scieee Open visual document viewer

A Ribeira Grande de Cabo Verde - uma cidade cosmopolita do século XVI

Bloch, Agata Natalia

Abstract

A cidade da Ribeira Grande, localizada no coração do Império português, passou por um processo de internacionalização no século XVI. Este pequeno porto cabo-verdiano estava localizado no cruzamento das mais importantes rotas marítimas e comerciais e, por consequência, tornou-se num ponto de abastecimento para as tripulações estrangeiras e num ponto de passagem para várias pessoas e mercadorias. Por um século, a cidade da Ribeira Grande foi habitada e visitada por pessoas vindas de vários continentes. Os próprios moradores deste porto cabo-verdiano experimentaram os sabores do mundo e adaptaram várias práticas e conhecimentos. Esta dissertação analisa tanto as circunstancias internacionais como o aspecto cosmopolita da Ribeira Grande Quinhentista.

Full text

A Ribei a G ande de Cabo Ve de – uma cidade cosmopoli a do século XVI Aga a Na alia Błoch Ab il de 2016 Disse ação de Mes ado em His ó ia do Impé io Po uguês 1 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em His ó ia, com a especialização de His ó ia do Impé io Po uguês, ealizada sob a o ien ação cien í ica de P o esso Dou o João Paulo Oli ei a e Cos a 2 Dla moich Rodziców i Babci 3 AGRADECIMENTOS A ealização des a disse ação de mes ado oi possí el g aças ao apoio e ao con ibu o, an o de o ma di e a como indi e a, de á ias pessoas, às quais eu gos a ia de ag adece . Em p imei o luga , ao P o esso Dou o João Paulo Oli ei a e Cos a pelo acompanhamen o e pela disponibilidade pa a o ien a o desen ol imen o da minha in es igação cien í ica. À d .ª Te esa Lace da ag adeço a sua incansá el o ien ação cien í ica; a sua dedicação, paciência, comp eensão e amizade; o empo p ecioso que dedicou pa a as nossas mui as euniões p esenciais e po skype, a disponibilidade que semp e mani es ou pa a me ajuda a melho a a minha esc i a acadêmica em Po uguês; odos os seus ensinamen os, incen i os e conselhos, pa icula men e sob e a his ó ia do Impé io po uguês. A pala a o ien ado signi ica li e almen e "aconselha o pensamen o". Assim, mui o ob igada po e aconselhado o meu pensamen o no deco e da ealização des a in es igação. Es e abalho, em g ande medida, ambém é mé i o seu. Ag adeço ambém aos meus p o esso es do mes ado de His ó ia do Impé io Po uguês: Paulo Teodo o de Ma os, Toby G een, Ma ia Manuel To ão, A lindo Caldei a, Ma ia João Fe ei a, João Teles e Cunha, pelo in e esse demons ado e pelas o ien ações que me de am no deco e do cu so. Aos uncioná ios do Cen o de His ó ia d’Aquém e d’Além-Ma da Uni e sidade No a de Lisboa pela disponibilidade e pelo supo e acadêmico. Aos uncioná ios das biblio ecas do I&D da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Biblio eca Nacional de Po ugal, pela disponibilização da bibliog a ia e a consul a de impo an es ob as pa a o ema em causa. Aos meus amigos cabo- e dianos pela inspi ação, que me le ou a elege Cabo Ve de como obje o pa a a minha disse ação, assim como pelo empo que dedica am a ensina - me o C ioulo cabo- e diano: Claudio Mon ei o, Ke in Mo a e Nelo Canu o; Aos meus amigos, pelo apoio, colabo ação e supo e: Ma jolaine Ca les, Janina Pe elczyc e Luiz Ca alho. À minha amília pelo apoio emocional. 4 RESUMO A RIBEIRA GRANDE DE CABO VERDE – UMA CIDADE COSMOPOLITA DO SÉCULO XVI AGATA NATALIA BŁOCH A cidade da Ribei a G ande, localizada no co ação do Impé io po uguês, passou po um p ocesso de in e nacionalização no século XVI. Es e pequeno po o cabo- e diano es a a localizado no c uzamen o das mais impo an es o as ma í imas e come ciais e, po consequência, o nou-se num pon o de abas ecimen o pa a as ipulações es angei as e num pon o de passagem pa a á ias pessoas e me cado ias. Po um século, a cidade da Ribei a G ande oi habi ada e isi ada po pessoas indas de á ios con inen es. Os p óp ios mo ado es des e po o cabo- e diano expe imen a am os sabo es do mundo e adap a am á ias p á icas e conhecimen os. Es a disse ação analisa an o as ci cuns ancias in e nacionais como o aspec o cosmopoli a da Ribei a G ande Quinhen is a. PALAVRAS-CHAVE: Cabo Ve de, Ribei a G ande, In e nacionalização, Cosmopoli ismo, século XVI 5 ABSTRACT RIBEIRA GRANDE OF THE CAPE VERDE – THE COSMOPOLITAN CITY OF THE 16 h CENTURY AGATA NATALIA BŁOCH The ci y o Ribei a G ande, loca ed in he hea o he Po uguese Empi e, passed h ough he p ocess o he in e na ionaliza ion in he six een h cen u y. This small Cape Ve dean po was loca ed a he c oss oads o he mos impo an ma i ime and ade ou es and consequen ly became he supply poin o he o eign c ews and he ansi poin o a ious people and goods. Fo one cen u y, he ci y o Ribei a G ande was inhabi ed and isi ed by people coming om a ious con inen s. The esiden s o his Cape Ve dean po expe ienced he la o s o he wo ld and adap ed a ious p ac ices and knowledges. This hesis analyzes bo h he in e na ional ci cums ances and he cosmopoli an aspec o he ci y o Ribei a G ande in he 16 h cen u y. KEYWORDS: Cape Ve de, Ribei a G ande, In e na ionaliz ion, Cosmopoli anism, 16 h cen u y 6 ÍNDICE In odução ........................................................................................................... 9 Capí ulo I: A In e nacionalização do A quipélago Cabo-Ve diano ............. 14 I. 1. A dimensão in e nacional de Cabo Ve de e a sua a iculação com as dimensões égia e egional ......................................................... 14 I.1.1. A dimensão egional de Cabo Ve de ..................................... 16 I. 1.2. A dimensão égia de Cabo Ve de .......................................... 19 I. 1.3. Reconhecimen o in e nacional ............................................. 20 I. 2. Ascensão e declínio de Cabo Ve de no século XVI .......................... 23 I. 2.1. Cabo Ve de uma egião p óspe a. As iagens de Luís de Cadamos o ....................................................................................... 25 I. 2.2. Cabo Ve de como pon o de escala pa a São Tomé. O ela o do pilo o anônimo ............................................................. 27 I. 2.3. Cabo Ve de como pon o de escala pa a as Índias .............. 29 I. 2.4. Cabo Ve de como co ação das o as neg ei as. O ela o de F ancisco Ca le i .......................................................... 32 I. 2.5. Cabo Ve de em decadência. O ela o de William Dampie . 35 I. 3. Cabo Ve de e o A lân ico .................................................................. 39 I. 3.1. Cabo Ve de e o A lân ico Sul ................................................. 39 I. 3.2 Cabo Ve de e o á ico de esc a os na cos a ociden al a icana ............................................................................................ 41 I. 3.3 Cabo Ve de e o á ico de esc a os ansa lân ico ............... 42 Capí ulo II: A cidade da Ribei a G ande na época do nascimen o do Mundo Global ......................................................................... 45 II. 1. O desen ol imen o e éme o da Ribei a G ande. Ascensão e declínio ....................................................................... 45 7 II. 2. As in luências da cidade da Ribei a G ande. ................................... 49 II. 3. O p ocesso g ada i o da in e nacionalização da cidade da Ribei a G ande ............................................................................ 52 II. 4 A in e nacionalização da cidade da Ribei a G ande ..................... 59 II.4.3 A ci culação de bens ..................................................... 61 II. 4.3 A ci culação do conhecimen o cien í ico e écnico ................................................................................ 70 II.4.3 A ci culação da população na cidade .......................... 77 II.4.4. A ci culação do capi al esc a o .................................. 81 III. 4.5 A p es ação de se iços .............................................. 83 Conclusão .......................................................................................................... 86 Anexo ............................................................................................................... 92 Bibliog a ia ....................................................................................................... 94 8 LISTA DE ABREVIATURAS AHU A qui o His ó ico Ul ama ino de Lisboa HGCV-I His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I HCCV-II His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. II HGCV-CD-I His ó ia Ge al de Cabo Ve de – Co po Documen al, ol. I HGCV-CD-II His ó ia Ge al de Cabo Ve de – Co po Documen al, ol. II IAN/TT A qui o Nacional da To e do Tombo de Lisboa MMA Monumen a Missioná ia A icana 15 cos a da Guiné p opo cionou uma econ e são da economia cabo- e diana que ma cou de modo indelé el a his ó ia do a quipélago. Nas p óximas páginas p ocu a -se-á demons a como se cons uiu a dimensão in e nacional de Cabo Ve de, que desempenhou ambém papéis impo an es no con ex o egional, nomeadamen e a a és da sua elação com o con inen e on ei o, assim como me eceu o in e esse do ei de Po ugal, isí el nos inúme os diplomas égios que i e am Cabo Ve de po obje o. A in e nacionalização de Cabo Ve de pode se pe cepcionada pelos in es igado es a a és de di e en es ipos de documen ação, nomeadamen e égia e em ela os de iagens, alguns dos quais esc i os po não-po ugueses. Sob e udo, es e úl imo ipo de on es pe mi iu que Cabo Ve de osse ganhando isibilidade en e o público le ado eu opeu. A posição es a égica do a quipélago a iou ao longo do empo, passando po ases em que oi apenas is o como pa e in eg an e da Guiné de Cabo Ve de, nou as en endido como uma egião de ansição, a é ao seu econhecimen o como uma zona independen e. De e ambém salien a -se que a in e nacionalização des e a quipélago oi um p ocesso g adual e demo ado e que, pa a a ingi o es ado de abe u a pa a o mundo, o po o da cidade de Ribei a G ande e e que se desen ol e em e mos polí icos, adminis a i os e sociais. O a quipélago cabo- e diano des acou-se p imei o g aças à sua o e ligação com a cos a da Guiné, cuja impo ância oi logo pe cepcionada po come cian es e a en u ei os. Sendo uma egião es a égica ambém pa a o ei de Po ugal, Cabo Ve de oi mencionado á ias ezes na documen ação égia. Is o p o a que o ei inha planos conc e os pa a a sua colonização. Po ém, ainda no século XVI, Cabo Ve de deixou de se uma egião apenas in e essan e pa a a Co oa po uguesa, ganhando cada ez mais o in e esse de ou as po ências eu opeias que comp eende am o papel que o a quipélago desempenha a nas o as que passa am pelo A lân ico. Impo a salien a que o p ocesso de in e nacionalização de Cabo Ve de só oi possí el g aças às dimensões égia e egional que es e desempenha a. Cada uma des as dimensões pe mi iu o desen ol imen o das seguin es, is o é, o econhecimen o égio 16 não se ia possí el sem a impo ância egional e a sua p eponde ância in e nacional oi p omo ida pela ação égia. I.1.1. A dimensão egional de Cabo Ve de Embo a o a quipélago cabo- e diano osse associado a uma egião denominada de “Guiné de Cabo Ve de”, es a iden i icação pe maneceu a é aos dias de hoje. A Guiné de Cabo Ve de co espondia à egião da cos a ociden al a icana en e os ios de Gâmbia e Nunes. Du an e á ios séculos, a egião da Guiné e as ilhas de Cabo Ve de unciona am como um odo, sendo que a sua sede adminis a i a localiza a-se na ilha de San iago. Con ém obse a que a exp essão “Guiné de Cabo Ve de” nasceu e oi u ilizada in o malmen e pelos come cian es e iajan es, p e alecendo a o ma o al ansplan ada depois pa a a o ma esc i a. Nes e quad o, o T adado b e e dos ios da Guiné de Cabo Ve de, do mula o, nascido em San iago, And é Ál a es de Almada, oi mui o impo an e pa a o conhecimen o des a egião, pois passou a in eg a a esc i a e le ando- a ao público po uguês. And é Ál a es de Almada de iniu a ilha de San iago como a on ei a da egião da Guiné de Cabo Ve de, con o me se obse a no T a ado: “quiz esc e e algumas cousas dos Rios de Guiné do Cabo Ve de, começando do Rio do Sanagá, a é a Se a Leôa, que he o limi e da Ilha de San iago”.2 Nes e con ex o, ale a pena e e i o abalho de José da Sil a Ho a que decla ou que as ilhas de Cabo Ve de ganha am seu nome g aças à p oximidade com o cabo de Cabo Ve de localizado na pa e mais ociden al do Senegal3. O au o no ou que: “en e o io Senegal e a esca e desejada Se a Leoa, p oje ando-se em limi es ince os no se ão pe co ido ios acima se si ua a a Guiné de Cabo Ve de. Guiné do cabo, Guiné das ilhas do mesmo nome, Cabo Ve de se ia em simul âneo pa a indica a 2 And é Ál a es de ALMADA, T a ado b e e dos Rios de Guine do Cabo Ve de de 1594, publicado po Diogo Köple, Po o, Typog aphia Comme cial Po uense, 1841, p. 1. 3 José Ho a de SILVA, “E idence o a Luso-A ican iden i y in Po uguese accoun s on Guinea o Cape Ve de (Six een h – Se en een h Cen u ies)”, em His o y in A ica. A Jou nal o Me hod, [New Je sey], ol.27, 2000, p. 99. 17 cabeça delas odas, a ilha de San iago e a cos a on ei a, ou melho , se di á os Rios de Guiné do Cabo Ve de”. 4 Des e modo, con ém in eg a a análise de Cabo Ve de no âmbi o mais as o da Cos a da Guiné. Com a dob agem do Cabo Bojado , em 1434, es a Cos a o nou-se uma egião de luxo de mui as pessoas e um espaço de in e câmbio cul u al. Os Eu opeus, en e eles os Po ugueses de o igem judaica, chega am em núme o conside á el a Guiné de Cabo Ve de e, depois do seu descob imen o, passa am a habi a o a quipélago. As ilhas o na am-se numa zona de passagem, “in e mediá ia en e o já conhecido No e a icano e a desconhecida Á ica Cen o-ociden al e Aus al”. 5 Nes e con ex o de in e dependência, su giu o “ a o da Guiné” que inha como obje i o p o ege os in e esses económicos dos mo ado es da ilha de San iago. A sob e i ência económica de Cabo Ve de es a a dependen e do comé cio com a Guiné. Mais pa a o inal do século XVI, es a elação oi ameaçada pela de e io ação da economia causada pela dep eciação da moeda e a chegada dos conco en es eu opeus.6 De e salien a -se que oi o declínio económico do a quipélago que le ou And é Ál a es de Almada, a esc e e o seu T a ado, p ocu ando assim ol a a e idencia a egião aos olhos da Co oa po uguesa e pe sc u ando um no o umo pa a os mo ado es de Cabo Ve de, apelando pa a a colonização da Se a Leoa. Es e ela o oi dedicado aos lei o es Eu opeus e, po conseguin e, e a abundan e nas desc ições exó icas sob e um ou o mundo, u ilizando a denominada “poé ica de exo ismo”. O au o , cien e das elações in e dependen es de Cabo Ve de com a Guiné e na en a i a de melho a a si uação económica das ilhas, ap esen ou algumas p opos as. Es a ob a se iu como a gumen o pa a o And é Ál a es con ence o Rei, que a po oação da cos a ociden al 4 José da Sil a HORTA, “Se po uguês em e as de a icanos. Vicissi udes da cons ução indeni á ia na Guiné do Cabo Ve de (sécs. XVI-XVII)”, in Nação e Iden idades. Po ugal, os Po ugueses e os Ou os, Lisboa, Caleidoscópio, 2009, p. 261. 5 Bea iz Ca alho dos SANTOS, “Po uma his ó ia da Guiné de Cabo Ve de: das pe spec i as às possibilidades de um es udo cul u al (séc. XV ao XVII)”, in XVIII Encon o Regional (ANPUH - MG), 24-27 de Julho de 2012, Ma iana, p. 2. Em linha, 14/04/2015, h p://www.encon o2012.mg.anpuh.o g/ esou ces/ anais/24/1340668694_ARQUIVO_A igoBea izCa alhodosSan os.pd . 6 Rogé io Miguel PUGA, “O Discu so (E nog á ico) da Al e idade no T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo-Ve de (1594) do Capi ão And é Ál a es de Almada”, in O Espaço A lân ico de An igo Regime: pode es e sociedades, (Ac as do Cong esso In e nacional. Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e Cen o de His ó ia de Além-Ma , 2009), pp.1-3. Em linha, 20-03-2015, h p://c c.ins i u o- camoes.p /eaa /coloquio/comunicacoes/ oge io_miguel_puga.pd . 18 a icana e a c ucial an o pa a os co es po ugueses, como pa a a sob e i ência de p óp io Cabo Ve de. Con o me no ou Rogé io Miguel Puga: “Almada, ao descodi ica a ealidade do Ou o eco e a a i ícios na a i os [...], pois o seu obje i o é da a conhece à Co e uma zona geog á ica que u ge po oa que mui a iqueza a á aos co es de Lisboa, sendo o comé cio com po os da cos a da Guiné ambém do in e esse de Cabo-Ve de”.7 Segundo o T a ado de Almada, a cos a ociden al a icana p ome ia mui o mais do que o B asil, onde ha ia apenas a indús ia açuca ei a e o pau-b asil. A cos a da Guiné o e ecia maio a iedade de p odu os, como o ma im, a ce a, o ou o, o âmba e a malague a. “Po oando-se i ia a se de maio a o que o B azil, po que no B azil nao ha mais que açúca e o pão, e algodão; nes a e a ha algodão e o pão que ha no B azil, e ma im, ce a, ou o, ambe , malague a, e podem-se aze mi os engenhos d'açúca , ha e o, mui a madei a pa a os engenhos e esc a os pa a elles”8 A ob a de Almada é, assim, p o a con unden e da in e dependência das ilhas de Cabo Ve de em elação à Cos a da Guiné. Con ém ainda no a que o papel egional de Cabo Ve de, oi o que consegui pe du a no empo. Es a dimensão sob e i eu à dimensão égia e in e nacional, po que apesa do en aquece do comé cio dos mo ado es de San iago na Cos a da Guiné, a p oximidade geog á ica con inuou o e. Nos meados do século XX, a iden idade da egião da Guiné de Cabo Ve de oi no ada pelo p óp io Pa ido A icano pa a a Independência da Guiné e de Cabo Ve de. Es e mo imen o de libe ação nacional, ape cebendo-se da cul u a pa ilhada pelas duas zonas, decidiu a ança com uma lu a an i-colonial conjun a. Es a unidade e a u o de uma his ó ia secula , onde as duas egiões es i e am unidas po uma polí ica adminis a i a comum e po in e esses mú uos no comé cio, sob e udo de esc a os.9 7 Ibidem, p. 4. 8 Ibidem, p. 93. 9 Ca los LOPES, Cons ução de Iden idade nos Rios de Guiné do Cabo Ve de, [Po o], A icana S udia, n.6, Edição da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, p. 45. 19 I. 1.2. A dimensão égia de Cabo Ve de O econhecimen o do a quipélago de Cabo Ve de po pa e do cen o me opoli ano pode se a aliado a a és de á ios documen os p oduzidos no deco e do século XV. O nome de Cabo Ve de apa eceu em as a documen ação eal, p incipalmen e nas ca as égias, ca as de p i ilégios, ca as de pe dão ou ca as de me cê. A a és des es ins umen os legais, o a quipélago oi sendo econhecido como uma egião independen e e de ele ância. Cabo Ve de apa eceu e e ido pela p imei a ez, em 1460, na ca a a a és da qual o D. A onso V doou ao in an e D. Hen ique as ilhas de Cabo Ve de e dos Aço es, en egando a o ien ação espi i ual à O dem de C is o 10, e dois anos depois, em 1462, numa ca a de doação de D. A onso V ao in an e D. Fe nando.11 Desde o seu descob imen o que Cabo Ve de me eceu a a enção da Co oa po uguesa, desen ol endo-se planos pa a a sua explo ação. Es es planos passa am pelo po oamen o e colonização e e i a do a quipélago que oi possí el a a és de uma polí ica de concessão de incen i os. Des e modo, o Rei ou o gou aos mo ado es de San iago o p i ilégio de pude em come cia na cos a da Guiné, com exceção da egião de A guim. 12 O ca ác e luc a i o das ansações come ciais p a icadas nes a egião inham sido no adas pela Co oa po uguesa, mas ambém po me cado es es angei os, nomeadamen e Cas elhanos, que ão a lui a San iago pa a pa icipa em nesse endoso comé cio. O ei de Po ugal pe mi iu que aí ossem, en e ou as azões, pa a se es abelece o a o de u zela en e Cabo Ve de e Se ilha. Nes e comé cio pa icipa am os me cado es cas elhanos Joham de Lugo e Pe o de Lugo. 13 Em 1472, o ei limi ou os p i ilégios concedidos aos mo ado es de Cabo Ve de, pe mi indo apenas que endessem na Cos a da Guiné as me cado ias p oduzidas nas ilhas e anspo adas pelos seus na ios. Es a medida oi essencial pa a o 10 “Ca a do In an e D. Hen ique doando a D. A onso V a empo alidade das Ilhas de Cabo Ve de e dos Aço es, e à O dem de C is o a sua espi i ualidade”, 18/09/1460 in ANTT, O dem de C is o, códices n.235, l.11, n.233, l.1623 em HGCV-CD, p. 13. 11 “Doação ao In an e D. Fe nando das ilhas de Cabo Ve de”, 19/09/1462 in ANTT, Chancela ia de D. A onso V, L.1, l.61, Mís icos, L.2, l.152-152 . em HGCV-CD, pp. 17-18. 12“Ca a égia concedendo aos mo ado es da ilha de San iago de Cabo Ve de au o ização pa a come cia em na cos a da Guiné, com excepção da zona de A guim”, 12 /06/1466 in ANTT, Chancela ia de D. A onso V, L.4, l.104, Li o das Ilhas, l.10 em HGCV-CD, pp. 19-22. 13 “Ca a de p i ilégio a Joham de Lugo e Pe o de Lugo, cas elhanos me cado es, que ha iam ei o a o de u zela nas ilhas de cabo Ve de”, 30/09/1469 in IAN/TT, Chancela ia de D. A onso V, li . 31, l.118 . doc. 2, publ. em HGCV-CD, pp. 23-24. 20 desen ol imen o económico do a quipélago, pois desen ol eu a ag icul u a pecuá ia e a é alguns sec o es da pequena indús ia, nomeadamen e dos panos de algodão.14 Cabo Ve de ganhou maio no o iedade na es e a égia, quando o seu dona á io, o duque de Beja, D. Manuel, se o nou ei de Po ugal. Enquan o Duque, o senho io de Cabo Ve de cons a a do seu í ulo o icial: “Eu Dom Manuel, egado e go e nado da O dem e Ca ala ia do Nosso Senho Jesus C is o, duque de Beja, senho das ilhas da Madei a e de Cabo Ve de e dos Aço es (...)”.15 Com a subida ao ono de D. Manuel I, em 1495, o senho io de Cabo Ve de e da Madei a ex inguiu-se. De a o, D. Manuel oi o p imei o senho das ilhas de Cabo Ve de que se o nou ei de Po ugal. Po ém, o a quipélago não cons ou na i ulação égia, que e a “Rei de Po ugal e dos Alga es, d'Aquém e d'Além-Ma em Á ica, Senho do Comé cio, da Conquis a e da Na egação da A ábia, Pé sia e Índia”. I. 1.3. A dimensão in e nacional de Cabo Ve de Em 1494, com o T a ado de To desilhas16, Cabo Ve de ganhou no o iedade in e nacional, o nando-se um luga impo an e, a pa i da qual se con a am as 370 léguas da linha de me idiano que di ida o mundo en e Po ugal e Cas ela. “Los cuales dichos na íos, odos jun amen e con inúen su camino a las dichas islas de Cabo Ve de, y de ahí- oma án su o a de echa al ponien e has a las dichas escien as se en a leguas, medidas como las dichas pe sonas aco da en que se deben medi , sin pe juicio de las dichas pa es, y allí- donde se acaba e, 14 “Decla açao e limi ação da ca a de p i ilegio concedida aos mo ado es da ilha de San aigo em 12 de Junho de 1466”, 8/02/1472 in ANTT, Li o das Ilhas, l.2 -4, B ássio 2ª sé ie, ol. I, pp.446-450, Dias Dinis, pp.47-50, publ. em HGCV-CD, pp. 25-28. 15 “Ca a de D. Manuel, duque de Beja e senho de Cabo Ve de, azendo me cê a Rod igo A onso, capi ão de me ade da ilha de San iago, da sabedo ia da di a ilha”, 14/01/1485 in IAN/TT, Chancela ia de D. Manuel I, li . 29, l.5 ., doc. 3, publ. em HGCV-CD, pp. 49-50. 16 T a ado de To desilhas oi um a ado assinado en e o Reino de Po ugal e o Reino da Espanha, na cidade espanhola de To desilhas, em 1494. O obje i o des e aco do oi esol e con li os e i o iais elacionados com as no as conquis as ibé icas. 21 se haga el pun o y señal que con enga po g ados de su o de no e, o po singladu as de leguas, o como mejo se pudie e conco da […].”17 A c escen e impo ância de Cabo Ve de oi cedo no ada pelos co sá ios anceses e ingleses. Os pi a as (assim o am chamados os co sá ios pelos Po ugueses e Espanhóis), sem dú ida, simboliza am a g andeza do a quipélago, pois, os es es escolhiam luga es come cialmen e a a i os pa a as suas ações de pilhagem. Cabo Ve de chamou a a enção de pi a as, ais como, os Ingleses F ancis D ake, James Lo ell e John Hawkins, o F ancês Jean Fleu y e o Po uguês Emanuel Se adas. Os pi a as econheciam Cabo Ve de como um luga es a égico nas o as come ciais ansoceânicas, luga de en epos o e ambém uma on e de iqueza. As ilhas de Maio e de São Vicen e ambém se i am equen emen e como base de apoio e luga de abas ecimen o pa a os co sá ios. A abundância de sal nas águas que ce ca am as ilhas, essencial na conse ação da comida man ida a bo do, e a um dos p incipais ocos de a ação. O a quipélago e a um impo an e en epos o no comé cio de esc a os, o que e a mui o en ado pa a os pi a as, que iam no oubo de esc a os uma a i idade mui o luc a i a. De e no a -se que Cabo Ve de oi al o de ações de pilhagem no pe íodo em que já se encon a a em anca decadência económica, o que demons a que, apesa de e em deixado de se um cen o come cial, as ilhas con inua am a desempenha um papel es a égico na na egação do A lân ico. Oli ei a Ma ques obse ou que es e a o que, em de e minado momen o, pe mi iu a sua p ospe idade e, mais a de, a sua sob e i ência, oi ambém uma das azões pa a a a ação de mui as ca ás o es. Os co sá ios Ingleses, F anceses e Holandeses ize am de Cabo Vede uma escala no seu caminho pa a às colônias po uguesas e cas elhanas e, po ezes, incendia am, des uí am, ouba am pessoas, gados e ou os man imen os nas ilas e cidades de Cabo Ve de. Os p imei os a a aca em as ilhas o am os F anceses, em 1542, segui am-se os Ingleses, em 1578, 1582, 1585 e 1598. A pa i de 1598, apa ece am os Holandeses que ize am da ilha de Maio o seu pon o de escala nas iagens pa a o B asil. 18 17 T a ado de To desillas, Rep oducción acsímil y ansc ipción de la capi ulación en e los Reyes Ca ólicos y el Rey Juan II de Po ugal pa a la pa ición del ma Océano (1494), Mad id, Minis e io de Educación, Cul u a y Depo e, Á ea de Educación, Cen o de Publicaciones, 1973. 18 An ónio Hen ique de Oli ei a MARQUES, “His ó ia...”, op.ci ., p. 263. 22 Em 1585, a cidade de Ribei a G ande oi a asada pelo céleb e co sá io F ancis D ake. Es e assal o oi já consequência da União Ibé ica. Du an e es e pe íodo, os Po ugueses ganha am como inimigos odos os an ipa izan es da Espanha, ou seja, Ingleses, Holandeses e F anceses. De ido a es a no a ameaça, em 1587, oi cons uída a p imei a o aleza na ma gem esque da da ibei a, na cidade da Ribei a G ande, na ilha de San iago. As o i icações de algumas ilhas do a quipélago con i e am um pouco os a os de pi a a ia que se ans e i am pa a a cos a da Guiné. As sucessi as in asões e pilhagens dos co sá ios con ibuí am pa a o declínio da Ribei a G ande. Em consequência, em 1614, es a cidade deixou de se a capi al de Cabo Ve de que oi ans e ida pa a a ila da P aia, localizada ambém na ilha de San iago, que passou a sede dos go e nado es e dos bispos, pois a sua posição geog á ica e a mui o mais a o á el. A cidade inha melho es condições de saúde pa a os Eu opeus e um clima mais sadio. Em 1652, a cidade de P aia con e eu-se o icialmen e na capi al de Cabo Ve de, esul ando daí o comple o declínio da Ribei a G ande. A si uação econômica de Cabo Ve de ag a ou-se bas an e du an e a União Ibé ica, po que os Cas elhanos não espei a am as leis exis en es, não espei ando a ob igação dos come cian es passassem po San iago, quando iam negocia na Guiné. Cabo Ve de, po es a égico em á ias o as ma í imas, o nou-se num luga po onde passa am á ias esquad as inimigas que uma am pa a a Mina, pa a o B asil e pa a o O ien e. Con o me obse ou Manuel Mú ias, “na u almen e, San iago e a de odas as ilhas a mais di e a e udemen e isada e a Ribei a G ande co eu, po mais de uma ez isco de se no amen e saqueada”.19 Apenas em meados do século XVII, du an e o einado de D. João IV, o am o i icadas as cidades da Ribei a G ande e da P aia na ilha de San iago, e ambém a cidade de S. Filipe na ilha de Fogo. Con udo, es as medidas o am omadas a de demais.20 Desde en ão, o caos impe ou nas ilhas de Cabo Ve de. Po ugal passou po p oblemas in e nos, p ocu ando lu a pela sua ecupe ação polí ica e econômica na época da Res au ação. A pa i da segunda me ade do século XVII, a si uação econômica em Cabo Ve de pio ou ainda mais. A soma aos p oblemas ex e nos, os go e nado es e am acusados de p epo ência, i anias e des ios na Fazenda Real. Os esponsá eis pela pob eza de San iago e am os go e nado es co up os, os o iciais da 19 Manuel MÚRIAS, Cabo Ve de..., p. 37. 20 Ibidem, pp. 35-38. 23 al ândega e da Fazenda, “os descaminhado es das ecei as da Co oa”, os p óp ios mo ado es e a é o cle o.21 Con o me obse ou Daniel A. Pe ei a: “ i endo odos ao deus-da á, odos p ocu a am ouba e des ia o máximo que pudessem, em de imen o dos co es da Fazenda Real. E a a lei da sob e i ência, do sal e-se quem pude e quem soube ”22. No p óximo subcapí ulo a a -se-á, com maio p o undidade, dos p ocessos que conduzi am à ascensão e ao declínio de Cabo Ve de em apenas um século. I. 2. Ascensão e declínio de Cabo Ve de no século XVI A a és da análise da his ó ia da ilha de Cabo Ve de, pode a i ma -se que o a quipélago de Cabo Ve de conheceu uma dinâmica que a in eg a a na escala mundial. O seu p ocesso de abe u a e echamen o pa a o mundo oco eu em apenas um século, com consequências na sociedade, cul u a e comé cio. A na egação oi conside a elmen e ac escen ada a a és de ês g andes acon ecimen os, que muda am a his ó ia mundial, a sabe : o descob imen o da Amé ica (1492), do caminho ma í imo pa a Índia (1498) e o “achamen o” do B asil (1500). A pa i des e momen o, o á ico de bens e de pessoas aumen ou exponencialmen e, e no ânsi o mundial, que passa a pelo A lân ico, a ilha de San iago e e papel cen al. Ao analisa es e p ocesso, impo a es uda as cinco ases p incipais da c escen e impo ância de Cabo Ve de na his ó ia do mundo. Inicialmen e, Cabo Ve de oi apenas um pequeno e i ó io que liga a Po ugal e a Península Ibé ica ao li o al a icano. Mais a de, o nou-se ambém numa escala da Ca eia da Índia. Em seguida, con e eu-se num pon o que jun a a a Amé ica Cen al, a Amé ica do Sul, a Á ica e os dois impé ios ibé icos. Na qua a ase, se iu de pon o de escala e de abas ecimen o pa a os Ingleses, F anceses e Holandeses no comé cio in e nacional. Finalmen e, na úl ima ase, Cabo Ve de acabou po se um luga abandonado e esquecido.23 Des e modo, p e igu a am-se duas linhas nas o as ma í imas que passa am po Cabo Ve de. A p imei a e a de e minada pela na egação e ical, que se basea a nos con a os come ciais es abelecidos en e Po ugal e a cos a a icana e que, pos e io men e, con ibuiu pa a o a anço pa a o A lân ico Sul. A segunda inha um 21 Daniel A. PEREIRA, Es udos da His ó ia de Cabo Ve de, P aia, Ins i u o Cabo- e diano do Li o, 1986, pp. 26-28. 22 Ibidem, p. 28. 23 I a CABRAL, Ma ia Emília Madei a SANTOS, Ma ia Jõao SOARES, Ma ia Manuel Fe az TORRÃO, Cabo Ve de: uma expe iência colonial acele ada (séculos XVI-XVII), [Lisboa], Minis é io da Ciência, Ino ação e Ensino Supe io , Sec e a ia de Es ado da Ciência e Ino ação, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, 2004, p. 1. 24 ca á e ho izon al, unindo os in e esses que os come cian es eu opeus inham na cos a ociden al a icana e os me cados ame icanos. Impo a sublinha que, a pa i de 1520, Cabo Ve de o nou-se o maio o necedo de esc a os pa a o Ca ibe. Consequen emen e, su gi am ês g andes ci cui os que en ol iam Cabo Ve de: o ci cui o eu o-a icano, en e Cabo Ve de e a Península Ibé ica; o a icano, en e Cabo Ve de e a Cos a da Guiné; e o a o-ame icano, en e a Cos a da Guiné, Cabo Ve de e Amé ica Espanhola.24 Assim, es e pequeno a quipélago a lân ico cons i uiu, um pon o cen al no c uzamen o das o as anscon inen ais, um luga de passagem e de abas ecimen o ob iga ó io, uma base pa a á ios ipos de emba cações.25 A a és da análise dos ela os de iagens, que se a á em seguida, p ocu a -se-á en ende de que modo o a quipélago despe ou os in e esses de me cado es es angei os. In e essa ambém apu a se exis iam es ígios de cosmopoli ismo, an o na cul u a ma e ial, como nos hábi os, cos umes e na ida inancei a do a quipélago. Embo a a li e a u a de iagem possa se uma excelen e on e his o iog á ica, de e a ende -se como as e dadei as in enções dos seus au o es podiam in luencia os ela os. Mui os des es indi íduos p ocu a am ama e sucesso, azendo uso da sua an asia pa a seduzi os lei o es com desc ições sob e mundos desconhecidos. Po exemplo, Luís de Cadamos o con essou, que ia: “(...) mo ido do desejo de acha es e ou o e ambém de e á ias coisas (...)”, indo “(...) a descob i países no os, e expe imen a a minha so e (...)”.26 Pensamen os des a na u eza são pe cep í eis nou os ela os de iagem, pois o homem da época das na egações e descob imen os e a a en u ei o, cu ioso, a en o às e as desconhecidas, p ocu ando no as imp essões. Não é, pois, de admi a que es es diá ios de iagens se ap esen em, po ezes, abundan es em his ó ias pouco c edí eis. Cien es do con ex o em que os ex os o am p oduzidos, nas p óximas páginas, p ocu a -se-á a e igua como Cabo Ve de oi pe cepcionado po indi íduos que es i e am no a quipélago in eg ados em iagens de maio escala, que podiam ab ange 24 I a CABRAL, Ma ia Emília Madei a SANTOS, Um labo a ó io expedi o pa a uma sociedade c ioula (Cabo Ve de - séculos XVI-XVII), pp. 1-2. Em linha, 29/03/2015, h p://www.po aldoconhecimen o.go .c /handle/10961/344. 25 José SILVA, “Cabo Ve de, Pousada nos Caminhos do A lân ico. In e in luências cul u ais num a quipélago miscigenado”, Vegue a. Anuá io de la Facul ad de Geog a ía e His ó ia, [Las Palmas], (n.º 14, 2014), p. 102. 26 A lindo CORREIA, As na egações de Cadamos o, Madei a e Cabo Ve de, P imei a Na egação, capí ulo XXX. Em linha, 10/05/2015, h p://a lindo-co eia.com/220507.h ml. 31 "Em huma sex a ei a no p imei o de Ab il de mil quinhen os e dois (...) pa imos da Cidade de Lisboa. (...) no dia quinze passamos pegados com as [ilhas] de Cabo Ve de, de modo que omos is os da e a."41 A impo ância de Cabo Ve de na na egação ambém pode se a e ida nas “Ca as Amé ico Vespúcio a Ped o Sode ini Gon alonei o Pe pe uo, da República de Flo ença sob e duas iagens ei as po o dem do Se eníssimo Rei de Po ugal”, da adas de 1503. Con ém explica que, depois da descobe a do B asil, o ei po uguês D. Manuel I quis a e igua a e acidade dos ela os de Pê o Vaz de Caminha sob e as iquezas exis en es nas e as de Ve a C uz. Ap eciando a expe iência ma í ima do me cado e na egado lo en ino Amé ico Vespúcio, o ei esol eu con idá-lo pa a pa icipa das no as expedições oceânicas, des a ez ao se iço de Po ugal. Des a o ma, Amé ico Vespúcio ealizou duas iagens pa a as ecém-descobe as e as b asilei as. As ilhas de Cabo Ve de apa ece am nes as ca as como um en epos o no caminho pa a o B asil, mas ambém como um luga idílico pa a descansa . "Pa imos no dia dez de maio de mil quinhen os e ês, e omos em di ei o á Ilhas de Cabo e de, aonde sahimos em e a, e omámos oda a cas a de e escos depois de nos e mos demo ado eze dias, seguimos a nossa iagem (...)".42 Cabo Ve de como pon o de abas ecimen o oi ambém mencionado no Li o da Ma inha ia de Be na d Fe nandes. A iagem ealizada, em 1537, po And é Vaz pa a Moçambique o necia in o mações sob e a impo ância do po o da cidade de Ribei a G ande, onde o na egado ez uma escala pa a epa a a a ias no na io. Cabo Ve de apa eceu ambém no Li o da Ma inha ia de Pê o Vaz F agoso, na egado ou pilo o na u al de Viana do Cas elo, que umou pa a a Índia e cuja compilação oi da ada de ano não an e io a 1566. Es e a quipélago a lân ico é aí e e ido como pon o de passagem na iagem pa a o O ien e. 41 Ibidem, p. 159. 42 “Ca as de Amé ico Vespúcio a Ped o Sode ini Gon alonei o Pe pe u da República de Flo ença sob e duas iagens ei as po o dem do Se eníssimo Rei de Po ugal” in No ícias pa a a His ó ia e Geog a ia das Nações Ul ama inas que i em nos dominios po uguezes ou lhes são isinhas, Lisboa, Academia Real das Ciências, ol. II, nº. I-II, 1812, pp. 150-151. 32 "[...] e dahu de yde a espe a all a da ayxa em duas pa es yguaes e pasa am e as ylhas de quabo e de e po cyma da ylha de sam ycen e ao cabo e de e ao [cabo] yo e ao cabo de boa espe amca[...]".43 Cabo Ve de oi uma das pa agens mais equen es em duas das p incipais na egações que saíam da Eu opa em di eção à Índia e pa a a Amé ica. Pelo a quipélago, passa am os na ios que ealiza am iajam his ó icas como a de Amé ico Vespúcio, Vasco da Gama e Ped o Ál a es Cab al. O pequeno a quipélago e am uma espécie de bússola na u a, um ins umen o de na egação e o ien ação. I. 2.4. Cabo Ve de como co ação das o as neg ei as. O ela o de F ancisco Ca le i Cabo Ve de, no seu pe íodo mais lo escen e, oi desc i o pelo me cado lo en ino F ancisco Ca le i44, que, en e 1594-1602, ez uma iagem de ci cum- na egação do globo. Nos apon amen os que deixou sob e a sua a en u a, desc e eu Cabo Ve de, no ando como o a quipélago azia pa e das o as come ciais a lân icas. Ainda con ém lemb a que, an es de começa a analisa o a quipélago de Cabo Ve de a a és do olha do jo em me cado lo en ino, é essencial en ende o ca á e de F ancisco Ca le i e o p ocesso edi o ial des a ob a. F ancisco Ca le i, acompanhado do pai, iniciou uma iagem me can il ao edo do mundo, di igindo-se p imei o a Cabo Ve de, o maio en epos o de enda de esc a os naquela época. A pa i daqui, nasceu uma g ande a en u a ma í ima dos dois Ca le i. Impo an e egis a que os dois pe de am uma g ande o una, o pai mo eu na Ásia e o jo em F ancisco ol ou sozinho e pob e à sua e a na al. As suas expe iências e os conhecimen os adqui idos nas iagens chama am a a enção de Fe nando I, g ão- duque da Toscânia, que lhe o e eceu ca gos pala inos e, no u u o, ambém ca gos diplomá icos. A pessoa de Fe nando I é impo an e, pois oi ele quem con enceu F ancisco de Ca le i a publica as suas no as de iagens. Não é possí el de e mina com exa idão a da a da p imei a publicação. 43 Luís de ALBUQUERQUE, O Li o de Ma inha ia de Pe o Vaz F agoso, Cen o de Es udos de Ca og a ia An iga, Jun a de In es igações Cien í icas do Ul ama , 1997, p. 286. Sepa a a de Memó ias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Ciências, Lisboa, ol. XX, 1997. 44 F ancisco de Ca le i oi um come cian e, iajan e e c onis a. Nasceu em 1575, em Flo ença, numa amília de come cian es ligados ao comé cio na Península Ibé ica. Aos 18 anos da idade, o jo em F ancisco oi en iado à cidade espanhola de Se ilha que, na época, e a um dos mais impo an es po os come ciais ibe o-a lân ico, pa a ap ende a p o issão de me cado . F ancisco CARLETTI, My oyage a ound he wo ld, London, Me huen & Co, 1965, p. xiii. 33 Quando se lê o “Rela o de iagem ao edo do mundo” é necessá io p es a a enção às ci cuns âncias de publicação des e li o. Ca le i pe deu odas as suas no as o iginais, que o am con iscadas pelos co sá ios holandeses na ilha de San a Helena. Em consequência dis o, oi ob igado a eco e à memó ia, com im de ep oduzi odos os acon ecimen os. Assim, os ela os não são esc i os espon aneamen e. A ob a em um ca á e p incipalmen e come cial, in luenciado pela sua condição de me cado , mas ambém po que o g ão-duque Fe nando I es a a in e essado, sob e udo, nos aspec os come ciais da iagem de Ca le i. É indiscu í el que o g ande oco da ob a são as ealidades económicas que Ca le i oi encon ando. Enquan o esc e ia as suas memó ias, o au o consul ou á ios ou os ela os já exis en es na época que in luencia am o p odu o inal.45 Não obs an e, é pe cep í el nos seus esc i os o pensamen o a en u ei o de Ca le i, a sua paixão pelo exó ico e as suas obse ações p ecisas do no o mundo. Não se pode deixa de e e i que o seu en oque, além do comé cio, o am ambém os cos umes das gen es na i as e a en a i a de en ende as di e en es cul u as. Na sua na a i a es á pa en e o lado a en u ei o de F ancisco, mas ambém uma a i ude mui o humana. F ancisco Ca le i não negou que o p incipal obje i o do pai e a aumen a a iqueza amilia . Po ém, os obje i os do p óp io F ancisco não e am apenas ma e iais. O jo em Ca le i mani es ou compaixão pelos esc a os: “I emembe ha ing done unde o de s om supe io s, causes me some sadness and con usion because uly Mos Se ene Lo d i seems o me an inhuman a ic unwo hy o a p o essed and piou (…) bu be i known o e e yone (…) ha his business ne e pleases me.” 46 Na sua desc ição de Cabo Ve de, que cons a do p imei o capí ulo da ob a, as ilhas e am compa adas com o Ja dim das Hespé ides, as gua diãs da o dem na u al da mi ologia g ega47. Duas possibilidades podem explica es a compa ação. As Hespé ides e am as nin as do poen e, esiden es nas ma gens do oceano, no ex emo ociden al, na on ei a de ês mundos di e en es: a e a, o pa aíso e o in e no. Cabo Ve de es a a 45 And é TEIXEIRA, Ma ia Manuel Fe az TORRÃO, Negócios de esc a os de um lo en ino em Cabo Ve de: desc ições e e lexões sob e a sociedade e o á ico em inais do século XVI, pp. 1-3. Em linha, 04/04/2015, h p://c c.ins i u o-camoes.p /eaa /coloquio/comunicacoes/mm o ao_a eixei a.pd . 46 F ancisco CARLETTI, My oyage a ound he wo ld, London, Me huen & Co, 1965, p. 13. 47Jan PARANDOWSKI, Mi ologia, p.127, Em linha, 31/01/2016, h p://biblio eka.kijowski.pl/pa andowski%20jan/jan-pa andowski-mi ologia.pd . 34 ambém si uado nos c uzamen os de ês mundos, pois e a o pon o de onde pa iam as o as pa a a Á ica, a Ásia e a Amé ica. As Hespé ides e am ambém senho as de um ja dim com mui as á o es, que da am u os em ou o. Cabo Ve de e a is o como um luga é il na u almen e e ico, em e mos come ciais, sob e udo g aças à sua condição enquan o en epos o no comé cio de esc a os. O á ico neg ei o inha sido a causa que le a a os Ca le i a uma pa a o a quipélago. Nos seus esc i os é possí el encon a algumas disc epâncias, o que p o a que não o a es emunha ocula de udo o que ela a a. Po exemplo, e e iu a incidência ele ada de doenças opicais no pe íodo das chu as, apesa de e es ado em San iago na época seca. A desc ição opog á ica da cidade de Ribei a G ande não é coinciden e com a ealidade, endo mais semelhanças com Macau, que F ancisco Ca le i isi ou pos e io men e.48 No en an o, o mais impo an e, pa a o es udo da p esen e disse ação, são os aspec os cosmopoli as que o me cado lo en ino a ibuiu à Ribei a G ande, no inal do século XVI. A a és da na a i a de Ca le i ica cla o que ha ia na cidade uma abundan e população lu uan e, compos a po me cado es o iundos de Po ugal, da Madei a e das Caná ias. Mui os me cado es da Península Ibé ica e das ilhas a lân icas le a am pa a Cabo Ve de á ios bens alimen a es como a inha, inhos, u os secos e legumes, que oca am po ca ne cap ina. A ca ne cap ina e o algodão e am p odu os essenciais nas ocas di e as de bens en e Cabo Ve de, a cos a ociden al a icana e a Eu opa. Es es p odu os cabo- e dianos, inicialmen e consumidos apenas nes e a quipélago, ganha am impo ância e al e a am o es ilo consumis a de ou os po os. Assim, os Eu opeus sabo ea am a salgada ca ne cap ina, enquan o os ecidos de algodão conquis a am os no os me cados a icanos, que em oca endiam esc a os. F ancisco Ca le i ambém omou no a da cons i uição social da Ribei a G ande, compos a po Eu opeus, ais como sace do es e ou os memb os da es u u a eclesiás ica, au o idades locais, nomeadamen e o go e nado ; po A icanos esc a izados, alguns dos quais pe maneciam nas plan ações, enquan o que ou os es a am de passagem, com des ino aos po os neg ei os de Ca agena. Os p ocessos de mes içagem não escapa am à sua obse ação. Os casamen os e quaisque ipos de 48 And é TEIXEIRA, Ma ia Manuel Fe az TORRÃO, Negócios..., op.ci , pp. 4-6. 35 elacionamen os en e os homens b ancos e as mulhe es neg as, que Ca le i apelidou de “mou as”, o am cuidadosamen e desc i os pelo jo em me cado lo en ino. “I has i s Bishop and inhabi an s numbe ing abou i y houses o ma ied Po uguese men, some wi h whi e women om Po ugal, some wi h black women om A ica, and o he s wi h mula o women bo n he e o whi e men and Moo ish (o black, as we should say) women”.49 Ca le i a i mou que Cabo Ve de e a um luga mui o impo an e pa a a Co oa po uguesa e pa a a Co oa espanhola, na época da União Ibé ica, po que com o á ico neg ei o es es dois einos ob inham g andes iquezas. Po es e mo i o, exis ia uma bu oc acia igo osa, ela i a ao a o neg ei o, que exigia mui as licenças e au o izações pa a se in oduzi os esc a os no me cado ame icano. Des e modo, pode a i ma -se que, pa a o jo em me cado lo en ino, apesa da impo ância económica de Cabo Ve de, es e ambém e a uma espécie de pa aíso, uma e a exó ica. Se po um lado, o a quipélago e a um éden, po ou o e a o maio o necedo de mão-de-ob a esc a izada pa a as Amé icas. Con ém lemb a que oi po es e segundo mo i o que o jo em F ancisco umou pa a Cabo Ve de. I. 2.5. Cabo Ve de em decadência. O ela o de William Dampie A ob a de William Dampie , A new Voyage ound he wo ld, publicada em 1697, comp o a que a e en e in e nacional de Cabo Ve de oi um enômeno exclusi o do século XVI e que no século seguin e já se encon a a em decadência. Como é bem sabido, as mudanças necessi am de empo e a decadência oi len amen e o nando-se isí el aos olhos dos mo ado es e dos isi an es de Cabo Ve de. A conjun u a polí ica e económica cabo- e dianas dos inais do século XVI p o oca am uma c ise já o almen e c is alizada nos inais de seiscen os, quando esc e eu Dampie . Con udo, o p imei o que ale ou pa a a si uação di ícil de Cabo Ve de oi And é Ál a es de Almada no seu T a ado b e e da Guiné de Cabo Ve de, em 1594. O au o do T a ados chamou a a enção pa a a condição debili ada dos mo ado es da ilha de San iago: 49 F ancisco CARLETTI, My oyage… op. ci ., p. 6. 36 “Po que me lemb a ou i mui as ezes dize am homens mui os elhos na Ilha de S. Tiago, onde sou mo ado e eles o e ão e inhão nella molhe es e ilhos que pa a nehnuma pa e se i ião sal o se mandasse S. Mages ade po oa a Se a Leoa, que pa a ella se i ião de boa men e e deixa ião udo quan o na ilha inhão, a qual segundo es a cançada de abalhos que ha padecido dep essa deixa ão”.50 And é Ál a es de Almada obse ou o pe igo ela i o aos co sá ios anceses e ingleses e as ameaças que es es cons i uíam pa a Cabo Ve de. “Po que pela con inuação dos F ancezes e Inglezes, da Ilha não a mão na ios pa a ella, o segundo udo ai a acando cada êz se á peio . (...) Ab indo es as po as a seus assalos, se echa ão aos es angei os, os quaes en iquecem as suas e as com o que des as pa es le ão; e della podem co e pa a a Cos a da Malague a com o mesmo a o, e cessa ão os F ancezes e Ingleses”51 An es de se passa ao esc u ínio da na a i a de Dampie , in e essa aze uma b e e ap esen ação do au o . Dampie (1652-1715) oi um bo ânico b i ânico, ocasionalmen e ambém bucanei o52, descob ido da Aus ália Ociden al (No a Holanda), his o iado na u al e a p imei a pessoa que ci cum-na egou o mundo ês ezes, em 1697, 1701 e 1708. Assim, pode a i ma -se que a a essou equen emen e o mundo exó ico, geog á ica e e nog a icamen e. É indiscu í el que oi um dos pionei os das explo ações cien í icas. A sua ob a, compa á el à de F ancisco Ca le i, ambém oi publicada depois de se e ealizado a sua p imei a iagem.53 New oyage ound he wo ld oi dedicada ao p esiden e da Sociedade Real, Cha les Mon agu Ea l o Hali ax. Os inais do século XVII e o início do século XVIII oi uma época em que a ciência começa a a es a no cen o de in e esse das iagens ma í imas, desempenhando um papel inques ioná el no en ol imen o do Impé io b i ânico nas colônias ame icanas. As iagens cien í icas desempenha am, assim, um papel no a anço da colonização, con o me obse a am Sebas ian Jobs e Gesa Macken hun: “ he u n o he eigh een h cen u y also ma ked he u n om an ea lie nai e empi icism o an ex eme scep icism 50 And é Ál a es de ALMADA, T a ado b e e..., op.ci ., p. 93. 51 Ibidem, pp. 93-94. 52 Bucanei o e a um pi a a que a aca a os na ios espanhóis no Ca ibe. 53 Ad ian Mi chell Ge aldine BARNES, “Measu ing he Ma ellous: Science and he Exo ic in William Dampie ” in Eigh een h-Cen u y Li e, [Williamsbu g], ol. 26, n.º 3, The College o William& Ma y, 2002, pp. 45-57. 37 - hence he g ea cul u al in es men in mode n sciences as he building o an empi e o u h and epis emic me can ilism.”54 Des a o ma, ao ala da expe iência bucanei a de Willam Dampie , de e en ende -se que no âmbi o das suas a i idades de pilhagem, ambém execu ou a e as ligadas à sua cu iosidade cien í ica. Po exemplo, da sua explo ação cien í ica do Pací ico esul ou num a ado de en os e o su gimen o da p óp ia clima ologia55. A ob a de William Dampie inha um ca ác e bem di e en es dos ex os analisados pa a o século XVI, pois es es o am esc i os com o obje i o de a ai e seduzi os lei o es eu opeus pa a um mundo desconhecido e, assim, nem semp e ap esen a am um ela o p eciso. As desc ições de Dampie , ep esen an e do espí i o cien í ico de uma no a época, podem se , po an o, conside adas mais iá eis. A desc ição sob e Cabo Ve de de William Dampie é abundan e em apon amen os sob e a sua geog a ia. Ao con á io dos ou os ela os de iagem, na ob a de Dampie já não exis e uma Ribei a G ande ica e cosmopoli a. Pelo con á io, segundo as obse ações do na egado b i ânico as ocas come ciais es a am o ganizadas de modo incipien e e ealiza am-se apenas com o p opósi o de p eenche algumas das mais elemen a es necessidades dos mo ado es do a quipélago, bem longe das ocas come ciais do século XVI, que en ol iam p odu os de ele ado alo e mesmo alguns de luxo. “T a ele s mus ha e a ca e o hese People, o hey a e e y hie ish; i hey see an oppo uni y will sna ch any hing om you, and un away wi h i . We did no ouch a his Island in his Voyage, bu I was he e be o e his yea in he yea 1670(...).”56 William Dampie usou equen emen e a pala a “pob e”, pa a desc e e a si uação econômica ge al da ilha de Sal, mas ambém a dos mo ado es e, a é mesmo, do go e nado e dos seus o iciais. O an igo escambo de p odu os de luxo e exó icos o a subs i uído po ocas de p odu os alimen ícios e es uá io. Po exemplo, na ilha de Sal, 54 Sebas ian JOBS, Gesa MACKENTHUN, Agen s o T anscul u a ion, Muns e , Ve lag GmbH, ol.6, 2013, p. 131. 55 Encyclopaedia B i annica. Em linha, 25/06/2015, h p://www.b i annica.com/biog aphy/William- Dampie . 56 William DAMPIER, New Voyage ound he wo ld, ol. I. P in ed o James Knap on, London, 1697, p. 76. 38 que Dampie a i mou se ex emamen e pob e, quase desabi ada, e onde os na ios es angei os não iam já há alguns anos, a ipulação b i ânica ocou com o go e nado , po piedade, as suas elhas oupas po ca ne cap ina. Os poucos mo ado es po ugueses que aí habi a am, ambém negocia am com os b i ânicos pedaços de âmba em oca de oupa. 57 Os b i ânicos isi a am ainda as ilhas de S. Nicolau e de Maio, cujas si uação econômica e a um pouco melho do que na ilha de Sal. Na ilha de S. Nicolau, ica em auna e lo a, ha ia uma a i idade pecuá ia cap ina bem desen ol ida, o que con ibuía pa a algum bem-es a dos seus mo ado es. Não escapou à sua obse ação que o go e nado se encon a a bem es ido, o que con as a a com a apa ência pob e dos seus uncioná ios. Dampie obse ou ambém o cul i o de plan as de o igem ame icana, o milho e a ba a a, um impo an e legado do comé cio a lân ico que, du an e o século XVI, ize a a iqueza de Cabo Ve de.58 William Dampie o neceu uma desc ição de alhada da ilha de San iago. Segundo seus ela os, nes a ilha ha ia duas g andes cidades, a Ribei a G ande e a P aia, mas ambém umas ilas meno es. No ou que o go e nado des a ilha ainda exe cia o pode em odo o a quipélago de Cabo Ve de. Con udo, a ica cidade de Ribei a G ande do século XVI, inha mudado d as icamen e. Embo a, o po o con inuasse a aen e pa a as ipulações es ange ias, já não e a um po o e ilhan e de ida come cial. P imei o, po que a si uação econômica das ilhas pio a a, e, po consequência, deg ada a-se ambém a qualidade de ida dos mo ado es da Ribei a G ande. Segundo, po que o comé cio ganhou um ca á e mui o mais p imi i o, no qual os mo ado es de San iago o e eciam aos es angei os p odu os elemen a es como no ilhos, po cos, cab as, a es e o os, em oca de p odu os manu a u ados como oupas, camisas e lençóis. 59 Face ao expos o, pode conclui -se que, na i agem do século XVII pa a o XVIII, a Ribei a G ande pe de a o seu ca á e cosmopoli a, o seu alo econômico, polí ico e es a égico. Es as ca a e ís icas o am exclusi as do século XVI. No en an o, de e 57 William DAMPIER, New Voyage ound he wo ld, ol. I. P in ed o James Knap on, London, 1697, pp. 72-73. 58 Ibidem, pp.74-76. 59 William DAMPIER, New Voyage ound he wo ld, ol. I. P in ed o James Knap on, London, 1697, pp. 67-77. 39 no a -se que a pa i da ase de decadência, Cabo Ve de começou a esc e e a sua p óp ia his ó ia, baseada sob e udo na população nascida endogenamen e. I.3 Cabo Ve de e o A lân ico I. 3.1. Cabo Ve de e o A lân ico Sul Ao analisa a his ó ia de Cabo Ve de é essencial en ende o con ibu o do oceano A lân ico pa a o desen ol imen o das á ias o mas de con i ência social en e os indi íduos que aí i iam, assim como pa a o ipo de economia desen ol ida. É impo an e no a que hou e uma o e ligação en e o A lân ico e Cabo Ve de em cons ução, o que de e minou a sua his ó ia e geopolí ica. Não há dú ida de que a geopolí ica, ou seja, a posição de Cabo Ve de den o das o as come ciais do A lân ico, de e minou o sucesso e o acasso do a quipélago, o seu desen ol imen o e o seu declínio. Con o me obse ou An ônio Leão de Aguia Ca doso Co eia e Sil a, “o A lân ico cons i ui, enquan o sis ema socioeconômico, um campo es u u ado de elações, quando os po os das suas á ias ma gens es abelecem con a os segu os e es á eis, ab indo, assim, caminhos pa a a o mação de edes de in e dependências. ”60 A Á ica a lân ica pe maneceu a as ada, po mui os séculos, das ou as cos as des e oceano. Os po os i iam isolados. As elações sociais e come ciais man inham-se mui o limi adas e as únicas o as que liga am o sul com o no e da Á ica e a a o a anssaa iana. Na época mode na, os a anços ecnológicos e ma í imos, a cu iosidade e o espí i o humanis a pe mi i am a “abe u a do A lân ico. Es e p ocesso de abe u a do espaço a lân ico, que começou no século XV, com a explo ação da cos a ociden al a icana e o descob imen o do B asil, incen i ou as in e ações mul icul u ais, sociais e come ciais en e as egiões banhadas pelo oceano A lân ico. O “mundo a lân ico” ez-se sen i nas á ias egiões cos ei as de ambos os lados do oceano, mas ambém em egiões mais longínquas como, po exemplo, na cos a o ien al a icana, na Índia e na ilha de Madagásca . Es e espaço amplo man inha-se bas an e i o, mo imen ado e sob e udo dinâmico. Pode obse a -se a eme gência de uma no a sociedade, a sociedade a lân ica, cujos indi íduos passa am a pa ilha p odu os, alo es e cos umes. Os agen es o am conec ados pelo oceano e in e ligados 60 An ônio Leão de Aguia Ca doso Co eia e SILVA, A in luência do A lân ico na o mação de Po os em Cabo Ve de, Lisboa, Cen o de Es udos de His ó ia e de Ca og a ia An iga, Ins i u o de In es igação Cien i ica T opical, 1990, p. 4. 40 pelas o as ma í imas. A sociedade a lân ica, embo a não mui o homogênea do pon o de is a e i o ial, passou a se in eg ada cul u al e come cialmen e. Os po os a lân icos o na am-se os cen os di uso es de no idades, ideias e es ilos de ida.61 Assim, du an e os descob imen os po ugueses e espanhóis, o mundo a lân ico c iou-se e ec iou-se cons an emen e, à medida que oi abso endo no os espaços. A a és des e oceano, nasce am os p imei os con a os es á eis ansa lân icos en e os di e en es po os da Eu opa, da Ásia, da Amé ica e da Á ica. Pe an e a c escen e necessidade de ci culação de capi al, nasce am á ios núcleos impo an es do pon o de is a da geopolí ica, com a inalidade de acili a a comunicação, con i ência e oca. En e es es, encon a a-se Cabo Ve de. Des e modo, Cabo Ve de nasceu no pe íodo de cons ução de um A lân ico in e comunican e, o que de e minou o seu ca á e po uá io, u bano e me can il. Cabo Ve de uncionou du an e mui o empo como uma cidade-po o e não como uma egião i ada pa a o in e io . Os po os a lân icos i e am um ca á e o emen e u bano, que eque ia uma adminis ação bem es u u ada. Além disso, os po oados nes as cidades, po seu ca á e lu uan e, aumen a am de ido à al a axa de imig ação e não de nascimen o.62 A cidade-po o de Cabo Ve de oi a Ribei a G ande, que assumiu as unções de pon o de escala, en epos o e o luga de con olo e apoio ao a ego in e nacional de esc a os. Todas as ou as a i idades, nomeadamen e ag ícolas, começa am po se secundá ias e de apoio ao comé cio. Con udo, no século XVII a ealidade económica e a já di e en e, ha endo uma no a o dem hie á quica en e os sec o es, com a ag icul u a e a indús ia, mais conc e amen e a pana ia, a assumi em papéis mais impo an es. A egião li o ânea, onde se concen a am as a i idades do comé cio in e nacional, pe deu impo ância, dando luga ao in e io da economia ag á ia. As a i idades económicas com dimensão in e nacional e ansa lân ica en a am em decadência, su gindo uma economia local e in e io .63 A economia cabo- e diana 61 Es e am C. THOMSON, “O A lân ico Sul pa a além da mi agem de um espaço homogêneo (séculos XV-XIX)” em Tempo alidades Re is a Discen e do P og ama de Pós-G aduação em His ó ia da UFMG, [Belo Ho izon e], ol. 4, n.º 2, Ago/Dez 2012, pp. 80-85. 62 An ônio Leão de Aguia Ca doso Co eia e SILVA, A in luência... op.ci ., pp. 3-7. 63 Ibidem, p. 12. 47 neg ei os deixa am de passa pela ilha de San iago, o que ag a ou ainda mais a sua si uação econômica75. O descon en amen o oi isí el en e os uncioná ios égios e en e os indi íduos de maio p es ígio, is o é, os p op ie á ios de e a e os me cado es a uan es no comé cio a icano. Es es indi íduos inham assen o na Câma a da cidade da Ribei a G ande, a qual en iou uma ca a ao ei D. Filipe II, azendo queixa da sua di ícil si uação. Es a conduziu à misé ia dos mo ado es da ilha de San iago e da Fazenda Real, de ido à al a de endimen o da ei o ia, o que esul ou na escassez de dinhei o pa a os pagamen os do cle o e dos o iciais.76 Independen emen e da de e io ação da si uação social e econômica da Ribei a G ande, a cidade con inua a a se o p incipal cen o de in e esse de me cado es e o iciais égios. A análise do in en á io do A qui o His ó ico Ul ama ino pe mi e ambém obse a que a cidade con inua a a desempenha um papel adminis a i o impo an e ainda no século XVII. A é aos meados des a cen ú ia, a co espondência adminis a i a oi sendo man ida en e Lisboa, Mad id e a Ribei a G ande e, apenas a pa i da década de cinquen a, começa am a se en iadas ca as de ou os luga es do a quipélago, nomeadamen e, da ilha do Fogo. Con udo, a é ao inal do século XVII, da Ribei a G ande o am en iadas as missi as dos go e nado es de Cabo Ve de, dos p o edo es e dos memb os da Mesa da San a Casa da Mise icó dia. Os p imei os planos pa a muda a capi al da Ribei a G ande pa a a ila da P aia são da ados da década de oi en a do século XVI. Numa ca a de 24 de janei o de 1582 en iada po um mili a espanhol, Diego Flo ez de Valdez, ao ei D. Filipe I, apa ece am as p imei as suges ões de mudança do a o pa a a cidade da P aia. “A donde yo soy de pa ece que ues a Majes ad deb ia de pasa el a o des e pue o de San iago al de la Playa, po se mejo pue o, y g ande, y ce ado de odo empo al, y luga a donde, si el enemigo se apode ase, se ia seño de la isla, 75 “Ca a do Nicolau de Cas ilho ao ei”, 30/06/1616, San iago in AHU, Ca álogo Pa cial do Fundo do Conselho Ul ama ino da sé ie de Cabo Ve de, 2014, Cx.1, D.51. 76 Ca a dos o icias da câma a da cidade da Ribei a G ande ao ei, 27/05/1617, in AHU, Ca álogo Pa cial do Fundo do Conselho Ul ama ino da sé ie de Cabo Ve de, 2014, cx.1, doc.58. 48 y puede hace se ue e con mucha acilidade, y a poca cos a, y es luga más sano [...]”.77 Ou a p opos a de mudança da capi al da Ribei a G ande pa a a P aia su giu pela pena do ca deal Albe o ao Rei, em 12 de julho de 1586. De ido aos p oblemas de o i icação da ilha de San iago, ac edi a a que a capi al do a quipélago de e ia se mudada. “E cada um deles me deu apon amen os assim sob e es a o i icação, como sob e se muda aquela cidade pa a a ila da P aia, nes e empo, em que he mis e an o pa a se eedi ica . Os quais que i em conselhos. [...] E que o capi ão Gaspa Luís de Mello ise os que deu João Nunez, po es a em de e en es na mudança da cidade pa a a ila da P aia [...] E me pa ece que asi na o i icação daquela cidade como na mudança dela, se á se iço da ossa majes ade segui a o dem que apon a Joao Nunez [...].78”. Pa a além dos p oblemas de ensi os, a Ribei a G ande ambém e a pouco sadia, ao con á io da P aia, que e a is a como endo um clima menos malé ico pa a os Eu opeus. “Há na mesma ilha ou a po oação que se chama a Villa da P aia, a qual em bom po o e é luga mais sadio que a cidade, po que es á em um si io al o [...]. E po es as azões se a ou algumas ezes de muda a cidade pa a es e si io e o i icá-lo, o que se izesse edunda a em g ande agmen o a e a”.79 A mudança da capi al da Ribei a G ande pa a a ila da P aia oi dec e ada em 14 de agos o de 1652, mas somen e oi ealizada em 1769.80 Embo a o papel polí ico e econômico da Ribei a G ande enha diminuído signi ica i amen e na i agem do século XVI pa a o XVII, a cidade con inua a a desempenha um papel impo an e nas missões eligiosas, pois liga a Cabo Ve de com a Á ica. Em meados do século XVII, a Ribei a 77 “Ca a de Diego Flo ez de Valdez ao ei D. Filipe I”, 21/01/1582 in Colección de Documen os Inedi os pa a la his o ia de España po el Ma qués de la Fuen esan ana del Valle, D. José Sancho Rayon y D. F ancisco de Zabálbu u, Mad id, 1889, om. XCIV, pp. 540-544, publ. em MMA, S. II, ol. 3, doc. 41, p. 93. 78 “Ca a do Ca deal Albe o ao ei”, 12/07/1586 in AGS-Sec e a ias P o inciales (Po ugal), li . 1550, l.357, publ. em MMA, s. II, ol. III, doc. 51. pp.140-141. 79 “Relação da Cos a da Guiné”, c.1606 in BAL – Cód. 51-VIII-25, ls.119-122 ., BNL – Cx. 207, doc. 88, publ. em MMA, s. II, ol. IV, doc. 56, p. 209. 80 Ibidem. 49 G ande chama a a a enção de á ios missioná ios que enciona am unda aí os seus con en os.81 Não há dú ida de que a ní el come cial, a an iga capi al de Cabo Ve de pe deu impo ância no inal do século XVI, mas apesa dis o, no con ex o eligioso pe maneceu um luga impo an e. II.2. As in luências da cidade da Ribei a G ande A cidade da Ribei a G ande oi econhecida po á ios his o iado es, an o lusó onos como in e nacionais, como um luga cosmopoli a no século XVI e um campo de expe imen ação em á ios campos. I a Cab al desc e eu-a “como pon o es a égico cuja impo ância pa a o A lân ico oscilou ao sabo de mui os in e esses, po aqui passa am no ícias, ambições, iquezas, uina, mo e, des uição, mas ambém aqui su giu capacidade de ecupe ação endógena e da inicia i a do isolamen o”. A his o iado a cabo- e diana ambém a i mou que aqui su giu a p imei a sociedade esc a oc a a colonial e uma das p imei as eli es coloniais. A Ribei a G ande oi assim um “labo a ó io onde se expe imen ou no as o mas de colonização, no as elações sociais, no as i ências cul u ais”, o nando-se o p imei o “cen o u bano colonial nos ópicos” onde “nasceu o encon o de dois mundos o Eu opeu e o A icano”.82 A ilha de San iago oi ambém cen o de oca de conhecimen o onde o am desen ol idos p ocessos de dimensão global, po exemplo, “ o mas de esc a a u a e plan ações de açúca nos ópicos o am ans e idas em la ga escala pa a a Amé ica Po uguesa”. A mig ação e ci culação das pessoas ajuda am as ilhas a lân icas po uguesas a c ia em “um e o luso- opical pa a a expansão e adap ação dos Po ugueses na Amé ica”.83 An ónio Leão de Aguia Ca doso Co eia e Sil a econheceu a especi icidade da cidade da Ribei a G ande po se um po o com um ca á e u bano e ansoceânico, que log ou concen a uma população in e nacional, a ai uncioná ios égios e es abelece 81 “Fundação do Con en o da Soledade na cidade da Ribei a G ande”, 20/09/1657 in CMP – Fundo Aze edo, n.1Ç, C ônica da P o íncia da Soledade, ci ., om. II, p. 904, publ. em MMA, s. II, ol. VI, doc. 62, pp. 121-122. 82 I a CABRAL, Ma ia Emília Madei a SANTOS, Ma ia João SOARES, Ma ia Manuel Fe az To ão, “Cabo Ve de, uma expe iência colonial acele ada (séculos XVI-XVII)”, p. 3. Em linda, 12/06/2015, h p://www.po aldoconhecimen o.go .c /bi s eam/10961/358/1/Cabo%20Ve de%20Uma%20Expe i%C 3%AAncia%20Colonial%20Acele ada%20(Sec.XVI-XVII).pd . 83 F. BETHENCOURT, D.R CURTO, A expansão ma í ima po uguesa, 1400-1800, Lisboa, Edições 70, 2010 p. 117. 50 uma máquina bu oc á ica. Con o me obse ou, “a p ospe idade come cial, o c escimen o da es u u a adminis a i a do es ado e o ala gamen o da ede u bana, azem-nos ac edi a numa endência democ á ica expansi a pa a odo o século XVI”.84 O his o iado compa ou a cidade-po o com um mic ocosmos social “que albe ga no seu seio uma g ande he e ogeneidade social”.85 Assim, a in e nacionalização do po o da Ribei a G ande pode se a aliada a a és das pessoas que aí mo a am e pelas a i idades come ciais po es as ealizadas. No p imei o caso, con ém des aca as di e en es o igens dos iajan es, os seus modos de idas dis in os e as suas di e sas ocupações p o issionais. Po ugueses, Cas elhanos, Judeus, Ingleses, F anceses, Holandeses ou A icanos iam pa a a Ribei a G ande como uncioná ios égios, me cado es, con abandis as, pi a as, ma inhei os, a en u ei os, esc a os. No caso das a i idades come ciais, des aque-se a come cialização dos p odu os a a és de impo ações, expo ações, depósi os ou sis ema de impos os, bem como a p es ação de se iços, como o abas ecimen o, a epa ação de na ios, o o necimen o de alimen ação ou de combus í el e a oca de in o mações náu icas e me eo ológicas. Em i ude dos a os mencionados, obse a-se que a Ribei a G ande oi um caso excecional no Impé io po uguês da época mode na, sendo um cen o p i ilegiado de oca de conhecimen o e de in o mações, um luga onde se c uza am as mais impo an es o as ma í imas do mundo de en ão. O p esen e abalho em o obje i o es uda os á ios p ocessos que le a am à c iação de dinâmicas in e nacionais no po o da p imei a cidade lusó ona nos ópicos – a Ribei a G ande. A in e nacionalização do po o cabo- e diano oco eu essencialmen e po duas ias, a a és das polí icas planeadas pela Co oa po uguesa e po ações que se podem classi ica como espon âneas. A pa i do momen o do seu achamen o, Cabo Ve de en ou pa a as p eocupações coloniais da Co oa po uguesa, que p ocu ou aí c ia in aes u u as polí icas, adminis a i as e come ciais. Os mo ado es de Cabo Ve de compa ilha am o sen imen o de necessidade de c iação de ins i uições semelhan es às da sua e a de 84 An ónio Leão de Aguia Ca doso Co eia e SILVA, A in luência do A lân ico na o mação de po os em Cabo Ve de, Cen o de Es udos da His ó ia e de Ca og a ia An iga, Lisboa, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, 1990, p. 6. 85 Ibidem, p. 7. 51 o igem. Em consequência dis o, le a am consigo os pad ões eu opeus, espalha am a dou ina c is ã e es abelece am as ins i uições polí icas, públicas e eligiosas já exis en es em Po ugal. Con ém lemb a que a cidade da Ribei a G ande, mesmo endo nascido num luga an es desconhecido e dese o, oi cons uída po Po ugueses e de aco do com as suas ma izes cul u ais. Pela obse ação dos aspe os analisados, en ende-se que Cabo Ve de e a uma colônia planeada e con olada, onde ha ia um p oje o polí ico. Is o oco eu de aco do com os p incípios do igen e sis ema colonial que p e endia a ocupação e e i a de espaços ul ama inos es a égicos. Assim, ha ia um es o ço pa a man e o domínio eal sob e o a quipélago e de encon a soluções pa a uma possí el pe da de con olo. Numa p imei a ase, a ilha de San iago oi sujei a ao sis ema de capi anias he edi á ias. Con udo, como os dona á ios acumula am iqueza e o na am-se cada ez mais in luen es, pode osos e, em consequência, independen es, di idiu-se o a quipélago em mais capi anias he edi á ias com obje i o de limi a o pode local, e c ia no os ó gãos adminis a i os que o con ola am, e i ando des a manei a a concen ação de pode numa só mão. A a és da hie a quização da sociedade cabo- e diana, a Co oa po uguesa log ou man e a o dem. Is o mos a que os ins umen os polí icos usados po Po ugal se i am pa a man e o domínio eal sob e Cabo Ve de. Os p i ilégios ou o gados pelo ei, o sis ema de ibu ação e os impos os, a consequen e polí ica de ma e clausum, o in es imen o nas plan ações e o desen ol imen o do sis ema esc a oc a a p o am que a cidade da Ribei a G ande oi con olada pela Co oa po uguesa.86 A pa i de 1466, a p esença po uguesa na ilha de San iago e, nomeadamen e, na cidade da Ribei a G ande ganhou um ca á e con ínuo, o nando-se a colonização mais sis emá ica. Não há dú ida de que o comé cio e a pe spec i a de luc o impulsiona am as ações égias, seguindo-se o p incípio de que “onde há comé cio, há pode ”. Con o me obse ou Ângela Domingues, o pode local " isa a con ola , desde a sua o mação, o á ico come cial que se desen ol e ia en e San iago e os ios da Guiné. Todo o apa elho eal, ou seja, iscal, mon ado em Cabo Ve de a é inais do 86 Ama ílis Ba bosa MARTINS, Relações en e Po ugal e Cabo Ve de an es e depois da independência, Disse ação ap esen ada pa a ob enção do G au de Mes e, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade Lusó ona e Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2009, pp. 22-23. 52 século XV i e de necessidade de iscalização ibu á ia deco en es do comé cio com a cos a a icana".87 Po ou o lado, con ém lemb a que, de ido à dis ância geog á ica mui os acon ecimen os não podiam se con olados pelo cen o. O a o p incipal que de e minou as ações espon âneas, is o é, não p og amadas, e a o a o de o iginalmen e Cabo Ve de se dese o, com um clima mui o hos il, po onde p oli e a am as doenças opicais que punham em isco a saúde dos iajan es. Pa a as ações não planeadas pela Co oa ambém con ibuí am a al a de mão-de-ob a e a mig ação p edominan emen e masculina. A al a de ecu sos humanos e a pouca on ade dos Eu opeus se ixa em na cidade da Ribei a G ande p opo ciona am enómenos que ugi am o almen e ao con olo eal. Seguindo-se es e aciocínio, en ende-se que algumas a i idades come ciais acon ece am o a do âmbi o legal. A ocupação po pa e de A icanos de ca gos polí icos e eclesiás icos, ambém pode se conside ada como uma ação espon ânea, uma ez que oi desencadeada pelo pouco in e esse dos Eu opeus se ixa em em Cabo Ve de. II.3. O p ocesso g ada i o da in e nacionalização da cidade da Ribei a G ande A in e nacionalização do maio po o cabo- e diano do empo na ilha de San iago oi mui o complexa, en ol endo á ias e apas. Com a inda dos p imei os Po ugueses e dos esc a os a icanos, iniciou-se um p ocesso de apo uguesamen o e a icanização da nascen e ida pública e social do a quipélago. Es es dois p ocessos, ac escen ados pela eu opeização, cons uí am uma base pa a a g adual in e nacionalização da Ribei a G ande. Po es a azão, en ende-se que o es udo das in luências po uguesa, a icana e eu opeia são essenciais pa a se en ende o desen ol imen o g ada i o da cidade da Ribei a G ande enquan o cen o cosmopoli a. O g au de in e nacionalização de Cabo Ve de pode se ap eciado a a és da ci culação de bens, p odu os, me cado ias e pessoas. Po ou o lado, es a ca ac e ís ica ambém pode se a aliada a a és da expe imen ação e ocas cul u ais en e eu opeus e a icanos. No a quipélago su gi am o mas de i ência inédi as, nascidas des e con a o, assim como um no o modelo econômico, que inha po base o sis ema esc a oc a a. 87 Ângela DOMINGUES, “Adminis ação e ins i uições: T ansplan e, adap ação, uncionamen o”, publ. em HGCV-I, p. 69. 53 O p ocesso de apo uguesamen o começou na p óp ia cons ução da cidade da Ribei a G ande, exp esso an o nos edi ícios ísicos, como nas ins i uições sociais e polí icas, que mime iza am as exis en es em Po ugal. Pode supo -se que, apesa do seu ca á e cosmopoli a e, assim, das suas múl iplas in luências, a cidade e a na sua génese uma cópia do mundo po uguês. Simul aneamen e, o a quipélago cabo- e diano es a a ambém a se a icanizado, com a ida de esc a os p o enien es da cos a ociden al a icana, que le a am os seus p óp ias hábi os e pad ões sociocul u ais. Con ém lemb a que, do pon o de is a polí ico e adminis a i o, Cabo Ve de man inha as adições po uguesas e seguia as mesmas eg as que exis iam em Po ugal. A Ribei a G ande, além de se o p imei o aglome ado populacional des e a quipélago, e a ambém a p imei a cidade undada po eu opeus a sul do ópico de Cânce . A cidade oi cons uída, li e al e me a o icamen e, pelos po ugueses e, po isso, a capi al cabo- e diana de ia a sua eição à “me ópole”. A maio pa e dos ma e iais que edi ica am mui as das cons uções da Ribei a G ande o am azidos de Po ugal. Mas se nes e caso a in luência po uguesa oi me amen e simbólica, o mesmo não se pode a i ma sob e as es u u as polí icas e adminis a i as da Ribei a G ande, que e am éplicas das exis en es nas cidades po uguesas do Reino e nos ou os a quipélagos a lân icos. Apesa da base po uguesa, o modelo u bano da Ribei a G ande oi ajus ado ao clima opical a icano. No inal do século XV e no início do século XVI, a Ribei a G ande e a dominada pela pequena nob eza po uguesa, que ia pa a Cabo Ve de à p ocu a de ecompensas pelos se iços mili a es e adminis a i os p es ados ao ei. Consigo le a am as ins i uições e ca gos adminis a i os que de iam acili a a sua ida e ambém ap imo a a o ganização in e na de Cabo Ve de. A Câma a e a o ó gão polí ico local de maio ele ância e e a cons i uída po juízes, esou ei os, um esc i ão, um p ocu ado e e eado es. Os o ícios mais in luen es es a am nas mãos dos juízes, que e am esponsá eis pela o dem pública e o cump imen o das leis égias. As compe ências dos e eado es cen a am-se na ges ão dos bens do concelho, nomeadamen e, cob a am impos os, zela am pela p op iedade comum, como poços ou caminhos, ixa am os salá ios e iscaliza am os p eços dos p odu os.88 O esc i ão con ola a as en adas e as saídas das endas da Câma a e egis a a os a os elei o ais 88 Ângela DOMIGUES, “Adminis ação...”, op. ci , p. 67. 54 dos e eado es. Os co egedo es e os ei o es e am esponsá eis pelo comé cio. O almoxa i e, coadju ado po um esc i ão, con ola a o comé cio com a cos a da Guiné.89 No a-se que na cidade da Ribei a G ande exis iam indi íduos com os seguin es í ulos de nob eza, idalgos, ca alei os, escudei os e os seguin es o ícios, juízes e e eado es. O ca go de almo acé, que em Po ugal e a um uncioná io de con iança, ligado à ges ão inancei a municipal, oi ambém mencionado em á ias ca as. O o ício exis ia em Cabo Ve de e a pessoa que o ocupa a, sendo elei a pela Câma a, e a esponsá el pela inspeção dos pesos, medidas, p eços de géne os e pela limpeza da cidade90. O almoxa i e e a ou o ca go de g ande ele ância que, an o em Po ugal como na Ribei a G ande, e a esponsá el pela cob ança e a ecadação de impos os. Inicialmen e, a sua á ea de a uação e a limi ada e as suas esponsabilidades básicas es a am exp essas na ca a de p i ilégio de 1466. Com o c escen e in e esse dos Po ugueses po Cabo Ve de, as suas a e as o am ampliadas sendo esponsá el pela cob ança de impos os sob e os mo imen os come ciais e pelo con olo do á ico.91 Na Ribei a G ande exis ia ambém um ca go de co egedo , que em Po ugal ep esen a a a Co oa em odas as coma cas, exe cendo o pode judicial. As mesmas unções o am-lhe a ibuídas na capi al cabo- e diana. Além da es u u a adminis a i a, os Po ugueses le a am consigo ambém as ins i uições e p o issões que lhes acili a am a ida em Cabo Ve de. O a o de se es abelece um hospi al na Ribei a G ande e de se con a a em médicos p o a que os Po ugueses iam pa a Cabo Ve de com o obje i o de se ixa em, e não apenas de explo a em supe icialmen e a egião. Pelo que a ás oi expos o, pode conclui -se que Po ugal exe ceu o e in luência na cidade cabo- e diana, o que se obse a na con inuação dos í ulos de nob eza, o ícios égios e es u u as adminis a i as. Con ém assinala que es e p ocesso oco eu no século XVI, quando Cabo Ve de ainda desempenha a um papel mui o impo an e no ci cui o in e nacional. Enquan o os einóis i e am opo unidade pa a luc a em com o a o da Guiné con inua am a i à ilha de San iago. As ligações en e es es e Po ugal man i e am-se mui o o es. Quando Cabo Ve de pe deu a sua posição p i ilegiada, a nob eza po uguesa deixou de come cia com Á ica a a és da Ribei a 89 Ama ílis Ba bosa MARTINS, Relações en e Po ugal..., op. ci ., pp. 23-25. 90 Paulo da Cos a FERREIRA, “Do o ício de almo acé na idade de Lisboa (século XVIII)”, Cade nos do A qui o Municipal, Lisboa, 2ª sé ie, nº. 1, (janei o-junho 2014). 91 Ângela Domingues, “Adminis ação...”, op. ci ., p. 69. 55 G ande. A pa i de en ão, ou seja, do inal do século XVI, a sociedade cabo- e diana mudou o seu umo, po que o g upo social baseado nos po ugueses do Reino não se eno ou, o que deu espaço pa a o su gimen o dos denominados “b ancos da e a”. Embo a não haja documen os que e i am abundan emen e o p ocesso de a icanização de Cabo Ve de, es e legado oi mui o o e, sendo indiscu i elmen e uma ma ca na gené ica e na cul u a do a quipélago. As elações en e A icanos e Po ugueses o am ecíp ocas. A cul u a e a língua po uguesas passa am a aze pa e da ida dos A icanos, chegados a Cabo Ve de, como deu es emunho And é Ál a es de Almada no T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo Ve de: “En e es es neg os andam mui os que sabem ala a nossa língua po uguesa e andam es idos ao nosso modo, E assim mui as ladinas chamadas angomãos po que se em aos lançados. E es as neg as e neg os ão com eles de uns Rios pa a os ou os e à ilha de San iago”.92 No a o mas cul u ais nasce am u o de um p ocesso de c ioulização, de ans o mação e simbioses das he anças po uguesa e a icana. Um dos mais des acados in es igado es da língua c ioula, Adol o Coelho, de endeu que a “comunidade subo dinada” não acei a a a língua dos “dominado es”, o que e á con ibuído pa a o nascimen o de um no o diale o. Os “dominado es” o am assim ob igados ao uso de um no o idioma. Pe cebe-se que es a si uação e e luga em Cabo Ve de e a língua po uguesa oi a as ada da comunicação in o mal. A eo ia de Adol o Coelho demons a como a “sociedade dominada” desempenhou um papel de e minan e no p ocesso de c ioulização.93 Manuel Veiga, po sua ez, chamou a enção pa a o a o da mino ia b anca domina di e en es diale os da língua po uguesa, da mesma o ma que os a icanos ala am á ias línguas a icanas.94 An ónio Ca ei a, Nélson Eu ico Cab al e Lopes da Sil a ac edi am que a língua c ioula nasceu em Cabo Ve de e de lá oi le ada pa a o con inen e a icano, a a és de uma in ensa a i idade econômica.95 92 And é Ál a es de ALMADA, T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo Ve de, 1594, publ. em MMA, s. II, ol. III, doc. 92, pp. 325-326. 93 Ba ba a HLIBOWICKA-WĘGLARZ, Po ugalskie języki k eolskie w A yce, Lublin, Wydawnic wo Uniwe sy e u Ma ii Cu ie-Skłodowskiej, 2013, pp. 82-83. 94 Ibidem, p. 102. 95 Ibidem, pp. 117-118. 56 Con ém lemb a que o am en iados à ilha de San iago esc a os p o enien es de mui as ibos e e nias di e en es da egião da Guiné. Des a o ma, pode a i ma -se que o p óp io p ocesso de a icanização oi mui o a iado e complexo. Os esc a os de á ias o igens inham que se in eg a en e si, pa ilhando o mesmo espaço de habi ação e o espaço de abalho, as plan ações. Depois inham ambém que se in eg a na sociedade dos colonizado es eu opeus. A eu opeização en ende-se como o a o de eu opeiza algo, ou seja, um p ocesso de o mação da isão do mundo de aco do com os pad ões eu opeus, seguindo um es ilo de ida semelhan e ao eu opeu. No caso de Cabo Ve de, es es es ão bem pa en es na eligião, a a és da e angelização dos a icanos, que apa en emen e e am o çados a abandona as suas c enças, embo a es as e os i os a icanos se enham in eg ado no C is ianismo. Aline Dias de Sil ei a p opôs uma de inição de eu opeização, no ando que “ equen emen e, é u ilizado o e mo eu opeização como sinônimo de mode nização ou ociden alização. Com isso, eu opeização designa, mui as ezes, a expansão eu opeia [...] mas ambém, em consequência des a expansão, o p ocesso de eu opeização do mundo. Es a ca ego ização se e, na maio ia das ezes, pa a a exal ação da supe io idade cul u al de um cen o e dos p ocessos so idos pelas egiões di as pe i é icas”.96 Desde semp e, que os Po ugueses ize am um es o ço pa a man e Cabo Ve de o almen e sob e domínio do C is ianismo. En e os á ios es o ços, des aque-se a o dem de Sebas ião que, seguindo as di e izes do Concílio de T en o, mandou unda um seminá io na cidade da Ribei a G ande. Os alunos e am ob igados a equen a aulas de g amá ica da língua la ina e aulas de can o, apenas alguns dos exemplos dos mecanismos de eu opeização dos pupilos. Além dis o, ixou-se uma enda anual de duzen os mil eais pa a sus en o des a ins i uição. “E cada um ano duzen os mil eais, com que no di o Seminá io se dou inem alguns moços e bons cos umes e dou ina, nos quais duzen os mil eais en a ão 96 Aline Dias da SILVEIRA, “Eu opeização e/ou A icanização da Espanha Medie al: Di e sidade e unidade cul u al eu opeia em deba e”, His ó ia, São Paulo, 28 (2), 2009. Em linha, 15/06/2015, h p://www.scielo.b /pd /his/ 28n2/22.pd , pp. 651-652. 63 maçãs, as pe as e os mamões.115 Algumas des as plan as inham o igem em Á ica e na Ásia. O capi ão And é Ál a es de Almada ez obse ações semelhan es obse ando que a e a “é ão abundan e de udo que nada lhe al a, abas ada de mui os man imen os, mui a esca de ibei as de água, la anjei as, cid ei as, limoei o, canas-de- açúca , mui os palma es, mui a madei a excelen e".116 No e-se que es as plan as, endo ci culado po á ios con inen es, o am cul i adas em Cabo Ve de, passando pelo po o p incipal da Ribei a G ande. Das Amé icas o am azidas pa a Cabo Ve de o ca apa o, a mandioca, o milho e a pu guei a. O ca apa o, com o igem na Amé ica opical, oi in oduzido nas ilhas, não se sabendo quando, con udo, o nou-se num p odu o undamen al na indús ia de g og, um dos dois p incipais p odu os de expo ação de Cabo Ve de.117 A mandioca oi azida da Amé ica do Sul.118 O milho e e uma passagem ápida da Amé ica pa a a Á ica, cujo cul i o oi di undido po odas as e as opicais. As on es his ó icas apon am pa a a impo ação de milho de Cabo Ve de en e 1514 e 1516.119 A pu guei a oi in oduzida em Cabo Ve de ou pelos po ugueses do B asil, ou pelos espanhóis das An ilhas. As plan as que o am azidas pa a Cabo Ve de do O ien e o am o a oz, a bananei a, os ci inos e o coquei o. O a oz oi in oduzido pelos po ugueses mui o cedo. Con udo, não se sabe se o a oz oi le ado do Reino, onde já e a mui o bem conhecido, ou se oi azido di e amen e do O ien e. A bananei a oi desc i a po Gaspa F u uoso que a obse ou na ilha de San iago, nos inais do século XVI.120 Os ci inos, que p o inham do sudes e asiá ico, o am p o a elmen e azidos de lá pelos po ugueses. O pilo o de Vila do Conde já inha ei o e e ência à exis ência de la anjei as na ilha de San iago, em meados do século XVI.121 Nes a ilha os coquei os e am de g ande ele ância. O pilo o de Vila de Conde obse ou a p esença de coquei o, 115 Ibidem, pp. 67-69. 116 Ma ia Emília Madei a SANTOS, “As es a égicas Ilhas de Cabo Ve de ou a esca Se a Leoa, uma escolha pa a a polí ica de expansão po uguesa no A lân ico”, Coimb a, 1998, ( ol. XXXIV), p. 488. Sepa a a da Re is a da Uni e sidade de Coimb a. 117 Jose E. Mendes FERRÃO, “A A en u a...”, op.ci ., p. 115. 118 Ibidem, pp. 128-131. 119 Ibidem, p. 143. 120 Ibidem, p. 184. 121 Ibidem, p. 206. 64 chamados de noz de Índia, nas p oximidades da Ribei a G ande, po ol a de 1545. Nos anos de 1582 e 1591, a p esença des as plan as na ilha de San iago oi no ada po Gaspa F u uoso, que obse ou que mui as palmei as des as plan as da am cocos. O his o iado b i ânico, H.C. Ha ies, num a igo "The Cape Ve de egion (1499-1549) - he key o coconou in he Wes e n Hemisphe e" supôs que as ilhas de Cabo Ve de desempenha am um papel undamen al na dis ibuição do coquei o no mundo ociden al e que, p o a elmen e, o coquei o oi le ado de Cabo Ve de pa a a Amé ica Cen al e do Sul.122 Con ém ambém lemb a as en a i as de cul i o de cana-de-açúca em Cabo Ve de. As p imei as plan ações su gi am logo após a descobe a des e a quipélago, endo sido en iada da ilha de Madei a. Po ém, a p odução oi mui o pequena e nunca chegou a compe i com as plan ações daquele a quipélago. O pad e Bal aza Ba ei a, numa ca a esc i a ao pad e João Ál a es, em 1 de agos o de 1606, obse ou que " há ambém cana iais de açúca , mas o aze-lo aonde não há engenhos de agua, cus a mui o abalho, po que oda a cana se pisa em pilões". Duas décadas depois, em 1622, And é Fa o esc e eu que na ilha de San iago ha ia açúca de boa qualidade, mas não e a ão bom como o do B asil. Em 1721, os negocian es de Lisboa con inua am a en ia um na io pa a Cabo Ve de com im de comp a o açúca . Con udo, em 1797, João da Sil a Feijó obse ou que o açúca cabo- e diano se ia p incipalmen e pa a a p odução de agua den e.123 A eexpo ação obse a-se ambém no caso dos esc a os, o iginá ios do li o al a icano, que o am come cializados a pa i da Ribei a G ande. Ressal a-se que es e po o e a ao mesmo empo impo ado , expo ado e um en epos o come cial de esc a os, azidos da cos a ociden al a icana. 124 A Ribei a G ande o nou-se no p incipal po o de eexpo ação de esc a os a pa i de 1492, quando os espanhóis e po ugueses, pe an e a explo ação do no o con inen e e a al a de ecu sos demog á icos decidi am in es i na mão-de-ob a esc a a. Não há dú idas de que o esc a o, enquan o p odu o come cial, se iu como móbil de ligação en e es e po o cabo- e diano e dos po os do con inen e ame icano. A 122 Ibidem, pp. 227-231. 123 Ibidem, p. 32. 124 Ma ia Manuel TORRÃO, “A i idade come cial ex e na de Cabo e de, o ganização, uncionamen o, e olução”, publ. em HGCV-I, pp. 293. 65 pa i da p imei a década do século XVI, exis em nume osos egis os de cob ança, que cons i uem p o a do g ande mo imen o de na ios de esc a os que passa am pela Ribei a G ande. Os na ios neg ei os paga am aí os qua os e in enas pelos esc a os esga ados na cos a da Guiné. Em 1514, o am cob ados os impos os sob e o na io de San a Ca a ina, pe encen e ao a mado João Vaz, no po o da Ribei a. Nes e egis o e i ica-se que o esc a o e a a ado exa amen e do mesmo modo que as ou as me cado ias, como o ma im e o a oz. A pa i des a da a obse a-se que os impos os cob ados sob e os esc a os es a am equipa ados às plan as, especia ias ou animais125. Os egis os de cob ança, incluídos no Co po Documen al da His ó ia Ge al de Cabo Ve de, p opo cionam in o mações sob e os ou os gêne os de p odu os que pa iam, com os esc a os, do po o cabo- e diano, como o ma im, o a oz, o milho, as gamelas, os balaios, a ce a, os cou os acuns e a man eiga. Es es egis os pe mi em chega a impo an es conclusões. Do po o da Ribei a G ande pa iam na ios ca egados de p odu os não manu a u ados, p incipalmen e plan as e especia ias. G aças aos í ulos de saídas e en adas dos na ios pe encen es a Cas ela e às ou as egiões eu opeias, sabe-se que à cidade da Ribei a G ande chega am ba cos ca egados de p odu os manu a u ados e de luxo, que, p o a elmen e, não e am eexpo ados, mas se iam consumidos pelos mo ado es da cidade. Na lis a de me cado ias que apo a am à Ribei a G ande encon a am-se p odu os como: acas, somb ei os, camisas de pano da e a, igos, ja e as de ba o, inho, biscoi o, alhado es de málega b anca, igelas de málega, assou as, pano ancês, queijos, amêndoas, sabões, co das, p egos, p esilhas, canhamaço, ja as de azei e, panelas id adas, oalhas de mesa, igo, pano e de, pano e melho, pano de Lond es oxo, damasco p e o, passas de u as, salsei inhas de mos a da, caldei inhas de cob e, alma aias de água osada, mel de abelha, es opa, nozes. Nos egis os de saída dos mesmos na ios cons a am p incipalmen e esc a os, ma im e algodão126. O gêne o de p odu os que chega am à Ribei a G ande e le ia a si uação socioeconômica dos mo ado es daquela cidade. T a a am-se de indi íduos com algum 125 A lis a das me cado ias publicada em HGCV-CD-II, p. 72. 126 Ibidem, p. 233-250. 66 pode de comp a, capazes de impo a p odu os que não e am p oduzidos no a quipélago, nem na cos a on ei a, e que não e am de p imei a necessidade. As me cado ias que passa am pelo po o da Ribei a G ande pe mi em aze as seguin es a i mações. A es a cidade chega am p odu os indos de odas as pa es do mundo, de Á ica, da Eu opa, da Amé ica e do O ien e, o que comp o a o ca á e in e nacional des e impo an e po o a lân ico. Os habi an es da cidade, an o os mo ado es b ancos, como os esc a os a icanos, inham acesso a p odu os o iundos de á ias pa es do globo, nomeadamen e, às u as exó icas. Po ém, con ém explica , que os p odu os de luxo e am acessí eis exclusi amen e pa a os mo ado es b ancos. A chegada de me cado ias de luxo demons a não apenas o cosmopoli ismo cabo- e diano, mas ambém explica melho as ci cuns âncias que pe mi i am a in e nacionalização des e a quipélago. A in ensi a oca de p odu os oco eu no momen o em que a ilha de San iago e a dominada po uma eli e que a ingiu o seu pon o mais ele ado em e mos de in luência, de pode , e de capacidade económica. A ligação com Á ica Pela ilha de San iago c uza am-se dois g andes ci cui os come ciais, nomeadamen e, o ci cui o a icano e o ci cui o eu o-a icano. Pa a o p imei o, a ilha de San iago oi an o o pon o de pa ida como o de chegada e o des ino inal e a a cos a ociden al a icana. Po ém, es ima-se que, a a és dos cálculos incluídos no “Li o da Recei a da Renda das Ilhas de Cabo Ve de”, a média anual de na ios que ci cula am en e Cabo Ve de e a cos a da Guiné e a de 14 a 15 na ios. O segundo ci cui o, o eu o- a icano, di idia-se em dois cen os mo o es, Po ugal e Cas ela. Es es dois pon os egionais inham a ilha de San iago como pon o de escala, que se o nou numa placa gi a ó ia no con ex o des es eixos come ciais impo an es. A capi al cabo- e diana e a o po o de chegada de p odu os o iundos da Eu opa e o po o de pa ida com des ino à cos a da Guiné, e ainda o po o po onde passa am as me cado ias a icanas que iam pa a a Eu opa.127 Os p odu os come ciais endógenos com maio sucesso no a quipélago se i am como o ma de pagamen o nas ansações na cos a a icana. O algodão é disso exemplo. Es e p odu o começou po se comp ado apenas pela Fazenda Real que, pos e io men e, o dis ibuía aos con a ado es ligados ao comé cio neg ei o. A 127 Ma ia Manuel Fe a TORRÃO, “A i idade...”, op. ci ., pp. 258-266. 67 impo ância do algodão ez com que mui os p op ie á ios u ais in es issem na manu a u a de panos que depois e am ocados po p odu os a icanos.128 Assim, o algodão o nou-se o p odu o endógeno de Cabo Ve de com maio sucesso nas expo ações. A impo ância do algodão é a es ada pela polí ica que a Co oa po uguesa e e sob e es e p odu o. A pa i de 1472, o algodão cul i ado nes e a quipélago passou a se come cializado inicialmen e apenas com a egião da Guiné e depois com Lisboa e a Fland es. A pa i de 1480, o algodão en ou na lis a de me cado ias de endidas pela Co oa po uguesa, que não pe mi ia a expo ação das ib as b ancas. Po ém, após ob e a licença égia, o comé cio des e p odu o oi pe mi ido em F ança, na Ingla e a e na Fland es.129 A noz de cola oi ou o u o que desempenhou um impo an e papel como o ma de pagamen o no comé cio in e a icano, mais conc e amen e na cos a a icana en e o Senegal e Angola. No início do século XVI, o nou-se num p odu o undamen al nas o as come ciais. A impo ância des a plan a oi econhecida pela maio ia dos eis a icanos. Supõe-se que a noz de cola e a ão aliosa como o ou o ou os ecidos de algodão.130 Es a u a, além de se apenas uma subs ância es imulan e, desempenha a á ios papéis na medicina, sendo ambém uma u a simbólica, u ilizada nos i uais eligiosos a icanos. Sob e o g ande alo da cola no comé cio in e a icano esc e eu And é Ál a es de Almada, na sua ob a in i ulada T a ado B e e dos Rios de Guiné de Cabo Ve de, a a és do qual sabe-se que es a plan a e a come cializada nas edes in e - egionais da cos a a icana. “En e odas a mais es imada é a cola, u o que se dá na Se a Leoa e seus limi es; e ale an o nes e Rio, que dão udo a oco dela, assim man imen os como oupa, esc a os e ou o. E é ão es imada que a le am a é ao Reino do G an-Fulo, donde ale mui o, e assim nos mais Rios do nosso Guiné”.131 128 An ónio CARREIRA, Mig ações nas ilhas de Cabo Ve de, Mi a Sin a, Ins i u o Cabo e diano do Li o, 1983, pp. 30-31. 129 Be elina Ma ia do Rosá io de BRITO, Comé cio de algodões e ca alos em Cabo Ve de (1460-1535): Consequências económicas, sociais e ins i ucionais, Lisboa, Uni e sidade No a de Lisboa, 2013, pp. 86- 89. 130 Si e de Buala. Em linha, 19/06/2015, h p://www.buala.o g/p /a-le /a-noz-de-cola-um- u o-simbolico. 131 And é Ál a es de ALMADA, T a ado B e e dos Rios de Guiné de Cabo Ve de, Lisboa, Edi o ial L.I.A.M, 1964, p. 48. 68 “A cola, de que já a ámos, ale em odo Guiné, mas nes e Rio é mais es imada que em odos os ou os; usam es es neg os dela como na nossa Índia do be ele, po que com a cola, que é como uma cas anha, caminha um neg o odo o dia, comendo nela e bebendo da água, e em-na po medicinal pa a o ígado e o u ina 132 “E a p incipal me cado ia que aqui co e são colas, nomeadas já algumas ezes, u o que em da Se a Leoa ao Rio G ande, e dele o azem a es e. Le am a es e a o udo o que le am a Gâmbia”. 133 “Colas, que é o p incipal esga e pa a o Rio de Gâmbia e os mais Rios de Guiné, a qual se dá em á o es como cas anhas, em ou iços sem espinhos. 134 A p imei a e e ência da exis ência da cola em Cabo Ve de oi ei a po F ancisco de And ade, nos seus ela os sob e as ilhas de Cabo Ve de, apon ando como es es p odu os e a essencial nas ocas come ciais na Senegâmbia. "uma u a à manei a de cas anha, que chamam cola, de que azem na ios ca egados, que ale po oda a Guiné, p incipalmen e no io de Gâmbia, que é o p incipal esga e que com ela se az"135 Ma ia do Rosá io Pimen el obse ou que "apesa do consumo de nozes de cola se p á ica co en e en e mui os dos po ugueses que equen a am o li o al a icano, ou que habi a am nos a quipélagos de Cabo Ve de e de São Tomé e P íncipe, o hábi o nunca pene ou na Eu opa, a não se pon ualmen e e, sob e udo, com indicações de ca á e e apêu ico".136 A ligação com o B asil Em 1587, Gab iel Soa es de Sousa, um po uguês e colono ag ícola esiden e na egião da Bahia, publicou uma ob a enciclopédica, in i ulada T a ado Desc i i o do B asil, que en a a desc e e a iqueza da e a b asilei a. Nes a ob a essal a-se a impo ância das ilhas de Cabo Ve de, como o p incipal expo ado de plan as e animais 132 Ibidem, pp. 55-56. 133 Ibidem, p. 81 134 Ibidem, p. 126. 135 Si e de Buala. Em linha, 19/06/2015, h p://www.buala.o g/p /a-le /a-noz-de-cola-um- u o-simbolico. 136 Ibidem. 69 pa a o B asil. Segundo o au o , as acas, os ca alos, as cab as e as o elhas que chega am pela p imei a ez ao B asil e am o iundas de Cabo Ve de. “As p imei as acas que o am à Bahia le a am-nas de Cabo Ve de e depois de Pe nambuco, as quais se dão de eição que pa em cada ano e não deixam nunca de pa i po elhas”.137 “As éguas o am à Bahia de Cabo Ve de, das quais se inçou a e a, de modo que, cus ando em p incípio a sessen a mil- éis e mais, pelo que le a am lá mui as odos os anos e ca alos, mul iplica am de uma al manei a, que alem ago a a dez e a doze mil- éis; e há homens que êm em suas g anjea ias qua en a e cinquen a, as quais pa em cada ano; e espe am o ca alo pold as de um ano, como as acas, e algumas ezes pa em duas c ianças jun as”.138 “As o elhas e as cab as o am de Po ugal e de Cabo Ve de, as quais se dão mui o bem, umas e ou as pa em, i ada a p imei a pa idu a, duas c ianças e mui as ezes ês, as quais emp enham como são de qua o meses e pa em cada ano pelo menos duas ezes, cuja ca ne é semp e mui o go da, mui sadia e sabo osa”.139 Mas ambém p odu os ag ícolas o am ansplan ados de Cabo Ve de pa a o B asil, nomeadamen e a cana-de-açúca que e e um papel undamen al na economia b asilei a, cons i uindo o seu p imei o ciclo económico e um dos mais du adoi os. Pa a além da cana saca ina, ambém o am de Cabo Ve de o a oz, o coco e o inhame. “E comecemos nas canas-de-açúca , cuja plan a le a am à capi ania dos Ilhéus das ilhas da Madei a e de Cabo Ve de”.140 “Le a am a semen e do a oz ao B asil de Cabo Ve de, cuja palha se a comem os ca alos lhes az mui o mo mo, e, se comem mui o dela, mo em disso”.141 137 Gab iel Soa es de SOUSA, T a ado Desc i i o do B asil em 1587. Em linha, 19/06/2015, h p://www.no omilenio.in .b /san os/lendas/h0300a2.pd , p. 163. 138 Ibidem, p. 164. 139 Ibidem, p. 164. 140 Ibidem, p. 165. 141 Ibidem, p. 169. 70 “Fo am os p imei os cocos à Bahia de Cabo Ve de, de onde se enche a e a, e hou e a in inidade deles se não se seca am, como são de oi o e dez anos pa a cima; dizem que lhes nasce um bicho no olho que os az seca ”.142 “Da ilha de Cabo Ve de e da de São Tomé o am à Bahia inhames que se plan a am na e a logo, onde se de am de manei a que pasmam os neg os de Guiné, que são os que usam mais dele”.143 As elações en e Cabo Ve de e o B asil o am es ei as desde o início, uma ez que du an e a sua iagem de descob imen o em 1500, Ped o Ál a es Cab al ez uma escala na cidade da Ribei a G ande, onde alguns anos a ás anco ou ambém o na io de Vasco da Gama na sua iagem pa a a Índia. Após o descob imen o do B asil, obse a-se o es abelecimen o de uma in ensi a oca come cial que ab angia plan as, animais e se es humanos. Con udo, con ém lemb a que do B asil ie am as plan as que e oluciona am a ida dos mo ado es de Cabo Ve de e que se o na am a base alimen a des a sociedade, ou seja, milho maíz, milho g osso, eijões e mandioca. Vi o Paim Goba o, o an igo Embaixado do B asil em Cabo Ve de esc e eu "(..) con a ia o poe a e o ado cabo- e diano B. Leza quan o can a a se Cabo Ve de um pedacinho do B asil. Sin o que, na e dade, o B asil é bem an es um pedação de Cabo Ve de".144 II. 4.2. A ci culação do conhecimen o cien í ico e écnico na Ribei a G ande Os obje os da ansação podem se ambém bens e se iços, assim como bens indus iais in angí eis, ais como o know-how, ou seja, o conhecimen o da écnica, ecnologia ou da o ganização elacionada com o p ocesso de p odução de um de e minado p odu o.145 Ma ia Manuel Fe az To ão denominou a á ea do oceano A lân ico po “A lân ico Re olucioná io”, econhecendo a sua impo ância [...] enquan o espaço da ci culação de ideias e de in o mações, mui as delas undamen ais na modi icação da 142 Ibidem, p. 168. 143 Ibidem, p. 169. 144 Ibidem, pp. 23-24. 145 J. RYMARCZYK, Handel zag aniczny, o ganizacja i echnika, Wa szawa, Polskie Wydawnic wo Ekonomiczne, 2002, pp. 24-25 71 e udição eu opeia da época, a exp essão e olucioná ia assume, igualmen e, uma ele ância digna de egis o no campo da e olução dos conhecimen os a ní el da cul u a ma e ial e da his ó ia das men alidades”.146 O conhecimen o cien í ico e écnico ci cula a pelo impé io po uguês, a ingindo ambém a Ribei a G ande. Nes e campo, des aquem-se, en e ou os, a p odução ca ala , a indús ia êx il, as le as de câmbio, sendo es as o mas de pagamen o nas ansações in e nacionais, o conhecimen o médico e as ap endizagens i enciais. Ca alos e algodão Cabo Ve de oi um luga de ansplan ação de á ias espécies ege ais e animais que, embo a e a hos il ao se humano, o e ecia condições climá icas a o á eis a um de e minado se o ag opecuá io. Con ém lemb a , que as duas me cado ias, o algodão e os ca alos, o am p oduzidas nes e a quipélago de ido ao seu g ande alo económico e social, econhecido en e os po os a icanos. A c iação de ca alos e o cul i o de algodão o am as duas a i idades p odu i as que de am maio con ibu o pa a o comé cio neg ei o, sendo es es p odu os os mais p ocu ados na cos a a icana en e os che es locais que en a am ele a o seu es a u o social. O ca alo o nou-se num dos meios de pagamen o nos con a os de a endamen o en e a ilha de San iago e a cos a da Guiné. Os ca alos e am animais mui o p ocu ados en e os a icanos, de ido à impossibilidade climá ica de desen ol e a sua c iação no con inen e a icano. A posição geoes a égica e as boas condições na u ais p opícias à p odução ca ala , ize am da ilha de San iago um luga des acado na c iação des es animais.147 "E nes e io de Casamansa [po o Mandinga] ale mui o o e o, e aqui há esga e de esc a os po ca alos e po lenços e po pano e melho".148 146 Ma ia Manuel Fe az TORRÃO, “Ci culação de conhecimen os cien í icos no A lân ico. De Cabo Ve de pa a Lisboa, Memó ias Esc i as, Solos e Minei as, Plan as e animais. Os en ios cien í icos de João da Sil a Feijó, José Damião Rod igues”, O A lân ico Re olucioná io, ci culação de ideias e de eli es no inal do An igo Regime, Pon a Delgada, Cen o de His ó ia de Além-Ma , Uni e sidade No a de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Uni e sidade de Aço es 2012, p. 137. 147 An ónio Co eia e Sil a, “Espaço, Ecologia e Economia In e na”, publ. em HGCV-I, pp. 187-188. 148 “Do caminho, o as e conhecensas do Rio de Gâmbia pe a o Cabo Roxo e Rio G ande”, Dua e Pacheco Pe ei a, op. ci ., li .1, cap. 30, publ. em MMA, s. II, ol. I, doc. 106, p. 645. 72 “E a gen e que nes a e a habi a são Gogolis e Bea a es, e são sujei os a el- ei do Mandingas. E es es são mui o neg os de colo , e mui os deles andam nus e ou os es idos de panos de algodão. Aqui se esga am esc a os, seis e se e po um ca alo [...]”.149 O algodão oi ou o p odu o excecional na his ó ia do a quipélago cabo- e diano, sendo p o a das ocas de conhecimen o a ní el mundial, onde o am en ol idas ês cul u as di e en es, a eu opeia, a a icana e a asiá ica. As ib as b ancas já e am conhecidas na cos a ociden al a icana, mas al a a a ecnologia êx il e de ingimen o de algodão. Con ém lemb a que a indús ia êx il já exis ia na Á ica, mas basea a-se p incipalmen e na ans o mação de cou o e de ecidos ei os de onco de algodão. And é Ál a es de Almada, no T a ado B e e dos Rios de Guiné de Cabo Ve de, obse ou o cos ume de usa panos de algodão en e os Jalo os da cos a ociden al a icana. “[...] azem as pe nas nuas, e nos pés uns alpe ca as de cou o c u; e nas cabeças umas ca apuças do mesmo pano de algodão”.150 “[...] em oda es a cos a, e a dos Jalo os a é os Mandingas, há mui o boa oupa de algodão, panos p e os e b ancos, e de ou as mui as manei as de p eço, e os in os são ão inos que cegam aos que os eem, os quais se i am pa a os ou os Rios aonde os não há.”151 Como os ecidos colo idos, de o igem asiá ica, o am de g ande impo ância pa a os eu opeus, os mo ado es de Cabo-Ve de esol e am es abelece ambém a sua p óp ia p odução nas ilhas. Es e ipo de algodão passou a se denominado como p odu o- ei.152 No início do século XVI, os po ugueses, no a quipélago cabo- e diano, começa am a p a ica a manu a u a de ecidos de algodão, ap o ei ando a mão-de-ob a esc a a. Os p imei os “panos da e a” o am ingidos de azul, com o ex a o de noz de cola, um p odu o que, como se iu, e a o iundo da Senegâmbia e le ado pa a Cabo 149 Ibidem, p. 648. 150 And é Ál a es de ALMADA, T a ado B e e dos Rios de Guiné de Cabo Ve de, Lisboa, Edi o ial L.I.A.M, 1964, p. 12. 151 Ibidem, p. 19. 152An ónio Co eia e Sil a, “Espaço...”, op. ci ., pp. 183-184. 79 em dominação e i o ial”.167 Des e modo, con ibuí am pa a o desen ol imen o do comé cio na egião da cos a ociden al a icana e Cabo Ve de, o nando-se in e mediá ios en e as populações locais e os explo ado es eu opeus e con ibuí am pa a o es abelecimen o de uma língua anca na egião – o c ioulo.168 Sob e es es, esc e eu And é Ál a es de Almada: “E se não o am es es Po ugueses lançados, não i e am es as duas nações an o a o em Guiné, nem comé cio como em hoje [...]. Hoje a a essam es es Po ugueses lançados odos os Rios e e as dos neg os, adqui indo udo o que acham nelas”. 169 “Es e lançado Po uguês se oi ao Reino do G an-Fulo po o dem do duque de Casão, que é um neg o pode oso que habi a nes e po o [...] e na co e do G an- Fulo se casou com uma ilha sua, da qual e e uma ilha, e que endo-se o na pa a os po os do ma , lhe deu o sog o licença que a ouxesse consigo. E chama- se João Fe ei a na u al do C a o, da nação e chamado pelos neg os o Ganagoa, que dize na língua dos Bea a es, homem que ala odas as línguas”.170 “[...] co endo bei a-ma a cos a a é o po o de Joala, que é onde esidem hoje os lançados, em uma aldeia que ali es á, po oada de neg os, na qual esidem ambém os nossos debaixo da p o eção e gua da do alcaide que o Rei ali em pos o [...] onde ecolhem algumas ezes os lançados as suas emba cações de lanchas que em pa a o seu a o, po emo das nossas galeo as quando lá andam, ou de alguns izinhos da Ilha [de San iago].171” En e os mo ado es de Cabo Ve de encon a am-se ambém es angei os que iam pa a Cabo Ve de à p ocu a das suas iquezas endógenas, po exemplo, os geno eses p ocu a am algodão e os cas elhanos de Se ilha a u zela.172 Os p imei os es angei os a chega em à ilha de San iago o am os Geno eses, memb os da ipulação ou da amília de An ónio de Noli. Po ém, es es nunca desempenha am um papel de g ande ele ância 167 Ca lo LOPES, “Cons ução de iden idade nos ios de Guiné do Cabo Ve de”. Em linha, 29/06/2015, h p://www.a icanos.eu/ceaup/uploads/AS06_045.pd , p. 57. 168 Ibidem, pp. 57-58. 169 And é Ál a es de ALMADA, T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo Ve de, 1594, publ. em MMA, s. II, ol. III, doc. 92, p. 252. 170 Ibidem, pp. 252-253. 171 Ibidem, p. 256. 172 Joaquim Ve íssimo SERRÃO, His ó ia de Po ugal, ol. II, Lisboa, Palas Edi o a, 1984, p. 172. 80 no comé cio ou na polí ica do a quipélago. Os mais ele an es e a i os es angei os que a ua am em Cabo Ve de o am os Cas elhanos, an o como mo ado es, quan o como me cado es. Vá ios ela os de iagens, inclusi o o do Pilo o Anônimo, ize am e e ência à p esença de espanhóis na Ribei a G ande. “ Es a cidade [da Ribei a G ande] es á i ada a Sul, em boas casas de ped a e cal, e habi ada po nume osos ca alei os po ugueses e cas elhanos e con a mais de 500 ogos”. 173 Es e ela o p opo ciona ambém in o mações in e essan es sob e o papel dos cas elhanos enquan o in e mediá ios, ou seja, agen es que o neciam plan as, semen es, e me cado ias aos mo ado es de Cabo Ve de. Em 1469, de ec a-se já a p esença de Cas elhanos, pois os me cado es Joham de Lugo e Pe o de Lugo consegui am uma ca a de p i ilégios pa a aze o a o de u zela, nas ilhas de Cabo Ve de. “[...] a o de u zela das suas ilhas do Cabo Ve de com Joham de Lugo e Pe o de Lugo cas elhanos me cado es, mo ado es em a cidade de Se ilha com condição que eles agam a di a u zela em na ios de Cas ela ou quaisque que lhes p o e a nossos einos [...] e ealmen e segu amos o di o Joham de Lugo e Pe o de Lugo e odas suas me cado ias na ios e companhia que anda em e o em no di o a o”.174 Como a ás oi expos o, o es udo dos í ulos das me cado ias que en a am e saíam do po o da Ribei a G ande o nece in o mações sob e os p odu os que iam a bo do dos na ios cas elhanos pa a a ilha de San iago, o que cons i ui p o a da impo ância que es es me cado es i e am na ligação de Cabo Ve de à Eu opa. A sua p esença nes e a quipélago oi undamen al, se le a mos em con a dois pon os: p imei o, po que e am es es que o neciam g ande pa e dos man imen os aos mo ado es de San iago; segundo, po que pa icipa am a i amen e no á ico de esc a os, sendo simul aneamen e comp ado es de esc a os na Ribei a G ande e os o necedo es des a me cado ia na Amé ica Espanhola. 173 Viagens de um pilo o po uguês do século XVI a cos a de Á ica e a São Tome, op. ci ., pp. 89-90. 174 "Ca a de p i ilégio a Joham de Lugo e Pe o de Lugo, cas elhanos me cado es que ha iam ei o a o de u zela nas ilhas de Cabo Ve de", 30/09/1499 in ANTT, Chancela ia de D. A onso V, L.21, l.118, .D.2, publ. em HGCV-CD, pp. 23-24. 81 A cidade da Ribei a G ande e a um luga p incipalmen e de passagem. A sua população oi compos a, em g ande maio ia, pelas pessoas de cu a es adia. Es e ca á e lu uan e oi pe cebido ambém po Luís de Camões que, na sua epopeia Os Lusíadas, ambém es e e na ilha de San iago, po ém, do mesmo modo, apenas de passagem: “àquela ilha apo amos que omou o nome de gue ei o San iago. To námos a co a o imenso lago do salgado Oceano, e assi deixámos a e a onde e esco doce achamos”. II. 4.4. A ci culação do capi al esc a o na Ribei a G ande A ci culação de capi al en ende-se como o p ocesso de mo imen o de capi al, que passa pelas ases de ci culação e p odução, es ando os dois p ocessos in e ligados. Es e mo imen o é uma epe ição inin e up a de cons an e o ação. Na ilha de San iago, o capi al es a a maio i a iamen e nas mãos dos “mo ado es- a mado es”, que de inham o di ei o de a o com a egião da Guiné. Con o me obse ou Ma ia Emília Madei a San os, "os p i ilégios, que o es a u o de mo ado - izinho p opo ciona a, e am indispensá eis pa a o a o com a cos a a icana. A sua ausência impossibili a a a a mação legal de na ios, que ep esen a a, na época, a emp esa mais luc a i a da ilha". Con ém assinala que, pa a e acesso a es e negócio, “o mo ado - a mado ” e a ob igado a in es i o seu p óp io capi al, pois inha que aluga um na io, comp a as me cado ias e alimen a sua ipulação. Os inanciamen os das p imei as a mações o am ealizados com capi al po uguês, azido pelos me cado es do Reino. Embo a não haja o ma de de e mina o momen o em que es e ipo de a i idade se o nou au o inanciada, ac edi a-se que, independen emen e dos cus os da a mação, as me cado ias e am de ão g ande alo , que cedo jus i ica am as quan ias gas as, o nando-se assim numa a i idade luc a i a.175 As p incipais a i idades come ciais ealizadas na Ribei a G ande o am desen ol idas do g upo social dos “me cado es- a mado es”, pois e am es es que a ma am os na ios, que adqui iam as me cado ias que, pos e io men e, e a ocadas po esc a os a icanos. Nos p imó dios da exis ência de Cabo Ve de, a p op iedade undiá ia não e a conside ada luc a i a e, po an o, não hou e g ande in es imen o. Po ém, a si uação mudou após a publicação da ca a égia de 1472, pois es a limi o as a i idades económicas dos mo ado es de San iago, ob igando-os à u ilização apenas de p odu os 175 Ma ia Emília Madei a SANTOS, I a CABRAL, “O nasce de uma sociedade a a és do Mo ado - A mado ”, publ. em HGCV-I, pp. 373-376. 82 com o igem no a quipélago. A pa i des a da a, os mo ado es passa am a dedica -se à pecuá ia e à ag icul u a e, po consequência, a e a o nou-se numa on e de capi al. Não obs an e, o maio e mais impo an e capi al de Cabo Ve de oi o capi al esc a o. Thomas Pike y, o economis a ancês obse ou que “[...] nas sociedades em que os esc a os ep esen a am uma pa e impo an e da população, o alo de me cado do capi al esc a o podia, na u almen e, alcança ní eis bas an e al os [...]”.176O au o ez uma análise de um caso ex emo, onde quase oda a população e a p op iedade de uma mino ia. Es e ipo de análise pode ambém aplica -se ao es udo da sociedade da Ribei a G ande, uma ez que es a e a dominada po uma eli e eu opeia que, de a o, cons i uía uma mino ia. O au o compa ou o alo do capi al nacional e da enda nacional ao capi al esc a o, concluindo que “se os esc a os ep esen am 60% da enda nacional e se a axa de e o no anual de odas as o mas de capi al o de 5%, o alo de me cado de es oque o al de esc a os é igual a doze anos de enda nacional [...] - is o é 50% maio do que o capi al nacional simplesmen e po que os esc a os endem 50% a mais do que o capi al. Se soma mos o alo dos esc a os ao alo do capi al, ob emos in e anos de enda nacional, já que a o alidade dos luxos anuais de enda e p odução é capi alizada à axa de 5%".177 Con ém assinala que na época mode na, o esc a o ep esen a a o maio capi al, acumulação e on e da iqueza e e a a me cado ia mais p ocu ada. Impo a a-se o esc a o pa a a Amé ica pa a que es e p oduzisse p odu os de expo ação. Maciel Mo ais San os obse ou que "os esc a os e am me cado ias e que aziam pa e do capi al p odu i o ame icano178". Pe cebe-se a dupla na u eza do esc a o a icano no comé cio neg ei o. Nos me cados ame icanos, onde e a endido, ep esen a a uma me cado ia que e a consumida p odu i amen e. Con udo, nos me cados a icanos, ganha a a o ma da me cado ia de expo ação.179 No e-se um acon ecimen o excepcional nes e po o cabo- e diano, onde o capi al esc a o e a ans e ido. De a o, es e oi a única me cado ia que azia dupla pa e do p ocesso p odu i o. Nas elações come ciais en e a Á ica e Cabo Ve de oi 176 T. PIKETTY, O capi al no século XXI, capí ulo IV: Capi al esc a o e capi al humano In ínseca, Rio de Janei o, Edição digi al, 2014. 177 Ibidem. 178 Maciel Mo ais SANTOS, “O p eço dos esc a os no á ico a lân ico - hipó ese de explicação”, A icana S udia, n.7, 2004, Po o, Edição da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, p. 164. 179 Ibidem, p. 178. 83 conside ado exclusi amen e uma me cado ia de expo ação, sendo apenas passi o. No B asil, po ém, pa icipa a a i amen e no p ocesso p odu i o, sendo esponsá el pela p odução das me cado ias de expo ação. Des a o ma, en ende-se que a ans o mação do capi al esc a o oco ia no po o da Ribei a G ande, onde chega a como me cado ia e de onde pa ia pa a pa icipa da p odução ame icana. O pequeno po o da Ribei a G ande oi esponsá el pela ans o mação do esc a o em capi al esc a o, o que lhe pe mi iu, como no ou I a Cab al, o na -se “cen o de um comé cio lo escen e de p odu os a icanos”.180 II. 4.5. A p es ação de se iços na Ribei a G ande Desde o início do século XVI, no po o da Ribei a G ande cos uma am anco a na ios em busca de alimen ação e abas ecimen o. As ipulações aziam aí escala com im de epa a os na ios. Cabo Ve de oi econhecido po es e ipo de se iço, con o me pode obse a -se na ca a da Câma a da Ribei a G ande ao sec e á io An ónio Ca nei o: “E é g ande escala pa a os naus e na ios de sua al eza, e assim pa a os na ios de São Tomé e ilha de P íncipe e pa a os na ios que ão do B asil e da Mina e odas pa es da Guiné, que quando aqui chegam pe dido e sem man imen o e gen e aqui sem emédios e p o idos de odo o que lhe az mes e , com aqueço a A onso d’Albuque que, que inha da Índia em nau San iago e assim Ál a o Ba e o que eio a nau San a Ma a, que aqui chegam pe didos e o am p o idos de odo o que lhe oi necessá io, a há se deu oi en a e an os mil eais pa a seu o necimen o [...].”181 O po o da Ribei a G ande, como pon o de abas ecimen o, oi con olado pela Co oa po uguesa. Des a o ma, obse a-se que o a quipélago cabo- e diano p es a a se iços, que se podem designa como ma í imos, de aco do com a polí ica égia. Uma p o a dis o é a ca a en iada pelo ei ao co egedo de Cabo Ve de, mandando os uncioná ios locais abas ece em a a mada de Ma im A onso de Sousa de man imen os e de dinhei o, a é à quan ia de ezen os c uzados. 180 I a CABRAL, “Ribei a G ande...”, op. ci ., p. 230. 181 “Ca a da Câma a da Ribei a G ande ao Sec e á io Ca nei o”, 25/10/1512 in IAN/TT, CC-I-12-23, publ. em MMA, s. II, ol. II, doc. 20, p. 58. 84 “Eu el Rei mando os co egedo com alçada na ilha de Cabo Ve de [...], onde que que o e Ma im A onso de Sousa, do meu conselho, com es a a mada que o a mando ao B asil [...] que sendo os po ele eque ido quaisque man imen os ou dinhei o que lhe seja necessá io pa a p o imen o da di a amada [...], que lhes deem e is o a é alia de ezen os c uzados somen e”. 182 O ei manda a o nece às a madas udo que uma ipulação p ecisasse: “Eu el Rei ou en io mui o sauda , eu mando o a uma a mada ao es ei o de Magalhães aos e ei os que ho ge al dela le a po ins ução [...] e po que pode se que a di a a mada ome es a ilha de San iago me pa ece (ainda que ho di o ge al le a uma p o isão minha que e os mos a á, pa a lhe acudi em com man imen os e com o mais que lhe o necessá io [...]”.183 Os na ios, que aziam escala e que se abas eciam no po o da ilha de San iago, con ibuíam pa a a economia de Cabo Ve de, pois ao se abas ece em as ipulações e am ob igadas a paga os man imen os. O Rei o dena a que odas as me cado ias adqui idas pelas a madas de iam se comp adas pelo alo da e a, ou seja, os p odu os não podiam se endidos po um alo mais al o, sendo uma p o a da exis ência da ci culação de moeda em Cabo Ve de. “Eu el Rei aço sabe aos que es e al a á i em, que mando o a uma a mada ao es ei o de Magalhães [...]. E po que pode se que a di a a mada ome a ilha da Madei a, ou alguma das do Cabo Ve de [...] mando aos capi ães das di as ilhas e po os [...] que com mui a b e idade açam acudi a di a a mada com os man imen os e coisas que lhe o am necessá ias e pedidas pelo ge al dela, azendo ele paga udo às pa es pelo p eço e es ado da e a”.184 182 “Ca a égia ao Co egedo de Cabo Ve de”, 25/11/1530 in ATT, CC, I-46-27, publ. em MMA, s. II, ol. II, doc. 69, pp. 216-217. 183 “Ca a égia ao go e nado de Cabo Ve de”, 13/09/1581 in AGS - Gue a An ígua, maço 109, l.462, publ. em MMA, s. II, ol. III, doc. 39, p. 89 184 “P o isão pa a Cabo Ve de e seus Po os”, 13/09/1581 in AGS, Gue a An ígua, maço 109, l.464, publ. em MMA, s. II, ol. III, doc. 38, p. 88. 85 Apesa da o e p esença de uma dinâmica in e nacional em Cabo Ve de, em especial na Ribei a G ande, du an e odo o século XVI, nunca hou e acumulação de capi al de i ado dos icos ci cui os come ciais. Em e mos inancei os, a Ribei a G ande nunca pode ia subs i ui a An ué pia, cidade que desempenhou, na época, a unção de capi al-mundo, no âmbi o do comé cio à escala global. A coope ação de longa da a en e An ué pia e Lisboa pe mi iu que o ei po uguês en iasse odos os p odu os indos do O ien e, Á ica e Amé ica pa a aquela cidade. Des a o ma, obse a-se que a iqueza do comé cio in e nacional con ibuiu pa a o desen ol imen o econômico da Eu opa, mas não da Ribei a G ande. Tal ac o, de i a do p óp io sis ema colonial, que não pe mi ia o en iquecimen o das suas colônias. Apesa des as o es limi ações impos as pela Co oa e mesmo sem g ande capi al inancei o, o pequeno a quipélago cabo- e diano conseguiu ul apassa as suas on ei as, con ibuindo pa a a di usão cul u al e come cial da Eu opa, da Amé ica, da Á ica e da Ásia, sendo um pon o de encon o de qua o con inen es. 86 CONCLUSÃO O p esen e abalho e e como obje i o o e ece uma iagem no espaço e no empo po Cabo Ve de, com o im de comp eende melho a aje ó ia, du an e o século XVI, da p imei a cidade po uguesa no ul ama , is o é, a Ribei a G ande. Assim, a in es igação cen ou-se nos es udos dos aspe os cosmopoli as des a cidade, o p imei o núcleo populacional po uguês nos ópicos. O es udo ap o undado da as a documen ação égia, eligiosa e dos ela os de iagens dos g andes na egado es, a en u ei os e, a é, pi a as, o e eceu uma isão in e essan e dos mo ado es da cidade da Ribei a G ande, en ando econs ui a ida des a comunidade cosmopoli a, que esidia no pequeno po o, localizado no co ação do Impé io Po uguês Quinhen is a. An es de ap esen a o es ilo de ida, os cos umes e a pe cepção do mundo dos mo ado es da cidade da Ribei a G ande, con ém esumi os dois elemen os essenciais da análise do con ex o his ó ico. P imei o, é necessá io explica que o enômeno da in e nacionalização, que con ibuiu pa a o nascimen o da comunidade cosmopoli a san iaguense, du ou apenas um século, is o é, começou e e minou no século XVI. Os p imei os anos o am ma cados, en e ou os aspec os, pelas polí icas execu adas pela Co oa po uguesa, os p i ilégios come ciais e, especialmen e, as an agens no a o com a Guiné. Es e p ocesso de desen ol imen o e minou com as múl iplas consequências de i adas da União Ibé ica. A comunidade cosmopoli a exigiu o apa ecimen o de uma cidade polí ica e adminis a i amen e bem es u u ada e San iago de Cabo Ve de deixou de se num luga dese o e isolado. A Ribei a G ande oi undada em 1462 e ele ada à cidade em 1533. A pa i de 1460, nes e po o cabo- e diano desen ol iam-se as ins i uições polí icas (a Câma a municipal, o ibunal, o almoxa i ado), eclesiás icas (uma capela, pos e io men e a Ig eja da Nossa Senho a do Rosá io, a esidência episcopal), bem como ó gãos da ida pública (a p isão e o hospi al). No e-se que exis ia uma di isão do pode adminis a i o, iscal, eclesiás ico, judicial e mili a . O desen ol imen o da cidade conduziu a uma omada de consciência dos mo ado es da Ribei a G ande que, abe amen e, de endiam os seus p i ilégios come ciais e polí icos na Câma a municipal. A bem desen ol ida ida quo idiana da Ribei a G ande pe mi e imagina a p imei a comunidade cosmopoli a dos ópicos. O po o da Ribei a G ande o nou-se num dos cen os do impé io po uguês no século XVI. Se iu como pon o de escala e de abas ecimen o pa a os na ios nas suas 87 iagens pa a à Á ica, à Ásia ou o B asil. Além disso, oi um luga es a égico no c uzamen o das mais impo an es o as ma í imas e ambém um cen o de oca de bens en e a cos a ociden al a icana, a Eu opa e Cabo Ve de, de onde, em seguida, as me cado ias e am ansacionadas numa escala in e nacional. A Ribei a G ande e a um luga de g ande ele ância na na egação a lân ica, an o ho izon al como e ical, sendo ambém um cen o de ês impo an es ci cui os come ciais, a sabe : o eu o-a icano, o a icano e o a o-ame icano. Ademais, oi ambém um luga es a égico no á ico de esc a os na cos a ociden al a icana e no comé cio iangula ansa lân ico. Po ém, con ém assinala que o p ocesso de abe u a de Cabo Ve de pa a o mundo não e a comple amen e independen e das in enções da Co oa po uguesa. Es a, po sua ez, desen ol eu conscien emen e os seus planos em elação a es e po o cabo- e diano, en ando man e a con inuidade polí ica e o ganiza a ida econômica e polí ica des e a quipélago. As in o mações ap esen adas pe mi em en ende as ci cuns âncias in e nacionais e o con ex o his ó ico mais amplo do nascimen o da p imei a comunidade cosmopoli a nos ópicos. Com o p opósi o de en ende os aspec os in e nacionais de Cabo Ve de no século XVI, que o conduzi am a uma i ência cosmopoli a, p ocu ou esponde -se às seguin es pe gun as: quem o am, o que pensa am e como i e am os p imei os habi an es cosmopoli as de San iago? O século XVI oi um século de g andes mudanças, não apenas em e mos do a anço écnico e ma í imo, mas p incipalmen e na pe cepção do mundo. O Renascimen o e olucionou o pensamen o eu opeu. As ilhas a lân icas, nomeadamen e Cabo Ve de, passa am a a ai mais Eu opeus. En e os que inham pa a es e a quipélago, o am os einóis, mas ambém os me cado es e os a en u ei os que se encan a am po es as e as exó icas. Cabo Ve de o e ecia a possibilidade de um ápido en iquecimen o com o a o da Guiné, assim como a acei ação de no os conhecimen os. O a quipélago de Cabo Ve de oi is o como um luga sem limi es e sem on ei as, um campo de expe imen ação. Po es as azões, não se de e es anha que e a a ilha que ap esen a a as condições necessá ias pa a o su gimen o da p imei a comunidade cosmopoli a nos ópicos. A as ados da Co oa po uguesa e ob igados a en en a em o clima hos il de uma ilha inicialmen e desabi ada e dese a, os mo ado es de Cabo Ve de inham mais libe dade de ação, desen ol ida num p ocesso de en a i a e e o. Pe cebe-se que o ma desempenhou papel-cha e na cons ução da cidade cosmopoli a da Ribei a G ande. A dinâmica do A lân ico condiciona a es a cidade e incen i a a as in e ações mul icul u ais. Es e pequeno po o cabo- e diano azia pa e do amplo mundo a lân ico, cujos agen es es a am in e ligados 88 a a és das o as ma í imas. As sociedades a lân icas, ou seja, o li o al do con inen e eu opeu, a icano e ame icano, compa ilha am alo es semelhan es, enquan o os po os a lân icos se o na am nos cen os de di usão de ideias, no idades e es ilos de ida, acili ando, desse modo, a comunicação, a con i ência e, p incipalmen e, a oca. Is o explica po que os mo ado es da Ribei a G ande pude am se capazes de pensa de uma o ma mais global. A sociedade da Ribei a G ande e a e dadei amen e cosmopoli a, pois não oi compos a somen e po Po ugueses. A sua composição social a iou mui o. Hou e, en e ou os, Judeus, Ingleses, F anceses, Holandeses, Geno eses, Cas elhanos de Se ilha e A icanos (li es, o os e esc a os). Po conseguin e, obse a-se que o mo imen o mig a ó io di idiu-se em duas e apas, o luxo mig a ó io en e Eu opa e Cabo Ve de e o mo imen o in e no na egião da Guiné de Cabo Ve de. Alguns des es indi íduos pe manece am na Ribei a G ande, ou os es a am apenas de passagem. Os que pe manece am ocupa am-se da a i idade come cial, como a impo ação, a expo ação ou a eexpo ação. Aqueles que somen e aziam escala nes e po o, pa a am pa a se abas ece em de combus í el ou de alimen ação, epa a os na ios ou ob e in o mações náu icas ou me eo ológicas. Nem odos os habi an es da Ribei a G ande e am uncioná ios égios, me cado es, ma inhei os ou con abandis as. Hou e sace do es e ep esen an es de p o issões u banas, como ped ei os, sapa ei os, ba bei os, bo icá ios, e c. Alguns, como os c iminosos, deg edados e mecânicos de na ios (chamados de homens de ma ) o am ob igados a i pa a o a quipélago, enquan o ou os, como os a en u ei os e pi a as o am, simplesmen e, a aídos a Cabo Ve de. A Ribei a G ande oi uma cidade excepcional só impé io po uguês, com a população mui o in e nacional. É possí el supo que es a cidade e a uma Babel, onde os habi an es ala am á ias línguas. Nes a cidade, ca ac e izada po g upos sociais e o ícios di e en es, com uma pa e conside á el de população lu uan e, c uza am-se á ias in o mações, conhecimen os, c enças e sabe es. Os mo ado es da Ribei a G ande cul i a am es es conhecimen os, enquan o os iajan es e as ipulações aziam no idades. Mesmo geog a icamen e isolados, os habi an es des e po o ansoceânico consegui am uma ligação com o mundo ex e io g aças aos es an es e aos lançados. Os es an es abas eciam-se de p odu os da p imei a necessidade, enquan o os lançados o na am-se nos in e mediá ios en e a adminis ação colonial e os pode es locais a icanos do con inen e. Con udo, con ém assinala que o elemen o undamen al da 95 10. “Ca a do in an e D. Hen ique doando a D. A onso V a empo alidade das ilhas de Cabo Ve de e dos Aço es, e à O dem de C is o a sua espi i ualidade”, 18/9/1460, in IAN/TT, O dem de C is o, códices n. 235, l.11, n. 233, l.1623, publ. em His ó ia Ge al de Cabo Ve de – Co po Documen al, ol. I, p. 13. 11. “Ca a do Nicolau de Cas ilho ao ei”, 30/06/1616, San iago em A qui o His ó ico Ul ama ino de Lisboa, Ca álogo Pa cial do Fundo do Conselho Ul ama ino da sé ie de Cabo Ve de, 2014, Cx. 1, D. 51. 12. “Ca a do pad e Fe não Rebelo ao pad e Ge al da Companhia”, 13/09/1585 in ARSI, Lus., Cod. 69, l.151, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 50, p. 129. 13. “Ca a do Pad e F u uoso Ribei o pa a o Pad e F ancisco Ma ins”, 14/3/1580 in BNL – CA, Ms. 308, ls. 221-223, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. I, ol. III, doc. 43, pp. 187-190. 14. “Ca a dos o iciais da câma a da cidade da Ribei a G ande ao ei”, 14/03/1616, San iago em A qui o His ó ico Ul ama ino de Lisboa, Ca álogo Pa cial do Fundo do Conselho Ul ama ino da sé ie de Cabo Ve de, 2014, Cx. 1, D. 46. 15. “Ca a dos o icias da câma a da cidade da Ribei a G ande ao ei”, 27/05/1617, em A qui o His ó ico Ul ama ino de Lisboa, Ca álogo Pa cial do Fundo do Conselho Ul ama ino da sé ie de Cabo Ve de, 2014, Cx. 1, D. 58. 16. “Ca a égia ao Co egedo de Cabo Ve de”, 25/11/1530 in IAN/TT, CC, I-46- 27, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. II, doc. 69, pp. 216- 217. 17. “Ca a égia ao go e nado de Cabo Ve de”, 13/09/1581 in AGS - Gue a An ígua, maço 109, l.462, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 39, p. 89. 18. “Ca a égia concedendo aos mo ado es da ilha de San iago de Cabo Ve de au o ização pa a come cia em na cos a da Guiné, com excepção da zona de A guim”, 12/6/1466, in IAN/TT, Chancela ia de D. A onso V, L.4, l.104, Li o das Ilhas, l.10, publ. em His ó ia Ge al de Cabo Ve de – Co po Documen al, ol. I, pp. 19-22. 19. “Cons ução da Sé de Cabo Ve de”, 12/06/1586 in IAN/TT, Chancela ia da O dem de C is o, li .6, l.341, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 54 p. 138-139. 96 20. “Consul a da Jun a sob e o bap ismo dos neg os adul os”, 27/06/162 in IAN/TT, Mesa de Consciência e O dens, li .26, l.130, in AHU, Cód.35, ls. 120-124, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. I, ol. VII, doc. 39, pp. 124-130. 21. “Consul a de Mesa de Consciência sob e a Guiné e Cabo Ve de”, 27/04/1596 in ARSI – Lus., ol.83, ls.329-329 , publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 95, pp. 383-384. 22. “Fundação do Con en o da Soledade na cidade da Ribei a G ande”, 20/09/1657 in CMP – Fundo Aze edo, n.1Ç, C ônica da P o íncia da Soledade, ci ., om. II, p. 904, publ. em MMA, s. II, ol. VI, doc. 62, pp. 121-122. 23. “Me cê ao mes e de g ama ica da ilha de San iago”, 23/09/1588 in IAN/TT, Chancela ia da O dem de C is o, li . 7, l.208 ., publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 65, pp. 169-170. 24. “Me cê ao o ganis a da Sé de Cabo Ve de”, 23/09/1588 in IAN/TT, Chancela ia da O dem de C is o, li . 7, l.299 ., publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 67, pp. 173-175. 25. “P o isão ao médico da Ribei a G ande”, 12/03/1555, in AHU, Cabo Ve de, cx. I, papéis a ulsos de 1612, n.31, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. II, doc. 134, p. 449. 26. “P o isão pa a Cabo Ve de e seus Po os”, 13/09/1581 in AGS, Gue a An ígua, maço 109, l.464, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc. 38, p. 88. 27. “P o isão égia sob e a undação do colégio em Cabo Ve de”, 1606 in ARSI – Lus, cód.83, ls.337-338, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. IV, doc. 50, p. 182. 28. “Regimen o do Go e nado de Cabo Ve de F ancisco Co eia da Sil a”, 9/11/1605 in BAL – 51 – VIII-21, ls.176-178, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. IV, doc. 29, pp. 81-82. 29. “Relação da Cos a da Guiné”, c.1606 in BAL – Cód. 51-VIII25, ls.119-122 ., BNL – Cx. 207, doc. 88, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, II, ol. IV, doc. 56, p. 209. 30. “Relações de F ancisco de And ade sob e as ilhas de Cabo Ve de”, 26/0/1582 in AGS – Gue a An ígua, maço 122, ls. 180 c. sgs, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. II, ol. III, doc.42, p. 99. 97 RELATOS DE VIAGENS E OUTRA DOCUMENTAÇÃO IMPRESSA 1. ALMADA, And é Ál a es de, T a ado b e e dos Rios de Guine do Cabo Ve de de 1594, publicado po Diogo Köple, Po o: Typog aphia Comme cial Po uense, 1841. 2. ALMADA, And é Ál a es de, T a ado B e e dos Rios de Guiné de Cabo Ve de, Lisboa: Edi o ial L.I.A.M, 1964. 3. ALMADA. And é Ál a es de, T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo Ve de, 1594, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s.II, ol. III, doc. 92. 4. ANÔNIMO, Pilo o, Viagens de um pilo o po uguês do século XVI à Cos a de Á ica São Tomé. In odução, adução e no as po A lindo Manuel Caldei a. [Lisboa]: Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses. 5. CARLETTI, F ancisco, My oyage a ound he wo ld, London: Me huen & Co, 1965. 6. “Ca as de Amé ico Vespúcio a Ped o Sode ini Gon alonei o Pe pe uo da República de Flo ença sob e duas iagens ei as po o dem do Se eníssimo Rei de Po ugal” em No ícias pa a a His ó ia e Geog a ia das Nações Ul ama inas que i em nos dominios po uguezes ou lhes são isinhas, Lisboa: Academia Real das Ciências, ol. II, n. I-II, 1812. 7. “Do caminho, o as e conhecensas do Rio de Gâmbia pe a o Cabo Roxo e Rio G ande”, Dua e Pacheco Pe ei a, li .1, cap. 30, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s.II, ol. I, doc. 106. 8. DAMPIER, William, New Voyage ound he wo ld, ol. I, London P in ed o James Knap on, 1697. 9. Na egação às Índias O ien ais esc i a po Thomé Lopes, Colleccão de No ícias pa a a His ó ia e Geog a ia das Nações ul ama inas, que i em nos domínios po uguezes ou lhes são isinhas, Lisboa: Academia Real das Ciências, ol. II, num. I-II, 1812. 10. “Na egações de Luiz de Cadamos o: a que se jun ou a iagem de Pe o Cin a, capi ao po uguez” in Collecção de no icias pa a a his o ia e geog a ia das nações ul ama inas, que i em nos dominios po uguezes, ou lhes são isinhas, publicada pela Academia Real das Sciencias, om.II, num. I e II, Lisboa, 1812. 98 11. “No ícias das Te as de Guiné ( ins do século XVI), Pilo o Po uguês- Na egação de Lisboa à Ilha de S. Tomé”, publ. em Monumen a Missioná ia A icana, s. I, ol. IV, doc. 142, p. 631. 12. Ob as de Luís de Camões, p íncipe dos poe as de Hespanha. Segunda edição, da que, na O icina Luisiana, se ez em Lisboa nos annos de 1779 e 1780. Tomo I, pa e II. Na O ic. de Simão Thaddeo Fe ei a. Com licença da Real Meza Censo ia, Lisboa, 1782. 13. Ro ei o da p imei a iagem de Vasco da Gama, Ap esen ação e No as de Ne es Aguas, Lisboa: Publicações Eu opa-Amé ica, edição 149501/4337, 1987. 14. SOUSA, Gab iel Soa es de, T a ado Desc i i o do B asil em 1587. Em linha, 19/06/2015, h p://www.no omilenio.in .b /san os/lendas/h0300a2.pd , p.163. 15. T a ado de To desillas, Rep oducción acsímil y ansc ipción de la capi ulación en e los Reyes Ca ólicos y el Rey Juan II de Po ugal pa a la pa ición del ma Océano (1494), Mad id: Minis e io de Educación, Cul u a y Depo e, Á ea de Educación, Cen o de Publicaciones, 1973. 16. Viagens de um pilo o po uguês do século XVI à cos a de Á ica e a São Tomé, in odução, adução e no as po A lindo Manuel CALDEIRA, Lisboa: Comissão Nacional Pa a as Comemo ações dos Descob imen os Po ugueses, 2009. OS ESTUDOS 1. A lis a das me cado ias publicada em His ó ia Ge al de Cabo Ve de: co po documen al, ol. II coo d. ALBUQUERQUE Luís de; SANTO, Ma ia Emília Madei a, Lisboa: IICT, 1988-1990, p. 72. 2. ALBUQUERQUE, Luís de, “Escalas da Ca ei a da Índia” em Sepa a a da Re is a da Uni e sidade de Coimb a, Coimb a, ol. XXVI, 1979. 3. ALBUQUERQUE, Luís de, “O Li o de Ma inha ia de Pe o Vaz F agoso”, Cen o de Es udos de Ca og a ia An iga, Jun a de In es igações Cien í icas do Ul ama , 1997, p.286. Sepa a a de Memó ias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Ciências, Lisboa, ol. XX, 1997. 4. BALEANO, Ilídio Cab al, “Po oamen o e Fo mação da Sociedade” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001, pp. 125-237. 99 5. BARNES, Ad ian Mi chell Ge aldine, “Measu ing he Ma ellous: Science and he Exo ic in William Dampie ” in Eigh een h-Cen u y Li e, [Williamsbu g], ol. 26, n. 3, The College o William& Ma y, 2002, pp. 45-57. 6. BETHENCOURT, F.; CURTO, D.R, A expansão ma í ima po uguesa, 1400- 1800, Lisboa: Edições 70, 2010. 7. BRITO, Be elina Ma ia do Rosá io de, Comé cio de algodões e ca alos em Cabo Ve de (1460-1535): Consequências económicas, sociais e ins i ucionais, Disse ação de Mes ado em His ó ia, Lisboa: Uni e sidade No a de Lisboa, 2013. 8. CABRAL, I a; SANTOS, Ma ia Emília Madei a, Um labo a ó io expedi o pa a uma sociedade c ioula (Cabo Ve de - séculos XVI-XVII). Em linha, 29/03/2015, h p://www.po aldoconhecimen o.go .c /handle/10961/344. 9. CABRAL, I a; SANTOS, Ma ia Emília Madei a; SOARES, FERRAZ, Ma ia João; TORRÃO, Manuel, Cabo Ve de: uma expe iência colonial acele ada (séculos XVI-XVII), [Lisboa]: Minis é io da Ciência, Ino ação e Ensino Supe io , Sec e a ia de Es ado da Ciência e Ino ação, Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, 2004. 10. CABRAL, I a; SOARES, Ma ia João; TORRÃO, Ma ia Manuel Fe az, “Cabo Ve de: uma expe iência colonial acele ada (séculos XVI-XVIII)”, A icana, Po o: Uni e sidade Po ucalense, nº 6 (especial), 2001. 11. CABRAL, I a; SANTOS, Ma ia Emília Madei a, “O nasce de uma sociedade a a és do Mo ado -A mado ”, publ. em in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001, pp. 371-431. 12. CABRAL, I a, “Ribei a G ande: Vida u bana, gen e, me cancia, es agnação” in in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. II, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001. 13. CALDEIRA, A lindo Manuel, Esc a os e a ican es no impé io po uguês, o comé cio neg ei o po uguês no A lân ico du an e os séculos XV a XIX, Lisboa: A Es e a dos Li os, 2013. 100 14. Câma a Municipal de Ribei a G ande de San iago, Cidade Velha. Em linha, 17/03/2015, h p://www.cm gs.com/his o ia/his o ia-de-cidade- elha/, 07-02- 2015 15. CARREIRA, An ónio, Mig ações nas ilhas de Cabo Ve de, Mi a Sin a: Ins i u o Cabo e diano do Li o, 1983. 16. CORREIA, A lindo, As na egações de Cadamos o, Madei a e Cabo Ve de, P imei a Na egação, capí ulo XXX. Em linha, 10/05/2015, h p://a lindo- co eia.com/220507.h ml. 17. COSTA, José Pe ei a da, “As ilhas e a expansão ma í ima”, in Os Aço es e o A lân ico (séculos XIV - XVII), (Ac as do Colóquio In e nacional ealizado em Ang a do He oísmo de 8 a 13 de 1983, Ins i u o His ó ica da ilha Te cei a, 1983), Ang a do He oísmo, 1984, ( ol. XLI, 1983), p. 31. Sepa a a do Bole im do Ins i u o His ó ico da ilha Te cei a. 18. Das elações his ó icas Cabo Ve de/B asil, B asília: Minis é io das Relações Ex e io es, Fundação Alexand e de Gusmão, 2011. 19. DUDZIŃSKI, J., Pods awy handlu zag anicznego, Wa szawa: Di in, 2010. 20. DOMINGUES, Ângela, “Adminis ação e Ins i uições, T ansplan e, Adap ação, Funcionamen o”, in in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001, pp. 41-125. 21. FERRÃO, José E. Mendes, A A en u a das plan as e os descob imen os po ugueses, Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, 2005. 22. HENRIQUES, Isabel de Cas o; João MEDINA, A o a de Esc a os, Angola e a ede do comé cio neg ei o, Minis é io da Cul u a, [Luanda]: Cegia, 1996. 23. HERNANDEZ, Leila Lei e, Os ilhos da e a do sol: a o mação do es ado- nação em Cabo Ve de, São Paulo: Selo Neg o, 2002. 24. HEYWOOD, Linda; THORNTON, John, Cen al A icans A lan ic C eoles and he Founda ion o Ame icas, 1585-1660, Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2007. 25. His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, ol. II, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001. 101 26. His ó ia Ge al de Cabo Ve de: co po documen al, ol. I e ol. II, coo d. ALBUQUERQUE Luís de; SANTO, Ma ia Emília Madei a, Lisboa: IICT, 1988-1990. 27. HLIBOWICKA-WĘGLARZ, Ba ba a, Po ugalskie języki k eolskie w A yce, Lublin: Wydawnic wo Uniwe sy e u Ma ii Cu ie-Skłodowskiej, 2013. 28. HORTA, José da Sil a, „Se po uguês em e as de a icanos. Vicissi udes da cons ução indeni á ia na Guiné do Cabo Ve de (sécs. XVI-XVII)”, in Nação e Iden idades. Po ugal, os Po ugueses e os Ou os, Lisboa: Caleidoscópio, 2009. 29. JOBS, Sebas ian; MACKENTHUN, Gesa, Agen s o T anscul u a ion, Muns e : Ve lag GmbH, ol.6, 2013. 30. LOPES, Ca los, Cons ução de Iden idade nos Rios de Guiné do Cabo Ve de, [Po o]: A icana S udia, n. 6, Edição da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o. 31. LOVEJOY, Paul E., A esc a idão na Á ica, Uma his ó ia de suas ans o mações, Rio de Janei o: Ci ilização B asilei a, 2002. 32. MARTINS, Ama ílis Ba bosa, Relações en e Po ugal e Cabo Ve de an es e depois da independência. Disse ação ap esen ada pa a ob enção do G au de Mes e, Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade Lusó ona e Humanidades e Tecnologias, 2009. 33. MARQUES, A. H. de Oli ei a, His ó ia de Po ugal, ol. II, Lisboa: Palas Edi o a, 1984. 34. MEIRELES, Rui Fe ei a Ribei o de, “Os Aço es e o A lân ico (séculos XIV - XVII)” in Rela ó io e con as da Comissão o ganizado a do Colóquio In e nacional, Ang a do He oísmo, XLVII, 1984. 35. Monumen a Missioná ia A icana, coligida e ano ada pelo pad e An ónio B ássio C. S. Sp, edição digi al, o g. Miguel Jasmin Rod igues, Lisboa 2011. 36. MÚRIAS, Manuel, Cabo Ve de, Memó ia B e e, Lisboa: Agência Ge al das Colónias, Di isão de Publicações e Biblio eca Ge al das Colónias, República Po uguesa, Minis é io das Colónias, 1939. 37. PARANDOWSKI, Jan, Mi ologia, Em linha, 31/01/2016, h p://biblio eka.kijowski.pl/pa andowski%20jan/jan-pa andowski- mi ologia.pd . 38. PEREIRA, Cli o d, “Panos da Esc a idão: Panos da e a”. Em linha, 18/06/2015, 102 h ps://www.academia.edu/6861797/Panos_da_Esc a id%C3%A3o_Panos_de_ e a. 39. PEREIRA, Daniel A., Es udos da His ó ia de Cabo Ve de, P aia: Ins i u o Cabo- e diano do Li o, 1986. 40. PIKETTY, T., O capi al no século XXI, capí ulo IV: Capi al esc a o e capi al humano In ínseca, Rio de Janei o: Edição digi al, 2014. 41. PIRES, Fe nando de Jesus Mon ei o de Reis, “Da cidade de Ribei a G ande à Cidade Velha” in Cabo Ve de. Análise his ó ico- o mal do Espaço U bano, séc. XV – XVIII, [P aia]:, Câma a Municipal da P aia, 2004. 42. PUGA, Rogé io Miguel, “O Discu so (E nog á ico) da Al e idade no T a ado B e e dos Rios de Guiné do Cabo-Ve de (1594) do Capi ão And é Ál a es de Almada”, em O Espaço A lân ico de An igo Regime: pode es e sociedades, (Ac as do Cong esso In e nacional. Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical e Cen o de His ó ia de Além-Ma , 2009). Em linha, 20-03-2015, h p://c c.ins i u o- camoes.p /eaa /coloquio/comunicacoes/ oge io_miguel_puga.pd . 43. RYMARCZYK, J., Handel zag aniczny, o ganizacja i echnika, Wa szawa: Polskie Wydawnic wo Ekonomiczne, 2002. 44. RYNARZEWSKI, T., S a egiczna poli yka handlu międzyna odowego, Wa szawa: Polskie Wydawnic wo Ekonomiczne, 2005. 45. SANTOS, Maciel Mo ais, “O p eço dos esc a os no á ico a lân ico - hipó ese de explicação”, A icana S udia, n.7, Po o: Edição da Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o, 2004. 46. SANTOS, Ma ia Emília Madei a, “As es a égicas Ilhas de Cabo Ve de ou a esca Se a Leoa, uma escolha pa a a polí ica de expansão po uguesa no A lân ico”, Coimb a: Sepa a a da Re is a da Uni e sidade de Coimb a, ( ol. XXXIV), 1998. 47. SANTOS, Ma ilde Mendonça dos, “Eli es e pode es locais em Cabo Ve de (séculos XV- XVII)”, XXXI Encon o da APHES (18-19 de No emb o de 2011). Em linha, 17/10/2015, h p://www4. e.uc.p /aphes31/pape s/sessao_6d/ma ilde_san os_pape .pd . 48. SCHWARTZ, S ua B., Seg edos In e nos, Engenhos e esc a os na sociedade colonial, São Paulo: Companhia das Le as, 1988. 103 49. SERRÃO, Joaquim Ve íssimo, His ó ia de Po ugal, ol. II, Lisboa: Palas Edi o a, 1984. 50. SILVA, An ónio Co eia e, “Espaço, ecologia e economia in e na” in in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001, pp. 179-237. 51. SILVA, An ônio Leão de Aguia Ca doso Co eia e, A in luência do A lân ico na o mação de Po os em Cabo Ve de, Lisboa: Cen o de Es udos de His ó ia e de Ca og a ia An iga, Ins i u o de In es igação Cien i ica T opical, 1990. 52. SILVA, É o a José, “Cabo Ve de, Pousada nos Caminhos do A lân ico. In e in luências cul u ais num a quipélago miscigenado” in Vegue a, n.14, [Las Palmas]: Anuá io de la Facul ad de Geog a ía e His ó ia, 2014. 53. SILVA, José Ho a de, “E idence o a Luso-A ican iden i y in Po uguese accoun s on Guinea o Cape Ve de (Six een h – Se en een h Cen u ies) in His o y in A ica. A Jou nal o Me hod, [New Je sey], ol.27, 2000. 54. SILVEIRA, Aline Dias da, “Eu opeização e/ou A icanização da Espanha Medie al: Di e sidade e unidade cul u al eu opeia em deba e”, His ó ia, São Paulo, 28 (2), 2009. Em Enciclopédia Vi ual da Expansão Po uguesa, Cen o de His ó ia de Além-Ma , Uni e sidade No a de Lisboa. Em linha, 15/06/2015, h p://www. csh.unl.p /cham/e e/con en .php?p in concei o=768. 55. Si e de Buala. Em linha, 19/06/2015, h p://www.buala.o g/p /a-le /a-noz-de- cola-um- u o-simbolico. 56. Si e da Cidade Velha. Em linha 3/07/2015, h p://cidade elha.com/ ibei a- g ande-como- oi-uma- ez. 57. TEIXEIRA, And é; TORRÃO, Ma ia Manuel Fe az, Negócios de esc a os de um lo en ino em Cabo Ve de: desc ições e e lexões sob e a sociedade e o á ico em inais do século XV. Em linha, 04/04/2015, h p://c c.ins i u o- camoes.p /eaa /coloquio/comunicacoes/mm o ao_a eixei a.pd . 58. THOMSON, Es e am C., “O A lân ico Sul pa a além da mi agem de um espaço homogêneo (séculos XV-XIX)” em Tempo alidades Re is a Discen e do P og ama de Pós-G aduação em His ó ia da UFMG, [Belo Ho izon e], ol. 4, n. 2, Ago/Dez 2012. 59. TORRÃO, Ma ia Manuel Fe az, „A i idade come cial ex e na de Cabo Ve de, o ganização, uncionamen o, e olução” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. I, 104 coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001, pp. 237-347. 60. TORRÃO, Ma ia Manuel Fe az, “Ci culação de conhecimen os cien í icos no A lân ico. De Cabo Ve de pa a Lisboa, Memó ias Esc i as, Solos e Minei as, Plan as e animais. Os en ios cien í icos de João da Sil a Feijó, José Damião Rod igues”, O A lân ico Re olucioná io, ci culação de ideias e de eli es no inal do An igo Regime, Pon a Delgada: Cen o de His ó ia de Além-Ma , Uni e sidade No a de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Uni e sidade de Aço es, 2012. 61. TORRÃO, Ma ia Manuel Fe az, “Ro as come cias, agen es económicos, meios de pagamen o” in His ó ia Ge al de Cabo Ve de, ol. II, coo d. SANTOS, Ma ia Emília Madei a; ALBUQUERQUE, Luís de, 2a ed., Lisboa: Ins i u o de In es igação Cien í ica T opical, P aia: Ins i u o Nacional de In es igação Cul u al, 2001. 62. WALVIN, James, Uma his ó ia da esc a a u a, Lisboa: Tin a da China, 2007.