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PERFIL DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS E
CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DE ESTIRPES
RESISTENTES DE Neisse ia gono hoeae ISOLADAS
NUMA POPULAÇÃO DE HOMENS QUE TÊM SEXO
COM HOMENS DA ÁREA DE LISBOA
JOANA LOURENÇO MESSIAS CALADO
DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
MESTRE EM MICROBIOLOGIA MÉDICA
Janei o 2016
PERFIL DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS E
CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DE ESTIRPES
RESISTENTES DE Neisse ia gono hoeae ISOLADAS
NUMA POPULAÇÃO DE HOMENS QUE TÊM SEXO
COM HOMENS DA ÁREA DE LISBOA
JOANA LOURENÇO MESSIAS CALADO
DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
MESTRE EM MICROBIOLOGIA MÉDICA
O ien ado a: P o esso a Dou o a Ri a Cas o
Coo ien ado a: P o esso a Dou o a Filomena Pe ei a
Ins i u o de Higiene e Medicina T opical (IHMT/UNL)
Unidade de Mic obiologia Médica
Janei o 2016
i
AGRADECIMENTOS
À P o esso a Dou o a Ri a Cas o, o ien ado a des a Disse ação de Mes ado, da
Unidade de Mic obiologia Médica, do Ins i u o de Higiene e Medicina T opical, po e
o ien ado o abalho conducen e à disse ação, po oda a simpa ia, disponibilidade e
incen i o na p og essão des e abalho.
À P o esso a Dou o a Filomena Pe ei a, coo ien ado a des a Disse ação de Mes ado,
da Unidade Clínica T opical, do Ins i u o de Higiene e Medicina T opical, po oda a
dedicação e empenho na conc e ização des e abalho.
À Técnica Supe io Ângela Mendes, da Unidade de Mic obiologia Médica, do Ins i u o
de Higiene e Medicina T opical, po oda a ajuda indispensá el e apoio ao ní el do
abalho labo a o ial.
Aos pais e i mão que me de am odo o apoio que necessi ei pa a pode ealiza e chega
ao im des a e apa da minha ida. Aos meus ios e p ima po odo o apoio e ca inho.
Hugo Cos a, que es e e semp e do meu lado, mesmo nos momen os mais di íceis, sem
nunca deixa de ac edi a e con ia no meu abalho.
Às minhas amigas e colegas So ia Simões, Ma a Nascimen o e Elize h Lopes po odo o
apoio e amizade, po es a em semp e p esen es e disponí eis pa a ajuda .
Aos meus amigos Susana Dias, Ruben Ma ins, Cá ia Lopo, Inês F anco, Ca la Pin o, Ma ia
João, Te esa São José e Cá ia Simões po odo o apoio.
Mui o ob igada.
ii
RESUMO
A in eção po Neisse ia gono hoeae é a segunda in eção sexualmen e ansmissí el
mais p e alen e na Eu opa. A ualmen e, a e apêu ica indicada pa a o a amen o da
in eção po N. gono hoeae consis e na adminis ação de ce iaxona em combinação
com a azi omicina. No en an o, o am ela adas alhas e apêu icas após a
adminis ação de ce alospo inas de e cei a ge ação, a ní el mundial.
A inexis ência de uma al e na i a à e apêu ica de p imei a linha, adequada e e icaz,
o na impe a i o a ealização de igilância epidemiológica de esis ências, sob e udo
nas populações de isco, como os homens que êm sexo com homens (HSH).
O conhecimen o ab angen e sob e a base gené ica associada a pe is de susce ibilidade e
esis ência aos an ibió icos em ele ada impo ância, uma ez que os es es de
ampli icação de ácidos nucleicos es ão a subs i ui apidamen e o mé odo de cul u a no
diagnós ico de in eção po N. gono hoeae.
O es e de susce ibilidade aos an ibió icos oi ealizado pa a a penicilina, a e aciclina, a
espec inomicina, a ce iaxona, a ce ixima, a cip o loxacina e a azi omicina, a a és
dos mé odos di usão em disco e E es , de o ma a ob e -se o enó ipo de esis ência de
cada isolado de N. gono hoeae em es udo. Com base no enó ipo de esis ência,
pesquisou-se a p esença de mu ações nos genes penA, m R, pa C e gy A.
Assim, na população es udada (homens que êm sexo com homens) ob i e am-se 30
cul u as posi i as pa a N. gono hoeae, das quais 73% ap esen a am esis ência
in e média ou esis ência à penicilina, 60% à e aciclina e 37% à cip o loxacina.
O eduzido núme o de casos posi i os não pe mi iu e i a conclusões com alo
es a ís ico quan i a i o, no en an o, quali a i amen e, pe mi iu comp eende que as
mu ações de e adas são idên icas às ob idas po ou os au o es, es ando associadas a
enó ipos de esis ência.
iii
ABSTRACT
Neisse ia gono hoeae in ec ion is he second mos p e alen sexually ansmi ed
in ec ion in Eu ope. Cu en ly, dual he apy o N. gono hoeae in ec ions (e.g.,
ea men s including ce iaxone and azi h omycin) is now ecommended. Howe e ,
ea men ailu es ha e been epo ed ollowing adminis a ion o hi d-gene a ion
cephalospo ins.
The lack o an app op ia e and e ec i e al e na i e o i s -line he apy makes i
impe a i e o ca y ou epidemiological su eillance o esis ance, especially among a -
isk popula ions, such as men who ha e sex wi h men (MSM).
In an e a in which N. gono hoeae in ec ion is inc easingly being diagnosed by nucleic
acid ampli ica ion es s, knowledge on molecula su eillance o esis ance, is highly
impo an .
An ibio ic suscep ibili y es ing was ca ied ou o penicillin, e acycline,
spec inomycin, ce iaxone, he ce ixime, cip o loxacin, and azi h omycin, by he
di usion disc and E es me hods, so as o ob ain he esis ance pheno ype o each N.
gono hoeae isola e unde s udy.
Polyme ase chain eac ion and di ec DNA sequencing we e pe o med o iden i y
mu a ions wi hin he penA, m R, gy A and pa C genes o he isola es, which hus
explain he esis an pheno ypes.
Thus, he s udy popula ion (men who ha e sex wi h men) yielded 30 posi i e cul u es
o N. gono hoeae, o which 73% had in e media e esis ance o esis ance o
penicillin, 60% o e acycline and 37% o cip o loxacin.
The educed numbe o posi i e cases does no allow us o d aw conclusions in
quan i a i e s a is ical alue. Howe e , allowed in quali a i e conclusions ha he
de ec ed mu a ions a e iden ical o hose ob ained by o he au ho s, and a e associa ed
wi h esis ance pheno ypes.
i
ÍNDICE GERAL
Resumo ............................................................................................................................. ii
Abs ac ............................................................................................................................ iii
Índice ge al ...................................................................................................................... i
Lis a de ab e ia u as ....................................................................................................... ii
Índice de igu as .............................................................................................................. ix
Índice de abelas .............................................................................................................. xi
1. In odução ................................................................................................................. 1
1.1. Jus i icação da ese ........................................................................................... 1
1.2. Neisse ia gono hoeae ..................................................................................... 3
1.2.1. Fisiologia, ca ac e ís icas bioquímicas e es u u a ..................................... 3
1.2.2. Mani es ações clínicas e ansmissão da in eção po Neisse ia
gono hoeae ............................................................................................................. 5
1.2.3. Diagnós ico labo a o ial ............................................................................. 5
1.2.3.1. Iden i icação p esun i a ...................................................................... 6
1.2.3.2. Iden i icação con i ma ó ia ................................................................. 6
1.2.4. Tes e de susce ibilidade aos an ibió icos .................................................... 7
1.2.5. Te apêu ica pa a a in eção po Neisse ia gono hoeae .............................. 8
1.3. Pe spe i a his ó ica no desen ol imen o de esis ências aos an ibió icos ....... 8
1.3.1. E a p é-quinolona ....................................................................................... 9
1.3.2. E a quinolona ............................................................................................ 10
1.3.3. E a pós-quinolona ..................................................................................... 10
1.4. Mecanismos de ação e de desen ol imen o de esis ência a an ibió icos ...... 11
1.4.1. Sul onamidas ............................................................................................ 12
1.4.2. β-lac âmicos .............................................................................................. 13
1.4.3. Te aciclina ............................................................................................... 15
1.4.4. Aminocicli ol ............................................................................................ 16
1.4.5. Mac ólidos ................................................................................................ 17
1.4.6. Fluo oquinolonas ...................................................................................... 18
1.4.7. Ce alospo inas de e cei a ge ação ........................................................... 19
1.5. Te apêu icas do u u o .................................................................................... 20
1.5.1. Aumen o da dose das ce alospo inas de e cei a ge ação ......................... 20
1.5.2. Associação de an ibió icos ....................................................................... 20
1.5.3. No os á macos ........................................................................................ 20
1.6. Obje i os ......................................................................................................... 22
1.6.1. Obje i o ge al ........................................................................................... 22
1.6.2. Obje i os especí icos ................................................................................ 22
2. Ma e ial e mé odos ................................................................................................. 23
2.1. Ca ac e ização da população em es udo ......................................................... 23
2.2. Colhei a e anspo e de amos as ................................................................... 23
2.3. Iden i icação de Neisse ia gono hoeae ......................................................... 23
2.3.1. Tes e da oxidase........................................................................................ 23
2.3.2. Colo ação de G am ................................................................................... 24
2.3.3. Tes e ápido de u ilização de açúca es ..................................................... 24
2.3.4. Tes es bioquímicos e enzimá icos ............................................................ 24
2.4. Tes e de susce ibilidade aos an ibió icos ........................................................ 25
2.4.1. Mé odo de di usão em disco ..................................................................... 28
2.4.2. Mé odo E es ............................................................................................. 28
2.5. Pesquisa de mu ações em genes que con ibuem pa a a esis ência aos
an ibió icos ................................................................................................................. 29
2.5.1. Ex ação de ADN dos isolados de Neisse ia gono hoeae ...................... 29
2.5.2. Ampli icação dos genes que con ibuem pa a a esis ência po eação em
cadeia da polime ase ............................................................................................... 29
2.5.3. Ele o o ese em gel de aga ose dos p odu os de pc ................................ 31
2.5.4. Sequenciação dos p odu os de pc ............................................................ 32
i
2.5.5. Análise dos esul ados da sequenciação ................................................... 32
2.5.6. Pesquisa de mu ações ............................................................................... 32
3. Resul ados e discussão ........................................................................................... 34
3.1. Resul ados dos es es de susce ibilidade aos an ibió icos ............................... 35
3.1.1. Tes e de susce ibilidade à penicilina ........................................................ 37
3.1.2. Tes e de susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação ................ 38
3.1.3. Tes e de susce ibilidade à e aciclina ...................................................... 39
3.1.4. Tes e de susce ibilidade à cip o loxacina ................................................. 40
3.1.5. Tes e de susce ibilidade à azi omicina .................................................... 41
3.1.6. Tes e de susce ibilidade à espec inomicina .............................................. 41
3.2. Pesquisa de mu ações em genes que con ibuem pa a a esis ência aos
an ibió icos ................................................................................................................. 42
3.2.1. Pesquisa de mu ações no ep esso M R e no p omo o do gene m R ... 42
3.2.2. Pesquisa de mu ações que con ibuem pa a a esis ência à penicilina ..... 44
3.2.3. Pesquisa de mu ações que con ibuem pa a a esis ência às ce alospo inas
de e cei a ge ação .................................................................................................. 47
3.2.4. Pesquisa de mu ações que con ibuem pa a a esis ência à e aciclina ... 48
3.2.5. Pesquisa de mu ações na egião de e minan e de esis ência às
quinolonas.. ............................................................................................................. 49
4. Conclusão ............................................................................................................... 51
5. Re e ências bibliog á icas ...................................................................................... 55
6. Anexos .................................................................................................................... 70
ii
LISTA DE ABREVIATURAS
µl – Mic oli os
µM – Mic omole
aa - Aminoácidos
ADN – Ácido Desoxi ibonucleico
ARN – Ácido Ribonucleico
ARNm – Ácido Ribonucleico mensagei o
ARN – Ácido Ribonucleico ibossomal
ARN – Ácido Ribonucleico de ans e ência
AziI – Resis ência in e média à azi omicina
BSS – Solução de sal amponada
CDC – Cen o de Con olo e P e enção de Doenças
CLSI – Ins i u o de No mas Labo a o iais e Clínicas
CMI – Concen ação Mínima Inibi ó ia
CMRNG – Neisse ia gono hoeae com esis ência mediada po mu ações
c omossómicas
CQ – Con olo de Qualidade
DHPS – Dihid op e oa o Sin e ase
DIP – Doença In lama ó ia Pél ica
dNTPs – Desoxi ibonucleó idos
ESSTI – Vigilância Eu opeia de Doenças Sexualmen e T ansmissí eis
E es – Tes e es ilomé ico
EUCAST – Comi é Eu opeu pa a o Tes e de Susce ibilidade An imic obiano
Eu o-GASP – P og ama Eu opeu de Vigilância An imic obiana dos Gonococos
EV – Endo enosa
g – g ama
HSH – Homens que êm sexo com homens
IM – In amuscula
IST – In eções Sexualmen e T ansmissí eis
K2HPO4 – Fos a o de po ássio dibásico anid o
KCl – Clo e o de po ássio
1. INTRODUÇÃO
3
ansmissão da in eção po N. gono hoeae (13,17). O Cen o de Con olo e P e enção
de Doenças (CDC) ecomenda a implemen ação na o ina do as eio de in eção po N.
gono hoeae em locais ex ageni ais pa a odos os HSH sexualmen e a i os (18,19).
Nes e es udo, conside a-se impo an e a igilância epidemiológica e icaz sob e udo das
populações em maio isco, como é o caso da população de HSH, e o diagnós ico da
in eção po N. gono hoeae po cul u a com pesquisa dos enó ipos de esis ência, bem
como a ca ac e ização molecula dos isolados esis en es.
1.2. Neisse ia gono hoeae
A espécie Neisse ia gono hoeae pe ence à amília Neisse iaceae que incluí ês
géne os que são Neisse ia, Mo axella e Kingella. Es e mic o ganismo pe ence ao
géne o Neisse ia designação que p o ém do nome do médico alemão Albe Neisse , o
qual oi o p imei o a desc e ê-lo (em 1897) a pa i da obse ação mic oscópica de um
exsudado u e al e da conjun i a. O nome da espécie N. gono hoeae p o ém dos
nomes gone que signi ica “semen e” e hoia que indica “ luxo”, ou seja, e e e-se a um
“ luxo de semen es” que se elaciona com os sin omas da in eção po
N. gono hoeae (20,21).
1.2.1. FISIOLOGIA, CARACTERÍSTICAS BIOQUÍMICAS E ESTRUTURA
O mic o ganismo N. gono hoeae é uma bac é ia de G am-nega i o que
mo ologicamen e se dispõe em diplococos. As espécies do géne o Neisse ia spp.
ap esen am eação de oxidase e de ca alase posi i as. Além dis o, p oduzem ácido a
pa i da u ilização de di e en es hid a os de ca bono (20).
As espécies do géne o Neisse ia são cons i uídas po uma memb ana ci oplasmá ica
in e na, uma ina camada de pep idoglicano, um espaço pe iplasmá ico e uma
memb ana ex e na com lipopoligossaca ídeos (LOS), al como es á ep esen ada a
igu a 3 (22,23).
1. INTRODUÇÃO
4
Figu a 3:Rep esen ação da es u u a de supe ície de N. gono hoeae. Adap ado de Koneman e al. (20).
Bomba de e luxo M C-M D-M E
A bomba de e luxo M C-M D-M E encon a-se p esen e nos isolados de
N. gono hoeae e pe ence à amília de bombas de e luxo de esis ência-nodulação-
di isão celula (RND). Es a bomba de e luxo pe mi e a expulsão di e a de di e sos
compos os hid o óbicos do espaço pe iplasmá ico, ais como agen es an imic obianos
(ß – lac âmicos, mac ólidos e e aciclinas), co an es ( iole a de c is al) e de e gen es
(T i on X-100 e o nonoxinol-9) (24,25).
A p o eína M R é um memb o da amília Te R e é codi icada pelo gene m R que se
encon a localizado a 250 pa es de bases (pb) acima de m CDE. Es e gene é ansc i o
di e gen emen e em cadeias opos as. A p o eína M R egula nega i amen e a
ansc ição de m CDE, a a és da ligação de dois homodíme os numa sequência de
ADN na egião do p omo o de m CDE, como demons ado na igu a 4 (26,27).
Figu a 4: O ganização do ope ão m CDE de N. gono hoeae. Os cí culos selecionam os egulado es de
ansc ição. As se as indicam os p omo o es de m F, m R e m CDE. Os p omo o es de m CDE e m R
es ão ap esen ados na sequência aumen ada. A caixa a pico ado ma ca a egião in e ida (com 13pb) en e
os hexâme os -10 e -35 na sequência que se encon a na sequência do p omo o do gene m R. Adap ado
de Ohneck e al. (28).
1. INTRODUÇÃO
5
1.2.2. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E TRANSMISSÃO DA INFEÇÃO POR Neisse ia
gono hoeae
A in eção geni al masculina é p ima iamen e es i a à u e a e ap esen a sin omas como
disú ia e co imen o u e al pu ulen o, con udo es a pode se assin omá ica. Caso a
in eção não seja a ada, pode e olui com complicações, como a epididimi e, a
p os a i e e o abscesso na ca idade pe i oneal (21,29).
Nas mulhe es, o local p imá io da in eção é o colo do ú e o e, quando sin omá ica,
ge almen e ap esen a co imen o cé ico- aginal pu ulen o, disú ia, hemo agia
ano mal ou in e mens ual e do abdominal ou pél ica. As in eções geni ais ascenden es
na mulhe podem causa salpingi e, doença in lama ó ia pél ica e abscesso no ubo
o a iano. Es as podem es a na o igem de uma g a idez ec ópica e es e ilidade (21,30).
A população HSH e as mulhe es podem adqui i in eção da a inge e/ou ec al, a a és
de elações sexuais o ais e/ou anais desp o egidas com um pa cei o in e ado. A maio ia
das in eções na população HSH são assin omá icas, po an o ecomenda-se o as eio de
o ina anual de in eção po N. gono hoeae em locais ex ageni ais (17,18).
A conjun i i e em ecém-nascidos é adqui ida du an e a passagem a a és do canal do
pa o in e ado po N. gono hoeae. A in eção ocula mani es a-se po uma sec eção
pu ulen a abundan e, hipe emia conjun i al, edema palpeb al, podendo oco e ceguei a
se não a ada (31).
A in eção disseminada po N. gono hoeae oco e quando a e e ida espécie in ade a
co en e sanguínea. As complicações des a pa ologia incluem al e ações pe manen es
das a iculações, pe i-hepa i e, endoca di e, e a amen e, meningi e (32).
A ansmissão da in eção po N. gono hoeae oco e po inoculação di e a da sec eção
da mucosa in e ada de pessoa a pessoa, po ia geni al-geni al, geni al-anal, o o-geni al,
o o-anal ou ansmissão po pa e da mãe pa a o ecém-nascimen o du an e o pa o (2).
1.2.3. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A colhei a de amos as pa a a pesquisa de N. gono hoeae, po mé odo de cul u a, de e
se e e uada com uma za aga oa que de e se inse ida 2 a 3 cen íme os na u e a
masculina ou 1 a 2 cen íme os no canal endoce ical, seguida po duas ou ês o ações.
O melho sis ema de anspo e da amos a é o p óp io meio de cul u a inoculado com a
za aga oa, após a colhei a, colocado imedia amen e numa a mos e a en iquecida com
CO2 e anspo ado pa a o labo a ó io (18).
1. INTRODUÇÃO
6
1.2.3.1. Iden i icação p esun i a
A iden i icação p esun i a de N. gono hoeae a pa i de um isolado num meio sele i o
pode se ealizada com base na mo ologia das colónias, na obse ação ípica de
diplococos aos pa es, é ades ou em g upo (de um es egaço e e uado a pa i de
colónias e co ado pela colo ação de G am) e a a és da obse ação de uma eação de
oxidase posi i a (18,33).
Cul u a
Pa a o isolamen o p imá io, as amos as de locais ana ómicos no malmen e não es é eis
(po exemplo, u e a, cé ix, agina, e o e o o a inge) de em se semeadas num meio
de cul u a sele i o (po exemplo, meio de cul u a Thaye -Ma in ou Ma in-Lewis) e as
amos as de locais ana ómicos es é eis, como a conjun i a, de em se semeadas em
meios de cul u a não sele i os (po exemplo, meio de cul u a aga de chocola e) (18).
Os meios inoculados são incubados en e 35 °C a 36,5 °C numa a mos e a en iquecida
com 5% de CO2 e examinados após 24 ho as e 48 ho as. O CO2 suplemen a pode se
o necido po uma incubado a de CO2, a a és de um asco echado com uma ela sem
chei o ou po saque as ge ado as de CO2 (18).
Colo ação de G am
A colo ação pelo mé odo de G am em ele ada especi icidade (> 99%) e sensibilidade
(> 95%) no diagnós ico de in eção po N. gono hoeae em homens sin omá icos (18).
No caso de homens assin omá icos, amos as endoce icais, o o a inge ou amos as
ec ais, es a écnica ap esen a meno sensibilidade (18).
Tes e da Oxidase
O es e da oxidase em como obje i o de e a a p esença da enzima ci oc omo c oxidase
p esen e na cadeia espi a ó ia de um mic o ganismo. Nes e es e o subs a o N,N-
e ame il-1,4- enilenodiamina en a em con a o com as colónias e caso a enzima es eja
p esen e esul a em eação posi i a, isualizada pela al e ação de co . A espécie
N. gono hoeae ap esen a es e de oxidase posi i o (33).
1.2.3.2. Iden i icação con i ma ó ia
A iden i icação p esun i a de N. gono hoeae é su icien e pa a inicia a e apia
an imic obiana, mas es es adicionais de em se ealizados pa a con i ma a
iden i icação (34). Es es es es podem se bioquímicos e enzimá icos, que incluem: a
1. INTRODUÇÃO
7
eação de ca alase; a esis ência à colis ina; a p odução de polissaca ídeo de saca ose; o
es e de u ilização de açúca es; a edução de ni a o (33).
Tes e de u ilização de açúca es
Es a écnica depende de enzimas o madas du an e o c escimen o do mic o ganismo que
u ilizam os hid a os de ca bono como a glucose, a mal ose, a lac ose e/ou a saca ose. Na
execução do es e é incubada uma suspensão do isolado a es uda jun amen e com os
e e idos hid a os de ca bono. Caso haja p odução de ácido, de ido à u ilização dos
mesmos, obse a-se mudança de co . Di e en es espécies de Neisse ia spp. u ilizam
hid a os de ca bono di e en es. A espécie N. gono hoeae apenas u iliza a glucose (35).
Tes e bioquímico come cial
Um es e con i ma ó io pa a iden i icação labo a o ial de N. gono hoeae pode se um
es e bioquímico come cial, como po exemplo, o sis ema API NH, que pe mi e a
iden i icação con i ma ó ia de Neisse ia spp., Haemophilus spp. e Mo axella
ca a halis (B anhamella ca a halis). A iden i icação é ob ida a a és de eações
enzimá icas ou e men ações de açúca es em 10 mic o ubos com subs a os
desid a ados, que se aduzem po mudanças de co espon âneas ou e eladas a a és da
adição de eagen es (36).
1.2.4. TESTE DE SUSCETIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS
O mé odo de diluição em placa com aga é o mé odo de e e ência pa a es a a
susce ibilidade aos an ibió icos pa a a espécie N. gono hoeae, no en an o, pode se
mui o di ícil de execu a em labo a ó ios com capacidade limi ada. O mé odo de di usão
em disco e o mé odo epsilomé ico (E es ) são mé odos al e na i os ao mé odo de
e e ência no es udo da susce ibilidade dos isolados de N. gono hoeae (18).
A im de se desen ol e uma pe spe i a global sob e a esis ência an imic obiana de N.
gono hoeae, os labo a ó ios de e e ência ealizam es es de susce ibilidade
an imic obiana pa a uma as a gama de an ibió icos: ce alospo inas de e cei a ge ação
(po exemplo, a ce iaxona e a ce ixima) penicilina, e aciclina, espec inomicina,
luo oquinolonas (po exemplo, a cip o loxacina), e a azi omicina (18).
Apenas a es i pe N. gono hoeae ATCC 49226 é designada pelo Ins i u o de No mas
Labo a o iais e Clínicas (CLSI) pa a o con olo de qualidade dos es es de
susce ibilidade aos an ibió icos pa a a espécie N. gono hoeae (33).
1. INTRODUÇÃO
8
1.2.5. TERAPÊUTICA PARA A INFEÇÃO POR Neisse ia gono hoeae
A e apêu ica ecomendada no caso de in eções u e ais, ce icais, ec ais e da a inge
não complicadas po N. gono hoeae em adul os e adolescen es, quando a sensibilidade
an imic obiana da in eção é desconhecida, é a ce iaxona 250 mg ou 500mg ia
in amuscula em dose única em conjun o com 1 g ama (g) ou 2 g de azi omicina em
dose única o al (37,2).
Es a e apêu ica combinada pa a a in eção po N. gono hoeae ga an e ambém o
a amen o de coin ecções po C. achoma is e e le e a p eocupação da eme gência de
esis ência de N. gono hoeae aos an ibió icos (38).
Os egimes e apêu icos al e na i os são:
Ce ixima 400 mg em dose única o al em conjun o com 2 g de azi omicina em
dose única o al, se a ce iaxona não es i e disponí el ou a adminis ação de
an ibió icos inje á eis não o possí el ou ecusada pelo indi íduo;
Ce iaxona 500 mg po ia in amuscula , numa dose única, se azi omicina não
es i e disponí el ou o indi íduo se incapaz de oma a medicação o al;
Espec inomicina 2 g po ia in amuscula , numa dose única em conjun o com
2 g de azi omicina em dose única o al, pe an e suspei a ou con i mação de
esis ência às ce alospo inas de e cei a ge ação ou quando o indi íduo em uma
his ó ia de ana ilaxia à penicilina ou às ce alospo inas (2).
1.3. PERSPETIVA HISTÓRICA NO DESENVOLVIMENTO DE
RESISTÊNCIAS AOS ANTIBIÓTICOS
A espécie N. gono hoeae acilmen e desen ol e ou adqui e mecanismos de esis ência
aos an ibió icos, pelo que ao longo do empo em desen ol ido esis ência aos
di e en es an ibió icos u ilizados no seu a amen o. Assim o apa ecimen o das
esis ências, po pa e des e mic o ganismo, oi di idido em ês e as: p é-quinolona,
quinolona e pós-quinolona ( igu a 5) (39,40).
1. INTRODUÇÃO
9
Figu a 5: Di e en es an ibió icos que o am in oduzidos pa a o a amen o da in eção po N.
gono hoeae. As ba as e icais ep esen am o núme o de anos que um de e minado an ibió ico oi usado
an es de qualque indicação de esis ência. Os núme os a e melho indicam o ano quando a esis ência a
esse an ibió ico oi documen ada pela p imei a ez. Adap ado de Dillon e al. (41).
1.3.1. ERA PRÉ-QUINOLONA
As sul onamidas começa am a se u ilizadas no a amen o da in eção po N.
gono hoeae em 1935, mas apidamen e deixa am de se e icazes, uma ez que, em
1940 começa am a eme gi esis ências a es es an ibió icos (42).
A penicilina começou a se u ilizada como e apêu ica pa a a in eção po N.
gono hoeae em 1943, inicialmen e pa a os casos de esis ência às sul onamidas, mas
mais a de, eio a u iliza -se como an imic obiano de p imei a linha (43).
Du an e os 40 anos seguin es, a penicilina oi u ilizada no a amen o des a pa ologia,
a é que se começou a e i ica uma diminuição da susce ibilidade a es e á maco a a és
esis ências mediadas po mu ações c omossómicas e, pos e io men e, de ido a
esis ências mediadas po plasmídeos com genes que codi icam enzimas β-lac amases.
No início dos anos 70, oi aumen ada a dose in amuscula da en ão ecomendada
50 000 unidades (U), em 1945, pa a 4,8 milhões U. No inal de 1989, a penicilina
deixou de se um a amen o e icaz e oi abandonada como á maco de p imei a
linha (44,45).
Coinciden e com o desen ol imen o de esis ência à penicilina po N. gono hoeae, es a
espécie ambém desen ol eu esis ência a ou os an ibió icos, incluindo a e aciclina, o
clo an enicol, a es ep omicina e a e i omicina (46).
A e aciclina oi uma impo an e e apêu ica al e na i a à penicilina pa a indi íduos
alé gicos a es e an ibió ico (47). Aos poucos, e com o uso cons an e de e aciclina na
1. INTRODUÇÃO
10
e apêu ica de coin ecções, como po exemplo na in eção po C. achoma is, a
N. gono hoeae adqui iu esis ência ambém a es e an ibió ico. A esis ência de al o
ní el à e aciclina, mediada po mu ações c omossómicas e po plasmídeos
inco po ados, su giu na década de 1970, jun amen e com a esis ência à penicilina (48).
A espec inomicina oi um ou o impo an e an imic obiano, desen ol ido nos anos
1960, pa a casos de in eção po N. gono hoeae esis en e as an ibió icos ou em
indi íduos alé gicos a ou os á macos. Foi u ilizado sob e udo no a amen o de in eção
po N. gono hoeae p odu o a de penicilinase (PPNG). Es e an ibió ico não é e icaz nos
casos de in eção da a inge. Além disso, nos anos 80, su gi am apidamen e esis ências
de al o ní el à espec inomicina, quando oi u ilizada como e apêu ica de p imei a linha
nos mili a es no e-ame icanos, na Co eia do No e (49–51).
1.3.2. ERA QUINOLONA
Em espos a ao aumen o do núme o de isolados de N. gono hoeae esis en es à
penicilina, e aciclina e espec inomicina, em odo o mundo, o CDC ecomendou o uso
de ce alospo inas de e cei a ge ação ou luo oquinolonas pa a o a amen o de p imei a
linha da in eção po N. gono hoeae. As luo oquinolonas, como a cip o loxacina e a
o loxacina, o am amplamen e u ilizadas no a amen o des a in eção a pa i de meados
da década de 1980 em dian e. Apesa de não se adequada pa a as mulhe es g á idas ou
c ianças, a cip o loxacina em a an agem de possui poucos e ei os secundá ios, de
pode se adminis ada como dose única e de ap esen a excelen e e icácia no
a amen o de in eções em odos os locais ana ómicos, incluindo da a inge (52).
T ês an ibió icos des a amília de an ibió icos (cip o loxacina, o loxacina e
le o loxacina) o am ap o ados pelo CDC, no ano de 1993, como á macos de p imei a
linha pa a o a amen o da in eção po N. gono hoeae (53,54).
No ano 2000, as luo oquinolonas deixa am de se p esc i as pa a o a amen o da
in eção po N. gono hoeae em á ios países da Eu opa de ido ao desen ol imen o de
esis ências e em 2007 deixa am de se ecomendadas pelo CDC (53,55).
1.3.3. ERA PÓS-QUINOLONA
Em 2006, 39% dos casos de in eção po N. gono hoeae na população HSH e am
esis en es às quinolonas, en ão o CDC passou a ecomenda apenas as ce alospo inas
de e cei a ge ação como e apêu ica de p imei a linha (56). A ce iaxona ( ia
1. INTRODUÇÃO
11
in amuscula ) e a ce ixima ( ia o al), em conjun o com a azi omicina, êm sido
u ilizadas no a amen o da in eção po N. gono hoeae (57).
A u ilização gene alizada de ce alospo inas o ais no Japão desen ol eu isolados de N.
gono hoeae com susce ibilidade diminuída a es e an ibió ico e ausência de espos a ao
a amen o (58,59). Mui os desses isolados ambém e am esis en es às
luo oquinolonas, às e aciclinas e à penicilina (60,61).
Deguchi e al.(58) e Yokoi e al.(9) ela a am as p imei as alhas e apêu icas com
ce alospo inas o ais. Oco e am no Japão, no início do ano 2000, em indi íduos que
o am a ados com doses múl iplas de 200 mg de ce ixima e que es a am in e ados
com isolados de N. gono hoeae com concen ações mínimas inibi ó ias (CMIs) que
a ia am en e 0,125 µg/ml e 1 µg/ml.
Na No uega, Unemo e al.(3) ela a am os p imei os dois casos de alha e apêu ica com
a ce ixima na Eu opa. Ambos alha am o a amen o com 400 mg de ce ixima, mas
o am cu ados com 500 mg de ce iaxona.
Ison e al.(6), Unemo e al.(8) Unemo e al.(4), e Allen e al.(7) ela a am alhas
e apêu icas com a ce ixima em Ingla e a, Áus ia, F ança e Canada, espe i amen e.
1.4. MECANISMOS DE AÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO DE
RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOS
Os mecanismos de esis ência aos an ibió icos desen ol idos pela espécie N.
gono hoeae en ol em des uição ou modi icação do an ibió ico, po meios
enzimá icos, modi icação ou p o eção do al o, o que diminui a a inidade, diminuição do
in luxo ou aumen o do e luxo do an ibió ico. Gene icamen e, es as al e ações podem
esul a de mu ações c omossómicas, conjugação de plasmídeos com genes de
esis ência e ans e ência ho izon al de genes, pa icula men e a a és de ou as
espécies de Neisse ia spp. Múl iplos de e minan es de esis ência podem coexis i num
único mic o ganismo, de o ma que uma única es i pe possa se esis en e a di e en es
an ibió icos (62,63).
Os al os de ação dos an ibió icos u ilizados no a amen o da in eção po N.
gono hoeae, ao longo do empo (sul onamidas, β-lac âmicos, e aciclinas,
aminoglicosídeos, mac ólidos e ce alospo inas de e cei a ge ação), bem como os genes
que con ibuem pa a o desen ol imen o de esis ência, com exceção da sul onamida,
encon am-se ep esen ados na igu a 6.
1. INTRODUÇÃO
12
Figu a 6: Al os dos an ibió icos que êm sido u ilizados ao longo do empo no a amen o da in eção po
N. gono hoeae com os espe i os genes de esis ência. ME – Memb ana ex e na; MI – Memb ana
In e na. Adap ado de Goi e e al.(64).
1.4.1. SULFONAMIDAS
Mecanismo de ação
As sul onamidas inibem a sín ese do ácido ólico, um impo an e me aboli o na sín ese
de ADN. Es as são um análogo es u u al do ácido pa a-aminobenzóico (PABA) e
a uam po inibição compe i i a pela ligação à enzima dihid op e oa o sin e ase (DHPS),
enzima undamen al pa a a sín ese do ácido ólico bac e iano, impedindo-a de ealiza a
sua unção ( igu a 7) (65).
Figu a 7: Mecanismo de ação das sul onamidas no me abolismo do ácido e ahid o óbico ( o ma
eduzida do ácido ólico), um impo an e me aboli o na sín ese de ADN. DHFR - Diid o ola o edu ase;
DHPS - Dihid op e oa o sin e ase. Adap ado de Osó io & Mo gado(66).
Mecanismo de esis ência
A espécie N. gono hoeae desen ol eu esis ência a es e an imic obiano a a és da
hipe p odução do PABA, compe indo assim com uma maio an agem pelo local de
ligação com o an ibió ico. Além disso desen ol eu uma mu ação no gene olP que
codi ica a DHPS, p oduzindo assim uma enzima mu an e com pouca a inidade pa a as
sul onamidas (67).
1. INTRODUÇÃO
19
1.4.7. CEFALOSPORINAS DE TERCEIRA GERAÇÃO
Mecanismo de ação
As ce alospo inas azem pa e da amília dos β-lac âmicos e são classi icadas po
ge ações: a 1ª ge ação exibe a i idade nos mic o ganismos de colo ação G am-posi i a
e a i idade mode ada na p esença de bac é ias de colo ação de G am-nega i o; a 2ª
ge ação em a i idade aumen ada sob e as bac é ias de colo ação G am-nega i o e pa a
anae óbios; po úl imo, a 3ª ge ação ap esen a a i idade em bac é ias de G am-posi i o
e de G am-nega i o, nomeadamen e na p esença de mic o ganismos da amília de
En e obac e iaceae (103).
As ce alospo inas impedem a ligação do pep idoglicano à pa ede celula bac e iana,
uma ez que se ligam ao anel β-lac âmico das PBPs (92).
Mecanismos de esis ência
A esis ência às ce alospo inas de e cei a ge ação po N. gono hoeae de e-se
p incipalmen e a mu ações que modi icam o al o de ação (PBPs), como são exemplo
mu ações nos genes penA e ponA (92).
A esis ência a es es an ibió icos ambém se pode desen ol e a pa i do aumen o de
e luxo e diminuição do in luxo, uma ez que, êm sido de e adas mu ações adicionais
nos genes m R e po B en e isolados de N. gono hoeae com diminuição da
susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação (15,104,105).
Há uma maio p opo ção de isolados N. gono hoeae com esis ência à ce ixima do que
à ce iaxona de ido ao ac o de o desen ol imen o de esis ência à ce ixima oco e na
p esença de mosaicos alelos penA, enquan o pa a o desen ol imen o de esis ência à
ce iaxona são ambém necessá ias mu ações nos genes penA, m R e po B
(15,106,107).
Mosaico alelo penA
Os mosaicos alelos penA (ou seja, alelos ge ados num isolado ece o po ecombinação
de genes de egiões semelhan es do isolado doado , es ei amen e elacionados), podem
se adqui idos po espécies de Neisse ia spp. comensais p esen es na a inge (N. sicca,
N. pe la a, N. cine ea, e / ou N. la escens) po ans o mação in i o e ecombinação
homóloga. Es e é conside ado o mecanismo mais comum de diminuição da
susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação (108–115).
As p o eínas PBP2 com es u u a mosaico êm mais de 70 aminoácidos al e ados (92).
1. INTRODUÇÃO
20
Gene penA
Pad ões de mu ações não mosaico no gene penA ambém podem con ibui pa a a
esis ência, são exemplo as subs i uições A501V e A501T. As mu ações G542S, P551S
e P551L já o am associadas es a is icamen e ao aumen o da CMI às ce alospo inas de
e cei a ge ação dos isolados de N. gono hoeae (92,116).
1.5. TERAPÊUTICAS DO FUTURO
De ido à ápida aquisição de esis ência po pa e dos isolados de N. gono hoeae aos
an ibió icos disponí eis o desen ol imen o de e apêu icas al e na i as é p io i á io.
1.5.1. AUMENTO DA DOSE DAS CEFALOSPORINAS DE TERCEIRA GERAÇÃO
Tem sido p opos o o aumen o da dose e du ação da e apêu ica com a ce iaxona pa a
os casos em que se obse a diminuição da susce ibilidade a es e á maco (117,118).
1.5.2. ASSOCIAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS
Vá ios au o es suge i am di e en es associações de an ibió icos de o ma a ul apassa a
esis ência de N. gono hoeae, de aco do com as seguin es ecomendações:
Ce iaxona 1g IM, dose única, seguida de ce ixima o al 400mg po dia du an e
dois dias ou de azi omicina o al 2g, dose única (118);
Combinação de espec inomicina 2g IM e azi omicina o al 2g, ambas em dose
única, como al e na i a à ce iaxona 250mg nos casos de esis ência à
ce ixima (39).
1.5.3. NOVOS FÁRMACOS
O e apenem é uma molécula ela i amen e ecen e da amília dos ca bapenemos que
pode ia cons i ui uma al e na i a e apêu ica nos casos de esis ência à ce iaxona.
Con udo, o apa ecimen o de esis ências codi icadas pelo gene penA o na-a uma opção
e apêu ica ine icaz nes es casos (119,120).
O pép ido an imic obiano LL-37 az pa e da amília das ca elicidinas humanas e já oi
demons ado que ap esen a a i idade bac e icida e imuno-modulado a pa a os isolados
de N. gono hoeae (121).
1. INTRODUÇÃO
21
O aminocouma in é uma classe de an ibac e ianos na u ais (ob idos a pa i de espécies
de S ep omyces sp.). Fazem pa e des a classe a no obiocina, clo obiocina e a
coume micina (122).
O eugenol é um an issé ico na u al ex aído da plan a Ocimum sanc um, e oi
e idenciado em a os que ap esen a a i idade an imic obiana, pa icula men e em
isolados de N. gono hoeae mul i esis en es (123).
A soli omicina é um no o mac ólido que e elou e ele ada a i idade, in i o, em
isolados de N. gono hoeae mul i esis en es (124).
Te minalia mac op e a é uma plan a a icana com á ias aplicações medicinais que
demons ou e a i idade an imic obiana em á ios isolados de N. gono hoeae,
incluindo PPNG e TRNG (125).
1. INTRODUÇÃO
22
1.6. OBJETIVOS
1.6.1. OBJETIVO GERAL
Es uda a axa de in eção po Neisse ia gono hoeae, o pe il de esis ência e
pesquisa mu ações de es i pes esis en es, p esen es numa população de homens
que êm sexo com homens, que equen a am uma clínica de as eio de in eções
sexualmen e ansmissí eis de Lisboa.
1.6.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
De e mina a axa de in eção po N. gono hoeae na população de homens que
êm sexo com homens que equen a am uma clínica de as eio de in eções
sexualmen e ansmissí eis em Lisboa.
Ve i ica os pe is de susce ibilidade dos isolados de N. gono hoeae aos
seguin es agen es an imic obianos: penicilina, e aciclina, azi omicina,
cip o loxacina, le o loxacina, espec inomicina, ce iaxona e ce ixima.
Pesquisa mu ações nos genes penA, m R, g yA e pa C dos isolados de N.
gono hoeae com esis ência in e média ou esis ência aos an ibió icos es ados.
De e mina a con ibuição de mu ações nos e e idos genes no desen ol imen o
de esis ência aos an ibió icos.
23
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO EM ESTUDO
Os isolados de Neisse ia gono hoeae es udados nes e abalho o am ob idos a a és da
cul u a de amos as de exsudados ec ais ou exsudados u e ais (no caso de indi íduos
com sin oma ologia) de HSH que se di igi am a uma clínica de as eio de in eções
sexualmen e ansmissí eis, localizada no Bai o Al o, em Lisboa, du an e o pe íodo de
Janei o de 2013 a Fe e ei o de 2015.
2.2. COLHEITA E TRANSPORTE DE AMOSTRAS
As amos as de exsudados u e ais e ec ais o am semeadas, imedia amen e após a
colhei a, em meio de cul u a de chocola e VCA3 (gelose de chocola e com PolyVi ex e
com uma combinação de agen es an imic obianos e an i úngicos, bioMé iux). As placas
semeadas o am incubadas numa ja a com a mos e a en iquecida em CO2,
p opo cionada po uma ela, e pos e io men e en iadas pa a o Ins i u o de Higiene e
Medicina T opical de Lisboa, onde o am colocadas numa es u a a 36 °C.
2.3. IDENTIFICAÇÃO DE Neisse ia gono hoeae
A iden i icação da espécie N. gono hoeae oi ealizada a pa i de colónias pu as no
meio de cul u a de chocola e PVX (gelose de chocola e com PolyVi eX, bioMé iux)
após incubação du an e a noi e, a 36 °C com uma a mos e a com ce ca de 5% de CO2.
2.3.1. TESTE DA OXIDASE
As colónias ob idas no meio de cul u a PVX o am es adas com o es e da oxidase
(Bac iden ® Oxidase, Me ck). Nes e es e, a supe ície da eação da i a en ou em
con a o di e o com uma ou duas colónias e passados ce ca de 2 minu os oi obse ado o
esul ado. Pa a o con olo de qualidade, oi ealizado o mesmo p ocedimen o com a
es i pe Esche ichia coli ATCC 25922, sendo expec á el um esul ado nega i o (sem
al e ação de co ) e com a es i pe Pseudomonas ae uginosa ATCC 27853 sendo
expec á el um esul ado posi i o (al e ação da co da i a pa a iole a) (33).
2. MATERIAL E MÉTODOS
24
2.3.2. COLORAÇÃO DE GRAM
A colo ação de G am oi ealizada numa lâmina com um es egaço, ob ido a pa i de
colónias pu as p esen es no meio de cul u a de chocola e PVX. A lâmina co ada oi
obse ada com a obje i a de ime são (1000x).
2.3.3. TESTE RÁPIDO DE UTILIZAÇÃO DE AÇÚCARES
O es e ápido de u ilização de açúca es oi ealizado semp e que se ob e e isolados
G am-nega i os com mo ologia de diplococos e com o es e de oxidase posi i o.
Pa a o es e oi p epa a a solução de sal amponada (BSS) com:
100 milili os (ml) de água des ilada;
0,04 g amas (g) de os a o de po ássio dibásico anid o (K2HPO4);
0,01 g de os a o de po ássio monobásico (KH2PO4);
0,8 g de clo e o de po ássio (KCl);
0,01 g de e melho de enol.
O pH oi ajus ado a 8,4 após a solução se es e ilizada a a és de au ocla agem.
A pa i de colónias pu as do meio de cul u a PVX, ob idas após incubação du an e a
noi e a 36 °C numa a mos e a com 5% de CO2, oi p epa ada uma suspensão com
u ação equi alen e a 5 da escala McFa land (bioMé ieux) em 1 ml da solução BSS.
Des e inóculo o am dispensados 100 mic oli os (µl) em 5 poços de uma mic oplaca de
plás ico es e ilizada. A qua o poços o am adicionados 25 µL de cada ca bohid a o
(glucose, u ose, saca ose e mal ose) numa solução a 20% e ao quin o poço não se
adicionou nada, pa a se i como con olo nega i o. Como con olo posi i o o am
u ilizadas as es i pes Neisse ia meningi idis ATCC 13090 e Neisse ia lac amica ATCC
23971. A placa oi incubada a 36 °C em ae obiose e após duas a qua o ho as oi
obse ado o esul ado (35).
2.3.4. TESTES BIOQUÍMICOS E ENZIMÁTICOS
A con i mação da iden i icação de N. gono hoeae oi ealizada com o es e bioquímico
e enzimá ico come cial api®NH (bioMé ieux).
A pa i de colónias pu as em meio de cul u a PVX, após incubação du an e a noi e a
36 °C numa a mos e a com 5% de CO2, oi p epa ada uma suspensão com uma u ação
equi alen e a 4 da escala McFa land (bioMé ieux) em 2 ml de solução API NaCl 0,85%
Medium (bioMé ieux). O inóculo oi dis ibuído nas cúpulas da gale ia, o necida pelo
2. MATERIAL E MÉTODOS
25
ki come cial e de aco do com as ins uções do ab ican e. Pos e io men e, a gale ia
icou a incuba du an e 2 ho as a 36 °C, numa a mos e a ae óbia. A lei u a e
in e p e ação dos esul ados o am ealizadas de aco do com as ins uções do
ab ican e (40).
2.4. TESTE DE SUSCETIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS
O es udo da susce ibilidade aos an ibió icos oi ealizado po dois mé odos: mé odo de
di usão em disco e o mé odo epsilomé ico (E es ). Em ambos os mé odos o am
incluídos os seguin es an ibió icos: penicilina, ce ixima, ce iaxona, e aciclina,
cip o loxacina, azi omicina e espec inomicina (33).
O mé odo di usão em disco em como an agens a acilidade de execução e ep odução,
a u ilização de eagen es de baixo cus o e o ac o de o nece esul ados de ácil
in e p e ação clínica. Con udo, apenas ap esen a esul ados quali a i os. Nes e mé odo
os esul ados ob idos da lei u a dos diâme os dos halos de inibição o am in e p e ados
como isolado susce í el (S), com esis ência in e média (I) ou esis en e (R) a um
de e minado an ibió ico, de aco do com as no mas es abelecidas do Ins i u o de No mas
Labo a o iais e Clínicas (CLSI) ( abela 1) (126).
No mé odo E es , as i as ap esen am um cus o ele ado e o núme o de an imic obianos a
se em es ados po placa é limi ado. No en an o, es e é um mé odo de ácil execução e
com esul ados quan i a i os (127–129). Nes e mé odo os esul ados ob idos pa a a
concen ação mínima inibi ó ia (CMI) ambém o am classi icados como isolado
susce í el (S), com esis ência in e média (I) ou esis en e (R), de aco do com as no mas
es abelecidas no CLSI ( abela 1) (126).
Isolados de N. gono hoeae esis en es à ce ixima e ce iaxona são ecen es, po an o
di icul a a de inição de ou as ca ego ias de esis ência, pa a além da “susce í el”.
Como o aumen o do alo da CMI pa a um an ibió ico pode p e e o desen ol imen o
de esis ência, o P oje o de Vigilância de Isolados de Gonococos (GISP) do CDC
desen ol eu alo es de ale a, sendo es es abaixo dos alo es de c i é io de inidos pelo
CLSI, com o im de igilância de esis ência e de p opo ciona uma maio sensibilidade
na de eção da diminuição da susce ibilidade da espécie N. gono hoeae. O alo de
ale a pa a a ce ixima é de CMI ≥ 0,25 µg/ml e pa a a ce iaxona é de
CMI ≥ 0,125 µg/ml (38).
2. MATERIAL E MÉTODOS
26
Não es ão de inidos c i é ios de in e p e ação pa a a azi omicina no CLSI, con udo o
CDC no GISP, em 2010, de iniu o alo de ale a pa a es e an ibió ico de
CMI ≥ 2,00 µg/ml (38) e em 2005 o Labo a ó io de Re e ência de Neisse ia (NRL)
ecomendou a u ilização do alo c í ico de halos de inibição de diâme os de ≤ 30 mm
pa a in e p e ação de N. gono hoeae com susce ibilidade diminuída pa a a azi omicina
(130). O Comi é Eu opeu pa a o Tes e de Susce ibilidade An imic obiano (EUCAST)
de iniu pa a a azi omicina, os c i é ios de isolado susce í el com CMI ≤ 0,25µg/ml e
isolado esis en e CMI ≥ 0,5µg/ml (131).
A es i pe N. gono hoeae ATCC 49226 es á designada pelo CLSI pa a se u ilizada no
Con olo de Qualidade (CQ). Se ao e e ua -se o es udo de N. gono hoeae ATCC 49226
pelo mé odo de di usão em disco e pelo mé odo E es e os diâme os dos halos e as
CMIs co esponde em aos alo es de c i é ios do CLSI de CQ (Tabela 2) os esul ados
ob idos dos isolados em es udo podem se conside ados como álidos (130,132).
Tabela 1: C i é ios de in e p e ação dos esul ados do es e de susce ibilidade aos an ibió icos de aco do
com as no mas CLSI (126,130,132).
An ibió ico
Mé odo C i é ios de In e p e ação
S I R
Penicilina
Disco (10 U) (mm)
≥47,00
27,00-46,00
≤26,00
E es (µg/ml)
≤0,06
0,12-1,00
≥2,00
Ce ixima
Disco (5 µg) (mm)
≥31,00
ND
ND
E es (µg/ml)
≤0,25
ND
ND
Ce iaxona
Disco (30 µg) (mm)
≥35,00
ND
ND
E es (µg/ml)
≤0,25
ND
ND
Te aciclina
Disco (30 µg) (mm)
≥38,00
31,00-37,00
≤30,00
E es (µg/ml)
≤0,25
0,50-1,00
≥2,00
Cip o loxacina
Disco (5 µg) (mm)
≥41,00
28,00-40,00
≤27,00
E es (µg/ml)
≤0,06
0,12-0,50
≥1,00
Azi omicina
Disco (15 µg) (mm)
ND
ND
≤30,00
E es (µg/ml)
ND
ND
≥2,00
Espec inomicina
Disco (100 µg) (mm)
≥18,00
15,00-17,00
≤14,00
E es (µg/ml)
≤32,00
64,00
≥128
S – Susce í el, I – Resis ência in e média, R – Resis en e, CMI – Concen ação mínima inibi ó ia; ND –
Limi es não de inidos.
2. MATERIAL E MÉTODOS
27
Tabela 2: In e alos de con olo de qualidade pa a N. gono hoeae ATCC 49226 (126,130).
An ibió ico
In e alos de Con olo de Qualidade de
ATCC 49226
Penicilina
Disco (10U) (mm)
26-34
CMI (µg/ml)
0,25-1,00
Ce ixima
Disco (5µg) (mm)
37-45
CMI (µg/ml)
0,004-0,030
Ce iaxona
Disco (30µg) (mm)
39-51
CMI (µg/ml)
0,004-0,015
Te aciclina
Disco (30g) (mm)
30-40
CMI (µg/ml)
0,25-1,00
Cip o loxacina
Disco (5µg) (mm)
48-58
CMI (µg/ml)
0,001-0,008
Azi omicina
Disco (15µg) (mm)
27-36
CMI (µg/ml)
0,125-0,500
Espec inomicina
Disco (100µg) (mm)
23-29
CMI (µg/ml)
8,0-32,0
As amos as o am classi icadas de aco do com os seguin es pad ões de esis ência
(33,126,133):
CMRNG (Neisse ia gono hoeae com esis ência mediada po mu ações
c omossómicas) - Resis ência à penicilina (CMI ≥ 2,0 µg/ml) e com CMI pa a a
e aciclina en e 2,0 µg/ml e a 8,0 µg/ml;
PPNG (Neisse ia gono hoeae p odu o a de penicilinases) – Pesquisa de β-
lac amase posi i a;
Te R (Resis ência à e aciclina mediada po mu ações c omossómicas) - Pesquisa de
ß-lac amase nega i a, susce í el à penicilina (CMI < 2,0 µg/ml) e com esis ência à
e aciclina (CMI ≥ 2 µg/ml);
TRNG (Neissei a gono hoeae com esis ência de al o ní el à e aciclina mediada
po plasmídeo) – Resis ência de al o ní el à e aciclina de ido à p esença do
plasmídeo com o gene e M (CMI ≥ 16 µg/ml);
PenR (Resis ência à penicilina mediada po mu ações c omossómicas) - Pesquisa de
ß-lac amase nega i a e esis ência à penicilina mediada po mu ações c omossómicas
(CMI ≥ 2 µg/ml);
PenI (Resis ência in e média à penicilina) - Pesquisa de ß-lac amase nega i a, com
esis ência in e média à penicilina mediada po mu ações c omossómicas
(0,12 µg/ml ≥ CMI ≤ 1,0 µg/ml);
2. MATERIAL E MÉTODOS
28
Te I (Resis ência in e média à e aciclina) - Resis ência in e média à e aciclina
(0,5 µg/ml ≥ CMI ≤ 1,0 µg/ml);
QRNG (Neisse ia gono hoeae com esis ência às quinolonas) - Resis ência pa a a
cip o loxacina mediada po mu ações c omossómicas (CMI ≥ 1,0 μg/ml);
AznR (Neisse ia gono hoeae com esis ência in e média à azi omicina) – Isolados
com CMI ≥ 2 µg/ml à azi omicina;
2.4.1. MÉTODO DE DIFUSÃO EM DISCO
O es udo da susce ibilidade aos an ibió icos oi ealizado em odos os isolados de N.
gono hoeae pelo mé odo de di usão em disco (126).
O inóculo oi ob ido po suspensão em meio de cul u a de Mulle -Hin on (OXOID), a
pa i de colónias pu as, após c escimen o du an e a noi e a 36 °C com uma a mos e a
de 5% de CO2 no meio de chocola e PVX, endo sido ajus ada a u ação ao equi alen e
a 0,5 da escala McFa land (bioMé ieux). Após o ajus e da suspensão, o meio de cul u a
GC aga (OXOID) com 1% de suplemen o de c escimen o (Bio i ex – Res o ing Fluid,
Bioli e), oi inoculado com es ias po oda a supe ície da placa, odando a mesma 60º,
duas ezes. Os discos dos an ibió icos o am colocados na supe ície do meio inoculado
com uma dis ância mínima de 24 mm en e cen o a cen o de cada disco. As placas
o am in e idas e incubadas a 36 °C em a mos e a de 5% de CO2 du an e 20 a 24
ho as. Pos e io men e, os diâme os das zonas de inibição, incluindo o diâme o do
disco, o am medidos e o am u ilizados os c i é ios de in e p e ação pa a classi ica a
isolado em es udo como sensí el, com esis ência in e média ou esis en e (126).
2.4.2. MÉTODO ETEST
O es e de susce ibilidade aos an ibió icos ealizado pelo mé odo E es ambém oi
execu ado pa a odos os isolados de N. gono hoeae incluídos no es udo. O
p ocedimen o oi semelhan e ao do mé odo de di usão em disco, em elação à
p epa ação da suspensão com o isolado a es uda e a inoculação no meio de cul u a GC
com 1% de suplemen o de c escimen o. Uma ou duas i as E es , que se encon a am à
empe a u a ambien e, o am colocadas sob e a supe ície do meio inoculado, endo em
a enção pa a que a supe ície da i a com o an ibió ico icasse em con a o com a
supe ície do meio de cul u a. As placas o am in e idas e incubadas a 36 °C numa
a mos e a com 5% de CO2 du an e 20 a 24 ho as. Pos e io men e, os esul ados das
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
35
3.1. RESULTADOS DOS TESTES DE SUSCETIBILIDADE AOS
ANTIBIÓTICOS
O mé odo de e e ência pa a o es udo da susce ibilidade aos an ibió icos pa a
N. gono hoeae é o mé odo de diluição em aga . No en an o, es e é um mé odo
complexo de execu a , pelo que an o o mé odo de di usão em disco, como a
me odologia E es êm sido u ilizados pa a es uda a susce ibilidade aos an ibió icos de
isolados de N. gono hoeae em subs i uição do mé odo de e e ência (33,130).
Os esul ados do es e de susce ibilidade aos an ibió icos pelos mé odos de di usão em
disco e E es encon am-se ap esen ados nas abelas 6 e 7, espe i amen e.
Tabela 6: Resul ados do es e de susce ibilidade aos an ibió icos pelo mé odo de di usão em disco (126).
An ibió ico
Concen ação
do disco
Sensí el
n (%)
In e médio
n (%)
Resis en e
n (%)
Penicilina
10 U
2 (7%)
24 (80%)
4 (13%)
Ce ixima
5 µg
30 (100%)
0 (0%)
Ce iaxona
30 µg
30 (100%)
0 (0%)
Te aciclina
30 g
3 (10%)
13 (43%)
14 (47%)
Cip o loxacina
5 µg
16 (57%)
3 (10%)
11 (37%)
Azi omicina
15 µg
27 (90%)
3 (10%)
Espec inomicina
100 µg
30 (100%)
0 (0%)
Tabela 7: Resul ados do es e de susce ibilidade aos an ibió icos pelo mé odo E es (33,126).
An ibió ico
In e alo de
concen ação da
i a E es
Sensí el
n (%)
In e médio
n (%)
Resis en e
n (%)
Penicilina
0,02-32 µg/ml
8 (27 %)
17 (57%)
5 (17%)
Ce ixima
0,016-256 µg/ml
30 (100%)
0 (0%)
Ce iaxona
0,002-32 µg/ml
30 (100%)
0 (0%)
Te aciclina
0,15-256 µg/ml
12 (40%)
13 (43%)
5 (17%)
Cip o loxacina
0,002-32 µg/ml
19 (63%)
0 (0%)
11 (37%)
Azi omicina
0,016-256 µg/ml
30 (100%)
0 (0%)
0 (0%)
Espec inomicina
0,064-1024 µg/ml
30 (100%)
0 (0%)
0 (0%)
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
36
Os esul ados ob idos pelos mé odos de di usão em disco e E es pa a os á ios
an ibió icos es udados (penicilina, e aciclina, cip o loxacina e azi omicina) não o am
conco dan es en e si, com exceção dos que se e e em à susce ibilidade à ce ixima, à
ce iaxona e à espec inomicina. Es es o am conco dan es en e os dois mé odos
u ilizados, uma ez que se e i icou que odos os isolados o am susce í eis a es es
an ibió icos, como se pode obse a na igu a 13.
Figu a 13: Resul ados do es e de susce ibilidade aos an ibió icos dos isolados de N. gono hoeae em
es udo, pelos mé odos de di usão em disco e E es .
Na Índia, e al como nes e es udo, Singh e al. (147) ap esen a am ambém uma maio
disc epância de esul ados pa a a penicilina, cip o loxacina e e aciclina. Os au o es
es uda am a susce ibilidade de 295 isolados de N. gono hoeae a a és dos mé odos de
di usão em disco e E es pa a a penicilina, cip o loxacina, espec inomicina, ce iaxona
e e aciclina. Os esul ados o am conco dan es em 87,5%, 88,5%, 100%, 98,6% e
74,9%, espe i amen e pa a cada an ibió ico.
De ido a es as di e enças en e os dois mé odos, decidiu-se apenas discu i os esul ados
ob idos pelo mé odo E es , uma ez que, é um mé odo al e na i o pa a a de e minação
da concen ação mínima inibi ó ia (CMI) pa a a espécie N. gono hoeae. Vá ios au o es
demons a am, an e io men e, que exis e uma ele ada conco dância (acima de 90%)
com o mé odo de e e ência (127–129). Além dis o, e como an e io men e ci ado, é um
mé odo mais ácil de execu a do que o mé odo de e e ência.
Os isolados de N. gono hoeae o am classi icados de aco do com os co esponden es
enó ipos de esis ência, endo em con a os alo es ob idos no es e de susce ibilidade
aos an ibió icos pelo mé odo E es ( abela 8).
0
5
10
15
20
25
30
S I R S I/R S I/R S I R S I R S I R S I R
Penicilina Ce ixima Ce iaxona Te aciclina Cip o loxacina Azi omicina Espec inomicina
Núme o de isolados de N.gono hoeae
Mé odo di usão em disco Mé odo E es
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
37
Tabela 8: Fenó ipos de esis ência dos isolados de N. gono hoeae ob idos nos exsudados ec ais e
u e ais.
Fenó ipo de esis ência
Iden i icação dos isolados de N. gono hoeae
PenI
1, 2*, 5, 6, 8, 9, 11, 12, 13, 16, 17, 18, 19, 20*, 25, 26 e 28*
PPNG
21*, 22, 23 e 27
Te I
1, 2*, 3*, 4, 6, 8, 9, 14, 17, 18, 19, 25 e 27
Te R
12 e 29
TRNG
5 e 13
CMRNG
7
QRNG
1, 5, 6, 7, 12, 17, 21*, 22, 23, 26 e 27
Sem esis ências
10, 15, 24, 29 e 30
* - Isolados de N. gono hoeae ob idas a pa i de amos as de exsudados u e ais.
3.1.1. TESTE DE SUSCETIBILIDADE À PENICILINA
No es udo da susce ibilidade dos isolados de N. gono hoeae à penicilina ob i e am-se
27% (8/30) susce í eis, 57% (17/30) com esis ência in e média e 17% (5/30)
esis en es, dos quais 80% (4/5) o am classi icados como N. gono hoeae p odu o a de
penicilinase (PPNG).
Em Po ugal, Flo indo e al. (148) obse a am 79,1% (149/187) de isolados de N.
gono hoeae esis en es à penicilina, uma p opo ção mui o supe io à ob ida nes e
es udo. No en an o, os e e idos au o es ealiza am o es udo en e 2004 e 2009, pa a o
qual con ibuí am isolados de 25 labo a ó ios do país (Alga e, Lisboa, Lei ia e Po o)
p o enien es na sua maio ia de uma população compos a po homens.
No p esen e es udo, o núme o de isolados de N. gono hoeae com esis ência
in e média oi supe io aos que ap esen a am esis ência. Allen e al. no Canadá (111),
S a nino e al. em I ália (149) e Ilina e al. na Rússia (16) ambém obse a am es a
si uação, em que 77,1% (115/149), 40,3% (131/326), 62,2% (289/464) dos isolados
ap esen a am esis ência in e média e 12,1% (18/149), 25,5% (83/326) e 11,9%
(55/464) o am esis en es, espe i amen e.
No es udo que se ap esen a, a maio ia dos isolados com esis ência a es e an ibió ico
o am PPNG (80%). De modo semelhan e, os isolados esis en es à penicilina (100%)
o am classi icados como PPNG, no es udo de S a nino e al.(150).
No en an o, a p opo ção de PPNG em di e en es á eas geog á icas é di e en e. Po
exemplo, na China (2000 a 2012) (151) oi de 36,5% (429/1175), em Po ugal (2004 a
2009) (148) oi de 13,4% (29/149) e no Canadá (2008) (111) oi de 27,8% (5/18).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
38
A ele ância do enó ipo PPNG em isolados de N. gono hoeae esul a do ac o de
con e em um plasmídeo com o gene blaTEM-1, que codi ica uma β-lac amase ipo
TEM-1. Es a enzima hid olisa o anel β-lac âmico das penicilinas, ina i ando o
an ibió ico (152). Após o apa ecimen o dos isolados PPNG em 1976, es as es i pes
p opaga am-se apidamen e a ní el in e nacional, o que e e um g ande impac o na
saúde pública na década de 1980, ob igando a uma mudança pa a uma e apêu ica
al e na i a (153).
3.1.2. TESTE DE SUSCETIBILIDADE ÀS CEFALOSPORINAS DE TERCEIRA
GERAÇÃO
A maio ia dos isolados de N. gono hoeae oi susce í el à ce ixima e à ce iaxona. No
en an o, hou e 1/30 (3,3%) isolado que ap esen ou uma CMI = 0,25 µg/ml pa a a
ce ixima.
Os c i é ios de in e p e ação da susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação são
di e en es po pa e das en idades CLSI e EUCAST. De aco do com a p imei a, a
susce ibilidade à ce iaxona e à ce ixima é de inida com CMI ≤ 0,25 µg/ml, po an o,
isolados com CMI > 0,25 µg/ml são conside ados não susce í eis (126). De aco do com
EUCAST, a susce ibilidade aos an ibió icos é de inida po CMI ≤ 0,12 µg/ml, sendo
que, isolados com CMI > 0,12 µg/ml, são classi icados como susce ibilidade
diminuída/ esis ência (131). Além, dis o o CDC desen ol eu alo es de ale a pa a a
ce ixima com CMI ≥ 0,25 µg/ml e pa a a ce iaxona com CMI ≥ 0,125 µg/ml. A OMS
de iniu susce ibilidade diminuída pa a a ce ixima com CMI ≥ 0,25 µg/ml e pa a a
ce iaxona com CMI ≥ 0,125 µg/ml (10,38). Po an o, o e e ido isolado, de aco do
com as no mas de CLSI é susce í el, com o CDC ap esen a um alo de ale a e com
EUCAST e a OMS ap esen a susce ibilidade diminuída/ esis ência à ce ixima. É
necessá io ealiza mais es udos pa a cla i ica os c i é ios de in e p e ação do es e de
susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação.
A diminuição da susce ibilidade de N. gono hoeae às ce alospo inas de e cei a
ge ação su giu pela p imei a ez na Ásia. No Japão, en e 1999 e 2002, a pe cen agem
de isolados com CMI ≥ 0,5 µg/ml pa a a ce ixima aumen ou de 0% a 30 % (59).
Em Po ugal, Flo indo e al. (148) obse ou 2,1% (4/187) isolados com susce ibilidade
diminuída à ce iaxona (0,125 µg/ml ≥ CMI ≤ 0,25 µg/ml).
A diminuição da susce ibilidade às ce alospo inas de e cei a ge ação ambém em sido
obse ada em ou os países da União Eu opeia (UE). Em 2011, num es udo com 21
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
39
países, obse a am-se 7,6% (145/1902) isolados com susce ibilidade diminuída à
ce ixima, e pela p imei a ez, o am de e ados dez isolados com diminuição da
susce ibilidade à ce iaxona (13).
Na população de HSH, a ní el nacional nos EUA, os isolados de N. gono hoeae
ap esen a am um aumen o da CMI pa a a ce ixima e pa a a ce iaxona de 0,2% (2006)
pa a 3,8% (2011) e de 0,0% (2006) pa a 1,0% (2011), espe i amen e (38).
3.1.3. TESTE DE SUSCETIBILIDADE À TETRACICLINA
Em elação à e aciclina os esul ados da susce ibilidade o am os seguin es 40%
(12/30) susce í eis, 43% (13/30) com esis ência in e média e 17% (5/30) esis en es.
Dois isolados (6,7%) o am classi icados como N. gono hoeae com esis ência de al o
ní el à e aciclina mediada po plasmídeo (TRNG).
Apenas 3,3% (1/30) isolados o am classi icados como N. gono hoeae com esis ência
mediada po mu ações c omossómicas (CMRNG).
Tal como no es udo da penicilina, ambém no caso da e aciclina, o núme o de isolados
com esis ência in e média é supe io ao núme o de isolados com esis ência. No
Canadá em 2011(111) e na I ália em 2008 (149) ambém ob i e am 47% (70/149) e
53% (172/326) de isolados com esis ência in e média e 25,5% (38/149) e 19,1%
(62/326) de isolados com esis ência à e aciclina, espe i amen e.
O p imei o caso de N. gono hoeae esis en e à e aciclina (TRNG) isolado em
Po ugal oi documen ado em 1990, em um indi íduo a endido num Cen o de In eções
Sexualmen e T ansmissí eis, em Lisboa (154).
Na Eu opa em 2010 (155) e na China em 2014 (151) ela a am uma p e alência de
isolados de N. gono hoeae com o enó ipo TRNG supe io à des e es udo, 16%
(205/1284) e 46,4% (639/1378), espe i amen e. O es udo Eu opeu oi ealizado em
2008 e en ol eu 17 países da Eu opa, a maio ia da população e a compos a po homens,
não ap esen ando a sua endência sexual. O es udo na China oi ealizado en e 2000 a
2012, com indi íduos que equen a am uma clínica de de ma ologia em Guangdong.
Na Eu opa em 2010 (155) e na China em 2014 (136) obse a am p e alências de
isolados classi icados como CMRNG supe io es com 27% (1284) e 27,8% (334).
O p imei o caso de TRNG oi iden i icado pela p imei a ez em 1985, na Geo gia
(EUA). O apa ecimen o dos p imei os conjun os de TRNG conduziu a um es udo de 3
semanas na Geo gia, onde se obse ou que 3,4% (6/174) o am iden i icados como
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
40
TRNG (66). Os isolados TRNG dispe sa am-se apidamen e, uma ez que, em ab il de
1987, o enó ipo TRNG oi de e ado em 17 es ados dos EUA (156).
3.1.4. TESTE DE SUSCETIBILIDADE À CIPROFLOXACINA
Em elação à cip o loxacina os esul ados da susce ibilidade o am os seguin es 63%
(19/30) susce í eis e 37% (11/30) esis en es. Es e úl imo g upo oi classi icado com o
enó ipo de N. gono hoeae esis en e às quinolonas (QRNG).
Ní eis ele ados de isolados de N. gono hoeae esis en es à cip o loxacina êm sido
egis ados em á ios locais da Eu opa em 2011 (157) num es udo com 17 países da UE,
63% (861/1366) de isolados ap esen a am esis ência a es e an ibió ico (157).
A axa de isolados esis en es a es e an ibió ico é semelhan e à p opo ção ela ada po
ou os es udos, como po exemplo, em Po ugal em 2010(148) e em I ália em 2008(149)
ob i e am 37,4% (70/187) e 34,2% (111/326) isolados com esis ência à cip o loxacina,
espe i amen e (15,16,22).
A ualmen e, á ios au o es obse a am que a p e alência de QRNG se man ém ele ada
no mundo (62,106,107,158).
Es i pes de N. gono hoeae com mu ações nos aminoácidos 91 e 95 na subunidade
Gy A da enzima ADN gi ase, que causam diminuição da susce ibilidade ou esis ência à
cip o loxacina aumen am o i ness bac e iano em compa ação com es i pes de N.
gono hoeae do ipo sel agem, no mesmo modelo mu ino (159). Es e é um exemplo de
que os mecanismos de esis ência an imic obiana podem aumen a a sob e i ência e o
i ness das bac é ias, jus i icando o mo i o pelo qual es es mecanismos de esis ência
são man idos apesa da in e upção dos an imic obianos especí icos nos egimes de
a amen o (106,158,160).
A pe sis ência dos de e minan es de esis ência an imic obiana pode de e -se ao ac o
de não a e a em signi ica i amen e o i ness bac e iano (ap idão biológica da bac é ia
em sob e i e , alimen a -se e ep oduzi -se, que pode se demons ada a a és do i mo
de c escimen o, de capacidade de i ulência e/ou da capacidade de ansmissão
bac e iana en e hospedei os); de diminuí em o i ness bac e iano, su gindo no en an o,
ou as mu ações secundá ias compensa ó ias; e melho a em a ap idão bac e iana na sua
capacidade de ansmissão e de i ulência (159).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
41
3.1.5. TESTE DE SUSCETIBILIDADE À AZITROMICINA
Todos os isolados de N. gono hoeae demons a am se susce í eis à azi omicina.
A ualmen e a azi omicina é u ilizada jun amen e com a ce iaxona como e apêu ica
combinada pa a o a amen o da in eção po N. gono hoeae (38).
A esis ência a es e an ibió ico em isolados de N. gono hoeae em Po ugal, de aco do
com os dados de ESSTI (Vigilância Eu opeia de Doenças Sexualmen e T ansmissí eis),
em 2006 e 2007 oi de 6,9% e 8,3%, espe i amen e (155).
Na Eu opa em sido egis ado um aumen o dos ní eis de esis ência à azi omicina. Os
au o es Cole e al. em 2009 (157) e Cole e al. em 2010 (155) ealiza am es udos com
17 países da UE e obse a am 2% (24/1285) e 13% (180/1366) de isolados esis en es à
azi omicina.
Isolados com um ní el ele ado de esis ência à azi omicina (CMI ≥ 256 µg/L) o am
de e ados em I ália (150), na A gen ina (161), na Escócia (162), em Ingla e a (163) e
na F ança (164).
A azi omicina não é ecomendada como o único an imic obiano no a amen o pa a a
in eção po N. gono hoeae, mas em um papel impo an e na e apêu ica combinada
com as ce alospo inas de e cei a ge ação (165).
3.1.6. TESTE DE SUSCETIBILIDADE À ESPECTINOMICINA
Todos os isolados de N. gono hoeae o am susce í eis à espec inomicina.
Em Po ugal, Flo indo e al. (148) ambém obse a am que odos os isolados de N.
gono hoeae o am susce í eis à espec inomicina.
Isolados esis en es à espec inomicina o am ela ados em 1967 nos Países Baixos
(166), 1981 nas Filipinas (167), 1981 na Co eia do Sul (168) e 1983 em
Ingla e a (169). Pos e io men e, espec inomicina oi emo ida como mono e apia
empí ica de p imei a linha pa a a in eção po N. gono hoeae, a ní el in e nacional (92).
A ualmen e, an o quan o é do nosso conhecimen o, na Eu opa os isolados de N.
gono hoeae ap esen am susce ibilidade à espec inomicina, al como obse ado po
á ios au o es (56,155,157,168).
Es e an ibió ico pode se uma al e na i a e apêu ica em doen es in e ados po N.
gono hoeae, com in ole ância às ce alospo inas. No en an o, a espec inomicina não
es á disponí el em mui os países, e eme-se que oco a um desen ol imen o ápido de
esis ência, caso seja u ilizada como e apêu ica de p imei a linha. Além disso,
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
42
espec inomicina é pouco e icaz no a amen o da in eção po N. gono hoeae da
a inge (170).
3.2. PESQUISA DE MUTAÇÕES EM GENES QUE CONTRIBUEM PARA A
RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS
A pesquisa de mu ações nos isolados de N. gono hoeae com esis ência ou esis ência
in e média aos an ibió icos es udados oi ealizada no domínio da anspep idase da
PBP2 (gene penA), no domínio de ligação ao ADN do ep esso M R (gene m R), na
sequência que codi ica o p omo o do gene m R e na egião QRDR da subunidade Pa C
da opoisome ase IV (gene pa C) e da subunidade Gy A da enzima ADN gi ase (gene
gy A).
O gene penA (nucleó idos 1011 a 1869) oi ampli icado em 18 isolados de N.
gono hoeae (CMRNG e PenI), o gene m R e a sequência que codi ica o p omo o do
gene m R (nucleó idos 853 a 1253) o am ampli icados em 23 isolados de N.
gono hoeae (CMRNG, PenI, TRNG, Te R e Te I), e as egiões QRDR dos
genes pa C (nucleó idos 121 a 420) e gy A (nucleó idos 17 a 433) o am ampli icadas
em 11 isolados de N. gono hoeae (QRNG).
3.2.1. PESQUISA DE MUTAÇÕES NO REPRESSOR M R E NO PROMOTOR DO
GENE m R
A pesquisa de mu ações no domínio de ligação ao ADN do ep esso M R
[aminoácidos (aa) 1 a 60] e no p omo o do gene m R oi ealizada em 23 isolados de
N. gono hoeae com os enó ipos CMRNG, PenI, TRNG, Te R e Te I ( abela 9 e
Anexo A).
Todos os isolados com os enó ipos CMRNG, PenI, TRNG, Te R e Te I ap esen a am
mu ações na egião do p omo o do gene m R e/ou no domínio de ligação ao ADN do
ep esso M R.
Mu ações no gene m R e no p omo o do gene m R, an o isoladamen e ou em
combinação, causam uma sob e-exp essão da bomba de e luxo, diminuindo a
susce ibilidade de N. gono hoeae a á ias an ibió icos (mac ólidos, penicilinas e
e aciclinas) (81,83,84).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
43
Tabela 9: Mu ações no domínio de ligação ao ADN no ep esso M R e no p omo o do gene m R,
enó ipos dos isolados es udados, ob idos a pa i de exsudados ec ais e exsudados u e ais.
Fenó ipo de
esis ência
Iden i icação
dos isolados
N. gono hoeae
Mu ações no ep esso
M Ra
Mu ações no p omo o
do gene m R
11
A39T
+T
PenI
20* e 26
A39T
WT
16 e 28*
A39T; R44H
WT
Te I
3*, 4, 14
A39T; R44H
WT
Te R
29
A39T; Y48D
WT
PenI; Te I
18 e 19
A39T; R44H
WT
1, 6, 8, 17, 25
WT
-A
2*
G45D
WT
9
b
PenI; TRNG
13
A39T; Y48D
WT
5
A39T
WT
PenI; Te R
12
WT
-A
PenR; Te I
27
A39T
WT
CMRNG
7
WT
-A
WT – Isolado do ipo sel agem, ou seja, a sequência de ADN do isolado em es udo é igual à sequência de
ADN do isolado de e e ência; a – As mu ações o am pesquisadas nos aa 1 a 60 do ep esso M R; b-
Sequência que codi ica o p omo o do gene m R do isolado nº 9 ap esen a 100% de iden idade
nucleo ídica com a es i pe N. meningi idis C:2b,4:P1.5 (Núme o de acesso no GenBank AJ270527); * -
Isolados de N. gono hoeae ob idas a pa i de amos as de exsudados u e ais.
O isolado nº 9 ap esen ou a sequência ampli icada (que codi ica o p omo o do gene
m R e o domínio de ligação ao ADN do ep esso M R) com 100% de iden idade
nucleo ídica com a es i pe Neisse ia meningi idis LNP21362 (GenBank CP006869),
con i mada a a és do p og ama BLAST (Basic Local Alignmen Sea ch Tool)
(h p://blas .ncbi.nlm.nih.go /Blas .cgi) do Na ional Cen e o Bio echnology
In o ma ion (NCBI) ( igu as 14 e 15).
Figu a 14: Ele o o ese dos p odu os de PCR dos isolados de N. gono hoeae (nº1 a nº13) após
ampli icação do p omo o do gene m R e do gene pa cial m R. A banda do isolado nº 9 ap esen a maio
amanho molecula . CP – Con olo posi i o e CN – Con olo nega i o.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
CP
CN
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
44
Figu a 15: Alinhamen o com sequências que codi icam o p omo o do gene m R e pa e do gene m R da
es i pe N. gono hoeae CH95 (GenBank Z25796), da es i pe N. meningi idis LNP21362 (GenBank
CP006869) e do isolado nº 9
T embizki e al. (171) ambém e i ica am que dez isolados de N. gono hoeae inham
a egião do p omo o do gene m R com uma iden idade nucleo ídica de 76,9% com o
isolado N. gono hoeae FA1090 e 94,8% com um isolado N. meningi idis (Núme o de
acesso no GenBank CP002422) (171).
A exposição de Neisse ia spp. a agen es an imic obianos (no a amen o da in eção po
N. gono hoeae ou ou as in eções) pode esul a na seleção de es i pes esis en es,
de ido a mu ações gené icas espon âneas e/ou de ido a aquisição de odo ou pa es de
genes de esis ência. Assim, es a pode su gi inicialmen e em espécies de Neisse ia spp.
comensais, que a uam como um ese a ó io de genes que con e em esis ência, e
podem se ans e idos pa a es i pes de N. gono hoeae a a és do p ocesso de
ans o mação (capacidade de adqui i pa es de ADN dispe sos no meio e u ilizá-lo
com se osse ADN p óp io) (83,107,172). A in eção po N. gono hoeae na a inge
ge almen e é assin omá ica. Pa ece que, N. gono hoeae e Neisse ia spp. comensais
podem coexis i po longos pe íodos na a inge, onde pode oco e a maio ia das
ans e ências de ma e ial gené ico en e as e e idas espécies. Uma ez os
de e minan es de esis ência adqui idos po N. gono hoeae podem oco e ans e ência
de sequências de ADN en e es i pes de N. gono hoeae, ia ans o mação, podendo
ansmi i apidamen e os de e minan es po oda a população (4,173).
3.2.2. PESQUISA DE MUTAÇÕES QUE CONTRIBUEM PARA A RESISTÊNCIA À
PENICILINA
A pesquisa de mu ações, no domínio da anspep idase da PBP2 (aa 340 a 575), no
domínio de ligação do ep esso M R (aa 1 a 60) e no p omo o do gene m R oi
51
4. CONCLUSÃO
A axa de in eção po Neisse ia gono hoeae ob ida no p esen e es udo oi semelhan e a
ou os es udos ealizados com a mesma população em cidades dos EUA (17,146).
Nes e es udo, o es e de susce ibilidade aos an ibió icos oi ealizado pelos mé odos de
di usão em disco e E es , como al e na i as ao mé odo de e e ência (33,130). Decidiu-
se u iliza os esul ados ob idos pela me odologia E es , uma ez que se sabe da
exis ência de uma ele ada conco dância com o mé odo de e e ência, pa a es uda a
susce ibilidade aos an ibió icos (127–129).
O núme o de isolados de N. gono hoeae que ap esen a am esis ência à penicilina oi
in e io ao ob ido po Flo indo e al. (148). Ainda em elação à penicilina, a axa de
isolados com esis ência in e média e com esis ência oi semelhan e às p opo ções
ob idas po Allen e al. (111), S a nino e al. (149) e Ilina e al. (16). Tan o quan o é do
nosso conhecimen o, em Po ugal não exis em es udos sob e a esis ência in e média de
N. gono hoeae a es e an ibió ico, assim como, pa a odos os an ibió icos es udados.
No p esen e es udo, a maio ia dos isolados esis en es à penicilina e am p odu o es de
β-lac amases (PPNG) al como no es udo de S a nino e al. (150). No en an o, ou os
au o es ela a am alo es mui o mais baixos de isolados PPNG (16,148,151).
A maio ia dos isolados de N. gono hoeae oi susce í el às ce alospo inas de e cei a
ge ação. Apenas um isolado ap esen ou susce ibilidade diminuída à ce ixima. Em
Po ugal (148) e em ou os países da União Eu opeia (13) ambém o am ela ados
isolados com susce ibilidade diminuída a es e an ibió ico.
Isolados classi icados como esis ência de al o ní el à e aciclina (TRNG) êm sido
e e idos, po á ios au o es, com uma axa supe io à ob ida nes e es udo (151,155). O
mesmo oi obse ado ela i o ao enó ipo CMRNG, na sua elação com es udos
ealizados na China (136) e na Eu opa (155).
No en an o, a p opo ção de isolados com esis ência à cip o loxacina (QRNG) oi
semelhan e aos esul ados ob idos nos es udos ealizados po Flo indo e al. (148) e
S a nino e al. (149).
Todos os isolados es udados o am susce í eis à azi omicina. No en an o, o núme o de
isolados com esis ência a es e an ibió ico em indo a aumen a na Eu opa e no es o do
mundo (155,157,161). Em elação, à espec inomicina odos os isolados o am
susce í eis, al como se em e i icado po oda a Eu opa, de aco do com ou as
publicações (56,155,157,168).
4. CONCLUSÃO
52
Nes e es udo, a sequência que codi ica o p omo o do gene m R de um isolado de N.
gono hoeae ap esen ou 100% de iden idade nucleo ídica com isolados de N.
meningi idis. Es e enómeno e le e a ele ada axa de ans o mação que oco e em N.
gono hoeae. As espécies do géne o Neisse ia êm a capacidade de ans e i em
sequências de ADN en e si. É ele an e quando oco em ans e ências de
de e minan es de esis ência, que podem acilmen e dispe sa po oda a população de
N. gono hoeae (83,107,172).
Em elação à pesquisa de mu ações nos isolados de N. gono hoeae, o eduzido núme o
de casos posi i os não pe mi iu e i a conclusões com alo es a ís ico quan i a i o, no
en an o, quali a i amen e, pe mi iu comp eende que as mu ações de e adas são
idên icas às ob idas po ou os au o es, es ando associadas a enó ipos de esis ência.
Vá ios au o es concluí am que as mu ações (no gene m R e no p omo o do gene m R)
que causam a sob e-exp essão da bomba de e luxo M C-M E-M D diminuem a
susce ibilidade de N. gono hoeae à penicilina, e aciclina e mac ólidos (81,83,84).
Nes e es udo ambém se obse ou que odos os isolados com esis ência in e média e
esis ência à penicilina e à e aciclina (os enó ipos CMRNG, PenI, TRNG, Te R e
Te I) ap esen a am mu ações na egião do p omo o do gene m R e/ou no domínio de
ligação ao ADN do ep esso M R.
Os isolados es udados e ca ac e izados com esis ência in e média ou esis ência à
penicilina, com exceção de um isolado, ap esen a am uma inse ção do ácido aspá ico
(D) na posição 345 na p o eína PBP2, associação ambém oi obse ada po á ios
au o es (16,74,174).
A CMI à penicilina ambém pode se aumen ada po mu ações especí icas que
aumen am a sob e-exp essão da bomba e pela diminuição da pe meabilidade da
memb ana ex e na a a és da po ina B (p o ocada pela p esença de mu ações no gene
po B) ambém causa uma diminuição da susce ibilidade dos isolados de N. gono hoeae
ao e e ido an ibió ico (79,105,106,183). Nos esul ados des e es udo, obse a am-se
que os isolados com esis ência in e média ou esis ência à penicilina ap esen a am
mu ações na bomba de e luxo M C-M E-M D. O que es á de aco do com ou os
au o es, de que as e e idas mu ações causam esis ência in e média à penicilina e que
con ibuem no desen ol imen o de esis ência ao e e ido an ibió ico (81,83,84,176).
Um isolado des e es udo ap esen ou a es u u a mosaica XXXIV. Es i pes con endo o
e e ido mosaico podem desen ol e a mu ação A501P com a p obabilidade do
apa ecimen o de es i pes ex ensi amen e esis en es, em odo o mundo, uma ez que
4. CONCLUSÃO
53
êm sido ela ados em á ios países isolados de N. gono hoeae com o mosaico
XXXIV (4,111,177–179).
A diminuição da susce ibilidade des e mic o ganismo à e aciclina, al como pa a a
penicilina, ambém pode se obse ada na p esença de mu ações que conduzem à sob e-
exp essão da bomba de e luxo M C-M E-M D e de mu ações que al e am a
pe meabilidade da memb ana ex e na bac e iana (mu ações no gene po B) (79,105,183).
Em odos os isolados classi icados como esis en es à cip o loxacina es a am p esen es
duas mu ações na subunidade Gy A e uma mu ação na subunidade Pa C que o am
e i icadas po ou os au o es es a em associadas a isolados de N. gono hoeae com
esis ência à cip o loxacina (102,143,180).
O mé odo de cul u a e os es es de susce ibilidade de N. gono hoeae aos an ibió icos, a
sequenciação do genoma e o apa ecimen o de ou as ecnologias molecula es,
combinadas com dados epidemiológicos e análises ilogené icas, êm p opo cionado
uma melho comp eensão da dinâmica da eme gência nacional e in e nacional,
ansmissão e e olução da esis ência dos isolados de N. gono hoeae aos
an imic obianos.
A ualmen e, o egime e apêu ico de p imei a linha ecomendado nos Es ados Unidos da
Amé ica e na Eu opa é a combinação da ce iaxona com a azi omicina (184).
No en an o, a susce ibilidade à ce iaxona em indo a diminui a ní el mundial, nos
úl imos anos. A esis ência à azi omicina é p e alen e em alguns países e es á a eme gi
apidamen e (150,162–164).
Nes e es udo, os isolados de N. gono hoeae ap esen a am esis ência e esis ência
in e média à penicilina (73%), à e aciclina (60%) e à cip o loxacina (37%), e o am
susce í eis à ce ixima, à ce iaxona, à azi omicina e à espec inomicina. Po an o, os
isolados de N. gono hoeae ci culan es na população en e HSH, na á ea de Lisboa, são
susce í eis à e apêu ica ecomendada a ualmen e.
Uma no a possibilidade e apêu ica se á a u ilização da espec inomicina que se ia
ambém e icaz em Po ugal. No en an o, os p oblemas com a disponibilidade do
á maco, em mui os países eu opeus, limi am o posicionamen o des e an ibió ico nas
no mas de a amen o de N. gono hoeae e pode não se e icaz no a amen o da in eção
po N. gono hoeae na a inge (63).
De uma pe spe i a global de saúde pública, num cu o espaço de empo, é essencial a
inclusão de um no o egime e apêu ico com no os agen es an imic obianos ou ou os
compos os e apêu icos.
4. CONCLUSÃO
54
No en an o, é necessá io e em con a que N. gono hoeae desen ol eu esis ência a
odos os an imic obianos in oduzidos na e apia de p imei a linha du an e os úl imos 70
a 80 anos. Po es as azões, é impe a i o in es i não só na pesquisa de de i ados de
an imic obianos, mas ambém no desen ol imen o e in es igação de no os al os e
abo dagens e apêu icas pa a o a amen o da in eção po es e mic o ganismo.
O e o ço das capacidades de diagnós ico, o uso co e o de an ibió icos, a no i icação de
casos de in eção po N. gono hoeae com susce ibilidade diminuída aos
an imic obianos, a igilância de esis ência, são essenciais.
55
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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185. Ku ahashi U. An ibio ics LVSM. h p://an ibio icsl sm.weebly.com/index.h ml,
acedido a 15 de No emb o de 2015.
70
6. ANEXOS
ANEXO A – SEQUÊNCIAS DE NUCLEÓTIDOS E AMINOÁCIDOS
6. ANEXOS
71
Figu a A1: Sequência pu a i a pa cial de aminoácidos do ep esso M R dos isolados de Neisse ia gono hoeae. As mu ações o am
pesquisadas nos aa 1 a 60 do ep esso M R, a a és da compa ação da sequência de aminoácidos da es i pe de N. gono hoeae CH95 (núme o
de acesso no GenBank: CAA81045).
6. ANEXOS
72
Figu a A2: Sequência de nucleó idos do p omo o do gene m R dos isolados de Neisse ia gono hoeae. A pesquisa de mu ações no p omo o
do gene m R oi ealizada a a és da compa ação das sequências de nucleó idos da es i pe de N. gono hoeae CH95 (núme o de acesso no
GenBank: Z25796). RI – Região de epe ição in e ida; * - Codão de iniciação.
6. ANEXOS
73
Figu a A3.1: Sequência pu a i a pa cial de aminoácidos da PBP2 dos isolados de Neisse ia gono hoeae. As mu ações o am pesquisadas nos
aminoácidos 340 a 575 na PBP2, a a és da compa ação da sequência de aminoácidos da es i pe de N. gono hoeae LM306 (Núme o de acesso
no GenBank: M32091).
6. ANEXOS
74
Figu a A3.2: Sequência pu a i a pa cial de aminoácidos da PBP2 dos isolados de Neisse ia gono hoeae (con inuação). As mu ações o am
pesquisadas nos aminoácidos 340 a 575 na PBP2, a a és da compa ação da sequência de aminoácidos da es i pe de N. gono hoeae LM306
(Núme o de acesso no GenBank: M32091).
6. ANEXOS
75
Figu a A4: Sequência pu a i a pa cial de aminoácidos da enzima de ADN gi ase dos isolados de N. gono hoeae. A pesquisa de mu ações oi
ealizada na egião QRDR da subunidade Gy A do ADN gi ase (aminoácidos 55 a 110) a a és da compa ação com a sequência de aminoácidos
da e e ida subunidade da es i pe MS11 (núme o de acesso no GenBank: AAA82128).
6. ANEXOS
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Figu a A5: Sequência pu a i a pa cial de aminoácidos da enzima Topoisome ase IV dos isolados de Neisse ia gono hoeae. A pesquisa de
mu ações oi ealizada na egião QRDR da subunidade Pa C da opoisome ase IV (aminoácidos 66 a 119), a a és da compa ação com a
sequência de aminoácidos das e e idas subunidades da es i pe MS11 (núme o de acesso no GenBank: AAA82151).