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O culto das celebridades na informação da SIC

Gonçalves, João Carlos Gaspar

Abstract

Este relatório é o resultado de um estágio de seis meses na Informação da SIC generalista, cinco dos quais integrado na editoria do “Jornal de Sábado”. O trabalho é uma reflexão sustentada na minha observação enquanto estagiário; e no meu olhar enquanto putativo repórter, e respetiva análise de enunciados jornalísticos por mim criados e inseridos na temática em análise do culto das celebridades. A fragmentação do público através da sua dispersão pela televisão generalista, a televisão por cabo e a internet levou a uma crescente preocupação do jornalismo em responder face às lógicas de mercado. Esta realidade em plena expansão, alicerçada em conceitos cada vez mais híbridos da cultura popular e do jornalismo cultural, levou a que as celebridades se estabelecessem enquanto enunciado jornalístico, mesmo em espaços noticiosos tidos como mais rígidos, formais e tradicionalmente dedicados às hard news, como os principais blocos informativos de uma televisão generalista. Esta conjuntura aliada à absorção das lógicas de visibilidade das próprias celebridades em várias áreas de atuação, a crescente fabricação de celebridades através de estratégias de comunicação e a fusão do ícone na arte, levam a que cada vez mais as celebridades se estabeleçam enquanto produto cultural de valor simbólico. Atuando com os media enquanto objeto mediático e, paralelamente, usando os media para autopromoção, tornando-os em objeto das suas estratégias comunicativas. A inclusão das celebridades nos jornais não é pacífica para os investigadores das ciências da comunicação. Alguns autores consideram que a inclusão das celebridades no enunciado jornalístico cessa com o dever dos jornais em difundir conteúdos que visem o serviço público e que permitam ao cidadão desenvolver o sentido crítico. Já outros investigadores defendem a necessidade de entretenimento do indivíduo e a função deste tipo de notícias na promoção da coesão social. Este impasse teórico e legislativo, dá total independência para a inclusão das celebridades nos media de acordo com os critérios de noticiabilidade e da liberdade editorial. Tornando-se imperativo analisar até que ponto o entretenimento e o jornalismo se estão a fundir, e se a inclusão destes enunciados se digladia com os limites do jornalismo. Refletindo-se na existência de uma tendência de evolução do jornalismo para um jornalismo de mercado e o “infotainment”. Este é o ponto de partida para este Relatório de Estágio, no qual pretendo analisar alguns conteúdos jornalísticos difundidos nos espaços informativos da SIC, onde as celebridades se consubstanciem enquanto enunciado jornalístico; e determinar os fatores que marcam o culto das celebridades na informação do canal.

Full text

1 O Cul o das Celeb idades na In o mação da SIC João Ca los Gaspa Gonçal es Rela ó io de es ágio de Mes ado em Ciências da Comunicação Agos o de 2015 Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciências da Comunicação, especialização em Es udos dos Media e do Jo nalismo, ealizado sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a C is ina Pon e e sob a co-o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Jacin o Godinho. Decla ações Decla o que es e Rela ó io de Es ágio é o esul ado da minha in es igação pessoal e independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia. O candida o, ____________________________________ (João Gaspa Gonçal es) Lisboa, 27 de agos o de 2015 Decla o que es e Rela ó io de Es ágio se encon a em condições de se ap esen ado a p o as públicas. A o ien ado a, ___________________________ (C is ina Pon e) Lisboa, 27 de agos o de 2015 Decla o que es e Rela ó io de Es ágio se encon a em condições de se ap esen ado a p o as públicas. O co-o ien ado , ___________________________ (Jacin o Godinho) Lisboa, 27 de agos o de 2015 Ag adecimen os Assim chega ao im mais uma e apa do meu pe cu so académico e pessoal. Um pe cu so con u bado e di ícil. Regi semp e a minha ida po uma busca cons an e de supe ação. Uma busca po da o melho de mim. Uma busca po e olução. Uma busca po en iquecimen o. No undo uma pala a esume odo esse pe cu so: ap endizado. Um ap endizado que nem semp e oi ácil. Um caminho que implicou amadu ecimen o, sucesso e lág imas. Es e Rela ó io de Es ágio é u o da minha p imei a expe iência no me cado de abalho. No mundo do abalho, no mundo da ele isão, udo é mais in enso no sen i e no i e . Nesse mundo do abalho há que co esponde a expec a i as e esul ados. En en a igu as do nosso imaginá io ele isi o, polí ico e social. Responde às exigências de uma equipa e aos p incípios das polí icas de qualidade de um canal. Na SIC encon ei de e , igo e exigência com amo . Desde logo ui ab açado e in eg ado na equipa do “Jo nal de Sábado”, conduzida com mes ia pela p o issional do jo nalismo e que mui o admi o, Ma ia João Ruela. À João de o mui o do que sei em ele isão e jo nalismo, de o um exemplo de en ega à p o issão, de o g andes opo unidades e o os de con iança. A João apos ou em mim, nas minhas po encialidades e deu-me uma escola de libe dade com esponsabilidade. Pe mi iu-me conc e iza p oje os cada ez maio es e pôs semp e como máxima o meu ap endizado. A i de o uma g ande e olução p o issional e pessoal. A i ag adeço a e dade com que semp e b indas e a nossa in e ação e que sem ela não me se ia possí el e olui e c esce . O meu ob igado a oda a equipa que me apoiou com colo e escola. À Isabel Osó io que me ensinou o que é esc e e em ele isão e o abc do jo nalismo. Um ob igado ambém pelo olha semp e ca inhoso com que me acompanhou ao longo de cinco meses. À Cláudia A aújo pelo exemplo de p o issionalismo e de en ega. A odo o a e o que me deu e a udo quan o me ensinou ela i amen e à pesquisa em jo nalismo e o a amen o das on es. Um ag adecimen o ambém à Pa ícia Mouzinho pelo olha semp e ú il, a e uoso e c í ico, ao qual de o amadu ecimen o p o issional e pessoal. Um ag adecimen o especial ambém à Ca a ina Ma ques, ao Rui Ped o Reis, à C is ina Boa ida e à Raquel Ma inho. Um abalho é mui o mais do que uma imagem num ec ã. Um abalho az-se em equipa. Uma equipa de edi o es, epó e es de imagem e pessoal écnico que mui o me ajudou e ensinou. Uma equipa me que acolheu com amo . Desde o olha com colo da Isabel odos os dias que en a a na SIC e a quem me e ugia a semp e que a con iança assim o pedisse. À Edua da Rocha da Sil a e à Edua da Ba alhei o pelo amo incondicional e po odos os ensinamen os de bem aze ele isão. Academicamen e de o ag adece a odos os p o esso es que semp e me acompanha am no meu p ocesso de ap endizagem pe an e a ida. Aos p o esso es C is ina Pon e e Jacin o Godinho po odo o p o issionalismo e lado humano com que me b inda am nes a jo nada. Pessoalmen e ag adeço aos meus pais, sem eles nada dis o e a possí el. Aos amigos po odo o colo e ânimo que me de am, na igu a da Susana Mo ais, Ru e Sousa e Diana Rocha. Aos colegas de jo nada na ida e nas sec e á ias. E ao amo da minha A ó. Resumo Es e ela ó io é o esul ado de um es ágio de seis meses na In o mação da SIC gene alis a, cinco dos quais in eg ado na edi o ia do “Jo nal de Sábado”. O abalho é uma e lexão sus en ada na minha obse ação enquan o es agiá io; e no meu olha enquan o pu a i o epó e , e espe i a análise de enunciados jo nalís icos po mim c iados e inse idos na emá ica em análise do cul o das celeb idades. A agmen ação do público a a és da sua dispe são pela ele isão gene alis a, a ele isão po cabo e a in e ne le ou a uma c escen e p eocupação do jo nalismo em esponde ace às lógicas de me cado. Es a ealidade em plena expansão, alice çada em concei os cada ez mais híb idos da cul u a popula e do jo nalismo cul u al, le ou a que as celeb idades se es abelecessem enquan o enunciado jo nalís ico, mesmo em espaços no iciosos idos como mais ígidos, o mais e adicionalmen e dedicados às ha d news, como os p incipais blocos in o ma i os de uma ele isão gene alis a. Es a conjun u a aliada à abso ção das lógicas de isibilidade das p óp ias celeb idades em á ias á eas de a uação, a c escen e ab icação de celeb idades a a és de es a égias de comunicação e a usão do ícone na a e, le am a que cada ez mais as celeb idades se es abeleçam enquan o p odu o cul u al de alo simbólico. A uando com os media enquan o obje o mediá ico e, pa alelamen e, usando os media pa a au op omoção, o nando-os em obje o das suas es a égias comunica i as. A inclusão das celeb idades nos jo nais não é pací ica pa a os in es igado es das ciências da comunicação. Alguns au o es conside am que a inclusão das celeb idades no enunciado jo nalís ico cessa com o de e dos jo nais em di undi con eúdos que isem o se iço público e que pe mi am ao cidadão desen ol e o sen ido c í ico. Já ou os in es igado es de endem a necessidade de en e enimen o do indi íduo e a unção des e ipo de no ícias na p omoção da coesão social. Es e impasse eó ico e legisla i o, dá o al independência pa a a inclusão das celeb idades nos media de aco do com os c i é ios de no iciabilidade e da libe dade edi o ial. To nando-se impe a i o analisa a é que pon o o en e enimen o e o jo nalismo se es ão a undi , e se a inclusão des es enunciados se digladia com os limi es do jo nalismo. Re le indo-se na exis ência de uma endência de e olução do jo nalismo pa a um jo nalismo de me cado e o “in o ainmen ”. Es e é o pon o de pa ida pa a es e Rela ó io de Es ágio, no qual p e endo analisa alguns con eúdos jo nalís icos di undidos nos espaços in o ma i os da SIC, onde as celeb idades se consubs anciem enquan o enunciado jo nalís ico; e de e mina os a o es que ma cam o cul o das celeb idades na in o mação do canal. Pala as-Cha e: cul o das celeb idades; in o ainmen ; en e enimen o; in e esse do público; audiência; se iço público; jo nalismo de me cado; jo nalismo cul u al; cul u a popula . Abs ac This epo is he esul o a six mon hs in e ship a SIC’s gene al channel news epo , i e o which in eg a ed in he w i ing o “Jo nal de Sábado”. This wo k is a e lec ion based on my obse a ion as an in e n, in my iew as a pu a i e epo e and analysis o jou nalis ic u e ances c ea ed by me inse ed in o he hema ic o analysis o celeb i y cul . The public’s agmen a ion, sp ead ac oss gene alis ele ison, cable ele ison and he in e ne , lead o an inc easing conce n in jou nalism o espond o he ma ke ’s logic. This eali y, buil on hyb id concep s o popula cul u e and cul u al jou nalism, also lead celeb i ies o es ablish hemsel es while jou nalis ic u e ance, e en in in o ma i e p og ammes known as igid, o mal and adicionaly dedica ed o ha d news, such as he main news o a gene al ele ision. This conjec u e oge he wi h he isibili y logic o celeb i ies in se e al a eas o expe ise, he g owing ab ica ion o celeb i ies h ough communica ion s a egies and usion o icon in a , makes possible o celeb i ies o es ablish hemsel es as cul u al p oduc s o simbolic alue, pe o ming wi h he media as a high p o ile objec and, a he same ime, using he media o sel p omo ion, becoming an objec o hei own communica ion s a egies. The in eg a ion o celeb i ies in news epo s isn’ peace ull amongs communica ion sciences in es iga o es. While some au ho s conside ha he inclusion o celeb i ies in he jou nalis ic u e ance ceases he news du y o b oadcas con en ha is conside ed public se ice and ha allows he ci izen o de elope a c i ical sense, o he s de end he necessi y o he indi idual’s en e ainmen and he epo o hese ypes o news o p omo e social cohesion. This heo e ical and legisla i e deadlock gi es o al independence o he admi ance o celeb i ies in he media wi hin he c i e ia o newswo hiness and edi o ial eedom. I is impe a i e o analyse o wha ex en en e ainmen and jou nalism a e using and i hese u e ances ba le jou nalis ic limi s, e lec ing on an e olu ion end om jou nalism o a ma ke jou nalism and “in o ainmen ”. This is he s a ing poin o he in e nship epo , h ough which I in end o analyse a ew jou nalis ic con en s b oadcas ed on SIC’s in o ma i e space, whe e celeb i ies subs an ia e as jou nalis ic u e ance, and which ac o s de e mine he cul o celeb i ies in he channel’s news epo . Keywo ds: celeb i y cul , in o ainmen , en e ainmen , public in e es , a ings, public se ice, ma ke jou nalism, cul u al jou nalism, pop cul u e. Índice I - In odução .......................................................................................... 1 II – Ca ac e ização da Ins i uição de Acolhimen o ............................... 4 III – Expe iência de Es ágio e Desempenho de Funções ...................... 6 IV – A Cul u a de Celeb idades e a Cons ução da No ícia 4.1. Pon o P é io ......................................................................... 13 4.2. Lógicas e Dinâmicas de Visibilidade das Celeb idades. .... 13 4.3. A Cul u a Popula e o Jo nalismo Cul u al ......................... 14 4.4. O Pode da Imagem e as Celeb idades ................................ 16 4.5. P ocesso de Cons ução das Celeb idades nos Media ........ 16 4.6. A P oblemá ica do “Fã”. ...................................................... 18 4.7. Papel dos Media: Socialização e Se iço Público .............. 21 4.8. Jo nalismo de Me cado ........................................................ 22 4.9. In o ainmen e Se iço Público ........................................... 23 V – Re lexão de uma P á ica de Es ágio ............................................. 26 5.1. Repo agem “Ganha Dinhei o com os Blogues” ............... 26 5.2. Repo agem “ModaLisboa”. ................................................ 31 5.3. Repo agem “Viole a”......................................................... 35 5.4. A Idola ia no “P imei o Jo nal” ......................................... 36 Conclusão ............................................................................................. 41 Re e ências Bibliog á icas .................................................................. 45 Anexos ................................................................................................. 49 1 I - In odução O ela ó io de es ágio p e ende usu ui da condição de acesso à edação da SIC pa a es uda a cul u a de ãs, o cul o das celeb idades e o seu papel na linha edi o ial da sua in o mação. Numa sociedade de media come ciais, ele isão agmen ada e media digi ais sô egos po a ualizações de in o mação a cada segundo, é pe en ó io es uda o papel da cul u a das celeb idades no espaço in o ma i o ele isi o. No p esen e ela ó io encon a-se uma ca ac e ização sumá ia da ins i uição de acolhimen o, com a da ação dos p incipais ma cos da SIC, nomeadamen e a expansão in e nacional e no cabo. Segue-se um enquad amen o da expe iência de es ágio e das unções desempenhadas, de aco do com os obje i os a que me p opunha esponde no inda des a e apa, uma b e e passagem pelo abalho desen ol ido, os cons angimen os passados e o ap endizado des a expe iência de seis meses na in o mação de um canal gene alis a. O papel da cul u a das celeb idades nos media comp eende concei os luídos e sujei os a á ias in e p e ações de di e en es eó icos, após uma e isão da li e a u a, es abeleci oi o ópicos de enquad amen o eó ico. Numa p imei a e apa de ino o concei o de celeb idade e es abeleço as lógicas e dinâmicas de isibilidade nos media. Passando pela ap op iação das celeb idades e dos seus enunciados pela cul u a popula e as no as dinâmicas do jo nalismo cul u al. Sendo impe a i o aqui es uda o p ocesso da cons ução das celeb idades nos media, es abelecendo os con ex os e as ca ego ias em que su gem nos media adicionalmen e dedicados às ha d news. A idola ia p essupõe a exis ência de “ ãs”, cabendo aqui uma análise c í ica das ações e dos p incípios que de inem o “ ã” e o modo como são abso idos e a ados nos enunciados jo nalís icos. Analisando ambém como os p óp ios ” ãs” se apode am dos enunciados mediá icos e as elações que se es abelecem a a és de um eículo comum de pe ença. Tendo os media como unção a p es ação de um se iço público, supo ando-me em eó icos das ciências da comunicação, analisei de que modo os media se alheiam ou não des as unções e se es amos pe an e um “jo nalismo de me cado”, onde oco e uma mu ação en e o jo nalismo e o en e enimen o, o denominado “in o ainmen ”. 8 Os con eúdos que en o mam es a peça jo nalís ica são acilmen e adap á eis ao en e enimen o, endo sido al o de cobe u a no iciosa ambém pelo p og ama de en e enimen o ma inal, da SIC, “Que idas Manhãs” e po e is as dedicadas ao social e ao mundo osa. Vislumb am o esba e das on ei as en e os enunciados e con eúdos jo nalís icos do p incipal jo nal de uma es ação gene alis a, po um lado, e e is as de um segmen o mais social e p og amas de en e enimen o, po ou o, ao pa ilha em o mesmo al o de cobe u a no iciosa. No deco e de epo agens, como a cobe u a da “ModaLisboa” e a ealização de uma peça sob e a capacidade ge ado a de ecei as dos blogues, pe cebi, que não exis e, de odo, uma necessidade de p omoção das celeb idades do g upo Imp esa. Exis e sim um cla o impedimen o do o o con a ual em que celeb idades de ou os uni e sos pa icipem nas p oduções do canal conco en e. Aquando da en e is a da ap esen ado a e Di e o a de Con eúdos Não In o ma i os, da TVI, C is ina Fe ei a, no deco e da “ModaLisboa”, ui aconselhado pelos colegas de edação a solici a au o ização pa a in eg a a en e is a na epo agem. A qual me oi dada de imedia o. Con udo, no a-se um cla o eceio ins i uído jun o da edação em da des aque a igu as da conco ência. Deno ando-se assim a impo ância ge ado a de ecei as das emp esas dos media e uma elu ância em publici a indi e amen e igu as e p odu os do canal conco en e. Já que o in e esse na en e is a e a, única e exclusi amen e, a desc ição dos bas ido es do maio e en o de moda po uguês. De o des aca ambém odos os cons angimen os que i e na ealização da epo agem “Ganha Dinhei o com os Blogues”, po igu as públicas de ou os canais de ele isão que se ecusa am eemen emen e a pa icipa na peça in o ma i a. Po pa e da coo denado a i e o al libe dade de con ac a os ícones que melho se enquad a am na p oblemá ica a desen ol e , mesmo sendo de canais conco en es. Con udo, e apesa de á ios con ac os, qua o igu as públicas, a a és dos seus agen es, ou pessoalmen e, ecusa am o con i e de ido a exigências con a uais. Como já e e i, concluí que não exis e uma en a i a de inclui , necessa iamen e, celeb idades com ínculo con a ual ao g upo Imp esa nos jo nais, mas somen e uma solução e necessidade de esponde às exigências con a uais dos canais de ele isão e do me cado, dados os cons angimen os impos os. Ou a p á ica comum que obse ei no deco e da epo agem, já que implicou g ande dedicação, dada a du ação de p a icamen e se e minu os da mesma, oi o 9 chamado “ba e à capelinha”: con ac os de seis igu as públicas a o e ece em-se pa a pa icipa na epo agem. Essa inicia i a apidamen e caía po e a, ao sabe em que o oco da epo agem e a unicamen e escla ece o público de quan o e como ganham dinhei o na blogos e a. Depois de uma semana de agendamen o de qua o en e is as, o eceio das igu as públicas em acaba com a ideia idílica que passa ao público no p ocesso de cons ução e ab icação de celeb idades, po pa e das indús ias mediá icas, oi al que ecusa am em massa as en e is as. Ti e am de se agendadas e ma cadas com ou os indi íduos mediá icos. Ou o modo de ope a comum que no ei nes e uni e so oi a necessidade das p óp ias emp esas em coloca celeb idades como exemplo da ealidade a demons a ao público. No deco e da epo agem sob e as “Resoluções de Ano No o”, ela i amen e a plás icas e al e ações ísicas, os Cen os e Clínicas Es é icas indica am apenas e só igu as públicas pa a da o es emunho das ans o mações. Uma o ma não só de en abiliza o p óp io in es imen o nas ci u gias, mas ambém um modo de ca i a e ag ada o público. Rela i amen e à pos u a do público ace a es es con eúdos, se, po um lado, pa ecem condena es e ipo de opção edi o ial; po ou o, consomem-na de o ma en usias a. A i mo is o com base na minha expe iência no deco e do es ágio. A epo agem in i ulada “Ganha Dinhei o com os Blogues” po mim ealizada, es e e, inin e up amen e, seis dias na lis a das mais is as do si e da “SIC No ícias”. Rep oduzida no You ube e al o de inúme as c í icas nas edes sociais. Se, po um lado, e am c i icados os p o agonis as e a linha de a uação edi o ial, po ou o, e a o emen e isualizada e disseminada pelo público nas edes sociais. Re omando ainda à expe iência da “ModaLisboa”, de o dize que i e um pedido imedia o da coo denação, o de en e is a “c omos”. Analogia dada a equen ado es do espe áculo de moda e que se es em de o ma exube an e. Deno ando-se aqui a o e endência pa a o en e enimen o e animação do público. Es e apelo eco en e ao en e enimen o, mas o emen e con es ado na edação, oi cons an e em peças que se o na am “cha as” e “en edian es” pa a o público, apesa de in o ma i as. Exis e uma p eocupação e exigência de esponde às lógicas de me cado e e icácia jun o ao público. Op ando po peças ápidas, le es e de ácil assimilação. 10 A linguagem dos p odu os jo nalís icos ambém oi algo que me despe ou a a enção. Apesa da lógica endência pa a o egis o o al e coloquial das peças, ca ac e ís ica ine en e ao p óp io disposi i o mediá ico, pa ece ha e uma endência po op a po e mos linguís icos de pouca iqueza lexical. Se essa opção pa a alguns jo nalis as é ida como uma mais- alia, ou os, como obse ei, alheiam-se da ob igação de socializa o público, do ando-o de uma maio capacidade c í ica. Desse modo, pode iam en iquece o deba e público com um maio in es imen o e especialização dos con eúdos, e a é mesmo do pon o de is a de inc emen o do léxico do elespec ado . No sen ido de p ocu a cla i ica e comp eende as lógicas que en o mam o cul o das celeb idades e as i ências do “ ã” na adolescência, consubs anciando-se aqui enquan o um público mais ulne á el a es e ipo enunciados, acompanhei oda a cobe u a dada aos conce os da pe sonagem ju enil da Disney ”Viole a”. Na en a i a de comp eende ainda melho as lógicas de mediação que se es abelecem en e o ex o jo nalís ico e o “ ã”, p oponho-me ambém analisa as eações dos ãs ace à epo agem já enunciada “Ganha Dinhei o com os Blogues”. Pa a uma análise ainda mais comple a e minuciosa, obse ei e ano ei o compo amen o das agências de comunicação no decu so das epo agens pa a en a em implemen a e di undi , de o ma di e a ou indi e a, p odu os ou igu as públicas. P ocu ei ambém e de que modo a p óp ia seleção das imagens se p o egia de uma associação di e a à publi epo agem, como no caso da epo agem ao li o do “Clube do Li o SIC”, “Po ás das G ades”. Do pon o de is a me odológico i e o al libe dade e au onomia pa a abalha de aco do com a minha consciência enquan o se humano e p o issional. E a incen i ada uma pos u a de au onomia com esponsabilidade aos es agiá ios. Com libe dade e empo pa a ap ende e e a . Tes emunho um acompanhamen o e apoio quase amilia a odos os es agiá ios po pa e da equipa onde es a am in eg ados. Tenho ainda a ealça odo o acompanhamen o que i e po pa e da coo denado a e de oda a equipa do “Jo nal de Sábado” em apoia o meu p ocesso de ap endizagem e o meu c escimen o pessoal e p o issional. Auxilia am-me em odos os p ocessos de cons ução de uma no ícia, desde a pesquisa, aos con ac os, à edação do enunciado e à seleção das imagens. 11 Esse acompanhamen o e e semp e a p eocupação de não adul e a a minha isão jo nalís ica dos ac os e a opção edi o ial dos mesmos. Mesmo na co eção dos ex os, no a a-se no jo nalis a sénio uma cla a p eocupação em nunca se pe de a iden idade do eda o , ques ionando semp e se conco da a ou não com a al e ação. No deco e do p ocesso de edição inha o al au onomia, semp e com o conselho do edi o , pa a escolhe quais as imagens que melho se enquad a am no meu enunciado jo nalís ico. Edi o es, jo nalis as, p odu o es e coo denação es i e am semp e disponí eis pa a apoia e ajuda em odas as di iculdades ine en es a um p ocesso de ap endizagem. Du an e as euniões de con eúdos e a-me solici ada a opinião e a pa icipação a i a com a suges ão de emas, e a é mesmo a minha isão como con ibu o pa a as peças dos jo nalis as. Um e dadei o abalho de equipa, sus en ado no diálogo, na oca de ideias e na coope ação en e os a i os da edi o ia. Fo am-me dadas g andes opo unidades como en e is a igu as do uni e so polí ico ao u ebolís ico, em peças de g ande dimensão, a ul apassa os qua o e os seis minu os. Vie am no seguimen o de peças impo an es, como as mudanças dos ho á ios dos ba es no u nos no Cais do Sod é, após a ealização de uma g ande epo agem sob e essa emá ica e que desencadeou a mudança da legislação jun o dessas zonas de di e imen o no u no. Fui apoiado pa a c esce enquan o jo nalis a e pessoa. O ien ado pa a en iquece e c esce na ca ei a a que me p opunha desempenha , e espei ado enquan o se humano e p o issional. Num c escendo de opo unidades cada ez com maio dimensão, no igo e na isibilidade. Des aco o apoio que i e na ap oximação a celeb idades e a i os do g upo Imp esa, pa a discu i e con e sa sob e o ela ó io de es ágio e conc e ização de en e is as. De o dize que me o am possibili adas á ias en e is as e con e sações p i adas mui o en iquecedo as pa a pe cebe odo o uni e so subjacen e à cons ução das celeb idades e à p odução de no ícias de celeb idades nos media. Enal eço ainda os meios que o am pos os ao meu dispo , po pa e da coo denado a e da equipa, no sen ido de eu e olui enquan o p o issional. Ti e acesso a uma p o esso a de oz, de modo a ganha e amen as pa a u u amen e e capacidades e meios pa a sono iza as peças jo nalís icas. Acompanha am-me no eino diá io de oz 12 com jo nalis as, que assumi am o papel de p o esso es nes a a e a de me capaci a pa a desempenha a p o issão pa a a qual me p opus e es udei. 13 IV - A Cul u a de Celeb idades e a Cons ução da No ícia de Celeb idades 4.1. Pon o P é io O cul o das celeb idades cada ez mais se consubs ancia enquan o ma é ia no iciosa. Há uma mu ação da igu a da celeb idade e dos p odu os cul u ais, islumb ando-se uma usão en e o ícone e a a e. O p óp io concei o de celeb idade so eu um p ocesso de hib idação e de a as amen o do meio a ís ico. A celeb idade ago a é a igu a com isibilidade pública. E essa publicidade pode se dada a a és do seu abalho ou de lógicas da ida p i ada que, ganham, cada ez mais, es a u o de p odu o cul u al de alo simbólico. A usão da in o mação e do en e enimen o, no denominado “in o ainmen ” e a necessidade de luc o das emp esas de en o as dos media, aliada à c escen e p o usão das es a égias de comunicação, no sen ido a que a in es igado a Ana Jo ge (2012) chamou de p ocesso de “celeb i icação” na c iação de igu as dos mais a iados segmen os sociais e polí icos, le a à ap op iação des e ipo de enunciados nos media adicionais. Nes e sen ido, o na-se impe a i o es uda o p ocesso do cul o das celeb idades na cons ução das no ícias e o espaço que lhe é dado nos meios con encionais. Assim, supo ando-me em eó icos da á ea, p e endo aze uma e isão da li e a u a exis en e em edo des a emá ica, escla ecendo concei os e delimi ando-os, de modo a ope acionaliza a análise e a ex ação de conclusões. 4.2. Lógicas e Dinâmicas de Visibilidade das Celeb idades nos Media Pa a melho esponde à ques ão de pa ida, pa o do concei o de celeb idade delineado po Ha ley (2004: 39), segundo o qual: as celeb idades são en idades admi á eis pela sua iden idade nos media, podendo se p oceden es das mais a iadas á eas, a música, despo o, moda, c ime, cinema, ele isão e ádio. Pa a o au o , a á ea de a uação das p óp ias celeb idades anspo a uma sé ie de signi icados que lhe são p óp ios, mas cada ez mais oco e uma acumulação na a uação das celeb idades em di e en es á eas. As celeb idades são enca adas enquan o negócio, en abilizando a sua imagem associando-se a á ias á eas de a uação, como a pe uma ia, moda, blogues, li os, en e ou os segmen os (Ha ley, 2004: 39). A in e ex ualidade das celeb idades oi em g ande pa e bene iciada pelos media no p ocesso a que Ana Jo ge (2012) chamou de ‘celeb i icação’, e i icando-se uma a iculação en e a ida pública e p i ada (Gamson, 1994; Could y, 2003), 14 oco endo mui as ezes a sua sob eposição. Assim, os media acabam po ap op ia -se do pode de legi imação das celeb idades, aduzindo-se em e dadei os ‘cães de gua da’ da sua isibilidade pública. Po sua ez, os c i é ios que legi imam a isibilidade dada a di e en es celeb idades a iam de aco do com campo em que as mesmas a uam. Logo, pode a e i -se que oco endo uma ap op iação de di e en es linhas de a uação no p ocesso de ‘celeb i icação’, o na-se cada ez mais complexo de ini essas lógicas de econhecimen o, icando a ca go das escolhas edi o iais dos media e das suas in enções edi o iais e come ciais. As lógicas e as dinâmicas de isibilidade das celeb idades nos media são classi icadas po John Fiske (ci . po E ans e Hesmondhalgh, 2005), de uma o ma ope a i a e mecânica. P imei amen e, Fiske a ibui uma au onomia à celeb idade na p odução dos enunciados que ão ci cula nos media, alice çados nas suas linhas de a uação públicas, ais como, o cinema, a moda, a música e os media. Os p óp ios media cada ez mais uncionam numa lógica de hib idação, sendo simul aneamen e obje o de a uação po pa e dessas celeb idades e, pos e io men e, sendo elas mesmas al o de cobe u a mediá ica, o nando-se obje o dos media. Numa lógica de isibilidade sus en ada numa inexis ência de ex os de a uação, oco endo uma p o issionalização da a e do apa ece e do oyeu ismo. Assim, de aco do com Fiske (ci . po E ans e Hesmondhalgh, 2005), os media adicionais seguem as pe o mances de a uação das celeb idades, dando isibilidade aos seus ex os, exe cendo uma p omoção que, po sua ez, ai desencadea na consag ação da celeb idade sob as di e izes do que oi delineado p imei amen e pela indús ia, desde as e is as, às indús ias cinema og á icas. Não deixando de lado o papel dos media na ap op iação do papel de p odu o es de ex os de a uação nes a indús ia, eco endo a papa azzi, abloides, eali y shows e as denominadas e is as co -de- osa. Os media adicionais passam o papel de ação pa a as audiências, os “ ãs” ep oduzem, comen am e azem ci cula os ex os jo nalís icos. Es a linha de a uação oi acili ada pelas edes sociais que pe mi i am a acumulação de papéis, alice çados no concei o a que To le denominou de ‘p osume ’, a uando em simul âneo enquan o p odu o es e consumido es numa lógica in e a i a alimen ada pela web 2.0. 4.3. Cul u a Popula e Jo nalismo Cul u al 15 O c escimen o do cul o das celeb idades nos media in e nacionais, p ende-se, segundo Do a San os Sil a (2009: 93), com a “di e sidade de p á icas e cos umes da cul u a popula , o iginando uma cul u a a que Ga cia Canclini in i ulou de híb ida”. Nes e sen indo, o jo nalismo cul u al aba cou os p odu os da cul u a de massas, e assim, começou a c esce o ecu so às celeb idades enquan o con eúdo dos media mais adicionais. O cul o das celeb idades é simul aneamen e cons i uin e da (e cons i uído pela) p óp ia sociedade e as p á icas cul u ais que a en o mam. Apesa de sujei a a á ias in e p e ações e pa a uma melho ope acionalização da pesquisa, pa o da p emissa de jo nalismo cul u al co obo ada po Ri ie a (2003: 19), ci ado po Sil a (2009: 93), segundo a qual se ia: Uma zona mui o complexa e he e ogénea de meios, géne os e p odu os que abo dam com obje i os c ia i os, ep odu i os e in o ma i os os e enos das belas-a es, ‘belas- le as’, as co en es de pensamen o, as ciências sociais e humanas, a chamada cul u a popula e mui os ou os aspe os que êm a e com p odução, ci culação e consumo de bens simbólicos, sem impo a a sua o igem e o seu des ino. Es e concei o híb ido de jo nalismo cul u al consubs ancia as celeb idades enquan o p odu os mediá icos. E es a ealidade em p o unda p o usão, aliada ao despole a da web 2.0 e a eme gência das edes sociais e dos blogues, aduziu-se numa des agmen ação das audiências, le ou os canais de ele isão, nomeadamen e as p i adas, a in es i nas celeb idades enquan o bens simbólicos e p odu o cul u al. Fo am assim ede inidas as “di e izes edi o iais e a ampliação da de inição de jo nalismo cul u al, já que a di e sidade de con eúdos cul u ais p esen es em di e sos si es, com milha es de isi an es, despe ou a a enção dos edi o es pa a da em algo no o” (Sil a, 2009: 96). Um dado ele an e a ançado pela au o a é o impac o da música e do cinema nos media po ugueses. Pa a Sil a (2009: 98) es e impac o de e-se ao pode de ma ke ing das indús ias cinema og á icas e discog á icas, esponsá eis pela c iação das celeb idades e da sua cons ução enquan o p odu os cul u ais de alo simbólico, a a és de es a égias de comunicação e di ulgação mui o e icazes. A p essão da agenda e a di usão de a i idades cul u ais di undidas pelas indús ias cul u ais ambém c ia uma necessidade da p o usão des e ipo de con eúdos nos media idos como con encionais e adicionais, mais dedicados às ha d news. A au o a chega mesmo a apon a dados e elado es des a endência: A í ulo de exemplo, à da a do es udo, a indús ia cinema og á ica ocupa a 42% do espaço dedicado à cul u a pelo Diá io de No ícias; no Público, cons i uía um espaço 16 semelhan e (embo a o a das páginas cul u ais). A indús ia discog á ica ocupa a 26% do espaço cul u al do DN e 50% do espaço dedicado aos a igos cul u ais pelo Público (Sil a, 2009: 98) A in es igado a ale a ainda pa a o concei o cada ez mais hib ido de celeb idade e p odu o mediá ico. As on ei as en e as a es e os ícones que as en o mam são cada ez mais énues. E as es a égias de comunicação das indús ias cul u ais endem a c ia cada ez mais um a ibu o de espe acula em edo das celeb idades (Sil a, 2009: 99). Imiscuindo a celeb idade na p óp ia a e, ans o mando a celeb idade em p odu o e não a a e como al. O oco dos media in e nacionais e nacionais es á em p o unda mu ação e é cada ez mais di ícil aze uma dis inção en e o que se consubs ancia enquan o á ea cul u al ou alo ação da celeb idade. Assim, c esce nos media a p oli e ação de celeb idades, po que é cada ez mais di ícil sepa a a a e do ícone. A c í ica es á a pe de espaço pa a um jo nalismo de di ulgação (Sil a, 2009: 100). 4.4. O Pode da Imagem e as Celeb idades Ana San iago (2013: 3), ci ando Ma ins (2011a: 77), a i ma que no empo p esen e “a imagem cons i ui a p óp ia o ma da nossa cul u a”. A hegemonia da imagem ma ca o ad en o da web 2.0 e dos meios de comunicação. A au o a de ende que a imagem pe deu o alo enquan o apon amen o es é ico ou ilus a i o numa no ícia, pa a se consubs ancia enquan o p odu o cul u al e in o ma i o au ónomo. Apoiando-se na isão do au o Casasús (1979: 58-60) diz que a imagem se cons i uiu enquan o “elemen o in o ma i o au ónomo, undamen al e indispensá el, que dá ao público a e são isual dos acon ecimen os em egime de di usão simul ânea pa a odo o mundo” (San iago, 2013: 4). A au o a, sus en ando-se na ese de To es (2011: 84), de ende que es a cul u a da imagem e a sua c escen e media ização le a à mu ação das p á icas cul u ais e à acen uação do in e esse pelo ícone, desencadeando numa al e ação das ideologias pelo cul o das celeb idades (San iago, 2013: 4, ci ando. Alexand e, 2001: 121). A au o a adian a como ma co pa a o início des a endência a p imei a me ade do século XX, onde o cinema a a és das es a égias de comunicação das indús ias cinema og á icas “c ia as “es elas” e di unde a sua imagem em odo o mundo como o p imei o g ande p odu o cul u al” (San iago, 2013: 4). 4.5. P ocesso de Cons ução das Celeb idades nos Media 17 O c escimen o das indús ias cul u ais es ende-se ao mundo da música, da ele isão e, consequen emen e, à polí ica, moda, despo o e a é mesmo à web. G ande pa e desse c escimen o de e-se à ap op iação desses p odu os pelos media con encionais, le ando à sua disseminação e p oli e ação jun o das massas. Assim, “a ualmen e, já nada escapa ao sis ema do ede a iado. As es elas abundam, sendo a sua imagem di undida e plane a izada pelos jo nais, a ele isão e a ede da web” (Lipo e sky e Se oy, 2010: 92-101, ci ados po San iago, 2013: 4). Pa a Holllande , ci ado po San iago (2013: 15), es a imedia icidade em se o na céleb e de e-se po que “são exempla es em au o-p omoção e conseguem ob e uma sus en ada a enção dos media” (Hollande , 2011: 65). Os media são simul aneamen e p odu o es de celeb idades e eículos de p omoção das mesmas. A c iação de um ícone en ol e es a égias de comunicação p ecisas que se consubs anciam enquan o ab icação cul u al. E nesse p ocesso es á subjacen e a ep esen ação de um indi íduo po in e mediá ios cul u ais, ou seja, po agen es, publici á ios, o óg a os, p omo o es e ou os p o issionais cujo abalho passa pela ap esen ação pública de pessoas que possam me ece uma a enção du adou a do público (em Po ugal, emos o caso de Bibá Pi a e Cinha Ja dim) (San iago, 2013: 5). Edua do Cin a To es (2011: 87-89) des aca ês ipologias de celeb idades di undidas no meio ele isi o. A p imei a ipologia engloba as celeb idades que êm no o iedade e isibilidade públicas a a és da sua p o issão e do abalho que desen ol em enquan o agen es cul u ais, is o é, a o es, músicos, a des aca . A segunda ipologia desencadeia-se e oco e a a és do despole a de “celeb idades ou amosos”, cuja “p esença da indi idualidade (co po, emoções, ida p i ada, oupas, e c.) sob epõe-se ou segue a pa com a sua ida p o issional”. Oco e aqui uma p o issionalização da ida p i ada e sua explo ação e di usão enquan o p odu o mediá ico de alo simbólico, consubs anciando-se enquan o p o issionalização da igu a da celeb idade. A e cei a ipologia p ende-se e é denominada po Edua do Cin a To es po “conhecidos”, pessoas anónimas e iguais ao g ande público, que se o nam céleb es pela sua p esença no ec ã, a a és de p og amas ele isi os como o day ime ele isi o e os eali y shows. Assim, as celeb idades o nam-se “um con eúdo humano, apela i o às audiências, a baixo cus o” (Jo ge, 2011: 634, ci ada po San igo, 2013: 7). Es e enómeno mediá ico omen ou a p oli e ação e a c iação de uma imp ensa especializada e a p o issionalização de igu as que não exis iam, como os papa azzi. 24 No en an o, o público em ou a isão sob e o ema. Ao consumi um ou ou o ipo de con eúdo, as pessoas buscam semp e a dis ação. O consumo de enunciados mediá icos é “ ei o no empo li e”. Assim, pa a o público e ece o inal da mensagem, “o en e enimen o é simplesmen e aquilo que en e ém, ale dize , a ausência de édio”. A sepa ação de in o mação e en e enimen o “não em sen ido pa a o ece o , pois o opos o da mensagem de en e enimen o eiculada pela mídia não é o conhecimen o in o ma i o, mas o con eúdo que não lhes ag ada, as ma é ias en adonhas, que não a aem a a enção” (Deja i e, 2007: 7). Deja i e (2007: 8-9) con es a a ca ac e ização do público amo o de Habe mas. E de ende que o público em a cla a noção da dis inção en e a in o mação e o en e enimen o, mas op a, delibe adamen e, pela segunda opção com is a à in e ação social e ao laze . Segundo Ma esoli (2003: 15), ci ado po Deja i e (2007: 10): no undo o lei o in e essa-se pelo que lhe diz espei o. [...] Po mais que isso ho o ize os c í icos poli icamen e co e os, as pessoas não que em só in o mação na mídia, mas ambém e undamen almen e e -se, ou i -se, pa icipa , con a o p óp io co idiano pa a si mesmas e pa a aqueles com quem con i em. A in o mação se e de cimen o social; mais do que sabe se Bush ai ou não in adi o I aque, um lei o , um ou in e, um elespec ado dis an e da á ea desse con li o que sabe , com equência, de coisas mui o menos sé ias, mas não menos impo an es pa a a coesão social. Os jo nalis as gos am de imagina o con á io e de e -se como p o agonis as de g andes a en u as. O lei o es á louco pa a sabe o inal da no ela ou como oi al es a num clube da moda (Deja i e, 2007: 10). Um es udo ealizada pelo ins i u o Ipsos/Ma plan, ci ado po Deja i e (2007: 10), mos a que numa amos a de 53.920 pessoas, em 12 cidades b asilei as, de di e en es géne os e es a os socioeconómicos, há uma cla a p edisposição do público pa a assun os ligados ao en e enimen o, nomeadamen e a ida das celeb idades e pe sonalidades amosas. Exigindo mesmo es e ipo de con eúdos nas publicações. Face a es e impasse, o na-se cada ez mais undamen al pa a os media, á idos po ecei as inancei as, ade i em a es e ipo de con eúdos. A au o a de ende ainda que a no ícia ligh é um con eúdo legí imo, pois é solici ado pelo ece o que que se in ei a e en e e ao consumi as in o mações jo nalís icas que lhe in e essam, sem con udo, deixa de adqui i conhecimen os necessá ios à sua sob e i ência (Deja i e, 2007: 12) A pe gun a que é impe a i o coloca é: A é que pon o o in e esse do público se sob epõe ao se iço público? Apesa de amplamen e con undidos e imiscuídos, o concei o se iço público e in e esse do público são díspa es. A inal, nem udo o que é de in e esse do público p es a um eal se iço público. E com o c escen e desen ol imen o dos media digi ais e da ele isão po cabo, as ele isões gene alis as endem, cada ez mais, a con undi es es concei os e a o ná-los enquan o sinónimos. 25 O a ejamos, o se iço público engloba a p es ação e di usão de se iços pa a o bem de uma comunidade. In o ma os elespec ado es de o ma independen e, p omo e o exe cício c í ico e e lexi o, e inci a o deba e público. O in e esse do público ou se iço ao público engloba, ambém, udo o que isa sa is aze os in e esses e gos os de uma comunidade. Pa a Felisbela Lopes (1999: 5-6) o se iço público e o in e esse do público de e iam uni -se a a és de uma “p og amação di e si icada nos planos egional, polí ico e cul u al”. Tendo os canais de ele isão gene alis as, uma ob igação maio a ele isão de se iço público, o de e de “de e le i nas suas emissões ealidades mul i o mes, não apenas aquelas que chegam às maio ias, mas ambém aquelas que se es ingem a g upos mino i á ios.” Con udo, de ende que as ele isões p i adas gene alis as ans o ma am-se em “me cado ia cuja sob e i ência es a á i emedia elmen e dependen e da audiência” (Lopes, 1999: 4). Alguns au o es, como He lande Elias (2011), enca a am com o imismo o despole a da ele isão po cabo e a agmen ação do público consoan e os seus gos os de in e esses. Já a in es igado a Felisbela Lopes (1999: 4) ale a que a passagem da ele isão analógica pa a a digi al pode aze , pelo con á io, uma homogeneização dos con eúdos dos canais po cabo, al como se e i icou nos canais gene alis as p i ados, ado ando “como polí ica p io i á ia, a p omoção do in e esse público daquilo que di ulgam”. Vai ainda mais longe ao a i ma a ob iga o iedade de p es a um se iço ao público pode se subs i uída po lógicas de en abilidade. Se a en abilidade é ei a à cus a dos u ilizado es dos se iços, há que sabe a aí-los e, se possí el, em g ande núme o. Len amen e e gue -se-á uma lógica de abalho que e á o çosamen e de i ao encon o do in e esse do público. Po aqui podemos já encon a algumas pis as legi imado as do se iço público de ele isão (Lopes, 1999: 4). É inequí oco que odos os media êm de e ins emp esa iais e ob e bene ícios que isem o luc o. Con udo, é ambém cla o que êm que po encia o bom uncionamen o democ á ico, como im polí ico ge al; de em es a ao se iço da libe dade de exp essão e do di ei o à in o mação como ins ju ídicos cons i ucionais; e êm que p ocu a o ape eiçoamen o écnico, con ibu o pa a uma melho e mais ápida in o mação. Toda ia es amos numa ase de impasse, em que exis e um con li o en e ins. Po um lado, os media de em e po obje i o con ibui pa a a o mação ge al e é ico-mo al do público. Po ou o, êm sa is aze os desejos do público e esponde às suas ape ências. 26 V – Re lexão de uma P á ica de Es ágio Pe an e o dilema de p es ação de se iço público e da cap ação de luc o, as celeb idades o nam-se uma me cado ia a a i a pa a despe a as audiências. T aduzindo-se num modo ácil e ápido de cap ação de público, de o ma a consegui luc os com a publicidade. Logo o na-se impe a i o analisa a é que pon o as celeb idades êm luga no p odu o que é conside ado unanimemen e como uma p es ação de se iço público: os espaços no iciosos da edi o ia “Jo nal de Sábado”. Assim, p e endo analisa c i icamen e seis peças jo nalís icas ansmi idas nos pe íodo no iciosos da SIC gene alis a das 13 e das 20 ho as, de aco do com a abela 1, em anexo. Nomeadamen e as epo agens di undidas no pe íodo in o ma i o das 20 ho as, maio i a iamen e ao sábado, da cobe u a da ModaLisboa; “Ganha Dinhei o Com os Blogues”; e a di ulgação do conce o da pe sonagem ju enil da Disney “Viole a”. E as es an es di undidas no jo nal das 13 ho as, nomeadamen e, as epo agens “Aulas da Blaya”; “Resoluções de Ano No o”; e a di ulgação do li o do “Clube do Li o SIC”, “Po T ás das G ades”. A pa i do ma e ial no icioso p oduzido, endo em con a a pesquisa e e uada em e mos de enquad amen o eó ico e e isão li e á ia, ap esen am-se os esul ados, de idamen e analisados de aco do com os obje i os p opos os e a pe gun a de pa ida. De o desde já escla ece , que a minha análise es á comp ome ida pela al a de dis anciamen o em elação ao ma e ial no icioso em análise. Os enunciados jo nalís icos a analisa o am po mim ealizados, conduzidos e delineados, semp e com um p essupos o de se iço público no quesi o de in o mação e de en e enimen o com base à sua in e ação social. Rela i amen e à epo agem da cobe u a da dig essão da can o a “Viole a”, a única em análise que não é da minha au o ia, acompanhei odo o p ocesso de ealização da mesma. Ficam aqui cla os odos os cons angimen os e condicionan es de uma análise independen e do ma e ial no icioso em des aque, de ido à minha obse ação pa icipan e e au o ia nos enunciados jo nalís icos. 5.1. Repo agem “Ganha Dinhei o com os Blogues” A epo agem “Ganha Dinhei o com os Blogues”, com a du ação de 6 minu os e 24 segundos, oi ansmi ida pelas 20 ho as e 37 minu os, no dia 3 de ab il de 2015. Apesa da peça jo nalís ica e sido di undida a uma sex a- ei a de Páscoa, os con eúdos do jo nal o am p oduzidos pela coo denação do “Jo nal de Sábado”. A epo agem az 27 o caso de ês igu as públicas: Cláudio Ramos, Vanessa Ma ins e Ana Gomes que g aças à isibilidade na blogos e a se o na am a a i as pa a as ma cas e conseguem au e i endimen os da sua unção enquan o blogge s. Es a ma é ia no iciosa além de mos a uma ealidade cada ez mais comum nas i ências da in e ne , az ambém um es e eó ipo de celeb idade que se enquad a na isão de Ha ley (2004: 39). A epo agem mos a-nos igu as com alguma no o iedade pública, p oceden es da ele isão, moda e da web, e que a a és do ala gamen o das á eas de a uação das p óp ias celeb idades, nomeadamen e no caso da c iação de um blogue, anspo a am no os signi icados que as es abelece am como p odu os cul u ais de alo simbólico em á ios ou os segmen os. A pon e en e o p i ado e o público é cada ez mais énue e de di ícil sepa ação. Os casos aqui expos os são um exemplo lag an e do concei o cada ez mais híb ido de celeb idade. Po um lado, igu as públicas do uni e so da moda e da ele isão, como o Cláudio Ramos e a Vanessa Ma ins que ganha am isibilidade g aças à sua p o issão, mas acumula am a sua á ea de a uação a ís ica com a c iação de um blogue. Po ou o, Ana Gomes, uma igu a anónima, ganhou no o iedade e espaço na ádio e nas e is as a a és de um p ocesso de “celeb i icação” (Jo ge, 2012), supo ado num diá io i ual que a ab icou enquan o igu a mediá ica. Se, po um lado, as lógicas de cons ução da no o iedade pública des as ês igu as são díspa es, po ou o, as lógicas de hib idação do e mo celeb idade pa ilham do mesmo p essupos o, lógicas de isibilidade a ibuídas à es e a p i ada e a sua cons an e mu ação em es e a pública. A legi imação des as no as celeb idades é a ibuída aos media, de en o es do pode de lhes da ou não isibilidade. E sendo cada ez mais di ícil a e i as lógicas de econhecimen o, cabe aos media, a a és da sua linha edi o ial e in enções edi o iais e come ciais, a sua de e minação. Aqui é possí el analisa as lógicas e as dinâmicas de isibilidade das celeb idades nos media classi icadas po John Fiske (ci . po E ans e Hesmondhalgh, 2005). Há uma cla a au onomia da celeb idade na p odução dos enunciados que ão ci cula nos media, alice çados nas suas linhas de a uação públicas, sus en ados, nes e caso, na es e a p i ada. No ando-se que cada ez mais os p óp ios media uncionam numa lógica de hib idação, sendo simul aneamen e obje o de a uação po pa e dessas 28 celeb idades e sendo elas mesmas al o de cobe u a mediá ica, o nando-se obje o dos media. A in es igado a Do a San os Sil a admi e que es e ipo de enunciados em um g ande impac o nos media po ugueses (Sil a, 2009: 98). O jo nal que di undiu es a epo agem oi líde de audiências no seu ho á io, com um sha e de 26,6%. Foi o e cei o p og ama mais is o da ele isão po uguesa e o segundo mais is o do canal, segundos dados da emp esa audi o a de audiências ele isi as GFK. Sucesso esse e elado ambém a a és da in e ne , onde pe maneceu, in e up amen e, du an e seis dias no op do oi o mais is os do sí io da in e ne da ‘SIC No ícias’. O a ibu o do espe acula dado às celeb idades le ou a que se o ne cada ez mais di ícil sepa a a a e do ícone. E es ando em análise o papel cap ado de capi al inancei o da blogos e a, o na-se ainda mais di ícil es abelece es a dis inção. Além de pode mos c i icamen e analisa a é que pon o não es amos pe an e um jo nalismo de di ulgação (Sil a, 2009: 100), e os p óp ios limi es da in o mação e da publi epo agem. A meu e al si uação não se pode pô em causa, po que é de in e esse público in o ma o elespec ado dos bas ido es des a ealidade em plena expansão, onde são mui as ezes su p eendidos com publicidade suben endida e al os pa a p omoção de luc o pa a ins pa icula es a a és de um clique. Pa a não ala de que não oco eu nenhuma imposição pa a a inclusão de celeb idades do g upo Imp esa. Mui o pelo con á io, odos os con ac os o am ei os a celeb idades do canal conco en e, a TVI, de ido a uma maio p ojeção na blogos e a, mas o am amplamen e ecusados pelas exigências de o o con a ual. Dado a es e impasse e ecusa, egis a-se uma necessidade em apela às celeb idades con a adas do g upo que se es á inse ido e a que pe ence o canal ele isi o. A publicidade dada a es as igu as oi uma consequência indi e a da necessidade de eco e ao exemplo pa a melho c ia o enunciado jo nalís ico. Exis indo uma p eocupação em não di ulga os links dos blogues e em ugi às imagens dos p óp ios sí ios da in e ne . Ilus ando as igu as nos seus uni e sos imagé icos que lhes são associados, como es údios de ádio e de ele isão, e uma p odução de moda. Assim, posso a iança , que oco eu nes a epo agem uma usão das necessidades de se iço público e de se iço ao público. Po um lado, p es ou se iço público ao elespec ado , in o mando-o dos meand os da publicidade na blogos e a e como pode se usado pa a capi aliza o luc o das ma cas e dos de en o es de blogues. 29 Po ou o, co espondeu às necessidades de alimen a o in e esse do público e de cap a en abilidade inancei a a a és das audiências. Ou a p eocupação no deco e da peça e que ai de encon o ao que a in es igado a Ana San iago (2013: 3), ci ando Ma ins (2011a: 77), a i ma, é que no empo p esen e “a imagem cons i ui a p óp ia o ma da nossa cul u a”. A hegemonia da imagem é de al modo impo an e e se que a a i a que oi al o de á ias con e sas jun o da coo denação, semp e com o in ui o de ugi à adicional imagem de abalho numa sec e á ia e ao compu ado . Deno ando-se aqui a ese da au o a, segundo a qual, a imagem pe deu o alo enquan o apon amen o es é ico ou ilus a i o numa no ícia, pa a se consubs ancia enquan o p odu o cul u al e in o ma i o au ónomo (San iago, 2013: 4). Es a epo agem é um exemplo cabal do pode das indús ias da comunicação na c iação des as celeb idades. Numa ase inicial, o am ma cadas qua o en e is as com ou as igu as mediá icas do uni e so da web, as quais o am amplamen e ecusadas, po conside a em que choca am com as es a égias de comunicação po elas p econizadas, nomeadamen e o público oma conhecimen o que se blogge é uma a i idade emune ada. Enquan o isso, ecebi seis ele onemas de igu as públicas a au o- p opo em-se pa a se em incluídas na epo agem, o que mos a o papel de endido po Holllande (2011: 65), ci ado po San iago (2013: 15), da impo ância dos media em lhes da a enção e ambém do pode dos mesmos em o na a sua imagem “plane a izada” (Lipo e sky e Se oy, 2010: 92-101, ci ados po San iago, 2013: 4). Nes e enunciado jo nalís ico emos as ês ipologias de celeb idade en a izadas po Edua do Cin a To es (2011: 87-89). A p imei a comp eende celeb idades como Vanessa Ma ins e Cládio Ramos, igu as que êm no o iedade e isibilidade públicas a a és da sua p o issão e do abalho que desen ol em enquan o agen es cul u ais na moda e na ele isão. A segunda ipologia mos a o quan o as á eas de a uação das celeb idades es ão espalhadas po á ios segmen os e o quan o é di ícil es abelece ipologias quan o à sua de inição, pois emos no caso do Cláudio Ramos e da Vanessa Ma ins uma sob eposição ou caminho lado a lado da ida p o issional com a pessoal, a a és do blogue e das p óp ias e is as da especialidade. Oco endo aqui uma p o issionalização da ida p i ada e sua explo ação e di usão enquan o p odu o mediá ico de alo simbólico, consubs anciando-se enquan o p o issionalização da igu a da celeb idade. A e cei a ipologia denominada po “conhecidos”, pessoas 30 anónimas e iguais ao g ande público, que se o nam céleb es pela sua p esença no ec ã, ou nes e caso, a a és da web, como o exemplo da blogge aqui ap esen ada Ana Gomes. O ecu so às celeb idades, nes e caso, de e-se, em pa e, à sua capacidade de despe a a a enção do público, mas ambém po se consubs ancia em como um elemen o amilia pa a o elespec ado . Ao escolhe mos blogge s anónimos pe de -se-ia es e pode de iden i icação e de emoção, que, segundo Conboy (2011: 130), ci ado po San iago (2013: 7), é uma ca ac e ís ica das p óp ias celeb idades, pois az um g ande po encial emo i o pa a os media. A igu a do “ ã” aqui é de suma impo ância a alia , pois a o ma como in e agiu e se ap op iou do enunciado jo nalís ico deno a as suas o mas de a uação. Pa a Thompson (1999: 223), as elações de emo i idade e acionalidade podem-se elaciona en e si e a p óp ia emoção se pode in e liga com enunciados cul u ais mais obje i os e acionais. A o ma como os “ ãs” se ap op ia am des e enunciado é ilus ado a do ca a e emo i o e acional que en o ma as p á icas compo amen ais que se es abelecem enquan o “ ãs”. Po um lado, i emos o compo amen o pad ão a ibuído ao “ ã his é ico”, um concei o dado po Ana Jo ge (2012: 41), e que se de ine po ca ac e izações das mani es ações dos ãs, nos media, na o dem do con li uoso e do espe acula . Em conside ação, o modo como Cláudio Ramos de iniu os “ ãs” e as suas c í icas enquan o “in ejosos” e ou os e mos pejo a i os, na sua decla ação pública às eações do público ace à epo agem no seu blogue, consubs anciado aqui enquan o media secundá io. A ambém ca ac e ização do “ ã” como cap ado de elações sociais de endida po Thompson (1999: 231), mos a um papel a i o dos indi íduos na ap op iação dos p odu os inculados pelos media e na o ma como os inco po am no quo idiano. Assim, apesa de á ios elespec ado es acede em a a és dos media a uma expe iência comum, a o ma como a ap op iam segue as lógicas dos con ex os de ida. Nes e sen ido, se pa a mui os oi mo i o pa a o achincalhamen o nas edes sociais, pa a ou os, com i ências sociais e cul u ais díspa es -, como o edi o da e is a ‘Sábado’ e au o do blogue ‘O A umadinho’-, Rica do Ma ins Pe ei a, se iu como mo e pa a uma e lexão e discussão sob e a blogos e a. Es e compo amen o c í ico mos a, po sua ez, a qualidade do “ ã” numa pe spe i a cons u i is a de Lyn Thomas (2002: 8), no ó io da impo ância da si uação social e cul u al, na qual engloba quesi os como o géne o, a 31 ‘ aça’, a e nicidade, a classe e a sexualidade, que êm um papel c ucial na in e ação dos indi íduos na abso ção dos ex os de a uação das celeb idades. Ana Jo ge (2012: 294-296) mos a, a a és da sua in es igação, a possibilidade de de e minados indicado es ela i os ao géne o, idade e es a o social possibili a em uma meno impe meabilidade. A au o a conclui que nos mais jo ens há uma cla a p eponde ância do cul o das celeb idades nas suas idas. Apesa dos componen es sociais e cul u ais que Lyn Thomas es abelece como essenciais pa a media os e ei os da idola ia nos jo ens, é impo an e e o ça ambém que o cul o das celeb idades unciona como base de en endimen o comum nos mais jo ens, es abelecendo-se ou e o çando-se a pa i daí con a os e amizades. A ese au o a Ana Jo ge (2012: 271-273) de que as lógicas do cul o das celeb idades são impos as pelos pa es, islumb a-se nas edes de diálogo que se es abelece am a a és des a epo agem, como a isí el, a í ulo de exemplo, no blogue ju enil “Lucky 13”, onde á ios jo ens deba e am c i icamen e a epo agem numa zona de comen á ios que se es abeleceu como uma espécie de ó um. 5.2. Repo agem “ModaLisboa” A epo agem da minha au o ia sob e a “ModaLisboa”, ansmi ida no “Jo nal da Noi e”, de sábado, do dia 14 de ma ço de 2015, pelas 20 ho as e 39 minu os, com a du ação de 3 minu os e 47 segundos, acompanha o p ocesso de c iação da conceção da maquilhagem pa a um des ile do Dino Al es no a elie do es ilis a du an e a semana, os bas ido es do des ile, o des ile em si, um olha sob e a pla eia e as endências de maquilhagem e oupas pa a a p ima e a/ e ão. Segundo dados da medido a de audiências GFK e di undidos pelo blogue da especialidade “A Tele isão”, o diá io in o ma i o oi líde de audiências no seu segmen o, com 27,5% de sha e e 1.206.500 espe ado es. T aduzindo-se no segundo p og ama mais is o do dia, en e a ele isão po cabo e a ele isão gene alis a. Segundo as lógicas e as dinâmicas de isibilidade das celeb idades nos media classi icadas po John Fiske (ci . po E ans e Hesmondhalgh, 2005), o ac o do con i e pa a a ealização da peça e sido ende eçado pela ma ca de maquilhagem de en o a de uma cadeia de lojas in e nacionais “Sepho a” e pa ocinado a do e en o “ModaLisboa”, põe em causa a au onomia da p odução do enunciado jo nalís ico. A inal, a c iação do enunciado pa iu da p óp ia ma ca, a a és do con i e ende eçado à coo denação, al como a p óp ia p odução da epo agem e a ma cação das en e is as jun o do a elie do 32 es ilis a Dino Al es e da esponsá el pela maquilhagem da “ModaLisboa”, An ónia Rosa. A o ma como a p odução do enunciado oi ealizada enquad a-se na linha de a uação dos p óp ios media, que cada ez mais dão espaço a di usão de des iles e das endências da moda. No ando-se aqui a lógica de hib idação dos p óp ios media, o “Jo nal da Noi e” oi, simul aneamen e, obje o de a uação po pa e da ma ca de cosmé icos e das p óp ias celeb idades e pos e io men e, sendo a ma ca e as igu as públicas al o de cobe u a mediá ica, o nou-se obje o dos media. A epo agem em análise pode-se inse i no concei o de jo nalismo cul u al co obo ada po Ri ie a (2003: 19), ci ado po Sil a (2009: 93), no que conce ne à “cul u a popula ” e à “p odução, ci culação e consumo de bens simbólicos, sem impo a a sua o igem e o seu des ino”. O concei o cada ez mais hib ido de celeb idade es abelecida como p odu o mediá ico é isí el nes a epo agem na o ma como as ma cas es ão imp egnadas no sis ema mediá ico e nos p óp ios media e em como é di ícil escapa às suas ama as. Pa a além de, como já imos, o e en o “ModaLisboa” se pa ocinado pela ma ca “Sepho a”, o des ile do Dino Al es e a pa ocinado pela ma ca de gelados “Magnum” e a p esença de uma das en e is adas na epo agem, a ap esen ado a C is ina Fe ei a, enquan o embaixado a da p óp ia ma ca. Mos ando o quan o as on ei as en e as a es, as ma cas e os ícones são cada ez mais énues. E as es a égias de comunicação das indús ias cul u ais endem a c ia cada ez mais um a ibu o de espe acula em edo das celeb idades (Sil a, 2009: 99). Jun ando a celeb idade na p óp ia a e, a a e na p óp ia ma ca, ans o mando a celeb idade num p odu o com al o alo simbólico e come cial. O oco mediá ico dos media nacionais es á em p o unda mu ação e é cada ez mais di ícil aze uma dis inção en e o que se consubs ancia enquan o á ea cul u al, alo ação da celeb idade e a é mesmo publi epo agem. Assim, c esce nos media a p oli e ação das celeb idades e das ma cas, po que é cada ez mais di ícil sepa a a a e do ícone. A c í ica es á a pe de espaço pa a um jo nalismo de di ulgação (Sil a, 2009: 100). E se po um lado, se podem ques iona os limi es do jo nalismo, ao p omo e uma ma ca di ulgando as suas endências de maquilhagem, logó ipo da ma ca e en e is ando uma esponsá el da “Sepho a”, p endendo-se com um jo nalismo de di ulgação. Po ou o, a di ulgação do maio e en o de moda do país, o c escimen o da moda po uguesa no pano ama nacional e in e nacional e uma p eocupação c escen e do público com a imagem, o na-se impe a i o a sua di ulgação. A inal, nes e caso, 33 es amos a p es a um se iço público, com a di ulgação de uma a ia impo an e da economia po uguesa e a da isibilidade a um dos maio es e en os da cul u a po uguesa. E, po ou o lado, indo de encon o ao in e esse do público, sa is azendo os seus gos os no que conce ne a se in o mado sob e as endências e en e ido com as oupas das celeb idades. Assim, o jo nal p es ou a dupla a e a “de e le i nas suas emissões ealidades mul i o mes, não apenas aquelas que chegam às maio ias, mas ambém aquelas que se es ingem a g upos mino i á ios” (Lopes, 1999: 5-6). E cump i ambém a sua unção enquan o p odu o inancei o e “me cado ia cuja sob e i ência es a á i emedia elmen e dependen e da audiência” (Lopes, 1999: 4). A in es igado a Ana San iago, sus en ando-se na ese de To es (2011: 84), de ende que es a cul u a da imagem e a sua c escen e media ização al e a as p á icas cul u ais e aumen a o in e esse pelo ícone, desencadeando numa al e ação das ideologias pelo cul o das celeb idades (San iago, 2013: 4, ci ando Alexand e, 2001: 121). O pode da cul u a da imagem é no ó io na o ma como oi solici ada pela coo denação a inclusão de en e is as e imagens de “c omos”. Te mo usado pa a desc e e os equen ado es da “ModaLisboa” que se es em de o ma exube an e e c ia i a. Exemplo da mudança do pa adigma dos meados do século XX, com a consubs anciação da “imagem em odo o mundo como o p imei o g ande p odu o cul u al” (San iago, 2013: 4). A cons ução das celeb idades di undidas na epo agem enquad a-se, em pa e, na íade de ipologias di undidas pelos media de Edua do Cin a To es (2011: 87-89). Assim, emos a p esença da ap esen ado a C is ina Fe ei a e do manequim Luís Bo ges, que i e am a sua isibilidade pública enquan o agen es cul u ais na á ea da ele isão e da moda; e que aqui assumem a o ma da segunda ipologia ap esen ada po Cin a To es, pois a sua p esença no enunciado jo nalís ico é pela sua “indi idualidade (co po, emoções, ida p i ada, oupas, e c.)”, sob epondo-se à ida p o issional. Po ou o lado, oco e aqui ambém a cons ução da igu a da celeb idade na sua á ea de a uação e enquan o p o issionais da á ea, consubs anciada na igu a do consul o de moda, Ped o C ispim, a ala das p óximas endências de moda e dos manequins a ela a em odo o p ocesso de p epa ação pa a um des ile. A e cei a ipologia é denominada po Edua do Cin a To es po “conhecidos”, pessoas anónimas e iguais ao g ande público que se o nam céleb es pela sua p esença no ec ã, que aqui é azida pela 40 A epo agem “Po ás das G ades” az ainda um po encial emo i o com os con o nos d amá icos da p óp ia his ó ia que, pa a Conboy (2011: 130), ci ado po San iago (2013: 7), ep esen a um aço da a uação jo nalís ica em c escimen o. Po ou o lado, comp eende ambém ca ac e ís icas do denominado “in o ainmen ”, pa a Deja i e (2007: 12) consubs anciado como géne o jo nalís ico. Em conside ação, a sua abso ção pelos media desencadeou-se em p odu os mediá icos de á ias o ien ações edi o iais, desde e is as de especialidade, às chamadas e is as osa, a p og amas de day ime. Es a epo agem enquad a-se ainda no e e ido “jo nalismo de me cado” (McManus, 1994), o público ans o ma-se em clien e e as no ícias em p odu o publici á io do “Clube do Li o SIC”. Obse ando-se uma endência da inclusão des es li os na linha edi o ial da in o mação da SIC. O mesmo con eúdo oi ainda a ado a a és do mesmo enquad amen o, p essupos o e enunciado, po pa e da in o mação e en e enimen o do canal, demons ando, como já imos, uma alegada usão en e o jo nalismo e o en e enimen o. Pa a Deja i e (2007: 2) o “in o ainmen ” ege-se po lógicas de in o mação e de se iço público, e po p eocupações de en e enimen o. Os p essupos os que ca ac e izam es a peça enquan o se iço público já o am amplamen e desco inados nes a análise. Po sua ez, ei e o que é de ex ema impo ância a ende a ou as “necessidades de in o mação do ece o de hoje”, como base à p es ação de um se iço de “coesão social” e de mono o ização e sus en ação dos emas que no eiam e di ecionam as elações e con í io social (Ma esoli, 2003: 15, ci ado po Deja i e 2007: 10). 41 VI – Conclusão A cul u a de ãs impõe-se como con eúdo no icioso nos media nacionais e in e nacionais. E a SIC não escapa a es a endência de inclusão das celeb idades enquan o p odu o no icioso de alo simbólico. Ale o ambém que a de inição do cul o das celeb idades enquan o p á ica comum da linha edi o ial da in o mação da SIC é p ecipi ada e injus a. Cinco meses de expe iência e de obse ação das lógicas de no iciabilidade de um jo nal não podem de ini os c i é ios de no iciabilidade de um p odu o in o ma i o. A minha análise esul a de con ingências empo á ias e de agenda. Resul an es dos e en os cul u ais e ma cos his ó icos/sociais, comp eendidos no pe íodo de no emb o a ma ço, ais como, a inclusão de con eúdos de Ano No o e de e en os cul u ais ma can es, como conce os e e en os de moda. Pa a não ala das no ícias semp e cons an es, na época de Na al, de soluções pa a an ecipa os excessos gas onómicos das es as. Dadas es as linhas in odu ó ias, posso a iança que é di ícil dema ca a impo ância da cul u a das celeb idades na in o mação da SIC. As celeb idades su gem nos jo nais, idos enquan o con eúdos o mais e mais adicionais, e es a abso ção do cul o das celeb idades nos media in o ma i os de e-se às p óp ias con ingências do me cado publici á io e do meio social. O concei o de ‘celeb idade’ é cada ez mais híb ido e imiscui-se em á ias á eas de a uação, esul ando numa mu ação da a e no ícone. A p óp ia imp egnação da publicidade em á ias á eas de a uação, desde e en os cul u ais, às p óp ias es a égias de comunicação, no p ocesso de cons ução das celeb idades, deixa pouca ma gem aos enunciados jo nalís icos pa a escapa em às eias da idola ia. Ag a ando-se a isso a necessidade cons an e de despe a o in e esse do público cada ez mais dispe so e agmen ado. A mu ação do jo nalismo e do en e enimen o, consubs anciando-se no “in o ainmen ,” pode-se conside a enquan o p ocesso de e olução no mal do jo nalismo, não como uma p á ica que de ina oda a p odução jo nalís ica, mas uma pa e do complexo uni e so de emas do jo nalismo. As necessidades de en e enimen o do elespec ado de em e -se em con a e a sua inclusão com lógicas de se iço público, como em mui os dos casos aqui ap esen ados, pode se uma solução pa a escapa ao “jo nalismo de me cado”. Jun ado o se iço público e o 42 in e esse do público no mesmo p odu o, usando as celeb idades e o seu pode de cap ação de a enção, enquan o exemplos de enunciados jo nalís icos com o p essupos o máximo de se iço público. Nas epo agens aqui analisadas não se e i icou uma p imazia da cap ação de audiências a odo o cus o, como alguns eó icos eimam em ale a , mas um acompanhamen o acional das lógicas de me cado e a di usão de mensagens impo an es como a cap ação de ecei as publici á ias na in e ne ; e en os cul u ais de des aque e que le am o nome do país além- on ei as; p omoção de hábi os saudá eis; e ansmissão de exemplos de ida e de his ó ias que podem se i de ale a pa a ealidades sociais que nos escapa iam, sem um olha a en o dos media. Os ac os que ma cam enómenos de agendamen o des e ipo de con eúdos são, em pa e, p essionados pela agenda cul u al e pela necessidade de ep oduzi os e en os de agenda. Po ou o lado, são impulsionados pelo concei o cada ez mais dila ado de cul u a popula , a qual en o ma uma as a a iedade de enunciados cul u ais que, po sua ez, ão al e a os enunciados do p óp io jo nalismo cul u al, cada ez mais híb ido. G aças à abso ção do ícone da a e e uma sob eposição das lógicas da ida p i ada na isibilidade pública. Po ou o lado, cabe ao jo nalis a uma maio a enção pa a não se le ado na co en e das es a égias de comunicação, cada ez mais de gue ilha, e imp egnadas em á eas de a uação que a é há bem pouco empo es a am li es do p ocesso de “celeb i icação” (Jo ge, 2012), como a polí ica. E dado o hia o ju ídico na delimi ação do que é ealmen e es abelecido enquan o p essupos o publici á io numa peça jo nalís ica, o na-se impe a i o pa a o p óp io jo nalis a uma maio p eocupação com a é ica e deon ologia, pa a melho exe ce um exe cício c í ico ace a es es enunciados poluídos pelas es a égias de p opaganda. O público, apesa de conside ado enquan o en idade amo a po mui os eó icos conse ado es das ciências da comunicação, pa a Deja i e (2007: 10) pa ece e a noção das in o mações que isam a sua coesão social e as in o mações que lhe pe mi em exe ce o sen ido c í ico e o agi em sociedade. Pos o is o, não podemos e i a oda a esponsabilidade do jo nalismo ace à sua p es ação de se iço público e de socialização. De endo p es a especial a enção ace aos g upos mais ulne á eis da 43 sociedade, como os jo ens, de modo a minimiza os danos na mediação e ap op iação des e ipo de con eúdos. Em aços ge ais, os a o es ma cam a cul u a de celeb idades na in o mação da SIC, com base nas peças aqui analisadas, p endem-se com:  O a amen o no icioso dados às celeb idades é de aco do com a expansão das suas á eas de a uação, nomeadamen e na ap op iação de á ias á eas de a uação mais adicionais, como a música, a dança e a esc i a; mas assen a ambém em lógicas de isibilidade pública alice çadas na es e a da ida p i ada, cada ez mais consubs anciada enquan o p odu o mediá ico de alo simbólico.  Os enunciados jo nalís icos seguem as mu ações da p óp ia cul u a popula , es alando num jo nalismo cul u al que dá en oque às celeb idades enquan o um p odu o cul u al com no o iedade pública e de alo simbólico. Visibilidade essa que segue lógicas, em simul âneo, dos media usados enquan o obje o de publici ação das celeb idades e as celeb idades enquan o obje os dos media.  As celeb idades su gem no enunciado jo nalís ico enquan o exemplo com po encial emo i o, c escen e endência obse ada po eó icos da á ea, a a és do seu pode de canaliza e despe a as audiências, e i icando-se semp e um p essupos o de se iço público como alo máximo.  Há uma cla a p eocupação de esponde às necessidades de en e e o público, a pa da p es ação de se iço público, eco endo às celeb idades enquan o exemplos e es emunhos de in o mações de se iço público a ansmi i .  Ve i ica-se uma endência pa a a inclusão dos li os do “Clube do Li o SIC” nos enunciados jo nalís icos, semp e que o ema seja de in e esse jo nalís ico e de se iço público.  Oco e ambém a inexis ência de cons angimen os ace à inclusão de celeb idades do g upo Imp esa nos enunciados jo nalís icos, consubs anciando-se enquan o uma necessidade ace aos impe a i os con a uais das celeb idades. 44  O a amen o no icioso dado ao “ ã ju enil, comp eende as lógicas que de inem o compo amen o pad ão es abelecido pelos media enquan o “ ã his é ico”, ca ego izado pela in es igado a Ana Jo ge (2012). Incidindo o ex o jo nalís ico em a ibu os na o dem do “espe acula ”, como o alo dos bilhe es do conce o da “Viole a”; e no “con li uoso”, ocando a in o mação em quesi os no ma i os de um compo amen o pad ão ju enil como “ al a às aulas”. No limi e cabe ao jo nalis a esis i à p essão das indús ias cul u ais e da p óp ia indús ia dos media em p oduzi con eúdos endá eis. Es amos pe an e uma ameaça ao núcleo básico de p incípios que en o mam o jo nalismo, cabendo ao p o issional adap a -se à inclusão das lógicas do cul o das celeb idades na in o mação, com uma a enção edob ada pa a analisa c i icamen e e escapa , assim, às es a égias de ma ke ing das indús ias cul u ais. Po al a de expe iência, e à dis ância, concluo que eu p óp io ui le ado po es as lógicas na p odução de con eúdos no iciosos. Os media muda am os p incípios que de inem as p óp ias celeb idades e as ca ac e ís icas que as en o mam, que não podem se se em iden i icadas e ca alogadas con o me dê jei o ao a gumen o. O que in e essa é que o campo do jo nalismo con inua ambém a se um campo de con li o em que as elhas o mas de legi imação do se céleb e ou da ama es ão a se pul e izadas pelas no as na a i as impos as pelas lógicas das edes sociais. 45 VII - Re e ências Bibliog á icas A igos, Li os/Capí ulos e Tese de Dou o amen o Alexand e, M. (2001). O Papel da Mídia na Di usão das Rep esen ações Sociais. Rio de Janei o, Comum. h p://www.sinp o- io.o g.b /imagens/espaco-do- p o esso /sala-de-aula/ma cos-alexand e/opapel.pd , acesso em 10-04-15. Amo im, P. (2007). A ep esen ação jo nalís ica do design na pe spec i a do in oen e enimen o. Se gipe, Uni e sidade Fede al de Se gipe, h p://sbpjo .kamo ini.kinghos .ne /sbpjo /admjo /a qui os/ind_._pa icia_amo im.pd , acesso em 02-04-15. Cazadei a, P. E. (2014). O Jo nalismo Tele isi o Nas Redes Sociais: As Relações Comunicacionais En e O Mi o E O Fã. 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