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O Teatro do Oprimido: Uma Poética da Transgressão. Formando Espect-Atores

Aniceto, Ana Paula Baião

Abstract

Esta investigação tem como objetivo contribuir para a compreensão da linguagem teatral do Teatro do Oprimido, como uma linguagem estética, epistemológica e social de transgressão. Queremos, com esta investigação, evidenciar que o Teatro do Oprimido, que surgiu na América Latina, é uma poética de transgressão e que essa transgressão lhe confere originalidade e o distancia das convenções teatrais europeias. Baseada numa perspetiva estético–ideológica, pretendemos propor uma outra leitura teatral que não tenha parâmetros eurocêntricos de interpretação teatral. A análise desenvolveu-se a partir do ponto de vista da História do Teatro quer na Europa, quer na América Latina para chegarmos à transgressão que esta investigação considera como inerente ao Teatro do Oprimido. É na intervenção direta com o público, na sua participação ativa, dentro do espaço de representação, que o Teatro do Oprimido cumpre plenamente a sua função: a de ser um ensaio para a transformação de uma realidade opressora. No Teatro do Oprimido a possibilidade dada ao espetador de ser um espect-ator, afastando-o de uma postura contemplativa e passiva, permite a sua transformação em protagonista responsável das suas próprias opiniões que, além de debatidas, podem ainda ser representadas. Neste estudo, adotámos uma metodologia qualitativa para a concretização dos objetivos expostos. É um estudo caracterizado por uma abordagem comparatista que tem como princípio metodológico a análise dos elementos constituintes de uma praxis teatral relativa à produção e receção, nas linguagens teatrais europeias, bem como na do Teatro do Oprimido.

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O Tea o do Op imido: Uma Poé ica da T ansg essão. Fo mando Espec -A o es Ana Paula Baião Anice o Tese de Dou o amen o em Línguas, Li e a u as e Cul u as, Especialidade em Es udos Cul u ais Se emb o de 2016 Ana Paula Baião Anice o, O Tea o do Op imido: Uma Poé ica da T ansg essão. Fo mando Espec – A o es,2016 O Tea o do Op imido: Uma Poé ica da T ansg essão. Fo mando Espec -A o es Ana Paula Baião Anice o Tese de Dou o amen o em Línguas, Li e a u as e Cul u as, Especialidade em Es udos Cul u ais Se emb o de 2016 Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Dou o em Línguas, Li e a u as e Cul u as, especialidade Es udos Cul u ais, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia Fe nanda de Ab eu. AGRADECIMENTOS Que o deixa aqui um ag adecimen o mui o especial à P o esso a Dou o a Ma ia Fe nanda de Ab eu que acolheu desde o início a o ien ação des a ese com odo o seu apoio, incen i o, elucidações e comen á ios aliosos. Que o igualmen e ag adece à P o esso a Dou o a Ca men Má quez Mon es pela sua disponibilidade desde o p imei o momen o. Aos meus pais pelo apoio incondicional sem eles não me e ia sido possí el ealiza es a ese. À minha ia Ca minda pelo seu apoio logís ico que oi imp escindí el nes a caminhada, bem como pela sua amizade e ca inho em ho as mais angus ian es. Às amigas e companhei as des a e apa de ida Rosa e Neus. Bem hajam odos os momen os que passámos jun as e que me ajuda am a ul apassa as di iculdades. Às amigas Rosana e Raquel po exis i em e se em um omb o cons an e nos dias mais cinzen os. À minha amiga Elsa pelo seu incen i o, apoio e o ien ação incondicional em odas as e apas des e p ocesso. A odos os que nunca ecusa am ajuda -me um ob igado mui o especial. Aos meus ilhos ma a ilhosos pela paciência e o amo que semp e i e am ao longo des es seis anos. A odos o meu since o ob igada “[…] não exis e a sociedade que mos a uma coisa só. Ela é um espelho agmen ado que mos a mui as imagens di e en es.” Augus o Boal (2009) 1 INTRODUÇÃO Nes a in odução ap esen amos e e le imos sob e as ques ões que conside ámos essenciais ao longo des a in es igação: 1) O âmbi o, a jus i icação do es udo e os obje i os da in es igação. 2) A pe pe i a da in es igação. 3) A o ganização da in es igação. 4) A es u u a da ese. 1) O Âmbi o, a Jus i icação do Es udo e os Obje i os da In es igação O Tea o do Op imido exis e há 43 anos espalhado pelos cinco con inen es e, segundo o Cen o de Tea o do Op imido (CTO) – Rio, é p a icado em mais de se en a países. O Tea o do Op imido não é um ema ecen e, nem uma descobe a pa a uma in es igação, mas a pe spe i a dessa in es igação e o quad o concep ual que possa se c iado sob e essa p á ica ea al pode ão se únicos. Es a ap esen ação e le e as inquie ações que se o am cons i uindo na minha aje ó ia pessoal, como docen e e como in es igado a. A minha o mação inicial em Tea o, pela Escola Supe io de Tea o e Cinema, de Lisboa, comple ada em 1993, pe mi iu que me candida asse, nesse mesmo ano, a um luga de docen e de Exp essão D amá ica, na Escola Supe io de Educação e Comunicação da Uni e sidade do Alga e. Enquan o docen e e a iz undado a da Companhia de Tea o do Alga e, i e a opo unidade de i encia os dois mundos e de me ape cebe que o ensino da Exp essão D amá ica pa a u u os p o esso es do 1º ciclo do ensino básico e Educado es de In ância se di e encia a, em udo, de um abalho de a o , de uma me odologia de abalho e dos obje i os ea ais. 2 Pela necessidade p emen e de ap ende sob e a Exp essão D amá ica com uma me odologia e e minologia p óp ia, candida ei–me em 1997, a um mes ado em D ama in Educa ion, na Facul y o Educa ion em Ingla e a - Bi mingham. Pelo ac o de o meu cu so inicial se um Bacha ela o, equen ei um ano pa a aze a licencia u a e, só depois, ealiza a disse ação de mes ado. Na e e ida aculdade exis e o cu so de Exp essão D amá ica na Educação e, po esse mo i o, a licencia u a pe mi iu-me e uma o mação eclé ica den o da especi icidade da Exp essão D amá ica e pode con ac a os au o es eó icos anglo-saxónicos da á ea. Du an e esse pe íodo, oi-me dada a opo unidade de conhece uma companhia o mada po p o esso es de Exp essão D amá ica que implemen a am uma me odologia de abalho denominada Thea e in Educa ion (TIE) nas escolas do 1º e 2º ciclo do ensino básico. Essa me odologia consis ia em abo da emá icas de in e esse dos alunos nas á ias escolas po onde passa am. Os alunos inham a opo unidade de ep esen a den o das cenas, comple a as mesmas ou a é modi icá–las. Nessa al u a (1997), não exis ia nenhuma me odologia semelhan e em Po ugal, o que me mo i ou a ap ende mais sob e a mesma pa a a pode i a aplica nas escolas secundá ias da egião onde esidia, o Alga e. No âmbi o da disse ação, subo dinado ao ema “A Exp essão D amá ica no 1º ciclo do Ensino Básico, uma me odologia al e na i a den o da sala de aula” i e a opo unidade de ealiza um es udo de caso sob e um p o esso do 1º ciclo que aplica a nas suas aulas algumas das écnicas do Tea o do Op imido pa a abo da con eúdos escola es. Nesse pe íodo, odo o es udo incidiu na impo ância da linguagem ea al com uma unção educa i a especí ica. O obje i o e a aplica uma me odologia de abalho que se ocasse nos con eúdos escola es a a és da Exp essão D amá ica. Foi en ão que me ape cebi que a me odologia de abalho do Tea o do Op imido é mui o idên ica à de Thea e in Educa ion. Nessa al u a ap o undei a pesquisa sob e as duas me odologias pa a pode pe cebe a mais- alia que ambas a iam às escolas. Quando eg essei a Po ugal, em 1998, ao se iço da Companhia de Tea o do Alga e, apliquei os conhecimen os adqui idos nas pesquisas que inha ealizado ao c ia um P og ama de Tea o pa a a Educação. Es e p og ama consis ia em esc e e e encena uma peça pa a le a às escolas, que se in i ula a O Longo Sono da He oína subo dinada 3 ao ema da d oga. Es a peça e a ap esen ada às u mas e depois os alunos inham opo unidade de a eencena e pa icipa nas cenas e a é de modi ica o inal da peça a pa i das di e en es p opos as que os a o es aziam. Em 2006, c iei e encenei ou a peça, enquad ada no mesmo p og ama de Tea o pa a a Educação, subo dinada ao ema da sexualidade, O Nexo dos Sexos. Com es as duas peças e com o impac o que elas i e am nas escolas po onde passa am, ape cebi-me do quão necessá io se o na a ap o unda o meu conhecimen o e esponde às ques ões que me inquie a am: que especi icidade de e e uma linguagem ea al pa a que chegue a odas as pessoas?; como podemos p omo e o diálogo e da oz a pessoas mais excluídas da sociedade a a és do ea o?; como p omo e , a a és de uma linguagem ea al inclusi a, o deba e social, cul u al, económico e polí ico, em que o p ocesso de c iação dessa linguagem seja da esponsabilidade dos in e enien es, a o es e espe ado es, po o ma a ensaia uma ealidade e, quem sabe, ans o má-la? Passados dezasse e anos como especialis a, docen e e in es igado a no ensino da Exp essão D amá ica e na o mação de a o es, com expe iência ea al no e eno, seja no palco, seja nos bas ido es, p ocu o com es a in es igação, que ep esen a ambém um p ocesso de ma u ação do meu pe cu so p o issional, coloca as ques ões ap esen adas nos pa ág a os seguin es: Conhece as especi icidades da linguagem do Tea o do Op imido; com que peças ou ex os abalham; como são cons i uídos os g upos; que o mação p é ia êm an es de p a ica em Tea o do Op imido; quais os exe cícios e as écnicas u lizadas na p epa ação dos não-a o es pa a cons ui a peça; como se chega às his ó ias e como se passa das his ó ias e dadei as pa a a cons ução da peça; como é a d ama u gia dessa peça; como se cons ói o espe áculo e com que ecu sos ma e iais; quais as ca ac e ís icas do público que ê uma peça de Tea o – Fó um; como é a eceção do público a es a linguagem ea al; se os públicos se mos am pa icipa i os; qual a eação do público quando se pede pa a en a no espaço de ep esen ação e ap esen a as suas p opos as; se há de alguma o ma a possibilidade de a aliação que nos indique a ans o mação do espe ado em espec –a o após a sua ep esen ação. 4 Es as in e ogações iniciais le a am-me a que e ambém ap o unda melho es a p á ica. Sen i assim a necessidade de, jun o de especialis as, expe imen a e p a ica . Pa icipei em 2012 no seminá io Raízes e Asas no Po o e na o mação de Tea o do Op imido módulo I em Lisboa di igido po Bá ba a San os, socióloga, a iz, cu inga, do CTO – Rio, que abalhou di e amen e com Augus o Boal e coo denou a edição da e is a Me axis, a ual esponsá el pelo g upo de Tea o do Op imido Ku inga de Be lim. Em Be lim pa icipei na o mação sob e a écnica, A co-í is do Desejo ambém com Bá ba a San os. Pa icipei na o mação de Tea o do Op imido, com Julian Boal, ilho de Augus o Boal, no encon o Op ima 2013, onde iquei a conhece e a p a ica melho a me odologia do Tea o do Op imido. Em 2014 coo denei um es ágio p o issional no âmbi o do Tea o do Op imido, ao Cu so de A es do Espe áculo da Escola Secundá ia Tomás Cab ei a. A ualmen e aço pa e do g upo A Ped a no Sapa o do G upo de Tea o do Op imido do Alga e (GTOALG) como a iz e cu inga. Es e pe cu so pe mi iu-me assim iden i ica ques ões conc e as que guia am es e es udo e que me no ea am na p ocu a de in o mação sob e o es ado da a e na pesquisa bibliog á ica. Nessa pesquisa bibliog á ica sob e o es ado da a e, depa ámo-nos en ão com mui os con ibu os eó icos que se deb uçam sob e a unção social, educa i a, pedagógica, e apêu ica e polí ica do Tea o do Op imido jun o das comunidades. Segundo Pâmela Pe eg ino C uz (2011), no le an amen o que e e uou na disse ação de mes ado subo dinada ao ema A cen alidade do diálogo na dimensão pedagógica do Tea o do Op imido: en e a maiêu ica soc á ica e a pedagogia do Op imido, sob e eses e disse ações en e 1987 e 2010, no B asil exis em 28 abalhos sob e o Tea o do Op imido, sendo 18 disse ações de mes ado e 10 eses de dou o amen o, em á eas mui o di e sas como educação, psicologia, en e magem, ea o, a es cénicas en e ou os. Inês Ba bosa (2011,25), cu inga do Núcleo de Tea o do Op imido de B aga (NTO) e in es igado a e e e que: Nou os países, especialmen e no B asil, de onde é o iginá io, encon amos es udos sob e o Tea o do Op imido em a iadíssimas á eas. A í ulo de exemplo, podemos encon a eses académicas na á ea da Educação (Pa anhos, 2009; Mendes, 2000; Mon ecinos, 2005); 5 Educação Social (Go chs, 2008; Teixei a, 2007); Psicologia (Nunes, 2004; Ped oso, 2006); A es Cénicas (Colomé, 2009); Filoso ia (Gokdag, 2002); Di ei o (Ca nei o, 2006); Ciências da Comunicação (Cas o, 2006) ou a é de Economia (Leal, 2010). Em Po ugal podem encon a -se, à da a, dois abalhos académicos sob e o Tea o do Op imido: uma ese de dou o amen o da Uni e sidade de Lisboa, Cidade e Cidadania (a a és da A e). O Tea o do Op imido na Região Me opoli ana de Lisboa, de And é Ca mo (2014) e uma disse ação de mes ado da Uni e sidade do Minho, Jo ens e o Tea o do Op imido: ( e) c iando a cidadania, ( e) cons uindo o u u o, de Inês Ba bosa (2011). Em cu so encon ámos ambém a ese de dou o amen o de Susana Guima ães, Do Tea o do Op imido ao Tea o Pa adoxal do cu so de Es udos A ís icos da Uni e sidade de Coimb a. Ape cebemo-nos, no en an o, que não exis iam con ibuições eó icas sob e a especi icidade da sua linguagem ea al que a apon a am como necessá ia pa a que o Tea o do Op imido cump isse a sua unção: “[…] a) a ans o mação do espe ado em p o agonis a da ação ea al; b) a en a i a de, a a és dessa ans o mação, modi ica a sociedade, e não apenas in e p e á-la.” (Boal 1998, 319) De endemos que a ansg essão necessá ia do espaço de ep esen ação pelo espe ado , pa a que se o ne p o agonis a da ação a a és da ep esen ação, c iando uma in e pene ação en e o espaço de cena e o espaço da pla eia, não é ca ac e ís ico do ea o eu opeu, ac o que ao longo des e es udo amos pode comp o a , que a a és da pesquisa bibliog á ica que ealizámos, que a a és do mé odo compa a i o com a cons ução de um modelo de análise onde compa amos as linguagens ea ais eu opeias e a linguagem ea al do Tea o do Op imido. De aco do com a jus i icação do es udo e as lacunas ap esen adas, elegemos dois obje i os especí icos conc e os: a comp eensão do con ex o de su gimen o e desen ol imen o da linguagem ea al do Tea o do Op imido, suas especi icidades e ca ac e ís icas, que jus i icam no as con enções em compa ação com as con enções das linguagens ea ais eu opeias e pos e io e lexão sob e a ansg essão es é ica e 6 ideológica da linguagem ea al do Tea o do Op imido como undamen ais pa a essa compa ação. Que emos, com es a in es igação, e idencia que a sua poé ica de ansg essão lhe con e e o iginalidade e a dis ancia dos pad ões e con enções ea ais eu ocên icas do aze e do e ea o. De ac o, é na in e enção di e a com o público e na pa icipação a i a des e, den o do espaço de ep esen ação, que o Tea o do Op imido cump e plenamen e com a sua unção. Segundo Boal (2009, 163), o “TO é um ensaio pa a a ans o mação do eal e não apenas um enômeno con empla i o, po mais ans o mado a que a con emplação já possa, em si mesma, se .” Es a in es igação, pelo seu ca ác e compa a is a p e ende ealça a linguagem do Tea o do Op imido como uma linguagem ea al di e en e das linguagens ea ais eu opeias, com códigos d amá icos e ea ais bem de inidos que cons oem um discu so especí ico dos seus p odu o es, nes e caso, os op imidos. Des a o ma, es e es udo p e ende analisa , po um lado, as con enções ea ais que se al e a am con o me as épocas e os con ex os na Eu opa e que c ia am uma no ma pad ão do aze e e ea o; po ou o, de que o ma e em que con ex o o Tea o do Op imido su ge, p opondo no as con enções e u u as na eceção e p odução da linguagem ea al que, segundo Domingo Piga, no seu a igo de 1974, com o í ulo “Tea o Popula ”, co espondem mais às necessidades do po o ou às ca ac e ís icas especí icas da sociedade la ino-ame icana. Ainda de aco do com Piga (1974) na an ologia de Ge a do Luzu iaga (1978), que eúne á ios ensaios sob e a impo ância do Tea o Popula na Amé ica La ina, a necessidade de encon a uma o ma de Tea o Popula p endia-se com o ac o de os países da Amé ica La ina e em impo ado, du an e séculos, o mas, écnicas, con eúdos e d ama u gias eu opeias, com as quais a maio ia dos a o es e espe ado es não se iden i ica a ou em cujos compo amen os não se econhecia: Nues a ealidad social supe a las ealizaciones y concepciones eu opeas. Es u imos du an e an os años, di íamos siemp e acos umb ados a que oda la cul u a nos llega a de Eu opa. Hemos i ido de cul u a e leja. Fuimos españolizados, a ancesados, 7 anglosajonizados, sajonizados, y luego yanquizados. (Piga 1974,ci ado po Luzu iaga 1978, 11) Pelo acima desc i o, ac edi amos que o Tea o do Op imido pela sua linguagem ea al única e adap ada a cada público com o qual abalha, ouxe pa a o pano ama ea al uma es é ica que não é uma con on ação com as es é icas ea ais eu opeias. T a a-se de uma es é ica em que os pa âme os pelos quais se o ien a não se adequa às eg as, no mas e con enções do mundo a ís ico eu opeu, po que econhece, acei a e abalha com a es é ica pa icula de cada se humano como po encial a is a, c iado do seu p odu o ea al. Pa a es e es udo iden i icámos qua o ques ões de in es igação que conside ámos necessá ias pa a esponde aos obje i os especí icos de compa a as con enções ea ais do aze e e ea o, enquan o linguagem ea al eu opeia com as con enções que es a in es igação conside a que o Tea o do Op imido ouxe pa a a p odução e eceção ea al, po o ma a e idencia a sua poé ica da ansg essão como a essência da sua o iginalidade. Assim essas ques ões são as seguin es:  Qual a linguagem ea al eu opeia que ca ac e iza um aze e e ea o? – no plano da cons ução do ex o, da p epa ação do a o , da escolha do espaço de ep esen ação, da cons ução do espe áculo, da in e enção do espe ado ?  Qual a linguagem ea al especí ica do Tea o do Op imido que ca ac e iza um aze e e ea o? – no plano da cons ução do ex o, da p epa ação do a o , da escolha do espaço de ep esen ação, da cons ução do espe áculo, da necessidade da in e enção do espe ado .  De que o ma a in e enção do espe ado , com p opos as de al e ação à si uação ap esen ada no espaço cénico, pode o na es a linguagem ea al numa poé ica de ansg essão?  De que o ma essa ansg essão lhe con e e o iginalidade e di e enciação? Conside ámos dois momen os-cha e: o p imei o momen o co esponde aos capí ulos I e II, con ex ualiza um pe íodo his ó ico como undamen al, pa a pos e io men e comp eende mos a ap esen ação de um concei o p óp io de ansg essão ine en e a uma linguagem p o enien e da Amé ica La ina. O segundo 8 momen o co esponde ao capí ulo III e IV e eme e-nos pa a o modelo de análise, que ap esen a as componen es e os indicado es es u u an es que i ão guia o es udo compa a is a sob e con enções ea ais onde p ocu ámos iden i ica concei os comuns e di e gen es, que nos elucidassem sob e o que, a a és de á ias lei u as, pode se conside ado uma p axis ea al. Da análise de di e sos au o es sob e a his ó ia do ea o conside ámos que, pa a es e es udo, as componen es que compõem uma p axis ea al são: o ex o, a c iação do espe áculo, o a o e o espaço de ep esen ação. No en an o, po que compa amos nes e es udo linguagens ea ais que conside amos se di e en es, incluímos na nossa abela mais uma componen e como p axis ea al, a do espe ado e seus indicado es, uma ez que es a in es igação conside a es e elemen o pa e in eg an e do aze ea al. 2) A Pe spe i a da In es igação De aco do com Guba e Lincoln (1994, 109), uma pe gun a se impõe quando nos e e imos ao enquad amen o epis emológico de uma in es igação: “Wha is he na u e o he ela ionship be ween he knowe o would-be knowe and wha can be known?”. Pa a es a in es igação o enquad amen o epis emológico e e e-se não só à elação en e o que sabemos e o que emos, mas ambém ao posicionamen o do in es igado que é condicionado em unção da sua his ó ia de ida em sociedade. Pela especi icidade da linguagem do obje o de es udo e pelo con ex o cul u al, social e polí ico de onde su giu, es a in es igação omou como posição epis emológica aquela que isa a comp eensão de uma linguagem ea al su gida o a da Eu opa e um olha pa a essa ealidade especí ica, a pa i de no os cen os de pensamen o social inco po ando ambém ou as pe spe i as de e o mundo. Conside amos que, pa a es a in es igação, es a posição epis emológica e á de inco po a conhecimen os al e na i os e conhecimen os ma ginais, na senda do p econizado po Boa en u a de Sousa San os (1988) quando a i ma que “[…] é hoje econhecido que a excessi a pa celização e disciplina ização do sabe cien í ico, az do cien is a um igno an e especializado e que isso aca e a e ei os nega i os” (64). Assim a abo dagem des a in es igação sob e a linguagem ea al do Tea o do Op imido, sem uma in e p e ação eu ocên ica, é uma posição epis emológica que 9 de ende a impo ância da pe spe i a al como Boa en u a de Sousa San os, na sua ob a O Di ei o dos Op imidos ao ad oga que “[…] esc e e sob e uma coisa signi ica esc e e [a pa i ] da ma gem dela: nunca do cen o dela. Po isso, a pe spec i a é a essência da esc i a” ( San os 2015, 351). Como posição epis emológica deb uçámo-nos igualmen e sob e um concei o p óp io de ansg essão que coloca á em ques ão, al como Sil iano San iago (2000), a não dependência cul u al, que se de e ins i ui não como o des io da no ma, des uido a dos elemen os ea ais eu opeus, mas como uma p opos a ea al legí ima que que a as a -se dos modelos eu ocên icos de e e do aze ea o. Es e concei o de ansg essão da linguagem ea al do Tea o do Op imido baseou-se ambém numa p opos a de o pe spe i a mos segundo a É ica da Libe ação do ilóso o a gen ino En ique Dussel (1977), que ai ao encon o dos p incípios do Tea o do Op imido, como a não subjugação de sujei os po ou os. O concei o de ansg essão, nes e es udo, que de ende p ecisamen e a não hie a quização de conhecimen os, segue igualmen e a de esa de Boa en u a de Sousa San os (2010) sob e as epis emologias do sul como “[…]um conjun o de in e enções epis emológicas que denunciam essa sup essão, alo izam os sabe es que esis i am com êxi o e in es igam as condições de um diálogo ho izon al en e conhecimen os” (13). Nes a linha de pensamen o, conco damos igualmen e com Edga do Lande (2005) quando c i icamos apenas uma lei u a his ó ica uni e sal de conhecimen o na comp eensão dos enómenos o nando esse conhecimen o “[…] nos pad ões a pa i dos quais se podem analisa e de ec a as ca ências, os a asos, os eios e impac os pe e sos que se dão como p odu o do p imi i o ou o adicional em odas as ou as sociedades” (27). Pelo acima expos o, mas ad e indo, al como Sousa San os (2010), que o econhecimen o não é uma ideia de subal e nização, econheçamos que há oda uma his o iog a ia ea al eu opeia que em mui o in luenciou Augus o Boal (1979) - sublinha- se que o au o é na u al do B asil país colonizado po eu opeus -, du an e o seu pe cu so ea al enquan o encenado , ea ólogo, d ama u go, nomeadamen e no Tea o A ena de São Paulo. Ainda que se econheça que os modelos ea ais que exis iam na época 16 17 CAPÍTULO I – VISÃO HISTÓRICO-COMPARATISTA 18 19 CAPÍTULO I –VISÃO HISTÓRICO-COMPARATISTA In odução Assumimos que o p ocesso de seleção dos acon ecimen os his ó icos é indissociá el do p ocesso subje i o da imagem que azemos de um acon ecimen o his ó ico. Assim sendo, es e capí ulo não p e ende e a a a ealidade al como ela o oi; p e ende, obedecendo a uma lógica de escolhas, c uza on es e documen os e a pa i das in o mações neles con idas ca ac e iza as linguagens ea ais que são de ele ância pa a es e es udo, que ma ca am o inal do século XIX e odo o século XX a é à a ualidade na Eu opa e que o am in luências dominan es na Amé ica La ina. Conco damos com as pala as de Lé i-S auss (Rees e Bo zello, 1988) quando es e nos ad e e pa a a impossibilidade de esc e e a o alidade da his ó ia dos acon ecimen os. Que emos e a a as ans o mações ea ais oco idas nesse pe íodo, como incon o ná eis pa a o ea o que se az hoje em dia, uma ez que ouxe am pa a o espaço cénico no as p opos as plás icas e d ama ú gicas, aliadas aos a anços cien í icos e ecnológicos. Su ge um a amen o mais analí ico e in es igado das emá icas, con e indo assim um eno ado papel ao encenado , que a inge a impo ância que lhe é econhecida nos dias de hoje (Solme 1999). Sublinhamos que o obje i o des a esenha his ó ica é o de analisa , já numa pe spe i a compa a i a, as linguagens ea ais, al como e e ido na bibliog a ia da especialidade, que p o oca am as mais impo an es u u as da his ó ia do ea o, conside ando es e pe íodo como o nascimen o do ea o mode no, em que as sucessi as queb as de pa adigmas de ini am mudanças ao ní el dos emas do ex o d amá ico, da conceção de pe sonagem, do abalho do a o e da in odução da impo ância cénica como elemen o simbólico (Fe nandes, 2011), com a linguagem ea al do Tea o do Op imido e o seu a as amen o da conceção e eceção ea al eu opeia. 20 Pa a al, ac edi amos ambém que, independen emen e das sucessi as ans o mações e expe iências ea ais, oi nes e pe íodo que se deu a implemen ação de ini i a de concei os como o da qua a pa ede e da posição passi a do espe ado , que mais adian e desen ol e emos, e que a a essa am odo o século XX. Es es concei os subsis em ainda em mui as p opos as ea ais. Pa a es a in es igação, a in luência do con ex o social, económico, polí ico e cul u al e o su gimen o das di e en es mani es ações ea ais, e es i -se-á de ex ema impo ância pois pa ilhamos da opinião que o ea o es á in imamen e ligado à unção da a e, enquan o o ma ísi el que o ganiza na me á o a o quo idiano, e só essa pe spe i a pode á aze sen ido pa a uma pos e io análise, que do su gimen o do Tea o do Op imido que da sua linguagem ea al, que, ao cons i ui -se como uma linguagem inse ida numa ealidade polí ica e social, ambém é pa e dela. Como sublinha Hause (1973), o indi íduo e a sociedade p econizam uma elação de dependência mú ua e os con ex os sociais são a base pa a a modelação do indi íduo. A sua indi idualidade mani es a-se a a és da consciência de uma ealidade social. O mesmo au o e e e ainda que a a e em um ca ác e his ó ico e que as a i udes e ealizações cul u ais es ão dependen es da exis ência his ó ica. O a is a ep esen a pessoas e si uações de um dado momen o his ó ico. No caso do Tea o do Op imido, os a is as ep esen am-se a eles mesmos e a ou os que pela solida iedade ou analogia se iden i icam com o p odu o a ís ico que ep esen a pessoas e si uações que his o icamen e e em odas as cul u as so em o mas de op essão. De aco do com Bá ba a San os, socióloga b asilei a, cu inga e coo denado a do CTO – Rio (Cen o de Tea o do Op imido do Rio de Janei o) du an e duas décadas com Augus o Boal, a ualmen e di e o a a ís ica do KURINGA de Be lim, as mani es ações ea ais são imagens comunicacionais de uma pe ceção da ealidade e segundo a mesma au o a “Quan o mais po en e o essa imagem, maio se á a e icácia de sua comunicação […] A imagem do eal ap oxima e simpli ica o acesso à ealidade que, mui as ezes, pa ece inacessí el e incomp eensí el” (San os 2016,334). Em Oli ei a Ba a a (1980), na sua an ologia de ex os sob e es é ica ea al, encon amos es a a i mação que sublinha essa in luência dinâmica en e a sociedade e 21 o p odu o ea al, quando a i ma que o ea o de e se uma “ o ça ac uan e sob e a comunidade que lhe inspi a os emas e con li os que p ocu a ep oduzi ” (Ba a a, 1980, p. 11). O diálogo do ea o com a sociedade encon amo-lo semp e que exis i em a is as que e le em sob e o con ex o em que se si uam, a o ma como podem in e i nesse con ex o e a é modi icá-lo. O Tea o su ge com a his ó ia da humanidade e as elações en e ambos es ão ci cunsc i as a uma de e minada época, num dado luga . Não é sem jus i icação e eceio que semp e que cessa o diálogo en e o cidadão e a cidade po o ça do pode ins i uído, as mani es ações ea ais são as p imei as a se em censu adas e a é eliminadas. Exis em egis os dessa censu a logo no Impé io Romano, na e a c is ã, “O Concílio de A les p opõe aná emas e p esc ições a jog ais, sal imbancos e ac o es” (Vasques, 2003, p. 28). Na Idade Média, como con olo de uma ideologia po pa e da Ig eja, “ as pe seguições eligiosas a ac o es acen uam-se. O pode ci il e eligioso assume o con olo sob e as ep esen ações ea ais” (Solme 1999, 280). Nas di e en es di adu as do século XX, “Ago a com a ep essão, nem palco nem pla eia: o po o inha sido expulso dos ea os, sindica os, associações pa óquias – po o p oibido. Tea o ou a ez assun o de classe média e in elec uais” (Boal 2000, 230). Em Cha le (2012), no li o A Gênese da Sociedade do Espe áculo, az-se e e ência à o e inge ência do Es ado a a és da censu a ea al que, po exemplo em Ingla e a, só oi abolida em 1960. As di e en es mani es ações ea ais na Eu opa, seja a a és das di e en es p opos as de ex os e emas, seja a a és das di e en es conceções do espe áculo ou a a és das di e en es p opos as de espaços ea ais e ca ac e izações do espaço cénico, so e am as espe i as ans o mações pela o ma como o pode ins i uído se elacionou com essas mani es ações e a o ma como o pode económico-polí ico pe mi iu, em di e en es épocas, uma maio p oli e ação de d ama u gos e companhias (Solme , 1999). Se o con ex o his ó ico, como di o an e io men e, se i á como on e de inspi ação pa a as di e sas linguagens ea ais es as, po sua ez, se i ão em di e en es 22 épocas pa a in luencia , ins iga e ans o ma o espe ado a pa i do que ê sob e a sociedade. 1.1. Resenha His ó ica das P opos as Tea ais dos Finais do Século XIX à P imei a Gue a Mundial na Eu opa Es e p imei o pon o p e ende abo da numa pe spe i a his ó ica, a a és do c uzamen o de on es e documen os, as di e en es linguagens ea ais do inal do século XIX à p imei a gue a mundial, na Eu opa, nomeadamen e nos países onde as p opos as ea ais o am mais ma can es e ao mesmo empo in luências pa a além-ma , como na F ança, Alemanha, Ingla e a e na an iga União So ié ica. Os países escolhidos ep esen am cen os de lu as sociais e polí icas e um público as o e di e si icado (Cha le, 2012). Nes a esenha ge al, não conseguíamos inclui odos os acon ecimen os complexos que nesse pe íodo empo al p oduzi am um núme o inc i elmen e ex enso de on es. Assumimos po um lado, que a emos uma esenha das ans o mações das linguagens ea ais que o am mais ma can es em Augus o Boal enquan o encenado e ea ólogo e que, po ou o, po ambém não se obje i o des e es udo aze uma no a his ó ia do ea o, deixa emos no anonima o inúme os au o es encenados e p oduções ea ais que ca ac e izam a complexidade do mundo do espe áculo, como nos ale a Cha le (2012). Conside amos as mani es ações ea ais abaixo mencionadas como incon o ná eis pa a o ea o que se az hoje em dia, uma ez que e oluciona am o espaço cénico com no as ó mulas de ep esen a as elações sociais modi icando o imaginá io do espe ado . Du an es ês séculos, o enómeno ea al ai i e da pala a ou, como sublinha Rykne (2004), da d ama u gia da pala a, das g andes i adas, da declamação. As eo ias ea ais em F ança a é 1880 se iam ma cadamen e sob e a impo ância do ex o ea al (Roubine 2003). A es é ica des e pe íodo esponde ambém aos enómenos polí icos, sociais e económicos. Nas companhias p oli e am a o es, ou seja, há mais papéis pa a dis ibui 23 e o público da época – os mona cas e os bu gueses – exigia abundância e espe acula idade nos ecu sos cénicos e no ex o (Solme , 1999). No en an o, a es é ica ea al em igo no século XVIII já não co espondia ao empo his ó ico de mudança; e a necessá io que su gissem ou os poe as d amá icos e ou as encenações. As mudanças nas no as p opos as ea ais e le iam ambém as mudanças sociais que i am eme gi uma no a classe social, a bu guesia: É que, em um século, a sociedade ancesa e oluiu conside a elmen e. A bu guesia omou consciência do seu peso econômico e de sua impo ância polí ica dian e de uma nob eza equen emen e desdenhada. É ela que equen a os ea os, que discu e nos salões e nos ca és que é o e men o da ida in elec ual. (Roubine 2003, 67) O século XIX ouxe mudanças no que conce ne à cons ução do ex o d amá ico, à implemen ação da encenação e conceção cénica do espe áculo, pelo ac o de, po exemplo, se in oduzi em inais do século a luz elé ica, o que ambém mo i a ia o su gimen o de no os géne os ea ais. Es e oi o século dos d ama u gos, dos encenado es e ea ólogos mode nos que in luencia am pa a semp e o ea o do século XX, ambém na Amé ica La ina. O século XIX deixou–nos inúme os legados, ais como: a segunda e olução indus ial, u o da neocolonização inglesa e ancesa; um elacionamen o di e en e en e os indi íduos; a mecanização e a no a lógica abalho/p odu i idade, que ie am al e a os alo es sociais e os cos umes. Assis e-se a um p og esso do eminismo, a uma no a men alidade que se ai e le i nas massas, nos go e nos e ambém nos a is as, po que, como de ende Cha le (2012), oi nes a época que se c iou uma sociedade do espe áculo nas dimensões social, polí ica e cul u al. O modelo capi alis a de p odução e os p incípios bu gueses da sociedade de am o igem a um no o ambien e in elec ual. As massas e am ca ac e izadas po assala iados e abalhado es ou po donos e pa ões. Al e a am-se as condições de ida e o p ole a iado é a no a classe social. Mas assis e-se, ambém no inal do século XIX e no p incípio do século XX, ao c escimen o das cidades que se ão polos de a ação pa a as massas campesinas, bem como pa a os in elec uais e a is as. Essas cidades se ão Pa is, 24 Ames e dão, Munique e Mosco o (Sp occa i 1994), bem como Viena, Be lim e Lond es nos inais do século XIX a é meados do século XX (Cha le 2012). Os no os concei os do século XIX são: a mecânica, o abalho, a po ência, a ene gia, a hid áulica, a acús ica, a ó ica, o magne ismo, a ele icidade, a es á ica, a dinâmica. Nes e ambien e de dinamismo, elocidade, desen ol imen o ecnológico, cons uções e guindas es, su gem no as ob as a qui e ónicas que ma cam a paisagem eu opeia. Po oda a Eu opa os a is as ão-se ape cebendo do mundo em mudança e iginosa (Goldbe g 2007). Es e cená io de mode nidade – pelo eno me a anço na ciência e na ecnologia, pelo es ímulo económico, pelo desen ol imen o social, pela al e ação das elações en e o homem e a na u eza e o homem e o seu co po – se á palco de um ealismo p o undo nas di e en es mani es ações a ís icas. Realismo que modi ica á pa a semp e a in e p e ação do homem sob e a ealidade e o ques ionamen o da mesma pelo indi íduo comum, pelos in elec uais, pelos a is as, pelos polí icos e pelos ilóso os. Segundo Helena M. Je ónimo (2002), as mudanças de pa adigmas dos inais do século XIX e odo o século XX só o am possí eis de ido ao posi i ismo que a ciência mode na ouxe à e a indus ial e que ma cou o p og esso humano. Nes e cená io, podemos coloca en e ou as, duas co en es ilosó icas, sociológicas e polí icas como undamen ais na in e p e ação e obse ação da ealidade que ão ma ca odo o século XX. Po um lado, a do pai do posi i ismo, Augus o Com e (1798-1857), que de ende ia a eo ganização social baseada na ciência e na indús ia e coloca ia a sociologia como a ciência que subs i ui ia a eologia no conhecimen o da humanidade. Po ou o lado, a de Ka l Ma x (1818-1883), seu con empo âneo, que mesmo de endendo uma sociedade mode na baseada na ciência, no p og esso, na indús ia e no a as amen o da eligião nessa eo ganização, le an a a ques ão, pela p imei a ez, da lu a de classes e do ca ác e alienan e do sis ema capi alis a. Face a es as posições ilosó icas e sociológicas, que domina am odo o século XX, e que mui o p o ém do p og esso cien í ico e de uma acele ada e olução ecnológica, assis imos a uma p oli e ação de angua das em odos os quad an es a ís icos: 25 Os empos e oluem impondo no as ealidades. Po conseguin e, é necessá io um p og ama de eno ação emá ica, o mal e linguís ica capaz de in e p e a e ep esen a a sua quin essência. En e 1909 e 1916, são publicados mais de cinquen a mani es os: da pin u a, do ea o, da li e a u a, da dança, da cozinha, e c […] Da mesma o ma o ca é- ea o é o luga ideal pa a a expe imen ação linguís ica e o encon o com o público, que pa icipa num e dadei o espe áculo ea al du an e os nume osos e p o oca ó ios “se ões u u is as”. (Sp occa i 2000,163-164) As no as p opos as ea ais ambém não são indi e en es a es as e oluções e, po isso mesmo, encon amos di e en es especi icidades do aze ea al. Po exemplo, na passagem do século XIX pa a o século XX, à luz das no as descobe as cien í icas, os di e en es encenado es, a o es e p odu o es pude am implemen a no as abo dagens ea ais, no os emas, no os ex os e in e p e ações di e en es segundo as no as possibilidades que a disciplina do a o pe mi ia ao encenado exigi . A dualidade en e ex o d amá ico e ex o de espe áculo acen uou-se e o espe áculo e a sua espe i a unção ganham mais impo ância – o encenado passa a se conside ado como um no o c iado , po que que “na eme gência do encenado , a elação au o / ex o/público é descons uída, ha endo a descen alização das p e oga i as c ia i as e exp essi as que epousa am exclusi amen e nas mãos do au o e do seu ex o” (Mo a 2012, 45). Podemos e i ica que as ans o mações oco idas nos inais do século XIX e início do século XX, dos ex os d amá icos, da conceção plás ica do espe áculo, da encenação e da p epa ação do a o , se de am em pa alelismo com as e oluções sociais, económicas, polí icas, cien í icas e cul u ais, pois só à luz dessas mudanças podemos pe cebe e concebe de e minadas es é icas ea ais. As encenações coloca am em palco no as d ama u gias, no as p opos as plás icas e a é no os a o es que se i am p oje ados socialmen e ace à mode nidade p oje ada no ea o pois “o po o, as mulhe es, os jo ens, e e nos dominados pelas 32 Pisca o , sob os ideais Ma xis as, coloca a ónica do aze ea o na pe spe i a da sua uncionalidade e u ilidade. Es a no a o ma de aze um “ ea o o al” se ia in luenciada pela escola de a es e o ícios, denominada de Bauhaus. Segundo Molina i (2010), a Bauhaus, di igida po Wal e G opius em 1927, em Dessau, p oje ou pa a Pisca o um espaço que undisse o espaço de ep esen ação com o público. Pisca o de endeu a u ilidade e a uncionalidade da a e e o concei o de não neu alidade (g i o nosso) em ea o. I ao ea o não de e ia se conside ado como en e enimen o onde os espe ado es apenas ap eciam e dis u am sem in e enção. A linguagem ea al inha como unção o na a audiência mais pa icipa i a, p omo endo a e lexão e o deba e sob e a peça isualizada. Com Pisca o , assis imos a uma no a unção pa a o aze ea al. Es e de endeu o ea o com uma unção educacional, em que o que se p ocu a a e a a e lexão sob e o que se ê e não as emoções. Es a conceção ea al oi con inuada po Be old B ech com o ea o didá ico e o ea o épico. Pisca o implemen a ia o ea o – mani es o como o ma de agi ação das pla eias pa a aze polí ica e não pa a en e e . A o e sob e udo encenado , Pisca o de endeu um ea o no o, um ea o que e le isse his ó ica e socialmen e a ealidade. Com es e encenado assis imos ao início de um ea o e olucioná io que oi um ea o con a a “classe bu guesa”, um ea o que co ou com as o mas de a é aí ep esen a , de a a os emas e a é de elacionamen o com a pla eia. Fundamen almen e, oi um ea o que se iu pa a a omada de consciência da pla eia da ealidade e que isa a “a imedia a e di ec a in luência na ans o mação da ida” (Vasques 2007, 8). Pisca o (1968) in oduziu no os elemen os d ama ú gicos que o am p ecu so es da o ma “Tea o Épico”, ais como: a in odução do na ado – comen ado , ins alação de cenas simul âneas, p ojeção de ilmes e documen á ios; que se iam po ezes como elemen o cénico, azendo pa a a cenog a ia ambém no os concei os, nomeadamen e o de que a cenog a ia não e a só “«ilus ação», «deco ação», mas en ol ia um de e minado en endimen o da acção, desempenhando um papel ac i o e cons i uindo um elemen o da p óp ia es u u a d amá ica” (Vasques 2007, 15). 33 Pisca o , a a és das suas ideias e u opias, de endeu o concei o do “Tea o Global” (Vasques, 2007). Es e concei o de “Tea o Global” p e endia, po exemplo, aboli a sepa ação en e o palco e a pla eia, nomeadamen e co ando com ce os elemen os que dis ancia am o público do espaço de ep esen ação como o osso de o ques a e o pano de boca. O espaço de ep esen ação se ia odeado pelos espe ado es. Ainda de aco do com a mesma au o a es e concei o de “Tea o Global”, de endido ambém po Meye hold enquan o in enção ou p oje o, embo a não i esse sido ealizado, deixou, no en an o, semen es e e lexão pa a p á icas u u as que amos encon a em Boal nas suas encenações no Tea o A ena e depois com o Tea o do Op imido: a abolição de ini i a da sepa ação en e o palco e a pla eia. Na senda da isão ma xis a do aze ea al, iniciada com Pisca o , encon amos, no século XX, um dos mais ele an es encenado es a aze pa a o ea o o seu en endimen o semió ico - didá ico e não emocional de aze ea o: Be old B ech (1898-1956), d ama u go, poe a, encenado , eó ico ea al e cineas a (Solme 1999). B ech oi o di e o e d ama u go mais in luen e do século XX (Molina i, 2010). Di e o da companhia ea al Be line Ensemble ma cou a ep esen ação com a sua p opos a de ea o épico e implemen ou uma no a escola de ep esen ação em que exigiu dos seus a o es o ges o de mos a ao público compo amen os da pe sonagem (B ech 1978). B ech ouxe pa a a cena uma no a o ma de encena e ob iga o iamen e de ep esen a , pois odo o seu ea o co a com o ealismo na cena, opondo a ep esen ação do seu a o à da ep esen ação do a o p opos a po S anisla ski. A in enção na encenação oi a de ap esen a ao espe ado a di e ença en e o uni e so do ex o e o uni e so da cons ução pessoal (encenação) do espe áculo, com o obje i o de, nesse exe cício, c ia um “ «es anhamen o» – «dis anciamen o» ” (Vasques 2003, 156). Pedia-se ao espe ado que não c iasse empa ia com as pe sonagens nem que deixasse nas mãos delas o seu des ino, mas sim que osse um público, “«p odu o », obse ado e c í ico da ação, sendo ele p o ocado a oma decisões” (Oli ei a 2006, 3). Fundamen almen e, o que se coloca a em causa nes e no o ea o e a a p opos a a is o élica de se e e aze ea o. A unção dos a o es não e a ago a de mos a as 34 emoções das pe sonagens nem de p o oca empa ia com o público pa a que es e, a as ado pelas emoções, so esse a ca a se, mas sim a p opos a de pedi ao público uma eação c í ica ao que ia. Pa a es e e ei o, B ech p opôs uma no a o ma de ep esen a , uma écnica que osse um (caminho pa a) e não um im, em si. O a o des e no o ea o ai ago a consolida -se, pois ele se á o esponsá el pela ligação en e o que se ê e o espe ado : O T abalho do a o é undamen al pa a que o dis anciamen o alcance seus obje i os. É o a o que az a ligação en e o ex o e o espec ado . O a o de e se ele mesmo. Ele não pode desapa ece a ás do pe sonagem, ele de e mos a -se como a o e mos a o pe sonagem. Assim, o espec ado ê o a o que mos a e que se mos a, e o pe sonagem que é mos ado. (Oli ei a 2006, 5-6) Com B ech , desapa eceu a qua a pa ede que há mui o ha ia sido c i icada com as p opos as es é icas de A aud (1896-1948), Pisca o (1893-1966), e Meye hold (1873 -1940). B ech com uma ca ei a mais longa e complexa que Pisca o , dá con inuidade ao que es e já inha p econizado pa a o palco: a u ilização da música, do can o, das p ojeções de imagens, o uso de o og a ias, o e o ço da mensagem das peças a a és da u ilização de no ícias de jo nal en e ou os elemen os que ob igassem o espe ado a e i a o signi icado social e polí ico das á ias in o mações que passa am dian e dos seus olhos (Molina i, 2010). A consolidação des a p opos a ea al su ge com o d ama didá ico em que ao espe ado se pede pa a pe manece conscien e de que es á num ea o (Molina i, 2010). Ab imos aqui um pa ên esis pa a sublinha as di e enças que e emos mais adian e nes e capí ulo en e d ama didá ico e o Tea o – Fó um. B ech oi ambém ma can e como in luência em Augus o Boal, pela sua c í ica à indi idualização que se azia do a o que “ es ia” a pele da pe sonagem. Um dos elemen os mais ma can es da es é ica B ech iana, que desen ol e emos mais adian e, é o da igu a do na ado . Augus o Boal u iliza ia es a igu a no Tea o de A ena de São Paulo, denominando-a de cu inga e que i á se de e minan e no Tea o do Op imido. 35 Com a p oximidade da Segunda Gue a Mundial deu-se um dec éscimo das a i idades ea ais em á ios cen os eu opeus. Meye hold oi p eso em 1939 (Rippelino, 1986). Tan o B ech como Pisca o ugi am pa a a Amé ica (Molina i, 2010). Pisca o , en e 1939 e 1951, é con idado a di igi o depa amen o de a e d amá ica da New School em No a Io que (Vasques, 2003). B ech exilou-se p imei o na Escandiná ia e mais a de na Amé ica após a subida de Hi le ao pode , onde acabou po ab i uma escola endo como aluna Judi h Malina, a a iz que undou, jun amen e com Julian Beck, o Li ing Thea e (Molina i 2010). 1.3. Da Segunda Me ade do Século XX à A ualidade na Eu opa O Século XX oi ma cado po odas es as con ibuições, que su gi am como p opos as de u u a com as es é icas e con enções an e io es e que e le iam as al e ações sociais e polí icas que pe passa am pelos inais do século XIX e p incípios do século XX. “O século XX ica á na his ó ia do ea o como o quad o empo al po excelência das g andes e oluções écnicas e es é icas no palco do ea o do Ociden e” (Vasques, 2007, p. 3). No pe íodo comp eendido en e 1939 e 1950, e e i amen e, No a Io que ecebeu á ios in elec uais eu opeus emig ados endo como consequência um en iquecimen o cul u al e a c iação de á ios e no os es ímulos. No en an o, na Eu opa p ocu a a-se e i aliza o ea o nes e pós-gue a em F ança. C ia am-se os ea os nacionais, descen alizou-se o ea o, de onde su gi am os p imei os Cen os D amá icos Nacionais subsidiados pelo es ado e que em 1967 se ans o ma am em Casas de Cul u a (Do , 1977). A polí ica de a es que eina a em países como a F ança, a Ingla e a, a Alemanha e a Rússia So ié ica, e a a de subsidia os g andes ea os nacionais, que e am ao mesmo empo as Companhias Tea ais econhecidas que mui as ezes se iam ambém de escola de o mação. Exemplos disso são o Be line Ensemble de B ech que, a pa i de 1954 depois do eg esso des e à Alemanha, p oduziu as suas maio es encenações; em I ália su giu o Piccolo Tea o de Milão endo como encenado Gio gio S ehle , que se iu de modelo a odos os ea os es á eis i alianos. (Molina i, 2010). 36 Em Ingla e a emos su gi Pe e B ook (1925) que en e 1945 e 1970 abalhou como encenado na Royal Shakespea e Company (Molina i, 2010). Pe e B ook é hoje uma e e ência mundial no pano ama ea al pela p opos a de abalho ino ado jun o dos a o es com quem abalhou. O seu mé odo ea al, baseado naquilo que ele denomina de o “Espaço Vazio”, p opõe um mé odo de abalho con ínuo em o ma de ensaio cons an e ou, segundo Vasques (2003), um p ocesso de wo kshop na c iação do espe áculo ea al. Como e e e Roubine (2000, p. 202), “Quando o Théâ e du Soleil ou o g upo de Pe e B ook não es ão a uando, eles es ão ensaiando ou se exe ci ando.” Com a Gue a F ia, as décadas de sessen a a oi en a o am décadas em que su gi am g upos de ea o denominados de al e na i os, onde o papel do ea o em sociedade ol ou a se ques ionado, nomeadamen e ace ao seu conco en e cinema og á ico. Je zy G o owski (1933-1999) oi um acé imo de enso da ideia de que o ea o já não conseguia compe i nem com as imagens nem com o som, sendo que o ulc o da sua exis ência es a a no a o e naquilo que ele pode ia aze pa a o ea o. Segundo Molina i (2010), G o owski de endia o seu e ea al a pa i de cons a ações his ó icas sob e o p og esso do cinema: His o icamen e, o ea o, como meio de comunicação de massas, de e conside a -se de ini i amen e ul apassado pelos ins umen os audio isuais capazes de ep oduzi o som e a imagem: em ão se p ocu a ia econs i ui as imagens da ealidade a a és do cená io, como se ha ia ei o nos séculos XVII e XIX com a p ecisão e a iqueza do cinema óg a o. (Molina i 2010,390) G o owski (1933-1999), polaco, undado do Tea o Labo a ó io em Opole e mais a de ans e ido pa a W oclaw (Molina i, 2010) con empla na sua p á ica qua o pe íodos, sendo o p imei o al ez o mais conhecido e que esul ou no seu li o Pa a Um Tea o Pob e de 1968 (Vasques, 2003). O au o p opõe o ea o como um a o biológico e espi i ual (Solme , 1999) e o a o , a a és de uma du a disciplina ísica, pode á encon a essa espi i ualidade, que denominou de “a o san o”. 37 Num segundo pe íodo, comp eendido en e 1969 e 1978, p ocu a o encon o en e a o es e espe ado es no mesmo espaço, ainda que es e úl imo se isse como cená io ou igu an es passi os. Nes e pe íodo G o owski a as a-se do concei o de ea o p e e indo denomina de pe o mance ao seu aze ea al. Na década de sessen a o como começa a subs i ui o quê, nas mon agens de á ios espe áculos que abo dam os clássicos, que em di e en es pe spe i as, que em di e en es cidades e países. De aco do com Ma go Be hold, “No início dos anos 60 seis mon agens di e en es do Ta u o de Moliè e es a am em ca az em Pa is, em seis di e en es ea os, du an e a mesma empo ada “(2001, 529). A e a do di e o ea al mo ido pela sua in e p e ação pessoal começa a se o lei mo i nas conceções e o ien ações dos espe áculos. Os di e o es ea ais p opõem no as e di e en es in e p e ações dos clássicos, como o ma de espos a a ís ica às mudanças polí icas e sociais nes e pe íodo con u bado que na Eu opa, que na Amé ica La ina. Sob e es a época Goldbe g (2007, 193) sublinha a exis ência de “um espí i o de exaspe o e de ai a ace aos alo es e es u u as dominan es”. A di eção subje i a, nas pala as de Be hold (2001), cons i ui-se um p oblema na eceção do espe ado que c i ica o papel do ea o ace à audiência. Se o espe ado se a as a po não comp eende a linguagem ea al ou po que a ele não lhe diz nada, en ão o ea o deixa de cump i a sua elação com o público em sociedade. Na década de oi en a su ge um in e esse ecíp oco do público pela pe o mance como uma apa en e on ade de se o na espe ado dos seus i uais e de ende uma comunidade di e enciada das ansg essões que a pe o mance implica (Goldbe g, 2007). No en an o, e como an e io men e sublinhado pela mesma au o a, a linguagem da pe o mance não é a mesma que a linguagem ea al, mas nes a década de desen ol imen o da ele isão pa ece se um enómeno onde ainda subsis e alguma e olução. In ensi icam-se mani es ações comunicacionais e expe imen ações á ias, com a p edominância do isual, em que o iun o da cenog a ia ca ac e izam es a época. Du an e os anos oi en a e no en a ão p ospe a pequenos ea os e companhias jo ens, como cons a a Molina i (2010), de pequena du ação. O e o 38 polí ico de ou o a nas emá icas e nas encenações desapa ece e dá luga a uma lu a pela exis ência. Se as décadas an e io es o am on es inesgo á eis de p opos as ea ais di e sas po que p ecisamen e comp ome idas com as ans o mações sociais, cul u ais e polí icas, como sublinha Amelie Howe K i ze “Despi e hea e’s poli ical po en ial, ela i ely ew plays o any e a exhibi o e ly poli ical aims. Those ha do mus o e come bo h a is ic and social challenges o ind and each audiences” (2008, 3). As décadas seguin es a é aos dias de hoje são on es de inúme as o mas comunicacionais que c iam e p opo cionam di e en es imagens da ealidade de uma o ma mais massi icada o que az com que as emá icas ea ais sejam elegadas pa a um público es i o e ela i amen e in o mado ou como ealça And é Ca mo na sua ese de dou o amen o: “[…] a posição do ea o na sociedade con empo ânea é ela i amen e ma ginal quando compa ada com a ele isão, o cinema e ou as exp essões cul u ais e a ís icas, o que em consequências sociais e polí icas pa adoxais” (Ca mo 2014, 129). K ize (2008) no li o Rew i ing he Na ion: B i ish Thea e Today dá-nos con a do exemplo do Reino Unido nos anos 2000, ela i amen e a uma no a posição do ea o com a sociedade, em que as a es se i am apoiadas na e a do pa ido abalhis a (New Labou ), como nunca an es inham sido. Nes e pe íodo a esc i a ea al b i ânica ganha uma no a dimensão a i mando-se no pano ama ea al de in luências ame icanas e ancesas e o ea o ganha uma no a unção, de aco do com a au o a, a de se in e enção social. O ac o de o Reino Unido se um ‘mel ing po ’ az com que seja necessá io in e oga em-se, segundo a au o a, sob e qual a iden idade dos b i ânicos a ualmen e e al ez po isso es a au o a se enha deb uçado sob e o ea o e a esc i a ea al que na sua pe spe i a ca ac e izam a cul u a b i ânica na a ualidade. Es e exemplo eme e-nos pa a uma e lexão sob e o quão à cena a ual é pedido uma a i ude mais dialogan e, que com odas as no as possibilidades a ís icas, que com as no as ecnologias, que ainda com os a o es sociais que podem ambém se os não – a o es que, segundo Fe nandes (2009), em a igo de Júlia Mendes (2013) encon a-se na p eocupação a ual de alguns a is as que p ocu am “in es iga as 39 ealidades sociais do ou o e in e oga sob e os mui os e i ó ios de al e idade e exclusão social do país” ( Mendes 2013, 46). A pa icipação como o ma de cons ui di e sas e di e en es ealidades sociais é a pala a – cha e da a ualidade, seja a ní el polí ico, económico, ecnológico e cul u al. Es a p eocupação com a ‘pa icipação’ da audiência e com as di e en es o mas de liga o espe ado a essas mani es ações podemos encon a ambém nos museus, nas gale ias, nas bienais de dança, nos es i ais de ea o ou na pe o mance Um exemplo ela i amen e ecen e des e enómeno, que con ou com ap esen ações nacionais e in e nacionais, é a cons ução do espe áculo ATLAS, de Ana Bo alho e João Galan e, que colocam em palco 100 pessoas de di e en es p o issões, cujo obje i o é o de cons ui um A las da o ganização social humana, ac edi ando que a a e de e e um papel a i o em sociedade e pa indo de uma canção in an il “se um ele an e incomoda mui a gen e. Dois ele an es incomodam mui o mais.” Os não a o es ão-se colocando em palco dizendo a unção que exe cem na sociedade em que se inse em, sendo que a p imei a pa e da ase é di a po uma pessoa e a segunda pa e pelas es an es pessoas a é ao núme o 100. As linguagens ea ais a uais acei am acima de udo uma mul iplicidade de pe spe i as que pe mi em nega de e minismos gene alizados disponibilizando assim di e sos meios de ques ionamen o da in e ligação en e ealidade e icção. No en an o deixamos aqui já algumas e lexões pa a o capí ulo qua o sob e o que, conco dando com Ranciè e, no seu li o o Espec ado Emancipado (2010), de e se o espe ado a ual. Se as linguagens ea ais a uais se mos am mais dialogan es po um lado, po ou o, o espe ado , que nas pala as de Rancié e é a peça undamen al pa a que possa exis i ea o não pode se o espe ado que espe a dos p odu os a ís icos, uma o ma o ganizacional do mundo ou uma dou ina pois, con inua o au o , o espe ado em de p ocu a domina as inúme as imagens a que em acesso nos dias de hoje. 40 1.4. Resenha His ó ica das Mani es ações Tea ais na Amé ica La ina A in enção des e pon o é a de ca ac e iza as mani es ações ea ais na e da Amé ica La ina no mesmo pe íodo empo al que ca ac e izámos as mani es ações ea ais na Eu opa. Es a abo dagem pe mi e-nos e le i como se azia e como se pe ceciona a a linguagem ea al nes a zona do plane a. Numa p imei a ase, i emos cen a a análise no pe íodo onde as in luências eu ocên icas e am isí eis, econhecendo, no en an o, como Villegas (2011), Puga (2008), Sil a (2007) e De To o (1990) que não podemos gene aliza a Amé ica La ina como um odo nas di e sas mani es ações ea ais nos di e en es países. P e endemos e a a uma época de colonização em que as elações en e cul u a e pode e le i am um modelo eu opeu na his ó ia do ea o e, como de ende Fá ima Sil a “[…] o pano de undo his ó ico da colonização enlaça o conjun o dos países numa si uação, cuja simila idade é i e u á el” (Sil a2007,45). Es a época de colonização aba ca esíduos ma can es das in luências espanholas e po uguesas que não e mina am com as e oluções pela au onomia, bem como as no as o mas de colonização inglesa e ancesa e espe i as oliga quias e o impe ialismo no e-ame icano que p omo eu como adian e e emos, linguagens ea ais an iame icanas e de o e ca iz nacional. Numa segunda ase, p ocu amos sublinha as linguagens ea ais que su gi am como pa e in eg an e das e oluções independen is as e as linguagens da segunda me ade do século XX, an i - di a o iais, como enquad amen o ao Tea o do Op imido. Es e desen ol eu-se e e i amen e aquando do exílio de Augus o Boal em países da Amé ica La ina como A gen ina, Pe u, México, Col, en e ou os. A esenha his ó ica nes e pon o subo dinada às mani es ações ea ais na e da Amé ica – La ina en ou basea -se o mais possí el em documen os de au o es la ino – -ame icanos pa a que a isão não osse “do cen o pa a a pe i e ia, mas sim de den o da pe i e ia”. Na p ocu a que ence ámos depa ámo-nos com á ias e e ências a Juan Villegas, p o esso hono á io na Uni e sidade de Chile, p o esso In es igado na Uni e sidade da Cali ó nia e di e o da Re is a Ges os, Teo ia y P ác ica del Tea o Hispánico. Po es e 41 mo i o es e pon o segui á inicialmen e o pe cu so açado po Villegas (2011) no seu li o His o ia del Tea o y las Tea alidades en Amé ica La ina, onde se a á e e ência às mani es ações ea ais, enquan o mani es ações in luenciadas pelos pode es eligiosos, polí icos e cul u ais dos países colonizado es: Ale amos que os documen os his ó icos das mani es ações ea ais p oduzidos pelo discu so c í ico, “no conscien e de sus p opios undamen os ideológicos ni de su dependencia cul u al, ha p oducido una his o ia pa cial, en la cual se han p i ilegiado ex os es é icamen e eu opeizan es e ideológicamen e con enien es a los sec o es sociales en el pode . (Villegas 2011, 28) Reco emos igualmen e à con ibuição: de Ge a do Luzu iaga (1978), p o esso emé i o do depa amen o de Espanhol e Po uguês da Uni e sidade da Cali ó nia em Los Angeles (UCLA), que em 1972 desen ol eu um p oje o que esul ou no li o Popula Thea e o Social Change in La in Ame ica, com o pa ocínio do Cen o La ino- Ame icano da e e ida uni e sidade; De Sába o Magaldi (1998), c í ico ea al, ea ólogo e his o iado b asilei o, cuja ob a se in i ula Pano ama do Tea o B asilei o; a ob a The Mode n B asilian S age de Da id Geo ge (1992), p o esso de Espanhol e Po uguês, encenado , a o e cenóg a o que no B asil, que nos Es ados Unidos; do es udo de Ana Elena Puga, Memo y, Allego y, and Tes imony in Sou h Ame ican Thea e (2008), p o esso a associada no depa amen o de Tea o, Espanhol e Po uguês da Uni e sidade de Ohio, especialis a em ea o la ino-ame icano e p o esso a de Es udos Pe o ma i os, Tea o, D ama u gia, Li e a u a e T adução. Exis e ambém o ecu so a ob as de e e ência como o Dicioná io do Tea o B asilei o (2006) cujos coo denado es são Jacob Guinsbu g, João Robe o Fa ia e Ma iangela Al es de Lima – Jacob Guinsbu g é o a ual di e o da Edi o a Pe spec i a e c í ico de ea o, João Fa ia é p o esso i ula de Li e a u a B asilei a e Ma iangela Al es de Lima é c í ica de ea o, adu o a e p o esso a de Tea o no B asil; à Semió ica del Tea o- Del ex o a la pues a en escena de Fe nando De To o (1992), chileno adicado no Canadá, p o esso ca ed á ico no depa amen o de Li e a u a Inglesa e que em publicado di e sos ensaios em campos como Li e a u a La ino-Ame icana, Inglesa e Compa ada, Pós- Colonialismo e Semió ica Tea al; à publicação da Unidad de 48 p o es in an e o o ale he people o he need o a mo e jus social o de . No pon o 1.4.4. des e capí ulo podemos ainda e ca ac e izado, anos mais a de, es e imaginá io social com o início do Tea o do Op imido em 1964, época do egime di a o ial b asilei o e depois com o exílio de Boal em países da Amé ica La ina, com a mesma conjun u a polí ica e social. Com o su gimen o dos pa idos socialis as e comunis as nos anos in e e in a do século XX, a linguagem ea al e a especi icamen e di igida ao p ole a iado e espe i a amília. O ea o azia pa e do p og ama cul u al e polí ico dos pa idos que se euniam em Cen os onde desen ol iam, além das p opos as ea ais, á ias a i idades de p opaganda (Villegas 2011). No México, os g upos de ea o independen es do ci cui o come cial eli is a, como o “Tea o de Aho a”, que iam acima de udo coloca em cena as ques ões sociais e polí icas. Nos anos 1930-1940 o ea o mexicano oi in luenciado pela ideologia e expe iência e olucioná ia na Rússia. Max Reinha d (1873-1943) e Pisca o (1893-1966) e am a g ande in luência cénica que se i ia nesse pe íodo no México (Ros e & Rojas, 1992). Com a necessidade de se cons uí em as ‘no as’ nações, em que de á ias o mas se en a a in eg a odos os sec o es sociais, aqueles que e am sob e udo econhecidos pelo es ado, uma ez que os abo ígenes, os indígenas, os neg os e os mes iços con inua am ma ginalizados e in isí eis no que diz espei o às suas p oduções cul u ais, su gi am en e 1930 e 1950 p oje os ‘mode nizado es’, nas pala as de Villegas (2011). O caso do B asil, no que diz espei o às p oduções ea ais, oi di e en e dos exemplos que já demos nou os países da Amé ica La ina uma ez que, segundo Re ama (2006) ou Geo ge (1992), o B asil oi na Amé ica La ina um país que iu a sua independência mais acili ada, pelo ac o do p íncipe egen e e a sua co e e ugiados no país, e em decla ado o país independen e pa a não cai nas mãos dos anceses em 1822. Independen emen e das gue as ci is, o país conseguiu-se man e unido. Po es e mo i o ambém a sua independência ea al se deu mais a de e, a é meados de 1930, as in luências con inua am a se a comédia de cos umes, a e is a e a ope e a. 49 O modelo ea al b asilei o do século XIX ep oduzia no Rio de Janei o, a capi al, o modelo ea al po uguês da época, as o mas de ge ência das companhias, a o ma de ep esen a e os edi ícios ea ais cons uídos segundo a hie a quia social ao ní el da pla eia, com osso de o ques a e palcos la gos e al os pa a se pode subi os elões (Geo ge, 1992). Também em Guisnbu g (2006) podemos encon a essas in luências, mesmo depois da independência, em á ios aspe os como, po exemplo, a legislação e a censu a es é ica que exis ia ambém em Po ugal. Foi c iado no B asil o Conse a ó io D amá ico B asilei o em 1843 e oi consolidada a sua a uação em 1845 po meio de dec e o que es abelecia os mecanismos de censu a p é ia e ap o ação das peças po pa e des e ó gão. Como podemos le em Magaldi (1998), as linguagens ea ais no B asil acompanha am as eu opeias, semp e em a aso e, a é à P imei a Gue a Mundial, o B asil ecebia somen e as companhias cómicas po uguesas e ancesas. Guinsbu g (2006) ainda e e e nes e pe íodo a impo ância do ea o abolicionis a, uma ez que só em 1888 se aboliu a esc a a u a no B asil. O sujei o neg o ep esen ado no B asil p olonga a uma isão e nocên ica de ca ica u a e es e eo ipada: O pe cu so da pe sonagem neg a, semp e à ma gem da his ó ia nacional e de sua p óp ia ação, e a do a o , subs i uído quase semp e pelo in é p e e b anco pin ado de neg o, não pa eciam incomoda os agenciado es ea ais e o con ex o cênico b asilei os. (Guinsbu g 2006, 208) Em elação à lu a pelas linguagens ea ais do Neg o, o B asil em um ep esen an e que p ocu ou lu a con a a indi e ença da sociedade b asilei a sob e a mensagem his ó ica e coloca no mapa o TEN (Tea o Expe imen al do Neg o). Abadias de Nascimen o undou em 1944 o g upo, lançou á ios a o es neg os e con ou com á ios colabo ado es, en e eles, Augus o Boal. O obje i o do g upo e a a “ o mação do in é p e e neg o, o es ímulo à c iação de uma d ama u gia que econ igu asse a abulação da expe iência neg a no B asil, en iquecesse os pe is da 50 pe sonagem neg a e sublinhasse a ele ância da con ibuição a icana na o mação ci iliza ó ia b asilei a” (Guinsbu g 2006, 209). Podemos encon a ambém no mesmo au o a impo ância da unção do ea o ana quis a que e a ealizado pelos imig an es espanhóis, i alianos e po ugueses. Ao ea o socialis a e, sob e udo ao ana quis a, cabia a unção de consciencializa os ope á ios pa a ei indica melho es condições de abalho, ainda que coubesse ao papel das g e es as maio es conquis as sociais: De 1901 a é 1903, a a essando os go e nos de Campos Salles, Rod igues Al es, A onso Pena e Nilo Peçanha, eclodi am 129 g e es no Es ado de São Paulo, em p o es o quan o às condições desumanas de abalho impos as aos meno es de 5 a 12 anos. (Guinbu g 2006, 32) No seu li o The Mode n B azilian S age, Da id Geo ge (1992) de ende a ideia de que o con li o en e cul u a nacional e in luências es angei as c iou no B asil ensões c ia i as que se epe cu i am em g upos ea ais de sucesso ainda que, de ende o au o , esses mesmos g upos de am a essas in luências pa e do seu sucesso. Reconhecemos que essas in luências e am o pa adigma pelo qual os g upos se baliza am, endo em con a as polí icas que subsis iam à en e do des ino do país e a quan idade de emig an es que o país ecebia. Segundo Almada (2004) o B asil ecebia na década de 30 e 40 do século XX um núme o conside á el de companhias es angei as: i alianas e ancesas. Mas a lu a cons an e em p oduzi p odu os que es i essem imbuídos de uma iden idade p óp ia es á e a ada em g upos como o Tea o de A ena, o Tea o O icina e o Tea o Opinião, que em São Paulo consegui am a i ma -se como uma es é ica de esis ência e que en e 1953 e 1964 o am, jun amen e com a Bossa No a, o mo imen o opicalis a, o Cinema No o, a música de p o es o, a poesia de Vinícius de Mo aes, en e ou os, p odu os nacionais (Almada, 2004). Os anos in a do século passado o am o pe íodo conside ado po Villegas (2011) como aquele em que se deno a um es o ço cole i o de eno ação es é ica, u ilizando ainda o modelo das angua das eu opeias, mas p ocu ando eno a nos ex os, nas linguagens cénicas, na eliminação do a o es ela, na in odução de um om mais sé io dos elemen os ea ais, especialmen e no B asil. 51 1.4.3. As Linguagens Tea ais Nacionalis as Após a Segunda Gue a Mundial, em que a maio pa e dos países la ino--ame icanos es ão “o icialmen e alienados en el sec o no eame icano de la Gue a F ia” (Villegas 2011, 159), su gi am g upos de ea o independen es que p ocu am e le i a busca de um se e aze ea o la ino-ame icano, como é o caso do Tea o Expe imen al de Cali (TEC) e o Tea o de La Candela ia em Bogo á, Colômbia, o Tea o Escamb y em Cuba e o Yuyachkani no Pe u. Es es g upos de ea o, ca ac e izados p incipalmen e pelo seu mé odo de abalho de c iação cole i a, o am ma can es na ino ação ea al que, além do comp ome imen o social e polí ico comum a odos, se p eocupa am igualmen e com os aspe os o mais das linguagens ea ais. Es es g upos ma ca am a di e ença no ea o que se azia na Amé ica La ina, uma ez que c ia am eo ia sob e um aze ea al que se deb uça a sob e a unção do ea o, a encenação e a di eção ea al que ca ac e izasse e e i amen e a iden idade la ino ame icana. Os ep esen an es que mais seguido es i e am a ní el nacional e epe cussão a ní el in e nacional, segundo Villegas (2011), o am En ique Buena en u a, San iago Ga cia, Se gio Co ie i, Miguel Rubio e Te esa Ralli. O pe íodo a segui à Segunda Gue a Mundial ca a e izou-se po uma época p o ícua pa a os g upos de ea o expe imen al e de abalho cole i o. Segundo En ique Buena en u a, encenado e undado do Tea o Expe imen al de Cali em ensaio publicado o iginalmen e na e is a Bu anda del Sol em 1972, aqui ep oduzido em Luzu iaga (1978) “In La in Ame ica oday he e is p ac ically no expe imen al hea e g oup ha has no a leas ied a collec i e me hod o p oducing plays” (ci ado po Luzu iaga 1978, 42). O ea o de c iação cole i a ma cou a Amé ica La ina, uma ez que os p incípios ea ais e as ob as que se c ia am i e am epe cussões em odos os países da Amé ica La ina p opo cionando as bases e as di e izes pa a mui as escolas de o mação de a o es. No en an o, como econhece Villegas (2011), esse concei o ea al que que ia de ende a p odução la ino-ame icana e ap oxima -se dos sec o es popula es e e as suas in luências iniciais nos ex os e o mas da “ […]al a cul u a de Occiden e” (181). 52 Ainda assim o desen ol imen o das linguagens ea ais pa a os sec o es popula es e po eles ealizadas oi um ma co e e i o nes e pe íodo. Os g upos p ocu a am inco po a o diálogo com o público den o dos seus ex os com p opos as ei as pelos mesmos. O G upo de Tea o de Escamb y, em Cuba, po exemplo, i eu nas zonas mon anhosas de Escamb y abalhando com as comunidades, ealizando a e as no campo e nos cen os, p ocu ando c ia uma iden i icação en e o g upo e as pessoas dessas comunidades: Thei me hods a e a ied and adap ed o he speci ic si ua ion, bu o en hey spend a week in each loca ion, s a ing wi h a one- ac play, ha ing ehea sals and discussions o i e days and ending wi h a di e en one – ac play. (Skinne ci ado po Luzu iaga 1978, 75) Da segunda me ade do século XX à a ualidade na Amé ica La ina oi, apesa das cons an es ins abilidades polí icas, económicas e sociais, o pe íodo das p oduções de ca iz nacional e de iden idade la ino-ame icana. Ainda que ecebendo as in luências ea ais eu opeias como as de B ech ou Ionesco ou mesmo adap ando as peças já exis en es os a is as e g upos de ea o que iam alo iza o ea o esc i o ou encenado pelos la ino-ame icanos. Sob e es a ques ão podemos encon a em Magaly Mugue cia (2013) in es igado a, c í ica, ensaís a e especialis a em ea o la ino-ame icano, cubana a esidi no Chile e e ências de d ama u gos la ino-ame icanos e encenado es que usa am o ‘c eole’ nas suas pe sonagens, u iliza am espaços di e en es e ípicos de alguns países como os picadei os, u iliza am o olclo e nacional nunca esquecendo o dida ismo que o ea o de e ia e pa a o seu publico. No B asil, po exemplo, na mesma época, su giu Nelson Rod igues (1912-1980), um d ama u go ino ado , conside ado o ep esen an e do mode nismo e da angua da ea al e ainda hoje de e e ência (Villegas 2011). Geo ge (1992) coloca Nelson Rod igues como o d ama u go que co a de ez com os melod amas, a e is a e as comédias de cos umes. Segundo o mesmo au o , o d ama u go Nélson Rod igues esc e eu 17 peças en e 1941-1980 e ouxe pa a o palco b asilei o as ino ações do exp essionismo, o co e com a qua a pa ede, o co e com a 53 ep esen ação do empo p esen e, a simul aneidade das ações, a u ilização das no as écnicas que su giam ao seu dispo , apelando cons an emen e à imaginação e an asia do público. Também no B asil su gem o Tea o de A ena de São Paulo em 1953 e (em 1958) o Tea o O icina como ma can es pa a uma época de e olução, independência e lu a cul u al con a os pa âme os a ís icos eu ocên icos. Es es dois g upos de ea o ma ca am a cena b asilei a undamen almen e pelas o mas de lu a an i - di a o iais que espelha am as suas posições es é icas e ideológicas. O Tea o de A ena conseguiu c ia um ea o b asilei o e deixa a sua ma ca ao ní el das encenações de au o es b asilei os. Es es dois g upos i am as suas po as ence adas po o ça da di adu a em 1971 e 1973 espe i amen e, com a p isão de Augus o Boal, encenado do Tea o A ena e o exílio de José Celso Ma inez Co êa, encenado do O icina. Po oda a Amé ica La ina assis e-se a uma on ade de c ia cada ez mais p odu os nacionais que p e endem se a espos a às si uações especí icas dos países da Amé ica La ina. Puga (2008) ai busca qua o exemplos ma can es de o iginalidade, de esis ência, de independência ea al, desa ian es dos pode es ins i uídos, ozes de p o es o que mesmo es ando isolados uns dos ou os nunca deixa am de se p eocupa em epo a e dade pa a os espe ado es. “The playw igh s discussed he e- Ca los Manuel Va ela (U uguay), Augus o Boal e Gian esco Gua nie i (B azil), G iselda Gamba o (A gen ina), and Juan Rad igán (Chile)- w o e in solida i y wi h o -s age dissiden s and in de iance o pe o mances o s a e powe ” (Puga 2008, 3). Du an e o pe íodo de di adu a no B asil, Augus o Boal di e o do Tea o de A ena de São Paulo e os seus colabo ado es de am início aos musicais - A ena Con a Zumbi (1965) e A ena Con a Ti aden es (1967) – como a ma de esis ência que acima de udo esga a a memó ia de ou os esis en es e alego icamen e ap esen a nessas na a i as his ó icas uma ou a, a da esis ência à di adu a. Es es dois p odu os a ís icos do A ena ão se i como on e onde o Tea o do Op imido ai busca o sis ema Cu inga, bem como a o ma de ep esen a que se á ambém u ilizada nos p ocessos de c iação das peças de Tea o – Fó um. 54 As peças - A ena Con a … - que iam sob e udo sublima os he óis neg os exis en es no B asil con a os he óis b ancos como o ma ambém de sublinha a exis ência de uma ideologia dominan e e oca em ques ões como a da desigualdade acial, ainda hoje exis en e no B asil mesmo quando a maio ia da população é a o- descenden e. A ques ão sublinhada po Puga (2008) é a da lu a es é ica que em as suas o igens ambém na Re olução Cubana, uma ez que os países da Amé ica La ina se êm ago a con on ados com o impe ialismo no e-ame icano e no meio da gue a ia en e os Es ados Unidos e a an iga União So ié ica. A e olução cubana ouxe pa a o pano ama nacional as á ias mani es ações de independência cul u al que se e i ica am ao ní el do ea o e da li e a u a. Nes e pe íodo su gem á ios g upos de ea o e aumen a o núme o de peças ap esen adas en e 1961 e 1962, com o apoio do go e no à p odução nacional. Em 1960 oi ealizado o Fes i al de Tea o La ino-Ame icano que chamou a Ha ana a comunidade in e nacional. Em 1967 ealizou-se o p imei o seminá io nacional de ea o como o ma de omen a a d ama u gia nacional (Luzu iaga 1978). É p ecisamen e no pe íodo da gue a ia, em que os Es ados Unidos impuse am o seu impe ialismo a países que não alinha am com a sua polí ica, que assis imos ao desen ol imen o de algumas écnicas do Tea o do Op imido em países onde Augus o Boal es e e exilado, po que expulso do B asil di a o ial, como a A gen ina, o Pe u, Colômbia, Venezuela, en e ou os. 1.4.4. O Su gimen o do Tea o do Op imido É no con ex o polí ico, social, económico e cul u al, que desc e emos an e io men e, que ap esen amos e analisamos, já numa pe spe i a compa a is a, com as linguagens ea ais ap esen adas no p imei o pon o des e capí ulo o su gimen o do Tea o do Op imido, ainda no B asil, como uma espos a mais in e en i a e social à implemen ação da di adu a, em 1964. Analisamos a c iação e o desen ol imen o das di e en es écnicas e exe cícios que compõem o a senal do Tea o do Op imido como espos a aos di e en es egimes 55 di a o iais po onde Boal passou e es e e exilado. Nomeadamen e o desen ol imen o na Amé ica La ina das di e en es écnicas que compõe o seu a senal e as écnicas que su gi am na Eu opa, quando Augus o Boal, ainda exilado, abalhou em di e en es países eu opeus e se ixou em Pa is, c iando o Cen o de Tea o do Op imido, CTO- Pa is. Pa a o e ei o, deb uçamo-nos sob e os ex os de Boal Tea o do Op imido e ou as Poé icas Polí icas, uma eedição de 2012, onde o au o ac escen a ao li o o iginalmen e publicado em 1974 como Tea o do Op imido, ou os ex os. Deb uçamo-nos sob e o seu úl imo li o A Es é ica do Op imido, publicado em 2009, depois da sua mo e, di ecionado pa a a e lexão sob e es é ica ou, nas pala as de Boal (2009, 1), “ e lexões e an es sob e o pensamen o do pon o de is a es é ico e não cien í ico”. Deb uçamo- nos igualmen e sob e o li o Jogos pa a A o es e Não A o es, publicação de 2007 onde são ca ac e izados os jogos e os exe cícios que se desen ol e em abalho com os g upos de Tea o do Op imido e onde encon amos ambém alguns exemplos da p á ica de Boal nos países da Amé ica La ina e na Eu opa. De Augus o Boal ambém analisámos os episódios e a ados po Boal em di e en es países da Eu opa no li o O Tea o como A e Ma cial, edi ado pela Ga amond em 2009. Analisamos as p opos as eó icas de Augus o Boal no seu li o Tea o do Op imido e ou as Poé icas Polí icas de endendo, al como Williams (1993), que odos os eó icos ea ais que esc e e am mani es os sob e as suas eo ias e p axis azem-no de uma o ma em que c i icam os seus p edecesso es, posicionando-os numa pe spe i a adicional e analisando o quão as al e ações sociais e polí icas são azão necessá ia pa a al e ação de con enções. Exemplos disso são os an i ealis as como C aig e Meye hold, o ep esen an e de um Tea o To al como Pisca o , o ep esen an e do Tea o Épico, Be old B ech , as p opos as pa a um Tea o Pob e de G o owski, á ios exemplos de eo ias e p axis con á ias umas às ou as que domina am o século XX. Boal, no seu mani es o não oi di e en e, mas Boal e o Tea o do Op imido inham a pa icula idade de, como sublinha Milne (1992), não se em bem is os, p incipalmen e na Eu opa e nos Es ados Unidos aquando do seu exílio pela Amé ica La ina: 56 Boal’s epu a ion es s p incipally on he Thea e o he Opp essed. Wellwa h endo ses he book as: «The mos impo an heo e ical wo k in he hea e in mode n imes – a s a emen I make wi hou ha ing su e ed any memo y lapse wi h espec o S anisla sky, A aud o G o wski.» Despi e such claims, Boal’s wo k is no widely known. Recogni ion o Boal, a B azilian w i ing in Po uguese and wo king a leas ini ially, in La in Ame ica, has been impeded by he linguis ic and poli ical pe spec i es on wo ld hea e o Eu ope and No h Ame ica (…) Fo Boal his si ua ion is compounded by he ma ginal place o B azilian cul u e and Po uguese in La in Ame ica and Hispanic s udies. Mo eo e , he domina ion o Ame ica by he No h Ame ica has ma e ial and ideological dimensions. (Milne 1992,112) Conside amos, al como Williams (1993), que acima de udo o que Boal con es ou nos seus li os o am as con enções que ca ac e iza am os modelos ea ais que o am in luências além-ma . Po es e mo i o posicionamos es a in es igação numa pe spe i a epis emológica em que de endemos que o Tea o do Op imido é uma linguagem ea al que se a as a dos pa âme os eu ocên icos de lei u a ea al. Conco damos com Milne (1992) quando es e analisa as eo ias ea ais de Boal segundo o mas ea ais ins i ucionais e não ins i ucionais. O Tea o do Op imido não é uma linguagem ins i ucional nem o p e ende se e assume-se como uma no a es é ica, endo pa a isso c iado no as con enções que pe mi em aos op imidos ap op ia -se da linguagem ea al e eicula as suas ealidades. A p opos a do espe áculo pede que os espe ado es ansg idam o espaço de ep esen ação, uma ez que es a linguagem ea al ambém é a deles, dando-lhes a opo unidade de a ua e modi ica a si uação de op essão à qual es ão a assis i . Pelo acima expos o, nes e pon o admi imos que as eo ias de Boal sob e ea o colocam em ques ão linguagens que êm séculos de exis ência, que são sobejamen e econhecidas e assumidamen e cânones de c iação, p odução e eceção ea al. Ao analisa mos a ques ão da c iação, da p odução e da eceção ea al sob e udo com a encenação mode na, segundo as ans o mações que as con enções so e am ao longo dos anos pe cebemos que as al e ações da elação palco – pla eia, enquan o 57 elação polí ica po que a o público do palco, ainda que enham p opos o à pla eia di e sas o mas de ap eende o que se passa a em cima do palco exis i am den o de um mundo simbólico e echado que é a cena bem como den o de um espaço de palco que e ela as pe spe i as dos encenado es. É numa no a e di e en e elação palco – pla eia que conside amos undamen al pe cebe po que, pa a es e es udo, o Tea o do Op imido é uma poé ica da ansg essão. Assim as con enções ea ais que o am su gindo e se al e ando ao longo dos séculos jus i ica am – se ambém pelas ans o mações sociais e polí icas que as comunidades e sociedades so e am. Comp eende-se, po an o, que o Tea o do Op imido su gido numa sociedade di a o ial e desen ol ido em sociedades di a o iais osse uma linguagem ea al adap ada a um público que poli icamen e, economicamen e e socialmen e não podia ica nem passi o nem con empla i o e pa a isso e a p eciso c ia con enções que ejei assem o que Boal denominou de “Sis ema T ágico Coe ci i o de A is ó eles” uma ez que essa linguagem ea al e a o opos o ao que ele p e endia pa a o Tea o do Op imido. Segundo (Do 1977) as con enções u ilizadas pela agédia no espei an e à elação de palco - pla eia, pediam e e i amen e uma pla eia passi a e con empla i a e que deixasse ao palco a esponsabilidade de libe a “[…] a pla eia da p eocupação da sua his ó ia. Daí a ca a se” (369). 1.4.5. A Génese do Tea o do Op imido O Tea o do Op imido dis ancia-se de ou as linguagens ea ais p imei o pela denominação e pelo concei o, op imido é um concei o polí ico que incomoda, mui os g upos po exemplo op am po denomina-lo só de Tea o – Fó um ou de Tea o de In e enção Social como o ma de co esponde em às exigências de inanciamen o ou a é mesmo de e i a em pe seguições polí icas. É um concei o que não az concessões e que de e es a ine en e ao abalho que se p a ica, ao comp omisso com as causas, à ecusa sis emá ica de de e minadas imposições, à denúncia a a és do ela o de expe iências e à lu a pelas igualdades e jus iça social espelhada em cada p odu o ea al 64 O A ena oi pa a Boal o palco onde ele pode da o ma a uma consciência es é ica, ideológica, polí ica e social, e que ez do A ena po a- oz das aspi ações angua dis as dos anos cinquen a p omo endo discussões e ei indicações nacionalis as em oga. “O a ena o na-se o palco emblemá ico do ea o popula ” (Guinsbu g 2006, 38) É impo an e e e i que nes a al u a o B asil a a essa a uma ase de alo ização do que e a nacional e as peças que o A ena ap esen a a e am ambém uma oposição es é ica ao Tea o B asilei o de Comédia(TBC), que inha um epe ó io mais eu opeizado e que cul i a a um público de eli e. (C uz & Schu zman 2006). En e 1958 e 1960, o A ena le a à cena ex os o iginais que e a a am o po o b asilei o e que coloca am em cena os p oblemas que os espe ado es que em e e a ados no palco. (Pa io a 2003) O Tea o A ena, endo como di e o es José Rena o e Augus o Boal e uma equipa de a o es engajados poli icamen e que pa ilha am da mesma noção de ea o popula , começou em 1961 a encena os clássicos a pa i de um en oque eno ado mais elacionado com a ealidade b asilei a. A es a ase denominou-se a nacionalização dos clássicos. Foi ambém nes a al u a que Boal começou a coloca em p á ica a ep esen ação que undisse o ealismo e o “ ea alismo” ensinamen os azidos de No a Io que a a és de Gassne . O A ena nes e pe íodo, pa a além de ap esen a um epe ó io mui o in luenciado po Be old B ech , in oduz os musicais. Em 1964 o golpe mili a de uba o go e no de João Goula . “’As so o en in B azilian his o y (1889, 1930, 1937, 1945), [a po en ial] ci ilian poli ical con on a ion was cu sho by a mili a y coup d’é a …’” Skidmo e (1999), (ci ado em C uz & Schu zman 2006,14). Apoiado po alguns jo nais como O Globo, Jo nal do B asil e Diá io de No ícias e endo a é sido acei e como necessá io, o go e no e a inicialmen e mode ado nas medidas de ep essão. Mas em 1965 as libe dades ci is o am eduzidas, o pode do go e no aumen ou e oi concedida ao Cong esso a a e a de designa o p esiden e e o ice-p esiden e da epública. As p imei as medidas de ep essão o am de ca iz cul u al, odos os Cen os Popula es de Cul u a (CPCs) o am echados e po 65 conseguin e odas as associações e ligas ou seja odas as o mas de p omoção de diálogo e encon o. (Boal 2000) Em 1964, Boal é con idado, pelo en ão clandes ino Cen o Popula de Cul u a a a és de Odu aldo Vianna Filho, pa a di igi um oco de esis ência à si uação com o que se ia denominado de show musical Opinião, com Zé Ké i, João do Vale e Na a Leão (depois subs i uída po Ma ia Be hânia).O obje i o des e Show musical e a c ia um oco de esis ência à si uação que aglu inasse a is as de á ios quad an es, que p i iligiasse a a e popula e acili asse a di usão da cul u a pe i é ica nos g andes cen os de di ulgação cul u al e que pudesse se is o pela massa popula . (C uz e Schu zman 2006) Dos inais dos anos 50 a é inícios dos anos 70 Boal es a ia di idido en e á ios comp omissos. Se ia uma igu a p ocu ada pelos g upos que se des aca am na lu a às in luências eu opeias e ame icanas de se aze ea o e pela esis ência ao pode polí ico, nomeadamen e o g upo de ea o O icina e Opinião. O ano de 1965 ma ca a época da i agem do A ena pa a os musicais da e olução, his ó ias de esis ência ao colonialismo mas que me a ó icamen e açam pa alelos com a si uação a ual b asilei a. Os musicais ma ca am ambém a in odução do Cu inga. O sis ema Cu inga, su giu pela p imei a ez no musical A ena Con a Zumbi esc i o po Gua nie i, encenado po Boal com músicas de Edu Lobo. Se ia o musical que ma ca ia o início de uma o ma ea al que, po um lado esga a ia o A ena da banca o a, e po ou o posiciona ia o A ena de no o como angua dis a na ep esen ação. O obje i o da u ilização des a écnica que Boal denominou de sis ema Cu inga e a: p imei o, acaba com o concei o de ep esen ação do pon o de is a da pe sonagem e in oduzi o concei o de ep esen ação de um ema em que odos os a o es ep esen a am qualque pe sonagem, u ilizando a másca a, ca ac e ís icas sociais da pe sonagem, idependen emen e do a o que a ep esen asse; segundo se económico uma ez que possibili a a a mon agem de espe áculos com um nume o ixo de a o es não ha endo a p eocupação com o núme o de pe sonagens; e cei o, in oduzi uma “saudá el” miscelânea de es ilos e o mas de ep esen ação, possibili ando o caos, 66 ob igando o público a eagi a mudanças b uscas de modo a sen i -se em cons an e es imulação; qua o, a in e upção do espe áculo pelo cu inga que podia ep esen a qualque pe sonagem e dialoga com a pla eia cla i icando aqui e ali signi icados menos pe ce í eis, segundo Boal (2000). A ena Con a Zumbi, es a ia em ca az du an e uma ano e meio e a ia dig essões pelos Es ados Unidos e ambém pela Eu opa. Se ia um ma co enquan o p o es o. Du an e o empo que es e e em cena as opções es é icas e o Sis ema Cu inga se i am pa a deba e en e c í icos, es udan es e in elec uais. O Sis ema Cu inga su ge como o ma de espos a à necessidade de implemen ação de uma no a es é ica como eação a es ímulos sociais e polí icos. O Sis ema Cu inga p e endia e a unção simul ânea de ap esen a a peça e ao mesmo empo ap esen a a análise da mesma à audiência. O Cu inga se ia alguém que a ia a pon e en e a peça e o espe ado . Em 1967, in ensi ica-se a censu a aos ea os e ou as mani es ações a ís icas e os úl imos anos do A ena a é 1971, ano em que Boal oi p eso, são já ca ac e izados po ag essões ísicas de mili a es a alguns a o es como o caso de Izaías Almada, p eso em 1968 e depois em 1969 endo pa ilhado a cela com Boal em 1971. ( Almada 2004) Em Agos o de 1968, a comunidade ea al de São Paulo e a do Rio de Janei o com a p odução do Tea o de A ena, a is as plás icos e músicos, mon a am a Fei a Paulis a de Opinião ap esen ada no Tea o Ru h Escoba . A ei a inha como obje i o desa ia a censu a a a és de um espé aculo mu al com a seguin e mensagem/pe gun a “o que pensa ocê da a e de esque da?” ( Boal 2000) O espe áculo, que con a a com ex os de á ios d ama u gos b asilei os como Gua nie i, Boal, B áulio Ped oso, Sé gio Rica do, Jo ge And ade e á ios can o es popula es como Edu Lobo, Gilbe o Gil e Cae ano Veloso, e ins alações de á ios a is as plás icos, oi ap esen ado na ín eg a uma ez que os censo es só de ol e am o ex o co ado no dia da es eia, po es e mo i o o espe áculo oi suspenso pelo Depa amen o de Polícia Fede al. (Boal 2000) Du an e esse ano, em dezemb o, o go e no adensa as medidas de ep essão e implemen a o A o Ins i ucional núme o 5 (AI-5), uma sé ie de dec e os que concedia, 67 pode es ex ao diná ios ao P esiden e da República e suspendia á ias ga an ias cons i ucionais. Os úl imos anos do A ena, de 1969 a 1971, ão se di ididos en e a dig essão pelos Es ados Unidos, México, Pe ú, A gen ina e U uguai com o A ena Con a Zumbi e o A ena con a Bolí a , ex o de Augus o Boal, (dig essão que o nou-se ú il como o ma de solida iedade in e nacional), à ap esen ação de “miscelânea” de ex os ea ais en e eles a p imei a o ma do Tea o do Op imido, o Tea o-Jo nal. (Boal, 2000) Em 1971, as ag essões e os ap os in ensi ica am-se, a polícia começou a p ende agen es ea ais in luen es como José Celso do Tea o O icina, Flá io Impé io cenóg a o. Em e e ei o Augus o Boal oi p eso e acusado de c imes con a o B asil. Boal es e e p eso inicialmen e no Depa amen o de O dem Polí ica e Social (DOPS). A p isão de Boal chamou a a enção a ní el in e nacional, exemplos disso o am a ca a do d ama u go A u Mille assinada po cen enas de a is as pedindo a sua libe ação. As mani es ações de solida iedade inham de Ingla e a e da F ança com Pe e B ook, Be na d Do , Émile Cop e mann, Jean Louis Ba aul , John A den, en e ou os, que esc e e am às embaixadas. A solida iedade inha a é do Japão. Es as mani es ações ize am com que Boal i esse di ei o a julgamen o como o ma de mos a ao mundo que os p isionei os inham di ei o à jus iça. Após e sido expulso do B asil, Boal es abeleceu-se na A gen ina, e a na al da sua mulhe . Aí pe maneceu du an e cinco anos e desen ol eu com um g upo de a o es du an e um cu so que minis ou, ou as écnicas do Tea o do Op imido. Tendo como base de esidência a A gen ina, Boal iajou po ou os países da Amé ica La ina onde o Tea o do Op imido se desen ol eu a a és de p oje os, cu sos que ele di igiu, pa icipações nos es i ais de ea o pela Amé ica La ina e Es ados Unidos. Também du an e es e pe íodo, na A gen ina, Boal encenou a sua peça To quemada que esc e eu na p isão e a ando a o u a a que os p esos es a am sujei os, e encenou igualmen e uma e são eesc i a da sua peça Re olução na Amé ica do Sul. Em 1974 com a mo e do p esiden e Juan Pe ón, o clima de insegu ança e e o ismo ins ala-se na A gen ina. Boal não pode sai do país pois es e e dois anos à espe a do passapo e que chegou em 1976 quando se deu o golpe mili a . 68 Em 1976 Boal ecebe do go e no po uguês um con i e pa a abalha em Po ugal. O obje i o e a o de leciona e e o mula o p og ama do Conse a ó io Nacional. Boal abalhou jun amen e com ou os p o esso es en e eles o p o esso e c í ico ea al Ca los Po o. Boal abalhou dois meses com con a o. Nesse empo ambém colabo ou com o Tea o da Ba aca a con i e de Ma ia do Céu Gue a e Hélde Cos a. (Boal 2000) En e 1976 e 1978 Boal icou em Po ugal, mas já sem o con a o que não inha sido eno ado. Du an e es a es adia em Po ugal, Boal minis ou á ias o icinas e cu sos em países como a Suécia, Dinama ca, No uega, I ália, Po ugal e F ança. (Boal 1998). Em 1978 mudou-se, jun amen e com a mulhe , pa a Pa is pa a leciona na So bonne – Nou elle a con i e de Be na d Do . Aí Boal lecionou Tea o do Op imido. No mesmo ano em que se mudou pa a Pa is e começou a leciona , Boal undou o Cen o de Tea o do Op imido – Pa is (CTO). "Since hen, his cen e has o ganised nume ous cou ses, semina s, in e en ions, shows and es i als wi h communi y g oups.” (Boal 1998, 7) Em 1986 Boal e o nou ao B asil a con i e do en ão Vice-Go e nado do Rio de Janei o, Da cy Ribei o. O obje i o des e con i e e a o de se pode c ia no Rio de Janei o um Cen o de In eg ação Popula à semelhança do que Boal es a a a ealiza em Pa is com o CTO - Pa is. Du an e os seis meses de con a o que Da cy Ribei o inha ei o com Boal es e, a mulhe e Rosa Luiza Ma quez, p o esso a na Uni e sidade de San Juan em Po o Rico e memb o do CTO – Pa is, euni am 35 animado es cul u ais e ealiza am um cu so in ensi o do a senal do Tea o do Op imido. Em 1989 undou com um g upo de pessoas que inham es ado nesse cu so o a ual CTO – Rio de Janei o. Em 1992 pela necessidade de di ulga o CTO – Rio, Boal e os seus Cu ingas decidi am apoia o Pa ido T abalhis a (PT) na campanha pa a as eleições a a és do ea o. A p opos a não só oi acei e como o PT p opôs que den e os elemen os do g upo alguém se p opusesse a e eado . Em 1992 Boal oi elei o e eado do Rio de Janei o. Augus o Boal ecebeu á ios p émios ao longo da sua ida e da sua ca ei a, oi nomeado po exemplo em 2009 como Embaixado Mundial do Tea o pela UNESCO (CTO- Rio): 69 Ao longo de 23 anos de his ó ia, o Cen o de Tea o do Op imido o nou- se a única ins i uição com o a al e a di eção a ís ica di e a de Augus o Boal pa a o desen ol imen o e di usão des a me odologia: labo a ó ios e seminá ios, o icinas abe as, in e câmbios nacionais e in e nacionais e e en os possibili am que o Cen o de Tea o do Op imido con inue em ase de cons ução, pesquisa e mul iplicação no B asil e no ex e io . (CTO – Rio) Augus o Boal mo eu a 2 de maio de 2009. 1.4.7. O A senal do Tea o do Op imido O Tea o do Op imido é compos o po á ias écnicas, po á ios jogos e exe cícios que passamos a explica a a és da sua á o e simbólica, que ep esen a a plu alidade dessas écnicas que se o am desen ol endo em con ex o especí ico de encon os de Boal com ou as pessoas e si uações. O símbolo da igu a abaixo ep esen ado, ap esen a um cajuei o de na al, á o e de g ande po e, com um onco o e e com bas an es ami icações que simbolizam o c escimen o, o desen ol imen o e a mul iplicação do Tea o do Op imido. Pos e io men e desen ol e emos a especi icidade de cada écnica e os di e sos con ex os sociais em que su gi am, bem como a aplicação de cada uma em si uações especí icas. 70 Á o e do Tea o do Op imido: uma Imagem do mé odo. Fon e: Cen o de Tea o do Op imido, 2008. A á o e do Tea o do Op imido ge mina-se a pa i de um solo é il que é alimen ada pela É ica e pela Solida iedade, p incípios básicos que egem o Tea o do Op imido e que são pa e da e e ência pela qual o Tea o do Op imido se o ien a – A Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos - Esse solo é il de e se compos o de á ias 71 á eas de sabe que de e ão es a ao alcance de odos os pa icipan es como base ambém pa a as c iações. O solo alimen a a Es é ica do Op imido, que po sua ez a á ge mina aízes o es compos as po aquilo que ela de ende: a ap op iação po pa e dos op imidos das suas imagens, dos seus sons e das suas pala as. O onco la go e o e, os amos e as copas, são compos os pelos jogos iniciais de a i ação senso ial, ísica e emocional, pelas écnicas Tea o – Imagem, Tea o – Fó um, Tea o-Jo nal, O A co-í is do Desejo, Tea o - In isí el, Tea o - Legisla i o e êm unções conc e as e especí icas. A copa do opo da á o e ep esen a a con inuidade que o Tea o do Op imido de e e na sociedade pa a além de qualque a i idade, “Nenhuma o icina, encon o, ensaio ou qualque a i idade do TO de e e mina quando acaba: pelo con á io, de e p oje a -se no u u o e p oduzi consequências indi iduais e sociais, po meno es que sejam eais” (Boal 2009, 186). O pássa o ep esen a a mul iplicação (di usão de g upos e de pessoas que u ilizam o Tea o do Op imido) o que az com o Tea o do Op imido hoje exis a em á ios países dos cinco con inen es. A p imei a écnica que su giu ainda no empo da di adu a no B asil oi a écnica, Tea o-Jo nal, es a começou a se ealizada pelo Núcleo II do Tea o de A ena den o de um cu so de in e p e ação com início em 1970 o ganizado po Cecilia Thumim, a iz a gen ina e companhei a de Boal jun amen e com a di e o a Heleny Gua iba. Os jo ens a o es que ha iam pa icipado no cu so, en e eles Dulce Muniz, Celso F a eschi e Denise Del Vecchio, o ma am o Núcleo II do Tea o de A ena e in e essa am -se pela ideia de Boal e Vianinha que nunca inham chegado a ealiza - mon a espe áculos diá ios com jo nais da manhã. Os ensaios se iam à a de e a cada noi e ep esen a iam um espe áculo di e en e. A écnica Tea o-Jo nal baseia-se em cons ução de peças sob e no ícias do jo nal do dia. Inicialmen e usada como uma o ma de da a conhece ao público uma no a lei u a e in e p e ação da manipulação exe cida pela di adu a a a és das no ícias. O Tea o – Jo nal é compos o po doze écnicas. 72 Es as doze écnicas que inham po obje i o ans o ma uma no ícia de jo nal censu ada numa cena ea al epondo a e dade da no ícia, consis iam em lei u as simples e i ando a no ícia do es o do jo nal, lei u as c uzadas de duas no ícias al e nadas, ealçando uma no a dimensão das no ícias, lei u as com i mo, no ícias can adas imp imido os i mos mais adequados ao con eúdo na no ícia, lei u as complemen a es onde se ac escen am dados ou in o mações omi idas à no ícia, ações pa alelas de mímica dos a o es ao mesmo empo em que se lê a no ícia, imp o isação da no ícia cenicamen e, e o ço da no ícia que pode se lida, can ada, dançada como se de um spo publici á io se a asse, conc e ização cénica do que a no ícia omi e e ec iação da no ícia o a do con ex o onde se ep esen a a no ícia o a do con ex o em que sai publicada. A écnica Tea o – Jo nal chegou depois a se u ilizado po es udan es, g upos o ganizados de pa oquianos e comunidades em conjun o com os a o es desse núcleo II do Tea o de A ena- já como uma o ma de da aos espe ado es ambém o meio de p odução de mon a espe áculos. (Boal 2000) O Tea o – Jo nal é uma écnica que ap o ei a écnicas do agi p op e p opaganda iniciados na Rússia com a cons ução do socialismo, e do Li ing Newspape , g upo no e- ame icano (dos anos 30 do século passado) que abalha a com d ama izações a pa i de no ícias de jo nal. A d ama ização do jo nal ou de no ícias mui as ezes se iu como possibilidade de in o ma o que acon ecia, ou o que e a no iciado, a um público anal abe o: uma no ícia é ep esen ada o a do con ex o em que sai publicada: po exemplo, um a o ep esen a o discu so sob e aus e idade p onunciado po um minis o da economia enquan o de o a um eno me jan a ; a e dade do discu so ica assim desmis i icada: que aus e idade pa a o po o, mas não pa a si mesmo. (Boal 2012,218) A pa icula idade des e Tea o - Jo nal é que já con inha em si a ideologia do op imido, em que o ea o sai à ua pa a se ei o pa a os op imidos. Nes a ase ainda não e a ei o pelos op imidos uma ez que e am os a o es do núcleo dois do A ena a ep esen a , não ha ia in e ação. O espaço de ep esen ação deixa de se o espaço 73 ea al e passa a se o local de in e enção, como sindica os, aculdades, escolas, ig ejas. (Boal ci ado po Dua e - Plon, 2007) A mon agem de cenas p oduzidas li e almen e “do dia pa a a noi e” oi uma o ma de escapa à censu a que, desde a p omulgação do AI-5, em 1968, (a o que suspendia á ias ga an ias cons i ucionais) a ua a de uma o ma cada ez mais o e sob e peças e g upos ea ais. Se á com o Tea o-Jo nal que Boal inicia o p ocesso de c iação das écnicas que ie am a da o igem ao Tea o do Op imido. Quando Boal se exilou na A gen ina em 1971, do abalho com o g upo de ea o em Buenos Ai es, su giu um dia a ideia de ealiza uma peça que osse ap esen ada em espaços públicos cujo obje i o é o de le an a de e minadas ques ões sob e um acon ecimen o como e ídico. O Tea o – In isí el é uma écnica ea al onde os a o es ep esen am o ex o po eles esc i o e encenado, mas em cená ios na u ais com pessoas que não sabem que azem pa e da peça, ex. es au an es, pa agem de au oca os, lojas, p aças e c. A in enção des a écnica é p o oca eações espon âneas e es imula o deba e en e o público que ac edi a á na si uação a que es á a assis i a é ao im. Es a écnica de e se minuciosamen e p epa ada pois os a o es de em es a p epa ados pa a quaisque si uações cons angedo as que possam su gi como consequência da cena ap esen ada. Como não é um Happening, nem ão pouco uma cena de apanhados, Boal (2012) ad e e que em momen o algum o g upo de ea o de e dize que é uma peça de ea o e que os memb os do g upo são a o es, pois a in enção é mesmo aze ac edi a o mais possí el que o que es á a se deba ido é a ealidade de um acon ecimen o. “O Tea o In isí el não é ealismo: é ealidade.” (Boal 2007, 23) No seu li o Tea o do Op imido e ou as Poé icas Polí icas (2012), Boal sublinha que a poé ica do op imido de ende a conquis a da linguagem ea al po odos, a o es e espe ado es, o nando-se es es espec -a o es. Es a poé ica oi in eg ando ou as écnicas do Tea o do Op imido quando Boal oi con idado pelo p oje o Al in (Ope ação Al abe ização In eg al) do Go e no Re olucioná io Pe uano em 1973. O obje i o do p oje o oi o de e adica o anal abe ismo num p azo ap oximado de qua o anos. Pode-se le no li o acima e e ido que “Segundo es udos, calcula-se 80 Al onso De To o em 1991 de ende a pós-mode nidade na Amé ica La ina como legi ima po que global e po que a Amé ica La ina não es á isolada do es o do mundo. Ainda assim essal a que se pode encon a á ias assime ias como de es o ambém nou as épocas, a ní el económico, social, polí ico e cul u al. Nem semp e o desen ol imen o se dá em sime ia do social com o económico, ou o cul u al com o social, mas o que se de e de ende , adian a o au o , é que a Amé ica La ina não pode nem de e ica de o a da discussão. (De To o 1991) A di e sidade de linguagens a ís icas e a jus aposição das mesmas que o pós- mode nismo ouxe pa a o pano ama cul u al ai e le i -se ambém nas linguagens ea ais. A di e sidade dos espe ado es de á ios se o es sociais que hoje se pode encon a nas di e sas a i idades cul u ais az com que as linguagens ea ais p ocu em sa is aze ambém essa a iedade. Exis em g upos de ea o que p ocu am sa is aze públicos especí icos, como é o caso do ea o comuni á io, ea o pa a a ju en ude ou ea o gay “Ra ael Rojas, del Tea o Co iban es de Pue o Rico, po ejemplo, explica que su g upo p oduce espec áculos de ema gay que o ganizan un Fes i al cuya p incipal ca ac e ís ica es que el ema de los espec áculos siemp e es la homosexualidad” (Villegas 2011,289). Também o impac o das no as ecnologias se ai aze sen i nas linguagens ea ais a uais. No início do século XXI as linguagens ea ais ão inco po a elemen os do cinema, do digi al, do ídeo que na es u u a dos ex os, que na encenação. Ad e e Villegas (2011), no en an o, que a in o mação e os abalhos de in es igação sob e as linguagens ea ais hegemónicas con inuam sendo a maio ia e que se encon am poucos es udos sob e a e olução das p á icas ea ais das cul u as não hegemónicas como as cul u as indígenas, ame índias e de he ança a icana onde as di e enças de egião pa a egião são mui o ma cadas. 81 Sín ese Ao longo des e capí ulo, oi in enção ca ac e iza numa esenha his ó ica, as ans o mações ea ais oco idas na Eu opa como mani es ações a ís icas que o am incon o ná eis pa a o ea o que se az e se ê a ualmen e. Ca ac e izámos essas mani es ações elacionadas ambém com as ans o mações cul u ais, sociais e polí icas po que de endemos que o con ex o no qual se inse em essas mani es ações é undamen al pa a pe cebe mos as implicações que as mesmas êm num imaginá io cole i o. Relacionámos as ans o mações ea ais oco idas na Eu opa como ans o mações que chega am além-ma e se implemen a am hegemonicamen e nas mani es ações a ís icas em países da Amé ica La ina. Quisemos sublinha o quão essas in luências eu ocên icas nas linguagens ea ais la ino–ame icanas o am demasiado ele an es de modo a legi ima o que conside amos se uma ‘colonialidade’ do aze e e ea o. Ainda nes e capí ulo pudemos e que, du an e o pe íodo colonial e neocolonial, o eu ocen ismo di ou as o mas e os emas do aze ea al. Impondo no público apenas e e ências de um aze ea al eu opeu, que se p olongou mesmo depois das á ias conquis as de au onomia das me ópoles Espanha e Po ugal. Em Villegas (2011) encon a-se, na o og a ia da época, ex os ecolhidos po Julio Du án Ce da em 1957 de José Vic o ino Las a ia (1817-1888), sob e o quão essas in luências, po exemplo, em elação ao ea o espanhol e ancês do século XIX e am isí eis. José Vic o ino Las a ia sublinha assim da seguin e manei a a impo ância de um aze ea al que embo a não exp esse o pensa e ep esen a la ino-ame icano con inua a se conside ado e admi ado: El ea o ac ual, si bien no pude en e noso os se la esp esión de nues a li e a u a, i la a ena a que el injenio ame icano descienda a ob a a la o acion con que el aplauso jene al p emia el acie o i el 82 alen o, no po eso deja de llena um g ande e saludable obje o. (Villegas 2011, 108) Sublinhámos ambém as ans o mações nas linguagens ea ais la ino- ame icanas nos inais do século XIX, p incípios do século XX que ep esen a am a lu a do po o ao se iço das e oluções independen is as num p imei o momen o e as linguagens ea ais que su gi am no pe íodo da Gue a F ia ca ac e izadas como linguagens poli izadas con a o impe ialismo no e-ame icano com ca ac e ís icas especí icas de um aze ea al popula como meio de obje i a , ou seja, de coloca em cena os p oblemas das comunidades e como o ma das mesmas se dis ancia em de um neocolonialismo que ol a a a impo conceções hegemónicas no aze e e ea o. Con ex ualizámos nesse pe íodo (Gue a F ia), que esul ou num pe íodo de g andes con ulsões polí icas e sociais como a implemen ação de di adu as em países da Amé ica do Sul, o início do que i ia a se o Tea o do Op imido e o desen ol imen o do mesmo em países onde Augus o Boal es e e exilado. Nes a esenha his ó ica compa a is a ca ac e izámos o Tea o do Op imido aludindo já ao ac o de o conside a mos dis anciado das linguagens ea ais eu ocên icas pela sua génese e pela o ma como abalha com os op imidos. Concluímos que hoje o ea o, ainda que o de endamos como necessá io, é apenas mais uma das inúme as linguagens comunicacionais ao nosso dispo . Que a sua elação com a audiência, seja pela p o ocação, empa ia, ques ionamen o, in eg ação e in e ação se o na mais di ícil e exigen e pela disponibilidade, a iedade e apidez de ‘imagens’ a que emos acesso. Pudemos e i ica que a elação do palco com a audiência con inua a se uma p eocupação cons an e das di e en es p opos as ea ais onde encon amos a ualmen e abo dagens mui o mais in e en i as, p omo endo mais a pa icipação da audiência, colocando a é não a o es em palco dando-lhes a opo unidade de se em eles os p o agonis as de uma his ó ia, ideia ou si uação. 83 CAPÍTULO II – UM CONCEITO DE TRANSGRESSÃO 84 CAPÍTULO II – UM CONCEITO DE TRANSGRESSÃO In odução Nes e capí ulo, po que o enómeno em es udo é p o enien e de um ou o con inen e e de uma egião ou o a colonizada, o na-se p emen e, pa a um in es igado eu opeu que que e le i sob e uma linguagem ea al que su giu na Amé ica La ina, a comp eensão de um con ex o social, cul u al e polí ico di e en e. Sen imos a necessidade de comp eende o con ex o la ino-ame icano na linguagem do Tea o do Op imido e aça um concei o p óp io de ansg essão, que consubs anciasse a ca ac e ização do Tea o do Op imido como uma poé ica da ansg essão p o enien e desse con ex o. Conside amos que ao ca ac e iza o Tea o do Op imido como uma poé ica da ansg essão somos ob igados a de ende uma posição epis emológica que ai ao encon o do deba e sob e a não dependência de p odução cul u al sujei a a in e p e ações eu ocên icas como um passo mais na cons ução de uma iden idade cul u al p óp ia. Po se cons i uída po países com ca ac e ís icas dis in as e he e ogéneas, limi amo-nos, num p imei o momen o, a delinea uma esenha dos inúme os acon ecimen os que ca ac e izam sob e udo mo imen os de lu a de independência. Num segundo momen o, de emo-nos, en ão, nas p opos as de cons ução de uma iden idade p óp ia, que conside e os p odu os cul u ais como ansg esso es de uma uni e salidade do conhecimen o. Num e cei o momen o, e le imos sob e as p opos as que e elam já uma on ade nacional de se a as a do eu ocen ismo das p opos as ea ais, azendo uma ligação com a linguagem ea al do Tea o do Op imido Pa a aça esse concei o de ansg essão e emos como enquad amen o concep ual as e e ências de: Wal e D. Mignolo (1941), a gen ino, p o esso de Li e a u a e Es udos Românicos (espanhol) na Uni e sidade de Duke, di e o do Cen o de Global S udies and Humani ies, in es igado em Es udos Espanhóis, Es udos Coloniais e Pós – Coloniais, Globalização, Pós-Mode nismo, Con empo aneidade, Es udos 85 Compa a is as, Filoso ia e Es udos La ino-Ame icanos endo lançado em 2005 o li o The Idea o La in Ame ica. Sil ano San iago (1936), ensaís a, poe a, omancis a, p o esso uni e si á io e c í ico li e á io b asilei o. En e os seus li os de ensaios des acamos Uma li e a u a nos T ópicos, ensaios sob e dependência cul u al. En ique Dussel (1934), a gen ino, ilóso o, p o esso uni e si á io no México pa a onde se exilou em 1976. No ano de 1977 publica, In oduccion a una Filoso ia de la Libe ación La inoame icana. Robe o Fe nández Re ama (1930), poe a cubano, ensaís a, ilóso o. Responsá el pela publicação da e is a “Casa de Las Amé icas” desde 1965 e pela publicação da e is a “Nue a Re is a Cubana” – 1959-1960. Fundado e di e o desde 1986 do Cen o de Es udos Ma inianos. P o esso emé i o da Uni e sidade de Ha ana. Depu ado da assembleia nacional de pode popula e memb o do conselho de es ado. Conside amos pa a es e es udo a publicação de 2006 Nues a Amé ica y el Occiden e e Pensamien os de Nues a Amé ica. Au o e lexiones y p opues as. Aníbal Quijano Ob egón (1928), sociólogo e eó ico polí ico pe uano. P o esso no depa amen o de sociologia na Uni e sidade de Bingham on, No a Io que. Responsá el pela cadei a de Amé ica La ina y la colonialidad del pode na Uni e sidade Rica do Palma, Lima. Edga do Lande (1942), sociólogo enezuelano. P o esso i ula na Uni e sidade Cen al da Venezuela, docen e in es igado no Depa amen o de Sociologia e memb o do g upo de in es igação sob e Hegemonías y Emancipaciones do Consejo La inoame icano de Ciências Sociales (CLACSO). Edwa d Said (1935-2003), nasceu em Je usalém, mas mudou-se em 1947 com a amília pa a o Cai o. Em 1951 es udou na escola Moun He mon Massachuse s, Es ados Unidos. Foi p o esso de Inglês e Li e a u a Compa ada na Uni e sidade de Columbia No a Io que. Em 1999 undou com o maes o is aeli a Daniel Ba enboim a O ques a do Di ã Ociden al – O ien al, “[…] que p opo ciona aos jo ens músicos is aeli as e á abes um ó um em que ap endem jun os música e odas as suas ami icações.” (Ba enboim 2007, 40). É conside ado um dos c í icos li e á ios e cul u ais mais impo an es dos Es ados Unidos. Uma das publicações analisada nes e es udo é Cul u e and Impe ialism edi ado em 1994. 86 Boa en u a de Sousa San os (1940), nasceu em Coimb a. É dou o ado em Sociologia do Di ei o pela Uni e sidade de Yale. A ualmen e é p o esso ca ed á ico jubilado da aculdade de Economia da Uni e sidade de Coimb a e dis inguished Legal Schola da Faculdade de Di ei o da Uni e sidade de Wisconsin-Madison en e ou os ca gos ele an es. Des acamos pa a es e es udo as publicações Epis emologias do Sul (2010) com Ma ia Paula Meneses e Conhecimen o P uden e pa a uma Vida Decen e (2003). Hec o B ui , chileno licenciado em His ó ia e Geog a ia pela Uni e sidade do Chile em 1962, dou o ado em His ó ia Social pela Uni e sidade de São Paulo, a ualmen e a leciona no depa amen o de His ó ia e Cen o de Memó ia da Uni e sidade Es adual de Campinas (UNICAMP), nes e es udo eco emos ao a igo “A In enção da Amé ica La ina” (2003) na Re is a de Mes ado de His ó ia da Uni e sidade Se e ino Somb a. Jaime E. Rod iguez O dóñez, p o esso dou o na Uni e sidade da Cali ó nia, I ine, in es igado e his o iado na á ea da His ó ia da Amé ica La ina e nas Re oluções Além-Ma no pe íodo da independência do México e Equado , sendo o seu li o La Independencia de la Amé ica Española o iginalmen e publicado em 1996 pelo Fundo Económico e o Colégio do México a e e ência u ilizada nes a in es igação. Conside amos es as e e ências como c í icas ao pensamen o hegemónico, abe as a deba e eó ico e comp ome idas com as emancipações polí icas, socias e cul u ais em con ex os la ino–ame icanos. Pelas lei u as e e uadas econhecemos o quão di ícil se o na a comp eensão do con ex o his ó ico da Amé ica La ina como um odo, uni e sal e gene alis a. 2.1. Conquis a da Independência Nes e p imei o subpon o conside ámos undamen al pa a a p opos a de um concei o de ansg essão en ende mos do pon o de is a do ou o qual a cons ução possí el de uma iden idade p óp ia, a pa i do caldei ão de di e enças que e a e é a Amé ica La ina, seja geog a icamen e, seja socialmen e, seja económica, cul u al ou poli icamen e. A pa i das lei u as e e uadas, e i icamos que desde a colonização espanhola que a Hispano-Amé ica se ca ac e izou pelas ensões sociais e lu as in e nas 87 que segundo Jaime E. Rod íguez O. (1993), p o esso ca ed á ico e di e o do p og ama de es udos la ino-ame icanos da Uni e sidade da Cali ó nia, I ine, “La in asión ancesa de España em 1808 in e umpión esse p ocesso na u al de con lic o y comp omisso” (585). As di e en es conquis as de independência que i e am luga na Amé ica La ina começam inicialmen e como conquis as de au onomia em nome do eino de Espanha que es a a subjugada ao pode ancês, a é às á ias gue as ci is que pa indo do p essupos o mui o di e encial de país pa a país passa emos a explica ainda que mui o sucin amen e. O des onamen o do ei de Espanha po pa e de Napoleão em 1808 e o eceio de ica em subo dinados ao pode dos anceses, o am alguns dos indicado es esponsá eis pelos di e sos e di e en es mo imen os de au onomia no mundo hispano –ame icano. Como consequência do de ube da mona quia espanhola, os hispano- ame icanos eceosos de ica em sujei os à au o idade ancesa, sen i am a necessidade de de ende a au onomia e uma go e nação p óp ia. O eceio dos go e nado es hispano –ame icanos p endia-se mais com o ac o de ica em nas mãos dos e olucioná ios anceses que ep esen a am po exemplo o a eísmo, o an icle icalismo e o impe ialismo, segundo Rod iguez O. (1993) em La Independencia de La Ame ica Española Una Rein e p e ación, do que pensa em nas consequências e en ualmen e posi i as de uma independência da me ópole. Realizou-se com esse p opósi o um encon o o emen e pa icipa i o nas Co es de Cádiz de 1810 que se iu pa a edigi uma Ca a Magna possibili ando a cons i uição de go e nos au ónomos no mundo hispano-ame icano. (Rod iguez O. 2008). Es a au onomía p endia-se segundo Ramón Pe al a Ma ínez, ad ogado, ensais a e ju is a com o ac o de se necessá io legi ima como pe encen e ao eino de Espanha as colónias hispano-ame icanas ace à in asão es angei a: El jun ismo de 1810 nace sin el más mínimo p opósi o sepa a is a espec o de España, sin la más mínima in ención de disg ega , de dispe sa a los pueblos hispano-ame icanos, conscien es de con o ma una gigan esca y común 88 nacionalidad con inen al. Se án hechos pos e io es a la e ección de las Jun as los que acaba án conduciendo a los pueblos hispano-ame icanos po los caminos del sepa a ismo y la disg egación (…) Pa io ismo, hispanismo, cons i ucionalismo, an ijacobinismo, an ibonapa ismo, an ib asileñismo, idelidad al ey legí imo y, subsidia iamen e, independencia de oda dominación ex anje a. Es e es el au én ico epe o io ideológico que p eside la e olución ame icana de 1810” (Ma ínez 2011, 1) Em 1812 a cons i uição que oi edigida pela maio ia dos depu ados hispano- ame icanos segundo Rod íguez O. em Una Visión Compa a i a de la Indepencia (2008) oi à época uma cons i uição que con ibuiu pa a uma cul u a de pa icipação polí ica na Amé ica La ina. Es a cul u a de pa icipação aduziu-se nas p imei as eleições popula es que se ealiza am no mundo hispano-ame icano. Com a subida ao pode de Fe nando VII em 1814 que aboliu a cons i uição i e am início as á ias e oluções que ei indica am no mundo hispano–ame icano uma e dadei a independência de Espanha p o agonizada pelos libe ais que lu a am po e o mas cons i ucionais in luenciados pelas mesmas lu as na me ópole. Es as e oluções o am segundo Ruiz (2012) ge adas pelas ações conse ado as da oliga quia ame icana que que ia man e as adições e as p á icas polí icas espanholas e os libe ais que pa a se libe a em do absolu ismo ins au ado não i am ou a saída senão a lu a de ini i a pela independência. Edga Mo in (2007) no seu li o Cul u a e Ba bá ie Eu opeias conside a es as e oluções como e oluções que não i e am em con a os colonizados, mas sim e apenas os colonos de eli e de o igem eu opeias que de endiam acima de udo um s a us quo. Pa a Re ama (2006) a p imei a g ande e olução de independência mais p óxima dos colonizados, deu-se ainda no p incípio do século XIX nas An ilhas ancesas, nomeadamen e na an iga colónia ancesa que pos e io men e oi denominada com o seu nome indígena Hai i, “[…] la única e olución de escla os ic o iosa en el mundo, que se cons i uyó como nación, e hizo de esa e olución la p ime a y más adical que había ocu ido en nues a Amé ica” (Re ama 2006, 40). 89 Assim desde 1804 ano em que oi p oclamada a independência do Hai i e após a abolição da cons i uição, amos assis i a á ias e oluções de independência de Espanha, comandadas po di igen es idalgos espanhóis que que iam ei indica a ins au ação no amen e da cons i uição e não pe de algum do pode que inha sido econhecido an e io men e como: “[…] Hidalgo y Mo elos en México, Bolí a y Suc e en Venezuela, San Ma ín y Mo eno en A gen ina, O’ Higgins en Chile, A igas en U uguay y muchos más” (Re ama 2006, 26). Du an e odo o século XIX a Amé ica La ina oi palco de á ias gue as de independência com ca ac e ís icas di e en es e em di e en es países. Essas gue as i e am como p imei o obje i o a independência de Espanha. De aco do com En ique Dussel (1973), essas gue as que se balizam ap oximadamen e en e 1808 e 1850 o am necessá ias pa a a u u a polí ica e cul u al com o colonialismo e a implemen ação da secula ização, mas ambém o am e eno é il pa a as polí icas oligá quicas e o su gimen o dos c iollos libe ais, que c ia am á ias agmen ações in e nas. Após esse pe íodo de lu as que o na am alguns países hispano-ame icanos independen es, e i icou-se des a ei a um no o expansionismo dos conside ados impé ios eme gen es, como a F ança, Ingla e a e depois os Es ados Unidos. (Mignolo 1998). A Amé ica La ina i e ia uma o e inge ência dos Es ados Unidos que começa iam po conquis a uma pa e do México em 1847, em 1868 conquis a iam Po o Rico e du an e dez anos lu a iam pa a conquis a Cuba. Es e expansionismo esul a ia em lu as an i-impe ialis as. Lu as es as com ca ac e ís icas di e en es das ealizadas no início do século XIX. Os Es ados Unidos ocupa am mili a men e as ês úl imas colónias espanholas como Po o Rico, Filipinas e Cuba, endo es a úl ima “[…] peleado ein a años po su independencia ecibía, mu ilada po la Enmienda Pla , una República que de hecho e a un p o ec o ado o una neocolonia” (Re ama 2006, 17). A é à e olução Cubana em 1959, os Es ados Unidos con inua iam na senda de in asões de á ios países da Amé ica La ina donde su gi ia já no século XX a p imei a e olução bem-sucedida no México em 1910, como um ma co na lu a an i-impe ialis a. Após es a e olução, o am á ias as lu as con a a in asão no e-ame icana que i e am 96 iqueza/ pob eza, o neg o, índio e o b anco, colonizado / colonizado. Es es binómios c ia am ba ei as que impedem de acei a ou os conhecimen os como álidos e u ge eliminá-los. Pa indo desse p essupos o e azendo a apologia da impo ância e da ele ância que ou os conhecimen os que não sejam eu ocên icos nos o na enquan o in es igado es menos pa ciais encon amos Aníbal Quijano em Boa en u a de Sousa San os em Epis emologias do Sul que de ende: O eu ocen ismo le ou i ualmen e odo o mundo a admi i que numa o alidade o odo em absolu a p imazia de e minan e sob e odas e cada uma das pa es e que, po an o, há uma e só uma lógica que go e na o compo amen o do odo e de odas e de cada uma das pa es. As possí eis a ian es do mo imen o de cada pa e são secundá ias, sem e ei o sob e o odo e econhecidas como pa icula idades de uma eg a ou lógica ge al do odo a que pe encem. (San os 2010, 83) Es a ideia de ‘pe i e ia do conhecimen o’ é uma classi icação que pa iu da Eu opa no pe íodo da colonização pois como nos diz Mignolo: “Thus he idea o “Wes ” as “cen e ” became dominan in Eu opean poli ical heo y, poli ical economy, philosophy, a s, and li e a u e, in he p ocess by which Eu ope was conque ing he wo ld and classi ying he wo ld being conque ed.” (Mignolo 2005, 36) Edga do Lande (2005) ai mais longe do que só a classi icação de ‘pe i e ia do conhecimen o’ pa a ca ac e iza a legi imação de um só sabe uni e sal. O au o a gumen a que a ‘na u alização e uni e salidade do conhecimen o’ é a o ma como se ca ac e iza o desen ol imen o his ó ico das sociedades mode nas onde a conceção de uma “… sociedade sem ideologias, modelo ci iliza ó io único, globalizado, uni e sal, que o na desnecessá ia a polí ica, na medida em que já não há al e na i as possí eis a es e modo de ida” (Lande 2005, 21) ep esen a um pensamen o hegemónico que se e le e igualmen e nas in e p e ações e c í icas ea ais às p opos as que saiam o a desse pad ão. Também nos pa eceu a pa i das lei u as que e e uamos pa a o capí ulo I pon o como algo en aizado no que se p oduz, dependen e semp e de um pon o de pa ida, a Eu opa. Em Fá ima Sil a (2007) na sua ese conside ámos pe inen es as pala as de 97 An ônio Cândido ecolhidas po es a au o a em a Fo mação da Li e a u a B asilei a, pa a ca ac e iza a imagem que se em sob e li e a u a ea al p oduzida em países si uados “na pe i e ia do capi alismo” (g i o da au o a): “«Compa ada às g andes, a nossa li e a u a é pob e e aca. Mas é ela, não ou a que nos exp ime. Se não o amada, não e ela á a sua mensagem; e se não a ama mos, ninguém o a á po nós… Ninguém, além de nós, pode á da ida a essas en a i as mui as ezes débeis, ou as ezes o es, semp e ocan es, em que os homens do passado, no undo de uma e a incul a, em meio a uma aclimação penosa da cul u a eu opeia, p ocu a a, es iliza pa a nós, seus descenden es, os sen imen os que expe imen a am, as obse ações que aziam, - dos quais se o ma am os nossos»” (Sil a 2007, 22) 2.4. A Cons ução de Al e na i as às In luências do “Ou o” na Linguagem Tea al A linguagem ea al que melho ca ac e iza a a Amé ica La ina no pe íodo após a e olução cubana al como is o no p imei o capí ulo, e a a da sub e são, da comp ome ida poli icamen e, do a i ismo. Uma linguagem que se pe ila a ao lado das si uações e olucioná ias no B asil, A gen ina, U uguai, Pe u, Colômbia en e ou os, iniciadas maio i a iamen e pelos mo imen os es udan is. (Mugue cia, 2013) A linguagem ea al que começa a a su gi nos anos 50 a 70 iden i ica a-se com o ambien e de iolência que ca ac e iza a a Amé ica La ina pois que ia sob e udo e uma exp essão popula signi ica i a e o ma no os públicos e olucioná ios como espos a a uma hegemonia de alo es no e ame icanos que começa a a implemen a - se sob e udo com o ad en o da ele isão. De aco do com á ios encenado es e d ama u gos la ino-ame icanos como An ónio La e a de U uguai (1973), Se gio Vodáno ic do Chile (1972), Augus o Boal do B asil (2009), o apa ecimen o da ele isão na Amé ica La ina oi um ma co signi ica i o nas mudanças ope adas a ní el polí ico, social e de g ande impac o económico pa a ou as o mas cul u ais de comunicação. Foi du an e es e pe íodo de con li os an i di a o iais que Augus o Boal, ob igado a exila -se, desen ol eu o Tea o do Op imido. E p ecisamen e ca ac e izando es a 98 época, o Tea o do Op imido assumiu a sua posição ao lado dos op imidos que, segundo Boal, de em se enco ajados a come e ansg essões e a desa ia con enções. (Mo elos, 1999) Face aos acon ecimen os an e io men e desc i os, e ace ao expe iencia pessoalmen e da subjugação de um se humano po ou o, Boal quis que a base da p á ica do Tea o do Op imido osse a é ica. “O TO é uma á o e es é ica: em aízes, onco, galhos e copas. Suas aízes es ão c a adas na e a é il da É ica e da Solida iedade, que são sua sei a e a o p imei o pa a a in enção de sociedades não op essi as.” (Boal 2009,185) Iden i icamos igualmen e es a base de abalho pa a odos os p a ican es de Tea o do Op imido na p opos a da É ica da Libe ação do ilóso o a gen ino, En ique Dussel, (1977) que de ende a não subjugação de sujei os po ou os, seja em qualque campo do conhecimen o, seja on ologicamen e: Acei a o a gumen o do ou o supõe acei a ao ou o como igual, e es a acei ação do ou o como igual é uma posição é ica, é o econhecimen o é ico ao ou o como igual, que dize , acei a o a gumen o não é somen e uma ques ão de e dade é, ambém, uma acei ação da pessoa do ou o. (Dussel 1977, ci ado em Oli ei a 2012, 98) A ques ão que que emos aqui comp eende e deba e é p ecisamen e sob e o con ex o que se i ia na Amé ica la ina onde a op essão e a um con inuum nas elações indi iduais e cole i as e comba e essa op essão e a acul a ao op imido as e amen as ce as pa a ansg edi e se libe a . Me a o icamen e podemos ca ac e iza o po o la ino-ame icano como o op imido que ê desen ola à sua en e as in asões e dominações, as gue as impe ialis as, e que, a a és de á ias es a égias de lu a en a libe a -se, mas alha, es e é o modelo de uma peça de Tea o – Fó um, só que como imos em Dussel (1973) ao se na u al a condição de op imido deixa de aze sen ido a lu a po uma mudança, que é em úl ima ins ância o obje i o do Tea o – Fó um. “Reconhece a exis ência da op essão e se posiciona c i icamen e en e a ela…” (San os 2016,132) é o p imei o passo pa a que se possa aze Tea o do Op imido pois es e de e se ei o pelos 99 op imidos e pa a os op imidos. Cabe ao op imido a a és da lu a ans o ma as elações de explo ação e que e libe a -se da sua op essão. Ainda pa a aseando En ique Dussel ao se na u al a condição de op imido, ao es a in e io izada a op essão como uma posição his ó ica e a o ma como a acei a az com que o op imido não econheça a sua condição. Tomamos dois exemplos de Boal sob e es a condição, o p imei o ela ado po Boal em ilme de 2010 de Zeli o Viana dá- nos o exemplo de uma mulhe indiana ques ionada sob e se conside a a se uma op imida ao qual ela espondeu o seguin e: ‘Não, eu não sou op imida, o meu ma ido não me ba e mais do que aquilo que eu me eço.” O ou o exemplo dado po Boal sob e es a in e io ização p ende-se com o exe cício de ‘desmecanização’ que é ealizado com os op imidos onde se ai e le indo sob e a ans o mação do conhecimen o do co po em co po exp essi o, denominado de i uais das másca as: No B asil, os la i undiá ios não pe mi iam que os camponeses olhassem pa a eles ca a a ca a, olho no olho, po que isso se ia conside ado al a de espei o. Os camponeses se ha iam acos umado a ala com os senho es da e a com os olhos p egados no chão: “Sim, senho , sim, senho , sim, senho !” Quando (e iden emen e an es de 1964) o go e no dec e ou a Re o ma Ag á ia, os uncioná ios go e namen ais iam ao campo comunica aos camponeses a no a lei, segundo a qual se pode iam con e e em p op ie á ios da e a que cul i a am, os camponeses olhando o chão, mu mu a am: “Sim, companhei o, sim, companhei o, sim, companhei o…” A cul u a eudal es a a o almen e imp egnada em suas idas […] (Boal 2012, 234) Es a in e io ização da condição de op imido desen ol eu-se pela o ma como a eligião c is ã oi des uindo e desac edi ando os mi os e o pensamen o mágico que po oa a os indígenas e pela o ma como os colonizado es des espei a am a ci ilização que encon a am omando-a au oma icamen e po p imi i a, subdesen ol ida e a caica. (Mo in 2007). A es a in e io ização de um conhecimen o álido pa a odas as cul u as e sociedades, que es á mui o pa a além do colonialismo, e que é mais p o unda, Quijano (2010), denomina de colonialidade do pode na pe spe i a cogni i a “[…] na u aliza a 100 expe iência dos indi íduos nes e pad ão de pode . Ou seja, á-las en ende como na u ais, consequen emen e como dadas, não susce í eis de se ques ionadas.” (Quijano 2010, 75). Em Puga (2008) encon amos es a ine i abilidade de se se op imido de endida igualmen e pela eo ia da hegemonia de An ónio G amsci. Com o Tea o do Op imido Augus o Boal, que nunca elegou pa a segundo plano as suas in luências, ques ionou-se, no en an o, ainda no B asil e du an e o seu exílio, sob e o quan o os i uais e as másca as sociais, “[…] coisi icam odas as elações humanas […]” (Boal 2012,235). Salien a ainda que uma linguagem ea al, que de ende a in e enção e ação do espe ado sob e as imagens do pode , de e coloca em causa essa colonialidade de p odução de conhecimen o e modi ica as elações humanas. Pelo acima expos o denominámos en ão nes e es udo o Tea o do Op imido como uma poé ica da ansg essão que em enquan o simbolismo na sua linguagem ea al a lu a, a ansg essão que se de e e sob e essa colonialidade de p odução de conhecimen o. É uma es é ica que desde logo não abalha com o ex o d amá ico ou ou os ex os. Cada g upo pa icula e dis in o c ia uma his ó ia única e i ep oduzí el, ou como a i ma Boal, “ São os a is as, eles p óp ios, que se mul iplicam, não suas ob as copiadas” (Boal 2009,46). O Tea o do Op imido é uma poé ica da ansg essão po que uma e amen a ea al, es é ica-polí ica e social con a-hegemónica. A sua poé ica p oduz: pa icipação a a és de um diálogo ho izon al en e pessoas, independen emen e da sua aça, géne o, c edo, classe, o ien ação sexual; consciencialização de um sen ido c í ico ace ao modo como se acei a e se conhece o mundo; alo ização das á ias ozes e suas his ó ias de ida como conhecimen o; in enção na ensão que p omo e en e mino ias e maio ias e modos al e na i os de se se em sociedade; coloca em ques ão um s a us quo que já é em si uma ansg essão de cânones sociais e ea ais. O Tea o do Op imido p omo e a ansg essão social po que as pe sonagens ep esen adas e seus con li os p o ém das his ó ias dos op imidos, é a ida dos op imidos que oma o ma na icção, pa a depois se deba ida, eencenada, ans o mada com no as p opos as de comba e à op essão. P omo e a ansg essão 101 ea al po que odas as pessoas a uam, agem e in e p e am, odas as pessoas são a is as, pensamen o que encon amos em Boal (2008), “[…] se humano é se ea o. De o amplia o concei o: se humano é se a is a!” (19). Nes e abalho que o Tea o do Op imido ealiza com os op imidos, pelos op imidos e pa a os op imidos p ocu a acima de udo se um mo imen o con a- hegemónico que lu a con a a exclusão social, económica, polí ica e cul u al e eclama jus iça social e cogni i a que “[…] eque , de ac o, um pensamen o al e na i o de al e na i as “(San os 2010, 41). Es e pensamen o que é ca ac e izado po Sousa San os (2010) como o pensamen o pós-abissal de ende que o pensamen o e as p á icas mode nas ociden ais con inuam a se es u u adas segundo linhas abissais me a ó icas que ep oduzem modelos de exclusão e que são de endidas a ualmen e, pela cons ução de mu os e edações que impedem o acesso dos e ugiados a de e minados países da Eu opa. “Aqui eside a g ande ansg essão, pois o colonial do pe íodo colonial clássico em caso algum pode ia en a nas sociedades me opoli anas a não se po inicia i a do colonizado (como esc a o, po exemplo)” (San os 2010,34). Como lu a pela jus iça cogni i a e social? Como pudemos e no capí ulo I, o Tea o do Op imido ege-se pela Decla ação dos Di ei os Humanos, es a decla ação em como base de sus en ação a é ica e a solida iedade, que implica oma posições em sociedade e a pa i dessas posições omen a ações conc e as na p ocu a de uma sociedade mais jus a. Esse p incípio supo ado pela base de sus en ação se e de pon o de pa ida pa a se de ende a igualdade de ecu sos bem como a acei ação da di e ença. Essa lu a ambém ela con ém em si uma ansg essão pois implica uma ho izon alidade incomum à sociedade que di ide as pessoas e as coloca em á ios ní eis e linhas como os pob es e os icos, os b ancos e os neg os, os belos e os eios, os homens e as mulhe es, os homossexuais, os he e ossexuais, binómios que sus en am as elações sociais e que con ibuem pa a c ia elações de pode desequilib adas que alimen am as op essões. 102 A Es é ica do Op imido (2009) de ende o exe cício da libe dade c ia i a, da pa icipação, do deba e e da p omoção do conhecimen o a ís ico de odos os pa icipan es que é de inida da seguin e o ma po Bá ba a San os (2010): O Mé odo c iado pelo ea ólogo Augus o Boal es á undamen ado na Es é ica do Op imido, que se concen a no comba e à in asão dos cé eb os, à dominação das ideias e de pe cepções e à imposição au o i á ia de concepções p é- es abelecidas de belo, de ce o e de desejá el […] A Es é ica do Op imido es imula a p odução c ia i a e c í ica de cul u a e de conhecimen o e é exe cício pleno de libe dade […] o TO p ecisa que os pa icipan es usu uam de plena libe dade de escolha: pa a pa icipa , elege os emas de seu in e essa e de ini me as e es a égias de ação, den o dos limi es de suas possibilidades. (127) Nunes (2003) (ci ado po Campos, Pin o & Saeki,2014) e e e o Tea o do Op imido como um ecu so que coloca em ques ão as hie a quias cogni i as, que econhece ou os epo ó ios de compe ências e conhecimen os que de em se colocadas ao se iço dos cidadãos. Quando de inimos o Tea o do Op imido como uma poé ica da ansg essão na linguagem ea al que coloca em ques ão algo, já es amos a coloca em ques ão cânones e pa âme os do conhecimen o c ia i o e a ís ico. Em Molina i (2010) encon amos uma a i mação que pa ece complemen a as de Edwa d Said em Cul u a e Impe ialismo(1993) quando es e au o nos elemb a o quan o a is as e in elec uais ouxe am pa a o pano ama a ís ico eu opeu a di usão e a é as in luências de cul u as não eu opeias, como podemos encon a em Picasso e as in luências a icanas nas sua pin u as, ou Paul Gaugin que se es abeleceu na Papua No a Guiné en e ou os, Molina i elemb a–nos o peso da Eu opa nos ou os mundos quando menciona: “Na ealidade, a adição eu opeia só é negada no plano in elec ual, pois não pode deixa de pesa no plano his ó ico” (Molina i 2010, 326). Ainda que na a ualidade se p ocu e desmis i ica o ‘exo ismo’ na sua ca ga nega i a com que oi u ilizado na cons ução do impé io eu opeu, ainda encon amos a ideia de que a ‘cul u a p imi i a’ ou exó ica’ a que se e e e Edwa d Said no seu O ien alismo na e são eedi ada pela Penguin em 2003 salien a o es o ço que a Eu opa 103 ez pa a que hou esse uma iden i icação como o o iginal. Assim o que sob essai não é um olha sob e o quão ou as cul u as são igualmen e icas nas suas o mas, co es, dimensões, poesia, i mos e sono idades, danças e i uais, mas sim o que os a is as eu opeus consegui am ealiza com essas in luências ‘meno es’ e o quão essas cul u as de em às in luências que ecebe am nas suas p oduções. Ao p opo mos um concei o p óp io de ansg essão não nos posicionamos con a algo, nem que emos des ui o que es á implemen ado, sob e udo em e mos cul u ais, conside amos a ansg essão necessá ia pa a se p omo e um diálogo ho izon al sem desequilíb ios de pode . Sín ese Assumimos que es a in es igação se posiciona na e lexão e comp eensão sob e o quão as in luências eu opeias ea ais que ca ac e iza am mui o do ea o que se azia a é meados do século XX na Amé ica La ina o am ma can es, mas não nos posicionamos do cen o do conhecimen o uni e sal pa a a pe i e ia como sublinhado po Dussel (1977 ci ado po Lande , 2005). Ao longo des e capí ulo pudemos e que Amé ica La ina so eu di e en es p ocessos de colonização, que o am a o es deses abilizado es ao ní el social, cul u al, polí ico e económico. Que apesa de uma colonização de ezen os anos po pa e da mona quia espanhola e das á ias gue as ci is su gidas pela eminência de uma independência da me ópole que opunham ações conse ado as e libe ais, a Amé ica La ina conseguiu–se impo mesmo depois de um impe ialismo no e ame icano que oi esponsá el pelas á ias di adu as que alas a am na Amé ica La ina, enquan o con inen e e enquan o países que con inuamen e lu am pa a encon a a sua iden idade e de ende os seus p odu os nacionais. P odu os esses que chegam à Eu opa e que são abso idos pelos eu opeus po que di e en es, p ecisamen e. O exemplo dessa di e ença es á po exemplo na música, na li e a u a, na dança, no ea o de ua, no cinema. De endemos um concei o p óp io de ansg essão numa linguagem ea al p o enien e desse con ex o con u bado e op essi o, po que con a-hegemónico, e 104 comp ome ido com a emancipação de odos os que p ecisam de e acesso ao conhecimen o da sociedade em que i em e uma oz a i a que quei a e saiba como ans o má-la. De endemos o Tea o do Op imido como uma poé ica da ansg essão po que não que segui modelos eu ocên icos do e e aze ea o, sem, no en an o, desp eza qualque es é ica po que alo iza o diálogo ho izon al en e odas. É a possibilidade des e diálogo ho izon al que se o na di ícil pa a quem em de um con inen e ou o a colonizado. De endemos a não dependência cul u al no plano da c ia i idade e da c iação de p odu os a ís icos p o enien es da Amé ica La ina, nes e caso conc e o a ou as linguagens ea ais como linguagens únicas e o iginais não acei ando a compa ação como diminuido a das suas capacidades em que se sublinha a p o eniência dos p odu os como algo que não pode ac escen a nada de o iginal e p óp io po que semp e compa ada ao exis en e na on e, a Eu opa. Assis imos ao peso da ‘ on e’ de ês o mas: uma pelo silêncio em que não se azem c í icas nem se dá impo ância; ou a pela con ínua c í ica à al a de o iginalidade po que semelhan e com ou as linguagens já exis en es; ou a ainda pela classi icação de exo ismo do que em de o a. 105 CAPÍTULO III – DESENHO DA INVESTIGAÇÃO 112 Con enção no Dicioná io Houaiss de Língua Po uguesa (2009) que dize “s. . Aco do, pac o, con a o: con enção e bal. Na linguagem ulga , aquilo que es á ge almen e admi ido ou aci amen e con a ado: con enções sociais”. Con enção segundo o Dicioná io P ibe am (2008) que dize : “Ajus e en e pa es in e essadas […] Cos ume admi ido (nas elações sociais). Reunião de pessoas pa a a a de emas ou in e esses comuns […]”. Podemos a i ma , a pa i des as de inições, que con enção é um concei o que implica pelo menos duas pessoas eunidas à ol a de uma ideia. É um concei o que compo a p ocedimen os p o ocola es no ma i os e que ege as pessoas em unção de um en endimen o mú uo, áci o, que exis e em sociedade como o ma de es abelece laços e ligações. Sublinhamos aqui que não que emos aze pa a discussão a ideia de con enção e con encional como a mesma coisa que apa en emen e se e e e a algo an igo e o a de moda. Reconhecemos, al como Hause (1973), que o es abelecimen o de con enções é uma dinâmica de queb as e u u as; os p ocessos de cons ução a ís ica econhecem as con enções an e io es pa a ap esen ações de p opos as no as ou di e en es. Raymond Williams e e e o seguin e sob e a necessidade de u u as com o es abelecido, como o caminho pa a as no as p opos as: I in ac i we e no his o ically ue ha ce ain wo ks ha e been able, by hei own s eng h, o modi y old con en ions and o in oduce new ones, we should ha e had no change a all, sho o some absolu is dec ee. (William 1993,15) Bohm (1996), po exemplo, ealça que o es abelecimen o de uma no a o dem (que pa a es e cien is a é um a o c ia i o) não em necessa iamen e que des ui a an e io , mas de e melho a e ac escen a algo de no o pa a que se es abeleça. Ainda segundo Williams (1993), a ideia de aco do áci o ou eunião de pessoas que se jun am à ol a de uma mesma ideia é a de inição que seguimos pa a melho comp eende mos, depois, as con enções ea ais que su gi am em di e en es épocas: [...] he con en ion, in any pa icula case, is simply he e ms upon which au ho , pe o me s and audience ag ee o mee , so ha he pe o mance may be ca ied on. Ag ee o mee , o cou se, is by no 113 means always a o mal o de ini e p ocess; much mo e usually, in any a , he consen is la gely cus oma y, and o en indeed i is i ually unconscious. (Williams 1993, 12) Em Guillén (2013) podemos le que as si uações que se desen olam dian e dos olhos do espe ado es ão imbuídas de códigos, mensagens e de e minados signos que o des ina á io econhece. Essas si uações são cons uídas de o ma a pode em se in e p e adas pelo espe ado . No dicioná io de Tea o de Pa is (1996), encon amos a seguin e ca ac e ização des e aco do áci o que é ob iga ó io exis i en e o espe ado e o palco, como “[…] o conjun o de p essupos os ideológicos e es é icos, explíci os ou implíci os, que pe mi em ao espec ado ecebe o jogo do ac o e a ep esen ação” (71). É com base nes a p emissa, que não é possí el e ea o sem exis i implici amen e um aco do en e o espe ado e o espe áculo, que em ea o udo é con enção (Lé i-S auss 1993). As con enções exis em pa a pode mos sabe quais as eg as das di e en es mani es ações a ís icas. Segundo Rossini (ci ado po Solme 1999), as con enções são os nossos olhos, os nossos ou idos, a nossa in e p e ação. A elação palco- pla eia oi semp e uma cons an e p eocupação em ea o, e po isso ambém as con enções não são es á icas e uni e sais, modi icam-se con o me as épocas, as cul u as e os con ex os sociais e polí icos, em que as mani es ações ea ais su gem. (Ribei o 2011) Todas as eo ias ea ais que encon ámos, desde A is ó eles a é à a ualidade, su gem como deba e sob e as di e en es con enções que o aze ea al p opo cionou e espe i as modi icações ao longo das épocas. “The a ious con en ions which ha e been used in d ama a e oo nume ous o lis ” (Williams 1993, 14). As con enções em ea o epo am-se a um conjun o de écnicas, p ocessos e géne os a ís icos que dependem das cul u as e das épocas. Quando, no na u alismo, colocamos os a o es de cos as e assumimos uma qua a pa ede en e o espaço de ep esen ação e a pla eia, es amos a usa uma con enção, uma o ma do aze ea o e de le ea o. 114 Quando se pede ao encenado a cons an e p eocupação com as indicações cénicas do au o , bem como a impo ância das didascálias na p epa ação das cenas, es amos a usa uma con enção que é ca ac e ís ica de uma no a p opos a de anspo a ealidade pa a a cena. O ea o asiá ico Kabuki e o Noh u ilizam um conjun o de con enções mui o p óp ias daquela cul u a (Ca aye 1993), como po exemplo, o desenho do palco que obedece a ce as eg as de cons ução e ca a e ização, alguns elemen os do palco como a co ina que é es a egicamen e pendu ada numa calha de me al u ilizada pa a da a en ada do a o que de e se bas an e audí el, en e ou as. Nas angua das do século XX, quando su ge, mui o em oposição ao na u alismo, o simbolismo em ea o, que é ans e sal às a es plás icas, li e á ias e musicais, em que o que se pede aos espe ado es é que en em deci a a complexidade do mundo in e io do Homem, su ge ambém a necessidade de e de se u iliza ou as con enções pa a aduzi essa “[…] ealidade mis e iosa, indis in a, p o unda e suges i a, que se p es a mais à e ocação do que à desc ição […]” (Sp occa i 2009, 135). Pa a Ryngae (1998) e al como já oi aqui sublinhado, não é possí el uma p axis ea al sem o uso de con enções, é di ícil se um espe ado ea al sem a pe ceção dessas con enções, diz-nos o au o sob e con enção: Toda a d ama u gia epousa em con enções, em um conjun o de p essupos os ideológicos e es é icos que pe mi em ao espec ado ecebe a ep esen ação. As no as d ama u gias se opõem às con enções e implici amen e c iam ou as, sem as quais oda a comunicação ea al se ia impossí el. Seguem-se pe íodos em que a lei u a e a ecepção das ob as ea ais são mais delicadas, quando os públicos ainda i em com an igas con enções e se decla am incapazes de admi i as no as. O ea o do absu do, ao ejei a as con enções admi idas a é en ão, se expôs assim, à incomp eensão. (Ryngae 1998,224) Fundamen almen e, pa a que as con enções açam sen ido, é necessá io que d ama u gos, encenado es, a o es e público conco dem com de e minado mé odo ou de e minada écnica a se usada num de e minado pe íodo. (Williams 1993) 115 3.4. Dimensão Social e Es é ica Es e es udo p opõe uma e lexão sob e es as duas dimensões como necessá ias pa a a conc e ização do concei o cha e, as con enções ea ais, e pa a a análise do mesmo na Eu opa, dos inais do século XIX a é à a ualidade, como in luência no aze e no e ea o que ma cou as mani es ações ea ais da Amé ica La ina, po que polo colonizado, e as con enções que o Tea o do Op imido p opõe mesmo que ilhas das in luências, como di e en es p opos as de c iação e de inição da cena e da pos u a do espe ado . Pa a jus i icação des as duas dimensões pa imos do p essupos o de que, em di e en es épocas e em di e en es con ex os sociais, polí icos e cul u ais exis i am, e exis em di e en es p opos as do aze e do le ea o e sublinhando que os pe íodos não começam nem acabam ab up amen e an es se in luenciam con inuamen e (G i i hs 2007), e que é ele an e a implemen ação de no as eo ias como pa e in eg an e da capacidade imagina i a do a is a (Bohm 1996), não como absolu as, mas sim e semp e como necessá ias e ela i as numa de e minada época. Pa a jus i ica a in e - elação des as duas dimensões, conside amos ês pe spe i as: uma de Kandinsky (1987), que de ende que oda a a e é ilha do seu empo e que as espos as a ís icas ao con ex o social, polí ico cul u al e económico e le em a in e ligação que o a is a em com a sociedade e com o ou o; uma de G i i hs (2007) quando nos diz que “ Po conseguin e, nem oda a música mode nis a é a onal, embo a oda a música a onal de a se , em essência mode nis a […] a a onalidade de Schonbe g elaciona a-se dece o com a his ó ia mais ecen e da cul u a ociden al” (p.210). E ou a de Hause (1973), que nos diz que o a is a exis e den o de uma ealidade social, a qual a in luência, sendo es a ao mesmo empo ece o a dessa in luência: Delimi a-se mui o igidamen e o elemen o indi idual e o social nas elações e ealizações humanas quando se pa e do p incípio que o indi íduo e a sociedade seguem a sua exis ência especial e com leis p óp ias e que se iam capazes de exis i um sem o ou o. De ac o, não 116 só são in e dependen es como o mam dois aspec os de um mesmo enómeno. (Hause 1973, 45) Se oma mos como exemplo as p opos as ea ais que se a i ma am sob a égide da luz elé ica, emos que es as pude am p opo no os elemen os cénicos e explo a ou os jogos de luz, que as encenações du an e o pe íodo de Shakespea e não o consegui am aze . (Solme 1999) As mani es ações a ís icas não são linguagens na u ais que se egem pela mãe na u eza, an es pelo con á io, são linguagens a i iciais, conscien es e p oduzem-se condicionadas pelas condições sociais, polí icas, cul u ais e económicas. (Hause ,1973) A análise das con enções den o des as duas dimensões se iu pa a pode mos e le i sob e o quan o a in luência das linguagens ea ais eu opeias é ainda mui o ele an e pa a as linguagens ea ais la ino ame icanas e que, po isso, não conseguimos deixa de sublinha os elemen os que são comuns e semelhan es em ambos os con inen es. Sublinhamos que a Eu opa oi um polo colonizado em di e sas épocas e que deixou - e ainda deixa - ma cas das suas in luências cul u ais e linguís icas, al como Said e e e: Mui a gen e no chamado mundo ociden al ou me opoli ano, bem como seus pa cei os do Te cei o Mundo ou das ex- colônias, conco da que a época do g ande impe ialismo clássico, o qual a ingiu o seu clímax na ‘e a do impé io’, segundo a desc ição de E ic Hobsbawm, e chegou ao im mais ou menos o mal com o desman elamen o das g andes es u u as coloniais após a Segunda Gue a mundial, con inua a exe ce de uma ou ou a manei a, uma in luência cul u al conside á el no p esen e. (Said 2011, 40) No en an o e po que ambém an e io men e de endemos a impo ância do con ex o social, económico, polí ico e cul u al em que o a is a se inse e, os elemen os compa a i os di e gen es que que emos sublinha se ão undamen ais pa a es a de esa, pois só colocando o Tea o do Op imido assumidamen e na di e gência podemos aze algo de no o a um es udo des a na u eza. 117 3.5. Lei u a da Tabela Chegados ao im da jus i icação e explicação sob e o desenho de in es igação que melho se adequasse aos obje i os da mesma, depois da cla i icação do concei o cha e que de inimos pa a o modelo de análise, da jus i icação e in e - elação das dimensões escolhidas pa a a análise passamos à explicação da lei u a que se de e aze des a abela ao longo do qua o capí ulo onde ap esen a emos a análise das di e en es componen es e indicado es do modelo de análise ( abela 1). Tabela 1 - modelo de análise Ques ões de In es igação Qual a linguagem ea al Eu opeia que ca ac e iza um aze e e ea o? – no plano da cons ução do ex o, da p epa ação do a o , da escolha do espaço de ep esen ação, da cons ução do espe áculo, da in e enção do espe ado . Qual a linguagem ea al especí ica do Tea o do Op imido que ca ac e iza um aze e e ea o? - no plano da cons ução do ex o, da p epa ação do a o , da escolha do espaço de ep esen ação, da cons ução do espe áculo, da necessidade da in e enção do espe ado . De que o ma a in e enção do espe ado com p opos as de al e ação à si uação ap esen ada no espaço cénico, pode o na es a linguagem ea al numa poé ica de ansg essão? De que o ma essa T ansg essão lhe con e e o iginalidade e di e enciação? Concei o Dimensões Componen es Indicado es Con enções Es é ica Social O Tex o Os emas, as his ó ias, a si uação, a ação, as cenas, a peça de ea o. O Espe áculo P ocessos de cons ução do espe áculo. O que de e ganha ida num palco, ou num ou o espaço de ep esen ação. Que écnicas emos ao nosso dispo pa a melho ansmi i mos o que se p e ende. A análise que se az de um ex o, uma his ó ia, um guião, seja e bal ou não e bal, pa a linguagem ea al. O A o A ca ac e ização da p o issão, e olução e ans o mação na in e p e ação do a o nos inais do século XIX, século XX O espaço de ep esen ação O espaço de ep esen ação – o espaço ísico e o espaço cénico. Ca ac e ização dos di e en es espaços de ep esen ação e olução e modi icação. O espe ado O espe ado ea al e olução e modi icação de pos u a, unção e a pa icipação no espe áculo ea al, dos inais do século XIX à a ualidade Fon e: adap ado de Qui y e Campenhoud 1998 118 Es a abela que ai se di idida ao longo do qua o capí ulo nas suas á ias pa celas de e e a seguin e lei u a: é cons i uída po qua o colunas e icais, um campo ho izon al. No campo ho izon al ap esen amos as ques ões de in es igação. Nas qua o colunas e icais ap esen amos: na p imei a coluna o concei o cha e denominado de Con enções em que a lei u a de e se ei a como um concei o ab angen e das es an es colunas pois as células es ão unidas. Na segunda coluna com células igualmen e unidas ap esen amos as dimensões nas quais o concei o cha e, as componen es e os indicado es se ão analisados. A e cei a coluna, a coluna das componen es, é po sua ez subdi idida em cinco células: o ex o, o espe áculo, o a o , o espaço de ep esen ação, o espe ado . A coluna dos indicado es ambém ela é subdi idida em cinco linhas co espondendo aos indicado es de cada componen e. Pa a a análise compa a is a di idimos as pa celas da abela ela i as às componen es segundo a lei u a que conside ámos mais pe ce í el pa a o lei o . Assim cada pa cela da abela i á su gi de aco do com a di isão da mesma em componen es e espe i os indicado es. CAPÍTULO IV – ANÁLISE COMPARATISTA DA LINGUAGEM TEATRAL EUROPEIA E A LINGUAGEM TEATRAL DO TEATRO DO OPRIMIDO 119 120 121 CAPÍTULO IV – ANÁLISE COMPARATISTA DA LINGUAGEM TEATRAL EUROPEIA E A LINGUAGEM TEATRAL DO TEATRO DO OPRIMIDO As Componen es e os Indicado es 4.1. A Componen e do Tex o e os seus Indicado es Es a componen e aba ca a peça de ea o, o ex o, a his ó ia, o ema, o guião, a ação, as cenas, a si uação, o que se ai con a . Algo que ai se ep esen ado, ea alizado. Pa a melho pode mos comp eende o po quê des a componen e e as escolhas que izemos ao longo des a in es igação pa a chega a es a componen e, sublinhamos á ios exemplos de ea ólogos e encenado es, ainda numa pe spe i a eu ocên ica, que nos explicam a isão que êm sob e o que se ai e quando amos ao ea o. Bo ie, Rougemon e Sche e ( 2011) ci am o que conside am se o mais an igo a ado sob e ea o encon ado na India onde se a i ma: “ O ea o é a ep esen ação do mundo in ei o”(37). Appia (ci ado po Vasques 2003) ca ac e iza a a e d amá ica como algo complexo e con uso uma ez que é po ado a de uma ce a dualidade que não endo luga como de ende o au o na li e a u a nem nas belas-a es, ainda assim inicialmen e se de ém num ex o “A a e d amá ica compo a, an es de udo, um ex o (com ou sem música); é a sua pa e da li e a u a (e de música)” (Vasques 2003, 84). Molina i (2010) po exemplo sublinha que uma peça de Shakespea e em que oda a sua es u u a é a de um ex o d amá ico, só se o na e e i amen e ea o quando alguém a assume como um ema ou um pon o de pa ida pa a uma p opos a cénica conc e a. Em Ba a a (1980) encon amos as seguin es e lexões de Ionesco: “A ma é ia ou os emas socias, podem mui o bem cons i ui , den o des a linguagem, assun os e emas de ea o” (ci ado po Ba a a 1980, 173). No mesmo au o Pe e B ook e le e da seguin e o ma a encenação: “[…] a encenação não de e apega -se supe icialmen e ao 128 Sublinhamos nes e pon o, al como Ba a a (1980), que cada país em o seu ea o e que cada ea o em a sua his ó ia. É p ecisamen e po que o ea o encon ou o pon o de sin onia com a sociedade e a época que o supo a que es e es udo que e idencia um pa adigma ea al eu opeu. Nomeadamen e o ex o de au o e um encenado que inha po base o ex o com o qual ap esen a a e expe imen a a as suas no as conceções ea ais, que pe du ou numa de e minada época, nomeadamen e dos inais do século XIX a é aos anos 60 e 70 do século XX. Ryngae (1992) sublinha os anos 60 e 80 do século XX como as décadas em que o espe áculo p e aleceu sob e o ex o. Fo am épocas em que as linguagens ea ais se mis u a am em di e en es desa ios, sejam ao ní el da ep esen ação, dos emas a ados e dos ex os, sejam ao ní el dos espaços cénicos e dos espaços ea ais. Que emos e idencia que não azemos aqui a apologia da não-acei ação do ex o de au o nem a apologia de lu a con a o cânone de á ios séculos sob e a impo ância das peças que sob e i e am aos séculos e que ainda hoje são e e ências ea ais pa a a o es, encenado es e espe ado es. P e endemos ealça , no en an o, como Pa is (1998) que o ea o que se ez a é aos anos 70 do seculo XX oi uma posição ideológica da cul u a ociden al, que ainda p i ilegia o ex o e a esc i a. Salien amos que essa ideologia in luencia as p opos as de encenação como Ube s eld (1999) sublinha quando diz po exemplo que o espaço ea al cons ói-se endo como mediado ou como pon o de pa ida o ex o ea al. Mesmo que o encenado cons ua o seu espaço cénico, o ex o ea al suge e, ambém ele, a a és de didascálias e ce os elemen os lexicais o campo espacial a que se e e e. Não esquecendo que Ube s eld (1999) az a apologia da in e p e ação da pe o mance ea al a pa i do ex o d amá ico. Admi imos que a his ó ia do ea o se az mui o a pa i dos ex os que ca ac e izam épocas e endências e que se conside a his ó ia po que o documen o esc i o é algo que pe du a passí el de se analisado. “[…] O esc i o conse a o discu so e az dele um a qui o disponí el pa a a memó ia indi idual e colec i a” (Ricoeu 1986,143). 129 Reconhecemos ambém al como Vasques (2003) que mesmo o ea o expe imen al, que en a encena ex os pouco habi uais, em o igem na li e a u a e econhecemos que é es a uma das pa icula idades que dis ancia o Tea o do Op imido do Tea o Eu opeu. Ao longo des a análise pudemos e o quão a peça de ea o é um elemen o undamen al na cons ução de um espe áculo ea al. A peça de ea o esc i a po alguém que em uma isão pa icula da sociedade. Essa isão de e ex apola , no en an o, ambém ela o au o , pois só assim a á sen ido ea alizá-la pa a um público. A peça de ea o é um documen o esc i o e po isso passí el de se u ilizado an as ezes quan o possí el po á ios g upos e/ou companhias de ea o, con o me as épocas e os encenado es. Ao analisa mos as di e en es épocas ea ais a pa i das e e ências bibliog á icas an e io men e e e idas como Pa anhos (2012), Molina i (2010), Vasques (2003), Be hold (2001), Roubine (2000), Solme (1999), Williams (1993), B ook (1993) Ryngae (1992), e Ba a a (1980), e i icamos que essas épocas ea ais são ca ac e izadas do pon o de is a da e olução dos géne os quase que umbilicalmen e ligadas à His ó ia Li e á ia e dos ex os que pe du am. Ainda que se econheça que o inal do século XIX e odo o século XX enha p omo ido uma comunicação mais in ensa e p o ícua da a i idade ea al com ou os campos a ís icos, o que ica egis ado são os géne os pa a nos si ua mos nas épocas, ais como o na u alismo- ealismo, o simbolismo, o absu do, o su ealismo, o épico en e ou os. A seleção bibliog á ica pa a es a in es igação espelha essa ques ão. Quando se denomina de “His ó ia Mundial do Tea o” ou de “His ó ia do Tea o” acabamos po encon a na seleção da na a i a his ó ica e e ências às mesmas ob as, pe íodos, aos mesmos au o es, encenado es, encenações e países. Ficamos apenas a conhece um pon o de is a e, se não o mos cu iosos e es udiosos o su icien e, esse pon o de is a chega-nos. Vasques (2003) ale a sob e o ac o de se deixa de o a, nas á ias análises e eo ias ea ais, as linguagens ea ais daqueles que es ão nas ‘ma gens’ e dá-nos um exemplo especí ico de Po ugal: 130 Reg a ge al, as «his ó ias» de ea o que se ão azendo em Po ugal, a amen e in es igam – ou iden i icam um pon o de is a es é ico ou se posicionam ilosó ica ou ideologicamen e – e nem se que se dão ao abalho de compa a pe spe i as epis emológicas: são « ep odu i as» e as on es do conhecimen o que u ilizam (sendo a li e a u a uma das on es mais u ilizadas) explicam o ac o de, desde Teó ilo B aga a es a pa e, se i dizendo no essencial, a mesma coisa. (Vasques 2003,10) Pa a es a in es igação colocámo-nos do pon o de is a es é ico-ideológico que que esc e e das ‘ma gens’ sob e uma no a es é ica, uma no a linguagem ea al que que cons ui si uações ou cenas com as his ó ias e as ações dos op imidos. As peças de ea o se em de pouco quando na eceção o público não en ende ou não se iden i ica com os emas. Exemplo da on ade de c ia uma expe iência na eceção das linguagens ea ais que osse mais condizen e com o público, emos a década de 1970 na Amé ica La ina com o boom da c iação cole i a como uma ca ac e ís ica de um pensa la ino – ame icano. Piga diz o seguin e sob e ea o popula : La pa icipación del di ec o , de los ac o es, diseñado es, homb es y muje es del g upo social que se haya elegido pa a si ua el hecho base de la ob a, co esponde a una in e acción, a un apoyo mu uo, a una ecip ocidad c ea i a, sin la cual el au o no puede p oduci esa ob a como exp esión popula . Sin es a o ma de me odología colec i a, el au o in en a a la ealidad, se ía su ob a el esul ado de su isión pe sonal, segui ía siendo el au o ealis a del siglo pasado, que, con muy buenas in enciones, quie e o ien a , educa y en e ene , al pueblo desde su en ana. (Piga 1974, ci ado po Luzu iaga 1978, 19) 131 Damos en ão início à nossa análise compa a i a ela i a à p imei a componen e do pon o de is a do Tea o do Op imido. Começa íamos po elaciona a p opos a de c iação cole i a que encon amos na pesquisa bibliog á ica, como o ma de implemen a um aze ea al que se a as asse dos pa âme os eu ocên icos que ao ní el o ganizacional de uma es u u a que ao ní el es é ico, como uma ou a o ma de cons ui uma his ó ia, desen ol e um ema uma si uação ou uma ação. Es a p opos a de c iação cole i a p endia-se com o ac o de se que e cons ui um discu so dos la ino- ame icanos, de da oz às populações explo adas, de se e em cena uma ealidade mais condizen e com a ealidade social, polí ica e cul u al dos la ino–ame icanos. No Tea o do Op imido e i icamos que os ex os, as cenas, ou os guiões com que abalha são da au o ia dos p o agonis as (os op imidos). Es es pa a c iação de um espe áculo pa ilham as suas his ó ias de op essão, como al, não são ex os ou his ó ias que possam se u ilizadas po ou os p o agonis as. O Tea o do Op imido não em um co pus esc i o que o pudesse inclui na his ó ia da li e a u a que acompanha a e olução e in e p e ação dos ex os d amá icos ao longo das épocas. O obje i o do Tea o do Op imido é o de consegui o na que o ema, a ação, que a o ma, pe ença dos pa icipan es. “Não que emos o e ece ao po o o acesso à cul u a – como se cos uma dize , como se o po o não i esse sua p óp ia cul u a ou não osse capaz de cons uí-la” (Boal 2009,46). O Tea o do Op imido semp e p ocu ou abalha com o ex o esc i o pelos p o agonis as. As his ó ias de op essão que são pa ilhadas de em se au oma icamen e plu alizadas, que is o dize ex apoladas pa a o g upo, subsequen emen e pa a uma comunidade e po ezes a é pa a a sociedade na qual essa his ó ia é um agmen o. Nes e pon o analisámos um p ocesso de abalho denominado de Labo a ó io Madalenas - Tea o das Op imidas que esul ou na cons ução de uma peça Tea o – Fó um com á ias pessoas de á ios países. O Labo a ó io Madalena oi desen ol ido po Bá ba a San os, socióloga, cu inga e di e o a do Ku inga de Be lim e Alessand a Vannucci, di e o a, d ama u ga, adu o a e pesquisado a e con ou com o apoio do CTO 132 - Rio. Es a expe iência p o eio ambém das ques ões sob e mulhe es que a cu inga Bá ba a San os se depa ou ao abalha em á ios países com mulhe es de di e en es classes, aças e expe iências de ida. O Labo a ó io Madalenas oi abalhado desde 2010 no B asil, Guiné-Bissau, Moçambique, Po ugal, Alemanha, Áus ia, India, Espanha, A gen ina, Suíça e o U uguai. Em 2012 ealizou-se o p imei o encon o de Madalenas – Madalenas In e nacional o ganizado pelo Ku inga de Be lim. Inicialmen e emos en ão um ema que e a a não só aqueles pa icipan es, nes e caso mulhe es, mas ambém os espec -a o es. Imagem ou cena que não se consiga epe cu i pa a o obse ado a i o que se á à pos e io i um espec-a o não de e se abalhado em Tea o do Op imido. (Boal 1995). Os ex os do Tea o do Op imido são undamen almen e baseados em his ó ias e dadei as que ca ac e izam uma si uação de op essão. Es es su gem po exemplo a pa i de o icinas de Tea o do Op imido dinamizadas po um cu inga com g upos especí icos. Os p óp ios cu ingas mui as ezes saídos de g upos de op imidos e dessas o icinas, que não p ecisam de e conhecimen o p é io da linguagem ea al. A ep esen ação des as his ó ias não se limi a apenas às alas das pe sonagens, pois numa sessão de Tea o – Fó um o espec - a o i á semp e p oduzi um ou o discu so, o das al e na i as e o op esso pe an e esse discu so i á ob iga o iamen e e que cons ui ou as ‘ alas’, ou o ex o. O pon o de pa ida des e labo a ó io que Vannuci e San os (2006) cla i icam como um caminho em abe o e po isso a denominação de labo a ó io em ez de o icina, é a in es igação que se az pa a coloca pe gun as essenciais como: “[…] quais modelos ances ais ainda agem no “se mulhe ” hoje? Quais con ex os sociais condicionam o compo amen o e o co po desse se mulhe ? Quais luga es ocupamos e quais que emos ocupa ? Quais expec a i as, quais sonhos? Quais al e na i as?” (Vannuci e San os 2010, 102). Dá-se início en ão a um abalho que começa po u iliza os jogos e os exe cícios de des – mecanização e di e sas écnicas como Tea o – Jo nal, Tea o – Imagem, A co- Í is do Desejo e Es é ica do Op imido. Es e abalho pe mi e aos pa icipan es des enda em-se e econhece em as op essões e suas a i udes pe an e as mesmas. 133 Es e Labo a ó io Madalenas que é o Tea o das Op imidas euniu inicialmen e á ias mulhe es do B asil, Guiné – Bissau e Moçambique e o obje i o e a o de in es iga e pe cebe p incipalmen e que ep esen ações sociais, que imagens, que a i udes, pos u as e compo amen os cons oem as elações en e homens e mulhe es em sociedade e de que o ma essa cons ução pode pe pe ua elações de op essão que icam imp imidas nas op imidas impedindo-as de conc e iza no quo idiano seus desejos e on ades. Como di o inicialmen e na jus i icação des e es udo, cada g upo especí ico e único cons ói o seu ex o. O Tea o do Op imido em como obje i o ea aliza as pala as e os discu sos dos op imidos, mas es e ex o só az sen ido ea aliza se e e i amen e chega espec – a o . O Tea o do Op imido desde o seu su gimen o no B asil e do seu desen ol imen o em países da Amé ica La ina como: Chile, A gen ina, Pe u, en e ou os, semp e p ocu ou comba e as pala as de ou os como as pala as da in asão dos cé eb os e as pala as do pode . Exemplos de pala as em o ma de pode emos as do egime nazi que ob iga am B ech e Pisca o a emig a em pa a os Es ados Unidos como imos no p imei o capí ulo. Exemplos da p oibição do uso conscien e do conhecimen o da pala a emos alguns países que p oíbem a mulhe de sabe le e esc e e , mais ecen emen e emos o exemplo da jo em Malala Yousa zai paquis anesa quando es a de ende o di ei o à educação como o ma de lu a con a a in asão dos cé eb os. “Os alibãs podiam i a -nos as cane as e os li os, mas não podiam impedi os nossos cé eb os de pensa ” (Malala 2014, 162). Como pudemos le ambém no capí ulo II a pala a ea alizada e a a do discu so hegemónico, os ex os ea alizados e am os ex os p o enien es da Eu opa, as imagens simbólicas que se ansmi iam e am as imagens das classes dominan es. No capí ulo I e i icámos que as peças que e a a am pe sonagens neg as no B asil e am ep esen adas po a o es b ancos pin ados de neg o: Quem em o pode da pala a, da imagem e do som, em a seu dispo a in enção de dogmas eligiosos, polí icos, econômicos, sociais… e ambém dogmas da a e e da cul u a. Nes es, os se es humanos são 134 di ididos em a is as e não a is as, como se ossem di ididos em nob es e plebeus (Boal 2009,75). O Tea o do Op imido semp e oi apologis a da esc i a e do uso da pala a, mas a pala a do indi iduo, a esc i a de cada indi iduo den o das suas possibilidades. O Tea o do Op imido em os ex os, ou guiões, ou documen os que ca ac e izam um de e minado g upo, ou comunidade. Boal (2009) e e e que a poesia do op imido é ão álida e a ís ica como ou a poesia se a pe spe i a e os pa âme os dessa poesia não es i e em sob a ó ica dos pa âme os eu ocên icos. “Não buscamos ans o ma nenhum cidadão em esc i o de bes –selle s de ae opo o, mas pe mi i que odos enham o domínio sob e a maio in enção humana: a pala a” (Boal 2009,197). A a és do seu úl imo li o, a Es é ica do Op imido, Boal de endeu es a p e oga i a que ai acompanha odos os p oje os de Tea o do Op imido, assumi que os Op imidos êm que descob i a sua a e, nela descob i -se a si mesmo, o seu mundo e a sua capacidade c iado a. Os ex os do Tea o do Op imido ep esen am semp e uma si uação de op essão em que essa si uação é acei e a é ao pon o em que o op imido que -se libe a ou que sabe como se libe a . Es a é a base pa a a p opos a de cons ução de um ex o. As his ó ias e a am compo amen os em que o op imido so e á ias si uações de op essão inclusi e de ag essão, mas o que se ai con a é semp e o momen o an e io à ag essão em que o op imido podia ou pode ainda op a po ou as soluções. As í imas de iolência sexual, de execução, em que aquilo que elas so em é uma ag essão ísica e que são casos ex emos de abuso não são his ó ias que se consigam cons ui num modelo de Tea o - Fó um. Boal de ine da seguin e manei a a linha que sepa a a op essão da ag essão: Lemb o – me, po exemplo, de uma cena de Tea o – Fó um na qual uma jo em e a iolen ada no me ô, à meia – noi e, po qua o indi íduos a mados […] É e iden e que já não podia aze nada mais que en a de ende -se isicamen e. E odas as in e enções dos espec ado es en a am e ela o de ei o do modelo, que ap esen a a uma ca ás o e já ine i á el […] Casos como esses não se em ao bom espe áculo de Tea o – Fó um, pois não ap esen am a op essão, que pode se 135 comba ida, mas sim a ag essão ou ep essão, que é ine i á el se não o mos isicamen e o es (Boal 2007,320-321). A isão da ealidade que ai se ap esen ada em Tea o – Fó um é semp e do pon o de is a do cole i o, a igu a do cu inga é apenas a de mediado do espe áculo pois ambém ele de e es a imbuído desse pon o de is a (iden i icação com o op imido po iden idade absolu a, po analogia ou po solida iedade) que se i á pa a a cons ução de odo o espe áculo em Tea o – Fó um. 4.2. A Componen e do Espe áculo e seus Indicado es Nes e pon o conside amos como indicado es da conceção do espe áculo aquilo que podemos conside a de s agec a (Geo ge,1992). Es a componen e aba ca a análise, a in es igação que se az pa a a passagem de um ex o, uma his ó ia, um guião, seja e bal ou não e bal, em linguagem ea al, ea alizá el p epa ada pa a se ep esen ada. Nes a componen e sublinhamos al como Ryngae (1992) que há oda uma panóplia de conceções sob e como elabo a uma d ama u gia con o me as épocas, os encenado es e seus obje i os. O que de e ganha ida num palco, que écnicas emos ao nosso dispo pa a melho ansmi i mos o que se p e ende, a escolha da cenog a ia adequada às in enções da his ó ia, do ex o, de um di e o ou de um g upo, de um espaço ea al ou de ou os espaços conside ados pa a o e ei o. A aud (1989, 38) de endia que o palco con inha em si oda uma linguagem mui o pa a além da pala a, de endia uma linguagem pa a os sen idos que de ia p imei o sa is aze os sen idos a pa i de odos os meios “(…) de exp essão iá eis no palco, como a música, a dança, a a e plás ica, a pan omima, a mímica, a ges iculação, a en oação, a a qui ec u a, a iluminação, o cená io.” Segundo Solme (1999) oi no denominado pe íodo do ea o mode no que o p ocesso de cons ução do espe áculo se sob epôs ao ex o, ou pelo menos o in eg ou nesse p ocesso, pois a cons ução do espe áculo e a ambém a isão da igu a do encenado que ganha peso nos inais do século XIX e odo o século XX. 136 Es a componen e e seus indicado es é a componen e onde es e icamen e melho se pe ceciona, pa a o espe ado , a unção do concei o cha e. Ao e ea o o espe ado assume o aco do áci o de acei a a ealidade do que se desen ola aos seus olhos e ou idos. Esse aco do áci o abs a o é undamen al pa a que o ece o / espe ado pe ceba a mensagem do emisso / a o / encenado . O espe ado acei a ou ejei a as con enções do espe áculo e essa pos u a condiciona a comunicação en e espe áculo e pla eia. A elação com o público az-se pela in encionalidade da d ama u gia que “[…] se empenha em a icula a es é ica e o ideológico, as o mas e o con eúdo da ob a, as in enções da encenação e sua conc e ização.” (Ryngae 1998,225) A cons ução/conceção do espe áculo ea al como pode emos e depois na componen e do espaço cénico, ambém depende da a qui e u a de um edi ício ea al, bem como do espaço ísico onde ai se ap esen ado. Não que emos dize que condiciona ou limi a a ep esen ação ou a encenação, mas é a o que de e se e em con a nas p opos as de encenação. Pisca o (1893-1966) po exemplo sen iu a necessidade de encon a um “[…] espaço seu onde p ocu a um ea o (uma d ama u gia e uma ep esen ação objec i as) pa a essa no a sociedade.” (Vasques 2007,6) 137 Começa íamos po conside a que a cons ução de um espe áculo, aqui, p ende- se com a noção de ea alidade num espaço conc e o sob o olha de um público. A elação com o público de e se nas pala as de B ook (1993) a p imei a pe gun a que se impõe nas escolhas de uma encenação que que c ia uma elação e e i a com um público que se en ol a num espe áculo sem se abo ece ou desanima . É, no en an o, ainda nes e li o de Pe e B ook, O diabo é o abo ecimen o – con e sas sob e ea o, aduzido po Ca los Po o, que nos de emos sob e a sua opinião ela i a aos espe áculos ap esen ados em países como a India, o I ão e em alguns países a icanos po onde a companhia iajou, como espe áculos com os quais o po o se iden i ica e se elaciona, po que ligados às his ó ias ep esen adas. Mais ainda nos e ela o au o sob e a di e enciação que az en e o ‘público’ e o po o que ê um espe áculo ea al. Ao en a mos na conside ada e a mode na do ea o com o na u alismo colocámos, como pudemos le na análise sob e a componen e do ex o, o público num espaço conc e o a que se denominou de audiência com as suas espe i as eg as e os a o es num ou o espaço a as ados da audiência in luenciando uma de e minada pos u a. As á ias p opos as de cons ução de um espe áculo na Eu opa dependem de á ios a o es que passa emos a analisa . Em Ube s eld (1999) de emo-nos imedia amen e numa ideia que ca ac e iza um de e minado pe íodo na cons ução da ea alidade, a de que pa a que se eja ea o é p eciso à p io i uma sé ie de ‘o dens’. O au o diz ao di e o o que e em a enção com o ex o a a és das didascálias, o au o dá ao a o o discu so que es e i á ansmi i ao público, pois es e discu so só az sen ido den o da ea alidade. O Espe áculo P ocessos de cons ução do espe áculo. O que de e ganha ida num palco, ou num ou o espaço de ep esen ação. Que écnicas emos ao nosso dispo pa a melho ansmi i mos o que se p e ende. A análise que se az de um ex o, uma his ó ia, um guião, seja e bal ou não e bal, pa a linguagem ea al.