desc i as em Rela ó ios de A i idades da associação, em P og amas Educa i os, em egis os
121
P og ama Educa i o disponí el em h ps://ca queoalm.wixsi e.com/websi e/p oje os (consul ado em
no emb o de 2020)
50
manusc i os, documen os digi ais ( ex os, abelas, ap esen ações), ma e iais de apoio (guiões
de pe cu so, guiões de apoio aos moni o es) e ma e iais de di ulgação.
Com is a a sis ema iza a ecolha de in o mação oi cons uída uma base de dados,
usando como e amen a in o má ica o so wa e FileMake . Tendo em con a os obje i os des e
abalho, p ocu ou-se que a de inição dos campos pe mi isse o le an amen o dos con eúdos
a ados, pa a os c uza com as Ap endizagens Essenciais, e a desc ição das a i idades, pa a
a e i de que o ma p omo em as compe ências apon adas no Pe il dos Alunos à saída da
Escola idade Ob iga ó ia. O layou da icha de in en á io em duas pa es: I. Ca a e ís icas e
II. Ligações aos Cu ículos de Ensino. Ap esen a-se de seguida em que consis e cada campo
da icha de in en á io ( e modelo da icha no anexo 1).
I. Ca ac e ís icas
Designação - Nome a ibuído à a i idade. Caso enha ido mais do que um nome,
e e e-se o úl imo.
Pe íodo de ealização – Pe íodo, em anos, du an e o qual se ealizou a a i idade.
Te i ó io ab angido: Indicação do concelho e eguesia sob e os quais incidem os
con eúdos da a i idade, que es a se ealize den o desse e i ó io, que se ealize nou o local,
mas enha como ema p incipal um de e minado concelho ou eguesia. Conside a am-se as
eguesias an e io es à eo ganização adminis a i a de 2013 po que a maio pa e das
a i idades o am c iadas an es da ag egação e, ambém, pa a ha e uma localização mais
apu ada. No caso de a a i idade a a emas de âmbi o geog á ico imp eciso (po exemplo,
“À Descobe a dos Dinosau ia”) su ge nes es campos o egis o “Não se aplica”.
Con eúdos: Enume ação dos assun os que são abo dados du an e a a i idade,
nomeadamen e: elemen os do pa imónio cul u al e na u al; emas da his ó ia ge al/nacional
e da his ó ia egional/local; aspe os associados ao e i ó io e à paisagem; e ou os.
Tipo – In eg ação da a i idade num conjun o, de aco do com ca a e ís icas comuns:
Visi a guiada: Pe cu so na ua, o ien ado po um moni o . Pode inclui uma a iedade de
dinâmicas que são desc i as no campo Desc ição.
Sessão emá ica com jogo: A i idade compos a po duas pa es: eó ica, com exposição de um
ema e diálogo o ien ado pelo moni o ; e p á ica, com um jogo no qual odos os alunos
pa icipam.
51
Sessão emá ica com o icina: Sessão emá ica em que a pa e p á ica esul a num p odu o inal
execu ado pelos pa icipan es.
A i idade de explo ação de um espaço: A i idade que en ol e uma es a égia lúdica pa a os
pa icipan es aze em o econhecimen o de um espaço pa imonial.
A i idades de expe ienciação: A i idade compos a po á ias á eas de ca ác e expe iencial,
nas quais os pa icipan es ealizam a e as c ia i as e/ou p odu i as.
P og ama compos o: A i idade com um p og ama que pode inclui di e sos ipos de
a i idades.
Desc ição: Enunciado dos p incipais acon ecimen os que êm luga no desen ola da
a i idade e das ações ealizadas pelos pa icipan es.
Ma e iais: Ma e iais necessá ios pa a ealiza a a i idade. Em alguns casos, quando as
a i idades eque em g ande quan idade e di e sidade de ma e iais, são indicados apenas os
indispensá eis ou p incipais.
Local: Re e e-se ao local onde a a i idade se ealiza habi ualmen e:
CAA: Nas ins alações do Cen o de A queologia de Almada.
Escolas: Nas ins alações de uma escola ou nas salas de aula.
Equipamen o: Num equipamen o público.
Ruas: Desc ição do pe cu so ealizado du an e a a i idade.
Tipo de Espaço: Re e e-se ao espaço onde a a i idade se ealiza habi ualmen e.
In e io : Em espaço cobe o.
Ex e io : Ao a li e.
Ambos: A a i idade em uma pa e que se ealiza em espaço cobe o e ou a pa e ao a li e.
Indi e en e: A a i idade pode ealiza -se que em espaço in e io , que no ex e io .
Du ação: Núme o de minu os p og amados pa a a a i idade.
52
Nº de Moni o es
122
: Núme o mínimo de pessoas com o mação especí ica que são
necessá ias pa a desen ol e a a i idade.
Obse ações: Campo sem con eúdo de inido. Usado pa a ac escen a in o mação
conside ada ele an e ou in e essan e.
II. Ligações aos Cu ículos de Ensino
Des ina á ios: Ní el de ensino a que se des ina a a i idade.
Ap endizagens Essenciais: Enume ação das ap endizagens apon adas pelo Minis é io
da Educação como essenciais em cada á ea do sabe e ní el de ensino, cujos domínios são
ocados pela a i idade.
Á eas de Compe ências: Enume ação das á eas de compe ências de inidas no
documen o Pe il dos Alunos à saída da Escola idade Ob iga ó ia. Assinalam-se aquelas que
se conside am passí eis de desen ol e pelos pa icipan es du an e a ealização da a i idade.
Ações dos Alunos: Exposição das ações ealizadas pelos pa icipan es que e idenciam
a possibilidade de desen ol e as compe ências assinaladas.
Pa a a ca a e ização das a i idades ealizou-se o p eenchimen o das ichas de
in en á io. A análise dos dados aí ecolhidos e sis ema izados se ão analisados seguidamen e.
4.2. Pe íodo de Realização
Fo am egis adas no in en á io as da as de início e ence amen o das a i idades, o que
pe mi e sabe quan os anos es i e am a i as. Na abela 1 podemos e , po o dem
c onológica, a lis a de odas as a i idades conside adas, a da a de início e de ence amen o de
cada uma, bem como o núme o de anos de con inuidade que ap esen a am.
122
No as à e minologia usada: pa a acili a a lei u a op ou-se po não aze dis inção de géne o. A pala a
“moni o ” e e e-se à pessoa que dinamiza a a i idade, seja homem ou mulhe . O mesmo se aplica a “aluno” e
“p o esso ”, po exemplo.
53
Designação
Da a de
início
Da a da
úl ima
Ação
Nº de anos
Romanos no Vale do Tejo
1998
2014
17
Os P imei os Po oado es
1998
2016
19
Almada Velha, uma Visi a Guiada
1998
2018
21
Vamos Explo a a Co a da Piedade
2002
2018
17
Desa io em Cacilhas - Sessão
2003
2018
16
Desa io em Cacilhas - Visi a
2003
2018
16
Pe eg inação no P agal
2004
2018
15
Ago a eu e a o Rei
2007
2018
12
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança
2010
2018
9
Vozes da Resis ência
2010
2018
9
Á abes aqui ão pe o
2011
2018
8
Campo de Simulação A queológica
2011
2018
8
Vidas de Fáb ica
2011
2018
8
Aldeia P é-His ó ica
2012
2018
7
O Pa imónio da Cos a
2007
2012
6
De e i es da His ó ia nos Capuchos
2010
2015
6
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
2013
2017
5
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
2013
2017
5
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a
2013
2017
5
À Descobe a dos Dinosau ia
2014
2018
5
Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica
2014
2018
5
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
2014
2018
5
Do Egi o a Almada
2014
2018
5
Fe não Mendes Pin o
2014
2018
5
O Dia da Reconquis a
2014
2018
5
À P ocu a da Janela da Ca ochinha
2015
2018
4
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba
Fóssil da Cos a de Capa ica
2002
2004
3
Descob e o Cen o His ó ico de Co uche
2007
2009
3
Olimpíadas da A queologia
2013
2015
3
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
2013
2015
3
Dias do Pão
2016
2018
3
Romaniza e
2016
2018
3
Um Passeio em Alcoche e
2001
2002
2
Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es
2004
2005
2
O Pa imónio da Capa ica
2011
2012
2
A queologia na Escola
2012
2013
2
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
2017
2018
2
Pa imónio em Almada
1998
1998
1
Ginjalma - Explo ação didá ica
2002
2002
1
A en u a no Pa imónio
2004
2004
1
De e i es da His ó ia nos Zagallos
2011
2011
1
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
2011
2011
1
Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a
2016
2016
1
Faz- e à T adição
2016
2016
1
Onde es á o Azulejo
2017
2017
1
54
Quo idianos no Con en o
2017
2017
1
Fósseis na Quin a
2018
2018
1
Tabela 1 – A i idades c iadas no CAA en e 1998 e 2918 (po o dem c onológica da da a de início)
No conjun o es udado há 10 a i idades que se ealiza am apenas du an e um ano. As
ou as 37 pe manece am a i as en e dois e in e anos, com uma média de seis anos de
con inuidade. A a i idade com um pe íodo de ealização mais longo é “Almada Velha, uma
Visi a Guiada”, ealizada du an e in e anos, o que demons a bom acolhimen o po pa e dos
p o esso es, que man i e am o in e esse e con inua am a solici a a sua ealização. O a o
mais impo an e a salien a na análise do pe íodo de ealização é o ca ác e de con inuidade
das a i idades. Esse aspe o indicia consis ência no abalho desen ol ido pelo depa amen o
pedagógico do CAA. Pa alelamen e, o ac o de se em c iadas no as a i idades com
egula idade, enquan o ou as deixam de se ealizadas, mani es a alguma cons ância na
a ualização da o e a educa i a.
4.3. Te i ó io Ab angido
Conside a-se que um e i ó io é ab angido numa a i idade quando os con eúdos
abo dados dizem espei o a esse e i ó io em pa icula . Assim, en e as 47 a i idades
educa i as in en a iadas, há 41 ela i as ao concelho de Almada, 2 espei an es a ou os
concelhos (Alcoche e e Co uche) e 4 em que o ema p incipal ab ange con ex os geog á icos
ans e sais a di e sas egiões do mundo, como é o caso de a i idades sob e dinossau os ou
sob e a his ó ia da habi ação.
Tendo em is a os obje i os do abalho, embo a enham sido ca ac e izadas odas as
47 a i idades in en a iadas, passamos a analisa apenas as 41 cujos con eúdos se ocam no
concelho de Almada. Essas a i idades ab angem odas as eguesias do concelho, exce o a do
La anjei o, como cons a no g á ico 5:
55
G á ico 5 - F eguesias con empladas nas a i idades
A abela 2 mos a quais são as a i idades e e en es a cada eguesia:
F eguesias
A i idades
Almada
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Ago a eu e a o Rei
Do Egi o a Almada
Ginjalma - Explo ação didá ica
O Dia da Reconquis a
Cacilhas
Desa io em Cacilhas - Sessão
Desa io em Cacilhas - Visi a
Capa ica
Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica
Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es
O Pa imónio da Capa ica
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a
Quo idianos no Con en o
Cha neca da Capa ica
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Cos a da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Co a da Piedade
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Feijó
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
P agal
Fe não Mendes Pin o
Pe eg inação no P agal
Sob eda
De e i es da His ó ia nos Zagallos
0
1
1
1
2
2
2
3
3
5
7
14
0246810 12 14 16
La anjei o
Cha neca
Cos a da Capa ica
Feijó
Cacilhas
P agal
T a a ia
Sob eda
Co a da Piedade
Almada
Capa ica
Vá ias
Nº de A i idades
F eguesias
56
Onde es á o Azulejo?
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
T a a ia
Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a
Fósseis na Quin a
Vá ias
Aldeia P é-His ó ica
Á abes aqui ão pe o
A en u a no Pa imónio
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a
da Capa ica
Campo de Simulação A queológica
Dias do Pão
De e i es da His ó ia nos Capuchos
Faz- e à T adição
Os P imei os Po oado es
Pa imónio em Almada
Romaniza e
Romanos no Vale do Tejo
Vidas de Fáb ica
Vozes da Resis ência
Tabela 2 – Dis ibuição das a i idades pelas eguesias do concelho de Almada
Há 14 a i idades cujos con eúdos aba cam á ias eguesias. Cen ando-se embo a no
concelho de Almada, abo dam emas sup a- e i o iais (como a p é-his ó ia, a omanização, a
ocupação muçulmana, a indus ialização) ou epo am a á eas geog á icas com egime de
ci cunsc ição di e enciada, como a Á ea da Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica. A Capa ica é a eguesia com maio núme o de a i idades, seguida de Almada. Em
e mos his ó icos, a p imei a oi o cen o do espaço u al e a segunda o núcleo u bano mais
impo an e, si uações que jus i icam o núme o de a i idades com elas elacionadas. Na mesma
linha, a Co a da Piedade, com 3 a i idades, oi o cen o indus ial do concelho no século XIX.
Na Sob eda si ua-se o sola dos Zagallos, elemen o impo an e do pa imónio local que
jus i ica duas das ês a i idades ealizadas nessa eguesia. O caso da T a a ia é idên ico, pois
as a i idades acon ecem numa zona com in e esses especí icos: a 2ª ba e ia da Raposei a e a
Quin a do Bonapa e. O P agal exibe ma cas da e olução his ó ica do e i ó io, da u alidade
pa a a u banidade, de g ande in e esse a ní el de educação pa imonial. Em Cacilhas, as duas
a i idades são complemen a es e ocam o ca á e ibei inho do luga , c ucial na ligação a
Lisboa e ao sul do país. Na Cha neca e na Cos a, as a i idades dizem espei o a odo o e i ó io
das eguesias; já no Feijó, exis e apenas um pe cu so à ol a da escola que, po an o, se cinge
a essa á ea es i a.
57
Des acam-se de seguida as a i idades que, ela i amen e a cada eguesia, mais se
dedicam à explo ação didá ica desse e i ó io em pa icula . Na Capa ica dis inguem-se os
ês “Pe cu sos à Vol a da Escola”, ealizados nos luga es do Raposo, Mon e e Vila No a. São
a i idades alice çadas nos mic o e i ó ios en ol en es às escolas, que explo am aspe os
locais acilmen e obse á eis pelos pa icipan es, desde paisagens abe as a de alhes
cons u i os e elemen os na u ais, po exemplo. No Feijó, a única a i idade egis ada é
ambém um pe cu so à ol a da escola, com obje i os semelhan es. Em Almada, Co a da
Piedade, P agal e Cacilhas, me ecem des aque pela pe ceção e i o ial que desencadeiam, os
pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a Guiada”, “Ago a eu e a o Rei”, “Vamos Explo a a
Co a da Piedade”, “Desa io em Cacilhas” e “Pe eg inação no P agal”. Ac escen e-se a essa
seleção “O Dia da Reconquis a”, que apela à in e p e ação da paisagem undado a de dois
e i ó ios sepa ados pelo io Tejo: a no e, Lisboa; a sul, Almada. Na Sob eda, Cha neca e
Cos a da Capa ica, não são pe cu sos no ex e io , mas sim sessões em sala que a am aspe os
do e i ó io local. Não p opo cionam, po an o, o con ac o di e o com ele. “Sob eda, His ó ia
e Pa imónio”, “Cha neca da Capa ica – Pa imónio” e “O Pa imónio da Cos a” são
a i idades mui o ocadas nas espe i as eguesias, expondo as pa icula idades da his ó ia
local e as e idências da elação en e pessoas e meio a a és do empo. Po úl imo, na T a a ia,
des acamos a a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”. Realiza-se num local
p i ilegiado no que oca a pe cebe a adequação de um e i ó io a de e minadas unções, nes e
caso a de esa mili a .
En e as a i idades cujos con eúdos ab angem á ias eguesias, me ece pa icula
des aque “De e i es da His ó ia nos Capuchos”, que abo da agmen os da his ó ia de Almada
a pa i de es ígios a queológicos descobe os em á ias zonas do e i ó io. A a i idade
inclui uma peça de ea o que jun a duas pe sonagens, um a queólogo e um de e i e, num
cená io eple o de caixas de ca ão iden i icadas com nomes de eguesias ( o o 1). Os obje os
que ão sendo e i ados das caixas, em conjun o com imagens p oje adas e as alas dos a o es,
ansmi em in o mação ace ca do passado local.
4.4. Con eúdos Abo dados
Pa a a especi icação dos con eúdos abo dados nas a i idades e a análise do modo como
se ealiza a sua ansposição didá ica, oi ealizado um le an amen o sis emá ico nos guiões
64
De en e o pa imónio imó el que in eg a os con eúdos das a i idades, as escolas são
um conjun o que susci a bas an e in e esse nos alunos, pois es ão mui o p esen es no seu
quo idiano. Obse a o edi ício an igo le a a explica como e a o ensino, compa ando modos
de ida na in ância em di e en es épocas. São mencionados aspe os signi ica i os pa a as
c ianças, como a sepa ação po sexos e a ausência de casa de banho (“Pe eg inação no
P agal”) ou o anal abe ismo (“Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e”). Se à obse ação do
edi ício es i e associada a o og a ia de uma u ma, su gem ou as on es pa a o
conhecimen o da sociedade no passado, como a oupa e o calçado usados pelas c ianças
(“Vamos Explo a a Co a da Piedade”). A ci cuns ância em que se cons uiu uma escola az
ambém pa e do ol de in o mações ansmi idas. O guião da a i idade “Pe cu so à ol a da
Escola – Mon e” comen a que a escola equen ada pelos pa icipan es az pa e do Plano dos
Cen ená ios
130
e explica b e emen e o que oi esse plano. Na isi a “Vamos Explo a a Co a
da Piedade” ac esce in o mação ace ca do a qui e o esponsá el pelo p oje o do edi ício: “O
a qui e o Adão Be mudes pa icipou num concu so com o p oje o des a escola e ganhou. Foi
a p imei a escola pública da Co a da Piedade”
131
. Es e ipo de in o mação não e á mui o
in e esse pa a as c ianças, con udo, na medida em que es á egis ada num guião publicado,
que ica disponí el nas escolas e é le ado pa a casa, cons i ui ma e ial de apoio e o mação
pa a p o esso es e amilia es adul os.
e) Edi ícios Religiosos
Ig ejas
CPCCA
A i idades
Capela de Nossa Senho a do
Li amen o
IMOV 0019
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Capela de San o An ónio (Sola dos
Zagallos)
IMOV 0112
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
De e i es da His ó ia nos Zagallos
Onde es á o Azulejo?
Capela de San o An ónio do Caiado
(Sola dos Zagallos)
IMOV 0112
De e i es da His ó ia nos Zagallos
Onde es á o Azulejo?
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
130
Plano de cons ução de escolas a ní el nacional, le ado a cabo pelo go e no do Es ado No o en e 1941 e
1969. O nome e e e-se ao oi a o cen ená io da independência de Po ugal e ao e cei o cen ená io da es au ação
da independência, comemo ados em 1943 e 1940 espe i amen e.
131
GONÇALVES, Elisabe e (2015). Vamos Explo a a Co a da Piedade. A i idade de Educação Pa imonial
concebida pelo Cen o de A queologia de Almada. Almada: Jun a da União das F eguesias de Almada, Co a da
Piedade, P agal e Cacilhas, p. 15.
65
Capela de São Tomás de Aquino
IMOV 0017
O Pa imónio da Capa ica
Pa imónio em Almada
Capela do Senho dos Passos (Sola
dos Zagallos)
IMOV 0112
De e i es da His ó ia nos Zagallos
Onde es á o Azulejo?
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
E mida de Nossa Senho a Mãe de Deus
e dos Homens
IMOV 0011
Pe eg inação no P agal
E mida de São F ancisco de Ma os
IMOV 0005
Educação Pa imonial no Colégio
Campo de Flo es
E mida do Bom Pas o
IMOV 0152
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Ig eja da Sag ada Família
IMOV 0016
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila
No a
Ig eja de Nossa Senho a da Conceição
IMOV 0007
O Pa imónio da Cos a
Ig eja de Nossa Senho a da Piedade
IMOV 0013
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Ig eja de Nossa Senho a do Bom
Sucesso (Cacilhas)
IMOV 0025
Desa io em Cacilhas - Sessão
Desa io em Cacilhas - Visi a
Ig eja de Nossa Senho a do Bom
Sucesso (Po o B andão);
IMOV 0029
O Pa imónio da Capa ica
Ig eja de Nossa Senho a do Mon e
IMOV 0026
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
O Pa imónio da Capa ica
Ig eja de San iago
IMOV 0010
O Dia da Reconquis a
Ig eja do Imaculado Co ação de Ma ia
IMOV 0012
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Ig eja Ma iz de Nossa Senho a do
Li amen o
IMOV 0142
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
San uá io do C is o-Rei
IMOV 0023
Pe eg inação no P agal
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Con en os
CPCCA
A i idades
Con en o de Nossa Senho a da Rosa
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia
da Mudança
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Con en o de São Domingos
IMOV 0180
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia
da Mudança
Con en o de São Paulo
IMOV 0024
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia
da Mudança
Con en o do Agos inhos Descalços
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia
da Mudança
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Con en o dos Capuchos
IMOV 0006
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia
da Mudança
Caça ao Tesou o na A iba Fóssil da
Cos a da Capa ica
O Pa imónio da Capa ica
Quo idianos no Con en o
Tabela 7 – Edi ícios eligiosos abo dados nos con eúdos das a i idades
66
Os con eúdos e e en es a pa imónio eligioso epo am-se a edi ícios pa a o cul o
ca ólico, nomeadamen e ig ejas, capelas, e midas e o san uá io do C is o Rei, bem como a
con en os de o dens eligiosas masculinas. São, eg a ge al, imó eis p oeminen es e
econhecidos pelas comunidades como pa imónio. Em algumas a i idades a in o mação
sob e o edi ício é b e e, como no caso das ig ejas e e idas nas sessões sob e o pa imónio de
de e minada eguesia (Sob eda, Cha neca, Capa ica e Cos a). Nou as a i idades su ge uma
his ó ia associada ao edi ício ou uma in o mação que possa a i a o in e esse das c ianças. A
esse p opósi o ci amos o guião “Pe eg inação no P agal”: “Quando se a a essa a Pon e 25 de
Ab il en a-se no Sul de Po ugal. Sabes qual é uma das p imei as coisas que se ê? É es a
ig eja!”
132
. No mesmo local é apon ado o C is o Rei que, apesa de se o elemen o pa imonial
mais conhecido de Almada, é e e ido apenas nes a a i idade e no “Pe cu so à Vol a da Escola
– Raposo”, e somen e pa a se descobe o na paisagem, sem ou a in o mação. Às Ig ejas de
Cacilhas e Co a da Piedade es ão associadas lendas que se ão e e idas no âmbi o do
pa imónio ima e ial. Na Ig eja do Mon e de Capa ica e nas Capelas do Sola dos Zagallos a
ên ase es á na azuleja ia, que ambém se á a ada mais à en e.
A a i idade “Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es” deu a conhece aos
pa icipan es a E mida de São F ancisco de Ma os, que pe encia à mesma p op iedade do
Colégio. No âmbi o da a i idade oi possí el le á-los ao local, habi ualmen e in e di o aos
alunos ( o o 5). Nessa ocasião cons a ou-se o desapa ecimen o do echeio compos o po
azulejos, imagem do san o e ex- o os, an e io men e egis ado pelo CAA. A a és das
o og a ias a qui adas no cen o de documen ação, os pa icipan es pude am comp eende
aspe os da i ência eligiosa naquele espaço ão p óximo.
Todos os con en os e e enciados na his ó ia de Almada são e e idos na sessão
emá ica “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança”, a p opósi o da ex inção das
o dens eligiosas que se seguiu à i ó ia dos Libe ais, po ém, a a i idade não ap o unda
con eúdos ace ca dos edi ícios.
A a i idade “Quo idianos no Con en o”, concebida pa a o Con en o dos Capuchos
des aca-se po se a única que explo a in ensamen e o in e io de um edi ício
133
. O obje i o da
a i idade é pe ceciona as i ências dos seus ocupan es no con ex o da unção con en ual. A
132
GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 14.
133
A conceção da a i idade soco eu-se de uma das poucas on es documen ais disponí eis, o ac-símile dos
Es a u os da p o íncia de San a Ma ia da A ábida, publicados em 1698. Uma cópia digi al oi gen ilmen e
cedida pelo Dou o João Fon es pa a es e e ei o.
67
lei u a do edi icado con ibui pa a aze eme gi na imaginação dos pa icipan es as emoções
de quem o habi ou. U ilizam-se na a i idade á ias zonas do imó el, cada uma das quais
associada a um domínio da ida dos ades: o claus o eme e pa a a clausu a; a capela pa a a
o ação; a cozinha pa a a ugalidade; o e ei ó io pa a a comunidade; o do mi ó io pa a a
pob eza. A ci culação en e os espaços pe co e os aje os dos ades, po exemplo o pe cu so
en e a cela e o co o nas ho as li ú gicas.
) Cole i idades
Cole i idades
CPCCA
A i idades
Clube Rec ea i o e Ins ução
Sob edense
IMOV 0251
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Clube Rec ea i o Raposense
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Clube Rec ea i o União e Cap icho
IMOV 0233
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
Coope a i a de Consumo P agalense
IMOV 0101
Pe eg inação no P agal
Sociedade Fila mónica Inc í el
Almadense
IMOV 0093
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Sociedade Filá mónica União
A ís ica Piedense
IMOV 0002
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Sociedade Rec ea i a Es elas do
Feijó
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
Sociedade Rec ea i a União
P agalense
IMOV 0099
Pe eg inação no P agal
Tabela 8 – Cole i idades abo dadas nos con eúdos das a i idades
O associa i ismo, como imos em capí ulo an e io , é conside ada uma ma ca da
iden idade almadense. Nas a i idades são mencionadas oi o cole i idades. Des acamos dois
casos em que são e e idas com maio ealce. No pe cu so “Almada Velha, uma isi a
Guiada”, jun o à casa onde oi undada a Sociedade Fila mónica Inc í el Almadense, um
pa icipan e lê no ex o da sua pe sonagem, o músico: “Eu e a anoei o e desde que su giu a
Inc í el com a sua ila mónica, oquei a abe na, onde passa a algumas ho as, pela sede da
cole i idade, onde me dediquei à música”
134
. Na mesma página do guião pode le -se ainda:
“Nas associações, as pessoas êm opo unidade de desen ol e uma sociedade mais jus a e
134
GONÇALVES, Elisabe e; CRISTO, An ónio (2010). Almada Velha, uma Visi a Guiada, 4ª edição. Almada:
Câma a Municipal de Almada, p. 14.
68
equilib ada”. O con eúdo apon a, desse modo, pa a uma ap eciação da impo ância social das
associações e do papel cul u al e educa i o que i e am, em pa icula no ensino da música
135
.
Ou a cole i idade cen ená ia, a Sociedade Fila mónica União A ís ica Piedense
(SFUAP), é mo i o pa a um cu o inqué i o de ua le ado a cabo pelos pa icipan es da
a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade”. Nas imediações da a ual sede, são desa iados
a pe gun a a alguém que po ali passe que a i idades se podem p a ica na SFUAP. A a uação
da cole i idade é assim azida à ealidade conc e a dos alunos e incen i a a pa ilha en e
colegas, pois alguns p a icam ali alguma modalidade despo i a ou equen am aulas de
ins umen o.
g) Ins alações Indus iais
Ins alações Indus iais
CPCCA
A i idades
Es alei o do Po o B andão
(Monumen o de In e esse Municipal)
IMOV 0253
O Pa imónio da Capa ica
Fáb ica da pól o a de Vale Milhaços
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de ce âmica de Palença
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de ce âmica do Sul
IMOV 0207
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Fáb ica de conse as do Po o
B andão
IMOV 0058
O Pa imónio da Capa ica
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de co iça Bucknall
IMOV 0056
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
Fáb ica de moagem do Ca amujo
(Imó el de in e esse Público)
IMOV 0055
Ba alha da Co a da Piedade, a
Vi ó ia da Mudança
Vidas de Fáb ica
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
Fáb ica de sabão da A ábida
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de ecidos da A en ela
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de id os da Amo a
Vidas de Fáb ica
Fáb ica de co iça Munde
Vidas de Fáb ica
Tabela 9 – Ins alações indus iais abo dadas nos con eúdos das a i idades
Fala da his ó ia de Almada nos séculos XIX e XX implica necessa iamen e aze
e e ência às áb icas aqui ins aladas. A a i idade “Vidas de Fáb ica” é a que mais se dedica
135
COSTA, Ana; LUZIA, Ângela; JULIÃO, José (2007). Associa i ismo e Cidadania. Ca álogo da Exposição
sob e o Mo imen o Associa i o em Almada. Museu da Cidade, ou ub o 2006 - junho 2007. Almada: Câma a
Municipal de Almada.
69
a essa emá ica. Po es a ocacionada pa a assun os de his ó ia egional em pa alelo com a
his ó ia ge al, se á analisada nou o capí ulo. Pa a ques ões ela i as ao pa imónio imó el
des acamos aqui o pe cu so “Ao Encon o do Tempo das Fáb icas”. Es a isi a guiada ealiza-
se no an igo cen o indus ial de Almada, a zona do Ca amujo, Co a da Piedade, onde se
ins ala am algumas das mais impo an es unidades de p odução a ní el egional
136
. É possí el
obse a ao longo do pe cu so a paisagem edi icada que eme e pa a a indus ialização naquela
zona. A mazéns, o icinas, habi ação e ou as es u u as abandonadas e deg adadas cons i uem
hoje o que es a da an iga labo ação ab il ( o o 6). Podemos, ainda assim, eco e à
imaginação pa a e a azá ama das uas e alguns de alhes são e idências do passado, po
exemplo, os ca is dos agões que anspo a am a co iça. O acesso lu ial que a aiu a
indús ia naquela época ambém já não exis e, de ido ao a e o que ala gou a Base Na al do
Al ei e. Mesmo assim, os jo ens isi an es conseguem encon a ma cas do an igo cais. T a a-
se, pois, de uma a i idade que p omo e o con ac o com o pa imónio indus ial genuíno, que
du an e o pe íodo de ealização da a i idade não oi al o de es au o nem eu ilização.
Po im, uma b e e e e ência ao Es alei o do Po o B andão, que oi o p imei o plano
inclinado ins alado em Po ugal, em 1865, e é o mais ecen e elemen o pa imonial
classi icado no concelho
137
. Na a i idade “O Pa imónio da Capa ica” é ap esen ado a
p opósi o das a i idades adicionais na en e ibei inha da eguesia, conc e amen e a
cons ução na al.
h) Ins alações Mili a es
Ins alações Mili a es
CPCCA
A i idades
2ª Ba e ia da Raposei a
IMOV 0210
Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a
Fo e de San a Luzia
IMOV 0202
Desa io em Cacilhas
Cas elo de Almada
IMOV 0193
O Dia da Reconquis a
To e Velha/To e de São Sebas ião
(Monumen o Nacional)
IMOV 0034
O Pa imónio da Capa ica
Tabela 10 – Ins alações mili a es abo dadas nos con eúdos das a i idades
136
CUSTÓDIO, Jo ge (1995). “Almada Minei a, Manu ac u ei a e Indus ial II” in Al-Madan, nº 4, IIª sé ie.
Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 128-139.
137
Classi icado como Monumen o de In e esse Municipal, DR, 2.ª sé ie, n.º 104 de 28 maio 2021.
70
De ido à posição geog á ica que ocupa, num luga ele ado, na ma gem opos a à
capi al do país, na oz do io Tejo e em en e ao ma , Almada desempenhou ao longo da
his ó ia um impo an e papel geoes a égico. Fo am á ias as campanhas de de esa que
in es i am em in aes u u as mili a es nes a ma gem
138
.
Dos imó eis e e enciados na abela, apenas a 2ª Ba e ia da Raposei a, que in eg a a
o Campo En inchei ado de Lisboa (1893) é acessí el. Embo a mui o deg adado, man ém ês
peças de a ilha ia que apon a am ao oceano A lân ico e à ba a do Tejo. A a i idade “Caça
ao Tesou o no Fo e da Raposei a” op ou po con eúdos à ma gem da dimensão bélica que lhe
es á associada, pegando em ez disso num episódio his ó ico ali oco ido pa a abo da emas
mais p óximos do dia a dia dos pa icipan es. O ac o é que a 17 de ab il de 1901 se ez nesse
local a p imei a expe iência de ele onia sem ios (TSF) ealizada em Po ugal. A a i idade
assen a no concei o de missão pa a es abelece as comunicações e as dinâmicas p opos as
passam po expe imen a di e sas o mas de comunica ( o o 7). A a i idade e mina com a
o e a de blocos de papel e pedaços de ca ão e o ex o: “Quando es e o e icou p on o, em
1902, não ha ia ele isão e mui o menos elemó el. A mensagem oi en iada de ou o o e,
em Lisboa, e ecebida nes e com g ande en usiasmo. Po mais que a ecnologia nos ap oxime,
con inua a se possí el comunica sem es a ligado à ede. Usa es e bloco pa a esc e e um
sms”
139
. Em e mos de educação pa imonial, o que se que e idencia é a opo unidade que o
pa imónio concede de a a uma di e sidade de con eúdos, nem semp e os mais ób ios.
i) Quin as
Quin as
CPCCA
A i idades
Quin a da Fo miga
Pa imónio em Almada
Quin a da Geno eza
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Quin a da G aciosa
IMOV 0118
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Quin a da Rega ei a
IMOV 0152
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Quin a da To e
IMOV 0144
Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica
O Pa imónio da Capa ica
Pa imónio em Almada
Quin a da U aca
IMOV 0230
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
138
SOUSA, R. H. Pe ei a de (1981). Fo alezas de Almada e seu Te mo. Almada: A qui o His ó ico Municipal.
139
Tex o da úl ima pis a da a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”. Cen o de A queologia de
Almada, 2016.
71
Quin a das Cha es
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila
No a
Quin a de An ónio José Gomes
IMOV 0002
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Quin a de Cas elo Picão
IMOV 0134
Pa imónio em Almada
Quin a de Cima
IMOV 0196
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Quin a de Monse a e
IMOV 0113
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Quin a de Mon al ão ou de Al azina
e Mi adou o de Al azina
IMOV 0132
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Quin a de Nª. S a. da Boa Espe ança
IMOV 0123
Pa imónio em Almada
Quin a de Nª. S a. da Piedade
Pa imónio em Almada
Quin a de Palença
IMOV 0157
Fe não Mendes Pin o
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Quin a de São José
IMOV 0163
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Quin a de São Ped o
IMOV 0199
Pe eg inação no P agal
Quin a do B asilei o
IMOV 0130
Pa imónio em Almada
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
Quin a do Co iço
IMOV 0165
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Quin a do Ginjal
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
Quin a do Laga
IMOV 0158
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Quin a do Laza im
IMOV 0121
Educação Pa imonial no Colégio
Campo de Flo es
Quin a do Vale do To ão
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
Quin a e C uzei o de Vale Rosal ou
dos 40 Má i es
IMOV 0114
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Tabela 11 – Quin as abo dadas nos con eúdos das a i idades
As quin as são as es u u as ag á ias ca ac e ís icas de Almada. Unidades de p odução
ligadas à explo ação do solo, cons i uem um impo an e es emunho da paisagem u al que
ca a e izou a egião a é ao século XIX. Incluem e enos ag ícolas e habi ação, bem como, de
modo a iá el, abegoa ia, es u u as de a mazenamen o e p ocessamen o dos p odu os
(adegas, laga es de inho e azei e, moinhos), poços e anques, zonas de laze e uição, locais
de cul o (capelas e e midas p i adas).
Nas a i idades educa i as do CAA são e e idas 24 quin as, núme o que supe a o de
qualque ou a ca ego ia pa imonial conside ada. Algumas a i idades ap esen am as quin as
exis en es num de e minado e i ó io. Po exemplo, a sessão “Sob eda, His ó ia e Pa imónio”
nomeia e mos a imagens das quin as exis en es na eguesia. Na sessão “Cha neca da
Capa ica – Pa imónio” incluem-se ambém as quin as man idas apenas como opónimo de
u banizações iden i icá eis num mapa. Nos pe cu sos à ol a da escola, as quin as são
ine i a elmen e in eg adas no conjun o de elemen os obse ados.
72
A a i idade em des aque pela o ma como abo da con eúdos elacionados com quin as
é a sessão “O Pa imónio da Capa ica”. O ganiza-se em g andes emas, sendo um deles a
his ó ia u al daquela que oi a maio eguesia do concelho: ab angia oda a sua á ea não
u bana. No âmbi o do ema é e e ida a e ilidade dos solos, pois é na zona da Capa ica que
se encon am as e as mais é eis do concelho. Mos am-se ho as, poma es e sea as que
ainda exis em, elacionando es as úl imas com os moinhos de en o dispe sos pela paisagem.
A inha, que oi a p incipal cul u a a é ao século XIX e que desapa eceu de ido à iloxe a, é
associada aos laga es exis en es na maio ia das quin as, bem como à anoa ia, o ício já ex in o.
A a i idade não enume a quin as, apesa de se na Capa ica que se elas localizam em maio
núme o, an es as in eg a no âmbi o mais la o do pa imónio u al. Des aca apenas a Quin a da
To e, p op iedade de g ande impo ância na his ó ia local, sede de mo gadio dos Condes dos
A cos.
j) Moinhos e Laga es
Moinhos
CPCCA
A i idades
Moinho da Anunciada
IMOV 0078
Pa imónio em Almada
Moinho da G anja
IMOV 0068
O Pa imónio da Capa ica
Moinho dos Buxos
IMOV 0074
O Pa imónio da Capa ica
Moinho da Rega ei a
IMOV 0081
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Moinho da Vigia
IMOV 0079
O Pa imónio da Capa ica
Moinho de Pê a
IMOV 0067
O Pa imónio da Capa ica
Moinho do Baú e
IMOV 0069
Educação Pa imonial no Colégio Campo de
Flo es
IMOV 0069
O Pa imónio da Capa ica
Moinho do Bacelinho
IMOV 0075
Pe eg inação no P agal
Moinho do Raposo
IMOV 0072
O Pa imónio da Capa ica
Moinho do Raposo 1
IMOV 0076
Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo
Moinhos de Almada (em
ge al)
Dias do Pão
Laga es
CPCCA
A i idades
Laga da Quin a de Cas elo
Picão
Pa imónio em Almada
Laga da Quin a das Cha es
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a
Laga da Quin a do Laga
Sob eda - His ó ia e Pa imónio
Laga es sem iden i icação
O Pa imónio da Capa ica
Tabela 12 – Moinhos e laga es abo dados nos con eúdos das a i idades
73
Além das quin as, o am incluídas nos con eúdos das a i idades ou as es u u as
u ais, como moinhos e laga es. No “Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo”, que se ealiza no
bai o social PIA – Plano In eg ado de Almada e sua en ol en e, as c ianças isi am as
es u u as a uinadas de dois moinhos de en o
140
, ep esen an es do conjun o de in e que
ainda se podem obse a no concelho de Almada. Si uadas em locais al os, es as es u u as
p é-indus iais de moagem e am undamen ais pa a o p ocessamen o dos ce eais, uma das
cul u as ag ícolas que, a pa da inha, es e e em des aque a é ao século XIX.
A a i idade “Dias do Pão” abo da os moinhos de o ma mui o di e en e. Um
espe áculo de ma ione as le a o público numa iagem do empo e mos a um moinho em
uncionamen o ( o o 8). A his ó ia ala de moagem adicional, mas ambém de alimen ação
e desen ol imen o sus en á el.
Nou o “Pe cu so à Vol a da Escola”, na Vila No a, os pa icipan es obse am as
ca a e ís icas de um an igo laga , pe encen e à Quin a das Cha es. Cons a am, po exemplo,
que as janelas do edi ício são pequenas, pa a e i a que a en ada de luz e calo de e io e o
inho.
k) A qui e u a T adicional
A qui e u a adicional
CPCCA
A i idades
Edi ício nº 24 da Rua Bulhão Pa o,
Almada
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Casa u al não iden i icação, Capa ica
O Pa imónio da Capa ica
Casa u al não iden i icada, Vila No a
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila
No a
Casa u al não iden i icada, Cha neca
Cha neca de Capa ica - Pa imónio
Tabela 13 – A qui e u a adicional abo dada nos con eúdos das a i idades
140
Inicialmen e e am ês moinhos - Raposo I, Raposo II e Raposo III - sendo o p imei o demolido du an e o
pe íodo de ealização des a a i idade. O in en á io moinhos de en o do concelho de Almada es á publicado em:
SILVA, F ancisco (2010). “Moinhos de Ven o do Concelho de Almada” in Anais de Almada Re is a Cul u al,
nº 11 – 12. Almada: Câma a Municipal de Almada, p. 139-171.
80
pe gun a, comp o ando dessa o ma a descobe a dos azulejos ( o o 11). A mon agem do
puzzle exige uma obse ação a en a da imagem ep esen ada; a busca le a a conhece o espaço
e a azuleja ia; a lei u a do ex o em busca de espos a o ien a o olha sob e o pa imónio de
um p isma suplemen a .
p) Ob as de A e Pública
Ob as de A e Pública
A i idades
Bus o de An ónio José Gomes
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Bus o de Elias Ga cia
Desa io em Cacilhas - Visi a
Bus o do Pad e Bal aza na Cos a de Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Bus o do Pad e Bal aza no Mon e de Capa ica
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
Escul u a "P imei o as C ianças"
Desa io em Cacilhas - Visi a
Es á ua de Fe não Mendes Pin o
Pe eg inação no P agal
Fe não Mendes Pin o
Homenagem ao Ma inhei o Insubmisso
Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó
Monumen o à Mul icul u alidade
Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo
Mu al "E ocação de Fe não Mendes Pin o"
Pe eg inação no P agal
Fe não Mendes Pin o
Planis é io da In e cul u alidade
Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo
Tabela 18 – A e pública abo dada nos con eúdos das a i idades
In eg am os con eúdos das a i idades as ob as de a e pública que cons am na abela
18
144
. No pe cu so “Desa io em Cacilhas”, duas ob as do escul o Jo ge Pé-Cu o: o bus o de
Elias Ga cia, inaugu ado em 1992 no local da an iga casa daquele polí ico epublicano; e a
escul u a “P imei o as C ianças”, de 2001, uma homenagem ao Pode Local Democ á ico. Na
a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade”, con ac a-se com o bus o do indus ial e
benemé i o local An ónio José Gomes, encomendado po subsc ição pública ao escul o José
Mo ei a Ra o em 1935. No “Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e de Capa ica” e na sessão “O
Pa imónio da Cos a”, podem obse a -se dois dos ês bus os do pad e Bal aza Dinis de
Ca alho, execu ados po Ma inho de B i o e e igidos no concelho en e 1955 e 1971. No
144
Ace ca das ob as de a e pública de Almada exis em duas e e ências undamen ais: LIMA, Filomena Ma ia
Figuei a de (2006). Escul u a em espaços públicos de Almada [1936-2005]: da colecção à p opos a de acção
museal/educação pa imonial. Disse ação de Mes ado em Museologia e Museog a ia. Uni e sidade de Lisboa
- Faculdade de Belas A es; SILVA, Vicen e Pe ei a da (2016). A Escul u a como Exp essão Pública da
Cidadania. A monumen alização da cidade de Almada en e 1974 e 2013. Tese de dou o amen o em Belas A es,
especialidade de Escul u a. Uni e sidade de Lisboa - Faculdade de Belas A es.
81
“Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó", pode e -se a escul u a “Homenagem ao Ma inhei o
Insubmisso”, de Rui Ma os, inaugu ada em 2009; e no “Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo”
duas ob as cole i as: o “Monumen o à Mul icul u alidade” e o “Planis é io da
In e cul u alidade”, que o am coo denadas po Rogé io Ta ei a e Má io Campos,
espe i amen e, mas en ol e am a pa icipação da comunidade local, en e 2013 e 2015 ( o o
12).
Nas a i idades, as ob as de a e não são obje o de análise do pon o de is a es é ico.
Os con eúdos explo ados p endem-se essencialmen e com in o mação de ca a e his ó ico:
quem o am as pessoas ep esen adas, que si uações são e ocadas, que signi icado pode ão
e . Assim, em e mos de educação a ís ica, o papel das a i idades é eduzido. Po ou o lado,
as a i idades con ibuem pa a o conhecimen o do pa imónio a ís ico no e i ó io local e
ambém pa a o econhecimen o da ob a de a is as locais, con o me p econizado no Plano
Nacional das A es.
q) Sí ios A queológicos
Sí ios A queológicos
CPCCA
A i idades
Fáb ica Romana de conse as de peixe
de Cacilhas
ARQU 2017
Desa io em Cacilhas - Sessão
Desa io em Cacilhas - Visi a
Romanos no Vale do Tejo
Fáb ica Romana de conse as de peixe
de Se úbal
Romanos no Vale do Tejo
Fáb ica Romana de conse as de peixe
de T óia
Romanos no Vale do Tejo
Núcleo Medie al /Mode no do Museu
Municipal/silos medie ais
ARQU 2070
Almada Velha, uma Visi a Guiada
O Dia da Reconquis a
Á abes aqui ão pe o
Ola ia Romana da Quin a do Rouxinol
Romanos no Vale do Tejo
Ola ia Romana do Po o dos Cacos
Romanos no Vale do Tejo
Pon a do Cabedelo (P é-his ó ia)
ARQU 2019
Os P imei os Po oado es
Quin a da To inha (Romano)
ARQU 2027
Romanos no Vale do Tejo
Quin a de Cas os (Á abe)
ARQU 2050
Á abes aqui ão pe o
Quin a do Alma az (Idade do Fe o)
ARQU 2018
Do Egi o a Almada
G u as de São Paulo (P é-his ó ia)
ARQU 2001
Os P imei os Po oado es
Mi adou o dos Capuchos (P é-his ó ia)
ARQU 2020
Os P imei os Po oado es
De e i es da His ó ia nos Capuchos
O Pa imónio da Capa ica
82
Sí io A queológico de Mu acém
(Á abe)
ARQU 2062
Á abes aqui ão pe o
Villa Romana da Quin a de São João,
A en ela
Romanos no Vale do Tejo
Tabela 19 – Sí ios a queológicos abo dados nos con eúdos das a i idades
O pa imónio a queológico es á p esen e nos con eúdos das a i idades, a a és da
abo dagem a sí ios e espólio. Os sí ios são de á ias épocas documen adas na a queologia
egional, nomeadamen e os pe íodos p é-his ó ico, omano e medie al.
O le an amen o a queológico do concelho le ado a cabo pelo CAA pe mi iu a
ca a e ização dos sí ios e a ecolha de espólio, hoje disponí el nas ese as da associação.
Alguns exemplos desse ma e ial são u ilizados na a i idade “Os P imei os Po oado es”, que
pe mi e aos alunos o manuseamen o de núcleos em qua zi o, bi aces, pon as de lança e
lâminas em sílex, agmen os de ce âmica e um machado de ped a polida ( o o 13). Com
exceção des e úl imo, o e ecido à associação sem egis o de p o eniência, os ma e iais são
o iundos de sí ios a queológicos p é-his ó icos do a ual e i ó io almadense.
O e i ó io aba cado pelos con eúdos e e en es a sí ios a queológicos ex a asa o
concelho de Almada, pois nas épocas em que o am ocupados não exis iam as mesmas
delimi ações e i o iais. As es ações a queológicas da Quin a do Rouxinol (Seixal) e Po o
dos Cacos (Alcoche e), dois sí ios in e encionados pelo CAA no âmbi o do p oje o de
in es igação “Ocupação Romana na Ma gem Esque da do Es uá io do Tejo” exempli icam
essa si uação. Ou as, como as ce á ias omanas de T óia, e da Rua dos Co eei os em Lisboa
são mos adas em conjun o com a Fáb ica Romana de Conse as de Peixe de Cacilhas, pa a
ilus a a p odução de p epa ados piscícolas. Na isi a “Desa io em Cacilhas” os pa icipan es
pa am no local sob o qual exis em os es ígios a queológicos e leem um diálogo en e dois
omanos, um dos quais pe gun a: “Vie am e a áb ica? Ago a não se ê, mas daqui a algum
empo al ez ique à is a. Vão passando po cá…”
145
. Na sessão com o mesmo nome,
ealizada em sala de aula, são p oje adas imagens das ce á ias pos as a descobe o na década
de 1980 e desenhos ilus a i os da a i idade p odu i a aí p a icada.
As a i idades “Almada Velha, uma Visi a Guiada” e “O Dia da Reconquis a” incluem
en ada num sí io a queológico musealizado, o núcleo medie al / mode no do museu
145
GONÇALVES; ROCHA (2017). Op ci . p. 15.
83
municipal de Almada. Nesse local, os pa icipan es con ac am com silos abe os na ocha pa a
a mazenamen o de ce eais e ou os p odu os alimen a es, que a es am a ocupação muçulmana
da zona (século XII)
146
. Obse am ambém o espólio que con inham, da ado de épocas
pos e io es ao abandono da unção o iginal. Adicionalmen e, podem e ma e iais
p o enien es de ou os sí ios a queológicos de Almada que se encon am expos os nas i ines
do museu.
As éplicas são um ecu so eco en e nas a i idades que abo dam sí ios a queológicos:
na a i idade “Romanos no Vale do Tejo” usam-se minia u as de ân o as e acende-se uma
luce na; na sessão “Á abes aqui ão pe o” acende-se um candil á abe e az-se um o neio de
jogo do moinho com éplicas de abulei os á abes. Todas essas éplicas o am p oduzidas no
CAA. O “Campo de Simulação A queológica” si uado na sede da associação é um espaço
que imi a um sí io omano, como e emos mais à en e. Nele usam-se éplicas de obje os de
di e sos ipos: além da ce âmica, moedas, esselas, um bus o e uma es ela une á ia, en e
ou os.
A ní el de pa imónio a queológico des acamos po im a a i idade “Do Egi o a
Almada” que ap esen a o sí io da Quin a do Alma az, um po oado de in luência enícia
localizado sob e a a iba ibei inha na a ual cidade de Almada. A sessão abo da as a i idades
ali p a icadas, explicando as condições na u ais que es i e am na sua base, bem como os
es ígios ma e iais que as comp o am. Po exemplo, a p oximidade do io jus i icou a pesca,
a es ada pela descobe a de anzóis. A p esença de peças de ce âmica g ega, ân o as de Ca ago
ou uma peça de aiança egípcia demons am que exis ia comé cio po ia ma í ima. Pa a a
ca ac e ização do sí io oi consul ada a bibliog a ia publicada e obse a am-se ma e iais
disponí eis no núcleo a queológico do museu municipal. A es ação a queológica da Quin a
do Alma az encon a-se sob esponsabilidade do município
147
. A a i idade con ibui pa a a
comunicação dos esul ados do abalho desen ol ido desde 1986, ap oximando o
conhecimen o cien í ico do ensino escola .
) P á icas e Exp essões Cul u ais Ima e iais
146
ANTUNES, Luís Pequi o (coo d.) (2000). Núcleo Medie al / Mode no de Almada Velha. Almada: Câma a
Municipal de Almada.
147
OLAIO, Ana; ANTÓNIO, Telmo; HENRIQUES, Fe nando; ROSA, Sé gio (2019). "O Sí io A queológico
da Quin a do Alma az, Almada" in Re is a Monumen os, nº 37. Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al,
pp. 224 - 233.
84
P á icas e Exp essões Cul u ais
Ima e iais
CPCCA
A i idades
A e Xá ega da Cos a da Capa ica
PTIM
4005
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
O Pa imónio da Cos a
Cí io do Cabo Espichel
O Pa imónio da Capa ica
Bulhão Pa o, poe a da Capa ica
Lenda da E mida de São Simão
Vamos Explo a a Co a da Piedade
Lenda de Nossa Senho a da A ábida
Pe eg inação no P agal
Lenda e p ocissão de Nossa Senho a
do Bom Sucesso
PTIM
4403
Desa io em Cacilhas - Visi a
Desa io em Cacilhas - Sessão
P o é bio Popula
Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e
P ocissão de Nossa Senho a da
Piedade
PTIM
4402
Tabela 20 – P á icas e exp essões cul u ais ima e iais abo dadas nos con eúdos das a i idades
En e as p á icas e exp essões do pa imónio cul u al ima e ial idas em con a nos
con eúdos das a i idades, des acamos aquelas que se elacionam com aspe os do e i ó io
local. A p á ica da A e Xá ega oi p opiciada pelas condições o e ecidas po uma ex ensa
p aia e undo ma inho de a eia, sem os quais não é possí el ealizá-la. Essas condições o am
esponsá eis po a ai os p imei os pescado es, que unda am a localidade
148
. Nas a i idades
que a am o ema da A e Xá ega é e e ida a undação do núcleo habi acional e explicada
aquela a e de pesca.
O Cí io do Cabo Espichel, que chegou a se uma p á ica eligiosa o icial da co oa
po uguesa (O Real Cí io do Cabo), em o igem numa lenda en ol endo uma mulhe da
Capa ica
149
. Foi a isão de uma luz o e no cabo que a le ou a di igi -se a é lá. Essa
caminhada lendá ia e ances al, a um local mis e ioso com o e p esença na paisagem, oi
epe ida ao longo de á ios séculos pelas comunidades locais, con o me na ado na a i idade
“Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica” e ilus ado pela sua poesia.
A lenda da E mida de São Sebas ião, o ago p imi i o da a ual ig eja da Co a da
Piedade, con a a his ó ia de um homem que encon ou uma imagem do san o e a ançou com
148
Sil a, F ancisco (2012). "B e e His ó ia da Cos a de Capa ica" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio
de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 39-45.
149
SILVA, F ancisco (2007). Nossa Senho a do Cabo e os Cí ios da Capa ica. Almada: Jun as de F eguesia de
Capa ica, T a a ia, Cos a, Cha neca e Sob eda.
85
ela em b aços a é ao úl imo pedaço de e a i me que conseguiu pisa , endo aí e igido a al
e mida. Essa lenda é u ilizada na a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade” pa a explica
como o local e a alagado, si uação a o ecida pela mo ologia do e eno: uma “co a” pe o
do io. Na sequência da mesma lenda, depois de ou os acon ecimen os en ol endo o mesmo
homem, chega-se à de oção da Piedade que con inua a mani es a -se numa p ocissão. Os
pa icipan es da e e ida a i idade educa i a podem assim comp eende a o igem da es a
anual da sua localidade.
Na sessão “Desa io em Cacilhas” ambém é na ada a lenda que es á na o igem da
p ocissão anual de Nossa Senho a do Bom Sucesso. A lenda elaciona-se com as condições
geog á icas locais, na medida em que e oca um milag e oco ido em Cacilhas, quando o
ma emo o de 1755 ameaça a in adi a e a e oi a ado pela imagem da san a, anspo ada
à bei a- io po um ca aei o local.
As p á icas e as exp essões da adição local são mani es ações cul u ais iden i á ias
que nascem da in e ação com o e i ó io. Apenas com a ansmissão ge acional, ealizada
a a és da educação pa imonial, é possí el assegu a a sua con inuidade.
s) Elemen os Na u ais
Elemen o Na u al
A i idades
A iba Fóssil
A en u a no Pa imónio
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es
O Pa imónio da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Composição do
solo
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
Pe eg inação no P agal
Os P imei os Po oado es
Fauna
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Faz- e à T adição
O Pa imónio da Capa ica
86
Flo a
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
O Pa imónio da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a
Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó
Fósseis
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Fósseis na Quin a
O Pa imónio da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Pe eg inação no P agal
Ja dim Bo ânico
"Chão das A es"
Ago a eu e a o Rei
Ma a dos Medos
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
O Pa imónio da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Sis ema duna
Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da
Capa ica
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
O Pa imónio da Capa ica
O Pa imónio da Cos a
Tabela 21 – Elemen os na u ais abo dados nos con eúdos das a i idades
O pa imónio na u al az pa e dos con eúdos de di e sas a i idades, pe mi indo
que sejam explo adas dida icamen e algumas ca a e ís icas do meio ambien e ísico e
biológico do e i ó io. Também pa a es as emá icas, o am ú eis os abalhos de in es igação
ealizados pelo CAA. As imagens de espécies bo ânicas que se podem e nas a i idades
o am ob idas em le an amen os sis emá icos le ados a cabo no âmbi o de ou os p oje os da
associação.
A “Caça ao Tesou o na A iba Fóssil da Cos a da Capa ica” me ece especial des aque
po que em como oco uma á ea p o egida
150
com ca a e ís icas geológicas singula es. A á ea
150
A á ea designada como Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica oi c iada pelo Dec e o-
Lei nº 168/84, de 22 de maio.
87
in eg a ambém a Rese a Bo ânica da Ma a Nacional dos Medos
151
, um pinhal plan ado po
mão humana onde se desen ol e am di e sas espécies a bus i as au óc ones. A a i idade oi
na ealidade um p oje o com á ias componen es e ases. P e ia deco e em qua o anos, cada
um dedicado a um “ esou o” da á ea p o egida: geológico, bo ânico, his ó ico e e nog á ico.
Conc e iza am-se os dois p imei os anos, com c iação de pe cu sos, edição de guiões,
ealização de isi as e o mação de p o esso es. A ní el geológico explo a am-se, além da
p óp ia a iba, a lo amen os ossilí e os isi á eis e o sis ema duna . Es e combinou ambas as
emá icas a adas, is o se um elemen o geológico com lo a p óp ia, ameaçada po espécies
in aso as in oduzidas desde o início do século XX pa a segu a as a eias. A ameaça à
di e sidade bo ânica e ao equilíb io do ecossis ema duna da Cos a da Capa ica ambém o am
emas abo dados. A ní el bo ânico, além da lo a duna , o am iden i icadas as espécies
au óc ones da Ma a dos Medos. O guião edi ado pe mi e iden i ica as plan as e conhece
algumas das suas ca ac e ís icas e usos. No seu conjun o, o p oje o abo dou de o ma in eg ada
os elemen os no á eis do pa imónio na u al de Almada.
Ace ca da geologia do subsolo, cump e dize que o e i ó io de Almada é compos o
po á eas de idades geológicas di e en es. Nas zonas mais a no e, é o mado po ochas
sedimen a es de idade miocénica que in eg am ósseis de o ganismos ma inhos. Em algumas
zonas a sul, as ochas são de idade pliocénica e esul am da sedimen ação de a eias e seixos
olados deposi ados em ambien e lu ial.
A obse ação a en a do solo az pa e das a e as dos pa icipan es em algumas
a i idades. No “Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó” examina-se uma ba ei a com camadas
de ped a e a eia enquan o se lê no guião: “Es as a eias, há ce ca de 4 milhões de anos, e am o
undo de um io. Quando a água co ia de aga , a as a a só a a eia, mas quando co ia com
o ça, a as a a ambém as ped as. Po isso apa ecem camadas de ped as no meio das
a eias”
152
. Na isi a “Pe eg inação no P agal” os pa icipan es p ocu am ósseis na base de
um edi ício que assen a di e amen e na ocha mãe. O guião da a i idade explica: “Há ce ca de
18 milhões de anos, es a egião es a a cobe a de água. Os se es ma inhos que aqui i iam
deixa am as suas ma cas em ped a. São os ósseis!”
153
. A a i idade “Fósseis na Quin a”
pe mi e obse a um a lo amen o ossilí e o e iden i ica os ósseis aí p esen es, bem como
151
A ese a bo ânica na Ma a Nacional dos Medos oi c iada pelo Dec e o n.º 444/71.
152
Guião da a i idade “Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó” (2011). P oduzido pelo CAA com o apoio da Jun a
de F eguesia do Feijó.
153
GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 17.
88
manusea ou os exempla es ( o o 14). Também são ep oduzidos moldes in e nos e ex e nos
de bi al es, a pa i de conchas da mesma espécie dos ósseis obse ados. Uma esca ação
paleon ológica simula a descobe a de um esquele o de baleia idên ica às que po exis iam
nes a egião nou as e as geológicas154.
No que diz espei o a auna são de salien a as a i idades que elencam as espécies
piscícolas do es uá io do Tejo (“Faz- e à T adição”) e da cos a ma í ima do concelho (“O
Pa imónio da Capa ica”). As imagens o am cap adas po elemen os do CAA e azem pa e
do seu cen o de documen ação.
A í ulo de conclusão, no que conce ne a pa imónio, cons a a-se que as a i idades
abo dam con eúdos e e en es a á ias ipologias, designadamen e pa imónio cul u al
ma e ial e ima e ial; mó el, imó el e in eg ado; bem como pa imónio na u al. Iden i ica am-
se elemen os de pa imónio ci il e mili a , eligioso, indus ial, a ís ico e a queológico, em
con ex o u bano e u al. A di e sidade emá ica que oi desc i a, a pa da cobe u a geog á ica
que se es ende a odo o e i ó io, es emunham a ab angência dos con eúdos no domínio do
pa imónio local.
4.4.2. Paisagens
Pa a o le an amen o das paisagens ab angidas pelas a i idades usa am-se como
e e ência as cinco Unidades de Paisagem Cul u al de inidas pela Ca a do Pa imónio
Cul u al do Concelho de Almada: Á ea U bana Nascen e; Te as da Capa ica; F en e
A lân ica; Cha neca; e Pinhal. Po ou o lado, p ocu ou-se ambém sabe que ipo de paisagens
são obse adas e a pa i de que pon os de is a.
Unidades de
Paisagem
Cul u al
de inidas
pela CPCCA
Paisagens obse adas
A i idades
PAIG 3001 -
Á ea U bana
Nascen e
Lisboa e o Tejo is os da Casa da Ce ca -
ja dim
Ago a eu e a o Rei
Almada Velha, uma Visi a
Guiada
154 ESTEVENS, Má io (2000). “Mamí e os ma inhos do Miocénico da península de Se úbal” in Ciências da
Te a, nº esp. V. Lisboa: Uni e sidade No a de Lisboa. pp A-60-A63.
89
Lisboa e o Tejo is os do Mi adou o da Boca
do Ven o
Almada is a da Casa da Ce ca - pá io
ex e io
Lisboa e o Tejo is os do Cais do Ginjal
Desa io em Cacilhas
Faz- e à T adição
Pa imónio em Almada
Ginjalma
Lisboa e o Tejo is os do Ja dim do Cas elo
O Dia da Reconquis a
PAIG 3002 -
Te as da
Capa ica
Capa ica u al desc i a po Bulhão Pa o
Bulhão Pa o, Poe a da
Capa ica
Lisboa e o Tejo is os da a iba sob e a
T a a ia
Caça ao Tesou o no Fo e da
Raposei a
Capa ica u al is a do Laza im
Educação Pa imonial no
Colégio Campo de Flo es
Paisagem u al, ma í ima e lu ial (imagens
com á ios pon os de is a)
O Pa imónio da Capa ica
Capa ica u al is a da To e de Capa ica
Pa imónio em Almada
Paisagem u al is a da Azinhaga do Ginjal
Pe cu so à Vol a da Escola -
Mon e
Lisboa (Belém) e o Tejo, Se a de Sin a,
Palmela is os do Mi adou o de Al azina
Pe cu so à Vol a da Escola -
Raposo
Paisagem u al is a da Azinhaga da Rosa
Pe cu so à Vol a da Escola -
Vila No a
Paisagem u al is a do Mi adou o da E mida
Pe eg inação no P agal
PAIG 3003 -
F en e
A lân ica
Cabo Espichel, Oceano A lân ico, Rio Tejo,
Se a de Sin a, Lisboa, is os do Mi adou o
dos Capuchos
Caça ao Tesou o na
Paisagem P o egida da
A iba Fóssil da Cos a de
Capa ica
Educação Pa imonial no
Colégio Campo de Flo es
Co a do Vapo is a da Quin a do
Bonapa e
Fósseis na Quin a
PAIG 3004 -
Cha neca
Paisagem pe iu bana (imagens com á ios
pon os de is a)
Cha neca da Capa ica -
Pa imónio
PAIG 3005 -
Pinhal
Paisagem lo es al (imagens com á ios
pon os de is a)
Cha neca da Capa ica -
Pa imónio
Tabela 22 – Paisagens obse adas nas a i idades
A ní el de paisagens obse adas, e i ica-se que é possí el con empla paisagens
u ais, lu iais, ma í imas e u banas. Os pon os de obse ação são mi adou os econhecidos
enquan o al e ou as ele ações em á ios luga es do e i ó io. As a i idades i am pa ido das
zonas do concelho com co as de al i ude ele ada pa a mos a di e sos ipos de paisagens
locais e egionais, com os seus elemen os na u ais e humanos ( o o 15).
96
peixe e de ân o as. Salien a, não apenas as acilidades p opo cionadas pelos ecu sos locais
pa a o ab ico e ci culação dos p odu os, mas ambém o papel des es na ida dos an igos
omanos. O con ex o egional pode se ex apolado pa a enómenos à escala do impé io
omano, nomeadamen e no que diz espei o à economia come cial.
A a i idade de expe ienciação “Romaniza e” abo da di e sos aspe os da ci ilização
omana. Tal como a “Aldeia P é-His ó ica”, é compos a po qua o espaços onde os
pa icipan es ealizam a e as que ec iam o modo de ida dos an igos omanos. Enquan o as
azem, podem comp eende como e a a sua alimen ação, o ensino ou os jogos, que p o issões
inham, que p odu os consumiam e como e am pagos, como se ilumina am e como esc e iam,
en e ou os.
A Idade Média é ocada na sessão “Á abes aqui ão pe o” que, ace ca dessa época,
abo da em pa icula o su gimen o da eligião islâmica na península a ábica e a sua expansão
pa a ou as egiões. Di ige depois a a enção pa a a p esença dos muçulmanos na península
ibé ica, des acando os con ibu os cul u ais e écnicos que ouxe am. G adualmen e, mos a
sí ios com ocupação á abe no a ual e i ó io po uguês, na ma gem sul do Tejo e po im em
Almada, onde a a queologia e as on es esc i as a comp o am. São lidos exce os de
documen os medie ais que desc e em o e i ó io de Almada no pe íodo da ocupação
muçulmana, bem como a con enda pela posse da o aleza de Al-Madan (nome á abe de
Almada), p o ocada po c uzados nó dicos no con ex o da econquis a de Lisboa. É ambém
explo ado pa e do documen o a ibuído po D. A onso Hen iques aos “mou os” da egião
com is a a ga an i o po oamen o e omen a a ag icul u a nes e e i ó io
156
. A ab angência
espácio- empo al dos con eúdos da sessão “Á abes aqui ão pe o” a inge o p esen e, na
medida em que escla ece algumas ca a e ís icas da cul u a muçulmana jun o de adolescen es
mui as ezes mal in o mados a esse espei o, p omo endo o deba e sob e o con í io in e -
eligioso na a ualidade.
Já no que diz espei o a his ó ia con empo ânea, des aca-se a abo dagem à e olução
indus ial na sessão “Vidas de Fáb ica”. Es a cons i ui um bom exemplo da u ilização de
con eúdos da his ó ia ge al pa a ap esen a a his ó ia local. São compa adas algumas
ca a e ís icas do a anque da indus ialização b i ânica com as condições em que se
desen ol eu a indus ialização egional. Os aspe os abo dados em pa alelo nas duas si uações
são o êxodo u al, o ad en o da máquina a apo , os se o es de p odução, os anspo es, as
156
Os documen os encon am-se a ados em: FLORES; NABAIS (1983). Op. Ci .
97
condições de abalho e os con li os labo ais. Com base nessas ques ões, expõe-se um quad o
ge al do cená io ab il em Almada e Seixal no século XIX. Os con eúdos epo am igualmen e
às al e ações oco idas a ní el de modos e meios de p odução. Po exemplo, os moinhos de
en o e de ma é o am subs i uídos pela moagem mecânica e as emba cações adicionais
de am luga aos ba cos a apo na a essia do Tejo. Também nes a sessão há opo unidade
pa a compa a o passado com o p esen e. Assim como no século XIX hou e emp esas inglesas
a ins ala áb icas em Almada, ambém no século XXI há si uações simila es de deslocalização
indus ial pa a países em ias de desen ol imen o. O p incipal mo i o con inua a se a p ocu a
de mão de ob a ba a a, que inclui abalho in an il. Tais ci cuns âncias são deba idas a pa i
de um exame, ei o pelos alunos, às e ique as da sua p óp ia oupa, no sen ido de iden i ica
os países onde oi p oduzida.
b) His ó ia Nacional
As a i idades que abo dam, com maio ou meno p o undidade, ac os e conjun u as
da his ó ia de Po ugal são ap esen adas na abela 26.
His ó ia Nacional
A i idades
Reconquis a c is ã
Ago a eu e a o Rei
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Á abes aqui ão pe o
O Dia da Reconquis a
Gue as e nandinas
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Expansão po uguesa
Fe não Mendes Pin o
União ibé ica e es au ação da
independência
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Te amo o de 1755
Desa io em Cacilhas
Gue as libe ais
Ao Encon o do Tempo das Fáb icas
Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da
Mudança
Implan ação da República
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Desa io em Cacilhas
Es ado No o e 25 de Ab il
Vozes da Resis ência
Tabela 26 – His ó ia nacional abo dada nos con eúdos das a i idades
A his ó ia de Po ugal enquan o nação independen e em início no con ex o das gue as
de econquis a c is ã da Península Ibé ica. Os con on os mili a es o am de e minan es pa a
98
a a i mação do eino dian e da comunidade in e nacional. Almada oi omada em 1147, po
ocasião da econquis a de Lisboa le ada a cabo po D. A onso Hen iques, que i ia a se o
p imei o ei de Po ugal. A a i idade “O Dia da Reconquis a” epo a-se a essa conjun u a
polí ico-mili a . Realiza-se jun o ao cas elo de Almada, num local onde se a is a ambém o
cas elo de Lisboa, dois espaços associados ao econ o en e c is ãos e muçulmanos. Os
con eúdos des a a i idade es endem-se no empo a é à a ibuição do Fo al de Almada po D.
Sancho I, em 1190. A pa i desse documen o, os pa icipan es descob em aspe os da
sociedade e economia medie ais, espelhados no egis o dos o ícios a que se dedica am os
habi an es e nos p odu os ansacionados.
Também su gem alusões à Reconquis a nos pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a
Guiada” e “Ago a eu e a o Rei”. Nes a úl ima apenas supe icialmen e, a p opósi o da
obse ação do cas elo. Na p imei a, a si uação his ó ica é e e ida pela pe sonagem “Mou o”,
que lê: “Viemos de Á ica no século VIII e Almada oi nossa a é 1147, da a em que o p imei o
ei de Po ugal econquis ou es as e as. Aqui habi ámos e usámos no as écnicas de cul i o.
Pa a semp e ica am es ígios da nossa ida”
157
. O oco des a in e enção si ua-se no e i ó io
de Almada, mas o seu con eúdo não deixa de eme e pa a a his ó ia nacional. No seguimen o
da ala do “mou o”, o ex o do guião ques iona: “O celei o é um desses es ígios. Conheces
ou os?” A ques ão pode se usada pelo moni o ou o p o esso acompanhan e pa a mobiliza
os conhecimen os dos alunos ela i amen e a ma é ias escola es, acili ando desse modo a
ligação en e a his ó ia local e a his ó ia nacional.
As chamadas gue as e nandinas são igualmen e obje o de e e ência num ex o lido
pelos pa icipan es da a i idade “Almada Velha, uma Visi a Guiada”. Num local que a
oponímia associa à an iga mu alha, ou ce ca, de Almada, a pe sonagem “ ei” in e ém nes es
e mos: “Eu sou D. Fe nando, 8º ei de Po ugal. Em 1373 mandei cons ui es a ce ca à ol a
de Almada, al como em mui as ou as po oações po uguesas, pa a as de ende dos
cas elhanos. No meu einado hou e ês gue as com o eino izinho”
158
. Es a a i mação dá o
mo e pa a que seja b e emen e explicada a c ise que eio a coloca em isco a independência
nacional.
Na isi a a Almada Velha são assinalados ou os acon ecimen os da his ó ia de
Po ugal, na ados po pe sonagens neles en ol idos. A união dinás ica é e e ida pelo P io
157
GONÇALVES; CRISTO (2010). p. 16.
158
Idem, p. 11.
99
do C a o, no pá io com o seu nome: “Em 1580 eu, D. An ónio podia e sido ei, mas o ei
espanhol Filipe II enceu-me numa ba alha e subiu ao ono po uguês”. De seguida, esume
a si uação a é à es au ação da independência: “Hou e ês eis espanhóis a go e na Po ugal,
a é que em 1640 um g upo de idalgos o ganizou uma e ol a. Ganha am e p oclama am D.
João IV ei de Po ugal”. Te mina ligando esse ac o a Almada: “Cons a que D. João IV se
euniu com esse g upo de idalgos nes e mesmo pá io”
159
. Todas es as alusões são explicadas
pelo moni o à ma gem das lei u as em oz al a ealizadas pelas c ianças.
O exemplo da ida de um pe sonagem his ó ico ajuda a comp eende o cená io da
expansão po uguesa no o ien e. Fe não Mendes Pin o (1510 – 1583) é p o agonis a de duas
a i idades educa i as do CAA. Na isi a guiada “Pe eg inação no P agal” há um momen o
em que se analisa pa e do mu al “E ocação de Fe não Mendes Pin o”, no qual es ão
ep esen ados o a en u ei o e sua mãe. Es a, mag a e pob e, sonha com a abundância; aquele,
c iança en e ido com um ba quinho, sonha com os esou os do além-ma . A cena e a a a
espe ança das amílias que agua dam o eg esso dos na egado es. Com ela explica-se um
aspe o da his ó ia nacional, o emen e ma cada pelas iagens ma í imas. O ema é e omado
na sessão “Fe não Mendes Pin o”, que acompanha as suas a en u as e pe mi e um islumb e
sob e as dinâmicas de con ac o com os e i ó ios o ien ais da expansão ma í ima po uguesa
( o o 18).
Ace ca da expansão po uguesa é de e e i ambém uma his ó ia peculia associada à
missionação do B asil no século XVI, na ada na sessão “Cha neca da Capa ica – Pa imónio”.
A p opósi o da Quin a de Vale Rosal, que oi uma p op iedade da Companhia de Jesus, con a-
se a his ó ia dos “40 má i es do B asil”. E am jo ens que pe manece am uma empo ada
naquela quin a, em 1570, ecebendo o mação pa a as missões no B asil. Depois de pa i em,
a nau onde seguiam oi a acada po cal inis as (no âmbi o das gue as eligiosas em F ança)
e nau agou pe o das ilhas Caná ias. Em sua homenagem oi e guido na quin a um c uzei o
com uma epíg a e alusi a ao ma í io
160
. Es a his ó ia, que pelo con ex o d amá ico que
en ol e p o oca cu iosidade nas c ianças, associa o pa imónio local à his ó ia nacional,
eu opeia e ame icana na Idade Mode na.
159
Idem, p. 13.
160
SILVA, F ancisco; GONÇALVES, Elisabe e (1993). “Vale Rosal, uma memó ia ameaçada” in Al-Madan nº
2, IIª Sé ie. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 130-133.
100
O e amo o de 1755 e e consequências em Almada. A ca ás o e es á a é associada a
uma lenda, como já e e imos. Ao na a a lenda, a sessão “Desa io em Cacilhas” o nece
ambém in o mação e ídica sob e o e amo o que des uiu Lisboa.
A a i idade “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança” abo da oda a
conjun u a polí ica nacional que en ol eu aquele con on o mili a . Explica que oi um
comba e na gue a ci il de 1832-1834 que opôs pa idá ios de D. Ped o e de D. Miguel, em
de esa do Libe alismo e do Absolu ismo, espe i amen e. Elucida ace ca das duas ideologias,
em e mos de sis ema polí ico, e e e e os apoios sociais de ambas as pa es. Na a depois o
que acon eceu a ní el local nos dias 23 e 24 de julho de 1833, sendo esse um dos ocos
p incipais da sessão. O ou o si ua-se no pe íodo pós- i ó ia Libe al e na segunda me ade do
século XIX. Indica o que mudou com os p imei os go e nos libe ais, conc e amen e a e o ma
adminis a i a e a ex inção das o dens eligiosas. Essas medidas i e am um conside á el
impac o local, com a di isão do e i ó io municipal em dois concelhos dis in os (Almada e
Seixal) e o ence amen o dos á ios con en os aqui ins alados. A e olução económica e social
é ambém mencionada: indus ialização, ascensão da bu guesia e c escimen o do ope a iado
são aspe os que me ecem en oque no plano local. Os con eúdos des a sessão conseguem
ealiza globalmen e a ansposição da his ó ia nacional pa a a egional no pe íodo em causa.
A implan ação da República é celeb ada na isi a guiada “Desa io em Cacilhas”, jun o
ao bus o de Elias Ga cia, um polí ico epublicano que nasceu nessa localidade. Os
pa icipan es es ejam a queda da mona quia com uma mani es ação onde epe em pala as
de o dem p opos as no guião, como “Vi a a República!”, “Reis nunca mais!” e “Que emos
um P esiden e!”161. As exp essões u ilizadas são explicadas pelo moni o , no sen ido de
cla i ica de o ma adequada ao ní el e á io dos pa icipan es a di e ença en e duas o mas
de go e no igen es no passado nacional.
A sessão “Vozes da Resis ência” é a a i idade cujos con eúdos his ó icos es ão mais
p óximos da a ualidade. Deb uça-se sob e o papel dos almadenses na oposição democ á ica
ao Es ado No o, com es emunhos na p imei a pessoa, em ídeo162. Es e oi o ganizado em
se e emá icas sepa adas po momen os de diálogo em u ma: a omada de consciência
indi idual e cole i a; as o mas de esis i ; o momen o ma can e da campanha elei o al de
161 GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 16.
162 COSTA, Ana So ia (coo d.) (2009). Vozes da Resis ência [DVD]. Almada: Câma a Municipal de Almada.
Vídeo com es emunhos de homens e mulhe es que o am a i is as polí icos em Almada e pa icipa am em
o ganizações e ações de lu a con a o Es ado No o.
101
Humbe o Delgado; o papel do pa ido comunis a; o medo; e o 25 de Ab il. Algumas das
pessoas en e is adas no ídeo es i e am p esas, ou as i e am na clandes inidade ou no
exílio e eco dam o dia da e olução com uma o e ca ga emocional. Almada, mais
p ecisamen e o al o do C is o Rei, oi um dos pon os es a égicos da ope ação mili a . O jogo
que in eg a es a a i idade en ol e ópicos mais ab angen es da his ó ia nacional: eleições não-
li es; gue a colonial; censu a; p isão polí ica; con olo da cul u a. No inal, coloca-se uma
ques ão aos alunos: po que é que a lu a con a a di adu a e e an a o ça em Almada? As
espos as são o ien adas no sen ido de apon a causas elacionados com a o igem e as
i ências no meio ope á io, en e as quais a capacidade o ganiza i a desen ol ida des e o
século XIX.
Com u mas que ize am as á ias a i idades educa i as do CAA ao longo do pe cu so
escola oi possí el elaciona p og essi amen e os con eúdos, e o çando cada ez mais a
ligação da his ó ia ge al e nacional à local, e des a ao e i ó io. Essa si uação acon eceu no
Ag upamen o de Escolas Ca los Ga ga é. Du an e 10 anos, en e 2008 e 2018, as u mas do
p é-escola ao 9º ano ealiza am a i idades adequadas ao seu ní el de ensino, em pa alelo com
os con eúdos abo dados nas aulas.
c) His ó ia Local
Todas as a i idades analisadas abo dam con eúdos no âmbi o da his ó ia local, na
medida em que a mesma se encon a e le ida nos luga es, na paisagem e nos á ios ipos de
pa imónio, con o me an e io men e analisado. Ce os emas elacionam-se, como ambém oi
expos o, com âmbi os his ó icos mais la os, a ní el mundial ou nacional. É impo an e isa
que essas alusões acon ecem na medida em que ocam o con ex o local ou egional. Toda ia,
subsis em aspe os que êm um ca á e local mais indi idualizado. É o caso das a i idades e
p o issões adicionais, inse idas em dinâmicas económicas que se ligam di e amen e à
si uação geog á ica de Almada; das igu as ilus es, que se des aca am pelas inicia i as locais
que desen ol e am; e de alguns episódios ma can es na ida da localidade. Pa a es es casos
em pa icula ap esen a-se na abela 27 um le an amen o das a i idades que os abo dam.
102
Temas
pa icula es da
his ó ia local
Tópicos
A i idades
A i idades e
p o issões
adicionais
Aguadei o, anoei o, a ina,
ca aiei o, la adei a.
Ago a eu e a o Rei
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Lenhado , cabazei o
Cha neca da Capa ica –
Pa imónio
Bu iquei o, ca aiei o
Desa io em Cacilhas
Figu as ilus es
Vasco Mo gado
Cha neca da Capa ica –
Pa imónio
An ónio José Gomes
Ao Encon o do Tempo das
Fáb icas
Lou enço Pi es de Tá o a
Quo idianos no Con en o
O Pa imónio da Capa ica
Pad e Bal aza
Pe cu so à Vol a da Escola –
Mon e
Romeu Co eia
Desa io em Cacilhas
Episódios
ma can es
T agédia de 26 de agos o de 1931
Ago a eu e a o Rei
Almada Velha, uma Visi a Guiada
G e e na áb ica Rankin,1892
Vidas de Fáb ica
Ba alha da Co a da Piedade,
1833
Ba alha da Co a da Piedade, a
Vi ó ia da Mudança
Vamos Explo a a Co a da
Piedade
Tabela 27 – Temas pa icula es da his ó ia local abo dada nos con eúdos das a i idades
As p o issões adicionais e e idas nas a i idades es a am a i as no início do século
XX. A in o mação inculada nos guiões e ansmi ida aos pa icipan es baseia-se
undamen almen e em es emunhos o ais. Nos pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a Guiada”
e “Ago a eu e a o Rei”, o aguadei o su ge associado ao cha a iz do La go José Alaiz pois,
an es da ins alação desse equipamen o, a sua a i idade consis ia em i busca água à Fon e da
Pipa, si uada na base na a iba, anspo á-la em pipas a é ao núcleo u bano e endê-la po a-
a-po a. O anoei o é ap esen ado na a é ia que em como opónimo Rua dos Tanoei os. A
anoa ia oi uma a i idade impo an e na his ó ia local e uma on e de abalho pa a mui os
homens. As o icinas, si uadas p incipalmen e jun o ao io a a és do qual chega a a ma é ia-
p ima, ab ica am pipas e ba is u ilizados pa a água e inho ( o o 19). Os a mazéns de inho
nas zonas ibei inhas equisi a am a maio pa e da p odução das anoa ias. A a ina apa ece
a ende peixe, a e a comum pa a as apa igas da Cos a da Capa ica, que se desloca am com
esse obje i o aos núcleos u banos mais dis an es da p aia. Os ca aiei os e am os homens que
manob a am pequenas emba cações lu iais denominados “ca aios”. A sua p esença na
103
his ó ia local liga-se a essa a i idade e ambém à lenda de Nossa Senho a do Bom Sucesso,
em Cacilhas. Se la adei a oi uma p o issão habi ual pa a as mulhe es almadenses. O seu
abalho a ní el local inha a pa icula idade de se e e ua em poças abe as na a eia da p aia
lu ial (P aia das La adei as), de onde b o a a água límpida. Na a i idade “Ago a eu e a o
Rei” as c ianças imi am os ges os dos abalhado es: azem de con a que são ca aei os e
emam; azem de con a que são la adei as e es egam, enxaguam, es endem oupa.
Na a i idade “Cha neca da Capa ica – Pa imónio” são mencionadas duas p o issões
adicionais dessa localidade, ambas elacionadas com a ecolha de p odu os locais. Os
lenhado es co a am lenha na Ma a dos Medos e endiam-na em Lisboa onde se consumia
em g ande quan idade. Os cabazei os ecolhiam canas, com as quais p oduziam ces os
(cabazes) mui o p ocu ados nos me cados da capi al
163
. En e os ma e iais da sessão encon a-
se lenha de pinho e um cabaz ab icado pelo úl imo cabazei o da Cha neca.
Passando à análise das igu as ilus es, começamos po e e i Vasco Mo gado, amoso
emp esá io ea al da década de 40 do século XX, p op ie á io de uma quin a na Cha neca da
Capa ica. É eco dado pela população p incipalmen e pelas es as que o ganiza a.
An ónio José Gomes me ece um des aque especial en e as igu as ilus es da his ó ia
local. O seu nome es á p o undamen e ligado a Almada, em pa icula à Co a da Piedade,
onde nasceu, em 1847
164
. E a ilho do p op ie á io de moinhos de ma é que undou a Fáb ica
de Moagem do Ca amujo. Após o incêndio que des uiu a áb ica, em 1897, An ónio José
Gomes mandou cons ui um no o edi ício, in oduzindo em Po ugal o cimen o a mado. Com
a sua ação benemé i a oi e igida a p imei a escola pública da Co a da Piedade e oi undada
da SFUAP – Sociedade Fila mónica União Piedense. Na a i idade “Vamos Explo a a Co a
da Piedade”, dois pa icipan es imp o isam uma cena en ol endo An ónio José Gomes e uma
cidadã local. Es a de e di igi -se ao indus ial pedindo emp ego, o e ecendo os seus se iços
na áb ica ou no palácio. Es abelece-se um diálogo que, com alguma o ien ação do moni o ,
pe mi i á à assis ência comp eende a impo ância do ilus e ilan opo ep esen ado no bus o
em en e ao seu palácio, no ja dim público da Co a da Piedade ( o o 20).
Lou enço Pi es de Tá o a é ambém um nome incon o ná el na his ó ia local. Foi
mo gado da Capa ica e undou o Con en o dos Capuchos, onde es á sepul ado. A ní el
163
REIS, Vic o (2011). His ó ias da His ó ia de Cha neca de Capa ica. Almada: Jun a de F eguesia da
Cha neca de Capa ica
164
FLORES, Alexand e M. (1992). An ónio José Gomes: o Homem e o Indus ial. Almada: Jun a de F eguesia
da Co a da Piedade.
104
nacional, pe enceu ao conselho do ei D. Sebas ião e p es ou se iços diplomá icos na
Eu opa, Á ica e Ásia. Pa a além dessa in o mação, pa en e na epíg a e da sua sepul u a, na
capela do con en o, o guião da a i idade “Quo idianos no Con en o” ac escen a ou as, de
o ma a dialoga sob e as mo i ações que e ão le ado um nob e abas ado a emp eende a
cons ução de uma casa de o ação.
O pad e Bal aza Diniz de Ca alho (1885-1849) oi pá oco da Capa ica, onde
desen ol eu uma ob a social de g ande mé i o, p incipalmen e em bene ício dos pescado es
da Cos a de Capa ica. Es á ep esen ado em ês bus os, jun o às ig ejas do Mon e de Capa ica,
Cos a e T a a ia. Na a i idade “Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e” os pa icipan es
comple am, nos seus guiões, as pala as com que oi homenageado no pedes al do seu bus o.
Romeu Co eia é e ocado na isi a “Desa io em Cacilhas”. Esc e eu á ias ob as de
li e a u a neo ealis a e peças de ea o baseadas em si uações e i ências locais, como “O
T i ão”, “Os Tanoei os” e “Cais do Ginjal”, omances passados no Ginjal, onde i eu; e
“Gandaia”, cujo en edo se desen ol e na Cos a da Capa ica. Além de esc i o , a i idade pela
qual é mais conhecido, Romeu Co eia oi um a le a consag ado. Jun o à casa onde nasceu, os
pa icipan es azem, em sua memó ia, exe cícios de ginás ica.
Um episódio ma can e da his ó ia local abo dado em duas a i idades é a agédia de
26 de agos o de 1931
165
. Essa da a assinala uma en a i a de e ol a con a a di adu a mili a
que an ecedeu o Es ado No o. Du an e o desen ola das ope ações, um a iado – Sa men o
Bei es – oi en iando com a missão de lança algumas bombas sob e o Fo e de Almada.
E ando o al o, a ingiu um la go no cen o de Almada, azendo í imas en e a população. Em
memó ia das í imas, algumas das quais c ianças, o am desenhadas no chão de calçada
ep esen ações de b inquedos an igos (papagaios, bolas, a cos), que os pa icipan es p ocu am
iden i ica .
Ou o episódio ma can e na his ó ia local oi uma das g e es do se o co icei o, em
1892
166
. O con li o labo al eclodiu quando a adminis ação da áb ica de co iça Rankin impôs
um egulamen o conside ado injus o pelos ope á ios. A lu a con a a sua aplicação deu o igem
a g e es, mani es ações, p isões e ambém a inicia i as solidá ias po pa e dos ope á ios. Na
sessão “Vidas de Fáb ica” o desen ola desses acon ecimen os é ep esen ado pelos alunos
165
ESPÍRITO SANTO (1984). “Acon eceu em 26 de Agos o de 1931” in Al-Madan Iª sé ie, nº 3. Almada: Cen o
de A queologia de Almada, pp. 38-40.
166
FLORES, Alexand e M (2003). Almada na His ó ia da Indús ia Co icei a e do Mo imen o Ope á io - da
Regene ação ao Es ado No o. Almada: Câma a Municipal de Almada, pp. 180-191.
105
numa d ama ização. En e as pe sonagens encon am-se ep esen an es de á ios g upos que
in eg a am o co po social de Almada, como ope á ios mig an es de di e sas egiões, pa ões
ingleses, associa i is as, jo nalis as e a o es amado es.
A ba alha da Co a da Piedade, a 23 de julho de 1833, inse iu-se no con ex o nacional
da gue a ci il, mas os con o nos que adqui iu de e am-se a a o es locais. Desde logo, a
mo ologia do e eno, que de e minou as posições assumidas pelos exé ci os, in luenciando
a sua p es ação. Po ou o lado, o apoio da população local à causa libe al e á sido decisi o
no desenlace do con on o, na medida em que impediu os absolu is as de a a essa o io e
acili ou o emba que dos libe ais pa a a en ada i o iosa em Lisboa a 24 de julho. Todos es es
a o es são explicados na sessão “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança”,
jun amen e com a na ação de his ó ias que se o na am popula es na época, en ol endo
pessoas de Almada e do Seixal.
Em suma, no que diz espei o a con eúdos de na u eza his ó ica, cons a a-se que as
a i idades ab angem os pe íodos da P é-His ó ia, An iguidade P é-Clássica e Clássica, Idade
Média, Idade Mode na, Idade Con empo ânea e a ualidade. Pa a cada época iden i icam-se
ópicos conce nen es à ação humana, no âmbi o da explo ação dos ecu sos na u ais,
a i idades desen ol idas e seus p odu os, que angí eis, que in angí eis. As á eas emá icas
abo dadas inse em-se na his ó ia económica, social, polí ica e das men alidades. Focam
conjun u as e e en os de cu a du ação, bem como o empo longo das es u u as.
Conclui-se po im que, que pelos con eúdos pa imoniais, que pelos aspe os
his ó icos abo dados, o oco p incipal das a i idades educa i as do CAA é o e i ó io de
Almada.
4.4.5. Ou os Temas
Ou os Temas
A i idades
Alimen ação e Gas onomia
Dias do Pão
Quo idianos no Con en o
Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica
Faz- e à T adição
A queologia
Aldeia P é-His ó ica
Almada Velha, uma Visi a Guiada
Á abes aqui ão pe o
112
ilus ados isualmen e. A u ilização de ade eços na ep esen ação con ibui pa a que os
pa icipan es assumam mais se iamen e as pe sonagens. Nas isi as ealizadas em Almada
usam-se chapéus e ou os acessó ios ap op iados à ca a e ização de cada uma das igu as ( o o
24).
A a i idade “Ago a eu e a o ei” usa o az-de-con a como es a égia semelhan e, mas
sem lei u a, uma ez que é di igida ao ní el p é-escola . Os pa icipan es imi am ges os
associados a a i idades adicionais. Exis e uma his ó ia como io condu o e uma a iz que a
ep esen a e en ol e as c ianças nos momen os p óp ios ( o o 25). Em aços ge ais, é a
his ó ia de um ei que não conhece o seu eino e eco e a uma elha mulhe pa a o
acompanha numa isi a de econhecimen o e de con ac o com os súbdi os. Es es, bem como
o ei, se ão ep esen ados pelos pa icipan es, aos quais cabe á a unção de mos a ao mona ca
como azem os seus abalhos. O papel de ei passa po odos, daí o nome da a i idade.
Aplicam-se nas isi as guiadas um as o conjun o de dinâmicas que en ol em
a i amen e os pa icipan es. O ac o de oco e em o a da sala de aula aumen a a mo i ação
pa a a ap endizagem e as e en es lúdica e expe iencial são a o es comp o adamen e
pedagógicos. Po ou o lado, as uas o nam-se “uma espécie de aula g andiosa,
ex ao dina iamen e a iada”
170
, na medida em que pe mi em abo da múl iplos con eúdos.
Po im, ao execu a a e as in ulga es, as c ianças a aem a a enção das ou as pessoas e
animam as uas da cidade.
4.5.2. Sessões emá icas com jogo
No conjun o de a i idades analisadas há 4 sessões emá icas com jogo. Realizam-se
nas escolas, no malmen e na sala de aula da u ma pa icipan e. Os jogos podem acon ece na
sala de aula ou no ex e io , den o do ecin o escola . Têm a du ação habi ual de 90 minu os,
que co esponde a um empo le i o nos 2º e 3º ciclos de ensino.
Na p imei a pa e o moni o expõe os con eúdos com apoio de imagens, pala as,
esquemas ou pequenos ex os animados em Powe Poin (exce o “Vozes da Resis ência”, que
u iliza o ídeo). Em diálogo com os pa icipan es, mo i am-se ques ões e espos as ( o o 26).
Na segunda pa e há um jogo, que pode se de á ios ipos, con o me mos a a abela 31.
170
Idem, p. 27
113
Sessões emá icas com jogo
Nome do jogo
Tipo de jogo
O igem
Á abes aqui ão pe o
Jogo do Moinho
Tabulei o
T adicional
Ba alha da Co a da Piedade,
a Vi ó ia da Mudança
Jogo da Ba alha
Tabulei o (com peões
humanos)
C iação CAA
Vidas de Fáb ica
Fáb icas e O icinas
Habilidade
C iação CAA
Vozes da Resis ência
Resis ência e
Reação
Es a égia
C iação CAA
Tabela 31 – Sessões emá icas com jogo
O Jogo do Moinho, que en ol e dois ad e sá ios, é conhecido desde a An iguidade.
Su ge na sessão “Á abes aqui ão pe o” pa a signi ica o encon o de cul u as en e c is ãos e
muçulmanos na península ibé ica. Os abulei os usados no o neio são éplicas de uma peça
em xis o que az pa e das coleções do Museu Nacional de A queologia ( o o 27).
O Jogo da Ba alha opõe duas equipas, que ep esen am os exé ci os Libe al e
Absolu is a, com os espe i os comandan es. O abulei o de jogo é uma quad ícula ma cada
no chão e as peças são os pa icipan es, que a ançam ao i mo dos esul ados ob idos po
lançamen o de dados de g andes dimensões ( o o 28). Cada jogado simboliza um dos
con ingen es mili a es que es i e am e e i amen e p esen es na ba alha da Co a da Piedade e
en a em jogo com dis in as capacidades. Esse a o le a a que no inal se deba am as azões
pa a a i ó ia Libe al.
Pa a a a i idade “Vidas de Fáb ica” oi c iado um jogo que p e ende demons a a
di e ença en e modos de p odução a esanal e indus ial. Duas equipas compe em pa a sabe
qual delas p oduz maio quan idade de ba quinhos de papel num de e minado pe íodo de
empo. Uma das equipas ep esen a as o icinas e cada jogado p oduz ba cos comple os; a
ou a ep esen a as áb icas, onde cada elemen o ealiza apenas uma a e a na p odução, como
um ope á io na linha de mon agem ( o o 29). O jogo pe mi e e le i ace ca de á ios aspe os
elacionados com o abalho, como a o mação e eino dos abalhado es, a p essão labo al,
os cus os com ecu sos humanos e o p eço dos p odu os.
Resis ência e Reação é o jogo concebido pa a a a i idade “Vozes da Resis ência”, uma
sessão com con eúdos sob e o Es ado No o e a oposição democ á ica. Consis e na simulação
de missões sec e as po equipas que desconhecem as in enções umas das ou as, sendo que
en e elas há memb os de o ganizações da oposição democ á ica, bem como elemen os das
o ças de ep essão. Uns e ou os ecebem missões in e nas (a ealiza na sala) e ex e nas (em
odo o ecin o escola ). As missões in e nas consis em na análise de documen os que são
114
cópias de ca as, mani es os e ou os es emunhos esc i os do pe íodo his ó ico em causa. A
pa i deles elabo am-se os ma e iais pa a as missões ex e nas, que ão se a dis ibuição de
pan le os, colocação de ca azes ou, po ou o lado, a pe seguição e p isão de a i is as polí icos
( o o 30). Es e jogo dá a conhece di e sas o ganizações, as suas a i idades e campos de ação;
o ças policiais, os seus mé odos e obje i os; o mas de exp essão e de censu a; e os ópicos
que di idiam ideologias.
Joga é uma a i idade pedagógica econhecida, pelo menos, desde o século XIX
171
e a
exp essão “jogos didá icos” inunda os ca álogos de b inquedos no século XXI, da mesma
o ma que “a i idade lúdico-pedagógica” é epe ida nos p og amas educa i os. A u ilização
de jogos nas sessões emá icas do CAA em o obje i o de ensina a a és de uma si uação
compe i i a do ag ado dos pa icipan es. Os exemplos ap esen ados acima demons am que o
jogo su ge nas a i idades não como um acessó io ec ea i o, o que se ia igualmen e álido na
pe spe i a do desen ol imen o psico-mo o
172
, mas como uma écnica pa a abo da con eúdos
e desen ol e compe ências no domínio da his ó ia. Com exceção do jogo do moinho, que
exis e há mui os séculos, odos os ou os o am concebidos especi icamen e pa a as a i idades
onde se ealizam. Têm, pois, um p opósi o de inido pa a aquele ema em conc e o.
Pa a além dos jogos c iados pa a as a i idades do ipo sessão emá ica com jogo, o am
c iados e u ilizados ou os, que se ap esen am eunidos na abela 32.
Ou as a i idades com
jogo
Nome do jogo
Tipo de jogo
O igem
Dias do Pão
Jogo do Ra o
Ca caça
Quan os-que es
C iação
CAA
Romaniza e
Hipód omo
Tabulei o
C iação
CAA
O Dia da Reconquis a
Jogo da
Reconquis a
Mímica/Desenho/Fo ca/
Pe gun as de escolha
múl ipla
C iação
CAA
Educação Pa imonial no
Colégio Campo de Flo es
Almada
Complicada
Pis as
C iação
CAA
Caça ao Tesou o no Fo e
da Raposei a
Pis as
C iação
CAA
Tabela 32 – Ou as a i idades com jogo
171
O papel do jogo na educação das c ianças oi eo izado po Ka l G oos (1861-1946), e a sua u ilização
educa i a oi de endida po pedagogos como John Dewey (1859 – 1952), O ide Dec oly (1871-1932), en e
ou os.
172
Con o me explica o p o esso Ca los Ne o na sua e lexão sob e o ema, po exemplo, no li o Jogo e
Desen ol imen o da C iança, edi ado pela Faculdade de Mo icidade Humana em 1998.
115
Os jogos são usados em odos os ipos de a i idade: sessão emá ica com o icina (“Dias
do Pão”); a i idade de expe ienciação (“Romaniza e”); a i idades de explo ação de um
espaço (“O Dia da Reconquis a”, “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”); e p og ama
compos o (“Faz- e à T adição”, “Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es”).
Qualque um deles oi c iado no CAA. Na conceção dos jogos há que e em con a a
elabo ação de plano com obje i os, eg as e desen ol imen o, bem como a c iação dos
ma e iais necessá ios.
4.5.3. Sessões emá icas com o icina
As sessões emá icas com o icina, al como as sessões com jogo, são compos as po
duas pa es. Na p imei a o moni o se e-se do Powe Poin pa a abo da os con eúdos e
susci a o deba e (exce o em “Dias do Pão”, onde a p imei a pa e é um espe áculo de
ma ione as); na segunda pa e os pa icipan es p oduzem algo elacionado com o ema. Os
p odu os são os que cons am na abela 33.
Sessões Temá icas com O icina
P odu o Final
Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica
Tex o/Desenho/Resul ado de cálculo ma emá ico
/Canção/Rep esen ação
Cha neca da Capa ica - Pa imónio
Sob eda, His ó ia e Pa imónio
Fe não Mendes Pin o
Elemen o do pa imónio local em ma e iais
eu ilizados
O Pa imónio da Capa ica
Desa io em Cacilhas - Sessão
Do Egi o a Almada
"Réplica" de peça a queológica e ca a em ca a e es
enícios
Dias do Pão
O igami quan os-que es
O Pa imónio da Cos a
Ficha de explo ação p eenchida ao longo da sessão
Os P imei os Po oado es
Lanças em minia u a
Romanos no Vale do Tejo
Ân o as em minia u a
Tabela 33 – Sessões emá icas com o icina
O p imei o conjun o de o icinas egis ado na abela é inspi ado na eo ia das
in eligências múl iplas, de Ha old Ga dne . Os pa icipan es escolhem o que ão p oduzi ,
en e á ias p opos as que apelam à capacidade linguís ica, lógico ma emá ica, musical ou
116
co po al. Em qualque dos casos, o ema que es á na base da p opos a é inspi ado nos
con eúdos da sessão ( o os 31 e 32).
O segundo conjun o engloba o icinas onde se cons ói um obje o com ma e iais
eu ilizados. O moni o o nece a cada aluno um ki com os ma e iais necessá ios, alguns dos
quais ecolhidos p e iamen e pelos pa icipan es. A cons ução obedece a écnicas que o
moni o ai explicado passo a passo ( o o 33). A pa e c ia i a é ealizada em casa com apoio
de amilia es e esul a em peças deco adas das mais a iadas o mas. En e os obje os
p oduzidos encon am-se moinhos, a óis, bo es cacilhei os, aga as, naus, ca oças, e c. Na
sessão “Desa io em Cacilhas” oi escolhido um elemen o di e en e em cada ano, dando o igem
a exposições egula es na mon a pública da Jun a de F eguesia ( o o 34). Desse modo, as
o icinas p omo e am o en ol imen o das amílias e ambém a disseminação dos con eúdos
pa imoniais jun o da comunidade local. A conceção da écnica e ki de mon agem es ão a
ca go de um a is a plás ico, do mesmo modo que a c iação do modelo de “ éplica” de peça
a queológica (um esca a elho de aiança) e de lanças p é-his ó icas em minia u a.
No caso das ân o as em minia u a, a p odução que se ealiza na o icina “Romanos no
Vale do Tejo” esul a da mon agem de agmen os de ce âmica, simulando o es au o
a queológico ( o o 35). As peças u ilizadas são de ac o éplicas minia u izadas (escala 1/10)
das ân o as que e am ab icadas nas ola ias omanas do Po o dos Cacos e Quin a do Rouxinol.
Os agmen os são ob idos pelo ap o ei amen o de despe dício de p odução no CAA pois,
como já oi e e ido, a manu a u a de éplicas é uma das á eas de a i idade da associação.
Conside ou-se a icha de explo ação p eenchida na sessão “O Pa imónio da Cos a”
como p odu o inal. Con udo, a ou-se de uma si uação excecional em que a a e a e a
ealizada no deco e da ap esen ação Powe Poin e não numa segunda pa e. A icha oi
c iada com o obje i o de incen i a a a enção, an ecipando ques ões e pedindo decisões.
Con udo, as sessões deixa am de inclui o p eenchimen o da icha, que se e elou
con ap oducen e po que as c ianças se p eocupa am demasiado com ela, dispe sando a
a enção.
O quan os-que es p oduzido na sessão “Dias do Pão” é um jogo e oi conside ado
enquan o al na abela e e en e a jogos, pois os pa icipan es jogam de ac o. Po ém, pa e da
sua p odução acon ece du an e a o icina. As c ianças ecebem uma olha imp essa que de em
co a e dob a de aco do com as indicações do moni o pa a ob e em o ecu so necessá io ao
117
jogo. A olha em a pa icula idade de con e uma pa e des acá el, com in o mação e
conselhos aos adul os sob e os ODS – Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el.
4.5.4. A i idades de explo ação de um espaço
Iden i ica am-se cinco a i idades des e ipo, lis adas na abela 34. Têm em comum o
obje i o de da a conhece um espaço pa imonial ex e io , a a és de dinâmicas de explo ação
que le am os pa icipan es a descob i-lo, com ou sem acompanhamen o di e o. O núme o de
moni o es en ol idos e a du ação des as a i idades dependem do núme o de pa icipan es,
usualmen e supe io a uma u ma.
A i idades de Explo ação
de um espaço
Espaço
Dinâmica
O Dia da Reconquis a
Ja dim do Cas elo de Almada
Obse ação e egis o
o og á ico, jogos a pa i
de ex os
Caça ao Tesou o no Fo e
da Raposei a
2ª Ba e ia da Raposei a
Jogo de pis as
De e i es da His ó ia nos
Zagallos
Ja dim do Sola dos Zagallos
Peddy pape , ep esen ação
de pe sonagens
Onde es á o Azulejo?
Ja dim do Sola dos Zagallos
Caça ao esou o
De e i es da His ó ia nos
Capuchos
Con en o dos Capuchos
Tea o, Jogo de pis as
Tabela 34 – A i idades de explo ação de um espaço
Algumas das a i idades compiladas nes a ipologia o am e e enciadas, po di e en es
mo i os, em capí ulos an e io es. Cabe ago a explica a di e ença en e o que se en ende po
jogo de pis as, caça ao esou o e peddypape . Nes e úl imo exis e um ex o com ases
incomple as que ai dando indicações do pe cu so a segui pa a descob i de e minados
elemen os. Es es, ao se em encon ados, o necem a in o mação necessá ia pa a comple a as
ases. No jogo de pis as, cada elemen o encon ado o nece uma pis a pa a o passo seguin e.
Na caça ao esou o há um único elemen o a descob i , que de e se encon ado com uma única
pis a. É o caso da a i idade “Onde es á o azulejo”, na qual a pis a é uma imagem do painel de
azulejos a descob i . A a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”, apesa do nome,
é um jogo de pis as, pois cada ez que se a inge um obje i o ecebe-se uma pis a pa a o
seguin e. Em qualque dos casos, a a-se de dinâmicas que pe mi em ica a conhece um
espaço. Algumas ealizam-se em equipa, com ca á e compe i i o, como no Con en o dos
Capuchos, onde as equipas ecebem o nome de um in es igado amoso. Ou as são ei as a
118
pa es, como em “Onde es á o Azulejo?”. Ou as ainda, em g upo, como no Fo e da Raposei a,
onde as condições do local, po ques ões de segu ança, não aconselham deslocações li es. A
au onomia dos pa icipan es é um a o posi i o nas a i idades, na medida em que p omo e a
esponsabilização pessoal.
Es e ipo de a i idades ap oxima emocionalmen e os pa icipan es dos espaços
pa imoniais. A i ência di e a dos luga es, num ambien e descon aído, o na-os amilia es,
cons ói memó ias ag adá eis e c ia ínculos. Aquele espaço deixa de se um sí io an igo onde
ou os i e am, ou um simples ja dim, pa a se o na num luga pessoal e signi ica i o.
En e os ma e iais emp egues nes as (e nou as) a i idades des acam-se os mapas,
bússolas e binóculos usados pa a o ien ação. O seu uso con e e ealismo ao p ocesso de
descobe a e dá uma sensação de missão a cump i que en usiasma os pa icipan es.
4.5.5. A i idades de expe ienciação
Cada a i idade des e ipo cons a de di e sas expe iências p á icas. O modelo de
o ganização consis e em dis ibui os pa icipan es po á eas, al e nando os g upos de o ma
que odos expe imen em as á ias p opos as. As a i idades e expe iências p opo cionadas são
as cons am na abela 35.
A i idade de
Expe ienciação
Á eas
Expe iências
Aldeia P é-His ó ica
Ab igo
Técnicas de alhe lí ico e de aze ogo,
encabamen o de lanças
Caçada
Lançamen o com a co e lecha
Ola ia
Técnicas de moldagem ce âmica
Tecelagem
Fiação, ecelagem em ea , cos u a
Campo de Simulação
A queológica
Baldes
T anspo e de baldes com e a
C i o
C i agem de e a e iagem de ma e iais
Desenho
Desenho de ma e iais
Esca ação
A queológica
Esca ação com écnicas e e amen as
p óp ias
Labo a ó io
Limpeza e esco agem de ma e iais
Fósseis na Quin a
A lo amen o
Iden i icação de ósseis em con ex o eal
Esca ação
Paleon ológica
Esca ação com écnicas e e amen as
p óp ias
Moldagem
Moldagem de conchas (simulação de ósseis)
Romaniza e
Ce á ia
Con eção de ga um
Escola
Esc i a em ábuas de ce a
Hipód omo
Simulação de co ida hípica em jogo
119
Ola ia
Moldagem de luce na (em moldes de gesso)
Quo idianos no
Con en o
Capela
Vi ência do con essioná io
Claus o
Despojamen o
Deambula ó io
In e p e ação e ep odução de símbolo
Do mi ó io
Vi ência da cela. Silêncio. Obscu idade
Re ei ó io
In ospeção. Esc i a com apa o
Tabela 35 – A i idades de expe ienciação
O í ulo “Expe ienciação” aplica-se aqui a si uações de expe iência p á ica. Es as
a i idades di e em das o icinas po que cada uma in eg a á ias p opos as que, em conjun o,
con ibuem pa a conhece uma ealidade his ó ica. Englobam semp e a ação de expe imen a ,
sejam écnicas usadas no passado, a e as dos in es igado es ou condições de ida.
Na “Aldeia P é-his ó ica” expe imen am-se écnicas, um pouco como na a queologia
expe imen al. Usam-se u ensílios semelhan es aos que e am usados na P é-His ó ia, po
exemplo, o ea e o a co. Alguns ma e iais são au ên icos: a gila na ola ia; lã e linho na
ecelagem; peles de animais, sílex e qua zi o no ab igo; a as de salguei o na caçada. Ou os
são imi ações: olhas de co iça na pon a das lanças usadas na caçada e ca ão como supo e
de pin u as “ upes es” ( o os 36 a 39).
No “Campo de Simulação A queológica” há uma expe iência de ipo cien í ico: a
pa i da obse ação das es u u as e ma e iais descobe os são le an adas hipó eses que i ão
a se alidadas, ou não, pela compa ação com peças e con ex os já es udados. Exis e ambém
a expe imen ação do mé odo da a queologia, em e mos de ases de abalho e écnicas de
esca ação.
Do mesmo modo, na a i idade “Fósseis na Quin a”, a expe imen ação es á p esen e
ela i amen e ao abalho do paleon ólogo, no que diz espei o à esca ação e à iden i icação
de ósseis em con ex o eal. A moldagem de bi al es pe mi e ainda comp eende o que
acon ece no p ocesso de ossilização.
A in eg ação de di e sas expe iências numa mesma a i idade e a cons ução de
si uações o mais p óximo possí el da ealidade a ingiu o auge em “Romaniza e” e
“Quo idianos no Con en o”. São usados ma e iais au ên icos, como peixe esco na con eção
de ga um. A conceção implicou cons ui es u u as, ab ica éplicas, con eciona es uá io,
en e mui os ou os emp eendimen os. Cada uma des as a i idades implica, além da
in es igação em on es c edí eis, a c iação de obje os o iginais, a conceção de jogos e ou as
es a égias didá icas, a ob enção de p odu os em pe manen e eno ação ( o os 40 a 43). O
120
ní el de elabo ação e es u u ação de cada uma, bem como as elações que es abelecem en e
con eúdos e expe iências, alcançam es e as de complexidade sem pa alelo nas ou as
a i idades. Vejamos alguns exemplos que o demons am.
Em “Romaniza e”, no espaço “Escola”, exis em ábuas de ce a de abelha em núme o
su icien e pa a uma u ma. As ábuas o am p oduzidas no CAA e a ce a, ob ida jun o de um
apicul o local, em de se aquecida en e cada sessão pa a epo o plano ni elado. O cená io
é compos o po uma mesa baixa, em ol a da qual os pa icipan es se sen am no chão. Em
placas de xis o podem le -se uma lis a de p odu os consumidos no impé io omano, com os
espe i os p eços em moeda omana, e ou a placa com p o issões e alo es de salá io. O
moni o , ou magis e , começa po explica aos pa icipan es que se encon am numa escola,
que ipo de ap endizagens se espe a deles e as eg as de condu a, pa a a aplicação das quais
possui uma a e a que não deixa á de usa (simula ) em caso de necessidade. A dinâmica
consis e em ealiza um exe cício ma emá ico, endo po base si uações da ida eal dos
omanos. Cada pa icipan e escolhe uma p o issão, ecebe o salá io e ai às comp as. Na ábua
de ce a, com um es ile e, az o cálculo do que gas ou e quan o es a do salá io. Te á ainda de
calcula o alo do impos o a paga e sub aí-lo à quan ia de que ainda dispunha. Des a o ma,
os pa icipan es podem ap ende , pela sua expe iência, não apenas sob e Roma An iga, mas
ambém ma emá ica, li e acia inancei a, subp odu os da apicul u a, seus a omas e u ilidade.
Um exemplo da a i idade “Quo idianos no Con en o” pe mi i á demons a ou as
possibilidades didá icas associadas à expe ienciação. No an igo e ei ó io do con en o,
p a ica-se o jejum. Na “lição do dia”, que e a lida po um ade à ho a da e eição, o moni o
explica que no con en o se p ocu a ans o mação in e io , pa a o que há uma p epa ação
ísica e men al. P opõe en ão (com linguagem adap ada ao ní el e á io) que os pa icipan es
esc e am uma ca a a si p óp ios, que só ol a á a se lida passado um ano, ace ca dos seus
medos e ai as e da o ma como cada um lida com essas emoções. A dinâmica assim c iada
abalha emoções comuns na in ância. O clima de silêncio e se enidade, es anhamen e
possí eis em oda a a i idade, a o ece a in ospeção ( o os 44 e 45).
As a i idades de expe ienciação ep esen am um es ádio de e olução a ançado no
depa amen o pedagógico do CAA, que e e início depois da mudança pa a as no as
ins alações. São mais exigen es em e mos de elabo ação, bem como de ecu sos ma e iais e
humanos, con udo, são mais icas em ap endizagens e na p omoção de compe ências.
121
Salien a-se o ca á e sines ésico das a i idades expe ienciais. Há um o e apelo ao
sen ido do a o, pelo manuseamen o de ex u as e manipulação de ma e iais e u ensílios; o
ol a o é ope ado pelo con ac o com subs âncias e ing edien es desconhecidos dos
pa icipan es; a isão é le ada a conhece uma mul iplicidade de obje os, imagens e si uações
no as. A audição é es imulada na expe iência de silêncio conseguida no con en o. O sen ido
do palada não é usado, mas é despe ado in encionalmen e na imaginação, po exemplo, em
elação ao ga um.
Realiza as a i idades em pequenos g upos exige á ios moni o es, mas só assim é
possí el que cada pa icipan e possa expe imen a odas as p opos as, in e agi e segui as
o ien ações do moni o . Es e não se limi a a demons a , mas explica e apoia cada um
indi idualmen e. Cada á ea es á o ganizada com uma sequência de ações que são epe idas
com cada g upo. A du ação habi ual são 120 minu os. Nas escolas que não disponibilizam
esse empo, pois in e e e com os ho á ios es abelecidos, a a i idade é encu ada em p ejuízo
dos alunos. É equen e ealiza á ias ações de seguida, de modo a ab ange á ias u mas da
mesma escola. Pa a da espos a, os moni o es chegam a epe i 16 ezes a mesma sequência
de a e as, o que é exigen e ísica e in elec ualmen e.
Cla i ique-se, po im, que es as a i idades não são demons ações ou ec iações
his ó icas. O uso, pelos moni o es, de es uá io ou ade eços que e oquem épocas his ó icas
não acon ece nas a i idades ealizadas em escolas ou no CAA, uma opção que ejei a
e en uais clichês. Já no Con en o dos Capuchos, ecebe os pa icipan es com hábi o
encapuçado, pés descalços e oz mui o baixa é uma opção undamen ada, no sen ido de
in luencia a pos u a dos isi an es e c ia o ambien e p óp io à expe ienciação da i ência do
espaço con en ual, que é o obje i o da a i idade ( o o 46).
A e mina , uma ci ação de Olaia Fon al que se aplica às a i idades que emos indo a
ca a e iza : “Es es são apenas alguns exemplos das di e en es o mas de acesso ao
conhecimen o do pa imónio; cada um deles en ol e os sen idos, cognição, emoção e
expe iências. O impac o, a pegada ou o esíduo que cada uma dessas ias deixa em nós ende
a se maio – embo a dependa conside a elmen e de cada pessoa – quando i enciamos
expe iências emocionais que en ol em ambém os sen idos e cognição: são os mais
comple os. Po es a azão, a ideia popula de que o que se ap ende com emoção, du a, ixa-se,
128
ciclo, seguido pelo 2º e o 3º ciclo. Pa a a educação p é-escola há duas a i idades elacionadas
com Almada e não se ão conside adas nes a ase po que os documen os e e enciais –
Ap endizagens Essenciais e Pe il dos Alunos – não se aplicam ao ensino p é-escola .
A p imazia do 1º ciclo jus i ica-se po duas o dens de azões, com o igem na escola e
no CAA. O 1º ciclo é o ní el de ensino onde exis e um apelo mais acen uado à descobe a do
meio local, o que aumen a a p ocu a de a i idades e mo i a o CAA a da mais espos as. Po
ou o lado, o 1º ciclo es á, em alguns domínios, ab angido pelas compe ências das au a quias
locais. Quando es as es ão abe as a p opos as de dinamização das escolas si uadas no seu
e i ó io, como é o caso das Jun as de F eguesia pa cei as do CAA, a p odução de a i idades
é acili ada pelo apoio dessas en idades.
No caso dos 2º e 3º ciclos, a á ea cu icula que inclui a His ó ia admi e, como imos
em elação aos con eúdos, ligações en e emas ge ais, nacionais e locais. Essas ligações
susci am opo unidades de i ao encon o das ma é ias lecionadas nas disciplinas, c iando
p opos as a que os p o esso es econheçam u ilidade. Caso con á io, o cump imen o dos
p og amas e as condicionan es impos as pelo sis ema a que es ão sujei os dissuadem-nos de
in oduzi nas plani icações a i idades dispensá eis. No 1º ciclo, com um p o esso apenas e
dis ibuição lexí el das componen es cu icula es no ho á io le i o, o na-se mais ácil ade i
a p opos as di e enciado as, do que nos ciclos seguin es.
Ce as a i idades di igem-se an o ao 2º como ao 3º ciclo. Na ealidade, as p opos as
são semp e adap á eis. Há á ios pe íodos his ó icos que são a ados em ambos os ní eis,
apenas com di e en es abo dagens ou ap o undamen o. É o caso da P é-His ó ia e da
omanização, emas eco en es nas a i idades do CAA. Es as não são c iadas com a in enção
de aze uma colagem aos con eúdos p og amá icos, an es êm como p io idade ap esen a
si uações locais, que se p es am de igual modo a se incluídas em qualque ní el de ensino.
129
1.2. Relação en e os Con eúdos das A i idades e as Ap endizagens Essenciais (AE)
O c uzamen o en e os con eúdos das a i idades e as AE apu ou um o al de 31 i ens178, que
podem se consul ados na o alidade no anexo 2. O g á ico 8 ap esen a a dis ibuição do
núme o de i ens ab angidos, sem dis ingui ní eis de ensino:
G á ico 8 – Núme o de i ens das Ap endizagens Essenciais ab angidos pelas a i idades
P edominam os con eúdos elacionados com as AE do Es udo do Meio, pois a maio ia
das a i idades di ige-se ao 1º ciclo, que é o único onde exis e essa á ea disciplina . As
disciplinas de His ó ia e Geog a ia de Po ugal e de His ó ia ap esen am o mesmo núme o de
i ens, no e em cada uma. A Educação Tecnológica es á ep esen ada com ês i ens. Em
Educação A ís ica e Educação Visual iden i ica am-se dois i ens, um em cada disciplina.
Os con eúdos das a i idades di igidas ao 1º ciclo elacionam-se com as AE de Es udo
do Meio, na medida em que se enquad am nos obje i os ge ais da disciplina, pa icula men e
no que diz espei o à alo ização da iden idade e espei o pelo e i ó io. A iden i icação de
elemen os na u ais, sociais e ecnológicos do meio en ol en e é ou o obje i o que ambém
se econhece nas a i idades, assim como iden i ica acon ecimen os elacionados com a
his ó ia local e nacional.
178 En endem-se po i ens das AE, os Conhecimen os, Capacidades e A i udes indicados no capí ulo
Ope acionalização das Ap endizagens Essenciais de cada ano e disciplina.
1
1
3
9
9
11
0246810 12
Educação A ís ica
Educação Visual
Educação Tecnológica
H.G.P.
His ó ia
Es udo do Meio
130
Em His ó ia e Geog a ia de Po ugal, as AE enume adas apon am pa a as
compe ências especí icas da disciplina, algumas das quais são cla amen e p omo idas pelas
a i idades, como é o caso de “Conhece , semp e que possí el, episódios da his ó ia egional
e local, alo izando o pa imónio his ó ico e cul u al exis en e na egião/local onde
habi a/es uda”
179
. Do mesmo modo, icou pa en e na análise dos con eúdos que as a i idades
pe mi em “Reconhece a ação de indi íduos e de g upos em odos os p ocessos his ó icos e
de desen ol imen o sus en ado do e i ó io”
180
, pa icula men e ao ap esen a exemplos de
igu as locais que agi am nesse sen ido.
Em His ó ia, as a i idades apon am ambém pa a compe ências especí icas da
disciplina, na medida em que pe mi em elaciona , po um lado, as o mas de o ganização do
espaço com os elemen os na u ais e humanos aí exis en es em di e en es épocas his ó icas e,
po ou o lado, liga as ap endizagens à his ó ia local e egional. De aco do com o
le an amen o de emas abo dados nas a i idades, é e iden e a sua p oximidade com es es
obje i os.
No caso da Educação Tecnológica, as AE enunciadas enquad am-se em obje i os
elacionados com a manipulação de ma e iais e ins umen os di e si icados, a execução de
ope ações écnicas usando me odologias de abalho adequadas e a c iação de p odu os em
a i idades expe imen ais. São si uações comuns nas o icinas e a i idades expe ienciais
p omo idas pelo CAA.
Quan o às A es Visuais é impo an e e e i que, em qualque um dos ciclos, as AE
es ão es u u adas em ês domínios/o ganizado es: ap op iação e e lexão; in e p e ação e
comunicação; expe imen ação e c iação. Os i ens que se elacionam com os con eúdos das
a i idades em análise si uam-se p incipalmen e no p imei o domínio, onde se encon a o apelo
a que se incen i e a ap eciação es é ica e a ís ica, a pa i da expe iência de cada aluno. É o
que acon ece nas a i idades que le am os pa icipan es a con ac a di e amen e com ob as de
a e pública.
É de salien a que, no conjun o das AE analisadas, apenas as A es Visuais azem
e e ência à ap endizagem em con ex o não o mal: “As ap endizagens que deco em des es
179
Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 5º ano / 2º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia
e Geog a ia de Po ugal (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 3.
180
Idem.
131
Domínios de e ão se u ilizadas pelos alunos em di e en es con ex os, em ações p á icas e
expe imen ais (…) em ambien es o mais e não o mais”181.
A ecomendação ci ada nas linhas an e io es susci a duas e lexões ace ca das
p opos as educa i as do CAA. A p imei a p ende-se com o ên ase dado à p á ica e
expe imen ação, que é uma apos a ní ida do depa amen o pedagógico. No a-se que o caminho
omado no p ocesso c ia i o in e no oi cada ez mais nesse sen ido. A segunda e lexão em
a e com a menção aos ambien es não o mais. A ação educa i a que emos indo a analisa
p opo ciona ap endizagens nesse ipo de ambien e. O desen ol imen o da educação
pa imonial, que es á p e is o no cu ículo, pode ia se conc e izado a a és da c iação de
condições pa a acili a o acesso das escolas a expe iências não o mais de ap endizagem.
2. Relação en e as A i idades e o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
(PASEO)
O Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (PASEO) oi es abelecido
pelo Despacho n.º 6478/2017. É o documen o e e encial do a ual sis ema de ensino em
Po ugal, es ando na base das decisões a ní el polí ico, de ges ão cu icula “e, ainda, pa a a
de inição de es a égias, me odologias e p ocedimen os pedagógico-didá icos a u iliza na
p á ica le i a”182.
A inalidade é adap a a Escola às no as ealidades sociais e ecnológicas, pa a que o
aluno possa “ esponde aos desa ios complexos des e século”183. Nesse sen ido, o documen o
enuncia dez á eas de compe ências a desen ol e ao longo da escola idade ob iga ó ia:
Linguagens e Tex os; In o mação e Comunicação; Raciocínio e Resolução de P oblemas;
Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o; Relacionamen o In e pessoal; Desen ol imen o
Pessoal e Au onomia; Bem-Es a , Saúde e Ambien e; Sensibilidade Es é ica e A ís ica; Sabe
Cien í ico, Técnico e Tecnológico; Consciência e Domínio do Co po.
181 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 1º Ciclo do Ensino Básico / Educação
A ís ica - A es Visuais (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 4.
182 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia - Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Lisboa:
Minis é io da Educação/Di eção Ge al da Educação, p. 8.
183 Idem, p.7.
132
Compe ências são, segundo a de inição do PASEO, “combinações complexas de
conhecimen os, capacidades e a i udes”184, ans e sais a odas as á eas cu icula es e sem
hie a quia en e si. Pa a cada uma das á eas de compe ências, o documen o ap esen a um
conjun o de Desc i o es Ope a i os, ou seja, as ações que os alunos de em ealiza pa a as
desen ol e .
2.1. Relação en e as ações dos pa icipan es e os desc i o es ope a i os do Pe il dos
Alunos
Com base na desc ição das a i idades oi ei o um le an amen o exaus i o das ações
ealizadas pelos pa icipan es. Essas ações o am con on adas com os Desc i o es Ope a i os
do PASEO e associadas às espe i as á eas de compe ências, con o me se ap esen a no anexo
3. Ve i ica-se que, no conjun o de a i idades, os pa icipan es ealizam um conside á el
núme o de ações elacioná eis com os Desc i o es Ope a i os do PASEO, ou mani es amen e
equipa adas.
2.2. Á eas de Compe ências Po enciadas pelas A i idades
O c uzamen o das ações dos pa icipan es com os desc i o es ope a i os do PASEO
conduziu ao econhecimen o do po encial das a i idades, a ní el do desen ol imen o de
compe ências. As compe ências po encialmen e desen ol idas po cada uma das a i idades
são ap esen adas no anexo 4.
O g á ico 9, que se ap esen a de seguida, pe mi e ainda conside a a equência com
que cada á ea de compe ências do PASEO é econhecida nas a i idades:
184 Idem, p.19.
133
G á ico 9 - Pe cen agem de a i idades associadas ao desen ol imen o de cada uma das á eas
de compe ências do Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
Obse a-se que a á ea de Linguagem e Tex os es á p esen e em g ande pa e das
a i idades (88%), o que se elaciona p incipalmen e com o ac o de ha e ecu so a guiões
com ex os e espaços de egis o esc i o nas isi as, se p oje a em pala as-cha e nas sessões
emá icas e se usa em ex os em pis as nas dinâmicas de explo ação dos espaços, po exemplo.
Desse modo, as a i idades p omo em a li e acia no sen ido clássico, a capacidade de le e
esc e e , mas não apenas nessa o ma, já que ou os ipos de li e acia são ambém es imulados,
como a li e acia cul u al, his ó ica e pa imonial.
Compa a i amen e, a á ea de In o mação e Comunicação ap esen a um núme o
in e io de oco ências (63%), es ando mais associada a a e as que implicam ob e
in o mação obse ando o meio en ol en e ou os obje os e comunicá-la. A exp essão o al es á
p esen e em odo o ipo de a i idades, sendo mui o impo an e nas dinâmicas c iadas em sala
de aula, onde o moni o se se e do diálogo pa a o ien a as sessões.
A á ea de Sensibilidade Es é ica e A ís ica es á bas an e ep esen ada (83%), em
con as e com o núme o de i ens das AE de Educação A ís ica iden i icados nas a i idades
(dois i ens). Es e dado pe mi e conclui que, embo a os con eúdos das a i idades se elacionem
com uma pequena pa e do mundo das a es, as a e as que os alunos ealizam ão ao encon o
do desen ol imen o de compe ências nessa á ea. Po exemplo, a a és da ap eciação de
di e sos ipos de a qui e u a e a e pública nas isi as guiadas, da cul u a ma e ial de á ias
épocas, nas sessões emá icas, e do con ac o di e o com o pa imónio local, nas a i idades de
20%
29%
46%
56%
59%
63%
71%
80%
83%
88%
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o
Desen ol imen o Pessoal e Au onomia
Sabe Cien í ico, Técnico e Tecnológico
Raciocínio e Resolução de P oblemas
Consciência e Domínio do Co po
In o mação e Comunicação
Bem-Es a , Saúde e Ambien e
Relacionamen o In e pessoal
Sensibilidade Es é ica e A ís ica
Linguagens e Tex os
134
explo ação de espaços. Além disso, o desenho é u ilizado como mé odo de egis o, o que
pe mi e p a ica écnicas a ís icas.
Si uação semelhan e ap esen a a á ea de sabe Cien í ico, Técnico e Tecnológico,
p esen e em 46% das a i idades. Apu a am-se apenas ês i ens das AE de Educação
Tecnológica, mas há uma lis a conside á el de a e as nessa á ea, po exemplo, nas sessões
com o icina e nas a i idades de ipo expe iencial.
A á ea de Relacionamen o In e pessoal, sinalizada em 80% das a i idades, esul a da
execução de a e as a pa es ou em equipa, po exemplo, nos jogos. Associamos ambém a
alguns jogos a á ea de Consciência e Domínio do Co po, mas o maio con ibu o pa a es a
úl ima se iden i icada em 59% das a i idades é dado pelas isi as guiadas, que ob igam
necessa iamen e a caminha . As a i idades de ipo expe iencial p omo em igualmen e o
desen ol imen o des a á ea de compe ências.
Os jogos su gem mais uma ez como exemplo de a i idades que p omo em o
Raciocínio e Resolução de P oblemas, iden i icado em 56% das a i idades. Des acam-se ainda
nes a á ea o cálculo ma emá ico e as es a égias que eque em o ien ação.
A á ea de Bem-Es a , Saúde e Ambien e me ece uma a enção especial no sen ido de
undamen a a sua ligação a 71% das a i idades. É nes a á ea de compe ências que se in eg a
a esponsabilidade ambien al, a qual en endemos necessa iamen e ligada à pe ceção do meio.
A desc ição das a i idades e e e mui as si uações nas quais os pa icipan es in e p e am a
paisagem, que es ejam em con ac o di e o com ela, que es ejam em sessões onde a
obse ação de imagens pe mi e elacioná-la com a his ó ia e o pa imónio. O PASEO apon a
como implicações p á icas da aplicação dos seus p incípios e alo es dois ópicos que
p essupõem o conhecimen o do meio local: “Abo da os con eúdos de cada á ea do sabe ,
associando-os a si uações (…) p esen es no meio sociocul u al e geog á ico em que se inse e”;
“O ganiza e desen ol e a i idades (…) o ien adas pa a (…) a omada de consciência de si,
dos ou os e do meio (…)”185. Assim, az-nos sen ido conside a as a e as de in e p e ação da
paisagem como eículos de desen ol imen o de compe ências ambien ais. Também a
eu ilização de ma e iais, p esen e em algumas o icinas, e o econhecimen o de espécies da
185 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia –Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Lisboa:
Minis é io da Educação/Di eção Ge al da Educação, p. 31.
135
lo a e auna do ecossis ema local são a e as associadas à á ea de Bem-Es a , Saúde e
Ambien e.
Po im, emos duas á eas de compe ências com poucas e idências: Desen ol imen o
Pessoal e Au onomia (29%); Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o (20%). A p imei a
es á associada a a e as indi iduais que nes as a i idades são mui as ezes subs i uídas po
a e as a pa es ou em equipa, con o me expos o pa a a á ea de Relacionamen o In e pessoal.
Em con ex o de u ma, numa a i idade pon ual com du ação limi ada, o indi íduo pe de a
a o do g upo. Ainda assim, encon amos em algumas a i idades a ação au ónoma, a e lexão
pessoal e a possibilidade de decidi as p óp ias a e as, escolhendo en e á ias al e na i as.
A á ea de Pensamen o C í ico e C ia i o su ge associada a a i idades que p omo em si uações
de deba e e e lexão, susci adas pela análise de si uações da his ó ia, a sua ansposição pa a
a a ualidade e a in e p e ação de con ex os a queológicos.
As a i idades educa i as do CAA demons am que é possí el c ia pa alelismos com
o cu ículo o mal a a és de p opos as que enham em con a, não apenas a ansmissão de
con eúdos complemen a es aos p og amas escola es, mas ambém o desen ol imen o de
compe ências em di e en es á eas. As a uais o ien ações polí icas em ma é ia de educação
es abelecem obje i os educa i os que ão mui o além da aquisição de conhecimen os.
Ap ende a aze , a i e e a in e agi com os ou os con ibui pa a a o mação de cidadãos
conscien es e a i os. A escola é enco ajada a lexibiliza os seus p ocessos no sen ido da
inclusão e da coope ação. O cená io de mudança que o ensino a a essa é uma opo unidade
pa a a in odução de no as p á icas elacionais en e os p o esso es e as ins i uições locais. A
colabo ação des as se á ão mais ú il quan o mais sensí el à ealidade do mundo escola , que
é o eixo cen al da in e enção educa i a.
136
IV. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES PELOS PROFESSORES
P e ende-se nes a ase a e i a adequação das a i idades educa i as do CAA ao
con ex o educa i o o mal, de aco do com a opinião dos p o esso es. Que emos sabe se os
p o esso es que acompanha am as u mas pa icipan es conside a am as a i idades
ap op iadas aos seus obje i os, enquan o agen es educa i os locais, e po quê.
1. Ca a e ização dos Ques ioná ios de A aliação
As a i idades educa i as do CAA o am a aliadas pelos p o esso es pa icipan es
a a és de ques ioná ios p eenchidos no inal de cada ação. No a qui o do CAA exis em 596
ques ioná ios, aplicados en e 2001 e 2018. Os pa icipan es não a alia am as a i idades.
Os ques ioná ios não são odos iguais, mas no ge al são compos os po ês pa es ( e
exemplos no anexo 5). Na p imei a a e iguam a opinião dos p o esso es ace ca dos con eúdos da
a i idade, didá ica, adequação ao cu ículo e desempenho dos moni o es. As espos as são de ipo
es u u ado: Mui o adequado, Mode adamen e adequado, Pouco adequado e Nada adequado.
Na segunda pa e dos ques ioná ios são colocadas ques ões de ipo dico ómico, com espos a
Sim ou Não. Encon amos aqui pe gun as como A a i idade oi p epa ada p e iamen e com
os alunos? Pensa explo a os mesmos con eúdos de ou a o ma? A du ação da a i idade é
adequada? e No ge al os alunos gos a am da a i idade? Na e cei a pa e há um campo abe o
des inado a Obse ações/Suges ões. No inal, o ques ioná io é assinado pelo p o esso que, nos
ques ioná ios mais ecen es, é ainda con idado a esc e e o seu ende eço de e-mail, se p e ende
ecebe in o mação ace ca de a i idades do CAA.
Numa p imei a abo dagem ao ma e ial ecolhido e i ica-se que os pa âme os não são
enunciados semp e da mesma o ma. Po exemplo, no caso do pa âme o ela i o a con eúdos
su gem as designações Con eúdos, In e esse dos con eúdos e In e esse ge al dos con eúdos. O
pa âme o que a alia a Adequação ao cu ículo nem semp e es á p esen e e só em alguns casos
possibili a ao p o esso a indicação da disciplina no âmbi o da qual ealizou a a i idade. A
Abo dagem didá ica é po ezes subs i uída po A i idade lúdica/Jogo. A escala ambém a ia:
nem odos os ques ioná ios ap esen am a opção Nada Adequado. A di e ença de
pa âme os e de escala e i ica-se que em ques ioná ios ela i os a di e en es a i idades, que
den o da mesma a i idade. Po ou o lado, uma obse ação ge al dos ques ioná ios deu a
137
en ende que a quase o alidade das opções assinaladas na p imei a pa e se si uam na espos a
Mui o Adequado e, na segunda pa e, na espos a Sim. Na e cei a pa e, cons i uída po um
campo abe o pa a Obse ações/Suges ões, uma p imei a lei u a suge e que os egis os
esc i os ão ao encon o dos mesmos i ens: con eúdos, cu ículo, moni o es, didá ica; e
mani es am opiniões, além de suges ões e comen á ios di e sos. Nes e campo de espos a
abe a dep eendemos que, pelo ac o de escolhe em li emen e os aspe os a comen a , os
inqui idos mencionam aqueles que conside am mais ele an es.
Em sín ese, os ques ioná ios de a aliação não ab angem odas as a i idades nem ações;
são compos os po á ios ipos de ques ões; não ap esen am pa âme os nem escalas de
a aliação uni o mes; con êm egis os esc i os pelos p o esso es.
2. Cons i uição do Uni e so de Análise
Pa a de e mina o conjun o de ques ioná ios e as ques ões a analisa o am
es abelecidos alguns c i é ios. Começámos po e em con a que o obje i o des a análise diz
espei o ao con ex o educa i o de Almada. Nesse sen ido, o p imei o passo oi exclui os
ques ioná ios e e en es a a i idades cujos con eúdos não se elacionam di e amen e com es e
e i ó io. O segundo c i é io esul a das lei u as p é ias acima desc i as: as ques ões de
espos a echada não são homogéneas e os i ens assinalados apa en am pouca a iedade de
opiniões. Conside a-se ainda que os egis os esc i os podem se mais icos, con o me esc e eu
Lau ence Ba din: “Na in es igação po inqué i o, o ma e ial e bal ob ido a pa i de ques ões
abe as é mui o mais ico em in o mações do que as espos as a ques ões echadas ou p é-
codi icadas”186. Assim, op ámos pela análise dos dados ecolhidos no campo
Obse ações/Suges ões. Uma ez que nem odos os p o esso es esc e e am nesse campo,
i emos de exclui da análise algumas a i idades que, apesa de e em sido a aliadas, não
ap esen am qualque egis o de obse ações ou suges ões.
Depois de aplicados os c i é ios acima expos os, ob e e-se um uni e so de análise
cons i uído po 184 egis os esc i os, ela i os a 27 a i idades, que co espondem a 66% do
186 BARDIN, Lau ence (2016). Análise de Con eúdo. São Paulo: Almedina B asil, p. 182.
144
que se aduziu na explicação das azões pa a de e minada opinião. Po ou o lado, esses ex os
pe mi em conhece aspe os que não o am idos em con a nas ou as pa es dos ques ioná ios,
como a sa is ação dos p óp ios p o esso es, e a ende a múl iplas obse ações, que e o çam
a ca a e ização das a i idades ealizada nos capí ulos an e io es.
Assim, a pa i da análise é possí el conclui que os p o esso es que deixa am egis o
esc i o:
- Conside am as a i idades in e essan es do pon o de is a dos con eúdos po que abo dam
aspe os do meio local, a sua his ó ia e pa imónio;
- Valo izam nas a i idades o ca iz lúdico e o en ol imen o a i o dos alunos;
- Reconhecem a sua u ilidade enquan o ecu so pa a o desen ol imen o do cu ículo;
- Elogiam a compe ência dos moni o es;
- Con i mam a sa is ação dos seus alunos a a és da a enção e mo i ação que e elam;
- Suge em melho amen os e a con inuidade das a i idades, p opondo o seu inc emen o;
- Decla am-se ag adecidos e en iquecidos.
Des e modo, podemos a i ma que os p o esso es que a alia am as a i idades
analisadas no p esen e abalho as conside a am adequadas ao seu con ex o educa i o.
Valo iza am os con eúdos, ap ecia am a didá ica e elogia am os moni o es. Deixa am
egis ada a sa is ação dos alunos, de aco do com o seu pon o de is a, já que os p óp ios alunos
não i e am opo unidade de pa icipa na a aliação.
145
Conclusões
Ao longo des e abalho oi ap esen ada a ação educa i a do Cen o de A queologia de
Almada (CAA). En e 1998 e 2018, o CAA desen ol eu um p og ama de educação
pa imonial que ab angeu dezenas de milha es de alunos das escolas locais. Ao longo dessas
duas décadas o am c iadas pe o de meia cen ena de a i idades elacionadas com o e i ó io
de Almada, a maio ia das quais ealizada du an e á ios anos consecu i os.
Os con eúdos abo dados nas a i idades mos am uma isão não educionis a de
pa imónio, que in eg a múl iplos elemen os ma e iais e ima e iais, na u ais e cul u ais,
paisagens e e i ó io. Mos am ambém o p opósi o de ansmi i a his ó ia local e a o ma
como es a se elaciona com a his ó ia ge al e nacional. Os con eúdos ab angem 10 das 11
eguesias de Almada e as á ias paisagens cul u ais do concelho.
As a i idades são de á ios ipos, ealizam-se nas uas, nas salas de aula e no p óp io
CAA. Incluem isi as guiadas, sessões emá icas, a i idades de explo ação de espaços
pa imoniais, a i idades de expe ienciação e p og amas compos os po á ias a i idades em
ambien e le i o ou du an e as é ias escola es. As isi as são pe cu sos na en ol en e das
escolas, nos núcleos his ó icos, em con ex o u bano e u al, que pe mi em o con ac o com o
e i ó io e a obse ação di e a do pa imónio e das paisagens. As sessões emá icas são
cons i uídas po uma pa e eó ica e ou a p á ica, podendo es a cons a de um jogo alusi o ao
ema ou de uma o icina. Os jogos o am c iados no CAA especi icamen e pa a as sessões. Nas
o icinas, são po ezes cons uídos obje os em ma e iais eu ilizados, segundo um modelo
concebido p e iamen e. Nou as o icinas, os pa icipan es escolhem en e á ias p opos as
al e na i as que apelam a di e en es ap idões. As a i idades de explo ação de espaços
en ol em compe ição em equipa ou descobe a au ónoma de elemen os de in e esse
pa imonial. As a i idades de expe ienciação con emplam á eas dis in as onde os pa icipan es
expe imen am a e as ou i ências associadas a épocas passadas.
Aplicam-se nas a i idades es a égias didá icas mui o a iadas, que ão da lei u a em
oz al a à con eção de ga um com ing edien es au ên icos, passando pela pesca apeada e a
ep esen ação de pe sonagens, en e an as ou as.
Nos con eúdos das a i idades encon am-se emas con emplados nas Ap endizagens
Essenciais das disciplinas que, no ensino básico, in eg am o pa imónio nos seus p og amas.
146
As ações ealizadas pelos pa icipan es po enciam o desen ol imen o das compe ências
indicadas no Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia.
Os p o esso es que acompanha am u mas nas a i idades educa i as do CAA
p eenche am ques ioná ios de a aliação. Os seus comen á ios alo izam as a i idades po
incidi em sob e emá icas locais, u iliza em es a égias didá icas a i as com uma componen e
lúdica e con e em ligações aos cu ículos. A sa is ação dos alunos é no ada pelos docen es,
que ambém mani es am o seu ag ado pessoal. Dão suges ões de melho ia, mas incen i am à
con inuidade das ações e ao ala gamen o a ou os públicos.
Os esul ados da análise le ada a cabo mos am uma ação educa i a baseada no
e i ó io de Almada, elacionada com os cu ículos de ensino, ap o ada pelos p o esso es e
do ag ado dos alunos. Esses a o es le am-nos a conclui que a ação educa i a do CAA é um
exemplo álido de educação pa imonial anco ada no e i ó io. Além disso, o le an amen o
emá ico e e uado comp o a o po encial educa i o do pa imónio de Almada, en endido como
p odu o da in e ação en e as pessoas e os luga es a a és do empo.
Re lexões inais
Com is a a uma e lexão inal ace ca do nosso obje o de es udo, con on amos os
esul ados des e abalho com ópicos que, de aco do com Pablo de Cas o Ma ín
192
pe mi em
sinaliza bons p oje os de educação pa imonial. O in es igado , memb o da equipa do
Obse a ó io de Educação Pa imonial em Espanha, cen a a sua a i idade académica em
ques ões de ino ação educa i a. A sua pe spe i a ajuda -nos-á a conside a o pe cu so do
depa amen o pedagógico do CAA e a disce ni linhas de a uação u u a.
Em p imei o luga , a i ma que um bom p oje o de educação pa imonial combina
en oques adicionais com a explo ação de linhas de ação eme gen es, como a
in e cul u alidade, os pa imónios ín imos, a adap ação à di e sidade uncional. Não
encon amos essas abo dagens nas a i idades analisadas e se ia impo an e ê-las em con a no
u u o. A in e cul u alidade encon a ia espaço pa a se abalhada, num concelho onde
esidem pessoas de mui as o igens. Em Almada, o núme o de habi an es na u ais de países
192
CASTRO MARTÍN, Pablo de (2020). “¿Cómo lo hacen o os? Reco ido po las mejo es p ác icas en
educación pa imonial” (pp. 99-118) in FONTAL (2013) Op ci .
147
es angei os, co espondia, em 2011, a 12% da população esiden e e as nacionalidades, em
2016, e am 94
193
. Num le an amen o que ealizámos em cinco escolas do concelho, em apenas
14 u mas, ecolhemos “ esou os” do pa imónio de 11 países
194
.
Em segundo luga , Pablo de Cas o Ma ín apon a como a o de qualidade num p oje o
de educação pa imonial a u ilização de e amen as TIC, edes sociais, aplicações, ealidade
aumen ada, e c. Esses ecu sos não o am u ilizados nas a i idades do CAA. Caso o
depa amen o pedagógico se man i esse a i o, a u ilização desse ipo de e amen as
encon a ia um umo na u al, endo em con a as adap ações ealizadas nas escolas de ido à
pandemia de Co id-19 e o p og ama de digi alização daí deco en e
195
.
Em e cei o luga , um bom p oje o de educação pa imonial con a com uma es u u a
es á el que pe mi e c esce , ganha complexidade e iqueza, chega a mais des ina á ios e
ga an i ínculos mais es ei os. A es u u a associa i a do CAA con e e ao seu p oje o
educa i o con o nos mui o p óp ios, alguns dos quais exclusi os. A conceção das a i idades
con a com um legado de conhecimen o eunido ao longo de qua o décadas, pa icula men e
sob e o e i ó io de Almada, os seus pa imónios e paisagens. O supo e cien í ico é ga an ido
po consul o es em di e sas á eas, que são sócios, colabo ado es ou amigos. Também em
ques ões écnicas, os sócios e olun á ios são uma mais- alia na cons ução das a i idades. A
equipa do depa amen o pedagógico inclui pessoas com as mais di e sas o mações e
expe iências de ida, o que pe mi e aba ca con ibu os mul i ace ados, en e os quais de
a is as plás icos e a o es. O ac o de se uma en idade p i ada, sem sujeição polí ica nem
dependência ins i ucional, sal agua da a libe dade c ia i a, pe mi e lexibilidade na ges ão de
ma e iais e ecu sos, o na possí el a espon aneidade e a espos a a desa ios inespe ados. Po
ou o lado, um p oje o desen ol ido numa es u u a associa i a como o CAA encon a
di iculdades que lhe causam ins abilidade. O inanciamen o é um p oblema quase pe manen e,
ob igando a que a equipa epa a o empo en e a ação educa i a e ou as solici ações, po
exemplo a ní el adminis a i o. Ainda assim, ao longo do pe íodo analisado a endência oi
193
Dados do Plano Municipal de In eg ação de Mig an es de Almada 2018-2020.Câma a Municipal de
Almada.
194
Esse le an amen o oi ealizado em 2019 no âmbi o do p oje o “Mais Lei u a, Mais Sucesso”, da Câma a
Municipal de Almada e deu o igem à exposição O Nosso Tesou o – Pa imónio Cul u al dos alunos de Almada,
que es e e pa en e nas escolas em 2020. Alguma in o mação sob e esse abalho pode se ob ida em:
h ps://a olink.p /almada- e ela- esou o-mundial-ab ilhan ado-po -12-joias-a icanas/
e em h ps://www.you ube.com/wa ch? =x1MTWCJ5H3o& =2491s (acessos em 12/8/2021)
195
O P og ama de Digi alização pa a as Escolas é implemen ado no âmbi o do Plano de Ação pa a a T ansição
Digi al, (Resolução do Conselho de Minis os n.º 30/2020).
148
no sen ido do c escimen o: em núme o de a i idades c iadas e disponí eis pa a as escolas, de
ações ealizadas anualmen e e de pa icipan es. O g au de elabo ação oi-se o nando mais
complexo e su gi am p opos as mais icas, de que são exemplo as a i idades de ipo
expe iencial. O sucesso dessas p opos as não e i ou os cons angimen os inancei os que
le a am à suspensão da a i idade educa i a do CAA, an es os e á alimen ado, pelo que o
p osseguimen o das ações e ia de ga an i p e iamen e a sua sus en abilidade.
Em qua o luga , há que e em con a a a aliação do p oje o, no sen ido de o melho a
e ambém de conhece o seu impac o a ní el de ansmissão do pa imónio, ga an indo que
pe mi e a c iação de ínculos pessoais e comuni á ios. As a i idades educa i as do CAA
o am a aliadas apenas pelos p o esso es. Os pa icipan es não i e am opo unidade de
mani es a a sua opinião e ambém não é possí el sabe o que de ac o ap eende am dos
con eúdos abo dados. Ob e in o mação álida, que pe mi isse econhece a c iação de
ínculos com o pa imónio, exigi ia que, desde o início, osse aplicado um p ocesso a alia i o
com me odologia adequada a esse obje i o.
O quin o c i é io ecomenda que o p oje o conco a pa a o desen ol imen o eó ico-
p á ico da educação pa imonial, a a és do desen ol imen o e di ulgação de um es udo no
âmbi o cien í ico. Nesse aspe o, espe amos da um pequeno con ibu o com o p esen e
abalho e deseja íamos que ele iesse a ocasiona e lexão e deba e.
Em sex o luga , é necessá io que o p oje o es abeleça um ínculo es ei o en e os
pa icipan es e os bens cul u ais, median e o ecu so a p ocessos de ap op iação simbólica.
Sob esse pon o de is a, pensamos que algumas a i idades p omo em uma de e minada
iden idade cul u al de Almada. Is o po que, no que diz espei o a emá icas como o
associa i ismo e a esis ência democ á ica, são ansmi idos alo es que julgamos econhece
na pe ença a es e e i ó io.
O sé imo c i é io diz espei o à elação com os con eúdos escola es. Pela análise
ealizada e i icamos que as a i idades educa i as do CAA apos am nessa elação, indo ao
encon o das ap endizagens e o ien ações cu icula es em igo .
No oi a o c i é io encon a-se a e e ência à colabo ação de di e en es pa cei os, já
mencionada a p opósi o da es u u a associa i a do CAA, cuja pos u a de abe u a e inclusão
pe mi e acede a di e sas colabo ações di e as e indi e as. Cabe ainda aludi às pa ce ias com
escolas, au a quias, museus, ins i uições cul u ais e cien í icas, bem como com ou as
associações, sem as quais não se ia possí el ealiza as a i idades. A cul u a associa i a é
149
in insecamen e undada na coope ação e apoia-se num ecido elacional mul i ace ado que
ce amen e pe manece á.
O nono e úl imo c i é io apela à c iação de ní eis de comp eensão e ap o undamen o
adap ados aos pa icipan es; e que, de um mesmo elemen o, se açam su gi di e sas
abo dagens e linhas de ação. Nesse aspe o, é undamen al conside a o pon o ulc al das
p opos as de educação pa imonial do CAA. O CAA não possui uma coleção, como no caso
dos museus, nem ge e um monumen o ou ou o elemen o singula . O seu p oje o dispõe da
as idão e i o ial de Almada como elemen o pa imonial de eleição: das di e sas paisagens,
dos espaços e equipamen os, das memó ias i as ou esc i as, da ex ensa ampli ude empo al
que ai do subs a o Miocénico às es u u as cons uídas con empo âneas e aos aços
in angí eis que a a essam o empo. Po conseguin e, a desc ição ealizada nes e abalho
mos a que, a pa i de um mesmo elemen o, nes e caso o e i ó io local, su gi am a i idades
com di e sas abo dagens e linhas de ação.
Enquan o p omo o de educação pa imonial, o CAA não possui o olha da escola, mas
não deixa de p ocu a no e i ó io espos as conducen es a obje i os cu icula es, descob indo
ecu sos pa a ensina com e pa a o pa imónio. Não ado a, igualmen e, o olha do município,
ocado na adminis ação e i o ial e espe i as a ibuições. Con udo, desempenha de ce a
manei a unções municipais ao implemen a ações p óp ias da Cidade Educado a que Almada
se o gulha de se . O olha do CAA sob e Almada é o de uma associação que conhece o
e i ó io e alo iza o seu pa imónio. P ocu ando que a comunidade local ambém o conheça
e alo ize, iden i ica as opo unidades de educação exis en es no pa imónio de p oximidade
e na his ó ia local e le a a cabo ações de educação pa imonial que con ibuem pa a aze de
Almada um au ên ico e i ó io educado .
150
Re e ências Bibliog á icas
Es udos
ANTUNES, Luís Pequi o (coo d.) (2000). Núcleo Medie al / Mode no de Almada Velha.
Almada: Câma a Municipal de Almada.
ALMEIDA, Fe nando An ónio (2011). Fe não Mendes Pin o em e as de Almada. Almada:
Câma a Municipal de Almada.
ASSUNTO, Rosa io, (1976) “Paisagem – Ambien e – Te i ó io” in Ad iana Ve íssimo
Se ão (coo d.) (2011). Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia. Lisboa – Cen o de Filoso ia
da Uni e sidade de Lisboa.
AYED, Ben Chouk y (2009). Le Nou el o d e éduca i local. Mixi é, dispa i és, lu es
locales. Pa is: P esses Ini e si ai es de F ance.
BARCA, Isabel (2004). "Aula O icina: do P oje o à A aliação", in Pa a uma educação de
qualidade: A as da Qua a Jo nada de Educação His ó ica. B aga: Cen o de In es igação
em Educação (CIED)/ Ins i u o de Educação e Psicologia, Uni e sidade do Minho, 2004, p.
131 – 144.
BARCA, Isabel; ALVES, Luís Albe o Ma ques (coo d.) (2016). Educação His ó ica:
Pe spe i as de In es igação Nacional e In e nacional. Po o: CITCEM.
BARDIN, Lau ence (2016). Análise de Con eúdo. São Paulo: Almedina B asil.
BARRANHA, Helena (2016). Pa imónio cul u al: concei os e c i é ios undamen ais.
Lisboa: IST P ess e ICOMOS Po ugal.
BARROS, Luís 1998. In odução à P é e P o o-His ó ia de Almada. Almada: Câma a
Municipal de Almada.
BEHRENDT, Ma c; FRANKLIN, Te esa (2014). «A Re iew o Resea ch on School Field
T ips and Thei Value in Educa ion» in In e na ional Jou nal o En i onmen al & Science
Educa ion, 9 (3). In e na ional Socie y o Educa ional Resea ch. pp.235-245.
BORIN, Ma a Rosa (2019). "Educação Pa imonial em Espaços Fo mais de Ap endizagem"
in Es udios His ó icos - CDHRPyB - Ano XI - dezemb o 2029. Ri e a (U uguai): Cen o de
Documen acion His ó ica del Río de la Pla a y B asil. Disponí el em
h ps://www.es udioshis o icos.o g/22/eh22d17.pd (consul ado em maio de 2021)
BOXTEL, Ca la an; GREVER, Ma ia; KLEIN, S ephan (2016). Sensi i e pas s. Ques ioning
he i age in educa ion. New Yo k: Be ghahn Books.
151
BRAGA, Flá ia Spinelli (2018). A Cidadania Te i o ial na Fo mação Inicial de P o esso es
de Geog a ia em Uni e sidades Po uguesas e B asilei as. Tese de dou o amen o em
Geog a ia, especialidade de ensino. Lisboa: Uni e sidade de Lisboa - Ins i u o de Geog a ia
e O denamen o do Te i ó io. Disponí el em
h ps:// eposi o io.ul.p /bi s eam/10451/35140/1/ulsd732249_ d_Fla ia_B aga.pd
(consul ado em no emb o de 2020)
BRUNO, Ana (2014). "Educação o mal, não o mal e in o mal: da iolog ia aos
c uzamen os, dos hib idismos a ou os con ibu os" in Mediações Re is a Online. Vol. 2 - nº
2, pp. 10-25. Se úbal: Ins i u o Poli écnico de Se úbal. Disponí el em:
h p://mediacoes.ese.ips.p /index.php/mediacoesonline/a icle/ iewFile/68/pd _28.
(consul ado em ma ço de 2021)
CAA (2018). Ca a do Pa imónio Cul u al do Concelho de Almada – Le an amen o dos
Imó eis, Conjun os, A queossí ios, Paisagens Cul u ais e Mani es ações de Pa imónio
Ima e ial. Almada: Cen o de A queologia de Almada/Câma a Municipal de Almada.
CAETANO, Rui Ne es (2012). Memó ias da Capa ica pela pena de Bulhão Pa o. Capa ica:
Jun a de F eguesia da Capa ica.
CALAF MASACHS, Rose (2008). Didác ica del Pa imonio – epis emologia, me odologia
y es udio de casos. Gijón: Ediciones T ea.
CALAF MASACHS, Rose ; GUTIÉRREZ, Sué (2014). “La Ciudad como Museo:
In e p e aciones pa a cons ui u opia y u banidade” in Midas Nº 4. Disponí el em
h p://jou nals.openedi ion.o g/midas/782 (consul ado em ab il de 2019)
CARMO, He mano; FERREIRA, Manuela Malhei o (2008). Me odologia da In es igação.
Guia pa a a Au o-Ap endizagem. Lisboa: Uni e sidade Abe a.
CARVALHO, Ma ia Leono Domingues (2011). «Es uda his ó ia com os pés na e a»: uma
pe spec i a museológica aplicada ao cu ículo da his ó ia no 3º ciclo do Ensino Básico: o
caso de Alcobaça. Lisboa: Uni e sidade Lusó ona (Tese de dou o amen o em Educação,
disponí el no Reposi ó io Cien í ico Lusó ona -
h p:// ecil.g upoluso ona.p /handle/10437/1318 (consul ado em no emb o de 2019)
CHOAY, F ançoise (1999). A Alego ia do Pa imónio. Lisboa: Edições 70.
COMA QUINTANA, Laia; SANTACANA I MESTRE, Joan (2010). Ciudad educado a y
pa imonio. Cookbook o he i age. Gijón: Ediciones T ea.
CORBISHLEY, M.; HENSON, D.; STONE, P. (Eds.). (2004). Educa ion and he his o ic
en i onmen . London: Rou ledge.
152
CORTEZ, José Ma ia (2020). A Ges ão do Pa imónio Cul u al no Concelho de Almada:
No as Abo dagens. Disse ação de Mes ado em A queologia. Uni e sidade No a de Lisboa
- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
COSTA, Ana So ia; LUZIA, Ângela; JULIÃO, José (2007). Associa i ismo e Cidadania.
Ca álogo da Exposição sob e o Mo imen o Associa i o em Almada. Museu da Cidade,
ou ub o 2006 - junho 2007. Almada: Câma a Municipal de Almada.
COSTA, Ana So ia (coo d.) (2009). Vozes da Resis ência [DVD]. Almada: Câma a Municipal
de Almada.
CRUZ, Ma ia Al eda (1973). A Ma gem Sul do Es uá io do Tejo, Fac o es e Fo mas de
O ganização do Espaço, s.l., ed. Au o .
CUENCA-LÓPEZ, José Ma ía; ESTEPA-GIMÉNEZ, Jesús (2017) «Educación pa imonial
pa a la in eligência e i o ial y emocional de la ciudadanía» in Midas [Online], 8. Disponí el
em h ps://jou nals.openedi ion.o g/midas/1173; DOI: 10.4000/midas.1173 (consul ado em
dezemb o de 2020)
CUSTÓDIO, Jo ge (1995). “Almada Minei a, Manu ac u ei a e Indus ial II” in Al-Madan,
nº 4, IIª sé ie. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 128-139.
CUSTÓDIO, Jo ge (coo denação cien í ica) (2010). 100 anos de pa imónio memó ia e
iden idade. Lisboa: IGESPAR - Ins i u o de Ges ão do Pa imónio A qui e ónico e
A queológico.
CUSTÓDIO, Ma ia Celes e Fo una o (2009). A Relação Escola-Museu: Con ibu o pa a
uma Didác ica do Pa imónio. T abalho de P oje o de Mes ado em Didá ica da His ó ia.
Lisboa: Faculdade de le as da Uni e sidade de Lisboa.
DELLABRIDA, Vladi Roque (2020), "Pa imônio Te i o ial: Abo dagens Teó icas e
Indica i os Me odológicos pa a Es udos Te i o iais". Desen ol imen o em Ques ão, nº 52,
jul/se 2020. Edi o a Unijuí, pp 12-32.
DEWITT, J. & STORKSDIECK, M. (2008). A Sho Re iew o School Field T ips: Key
Findings om he Pas and Implica ions o he Fu u e. Visi o S udies, 11(2), 181-197
DIAS, Vanessa; GOMES, Ca los Albe o (2014). "O Complexo Fab il de Salga de Peixe de
Época Romana de Cacilhas (Almada) – pe spec i as e p ojec os pa a o Fu u o" in Ac as do 2º
Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de
Almada, pp.7-15.
DOMINGOS, An ónio; HENRIQUES, Raquel Pe ei a; FERREIRA, Síl ia; PERDIGÃO,
Ru e; GOMES, Susana (2019). "O papel das isi as de es udo no desen ol imen o cu icula
in eg ado: o caso p á ico de um p oje o ansdisciplina " in Cu ículo, A aliação, Fo mação
e Tecnologias educa i as (CAFTe) Con ibu os eó icos e p á icos - II seminá io
153
in e nacional. Po o: Cen o de In es igação e In e enção Educa i as (CIIE) da Faculdade
de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCE) da Uni e sidade do Po o (UPo o), pp.22-
36.
DOMINGUES, Ál a o (2020). "Pa imónio Te i o ial? Qual?" in Re is a Pa imónio
Cul u al, nº 7. Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al, pp. 12-21.
DUARTE, Ana (1994). Educação Pa imonial - Guia pa a P o esso es, Educado es e
Moni o es de Museus e Tempos Li es. Lisboa: Tex o Edi o a.
ESPÍRITO SANTO (1984). “Acon eceu em 26 de Agos o de 1931” in Al-Madan, nº 3, Iª sé ie
Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 38-40.
FERIA TORIBIO, J. M. (2013): «El pa imonio e i o ial: algunas apo aciones pa a su
en endimien o y pues a en alo », e- ph - Re is a Elec ónica de Pa imónio His ó ico, nº 12,
pp. 200-224. G anada: Uni e sidad de G anada. Disponí el em
h ps:// e is aseug.ug .es/index.php/e ph/a icle/ iew/3483. (consul ado em dezemb o de
2020)
FERREIRA, Nuno Ma ins; MENDES, Luís; PEREIRA, Sand a (2018). "Uso Didá ico do
Te i ó io e do Pa imónio na Fo mação de P o esso es" in O Ideá io Pa imonial nº 10, pp.
6-24. ISSN 2183-1394. Disponí el em:
h p://www.c a.ip .p /download/OIPDownload/n10_Julho_2018/OIP_10_JUL_6-24.pd .
(consul ado em no emb o de 2020).
FERREIRA, Nuno; MARTINS, Célia; HORTAS, Ma ia João; DIAS, Al edo (2011). “Do
pa imónio local ao cu ículo nacional: análise de p oje os no âmbi o das me odologias de
ensino de his ó ia e geog a ia pa a o 1º e 2º ciclos do ensino básico” in A as do V Encon o do
CIED – Escola e Comunidade Escola Supe io de Educação de Lisboa, 18 e 19 de no emb o
de 2011. pp. 499-512.
FLICK, Uwe (2009). An in oduc ion o quali a i e esea ch. ou h edi ion. London: Sage
Publica ions.
FLORÊNCIO, Sônia Rampim; CLEROT, Ped o; BEZERRA, Juliana; Ramasso e, Rod igo
(2012). Educação Pa imonial - His ó ico, Concei os e P ocessos. s.l. Minis é io da Cul u a
do B asil - Ins i u o do Pa imônio His ó ico e A ís ico Nacional (disponí el no A qui o
Público do Es ado de São Paulo
h p://www.a qui oes ado.sp.go .b /si e/asse s/di usao/cu so_usp/AULA_1_Educacao_Pa i
monial_IPHAN.pd (consul ado a 10 de Julho de 2019).
FLORES, Alexand e M.; NABAIS, An ónio J. (1983). Os Fo ais de Almada e seu e mo. I.
Subsídios pa a a his ó ia de Almada e Seixal da Idade Média. Câma as Municipais de Almada
e Seixal.