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Um modelo operativo de avaliação de exposições. Estudo de caso: Museu Nacional de Arte Antiga

Monteiro, Joana Maria Nunes de Carvalho d'Oliva

Abstract

Esta tese inscreve-se numa matriz cuja base de investigação privilegia uma combinação de adquiridos de índole teórica e prática que envolve os domínios da exposição e respectiva avaliação. Parte-se do princípio que se verifica sempre um desfasamento entre o discurso teórico e a actuação prática, configurando-se, nesse sentido, como uma tentativa de abreviar tal distanciamento. Dadas as características do objecto em estudo, esta tese foi delineada numa organização tripartida. A Parte I tem o propósito de contextualizar, teórica e conceptualmente, a temática da exposição. A Parte II incide sobre o estudo de caso nuclear, o Museu Nacional de Arte Antiga, sendo aqui operado um ensaio de síntese que toma como paradigma de actuação museográfica a sua obra mais emblemática, os Painéis de S. Vicente de Fora. Procurou-se definir os fundamentos, objectivos e limites de análise adequados a um ‘real’ apuramento das práticas de exposição implementadas actualmente no Museu e observadas nas suas múltiplas manifestações. Para complementar a nossa abordagem, apelou-se à experiência levada a cabo pelo Museu Nacional do Prado, centrada nas ‘Meninas’ de Velázquez. Por último, na Parte III, visa-se entender a complexidade inerente ao acto de avaliar, procedendo-se, para o efeito, à identificação das problemáticas associadas a essa prática. É feito um ponto de situação relativamente aos estudos e às premissas teóricas que nos parecem ser mais relevantes para a sua estruturação. Pretende-se, com esta investigação, estabelecer uma ponte produtiva entre os domínios da exposição e sua avaliação, numa perspectiva ampla e crítica, fornecendo uma base que se julga vantajosa para a escolha adequada de caminhos que possam dar resposta fundamentada sobre a possibilidade da implementação de uma cultura avaliativa no universo das exposições de arte.

Full text

Dezemb o, 2016 Tese de Dou o amen o em His ó ia da A e, Especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico Um modelo ope a i o de a aliação de exposições de a e. Es udo de caso: Museu Nacional de A e An iga Joana Ma ia Nunes de Ca alho d’Oli a Mon ei o I Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Dou o em His ó ia da A e - Especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Raquel Hen iques da Sil a. Apoio inancei o da FCT a a és de undos Nacionais do Minis é io da Educação. II III Le monde u opique n’es pas un monde sans lieu, mais un monde si ué dans un ailleu s empo el ou spa ial. F anchie la po e de l’exposi ion, me oici e ec i emen passé dans un monde au e. (…) Me oilà e i o ialemen «dép og ammé». Bien-sû , le coû psychologique d’un el onc ionnemen es ès impo an puisque un g and nomb e d’ac es habi uellemen au oma iques doi en ê e alo s clai emen e consciemmen choisis ou mon és. En con epa ie cependan , la ichesse de l’en i onnemen , en me s imulan , ai oublie habi udes e con ain es quo idiennes1. 1 MAIRESSE, F ançois - Le musée, emple spec aculai e. Lyon: P esses Uni e si ai es de Lyon, 2002, p. 38. IV AGRADECIMENTOS Em p imei o luga , que o exp essa o meu p o undo ag adecimen o à o ien ado a des a ese, P o esso a Dou o a Raquel Hen iques da Sil a, pelo apoio incondicional mani es ado ao longo des es úl imos anos e pelos seus comen á ios, semp e opo unos, os quais cons i uí am uma mo i ação pe manen e em odas as ases des a in es igação. À Fundação pa a a Ciência e Tecnologia, ag adeço a concessão da Bolsa de Dou o amen o e, de igual modo, ao Ins i u o de His ó ia da A e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa po e acolhido es e p ojec o. Aos colegas Isabel Falcão, Luísa Dua e San os, Emília Fe ei a, Dó is San os, C is ina Oli ei a, Nuno Villama iz Oli ei a, So ia Lapa, Hugo Xa ie , Ca la Al e es Pin o, Joana Baião, Ana Ma ia Homem de Almeida, Ma iana Roque e Teixei a, Hen ique Ma ins e Adelaide Dua e, cuja amizade, ene gia posi i a e solida iedade se a igu a am undamen ais pa a a consecução des e abalho. À P o esso a G aça Filipe, ao P o esso Dou o Ped o Flo e ao Designe da Fundação Calous e Gulbenkian, Ma iano Piça a, a gene osidade, os escla ecimen os e as aliosas indicações bibliog á icas. Ao Di ec o do Museu Nacional de A e An iga, P o esso Dou o An ónio Filipe Pimen el e ao Di ec o - Adjun o D . José Albe o Seab a de Ca alho, a o ma amá el e a p on a disponibilidade no acesso aos ma e iais necessá ios e no acul a de in o mações indispensá eis pa a a conc e ização des a pesquisa. À A qui ec a Manuela Fe nandes, ao D . Anísio F anco, à D .ª Ma ia João Vilhena de Ca alho, à D .ª Celina Bas os e ao D . Rami o Gonçal es, do e e ido Museu, a cele idade com que nos escla ece am as dú idas su gidas e o modo como a ende am às mais di e sas solici ações, nomeadamen e no que à bibliog a ia se e e e, o que se e elou de e minan e pa a o cump imen o do nosso p opósi o. V Ao D . Ja ie Ba ón, conse ado da á ea de pin u a do século XIX do Museu Nacional do P ado, as suges ões bibliog á icas que pe mi i am en iquece a e lexão emp eendida. À A qui ec a So ia Fe ei a e à D .ª Cecília Gil os ensinamen os semp e aliosos e o undamen al apoio in o má ico. À minha Mãe que me possibili ou e a base necessá ia pa a supo a os momen os mais di íceis des e longo pe cu so e a quem coube a á dua a e a da e isão de odos os ex os. Finalmen e, à minha Família e Amigos, po comp eende em as minhas ausências e pela in ini a paciência semp e mani es ada. VI UM MODELO OPERATIVO DE AVALIAÇÃO DE EXPOSIÇÕES DE ARTE. ESTUDO DE CASO: MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA JOANA MARIA NUNES DE CARVALHO D’OLIVA MONTEIRO RESUMO Es a ese insc e e-se numa ma iz cuja base de in es igação p i ilegia uma combinação de adqui idos de índole eó ica e p á ica que en ol e os domínios da exposição e espec i a a aliação. Pa e-se do p incípio que se e i ica semp e um des asamen o en e o discu so eó ico e a ac uação p á ica, con igu ando-se, nesse sen ido, como uma en a i a de ab e ia al dis anciamen o. Dadas as ca ac e ís icas do objec o em es udo, es a ese oi delineada numa o ganização ipa ida. A Pa e I em o p opósi o de con ex ualiza , eó ica e concep ualmen e, a emá ica da exposição. A Pa e II incide sob e o es udo de caso nuclea , o Museu Nacional de A e An iga, sendo aqui ope ado um ensaio de sín ese que oma como pa adigma de ac uação museog á ica a sua ob a mais emblemá ica, os Painéis de S. Vicen e de Fo a. P ocu ou-se de ini os undamen os, objec i os e limi es de análise adequados a um ‘ eal’ apu amen o das p á icas de exposição implemen adas ac ualmen e no Museu e obse adas nas suas múl iplas mani es ações. Pa a complemen a a nossa abo dagem, apelou-se à expe iência le ada a cabo pelo Museu Nacional do P ado, cen ada nas ‘Meninas’ de Velázquez. Po úl imo, na Pa e III, isa-se en ende a complexidade ine en e ao ac o de a alia , p ocedendo-se, pa a o e ei o, à iden i icação das p oblemá icas associadas a essa p á ica. É ei o um pon o de si uação ela i amen e aos es udos e às p emissas eó icas que nos pa ecem se mais ele an es pa a a sua es u u ação. P e ende-se, com es a in es igação, es abelece uma pon e p odu i a en e os domínios da exposição e sua a aliação, numa pe spec i a ampla e c í ica, o necendo uma base que se julga an ajosa pa a a escolha adequada de caminhos que possam da espos a undamen ada sob e a possibilidade da implemen ação de uma cul u a a alia i a no uni e so das exposições de a e. PALAVRAS-CHAVE: Teo ia e P á ica da Exposição, C í ica de Exposição, Análise e A aliação de Exposições, Museu Nacional de A e An iga, Museu Nacional do P ado VII AN OPERATIVE MODEL OF EVALUATION OF ART EXHIBITIONS. CASE STUDY: NATIONAL MUSEUM OF ANCIENT ART JOANA MARIA NUNES DE CARVALHO D’OLIVA MONTEIRO ABSTRACT This hesis is en olled in a ma ix whose esea ch base p i ileges a combina ion o acqui ed o heo e ical and p ac ical na u e ha in ol es he domains o he exhibi ion and he espec i e e alua ion. I is he eby unde s ood ha i is always egis e ed a dispa i y be ween he heo e ical speech and he p ac ical pe o mance, cons i u ing his, in ha way, as an a emp o sho en such dispa i y. Conside ing he cha ac e is ics o he objec in s udy, his hesis was d awn up in a h ee old o ganiza ion. Pa I has he goal o con ex ualize, in a heo e ical and concep ual way, he hema ic o he exhibi ion. Pa II has i s ocus in he s udy o nuclea case, he Na ional Museum o Ancien A , he e i is pe o med a syn hesis essay ha akes as pa adigm o museum pe o mance i s mo e emblema ic wo kmanship, he Panels o S. Vicen e de Fo a. We wo ked o de ine he undamen s, objec i es and limi s o analysis app op ia ed o a “ eal” es ablishmen o he pe o mances o he exhibi ions implemen ed oday in he Museum and seen in i s mul iple mani es a ions. To complemen ou app oach, we called he expe ience aken by he P ado Na ional Museum ocused in ‘Meninas' o Velázquez. Finally, in Pa III, i is aimed o unde s and he complexi y inhe en o he ac o e alua e, p oceeding o ha e ec , o he iden i ica ion o he issues connec ed wi h ha pe o mance. I is de eloped a p og ess epo in wha conce ns he s udies and he heo e ical p emises ha seemed o be mo e ele an o i s s uc u ing. Wi h his in es iga ion i is in ended, o es ablish a p oduc i e b idge be ween he domains o he exhibi ion and i s e alua ion in a wide and c i ical pe spec i e p o iding a base ha we hink has ad an ages o he igh choice o ways ha could gi e a easoned answe abou he possibili y o implemen a ion o an e alua i e cul u e in he uni e se o a exhibi ions. KEYWORDS: Theo y and P ac ice o Exhibi ion, Exhibi ion Re iew, Analysis and E alua ion o Exhibi ions, Na ional Museum o Ancien A , P ado Na ional Museum VIII 1 Fig. 1 - Pe spec i a da exposição Colecção Masa eu. G andes Mes es da Pin u a Espanhola. El G eco, Zu ba án, Goya, So olla. MNAA - Gale ia de Exposições Tempo á ias (Piso 0), 2016. Fo og a ia: © JOM. INTRODUÇÃO Ap esen ação A exposição não é apenas uma linguagem esc i a, mas uma linguagem de comunicação como um odo, desde o uso do espaço, das co es, das o mas, ao uso dos objec os, ela é po na u eza complexa1. O p opósi o do nosso abalho de in es igação e e a sua génese no en usiasmo pessoal pela emá ica das exposições em con ex o museológico, um desígnio que eme ge da conjugação en e a p á ica p o issional no domínio da concepção e execução de exposições empo á ias, expe ienciada a a és de uma colabo ação com o Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça (2006-2010), e uma exigência de con inuidade deco en e do ing esso no Mes ado em Museologia (2008-2010) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa (FCSH-UNL). A p imei a expe iência, du an e a qual i emos opo unidade de pa icipa em á ios p ojec os exposi i os no âmbi o das Jo nadas Eu opeias do Pa imónio, da Comemo ação do Dia In e nacional dos Monumen os e Sí ios e igualmen e na P og amação Anual da Gale ia de Exposições Tempo á ias do Mos ei o de Alcobaça, pe mi iu-nos pe cepciona , de o ma gene alizada, as múl iplas ace as que o p ocesso exposi i o con empla, es imulando-nos, pa icula men e, as seguin es: a) condensa di e en es ní eis de complexidade écnica e e lexi a; b) en ol e uma pe cepção 1 SCHEINER, Te eza C is ina - “C iando ealidades a a és de exposições”. In GRANATO, Ma cus; SANTOS, Claudia Penha dos (o g.) - Discu indo Exposições: concei o, cons ução e a aliação. [Em linha]. Rio de Janei o: Museu de As onomia e Ciências A ins (MAST), 2006, pp. 7-37. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.mas .b /li os/mas _colloquia_8.pd >. 2 global e a u ada dos p ocedimen os que es ão na sua génese; c) implica uma a iculação in e disciplina po pa e dos in e enien es que nele ac uam; d) es a o mesmo, na u almen e, inculado a des asamen os de o dem eó ico-p á ica. Já a segunda ligação com o uni e so das exposições culminou com a disse ação A Gale ia de Exposições Tempo á ias do Mos ei o de Alcobaça - Re lexões e Con ibu os na óp ica do discu so exposi i o2 que incidiu sob e a comp eensão e u ilidade do modus ope andi que es á na sua base3. Pa a o e ei o, sob o pano de undo de modelos eó icos ideais de a aliação de exposições, analisámos, a pa i de uma lei u a empí ica, duas mos as empo á ias ealizadas na e e ida Gale ia, posicionando-nos no papel de obse ado es des es es udos de caso. A pa i das e apas mencionadas oi possí el exe ci a , ainda que com ní eis de in e e ência dis in os, o apa a o de eo ização e concep ualização ine en e ao p ocesso exposi i o e, acima de udo, da con a do es imulan e cunho e lexi o que e es e es a emá ica. Mui o embo a o en oque da disse ação enha ecaído sob e o uni e so da análise, o con ac o com o as o conjun o de bibliog a ia nacional e es angei a elacionada com a ma é ia em ap eço pe mi iu-nos ixa e sis ema iza um co pus amplo4 e econhece , igualmen e, a impo ância que uma in es igação cen ada na concepção de e amen as pa a a a aliação de exposições de a e pode ia ep esen a , num apelo à comp eensão daquela que é uma das inalidades maio es e uma das á eas mais isí eis dos museus, a exposição5. 2 Disse ação ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Raquel Hen iques da Sil a. C : MONTEIRO, Joana d'Oli a - A Gale ia de Exposições Tempo á ias do Mos ei o de Alcobaça - Re lexões e Con ibu os na óp ica do discu so exposi i o. Disse ação de Mes ado em Museologia, FCSH-UNL, 2010 [ ex o policopiado]. 3 Cons i uiu igualmen e mo i o de es ímulo a ealização, no decu so da componen e cu icula , de uma ecensão c í ica no âmbi o do módulo Exposição, In es igação e Comunicação, minis ado pela P o esso a Dou o a Raquel Hen iques da Sil a, sob e a ob a L’Amou m’expose (Gand: Y es Ge ae , 2000) de Hube Damish, onde o au o , com base num p ojec o exposi i o, e lec e sob e o Museu enquan o luga de p edisposição pa a a expe imen ação, um campo de jogo, um espaço abe o a odas as o mas de manob as e de ope ações c í icas. 4 En e li os, abalhos académicos, ca álogos, manuais e a igos publicados em e is as da especialidade. 5 Do pon o de is a es a u á io, o ICOM es ipula que “Um museu é uma ins i uição pe manen e, sem ins luc a i os, ao se iço da sociedade e do seu desen ol imen o, abe o ao público, e que adqui e, conse a, es uda, comunica e expõe es emunhos ma e iais do homem e do seu meio ambien e, endo em is a o es udo, a educação e a uição”. In Web si e o icial do ICOM-Po ugal. [Em linha] [Consul . 27 Jan. 2010]. Disponí el em WWW: URL:h p://www.icom- po ugal.o g/con eudo.aspx?a gs=55,concei os,2,museu. Já no plano nacional, es a unção encon a-se ep esen ada na Lei-Quad o dos Museus Po ugueses - Lei n. º 47/2004, de 19 Agos o - no A º 7.º, 3 Pe spec i ando o nosso in e esse de pesquisa po udo o que en ol e a sua dimensão e lexi a e ope acional, expusemos as nossas in enções e mo i ações à P o esso a Dou o a Raquel Hen iques da Sil a (FCSH-UNL) que desde logo acei ou se a nossa o ien ado a e a quem ag adecemos pelo ac o de e ac edi ado, incen i ado e disponibilizado pa a nos acompanha no amen e na conc e ização de mais um desa io pessoal e académico. Nes e seguimen o, e numa lógica de con inuidade do abalho já desen ol ido, cons a ámos que, dada a impo ância que se a ibui ac ualmen e ao ema das exposições e o campo pe encen e à sua c í ica se a a de um domínio de compe ência nes e momen o “mui o pouco es udado” e “pouco ou nada ques ionado”6, se ia ú il euni con ibu os pa a o es udo e o mulação de c i é ios pa a a a aliação de exposições de a e. A ealização do Dou o amen o em His ó ia da A e-Especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico, ao p opo ciona um en endimen o mais ala gado do pon o de is a cien í ico e, o çosamen e, um in es imen o mais ambicioso, com a an agem de se sus en ado po es udos compa a i os e e en es a ou as ealidades in e nacionais, con igu a a es a opo unidade, embo a conscien es de que o nosso en oque não esgo a á odas as possibilidades de abo dagem, an o ao ní el do es o ço de concep ualização do ( e)pensa a exposição em si, como ao g au de exigência que as p á icas museológicas e museog á icas en o mam7. alínea ) (Funções do museu) e no A º 39.º (In e p e ação e exposição) no pon o 1: “O museu ap esen a os bens cul u ais que cons i uem o espec i o ace o a a és de um plano de exposições que con emple, designadamen e, exposições pe manen es, empo á ias e i ine an es” e no pon o 2: “O plano de exposições de e se baseado nas ca ac e ís icas das colecções e em p og amas de in es igação”. [Em linha]. [Consul . 31 Jan 2010]. Disponí el em WWW:<URL:h p://www.ipmuseus.p /Da a/Documen s/RPM/Legislacao_Rele an e/lei_dos_museus.pd >. Pa a além do legalmen e es ipulado, egis e-se ainda que a exposição a ec a odas as unções do museu, implicando uma a iculação de odas as á eas uncionais e/ou sec o es do museu, bem como dos seus in e enien es, in e ligando-se e ac i ando ou as unções museológicas que cons i uem a azão de se dos museus, nomeadamen e o es udo e in es igação, a inco po ação, o in en á io e documen ação, a conse ação, a segu ança e a educação. 6 C : POLI Ma ie-Syl ie (di .) - [In odução]. In Publics & Musées. nº 15. [Núme o subo dinado ao ema Commen pa le de la c i ique d’exposi ion?]. [Em linha], 2010, pp.13-21. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.pe see. /docAsPDF/pumus_1766- 2923_2010_num_15_1_1608.pd >. pp. 13 e 15 ( ad.). 7 No deco e da componen e cu icula desen ol emos abalhos que mui o con ibuí am pa a o pe cu so e lexi o do es udo em ques ão, nomeadamen e: Alguns apon amen os sob e expog a ia; A aliação da exposição empo á ia “P imi i os Po ugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçal es”; e um Ro ei o de Obse ação de Exposição. Es a ase culminou com a de esa do T abalho Final de Cu so in i ulado Um modelo ope a i o de a aliação de exposições. O núcleo de pin u a po uguesa dos séculos 4 A modo de es ado da ques ão8 A emá ica das exposições em con ex o museológico em indo a conquis a paula inamen e, sob e udo nos úl imos anos, uma au onomia e uma discu si idade p óp ias, que no domínio da His ó ia da A e, que da Museologia e da Museog a ia, campos disciplina es que, gozando de uma ede p odu i a de con ágios cien í icos e de in es igação, colocam, de o ma p oposi i a, essa á ea de es udo e c í ica num luga em e iden e cons ução. A qualidade in e disciplina que o ema con oca - nunca se á excessi o sublinha que di e en es objec os de es udo solici am di e en es mé odos e enquad amen os eó icos - a es a, em boa pa e, a isibilidade que o mesmo em susci ado. Pa a além des e aspec o, o s a us de que a exposição bene icia é de edo da impo ância que adqui em as ques ões do e 9 num quad o de ipo exposi i o, ad indo es a p emissa de múl iplos p ismas, en e eles: o ac o da isibilidade da a e se , em la ga medida, uma consequência do ac o da sua exposição; o de es a úl ima se cons i ui como um eículo de comunicação p i ilegiado pa a o conhecimen o dos objec os a ís icos; o de in luencia o modo como emos, uímos e conhecemos; o de ope a enquan o discu so c í ico; e, inalmen e, o papel que em indo a desempenha no eequacionamen o do discu so his o iog á ico. Se le a mos em linha de con a as dinâmicas e o c escen e in e esse que es e campo de es udo em indo a despe a , cons a amos que in es igações ecen es, ge adas em o no do binómio in es igação e exposição, e à luz de a u ada pesquisa a qui ís ica, apon am, g osso modo, no sen ido de pensa os Museus na sua p óp ia XV e XVI do Museu Nacional de A e An iga. Pa alelamen e aos abalhos do o o académico publicámos a igos e pa icipámos egula men e em seminá ios e con e ências. 8 Tendo em con a que es ão em p esença dois emas, a exposição e sua a aliação, po mo i os de cla eza exposi i a op ou-se po ap esen a o mesmo em pa es dis in as em de imen o do que é ido como con encional nes e ipo de abalhos académicos. V. ópico e e en e à es u u a do p esen e ex o. 9 O ema é objec o de análise po meno izada em Hal Fos e , “Dialec s o Seeing”, onde o au o p opõe “uma íade me odológica que con empla a a e, o museu e a his ó ia da a e, conside ando que se a a de campos c uzados no âmbi o das “dialéc icas do olha ” e que não a á sen ido abo da a a e o a das suas condições de exposição”. C : FOSTER, Hal - “Dialec s o Seeing”. In HOLLY, Michael Ann; MOXEY, Kei h, ed. - The Subjec s o A His o y: His o ical Objec s in Con empo a y Pe spec i e. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 2009, pp. 215-230. Em Po ugal, es a me odologia oi ambém u ilizada po Lau a Cas o em Exposições de A e Con empo ânea na Paisagem: An eceden es, P oblemá ica e P á icas. Tese de Dou o amen o em A e e Design. Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o, 2010. 5 his o icidade, endo po objec o o es udo das exposições10 e colecções11, con ibuindo decididamen e pa a a disseminação e p odução de conhecimen o dos Museus e da His ó ia da A e12, con e endo-se o campo emá ico em ap eço numa espécie de obse a ó io do pensamen o museológico no pano ama cul u al da con empo aneidade. Ao ap esen a -se a exposição e os assun os elacionados com a sua a aliação como e enos in es iga i os se idos po uma li e a u a as a e ac ualizada, munida de um apa a o eó ico-p á ico subs ancial ans e sal a di e en es quad an es do conhecimen o e em que se des acam os con ibu os emanados da Museologia, Museog a ia, His ó ia da A e, Pa imónio e Tu ismo, Comunicação, Psicologia e Sociologia, en e ou os, campos de es udo que há mui o bene iciam de uma 10 Salien amos algumas ob as especí icas e in es igações mais ecen es: HEGEWISCH, Ka ha ina; KLÜSER, Be nd - L’a de l’exposi ion: Une documen a ion su en e exposi ions exemplai es du XXe siècle. Pa is: Édi ions du ega d, 1998; ALTSHULER, B uce - Exhibi ions ha Made A His o y. Vol. 1: 1863- 1959 – Salon o Biennial. London: Phaidon P ess, 2009; ALTSHULER, B uce - Exhibi ions ha Made A His o y. Vol. 2: 1962-2002 – Biennials and Beyond. London: Phaidon P ess, 2013; FERREIRA, Ma ia Emília de Oli ei a - Lisboa em Fes a: a Exposição Re ospec i a de A e O namen al Po uguesa e Espanhola, 1882, An eceden es e Ma e ialização, Tese de dou o amen o em His ó ia da A e Con empo ânea, FCSH-UNL, 2010 [ ex o policopiado]; OLIVEIRA, Leono de - Fundação Calous e Gulbenkian: Es a égias de Apoio e In e nacionalização da A e Po uguesa 1957-1969. Tese de dou o amen o em His ó ia da A e, especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico, FCSH-UNL, 2013 [ ex o policopiado]; e LAPA, So ia Boino de Aze edo - 40 anos em exposição pe manen e no Museu Calous e Gulbenkian. Con ibu os Pa a uma C i ica Do Obje o Museológico. Tese de Dou o amen o em His ó ia da A e, especialidade em Museologia e Pa imónio A ís ico, FCSH-UNL, 2015 [ ex o policopiado].Temos ambém conhecimen o de que es á em cu so a ese de dou o amen o de And é da Sil ei a Rod igues, in i ulada Um Encon o Possí el da A e na Eu opa: A Exposição-Diálogo de 1985, FCSH-UNL. 11 Des aque pa a os seguin es es udos: CARVALHO, Ma ia João C espo Pimen el Vilhena de - As escul u as de E nes o Ja dim de Vilhena. A cons i uição de uma coleção nacional. Tese de Dou o amen o em His ó ia da A es, especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico. FCSH-UNL, 2014. [ ex o policopiado]; e XAVIER, Hugo And é de Almeida Vale Pe ei a - O ma quês de Sousa Hols ein e a o mação da Gale ia Nacional de Pin u a da Academia de Belas A es de Lisboa. Tese de Dou o amen o em His ó ia da A e, especialidade em Museologia e Pa imónio A ís ico, FCSH-UNL, 2015 [ ex o policopiado]. 12 Nes e con ex o cabe e e encia o P ojec o de in es igação “Fon es pa a a His ó ia dos Museus de A e em Po ugal” inanciado pela Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/EAT-MUS/101463/2008) (2010-2013) e desen ol ido pela linha de Es udos de Museus do Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH- UNL sob a coo denação de Raquel Hen iques da Sil a. Po ap esen a a inidades con eudís icas, que adian e se ão explanadas, a p esen e in es igação oi, numa ase pos e io , associada ao p ojec o. Pa a um en endimen o ala gado do mesmo e : SOARES, Luís Filipe da Sil a. 2012. “Fon es pa a a His ó ia dos Museus de A e em Po ugal”. In Asensio, M., Li a, S., Asenjo, E. & Cas o, Y. (Eds.) - His o ia de las colecciones e his o ia de los museos. Se ies de In es igación Ibe oame icana de Museología. Ano 3, 2012, Vol. 6, pp. 91-99; e PROJETHA_P oje os do Ins i u o de His ó ia de A e. [Em linha]. Lisboa, Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH-UNL, 2013, pp. 1-155. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://ins i u odehis o iadaa e. iles.wo dp ess.com/2013/07/p oje ha_museus-de-a e- em-po ugal.pd >. 6 mul iplicidade de ângulos de isão que ão desde os aspec os p ocessuais, aos me odológicos, his o iog á ico e eó ico, cujas abo dagens não são inconciliá eis en e si. Nes e quad o, em ma é ia de publicações impo a ealça a exis ência de uma bibliog a ia insc i a numa ma iz eó ica o iunda p edominan emen e do uni e so ancó ono e na qual se cons a a um pe passa da complexidade que en ol e os emas em análise, ocalizada em imp imi uma ónica e lexi a e endo po inalidade a comp eensão dos componen es plás ico-semân icos do discu so exposi i o, que os a gumen ais, que os elacionais13. Sob es e p isma, o ema eúne, assim, um conjun o de au o es de e e ência que em mui o conco em pa a o ( e)pensa exposição, na linha de pensamen o de Jean Da allon, F ançois Mai esse, And é Des allées, Ma in Schä e , And é Gob, Noémie D ouge e Se ge Chaumie , pa a ci a apenas alguns nomes de que a nossa e lexão é de edo a14. O manancial de in o mação es ende-se ainda aos manuais écnicos que po enciam uma isão global sob e o p ocesso de concepção e p odução das exposições15, undamen al pa a a análise da sua e icácia comunica i a jun o dos públicos. Não obs an e a in ensi icação e a u ilidade das pesquisas desen ol idas, o dé ice de in es igação é mani es o quando se p ocu am abalhos que es abeleçam uma pon e p odu i a en e os domínios da exposição e sua a aliação, e i icando-se ainda uma pe sis en e au onomia en e as ob as que a am de uma e as que se ocupam da ou a, o que, ace a um e eno ão amplo e com uma bibliog a ia 13 Ve : LAMEIRAS-CAMPAGNOLO, Ma ia O. - “Du Te ain au Musée (2): Le concep d’iconici é ela ionelle, ins umen de p og amma ion e d’é alua ion de l’exposi ion”. In A qui os da Memó ia. Nº10/11. [Núme o subo dinado ao ema Museologia e Pa imónio]. s.l.: Ediçoes Colib i/Cen o de Es udos de E nologia Po uguesa - Uni e sidade No a de Lisboa, 2001, pp. 17-32. 14 Es es au o es e espec i as e e ências bibliog á icas se ão objec o da nossa a enção na Pa e I - A dimensão e lexi a da exposição (Capí ulo 1 - De inições e Teo izações e Capí ulo 2 - As linguagens da exposição). 15 A í ulo de exemplo, ci amos: FERNÁNDEZ, Luis Alonso; FERNÁNDEZ, Isabel Ga cía - Diseño de exposiciones: Concep o, ins alación y mon aje. Mad id: Alianza Edi o ial, [1999] 2010; RICO, Juan Ca los - Manual p ác ico de museología, museog a ía y écnicas exposi i as. Mad id: Sílex, 2006; e BELCHER, Michael - O ganización y diseño de exposiciones: su elación con el museo. Gijón: Ediciones T ea, 1994. CRIMP, Douglas - “The A o Exhibi ion”. In On he Museum’s Ruin. Camb idge (Massachuse s), The MIT P ess, 1993; e DEAN, Da id, Museum Exhibi ion. Theo y and P ac ice, London, Rou ledge, 2001. Mais ecen emen e des aque pa a LORD, Ba y; PIACENTE, Ma ia (eds.) - The Manual o Museum Exhibi ions. Rowman & Li le ield, 2014; BENAITEAU, Ca ole e . al.- Conce oi e éalise une exposi ion: les mé ie s, les mé hodes. Pa is, Ey olles, 2012; e DAIGNAULT, Lucie - L'é alua ion muséale: sa oi s e sa oi - ai e. Quebec: P esses de l'Uni e si é du Québec, 2011. 7 agmen ada e mul idisciplina , não bene icia a ‘ isualização’ de uma es u u a acili ado a da de inição de uma lógica que exe ci e e a gumen e em a o de uma abo dagem de ipo a alia i o, di icul ando, do mesmo modo, um conhecimen o p eciso e uma noção ac ualizada dos con ibu os ecen emen e su gidos no âmbi o da sua eo ia e p á ica. Po es a mesma azão, julga-se indispensá el adop a uma a i ude c í ica ala gada, empenhada em con ibui pa a uma isão de conjun o in eg ado a dos emas em es udo, endo como inalidade maio o nece -lhes uma base única que se julga p o ei osa pa a a escolha adequada de caminhos que possam da espos a undamen ada sob e a possibilidade da implemen ação de uma cul u a a alia i a no uni e so das exposições de a e. Ao se de inida po Jean Da allon como “uma disposição de coisas num espaço com a in enção de as o na acessí eis aos sujei os sociais”16, a exposição de e á se in e p e ada como um p ocesso a a és do qual são cons uídos, negociados e expos os conhecimen os e signi icados, um eículo de comunicação que p essupõe um en ol imen o dos públicos. É nes a lógica, e na en a i a de a e i o g au de p odu i idade ge ado a a és des e p ocesso de es u u ação concep ual e espacial, que assen a a omada de consciência da impo ância e u ilidade, po pa e dos museus, em conhece e comp eende os seus públicos, eco endo, pa a o e ei o, à a aliação das suas inicia i as, sendo já abundan e a li e a u a sob e o ema e na qual são exe ci ados ins umen os adequados à mesma17. O pano ama açado di a a en ada em cena do nosso abalho de in es igação di igido no sen ido de uma análise do impac o das p á icas de exposição implemen adas ac ualmen e no Museu Nacional de A e An iga (MNAA), obse adas nas suas múl iplas mani es ações, deba endo-se o modo como o Museu po encia a cons ução de sen idos a pa i do seu ace o e que al e na i as de ap op iação são hoje disponibilizadas pa a explo a as colecções que lhe ão sendo con iadas, e na senda de p omo e di e en es olha es sob e os objec os que em sob a sua gua da. 16 DAVALLON, Jean - L’ Exposi ion à l’oeu e: s a égies de communica ion e média ion symbolique. Pa is: L’ Ha ma an, 1999, p. 14. 17 Ve : GOTTESDIENER, Hana - E alue l'exposi ion: dé ini ions, mé hodes e bibliog aphie sélec i e commen ée d'é udes d'é alua ion. Pa is: La Documen a ion F ançaise, 1997. 8 Conside ando es as múl iplas dimensões, o p esen e abalho ege-se po um quad o ques ionan e - embo a não ope e an o pela ia da espos a mas sim pelo uso deco en e seu exe cício -, ab angendo um leque de pon os p oblema izan es dos domínios e lexi o e ope a i o do ‘pensa a exposição’ e espec i a a aliação que passamos a enuncia : - De que modo podemos ge i o apa a o eó ico e concep ual que lhes es á subjacen e? - Quais os elemen os que a de inem e/ou ca ac e izam? - Quais as on ei as exis en es en e análise e a aliação? - Em que medida o con ex o, o modo de ap esen ação e o discu so em que se insc e e uma ob a de a e in luem no seu ( e)conhecimen o e uição? - A que supo e eco e pa a a alia exposições em Museus de a e? - Podemos a alia a pa i de uma linguagem comum? Delimi ação, objec i os e me odologia Tendo po inalidade a p ocu a de espos as pa a as ques ões colocadas e a p ossecução dos objec i os enunciados, equacionámos as di ec i as me odológicas que melho se adequassem ao nosso desígnio cen al. Nes a o dem de ideias, o MNAA, o p imei o e o museu de maio ele o no pano ama a ís ico e museológico nacional, cuja singula idade e impo ância se es endem ao plano in e nacional, con e eu-se de imedia o no nosso al o de p e e ência. Pa a além da qualidade e e sa ilidade das colecções que albe ga18, de e emos salien a igualmen e o seu papel de e minan e, a pa i do ano de 1932, na o mação de p o issionais de museus, cabendo-lhe, desde a e o ma de 1965, a designação de Museu No mal ou museu de e e ência19, cuja 18 C iado em 1884, o seu ace o comp eende ce ca de 50 000 peças, encon ando-se expos as apenas 8000 mil, en e pin u a, escul u a e a es deco a i as nacionais, eu opeias e da Expansão Ma í ima Po uguesa, num hia o empo al comp eendido en e a Idade Média e o século XIX e incluindo o maio núme o de ob as classi icadas como “ esou os nacionais”. 19 Habili ado pa a a o mação dos Conse ado es dos Museus e dos Palácios Nacionais. Inicialmen e p e is a no Dec e o n.º 20985 de 7 de Ma ço de 1932 (Diá io do Go e no, I sé ie, n.º 56, 7 de Ma ço de 1932), oi sendo egulamen ada ao longo do empo po ês diplomas dis in os: Dec e o n.º 22 110 de 12 de Janei o de 1933 (Diá io do Go e no, I sé ie, n.º 10, 12 de Janei o de 1933); Dec e o n.º 39 116 de 9 his ó ia em sendo pau ada pela implemen ação e di usão das boas p á icas, que nos domínios da conse ação e museog a ia, que no âmbi o do seu se iço educa i o, o p imei o exis en e numa ins i uição museológica em Po ugal, o nando-se, po an o, po odos es es mo i os, num uni e so de análise ape ecí el do pon o de is a académico. Visando o nosso desígnio e endo em con a a dimensão do ace o do Museu, bem como a ex ensão mo ológica da sua exposição de longa du ação20, oi na u almen e necessá io delimi a uma pa cela sob e a qual dispuséssemos de in o mação sus en ada e su icien e pa a documen a alguns dos momen os mais signi ica i os da his ó ia da sua museog a ia e, po seu u no, demons a i os das up u as e/ou con inuidades que, de o ma mais ou menos e iden e, de ini am e ca ac e iza am a sua imagem plás ica - aqui en endida em e mos de exposição -, isão de conjun o que se a igu ou como condi io sine qua non pa a uma análise e/ou a aliação que se p e enda undamen ada. Eis as bases que di a am a nossa opção pelo e cei o piso do Museu, espaço que acolhe a Gale ia de Pin u a e Escul u a Po uguesas, eabe a ao público em Julho de 2016 com museog a ia e discu so eno ados, bem como no as ob as em exposição. Si uada no opo do edi ício do “Anexo” nela igu a a sua ob a maio , os céleb es Painéis de São Vicen e (ca. 1470)21 a ibuídos a Nuno Gonçal es (ac i o 1450-an es de 1492), ped a angula da exposição de longa du ação, e em o no da qual se o ganiza am as es an es colecções, ocupando, po isso, um luga hegemónico no seu discu so museológico e museog á ico, cons i uindo-se como um eículo es a égico pa a um en endimen o sis emá ico e analí ico das soluções de exposição aplicadas. Se do pon o de is a exclusi o da His ó ia da A e, os ‘Painéis’ monopoliza am desde a sua edescobe a em 1882 a a enção da comunidade cien í ica e académica, e 27 de Fe e ei o de 1953 (Diá io do Go e no, I sé ie, n.º 38, 27 de Fe e ei o de 1953); Dec e o-lei n.º 46758 de 18 de Dezemb o de 1965 (Diá io do Go e no, I sé ie, n.º 286, 18 de Dezemb o de 1965). 20 Ao in és do e mo usual “exposição pe manen e”, op ámos po usa o e mo “exposição de longa du ação” pa a e i a a cono ação de pe manência. C : DESVALLÉS, And é; MAIRESSE, F ançois (ed.) - Concep os cla es de museologia. Pa is: A mand Colin. [Em linha]. 2010, pp. 1-90. [Consul . 7 Ou . 2012]. Disponí el em WWW: <URL:h p://icom.museum/ ileadmin/use _upload/pd /Key_Concep s_o _Museology/Museologie_Espa gnol_BD.pd >. p. 29 21 Rela o isual do empo de D. A onso V e suas conquis as, é conside ada a ob a mais emblemá ica da pin u a po uguesa e econhecida em con ex o eu opeu como uma das mais impo an es do século XV. 10 o am, como se sabe, objec o de a u adas in es igações22, acompanhadas de acesas polémicas, ac o que se epe cu e na as a bibliog a ia exis en e sob e o ema, o mesmo não se aplica em elação a uma abo dagem que se p e ende o ien ada pa a o domínio da eo ia da exposição. Falamos de uma ob a que du an e mais de um século de exibição oi subme ida a di e en es concei os e c i é ios museog á icos, endo habi ado di e sos espaços que den o, que o a do museu, e conhecido ambém dis in as concepções/disposições ( esul an es das co en es his o iog á icas), p es ando-se, po es es mo i os, a di e en es lei u as e jogos de isualidade que o am p opo cionando e ab indo pe spec i as sob e o seu es udo e conhecimen o, a es adas pelas á ias ap esen ações museog á icas. A um ou o ní el, con ic os do papel de e minan e que os es udos de caso desempenham na in es igação e dos adqui idos esul an es de uma lei u a que p i ilegie ma é ia compa a is a, o enquad amen o do MNAA numa pe spec i a in e nacional a igu ou-se-nos uma exigência. Nes e sen ido, como es a égia de es udo e na senda de uma ela i a igualdade, elegemos o Museu Nacional do P ado (MNP), o mais impo an e museu espanhol e uma das mais p es igiadas pinaco ecas do mundo, p ocedendo-se, nes e caso, a uma análise cen ada na ob a As ‘Meninas’ (1656) de Velázquez (1599-1660) que, à semelhança do que acon ece com os ‘Painéis’, possui ambém ela um o e ínculo his ó ico com a iden idade do P ado, sendo a mesma - po seu u no - aqui omada como pa adigma de ac uação museog á ica. Ainda a espei o des a opção, cabe sal agua da que a nossa in enção, ao elege mos o P ado pa a e ei os de objec o de es udo, não isa, em de ini i o, compa a es es dois Museus cuja his ó ia, dimensão, na u eza e ep esen a i idade dos ace os e ecu sos se cons i uem como a qué ipos bem di e enciados. A nossa opção su ge an es, e acima de udo, como um p e ex o pa a o que ac edi amos se um indispensá el es udo compa a i o, empenhado sim, p edominan emen e, em analisa uma linha eu opeia comum do sabe aze museog a ia, con ocando o po encial exposi i o (e p og amá ico) des e Museu, nele se obse ando p á icas de exposição e 22 Mo men e cen adas no ema, signi icado e iden i icação das á ias pe sonagens que neles igu am. 18 PARTE I A DIMENSÃO REFLEXIVA DA EXPOSIÇÃO 19 CAPÍTULO 1 - De inições e Teo izações Fig. 2 - Imagem e i ada de Du Muséum au Musée des Con luences. P a iques d’é alua ion - Une app oche e lexi e e opé a ionnelle de la connaissance des publics, 2010. C'es pa ce que quelque chose des obje s ex é ieu s pénè e en nous que nous oyons les o mes e que nous pensons... Quelle que soi l'image que nous ece ons, elle a la o me de l'obje éel, p odui e pa la équence successi e ou le sou eni du simulac e26. 1. In odução A ese de que a exposição é um pode oso disposi i o comunicacional é já assumidamen e econhecida en e os especialis as de museus e, po isso, objec o de in ensa p odução cien í ica e académica que incide nos múl iplos en oques que dominam a complexidade deco en e da sua especi icidade mediá ica. Face à gene alização do uso do e mo exposição po in es igado es dos mais di e sos campos disciplina es - enquan o concei o ope a ó io pa a designa , desc e e ou analisa um p ocesso e/ou con ex o especí ico -, a acepção do mesmo (e os de i ados que a ele su gem ag egados) depa a com uma mul iplicidade de usos e signi icados, al o de cons an es ac ualizações o que, dada a ampla isibilidade que o enómeno exposi i o em me ecido, jus i ica ia, só po si, a a enção que lhe consag amos. Uma das ias possí eis pa a a descodi icação dessa dinâmica polissémica subjacen e ao concei o é p ecisamen e o domínio da Teo ia da exposição em que os 26 Épicu e - Le e à Hé odo e. [T ad. de Oc a e Hamelin, Re ue de Mé aphysique e de Mo ale. [Em linha]. 18, 1910, p. 397-440. [Consul . 18 Fe . 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.philo- online.com/TEXTES/EPICURE%20Le e%20a%20He odo e.pd >. p. 4 20 aspec os epis emológicos p omo o es de exe cícios, ais como a cons ução de glossá ios, ipologias, e minologias e o pe inen e ques ionamen o sob e as nomencla u as, assumem especial ele o, con ando já com uma sólida adição ope ada com maio no o iedade na úl ima década27. Resul ado de um longo pe cu so, es es aspec os êm sido al o da a enção de au o es ge almen e ci ados, ais como Raymond Mon pe i , Philippe Dubé, Jean Da allon, Se ge Chaumie , And é Des allées, Noémie D ougue , And é Gob, F ançois Mai esse, Ma in Schä e , que ( e)pensam a exposição a pa i de concei os como mediação e comunicação, o necendo subsídios decisi os pa a o desdob amen o da sua especi icidade e complexidade, ao in es i em, em la ga medida, numa ‘espécie de exe cício con inuado’ sob e os limi es (e possibilidades) de aplicação do concei o de exposição. Assim sendo, pe an e o nosso desígnio maio , julgou-se ap op iado ensaia , num p imei o momen o, a sis ema ização de pe spec i as eó icas e concep uais a a és de bibliog a ia da especialidade, o que se nos a igu ou como a melho es a égia pa a p epa a (e adequa ) o quad o globalizan e em que a pesquisa se enquad a, mas ambém pa a o ab i do caminho pa a a segunda pa e da nossa in es igação, Análise e a aliação: dialéc icas de on ei a, que con empla os es udos de caso. Nes a linha impo a e e i que es e capí ulo - que se pode ia denomina com p op iedade P olegómenos à necessidade de um modelo de a aliação de exposições de a e: comp eende pa a melho agi - é como que um apelo pa a o ope acionaliza da consciência e lexi a em ma é ia de exposição; é o esboço de um ensaio pa a a cons ução de um modelo; é a busca de um mé odo; ou melho , é a possibilidade de conco e pa a de ec a as possí eis elações en endí eis que o concei o de exposição 27 O ep o de p ocede a um le an amen o dos concei os undamen ais da museologia oi lançado po And é Des allées em 1993 no con ex o do Comi é In e na ional pou la Muséologie (ICOFOM). Inicialmen e denominado Thésau us, oi sujei o a al e ações á ias, sendo hoje in i ulado Dic ionnai e encyclopédique de muséologie, coo denado po And é Des allés e F ançois Mai esse (Pa is: A mand Colin, 2011). Ainda a es e p opósi o e i a-se o p ojec o Theo y o he Exhibi ion, desen ol ido no âmbi o do ICOFOM, g upo in e nacional de pesquisa c iado em 1999 e coo denado po And é Des allés. Em Junho de 2004, es e p ojec o oi inculado à Uni e sidade Fede al do Es ado do Rio de Janei o (UNIRIO), a a és do Depa amen o de Es udos e P ocessos Museológicos. Ve : h p://busca ex ual.cnpq.b /busca ex ual/ isualizac .do?id=K4785544A4. 21 comp eende, do ando-o de um ins umen o capaz de euni pon os p oblema izan es, de a icula p oblemá icas e de encon a linhas de comunicação sub e âneas. Conc e izando, é nosso deside a o nes e capí ulo de p é- igu ação con e i uma ce a es u u alidade ao concei o de exposição, munindo-o de uma g elha de lei u a que possibili e analisa e e lec i c i icamen e o objec o em es udo e sob e o qual, numa segunda e apa do abalho, ap esen a emos uma p opos a me odológica de análise. Seguidamen e, com o i o de es abiliza e con e i exac idão à e minologia aplicada nes e domínio, a -se-á uma análise de concei os ais como museog a ia, expologia, expog a ia e cenog a ia. Nou o pon o do plano da e lexão c í ica, dedica emos, numa pe spec i a semiológica28, especial a enção ao es a u o que o espaço de ém na exposição pois, com e ei o, a pa das de inições, di as mais adicionais, pe ila-se uma ou a, cen ada na dimensão p op iamen e simbólica e que e sa a explo ação dos sen idos (e da signi icação), uma p op iedade especí ica - e na u almen e camu lada - do e e pensa exposição. 2. O concei o de exposição: de inição e p op iedades Con on ados com a necessidade de ‘desmon a ’ a ampli ude e complexidade que es ão na base do e mo exposição, com is a ao ap o undamen o das suas po encialidades e numa análise dos ní eis de p oblema icidade que es e enómeno enquan o medium ence a, omos simul aneamen e colocados pe an e a si uação de aze escolhas. Assumida a ques ão, cien es do isco que um exe cício explo a ó io des a índole impõe, pa a acili a a pe cepção dos moldes em que a in es igação se cen a, adop ámos, na ap esen ação dos con eúdos que igu am nes e p imei o capí ulo, uma pe spec i a de sín ese que passamos a enuncia : (1) Um quad o de inido do concei o de exposição em ge al; (2) Uma b e e ap esen ação da e olução do concei o; 28 Reco demos Eilean Hoope G eenhill quando a i ma “que os es udos semió icos podem se i à análise das exposições se i e em em con a os sis emas de signi icados que no seu âmbi o se cons oem, desde os signi icados anspa en es ou in encionais a é aos signi icados encobe os, suben endidos, não in encionais, cons uídos a a és da p ojecção de alo es, c enças, mi os, condição, es a u o social, en e ou os ac o es”. C : GREENHILL HOOPER, Eilean - “A new communica ion model o museums”. In KAVANAGH, Gayno - Museum languages, objec s and ex s. Leices e : Uni e si y P ess, 1991, pp. 47-61. 22 (3) Os undamen os eó icos essenciais pa a a comp eensão ge al do e mo; (4) Os desa ios ac uais que en ol em a noção de exposição. Assim, e descendo ao pa icula , o quad o que nos ocupa é o ien ado pelas seguin es ques ões de base: Do pon o de is a da in es igação como i a pa ido des e meio de comunicação exp essi o e pode oso que é a exposição?; De que modo é ei o, na bibliog a ia, o a amen o do concei o?; Como ge i a con li ualidade de domínios eó icos e p á icos que a comp eensão do ema impõe?; Como de ini os indicado es ep esen a i os que pe mi em p oblema iza as p op iedades que comp eendem es e enómeno?; Que esquema ope a ó io segui pa a pensa o ema numa pe spec i a de a aliação? Pos o is o, cabe e o ça a ideia de que o nosso en oque se á di igido, de sob emanei a, pa a as di e en es p oblemá icas que se colocam ao in es igado quando co ejado com a possibilidade de sis ema iza e p oblema iza (ou não), numa pe spec i a de a iculação, ma é ia elacionada com as dimensões e lexi a e ope a i a da exposição. Es e posicionamen o - longe de se p esc i i o - isa pa ilha uma p opos a, con ic os de que a abo dagem po nós implemen ada mo i e es udos mais ap o undados com a inidade emá ica, conduzindo à e lexão sob e um concei o ão p esen e no ocabulá io museológico con empo âneo. 2.1. De inição Si el museo es un luga de musealización y isualización, la exposición es la isualización explica i a de hechos ausen es po medio de los obje os, así como de elemen os de la pues a en escena, u ilizados como signos29. De um pon o de is a e imológico, o e mo exposição, de i ado do la im exposi io, “ inha inicialmen e, em sen ido igu ado, o signi icado de explicação, de expos o, e, simul aneamen e, um sen ido p óp io, o de exposição, pa a além do sen ido ge al de ap esen ação”30. O sen ido ac ual do concei o al como é 29 Ma in Schä e In DESVALLÉES, And é; MAIRESSE, F ançois (ed.) - Concep os cla es de museología. [Consul . 7 Ou . 2012]. Pa is: A mand Colin/ICOM, 2010, Disponí el em WWW: <URL: h p://icom.museum/ ileadmin/use _upload/pd /Key_Concep s_o _Museology/Museologie_Espagnol_ BD.pd >. p. 37. 30 Idem, p. 36. ( ad.). 23 equen emen e aplicado no con ex o museológico - embo a o mesmo enha sido e o mulado ao longo dos séculos - encon a-se semp e ligado a a iadas o mas de da -a- e e com explicação ao público. A es e p opósi o, And é Des allés escla ece que o e mo exposição se dis ingue da ap esen ação “na medida em que o p imei o e mo co esponde se não a um discu so, plás ico ou didác ico, pelo menos a uma g ande complexidade da mise en espace, enquan o que o segundo se limi a a uma mos a que se pode ia classi ica de passi a. É em g ande pa e a conclusão dos sen idos p óp io e igu ado do e mo exposição que ge ou es a di e ença. Con udo, an o em ancês como em inglês com “exposição” pe sis e uma endência pa a con undi os dois e mos”31. Face ao expos o, podemos e e , desde já, que os ní eis de concep ualização das de inições exposição e ap esen ação pe mi em p ecisa com exac idão as di e enças exis en es na e minologia con empo ânea emp egue nes e domínio. Falamos conc e amen e dos concei os de expog a ia e cenog a ia32, cujo campo de concep ualização é ibu á io de um esquema ope a ó io an e io . Tendo po base a o igem da de inição do concei o de exposição, duas p ecisões se impõem: a p imei a, e imedia a, que a aiz da pala a coincide com uma acção que em em is a explica con eúdos, ex e io iza , “coloca do lado de o a, mos a ”33; já a segunda ilacção p ende-se com o ac o de conjun os ma e iais se em mos ados num de e minado espaço e ap eendidos e expe imen ados pelos públicos. Des e modo, de aco do com Jean Da allon, o e mo designa “simul aneamen e o ac o de ap esen ação ao público de ce as coisas, os objec os expos os e o luga onde se le a a cabo es a ap esen ação”34. Es as ês acepções do e mo - espaço, con eúdo e “ aze exposição”- , pa a além de pe spec i a em uma expe iência (e uma exigência) di igida aos públicos, jus i icam igualmen e o ac o da exposição se assumi como uma exp essi a e pode osa e amen a dos museus dado que, na qualidade de uma si uação au ónoma 31 C : BARY, Ma ie-Odile de; TOBELEM; Jean-Michel - Manuel de Muséog aphie, Pe i guide à l’usage des esponsables de musée. Bia i z: Séguie , 1998, p. 233. ( ad.). 32 Es e assun o se á objec o da nossa a enção no pon o 2. As linguagens da exposição do p esen e abalho. 33 C : DÉOTTE, Jean-Louis - “Su expose ”. In JEUDY, Hen i-Pie e (di .) - Expose , Exhibe . Pa is: Édi ions de la Ville e, 1995, p. 73 ( ad.). 34 C : DAVALLON, Jean (di .) - Claquemu e , pou ainsi di e, ou l’uni e s: la mise en exposi ion. Pa is: Cen e Geo ges Pompidou, 1986, p. 100 ( ad.). 24 onde conco em, de o ma simul ânea, ac os de p esença35, de ap esen ação36 e de ep esen ação37, es a unção museológica apela pa a es imulan es deba es cen ados nos modos de e e pensa o cená io exposi i o e o luga dos públicos no museu38. Uma lei u a diac ónica pe mi e cons a a que o concei o de exposição oi, à imagem do museu, objec o de me amo ose. Philippe Dubé a i ma que “Se ap o unda mos a análise, damo-nos con a apidamen e de que a museog a ia ac ual se baseia numa he ança cons i uída po di e sas sequências his ó icas” e ad e e ambém que “um olha e ospec i o não signi ica que de amos descuida um olha p ospec i o”39 em o no da e icácia comunicacional en e o museu e os seus públicos ace ao pe cu so e olu i o do p og esso cien í ico e ecnológico. É o mesmo au o que, de o ma in e essan e e sis ema izada, expõe o ajec o da his ó ia da museog a ia, di idindo-a em ês episódios - in i o, in i o e in si u - de e minan es pa a a alia , com jus eza, a iqueza da exposição enquan o eículo po ado de conhecimen os. O p imei o momen o (in i o) inha como pa adigma a ap esen ação dos objec os em i inas, o caso dos gabine es de cu iosidades; o segundo ma co coincide com o gos o pelo au ên ico e pela p oximidade do isi an e com o objec o, o que conduziu a p i ilegia uma escolha de ap esen ação mais de aco do com uma dinâmica in i o, exemplo de um animal numa jaula e que assim é obse ado; po úl imo, a es e in e esse pelo se i o su giu a necessidade de o e in eg ado no seu habi a na u al, o que Dubé denomina in si u, e e indo-se ao espaço de encon o p i ilegiado do isi an e com o objec o que p e ende e . Es a isão diac ónica subjacen e aos impe a i os p econizados pelo a anço das ciências, cujo ajec o expe imen al es e e na o igem de uma p o unda modi icação de 35 Usamos a e minologia emp egue po Philippe Dubé em “Expose pou oi , expose pou sa oi ”. In Museum In e na ional. (UNESCO, Pa is). [Em linha]. Nº 185 (Vol. XLVII, nº1, 1995). [Consul . 10 Ou . 2012]. Disponí el em WWW: URL:h p://unesdoc.unesco.o g/images/0010/001021/102167so.pd #102137. O e e ido au o de ine p esença como a “ eunião de um conjun o ma e ial si uado num de e minado espaço pa a um melho ap o ei amen o do obse ado ”, p. 4 ( ad.). 36 Idem ibidem: “es e conjun o pode o ganiza -se de al manei a que pe mi e, po meio de uma ap esen ação, que seja pa a es udo, que seja pa a uição, um odo o ganizado de o ma coe en e. ( ad.). 37 Idem ibidem: “a exposição in e ém no plano da ep esen ação, já que a eunião de obje os a a emas que e elam ao im e ao cabo, a pa e ima e ial do odo eunido”. ( ad.). 38 Independen emen e da classi icação de museu e/ou dos con eúdos da exposição. 39 C : DUBÉ, Philippe - “Expose pou oi , expose pou sa oi ”, p. 5 ( ad.). 25 modos de pensa , e e epe cussões no desen ol imen o das p á icas de comunicação que os museus ac ualmen e es abelecem com os isi an es40, assumindo-se ainda hoje como um ema em oga e amplamen e explo ado no âmbi o da Museologia, Museog a ia, Comunicação, Design, Educação, e c., ainda que enha sido e ocada an e io men e nas dimensões ilosó ica e cul u al41. Pa a além da sequencialidade his ó ica dos modos de expo , um dos undamen os eó icos indispensá eis pa a a comp eensão ge al do e mo «exposição» eside na pe cepção de que es e domínio de es udo em po base “uma me odologia de c uzamen os múl iplos que pe mi i á aos públicos não especializados comp eende que, sem e em deixado de se emplos, os museus são luga es de in e secção de uma plu alidade de domínios disciplina es, onde o uído das nossas pe plexidades con on a p odu i amen e a apa en e oz silenciosa das he anças”42. Des e modo, conscien es da plu alidade de ace as que in e êm num es udo a u ado sob e o ema - e indispensá eis pa a a comp eensão de odas as suas dimensões -, mais p ecisamen e nos e enos que medeiam a análise e a a aliação de exposições, ilus amos es a p emissa com um esquema que, po ab ange um leque ão as o e simul aneamen e ão especí ico de ópicos, não só impulsionou uma sé ie de abalhos associados ao ema como assumiu (e assume), de igual modo, um papel i al na iden i icação das ‘possí eis elações en endí eis’ que compõem a essência da ó mula exposição: 40 Pa a o ap o undamen o da ques ão e : GOB, And é ; DROUGET, Noémie - La muséologie: his oi e, dé eloppemen s, enjeux ac uels. Pa is: A mand Colin, 2006. No con ex o académico des acamos os seguin es es udos: DIAS, Ca la So ia Ribei o - Lei u as Con empo âneas de Colecções His ó icas como Es a égia de Comunicação dos Museus, 2008 [Tex o policopiado]; e GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel e signi ican . Tese de Dou o amen o em Museologia, Mediação e Pa imónio. Uni e si é du Québec e Uni e si é d’A ignon e des Pays de Vaucluse, 2008. [Em linha] [Consul . 16 Ma ço 2013]. Disponí el em h p://www.a chipel.uqam.ca/1936/1/D1780.pd >. 41 Não podemos deixa de e oca os con ibu os incon o ná eis de Ma cel P ous (1871-1922), Paul Valé y (1871-1945) e Theodo Ado no (1903-1969). Pa a uma lei u a escla ecida sob e a ques ão e : CASTRO, Lau a - Exposições de A e Con empo ânea na Paisagem: An eceden es, P oblemá ica e P á icas. Des e es udo no á el des acamos o capí ulo p imei o cujos pon os - 1.2 A exposição como objec o de es udo; 1.3 T abalhos de e e ência; 1.4 An eceden es do pensamen o sob e a exposição; 1.5 O pensamen o sob e a exposição no pe íodo pos e io aos anos 70; 1.7 O discu so exposi i o do pon o de is a his ó ico; 1.9 A exposição como p á ica e 1.10 Que “exposição”? - cong egam um co pus bibliog á ico c i e ioso e de g ande ac ualidade, sis ema izando habilmen e um in en á io de ques ões capi ais no que ao enómeno exposi i o se e e e. 42 C : SILVA, Raquel Hen iques da - “P e ácio” In BRIGOLA, João Ca los Pi es - Colecções, Gabine es e Museus em Po ugal no Século XVIII. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 2003, p. 6. 26 Fig. 3 - Modelo das on es de análise da complexidade in e disciplina da mensagem exposi i a. Esquema e i ado de “E aluación cogni i a de la exposición «Los B onces Romanos»: Dimensiones ambien ales, comunica i as y comp ensi as”. Ainda que da ado de 1993, es e esquele o o ganiza i o sin e iza de o ma e icaz os á ios ângulos que dominam um quad o de ipo exposi i o, endo o mé i o de, ao ap esen a qua o con ex os de in es igação capi ais, consegui , numa linha de equidade, es abelece e desc imina objec i os que conco em pa a o mesmo im: alo iza e medi a e ec i idade de uma exposição i.e. a e i se “ ealiza bem as suas dis in as unções e, em pa icula , se o az bem em elação com os seus objec i os e ins mani es os”43, o que con ibui pa a de ini , em boa medida, os indicado es ep esen a i os que p oblema izam as p op iedades ine en es a es e enómeno. Finalizamos a nossa auscul ação à pe cepção do e mo salien ando alguns aspec os eco en es. Sublinhe-se, p imei amen e, que a e olução do concei o em análise não pode se is a numa pe spec i a isolada, mas sim em complemen a idade com os a anços do conhecimen o cien í ico e académico. Es es con ibu os que êm sido de e minan es quando se pensa em modos de da -a- e impõem aos especialis as de museus uma pe manen e ( e)ac ualização no sen ido de acompanha o i mo do conhecimen o e dos esquemas de pensamen o que oco em no seu seio. 43 C : BELCHER, Michael - O ganización y diseño de exposiciones: su elación con el museo, p. 241 ( ad.). Objec i os a a ingi com a exposição Discu so cien í ico da exposição Cognição e impac o emocional do público Adequação e mon agem da exposição Re lexão sociológica Re lexão disciplina Re lexão psicológica Re lexão museológica Bases pa a a In es igação Objec o Con eúdos MENSAGEM EXPOSITIVA Pa a quê Como O quê Pa a quem 33 con emplam ques ões ela i as à a aliação, e i icando-se sob e udo uma ausência de cunho e lexi o do pon o de is a da sua concep ualização. Ou o núcleo cen al do conhecimen o des e domínio de es udo diz espei o à á ea dos es udos de público, nos quais a análise e a aliação de exposições66 se inse e. No en an o, egis e-se que mesmo quando não se e i ica o ecu so a modelos de a aliação eó icos ideais, é possí el a alia empí ica e p agma icamen e as exposições67 no sen ido de es abelece um conjun o de elemen os no eado es da sua obse ação, possibili ando exe ci a ó mulas de análise que condensam aspec os essenciais que in e e em, sob e udo, no seu aspec o comunicacional. Es a alínea não ica ia comple a sem e oca mos a exis ência de uma bibliog a ia que não se con ina aos domínios sup a-ci ados, sendo essencialmen e explo ada po cu ado es, a is as, pensado es, e c., e exp essa nos ca álogos, ex os, ensaios, a igos que acompanham as exposições. Incidindo sob e uma dimensão mais nublada68 da exposição e si uando-se pa a além da ecnicidade e c ia i idade que es ão na base do ac o de expo 69, es e núcleo isce al, onde o cunho e lexi o habi a e onde 66 Ve : GOTTESDIENER, Hana - E alue l'exposi ion: Dé ini ions mé hodes e bibliog aphie selec i e commen ée d'é udes d'é alua ion. 67 Via po nós já expe imen ada no âmbi o da disse ação de mes ado: MONTEIRO, Joana d'Oli a - A Gale ia de Exposições Tempo á ias do Mos ei o de Alcobaça - Re lexões e Con ibu os na óp ica do discu so exposi i o. Nes e quad o, des acamos ambém os seguin es es udos: ENNES, Elisa Guima ães - Espaço cons uído: O museu e suas exposições. [Em linha]. Disse ação de Mes ado ap esen ada na Uni e sidade Fede al do Es ado do Rio de Janei o (UNIRIO). Rio de Janei o. Junho de 2008. pp. 12-195. [Consul . 27 Jan. 2012]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.uni io.b /cch/ppg- pmus/disse acoes/disse acao_elisa_ennes.pd >; SANTOS, Eloísa Pé ez - La e aluación psicológica en los museos y exposiciones: undamen ación eó ica y u ilidad de los es udios de isi an es. [Em linha]. Disse ação de Dou o amen o ap esen ada na Faculdade de Psicologia, Depa amen o de Pe sonalidade, A aliação e Psicologia Clínica da Uni e sidade Complu ense de Mad id. 1998, pp. 1-389. [Consul . 18 Jan. 2012]. Disponí el em WWW:<URL: h p://ep in s.ucm.es/ esis/19972000/S/4/S4017901.pd >; ALMEIDA, Ad iana Mo a a - A Relação do Público com o Museu do Ins i u o Bu an an: Análise da Exposição “Na Na u eza Não Exis em Vilões. [Em linha]. Disse ação de Mes ado ap esen ada na Escola de Comunicações e A es da Uni e sidade de São Paulo. 1995, pp. 1-215. [Consul . 31 Jan. 2012]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www. eses.usp.b / eses/disponi eis/27/27134/ de-08092004-145801/> 68 “o ac o de expo , de coloca coisas lado a lado, é um modo magní ico de con e i aos objec os uma eloquência pa icula […] O ganiza uma exposição en ol e dois elemen os de pesquisa, dos quais um é o elemen o o odoxo: é a p ocu a de ma e iais […] O ou o […] é mais nebuloso e in ui i o […] é esse elemen o de su p esa isual que exis e no modo como se ag upam objec os. Pode se um ag upamen o c onológico, geog á ico ou de ou o ipo”. C : RANEY, Ka en - A in Ques ion. London/New Yo k, Con inuum, 2003, pp. 200 e 201. 69 Es e assun o oi sucin amen e po nós desen ol ido em: MONTEIRO, Joana d’Oli a - “O a o de expo . B e es conside ações a p opósi o d’ A Pe spec i a das Coisas. A Na u eza-Mo a na Eu opa. Segunda pa e: séculos XIX-XX (1840-1955)”. In MIDAS - Museus e Es udos In e disciplina es. N.º 1, 2013. [Em linha]. [Consul . 31 Jan. 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p://midas. e ues.o g/119>. 34 a ca ga de subjec i idade - ge ado a de uma es imulan e ensão en e mic ocosmos e mac ocosmos - impe a, explo a os seg edos da uição, pois a exposição é ambém um silêncio comunican e, um não di o, e daí que es as ace as de am o çosamen e se con empladas num modelo de a aliação de exposições. Pos o is o, julgamos se undamen al elabo a um abalho de in es igação que explo e a iqueza do enómeno exposi i o a a és das on es cul u ais, das in luências e dos supo es que es ão na base da cons ução das sub is ap op iações que isam p oduzi sen idos, si uando es a á ea de es udo num ní el de p oblema icidade que con oca elemen os ideológicos, cul u ais, sociais, an opológicos, polí icos e semió icos, espelhando a mul iplicidade de pon os de is a e a iqueza de implicações que a exposição aba ca, “uma a e a eminen emen e museológica mas [que], desde semp e, desen ol eu uma espécie de au onomia p oposi i a, que azem dela um co pus sedu o amen e au ónomo”70. b) T a amen o do p ocesso à luz da bibliog a ia: ac o es, lógicas e compe ências Pa indo da ideia que o ac o de ‘ aze exposição’ en ol e uma pe cepção global e a u ada dos p ocedimen os e es a égias ope a i as que es ão na sua base - en endidos enquan o p odu o de uma conjugação de e en es de o dem eó ica e p á ica - examinemos, po o a, a me odologia que de ine e ca ac e iza o seu p ocesso e ec i o de elabo ação. Nes a linha, e no sen ido de ‘ adiog a a ’ o modo como esse p ocesso é is o a a és da bibliog a ia da especialidade, elegemos como pano de undo pa a a e lexão dois exemplos co en emen e u ilizados. A en emos, em p imei a ins ância, no Manuel de muséog aphie de Ma ie-Odile de Ba y que p opõe o seguin e plano de concepção e execução de uma exposição: “Pensa semp e no público-al o. 1. In es igação e documen ação: inqué i o, lei u a de ob as, in es igação iconog á ica, in es igação his ó ica, a qui os, e c. 70 C : SILVA, Raquel Hen iques da - “In es iga pa a expo . Duas exposições na Fundação Calous e Gulbenkian, 2007-2009”. In Re is a do Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH-UNL, Nº 8 (Subo dinado ao ema Museus e In es igação), Lisboa: Ins i u o de His ó ia da A e, 2011, pp. 179-191. 35 2. Redacção da sinopse: ea aliação in eg al do con eúdo da exposição po capí ulos e sequências. 3. Escolha dos objec os: lis a e ichas de emp és imo quando des inados ao ex e io . 4. Plano e de inição dos p incípios da colocação no espaço: se o local é de inido, açado do plano ele an e ou p ocu a do local mais ap op iado, le an amen o das dimensões (comp imen o, la gu a, al u a) e açado do plano ou ealização de uma maque a. 5. Redacção dos ex os, dos í ulos, das legendas, dos ca azes. 6. Escolha dos ma e iais da exposição em unção do ema e dos objec os a ap esen a . 7. Es ima i a do empo de ealização, es ima i a do empo de ins alação e con agem dec escen e. 8. O çamen o p e is o: despesas e ecei as e p ocu a de inanciamen o: on es p óp ias, sub enções e mecena o”71. Uma lei u a imedia a des e esquema pe mi e-nos comp eende que a me odologia aqui p opos a, ao in es i num epe ó io de oi o es ádios c uciais do modus ope andi de uma exposição, acul a um conhecimen o gene alizado e simul aneamen e sis ema izado do seu aseamen o, não descu ando, po ém, uma isão a en a dos po meno es que di am, em ce a medida, a sua eição mais p agmá ica72 e que decidem a cha e do sucesso da sua conc e ização. O plano ap esen ado po de Ba y é ambém es a égico na o ma como ge e o encadeamen o das di e en es e apas do p ocesso e isa o cump imen o de um c onog ama, independen emen e da sua maio ou meno lexibilidade. No en an o, de ec amos que 71 C : DE BARY, Ma ie-Odile - “Les di é en es o mes de muséog aphie: de l’exposi ion adi ionnelle au cen e d’in e p é a ion”. In DE BARY, Ma ie-Odile ; TOBELEM, Jean-Michel (di .) - Manuel de muséog aphie. Pe i guide à l'usage des p o essionnels de musée, p. 197 ( ad.). 72 “Faz e e ência aos ins que se pe seguem e como ão a ingi -se, is o é, a análise, não só dos con eúdos e da sua es u u a, mas ambém dos objec i os que se p e endem a ingi e as acções que se ão implemen a ”. C : ASENSIO, Mikel; POL, Elena; GOMIS, Ma ina - “Es udios de Público y E aluación de Exposiciones como me odología de la plani icación museológica: el caso del Museu Ma í im de Ba celona”. In Museo: Re is a de la Asociación P o esional de Museólogos de España. [Em linha]. Nº5, 2000, pp. 73-104. [Consul . Maio. 2012]. Disponí el em WWW:<URL: h p://dialne .uni ioja.es/se le /a iculo?codigo=2334391>. p. 75 ( ad.). 36 o mesmo, ao se conside ado documen o-sín ese ‘do desen ol e exposição’, se con e e num pa co ins umen o dado que e ela uma economia de de alhes no que se e e e ao en endimen o do enómeno exposi i o enquan o exe cício de concep ualização73, i.e. se i e mos em conside ação que o ac o de expo coincide, median e a aplicação dos conhecimen os museológicos e museog á icos, com o ac o de p opo um discu so/uma ideia74 (o mesmo se á dize um pensamen o exposi i o). Do pon o de is a ope acional assis imos a um ac o de ansposição e ma e ialização de um sabe que é ‘expog a ado’ a pa i de um ou o co po o mado pela combinação de di e sos elemen os exposi i os e em que o cená io75 se a igu a como pla a o ma da união en e a lógica do discu so76 e a lógica espacial. Assim sendo, de que modo podemos abalha uma ideia e edigi uma sinopse sob e ela? Como con e e uma ideia num espaço habi á el e pe cep í el aos u ilizado es? Como comunica a a és de um espaço especí ico? Temos pois que es as in e ogações de e iam se le adas em conside ação a endendo a que o p óp io pode a gumen a i o da exposição não se con ina ao espaço ísico, diluindo-se que na p odução esc i a sob e a mesma, que nas ac i idades que a complemen am (ciclos de con e ências, conce os, isi as o ien adas) e que mo i am a pa icipação dos públicos, bem como na expe iência que pode á po encia nos u ilizado es77. Ainda nes e segundo pon o da me odologia ap esen ada po Ma ie-Odile de Ba y ou o aspec o que me ece uma ap eciação da nossa pa e diz espei o ao e mo “capí ulo”, u ilizado pela au o a pa a e e i um agmen o da 73 Es e aspec o oi po nós desen ol ido no âmbi o da componen e cu icula do Mes ado em Museologia no módulo Exposição, In es igação e Comunicação, minis ado pela P o .ª Dou o a Raquel Hen iques da Sil a. 74 E “Toda a ideia necessi a de uma de e minada exp essão pa a que se aça comp eende , e a exposição ambém oi encon ando a sua pa a cada opção”. C : RICO, Juan Ca los - Manual p ác ico de museología, museog a ía y écnicas exposi i as, p. 33. ( ad.). 75 Ve a p opósi o: SUNIER, Sand a - “Le scéna io d’une exposi ion”. In Publics e Musées. Nº 11-12, 1997, [Em linha]. pp. 195-211. [Consul . 18 Jan. 2010]. Disponí el em WWW:URL: h p://www.pe see. /doc/pumus_1164-5385_1997_num_11_1_1096 76 Ap op iamo-nos da exp essão “lógica do discu so” usada po Jean Da allon pa a de ini “a ideia e os objec i os que sus en am a exposição e de e minam o p og ama”. Ainda nes a linha, a en e-se que a es u u a concep ual “Consis e em hie a quiza os concei os, uma ez que é p eciso ambém o ganizá- los em unção da lógica discu si a que se que u iliza e que decide a o dem pela qual os mesmos se de em ap esen a ” e que a es u u a exposi i a se e e e à “O ganização espacial an o das unidades exposi i as e sua elação, como da colocação pon ual das ob as”. C : BLANCO, Ángela Ga cía - La exposición. Un medio de comunicación, p. 109. ( ad.). 77 No e-se que a exposição começa mui o an es do espaço exposi i o, a pa i do momen o em que se em con ac o com algo que lhe é ine en e. Eis o exemplo do pode de ans e ência da sua ideia: o con i e, a isualização da in aes u u a onde é ealizada, a lona iden i ica i a à en ada da exposição, e c. 37 na a i a da exposição, a i mando que es a “é um meio de exp essão que se e pa a ansmi i uma mensagem, exac amen e como um li o, um conce o, um ilme”78, o que eme e pa a uma cons ução do ipo de na a i a a is o élica - de endo e , no mínimo, ês pa es: um p íncipio, um meio e um im. Seguindo na mesma linha, ac escen a ainda que “con a uma his ó ia com um p incípio e um im" de e o nece ao isi an e “uma na a i a consis en e que o comp ome e a p ossegui a sua isi a pa a conhece o im”79. Pa a além des a pe spec i a, a au o a aconselha igualmen e a u ilização dos í ulos e sub- í ulos dos ex os pa a o ien a o isi an e “ azendo-o segui o i ine á io que o comissá io lhe que impo ”80. Nes e âmbi o impo a e e i que, em de e minados con ex os exposi i os, a indicação da denominação e/ou nume ação dos núcleos e/ou unidades nos espaços é p o ei osa po pe mi i si ua o isi an e no espaço e acen ua o modo de cons ução da na a i a, cabendo sal agua da , no en an o, um aspec o-cha e que an e io es es udos já comp o a am81 e com mé i o, o de que “uma das mo i ações que acili am a ap endizagem é a libe dade de escolha de i ine á io pelo isi an e. O isi an e, quando en a num no o ambien e, em endência pa a aze uma “ci culação/explo ação ge al” (shopping a ound/di e se explo a ion) pa a depois decidi o que obse a á com calma”82. Já numa monog a ia mais ecen e de Clai e Me leau-Pon y e Jean-Jacques Ez a i83, cujo pe il se assemelha a um manual de concepção e execução de exposições di igido a p o issionais de museu, o p ocesso de elabo ação de uma exposição é a gumen ado de aco do com os seguin es ópicos: - “Escolha do público - Escolha do ema da exposição («em unção do con ex o cul u al, empo al e social da exposição, do público-al o e da missão da ins i uição») 78 C : DE BARY, Ma ie-Odile - “Les di é en es o mes de muséog aphie: de l’exposi ion adi ionnelle au cen e d’in e p é a ion”, p. 195 ( ad.). 78 Idem, p. 197. 79 Idem, p. 196. 80 Idem, p. 200. 81 Vejam-se a í ulo exempli ica i o as análises de exposições e ec uadas po Eliséo Vé on e Ma ine Le asseu em E hnog aphie de l’exposi ion e a de Eloísa Pé ez San os em La e aluación psicológica en los museos y exposiciones: undamen ación eó ica y u ilidad de los es udios de isi an es. 82 C : SCREVEN, Chandle ci . po ALMEIDA, Ad iana Mo a a - A Relação do Público com o Museu do Ins i u o Bu an an: Análise da Exposição “Na Na u eza Não Exis em Vilões, p. 127. 83 C : MERLEAU-PONTY, Clai e e EZRATI, Jean-Jacques - L’exposi ion, héo ie e p a ique. Pa is: L’Ha ma an, 2005, pp. 165-169 ( ad.). 38 - Escolha do luga - Es abelecimen o de um o çamen o e p ocu a de inanciamen o («o o çamen o se á adap ado no deco e da concepção do p ojec o e a p ocu a de inanciamen o pode con inua du an e es a ase de concepção») - Escolha da ou das mensagens - Escolha do ipo de abo dagem do ema - Nomeação de uma comissão cien í ica e escolha de uma equipa («duas ope ações di e en es que se azem em simul âneo») - Documen ação - Pesquisa de ob as e de objec os («es i amen e ligada à documen ação») - C iação de um cená io - Es abelecimen o de um p é-p og ama («desc ição de alhada do con eúdo da exposição que pe mi e aze uma o e a museog á ica») - Escolha de um cenóg a o - De inição de um p é-concei o museog á ico e es abelecimen o de um an e- p ojec o sumá io (APS)84 («de e mina as escolhas p á icas e es é icas da mise en espace da exposição») - Escolha dos supo es de in o mação - Es abelecimen o de um an e-p ojec o de alhado (APD) (« odos os elemen os de exposição (o con eúdo, os objec os, o ma e ial de exposição) são p e is os e nume ados»). A ealização dos planos de alhados e do dossie de consul a das emp esas (DCE)85 - Encomendas depois do es udo dos o çamen os - Conse ação e es au o das ob as se o o caso - Dossie de imp ensa - Redação do con eúdo dos ex os e dos supo es de in o mação 84 An e-p ojec o sumá io. ( ad.). 85 Dossie de consul a de emp esas. ( ad.). 39 - A aliação o ma i a dos ex os - Modi icação dos supo es de in o mação caso exis am - Cons ução e mon agem - Ins alação dos objec os - A inações écnicas (som, luz, imagens) - En io do dossie de imp ensa - Inaugu ação”. Nes e segundo plano de concepção e execução há a egis a que, pa a além de ap esen a uma explanação mais conc e izada des es ópicos - o que não in alida a qualidade de sis ema ização exibida no plano de Ma ie-Odile de Ba y -, em a an agem de in oduzi um pon o dedicado à “A aliação o ma i a dos ex os”, ainda que não con emple ou os ipos de a aliação ais como a p é ia, a suma i a e co ec i a que o na iam aquela modalidade de a aliação mais e icaz. No e-se, con udo, que a a aliação o ma i a incide sob e pequenos g upos de público com o in ui o de es a con eúdos, design, ambien e ísico, legendas, painéis, ma e ial imp esso e, acima de udo, e i ica se os públicos os en ende am, i.e., se os con eúdos são cla os, se êm in e esse e cap am a a enção, na óp ica de ab e ia a complexidade comunica i a subjacen e à cons ução do discu so exposi i o. Es e ipo de a aliação assume-se, pois, como uma p á ica que é an ajosa na medida em que possibili a um a ina das es a égias de comunicação e, consequen emen e, um melho amen o da elação com o isi an e, pe mi indo a es e úl imo ap eende , de uma o ma mais e icaz e/ou apela i a, a mensagem cen al e o pode de ans e ência da sua ideia. Em sín ese, es a modalidade pe mi e ob e in o mação não só quali a i a mas ambém quan i a i a86, eunindo in o mação p á ica, no sen ido de explo a e maximiza a cap ação da a enção dos públicos pa a a comp eensão/descodi icação 86 Pa a um ap o undamen o da ques ão e : FARIA, Ma ga ida Lima de - “A aliação”. In Colecção PÚBLICOS Nº2 - Se iços Educa i os na Cul u a. [Em linha]. Po o: Se epés, 2007. [Consul . 18 Jan. 2012]. Disponí el em WWW:<URL:h p://www.se epes.p /Po als/0/Se ePesEdicoes/Colec%C3%A7%C3%A3o%20P%C3%BAbl icos%20-%20Se i%C3%A7os%20Educa i os.pd >. 40 da(s) mensagem(s) o nando-a(s), des e modo, mais e ec i a(s), na medida em que se exige ao isi an e uma a i ude p oac i a, en ol endo-o em odos os aspec os da expe iência exposi i a, o que inclui a sua con ibuição pa a a a aliação da mesma87. Le ando em linha de con a que no modelo de a aliação de exposições c iado po Sc e en em 1990, ainda hoje com um papel de des aque, às á ias e apas do p ocesso exposi i o co espondem dis in os ipos de a aliação: ase de plani icação (a aliação p é ia), ase de desenho (a aliação o ma i a) e ase de ocupação (suma i a e co ec i a), acili ado es do soma ó io de p oblemas, opções e objec i os adequados que lhe são ine en es88, qual a azão pa a não e em sido con emplados ou os ipos de a aliação ou undamen ada a sua ausência nes e esquema de abalho? Fei o o diagnós ico, ab e-se o caminho pa a in e ogações de á ia o dem. A p imei a incide no ac o de que no plano p opos o po Me leau-Pon y e Ez a i a escolha do público in e ém em p imei o luga , an es mesmo da opção emá ica, e e indo os au o es a es e p opósi o que “A escolha do ema pode aze -se em unção dos objec i os e das necessidade da ca ego ia dos isi an es isados. O g ande público es á semp e p on o pa a esponde ao apelo de um ce o núme o de emas po ado es de no idade: de uma manei a ge al, udo o que é alioso, a o, espec acula , mui o an igo (…) despe a a sua a enção”89. Face ao expos o, de e emos dep eende que há emas que não são compa í eis - no sen ido que não são adap á eis - com ce os ipos de públicos? Ou ainda que o pon o de pa ida é sa is aze o público, esponde às suas expec a i as, às suas necessidades ou aos seus desejos? Pa a a maio pa e dos comissá ios, como explicam Me leau-Pon y e Ez a i, a a-se de a ingi o maio núme o de públicos: “Fala de «g ande público» é uma manei a disc e a de camu la o ac o de que, na maio pa e das ezes, os comissá ios 87 “Pa a o e ei o, usam-se maque as de ex os em p epa ação, g á icos, módulos exposi i os, objec os idimensionais, e pede-se a isi an es que se p onunciem sob e a sua legibilidade, disposição, impac o senso ial, ap eciação es é ica, en e ou os, de modo a melho a o seu e ei o comunicacional”. O ipo de écnicas usadas, ace às necessidades e p oblemas da e apa em que o p ocesso exposi i o se encon a e à a aliação co esponden e, assen a na obse ação e p o a das eacções dos públicos, isando p ocede a al e ações ápidas e pe inen es semp e que pa a al haja necessidade e de aco do com os objec i os exposi i os”. C : FARIA, Ma ga ida Lima de - “A aliação”. In Colecção PÚBLICOS Nº2, p. 72. 88 Fó mula que o au o designou como P ocesso de a aliação e desen ol imen o de exposições. Pela ele ância que es e modelo adqui e no es udo da exposição e espec i a a aliação, o mesmo é disponibilizado no Anexo I do p esen e es udo. 89 C : MERLEAU-PONTY, Clai e e EZRATI, Jean-Jacques - L’exposi ion, héo ie e p a ique, p. 40 ( ad.). 41 da exposição não conhecem o seu público po encial”90, azendo pois um p odu o cul u al que julgam in e essa um máximo de pessoas, não se e i icando, po isso, a exis ência de uma me odologia ligada di ec amen e à concepção e execução de uma exposição. Empenhada em colma a es e azio bibliog á ico, Noémie D ougue ealizou, pa a o e ei o, uma sé ie de en e is as91 a p o issionais de museus no sen ido de apu a que as suas p á icas expog á icas, que a e i a e minologia u ilizada pa a as desc e e , isando ensaia e ixa um ocabulá io e uma ipologia especí icas, ap esen ando os adqui idos des a e lexão sob a o ma de esquemas ope a ó ios92. Des e modo, a en emos em dois dos esquemas concebidos po D ougue a pa i dos dados ecolhidos nas en e is as ealizadas a Alain-Gé a d K upa e Jeanno Kuppe : Fig. 4 - Esquema e i ado de Le sens de la isi e. La concep ion de l'exposi ion e le pa cou s de isi e dans les musées d'e hnog aphie égionale e de socié é: analyse héo ique e app oche expé imen ale, 2007. 90 Idem, p. 35. 91 Do uni e so dos inqui idos cons am di ec o es e conse ado es de museus concei uados no campo da e nog a ia: Alain-Gé a d K upa (Musée de la Vie wallonne); Michel Cola delle (Musée des A s e T adi ions populai es); Jean-Claude Duclos (Musée dauphinois) e Benoî Cou ancie (Museon a la en). C : DROUGUET, Noémie - Le sens de la isi e. La concep ion de l'exposi ion e le pa cou s de isi e dans les musées d'e hnog aphie égionale e de socié é: analyse héo ique e app oche expé imen ale. [Em linha]. 2007. [Consul . 27 Jan. 2013].Tese de Dou o amen o em Museologia. Uni e si é de Liège. Disponí el em WWW: h p: h p://bic el.ulg.ac.be/ETD-db/collec ion/a ailable/ULge d-04292008- 171613/>. 92 Pela ele ância que es e ipo de esquemas adqui e enquan o exemplo de me odologia e on e de es udo pa a o ema em ap eço, ap esen amos os es an es nos Anexos II, III, IV, V, VI e VII. Execução do cená io 5. Redacção 6. Pesquisa dos objec os 4. Heu ís ica 1. Escolha do ema 2. Sinopse 3. Cená io 7. “He menêu ica cenog á ica” 9. Fase logís ica 7. Te . Redac. Tex os 8. Publicações 7. bis. Plano de ini i o cenog á ica” 10. Rela ó io 42 Fig. 5 - Esquema e i ado de Le sens de la isi e. La concep ion de l'exposi ion e le pa cou s de isi e dans les musées d'e hnog aphie égionale e de socié é: analyse héo ique e app oche expé imen ale, 2007. Tendo po base as me odologias acima ap esen adas egis e-se que as p á icas museog á icas coincidem odas num pon o: a p imei a e apa consis e em de e mina o ema. Con udo, a mise en exposi ion93 inaliza-se com a mon agem, a ealização ma e ial e a as são as que eco em a o mas de a aliação. Con a iando es a linha de pensamen o su ge o esquema de abalho in i ulado p ocesso de plani icação exposi i a de endido pela Lo d Cul u al Resou ces e que engloba uma a aliação inicial, a in e média e a inal, uma ipi icação que acompanha odo o p ocesso de plani icação exposi i a e se assume, nes a o dem de ideias, como um elemen o cha e do p ocesso ope a i o. 93 “começa com a de inição de um pe cu so com o in ui o de que a isi a « uncione bem» e que os isi an es « e enham alguma coisa»: o ganização de um ci cui o, con i e pa a pa a num de e minado local, pa a le de e minada in o mação, pa a e de e minado obje o, e c.; com o ecu so, semp e que necessá io, a uma ampla panóplia de écnicas museog á icas ais como a disposição de obje os, es ei amen o de passagens, iluminação, c iações de ambien e, isi a guiada”. C : Da allon, Jean - Le don du pa imoine: une app oche communica ionnelle de la pa imonialisa ion, p. 38. ( ad.). 1. Escolha do ex o 2. Comissão cien í ica 2’ Sinopse cien í ica 3. Cenog a ia 5. Sinopse ilus ada 4. Pesquisa de objec os Redacção de ex os Dossie pedagógogico 9. Explo ação 8. Comunicação 7. Cons ução 6. Financiamen o 49 CAPÍTULO 2 - As linguagens da exposição Fig. 7 - Exe cício de lei u a e de au o- e lexão c í ica ealizado po Ma iano Piça a. Co esia Ma iano Piça a, 2011. 1. In odução 1.1. O sen ido das pala as e a essência das p á icas Il es bien ce ain pou ou le monde que l’exposi ion ne possède pas de «langue» au sens que les sciences du langage donnen à ce e me. Mais (…) l’exposi ion n’en es pas moins un ai de langage. Le assemblemen d’obje s en un lieu ou e au public ne su i pas à end e ces obje s comp éhensibles. Il leu au enco e une p ésen a ion e un en i onnemen qui asse sens. A l’opposé, la capaci é à ai e sens n’es pas di ec emen p opo ionnelle à la quan i é de ex es p ésen s su les panneaux, ca els, dans les ca alogues, oi e dans les discou s d’anima ion. Le sens ad ien aussi pa la disposi ion, la mise en scène, le ecou s aux schémas, aux pho og aphies e au e au es moyens isuels e spa iaux101. De aco do com a ci ação em epíg a e o na-se e iden e o que en endemos po linguagens da exposição, i.e., o conjun o de écnicas que es a explo a - enquan o p ocesso écnico e c ia i o na p ocu a de um cená io a o á el a uma o ganização e ‘disciplina ização’ do espaço - endo em is a comunica uma ideia jun o dos públicos. Di o de ou o modo, é a o ma de exp essão p óp ia e o iginal102 que a exposição elege 101 DAVALLON, Jean - L’exposi ion à l’oeu e. S a égies de communica ion…, p. 87. 102 E “que não esul a implici amen e dos objec os expos os, nem é cons i uída pelos ex os que os acompanham. Ela esul a da associação de elemen os e bais (dos ex os, dos comen á ios sono os) e de elemen os não- e bais, que podem se isuais, audi i os, po ezes ol ac i os ou ác eis, excepcionalmen e gus a i os. Nenhum des es elemen os é o almen e signi ica i o po si só na exposição: é o seu agenciamen o, a sua combinação e o con ex o no qual se dispõem que são po ado es de sen ido”. C : GOB, And é; DROUGUET, Noémie - La muséologie, his oi e, dé eloppemen s…, p. 111 ( ad.). 50 pa a aduzi o seu p og ama cien í ico e exe ci a um ac o de maquilhagem no espaço, uma expe iência holís ica (e condicionado a da lei u a dos con eúdos exibidos) onde o cogni i o ‘seduz’ o es é ico, o emo i o e o sensi i o. Pos o is o, e na en a i a de con e i uma ce a es u u alidade ao concei o de exposição, impunha-se disco e , nes a p imei a pa e de p é- igu ação, ace ca desses p ocedimen os écnicos e c ia i os cuja essência encon a ep esen a i idade nos concei os de museog a ia, expog a ia, expologia e cenog a ia, indissociá eis do uni e so das exposições. Condensado as de di e en es ní eis de complexidade écnica e e lexi a, es as ma izes de ini ó ias, pa a além de aduzi em a especi icidade comunicacional da exposição, a igu am-se igualmen e como a ocasião p i ilegiada pa a a consolidação do conhecimen o e e en e ao ema, pe mi indo cla i ica e de e mina o ní el de p oblema icidade com que o domínio da eo ia da exposição se depa a, po se a e minologia uma o ma de ans e ência e de p odução de um pensamen o especializado sob e os sabe es- aze e pe is dos p o issionais que mobiliza. Nes e con ex o, é opo uno escla ece que os e e idos concei os são po ado es de um ele ado g au de po osidade, esul ando es a não só do ac o de cong ega em conhecimen os e compe ências p o enien es de ou as á eas do sabe ex e nas à museologia, designadamen e a a qui ec u a, o design, a deco ação de in e io es, o ea o, mas ambém da ulga ização do seu uso em múl iplos con ex os geog á icos, daí su gi em, mui as ezes, con undidos que em ce os sec o es de in es igação, que a é na bibliog a ia da especialidade103. Assis e-se, e ec i amen e, a uma sob eposição e a iculação de a iá eis que se undem e en am em con li o, um imb icamen o camu lado da p ecisão dos pe is dos agen es que ac uam nes e campo de 103 Segundo Ma ia Te esa Cab é, a p óp ia e minologia assume-se como “uma in e disciplina, cons i uída po elemen os p oceden es de ou as disciplinas, po ém com bases eó icas delimi adas e objec o de es udo de inido. A au o a “não conside a a e minologia uma disciplina o iginal no seu sen ido mais amplo, mas sim em sen ido es i o, pois, na sua concepção, é uma disciplina que, ao oma alguns undamen os de ou as disciplinas, seleciona elemen os de cada uma delas e cons ói um espaço p óp io e o iginal, di e enciado dos ou os campos cien í icos. Apon a, como mo i os pa a essa di e sidade de de inições, a pe spec i a “poliéd ica” da e minologia em elação aos seus undamen os, en oques e aplicações p á icas, além da conhecida polissemia do e mo e minologia, que an o pode se usado pa a designa uma disciplina, uma p á ica ou o p odu o ge ado po essa p á ica”. Ma ia Te esa Cab é Ci . po DIAS, Cláudia Augus o - “Te minologia: concei os e aplicações”. In Re is a Ciência da In o mação, V. 29, n. 1. [Em linha]. 2000, pp. 90-92. [Consul . 18 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:URL:h p:// e is a.ibic .b /ciin /index.php/ciin /a icle/ iew/270, p. 91. 51 especialização, não ha endo uma de inição he mé ica104. Tal ac o di icul a a es abilização do seu sen ido105, embo a essa pe meabilidade de acções e de pe is o me um conjun o de elações que se ac ualiza, ge ando uma p axis comum e uma mecânica mais ou menos gene alizada. Assumida a p oblemá ica, o nosso ep o consis e em cla i ica essas si uações de con li o, auscul ando e p oblema izando, a a és de posicionamen os di e en es, os conhecimen os que es ão na base dessas p á icas e dos desa ios que ac ualmen e se colocam. P opomo-nos des a ei a, e maio men e, pensa a ep esen a i idade desses concei os-cha e do ocabulá io museológico eunindo, pa a o e ei o, um conjun o de ópicos que se aduzem em: a) escla ece as al e ações semân icas oco idas ao longo dos empos; b) especi ica as in e acções no seio dos mesmos, e idenciando que os seus pon os comuns, que as suas di e enças; c) pe cepciona a o ma como in luem no abalho comunicacional da exposição. T a a-se, pois, de p ocede ao início da pesquisa que nos pe mi i á desen lo e a segunda pa e da ese, dedicada aos es udos de caso. a) Museog a ia, expog a ia, expologia e cenog a ia: algumas p ecisões e minológicas Como e e ido p e iamen e, o campo de concep ualização que deco e dos concei os de expog a ia, expologia e de cenog a ia é ibu á io de um esquema ope a ó io an e io , admi indo-se, no en an o, que se p oceda a uma e lexão que e se a e minologia mais ecen e, com qualidade e no idade, sem se necessá io 104 Regis e-se a es e p opósi o que “os limi es en e os di e en es e mos enunciados não são semp e mui o ní idos: com e ei o, de um p ojec o pa a ou o, de um ac o pa a ou o, de um museólogo pa a ou o, cons a a-se uma ce a pe meabilidade en e as acções”. C : GOB, And é; DROUGUET, Noémie - La muséologie, his oi e, dé eloppemen s... p. 16 ( ad.). 105 Cabe aqui eco da a in e enção da «museóloga/museóg a a» Ma ine Thomas-Bou gneu no con ex o de um encon o o ganizado pela associação de cenóg a os (si e : (h p://www.scenog aphes. /scenog aphes. /accueil.h ml) no ano de 2008 em Pa is: “Sim, a ques ão da e minologia é impo an e pa a que possamos abalha , e sob e udo pa a que não sejamos «pessoas de con eúdos» esquecidas ou mal a adas pelos o çamen os e pelos calendá ios dos p ojec os. Não me impo o com o e mo que no inal se á u ilizado - não me impo o, não é e dade, po que a linguagem é uma a ma - mas é p eciso denomina as compe ências, e e mos p ecisos e pa ilhados. Não, os e mos não são ixos (e no meu ca ão de isi a eu coloquei «museólogo/museóg a o», e se é di ícil de ixa es es e mos, pa ece-me con udo possí el de aze . «Museóg a o» com e ei o não es á mal pa a o abalho dos con eúdos, além disso já exis e «cenóg a o», a é mesmo a qui ec o-cenóg a o”. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p: h p://www.in e lou.ne /m%C3%A9 hode- ocabulai e-exemples/> p. 1. ( ad.). 52 eco e à e minologia mais an iga. É, po conseguin e, ao ab igo des a cons a ação que emp eende emos uma abo dagem supo ada nos concei os ‘di os’ mais con empo âneos. Nes a linha, deb ucemo-nos, em p imei a ins ância, sob e as de inições de expog a ia e expologia incluídas no ecen e Dic ionnai e encyclopédique de muséologie106: Expog a ia (angl. Expog aphy, Exhibi ion design, esp. Expog a ía) - É a a e de expo . (…) A expog a ia isa a p ocu a de uma linguagem e de uma exp essão iel pa a aduzi o p og ama cien í ico de uma exposição. Nes e aspec o, dis ingue-se da deco ação, que u iliza os con eúdos expos os em unção de simples c i é ios es é icos, e da cenog a ia no seu sen ido es i o, que, sal o ce as aplicações pa icula es, se se e dos con eúdos expos os ligados ao p og ama cien í ico como ins umen os de um espec áculo, sem que sejam necessa iamen e os sujei os cen ais des e espec áculo. Expologia (angl. Expology, esp. Expología) - Dis in o da museologia, a expologia é o es udo da exposição - não a sua p á ica (a expog a ia), mas a sua eo ia. Mesmo se ela pode se pa e da museologia, ela dis ingue-se na medida em que as exposições podem p oduzi -se nou os locais sem se os museus”107. Es as acepções me ecem, desde já, dois apon amen os p é ios: um p imei o que eme e pa a o ac o de exis i uma endência imedia a pa a se em con undidas com a museog a ia108, “um co po de écnicas e de p á icas aplicadas ao museu”, de aco do com Geo ges-Hen i Ri iè e109. Fala -se-á, po isso, de uma ac i idade di eccionada pa a o plano p á ico e que inclui o conjun o das écnicas implemen adas no sen ido de melho a o uncionamen o dos museus, nomeadamen e nos domínios da conse ação e da segu ança, endo po objec o desc e e e analisa a concepção de 106 C : DESVALLÉES And és; MAIRESSE F ançois (di .) - Dic ionnai e encyclopédique de muséologie, p. 599 ( ad.). 107 Idem, p. 3 ( ad.). 108 Denominação que su ge no século XVIII quando Caspa F ied ich Neickel publica em 1727 o seu a ado de museog a ia - “Museog a ia ou ins uções pa a o co ec o en endimen o e in e p e ação dos museus ou gabine es do mundo”. C : HERNÁNDEZ, F ancisca He nández - Plan eamien os Teó icos de la Museologia. Gijón: T ea, 2006, p. 31 ( ad.). Como e e e And és Des allées, o e mo museog a ia em endência “em ancês, pa a designa apenas a a e - ou as écnicas - de exposição ( ala-se de “p og ama museog á ico”), azão pela qual alguns p e e em o e mo expog a ia”. C : GOB, And é; DROUGUET, Noémie - La muséologie, his oi e, dé eloppemen s… p. 16 ( ad.). 109 C : AA. VV. - La Muséologie selon Geo ges-Hen i Ri iè e, p. 270 ( ad.). 53 uma exposição, a sua es u u a, o seu modus ope andi; um segundo apon amen o insc e e o e mo expog a ia numa cadeia de ou os aspec os axiais da eng enagem exposi i a e que in e essa, de sob emanei a, ele a , na medida em que não é possí el pensa o discu so expog á ico de o ma isolada, mas sim em con o midade com o p ojec o cu a o ial, o que em e o ça a ideia de que o sucesso das opções omadas no deco e do aseamen o de uma exposição, e que englobam os p ocedimen os écnicos ( ais como a co , a ex u a, o ma e ial g á ico, a iluminação, o som, e c.), de e p i ilegia uma g amá ica em sin onia com o ideá io do p ojec o. Pa icula izando, o e mo expog a ia cunhado po And é Des allées em 1993 como complemen o ao concei o de museog a ia designa a mise en exposi ion110, e apenas o que en ol e a mise en espace111, i.e., udo o que a ela se e e e, sendo de exclui , po an o, ac i idades museog á icas ais como a conse ação, a segu ança, e c., e que es as se si uem num espaço museal ou não museal, dema cando-se, assim, em pa e, da de inição de expog a ia ap esen ada po Juan Ca los Rico, em 2006, no seu Manual p ác ico de museología, museog a ía y écnicas exposi i as e que engloba a “ odos os conhecimen os p á icos e écnicos que ão desde a iluminação, a conse ação, e c… a é aos mais sub is do diálogo do objec o com a a qui ec u a, a o denação e elação en e as peças de uma exposição, a pe cepção do isi an e e o es udo dos pon os de is a”112. É p ecisamen e o e mo expog a ia, in oduzido ace ca de uma década, que em o na menos ambíguo es e campo de ac uação, passando a noção de expog a ia a se elacionada com udo o que en ol e o domínio da exposição. 110 “Ope ação que consis e em c ia um espaço de media ização en e o isi an e e os objec os, cons i uindo um con ex o cogni i o o ganizado, pa a ap esen a um conjun o de in o mações. É um abalho de semio ização e de es abelecimen o em con ex o de objec os cul u ais e na u ais. À descon ex ualização das coisas co esponde uma econ ex ualização ope ada pelo ac o de expo ”. C : GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel e signi ican , p. 65 ( ad.). 111 “Ac o de p oduzi espaços no espaço e com o espaço. A mon agem no espaço não é o çosamen e uma acção de da a e num objec i o de exposição e com a in enção de comunica ”. Idem, p. 66. ( ad.). 112 C : RICO, Juan Ca los - Manual p ác ico de museología, museog a ía y écnicas exposi i as, p. 17 ( ad.). 54 No ecen e a igo Élémen s d’expologie: ma é iaux pou une héo ie du disposi i muséal113 de F ançois Mai esse e Cecilia Hu ley, publicado no ano de 2012, os au o es pa em do pos ulado que “a exposição pode e ec i amen e se ap esen ada como a esul an e de um disposi i o que põe em con ac o um indi íduo com agen es”114, disse ando, numa es imulan e abo dagem, ace ca das noções de museologia, expologia e disposi i o. Des e modo, ab em necessa iamen e o concei o de exposição a um ou o, o de disposi i o, essencial no con ex o e lexi o que nos in e essa explo a , een iando-o “pa a o conjun o de en a i as de eo ização ou de e lexão c í ica ligadas ao campo museal”115. Os au o es ad e em ainda pa a o ac o de que “uma al e lexão incide não somen e sob e a manei a de a alia uma exposição, de a alia o seu e ei o sob e o público, mas ambém sob e o conjun o das écnicas u ilizadas pa a ealiza o p óp io disposi i o de mos a”116. Pa a além des es aspec os, impo a salien a o no á el exe cício de e lexão que le a am a cabo no sen ido de da -a- e a his ó ia da análise do disposi i o expog á ico, sin onizando-a com um escol de au o es de e e ência como Gilles Deleuze, Michel Foucaul , Gio gio Agamben, Be na d Deloche, en e ou os. No que à li e a u a da especialidade se e e e, a maio pa e das e e ências à expologia e à expog a ia su gem associadas à museog a ia, domínio es e bas an e as o e explanado em manuais écnicos, dicioná ios de museologia, a igos cien í icos e abalhos académicos que se cen am naqueles concei os, embo a de o ma 113 C : MAIRESSE, F ançois; HURLEY, Cecilia G iene - “Élémen s d'expologie : ma é iaux pou une héo ie du disposi i muséal”. In MediaT opes eJou nal. Vol III, Nº 2, 2012, pp. 1-27. [Em linha] [Consul . 18 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p: h p://www.media opes.com/index.php/Media opes/a icle/ iew/16896> 114 Regis e-se que a noção de disposi i o “cons i ui uma noção mais ge al que a de exposição. O e mo disposi i o é u ilizado comumen e nos países ancó onos, eme endo (…) pa a um con ex o écnico (a manei a como são dispos as as pa es de uma máquina), mili a (os meios dispos os endo em is a uma es a égia) ou ju ídico (as pa es do julgamen o que dizem espei o às disposições p e is as pela sen ença). Nes e con ex o, é emp egue sob e udo pelos p o issionais de museu, como uma espécie de e mo écnico: do mesmo modo que se ala de máquina, ala -se-á de disposi i o de exposição ou de disposi i o expog á ico ou de disposi i o expog á ico ou comunicacional”. Idem, p. 5 ( ad.). 115 C : DESVALLÉES, And é; MAIRESSE, F ançois (di .) - Concep s clés de muséologie, p. 57. 116 “Pode-se e ec i amen e comp eende , num al con ex o, po que azão a expologia, pensada como p ocesso de medida ou de a aliação, pode conduzi a in e i , no que espei a aos museus, que ela seja cons i uída pelo conjun o das pesquisas sob e os públicos dos museus. O domínio dos es udos de isi an es cons i ui com e ei o um campo de es udo pa icula men e ac i o, cujos esul ados são p eciosos. Toda ia ele cons i ui apenas uma pa e do que pode íamos a uma sob o nome a designação de expologia”. C : MAIRESSE, F ançois; HURLEY, Cecilia G iene - “Élémen s d’expologie: ma é iaux pou une héo ie…”, p. 4 ( ad.). 55 supe icial e, em alguns casos, desac ualizada. No en an o, os en oques po enciados em uni e so académico êm en iquecido a discussão em o no des a emá ica, sob e udo se conside a mos uma sé ie de disse ações de mes ado e eses de dou o amen o que, a pa i do ano de 2000, con emplam pe spec i as escla ecedo as do pe cu so e olu i o dos e e idos e mos. Ou a ace a é dada pela in o mação disponibilizada pelo si e do Conselho In e nacional de Museus, pela ob ida du an e os encon os117 di eccionados pa a as megaexposições ou pelo uso da cenog a ia e das no as linguagens que en ol em a mediação cul u al118. Nes e âmbi o, ac esce ainda e e i que as monog a ias no domínio da his ó ia da a e, bem como os ca álogos de exposições, se e elam, com equência, pa cos em in o mação expog á ica, o necendo, con udo, dados subs anciais pa a um enquad amen o global da p opos a cu a o ial. Pa a uma melho cla i icação des es concei os-cha e do ocabulá io museológico seleccionámos dois esquemas que se nos a igu am mui o ú eis pa a a pe cepção dos con eúdos concep uais a que su gem aliados. Di idido em ês á eas con ac uan es, es e p imei o esquema ixa ês unções museológicas que condicionam, undamen am e cons i uem a coluna e eb al do discu so museal, con ibuindo não só pa a a comp eensão da especi icidade que en ol e es es ês concei os nuclea es, mas ambém pa a a pe cepção do po encial e lexi o de que os mesmos são po ado es. 117 Em 1946, o ecém inaugu ado Conselho In e nacional dos Museus conside ou a museog a ia como um dos assun os p incipais a se em deba idos nos cong essos pe iódicos. Sob e es e ema, ejam-se: MARANDA, Lynn - “The Language o he Exhibi ion”. In ICOFOM STUDY SERIES, no. 19, Ve ey. [Em linha]. pp. 69-79, 1991. [Consul . 27 Jan. 2013]. Disponí el em WWW: h p://icom.museum/ ileadmin/use _upload/minisi es/ico om/pd /ISS%2019%20(1991)+la e %20pape s(FINAL).PDF>; e AA.VV. - ICOFOM S udy Se ies - ISS 38. MUSÉOLOGIE: REVISITER NOS FONDAMENTAUX. [Em linha]. pp. 1-321, 2009. [Consul . 27 Jan. 2013]. Disponí el em WWW: h p://ne wo k.icom.museum/ ileadmin/use _upload/minisi es/ico om/pd /ISS%2038-2009.pd >. 118 Nes e con ex o, cabe e e i o Colóquio In e nacional ealizado no ano de 2008, no Québec, e subo dinado ao ema La scénog aphie d'exposi ion aujou d'hui: c ise e c i ique d'une onc ion en mu a ion e as jo nadas nacionais Expose l’a con empo ain : les commissai es comme in e médiai es que i e am luga em Rennes no ano de 2012. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p: h p:// hankyou o coming.ne / able onde2012- ennes/>. 56 Fig. 8 - Esquema e i ado de AA.VV - Design e Muséog aphie, 2009. A sua obse ação pe mi e cons a a a exis ência de uma maio ab angência na p imei a á ea, consag ada à museog a ia e às unções museológicas que lhe es ão associadas, conc e amen e a exposição, a comunicação e a conse ação, bem como o a unilamen o des as mesmas unções no sen ido de acompanha o i mo das opções mais sub is do diálogo objec o - obse ado 119. Pos o is o, e i icamos que o campo da expog a ia é ainda mais ge al que o campo da cenog a ia, po se a a o p imei o de um domínio ese ado à mise en scène120 do objec o quando expos o nas i inas, num de e minado espaço e con ex o a qui ec ónico. Já a cenog a ia a a dos aspec os di os o mais, ma e iais e écnicos do apa elhamen o do espaço de exposição121 (co es, i inas, iluminação, e c.), p ocu ando as ó mulas mais adequadas à pe cepção 119 É ce o que es as oscilações e ajus es e minológicos são deco en es de a inamen os écnicos, ac ualizações, adap ações, a aliações e ea aliações que as di e sas épocas, o a anço dos es udos e o apa ecimen o de no os p o issionais ac escen a am ao concei o de museu e que não cons i uí am mais do que en a i as de esponde ( unção in e p e a i a) às ealidades p og essi amen e impos as pelo a qué ipo in e nacional. 120 “Conc e iza, a a és da mon agem, a in e p e ação ou, se se quise , a lei u a do " ema" da exposição e dos objec os ei a pelo designe . A isi a equi ale à lei u a des a conc e ização”. C : GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion…, p. 65 ( ad.). 121 Sob e es e ema, suge e-se a consul a de: HUGHES, Philip - Scénog aphie d'exposi ion. Pa is: Ey olles, 2010; e GRZECH, Kinga - “La scénog aphie d’exposi ion, une média ion pa l’espace”. In La le e de l’Ocim. [Em linha] pp. 1-9, 2004. [Consul . 18 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p: h p://doc.ocim. /LO/LO096/LO.96(1)-pp.04-12.pd >. 57 do p og ama museog á ico122 de uma exposição, dis inguindo-se, des e modo, da deco ação que u iliza os con eúdos e ou os elemen os da ap esen ação em unção de c i é ios es é icos123. Delimi ados es es concei os, su ge ago a o segundo esquema que demons a, de o ma cla a, o papel dos agen es que ope am nes e p ocesso c ia i o, assinalando as in e dependências dos seus pe is, as elações lógicas es abelecidas e o es o ço de adução e adap ação das linguagens aos públicos, desenhando um e ei o de ci cula idade que assen a na lógica ges ual124 do isi an e quando é colocado em in e acção com a exposição, cons i uindo-se, pois, como um con ibu o de e minan e pa a a a aliação des a: Fig. 9 - Esquema adap ado de AA.VV - Museology: Back o Basics. ICOFOM S udy Se ies - ISS 38, 2009. De aco do com o ICOM, o museóg a o125 possui, de um modo ge al, “uma isão especializada sob e o conjun o do uncionamen o do museu-p ese ação, in es igação 122 “Es udo p é io dos es udos de domínio de ob a que aduz objec i os de inidos no P ojec o Cul u al e Cien í ico”. In Glossai e de la muséog aphie e de la média ion muséog aphique. [Em linha]. [Consul . 18 Ab il. 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p://www.me ap axis. / eche che_glossai e.h ml>. ( ad.). 123 C : GOB, And é; DROUGUET, Noémie - La muséologie, his oi e, dé eloppemen s, enjeux ac uels. p. 16 ( ad.). 124 Sob e es e assun o, consul e-se a ob a: DAVALLON, Jean - L’Exposi ion à l’oeu e: s a égies de communica ion e média ion symbolique. Em pa icula , o capí ulo I - La mise en œu e de s a égies communica ionnelles. 125 Sob e o papel des e agen e no p ocesso exposi i o, suge em-se as seguin es e e ências bibliog á icas: WEISINGER, G aciela - “Le muséog aphe e ses di é en s ôles”. In ICOFOM S udy Se ies - ISS 38 MUSÉOLOGIE : REVISITER NOS FONDAMENTAUX. pp. 295-318; CHAUMIER, Se ge; LEVILLAIN 58 e comunicação e pode adminis a os dados elacionados an o com a conse ação p e en i a como com as in o mações que se de em comunica aos di e en es públicos”126. Cabe-lhe, assim, depois de de inido o concei o da exposição, decidi o pe cu so e os p incípios da mise en espace, a e i as emá icas, os con eúdos e as lei u as possí eis, de aco do com as necessidades dos di e en es públicos, bem como hie a quiza as in o mações, cons i uindo-se a sua es e a de acção numa pla a o ma mediado a en e os á ios p ojec os127 e que em um papel de e minan e na p odução de sen idos e signi icados. Dis ingue-se do expóg a o, na medida em que es e ence a, em si mesmo, o conjun o de compe ências écnicas necessá ias à ma e ialização de uma exposição, i.e., udo o que espei a à comunicação ealizada à ol a da mesma, exe ci ando a mediação da mensagem exposi i a po in e médio de ecu sos expog á icos ( ais como a sinalé ica in e io e ex e io , publicação do ca álogo, con i es e c.). Po sua ez, o cenóg a o é quem ai ‘pô em cena’, de o ma c ia i a, as écnicas de adequação de objec os e de emá ios endo em is a o na comp eensí el a mensagem cen al da exposição, ope ando, nes e sen ido, mais ao ní el do aspec o isual e espacial, não subs i uindo, con udo, o abalho do museóg a o128. b) Joseph Kosu h: um ma co na his ó ia da análise do disposi i o expog á ico Pa a complemen a es a análise, con ocámos um caso pa icula men e in e essan e, o das ins alações ealizadas pelo a is a concep ual ame icano Joseph Kosu h (n. 1945): The Play o he Unsayable, na Vienna Secession (1989), e The Play o he Unmmen ionable, no B ooklyn Museum o A (1990)129. Insc i as numa linha Agnès - “Qu’es -ce qu’un museog aphe?”. In la Le e de l’OCIM, n° 107, 2006. [Em linha]. [Consul . 8 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW:<URL:h p://a chi esic.ccsd.cn s. /docs/00/47/22/81/PDF/m_le illain_chaumie lo.107pp.13- 18.pd >; e MARTIN-PAYEN, Ca he ine - “Muséog aphe, quel mé ie ?”. In la Le e de l’OCIM, nº 88. [Em linha]. 2003, pp. 3-8. [Consul . 8 Ma ço 2013]. Disponí el em WWW: <URL: h p://doc.ocim. /LO/LO088/LO.88(1)-pp.03-08.pd >. 126 C : AA.VV - Museology: Back o Basics. ICOFOM S udy Se ies - ISS 38, p. 123 ( ad.). 127 Nunca é demais lemb a que em exposição exis em mui os p ojec os den o do mesmo p ojec o (ou seja, emos o p ojec o do p óp io Museu, o do cu ado , o da luz, o do design, e c., e odos eles de em conco e pa a um odo, pa a um p odu o isual inal, sendo ce o que, po ezes, en am em con li o. 128 Pa a uma isão mais la a do papel do cenóg a o, e : BERTHON, Oli ia - “La scénog aphie - Insc i e l’exposi ion dans l’espace”. In AA.VV - Conce oi e éalise une exposi ion. Les mé ie s, les mé hodes, pp. 39-60. 129 Pa a uma análise mais de alhada des as in e enções e : KYNASTON, McShine - The Museum as Muse-a is s e lec . New Yo k. The Museum o Mode n A , 1999. 65 campos de es udo da Semió ica e da Teo ia da exposição, i ando pa ido do seu ca ác e in e disciplina - e longe de in oca mos uma pe spec i a semiológica da ques ão - que in en a emos p ocede a uma espécie de sín ese e lexi a sob e concei os capazes de signi ica ‘coisas’ ausen es e que, embo a não explici amen e con idos na na a i a discu si a da exposição, ope am como mediado es en e essas ‘coisas’ ausen es e os ecep o es. P ocu a emos, do mesmo modo, si ua concep ualmen e as elações hie á quicas e especí icas que a ques ão do espaço exposi i o e oca, bem como os á ios aspec os de ca ác e écnico, ope acional e de con eúdo que o mesmo inco po a. Explanados os pa âme os subjacen es à nossa escolha, impo a ainda escla ece que es e segundo pon o assume (e conjuga) um duplo p opósi o: po um lado, ope acionaliza a consciência e lexi a ine en e às ques ões que o espaço exposi i o con oca, po ou o, en a iza a necessidade de uma no a abo dagem eó ica sob e a exposição, i.e., o que nos pa ece se a eme gência de uma no a concepção dos ac os de comunicação145, conside ando a he e ogeneidade e subjec i idade dos elemen os que a compõem, alo izando, simul aneamen e, as suas componen es me a ó ica e elacional146, no en endimen o da exposição enquan o eículo de comunicação. Finalizamos es a no a in odu ó ia com um esquema elucida i o do pe cu so e lexi o que segui emos: 145 Veja-se a es e p opósi o: SCHEINER, Te eza C is ina - “Comunicação, Educação, Exposição: no os sabe es, no os sen idos”. In Semios e a. Re is a de Comunicação e Cul u a, Rio de Janei o, n. 4-5, 2003. [Em linha]. [Consul . 15 Jan. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.nomads.usp.b /pesquisas/cul u a_digi al/pa imonio_cul u al_e_midias_digi ais/ ex os/07- 05-18_A igo_Te eza_Scheine .pd >. 146 “En ende a exposição como espaço elacional signi ica, an es de udo, p ocu a pe cebê-la como ins ância de imp egnação dos sen idos. Signi ica p ocu a en ende , em p o undidade, as in ini as e delicadas nuances de ocas simbólicas possibili adas pela ime são do co po humano no espaço exposi i o. Es a ime são se á ão mais in ensa e e ec i a quan o mais abe os o em os modos de con ole das a iculações en e o ma, espaço, empo, som, luz, co , objec o e con eúdos. Que o dize que o con ole excessi o e absolu o da écnica pode ajuda a c ia magní icos espe áculos isuais ou mul imídia, que mobilizem os sen idos do isi an e no plano cogni i o (cu iosidade) ou mo o (mo imen o), mas que di icilmen e pode ão ge a ins âncias de e dadei a mobilização a ec i a. E é no plano a ec i o que se elabo a a comunicação: é no a ec o que a men e e o co po se mobilizam em conjun o, ab indo os espaços do men al pa a no os sabe es, no as isões de mundo, no as expe iências, no as possibilidades de pe cepção”. C : SCHEINER, Te eza - “Comunicação, Educação, Exposição: no os sabe es, no os sen idos”, s.p. 66 Fig. 13 - Esquema e i ado de “Espace public e publics d’exposi ions. Les pa cou s: une a ai e à sui e”, 2001. a) Discu so s. Pe cu so l’app op ia ion, c’es l’in ég a ion à soi d’un élémen pe çu comme ex é ieu à soi147. Pa indo da ideia de que a ap op iação do con eúdo de uma exposição se conc e iza no ac o de ap op iação do espaço po pa e dos isi an es, o mesmo se á dize , no seu pe cu so, a exposição assume-se, en ão, como o c uzamen o en e o público-al o da ansmissão desse con eúdo e quem a concebe, i.e., assis e-se à u ilização ‘po uns’ de um espaço o ganizado ‘po ou os’. O ganicamen e ligada a um espaço, a exposição em a in enção de p omo e uma disciplina ização e espacialização de sen idos, pe mi indo e a o ecendo, a a és dos con eúdos exibidos, a sua ap op iação po pa e dos isi an es. Assumida como al, a exposição é simul aneamen e discu so e pe cu so, dependendo a sua qualidade discu si a, em boa medida, da capacidade dos públicos em pe cepciona em, num de e minado empo e mo imen o, os a cos signi ican es ecidos en e os objec os e os espaços p oduzidos. O p óp io concei o de pe cu so148 a igu a-se, na óp ica de alguns in es igado es, como o mo imen o do co po, o seu deslocamen o no espaço. Já, 147 Ma ie-Anne B iè e ci . po BOURROUX, Lucille; SCHNEIDER, Ma hilde - “C éa ion d’un nou eau p o ocole d’é alua ion des exposi ions”. In La Le e de l’OCIM. n°130 (Julho-Agos o), 2010. [Em linha]. [Consul . 15 Jan. 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p:h p://doc.ocim. /opac_css/doc_num.php?explnum_id=868>, p. 28. 148 “O sen ido comum dá á ias acepções, mos ando a complexidade des e e mo (caminho, ci cui o, i ine á io, ajec o, ajec ó ia, ma cha, passeio, passagem, e apa, e c.). Is o mos a que o pe cu so é simul aneamen e um luga e um ac o - ac o ealizando-se ( ac o conc e o, no espaço e no empo) ou não (pe cu so imaginado a pa i de um pon o ixo, em unção do luga eal)”. C : MARIANI-ROUSSET, Sophie - “Espace public e publics d’exposi ions. Les pa cou s: une a ai e à sui e”, p. 3 ( ad.). Disposi i o p e is o ( oca de imp essões com os c ia i os) Disposi i o cap ado (obse ação e oca de imp essões com os isi an es) Disposi i o “apa en e” (es udo no e eno pelo a aliado ) 67 segundo ou os, ele é in e p e ado como uma “concepção/ isi a” e ealizado em unção do con ex o si uacional em que o mesmo se insc e e. De aco do com Jean Da allon, é “a exposição em empo eal”149 o que implica, po pa e do isi an e, a ges ão p eciosa do seu empo e ene gia, udo de endo se ei o pa a não pe u ba o seu li e a bí io150. Pos o is o, impo a ealça que a alo ização sígnica comunicacional p essupõe a exis ência de um emisso e de um ecep o em sin onia com códigos de exp essão que es ão a se u ilizados e é o isi an e quem, du an e a isi a, “a ança, pá a, ocaliza, escolhe e , le ou escu a , e c.”151. Daí o in e esse, po pa e de Da allon, em analisa a exposição sob um iplo pon o de is a, a sabe , o da concepção, o da mise en exposi ion e o da isi a, e que coincide com “o do p odu o /comissá io e o do p odu o na es a égia que ele desen ol e ao concebe uma exposição, o do ecep o na sua ac i idade de in e p e ação e o da p óp ia exposição, conside ada, de um pon o de is a semiológico, como um « ex o»”152. Se é u ilizado um de e minado egis o, impo a complemen á-lo com um supo e endo em is a a o ece a in e p e ação do isi an e, nomeadamen e a isi a o ien ada, a in o mação adicional, o audioguia, es a égias pa a guia a ac i idade do isi an e no sen ido de: “(i) desen ol e a sua ac i idade de in e p e ação; (ii) o ien a globalmen e es a em o no do con eúdo cien í ico; (iii) aze com que o esul ado des a ac i idade in e p e a i a co esponda, sem demasiados e os, a es e con eúdo”153. Nes a óp ica, podemos aze um pa a elo com ês ipos de pe cu sos de uma exposição, a conside a : “O pe cu so pensado, p e is o an es mesmo da mon agem da exposição: a in elec ualização do escalonamen o das unidades de ap esen ação e da mensagem no espaço; O(s) pe cu so(s) p opos o(s): o(s) caminho(s)- odas as possibilidades de isi a 149 C : DAVALLON, Jean - "Un gen e en mu a ion". In His oi es d'expo: un hème, un lieu, un pa cou s. Pa is: ed. Peuple e Cul u e /CCI /Cen e Geo ges Pompidou, 1983, p. 9. 150 Nes e con ex o cabe egis a que “uma das mo i ações que acili am a ap endizagem é a libe dade de escolha de i ine á io pelo isi an e. O isi an e, quando en a num no o ambien e, em endência pa a aze uma “ci culação/explo ação ge al” (shopping a ound/di e se explo a ion) pa a depois decidi o que obse a á com calma”. C : SCREVEN, Chandle ci . po ALMEIDA, Ad iana Mo a a - A Relação do Público com o Museu do Ins i u o Bu an an: Análise da Exposição “Na Na u eza Não Exis em Vilões, p. 127. 151 C : DAVALLON, Jean (di .) - Claquemu e pou ainsi di e ou l'uni e s: la mise en exposi ion. Pa is: Cen e Geo ges Pompidou/CCI, 1986, p. 11. 152 C : DAVALLON, Jean - "Exposi ion scien i ique, espace e os en ion". In P o ée. 16 (3), Chicou imi (Québec), P o ée/Expo Media, Sep . 1988, pp. 5-16. 153 C : DAVALLON, Jean - L’ Exposi ion à l’oeu e: s a égies de communica ion e média ion symbolique, p. 125. 68 o e ecidas aos isi an es (que não co esponde o çosamen e ao p e is o à pa ida pelos c iado es, nem o que os c iado es pensam e ealizado); O pe cu so i ido: o encaminhamen o - o que os isi an es ize am do espaço, que es e enha sido u ilizado como p e is o ou não - e con on ação com os objec i os dos comissá ios”154. Es e aciocínio pode se ilus ado do seguin e modo: Emissão Recepção C ia i os Pe cu so pensado A ideia Exposição Pe cu so(s) p opos o(s) Os caminhos e ec i os Visi an es Pe cu so i ido O encaminhamen o Pe cu so “ideal” Pe cu sos possí eis Pe cu so e ec uado 1. Pe cu so ísico (a aliação do compo amen o) pe cu so a ealiza pelos isi an es =ma cação de odos os pe cu sos opog á icos possí eis =pe cu so obse ado (ac i idade pa icipan e, ap op iação espacial) (o isi an e) como se “de e “ compo a o isi an e As possibilidades que são o e ecidas aos isi an es como o isi an e se compo a e po quê Papel do pe cu so Pe cu sos de comp eensão disponibilizados Pe cu so semió ico Pe cu so “in elec ual” (emissão/ ecepção, comp eensão, e-cons ução) Discu si idade (mise en discou s) Na a i idades possí eis + igu a i idade (e ei os esul an es da mise en discou s) = a disposi i o mediá ico Na a i idade e ec i a. E ei os de sen ido ( ecepção) O ganização da mensagem a di ulga T ansmissão da mensagem; as di e en es lei u as (possí eis, olun á ias, ou não) Recons ução da exposição ( ecepção de UMA mensagem. Qual?) + Cons ução de sen ido (O isi an e) O que az com que o isi an e comp eenda O que le a á o isi an e a comp eende is o ou aquilo, de aco do com o seu pe cu so O que o isi an e comp eendeu, e aduziu Me odologia: 1. T oca de imp essões com os c ia i os 2. Obse ação no e eno (= o a da isi a) 3. Obse ação dos isi an es + oca de imp essões Fig. 14 - Quad o e i ado de “Espace public e publics d’exposi ions. Les pa cou s: une a ai e à sui e”, 2001. Pa indo des e quad o, conside amos que é possí el es uda p e iamen e os pe cu sos155, es ando, em pa e, o seu g au de acei ação pelos isi an es, com o 154 MARIANI-ROUSSET, Sophie - “Espace public e publics d’exposi ions. Les pa cou s: une a ai e à sui e”, p. 3 ( ad.). 155 “Compe e, assim, aos esponsá eis pelo p oje o de uma exposição de ini que a iculações de ‘ ocabulá io’ desejam na sua na a i a. Lynn Ma anda lemb a que esses mo imen os podem se econhecidos a pa i de qua o g andes ca ego ias: 1) a gené ico/es é ica, que alo iza o aspec o o mal da exposição e abalha sob e a pe cepção es é ica he dada, impo an e componen e da memó ia social; 2) a gené ico/objec i a, que se baseia na in o mação axonómica e no alo cien í ico da colecção e celeb a a pe cepção in elec ual, baseada na a iculação en e simila idades e a iedade; 3) a 69 objec i o de comp eende , an o o p e endido no p ojec o como o eal na p á ica, ainda que seja de econhece que p e alece semp e a ideia de um azio, de um ou o espaço não p e is o pelos p odu o es da exposição, o do domínio do imp e isí el e in isí el, o da indi idualidade, e que aduz a na u eza camu lada do pensa a exposição. É po esse mo i o que, num quad o de ipo exposi i o, o concei o de pe cu so seja ão ele an e, impo ando, de sob emanei a, auscul a o modo como oco eu a cons ução de sen ido, se a mensagem oi ap eendida, quais os elemen os que, a a és dos pe cu sos, mais con ibui am pa a a sua comp eensão, apu ando os pon os o es ou menos o es de uma exposição, ainda que sejam múl iplas as lei u as da mesma. O compo amen o do isi an e aca e a assim um leque de in o mações ace a um de e minado con ex o exposi i o, bem como sob e o p óp io abalho le ado a cabo pela equipa esponsá el pela de inição dessas lei u as nos pe cu sos possí eis156, sendo aqui o co po do isi an e assumido com um p odu o de sen ido, emanando es e da in e p e ação dos elemen os uns pelos ou os. Lemb emos a p opósi o, e no amen e, as e lexões de Ma iano Piça a: “O espaço pe co ido não coincide com o espaço pe cepcionado./As pe cepções dessa i ência cons oem um co po o a do meu./Eu habi o esse ou o, na medida em que ele não me é es anho, pois ele oi cons uído pela minha expe iência. Ele é um abalho á duo de acumulação de expe iências - o denadas, sis ema izadas, ca alogadas./Na medida em que eu ejo com a ou a p esença, es abeleço um diálogo com ela./Se o ou o que é uma espessu a de mim, es á nou o luga , sou no espaço - simul âneo, e, no empo – diac ónico/Se o meu co po desdob asse num ou o, esse ou o é o luga de uma expe iência - ão só/Esse luga pode coincidi com a expe iência de ou o co po, ou o iden e – um aquele./Des e modo, posso pola iza a minha expe iência e es abelece um diálogo com aquele ou o, ou o que não p ojecção de mim, e, ambém habi á-lo e p ojec a -me nele em oda a sua espessu a./An ecipo, des e modo, a minha expe ência, ou melho , desdob o-me no espaço e no empo./Esssa p ojecção é de ou a o dem, na medida em que aqueles ou os, já não são meus - mas pe encem-me./Ve é comunhão./Tudo é e i elmen e complexo e assus ado amen e simples”157. emá ica/na a i a, que es abelece elações en e os conjun os e explici a as ealidades em sua elação; e 4) a emá ica/si uacional, que en a iza a ambien ação, colocando cada elemen o do conjun o em simbiose com a o alidade – a pa i da conjun u a ges ál ica da ime são”. C : SCHEINER, Te eza - “Comunicação, Educação, Exposição: no os sabe es, no os sen idos”, s.p. 156 Nes e âmbi o, é digno de menção o es udo ealizado po Vé on e Le asseu no Cen e Geo ges Pompidou a p opósi o de uma exposição de o og a ia sob e o ema “Les acances en F ance”. Ve : VÉRON, Eliséo; LEVASSEUR, Ma ine - L'espace, le co ps, le sens: e hnog aphie d'une exposi ion. Pa is: Ed. Biblio hèque publique d'in o ma ion-Cen e Geo ges Pompidou, 1983. 157 C : PIÇARRA, Ma iano - “Os luga es de pe ença” [ ex o disponibilizado po Ma iano Piça a no âmbi o do Ciclo de Seminá ios Expe iências de e e ência|Boas p á icas p omo ido pela Rede 70 b) Mise en espace s. Mise en exposi ion Quando ejo, a a és da espessu a da água, o quad iculado do undo da piscina, eu não ejo apesa da água, dos e lexos, ejo-o, jus amen e, a a és deles, po eles. Se não exis issem es as dis o ções, es as lis as de sol, se eu isse, sem es a ca ne, a geome ia do quad iculado, aí sim deixa ia de o e , al como é, onde é, a sabe : mais dis an e do que qualque luga idên ico. Sob e a p óp ia água, a po ência aquosa, o elemen o xapo oso e e e be an e, não posso dize que ela es eja no espaço: não es á nou o luga , mas não es á na piscina. Ela habi a-a, ma e ializa-se aí, ela não es á aí con ida, e, se eu le an a os olhos pa a a co ina dos cip es es, onde b inca o eixe dos e lexos, não posso nega que a água ambém a isi a, ou pelo menos, que lhe en ia a sua essência, ac i a e i a158. A im de conclui a nossa análise, e endo em is a con ibui pa a o en endimen o do es a u o que o espaço de ém num quad o de ipo exposi i o, impunha-se disco e sob e duas noções undamen ais quando somos con on ados com um caso de análise de um disposi i o expog á ico, e e imo-nos conc e amen e à mise en espace e à mise en exposi ion. Pa a al, eco emos ao es udo in i ulado Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel e signi ican ealizado po Soumaya Gha sallah no ano de 2008159 e no qual a au o a, empenhada em “analisa o espaço da exposição a pa i dos disposi i os e p ocessos que azem com que ele exis a e que lhe pe mi em es abelece uma comunicação”160, c iou, pa a o e ei o, um modelo de análise dos p ocessos de signi icação que, pela sua ele ância, aqui ep oduzimos e adop amos como base de abalho. De um modo ge al, es e modelo p e ende demons a “que o p ocesso de signi icação de um disposi i o expog á ico ou de uma mise en espace é in ínseco à Po uguesa de Museus que deco eu no dia 25 de No emb o de 2011 na Fundação Calous e Gulbenkian e incidiu sob e a exposição empo á ia “A Pe spec i a das Coisas. A Na u eza Mo a na Eu opa. Séculos XVII-XX” pa en e na Gale ia de Exposições da Sede daquela ins i uição. 158 MERLEAU-PONTY, Mau ice - O olho e o espí i o. Edi ions Gallima d Vega, 2002, p. 7. 159 C : GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel … Nes e abalho demos especial a enção ao capí ulo I. S a u de l'espace dans le p ocessus communica ionnel. Objec o do nosso cuidado oi ambém o capí ulo II. Desc ip ion, découpage e analyse de l'espace du musée e de l'exposi ion: mé hodologie cujos ópicos I. Le plan, le ex e e la pho o comme ou ils de desc ip ion de l'espace; II. Analyse de l'exposi ion e III. Mé hodologie d'analyse de l'exposi ion que incidem na análise de es udos de caso, num exe cício de co elação en e os discu sos eó ico e p á ico, aspec o undamen al que se coaduna com a nossa p opos a de in es igação. 160 C : GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel …, p. 15. 71 cons ução de um pon o de is a, o mulado a pa i de uma e e ência, e é es e pon o de is a que ai o ganiza o espaço exposi i o e conduzi a p ocessos de in e p e ação di e en es”161. Nes e sen ido, à luz das componen es semió icas ex aídas do modelo pei ciano, a au o a conclui que o sen ido se p oduz g aças à a iculação de ês ipos de espaço: o espaço empí ico, o espaço concep ual e o espaço e e encial. A en emos no seguin e esquema: Fig. 15 - Esquema e i ado de Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion: analyse du p ocessus communica ionnel e signi ican , 2008. Descendo ao pa icula , se pa i mos da ideia que a mise en exposi ion é supo ada po um pon o de is a, com base nes e esquema podemos obse a cinco planos e duas á eas ese adas aos domínios do isi an e e do p odu o , de aco do com os seu pon o de is a. E é es e que ai possibili a a de inição do espaço e e encial e a sua ma e ailização, se indo de in óluc o ao diálogo com os objec os. O abalho deco en e da mise en espace é, assim, de e minan e no p ocesso de signi icação, já que é a sua elação com o abalho da mise en exposi ion que ai possibili a a ap eensão do pon o de is a. Sin e izando, en ende-se po espaço e e encial aquele que “es á si uado num ou o luga empo al e espacial, o a do espaço da exposição. T a a-se de um espaço ep esen ado. É o espaço de onde 161 Idem, p. 59. 72 eme gem as cono ações, o espaço onde se ai escolhe , selecciona , e i a o objec o que se que expo ”162. Na pe spec i a do p odu o , o espaço e e encial co esponde ao espaço a pa i do qual se cons ói a concep ualização do discu so expog á ico. Já na óp ica do isi an e, a igu a-se como o espaço pa a o qual desloca a concep ualização a im de p ocu a o cená io da exposição. Encon a-se igualmen e cono ado com o mundo e e encial, de aco do com Be na d Po ie , su gindo associado ao discu so sob e um dado objec o e, po isso, insc i o em algum luga ou espaço, o a do da exposição, um espaço ep esen ado. Já po sua ez, o espaço concep ual é a “ ep esen ação men al cons uída a pa i do e e encial, que é simul aneamen e ibu á io dos cos umes sociais e das necessidades c ia i as indi iduais. É a es e ní el que se si uam o “objec o imedia o”, o “in e p e an e” e o “ undamen o”, componen es men ais de ep esen ação. No p isma do isi an e, pode se chamado “mundo u ópico”, i.e., um p odu o que esul a da disposição de signi icações p oduzidas no deco e das isi as. P osseguindo, e po úl imo, su ge o espaço empí ico, o “luga de encon o en e o isi an e e o designe que se e ec ua a a és do disposi i o expog á ico. Cons i ui o espaço de pa ida pa a o isi an e. É o con ac o com o disposi i o expog á ico que dá luga à p odução dos e ei os de sen ido. Pa a o designe , o espaço empí ico é o espaço de chegada, no qual e mina o p ocesso de concepção, já que o disposi i o é o esul ado de um longo p ocesso de mon agem e de abalho de media ização”163. No e-se, po ém, que o espaço empí ico é o único espaço imu á el des e modelo, pois é palpá el na exposição a a és do ep esen amen. Já no que ao plano da semió ica se e e e, o espaço empí ico co esponde ao “mundo eal” de Be na d Po ie , ele é homólogo ao “espaço sin é ico” de Da allon, que é o supo e ma e ial da exposição, cons i uído pelos “objec os, expósi os e e amen as que nós imos, dos luga es que nós pe co emos, dos isi an es que nós encon amos e de nós mesmos”164. 162 Idem, p. 63. 163 Idem, p. 60. 164 Segundo Ca he ine Saou e , “ele co esponde ao «espaço do supo e » ou o « espaço plás ico » ; ele ap esen a um o ma o e p opo ções de e minadas pelo medium e os di e en es ipos de cons angimen os aos quais az ace o p odu o (C. Saou e ; 2000: 159). É ambém o equi alen e do « espaço e dadei o », al como o de iniu Philippe Boudon, is o é, o espaço i ido (Ph. Boudon; 1971 : 21). A pa i do espaço empí ico, o isi an e é chamado a in e p e a o que ele pode e , oca , ou i , a é mesmo sen i , en ando em con ac o com o disposi i o expog á ico”. C : GHARSALLAH, Soumaya - Le ôle de l’espace dans le musée e dans l’exposi ion…, p. 65 ( ad.). 73 Em suma, impo a e e que quando abalhamos o ema do espaço em exposição eco emos a g amá icas espaciais e, baseados nessas mesmas g amá icas, são cons uídos modelos de ap op iação do espaço que inco po am os p ocessos no empo e os ac o es que dele são pa e in eg an e. Pos o is o, exe ci a o con í io ecido en e os campos de es udo da Semió ica e da Teo ia da exposição o na-se um desa io undamen al. 1.3. Conclusão à Pa e I Finalizado es e pé iplo de cunho eó ico- e lexi o, sen imos necessidade de sis ema iza as ideias a é aqui desen ol idas, sendo de essal a que o ipo de abo dagem po nós implemen ada se o ien ou po uma ia ques ionan e, p i ilegiando-se uma pe spec i a de abe u a no que à moldu a eó ica da exposição se e e e, ainda que, e na u almen e, po objec i os de cla eza exposi i a, apenas i essemos omado em conside ação os desen ol imen os c í icos que melho ep esen assem a en a i a de concilia as e en es da exposição e a aliação, an e endo-se, desde já, o io condu o que ece a malha ge al que co po aliza o nosso a gumen o cen al. A qui ec ados sob a o ma de um esboço, os con eúdos des a p imei a pa e ins i uem-se como uma espécie de mise à pense a exposição, dando-se con a das suas exigências e necessidades, analisando-se os á ios ní eis de p oblema icidade com que es e enómeno se depa a, a aliando-se, sob e udo, o seu escopo e ope a i idade. Se es a abo dagem nos o e eceu, po um lado, um quad o concep ual que a pos e io i se i á p opósi os de in e p e ação das obse ações no e eno - e que i emos inco po a na pa e seguin e des e abalho, dedicada aos es udos de caso -, po ou o, possibili ou da espos a ao que podemos denomina de exe cício de “b icolage me odológica”165, indispensá el na des inça do objec o em es udo. Nes e come imen o inicial, de i emo-nos igualmen e no es a u o que o espaço de ém na exposição pois, a pa das de inições di as mais adicionais, pe ila-se uma ou a, cen ada na dimensão simbólica e discu si a e que e sa a explo ação dos 165 Ap op iamo-nos da exp essão usada po Lé i-S auss em O pensamen o sel agem. São Paulo: Edi o a Nacional, 1970. 74 sen idos e da signi icação, pe mi indo conclui que os aspec os na a i o-discu si os da exposição assen am em p essupos os e lexi o-pe cep i os que se deslocam mais de pe gun a em pe gun a e não an o de objec o em objec o, e idenciando-se a necessidade de epensa o ema da exposição median e um con on o con inuado com esses nexos e possí eis a iculações. Temos en ão que é p ecisamen e a i alidade das linguagens u ilizadas, e não somen e o ace o em si mesmo, o que o na ascinan e qualque exposição, essa ca ac e ís ica da in o mação em luxo que aca e a sub ilezas e um co po de unidades e e enciais que azem dela um ‘de ini inde inido’, com o es ca gas de subjec i idade, pois odo o discu so esul a de ope ações mediá icas en e os ac os em si mesmos e a (in)in encionalidade de um na ado - con igu ando o que Lyo a d denominou como “me amo ose de a ec os” - e que, ope ando conjun amen e, pode ão con e e a expe iência exposi i a em algo inesquecí el. Como i emos opo unidade de demons a , a exposição impõe-se como si uação e lexi a, endo conhecido no deco e dos úl imos anos uma e olução signi ica i a, sob e udo ao ní el da necessidade de a alia c i icamen e os c i é ios dessas linguagens. No undo, alamos da p ocu a de e i ó ios de adequação, i.e., de exe cícios de con o midade en e a eo ia e a sua aplicação no e eno, de modos de a iculação en e uma p á ica empí ica e uma ambição eó ica, na senda da c iação de condições com is a a ab e ia a dis ância que semp e se e i ica en e elas. Adiemos, po o a, essa demons ação. 81 pa e signi ica i a desses bens, undamen almen e pin u a po uguesa e alguns exempla es de pin u a eu opeia, sob e udo os de o igem lamenga177. Ou o ma co decisi o coincidiu com a abe u a ao público, em 1868, da p imei a Gale ia Nacional de Pin u a, g aças aos es o ços emp eendidos pelo ma quês de Sousa Hols ein (1838- 1878)178, ice-inspec o da Academia desde 1862. Numa das se e salas que compunham o espaço da gale ia, uma delas - a quin a -, es a ia, desde logo, ese ada à pin u a classi icada como po uguesa dos séculos XV e XVI, ope ando-se ali o p imei o a anjo museog á ico adop ado pa a o co pus pic ó ico que, anos mais a de, se i ia a designa “Escola Po uguesa”. Es a opção, que não deixa de se assinala como uma on ade de des ino na pin u a po uguesa, oi cla amen e jus i icada po Hols ein no ca álogo da gale ia de 1868: “A eunião n’uma sala da gale ia de odos os quad os p o a elmen e po uguezes, deixa á que se es ude mais acilmen e a ques ão da exis ência da nossa escola; - adian ando - “po ém, […] se á mis e , pa a chega a uma conclusão de ini i a, compa a es es quad os e odos os ou os similhan es exis en es em Po ugal, não só en e si, mas com os lamengos e os allemães; é indispensá el ambém aze indagações minuciosas nos di e sos a chi os. Sem se complemen a em es es abalhos não se á possí el esc e e a his ó ias das a es em Po ugal”179. Pese embo a es as impo an es inicia i as, uma comissão de no á eis e académicos nomeada pelo Go e no em 1875 oi ale ando pa a o mau es ado em que as ob as se encon a am e pa a a inadequação dos espaços da gale ia, conside ados pouco pa a as ob as que pe ence am à ainha Ca lo a Joaquina, pa a as colecções legadas ou adqui idas a a és de e bas disponibilizadas po algumas pe sonalidades, de en e as quais me ece especial e e ência o ei D. Fe nando II, as doações e ec uadas pelo conde de Ca alhido, a aquisição de pa e da colecção do pad e Mayne, e ou as comp as e doações mais pon uais. 177 C : PORFÍRIO, José Luís -“O o ei o ge al de um Museu”, p. 10. 178 Sob e a acção desen ol ida po Sousa Hols ein e pelos es an es p o esso es da Academia, eja-se: XAVIER, Hugo And é de Almeida Vale Pe ei a - O ma quês de Sousa Hols ein e a o mação da Gale ia Nacional de Pin u a... (II PARTE - O Ma quês Vice-inspe o , pp. 94 -134). 179 C : HOLSTEIN, Ma quês de Sousa - Ca álogo P o isó io da Gale ia Nacional de Pin u a Exis en e na Academia Real das Bellas A es de Lisboa. [Em linha]. 1868, pp. 1-90. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://books.google.p /books?id=VSFHAQAAIAAJ&p in sec= on co e &hl=p - PT&sou ce=gbs_ge_summa y_ &cad=0# =onepage&q& = alse>. pp. 16-17. Hols ein de ende a ainda que os museus “de e iam ep esen a a his ó ia das nossas a es e exibi as p oduções mais no á eis dos a is as po ugueses” e que «Em Lisboa de e ia ha e um museu cen al, subdi idido em secções, scien i icamen e classi icadas cada uma: pin u a, esculp u a, desenho, a e o namen al nas suas a iadissimas classes, g a u as, modelos a chi ec onicos, a cheologia, e c». C : HOLSTEIN, Ma quês de Sousa - Obse ações sob e o ac ual es ado do ensino das A es em Po ugal, a o ganização dos Museus e o se iço dos Monumen os His ó icos e da A queologia. Lisboa: Imp. Nacional. [Em linha]. 1875, p. 1-66, [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://pu l.p /321/4/>. p. 29. 82 ap op iados, do pon o de is a da conse ação, pa a ab iga ão alioso ace o. Na sequência desse pa ece , em 1879180, oi alugado à amília Pombal, po um pe íodo de 30 anos, o Palácio-Al o , já com o i o de aí se ins alado um museu nacional des inado a ab iga e a expo o ace o en e an o eunido, e que engloba a o espólio da Academia de Belas A es. Uma ou a coo denada pa icula men e ele an e na his ó ia do MNAA eme e pa a a ase pos e io à implan ação da República, em 5 de Ou ub o de 1910, e consequen e aplicação da Lei de Sepa ação da Ig eja e do Es ado (1911)181, pe íodo em que se assis iu a uma no a aga de inco po ações no ace o a pa i do pa imónio eclesiás ico182. É p ecisamen e nes e momen o que se de inem as balizas c onológicas da colecção do Museu183 (e a sua ac ual ocação), al como ainda hoje a conhecemos, e espec i a o ganização em no e núcleos emá icos184. A pa des es aspec os de e ainda menciona -se que o e o ço pa imonial das colecções do MNAA oi p osseguindo com con inuadas doações185, peças p o enien es de impo an es legados186 e á ias aquisições le adas a cabo pelo Es ado, numa dinâmica igualmen e bene iciada, sob e udo a pa i de 1912, pela capacidade inancei a do G upo de 180 Po insis ência de Del im Guedes, o no o ice-inspe o da Academia de Belas A es, que sucede a a Sousa Hols ein. 181 Pa a uma isão ac ual e ap o undada sob e es e assun o, e : CUSTÓDIO, Jo ge Manuel Raimundo – “Renascença”a ís ica e p á icas de conse ação e es au o a qui ec ónico em Po ugal, du an e a 1.ª República. Tese de Dou o amen o em A qui ec u a Uni e sidade de É o a. 2 Vols. É o a, 2008 [Tex o policopiado]. Es a ese oi pos e io men e publicada em dois olumes (2012 e 2013) pela edi o a Caleidoscópio. 182 Foi nes e con ex o que de am en ada no ace o do Museu os Painéis de São Vicen e ou o Apos olado de Zu ba án. 183 O Dec e o de Lei Nº 1 de 26 de Maio (DG, nº 124, 29 de Maio 1911) implicou a ex inção do oi ocen is a Museu Nacional de Bellas A es e A cheologia (inaugu ado em 1884), cujas colecções o am inco po adas nos en ão c iados Museu Nacional de A e An iga e Museu Nacional de A e Con empo ânea (que ecebe am as colecções de a e an e io es e pos e io es a 1850, espec i amen e) e ainda no Museu Nacional dos Coches e no Museu E nológico Po uguês. 184 Pin u a po uguesa e eu opeia (séculos XIV a XIX); desenho eu opeu e po uguês (séculos XV a XIX); e g a u a eu opeia e po uguesa (séculos XVII a XIX); escul u a maio i a iamen e po uguesa (séculos XII a XIX); ou i esa ia e joalha ia po uguesa (séculos XII a XIX) e ou i esa ia ancesa (século XVIII); ce âmica (séculos XVI a XIX) e aiança po uguesa (séculos XVII a XVIII); mobiliá io po uguês (séculos XV a XIX) e eu opeu; êx eis (séculos XIV a XIX); id os po ugueses e eu opeus (séculos XVI a XIX) e a es o ien ais. Ve o sí io do Museu: h p://www.museudea ean iga.p /p - PT/coleccoes/a es%20plas icas/Con en De ail.aspx?id=76 185 Des aca-se a doação de Calous e Gulbenkian (1952), de An eno Pa iño (1969), do comandan e E nes o de Vilhena (1980) e, mais ecen emen e, a doação Cas o Pina (2009). 186 Des acam-se os legados do conde de Ca alhido (1865/67), isconde de Valmo (1912), Luís Fe nandes (1923) e Ba os de Sá (1981). 83 Amigos do Museu Nacional de A e An iga, undado nesse mesmo ano187. Po ém, o impulso de ini i o pa a a conc e ização do sonho de da ida ao p imei o museu de a e po uguês ad eio do assinalá el êxi o188 alcançado pela Exposição Re ospec i a de A e O namen al Po ugueza e Hespanhola189, o ganizada em 1882, nas salas do Palácio Al o , e que mo i ou a aquisição do edi ício pelo Es ado, es ando na o igem da c iação, dois anos mais a de, do MNBAA - o museu que an ecede o MNAA. 2.1. [(1882)-1884-1911]: linhas de base - os p imei os ensaios plás icos e a u gência em mos a Em b e e no a in odu ó ia, impo an e pelo signi ica como linha de con inuidade em elação à lógica exposi i a que i ia a se adop ada no MNBAA, comecemos po obse a o que se expunha e quais os c i é ios que p esidi am à ins alação da e e ida exposição190 endo po base a ap eciação ei a po Fialho de Almeida (1857-1911) ao desc e e uma das salas do ce ame: “A sala de Hespanha é um encan o pela di e sidade das peças expos as, e igo a ís icos dos ag upamen os. Imaginem os senho es que há um pulpi o ogi al, inamen e esculpido de endas e osáceas, oc agonal, em ca alho an igo […] Em i ines ci cum izinhas, ha de udo, lapides sepulch aes do empo á abe, p a os hispano-a abes, es ibos de Ca los V, e olhos do Esco ial, eliquias dos eis isigo hicos, b onzes da China, asos do Pe u, encade nações an igas, co es esmal ados, escope as e a cabuzes cobe as de cinzeladu as”191. 187 Sob e es e assun o, e : BASTOS, Celina - “100 Anos ao se iço do Museu”. In De Amici ia. 100 Anos do G upo de Amigos do Museu Nacional de A e An iga. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 2012, pp. 41-63 [Ca álogo de exposição]; e BASTOS, Celina e CARVALHO, Ma a Ba ei a - Po amo à A e. G upo dos Amigos do Museu Nacional de A e An iga. 100 anos 1912-2012. Lisboa: G upo dos Amigos do Museu Nacional de A e An iga, 2012. 188 No e-se que a exposição e e uma a luência de 100 000 isi an es. 189 Sob e as icissi udes his ó icas, a ís icas, museológicas e pa imoniais que es i e am na base da conc e ização des a exposição, e : FERREIRA, Ma ia Emília de Oli ei a - Lisboa em Fes a: A Exposição Re ospec i a de A e O namen al Po uguesa e Espanhola 1882. An eceden es e Ma e ialização, 2010. [ ex o policopiado]. Da mesma au o a e ambém: “Expo pa a sal agua da : A impo ância da Exposição de A e O namen al pa a a his ó ia do es au o e da conse ação do pa imónio mó el em Po ugal”. In 40 anos do Ins i u o José de Figuei edo. Lisboa: Ins i u o Po uguês de Conse ação e Res au o, 2007, pp. 41- 57. 190 C . Ca álogo illus ado da Exposição Re ospec i a de A e O namen al Po ugueza e Hespanhola celeb ada em Lisboa em 1882 sob a p o ecção de Sua Majes ade el-Rei o Senho D. Fe nando II. [Em linha]. Lisboa: Imp ensa Nacional, 2 ols, 1882. pp. 1-353. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://pu l.p /763>. 191 C : ALMEIDA, Fialho de - “A Exposição de A e O namen al”. In Ch onica Illus ada, 1º ano, nº 1, 1882, pp. 14-16. Neg i o nosso. 84 Es a passagem é bem elucida i a do excesso acumula i o e eclé ico de objec os em exibição, p o usão essa de ob as que, aliada ao acen uado om deco a i o que domina a a(s) sala(s)192, não a o ece a a uição e a ap eensão do discu so po pa e dos isi an es, embo a enha sido seguido um c i é io c onológico na ap esen ação dos con eúdos no sen ido de da maio legibilidade à exposição. Fig. 17 - Vis a pa cial da Sala de Ce âmica da Exposição Re ospec i a de A e, 1882. Fo og a ia de Ca los Rel as. Pa a além da ap eciação c í ica de Fialho de Almeida, a imagem acima ap esen ada é igualmen e ep esen a i a da opção acumula i a que p esidiu à mos a, podendo nela se obse ada o aglome ado de objec os de pe íodos e es ilos di e en es, as i inas sob eca egadas de peças que se dispunham ao longo das salas iden i icadas pelas le as do al abe o, as ba as de segu ança, em e o, pa a limi ação do público193, bem como o jogo de pequenos e g andes o ma os das pin u as que cob iam o almen e as pa edes, do chão a é ao ec o. Nes e cená io, um ou o aspec o que ale a pena sublinha é o ac o de e sido es a a p imei a exposição com luz eléc ica em Po ugal194, mo i o que causa a g ande impac o nes e ce ame, um dos mais no á eis 192 Con i á aqui eco da que se a a a de uma g ande exposição dedicada às A es Deco a i as e onde a pin u a desempenhou um papel secundá io. 193 Sob e es a opção e espec i os desenhos p é ios, consul e-se o capí ulo III - A p epa ação da exposição de Lisboa. Po ugal em ias de se ap esen a “desassomb adamen e pe an e a Eu opa - da ese de Emília Fe ei a. C : FERREIRA, Ma ia Emília de Oli ei a - Lisboa em Fes a: A Exposição Re ospec i a de A e O namen al..., p. 189. 194 Pa a além des a no idade, uma ou a oi o ca álogo da exposição que e e o mé i o incon o ná el de se o p imei o de odos nes es moldes, des acando-se o mesmo pelas ep oduções de á ias peças a pa i de clichés de Ca los Rel as (1838 - 1894). 85 e en os cul u ais do Po ugal oi ocen is a. Apesa das c í icas su gidas na imp ensa, nem semp e unânimes, sob e udo ao ní el da ges ão espacial e dos con eúdos195, é impo an e aze jus ao p opósi o da exposição den o do quad o da época, i.e., o do impe a i o de da -a- e os objec os que melho e a assem a iden idade po uguesa, exibindo-se os núcleos possí eis de euni , num cu o espaço de empo, e seleccionados de aco do com um c i é io de qualidade, apelando pa a a u gência da in en a iação de ão ele an e pa imónio mó el. Conc e izando uma aspi ação há mui o acalen ada, a 12 de Junho de 1884 ab iu ao público, no Palácio-Al o , o ão almejado MNBAA196. Sob a u ela da Academia, du an e o pe íodo comp eendido en e 1884 a 1911, o no o Museu conse a o seu aspec o de palácio, ainda que enha conhecido di e sos a anjos du an e essas décadas. Um ex o anónimo da ado de 1892197 e um álbum de o og a ias publicado po F ancisco de Sousa Vi e bo (1845-1910) em 1900198 pe mi em-nos hoje ajuiza a o ganização museog á ica ali pos a em p á ica. Assim, endo po base essas memó ias, podemos dep eende que a secção de pin u a cob ia a maio pa e do piso nob e do Palácio, ins alando-se em 10 salas das 16 aí exis en es e dispos as segundo o al abe o (da sala A à sala J). Nas duas p imei as salas podia-se ap ecia sob e udo ob as oi ocen is as, ainda que o discu so ali p opos o osse 195 O c í ico do Jo nal do Comme cio, o escul o ancês Ana ole Céles in Calmels, que mais se dedicou à c ónica da exposição, azia en ão no a que “a emp esa inha ele ado alo , pese embo a o exage o, como o apon ado em elação à sala de ce âmica, na qual a p odigalidade de objec os sem alo nem c i é io se impunha de modo que não deixa a e a pin u a que, assim, e a eme ida pa a segundo plano, eduzida a dispensá el elemen o deco a i o, alhando po an o o pe cebe -se o objec i o de qualque das peças”. C . Jo nal do Comme cio, 14 de Ab il de 1882, p. 1. C : Capí ulo IV – “Sobe o pano. Lisboa em es a”. C : FERREIRA, Ma ia Emília de Oli ei a - Lisboa em Fes a: A Exposição Re ospec i a de A e O namen al…, p. 270. 196 Inco po ando a colecção de pin u a do depósi o de São F ancisco, en iquecida com a ou i esa ia ans e ida da Casa da Moeda pa a a Academia de Belas A es, em 1867, e os conjun os de escul u a e a es deco a i as dos con en os e mos ei os emininos que iam ence ando de ini i amen e. C : FIGUEIREDO, José de - “O Museu Nacional de A e An iga de Lisboa”, pp. 145-146. 197 Segundo Ma ia João Vilhena de Ca alho, es e ex o, ao que udo indica, oi edigido pelo conse ado Manuel de Macedo no con ex o da sua pa icipação, em 1892, no Cong esso Pedagogico Hispano-Po uguez-Ame icano em Mad id, do qual esul ou a publicação de O Muzeu Nacional de Bellas A es. Apon amen os, edi ado em Coimb a, embo a sem indicação do seu nome. C : CARVALHO, Ma ia João C espo Pimen el Vilhena de - As escul u as Re is a Colóquio-A es de E nes o Ja dim de Vilhena. A cons i uição de uma coleção nacional, 2014. Pa e IV. Do p i ado ao público. A colecção de escul u a de E nes o Vilhena no Museu Nacional de A e An iga. 198 C : VITERBO, SOUSA - L’enseignemen des Beaux-A s en Po ugal. Lisboa: Exposi ion Uni e selle de 1900, Sec ion Po ugaise, 1900. Mui o embo a essas ep oduções se e i am a uma da a an e io da sua publicação. C : PORFÍRIO, José Luís - “O o ei o ge al de um Museu”, p. 15. 86 in e calado “com uma ou ou a p esença de pin o es do inal do século an e io ”199. Con inuando o pe cu so, seguiam-se mais ês salas onde coahabi a am exempla es de pin u a po uguesa e es angei a. Na sala F es a a já ep esen ada a p odução do século XVI, undamen almen e es angei a. Po im, nos úl imos qua o compa imen os des aca a-se a o e p esença da pin u a e abula po uguesa, conside ada desde há mui o “o p incipal elemen o de iqueza do Museu”, al como ez no a Manuel de Macedo200. Figs. 18 e 19 - Vis as pa ciais das Salas C e H do Museu Nacional de Bellas-A es e A cheologia, s.d. No que espei a aos c i é ios que p esidi am à o ganização daquele espaço é José de Figuei edo (1872-1937), quem i ia a se o p imei o di ec o do já Museu Nacional de A e An iga (MNAA), en e 1911 e 1937, quem, num om c í ico e asse i o, nos escla ece ace ca das opções museog á icas omadas pelos an igos p o esso es e pin o es da Academia: “Não sei ao ce o qual oi a o ien ação seguida pelo p imei o di e o do museu, o p o esso An onio Tomaz da Fonseca após a mudança das collecções pa a o Palacio das Janelas Ve des; mas, pelo que pude apu a , essa o ien ação e a bem melho que a do p o esso An ónio José Nunes, seu sucesso , em 1894. Ambos pin o es e sem uma educação especial, que ambém não e a acil na epoca em que i e am, oi a secção de pin u a, de es o en ão, como hoje, a mais impo an e, aquela que lhes me eceu especiaes a enções; mas emquan o o p o esso Fonseca, n’uma o ien ação acional, dado o nume o ela i amen e eduzido de quad os es angei os, pa ece el-os ag upado po épocas, o p o esso Nunes, ao oma posse do museu, al e ou essa disposição, pa a os coloca po escolas. O esul ado, 199 C : CARVALHO, José Albe o Seab a e CARVALHO, Ma a Ba ei a - “Museus e exposições: ideias, o mas e discu sos de ep esen ação e celeb ação da a e po uguesa (do libe alismo ao Es ado No o)”. In RODRIGUES, Dalila (coo d.) - A e po uguesa da p é-his ó ia ao século XX. Vol. 20 - Em o no da his ó ia da a e. Lisboa: Fubu Edi o es, 2009, pp. 89-142. 200 C : O Muzeu Nacional de Bellas A es: Apon amen os [ ex o de Manuel de Macedo]. Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade, 1892. 87 é cla o, oi lamen á el, po se exhibi em lado a lado quad os como a «Visão de São F ancisco», de Luca Gio dano, en ão a ibuído a Ribe a, e o «O helo e Desdemona», de Muñoz Deg ain. P ejudicando-se mu uamen e po mo i os que se ia longo de enume a , cada uma d’essas elas so ia ainda da al a de ambien e p óp io, ão essencial á alo ização da ob a de a e e que e a impossí el ob e -se desde que se ag upa am ob as de ca ac e e epoca ão di e sos. Tambem Fonseca, com uma boa o ien ação, eduziu bas an e o nume o de ob as expos as, opondo-se enazmen e á exibição de de e minados quad os, cuja colocação a aidade e inconsciência dos doado es não dispensa a. Foi assim e bem cedo o p ecu so dos que, na unica solução acei á el, de endem o p incipio de que a ob a, quando in e io a is icamen e, de e se eliminada dos e dadei os museus de a e, dando-se-lhes, no caso de se impô pelo se alo documen al, um loga ápa e e em secção sepa ada. O c i e io do di ec o Nunes e a ambem n’esse pon o di e en e e an o que, mo o Fonseca, o museu das Janelas Ve des em b e e se ans o mou em um e dadei o deposi o em que a ob a de a e au en ica desapa ecia apagada e pe dida en e banalidades ou e dadei os de ho o es”201. Des e ela o-sín ese, sob essaem ês aspec os essenciais. Desde logo, a p imazia da colecção de pin u a po uguesa em elação aos es an es ace os do no o Museu que ab angia odas as a es (en e escul u a, desenho, g a u a, a e o namen al e a queologia), con i mando-se - uma ez mais - o es a u o de e minan e des e núcleo cen al no seu discu so p og amá ico e museog á ico, an e endo o início de uma ajec ó ia de e minada em exibi as melho es pin u as dos séculos XV e XVI. Pa a além des e ac o e iden e, um ou o aspec o que essal a des e es emunho é o modo como os p imei os di ec o es o ganiza am as colecções, endo as suas escolhas ecaído en e duas lógicas: a da c onologia e a das “escolas”202 como e a en ão comum in e nacionalmen e. Po úl imo, me ece ainda ealça a excessi a quan idade de ob as em exibição, medida que conduzia, segundo o pa ece de Figuei edo, a uma ap esen ação con usa e a uma ausência de c i é io quali a i o na escolha das ob as, colocadas lado a lado e, em alguns casos, sem qualque a inidade plás ica - aqui en endida em e mos de pin u a -, ou melho dizendo, sem sen ido de exposição, do pon o de is a da maio exigência que impõe essa ‘lição’ do e . 201 C : FIGUEIREDO, José de - “O Museu Nacional de A e An iga de Lisboa”, pp. 149 e 150. Neg i o nosso. 202 Regis e-se igualmen e que a pa i de 1901, ês ou os p o esso es, o a qui ec o José Luís Mon ei o e os pin o es Luciano F ei e e Veloso Salgado, ol a am a ilia -se numa o ganização c onológica e eduzi am d as icamen e o núme o de ob as expos as. C : PORFÍRIO, José Luís - “O Museu - Espaços e Exposição”, p. 39. 88 Assim sendo, e como pudemos cons a a , à imagem do que sucede a na e e ida Exposição Re ospec i a de A e O namen al, assis iu-se, no amen e, a uma lógica acumula i a, e i icando-se uma concepção museog á ica ca ac e izada essencialmen e pelas salas de exposição densamen e po oadas de quad os203, pe ilhando o p incípio da “aglome ação” que ainda po mui o empo ha ia de se o de an os museus do mundo. Des aque pa a a p esença de peças dos ace os de mobiliá io, como cadei as, bu e es, mesas, baús, a cas, alinhados ao longo dos odapés de madei a e ambém pa a a exis ência de co inas e das pa edes o adas a ecido, numa combinação de elemen os deco a i os que espelha am um gos o decididamen e ecléc ico ( e Figs. 20 e 21). Figs. 20 e 21 - Museu Nacional de Bellas-A es (Salas 1 e 7). Imagens e i adas de L’enseignemen des Beaux-A s en Po ugal de Sousa Vi e bo, 1900. 2.2. [1911-1937]: da acumulação ao despojamen o - economia exposi i a e o peso da his o iog a ia Con o me já e e ido, após a implan ação da República, p ocedeu-se à di isão das colecções do oi ocen is a MNBAA do qual i ia a esul a a c iação do MNAA - al u a em que o Museu adop a a designação que ac ualmen e os en a. Ins alado no mesmo espaço, no Palácio Al o , e - ago a - libe o da di ecção da Academia, é nes e pe íodo que o Museu assume a ocação que ainda hoje globalmen e conse a, endo sido nes a al u a ixadas as suas di ec izes museog á icas g aças aos es o ços 203 O que segundo O’Dohe y “ epo a a uma conca enação de pe íodos e es ilos das ob as que cob iam as pa edes do chão ao e o, jus i icado pelas ep esen ações sociais da época: O espaço e a descon ínuo e ca ego izá el, do mesmo modo que as habi ações que aloja am esses quad os inham di e en es compa imen os pa a di e en es unções. O pensamen o do século XIX e a axonómico - classi ica /ag upa -, e o olha do século XIX econhecia a hie a quia de es ilos e a au o idade da moldu a”. C : O’DOHERTY, B ian - Inside he Whi e Cube. The Ideology o he Galle y Space. Los Angeles: Uni e si y o Cali o nia P ess, 1999 [1976], p. 16. ( ad.). 89 empenhados e à isão ino ado a do seu p imei o di ec o , en e 1911 a 1937, José de Figuei edo (1871-1937)204 que se do ou “das me odologias de abalho museológico mais ac ualizadas, em elação ao es udo, conse ação e es au o205 dos di e sos ace os […] mas ambém à eo ganização dos espaços e c i é ios museog á icos que, logo nos p imei os anos, conduzem à mode nização de odas as salas onde a pin u a passa a se expos a em ilas únicas e espaçadas, opção que na Eu opa só mais a de se gene aliza á”206. Ma cado pelo episódio ela i o à descobe a207, à in e enção de es au o208 e à di ulgação dos Painéis de São Vicen e, oi José de Figuei edo quem iden i icou a sua au o ia e se deb uçou sis ema icamen e sob e o seu es udo209, p opondo uma lei u a 204 Sob e es a igu a u ela do MNAA, e do pano ama cul u al po uguês do início do século XX, eja-se: BAIÃO, Joana - Museus, A e e Pa imónio em Po ugal: José de Figuei edo (1871-1937). Lisboa: DGPC/Caleidoscópio [Vol.I Colecção “Es udos de Museus”]. Edição o iginal: BAIÃO, Joana Ma ga ida G egó io - José de Figuei edo, 1871-1937. Ação e con ibu os no pano ama his o iog á ico, museológico e pa imonialis a em Po ugal. Tese de Dou o amen o em His ó ia da A e, especialização em Museologia e Pa imónio A ís ico. FCSH-UNL, 2014 [Tex o policopiado]. 205 O ano de 1911 cons i uiu um ma co pa a a ins i ucionalização da conse ação de bens a ís icos de al o alo pa imonial com a ins alação de uma o icina de es au o no MNAA, impulso de e minan e pa a uma isão cien í ica do es au o e pa a a omada de consciência da necessidade da sua au o- egulação. 206 C : SILVA, Raquel Hen iques da - "Os museus: his ó ia e p ospec i a". In PERNES, Fe nando (coo d.) - Século XX. Pano ama da cul u a po uguesa. Po o: Edições A on amen o/Sociedade Po o 2001/Fundação de Se al es, 2001, pp. 14-15. 207 Tal como nos escla ece Sand a Leand o: “A descobe a cien í ica dos painéis de S. Vicen e de e-se a Joaquim de Vasconcelos, que no dia 20 de Julho de 1895 isi ou aquele mos ei o acompanhado po Ramalho O igão, José Quei oz e o a cebispo de My ilene. An es de Joaquim de Vasconcelos, já Monsenho Al edo El i o dos San os, Leand o B aga, Columbano, Ma ia Augus a Bo dalo Pinhei o e Albe o Hen iques de Oli ei a, en e ou os, inham no ado a sua exis ência. A descobe a es á en ol ida ambém ela num mi o, cujo lado ágico-pica esco eco da que, em 1882, os painéis o am sal os de se i em de ábuas de andaimes”. C : LEANDRO, Sand a - Joaquim de Vasconcelos (1849- 1936). His o iado , c í ico de a e e museólogo, 2008, p. 258. [ ex o policopiado]. Sob e es e assun o, consul e-se ambém: NETO, Ma ia João Bap is a - “A p opósi o da ‘descobe a’ dos Painéis de São Vicen e de Fo a: con ibu o pa a o es udo e sal agua da da ‘pin u a go hica’ em Po ugal”. In A is. Re is a do Ins i u o de His ó ia da A e da Faculdade de Le as de Lisboa. Lisboa: nº. 2, 2003, pp. 219- 274. 208 Le ada a cabo pelo seu amigo Luciano F ei e (1864-1935), pin o e p o esso de Desenho da Academia Real de Belas - A es. 209 Da a de 1895 o p imei o es udo a eles dedicado e pe ence a Joaquim de Vasconcelos. Pos e io men e, o p óp io José de Figuei edo oi au o de uma monog a ia ainda hoje de e e ência sob e o ema: FIGUEIREDO, José de - A e po ugueza p imi i a. O pin o Nuno Gonçal es. Lisboa: Typ. Do Annua io Comme cial, 1910. Desde es e es udo, a his o iog a ia da a e em econhecido gene icamen e, a designação dos Painéis p opos a po Figuei edo que os apelidou da seguin e o ma: Painel dos F ades; Painel dos Pescado es; Painel do In an e; Painel do A cebispo; Painel dos Ca alei os e Painel da Relíquia. Desde en ão, mui os êm sido aqueles que se deb uça am sob e os Painéis e o complexo p og ama iconog á ico que ence a. De en e a as íssima p odução académica exis en e, des acamos apenas duas e e ências cujas bibliog a ias espelham a p odução cien í ica ecen e sob e o ema, a sabe : FLOR, Ped o - A a e do e a o em Po ugal nos séculos XV e XVI. Lisboa: Assí io Al im, 90 que os inse ia numa escola nacional de pin u a do século XV, a escola dos designados “P imi i os Po ugueses”, ese que sus en a a que, embo a insc i os numa ma iz lamenga, inham na sua o igem ca ac e ís icas quali a i as p óp ias que os dis inguiam da es an e pin u a eu opeia do século XV. Logo após o es au o dos ‘Painéis’, em 1910210, a ob a oi ap esen ada ao público, pela p imei a ez, numa das salas da Academia Real de Belas-A es de Lisboa, de aco do com a in e p e ação p opos a po Figuei edo. Segundo o di ec o do MNAA, “as ábuas, em núme o de seis e não qua o como o am encon adas, cons i uíam dois íp icos dis in os e ep esen a am a ene ação de São Vicen e”211. A o og a ia aqui ap esen ada adqui e, assim, ele ância di ec a no âmbi o da nossa abo dagem es ando nela ixada um dos momen os mais ma can es da his ó ia da museog a ia dos ‘Painéis’ e que coincide com o p imei o ensaio museog á ico adop ado pa a a ob a, ou melho dizendo, a ma e ialização desse ensaio, o que em comp o a a o e consonância en e o discu so his o iog á ico e o museog á ico. Fig. 22 - P imei a ap esen ação pública dos ‘Painéis’ na Academia Real de Belas-A es de Lisboa. Fo og a ia de Joshua Benoliel, 1910. 2010; e AA.VV - P imi i os Po ugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçal es. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga/A hena, 2010 [Ca álogo de exposição]. 210 C : CARVALHO, José Albe o Seab a - “A Exposição. Cem anos de P imi i os Po ugueses”. In AA.VV. - P imi i os Po ugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçal es, p. 14. 211 C : FLOR, Ped o - A a e do e a o em Po ugal nos séculos XV e XVI, p. 188. Es a iliação in e p e a i a oi seguida po mui os his o iado es nacionais e es angei os, no en an o, não al ou po ém quem con es asse a ese p opos a po Figuei edo já que ou os a gumen a am no sen ido da de esa de uma ese e nandina. 97 Ou o pon o que me ece pa icula des aque é o ac o de que as p emissas pelas quais Figuei edo se o ien ou desde o início da sua acção no MNAA só e em sido es abelecidas in e nacionalmen e em 1934, ano em que deco eu o Cong esso In e nacional de Museologia224 o ganizado pelo O ice In e nacional des Musées, ealizado em Mad id nas salas da Academia de Belas-A es, e ao qual o di ec o do MNAA assis iu225. Es e encon o do qual esul ou a publicação de Muséog aphie226, ob a colec i a, sob a o ma de dois olumes, cons i uiu um momen o pa icula men e signi ica i o pa a a his ó ia da museog a ia pois, pela p imei a ez, os p o issionais de museus do mundo in ei o euni am-se pa a a a de ques ões com ela elacionadas e pa a discu i exclusi amen e o papel dos museus na sociedade e seu uncionamen o nas mais di e sas es e as de acção, en e ou as, “Ma e iais de ins alação”; “Museus E nológicos”; “Adap ação de edi ícios an igos e monumen os pa a ins alação de museus”; “O p og ama a qui ec ónico dos museus e sua ins alação”; “P incípios ge ais de a amen o e exposição de ob as de a e” e “Di e en es sis emas de ap esen ação de colecções”. Daí ad ie am impo an es ecomendações227, ais como a necessidade de c ia a mos e as p óp ias pa a as ob as, de encon a soluções mais adequadas pa a as expo , de diminui o núme o de peças exibidas, de isola algumas ob as de pin o es no á eis e de ino a ecnicamen e em elação à suspensão dos quad os e espec i a iluminação, dando-se o passo que al a a pa a uma museologia mode na, e que já inha sendo aplicada po José de Figuei edo no MNAA, al como acon ecia em alguns ou os museus eu opeus desde o início do século XX. Foi ambém nes e cong esso que, pela p imei a ez, o e mo «museog a ia» oi in e nacionalmen e econhecido como uma « écnica», i.e. um conjun o de p ocessos execu ados com o objec i o p eciso de expo an ajosamen e colecções de objec os228. Conc e izando, em e mos de 224 O mesmo deco eu en e 28 de Ou ub o e 4 No emb o. Sob e os seus an eceden es, p opósi os e epe cussões e : JAMIN, Jean-Bap is e - “La Con é ence de Mad id (1934): o igines e o une de la muséog aphie mode ne”. In Mémoi e de eche che en muséologie. [Em linha], 2014. [Consul . 18 Janei o. 2015]. Disponí el em: h p:// .slidesha e.ne /JeanBap is eJAMIN/mmoi e-mas e -ii-la- con e ence-de-mad id-1934-o igines-e - o une-de-la-museog aphie-mode ne>. 225 C : BAIÃO, Joana Ma ga ida G egó io - José de Figuei edo, 1871-1937. Ação e con ibu os no pano ama his o iog á ico, museológico e pa imonialis a em Po ugal, p. 420. 226 C : Muséog aphie. A chi ec u e e aménagemen des musées d’a . Pa is: Socié é des Na ions/O ice In e na ional des Musées/ Ins i u de Coopé a ion In ellec uelle, 1935. 227Ve : JAMIN, Jean-Bap is e - “La Con é ence de Mad id (1934): o igines e o une de la muséog aphie mode ne”. 228 Pa a uma análise ap o undada sob e es a ma é ia e : PONCELET, F ançois - “Rega ds ac uels su la muséog aphie d’en e-deux-gue es”. 98 museog a ia, assis e-se a um dis anciamen o das ob as en e si, as ba as de limi ação do público desapa ecem, as pa edes e o iso deco a i o são pin ados de co es neu as ( e Fig. 34), as ob as mais ca ismá icas das colecções são expos as em salas especí icas, ou pa e delas ( e Figs. 32, 35 e 36), e com a mos e a lumínica p óp ia a im de a o ece a sua isibilidade e uição, equisi os base que o am seguidos pelos g andes museus, como seja o caso do Lou e (Pa is), Rijksmuseum (Ames e dão) e Museu Nacional do P ado (Mad id). Fig. 32 - Salle di e des E a s (Museu do Lou e). Cliché de 1921. Imagem e i ada de AA.VV. - Muséog aphie. A chi ec u e e aménagemen des musées d’a , ol.1, 1934. Figs. 33 e 34 - Salle di e des Sep Mè es (Museu do Lou e), an es e após o es au o ealizado en e as duas gue as, 1919-1938. Imagens e i adas de AA.VV. - Muséog aphie. A chi ec u e e aménagemen des musées d’a . Pa is, 1935. 99 Figs. 35 e 36 - A anjo museog á ico pa a A Ronda da Noi e de Remb and e pa a As ‘Meninas’ de Velázquez. Imagens e i adas de Muséog aphie. A chi ec u e e aménagemen des musées d’a , 1934. In e esse idên ico colhe am as ques ões elacionadas com os isi an es, e i icando-se nes a época uma a enção c escen e pelos es udos e es a ís icas com o objec i o de da espos a a g andes ques ões ais como: “Como ê o público? Como se compo a? Como ap ecia? Como in e p e a? Como decide a sua isi a?”229. A í ulo exempli ica i o ep oduzimos dois planos concebidos po Cla ence Samuel S ein (1882 - 1975), a qui ec o e u banis a ame icano, nos quais as salas ese adas ao público emana am de um hall cen al e es a am ligadas en e si po gale ias pe i é icas pensadas pa a cump i p opósi os de es udo ( e Figs. 37 e 38). Figs. 37 e 38 - Planos de C.S. S ein. Esquemas e i ados de Muséog aphie. A chi ec u e e aménagemen des musées d’a , 1934. Os concei os museog á icos adop ados no MNAA ganha am igualmen e desen ol imen o nas exposições de a e po uguesa ealizadas no es angei o e em que a iden idade e a exal ação nacionais cons i uí am p incipal mo e. Falamos 229 C : PONCELET, F ançois - “Rega ds ac uels su la muséog aphie d’en e-deux-gue es”, s.p. ( ad.). 100 p ecisamen e da Exposição Ibe o-Ame icana de Se ilha (1929) e da Exposi ion Po ugaise de l’Époque des G andes Décou e es jusqu’au XXeme Siècle (1931) ealizada no Museu do Jeu de Paume, em Pa is, ambas comissa iadas po José de Figuei edo e p oduzidas du an e o pe íodo de ansição da P imei a República pa a o Es ado No o230. Cen adas num discu so di igido pa a a g ande Epopeia dos Descob imen os e com o p opósi o de legi ima a já e e ida ese da exis ência de uma «Escola Po uguesa de Pin u a»231, es as mos as inse i am-se numa co en e nacionalis a que semp e ha ia sido sus en ada pelo di ec o do MNAA - e que ão bem se ‘molda a’ ao con ex o polí ico e social que o país a a essa a seguindo uma endência in e nacional em igo , desde o início do século, em que as g andes exposições e as ins i uições museológicas e am idas de o ma mais ou menos o icial pa a es imula uma ideia de iden idade nacional232, des inando-se igualmen e a ma ca os públicos es angei os. Descendo ao pa icula , Figuei edo op a, na exposição de Se ilha, cujos pa ilhões o am concebidos pelos a qui ec os Ca los e Guilhe me Rebello de And ade233, po um ensaio plás ico a é en ão nunca expe imen ado: a ap esen ação, no mesmo local, dos ‘Painéis’, o ganizados em dois íp icos, e das apeça ias de Pas ana (século XV)234, expos as pela p imei a ez ao g ande público, um con on o de ob as inédi o e que i ia a se depois eplicado, em 1983, aquando da XVIIª Exposição de A e, Ciência e 230 Sob e es as exposições e : PINTO, Ca la C is ina Al e es Salgado da Sil a - A colecção de a e colonial do Pa ia cado de Lisboa. P opos a de es udo e musealização. Tese de Dou o amen o em His ó ia da A e, especialidade em Museologia e Pa imónio A ís ico. FCSH-UNL, 2014 [Tex o policopiado]. Da mesma au o a e ambém: “A a e ao se iço do impé io e das colónias: o con ibu o de alguns p og amas exposi i os e museológicos pa a o discu so de legi imação e i o ial”. In MIDAS - Museus e Es udos In e disciplina es. N.º 6, 2016. [Em linha]. [Consul . 31 Se . 2016]. Disponí el em WWW:<URL: h p://midas. e ues.o g/957>. 231 C : RODRIGUES, Dalila - “As apeça ias de Pas ana e os Painéis de São Vicen e. Legado a ís ico e memó ia simbólica do einado de A onso V”. In A In enção da Gló ia: D. A onso V e as Tapeça ias de Pas ana. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 2010, p. 31 [ca álogo de exposição]. 232 A en e-se nos casos da Exposição Ibe o-Ame icana de Se ilha e da Exposição In e nacional de Ba celona, o ganizadas como complemen o à g ande Exposición Gene al Española de 1929. Um ou o exemplo eme e pa a a Exposição In e nacional do Rio de Janei o ealizada em 1922. Sob e as duas p imei as e : FILHO, Sil io de Ab eu - “Duas exposições espanholas: Se ilha e Ba celona, 1929”. In A q ex o. N.º 16, 2010. [Em linha]. [Consul . 31 Jan. 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.u gs.b /p opa /publicacoes/ARQ ex os/pd s_ e is a_16/02_SAF.pd >. Sob e a úl ima suge e-se a consul a de h p://www.exposicoes i uais.a qui onacional.go .b /cgi/cgilua.exe/sys/s a .h m?sid=257 233 Vale a pena e e i que ambos ma ca am p esença no já mencionado Cong esso de Mad id de 1934. 234 Núcleo de qua o apeça ias - “Tomada de Tânge ” e o “Desemba que”, o “Ce co” e a “Tomada” de A zila que ela am as conquis as po uguesas no no e de Á ica pelo ei A onso V. P oduzidas nas o icinas de Tou nai no úl imo qua el do século XV, po encomenda de A onso V, são p op iedade da Colegiada de Pas ana. Sob e es e assun o . AA.VV. - A in enção da gló ia. D. A onso V e as apeça ias de Pas ana. 101 Cul u a do Conselho da Eu opa e, mais ecen emen e, em 2010, po ocasião da mos a A In enção da Gló ia. D. A onso V e as Tapeça ias de Pas ana, p opos as expog á icas que adian e comen a emos. No e-se que Figuei edo a ibuía os ca ões das apeça ias ao mesmo au o , Nuno Gonçal es235, en endendo que a sua exposição conjun a cons i ui ia “embo a empo à iamen e um p odigioso políp ico em que a acção e a con emplação mís ica se i manam e dão as mãos”. Da encenação azia ambém pa e a Cus ódia de Belém (século XVI), colocada ao cen o ( e Fig. 39) sob e uma mesa indo- po uguesa e ainda, num plano mais ecuado, dois e a os quinhen is as. Fig. 39 - Sala p incipal da Exposição Cul u al Po uguesa da Época dos Descob imen os, 1929. Es a selecção de ob as que eme em pa a o imaginá io colec i o nacional, omadas nes e cená io como a gumen o p incipal supo ado po um discu so assen e na his ó ia e na ideia de passado da nação236, em p ecisamen e mos a a o ma como Po ugal usou o pa imónio pa a se iden i ica e simul aneamen e se iden i icado. Nes a linha de pensamen o, conside a-se ambém ela uma selecção de alo es de e minados em azão de um p opósi o mui o cla o: “o e lexo que os Descob imen os e Conquis as ouxe am à A e po uguesa de en ão, e, po sua ez, a p ojecção que es a e e nos e i ó ios que conquis ámos, e onde a sua in luência se a i mou desde a Á ica do No e a é à Índia, pa a, de lá, a ingi , com a China e o 235 Desde que a sua exis ência oi e elada em Po ugal po José de Figuei edo e Reynaldo dos San os, em 1915, e sob e udo após o es udo que lhe oi dedicado pelo úl imo des es his o iado es, 15 anos depois, o nome de Nuno Gonçal es passou a associa -se, enquan o au o dos ca ões, às apeça ias. 236 C : LIRA, Sé gio - Museums and Tempo a y Exhibi ions as means o p opaganda: he Po uguese case du ing he Es ado No o. Tese de Dou o amen o. Depa men o Museum S udies, Uni e si y o Leices e , 2002. Do mesmo au o e ambém: LIRA, Sé gio - “O Nacionalismo Po uguês e o discu so museog á ico: linhas de in es igação”. In Ac as do III Cong esso de His o ia da An opoloxía e An opoloxía Aplicada, omo II, San iago de Compos ela, 1997, pp. 237-246. Disponí el em: h p://www2.u p.p /~sli a/a igos/comunicacaopon e ed a.h m>. 102 Japão, o mais emo o O ien e”237. As ideias p econizadas po Figuei edo e am indissociá eis da a qui ec u a e da museog a ia pos as ao se iço de uma mensagem especí ica, sendo o isi an e con on ado com uma ó mula exposi i a de ‘deslumb amen o’ baseada na geome ização do espaço, composição ha mónica, simplicidade na disposição das peças, em a o de uma cla eza do discu so, pa icula men e isí el na concepção da sala que acolhia a Cus ódia de Belém ( e Fig. 39) da au o ia dos i mãos Rebelo de And ade. Pa a além dos ‘Painéis’ e des a Cus ódia, os alo es de di e sidade cul u al p e endidos e am acen uados com a p esença do “a las de Vaz Dou ado, a ca a de Caminha e a do mes e João, e au óg a os de Vasco da Gama e dos ou os g andes capi ães da Índia e, en e ês es, um do maio de odos êsses capi ães, o amoso e «Te ibil» A onso de Albuque que, igu a ão excepcional de gue ei o e polí ico como Alexand e, Césa e Napoleão. E izemos is o, po que odo o passado glo ioso e longínquo, que êsses homens e ob as de a e ep esen am, só des a manei a pode ia se comple amen e sen ido. E pa a êsse ei o não se á necessá io g ande es ô ço, pois bas a á que os que pa am dian e dessas elíquias as quei am e saibam in e oga ”238. Um ou o aspec o a assinala p ende-se com a p e e ência de Figuei edo pelo ecu so a o iginais, ejei ando as cópias ou o ac-simile. Po sua ez, na Exposi ion Po ugaise de l’Époque des G andes Décou e es jusqu’au XXeme Siècle, que e e luga no Museu Jeu de Paume, é man ida a ‘a umação’ da ob a em dois íp icos, ol ando-se a in es i na associação dos ‘Painéis’ com ês das apeça ias de Pas ana, explo ando o po encial plás ico das duas ob as, embo a ago a numa “ e são assaz aumen ada e mais es u u ada da selecção de peças que se le a a a Se ilha, e o çando-a ainda mais com objec os de a es deco a i as”239. Dis ibuída po qua o pa ilhões, nes e p ojec o, cujo comissa iado Figuei edo pa ilhou com And é Deza ois240, o discu so eiculado oi no amen e en iquecido com a Cus ódia de Belém, a que se jun a am núcleos de pin u a an iga, iluminu a, 237 C : FIGUEIREDO, José de – Pa ilhão de Po ugal em Se ilha. Ca álogo da exposição cul u al da época dos Descob imen os. [s.l.: s.n.], 1929, p. 5. Neg i o nosso. 238 Idem, pp. 8. 239 C : CARVALHO, José Albe o Seab a e CARVALHO, Ma a Ba ei a - “Museus e exposições: ideias, o mas e discu sos de ep esen ação e celeb ação da a e po uguesa (do libe alismo ao Es ado No o)”, p. 108. 240 Conse ado no Museu Jeu de Paume. 103 ca og a ia, mobiliá io, ou i esa ia e ce âmica241. Nes e con ex o pa icula , Figuei edo assume que “Ten ando alo iza Nuno Gonçal es e oda a nossa escola do e a o, não que o passa ao lado de um dos p incipais objec i os da exposição po uguesa no Jeu-de-Paume, nomeadamen e a demons ação das in luências que a nossa a e so eu de ido à nossa ex ensão além-ma , e do mesmo modo as in luências que nós exe cemos sob e a a e de alguns países conquis ados pelos nossos gue ei os ou descobe os pelos nossos explo ado es. É só assim que odo o glo ioso e longínquo passado que es es e a os e es as ob as de a e ep esen am pode se in eg almen e sen ido”242. Pa a além da p esença de a e an iga, o espaço exposi i o con ou ainda com a e mode na, con emplando ob as de Tomás da Anunciação, Miguel Ângelo Lupi e An ónio de Sil a Po o, Columbano Bo dalo Pinhei o, Viei a Po uense e Domingos Sequei a. Fig. 40 - Sala do século XV da Exposi ion Po ugaise de l’Époque des G andes Décou e es jusqu’au XXeme Siècle, 1931. Compa a i amen e com o que sucedeu em Se ilha, como bem analisou Ca la Al e es Pin o, exis e na exposição de Pa is uma nuance ao ní el da o mulação do discu so, mani es a na in odução de um biombo japonês, p op iedade do Musée Na ionale des A s Asia iques/Guime (Pa is)243. Sob e a decisão de jun a os ‘Painéis’ com os biombos japoneses, que lemb am, no dize de Figuei edo, “a chegada dos po ugueses 241 Sob e es a mos a e : FIGUEIREDO, José de - Exposi ion Po ugaise de l’Époque des G andes Décou e es jusqu’au XXeme Siècle. Pa is: Gau hie -Villa s, 1931 [ca álogo de exposição]. 242 José de Figuei edo ci . po BAIÃO, Joana Ma ga ida G egó io - José de Figuei edo, 1871-1937. Ação e con ibu os no pano ama his o iog á ico, museológico e pa imonialis a em Po ugal, p. 359. ( ad.). 243 C : PINTO, Ca la C is ina Al e es Salgado da Sil a - A colecção de a e colonial do Pa ia cado de Lisboa. P opos a de es udo e musealização, p. 175. 104 a e as nipónicas, em 1542”244, e a es am “o nascimen o e o desen ol imen o des a a e híb ida e ípica, a a e indo-po uguesa de onde saem - exemplos ca ac e ís icos - algumas das peças de mobiliá io que nós ouxemos pa a a nossa exposição” 245 . Após as expe iências de Se ilha e Pa is, José de Figuei edo, bene iciando da conjun u a a o á el p opo cionada pelo no o egime, p eocupa-se com o espaço de ins alação do museu, no sen ido de aí p omo e ob as de emodelação, e com a ampliação do palácio246, o seu úl imo p ojec o, inaugu ado já depois da sua mo e, em 1940. 2.3. [1937-1962]: a consolidação museológica - subsídios pa a uma cul u a da isualidade Apesa de se de enso de um museu cons uído de aiz, João Cou o (1892- 1968)247, o segundo di ec o do MNAA, en e 1938 a é 1962, i á he da do seu an ecesso as e e idas ob as de emodelação e de ampliação do Museu248, cabendo- 244 FIGUEIREDO, José de - Exposi ion Po ugaise de l’Époque des G andes Décou e es jusqu’au XXeme Siècle, 1931, p. 7 ( ad.). 245 Idem, p. 71 ( ad.). 246 No e-se como a ques ão da exiguidade do espaço é ans e sal a oda a his ó ia do Museu, endo sido ainda ecen emen e ma é ia de e lexão no âmbi o da exposição 06. Ampliação do MNAA. 20 P opos as académicas (IST) ap esen adas po alunos do 4º ano do Cu so de A qui e u a do Ins i u o Supe io Técnico, sob a o ien ação dos a qui ec os Rica do Bak Go don e José Ma eus, isando a ans o mação da zona en ol en e e de aumen o subs ancial das suas á eas uncionais. 247 Au o de uma ex ensa bibliog a ia sob e a e po uguesa, com especial incidência no domínio da pin u a dos séculos XV e XVI. Sob e as suas concepções museológicas no MNAA e : MANAÇAS, Ví o Manuel Teixei a - Museu Nacional de A e An iga. Uma lei u a da sua his ó ia. 1911-1962, pp. 74-107; COSTA, Madalena Ca doso da - “João Rod igues da Sil a Cou o e a ‘ino ação museológica’ em Po ugal no século XX (1938-1964)”. In ASCENCIO, Mikel, e . al. (ed.) - SIAM - Se ies de In es igación Ibe oame icana en Museología. [Em linha]. Mad id: Uni e sidad Au onoma de Mad id, Ano 3, Vol. 6 (His o ia de las colecciones, his o ia de los museos), 2012, pp. 137-151. [Consul . 18 Ma ço. 2014]. Disponí el em WWW:<URL h ps:// eposi o io.uam.es/bi s eam/handle/10486/11575/57375_12.pd ?sequence=1>.; e COSTA, Madalena Ca doso da - “Museus e Educação no pe íodo do Es ado No o: o papel de João Cou o (1928- 1968)”. In IDEARTE - Re is a de Teo ias e Ciências da A e, Ano VII, Vol. 7. Lisboa, 2011, pp. 5-34. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.idea e.o g/idea e- e is a- de- eo ias-e-ciencias-da-a e-ano- ii- ol-7-2011/26.11.2011: 11:30>. 248 Mais a de econhece ia o con á io: “Nem semp e podemos conse a as opiniões já o muladas. E é a e a con enien e ano a as ans o mações pelas quais ão passando os nossos modos de e . Assim, num a igo in i ulado ‘Jus i icação do a anjo de um Museu’, de 1950, esc e i: ‘Disco damos [...] da adap ação de um palácio elho a Museu de A e. Uma ou ou a ez, quando conse am seu ca ác e e, pelo menos, pa e do seu echeio, pode a si uação se de conside a ’. Tenho hoje uma ideia di e sa. Em ma é ia de ob as de a e, as an igas de em se semp e ins aladas num ambien e an igo, com ca ác e , ao passo que as mode nas podem se alojadas num edi ício com as ca ac e ís icas do momen o que passa. Ob as de ou os empos dispos as num meio que as epele, não podem sen i -se bem. Um edi ício an igo é o ambien e adequado pa a expo ob as de a e an iga que se i am dece o, pelo 105 lhe, assim, conc e iza as ob as iniciadas no no o edi ício do “Anexo”249 em 1937 e só in eg almen e e minadas em 1947250. Desenhado pelo a qui ec o Guilhe me Rebelo de And ade (1891-1969) a no a ala do Museu251, a úl ima g ande ampliação do MNAA e a única concebida com ins museológicos, oi inaugu ada em Junho de 1940 pa a acolhe a exposição dos P imi i os Po ugueses. 1450-1550252. Um aspec o desde já a salien a p ende-se com o ac o de Salaza e dado indicações p ecisas sob e escolha da emá ica e do local no Museu onde a mesma i ia deco e , o “Anexo”, como adian a a numa no a o iciosa de Ma ço de 1938: “po o ma a que ‘ ique em condições de nele se pode em ealiza exposições empo á ias de A e’, se o ganize uma ‘exposição de a e po uguesa’ que, no domínio da pin u a, se es inja aos P imi i os”253. Comissa iada pelo his o iado e c í ico de a e Reynaldo dos San os (1880-1970), inha como objec i o “mos a a pujança c iado a e as “ca ac e ís icas menos em pa e, pa a cons i ui seu ado no e alo iza sua ap esen ação”. C : COUTO, João - “Museus em edi ícios no os e elhos”. In Ociden e. N.º 281, ol. LXI, (Se emb o de 1961), Lisboa, p. 136. 249 Sob e es e esc e eu Ca los Guima ães: “As ob as iniciam-se sob o p ojec o de a qui ec u a dos Rebelo de And ade que, numa colagem de elemen os de linguagens e e e ências es ilís icas di e en es, p ocu a esponde a uma p e ensão de monumen alidade in e io , aduzida pa a o ex e io po uma composição de alçados de inspi ação classicizan e, co oados po olumes de cobe u as que eme em pa a um ecle ismo que mis u a elemen os da a qui ec u a adicional com ou os de a qui ec u a o ien al. O p ojec o e as suas soluções aduzem uma isão se ôdia e de cos as ol adas pa a o deba e a qui ec ónico que, pa a além das ques ões da o ma, ale a a já pa a no as apo ações p og amá icas, conc e izando algumas soluções ma can emen e ino ado as que compo a am ambém uma espos a à adequação uncional dos edi ícios. C : GUIMARÃES, Ca los - “A c iação de Museus em Po ugal”. In A qui ec u a e Museus em Po ugal, En e Rein e p e ação e Ob a No a. Po o: FAUP publicações, 2004, p. 229. 250 C : CARVALHO, José Albe o Seab a e CARVALHO, Ma a Ba ei a - “Museus e exposições: ideias, o mas e discu sos de ep esen ação e celeb ação da a e po uguesa (do libe alismo ao Es ado No o)”, p. 104. Regis e-se ambém que en e 1942 e 1947 o edi ício do Palácio oi subme ido a g andes ob as que se aduzi am na c iação da ala o ien al pa a aí se em ins alados o Audi ó io, a Biblio eca e o Gabine e de Es ampas, pe mi indo igualmen e o aumen o do núme o de salas de exposição de longa du ação. 251 O no o edi ício, g ande hall de ele ado pé di ei o, ap esen a a-se como um gigan esco cubo di idido em ês pisos, com um g ande salão cen al e uma gale ia supe io , dedicados à exposição de longa du ação e um ou o, des inado às ese as. Do pon o de is a uncional, o “Anexo” eio possibili a uma g ande eno ação no modo de exibi as colecções do Museu em i ude da duplicação da á ea exposi i a. Com a sua abe u a, ope ou-se uma al e ação decisi a na his ó ia da exposição de longa du ação do MNAA: o “Anexo” passa a es a des inado à a e po uguesa, enquan o que o Palácio passa a albe ga a a e eu opeia, di isão espacial que se man ém a é aos dias de hoje. 252 Sob e es a impo an e mos a, e : CARVALHO, José Albe o Seab a - “A In enção de Uma Iden idade pa a os P imi i os Po ugueses”. In AA.VV. - P imi i os Po ugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçal es, pp. 28-41. 253In AA.VV. - P imi i os Po ugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçal es, p. 112. 106 nacionais” de uma “escola a ís ica” a é en ão p a icamen e desconhecida dos g andes públicos”254. Fig. 41 - Á io do “Anexo”. Fo og a ia de Domingos Al ão, 1940. Con i á não esquece que a mos a coincidiu com uma da a especialmen e signi ica i a pa a a nação, a da Exposição do Mundo Po uguês de 1940255, duplo cen ená io da undação e es au ação nacional. Tal emá io adequa a-se plenamen e aos p opósi os iden i á ios e de exal ação nacionalis a que inha a a e como uma unção de endou inamen o, sob e udo uma a e cuja iden idade se de inisse pelos ‘ equisi os’ da sua po ugalidade, indo assim comp o a -uma ez mais- a elação de in e dependência en e as exposições e os egimes a a és do ‘uso’ da his ó ia e da memó ia. Assim, a exposição de 1940 e elou-se como a ocasião pa a uma no a ( e)descobe a da a e p oduzida em Po ugal na época dos Descob imen os, e pa a o País exal a a sua condição de po ência ul ama ina, p ecisamen e num empo ad e so 254 C : SERRÃO, Ví o - “Os P imi i os Po ugueses: se en a anos ol idos” In Newsle e da Associação Po uguesa de His o iado es da A e (APHA). Nº 5|Ab il, 2011. [Em linha]. [Consul . 23 Ab il. 2011]. Disponí el em WWW:<URL:h p://www.apha.p /no icias/nl_05.pd >, p. 2. 255 A mesma deco eu en e 23 de Junho e 2 de Dezemb o, em Belém. Sob e es a emblemá ica exposição e espec i as icissi udes his ó icas, a ís icas e polí icas, eja-se: Comemo ações nacionais de 1940: exposição de os p imi i os po ugueses: (1450-1550): ca álogo-guia. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 1940; ACCIAUOLI, Ma ga ida - Os Anos 40 em Po ugal: O País, o Regime e as A es, “Res au ação” e “Celeb ação”. Tese de dou o amen o em His ó ia da A e Con empo ânea, FCSH-UNL, 1991; ACCIAUOLI, Ma ga ida - Exposições do Es ado No o. 1934-1940. Lisboa: Li os Ho izon e, 1998; SANTOS, Rui A onso - “A Exposição do Mundo Po uguês. Celeb ação magna do Es ado-No o Salaza is a”. In AA VV. Ca álogo Má io No ais. Exposição do Mundo Po uguês. 1940. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1998; e NOBRE, Ped o Alexand e de Ba os Ri o Nunes - Belém e a Exposição do Mundo Po uguês: cidade, u banidade e pa imónio u bano. Disse ação de Mes ado em Pa imónio U bano. FCSH-UNL, 2010. Disponí el em: h ps:// un.unl.p /bi s eam/10362/5807/1/ped o.pd >. 113 Fig. 44 - Exposição de A e Po uguesa, 1955-1956. Vis a pa cial da Sala II - Século XV “Nuno Gonçal es”. Pese embo a a não legendagem das peças exibidas277, a exposição ealizada em Lond es ob e e g ande epe cussão jun o do público, essencialmen e inglês, pe azendo um o al de 111 296 isi an es278. Me eceu ainda a a enção de no á eis his o iado es de a e, aduzida em nume osos a igos publicados nas e is as de A e da Eu opa279. A í ulo exempli ica i o e i a-se a ap eciação c í ica ei a po Sache a ell Si well, epu ado esc i o inglês, ao e e i -se à a e do século XV no a igo “Golden Age and Age o Gold” publicado no The Lis ne (10 de No emb o de 1955): “Es as duas admi á eis ob as de a e - o duplo íp ico de Nuno Gonçal es e as apeça ias de A zila êm que se is os em conjun o se se que ap ecia a his ó ia de Po ugal”280. Po im, a ealização de um documen á io po An ónio Lopes Ribei o (1908-1995), a publicação de dois ca álogos, em po uguês e inglês, e ainda um ou o com o og a ias do espaço exposi i o da au o ia de Má io No ais (1899-1989), conjun o de es a égias que ope a am em a o do mecanismo de p opaganda. 277 C : FERNANDES, - Ma ia Amélia Biza o Lei ão - A Exposição de A e Po uguesa em Lond es 1955/1956…, pp. 55 e 56. 278 C . LAPA, So ia - “G ão Vasco”. In Colecção Pin o es Po ugueses (coo d. Raquel Hen iques da Sil a), Vol. II, Edições QuidNo i, 2010, p. 28. 279 Pa a uma lei u a gene alizada ace ca des e ópico e : SANTOS, Reynaldo - Exposição de a e po uguesa em Lond es (800-1800): Royal Academy o A s, Ou ub o 1955 - Ma ço 1956, pp. 45-53. 280 Idem, p. 46. 114 Reg essando ao MNAA, em elação ao c i é io de ap esen ação da pin u a po uguesa quinhen is a expos a, desde 1948281, no úl imo piso do “Anexo”, João Cou o assume uma pos u a dis in a do seu an ecesso , colocando “a pin u a luso- lamenga do p incípio do século XVI no pe cu so da pin u a po uguesa, con e indo- lhe, no en an o, uma p esença especí ica, au ónoma, uma “iden idade” di e en e em salas p óp ias”282. Figs. 45 e 46 - Aspec os da Sala de pin u a po uguesa do século XVI e da Sala de pin u a po uguesa dos séculos XVIII-XIX (“Anexo”), 1948. Pa a lá das ques ões do o o his o iog á ico, o seu manda o e idenciou-se, em e mos ge ais, pela o ma como “conseguiu mode niza museog a icamen e os espaços, em e mos de igo e limpidez exposi i os”283, exp essos a a és de uma cla a sime ia e de uma medição à escala da exposição das pin u as, num jogo en e pequenos e g andes o ma os de elas, colocadas en e a en e, inaugu ando ali um e dadei o pe cu so/discu so da isualidade. Há ainda a assinala que João Cou o p ocu ou es a “pe manen emen e ac ualizado em elação aos a anços da museologia in e nacional”284, apos ado na “dinamização das ac i idades do Museu, a a és da 281 No e-se, po ém, que a gale ia de pin u a po uguesa só oi abe a ao público em 1949, al u a em que, pela p imei a ez, as salas do Museu pude am se isi adas na sua o alidade e em con inuidade de um edi ício pa a o ou o (Palácio e Anexo). C : COUTO, João - “Jus i icação do a anjo do Museu”. In Bole im do Museu Nacional de A e An iga. Vol II, n° 1, (1950), Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, pp. 14 e 15. 282 C : CARVALHO, José Albe o Seab a e CARVALHO, Ma a Ba ei a - “Museus e exposições: ideias, o mas e discu sos de ep esen ação e celeb ação da a e po uguesa (do libe alismo ao Es ado No o)”, p. 105. 283 C : SILVA, Raquel Hen iques da - “Os museus: his ó ia e p ospec i a”, pp. 14 e 15. 284 Nes e âmbi o me ece pa icula des aque a o ganização de um a qui o «museog á ico», já desen ol ido pelo seu an ecesso . Sob a esponsabilidade de Bela mina Ribei o, o mesmo inha po inalidade ecolhe exemplos das p á icas museológicas e museog á icas implemen adas um pouco po 115 ealização de exposições empo á ias e, sob e udo, da c iação dos p imei os Se iços Educa i os”285, e p eocupado em “cump i as unções de “museu no mal”286, não só a a és da o mação de conse ado es”, como igualmen e “do apoio aos museus de p o íncia e da ac uação conjun a dos conse ado es, numa ede de in e -ajuda, po enciado a de ecu sos e p ojec os”287. Po im, coube a Cou o inaugu a uma no a ó mula exposi i a no MNAA, esul an e da sua sensibilidade pa a as in e enções de a e con empo ânea em diálogo com as colecções do Museu, ma e ializada, em 1955, numa exposição colec i a de jo ens a is as po ugueses na qual pa icipa am C uz de Ca alho, José Escada, Lou des de Cas o e Te esa de Sousa, com ce ca de 80 abalhos que i e am como mo e o emá io da Anunciação, p á ica es a que i ia a se e omada com a mos a A is as Con empo âneos e as Ten ações de San o An ão, ealizada quase in e anos depois (1974), já sob o manda o de Ma ia José de Mendonça (1905-1984)288 que ocupou o ca go de di ec o a en e 1967 e 1975. oda a pa e, pe mi indo “ e , analisa e es uda os aspe os, as modi icações, as ans o mações, as disposições das salas, que de exposições pe manen es, que empo á ias, a dis ibuição da iluminação, os ape echos de conse ação das ob as, os labo a ó ios, as biblio ecas, as salas de es udo, as salas de con e ências e conce os, os ja dins, as a ecadações e odas as a i idades ag egadas aos espec i os museus”. C : ARAÚJO, Hugo d’ - “O a qui o o og á ico do Museu Nacional de A e An iga. Esboço de uma biog a ia”. In PROJETHA. P oje os de His ó ia da A e [publicação online]. N.º 1 - “Fon es pa a a His ó ia dos Museus de A e em Po ugal”. Lisboa: Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH-UNL, 2013. [Em linha]. pp. 36-53. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://ins i u odehis o iadaa e. iles.wo dp ess.com/2013/07/p oje ha_museus-de-a e-em- po ugal.pd >. 285 Po impulso de Cou o oi c iado en e 1928-1930 um se iço de ex ensão educa i a que só i ia a o na -se e ec i o em 1953 com o “Se iço de Ex ensão Escola ”, o p imei o Se iço Educa i o em Po ugal, ac ualmen e denominado Se iço de Educação do Museu Nacional de A e An iga. Regis e-se ambém que oi du an e a sua di ecção que se desenhou pela p imei a ez a ilogia Colecção-Secção- Exposição que ca ac e iza a é hoje a o gânica uncional e as p á icas de cada á ea de especialização do MNAA. C : CARVALHO, Ma ia João Vilhena de - “Sé gio Guima ães de And ade, o conse ado e a sua colecção. A imaginá ia como concei o”. In Re is a do Ins i u o de His ó ia da A e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa. Lisboa: IHA/FCSH-UNL. Nº 8, 2011, pp. 111-125. 286 C : ROCHA, Ema Ramalhei a - O es ágio/cu so de conse ado de museu no Museu Nacional de A e An iga - o papel educa i o do MNAA na Museologia Po uguesa. Disse ação de Mes ado em Museologia. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa, 2013 [Tex o policopiado]. 287 C : SILVA, Raquel Hen iques da - “Os museus: his ó ia e p ospec i a”, pp. 14-15. 288 Sob e a mesma e : LAPA, So ia - “Como se o ma uma museóloga? Con ibu os pa a o es udo de Ma ia José de Mendonça (Museu Nacional de A e An iga, 1933-1938)”. In Ac as do IV Cong esso de His ó ia da A e Po uguesa. Homenagem a José-Augus o F ança. Lisboa: Associação Po uguesa de His o iado es de A e, 2012, pp. 312-322. 116 Du an e es e pe íodo di ec i o, assis iu-se a um decla ado in e esse pela escul u a ba oca e a do-ba oca, ac o que se epe cu iu num g ande en iquecimen o do ace o do Museu289. Não sendo âmbi o des e abalho a museog a ia aplicada à colecção de escul u a, pela isão mode nizan e que imp imiu às salas dedicadas à exposição da Doação Gulbenkian, op ámos po inclui nes a análise qua o egis os o og á icos ep esen a i os das al e ações in oduzidas po Mendonça, em con apon o com a an iga museog a ia de João Cou o. Figs. 47 e 48 - Salas Gulbenkian abe as ao público em 1953. A anjo de João Cou o. Figs. 49 e 50 - Sala Calous e Gulbenkian inaugu ada em 1969. A anjo de Ma ia José de Mendonça. As mesmas i e am como esul ado a di e enciação dos núcleos exis en es e a inclusão dos exempla es de escul u a, em sala especí ica com desenho museog á ico de José Ma ia da C uz de Ca alho (n. 1930), pin o e deco ado . Igual des aque me ece o ac o de es a em aí “p esen es os alo es da ob a de a e en endida como unicum, na sua essência e no seu con ex o de Colecção, exal ado a a és da cenog a ia, dos 289 Sob e o assun o V. CARVALHO, Ma ia João C espo Pimen el Vilhena de - As escul u as de E nes o Ja dim de Vilhena. A cons i uição de uma coleção nacional. 117 supo es dos objec os e da sua iluminação, pa icula , numa plas icidade que os en a a “ o es ecos das p opos as”290 do i aliano F anco Albini (1905-1977). 2.4. [1973 - 2016]: en e a adição e os no os desa ios - ânsi os plás icos En e 1973 e 1975, são emp eendidas ob as de bene iciação nas salas do p imei o piso do Palácio291 que consis i am, en e ou as, na pin u a das pa edes, an e io men e e es idas a ecido, no le an amen o dos lamb is de madei a e no a anjo dos es uques deco a i os, o que ob igou ao echo da gale ia. Nes e mesmo pe íodo es e e expos a ao público na p imei a sala da gale ia de exposições empo á ias uma pequena mos a compos a po 10 pin u as da segunda me ade do século XV e p imei a do século XVI. Em 1983, po ocasião da XVIIª Exposição de A e, Ciência e Cul u a do Conselho da Eu opa (XVIIª)292 su giu a opo unidade de no a in e enção de undo no edi ício do “Anexo” desenhado po Rebello de And ade, des a ei a a ca go do a qui ec o João de Almeida. Assim, com o objec i o de conquis a mais á ea exposi i a e espaços de a ecadação no edi ício, a e e ida in e enção cons ou basicamen e na c iação de um piso in e médio, passando o co po cen al do “Anexo” a con a com ês pisos, al e ação decisi a pa a a his ó ia da museog a ia do MNAA e que em mui o con ibuiu pa a a consolidação da imagem que o Museu man ém e em pa e con e ida pela monumen alidade da no a escada ia ( e Figs. 51 e 52). 290 C : CARVALHO, Ma ia João C espo Pimen el Vilhena de - As escul u as de E nes o Ja dim de Vilhena. A cons i uição de uma coleção nacional, p. 582. 291 C : CALADO, Ra ael Salinas - Faiança Po uguesa, Ro ei o Museu Nacional de A e An iga. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, p. 22. 292 As Exposições de A e, Ciência e Cul u a o am ins i uídas em 1954 pelo Conselho da Eu opa. A exposição em ap eço cons i ui-se em seis mos as e es e e pa en e ao público en e Maio e Ou ub o de 1983, endo sido o ganizada pelo go e no po uguês e com o apoio do Conselho da Eu opa. A mesma oi esponsá el pela eabili ação de edi ícios simbólicos da cidade de Lisboa: To e de Belém, Mos ei o dos Je ónimos, Mos ei o da Mad e de Deus, Casa dos Bicos e Museu Nacional de A e An iga. C . AA. VV. - XVII Exposição Eu opeia de A e, Ciência e Cul u a. Os Descob imen os Po ugueses e a Eu opa do Renascimen o. Lisboa: ed. Mon epio Ge al, 1984 [Ca álogo da exposição]. 118 Figs. 51 e 52 - Escada ia do “Anexo”, an es e após as ob as do piso in e médio, p incípios dos anos 80. Dedicada ao ema Os Descob imen os Po ugueses e a Eu opa do Renascimen o, coube ao MNAA acolhe um dos cinco núcleos que cons i uí am a XVIIª e in i ulado Ab e-se a Te a em Sons e Co es. Nas pala as do comissá io-ge al, Ped o Cana a o, o seu p opósi o consis iu em “inc emen a a coope ação en e ins i uições e agen es cul u ais dos países memb os do Conselho da Eu opa”293. Pa a da co po a es e p opósi o eco eu-se, uma ez mais, aos ‘Painéis’ ladeados pelas Tapeça ias de Pas ana ( e Fig. 53), esga ando-se a solução plás ica assumida aquando das exposições de Se ilha (1929) e de Pa is (1931). 293 C : CANAVARRO, Ped o - [P e ácio]. In AA.VV - Os Descob imen os Po ugueses e a Eu opa do Renascimen o - XVII Exposição Eu opeia de A e, Ciencia e Cul u a. Ab e se a Te a em Sons e Co es. As descobe as e o Renascimen o, o mas de coincidencia e de cul u a Lisboa: P esidência do Conselho de Minis os, Vol. I, 1983, p. 19. 119 Fig. 53 - ‘Painéis’ e Tapeça ias de Pas ana na XVIIª, 1983. Imagem e i ada de AA.VV. - XVII Exposição Eu opeia de A e, Ciência e Cul u a. Os Descob imen os Po ugueses e a Eu opa do Renascimen o, 1984. A al e ação p o unda ope ada pela campanha de ob as ealizadas oi acompanhada po uma e o mulação do in e io do Museu, o que se aduziu numa ac ualização do seu discu so museog á ico, nomeadamen e ao ní el do mobiliá io exposi i o e da pin u a das pa edes em ons de manganês, bem como a colocação de alca i a sob e o soalho, o e es imen o do ec o das salas com g elhas me álicas ( e Fig. 53), medidas a o á eis a uma mise en exposi ion mais le e e depu ada. Po úl imo, há a assinala uma maio p ecocupação com as p á icas de exposição ao ní el da concepção dos ca álogos e espec i os con eúdos, ac o que se de e ao in es imen o ei o nas á eas da o mação e especialização em his ó ia da a e e da museologia. O ciclo de ob as que deco eu en e 1992-1994, ainda a ca go de João de Almeida, eio da espos a à necessidade de se p ocede à eo ganização do “Anexo” (dedicado à A e Po uguesa e O ien al), des inando-se as salas do e cei o piso à Pin u a e Escul u a, passando es as a dispo , pela p imei a ez na his ó ia do Museu, de espaço especí ico e de uma exposição de longa du ação294. As ob as emp eendidas possibili a am ainda a bene iciação dos espaços a ec os à exposição de longa du ação e de na u eza empo á ia, inclusi e o aumen o da sua á ea disponí el, a c iação de 294 Coincidindo a abe u a des es espaços com o e en o Lisboa 1994, Capi al Eu opeia da Cul u a. Regis e-se ambém a ealização em inais de 1991 da exposição No Tempo das Fei o ias: A a e po uguesa na época dos descob imen os na qual os ‘Painéis’ es i e am expos os no anda nob e do Palácio. Sob e es a mos a, e AA.VV. - No empo das ei o ias: A a e po uguesa na época dos descob imen os. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 1992. 120 uma no a á ea dedicada a se iços écnicos e adminis a i os, bem como a eins alação do Gabine e de Es ampas (hoje designado Gabine e de Desenhos e G a u as). Alguns anos mais a de, a exposição de longa du ação de Pin u a Po uguesa, o ganizada a é en ão po épocas, oi subme ida a g andes al e ações, jus i icadas com p ecisão po José Luís Po í io (n. 1943), an igo di ec o do MNAA, en e 1996-2004, ao decla a que se op a a po p i ilegia “as es u u as e abula es e alguns g andes o ma os en e an o saídos das ese as. Fica a de o a, ou como di iculdades de exposição na Pinaco eca Po uguesa, um núme o signi ica i o de pin u as impo an es. A solução encon ada oi escolhe pa a a exposição, na Pinaco eca Eu opeia, 29 pin u as po uguesas do século XV ao XIX, quase odas de g ande impo ância his ó ica ou a ís ica. O pe cu so na pin u a oi ainda pon uado po núcleos c onológicos de A es Deco a i as e algumas escul u as do séc. XV-XVI, século XVI- XVII, que con ibuem pa a queb a a mono onia o mal de uma longa gale ia de pin u a, o núcleo mais impo an e, em quan idade e qualidade, con inuou a ocupa o Salão Nob e”, ac escen ando que “A pin u a po uguesa p esen e em 10 das 14 salas icou cla amen e inco po ada num pe cu so eu opeu que a alo iza e em mui os casos ajuda a alo iza , com especial des aque pa a a sala 57 onde se encon a o T íp ico das Ten ações de San o An ão de Bosch e pa a a úl ima sala onde são dois pin o es po ugueses que azem a ansição do século XVIII pa a o XIX e minando simbolicamen e o pe cu so exposi i o”295. Sob a sua igência são ap esen adas duas e sões de mon agem dos ‘Painéis’. Uma delas com os dois olan es cen ais, In an e e A cebispo, mais ecuados em elação aos la e ais, Pescado es e F ades e Ca alei os e Relíquia, colocados espec i amen e à esque da e à di ei a do obse ado , como podemos e na imagem que se segue (Fig. 54) e na qual são igualmen e obse á eis qua o pin u as dispos as nas pa edes, a sabe : São Teo ónio (?) ca. 1470, San o F anciscano (ca. 1470), à esque da, e São Vicen e na C uz em Aspa (ca. 1470) e São Vicen e A ado à Coluna (ca. 1470), à di ei a, ob as que se admi e pe ence em a Nuno Gonçal es. Na ou a e são, 295 C : PORFÍRIO, José Luís - “O o ei o ge al de um Museu”. In HENRIQUES, Ana Cas o (coo d.) - Ro ei o do Museu Nacional de A e An iga. Lisboa: Ins i u o Po uguês de Museus, 2003, p. 12. Neg i os nossos. 121 a mais ecen e ( e Fig. 55), as ábuas o am expos as na Sala 11, alinhadas no plano da pa ede. Figs. 54 e 55 - Ins alação dos ‘Painéis’ no ínicio da década de no en a (imagem supe io ); e ‘Painéis’ no início do século XXI. É ambém com Po í io que se ecupe a a a e con empo ânea pa a o con ex o do MNAA, expe iência já iniciada, como imos, em 1955, com João Cou o. Nes a o dem, o políp ico ol a a habi a , em 2001, o piso segundo do Palácio-Al o pa a igu a na exposição empo á ia Un dé ail immense296 de Be na d Guel on, uma mos a que ocupou 70 salas da exposição de longa du ação e ab angeu uma g ande di e sidade de objec os c iados pelo a is a em á ias modalidades, “en e o og a ias, um conjun o de objec os cons uídos pelo a is a a pa i de po meno es de exempla es das colecções do Museu, desenhos de elemen os a qui ec ónicos (colunas, pilas as, 296 C : GUELTON, Be na d - Un Dé ail Immense. Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 2001. O ex o da exposição e as espe i as imagens da ins alação encon am-se disponí eis em: <h p://www.a chi ic ion.o g/de ail%20immense%20web/un.de ail.immense.h ml> 122 balaus adas, e c) eco ados a inil au ocolan e e colados di ec amen e no pa imen o e nas pa edes das salas in eg ando algumas das pin u as expos as no museu, no caso dos Painéis oi-lhes aplicado um desenho mu al de um po meno a qui ec ónico”297. Fig. 56 - Ins alação dos ‘Painéis’ em Un dé ail immense, 2001. Com Dalila Rod igues (n.1960) na di ecção do Museu, en e 2004 e 2007, é assumida uma no a disposição dos ‘Painéis’, man idos no piso e cei o do “Anexo”, que se pau ou po uma cen alização/pela monumen alização da ob a, des a ei a, colocada em luga de des aque no opo da escada ia cen al que da ia acesso à colecção de pin u a po uguesa an iga. Fig. 57 - Ins alação dos ‘Painéis’ em 2007. Nas pala as da di ec o a, com es a decisão p e endeu-se “cen aliza oda a ob a de Nuno Gonçal es numa única sala, e a segui os pin o es de o igem lamenga, en e ou os a is as da época, nomeadamen e F ei Ca los, G egó io Lopes e Ch is ó ão 297 C : MENDES, Ma inho Pes ana - Diálogos en e a e an iga e a e con empo ânea no Museu de A e Sac a do Funchal. Disse ação de Mes ado em Educação A ís ica. Faculdade de Belas A es da Uni e sidade de Lisboa, 2013. [Em linha]. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em: URI: h p://hdl.handle.ne /10451/8848>. p. 17. 129 base a p emissa de que o discu so da a e se con unde com a his ó ia das exposições, P imi i os Po ugueses (1450-1550)… não descu ou uma pe spec i a ememo a i a da g ande exposição de 1940, assumindo-se, em pa e, como a exposição de uma exposição. A segunda secção inco po a a uma quan idade signi ica i a de ma e iais g á icos que incluía a documen ação labo a o ial associada a in es igações sob e o p ocesso c ia i o das pin u as mais p oeminen es do ciclo em análise isando “demons a como o es udo écnico e ma e ial desse pa imónio con ibui decisi amen e pa a eno a e ap o unda o seu conhecimen o”312, al como adian ou o comissá io da exposição. Nes e con ex o exposi i o ol ou a in es i -se numa abo dagem con empo ânea, endo pa a isso sido incluído, na mesma sala, em en e ao políp ico, um e ábulo semiabe o, uma ins alação do pin o e escul o Ped o Cab i a Reis (n.1956), in i ulada Al a Piece #2313 ( e Fig. 64), p oposi adamen e aí expos a com o in ui o de p opo ciona um e ei o de in e ogação nos isi an es, p odu o das complexidades do(s) empo(s) no empo, da mon agem e desmon agem de si uações. A época assume-se, assim, como uma cons ução e o empo como uma p esença. Figs. 64 e 65 - Al a Piece #2 de Ped o Cab i a Reis e ‘Painéis’, 2010. 312 In h p://www.museudea ean iga.p /exposicoes/p imi i os-po ugueses-1450-1550 313 A es e p opósi o, suge e-se a consul a do ex o da au o ia do a is a no ca álogo da exposição: AA.VV - P imi i os Po ugueses (1450-1550) - O Século de Nuno Gonçal es, p. 128. 130 Vol idos mais de cem anos com a ac ual designação, o MNAA desen ol eu um in enso p og ama de exposições empo á ias314, implemen ado pela p esen e di ecção do Museu, que em se ido de ensaios pon uais pa a o que i ia a se exibido no espaço da Gale ia de Pin u a e Escul u a Po uguesas315 (Piso 3), p ojec o de emodelação ma can e no seu cu iculum exposi i o que possibili ou a eabe u a de onze salas ence adas ao público316, uma e apa na ida do Museu que cons i ui o p imei o impulso de uma es a égia cuja con inuidade se p e ê aplica nas es an es á eas, num quad o empo al de média du ação. Re i a-se ainda que uma das linhas da ac ual di ecção, no que eme e à sua equali icação e ees u u ação, se o ien a no sen ido de p ocede às ob as de modo aseado, pe mi indo man e abe as, semp e que possí el, algumas pa celas da exposição de longa du ação317. FFigs. 66 e 67 - Piso 3 do “Anexo” du an e as ob as . Du an e o pe íodo em que deco e am os abalhos de eno ação do Piso 3, as ob as adicionalmen e expos as es i e am ese adas, com excepção do emblema do 314 Inaugu ados em 2010, es es ensaios êm sido ealizados na Sala do Tec o Pin ado do MNAA que con a a é ao momen o em que edigimos es e ex o com ce ca de 15 mos as com um papel de g ande ele ância pa a o es udo, conse ação e alo ização do ace o do Museu. 315 Nos úl imos anos o am sendo des endadas no hall da en ada p incipal do “Anexo” ob as que po aquisição, inco po ação ou depósi o i iam en iquece es a Gale ia, exemplo do medalhão em b onze, de ce ca de 1575, que e a a o eólogo Diogo de Pai a, numa es a égia de comunicação com is a a despe a a cu iosidade e o in e esse dos isi an es pa a a no idade. 316 Pon ualmen e abe as pa a acolhe as exposições Encompassig he Globe (2009); A In enção da Gló ia. D. A onso V e as Tapeça ias de Pas ana (2010); e P imi i os Po ugueses (1450 e 1550) - O século de Nuno Gonçal es (2011). 317 No con ex o em ap eço, du an e um cu o espaço de empo (en e 15 de Ma ço e de 5 de Ab il), es i e am ence adas ao público as secções Mobiliá io Po uguês, Ou i esa ia e Joalha ia, Ce âmica e A e da Expansão. Fo am man idas abe as, no Piso 1, a Gale ia de Pin u a Eu opeia e as salas ese adas às A es Deco a i as F ancesas, bem como as exposições empo á ias. 131 MNAA, os ‘Painéis’, como não pode ia deixa de se , que ocupa am empo a iamen e a Sala 55 (Salão Nob e) do Piso 1. Figs. 68 e 69 - ‘Painéis’ em exposição na Sala 55, 2016. Fo og a ias: © JOM. 132 133 CAPÍTULO 4 - Da necessidade de um olha ‘compa a i o’ com o Museu Nacional do P ado Fig. 70 - G a oscópio de o ação com o Pano ama da Gale ia Cen al do Museu do P ado, 1882-1885. Imagem e i ada de AA.VV. - El g a oscopio. Un siglo de mi adas al Museo del P ado (1819-1920), 2004. La sala de Las Meninas e a el emplo donde se consag aba en g ado sumo la glo iosa memo ia de Velázquez. En ella se en aba gene almen e con el somb e o en la mano; odo el mundo hablaba allí en oz baja, y se andaba casi de pun illas pa a no u ba aquel solemne ambien e de de o a admi ación po el g an a is a. En más de una ocasión he is o yo llega la emoción del isi an e has a las lág imas. En odo el mundo a ís ico es sabido que Las Meninas ienen su sala apa e, y que en ella el alma de Velázquez se deja sen i con mayo in ensidad que en el g an ecin o donde se exhiben, con o gullo de España, las demás ob as del genial pin o 318. 1. In odução Tal como an os ou os g andes museus de a e, ambém o P ado, a é se con e e na ins i uição que é hoje, pe co eu um longo caminho, que no que espei a ao p ocesso de o mação e disposição das colecções, que ainda no âmbi o do edi ício que con a com a aplicação de uma museog a ia que se oi sucessi amen e adap ando em unção das necessidades e c i é ios de cada momen o, in oduzindo elemen os ino ado es que pe mi em uma melho conse ação, segu ança, con emplação e es udo das ob as em exposição. 318 Don Gene oso Añés ci . po PÓRTUS, Ja ie - “La Sala de las Meninas en el Museo del P ado; o la pues a en escena de la ob a maes a”. In Bole ín del Museo del P ado. Vol. 27, Nº. 45, 2009. [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h ps://www.museodelp ado.es/uploads/ x_gbbole inob as/po us.pd >. p. 107. 134 Abe o exclusi amen e como pinaco eca em 1819, e ainda sob o nome de Real Museo de Pin u as y Escul u as, a sua colecção de pin u a espanhola319, onde a ul am as a amadas ‘Meninas’ de Velázquez320, oi, desde semp e, o pila em o no do qual se o ganiza am as es an es colecções do Museu321, de cujo ace o apenas é possí el mos a uma pa cela mui o exígua, pois a his ó ia do P ado em sido ma cada, - ambém ela -, desde as suas o igens, po uma pe manen e lu a con a a al a de espaço pa a a exposição dos nume osos e aliosos undos que ab iga. Ao longo dos empos mui os o am os au o es que se dedica am ao es udo do Museu do P ado322, ao edi ício onde se encon a sedeado323 e às suas colecções324, 319 A mais ex ensa e a mais aliosa de odas as colecções do Museu. A sua impo ância eside não apenas no ac o de se a a de uma mos a da pin u a ealizada em Espanha, du an e um pe íodo que aba ca oi o séculos - desde o omânico a é à p imei a década do século XX - como ambém no ac o de conse a nume osas ob as-p imas de a is as espanhóis, ais como El G eco, Ribe a, Mu illo, Zu ba án e sob e udo Velázquez e Goya, des es dois úl imos pin o es o P ado acolhe as melho es colecções do mundo. Sob e es a colecção, eja-se: PÉREZ, Ja ie Po ús - La coleccion de pin u a española en el Museo del P ado. Mad id: Edilupa, 2003. 320 As Meninas ou A Família de Filipe IV (1656) de Diego Velázquez (1599-1660). Incon es a elmen e, a pin u a mais ca ismá ica des e Museu e bem conhecida em odos os seus aspec os, endo já sido objec o de inúme os es udos his ó ico-a ís icos: desde as magis ais páginas de Don An onio Palomino de Cas o y Velasco (El Museo Pic ó ico y Escala Óp ica. Tomo III, El Pa naso Español Pin o esco y Lau eado. Mad id, 1724. Ed. Aguila ), dos p incípios do século XVIII, a é às igo osas e documen adas ob as dos mais impo an es his o iado es de a e espanhóis do século XX. Ainda ecen emen e o Museu do P ado dedicou-lhe a mos a empo á ia Velázquez y la amilia de Felipe IV que e e como e e en e ‘As Meninas’. C : AA.VV. - Velázquez y la amilia de Felipe IV. Mad id: Museo Nacional del P ado, 2013 [Ca álogo de exposição]. 321 Pa a lá da colecção de pin u a espanhola e dos a is as que nela se des acam ( e no a 2), o ace o do P ado in eg a ambém colecções de pin u a i aliana, lamenga, alemã e inglesa, cujos núcleos conse am mui as das g andes ob as-p imas da pin u a eu opeia, como po exemplo a Anunciação de F a Angelico, A Descida da C uz de Van de Weyden, O Ja dim das Delícias de Bosch, O Ca deal de Ra ael, Au o- e a o de Dü e ou Da id e Golias, de Ca a aggio. Con a ainda com no á eis colecções de escul u a, a es deco a i as, desenho, g a u a e o og a ia, com des aque pa a o maio conjun o de ob as de Goya, em papel. Pa a ob e uma in o mação p ecisa sob e o que as colecções gua dam de mais no á el, suge e-se a consul a do úl imo guia o icial do Museu: C : AA.VV. - O Guia do P ado. Mad id: Museo Nacional del P ado, 2010. 322 Reco demos, a í ulo de exemplo, os es udos undamen ais de GAYA NUÑO, Juan An onio - His o ia del Museo del P ado (1819-1969), León: E e es , 1969; PÉREZ SÁNCHEZ, Al onso E. - Pasado, p esen e y u u o del Museo del P ado. Mad id: Fundación Juan Ma ch, 1977; ALCOLEA-BLANCH, San iago - Museo del P ado, Ba celona: Ediciones Políg a a, 1991; BEROQUI, Ped o - El Museo del P ado. No as pa a su his o ia. . I. El Museo Real, 1819-1833. Mad id: G á icas Ma ina, 1933. Mais ecen emen e, e : SERRALLER, F ancisco Cal o - B e e his o ia del Museo del P ado. Mad id, Alianza Edi o ial, 1994 e PORTÚS, Ja ie - Museo del P ado: memo ia esc i a 1819-1994. Mad id: Museo del P ado, 1994. 323 De en e as inúme as publicações sob e a sua a qui ec u a, eme emos apenas pa a algumas e e ências que podem se de mui a u ilidade pa a uma isão global e desc i i a dos sucessi os es ádios da ida do edi ício, a sabe : CHUECA GOITIA, Fe nando; DE VILLANUEVA, Juan - El edi icio del Museo del P ado. Mad id: Fundación Uni e si a ia Española, 2003; AA. VV. - El Palacio del Buen Re i o y el nue o Museo del P ado. Mad id: Museo del P ado, 2000 [Ca álogo de exposição]; GAVILANES, Ped o Moleón - P oyec os y ob as pa a el Museo del P ado. Fuen es documen ales pa a su his o ia. Mad id: Museo del 135 eunindo-se já ma é ia abundan e e undamen al pa a o seu conhecimen o325. Se a é hoje es a p eocupação cons i uiu uma e idência, nos úl imos anos esse in e esse em ganho um no o alen o, dando mo i o a uma sé ie de publicações326 e a uma dinâmica de exposições empo á ias327 que são o es emunho conc e o da polí ica exposi i a implemen ada, em que ecupe a o passado his ó ico e museog á ico do Museu cons i ui o eixo a gumen al. De en e es as inicia i as, adqui e pa icula des aque a P ado, 1996 e GAVILANES, Ped o Moleón - El Museo del P ado - Biog a ía del edi ício. Mad id: Museo Nacional del P ado, 2011. 324 Em elação a es e ópico, assinalamos os seguin es ex os: MADRAZO, Ma iano de - His o ia del Museo del P ado, 1818-1868. Mad id: Minis e io de Asun os Ex e io es, 1945; ARMAS, An onio Rumeu de - O igen y undación del Museo del P ado, Mad id: Ins i u o de España, 1980; e ANES, Gonzalo - Las colecciones eales y la undación del Museo del P ado, Mad id: Fundación Amigos del Museo del P ado, 1996. Nes e âmbi o são ambém dignos de assinala os ca álogos das exposições empo á ias que êm como alice ce comum o es udo e a di ulgação das ob as em exposição no Museu, bem como o papel que o Bole ín do Museu em indo a desempenha nes e domínio, pe mi indo igualmen e a di usão de ob as deposi adas o a do Museu a a és da secção conhecida po P ado Dispe so e que pode se consul ada no sí io o icial do P ado: h p://www.museodelp ado.es/in es igacion/bole in-del- mnp/his o ico/>. 325 Também o A qui o do Museu Nacional do P ado, conse ado na sua Biblio eca, sedeada no Casón del Buen Re i o, eúne um impo an e undo de ca álogos, o ei os, o og a ias, pos ais, ela ó ios, co espondência, imp ensa de época, pe iódicos, e c., documen ação incon o ná el pa a o es udo da pinaco eca. A es e p opósi o, cabe ainda egis a que no ano de 2010 a Biblio eca do Museu oi esponsá el pela exposição empo á ia Biblio heca a is: Teso os de la Biblio eca del Museo del P ado cujo objec i o p imei o consis iu em ap esen a as ob as mais des acadas do undo bibliog á ico do Museu e da qual esul ou a p imei a publicação dedicada a es a ma é ia. C : AA.VV - Biblio heca A is. Teso os de la Biblio eca del Museo del P ado. Mad id: Museo Nacional del P ado, 2010[Ca álogo de exposição]. 326 De que são exemplo as seguin es: GÉAL, Pie e - “El salón de la Reina Isabel en el Museo del P ado (1853-1899)”. In Bole ín del Museo del P ado, Vol. 19, Nº. 37, 2001, pp. 143-172. [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h ps://www.museodelp ado.es/uploads/ x_gbbole inob as/Bole %c3%adn_37_07.pd >; ROSE-DE- VIEJO, Isado a - “La p ime a exposición de escul u as celeb ada en el Real Museo de Pin u as”. In A chi o Español de A e. Mad id: Consejo Supe io de In es igaciones Cien í icas, 2005, pp. 59 - 69; [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL:h p://a chi oespañoldea e. e is as.csic.es/index.php/aea/a icle/ iew/208/205>; PORTÚS, Ja ie - “La Sala de las Meninas en el Museo del P ado; o la pues a en escena de la ob a maes a”. In Bole ín del Museo del P ado, Vol. 27, Nº. 45, 2009, pp. 100-128. [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h ps://www.museodelp ado.es/uploads/ x_gbbole inob as/po us.pd >.; e DOCAMPO, Ja ie - “Documen ación y di usión de las colecciones del Museo Nacional del P ado: del ca álogo de Eusebi a la Gale ía Online”. In V ENCUENTROS DE CENTROS DE DOCUMENTACIÓN DE ARTE CONTEMPORÁNEO. A ium (Vi o ia), 2010. [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.a ium.o g/LinkClick.aspx? ile icke =038s7dm -4%3D& abid=411&language=es-ES>. Digna ainda de ele o oi a publicação, no ano de 2006, da Enciclopedia del Museo del P ado, di igida po F ancisco Cal o Se alle e Miguel Zugaza, pois pela p imei a ez na ida do Museu é eunida numa só ob a, o ganizada em 6 olumes, oda a in o mação ela i a à sua his ó ia e à das suas colecções. A e são online pode se consul ada no sí io do Museu em:h ps://www.museodelp ado.es/enciclopedia/. 327 A í ulo de exemplo, e e em-se as seguin es exposições empo á ias: La Sala Rese ada y el desnudo en el Museo del P ado (2002); El Museo de la T inidad en el P ado (2004); El palacio del ey Plane a (2005); El siglo XIX en el P ado (2007) e, mais ecen emen e, His o ias Na u ales. Un p oyec o de Miguel Ángel Blanco (2013), cujos ca álogos se ão mais adian e mencionados. 136 exposição El g a oscopio. Un siglo de mi adas al Museo del P ado (1819-1920), ealizada no ano de 2004, que consis iu numa e isão do p imei o século de his ó ia do Museu e que p opo cionou um exaus i o conhecimen o dos c i é ios museológicos que egiam o P ado du an e o pe íodo em ques ão. O ca álogo publicado po ocasião des a mos a328, p o usamen e ilus ado, eúne um apa a o documen al inédi o po meio do qual é hoje possí el conhece não só a disposição o iginal da colecção desde a undação do Museu e pos e io e olução, como ambém analisa as soluções de exposição aplicadas a algumas das ob as mais des acadas e espec i a inse ção nos espaços mais emblemá icos da pinaco eca, cons i uindo o ca álogo, po es es mo i os, um ins umen o base pa a o desen ol imen o des e capí ulo. Assim, com is a ao ep o da explo ação do po encial exposi i o (e p og amá ico) do P ado, man e -se-á a mesma linha de con eúdos e objec i os p opos os no capí ulo an e io , soco endo-nos, des a ei a, d’ As ‘Meninas’ de Velázquez que ocupa desde 1899 o luga mais p oeminen e des e Museu: a g ande sala basilical do piso p incipal que, a pa i de en ão, icou ese ada pa a as ob as mais emblemá icas do pin o 329. A complemen a a análise es a ão igualmen e em des aque algumas exposições empo á ias ealizadas nos úl imos anos, não só po es emunha em a já mencionada polí ica ul imamen e seguida (i.e., de ecupe a o passado his ó ico e museog á ico do Museu) mas ambém po aquelas se e ela em uma ocasião p i ilegiada pa a a in odução de uma no a dimensão museog á ica no in e io do Museu, com a inclusão de p opos as ino ado as e ambiciosas que pe mi em in e agi com os con eúdos da exposição de longa du ação, idos como 328 C : AA.VV. - El g a oscopio. Un siglo de mi adas al Museo del P ado (1819-1920). Mad id: Museo Nacional del P ado, 2004 [Ca álogo de exposição]. 329 Nes e con ex o, me ece ealce a seguin e publicação: AA.VV. MAIRESSE, F ançois; PEQUIGNOT, B uno (di .) - Voi la Joconde: app oches muséologiques. Pa is: L'Ha ma an, 2014 (Col. Les cahie s de la média ion cul u elle) e ambém o p ojec o Média dossie s desen ol ido pelo Museu do Lou e e do qual esul ou a publicação de dois a igos a conside a : DELIEUVIN, Vincen - “Les acc ochages de la Joconde de 1797 à nos jou s”. In Média-dossie : Expose des œu es au musée - Lou e. 2012 [Em linha]. [Consul . 18 Jan 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.lou e. /si es/de aul / iles/medias/medias_ ichie s/ ichie s/pd /lou e-les-acc ochages- joconde.pd >.; e PICCINELLI, Ch is ophe «La p ésen a ion de la Vénus de Milo de 1822 à nos jou s ». In Média Dossie s: Expose des œu es au musée - Lou e. 2012 [Em linha]. [Consul . 18 Jan 2014]. Disponí el em WWW:<URL:h p://www.lou e. /si es/de aul / iles/medias/medias_ ichie s/ ichie s/pd /lou e- p esen a ion- enus-milo.pd >. 137 ‘ambiências es á eis’ pa a os isi an es e a o ecendo, po sua ez, uma no a o ma - e ‘uso’ - de con emplação das ob as. 2. Enquad amen o his ó ico e sín ese museog á ica O edi ício p incipal onde hoje se encon a ins alado o Museu Nacional do P ado oi p ojec ado pelo a qui ec o mad ileno Juan de Villanue a (1739 - 1811), po inicia i a de Ca los III (1716 - 1788). Iniciado em 1785 e concebido o iginalmen e pa a se um Gabine e de His ó ia Na u al e Academia das Ciências330 e não pa a albe ga uma colecção de a e como a que hoje possui, adqui e especial ele ância se pensa mos em ou os g andes museus de pin u a na Eu opa, sedeados em palácios an igos e di icilmen e adap á eis pa a acolhe uma ins i uição de ca ác e ão especí ico. Con udo, oi du an e o einado de Fe nando VII (1784 - 1833) e po in luência de Isabel de B agança (1797-1818)331 que o in e io do Museu oi cons uído quase na sua o alidade332, decidindo-se des ina o edi ício à c iação de um Real Museo de Pin u as y Escul u as, que pouco depois passa ia a designa -se Museo Nacional de Pin u a y Escul u a (1868) e, pos e io men e, Museo Nacional del P ado (1920), denominação que ainda hoje os en a333. As inúme as icissi udes e e apas 330 Ca los III inha um g ande ap eço pelas a es em ge al, mas o que o seduzia e dadei amen e e am as ciências. Assim, no seu desejo de con e e Mad id numa capi al céleb e, açou um eixo cien í ico no en ão designado Salão do P ado, que con empla a o Real Obse a ó io As onómico, o Real Ja dim Bo ânico e o edi ício que Juan de Villanue a desenhou pa a albe ga o ele an e Gabine e que Ped o F anco Dá ila (1711 - 1786) inha eunido em Pa is e que o ei adqui iu em 1771. A ob a de Villanue a, e minada em 1808, in eg a a ês edi ícios num só - o unda, emplo e palácio, segundo a conhecida análise de Fe nando Chueca, cada um independen e no que diz espei o à sua unção. O ganizados segundo eixos longi udinais, e com en adas au ónomas, as ês pa es que o cons i uíam e am o piso in e io , o supe io e a g ande sala basilical. Com a passagem do empo oi-se e idenciando a necessidade do Museu aumen a a sua á ea exposi i a, endo sido, pa a esse e ei o, o edi ício de Villanue a sujei o a impo an es modi icações e ampliações a qui ec ónicas, a igu ando-se hoje como o esul ado de uma ob a colec i a onde se pode egis a a in e enção de mais de in e a qui ec os. C : GAVILANES, Ped o Moleón - El Museo del P ado - Biog a ía del edi ício. Nos Anexos des e abalho é disponibilizada uma plan a esquemá ica com a iden i icação e espec i a delimi ação dos co pos que compõem hoje o edi ício. V.d. Anexo IX. 331 In an a po uguesa e ainha de Espanha po casamen o com Fe nando VII. 332 En e os seus p ojec os cons a a a o mação em Mad id de “uma gale ia de pin u as, g a u a, es á uas, planos a qui ec ónicos e ou as belezas a ís icas com a comodidade e deco o co esponden es, an o pa a o ensino e ap o ei amen o dos discípulos e p o esso es, como pa a sa is aze a nob e cu iosidade de na u ais e es angei os e da a Espanha a gló ia que ão jus amen e me ece”. C : h ps://www.museodelp ado.es/enciclopedia/enciclopedia-on-line/ oz/sil a-bazan-y- walds ein-jose-gab iel-x-ma ques-de-san a-c uz/ ( ad.). 333 A sua o igem e na u eza de e mina am a sua p imei a denominação “Real Museo de Pin u a y Escul u a”, que ainda man inha na Lei de 12 de Maio de 1865 do Pa imónio da Co oa (A igo 12 NQ 3) e que pe deu com a queda de Isabel II. Na sequência do Dec e o de 18 de Dezemb o, oi c iada a D.G. do 138 pelas quais passou ao longo dos seus quase duzen os anos, desde a sua undação em 1819, pe mi i am que o Museu e o çasse signi ica i amen e as suas colecções de manei a conside á el e de aco do com os ai éns e os a a a es da his ó ia334. Não cabendo aqui uma análise exaus i a dos p ocessos que es i e am na base da sua o igem e e olução, no que eme e a es e ópico i emos apenas eco da os p incipais núcleos que cons i uem a colecção do Museu do P ado, su gido - al como an os ou os g andes museus de a e nacionais da Eu opa e das Amé icas - en e ou os mo i os, com o duplo p opósi o de mos a as ob as de a e pe encen es à co oa espanhola335 e de ei indica a exis ência de uma Escola Espanhola de pin u a336, com ca ac e ís icas quali a i as p óp ias e a é en ão p a icamen e desconhecida no es angei o, e elando os seus mé i os, que em Espanha, que nos es an es países eu opeus337. Pa imónio que pe enceu à Co oa, dependen e do Minis é io da Fazenda, nacionalizou-se o Museu do P ado, passando a designa -se "Museo Nacional de Pin u a y Escul u a". Em 1920, a 15 de Maio, es a úl ima denominação oi al e ada pa a “Museo Nacional del P ado”. C : MONSALVE ESCRIÑA, An onio Ga cía - La his o ía ju ídica del Museo del P ado (1819-1869). Tese de Dou o amen o da Facul ad de De echo, Depa amen o de His o ia del De echo y las Ins i uciones da Uni e sidad Complu ense de Mad id, 2002. [Em linha]. [Consul . 18 Agos o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://ep in s.ucm.es/2181/1/S0016701.pd >; ( ad.). 334 Regis e-se po ém que hou e momen os em que a in eg idade ísica e as colecções do Museu es i e am se iamen e ameaçadas. Em pa icula , após a mo e de Fe nando VII, em 1833, o que eio despole a um eno me p oblema ju ídico ela i amen e à colecção que o museu albe ga a po não es a explici amen e inculada à Co oa. Assim, as colecções pode iam se di ididas en e as ês he dei as (a u u a Isabel II, a sua i mã, in an a Luísa Fe nanda, e a sua mãe, a egen e Ma ia C is ina). Con udo, em 1834, já es á omada a decisão de in eg a a o alidade das ob as na he ança da u u a ainha, concedendo-se a sua i mã uma compensação inancei a. Também o pe íodo após a mo e do mona ca se depa ou com di iculdades: sucedeu-se a gue a ca lis a, assim como con on os en e os libe ais, p og essis as mode ados e absolu is as, o que debili ou economicamen e o país. A c ise bélica oco ida en e a Espanha e os Es ados Unidos da Amé ica em 1898 e a Gue a Ci il en e 1936-1939 ainda ag a a am mais a si uação. 335 Ainda que p i ilegiasse os acon ecimen os da his ó ia de Espanha que o am pa ilhados com Po ugal ao longo de 350 anos, ale a pena eco da , nes e con ex o, a exposição empo á ia A His ó ia Pa ilhada: Tesou os dos Palácios Reais de Espanha ealizada, no ano de 2014, nas Gale ias de Exposições Tempo á ias da Fundação Calous e Gulbenkian. O ganizada pelo Museu Calous e Gulbenkian e pelo Pa imónio Nacional de Espanha, a mos a e elou-se uma ocasião única pa a con empla 141 ob as de a e pe encen es à Co oa espanhola, a a és de um pe cu so que se desen ol eu desde Isabel a Ca ólica (1451-1504, . 1474-1504) a é Isabel de B agança (1797-1818). C : AA.VV. - A His ó ia Pa ilhada: Tesou os dos Palácios Reais de Espanha. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 2014 [Ca álogo de exposição] 336 Sob e o assun o, e : PÉREZ, Ja ie Po ús - El concep o de Pin u a Española. His o ia de un p oblema. Mad id: Edi o ial Ve bum, 2012. 337 Sob e es e ema, eja-se: GÉAL, Pie e - La naissance des musées d'a en Espagne (XVIIIe-XIXe siècles). Mad id: Casa De Velázquez, 2005. 241 o ma iam um conjun o e abula concebido pa a o Con en o da Mad e de Deus, em Lisboa. No que ao segundo pin o se e e e, F ancisco Hen iques, a sua p esença é ei a a a és de eze ábuas que lhe são de idas: Pen ecos es (1508-1512) e o Re ábulo de São F ancisco de É o a (1508-1511) conjun o de doze painéis, qua o dos quais pe encen es à Casa dos Pa udos - Museu de Alpia ça que compunham o e ábulo-mo da ig eja do Con en o de São F ancisco, em É o a548. A isi a p ossegue em di eccção à Sala 4 na qual é mos ada escul u a e pin u a e abula . Podem ago a se admi adas qua o escul u as, São João Ba is a (1501-1525) e São Roque (1525-1550) p oduzidas em o icina alemã, e as ou as duas, Vi gem Ma ia (de Cal á io) e São João E angelis a (de Cal á io) (1501-1525), execu adas em o icina lamenga ac i a em Po ugal. Há a e e i ainda a pin u a Apa ição de C is o a Ma ia Madalena (1508-1512), de F ancisco Hen iques, que in eg a a um dos painéis que deco a am as capelas la e ais da Ig eja de São F ancisco de É o a. Con inuando o pe cu so, en a-se na Sala 5 que inse e o isi an e no uni e so da pin u a do século XVI, a a és de um conjun o de ob as em que adqui e especial ele o o Re ábulo de San iago (1520-1525), sendo compos o po oi o ábuas a ibuí eis ao pin o luso- lamengo, conhecido po Mes e da Lou inhã (ac i o ca. 1510-1530) e um dos mais impo an es pin o es ac i os em Po ugal no empo de D. Manuel I (1469 - 1521) e no início do einado de D. João III (1502 - 1557). Des e núcleo des acam-se ainda o painel In e no (1510-1520) de au o desconhecido, emá io in ulga no con ex o da pin u a po uguesa do Renascimen o, e o A canjo São Miguel (ca. 1518), único exempla de escul u a a se aí exibido e a ibuí el a Diogo Pi es-o- Moço (ac i o 1511-1536), cuja ob a, embo a insc i a no esquema deco a i o manuelino, apon a já pa a os e e enciais enascen is as. Um segundo momen o da na a i a aba ca, en e ou os, doze painéis de G egó io Lopes (ac i o 1513-†1550), pin o égio de D. Manuel e de D. João III, sendo de salien a o Re ábulo do Pa aíso (1523 (?) e o painel Ap esen ação do Menino no Templo (1520-1525) execu ado em pa ce ia com Jo ge Leal (ac i o 1513-1525) pa a o e ábulo da capela da Conceição do Con en o de São F ancisco de Lisboa, bem e elado do gos o da época. No úl imo pólo, o g ande p o agonis a é F ei Ca los (ac i o 1517-1540), monge pin o de o igem 548 Anunciação, Na i idade, Ado ação dos Magos e Ap esen ação do Menino no Templo. 242 lamenga que se ixou no con en o hie onimi a do Espinhei o (É o a), onde es abeleceu uma o icina de pin u a ni idamen e in luenciada pelos alo es es é icos lamengos. Conside ado uma das mais p oeminen es igu as da pin u a e abula peninsula , e cons i uindo-se o MNAA como o maio de en o da sua p odução (ce ca de 30 ob as), ma ca p esença com eze pin u as, de en e as quais Ecce Homo, uma pin u a de pequeno o ma o conside ada inédi a no con ex o da sua ob a e inco po ada no ace o do Museu em 2006549. É igualmen e digno de ealce o painel São Vicen e deposi ado no MNAA pelo The Me opoli an Museum o A de No a Io que e pela p imei a ez e elado550, indo p opo ciona um diálogo en iquecedo com os es an es abalhos do au o . A penúl ima sala que con o ma es a ala da Gale ia, a Sala 6, é dedicada às o icinas egionais, consolidadas no einado de D. Manuel I. É nes e con ex o que se inse e Vasco Fe nandes (ac i o 1501-†1542), mais conhecido como G ão Vasco, pin o que desen ol eu o seu abalho na o icina de Viseu e ali ep esen ado com dois painéis, Assunção (1510-1520) e Cal á io (ca. 1525)551. Comple a es e espaço a Ado ação dos Magos de ida a Vicen e Gil (ac i o 1491-1525) que se ins alou em Lisboa, endo na sua ob a e idenciado as ma cas pic ó icas da o icina do Mes e do Sa doal, nome pelo qual é conhecido. Segue-se a Sala 7, uma de duas consag adas a mulhe es552, em que a p o agonis a é a ainha D. Leono (1458-1525), mulhe de D. João II e i mã de D. Manuel I. Aqui podem se obse ados qua o painéis, ês dos quais de idos ao lamengo C is ó ão de Figuei edo (ac i o 1515-1555), pin o ao se iço da ainha: Ma í io de San o And é, Ma í io de San o Hipóli o, ambos da ados de ca. 1520-1530 e ep esen ação pouco comum no nosso país, e o e cei o in i ulado Deposição no Túmulo (1521-1530), pa e in eg an e do e ábulo des inado à capela-mo da Ig eja de 549 Adqui ida à amília O’Neill, e pos e io men e subme ida a uma in e enção de es au o, es e e na o igem da mos a empo á ia F ei Ca los e o Belo Po á il - Uma no a pin u a na colecção do MNAA, onde conheceu a sua p imei a ap esen ação pública. A exposição es e e pa en e ao público en e 16 de No emb o de 2006 e 4 de Fe e ei o de 2007. 550 A inda des a ob a, p oceden e de uma colecção p i ada no e-ame icana, enquad a-se numa polí ica de pa ce ias en e o MNAA e museus de ou os países. Nes e caso i á pe manece , num p imei o momen o, em exposição no MNAA en e 28 de Junho e 15 de Se emb o. Pos e io men e con inua á em depósi o po um pe íodo de dois anos, possí el de se aumen ado. Sob e a his ó ia e espec i a o una c í ica do quad o, eja-se: AA.VV. - O F ei Ca los da Amé ica. In es igação e C í ica. Lisboa: DGPC/MNAA, 2013. 551 Pe encen e à colecção da Fundação Millennium BCP. 552 A ou a, Sala 12, se á dedicada a Jose a d’Ayala, di a Jose a de Óbidos (1630-1684). 243 San a C uz de Coimb a. Assume igualmen e uma posição de ele o o Re ábulo de San a Au a (1522-1525), um conjun o de cinco ábuas de mes e desconhecido p oceden e do Mos ei o da Mad e de Deus (Xab egas), undado pela ainha e de cuja capela saí am as elíquias daquela san a e que inham sido en iadas a D. Leono , pelo Impe ado Maximiliano I e o Re a o de um Ca alei o da O dem de C is o (1525-1550 (?) onde impe a, segundo alguns, a igu a de Vasco da Gama. No plano da escul u a e i am-se o Re ábulo da Vi gem com o Menino (1525-1550) execu ado em o icina ac i a em Coimb a, e iden i icado com o discu so da a qui ec u a clássica, e a singula Fon e Bicé ala (1510-1525), ob a pa adigma do Museu p oduzida em o icina ac i a em Lisboa e que os en a as di isas de D. Manuel I e de D. Leono . Na Sala 8 man ém-se a p odução quinhen is a com duas elas do pin o lamengo Ga cia Fe nandes (ac i o 1514-1565), São Ma eus e São João E angelis a (1530-1540) e San íssima T indade (1537), es a úl ima pa e in eg an e do e ábulo da capela-mo da ig eja do Mos ei o da San íssima T indade (Lisboa). Habi a ainda es a sala uma imagem da San íssima T indade (1530-1540), a ibuída ao escul o ancês João de Ruão (ac i o 1529-1580), a is a de enome que undou uma o icina em Coimb a, equen ada po escul o es que ie am a g anjea g ande ama, e a quem ambém mui o se de e a ansmissão do cul o e do gos o pelos alo es da es é ica do Renascimen o. O ci cui o desen ol e-se po uma sala independen e (não nume ada) na qual são exibidas dez ob as, ês delas a ibuí eis ao já ci ado João de Ruão, Vi gem com o Menino (1550-1560), São Paulo ( agmen o de e ábulo) (1530-1535) e São Tiago (ca. 1550). O espaço é ambém po oado pela pin u a P egação de São João Bap is a (1554) de Diogo de Con ei as (ac i o 1521-1565). Uma ez mais G egó io Lopes é aqui con ocado po ep esen a a “passagem de uma ce a hegemonia da cul u a igu a i a lamenga no pe íodo manuelino pa a uma ápida abe u a, na década de 1530-40, a modelos i alianos ou i alianizan es”553, des a ei a com qua o painéis p oduzidos en e 1536-1539 e des inados a al a es da Cha ola do Con en o de C is o (Toma ), sendo de apon a Ma í io de São Sebas ião, exemplo e elado dessa 553 In h p://www.museudea ean iga.p /colecoes/pin u a-po uguesa/ma i io-de-sao-sebas iao 244 mudança de a i ude. A ele se jun a Ga cia Fe nandes que con a com duas ob as, Anunciação e San o An ónio p egando aos peixes, ambas execu adas en e 1535-1540. Passando à Sala 9, dá-se con inuidade à pin u a e escul u a p oduzidas no século XVI nas o icinas de Lisboa e Coimb a, equen adas po nume osos a is as, alguns dos quais i iam a conquis a g ande no o iedade e de e minan es pa a a comp eensão da pin u a po uguesa do Renascimen o, pa icula men e os já ci ados G egó io Lopes e Ga cia Fe nandes. Des e conjun o, dominado pelo segundo pin o , ma cam ambém p esença as imagens de São Roque, dos após olos São João Bap is a e São Tiago, a ibuí eis à o icina de João de Ruão, sendo que a no idade ecai sob e o Jacen e de D. Manuel de Lima (ca. 1570), exempla de a e umula p oduzido nas o icinas de Lisboa e cuja au o ia é a ibuí el a Je ónimo de Ruão (1530-1601), ilho de João de Ruão. Es e jacen e, ou o a in eg ado nas ese as do MNAA, em aqui a sua p imei a exposição pública e espelha e e enciais enascen is as. A Sala 10, consag ada em exclusi o à p odução e a ís ica nacional do século XVI, os en a um pequeno co pus que ope a como elemen o de ansição pa a o século seguin e. Compõem-no o Re a o do Rei D. Sebas ião (ca. 1570-1575), da au o ia de C is ó ão de Mo ais (ac i o 1539-1580), os e a os de D. Ca a ina e San a Ca a ina (depois de 1564) e D. João III e São João Ba is a (depois de 1564) que se julga pe ence em à o icina de C is ó ão Lopes (c. 1516-1594). En e as ob as que aí podem se ap eciadas se á de assinala o medalhão (ca. 1575) de escul o desconhecido e que de a en ada no ace o do MNAA em 2013554, que e a a o eólogo Diogo de Pai a de And ade (1528-1575), an igamen e in eg ado no seu úmulo, gua dado na capela de São Nicolau Tolen ino do Con en o de Nossa Senho a da G aça (Lisboa) ( e Fig. 151). 554 Adqui ido pela DGPC no me cado in e nacional (Lond es). 245 Fig. 151 - Medalhão que ep esen a Diogo de Pai a de And ade, 2016. Fo og a ia: © JOM. O discu so p og ide pa a a Sala 11 que comp eende oi o pin u as e uma escul u a. Nela encon am-se expos os pin o es que es uda am em Roma e assimila am os ensinamen os impo ados e com eles desen ol e am uma pin u a com ca ac e ís icas mui o pa icula es, exemplo de An ónio Campelo (ac i o ca. 1550-ca. 1570), com a ela C is o a Caminho do Cal á io (ca. 1560-1570) execu ada pa a o Mos ei o dos Je ónimos e saída das ese as do MNAA. O mesmo se e i icou com um Pen ecos es (ca. 1590) do espanhol Fe não Gomes (1548-1612), pin o égio de Felipe II (I de Po ugal) adicado em Lisboa, nunca an es expos o e, po im, F ancisco Venegas (ca. 1560-1594), pin o manei is a espanhol, com Apa ecimen o de C is o a San a Ma ia Madalena (ca. 1590), ela inco po ada no ace o do MNAA no ano de 2014555 e p o undamen e es au ada pa a in eg a a Gale ia. Além des as ob as, o discu so é ambém pon uado po uma imagem que possi elmen e ep esen a um Rei Mago (1575-1600), a ibuído a o icina ac i a em Lisboa cujo au o se desconhece. Con inuamos o nosso pe cu so em di ecção à Sala 12, in ei amen e dedicada a Jose a d’Ayala, di a Jose a de Óbidos (1630-1684), a p imei a pin o a p o issional po uguesa e a segunda igu a eminina que con a com sala exclusi a na Gale ia do MNAA556. 555 F u o da aquisição pela DGPC ao an iquá io lisboe a Ma ques Pe ei a. 556 A a is a e sua p odução o am ecen emen e al o de uma abo dagem ino ado a no con ex o da exposição Jose a de Óbidos e a In enção do Ba oco Po uguês que euniu mais de 130 ob as, en e pin u a, escul u a e a es deco a i as, indas de á ias ins i uições nacionais e es angei as, e elando- se um con ibu o decisi o pa a a na a i a o a p opos a. A mos a es e e pa en e ao público de 16 Maio a 6 de Se emb o de 2015 e e e luga na Gale ia de Exposições Tempo á ias (Piso 0) do MNAA. C . 246 Fig. 152 - Ado ação dos Pas o es (1669) de Jose a de Óbidos, 2016. Fo og a ia: © JOM. De um conjun o compos o po cinco pin u as sob essai a ela Ado ação dos Pas o es (1669) ( e Fig. 152), ob a ep esen a i a da ase em que a a is a se en egou às g andes composições e abula es. Também o seu abalho inicial, de pequenos o ma os, se encon a ep esen ado com ês Na u ezas-mo as, emá io in oduzido pelo seu pai, o pin o po uguês Bal aza Gomes Figuei a (1604-1674), que endo es udado em Se ilha, omou con ac o com o géne o da na u eza-mo a, en ão mui o ap eciado na Eu opa. A Sala 13 da Gale ia ap esen a uma na a i a que se des enda em dois momen os: Um Ba oco con ido e O Ba oco Janino. Nela se acen ua o p opósi o concep ual de coloca em diálogo a pin u a e a escul u a, podendo se con empladas, uma a a escul u a que ep esen a o ei D. Dua e I de Po ugal (1433-1438) em madei a, p oduzida em o icina ac i a em Po ugal e as pin u as: Re a o de Senho a (1625-1650) de mes e desconhecido; Re a o de D. Isabel de Mou a (1630-1640), de Domingos Viei a, o Escu o (ac i o 1627-1678) e Re a o de F ei Fe nando da C uz (ca. 1650) cuja au o ia igualmen e se desconhece. Ma cam ambém p esença Filipe Lobo (ac i o 1650-1673) com a pin u a Vis a do Mos ei o e P aça de Belém (1657), emá ica pouco ulga na pin u a po uguesa, e Ma cos da C uz (ca. 1610-1683), com San a Ma ia Madalena de Pazzi Co oada de Espinhos (ca. 1675), pa e in eg an e de uma capela do Con en o do Ca mo de Lisboa. No que diz espei o à escul u a, impõe-se o AA.VV. - Jose a de Óbidos e a In enção do Ba oco Po uguês. Lisboa: DGPC/MNAA, SCML/INCM, 2015 [Ca álogo de exposição]. 247 g upo escul ó ico do Casamen o Mís ico de San a Ca a ina (1653)557 da au o ia de F ei Jo ge dos Reis e F ei F ancisco de San a Águeda. An e io men e pe ença do e ábulo da ig eja do Con en o de San a Ca a ina da Ca no a (Alenque ), após um p o undo abalho de es au o su ge pela p imei a ez pe an e o público. T a a-se, no con ex o da his ó ia da a e po uguesa, de uma ob a de e minan e em que “a modelação, a écnica e a ea alidade en oncam na longa adição po uguesa da imaginá ia em ba o, an ecipando a ob a dos escul o es ba is as da abadia de San a Ma ia de Alcobaça”, con o me adian a a abela que lhe es á a ec a. Uma no a ambém pa a A canjo São Gab iel (1684-1690), a ibuída a o icina ac i a no Mos ei o de San a Ma ia de Alcobaça. Num segundo momen o da na a i a, assume papel ele an e o P esépio do Con en o de San a Te esa de Jesus de Ca nide (1701-1725) saído das ese as e a ibuí el ao p esepis a An ónio Fe ei a (ca.1659-?) e que pe enceu ao con en o de Ca meli as Descalças de Ca nide. Em depósi o no museu há 100 anos e hoje expos o na Gale ia do MNAA g aças ao no á el abalho da sua econs i uição, ema da exposição Re elações. O P esépio de San a Te esa de Ca nide558 que e e luga na Sala do Tec o Pin ado e na qual oi ap esen ada, pela p imei a ez, uma p opos a de econs i uição do seu núcleo o iginal, dispe so desde a sua inco po ação no Museu em 1915. Re i am-se ainda o painel C is o ins i uindo a Euca is ia, p oduzido em o icina ac i a no Po o, possi elmen e de ido a An ónio Gomes e Filipe Sil a (?), e ou o a in eg ado na po a do sac á io de um e ábulo; e San a Ma ia Egipcíaca (1701-1750), execu ada em o icina ac i a em Lisboa e p o enien e do Con en o do San íssimo Sac amen o de Alcân a a (Lisboa); e Re a o do Engenhei o-Mo do Reino, Manuel de Aze edo Fo es (ca. 1727) e Co oação da Vi gem (ca. 1730) ambas da au o ia do pin o ancês Pie e-An oine Quilla d (1701-1733) e em depósi o no Palácio Nacional de Ma a. Des a sala, a mais po oada da Gale ia, cons am ainda nomes como F ancisco Viei a de Ma os, di o Viei a Lusi ano (1699-1783) e Gio gio Domenico Dup à (1689- 1770), en e ou os. 557 Sob e es e conjun o, e : FRANCO, Anísio; CARVALHO, Ma ia João Vilhena de; REMÍGIO, And é Va ela - “O e ábulo de San a Ca a ina da Ca no a: p elúdios pa a a iden i icação de uma ipologia anciscana”. In GLÓRIA, Ana Celes e (coo d.) - O Re ábulo no Espaço Ibe o-Ame icano: Fo ma, unção e iconog a ia Lisboa: Ins i u o de His ó ia da A e da FCSH-UNL, Vol 2, 2016. 558 A mos a es e e abe a ao público desde 10 de Dezemb o de 2011 a é 26 de Fe e ei o de 2012, indo pos e io men e a in eg a (em Dezemb o de 2015) a sala da exposição de longa du ação ese ada ao P esépio Po uguês (Piso 1). C : AA.VV. - Re elações. O P esépio de San a Te esa de Ca nide. Lisboa: IMC/MNAA, 2011 [Ca álogo de exposição]. 248 O co edo la e al acolhe um conjun o de 22 ob as dos séculos XVIII ao XIX ( e Fig. 154), de en e as quais se assinalam Sal ado do Mundo (1778) de Ped o Alexand ino de Ca alho (1730-1810) e San o Ono e (ca. 1750) de ido a José de Almeida (1708-1770), cuja ob a se si ua “en e a adição da imaginá ia po uguesa e a es a uá ia classicis a do a doba oco ap endido em Roma”, como in o ma a abela espei an e à mesma. Fig. 153 - Vis a do co edo la e al, 2016. Me ece ambém menção a maque a do Monumen o a D. Ma ia I559 (1794-1796) execu ada po João José de Aguia (1769-1841) e Domenico Pie i, sendo aí pa en es os e e en es neoclássicos. Em en e, expos as numa i ina pode e -se um conjun o de cinco pequenas imagens em ba o cozido, p oduzidas en e 1781 e 1784 no con ex o do Labo a ó io de Escul u a de Lisboa di igido po Joaquim Machado de Cas o: San a Te esa de Á ila, G a idão, Libe alidade, Fé e De oção. O pe cu so ence a com oi o exempla es de Domingos Sequei a (1768-1837), já no XIX, de en e os quais a ul a Ado ação dos Magos (1828), um dos pon os al os da na a i a. T a a-se de uma ob a que passou a in eg a o ace o do Museu após uma inédi a campanha pública de anga iação de undos560. 559 Depósi o do Palácio Nacional de Queluz. 560 A campanha de c owd unding “Vamos Pô o Sequei a no Luga Ce o” euniu mais do que os 600 mil eu os necessá ios pa a a sua aquisição a p i ados. A mesma con ou com a con ibuição de milha es de cidadãos a í ulo indi idual, ins i uições, emp esas, undações, escolas, jun as de eguesia e câma as municipais. Pa a mais in o mação, consul e-se: h p://www.museudea ean iga.p /exposicoes/ amos- po -o-sequei a-no-luga -ce o 249 Fig. 154 - Ado ação dos Magos de Sequei a, ao cen o, 2016. Após e sido objec o de uma in e enção de conse ação e es au o, a ob a eadqui iu uma no a lei u a que possibili ou pô em e idência a sua qualidade, mas ambém o mé i o plás ico do pin o , con ibu o maio pa a a His ó ia da A e e pa a o conhecimen o da sua p odução. Ainda no núcleo de Sequei a podem se is as elas de idas a F ancisco Viei a di o Viei a Po uense aí ep esen ado com cinco elas, a sabe : Re a o de Homem (1800); Lamen ação sob e C is o Mo o (1700); Súplica de Inês de Cas o (ca. 1803); Leda e o Cisne (1798); e Na ciso e Eco (ca. 1797), es a úl ima adqui ida em leilão no ano de 2014. 3.2. Do a amen o museog á ico Independen emen e da qualidade do discu so p opos o nas exposições, as mesmas de e ão se a aliadas pela ambição das soluções museog á icas con ocadas, igualmen e egidas po um concei o. Assim sendo, dando po e minada a análise dos aspec os de o dem concep ual, dedica -nos-emos à alínea b) do modelo de análise po nós ap esen ado e que incide sob e os elemen os que compõem o discu so museog á ico, com a inalidade de ajuiza em que medida es es conc e izam os concei os ep esen ados na exposição. Numa sín ese ápida, pode -se-á dize que o emodelado piso e cei o do MNAA, cujo p ojec o museog á ico coube a Manuela Fe nandes (a qui ec a da DGPC), al e a subs ancialmen e a an iga imagem do Museu, mani es ando melho ias 250 e iden es, desde logo, pela ambiência e elado a de uma linguagem mais ac ualizada, supo ada num design e mobiliá io exposi i o bem conseguidos, num espaço onde um no o ipo de iluminação se impõe. Descendo ao pa icula , na p esen e discu si idade plás ica, concebida a pa i da es u u a p é-exis en e, o na-se pe cep í el, logo no p imei o momen o da isi a e subidas as escadas que dão acesso ao e cei o piso, o peso do espaço a qui ec ónico, no qual sob essaem as a ca ias desenhadas po Rebelo de And ade, endo aí sido in eg ados, na pa ede on al, nichos de g ande dimensão des inados a albe ga escul u as ( e Fig. 155) e, na es an e á ea do á io, um conjun o de painéis em cinzen o cla o e plin os b ancos que albe gam igualmen e escul u as, dispos as à ol a do “Claus o”, uma in e enção de ca ác e minimalis a que inci a a um e pausado. Fig. 155 - Aspec o da pa ede on al da Gale ia, 2016. Fo og a ia: © JOM. Se é ce o que as ca ac e ís icas do espaço a qui ec ónico desempenham um papel c ucial numa p imei a abo dagem, podendo igualmen e cons i ui um pon o o ien ado em e mos da pe cepção do ci cui o p e endido, o mesmo se aplica em elação à modula idade ísica do espaço exposi i o, uma ez que es es ac o es ope am em simul âneo, com maio ou meno incidência, in e e indo na lei u a da na a i a. Nes e sen ido, cabe á e e i que o ac ual discu so é supo ado po uma no a lógica de nume ação das salas, es ando ago a iden i icadas de 1 a 13, op ando-se po não assinala os espaços co esponden es à zona do á io ( ecepção/exposição), bem como os dois co edo es la e ais e as salas independen es, com escul u as e 257 expe imen ado no MNAA, como imos, nas Salas 67, 68 e 69 do Piso 1, aquando das ob as de bene icição e alo ização que ali i e am luga . Pa a além da e iden e qualidade da luz564 no in e io da Gale ia, assinale-se ambém a conquis a de um espaço exposi i o mais uí el, de uma a mos e a de maio in imidade e en ol imen o mais in enso e acolhedo , possibili ado , de igual o ma, de uma obse ação mais idedigna no que oca às ob as565. O no o sis ema de iluminação, combinada com ocos, compo a ainda ou as an agens ais como p o ege as ob as da de e io ação, os ní eis de adiação ul a iole a se em mui o baixos, aze a ges ão do ní el de luminância, eduzi o consumo ene gé ico e, consequen emen e, economiza nos gas os. Se a luz é um elemen o incon o ná el na modelação do espaço, ambém a co assume, em con ex o de exposição, um pode ans igu a i o, pe mi indo abalha ou o ipo de comunicação566. A sua ca ga simbólica c ia uma elação di ec a com os con eúdos que es amos a e , num leque de possibilidades que ão desde o sublima das peças a é ao seu en endimen o. No campo c omá ico, p edomina um b anco acinzen ado nas pa edes, b anco no ec o, à excepção da Sala dos ‘Painéis’, cujas pa edes são pin adas a e melho i o, al como acon ece com o supo e museog á ico do Ecce Homo, pa a ealça um ou o icône do MNAA ( e Figs. 167 e 168). His ó ia, que acolhe, p oposi adamen e, cinco elas de g ande o ma o, o e ecendo aos isi an es a possibilidade de pe cepciona as al e ações c omá icas das ob as aí exibidas. Nes e âmbi o, cabe ainda assinala o p ojec o LED4A na Capela Sis ina que pe mi i á e as ob as de Miguel Ângelo com maio de alhe. O espec o de co oi es udado “de modo a que se adap e ao om de cada pa e da ob a. Pa a c ia uma pe ceção de luz na u al, o sis ema adap a -se-á à di ecção lumínica do ex e io ”. Sob e o mesmo e : h p://exp esso.sapo.p /cul u a/capela-sis ina-com-as-co es-de-miguel-angelo= 845739. 564 Sob e es a ma é ia, e : RICO, Juan Ca los - Mon aje de Exposiciones: Museos, A qui ec u a, A e; CARVALHOSA, Leono Pessanha de Ba os - O Design no discu so museog á ico. Disse ação de Mes ado em Museologia e Pa imónio ap esen ada à FCSH-UNL [Tex o policopiado], 1996. Des acamos, mais ecen emen e, o es udo de Ma ia Ca mina Mon ezuma de Ca alho - A luz na in e p e ação isual da ob a de a e. Tese de Dou o amen o em Belas A es (Especialidade de Ciências da A e), 2012. 565 V. VAJÃO, Ví o - Manual de P á icas de Iluminação - A e a Ilumina a A e. Lisboa: Lidel, 2015. 566 Sob e as co es e as suas elações com as exposições eja-se o es udo: MONTEIRO, Susana Ma ia Ramos Rainho - A Co no Discu so Exposi i o. Disse ação de Mes ado em Museologia e Museog a ia. Faculdade de Belas-A e da Uni e sidade de Lisboa, [Tex o policopiado], 2005. 258 Figs. 167 e 168 - Supo e museog á ico do Ecce Homo; e pe spec i a da Sala dos ‘Painéis’, 2016. Fo og a ias: © JOM. Rela i amen e ao mobiliá io museog á ico sublinhe-se a escolha de equipamen os ac ualizados e de linhas simples quan o ao seu desenho, op ando-se po onalidades aco dan es com as das ob as, em ge al. A í ulo exempli ica i o, plin os b ancos ou de co es neu as ( e Fig. 169), e no caso dos e ábulos a p e e ência ecai sob e o cinzen o-escu o a im de ma ca a di e ença ipológica ( e Fig. 170). Figs. 169 e 170 - Aspec o do co edo la e al; e Re ábulo de San os-o-No o da au o ia de G egó io Lopes (Sala 9), 2016. Man endo-nos no ópico da co , oquemo-nos na nume ação das salas que se ap esen a maio i a iamen e a b anco com o espec i o núme o insc i o na pa ede, em ele o. Nes e caso, a solução pe mi e um con as e e uma obse ância plena da iden i icação dos espaços. Con udo, o mesmo não se pode dize em elação à Sala dos 259 ‘Painéis’ (2) dado que as suas pa edes pin adas a e melho i o não pe mi em um con as e adequado e uma plena legibilidade do núme o aí con ido ( e Fig. 171). Fig. 171 - Nume ação da Sala 2, 2016. Fo og a ia: © JOM. Um dos objec i os da mon agem do piso e cei o do MNAA consis iu em eap esen a uma exposição de longa du ação que mos asse, “de o ma mais ala gada, a His ó ia da pin u a e da escul u a em Po ugal, desde a Idade Média a é ao século XIX, do ando-a de um discu so e de uma abo dagem pedagógica (…) ino ado es”567. Essa p eocupação/in enção mani es a-se não somen e a a és das adicionais legendas ( í ulo, au o , da a, ma e iais, p o eniência, écnica e núme o de in en á io) que acompanham a gene alidade dos objec os, mas, sob e udo, pela in odução ao longo do pe cu so exposi i o de abelas explica i as sob e os mesmos, a que se jun am ex os de pa ede, disponibilizados, nas duas si uações, em po uguês e inglês. Redigidos de o ma sucin a e objec i a, neles se concen a uma ipologia in o ma i a que a ia en e um ipo de ex o que assume uma ónica mais biog á ica, conjugada com ou a de cunho con ex ualizado /ab angen e, hie a quia de in o mação que ope a em a o de um diálogo di ec o com o objec o, p á icas a alo a dada a sua impo ância pa a a con e são dos objec os enquan o documen os e a gumen os in oduzidos no no o discu so. Pa a conc e iza as ideias enunciadas, deb ucemo-nos sob e alguns exemplos, pa icula men e no que oca à escul u a po uguesa (o icinas e mes es) expos a no co edo la e al e que possibili a uma pano âmica do abalho pic ó ico ealizado no nosso país. 567 MNAA, 2013 ( ex o de pa ede do á io p incipal do Museu). 260 Em ge al, as legendas es ão colocadas a uma al u a azoá el e ap esen am uma boa legibilidade a que se de e, em pa e, a iluminação do espaço, mas ambém o amanho e a on e da le a adop ada. Um senão quan o a uma ce a ausência de uni o mização na colocação das legendas su gindo, que à di ei a, que à esque da das ob as, o mesmo se e i icando em elação à iden i icação dos mecenas que possibili a am o es au o de algumas das peças que in eg am a exposição. Figs. 172 - Legendas a ec as à escul u a medie al, 2016. Fo og a ia: © JOM. Ainda a espei o da qualidade dos con eúdos das legendas, e i a-se que nos ópicos p o eniência e/ou modo de inco po ação das peças não se e i ica uni o midade no seu a amen o, como bem no ou Ma ia Isabel Roque após ina análise, egis ando-se nuances a es e ní el, já que “po ezes su ge in o mação ace ca da p o eniência e modo de inco po ação, nou os apenas uma ou ou a des as in o mações, e, pelo menos num dos casos, uma pin u a a ibuída a And é Gonçal es, omi e-se o núme o de in en á io”568. Cada ag upamen o de peças é ap esen ado pelo í ulo, de maio dimensão, a que se seguem ex os de pa ede que ixam a sequência do pe cu so exposi i o, con e indo ambém i mo à na a i a569, e abelas in o ma i as pon ualmen e 568 C : ROQUE, Ma ia Isabel - "Museog a ia eno ada no Museu de A e An iga: exposição de escul u a e pin u a po uguesa". In a.muse.a e. [Em linha] 2016/07/26. [Consul . 8 Agos . 2016]. Disponí el em WWW:<URL: h ps://amusea e.hypo heses.o g/1425>. 569 A ques ão dos ex os expog á icos nos museus de a e em indo a se al o de es udo, des aque pa a: POLI, Ma ie-Syl ie - “Le ex e dans l’exposi ion, un disposi i de ension pe manen e en e con ain e e c éa i i é”. In La Le e de l’OCIM [Em linha], nº 132, 2010. Disponí el em: h p://ocim. e ues.o g/377; POLI, Ma ie-Syl ie - Le ex e au musée: une app oche sémio ique. Pa is: L’Ha ma an, 2002; DAVALLON, Jean - “L’éc i u e de l’exposi ion : expog aphie, muséog aphie, 261 ilus adas po um esquema alusi o à econs i uição conjec u al dos e ábulos, exemplo pa en e na Sala 3, onde pode e -se o Re ábulo de São F ancisco de É o a (1508-1511) de ido a F ancisco Hen iques. Os painéis 5. Anunciação 6. Na i idade 7. Ado ação dos Magos 8. Ap esen ação do Menino no Templo, pe ença da Casa dos Pa udos (Alpia ça), encon am-se ep oduzidos na abela a co es ( e Fig. 173), o que pe mi e ‘acede ’ ao e ábulo na sua o alidade, ab indo-se simul aneamen e ao isi an e um conhecimen o que é, po essência, ambém ele pa celizado. Fig. 173 - Recons i uição conjec u al do Re ábulo de São F ancisco de É o a (1508-1511), 2016. Fo og a ia: © JOM. O ex o de pa ede que ali igu a - O empo dos e ábulos - é bem e elado da a i ude pedagógica p e endida e conseguida, ep esen ando cla amen e o papel do Museu enquan o p odu o de conhecimen o: “No im do século x e no início do século x i, as p incipais ca ed ais e mos ei os po ugueses encomenda am g andes e ábulos, mui as ezes po inicia i a égia. Essas cons uções podiam limi a -se à pin u a, à escul u a, ou inclui ambas as a es, mas assen a am semp e numa es u u a de alha que di idia as di e en es cenas, baseadas em emas eligiosos, c iando uma na a i a. O modelo des es e ábulos, usado em oda a Península Ibé ica, oi quase semp e semelhan e: uma disposição em anda es, com á ias pin u as ou escul u as em cada um deles, di ididos po p umos ou pila es. A es u u a es a a no malmen e cobe a po epos ei os, que e am abe os nas es i idades li ú gicas. O impac o dos e ábulos e a eno me, pela monumen alidade, pela co das pin u as, pela ep esen ação dos san os e das suas his ó ias e pelo b ilho da alha dou ada. Vá ios ex os da época e e em o espan o que causa am”. scénog aphie”. In Cul u e & Musées. [Em linha], n°16, 2010. h p://www.pe see. /doc/pumus_1766- 2923_2010_num_16_1_1574 262 O mesmo sucede no ex o de pa ede - A Co e de Dona Leono - a ixado na Sala 7: “Filha dos duques de Beja, iú a do ei D. João II e i mã do seu sucesso , D. Manuel I, a ainha D.Leono (1458-1525) oi pe sonagem cen al da ida po uguesa, com a i idade polí ica, assis encial e eligiosa ele an e. O seu Paço de San o Elói, em Lisboa, e o Mos ei o da Mad e de Deus, de cla issas e o madas, que undou em Xab egas, o am cen os impo an es pa a a cul u a da época. Comp ou ob as de Me sys e das o icinas lo en inas dos Della Robbia, emp egou Jo ge A onso e e e como seu pin o p i a i o C is ó ão de Figuei edo. Possuiu algumas ob as-p imas da iluminu a lamenga e de ou i esa ia e, po ou o lado, apoiou o ea o e a ipog a ia nascen es”. Obse emos, po o a, dois exemplos ilus a i os, um e e en e à pin u a e ou o à escul u a, dos ex os que cons am nas abelas a ec as às ob as: Pen ecos es (ca. 1590) de ida a Fe não Gomes (1548-1612): “Fe não Gomes oi um dos pin o es espanhóis que, no úl imo e ço do século x i, i e am uma impo ância decisi a na pin u a po uguesa. Nascido em Albuque que, po ol a de 1548, i eu em Lisboa desde 1573, onde desen ol eu uma in ensa a i idade, isoladamen e e em associação com a is as po ugueses, chegando a pin o égio em 1594. De e-se-lhe o mais idedigno e a o de Camões. Nes a ob a, são e iden es as ca ac e ís icas da sua pin u a, ma cada po uma ap endizagem com os omanis as lamengos: a concen ação no espaço pic ó ico de igu as em poses agi adas, com olume ias escul u ais e la gos panejamen os dob ados de o ma angulosa e pouco na u al”; e Re ábulo de San os-o-No o (1540-1545), G egó io Lopes (ac i o 1513 -†1550): “O Mos ei o das Comendadei as de San os-o-No o, na pa e o ien al de Lisboa, jun o a Xab egas, e a um ecolhimen o onde se ab iga am, após 1490, dis in as iú as e ilhas de ca alei os da O dem de San iago de Espada. A mãe do g ão- mes e dos Espa á ios, D. Ana de Mendonça, e a aí comendadei a no empo em que a capela-mo da ig eja ecebeu es e e ábulo, po ce o encomendado po ela ou pelo ilho, D. Jo ge de Lencas e (1481-1550), ilho na u al do ei D. João II. O pin o a quem os painéis do e ábulo são a ibuídos, G egó io Lopes, de inha ambém es ei as ligações com D. Jo ge, que excecionalmen e o ha ia dis inguido, já em 1520, com o es a u o de Ca alei o de San iago. As pin u as des e e ábulo êm cla as a inidades com as que Lopes ez, ce ca de 1535-1540, pa a a Cha ola do Con en o de C is o (duas es ão expos as nes a sala) e pa a a ig eja de São João Ba is a de Toma . Nelas e elam-se no as p eocupações quan o à elação das igu as com o espaço, aumen ando a p o undidade cénica de cada ep esen ação, e a adoção sis emá ica de a qui e u as di as «ao omano», en endidas como epo ó io de um «classicismo» que p o usamen e se es ende aos elemen os de ou i esa ia e de a ma ia. Nele e le e-se, ambém, um gos o especial pela animação dos undos, abalhados com pinceladas sol as e cons u i as, e pela so is icação do mo imen o dos ecidos. No Mos ei o de 263 San os-o-No o, conse am-se agmen os de um Cal á io que de e á e pe encido à iada supe io des e e ábulo”570. Nes es ex os de ec a-se um p imei o ní el de in o mação que eme e pa a os sabe es mais elemen a es disponibilizados sob e as ob as e/ou a is as expos os, que c emos se acessí eis aos á ios públicos, não apenas aos his o iado es de a e ou a um ipo de público mais amilia izado com es as ma é ias. Um segundo ní el de in o mação, mais no ó io no segundo ex o (assinalado a neg i o), implica um conhecimen o da linguagem que impe a nas exposições de a e, cons a ando-se, a esse ní el, o ecu so a e minologia mais especí ica, a um domínio dos assun os, ainda que de modo con ido, po ap esen a uma ce a complexidade que pode á ‘escapa ’ à comp eensão de alguns públicos571. Ainda assim, endo em con a que o desa io maio dos ex os expog á icos eside na capacidade des es comunica em um conhecimen o sin é ico e, simul aneamen e, p eciso, nos ex os acima expos os é jus o sublinha o seu mé i o enquan o elemen os mediado es ao se iço das ob as e dos isi an es jogando ambém um papel basila na museog a ia já que ac uam em a o da signi icação dos objec os e de o ma explíci a, deles esul ando um equilíb io conc e izado numa a iculação e icaz en e o ema e a ob a expos a e conduzindo, consequen emen e, a um melho ap o ei amen o da isi a572. Tão impo an e como o con eúdo dos ex os é o local seleccionado pa a a colocação dos mesmos573. Sob es e ângulo, ep oduzimos aqui alguns exemplos onde a sua localização, na nossa óp ica, pode cons i ui um cons angimen o a uma plena uição das ob as, caso do local elegido pa a o supo e museog á ico que acompanha as escul u as Vi gem com o Menino (ca. 1300), expos as na pa ede on al do espaço cen al ecepção/exposição, e cuja p oximidade en e o supo e museog á ico e a 570 Neg i o nosso. 571 V. TRENCH, Lucy - “O Tex o nas Exposições do V&A”. In Bole im da Rede Po uguesa de Museus. (RPM). Nº 26, Lisboa: Dezemb o, 2007, pp. 10-13 e MINEIRO, Cla a - “Mas as peças não alam po si?! A impo ância do ex o nos museus”. In Museologia.p . Lisboa: Ins i u o dos Museus e da Conse ação, ano I, 2007, pp. 68-75. 572 Pa a uma análise c í ica da abela a ec a ao Re a o de Ma iana Benedi a Vi ó ia de Domingos Sequei a e à pin u a Leda e o Cisne de F ancisco Viei a, di o Viei a Po uense, e : ROQUE, Ma ia Isabel - "Museog a ia eno ada no Museu de A e An iga: exposição de escul u a e pin u a po uguesa". 573 Ace ca des e ópico, consul a : SANTOS, Eloísa Pé ez e .al. - “La in luencia de la colocación de elemen os in o má icos de una exposición sob e la a ención a los mismos”. In Bole ín de la ANABAD. [Em linha]. XLIII, nº.3-4 (Julh.-Dez. 1993), [Consul .18.Jan.2014]. Disponí el.em.WWW:<URL: h p://www.anabad.o g/bole inpd /pd /XLIII%281993%29_3-4_199.pd >. 264 ampa me álica ( e Fig. 174) pode comp ome e a isualização e dis ância necessá ia pa a o e ei o, susci ando, de igual modo, ques ões de segu ança, em especial pa a com os isi an es com necessidades especiais. Si uação simila se e i ica com o supo e a ec o ao Jacen e di o de Manuel de Lima ( e Fig. 175). Figs. 174 e 175 - Vi gem com o Menino; e Jacen e di o de Manuel de Lima, 2016. Fo og a ias: © JOM. Um ou o exemplo a conside a di ige-nos pa a a Sala 5, em conc e o pa a a escul u a A canjo São Miguel (ca. 1518), a ibuída a Diogo Pi es-o-Moço (ac i o 1511-1536). Nes e caso, a mesma não ap esen a legenda no supo e museog á ico onde se encon a expos a ( e Fig. 176), op ando-se po inse i-la na pa ede on al, o que pode á di icul a o acesso à in o mação. Fig. 176 - A canjo São Miguel, 2016. Fo og a ia: © JOM. 265 Po im, de enhamo-nos no caso especí ico da Sala 2, onde habi am os ‘Painéis’. Nes e espaço, pa a além dos ex os de pa ede que aí igu am ( e Figs. 177 e 178), emos que a in odução de mais in o mação sob e a ob a e ela -se-ia uma ú il e amen a pa a sua in e p e ação. Figs. 177 e 178 - Tex os de pa ede, Sala 2, 2016. Fo og a ias: © JOM. 266 Não possuindo o MNAA, como já se disse, áudio-guia, códigos QR ou aplica i os mó eis que possam se usados pelos isi an es no decu so da isi a ao Museu, o que lhes pe mi i ia acede a in o mação complemen a sob e o mesmo e as suas ob as e enquad a a exposição, de o ma in e ac i a, uma ia pa a ab e ia al aspec o pode ia passa pela concepção de um disposi i o especial ins alado na pa e pos e io dos ‘Painéis’. A sua inalidade se ia a de aí exibi os pon os al os da sua museog a ia que, po seu u no, coincidem com a his ó ia exposi i a e ins i ucional do MNAA574. A nosso e , a a-se de uma pa cela indispensá el do da -a- e , cons i uindo ma é ia de ele o a comunica hoje, com a discu si idade ac ual, e em de esa do objec o enquan o expe imen o museog á ico e ealidade in es iga i a. Sob es e úl imo p isma, emos conhecimen o de um con ibu o ecen emen e su gido e pensado pa a os ‘Painéis’ e a Sala 2. A p opos a, já ap esen ada no MNAA e acolhida com in e esse po pa e do Museu, consis e num p o o ipo ealizado no âmbi o de uma disse ação de Mes ado575, endo po im a c iação de um disposi i o mul i ác il pa a os ‘Painéis’ de ácil manuseio e in ui i o. Nas pala as do seu au o , o mesmo “de e á se colocado num local de onde se ejam pe ei amen e os Painéis, cons i uindo-se como uma e amen a auxilia à sua in e p e ação (…)” de endo “pe mi i cons an emen e a compa ação en e a in o mação o necida no ec ã e os painéis à sua en e”576. Tendo em con a a sua pe inência, possa es a hipó ese se u u amen e implemen ada e ex ensí el a ou as ob as cha e da na a i a de longa du ação do Museu, conduzindo a um ap o undamen o dos conhecimen os ob idos no decu so de isi a, a igu ando-se, de igual modo, como um eículo de cap ação de no os públicos. 4. Conclusão à Pa e II Rela i amen e aos p essupos os concep uais que alimen am a no a p opos a exposi i a, deno a-se um cla o dis anciamen o em elação aos c i é ios an e io men e aplicados. Não que al seja sinónimo de uma up u a em elação àqueles, ao in és, p ocu ou-se p ese a a sua iden idade, omando-os como base inspi ado a e ma é ia 574 Po nós e ocados no Capí ulo 3. 575 C : SILVA, Lí io Ramalho Ca nei o da - A a essa os Painéis: mul imédia mul i ác il aplicada à comp eensão da pin u a an iga e ao seu es udo ma e ial. Disse ação de Mes ado em Museologia e Museog a ia. Faculdade de Belas-A es Uni e sidade de Lisboa, 2014. [Em linha] [Consul . 18 Agos o. 2016. Disponí el em h p:// eposi o io.ul.p /bi s eam/10451/20498/2/ULFBA_TES_843.pd >. 576 SILVA, Lí io Ramalho Ca nei o da - A a essa os Painéis: mul imédia mul i ác il aplicada à comp eensão…, p. 50. 273 CAPÍTULO 6 - (Re)pensa a a aliação de exposições: uma isão eó ico-c í ica Fig. 183583. …quelle que soi la pos u e a ichée, il a de soi qu'il n'y a pas d'é alua ion co ec e en soi - dans l'absolu. Mais il y a des é alua ions pe inen es, en onc ion d'une in en ion donnée e pou un usage social p écis584. 1. In odução Como i emos opo unidade de cons a a ao longo des e abalho, que a emá ica da exposição, que os assun os elacionados com a sua a aliação eúnem já abundan e li e a u a, o que mui o em impulsionado o desen ol imen o de me odologias na senda de a e i a sua qualidade discu si a e comunica i a. Em i ude dessas con ibuições, as an agens da aplicabilidade de modelos eó icos de a aliação em con ex o museal são desde há mui o aclamadas no seio da comunidade p o issional e académica e en endidos como e amen as basila es de p og amação e de ges ão es a égica pa a o p og edi e a ina das p á icas museológicas e museog á icas, encon ando-se e e enciados e amplamen e di ulgados em inúme os manuais écnicos do ‘ aze exposição’585. Se, po um lado, es amos con ic os ace ca da u ilidade e impo ância que a concepção e execução des e ipo de ins umen os compo am, bem como do comp omisso com a sua di ulgação, po ou o, es amos cien es de que esses adqui idos quando 583 Imagem disponí el em h ps://docs.gimp.o g/2.8/p _BR/images/glossa y/colo -model- sub ac i e.png>. [Em linha]. [Consul . 18 Se emb o 2014]. 584 HADJI, Cha les ci . po LENOIR, Hugues - “Pou une é hique de l’é alua ion”. 2014 [Em linha]. s. p. [Consul . 18 Se emb o 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.hugueslenoi . /pou -une- e hique-de-le alua ion/>. 585 A í ulo de exemplo, ci amos: DAIGNAULT, Lucie - L'é alua ion muséale: sa oi s e sa oi - ai e; e AA.VV. - Conce oi e éalise une exposi ion: les mé ie s, les mé hodes. 274 pensados sob o ângulo exclusi o de a aliação se depa am, po á ias o dens de azões, com di iculdades, cons angimen os e múl iplos desa ios, mo men e no que ange a es e a da sua aplicabilidade p á ica. Po esse mo i o, impõe-se e isi a o concei o de a aliação, in es indo, pa a al, numa isão ab angen e e sis emá ica que pe mi a en ende o eal alcance da complexidade de que o ac o de a alia se e es e, ma é ia que não dispõe, a nosso e , da a enção e do a amen o me ecidos, ac o que se de e sob e udo à as a bibliog a ia exis en e sob e o ema e esponsá el pela g ande dispe são dos dados que se lhe e e em. Assim, no sen ido de ab e ia al si uação, p ocu a -se-á iden i ica , nes a úl ima pa e do nosso abalho, as p incipais p oblemá icas que su gem associadas a um pensamen o de ipo a alia i o, en endido enquan o ac o decisó io. Pa a o e ei o, p opõe-se aze um pon o de si uação quan o aos es udos e às p emissas eó icas que nos pa ecem se mais ele an es pa a a sua es u u ação e igualmen e sinaliza a o ma como êm sendo equacionadas soluções pa a alguns dos seus p oblemas, base que se julga p o ei osa pa a a escolha adequada de caminhos que possam da espos a undamen ada sob e a possibilidade da execução de uma cul u a a alia i a no uni e so das exposições de a e. Tal necessidade em e o ça a a enção a p es a aos assun os ine en es à a aliação das exposições de a e no quad o das elações en e eo ia e p á ica icou pa icula men e exp essa na pa e an e io des a in es igação (Análise e A aliação: dialéc icas de on ei a), le ando-nos com equência à o mulação de múl iplas ques ões ais como: Quais as a iá eis que de em se ponde adas aquando da a aliação de uma exposição de a e? Que lógicas a pode ão ege ? Cons a a-se a exis ência de um deba e ap o undado sob e as di ec izes que de e minam es e p ocesso? Que impac o em a sua implemen ação no quo idiano dos p o issionais dos museus? Como lida com a in odução da componen e alo a i a? Quais os aspec os mais p opensos a objecções? Como pode á se assumida a ques ão da in e disciplina idade? Quais os ac o es di ec a ou indi ec amen e en ol idos? Em que medida exis e uma consciência a alia i a ace a dis in as ipologias de exposições? E ainda: Qual o papel que pode desempenha a a aliação de exposições de a e na 275 p odução de conhecimen o, e de que modo ela az pa e de um mo imen o em cu so que habili a o discu so sob e a exposição? É p ecisamen e nes e quad o in e oga i o que se insc e e o p esen e capí ulo, num decla ado in e esse em ecoloca o ema da a aliação no cen o das agendas de in es igação, ambicionando-se a ança , de igual modo, no sen ido de uma e lexão eó ica e c í ica, pelo que se conside a uma condição sine qua non o ac o de da espos a às ques ões acima colocadas, dado que o mesmo pode á conduzi a um edimensionamen o da p óp ia e lexão eó ica e, da mesma manei a, condiciona as aplicações p á icas subsequen es. Face ao expos o, conside ámos opo uno le a a cabo um exe cício de au o- e lexão c í ica da p opos a me odológica de análise po nós ap esen ada e aplicada no capí ulo an e io . Objec i a-se, pois, subme e os seus con eúdos a uma ou a con igu ação, sinalizando-se, pa a o e ei o, linhas mais suscep í eis de ap o undado ques ionamen o, obs áculos e agilidades que es e ipo de ins umen os possa susci a quando con on ado com uma ma iz de ca iz a alia i o. T a a-se, no undo, de ‘pensa o que se pensou’, mas ambém de apon a no os ilhos de pesquisa a desen ol e . Cump e ac escen a que as inquie ações que ago a pa ilhamos su gem em con o midade com as exigências que a p óp ia lógica a alia i a implica, dado a a -se de um modus ope andi que só adqui e pleno sen ido se o objec o de con ínua e lexão, cunho que em no eado es e abalho e que é nossa in enção e oma . Mas em ainda igual sen ido de opo unidade se i e mos em con a o modo como oi a qui ec ado o a gumen o cen al que p eside à nossa abo dagem e que se pau a po con ibui pa a um pon o de is a ab angen e e in eg ado dos domínios da exposição e sua a aliação. Visa-se demons a , p ecisamen e, como es es se o mulam numa elação de dependência e lexi a e ope acional e como, em consequência disso, pode ão pe aze um único ci cui o de uncionalidade - quan o mais não seja pa a a enua a dis ância en e os dois discu sos e cuja pe spec i a de in e secção não me eceu ainda a conside ação de ida. 276 2. P oblemá ica I: Análise s. A aliação Um balanço e ospec i o da nossa p opos a me odológica e seus adqui idos pe mi e-nos dep eende que a análise de uma exposição é, em e mos ge ais, uma acção a a és da qual se decompõe, a pa i de um exame me ódico, um de e minado con ex o exposi i o, que se a e de uma lei u a global ou pa cial das pa es que o compõem. Nesse p ocesso é undamen al ap eende a p oblemá ica expos a mas ambém econhece as lógicas ine en es à sua cons ução, pondo em e idência as in e - elações es abelecidas en e os objec os e oda uma panóplia de signos e sinais que se mani es am po meio da in o mação disponibilizada, mobiliá io museog á ico, iluminação e ca ac e ís icas da mon agem, en e ou os. Compos a po dois momen os essenciais, um desc i i o e ou o in e p e a i o, g aças à análise pode -se-á in en a ia e es uda os á ios elemen os que en o mam o discu so exposi i o e, no mesmo sen ido, da con a das soluções con ocadas pa a ‘ aduzi ’ um p og ama cien í ico especí ico, opções de e minan es pa a que os isi an es possam descodi ica os con eúdos o a ap esen ados. Es á aqui em causa, ambém, a e i o modo como ce os con ibu os p o enien es de di e en es á eas do conhecimen o (nomeadamen e a museologia, a comunicação, o design, a educação, e c.) conco em pa a a cons ução de uma na a i a, como os mesmos se con on am e são inco po ados numa sín ese museog á ica. Com e ei o, o na-se no ó io o luga que as me odologias de análise desempenham na comp eensão do enómeno exposi i o e seu signi icado, p á ica que pe mi e euni um manancial de in o mação ú il sob e os modos de in e acção e modalidades de ap op iação po pa e dos isi an es pe an e de e minada exposição. Ac esce sublinha que o ac o de analisa exposições não de e á o ien a -se po uma “in e p e ação p ocu ando o seg edo do ex o”, de endo an es “p ocu a a p odu i idade de sen idos que ela [a exposição] o e ece, “os sen idos in encionados pelos au o es” e os “dispe sos no pe cu so”586, o mesmo se á dize , como aquelas se ocul am ou, pelo con á io, se inco po am. Toda ia, quando se a a de pensa a análise na óp ica da a aliação, as di iculdades adensam-se, al como p e iamen e mencionado. A p imei a das quais 586 C : HORTA, Ma ia de Lou des Pa ei as ci . po ENNES, Elisa Guima ães - Espaço cons uído: O museu e suas exposições, p. 36. 277 adicando, desde logo, na plu alidade e polissemia de signi icados que en ol em o e mo, consequência di ec a, mui as ezes, da dissonância en e o que se p e ende denomina e a ope acionalidade do concei o em si mesmo. A es e p opósi o, Se ge Chaumie é pe emp ó io ao a i ma que a a aliação, quando aplicada em con ex o museal, “pode oma di e en es designações aliando a maio pa e das ezes um dos ês e mos seguin es: es udo, a aliação, p ospec i a”587, noções es as que, po sua ez, podem es a associadas ou não. Con udo, e não obs an e a ampli ude do espec o de ini ó io do e mo “a aliação”, é comumen e acei e que o seu signi icado su ge associado a ques ões de alidação, sendo aquele e mo de inido po Sc i en como um “p ocesso de de e mina mé i o, alo , ou signi icado; uma a aliação é p odu o desse p ocesso”588 que en ol e acções ais como “ap ecia , julga , medi , compa a , alo iza ”, e c.589, pa a ci a apenas algumas. Po concen a em si mesma as p emissas basila es que supo am a lógica subjacen e ao p ocesso a alia i o, no decu so des e abalho emp ega emos o e mo a aliação no sen ido em que é de inido po F ançois Mai esse: “De i ado e imologicamen e de " alo ", designa po um lado a acção (o cálculo do alo ), po ou o o mé odo ou a p á ica p o issional isando consegui a coe ência com uma no ma ou um modelo (pode -se-ia ala de con olo), mas ambém o sen ido ou os signi icados do objec o a aliado (os alo es)”590. Desde logo, uma p imei a no a ecai sob e a noção de alo , que es e seja quan i a i o ou quali a i o, o que signi ica insc e e o ac o de a alia numa lógica que em implíci a uma escala es a égica de medição acili ado a de um esul ado mais objec i o, a igu ando-se a componen e alo a i a como a ca ac e ís ica que di a, 587 Pa a um ap o undamen o des a ques ão, consul e-se: CHAUMIER, Se ge - "Les mé hodes de l’é alua ion muséale - quelques epè es au suje des o mes e des echniques". 588 C : SCRIVEN, Michael - The logic o e alua ion: depa men o Psychology. [Em linha]. Cla emon , 2007 [Consul . 13 Fe . 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www. ismes.i /pd /Sc i en_Logic_e alua ion.pd >. p. 1. 589 Seguimos a e minologia apon ada po Cha les Hadji na ob a L'é alua ion, ègles du jeu: des in en ions aux ou ils (E.S.F, 1989), na qual, pa a além das acções já indicadas, ainda ac escen a: “Ve i ica , Nume a , De e mina , Compa a , Agi , Ajuda , Facili a , Cons a a , Examina , Valida , Audi a , Emi i um pa ece , e c.”. Segundo o mesmo au o , “ odos es es e bos es ão longe de se seman icamen e equi alen es en e si e de e a mesma signi icação que a alia ”. Cha les Hadji ci . po VILATTE, Jean Ch is ophe - “Le complexe d’é alua ion”. In Labo a oi e, Cul u e e Communica ion - Uni e si é d’A ignon. Toulouse, DRAC, No emb o, 2005. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço 2015]. Disponí el em WWW:<URL: complexe-e alua ion-jc .pd >, p. 4 ( ad.). 590 C : MAIRESSE, F ançois - "É alue ou jus i ie les musées?", p. 12 ( ad.). 278 o igina iamen e, a di e ença mais signi ica i a en e os discu sos da análise e da a aliação, ainda que al não seja impedi i o, no caso da análise, que se exe ci e a cons ução de uma escala concebida segundo ma cos eó ico-me odológicos p óp ios e que cump a essa unção, como adian e e emos. Ainda nes e linha, con i á essal a que a in odução da dimensão alo a i a no uni e so a alia i o não é, con udo, sinónimo de uma demanda equipa ada a uma ac i idade cien í ica, embo a mui as ezes al se e i ique, mas an es uma “a e de ges ão”591, pa adigma com o qual nos iden i icamos. Um segundo pon o a des aca eme e pa a o ac o da a aliação se cons i ui como uma p á ica indissociá el da “acção” e di eccionada pa a um “cálculo do alo ”592, p essupondo igualmen e que aquela seja enca ada, a es e ní el, como um p ocedimen o a a és do qual não só nos p onunciamos sob e um de e minado con ex o si uacional, mas ainda sob e o exe ci a do eal alo dessa mesma acção, o equi alen e a a i ma que a a aliação aspi a a uma ce a ideia ou ep esen ação do que essa acção de e ia se . Es e aspec o em p ecisamen e demons a que uma das ca ac e ís icas basila es da a aliação é ina a à elação es abelecida en e um dado eal e um ou o supos amen e ideal, ocacionando-a pa a uma e lexão sob e os dados eais quando con on ados com a ealidade ambicionada, cong egando em si mesma um conjun o de in o mações subs anciais e disso ep esen a i as593, podendo ambém se i pa a de e mina o dinamismo e omen a linhas de ac uação po pa e das ins i uições/equipas que as con igu am, assumindo a a aliação, sob es e p isma, con o nos mais de inidos e um alcance mais ab angen e no que à análise se e e e. 591 MILLER, Jacques-Alain; MILNER, Jean-Claude ci . po RUBY, Ch is ian - "Le pa adigme de l’é alua ion" [ ecensão da ob a Voulez- ous ê e é alué ?. In EspacesTemps.ne . 2004. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.espaces emps.ne /a icles/le-pa adigme-de- le alua ion/>, p. 41 ( ad.). 592 Valo es e, po sua ez, imbuído de alo es subjacen es que o condicionam, que ão desde a mo al à es é ica, passando pelos económicos, ilosó icos, poli icos, en e ou os, le ando Roland Ba hes a a i ma que “a a aliação é uma undação de alo es”. BERGER, A doino J. ci . po LENOIR, Hugues - “Pou une é hique de l’é alua ion”. [Em linha]. 2014, s.p. [Consul . 18 No emb o 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.hugueslenoi . /pou -une-e hique-de-le alua ion/#sd oo no e15sym>. 593 Nes e sen ido, e ela-se opo uno ci a Jean Ch is ophe Vila e quando es e e e e que “A a aliação p essupõe um ce o domínio do p ocesso o ganiza i o da acção. O binómio ope ação- esul ado é indissociá el. Toda ia, a a aliação não implica necessa iamen e a ingi um pon o de equilíb io, um pon o es á ico, ela pode se uma egulação/p ocesso dinâmico e abe o que elança a acção”. C : VILATTE, Jean Ch is ophe - “Le complexe d’é alua ion”. In Labo a oi e, Cul u e e Communica ion - Uni e si é d’A ignon. Toulouse, DRAC, No emb o, 2005. [Em linha]. [Consul . 18 Ma ço 2015]. Disponí el em WWW:<URL: complexe-e alua ion-jc .pd >, p. 5 ( ad.). 279 Ou o apon amen o pe inen e que de i a da de inição de a aliação p opos a po Mei esse p ende-se com a ideia de uma p á ica ge ado a de uma a i ude comp ome ida com “uma no ma ou um modelo (pode -se-ia ala de con olo)”, o que implica acei á-la como um modus ope andi empenhado numa e i icação que ex apola a es e a me amen e ins umen al e que se deb uce, do mesmo modo, sob e o sen ido e alo dos p ojec os/p og amas em es udo, aspec o pe ilhado pela g ande maio ia dos au o es que de endem es a acepção594. Tal mecânica exige pois, como ad oga Ma ília Xa ie Cu y, a cons ução “de um quad o eó ico in e p e a i o complexo e c í ico e uma me odologia ão complexa e c í ica quan o o quad o eó ico pa a sus en a a alidade dos dados colec ados, sis ema izados e in e p e ados”595. Em pa icula , no domínio que nos ocupa, al componen e no ma i a não signi ica, po ém, encon a a ó mula mágica e idónea pa a medi o sucesso de uma exposição nem, de igual o ma, es abelece c i é ios he mé icos pa a dis ingui uma boa (ou má) exposição596. Em boa e dade, o que es á em jogo é an es a cons i uição de uma base de in o mações ú il pa a o ques iona desses mesmos c i é ios, podendo-se en ão p ocede à sua o mulação. Se le a mos em linha de con a as p incipais ca ac e ís icas do objec o a a alia , i.e., a exposição, ao qual ol a emos mais adian e, a ques ão cen al a coloca é, pois, a de impo limi es à subjec i idade que lhe é in ínseca. Po im, uma úl ima no a es á cono ada com o sen ido ou os signi icados do objec o a aliado (os alo es). Joga-se implici amen e no plano das in enções, ou seja, em múl iplas di ecções que podem oscila numa plu alidade de compe ências, sabe es, p á icas, e c., em unção de objec i os p ecisos e que a es am a di iculdade em p ocede a uma de inição exac a do concei o de a aliação. Ainda nes e pon o cabe 594 Ci amos, en e ou os, Duncan Came on, Jean Da allon, Joëlle Le Ma ec, Miles e S ephen Edwa d Weil. 595 C : CURY, Ma ília Xa ie - “Análise de exposições an opológicas. Subsídios pa a uma c í ica”. In Anais do XIII Encon o Nacional de Pesquisa em Ciências da In o mação - A in o mação na sociedade em ede pa a a ino ação e o desen ol imen o humano. [Em linha]. 2012, pp. 1-20. Rio de Janei o: ANCIB, Vol. 1. [Consul . 18 Ma ço 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www. esea chga e.ne /publica ion/274416928_Anlise_de_exposies_an opolgicas._Subsdios_pa a_uma_c ica._Anais_do_XIII_Encon o_Nacional_de_Pesquisa_em_Cincias_da_In o mao_- _A_in o mao_na_sociedade_em_ ede_pa a_a_ino ao_e_o_desen ol imen o_humano>. p. 11. 596 O que Belche designa po e ec i idade de uma exposição e que consis e na a aliação do modo “como uma exposição (e odos os seus componen es) ealiza bem as suas dis in as unções e, em pa icula , se o az bem em elação com os seus objec i os e ins mani es os, já que es a é a única o ma acional pa a medi o êxi o ou o acasso de uma exposição”. C . BELCHER, Michael - O ganización y diseño de exposiciones: su elación con el museo, p. 241 ( ad.). 280 sublinha que a ideia de alo es suben ende o ques iona do signi icado do p óp io objec o a aliado e em sin onia com pesquisas ealizadas nos úl imos anos. De endem es as que, eo icamen e, a a aliação em con ex o museal, pa a além de se conside ada como um ins umen o de ape eiçoamen o das exposições e um ins umen o pa a a concepção e execução de exposições, é ida acima de udo como um ins umen o de e lexão ao ní el da exposição em si e da sua a aliação597. Signi ica pois que es a úl ima se cons i ui como uma ac i idade que se ege mais po um quad o ques ionan e, não ope ando an o pela ia da espos a mas sim pelo uso deco en e seu exe cício, es emunho de um ipo de discu so “mais do que judica i o, e lexi o”598 e que julgamos se essencial pa a ac i a a cons ução do seu po encial c í ico. A modo de conclusão, impo a sublinha que as nuances en e análise e a aliação se aduzem essencialmen e, como imos, na base das suas po encialidades, inalidades e g aus de exigência. Con udo, aquelas acções man êm um ce o ‘pa en esco’, es abelecendo en e si uma zona de con e gência e a é mesmo de con eniência quan o à sua ó mula ope a i a, mo i o pelo qual es as noções su gem na bibliog a ia con inada ao ema com um a amen o pouco escla ecedo das suas di e enças, le ando a c e que es amos pe an e duas es e as de ac uação de na u eza simila , e a que não é alheia a inexis ência de uma e ec i a c í ica de exposições. Não deixa á, po isso, de se e ela opo una uma en a i a de as dis ingui com p ecisão, cla i icando on ei as, pois con igu am o mas dis in as de equaciona o p ocesso a alia i o. O a ejamos: se é e dade que a análise de uma exposição, enquan o ac i idade munida de uma panóplia de e amen as (como sejam os o ei os de obse ação, ques ioná ios, en e is as, ins umen os de g a ação de som e de imagem, en e ou os)599, pe mi e a cumulação de in o mação subs ancial sob e o 597 C : CHAUMIER, Se ge - "Les mé hodes de l’é alua ion muséale - quelques epè es au suje des o mes e des echniques". 598 Ideia exp essa po Idalina Conde no âmbi o da comunicação “Re lexi idade pa a Julga ”, p o e ida no con ex o do wo kshop F acasso e Ausências. A C í ica de A e em Po ugal, comissa iado po Nuno C espo e pelo G upo de In es igação A e. C í ica. Polí ica do IHA - FCSH-UNL e ealizado no dia 9 de Ab il de 2015 na FCSH-UNL. 599 Pelo seu ca ác e ino ado , e e enciamos a expe iência ealizada no museu McCo d em Mon eal (Canadá), no ano de 2009, e que e e como objec o de e mina , a a és de en e is as ilmadas, quais os meios museog á icos que pe mi i am aos isi an es ap op ia em-se da mensagem eiculada pela exposição. A sua no idade esidiu no ac o de, pela p imei a ez e no quad o das p á icas a alia i as, se e eco ido ao uso do ídeo, habi ualmen e u ilizado pa a o es udo do uncionamen o psicológico do isi an e, ab indo-se, po es e meio, o caminho pa a no as a aliações de exposições e na senda da 281 impac o e as ca ac e ís icas de um de e minado con ex o exposi i o, compe i á à a aliação da sen ido aos dados ecolhidos e ques iona essa mesma in o mação, o nando-a passí el de se mensu á el e objec o de compa ação. Tal consen i á pois a ança com a possibilidade de ( e)negocia c i é ios, cla i ica pa âme os, undamen a decisões, ( e) o mula es a égias e objec i os, em sín ese, apos a na c iação de medidas po encializado as endo em is a a p ocu a de soluções pa a de e minadas limi ações ou p oblemas de ec ados. Do expos o pode á in e i -se que az sen ido pensa a análise de exposições como uma sub-á ea da a aliação e, po seu u no, si ua es a úl ima no campo da p odução de conhecimen o não obs an e a combinação en e as duas acções admi i a comp eensão plena da lógica a alia i a600. 3. P oblemá ica II: Ques ões ace ca do(s) alo (es) Tal como já mencionado p e iamen e, quando se p e ende a alia a qualidade de uma exposição, uma das e apas exigidas nes e p ocesso assen a na cons ução de um ins umen o de medida iá el e ajus ado ao ipo de in enções p e is as, objec i os e ins p opos os. Analisando ago a a nossa p opos a me odológica de análise ap esen ada no capí ulo an e io , a que pode iam se anexadas ou as inicia i as congéne es, pode emos conclui que, em e mos globais, ais exe cícios p ocu am e ela ep esen ações, sen idos e signi icados, p opo cionando, ao mesmo empo, uma abo dagem holís ica e simul aneamen e sis ema izada da exposição, o que induz um conhecimen o in eg ado do objec o em es udo. Numa ou a e en e, aqueles exe cícios ope am como mediado es en e quem p oduz uma exposição e quem a in es iga, a ingindo mesmo os di e sos públicos, seja qual o o quad o eó ico- me odológico adop ado. comp eensão "do como" e "do que" le a os isi an es a e e algo de uma exposição. Sob e es a p á ica, e : BOURROUX, Lucille; SCHNEIDER, Ma hilde - “C éa ion d’un nou eau p o ocole d’é alua ion des exposi ions”. 600 Seguimos aqui a linha de pensamen o de endida po Debo ah Fou nie em “Es ablishing e alua i e conclusions: a dis inc ion be ween gene al and wo king logic”. In New Di ec ions o E alua ion. - [S.l.], 1995, nº. 68. [Em linha]. pp. 15-32. [Consul . 15 Jan. 2015]. Disponí el em WWW:<URL: h p:h ps://www.wmich.edu/si es/de aul / iles/a achmen s/u58/2015/Es ablishing_E alua i e_Concl usions.pd > ; p. 16. 282 No caso pa icula da nossa p opos a me odológica, de ec amos algumas agilidades que ad êm, em p imei a ins ância, da ampli ude e a iedade de componen es de análise que a mesma ence a, condu a que impede um a amen o indi idualizado e mais especializado de cada uma, a que não é alheio o ac o de algumas delas se em mais complexas do que ou as e exigi em um es udo mais ap o undado. A es a agilidade su ge associada uma ou a, a ideia de que o pensa exposição exige uma pe spec i a de con aminação exp essa num condensa de elemen os de na u eza á ia (objec os, espaço, ex os, luz, soluções g á icas, e c.) que con acenam em simul âneo, cada um in e agindo num odo e in e dependendo do ou o. Num quad o de a aliação, al signi ica que esses elemen os não sejam o almen e equi alen es no seu desígnio essencial, daí a di iculdade em p ocede a uma delimi ação cla a do impac o p eciso de cada um no ou o e que é adensada, como e e ido nos capí ulos iniciais des e abalho, pelo ac o de a exposição não de e se obse ada isoladamen e, mas, ao in és, insc e e -se numa pe spec i a in e disciplina . Já no que se epo a ao Modelo de icha u ilizado po Ángela Ga cía Blanco, po nós e e ido no capí ulo an e io , cabe e e i que os seus con eúdos acabam po p i ilegia um en endimen o da expe iência exposi i a p edominan emen e cen ada nos domínios da sin axe espacial, a ando de ópicos elacionados com a mo ologia das exposições e usos do espaço po pa e dos isi an es, secunda izando assim as opções écnicas ais como a iluminação, o modo de ap esen a os objec os e as elações ecidas en e eles, a cenog a ia, em sín ese, os e ei os de sen ido emanen es da a iculação das sin axes museog á icas, pon os nuclea es pa a ‘medi ’ a e icácia comunica i a das exposições. Reg essando à nossa p opos a me odológica, podemos ainda ac escen a um úl imo aspec o menos an ajoso, o de que a qualidade em exposição é condicionada po ques ões de na u eza subjec i a, indi ec amen e obse á eis, po mais ocul as, e esul an es de uma isão mui o pessoal ace ca de um ema, subjec i idade essa que o isi an e ai ecolhe e que ambém lhe pe mi e ap eende , de o ma g adual, o signi icado da mensagem p opos a. Tal especi icidade é in ínseca à exposição e di icilmen e enquad á el do pon o de is a da a aliação, ag a ada, po sua ez, pelo 289 ques ionamen o desses p ocessos, cabendo-lhe o na a exposição numa ealidade suscep í el de se medida, apesa de condicionada po ac o es de na u eza subjec i a. Mas a a aliação em ainda uma dimensão de in e subjec i idade pois é, como imos, um p ocesso abe o, polissémico e que se ques iona con inuamen e a si p óp io. Já um segundo apon amen o p ende-se com a u ilidade de que se e es e a cons ução de p opos as de me odologias de análise e/ou a aliação po se em os componen es que delas cons am ep esen a i os de uma e lexão u gen e des e domínio de es udo, ac i ando a possibilidade de en ende melho o que é a exposição no seu es ado de maio exigência e endo em con a o luga que ocupa na con empo aneidade. Po im, cabe isa que uma demanda des a na u eza, apesa das ese as e di iculdades que en ol em a sua implemen ação, impõe uma ges ão e icaz de ecu sos e um pon o de equilíb io de in e esses po pa e dos ac o es a ela associados, ealidades po ezes di íceis de coabi a em. Quando al ha monia não se e i ica, assis e-se à não “ o ma ação” de um pensamen o colec i o em p o ei o de uma sólida implicação no p ocesso, do pô em p á ica os adqui idos do ins umen o, de aze eajus amen os, de auxilia o p óp io a cons ui os seus p og essos. 290 291 SÍNTESE FINAL (…) la hèse p end la o me d’une ini ia ion (au sens o d’un i e) ca ac é isée pa un app en issage de la capaci é à ésis e (on se ai en é de di e, à su i e) au égime d’ince i ude qu’engend e la nécessi é de ecalcule à in e alles égulie s la posi ion : d’es ime la ela ion jus e en e le cad e héo ique, le e ain, les ésul a s a endus e la mé hode employée615. Chegados ao e mo de uma longa a essia, impõe-se, po o a, a ealização de uma sín ese da ajec ó ia e lexi a po nós desen ol ida. Pa a além dos mo i os e ocados na in odução ace ca da nossa p e e ência po um modelo de Sín ese inal, é ambém a ocasião pa a melho escla ece o sen ido das opções omadas e iden i ica as di iculdades encon adas no deco e da in es igação, a que se jun am os con ibu os e as expec a i as que a mesma possa es imula , conduzindo a e en uais pis as de pesquisa. Po objec i os de cla eza exposi i a, decide-se po ap esen a , num p imei o momen o, os con eúdos sob a o ma de pon os conclusi os. 1. Pa a e ec i a um es udo cen ado nos domínios da exposição e espec i a a aliação, independen emen e do ângulo que seja conside ado, é undamen al começa po es abiliza e con e i exac idão à e minologia aplicada nes es campos que êm sido al o de signi ica i as al e ações ao longo dos empos, e que em mui o se de e à e lexão eó ica mobilizada no seio académico. Es a en a i a de ap eensão conscien e da linguagem museal pe mi iu-nos, numa p imei a e apa, não só p o idencia um quad o concep ual e uma es u u a semân ica, indispensá eis pa a um conhecimen o ab angen e do enómeno exposi i o, mas cons i ui , de igual modo, um passo decisi o pa a a cons ução de me odologias de análise de exposições e consequen e explo ação do seu po encial c í ico. 2. A comp eensão do p ocesso de concepção e p odução de exposições, po pa e dos p o issionais en ol idos, assumiu-se como de e minan e pa a pe cepciona a exigência que es á na base da es u u ação e elabo ação do discu so exposi i o, supo e ú il pa a a descodi icação dos di e en es ní eis de 615 DAVALLON, Jean e JEANNERET, Y es ci . po SOULIER, Vi ginie - “P obléma ise en muséologie: quels pa adigmes sous-jacen s?”. In App oches induc i es: T a ail in ellec uel e cons uc ion des connaissances. [Em linha]. Vol. 1, n° 1, 2014, pp. 210-238. Disponí el em URI: h p://id.e udi .o g/ide udi /1025751a >. 292 complexidade e lexi a e écnica que o mesmo condensa e impõe, numa en a i a de assegu a uma comunicação e icaz e di ec a en e os p o issionais e os públicos. 3. O exe cício de sín ese emp eendido, mo i ado pelo in ui o de aze uso da e icácia que es e ipo de es a égia pode á compo a , e a o ecido pela escolha de uma ob a de ele an e signi icado, no caso os ‘Painéis’, e es iu-se de g ande u ilidade, embo a sejam signi ica i os os iscos em que se inco e quando, num es o ço sis ema icamen e conduzido, se p ocu a simpli ica aquilo que é - e de e pe manece - he e ógeneo e complexo. Es a pos u a in en a ian e cons i uiu um ou o a qui o pa a es uda o museu, o e ecendo a an agem de concen a in o mação múl ipla, desde o ângulo da his ó ia da expog a ia do MNAA, em ge al, à pe spec i a da his ó ia ins i ucional e do edi ício e seus p o agonis as, o que con igu ou o necessá io enquad amen o pa a uma isão conjun a dos con eúdos passí eis de se em comunicados pelo Museu. 4. A igu ou-se da maio ele ância a inclusão de um segundo es udo de caso, o iundo do MNP, po es e p opo ciona um en endimen o sis ema izado ace ca do luga hegemónico ocupado po uma ou a ob a maio , As ‘Meninas’ de Velázquez, no discu so museog á ico de um ou o museu. Já num segundo plano, po pe mi i a e igua o modo como es e Museu em indo a abalha um dos seus ocos iden i á ios e o p ojec o de in es imen o ealizado pa a a implemen ação de polí icas de exposição, posicionando-nos, des e modo, a o a elmen e ao ope acionaliza de uma espécie de quad o compa a i o assen e na necessidade de da espos a a um pad ão de exigência. 5. Em e mos de pe o mance exposi i a, o MNAA em indo a p ocede , sob e udo a pa i de 2010, a a anços signi ica i os, esul ado, em g ande pa e, de uma apos a baseada numa polí ica ac i a de exposições empo á ias. Em simul âneo, des acamos o in es imen o emp eendido nas á eas da comunicação e p og amação, com e lexos na idelização e cap ação de no os públicos, a con ínua mobilização do seu ace o e a consequen e alo ização das peças, o es abelecimen o de pa ce ias in e nacionais, a inse ção do Museu em 293 no os moldes de p odução de exposições au onomizados da DGPC, os melho amen os no campo das acessibilidades e a eno ação dos seus equipamen os museog á icos. Há ambém a ealça o aumen o do espaço des inado à exposição de longa du ação, nomeadamen e com a abe u a da Sala P esépio Po uguês (2015) e da Gale ia de Pin u a e Escul u as Po uguesas (2016). 6. Não cons i uindo a exposição uma check lis , pois ela é mais expe iência emocional, a cons ução de um modelo de análise de exposições de a e, segu amen e discu í el - é ce o - possibili ou um in es imen o no domínio da exposição enquan o objec o de es udo da museologia. Ao e eno po explo a en ou-se esponde com o es udo explo a ó io, en endido enquan o e amen a que pode á simpli ica a complexidade deco en e do ac o de expo , um modelo de análise que se cons i ui como um ins umen o p omo o de um en oque que nos pe mi e: a) de ec a as inúme as a iá eis que de inem a complexidade in e disciplina da sua mensagem exposi i a; b) apu a o modo como a disposição dos seus con eúdos é p opícia à uição dos públicos; c) iden i ica a p odu i idade de sen idos que o e ece; e d) ‘medi ’ a o ma como a con igu ação desses mesmos con eúdos a o ece uma p odução de conhecimen o po pa e dos isi an es. 7. A análise da Gale ia de Pin u a e Escul u a Po uguesas do MNAA, a mais impo an e, e ela um conjun o de melho ias al amen e signi ica i as e de boas p á icas, pe mi indo posiciona as ob as que ali igu am den o de um con ex o exposi i o mais coe en e, a que se de e ambém a qualidade da in o mação que lhes es á associada. 8. Uma das consequências di ec as do papel p oac i o da a aliação consis e em con e e o a aliado no po a- oz dos in e esses, necessidades e e en uais di iculdades po pa e do isi an e po encial, idealmen e desde a ase de concepção da exposição a é à de pós-abe u a. 9. O concei o de expologia e as suas implicações, âmbi o que se epo a ao es udo da eo ia da exposição - em oposição à sua p á ica, a expog a ia - de e se ida enquan o p ocesso de ‘medida’ de uma exposição. Es e domínio de es udo 294 adop a uma pos u a c í ica ace a uma lógica do ipo quan i a i o e undamen a-se numa p eocupação cen al: a de que uma exposição mais conseguida não se aduz em núme os, i.e., não é aquela que se ca ac e iza po egis a mais ou menos isi an es, mas sim a que possui a capacidade de p o oca es ímulos, ques ionamen os, pensamen os c í icos, suge indo conhecimen o e emoção à maio ia daqueles que a isi am. P opõe pois que nos in e oguemos sob e o impac o de uma de e minada exposição endo em is a o seu ape eiçoamen o con ínuo, cons i uindo-se, po es e meio, como um campo de es udo cujos esul ados são p eciosos e, consequen emen e, ap o ao desen ol imen o das ‘habilidades’ de pensa , ques iona , analisa e de a alia , equisi os indispensá eis a uma p á ica que se deseja compe en e. Dos con ibu os. Cump ida a enume ação dos pon os conclusi os a ec os à nossa in es igação, cabe ago a alega sob e as mais- alias que lhe es ão associadas. Tal ez um dos mé i os maio es des e es udo, na sua limi ada condição de es udo de caso, seja o de pode con ibui pa a o despe a da consciência da necessidade de alia a e lexi idade aos assun os elacionados com a exposição e espec i a a aliação, mais sensí el aos ensinamen os da eo ia, às exigências da in e disciplina idade e às ca ências dos di e sos públicos, e en es que con igu am uma p eocupação cen al e êm um denominado comum que se pode aduzi da seguin e o ma: Como se coloca a ques ão da qualidade em exposição? Ao mesmo empo ac edi amos que es a apos a possa se i como uma ma iz de possibilidades capaz de pensa os emas da exposição e sua a aliação numa pe spec i a ampla e c í ica, ma e ializada numa en a i a de ixa um no o co pus de conhecimen o sob e os domínios acima mencionados. Po ou o lado, o p esen e es udo não descu a a e en e associada a uma p es ação mais incadamen e empí ica, cong egando, a es e ní el, con ibu os pa a a análise do desempenho no campo das exposições museológicas, obse ada na a iedade das suas mani es ações. Em úl ima ins ância, pode á ainda eme gi como uma opo unidade pa a a eunião de condições empenhadas na o mação de um olha c í ico sob e o uni e so das exposições de a e o necendo, nes a es e a, subsídios pa a a sua discussão. 295 Das ques ões em abe o. Es amos ce os de que as opções me odológicas omadas nes e abalho não pe mi em aba ca a o alidade dos assun os. Desde logo, pode -se-á adian a a necessidade de ap o unda o conhecimen o sob e a ap esen ação museog á ica de ou as ob as e e enciais da na a i a de longa du ação do MNAA. Re i a-se, a í ulo exempli ica i o, a Cus ódia de Belém, os Biombos Namban, a Baixela Ge main, As Ten ações de San o An ão e São Je ónimo, campos possí eis de uma pesquisa di igida no sen ido de compa a as sucessi as a ian es plás icas dessas ob as em épocas dis in as, desde a sua inco po ação no MNAA a é aos nossos dias, o que pe mi e ‘ e ’ e da a e o Museu em di e en es es ádios da sua exis ência e en ende o olha de cada época sob e aquelas ob as em pa icula , o que compo a semp e a a e em ge al. De igual o ma es a iam em deba e os es o ços emp eendidos pelos á ios di ec o es e espec i as equipas do MNAA em p ol da comunicação de um p opósi o cien í ico, es é ico ou emo i o, os quais se iam complemen ados com uma análise dos di e en es supo es de in o mação que o am sendo disponibilizados ao público no seu pe cu so pela exposição de longa du ação e de modo a se comp eendida a lógica do discu so p opos o pelo Museu. Nes a linha, pode ia se ambém conside ada uma in es igação ocada nas al e ações mais signi ica i as oco idas ao ní el da museog a ia e da comunicação, endo como base de pesquisa os di e sos domínios das colecções do MNAA cuja his ó ia se essen e de uma ausência de es udo ap o undado616. Pa a o e ei o, pode ia se aplicada ou eadap ada a p opos a me odológica de análise po nós ap esen ada. Mas es á ambém po aze uma in es igação que passe po apu a quem e am as pe sonalidades comuns à his ó ia dos dois museus seleccionados, MNAA e MNP, pon os de e minan es pa a melho conhece a memó ia des as ins i uições e a génese das exposições de a e. A in es igação sob e o ela o da expog a ia do MNAA, esul an e da sua biog a ia, e á de conside a es as p emissas que cons i uem - po sua ez - ou os an os caminhos de pesquisa. Po ou o p isma, ac edi amos que os esul ados alcançados possam cons i ui uma base de abalho capaz de omen a um ciclo de es udos com a inidades 616 Uma excepção que eme e pa a a ese de dou o amen o de Ma ia João Vilhena de Ca alho, As escul u as de E nes o Ja dim de Vilhena. A cons i uição de uma coleção nacional. 296 emá icas. E mui o há ainda a aze na p ocu a de um diálogo com sen ido c í ico e a im de que as exposições se possam con e e em cen os ac i os de p odução de conhecimen o, uma imensa demanda pa a a qual de e ão con ibui , de o ma solidá ia, a in es igação académica e as p á icas museológicas. Das di iculdades. Uma das di iculdades sen idas du an e a ealização des e abalho p endeu-se com a exis ência de um conjun o conside á el de bibliog a ia es angei a não disponí el pa a consul a em Po ugal, aspec o pa icula men e no ó io no que se e e e ao capí ulo consag ado ao Museu Nacional do P ado, impedimen o que julgamos e sido colma ado com a ealização de á ias deslocações àquela ins i uição, o que nos pe mi iu adqui i bibliog a ia ac ualizada, meio complemen ado com o ecu so cons an e aos bole ins do Museu e aos p imei os ca álogos publicados sob a sua esponsabilidade, in o mação de ácil acesso no seu sí io web. Ou o obs áculo com o qual nos con on ámos p endeu-se com a di iculdade em aze a ges ão apenas da in o mação que nos conduzisse a uma abo dagem que se p e endia o ien ada, p edominan emen e, pa a o domínio da museog a ia. Dada a complexidade que es e ipo de análise eque , deco en e sob e udo da ampli ude que o p óp io e mo ence a e consequen e pe spec i a en acula de assun os que se podem conside a como pe encen es a es e campo do sabe - aze , omos le ados em mui as ocasiões po dú idas ace ca da inclusão (ou não) de de e minada ma é ia e/ou e e ência. Não emos a p e ensão de e semp e decidido bem, mas julgamos e seguido um c i é io que nos pe mi iu, pese embo a a densidade do discu so cons uído, endencialmen e mais desc i i o do que analí ico, não pe de o nosso oco. **** Mas há ambém ou as ias de exposição cuja e icácia impo a sublinha , sob e udo se i e mos em con a que na ac ualidade “a p á ica exposi i a não se limi a a expo e dissemina um conhecimen o p é- o mulado, o nando-se expe imen al ou seja, ge a conhecimen o ao in és de o ep oduzi ”617. 617 C : BASU, Paul; MACDONALD, Sha on (ed.) - "In odu ion: Expe imen s in Exhibi ion, E nog aphy, A and Science". In Exhibi ion Expe imen s. [Em linha]. Ox o d Blackwell, 2007. [Consul . 18 Janei o. 2014]. Disponí el em WWW:<URL: h ps://www.yo k.ac.uk/media/sociology/in oduc ion.pd >. p. 2 ( ad.). 297 Como já i emos opo unidade de cons a a ao longo do capí ulo 3, é adição do MNAA acolhe p ojec os de a is as con empo âneos a o ecedo es de no as lei u as pa a a ins i uição e suas colecções, icando a de e -se a João Cou o (segundo di ec o ) o início dessa ó mula exposi i a, expe ienciada em 1955, e omada quase in e anos depois (1974), e hoje desen ol ida que no âmbi o de exposições empo á ias, en ol endo a pa icipação de a is as como Be na d Guel on (2001), Rui Sanches (2008) e Ped o Cab i a Reis (2010), que no con ex o de inicia i as como sejam o p ojec o MNAA - Olha es Con empo âneos, Residência da Fundação EDP no Museu Nacional de A e An iga, que no ano de 2015 conheceu a sua qua a edição. Po e en ol ido o MNAA, o nosso objec o de es udo nuclea , e pela e lexão que po enciou em o no de emá ios ca os aos Museus em ge al, ais como a na u eza das suas colecções, a qui os e ese as, mas ambém os seus espaços e ainda as suas na a i as, conside ámos opo uno in oduzi aqui o exemplo da exposição já epa as e como um pon o de in e ogação pa ece uma o elha e, como a in e ogação se az escu a? ‐ Um museu‐a elie no A elie ‐Museu Júlio Poma 618, inaugu ada em Ma ço de 2016 no A elie -Museu Júlio Poma 619. Com cu ado ia de Ma ia do Ma Fazenda (cu ado a independen e), a mos a euniu dez a is as e dezasse e ob as: “Ana Pé ez-Qui oga (a colecção e o seu discu so); And ea B andão (o e ei o de musealização); Ângelo Fe ei a de Sousa (o museu como campo de ba alha); Ca a ina Bo elho (o espaço museológico enquan o he e o opia – um ou o luga simul aneamen e eal e imaginá io); Fe nanda F aga ei o (a biblio eca e o museu, em pe manen e ala gamen o e cons ução); Lúcia P ancha e Sa a Fe nandes (as o mas exposi i as angua dis as de Lina Bo Ba di); Ma alda San os (a ede que liga a is as, cu ado es, exposições e ins i uições); Ma iana Sil a (as ideias de pa imónio, cul u a e legi imidade); Rami o Gue ei o (os disposi i os de ap esen ação das ob as de a e e as ins i uições/exposições como disposi i o); Rod igo Oli ei a (o ac o de colecciona , público e p i ado); e Sa a & And é (a ci ação da ins i uição- 618 P opos a cu a o ial encedo a da p imei a edição do p émio A elie -Museu Júlio Poma /EGEAC 2015. Temos conhecimen o que a e lexão se enquad a na ese de dou o amen o, em cu so, de Ma ia do Ma Fazenda, in i ulada Museu, echado pa a ob as: ou as na a i as ins i ucionais em cons ução, insc i a na FCSH da UNL. C : FAZENDA, Ma ia do Ma - “O Museu Ques ionado”. In MATOS, Sa a An ónia; FAZENDA, Ma ia do Ma - P émio de Cu ado ia/EGEAC – 2015. Lisboa: Documen a/A elie -Museu Júlio Poma , 2016, pp. 101-114. 619 Pa en e de 4 de Ma ço a 10 de Ab il de 2016. 298 museu)”620. Pa a além de se e e elado uma boa ocasião pa a da -a- e uma ou a pe spec i a do Museu, enquan o luga de elabo ação de ob as e um espaço de c i icalidade, o mé i o des a inicia i a p olongou-se po um ciclo de con e sas621, Um luga pa a con e sa num museu-a elie , que deco eu pa alelamen e à exposição e se aduziu numa sé ie de encon os en e a cu ado a e di e sos p o issionais, sendo os mesmos ambém abe os ao público em ge al622. Do uni e so das ob as que igu a am na exposição, des acamos apenas as peças que i e am no MNAA o seu objec o de inspi ação: Pâ u age au bo d d'une ma e (Pas o à bei a de uma lagoa), pin u a de Jules Dup é (1811-1889) da ada de c. 1850; Disposi i os de Ap esen ação, 2012-2016, de Rami o Gue ei o; e Running he museum, 2014-2016, assinada pela dupla Sa a & And é. A p imei a, pe encen e ao ace o do MNAA e doada ao es ado po uguês en e 1949 e 1952 po Calous e Sa kis Gulbenkian623, jun amen e com um lo e que incluía ce ca de 32 ob as624 e expos a nos anos 70 na Sala Gulbenkian do Museu, compos a exclusi amen e po peças doadas pelo coleccionado , um espaço ape echado com cenog a ia, iluminação e isco museog á ico de C uz de Ca alho625. A e e ida pin u a en a em diálogo com Disposi i os de Ap esen ação, 2012-2016, de Rami o Gue ei o (n. 1978), a is a cujo oco de pesquisa é o espaço. A ob a ap esen ada no A elie -Museu Júlio Poma esul a de documen ação ecolhida pelo p óp io no a qui o do MNAA du an e a esidência a ís ica que aí e ec uou626. Gue ei o op ou po inclui alguns egis os o og á icos 620 In PRESS RELEASE AMJP 22/02/2016. [Em linha]. 2009, pp. 1-321. [Consul . 20 Ab il. 2016]. Disponí el em WWW:<URL: h p://www.a elie museujuliopoma .p /p og amacao/passado/07_in e ogacao/P ess_Release_Exposic ao_P emio_AMJP.pd >. 621 Deco e am en e 3 de Ma ço e 9 de Ab il e con a am com a pa icipação de: Ana Bigo e Viei a, Anísio F anco, An ónio Gue ei o, Filipa Oli ei a, F ancisco T opa, Joana C a ei o, João Mou ão, João Paulo Se a im, João Ribas, Ka he ine Si ois, Luís Sil a, Ma ga ida B i o Al es, Ma ia do Ca mo Sousa Lima, Nuno C espo, Paulo Pi es do Vale, Ped o Cab i a Reis, Penelope Cu is, Raquel Hen iques da Sil a, Rica do Nicolau, Robe o C emascoli, Tomás Maia, e mui os ou os… 622 Ainda no âmbi o da exposição, João Ped o Cachopo aduziu pa a po uguês o ensaio de Theodo W. Ado no Valé y P ous Museum (1953), ob a de e e ência no campo do es udo dos museus. 623 A ques ão da doação Gulbenkian ao MNAA cons i ui-se como um assun o de g ande in e esse, me ecendo se es udado com p o undidade. 624 C : FERREIRA, Ma ia Te esa Gomes; COSTA, Ma ia Helena Soa es (coo d.) - Calous e Sa kis Gulbenkian: uma doação ao Museu Nacional de A e An iga. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1994. 625 Ve Capí ulo 3, pp. 118 e 119. 626 En ol endo ambém a pa icipação de Ca a ina Bo elho, João Fe o Ma ins, João Paulo Se a im, João Se a, Pa ícia Almeida+Da id-Alexand e Guénio e Sand a Rocha, e e como esul ado a Exposição 305 AA.VV. - XVII Exposição Eu opeia de A e, Ciência e Cul u a. Os Descob imen os Po ugueses e a Eu opa do Renascimen o. Lisboa: ed. Mon epio Ge al, 1984 [Ca álogo de exposição]. ABBEY, Da id; CAMERON, Ducan - The Museum Visi o . To on o: The Royal On a io Museum, Vol. 3, 1959-1961. ACCIAIUOLI, Ma ga ida - Exposições do Es ado No o. 1934-1940. 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