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A nova política externa brasileira na imprensa: uma análise a partir do jornal Folha de S. Paulo

Gheno, Nicholas Nicolau

Abstract

A presente dissertação investiga de que modo a imprensa brasileira acompanhou as mudanças na política externa brasileira levadas a cabo pelo atual governo de Jair Bolsonaro durante o ano de 2019. Para isso, faz uma revisão bibliográfica sobre a definição, análise e mudanças da política externa, bem como da influência dos meios de comunicação social nesse campo. Adicionalmente, busca caracterizar a política externa brasileira das últimas décadas e contextualizar os fatores externos e domésticos que contribuíram para mudanças no quadro político nacional e, consequentemente, nessa política pública. Em paralelo, desenvolve uma análise do jornal Folha de S. Paulo, enquanto amostra representativa da imprensa brasileira, buscando identificar como esse veículo aborda a política externa do país em suas edições impressas. A metodologia utilizada foi a análise de conteúdo, proposta por Bardin (2016). Este estudo se justifica pela importância das mudanças promovidas na política externa brasileira e seus impactos nas relações internacionais do Brasil, bem como pela relevância da cobertura da imprensa sobre o assunto e seu poder de agendamento público. A partir da análise do corpus, podemos inferir que, em 2019, a Folha de S. Paulo fez uma cobertura sobre a política externa brasileira de forma factual e generalista, seguindo a regra de pertinência na escolha dos temas e dedicando parte do espaço das edições para análises e o debate público. Além disso, posicionou-se de forma reiteradamente crítica às mudanças e às ações do governo Bolsonaro no âmbito da política externa através de seus editoriais.

Full text

A No a Polí ica Ex e na B asilei a na Imp ensa: uma análise a pa i do jo nal Folha de S. Paulo Nicholas Nicolau Gheno Janei o de 2022 Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação cien í ica de Ca men So ia Rod igues Sil a Fonseca. Algum chei inho de alec im. (Chico Bua que) AGRADECIMENTOS Esc e e é essencialmen e um p ocesso soli á io, mas es a disse ação e eu nos encon amos quase odos os dias de 2021. Foi um ano a ípico, o segundo de uma pandemia global. Na maio ia das ezes eu a encon a a exaus o depois de uma jo nada de abalho, mas em ou as omos passea jun os pelos pa ques, ca és e biblio ecas de Lisboa. Em ce a medida ela ep esen ou pa a mim uma companhia in e essan e de se cons uída e analisada em de alhe. Pessoalmen e, chamo-a de “disse ação possí el”, po que oi udo o que consegui aze com o empo e as condições que es a am ao meu alcance. E eu es ou mui o eliz e o gulhoso dela, po isso, ca o lei o , espe o que ocê ambém ap o ei e bem sua companhia nas p óximas páginas. Apesa da solidão da esc i a, es a disse ação não se conc e iza ia sem a con ibuição di e a ou indi e a de algumas pessoas. Po isso, ag adeço à p o esso a D a. Ca men Fonseca, po e me ins igado a es a pesquisa e pela alo osa o ien ação des e abalho. Ao Lucas Al es, pela ajuda na elabo ação dos g á icos da pesquisa e aos meus amigos Alexand e Ribei o, Cláudia Bueno, Fe nando Rawicz, Gio anna Mansu , Luiza F i zen, Ma ília Bandei a, Nilson Souza e Ra ael Zangiacomi pelo apoio emocional, mo i ação e companhia que me p opo ciona am du an e o desen ol imen o des a disse ação. Ag adeço ainda à minha mãe, meu pai e i mãos que, mesmo de longe, semp e espalda am minhas escolhas, ac edi a am em mim e es imula am meus sonhos. Se ei em b e e o p imei o mes e da amília, e essa conquis a não se á só minha, mas de odos nós. Po im, gos a ia de aze um ag adecimen o especial ao colega e amigo Renan O ega, que nos deixou du an e o pe cu so des a disse ação e que me ensinou mui o sob e esiliência e o ça em ida. A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA NA IMPRENSA: UMA ANÁLISE A PARTIR DO JORNAL FOLHA DE S. PAULO NICHOLAS NICOLAU GHENO RESUMO PALAVRAS-CHAVE: Polí ica Ex e na; B asil; Imp ensa; Folha de S. Paulo; A p esen e disse ação in es iga de que modo a imp ensa b asilei a acompanhou as mudanças na polí ica ex e na b asilei a le adas a cabo pelo a ual go e no de Jai Bolsona o du an e o ano de 2019. Pa a isso, az uma e isão bibliog á ica sob e a de inição, análise e mudanças da polí ica ex e na, bem como da in luência dos meios de comunicação social nesse campo. Adicionalmen e, busca ca ac e iza a polí ica ex e na b asilei a das úl imas décadas e con ex ualiza os a o es ex e nos e domés icos que con ibuí am pa a mudanças no quad o polí ico nacional e, consequen emen e, nessa polí ica pública. Em pa alelo, desen ol e uma análise do jo nal Folha de S. Paulo, enquan o amos a ep esen a i a da imp ensa b asilei a, buscando iden i ica como esse eículo abo da a polí ica ex e na do país em suas edições imp essas. A me odologia u ilizada oi a análise de con eúdo, p opos a po Ba din (2016). Es e es udo se jus i ica pela impo ância das mudanças p omo idas na polí ica ex e na b asilei a e seus impac os nas elações in e nacionais do B asil, bem como pela ele ância da cobe u a da imp ensa sob e o assun o e seu pode de agendamen o público. A pa i da análise do co pus, podemos in e i que, em 2019, a Folha de S. Paulo ez uma cobe u a sob e a polí ica ex e na b asilei a de o ma ac ual e gene alis a, seguindo a eg a de pe inência na escolha dos emas e dedicando pa e do espaço das edições pa a análises e o deba e público. Além disso, posicionou-se de o ma ei e adamen e c í ica às mudanças e às ações do go e no Bolsona o no âmbi o da polí ica ex e na a a és de seus edi o iais. ABSTRACT KEYWORDS: Fo eign Policy, B azil; P ess; Folha de S. Paulo; This disse a ion in es iga es how he B azilian p ess has ollowed he changes in B azilian o eign policy ca ied ou by he cu en go e nmen o Jai Bolsona o du ing 2019. To do so, i conduc s a li e a u e e iew on he de ini ion, analysis, and changes in o eign policy, as well as he in luence o he media in his ield. Addi ionally, i seeks o cha ac e ize B azilian o eign policy in ecen decades and con ex ualize he ex e nal and domes ic ac o s ha ha e con ibu ed o changes in he na ional poli ical amewo k and, consequen ly, in his public policy. In pa allel, i de elops an analysis o he Folha de S. Paulo newspape , as a ep esen a i e sample o he B azilian p ess, seeking o iden i y how his ehicle add esses he coun y's o eign policy in i s p in ed edi ions. The me hodology used was con en analysis p oposed by Ba din (2016). This s udy is jus i ied by he impo ance o he changes p omo ed in B azilian o eign policy and hei impac s on B azil's in e na ional ela ions, as well as by he ele ance o p ess co e age on he subjec and i s powe o public agendas. F om he analysis o he co pus, we can in e ha in 2019 Folha de S. Paulo co e ed B azilian o eign policy in a ac ual and gene alis way, ollowing he ule o pe inence in he choice o hemes and dedica ing pa o he edi ions' space o analysis and public deba e. In addi ion, he newspape epea edly posi ioned i sel in a c i ical way o he changes and ac ions o he Bolsona o go e nmen in he o eign policy sphe e h ough i s edi o ials. ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1 2. A POLÍTICA EXTERNA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ........ 6 2.1. DEFINIÇÃO DE POLÍTICA EXTERNA ......................................................... 6 2.2. ANÁLISE DE POLÍTICA EXTERNA .............................................................. 9 2.3. AS MUDANÇAS NA POLÍTICA EXTERNA ................................................ 15 2.4. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E A POLÍTICA EXTERNA ..... 21 3. A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA ............................................... 28 3.1. O MUNDO PÓS-OCIDENTAL E A CRISE DA DEMOCRACIA LIBERAL: O SISTEMA INTERNACIONAL EM CONTEXTO ................................................................ 29 3.2. CAOS INSTITUCIONAL E ASCENSÃO DE BOLSONARO: A CONJUNTURA INTERNA DO BRASIL ................................................................................. 36 3.2.1. Rup u a no Planal o: o impeachmen de Dilma Rousse ........................... 37 3.2.2. Pa imen ando o caminho conse ado : o Go e no de Michel Teme ........ 42 3.2.3. Eleições de 2018 e a ascensão da ul adi ei a no B asil ............................ 45 3.2.4. O p imei o ano do Go e no Bolsona o ....................................................... 51 3.3. NOVO ITAMARATY: A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA SOB BOLSONARO E ARAÚJO ....................................................................................................... 56 3.3.1. A PEB que an ecedeu Bolsona o ................................................................. 57 3.3.2. A No a Polí ica Ex e na B asilei a sob Bolsona o e A aújo ...................... 65 4. A COBERTURA DA PEB NA IMPRENSA EM 2019: FOLHA DE S. PAULO........... ................................................................................................................................ 75 4.1. UM JORNAL CENTENÁRIO NO BRASIL: FOLHA DE S. PAULO ............. 75 4.2. PRÉ-ANÁLISE ................................................................................................ 77 4.3. EXPLORAÇÃO QUANTITATIVA DO MATERIAL E TRATAMENTO DOS RESULTADOS. ......................................................................................................................... 78 4.4. INFERÊNCIAS E INTERPRETAÇÕES ......................................................... 91 CONCLUSÕES ................................................................................................................ 93 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 98 ANEXO ........................................................................................................................... 111 1 1. INTRODUÇÃO Depois de uma das mais con u badas campanhas elei o ais da his ó ia democ á ica do B asil, em 2019 o país assis iu à ascensão de Jai Bolsona o, um depu ado ede al de ex ema-di ei a, à p esidência da epública. Sua agenda conse ado a p opunha mudanças em di e sos se o es como educação, polí ica econômica, meio ambien e, di ei os humanos e, en e elas, uma adical eno ação na polí ica ex e na b asilei a. Pa a conduzi sua agenda conse ado a no Minis é io das Relações Ex e io es, ou I ama a y, Bolsona o indicou o diploma a E nes o A aújo como chancele . A aújo icou conhecido nos cí culos conse ado es da diplomacia após publica a igos em apoio à polí ica de Donald T ump nos Es ados Unidos e con a uma supos a ideologia globalis a. A aújo assumiu o I ama a y com um discu so de posse no qual deixou e iden e seu en usiasmo com o “no o B asil” que eme gia com a ascensão de Bolsona o ao pode . Pa a o chancele , o no o B asil de e ia abandona a ideia de que sua adição uni e salis a o limi a a se uma nação poli icamen e co e a e submissa ao sis ema in e nacional. E a p eciso da ao I ama a y e ao B asil um p opósi o cla o e posicionamen os mais con unden es no âmbi o in e nacional, a pa i da ejeição do globalismo e do mul ila e alismo em p ol de um alinhamen o ideológico com os Es ados Unidos e ou as nações do no e global en ão lide adas pelo mesmo espec o polí ico, como Polônia, Hung ia, Is ael e I ália. A guinada conse ado a na condução da polí ica ex e na, no en an o, começou a se p oje ada ainda du an e o go e no do an ecesso Michel Teme (2016-2018), quando o en ão minis o das elações ex e io es José Se a lançou as bases do que chamou de no a polí ica ex e na b asilei a, que busca a eo dena as elações b asilei as a a és da p io ização de elações com países do cen o do capi alismo global. A ideia e a c ia um pon o de di e gência com a polí ica ex e na que inha sendo conduzida pelos go e nos do PT (Pa ido dos T abalhado es) nos úl imos eze anos, ca ac e izada pelo mul ila e alismo, lide ança egional e p ojeção in e nacional. Com a chegada de Bolsona o ao pode , essas mudanças o am ap o undadas e adicalizadas. O I ama a y ompeu com alguns p ocedimen os diplomá icos que ca ac e iza am a polí ica ex e na b asilei a das úl imas décadas e passou a p omo e a imagem de um país eno ado, desassociado de algumas 2 bandei as his ó icas, como di ei os humanos e mul ila e alismo, ao mesmo empo em que passou a da ên ase ao me cado abe o em pa ce ia com o no e global em de imen o da es a égia de lide ança egional. Algumas das es a égias pa a a polí ica ex e na de Bolsona o se o na am e iden es já nos p imei os meses de go e no, quando o am anunciadas medidas de ees u u ação do I ama a y e do cu ículo de o mação de diploma as. A escolha dos Es ados Unidos como p imei o des ino in e nacional pa a uma isi a de es ado, assim como as elações p óximas com Is ael e Polônia indica am quais se iam os no os pa cei os da polí ica ex e na b asilei a que eme gia com o no o manda o. Ou os sinais de mudança ie am da e ó ica que o país ado ou em elação à polí ica in e na de ou as nações, como quando das eleições na A gen ina e a c ise na Venezuela, que ep esen a am uma queb a do adicional p incípio diplomá ico de não in e ência. Essas mudanças na polí ica ex e na causa am g ande epe cussão pública, an o no B asil como na comunidade in e nacional. Nesse con ex o, o jo nalismo e os meios de comunicação social ep esen am impo an es eículos pa a a ci culação de in o mação, in luência polí ica e deba e público, além de ep esen a em impo an es es e as de p odução de con eúdo simbólico sob e uma cole i idade. Na en a i a de comp eende esse papel e, mais especi icamen e, a a uação da imp ensa sob e assun os elacionados à no a polí ica ex e na b asilei a, es a disse ação se p opõe a aze uma análise da cobe u a do jo nal Folha de S. Paulo, enquan o amos a ep esen a i a da imp ensa b asilei a, du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o. O obje i o p incipal des a disse ação é analisa de que o ma o jo nal Folha de S. Paulo cob iu os emas elacionados à polí ica ex e na b asilei a du an e o ano de 2019. Nossos obje i os especí icos são, pa a an o, busca e e ências eó icas na á ea de análise de polí ica ex e na, a ando da de inição de polí ica ex e na, seus p ocessos de mudança e elação com os meios de comunicação social; ca ac e iza a no a polí ica ex e na b asilei a e as conjun u as in e na e ex e na que p opo ciona am mudanças nessa polí ica pública; desc e e o me cado de comunicação b asilei o e a ele ância da Folha de S. Paulo nesse con ex o; seleciona um co pus de pesquisa no qual podemos iden i ica e analisa a p esença de emas elacionados à polí ica ex e na nas edições, a emá ica elacionada à polí ica ex e na b asilei a, os gêne os jo nalís icos mais u ilizados, os pe sonagens da 9 Po suas dinâmicas complexas, somen e uma abo dagem ampla e que le e em conside ação os di e sos ní eis de in luência da polí ica ex e na é capaz de elucida os p ocessos de decisão, elabo ação, implemen ação e mudanças no âmbi o desse ipo de polí ica pública. Assim, segundo F ei e e Vinha (2011), as eo ias adicionais das Relações In e nacionais não explicam de o ma con enien e esses enômenos da polí ica ex e na, pois enunciam à análise dos p ocessos de decisão e, po isso, não são capazes de abo da a ampli ude de a iá eis ci cundan es na agenda de polí ica ex e na. De al modo, somen e o desen ol imen o de uma eo ia analí ica abe a se ia capaz de da espos as su icien emen e elabo adas pa a os p ocessos de decisão em polí ica ex e na. A pa i desse mesmo aciocínio, Milani e Pinhei o (2012) p opõem uma “ e i alização do campo de Análise de Polí ica Ex e na no âmbi o das Relações In e nacionais”, concebendo a polí ica ex e na como “ esul ado de inicia i as omadas po di e en es a o es [...] em in e ação com o ambien e in e nacional” (s.p.) e que, pa a se es udada, necessi a acolhe as con ibuições desses no os elemen os de in luência. A APE, cons i ui-se, po an o, como o modelo analí ico mais ap op iado pa a comp eende a in e ação dessas a iá eis e dos obje i os em polí ica ex e na com os a anjos do sis ema in e nacional. 2.2. ANÁLISE DE POLÍTICA EXTERNA A análise de polí ica ex e na e e o igem após a Segunda Gue a Mundial. De aco do com Hudson e Vo e (1995), ês abalhos são conside ados os undado es dessa abo dagem, endo, cada um deles, desen ol ido um aspec o da APE: Fo eign Policy Decision-Making de Richa d Snyde , Hen y B uck e Bu on Sapin (1954); Man-Milieu Rela ionship Hypo hesis in he Con ex o In e na ional Poli ics de Ha old e Ma ga e Sp ou (1956) e P e- heo ies and Theo ies o Fo eign Policy de James Rosenau (1966). O es udo de Snyde , B uck e Sapin (1954) iden i icou o indi íduo do ado de pode como o p incipal de e minan e da polí ica ex e na de um es ado e po isso o es udo dos au o es cen ou-se na análise da isão de mundo desses deciso es, ca alisando os es udos dedicados ao p ocesso de decisão em polí ica ex e na. Já a ob a de Ha old e Ma ga e Sp ou (1956) cen a-se na elação en e o psycho-milieu e o ope a ional milieu, ou seja, o meio de pe cepção dos deciso es e o meio ope acional eal das ações. Com isso, os au o es delimi am as di e enças en e a o ma como os deciso es imaginam a ealidade e o meio 10 eal em que as coisas acon ecem. A a és des a pe spec i a, ganha am ele o os es udos que conside a am o con ex o em polí ica ex e na e a dimensão cogni i a de seus deciso es. Po im, o a igo de Rosenau (1966) de ende que a análise de polí ica ex e na de e ale - se dos es udos de ou as á eas das ciências sociais, aplicando análises em di e en es ní eis e a iá eis, buscando, assim, con empla a mul iplicidade de a o es que in luenciam o p ocesso de elabo ação de polí ica ex e na (HUDSON; VORE, 1995). Com o im da Gue a F ia e o ad en o da globalização ampli icou-se a complexidade da polí ica in e nacional e, po conseguin e, as in es igações que buscam comp eende essas no as dinâmicas. Pa a Hudson (2012), a análise de polí ica ex e na con empo ânea man ém-se como modelo eó ico comp ome ido com suas bases undan es e, ao mesmo empo, a ualizado pa a aze en e a in es igações cada ez mais desa ian es nesse campo de es udos. [...] a APE e oluiu na so is icação das pe gun as ei as e nos meios de esponde a essas pe gun as. De a o, a capacidade da APE de aze no as pe gun as é al ez mais p omisso a em elação a seu po encial eó ico u u o do que qualque ou o indicado (HUDSON, 2012, p. 30). A o mulação e decisão em polí ica ex e na podem segui di e en es modelos ocados em ní eis de análise dis in os, odos eles gua dam especi icidades, an agens e incon enien es. Segundo F ei e e Vinha (2011), o p ocesso de decisão em polí ica ex e na é sujei o a mui as complexidades e não somen e os ipos de p ocessos de omada de decisão di e em em sua o ma, ambém o ambien e de decisão c ia no os desa ios, como o con ex o polí ico in e nacional, a o es in e nos e psicológicos. E é jus amen e essa complexidade de a iá eis condicionan es da polí ica ex e na que a APE busca econhece . Os au o es elencam como ní eis de análise em polí ica ex e na o adicional modelo do a o acional, modelo das o ganizações bu oc á icas, dos pequenos g upos e dos líde es. A adicional abo dagem do a o acional conside a que a polí ica ex e na é o mulada de o ma uni á ia pelos Es ados, sendo que a polí ica in e na é conside ada de o ma isolada da ex e na. Essa abo dagem a alia que a polí ica ex e na é o mulada de o ma homogênea e uni á ia pelos elemen os de pode do es ado e com base nos in e esses nacionais, p incipalmen e a segu ança. Nesse ní el de análise, a iá eis como a psicologia dos líde es, ipos de go e no e con ex os sociais e econômicos não são ele an es. Segundo 11 o modelo de decisão acional, o Es ado segue passos linea es no p ocesso de decisão da polí ica ex e na, que passa pela de inição do p oblema, seleção dos obje i os, iden i icação das al e na i as e uma seleção acional da melho opção. Desse modo, o Es ado agi ia com obje i os cla amen e de inidos ao assumi posições e p e e ências que maximizam a u ilidade das escolhas, ponde ando p ós e con as. No en an o, esse modelo é conside ado mui o mais um pad ão idealizado do p ocesso de omada de decisão do que p op iamen e um exemplo de como as coisas acon ecem na ealidade. Exis em di e sas a iá eis que exe cem in luência na elabo ação de uma decisão e con a iam as expec a i as de um modelo es i amen e acional: endências psicológicas dos deciso es, c enças pessoais, o ipo de in o mação, a in luência de g upos de in e esse, con ex os sociais e econômicos ou mesmo as capacidades eais disponí eis, que nem semp e são ideais (FREIRE; VINHA, 2011). Ainda segundo F ei e e Vinha (2011), o modelo das o ganizações bu oc á icas pos ula que embo a sejam os di igen es a decidi o que aze em polí ica ex e na, suas decisões são o emen e dependen es das in o mações e consul o ia p opo cionadas po o ganizações bu oc á icas especializadas. Che es de depa amen o, agências go e namen ais, o ças de segu ança, diploma as e mesmo especialis as em assun os-cha e possuem, mui as ezes, in o mações p i ilegiadas e podem auxilia os deciso es na escolha das melho es ações. Desse modo, as bu oc acias são capazes de in luencia não apenas as decisões dos a o es polí icos e o cu so dos acon ecimen os, como ambém a opinião pública sob e assun os de polí ica ex e na. As bu oc acias isam melho a a e iciência e a acionalidade ao con e i em a esponsabilidade de di e en es a e as a di e en es pessoas, de inindo eg as e p ocedimen os ope acionais que especi icam o modo como as a e as de em se execu adas, e a di isão de au o idade en e di e en es o ganizações pa a e i a a duplicação de es o ços. Ainda pe mi em o planeamen o a ançado com o objec i o de de e mina necessidades a longo p azo e os meios de as alcança . Des e modo, a p esença des as o ganizações pode á esul a numa mul iplicidade de opções, melho ando as hipó eses de um maio núme o de al e na i as se conside ado, bem como de adopção de p ocedimen os de espos a es anda dizados (FREIRE; VINHA, 2011, p.26). 12 Além da in luência que exe ce nos deciso es, a bu oc acia ambém pode se i como limi ado a da in e e ência de líde es polí icos ou ou as agências na elabo ação da polí ica ex e na. Adicionalmen e, podem c ia sis emas de pe ilamen o ins i ucional pa a ga an i p ocedimen os ope acionais pad onizados e legi imidade ins i ucional (FREIRE; VINHA, 2011). Os pequenos g upos ambém são capazes de exe ce in luência nos deciso es e, po conseguin e, nos umos da polí ica ex e na. Os g upos podem se o mados po in eg an es com di e en es unções, alo es ou in e esses, mas, segundo Hols i (2006) ge am dinâmicas mui o pa icula es que podem e e ei os di e os na elabo ação da polí ica ex e na. Essas ag emiações podem en iquece o deba e e con ibui azendo mais possibilidades e al e na i as no p ocesso de decisão, ademais, podem se i de apoio pa a os deciso es. Po ou o lado, podem ambém limi a o escopo de análise das possibilidades a a és do ealce de suas pe spec i as e in e esses e a imposição de sua e ó ica sob e as demais al e na i as. A busca pelo consenso de g upo é conhecida como g oup hinking, p ocesso que pe segue uma supos a a aliação acional cole i a, igno ando ou mesmo censu ando ideias con adi ó ias. Po im, o papel dos líde es ambém pode se analisado po meio do ipo de lide ança que exe cem e o modo como conduzem assun os de polí ica ex e na. Es e modelo busca alia a análise do compo amen o dos Es ados na polí ica in e nacional e as ações de seus p incipais deciso es. O papel dos líde es pode se is o como de e minan e pa a o sucesso ou acasso de uma polí ica ex e na. No en an o, exis em di e gências en e as ações de um líde e aquilo que é espe ado dele. Essas di e gências podem se explicadas, em pa e, pelas acionalidades p ocedimen al e ins umen al as quais es ão sujei os os líde es. A acionalidade p ocedimen al sus en a uma isão ia e calculis a sob e a polí ica in e nacional, o ien ando decisões asse i as e acionais en e as opções disponí eis. Já a acionalidade ins umen al o ien a pa a uma isão mais limi ada da acionalidade, admi indo p e e ências po al e na i as mais in ui i as que acionais. Essas di e gências apon am, po an o, pa a a exis ência de uma limi ação acional dos líde es, que mui as ezes omam decisões em polí ica ex e na de o ma acional, do pon o de is a ins umen alis a, enquan o o p ocesso de decisão e o p odu o dessas escolhas su gem de o ma i acional (FREIRE; VINHA, 2011). 13 Apesa da au oimagem e popula idade de um líde legi ima em um luga de pode de impo ância cha e pa a a polí ica ex e na, é p eciso conside a que a maio ia dos líde es agem in luenciados po uma a iedade de cons angimen os polí icos, psicológicos e ci cuns anciais que podem limi a ou comp ome e seu escopo de a uação em de e minadas ci cuns âncias. Jus amen e pela limi ação de a uação dos líde es que suas c enças ou escolhas pessoais nem semp e impac am di e amen e a polí ica ex e na. O oco de análise, po an o, não é em que ní el as ca ac e ís icas pessoais de um líde in luenciam a omada de decisão, mas sob quais condições esses elemen os são de e minan es. É possí el iden i ica , po exemplo, que o pode de in luência das ca ac e ís icas pessoais de um líde aumen a con o me sua au o idade e legi imidade pública. A p e e ência de uma população po um líde o e, au oc a a, e le e-se em uma maio in luência dos desejos pessoais desse líde na omada de decisões e condução da polí ica ex e na compa a i amen e a democ acias em que o sis ema bu oc á ico limi a esse pode cen alizado em um único líde . Também podemos ci a o con ex o em que o líde es á no pode , o pe íodo do seu manda o e os elemen os ci cuns anciais, como c ises sociais, polí icas e econômicas. C ises nacionais são conside ados momen os p opícios pa a aumen a o pode de in luência do líde na o mulação da polí ica ex e na, mas, do con á io, alguns ou os con ex os podem se mais in luen es que o líde (FREIRE; VINHA, 2011). Como imos, a análise de polí ica ex e na en ol e uma di e sidade de a iá eis e modelos de análise a se em le ados em conside ação. Pa a além disso, podemos iden i ica di e en es ipos de decisão nesse p ocesso. Pa a Min z e DeRouen (2010) essas decisões podem se de qua o ipos: 1) decisões singula es: a os isolados sem um con ex o mais amplo; 2) decisões es a égicas in e a i as: quando há in e ação en e pelo menos dois a o es di e amen e impac ados; 3) decisões sequenciais: en ol em uma sequência de decisões in e - elacionadas; e 4) decisões sequenciais in e a i as: quando a sequência de decisões en ol e pelo menos dois a o es en ol idos. Min z e DeRouen (2010) ambém des acam á ias o mas possí eis de decisão, são elas: a) decisões unila e ais: omadas pela on ade exclusi a de uma pa e; b) decisões negociadas: quando en ol e a decisão aco dada po pelo menos dois a o es; c) decisões o çadas: omadas sob a coação de a o es ex e nos; d) decisões es u u adas: ípicas das ins i uições bu oc á icas, esul an es de uma elabo ação acional e p o ocola ; e) decisões semies u u adas: en ol em algum g au de 14 isco po elemen os não p e is os; ) decisões não-es u u adas: quando a o es es u u ais e de obje i o não são desen ol idos. De aco do com F ei e e Vinha (2011), pa a o es udo da polí ica ex e na é undamen al conside a elemen os como g upos de in e esse, comunidades epis êmicas e opinião pública. Como imos nos modelos eó icos, essas a iá eis podem e um peso de e minan e na elabo ação da polí ica ex e na. Os g upos de in e esse podem se o mados pa a ep esen a o ganizações e pau as especí icas, como emp esas e abalhado es na á ea econômica, g upos de p o eção ambien al e ques ões climá icas e mesmo o mação de lobby pa a de ende in e esses de ou os Es ados ou o ganizações sob e um de e minado ema. Haas (1992) essal a que as comunidades epis êmicas, po sua ez, são g upos compos os po p o issionais com conhecimen o econhecido em uma á ea especí ica e de in e esse polí ico. Podem se o madas po cien is as, acadêmicos e indi íduos que compa ilham da mesma a i idade social e de especialização. Essas comunidades podem in luencia a decisão polí ica ao o nece in o mações, consul o ia e ecomendações aos deciso es sob e emas especí icos da polí ica in e nacional. A opinião pública ambém exe ce p essão sob e a polí ica ex e na. A depende do sen imen o popula , líde es podem oma decisões baseados na popula idade de alguma al e na i a. No en an o, é impo an e obse a que a opinião pública é lu uan e e pode a ia do apoio à ejeição em alguns emas. Vale essal a ambém que a cul u a nacional e suas ca ac e ís icas e alo es p óp ios podem in luencia sob e as expec a i as e p edisposições de uma população sob e de e minados assun os e, com isso, a e a os p ocessos de escolha e decisão. Não podemos exclui do p ocesso de análise de polí ica ex e na os a o es psicológicos, os quais podem se de e minan es em como os líde es enca am a polí ica ex e na e seus desa ios. Consoan e Je el Rosa i (2000) os a o es psicológicos podem se classi icados de di e en es o mas endo em conside ação o po encial impac o que êm na polí ica ex e na, nomeadamen e po meio do con eúdo, o ganização e es u u a das c enças dos deciso es; pad ões de pe cepção da ealidade; além da igidez ou lexibilidade cogni i a. A a és de cada um desses mé odos é possí el aça ca ac e ís icas especí icas de como os deciso es elabo am e eagem a de e minados desa ios. Com uma melho comp eensão do espec o psicológico ci cundan e en e os líde es, pode-se elabo a elações causais en e suas c enças, mapas cogni i os, isões de mundo e igidez e o 15 p ocesso de elabo ação da polí ica ex e na. Pa a além disso, Rosa i (2000) conside a impo an es ês ou os a o es implíci os na es u u a cogni i a de um deciso , são eles: 1) o ní el de conhecimen o e expe iência que em sob e o assun o que es á a a a ; 2) a unção ocupada pelo líde com papel de decisão; e 3) as expec a i as do deciso dian e de um assun o ou um momen o. Do mesmo modo, Rosa i (2000) iden i ica compo amen os comuns en e os líde es no p ocesso de decisão, como uma endência pa a ca ego iza e es e eo ipa a iá eis e suas pa icula idades, c iando pad ões dualis as como “nós-eles”, “bom-mau”, além de uma endência pa a simpli ica assun os complexos, impondo uma o dem de comp eensão que aça sen ido a sua lógica cogni i a pessoal. Como imos, a análise de polí ica ex e na é possí el a a és de di e en es modelos e ní eis de análise e pode eco e à con ibuição de di e en es ciências e eo ias pa a a iden i icação e comp eensão das múl iplas a iá eis que podem in luencia a polí ica ex e na. O es udo anco ado na APE, po an o, de e es a conscien e an o de sua ampli ude como limi ações, de aco do com o obje i o da pesquisa. Cump e ei e a , nes e pon o, que o obje i o des a disse ação não é aze uma análise sui gene is da no a polí ica ex e na b asilei a conside ando as di e sas possibilidades o e ecidas pela APE, mas muni -se desses es udos e modelos pa a elabo a um es udo su icien emen e con ex ualizado sob e a epe cussão da no a polí ica ex e na b asilei a nos meios de comunicação social e que, consequen emen e, seja ambém capaz de iden i ica os p incipais a o es e p ocessos de decisão dessa polí ica ex e na. 2.3. AS MUDANÇAS NA POLÍTICA EXTERNA Assim como as demais polí icas públicas, a polí ica ex e na ambém es á sujei a a mudanças. Como obse a He mann (1990), no en an o, mudanças que ma cam a e e são ou pelo menos o edi ecionamen o da polí ica ex e na de um Es ado possuem um in e esse especial po que demandam no os posicionamen os dos go e nos e suas ações in e nas, assim como êm impac o no ambien e in e nacional e na polí ica de ou os a o es de sobe ania. Na isão do au o , g andes mudanças na polí ica ex e na dependem de mudanças p opo cionalmen e d ás icas de egime ou go e nabilidade, po ou o lado, econhece que go e nos já es abelecidos ambém podem da no os umos à polí ica ex e na aplicando medidas que al e am signi ica i amen e o posicionamen o de um Es ado. He mann (1990) 16 iden i ica qua o possí eis ní eis de mudança em polí ica ex e na: 1º) mudanças de ajus e: nes e ní el as mudanças oco em no es o ço (pa a mais ou pa a menos) ou no âmbi o dos des ina á ios, sem al e a os p opósi os e obje i os ex e nos; 2º) mudanças de p og ama: quando al e ações são ei as nos meios e mé odos pelos quais o p oblema ou obje i o é abo dado, sem al e a , no en an o, os p opósi os basila es da polí ica ex e na; 3º) mudança de p oblema ou obje i o: nes e caso o p oblema ou obje i o pe seguido pela polí ica ex e na é subs i uído ou anulado, assim, o p opósi o cen al da polí ica ex e na se al e na; 4º) mudanças na o ien ação in e nacional: a o ma mais ex ema de mudança de polí ica ex e na en ol e o edi ecionamen o de oda a o ien ação ex e na de um Es ado ou en idade sobe ana. Nes e caso, não apenas algumas posições ou polí icas isoladas se al e am, mas mui as são modi icadas simul aneamen e. No malmen e, esse ipo de eo ien ação mais d ás ica en ol e ambém o alinhamen o ou desalinhamen o com ou os a o es in e nacionais. Na mesma linha de análise p opos a pela APE, quando es udamos mudanças na polí ica ex e na p escindimos da con ibuição de di e en es á eas do conhecimen o e uma análise ans e sal dos múl iplos a o es que con ibuem pa a a mudança ou edi ecionamen o da polí ica ex e na. He mann (1990) de ine qua o á eas pa a possí el explo ação de es udos: 1) sis ema polí ico domés ico: pa a p omo e mudanças na polí ica ex e na, o go e no es abelecido p ecisa con a com o apoio e alinhamen o de ce os g upos in e nos que legi imam e sus en am o egime, como o iciais mili a es, g upos emp esa iais, la i undiá ios, g upos eligiosos, é nicos ou polí icos. Algumas dinâmicas in e nas ambém podem p opo ciona mudanças na polí ica ex e na, como a ees u u ação ou ans o mação do sis ema econômico e suas p io idades, ealinhamen o das c enças e p io idades de se o es in e nos ou mesmo como o ma de di e encia um go e no de ou o; 2) bu oc acia: a polí ica ex e na con empo ânea, independen e do egime de go e no, é no malmen e conduzida po o ganizações es a ais – ge almen e o Minis é io de Relações Ex e io es – com especialização p o issional e expe ise em polí ica ex e na. Essas o ganizações, a depende de sua es u u a hie á quica e de o mação, cons i uem-se como es abilizado es adminis a i os pa a ques ões in e nacionais, se indo como base es u u al e de supe ação de con li os in e nos. Ainda que esses ó gãos possam es a sujei os às polí icas domés icas, qualque mudança no posicionamen o ex e no de e á passa pelo esc u ínio e esis ência 17 es u u al da bu oc acia es abelecida; 3) cibe né ica: a abo dagem in e disciplina e ans e sal da cibe né ica con ibui pa a amplia a gama de in o mações e suas in e secções em busca de um obje i o em polí ica ex e na. Líde es e deciso es ambém podem u iliza esse modelo como o ma de iden i ica e co igi ações e busca quali ica as elações in e nacionais. O ambien e in e nacional em que ope a boa pa e da polí ica ex e na é ins á el e imp e isí el, po isso os legislado es desse âmbi o de em explo a mudanças com oco em o ganiza suas p e e ências, econhece desa ios e de ini obje i os de o ma ampla e in e seccional; 4) abo dagem de ap endizado: assim como ap endemos no as habilidades, as expe iências de modelos p e iamen e aplicados podem se i pa a a aquisição de conhecimen os em di e en es domínios da polí ica ex e na, suge indo que essas expe iências sejam ins u i as pa a os no os desa ios que se ap esen am. Pa a He mann (1990), as al e ações na polí ica ex e na podem se desencadeadas po di e en es a o es e con ex os, po isso elenca qua o a o es p incipais: 1) mudanças conduzidas po um líde : as mais impo an es mudanças em polí ica ex e na oco em ge almen e concomi an emen e ao su gimen o de no os líde es com e ó icas au o i á ias, que po sua ez demons am e mais apoio pa a ealiza mudanças nesse âmbi o, impondo suas p óp ias isões de mundo, semp e ampa adas pelos se o es que sus en am o egime; 2) mudanças es imuladas pela bu oc acia: nesse caso a adminis ação es a al especializada em assun os ex e nos p omo e e o ien a as mudanças e edi ecionamen os; 3) ees u u ação domés ica: acon ece quando um se o impo an e da sociedade e de cujo apoio o go e no depende pa a go e na suge e al e ações na polí ica ex e na; 4) choques ex e nos: podem desencadea mudanças na polí ica ex e na pa a aze en e a no as c ises, e en os, agédias ou mesmo pa a adap á-la ao no o con ex o que su ge de mudanças d ás icas no ex e io . He mann (1990) econhece, no en an o, que esses a o es podem in e agi um com o ou o e p opo ciona mudanças de polí ica ex e na com mais de uma a iá el como a o desencadean e. Desse modo, pode íamos elaciona os agen es e o g au de mudança na polí ica ex e na como seguindo o luxo abaixo. 18 FIGURA 1 – Fluxo de mudança em polí ica ex e na Fon e: HERMANN, 1990, p. 13 Em esumo, pa a que a p opos a de um agen e desencadeado enha in luência na polí ica ex e na, es a p ecisa passa pelo p ocesso de decisão p óp io dos go e nos e suas bu oc acias. É no âmbi o desse p ocesso que uma pau a ap esen ada po agen es de mudança pode e con inuidade ou não, esul ando em algum dos ní eis de mudança mencionados. He mann (1990) conclui seu a igo a i mando que i emos um pe íodo em que o cená io in e nacional, as mudanças em polí ica in e na, seus a o es e a iá eis são mui o complexos e es ão em cons an e e olução. Os es udos sob e mudanças em polí ica ex e na, apesa de iden i ica em pad ões e egula idades em de e minadas ci cuns âncias, não são exaus i os pa a comp eende a complexidade das a iá eis que p omo em al e ações em polí ica ex e na. Segundo o au o , ainda são necessá ios es udos igo osos capazes de ca ac e iza as condições pa a mudanças e edi ecionamen os d amá icos em polí ica ex e na. No âmbi o da Polí ica Ex e na B asilei a (PEB), o es udo de He mann (1990) oi u ilizado pa a iden i ica mudanças na polí ica ex e na en e os go e nos de Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a (VIGEVANI; CEPULANI, 2007), Lula da Sil a e Dilma Rousse (CORNETET, 2014) e en e Dilma Rousse e Michel Teme (SILVA, 2019). Cason e Powe (2009) cons a am que as mudanças na PEB p escindem de uma comp eensão das mudanças nas es u u as de pode elacionadas à polí ica ex e na. A pa i de meados dos anos 1990 dois a o es passa am a ganha mais in luência na elabo ação dessa polí ica: a plu alização de a o es e o ad en o da diplomacia p esidencial. Segundo Cason e Powe (2009), du an e oda a his ó ia da diplomacia b asilei a o I ama a y man e e 25 Hen ique Ca doso e Lula da Sil a, desencadeou um in e esse maio da opinião pública e dos meios de comunicação social sob e a a uação in e nacional dos p esiden es. Enquan o a polí ica ex e na es i e in imamen e associada com o p esiden e, seus a os no ex e io na u almen e ecebem mais a enção da mídia, e a diplomacia é o çada a esponde mais a opinião pública, o que ambém con ibui pa a a poli ização de assun os in e nacionais (CASARÕES, 2012, p. 2016). Em seu a igo sob e a cobe u a dos meios de comunicação social sob e a polí ica ex e na de Lula da Sil a, Casa ões (2012) cons a a que alguns dos eículos de mídia mais impo an es do B asil desempenha am um papel a i o con a a polí ica ex e na do en ão p esiden e a a és de seus edi o iais. Apesa disso, o au o obse a que mesmo com a mídia azendo pa e dos a o es eme gen es com po encial de in lui na polí ica ex e na, sua a uação, assim como a da comunidade acadêmica, ge almen e não em pode de de ini uma agenda sob e a PEB, “seja de ido à al a de in luência polí ica, ou simplesmen e po que sua pa icipação é limi ada” (2012, p. 215). Aze edo (2006) eco da, en e an o, o papel es a égico dos meios de comunicação de massa no agendamen o da opinião pública no B asil. Segundo o au o , as sociedades democ á icas são o madas po di e en es g upos sociais, cul u ais e de in e esse que acabam po o ma nichos segmen ados. Nesse con ex o, como é o caso b asilei o, assun os de o dem ge al e polí ica só ganha iam ele o e a enção da opinião pública quando abo dados pelos meios de comunicação de massa, que se consolidam como espaços dispu ados pelas di e sas agendas em ci culação na sociedade, que podem se inclusi e os in e esses das p óp ias emp esas de en o as dos meios de comunicação social. Desse modo, nas sociedades democ á icas, a isibilidade ou in isibilidade de de e minados emas ou a o es depende em g ande medida da plu alidade e libe dade de seus meios de comunicação de massa. A es a al u a, ale essal a que o me cado de comunicação de massa b asilei o é cons i uído po monopólios amilia es que his o icamen e in luencia am a polí ica in e na. Segundo Lima (2001 apud AZEVEDO, 2006), as Cons i uições b asilei as desde 1946 p oibiam o con ole dos meios de comunicação social po pessoas ju ídicas, sociedades anônimas ou g upos es angei os. O obje i o dessa legislação e a ob e uma iden i icação plena dos de en o es dos meios jo nalís icos e de adiodi usão no país. No en an o, esse 26 sis ema acabou po pe mi i a o mação de oligopólios amilia es que dominam a é hoje os p incipais expoen es da mídia nacional. Aze edo (2018a) iden i ica qua o g upos amilia es no con ole das p incipais edes de ele isão, ádio e meios imp essos no B asil em âmbi o nacional: amília Ma inho (G upo Globo), Mesqui a (G upo Es adão), F ias (G upo Folha) e Ci i a (G upo Ab il). O jo nal que analisa emos mais adian e nes a disse ação az pa e desse sis ema: Folha de S. Paulo pe ence à amília F ias. Apesa de a mídia e ado ado uma abo dagem ela i amen e ecen e sob e a PEB, ainda mui o ligada à ascensão da diplomacia p esidencial, exis em mui os exemplos de in luência da mídia na polí ica in e na b asilei a, especialmen e no pe íodo da edemoc a ização. Fe es Júnio e Gaglia di (2019) analisam que desde as eleições de 1989 a imp ensa b asilei a em ado ado posicionamen os cla amen e pa ciais pa a apoio ou ejeição de de e minados candida os nas eleições p esidenciais. Um dos exemplos mais emblemá icos dessa pa cialidade icou e iden e na edição do úl imo deba e das eleições de 1989 en e os candida os Lula da Sil a e Fe nando Collo ap esen ada no Jo nal Nacional, da TV Globo, o elejo nal de maio audiência no B asil. Na edição esumida do deba e que ha ia du ado mais de ês ho as, a emisso a essal ou os melho es momen os do candida o de cen o-di ei a (Collo ) e os pio es momen os do candida o de esque da (Lula da Sil a), dando assim a imp essão de que Lula da Sil a ha ia sido de o ado pelo seu conco en e. Na sequência na a i a, a edição ap esen ou uma pesquisa de opinião cujos esul ados e am a o á eis a Collo . Com isso, nas pala as dos au o es, “a g ande imp ensa b asilei a dá início à sé ie elei o al da No a República sob o signo da manipulação com ins polí icos” (2019, p. 29). Fe es Júnio e Gaglia di (2019) suge em, a a és da análise da his ó ia ecen e dos meios de comunicação social e seus posicionamen os na polí ica in e na b asilei a, que o an ipe ismo 1 oi um posicionamen o cons an e da g ande mídia, o qual con ibuiu pa a p oduzi , en e ou as coisas, a deposição de Dilma Rousse , em 2016, a ascensão da No a Di ei a e a eleição de Jai Bolsona o em 2018. 1 Te mo u ilizado pa a designa o mo imen o polí ico e mediá ico de a e são ao Pa ido dos T abalhado es – PT, de Lula da Sil a. 27 O an ipe ismo alimen ado pela g ande imp ensa ao longo dos anos ene gizou o Junho de 2013 2 , pa iu a No a Di ei a nas edes sociais, oi o es eio do mo imen o pelo impeachmen e se iu de e men o pa a a consolidação do pe sonagem Jai Bolsona o, que i ia a capi anea esse sen imen o ao pon o de ence o plei o de 2018 (pun in ended!). Ele pe maneceu in enso na mídia, mesmo depois de o PT e sido a ancado do go e no ede al, em 2016. Ele apa eceu o íssimo na campanha elei o al de 2018, nos mui os edi o iais dos jo nalões que acusa am Haddad e o PT de se em uma ameaça à democ acia à al u a do bolsona ismo. Ele con inua o íssimo na cobe u a da La a Ja o e de udo que diz espei o a Lula, mesmo quando abundam e idências de que o p ocesso que condenou o ex- p esiden e enha sido ei ado de ilegalidades (FERES JÚNIOR; GAGLIARDI, 2019, p. 40). Apesa da cen alidade da ele isão nos meios de comunicação de massa (especialmen e se conside a mos sua in luência no quo idiano e nos cos umes dos b asilei os) e da ascensão das no as mídias digi ais e suas edes de in o mação (Facebook, Ins ag am, Wha sApp, Twi e , YouTube, TikTok...), Aze edo (2017) essal a que ainda são os jo nais imp essos e as publicações semanais que cons i uem as p incipais on es de in o mação e de agendamen o polí ico dos meios de comunicação de massa e das pla a o mas digi ais. Segundo o au o , é nos meios imp essos que êm o igem as p incipais no ícias e comen á ios que são eplicados nas no as mídias digi ais e no sis ema de ádio e ele isão de massas. Em seu es udo, Aze edo (2017) demons a que a maio ia dos a igos e no ícias que ci culam nas edes sociais êm como o igem meios imp essos. Com isso, conclui-se que embo a não cons i uam a única on e de in o mação, os jo nais imp essos ainda desempenham um papel c ucial na p odução de no ícias e no agendamen o de no os emas pa a o deba e público, e oalimen ando o luxo de in o mação, apesa da ascensão das mídias digi ais. Essa conclusão e o ça a impo ância da nossa decisão de, nes a disse ação, analisa o jo nal imp esso de maio ci culação no B asil: Folha de S. Paulo. 2 Sé ie de p o es os oco idos nas p incipais cidades do B asil com pau as di usas, mas que ag ega am um sen imen o comum de descon en amen o com o sis ema polí ico. 28 3. A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA Em 2019, o B asil empossou no ca go de p esiden e da epública Jai Bolsona o, um polí ico de ex ema-di ei a que p ome ia ees u u a a polí ica ex e na b asilei a, azendo alianças com no os países e modi icando a e ó ica, ações e es a égias do I ama a y. Com o obje i o de con ex ualiza e ca ac e iza a PEB inaugu ada nesse pe íodo, u ilizamos dois ní eis de análise: 1) sis ema in e nacional em con ex o; e 2) conjun u a in e na. No p imei o subcapí ulo buscamos explica o cená io in e nacional em con ex o, abo dando a c ise da o dem global es abelecida, a descen alização do pode en e nações e a c ise das democ acias libe ais ociden ais. Pa a isso, con apomos os es udos de Ikenbe y (2018) e S uenkel (2018) sob e a c ise da o dem libe al. Também abo damos como a globalização impac ou as democ acias ociden ais, eco endo a Cas ells (2018), e analisamos qual o papel que o B asil assume nessa conjun u a, a a és de S uenkel e Taylo (2015). O segundo subcapí ulo busca ap esen a um con ex o da polí ica in e na b asilei a, desde o go e no de Dilma Rousse (2011-2016), a c ise de ep esen ação polí ica mani es ada nos p o es os de junho de 2013 e a des i uição de seu go e no, em 2016, a é o p imei o ano de Jai Bolsona o como p esiden e da epública. Pa a isso, u iliza como base de e e ência os a igos jo nalís icos publicados du an e o pe íodo de análise, bem como os a igos publicados em e is as cien í icas que analisam a polí ica in e na b asilei a no mesmo pe íodo, como os de A i ze (2017), Bas os (2017), Gon ijo e Ramos (2019), Hun e e Powe (2019), Dias e Fe nandes (2020) e Chagas-Bas os (2019). No e cei o subcapí ulo, buscamos ca ac e iza a no a polí ica ex e na b asilei a que eme giu a pa i de 2019 à luz dos con ex os es u u ais (ex e no e in e no) analisados p e iamen e. Pa a isso, azemos, p imei o, uma e isão das ações desempenhadas no âmbi o da PEB pelos go e nos que an ecede am Jai Bolsona o, bem como as adições diplomá icas que o am es u u adas ao longo das décadas e o am inco po adas como polí icas de es ado pelo B asil. Pa a isso, u ilizamos como e e ência publicações como as de Spek o (2014), S u a o e Ne es Júnio (2010), Fonseca (2011; 2017), Vige ani e Cepulani (2007) , Sa ai a (2014), Co ne e (2014), Fonseca (2018), Sil a (2019) e Mi anda 29 (2019). Na sequência, analisamos as p incipais inicia i as e es a égias le adas a cabo no âmbi o da polí ica ex e na du an e o p imei o ano de go e no Bolsona o (2019), buscando ca ac e iza o concei o de “no a polí ica ex e na” conduzida nesse pe íodo, pa a isso, eco emos a au o es como F eixo (2019), Dieguez (2019), S uenkel (2019), Sa ai a e Sil a (2019), Medei os, Vilas Boas e And ade (2020), Chagas-Bas os e F anzoni (2019) e Mo ei a (2020). 3.1. O MUNDO PÓS-OCIDENTAL E A CRISE DA DEMOCRACIA LIBERAL: O SISTEMA INTERNACIONAL EM CONTEXTO O ano de 2019, pe íodo de análise des a disse ação, icou ma cado po e en os impo an es que molda am a conjun u a in e nacional e en a am pa a a his ó ia, como a escalada da ensão diplomá ica en e Es ados Unidos e China, p o es os gene alizados na Amé ica La ina e em Hong Kong, um a en ado e o is a na No a Zelândia, o his ó ico incêndio da Ca ed al de No e Dame e o su gimen o de um no o í us na cidade de Wuhan, na China, que i ia mais a de a se ans o ma na pandemia global de COVID-19. Mas pa a além da sequência de e en os ac uais que o mam nossa memó ia cole i a e indi idual elacionada a esse pe íodo his ó ico, es e subcapí ulo busca desenha um pano ama geopolí ico do mundo em con ex o, com oco na descen alização do pode mundial e a ascensão do Sul Global, con empo aneamen e à c ise de ep esen ação das democ acias libe ais e a iden i icação do papel que o B asil assume nesse cená io. Com o im da Segunda Gue a Mundial e a ascensão dos Es ados Unidos e seus aliados, o mundo se di ecionou pa a uma o ganização in e nacional baseada na lide ança do Ociden e e nos p incípios de abe u a econômica, au ode e minação, coope ação e democ acia solidá ia, anco ados em ins i uições mul ila e ais que isa am a con inuidade e expansão da democ acia libe al ociden al. Com o passa dos anos, esse mo imen o passou a se lide ado quase que exclusi amen e pelos Es ados Unidos, que se ans o ma am em uma po ência hegemônica da o dem libe al ociden al, anco ando alianças e pau ando a es abilidade e coope ação econômica mundial po meio dos alo es associados à libe dade econômica e social. Pos e io men e, Eu opa Ociden al e Japão se o na am aliados impo an es desse sis ema e, com o im da Gue a F ia, o libe alismo ociden al passou a se dominan e na comunidade in e nacional, in eg ando países da Amé ica La ina, Les e 30 Asiá ico e Eu opeu à economia global. A ascensão pós-Gue a F ia impulsionou ainda algumas ins i uições mul ila e ais, como a expansão da OTAN (O ganização do T a ado do A lân ico No e), c iação da OMC (O ganização Mundial do Comé cio) e o G20 (G upo dos 20) passou à cen alidade dos deba es globais (IKENBERRY, 2018). Segundo Ikenbe y (2018), os impasses de segu ança desencadeados pela Gue a F ia o am de e minan es pa a legi ima a lide ança dos Es ados Unidos em uma espécie de comunidade de segu ança en e nações do Ociden e, com eg as, ins i uições e um epe ó io de unções polí icas de p o eção mú ua. Nesse cená io, os Es ados Unidos assumi am uma a iedade de unções e esponsabilidades pa a sus en a a o dem es abelecida, como p o e bens públicos e lide a as delibe ações pa a a p omoção da coope ação em segu ança, da economia libe al e do compa ilhamen o de no mas e elações diplomá icas sus en adas en e as democ acias ociden ais. Na ges ão da economia mundial, as ins i uições inancei as in e nacionais passa am a u iliza o Dóla Es adunidense como moeda de e e ência in e nacional e, com isso, a polí ica domés ica dos Es ados Unidos passou a e impo ância pa a oda a o dem libe al es abelecida no pós-gue a. No en an o, o au o obse a que, apesa da lide ança es adunidense, a isão da o dem ociden al es a a mui o mais ocada em um sis ema in e go e namen al do que no sup anacionalismo ins i ucional e, po an o, os go e nos dos Es ados con inua am a ep esen a a p incipal on e de au o idade, ainda que suas ações es i essem alinhadas a no mas e ins i uições egionais e globais. Ao de ende uma isão posi i a sob e o es abelecimen o dessa o dem libe al, Ikenbe y (2018) obse a que os p esiden es dos Es ados Unidos, de Wood ow Wilson a Ba ack Obama, semp e assumi am a c ença de que as democ acias êm uma capacidade única de coope a e, po isso, o es abelecimen o de um “mundo li e” se ia a consequência na u al dessa aliança de nações, pa a além da me a de ensi a con a a ameaça que ep esen a a a União So ié ica du an e a Gue a F ia. Nesse sen ido, a aliança lide ada pelos Es ados Unidos ep esen a ia ambém a união dos alo es de de esa e supo e mú uo de um espaço democ á ico libe al compa ilhado. Li (2016) essal a que a globalização con empo ânea é esul ado desse p ocesso capi aneado pela o dem libe al, en aizada na dou ina neolibe al do Consenso de 31 Washing on. Essa dou ina pos ula um conjun o de eg as e p ecei os econômicos, de polí ica e elações in e nacionais a a és das quais as on ei as nacionais pe de iam g adualmen e sua ele ância, as cul u as nacionais es a iam aba cadas po alo es uni e sais, assim como a democ acia libe al e o capi alismo de me cado se iam p edominan es no sis ema global. As undações desse sis ema libe al globalizado, no en an o, pa ecem es a en aquecendo, como obse a Ikenbe y (2018). Pa a o pesquisado , os Es ados Unidos e seus aliados es ão, a ualmen e, mais en aquecidos no sis ema in e nacional compa a i amen e ao pe íodo ligei amen e pos e io à Gue a F ia. Isso se de e a uma p og essi a ans e ência de pode o Ociden e pa a o O ien e, em um mo imen o de edis ibuição do pode global ace à ascensão da China e de ou os países eme gen es. Po ou o lado, Ikenbe y (2018) não ac edi a que a China subs i ui á os EUA como uma no a o ça hegemônica nem que o Sul Global enha a ep esen a , enquan o bloco, uma ameaça à o dem es abelecida pelos EUA. A c ise econômica mundial de 2008 ep esen ou uma das mais ecen es e impo an es up u as pa a a o dem libe al. Como esul ado, mui os países do Ociden e i am c esce a desigualdade, a es agnação econômica, c ises iscais, polí icas e sociais, p o ocando um en aquecimen o das democ acias e um descon en amen o ge al com seus ep esen an es. A classe média do ociden e oi uma das mais p ejudicadas pela es agnação econômica, ge ando uma c ença de que a o dem libe al não é mais uma on e de segu ança e p o eção econômica. Além disso, mui as das jo ens democ acias (como é o caso do B asil) êm en en ado casos emblemá icos de co upção, es agnação econômica e uma desigualdade c escen e. Pa a Ikenbe y (2018), a medida em que as democ acias ociden ais alham em da espos as a esses p oblemas, sua legi imidade é desa iada po c escen es mo imen os nacionalis as, populis as e xenó obos, cujos undamen os são capazes de de e io a o u u o das democ acias libe ais. Na o igem dessa c ise da o dem libe al, consoan e Ikenbe y (2018), es a ia o colapso da bipola idade en e EUA e União So ié ica com o im da Gue a F ia, esul ando em uma expansão do in e nacionalismo libe al, ou seja, a p óp ia globalização da o dem 32 libe al. Segundo o au o , a bipola idade EUA-União So ié ica se ia pa a de ini os papéis e as iden idades de cada um dos polos de pode . A c ise do in e nacionalismo libe al pode se is a como uma eação len a a essa ans o mação p o unda na con igu ação geopolí ica do p oje o libe al pós-gue a. Especi icamen e, a globalização do in e nacionalismo libe al colocou em mo imen o dois e ei os a longo p azo: uma c ise de go e nança e au o idade e uma c ise de p opósi o social (IKENBERRY, 2018, p. 18). Ainda, segundo Ikenbe y (2018), a e a pós-Gue a F ia ouxe ainda no as ques ões complexas de o dem global, ais como o e o ismo, mudanças climá icas e os desa ios de uma c escen e in e dependência. E no cen o desses desa ios, pa a o au o , es á uma c ise de au o idade. A inal, se o pode global oi descen alizado e edis ibuído, como eo ganiza sua go e nança? S uenkel (2018), p o esso da Fundação Ge úlio Va gas (FGV), disco da da isão de Ikenbe y (2018), alegando que o pensamen o ociden ocên ico p oduziu uma supos a unanimidade educionis a sob e a lide ança dos Es ados Unidos na o dem libe al e sob e o modo como emos o mundo e como in e p e amos os acon ecimen os geopolí icos. Pa a S uenkel (2018), o pensamen o não ociden al é a amen e is o como on e legí ima pa a cons ução de conhecimen os sob e o mundo mode no e, po isso, es udiosos como Ikenbe y limi am-se a encon a um luga pa a as no as po ências eme gen es den o da o dem global libe al es abelecida, sem ques iona uma possí el econ igu ação dessa o dem em um sis ema mul ipola equilib ado. Toda ia, a mis u a ambígua de hie a quia e eg as az as espe anças de Ikenbe y de que a China e ou as po ências eme gen es enham a ade i à o dem a ual soa em um an o insince as, pois ele não explici a em que luga da o dem hie á quica a China de e supos amen e encaixa -se, e implica que os Es ados Unidos man e iam de algum modo a lide ança. É essa a ques ão que desag ada os o mulado es de polí icas em B asília, Déli e Pequim, quando ou em os chamados ociden ais pa a que as po ências eme gen es se o nem pa es in e essadas esponsá eis. Com e ei o, á ias po ências eme gen es explici am suas queixas sob e o que conside am se uma o dem hie á quica em que os o es mui as ezes des u am de di ei os especiais e na qual as ins i uições não o e ecem espaço su icien e pa a eme gen es – ge ando desse modo, au oma icamen e, con es ação (STUENKEL, 2018, pp. 32-33). 33 S uenkel (2018) analisa ainda que en e as po ências eme gen es exis e uma descon iança sob e o pensamen o ociden ocên ico e a e ó ica do in e nacionalismo libe al, que supos amen e esconde ia a p omoção dos in e esses das g andes po ências ociden ais es abelecidas. O pesquisado obse a que a medida em o pode mili a e econômico se descen aliza, as po ências eme gen es passam a ques iona os p ecei os in elec uais e eg as hie á quicas cons i uídas, buscando c ia um sis ema mul ila e al no qual as mesmas eg as se apliquem a odos. Enquan o isso, o pensamen o ociden ocên ico ê na ascensão do Sul Global uma ameaça con a sua e ó ica uni e salis a e hie á quica que a é en ão oi capaz de molda a geopolí ica mundial à sua imagem e que ainda busca in eg a as po ências eme gen es combinando a lide ança dos Es ados Unidos com coope ação. Na concepção de S uenkel (2018), a o dem pós-unipola que i emos a ualmen e já nos ob iga a e uma isão mais ampla sob e os desa ios globais en ol endo os países eme gen es. O p óximo passo se ia a ança com uma isão de que esses países, a é en ão conside ados pe i e ia da o dem global, são na e dade essenciais no sis ema in e nacional e que a cons i uição de uma o dem mul ipola equilib ada é execu á el. Pa a o p o esso da FGV, o mundo es á dian e de uma g ande opo unidade de o ganiza um sis ema mui o mais equilib ado e dis ibuído, no qual seja possí el ag ega as di e en es ozes globais em ní eis mais jus os e equânimes. Nessa no a o dem pós-ociden al de endida po S uenkel (2018), o mundo se ia mais “p óspe o, com ní eis mui o mais baixos de pob eza numa escala global do que oda e qualque o dem an e io ” (p. 35). Po isso, ac edi a na ideia de que o im da o dem libe al possa p oduzi uma c ise de au o idade, como é a p eocupação de Ikenbe y e do pensamen o ociden ocên ico, na e dade limi a ia nossa capacidade de iden i ica e explo a no as al e a i as de coope ação global. Adicionalmen e a essa descen alização ou deslocação de pode do ociden e, Cas ells (2018) iden i ica no p ocesso de globalização a aiz pa a uma c ise do Es ado- nação enquan o a o incapaz de esponde aos p oblemas globais de o ma local, como c ises inancei as, mudanças climá icas, e o ismo e a p óp ia pe da de pode simbólico ep esen ada pela descen alização da o dem global. Essa c ise do modelo de Es ado-nação coexis i ia com uma c ise de ep esen ação: a incapacidade de lida com os p oblemas globais ge a uma up u a das elações en e go e nan es e go e nados que co ói a 34 legi imidade da ep esen ação polí ica e, po conseguin e, das es u u as que undam a democ acia libe al al como a conhecemos. Dessa c ise de ep esen ação, segundo Cas ells (2018), eme gem lide anças polí icas que, na p á ica, negam a polí ica e as es u u as pa idá ias que a compõem, e e be ando as c escen es ozes de descon en amen o com o sis ema po meio de uma e ó ica populis a: Donald T ump, nos Es ados Unidos; Le Pen e Mac on, na F ança; Bolsona o, no B asil; e o B exi , na União Eu opeia, se iam exp essões dessa o dem pós- libe al eme gen e. Adicionalmen e a essa c ise de ep esen ação, consoan e Cas ells (2018), es a ia ainda uma c ise iden i á ia, esul ado do p ocesso de globalização: Quan o menos con ole as pessoas êm sob e o me cado e sob e seu Es ado, mais se ecolhem numa iden idade p óp ia que não possa se dissol ida pela e igem dos luxos globais. Re ugiam-se em sua nação, em seu e i ó io, em seu deus. Enquan o as eli es iun an es da globalização se p oclamam cidadãs do mundo, amplos se o es sociais se en inchei am nos espaços cul u ais nos quais se econhecem e nos quais seu alo depende de sua comunidade, e não de sua con a bancá ia. À a u a social se une a a u a cul u al. O desp ezo das eli es pelo medo das pessoas de saí em daquilo que é local sem ga an ias de p o eção se ans o ma em humilhação. E aí se aninham os ge mes da xeno obia e da in ole ância. Com suspei a c escen e de que os polí icos se ocupam do mundo, mas não das pessoas. A iden idade polí ica dos cidadãos, cons uída a pa i do Es ado, ai sendo subs i uída po iden idades cul u ais di e sas, po ado as de sen ido pa a além da polí ica (CASTELLS, 2018, pp. 19-20). Ainda segundo Cas ells (2018), essa c ise iden i á ia ab e caminho pa a a explo ação de uma polí ica midiá ica emocional, acilmen e pene á el no ecido social a a és das múl iplas edes de comunicação digi al. A pe sonalização da polí ica em um líde que ecoe a insa is ação popula , aliado à c iação de mensagens simples e apela i as, desen ol endo uma na a i a de “nós” e “eles”, do “bem” e o “mal”, em sido amplamen e u ilizada pa a pe mi i a ascensão e ga an i o engajamen o público de igu as populis as e, po ezes, au o i á ias. Se iam esses no os a o es polí icos, que a iculam discu sos xenó obos e acis as, os ep esen an es enca nados da es au ação dos alo es supos amen e pe didos pela globalização. Esses líde es cons oem sua legi imidade po 41 Dian e dos impasses à go e nabilidade, o MDB, pa ido do ice-p esiden e Michel Teme e p incipal aliado, iniciou um mo imen o de sepa ação do go e no com o qual ha ia sido elei o. Teme ap o ei ou-se de um ela i o pode independen e de Rousse pa a o maliza uma p opos a al e na i a de go e no. Ap esen ada em ou ub o de 2015, em B asília, o documen o oi denominado “Uma pon e pa a o u u o” e p opunha uma sé ie de “ e o mas es u u ais” al e na i as ao plano de go e no elei o em 2014, como a e omada do c escimen o econômico a a és de ajus es iscais, diminuição da axa básica de ju os e e o ma do sis ema p e idenciá io (FUNDAÇÃO ULYSSES GUIMARÃES, 2015). Na sequência de indícios de ompimen o com o go e no, o en ão ice-p esiden e en iou uma ca a a Rousse onde mani es a a seu essen imen o com a descon iança que a p esiden e alimen a a sob e a lealdade dele e de seu pa ido, o MDB. A ca a, que e a supos amen e p i ada, chegou à imp ensa e consolidou o clima de ompimen o en e a p esiden e e seu ice (SADI, 2015). Enquan o isso, o en ão p esiden e da Câma a dos Depu ados, Edua do Cunha, do mesmo MDB, in es igado pela Ope ação La a-Ja o, p essiona a o go e no de Rousse po meio de chan agens com a ameaça de acolhe os pedidos de impeachmen ei os ao Cong esso. Al o de um p ocesso de cassação no Conselho de É ica do pa lamen o, Cunha agua dou pelo posicionamen o da bancada do PT, que o ou a o a elmen e a sua in es igação, pa a au o iza a abe u a do p ocesso de des i uição de Rousse o mulado pelos ju is as Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnio e Janaina Paschoal, sob a jus i ica i a de a p esiden e e come ido c ime de esponsabilidade po meio de manob as icais 8 desap o adas pelo T ibunal de Con as da União (TCU) (PASSARINHO, 2015a e 2015b). Sem con a com o apoio dos p incipais pa idos aliados, o p ocesso de des i uição de Dilma Rousse e a um jogo de ca as ma cadas que p ecisa a se o ado pela Câma a dos Depu ados e pelo Senado Fede al. Em 17 de ab il de 2016 oco eu a o ação mais simbólica de odo o p ocesso de des i uição p esidencial: com 367 o os a o á eis e apenas 137 con á ios, o plená io da Câma a dos Depu ados decidiu po da 8 Conhecidas como pedaladas iscais, essas manob as consis iam em a asa epasses a bancos públicos como o ma de cump i me as o çamen á ias pa a um de e minado pe íodo. A p á ica de pedaladas iscais ambém oi eco en e nos go e nos dos ex-p esiden es Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a (COSTAS, 2015). 42 p osseguimen o ao p ocesso de impeachmen da p esiden e Dilma Rousse (G1, 2016a). A sessão oi ma cada pelos o os simbólicos dos ilus es depu ados, que em mui os casos jus i ica am seus o os exal ando alo es como “ amília”, “ ida”, “espe ança”, “ é” e “deus”, ao con á io de analisa em a legi imidade da acusação con a a p esiden e da epública (PRANDI; CARNEIRO, 2018). Jai Bolsona o, en ão pa lamen a do es ado do Rio de Janei o pelo Pa ido Social C is ão (PSC), dedicou seu o o “con a o comunismo” e, em e e ência ao pe íodo em que a p esiden e Dilma Rousse oi p esa e o u ada pela di adu a mili a , enal eceu a “memó ia do co onel Ca los Albe o B ilhan e Us a”, o u ado e ex-che e do DOI-Codi (Des acamen o de Ope ações de In o mações do Cen o de Ope ações de De esa In e na), ó gão de ep essão da di adu a (BARRUCHO, 2016). Em 31 de agos o de 2016 o Senado Fede al, em sessão especial, ap o ou po 61 o os a a o e 20 con á ios o a as amen o de ini i o de Dilma Rousse da p esidência da epública, que cedeu o ca go pa a seu ice, Michel Teme . Em seu úl imo discu so an es de abandona as unções no Palácio do Planal o, Rousse denunciou e sido í ima de um golpe de es ado po meio de uma “ a sa ju ídica” pe pe ada pelo Cong esso Nacional (G1, 2016b). Sua des i uição ep esen ou o im an ecipado da e a pe is a e da esque da no Go e no Fede al. Pa a A i ze (2017), o impeachmen de Rousse oi p odu o de uma c ise polí ica iniciada ainda em 2013 e possui dois elemen os p incipais como desencadeado es: o p imei o é o colapso do sis ema de coalizão p esidencial e a ascensão de um ele an e g upo conse ado no Cong esso Nacional, lide ado po Edua do Cunha; o segundo é a ibuído a uma c ise de ep esen ação associado ao inanciamen o ilegal de campanhas e a in luência do dinhei o no sis ema polí ico. 3.2.2. Pa imen ando o caminho conse ado : o Go e no de Michel Teme Com a des i uição de Rousse , Michel Teme ascendeu ao ca go de p esiden e da epública com a p omessa de conc e iza seu p oje o al e na i o de pode , o “Uma pon e pa a o u u o”, seguindo um iés o odoxo de ma iz neolibe al. Em decla ação ei a a emp esá io nos Es ados Unidos, em 2016, Teme a i mou que o impeachmen de Rousse acon eceu pela sua ecusa a ado a as medidas p opos as pelo documen o (VIEIRA, 2016). Desde o momen o da sua posse como p esiden e in e ino, Teme p o ocou c í icas pela 43 composição de seu no o go e no, lide ado unicamen e po homens b ancos. Apesa de e p ome ido o ganiza um “go e no de no á eis”, Teme man e e a polí ica de ag acia elhos e no os aliados polí icos com minis é ios e che ias de ó gãos públicos como o ma de man e uma base de sus en ação do go e no no Cong esso (STRUCK, 2016). Com o obje i o de ag ada o me cado inancei o e buscando meios de implemen a seu plano de go e no al e na i o, Teme indicou pa a o ca go de Minis o da Fazenda o economis a Hen ique Mei elles, econhecido an o no meio acadêmico como polí ico, inancei o e emp esa ial po suas posições libe ais e expe iência (GASPAR, 2017). Uma das p imei as conquis as de Teme e Mei elles na busca po es abilização econômica oi a ap o ação do No o Regime Fiscal, ambém conhecido como Emenda Cons i ucional do Te o dos Gas os Públicos. Com o No o Regime Fiscal, o go e no es abeleceu um limi e (ou e o) pa a o aumen o dos gas os do Es ado, não podendo ul apassa o índice de in lação pelos p óximos in e anos (BRASIL, 2016a). Com essa medida, o go e no buscou sinaliza ao me cado uma polí ica de aus e idade iscal e con enção adical da dí ida pública, já que a medida desconside a a possibilidade de aumen os na disponibilidade o çamen á ia. A agenda de e o mas neolibe ais de Teme ambém a ançou com uma e o ma abalhis a, que en ou em igo em no emb o de 2017. A e o ma p e endia lexibiliza as elações labo ais e inclui no os ipos de con a o, como os de abalho emo o e in e mi en e. Po ou o lado, as no as eg as impuse am ba ei as ao acesso à jus iça abalhis a e en aquece am o pode dos sindica os ao acaba em com a con ibuição ob iga ó ia (BRASIL, 2017). O go e no Teme ainda pau ou uma e o ma do sis ema p e idenciá io. A p opos a de Emenda à Cons i uição nº 287, de 2016, p opunha a ixação de uma idade mínima pa a aposen ado ia, além de ou as medidas pa a con e um supos o dé ici público p oduzido pelo Ins i u o Nacional do Segu o Nacional (INSS) (BRASIL, 2016b). A p opos a de e o ma da p e idência, no en an o, so eu o e esis ência no Cong esso e um ex o al e na i o oi ap o ado somen e em 2019, passando a es a em igo a pa i de no emb o desse ano (BRASIL, 2019). Ou a ma ca do go e no de Michel Teme oi o a anço de um ambicioso plano de p i a izações. A a és do P og ama de Pa ce ias de In es imen o o go e no p i a izou a 44 Casa da Moeda e ou as 57 emp esas e au a quias públicas, como ae opo os, odo ias e e minais po uá ios (GONTIJO; RAMOS, 2019). Em maio de 2017, Teme passou a se in es igado pelo Sup emo T ibunal Fede al (STF) no âmbi o da Ope ação La a-Ja o po e au o izado o execu i o da JBS 9 , Joesley Ba is a, a subo na com dinhei o o ex-depu ado Edua do Cunha pa a que se man i esse calado sob e o que sabia da ope ação (BBC BRASIL, 2017; ALESSI; BORGES, 2017). A di ulgação do áudio da con e sa en e Teme e Ba is a p o ocou uma c ise de legi imidade sem p eceden es no go e no, colocando em dú ida a p óp ia pe manência de Teme no ca go. Po seu en ol imen o na La a-Ja o e po de ende pau as impopula es, Michel Teme alcançou a maio ejeição da his ó ia pa a um p esiden e da epública. Em junho de 2018, pesquisas de opinião pública indica am que apenas 3% da população conside a a o go e no bom ou ó imo (VEJA, 2018). Apesa de sua baixíssima popula idade, Teme man e e-se no ca go g aças a uma o e a iculação polí ica com o Cong esso, que passou a inclui as F en es Pa lamen a es da Segu ança Pública, Ag opecuá ia e E angélica 10 , mas ambém pela ausência de p o es os o es e de uma oposição con unden e, bem como pelo apoio da eli e econômica do país às medidas ado adas pelo go e no (SCHREIBER, 2017). A associação de Teme às alas conse ado as do Cong esso Nacional ep esen ou um a anço da in luência de g upos u alis as, a mamen is as e e angélicos no go e no ede al, assim como e ocessos no âmbi o dos di ei os humanos no B asil. Du an e a ges ão de Teme , a ança am p oje os polêmicos em de imen o do econhecimen o de e i ó ios indígenas e do comba e ao abalho esc a o (mui o associado ao ag onegócio). Também o di ei o das mulhe es oi ameaçado com a ap esen ação pela bancada e angélica de uma p opos a de p oibição do abo o em qualque ci cuns ância, e a bancada da bala conseguiu lexibiliza as eg as pa a posse de a mas em zonas u ais (ALESSI, 2017). O apoio do me cado ao p oje o neolibe al de Teme oi ga an ido po meio da p oposição e de esa de p oje os ci ados an e io men e, como o e o dos gas os públicos, da 9 Emp esa b asilei a do amo alimen ício, conhecida pela expo ação de ca nes. 10 Essas en es pa lamen a es são popula men e conhecidas como Bancada BBB (sigla pa a boi, bala e bíblia), pois comp eende depu ados e senado es conse ado es que de endem pau as elacionadas ao ag onegócio, libe alização das a mas e alo es c is ãos-e angélicos, espec i amen e. Essa bancada oi impo an e pa a ga an i go e nabilidade ao go e no Teme e con ibuiu pa a a ascensão de Bolsona o à p esidência em 2018. 45 e o ma abalhis a e p e idenciá ia, mas ambém pelos esul ados econômicos o iundos dessas medidas. Depois de dois anos de e ação do P odu o In e no B u o (PIB), en e 2015 e 2016, a ges ão de Teme conseguiu e oma o c escimen o da economia b asilei a com c escimen os de 1,1% no PIB em 2017 e 2018 (ALVARENGA; SILVEIRA, 2019). No segundo ano de go e no, conseguiu ambém diminui a in lação (de 9,32% ao ano pa a 2,76%) e a axa básica de ju os (de 14,25% ao ano pa a 6,5%), apesa de o núme o de desemp egados e aumen ado no país no mesmo pe íodo, endo a ançado de 11,2% pa a 13,1% da população (MAZUI; MATOSO; MARTELLO, 2018). En e a anços econômicos e e ocessos sociais, Michel Teme ence ou seu go e no azendo um balanço posi i o da ges ão e sem no as ambições polí icas (GZH, 2018). T ês meses após deixa o ca go, em ma ço de 2019, depois de pe de o o o p i ilegiado concedido ao ocupan e do ca go de p esiden e da epública, Teme i ia a se p eso no âmbi o da ope ação La a-Ja o, acusado de se o líde de uma o ganização c iminosa esponsá el po o mação de ca el, co upção a i a e passi a, la agem de dinhei o e audes em concu sos públicos elacionados à cons ução de uma cen al nuclea no Rio de Janei o (RIBEIRO, 2019). 3.2.3. Eleições de 2018 e a ascensão da ul adi ei a no B asil Em alguma passagem de suas ob as, Hegel comen a que odos os g andes a os e odos os g andes pe sonagens da his ó ia mundial são encenados, po assim dize , duas ezes. Ele se esqueceu de ac escen a : a p imei a ez como agédia, a segunda como a sa (MARX, 2011, p.46). Essa céleb e análise de Ka l Ma x apa ece no li o O 18 de B umá io de Luís Bonapa e. Em seu p ólogo à ob a de Ma x, Ma cuse ac escen a que “a a sa é mais e í el do que a agédia à qual ela segue” (2011, p.23). Ao analisa mos as eleições p esidenciais b asilei as de 2018 emos a imp essão de iden i ica mos na i ó ia de Jai Bolsona o uma a sa pe e sa que assume o pode na sequência do que já ep esen a a uma agédia pa a a democ acia b asilei a. Apesa de se ap esen a como no idade nas eleições, Jai Messias Bolsona o acumula a, em 2018, uma ca ei a polí ica de in a anos: dois como e eado da cidade do Rio de Janei o (1988-1990) e 28 anos como depu ado ede al (1990-2018). Apesa disso, 46 o nou-se obje o de a enção pública pela p imei a ez ainda em 1987, quando a e is a Veja publicou um a igo in o mando que o en ão capi ão do exé ci o e a acusado de elabo a um plano pa a explodi qua éis em p o es o pelos baixos salá ios. Acusado de cinco i egula idades, Bolsona o oi condenado pelo Conselho de Jus i icação e, pos e io men e, inocen ado pelo Supe io T ibunal Mili a . Apesa de inocen ado, abandonou a ca ei a mili a pa a se dedica à ida polí ica como e eado (POMPEU, 2017; AZEVEDO, 2018b). Du an e seus 28 anos como depu ado ede al, Bolsona o semp e pe enceu ao baixo cle o 11 da Câma a, de endendo pau as conse ado as, os in e esses mili a es e sendo econhecido mais po seus discu sos absu dos do que po sua a uação polí ica. En e as ba ba idades di as po Bolsona o enquan o depu ado e que ica am conhecidas es á uma en e is a ao p og ama Câme a Abe a, da TV Bandei an es, em 1999, na qual se decla a a o á el à o u a, admi e sonega impos os e diz que o B asil só muda ia com uma gue a ci il que ma asse pelo menos 30 mil pessoas, começando pelo en ão p esiden e Fe nando Hen ique Ca doso (TAVARES, 2021). Somam-se a essa en e is a ou as decla ações polêmicas de cunho misógino, homo óbico, acis a e an idemoc á ico, como, po exemplo, quando disse que uma colega depu ada não me ecia se es up ada po que e a “mui o eia” e quando de endeu a iolência ísica pa a cu a um ilho “gayzinho” (CARTA CAPITAL, 2018). Apesa da epe cussão de suas alas nos meios de comunicação social e no deba e público, sua a uação como depu ado pode se conside ada pí ia: em quase ês décadas, e e apenas um p oje o de lei de sua au o ia ap o ado: a lei nº 10.176 de 2001, que concede bene ícios iscais ao se o de ecnologia da in o mação (BRASIL, 2001). Pa a além disso, nunca oi ela o de impo an es p opos as em pau a na Câma a dos Depu ados nem p esidiu comissões pa lamen a es ou oi lide ança de bancada (POMPEU, 2017). Mesmo assim, Bolsona o semp e conseguiu man e um séqui o de elei o es que se iam ep esen ados po suas opiniões, o que con ibuiu pa a a p omoção de sua amília no cená io polí ico: a ualmen e, ês dos cinco ilhos do p esiden e possuem ca gos ele i os. 11 Como são conhecidos os cong essis as de baixa ele ância e in luência polí ica limi ada, ge almen e iliados a pequenos pa idos. 47 Flá io Bolsona o é senado , Edua do Bolsona o é depu ado ede al e Ca los Bolsona o é e eado no Rio de Janei o (BRANT; ALBUQUERQUE; CARVALHO, 2019). O nome de Bolsona o passou a se conside ado pa a conco e à p esidência da epública com mais empenho depois de seu o o a a o da des i uição de Dilma Rousse , em 2016, dedicado ao o u ado B ilhan e Us a, como já egis amos an e io men e no subcapí ulo dedicado ao go e no Rousse . Não obs an e a uculência de sua mani es ação, a sessão de o ação pelo impeachmen de Rousse oi ansmi ida ao i o pelas p incipais emisso as de ele isão do país, o que con ibuiu pa a a epe cussão de sua mensagem e a consolidação da imagem de Bolsona o como oposição eal e comba i a em elação ao PT, Lula da Sil a, Rousse e a esque da em ge al. Pa a Hun e e Powe (2019), essa decla ação de menos de dois minu os eio a público no momen o ideal, pe mi indo a Bolsona o ap o ei a -se do c escen e mo imen o an ipe is a e a ap oximação das eleições p esidenciais. Vale menciona que em 2018, segundo es udo do La inoba óme o (2019), o B asil a ingiu um de seus meno es índices de apoio à democ acia, com apenas 34% dos inqui idos espondendo que a democ acia é p e e í el a qualque ou a o ma de go e no, enquan o 41% disse am se indi e en es sob e um go e no democ á ico ou não democ á ico e 14% admi i am que, em algumas ci cuns âncias, um go e no au o i á io pode se p e e í el. Pa a conco e nas eleições p esidenciais de 2018, Jai Bolsona o des iliou-se do PSC (Pa ido Social C is ão) e en ou pa a o PSL (Pa ido Social Libe al). Na ce imônia de iliação, em maio de 2018, no Cong esso, em B asília, o p é-candida o ez alusão a de amamen o de sangue, a mamen o da população, eligião, ges os ascis as e au op omoção, dizendo se o “Messias” 12 do B asil. Com isso, en ou consolida sua imagem a de um condo ie e, que guia seu po o em empos di íceis, ap o ei ando pa a pedi ao público apoio pa a elege a “bancada da me alhado a”. Seus colegas de pa ido acolhe am o mais no o memb o do PSL e p é-candida o à p esidência chamando-o o a de “p esiden e”, o a de “mi o” (ARIAS, 2018; BENITES, 2018; GONTIJO; RAMOS, 2019). Em agos o, Jai Bolsona o o icializou sua candida u a como p esiden e escolhendo como ice de sua chapa o gene al Hamil on Mou ão, do Pa ido Reno ado T abalhis a B asilei o 12 Bolsona o u ilizou-se de seu segundo nome, Messias, pa a associa sua imagem a Jesus C is o. 48 (PRTB), de ex ema-di ei a (STRUCK, 2018). A campanha de Bolsona o e Mou ão ado ou o slogan “B asil acima de udo, Deus acima de odos”, uma ap op iação de b ado da B igada de In an a ia Pa aquedis a do Exé ci o, po onde ambos os candida os passa am em suas ca ei as mili a es. O slogan oi c i icado po gua da semelhança com o “Deu schland übe alles” 13 , u ilizado pelo go e no nazis a (SETO, 2018). A campanha de Bolsona o, que possuía ín imos oi o segundos de Ho á io G a ui o de P opaganda Elei o al 14 , apos ou na cons ução da imagem de um mi o associado a alo es pa ió icos e eligiosos, bem como na p odução i ual de desin o mação, u ilizando g upos de Wha sApp como p incipal meio de di usão de in o mações da campanha (ROSA; SOUZA; CAMARGO, 2020). O p incipal ad e sá io de Bolsona o nas eleições de 2018 se ia o ex-p esiden e Luís Inácio Lula da Sil a, do PT. No en an o, em ab il desse ano, Lula da Sil a oi p eso no âmbi o da Ope ação La a-Ja o po o dem do juiz Se gio Mo o, juiz ede al no es ado do Pa aná. Acusado de e ecebido da cons u o a OAS um apa amen o es ilo íplex no li o al de São Paulo como p opina em con apa ida do a o ecimen o da emp esa em con a os públicos, Lula da Sil a negou as acusações e disse se í ima de uma pe seguição polí ica com o único p opósi o de in iabiliza sua candida u a. Em uma mani es ação de esis ência ao mandado de p isão con a Lula da Sil a, seus apoiado es ce ca am po dois dias a sede do Sindica o dos Me alú gicos do ABC, em São Be na do do Campo, em uma en a i a de impedi que o ex-p esiden e se en egasse à Polícia Fede al. Em discu so pa a uma mul idão an es de se ap esen a à Polícia, Lula da Sil a disse não se mais um se - humano, mas uma ideia que habi a cada um de seus apoiado es incumbidos de segui a mili ância em seu nome (RIBEIRO, 2018). Mesmo p eso em Cu i iba, Lula da Sil a man e e-se como p é-candida o à p esidência do PT, a é que o T ibunal Supe io Elei o al (TSE) inde e iu sua candida u a no inal de agos o (TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, 2018). Uma das pesquisas de in enção de o o ealizadas enquan o Lula da Sil a ainda e a o nome do PT pa a conco e à p esidência indica a o ex-p esiden e como a o i o pa a ence as eleições. Segundo pesquisa conduzida pelo Ins i u o Da a olha, em 13 Em po uguês, Alemanha acima de odos. 14 O T ibunal Supe io Elei o al ese a espaços da ede nacional de ádio e ele isão pa a eiculação g a ui a de campanhas elei o ais. O espaço des inado a cada chapa é de inido de aco do com a quan idade de pa idos que o mam a coligação e suas p esenças p opo cionais no Cong esso Nacional. 49 agos o de 2018, 39% dos elei o es inham in enção de o a em Lula da Sil a, enquan o 19% p e endiam o a em Jai Bolsona o (G1, 2018). Dada a impossibilidade de Lula da Sil a o icializa sua candida u a à p esidência da epública, o TSE de e minou que a coligação lide ada pelo PT indicasse ou o nome pa a subs i uí-lo no p azo de 10 dias (TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, 2018). O escolhido oi o en ão candida o a ice-p esiden e Fe nando Haddad, do PT, ex-minis o da educação du an e o go e no de Lula da Sil a, ex-p e ei o da cidade de São Paulo e p o esso de ciência polí ica da Uni e sidade de São Paulo (USP). Pa a compo a chapa “B asil Feliz de No o”, oi escolhida como candida a a ice-p esiden e a depu ada es adual do Rio G ande do Sul Manuela D’Á ila, do Pa ido Comunis a do B asil (PCdoB) (GONTIJO; RAMOS, 2019; LÔBO, 2018). Ao con á io de Lula da Sil a, Fe nando Haddad e a uma igu a a é en ão conhecida apenas no cí culo de São Paulo, onde oi p e ei o, e en e os in e essados po polí ica que o econheciam pela a uação como minis o da educação. Pa a p oje a sua imagem como candida o subs i u o, o PT associou seu nome ao de Lula da Sil a, u ilizando amplamen e o slogan “Haddad é Lula, Lula é Haddad”, com o in ui o de ans e i as in enções de o os de um pa a o ou o. U ilizando essa es a égia, aliada à o e p esença em campanhas ele isi as e deba es, Haddad, que em sondagens de agos o inha apenas 6% das in enções de o o, chegou às éspe as do p imei o u no das eleições, em ou ub o, com 28% (GONTIJO; RAMOS, 2019). Somen e pelo cená io que desc e emos a é es e pon o pode íamos conclui que a campanha elei o al de 2018 oi, de longe, uma das mais in ulga es da his ó ia democ á ica b asilei a, conside ando seu con ex o, a pa icula idade dos e en os que se sucede am e dos pe sonagens en ol idos. Gon ijo e Ramos (2019) analisam que nesse plei o icou e iden e o amanho de Lula da Sil a pa a a polí ica b asilei a: os p incipais candida os cons uí am suas imagens em elação a ele, seja po associação ou oposição. “Lula é o cen o ao edo do qual o bi am odos os polí icos b asilei os con empo âneos” (GONTIJO; RAMOS, 2019, p.14). Pa a complemen a o o ei o d amá ico dessas eleições, em se emb o, enquan o p omo ia um a o polí ico na cidade de Juiz de Fo a, Jai Bolsona o so eu um a en ado com aca no abdômen. A g a idade do co e ez com que o candida o passasse po duas ci u gias 50 e um longo pe íodo de ecupe ação na Unidade de T a amen o In ensi o (UTI). Esse episódio oi amplamen e explo ado pelos meios de comunicação social e pela p óp ia campanha de Bolsona o, ans o mando-se em um espe áculo polí ico e dando ou o umo pa a a na a i a elei o al, que passou a e o ça a imagem de um candida o pe seguido poli icamen e e que sob e i e ao a en ado pa a lide a seu po o (DIAS; FERNANDES, 2020). Webe (2011), analisa a so is icação dos meios de comunicação social ao ap op ia em-se do acon ecimen o singula e das paixões lo escen es du an e uma campanha polí ica pola izada: Nas paixões eside o núcleo da es u u a i al dos acon ecimen os que pe mi e sua ap op iação pelos pode es, desde que p ese ada a essência, po que a paixão é ulne á el e pe ence a cada indi íduo. Da sua adequada manipulação en endem os di ado es e seus g andes espe áculos. Quan o maio a densidade simbólica do acon ecimen o, mais ins igados se ão os indi íduos a se mani es a e mais passional se á o espe áculo polí ico-midiá ico, bene iciando os in es ido es polí icos e midiá icos. Da ca a se à come cialização (WEBER, 2011, p.194). Após o a en ado, a campanha de Bolsona o ele ou ainda mais a associação de sua imagem a um “mi o”, o “Messias”, ampliando sua p esença nas edes sociais e ap o ei ando a ex ensa cobe u a jo nalís ica que se sucedeu o acon ecimen o. Uma das es a égias mais emblemá icas oi a u ilização da condição de con alescen e como jus i ica i a pa a não compa ece aos deba es e en e amen os di e os com seu p incipal ad e sá io, Fe nando Haddad, em adicionais p og amas de ele isão, mesmo com au o ização médica pa a isso. Essa á ica ep esen ou uma up u a do pad ão de campanhas elei o ais que igo a a a é en ão. Po aze pa e de uma chapa compos a po pa idos pequenos e com pouco empo de ádio e ele isão, a es a égia de u iliza canais digi ais em de imen o da pa icipação em deba es adicionais, como o da TV Globo, p o ocou um es aziamen o do papel da ele isão enquan o p incipal meio de comunicação no B asil e concen ou sua mediação po meio de canais digi ais (DIAS; FERNANDES, 2020). No âmbi o social, a in ensa e inusi ada campanha elei o al de 2018 ep esen ou uma cisão nacional en e dois p og amas mui o dis in os. Ao inal de á ios meses de campanha e de dois u nos de o ação, no dia 28 de ou ub o de 2018, os esul ados das eleições de am i ó ia a Jai Bolsona o, do PSL, com 55,13% dos o os, con a 44,87% de seu oposi o , Fe nando Haddad, do PT (JUSTIÇA ELEITORAL, 2018). Su p eenden emen e, o mesmo 57 p incipais undamen os e pon os de mudança em elação à adição diplomá ica man ida pelo I ama a y a é en ão. 3.3.1. A PEB que an ecedeu Bolsona o Desde meados do século XX, em um con ex o de consolidação dos Es ados Unidos como po ência hegemônica in e nacional e de indus ialização e mode nização in e na, o B asil ade iu a um p oje o p a icamen e unânime pa a a polí ica ex e na: o da au onomia. Essa es a égia a endia à necessidade de consolidação de um capi alismo nacional au ônomo em elação a um sis ema in e nacional cen ado no A lân ico No e. Assim como o B asil, países como a China, Índia e Rússia ambém buscam, essal adas as di e enças, essa pa icipação no p ocesso de globalização sem, no en an o, ade i comple amen e à o dem libe al ociden al (SPEKTOR, 2014). Esse p oje o sob e i eu à ascensão e queda do sis ema mundial bipola , ao nascimen o e colapso do nacional-desen ol imen ismo e a um ciclo de au o i a ismo e democ acia. Sua ex ao diná ia ade ência no empo oi p odu o do amplo apoio ins i ucional que ecebeu em odo o espec o polí ico-pa idá io, nas o ças a madas, em cí culos emp esa iais e nas eli es in elec uais. Assim, o I ama a y não oi o único nem o p incipal balua e dessa opção es a égica, embo a seja seu p incipal gua dião ins i ucional. Ao longo de sua ida, a ideologia da au onomia ans o mou-se no modo hegemônico de pensa as elações in e nacionais do país (SPEKTOR, 2014, p.47). Como pon ua Spek o (2014), a es a égia au onomis a pa a a polí ica ex e na esis iu desde a década de 1950 a di e en es go e nos, egimes au o i á ios e democ á icos. Apesa disso, segundo o au o , essa p opos a nunca oi a iculada de o ma unânime ou au o al. Mui os pe sonagens e ins i uições con ibuí am, não sem deba es in e nos, pa a a o mação de um consenso sob e o assun o. Spek o (2014) elenca ês elemen os p incipais que sus en am e, em ce a medida, jus i icam o au onomismo como p oje o es a égico de polí ica ex e na pa a o B asil: 1) equilíb io de pode : pela concepção au onomis a, o sis ema econômico in e nacional su gido a pa i da segunda me ade do século XX é injus o po que p i ilegia as g andes po ências ociden ais enquan o c ia uma pe i e ia dependen e. A pa i de um posicionamen o au onomis a, se ia es a égico pa a o B asil ade i ao capi alismo in e nacional de o ma negociada, man endo cláusulas de cau ela e p o eção da economia e dos in e esses nacionais; 2) a na u eza da aliança libe al: na isão au onomis a, a aliança 58 libe al lide ada pelos Es ados Unidos não ga an e es abilidade e jus iça pa a os países do Sul Global. Pelo con á io, o sis ema hegemônico con ibui pa a e o ça desigualdades es u u ais que condenam pa e do mundo à pob eza. Po isso, mos a-se plausí el pa a o B asil de ende os p incípios libe ais sem, no en an o, ade i incon es a elmen e à hegemonia es adunidense; 3) iden idade in e nacional do B asil: segundo os au onomis as, o B asil se posiciona em uma posição p i ilegiada no sis ema in e nacional po que, apesa de se conside ado um país ociden al, não es á comple amen e alinhado com esses alo es. De ido à sua o mação plu al e pos u a conciliado a, o B asil se ia capaz de se posiciona como uma po ência la ino-ame icana sem ambições hegemônicas, mas de cump i um papel de in e mediação en e os di e en es po os e nações do sis ema in e nacional. Den o do espec o au onomis a, Vige ani e Cepaluni (2007) iden i icam qua o es a égias que o am ado adas na polí ica ex e na b asilei a ao longo das úl imas décadas, são elas: a) au onomia na dependência: en e as décadas de 1940 e 1950 o B asil buscou uma ela i a au onomia den o do quad o possí el de dependência ex e na, especialmen e dos Es ados Unidos; b) au onomia pela dis ância: nas décadas de 1960 a 1980, ma cadas pelo pe íodo de go e nos da di adu a mili a e um plano econômico de subs i uição das impo ações, o B asil ado ou um posicionamen o de dis anciamen o an o dos Es ados Unidos como da União So ié ica como o ma de p ese a sua ma gem decisó ia o mais independen e possí el; c) au onomia pela pa icipação: com o im da Gue a F ia e a i mação dos Es ados Unidos como po ência hegemônica da no a o dem libe al, os go e nos b asilei os do início da década de 1990 ado a am uma es a égia de au onomia a a és da pa icipação nos p incipais ó uns globais que egiam as elações in e nacionais ao mesmo empo em que ade ia a um modelo econômico neolibe al alinhado ao no o ciclo eme gen e; d) au onomia pela in eg ação e au onomia pela di e si icação: mais ecen emen e, com os go e nos de Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a, o B asil passou p imei o po um p ocesso de in eg ação com os p incipais a ados in e nacionais sob e democ acia, economia e não-p oli e ação nuclea , além de se alia ao egionalismo po meio do Me cosul. Na sequência, o país passou po uma busca pela di e si icação de seus pa cei os in e nacionais, inc emen ando sua p esença nos ó uns da O ganização Mundial do Comé cio e das Nações Unidas, bem como po meio de uma diplomacia p esidencial di e a que o malizou no os aliados no Sul Global. 59 Fonseca (2011) classi ica es e úl imo pe íodo dos go e nos de Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a como o pe íodo de e elação in e nacional do B asil. Segundo a pesquisado a, ao oma posse, em 1995, FHC “in oduziu uma no a a i ude nas es a égias da polí ica ex e na do B asil” (2011, p. 38), que incluía uma pa icipação mais a i a do país na polí ica in e nacional em um con ex o de ees u u ação da o dem global e da necessidade de adequação dos posicionamen os do país no ex e io . Em a igo publicado em 1998, o en ão Minis o das Relações Ex e io es do go e no FHC Luiz Felipe Lamp eia de endia a es a égia de au onomia pela in eg ação. Pa a o chancele , o mundo pós Gue a- F ia dos anos inais do século XX se ca ac e iza a po uma ealidade mui o mais complexa, que exigia do B asil uma polí ica de in eg ação in e nacional an o no plano econômico como polí ico. Fonseca (2011) obse a que a adminis ação de FHC oi esponsá el po in oduzi uma ges ão da polí ica ex e na ma cada pela diplomacia p esidencial, na qual o p esiden e da epública assumia papel undamen al nos assun os e elações com o ex e io . Do mesmo modo, ado ou como es a égia uma apos a na egião sul-ame icana, com a alo ização do Me cosul como p incipal ó gão de in eg ação egional do subcon inen e, além do o alinhamen o com as eg as dos egimes in e nacionais e um p og ama de in ensi icação do mul ila e alismo. Com isso, FHC buscou equilib a uma maio p ojeção e pa icipação in e nacional do B asil a pa i de uma dimensão global ao mesmo empo em que se cen a a na consolidação das elações com os izinhos la ino-ame icanos. Em sín ese, Lamp eia (1998) e e e-se à polí ica ex e na b asilei a do pe íodo FHC como uma con inuidade da es a égia au onomis a que, his o icamen e, ga an iu c edibilidade à diplomacia do B asil ao mesmo empo em que inse iu no os elemen os cons i u i os, en e eles: a es abilidade econômica e, po conseguin e, c edibilidade in e nacional, a a és do Plano Real; uma polí ica de abe u a come cial mais ampla; a diplomacia p esidencial e, aliado a ela, o comp omisso pessoal do p esiden e com os alo es democ á icos, da paz, dos di ei os humanos, p ese ação ambien al e jus iça social. Fonseca (2011) analisa ainda que, no âmbi o das elações com os Es ados Unidos, o go e no FHC man e e uma elação co dial, pese algumas incompa ibilidades sob e a á ea de li e comé cio: enquan o os EUA p opunham a c iação da Á ea de Li e Comé cio das Amé icas (ALCA), na ocasião da Cimei a das Amé icas, no ano 2000, em B asília, o B asil p opôs a c iação de uma Á ea de Li e Comé cio Sul-Ame icana (ALCSA) e da Inicia i a pa a a In eg ação da 60 In aes u u a Regional Sul-Ame icana (IIRSA), que iam de encon o com as expec a i as dos izinhos do No e ao mesmo empo em que o B asil i ma a seu posicionamen o au onomis a. O inal do manda o de FHC assis iu, ainda, a uma eo ganização das elações bila e ais com os Es ados Unidos de ido à subs i uição de Bill Clin on (com uma polí ica mais p óxima da Amé ica do Sul) po Geo ge W. Bush, além, da mudança epen ina das es a égias in e nacionais e de segu ança dos Es ados Unidos na sequência dos a en ados e o is as de 11 de Se emb o. Esses e en os con ibuí am pa a que, no inal do manda o, FHC buscasse o alece as elações mul ila e ais do B asil. A inicia i a mul ila e al iniciada po FHC azia pa e ambém de uma es a égia de a as amen o da associação au omá ica com as eg as do neolibe alismo. Embo a FHC enha en ado, no início de seu manda o, ecupe a o modelo neolibe al, esse sis ema de adesão às polí icas do Fundo Mone á io In e nacional (FMI) e do Banco Mundial mos ou-se in undada pa a a egião, p o ocando g a es c ises econômicas no B asil e A gen ina. Dian e do colapso do modelo neolibe al, já no inal de seu manda o, FHC pediu, na abe u a da Assembleia das Nações Unidas, em 2001, uma o dem in e nacional mais solidá ia: “A globalização só se á sus en á el se inco po a a dimensão da jus iça. Nosso lema há de se o da ‘globalização solidá ia’, em con aposição à a ual globalização assimé ica” (CARDOSO, 2009). O abalho mais in enso de e o ço do mul ila e alismo com oco na p ojeção in e nacional do B asil, no en an o, icou a ca go de seu sucesso Luiz Inácio Lula da Sil a, que omou posse em 2003. Pa a Fonseca (2011), a polí ica ex e na de Lula da Sil a bene iciou-se dos a anços p opo cionados pelo seu an ecesso e, po isso, e i ica-se mais uma adequação das es a égias que p op iamen e mudanças na polí ica ex e na en e os dois go e nos. Ainda que em seus discu sos o iciais Lula da Sil a de endesse uma ideia de mudança na polí ica ex e na b asilei a, a e dade é que a a uação de seu go e no oi mui o mais no sen ido de consolida elações já es abelecidas e in ensi ica algumas ques ões em de imen o de ou as do que p op iamen e al e a as es a égias de polí ica ex e na em andamen o. Vige ani e Cepulani (2007) a gumen am que, mesmo ap esen ando ações e p io idades dis in as, os go e nos de FHC e Lula da Sil a es a am alinhados em man e uma adição diplomá ica: a de desen ol e a economia b asilei a, man endo sua au onomia polí ica. Po ou o lado, Sa ai a (2013) obse a que a ascensão de Lula da Sil a signi icou um e o ço da co en e au onomis a, ep esen ado pela a uação na “de esa de uma p ojeção 61 au ônoma e p oa i a do B asil na polí ica in e nacional” (p. 66). Essa co en e buscou uma e o ma das dinâmicas das ins i uições in e nacionais na qual o B asil e os demais países do Sul Global pudessem e mais espaço de decisão e ep esen a i idade. Ao busca o es ei amen o e expansão de elações diplomá icas com países do Sul Global, o B asil assumi ia um posicionamen o polí ico-es a égico de en en amen o das ques ões No e/Sul, além de se a i ma como a lide ança egional sul-ame icana e pa cei o p óximo de países eme gen es e a icanos. Sa ai a (2013) e i ica, ainda, que o p og ama do p imei o go e no de Lula da Sil a (2003-2006) apon a a pa a a p io ização das polí icas egionais e de alo ização das elações com a Amé ica do Sul como o ma de desen ol e a economia nacional, assim como pa a a diminuição dos con li os in e nacionais e a cons ução de uma o dem in e nacional mais equilib ada. Fonseca (2017) ac escen a que, ainda que a p io idade anunciada pelo go e no Lula da Sil a osse a egião sul-ame icana, du an e o seu go e no o B asil buscou ambém p ojeção global: Com Lula, coexis e o ap o undamen o da elação com a egião e a pe ceção, en e os o mulado es da polí ica ex e na, de que o B asil de inha capacidade pa a a ua e mesmo in luencia o sis ema in e nacional, o qual começa a a adqui i con o nos p opícios à eme gência de países como o B asil – po ências egionais, com sis emas polí icos es á eis e legí imos, economias em c escimen o e sociedades u banas em e olução (FONSECA, 2017, p. 55). Com isso, pa a Fonseca (2017), ica e iden e que o obje i o inal da polí ica ex e na b asilei a no pe íodo de Lula da Sil a e a “a p ojeção in e nacional do B asil e a eo ganização do sis ema in e nacional, ansi ando pa a uma possí el o dem mul ipola com oco nos o ganismos mul ila e ais” (p.55). Na elação com os Es ados Unidos, Vige ani e Cepulani (2007) obse am que, apesa de e i a con on os com os izinhos do no e, o go e no de Lula da Sil a buscou a i amen e elações com países eme gen es, União Eu opeia e Me cosul como o ma de eduzi as assime ias da o dem global p o ocadas pela hegemonia es adunidense. Mesmo u ilizando-se dessa es a égia, os au o es essal am que não hou e up u as ou c ises acen uadas com países icos, mas uma “ azoá el capacidade de dis ingui as ques ões especí icas de obje i os mais amplos, como o desen ol imen o econômico e a manu enção de uma polí ica ex e na au ônoma” (p. 326). Fonseca (2017) essal a como e idências dessa a iculação a pa icipação a i a do B asil no ó uns do G-20, dos BRICS (B asil, Rússia, Índia, China e Á ica do Sul) e IBSA 62 (Fó um de Diálogo Índia-B asil-Á ica do Sul) e, adicionalmen e, a ecupe ação da polí ica de ap oximação com o con inen e a icano, que i e a seu auge nos anos 1970, buscando ap o unda aco dos econômicos, ene gé icos e geoes a égicos, especialmen e com os países lusó onos, com os quais o B asil compa ilha uma ma iz cul u al e iden i á ia comum. Sa ai a (2014) essal a, ainda, que em 2009 a China o nou-se o p incipal pa cei o come cial do B asil e, em 2010, passou a se o maio in es ido no país. A impo ância da China pa a a polí ica come cial b asilei a ele ou a cen alidade desse país nas elações diplomá icas e na polí ica ex e na b asilei a. Em 2011, Dilma Rousse ascende à p esidência da epública pelo mesmo pa ido de Lula da Sil a, he dando de seu an ecesso es a égias de inidas de polí ica ex e na, como a o ien ação ol ada pa a o Sul Global e Amé ica do Sul, o apoio ao mul ila e alismo e um posicionamen o e isionis a das ins i uições in e nacionais (SARAIVA, 2014). Como obse a Sa ai a (2014), a co en e au onomis a que p edominou no I ama a y du an e os go e nos de Lula da Sil a e FHC oi man ida, assim como os p incipais policymake s da polí ica ex e na b asilei a. No en an o, a conjun u a econômica an o domés ica como in e nacional impuse am di iculdades a Rousse em seu empenho de le a a cabo as es a égias de seu an ecesso . Com isso, “o B asil oi pe dendo p o agonismo da polí ica global e seus mo imen os assumi am um ca á e ea i o” (SARAIVA, 2014, p. 25). Como imos no capí ulo 3.2.1, ao deixa a p esidência, em 2010, Lula da Sil a con a a com uma popula idade eco de en e a população b asilei a e seus e ei os podiam se sen idos nas elações com o ex e io , já que Lula da Sil a ap o ei ou de sua no o iedade pa a explo a a diplomacia p esidencial. Sa ai a (2014) obse a, no en an o, que Rousse abandonou a cen alidade da diplomacia p esidencial como es a égia de p ojeção global e egional do B asil, p io izando da a enção a assun os in e nos. Como consequência, o B asil eduziu sua pa icipação p oa i a na polí ica global. Em con apa ida, as posições b asilei as no âmbi o do mul ila e alismo e do apoio às e o mas das ins i uições globais o am man idas, aliadas ao adicional posicionamen o de não in e enção e solução diplomá ica de e en uais dispu as. Uma das a uações mais des acadas da polí ica ex e na de Dilma Rousse o am as alianças come ciais dos BRICS e no âmbi o do G-20. Como essal a Sa ai a (2014), os BRICS cons i uí am o “ oco p incipal e eno ado da polí ica de Dilma Rousse ” (p. 30). Po meio das cúpulas desse bloco o am i mados di e sos 63 aco dos, mas especialmen e, em 2014, a c iação de um banco pa a inancia in aes u u as e o desen ol imen o dos países do g upo. Os BRICS ambém o am aliados no âmbi o do G-20 ao esis i em a mudanças suge idas pelas po ências ociden ais pa a in oduzi no as egulamen ações sob e o luxo de capi ais. Nas elações ex e nas, Sa ai a (2014) obse a que a c ise inancei a da zona do Eu o deses imulou o a anço das pa ce ias com a União Eu opeia, especialmen e o aco do de li e comé cio Me cosul-UE. Nas elações com os Es ados Unidos, man e e-se uma elação co dial e de ap oximação a é 2013, quando oi e elada a espionagem po pa e de agências es adunidenses sob e emp esas b asilei as e a p óp ia p esiden e da epública. Dilma Rousse cancelou uma eunião bila e al com Ba ack Obama p e is a pa a o mesmo ano a espe a de um pedido o mal de desculpas que nunca acon eceu. Na es e a de coope ação com os países a icanos, o go e no de Rousse p ocu ou man e as elações e a impo ância es a égica do con inen e sem, en e an o, a ança com no as inicia i as impo an es. O mesmo acon eceu nas elações com a Amé ica do Sul que, apesa de igu a em como p io i á ias pa a as ambições egionais b asilei as, não assis i am consis en es a anços em elação à polí ica já es abelecida po Lula da Sil a (SARAIVA, 2014). Co ne e (2014) conclui que as di e enças pessoais en e Lula da Sil a e Dilma Rousse ep esen a am um a o de up u a na polí ica ex e na b asilei a, que ica e iden e nos esul ados ob idos po meio da diplomacia p esidencial em cada um dos go e nos. Pa a Co ne e (2014), o g au de mudança da polí ica ex e na b asilei a de Rousse em elação a Lula da Sil a pode se esumido em “ edução de es o ços com manu enção dos obje i os e dos meios” (p. 128). Com o a as amen o da p esiden e Dilma Rousse do ca go, em maio de 2016, Michel Teme assume como p esiden e in e ino, ap esen ando ambém uma no a composição minis e ial. O escolhido pa a se Minis o das Relações Ex e io es oi o polí ico de ca ei a 18 José Se a, do PSDB, pa ido aliado de Teme . Em seu p imei o discu so como chancele , Se a anunciou dez di e izes de uma “No a Polí ica Ex e na B asilei a” que e idencia am a in enção de edi eciona as elações b asilei as do eixo sul- 18 A escolha de um polí ico s ic u sensu con a iou uma adição do I ama a y: se che iado po diploma as de ca ei a. 64 sul pa a o eixo no e-sul, além de p io iza a abe u a de me cados e dinamização econômica e come cial do B asil (SERRA, 2016): A diplomacia ol a á a e le i de modo anspa en e e in ansigen e os legí imos alo es da sociedade b asilei a e os in e esses de sua economia, a se iço do B asil como um odo e não mais das con eniências e p e e ências ideológicas de um pa ido polí ico e de seus aliados no ex e io (SERRA, 2016, n.p.). Fonseca (2018) obse a que esse discu so de desideologização da PEB busca a exp essa um desejo de eo denamen o das elações b asilei as, buscando p i ilegia , po exemplo, aco dos bila e ais com países do cen o do capi alismo global em de imen o do mul ila e alismo. Uma das in enções do no o go e no e a e idencia uma up u a com o modelo de polí ica ex e na b asilei a “al i a e a i a” le ada a cabo du an e os go e nos pe is as e buscando, po ou o lado, a cons ução de uma imagem ex e na de de esa da o dem in e nacional igen e, assim como de um B asil economicamen e esponsá el, em subs i uição do país “pujan e” e “eme gen e”, in iabilizado pela c ise econômica con empo ânea ao pe íodo. Esse eo denamen o pode se in e p e ado como subs i u o do posicionamen o e isionis a da o dem in e nacional de endido pelo B asil a é en ão (SILVA, 2019). Sem con a com plena legi imidade in e na no pós-impeachmen , o go e no de Michel Teme buscou cons ui uma imagem de esponsabilidade econômica e polí ica como o ma de mi iga a imagem de caos ins i ucional da polí ica in e na. Alinhada a essa no a imagem, a PEB passou a consen i com a o dem in e nacional igen e, exp essando, po exemplo, a in enção de en a como país-memb o da OCDE (O ganização pa a a Coope ação e Desen ol imen o Econômico) e uma polí ica econômica o odoxa, des oan e do modelo neodesen ol imen is a dos go e nos an e io es. Em esumo, as ações da polí ica ex e na b asilei a du an e o go e no Teme busca am um espaldo an o in e no, a a és das eli es econômicas, quan o ex e no pa a seu p og ama econômico (SILVA, 2019). Sil a (2019) analisa ainda que a a uação da diplomacia p esidencial, que já ha ia pe dido impulso com Dilma Rousse , oi ainda mais elegada a um segundo plano sob Michel Teme . O en ão p esiden e exe cia o seu manda o com meno legi imidade, sob p essão de in es igações de co upção en ol endo seu nome e ca egando o es igma de um p ocesso de impeachmen conside ado suspei o. Além disso, o cená io in e nacional e a 65 ins á el e a p oximidade das eleições de 2018 c ia am um ambien e pouco p opício pa a que Teme explo asse sua imagem como che e de es ado b asilei o no ex e io . Mi anda (2019) obse a que uma das mudanças mais emblemá icas na condução da polí ica ex e na b asilei a du an e o go e no de Michel Teme oi no âmbi o das elações com a Amé ica do Sul. Conside ada como egião de p ojeção p io i á ia du an e os go e nos an e io es, o subcon inen e sul-ame icano e e sua impo ância ebaixada na es a égia diplomá ica b asilei a, passando a “ ep esen a um espaço de meno ele ância, quando não um on de desgas e pa a nossas elações ex e io es” (p. 134). Essa dinâmica ambém ompeu com a “ adição de cen alidade do I ama a y na condução das elações ex e io es, algo que se pe cebe, po exemplo, na signi ica i a ele ação do ‘ om’ que passou a g assa nos discu sos b asilei os” (p. 134). Mi anda (2019) essal a que a mudança no a amen o dedicado à Amé ica do Sul icou e iden e pela edução da quan idade de isi as de es ado na egião, assim como a p io ização dada a inicia i as do No e Global, como a Aliança do Pací ico, em de imen o de ins i uições e g upos egionais, como a UNASUL (União das Nações Sul-Ame icanas) e o p óp io Me cosul. Pa a além disso, a polí ica ex e na b asilei a de Teme inaugu ou “uma dinâmica con li uosa e pe secu ó ia em elação à Venezuela” (p. 134) no que, pa a Mi anda (2019), pode se in e p e ado como uma ameaça aos adicionais p incípios do I ama a y de não-in e enção e de esa da sobe ania. Rezende (2016) elemb a que a ele ação do om diplomá ico b asilei o na e a Teme p o ocou descon o os com ou os izinhos sul-ame icanos, como Bolí ia, Equado e U uguai. Po mais que o go e no b asilei o não conco dasse com suas polí icas domés icas, a é en ão o I ama a y nunca ha ia se ido pa a aze in e ências em assun os in e nos de ou os países. 3.3.2. A No a Polí ica Ex e na B asilei a sob Bolsona o e A aújo Ainda an es de se elei o p esiden e, em 2018, quando Jai Bolsona o despon a a na dispu a elei o al com eais chances de se elei o, passou-se a especula como se ia a condução do Minis é io das Relações Ex e io es sob seu e en ual go e no. O en ão p esiden e da epública Michel Teme chegou a se mani es a na TV B asil dizendo que inha con icção de que Bolsona o man e ia a linha uni e salis a da polí ica ex e na b asilei a. Conje u a am-se nomes de diploma as bas an e expe ien es e iden i icados com 66 as adições do I ama a y, como Ma cos Gal ão (sec e á io-ge al do MRE du an e o go e no Teme ), José Al edo G aça Lima (diploma a p óximo do ex-chancele Luiz Felipe Lamp eia, do go e no de FHC) e Naza e h Fa ani Aze edo (che e da delegação b asilei a na ONU). No en an o, o indicado pa a ocupa o ca go de Minis o das Relações Ex e io es oi E nes o A aújo, um diploma a ecém-p omo ido à p imei a classe e que ainda não ha ia comandado nenhuma embaixada no ex e io (FREIXO, 2019). No en an o, A aújo azia como c edenciais a indicação do esc i o conse ado Ola o de Ca alho, a simpa ia do depu ado Edua do Bolsona o ( ilho do p esiden e, que desde a campanha elei o al inha p ocu ando se a i ma como uma lide ança in e nacional do neoconse ado ismo) e o a i ismo polí ico p ó- candida u a Bolsona o exe cido em seu blog pessoal, p á ica pouco usual em um diploma a (FREIXO, 2019, n.p.). Dieguez (2019) ela a ainda que Felipe Ma ins, en ão sec e á io de assun os in e nacionais do PSL e a ual assesso in e nacional do p esiden e Bolsona o ambém in luenciou na decisão. O nome de A aújo passou a se des aca após publica , em 2017, um a igo nos Cade nos de Polí ica Ex e io 19 , in i ulado “T ump e o Ociden e”. Na publicação, A aújo de ende a imagem do ex-p esiden e dos Es ados Unidos, Donald T ump, como de enso dos alo es de libe dade no e-ame icanos e c í ico dos concei os de “Ociden e pós-mode no” ou “Ociden e poli icamen e co e o” que eme gi am com a globalização: Os EUA iam en ando no ba co da decadência ociden al, en egando‐se ao niilismo, pela desiden i icação de si mesmos, pela desacul u ação, pela subs i uição da his ó ia i a pelos alo es abs a os, absolu os, inques ioná eis. Iam en ando, a é T ump (ARAÚJO, 2017, p. 348). Os en á icos posicionamen os de A aújo exp essos no a igo em apoio a T ump e ao nacionalismo e em oposição à globalização o am em boa pa e ep oduzidos em seu discu so de omada de posse, em janei o de 2019, como esume Dieguez (2019): Su p eendeu, de ca a, ao aze ci ações em g ego e la im e eza uma A e-Ma ia em upi. De endeu em seguida que o B asil se ap oximasse dos Es ados Unidos e de Is ael; se disse admi ado dos no os go e nos da I ália, Hung ia e Polônia; suge iu que os diploma as ou issem mais Raul Seixas e menos a CNN; colocou- 19 Re is a semes al do IPRI (Ins i u o de Pesquisas de Relações In e nacionais), do I ama a y. 73 ao documen o de cons i uição do Fó um pa a o P og esso da Amé ica do Sul (P osul), idealizado po A gen ina, B asil, Chile, Colômbia, Equado , Guiana, Pa aguai e Pe u como subs i u o da Unasul (VEJA, 2019). Chagas-Bas os e F anzoni (2019) ques ionam se as ações do go e no Bolsona o no âmbi o das elações ex e io es podem, a inal, se conside adas uma polí ica ex e na. Pa a os au o es, no p imei o ano de Bolsona o na p esidência, o I ama a y ompeu com alguns p ecei os básicos da diplomacia b asilei a e a polí ica ex e na passou a se imp e isí el. Bolsona o es á engajado em p omo e a imagem de um B asil eno ado no ex e io , desassociado de algumas bandei as his ó icas, como di ei os humanos e mul ila e alismo, ao mesmo empo em que busca da ên ase ao me cado abe o em pa ce ia com o No e Global em de imen o da es a égia de lide ança egional, udo isso enquan o busca legi imidade pa a suas polí icas in e nas. Chagas-Bas os e F anzoni (2019) a gumen am que com uma condução “incoe en e” da polí ica ex e na, “o eme gen e gigan e sul- ame icano é ago a apenas um gigan e bu o: sem di eção ou es a égia” (n.p., adução nossa). A es a égia mais conc e a ap esen ada po Bolsona o em seu p imei o ano de go e no se ia apenas uma c uzada con a a esque da, o comunismo e qualque polí ica pública que es eja minimamen e associada a esses g upos. Sa ai a e Sil a (2019), no en an o, Mo ei a (2020), po sua ez, obse a na polí ica ex e na de Bolsona o uma con inuidade das es a égias inaugu adas du an e o go e no de Michel Teme , cujo minis o José Se a lançou as di e izes da “No a Polí ica Ex e na” ( ide capí ulo 3.3.1). Pa a Mo ei a, apesa de o go e no Bolsona o a ança com um no o pe cu so, ca ac e izado pelo adicalismo e ó ico e pela “ up u a nos p ocedimen os diplomá icos, especialmen e se compa ada com a adição do I ama a y nos úl imos 30 anos” (p.11), suas ações em emas como ideologização, comé cio e segu ança podem se conside adas como con inuidades da e o ma ins i ucional iniciada a pa i de 2016, assim como a ên ase no eposicionamen o in e nacional do B asil e de suas elações bila e ais. Em esumo, podemos obse a que a no a polí ica ex e na de Bolsona o é ca ac e izada p incipalmen e po um alinhamen o com os Es ados Unidos de Donald T ump e as demais nações do no e global go e nadas po ideologias populis as de 74 ex ema-di ei a, com o obje i o cons an e po se posiciona como uma nação eno ada e abe a aos negócios do capi alismo global e como pon o de di e gência dos go e nos que se sucede am. Além disso, a PEB sob Bolsona o é c í ica à globalização, ao mul ila e alismo e algumas pau as conside adas p og essis as, como di ei os humanos e p o eção ambien al. Esses posicionamen os são e idenciados e e o çados pela e ó ica, menos conciliado a e mais incisi a, especialmen e ao a a de nações izinhas go e nadas pela esque da, como ambém pelas ações, demons adas pela p oximidade ou dis anciamen o que es abelece com di e en es países, mui as ezes igno ando o his ó ico e a adição dessas elações diplomá icas e impo ância come cial pa a o B asil. 75 4. A COBERTURA DA PEB NA IMPRENSA EM 2019: FOLHA DE S. PAULO Nes e capí ulo desen ol emos uma pesquisa empí ica sob e as edições imp essas do jo nal Folha de S. Paulo publicadas du an e o ano de 2019 com o obje i o de esponde à pe gun a de pa ida des a disse ação: como a imp ensa cob iu a no a polí ica ex e na b asilei a de Jai Bolsona o? Pa a desen ol e es a pesquisa, es e capí ulo di ide-se em qua o pa es, seguindo a me odologia de análise de con eúdo p opos a po Ba din (2016). Na p imei a pa e ap esen amos in o mações ele an es sob e o jo nal Folha de S. Paulo, u ilizado como amos a des a in es igação. Com isso, buscamos jus i ica a escolha desse diá io po meio de sua ele ância an o em e mos de audiência como de in luência no cená io polí ico- mediá ico b asilei o. A segunda pa e dedica-se à ase de o ganização da pesquisa, na qual explicamos os mé odos, c i é ios e a iá eis le adas em conside ação pa a analisa o conjun o ma e ial cole ado. Na e cei a pa e, azemos a explo ação quan i a i a do obje o de es udo, na qual ap esen amos os esul ados em g á icos. Po im, na qua a e úl ima pa e, azemos uma análise dos esul ados ob idos, adicionando in e ências e in e p e ações possí eis de es abelece . 4.1. UM JORNAL CENTENÁRIO NO BRASIL: FOLHA DE S. PAULO No capí ulo 2.4 imos que os jo nais imp essos, ainda hoje, ep esen am as p incipais on es de in o mação e de agendamen o polí ico dos meios de comunicação de massa e das pla a o mas de comunicação digi ais. Segundo Aze edo (2017), as publicações imp essas dão o igem às p incipais no ícias e comen á ios que são eplicados nas no as mídias digi ais e no sis ema de ádio e ele isão de massas, desempenhando, assim, um papel c ucial na p odução de no ícias e no agendamen o de no os emas pa a o deba e público. No caso b asilei o, segundo o Po al Imp ensa (2021), são ês os jo nais imp essos gene alis as de maio ele ância nacional: Folha de S. Paulo, O Globo e O Es ado de S. Paulo. Segundo ela ó io do IVC (Ins i u o Ve i icado de Comunicação) publicado pela Folha de S. Paulo (2021a), es e diá io possui o maio núme o de assinan es mensais (conside ando-se as edições imp essas e online), com uma média mensal de 337.854 76 exempla es diá ios, seguido de O Globo, com 332.176 e O Es ado de S. Paulo, com 239.935. Além de sua exp essi a audiência ge al, a Folha de S. Paulo possui uma impo an e p esença geog á ica se le a mos em conside ação as dimensões do B asil: lide a em ci culação o al em 25 das 27 unidades da ede ação. Au oin i ulado “o jo nal mais in luen e do B asil” (FOLHA DE S. PAULO, s.d.), a Folha de S. Paulo nasceu em 1960 a pa i da usão de ês jo nais do G upo Folha: Folha da Manhã, Folha da Ta de e Folha da Noi e. Em 1961 o jo nal oi adqui ido po Oc á io F ias de Oli ei a e Ca los Caldei a Filho, que in es i am na mode nização do pe iódico, ampliação das ecei as e ab angência. (AZEVEDO, 2018b). No B asil, a Folha de S. Paulo oi pionei a, po exemplo, na imp essão o se 29 em co es, no uso exclusi o de compu ado es na edação, além de e implemen ado a igu a do ombdusman 30 , em 1989. Aze edo (2018b) obse a que a Folha de S. Paulo apoiou o golpe de es ado de 1964 e os p imei os anos de egime mili a no B asil. Somen e a pa i de 1976, em um conjun o de eno ações g á icas e edi o iais, é que o jo nal ocou seu público-al o nos segmen os mais in elec ualizados e p og essis as do pon o de is a polí ico. Essas mudanças se dão num pe íodo ma cado pela abe u a polí ica, em que a lu a pela anis ia e pela edemoc a ização começa a a oma impulso no país e a ganha o co ação e as men es da classe média. Reposicionado edi o ialmen e, alo izando o plu alismo e o deba e de ideias, o jo nal c esceu nos segmen os da audiência mais jo em e de classe média, e apoiou a lu a em a o da anis ia, da Cons i uin e e das eleições di e as, azendo cobe u as ex ensas de episódios polí icos c í icos pa a o egime mili a e ade indo à campanha das “Di e as Já”, que ecebeu g ande apoio da publicação (AZEVEDO, 2018b, p. 277). Segundo Aze edo (2018b), a ualmen e a Folha (como é comumen e chamada) man ém a mesma linha edi o ial e di e sidade in e na, es ando posicionada ao cen o do espec o polí ico, com abe u a pa a o deba e e con on o de ideias em suas páginas. Pa a o au o , pode ia se classi icada ainda como “publicação alinhada com os ideá ios libe ais na polí ica e na economia, mas comp ome ida com uma audiência menos conse ado a” 29 Técnica de imp essão indi e a que u iliza cilind os in e médios e pe mi e a imp essão de g andes quan idades de papel. 30 Figu a esponsá el po ecebe c í icas e suges ões dos lei o es, assim como aze análises c í icas independen es sob e a a uação e posicionamen o do jo nal. Ge almen e o ca go é ocupado po jo nalis as expe ien es. 77 (AZEVEDO, 2018b, p. 278). O a ual slogan do diá io é “Um jo nal a se iço da democ acia”. Esse posicionamen o se ia o di e encial da Folha dian e de seus dois p incipais conco en es a ní el nacional (O Globo e O Es ado de S. Paulo), que ab angem um público mais à di ei a no espec o polí ico. Em 2021, o jo nal celeb ou 100 anos, conside ando o início da ci culação da Folha da Noi e em 1921. 4.2.PRÉ-ANÁLISE Nes a seção de p é-análise, nosso obje i o é elucida e sis ema iza os obje i os da análise de con eúdo, demons ando os c i é ios de escolha do co pus de pesquisa e elabo ando algumas hipó eses p elimina es. Pa a isso, pa imos de uma lei u a lu uan e, al como suge e Ba din (2016), que “consis e em es abelece con a o com os documen os a analisa e em conhece o ex o deixando-se in adi po imp essões e o ien ações” (p. 126). A pa i da lei u a p é ia das edições e dos e en os ac uais ab angidos pela cobe u a jo nalís ica do jo nal em ques ão, de inimos como obje o empí ico os ex os, independen emen e do gêne o jo nalís ico u ilizado, publicados na edição p incipal imp essa do jo nal Folha de S. Paulo du an e o ano de 2019. Po edição p incipal nos e e imos ao jo nal em sua o ma egula de publicação, sem conside a , po exemplo, edições ex as, cade nos especiais ou in o mes publici á ios ex e nos que acompanham as edições. Pa a seleciona as publicações ele an es pa a nossos obje i os, u ilizamos a pla a o ma de busca a ançada do Ace o Folha 31 , onde il amos a pesquisa u ilizando a busca po con eúdos que con inham o e mo “polí ica ex e na” ou que es i essem elacionados a ela e que o am publicados no pe íodo de análise em odas as seções do jo nal (Pode , Mundo, Me cado, Ilus ada, en e ou as). A seleção do co pus de pesquisa seguiu a eg a da pe inência, al como pos ula Ba din (2016), segundo a qual “os documen os e idos de em se adequados, enquan o on e de in o mação, de modo a co esponde em ao obje i o que susci a a análise” (p.128). Desse modo, nosso pa âme o inal pa a seleção do co pus oi: 1) que a ma é ia enha sido publicada na e são imp essa da Folha de S. Paulo no pe íodo en e 01 de janei o e 31 de dezemb o de 2019; e 2) que o ema p incipal es eja elacionado à polí ica ex e na b asilei a. U ilizando esses dois c i é ios, nosso co pus de pesquisa esumiu-se a um o al de 368 31 Disponí el apenas pa a assinan es da Folha de S. Paulo (h ps://ace o. olha.com.b /index.do). 78 ex os ex aídos das 365 edições publicadas no pe íodo de análise, al como lis ado no Anexo 1. A pa i dessa seleção de ex os, nosso obje i o é analisa como a Folha de S. Paulo cob iu os assun os elacionados à polí ica ex e na b asilei a em suas páginas du an e o ano de 2019 a pa i de seis c i é ios p elimina es: 1) p esença de emas elacionados à polí ica ex e na nas edições; 2) emá ica elacionada à polí ica ex e na b asilei a; 3) gêne o jo nalís ico u ilizado; 4) pe sonagens da polí ica ex e na b asilei a ci ados; 5) ipos de on es in e p e a i as e 6) posicionamen o global. O abalho de análise do con eúdo selecionado é ei o de manei a quan i-quali a i a, ou seja, a pa i da ex ação de dados quan i a i os de equência de apa ição de ce as a iá eis, assim como po meio de obse ações quali a i as sob e o con eúdo em análise. A pa i da lei u a lu uan e, conseguimos o mula como obse ações p elimina es: 1) que a Folha de S. Paulo possui um posicionamen o c í ico en e às mudanças le adas a cabo na polí ica ex e na b asilei a du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o; 2) u iliza diploma as e especialis as como p incipais on es in e p e a i as dos a os e 3) e idencia seus posicionamen os po meio de edi o iais c í icos à no a polí ica ex e na b asilei a. Conside ando a exposição das e apas e c i é ios de seleção do co pus, dos obje i os da análise de con eúdo e endo le an adas as hipó eses p elimina es sob e o con eúdo eunido, passamos a segui pa a a explo ação do ma e ial. 4.3.EXPLORAÇÃO QUANTITATIVA DO MATERIAL E TRATAMENTO DOS RESULTADOS Pa a aze um le an amen o quan i a i o do co pus, analisamos cada um dos 368 ex os, egis ando em abela Excel a equência com que os c i é ios nume ados an e io men e apa eciam. Pa a melho isualiza os dados cole ados, p ocessamos os esul ados no p og ama IBM SPSS S a is ics 26, po meio de es a ís ica desc i i a de equência simples, que nos pe mi iu elabo a g á icos que demons am isual e quan i a i amen e cada um dos seis c i é ios de análise da Folha de S. Paulo. O p imei o c i é io analisado oi a equência com que ex os sob e a polí ica ex e na b asilei a e am publicados nas edições do jo nal. 79 GRÁFICO 1 – P esença de ex os elacionados à polí ica ex e na b asilei a na Folha de S. Paulo em 2019 Fon e: dados do au o O g á ico demons a que a p esença de ex os elacionados à polí ica ex e na b asilei a no jo nal Folha de S. Paulo a iou bas an e ao longo do ano de 2019, com um isí el aumen o a pa i do segundo semes e. Ve i icamos que isso acon eceu p opo cionalmen e à equência com que emas elacionados à polí ica ex e na pau a am a agenda pública, bem como consoan e a pa icipação b asilei a em e en os in e nacionais, isi as de Es ado ou c ises diplomá icas. Podemos essal a , po exemplo, que no mês de janei o boa pa e das publicações aziam e e ência à o mação do no o go e no e sua es a égia de polí ica ex e na, assim como des aca am os discu sos e mudanças que o go e no Bolsona o ap esen a a pa a a polí ica ex e na b asilei a. Fe e ei o, no B asil, coincide com ecesso pa lamen a , é ias e ca na al e, po an o, adicionalmen e diminui a quan idade de acon ecimen os no ambien e polí ico, como consequência es e oi o mês com menos publicações (15) sob e a PEB. En e ma ço e ab il os emas mais equen es a a am das p imei as isi as de Es ado de Jai Bolsona o aos Es ados Unidos e Is ael. A 26 15 19 19 17 20 37 63 36 43 36 37 Janei o Fe e ei o Ma ço Ab il Maio Junho Julho Agos o Se emb o Ou ub o No emb o Dezemb o Quan idade Mês 80 pa i de junho uma sucessão de e en os ele an es no âmbi o in e nacional in luenciou pa a que os emas elacionados à polí ica ex e na me ecessem uma cobe u a mais equen e pela Folha de S. Paulo, como po exemplo a 14ª eunião de cúpula do G-20 e a ap o ação do aco do come cial en e o Me cosul e a União Eu opeia, em inais de junho e que i e am epe cussão ambém em julho. As queimadas na egião da Amazônia e do Pan anal b asilei o no mês de agos o chama am a a enção da comunidade in e nacional e o assun o oi pau ado na 45ª eunião de cúpula do G7. As decla ações do p esiden e ancês Emanuel Mac on em de esa da lo es a o am in e p e adas como ameaça à sobe ania nacional po Jai Bolsona o, acen uando uma c ise diplomá ica en e B asil e F ança. Em se emb o, Bolsona o p o e iu o discu so de abe u a da Assembleia-Ge al das Nações Unidas, como adicionalmen e cabe ao che e de es ado b asilei o. Suas decla ações sob e as no as polí icas in e na e ex e na b asilei as epe cu i am na agenda pública, assim como as negociações sob e a c ise na Venezuela. Em ou ub o, podemos des aca o não apoio dos Es ados Unidos pa a a adesão do B asil à OCDE, como ha ia sido aco dado na isi a a Donald T ump em ma ço. Em no emb o, a eleição de Albe o Fe nández como p esiden e na A gen ina acen uou o deba e sob e as elações B asil-A gen ina e sob e os desa ios do Me cosul. Também em no emb o acon eceu em B asília o encon o dos BRICS. Em dezemb o, um dos emas que mais epe cu iu oi sob e a pa icipação b asilei a na Con e ência das Nações Unidas sob e as Mudanças Climá icas de 2019 (COP-25), na es ei a das discussões sob e desma amen o e queimadas na Amazônia. Em esumo, podemos a i ma que a cobe u a da Folha de S. Paulo sob e emas elacionados à polí ica ex e na segue uma lógica de pe inência comum às publicações de gêne o jo nalís ico, que acompanha a eco ência e ele ância de e en os ac uais e sua epe cussão pública, assim como o agendamen o público p o ocado pelas ações do go e no e seus policymake s nessa á ea. Pa indo desse p essupos o, nosso segundo c i é io de análise oi sob e as emá icas mais equen es na cobe u a da Folha de S. Paulo sob e a polí ica ex e na b asilei a du an e o ano de 2019. 81 GRÁFICO 2 – Temá icas mais equen es sob e a polí ica ex e na b asilei a na Folha de S. Paulo em 2019 Fon e: dados do au o O g á ico 2 indica que os assun os elacionados à polí ica ex e na b asilei a mais abo dados pela Folha de S. Paulo du an e o ano de 2019 o am sob e o I ama a y (42 ex os), as elações com os Es ados Unidos (40 ex os) e a No a Polí ica Ex e na (34 ex os). O p imei o assun o engloba as publicações que azem e e ência ao Minis é io das Relações Ex e io es, às polí icas anunciadas pelo I ama a y, além de mo imen ações no co po diplomá ico e no Ins i u o Rio B anco. Um dos e en os que mais con ibuiu pa a que o I ama y osse o assun o cen al de 11% das publicações sob e a polí ica ex e na oi a epe cussão pública em o no da in enção do p esiden e Jai Bolsona o de indica seu ilho, o depu ado ede al Edua do Bolsona o, pa a o ca go de embaixado nos Es ados Unidos. A en a i a, no en an o, acabou us ada pela p essão pública e polí ica. A p opósi o, as elações com os Es ados Unidos o am o segundo assun o mais p esen e no co pus analisado. Como imos no capí ulo 3.3.2, uma das es a égias cen ais da polí ica ex e na de Jai Bolsona o e E nes o A aújo oi o alinhamen o ideológico e polí ico com os Es ados Unidos de Donald T ump, não su p eende, po an o, que as elações bila e ais com esse país ossem uma p io idade na agenda polí ica b asilei a do pe íodo. Em 2019, o p esiden e Jai Bolsona o e e dois encon os com Donald T ump: o p imei o, em ma ço, em uma isi a de es ado em Washing on e o segundo em se emb o, du an e a Assembleia-Ge al das 32% 11% 11% 9% 6% 5% 5% 5% 5% 5% 3%3% Ou os I ama a y Es ados Unidos No a Polí ica Ex e na Amazônia Aco do Me cosul-EU A gen ina China ONU Go e no Venezuela Me cosul 82 Nações Unidas. O p imei o encon o esul ou em um paco e de aco dos bila e ais na á ea mili a , de segu ança e comé cio, que o am amplamen e abo dadas pelo jo nal analisado. A e cei a emá ica mais abo dado oi a No a Polí ica Ex e na B asilei a, que ab ange odos os assun os elacionados às mudanças le adas a cabo na PEB pelo go e no de Jai Bolsona o, como mudanças de e ó ica, de posicionamen o em ó uns globais, alinhamen o com países go e nados pela di ei a e queb a de adições diplomá icas. A ele an e p esença (9%) desse assun o e idencia como as mudanças na polí ica ex e na ocupa am boa pa e da agenda mediá ica du an e o pe íodo de análise. Como já ha íamos obse ado nos esul ados do g á ico 1, o aumen o do desma amen o na á ea da Amazônia, assim como a celeb ação do Aco do Me cosul-UE ambém o am des aques na imp ensa analisada, endo espondido po 6% e 5%, espec i amen e, das publicações sob e polí ica ex e na do pe íodo de análise. Chama a a enção nes e g á ico o posicionamen o da China na agenda mediá ica. Como obse a F eixo (2019), uma das es a égias pa a polí ica ex e na de Jai Bolsona o oi, em alinhamen o com os Es ados Unidos, ado a uma pos u a an i-China, em con adição com os in e esses come ciais do B asil, is o que o país asiá ico é o maio comp ado das expo ações b asilei as. Ao não p io iza uma agenda bila e al com a China, o go e no b asilei o in luenciou no agendamen o mediá ico, que po sua ez dedicou um espaço meno às elações com esse país, espondendo po apenas 5% dos ex os analisados. A pa i da análise do g á ico 2 podemos dep eende que a cobe u a da Folha de S. Paulo sob e a polí ica ex e na b asilei a em 2019 acompanhou as emá icas mais ele an es pa a o go e no b asilei o naquele pe íodo: a eno ação do Minis é io de Relações Ex e io es, a implan ação de uma polí ica ex e na ees u u ada e de up u a com adições es abelecidas, assim como um alinhamen o ideológico cla o com os Es ados Unidos. Os demais emas o am pau ados dada a impo ância es a égica, como o Aco do Me cosul-UE, A gen ina e China, e pela epe cussão in e nacional, como é o caso da c ise causada pelo aumen o dos índices de desma amen o na Amazônia e a c ise enezuelana. O e cei o c i é io analisado na análise de con eúdo oi sob e os gêne os jo nalís icos u ilizados pela Folha de S. Paulo pa a abo da a polí ica ex e na b asilei a. Essa análise se jus i ica pa a comp eende que ipo de espaço o jo nal dedica a essa 89 especialmen e impo an e nas ma é ias em que o jo nal a ou sob e emas ambien ais, como no caso da c ise na egião da Amazônia em que o ganizações não-go e namen ais i e am papel impo an e no agendamen o público do deba e. Além disso, os aco dos de comé cio in e nacional como o Me cosul-UE são de in e esse di e o de o ganizações ag opecuá ias e da indús ia nacional, que ambém o am equen emen e consul adas pa a comen a e analisa esses e en os. Po sua ez, no plano polí ico, depu ados ede ais e assesso es ep esen am, espec i amen e, 8% e 6% das on es u ilizadas, cons i uindo um g upo impo an e pa a deba e no plano midiá ico as es a égias polí icas ado adas ou deba idas no plano ins i ucional da República. O úl imo c i é io analisado na amos a selecionada é sob e o posicionamen o ge al dos ex os publicados em elação à polí ica ex e na b asilei a. Classi icamos os posicionamen os em ês g upos clássicos de aco do com a imagem inal que o ex o passa ao lei o : nega i o, posi i o ou neu o. Pa a ilus a essa classi icação, omemos como modelo um ex o jo nalís ico do gêne o no ícia com na a i a neu a, mas que expõe os bas ido es do pode e o amado ismo dos pe sonagens da polí ica b asilei a ao lida com assun os de polí ica ex e na. Nes e caso, o ex o se ia classi icado como endo um posicionamen o ge al nega i o pa a a imagem do go e no e da polí ica ex e na b asilei a. Apesa de ejei amos o concei o de neu alidade de uma peça jo nalís ica, u ilizamos es e e mo pa a de ini o con eúdo que, no seu conjun o, não e o ça aspec os nega i os ou posi i os da polí ica ex e na, mas ep oduzem uma análise écnica ou analí ica sob e de e minado assun o ou mesmo epo am no ícias sem uma c í ica e iden e, mas limi ada ao pon o de is a ac ual. Po im, os ex os classi icados como posi i os essal am ou na am aspec os posi i os da polí ica ex e na b asilei a, como celeb ação de aco dos ou análises posi i as da a uação do go e no e dos esul ados na es a égia de polí ica ex e na ado ada. 90 GRÁFICO 6 – Posicionamen o global dos ex os sob e a polí ica ex e na b asilei a na Folha de S. Paulo em 2019 Fon e: dados do au o O g á ico 6 demons a que 45% dos ex os sob e a polí ica ex e na b asilei a publicados na Folha de S. Paulo du an e o pe íodo de análise o am, no seu conjun o, conside ados nega i os pa a a imagem da PEB. A esse esul ados podemos a ibui á ias possibilidades, como o posicionamen o ei e adamen e c í ico do jo nal, exp esso em seus edi o iais, em elação às mudanças e a condução da PEB, o amado ismo de alguns dos p incipais agen es da polí ica ex e na, a imagem nega i a do B asil elacionada aos posicionamen os do go e no Bolsona o, assim como suas decla ações públicas polêmicas em e en os como G-20, Fó um de Da os e Assembleia-Ge al das Nações Unidas, além das c ises in e nacionais elacionadas à Amazônia e a con li os de in e esse exp essos, po exemplo, nas eleições a gen inas e nas elações com o p esiden e ancês Emmanuel Mac on. Apesa disso, 43% das publicações o am classi icadas como neu as, alinhadas a uma busca po impa cialidade em ex os jo nalís icos que se e i ica ambém na Folha de S. Paulo. Os 12% de publicações posi i as es ão associadas aos mé i os da PEB, como os a ados celeb ados no encon o com Donald T ump e a celeb ação do aco do Me cosul- UE, além de análises posi i as em a igos de opinião. Em esumo, podemos a i ma que a cobe u a do jo nal oi ei a a pa i de um iés c í ico e, po con a disso, nega i o pa a a imagem pública do go e no e sua es a égia de polí ica ex e na. 45% 43% 12% Nega i o Neu o Posi i o 91 4.4. INFERÊNCIAS E INTERPRETAÇÕES A pa i da lei u a e análise po meno izada dos dados ex aídos da análise de con eúdo do jo nal Folha de S. Paulo log amos aze algumas in e ências e in e p e ações. Cump e obse a , p imei o, que o jo nal analisado é um dos p incipais diá ios b asilei os, com o e in luência no agendamen o público e polí ico, con ando com uma edação quali icada e co esponden es em di e sas cidades b asilei as e do ex e io . O jo nal az pa e de uma das maio es emp esas de comunicação do B asil, o G upo Folha, pe encen e à amília F ias, que compõe o oligopólio p i ado das comunicações no país. Dado o seu p opósi o de se um jo nal gene alis a, busca aze uma cobe u a ab angen e sob e a PEB, eco endo a di e sos gêne os jo nalís icos e on es in o ma i as. Além disso, dedica um impo an e espaço da publicação pa a o deba e público de assun os di e sos po meio de a igos de opinião que, e en ualmen e, disco e am sob e a PEB no pe íodo analisado. No en an o, sua cobe u a não é especializada e os con eúdos e e en es à PEB di idem espaço com demais assun os eme gen es na pau a pública e midiá ica. Não su p eende, po an o, que das 365 edições analisadas enham sido ex aídos 368 ex os que en ol em polí ica ex e na. Isso demons a que o jo nal az uma cobe u a desses assun os seguindo a eg a da pe inência, ou seja, somen e quando há eco ência e ele ância pública de e en os ac uais elacionados à PEB. Apesa de ha e uma média supe io a uma publicação sob e a PEB po edição do jo nal, e i icamos que nem odas as edições inham ex os sob e esse ema, enquan o ou as edições concen a am á ias ma é ias com assun os elacionados à polí ica ex e na. O agendamen o da imp ensa no pe íodo de análise se deu p incipalmen e pelas ações do go e no e de seus policymake s (especialmen e os da ala ideológica, como imos na análise do g á ico 4), pela pa icipação do B asil em e en os de ele ância pa a a polí ica ex e na, além de acon ecimen os in e nacionais que en ol iam o país. Enquan o jo nal gene alis a, obse amos que a Folha de S. Paulo não exp essa posições polí icas con unden es. Sua cobe u a sob e a PEB cump e um p opósi o in o ma i o no icioso, ao mesmo empo em que dedica boa pa e das publicações pa a o deba e público e con on o de ideias. Apesa disso, exe ceu uma cobe u a c í ica sob e as mudanças e es a égias de polí ica ex e na du an e o p imei o ano do go e no de Jai Bolsona o. 92 Adicionalmen e, e i icamos que as obse ações p elimina es ei as a pa i da lei u a lu uan e, exp essas no capí ulo 4.2 de p é-análise, se con i ma am: 1) A Folha de S. Paulo demons ou um posicionamen o ei e adamen e c í ico dian e das mudanças pos as em p á ica na polí ica ex e na b asilei a du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o, seja a a és da cobe u a no iciosa, analí ica ou pelo espaço dedicado a a igos de opinião c í icos ao go e no. Como imos an e io men e, 45% dos ex os analisados no co pus êm um posicionamen o nega i o sob e a PEB. 2) O jo nal busca di e si ica as on es que u iliza em suas publicações, mas diploma as e especialis as o am, como obse ado na lei u a lu uan e, os ipos de on e mais u ilizadas pelo diá io pa a a a de assun os elacionados à PEB. 3) A Folha de S. Paulo u iliza ex os do gêne o edi o ial pa a e idencia seus posicionamen os polí icos, e nisso incluem-se isões sob e a no a polí ica ex e na b asilei a, ge almen e c í icas à a uação do go e no e do I ama a y. Cump e elucida , inalmen e, que alguns elemen os da análise de con eúdo o am decididos a pa i das obse ações empí icas do au o , não es ando decla adamen e desc i os no ma e ial analisado, como po exemplo a ca ego ização das emá icas cen ais dos ex os analisados e seus enquad amen os de posicionamen o (posi i o, nega i o e neu o). Ademais, econhecemos que nossa análise de con eúdo não é conclusi a po que é limi ada empo almen e a um pe íodo de análise (2019) e edi o ialmen e, ao seleciona um único ema pa a abo dagem (polí ica ex e na b asilei a), po an o não de e se conside ada como ap op iada pa a desc e e a p á ica jo nalís ica da Folha de S. Paulo, mas como um con ibu o ao es udo da abo dagem do jo nal, enquan o amos a ep esen a i a da imp ensa b asilei a, sob e emas elacionados à polí ica ex e na. 93 CONCLUSÕES A p esen e disse ação se p opôs a pesquisa de que o ma a imp ensa, mais especi icamen e o jo nal Folha de S. Paulo, cob iu a no a polí ica ex e na b asilei a du an e o ano de 2019, p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o. Pa a isso, p opôs-se a aze uma análise quan i-quali a i a do co pus selecionado, o qual con inha os ex os elacionados à polí ica ex e na b asilei a publicados na edição imp essa do jo nal du an e o ano de 2019. Pa a log a al obje i o, buscamos, p imei amen e, comp eende as de inições de polí ica ex e na, os a o es que ensejam mudanças na es a égia dessa polí ica pública e a sua elação com os meios de comunicação social. Logo, buscamos de ini a no a polí ica ex e na b asilei a e sua o igem, analisando os a o es conjun u ais que ab i am caminho pa a sua cons i uição. Em nossos es udos sob e a polí ica ex e na ado amos a de inição de F ei e e Vinha (2011) que a desc e em como “o conjun o de objec i os, es a égias e ins umen os que deciso es do ados de au o idade escolhem e aplicam a en idades ex e nas à sua ju isdição polí ica, bem como os esul ados não in encionais dessas mesmas acções” (p.18). Vimos ambém que essa polí ica, apesa de se cen a na a uação o a de suas on ei as es a ais, cons i ui-se como polí ica pública e em seu p ocesso de elabo ação incidem as demandas e con li os no mais da elabo ação de polí icas públicas, sejam elas in e nas ou ex e nas (SALOMÓN; PINHEIRO, 2013). Além disso, como is o em Mo in e Paquin (2018), na a ualidade é cada ez mais ênue a linha que sepa a polí icas públicas domés icas e ex e nas, sendo que ambas as dimensões podem se di e amen e in luenciadas uma pela ou a. Dada a dimensão cada ez mais complexa do campo da polí ica ex e na, pa a comp eendê-la az-se necessá ia uma abo dagem me odológica que le e em conside ação os di e en es ní eis e modos de in luência dessa polí ica pública. Nesse con ex o, a Análise de Polí ica Ex e na (APE) ep esen a o modelo de es udo mais adequado pa a pesquisas nessa á ea. Vimos que a APE pode eco e à con ibuição de di e en es ciências e eo ias pa a a iden i icação e comp eensão das múl iplas a iá eis que podem in luencia a polí ica ex e na, suge indo uma análise ans e sal de a o es de in luência e execução de ais polí icas. Con o me ap esen ado po He mann (1990), oi possí el en ende que a polí ica 94 ex e na, assim como qualque polí ica pública, es á sujei a a mudanças que ma cam a e e são ou pelo menos o seu edi ecionamen o. Essas medidas possuem uma impo ância especial po que demandam no os posicionamen os de go e nos, assim como êm impac o no ambien e in e nacional e na polí ica de ou os a o es de sobe ania, como é o caso da no a polí ica ex e na b asilei a, que ma ca uma mudança na adição diplomá ica b asilei a. Os meios de comunicação social, po sua ez, his o icamen e ep esen a am um sis ema de pode polí ico, simbólico e cul u al. No âmbi o da polí ica ex e na exe cem in luência pelo agendamen o polí ico e público. No caso b asilei o, os meios de comunicação social adicionais azem pa e de um oligopólio e his o icamen e in luencia am o sis ema polí ico nacional, sendo os jo nais imp essos os p incipais elemen os de in luência mediá ica sob e emas elacionados à polí ica ex e na. Casa ões (2012), po sua ez, obse a que na década de 1990 hou e uma impo an e mudança nas elações en e os meios de comunicação de massa, a opinião pública e a polí ica ex e na. A edemoc a ização b asilei a aliada a uma maio abe u a econômica, a plu alização dos a o es e a p esidencialização da diplomacia o am a o es impo an es pa a aze assun os de polí ica ex e na ao deba e público a a és da mídia. A p opósi o, es a disse ação e isi ou as es a égias de polí ica ex e na conduzidas pelos go e nos que an ecede am o de Jai Bolsona o. Vimos que desde a década de 1950 o B asil inha sus en ando uma es a égia quase consensual no I ama a y de au onomia na polí ica ex e na. Esse posicionamen o esis iu e se adap ou a di e en es go e nos. No pe íodo mais ecen e, a polí ica ex e na b asilei a oi ma cada pela p esidencialização da diplomacia, di e si icação das elações a a és do mul ila e alismo e p ojeção in e nacional. A pa i de 2016, com a des i uição de Dilma Rousse e ascensão de Michel Teme à p esidência, o am es u u adas as bases de uma no a es a égia pa a polí ica ex e na pelo chancele José Se a. O p og ama da No a Polí ica Ex e na B asilei a p opunha uma ideia de desideologização da PEB, buscando eo dena as elações b asilei as a a és da p io ização de elações com países do cen o do capi alismo global em de imen o do mul ila e alismo. Além disso, inaugu ou um no o posicionamen o da diplomacia b asilei a a a és de uma e ó ica mais du a em elação aos países da Amé ica do Sul e suas polí icas domés icas. 95 Em 2019, com a ascensão de Jai Bolsona o à p esidência essas mudanças o am acen uadas e adicalizadas. O I ama a y, lide ado po E nes o A aújo, um chancele da ala ideológica conse ado a, ompeu com alguns p ocedimen os diplomá icos que ca ac e iza am a polí ica ex e na b asilei a das úl imas décadas. O a ual go e no busca p omo e a imagem de um país eno ado, desassociado de algumas bandei as his ó icas, como di ei os humanos e mul ila e alismo, ao mesmo empo em que p ocu a da ên ase ao me cado abe o em pa ce ia com o No e Global em de imen o da es a égia de lide ança egional, udo isso enquan o busca legi imidade pa a suas polí icas in e nas. As ca ac e ís icas mais e iden es dessa no a polí ica ex e na adicalizada po Bolsona o são o alinhamen o a alo es conse ado es e a nações go e nadas pelo mesmo espec o polí ico, como os Es ados Unidos de Donald T ump, a mudança de e ó ica em elação aos países izinhos, além de uma ejeição de qualque ideia que possa es a minimamen e elacionada à esque da ou ao p og essismo. No capí ulo 3, analisamos como os a o es in e nos e ex e nos podem e con ibuído pa a a consolidação dessa no a polí ica ex e na: no con ex o in e nacional, disco emos sob e a c ise da o dem global es abelecida, a descen alização do pode e a c ise das democ acias libe ais ociden ais. No plano domés ico, desde 2013 o B asil passa po uma impo an e c ise de ep esen ação polí ica, exp essa nos p o es os de junho daquele ano. Além disso, a des i uição de Dilma Rousse em 2016 ab iu caminho pa a a ascensão e consolidação de um p oje o de go e no de ex ema-di ei a no B asil. Nosso abalho de pesquisa empí ica pa a analisa a cobe u a do jo nal Folha de S. Paulo sob e a PEB no ano de 2019 seguiu o mé odo de análise de con eúdo, p opos o po Lau ence Ba din (2016). A pa i da lei u a p é ia do co pus selecionado, es abelece am- se seis elemen os pa a análise quan i a i a: 1) p esença de emas elacionados à polí ica ex e na nas edições; 2) emá ica elacionada à polí ica ex e na b asilei a; 3) gêne o jo nalís ico u ilizado; 4) pe sonagens da polí ica ex e na b asilei a ci ados; 5) ipos de on es in e p e a i as e 6) posicionamen o global. Em elação à p esença de emas sob e a PEB nas edições imp essas do jo nal analisado, e i icamos que o diá io az uma cobe u a desses assun os seguindo a eg a da pe inência, ou seja, somen e quando há eco ência e ele ância pública de e en os 96 ac uais elacionados à PEB. Sob e os emas mais abo dados pelo jo nal, e i icamos uma maio eco ência de assun os impo an es pa a o go e no b asilei o daquele pe íodo: a eno ação do Minis é io de Relações Ex e io es, a ees u u ação da es a égia de polí ica ex e na, assim como a ap oximação com os Es ados Unidos. Os demais emas o am pau ados de ido à impo ância es a égica, como o Aco do Me cosul-UE, A gen ina e China, e pela epe cussão in e nacional, como é o caso da c ise na Venezuela e o desma amen o na Amazônia. A p edominância de ex os do gêne o no icioso indica que a Folha de S. Paulo p io iza uma cobe u a ac ual, alinhada com seu p opósi o de jo nalismo gene alis a, apesa de dedica boa pa e do espaço das publicações pa a o deba e público e con on o de ideias. Em elação à menção de pe sonagens da PEB no jo nal, imos que o p esiden e Jai Bolsona o é o p incipal nome associado à polí ica ex e na e que a ala ideológica do go e no é a que es á mais elacionada à condução da PEB. Ve i icamos ainda que o jo nal eco e a um g upo di e so de on es pa a aze in e ências em seus ex os, mas pa a emas elacionados à polí ica ex e na busca com mais equência diploma as, p o esso es e especialis as no assun o. Po im, a cobe u a do jo nal pode se conside ada c í ica à PEB e seus p incipais policymake s dada a exp essi a p esença de pau as e opiniões que con ibuem pa a a cons ução de uma imagem nega i a pa a o go e no e o I ama a y. Podemos in e i , po an o, que a Folha de S. Paulo, enquan o amos a ep esen a i a da imp ensa b asilei a, ez uma cobe u a sob e a polí ica ex e na b asilei a em 2019 de o ma ac ual e gene alis a, seguindo a eg a de pe inência na escolha dos emas e dedicando espaço pa a o deba e público. Além disso, posicionou-se de o ma ei e adamen e c í ica às mudanças e às ações do go e no Bolsona o no âmbi o da polí ica ex e na a a és de seus edi o iais. Cump e essal a que o obje i o des a disse ação e análise de con eúdo não oi es abelece uma elação de in luência en e os meios de comunicação social e a polí ica ex e na, mas analisa como as mudanças e a condução da PEB du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o o am abo dadas pela imp ensa b asilei a, mais especi icamen e a Folha. Pa a isso, se iam necessá ios ou os ipos de análise, que en ol essem a elação de causa-e ei o, além da adoção de ou a me odologia de pesquisa. 97 Do pon o de is a empí ico, conside amos que es e abalho de pesquisa con empla os obje i os p incipal e especí icos a que se p opôs e os equisi os acadêmicos de uma disse ação de mes ado, endo ep esen ado uma impo an e componen e da o mação acadêmica, assim como um con ibu o pa a o deba e público sob e a no a polí ica ex e na b asilei a e a a uação dos meios de comunicação social nesse âmbi o. Do mesmo modo, os esul ados ob idos susci am a explo ação de no as possibilidades de es udo nessa á ea, como a in es igação das elações de in luência en e os meios de comunicação social e a polí ica ex e na, bem como es udos compa a i os en e di e en es eículos da imp ensa. 98 BIBLIOGRAFIA IMPRENSA AGÊNCIA SENADO. B asil é uma das qua o maio es democ acias do mundo. 26 de se emb o de 2016. Disponí el em: <h ps://www12.senado.leg.b /no icias/ma e ias/2006/09/26/b asil-e-uma-das-qua o- maio es-democ acias-do-mundo>. Acesso em: 12 de maio de 2021. ALESSI, Gil. Bancada da Bala, Boi e Bíblia impõe ano de e ocesso pa a mulhe es e indígenas. El País B asil. 07 de dezemb o de 2017. Disponí el em: <h ps://b asil.elpais.com/b asil/2017/12/01/poli ica/1512148795_433241.h ml>. Acesso em: 19 de junho de 2021. ALESSI, Gil; BORGES, Rodol o. A c ise polí ica no B asil: Em áudio, dono da JBS con ou a Teme seu plano pa a “segu a ” in es igação. El País B asil. 19 de maio de 2017. 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Paulo Da a Publicações elacionadas à polí ica ex e na Gêne o jo nalís ico u ilizado Temá ica p incipal elacionada à polí ica ex e na Pe sonagens ci ados Tipo de on e Posicionamen o global 01/01/19 4 A igo (2) ; Coluna; Análise I ama a y; No a Polí ica Ex e na(2); Á ica Edua do Bolsona o; E nes o A aújo(2); Jai Bolsona o(3) Posi i o; Neu o (3) 02/01/19 0 03/01/19 4 No ícia(2); A igo(2) No a Polí ica Ex e na (3); Es ados Unidos E nes o A aújo(4); Jai Bolsona o(2); Ola o de Ca alho Neu o; Nega i o (2) 04/01/19 3 A igo; No ícia; Edi o ial No a Polí ica Ex e na (3); E nes o A aújo(2); Jai Bolsona o; Robe o Aze êdo; Filipe Ma ins; Ola o de Ca alho Nega i o (2); Posi i o 05/01/19 0 06/01/19 0 07/01/19 1 No ícia; No a Polí ica Ex e na; Filipe Ma ins; Jai Bolsona o; Ola o de Ca alho; E nes o A aújo, Edua do Bolsona o Emp esá io; Nega i o; 08/01/19 2 No ícia; A igo; I ama a y; No a Polí ica Ex e na; Paulo Guedes; Ma cos T oyjo; E nes o A aújo; Jai Bolsona o Emp esá io; Diploma a; Nega i o(2); 09/01/19 0 10/01/19 1 A igo; No a Polí ica Ex e na; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Nega i o 11/01/19 3 No ícia(2); Edi o ial; I ama a y(2); No a Polí ica Ex e na; Jai Bolsona o(3); E nes o A aújo(3); Ma io Vilal a; Diploma a; O ganização; Assesso ; Nega i o(3); 12/01/19 0 13/01/19 1 A igo; No a Polí ica Ex e na; E nes o A aújo; Nega i o; 14/01/19 0 15/01/19 1 Edi o ial No a Polí ica Ex e na; Jai Bolsona o; Nega i o 16/01/19 0 17/01/19 0 18/01/19 0 19/01/19 0 20/01/19 0 21/01/19 2 A igo(2); I ama a y; No a Polí ica Ex e na; E nes o A aújo; Paulo Guedes(2); Se gio Mo o(2); Jai Bolsona o Nega i o(2) 22/01/19 0 23/01/19 1 No ícia; Fó um Econômico Mundial; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Paulo Guedes; Se gio Mo o; Economis a; A i is a; O ganização; Nega i o; 24/01/19 1 No ícia; Venezuela; Jai Bolsona o; Hamil on Mou ão; Senado ; Neu o; 25/01/19 0 26/01/19 0 27/01/19 1 A igo; Es ados Unidos; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Neu o 28/01/19 0 29/01/19 0 30/01/19 1 No ícia; Reino Unido Rubens Ricupe o Neu o 112 01/02/19 3 Coluna; No ícia(2) Venezuela(3); Jai Bolsona o(3); Hamil on Mou ão; Edua do Bolsona o O ganização; Neu o(3); 02/02/19 0 03/02/19 0 04/02/19 0 05/02/19 1 No ícia; Venzuela; Neu o 06/02/19 1 No ícia; Is ael; E nes o A aújo, Jai Bolsona o, Hamil on Mou ão; 07/02/19 2 En e is a; A igo No a Polí ica Ex e na(2); S e e Bannon(2); Edua do Bolsona o; Hamil on Mou ão(2), Jai Bolsona o(2); Assesso ; Neu o; Nega i o; 08/02/19 0 09/02/19 0 10/02/19 0 11/02/19 0 12/02/19 0 13/02/19 0 14/02/19 0 15/02/19 1 No ícia; Nigé ia; Neu o; 16/02/19 0 17/02/19 1 No ícia; I ama a y; E nes o A aújo; Ola o de Ca alho; I ama a y; P o esso ; Diploma a Nega i o; 18/02/19 0 19/02/19 1 A igo; Globalização; Jai Bolsona o; Nega i o; 20/02/19 0 21/02/19 2 No ícia(2); Venezuela; Es ados Unidos; E nes o A aújo; Jai Bolsona o(2); Hamil on Mou ão; Augus o Heleno; I ama a y; Planal o; Posi i o; Neu o 22/02/19 0 23/02/19 0 24/02/19 0 25/02/19 0 26/02/19 2 No ícia; A igo; Comando Sul; Venezuela; Alcides de Fa ia Júnio ; Hamil on Mou ão; Jai Bolsona o; Neu o; Posi i o; 27/02/19 0 28/02/19 1 A igo; Venezuela; Neu o; 01/03/19 0 02/03/19 2 No ícia(2); O an; Venezuela; Jai Bolsona o; Hamil on Mou ão; Assesso (2); Posi i o; Neu o 03/03/19 0 04/03/19 0 05/03/19 1 No ícia; I ama a y; E nes o A aújo,; Fe nando Hen ique Ca doso; Neu o; 06/03/19 0 07/03/19 0 08/03/19 0 09/03/19 0 113 10/03/19 0 11/03/19 0 12/03/19 1 No ícia; I ama a y; E nes o A aújo; Jai Bolsona o; Nes o Fos e ; Ola o de Ca alho; Neu o 13/03/19 0 14/03/19 1 A igo; Es ados Unidos; Jai Bolsona o; Paulo Guedes; Nega i o; 15/03/19 1 No ícia; Es ados Unidos; Jai Bolsona o; Paulo Guedes; E nes o A aújo; Nega i o; 16/03/19 0 17/03/19 1 No ícia; Es ados Unidos; Jai Bolsona o; Ola o de Ca alho; Edua do Bolsona o; Sé gio Ama al; Nega i o 18/03/19 2 No ícia; Coluna; Es ados Unidos(2); China; Rússia; A gen ina; Jai Bolsona o(2); Ola o de Ca alho; Se gio Mo o; Paulo Guedes; Edua do Bolsona o; E nes o A aújo; Te esa C is ina; Ben o Albuque que; Assesso ; Nega i o; 19/03/19 0 20/03/19 0 21/03/19 4 A igo; Análise; No ícia(2); China; Es ados Unidos(2); I ama a y; Jai Bolsona o(3); Paulo Guedes; E nes o A aújo(2); Edua do Bolsona o; Nega i o(2); Posi i o; Neu o; 22/03/19 3 No ícia(2); Análise; Amé ica do Sul; Venezuela; P osul; I ama a y; Es ados Unidos; Jai Bolsona o(2); Nes o Fos e ; E nes o A aújo; Augus o Heleno; Diploma a; P o esso ; Neu o(3); 23/03/19 0 24/03/19 1 A igo; I ama a y; Amé ica do Sul; E nes o A aújo; P o esso ; Nega i o; 25/03/19 0 26/03/19 0 27/03/19 0 28/03/19 0 29/03/19 0 30/03/19 2 A igo; No ícia; No a Polí ica Ex e na; Is ael; Jai Bolsona o(2); E nes o A aújo; Ben o Cos a Lima; Ma cos Pon es; Augus o Heleno; Assesso ; Nega i o; Neu o; 31/03/19 0 01/04/19 0 02/04/19 3 Análise; Edi o ial; A igo; Is ael(3); Jai Bolsona o(3); P o esso ; Depu ado Fede al; Neu o; Posi i o; Nega i o; 03/04/19 0 04/04/19 2 A igo(2); I ama a y; Es ados Unidos; Jai Bolsona o(2); Filipe Ma ins; Edua do Bolsona o(2); E nes o A aújo; Hamil on Mou ão; Nega i o(2); 05/04/19 2 No ícia(2); Emi ados Á abes Unidos; Go e no; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Augus o Heleno; Flá io Bolsona o; S e e Bannon; Edua do Bolsona o; Neu o; Nega i o; 06/04/19 0 07/04/19 0 08/04/19 0 09/04/19 1 No ícia; Go e no; Jai Bolsona o; Edua do Bolsona o; Neu o; 10/04/19 3 Análise; No ícia(2); I ama a y(2); Go e no; Es ados Unidos; E nes o A aújo; Ola o de Ca alho; Jai Bolsona o(2); Ma io Vilal a; Diploma a(2); Assesso ; Emp esá io; Nega i o(2); Neu o; 114 Má cio Coimb a; Le ícia Ca elani; Hamil on Mou ão; Paulo Guedes; 11/04/19 3 No ícia(3); I ama a y; A gen ina; Liga Á abe; E nes o A aújo(3); Jai Bolsona o(2); Edua do Bolsona o; I ama a y; Diploma a; Nega i o; Neu o; Posi i o; 12/04/19 0 13/04/19 0 14/04/19 0 15/04/19 2 A igo; No ícia; I ama a y; Is ael; E nes o A aújo; Paulo Guedes; Jai Bolsona o; Diploma a; Nega i o(2); 16/04/19 0 17/04/19 0 18/04/19 1 No ícia; Go e no; Jai Bolsona o; Posi i o; 19/04/19 0 20/04/19 0 21/04/19 0 22/04/19 0 23/04/19 0 24/04/19 0 25/04/19 2 A igo(2); No a Polí ica Ex e na; I ama a y; E nes o A aújo; Nega i o(2); 26/04/19 0 27/04/19 0 28/04/19 0 29/04/19 0 30/04/19 0 01/05/19 0 02/05/19 0 03/05/19 0 04/05/19 2 No ícia(2); Es ados Unidos; I ama a y; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Senado ; O ganização; Nega i o; Neu o; 05/05/19 2 No ícia; Go e no; Es ados Unidos; Jai Bolsona o(2); Augus o Heleno; E nes o A aújo; Ola o de Ca alho; Nega i o(2); 06/05/19 0 07/05/19 0 08/05/19 1 Análise; Go e no; Jai Bolsona o; Augus o Heleno; Edua do Bolsona o; Ca los Bolsona o; Ola o de Ca alho; Edua do Villas Bôas; Nega i o; 09/05/19 0 10/05/19 2 No ícia(2); Es ados Unidos; OCDE; Jai Bolsona o; Filipe Ma ins; Neu o; Posi i o; 11/05/19 0 12/05/19 0 13/05/19 2 No ícia; Coluna; Es ados Unidos; 5G; Jai Bolsona o; A i is a; Nega i o; Neu o; 14/05/19 0 15/05/19 0 121 10/12/19 0 11/12/19 3 A igo; No ícia(2); Go e no; Chile; A gen ina; Jai Bolsona o(3); Rod igo Maia(2); Hamil on Mou ão; Neu o(3); 12/12/19 0 13/12/19 0 14/12/19 0 15/12/19 1 No ícia; I ama a y; E nes o A aújo; Edua do Bolsona o; Filipe Ma ins; Jai Bolsona o; Hamil on Mou ão; Te eza C is ina; Rod igo Maia; Diploma a; Neu o; 16/12/19 0 17/12/19 2 Edi o ial; A igo; 5G; Comé cio In e nacional; Jai Bolsona o; Te eza C is ina; Neu o(2); 18/12/19 2 No ícia(2); Mig ações; Comé cio In e nacional; Especialis a; Nega i o(2); 19/12/19 2 A igo; No ícia; COP-25; Is ael; Jai Bolsona o(2); Diploma a; Nega i o; Neu o; 20/12/19 0 21/12/19 0 22/12/19 0 23/12/19 2 A igo(2); Go e no; COP-25; Jai Bolsona o; Sonia Guajaja a; Nega i o; Neu o; 24/12/19 4 No ícia(4); COP-25; A gen ina; China; Comé cio In e nacional; Rica do Salles; O ganização; Especialis a; Emp esá io; Diploma a; Nega i o; Neu o(3); 25/12/19 0 26/12/19 1 Edi o ial; No a Polí ica Ex e na; Jai Bolsona o; E nes o A aújo; Edua do Bolsona o; Filipe Ma ins; Nega i o; 27/12/19 0 28/12/19 0 29/12/19 0 30/12/19 0 31/12/19 0