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Educação Patrimonial no Território. O Contributo do Centro de Arqueologia de Almada entre 1998 e 2018

Gonçalves, Elisabete da Glória Dias da Silva

Abstract

Esta dissertação procura apresentar a ação educativa do Centro de Arqueologia de Almada (CAA) como um exemplo de educação patrimonial ancorada no território. Nesse sentido, são analisadas as atividades implementadas por aquela associação local entre 1998 e 2018. O estudo assenta em três pilares: a caraterização das atividades; a relação das atividades com os currículos de ensino; e a avaliação feita pelos professores. A caracterização das atividades tem em conta os temas abordados, a nível de património, história, paisagem e território, bem como as estratégias didáticas aplicadas. A relação com os currículos de ensino assenta na identificação de paralelos entre as atividades e as orientações definidas pelo Ministério da Educação, designadamente as Aprendizagens Essenciais e o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. A avaliação que os professores participantes realizaram ao longo do período considerado é examinada qualitativamente. Os resultados permitem aferir a pertinência das atividades a nível de conteúdos, didáticas e ligações ao currículo, entre outros aspetos. Em conjunto, os tópicos tratados permitem refletir sobre as atividades educativas do CAA enquanto ações de educação patrimonial ancoradas no território de Almada. A análise é enquadrada por referenciais teóricos nos domínios do património e da educação patrimonial e acompanhada de contextualização sobre o território de Almada e o CAA.

Full text

Educação Pa imonial no Te i ó io. O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada en e 1998 e 2018 Elisabe e da Gló ia Dias da Sil a Gonçal es Disse ação de Mes ado em Pa imónio Fe e ei o, 2022 Ve são co igida e melho ada após de esa pública 2 O ien ado a: Dou o a Raquel Pe ei a Hen iques Coo ien ado a: Dou o a Leono de Medei os Educação Pa imonial no Te i ó io. O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada en e 1998 e 2018 Elisabe e da Gló ia Dias da Sil a Gonçal es Disse ação de Mes ado em Pa imónio Fe e ei o, 2022 3 À F ancisca e ao Tomé 4 Ag adecimen os Ag adeço em p imei o luga à Dou o a Raquel Pe ei a Hen iques, po me e o ien ado semp e com mui a solici ude e in e esse. Foi um p i ilégio desen ol e es a disse ação apoiada no seu sabe académico, na sua expe iência pedagógica e nas suas compe ências p o issionais. Ag adeço ambém à Dou o a Leono de Medei os, pelos con ibu os que en iquece am a abo dagem aos emas, à Dou o a Paula Ochôa e à Dou o a Ca la Al e es Pin o, po me e em le ado a comp eende p incípios ine en es à in es igação. Um ag adecimen o especial ao Cen o de A queologia de Almada, po e ealizado o que eio a se o meu obje o de es udo, e po udo o que me ensinou e pe mi iu. Aos companhei os de es ada: Ana B aga, And eia Almeida, An ónio C is o, Ângela Ribei o, José Ca los Se a, Ma ia José Rocha, Ma ga ida F ei e, Ma ga ida Mou a, Gab iela F ade, Pa ícia Gaspa , Síl ia F anco, Sónia Tchissole, Vanessa Dias, Vic o Hugo e an os ou os… ag adeço os bons momen os de c ia i idade e de abalho. À Pa ícia Aze edo Godinho, pa cei a na a en u a da educação pa imonial, ico g a a pelo exemplo e pela pa ilha. Ag adeço ainda aos meus pais e aos meus sog os, que semp e me ajuda am em udo o que podiam, e aos amilia es e amigos que me enco aja am. Nunca se ei su icien emen e g a a ao F ancisco, que me incen i ou a aze es e abalho, pa ilhou comigo as di iculdades e as conquis as, os conhecimen os e as ap endizagens. Ob igada po udo. 5 Educação Pa imonial no Te i ó io. O Con ibu o do Cen o de A queologia de Almada (CAA) en e 1998 e 2018 Pala as-cha e: Educação Pa imonial; Te i ó io; Almada; Cen o de A queologia de Almada. Resumo Es a disse ação p ocu a ap esen a a ação educa i a do Cen o de A queologia de Almada (CAA) como um exemplo de educação pa imonial anco ada no e i ó io. Nesse sen ido, são analisadas as a i idades implemen adas po aquela associação local en e 1998 e 2018. O es udo assen a em ês pila es: a ca a e ização das a i idades; a elação das a i idades com os cu ículos de ensino; e a a aliação ei a pelos p o esso es. A ca ac e ização das a i idades em em con a os emas abo dados, a ní el de pa imónio, his ó ia, paisagem e e i ó io, bem como as es a égias didá icas aplicadas. A elação com os cu ículos de ensino assen a na iden i icação de pa alelos en e as a i idades e as o ien ações de inidas pelo Minis é io da Educação, designadamen e as Ap endizagens Essenciais e o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia. A a aliação que os p o esso es pa icipan es ealiza am ao longo do pe íodo conside ado é examinada quali a i amen e. Os esul ados pe mi em a e i a pe inência das a i idades a ní el de con eúdos, didá icas e ligações ao cu ículo, en e ou os aspe os. Em conjun o, os ópicos a ados pe mi em e le i sob e as a i idades educa i as do CAA enquan o ações de educação pa imonial anco adas no e i ó io de Almada. A análise é enquad ada po e e enciais eó icos nos domínios do pa imónio e da educação pa imonial e acompanhada de con ex ualização sob e o e i ó io de Almada e o CAA. 6 He i age Educa ion in he Te i o y. The Con ibu ion o he A cheology Cen e o Almada (CAA) be ween 1998 and 2018 Keywo ds: He i age Educa ion; Te i o y; Almada; A cheology Cen e o Almada. Abs ac This disse a ion seeks o p esen he educa ional ac ion o he A cheology Cen e o Almada (CAA) as an example o he i age educa ion ancho ed in he e i o y. In his sense, he ac i i ies implemen ed by ha local associa ion be ween 1998 and 2018 a e analyzed. The s udy is based on h ee pilla s: he cha ac e iza ion o he ac i i ies; he ela ionship be ween ac i i ies and school cu icula; and he assessmen made by eache s. The cha ac e iza ion o he ac i i ies conside s he opics co e ed in e ms o he i age, his o y, landscape and e i o y, as well as he didac ic s a egies applied. The ela ionship wi h he school cu iculum is based on he iden i ica ion o pa allels be ween he ac i i ies and he guidelines de ined by he Minis y o Educa ion, namely Ap endizagens Essenciais (Essen ial Lea nings) and he Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (S uden s’ P o ile upon Lea ing Manda o y Schooling). The e alua ion pe o med by eache s du ing he pe iod conside ed is quali a i ely examined. The esul s allow us o assess he ele ance o he ac i i ies in e ms o con en , didac ics, and links o he cu iculum, among o he aspec s. Fu he mo e, he subjec -ma e co e ed leads o e lec on he educa ional ac i i ies o CAA as he i age educa ion ac ions ancho ed in he e i o y o Almada. The analysis is amed by heo e ical e e ences in he domains o he i age and he i age educa ion and accompanied by con ex ualiza ion abou he e i o y o Almada and he CAA. 7 Índice Ge al Resumo e Pala as-cha e .................................................................................................. 5 Abs ac and Keywo ds ...................................................................................................... 6 In odução ........................................................................................................................ 12 I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO 1. Pa imónio Local ........................................................................................................ 15 1.1. Pa imónio Local: Con luência de Concei os ..................................................... 15 1.2. Rele ância Global do Pa imónio Local ............................................................. 18 2. Educação Pa imonial ................................................................................................ 19 2.1. Âmbi o e Ve en es da Educação Pa imonial .................................................... 19 2.2. Educação Pa imonial e Ensino .......................................................................... 21 3. Pa imónio Local como Recu so Educa i o .............................................................. 25 3.1. Didá ica do Pa imónio Local ............................................................................. 25 3.2. P á icas Educa i as de Con ac o com o Pa imónio Local ................................. 27 4. Te i ó ios Educado es e Pa imónio ......................................................................... 29 II. OBJETO DE ESTUDO 1. B e e Abo dagem His ó ico-Geog á ica ao Te i ó io de Almada ........................... 34 2. O Cen o de A queologia de Almada......................................................................... 37 3. O Depa amen o Pedagógico do CAA ....................................................................... 43 4. As A i idades Educa i as do CAA ........................................................................... 49 4.1. In en á io das A i idades ................................................................................... 49 4.2. Pe íodo de Realização ......................................................................................... 52 4.3. Te i ó io Ab angido ........................................................................................... 54 4.4. Con eúdos Abo dados ......................................................................................... 57 4.4.1. Pa imónio .................................................................................................. 58 4.4.2. Paisagens .................................................................................................... 88 4.4.3. Te i ó io .................................................................................................... 88 4.4.4. His ó ia ....................................................................................................... 92 4.4.5. Ou os Temas ........................................................................................... 106 4.5. Tipo de A i idades – Ca ac e ização Didá ica .................................................. 108 8 4.5.1. Visi as guiadas ......................................................................................... 109 4.5.2. Sessões emá icas com jogo ..................................................................... 113 4.5.3. Sessões emá icas com o icina ................................................................. 115 4.5.4. A i idades de explo ação de um espaço .................................................. 117 4.5.5. A i idades de expe ienciação .................................................................. 118 4.5.6. A i idades do ipo P og ama compos o ................................................... 122 4.5.7. Es a égias didá icas – a o es posi i os e cons angimen os .................. 123 III. LIGAÇÕES AOS CURRÍCULOS DE ENSINO 1. A i idades e Ap endizagens Essenciais ................................................................... 126 1.1. Ní eis de Ensino Ab angidos .............................................................................. 127 1.2. Relação en e os Con eúdos das A i idades e as Ap endizagens Essenciais ..... 129 2. A i idades e Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia .................... 131 2.1. Relação en e as A i idades e os Desc i o es Ope a i os do Pe il dos Alunos . 132 2.2. Á eas de Compe ências Po enciadas pelas A i idades ....................................... 132 IV. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES PELOS PROFESSORES 1. Ca ac e ização dos Ques ioná ios de A aliação ...................................................... 136 2. Cons i uição do Uni e so de Análise ....................................................................... 137 3. Ca ego ização ........................................................................................................... 139 3.1. Análise po Ca ego ia .......................................................................................... 139 3.1.1. Con eúdos ................................................................................................ 140 3.1.2. Didá ica .................................................................................................... 140 3.1.3. Cu ículo .................................................................................................. 141 3.1.4. Moni o es ................................................................................................. 141 3.1.5. Sa is ação dos Alunos .............................................................................. 142 3.1.6. Suges ões ................................................................................................. 142 3.1.7. Ou os ...................................................................................................... 143 4. Sín ese da A aliação ................................................................................................ 143 Conclusões ...................................................................................................................... 145 Re lexões inais ............................................................................................................... 146 Re e ências Bibliog á icas .............................................................................................. 150 9 G á icos G á ico 1 - E olução do núme o de a i idades educa i as c iadas no CAA ........................ 46 G á ico 2 - Núme o de ações educa i as ealizadas ............................................................. 47 G á ico 3 - Núme o de pa icipan es nas a i idades educa i as do CAA ............................. 47 G á ico 4 - Núme o de escolas ab angidas pelas a i idades ................................................. 48 G á ico 5 - F eguesias con empladas nas a i idades ............................................................ 55 G á ico 6 – Núme o de a i idades de cada ipo ................................................................... 109 G á ico 7 – Ní eis de ensino ab angidos pelas a i idades ................................................... 127 G á ico 8 - Núme o de i ens das Ap endizagens Essenciais ab angidos ............................ 129 G á ico 9 – Pe cen agem de a i idades associadas ao desen ol imen o das á eas de compe ências do Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia ........................ 133 Tabelas Tabela 1 – A i idades c iadas no CAA no pe íodo conside ado ......................................... 53 Tabela 2 – Dis ibuição das a i idades pelas eguesias do concelho de Almada ................ 55 Temas abo dados nas a i idades: Tabela 3 – Núcleos his ó icos ............................................................................................... 58 Tabela 4 – Edi ícios habi acionais ........................................................................................ 61 Tabela 5 - Edi ícios de se iços ............................................................................................ 62 Tabela 6 - Escolas ................................................................................................................. 63 Tabela 7 – Edi ícios eligiosos .............................................................................................. 65 Tabela 8 – Cole i idades ....................................................................................................... 67 Tabela 9 – Ins alações indus iais ......................................................................................... 68 Tabela 10 – Ins alações mili a es .......................................................................................... 69 Tabela 11 – Quin as .............................................................................................................. 70 Tabela 12 – Moinhos e laga es ............................................................................................. 72 16 de uma cidade omana” 5 e ao e ocá-lo es amos a dis ingui um de e minado espaço, delimi ado ju ídica ou adminis a i amen e. No en an o, o e i ó io não é uma me a abs ação bu oc á ica 6 . Con o me esc e eu Eugénio Tu i, o concei o aplica-se ao “espaço no qual agimos, nos iden i icamos, no qual emos os nossos laços sociais, os nossos mo os, as nossas memó ias, os nossos in e esses i ais, pon o de pa ida pa a o nosso conhecimen o do mundo” 7 . O e i ó io é mais do que um pe íme o de chão, é o luga com o qual o se humano in e age, onde unda aízes cul u ais, daí a sua ín ima associação com a noção de pa imónio. Po isso, a i ma Ál a o Domingues, “É impossí el es abiliza a elação en e pa imónio e e i ó io. Nenhum dos dois concei os possui eco es ní idos” 8 . O c uzamen o de ambos deu, inclusi e, o igem a um no o concei o – pa imónio e i o ial – que é usado p incipalmen e pela Geog a ia e pelo U banismo, em p ocessos ela i os à pa imonialização do e i ó io com is a ao seu desen ol imen o económico 9 . Um concei o de pa imónio aba cando decisi amen e paisagem e e i ó io su giu no ex o da Con enção de Fa o, elabo ada pelo Conselho da Eu opa em 2005: “inclui odos os aspec os do meio ambien e esul an es da in e acção en e as pessoas e os luga es a a és do empo” 10 . Es e enunciado, que alia a o es an ópicos, geog á icos e his ó icos, conjugados num meio ambien e que inclui ambém a o es na u ais, liga decididamen e o pa imónio à paisagem e ao e i ó io, assumindo a con e gência en e os ês concei os naquela á ea comum que diz espei o ao p odu o da elação en e os se es humanos e a na u eza. Essa á ea é as a e ab e-se a incalculá eis possibilidades de inclusão, ompendo de ce a o ma com a dis inção en e paisagem cul u al e na u al, bem como en e pa imónio ma e ial e ima e ial. No que diz espei o às paisagens, a sepa ação en e o que é na u al e o que é cul u al em 5 Abo dagem his ó ica à pala a inglesa e alemã e i o ium do dicioná io online Lexico - h ps://www.lexico.com 6 ASSUNTO, Rosa io, (1976) “Paisagem – Ambien e – Te i ó io” in Ad iana Ve íssimo Se ão (coo d.) (2011). Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia, pp. 125-129 (p. 126). Lisboa – Cen o de Filoso ia da Uni e sidade de Lisboa. 7 TURRI, Eugénio (s.d.). “A paisagem como Tea o. Do e i ó io i ido ao e i ó io ep esen ado” in Ad iana Ve íssimo Se ão (coo d.) (2011). Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia, pp. 169-184 (p. 173). Lisboa – Cen o de Filoso ia da Uni e sidade de Lisboa. 8 DOMINGUES, Ál a o (2020). "Pa imónio Te i o ial? Qual?" in Re is a Pa imónio Cul u al, nº 7. pp. 12- 21 (p. 16). Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al. 9 OROZCO-SALINAS, K. (2020). "Pa imonio e i o ial: Una e isión eó ico-concep ual. Aplicaciones y di icul ades del caso Español / Te i o ial he i age: A heo e ical-concep ual e iew. Applica ions and di icul ies o he Spanish case" in U bano, 23(41), 26 - 39. Bío-Bío: Depa amen o de Plani icación y Diseño U bano de la Facul ad de A qui ec u a, Cons ucción y Diseño de la Uni e sidad del Bío-Bío. Disponí el em: h ps://doi.o g/10.22320/07183607.2020.23.41.02 (consul ado em dezemb o de 2020) 10 Council o Eu ope F amewo k Con en ion on he Value o Cul u al He i age o Socie y, ap o ada na Resolução da Assembleia da República n.º 47/2008 in Diá io da República, n.º 177/2008, Iª sé ie, p. 6648. 17 sendo cada ez mais colocada em causa, na medida em que a paisagem não é algo ex e no ao Homem. Es e in eg a-a, nem que seja como espe ado , pelo que “já não ha e á ecan o do plane a que não enha sido a e ado pela mão humana” 11 . Quan o aos aspe os ma e ial e ima e ial do pa imónio, a abo dagem p opos a pela Con enção pa a a Sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial (PCI) é no sen ido de conside a “a p o unda in e dependência en e o pa imónio cul u al ima e ial e o pa imónio ma e ial cul u al e na u al” 12 . Po conseguin e, não desag ega obje os e espaços que es ejam associados a p á icas, ep esen ações, exp essões, conhecimen os e compe ências in en a iadas como PCI e ab angidas po e en uais medidas de sal agua da. O pa imónio local enquad a-se jus amen e no cená io e a ado: u o da elação duma comunidade com o seu e i ó io, numa paisagem que oi sendo moldada ao longo da his ó ia. Na exp essão pa imónio local es ão necessa iamen e implicados um e i ó io e a sua his ó ia, desde logo po que o adje i o local pe ence ao léxico e i o ial e iden i ica uma zona com unidade geog á ica, his ó ica, cul u al e populacional di e enciada 13 . O âmbi o local pe mi e- nos islumb a mais acilmen e um pa imónio esul an e do diálogo en e as pessoas e o meio en ol en e. A p opos a de Rodney Ha ison, de “um modelo elacional ou dialógico, que ê o pa imónio como eme gindo da elação en e uma gama de a o es humanos e não humanos e seus ambien es” 14 , embo a não se e i a exp essamen e à escala local, só e ia aplicabilidade num egis o de p oximidade, pois é nele que al elação acon ece. O diálogo do se humano com os luga es acon ece num egis o de p oximidade que supe a uma isão uni e sal de pa imónio. A ideia de que um bem pa imonial em alo uni e sal é ques ionada po au o es como Lau ajane Smi h, que põe em causa a legi imidade de um discu so o icial com au o idade pa a decla a o que é o pa imónio 15 , ou po Ha ison, que apon a a exis ência de con li os en e o concei o de pa imónio mundial e as adições locais especí icas 16 . A pa i de um pon o de is a es i amen e local, a uni e salidade da conceção de pa imónio é segu amen e eba ida, pois é a mul iplicidade de luga es que ge a a di e sidade cul u al, e com ela, ambém, a a iedade de in e p e ações. 11 ROSSA, Wal e (2020). “O es o não é paisagem, mas sim o odo” in Re is a Pa imónio Cul u al, nº 7, pp. 22-29. Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al, p. 23. 12 Con enção pa a a sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial, UNESCO, 2003. 13 LÓPEZ TRIGAL, Lou enzo (di .) (2015). Dicciona io de geog a ía aplicada y p o esional. León: Uni e sidade de Léon, p. 367 ( adução li e). 14 HARRISON, R. (2013). He i age: c i ical app oaches. Lond es: Rou ledge, p. 205. 15 SMITH, L. (2006). Uses o he i age. Lond es: Rou ledge, p. 29. 16 HARRISON, R., Op Ci , p. 205. 18 Olaia Fon al u iliza a exp essão “en oques mic o” pa a designa um pa imónio p óximo e singula , onde inclui a es e a do e i ó io local, com na a i as p o agonizadas pela população. Segundo a in es igado a, é com es e pa imónio de p oximidade que se podem es abelece os ínculos mais po en es, sob e o qual se pode a ua de o ma mais di e a e sus en á el 17 . Abo dámos um concei o de pa imónio que es á in imamen e associado a paisagem e e i ó io, na medida em que cada um deles pode se is o como p odu o da elação en e as pessoas e a na u eza. Nesse quad o, me ece especial a enção a escala local, pois oi no meio mais p óximo que aquela elação se es abeleceu de o ma subs ancial ao longo do empo. Ve emos de seguida como a c iação de ínculos com o pa imónio local pode se impo an e no mundo con empo âneo, não só no con ex o de p oximidade, mas ambém a ní el global. 1.2. Rele ância Global do Pa imónio Local Os ínculos com o pa imónio local podem con ibui pa a liga as pessoas ao meio, que é uma condição p opícia à sus en abilidade ambien al. De aco do com F ançoise Choay, o se humano es á a a as a -se, pela p imei a ez na his ó ia, da dimensão espácio- empo al da exis ência 18 . Em esul ado dos a anços ecnológicos que eduzem dis âncias e du ações, co emos o isco de pe de a “consciência de luga ” 19 , a o que impulsiona ações humanas bené icas ao seu meio en ol en e. De aco do com o axioma “pensa globalmen e – agi localmen e” é no e i ó io local que o cidadão, indi idualmen e ou em comunidade, em um papel a i o na conc e ização dos Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el, apon ados na Agenda 2030 das Nações Unidas 20 . A mo i ação pa a agi localmen e é acili ada pela exis ência de laços en e as pessoas e o e i ó io. Esses laços são o alecidos quando o e i ó io é pa imonialmen e signi ica i o pa a os habi an es, pois o pa imónio en iquece os ínculos a e i os que ge am sen imen os de pe ença a um luga . A psicologia ambien al 17 FONTAL, Olaia [Coo d.] (2020). Cómo educa en el pa imonio. Guía p ác ica pa a el desa ollo de ac i idades de educación pa imonial. Mad id: Conseje ía de Cul u a y Tu ismo de la Comunidad de Mad id. Di ección Gene al de Pa imonio Cul u al, p. 21. ( adução li e). 18 CHOAY, F ançoise (1999). A Alego ia do Pa imónio. Lisboa: Edições 70. p. 255. 19 Consciência de luga é um concei o de Albe o Magnaghi, men o do mo imen o e i o ialis a i aliano. MAGNAGHI, Albe o (2012) "Il Mani es o dei e i o ialis i: che cos'è?". Con e encia o ganizada pela associação 'Ripensa e il mondo', 27 de ab il 2012. B escia. Disponí el no you ube: h ps://www.you ube.com/wa ch? =EGu hhLADHs (consul ado em 7/3/2021). 20 h ps://www.un.o g/sus ainablede elopmen /sus ainable-de elopmen -goals/ 19 alida a impo ância do sen imen o de pe ença a a és do concei o de “place a achmen ” – ínculo a e i o desen ol ido pelas pessoas com um luga ao longo do empo 21 . Em sín ese, os ínculos com o pa imónio local consolidam os elos en e a população e o e i ó io, mo i ando pa a a a uação sus en á el que emos hoje como p io i á ia a ní el global. A a e a de p omo e ínculos com o pa imónio cabe à educação pa imonial. Con o me de ende Ped o Pe ei a Lei e, é ela que “pe mi e c ia uma consciência c í ica sob e o e i ó io e sob e as suas he anças, c ia condições pa a a população agi sob e esse e i ó io” 22 . Vejamos o que é, na essência, a educação pa imonial e quais as suas e en es de ação. 2. Educação Pa imonial 2.1. Âmbi o e Ve en es da Educação Pa imonial Reconhece um de e minado elemen o como pa imónio implica a ibui -lhe um signi icado. Quando se a a de bens pessoais a signi icação acon ece a í ulo p i ado, en ol endo mecanismos elacionados com a memó ia, os a e os, as opções es é icas ou ou os c i é ios indi iduais. Já no caso dos bens econhecidos a ní el público, es á no malmen e en ol ido um agen e mediado que in e p e a o pa imónio e acili a o es abelecimen o de ínculos com ele 23 . Esse a o de in e p e ação do pa imónio, que in encional ou inconscien emen e o o na signi ica i o, é educação pa imonial 24 . Pa a explica o que é a educação pa imonial, Olaia Fon al usa uma me á o a in e essan e 25 . Pa e da imagem de um caleidoscópio onde se pode e o pa imónio de mui as o mas. Es as comp eendem a isão his ó ica, social, polí ica, económica, iden i á ia, emo i a, 21 STEG, Linda; BERG, Agnes E. an den; G oo , Judi h I. M. (2012). En i onmen al Psychology. An In odu ion. Ox o d: BPS Blackwell, p. 105. ( adução li e) 22 LEITE, Ped o Pe ei a (2017). "Educação Pa imonial e pa icipação comuni á ia" in In o mal Museology S udies, nº 16, In e no 2017. Museu A o Digi al, p. 12. h ps://www.academia.edu/32006856/Museologia_Social_e_Educa%C3%A7%C3%A3o_Popula _Pa imonial (consul ado em agos o de 2021) 23 Vínculos esses que, segundo Olaia Fon al, são o p óp io pa imónio. C . Fon al (2020). Op ci . 24 TILDEN, F eeman (1957). In e p e ing Ou He i age. 3ª ed. Chapel Hill: The Uni e si y o No h Ca olina P ess. 25 FONTAL, Olaia [Coo d.] (2013). La educación pa imonial. Del pa imonio a las pe sonas. Gijón: Ediciones T ea, p.14-17. 20 e c. Pa a as obse a é necessá ia uma luz que a a esse o caleidoscópio. Essa luz é o necida pela educação pa imonial. É ela que pe mi e econhece num de e minado elemen o – ma e ial ou ima e ial – um alo pa imonial. Em úl ima ins ância, ninguém pode ia econhece um bem pa imonial como al se não i esse sido sujei o a algum ipo de educação que lhe enha suge ido um alo . Que alo é a ibuído a um bem, de o ma a se conside ado pa imónio, e po que mo i o é alo izado, são ma é ias que dependem ce amen e de quem o p opõe como al, do signi icado que lhe dá, e a é do p opósi o com que o az, como asse e a Lau ajane Smi h 26 . Consoan e o alo que lhe é a ibuído, assim os obje i os da educação pa imonial. Apon emos dois exemplos. Se o pa imónio o is o como um ecu so económico, a educação pa imonial e á como obje i o “ga an i um uni e so de po enciais consumido es u u os do pa imónio cul u al” 27 . Es e pon o de is a é c i icá el, com o a gumen o de que o pa imónio não é um bem de consumo e a sua enda no me cado es á “a si ia as inicia i as públicas e a limi a se iamen e a pa icipação das comunidades na de inição dos seus comp omissos sociais” 28 , con a iando assim as ecomendações da Con enção de Fa o, que “enco aja as comunidades locais a lide a a ges ão do pa imónio cul u al, numa ação de baixo pa a cima” 29 . Se, po ou o lado, o pa imónio é en endido como po ado de um alo social, a educação pa imonial con ibui pa a o empode amen o das comunidades a a és da sua alo ização iden i á ia, endo em con a a di e sidade cul u al. Foi a ia assumida pela me odologia desen ol ida no B asil, a pa i do Ins i u o do Pa imónio His ó ico e A ís ico Nacional 30 , que eio a se aplicada em escolas de odo o e i ó io b asilei o 31 . Essa inicia i a de educação pa imonial “ alo iza a 26 SMITH (2006). 27 GONÇALVES, Ca a ina Valença; CARVALHO, José Ma ia Lobo de; TAVARES, José (2020). Pa imónio Cul u al em Po ugal: A aliação do Valo Económico e Social. Lisboa: Fundação Millennium BCP, p. 191. 28 LEITE, Ped o Pe ei a (2018). "Educação Popula Pa imonial", Comunicação Ap esen ada no Encon o de In es igado es do CEIeD, em 6 de julho de 2018. Disponí el em: h ps:// ecil.g upoluso ona.p /bi s eam/10437/10201/1/Educa%C3%A7%C3%A3o%20Popula %20Pa imonia l_CEIed.pd , p. 13 (consul ado em agos o de 2021) 29 Snežana Sama džić-Ma ko ić, no ídeo de ap esen ação da b ochu a: Council o Eu ope (2020). The Fa o Con en ion: he way o wa d wi h he i age. h ps://www.coe.in /en/web/cul u e-and-he i age/ a o-b ochu e (consul ado em maio de 2021. T adução li e). 30 HORTA, Ma ia de Lou des Pa ei as; GRUNBERG, E elina; MONTEIRO, Ad iane Quei oz (1999), Guia Básico de Educação Pa imonial. B asília: Ins i u o do Pa imônio His ó ico e A ís ico Nacional / Museu Impe ial. Disponí el em h p://po al.iphan.go .b /uploads/ emp/guia_educacao_pa imonial.pd . (Consul ado em no emb o de 2019). 31 A educação pa imonial nas escolas b asilei as es e e in eg ada no P og ama Mais Educação, c iado em 2007 pa a ala ga o ho á io escola e subs i uído em 2016 pelo “No o Mais Educação”, ocacionado pa a o e o ço do ensino da ma emá ica e da língua po uguesa, que ence ou de ini i amen e em 2019. 21 os di e en es con ex os das comunidades cul u ais do país” 32 . Le a a as c ianças ao con ac o di e o com o pa imónio e ao seu es udo, pa a que, ao comp eende as suas e e ências sociais e his ó icas, se ap op iassem dele como um bem comum. Independen emen e do que omamos como pa imónio, conco da emos que se a a de algo alioso que desejamos p ese a . Daí cuida mos dele e p ocu a mos que se conse e depois de nós. A educação pa imonial pa e da inicia i a de alguém que econhece o alo de um bem e o ansmi e à ge ação seguin e. Ao usa a me á o a do caleidoscópio, Olaia Fon al disc imina di eções de iluminação que pe mi em apon a duas ias de educação pa imonial: a educação pa a o pa imónio e a educação com o pa imónio. No p imei o caso encon am-se os exemplos dados an e io men e, que pa em da a ibuição de um alo ao pa imónio pa a a ação educa i a que ansmi e esse alo com um de e minado obje i o. T a a-se aí de educa pa a o pa imónio. No segundo caso encon a-se a u ilização do pa imónio como ecu so pa a ou as ap endizagens, nomeadamen e as que são conside adas impo an es no pe cu so escola . Toda ia, c emos que essas e en es da educação pa imonial não se excluem en e si. Qualque a i idade com ins educa i os que se cen e no pa imónio es á simul aneamen e a educa pa a o pa imónio, po que o dá a conhece e ansmi e o seu alo aos des ina á ios, e a educa com o pa imónio, pois as ap endizagens e compe ências que pe mi e desen ol e ão além do con eúdo pa imonial em si. Em sín ese, a educação pa imonial é um i ine á io de ap endizagem cen ada em bens pa imoniais, que os u iliza “como on e p imá ia de conhecimen o” 33 e de acesso a ou os uni e sos do sabe , da cul u a e das a es. 2.2. Educação Pa imonial e Ensino Foi com base no en endimen o de que a educação pa imonial é um “meio p opício de acesso a ou os domínios do conhecimen o” 34 , que o Conselho Eu opeu ecomendou a “inclusão da dimensão pa imonial cul u al em odos os ní eis de ensino” 35 . Em 2018, no 32 BORIN, Ma a Rosa (2019). "Educação Pa imonial em Espaços Fo mais de Ap endizagem" in Es udios His ó icos - Ano XI - Dezemb o 2019. Ri e a (U uguai): Cen o de Documen acion His ó ica del Río de la Pla a y B asil, p. 2. Disponí el em h ps://www.es udioshis o icos.o g/22/eh22d17.pd (consul ado em maio de 2021) 33 HORTA e al (1999). Op. Ci , p.4. 34 Council o Eu ope F amewo k Con en ion on he Value o Cul u al He i age o Socie y, [Op. Ci .] p. 6650. 35 Idem. 22 âmbi o do Ano Eu opeu do Pa imónio Cul u al, o Pa lamen o Eu opeu solici ou um es udo ace ca das po enciais sine gias en e polí icas educa i as e do pa imónio, que eio a ap esen a o mesmo ipo de ecomendação: “Es imula a inco po ação es u u al de educação pa imonial em odos os cu ículos escola es: educação e he ança cul u al de em se componen es undamen ais de odos os p ocessos de ap endizagem” 36 . De aco do com os especialis as consul ados, essa medida a ia bene ícios em di e sas á eas: “cidadania democ á ica; p o eção ambien al; c escimen o do emp ego; inclusão social; desen ol imen o sus en á el; e bem-es a 37 ”. De ac o, exis e hoje uma e e i a in odução de e e ências ao pa imónio nos cu ículos escola es, como e emos nos documen os que egem o ensino em Po ugal. O Conselho Eu opeu publicou em 2016 o documen o Re e ence F amewo k o Compe ences o Democ a ic Cul u e 38 , que p opõe um conjun o de compe ências a desen ol e na escola, com is a à inclusão e à pa icipação democ á ica. Esse documen o cons i uiu o modelo eó ico que eio a se i de base ao desen ol imen o dos cu ículos de ensino. Em Po ugal, o modelo oi ado ado no Pe il dos Alunos à saída da Escola idade Ob iga ó ia, documen o de e e ência pa a a o ganização de odo o sis ema educa i o nacional. Conhecimen os, Capacidades e A i udes su gem in e ligados em dez á eas de Compe ências ans e sais a qualque á ea disciplina . O pa imónio cul u al é in eg ado na compe ência ela i a a Sensibilidade Es é ica e A ís ica, onde se indica que os alunos de em se capazes de “ alo iza o papel das á ias o mas de exp essão a ís ica e do pa imónio ma e ial e ima e ial na ida e na cul u a das comunidades” 39 . Pa a a cons ução do no o pe il de aluno su gi am, em 2018, o ien ações pa a as Ap endizagens Essenciais 40 a desen ol e em cada disciplina. É aí que, no 1º ciclo, o pa imónio cul u al é mencionado na Educação A ís ica – A es Visuais, com is a ao “ econhecimen o da impo ância do pa imónio cul u al e a ís ico nacional e de ou as 36 GESCHE-KONING, Nicole (2018). Resea ch o CULT Commi ee -Educa ion in Cul u al He i age, p.31. Disponí el em h ps:// esea ch4commi ees.blog/2018/07/10/educa ion-in-cul u al-he i age/(consul ado em maio de 2021) T adução li e. 37 Idem, p. 5 38 Re e ence F amewo k o Compe ences o Democ a ic Cul u e (2016). Es asbu go: Council o Eu ope Publishing. Disponí el no si e Council o Eu ope - h ps:// m.coe.in /p ems-008418-gb -2508- e e ence- amewo k-o -compe ences- ol-2-8573-co/16807bc66d (consul ado em no emb o de 2020). 39 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (2017). Lisboa: Minis é io da Educação/Di eção Ge al da Educação, p. 25. 40 Ap endizagens Essenciais - Ensino Básico - Despacho n.º 6944-A/2018, de 19 de julho. 23 cul u as” 41 e no Es udo do Meio, isando “ econhece e alo iza o pa imónio na u al e cul u al – local, nacional, e c.” 42 . No 2º ciclo, em His ó ia e Geog a ia de Po ugal, p e ende- se “ alo iza o pa imónio his ó ico e geog á ico” 43 ; e, em Educação Visual, “iden i ica di e en es mani es ações cul u ais do pa imónio local e global” 44 . No 3º ciclo, em Educação Visual, sublinha-se a impo ância de o aluno “ e le i sob e as mani es ações cul u ais do pa imónio local e global” 45 ; e, em His ó ia, de “ alo iza o pa imónio his ó ico da egião em que habi a” 46 , bem como “o pa imónio his ó ico ma e ial e ima e ial, egional e nacional” 47 , e ainda o “eu opeu, numa pe spe i a de desen ol imen o da cidadania eu opeia” 48 . No ensino secundá io, es e úl imo obje i o man ém-se nos 3 anos de His ó ia e em His ó ia da Cul u a e das A es. O le an amen o de e e ências ao pa imónio nas Ap endizagens Essenciais mos a como es á p e is a a sua abo dagem a ní el local, nacional, eu opeia e global. Nes e abalho i emos deb uça -nos sob e a dimensão local e como a pa i dela se pode a ingi ou as escalas. Po enquan o oquemos a nossa a enção nas compe ências que o ensino com o pa imónio pe mi e desen ol e . Na qualidade de e idência do passado o pa imónio é uma on e his ó ica. Nesse sen ido pe mi e desen ol e uma das compe ências especí icas da disciplina de His ó ia, designadamen e a u ilização adequada de “ on es his ó icas de ipologia di e sa” 49 . No âmbi o da in es igação em educação his ó ica, es á p o ado o papel das e idências ma e iais do passado no desen ol imen o da consciência his ó ica dos alunos. A ese de dou o amen o de Helena Pin o, po exemplo, chegou a essa conclusão ao a alia de que o ma alunos e p o esso es de Guima ães in e p e am a e idência de um sí io his ó ico. A sua in es igação 41 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 1º Ciclo do Ensino Básico / Educação A ís ica - A es Visuais (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 8. 42 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 4º ano / 1º Ciclo do Ensino Básico / Es udo do Meio (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 9. 43 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 5º ano / 2º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia e Geog a ia de Po ugal (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5. 44 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 2º Ciclo do Ensino Básico / Educação Visual (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 6. 45 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 3º Ciclo do Ensino Básico / Educação Visual (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação. 46 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 7º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5. 47 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 8º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5. 48 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 9º ano / 3º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 5. 49 Idem, p. 3. 24 demons a se “essencial que os p o esso es omem consciência da impo ância do uso (…) de on es pa imoniais no ensino e ap endizagem de His ó ia, dada a sua elação com o p ocesso de cons ução de signi icado ace ca do passado” 50 . Mas essa é só uma das possibilidades de u ilização do pa imónio no ensino. Nay a Molina apon a odo um conjun o de compe ências que podem se desen ol idas a a és do pa imónio: comp eende os es ígios do passado, dando-lhes um sen ido na ida quo idiana; desen ol e compe ências men ais como obse a , desc e e , analisa , in e oga , aplica mé odos de pesquisa, seleciona in o mação e desen ol e o sen ido c í ico; econhece a di e sidade cul u al, di e en es o mas de mani es ações a ís icas e de in e p e ação; abalha as emoções, a empa ia, p incipalmen e no con ac o com a comunidade local; c ia laços in e ge acionais; conec a -se com o meio mais p óximo; a a emas e en ualmen e mais incómodos, como a eligião, a gue a, o acismo; desen ol e a consciência humana, na e lexão sob e a ida no passado e o ca ác e uni e sal da espécie; espei a os bens cole i os; p ocu a a in e disciplina idade, na medida em que um bem pa imonial pode se abo dado de di e sos pon os de is a, po exemplo geog á ico, his ó ico ou a ís ico; abalha a mul issenso ialidade e as in eligências múl iplas; aplica as ecnologias da in o mação e comunicação; en e ou as 51 . Ac escen e-se ainda que cada ipo de pa imónio em as suas p óp ias po encialidades educa i as, con o me expos o po Rose Cala Masachs 52 . O pa imónio da An iguidade omana, po exemplo, pe mi e uma abo dagem às me odologias da a queologia, o con empo âneo possibili a abalha a his ó ia o al e o a ís ico a His ó ia da A e. Di e en es ipos de pa imónio azem apelo a di e en es e e ências disciplina es e às espe i as didá icas. 50 PINTO, Helena (2016). "Educação his ó ica e Pa imonial" in. Educação His ó ica: Pe spe i as de In es igação Nacional e In e nacional. Po o: CITCEM, p 32. 51 LLONCH MOLINA, Nay a (2014). “La educación pa imonial como he amien a de “ ebeldía ciudadana” in SOLÉ, Gló ia (o g.) (2015). Educação Pa imonial: Con ibu os pa a a cons ução de uma consciência pa imonial. B aga: Uni e sidade do Minho, p. 42. 52 CALAF MASACHS, Rose (2008). Didác ica del Pa imonio – epis emologia, me odologia y es udio de casos. Gijón: Ediciones T ea. 25 3. Pa imónio Local como Recu so Educa i o Es ando o nosso abalho ocado no pa imónio local, i emos explo a de modo pa icula a sua u ilização como ecu so educa i o, incluindo nes a abo dagem a his ó ia local e o e i ó io local, po se em peças insepa á eis num mesmo uni e so de p oximidade ao qual econhecemos alo pa imonial. 3.1. Didá ica do Pa imónio Local Con o me e e imos no capí ulo an e io , a u ilização do pa imónio em si uação de ensino e ap endizagem a o ece o desen ol imen o de di e sas compe ências. O con ex o local pe mi e ap o unda em especial a elação com o meio mais p óximo, que o e ece opo unidades especí icas. O abalho de Ma ia Cândida P oença e An ónio Ped o Manique, publicado em 1994, Didác ica da His ó ia – Pa imónio e His ó ia Local, con inua a ual e conside amos que é uma das nossas e e ências mais impo an es. A ob a cons i uiu uma e lexão e, ambém, uma espos a de o dem p á ica às medidas implemen adas pela e o ma do sis ema educa i o po uguês 53 , que a ança a à época com no as me odologias no ensino, nomeadamen e da His ó ia. Já se a a a en ão de p opo a aliança en e con eúdos, compe ências e consciência cí ica, ao que os au o es esponde am com suges ões de abo dagem local: “a conciliação en e o sabe e o sabe aze , a p á ica in es iga i a a ealiza pelos es udan es e a conscien ização dos p oblemas da sociedade em que se inse em, (…) aconselham uma o ien ação decisi a pa a o es udo dos enómenos his ó icos locais, como o ma de acili a a es u u ação do pensamen o his ó ico” 54 . Apon a a-se conc e amen e pa a a pesquisa de on es p imá ias em a qui os e imp ensa local, pa a a ecolha de es emunhos o ais, pa a a impo ância da descobe a da oponímia, da es a uá ia e das igu as locais, das e amen as de abalho como es emunhos, e c. Todos os assun os que dizem espei o ao passado de um e i ó io local podem se in e essan es e a sua alo ização não põe em causa a iden idade nacional, po que é p eciso “acaba com o mi o de uma his ó ia nacional uni á ia e e e na (…) que nada diz aos jo ens de hoje, nem con ibui pa a aze do ensino da His ó ia 53 Lei n.º 46/86 de 14 de ou ub o - Lei de Bases do Sis ema Educa i o. 54 MANIQUE, A. & PROENÇA, M. (1994) - Didác ica da His ó ia – Pa imónio e His ó ia Local. Lisboa: Tex o Edi o a, p. 5. 32 En e os obje i os do documen o es á a consciencialização pa a o alo do pa imónio cul u al como a o de coesão e de pe ença. A es a égia que ado a com esse im ai no sen ido de eco e às po encialidades educa i as do pa imónio num e i ó io de p oximidade. Explica que p e ende “ e i o ializa : somos um plano nacional, com a enção à especi icidade do local” e c ia escolas comp ome idas com o pa imónio e a a e “no seu e i ó io p óximo, o seu Km2”. O PNA econhece desse modo que o pa imónio local é um impo an e ecu so educa i o e inspi a as escolas a p ocu á-lo no meio mais p óximo. As escolas que se apoiam no seu e i ó io con am cada ez mais com as au a quias, com os museus e com ou os equipamen os cul u ais, bem como com as associações locais, como no caso que i emos analisa no deco e des e abalho. É a pa i dessa in e ação en e escola, ins i uições e comunidade que o e i ó io assume uma pe spe i a pedagógica 83 . São de sublinha as inicia i as p omo idas po en idades ex e io es à escola que a endem e e i amen e às componen es cu icula es. O modelo do P og ama de Visi as de Es udo da Comunidade In e municipal do Médio Tejo é ímpa no pano ama nacional. Tem como inalidade a di usão do conhecimen o do e i ó io enquan o espaço de ap endizagem cien í ica e cul u al. Pa a isso, aquela associação de municípios eco eu a uma ins i uição académica – a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – pa a desen ol e 45 guiões de isi a de es udo naquela egião, em unção das á eas disciplina es e ní eis de ensino 84 . Os guiões disponibilizados pe mi em que os p o esso es, na sua p á ica, a iculem o pa imónio e e i ó io egional com os cu ículos. Ace ca das possibilidades de abalha o pa imónio local com os alunos, encon amos á ios abalhos que ap esen am os ecu sos do pa imónio de uma cidade ou egião e demons am a sua u ilização no ensino. Ma ia Celes e Cus ódio abalhou com alunos do 3º ciclo em ês espaços das Caldas da Rainha – escola, museu e cidade – e com 3 e o es de ação educa i a – his ó ia, pa imónio, didá ica – com o obje i o de ans o ma o ensino da His ó ia 85 . Ângela Malhei o ealizou um le an amen o das po encialidades da zona u bana 83 DOMINGOS, An ónio; HENRIQUES, Raquel Pe ei a; FERREIRA, Sil ia; PERDIGÂO, Ru e; GOMES, Susana (2019). «O papel das isi as de es udo no desen ol imen o cu icula in eg ado: o caso p á ico de um p oje o ansdisciplina » pp.22-36, in Cu ículo, A aliação, Fo mação e Tecnologias educa i as (CAFTe) Con ibu os eó icos e p á icos - II seminá io in e nacional. Po o: Cen o de In es igação e In e enção Educa i as (CIIE) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCE) da Uni e sidade do Po o (UPo o), p. 28. 84 Guiões disponí eis em h ps://medio ejo.p /index.php/p og ama-de- isi as-de-es udo (consul ado em junho de 2021) 85 CUSTÓDIO, Ma ia Celes e Fo una o (2009). A Relação Escola-Museu: Con ibu o pa a uma Didác ica do 33 Baixa-Chiado, em Lisboa, enquan o ecu so pa a o desen ol imen o das compe ências de inidas pa a o Ensino Básico 86 . Ma ia Leono de Ca alho ez um es udo ela i o à egião de Alcobaça, endo em is a ap esen a uma p opos a de in eg ação do pa imónio como componen e local do cu ículo 87 . Ca la Susana Viei a elabo ou na sua disse ação os “Ro ei os pa a o Ensino em Es a eja”, um in en á io dos elemen os do pa imónio cul u al e na u al de cada eguesia, que conside a de in e esse pa a o ensino 88 . C is ina Ma ins abo dou a a iculação en e a ap endizagem da His ó ia e o con ac o di e o com os elemen os do pa imónio indus ial que pe manecem nas uas da Co ilhã 89 . Qualque uma des as p opos as ap esen a conclusões no sen ido de comp o a a iqueza do pa imónio local como ecu so educa i o. Re o cemos que, ao usá-lo pa a ensina , o p o esso p omo e a educação pa imonial com o pa imónio, usando-o na sua p á ica pedagógica e, simul aneamen e, pa a o pa imónio, pois acili a a c iação de ínculos en e os alunos e o e i ó io onde habi am. Cada um dos exemplos acima ap esen ados cons a a as po encialidades educa i as do e i ó io local, sob e udo do pa imónio, e p opõe o seu uso com ins pedagógicos, sendo de des aca as ações que êm em con a o cu ículo escola . Sob essa pe spe i a amos ap esen a o caso do CAA, enquan o p omo o de a i idades educa i as anco adas no e i ó io de Almada, p ocu ando conhece essas a i idades e as ligações que es abelecem com a dimensão cu icula . Pa imónio. T abalho de P oje o de Mes ado em Didá ica da His ó ia. Lisboa: Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa. 86 MALHEIRO, Ângela (2010). A Baixa-Chiado: uma sala de aula dinâmica e in e disciplina . T abalho de P oje o de Mes ado em P á icas Cul u ais Pa a Municípios. Uni e sidade No a de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 87 CARVALHO, Ma ia Leono Domingues (2011). «Es uda his ó ia com os pés na e a»: uma pe spec i a museológica aplicada ao cu ículo da his ó ia no 3º ciclo do Ensino Básico: o caso de Alcobaça. Tese de dou o amen o em Educação. Lisboa: Uni e sidade Lusó ona. 88 VIEIRA, Ca la Susana Nunes Fe ei a (2011), Educação e Pa imónio Cul u al. Ro ei os pa a o Ensino em Es a eja. Disse ação de Mes ado em Ciências da Educação. A ei o: Uni e sidade de A ei o – Depa amen o de Educação. 89 MARTINS, C is ina Ma ia Fonseca (2011), Educação Pa imonial – O Pa imónio Indus ial da Co ilhã como Recu so Educa i o. Disse ação de Mes ado em Es udos do Pa imónio. Lisboa: Uni e sidade Abe a. 34 II. OBJETO DE ESTUDO 1. B e e abo dagem his ó ico-geog á ica ao e i ó io de Almada Almada é um concelho na ma gem sul do Tejo, em en e a Lisboa. In eg a ap oximadamen e 35 km con ínuos de en es de água, en e uma cos a banhada pelo Oceano A lân ico, a oes e, e duas en es ibei inhas, a no e e a nascen e. Faz on ei a com os concelhos de Sesimb a, a sul, e do Seixal, a es e. Tem ce ca de 70 km2 de á ea e 175 mil habi an es (Censos 2011) 90 . Pe ence à Á ea Me opoli ana de Lisboa e ao dis i o de Se úbal. Tem 11 eguesias, a ualmen e cong egadas em 5 Uniões de F eguesia: Almada, Co a da Piedade, P agal e Cacilhas; Capa ica e T a a ia; Cha neca da Capa ica e Sob eda; La anjei o e Feijó; e Cos a de Capa ica, que se man e e desag egada. A ocupação humana des e e i ó io emon a à p é-his ó ia, com dezenas de sí ios a queológicos iden i icados, p incipalmen e dos pe íodos Paleolí ico, Neolí ico e Idade do Fe o. Nes e úl imo em luga de des aque o sí io da Quin a do Alma az onde es á documen ada a in luência enícia no século VII a.C. e o comé cio com o Medi e âneo 91 . Na época omana ins ala am-se a i idades que in ensi ica am a explo ação dos ecu sos egionais, como a es am as ce á ias pa a p odução de p epa ados piscícolas, em Cacilhas 92 . A cul u a á abe deixou es ígios p incipalmen e na a ual á ea u bana, mas ambém em zonas de g ande ap idão ag ícola, como é o caso de Mu acém 93 . Da am do século XII as p imei as e e ências documen ais a es e e i ó io, esc i as exa amen e po um á abe, o geóg a o Ed isi, que menciona “o o e d’Almada, assi chamado po que e ec i amen e o ma em lança na sua p aia palhe as de ou o” 94 . Em 1147, em pa alelo com a omada de Lisboa, a ila oi 90 In o mação disponí el no si e da Câma a Municipal de Almada: h ps://www.cm-almada.p / 91 OLAIO, Ana Ca a ina Sal ão (2015). Ân o as da Idade do Fe o na Quin a do Alma az (Almada). Disse ação de mes ado em A queologia. Lisboa: Uni e sidade de Lisboa. 92 DIAS, Vanessa (2014). "O Complexo Fab il de Salga de Peixe de Época Romana de Cacilhas (Almada) – pe spec i as e p ojec os pa a o Fu u o" in Ac as do 2º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada. 93 RAIMUNDO, Ma ia Inês; DIAS, Vanessa (2012). "Al-Madan no con ex o da ocupação islâmica da ma gem Sul do Tejo" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 9-15. 94 Es a ci ação é equen emen e u ilizada pa a explica o opónimo Almada, de o igem á abe, que signi ica “a mina”. FLORES, Alexand e M.; NABAIS, An ónio J. (1983). Os Fo ais de Almada e seu e mo. I. Subsídios pa a a his ó ia de Almada e Seixal da Idade Média. Câma as Municipais de Almada e Seixal, p. 22-23. 35 econquis ada po con ingen es mili a es c is ãos, alguns no e-eu opeus em ânsi o nas C uzadas. Na ado po um desses c uzados, icou ou o documen o impo an e pa a a his ó ia local, que desc e e es e e i ó io como um luga de abundância: “Ao sul do io ica Almada, egião abundan e de inhas, igos e omãs. As sea as ali são ão é eis, que da mesma semen e ecolhem o u o duas ezes; é ica em mel e celeb ada pelas mon a ias de animais” 95 . Já sob pode da mona quia po uguesa, em 1190, Almada ecebeu Fo al de D. Sancho I. Es e documen o é de g ande u ilidade pa a ca ac e iza a economia local nessa época, baseada na explo ação da e a e do io 96 . O io Tejo é um elemen o e i o ial com mui a in luência na his ó ia local e na elação des a com a his ó ia nacional. Também o Fo al de D. Manuel, de 1513, a es a as a i idades p a icadas, en e as quais des acamos o anspo e de me cado ias po ia lu ial 97 . Du an e a Idade Mode na o am cons i uídas o a do núcleo u bano unidades e i o iais ca a e ís icas da egião, as Quin as, mui as das quais in eg adas em mo gadios de amílias ligadas à co e, ou p op iedade de O dens eligiosas, que aqui encon a am espaço pa a p odução ag á ia en á el, em pa icula a inha, bem como pa a e i o ou laze . Es ão e e enciadas 31 Quin as no século XVIII 98 . Os es ígios do mundo u al ainda pon uam a paisagem com es u u as habi acionais e de apoio à a i idade ag ícola (moinhos, laga es, celei os, poços, e c.), bom como capelas pe encen es às Quin as. A é ao século XVIII, a en e a lân ica de Almada não e a habi ada. Só em 1770 su gem na p aia as p imei as aglome ações habi acionais, o madas po cabanas de pescado es o iundos da egião de Ílha o e do Alga e que aqui se ixam pa a a p á ica da A e Xá ega 99 , uma écnica de pesca adicional que se encon a insc i a no In en á io Nacional de Pa imónio Cul u al Ima e ial. A pa i do século XIX as paisagens ibei inhas ans o ma am-se bas an e, com a ins alação de áb icas na ma gem do io, onde a acilidade de anspo e e a um dos a o es mais a a i os. As maio es áb icas e am as de co iça e de conse as, se o es impulsionados 95 Idem, p. 23. 96 Idem, p. 27 97 FLORES, Alexand e (di .) (2003). Almada na His ó ia, Bole im de Fon es Documen ais. nº 3-4. Câma a Municipal de Almada – Di isão de His ó ia Local e A qui o His ó ico, p. 20. 98 SILVA, F ancisco Manuel Valada es (2008). Ru alidade em Almada nos séculos XVIII e XIX. Imagem, Paisagem e Memó ia. Disse ação de mes ado em Es udos do Pa imónio. Lisboa: Uni e sidade Abe a, p. 34. 99 SILVA, F ancisco (2012). "B e e His ó ia da Cos a de Capa ica" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 39-45. 36 em g ande pa e po capi ais es angei os 100 . A indús ia chamou no as populações, p o enien es de odo o país, que ie am a c ia as comunidades ope á ias p omo o as de mudanças sociais e ideológicas de e ei os du adou os na iden idade local: unda am associações de á ios âmbi os, pa icipa am a i amen e no mo imen o epublicano e na oposição democ á ica ao egime de Salaza e ie am a compo os no os ó gãos de pode local a segui ao 25 de Ab il 101 . Os núcleos u banos mais an igos (Almada, Cacilhas e Co a da Piedade), p ese am edi ícios de ca a e ís icas associadas ao século XIX. Pa alelamen e, a dinâmica u al al e ou-se p o undamen e na segunda me ade do século XIX de ido a doenças que a e a am a inha. As Quin as o am p og essi amen e u banizadas, enómeno que aumen ou subs ancialmen e com a ins alação do A senal da Ma inha (1939), a inaugu ação da a ual Pon e 25 de Ab il (1966) e a en ada em uncionamen o da Lisna e (1967). A necessidade de cons ui habi ação pa a da espos a à c escen e a luência de mo ado es, a abe u a de no as ias de comunicação e a ins alação de in aes u u as e equipamen os le a am ao desapa ecimen o da maio pa e da paisagem u al no in e io do e i ó io 102 . A no a pon e sob e o Tejo oi esponsá el ambém po al e ações p o undas nas en es ibei inhas, uma ez que as a i idades desen ol idas nessas zonas bene icia am do in enso á ego lu ial, ago a subs i uído em la ga medida pelo anspo e odo iá io. No decu so do século XX, o ence amen o das áb icas, dos a mazéns e da Lisna e deixou g andes á eas indus iais abandonadas. Já na en e ma í ima, a classi icação da Cos a de Capa ica como es ância balnea , em 1925, deu início a um no o modelo de desen ol imen o 103 . Os 13 km de p aia, a pa do san uá io de C is o-Rei, isi ado anualmen e po á ios milha es de pessoas, são a o es de a ação u ís ica. A ualmen e, “76% da população a i a es á emp egada no se o e ciá io, e le indo a e olução des e se o de a i idade nos úl imos anos, em de imen o dos se o es indus ial e ag ícola” 104 . 100 CUSTÓDIO, Jo ge (1995). “Almada Minei a, Manu ac u ei a e Indus ial” in Al-Madan nº 4, IIª Sé ie. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 128-139. 101 POLICARPO, An ónio Manuel Ne es (2005). Memó ias da Nossa Te a e da Nossa Gen e. Almada: Jun a de F eguesia de Almada. 102 CRUZ, Ma ia Al eda (1973). A Ma gem Sul do Es uá io do Tejo, Fac o es e Fo mas de O ganização do Espaço, s.l., ed. Au o , p. 319-329. 103 SILVA, F ancisco (2012). Op ci . 104 In o mação ela i a aos Censos 2011, no si e da Câma a Municipal de Almada: h p://www.m- almada.p /xpo al/xmain?xpid=cma 2&xpgid=gene icPage&gene icCon en Page_q y=BOUI=5771022&ac ua lmenu=5770956 37 Apesa das al e ações sociais egis adas em Almada nas úl imas décadas, o concelho ainda man ém aços de “capi al do associa i ismo”, uma ma ca singula que lhe oi popula men e a ibuída. O papel das associações oi de e minan e em á ias épocas, sup indo necessidades da população ou indo ao encon o das suas aspi ações, a a és da ges ão cole i a de ecu sos p i ados e da pa ilha democ á ica das decisões. Nes e momen o es ão egis adas no si e da Câma a Municipal de Almada 569 associações nas mais di e sas á eas de ação, en e cul u a, despo o e ação social 105 . 2. O Cen o de A queologia de Almada (CAA) A associação Cen o de A queologia de Almada nasceu num con ex o ma cado pelo boom u banís ico do início dos anos 1970, quando a ans o mação da ácies local e a e iden e e as in e enções no e eno deixa am a descobe o os es ígios do passado. Foi c iado em 1972 po um g upo de es udan es do Liceu de Almada que ie am a assina esc i u a pública em 1976. Apesa de se e o mado an es do 25 de Ab il, acompanhou o a anque do mo imen o associa i o em Po ugal, legalizado pelo a igo 46º da Cons i uição da República Po uguesa (Libe dade de Associação), bem como a Lei 13/85 106 , que de iniu o âmbi o das ADP – Associações de De esa do Pa imónio. Den o das ADP, So ia Cos a Macedo dis inguiu á ios ipos, in eg ando o CAA na Tipologia 3 – Mis as, que in eg a “associações de na u eza cul u al ge al com p eocupações especí icas, mas não exclusi as, na á ea de de esa do pa imónio” 107 . Com e ei o, os es a u os publicados em 1977 apon am como obje i os o apoio ao es udo da a queologia e da paleon ologia, mas as linhas de ação do CAA o am omando di e sos umos ao longo do empo. Como explica Jo ge Raposo, a associação “ala gou a sua pe spe i a de abo dagem a um plano holís ico, su icien emen e ab angen e pa a in eg a o Pa imónio Cul u al na sua elação sis émica com o meio ambien e e as 105 h p://www.m-almada.p /PBPEXT/En idades/Lis 106 Lei do Pa imónio Cul u al Po uguês, A igo 6. 107 MACEDO, So ia Cos a (2018). Associações de De esa do Pa imónio em Po ugal (1947-1997). Lisboa: Caleidoscópio, p. 112. 38 comunidades locais, a endendo às suas e idências ma e iais, mas ambém às mani es ações ima e iais e à p ese ação e ec iação das memó ias sociais” 108 . No início, o CAA e a maio i a iamen e o mado po jo ens e oi a p imei a associação do dis i o de Se úbal insc i a no RNAJ – Regis o Nacional de Associações Ju enis. Ag egou- se a á ias es u u as associa i as nacionais e in e nacionais, como o Fó um Eu opeu das Associações de De esa do Pa imónio, do qual oi memb o undado , a Associação pa a o Desen ol imen o da Coope ação em A queologia Peninsula , Con ede ação Po uguesa das Associações de De esa do Ambien e, Sociedade Geológica de Po ugal, Associação pa a o Desen ol imen o da Conse ação e Res au o e a Associação Eu opeia de A queólogos. Es á classi icado como Ins i uição de U ilidade Pública desde 1985 e em 1997 oi decla ado ins i uição de mani es o in e esse cul u al pelo Minis é io da Cul u a. Desde 1999 encon a- se egis ado como O ganização Não Go e namen al de Ambien e de Âmbi o Local. Passando em e is a o pe cu so de abalho da associação, começamos pelos p imei os anos, em que os sócios do CAA se dedica am sob e udo à p ospeção a queológica. Iden i ica am dezenas de sí ios a queológicos que pe mi i am ca ac e iza a ocupação humana do e i ó io de Almada desde o Paleolí ico. As descobe as, acompanhadas de enquad amen o cien í ico, e am di ulgadas em exposições, sessões públicas e pequenas edições disponibilizadas à população do concelho. Po ou o lado, deu-se início ao le an amen o o og á ico do pa imónio edi icado, u al e u bano. Que a ní el de a queologia, que de pa imónio cons uído, oi possí el euni nesse pe íodo um ace o documen al inédi o, ela i o a elemen os en e an o desapa ecidos de ido à p o unda ans o mação u banís ica de que Almada em sido al o. Em 1982 oi lançado o nº 0 da Iª Sé ie da e is a Al-Madan – A queologia, Pa imónio, His ó ia Local. A Al-Madan é o p oje o do CAA com maio ele ância, uma ez que publica a igos ela i os a odo o e i ó io nacional, em dis ibuição come cial e é pe mu ada com ins i uições de á ios países do mundo. Te e uma Iª sé ie en e 1982 e 1986, com seis núme os publicados; a IIª sé ie, publicada desde 1992, soma 23 núme os em no emb o de 2020. Desde 108 RAPOSO, Jo ge (2015). "Ciência e Cidadania: Sociabilização da A queologia e do Pa imónio" in An ope, nº 2 julho 2015, pp. 10-21 (p. 12). Toma : Cen o de P é-His ó ia – Ins i u o Poli écnico de Toma . 39 2005, além da e is a imp essa exis e ambém uma e is a digi al – Al-Madan Online – de pe iodicidade semes al 109 . As pe mu as da Al-Madan alimen am uma biblio eca especializada em A queologia, Pa imónio, His ó ia local e Conse ação e Res au o, que se encon a o ganizada e abe a à consul a pública. Regis a mais de 10 mil olumes (em no emb o de 2020), en e monog a ias, pe iódicos, a as e sepa a as. Além do undo bibliog á ico, a associação dispõe de um cen o de documen ação mais as o: a qui o o og á ico, ídeo, áudio, ca og a ia, desenho, bases de dados emá icas de his ó ia local, en e ou o ma e ial em supo e papel e digi al. Con inuando com a abo dagem ao pe cu so do CAA, a pa i da década de 1980 há a des aca a in e enção a queológica egional a a és do p oje o Ocupação Romana da Ma gem esque da do Es uá io do Tejo. Nesse âmbi o, a associação pa icipou nas esca ações da Fáb ica de Salga em Cacilhas (1981-1987), da Ola ia Romana da Quin a do Rouxinol, Seixal (1986-1991) e da Ola ia Romana do Po o dos Cacos, Alcoche e 110 . A á ea da conse ação e es au o, em pa icula de ce âmica a queológica e azuleja ia, pa alelamen e à p odução de éplicas, o am e en es de a i idade que na década de 1990 adqui i am uma dimensão conside á el no CAA. Foi uma época em que a associação começou a apos a mais na p es ação de se iços especializados como on e de inanciamen o. Nesse sen ido, ambém se ealiza am di e sos abalhos de in en á io sis emá ico de pa imónio edi icado e azuleja ia, po solici ação de au a quias da egião. É nesse con ex o que se ins i uiu no CAA uma o ganização po depa amen os, en e os quais o depa amen o pedagógico. A pa i de 2000 desen ol e am-se á ios p oje os de es udo do pa imónio e da his ó ia local que de am o igem a monog a ias ou exposições emá icas. Des acam-se os p oje os Ginjalma, sob e o Cais do Ginjal (Cacilhas), Po o B andão, a Te a e o Tejo, e monog a ias sob e his ó ia e pa imónio das eguesias de Almada, P agal, Co a da Piedade e Sob eda. Em 2010 a sede do CAA mudou pa a no as ins alações, o que pe mi iu o c escimen o da a i idade e o en ol imen o de mais pessoas. Implemen a am-se p og amas semanais de 109 Si e da Al-Madan: h p://www.almadan.publ.p / 110 RAPOSO, Jo ge (2017). "As Ola ias Romanas do Es uá io do Tejo: Po o dos Cacos (Alcoche e) e Quin a do Rouxinol (Seixal) in Ola ia Romana: seminá io in e nacional e a eliê de A queologia expe imen al. Lisboa: UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa / Câma a Municipal do Seixal / Cen o de A queologia de Almada. 40 isi as emá icas guiadas nas á ias eguesias e os abalhos de in en á io em núcleos his ó icos passa am a se elabo ados com base em Sis emas de In o mação Geog á ica (SIG). Em janei o de 2018, o CAA des aca a en e as a i idades ealizadas nos 5 anos an e io es 111 , a ní el de pa imónio, a elabo ação da Ca a do Pa imónio Cul u al do Concelho de Almada – le an amen o dos Imó eis, Conjun os, A queossí ios, Paisagens Cul u ais e Mani es ações de Pa imónio Ima e ial e da Ficha da A e Xá ega na Cos a da Capa ica, in eg ada no In en á io Nacional do Pa imónio Cul u al Ima e ial em e e ei o de 2017. Da a i idade edi o ial des aca a a publicação das e is as Al-Madan imp essa e Online, da monog a ia de his ó ia local Sob eda, His ó ia e Pa imónio, com um segundo olume em p epa ação, a conceção de exposições, po exemplo, O P esidio e a T a a ia – 450 anos de His ó ia ou Vinhas e Vinhos da Capa ica. A ní el da educação pa imonial, menciona-se o desen ol imen o de a i idades – o icinas, pe cu sos e a eliês – em quase odas as escolas do concelho. São enume adas inicia i as “que ligam os p og amas escola es à his ó ia local, com o ma o a i o e expe imen al”, po exemplo: P og ama Quo idianos no Con en o – onde se expe imen a a i ência dos ades no Con en o dos Capuchos; Ago a eu E a o Rei – pe cu so em Almada Velha, em que as c ianças são as pe sonagens da his ó ia; Fo a de Po as – expe iências amigas do pa imónio pa a o pequeno público – encon o de mediação cul u al en ol endo 11 ins i uições / museus. O leque de a i idades é amplo e passa ambém pela ealização dos pe cu sos emá icos em di e sos locais do concelho, a p omoção de wo kshops e ações de o mação especializada, a o ganização dos Encon os sob e o Pa imónio de Almada e Seixal, o acompanhamen o a queológico em Almada Velha e a consul ado ia na á ea da a queologia. A p epa ação des a lis a, que in eg a um ex o de ap esen ação à ecém-elei a edil municipal, e e como inalidade chama a a enção pa a o conjun o de inicia i as com maio alo local. Embo a não esgo e os Rela ó ios de A i idades dos anos a que diz espei o (2013- 2017), pe mi e classi ica as á eas de a i idade a i as à da a: a queologia; pa imónio; his ó ia local; in es igação; di ulgação; educação; o mação. Nos Rela ó ios de 2018 e 2019 me ece des aque a pa icipação no p oje o No os In en a ian es: in en á io da coleção do Núcleo A queológico da Rua dos Co eei os, inco po ada no Museu Nacional de A queologia. 111 Des aques que cons am em documen o en egue pelo CAA à Câma a Municipal de Almada, em eunião pública de câma a, 3 de janei o de 2018. 41 As pa ce ias semp e ize am pa e do “ADN” do CAA: com ins i uições académicas e cien í icas, au a quias, escolas, emp esas e ou as associações. O abalho olun á io es á na base do desen ol imen o da maio pa e dos p oje os. A pa i de 1990, ap oximadamen e, oi possí el man e pelo menos um uncioná io e em alguns pe íodos chegou a ha e qua o colabo ado es pe manen es, acompanhados de colabo ações ex e nas con a adas pa a p oje os especí icos. O CAA em um ca á e inclusi o, na medida em que in eg a sócios de odas as á eas p o issionais, idades e p o eniências. Ao longo de 48 anos o am admi idos ce ca de 1500 sócios, dos quais pe maneciam insc i os 795 em dezemb o de 2020. O papel social desempenhado pelo CAA ai ao encon o do que é p econizado na Con enção de Fa o. Es a coloca as pessoas no cen o dos p ocessos pa imoniais, desde a de inição do que é pa imónio a é à sua ges ão. A a és do concei o de “Comunidade Pa imonial”, o ex o enco aja a democ a ização do Pa imónio: po um lado, es e pe de o alo in ínseco e uni e sal, sendo o seu econhecimen o e alo ização mais ap op iado à di e sidade cul u al das populações; po ou o, a sua de inição e comp eensão deixa de se apenas a e a dos especialis as 112 . As ques ões “o que é o pa imónio?” e “de quem é o pa imónio?” passam a inclui ambém hipó eses de espos a abe a, dada pelas pessoas, num sen ido mais democ á ico e em cump imen o dos Di ei os Humanos, em pa icula o que se e e e ao di ei o a pa icipa na a i idade cul u al. Uma das ca a e ís icas do CAA é a capacidade de ap oxima especialis as e cidadãos sem o mação académica. Enquan o associação, in eg a nos ó gãos di igen es e nos p oje os pessoas mui o di e en es en e si, cong egadas em o no de uma isão comum de pa imónio. Os sócios êm opo unidades conc e as de in e enção nas ações desen ol idas, desde a conceção à execução, e o olun a iado con i ma a li e pa icipação. As a i idades le adas a cabo pelo CAA ao longo do seu pe cu so encaixam ambém nas ecomendações elabo adas em 2018 pelo Conselho da Eu opa 113 . A pa i do espí i o da Con enção, essas ecomendações dizem espei o a ês componen es es a égicas: componen e social; componen e de desen ol imen o económico; componen e de conhecimen o e educação. É possí el econhece a ação do CAA naquelas ecomendações, em pa icula na componen e social, po exemplo na o ganização de isi as; 112 Council o Eu ope (2020). The Fa o Con en ion: he way o wa d wi h he i age. Disponí el em h ps:// m.coe.in / he- a o-con en ion- he-way- o wa d-wi h-he i age-b ochu e/16809e3627 (consul ado em ab il de 2021) 113 Council o Eu ope (2018). Eu opean Cul u al He i age S a egy o he 21s cen u y. Facing Challenges by ollowing Recommenda ions. Disponí el em h ps:// m.coe.in /eu opean-he i age-s a egy- o - he-21s -cen u y- s a egy-21- ull- ex /16808ae270 (consul ado em ab il de 2021) 48 no depa amen o pedagógico, se ealiza am apenas 31 ações. Tal ez po se a a de uma ase com condições pa a o elançamen o c ia i o, enha ha ido maio in es imen o na conceção de no as p opos as do que na p omoção das a i idades egula es. Já no caso dos anos 2000 e 2005, que ap esen am meno núme o de ações, a jus i icação não se á a mesma, pois ambém não há egis o de no as c iações. Os dados pode iam le a a conside a esses anos pouco p odu i os no depa amen o pedagógico. Toda ia, logo após o ano 2000 su gem os p og amas especí icos pa a de e minadas eguesias que e ão exigido um empo de in es igação p é ia. Já em 2005, o baixo núme o de ações e a ausência de c iações pode á e acon ecido po que o es o ço se di igiu pa a a o mação de p o esso es, igualmen e na á ea da educação pa imonial. O núme o de escolas ab angidas nem semp e é indicado nos Rela ó ios de A i idades mas, no en an o, oi possí el apu a dados ela i os a 10 anos, que apon am pa a uma média de 21 escolas po ano, a maio ia si uada nos concelhos de Almada ou Seixal. Há e e ência a ações ealizadas em Lisboa e ambém em Sesimb a. T a a-se acima de udo de escolas públicas, mas ambém há ações em ins i uições de ensino pa icula e coope a i o e em ins i uições p i adas de solida iedade social. G á ico 4 – Núme o de escolas ab angidas pelas a i idades educa i as do CAA No úl imo ano le i o em análise, 2017/2018, o P og ama Educa i o do CAA, di igido a g upos do p é-escola ao 3º ciclo inha 10 pe cu sos, 16 o icinas e 8 a eliês. No si e da associação, esse p og ama apa ece anexo ao seu p oje o de educação pa imonial, que é ap esen ado nos seguin es e mos: “As a i idades de educação pa imonial dão a conhece o 25 20 17 15 24 19 15 33 22 24 0 5 10 15 20 25 30 35 49 pa imónio e alo izam-no como ma ca iden i á ia. Edi ícios, memó ias, luga es e obje os usados no passado são ambém ecu sos de ap endizagem. Com eles, c iamos expe iências educa i as em di e sas á eas do sabe e das a es” 121 . Esse ex o pe mi e conhece o concei o de educação pa imonial que es á na base das a i idades do depa amen o pedagógico. Na capa do P og ama há um desa io: “Vamos me e as mãos na His ó ia?”, com o qual se que aze sob essai o cunho expe imen al das a i idades que ão se ap esen adas no in e io . Aí encon amos os obje i os em ases apela i as: “Den o e o a da escola le amos a cada u ma a His ó ia de Po ugal no Pa imónio de Almada e não icamos po aqui…”. Sob e os pe cu sos lê-se: “Le am-nos pa a a ua e com jogos de az-de-con a, es imulam a descobe a a i a do pa imónio”; as o icinas: “Fazem a pon e en e os P og amas escola es e a His ó ia Local, usando expe iências, jogos e a i idades de “me e as mãos na massa”; os a eliês: “Usam écnicas a esanais, e po ezes eu ilizam ma e iais, pa a cons ui obje os e b inquedos que nos lemb am como e a an igamen e”. Es e P og ama mos a ao público o que p e ende o depa amen o pedagógico do CAA: le a o pa imónio às escolas e aze os alunos à ua pa a o descob i , mos a as ligações da his ó ia local com a his ó ia de Po ugal e c ia expe iências a i as nesse sen ido. 4. As A i idades Educa i as do CAA 4.1. In en á io das A i idades Fo am conside adas nes e abalho as a i idades desen ol idas en e 1998 e 2018. A p imei a da a oi escolhida po que e e início o p oje o “Almada Velha, uma Visi a Guiada” que ma ca o a anque de um p og ama educa i o es u u ado. O úl imo ano conside ado oi 2018, pois pela p imei a ez as a i idades educa i as do CAA o am suspensas, po mo i os inancei os. Den o desses limi es c onológicos iden i ica am-se 47 a i idades educa i as, desc i as em Rela ó ios de A i idades da associação, em P og amas Educa i os, em egis os 121 P og ama Educa i o disponí el em h ps://ca queoalm.wixsi e.com/websi e/p oje os (consul ado em no emb o de 2020) 50 manusc i os, documen os digi ais ( ex os, abelas, ap esen ações), ma e iais de apoio (guiões de pe cu so, guiões de apoio aos moni o es) e ma e iais de di ulgação. Com is a a sis ema iza a ecolha de in o mação oi cons uída uma base de dados, usando como e amen a in o má ica o so wa e FileMake . Tendo em con a os obje i os des e abalho, p ocu ou-se que a de inição dos campos pe mi isse o le an amen o dos con eúdos a ados, pa a os c uza com as Ap endizagens Essenciais, e a desc ição das a i idades, pa a a e i de que o ma p omo em as compe ências apon adas no Pe il dos Alunos à saída da Escola idade Ob iga ó ia. O layou da icha de in en á io em duas pa es: I. Ca a e ís icas e II. Ligações aos Cu ículos de Ensino. Ap esen a-se de seguida em que consis e cada campo da icha de in en á io ( e modelo da icha no anexo 1). I. Ca ac e ís icas Designação - Nome a ibuído à a i idade. Caso enha ido mais do que um nome, e e e-se o úl imo. Pe íodo de ealização – Pe íodo, em anos, du an e o qual se ealizou a a i idade. Te i ó io ab angido: Indicação do concelho e eguesia sob e os quais incidem os con eúdos da a i idade, que es a se ealize den o desse e i ó io, que se ealize nou o local, mas enha como ema p incipal um de e minado concelho ou eguesia. Conside a am-se as eguesias an e io es à eo ganização adminis a i a de 2013 po que a maio pa e das a i idades o am c iadas an es da ag egação e, ambém, pa a ha e uma localização mais apu ada. No caso de a a i idade a a emas de âmbi o geog á ico imp eciso (po exemplo, “À Descobe a dos Dinosau ia”) su ge nes es campos o egis o “Não se aplica”. Con eúdos: Enume ação dos assun os que são abo dados du an e a a i idade, nomeadamen e: elemen os do pa imónio cul u al e na u al; emas da his ó ia ge al/nacional e da his ó ia egional/local; aspe os associados ao e i ó io e à paisagem; e ou os. Tipo – In eg ação da a i idade num conjun o, de aco do com ca a e ís icas comuns: Visi a guiada: Pe cu so na ua, o ien ado po um moni o . Pode inclui uma a iedade de dinâmicas que são desc i as no campo Desc ição. Sessão emá ica com jogo: A i idade compos a po duas pa es: eó ica, com exposição de um ema e diálogo o ien ado pelo moni o ; e p á ica, com um jogo no qual odos os alunos pa icipam. 51 Sessão emá ica com o icina: Sessão emá ica em que a pa e p á ica esul a num p odu o inal execu ado pelos pa icipan es. A i idade de explo ação de um espaço: A i idade que en ol e uma es a égia lúdica pa a os pa icipan es aze em o econhecimen o de um espaço pa imonial. A i idades de expe ienciação: A i idade compos a po á ias á eas de ca ác e expe iencial, nas quais os pa icipan es ealizam a e as c ia i as e/ou p odu i as. P og ama compos o: A i idade com um p og ama que pode inclui di e sos ipos de a i idades. Desc ição: Enunciado dos p incipais acon ecimen os que êm luga no desen ola da a i idade e das ações ealizadas pelos pa icipan es. Ma e iais: Ma e iais necessá ios pa a ealiza a a i idade. Em alguns casos, quando as a i idades eque em g ande quan idade e di e sidade de ma e iais, são indicados apenas os indispensá eis ou p incipais. Local: Re e e-se ao local onde a a i idade se ealiza habi ualmen e: CAA: Nas ins alações do Cen o de A queologia de Almada. Escolas: Nas ins alações de uma escola ou nas salas de aula. Equipamen o: Num equipamen o público. Ruas: Desc ição do pe cu so ealizado du an e a a i idade. Tipo de Espaço: Re e e-se ao espaço onde a a i idade se ealiza habi ualmen e. In e io : Em espaço cobe o. Ex e io : Ao a li e. Ambos: A a i idade em uma pa e que se ealiza em espaço cobe o e ou a pa e ao a li e. Indi e en e: A a i idade pode ealiza -se que em espaço in e io , que no ex e io . Du ação: Núme o de minu os p og amados pa a a a i idade. 52 Nº de Moni o es 122 : Núme o mínimo de pessoas com o mação especí ica que são necessá ias pa a desen ol e a a i idade. Obse ações: Campo sem con eúdo de inido. Usado pa a ac escen a in o mação conside ada ele an e ou in e essan e. II. Ligações aos Cu ículos de Ensino Des ina á ios: Ní el de ensino a que se des ina a a i idade. Ap endizagens Essenciais: Enume ação das ap endizagens apon adas pelo Minis é io da Educação como essenciais em cada á ea do sabe e ní el de ensino, cujos domínios são ocados pela a i idade. Á eas de Compe ências: Enume ação das á eas de compe ências de inidas no documen o Pe il dos Alunos à saída da Escola idade Ob iga ó ia. Assinalam-se aquelas que se conside am passí eis de desen ol e pelos pa icipan es du an e a ealização da a i idade. Ações dos Alunos: Exposição das ações ealizadas pelos pa icipan es que e idenciam a possibilidade de desen ol e as compe ências assinaladas. Pa a a ca a e ização das a i idades ealizou-se o p eenchimen o das ichas de in en á io. A análise dos dados aí ecolhidos e sis ema izados se ão analisados seguidamen e. 4.2. Pe íodo de Realização Fo am egis adas no in en á io as da as de início e ence amen o das a i idades, o que pe mi e sabe quan os anos es i e am a i as. Na abela 1 podemos e , po o dem c onológica, a lis a de odas as a i idades conside adas, a da a de início e de ence amen o de cada uma, bem como o núme o de anos de con inuidade que ap esen a am. 122 No as à e minologia usada: pa a acili a a lei u a op ou-se po não aze dis inção de géne o. A pala a “moni o ” e e e-se à pessoa que dinamiza a a i idade, seja homem ou mulhe . O mesmo se aplica a “aluno” e “p o esso ”, po exemplo. 53 Designação Da a de início Da a da úl ima Ação Nº de anos Romanos no Vale do Tejo 1998 2014 17 Os P imei os Po oado es 1998 2016 19 Almada Velha, uma Visi a Guiada 1998 2018 21 Vamos Explo a a Co a da Piedade 2002 2018 17 Desa io em Cacilhas - Sessão 2003 2018 16 Desa io em Cacilhas - Visi a 2003 2018 16 Pe eg inação no P agal 2004 2018 15 Ago a eu e a o Rei 2007 2018 12 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança 2010 2018 9 Vozes da Resis ência 2010 2018 9 Á abes aqui ão pe o 2011 2018 8 Campo de Simulação A queológica 2011 2018 8 Vidas de Fáb ica 2011 2018 8 Aldeia P é-His ó ica 2012 2018 7 O Pa imónio da Cos a 2007 2012 6 De e i es da His ó ia nos Capuchos 2010 2015 6 Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e 2013 2017 5 Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo 2013 2017 5 Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a 2013 2017 5 À Descobe a dos Dinosau ia 2014 2018 5 Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica 2014 2018 5 Cha neca de Capa ica - Pa imónio 2014 2018 5 Do Egi o a Almada 2014 2018 5 Fe não Mendes Pin o 2014 2018 5 O Dia da Reconquis a 2014 2018 5 À P ocu a da Janela da Ca ochinha 2015 2018 4 Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a de Capa ica 2002 2004 3 Descob e o Cen o His ó ico de Co uche 2007 2009 3 Olimpíadas da A queologia 2013 2015 3 Sob eda - His ó ia e Pa imónio 2013 2015 3 Dias do Pão 2016 2018 3 Romaniza e 2016 2018 3 Um Passeio em Alcoche e 2001 2002 2 Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es 2004 2005 2 O Pa imónio da Capa ica 2011 2012 2 A queologia na Escola 2012 2013 2 Ao Encon o do Tempo das Fáb icas 2017 2018 2 Pa imónio em Almada 1998 1998 1 Ginjalma - Explo ação didá ica 2002 2002 1 A en u a no Pa imónio 2004 2004 1 De e i es da His ó ia nos Zagallos 2011 2011 1 Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó 2011 2011 1 Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a 2016 2016 1 Faz- e à T adição 2016 2016 1 Onde es á o Azulejo 2017 2017 1 54 Quo idianos no Con en o 2017 2017 1 Fósseis na Quin a 2018 2018 1 Tabela 1 – A i idades c iadas no CAA en e 1998 e 2918 (po o dem c onológica da da a de início) No conjun o es udado há 10 a i idades que se ealiza am apenas du an e um ano. As ou as 37 pe manece am a i as en e dois e in e anos, com uma média de seis anos de con inuidade. A a i idade com um pe íodo de ealização mais longo é “Almada Velha, uma Visi a Guiada”, ealizada du an e in e anos, o que demons a bom acolhimen o po pa e dos p o esso es, que man i e am o in e esse e con inua am a solici a a sua ealização. O a o mais impo an e a salien a na análise do pe íodo de ealização é o ca ác e de con inuidade das a i idades. Esse aspe o indicia consis ência no abalho desen ol ido pelo depa amen o pedagógico do CAA. Pa alelamen e, o ac o de se em c iadas no as a i idades com egula idade, enquan o ou as deixam de se ealizadas, mani es a alguma cons ância na a ualização da o e a educa i a. 4.3. Te i ó io Ab angido Conside a-se que um e i ó io é ab angido numa a i idade quando os con eúdos abo dados dizem espei o a esse e i ó io em pa icula . Assim, en e as 47 a i idades educa i as in en a iadas, há 41 ela i as ao concelho de Almada, 2 espei an es a ou os concelhos (Alcoche e e Co uche) e 4 em que o ema p incipal ab ange con ex os geog á icos ans e sais a di e sas egiões do mundo, como é o caso de a i idades sob e dinossau os ou sob e a his ó ia da habi ação. Tendo em is a os obje i os do abalho, embo a enham sido ca ac e izadas odas as 47 a i idades in en a iadas, passamos a analisa apenas as 41 cujos con eúdos se ocam no concelho de Almada. Essas a i idades ab angem odas as eguesias do concelho, exce o a do La anjei o, como cons a no g á ico 5: 55 G á ico 5 - F eguesias con empladas nas a i idades A abela 2 mos a quais são as a i idades e e en es a cada eguesia: F eguesias A i idades Almada Almada Velha, uma Visi a Guiada Ago a eu e a o Rei Do Egi o a Almada Ginjalma - Explo ação didá ica O Dia da Reconquis a Cacilhas Desa io em Cacilhas - Sessão Desa io em Cacilhas - Visi a Capa ica Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es O Pa imónio da Capa ica Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Quo idianos no Con en o Cha neca da Capa ica Cha neca de Capa ica - Pa imónio Cos a da Capa ica O Pa imónio da Cos a Co a da Piedade Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Vamos Explo a a Co a da Piedade Feijó Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó P agal Fe não Mendes Pin o Pe eg inação no P agal Sob eda De e i es da His ó ia nos Zagallos 0 1 1 1 2 2 2 3 3 5 7 14 0246810 12 14 16 La anjei o Cha neca Cos a da Capa ica Feijó Cacilhas P agal T a a ia Sob eda Co a da Piedade Almada Capa ica Vá ias Nº de A i idades F eguesias 56 Onde es á o Azulejo? Sob eda - His ó ia e Pa imónio T a a ia Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a Fósseis na Quin a Vá ias Aldeia P é-His ó ica Á abes aqui ão pe o A en u a no Pa imónio Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Campo de Simulação A queológica Dias do Pão De e i es da His ó ia nos Capuchos Faz- e à T adição Os P imei os Po oado es Pa imónio em Almada Romaniza e Romanos no Vale do Tejo Vidas de Fáb ica Vozes da Resis ência Tabela 2 – Dis ibuição das a i idades pelas eguesias do concelho de Almada Há 14 a i idades cujos con eúdos aba cam á ias eguesias. Cen ando-se embo a no concelho de Almada, abo dam emas sup a- e i o iais (como a p é-his ó ia, a omanização, a ocupação muçulmana, a indus ialização) ou epo am a á eas geog á icas com egime de ci cunsc ição di e enciada, como a Á ea da Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica. A Capa ica é a eguesia com maio núme o de a i idades, seguida de Almada. Em e mos his ó icos, a p imei a oi o cen o do espaço u al e a segunda o núcleo u bano mais impo an e, si uações que jus i icam o núme o de a i idades com elas elacionadas. Na mesma linha, a Co a da Piedade, com 3 a i idades, oi o cen o indus ial do concelho no século XIX. Na Sob eda si ua-se o sola dos Zagallos, elemen o impo an e do pa imónio local que jus i ica duas das ês a i idades ealizadas nessa eguesia. O caso da T a a ia é idên ico, pois as a i idades acon ecem numa zona com in e esses especí icos: a 2ª ba e ia da Raposei a e a Quin a do Bonapa e. O P agal exibe ma cas da e olução his ó ica do e i ó io, da u alidade pa a a u banidade, de g ande in e esse a ní el de educação pa imonial. Em Cacilhas, as duas a i idades são complemen a es e ocam o ca á e ibei inho do luga , c ucial na ligação a Lisboa e ao sul do país. Na Cha neca e na Cos a, as a i idades dizem espei o a odo o e i ó io das eguesias; já no Feijó, exis e apenas um pe cu so à ol a da escola que, po an o, se cinge a essa á ea es i a. 57 Des acam-se de seguida as a i idades que, ela i amen e a cada eguesia, mais se dedicam à explo ação didá ica desse e i ó io em pa icula . Na Capa ica dis inguem-se os ês “Pe cu sos à Vol a da Escola”, ealizados nos luga es do Raposo, Mon e e Vila No a. São a i idades alice çadas nos mic o e i ó ios en ol en es às escolas, que explo am aspe os locais acilmen e obse á eis pelos pa icipan es, desde paisagens abe as a de alhes cons u i os e elemen os na u ais, po exemplo. No Feijó, a única a i idade egis ada é ambém um pe cu so à ol a da escola, com obje i os semelhan es. Em Almada, Co a da Piedade, P agal e Cacilhas, me ecem des aque pela pe ceção e i o ial que desencadeiam, os pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a Guiada”, “Ago a eu e a o Rei”, “Vamos Explo a a Co a da Piedade”, “Desa io em Cacilhas” e “Pe eg inação no P agal”. Ac escen e-se a essa seleção “O Dia da Reconquis a”, que apela à in e p e ação da paisagem undado a de dois e i ó ios sepa ados pelo io Tejo: a no e, Lisboa; a sul, Almada. Na Sob eda, Cha neca e Cos a da Capa ica, não são pe cu sos no ex e io , mas sim sessões em sala que a am aspe os do e i ó io local. Não p opo cionam, po an o, o con ac o di e o com ele. “Sob eda, His ó ia e Pa imónio”, “Cha neca da Capa ica – Pa imónio” e “O Pa imónio da Cos a” são a i idades mui o ocadas nas espe i as eguesias, expondo as pa icula idades da his ó ia local e as e idências da elação en e pessoas e meio a a és do empo. Po úl imo, na T a a ia, des acamos a a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”. Realiza-se num local p i ilegiado no que oca a pe cebe a adequação de um e i ó io a de e minadas unções, nes e caso a de esa mili a . En e as a i idades cujos con eúdos ab angem á ias eguesias, me ece pa icula des aque “De e i es da His ó ia nos Capuchos”, que abo da agmen os da his ó ia de Almada a pa i de es ígios a queológicos descobe os em á ias zonas do e i ó io. A a i idade inclui uma peça de ea o que jun a duas pe sonagens, um a queólogo e um de e i e, num cená io eple o de caixas de ca ão iden i icadas com nomes de eguesias ( o o 1). Os obje os que ão sendo e i ados das caixas, em conjun o com imagens p oje adas e as alas dos a o es, ansmi em in o mação ace ca do passado local. 4.4. Con eúdos Abo dados Pa a a especi icação dos con eúdos abo dados nas a i idades e a análise do modo como se ealiza a sua ansposição didá ica, oi ealizado um le an amen o sis emá ico nos guiões 64 De en e o pa imónio imó el que in eg a os con eúdos das a i idades, as escolas são um conjun o que susci a bas an e in e esse nos alunos, pois es ão mui o p esen es no seu quo idiano. Obse a o edi ício an igo le a a explica como e a o ensino, compa ando modos de ida na in ância em di e en es épocas. São mencionados aspe os signi ica i os pa a as c ianças, como a sepa ação po sexos e a ausência de casa de banho (“Pe eg inação no P agal”) ou o anal abe ismo (“Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e”). Se à obse ação do edi ício es i e associada a o og a ia de uma u ma, su gem ou as on es pa a o conhecimen o da sociedade no passado, como a oupa e o calçado usados pelas c ianças (“Vamos Explo a a Co a da Piedade”). A ci cuns ância em que se cons uiu uma escola az ambém pa e do ol de in o mações ansmi idas. O guião da a i idade “Pe cu so à ol a da Escola – Mon e” comen a que a escola equen ada pelos pa icipan es az pa e do Plano dos Cen ená ios 130 e explica b e emen e o que oi esse plano. Na isi a “Vamos Explo a a Co a da Piedade” ac esce in o mação ace ca do a qui e o esponsá el pelo p oje o do edi ício: “O a qui e o Adão Be mudes pa icipou num concu so com o p oje o des a escola e ganhou. Foi a p imei a escola pública da Co a da Piedade” 131 . Es e ipo de in o mação não e á mui o in e esse pa a as c ianças, con udo, na medida em que es á egis ada num guião publicado, que ica disponí el nas escolas e é le ado pa a casa, cons i ui ma e ial de apoio e o mação pa a p o esso es e amilia es adul os. e) Edi ícios Religiosos Ig ejas CPCCA A i idades Capela de Nossa Senho a do Li amen o IMOV 0019 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Capela de San o An ónio (Sola dos Zagallos) IMOV 0112 Sob eda - His ó ia e Pa imónio De e i es da His ó ia nos Zagallos Onde es á o Azulejo? Capela de San o An ónio do Caiado (Sola dos Zagallos) IMOV 0112 De e i es da His ó ia nos Zagallos Onde es á o Azulejo? Sob eda - His ó ia e Pa imónio 130 Plano de cons ução de escolas a ní el nacional, le ado a cabo pelo go e no do Es ado No o en e 1941 e 1969. O nome e e e-se ao oi a o cen ená io da independência de Po ugal e ao e cei o cen ená io da es au ação da independência, comemo ados em 1943 e 1940 espe i amen e. 131 GONÇALVES, Elisabe e (2015). Vamos Explo a a Co a da Piedade. A i idade de Educação Pa imonial concebida pelo Cen o de A queologia de Almada. Almada: Jun a da União das F eguesias de Almada, Co a da Piedade, P agal e Cacilhas, p. 15. 65 Capela de São Tomás de Aquino IMOV 0017 O Pa imónio da Capa ica Pa imónio em Almada Capela do Senho dos Passos (Sola dos Zagallos) IMOV 0112 De e i es da His ó ia nos Zagallos Onde es á o Azulejo? Sob eda - His ó ia e Pa imónio E mida de Nossa Senho a Mãe de Deus e dos Homens IMOV 0011 Pe eg inação no P agal E mida de São F ancisco de Ma os IMOV 0005 Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es E mida do Bom Pas o IMOV 0152 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Ig eja da Sag ada Família IMOV 0016 Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Ig eja de Nossa Senho a da Conceição IMOV 0007 O Pa imónio da Cos a Ig eja de Nossa Senho a da Piedade IMOV 0013 Vamos Explo a a Co a da Piedade Ig eja de Nossa Senho a do Bom Sucesso (Cacilhas) IMOV 0025 Desa io em Cacilhas - Sessão Desa io em Cacilhas - Visi a Ig eja de Nossa Senho a do Bom Sucesso (Po o B andão); IMOV 0029 O Pa imónio da Capa ica Ig eja de Nossa Senho a do Mon e IMOV 0026 Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e O Pa imónio da Capa ica Ig eja de San iago IMOV 0010 O Dia da Reconquis a Ig eja do Imaculado Co ação de Ma ia IMOV 0012 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Ig eja Ma iz de Nossa Senho a do Li amen o IMOV 0142 Sob eda - His ó ia e Pa imónio San uá io do C is o-Rei IMOV 0023 Pe eg inação no P agal Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Con en os CPCCA A i idades Con en o de Nossa Senho a da Rosa Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Cha neca de Capa ica - Pa imónio Con en o de São Domingos IMOV 0180 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Con en o de São Paulo IMOV 0024 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Con en o do Agos inhos Descalços Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Sob eda - His ó ia e Pa imónio Con en o dos Capuchos IMOV 0006 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Caça ao Tesou o na A iba Fóssil da Cos a da Capa ica O Pa imónio da Capa ica Quo idianos no Con en o Tabela 7 – Edi ícios eligiosos abo dados nos con eúdos das a i idades 66 Os con eúdos e e en es a pa imónio eligioso epo am-se a edi ícios pa a o cul o ca ólico, nomeadamen e ig ejas, capelas, e midas e o san uá io do C is o Rei, bem como a con en os de o dens eligiosas masculinas. São, eg a ge al, imó eis p oeminen es e econhecidos pelas comunidades como pa imónio. Em algumas a i idades a in o mação sob e o edi ício é b e e, como no caso das ig ejas e e idas nas sessões sob e o pa imónio de de e minada eguesia (Sob eda, Cha neca, Capa ica e Cos a). Nou as a i idades su ge uma his ó ia associada ao edi ício ou uma in o mação que possa a i a o in e esse das c ianças. A esse p opósi o ci amos o guião “Pe eg inação no P agal”: “Quando se a a essa a Pon e 25 de Ab il en a-se no Sul de Po ugal. Sabes qual é uma das p imei as coisas que se ê? É es a ig eja!” 132 . No mesmo local é apon ado o C is o Rei que, apesa de se o elemen o pa imonial mais conhecido de Almada, é e e ido apenas nes a a i idade e no “Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo”, e somen e pa a se descobe o na paisagem, sem ou a in o mação. Às Ig ejas de Cacilhas e Co a da Piedade es ão associadas lendas que se ão e e idas no âmbi o do pa imónio ima e ial. Na Ig eja do Mon e de Capa ica e nas Capelas do Sola dos Zagallos a ên ase es á na azuleja ia, que ambém se á a ada mais à en e. A a i idade “Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es” deu a conhece aos pa icipan es a E mida de São F ancisco de Ma os, que pe encia à mesma p op iedade do Colégio. No âmbi o da a i idade oi possí el le á-los ao local, habi ualmen e in e di o aos alunos ( o o 5). Nessa ocasião cons a ou-se o desapa ecimen o do echeio compos o po azulejos, imagem do san o e ex- o os, an e io men e egis ado pelo CAA. A a és das o og a ias a qui adas no cen o de documen ação, os pa icipan es pude am comp eende aspe os da i ência eligiosa naquele espaço ão p óximo. Todos os con en os e e enciados na his ó ia de Almada são e e idos na sessão emá ica “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança”, a p opósi o da ex inção das o dens eligiosas que se seguiu à i ó ia dos Libe ais, po ém, a a i idade não ap o unda con eúdos ace ca dos edi ícios. A a i idade “Quo idianos no Con en o”, concebida pa a o Con en o dos Capuchos des aca-se po se a única que explo a in ensamen e o in e io de um edi ício 133 . O obje i o da a i idade é pe ceciona as i ências dos seus ocupan es no con ex o da unção con en ual. A 132 GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 14. 133 A conceção da a i idade soco eu-se de uma das poucas on es documen ais disponí eis, o ac-símile dos Es a u os da p o íncia de San a Ma ia da A ábida, publicados em 1698. Uma cópia digi al oi gen ilmen e cedida pelo Dou o João Fon es pa a es e e ei o. 67 lei u a do edi icado con ibui pa a aze eme gi na imaginação dos pa icipan es as emoções de quem o habi ou. U ilizam-se na a i idade á ias zonas do imó el, cada uma das quais associada a um domínio da ida dos ades: o claus o eme e pa a a clausu a; a capela pa a a o ação; a cozinha pa a a ugalidade; o e ei ó io pa a a comunidade; o do mi ó io pa a a pob eza. A ci culação en e os espaços pe co e os aje os dos ades, po exemplo o pe cu so en e a cela e o co o nas ho as li ú gicas. ) Cole i idades Cole i idades CPCCA A i idades Clube Rec ea i o e Ins ução Sob edense IMOV 0251 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Clube Rec ea i o Raposense Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Clube Rec ea i o União e Cap icho IMOV 0233 Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Coope a i a de Consumo P agalense IMOV 0101 Pe eg inação no P agal Sociedade Fila mónica Inc í el Almadense IMOV 0093 Almada Velha, uma Visi a Guiada Sociedade Filá mónica União A ís ica Piedense IMOV 0002 Vamos Explo a a Co a da Piedade Sociedade Rec ea i a Es elas do Feijó Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó Sociedade Rec ea i a União P agalense IMOV 0099 Pe eg inação no P agal Tabela 8 – Cole i idades abo dadas nos con eúdos das a i idades O associa i ismo, como imos em capí ulo an e io , é conside ada uma ma ca da iden idade almadense. Nas a i idades são mencionadas oi o cole i idades. Des acamos dois casos em que são e e idas com maio ealce. No pe cu so “Almada Velha, uma isi a Guiada”, jun o à casa onde oi undada a Sociedade Fila mónica Inc í el Almadense, um pa icipan e lê no ex o da sua pe sonagem, o músico: “Eu e a anoei o e desde que su giu a Inc í el com a sua ila mónica, oquei a abe na, onde passa a algumas ho as, pela sede da cole i idade, onde me dediquei à música” 134 . Na mesma página do guião pode le -se ainda: “Nas associações, as pessoas êm opo unidade de desen ol e uma sociedade mais jus a e 134 GONÇALVES, Elisabe e; CRISTO, An ónio (2010). Almada Velha, uma Visi a Guiada, 4ª edição. Almada: Câma a Municipal de Almada, p. 14. 68 equilib ada”. O con eúdo apon a, desse modo, pa a uma ap eciação da impo ância social das associações e do papel cul u al e educa i o que i e am, em pa icula no ensino da música 135 . Ou a cole i idade cen ená ia, a Sociedade Fila mónica União A ís ica Piedense (SFUAP), é mo i o pa a um cu o inqué i o de ua le ado a cabo pelos pa icipan es da a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade”. Nas imediações da a ual sede, são desa iados a pe gun a a alguém que po ali passe que a i idades se podem p a ica na SFUAP. A a uação da cole i idade é assim azida à ealidade conc e a dos alunos e incen i a a pa ilha en e colegas, pois alguns p a icam ali alguma modalidade despo i a ou equen am aulas de ins umen o. g) Ins alações Indus iais Ins alações Indus iais CPCCA A i idades Es alei o do Po o B andão (Monumen o de In e esse Municipal) IMOV 0253 O Pa imónio da Capa ica Fáb ica da pól o a de Vale Milhaços Vidas de Fáb ica Fáb ica de ce âmica de Palença Vidas de Fáb ica Fáb ica de ce âmica do Sul IMOV 0207 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Fáb ica de conse as do Po o B andão IMOV 0058 O Pa imónio da Capa ica Vidas de Fáb ica Fáb ica de co iça Bucknall IMOV 0056 Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Fáb ica de moagem do Ca amujo (Imó el de in e esse Público) IMOV 0055 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Vidas de Fáb ica Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Fáb ica de sabão da A ábida Vidas de Fáb ica Fáb ica de ecidos da A en ela Vidas de Fáb ica Fáb ica de id os da Amo a Vidas de Fáb ica Fáb ica de co iça Munde Vidas de Fáb ica Tabela 9 – Ins alações indus iais abo dadas nos con eúdos das a i idades Fala da his ó ia de Almada nos séculos XIX e XX implica necessa iamen e aze e e ência às áb icas aqui ins aladas. A a i idade “Vidas de Fáb ica” é a que mais se dedica 135 COSTA, Ana; LUZIA, Ângela; JULIÃO, José (2007). Associa i ismo e Cidadania. Ca álogo da Exposição sob e o Mo imen o Associa i o em Almada. Museu da Cidade, ou ub o 2006 - junho 2007. Almada: Câma a Municipal de Almada. 69 a essa emá ica. Po es a ocacionada pa a assun os de his ó ia egional em pa alelo com a his ó ia ge al, se á analisada nou o capí ulo. Pa a ques ões ela i as ao pa imónio imó el des acamos aqui o pe cu so “Ao Encon o do Tempo das Fáb icas”. Es a isi a guiada ealiza- se no an igo cen o indus ial de Almada, a zona do Ca amujo, Co a da Piedade, onde se ins ala am algumas das mais impo an es unidades de p odução a ní el egional 136 . É possí el obse a ao longo do pe cu so a paisagem edi icada que eme e pa a a indus ialização naquela zona. A mazéns, o icinas, habi ação e ou as es u u as abandonadas e deg adadas cons i uem hoje o que es a da an iga labo ação ab il ( o o 6). Podemos, ainda assim, eco e à imaginação pa a e a azá ama das uas e alguns de alhes são e idências do passado, po exemplo, os ca is dos agões que anspo a am a co iça. O acesso lu ial que a aiu a indús ia naquela época ambém já não exis e, de ido ao a e o que ala gou a Base Na al do Al ei e. Mesmo assim, os jo ens isi an es conseguem encon a ma cas do an igo cais. T a a- se, pois, de uma a i idade que p omo e o con ac o com o pa imónio indus ial genuíno, que du an e o pe íodo de ealização da a i idade não oi al o de es au o nem eu ilização. Po im, uma b e e e e ência ao Es alei o do Po o B andão, que oi o p imei o plano inclinado ins alado em Po ugal, em 1865, e é o mais ecen e elemen o pa imonial classi icado no concelho 137 . Na a i idade “O Pa imónio da Capa ica” é ap esen ado a p opósi o das a i idades adicionais na en e ibei inha da eguesia, conc e amen e a cons ução na al. h) Ins alações Mili a es Ins alações Mili a es CPCCA A i idades 2ª Ba e ia da Raposei a IMOV 0210 Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a Fo e de San a Luzia IMOV 0202 Desa io em Cacilhas Cas elo de Almada IMOV 0193 O Dia da Reconquis a To e Velha/To e de São Sebas ião (Monumen o Nacional) IMOV 0034 O Pa imónio da Capa ica Tabela 10 – Ins alações mili a es abo dadas nos con eúdos das a i idades 136 CUSTÓDIO, Jo ge (1995). “Almada Minei a, Manu ac u ei a e Indus ial II” in Al-Madan, nº 4, IIª sé ie. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 128-139. 137 Classi icado como Monumen o de In e esse Municipal, DR, 2.ª sé ie, n.º 104 de 28 maio 2021. 70 De ido à posição geog á ica que ocupa, num luga ele ado, na ma gem opos a à capi al do país, na oz do io Tejo e em en e ao ma , Almada desempenhou ao longo da his ó ia um impo an e papel geoes a égico. Fo am á ias as campanhas de de esa que in es i am em in aes u u as mili a es nes a ma gem 138 . Dos imó eis e e enciados na abela, apenas a 2ª Ba e ia da Raposei a, que in eg a a o Campo En inchei ado de Lisboa (1893) é acessí el. Embo a mui o deg adado, man ém ês peças de a ilha ia que apon a am ao oceano A lân ico e à ba a do Tejo. A a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a” op ou po con eúdos à ma gem da dimensão bélica que lhe es á associada, pegando em ez disso num episódio his ó ico ali oco ido pa a abo da emas mais p óximos do dia a dia dos pa icipan es. O ac o é que a 17 de ab il de 1901 se ez nesse local a p imei a expe iência de ele onia sem ios (TSF) ealizada em Po ugal. A a i idade assen a no concei o de missão pa a es abelece as comunicações e as dinâmicas p opos as passam po expe imen a di e sas o mas de comunica ( o o 7). A a i idade e mina com a o e a de blocos de papel e pedaços de ca ão e o ex o: “Quando es e o e icou p on o, em 1902, não ha ia ele isão e mui o menos elemó el. A mensagem oi en iada de ou o o e, em Lisboa, e ecebida nes e com g ande en usiasmo. Po mais que a ecnologia nos ap oxime, con inua a se possí el comunica sem es a ligado à ede. Usa es e bloco pa a esc e e um sms” 139 . Em e mos de educação pa imonial, o que se que e idencia é a opo unidade que o pa imónio concede de a a uma di e sidade de con eúdos, nem semp e os mais ób ios. i) Quin as Quin as CPCCA A i idades Quin a da Fo miga Pa imónio em Almada Quin a da Geno eza Sob eda - His ó ia e Pa imónio Quin a da G aciosa IMOV 0118 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Quin a da Rega ei a IMOV 0152 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Quin a da To e IMOV 0144 Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica O Pa imónio da Capa ica Pa imónio em Almada Quin a da U aca IMOV 0230 Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e 138 SOUSA, R. H. Pe ei a de (1981). Fo alezas de Almada e seu Te mo. Almada: A qui o His ó ico Municipal. 139 Tex o da úl ima pis a da a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”. Cen o de A queologia de Almada, 2016. 71 Quin a das Cha es Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Quin a de An ónio José Gomes IMOV 0002 Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Vamos Explo a a Co a da Piedade Quin a de Cas elo Picão IMOV 0134 Pa imónio em Almada Quin a de Cima IMOV 0196 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Quin a de Monse a e IMOV 0113 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Quin a de Mon al ão ou de Al azina e Mi adou o de Al azina IMOV 0132 Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Quin a de Nª. S a. da Boa Espe ança IMOV 0123 Pa imónio em Almada Quin a de Nª. S a. da Piedade Pa imónio em Almada Quin a de Palença IMOV 0157 Fe não Mendes Pin o Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Quin a de São José IMOV 0163 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Quin a de São Ped o IMOV 0199 Pe eg inação no P agal Quin a do B asilei o IMOV 0130 Pa imónio em Almada Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Quin a do Co iço IMOV 0165 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Quin a do Ginjal Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Quin a do Laga IMOV 0158 Sob eda - His ó ia e Pa imónio Quin a do Laza im IMOV 0121 Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es Quin a do Vale do To ão Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó Quin a e C uzei o de Vale Rosal ou dos 40 Má i es IMOV 0114 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Tabela 11 – Quin as abo dadas nos con eúdos das a i idades As quin as são as es u u as ag á ias ca ac e ís icas de Almada. Unidades de p odução ligadas à explo ação do solo, cons i uem um impo an e es emunho da paisagem u al que ca a e izou a egião a é ao século XIX. Incluem e enos ag ícolas e habi ação, bem como, de modo a iá el, abegoa ia, es u u as de a mazenamen o e p ocessamen o dos p odu os (adegas, laga es de inho e azei e, moinhos), poços e anques, zonas de laze e uição, locais de cul o (capelas e e midas p i adas). Nas a i idades educa i as do CAA são e e idas 24 quin as, núme o que supe a o de qualque ou a ca ego ia pa imonial conside ada. Algumas a i idades ap esen am as quin as exis en es num de e minado e i ó io. Po exemplo, a sessão “Sob eda, His ó ia e Pa imónio” nomeia e mos a imagens das quin as exis en es na eguesia. Na sessão “Cha neca da Capa ica – Pa imónio” incluem-se ambém as quin as man idas apenas como opónimo de u banizações iden i icá eis num mapa. Nos pe cu sos à ol a da escola, as quin as são ine i a elmen e in eg adas no conjun o de elemen os obse ados. 72 A a i idade em des aque pela o ma como abo da con eúdos elacionados com quin as é a sessão “O Pa imónio da Capa ica”. O ganiza-se em g andes emas, sendo um deles a his ó ia u al daquela que oi a maio eguesia do concelho: ab angia oda a sua á ea não u bana. No âmbi o do ema é e e ida a e ilidade dos solos, pois é na zona da Capa ica que se encon am as e as mais é eis do concelho. Mos am-se ho as, poma es e sea as que ainda exis em, elacionando es as úl imas com os moinhos de en o dispe sos pela paisagem. A inha, que oi a p incipal cul u a a é ao século XIX e que desapa eceu de ido à iloxe a, é associada aos laga es exis en es na maio ia das quin as, bem como à anoa ia, o ício já ex in o. A a i idade não enume a quin as, apesa de se na Capa ica que se elas localizam em maio núme o, an es as in eg a no âmbi o mais la o do pa imónio u al. Des aca apenas a Quin a da To e, p op iedade de g ande impo ância na his ó ia local, sede de mo gadio dos Condes dos A cos. j) Moinhos e Laga es Moinhos CPCCA A i idades Moinho da Anunciada IMOV 0078 Pa imónio em Almada Moinho da G anja IMOV 0068 O Pa imónio da Capa ica Moinho dos Buxos IMOV 0074 O Pa imónio da Capa ica Moinho da Rega ei a IMOV 0081 Cha neca de Capa ica - Pa imónio Moinho da Vigia IMOV 0079 O Pa imónio da Capa ica Moinho de Pê a IMOV 0067 O Pa imónio da Capa ica Moinho do Baú e IMOV 0069 Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es IMOV 0069 O Pa imónio da Capa ica Moinho do Bacelinho IMOV 0075 Pe eg inação no P agal Moinho do Raposo IMOV 0072 O Pa imónio da Capa ica Moinho do Raposo 1 IMOV 0076 Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Moinhos de Almada (em ge al) Dias do Pão Laga es CPCCA A i idades Laga da Quin a de Cas elo Picão Pa imónio em Almada Laga da Quin a das Cha es Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Laga da Quin a do Laga Sob eda - His ó ia e Pa imónio Laga es sem iden i icação O Pa imónio da Capa ica Tabela 12 – Moinhos e laga es abo dados nos con eúdos das a i idades 73 Além das quin as, o am incluídas nos con eúdos das a i idades ou as es u u as u ais, como moinhos e laga es. No “Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo”, que se ealiza no bai o social PIA – Plano In eg ado de Almada e sua en ol en e, as c ianças isi am as es u u as a uinadas de dois moinhos de en o 140 , ep esen an es do conjun o de in e que ainda se podem obse a no concelho de Almada. Si uadas em locais al os, es as es u u as p é-indus iais de moagem e am undamen ais pa a o p ocessamen o dos ce eais, uma das cul u as ag ícolas que, a pa da inha, es e e em des aque a é ao século XIX. A a i idade “Dias do Pão” abo da os moinhos de o ma mui o di e en e. Um espe áculo de ma ione as le a o público numa iagem do empo e mos a um moinho em uncionamen o ( o o 8). A his ó ia ala de moagem adicional, mas ambém de alimen ação e desen ol imen o sus en á el. Nou o “Pe cu so à Vol a da Escola”, na Vila No a, os pa icipan es obse am as ca a e ís icas de um an igo laga , pe encen e à Quin a das Cha es. Cons a am, po exemplo, que as janelas do edi ício são pequenas, pa a e i a que a en ada de luz e calo de e io e o inho. k) A qui e u a T adicional A qui e u a adicional CPCCA A i idades Edi ício nº 24 da Rua Bulhão Pa o, Almada Almada Velha, uma Visi a Guiada Casa u al não iden i icação, Capa ica O Pa imónio da Capa ica Casa u al não iden i icada, Vila No a Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Casa u al não iden i icada, Cha neca Cha neca de Capa ica - Pa imónio Tabela 13 – A qui e u a adicional abo dada nos con eúdos das a i idades 140 Inicialmen e e am ês moinhos - Raposo I, Raposo II e Raposo III - sendo o p imei o demolido du an e o pe íodo de ealização des a a i idade. O in en á io moinhos de en o do concelho de Almada es á publicado em: SILVA, F ancisco (2010). “Moinhos de Ven o do Concelho de Almada” in Anais de Almada Re is a Cul u al, nº 11 – 12. Almada: Câma a Municipal de Almada, p. 139-171. 80 pe gun a, comp o ando dessa o ma a descobe a dos azulejos ( o o 11). A mon agem do puzzle exige uma obse ação a en a da imagem ep esen ada; a busca le a a conhece o espaço e a azuleja ia; a lei u a do ex o em busca de espos a o ien a o olha sob e o pa imónio de um p isma suplemen a . p) Ob as de A e Pública Ob as de A e Pública A i idades Bus o de An ónio José Gomes Vamos Explo a a Co a da Piedade Bus o de Elias Ga cia Desa io em Cacilhas - Visi a Bus o do Pad e Bal aza na Cos a de Capa ica O Pa imónio da Cos a Bus o do Pad e Bal aza no Mon e de Capa ica Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Escul u a "P imei o as C ianças" Desa io em Cacilhas - Visi a Es á ua de Fe não Mendes Pin o Pe eg inação no P agal Fe não Mendes Pin o Homenagem ao Ma inhei o Insubmisso Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó Monumen o à Mul icul u alidade Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo Mu al "E ocação de Fe não Mendes Pin o" Pe eg inação no P agal Fe não Mendes Pin o Planis é io da In e cul u alidade Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo Tabela 18 – A e pública abo dada nos con eúdos das a i idades In eg am os con eúdos das a i idades as ob as de a e pública que cons am na abela 18 144 . No pe cu so “Desa io em Cacilhas”, duas ob as do escul o Jo ge Pé-Cu o: o bus o de Elias Ga cia, inaugu ado em 1992 no local da an iga casa daquele polí ico epublicano; e a escul u a “P imei o as C ianças”, de 2001, uma homenagem ao Pode Local Democ á ico. Na a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade”, con ac a-se com o bus o do indus ial e benemé i o local An ónio José Gomes, encomendado po subsc ição pública ao escul o José Mo ei a Ra o em 1935. No “Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e de Capa ica” e na sessão “O Pa imónio da Cos a”, podem obse a -se dois dos ês bus os do pad e Bal aza Dinis de Ca alho, execu ados po Ma inho de B i o e e igidos no concelho en e 1955 e 1971. No 144 Ace ca das ob as de a e pública de Almada exis em duas e e ências undamen ais: LIMA, Filomena Ma ia Figuei a de (2006). Escul u a em espaços públicos de Almada [1936-2005]: da colecção à p opos a de acção museal/educação pa imonial. Disse ação de Mes ado em Museologia e Museog a ia. Uni e sidade de Lisboa - Faculdade de Belas A es; SILVA, Vicen e Pe ei a da (2016). A Escul u a como Exp essão Pública da Cidadania. A monumen alização da cidade de Almada en e 1974 e 2013. Tese de dou o amen o em Belas A es, especialidade de Escul u a. Uni e sidade de Lisboa - Faculdade de Belas A es. 81 “Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó", pode e -se a escul u a “Homenagem ao Ma inhei o Insubmisso”, de Rui Ma os, inaugu ada em 2009; e no “Pe cu so à Vol a da Escola – Raposo” duas ob as cole i as: o “Monumen o à Mul icul u alidade” e o “Planis é io da In e cul u alidade”, que o am coo denadas po Rogé io Ta ei a e Má io Campos, espe i amen e, mas en ol e am a pa icipação da comunidade local, en e 2013 e 2015 ( o o 12). Nas a i idades, as ob as de a e não são obje o de análise do pon o de is a es é ico. Os con eúdos explo ados p endem-se essencialmen e com in o mação de ca a e his ó ico: quem o am as pessoas ep esen adas, que si uações são e ocadas, que signi icado pode ão e . Assim, em e mos de educação a ís ica, o papel das a i idades é eduzido. Po ou o lado, as a i idades con ibuem pa a o conhecimen o do pa imónio a ís ico no e i ó io local e ambém pa a o econhecimen o da ob a de a is as locais, con o me p econizado no Plano Nacional das A es. q) Sí ios A queológicos Sí ios A queológicos CPCCA A i idades Fáb ica Romana de conse as de peixe de Cacilhas ARQU 2017 Desa io em Cacilhas - Sessão Desa io em Cacilhas - Visi a Romanos no Vale do Tejo Fáb ica Romana de conse as de peixe de Se úbal Romanos no Vale do Tejo Fáb ica Romana de conse as de peixe de T óia Romanos no Vale do Tejo Núcleo Medie al /Mode no do Museu Municipal/silos medie ais ARQU 2070 Almada Velha, uma Visi a Guiada O Dia da Reconquis a Á abes aqui ão pe o Ola ia Romana da Quin a do Rouxinol Romanos no Vale do Tejo Ola ia Romana do Po o dos Cacos Romanos no Vale do Tejo Pon a do Cabedelo (P é-his ó ia) ARQU 2019 Os P imei os Po oado es Quin a da To inha (Romano) ARQU 2027 Romanos no Vale do Tejo Quin a de Cas os (Á abe) ARQU 2050 Á abes aqui ão pe o Quin a do Alma az (Idade do Fe o) ARQU 2018 Do Egi o a Almada G u as de São Paulo (P é-his ó ia) ARQU 2001 Os P imei os Po oado es Mi adou o dos Capuchos (P é-his ó ia) ARQU 2020 Os P imei os Po oado es De e i es da His ó ia nos Capuchos O Pa imónio da Capa ica 82 Sí io A queológico de Mu acém (Á abe) ARQU 2062 Á abes aqui ão pe o Villa Romana da Quin a de São João, A en ela Romanos no Vale do Tejo Tabela 19 – Sí ios a queológicos abo dados nos con eúdos das a i idades O pa imónio a queológico es á p esen e nos con eúdos das a i idades, a a és da abo dagem a sí ios e espólio. Os sí ios são de á ias épocas documen adas na a queologia egional, nomeadamen e os pe íodos p é-his ó ico, omano e medie al. O le an amen o a queológico do concelho le ado a cabo pelo CAA pe mi iu a ca a e ização dos sí ios e a ecolha de espólio, hoje disponí el nas ese as da associação. Alguns exemplos desse ma e ial são u ilizados na a i idade “Os P imei os Po oado es”, que pe mi e aos alunos o manuseamen o de núcleos em qua zi o, bi aces, pon as de lança e lâminas em sílex, agmen os de ce âmica e um machado de ped a polida ( o o 13). Com exceção des e úl imo, o e ecido à associação sem egis o de p o eniência, os ma e iais são o iundos de sí ios a queológicos p é-his ó icos do a ual e i ó io almadense. O e i ó io aba cado pelos con eúdos e e en es a sí ios a queológicos ex a asa o concelho de Almada, pois nas épocas em que o am ocupados não exis iam as mesmas delimi ações e i o iais. As es ações a queológicas da Quin a do Rouxinol (Seixal) e Po o dos Cacos (Alcoche e), dois sí ios in e encionados pelo CAA no âmbi o do p oje o de in es igação “Ocupação Romana na Ma gem Esque da do Es uá io do Tejo” exempli icam essa si uação. Ou as, como as ce á ias omanas de T óia, e da Rua dos Co eei os em Lisboa são mos adas em conjun o com a Fáb ica Romana de Conse as de Peixe de Cacilhas, pa a ilus a a p odução de p epa ados piscícolas. Na isi a “Desa io em Cacilhas” os pa icipan es pa am no local sob o qual exis em os es ígios a queológicos e leem um diálogo en e dois omanos, um dos quais pe gun a: “Vie am e a áb ica? Ago a não se ê, mas daqui a algum empo al ez ique à is a. Vão passando po cá…” 145 . Na sessão com o mesmo nome, ealizada em sala de aula, são p oje adas imagens das ce á ias pos as a descobe o na década de 1980 e desenhos ilus a i os da a i idade p odu i a aí p a icada. As a i idades “Almada Velha, uma Visi a Guiada” e “O Dia da Reconquis a” incluem en ada num sí io a queológico musealizado, o núcleo medie al / mode no do museu 145 GONÇALVES; ROCHA (2017). Op ci . p. 15. 83 municipal de Almada. Nesse local, os pa icipan es con ac am com silos abe os na ocha pa a a mazenamen o de ce eais e ou os p odu os alimen a es, que a es am a ocupação muçulmana da zona (século XII) 146 . Obse am ambém o espólio que con inham, da ado de épocas pos e io es ao abandono da unção o iginal. Adicionalmen e, podem e ma e iais p o enien es de ou os sí ios a queológicos de Almada que se encon am expos os nas i ines do museu. As éplicas são um ecu so eco en e nas a i idades que abo dam sí ios a queológicos: na a i idade “Romanos no Vale do Tejo” usam-se minia u as de ân o as e acende-se uma luce na; na sessão “Á abes aqui ão pe o” acende-se um candil á abe e az-se um o neio de jogo do moinho com éplicas de abulei os á abes. Todas essas éplicas o am p oduzidas no CAA. O “Campo de Simulação A queológica” si uado na sede da associação é um espaço que imi a um sí io omano, como e emos mais à en e. Nele usam-se éplicas de obje os de di e sos ipos: além da ce âmica, moedas, esselas, um bus o e uma es ela une á ia, en e ou os. A ní el de pa imónio a queológico des acamos po im a a i idade “Do Egi o a Almada” que ap esen a o sí io da Quin a do Alma az, um po oado de in luência enícia localizado sob e a a iba ibei inha na a ual cidade de Almada. A sessão abo da as a i idades ali p a icadas, explicando as condições na u ais que es i e am na sua base, bem como os es ígios ma e iais que as comp o am. Po exemplo, a p oximidade do io jus i icou a pesca, a es ada pela descobe a de anzóis. A p esença de peças de ce âmica g ega, ân o as de Ca ago ou uma peça de aiança egípcia demons am que exis ia comé cio po ia ma í ima. Pa a a ca ac e ização do sí io oi consul ada a bibliog a ia publicada e obse a am-se ma e iais disponí eis no núcleo a queológico do museu municipal. A es ação a queológica da Quin a do Alma az encon a-se sob esponsabilidade do município 147 . A a i idade con ibui pa a a comunicação dos esul ados do abalho desen ol ido desde 1986, ap oximando o conhecimen o cien í ico do ensino escola . ) P á icas e Exp essões Cul u ais Ima e iais 146 ANTUNES, Luís Pequi o (coo d.) (2000). Núcleo Medie al / Mode no de Almada Velha. Almada: Câma a Municipal de Almada. 147 OLAIO, Ana; ANTÓNIO, Telmo; HENRIQUES, Fe nando; ROSA, Sé gio (2019). "O Sí io A queológico da Quin a do Alma az, Almada" in Re is a Monumen os, nº 37. Lisboa: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al, pp. 224 - 233. 84 P á icas e Exp essões Cul u ais Ima e iais CPCCA A i idades A e Xá ega da Cos a da Capa ica PTIM 4005 Cha neca da Capa ica - Pa imónio O Pa imónio da Cos a Cí io do Cabo Espichel O Pa imónio da Capa ica Bulhão Pa o, poe a da Capa ica Lenda da E mida de São Simão Vamos Explo a a Co a da Piedade Lenda de Nossa Senho a da A ábida Pe eg inação no P agal Lenda e p ocissão de Nossa Senho a do Bom Sucesso PTIM 4403 Desa io em Cacilhas - Visi a Desa io em Cacilhas - Sessão P o é bio Popula Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e P ocissão de Nossa Senho a da Piedade PTIM 4402 Tabela 20 – P á icas e exp essões cul u ais ima e iais abo dadas nos con eúdos das a i idades En e as p á icas e exp essões do pa imónio cul u al ima e ial idas em con a nos con eúdos das a i idades, des acamos aquelas que se elacionam com aspe os do e i ó io local. A p á ica da A e Xá ega oi p opiciada pelas condições o e ecidas po uma ex ensa p aia e undo ma inho de a eia, sem os quais não é possí el ealizá-la. Essas condições o am esponsá eis po a ai os p imei os pescado es, que unda am a localidade 148 . Nas a i idades que a am o ema da A e Xá ega é e e ida a undação do núcleo habi acional e explicada aquela a e de pesca. O Cí io do Cabo Espichel, que chegou a se uma p á ica eligiosa o icial da co oa po uguesa (O Real Cí io do Cabo), em o igem numa lenda en ol endo uma mulhe da Capa ica 149 . Foi a isão de uma luz o e no cabo que a le ou a di igi -se a é lá. Essa caminhada lendá ia e ances al, a um local mis e ioso com o e p esença na paisagem, oi epe ida ao longo de á ios séculos pelas comunidades locais, con o me na ado na a i idade “Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica” e ilus ado pela sua poesia. A lenda da E mida de São Sebas ião, o ago p imi i o da a ual ig eja da Co a da Piedade, con a a his ó ia de um homem que encon ou uma imagem do san o e a ançou com 148 Sil a, F ancisco (2012). "B e e His ó ia da Cos a de Capa ica" in A as do 1º Encon o Sob e o Pa imónio de Almada e do Seixal. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 39-45. 149 SILVA, F ancisco (2007). Nossa Senho a do Cabo e os Cí ios da Capa ica. Almada: Jun as de F eguesia de Capa ica, T a a ia, Cos a, Cha neca e Sob eda. 85 ela em b aços a é ao úl imo pedaço de e a i me que conseguiu pisa , endo aí e igido a al e mida. Essa lenda é u ilizada na a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade” pa a explica como o local e a alagado, si uação a o ecida pela mo ologia do e eno: uma “co a” pe o do io. Na sequência da mesma lenda, depois de ou os acon ecimen os en ol endo o mesmo homem, chega-se à de oção da Piedade que con inua a mani es a -se numa p ocissão. Os pa icipan es da e e ida a i idade educa i a podem assim comp eende a o igem da es a anual da sua localidade. Na sessão “Desa io em Cacilhas” ambém é na ada a lenda que es á na o igem da p ocissão anual de Nossa Senho a do Bom Sucesso. A lenda elaciona-se com as condições geog á icas locais, na medida em que e oca um milag e oco ido em Cacilhas, quando o ma emo o de 1755 ameaça a in adi a e a e oi a ado pela imagem da san a, anspo ada à bei a- io po um ca aei o local. As p á icas e as exp essões da adição local são mani es ações cul u ais iden i á ias que nascem da in e ação com o e i ó io. Apenas com a ansmissão ge acional, ealizada a a és da educação pa imonial, é possí el assegu a a sua con inuidade. s) Elemen os Na u ais Elemen o Na u al A i idades A iba Fóssil A en u a no Pa imónio Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Cha neca da Capa ica - Pa imónio Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es O Pa imónio da Capa ica O Pa imónio da Cos a Composição do solo Almada Velha, uma Visi a Guiada Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Cha neca da Capa ica - Pa imónio Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó Pe eg inação no P agal Os P imei os Po oado es Fauna Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Faz- e à T adição O Pa imónio da Capa ica 86 Flo a Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Cha neca da Capa ica - Pa imónio O Pa imónio da Capa ica O Pa imónio da Cos a Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó Fósseis Almada Velha, uma Visi a Guiada Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Fósseis na Quin a O Pa imónio da Capa ica O Pa imónio da Cos a Pe eg inação no P agal Ja dim Bo ânico "Chão das A es" Ago a eu e a o Rei Ma a dos Medos Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Cha neca da Capa ica - Pa imónio O Pa imónio da Capa ica O Pa imónio da Cos a Sis ema duna Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica Cha neca da Capa ica - Pa imónio O Pa imónio da Capa ica O Pa imónio da Cos a Tabela 21 – Elemen os na u ais abo dados nos con eúdos das a i idades O pa imónio na u al az pa e dos con eúdos de di e sas a i idades, pe mi indo que sejam explo adas dida icamen e algumas ca a e ís icas do meio ambien e ísico e biológico do e i ó io. Também pa a es as emá icas, o am ú eis os abalhos de in es igação ealizados pelo CAA. As imagens de espécies bo ânicas que se podem e nas a i idades o am ob idas em le an amen os sis emá icos le ados a cabo no âmbi o de ou os p oje os da associação. A “Caça ao Tesou o na A iba Fóssil da Cos a da Capa ica” me ece especial des aque po que em como oco uma á ea p o egida 150 com ca a e ís icas geológicas singula es. A á ea 150 A á ea designada como Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a da Capa ica oi c iada pelo Dec e o- Lei nº 168/84, de 22 de maio. 87 in eg a ambém a Rese a Bo ânica da Ma a Nacional dos Medos 151 , um pinhal plan ado po mão humana onde se desen ol e am di e sas espécies a bus i as au óc ones. A a i idade oi na ealidade um p oje o com á ias componen es e ases. P e ia deco e em qua o anos, cada um dedicado a um “ esou o” da á ea p o egida: geológico, bo ânico, his ó ico e e nog á ico. Conc e iza am-se os dois p imei os anos, com c iação de pe cu sos, edição de guiões, ealização de isi as e o mação de p o esso es. A ní el geológico explo a am-se, além da p óp ia a iba, a lo amen os ossilí e os isi á eis e o sis ema duna . Es e combinou ambas as emá icas a adas, is o se um elemen o geológico com lo a p óp ia, ameaçada po espécies in aso as in oduzidas desde o início do século XX pa a segu a as a eias. A ameaça à di e sidade bo ânica e ao equilíb io do ecossis ema duna da Cos a da Capa ica ambém o am emas abo dados. A ní el bo ânico, além da lo a duna , o am iden i icadas as espécies au óc ones da Ma a dos Medos. O guião edi ado pe mi e iden i ica as plan as e conhece algumas das suas ca ac e ís icas e usos. No seu conjun o, o p oje o abo dou de o ma in eg ada os elemen os no á eis do pa imónio na u al de Almada. Ace ca da geologia do subsolo, cump e dize que o e i ó io de Almada é compos o po á eas de idades geológicas di e en es. Nas zonas mais a no e, é o mado po ochas sedimen a es de idade miocénica que in eg am ósseis de o ganismos ma inhos. Em algumas zonas a sul, as ochas são de idade pliocénica e esul am da sedimen ação de a eias e seixos olados deposi ados em ambien e lu ial. A obse ação a en a do solo az pa e das a e as dos pa icipan es em algumas a i idades. No “Pe cu so à Vol a da Escola – Feijó” examina-se uma ba ei a com camadas de ped a e a eia enquan o se lê no guião: “Es as a eias, há ce ca de 4 milhões de anos, e am o undo de um io. Quando a água co ia de aga , a as a a só a a eia, mas quando co ia com o ça, a as a a ambém as ped as. Po isso apa ecem camadas de ped as no meio das a eias” 152 . Na isi a “Pe eg inação no P agal” os pa icipan es p ocu am ósseis na base de um edi ício que assen a di e amen e na ocha mãe. O guião da a i idade explica: “Há ce ca de 18 milhões de anos, es a egião es a a cobe a de água. Os se es ma inhos que aqui i iam deixa am as suas ma cas em ped a. São os ósseis!” 153 . A a i idade “Fósseis na Quin a” pe mi e obse a um a lo amen o ossilí e o e iden i ica os ósseis aí p esen es, bem como 151 A ese a bo ânica na Ma a Nacional dos Medos oi c iada pelo Dec e o n.º 444/71. 152 Guião da a i idade “Pe cu so à Vol a da Escola - Feijó” (2011). P oduzido pelo CAA com o apoio da Jun a de F eguesia do Feijó. 153 GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 17. 88 manusea ou os exempla es ( o o 14). Também são ep oduzidos moldes in e nos e ex e nos de bi al es, a pa i de conchas da mesma espécie dos ósseis obse ados. Uma esca ação paleon ológica simula a descobe a de um esquele o de baleia idên ica às que po exis iam nes a egião nou as e as geológicas154. No que diz espei o a auna são de salien a as a i idades que elencam as espécies piscícolas do es uá io do Tejo (“Faz- e à T adição”) e da cos a ma í ima do concelho (“O Pa imónio da Capa ica”). As imagens o am cap adas po elemen os do CAA e azem pa e do seu cen o de documen ação. A í ulo de conclusão, no que conce ne a pa imónio, cons a a-se que as a i idades abo dam con eúdos e e en es a á ias ipologias, designadamen e pa imónio cul u al ma e ial e ima e ial; mó el, imó el e in eg ado; bem como pa imónio na u al. Iden i ica am- se elemen os de pa imónio ci il e mili a , eligioso, indus ial, a ís ico e a queológico, em con ex o u bano e u al. A di e sidade emá ica que oi desc i a, a pa da cobe u a geog á ica que se es ende a odo o e i ó io, es emunham a ab angência dos con eúdos no domínio do pa imónio local. 4.4.2. Paisagens Pa a o le an amen o das paisagens ab angidas pelas a i idades usa am-se como e e ência as cinco Unidades de Paisagem Cul u al de inidas pela Ca a do Pa imónio Cul u al do Concelho de Almada: Á ea U bana Nascen e; Te as da Capa ica; F en e A lân ica; Cha neca; e Pinhal. Po ou o lado, p ocu ou-se ambém sabe que ipo de paisagens são obse adas e a pa i de que pon os de is a. Unidades de Paisagem Cul u al de inidas pela CPCCA Paisagens obse adas A i idades PAIG 3001 - Á ea U bana Nascen e Lisboa e o Tejo is os da Casa da Ce ca - ja dim Ago a eu e a o Rei Almada Velha, uma Visi a Guiada 154 ESTEVENS, Má io (2000). “Mamí e os ma inhos do Miocénico da península de Se úbal” in Ciências da Te a, nº esp. V. Lisboa: Uni e sidade No a de Lisboa. pp A-60-A63. 89 Lisboa e o Tejo is os do Mi adou o da Boca do Ven o Almada is a da Casa da Ce ca - pá io ex e io Lisboa e o Tejo is os do Cais do Ginjal Desa io em Cacilhas Faz- e à T adição Pa imónio em Almada Ginjalma Lisboa e o Tejo is os do Ja dim do Cas elo O Dia da Reconquis a PAIG 3002 - Te as da Capa ica Capa ica u al desc i a po Bulhão Pa o Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica Lisboa e o Tejo is os da a iba sob e a T a a ia Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a Capa ica u al is a do Laza im Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es Paisagem u al, ma í ima e lu ial (imagens com á ios pon os de is a) O Pa imónio da Capa ica Capa ica u al is a da To e de Capa ica Pa imónio em Almada Paisagem u al is a da Azinhaga do Ginjal Pe cu so à Vol a da Escola - Mon e Lisboa (Belém) e o Tejo, Se a de Sin a, Palmela is os do Mi adou o de Al azina Pe cu so à Vol a da Escola - Raposo Paisagem u al is a da Azinhaga da Rosa Pe cu so à Vol a da Escola - Vila No a Paisagem u al is a do Mi adou o da E mida Pe eg inação no P agal PAIG 3003 - F en e A lân ica Cabo Espichel, Oceano A lân ico, Rio Tejo, Se a de Sin a, Lisboa, is os do Mi adou o dos Capuchos Caça ao Tesou o na Paisagem P o egida da A iba Fóssil da Cos a de Capa ica Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es Co a do Vapo is a da Quin a do Bonapa e Fósseis na Quin a PAIG 3004 - Cha neca Paisagem pe iu bana (imagens com á ios pon os de is a) Cha neca da Capa ica - Pa imónio PAIG 3005 - Pinhal Paisagem lo es al (imagens com á ios pon os de is a) Cha neca da Capa ica - Pa imónio Tabela 22 – Paisagens obse adas nas a i idades A ní el de paisagens obse adas, e i ica-se que é possí el con empla paisagens u ais, lu iais, ma í imas e u banas. Os pon os de obse ação são mi adou os econhecidos enquan o al e ou as ele ações em á ios luga es do e i ó io. As a i idades i am pa ido das zonas do concelho com co as de al i ude ele ada pa a mos a di e sos ipos de paisagens locais e egionais, com os seus elemen os na u ais e humanos ( o o 15). 96 peixe e de ân o as. Salien a, não apenas as acilidades p opo cionadas pelos ecu sos locais pa a o ab ico e ci culação dos p odu os, mas ambém o papel des es na ida dos an igos omanos. O con ex o egional pode se ex apolado pa a enómenos à escala do impé io omano, nomeadamen e no que diz espei o à economia come cial. A a i idade de expe ienciação “Romaniza e” abo da di e sos aspe os da ci ilização omana. Tal como a “Aldeia P é-His ó ica”, é compos a po qua o espaços onde os pa icipan es ealizam a e as que ec iam o modo de ida dos an igos omanos. Enquan o as azem, podem comp eende como e a a sua alimen ação, o ensino ou os jogos, que p o issões inham, que p odu os consumiam e como e am pagos, como se ilumina am e como esc e iam, en e ou os. A Idade Média é ocada na sessão “Á abes aqui ão pe o” que, ace ca dessa época, abo da em pa icula o su gimen o da eligião islâmica na península a ábica e a sua expansão pa a ou as egiões. Di ige depois a a enção pa a a p esença dos muçulmanos na península ibé ica, des acando os con ibu os cul u ais e écnicos que ouxe am. G adualmen e, mos a sí ios com ocupação á abe no a ual e i ó io po uguês, na ma gem sul do Tejo e po im em Almada, onde a a queologia e as on es esc i as a comp o am. São lidos exce os de documen os medie ais que desc e em o e i ó io de Almada no pe íodo da ocupação muçulmana, bem como a con enda pela posse da o aleza de Al-Madan (nome á abe de Almada), p o ocada po c uzados nó dicos no con ex o da econquis a de Lisboa. É ambém explo ado pa e do documen o a ibuído po D. A onso Hen iques aos “mou os” da egião com is a a ga an i o po oamen o e omen a a ag icul u a nes e e i ó io 156 . A ab angência espácio- empo al dos con eúdos da sessão “Á abes aqui ão pe o” a inge o p esen e, na medida em que escla ece algumas ca a e ís icas da cul u a muçulmana jun o de adolescen es mui as ezes mal in o mados a esse espei o, p omo endo o deba e sob e o con í io in e - eligioso na a ualidade. Já no que diz espei o a his ó ia con empo ânea, des aca-se a abo dagem à e olução indus ial na sessão “Vidas de Fáb ica”. Es a cons i ui um bom exemplo da u ilização de con eúdos da his ó ia ge al pa a ap esen a a his ó ia local. São compa adas algumas ca a e ís icas do a anque da indus ialização b i ânica com as condições em que se desen ol eu a indus ialização egional. Os aspe os abo dados em pa alelo nas duas si uações são o êxodo u al, o ad en o da máquina a apo , os se o es de p odução, os anspo es, as 156 Os documen os encon am-se a ados em: FLORES; NABAIS (1983). Op. Ci . 97 condições de abalho e os con li os labo ais. Com base nessas ques ões, expõe-se um quad o ge al do cená io ab il em Almada e Seixal no século XIX. Os con eúdos epo am igualmen e às al e ações oco idas a ní el de modos e meios de p odução. Po exemplo, os moinhos de en o e de ma é o am subs i uídos pela moagem mecânica e as emba cações adicionais de am luga aos ba cos a apo na a essia do Tejo. Também nes a sessão há opo unidade pa a compa a o passado com o p esen e. Assim como no século XIX hou e emp esas inglesas a ins ala áb icas em Almada, ambém no século XXI há si uações simila es de deslocalização indus ial pa a países em ias de desen ol imen o. O p incipal mo i o con inua a se a p ocu a de mão de ob a ba a a, que inclui abalho in an il. Tais ci cuns âncias são deba idas a pa i de um exame, ei o pelos alunos, às e ique as da sua p óp ia oupa, no sen ido de iden i ica os países onde oi p oduzida. b) His ó ia Nacional As a i idades que abo dam, com maio ou meno p o undidade, ac os e conjun u as da his ó ia de Po ugal são ap esen adas na abela 26. His ó ia Nacional A i idades Reconquis a c is ã Ago a eu e a o Rei Almada Velha, uma Visi a Guiada Á abes aqui ão pe o O Dia da Reconquis a Gue as e nandinas Almada Velha, uma Visi a Guiada Expansão po uguesa Fe não Mendes Pin o União ibé ica e es au ação da independência Almada Velha, uma Visi a Guiada Te amo o de 1755 Desa io em Cacilhas Gue as libe ais Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Implan ação da República Almada Velha, uma Visi a Guiada Desa io em Cacilhas Es ado No o e 25 de Ab il Vozes da Resis ência Tabela 26 – His ó ia nacional abo dada nos con eúdos das a i idades A his ó ia de Po ugal enquan o nação independen e em início no con ex o das gue as de econquis a c is ã da Península Ibé ica. Os con on os mili a es o am de e minan es pa a 98 a a i mação do eino dian e da comunidade in e nacional. Almada oi omada em 1147, po ocasião da econquis a de Lisboa le ada a cabo po D. A onso Hen iques, que i ia a se o p imei o ei de Po ugal. A a i idade “O Dia da Reconquis a” epo a-se a essa conjun u a polí ico-mili a . Realiza-se jun o ao cas elo de Almada, num local onde se a is a ambém o cas elo de Lisboa, dois espaços associados ao econ o en e c is ãos e muçulmanos. Os con eúdos des a a i idade es endem-se no empo a é à a ibuição do Fo al de Almada po D. Sancho I, em 1190. A pa i desse documen o, os pa icipan es descob em aspe os da sociedade e economia medie ais, espelhados no egis o dos o ícios a que se dedica am os habi an es e nos p odu os ansacionados. Também su gem alusões à Reconquis a nos pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a Guiada” e “Ago a eu e a o Rei”. Nes a úl ima apenas supe icialmen e, a p opósi o da obse ação do cas elo. Na p imei a, a si uação his ó ica é e e ida pela pe sonagem “Mou o”, que lê: “Viemos de Á ica no século VIII e Almada oi nossa a é 1147, da a em que o p imei o ei de Po ugal econquis ou es as e as. Aqui habi ámos e usámos no as écnicas de cul i o. Pa a semp e ica am es ígios da nossa ida” 157 . O oco des a in e enção si ua-se no e i ó io de Almada, mas o seu con eúdo não deixa de eme e pa a a his ó ia nacional. No seguimen o da ala do “mou o”, o ex o do guião ques iona: “O celei o é um desses es ígios. Conheces ou os?” A ques ão pode se usada pelo moni o ou o p o esso acompanhan e pa a mobiliza os conhecimen os dos alunos ela i amen e a ma é ias escola es, acili ando desse modo a ligação en e a his ó ia local e a his ó ia nacional. As chamadas gue as e nandinas são igualmen e obje o de e e ência num ex o lido pelos pa icipan es da a i idade “Almada Velha, uma Visi a Guiada”. Num local que a oponímia associa à an iga mu alha, ou ce ca, de Almada, a pe sonagem “ ei” in e ém nes es e mos: “Eu sou D. Fe nando, 8º ei de Po ugal. Em 1373 mandei cons ui es a ce ca à ol a de Almada, al como em mui as ou as po oações po uguesas, pa a as de ende dos cas elhanos. No meu einado hou e ês gue as com o eino izinho” 158 . Es a a i mação dá o mo e pa a que seja b e emen e explicada a c ise que eio a coloca em isco a independência nacional. Na isi a a Almada Velha são assinalados ou os acon ecimen os da his ó ia de Po ugal, na ados po pe sonagens neles en ol idos. A união dinás ica é e e ida pelo P io 157 GONÇALVES; CRISTO (2010). p. 16. 158 Idem, p. 11. 99 do C a o, no pá io com o seu nome: “Em 1580 eu, D. An ónio podia e sido ei, mas o ei espanhol Filipe II enceu-me numa ba alha e subiu ao ono po uguês”. De seguida, esume a si uação a é à es au ação da independência: “Hou e ês eis espanhóis a go e na Po ugal, a é que em 1640 um g upo de idalgos o ganizou uma e ol a. Ganha am e p oclama am D. João IV ei de Po ugal”. Te mina ligando esse ac o a Almada: “Cons a que D. João IV se euniu com esse g upo de idalgos nes e mesmo pá io” 159 . Todas es as alusões são explicadas pelo moni o à ma gem das lei u as em oz al a ealizadas pelas c ianças. O exemplo da ida de um pe sonagem his ó ico ajuda a comp eende o cená io da expansão po uguesa no o ien e. Fe não Mendes Pin o (1510 – 1583) é p o agonis a de duas a i idades educa i as do CAA. Na isi a guiada “Pe eg inação no P agal” há um momen o em que se analisa pa e do mu al “E ocação de Fe não Mendes Pin o”, no qual es ão ep esen ados o a en u ei o e sua mãe. Es a, mag a e pob e, sonha com a abundância; aquele, c iança en e ido com um ba quinho, sonha com os esou os do além-ma . A cena e a a a espe ança das amílias que agua dam o eg esso dos na egado es. Com ela explica-se um aspe o da his ó ia nacional, o emen e ma cada pelas iagens ma í imas. O ema é e omado na sessão “Fe não Mendes Pin o”, que acompanha as suas a en u as e pe mi e um islumb e sob e as dinâmicas de con ac o com os e i ó ios o ien ais da expansão ma í ima po uguesa ( o o 18). Ace ca da expansão po uguesa é de e e i ambém uma his ó ia peculia associada à missionação do B asil no século XVI, na ada na sessão “Cha neca da Capa ica – Pa imónio”. A p opósi o da Quin a de Vale Rosal, que oi uma p op iedade da Companhia de Jesus, con a- se a his ó ia dos “40 má i es do B asil”. E am jo ens que pe manece am uma empo ada naquela quin a, em 1570, ecebendo o mação pa a as missões no B asil. Depois de pa i em, a nau onde seguiam oi a acada po cal inis as (no âmbi o das gue as eligiosas em F ança) e nau agou pe o das ilhas Caná ias. Em sua homenagem oi e guido na quin a um c uzei o com uma epíg a e alusi a ao ma í io 160 . Es a his ó ia, que pelo con ex o d amá ico que en ol e p o oca cu iosidade nas c ianças, associa o pa imónio local à his ó ia nacional, eu opeia e ame icana na Idade Mode na. 159 Idem, p. 13. 160 SILVA, F ancisco; GONÇALVES, Elisabe e (1993). “Vale Rosal, uma memó ia ameaçada” in Al-Madan nº 2, IIª Sé ie. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 130-133. 100 O e amo o de 1755 e e consequências em Almada. A ca ás o e es á a é associada a uma lenda, como já e e imos. Ao na a a lenda, a sessão “Desa io em Cacilhas” o nece ambém in o mação e ídica sob e o e amo o que des uiu Lisboa. A a i idade “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança” abo da oda a conjun u a polí ica nacional que en ol eu aquele con on o mili a . Explica que oi um comba e na gue a ci il de 1832-1834 que opôs pa idá ios de D. Ped o e de D. Miguel, em de esa do Libe alismo e do Absolu ismo, espe i amen e. Elucida ace ca das duas ideologias, em e mos de sis ema polí ico, e e e e os apoios sociais de ambas as pa es. Na a depois o que acon eceu a ní el local nos dias 23 e 24 de julho de 1833, sendo esse um dos ocos p incipais da sessão. O ou o si ua-se no pe íodo pós- i ó ia Libe al e na segunda me ade do século XIX. Indica o que mudou com os p imei os go e nos libe ais, conc e amen e a e o ma adminis a i a e a ex inção das o dens eligiosas. Essas medidas i e am um conside á el impac o local, com a di isão do e i ó io municipal em dois concelhos dis in os (Almada e Seixal) e o ence amen o dos á ios con en os aqui ins alados. A e olução económica e social é ambém mencionada: indus ialização, ascensão da bu guesia e c escimen o do ope a iado são aspe os que me ecem en oque no plano local. Os con eúdos des a sessão conseguem ealiza globalmen e a ansposição da his ó ia nacional pa a a egional no pe íodo em causa. A implan ação da República é celeb ada na isi a guiada “Desa io em Cacilhas”, jun o ao bus o de Elias Ga cia, um polí ico epublicano que nasceu nessa localidade. Os pa icipan es es ejam a queda da mona quia com uma mani es ação onde epe em pala as de o dem p opos as no guião, como “Vi a a República!”, “Reis nunca mais!” e “Que emos um P esiden e!”161. As exp essões u ilizadas são explicadas pelo moni o , no sen ido de cla i ica de o ma adequada ao ní el e á io dos pa icipan es a di e ença en e duas o mas de go e no igen es no passado nacional. A sessão “Vozes da Resis ência” é a a i idade cujos con eúdos his ó icos es ão mais p óximos da a ualidade. Deb uça-se sob e o papel dos almadenses na oposição democ á ica ao Es ado No o, com es emunhos na p imei a pessoa, em ídeo162. Es e oi o ganizado em se e emá icas sepa adas po momen os de diálogo em u ma: a omada de consciência indi idual e cole i a; as o mas de esis i ; o momen o ma can e da campanha elei o al de 161 GONÇALVES; ROCHA (2018). Op ci . p. 16. 162 COSTA, Ana So ia (coo d.) (2009). Vozes da Resis ência [DVD]. Almada: Câma a Municipal de Almada. Vídeo com es emunhos de homens e mulhe es que o am a i is as polí icos em Almada e pa icipa am em o ganizações e ações de lu a con a o Es ado No o. 101 Humbe o Delgado; o papel do pa ido comunis a; o medo; e o 25 de Ab il. Algumas das pessoas en e is adas no ídeo es i e am p esas, ou as i e am na clandes inidade ou no exílio e eco dam o dia da e olução com uma o e ca ga emocional. Almada, mais p ecisamen e o al o do C is o Rei, oi um dos pon os es a égicos da ope ação mili a . O jogo que in eg a es a a i idade en ol e ópicos mais ab angen es da his ó ia nacional: eleições não- li es; gue a colonial; censu a; p isão polí ica; con olo da cul u a. No inal, coloca-se uma ques ão aos alunos: po que é que a lu a con a a di adu a e e an a o ça em Almada? As espos as são o ien adas no sen ido de apon a causas elacionados com a o igem e as i ências no meio ope á io, en e as quais a capacidade o ganiza i a desen ol ida des e o século XIX. Com u mas que ize am as á ias a i idades educa i as do CAA ao longo do pe cu so escola oi possí el elaciona p og essi amen e os con eúdos, e o çando cada ez mais a ligação da his ó ia ge al e nacional à local, e des a ao e i ó io. Essa si uação acon eceu no Ag upamen o de Escolas Ca los Ga ga é. Du an e 10 anos, en e 2008 e 2018, as u mas do p é-escola ao 9º ano ealiza am a i idades adequadas ao seu ní el de ensino, em pa alelo com os con eúdos abo dados nas aulas. c) His ó ia Local Todas as a i idades analisadas abo dam con eúdos no âmbi o da his ó ia local, na medida em que a mesma se encon a e le ida nos luga es, na paisagem e nos á ios ipos de pa imónio, con o me an e io men e analisado. Ce os emas elacionam-se, como ambém oi expos o, com âmbi os his ó icos mais la os, a ní el mundial ou nacional. É impo an e isa que essas alusões acon ecem na medida em que ocam o con ex o local ou egional. Toda ia, subsis em aspe os que êm um ca á e local mais indi idualizado. É o caso das a i idades e p o issões adicionais, inse idas em dinâmicas económicas que se ligam di e amen e à si uação geog á ica de Almada; das igu as ilus es, que se des aca am pelas inicia i as locais que desen ol e am; e de alguns episódios ma can es na ida da localidade. Pa a es es casos em pa icula ap esen a-se na abela 27 um le an amen o das a i idades que os abo dam. 102 Temas pa icula es da his ó ia local Tópicos A i idades A i idades e p o issões adicionais Aguadei o, anoei o, a ina, ca aiei o, la adei a. Ago a eu e a o Rei Almada Velha, uma Visi a Guiada Lenhado , cabazei o Cha neca da Capa ica – Pa imónio Bu iquei o, ca aiei o Desa io em Cacilhas Figu as ilus es Vasco Mo gado Cha neca da Capa ica – Pa imónio An ónio José Gomes Ao Encon o do Tempo das Fáb icas Lou enço Pi es de Tá o a Quo idianos no Con en o O Pa imónio da Capa ica Pad e Bal aza Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e Romeu Co eia Desa io em Cacilhas Episódios ma can es T agédia de 26 de agos o de 1931 Ago a eu e a o Rei Almada Velha, uma Visi a Guiada G e e na áb ica Rankin,1892 Vidas de Fáb ica Ba alha da Co a da Piedade, 1833 Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Vamos Explo a a Co a da Piedade Tabela 27 – Temas pa icula es da his ó ia local abo dada nos con eúdos das a i idades As p o issões adicionais e e idas nas a i idades es a am a i as no início do século XX. A in o mação inculada nos guiões e ansmi ida aos pa icipan es baseia-se undamen almen e em es emunhos o ais. Nos pe cu sos “Almada Velha, uma Visi a Guiada” e “Ago a eu e a o Rei”, o aguadei o su ge associado ao cha a iz do La go José Alaiz pois, an es da ins alação desse equipamen o, a sua a i idade consis ia em i busca água à Fon e da Pipa, si uada na base na a iba, anspo á-la em pipas a é ao núcleo u bano e endê-la po a- a-po a. O anoei o é ap esen ado na a é ia que em como opónimo Rua dos Tanoei os. A anoa ia oi uma a i idade impo an e na his ó ia local e uma on e de abalho pa a mui os homens. As o icinas, si uadas p incipalmen e jun o ao io a a és do qual chega a a ma é ia- p ima, ab ica am pipas e ba is u ilizados pa a água e inho ( o o 19). Os a mazéns de inho nas zonas ibei inhas equisi a am a maio pa e da p odução das anoa ias. A a ina apa ece a ende peixe, a e a comum pa a as apa igas da Cos a da Capa ica, que se desloca am com esse obje i o aos núcleos u banos mais dis an es da p aia. Os ca aiei os e am os homens que manob a am pequenas emba cações lu iais denominados “ca aios”. A sua p esença na 103 his ó ia local liga-se a essa a i idade e ambém à lenda de Nossa Senho a do Bom Sucesso, em Cacilhas. Se la adei a oi uma p o issão habi ual pa a as mulhe es almadenses. O seu abalho a ní el local inha a pa icula idade de se e e ua em poças abe as na a eia da p aia lu ial (P aia das La adei as), de onde b o a a água límpida. Na a i idade “Ago a eu e a o Rei” as c ianças imi am os ges os dos abalhado es: azem de con a que são ca aei os e emam; azem de con a que são la adei as e es egam, enxaguam, es endem oupa. Na a i idade “Cha neca da Capa ica – Pa imónio” são mencionadas duas p o issões adicionais dessa localidade, ambas elacionadas com a ecolha de p odu os locais. Os lenhado es co a am lenha na Ma a dos Medos e endiam-na em Lisboa onde se consumia em g ande quan idade. Os cabazei os ecolhiam canas, com as quais p oduziam ces os (cabazes) mui o p ocu ados nos me cados da capi al 163 . En e os ma e iais da sessão encon a- se lenha de pinho e um cabaz ab icado pelo úl imo cabazei o da Cha neca. Passando à análise das igu as ilus es, começamos po e e i Vasco Mo gado, amoso emp esá io ea al da década de 40 do século XX, p op ie á io de uma quin a na Cha neca da Capa ica. É eco dado pela população p incipalmen e pelas es as que o ganiza a. An ónio José Gomes me ece um des aque especial en e as igu as ilus es da his ó ia local. O seu nome es á p o undamen e ligado a Almada, em pa icula à Co a da Piedade, onde nasceu, em 1847 164 . E a ilho do p op ie á io de moinhos de ma é que undou a Fáb ica de Moagem do Ca amujo. Após o incêndio que des uiu a áb ica, em 1897, An ónio José Gomes mandou cons ui um no o edi ício, in oduzindo em Po ugal o cimen o a mado. Com a sua ação benemé i a oi e igida a p imei a escola pública da Co a da Piedade e oi undada da SFUAP – Sociedade Fila mónica União Piedense. Na a i idade “Vamos Explo a a Co a da Piedade”, dois pa icipan es imp o isam uma cena en ol endo An ónio José Gomes e uma cidadã local. Es a de e di igi -se ao indus ial pedindo emp ego, o e ecendo os seus se iços na áb ica ou no palácio. Es abelece-se um diálogo que, com alguma o ien ação do moni o , pe mi i á à assis ência comp eende a impo ância do ilus e ilan opo ep esen ado no bus o em en e ao seu palácio, no ja dim público da Co a da Piedade ( o o 20). Lou enço Pi es de Tá o a é ambém um nome incon o ná el na his ó ia local. Foi mo gado da Capa ica e undou o Con en o dos Capuchos, onde es á sepul ado. A ní el 163 REIS, Vic o (2011). His ó ias da His ó ia de Cha neca de Capa ica. Almada: Jun a de F eguesia da Cha neca de Capa ica 164 FLORES, Alexand e M. (1992). An ónio José Gomes: o Homem e o Indus ial. Almada: Jun a de F eguesia da Co a da Piedade. 104 nacional, pe enceu ao conselho do ei D. Sebas ião e p es ou se iços diplomá icos na Eu opa, Á ica e Ásia. Pa a além dessa in o mação, pa en e na epíg a e da sua sepul u a, na capela do con en o, o guião da a i idade “Quo idianos no Con en o” ac escen a ou as, de o ma a dialoga sob e as mo i ações que e ão le ado um nob e abas ado a emp eende a cons ução de uma casa de o ação. O pad e Bal aza Diniz de Ca alho (1885-1849) oi pá oco da Capa ica, onde desen ol eu uma ob a social de g ande mé i o, p incipalmen e em bene ício dos pescado es da Cos a de Capa ica. Es á ep esen ado em ês bus os, jun o às ig ejas do Mon e de Capa ica, Cos a e T a a ia. Na a i idade “Pe cu so à Vol a da Escola – Mon e” os pa icipan es comple am, nos seus guiões, as pala as com que oi homenageado no pedes al do seu bus o. Romeu Co eia é e ocado na isi a “Desa io em Cacilhas”. Esc e eu á ias ob as de li e a u a neo ealis a e peças de ea o baseadas em si uações e i ências locais, como “O T i ão”, “Os Tanoei os” e “Cais do Ginjal”, omances passados no Ginjal, onde i eu; e “Gandaia”, cujo en edo se desen ol e na Cos a da Capa ica. Além de esc i o , a i idade pela qual é mais conhecido, Romeu Co eia oi um a le a consag ado. Jun o à casa onde nasceu, os pa icipan es azem, em sua memó ia, exe cícios de ginás ica. Um episódio ma can e da his ó ia local abo dado em duas a i idades é a agédia de 26 de agos o de 1931 165 . Essa da a assinala uma en a i a de e ol a con a a di adu a mili a que an ecedeu o Es ado No o. Du an e o desen ola das ope ações, um a iado – Sa men o Bei es – oi en iando com a missão de lança algumas bombas sob e o Fo e de Almada. E ando o al o, a ingiu um la go no cen o de Almada, azendo í imas en e a população. Em memó ia das í imas, algumas das quais c ianças, o am desenhadas no chão de calçada ep esen ações de b inquedos an igos (papagaios, bolas, a cos), que os pa icipan es p ocu am iden i ica . Ou o episódio ma can e na his ó ia local oi uma das g e es do se o co icei o, em 1892 166 . O con li o labo al eclodiu quando a adminis ação da áb ica de co iça Rankin impôs um egulamen o conside ado injus o pelos ope á ios. A lu a con a a sua aplicação deu o igem a g e es, mani es ações, p isões e ambém a inicia i as solidá ias po pa e dos ope á ios. Na sessão “Vidas de Fáb ica” o desen ola desses acon ecimen os é ep esen ado pelos alunos 165 ESPÍRITO SANTO (1984). “Acon eceu em 26 de Agos o de 1931” in Al-Madan Iª sé ie, nº 3. Almada: Cen o de A queologia de Almada, pp. 38-40. 166 FLORES, Alexand e M (2003). Almada na His ó ia da Indús ia Co icei a e do Mo imen o Ope á io - da Regene ação ao Es ado No o. Almada: Câma a Municipal de Almada, pp. 180-191. 105 numa d ama ização. En e as pe sonagens encon am-se ep esen an es de á ios g upos que in eg a am o co po social de Almada, como ope á ios mig an es de di e sas egiões, pa ões ingleses, associa i is as, jo nalis as e a o es amado es. A ba alha da Co a da Piedade, a 23 de julho de 1833, inse iu-se no con ex o nacional da gue a ci il, mas os con o nos que adqui iu de e am-se a a o es locais. Desde logo, a mo ologia do e eno, que de e minou as posições assumidas pelos exé ci os, in luenciando a sua p es ação. Po ou o lado, o apoio da população local à causa libe al e á sido decisi o no desenlace do con on o, na medida em que impediu os absolu is as de a a essa o io e acili ou o emba que dos libe ais pa a a en ada i o iosa em Lisboa a 24 de julho. Todos es es a o es são explicados na sessão “Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança”, jun amen e com a na ação de his ó ias que se o na am popula es na época, en ol endo pessoas de Almada e do Seixal. Em suma, no que diz espei o a con eúdos de na u eza his ó ica, cons a a-se que as a i idades ab angem os pe íodos da P é-His ó ia, An iguidade P é-Clássica e Clássica, Idade Média, Idade Mode na, Idade Con empo ânea e a ualidade. Pa a cada época iden i icam-se ópicos conce nen es à ação humana, no âmbi o da explo ação dos ecu sos na u ais, a i idades desen ol idas e seus p odu os, que angí eis, que in angí eis. As á eas emá icas abo dadas inse em-se na his ó ia económica, social, polí ica e das men alidades. Focam conjun u as e e en os de cu a du ação, bem como o empo longo das es u u as. Conclui-se po im que, que pelos con eúdos pa imoniais, que pelos aspe os his ó icos abo dados, o oco p incipal das a i idades educa i as do CAA é o e i ó io de Almada. 4.4.5. Ou os Temas Ou os Temas A i idades Alimen ação e Gas onomia Dias do Pão Quo idianos no Con en o Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica Faz- e à T adição A queologia Aldeia P é-His ó ica Almada Velha, uma Visi a Guiada Á abes aqui ão pe o 112 ilus ados isualmen e. A u ilização de ade eços na ep esen ação con ibui pa a que os pa icipan es assumam mais se iamen e as pe sonagens. Nas isi as ealizadas em Almada usam-se chapéus e ou os acessó ios ap op iados à ca a e ização de cada uma das igu as ( o o 24). A a i idade “Ago a eu e a o ei” usa o az-de-con a como es a égia semelhan e, mas sem lei u a, uma ez que é di igida ao ní el p é-escola . Os pa icipan es imi am ges os associados a a i idades adicionais. Exis e uma his ó ia como io condu o e uma a iz que a ep esen a e en ol e as c ianças nos momen os p óp ios ( o o 25). Em aços ge ais, é a his ó ia de um ei que não conhece o seu eino e eco e a uma elha mulhe pa a o acompanha numa isi a de econhecimen o e de con ac o com os súbdi os. Es es, bem como o ei, se ão ep esen ados pelos pa icipan es, aos quais cabe á a unção de mos a ao mona ca como azem os seus abalhos. O papel de ei passa po odos, daí o nome da a i idade. Aplicam-se nas isi as guiadas um as o conjun o de dinâmicas que en ol em a i amen e os pa icipan es. O ac o de oco e em o a da sala de aula aumen a a mo i ação pa a a ap endizagem e as e en es lúdica e expe iencial são a o es comp o adamen e pedagógicos. Po ou o lado, as uas o nam-se “uma espécie de aula g andiosa, ex ao dina iamen e a iada” 170 , na medida em que pe mi em abo da múl iplos con eúdos. Po im, ao execu a a e as in ulga es, as c ianças a aem a a enção das ou as pessoas e animam as uas da cidade. 4.5.2. Sessões emá icas com jogo No conjun o de a i idades analisadas há 4 sessões emá icas com jogo. Realizam-se nas escolas, no malmen e na sala de aula da u ma pa icipan e. Os jogos podem acon ece na sala de aula ou no ex e io , den o do ecin o escola . Têm a du ação habi ual de 90 minu os, que co esponde a um empo le i o nos 2º e 3º ciclos de ensino. Na p imei a pa e o moni o expõe os con eúdos com apoio de imagens, pala as, esquemas ou pequenos ex os animados em Powe Poin (exce o “Vozes da Resis ência”, que u iliza o ídeo). Em diálogo com os pa icipan es, mo i am-se ques ões e espos as ( o o 26). Na segunda pa e há um jogo, que pode se de á ios ipos, con o me mos a a abela 31. 170 Idem, p. 27 113 Sessões emá icas com jogo Nome do jogo Tipo de jogo O igem Á abes aqui ão pe o Jogo do Moinho Tabulei o T adicional Ba alha da Co a da Piedade, a Vi ó ia da Mudança Jogo da Ba alha Tabulei o (com peões humanos) C iação CAA Vidas de Fáb ica Fáb icas e O icinas Habilidade C iação CAA Vozes da Resis ência Resis ência e Reação Es a égia C iação CAA Tabela 31 – Sessões emá icas com jogo O Jogo do Moinho, que en ol e dois ad e sá ios, é conhecido desde a An iguidade. Su ge na sessão “Á abes aqui ão pe o” pa a signi ica o encon o de cul u as en e c is ãos e muçulmanos na península ibé ica. Os abulei os usados no o neio são éplicas de uma peça em xis o que az pa e das coleções do Museu Nacional de A queologia ( o o 27). O Jogo da Ba alha opõe duas equipas, que ep esen am os exé ci os Libe al e Absolu is a, com os espe i os comandan es. O abulei o de jogo é uma quad ícula ma cada no chão e as peças são os pa icipan es, que a ançam ao i mo dos esul ados ob idos po lançamen o de dados de g andes dimensões ( o o 28). Cada jogado simboliza um dos con ingen es mili a es que es i e am e e i amen e p esen es na ba alha da Co a da Piedade e en a em jogo com dis in as capacidades. Esse a o le a a que no inal se deba am as azões pa a a i ó ia Libe al. Pa a a a i idade “Vidas de Fáb ica” oi c iado um jogo que p e ende demons a a di e ença en e modos de p odução a esanal e indus ial. Duas equipas compe em pa a sabe qual delas p oduz maio quan idade de ba quinhos de papel num de e minado pe íodo de empo. Uma das equipas ep esen a as o icinas e cada jogado p oduz ba cos comple os; a ou a ep esen a as áb icas, onde cada elemen o ealiza apenas uma a e a na p odução, como um ope á io na linha de mon agem ( o o 29). O jogo pe mi e e le i ace ca de á ios aspe os elacionados com o abalho, como a o mação e eino dos abalhado es, a p essão labo al, os cus os com ecu sos humanos e o p eço dos p odu os. Resis ência e Reação é o jogo concebido pa a a a i idade “Vozes da Resis ência”, uma sessão com con eúdos sob e o Es ado No o e a oposição democ á ica. Consis e na simulação de missões sec e as po equipas que desconhecem as in enções umas das ou as, sendo que en e elas há memb os de o ganizações da oposição democ á ica, bem como elemen os das o ças de ep essão. Uns e ou os ecebem missões in e nas (a ealiza na sala) e ex e nas (em odo o ecin o escola ). As missões in e nas consis em na análise de documen os que são 114 cópias de ca as, mani es os e ou os es emunhos esc i os do pe íodo his ó ico em causa. A pa i deles elabo am-se os ma e iais pa a as missões ex e nas, que ão se a dis ibuição de pan le os, colocação de ca azes ou, po ou o lado, a pe seguição e p isão de a i is as polí icos ( o o 30). Es e jogo dá a conhece di e sas o ganizações, as suas a i idades e campos de ação; o ças policiais, os seus mé odos e obje i os; o mas de exp essão e de censu a; e os ópicos que di idiam ideologias. Joga é uma a i idade pedagógica econhecida, pelo menos, desde o século XIX 171 e a exp essão “jogos didá icos” inunda os ca álogos de b inquedos no século XXI, da mesma o ma que “a i idade lúdico-pedagógica” é epe ida nos p og amas educa i os. A u ilização de jogos nas sessões emá icas do CAA em o obje i o de ensina a a és de uma si uação compe i i a do ag ado dos pa icipan es. Os exemplos ap esen ados acima demons am que o jogo su ge nas a i idades não como um acessó io ec ea i o, o que se ia igualmen e álido na pe spe i a do desen ol imen o psico-mo o 172 , mas como uma écnica pa a abo da con eúdos e desen ol e compe ências no domínio da his ó ia. Com exceção do jogo do moinho, que exis e há mui os séculos, odos os ou os o am concebidos especi icamen e pa a as a i idades onde se ealizam. Têm, pois, um p opósi o de inido pa a aquele ema em conc e o. Pa a além dos jogos c iados pa a as a i idades do ipo sessão emá ica com jogo, o am c iados e u ilizados ou os, que se ap esen am eunidos na abela 32. Ou as a i idades com jogo Nome do jogo Tipo de jogo O igem Dias do Pão Jogo do Ra o Ca caça Quan os-que es C iação CAA Romaniza e Hipód omo Tabulei o C iação CAA O Dia da Reconquis a Jogo da Reconquis a Mímica/Desenho/Fo ca/ Pe gun as de escolha múl ipla C iação CAA Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es Almada Complicada Pis as C iação CAA Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a Pis as C iação CAA Tabela 32 – Ou as a i idades com jogo 171 O papel do jogo na educação das c ianças oi eo izado po Ka l G oos (1861-1946), e a sua u ilização educa i a oi de endida po pedagogos como John Dewey (1859 – 1952), O ide Dec oly (1871-1932), en e ou os. 172 Con o me explica o p o esso Ca los Ne o na sua e lexão sob e o ema, po exemplo, no li o Jogo e Desen ol imen o da C iança, edi ado pela Faculdade de Mo icidade Humana em 1998. 115 Os jogos são usados em odos os ipos de a i idade: sessão emá ica com o icina (“Dias do Pão”); a i idade de expe ienciação (“Romaniza e”); a i idades de explo ação de um espaço (“O Dia da Reconquis a”, “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”); e p og ama compos o (“Faz- e à T adição”, “Educação Pa imonial no Colégio Campo de Flo es”). Qualque um deles oi c iado no CAA. Na conceção dos jogos há que e em con a a elabo ação de plano com obje i os, eg as e desen ol imen o, bem como a c iação dos ma e iais necessá ios. 4.5.3. Sessões emá icas com o icina As sessões emá icas com o icina, al como as sessões com jogo, são compos as po duas pa es. Na p imei a o moni o se e-se do Powe Poin pa a abo da os con eúdos e susci a o deba e (exce o em “Dias do Pão”, onde a p imei a pa e é um espe áculo de ma ione as); na segunda pa e os pa icipan es p oduzem algo elacionado com o ema. Os p odu os são os que cons am na abela 33. Sessões Temá icas com O icina P odu o Final Bulhão Pa o, Poe a da Capa ica Tex o/Desenho/Resul ado de cálculo ma emá ico /Canção/Rep esen ação Cha neca da Capa ica - Pa imónio Sob eda, His ó ia e Pa imónio Fe não Mendes Pin o Elemen o do pa imónio local em ma e iais eu ilizados O Pa imónio da Capa ica Desa io em Cacilhas - Sessão Do Egi o a Almada "Réplica" de peça a queológica e ca a em ca a e es enícios Dias do Pão O igami quan os-que es O Pa imónio da Cos a Ficha de explo ação p eenchida ao longo da sessão Os P imei os Po oado es Lanças em minia u a Romanos no Vale do Tejo Ân o as em minia u a Tabela 33 – Sessões emá icas com o icina O p imei o conjun o de o icinas egis ado na abela é inspi ado na eo ia das in eligências múl iplas, de Ha old Ga dne . Os pa icipan es escolhem o que ão p oduzi , en e á ias p opos as que apelam à capacidade linguís ica, lógico ma emá ica, musical ou 116 co po al. Em qualque dos casos, o ema que es á na base da p opos a é inspi ado nos con eúdos da sessão ( o os 31 e 32). O segundo conjun o engloba o icinas onde se cons ói um obje o com ma e iais eu ilizados. O moni o o nece a cada aluno um ki com os ma e iais necessá ios, alguns dos quais ecolhidos p e iamen e pelos pa icipan es. A cons ução obedece a écnicas que o moni o ai explicado passo a passo ( o o 33). A pa e c ia i a é ealizada em casa com apoio de amilia es e esul a em peças deco adas das mais a iadas o mas. En e os obje os p oduzidos encon am-se moinhos, a óis, bo es cacilhei os, aga as, naus, ca oças, e c. Na sessão “Desa io em Cacilhas” oi escolhido um elemen o di e en e em cada ano, dando o igem a exposições egula es na mon a pública da Jun a de F eguesia ( o o 34). Desse modo, as o icinas p omo e am o en ol imen o das amílias e ambém a disseminação dos con eúdos pa imoniais jun o da comunidade local. A conceção da écnica e ki de mon agem es ão a ca go de um a is a plás ico, do mesmo modo que a c iação do modelo de “ éplica” de peça a queológica (um esca a elho de aiança) e de lanças p é-his ó icas em minia u a. No caso das ân o as em minia u a, a p odução que se ealiza na o icina “Romanos no Vale do Tejo” esul a da mon agem de agmen os de ce âmica, simulando o es au o a queológico ( o o 35). As peças u ilizadas são de ac o éplicas minia u izadas (escala 1/10) das ân o as que e am ab icadas nas ola ias omanas do Po o dos Cacos e Quin a do Rouxinol. Os agmen os são ob idos pelo ap o ei amen o de despe dício de p odução no CAA pois, como já oi e e ido, a manu a u a de éplicas é uma das á eas de a i idade da associação. Conside ou-se a icha de explo ação p eenchida na sessão “O Pa imónio da Cos a” como p odu o inal. Con udo, a ou-se de uma si uação excecional em que a a e a e a ealizada no deco e da ap esen ação Powe Poin e não numa segunda pa e. A icha oi c iada com o obje i o de incen i a a a enção, an ecipando ques ões e pedindo decisões. Con udo, as sessões deixa am de inclui o p eenchimen o da icha, que se e elou con ap oducen e po que as c ianças se p eocupa am demasiado com ela, dispe sando a a enção. O quan os-que es p oduzido na sessão “Dias do Pão” é um jogo e oi conside ado enquan o al na abela e e en e a jogos, pois os pa icipan es jogam de ac o. Po ém, pa e da sua p odução acon ece du an e a o icina. As c ianças ecebem uma olha imp essa que de em co a e dob a de aco do com as indicações do moni o pa a ob e em o ecu so necessá io ao 117 jogo. A olha em a pa icula idade de con e uma pa e des acá el, com in o mação e conselhos aos adul os sob e os ODS – Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el. 4.5.4. A i idades de explo ação de um espaço Iden i ica am-se cinco a i idades des e ipo, lis adas na abela 34. Têm em comum o obje i o de da a conhece um espaço pa imonial ex e io , a a és de dinâmicas de explo ação que le am os pa icipan es a descob i-lo, com ou sem acompanhamen o di e o. O núme o de moni o es en ol idos e a du ação des as a i idades dependem do núme o de pa icipan es, usualmen e supe io a uma u ma. A i idades de Explo ação de um espaço Espaço Dinâmica O Dia da Reconquis a Ja dim do Cas elo de Almada Obse ação e egis o o og á ico, jogos a pa i de ex os Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a 2ª Ba e ia da Raposei a Jogo de pis as De e i es da His ó ia nos Zagallos Ja dim do Sola dos Zagallos Peddy pape , ep esen ação de pe sonagens Onde es á o Azulejo? Ja dim do Sola dos Zagallos Caça ao esou o De e i es da His ó ia nos Capuchos Con en o dos Capuchos Tea o, Jogo de pis as Tabela 34 – A i idades de explo ação de um espaço Algumas das a i idades compiladas nes a ipologia o am e e enciadas, po di e en es mo i os, em capí ulos an e io es. Cabe ago a explica a di e ença en e o que se en ende po jogo de pis as, caça ao esou o e peddypape . Nes e úl imo exis e um ex o com ases incomple as que ai dando indicações do pe cu so a segui pa a descob i de e minados elemen os. Es es, ao se em encon ados, o necem a in o mação necessá ia pa a comple a as ases. No jogo de pis as, cada elemen o encon ado o nece uma pis a pa a o passo seguin e. Na caça ao esou o há um único elemen o a descob i , que de e se encon ado com uma única pis a. É o caso da a i idade “Onde es á o azulejo”, na qual a pis a é uma imagem do painel de azulejos a descob i . A a i idade “Caça ao Tesou o no Fo e da Raposei a”, apesa do nome, é um jogo de pis as, pois cada ez que se a inge um obje i o ecebe-se uma pis a pa a o seguin e. Em qualque dos casos, a a-se de dinâmicas que pe mi em ica a conhece um espaço. Algumas ealizam-se em equipa, com ca á e compe i i o, como no Con en o dos Capuchos, onde as equipas ecebem o nome de um in es igado amoso. Ou as são ei as a 118 pa es, como em “Onde es á o Azulejo?”. Ou as ainda, em g upo, como no Fo e da Raposei a, onde as condições do local, po ques ões de segu ança, não aconselham deslocações li es. A au onomia dos pa icipan es é um a o posi i o nas a i idades, na medida em que p omo e a esponsabilização pessoal. Es e ipo de a i idades ap oxima emocionalmen e os pa icipan es dos espaços pa imoniais. A i ência di e a dos luga es, num ambien e descon aído, o na-os amilia es, cons ói memó ias ag adá eis e c ia ínculos. Aquele espaço deixa de se um sí io an igo onde ou os i e am, ou um simples ja dim, pa a se o na num luga pessoal e signi ica i o. En e os ma e iais emp egues nes as (e nou as) a i idades des acam-se os mapas, bússolas e binóculos usados pa a o ien ação. O seu uso con e e ealismo ao p ocesso de descobe a e dá uma sensação de missão a cump i que en usiasma os pa icipan es. 4.5.5. A i idades de expe ienciação Cada a i idade des e ipo cons a de di e sas expe iências p á icas. O modelo de o ganização consis e em dis ibui os pa icipan es po á eas, al e nando os g upos de o ma que odos expe imen em as á ias p opos as. As a i idades e expe iências p opo cionadas são as cons am na abela 35. A i idade de Expe ienciação Á eas Expe iências Aldeia P é-His ó ica Ab igo Técnicas de alhe lí ico e de aze ogo, encabamen o de lanças Caçada Lançamen o com a co e lecha Ola ia Técnicas de moldagem ce âmica Tecelagem Fiação, ecelagem em ea , cos u a Campo de Simulação A queológica Baldes T anspo e de baldes com e a C i o C i agem de e a e iagem de ma e iais Desenho Desenho de ma e iais Esca ação A queológica Esca ação com écnicas e e amen as p óp ias Labo a ó io Limpeza e esco agem de ma e iais Fósseis na Quin a A lo amen o Iden i icação de ósseis em con ex o eal Esca ação Paleon ológica Esca ação com écnicas e e amen as p óp ias Moldagem Moldagem de conchas (simulação de ósseis) Romaniza e Ce á ia Con eção de ga um Escola Esc i a em ábuas de ce a Hipód omo Simulação de co ida hípica em jogo 119 Ola ia Moldagem de luce na (em moldes de gesso) Quo idianos no Con en o Capela Vi ência do con essioná io Claus o Despojamen o Deambula ó io In e p e ação e ep odução de símbolo Do mi ó io Vi ência da cela. Silêncio. Obscu idade Re ei ó io In ospeção. Esc i a com apa o Tabela 35 – A i idades de expe ienciação O í ulo “Expe ienciação” aplica-se aqui a si uações de expe iência p á ica. Es as a i idades di e em das o icinas po que cada uma in eg a á ias p opos as que, em conjun o, con ibuem pa a conhece uma ealidade his ó ica. Englobam semp e a ação de expe imen a , sejam écnicas usadas no passado, a e as dos in es igado es ou condições de ida. Na “Aldeia P é-his ó ica” expe imen am-se écnicas, um pouco como na a queologia expe imen al. Usam-se u ensílios semelhan es aos que e am usados na P é-His ó ia, po exemplo, o ea e o a co. Alguns ma e iais são au ên icos: a gila na ola ia; lã e linho na ecelagem; peles de animais, sílex e qua zi o no ab igo; a as de salguei o na caçada. Ou os são imi ações: olhas de co iça na pon a das lanças usadas na caçada e ca ão como supo e de pin u as “ upes es” ( o os 36 a 39). No “Campo de Simulação A queológica” há uma expe iência de ipo cien í ico: a pa i da obse ação das es u u as e ma e iais descobe os são le an adas hipó eses que i ão a se alidadas, ou não, pela compa ação com peças e con ex os já es udados. Exis e ambém a expe imen ação do mé odo da a queologia, em e mos de ases de abalho e écnicas de esca ação. Do mesmo modo, na a i idade “Fósseis na Quin a”, a expe imen ação es á p esen e ela i amen e ao abalho do paleon ólogo, no que diz espei o à esca ação e à iden i icação de ósseis em con ex o eal. A moldagem de bi al es pe mi e ainda comp eende o que acon ece no p ocesso de ossilização. A in eg ação de di e sas expe iências numa mesma a i idade e a cons ução de si uações o mais p óximo possí el da ealidade a ingiu o auge em “Romaniza e” e “Quo idianos no Con en o”. São usados ma e iais au ên icos, como peixe esco na con eção de ga um. A conceção implicou cons ui es u u as, ab ica éplicas, con eciona es uá io, en e mui os ou os emp eendimen os. Cada uma des as a i idades implica, além da in es igação em on es c edí eis, a c iação de obje os o iginais, a conceção de jogos e ou as es a égias didá icas, a ob enção de p odu os em pe manen e eno ação ( o os 40 a 43). O 120 ní el de elabo ação e es u u ação de cada uma, bem como as elações que es abelecem en e con eúdos e expe iências, alcançam es e as de complexidade sem pa alelo nas ou as a i idades. Vejamos alguns exemplos que o demons am. Em “Romaniza e”, no espaço “Escola”, exis em ábuas de ce a de abelha em núme o su icien e pa a uma u ma. As ábuas o am p oduzidas no CAA e a ce a, ob ida jun o de um apicul o local, em de se aquecida en e cada sessão pa a epo o plano ni elado. O cená io é compos o po uma mesa baixa, em ol a da qual os pa icipan es se sen am no chão. Em placas de xis o podem le -se uma lis a de p odu os consumidos no impé io omano, com os espe i os p eços em moeda omana, e ou a placa com p o issões e alo es de salá io. O moni o , ou magis e , começa po explica aos pa icipan es que se encon am numa escola, que ipo de ap endizagens se espe a deles e as eg as de condu a, pa a a aplicação das quais possui uma a e a que não deixa á de usa (simula ) em caso de necessidade. A dinâmica consis e em ealiza um exe cício ma emá ico, endo po base si uações da ida eal dos omanos. Cada pa icipan e escolhe uma p o issão, ecebe o salá io e ai às comp as. Na ábua de ce a, com um es ile e, az o cálculo do que gas ou e quan o es a do salá io. Te á ainda de calcula o alo do impos o a paga e sub aí-lo à quan ia de que ainda dispunha. Des a o ma, os pa icipan es podem ap ende , pela sua expe iência, não apenas sob e Roma An iga, mas ambém ma emá ica, li e acia inancei a, subp odu os da apicul u a, seus a omas e u ilidade. Um exemplo da a i idade “Quo idianos no Con en o” pe mi i á demons a ou as possibilidades didá icas associadas à expe ienciação. No an igo e ei ó io do con en o, p a ica-se o jejum. Na “lição do dia”, que e a lida po um ade à ho a da e eição, o moni o explica que no con en o se p ocu a ans o mação in e io , pa a o que há uma p epa ação ísica e men al. P opõe en ão (com linguagem adap ada ao ní el e á io) que os pa icipan es esc e am uma ca a a si p óp ios, que só ol a á a se lida passado um ano, ace ca dos seus medos e ai as e da o ma como cada um lida com essas emoções. A dinâmica assim c iada abalha emoções comuns na in ância. O clima de silêncio e se enidade, es anhamen e possí eis em oda a a i idade, a o ece a in ospeção ( o os 44 e 45). As a i idades de expe ienciação ep esen am um es ádio de e olução a ançado no depa amen o pedagógico do CAA, que e e início depois da mudança pa a as no as ins alações. São mais exigen es em e mos de elabo ação, bem como de ecu sos ma e iais e humanos, con udo, são mais icas em ap endizagens e na p omoção de compe ências. 121 Salien a-se o ca á e sines ésico das a i idades expe ienciais. Há um o e apelo ao sen ido do a o, pelo manuseamen o de ex u as e manipulação de ma e iais e u ensílios; o ol a o é ope ado pelo con ac o com subs âncias e ing edien es desconhecidos dos pa icipan es; a isão é le ada a conhece uma mul iplicidade de obje os, imagens e si uações no as. A audição é es imulada na expe iência de silêncio conseguida no con en o. O sen ido do palada não é usado, mas é despe ado in encionalmen e na imaginação, po exemplo, em elação ao ga um. Realiza as a i idades em pequenos g upos exige á ios moni o es, mas só assim é possí el que cada pa icipan e possa expe imen a odas as p opos as, in e agi e segui as o ien ações do moni o . Es e não se limi a a demons a , mas explica e apoia cada um indi idualmen e. Cada á ea es á o ganizada com uma sequência de ações que são epe idas com cada g upo. A du ação habi ual são 120 minu os. Nas escolas que não disponibilizam esse empo, pois in e e e com os ho á ios es abelecidos, a a i idade é encu ada em p ejuízo dos alunos. É equen e ealiza á ias ações de seguida, de modo a ab ange á ias u mas da mesma escola. Pa a da espos a, os moni o es chegam a epe i 16 ezes a mesma sequência de a e as, o que é exigen e ísica e in elec ualmen e. Cla i ique-se, po im, que es as a i idades não são demons ações ou ec iações his ó icas. O uso, pelos moni o es, de es uá io ou ade eços que e oquem épocas his ó icas não acon ece nas a i idades ealizadas em escolas ou no CAA, uma opção que ejei a e en uais clichês. Já no Con en o dos Capuchos, ecebe os pa icipan es com hábi o encapuçado, pés descalços e oz mui o baixa é uma opção undamen ada, no sen ido de in luencia a pos u a dos isi an es e c ia o ambien e p óp io à expe ienciação da i ência do espaço con en ual, que é o obje i o da a i idade ( o o 46). A e mina , uma ci ação de Olaia Fon al que se aplica às a i idades que emos indo a ca a e iza : “Es es são apenas alguns exemplos das di e en es o mas de acesso ao conhecimen o do pa imónio; cada um deles en ol e os sen idos, cognição, emoção e expe iências. O impac o, a pegada ou o esíduo que cada uma dessas ias deixa em nós ende a se maio – embo a dependa conside a elmen e de cada pessoa – quando i enciamos expe iências emocionais que en ol em ambém os sen idos e cognição: são os mais comple os. Po es a azão, a ideia popula de que o que se ap ende com emoção, du a, ixa-se, 128 ciclo, seguido pelo 2º e o 3º ciclo. Pa a a educação p é-escola há duas a i idades elacionadas com Almada e não se ão conside adas nes a ase po que os documen os e e enciais – Ap endizagens Essenciais e Pe il dos Alunos – não se aplicam ao ensino p é-escola . A p imazia do 1º ciclo jus i ica-se po duas o dens de azões, com o igem na escola e no CAA. O 1º ciclo é o ní el de ensino onde exis e um apelo mais acen uado à descobe a do meio local, o que aumen a a p ocu a de a i idades e mo i a o CAA a da mais espos as. Po ou o lado, o 1º ciclo es á, em alguns domínios, ab angido pelas compe ências das au a quias locais. Quando es as es ão abe as a p opos as de dinamização das escolas si uadas no seu e i ó io, como é o caso das Jun as de F eguesia pa cei as do CAA, a p odução de a i idades é acili ada pelo apoio dessas en idades. No caso dos 2º e 3º ciclos, a á ea cu icula que inclui a His ó ia admi e, como imos em elação aos con eúdos, ligações en e emas ge ais, nacionais e locais. Essas ligações susci am opo unidades de i ao encon o das ma é ias lecionadas nas disciplinas, c iando p opos as a que os p o esso es econheçam u ilidade. Caso con á io, o cump imen o dos p og amas e as condicionan es impos as pelo sis ema a que es ão sujei os dissuadem-nos de in oduzi nas plani icações a i idades dispensá eis. No 1º ciclo, com um p o esso apenas e dis ibuição lexí el das componen es cu icula es no ho á io le i o, o na-se mais ácil ade i a p opos as di e enciado as, do que nos ciclos seguin es. Ce as a i idades di igem-se an o ao 2º como ao 3º ciclo. Na ealidade, as p opos as são semp e adap á eis. Há á ios pe íodos his ó icos que são a ados em ambos os ní eis, apenas com di e en es abo dagens ou ap o undamen o. É o caso da P é-His ó ia e da omanização, emas eco en es nas a i idades do CAA. Es as não são c iadas com a in enção de aze uma colagem aos con eúdos p og amá icos, an es êm como p io idade ap esen a si uações locais, que se p es am de igual modo a se incluídas em qualque ní el de ensino. 129 1.2. Relação en e os Con eúdos das A i idades e as Ap endizagens Essenciais (AE) O c uzamen o en e os con eúdos das a i idades e as AE apu ou um o al de 31 i ens178, que podem se consul ados na o alidade no anexo 2. O g á ico 8 ap esen a a dis ibuição do núme o de i ens ab angidos, sem dis ingui ní eis de ensino: G á ico 8 – Núme o de i ens das Ap endizagens Essenciais ab angidos pelas a i idades P edominam os con eúdos elacionados com as AE do Es udo do Meio, pois a maio ia das a i idades di ige-se ao 1º ciclo, que é o único onde exis e essa á ea disciplina . As disciplinas de His ó ia e Geog a ia de Po ugal e de His ó ia ap esen am o mesmo núme o de i ens, no e em cada uma. A Educação Tecnológica es á ep esen ada com ês i ens. Em Educação A ís ica e Educação Visual iden i ica am-se dois i ens, um em cada disciplina. Os con eúdos das a i idades di igidas ao 1º ciclo elacionam-se com as AE de Es udo do Meio, na medida em que se enquad am nos obje i os ge ais da disciplina, pa icula men e no que diz espei o à alo ização da iden idade e espei o pelo e i ó io. A iden i icação de elemen os na u ais, sociais e ecnológicos do meio en ol en e é ou o obje i o que ambém se econhece nas a i idades, assim como iden i ica acon ecimen os elacionados com a his ó ia local e nacional. 178 En endem-se po i ens das AE, os Conhecimen os, Capacidades e A i udes indicados no capí ulo Ope acionalização das Ap endizagens Essenciais de cada ano e disciplina. 1 1 3 9 9 11 0246810 12 Educação A ís ica Educação Visual Educação Tecnológica H.G.P. His ó ia Es udo do Meio 130 Em His ó ia e Geog a ia de Po ugal, as AE enume adas apon am pa a as compe ências especí icas da disciplina, algumas das quais são cla amen e p omo idas pelas a i idades, como é o caso de “Conhece , semp e que possí el, episódios da his ó ia egional e local, alo izando o pa imónio his ó ico e cul u al exis en e na egião/local onde habi a/es uda” 179 . Do mesmo modo, icou pa en e na análise dos con eúdos que as a i idades pe mi em “Reconhece a ação de indi íduos e de g upos em odos os p ocessos his ó icos e de desen ol imen o sus en ado do e i ó io” 180 , pa icula men e ao ap esen a exemplos de igu as locais que agi am nesse sen ido. Em His ó ia, as a i idades apon am ambém pa a compe ências especí icas da disciplina, na medida em que pe mi em elaciona , po um lado, as o mas de o ganização do espaço com os elemen os na u ais e humanos aí exis en es em di e en es épocas his ó icas e, po ou o lado, liga as ap endizagens à his ó ia local e egional. De aco do com o le an amen o de emas abo dados nas a i idades, é e iden e a sua p oximidade com es es obje i os. No caso da Educação Tecnológica, as AE enunciadas enquad am-se em obje i os elacionados com a manipulação de ma e iais e ins umen os di e si icados, a execução de ope ações écnicas usando me odologias de abalho adequadas e a c iação de p odu os em a i idades expe imen ais. São si uações comuns nas o icinas e a i idades expe ienciais p omo idas pelo CAA. Quan o às A es Visuais é impo an e e e i que, em qualque um dos ciclos, as AE es ão es u u adas em ês domínios/o ganizado es: ap op iação e e lexão; in e p e ação e comunicação; expe imen ação e c iação. Os i ens que se elacionam com os con eúdos das a i idades em análise si uam-se p incipalmen e no p imei o domínio, onde se encon a o apelo a que se incen i e a ap eciação es é ica e a ís ica, a pa i da expe iência de cada aluno. É o que acon ece nas a i idades que le am os pa icipan es a con ac a di e amen e com ob as de a e pública. É de salien a que, no conjun o das AE analisadas, apenas as A es Visuais azem e e ência à ap endizagem em con ex o não o mal: “As ap endizagens que deco em des es 179 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 5º ano / 2º Ciclo do Ensino Básico / His ó ia e Geog a ia de Po ugal (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 3. 180 Idem. 131 Domínios de e ão se u ilizadas pelos alunos em di e en es con ex os, em ações p á icas e expe imen ais (…) em ambien es o mais e não o mais”181. A ecomendação ci ada nas linhas an e io es susci a duas e lexões ace ca das p opos as educa i as do CAA. A p imei a p ende-se com o ên ase dado à p á ica e expe imen ação, que é uma apos a ní ida do depa amen o pedagógico. No a-se que o caminho omado no p ocesso c ia i o in e no oi cada ez mais nesse sen ido. A segunda e lexão em a e com a menção aos ambien es não o mais. A ação educa i a que emos indo a analisa p opo ciona ap endizagens nesse ipo de ambien e. O desen ol imen o da educação pa imonial, que es á p e is o no cu ículo, pode ia se conc e izado a a és da c iação de condições pa a acili a o acesso das escolas a expe iências não o mais de ap endizagem. 2. Relação en e as A i idades e o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (PASEO) O Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (PASEO) oi es abelecido pelo Despacho n.º 6478/2017. É o documen o e e encial do a ual sis ema de ensino em Po ugal, es ando na base das decisões a ní el polí ico, de ges ão cu icula “e, ainda, pa a a de inição de es a égias, me odologias e p ocedimen os pedagógico-didá icos a u iliza na p á ica le i a”182. A inalidade é adap a a Escola às no as ealidades sociais e ecnológicas, pa a que o aluno possa “ esponde aos desa ios complexos des e século”183. Nesse sen ido, o documen o enuncia dez á eas de compe ências a desen ol e ao longo da escola idade ob iga ó ia: Linguagens e Tex os; In o mação e Comunicação; Raciocínio e Resolução de P oblemas; Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o; Relacionamen o In e pessoal; Desen ol imen o Pessoal e Au onomia; Bem-Es a , Saúde e Ambien e; Sensibilidade Es é ica e A ís ica; Sabe Cien í ico, Técnico e Tecnológico; Consciência e Domínio do Co po. 181 Ap endizagens Essenciais / A iculação com o Pe il dos Alunos. 1º Ciclo do Ensino Básico / Educação A ís ica - A es Visuais (2018). Minis é io da Educação - Di eção Ge al da Educação, p. 4. 182 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia - Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Lisboa: Minis é io da Educação/Di eção Ge al da Educação, p. 8. 183 Idem, p.7. 132 Compe ências são, segundo a de inição do PASEO, “combinações complexas de conhecimen os, capacidades e a i udes”184, ans e sais a odas as á eas cu icula es e sem hie a quia en e si. Pa a cada uma das á eas de compe ências, o documen o ap esen a um conjun o de Desc i o es Ope a i os, ou seja, as ações que os alunos de em ealiza pa a as desen ol e . 2.1. Relação en e as ações dos pa icipan es e os desc i o es ope a i os do Pe il dos Alunos Com base na desc ição das a i idades oi ei o um le an amen o exaus i o das ações ealizadas pelos pa icipan es. Essas ações o am con on adas com os Desc i o es Ope a i os do PASEO e associadas às espe i as á eas de compe ências, con o me se ap esen a no anexo 3. Ve i ica-se que, no conjun o de a i idades, os pa icipan es ealizam um conside á el núme o de ações elacioná eis com os Desc i o es Ope a i os do PASEO, ou mani es amen e equipa adas. 2.2. Á eas de Compe ências Po enciadas pelas A i idades O c uzamen o das ações dos pa icipan es com os desc i o es ope a i os do PASEO conduziu ao econhecimen o do po encial das a i idades, a ní el do desen ol imen o de compe ências. As compe ências po encialmen e desen ol idas po cada uma das a i idades são ap esen adas no anexo 4. O g á ico 9, que se ap esen a de seguida, pe mi e ainda conside a a equência com que cada á ea de compe ências do PASEO é econhecida nas a i idades: 184 Idem, p.19. 133 G á ico 9 - Pe cen agem de a i idades associadas ao desen ol imen o de cada uma das á eas de compe ências do Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia Obse a-se que a á ea de Linguagem e Tex os es á p esen e em g ande pa e das a i idades (88%), o que se elaciona p incipalmen e com o ac o de ha e ecu so a guiões com ex os e espaços de egis o esc i o nas isi as, se p oje a em pala as-cha e nas sessões emá icas e se usa em ex os em pis as nas dinâmicas de explo ação dos espaços, po exemplo. Desse modo, as a i idades p omo em a li e acia no sen ido clássico, a capacidade de le e esc e e , mas não apenas nessa o ma, já que ou os ipos de li e acia são ambém es imulados, como a li e acia cul u al, his ó ica e pa imonial. Compa a i amen e, a á ea de In o mação e Comunicação ap esen a um núme o in e io de oco ências (63%), es ando mais associada a a e as que implicam ob e in o mação obse ando o meio en ol en e ou os obje os e comunicá-la. A exp essão o al es á p esen e em odo o ipo de a i idades, sendo mui o impo an e nas dinâmicas c iadas em sala de aula, onde o moni o se se e do diálogo pa a o ien a as sessões. A á ea de Sensibilidade Es é ica e A ís ica es á bas an e ep esen ada (83%), em con as e com o núme o de i ens das AE de Educação A ís ica iden i icados nas a i idades (dois i ens). Es e dado pe mi e conclui que, embo a os con eúdos das a i idades se elacionem com uma pequena pa e do mundo das a es, as a e as que os alunos ealizam ão ao encon o do desen ol imen o de compe ências nessa á ea. Po exemplo, a a és da ap eciação de di e sos ipos de a qui e u a e a e pública nas isi as guiadas, da cul u a ma e ial de á ias épocas, nas sessões emá icas, e do con ac o di e o com o pa imónio local, nas a i idades de 20% 29% 46% 56% 59% 63% 71% 80% 83% 88% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o Desen ol imen o Pessoal e Au onomia Sabe Cien í ico, Técnico e Tecnológico Raciocínio e Resolução de P oblemas Consciência e Domínio do Co po In o mação e Comunicação Bem-Es a , Saúde e Ambien e Relacionamen o In e pessoal Sensibilidade Es é ica e A ís ica Linguagens e Tex os 134 explo ação de espaços. Além disso, o desenho é u ilizado como mé odo de egis o, o que pe mi e p a ica écnicas a ís icas. Si uação semelhan e ap esen a a á ea de sabe Cien í ico, Técnico e Tecnológico, p esen e em 46% das a i idades. Apu a am-se apenas ês i ens das AE de Educação Tecnológica, mas há uma lis a conside á el de a e as nessa á ea, po exemplo, nas sessões com o icina e nas a i idades de ipo expe iencial. A á ea de Relacionamen o In e pessoal, sinalizada em 80% das a i idades, esul a da execução de a e as a pa es ou em equipa, po exemplo, nos jogos. Associamos ambém a alguns jogos a á ea de Consciência e Domínio do Co po, mas o maio con ibu o pa a es a úl ima se iden i icada em 59% das a i idades é dado pelas isi as guiadas, que ob igam necessa iamen e a caminha . As a i idades de ipo expe iencial p omo em igualmen e o desen ol imen o des a á ea de compe ências. Os jogos su gem mais uma ez como exemplo de a i idades que p omo em o Raciocínio e Resolução de P oblemas, iden i icado em 56% das a i idades. Des acam-se ainda nes a á ea o cálculo ma emá ico e as es a égias que eque em o ien ação. A á ea de Bem-Es a , Saúde e Ambien e me ece uma a enção especial no sen ido de undamen a a sua ligação a 71% das a i idades. É nes a á ea de compe ências que se in eg a a esponsabilidade ambien al, a qual en endemos necessa iamen e ligada à pe ceção do meio. A desc ição das a i idades e e e mui as si uações nas quais os pa icipan es in e p e am a paisagem, que es ejam em con ac o di e o com ela, que es ejam em sessões onde a obse ação de imagens pe mi e elacioná-la com a his ó ia e o pa imónio. O PASEO apon a como implicações p á icas da aplicação dos seus p incípios e alo es dois ópicos que p essupõem o conhecimen o do meio local: “Abo da os con eúdos de cada á ea do sabe , associando-os a si uações (…) p esen es no meio sociocul u al e geog á ico em que se inse e”; “O ganiza e desen ol e a i idades (…) o ien adas pa a (…) a omada de consciência de si, dos ou os e do meio (…)”185. Assim, az-nos sen ido conside a as a e as de in e p e ação da paisagem como eículos de desen ol imen o de compe ências ambien ais. Também a eu ilização de ma e iais, p esen e em algumas o icinas, e o econhecimen o de espécies da 185 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia –Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Lisboa: Minis é io da Educação/Di eção Ge al da Educação, p. 31. 135 lo a e auna do ecossis ema local são a e as associadas à á ea de Bem-Es a , Saúde e Ambien e. Po im, emos duas á eas de compe ências com poucas e idências: Desen ol imen o Pessoal e Au onomia (29%); Pensamen o C í ico e Pensamen o C ia i o (20%). A p imei a es á associada a a e as indi iduais que nes as a i idades são mui as ezes subs i uídas po a e as a pa es ou em equipa, con o me expos o pa a a á ea de Relacionamen o In e pessoal. Em con ex o de u ma, numa a i idade pon ual com du ação limi ada, o indi íduo pe de a a o do g upo. Ainda assim, encon amos em algumas a i idades a ação au ónoma, a e lexão pessoal e a possibilidade de decidi as p óp ias a e as, escolhendo en e á ias al e na i as. A á ea de Pensamen o C í ico e C ia i o su ge associada a a i idades que p omo em si uações de deba e e e lexão, susci adas pela análise de si uações da his ó ia, a sua ansposição pa a a a ualidade e a in e p e ação de con ex os a queológicos. As a i idades educa i as do CAA demons am que é possí el c ia pa alelismos com o cu ículo o mal a a és de p opos as que enham em con a, não apenas a ansmissão de con eúdos complemen a es aos p og amas escola es, mas ambém o desen ol imen o de compe ências em di e en es á eas. As a uais o ien ações polí icas em ma é ia de educação es abelecem obje i os educa i os que ão mui o além da aquisição de conhecimen os. Ap ende a aze , a i e e a in e agi com os ou os con ibui pa a a o mação de cidadãos conscien es e a i os. A escola é enco ajada a lexibiliza os seus p ocessos no sen ido da inclusão e da coope ação. O cená io de mudança que o ensino a a essa é uma opo unidade pa a a in odução de no as p á icas elacionais en e os p o esso es e as ins i uições locais. A colabo ação des as se á ão mais ú il quan o mais sensí el à ealidade do mundo escola , que é o eixo cen al da in e enção educa i a. 136 IV. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES PELOS PROFESSORES P e ende-se nes a ase a e i a adequação das a i idades educa i as do CAA ao con ex o educa i o o mal, de aco do com a opinião dos p o esso es. Que emos sabe se os p o esso es que acompanha am as u mas pa icipan es conside a am as a i idades ap op iadas aos seus obje i os, enquan o agen es educa i os locais, e po quê. 1. Ca a e ização dos Ques ioná ios de A aliação As a i idades educa i as do CAA o am a aliadas pelos p o esso es pa icipan es a a és de ques ioná ios p eenchidos no inal de cada ação. No a qui o do CAA exis em 596 ques ioná ios, aplicados en e 2001 e 2018. Os pa icipan es não a alia am as a i idades. Os ques ioná ios não são odos iguais, mas no ge al são compos os po ês pa es ( e exemplos no anexo 5). Na p imei a a e iguam a opinião dos p o esso es ace ca dos con eúdos da a i idade, didá ica, adequação ao cu ículo e desempenho dos moni o es. As espos as são de ipo es u u ado: Mui o adequado, Mode adamen e adequado, Pouco adequado e Nada adequado. Na segunda pa e dos ques ioná ios são colocadas ques ões de ipo dico ómico, com espos a Sim ou Não. Encon amos aqui pe gun as como A a i idade oi p epa ada p e iamen e com os alunos? Pensa explo a os mesmos con eúdos de ou a o ma? A du ação da a i idade é adequada? e No ge al os alunos gos a am da a i idade? Na e cei a pa e há um campo abe o des inado a Obse ações/Suges ões. No inal, o ques ioná io é assinado pelo p o esso que, nos ques ioná ios mais ecen es, é ainda con idado a esc e e o seu ende eço de e-mail, se p e ende ecebe in o mação ace ca de a i idades do CAA. Numa p imei a abo dagem ao ma e ial ecolhido e i ica-se que os pa âme os não são enunciados semp e da mesma o ma. Po exemplo, no caso do pa âme o ela i o a con eúdos su gem as designações Con eúdos, In e esse dos con eúdos e In e esse ge al dos con eúdos. O pa âme o que a alia a Adequação ao cu ículo nem semp e es á p esen e e só em alguns casos possibili a ao p o esso a indicação da disciplina no âmbi o da qual ealizou a a i idade. A Abo dagem didá ica é po ezes subs i uída po A i idade lúdica/Jogo. A escala ambém a ia: nem odos os ques ioná ios ap esen am a opção Nada Adequado. A di e ença de pa âme os e de escala e i ica-se que em ques ioná ios ela i os a di e en es a i idades, que den o da mesma a i idade. Po ou o lado, uma obse ação ge al dos ques ioná ios deu a 137 en ende que a quase o alidade das opções assinaladas na p imei a pa e se si uam na espos a Mui o Adequado e, na segunda pa e, na espos a Sim. Na e cei a pa e, cons i uída po um campo abe o pa a Obse ações/Suges ões, uma p imei a lei u a suge e que os egis os esc i os ão ao encon o dos mesmos i ens: con eúdos, cu ículo, moni o es, didá ica; e mani es am opiniões, além de suges ões e comen á ios di e sos. Nes e campo de espos a abe a dep eendemos que, pelo ac o de escolhe em li emen e os aspe os a comen a , os inqui idos mencionam aqueles que conside am mais ele an es. Em sín ese, os ques ioná ios de a aliação não ab angem odas as a i idades nem ações; são compos os po á ios ipos de ques ões; não ap esen am pa âme os nem escalas de a aliação uni o mes; con êm egis os esc i os pelos p o esso es. 2. Cons i uição do Uni e so de Análise Pa a de e mina o conjun o de ques ioná ios e as ques ões a analisa o am es abelecidos alguns c i é ios. Começámos po e em con a que o obje i o des a análise diz espei o ao con ex o educa i o de Almada. Nesse sen ido, o p imei o passo oi exclui os ques ioná ios e e en es a a i idades cujos con eúdos não se elacionam di e amen e com es e e i ó io. O segundo c i é io esul a das lei u as p é ias acima desc i as: as ques ões de espos a echada não são homogéneas e os i ens assinalados apa en am pouca a iedade de opiniões. Conside a-se ainda que os egis os esc i os podem se mais icos, con o me esc e eu Lau ence Ba din: “Na in es igação po inqué i o, o ma e ial e bal ob ido a pa i de ques ões abe as é mui o mais ico em in o mações do que as espos as a ques ões echadas ou p é- codi icadas”186. Assim, op ámos pela análise dos dados ecolhidos no campo Obse ações/Suges ões. Uma ez que nem odos os p o esso es esc e e am nesse campo, i emos de exclui da análise algumas a i idades que, apesa de e em sido a aliadas, não ap esen am qualque egis o de obse ações ou suges ões. Depois de aplicados os c i é ios acima expos os, ob e e-se um uni e so de análise cons i uído po 184 egis os esc i os, ela i os a 27 a i idades, que co espondem a 66% do 186 BARDIN, Lau ence (2016). Análise de Con eúdo. São Paulo: Almedina B asil, p. 182. 144 que se aduziu na explicação das azões pa a de e minada opinião. Po ou o lado, esses ex os pe mi em conhece aspe os que não o am idos em con a nas ou as pa es dos ques ioná ios, como a sa is ação dos p óp ios p o esso es, e a ende a múl iplas obse ações, que e o çam a ca a e ização das a i idades ealizada nos capí ulos an e io es. Assim, a pa i da análise é possí el conclui que os p o esso es que deixa am egis o esc i o: - Conside am as a i idades in e essan es do pon o de is a dos con eúdos po que abo dam aspe os do meio local, a sua his ó ia e pa imónio; - Valo izam nas a i idades o ca iz lúdico e o en ol imen o a i o dos alunos; - Reconhecem a sua u ilidade enquan o ecu so pa a o desen ol imen o do cu ículo; - Elogiam a compe ência dos moni o es; - Con i mam a sa is ação dos seus alunos a a és da a enção e mo i ação que e elam; - Suge em melho amen os e a con inuidade das a i idades, p opondo o seu inc emen o; - Decla am-se ag adecidos e en iquecidos. Des e modo, podemos a i ma que os p o esso es que a alia am as a i idades analisadas no p esen e abalho as conside a am adequadas ao seu con ex o educa i o. Valo iza am os con eúdos, ap ecia am a didá ica e elogia am os moni o es. Deixa am egis ada a sa is ação dos alunos, de aco do com o seu pon o de is a, já que os p óp ios alunos não i e am opo unidade de pa icipa na a aliação. 145 Conclusões Ao longo des e abalho oi ap esen ada a ação educa i a do Cen o de A queologia de Almada (CAA). En e 1998 e 2018, o CAA desen ol eu um p og ama de educação pa imonial que ab angeu dezenas de milha es de alunos das escolas locais. Ao longo dessas duas décadas o am c iadas pe o de meia cen ena de a i idades elacionadas com o e i ó io de Almada, a maio ia das quais ealizada du an e á ios anos consecu i os. Os con eúdos abo dados nas a i idades mos am uma isão não educionis a de pa imónio, que in eg a múl iplos elemen os ma e iais e ima e iais, na u ais e cul u ais, paisagens e e i ó io. Mos am ambém o p opósi o de ansmi i a his ó ia local e a o ma como es a se elaciona com a his ó ia ge al e nacional. Os con eúdos ab angem 10 das 11 eguesias de Almada e as á ias paisagens cul u ais do concelho. As a i idades são de á ios ipos, ealizam-se nas uas, nas salas de aula e no p óp io CAA. Incluem isi as guiadas, sessões emá icas, a i idades de explo ação de espaços pa imoniais, a i idades de expe ienciação e p og amas compos os po á ias a i idades em ambien e le i o ou du an e as é ias escola es. As isi as são pe cu sos na en ol en e das escolas, nos núcleos his ó icos, em con ex o u bano e u al, que pe mi em o con ac o com o e i ó io e a obse ação di e a do pa imónio e das paisagens. As sessões emá icas são cons i uídas po uma pa e eó ica e ou a p á ica, podendo es a cons a de um jogo alusi o ao ema ou de uma o icina. Os jogos o am c iados no CAA especi icamen e pa a as sessões. Nas o icinas, são po ezes cons uídos obje os em ma e iais eu ilizados, segundo um modelo concebido p e iamen e. Nou as o icinas, os pa icipan es escolhem en e á ias p opos as al e na i as que apelam a di e en es ap idões. As a i idades de explo ação de espaços en ol em compe ição em equipa ou descobe a au ónoma de elemen os de in e esse pa imonial. As a i idades de expe ienciação con emplam á eas dis in as onde os pa icipan es expe imen am a e as ou i ências associadas a épocas passadas. Aplicam-se nas a i idades es a égias didá icas mui o a iadas, que ão da lei u a em oz al a à con eção de ga um com ing edien es au ên icos, passando pela pesca apeada e a ep esen ação de pe sonagens, en e an as ou as. Nos con eúdos das a i idades encon am-se emas con emplados nas Ap endizagens Essenciais das disciplinas que, no ensino básico, in eg am o pa imónio nos seus p og amas. 146 As ações ealizadas pelos pa icipan es po enciam o desen ol imen o das compe ências indicadas no Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia. Os p o esso es que acompanha am u mas nas a i idades educa i as do CAA p eenche am ques ioná ios de a aliação. Os seus comen á ios alo izam as a i idades po incidi em sob e emá icas locais, u iliza em es a égias didá icas a i as com uma componen e lúdica e con e em ligações aos cu ículos. A sa is ação dos alunos é no ada pelos docen es, que ambém mani es am o seu ag ado pessoal. Dão suges ões de melho ia, mas incen i am à con inuidade das ações e ao ala gamen o a ou os públicos. Os esul ados da análise le ada a cabo mos am uma ação educa i a baseada no e i ó io de Almada, elacionada com os cu ículos de ensino, ap o ada pelos p o esso es e do ag ado dos alunos. Esses a o es le am-nos a conclui que a ação educa i a do CAA é um exemplo álido de educação pa imonial anco ada no e i ó io. Além disso, o le an amen o emá ico e e uado comp o a o po encial educa i o do pa imónio de Almada, en endido como p odu o da in e ação en e as pessoas e os luga es a a és do empo. Re lexões inais Com is a a uma e lexão inal ace ca do nosso obje o de es udo, con on amos os esul ados des e abalho com ópicos que, de aco do com Pablo de Cas o Ma ín 192 pe mi em sinaliza bons p oje os de educação pa imonial. O in es igado , memb o da equipa do Obse a ó io de Educação Pa imonial em Espanha, cen a a sua a i idade académica em ques ões de ino ação educa i a. A sua pe spe i a ajuda -nos-á a conside a o pe cu so do depa amen o pedagógico do CAA e a disce ni linhas de a uação u u a. Em p imei o luga , a i ma que um bom p oje o de educação pa imonial combina en oques adicionais com a explo ação de linhas de ação eme gen es, como a in e cul u alidade, os pa imónios ín imos, a adap ação à di e sidade uncional. Não encon amos essas abo dagens nas a i idades analisadas e se ia impo an e ê-las em con a no u u o. A in e cul u alidade encon a ia espaço pa a se abalhada, num concelho onde esidem pessoas de mui as o igens. Em Almada, o núme o de habi an es na u ais de países 192 CASTRO MARTÍN, Pablo de (2020). “¿Cómo lo hacen o os? Reco ido po las mejo es p ác icas en educación pa imonial” (pp. 99-118) in FONTAL (2013) Op ci . 147 es angei os, co espondia, em 2011, a 12% da população esiden e e as nacionalidades, em 2016, e am 94 193 . Num le an amen o que ealizámos em cinco escolas do concelho, em apenas 14 u mas, ecolhemos “ esou os” do pa imónio de 11 países 194 . Em segundo luga , Pablo de Cas o Ma ín apon a como a o de qualidade num p oje o de educação pa imonial a u ilização de e amen as TIC, edes sociais, aplicações, ealidade aumen ada, e c. Esses ecu sos não o am u ilizados nas a i idades do CAA. Caso o depa amen o pedagógico se man i esse a i o, a u ilização desse ipo de e amen as encon a ia um umo na u al, endo em con a as adap ações ealizadas nas escolas de ido à pandemia de Co id-19 e o p og ama de digi alização daí deco en e 195 . Em e cei o luga , um bom p oje o de educação pa imonial con a com uma es u u a es á el que pe mi e c esce , ganha complexidade e iqueza, chega a mais des ina á ios e ga an i ínculos mais es ei os. A es u u a associa i a do CAA con e e ao seu p oje o educa i o con o nos mui o p óp ios, alguns dos quais exclusi os. A conceção das a i idades con a com um legado de conhecimen o eunido ao longo de qua o décadas, pa icula men e sob e o e i ó io de Almada, os seus pa imónios e paisagens. O supo e cien í ico é ga an ido po consul o es em di e sas á eas, que são sócios, colabo ado es ou amigos. Também em ques ões écnicas, os sócios e olun á ios são uma mais- alia na cons ução das a i idades. A equipa do depa amen o pedagógico inclui pessoas com as mais di e sas o mações e expe iências de ida, o que pe mi e aba ca con ibu os mul i ace ados, en e os quais de a is as plás icos e a o es. O ac o de se uma en idade p i ada, sem sujeição polí ica nem dependência ins i ucional, sal agua da a libe dade c ia i a, pe mi e lexibilidade na ges ão de ma e iais e ecu sos, o na possí el a espon aneidade e a espos a a desa ios inespe ados. Po ou o lado, um p oje o desen ol ido numa es u u a associa i a como o CAA encon a di iculdades que lhe causam ins abilidade. O inanciamen o é um p oblema quase pe manen e, ob igando a que a equipa epa a o empo en e a ação educa i a e ou as solici ações, po exemplo a ní el adminis a i o. Ainda assim, ao longo do pe íodo analisado a endência oi 193 Dados do Plano Municipal de In eg ação de Mig an es de Almada 2018-2020.Câma a Municipal de Almada. 194 Esse le an amen o oi ealizado em 2019 no âmbi o do p oje o “Mais Lei u a, Mais Sucesso”, da Câma a Municipal de Almada e deu o igem à exposição O Nosso Tesou o – Pa imónio Cul u al dos alunos de Almada, que es e e pa en e nas escolas em 2020. Alguma in o mação sob e esse abalho pode se ob ida em: h ps://a olink.p /almada- e ela- esou o-mundial-ab ilhan ado-po -12-joias-a icanas/ e em h ps://www.you ube.com/wa ch? =x1MTWCJ5H3o& =2491s (acessos em 12/8/2021) 195 O P og ama de Digi alização pa a as Escolas é implemen ado no âmbi o do Plano de Ação pa a a T ansição Digi al, (Resolução do Conselho de Minis os n.º 30/2020). 148 no sen ido do c escimen o: em núme o de a i idades c iadas e disponí eis pa a as escolas, de ações ealizadas anualmen e e de pa icipan es. O g au de elabo ação oi-se o nando mais complexo e su gi am p opos as mais icas, de que são exemplo as a i idades de ipo expe iencial. O sucesso dessas p opos as não e i ou os cons angimen os inancei os que le a am à suspensão da a i idade educa i a do CAA, an es os e á alimen ado, pelo que o p osseguimen o das ações e ia de ga an i p e iamen e a sua sus en abilidade. Em qua o luga , há que e em con a a a aliação do p oje o, no sen ido de o melho a e ambém de conhece o seu impac o a ní el de ansmissão do pa imónio, ga an indo que pe mi e a c iação de ínculos pessoais e comuni á ios. As a i idades educa i as do CAA o am a aliadas apenas pelos p o esso es. Os pa icipan es não i e am opo unidade de mani es a a sua opinião e ambém não é possí el sabe o que de ac o ap eende am dos con eúdos abo dados. Ob e in o mação álida, que pe mi isse econhece a c iação de ínculos com o pa imónio, exigi ia que, desde o início, osse aplicado um p ocesso a alia i o com me odologia adequada a esse obje i o. O quin o c i é io ecomenda que o p oje o conco a pa a o desen ol imen o eó ico- p á ico da educação pa imonial, a a és do desen ol imen o e di ulgação de um es udo no âmbi o cien í ico. Nesse aspe o, espe amos da um pequeno con ibu o com o p esen e abalho e deseja íamos que ele iesse a ocasiona e lexão e deba e. Em sex o luga , é necessá io que o p oje o es abeleça um ínculo es ei o en e os pa icipan es e os bens cul u ais, median e o ecu so a p ocessos de ap op iação simbólica. Sob esse pon o de is a, pensamos que algumas a i idades p omo em uma de e minada iden idade cul u al de Almada. Is o po que, no que diz espei o a emá icas como o associa i ismo e a esis ência democ á ica, são ansmi idos alo es que julgamos econhece na pe ença a es e e i ó io. O sé imo c i é io diz espei o à elação com os con eúdos escola es. Pela análise ealizada e i icamos que as a i idades educa i as do CAA apos am nessa elação, indo ao encon o das ap endizagens e o ien ações cu icula es em igo . No oi a o c i é io encon a-se a e e ência à colabo ação de di e en es pa cei os, já mencionada a p opósi o da es u u a associa i a do CAA, cuja pos u a de abe u a e inclusão pe mi e acede a di e sas colabo ações di e as e indi e as. Cabe ainda aludi às pa ce ias com escolas, au a quias, museus, ins i uições cul u ais e cien í icas, bem como com ou as associações, sem as quais não se ia possí el ealiza as a i idades. A cul u a associa i a é 149 in insecamen e undada na coope ação e apoia-se num ecido elacional mul i ace ado que ce amen e pe manece á. O nono e úl imo c i é io apela à c iação de ní eis de comp eensão e ap o undamen o adap ados aos pa icipan es; e que, de um mesmo elemen o, se açam su gi di e sas abo dagens e linhas de ação. Nesse aspe o, é undamen al conside a o pon o ulc al das p opos as de educação pa imonial do CAA. O CAA não possui uma coleção, como no caso dos museus, nem ge e um monumen o ou ou o elemen o singula . O seu p oje o dispõe da as idão e i o ial de Almada como elemen o pa imonial de eleição: das di e sas paisagens, dos espaços e equipamen os, das memó ias i as ou esc i as, da ex ensa ampli ude empo al que ai do subs a o Miocénico às es u u as cons uídas con empo âneas e aos aços in angí eis que a a essam o empo. Po conseguin e, a desc ição ealizada nes e abalho mos a que, a pa i de um mesmo elemen o, nes e caso o e i ó io local, su gi am a i idades com di e sas abo dagens e linhas de ação. Enquan o p omo o de educação pa imonial, o CAA não possui o olha da escola, mas não deixa de p ocu a no e i ó io espos as conducen es a obje i os cu icula es, descob indo ecu sos pa a ensina com e pa a o pa imónio. Não ado a, igualmen e, o olha do município, ocado na adminis ação e i o ial e espe i as a ibuições. Con udo, desempenha de ce a manei a unções municipais ao implemen a ações p óp ias da Cidade Educado a que Almada se o gulha de se . O olha do CAA sob e Almada é o de uma associação que conhece o e i ó io e alo iza o seu pa imónio. P ocu ando que a comunidade local ambém o conheça e alo ize, iden i ica as opo unidades de educação exis en es no pa imónio de p oximidade e na his ó ia local e le a a cabo ações de educação pa imonial que con ibuem pa a aze de Almada um au ên ico e i ó io educado . 150 Re e ências Bibliog á icas Es udos ANTUNES, Luís Pequi o (coo d.) (2000). Núcleo Medie al / Mode no de Almada Velha. Almada: Câma a Municipal de Almada. ALMEIDA, Fe nando An ónio (2011). Fe não Mendes Pin o em e as de Almada. Almada: Câma a Municipal de Almada. ASSUNTO, Rosa io, (1976) “Paisagem – Ambien e – Te i ó io” in Ad iana Ve íssimo Se ão (coo d.) (2011). Filoso ia da Paisagem. Uma An ologia. Lisboa – Cen o de Filoso ia da Uni e sidade de Lisboa. AYED, Ben Chouk y (2009). Le Nou el o d e éduca i local. Mixi é, dispa i és, lu es locales. Pa is: P esses Ini e si ai es de F ance. BARCA, Isabel (2004). 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