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A No a Polí ica Ex e na B asilei a na Imp ensa: uma análise a pa i do
jo nal Folha de S. Paulo
Nicholas Nicolau Gheno
Janei o de 2022
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais,
ealizada sob a o ien ação cien í ica de Ca men So ia Rod igues Sil a
Fonseca.
Algum chei inho de alec im.
(Chico Bua que)
AGRADECIMENTOS
Esc e e é essencialmen e um p ocesso soli á io, mas es a disse ação e eu nos
encon amos quase odos os dias de 2021. Foi um ano a ípico, o segundo de uma pandemia
global. Na maio ia das ezes eu a encon a a exaus o depois de uma jo nada de abalho,
mas em ou as omos passea jun os pelos pa ques, ca és e biblio ecas de Lisboa. Em ce a
medida ela ep esen ou pa a mim uma companhia in e essan e de se cons uída e analisada
em de alhe. Pessoalmen e, chamo-a de “disse ação possí el”, po que oi udo o que
consegui aze com o empo e as condições que es a am ao meu alcance. E eu es ou mui o
eliz e o gulhoso dela, po isso, ca o lei o , espe o que ocê ambém ap o ei e bem sua
companhia nas p óximas páginas.
Apesa da solidão da esc i a, es a disse ação não se conc e iza ia sem a
con ibuição di e a ou indi e a de algumas pessoas. Po isso, ag adeço à p o esso a D a.
Ca men Fonseca, po e me ins igado a es a pesquisa e pela alo osa o ien ação des e
abalho. Ao Lucas Al es, pela ajuda na elabo ação dos g á icos da pesquisa e aos meus
amigos Alexand e Ribei o, Cláudia Bueno, Fe nando Rawicz, Gio anna Mansu , Luiza
F i zen, Ma ília Bandei a, Nilson Souza e Ra ael Zangiacomi pelo apoio emocional,
mo i ação e companhia que me p opo ciona am du an e o desen ol imen o des a
disse ação.
Ag adeço ainda à minha mãe, meu pai e i mãos que, mesmo de longe, semp e
espalda am minhas escolhas, ac edi a am em mim e es imula am meus sonhos. Se ei em
b e e o p imei o mes e da amília, e essa conquis a não se á só minha, mas de odos nós.
Po im, gos a ia de aze um ag adecimen o especial ao colega e amigo Renan O ega, que
nos deixou du an e o pe cu so des a disse ação e que me ensinou mui o sob e esiliência
e o ça em ida.
A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA NA IMPRENSA: UMA ANÁLISE A
PARTIR DO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
NICHOLAS NICOLAU GHENO
RESUMO
PALAVRAS-CHAVE: Polí ica Ex e na; B asil; Imp ensa; Folha de S. Paulo;
A p esen e disse ação in es iga de que modo a imp ensa b asilei a acompanhou as
mudanças na polí ica ex e na b asilei a le adas a cabo pelo a ual go e no de Jai Bolsona o
du an e o ano de 2019. Pa a isso, az uma e isão bibliog á ica sob e a de inição, análise e
mudanças da polí ica ex e na, bem como da in luência dos meios de comunicação social
nesse campo. Adicionalmen e, busca ca ac e iza a polí ica ex e na b asilei a das úl imas
décadas e con ex ualiza os a o es ex e nos e domés icos que con ibuí am pa a mudanças
no quad o polí ico nacional e, consequen emen e, nessa polí ica pública. Em pa alelo,
desen ol e uma análise do jo nal Folha de S. Paulo, enquan o amos a ep esen a i a da
imp ensa b asilei a, buscando iden i ica como esse eículo abo da a polí ica ex e na do
país em suas edições imp essas. A me odologia u ilizada oi a análise de con eúdo, p opos a
po Ba din (2016). Es e es udo se jus i ica pela impo ância das mudanças p omo idas na
polí ica ex e na b asilei a e seus impac os nas elações in e nacionais do B asil, bem como
pela ele ância da cobe u a da imp ensa sob e o assun o e seu pode de agendamen o
público. A pa i da análise do co pus, podemos in e i que, em 2019, a Folha de S. Paulo
ez uma cobe u a sob e a polí ica ex e na b asilei a de o ma ac ual e gene alis a,
seguindo a eg a de pe inência na escolha dos emas e dedicando pa e do espaço das
edições pa a análises e o deba e público. Além disso, posicionou-se de o ma
ei e adamen e c í ica às mudanças e às ações do go e no Bolsona o no âmbi o da polí ica
ex e na a a és de seus edi o iais.
ABSTRACT
KEYWORDS: Fo eign Policy, B azil; P ess; Folha de S. Paulo;
This disse a ion in es iga es how he B azilian p ess has ollowed he changes in
B azilian o eign policy ca ied ou by he cu en go e nmen o Jai Bolsona o du ing
2019. To do so, i conduc s a li e a u e e iew on he de ini ion, analysis, and changes in
o eign policy, as well as he in luence o he media in his ield. Addi ionally, i seeks o
cha ac e ize B azilian o eign policy in ecen decades and con ex ualize he ex e nal and
domes ic ac o s ha ha e con ibu ed o changes in he na ional poli ical amewo k and,
consequen ly, in his public policy. In pa allel, i de elops an analysis o he Folha de S.
Paulo newspape , as a ep esen a i e sample o he B azilian p ess, seeking o iden i y how
his ehicle add esses he coun y's o eign policy in i s p in ed edi ions. The me hodology
used was con en analysis p oposed by Ba din (2016). This s udy is jus i ied by he
impo ance o he changes p omo ed in B azilian o eign policy and hei impac s on
B azil's in e na ional ela ions, as well as by he ele ance o p ess co e age on he subjec
and i s powe o public agendas. F om he analysis o he co pus, we can in e ha in 2019
Folha de S. Paulo co e ed B azilian o eign policy in a ac ual and gene alis way,
ollowing he ule o pe inence in he choice o hemes and dedica ing pa o he edi ions'
space o analysis and public deba e. In addi ion, he newspape epea edly posi ioned i sel
in a c i ical way o he changes and ac ions o he Bolsona o go e nmen in he o eign
policy sphe e h ough i s edi o ials.
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1
2. A POLÍTICA EXTERNA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ........ 6
2.1. DEFINIÇÃO DE POLÍTICA EXTERNA ......................................................... 6
2.2. ANÁLISE DE POLÍTICA EXTERNA .............................................................. 9
2.3. AS MUDANÇAS NA POLÍTICA EXTERNA ................................................ 15
2.4. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E A POLÍTICA EXTERNA ..... 21
3. A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA ............................................... 28
3.1. O MUNDO PÓS-OCIDENTAL E A CRISE DA DEMOCRACIA LIBERAL:
O SISTEMA INTERNACIONAL EM CONTEXTO ................................................................ 29
3.2. CAOS INSTITUCIONAL E ASCENSÃO DE BOLSONARO: A
CONJUNTURA INTERNA DO BRASIL ................................................................................. 36
3.2.1. Rup u a no Planal o: o impeachmen de Dilma Rousse ........................... 37
3.2.2. Pa imen ando o caminho conse ado : o Go e no de Michel Teme ........ 42
3.2.3. Eleições de 2018 e a ascensão da ul adi ei a no B asil ............................ 45
3.2.4. O p imei o ano do Go e no Bolsona o ....................................................... 51
3.3. NOVO ITAMARATY: A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA SOB
BOLSONARO E ARAÚJO ....................................................................................................... 56
3.3.1. A PEB que an ecedeu Bolsona o ................................................................. 57
3.3.2. A No a Polí ica Ex e na B asilei a sob Bolsona o e A aújo ...................... 65
4. A COBERTURA DA PEB NA IMPRENSA EM 2019: FOLHA DE S.
PAULO........... ................................................................................................................................ 75
4.1. UM JORNAL CENTENÁRIO NO BRASIL: FOLHA DE S. PAULO ............. 75
4.2. PRÉ-ANÁLISE ................................................................................................ 77
4.3. EXPLORAÇÃO QUANTITATIVA DO MATERIAL E TRATAMENTO DOS
RESULTADOS. ......................................................................................................................... 78
4.4. INFERÊNCIAS E INTERPRETAÇÕES ......................................................... 91
CONCLUSÕES ................................................................................................................ 93
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 98
ANEXO ........................................................................................................................... 111
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1. INTRODUÇÃO
Depois de uma das mais con u badas campanhas elei o ais da his ó ia democ á ica
do B asil, em 2019 o país assis iu à ascensão de Jai Bolsona o, um depu ado ede al de
ex ema-di ei a, à p esidência da epública. Sua agenda conse ado a p opunha mudanças
em di e sos se o es como educação, polí ica econômica, meio ambien e, di ei os humanos
e, en e elas, uma adical eno ação na polí ica ex e na b asilei a.
Pa a conduzi sua agenda conse ado a no Minis é io das Relações Ex e io es, ou
I ama a y, Bolsona o indicou o diploma a E nes o A aújo como chancele . A aújo icou
conhecido nos cí culos conse ado es da diplomacia após publica a igos em apoio à
polí ica de Donald T ump nos Es ados Unidos e con a uma supos a ideologia globalis a.
A aújo assumiu o I ama a y com um discu so de posse no qual deixou e iden e seu
en usiasmo com o “no o B asil” que eme gia com a ascensão de Bolsona o ao pode . Pa a
o chancele , o no o B asil de e ia abandona a ideia de que sua adição uni e salis a o
limi a a se uma nação poli icamen e co e a e submissa ao sis ema in e nacional. E a
p eciso da ao I ama a y e ao B asil um p opósi o cla o e posicionamen os mais
con unden es no âmbi o in e nacional, a pa i da ejeição do globalismo e do
mul ila e alismo em p ol de um alinhamen o ideológico com os Es ados Unidos e ou as
nações do no e global en ão lide adas pelo mesmo espec o polí ico, como Polônia,
Hung ia, Is ael e I ália.
A guinada conse ado a na condução da polí ica ex e na, no en an o, começou a se
p oje ada ainda du an e o go e no do an ecesso Michel Teme (2016-2018), quando o
en ão minis o das elações ex e io es José Se a lançou as bases do que chamou de no a
polí ica ex e na b asilei a, que busca a eo dena as elações b asilei as a a és da
p io ização de elações com países do cen o do capi alismo global. A ideia e a c ia um
pon o de di e gência com a polí ica ex e na que inha sendo conduzida pelos go e nos do
PT (Pa ido dos T abalhado es) nos úl imos eze anos, ca ac e izada pelo mul ila e alismo,
lide ança egional e p ojeção in e nacional. Com a chegada de Bolsona o ao pode , essas
mudanças o am ap o undadas e adicalizadas. O I ama a y ompeu com alguns
p ocedimen os diplomá icos que ca ac e iza am a polí ica ex e na b asilei a das úl imas
décadas e passou a p omo e a imagem de um país eno ado, desassociado de algumas
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bandei as his ó icas, como di ei os humanos e mul ila e alismo, ao mesmo empo em que
passou a da ên ase ao me cado abe o em pa ce ia com o no e global em de imen o da
es a égia de lide ança egional.
Algumas das es a égias pa a a polí ica ex e na de Bolsona o se o na am e iden es
já nos p imei os meses de go e no, quando o am anunciadas medidas de ees u u ação
do I ama a y e do cu ículo de o mação de diploma as. A escolha dos Es ados Unidos
como p imei o des ino in e nacional pa a uma isi a de es ado, assim como as elações
p óximas com Is ael e Polônia indica am quais se iam os no os pa cei os da polí ica
ex e na b asilei a que eme gia com o no o manda o. Ou os sinais de mudança ie am da
e ó ica que o país ado ou em elação à polí ica in e na de ou as nações, como quando das
eleições na A gen ina e a c ise na Venezuela, que ep esen a am uma queb a do adicional
p incípio diplomá ico de não in e ência. Essas mudanças na polí ica ex e na causa am
g ande epe cussão pública, an o no B asil como na comunidade in e nacional.
Nesse con ex o, o jo nalismo e os meios de comunicação social ep esen am
impo an es eículos pa a a ci culação de in o mação, in luência polí ica e deba e público,
além de ep esen a em impo an es es e as de p odução de con eúdo simbólico sob e uma
cole i idade. Na en a i a de comp eende esse papel e, mais especi icamen e, a a uação
da imp ensa sob e assun os elacionados à no a polí ica ex e na b asilei a, es a disse ação
se p opõe a aze uma análise da cobe u a do jo nal Folha de S. Paulo, enquan o amos a
ep esen a i a da imp ensa b asilei a, du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o.
O obje i o p incipal des a disse ação é analisa de que o ma o jo nal Folha de S.
Paulo cob iu os emas elacionados à polí ica ex e na b asilei a du an e o ano de 2019.
Nossos obje i os especí icos são, pa a an o, busca e e ências eó icas na á ea de análise
de polí ica ex e na, a ando da de inição de polí ica ex e na, seus p ocessos de mudança e
elação com os meios de comunicação social; ca ac e iza a no a polí ica ex e na b asilei a
e as conjun u as in e na e ex e na que p opo ciona am mudanças nessa polí ica pública;
desc e e o me cado de comunicação b asilei o e a ele ância da Folha de S. Paulo nesse
con ex o; seleciona um co pus de pesquisa no qual podemos iden i ica e analisa a
p esença de emas elacionados à polí ica ex e na nas edições, a emá ica elacionada à
polí ica ex e na b asilei a, os gêne os jo nalís icos mais u ilizados, os pe sonagens da
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Po suas dinâmicas complexas, somen e uma abo dagem ampla e que le e em
conside ação os di e sos ní eis de in luência da polí ica ex e na é capaz de elucida os
p ocessos de decisão, elabo ação, implemen ação e mudanças no âmbi o desse ipo de
polí ica pública. Assim, segundo F ei e e Vinha (2011), as eo ias adicionais das Relações
In e nacionais não explicam de o ma con enien e esses enômenos da polí ica ex e na,
pois enunciam à análise dos p ocessos de decisão e, po isso, não são capazes de abo da
a ampli ude de a iá eis ci cundan es na agenda de polí ica ex e na. De al modo, somen e
o desen ol imen o de uma eo ia analí ica abe a se ia capaz de da espos as
su icien emen e elabo adas pa a os p ocessos de decisão em polí ica ex e na. A pa i desse
mesmo aciocínio, Milani e Pinhei o (2012) p opõem uma “ e i alização do campo de
Análise de Polí ica Ex e na no âmbi o das Relações In e nacionais”, concebendo a polí ica
ex e na como “ esul ado de inicia i as omadas po di e en es a o es [...] em in e ação com
o ambien e in e nacional” (s.p.) e que, pa a se es udada, necessi a acolhe as con ibuições
desses no os elemen os de in luência. A APE, cons i ui-se, po an o, como o modelo
analí ico mais ap op iado pa a comp eende a in e ação dessas a iá eis e dos obje i os
em polí ica ex e na com os a anjos do sis ema in e nacional.
2.2. ANÁLISE DE POLÍTICA EXTERNA
A análise de polí ica ex e na e e o igem após a Segunda Gue a Mundial. De
aco do com Hudson e Vo e (1995), ês abalhos são conside ados os undado es dessa
abo dagem, endo, cada um deles, desen ol ido um aspec o da APE: Fo eign Policy
Decision-Making de Richa d Snyde , Hen y B uck e Bu on Sapin (1954); Man-Milieu
Rela ionship Hypo hesis in he Con ex o In e na ional Poli ics de Ha old e Ma ga e
Sp ou (1956) e P e- heo ies and Theo ies o Fo eign Policy de James Rosenau (1966).
O es udo de Snyde , B uck e Sapin (1954) iden i icou o indi íduo do ado de pode
como o p incipal de e minan e da polí ica ex e na de um es ado e po isso o es udo dos
au o es cen ou-se na análise da isão de mundo desses deciso es, ca alisando os es udos
dedicados ao p ocesso de decisão em polí ica ex e na. Já a ob a de Ha old e Ma ga e
Sp ou (1956) cen a-se na elação en e o psycho-milieu e o ope a ional milieu, ou seja, o
meio de pe cepção dos deciso es e o meio ope acional eal das ações. Com isso, os au o es
delimi am as di e enças en e a o ma como os deciso es imaginam a ealidade e o meio
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eal em que as coisas acon ecem. A a és des a pe spec i a, ganha am ele o os es udos
que conside a am o con ex o em polí ica ex e na e a dimensão cogni i a de seus deciso es.
Po im, o a igo de Rosenau (1966) de ende que a análise de polí ica ex e na de e ale -
se dos es udos de ou as á eas das ciências sociais, aplicando análises em di e en es ní eis
e a iá eis, buscando, assim, con empla a mul iplicidade de a o es que in luenciam o
p ocesso de elabo ação de polí ica ex e na (HUDSON; VORE, 1995).
Com o im da Gue a F ia e o ad en o da globalização ampli icou-se a
complexidade da polí ica in e nacional e, po conseguin e, as in es igações que buscam
comp eende essas no as dinâmicas. Pa a Hudson (2012), a análise de polí ica ex e na
con empo ânea man ém-se como modelo eó ico comp ome ido com suas bases undan es
e, ao mesmo empo, a ualizado pa a aze en e a in es igações cada ez mais desa ian es
nesse campo de es udos.
[...] a APE e oluiu na so is icação das pe gun as ei as e nos meios de esponde
a essas pe gun as. De a o, a capacidade da APE de aze no as pe gun as é al ez
mais p omisso a em elação a seu po encial eó ico u u o do que qualque ou o
indicado (HUDSON, 2012, p. 30).
A o mulação e decisão em polí ica ex e na podem segui di e en es modelos
ocados em ní eis de análise dis in os, odos eles gua dam especi icidades, an agens e
incon enien es. Segundo F ei e e Vinha (2011), o p ocesso de decisão em polí ica ex e na
é sujei o a mui as complexidades e não somen e os ipos de p ocessos de omada de decisão
di e em em sua o ma, ambém o ambien e de decisão c ia no os desa ios, como o con ex o
polí ico in e nacional, a o es in e nos e psicológicos. E é jus amen e essa complexidade
de a iá eis condicionan es da polí ica ex e na que a APE busca econhece . Os au o es
elencam como ní eis de análise em polí ica ex e na o adicional modelo do a o acional,
modelo das o ganizações bu oc á icas, dos pequenos g upos e dos líde es.
A adicional abo dagem do a o acional conside a que a polí ica ex e na é
o mulada de o ma uni á ia pelos Es ados, sendo que a polí ica in e na é conside ada de
o ma isolada da ex e na. Essa abo dagem a alia que a polí ica ex e na é o mulada de
o ma homogênea e uni á ia pelos elemen os de pode do es ado e com base nos in e esses
nacionais, p incipalmen e a segu ança. Nesse ní el de análise, a iá eis como a psicologia
dos líde es, ipos de go e no e con ex os sociais e econômicos não são ele an es. Segundo
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o modelo de decisão acional, o Es ado segue passos linea es no p ocesso de decisão da
polí ica ex e na, que passa pela de inição do p oblema, seleção dos obje i os, iden i icação
das al e na i as e uma seleção acional da melho opção. Desse modo, o Es ado agi ia com
obje i os cla amen e de inidos ao assumi posições e p e e ências que maximizam a
u ilidade das escolhas, ponde ando p ós e con as. No en an o, esse modelo é conside ado
mui o mais um pad ão idealizado do p ocesso de omada de decisão do que p op iamen e
um exemplo de como as coisas acon ecem na ealidade. Exis em di e sas a iá eis que
exe cem in luência na elabo ação de uma decisão e con a iam as expec a i as de um
modelo es i amen e acional: endências psicológicas dos deciso es, c enças pessoais, o
ipo de in o mação, a in luência de g upos de in e esse, con ex os sociais e econômicos ou
mesmo as capacidades eais disponí eis, que nem semp e são ideais (FREIRE; VINHA,
2011).
Ainda segundo F ei e e Vinha (2011), o modelo das o ganizações bu oc á icas
pos ula que embo a sejam os di igen es a decidi o que aze em polí ica ex e na, suas
decisões são o emen e dependen es das in o mações e consul o ia p opo cionadas po
o ganizações bu oc á icas especializadas. Che es de depa amen o, agências
go e namen ais, o ças de segu ança, diploma as e mesmo especialis as em assun os-cha e
possuem, mui as ezes, in o mações p i ilegiadas e podem auxilia os deciso es na escolha
das melho es ações. Desse modo, as bu oc acias são capazes de in luencia não apenas as
decisões dos a o es polí icos e o cu so dos acon ecimen os, como ambém a opinião pública
sob e assun os de polí ica ex e na.
As bu oc acias isam melho a a e iciência e a acionalidade ao con e i em a
esponsabilidade de di e en es a e as a di e en es pessoas, de inindo eg as e
p ocedimen os ope acionais que especi icam o modo como as a e as de em se
execu adas, e a di isão de au o idade en e di e en es o ganizações pa a e i a a
duplicação de es o ços. Ainda pe mi em o planeamen o a ançado com o objec i o
de de e mina necessidades a longo p azo e os meios de as alcança . Des e modo,
a p esença des as o ganizações pode á esul a numa mul iplicidade de opções,
melho ando as hipó eses de um maio núme o de al e na i as se conside ado, bem
como de adopção de p ocedimen os de espos a es anda dizados (FREIRE;
VINHA, 2011, p.26).
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Além da in luência que exe ce nos deciso es, a bu oc acia ambém pode se i
como limi ado a da in e e ência de líde es polí icos ou ou as agências na elabo ação da
polí ica ex e na. Adicionalmen e, podem c ia sis emas de pe ilamen o ins i ucional pa a
ga an i p ocedimen os ope acionais pad onizados e legi imidade ins i ucional (FREIRE;
VINHA, 2011).
Os pequenos g upos ambém são capazes de exe ce in luência nos deciso es e, po
conseguin e, nos umos da polí ica ex e na. Os g upos podem se o mados po in eg an es
com di e en es unções, alo es ou in e esses, mas, segundo Hols i (2006) ge am dinâmicas
mui o pa icula es que podem e e ei os di e os na elabo ação da polí ica ex e na. Essas
ag emiações podem en iquece o deba e e con ibui azendo mais possibilidades e
al e na i as no p ocesso de decisão, ademais, podem se i de apoio pa a os deciso es. Po
ou o lado, podem ambém limi a o escopo de análise das possibilidades a a és do ealce
de suas pe spec i as e in e esses e a imposição de sua e ó ica sob e as demais al e na i as.
A busca pelo consenso de g upo é conhecida como g oup hinking, p ocesso que pe segue
uma supos a a aliação acional cole i a, igno ando ou mesmo censu ando ideias
con adi ó ias.
Po im, o papel dos líde es ambém pode se analisado po meio do ipo de
lide ança que exe cem e o modo como conduzem assun os de polí ica ex e na. Es e modelo
busca alia a análise do compo amen o dos Es ados na polí ica in e nacional e as ações de
seus p incipais deciso es. O papel dos líde es pode se is o como de e minan e pa a o
sucesso ou acasso de uma polí ica ex e na. No en an o, exis em di e gências en e as
ações de um líde e aquilo que é espe ado dele. Essas di e gências podem se explicadas,
em pa e, pelas acionalidades p ocedimen al e ins umen al as quais es ão sujei os os
líde es. A acionalidade p ocedimen al sus en a uma isão ia e calculis a sob e a polí ica
in e nacional, o ien ando decisões asse i as e acionais en e as opções disponí eis. Já a
acionalidade ins umen al o ien a pa a uma isão mais limi ada da acionalidade,
admi indo p e e ências po al e na i as mais in ui i as que acionais. Essas di e gências
apon am, po an o, pa a a exis ência de uma limi ação acional dos líde es, que mui as
ezes omam decisões em polí ica ex e na de o ma acional, do pon o de is a
ins umen alis a, enquan o o p ocesso de decisão e o p odu o dessas escolhas su gem de
o ma i acional (FREIRE; VINHA, 2011).
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Apesa da au oimagem e popula idade de um líde legi ima em um luga de pode
de impo ância cha e pa a a polí ica ex e na, é p eciso conside a que a maio ia dos líde es
agem in luenciados po uma a iedade de cons angimen os polí icos, psicológicos e
ci cuns anciais que podem limi a ou comp ome e seu escopo de a uação em de e minadas
ci cuns âncias. Jus amen e pela limi ação de a uação dos líde es que suas c enças ou
escolhas pessoais nem semp e impac am di e amen e a polí ica ex e na. O oco de análise,
po an o, não é em que ní el as ca ac e ís icas pessoais de um líde in luenciam a omada
de decisão, mas sob quais condições esses elemen os são de e minan es. É possí el
iden i ica , po exemplo, que o pode de in luência das ca ac e ís icas pessoais de um líde
aumen a con o me sua au o idade e legi imidade pública. A p e e ência de uma população
po um líde o e, au oc a a, e le e-se em uma maio in luência dos desejos pessoais desse
líde na omada de decisões e condução da polí ica ex e na compa a i amen e a
democ acias em que o sis ema bu oc á ico limi a esse pode cen alizado em um único
líde . Também podemos ci a o con ex o em que o líde es á no pode , o pe íodo do seu
manda o e os elemen os ci cuns anciais, como c ises sociais, polí icas e econômicas. C ises
nacionais são conside ados momen os p opícios pa a aumen a o pode de in luência do
líde na o mulação da polí ica ex e na, mas, do con á io, alguns ou os con ex os podem
se mais in luen es que o líde (FREIRE; VINHA, 2011).
Como imos, a análise de polí ica ex e na en ol e uma di e sidade de a iá eis e
modelos de análise a se em le ados em conside ação. Pa a além disso, podemos iden i ica
di e en es ipos de decisão nesse p ocesso. Pa a Min z e DeRouen (2010) essas decisões
podem se de qua o ipos: 1) decisões singula es: a os isolados sem um con ex o mais
amplo; 2) decisões es a égicas in e a i as: quando há in e ação en e pelo menos dois
a o es di e amen e impac ados; 3) decisões sequenciais: en ol em uma sequência de
decisões in e - elacionadas; e 4) decisões sequenciais in e a i as: quando a sequência de
decisões en ol e pelo menos dois a o es en ol idos. Min z e DeRouen (2010) ambém
des acam á ias o mas possí eis de decisão, são elas: a) decisões unila e ais: omadas pela
on ade exclusi a de uma pa e; b) decisões negociadas: quando en ol e a decisão
aco dada po pelo menos dois a o es; c) decisões o çadas: omadas sob a coação de a o es
ex e nos; d) decisões es u u adas: ípicas das ins i uições bu oc á icas, esul an es de uma
elabo ação acional e p o ocola ; e) decisões semies u u adas: en ol em algum g au de
14
isco po elemen os não p e is os; ) decisões não-es u u adas: quando a o es es u u ais
e de obje i o não são desen ol idos.
De aco do com F ei e e Vinha (2011), pa a o es udo da polí ica ex e na é
undamen al conside a elemen os como g upos de in e esse, comunidades epis êmicas e
opinião pública. Como imos nos modelos eó icos, essas a iá eis podem e um peso
de e minan e na elabo ação da polí ica ex e na. Os g upos de in e esse podem se o mados
pa a ep esen a o ganizações e pau as especí icas, como emp esas e abalhado es na á ea
econômica, g upos de p o eção ambien al e ques ões climá icas e mesmo o mação de
lobby pa a de ende in e esses de ou os Es ados ou o ganizações sob e um de e minado
ema. Haas (1992) essal a que as comunidades epis êmicas, po sua ez, são g upos
compos os po p o issionais com conhecimen o econhecido em uma á ea especí ica e de
in e esse polí ico. Podem se o madas po cien is as, acadêmicos e indi íduos que
compa ilham da mesma a i idade social e de especialização. Essas comunidades podem
in luencia a decisão polí ica ao o nece in o mações, consul o ia e ecomendações aos
deciso es sob e emas especí icos da polí ica in e nacional. A opinião pública ambém
exe ce p essão sob e a polí ica ex e na. A depende do sen imen o popula , líde es podem
oma decisões baseados na popula idade de alguma al e na i a. No en an o, é impo an e
obse a que a opinião pública é lu uan e e pode a ia do apoio à ejeição em alguns
emas. Vale essal a ambém que a cul u a nacional e suas ca ac e ís icas e alo es p óp ios
podem in luencia sob e as expec a i as e p edisposições de uma população sob e
de e minados assun os e, com isso, a e a os p ocessos de escolha e decisão.
Não podemos exclui do p ocesso de análise de polí ica ex e na os a o es
psicológicos, os quais podem se de e minan es em como os líde es enca am a polí ica
ex e na e seus desa ios. Consoan e Je el Rosa i (2000) os a o es psicológicos podem se
classi icados de di e en es o mas endo em conside ação o po encial impac o que êm na
polí ica ex e na, nomeadamen e po meio do con eúdo, o ganização e es u u a das c enças
dos deciso es; pad ões de pe cepção da ealidade; além da igidez ou lexibilidade
cogni i a. A a és de cada um desses mé odos é possí el aça ca ac e ís icas especí icas
de como os deciso es elabo am e eagem a de e minados desa ios. Com uma melho
comp eensão do espec o psicológico ci cundan e en e os líde es, pode-se elabo a
elações causais en e suas c enças, mapas cogni i os, isões de mundo e igidez e o
15
p ocesso de elabo ação da polí ica ex e na. Pa a além disso, Rosa i (2000) conside a
impo an es ês ou os a o es implíci os na es u u a cogni i a de um deciso , são eles: 1)
o ní el de conhecimen o e expe iência que em sob e o assun o que es á a a a ; 2) a unção
ocupada pelo líde com papel de decisão; e 3) as expec a i as do deciso dian e de um
assun o ou um momen o. Do mesmo modo, Rosa i (2000) iden i ica compo amen os
comuns en e os líde es no p ocesso de decisão, como uma endência pa a ca ego iza e
es e eo ipa a iá eis e suas pa icula idades, c iando pad ões dualis as como “nós-eles”,
“bom-mau”, além de uma endência pa a simpli ica assun os complexos, impondo uma
o dem de comp eensão que aça sen ido a sua lógica cogni i a pessoal.
Como imos, a análise de polí ica ex e na é possí el a a és de di e en es modelos
e ní eis de análise e pode eco e à con ibuição de di e en es ciências e eo ias pa a a
iden i icação e comp eensão das múl iplas a iá eis que podem in luencia a polí ica
ex e na. O es udo anco ado na APE, po an o, de e es a conscien e an o de sua ampli ude
como limi ações, de aco do com o obje i o da pesquisa. Cump e ei e a , nes e pon o, que
o obje i o des a disse ação não é aze uma análise sui gene is da no a polí ica ex e na
b asilei a conside ando as di e sas possibilidades o e ecidas pela APE, mas muni -se
desses es udos e modelos pa a elabo a um es udo su icien emen e con ex ualizado sob e
a epe cussão da no a polí ica ex e na b asilei a nos meios de comunicação social e que,
consequen emen e, seja ambém capaz de iden i ica os p incipais a o es e p ocessos de
decisão dessa polí ica ex e na.
2.3. AS MUDANÇAS NA POLÍTICA EXTERNA
Assim como as demais polí icas públicas, a polí ica ex e na ambém es á sujei a a
mudanças. Como obse a He mann (1990), no en an o, mudanças que ma cam a e e são
ou pelo menos o edi ecionamen o da polí ica ex e na de um Es ado possuem um in e esse
especial po que demandam no os posicionamen os dos go e nos e suas ações in e nas,
assim como êm impac o no ambien e in e nacional e na polí ica de ou os a o es de
sobe ania. Na isão do au o , g andes mudanças na polí ica ex e na dependem de mudanças
p opo cionalmen e d ás icas de egime ou go e nabilidade, po ou o lado, econhece que
go e nos já es abelecidos ambém podem da no os umos à polí ica ex e na aplicando
medidas que al e am signi ica i amen e o posicionamen o de um Es ado. He mann (1990)
16
iden i ica qua o possí eis ní eis de mudança em polí ica ex e na: 1º) mudanças de ajus e:
nes e ní el as mudanças oco em no es o ço (pa a mais ou pa a menos) ou no âmbi o dos
des ina á ios, sem al e a os p opósi os e obje i os ex e nos; 2º) mudanças de p og ama:
quando al e ações são ei as nos meios e mé odos pelos quais o p oblema ou obje i o é
abo dado, sem al e a , no en an o, os p opósi os basila es da polí ica ex e na; 3º) mudança
de p oblema ou obje i o: nes e caso o p oblema ou obje i o pe seguido pela polí ica
ex e na é subs i uído ou anulado, assim, o p opósi o cen al da polí ica ex e na se al e na;
4º) mudanças na o ien ação in e nacional: a o ma mais ex ema de mudança de polí ica
ex e na en ol e o edi ecionamen o de oda a o ien ação ex e na de um Es ado ou en idade
sobe ana. Nes e caso, não apenas algumas posições ou polí icas isoladas se al e am, mas
mui as são modi icadas simul aneamen e. No malmen e, esse ipo de eo ien ação mais
d ás ica en ol e ambém o alinhamen o ou desalinhamen o com ou os a o es
in e nacionais.
Na mesma linha de análise p opos a pela APE, quando es udamos mudanças na
polí ica ex e na p escindimos da con ibuição de di e en es á eas do conhecimen o e uma
análise ans e sal dos múl iplos a o es que con ibuem pa a a mudança ou
edi ecionamen o da polí ica ex e na. He mann (1990) de ine qua o á eas pa a possí el
explo ação de es udos: 1) sis ema polí ico domés ico: pa a p omo e mudanças na polí ica
ex e na, o go e no es abelecido p ecisa con a com o apoio e alinhamen o de ce os g upos
in e nos que legi imam e sus en am o egime, como o iciais mili a es, g upos emp esa iais,
la i undiá ios, g upos eligiosos, é nicos ou polí icos. Algumas dinâmicas in e nas ambém
podem p opo ciona mudanças na polí ica ex e na, como a ees u u ação ou ans o mação
do sis ema econômico e suas p io idades, ealinhamen o das c enças e p io idades de
se o es in e nos ou mesmo como o ma de di e encia um go e no de ou o; 2) bu oc acia:
a polí ica ex e na con empo ânea, independen e do egime de go e no, é no malmen e
conduzida po o ganizações es a ais – ge almen e o Minis é io de Relações Ex e io es –
com especialização p o issional e expe ise em polí ica ex e na. Essas o ganizações, a
depende de sua es u u a hie á quica e de o mação, cons i uem-se como es abilizado es
adminis a i os pa a ques ões in e nacionais, se indo como base es u u al e de supe ação
de con li os in e nos. Ainda que esses ó gãos possam es a sujei os às polí icas domés icas,
qualque mudança no posicionamen o ex e no de e á passa pelo esc u ínio e esis ência
17
es u u al da bu oc acia es abelecida; 3) cibe né ica: a abo dagem in e disciplina e
ans e sal da cibe né ica con ibui pa a amplia a gama de in o mações e suas in e secções
em busca de um obje i o em polí ica ex e na. Líde es e deciso es ambém podem u iliza
esse modelo como o ma de iden i ica e co igi ações e busca quali ica as elações
in e nacionais. O ambien e in e nacional em que ope a boa pa e da polí ica ex e na é
ins á el e imp e isí el, po isso os legislado es desse âmbi o de em explo a mudanças
com oco em o ganiza suas p e e ências, econhece desa ios e de ini obje i os de o ma
ampla e in e seccional; 4) abo dagem de ap endizado: assim como ap endemos no as
habilidades, as expe iências de modelos p e iamen e aplicados podem se i pa a a
aquisição de conhecimen os em di e en es domínios da polí ica ex e na, suge indo que
essas expe iências sejam ins u i as pa a os no os desa ios que se ap esen am.
Pa a He mann (1990), as al e ações na polí ica ex e na podem se desencadeadas
po di e en es a o es e con ex os, po isso elenca qua o a o es p incipais: 1) mudanças
conduzidas po um líde : as mais impo an es mudanças em polí ica ex e na oco em
ge almen e concomi an emen e ao su gimen o de no os líde es com e ó icas au o i á ias,
que po sua ez demons am e mais apoio pa a ealiza mudanças nesse âmbi o, impondo
suas p óp ias isões de mundo, semp e ampa adas pelos se o es que sus en am o egime;
2) mudanças es imuladas pela bu oc acia: nesse caso a adminis ação es a al especializada
em assun os ex e nos p omo e e o ien a as mudanças e edi ecionamen os; 3)
ees u u ação domés ica: acon ece quando um se o impo an e da sociedade e de cujo
apoio o go e no depende pa a go e na suge e al e ações na polí ica ex e na; 4) choques
ex e nos: podem desencadea mudanças na polí ica ex e na pa a aze en e a no as c ises,
e en os, agédias ou mesmo pa a adap á-la ao no o con ex o que su ge de mudanças
d ás icas no ex e io . He mann (1990) econhece, no en an o, que esses a o es podem
in e agi um com o ou o e p opo ciona mudanças de polí ica ex e na com mais de uma
a iá el como a o desencadean e. Desse modo, pode íamos elaciona os agen es e o g au
de mudança na polí ica ex e na como seguindo o luxo abaixo.
18
FIGURA 1 – Fluxo de mudança em polí ica ex e na
Fon e: HERMANN, 1990, p. 13
Em esumo, pa a que a p opos a de um agen e desencadeado enha in luência na
polí ica ex e na, es a p ecisa passa pelo p ocesso de decisão p óp io dos go e nos e suas
bu oc acias. É no âmbi o desse p ocesso que uma pau a ap esen ada po agen es de
mudança pode e con inuidade ou não, esul ando em algum dos ní eis de mudança
mencionados.
He mann (1990) conclui seu a igo a i mando que i emos um pe íodo em que o
cená io in e nacional, as mudanças em polí ica in e na, seus a o es e a iá eis são mui o
complexos e es ão em cons an e e olução. Os es udos sob e mudanças em polí ica ex e na,
apesa de iden i ica em pad ões e egula idades em de e minadas ci cuns âncias, não são
exaus i os pa a comp eende a complexidade das a iá eis que p omo em al e ações em
polí ica ex e na. Segundo o au o , ainda são necessá ios es udos igo osos capazes de
ca ac e iza as condições pa a mudanças e edi ecionamen os d amá icos em polí ica
ex e na. No âmbi o da Polí ica Ex e na B asilei a (PEB), o es udo de He mann (1990) oi
u ilizado pa a iden i ica mudanças na polí ica ex e na en e os go e nos de Fe nando
Hen ique Ca doso e Lula da Sil a (VIGEVANI; CEPULANI, 2007), Lula da Sil a e Dilma
Rousse (CORNETET, 2014) e en e Dilma Rousse e Michel Teme (SILVA, 2019).
Cason e Powe (2009) cons a am que as mudanças na PEB p escindem de uma
comp eensão das mudanças nas es u u as de pode elacionadas à polí ica ex e na. A pa i
de meados dos anos 1990 dois a o es passa am a ganha mais in luência na elabo ação
dessa polí ica: a plu alização de a o es e o ad en o da diplomacia p esidencial. Segundo
Cason e Powe (2009), du an e oda a his ó ia da diplomacia b asilei a o I ama a y man e e
25
Hen ique Ca doso e Lula da Sil a, desencadeou um in e esse maio da opinião pública e
dos meios de comunicação social sob e a a uação in e nacional dos p esiden es.
Enquan o a polí ica ex e na es i e in imamen e associada com o p esiden e, seus
a os no ex e io na u almen e ecebem mais a enção da mídia, e a diplomacia é
o çada a esponde mais a opinião pública, o que ambém con ibui pa a a
poli ização de assun os in e nacionais (CASARÕES, 2012, p. 2016).
Em seu a igo sob e a cobe u a dos meios de comunicação social sob e a polí ica
ex e na de Lula da Sil a, Casa ões (2012) cons a a que alguns dos eículos de mídia mais
impo an es do B asil desempenha am um papel a i o con a a polí ica ex e na do en ão
p esiden e a a és de seus edi o iais. Apesa disso, o au o obse a que mesmo com a mídia
azendo pa e dos a o es eme gen es com po encial de in lui na polí ica ex e na, sua
a uação, assim como a da comunidade acadêmica, ge almen e não em pode de de ini
uma agenda sob e a PEB, “seja de ido à al a de in luência polí ica, ou simplesmen e
po que sua pa icipação é limi ada” (2012, p. 215).
Aze edo (2006) eco da, en e an o, o papel es a égico dos meios de comunicação
de massa no agendamen o da opinião pública no B asil. Segundo o au o , as sociedades
democ á icas são o madas po di e en es g upos sociais, cul u ais e de in e esse que
acabam po o ma nichos segmen ados. Nesse con ex o, como é o caso b asilei o, assun os
de o dem ge al e polí ica só ganha iam ele o e a enção da opinião pública quando
abo dados pelos meios de comunicação de massa, que se consolidam como espaços
dispu ados pelas di e sas agendas em ci culação na sociedade, que podem se inclusi e os
in e esses das p óp ias emp esas de en o as dos meios de comunicação social. Desse modo,
nas sociedades democ á icas, a isibilidade ou in isibilidade de de e minados emas ou
a o es depende em g ande medida da plu alidade e libe dade de seus meios de comunicação
de massa.
A es a al u a, ale essal a que o me cado de comunicação de massa b asilei o é
cons i uído po monopólios amilia es que his o icamen e in luencia am a polí ica in e na.
Segundo Lima (2001 apud AZEVEDO, 2006), as Cons i uições b asilei as desde 1946
p oibiam o con ole dos meios de comunicação social po pessoas ju ídicas, sociedades
anônimas ou g upos es angei os. O obje i o dessa legislação e a ob e uma iden i icação
plena dos de en o es dos meios jo nalís icos e de adiodi usão no país. No en an o, esse
26
sis ema acabou po pe mi i a o mação de oligopólios amilia es que dominam a é hoje os
p incipais expoen es da mídia nacional. Aze edo (2018a) iden i ica qua o g upos
amilia es no con ole das p incipais edes de ele isão, ádio e meios imp essos no B asil
em âmbi o nacional: amília Ma inho (G upo Globo), Mesqui a (G upo Es adão), F ias
(G upo Folha) e Ci i a (G upo Ab il). O jo nal que analisa emos mais adian e nes a
disse ação az pa e desse sis ema: Folha de S. Paulo pe ence à amília F ias.
Apesa de a mídia e ado ado uma abo dagem ela i amen e ecen e sob e a PEB,
ainda mui o ligada à ascensão da diplomacia p esidencial, exis em mui os exemplos de
in luência da mídia na polí ica in e na b asilei a, especialmen e no pe íodo da
edemoc a ização. Fe es Júnio e Gaglia di (2019) analisam que desde as eleições de 1989
a imp ensa b asilei a em ado ado posicionamen os cla amen e pa ciais pa a apoio ou
ejeição de de e minados candida os nas eleições p esidenciais. Um dos exemplos mais
emblemá icos dessa pa cialidade icou e iden e na edição do úl imo deba e das eleições de
1989 en e os candida os Lula da Sil a e Fe nando Collo ap esen ada no Jo nal Nacional,
da TV Globo, o elejo nal de maio audiência no B asil. Na edição esumida do deba e que
ha ia du ado mais de ês ho as, a emisso a essal ou os melho es momen os do candida o
de cen o-di ei a (Collo ) e os pio es momen os do candida o de esque da (Lula da Sil a),
dando assim a imp essão de que Lula da Sil a ha ia sido de o ado pelo seu conco en e.
Na sequência na a i a, a edição ap esen ou uma pesquisa de opinião cujos esul ados e am
a o á eis a Collo . Com isso, nas pala as dos au o es, “a g ande imp ensa b asilei a dá
início à sé ie elei o al da No a República sob o signo da manipulação com ins polí icos”
(2019, p. 29).
Fe es Júnio e Gaglia di (2019) suge em, a a és da análise da his ó ia ecen e dos
meios de comunicação social e seus posicionamen os na polí ica in e na b asilei a, que o
an ipe ismo
1
oi um posicionamen o cons an e da g ande mídia, o qual con ibuiu pa a
p oduzi , en e ou as coisas, a deposição de Dilma Rousse , em 2016, a ascensão da No a
Di ei a e a eleição de Jai Bolsona o em 2018.
1
Te mo u ilizado pa a designa o mo imen o polí ico e mediá ico de a e são ao Pa ido dos
T abalhado es – PT, de Lula da Sil a.
27
O an ipe ismo alimen ado pela g ande imp ensa ao longo dos anos ene gizou o
Junho de 2013
2
, pa iu a No a Di ei a nas edes sociais, oi o es eio do mo imen o
pelo impeachmen e se iu de e men o pa a a consolidação do pe sonagem Jai
Bolsona o, que i ia a capi anea esse sen imen o ao pon o de ence o plei o de
2018 (pun in ended!). Ele pe maneceu in enso na mídia, mesmo depois de o PT
e sido a ancado do go e no ede al, em 2016. Ele apa eceu o íssimo na
campanha elei o al de 2018, nos mui os edi o iais dos jo nalões que acusa am
Haddad e o PT de se em uma ameaça à democ acia à al u a do bolsona ismo. Ele
con inua o íssimo na cobe u a da La a Ja o e de udo que diz espei o a Lula,
mesmo quando abundam e idências de que o p ocesso que condenou o ex-
p esiden e enha sido ei ado de ilegalidades (FERES JÚNIOR; GAGLIARDI,
2019, p. 40).
Apesa da cen alidade da ele isão nos meios de comunicação de massa
(especialmen e se conside a mos sua in luência no quo idiano e nos cos umes dos
b asilei os) e da ascensão das no as mídias digi ais e suas edes de in o mação (Facebook,
Ins ag am, Wha sApp, Twi e , YouTube, TikTok...), Aze edo (2017) essal a que ainda
são os jo nais imp essos e as publicações semanais que cons i uem as p incipais on es de
in o mação e de agendamen o polí ico dos meios de comunicação de massa e das
pla a o mas digi ais. Segundo o au o , é nos meios imp essos que êm o igem as p incipais
no ícias e comen á ios que são eplicados nas no as mídias digi ais e no sis ema de ádio e
ele isão de massas. Em seu es udo, Aze edo (2017) demons a que a maio ia dos a igos
e no ícias que ci culam nas edes sociais êm como o igem meios imp essos. Com isso,
conclui-se que embo a não cons i uam a única on e de in o mação, os jo nais imp essos
ainda desempenham um papel c ucial na p odução de no ícias e no agendamen o de no os
emas pa a o deba e público, e oalimen ando o luxo de in o mação, apesa da ascensão
das mídias digi ais. Essa conclusão e o ça a impo ância da nossa decisão de, nes a
disse ação, analisa o jo nal imp esso de maio ci culação no B asil: Folha de S. Paulo.
2
Sé ie de p o es os oco idos nas p incipais cidades do B asil com pau as di usas, mas que
ag ega am um sen imen o comum de descon en amen o com o sis ema polí ico.
28
3. A NOVA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA
Em 2019, o B asil empossou no ca go de p esiden e da epública Jai Bolsona o,
um polí ico de ex ema-di ei a que p ome ia ees u u a a polí ica ex e na b asilei a,
azendo alianças com no os países e modi icando a e ó ica, ações e es a égias do
I ama a y. Com o obje i o de con ex ualiza e ca ac e iza a PEB inaugu ada nesse pe íodo,
u ilizamos dois ní eis de análise: 1) sis ema in e nacional em con ex o; e 2) conjun u a
in e na.
No p imei o subcapí ulo buscamos explica o cená io in e nacional em con ex o,
abo dando a c ise da o dem global es abelecida, a descen alização do pode en e nações
e a c ise das democ acias libe ais ociden ais. Pa a isso, con apomos os es udos de
Ikenbe y (2018) e S uenkel (2018) sob e a c ise da o dem libe al. Também abo damos
como a globalização impac ou as democ acias ociden ais, eco endo a Cas ells (2018), e
analisamos qual o papel que o B asil assume nessa conjun u a, a a és de S uenkel e Taylo
(2015).
O segundo subcapí ulo busca ap esen a um con ex o da polí ica in e na b asilei a,
desde o go e no de Dilma Rousse (2011-2016), a c ise de ep esen ação polí ica
mani es ada nos p o es os de junho de 2013 e a des i uição de seu go e no, em 2016, a é o
p imei o ano de Jai Bolsona o como p esiden e da epública. Pa a isso, u iliza como base
de e e ência os a igos jo nalís icos publicados du an e o pe íodo de análise, bem como os
a igos publicados em e is as cien í icas que analisam a polí ica in e na b asilei a no
mesmo pe íodo, como os de A i ze (2017), Bas os (2017), Gon ijo e Ramos (2019),
Hun e e Powe (2019), Dias e Fe nandes (2020) e Chagas-Bas os (2019).
No e cei o subcapí ulo, buscamos ca ac e iza a no a polí ica ex e na b asilei a
que eme giu a pa i de 2019 à luz dos con ex os es u u ais (ex e no e in e no) analisados
p e iamen e. Pa a isso, azemos, p imei o, uma e isão das ações desempenhadas no
âmbi o da PEB pelos go e nos que an ecede am Jai Bolsona o, bem como as adições
diplomá icas que o am es u u adas ao longo das décadas e o am inco po adas como
polí icas de es ado pelo B asil. Pa a isso, u ilizamos como e e ência publicações como as
de Spek o (2014), S u a o e Ne es Júnio (2010), Fonseca (2011; 2017), Vige ani e
Cepulani (2007) , Sa ai a (2014), Co ne e (2014), Fonseca (2018), Sil a (2019) e Mi anda
29
(2019). Na sequência, analisamos as p incipais inicia i as e es a égias le adas a cabo no
âmbi o da polí ica ex e na du an e o p imei o ano de go e no Bolsona o (2019), buscando
ca ac e iza o concei o de “no a polí ica ex e na” conduzida nesse pe íodo, pa a isso,
eco emos a au o es como F eixo (2019), Dieguez (2019), S uenkel (2019), Sa ai a e Sil a
(2019), Medei os, Vilas Boas e And ade (2020), Chagas-Bas os e F anzoni (2019) e
Mo ei a (2020).
3.1. O MUNDO PÓS-OCIDENTAL E A CRISE DA DEMOCRACIA LIBERAL:
O SISTEMA INTERNACIONAL EM CONTEXTO
O ano de 2019, pe íodo de análise des a disse ação, icou ma cado po e en os
impo an es que molda am a conjun u a in e nacional e en a am pa a a his ó ia, como a
escalada da ensão diplomá ica en e Es ados Unidos e China, p o es os gene alizados na
Amé ica La ina e em Hong Kong, um a en ado e o is a na No a Zelândia, o his ó ico
incêndio da Ca ed al de No e Dame e o su gimen o de um no o í us na cidade de Wuhan,
na China, que i ia mais a de a se ans o ma na pandemia global de COVID-19. Mas
pa a além da sequência de e en os ac uais que o mam nossa memó ia cole i a e
indi idual elacionada a esse pe íodo his ó ico, es e subcapí ulo busca desenha um
pano ama geopolí ico do mundo em con ex o, com oco na descen alização do pode
mundial e a ascensão do Sul Global, con empo aneamen e à c ise de ep esen ação das
democ acias libe ais e a iden i icação do papel que o B asil assume nesse cená io.
Com o im da Segunda Gue a Mundial e a ascensão dos Es ados Unidos e seus
aliados, o mundo se di ecionou pa a uma o ganização in e nacional baseada na lide ança
do Ociden e e nos p incípios de abe u a econômica, au ode e minação, coope ação e
democ acia solidá ia, anco ados em ins i uições mul ila e ais que isa am a con inuidade
e expansão da democ acia libe al ociden al. Com o passa dos anos, esse mo imen o passou
a se lide ado quase que exclusi amen e pelos Es ados Unidos, que se ans o ma am em
uma po ência hegemônica da o dem libe al ociden al, anco ando alianças e pau ando a
es abilidade e coope ação econômica mundial po meio dos alo es associados à libe dade
econômica e social. Pos e io men e, Eu opa Ociden al e Japão se o na am aliados
impo an es desse sis ema e, com o im da Gue a F ia, o libe alismo ociden al passou a se
dominan e na comunidade in e nacional, in eg ando países da Amé ica La ina, Les e
30
Asiá ico e Eu opeu à economia global. A ascensão pós-Gue a F ia impulsionou ainda
algumas ins i uições mul ila e ais, como a expansão da OTAN (O ganização do T a ado
do A lân ico No e), c iação da OMC (O ganização Mundial do Comé cio) e o G20 (G upo
dos 20) passou à cen alidade dos deba es globais (IKENBERRY, 2018).
Segundo Ikenbe y (2018), os impasses de segu ança desencadeados pela Gue a
F ia o am de e minan es pa a legi ima a lide ança dos Es ados Unidos em uma espécie
de comunidade de segu ança en e nações do Ociden e, com eg as, ins i uições e um
epe ó io de unções polí icas de p o eção mú ua. Nesse cená io, os Es ados Unidos
assumi am uma a iedade de unções e esponsabilidades pa a sus en a a o dem
es abelecida, como p o e bens públicos e lide a as delibe ações pa a a p omoção da
coope ação em segu ança, da economia libe al e do compa ilhamen o de no mas e elações
diplomá icas sus en adas en e as democ acias ociden ais. Na ges ão da economia mundial,
as ins i uições inancei as in e nacionais passa am a u iliza o Dóla Es adunidense como
moeda de e e ência in e nacional e, com isso, a polí ica domés ica dos Es ados Unidos
passou a e impo ância pa a oda a o dem libe al es abelecida no pós-gue a. No en an o,
o au o obse a que, apesa da lide ança es adunidense, a isão da o dem ociden al es a a
mui o mais ocada em um sis ema in e go e namen al do que no sup anacionalismo
ins i ucional e, po an o, os go e nos dos Es ados con inua am a ep esen a a p incipal
on e de au o idade, ainda que suas ações es i essem alinhadas a no mas e ins i uições
egionais e globais.
Ao de ende uma isão posi i a sob e o es abelecimen o dessa o dem libe al,
Ikenbe y (2018) obse a que os p esiden es dos Es ados Unidos, de Wood ow Wilson a
Ba ack Obama, semp e assumi am a c ença de que as democ acias êm uma capacidade
única de coope a e, po isso, o es abelecimen o de um “mundo li e” se ia a consequência
na u al dessa aliança de nações, pa a além da me a de ensi a con a a ameaça que
ep esen a a a União So ié ica du an e a Gue a F ia. Nesse sen ido, a aliança lide ada
pelos Es ados Unidos ep esen a ia ambém a união dos alo es de de esa e supo e mú uo
de um espaço democ á ico libe al compa ilhado.
Li (2016) essal a que a globalização con empo ânea é esul ado desse p ocesso
capi aneado pela o dem libe al, en aizada na dou ina neolibe al do Consenso de
31
Washing on. Essa dou ina pos ula um conjun o de eg as e p ecei os econômicos, de
polí ica e elações in e nacionais a a és das quais as on ei as nacionais pe de iam
g adualmen e sua ele ância, as cul u as nacionais es a iam aba cadas po alo es
uni e sais, assim como a democ acia libe al e o capi alismo de me cado se iam
p edominan es no sis ema global.
As undações desse sis ema libe al globalizado, no en an o, pa ecem es a
en aquecendo, como obse a Ikenbe y (2018). Pa a o pesquisado , os Es ados Unidos e
seus aliados es ão, a ualmen e, mais en aquecidos no sis ema in e nacional
compa a i amen e ao pe íodo ligei amen e pos e io à Gue a F ia. Isso se de e a uma
p og essi a ans e ência de pode o Ociden e pa a o O ien e, em um mo imen o de
edis ibuição do pode global ace à ascensão da China e de ou os países eme gen es. Po
ou o lado, Ikenbe y (2018) não ac edi a que a China subs i ui á os EUA como uma no a
o ça hegemônica nem que o Sul Global enha a ep esen a , enquan o bloco, uma ameaça
à o dem es abelecida pelos EUA.
A c ise econômica mundial de 2008 ep esen ou uma das mais ecen es e
impo an es up u as pa a a o dem libe al. Como esul ado, mui os países do Ociden e
i am c esce a desigualdade, a es agnação econômica, c ises iscais, polí icas e sociais,
p o ocando um en aquecimen o das democ acias e um descon en amen o ge al com seus
ep esen an es. A classe média do ociden e oi uma das mais p ejudicadas pela es agnação
econômica, ge ando uma c ença de que a o dem libe al não é mais uma on e de segu ança
e p o eção econômica. Além disso, mui as das jo ens democ acias (como é o caso do
B asil) êm en en ado casos emblemá icos de co upção, es agnação econômica e uma
desigualdade c escen e. Pa a Ikenbe y (2018), a medida em que as democ acias ociden ais
alham em da espos as a esses p oblemas, sua legi imidade é desa iada po c escen es
mo imen os nacionalis as, populis as e xenó obos, cujos undamen os são capazes de
de e io a o u u o das democ acias libe ais.
Na o igem dessa c ise da o dem libe al, consoan e Ikenbe y (2018), es a ia o
colapso da bipola idade en e EUA e União So ié ica com o im da Gue a F ia, esul ando
em uma expansão do in e nacionalismo libe al, ou seja, a p óp ia globalização da o dem
32
libe al. Segundo o au o , a bipola idade EUA-União So ié ica se ia pa a de ini os papéis
e as iden idades de cada um dos polos de pode .
A c ise do in e nacionalismo libe al pode se is a como uma eação len a a essa
ans o mação p o unda na con igu ação geopolí ica do p oje o libe al pós-gue a.
Especi icamen e, a globalização do in e nacionalismo libe al colocou em
mo imen o dois e ei os a longo p azo: uma c ise de go e nança e au o idade e
uma c ise de p opósi o social (IKENBERRY, 2018, p. 18).
Ainda, segundo Ikenbe y (2018), a e a pós-Gue a F ia ouxe ainda no as
ques ões complexas de o dem global, ais como o e o ismo, mudanças climá icas e os
desa ios de uma c escen e in e dependência. E no cen o desses desa ios, pa a o au o , es á
uma c ise de au o idade. A inal, se o pode global oi descen alizado e edis ibuído, como
eo ganiza sua go e nança?
S uenkel (2018), p o esso da Fundação Ge úlio Va gas (FGV), disco da da isão
de Ikenbe y (2018), alegando que o pensamen o ociden ocên ico p oduziu uma supos a
unanimidade educionis a sob e a lide ança dos Es ados Unidos na o dem libe al e sob e o
modo como emos o mundo e como in e p e amos os acon ecimen os geopolí icos. Pa a
S uenkel (2018), o pensamen o não ociden al é a amen e is o como on e legí ima pa a
cons ução de conhecimen os sob e o mundo mode no e, po isso, es udiosos como
Ikenbe y limi am-se a encon a um luga pa a as no as po ências eme gen es den o da
o dem global libe al es abelecida, sem ques iona uma possí el econ igu ação dessa
o dem em um sis ema mul ipola equilib ado.
Toda ia, a mis u a ambígua de hie a quia e eg as az as espe anças de Ikenbe y
de que a China e ou as po ências eme gen es enham a ade i à o dem a ual
soa em um an o insince as, pois ele não explici a em que luga da o dem
hie á quica a China de e supos amen e encaixa -se, e implica que os Es ados
Unidos man e iam de algum modo a lide ança. É essa a ques ão que desag ada os
o mulado es de polí icas em B asília, Déli e Pequim, quando ou em os chamados
ociden ais pa a que as po ências eme gen es se o nem pa es in e essadas
esponsá eis. Com e ei o, á ias po ências eme gen es explici am suas queixas
sob e o que conside am se uma o dem hie á quica em que os o es mui as ezes
des u am de di ei os especiais e na qual as ins i uições não o e ecem espaço
su icien e pa a eme gen es – ge ando desse modo, au oma icamen e, con es ação
(STUENKEL, 2018, pp. 32-33).
33
S uenkel (2018) analisa ainda que en e as po ências eme gen es exis e uma
descon iança sob e o pensamen o ociden ocên ico e a e ó ica do in e nacionalismo
libe al, que supos amen e esconde ia a p omoção dos in e esses das g andes po ências
ociden ais es abelecidas. O pesquisado obse a que a medida em o pode mili a e
econômico se descen aliza, as po ências eme gen es passam a ques iona os p ecei os
in elec uais e eg as hie á quicas cons i uídas, buscando c ia um sis ema mul ila e al no
qual as mesmas eg as se apliquem a odos. Enquan o isso, o pensamen o ociden ocên ico
ê na ascensão do Sul Global uma ameaça con a sua e ó ica uni e salis a e hie á quica
que a é en ão oi capaz de molda a geopolí ica mundial à sua imagem e que ainda busca
in eg a as po ências eme gen es combinando a lide ança dos Es ados Unidos com
coope ação.
Na concepção de S uenkel (2018), a o dem pós-unipola que i emos a ualmen e
já nos ob iga a e uma isão mais ampla sob e os desa ios globais en ol endo os países
eme gen es. O p óximo passo se ia a ança com uma isão de que esses países, a é en ão
conside ados pe i e ia da o dem global, são na e dade essenciais no sis ema in e nacional
e que a cons i uição de uma o dem mul ipola equilib ada é execu á el. Pa a o p o esso
da FGV, o mundo es á dian e de uma g ande opo unidade de o ganiza um sis ema mui o
mais equilib ado e dis ibuído, no qual seja possí el ag ega as di e en es ozes globais em
ní eis mais jus os e equânimes. Nessa no a o dem pós-ociden al de endida po S uenkel
(2018), o mundo se ia mais “p óspe o, com ní eis mui o mais baixos de pob eza numa
escala global do que oda e qualque o dem an e io ” (p. 35). Po isso, ac edi a na ideia de
que o im da o dem libe al possa p oduzi uma c ise de au o idade, como é a p eocupação
de Ikenbe y e do pensamen o ociden ocên ico, na e dade limi a ia nossa capacidade de
iden i ica e explo a no as al e a i as de coope ação global.
Adicionalmen e a essa descen alização ou deslocação de pode do ociden e,
Cas ells (2018) iden i ica no p ocesso de globalização a aiz pa a uma c ise do Es ado-
nação enquan o a o incapaz de esponde aos p oblemas globais de o ma local, como
c ises inancei as, mudanças climá icas, e o ismo e a p óp ia pe da de pode simbólico
ep esen ada pela descen alização da o dem global. Essa c ise do modelo de Es ado-nação
coexis i ia com uma c ise de ep esen ação: a incapacidade de lida com os p oblemas
globais ge a uma up u a das elações en e go e nan es e go e nados que co ói a
34
legi imidade da ep esen ação polí ica e, po conseguin e, das es u u as que undam a
democ acia libe al al como a conhecemos.
Dessa c ise de ep esen ação, segundo Cas ells (2018), eme gem lide anças
polí icas que, na p á ica, negam a polí ica e as es u u as pa idá ias que a compõem,
e e be ando as c escen es ozes de descon en amen o com o sis ema po meio de uma
e ó ica populis a: Donald T ump, nos Es ados Unidos; Le Pen e Mac on, na F ança;
Bolsona o, no B asil; e o B exi , na União Eu opeia, se iam exp essões dessa o dem pós-
libe al eme gen e.
Adicionalmen e a essa c ise de ep esen ação, consoan e Cas ells (2018), es a ia
ainda uma c ise iden i á ia, esul ado do p ocesso de globalização:
Quan o menos con ole as pessoas êm sob e o me cado e sob e seu Es ado, mais
se ecolhem numa iden idade p óp ia que não possa se dissol ida pela e igem
dos luxos globais. Re ugiam-se em sua nação, em seu e i ó io, em seu deus.
Enquan o as eli es iun an es da globalização se p oclamam cidadãs do mundo,
amplos se o es sociais se en inchei am nos espaços cul u ais nos quais se
econhecem e nos quais seu alo depende de sua comunidade, e não de sua con a
bancá ia. À a u a social se une a a u a cul u al. O desp ezo das eli es pelo medo
das pessoas de saí em daquilo que é local sem ga an ias de p o eção se ans o ma
em humilhação. E aí se aninham os ge mes da xeno obia e da in ole ância. Com
suspei a c escen e de que os polí icos se ocupam do mundo, mas não das pessoas.
A iden idade polí ica dos cidadãos, cons uída a pa i do Es ado, ai sendo
subs i uída po iden idades cul u ais di e sas, po ado as de sen ido pa a além da
polí ica (CASTELLS, 2018, pp. 19-20).
Ainda segundo Cas ells (2018), essa c ise iden i á ia ab e caminho pa a a
explo ação de uma polí ica midiá ica emocional, acilmen e pene á el no ecido social
a a és das múl iplas edes de comunicação digi al. A pe sonalização da polí ica em um
líde que ecoe a insa is ação popula , aliado à c iação de mensagens simples e apela i as,
desen ol endo uma na a i a de “nós” e “eles”, do “bem” e o “mal”, em sido amplamen e
u ilizada pa a pe mi i a ascensão e ga an i o engajamen o público de igu as populis as e,
po ezes, au o i á ias. Se iam esses no os a o es polí icos, que a iculam discu sos
xenó obos e acis as, os ep esen an es enca nados da es au ação dos alo es
supos amen e pe didos pela globalização. Esses líde es cons oem sua legi imidade po
41
Dian e dos impasses à go e nabilidade, o MDB, pa ido do ice-p esiden e Michel
Teme e p incipal aliado, iniciou um mo imen o de sepa ação do go e no com o qual ha ia
sido elei o. Teme ap o ei ou-se de um ela i o pode independen e de Rousse pa a
o maliza uma p opos a al e na i a de go e no. Ap esen ada em ou ub o de 2015, em
B asília, o documen o oi denominado “Uma pon e pa a o u u o” e p opunha uma sé ie de
“ e o mas es u u ais” al e na i as ao plano de go e no elei o em 2014, como a e omada
do c escimen o econômico a a és de ajus es iscais, diminuição da axa básica de ju os e
e o ma do sis ema p e idenciá io (FUNDAÇÃO ULYSSES GUIMARÃES, 2015). Na
sequência de indícios de ompimen o com o go e no, o en ão ice-p esiden e en iou uma
ca a a Rousse onde mani es a a seu essen imen o com a descon iança que a p esiden e
alimen a a sob e a lealdade dele e de seu pa ido, o MDB. A ca a, que e a supos amen e
p i ada, chegou à imp ensa e consolidou o clima de ompimen o en e a p esiden e e seu
ice (SADI, 2015).
Enquan o isso, o en ão p esiden e da Câma a dos Depu ados, Edua do Cunha, do
mesmo MDB, in es igado pela Ope ação La a-Ja o, p essiona a o go e no de Rousse
po meio de chan agens com a ameaça de acolhe os pedidos de impeachmen ei os ao
Cong esso. Al o de um p ocesso de cassação no Conselho de É ica do pa lamen o, Cunha
agua dou pelo posicionamen o da bancada do PT, que o ou a o a elmen e a sua
in es igação, pa a au o iza a abe u a do p ocesso de des i uição de Rousse o mulado
pelos ju is as Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnio e Janaina Paschoal, sob a jus i ica i a de
a p esiden e e come ido c ime de esponsabilidade po meio de manob as icais
8
desap o adas pelo T ibunal de Con as da União (TCU) (PASSARINHO, 2015a e 2015b).
Sem con a com o apoio dos p incipais pa idos aliados, o p ocesso de des i uição
de Dilma Rousse e a um jogo de ca as ma cadas que p ecisa a se o ado pela Câma a
dos Depu ados e pelo Senado Fede al. Em 17 de ab il de 2016 oco eu a o ação mais
simbólica de odo o p ocesso de des i uição p esidencial: com 367 o os a o á eis e
apenas 137 con á ios, o plená io da Câma a dos Depu ados decidiu po da
8
Conhecidas como pedaladas iscais, essas manob as consis iam em a asa epasses a bancos
públicos como o ma de cump i me as o çamen á ias pa a um de e minado pe íodo. A p á ica de pedaladas
iscais ambém oi eco en e nos go e nos dos ex-p esiden es Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a
(COSTAS, 2015).
42
p osseguimen o ao p ocesso de impeachmen da p esiden e Dilma Rousse (G1, 2016a).
A sessão oi ma cada pelos o os simbólicos dos ilus es depu ados, que em mui os casos
jus i ica am seus o os exal ando alo es como “ amília”, “ ida”, “espe ança”, “ é” e
“deus”, ao con á io de analisa em a legi imidade da acusação con a a p esiden e da
epública (PRANDI; CARNEIRO, 2018). Jai Bolsona o, en ão pa lamen a do es ado do
Rio de Janei o pelo Pa ido Social C is ão (PSC), dedicou seu o o “con a o comunismo”
e, em e e ência ao pe íodo em que a p esiden e Dilma Rousse oi p esa e o u ada pela
di adu a mili a , enal eceu a “memó ia do co onel Ca los Albe o B ilhan e Us a”,
o u ado e ex-che e do DOI-Codi (Des acamen o de Ope ações de In o mações do Cen o
de Ope ações de De esa In e na), ó gão de ep essão da di adu a (BARRUCHO, 2016).
Em 31 de agos o de 2016 o Senado Fede al, em sessão especial, ap o ou po 61
o os a a o e 20 con á ios o a as amen o de ini i o de Dilma Rousse da p esidência da
epública, que cedeu o ca go pa a seu ice, Michel Teme . Em seu úl imo discu so an es
de abandona as unções no Palácio do Planal o, Rousse denunciou e sido í ima de um
golpe de es ado po meio de uma “ a sa ju ídica” pe pe ada pelo Cong esso Nacional (G1,
2016b). Sua des i uição ep esen ou o im an ecipado da e a pe is a e da esque da no
Go e no Fede al.
Pa a A i ze (2017), o impeachmen de Rousse oi p odu o de uma c ise polí ica
iniciada ainda em 2013 e possui dois elemen os p incipais como desencadeado es: o
p imei o é o colapso do sis ema de coalizão p esidencial e a ascensão de um ele an e
g upo conse ado no Cong esso Nacional, lide ado po Edua do Cunha; o segundo é
a ibuído a uma c ise de ep esen ação associado ao inanciamen o ilegal de campanhas e
a in luência do dinhei o no sis ema polí ico.
3.2.2. Pa imen ando o caminho conse ado : o Go e no de Michel Teme
Com a des i uição de Rousse , Michel Teme ascendeu ao ca go de p esiden e da
epública com a p omessa de conc e iza seu p oje o al e na i o de pode , o “Uma pon e
pa a o u u o”, seguindo um iés o odoxo de ma iz neolibe al. Em decla ação ei a a
emp esá io nos Es ados Unidos, em 2016, Teme a i mou que o impeachmen de Rousse
acon eceu pela sua ecusa a ado a as medidas p opos as pelo documen o (VIEIRA, 2016).
Desde o momen o da sua posse como p esiden e in e ino, Teme p o ocou c í icas pela
43
composição de seu no o go e no, lide ado unicamen e po homens b ancos. Apesa de e
p ome ido o ganiza um “go e no de no á eis”, Teme man e e a polí ica de ag acia
elhos e no os aliados polí icos com minis é ios e che ias de ó gãos públicos como o ma
de man e uma base de sus en ação do go e no no Cong esso (STRUCK, 2016).
Com o obje i o de ag ada o me cado inancei o e buscando meios de implemen a
seu plano de go e no al e na i o, Teme indicou pa a o ca go de Minis o da Fazenda o
economis a Hen ique Mei elles, econhecido an o no meio acadêmico como polí ico,
inancei o e emp esa ial po suas posições libe ais e expe iência (GASPAR, 2017). Uma
das p imei as conquis as de Teme e Mei elles na busca po es abilização econômica oi a
ap o ação do No o Regime Fiscal, ambém conhecido como Emenda Cons i ucional do
Te o dos Gas os Públicos. Com o No o Regime Fiscal, o go e no es abeleceu um limi e
(ou e o) pa a o aumen o dos gas os do Es ado, não podendo ul apassa o índice de in lação
pelos p óximos in e anos (BRASIL, 2016a). Com essa medida, o go e no buscou sinaliza
ao me cado uma polí ica de aus e idade iscal e con enção adical da dí ida pública, já que
a medida desconside a a possibilidade de aumen os na disponibilidade o çamen á ia.
A agenda de e o mas neolibe ais de Teme ambém a ançou com uma e o ma
abalhis a, que en ou em igo em no emb o de 2017. A e o ma p e endia lexibiliza as
elações labo ais e inclui no os ipos de con a o, como os de abalho emo o e
in e mi en e. Po ou o lado, as no as eg as impuse am ba ei as ao acesso à jus iça
abalhis a e en aquece am o pode dos sindica os ao acaba em com a con ibuição
ob iga ó ia (BRASIL, 2017).
O go e no Teme ainda pau ou uma e o ma do sis ema p e idenciá io. A p opos a
de Emenda à Cons i uição nº 287, de 2016, p opunha a ixação de uma idade mínima pa a
aposen ado ia, além de ou as medidas pa a con e um supos o dé ici público p oduzido
pelo Ins i u o Nacional do Segu o Nacional (INSS) (BRASIL, 2016b). A p opos a de
e o ma da p e idência, no en an o, so eu o e esis ência no Cong esso e um ex o
al e na i o oi ap o ado somen e em 2019, passando a es a em igo a pa i de no emb o
desse ano (BRASIL, 2019).
Ou a ma ca do go e no de Michel Teme oi o a anço de um ambicioso plano de
p i a izações. A a és do P og ama de Pa ce ias de In es imen o o go e no p i a izou a
44
Casa da Moeda e ou as 57 emp esas e au a quias públicas, como ae opo os, odo ias e
e minais po uá ios (GONTIJO; RAMOS, 2019).
Em maio de 2017, Teme passou a se in es igado pelo Sup emo T ibunal Fede al
(STF) no âmbi o da Ope ação La a-Ja o po e au o izado o execu i o da JBS
9
, Joesley
Ba is a, a subo na com dinhei o o ex-depu ado Edua do Cunha pa a que se man i esse
calado sob e o que sabia da ope ação (BBC BRASIL, 2017; ALESSI; BORGES, 2017). A
di ulgação do áudio da con e sa en e Teme e Ba is a p o ocou uma c ise de legi imidade
sem p eceden es no go e no, colocando em dú ida a p óp ia pe manência de Teme no
ca go. Po seu en ol imen o na La a-Ja o e po de ende pau as impopula es, Michel
Teme alcançou a maio ejeição da his ó ia pa a um p esiden e da epública. Em junho de
2018, pesquisas de opinião pública indica am que apenas 3% da população conside a a o
go e no bom ou ó imo (VEJA, 2018). Apesa de sua baixíssima popula idade, Teme
man e e-se no ca go g aças a uma o e a iculação polí ica com o Cong esso, que passou
a inclui as F en es Pa lamen a es da Segu ança Pública, Ag opecuá ia e E angélica
10
, mas
ambém pela ausência de p o es os o es e de uma oposição con unden e, bem como pelo
apoio da eli e econômica do país às medidas ado adas pelo go e no (SCHREIBER, 2017).
A associação de Teme às alas conse ado as do Cong esso Nacional ep esen ou
um a anço da in luência de g upos u alis as, a mamen is as e e angélicos no go e no
ede al, assim como e ocessos no âmbi o dos di ei os humanos no B asil. Du an e a
ges ão de Teme , a ança am p oje os polêmicos em de imen o do econhecimen o de
e i ó ios indígenas e do comba e ao abalho esc a o (mui o associado ao ag onegócio).
Também o di ei o das mulhe es oi ameaçado com a ap esen ação pela bancada e angélica
de uma p opos a de p oibição do abo o em qualque ci cuns ância, e a bancada da bala
conseguiu lexibiliza as eg as pa a posse de a mas em zonas u ais (ALESSI, 2017).
O apoio do me cado ao p oje o neolibe al de Teme oi ga an ido po meio da
p oposição e de esa de p oje os ci ados an e io men e, como o e o dos gas os públicos, da
9
Emp esa b asilei a do amo alimen ício, conhecida pela expo ação de ca nes.
10
Essas en es pa lamen a es são popula men e conhecidas como Bancada BBB (sigla pa a boi,
bala e bíblia), pois comp eende depu ados e senado es conse ado es que de endem pau as elacionadas ao
ag onegócio, libe alização das a mas e alo es c is ãos-e angélicos, espec i amen e. Essa bancada oi
impo an e pa a ga an i go e nabilidade ao go e no Teme e con ibuiu pa a a ascensão de Bolsona o à
p esidência em 2018.
45
e o ma abalhis a e p e idenciá ia, mas ambém pelos esul ados econômicos o iundos
dessas medidas. Depois de dois anos de e ação do P odu o In e no B u o (PIB), en e
2015 e 2016, a ges ão de Teme conseguiu e oma o c escimen o da economia b asilei a
com c escimen os de 1,1% no PIB em 2017 e 2018 (ALVARENGA; SILVEIRA, 2019).
No segundo ano de go e no, conseguiu ambém diminui a in lação (de 9,32% ao ano pa a
2,76%) e a axa básica de ju os (de 14,25% ao ano pa a 6,5%), apesa de o núme o de
desemp egados e aumen ado no país no mesmo pe íodo, endo a ançado de 11,2% pa a
13,1% da população (MAZUI; MATOSO; MARTELLO, 2018).
En e a anços econômicos e e ocessos sociais, Michel Teme ence ou seu
go e no azendo um balanço posi i o da ges ão e sem no as ambições polí icas (GZH,
2018). T ês meses após deixa o ca go, em ma ço de 2019, depois de pe de o o o
p i ilegiado concedido ao ocupan e do ca go de p esiden e da epública, Teme i ia a se
p eso no âmbi o da ope ação La a-Ja o, acusado de se o líde de uma o ganização
c iminosa esponsá el po o mação de ca el, co upção a i a e passi a, la agem de
dinhei o e audes em concu sos públicos elacionados à cons ução de uma cen al nuclea
no Rio de Janei o (RIBEIRO, 2019).
3.2.3. Eleições de 2018 e a ascensão da ul adi ei a no B asil
Em alguma passagem de suas ob as, Hegel comen a que odos os g andes a os e
odos os g andes pe sonagens da his ó ia mundial são encenados, po assim dize ,
duas ezes. Ele se esqueceu de ac escen a : a p imei a ez como agédia, a
segunda como a sa (MARX, 2011, p.46).
Essa céleb e análise de Ka l Ma x apa ece no li o O 18 de B umá io de Luís
Bonapa e. Em seu p ólogo à ob a de Ma x, Ma cuse ac escen a que “a a sa é mais e í el
do que a agédia à qual ela segue” (2011, p.23). Ao analisa mos as eleições p esidenciais
b asilei as de 2018 emos a imp essão de iden i ica mos na i ó ia de Jai Bolsona o uma
a sa pe e sa que assume o pode na sequência do que já ep esen a a uma agédia pa a
a democ acia b asilei a.
Apesa de se ap esen a como no idade nas eleições, Jai Messias Bolsona o
acumula a, em 2018, uma ca ei a polí ica de in a anos: dois como e eado da cidade do
Rio de Janei o (1988-1990) e 28 anos como depu ado ede al (1990-2018). Apesa disso,
46
o nou-se obje o de a enção pública pela p imei a ez ainda em 1987, quando a e is a Veja
publicou um a igo in o mando que o en ão capi ão do exé ci o e a acusado de elabo a um
plano pa a explodi qua éis em p o es o pelos baixos salá ios. Acusado de cinco
i egula idades, Bolsona o oi condenado pelo Conselho de Jus i icação e, pos e io men e,
inocen ado pelo Supe io T ibunal Mili a . Apesa de inocen ado, abandonou a ca ei a
mili a pa a se dedica à ida polí ica como e eado (POMPEU, 2017; AZEVEDO,
2018b).
Du an e seus 28 anos como depu ado ede al, Bolsona o semp e pe enceu ao baixo
cle o
11
da Câma a, de endendo pau as conse ado as, os in e esses mili a es e sendo
econhecido mais po seus discu sos absu dos do que po sua a uação polí ica. En e as
ba ba idades di as po Bolsona o enquan o depu ado e que ica am conhecidas es á uma
en e is a ao p og ama Câme a Abe a, da TV Bandei an es, em 1999, na qual se decla a
a o á el à o u a, admi e sonega impos os e diz que o B asil só muda ia com uma gue a
ci il que ma asse pelo menos 30 mil pessoas, começando pelo en ão p esiden e Fe nando
Hen ique Ca doso (TAVARES, 2021). Somam-se a essa en e is a ou as decla ações
polêmicas de cunho misógino, homo óbico, acis a e an idemoc á ico, como, po exemplo,
quando disse que uma colega depu ada não me ecia se es up ada po que e a “mui o eia”
e quando de endeu a iolência ísica pa a cu a um ilho “gayzinho” (CARTA CAPITAL,
2018).
Apesa da epe cussão de suas alas nos meios de comunicação social e no deba e
público, sua a uação como depu ado pode se conside ada pí ia: em quase ês décadas,
e e apenas um p oje o de lei de sua au o ia ap o ado: a lei nº 10.176 de 2001, que concede
bene ícios iscais ao se o de ecnologia da in o mação (BRASIL, 2001). Pa a além disso,
nunca oi ela o de impo an es p opos as em pau a na Câma a dos Depu ados nem
p esidiu comissões pa lamen a es ou oi lide ança de bancada (POMPEU, 2017). Mesmo
assim, Bolsona o semp e conseguiu man e um séqui o de elei o es que se iam
ep esen ados po suas opiniões, o que con ibuiu pa a a p omoção de sua amília no
cená io polí ico: a ualmen e, ês dos cinco ilhos do p esiden e possuem ca gos ele i os.
11
Como são conhecidos os cong essis as de baixa ele ância e in luência polí ica limi ada,
ge almen e iliados a pequenos pa idos.
47
Flá io Bolsona o é senado , Edua do Bolsona o é depu ado ede al e Ca los Bolsona o é
e eado no Rio de Janei o (BRANT; ALBUQUERQUE; CARVALHO, 2019).
O nome de Bolsona o passou a se conside ado pa a conco e à p esidência da
epública com mais empenho depois de seu o o a a o da des i uição de Dilma Rousse ,
em 2016, dedicado ao o u ado B ilhan e Us a, como já egis amos an e io men e no
subcapí ulo dedicado ao go e no Rousse . Não obs an e a uculência de sua mani es ação,
a sessão de o ação pelo impeachmen de Rousse oi ansmi ida ao i o pelas p incipais
emisso as de ele isão do país, o que con ibuiu pa a a epe cussão de sua mensagem e a
consolidação da imagem de Bolsona o como oposição eal e comba i a em elação ao PT,
Lula da Sil a, Rousse e a esque da em ge al. Pa a Hun e e Powe (2019), essa decla ação
de menos de dois minu os eio a público no momen o ideal, pe mi indo a Bolsona o
ap o ei a -se do c escen e mo imen o an ipe is a e a ap oximação das eleições
p esidenciais.
Vale menciona que em 2018, segundo es udo do La inoba óme o (2019), o B asil
a ingiu um de seus meno es índices de apoio à democ acia, com apenas 34% dos inqui idos
espondendo que a democ acia é p e e í el a qualque ou a o ma de go e no, enquan o
41% disse am se indi e en es sob e um go e no democ á ico ou não democ á ico e 14%
admi i am que, em algumas ci cuns âncias, um go e no au o i á io pode se p e e í el.
Pa a conco e nas eleições p esidenciais de 2018, Jai Bolsona o des iliou-se do
PSC (Pa ido Social C is ão) e en ou pa a o PSL (Pa ido Social Libe al). Na ce imônia
de iliação, em maio de 2018, no Cong esso, em B asília, o p é-candida o ez alusão a
de amamen o de sangue, a mamen o da população, eligião, ges os ascis as e
au op omoção, dizendo se o “Messias”
12
do B asil. Com isso, en ou consolida sua
imagem a de um condo ie e, que guia seu po o em empos di íceis, ap o ei ando pa a
pedi ao público apoio pa a elege a “bancada da me alhado a”. Seus colegas de pa ido
acolhe am o mais no o memb o do PSL e p é-candida o à p esidência chamando-o o a de
“p esiden e”, o a de “mi o” (ARIAS, 2018; BENITES, 2018; GONTIJO; RAMOS, 2019).
Em agos o, Jai Bolsona o o icializou sua candida u a como p esiden e escolhendo como
ice de sua chapa o gene al Hamil on Mou ão, do Pa ido Reno ado T abalhis a B asilei o
12
Bolsona o u ilizou-se de seu segundo nome, Messias, pa a associa sua imagem a Jesus C is o.
48
(PRTB), de ex ema-di ei a (STRUCK, 2018). A campanha de Bolsona o e Mou ão ado ou
o slogan “B asil acima de udo, Deus acima de odos”, uma ap op iação de b ado da
B igada de In an a ia Pa aquedis a do Exé ci o, po onde ambos os candida os passa am
em suas ca ei as mili a es. O slogan oi c i icado po gua da semelhança com o
“Deu schland übe alles”
13
, u ilizado pelo go e no nazis a (SETO, 2018). A campanha de
Bolsona o, que possuía ín imos oi o segundos de Ho á io G a ui o de P opaganda
Elei o al
14
, apos ou na cons ução da imagem de um mi o associado a alo es pa ió icos e
eligiosos, bem como na p odução i ual de desin o mação, u ilizando g upos de
Wha sApp como p incipal meio de di usão de in o mações da campanha (ROSA; SOUZA;
CAMARGO, 2020).
O p incipal ad e sá io de Bolsona o nas eleições de 2018 se ia o ex-p esiden e Luís
Inácio Lula da Sil a, do PT. No en an o, em ab il desse ano, Lula da Sil a oi p eso no
âmbi o da Ope ação La a-Ja o po o dem do juiz Se gio Mo o, juiz ede al no es ado do
Pa aná. Acusado de e ecebido da cons u o a OAS um apa amen o es ilo íplex no
li o al de São Paulo como p opina em con apa ida do a o ecimen o da emp esa em
con a os públicos, Lula da Sil a negou as acusações e disse se í ima de uma pe seguição
polí ica com o único p opósi o de in iabiliza sua candida u a. Em uma mani es ação de
esis ência ao mandado de p isão con a Lula da Sil a, seus apoiado es ce ca am po dois
dias a sede do Sindica o dos Me alú gicos do ABC, em São Be na do do Campo, em uma
en a i a de impedi que o ex-p esiden e se en egasse à Polícia Fede al. Em discu so pa a
uma mul idão an es de se ap esen a à Polícia, Lula da Sil a disse não se mais um se -
humano, mas uma ideia que habi a cada um de seus apoiado es incumbidos de segui a
mili ância em seu nome (RIBEIRO, 2018). Mesmo p eso em Cu i iba, Lula da Sil a
man e e-se como p é-candida o à p esidência do PT, a é que o T ibunal Supe io Elei o al
(TSE) inde e iu sua candida u a no inal de agos o (TRIBUNAL SUPERIOR
ELEITORAL, 2018). Uma das pesquisas de in enção de o o ealizadas enquan o Lula da
Sil a ainda e a o nome do PT pa a conco e à p esidência indica a o ex-p esiden e como
a o i o pa a ence as eleições. Segundo pesquisa conduzida pelo Ins i u o Da a olha, em
13
Em po uguês, Alemanha acima de odos.
14
O T ibunal Supe io Elei o al ese a espaços da ede nacional de ádio e ele isão pa a eiculação
g a ui a de campanhas elei o ais. O espaço des inado a cada chapa é de inido de aco do com a quan idade de
pa idos que o mam a coligação e suas p esenças p opo cionais no Cong esso Nacional.
49
agos o de 2018, 39% dos elei o es inham in enção de o a em Lula da Sil a, enquan o
19% p e endiam o a em Jai Bolsona o (G1, 2018).
Dada a impossibilidade de Lula da Sil a o icializa sua candida u a à p esidência
da epública, o TSE de e minou que a coligação lide ada pelo PT indicasse ou o nome
pa a subs i uí-lo no p azo de 10 dias (TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, 2018). O
escolhido oi o en ão candida o a ice-p esiden e Fe nando Haddad, do PT, ex-minis o da
educação du an e o go e no de Lula da Sil a, ex-p e ei o da cidade de São Paulo e
p o esso de ciência polí ica da Uni e sidade de São Paulo (USP). Pa a compo a chapa
“B asil Feliz de No o”, oi escolhida como candida a a ice-p esiden e a depu ada es adual
do Rio G ande do Sul Manuela D’Á ila, do Pa ido Comunis a do B asil (PCdoB)
(GONTIJO; RAMOS, 2019; LÔBO, 2018). Ao con á io de Lula da Sil a, Fe nando
Haddad e a uma igu a a é en ão conhecida apenas no cí culo de São Paulo, onde oi
p e ei o, e en e os in e essados po polí ica que o econheciam pela a uação como minis o
da educação. Pa a p oje a sua imagem como candida o subs i u o, o PT associou seu nome
ao de Lula da Sil a, u ilizando amplamen e o slogan “Haddad é Lula, Lula é Haddad”, com
o in ui o de ans e i as in enções de o os de um pa a o ou o. U ilizando essa es a égia,
aliada à o e p esença em campanhas ele isi as e deba es, Haddad, que em sondagens de
agos o inha apenas 6% das in enções de o o, chegou às éspe as do p imei o u no das
eleições, em ou ub o, com 28% (GONTIJO; RAMOS, 2019).
Somen e pelo cená io que desc e emos a é es e pon o pode íamos conclui que a
campanha elei o al de 2018 oi, de longe, uma das mais in ulga es da his ó ia democ á ica
b asilei a, conside ando seu con ex o, a pa icula idade dos e en os que se sucede am e dos
pe sonagens en ol idos. Gon ijo e Ramos (2019) analisam que nesse plei o icou e iden e
o amanho de Lula da Sil a pa a a polí ica b asilei a: os p incipais candida os cons uí am
suas imagens em elação a ele, seja po associação ou oposição. “Lula é o cen o ao edo
do qual o bi am odos os polí icos b asilei os con empo âneos” (GONTIJO; RAMOS,
2019, p.14).
Pa a complemen a o o ei o d amá ico dessas eleições, em se emb o, enquan o
p omo ia um a o polí ico na cidade de Juiz de Fo a, Jai Bolsona o so eu um a en ado com
aca no abdômen. A g a idade do co e ez com que o candida o passasse po duas ci u gias
50
e um longo pe íodo de ecupe ação na Unidade de T a amen o In ensi o (UTI). Esse
episódio oi amplamen e explo ado pelos meios de comunicação social e pela p óp ia
campanha de Bolsona o, ans o mando-se em um espe áculo polí ico e dando ou o umo
pa a a na a i a elei o al, que passou a e o ça a imagem de um candida o pe seguido
poli icamen e e que sob e i e ao a en ado pa a lide a seu po o (DIAS; FERNANDES,
2020). Webe (2011), analisa a so is icação dos meios de comunicação social ao
ap op ia em-se do acon ecimen o singula e das paixões lo escen es du an e uma
campanha polí ica pola izada:
Nas paixões eside o núcleo da es u u a i al dos acon ecimen os que pe mi e sua
ap op iação pelos pode es, desde que p ese ada a essência, po que a paixão é
ulne á el e pe ence a cada indi íduo. Da sua adequada manipulação en endem
os di ado es e seus g andes espe áculos. Quan o maio a densidade simbólica do
acon ecimen o, mais ins igados se ão os indi íduos a se mani es a e mais
passional se á o espe áculo polí ico-midiá ico, bene iciando os in es ido es
polí icos e midiá icos. Da ca a se à come cialização (WEBER, 2011, p.194).
Após o a en ado, a campanha de Bolsona o ele ou ainda mais a associação de sua
imagem a um “mi o”, o “Messias”, ampliando sua p esença nas edes sociais e
ap o ei ando a ex ensa cobe u a jo nalís ica que se sucedeu o acon ecimen o. Uma das
es a égias mais emblemá icas oi a u ilização da condição de con alescen e como
jus i ica i a pa a não compa ece aos deba es e en e amen os di e os com seu p incipal
ad e sá io, Fe nando Haddad, em adicionais p og amas de ele isão, mesmo com
au o ização médica pa a isso. Essa á ica ep esen ou uma up u a do pad ão de campanhas
elei o ais que igo a a a é en ão. Po aze pa e de uma chapa compos a po pa idos
pequenos e com pouco empo de ádio e ele isão, a es a égia de u iliza canais digi ais
em de imen o da pa icipação em deba es adicionais, como o da TV Globo, p o ocou
um es aziamen o do papel da ele isão enquan o p incipal meio de comunicação no B asil
e concen ou sua mediação po meio de canais digi ais (DIAS; FERNANDES, 2020).
No âmbi o social, a in ensa e inusi ada campanha elei o al de 2018 ep esen ou uma
cisão nacional en e dois p og amas mui o dis in os. Ao inal de á ios meses de campanha
e de dois u nos de o ação, no dia 28 de ou ub o de 2018, os esul ados das eleições de am
i ó ia a Jai Bolsona o, do PSL, com 55,13% dos o os, con a 44,87% de seu oposi o ,
Fe nando Haddad, do PT (JUSTIÇA ELEITORAL, 2018). Su p eenden emen e, o mesmo
57
p incipais undamen os e pon os de mudança em elação à adição diplomá ica man ida
pelo I ama a y a é en ão.
3.3.1. A PEB que an ecedeu Bolsona o
Desde meados do século XX, em um con ex o de consolidação dos Es ados Unidos
como po ência hegemônica in e nacional e de indus ialização e mode nização in e na, o
B asil ade iu a um p oje o p a icamen e unânime pa a a polí ica ex e na: o da au onomia.
Essa es a égia a endia à necessidade de consolidação de um capi alismo nacional
au ônomo em elação a um sis ema in e nacional cen ado no A lân ico No e. Assim como
o B asil, países como a China, Índia e Rússia ambém buscam, essal adas as di e enças,
essa pa icipação no p ocesso de globalização sem, no en an o, ade i comple amen e à
o dem libe al ociden al (SPEKTOR, 2014).
Esse p oje o sob e i eu à ascensão e queda do sis ema mundial bipola , ao
nascimen o e colapso do nacional-desen ol imen ismo e a um ciclo de
au o i a ismo e democ acia. Sua ex ao diná ia ade ência no empo oi p odu o do
amplo apoio ins i ucional que ecebeu em odo o espec o polí ico-pa idá io, nas
o ças a madas, em cí culos emp esa iais e nas eli es in elec uais. Assim, o
I ama a y não oi o único nem o p incipal balua e dessa opção es a égica, embo a
seja seu p incipal gua dião ins i ucional. Ao longo de sua ida, a ideologia da
au onomia ans o mou-se no modo hegemônico de pensa as elações
in e nacionais do país (SPEKTOR, 2014, p.47).
Como pon ua Spek o (2014), a es a égia au onomis a pa a a polí ica ex e na
esis iu desde a década de 1950 a di e en es go e nos, egimes au o i á ios e democ á icos.
Apesa disso, segundo o au o , essa p opos a nunca oi a iculada de o ma unânime ou
au o al. Mui os pe sonagens e ins i uições con ibuí am, não sem deba es in e nos, pa a a
o mação de um consenso sob e o assun o. Spek o (2014) elenca ês elemen os p incipais
que sus en am e, em ce a medida, jus i icam o au onomismo como p oje o es a égico de
polí ica ex e na pa a o B asil: 1) equilíb io de pode : pela concepção au onomis a, o sis ema
econômico in e nacional su gido a pa i da segunda me ade do século XX é injus o po que
p i ilegia as g andes po ências ociden ais enquan o c ia uma pe i e ia dependen e. A pa i
de um posicionamen o au onomis a, se ia es a égico pa a o B asil ade i ao capi alismo
in e nacional de o ma negociada, man endo cláusulas de cau ela e p o eção da economia
e dos in e esses nacionais; 2) a na u eza da aliança libe al: na isão au onomis a, a aliança
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libe al lide ada pelos Es ados Unidos não ga an e es abilidade e jus iça pa a os países do
Sul Global. Pelo con á io, o sis ema hegemônico con ibui pa a e o ça desigualdades
es u u ais que condenam pa e do mundo à pob eza. Po isso, mos a-se plausí el pa a o
B asil de ende os p incípios libe ais sem, no en an o, ade i incon es a elmen e à
hegemonia es adunidense; 3) iden idade in e nacional do B asil: segundo os au onomis as,
o B asil se posiciona em uma posição p i ilegiada no sis ema in e nacional po que, apesa
de se conside ado um país ociden al, não es á comple amen e alinhado com esses alo es.
De ido à sua o mação plu al e pos u a conciliado a, o B asil se ia capaz de se posiciona
como uma po ência la ino-ame icana sem ambições hegemônicas, mas de cump i um
papel de in e mediação en e os di e en es po os e nações do sis ema in e nacional.
Den o do espec o au onomis a, Vige ani e Cepaluni (2007) iden i icam qua o
es a égias que o am ado adas na polí ica ex e na b asilei a ao longo das úl imas décadas,
são elas: a) au onomia na dependência: en e as décadas de 1940 e 1950 o B asil buscou
uma ela i a au onomia den o do quad o possí el de dependência ex e na, especialmen e
dos Es ados Unidos; b) au onomia pela dis ância: nas décadas de 1960 a 1980, ma cadas
pelo pe íodo de go e nos da di adu a mili a e um plano econômico de subs i uição das
impo ações, o B asil ado ou um posicionamen o de dis anciamen o an o dos Es ados
Unidos como da União So ié ica como o ma de p ese a sua ma gem decisó ia o mais
independen e possí el; c) au onomia pela pa icipação: com o im da Gue a F ia e
a i mação dos Es ados Unidos como po ência hegemônica da no a o dem libe al, os
go e nos b asilei os do início da década de 1990 ado a am uma es a égia de au onomia
a a és da pa icipação nos p incipais ó uns globais que egiam as elações in e nacionais
ao mesmo empo em que ade ia a um modelo econômico neolibe al alinhado ao no o ciclo
eme gen e; d) au onomia pela in eg ação e au onomia pela di e si icação: mais
ecen emen e, com os go e nos de Fe nando Hen ique Ca doso e Lula da Sil a, o B asil
passou p imei o po um p ocesso de in eg ação com os p incipais a ados in e nacionais
sob e democ acia, economia e não-p oli e ação nuclea , além de se alia ao egionalismo
po meio do Me cosul. Na sequência, o país passou po uma busca pela di e si icação de
seus pa cei os in e nacionais, inc emen ando sua p esença nos ó uns da O ganização
Mundial do Comé cio e das Nações Unidas, bem como po meio de uma diplomacia
p esidencial di e a que o malizou no os aliados no Sul Global.
59
Fonseca (2011) classi ica es e úl imo pe íodo dos go e nos de Fe nando Hen ique
Ca doso e Lula da Sil a como o pe íodo de e elação in e nacional do B asil. Segundo a
pesquisado a, ao oma posse, em 1995, FHC “in oduziu uma no a a i ude nas es a égias
da polí ica ex e na do B asil” (2011, p. 38), que incluía uma pa icipação mais a i a do país
na polí ica in e nacional em um con ex o de ees u u ação da o dem global e da
necessidade de adequação dos posicionamen os do país no ex e io . Em a igo publicado
em 1998, o en ão Minis o das Relações Ex e io es do go e no FHC Luiz Felipe Lamp eia
de endia a es a égia de au onomia pela in eg ação. Pa a o chancele , o mundo pós Gue a-
F ia dos anos inais do século XX se ca ac e iza a po uma ealidade mui o mais complexa,
que exigia do B asil uma polí ica de in eg ação in e nacional an o no plano econômico
como polí ico. Fonseca (2011) obse a que a adminis ação de FHC oi esponsá el po
in oduzi uma ges ão da polí ica ex e na ma cada pela diplomacia p esidencial, na qual o
p esiden e da epública assumia papel undamen al nos assun os e elações com o ex e io .
Do mesmo modo, ado ou como es a égia uma apos a na egião sul-ame icana, com a
alo ização do Me cosul como p incipal ó gão de in eg ação egional do subcon inen e,
além do o alinhamen o com as eg as dos egimes in e nacionais e um p og ama de
in ensi icação do mul ila e alismo. Com isso, FHC buscou equilib a uma maio p ojeção
e pa icipação in e nacional do B asil a pa i de uma dimensão global ao mesmo empo
em que se cen a a na consolidação das elações com os izinhos la ino-ame icanos. Em
sín ese, Lamp eia (1998) e e e-se à polí ica ex e na b asilei a do pe íodo FHC como uma
con inuidade da es a égia au onomis a que, his o icamen e, ga an iu c edibilidade à
diplomacia do B asil ao mesmo empo em que inse iu no os elemen os cons i u i os, en e
eles: a es abilidade econômica e, po conseguin e, c edibilidade in e nacional, a a és do
Plano Real; uma polí ica de abe u a come cial mais ampla; a diplomacia p esidencial e,
aliado a ela, o comp omisso pessoal do p esiden e com os alo es democ á icos, da paz,
dos di ei os humanos, p ese ação ambien al e jus iça social. Fonseca (2011) analisa ainda
que, no âmbi o das elações com os Es ados Unidos, o go e no FHC man e e uma elação
co dial, pese algumas incompa ibilidades sob e a á ea de li e comé cio: enquan o os EUA
p opunham a c iação da Á ea de Li e Comé cio das Amé icas (ALCA), na ocasião da
Cimei a das Amé icas, no ano 2000, em B asília, o B asil p opôs a c iação de uma Á ea de
Li e Comé cio Sul-Ame icana (ALCSA) e da Inicia i a pa a a In eg ação da
60
In aes u u a Regional Sul-Ame icana (IIRSA), que iam de encon o com as expec a i as
dos izinhos do No e ao mesmo empo em que o B asil i ma a seu posicionamen o
au onomis a. O inal do manda o de FHC assis iu, ainda, a uma eo ganização das elações
bila e ais com os Es ados Unidos de ido à subs i uição de Bill Clin on (com uma polí ica
mais p óxima da Amé ica do Sul) po Geo ge W. Bush, além, da mudança epen ina das
es a égias in e nacionais e de segu ança dos Es ados Unidos na sequência dos a en ados
e o is as de 11 de Se emb o. Esses e en os con ibuí am pa a que, no inal do manda o,
FHC buscasse o alece as elações mul ila e ais do B asil. A inicia i a mul ila e al
iniciada po FHC azia pa e ambém de uma es a égia de a as amen o da associação
au omá ica com as eg as do neolibe alismo. Embo a FHC enha en ado, no início de seu
manda o, ecupe a o modelo neolibe al, esse sis ema de adesão às polí icas do Fundo
Mone á io In e nacional (FMI) e do Banco Mundial mos ou-se in undada pa a a egião,
p o ocando g a es c ises econômicas no B asil e A gen ina. Dian e do colapso do modelo
neolibe al, já no inal de seu manda o, FHC pediu, na abe u a da Assembleia das Nações
Unidas, em 2001, uma o dem in e nacional mais solidá ia: “A globalização só se á
sus en á el se inco po a a dimensão da jus iça. Nosso lema há de se o da ‘globalização
solidá ia’, em con aposição à a ual globalização assimé ica” (CARDOSO, 2009).
O abalho mais in enso de e o ço do mul ila e alismo com oco na p ojeção
in e nacional do B asil, no en an o, icou a ca go de seu sucesso Luiz Inácio Lula da Sil a,
que omou posse em 2003. Pa a Fonseca (2011), a polí ica ex e na de Lula da Sil a
bene iciou-se dos a anços p opo cionados pelo seu an ecesso e, po isso, e i ica-se mais
uma adequação das es a égias que p op iamen e mudanças na polí ica ex e na en e os
dois go e nos. Ainda que em seus discu sos o iciais Lula da Sil a de endesse uma ideia de
mudança na polí ica ex e na b asilei a, a e dade é que a a uação de seu go e no oi mui o
mais no sen ido de consolida elações já es abelecidas e in ensi ica algumas ques ões em
de imen o de ou as do que p op iamen e al e a as es a égias de polí ica ex e na em
andamen o. Vige ani e Cepulani (2007) a gumen am que, mesmo ap esen ando ações e
p io idades dis in as, os go e nos de FHC e Lula da Sil a es a am alinhados em man e
uma adição diplomá ica: a de desen ol e a economia b asilei a, man endo sua au onomia
polí ica. Po ou o lado, Sa ai a (2013) obse a que a ascensão de Lula da Sil a signi icou
um e o ço da co en e au onomis a, ep esen ado pela a uação na “de esa de uma p ojeção
61
au ônoma e p oa i a do B asil na polí ica in e nacional” (p. 66). Essa co en e buscou uma
e o ma das dinâmicas das ins i uições in e nacionais na qual o B asil e os demais países
do Sul Global pudessem e mais espaço de decisão e ep esen a i idade. Ao busca o
es ei amen o e expansão de elações diplomá icas com países do Sul Global, o B asil
assumi ia um posicionamen o polí ico-es a égico de en en amen o das ques ões
No e/Sul, além de se a i ma como a lide ança egional sul-ame icana e pa cei o p óximo
de países eme gen es e a icanos. Sa ai a (2013) e i ica, ainda, que o p og ama do
p imei o go e no de Lula da Sil a (2003-2006) apon a a pa a a p io ização das polí icas
egionais e de alo ização das elações com a Amé ica do Sul como o ma de desen ol e
a economia nacional, assim como pa a a diminuição dos con li os in e nacionais e a
cons ução de uma o dem in e nacional mais equilib ada. Fonseca (2017) ac escen a que,
ainda que a p io idade anunciada pelo go e no Lula da Sil a osse a egião sul-ame icana,
du an e o seu go e no o B asil buscou ambém p ojeção global:
Com Lula, coexis e o ap o undamen o da elação com a egião e a pe ceção, en e
os o mulado es da polí ica ex e na, de que o B asil de inha capacidade pa a a ua
e mesmo in luencia o sis ema in e nacional, o qual começa a a adqui i con o nos
p opícios à eme gência de países como o B asil – po ências egionais, com
sis emas polí icos es á eis e legí imos, economias em c escimen o e sociedades
u banas em e olução (FONSECA, 2017, p. 55).
Com isso, pa a Fonseca (2017), ica e iden e que o obje i o inal da polí ica ex e na
b asilei a no pe íodo de Lula da Sil a e a “a p ojeção in e nacional do B asil e a
eo ganização do sis ema in e nacional, ansi ando pa a uma possí el o dem mul ipola
com oco nos o ganismos mul ila e ais” (p.55). Na elação com os Es ados Unidos,
Vige ani e Cepulani (2007) obse am que, apesa de e i a con on os com os izinhos do
no e, o go e no de Lula da Sil a buscou a i amen e elações com países eme gen es,
União Eu opeia e Me cosul como o ma de eduzi as assime ias da o dem global
p o ocadas pela hegemonia es adunidense. Mesmo u ilizando-se dessa es a égia, os
au o es essal am que não hou e up u as ou c ises acen uadas com países icos, mas
uma “ azoá el capacidade de dis ingui as ques ões especí icas de obje i os mais amplos,
como o desen ol imen o econômico e a manu enção de uma polí ica ex e na au ônoma”
(p. 326). Fonseca (2017) essal a como e idências dessa a iculação a pa icipação a i a do
B asil no ó uns do G-20, dos BRICS (B asil, Rússia, Índia, China e Á ica do Sul) e IBSA
62
(Fó um de Diálogo Índia-B asil-Á ica do Sul) e, adicionalmen e, a ecupe ação da polí ica
de ap oximação com o con inen e a icano, que i e a seu auge nos anos 1970, buscando
ap o unda aco dos econômicos, ene gé icos e geoes a égicos, especialmen e com os
países lusó onos, com os quais o B asil compa ilha uma ma iz cul u al e iden i á ia
comum. Sa ai a (2014) essal a, ainda, que em 2009 a China o nou-se o p incipal pa cei o
come cial do B asil e, em 2010, passou a se o maio in es ido no país. A impo ância da
China pa a a polí ica come cial b asilei a ele ou a cen alidade desse país nas elações
diplomá icas e na polí ica ex e na b asilei a.
Em 2011, Dilma Rousse ascende à p esidência da epública pelo mesmo pa ido
de Lula da Sil a, he dando de seu an ecesso es a égias de inidas de polí ica ex e na, como
a o ien ação ol ada pa a o Sul Global e Amé ica do Sul, o apoio ao mul ila e alismo e um
posicionamen o e isionis a das ins i uições in e nacionais (SARAIVA, 2014). Como
obse a Sa ai a (2014), a co en e au onomis a que p edominou no I ama a y du an e os
go e nos de Lula da Sil a e FHC oi man ida, assim como os p incipais policymake s da
polí ica ex e na b asilei a. No en an o, a conjun u a econômica an o domés ica como
in e nacional impuse am di iculdades a Rousse em seu empenho de le a a cabo as
es a égias de seu an ecesso . Com isso, “o B asil oi pe dendo p o agonismo da polí ica
global e seus mo imen os assumi am um ca á e ea i o” (SARAIVA, 2014, p. 25).
Como imos no capí ulo 3.2.1, ao deixa a p esidência, em 2010, Lula da Sil a
con a a com uma popula idade eco de en e a população b asilei a e seus e ei os podiam
se sen idos nas elações com o ex e io , já que Lula da Sil a ap o ei ou de sua no o iedade
pa a explo a a diplomacia p esidencial. Sa ai a (2014) obse a, no en an o, que Rousse
abandonou a cen alidade da diplomacia p esidencial como es a égia de p ojeção global e
egional do B asil, p io izando da a enção a assun os in e nos. Como consequência, o
B asil eduziu sua pa icipação p oa i a na polí ica global. Em con apa ida, as posições
b asilei as no âmbi o do mul ila e alismo e do apoio às e o mas das ins i uições globais
o am man idas, aliadas ao adicional posicionamen o de não in e enção e solução
diplomá ica de e en uais dispu as. Uma das a uações mais des acadas da polí ica ex e na
de Dilma Rousse o am as alianças come ciais dos BRICS e no âmbi o do G-20. Como
essal a Sa ai a (2014), os BRICS cons i uí am o “ oco p incipal e eno ado da polí ica de
Dilma Rousse ” (p. 30). Po meio das cúpulas desse bloco o am i mados di e sos
63
aco dos, mas especialmen e, em 2014, a c iação de um banco pa a inancia in aes u u as
e o desen ol imen o dos países do g upo. Os BRICS ambém o am aliados no âmbi o do
G-20 ao esis i em a mudanças suge idas pelas po ências ociden ais pa a in oduzi no as
egulamen ações sob e o luxo de capi ais.
Nas elações ex e nas, Sa ai a (2014) obse a que a c ise inancei a da zona do
Eu o deses imulou o a anço das pa ce ias com a União Eu opeia, especialmen e o aco do
de li e comé cio Me cosul-UE. Nas elações com os Es ados Unidos, man e e-se uma
elação co dial e de ap oximação a é 2013, quando oi e elada a espionagem po pa e de
agências es adunidenses sob e emp esas b asilei as e a p óp ia p esiden e da epública.
Dilma Rousse cancelou uma eunião bila e al com Ba ack Obama p e is a pa a o mesmo
ano a espe a de um pedido o mal de desculpas que nunca acon eceu. Na es e a de
coope ação com os países a icanos, o go e no de Rousse p ocu ou man e as elações e
a impo ância es a égica do con inen e sem, en e an o, a ança com no as inicia i as
impo an es. O mesmo acon eceu nas elações com a Amé ica do Sul que, apesa de
igu a em como p io i á ias pa a as ambições egionais b asilei as, não assis i am
consis en es a anços em elação à polí ica já es abelecida po Lula da Sil a (SARAIVA,
2014). Co ne e (2014) conclui que as di e enças pessoais en e Lula da Sil a e Dilma
Rousse ep esen a am um a o de up u a na polí ica ex e na b asilei a, que ica e iden e
nos esul ados ob idos po meio da diplomacia p esidencial em cada um dos go e nos. Pa a
Co ne e (2014), o g au de mudança da polí ica ex e na b asilei a de Rousse em elação
a Lula da Sil a pode se esumido em “ edução de es o ços com manu enção dos obje i os
e dos meios” (p. 128).
Com o a as amen o da p esiden e Dilma Rousse do ca go, em maio de 2016,
Michel Teme assume como p esiden e in e ino, ap esen ando ambém uma no a
composição minis e ial. O escolhido pa a se Minis o das Relações Ex e io es oi o
polí ico de ca ei a
18
José Se a, do PSDB, pa ido aliado de Teme . Em seu p imei o
discu so como chancele , Se a anunciou dez di e izes de uma “No a Polí ica Ex e na
B asilei a” que e idencia am a in enção de edi eciona as elações b asilei as do eixo sul-
18
A escolha de um polí ico s ic u sensu con a iou uma adição do I ama a y: se che iado po
diploma as de ca ei a.
64
sul pa a o eixo no e-sul, além de p io iza a abe u a de me cados e dinamização
econômica e come cial do B asil (SERRA, 2016):
A diplomacia ol a á a e le i de modo anspa en e e in ansigen e os legí imos
alo es da sociedade b asilei a e os in e esses de sua economia, a se iço do B asil
como um odo e não mais das con eniências e p e e ências ideológicas de um
pa ido polí ico e de seus aliados no ex e io (SERRA, 2016, n.p.).
Fonseca (2018) obse a que esse discu so de desideologização da PEB busca a
exp essa um desejo de eo denamen o das elações b asilei as, buscando p i ilegia , po
exemplo, aco dos bila e ais com países do cen o do capi alismo global em de imen o do
mul ila e alismo. Uma das in enções do no o go e no e a e idencia uma up u a com o
modelo de polí ica ex e na b asilei a “al i a e a i a” le ada a cabo du an e os go e nos
pe is as e buscando, po ou o lado, a cons ução de uma imagem ex e na de de esa da
o dem in e nacional igen e, assim como de um B asil economicamen e esponsá el, em
subs i uição do país “pujan e” e “eme gen e”, in iabilizado pela c ise econômica
con empo ânea ao pe íodo. Esse eo denamen o pode se in e p e ado como subs i u o do
posicionamen o e isionis a da o dem in e nacional de endido pelo B asil a é en ão
(SILVA, 2019).
Sem con a com plena legi imidade in e na no pós-impeachmen , o go e no de
Michel Teme buscou cons ui uma imagem de esponsabilidade econômica e polí ica
como o ma de mi iga a imagem de caos ins i ucional da polí ica in e na. Alinhada a essa
no a imagem, a PEB passou a consen i com a o dem in e nacional igen e, exp essando,
po exemplo, a in enção de en a como país-memb o da OCDE (O ganização pa a a
Coope ação e Desen ol imen o Econômico) e uma polí ica econômica o odoxa, des oan e
do modelo neodesen ol imen is a dos go e nos an e io es. Em esumo, as ações da
polí ica ex e na b asilei a du an e o go e no Teme busca am um espaldo an o in e no,
a a és das eli es econômicas, quan o ex e no pa a seu p og ama econômico (SILVA,
2019). Sil a (2019) analisa ainda que a a uação da diplomacia p esidencial, que já ha ia
pe dido impulso com Dilma Rousse , oi ainda mais elegada a um segundo plano sob
Michel Teme . O en ão p esiden e exe cia o seu manda o com meno legi imidade, sob
p essão de in es igações de co upção en ol endo seu nome e ca egando o es igma de um
p ocesso de impeachmen conside ado suspei o. Além disso, o cená io in e nacional e a
65
ins á el e a p oximidade das eleições de 2018 c ia am um ambien e pouco p opício pa a
que Teme explo asse sua imagem como che e de es ado b asilei o no ex e io .
Mi anda (2019) obse a que uma das mudanças mais emblemá icas na condução
da polí ica ex e na b asilei a du an e o go e no de Michel Teme oi no âmbi o das elações
com a Amé ica do Sul. Conside ada como egião de p ojeção p io i á ia du an e os
go e nos an e io es, o subcon inen e sul-ame icano e e sua impo ância ebaixada na
es a égia diplomá ica b asilei a, passando a “ ep esen a um espaço de meno ele ância,
quando não um on de desgas e pa a nossas elações ex e io es” (p. 134). Essa dinâmica
ambém ompeu com a “ adição de cen alidade do I ama a y na condução das elações
ex e io es, algo que se pe cebe, po exemplo, na signi ica i a ele ação do ‘ om’ que passou
a g assa nos discu sos b asilei os” (p. 134). Mi anda (2019) essal a que a mudança no
a amen o dedicado à Amé ica do Sul icou e iden e pela edução da quan idade de isi as
de es ado na egião, assim como a p io ização dada a inicia i as do No e Global, como a
Aliança do Pací ico, em de imen o de ins i uições e g upos egionais, como a UNASUL
(União das Nações Sul-Ame icanas) e o p óp io Me cosul. Pa a além disso, a polí ica
ex e na b asilei a de Teme inaugu ou “uma dinâmica con li uosa e pe secu ó ia em
elação à Venezuela” (p. 134) no que, pa a Mi anda (2019), pode se in e p e ado como
uma ameaça aos adicionais p incípios do I ama a y de não-in e enção e de esa da
sobe ania. Rezende (2016) elemb a que a ele ação do om diplomá ico b asilei o na e a
Teme p o ocou descon o os com ou os izinhos sul-ame icanos, como Bolí ia, Equado
e U uguai. Po mais que o go e no b asilei o não conco dasse com suas polí icas
domés icas, a é en ão o I ama a y nunca ha ia se ido pa a aze in e ências em assun os
in e nos de ou os países.
3.3.2. A No a Polí ica Ex e na B asilei a sob Bolsona o e A aújo
Ainda an es de se elei o p esiden e, em 2018, quando Jai Bolsona o despon a a
na dispu a elei o al com eais chances de se elei o, passou-se a especula como se ia a
condução do Minis é io das Relações Ex e io es sob seu e en ual go e no. O en ão
p esiden e da epública Michel Teme chegou a se mani es a na TV B asil dizendo que
inha con icção de que Bolsona o man e ia a linha uni e salis a da polí ica ex e na
b asilei a. Conje u a am-se nomes de diploma as bas an e expe ien es e iden i icados com
66
as adições do I ama a y, como Ma cos Gal ão (sec e á io-ge al do MRE du an e o
go e no Teme ), José Al edo G aça Lima (diploma a p óximo do ex-chancele Luiz Felipe
Lamp eia, do go e no de FHC) e Naza e h Fa ani Aze edo (che e da delegação b asilei a
na ONU). No en an o, o indicado pa a ocupa o ca go de Minis o das Relações Ex e io es
oi E nes o A aújo, um diploma a ecém-p omo ido à p imei a classe e que ainda não ha ia
comandado nenhuma embaixada no ex e io (FREIXO, 2019).
No en an o, A aújo azia como c edenciais a indicação do esc i o conse ado
Ola o de Ca alho, a simpa ia do depu ado Edua do Bolsona o ( ilho do
p esiden e, que desde a campanha elei o al inha p ocu ando se a i ma como uma
lide ança in e nacional do neoconse ado ismo) e o a i ismo polí ico p ó-
candida u a Bolsona o exe cido em seu blog pessoal, p á ica pouco usual em um
diploma a (FREIXO, 2019, n.p.).
Dieguez (2019) ela a ainda que Felipe Ma ins, en ão sec e á io de assun os
in e nacionais do PSL e a ual assesso in e nacional do p esiden e Bolsona o ambém
in luenciou na decisão. O nome de A aújo passou a se des aca após publica , em 2017, um
a igo nos Cade nos de Polí ica Ex e io
19
, in i ulado “T ump e o Ociden e”. Na
publicação, A aújo de ende a imagem do ex-p esiden e dos Es ados Unidos, Donald
T ump, como de enso dos alo es de libe dade no e-ame icanos e c í ico dos concei os
de “Ociden e pós-mode no” ou “Ociden e poli icamen e co e o” que eme gi am com a
globalização:
Os EUA iam en ando no ba co da decadência ociden al, en egando‐se ao
niilismo, pela desiden i icação de si mesmos, pela desacul u ação, pela
subs i uição da his ó ia i a pelos alo es abs a os, absolu os, inques ioná eis.
Iam en ando, a é T ump (ARAÚJO, 2017, p. 348).
Os en á icos posicionamen os de A aújo exp essos no a igo em apoio a T ump e
ao nacionalismo e em oposição à globalização o am em boa pa e ep oduzidos em seu
discu so de omada de posse, em janei o de 2019, como esume Dieguez (2019):
Su p eendeu, de ca a, ao aze ci ações em g ego e la im e eza uma A e-Ma ia
em upi. De endeu em seguida que o B asil se ap oximasse dos Es ados Unidos e
de Is ael; se disse admi ado dos no os go e nos da I ália, Hung ia e Polônia;
suge iu que os diploma as ou issem mais Raul Seixas e menos a CNN; colocou-
19
Re is a semes al do IPRI (Ins i u o de Pesquisas de Relações In e nacionais), do I ama a y.
73
ao documen o de cons i uição do Fó um pa a o P og esso da Amé ica do Sul (P osul),
idealizado po A gen ina, B asil, Chile, Colômbia, Equado , Guiana, Pa aguai e Pe u como
subs i u o da Unasul (VEJA, 2019).
Chagas-Bas os e F anzoni (2019) ques ionam se as ações do go e no Bolsona o no
âmbi o das elações ex e io es podem, a inal, se conside adas uma polí ica ex e na. Pa a
os au o es, no p imei o ano de Bolsona o na p esidência, o I ama a y ompeu com alguns
p ecei os básicos da diplomacia b asilei a e a polí ica ex e na passou a se imp e isí el.
Bolsona o es á engajado em p omo e a imagem de um B asil eno ado no ex e io ,
desassociado de algumas bandei as his ó icas, como di ei os humanos e mul ila e alismo,
ao mesmo empo em que busca da ên ase ao me cado abe o em pa ce ia com o No e
Global em de imen o da es a égia de lide ança egional, udo isso enquan o busca
legi imidade pa a suas polí icas in e nas. Chagas-Bas os e F anzoni (2019) a gumen am
que com uma condução “incoe en e” da polí ica ex e na, “o eme gen e gigan e sul-
ame icano é ago a apenas um gigan e bu o: sem di eção ou es a égia” (n.p., adução
nossa). A es a égia mais conc e a ap esen ada po Bolsona o em seu p imei o ano de
go e no se ia apenas uma c uzada con a a esque da, o comunismo e qualque polí ica
pública que es eja minimamen e associada a esses g upos. Sa ai a e Sil a (2019), no
en an o,
Mo ei a (2020), po sua ez, obse a na polí ica ex e na de Bolsona o uma
con inuidade das es a égias inaugu adas du an e o go e no de Michel Teme , cujo
minis o José Se a lançou as di e izes da “No a Polí ica Ex e na” ( ide capí ulo 3.3.1).
Pa a Mo ei a, apesa de o go e no Bolsona o a ança com um no o pe cu so, ca ac e izado
pelo adicalismo e ó ico e pela “ up u a nos p ocedimen os diplomá icos, especialmen e
se compa ada com a adição do I ama a y nos úl imos 30 anos” (p.11), suas ações em
emas como ideologização, comé cio e segu ança podem se conside adas como
con inuidades da e o ma ins i ucional iniciada a pa i de 2016, assim como a ên ase no
eposicionamen o in e nacional do B asil e de suas elações bila e ais.
Em esumo, podemos obse a que a no a polí ica ex e na de Bolsona o é
ca ac e izada p incipalmen e po um alinhamen o com os Es ados Unidos de Donald
T ump e as demais nações do no e global go e nadas po ideologias populis as de
74
ex ema-di ei a, com o obje i o cons an e po se posiciona como uma nação eno ada e
abe a aos negócios do capi alismo global e como pon o de di e gência dos go e nos que
se sucede am. Além disso, a PEB sob Bolsona o é c í ica à globalização, ao
mul ila e alismo e algumas pau as conside adas p og essis as, como di ei os humanos e
p o eção ambien al. Esses posicionamen os são e idenciados e e o çados pela e ó ica,
menos conciliado a e mais incisi a, especialmen e ao a a de nações izinhas go e nadas
pela esque da, como ambém pelas ações, demons adas pela p oximidade ou
dis anciamen o que es abelece com di e en es países, mui as ezes igno ando o his ó ico e
a adição dessas elações diplomá icas e impo ância come cial pa a o B asil.
75
4. A COBERTURA DA PEB NA IMPRENSA EM 2019: FOLHA DE S.
PAULO
Nes e capí ulo desen ol emos uma pesquisa empí ica sob e as edições imp essas
do jo nal Folha de S. Paulo publicadas du an e o ano de 2019 com o obje i o de esponde
à pe gun a de pa ida des a disse ação: como a imp ensa cob iu a no a polí ica ex e na
b asilei a de Jai Bolsona o?
Pa a desen ol e es a pesquisa, es e capí ulo di ide-se em qua o pa es, seguindo
a me odologia de análise de con eúdo p opos a po Ba din (2016). Na p imei a pa e
ap esen amos in o mações ele an es sob e o jo nal Folha de S. Paulo, u ilizado como
amos a des a in es igação. Com isso, buscamos jus i ica a escolha desse diá io po meio
de sua ele ância an o em e mos de audiência como de in luência no cená io polí ico-
mediá ico b asilei o. A segunda pa e dedica-se à ase de o ganização da pesquisa, na qual
explicamos os mé odos, c i é ios e a iá eis le adas em conside ação pa a analisa o
conjun o ma e ial cole ado. Na e cei a pa e, azemos a explo ação quan i a i a do obje o
de es udo, na qual ap esen amos os esul ados em g á icos. Po im, na qua a e úl ima
pa e, azemos uma análise dos esul ados ob idos, adicionando in e ências e in e p e ações
possí eis de es abelece .
4.1. UM JORNAL CENTENÁRIO NO BRASIL: FOLHA DE S. PAULO
No capí ulo 2.4 imos que os jo nais imp essos, ainda hoje, ep esen am as
p incipais on es de in o mação e de agendamen o polí ico dos meios de comunicação de
massa e das pla a o mas de comunicação digi ais. Segundo Aze edo (2017), as publicações
imp essas dão o igem às p incipais no ícias e comen á ios que são eplicados nas no as
mídias digi ais e no sis ema de ádio e ele isão de massas, desempenhando, assim, um
papel c ucial na p odução de no ícias e no agendamen o de no os emas pa a o deba e
público.
No caso b asilei o, segundo o Po al Imp ensa (2021), são ês os jo nais imp essos
gene alis as de maio ele ância nacional: Folha de S. Paulo, O Globo e O Es ado de S.
Paulo. Segundo ela ó io do IVC (Ins i u o Ve i icado de Comunicação) publicado pela
Folha de S. Paulo (2021a), es e diá io possui o maio núme o de assinan es mensais
(conside ando-se as edições imp essas e online), com uma média mensal de 337.854
76
exempla es diá ios, seguido de O Globo, com 332.176 e O Es ado de S. Paulo, com
239.935. Além de sua exp essi a audiência ge al, a Folha de S. Paulo possui uma
impo an e p esença geog á ica se le a mos em conside ação as dimensões do B asil:
lide a em ci culação o al em 25 das 27 unidades da ede ação.
Au oin i ulado “o jo nal mais in luen e do B asil” (FOLHA DE S. PAULO, s.d.), a
Folha de S. Paulo nasceu em 1960 a pa i da usão de ês jo nais do G upo Folha: Folha
da Manhã, Folha da Ta de e Folha da Noi e. Em 1961 o jo nal oi adqui ido po Oc á io
F ias de Oli ei a e Ca los Caldei a Filho, que in es i am na mode nização do pe iódico,
ampliação das ecei as e ab angência. (AZEVEDO, 2018b). No B asil, a Folha de S. Paulo
oi pionei a, po exemplo, na imp essão o se
29
em co es, no uso exclusi o de
compu ado es na edação, além de e implemen ado a igu a do ombdusman
30
, em 1989.
Aze edo (2018b) obse a que a Folha de S. Paulo apoiou o golpe de es ado de 1964 e os
p imei os anos de egime mili a no B asil. Somen e a pa i de 1976, em um conjun o de
eno ações g á icas e edi o iais, é que o jo nal ocou seu público-al o nos segmen os mais
in elec ualizados e p og essis as do pon o de is a polí ico.
Essas mudanças se dão num pe íodo ma cado pela abe u a polí ica, em que a lu a
pela anis ia e pela edemoc a ização começa a a oma impulso no país e a ganha
o co ação e as men es da classe média. Reposicionado edi o ialmen e, alo izando
o plu alismo e o deba e de ideias, o jo nal c esceu nos segmen os da audiência
mais jo em e de classe média, e apoiou a lu a em a o da anis ia, da Cons i uin e
e das eleições di e as, azendo cobe u as ex ensas de episódios polí icos c í icos
pa a o egime mili a e ade indo à campanha das “Di e as Já”, que ecebeu g ande
apoio da publicação (AZEVEDO, 2018b, p. 277).
Segundo Aze edo (2018b), a ualmen e a Folha (como é comumen e chamada)
man ém a mesma linha edi o ial e di e sidade in e na, es ando posicionada ao cen o do
espec o polí ico, com abe u a pa a o deba e e con on o de ideias em suas páginas. Pa a
o au o , pode ia se classi icada ainda como “publicação alinhada com os ideá ios libe ais
na polí ica e na economia, mas comp ome ida com uma audiência menos conse ado a”
29
Técnica de imp essão indi e a que u iliza cilind os in e médios e pe mi e a imp essão de g andes
quan idades de papel.
30
Figu a esponsá el po ecebe c í icas e suges ões dos lei o es, assim como aze análises c í icas
independen es sob e a a uação e posicionamen o do jo nal. Ge almen e o ca go é ocupado po jo nalis as
expe ien es.
77
(AZEVEDO, 2018b, p. 278). O a ual slogan do diá io é “Um jo nal a se iço da
democ acia”. Esse posicionamen o se ia o di e encial da Folha dian e de seus dois
p incipais conco en es a ní el nacional (O Globo e O Es ado de S. Paulo), que ab angem
um público mais à di ei a no espec o polí ico. Em 2021, o jo nal celeb ou 100 anos,
conside ando o início da ci culação da Folha da Noi e em 1921.
4.2.PRÉ-ANÁLISE
Nes a seção de p é-análise, nosso obje i o é elucida e sis ema iza os obje i os da
análise de con eúdo, demons ando os c i é ios de escolha do co pus de pesquisa e
elabo ando algumas hipó eses p elimina es. Pa a isso, pa imos de uma lei u a lu uan e,
al como suge e Ba din (2016), que “consis e em es abelece con a o com os documen os
a analisa e em conhece o ex o deixando-se in adi po imp essões e o ien ações” (p.
126). A pa i da lei u a p é ia das edições e dos e en os ac uais ab angidos pela cobe u a
jo nalís ica do jo nal em ques ão, de inimos como obje o empí ico os ex os,
independen emen e do gêne o jo nalís ico u ilizado, publicados na edição p incipal
imp essa do jo nal Folha de S. Paulo du an e o ano de 2019. Po edição p incipal nos
e e imos ao jo nal em sua o ma egula de publicação, sem conside a , po exemplo,
edições ex as, cade nos especiais ou in o mes publici á ios ex e nos que acompanham as
edições. Pa a seleciona as publicações ele an es pa a nossos obje i os, u ilizamos a
pla a o ma de busca a ançada do Ace o Folha
31
, onde il amos a pesquisa u ilizando a
busca po con eúdos que con inham o e mo “polí ica ex e na” ou que es i essem
elacionados a ela e que o am publicados no pe íodo de análise em odas as seções do
jo nal (Pode , Mundo, Me cado, Ilus ada, en e ou as).
A seleção do co pus de pesquisa seguiu a eg a da pe inência, al como pos ula
Ba din (2016), segundo a qual “os documen os e idos de em se adequados, enquan o
on e de in o mação, de modo a co esponde em ao obje i o que susci a a análise” (p.128).
Desse modo, nosso pa âme o inal pa a seleção do co pus oi: 1) que a ma é ia enha sido
publicada na e são imp essa da Folha de S. Paulo no pe íodo en e 01 de janei o e 31 de
dezemb o de 2019; e 2) que o ema p incipal es eja elacionado à polí ica ex e na b asilei a.
U ilizando esses dois c i é ios, nosso co pus de pesquisa esumiu-se a um o al de 368
31
Disponí el apenas pa a assinan es da Folha de S. Paulo (h ps://ace o. olha.com.b /index.do).
78
ex os ex aídos das 365 edições publicadas no pe íodo de análise, al como lis ado no
Anexo 1.
A pa i dessa seleção de ex os, nosso obje i o é analisa como a Folha de S. Paulo
cob iu os assun os elacionados à polí ica ex e na b asilei a em suas páginas du an e o ano
de 2019 a pa i de seis c i é ios p elimina es: 1) p esença de emas elacionados à polí ica
ex e na nas edições; 2) emá ica elacionada à polí ica ex e na b asilei a; 3) gêne o
jo nalís ico u ilizado; 4) pe sonagens da polí ica ex e na b asilei a ci ados; 5) ipos de
on es in e p e a i as e 6) posicionamen o global. O abalho de análise do con eúdo
selecionado é ei o de manei a quan i-quali a i a, ou seja, a pa i da ex ação de dados
quan i a i os de equência de apa ição de ce as a iá eis, assim como po meio de
obse ações quali a i as sob e o con eúdo em análise.
A pa i da lei u a lu uan e, conseguimos o mula como obse ações p elimina es:
1) que a Folha de S. Paulo possui um posicionamen o c í ico en e às mudanças le adas a
cabo na polí ica ex e na b asilei a du an e o p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o; 2)
u iliza diploma as e especialis as como p incipais on es in e p e a i as dos a os e 3)
e idencia seus posicionamen os po meio de edi o iais c í icos à no a polí ica ex e na
b asilei a.
Conside ando a exposição das e apas e c i é ios de seleção do co pus, dos obje i os
da análise de con eúdo e endo le an adas as hipó eses p elimina es sob e o con eúdo
eunido, passamos a segui pa a a explo ação do ma e ial.
4.3.EXPLORAÇÃO QUANTITATIVA DO MATERIAL E TRATAMENTO DOS
RESULTADOS
Pa a aze um le an amen o quan i a i o do co pus, analisamos cada um dos 368
ex os, egis ando em abela Excel a equência com que os c i é ios nume ados
an e io men e apa eciam. Pa a melho isualiza os dados cole ados, p ocessamos os
esul ados no p og ama IBM SPSS S a is ics 26, po meio de es a ís ica desc i i a de
equência simples, que nos pe mi iu elabo a g á icos que demons am isual e
quan i a i amen e cada um dos seis c i é ios de análise da Folha de S. Paulo.
O p imei o c i é io analisado oi a equência com que ex os sob e a polí ica
ex e na b asilei a e am publicados nas edições do jo nal.
79
GRÁFICO 1 – P esença de ex os elacionados à polí ica ex e na b asilei a na
Folha de S. Paulo em 2019
Fon e: dados do au o
O g á ico demons a que a p esença de ex os elacionados à polí ica ex e na
b asilei a no jo nal Folha de S. Paulo a iou bas an e ao longo do ano de 2019, com um
isí el aumen o a pa i do segundo semes e. Ve i icamos que isso acon eceu
p opo cionalmen e à equência com que emas elacionados à polí ica ex e na pau a am a
agenda pública, bem como consoan e a pa icipação b asilei a em e en os in e nacionais,
isi as de Es ado ou c ises diplomá icas. Podemos essal a , po exemplo, que no mês de
janei o boa pa e das publicações aziam e e ência à o mação do no o go e no e sua
es a égia de polí ica ex e na, assim como des aca am os discu sos e mudanças que o
go e no Bolsona o ap esen a a pa a a polí ica ex e na b asilei a. Fe e ei o, no B asil,
coincide com ecesso pa lamen a , é ias e ca na al e, po an o, adicionalmen e diminui
a quan idade de acon ecimen os no ambien e polí ico, como consequência es e oi o mês
com menos publicações (15) sob e a PEB. En e ma ço e ab il os emas mais equen es
a a am das p imei as isi as de Es ado de Jai Bolsona o aos Es ados Unidos e Is ael. A
26
15
19 19 17 20
37
63
36
43
36 37
Janei o
Fe e ei o
Ma ço
Ab il
Maio
Junho
Julho
Agos o
Se emb o
Ou ub o
No emb o
Dezemb o
Quan idade
Mês
80
pa i de junho uma sucessão de e en os ele an es no âmbi o in e nacional in luenciou
pa a que os emas elacionados à polí ica ex e na me ecessem uma cobe u a mais
equen e pela Folha de S. Paulo, como po exemplo a 14ª eunião de cúpula do G-20 e a
ap o ação do aco do come cial en e o Me cosul e a União Eu opeia, em inais de junho e
que i e am epe cussão ambém em julho. As queimadas na egião da Amazônia e do
Pan anal b asilei o no mês de agos o chama am a a enção da comunidade in e nacional e o
assun o oi pau ado na 45ª eunião de cúpula do G7. As decla ações do p esiden e ancês
Emanuel Mac on em de esa da lo es a o am in e p e adas como ameaça à sobe ania
nacional po Jai Bolsona o, acen uando uma c ise diplomá ica en e B asil e F ança. Em
se emb o, Bolsona o p o e iu o discu so de abe u a da Assembleia-Ge al das Nações
Unidas, como adicionalmen e cabe ao che e de es ado b asilei o. Suas decla ações sob e
as no as polí icas in e na e ex e na b asilei as epe cu i am na agenda pública, assim como
as negociações sob e a c ise na Venezuela. Em ou ub o, podemos des aca o não apoio dos
Es ados Unidos pa a a adesão do B asil à OCDE, como ha ia sido aco dado na isi a a
Donald T ump em ma ço. Em no emb o, a eleição de Albe o Fe nández como p esiden e
na A gen ina acen uou o deba e sob e as elações B asil-A gen ina e sob e os desa ios do
Me cosul. Também em no emb o acon eceu em B asília o encon o dos BRICS. Em
dezemb o, um dos emas que mais epe cu iu oi sob e a pa icipação b asilei a na
Con e ência das Nações Unidas sob e as Mudanças Climá icas de 2019 (COP-25), na
es ei a das discussões sob e desma amen o e queimadas na Amazônia.
Em esumo, podemos a i ma que a cobe u a da Folha de S. Paulo sob e emas
elacionados à polí ica ex e na segue uma lógica de pe inência comum às publicações de
gêne o jo nalís ico, que acompanha a eco ência e ele ância de e en os ac uais e sua
epe cussão pública, assim como o agendamen o público p o ocado pelas ações do
go e no e seus policymake s nessa á ea.
Pa indo desse p essupos o, nosso segundo c i é io de análise oi sob e as emá icas
mais equen es na cobe u a da Folha de S. Paulo sob e a polí ica ex e na b asilei a
du an e o ano de 2019.
81
GRÁFICO 2 – Temá icas mais equen es sob e a polí ica ex e na b asilei a na Folha de
S. Paulo em 2019
Fon e: dados do au o
O g á ico 2 indica que os assun os elacionados à polí ica ex e na b asilei a mais
abo dados pela Folha de S. Paulo du an e o ano de 2019 o am sob e o I ama a y (42
ex os), as elações com os Es ados Unidos (40 ex os) e a No a Polí ica Ex e na (34
ex os). O p imei o assun o engloba as publicações que azem e e ência ao Minis é io das
Relações Ex e io es, às polí icas anunciadas pelo I ama a y, além de mo imen ações no
co po diplomá ico e no Ins i u o Rio B anco. Um dos e en os que mais con ibuiu pa a que
o I ama y osse o assun o cen al de 11% das publicações sob e a polí ica ex e na oi a
epe cussão pública em o no da in enção do p esiden e Jai Bolsona o de indica seu ilho,
o depu ado ede al Edua do Bolsona o, pa a o ca go de embaixado nos Es ados Unidos.
A en a i a, no en an o, acabou us ada pela p essão pública e polí ica. A p opósi o, as
elações com os Es ados Unidos o am o segundo assun o mais p esen e no co pus
analisado. Como imos no capí ulo 3.3.2, uma das es a égias cen ais da polí ica ex e na
de Jai Bolsona o e E nes o A aújo oi o alinhamen o ideológico e polí ico com os Es ados
Unidos de Donald T ump, não su p eende, po an o, que as elações bila e ais com esse
país ossem uma p io idade na agenda polí ica b asilei a do pe íodo. Em 2019, o p esiden e
Jai Bolsona o e e dois encon os com Donald T ump: o p imei o, em ma ço, em uma
isi a de es ado em Washing on e o segundo em se emb o, du an e a Assembleia-Ge al das
32%
11%
11%
9%
6%
5%
5%
5%
5%
5% 3%3%
Ou os
I ama a y
Es ados Unidos
No a Polí ica Ex e na
Amazônia
Aco do Me cosul-EU
A gen ina
China
ONU
Go e no
Venezuela
Me cosul
82
Nações Unidas. O p imei o encon o esul ou em um paco e de aco dos bila e ais na á ea
mili a , de segu ança e comé cio, que o am amplamen e abo dadas pelo jo nal analisado.
A e cei a emá ica mais abo dado oi a No a Polí ica Ex e na B asilei a, que ab ange odos
os assun os elacionados às mudanças le adas a cabo na PEB pelo go e no de Jai
Bolsona o, como mudanças de e ó ica, de posicionamen o em ó uns globais, alinhamen o
com países go e nados pela di ei a e queb a de adições diplomá icas. A ele an e
p esença (9%) desse assun o e idencia como as mudanças na polí ica ex e na ocupa am
boa pa e da agenda mediá ica du an e o pe íodo de análise.
Como já ha íamos obse ado nos esul ados do g á ico 1, o aumen o do
desma amen o na á ea da Amazônia, assim como a celeb ação do Aco do Me cosul-UE
ambém o am des aques na imp ensa analisada, endo espondido po 6% e 5%,
espec i amen e, das publicações sob e polí ica ex e na do pe íodo de análise. Chama a
a enção nes e g á ico o posicionamen o da China na agenda mediá ica. Como obse a
F eixo (2019), uma das es a égias pa a polí ica ex e na de Jai Bolsona o oi, em
alinhamen o com os Es ados Unidos, ado a uma pos u a an i-China, em con adição com
os in e esses come ciais do B asil, is o que o país asiá ico é o maio comp ado das
expo ações b asilei as. Ao não p io iza uma agenda bila e al com a China, o go e no
b asilei o in luenciou no agendamen o mediá ico, que po sua ez dedicou um espaço
meno às elações com esse país, espondendo po apenas 5% dos ex os analisados.
A pa i da análise do g á ico 2 podemos dep eende que a cobe u a da Folha de
S. Paulo sob e a polí ica ex e na b asilei a em 2019 acompanhou as emá icas mais
ele an es pa a o go e no b asilei o naquele pe íodo: a eno ação do Minis é io de
Relações Ex e io es, a implan ação de uma polí ica ex e na ees u u ada e de up u a com
adições es abelecidas, assim como um alinhamen o ideológico cla o com os Es ados
Unidos. Os demais emas o am pau ados dada a impo ância es a égica, como o Aco do
Me cosul-UE, A gen ina e China, e pela epe cussão in e nacional, como é o caso da c ise
causada pelo aumen o dos índices de desma amen o na Amazônia e a c ise enezuelana.
O e cei o c i é io analisado na análise de con eúdo oi sob e os gêne os
jo nalís icos u ilizados pela Folha de S. Paulo pa a abo da a polí ica ex e na b asilei a.
Essa análise se jus i ica pa a comp eende que ipo de espaço o jo nal dedica a essa
89
especialmen e impo an e nas ma é ias em que o jo nal a ou sob e emas ambien ais,
como no caso da c ise na egião da Amazônia em que o ganizações não-go e namen ais
i e am papel impo an e no agendamen o público do deba e. Além disso, os aco dos de
comé cio in e nacional como o Me cosul-UE são de in e esse di e o de o ganizações
ag opecuá ias e da indús ia nacional, que ambém o am equen emen e consul adas pa a
comen a e analisa esses e en os. Po sua ez, no plano polí ico, depu ados ede ais e
assesso es ep esen am, espec i amen e, 8% e 6% das on es u ilizadas, cons i uindo um
g upo impo an e pa a deba e no plano midiá ico as es a égias polí icas ado adas ou
deba idas no plano ins i ucional da República.
O úl imo c i é io analisado na amos a selecionada é sob e o posicionamen o ge al
dos ex os publicados em elação à polí ica ex e na b asilei a. Classi icamos os
posicionamen os em ês g upos clássicos de aco do com a imagem inal que o ex o passa
ao lei o : nega i o, posi i o ou neu o. Pa a ilus a essa classi icação, omemos como
modelo um ex o jo nalís ico do gêne o no ícia com na a i a neu a, mas que expõe os
bas ido es do pode e o amado ismo dos pe sonagens da polí ica b asilei a ao lida com
assun os de polí ica ex e na. Nes e caso, o ex o se ia classi icado como endo um
posicionamen o ge al nega i o pa a a imagem do go e no e da polí ica ex e na b asilei a.
Apesa de ejei amos o concei o de neu alidade de uma peça jo nalís ica, u ilizamos es e
e mo pa a de ini o con eúdo que, no seu conjun o, não e o ça aspec os nega i os ou
posi i os da polí ica ex e na, mas ep oduzem uma análise écnica ou analí ica sob e
de e minado assun o ou mesmo epo am no ícias sem uma c í ica e iden e, mas limi ada
ao pon o de is a ac ual. Po im, os ex os classi icados como posi i os essal am ou
na am aspec os posi i os da polí ica ex e na b asilei a, como celeb ação de aco dos ou
análises posi i as da a uação do go e no e dos esul ados na es a égia de polí ica ex e na
ado ada.
90
GRÁFICO 6 – Posicionamen o global dos ex os sob e a polí ica ex e na b asilei a na
Folha de S. Paulo em 2019
Fon e: dados do au o
O g á ico 6 demons a que 45% dos ex os sob e a polí ica ex e na b asilei a
publicados na Folha de S. Paulo du an e o pe íodo de análise o am, no seu conjun o,
conside ados nega i os pa a a imagem da PEB. A esse esul ados podemos a ibui á ias
possibilidades, como o posicionamen o ei e adamen e c í ico do jo nal, exp esso em seus
edi o iais, em elação às mudanças e a condução da PEB, o amado ismo de alguns dos
p incipais agen es da polí ica ex e na, a imagem nega i a do B asil elacionada aos
posicionamen os do go e no Bolsona o, assim como suas decla ações públicas polêmicas
em e en os como G-20, Fó um de Da os e Assembleia-Ge al das Nações Unidas, além das
c ises in e nacionais elacionadas à Amazônia e a con li os de in e esse exp essos, po
exemplo, nas eleições a gen inas e nas elações com o p esiden e ancês Emmanuel
Mac on. Apesa disso, 43% das publicações o am classi icadas como neu as, alinhadas a
uma busca po impa cialidade em ex os jo nalís icos que se e i ica ambém na Folha de
S. Paulo. Os 12% de publicações posi i as es ão associadas aos mé i os da PEB, como os
a ados celeb ados no encon o com Donald T ump e a celeb ação do aco do Me cosul-
UE, além de análises posi i as em a igos de opinião. Em esumo, podemos a i ma que a
cobe u a do jo nal oi ei a a pa i de um iés c í ico e, po con a disso, nega i o pa a a
imagem pública do go e no e sua es a égia de polí ica ex e na.
45%
43%
12%
Nega i o
Neu o
Posi i o
91
4.4. INFERÊNCIAS E INTERPRETAÇÕES
A pa i da lei u a e análise po meno izada dos dados ex aídos da análise de
con eúdo do jo nal Folha de S. Paulo log amos aze algumas in e ências e in e p e ações.
Cump e obse a , p imei o, que o jo nal analisado é um dos p incipais diá ios b asilei os,
com o e in luência no agendamen o público e polí ico, con ando com uma edação
quali icada e co esponden es em di e sas cidades b asilei as e do ex e io . O jo nal az
pa e de uma das maio es emp esas de comunicação do B asil, o G upo Folha, pe encen e
à amília F ias, que compõe o oligopólio p i ado das comunicações no país. Dado o seu
p opósi o de se um jo nal gene alis a, busca aze uma cobe u a ab angen e sob e a PEB,
eco endo a di e sos gêne os jo nalís icos e on es in o ma i as. Além disso, dedica um
impo an e espaço da publicação pa a o deba e público de assun os di e sos po meio de
a igos de opinião que, e en ualmen e, disco e am sob e a PEB no pe íodo analisado. No
en an o, sua cobe u a não é especializada e os con eúdos e e en es à PEB di idem espaço
com demais assun os eme gen es na pau a pública e midiá ica. Não su p eende, po an o,
que das 365 edições analisadas enham sido ex aídos 368 ex os que en ol em polí ica
ex e na. Isso demons a que o jo nal az uma cobe u a desses assun os seguindo a eg a
da pe inência, ou seja, somen e quando há eco ência e ele ância pública de e en os
ac uais elacionados à PEB. Apesa de ha e uma média supe io a uma publicação sob e
a PEB po edição do jo nal, e i icamos que nem odas as edições inham ex os sob e esse
ema, enquan o ou as edições concen a am á ias ma é ias com assun os elacionados à
polí ica ex e na.
O agendamen o da imp ensa no pe íodo de análise se deu p incipalmen e pelas
ações do go e no e de seus policymake s (especialmen e os da ala ideológica, como imos
na análise do g á ico 4), pela pa icipação do B asil em e en os de ele ância pa a a polí ica
ex e na, além de acon ecimen os in e nacionais que en ol iam o país. Enquan o jo nal
gene alis a, obse amos que a Folha de S. Paulo não exp essa posições polí icas
con unden es. Sua cobe u a sob e a PEB cump e um p opósi o in o ma i o no icioso, ao
mesmo empo em que dedica boa pa e das publicações pa a o deba e público e con on o
de ideias. Apesa disso, exe ceu uma cobe u a c í ica sob e as mudanças e es a égias de
polí ica ex e na du an e o p imei o ano do go e no de Jai Bolsona o.
92
Adicionalmen e, e i icamos que as obse ações p elimina es ei as a pa i da
lei u a lu uan e, exp essas no capí ulo 4.2 de p é-análise, se con i ma am: 1) A Folha de
S. Paulo demons ou um posicionamen o ei e adamen e c í ico dian e das mudanças
pos as em p á ica na polí ica ex e na b asilei a du an e o p imei o ano de go e no de Jai
Bolsona o, seja a a és da cobe u a no iciosa, analí ica ou pelo espaço dedicado a a igos
de opinião c í icos ao go e no. Como imos an e io men e, 45% dos ex os analisados no
co pus êm um posicionamen o nega i o sob e a PEB. 2) O jo nal busca di e si ica as
on es que u iliza em suas publicações, mas diploma as e especialis as o am, como
obse ado na lei u a lu uan e, os ipos de on e mais u ilizadas pelo diá io pa a a a de
assun os elacionados à PEB. 3) A Folha de S. Paulo u iliza ex os do gêne o edi o ial pa a
e idencia seus posicionamen os polí icos, e nisso incluem-se isões sob e a no a polí ica
ex e na b asilei a, ge almen e c í icas à a uação do go e no e do I ama a y.
Cump e elucida , inalmen e, que alguns elemen os da análise de con eúdo o am
decididos a pa i das obse ações empí icas do au o , não es ando decla adamen e
desc i os no ma e ial analisado, como po exemplo a ca ego ização das emá icas cen ais
dos ex os analisados e seus enquad amen os de posicionamen o (posi i o, nega i o e
neu o). Ademais, econhecemos que nossa análise de con eúdo não é conclusi a po que é
limi ada empo almen e a um pe íodo de análise (2019) e edi o ialmen e, ao seleciona um
único ema pa a abo dagem (polí ica ex e na b asilei a), po an o não de e se conside ada
como ap op iada pa a desc e e a p á ica jo nalís ica da Folha de S. Paulo, mas como um
con ibu o ao es udo da abo dagem do jo nal, enquan o amos a ep esen a i a da imp ensa
b asilei a, sob e emas elacionados à polí ica ex e na.
93
CONCLUSÕES
A p esen e disse ação se p opôs a pesquisa de que o ma a imp ensa, mais
especi icamen e o jo nal Folha de S. Paulo, cob iu a no a polí ica ex e na b asilei a
du an e o ano de 2019, p imei o ano de go e no de Jai Bolsona o. Pa a isso, p opôs-se a
aze uma análise quan i-quali a i a do co pus selecionado, o qual con inha os ex os
elacionados à polí ica ex e na b asilei a publicados na edição imp essa do jo nal du an e
o ano de 2019. Pa a log a al obje i o, buscamos, p imei amen e, comp eende as
de inições de polí ica ex e na, os a o es que ensejam mudanças na es a égia dessa polí ica
pública e a sua elação com os meios de comunicação social. Logo, buscamos de ini a
no a polí ica ex e na b asilei a e sua o igem, analisando os a o es conjun u ais que
ab i am caminho pa a sua cons i uição.
Em nossos es udos sob e a polí ica ex e na ado amos a de inição de F ei e e Vinha
(2011) que a desc e em como “o conjun o de objec i os, es a égias e ins umen os que
deciso es do ados de au o idade escolhem e aplicam a en idades ex e nas à sua ju isdição
polí ica, bem como os esul ados não in encionais dessas mesmas acções” (p.18). Vimos
ambém que essa polí ica, apesa de se cen a na a uação o a de suas on ei as es a ais,
cons i ui-se como polí ica pública e em seu p ocesso de elabo ação incidem as demandas
e con li os no mais da elabo ação de polí icas públicas, sejam elas in e nas ou ex e nas
(SALOMÓN; PINHEIRO, 2013). Além disso, como is o em Mo in e Paquin (2018), na
a ualidade é cada ez mais ênue a linha que sepa a polí icas públicas domés icas e
ex e nas, sendo que ambas as dimensões podem se di e amen e in luenciadas uma pela
ou a.
Dada a dimensão cada ez mais complexa do campo da polí ica ex e na, pa a
comp eendê-la az-se necessá ia uma abo dagem me odológica que le e em conside ação
os di e en es ní eis e modos de in luência dessa polí ica pública. Nesse con ex o, a Análise
de Polí ica Ex e na (APE) ep esen a o modelo de es udo mais adequado pa a pesquisas
nessa á ea. Vimos que a APE pode eco e à con ibuição de di e en es ciências e eo ias
pa a a iden i icação e comp eensão das múl iplas a iá eis que podem in luencia a polí ica
ex e na, suge indo uma análise ans e sal de a o es de in luência e execução de ais
polí icas. Con o me ap esen ado po He mann (1990), oi possí el en ende que a polí ica
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ex e na, assim como qualque polí ica pública, es á sujei a a mudanças que ma cam a
e e são ou pelo menos o seu edi ecionamen o. Essas medidas possuem uma impo ância
especial po que demandam no os posicionamen os de go e nos, assim como êm impac o
no ambien e in e nacional e na polí ica de ou os a o es de sobe ania, como é o caso da
no a polí ica ex e na b asilei a, que ma ca uma mudança na adição diplomá ica b asilei a.
Os meios de comunicação social, po sua ez, his o icamen e ep esen a am um
sis ema de pode polí ico, simbólico e cul u al. No âmbi o da polí ica ex e na exe cem
in luência pelo agendamen o polí ico e público. No caso b asilei o, os meios de
comunicação social adicionais azem pa e de um oligopólio e his o icamen e
in luencia am o sis ema polí ico nacional, sendo os jo nais imp essos os p incipais
elemen os de in luência mediá ica sob e emas elacionados à polí ica ex e na. Casa ões
(2012), po sua ez, obse a que na década de 1990 hou e uma impo an e mudança nas
elações en e os meios de comunicação de massa, a opinião pública e a polí ica ex e na. A
edemoc a ização b asilei a aliada a uma maio abe u a econômica, a plu alização dos
a o es e a p esidencialização da diplomacia o am a o es impo an es pa a aze assun os
de polí ica ex e na ao deba e público a a és da mídia.
A p opósi o, es a disse ação e isi ou as es a égias de polí ica ex e na conduzidas
pelos go e nos que an ecede am o de Jai Bolsona o. Vimos que desde a década de 1950
o B asil inha sus en ando uma es a égia quase consensual no I ama a y de au onomia na
polí ica ex e na. Esse posicionamen o esis iu e se adap ou a di e en es go e nos. No
pe íodo mais ecen e, a polí ica ex e na b asilei a oi ma cada pela p esidencialização da
diplomacia, di e si icação das elações a a és do mul ila e alismo e p ojeção
in e nacional. A pa i de 2016, com a des i uição de Dilma Rousse e ascensão de Michel
Teme à p esidência, o am es u u adas as bases de uma no a es a égia pa a polí ica
ex e na pelo chancele José Se a. O p og ama da No a Polí ica Ex e na B asilei a
p opunha uma ideia de desideologização da PEB, buscando eo dena as elações
b asilei as a a és da p io ização de elações com países do cen o do capi alismo global
em de imen o do mul ila e alismo. Além disso, inaugu ou um no o posicionamen o da
diplomacia b asilei a a a és de uma e ó ica mais du a em elação aos países da Amé ica
do Sul e suas polí icas domés icas.
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Em 2019, com a ascensão de Jai Bolsona o à p esidência essas mudanças o am
acen uadas e adicalizadas. O I ama a y, lide ado po E nes o A aújo, um chancele da ala
ideológica conse ado a, ompeu com alguns p ocedimen os diplomá icos que
ca ac e iza am a polí ica ex e na b asilei a das úl imas décadas. O a ual go e no busca
p omo e a imagem de um país eno ado, desassociado de algumas bandei as his ó icas,
como di ei os humanos e mul ila e alismo, ao mesmo empo em que p ocu a da ên ase ao
me cado abe o em pa ce ia com o No e Global em de imen o da es a égia de lide ança
egional, udo isso enquan o busca legi imidade pa a suas polí icas in e nas. As
ca ac e ís icas mais e iden es dessa no a polí ica ex e na adicalizada po Bolsona o são o
alinhamen o a alo es conse ado es e a nações go e nadas pelo mesmo espec o polí ico,
como os Es ados Unidos de Donald T ump, a mudança de e ó ica em elação aos países
izinhos, além de uma ejeição de qualque ideia que possa es a minimamen e elacionada
à esque da ou ao p og essismo.
No capí ulo 3, analisamos como os a o es in e nos e ex e nos podem e
con ibuído pa a a consolidação dessa no a polí ica ex e na: no con ex o in e nacional,
disco emos sob e a c ise da o dem global es abelecida, a descen alização do pode e a
c ise das democ acias libe ais ociden ais. No plano domés ico, desde 2013 o B asil passa
po uma impo an e c ise de ep esen ação polí ica, exp essa nos p o es os de junho daquele
ano. Além disso, a des i uição de Dilma Rousse em 2016 ab iu caminho pa a a ascensão
e consolidação de um p oje o de go e no de ex ema-di ei a no B asil.
Nosso abalho de pesquisa empí ica pa a analisa a cobe u a do jo nal Folha de S.
Paulo sob e a PEB no ano de 2019 seguiu o mé odo de análise de con eúdo, p opos o po
Lau ence Ba din (2016). A pa i da lei u a p é ia do co pus selecionado, es abelece am-
se seis elemen os pa a análise quan i a i a: 1) p esença de emas elacionados à polí ica
ex e na nas edições; 2) emá ica elacionada à polí ica ex e na b asilei a; 3) gêne o
jo nalís ico u ilizado; 4) pe sonagens da polí ica ex e na b asilei a ci ados; 5) ipos de
on es in e p e a i as e 6) posicionamen o global.
Em elação à p esença de emas sob e a PEB nas edições imp essas do jo nal
analisado, e i icamos que o diá io az uma cobe u a desses assun os seguindo a eg a da
pe inência, ou seja, somen e quando há eco ência e ele ância pública de e en os
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ac uais elacionados à PEB. Sob e os emas mais abo dados pelo jo nal, e i icamos uma
maio eco ência de assun os impo an es pa a o go e no b asilei o daquele pe íodo: a
eno ação do Minis é io de Relações Ex e io es, a ees u u ação da es a égia de polí ica
ex e na, assim como a ap oximação com os Es ados Unidos. Os demais emas o am
pau ados de ido à impo ância es a égica, como o Aco do Me cosul-UE, A gen ina e
China, e pela epe cussão in e nacional, como é o caso da c ise na Venezuela e o
desma amen o na Amazônia. A p edominância de ex os do gêne o no icioso indica que a
Folha de S. Paulo p io iza uma cobe u a ac ual, alinhada com seu p opósi o de jo nalismo
gene alis a, apesa de dedica boa pa e do espaço das publicações pa a o deba e público e
con on o de ideias. Em elação à menção de pe sonagens da PEB no jo nal, imos que o
p esiden e Jai Bolsona o é o p incipal nome associado à polí ica ex e na e que a ala
ideológica do go e no é a que es á mais elacionada à condução da PEB. Ve i icamos ainda
que o jo nal eco e a um g upo di e so de on es pa a aze in e ências em seus ex os,
mas pa a emas elacionados à polí ica ex e na busca com mais equência diploma as,
p o esso es e especialis as no assun o. Po im, a cobe u a do jo nal pode se conside ada
c í ica à PEB e seus p incipais policymake s dada a exp essi a p esença de pau as e
opiniões que con ibuem pa a a cons ução de uma imagem nega i a pa a o go e no e o
I ama a y.
Podemos in e i , po an o, que a Folha de S. Paulo, enquan o amos a
ep esen a i a da imp ensa b asilei a, ez uma cobe u a sob e a polí ica ex e na b asilei a
em 2019 de o ma ac ual e gene alis a, seguindo a eg a de pe inência na escolha dos
emas e dedicando espaço pa a o deba e público. Além disso, posicionou-se de o ma
ei e adamen e c í ica às mudanças e às ações do go e no Bolsona o no âmbi o da polí ica
ex e na a a és de seus edi o iais.
Cump e essal a que o obje i o des a disse ação e análise de con eúdo não oi
es abelece uma elação de in luência en e os meios de comunicação social e a polí ica
ex e na, mas analisa como as mudanças e a condução da PEB du an e o p imei o ano de
go e no de Jai Bolsona o o am abo dadas pela imp ensa b asilei a, mais especi icamen e
a Folha. Pa a isso, se iam necessá ios ou os ipos de análise, que en ol essem a elação
de causa-e ei o, além da adoção de ou a me odologia de pesquisa.
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Do pon o de is a empí ico, conside amos que es e abalho de pesquisa con empla
os obje i os p incipal e especí icos a que se p opôs e os equisi os acadêmicos de uma
disse ação de mes ado, endo ep esen ado uma impo an e componen e da o mação
acadêmica, assim como um con ibu o pa a o deba e público sob e a no a polí ica ex e na
b asilei a e a a uação dos meios de comunicação social nesse âmbi o. Do mesmo modo, os
esul ados ob idos susci am a explo ação de no as possibilidades de es udo nessa á ea,
como a in es igação das elações de in luência en e os meios de comunicação social e a
polí ica ex e na, bem como es udos compa a i os en e di e en es eículos da imp ensa.
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111
ANEXO
ANEXO 1 – Tabela u ilizada pa a cole a de dados do jo nal Folha de S. Paulo
Da a
Publicações
elacionadas à
polí ica ex e na
Gêne o
jo nalís ico
u ilizado
Temá ica p incipal
elacionada à polí ica ex e na
Pe sonagens ci ados
Tipo de on e
Posicionamen o
global
01/01/19
4
A igo (2) ; Coluna;
Análise
I ama a y; No a Polí ica
Ex e na(2); Á ica
Edua do Bolsona o; E nes o
A aújo(2); Jai Bolsona o(3)
Posi i o; Neu o
(3)
02/01/19
0
03/01/19
4
No ícia(2);
A igo(2)
No a Polí ica Ex e na (3);
Es ados Unidos
E nes o A aújo(4); Jai Bolsona o(2);
Ola o de Ca alho
Neu o; Nega i o
(2)
04/01/19
3
A igo; No ícia;
Edi o ial
No a Polí ica Ex e na (3);
E nes o A aújo(2); Jai Bolsona o;
Robe o Aze êdo; Filipe Ma ins;
Ola o de Ca alho
Nega i o (2);
Posi i o
05/01/19
0
06/01/19
0
07/01/19
1
No ícia;
No a Polí ica Ex e na;
Filipe Ma ins; Jai Bolsona o; Ola o
de Ca alho; E nes o A aújo,
Edua do Bolsona o
Emp esá io;
Nega i o;
08/01/19
2
No ícia; A igo;
I ama a y; No a Polí ica
Ex e na;
Paulo Guedes; Ma cos T oyjo;
E nes o A aújo; Jai Bolsona o
Emp esá io;
Diploma a;
Nega i o(2);
09/01/19
0
10/01/19
1
A igo;
No a Polí ica Ex e na;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Nega i o
11/01/19
3
No ícia(2);
Edi o ial;
I ama a y(2); No a Polí ica
Ex e na;
Jai Bolsona o(3); E nes o A aújo(3);
Ma io Vilal a;
Diploma a;
O ganização;
Assesso ;
Nega i o(3);
12/01/19
0
13/01/19
1
A igo;
No a Polí ica Ex e na;
E nes o A aújo;
Nega i o;
14/01/19
0
15/01/19
1
Edi o ial
No a Polí ica Ex e na;
Jai Bolsona o;
Nega i o
16/01/19
0
17/01/19
0
18/01/19
0
19/01/19
0
20/01/19
0
21/01/19
2
A igo(2);
I ama a y; No a Polí ica
Ex e na;
E nes o A aújo; Paulo Guedes(2);
Se gio Mo o(2); Jai Bolsona o
Nega i o(2)
22/01/19
0
23/01/19
1
No ícia;
Fó um Econômico Mundial;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Paulo Guedes; Se gio Mo o;
Economis a;
A i is a;
O ganização;
Nega i o;
24/01/19
1
No ícia;
Venezuela;
Jai Bolsona o; Hamil on Mou ão;
Senado ;
Neu o;
25/01/19
0
26/01/19
0
27/01/19
1
A igo;
Es ados Unidos;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Neu o
28/01/19
0
29/01/19
0
30/01/19
1
No ícia;
Reino Unido
Rubens Ricupe o
Neu o
112
01/02/19
3
Coluna; No ícia(2)
Venezuela(3);
Jai Bolsona o(3); Hamil on Mou ão;
Edua do Bolsona o
O ganização;
Neu o(3);
02/02/19
0
03/02/19
0
04/02/19
0
05/02/19
1
No ícia;
Venzuela;
Neu o
06/02/19
1
No ícia;
Is ael;
E nes o A aújo, Jai Bolsona o,
Hamil on Mou ão;
07/02/19
2
En e is a; A igo
No a Polí ica Ex e na(2);
S e e Bannon(2); Edua do
Bolsona o; Hamil on Mou ão(2), Jai
Bolsona o(2);
Assesso ;
Neu o; Nega i o;
08/02/19
0
09/02/19
0
10/02/19
0
11/02/19
0
12/02/19
0
13/02/19
0
14/02/19
0
15/02/19
1
No ícia;
Nigé ia;
Neu o;
16/02/19
0
17/02/19
1
No ícia;
I ama a y;
E nes o A aújo; Ola o de Ca alho;
I ama a y;
P o esso ;
Diploma a
Nega i o;
18/02/19
0
19/02/19
1
A igo;
Globalização;
Jai Bolsona o;
Nega i o;
20/02/19
0
21/02/19
2
No ícia(2);
Venezuela; Es ados Unidos;
E nes o A aújo; Jai Bolsona o(2);
Hamil on Mou ão; Augus o Heleno;
I ama a y;
Planal o;
Posi i o; Neu o
22/02/19
0
23/02/19
0
24/02/19
0
25/02/19
0
26/02/19
2
No ícia; A igo;
Comando Sul; Venezuela;
Alcides de Fa ia Júnio ; Hamil on
Mou ão; Jai Bolsona o;
Neu o; Posi i o;
27/02/19
0
28/02/19
1
A igo;
Venezuela;
Neu o;
01/03/19
0
02/03/19
2
No ícia(2);
O an; Venezuela;
Jai Bolsona o; Hamil on Mou ão;
Assesso (2);
Posi i o; Neu o
03/03/19
0
04/03/19
0
05/03/19
1
No ícia;
I ama a y;
E nes o A aújo,; Fe nando Hen ique
Ca doso;
Neu o;
06/03/19
0
07/03/19
0
08/03/19
0
09/03/19
0
113
10/03/19
0
11/03/19
0
12/03/19
1
No ícia;
I ama a y;
E nes o A aújo; Jai Bolsona o;
Nes o Fos e ; Ola o de Ca alho;
Neu o
13/03/19
0
14/03/19
1
A igo;
Es ados Unidos;
Jai Bolsona o; Paulo Guedes;
Nega i o;
15/03/19
1
No ícia;
Es ados Unidos;
Jai Bolsona o; Paulo Guedes;
E nes o A aújo;
Nega i o;
16/03/19
0
17/03/19
1
No ícia;
Es ados Unidos;
Jai Bolsona o; Ola o de Ca alho;
Edua do Bolsona o; Sé gio Ama al;
Nega i o
18/03/19
2
No ícia; Coluna;
Es ados Unidos(2); China;
Rússia; A gen ina;
Jai Bolsona o(2); Ola o de
Ca alho; Se gio Mo o; Paulo
Guedes; Edua do Bolsona o; E nes o
A aújo; Te esa C is ina; Ben o
Albuque que;
Assesso ;
Nega i o;
19/03/19
0
20/03/19
0
21/03/19
4
A igo; Análise;
No ícia(2);
China; Es ados Unidos(2);
I ama a y;
Jai Bolsona o(3); Paulo Guedes;
E nes o A aújo(2); Edua do
Bolsona o;
Nega i o(2);
Posi i o; Neu o;
22/03/19
3
No ícia(2); Análise;
Amé ica do Sul; Venezuela;
P osul; I ama a y; Es ados
Unidos;
Jai Bolsona o(2); Nes o Fos e ;
E nes o A aújo; Augus o Heleno;
Diploma a;
P o esso ;
Neu o(3);
23/03/19
0
24/03/19
1
A igo;
I ama a y; Amé ica do Sul;
E nes o A aújo;
P o esso ;
Nega i o;
25/03/19
0
26/03/19
0
27/03/19
0
28/03/19
0
29/03/19
0
30/03/19
2
A igo; No ícia;
No a Polí ica Ex e na; Is ael;
Jai Bolsona o(2); E nes o A aújo;
Ben o Cos a Lima; Ma cos Pon es;
Augus o Heleno;
Assesso ;
Nega i o; Neu o;
31/03/19
0
01/04/19
0
02/04/19
3
Análise; Edi o ial;
A igo;
Is ael(3);
Jai Bolsona o(3);
P o esso ;
Depu ado
Fede al;
Neu o; Posi i o;
Nega i o;
03/04/19
0
04/04/19
2
A igo(2);
I ama a y; Es ados Unidos;
Jai Bolsona o(2); Filipe Ma ins;
Edua do Bolsona o(2); E nes o
A aújo; Hamil on Mou ão;
Nega i o(2);
05/04/19
2
No ícia(2);
Emi ados Á abes Unidos;
Go e no;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Augus o Heleno; Flá io Bolsona o;
S e e Bannon; Edua do Bolsona o;
Neu o; Nega i o;
06/04/19
0
07/04/19
0
08/04/19
0
09/04/19
1
No ícia;
Go e no;
Jai Bolsona o; Edua do Bolsona o;
Neu o;
10/04/19
3
Análise; No ícia(2);
I ama a y(2); Go e no; Es ados
Unidos;
E nes o A aújo; Ola o de Ca alho;
Jai Bolsona o(2); Ma io Vilal a;
Diploma a(2);
Assesso ;
Emp esá io;
Nega i o(2);
Neu o;
114
Má cio Coimb a; Le ícia Ca elani;
Hamil on Mou ão; Paulo Guedes;
11/04/19
3
No ícia(3);
I ama a y; A gen ina; Liga
Á abe;
E nes o A aújo(3); Jai Bolsona o(2);
Edua do Bolsona o;
I ama a y;
Diploma a;
Nega i o; Neu o;
Posi i o;
12/04/19
0
13/04/19
0
14/04/19
0
15/04/19
2
A igo; No ícia;
I ama a y; Is ael;
E nes o A aújo; Paulo Guedes; Jai
Bolsona o;
Diploma a;
Nega i o(2);
16/04/19
0
17/04/19
0
18/04/19
1
No ícia;
Go e no;
Jai Bolsona o;
Posi i o;
19/04/19
0
20/04/19
0
21/04/19
0
22/04/19
0
23/04/19
0
24/04/19
0
25/04/19
2
A igo(2);
No a Polí ica Ex e na;
I ama a y;
E nes o A aújo;
Nega i o(2);
26/04/19
0
27/04/19
0
28/04/19
0
29/04/19
0
30/04/19
0
01/05/19
0
02/05/19
0
03/05/19
0
04/05/19
2
No ícia(2);
Es ados Unidos; I ama a y;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Senado ;
O ganização;
Nega i o; Neu o;
05/05/19
2
No ícia;
Go e no; Es ados Unidos;
Jai Bolsona o(2); Augus o Heleno;
E nes o A aújo; Ola o de Ca alho;
Nega i o(2);
06/05/19
0
07/05/19
0
08/05/19
1
Análise;
Go e no;
Jai Bolsona o; Augus o Heleno;
Edua do Bolsona o; Ca los
Bolsona o; Ola o de Ca alho;
Edua do Villas Bôas;
Nega i o;
09/05/19
0
10/05/19
2
No ícia(2);
Es ados Unidos; OCDE;
Jai Bolsona o; Filipe Ma ins;
Neu o; Posi i o;
11/05/19
0
12/05/19
0
13/05/19
2
No ícia; Coluna;
Es ados Unidos; 5G;
Jai Bolsona o;
A i is a;
Nega i o; Neu o;
14/05/19
0
15/05/19
0
121
10/12/19
0
11/12/19
3
A igo; No ícia(2);
Go e no; Chile; A gen ina;
Jai Bolsona o(3); Rod igo Maia(2);
Hamil on Mou ão;
Neu o(3);
12/12/19
0
13/12/19
0
14/12/19
0
15/12/19
1
No ícia;
I ama a y;
E nes o A aújo; Edua do Bolsona o;
Filipe Ma ins; Jai Bolsona o;
Hamil on Mou ão; Te eza C is ina;
Rod igo Maia;
Diploma a;
Neu o;
16/12/19
0
17/12/19
2
Edi o ial; A igo;
5G; Comé cio In e nacional;
Jai Bolsona o; Te eza C is ina;
Neu o(2);
18/12/19
2
No ícia(2);
Mig ações; Comé cio
In e nacional;
Especialis a;
Nega i o(2);
19/12/19
2
A igo; No ícia;
COP-25; Is ael;
Jai Bolsona o(2);
Diploma a;
Nega i o; Neu o;
20/12/19
0
21/12/19
0
22/12/19
0
23/12/19
2
A igo(2);
Go e no; COP-25;
Jai Bolsona o; Sonia Guajaja a;
Nega i o; Neu o;
24/12/19
4
No ícia(4);
COP-25; A gen ina; China;
Comé cio In e nacional;
Rica do Salles;
O ganização;
Especialis a;
Emp esá io;
Diploma a;
Nega i o;
Neu o(3);
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Edi o ial;
No a Polí ica Ex e na;
Jai Bolsona o; E nes o A aújo;
Edua do Bolsona o; Filipe Ma ins;
Nega i o;
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