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Masculinidades negras e mercado de trabalho no Rio de Janeiro

Laé, Isadora Sales Freitas

Abstract

Assim como em outras geografias, no Brasil as pessoas negras estão mais sujeitas ao desemprego e são as que por mais tempo permanecem nessa situação. Quando possuem trabalho, geralmente ocupam os postos de menor qualidade, status e remuneração. Sendo através do trabalho que o ser humano atinge dignidade e capacidade de sustentar a si e à sua família, é primordial que atenção especial seja despendida nesta área. Além disso, o “ser provedor” é uma das principais formas de expressão de masculinidade da sociedade capitalista. Se os homens negros encontram dificuldades para atingir esse ideal de masculinidade, se faz necessário refletir sobre os impactos que tais entraves possuem na vida e nas expressões de masculinidades destes homens. Sendo assim, este trabalho tratou de investigar quais são as maiores dificuldades que os homens negros encontram no mercado de trabalho do Rio de Janeiro e de que forma eles se relacionam com o labor, assim como com o papel de provedor. Concluiu-se que nem todos os homens negros absorvem os ideais da masculinidade hegemônica patriarcal capitalista e que muitos deles estão ressignificando o que é “ser homem”.

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iii MASCULINIDADES NEGRAS E MERCADO DE TRABALHO NO RIO DE JANEIRO Isado a Sales Disse ação de Mes ado em Es udos sob e as Mulhe es Lisboa, Po ugal Julho de 2020 iii Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Es udos sob e as Mulhe es, ealizada sob a o ien ação cien í ica de P o esso a Dou o a Zília Osó io de Cas o e P o esso Dou o Daniel Ma ias. DECLARAÇÃO Decla o que es a Disse ação é o esul ado da minha in es igação pessoal e independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia. O candida o, ____________________ (Isado a Sales F ei as Laé) Lisboa, ...... de ............ de ......... ii Dedicado à Dona Ni a ix AGRADECIMENTOS Essa disse ação não se ia possí el sem a colabo ação dos dez homens que se dispuse am a me con a suas his ó ias, sonhos, do es, pe cu sos e i ó ias. Po isso, em p imei o luga , gos a ia de ag adece a eles – as ozes desse abalho – pela con iança e esponsabilidade que me deposi a am. Me depa ei com pessoas inc í eis, co ajosas e sensí eis que me en iquece am pa a mui o além da pesquisa. Mui o ob igada! Em seguida é p eciso ag adece aos meus o ien ado es, P o . Dou o a Zília Osó io de Cas o e P o . Dou o Daniel Ma ias. Mais do que ealiza a unção de bússola acadêmica, o am e dadei os mo i ado es nesses empos di íceis de pandemia. Pala as são poucas pa a ag adece amanho empenho, dedicação e incen i o à minha melho e são – modes amen e, não pode ia e escolhido melho es p o esso es pa a emba ca comigo nessa jo nada. Gos a ia de ag adece ambém aos meus pais, ao meu i mão e ao meu ma ido, po odo apoio, con iança e amo . Vocês ize am do pe cu so mais le e e me inspi am a se uma pessoa melho odos os dias. Ob igada! Po úl imo e não menos impo an e, meu mui o ob igada ao meu g ande amigo Fe nando Ca alho, a g ande inspi ação desse abalho. xi MASCULINIDADES NEGRAS E MERCADO DE TRABALHO NO RIO DE JANEIRO Isado a Sales RESUMO Assim como em ou as geog a ias, no B asil as pessoas neg as es ão mais sujei as ao desemp ego e são as que po mais empo pe manecem nessa si uação. Quando possuem abalho, ge almen e ocupam os pos os de meno qualidade, s a us e emune ação. Sendo a a és do abalho que o se humano a inge dignidade e capacidade de sus en a a si e à sua amília, é p imo dial que a enção especial seja despendida nes a á ea. Além disso, o “se p o edo ” é uma das p incipais o mas de exp essão de masculinidade da sociedade capi alis a. Se os homens neg os encon am di iculdades pa a a ingi esse ideal de masculinidade, se az necessá io e le i sob e os impac os que ais en a es possuem na ida e nas exp essões de masculinidades des es homens. Sendo assim, es e abalho a ou de in es iga quais são as maio es di iculdades que os homens neg os encon am no me cado de abalho do Rio de Janei o e de que o ma eles se elacionam com o labo , assim como com o papel de p o edo . Concluiu-se que nem odos os homens neg os abso em os ideais da masculinidade hegemônica pa ia cal capi alis a e que mui os deles es ão essigni icando o que é “se homem”. PALAVRAS-CHAVE: Masculinidades Neg as; Me cado de T abalho; Homens Neg os; P o edo ; Rio de Janei o. xii BLACK MASCULINITIES AND THE LABOUR MARKET IN RIO DE JANEIRO Isado a Sales ABSTRACT In B azil, as in many o he na ions, black people a e mo e likely o be unemployed and a e he ones ha s ay unemployed he longes . When employed, hey usually hold less co e ed posi ions, o lowe s a us and sala ies. Since i is h ough wo k ha human beings achie e digni y and he capaci y o sus ain hemsel es and hei amilies, i is c ucial ha special a en ion be gi en o his a ea. Fu he mo e, he "b eadwinne " is one o he main o ms o exp essing masculini y in capi alis socie ies. I black men s uggle o achie e his ideal o masculini y, i is necessa y o e lec upon he impac s such hu dles ha e in he li es and exp essions o masculini y o hese men. Wi h ha in mind, his wo k a emp s o in es iga e he main di icul ies black men come ac oss in he job ma ke in Rio de Janei o, as well as how hey ela e o labou and he ole o b eadwinne . We hen conclude ha no all black men in e nalize he ideals o hegemonic masculini y and ha many o hem e ame wha i means o "be a man". KEYWORDS: Black Masculini ies; Job Ma ke ; Black Men; B eadwinne ; Rio de Janei o. xiii ÍNDICE In odução ....................................................................................................................................... 1 1. Feminismos e In e seccionalidade .............................................................................................. 6 2. Masculinidades hegemônicas e ma ginalizadas ....................................................................... 12 2.1 Raça e Racismo ................................................................................................................... 15 2.2 A cons ução his ó ica do acismo no B asil ...................................................................... 18 3. O acismo no me cado de abalho b asilei o .......................................................................... 25 3.1 Igualdade o mal x Igualdade ma e ial .............................................................................. 29 3.2 Masculinidades neg as e me cado de abalho .................................................................. 31 4. Ques ões epis êmicas ............................................................................................................... 35 5. Visões sob e o homem neg o e o me cado de abalho .......................................................... 41 5.1 Es e eó ipos ......................................................................................................................... 41 5.2 Saiba o seu luga – a di iculdade da ascensão social ........................................................ 46 5.3 Isso não é pa a mim – a in e nalização do discu so social ................................................ 48 5.4 Des an agens aciais e disc iminação ................................................................................ 51 5.5 B eadwinne ........................................................................................................................ 57 5.6 A elação com o abalho .................................................................................................... 61 Conclusão ...................................................................................................................................... 70 Bibliog a ia .................................................................................................................................... 75 Anexo A – Te mo de Consen imen o In o mado (En e is a Semies u u ada) .......................... 84 Anexo B - Guião de En e is a ..................................................................................................... 85 Anexo C – T ansc ição das En e is as.......................................................................................... 87 1 In odução No mundo ociden al, onde a maio pa e do conhecimen o ainda é p oduzido po , sob e, e pa a homens b ancos, um cu so in i ulado “Es udos sob e as Mulhe es” não em como ugi do seu ca á e ine en emen e polí ico. Po que, en ão, num local ese ado pa a, inalmen e, discu i ob as e idas de mulhe es, assim como en ende as op essões que so emos e pensa em modos pa a desa ia o pa ia cado, u ilizo o espaço pa a ala , mais uma ez, sob e homens? Qual se ia a minha in enção ao discu i os p oblemas do B asil, na Eu opa? E mais do que isso, po que discu i sob e uma aça 1 da qual não pe enço? Sob e es uda os homens num cu so de Es udos sob e as Mulhe es, conco do com Na alie Da is, que em 1976, já de endia que de e íamos nos in e essa an o pela his ó ia dos homens como das mulhe es, já que es as ca ego ias são elacionais e de inidas em e mos ecíp ocos. Con inua ela: “não de e íamos a a somen e do sexo sujei ado, assim como um his o iado de classe não pode ixa seu olha apenas sob e os camponeses” (Da is, 1976, p. 90). Sendo assim, es uda sob e as mulhe es não pode se eduzido a ala apenas sob e as mulhe es. O que p oponho nesse abalho é a adoção de uma pe spec i a mac o, sob e um g upo de homens especí ico que compõe a delicada sin onia social obse ada no B asil – e que, ob iamen e, a e a, ambém, as mulhe es. Po ou o lado, p ocu o demons a nesse abalho como o sis ema pa ia cal b anco, he e ossexual e bu guês a inge e p ejudica – ainda que em ní eis e de modos di e en es – não só as mulhe es, mas odos aqueles que não co espondem à ó mula hegemônica. No B asil, os homens neg os ep esen am o g upo com meno escola idade 2 , maio população ca ce á ia 3 e 1 O e mo “ aça” é melho abo dado no capí ulo 3. 2 4 em cada 10 jo ens neg os não e mina am o ensino médio. Folha de S. Paulo. 2019. Disponí el em: <h ps://www1. olha.uol.com.b /educacao/2019/09/4-em-cada-10-jo ens-neg os-nao- e mina am-o-ensino- medio.sh ml>. 3 Neg os ep esen am dois e ços da população ca ce á ia b asilei a. R7. 2017. Disponí el em: <h ps://no icias. 7.com/b asil/neg os- ep esen am-dois- e cos-da-populacao-ca ce a ia-b asilei a-08122017>. 8 No B asil, os homens são a esmagado a maio ia das í imas de homicídio (91, 8%) 12 , dos p esos (95%) 13 e dos usuá ios de d ogas (80%) 14 , além de se em os que mais se suicidam (76%) 15 , isso só pa a ci a algumas es a ís icas ala man es. Na cul u a pa ia cal, homens ambém ap endem que não podem cho a nem demons a sen imen os, enca ados como sinal de aqueza. De em se o es, i is, p o edo es. Há eg as a é sob e quais co es usa em suas es imen as. “Menino es e azul e menina es e osa”, disse, em pleno século XXI, a minis a Dama es Al es, esponsá el pela cadei a da Mulhe , Família e Di ei os Humanos no B asil. Como disse Sa io i (1987), à medida que o homem é ap isionado no “mundinho do macho”, paga mui o ca o pelo “pode zinho que em”. Os ônus da sociedade pa ia cal, en e an o, não a ingem odos os homens da mesma manei a. Como a i ma hooks (2004), “In pa ia chal cul u e, all males lea n a ole ha es ic s and con ines. When ace and class en e he pic u e, along wi h pa ia chy, hen black males endu e he wo s imposi ions o gende ed masculine pa ia chal iden i y” (p. xii). Ca ac e izados como exó icos, i acionais, bá ba os e inci ilizados (Mou a, 1977), os homens neg os ainda so em com os legados do colonialismo e da esc a idão no modo como i enciam a sua masculinidade. Ademais, é impo an e no a : a maio pa e das es a ís icas acima expos as sob e homicídios, enca ce amen o, d ogas e suicídio não é compos a po quaisque homens. É compos a majo i a iamen e po homens neg os. Po isso, é possí el subsc e e bell hooks (2004) quando a au o a diz que: The o ce ha endange s black male li e, is pa ia chal masculini y. [...] As an ad oca e o eminis poli ics, I ha e consis en ly called a en ion o he 12 Mulhe es são mino ia nos homicídios, mas es ão mais ulne á eis em casa. Exame. 2019. Disponí el em: <h ps://exame.com/b asil/mulhe es-sao-mino ia-nos-homicidios-mas-es ao-mais- ulne a eis-em-casa/>. 13 Núme o de p esos no B asil chega a 755 mil, segundo Minis é io da Jus iça. Jo nal O Globo. 2020. Disponí el em: <h ps://oglobo.globo.com/b asil/nume o-de-p esos-no-b asil-chega-755-mil-segundo-minis e io-da-jus ica-1- 24359167>. 14 B asil em 370 mil usuá ios egula es de c ack nas capi ais, apon a Fioc uz. G1. 2013. Disponí el em: <h p://g1.globo.com/ciencia-e-saude/no icia/2013/09/b asil- em-370-mil-usua ios- egula es-de-c ack-nas- capi ais-apon a- ioc uz.h ml>. 15 Homens ep esen am 76% dos suicidas do B asil, e ela ela ó io da OMS. Gaze a do Po o. 2019. Disponí el em: <h ps://www.gaze adopo o.com.b / i e -bem/saude-e-bem-es a /homens- ep esen am-76-dos-suicidas-do- b asil- e ela- ela o io-da-oms/>. 9 need o men o c i ique pa ia chy and in ol e hemsel es in shaping eminis mo emen and add essing male libe a ion (p. xi ). Assim como o acismo não é um p oblema de pessoas neg as, e cada ez mais pessoas b ancas es ão sendo chamadas a assumi a sua esponsabilidade na lu a an i acis a, o eminismo não pode se is o como uma lu a sepa a is a que diz espei o somen e às mulhe es. Como diz o í ulo de um li o de bell hooks publicado em 2000, o eminismo é pa a odo mundo. A inal, o mo imen o eminis a não pode se is o como um mo imen o à pa e: ele “se á an i acis a ou não se á”, já dizia Angela Da is. 16 Um dos p incipais ganhos que o concei o de gêne o ouxe, como a i ma Cos a (1998), “ oi a negação epis emológica de qualque ipo de essência à mulhe ”, e, “mais que udo, o gêne o nos pe mi iu eo iza com mais des eza as complexas e luídas elações e ecnologias de pode ” (p. 134). Essa c í ica a qualque essencialismo eminino le ou o mo imen o a en ende que o “se mulhe ” e o “se homem” é subje i o. Ca ac e ís icas como aça e classe in luenciam nas expe iências i idas pelas mulhe es e pelos homens, assim como nas op essões en en adas. Po isso, não podemos dize que exis a, na a ualidade, um só eminismo, mas á ios (Neg ão, 2002). Os eminismos a uais assumem, en ão, uma eição “plu al, ansnacional, p o undamen e implicada nos mo imen os e luxos de pessoas e nas edes de sabe es e p á icas cons uídas como o mas de esis ência” (Schmid & Macedo, 2019, p. 1), den e eles, o eminismo neg o, que, es abelecido em sociedades mul i aciais, plu icul u ais e acis as como o B asil, “ em como p incipal eixo a iculado o acismo e seu impac o sob e as elações de gêne o, uma ez que ele de e mina a p óp ia hie a quia de gêne o em nossas sociedades” (Ca nei o, 2003, p. 2). O eminismo neg o ai na con amão da hie a quização do sabe do mo imen o eminis a. De o igem p edominan emen e eu ocên ica, b anca, he e ossexual e bu guesa, o mo imen o começou a ecebe c í icas (hooks, 2000a; Mohan y, 2003; Shoha , 1998) po não con empla as especi icidades de ou as mulhe es e não le a em conside ação, po exemplo, ca ac e ís icas como aça, classe e a elação colonial em suas análises. Assim, essas eminis as e u a am a ideia de uma supos a neu alidade epis emológica ao mesmo empo em que apela am pa a que as ozes que o am esquecidas pelo mo imen o eminis a hegemônico começassem a se ou idas. 16 Tí ulo de uma con e ência da au o a. 10 Nesse con ex o, é ex emamen e impo an e o concei o de in e seccionalidade, que su ge como uma e amen a de análise das condições pa icula es das mulhe es e acolhimen o das suas e idências empí icas. O concei o oi cunhado po Kimbe lé C enshaw em 1989, mas as ideias sob e as in e seções e sob eposições das op essões já inham se desen ol endo ao longo dos anos 1980 com as ob as de Angela Da is 17 e Lélia Gonzalez 18 . De aco do com Ako i ene (2018): A in e seccionalidade isa da ins umen alidade eó ico-me odológica à insepa abilidade es u u al do acismo, capi alismo e cishe e opa ia cado - p odu o es de a enidas iden i á ias onde mulhe es neg as são epe idas ezes a ingidas pelo c uzamen o e sob eposição de gêne o, aça e classe, mode nos apa a os coloniais. [...] Do meu pon o de is a, é impe a i o aos a i ismos, incluindo o eó ico, concebe a exis ência duma ma iz colonial mode na cujas elações de pode são imb icadas em múl iplas es u u as dinâmicas, sendo odas me ecedo as de a enção polí ica (p. 14). A in e seccionalidade, en ão, ai conside a as epis emologias di e sas, azendo uma c í ica à ca ego ia uni e sal de mulhe , sem, en e an o, hie a quiza op essões. O concei o se apoia jus amen e na ideia de que é impossí el en ende mos os p ocessos de dominação e de esis ência das mulhe es sem le a mos em conside ação o modo pelo qual aça, classe e gêne o se in e ligam e agem pa a que o s a us quo seja man ido. A análise des a complexa dinâmica en e gêne o, classe e aça nos az pe cebe como a assunção de uma dico omia en e homens pode osos e mulhe es op imidas é simplis a e “não consegue explica o pode das mulhe es b ancas sob e as mulhe es neg as e os homens neg os” (Kilomba, 2019, p.55). Quando obse amos os dados sob e endimen os no me cado de abalho no B asil, po exemplo, pe cebemos que as di e enças elacionadas à aça são maio es do que as elacionadas ao sexo: as mulhe es b ancas possuem um endimen o médio 70% supe io ao das mulhe es neg as e 33% supe io ao dos homens neg os. 19 O concei o de in e seccionalidade de inido po C enshaw (2005), po an o, de ine que “as disc iminações de aça e de gêne o não são enômenos mu uamen e excluden es, p opõe um modelo p o isó io pa a a iden i icação das á ias o mas de subo dinação que e le em os e ei os 17 Da is (1981). 18 Gonzalez In: Rios & Ra s (2016). 19 Desigualdades sociais po Co ou Raça no B asil. Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica. 2019. Disponí el em: <h ps://biblio eca.ibge.go .b / isualizacao/li os/li 101681_in o ma i o.pd >. 11 in e a i os das disc iminações de aça e de gêne o” (p. 71). Dessa o ma, de aco do com Sueli Ca nei o (2003), esse olha in e seccional, “ao in eg a em si an a as adições de lu a do mo imen o neg o como a adição de lu a do mo imen o de mulhe es” (p. 2), p omo e a sín ese dessas duas lu as, eneg ecendo o eminismo e eminizando as p opos as e ei indicações do mo imen o neg o. 12 2. Masculinidades hegemônicas e ma ginalizadas Os es udos “sob e os homens” são ino ado es po que de inem o obje o de pesquisa de o ma cla a. Se, po an o, an e io men e as expe iências dos homens e am omadas como gené icas e neu as, - p e endendo uma p odução de conhecimen o uni e sal - a pa i da década de 70 o homem passa a se es udado não mais como uma ca ego ia na u al e balizado a, mas como uma cons ução social que a ia cul u almen e e muda no deco e da his ó ia. Nas décadas de 80 e 90, discussões sob e os homens e suas espec i as masculinidades 20 , ou seja, “a place in gende ela ions, he p ac ices h ough which men and women engage ha place in gende , and he e ec s o hese p ac ices in bodily expe ience, pe sonali y and cul u e” (Connell, 2005, p. 71), c esceu e iginosamen e no espaço acadêmico e nos es udos eminis as e/ou de gêne o. Esses es udos incluíam análises sob e as elações dos homens com os locais de abalho e as escolas (Cockbu n, 1983; Hewa d, 1998), espo es (Messne & Sabo, 1990), iolência (Kau man, 2001) e pa e nidade (Ola a ía, 2001). Mui os des es es udos oca am as suas c í icas no que as eminis as chamam de pa ia cado – o pode e o p i ilégio masculino que os homens de êm sob e as mulhe es. Essa isão, con udo, começou a se ques ionada, pois ap esen a a um “homem ípico”, que pudesse ep esen a odos os homens. Como Liddle (1989) coloca, esse en oque eó ico no “homem ípico” le a a um “modelo de agência masculina que é, na melho das hipó eses, uni-dimensional” (p. 762, adução li e). A eo ia do pa ia cado como sendo a causa da op essão das mulhe es se ap esen a a como uni e sal, “as mo e o less un elie ed illainy and all men as agen s o he pa ia chy in mo e o less he same deg ee” (Ca igan, Connell & Lee, 1987, p.140). Essa isão, en e an o, se mos ou incomple a 21 , pois não conside a a aspec os como aça, classe e o ien ação sexual, igno ando que nem odos os homens se bene icia am da mesma manei a do sis ema pa ia cal. 20 Em algumas ci cuns âncias, pessoas com co pos emininos ambém podem exe ce a masculinidade, assim como os co pos di os masculinos podem inco po a eminilidades. Ve mais em: Halbe s am, 1998. 21 O a o de a eo ia se lida como incomple a, en e an o, não a deslegi ima comple amen e nem que dize que não seja ú il em ce as ca ego ias de análise. Connell (2000) ap esen a, po exemplo, o concei o de di idendo pa ia cal, onde a gumen a que odos os homens ecebem, em maio ou meno g au, an agens po pe ence em à classe de gêne o dominan e. Toda ia, nem odos os homens são igualmen e bene iciados e nem odas as mulhe es igualmen e op imidas, como imos an e io men e com o concei o de in e seccionalidade. 13 Nesse con ex o, su ge a ob a da socióloga aus aliana Raewyn Connell, Masculini ies, publicada pela p imei a ez em 1995. O li o, jun amen e do seu ino ado concei o de masculinidade hegemônica, po encializa 22 os es udos sob e as masculinidades e p opõe a exis ência de masculinidades, no plu al, demons ando, po exemplo, como alguns homens, mesmo pe encendo ao gêne o dominan e, expe imen am ma ginalização e subjugação den o desse sis ema impe ialis a, sup emacis a b anco, capi alis a e pa ia cal 23 . Connell (2000) ai chama a a enção pa a o a o de que, den o das elações de gêne o, exis em hie a quias an o en e homens e mulhe es, como en e os p óp ios homens. A au o a ai suge i , en ão, que, cul u almen e, algumas o mas de masculinidades são mais ele adas e alo izadas do que ou as, e que esse modelo jus i ica ia a dominação desses homens sob e as mulhe es e sob e alguns dos p óp ios homens. O modelo da socióloga ai inclui , basicamen e, qua o ca ego ias, que se elacionam 24 en e si. São elas a masculinidade hegemônica, a cúmplice, a subo dinada e a ma ginalizada. A masculinidade hegemônica é aquela que se ap esen a como no ma i a, ou seja, ela “inco po a a o ma mais hon ada de se um homem, ela exige que odos os ou os homens se posicionem em elação a ela e legi ima ideologicamen e a subo dinação global das mulhe es aos homens” (Connell & Messe schmid , 2013, p. 245). É p eciso escla ece ainda que, embo a essa o ma de masculinidade seja a espe ada de odos os homens, poucos conseguem e i e em con o midade a es as expec a i as (Messe schmid , 2000). Na segunda ca ego ia, chamada masculinidade cúmplice, es ão os homens que acei am e pa icipam do sis ema da masculinidade hegemônica, mas não se enquad am no modelo de “homem ideal”, ou po que não são icos o su icien e, ou o es o su icien e, ou i is o su icien e, 22 É impo an e no a que mui as eminis as neg as como Michelle Wallace (1978) e bell hooks (1989) já analisa am as di iculdades que os homens neg os en en a am pa a assumi o modelo ideal de masculinidade. O concei o de Connell, en e an o, nos pe mi iu uma análise mais comple a sob e as múl iplas o mas de masculinidade. 23 T adução li e da exp essão que bell hooks emp ega la gamen e no seu li o We Real Cool: Black Men and Masculini y (2004). 24 O concei o de masculinidade ambém se elaciona com o de eminilidade, como numa in e dependência. A i ma Connell (2000, p. 40) que: “Masculini ies and eminini ies a e p oduced oge he in he p ocess ha cons i u es a gende o de ”. E ainda: “We mus emembe ha gende is ela ional, ha women a e as much in ol ed in he o ma ion o masculini ies as men a e” (Connell, 2005, p. 27). 14 po exemplo. Como a i ma Kimmell (1998), o “homem ideal” se ia b anco, ociden al, de classe dominan e, p o edo , he e ossexual, o e e i il. A masculinidade subo dinada é ese ada pa a os homens que não cump em com os papéis adequados di os masculinos den o da sociedade. Em Masculini ies (1995), Connell diz que o exemplo mais comum desse ipo de masculinidade são os homens homossexuais, equen emen e is os como in e io es, disc iminados economicamen e e sujei os a c imes de ódio e ou as iolências. As ês p imei as masculinidades, hegemônica, cúmplice e subo dinada, dizem espei o às elações in e nas à o dem de gêne o. Quando aspec os como classe e aça, en e an o, en am em cena, no os elacionamen os en e as masculinidades são c iados. Num con ex o de sup emacia b anca, como é o caso do B asil, as masculinidades neg as “play symbolic oles o whi e gende cons uc ion” (Connell, 2005, p. 80). Isso po que, pa a que uma o ma de masculinidade seja alo izada, é necessá io que ela seja cons uída em oposição a ou as, cons uídas como in e io es, de ici á ias e alhas. Baldwin (1963) a i ma que a masculinidade do homem b anco depende da negação da masculinidade do homem neg o. É p eciso no a , ambém, que o modelo das masculinidades de Connell (2005) é con ex ual, ou seja, é possí el exe ce a masculinidade hegemônica num momen o e a subo dinada e/ou ma ginalizada em ou o, a depende da si uação em ques ão. Po isso é impo an e pe cebe que a masculinidade ma ginalizada, assim como odas as ou as ca ego ias de masculinidades, não ep esen a um ca á e ixo, mas é c iada de ido a ce as con igu ações de p á ica em a anjos socie á ios especí icos. Ou a ca ac e ís ica signi ica i a elacionada à masculinidade ma ginalizada, ainda de aco do com Connell (2005), é a necessidade de au o ização da classe dominan e pa a que a hegemonia possa se exe cida. Vamos u iliza o exemplo de um jogado de u ebol bem-sucedido: o a o de es e homem neg o especi icamen e pode se usado como exemplo de masculinidade hegemônica (numa o ma de okenismo) não es ende a au o idade social pa a o es o do g upo de homens neg os - a ama e o p es ígio são gozados indi idualmen e. Vá ios au o es (Ra ele, 2013; Segal, 2007) quali icam a masculinidade neg a na ca ego ia das masculinidades subo dinadas ou subal e nas, incluindo au o es b asilei os (Rosa, 2006; Souza, 2017) que a am do ema. Nes e abalho, op ou-se po u iliza a ca ego ia p opos a po Connell 15 (2005), que en ende masculinidade ma ginalizada como algo que dependa de ca ac e ís icas que ão além da pe o mance de gêne o, como a aça. O segundo mo i o pelo qual escolho abalha com a ca ego ia de ma ginalização é a ligação des e concei o com ou o, o de p i ilégio – e que se e ela ins umen al em e mos da análise elabo ada nes e abalho. Assim, se ma ginalização desc e e “ he posi ion o indi iduals, g oups o popula ions ou side o ‘mains eam socie y’, li ing a he ma gins o hose in he cen e o powe , o cul u al dominance and economical and social wel a e” (Schi e and Scha z, 2008, p. 6), p i ilégio pode se en endido como: “sys ema ically con e ed ad an ages indi iduals enjoy by i ue o hei membe ship in dominan g oups wi h access o esou ces and ins i u ional powe ha a e beyond he common ad an ages o ma ginalised ci izens” (Bailey, 1998, p. 109). Pe cebemos, po an o, que a discussão sob e ma ginalização es á elacionada, ambém, à al a de acesso às opo unidades socioeconômicas. No caso em es udo, é a a és do acismo, que nas pala as de Ca los Moo e (2011), “aba ca oda a sociedade e se man ém g aças a di e sos mecanismos de exclusão da aça subal e nada, que se ê a ligida com odos os índices de uma in e io idade conc e a em odos os domínios” (p. 2), que, de o ma sis êmica, as classes dominan es êm ma ginalizando, moldando e u ilizando a masculinidade neg a como ideologia e ins umen o de con ole social desde os p imei os con a os dos eu opeus com os a icanos, no século XVI – ainda que não sem esis ência e ein enções po pa e dos homens neg os. En ão, é p eciso assinala que, ao aze a eo ia da masculinidade hegemônica de Connell (2005), a in enção não é concebe os homens neg os como uma ca ego ia homogênea ap isionada numa posição subal e na, e, sim, auxilia , a a és dessa len e eó ica, uma melho análise que, como suge e Ribei o (2015), “busque a ensão en e agência e con ole social, p i ilégio e subo dinação, possibilidades e limi es” (p. 69). 2.1 Raça e Racismo Despon ada no século XVIII, a noção de aça oi cons uída sob e as di e enças eno ípicas como a co da pele e ou as ca ac e ís icas mo ológicas, e inha como obje i o, no p incípio, apenas ag upa os indi íduos com pa imônios gené icos semelhan es em ca ego ias. O p oblema oi que es a classi icação acabou culminando numa eo ia pseudocien í ica que a i ma a ha e uma elação in ínseca en e co da pele/ca ac e ís icas mo ológicas e qualidades 16 mo ais, psicológicas, in elec uais e cul u ais e hie a quiza a, numa escala de alo es, as chamadas “ aças” humanas (Munanga, 2004). De e minados a encon a co elação en e ca ac e ís icas ísicas e aços psicológicos (além de p o a sua supe io idade) cien is as eu opeus começa am a disseca o co po do a icano e a medi sua in eligência e capacidade. Essas eo ias aciais a i ma am, po exemplo, que o cé eb o maio do homem b anco signi ica a que ele e a supe io in elec ualmen e; já o pênis maio do neg o e le ia sua in e io idade in elec ual e sel age ia ina a (F iedman, 2002). Munanga (2004) a i ma que é des a c ença de que ca ac e ís icas in elec uais e mo ais são consequências di e as de suas ca ac e ís icas ísicas e biológicas que nasce o acismo, e que, apesa de se esconde a ás da másca a cien í ica, essas eo ias aciais possuíam ca á e “mais dou iná io do que cien í ico, pois seu discu so se iu mais pa a jus i ica e legi ima os sis emas de dominação acial do que como explicação da a iabilidade humana” (p. 5). En e an o, o concei o de aça é ainda ele an e enquan o ma é ia de es udo e análise, uma ez que ainda que não exis a enquan o exp essão biológica, mui os dos es e eó ipos associados a uma ou ou a “ aça” in adi am o imaginá io cole i o e são p esen es a é hoje. Além disso, a aça con inua a exis i enquan o “exp essão social e his ó ica, que modela o uncionamen o e os modos de pensa das sociedades humanas” (Moo e, 2011, p. 4). Pa a complemen a a análise de aça é in e essan e u iliza a eo ia de p ojeção da psicanálise aplicada ao concei o de aça. De aco do com es a eo ia, a des alo ização da “ aça neg a” se ia ambém um mecanismo de de esa do ego do sujei o de “ aça b anca”, onde as pa es dissociadas da psique são p oje adas pa a o ex e io , cons i uindo o Ou o enquan o an agonis a do Eu. Dessa o ma, aços, impulsos ou ideias indesejá eis são a ibuídos a ou o e o p oje o e i a o que é conside ado desag adá el na imagem que o ma de si, ou seja, pe mi e que o sujei o igno e as p óp ias alhas (Pam, 2013). Ainda nes a linha, pode emos conside a como “o enó ipo é a manei a mais di e a e segu a pa a os indi íduos aça em uma linha di isó ia en e si, po se o que expõe as di e enças isí eis a olho nu e a dis ância” (Moo e, 2011, p. 11). Po conseguin e, é sob e o co po neg o que o sujei o b anco p oje a udo aquilo que eme admi i sob e si mesmo, p ese ando os sen imen os bons em elação ao seu Eu e ex e nando udo aquilo que conside a uim no Ou o. De aco do com Kilomba (2019): 17 No mundo concep ual b anco, o sujei o neg o é iden i icado como o objec o «mau», que pe soni ica odos os aspec os que a sociedade b anca ep imiu ou o nou abu, ou seja, a ag essi idade e a sexualidade. Acabamos assim po coincidi com o que é ameaçado , pe igoso, iolen o, ib an e, empolgan e, e ambém o que é sujo mas desejá el, e isso dá à b anqui ude a possibilidade de ela p óp ia se pe cebe como mo almen e ideal, decen e, ci ilizada e majes osamen e gene osa, em pleno con olo e sem a ansiedade p o ocada pela sua his o icidade (p. 35, g i os da au o a). É possí el no a semelhanças do concei o de p ojeção da psicanálise com a eo ia da masculinidade hegemônica de Connell (2005) que imos an e io men e: o que se conside a mau ou não-condizen e com as ca ac e ís icas do homem hegemônico (leia-se: b anco) é p oje ado no ou o (neg o). Bhabha (1994), da mesma o ma, apon a pa a a impo ância da in e ação en e “al e idade” e “di e ença” na cons ução dos discu sos coloniais. Como suge e Moo e (2011), “a di e ença su ge como um a o social somen e po que ela se eme e ao elacional” (p. 14). Assim é nesse jogo de compa ações, p e e ências e de e minações que o Ou o ai se de e minado, possi elmen e sob uma ó ica des a o á el. Ainda segundo o au o , es e Ou o, na pio das hipó eses, “ i a um i edu í el inimigo ou de um e e no in e io , caso em que se o na obje o da explo ação o al, disc iminação e oz e a é mesmo de ex e mínio (que po aniquilamen o ísico que po liquidação gené ica po assimilação)” (Moo e, 2011, p. 14) – e é exa amen e isso que e emos acon ece no B asil. Pa i emos, en ão, da hipó ese de Moo e (2011) de que o acismo, num p imei o momen o, “su giu his o icamen e como uma o ma de consciência socialmen e es u u an e” que isa a uma “iden i icação en e se es humanos” (p. 5). Foi depois que, de aco do com o au o , es a lógica e ia se con e ido paula inamen e em um a anjo sis êmico coe en e e e icaz, des inado a cump i um único obje i o: es u u a o conjun o das elações sociais, polí icas e in e pessoais en e g upos humanos eno ipicamen e di e enciados, mas ob igados a con i e de o ma assimé ica na mesma sociedade; a sabe , em si uações de iniquidade em odos os aspec os. O acismo se ia uma o dem sis êmica de g ande p o undidade his ó ica e de ampla cobe u a geog á ica, que se e ia desen ol ido, undamen almen e, com o obje i o de ga an i a sepa ação au omá ica de um de e minado segmen o humano do usu u o de seus p óp ios ecu sos. [...] Sua unção cen al, desde o início, se ia egula os modos de acesso aos ecu sos da sociedade de o ma acialmen e sele i a, de aco do com o e e ido “ enó ipo/ aça” (p. 13-14, g i os do au o ). 24 modo, que a sociedade se o ne indi e en e ao modo com que de e minados g upos aciais de êm p i ilégios (p. 57). É es a no malização que ai pe mi i que a cada in e e ês minu os um jo em neg o seja assassinado no B asil 28 sem que isso cause nenhum choque; que os homens neg os ep esen em 2/3 da população ca ce á ia masculina e isso seja is o como no mal; que es ejam, com as mulhe es neg as, compondo os pio es índices de indicado es sociais do país, con inados à pob eza e às ma gens, e que es es sejam enca ados como “seus luga es ap op iados”. As consequências des e conjun o es a al de omissão do Es ado quando de e ia agi e op essão quando de e ia p o ege e inclui , dão segmen o ao p oje o eugenis a iniciado no século XIX, onde a pob eza, o genocídio e o enca ce amen o con ibuem pa a ea o c escimen o populacional neg o b asilei o – endo o homem neg o como o seu p incipal inimigo. 28 ‘A cada 23 minu os, um jo em neg o mo e no B asil’ diz ONU ao lança campanha con a iolência. G1. 2017. Disponí el em: <h ps://g1.globo.com/dis i o- ede al/no icia/a-cada-23-minu os-um-jo em-neg o-mo e-no- b asil-diz-onu-ao-lanca -campanha-con a- iolencia.gh ml>. 25 3. O acismo no me cado de abalho b asilei o O icialmen e, a esc a idão oi abolida em 1888, mas a abolição não signi icou, pa a os neg os, igualdade de di ei os e opo unidades (Gomes, 2019). Não i e am acessos a e as, bons emp egos, mo adias decen es, educação, assis ência de saúde. Também não se no ou “qualque p o idência legal, com is as à in eg ação dos no os cidadãos” (P uden e, 1988, p. 141). Tendo em is a que o neg o não dispunha de posse alguma - já que udo o que ha ia p oduzido ao longo dos 358 anos de esc a idão inha sido ap op iado pelo senho - como espe a que ele esis isse a ais conjun u as? Abdias do Nascimen o (1978) é ca egó ico e chama o a o “libe ado ” da Lei Áu ea, nes as condições, de “legalizado assassínio cole i o”. O au o con inua: “a i ando os a icanos e seus descenden es pa a o a da sociedade, a abolição exone ou de esponsabilidades os senho es, o Es ado e a Ig eja. Tudo cessou, ex inguiu-se odo o humanismo, qualque ges o de solida iedade ou de jus iça social: o a icano e seus descenden es que sob e i essem como pudessem” (p. 65). Dian e da iné cia do pode público, sob ou aos ex-esc a izados a opção de ende sua o ça de abalho pa a en a sob e i e . Con udo, a inse ção dos neg os no me cado de abalho li e não se deu de o ma ácil: as polí icas imig a ó ias que o am implemen adas pa a esol e o “p oblema neg o”, como imos an e io men e, despejou uma enxu ada de imig an es b ancos eu opeus no B asil. Conside ando que os imig an es e am mui os e en endidos como mais bem- quali icados do que os neg os, “o libe o saiu de o ado na compe ição ocupacional e econômica, passando a se is o como agabundo e inú il” (Aze edo, 1987, p. 24) e enca ado como incapaz de “con ibui pa a o sis ema de li e inicia i a po insu iciência in elec ual, incapacidade écnica ou debilidade mo al” (Sil a, 2013, p. 96). É impo an e no a que, de aco do com Hasenbalg (2005), os imig an es ambém não possuíam quali icação p o issional, mas o p econcei o di undia a ideia de que o abalhado neg o inha meno capacidade do que o b anco. Ca doso (2010) a i ma que o neg o e a is o como “p eguiçoso, não con iá el e p i ado de men alidade mode na” (p. 62), enquan o o imig an e e a apon ado como “disciplinado, esponsá el, ené gico, in eligen e, en im, acional” (Aze edo, 1987, p. 154). Como podemos pe cebe , oi ins i uído um modelo de hie a quização acial, que enca a o neg o como “des i uído de quase odo alo ou papel posi i o” (Sil a, 2013, p. 96). 26 A população neg a, oi, en ão, empu ada pa a ocupações subal e nas e des alo izadas, concen ando-se no subemp ego e na ma ginalidade. Só que, enquan o as mulhe es neg as o am abalha como la adei as, qui u ei as e emp egadas domés icas (num con ex o de supe explo ação), os homens neg os possuíam mui o mais di iculdade pa a se coloca no me cado de abalho, já que a é os emp egos mais baixos na escala social e am ocupados pelos imig an es. Como a i ma Elisa Nascimen o (2007): “S igma ized no only as degene a e and unquali ied bu also as dange ous and diso de ly, black men we e excluded om he new indus ial labo ma ke ” (p. 53). Bas ide & Fe nandes (1959) sus en am que: “O p econcei o de co , cuja unção e a jus i ica o abalho se il do a icano, ai se i ago a pa a jus i ica uma sociedade de classes, mas nem po isso ão a ia os es e eó ipos an igos; muda ão apenas de inalidade” (p. 13). O “p econcei o de co ”, po an o, con inua o au o , ai se o na “um ins umen o na lu a econômica, a im de pe mi i a dominação mais e icaz de um g upo sob e o ou o” (p. 191). Cons a amos, en ão, que a esc a idão dispunha as pessoas de o ma hie á quica, e a libe ação deu con inuidade a es e modelo, baseando-se na aça pa a de ini a posição do indi íduo den o da es u u a de classes. Des a o ma, podemos conclui que “a ansição do abalho esc a o pa a o abalho li e oi ei a ia in e enção di e a e decisi a do Es ado e sob inspi ação da ideologia acis a que en ão se consolida a” (Theodo o, 2008, p. 37) Toda es a ealidade disc imina ó ia, en e an o, é dissimulada pelo mi o da “democ acia acial”, onde as eli es dominan es eiculam a ideia de não ha e acismo no B asil, onde as ês aças con i em, supos amen e, em pe ei a ha monia, a inal de con as, “somos odos mis u ados”. Ainda de aco do com es a na a i a, odos nascem iguais em opo unidades e são “li es” pa a ende sua o ça de abalho, is o que não há mecanismos legais que impeçam a ascensão social de ninguém. Assim, se po um lado o acismo egula “os modos de acesso aos ecu sos da sociedade de manei a acialmen e sele i a em unção do enó ipo” e, “no in e io de uma sociedade mul i acial e miscigenada”, se e ao “p opósi o de p ese a o monopólio sob e os ecu sos do segmen o eno ípico dominan e” (Moo e, 2011, p. 14), po ou o, se nega a si mesmo, p e endendo não exis i , sob o mi o da “democ acia acial”. Fica cla o que es e mi o é ex emamen e ú il pa a di icul a o en en amen o do acismo no B asil. Como lu a con a algo que não se sabe que exis e? As es a ís icas, no en an o, não deixam 27 dú idas do abismo social en e neg os e b ancos no país - o ex o de Roge Bas ide e Flo es an Fe nandes, expos o acima e esc i o há mais de 60 anos a ás, con inua, in elizmen e, a ilus a a ealidade acial b asilei a, como e emos a segui . O e a o a ual do me cado de abalho b asilei o comp o a que os neg os con inuam em la ga des an agem. Não só o pon o de pa ida dos a o-b asilei os é des an ajoso po con a da he ança malquis a do passado, como é possí el pe cebe a disc iminação acial agindo com e iciência, ainda que, po ezes, de o ma su il: ocul ado po a o es apa en emen e obje i os, de i ados de no as e adicionais exigências p odu i as, elhas ques ões pe manecem: os indi íduos neg os es ão sujei os mais ao desemp ego, pe manecem mais empo nes a si uação e, quando em abalho, lhe são ese ados pos os de abalho de meno qualidade, s a us e emune ação (DIEESE, 2001, pp. 127-128). Pa a comp o a is o, obse a emos as es a ís icas do Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica (IBGE). 29 Num país em que 53,2% da população se au odecla a p e a ou pa da 30 e 45,8% b anca, a seg egação acial do me cado de abalho é o p imei o a o impo an e: o p imei o g upo ep esen a 60,8% dos abalhado es na Ag opecuá ia, 62,6% na Cons ução Ci il e 65,1% nos Se iços Domés icos – es a úl ima sendo compos a exp essi amen e po mulhe es neg as. Os neg os, po an o, con inuam sendo a maio ia nos abalhos b açais, como na época da esc a idão (ainda hoje pe sis e a ideia de que são “ o es” e “ obus os”, po isso aguen am e o am ei os pa a isso). Es as a i idades são, p ecisamen e, as que possuem o meno endimen o médio do país, o que ce amen e con ibui pa a o ma ou a es a ís ica signi ica i a da desigualdade: os b ancos ganham, em média, 73,9% a mais do que os p e os e pa dos. 29 Fo am u ilizados os dados e e en es ao ano de 2019. As es a ís icas u ilizadas nes e capí ulo podem se con e idas em: IBGE, Coo denação de População e Indicado es Sociais. (2019). Sín ese de Indicado es Sociais: uma análise das condições de ida da população b asilei a. Rio de Janei o: IBGE. e IBGE, Di e o ia de Pesquisas, Coo denação de T abalho e Rendimen o, Pesquisa Nacional po Amos a de Domicílios Con ínua. (2019). 30 O e mo “pa do” é u ilizado pelo IBGE pa a con igu a um dos cinco g upos de "co ou aça" que o am de inidos pa a ca ego iza a população b asilei a, jun o com b ancos, p e os, ama elos e indígenas. Pa do e e e-se à miscigenação de o igem p e a ou indígena com qualque ou a co e aça, e é um e mo que causa bas an e disco dância en e os pesquisado es. En e an o, desde o P og ama Nacional de Di ei os Humanos (PNDH), c iado em 1996, o IBGE aglu ina p e os e pa dos na ca ego ia neg o. Ve em: Telles (2003). 28 Um dos mo i os que explica es e cená io se elaciona com o ní el de escola idade: en e as pessoas de 15 anos ou mais de co b anca, 4,0% são anal abe as, enquan o que en e as de co p e a ou pa da a axa é de 9,3%. Quando alamos do ensino básico, 47,4% da o alidade das pessoas p e as e pa das não o concluí am, con a 33,6% das b ancas. Po ou o lado, apenas 9,3% das pessoas p e as e pa das possuem ensino supe io , con a 22,9% das pessoas b ancas. A di e ença de escola ização explica pa e do p oblema, mas não odo ele. Quando analisamos pessoas p e as e pa das e b ancas com o mesmo g au de ins ução, a desigualdade nos endimen os segundo co ou aça se man ém signi ica i a. Os b ancos ecebem um endimen o- ho a supe io em odos os ní eis de escola idade, sendo a di e ença maio no ní el de ins ução mais ele ado: 43,2% a mais pa a os b ancos. A axa de desocupação é, do mesmo modo, maio pa a a população p e a e pa da quando compa ada com os b ancos possuin es do mesmo g au de ins ução: 4,6% supe io . Depois des e pano ama, não é su p esa cons a a que pessoas neg as ambém se encon em sub- ep esen adas em posições de lide ança. O que chama a a enção é a dispa idade b u al com a qual isso acon ece: num país em que mais da me ade das pessoas é não-b anca, não chega a 5% o o al de pessoas neg as nos Conselhos de Adminis ação e no Quad o Execu i o das emp esas – que são os ní eis mais ele ados do quad o de pessoal. 31 Essa di e ença ai icando meno quando os ní eis hie á quicos ão diminuindo, ou seja, quan o mais ele ado o ca go, meno é a chance de uma pessoa neg a consegui alcançá-lo. Hasenbalg (2005), baseado nas ideias de Blume e Bowles, en ende que is o acon ece po que as decisões econômicas não oco em no que ele chama de “ ácuo social”, mas numa o ganização social mais ampla, que po sua ez con a com uma lógica acis a. Logo, de aco do com o au o , as decisões omadas co obo am as “p á icas ideológicas e polí icas que egulam as elações en e g upos aciais na sociedade ab angen e. [...] A aça é assim man ida como símbolo de posição subal e na na di isão hie á quica do abalho e con inua a o nece a lógica pa a con ina os memb os do g upo acial subo dinado àquilo que o código acial da sociedade de ine como seus luga es ap op iados” (p. 89-90). 31 Pe il Social, Racial e de Gêne o das 500 maio es emp esas do B asil e suas ações a i ma i as. Ins i u o E hos. 2016. Disponí el em: <h ps://www.e hos.o g.b /cedoc/pe il-social- acial-e-de-gene o-das-500-maio es- emp esas-do-b asil-e-suas-acoes-a i ma i as/>. 29 Dessa o ma, o neg o que eima em não se con en a com o “luga ap op iado” de inido pa a ele pela sociedade, é penalizado, como imos nas es a ís icas acima, onde as maio es di e enças sala iais se concen am no g upo com maio ní el de educação, além de a axa de ocupação nos pos os mais al os das emp esas se a mais desigual. 3.1 Igualdade o mal x Igualdade ma e ial É a a és do abalho que as pessoas são capazes de p opo ciona uma ida digna pa a si e pa a seus amilia es. Sendo assim, nada mais azoá el que o di ei o ao abalho componha uma pa cela indispensá el dos di ei os humanos undamen ais. A Cons i uição b asilei a de 1988 en a assegu a esses di ei os, p oibindo a di e ença de salá ios po mo i o de sexo, idade, co e es ado ci il, assim como “igual opo unidade pa a odos de se em p omo idos”. Também diz epudia o acismo, o cons i uindo como “c ime ina iançá el e imp esc i í el”. 32 Joaquim Ba bosa (2001), ex-minis o do Sup emo T ibunal Fede al, a i ma, en e an o, que a Cons i uição e as leis que p e endem e adica o acismo são alhas – si uação que podemos in e i nos baseando nas es a ís icas demons adas an e io men e. Segundo ele: Na ó bi a ju ídica in e na, além dos disposi i os cons i ucionais gené icos que p oíbem a disc iminação acial e c iminalizam ce os compo amen os disc imina ó ios, o Di ei o b asilei o se singula iza pela esd úxula es a égia de p e ende ex ingui a disc iminação acial e seus e ei os median es leis de con eúdo c iminal [...]. Ine icazes, ais leis são mui as ezes obje o de deboche po pa e de alguns ope ado es do Di ei o aos quais incumbi ia aplicá-las. Não se em no ícia de um único caso de cump imen o de pena po condenação c iminal undada nessas leis (pp. 12-13). Podemos cons a a que, no que diz espei o à igualdade no abalho, as leis esba am na di iculdade que é p o a a disc iminação. Uma pesquisa di ulgada em 2017 pela ETNUS 33 apon ou que 60% dos en e is ados a i ma am e so ido acismo no ambien e de abalho, 92% ac edi am que há disc iminação acial na con a ação de candida os e 67% possuem a pe cepção 32 BRASIL. Cons i uição da República Fede a i a do B asil de 1988. Planal o. Disponí el em: <h p://www.planal o.go .b /cci il_03/cons i uicao/cons i uicao.h m>. 33 A oconsumo: Pesquisa sob e como a odescenden es consomem o Me cado de T abalho. (2017). São Paulo: ETNUS Consul o ia e Pesquisa. 30 de que já deixa am de se con a ados po se em neg os. A pe cepção dos candida os con e e com as es a ís icas, mas como e idencia isso no ibunal? Além disso, é impo an e no a que a p omoção da igualdade não pode se o ques ada apenas na p oibição da exclusão de g upos des a o ecidos, is o que es as medidas, sozinhas, não esul am au oma icamen e em inclusão. É necessá io que es a égias p omocionais – ambém chamadas de ações a i ma i as - sejam ado adas conjun amen e, onde o obje i o é alcança mais do que a igualdade o mal, mas ambém a igualdade ma e ial. A igualdade o mal se u iliza da máxima de que “ odos são iguais pe an e a lei”, desconside ando as peculia idades de g upos menos a o ecidos, o que se mos a insu icien e (Sil a, 2017). Como disse A is ó eles: “de emos a a os iguais igualmen e e os desiguais desigualmen e, na medida de suas desigualdades” 34 . Somen e dessa o ma é possí el e e i a os di ei os humanos undamen ais e aumen a as opo unidades eais de indi íduos his o icamen e disc iminados. Um dos exemplos de ações a i ma i as no B asil é a chamada “Lei das Co as”. Sendo a educação um dos p incipais meios de con ibui pa a a inse ção no me cado de abalho e ascensão social dos indi íduos, a Lei nº 12.711/2012 é de g ande impo ância: ga an e 50% das agas em uni e sidades e ins i uições de ensino ede ais a alunos o iundos de escola pública, sendo 50% (den o desses 50%) des inados a p e os, pa dos e indígenas. A Lei das Co as é impo an e, con ibui pa a uni e saliza o acesso à educação supe io , mas, como imos, a educação não se aduz em igualdade de opo unidades no me cado de abalho. Homens b ancos con inuam a se os p e e idos an o na inse ção, quan o na p omoção o ganizacional, ocupando quase 85% dos ca gos mais al os das emp esas. Não há dú idas sob e a necessidade da con inuação e possí el expansão das leis c iminais an i acis as, assim como das ações a i ma i as. Po ou o lado, pe cebemos que o modo como o Es ado b asilei o em en ando diminui a desigualdade acial em se mos ado pouco e icaz, pois o p oblema maio do acismo, como imos, se encon a no âmbi o es u u al. 34 Essa ase oi ex aída da sua É ica a Nicômaco. (2003). T ad. Pie o Nasse i. São Paulo: Ma in Cla e . 31 3.2 Masculinidades neg as e me cado de abalho Na li e a u a eminis a, o p i ilégio econômico masculino em sido is o como a p incipal on e de pode dos homens sob e as mulhe es (Nu se, 2004). A noção do homem como o “p o edo ”, po an o, em sido cen al pa a a o dem biná ia e pa ia cal do gêne o, sendo um dos a ibu os mais alo izados da masculinidade hegemônica (Robe s & Walke , 2018): é p eciso e dinhei o, s a us e, consequen emen e, pode , pa a se um homem admi ado e espei ado, de aco do com as eg as da sociedade capi alis a a ual. Como diz Kau man (1997), “much o wha we associa e wi h masculini y is based on a man’s capaci y o exe cise powe and con ol” (p. 63). Es e papel, con udo, em sendo negado sis ema icamen e à maio ia dos homens neg os no B asil, como pudemos pe cebe an e io men e. Nas pala as de Sueli Ca nei o (1985): Enquan o a elação con encional de dominação e subo dinação social da mulhe em como complemen a idade a eleição do homem como p o edo , emos o homem neg o cas ado de al pode enquan o esc a o e pos e io men e alijado do p ocesso de indus ialização nascen e (p. 43). O homem neg o oi pos o às ma gens da sociedade capi alis a, disc iminado no me cado de abalho e impedido de assumi posições de pode . Além disso, o p ocesso de acumulação de capi al oi gende izado e acializado du an e oda a his ó ia. São homens b ancos os possuin es das maio es iquezas da humanidade – iquezas es as p oduzidas du an e a esc a idão po mulhe es e homens neg os, mas ap op iadas pelos p imei os. Como disse Fanon (1968): “a causa é conseqüência: o indi íduo é ico po que é b anco, é b anco po que é ico” (p. 29). En ão, a gumen a S aples (1982): While we ealize he economic consequences o unemploymen , he psychological ami ica ions can be mo e male olen . In a socie y whe e wo k and money is he measu e o he man, joblessness can des oy he male’s mo i a ion o li e. Because o he masculine mys ique, losing a job can cause damage o he agile male ego, esul in suicide, homicide, psychological b eakdown and amily iolence (p.142) O que o au o suge e consis e em ap esen a o homem neg o como um se desejan e da posição do pa ia ca. É necessá io, en e an o, se a en a pa a a exis ência de masculinidades al e na i as que não se cons oem necessa iamen e a pa i da masculinidade alocên ica. A inal, como a i ma hooks (2019), embo a o “ideal pa ia cal” seja a “ e são mais es imada de masculinidade” (p. 172), não é a única - exis em homens neg os que op am po es ilos de ida 32 al e na i os, ques ionam o s a us quo, se esqui am da iden idade pa ia cal e in en am a si mesmos. hooks (2004) sus en a, en ão, que “ he black men who a e mos wo ied abou cas a ion and emascula ion a e hose who ha e comple ely abso bed whi e-sup emacis pa ia chal de ini ions o masculini y” (p. 10). Po an o, ainda que o acismo e as desigualdades econômicas sejam p oblemas g a íssimos, - e que de em se exaus i amen e comba idos - não podemos nos deixa cai na a madilha de eduzi as masculinidades dos homens neg os à “inabilidade de ealiza o ideal alocên ico masculino” (hooks, 2019, p. 174), como oi a qui e ado pela hegemonia b anca. Sob e os es udos das masculinidades no B asil, as pesquisas começa am a se desen ol idas nas décadas de 1950 e 1960, com oco no machismo e em ações indi iduais, o que acabou ep esen ando um p oblema, pois con ibuiu pa a es e eo ipa a imagem do homem la ino- ame icano (Ramí ez, 2005). Ao mesmo empo, á ios es udos sob e as elações aciais e a desigualdade socioeconômica ambém despon a am. No início da década de 1950, o clássico O Neg o no Rio de Janei o, de Cos a Pin o (1952), me ece des aque pelo g ande p imei o es o ço de quan i icação da desigualdade acial. Na década de 60, pesquisado es se ol am pa a o sis ema esc a oc a a, e nele, buscam explicações pa a as dispa idades aciais. Em 1965, po exemplo, Fe nandes desen ol e um es udo em que a i ma que a disc iminação acial se ia subs i uída pela disc iminação de classe, ou seja, que o “p oblema acial” se ia uma he ança da esc a idão. Valle Sil a e Hasenbalg, po ou o lado, na década de 70, inco po am écnicas es a ís icas de ca á e explica i o na en a i a de mensu a os e ei os da disc iminação acial. Os anos 70, ma cados pelos mo imen os sociais, az com ele o in e esse pelo ema da iden idade, a exemplo de B andão (1977) e sua abo dagem sob e o abalhado neg o do se ão e a elação com o pa ão b anco. Neusa San os Souza, em 1983, esc e e To na -se neg o, explo ando as es a égias de ascensão social do sujei o acializado em concomi ância com a única possibilidade de “ o na -se gen e”. A pa i da década de 80, os es udos sob e as masculinidades inco po am as con ibuições do eminismo sob e a cons ução cul u al do gêne o, elações en e homens e mulhe es, pe spec i as de pode e sexualidade (Ad ião, 2005), e o nam as pesquisas bas an e he e ogêneas, que abo dam, den e mui os assun os, a exis ência de um duelo i il en e b ancos e neg os 33 (Res ie , 2019), a hipe ssexualização, au oes ima e elacionamen os in e - aciais (Césa , 2019), além das ansmasculinidades neg as (San ana, 2019) e a co po eidade e saúde do homem neg o (Soa es & A aújo, 2019). Osmundo Pinho, em 2014, in es iga a o mação das masculinidades neg as dos jo ens no ambien e escola na Bahia, e chega à conclusão de que a escola alha em a ingi posi i amen e os jo ens das classes baixas e p omo e qualque ipo de mobilidade social. Na mesma linha, es udos como os de Ribei o (2006) e Rocha (2015), disco em sob e as di iculdades da mobilidade social e o uni e so do neg o no mundo dos icos. Pe cebemos que a ealidade disc imina ó ia é mui o bem documen ada e explo ada, inclusi e com dados o iciais di ulgados imes almen e a a és da Pesquisa Nacional po Amos a de Domicílios Con ínua (PNAD Con ínua), que acompanha as lu uações da o ça de abalho com indicado es sepa ados po aça e gêne o. Da mesma o ma, exis em, como imos, abalhos impo an íssimos no B asil ocados em di e sos aspec os das i ências das masculinidades dos homens neg os. Na minha pesquisa, en e an o, não encon ei abalhos que abo dassem especi icamen e a elação en e me cado de abalho e masculinidades neg as como eu me p opus a aze aqui. Exis em es udos como o de B uschini (1998), que compa a a pa icipação de homens e mulhe es no me cado de abalho b asilei o, mas peca em não le a em conside ação o concei o de in e seccionalidade – quando a au o a a i ma que mulhe es são disc iminadas e homens p i ilegiados, de que mulhe es e de que homens es á alando? René Sil a (2013), po ou o lado, abo da a his ó ia dos abalhado es neg os no B asil e a desigualdade acial, esul ando em um ó imo abalho, embo a não pela ó ica das masculinidades. O abalho que mais se ap oxima a do ema das masculinidades e me cado de abalho oi o a igo de Jimenez & Le é e (2004) pa a a Uni e sidade de São Paulo, que a a dos desa ios e pe spec i as sob e desemp ego e masculinidade. É p eciso dize , po ém, que o abalho elabo ado pelos es udiosos, além de não oca especi icamen e na ques ão dos homens neg os nem no uni e so labo al de o ma ge al, acaba po ep oduzi a associação do “ideal do macho” com o papel de p o edo que hooks (2019) c i ica, quando a i ma, po exemplo, que, “pa a os homens o desemp ego, p incipalmen e quando excede dois anos, ep esen a uma up u a com pad ão de masculinidade adicional, sendo um aumen o de isco pa a o aumen o do consumo de álcool, ciga o e ou as d ogas” (p. 230), que su gi iam como “al e na i as pa a a e omada de um luga 40 localizada como uma mulhe b anca p i ilegiada – e disso não posso ugi . Como a i ma Weng a (2001), quando se assume o papel de pesquisado , “you do no lea e behind you anxie ies, you hopes, you blindspo s, you p ejudices, you class, ace o gende , you loca ion in global social s uc u e, you age and his o ical posi ions, you emo ions, you pas and you sense o possible u u es when you se up an in e iew” (p. 5). Po an o, an o a en e is a ealizada, quan o a análise e os pos e io es esul ados ob idos, se ão in luenciados pelo modo como expe encio o mundo – sendo es e modo bem di e en e de como os homens neg os o expe enciam. Como escla eceu G ada Kilomba (2019), as pessoas neg as expe imen am a ealidade de o ma di e en e das b ancas de ido ao acismo, e po isso, os emas, pa adigmas e me odologias escolhidos pa a in e p e a a ealidade ambém di e em. Além disso, expe encio o mundo num co po lido como eminino, que ob iamen e me az enxe ga a ealidade de o ma di e en e de um co po de inido socialmen e como masculino. É nes e delicado en elaçado in e seccional de pode , po an o, que esse abalho se á ealizado. A conclusão e iden e de que minha esc i a é pa cial, po ém, não a in iabiliza – odas são. Meu obje i o, en ão, é deixa cla o que as conclusões u u amen e ap esen adas pa em de uma mulhe b anca, la ino-ame icana, es udan e em Po ugal, sob e os homens neg os mo ado es da cidade do Rio de Janei o, e que não p e endem de nenhum modo se lidas enquan o e dades uni e sais, mas como uma ação ín ima das in ini as possí eis in ep e ações dos a os sociais. 41 5. Visões sob e o homem neg o e o me cado de abalho 5.1 Es e eó ipos Os es e eó ipos, assim como os p econcei os, desempenham, na á ea do abalho, uma impo an e unção: man e a ideologia da classe dominan e, jus i icando as di e enças de a amen o (Ben o, 2002). A mídia con ibui eno memen e pa a a cons ução des es es e eó ipos, cons uindo imagens e, pos e io men e, in luenciando a ação da sociedade. No caso do homem neg o, na a i as nacionais são insc i as em seu co po isando con ole e obje i icação, con ibuindo pa a mina sua indi idualidade e au ode e minação. Tais na a i as, eple as de ep esen ações sociais, o am pon uadas di e sas ezes pelos en e is ados: Pesquisado a: O que dizem sob e os homens neg os na cul u a b asilei a? Aldemi o: Quando escapa de se bandido, ou pagodei o, ou jogado de u ebol, ou não az nada... po que em mui o essa igu a ambém do homem neg o “en olão”, sabe? Que a esposa é quem ai man endo a casa e ele az á ios nadas, como se... quando acon ece uma si uação dessa, o que e a a é ele azendo á ios nada, mas é um homem neg o que az di e sos bicos e di e sos abalhos que se ocê pa a p a analisa , se esse pe sonagem é inspi ado em algo eal, é um ca a que á en ando mui o e um abalho e não consegue po não e um encaixe, seja po al a da educação básica que não oi o necida de o ma co e a pelo Es ado, seja po uma ba ei a do acismo a apalhando que ele consiga um abalho. Mas a igu a que se imp ime é do ca a que não que nada, do ca a que que só dei a e ola , do ca a que que can a um mon e, que aze isso, que aze aquilo, que é espe o. Eu acho que é mui o isso e... semp e mui o i il, semp e mui o sexual, semp e em mui o essa ca ga ambém de que emos que se sexuais, emos que se elizes, emos que en ega essa sexualidade mui o o e. Acho que é isso, emos mui os es e eó ipos den o de um g ande es e eó ipo, mas é isso, é o maland o al amen e sexual. Visualizamos nessa ala di e sas ep esen ações que ce ceiam a iden idade do homem neg o. Aldemi o apon a o es e eó ipo do bandido, pagodei o ou jogado de u ebol. É in e essan e a ap esen ação desses ês es e eó ipos eunidos po que escanca a um agmen o impo an e do inconscien e cole i o b asilei o: a c ença de que as únicas o mas de um homem neg o ascende são a a és da música ou do u ebol, ou seja, a a és da sua co po eidade. Se não de ce o, ele i a bandido. Ou maland o. Aldemi o denuncia que a al a de opo unidade de abalho pa a o homem 42 neg o signi ica alha do Es ado e acismo, mas apon a que não é isso que a na a i a en oca. É p e e í el dissemina a c ença de que o homem neg o é p eguiçoso, gos a de “dei a e ola ”, é “en olão” e emasculado pela mulhe neg a. Se o homem neg o es á desemp egado ou na in o malidade, po an o, a culpa é dele – e aqui caímos na elha á ica de culpabilização do indi íduo pa a manu enção do s a us quo a a és do discu so da democ acia acial. O segundo pon o que Aldemi o oca ange à sexualidade do homem neg o, no amen e azendo à ona o enca ce amen o desse homem no p óp io co po. Segundo hooks (2004), o Ociden e semp e oi obcecado com a sexualidade. Assim, de aco do com a eo ia da p ojeção aplicada ao acismo discu ida po G ada Kilomba (2019) e ap esen ada nes e abalho no pon o 4.1, udo que e a abu e/ou ep imido pela sociedade b anca oi p oje ado no Ou o neg o - algo bem exempli icado no ela o de F ede ico: F ede ico: Eu acho que o que dizem sob e o homem neg o é que ele é da co do pecado, que é bom de cama, que é... en im, ou é isso, ou é o homem neg o sendo... acho que são dois lados: ou é a hipe ssexualização ou é a iolência, o homem é o a ican e, o homem que ep esen a um isco, “a pessoa que eu enho que segu a a minha bolsa e gua da quando ele apa ece ”. En im, ou é a pessoa que ap esen a o isco ou é o co po que eu desejo p a me da p aze . E aí, que dize , se a gen e como se humano é eduzido a isso, en ão a gen e deixa de se humano quase, né? A conclusão de F ede ico é pa icula men e ap a: se o homem neg o é de inido in insecamen e ou como iolen o ou como hipe ssexual, sua humanidade é olhida. E é jus amen e essa desumanização que ai legi ima p á icas de subo dinação e dominância ísica. Deoclides: A sociedade espe a as pio es coisas do homem neg o. A sociedade espe a uma ma é ia no jo nal, a sociedade espe a que um pai de amília es eja a mado ali e ome 80 i os, aqueles ga o os ali da ped ei a oma am 111 i os... a sociedade alou no ou ido daqueles policiais ali. “Ih, esses ca as ão a mados! Eles são p e os, eles ão a mados”. Me mão, como é que dão 111 i os num ca o? Como é que dão 80 i os num ca o? É a sociedade que ala no ou ido desses ca as, pô. Os ca as são da segu ança pública, pública é da sociedade, né? E os ca as são e lexo disso. Eles ão aze o que a sociedade á alando no ou ido deles. E a sociedade espe a isso da gen e. Ma ginalidade, né? É isso o que a sociedade espe a da gen e. O neg o é isso aí, o neg o é o ujão, o neg o é o maland o, capoei is a, né? Tudo que é do neg o é uim, ca a. Tudo que pa e 43 da gen e é uim. É a eligião do neg o, de ma iz a icana, que é do demônio. A música do neg o é música de bandido. A a e do neg o é andalismo. Tudo que pa e do neg o é uim. Deoclides se e e e a dois episódios ma can es oco idos na cidade do Rio de Janei o. No ano de 2015, cinco jo ens o am al ejados po policiais com 111 i os quando ol a am pa a casa enquan o comemo a am o p imei o salá io de um deles. Em 2019, um pai de amília oi mo o a caminho de um chá de bebê. Es a a com a amília no ca o. Na época, especulou-se que os policiais e iam a i ado 80 ezes. Foi um e o: o núme o de i os o am 257. A simila idade nessas his ó ias? A co da pele das í imas e a c ença de que e am bandidos – além, ob iamen e, da quan idade inac edi á el de dispa os. Quais são as consequências emocionais e econômicas dessa iolência? Como ala de ascensão social no me cado de abalho quando seus amigos es ão sendo mo os e a sua p óp ia ida es á em isco? Se aos homens neg os são impu ados o c ime e a iolência, a sexualidade desen eada e os ins in os incon olá eis, quais são as consequências pa a esses homens no me cado de abalho? O que, a inal, é espe ado desses homens? Deoclides: A sociedade espe a que o homem neg o alhe. A sociedade espe a que o homem neg o alhe p a ala assim: “aí, não alei? Ele é assim.” Eles que em ala mal da gen e. Se a gen e ize o boni inho, p a eles não é in e essan e. Tem uma música do Emicida, Inácio da Ca inguei a, que ala assim: “se ocê e ida um soco com ou o soco, eles só ão e o eu soco, se ocê e ida um pala ão com ou o pala ão, eles só ão ou i o eu pala ão”. Eles que em que a gen e se ebele, que a gen e ba a, que a gen e xingue, que a gen e aça o desap o ado, p a ala assim: “aí, não alei?” De aco do com o pa icipan e, a sociedade b asilei a c ia odo o ambien e necessá io pa a que o homem neg o alhe. E agua da. A pe e sidade, en e an o, ai além: independen emen e do esul ado, a análise já es á dada. Po que se es e homem co esponde às expec a i as e alha, as polí icas de exclusão, ma ginalização e iolência são jus i icadas. Po ou o lado, se con a odas as expec a i as, sucede, não desone a o seu g upo acial, i a exceção. O acasso, po an o, é a ibuído de o ma cole i a aos homens neg os. O sucesso, po ou o lado, é indi idual. F ede ico, o oi a o en e is ado pa a a minha pesquisa, aça uma ca ei a b ilhan e. Se o mou numa aculdade de pon a, concluiu o mes ado e ago a cu sa um dou o ado com bolsa in eg al numa das melho es uni e sidades dos Es ados Unidos. Ocupou ca gos de des aque du an e 44 essa aje ó ia, inclusi e no go e no b asilei o, desenhando polí icas públicas ol adas pa a a educação. F ede ico nos con a que, po isso, semp e oi colocado numa posição de exceção: F ede ico: Uma é sob e a e lexão que semp e aziam p a mim de que eu e a um pon o o a da cu a, de que eu e a uma pessoa di e en e das ou as. Um homem neg o açando uma ca ei a de sucesso como a de F ede ico é um pon o o a da cu a, dizem. O a, e se é assim, o que isso diz da cu a? Dizem que F ede ico é uma “pessoa di e en e das ou as”. De quais pessoas a i mam que ele é di e en e? Ce amen e não é dos homens b ancos, que semp e ocupa am os espaços de pode . Dizem que ele é di e en e de ou as pessoas como ele. Vejamos ago a um echo da en e is a de Kinho: Kinho: Quando pe cebem que eu enho boa o mação, que eu sou in eligen e, que eu enho quali icação, mui a gen e se su p eende. É mui o comum, eu já ou i de á ias pessoas: “eu nunca i ninguém como ocê”. O que chama a enção aqui, po an o, é o que a sociedade b anca es anha e o que não es anha, o que é no malizado e o que não é. A sociedade não es anha o a o de ha e ão poucos homens neg os com a mesma aje ó ia de F ede ico. O que su p eende mesmo é um homem neg o bem o mado, in eligen e e quali icado como Kinho. Pesquisado a: Como os homens neg os são ep esen ados na cul u a b asilei a? Isaque: Semp e são... como posso dize ? Semp e é subclasse, né? Nunca é a classe mais ica, é semp e o esc a o, o emp egado, ou o mo o is a, ou... é. A gen e p ecisa aco da p a isso, apesa de eu não enxe ga essa di e ença, exis e esse lado. É e iden e, ica cla o a é nas no elas ou é o çado nas no elas, en im. Isaque oi um dos en e is ados que me ela ou nunca e so ido acismo. Con o me a en e is a oi a ançando, en e an o, ele oi con on ado com e lexões que pa ecia ainda não e ei o. Quando pe gun ei como os homens neg os são ep esen ados na cul u a b asilei a, ele se dá con a de que é semp e como “subclasse”: o esc a o, o emp egado ou o mo o is a. Aqui, cabe a 45 e lexão: como impac a a ida p o issional do sujei o neg o essas ep esen ações acis as de um homem iolen o, hipe ssexual, maland o, bandido, esc a o, emp egado e mo o is a? Nesse jogo de expec a i as, é possí el obse a duas dimensões que in e e em na ida p o issional do homem neg o: a social e a pessoal. Na dimensão social, essas ep esen ações e expec a i as o mam o inconscien e cole i o e in e e em de o ma mais p á ica no ambien e de abalho, inclusi e no que ange à con a ação e p omoção de candida os. Já na pessoal, o homem neg o in e naliza odas as ep esen ações e expec a i as nega i as sob e si e não consegue se imagina ocupando espaços de pode . Assim, os es e eó ipos aciais agem an o como sus en áculos dos e ei os mais simbólicos e indi e os do acismo – como a limi ação das aspi ações pessoais – como das p á icas disc imina ó ias acis as di e as. É impo an e no a , con udo, que, sendo a aça uma ca ego ia discu si a (Hall, 2013), ela possui, ambém, seus con li os e negociações, ou seja, odo esse a cabouço cul u al não é acolhido pela comunidade neg a sem esis ência e con ana a i as. Vejamos o que diz o pa icipan e Valdo: Pesquisado a: O que dizem sob e os homens neg os na cul u a b asilei a? Valdo: Ei a. É di ícil essa pe gun a, né? Po que a gen e pensa em que cul u a que ocê á... assim, esse concei o de cul u a é delicado po que a cul u a de massa, né, o que se diz de um homem neg o é a o ma de como ele é e a ado. Ele é e a ado semp e de o ma pe i é ica, de o ma ma ginalizada, essa é a ep esen ação, e é uma ep esen ação dis o cida desse homem neg o. Hoje a cul u a b asilei a ep esen a o homem neg o de uma o ma dis o cida, o pouco que a gen e em acesso na ele isão, em alguns p og amas, ainda é mui o dis o cido. Uma coisa ou ou a oge ao pad ão. A gen e ê ago a algumas inicia i as pon uais de coloca o homem neg o po uma ou a pe spec i a, p incipalmen e con ada po ele, mas numa cul u a de massa que é o que a gen e ê em no elas e em alguns ilmes, essa cul u a de massa ep oduz á ios p econcei os e... se o pensa nessa cul u a, ealmen e, o homem neg o á semp e desquali icado. Se a gen e pensa numa cul u a neg a, aí a gen e essigni ica um pouco o que é se um homem neg o. Esse homem neg o como símbolo de esis ência, a gen e em ou as e e ências, numa pe spec i a neg a, eu acho que a g ande ques ão é essa: quem á alando sob e o homem neg o? Quem á alando dessa população? De que o ma essa população á sendo ep esen ada? De onde em essa cul u a? É uma cul u a eli izada? Que cul u a é essa? Se o nessa ep esen ação, dessa “al a cul u a”, no malmen e é semp e uma ep esen ação que desquali ica. Quando esses e e enciais cul u ais, essas a i idades cul u ais, essas ações cul u ais, são pensadas e são desen ol idas po pessoas neg as, a pe spec i a muda e ende a alo iza ealmen e a nossa neg i ude. 46 O que exp essa o en e is ado, po an o, é que, den o dos p ocessos ambíguos de c iação de iden idades, esidem ozes di e sas, com na a i as que se en ec uzam, se comple am e se excluem. De aco do com Valdo, ainda que a eli e “semp e desquali ique” o homem neg o, exis e, po pa e da cul u a neg a, uma essigni icação da iden idade desse homem, o que ab e no as possibilidades nas cons uções dos discu sos aciais. Deoclides: Tá al ando ep esen a i idade. Quando bo a um negão ali (nas no elas), que é boa gen e, não p ecisa se boni ão não, pô. O maluco é e e ência como um ca a que se es e bem, es udioso, nêgo ai se e , pô. Po isso que eu digo que é legal esse bagulho de in e ne . Pô, em mui a gen e bacana, ca a. Tem esse Yu i Ma çal, em o Raymundo que é um p o esso de his ó ia que az ali o Wakanda Madu ei a, em o Ad Junio , em mui a gen e que ala assim sob e neg i ude e que dá aula. Às ezes eu ico assim: “pô, esse ca a escla eceu um bagulho p a mim que eu a a na maio dú ida”. “A dispu a po legi imação discu si a e pelo di ei o de na a suas p óp ias memó ias den o do cons uc o iden i á io ai aciona a ca ego ia discu si a de aça sob uma ou a pe spec i a, a da descons ução da p óp ia aça enquan o uma ca ego ia ixa” (dos San os & Falcão, 2019, p. 456). Assim sendo, ao mesmo empo em que a mídia mains eam, con olada pelas eli es, con ibui pa a a ualiza mi os aciais, ques ionamen os e descons uções des es mesmos mi os ão sendo ei os em pa alelo em edes sociais e pla a o mas como o YouTube, po exemplo. O ca á e mais democ á ico dessas edes pe mi e que indi íduos acializados desa iem o ca á e essencializan e da aça, como demons a o pa icipan e Deoclides. A impo ância das na a i as e e e ências posi i as neg as, po an o, é eno me e não de e se diminuída. 5.2 Saiba o seu luga – a di iculdade da ascensão social A ideologia acial es abelecida pela sociedade é obedecida na alocação dos memb os aciais no in e io da es u u a indus ial, de inindo que ipos de ocupação, ca gos, p omoções e posições de au o idade esses g upos aciais podem conquis a , além de es abelece e os de ascensão e mobilidade social (Osó io, 2004). Alcança posições supe io es na cadeia hie á quica do me cado de abalho, po an o, se mos a di ícil, uma ez que isso signi ica e e e a lógica socialmen e acei a: “b anco supe io x neg o in e io ”. 47 Pesquisado a: Como é se um homem neg o no me cado de abalho b asilei o? Kinho: A minha opinião é que é bom quando ocê assume posições mais... não digo meno es, mas eu digo posições que não exigem an o de ocê... po que se ocê se dedica bas an e, eu ejo que ocê consegue subi ... subi , amos supo , de um ní el médio pa a um ní el um pouco melho . Quando ocê já chega num abalho mais in elec ual, onde a p esença de neg os é mais di ícil de acon ece , eu já sin o que é mais di ícil ocê subi , ocê se desen ol e , po que ocê ai e que en en a ce os... é... p econcei os mesmo, a gen e ai e que en en a p econcei os, a gen e ai e que en en a a es anheza de e alguém como a gen e nessa posição... e aí eu acho que é mais di ícil. Nes e echo Kinho indica que não encon a di iculdades em posições que não “exigem an o” dele, mas con i ma que há esis ência quando o homem neg o almeja ascende hie a quicamen e den o das o ganizações. Além da es anheza com a qual a sociedade em de lida ao e “gen e como ele” em posições de pode , o en e is ado demons a a dualidade cons uída en e homem neg o x in elec ualidade: “num abalho mais in elec ual, a p esença de neg os é mais di ícil de acon ece ”. Ele con inua: Kinho: Quan o mais al o o ní el, menos neg os ocê ai e e mais b anco ocê em que se . E isso muda udo. Se eu ô num ní el médio, o meu om de pele é no mal. Se eu ô num ní el baixo, o meu om de pele às ezes é melho . Po exemplo, se eu ô no meio de neg os, os neg os ão me acha mais boni o po eu e um om de pele mais cla o. Ou ão me ejei a às ezes ambém po eu e um om de pele mais cla o. Eu enho mui a consciência do colo ismo. Mas se eu ô num ní el médio eu sou no mal. Se eu ô num ní el al o, esquece. Aí já começam as olhadas de lado, as ejeições, os julgamen os, po que aí já não espe am mui o de mim. Aqui o en e is ado ala de colo ismo, ambém chamado de pigmen oc acia, que nada mais é que a hie a quização das di e en es onalidades de pele exis en es num país mes içado como o B asil. Quan o mais sinais de neg i ude o sujei o exibe, po an o, mais excluído é. Po ou o lado, se possui um om de pele mais cla a, ende a se mais acei o e pode ci cula mais acilmen e em ou os espaços. Mas o en e is ado ale a: esse espaço se esume a ní eis baixos. O om de pele mais cla o é ole ado a é um de e minado ní el. Como indaga Cecília Flo es a (2020): “embo a de 48 pele mais cla a, quan as de mim ocê iu em ca gos conside ados de che ia, em g andes emp esas, em des aque na mídia, na polí ica, comendo em es au an e ca o?” (p. 87). De om de pele mais cla a ou mais escu a, che es neg os não passam de 5% do o al, como imos na pesquisa ealizada pela E hos em 2016 e ci ada no pon o 5.2 des a disse ação. Como a i mado po Kinho, “quan o mais al o o ní el, menos neg os ocê ai e e mais b anco ocê em que se ”. Kinho: Do homem neg o não se espe a mui o. Se espe a que ele ique no luga dele. No luga que bo a am p a ele. Ou no luga que ele já nasce, alguma coisa assim... Kinho ol a a epe i nesse echo que não se espe a mui o do homem neg o. Essa expec a i a nada mais é do que o e lexo do imaginá io social c iado ace ca desse homem que discu imos no pon o an e io . Em seguida ele nos dá uma in o mação impo an e: “se espe a que ele ique no luga dele”. Essa ase ai de encon o com as ideias discu idas po Cló is Mou a no seu indispensá el li o “O neg o: de bom esc a o a mau cidadão?”, de 1977. Diz Cló is que ao neg o con es ado , que “não acei a mais pe manece e e namen e como pa e passi a no p ocesso de ans o mação social e na conquis a das possibilidades de con o o, ascensão social cul u al e polí ica” (p. 27) é ese ado o í ulo de mau cidadão, ilus ando a ese da acomodação das elações aciais em posições de classe. Nes a ese, discu ida po á ios au o es (Ca doso & Ianni, 1960; Pin o, 1952, Noguei a, 1998), a ideia é que o ca á e disc imina ó io das elações aciais encon a am na es u u a das posições de classe uma solução p á ica, ou seja, as dis âncias ísicas e sociais ine en es às di e en es classes sociais são as esponsá eis po man e neg os “ ísica e socialmen e a as ados dos es a os sociais majo i a iamen e b ancos” (Rocha, 2015, p. 30). Na medida em que o neg o se man ém no seu “de ido luga ”, po an o, as p á icas de disc iminação di e a são menos agudas. São nas posições mais ele adas, onde a acomodação acial é desa iada e o neg o eima em sai do “seu luga ” que os con li os aciais se in ensi icam. 5.3 Isso não é pa a mim – a in e nalização do discu so social A ap op iação do discu so social pelo indi íduo se dá po que a iden idade é uma ca ego ia elacional que oco e en e o “eu” e o “ou o”. Assim, são pelos con as es que passamos a dis ingui o que somos e o que não somos, azendo com que o e e encial ex e no seja “ undamen al pa a a elabo ação da imagem indi idual” (Menezes, 2003, p. 100). Se po um lado, 49 en ão, o homem neg o é o subo dinado ou o bandido, po ou o, do homem b anco é espe ado, de aco do com Aldemi o: Aldemi o: (...) aquele sucesso pad ão, ipo, execu i o eng a a ado, ganhando bem, ca o impo ado. É impo an e no a como essa elabo ação imagé ica indi idual dis o cida começa cedo: um es udo que analisou desenhos de c ianças do in e io do Rio de Janei o (Gusmão, 1993) demons ou que as c ianças já p oje a am es e eó ipos aciais na aixa dos 7 anos de idade. Nos desenhos, os neg os apa eciam mal es idos, is es e ealizando a i idades manuais, enquan o os b ancos e am ep esen ados ao lado de ca os po en es – mesmo c ianças de 7 anos já pe cebe am a impo ância de um “ca ão” no exe cício da masculinidade hegemônica (a igo que ambém apa ece no ela o de Aldemi o acima). A in e nalização dessa in e io idade social ad inda da ideologia acial es inge os obje i os e os desejos dos homens neg os, como podemos obse a no discu so de Ma celo: Ma celo: Toda a minha concepção de ida, quando as pessoas olha am p a mim, ni idamen e elas espe a am o acasso. (...) En ão ocê ê que exis e um e o de expec a i a e assim, oda a minha base amilia , que são neg os, eles mesmo acaba am es indo isso. E eu ambém. Tipo, eu alei com ocê, eu lido com emp eendedo es e hoje eu ejo acilmen e como eu pode ia es a ocupando ali, mas eu mesmo me sabo ei mui as ezes po ac edi a numa ques ão que me impuse am, com oda cons ução de aça e al, que eu não ia chega em algum luga . (...) Hoje em dia eu ejo pe ei amen e que é uma coisa que eu enho que abalha ambém, p a con inua assim, supe ando os meus limi es. E eu enho ce eza que isso é uma ques ão de mui a limi ação p a mui as pessoas, mui as mesmo. Hoje os meus auxilia es, po exemplo, são pessoas que não p ecisam de o mação e al, e... digamos que 70% deles são neg os. E se ocê con e sa com eles, são pessoas al amen e capaci adas, são pessoas que em um bom disce nimen o, são pessoas que em uma boa a gumen ação, e aí ocê não en ende o po quê que não... E a opo unidade ealmen e não é plena, às ezes ela não é cla a, mas ocê ê o quan o essas pessoas... essa ques ão de limi ação impos a, o quan o elas ab aça am essa ideia e se man i e am es agnadas no mesmo luga , en endeu? O mais eng açado é se ocê pe gun a : “Quem c iou? Quem alou?” A coisa em de o ma ão indi e a, a coisa é abso ida de o ma ão in olun á ia, que ocê nem sabe. “Mas quem alou isso p a ocê?” Eu não sei. Nunca chegou di e amen e. En ão não sei a é onde 56 No ídeo ao qual o pa icipan e se e e e, são mos adas o og a ias de pessoas b ancas e neg as, e pede-se que as pessoas pensem na p o issão que lhes em à cabeça quando olham pa a a o og a ia. Quando um homem neg o e um homem b anco são mos ados ao ele one e de e no, po exemplo, as pessoas dizem que o homem b anco pa ece se um homem de negócios ou di e o de alguma emp esa; o homem neg o, po ou o lado, é apon ado como segu ança ou mo o is a. Além do pac o na císico, po an o, podemos e o inconscien e cole i o agindo apoiado em es e eó ipos, o que, no im, possui a unção de man e os p i ilégios da b anqui ude pa a mais uma ez alimen a es e pac o. Aldemi o: Eu i uma ez os papéis de seleção... po que o que acon ece é que em uma das e apas os ge en es ão lá p a e i ica , e aí os ge en es esc e em coisas, do ipo: “ah, acho que não ai se encaixa .” Acho que não ai se encaixa é algo que é mui o amplo e que mui as ezes o iés inconscien e pode es a bloqueando isso. Se o neg o é o co po e não a men e, o mo o is a e não o execu i o, o peão e não o che e, é ácil ac edi a mos que eles “não se encaixam” em ce os ca gos ou a e as. Mas o que se ia, exa amen e, “não se encaixa ”? O que os ge en es pa ecem dize é que os neg os não pe encem a ce os espaços. Valdo: Eu azia odas as e apas, p é-p oje o, e e a bem a aliado, e quando chega a na en e is a, mis e iosamen e eu e a ep o ado nas en e is as dos p og amas de pós-g aduação, inclusi e em Po ugal. Oswaldo: Uma coisa que eu pe cebo a é hoje é de que ola uma di e ença de ala po ele one, a pessoa não á e endo, não sabe quem ocê é, é uma coisa. E às ezes no con a o di e o é ou a, né? É uma di e ença que eu sin o a é hoje, é uma pa ada que ola. Kinho: No malmen e eu e a mui o desac edi ado. Semp e ui mui o desac edi ado. Eu i e semp e essa pe cepção. Pesquisado a: Você e a desac edi ado pelos p o issionais de RH? Ou ocê não ac edi a a em si mesmo? Kinho: Sim, eu inha um pouco disso, po que eu pe cebia isso... po que a o ma como eles me puxa am nas en e is as... eu não sei dize , eu não sei se eu consigo pensa num exemplo, mas... 57 e a di e en e quando eu a a num p ocesso que não e a ca a a ca a, e quando e a num p ocesso ca a a ca a. No p ocesso que não e a ca a a ca a, eu semp e e a selecionado. Pelo cu ículo. Po que bem ou mal, eu semp e i e uma expe iência p é ia an es de me o ma . Eu inha a minha quali icação. En ão, isso chama a a a enção. E e a uma coisa quando e a i ual. Mas quando passa a a se ca a a ca a eu sen ia di e ença. Eu sen ia que eu e a o di e en e dos ou os candida os, eu sen ia que eu inha o his ó ico di e en e, eu inha uma pe spec i a di e en e, en ão, eu pe cebia que inham um ou o olha sob e mim. A é 1950, a disc iminação nos emp egos e a uma a i idade explíci a, onde os anúncios publica am “não acei a pessoas de co ”. Essa p á ica oi exp essamen e p oibida, e en ão os emp egado es passa am a exigi o os nos cu ículos, pa a a alia se o candida o possuía “boa apa ência”. Quando isso ambém oi p oibido, ainda sob ou a en e is a p esencial. Vimos no pon o 5.3 que a disc iminação no abalho, ao mesmo empo que é passí el de punição legal, é di icílima de p o a . T ouxe ês ela os de di e en es en e is ados e pode ia aze ainda mui o mais echos. A disc iminação é sen ida, é eal, mas acilmen e pode se jus i icada com o “não se encaixa”. A culpa, en ão, é do ou o-es igma izado. A b anqui ude, dessa o ma, se isen a e se cala, a im de con inua se bene iciando dos p i ilégios aciais. 5.5 B eadwinne Nes e pon o p ocu o abo da como os en e is ados lidam com um dos p incipais papeis sociais es abelecidos pela masculinidade hegemônica: o de p o edo . Podendo o desemp ego a e a as condições ma e iais, psíquicas e de acesso a cidadania po um lado, po ou o a unção p o edo a se associa com a p óp ia iden idade masculina. Como imos, se homem, na sociedade capi alis a, b anca, he e ono ma i a e pa ia cal em que i emos, é sinônimo de possui condições de sus en a mulhe e ilhos. Pa a obse a que negociações e agências e am ei as, po pa e dos en e is ados, pe an e essas imposições da masculinidade hegemônica, uma das pe gun as que iz oi se ha e ia incômodo numa elação em que a mulhe ecebesse um maio salá io. Vejamos o que Deoclides espondeu: Deoclides: Pô, ado a ia. Ado a ia. P oblema nenhum. Ado a ia demais. Pô, às ezes eu ico is e, sabe? Po que ela é mui o aidosa, e às ezes eu não consigo chega na aidade dela, saca? Poxa, eu ico a asado, sabe? Eu ico bem is e. O meu ilho jogou o ele one dela no chão, queb ou, 58 ela á a asada. E eu ico assim: “pô, eu não enho g ana p a sup i essas coisas dela”. Poxa, eu que ia mui o, mui o, ia se ma a ilhoso se ela ganhasse mais que eu. Eu não ejo p oblema nisso, ca a. Na ala do en e is ado podemos pe cebe que há o incômodo de que a esposa não consiga ealiza seus desejos ma e iais, mas que a solução desse p oblema não necessa iamen e e ia que i dele. Pelo con á io: Deoclides a i ma que ica ia eliz se a esposa ganhasse mais e pudesse sa is aze os p óp ios anseios. O que incomoda, en ão, é a al a de ecu sos ma e iais pe se, e não o “ e imen o” da masculinidade po não consegui p o e udo o que a amília deseja. Obse emos ago a o ela o de Valdo sob e o pai: Valdo: Ele não... não e a, eu não sen ia a igu a de um macho óxico, sabe? O macho op esso den o de casa. Eu não inha mui o essa e e ência. Tinha mui o mais a e e ência de um pai mais anquilo, que ou ia mui o mais, ep oduzia um pouco alguns p econcei os, algumas dimensões do machismo, que e a acha que ele inha que se o p o edo da casa, que ele inha que ga an i odas. A é ce o pon o eu sen ia... depois quando eu ui mo a com ele, ele i ia com uma mulhe b anca e eu pe cebia que ele sen ia a masculinidade dele a e ada se ele não osse o p o edo da casa. Aquele homem neg o que p ecisa a em a é ce o pon o se o p o edo da casa, mos a que inha condições de ga an i o sus en o de oda amília p a de ce a o ma se a i ma enquan o homem, sabe? E hoje eu ejo o quan o p a ele ambém de e e sido dolo oso se cob a an o e acha que oda essa esponsabilidade e a dele, quando eu não sei se e a. O en e is ado in e p e a que o pai conseguiu se des encilha de alguns a ibu os da masculinidade no ma i a, – um pai anquilo, que ou ia, na con amão do homem ag essi o e dominan e – mas não de ou os: in e nalizou, po exemplo, que e a ob igação do homem se o p o edo . No caso do homem neg o, a ação p o edo a pode se ainda mais alo izada, como uma “compensação” po cas amen os simbólicos em ou as es e as. Nessa si uação especí ica do pai de Valdo, há ainda um a o adicional na p essão pelo papel social do b eadwinne , que é a elação in e acial com uma mulhe b anca – e ninguém melho que Fanon (2008[1952]) pa a se ap o unda nisso. Nesse ema, po não se o oco do abalho, não me es ende ei, mas ci o um echo do capí ulo “O homem de co e a b anca”, do céleb e Pele Neg a, Másca as B ancas: “Po ém, an es de mais nada, ele que p o a aos ou os que é um homem, que é um semelhan e. 59 Mas não nos enganemos: é Jean Veneuse 35 quem p ecisa se con encido disso” (p. 71). P o a pa a si mesmo que é um homem, ou seja, um semelhan e ao homem b anco, no caso do pai de Valdo, en ão, inclui não só o acesso a uma mulhe b anca, mas, ambém, o p opo ciona uma ida “segu a” à sua companhei a – assim como seus semelhan es b ancos azem. É impo an e no a , con udo, que ainda que não seja ácil se li a das ama as da masculinidade hegemônica, o que subjaz la gamen e nas en e is as é que a acei ação sem ques ionamen o do papel de p o edo pelo homem é mais acilmen e obse ada em ge ações mais elhas, como a do pai de Valdo. Po ou o lado, as mudanças socioeconômicas, a pa icipação cada ez mais c escen e das mulhe es no me cado de abalho e as discussões eminis as pa ecem es a a e ando o pensamen o e consequen e compo amen o dos homens de ge ações mais ecen es. A maio ia dos en e is ados disse não ha e p oblema com o a o de a mulhe ganha mais, po exemplo, e odos exp essa am não conco da que se p o edo seja um papel masculino. Quando su ge qualque incômodo elacionado à não-a uação desse papel, po an o, o obse ado oi que os en e is ados p ocu am se ques iona sob e os mo i os do descon o o em ez de acei a em ais no mas passi amen e. Oswaldo, po exemplo, mo a jun o com a namo ada, que no momen o ecebe um salá io maio que o dele. O en e is ado me con ou que “é mui o de boa e abe o”, mas que às ezes se ê incomodado com essa si uação e que “deba e consigo mesmo”, se pe gun ando o po quê desse sen imen o, buscando encon a as o igens do incômodo. O en e is ado ela a: Oswaldo: A minha cabeça pensa, ipo: “quando eu penso a coisa na eo ia da pa ada, anquilo, eu não enho p oblema”. Mas quando a coisa se coloca na p á ica, a pa ada é ão... ão en iada na ua cabeça e á há an o empo pos a ali desse jei o que é di ícil se des encilha da pa ada na p á ica... Mas acho que é isso, a oca de ideia é undamen al. Eu acho. Po que enquan o a coisa á só na ua cabeça ali, ba endo, não muda mui o. Acho que é bom quando ocê ala, ocê ou e a ua p óp ia oz, a pessoa que á e ou indo ambém pode e da espos as. En ão odas essas pa adas eu en o oca ideia com a minha namo ada, que é quem eu semp e oco essas ideias e alo o que á olando, ou como ô pensando, o que á acon ecendo. P a pa ada não se um incômodo ou diminui o incômodo, ou muda essa elação... 35 Jean Veneuse é um pe sonagem do omance Un homme pa eil aux au es, de René Ma an. De aco do com Fanon (2008[1952]): “Jean Veneuse é um p e o. De o igem an ilhana, mo a em Bo deaux há mui o empo; po an o é um eu opeu. Mas ele é neg o, po an o é um p e o.” (p. 70). 60 Nes e echo pe cebemos o p ocesso de descons ução dos papéis masculinos pelo qual Oswaldo passa. Como ele diz, o que o na esse p ocesso cus oso é a no ma ização das expec a i as sociais com as quais êm de lida e que começam cedo – mais especi icamen e, desde o nascimen o. Po isso, nessa busca do en e is ado po um caminho p óp io que pe mi a econs ui a sua subje i idade, Oswaldo apon a a impo ância do diálogo com a namo ada, o que, po si só, já é uma descons ução de papéis masculinos, is o que os homens são ensinados, ambém, a não ala em nem demons a em sen imen os, agilidades ou aquezas. Ou a manei a de lida com a us ação po não a ingi o “ideal masculino” do p o edo é desc i a po Ma celo: Ma celo: Eu me elacionei com uma pessoa que ela inha um salá io assim, mui o al o... e e a eng açado, po que a gen e saía pa a os luga es, e nesse momen o eu não a a mui o bem colocado no me cado e al, e aí a gen e saía, e ela inha essa ques ão de “eu pago, eu pago.” E aí, naquilo é que ocê começa a e o quan o in e namen e ainda exis e algumas ques ões em ocê, po que aquilo me incomoda a. E assim, mesmo que eu quisesse paga , eu não podia. E eu me sen ia incomodado com aquilo (...). En ão, em algum momen o, eu exe ci algumas colocações, assim, que e am meio impe a i as, né? Mas aí eu calhei de e essa e lexão logo cedo, e me coloquei na ques ão mais de ajuda no que e a possí el. En ão, essa pessoa inha a condição ealmen e de p o e umas condições que eu não inha, eu inha condição de p o e algumas condições de abalho manual, que me coloca am numa condição que eu me sen ia ú il ambém em ajuda . En ão ali acho que oi o casamen o pe ei o, en endeu? Eu concen ei a minha ene gia p imei amen e numa posição e ada, po que aquilo es a a me o endendo, eu en a a sup imi aquilo, mas de alguma manei a aquilo uma ho a ansbo da a, e oi a ho a que eu i que exis ia um p econcei o den o de mim. E aí, logo depois daquilo, eu iden i iquei, consegui abalha e canaliza isso p a uma coisa que ag egou bas an e na elação. Nes e ela o Ma celo admi e que, como Oswaldo, ambém se incomoda a com o a o de não se o p o edo na sua elação. En e an o, ao se ques iona e exe ce o sen ido de u ilidade de manei a c ia i a, o en e is ado deses abilizou o modelo pa ia cal em que es a a inse ido que iguala homem e pode , o que o pe mi iu p oduzi no as o mas de i encia sua masculinidade. Po ou o lado, quando essas essigni icações dos papéis masculinos não são ei as, os homens, p esos em no mas idealizado as masculinas que não conseguem cump i , podem acaba se 61 u ilizando de ecu sos palia i os pa a ei indica a sua posição de pode . Ma celo, po exemplo, dizia agi de manei a “impe a i a” a im de compensa a sua “desmo alização”. Já Maicon az a pe spec i a da sexualidade: Maicon: Eu acho que... a masculinidade do neg o na sociedade em mui o a e com o sen ido sexual da coisa, sabe? E eu acho que o homem p incipalmen e, no ge al, ele busca exe ce a masculinidade dele sendo ag essi o e sendo sexual o empo odo, e a maio ia sendo abusi o. Esse ca a que em ês amílias lá, ele é neg o, po exemplo. E as duas esposas dele são neg as, em dois ilhos, um em cada amília, e a ou a é b anca, sabe? E a o ma dele exe ce a masculinidade dele é assim, sendo o ga anhão, que pega odo mundo, ipo, “eu sou homem po que eu enho á ias mulhe es”, sabe? O en e is ado az a his ó ia de um segundo homem neg o, seu colega de abalho, que, segundo ele, possui “ ês amílias”. O que o colega de abalho de Maicon pa ece aze é a i ma , que embo a não eceba odas as an agens do sis ema pa ia cal, possui pode em suas conquis as sexuais. A po ência que al a na i ência de ou as es e as da masculinidade pa ia cal, po an o, é ecompensada ia sexualidade e os en ação de di e sas amílias. Como a i ma Césa (2019), “se qualque homem p ecisa se másculo e i il em suas elações sexuais, o homem neg o p ecisa se ainda mais” (p. 57). En e an o, apesa de decla a que, pa a os homens neg os, a única an agem que conside am e em elação aos b ancos se encon a na ques ão sexual, admi e que es a condu a é p ejudicial e malé ica: “penso que busca al e na i as pa a o exe cício da masculinidade é, acima de udo, islumb a pe spec i as posi i as pa a c iação menos caó ica da cons ução de nossa au oes ima, pa a cons ui uma noção boa do que é se um homem neg o, que não seja baseada na cul u a pa ia cal e eu ocên ica” (p. 73). 5.6 A elação com o abalho Ainda que abalho não seja sinônimo de emp ego, é comum que “ abalho” seja conside ado como o desen ol imen o de “a i idades desen ol idas sob um ínculo emp ega ício legal que ga an em os luga es de assala iados e p o edo ” (Jimenez & Le é e, 2004, p. 225). En e an o, po mais que a maio ia dos b asilei os p e i a a segu ança e os bene ícios da ca ei a 62 assinada, apenas 30% da o ça o al de abalho do B asil se encon a na o malidade 36 , azendo com que o ínculo emp ega ício seja um desejo de mui as amílias neg as, como a i ma Kinho: Kinho: Eu acho que ganha um salá io, p a mui as amílias neg as, é uma coisa de luxo... e assis ência médica, en ão! Se i e ale alimen ação, en ão, pu a que pa iu! É um luxo! Seja o emp ego que se aduz em acilidade de acesso aos bene ícios da segu idade social, seja o abalho que pode se ealizado a a és de “bicos” ( abalho in o mal), o a o é que nos dois casos a busca p incipal é uma só: acesso aos ecu sos ma e iais que pe mi am sus en a a si e à amília. É p eciso deixa cla o que quando pe gun o aos en e is ados sob e o que es a desemp egado ep esen a, po an o, me e i o à não- ealização de qualque a i idade emune ada, com ou sem ínculo emp ega ício. A maio ia das espos as que ou i à essa pe gun a o am elacionadas ao medo, desespe o e desalen o. Esses homens me ela a am que se encon a am numa o al não-possibilidade de i e em essa si uação. Deoclides, po exemplo, me disse que “não pode se da ao luxo”. Já Aldemi o, que pediu demissão da emp esa onde abalha a pa a cu sa um mes ado em Po ugal, me con ou que, po ezes, pensa que “não ai encon a ou o emp ego pelo es o da ida”. Rela ou ambém que sen e mais medo de abo dagem policial quando se encon a desemp egado - nas ba idas policiais, ão comum na ida de homens neg os, a p imei a coisa que se exige é a ca ei a de abalho. É a máxima: “homem neg o desemp egado só pode se bandido” – uma he ança da “lei da adiagem”, es abelecida no B asil no inal do século XIX com o obje i o de c iminaliza pessoas neg as que não conseguiam se inco po a ao me cado de abalho. Tendo o abalho sido, desde a e olução indus ial, “ ei e adamen e p oclamado como a essência do homem e como o modelo do laço social”, oi ambém conside ado, pelos discu sos econômico, polí ico e cien í ico, como o g ande in eg ado , den e ou as i udes e bene ícios (Sil es e & Fe nandes, 2014, p. 29). Mas se o abalho é in eg ado , o que acon ece com homens neg os que, desde a abolição, o am sis ema icamen e excluídos do me cado e que, ainda hoje, p ecisam lida com a disc iminação acial no me cado de abalho, ac escido da c escen e onda de desemp ego e p eca ização que a ingem o B asil e o mundo? 36 Pesquisa Nacional po Amos a de Domicílios, 2019. 63 Hespanha (2007) a i ma que a é ica do abalho, que ou o a p ome ia acaba com a pob eza, cons i ui, hoje, um pode oso mecanismo no p ocesso de empob ecimen o, ma ginalização e exclusão social. Mais do que o impedimen o de acessa ecu sos ma e iais, po an o, a al a de abalho se elaciona com o não-acesso ao p óp io luga social. E nisso conco da F ede ico: F ede ico: Acho que o emp ego em um papel social mui o impo an e de inclusão, acho que as pessoas pensam em polí icas de inclusão como se osse uma coisa mui o dis an e, e eu acho que p a mim, emp ego é umas melho es polí icas de inclusão que a gen e pode aze . En ão, es a desemp egado, p a mim, é ealmen e a impossibilidade de consegui se inclui na sociedade. (...) E eu acho que isso en ol e a saúde men al, en ol e o bem-es a , en ol e a saúde ísica. En ão acho que o desemp ego é ealmen e al ez mais do que o não-acesso à cidadania, o não-acesso à p óp ia exis ência, na sociedade que a gen e i e hoje. Dessa o ma, “o abalho passa a se ia de acesso pa a o luga social, pois o sujei o só em o econhecimen o de sua exis ência, caso p oduza. En e an o, quando já não é mais p odu i o a sua locação deixa de exis i , pois não em mais como paga o ‘aluguel’ social” (Wicke , 1999, p. 68). No a-se que o ad en o do capi alismo ins i uiu ambém, no campo ideológico, uma alo ização mo al da condição de abalhado . De aco do com Lima & Bo ges (2002), o abalho passou a ep esen a um e dadei o sen ido de ida, e a impossibilidade de ealizá-lo ep esen a ia, ambém, a “impossibilidade de exp essa -se, desen ol e -se e deixa sua ma ca no mundo” (p. 338). Inco po a esse axioma e azê-lo pa a o âmbi o da masculinidade pa ia cal, que a i ma que “i a man is no a wo ke he is no hing” (hooks, 2004, p. 30), pode causa so imen o psíquico e pe da da au oes ima, como a i ma Ma celo: Ma celo: Acho que isso e coloca numa si uação ao âmbi o que ocê começa a se ques iona mui o sob e sua capacidade, sob e ealmen e oda a sua posição e isso aí... acaba e a e ando men almen e naquela ques ão exis encial. Se á que ealmen e eu sou uma pessoa capaci ada? Eu consigo ajuda alguém? Eu consigo p oduzi alguma coisa? En ão udo o que ocê concebeu acaba sendo colocado em xeque. Po um lado, emos o abalho ca ac e izado como “ ico de sen ido indi idual e social” e como “o meio de p odução da ida de cada um”, sendo o esponsá el po c ia “sen idos 64 exis enciais” e con ibui “na es u u ação da pe sonalidade e da iden idade” (Bo ges & Tamayo, 2001, p. 13). Nessa pe spec i a exp essi a, ou seja, da ealização de si (Sil es e & Fe nandes, 2014), se encon a a ala de Ma celo, que eclama de uma “ausência de sen ido”, seguida do ques ionamen o da p óp ia u ilidade: “eu consigo p oduzi alguma coisa?”. Po ou o lado, há a pe spec i a ins umen al, ou seja, a ideia de que o abalho é apenas um ins umen o pa a a ida, já que, dadas as condições de ealização nas sociedades con empo âneas, é e dade que, pelo menos pa a um g ande núme o de pessoas, “ele não pe mi e a mani es ação das suas aculdades, a sua o ma e i mo de uncionamen o, ou os seus in e esses e alo es, en im, a exp essão de si” (Sil es e & Fe nandes, 2014, p. 35). E abalhos in e essan es, desa ian es e que pe mi em desen ol imen o pessoal ambém são delimi ados pela aça, de aco do com Deoclides: Deoclides: T abalho de neg o ge almen e é b açal né, ca a. Mas isso aí é e lexo da esc a idão, né? T abalho de neg o ge almen e é b açal, po que o b anco não que ia pega peso na época dos engenhos, não que ia pega peso, não que ia ca ega nada. Ele inha um neg o p a aze aquilo p a ele, e isso oi... á se espelhando nos dias de hoje. O abalho do neg o é o b açal mesmo, ca ega peso, é cons ução, é se i ... é se i o b anco, né? Muda am pouquíssimas coisas, hoje em a esc a idão mode na, né? An igamen e o neg o abalha a em oca de mo adia e comida. Hoje é a mesma coisa. Hoje o neg o abalha em oca de mo adia e comida, po que mo adia é o aluguel dele, e a comp a do mês oma o dinhei o dele odo. O ca a ganha mil eais aí, o ca a paga aí, sei lá, numa casa, 500 eais, o es o é comida, luz, essas pa adas. É a esc a idão mode na, só mudou a chiba a, po que an igamen e o ca a apanha a explici amen e no onco, e hoje em dia o ca a apanha lá na salinha do che e, da di eção. Toma um apa sem mão que a gen e chama, o ca a ica subme ido àquilo ali po que em uma amília que depende dele, e se o ca a não quise , é mandado embo a, né, e no ou o dia em ou o neg o lá p a ocupa o luga dele. Ainda na pe spec i a ins umen al, obse emos esse echo da en e is a de Maicon: Maicon: Eu enho á ios ques ionamen os sociais, sabe? A gen e i e p a abalha ou a gen e abalha p a i e ? É complicado, po que se ocê não abalha ocê não i e, a não se que ocê enha de uma amília ica, ocê não i e. Se ocê abalha a chance de ocê i e é pouca ambém, ipo, eu abalho de segunda a sábado, aco do 3 ho as da manhã, 3 e meia da manhã... 65 Nos exce os acima obse amos as dimensões de sob e i ência e sus sa is ação pessoal ap esen adas pelos en e is ados. Assim, se po um lado é ób io que o homem neg o necessi a do abalho pa a assegu a o p óp io sus en o, po ou o, a sob e ep esen ação em abalhos pesados, com baixos salá ios e escassez de empo li e az com que a sa is ação expe imen ada no mundo labo al seja eduzida, azendo com que Maicon enha a sensação, po exemplo, de que “ i e pa a abalha ”. Deoclides ainda az a pe spec i a de o neg o ocupa unções sem quali icação e, po isso, se acilmen e subs i uí el. Além disso, o pa icipan e pa ece pe cebe um ipo de “duelo i il”, que ambém é apon ado po hooks (2004), onde “To a black man, wo k means pu ing you sel di ec ly unde a whi e man on a job and ha ing o do wha he says” (p. 23). Na ala de Deoclides, ele compa a o abalho mode no com esc a idão, onde “só mudou a chiba a”, mas o homem neg o em de pe manece po necessidade. Dessa o ma, pa a mui os dos en e is ados, o abalho não ocupa a única ou mesmo mais impo an e on e de sa is ação: Pesquisado a: Quando ocê pensa no homem que ocê que se no u u o, nas ca ac e ís icas que ocê p ecisa p a se eliz... á incluído se bem-sucedido p o issionalmen e? Oswaldo: Olha, isso á incluído, mas isso não é a base p a mim, eu acho que p a que ocê consiga e sua sensibilidade, e eus sonhos i os na ua cabeça, e essa capacidade de i das coisas, de cho a das coisas, po mo i os bons ou uins é... eu acho que isso não é o abalho, sabe? (...) Acho que isso não é a pa ada mais de e minan e, acho que em ou os pon os na ida que são mais impo an es, a amília, os eus amigos, como ocê se elaciona com as pessoas, acho isso mais impo an e do que abalho em si. E o abalho ambém em a elação com as pessoas, ambém em udo isso, né? En ão essa elação ambém é impo an e, né? Mas é isso, acho que o abalho em si á incluído, acho que isso á pos o ambém pela sociedade, á ali no combo do plano p a ida. Mas eu não coloco isso como a coisa mais impo an e não, eu que o es a eliz, e a minha elicidade não es á ligada di e amen e a isso, eu enho ou os a o es. Tá no paco e, mas não é o p imei o i em. Pe cebemos que o pa icipan e não coloca o abalho como cen o da sua ida, nem como on e sup ema de elicidade e ealização. É cla o que o abalho “con inua sendo uma on e impo an e de no ma i idade e uma expe iência cen al de socialização” Bajoi & F anssen (1997, p.79) - o que é admi ido po Oswaldo quando ele diz que “o abalho ambém em a elação com 72 cuidado de não ap isiona os homens neg os numa ca ego ia dico ômica que igno a as po encialidades que es es homens possuem pa a se em sub e si os e exis i em o a da lógica alocên ica que os ma ginaliza. Reconhece que exis e ida o a do s a us da ma ginalização, en e an o, não az com que o acismo seja menos g a e, e, po isso, expus um b e e pano ama his ó ico da inse ção do neg o no me cado de abalho com o obje i o de en ende como o acismo oi sendo cons uído e econs uído, a im de ga an i a manu enção dos p i ilégios da b anqui ude. Po úl imo, exibi algumas isões sob e o homem neg o e o me cado de abalho, baseando-me nas icas en e is as que conduzi nos úl imos meses. Vimos que os es e eó ipos e es igmas a ibuídos aos homens neg os con inuam agindo pa a jus i ica a disc iminação acial no me cado de abalho, de inindo que ca gos e posições esses homens de em ocupa , como já inha sendo demons ado po Osó io (2004), Noguei a (1998), Ca doso & Ianni (1960) e Pin o (1952). Além disso, pe cebemos que esse e e encial ex e no, undamen al pa a a elabo ação da au oimagem (Menezes, 2003), se in e nalizado, pode aze com que a é mesmo os obje i os e desejos dos homens neg os sejam egulados pa a se adap a às expec a i as, sanções e ecompensas de e minadas pela sociedade b anca, em aco do com o que oi p opos o po Hasenbalg (2005). Em seguida discu imos as des an agens aciais que o homem neg o acumula (Hasenbalg, 2005), elacionadas à educação e à ede de elacionamen os (ne wo king), que ambém in e e em di e amen e no seu sucesso no me cado de abalho. Nes a disse ação, o pensamen o de Hasenbalg (2005) é complemen ado com a eo ia do “pac o na císico da b anqui ude”, de Ben o (2002), onde p á icas disc imina ó ias po encializam as des an agens aciais. Além disso, no os pon os o am le an ados: qual se ia o papel da iolência e do genocídio na ca ei a p o issional dos homens neg os? Finalmen e, in es igando o papel do p o edo e a elação com o abalho, icou cla o, como já a i ma a hooks (2019) que não são odos os homens neg os que abso em a concepção pa ia cal, hegemônica e capi alis a que iguala o abalho à elicidade e ealização. Exis em essigni icações nas i ências das masculinidades dos homens neg os, além da ejeição de que o abalho assuma a cen alidade de suas ida. Em con apa ida, pe cebi aspec os como sensibilidade e elações com amigos e amilia es sendo alo izados. Uma das explicações pa a os esul ados ob idos nessa disse ação podem se as conclusões de Michèle Lamon em The digni y o wo king men (2000), que deduz que “black wo ke s a e less 73 p omp o assess mo al wo h in e ms o weal h and social s a us in pa because hei own ba les wi h acism each hem ha he mos dese ing do no always ge hei jus ewa ds” (p. 242). hooks (2004) chama a a enção, en e an o, pa a o a o de que, ainda que ejei a a concepção hegemônica seja um ges o posi i o, é p eciso que es a ejeição seja acompanhada de uma al e na i a cons u i a – de aco do com a au o a, o empo desemp egado pode se u ilizado pa a desen ol e a c ia i idade, in es i em au oconhecimen o e epensa a pe spec i a ma e ialis a que diz que “ ocê é o que pode comp a ”, po exemplo. É cla o que a necessidade ma e ial con inua á exis indo. Po mais descons uído que um homem neg o seja pe an e alo es hegemônicos e pa ia cais sob e abalho e dinhei o, sua sob e i ência ma e ial ainda e á que se assegu ada. O que hooks (2004) de ende, po ém, é que “Black male ma e ial su i al will be ensu ed only as hey u n away om an asies o weal h and he no ion ha money will sol e all p oblems and make e e y hing be e , and u n owa d he eali y o sha ing esou ces, econcep ualizing wo k, and using leisu e o he p ac ice o sel - ac ualiza ion” (p. 32). É p eciso dize que eu gos a ia de e abo dado mui os ou os pon os e e me ap o undado em ou os an os. As en e is as o am iquíssimas, e, in elizmen e, uma disse ação de mes ado não possui dimensão su icien e pa a que udo ma e ial que colhi osse abo dado. Espe o pode publica es es con eúdos em o ma de a igo um dia, além de ap esen a em colóquios e con e ências. Du an e a esc i a des e abalho, uma pandemia a ingiu o globo. Esc e i a maio pa e des a disse ação do B asil, num momen o caó ico em que as desigualdades do país ica am ainda mais escanca adas. O país, que a ualmen e 37 con a com quase 13 milhões de desemp egados, de e a ingi índices ainda mais ala man es com a c ise do Co ona Ví us. Os mais a ingidos se ão, ob iamen e, os mais ulne á eis, den e eles, homens neg os. Como a i ma Almeida (2018), “no con ex o da c ise, o acismo é um elemen o de acionalidade, de no malidade e que se ap esen a como modo de in eg ação possí el de uma sociedade em que os con li os o nam-se cada ez mais agudos” (p. 162, g i o do au o ). Tendo isso em is a, ac edi o que, pa a o u u o, uma pesquisa com homens neg os du an e e pós Co ona Ví us se ia impo an íssima, com oco em descob i as mudanças e os desa ios 37 Núme os colhidos no inal de maio de 2020. 74 en en ados po esses homens num con ex o de c ise sem p eceden es. Fo a o me cado de abalho, a c ise do Co id-19 pode incen i a mudanças em pa adigmas em di e sos âmbi os sociais, inclusi e das masculinidades, que ac edi o ale em a pena se in es igados. Além disso, essa disse ação abo dou apenas o uni e so do Rio de Janei o e de homens com g aduação. Compa a os alo es elacionados à masculinidade em ou os B asis ou ainda de homens ca iocas sem g aduação ambém pode ajuda a complemen a os es udos sob e as masculinidades neg as no país. Ou ossim, es udos explo ando a iqueza de con o é sias e di e gências en e as p óp ias masculinidades neg as se ia de g ande alia pa a que sigamos mapeando as di e sas possibilidades de i ências, esis ências e en en amen os do s a us quo. Pa a o dou o amen o que p e endo da seguimen o, enho in enção de con inua pesquisando as elações que se dão no ambien e de abalho, mas dessa ez da pe spec i a da b anqui ude – e compa a com os esul ados ob idos nessa pesquisa. O que gos a ia de pe cebe é se as di iculdades aqui ap esen adas po homens neg os são pe cebidas pelos b ancos, além de in es iga se há alguma di e ença na elação com o abalho e no papel do p o edo en e homens neg os e b ancos. Po im, espe o que esse abalho enha con ibuído pa a auxilia na cons ução de um melho en endimen o, an o no B asil, quan o em Po ugal, sob e os so imen os e di iculdades que o acismo p o oca na ida dos homens neg os, mas ambém sob e a plu alidade, complexidade, mul iplicidade e c ia i idade expe enciadas nas masculinidades des es homens. 75 Bibliog a ia Ad ião, K. G. (2005). Sob e os es udos em masculinidades no B asil: e isi ando o campo. Cade nos de Gêne o e Tecnologia/Cen o Fede al de Educação Tecnológica do Pa aná, 9-17. Ako i ene, C. (2018). O que é in e seccionalidade? Belo Ho izon e: Le amen o. Almeida, S. (2018). O que é acismo es u u al? Belo Ho izon e: Le amen o. Aze edo, C. M. (1987). Onda neg a, medo b anco: o neg o no imaginá io das eli es. Rio de Janei o: Paz e Te a. Aze edo, T. (1975). Democ acia Racial: ideologia e ealidade. Pe ópolis: Edi o a Vozes. Bailey, A. (1998). P i ilege. Jou nal o Social Philosophy, 29 (3): 104–19. Bajoi , G. & F anssen, A. (1997). 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Eu não sei, eu não consigo sen i isso na pele... eu nunca acho que é pelo a o de eu se neg o, mas com ce eza já... na minha cabeça ago a eu não sei o que eu posso dize . Ah, não! Já, já, já, já! Tem uma mui o o e, que que eu con e? P - Sim, po a o . E1 - Eu a a saindo da aculdade, eu a a indo p a casa a de, e a po ol a de umas dez ho as da noi e e eu a a no pon o de ônibus ali pe o da Lapa, pe o da P aça Ti aden es, que é onde e a o pon o inal do meu ônibus. E eu a a sozinho, já e a umas dez ho as da noi e, dez e pouca... não inha ninguém no pon o comigo. Tinham só umas pessoas no pon o do lado, mas onde eu a a não inha mui a gen e não. Acho que só inha eu pelo que eu me lemb e. E aí, ali pe o em um qua el do BOPE... não sei po que, a a passando um ca o do BOPE, o ca o do BOPE pa ou, apon ou uma a ma gigan e na minha ca a e pediu p a eu i a . E ele só alou: “ i a! Vi a! Vi a! Vi a!” E eu iquei sem eação num p imei o momen o... po que eu não a a en endendo nada, né? O ca a a a apon ando a a ma p a minha ca a... e não e a uma pis ola, e a um bagulho g ande igual um i le, eu não sei que me da e a aquela, eu só sei que eu iquei... eu olhei aquilo eu iquei... (som de medo e su p esa) eu iquei com aquela ca a de pa e a, odo assus ado... e o ca a alou: “ i a! Vi a!” E eu não i ei de p imei a e o ca a icou apon ando ainda mais p a minha ca a e eu iquei me cagando odo, e eu i ei. Nisso ele pegou a minha ca ei a, mexeu, eu não sei no que ele mexeu, mas na minha ca ei a inha ca ão de c édi o, do banco, inha... nem sei se inha dinhei o. Mas inha a minha ca ei inha da aculdade. Eu acho que oi a minha ca ei inha da aculdade que me sal ou, ou que me li ou dele não me e is a ou dele não me pa a , en endeu? Po que eu semp e andei com a minha ca ei inha da aculdade... depois desse dia en ão, aí que eu anda a mesmo... e eu acho que oi isso que me li ou. Po que pelo que eu en endi ele achou que eu a a azendo alguma coisa, que eu e a alguma coisa... ele se achou no di ei o de apon a uma a ma p a minha ca a e o único a o que eu posso dize ali p o ca a me pa a é o a o de eu se neg o. Po que eu não iz nada, eu a a no pon o de ônibus igual qualque ou a pessoa, espe ando o ônibus... eu a a pa ado no pon o de ônibus. Eu não es a a co endo, eu não a a nada. E aí, depois eu ambém pa ei p a pensa po que ele me pa ou... a única coisa que eu penso ali é pelo a o de eu se neg o e pelo a o de eu es a usando um boné. O que não que dize nada, o que não dá mo i o nenhum, que não me coloca em si uação de suspei a. Po que se eu osse um b anco de boné, mui o p o a elmen e eu não se ia pa ado. Ago a, um neg o de boné eme e à pi e e, eme e a qualque coisa... eu acho que esse oi o maio a aque pelo a o de se neg o que eu já so i na ida. Aí depois o ca a de ol eu minha ca ei a e oi embo a. Não pediu desculpas nem nada. Eu acho que o que me sal ou ali oi a minha ca ei inha da aculdade... po que ele iu ali, es udan e e al, adminis ação... en ão eu acho que oi isso daí que me sal ou, que ez ele iden i ica logo na ca a que eu não e a uma pessoa e ada ou qualque coisa assim. Eu me lemb o que eu iquei assus ado e me sen i es anho po que eu pensei: po que o ca a me pa ou? Depois eu iquei assim: odo mundo ai acha que eu oubei, odo mundo ai acha que eu iz alguma me da e eu não iz nada! Aí eu iquei incomodado. P - Você acha que os b asilei os ac edi am que exis e acismo no B asil? E1 - Depende, quem so e acismo eu acho que ac edi a sim... ( isos). Quem não so e pensa que acismo é só quando acon ece aquele ipo de o ensa di e a: “P e o! Macaco! Cabelo du o!” Pensa que acismo é isso. Mas isso daí é a mani es ação mais since a a é do acismo... po que a pio é 89 aquela mani es ação que a gen e não ê, que a gen e não consegue pe cebe , que exclui, que disc imina, sem decla a nada. P - Como é a sua elação com o abalho? T abalha é impo an e pa a ocê? E1 - Sim, com ce eza. T abalho é a única o ma que eu enho de me sus en a , é a única o ma que eu enho p a pode man e a minha ida. E eu sou wo kaholic p a ca alho, eu abalho p a ca alho, eu gos o de abalha , eu semp e coloquei o abalho em p imei o luga ... en ão, p a mim, é mui o impo an e, sim. P - Você começou a abalha com quan os anos? E1 - Com 15, 16... P - Você começou a abalha com o quê? E1 - Com 15, 16 anos... eu acho que eu já comecei a aze os e en os que inham na minha escola... eu iz cu so écnico de publicidade, eu passei p a uma escola da ede “(escola es adual do Rio de Janei o)”, e lá eu comecei a aze pequenos es ágios, pequenos e en os, que inham a e com o meu cu so. E aí eu semp e ganha a um dinhei inho aqui, um dinhei inho ali... alguma coisa assim. An es disso eu acho que eu abalhei semp e po meio da escola, quando eu inha algum abalho ex a, alguma coisa assim, eu pega a..., mas nada ixo. Ago a abalha ixo mesmo eu acho que oi com os meus 17 anos. Quando eu en ei numa agência de publicidade e lá eu abalha a de segunda à sex a, depois da escola. Eu pega a duas ho as e eo icamen e e a p a eu i a é às seis, mas eu semp e ia a é às oi o, no e, dez ho as. E eu acho que esse oi o meu p imei o emp ego ixo, com 17. P - Po que ocê abalha a mais do que e a p e is o? E1 - Demanda do abalho, um pouco de explo ação ambém, po que eu ui con a ado pa a se es agiá io de di eção de a e, que acaba azendo a a e g á ica ali p a algumas peças de publicidade da agência. Só que chegando lá eu comecei a lida com a endimen o, eu espondia clien e ia e- mail, eu a a a de mui os ou os assun os, lida a com o necedo es... uma das úl imas coisas que eu azia e a abalha com di eção de a e. En ão, eu ui con a ado eo icamen e po causa do po ólio de ma e ial que eu inha p oduzido, mas chegando lá eu ui colocado em ou as unções. Além de e que cuida de a e, o que no meu olume de abalho e a o meno que eu inha que aze , eu p ecisei abalha com a endimen o e com p odução g á ica. A gen e azia ali um se iço mui o in enso com g á icas, o necedo es e udo mais e eu inha que es a negociando com eles o empo odo, inha que es a pesquisando p eço, inha que busca , cuida da en ega, manda p o clien e, e a uma esponsabilidade mui o g ande po que eu e a só um es agiá io, né? Teo icamen e eu não pode ia aze nada disso sem supe isão, sem au o ização, eu não pode ia comanda nada, e eu comanda a. Basicamen e e a o seguin e: e a eu e o dono da agência que abalha a lá. O dono da agência a a de manhã, à a de ele da a aula, de ez em quando ele apa ecia lá. E eu en a a duas ho as e ica a a endendo odos os clien es dele, eu azia udo, oma a con a da agência mesmo. P - Você acha que é uma p á ica comum as pessoas se em con a adas p a uma coisa e acaba em azendo ou a? E1 - Ah, com ce eza! Acho que odos os meus emp egos o am assim. Eu semp e ui con a ado p a uma coisa e depois ui jogado em ou as, no malmen e acumulando a i idades... e nesse da 90 agência, especi icamen e... eu a é posso con a um caso cu ioso, que eu acho que a agência pe deu um clien e po causa do luga que eu assumi. Eu a a a com o clien e ia e-mail, o clien e nunca me ia, e eu semp e espondia em empo e udo o mais... e aí um dia o meu che e, dono da agência, pediu p a eu en ega um ma e ial p a esse clien e, e a um es au an e. E aí eu ui lá le a o ma e ial, po que e a p a a aliação, eu inha imp esso o ma e ial, eu inha ei o a ap esen ação ísica, com a capa, udo di ei inho. E aí eu ui lá le a po que o meu che e não que ia a ca com mo o áxi nem nada p a le a lá, po que e a pe o, e a no Cen o a agência, en ão e a udo ali... e a só eu i lá en ega . Fui lá, quando eu cheguei lá, eu cheguei num ho á io acho que de expedien e, o dono do es au an e a a ali co endo, acho que e a ho á io de almoço, eu cheguei e alei: “eu im aqui en ega um ma e ial pa a o senho e al, da agência”... e aí ele: “ á, á bom.” E aí eu alei: “ ocê não ai que e e ? Não ai que e ques iona alguma coisa da a e?” Po que eu que inha ei o a a e, eu que p epa ei o ma e ial de ap esen ação e eu que ia sabe qual se ia a eação do clien e. E aí eu pe gun ei: “o senho não ai que e sabe ? Não ai que e muda alguma coisa?” Po que eu já inha mudado mui a coisa ia in e ne , en ão na ho a da ap esen ação inal eu que ia sabe : á ok? Tá udo ce o? E aí ele alou: “ah, eu ou olha e qualque coisa eu alo com o F.” E eu alei: “olha, eu sou o F.” Um moleque de 17 anos... ( isos), mag inho... depois disso eu sei que o dono do es au an e alou que não ia que e mais a peça, mando um e-mail alando: “olha, a gen e não ai que e con inua mais com a peça”, aí depois meu che e oi lá pe gun a e aí ele descob iu que o clien e deu p o sob inho aze ... ( isos). P - Você acha que oi pelo a o de ocê se jo em que não passou con iança? E1 - Imagino que sim. Se jo em... 17 anos! Como assim eu ô con a ando uma agência e é um moleque de 17 anos que á azendo isso? E eu semp e apa en ei se mais no o do que sou, né? En ão o ca a de e e pensado: esse daí em 15, 14 anos... á azendo o que aqui? E eu lemb o que ainda ui com o uni o me da escola... ( isos). O que eu podia aze ? E a depois da escola! Não podia aze nada! ( isos). P - Mas ocê acha que não inha a e com o a o de ocê se neg o? E a só pelo a o de ocê se jo em? E1 - Não sei... não sei... naquela época eu achei que e a po se jo em, que p a mim já e a jus i ica i a demais. P - Sua amília p ecisa a da sua ajuda pa a man e a casa? P ecisa a do dinhei o que ocê ecebia dos seus abalhos? E1 - Não, g aças a Deus não... a gen e inha uma base mui o boa, minha a ó e a aposen ada, inha a pensão do meu a ô, a minha mãe ecebia aluguel de casa, abalha a ambém, en ão a gen e não p ecisa a... eu acho que a é ano e asado a gen e não p ecisa a da minha ajuda. P - E ago a p ecisa? E1 - Ago a sim, ago a a minha a ó aleceu, en ão boa pa e da nossa enda se oi... ago a sou eu e minha mãe e eu penso mais em ajudá-la. P - Como ocê acha que é em média a educação de um jo em neg o no B asil? E1 - A educação do jo em neg o na minha opinião, acho que é só aquilo que o go e no o nece, só aquilo que é público. Educação pública, colégio público... aculdade pública do B asil, do Rio, não é p a pob e, é p a ico. Po que é mui o compe i i o, em mui a compe ição... só en a quem 91 em empo de es uda e quem em boa educação, quem eio de boas escolas... en ão eu acho que a é o ensino médio o neg o á ga an ido. Ga an ido en e aspas, né? Se ele i e condição de se man e es udando... se ele não p ecisa abalha desde cedo... ou se ele i e saúde men al e saúde ísica p a abalha de manhã e es uda à noi e, aquele olé complicado mesmo... Eu acho que o neg o consegue se ga an i a é o ensino médio. Mas aculdade... só consegue aze aculdade se i e ajuda de amília, se i e ajuda de amília p a alguma coisa. Po si só eu acho mui o di ícil o neg o consegui aze uma boa aculdade. P - Como oi o seu caminho p a chega a é a uni e sidade? E1 - Olha, oi bem di ícil, po que eu não a a p epa ado p o es ibula . Eu im de escola pública, escola écnica e es adual e eu es udei num pe íodo que inha mui as g e es... o meu ensino écnico oi ga an ido po que oi uma coisa da “(nome da escola)”, que inha undos p a man e o cu so écnico, eu ac edi o que enha a é hoje. Ago a, o meu ensino médio, que e a já sob esponsabilidade do go e no do Es ado, não oi nem um pouco ú il pa a a minha o mação e p epa ação p o es ibula . Eu lemb o, po exemplo... na e dade, eu não me lemb o de e ido aula de ma emá ica di ei o. Eu i e alguns meses, com alguns p o esso es e oca a... e eu lemb o de uma coisa mui o eng açada. No meu p imei o ano do ensino médio eu inha mui as disciplinas com o nome do p o esso designado como “ca ência”. E a gen e, que chegou lá naquela escola, no malmen e eio de escola municipal, a gen e nunca inha passado po uma g e e ão o e. A gen e nunca icou sem aula, a gen e nunca icou sem p o esso . E aí eu lemb o que quando a gen e chegou, a gen e pensa a que “ca ência” e a o nome da p o esso a... ( isos). E a gen e inha lá: his ó ia, geog a ia, po uguês e ma emá ica: ca ência. A gen e ica a: ca aca, essa p o esso a é mui o oda! Dá aula de 4 disciplinas! ( isos). Dá aula da po a oda e a gen e nunca iu ela! Quem é ela? ( isos). Depois eu acho que de 1 mês, maio empão depois é que a gen e oi se liga : ca ência é po que não em p o esso . P - E e am 4 ou 5 disciplinas sem p o esso ? E1 - Ah, e e ano que sim... olha, eu só me lemb o de e ido 2 p o esso es de ma emá ica em 3 anos de ensino médio. E eu lemb o que no p imei o ano eu i e e o p o esso e a mui o uim, não a a nem aí p a nada. Eu não ap endi nada e passei de ano. E no segundo ano eu lemb o só de uma p o esso a e eu acho que ela não deu aula di ei o. E no e cei o ano eu acho que eu não i e p o esso . Eu não lemb o di ei o, mas eu sei que a gen e inha p o esso , assim, de ez em quando... os p o esso es mui as ezes não a am dando aula... não a am nem aí. E eu since amen e não sei como é que eu passei de ano... e aí eu só ui sen i a di e ença disso udo na ho a de aze o es ibula . Eu não azia ideia do que e a unção, conjun o, nossa, oi oda p a eu ap ende depois. Depois que eu e minei o colégio, eu iz es ibula ... na e dade eu nem sabia o que e a es ibula quando eu e minei o colégio. Eu iz po que inham alguns amigos meus azendo. E aí eu só iz o Enem na época. Fiz sem p epa o, sem sabe o que e a a p o a, só sabia que e a uma p o a longa. E aí eu lemb o di ei inho... o Enem naquela época ainda e a de 63 ques ões, e am 5 ho as de p o a, eu acho que eu demo ei 3h na edação, po que eu que ia aze a edação pe ei a, po que e a a única coisa que eu me ga an ia. E depois eu não i e empo de e mina a p o a. Acho que eu só iz 17 ques ões no es an e de empo, eu não inha p epa o... e i ei uma no a egula ainda. Ti ei acho que um 7... 6,5, 7... po aí. E aí depois disso eu não en ei nenhuma aculdade e aí eu comecei a me p epa a p o ano seguin e, que e a o ano de 2009. E aí eu iz p o a, iz um simulado p a um cu sinho p é- es ibula ... aí eu consegui uma bolsa pa cial, en ão eu paga a ba a o. Minha mãe me ajuda a a paga e aí eu comecei a es uda no p é- es ibula . Aí eu iz a p o a do Enem e depois 92 do Enem eu consegui a bolsa no “(nome da aculdade)” pelo P ouni. Consegui sem espe a po que ninguém se candida ou p o “(nome da aculdade)” naquela época. Acho que o “(nome da aculdade)” não e a econhecido pela g ande gale a... po que a gen e inha ou as aculdades pa icula es na época com no as de co e bem maio es do que a do “(nome da aculdade)” ... e aculdades como Cas elo B anco, Es ácio... e aí eu consegui en a . Po que eu não inha ido ão bem no Enem. Eu inha i ado 600 e alguma coisa... e aí eu consegui en a . Só que eu não a a p epa ado p o “(nome da aculdade)”, eu não sabia ma emá ica. Eu inha es udado meio ano no p é- es ibula e eu não sabia ma emá ica di ei o. Foi aí que eu en ei co e a ás p a man e a bolsa, mas eu ep o ei 2 disciplinas e pe di a bolsa. E aí eu a é pode ia con inua mas como eu não sabia, como eu não inha planejado i p o “(nome da aculdade)”, como eu não inha ainda es udado e me p epa ado p o es ibula , e como eu ainda não inha noção do que e a uma aculdade de eli e, eu deixei p a lá e alei: ou aze es ibula de no o. Po que eu que ia i p a UFRJ ou p a FGV, o “(nome da aculdade)” não es a a nos meus planos. Só que quando eu en ei no “(nome da aculdade)” eu i que essa e a a aculdade que eu que ia, eu i a di iculdade que e a o cu so, e o ní el dos alunos, pe cebi que e a uma aculdade mui o exclusi a, comecei a pe cebe o posicionamen o do “(nome da aculdade)” en e as aculdades pa icula es do B asil e do Rio e eu i que eu pode ia ap ende mais e me desen ol e mais e e uma o mação mais exclusi a, a é. E aí, eu comecei o p é- es ibula de no o, consegui uma bolsa melho ainda, não paga a quase nada lá. E iquei es udando meio ano. Nesse meio ano eu es uda a mui a ma emá ica. Mui a. Eu lemb o que eu comp ei aquele li o de ma emá ica, “Fundamen os Elemen a es da Ma emá ica”, quase que oda a coleção, uns 11 li os, e engoli aqueles li os, e oi aí que eu comecei a ap ende unção, conjun o, igonome ia, e udo isso que me p epa ou p o es ibula . E aí eu iz a p o a de no o e consegui ou a bolsa no “(nome da aculdade)” e en ei com uma segunda bolsa. E desde en ão eu segui na aculdade. P - Você já p ecisou concilia abalho e es udo? E1 - Semp e. P - Como oi isso? E1 - Foi no mal... acho que semp e es udei e abalhei. Acho que a única ez que eu não es udei e abalhei oi al ez no p imei o semes e do “(nome da aculdade)” ... eu acho. Po que eu acho que eu iquei pouco empo sem abalha , po que eu lemb o que logo que eu en ei no “(nome da aculdade)” eu comecei a aze es a. En ão eu es uda a du an e a semana e azia es a nos inais de semana. En ão, eu semp e abalhei. E aí, quando eu comecei a p ocu a es ágio, eu demo ei mui o p a consegui ... en ão eu a a me man endo semp e azendo es a nos ins de semana. E aí eu ganha a um dinhei o que me ajuda a a me man e na aculdade e eu acho que eu nunca deixei de abalha . A é quando eu ui p a “(cidade eu opeia)”, eu nunca deixei de abalha e es uda . P - Pa a ocê, qual é a impo ância de possui ne wo king? E1 - Tudo. Ne wo king eu acho que oi o que me deu opo unidades de abalho, ne wo king oi... acho que oi a melho o ma de eu consegui abalho. Foi a melho o ma de eu consegui as opo unidades p a udo. Na aculdade mesmo, p a eu consegui li o, algum documen o, p a eu consegui me insc e e p a alguma coisa, e a ne wo king... po que eu conhecia odo mundo lá do “(nome da aculdade)”, ala a com odo mundo, com os uncioná ios odos. E acho que é o que muda o negócio. Po que se eu o po mim mesmo, é mui o di ícil. Fo am poucas g andes opo unidades que eu i e na ida que o am po mim mesmo. No sen ido de chega lá e me 93 ap esen a . Fo am poucas as ezes que eu consegui... não digo poucas po que eu ambém co i mui o a ás de mui a coisa, mas eu acho que emp ego... é uma mis u a dos dois, po que eu semp e co i mui o a ás, eu semp e ui lá pe gun a udo. Mas eu semp e i e que aze um meio campo, eu semp e i e que i lá, pe gun a , me ap esen a , e depois con e sa com uma pessoa, e com ou a e essa pessoa me indica , me indica o melho caminho. Eu semp e i e que chega , e eu não podia chega só com a minha ca a e o meu cu ículo, eu inha que chega e eu inha que ag ada odo mundo e aze uso disso p a chega nos luga es. Eu acho que semp e oi assim. Ne wo king p a mim muda udo. Tan o que eu cul i o mui o os meus con a os, eu con e so com mui a gen e, eu ô semp e alando com odo mundo. E isso é mui o bom p a mim e eu acho que é um caminho que al ez seja um dos meus di e enciais, aze ne wo king. P - T abalha a ualmen e? Como conseguiu esse emp ego? E1 - Eu ô abalhando em “(cidade i landesa)”, num ho el. Eu ô abalhando em “(cidade i landesa)” po que eu ô es udando, ô es udando inglês. E eu consegui esse abalho po que eu ui p ocu a de ho el em ho el, de hos el em hos el, eu joguei no Google e eu i os hos els e ho éis que inham, po que eu que ia abalha na indús ia de hospi alidade p a eu e con a o com o clien e e ap o ei a esse con a o p a melho a meu inglês e nesse emp ego que eu consegui, eu ba i na po a de uma das edes do ho el p a en ega cu ículo e pe gun a se a am p ecisando de alguém e al... e aí eu i e a so e de encon a uma das p op ie á ias dos ho éis, do g upo... no ho el. Eu a a alando com a ecepcionis a e ela a a do meu lado... e aí eu i e a so e de encon a ela e ela me alou que a a p ecisando de alguém p a abalha em uma das edes, que e a p a abalha como linning po e , que é um ca go de ope ação mesmo. Eu enho que basicamen e, no ho el, cuida das oupas de cama, cuida da limpeza do ho el, e ela alou que que ia uma pessoa p a abalha lá, numa das edes, num dos ho éis, e ela me chamou no dia seguin e p a aze uma en e is a. A gen e combinou o ho á io, aí a gen e con e sou e ela me con a ou. P -Você acha que em chances de se p omo ido? E1 - Nesse emp ego eu acho di ícil... Acho di ícil po que eu acho que lá em uma seleção mui o o e de aco do com as nacionalidades. Po exemplo, p os ca gos mais ope acionais, como house keepe ou linning po e , ou ca gos que não exigem um abalho mais in elec ual, só em b asilei os, a icanos e omenos. P a ca gos que ocê em que lida di e amen e com o clien e, que exija aí uma habilidade maio de comunicação, de elacionamen o, só em c oa as. E os c oa as que es ão lá é po que a dona do ho el ambém é c oa a, en ão eu acho que ela con a a somen e c oa as p a ica na ecepção ou em ca gos de a endimen o, e ou as nacionalidades p a ca gos mais ope acionais. Eu acho que eu não enho chance de se p omo ido lá não... po que eu já epa ei que ca gos de maio esponsabilidade, digamos, é p a quem a dona em uma a inidade... seja na língua, seja na cul u a, alguma coisa assim... po que em uma menina lá que em o mesmo ní el de inglês que eu e ela á na ecepção. Mas ela é c oa a, eu não. P - E po que ocê esol eu i p a I landa? E1 - P a es uda inglês, po que na minha p o issão, inglês é undamen al e eu semp e ia isso como uma alha, o a o de eu não e um bom ní el de inglês. P - E isso se aduzia em di iculdades no me cado de abalho do B asil? E1 - Sim, sem dú idas. Apesa de eu e capacidade, eu jamais me e ia numa posição de ge ência ou numa posição mais enomada, com um salá io melho , com desa ios melho es, eu jamais me 94 e ia numa posição dessas sem inglês. Apesa de que inha mui a gen e que assumia essa posição sem inglês.... P - Ha ia en ão pessoas que assumiam posições de lide ança sem ala inglês? E1 - Sim. A maio ia dos meus líde es não inha inglês. P - E po que ocê acha que ocê não consegui ia ascende sem inglês? E1 - Olha, eu não sei dize mui o bem, mas... meu úl imo abalho no B asil... os meus líde es não ala am inglês, a maio ia das unções no B asil não p ecisa de inglês. Eu ainda ejo assim... depende mui o da a i idade de negócio que a emp esa em, depende dos elacionamen os que ela em... den o de uma emp esa b asilei a, ocê com ce eza ai e á eas que ão p ecisa de inglês... mas ocê ai e boa pa e de á eas que não ão p ecisa de inglês, po que o elacionamen o é somen e in e no. E eu abalhei numa mul inacional onde um mon e de pessoas não ala a inglês, um mon e... e algumas diziam que ala am inglês, mas não ala am... eu ala a inglês melho do que elas... e olha que eu não ala a inglês, hein? E ou as... deixa eu e , a minha úl ima emp esa e a uma emp esa que exigia mui o, mui a o mação dos con a ados..., mas os meus líde es não inham inglês, não inham. Acho que 1 ou 2, no máximo... só a al a cúpula inha inglês bom. Meu líde di e o não inha inglês bom... e a a lá. P - E po que ocê acha que essas pessoas subiam sem inglês? E1 - E a elacionamen o... sobe quem em elacionamen o. Quem em um aspec o con iá el... quem em uma supos a c edibilidade... po que inha gen e que subia lá sem p epa o, inha gen e que subia sem esul ado, inha gen e que subia po que ag ada a o líde . E a basicamen e isso, quem ag ada o líde maio , ai com ele. Quem não ag ada, não ai. P - O que ep esen a es a desemp egado p a ocê? O desemp ego, de uma o ma ge al? E1 - O desemp ego? Ca a, p a mim signi ica desespe o. Po que se eu não i e emp egado, se eu não i e de onde i a eu não sei... não enho ou as on es de enda, não enho nada que possa me segu a num momen o de desemp ego. En ão, é um desespe o... e eu acabo pegando qualque emp ego, e eu acabo azendo qualque abalho... e me i o. P - Você já passou po essa si uação? E1 - Já... já, quando a minha a ó mo eu... a gen e se iu de um dia p o ou o sem a mesma enda, eu lemb o que o pagamen o da minha a ó... ela mo eu num dia e no ou o dia já não inha mais. E odo o dinhei o que a gen e inha, a gen e gas ou mui o, com hospi al, médico, com en e o, com um mon e de coisa. E a gen e a a sem um pu o no bolso, sem dinhei o mesmo. E eu me i numa si uação que eu es a a à bei a do desespe o, sem sabe o que aze . Eu não inha de onde i a dinhei o. E aí eu a a começando a pega qualque ipo de abalho, que aí oi quando eu consegui meu úl imo emp ego... que eu semp e alei: ah, se eu não consegui nada melho eu ou p a esse, eu ou me candida a p a esse. E na al u a que eu a a, eu a a ezando p a me chama em p a esse. E aí me chama am, e aí eu comecei a abalha nele, nesse emp ego. P - Qual e a o emp ego? E1 - Eu abalha a como analis a inancei o na “(nome da emp esa)”. P a quem é do me cado, essa emp esa semp e oi conhecida como a emp esa que pega qualque um. Qualque es udan e uni e si á io, qualque louco, qualque louco en e aspas, po que eles selecionam bas an e, á? Mas 95 é uma emp esa que odo mundo já passou po lá. E odo mundo passou po lá, não é num bom sen ido, é no mau sen ido. Po que mui a gen e passou, não gos ou, não icou, mui a gen e oi demi ida, mui a gen e oi demi ida sem mo i o. É uma emp esa com uma o a i idade absu da... um luga mui o es anho de se abalha . E aí eu já sabia disso udo, po que eu inha mui os amigos lá. E eu alei: ca a, se eu não consegui nenhum ainee, se eu não consegui nenhuma coisa boa, eu ou p a lá. E aí na época que eu a a azendo ainee, que eu a a azendo um mon e de coisas, oi a época que a minha a ó mo eu... e aí eu não inha cabeça p a con inua em nada, eu desis i de um mon e de ainees que eu inha passado, que eu a a indo bem. E aí no im de 2, 3 meses depois que a minha a ó se oi, eu a a já me candida ando p a “(nome da emp esa)”, e aí me chama am do nada. No ní el que eu a a de desespe o eu alei: ca a, é isso aí. É isso aí mesmo, e eu ui. P - Quem é ou oi a sua maio e e ência de masculinidade? E1 - De masculinidade? (segundos de hesi ação). Tal ez meus ios, i mãos da minha a ó... p o edo es da amília, semp e ajuda am odo mundo... o am os que cons uí am mais iqueza e mos am uma linha de caminho p a eu segui . Todo mundo mui o hones o, odo mundo mui o cheio de hon a, cheio de o gulho... po isso que eu ambém sou um pouco o gulhoso... e eles semp e me mos a am um caminho mui o bom a segui . Mas meus ios mo am odos em ou a cidade, em São Fidélis, que é a e a da minha amília. E aí eu não i e an a a p esença deles, mas quando eu inha eles e am... olha... g andes exemplos p a mim. P - Como oi a sua elação com o seu pai? E1 - Eu não i e mui a elação com o meu pai, po que meu pai não me c iou. Ele e e uma con i ência comigo a é os meus 4 anos, mas mesmo assim não e a uma con i ência diá ia. Depois eu ia meu pai acho que uma ez po ano ou uma ez a cada 3 anos, 2 anos... sei lá, eu sei que eu acho que eu não ejo o meu pai desde os meus 14, 15, 16 anos. Tem mais de 10 anos eu acho... Eu acho que em mais de 10 anos que eu não ejo o meu pai. P - Vocês se alam? E1 - Não. Não enho con a o. P - Ele sumiu? E1 - É... sumiu. P a mim ele á no mesmo luga que semp e es e e, po que ele nunca oi p esen e. P - E ele abalha a? E1 - Sim, semp e abalhou, Ele em negócio, é casado, ele em 3 ilhos. E eu acho que os úl imos anos eu alei mais com a minha i mã do que com ele. É, com ce eza, po que eu conheci a minha i mã com 17... e aí depois a gen e se ala, mensagem de ani e sá io a gen e oca, de Na al... essas coisas, a gen e oca. Mas só isso ambém, eu não enho con i ência com ela nem com os ou os i mãos. P - Você não em con a o com a amília do seu pai, en ão? E1 - Não. P - Qual e a a escola idade dele? 96 E1 - Não sei, mas eu sei que ele em ní el écnico. De e e ensino médio écnico... po que ele abalha com e ige ação, ele em uma loja que conse a apa elhos de geladei a, essas coisas... e ele em ní el écnico, p o a elmen e de e e ní el médio ambém. P - Quando ocê e a c iança, quem e a o p o edo na sua amília? E1 - Minha mãe e minha a ó. Semp e. P - Você acha que cabe ao homem o papel de p o edo ? E1 - Não. Não. Lá em casa e a a minha mãe e a minha a ó. P - Você não acha en ão que é o homem que em que banca a casa? E1 - Não, eu acho que de e banca a casa sim, assim como as mulhe es, que de e se p eocupa sim com a amília, mas não po se homem, mas po que em que se p eocupa com a amília mesmo. Mas lá em casa quem banca a udo semp e e a a minha mãe e a minha a ó. Meu io, e e um empo que mo ou com a gen e e meu io não banca a nada. Quem banca a semp e oi a minha mãe e a minha a ó. P - E se o papel de p o edo é negado ao homem, se ele á desemp egado, ou se ele encon a di iculdades p a en a no me cado, que ou as o mas ocê acha que esse homem neg o encon a pa a exe ce a sua masculinidade, o seu papel de homem? E1 - Bico. Ele em que aze bico. Po exemplo, lá em casa chegou uma al u a que eu não aguen a a mais se bancado pela minha mãe e pela minha a ó. Apesa de que elas banca am con as, mas eu não pedia mais dinhei o p a sai . En ão eu me sen i na ob igação de aze bicos. E aí, nisso, eu comecei a abalha com es as, po exemplo. E en os... comecei a lida mais com isso... p a ganha um dinhei o aqui... qualque 100 eais, 200 eais, 300 eais que en asse já e a o dinhei o que eu inha p a comp a as minhas coisas, se eu i e que ajuda em casa, ajuda ... po aí. En ão eu acho que homens acabam po aze em bicos com qualque coisa. P - Você em o desejo de casa e e ilhos? E1 - Sim, enho. P - E ocê acha que o desemp ego in luencia na on ade de se casa e o ma uma amília? E1 - Com ce eza. Eu só penso em casa quando eu i e es á el inancei amen e. P - É um p oblema se a companhei a que ocê a anja , po exemplo, ganha mais que ocê? E1 - Não. P - Você acha que as amílias neg as, no ge al, possuem mais equidade en e homens e mulhe es do que as amílias b ancas? E1 - Tal ez... eu não sei po que eu não enho expe iência com amília neg a po que a minha amília oda é b anca, só eu que sou neg o, po que o meu pai é neg o. Mas eu acho que al ez sim, po que a mulhe neg a semp e abalha. É mui o di ícil e uma mulhe neg a que é só dona de casa. Não que se dona de casa não seja um abalho, mas ô alando de abalho emune ado. É mui o di ícil e uma mulhe neg a que não enha abalho emune ado. A não se que o ma ido dela seja um uncioná io público ou uma coisa mui o es á el que consiga banca a casa oda e odas as despesas. Fo a isso, a mulhe neg a á semp e azendo um doce, um bolo, axina, abalhando com qualque 97 coisa p a ajuda a sus en a a casa po que no malmen e o homem neg o ganha um salá io (mínimo). Um salá io no B asil não sus en a ninguém, não sus en a uma amília. P - E ocê acha que o a o de a mulhe neg a abalha mais do que a b anca se aduza em equidade den o de casa? Po exemplo, em a e as domés icas, em omada de decisão... E1 - Não sei. Acho que não é o su icien e p a o na odos os campos, os di e en es campos de uma amília, iguais. Eu acho que é complicado, mas eu acho que a mulhe neg a em bas an e oz. Po que ela p ecisa se o e em di e sos sen idos. E eu acho que ela em mais a i ude do que uma mulhe b anca. Eu enho essa imp essão. Po necessidade, não po escolha. P - Você acha que em alguma di e ença en e o que é espe ado socialmen e de um homem b anco e de um homem neg o? E1 - Ah, sim. Sim, sim, sim. Sem dú ida nenhuma. Do homem neg o não se espe a mui o. Se espe a que ele ique no luga dele. No luga que bo a am p a ele. Ou no luga que ele já nasce, alguma coisa assim... O homem b anco, não. O homem b anco... na e dade, eu acho que o que se espe am dele não é mui o, po que o des ino dele mui as ezes já á bem açado. Ou ele segue a coisa que o pai az, ou ele segue a coisa que o pai em... ou ele ai se o ma , e uma boa o mação, e um bom emp ego... isso já é espe ado. P o homem neg o, não. Na e dade, os dois em coisas a espe a . Se espe am coisas dos dois. Só que do b anco espe a-se coisas boas, coisas como um bom emp ego, uma boa educação, uma boa amília, coisas posi i as. Do neg o, já se espe a coisas mais... posi i as, po ém não com o mesmo alo ... que é abalha ... p a ca alho, abalha mui o, abalha em emp egos ok, que ganhe pelo menos um salá io (mínimo)... e eu acho que ganha um salá io, p a mui as amílias neg as é uma coisa de luxo... e assis ência médica, en ão! Se i e ale alimen ação, en ão, pu a que pa iu! É um luxo! E se espe a que o homem neg o consiga isso. E se o homem neg o em isso ele já á no caminho bom. Se o homem neg o não em isso, a p obabilidade dele se bandea p o c ime ou p a alguma coisa uim é mui o g ande, po necessidade. En ão eu acho que o que se espe a de um homem neg o é mui o po aí. Tan o que quando pe cebem que eu iz “(nome da aculdade)”, ou pe cebem que eu enho boa o mação, que eu sou in eligen e, que eu enho quali icação, mui a gen e se su p eende. É mui o comum, eu já ou i de á ias pessoas: eu nunca i ninguém como ocê. Não se espe a mui o de mim. Eu já ou i meu io, um dos meus ios, ala em que não imagina am onde eu i ia chega . Mas eu não sei se e a pelo a o de eu se neg o... eu acho que não. Eu acho que e a pelo a o da minha mãe e ido um elacionamen o ex aconjugal, essas coisas... aí, ipo, a minha amília é mui o ce inha, minha amília é acis a ambém... minha a ó e a acis a p a ca alho... e mui a gen e c uci icou a minha mãe de udo quan o é o ma... acho que a é ala am p a minha mãe abo a . Coisa que a minha amília abomina. Abomina de manei a hipóc i a, po que a maio ia é eligiosa, mas ao mesmo empo cogi a am isso po que a minha mãe ia e um ilho de um homem casado e neg o. En ão o que se espe a de um homem neg o não é mui o. E o que se espe a de um homem b anco já é mui o. E é um mui o, mui o mais alcançá el p a ele. É um mui o que p a b ancos é básico. Po exemplo, e bom emp ego, e boa educação e e boa amília, p a mim isso de e ia se p a odo mundo, mas p a mim... p a mim eu não sei, mas p a um neg o de o ma ge al eu acho que isso é mui o... mui as ezes é impossí el de chega . Te um bom emp ego, de ge en e, ou um emp ego que ocê ganhe acima de 3, 4 mil eais, mais uma boa amília, mais pode p o e p a amília boas escolas, boa casa, e udo mais... p a mim... p a mim não é ão es anho, mas p o neg o eu acho que isso daí é o pa aíso. É um pa aíso. E aí a gen e en a em ou as ques ões, os p oblemas de b anco não são os mesmos p oblemas de neg o. 104 p oblema nenhum p a mim. Po que eu gos o, eu ap endo com isso. A minha líde : á bom, pode ica anquilo, a gen e ai combina isso. O que ela ez? Ela oi p a ou os líde es... po que quem eio me pedi ajuda não oi da minha ope ação, oi da ope ação do lado, de endas, eles ie am me pedi ajuda com endas. E a minha líde oi na ope ação do lado e alou p os líde es: olha, gen e, não p ocu a o F. mais, po que o F. não pode se pa ado na ope ação, ele p ecisa es a só na ope ação, não pode pa a p a ajuda ninguém. Depois disso, eu comecei a pe cebe que ninguém a a me p ocu ando mais, e uns 3 dias depois, 4 dias ou 1 semana, eu não lemb o bem, uma das meninas da ope ação eio ala comigo: F., olha, eu que ia que ocê me ajudasse, mas eu não posso e pedi po que a ua líde pediu p a minha líde não deixa a gen e e pedi ajuda. E eu iquei: “o quê?! Ela me alou jus amen e o con á io!” E aí eu comecei a pe cebe como as coisas es a am sendo jogadas ali. Ela não que ia que eu me des acasse mais do que ela. Eu comecei a ap esen a ou as coisas po o a dela, e aí eu comecei a ap esen a p oje os p os líde es, e aí eu comecei a e líde me boico ando. Líde me ques ionando. Líde me dizendo que o meu p oje o não i ia p a en e. E eu insis ia, eu passa a po cima, e da a ce o, odo mundo se in e essa a. E aí eu comecei a e algumas pessoas se colocando con a mim. E isso nunca oi um empecilho p a mim. Eu passo po cima. Eu enho duas escolhas: ou baixa a bola, ou passa po cima. E passa po cima no bom sen ido. Não é des espei ando. Passa po cima con inuando, abalhando mais, icando depois do ho á io, que e a o que eu es a a azendo. E aí eu ia mo i os bobos p a me passa em a pe na, a é o pon o em que consegui am... ize am uma jogada lá em que me libe a am de um dia de abalho, e eu já inha combinado isso, eu a a pagando ho a p a se libe ado num dia, que e a um mês depois do que eu inha a isado, e aí dois dias an es do dia que eu não podia abalha po que eu inha um e en o p a i , me ala am que não i iam me libe a , sendo que eu já inha compensado as ho as p a se libe ado. E me ala am: olha, não ou pode e libe a . E eu alei: eu já combinei, eu já dei minhas ho as, eu já abalhei, já ô abalhando adian ado... E eles: ah, eu não ou pode e libe a , mas eu ou e . Nisso do “ ou e ”, não me ala am mais nada, no dia do e en o que eu inha p a i , eu ui p o e en o, eu não ui abalha , e aí, po causa disso, me demi i am. E me demi i am com o seguin e a gumen o: “F., a gen e e demi iu po que ocê não em cul u a de abalho, po que ocê al ou um dia”. E eu: o quê?! Eu alei um dia de abalho, que eu inha combinado, e que eu inha as ho as já ei as p a al a . O que eu pe cebi aí? Ta am espe ando um u o p a pode me demi i . E isso oi a qui e ado pela minha líde , po que a RH me demi iu cho ando. E depois ela me con ou, que me demi iu po que oi pedido pela “(nome da che e)”, e ela inha pode p a isso, o líde dela au o izou, que e a ou o que eu ambém a a ali compe indo. E aí, eu comecei a e ... bom, na al a cúpula lá do ime, não em um neg o. E eles a am endo um neg o, ali, se posicionando p a assumi uma posição, po que e a isso que eu a a assumindo. Eu a a azendo o abalho deles. E eu i que eu a a incomodando po que eles i am que eu a a p epa ado, que eu inha mui as suges ões, e eu ia eles me ce cando, e eu ia pe gun a mui o p as pessoas como unciona a al se o , como unciona a aquilo e aquilo ou o... e eu a a in e agindo com sócios, e eu ia eles me ce cando. Eles me pa ando p a pe gun a : “o que ocê oi ala com o sócio?”. E odos e am b ancos. E aí eu comecei a pe cebe , essa ques ão incomoda. Eu incomodo. Se eu osse b anco e ui o como a ou a menina, de epen e eu se ia apoiado pelo líde , como a minha líde oi. Mas não, eu não ui apoiado. Eu ui ba ado. Fui ba ado de N manei as. E aí eu comecei a e que essa ques ão b anca e neg a lá nessa emp esa, e a mui o sé ia. E isso oi mani es ado pelas minhas expe iências e pelas expe iências dos meus amigos, e a é pelo e-mail de comunicação que eles manda am. Eles coloca am o neg o na posição de peão, enquan o o b anco é o que pensa além, o in eligen e, o in elec ual. En ão essa oi a minha expe iência, onde eu comecei a e que b ancos e neg os são di e en es, e que eu p eciso me p eca e disso. 105 P - Quais caminhos ocê enxe ga pa a esol e os p oblemas dos quais a amos nes a con e sa? E1 - Eu acho que isso ai se mui o di ícil de esol e , essa ques ão do neg o e b anco. Eu acho que a o ma p a se esol e , é dando opo unidade p a neg os, e os neg os p ecisam es a p epa ados. E é isso que eu es ou buscando: es a p epa ado. É inglês, é o mação, é expe iência, eu acho que são os 3 pon os hoje no B asil, que a gen e p ecisa e , p a gen e não es a desquali icado p a um ca go. E não é só inglês, são idiomas, né? Idiomas, expe iência e o mação eu acho que é o caminho p os neg os se p epa a em p a assumi em ca gos maio es, po que uma das desculpas que se usa é que os neg os não es ão p epa ados p a assumi em posições de des aque, o que é uma g ande men i a. E as emp esas pode iam ajuda aqueles que não es ão p epa ados. Po que isso en a den o do campo de esponsabilidade social, do campo de di e sidade cul u al den o das o ganizações. E as emp esas ajudam b ancos, po que não ajudam neg os? Ajudam b ancos, dando o mação p a eles, dando os melho es MBAs, coisas que eles pode iam consegui po eles mesmos. Ago a, po que não dão um cu so de idiomas p a um neg o? Po que não dão cu sos de MBAs p a um neg o? Eu acho que isso az pa e das esponsabilidades das emp esas, das o ganizações, e eu acho que o neg o em que co e a ás nesse sen ido, p a ele não deixa da em como desculpa, a al a de p epa o. Que é comum... que é comum acon ece , e que ambém é a ealidade da maio ia dos neg os. Exis em e en os como o Empode a que eu já ui, acho que 80% ou 90% não em idioma. Tem aculdade, mas não em idioma. Po que a aculdade oi uma coisa ecen e conquis ada pelo neg o. E ago a é idioma. E depois a gen e á alando de um MBA, de pós-g aduação... en ão eu acho que o que o neg o em que es a , é p epa ado, e as emp esas em que e consciência de p omo e a inclusão do neg o, assim como de mulhe es, assim como de de icien es, p omo e a di e sidade, po que esse é sem dú ida o caminho do u u o. E quando a gen e quise ala de di e encial compe i i o, a gen e ai e que apos a em di e sidade. Isso já á mais do que es ado e ap o ado, que as melho es soluções e as melho es emp esas são aquelas que apoiam a di e sidade cul u al. SEGUNDA PARTE P – Você me ala na p imei a en e is a que oi di ícil consegui es ágio. Eu gos a ia de sabe po que oi di ícil. E1 - Ca a, eu... a é hoje eu não sei. Mas o que me dá a en ende é que é o que eu inha de di e en e dos ou os candida os. Eu en endi que al ez o mo i o seja esse. Eu epa ei que eu e a o único neg o do g upo de candida os, no malmen e. Po que eu chega a a i p a inal em odas... um episódio, que p a mim, oi o mais decla ado, oi quando eu me candida ei p a uma aga p a uma aga de es ágio na “(nome da emp esa)”, e inha uma emp esa de ec u amen o azendo a seleção. E essa aga e a p a uma aga de Planejamen o se eu não me engano, e ocê inha que e expe iência e ainda inha que e conhecimen o de Excel. Eu lemb o que inha 3 pessoas na inal, eu e mais 2 meninas. Só eu de neg o. As 2 meninas não inham an a expe iência quan o eu, e ambas não sabiam Excel. E am alunas de Adminis ação, uma do CEFET e a ou a da UNIRIO, mas elas não inham conhecimen o de Excel, elas a é ala am lá: “ah, eu sei um pouco, mas não sei a ní el a ançado.” E eu já na época sabia, eu i e aula na aculdade de VBA, eu já sabia aze p og amação com VBA, eu inha conhecimen o, domínio do Excel, en ão icou cla o que eu a a ali mais quali icado do que elas. E a é elas es a am já na expec a i a de que eu pegasse a aga. Só que eu não peguei. Não sei quem pegou, mas eu não peguei. En ão, eu não sei, since amen e, o que pode e acon ecido. E aí, a única explicação que eu i e, oi o a o de eu se neg o. Isso oi 106 alado p a mim, na e dade. Eu não pe cebi po mim mesmo. Uma amiga minha, a “(nome da amiga)”, ela chegou e alou p a mim: “ ocê á passando po aquilo que eu passei. E é o a o de se neg o. Os neg os não ocupam esses espaços, en ão não espe am que ocê ocupe esses espaços.” E aí, eu só im consegui uma aga de es ágio quando eu ui indicado, e aí já oi uma coisa di e en e, po que eu já ui di ecionado p a aga, eu ac edi o que eu enha queimado algumas e apas, po que eu já ui di e o p a en e is a com o ges o . E aí, na época, a ges o a gos ou de mim, e oi uma g ande che e, uma g ande mes a que eu i e na minha ida, a gen e ez um bom abalho jun os. E aí, oi a expe iência que eu i e. Ago a, po mim mesmo, eu não lemb o. Acho que o am poucos os casos em que eu consegui um p ocesso po mim mesmo. No malmen e eu e a mui o desac edi ado. Semp e ui mui o desac edi ado. Eu i e semp e essa pe cepção. P – Você e a desac edi ado pelos p o issionais de RH? Ou ocê não ac edi a a em si mesmo? E1 - Sim, eu inha um pouco disso, po que eu pe cebia isso... po que a o ma como eles me puxa am nas en e is as... eu não sei dize , eu não sei se eu consigo pensa num exemplo, mas... e a di e en e quando eu a a num p ocesso que não e a ca a a ca a, e quando e a num p ocesso ca a a ca a. No p ocesso que não e a ca a a ca a, eu semp e e a selecionado. Pelo cu ículo. Po que bem ou mal, eu semp e i e uma expe iência p é ia an es de me o ma . Eu inha a minha quali icação. En ão, isso chama a a a enção. E e a uma coisa quando e a i ual. Mas quando passa a a se ca a a ca a eu sen ia di e ença. Eu sen ia que eu e a o di e en e dos ou os candida os, eu sen ia que eu inha o his ó ico di e en e, eu inha uma pe spec i a di e en e, en ão, eu pe cebia que eu inha um ou o olha sob e mim. E aí, eu sen ia mui as ezes necessidade, e eu acho que isso me ab ia mui as po as ambém, de e que me mos a mais do que eu e a. En endeu? Não mais do que eu e a, mas eu inha que me mos a mais, eu inha que me ale mais, eu inha que me p o a mais, eu inha que... a gen e em uma exp essão, que a gen e usa: “me e o pé na po a.” ( isos). En ão, mui as ezes eu i e que coloca em p á ica. Uma ez, em “(cidade po uguesa)”, uma amiga minha po uguesa alou: “eu nunca conheci um b asilei o que nem o F.” Em Po ugal eu ambém passei um pouco po isso. No início, mui a gen e não ac edi a a em mim, eu i e que p o a que eu e a capaz de aze o abalho. Eu i e que mos a o po quê do po que que eu que ia... en ão, assim, eu semp e me sen i mui o nessa posição, de que eu inha que p o a p a odo mundo que eu e a capaz. Nunca... e a di ícil alguém chega p a mim e bo a c édi o em mim sem me ou i pelo menos, sabe? P – En endi. E nas emp esas que ocê abalhou qual e a a p opo ção de pessoas neg as em ca gos de ge ência, de di e o ia...? E1 - Olha, amos lá... nas minhas 3 úl imas expe iências... amos começa do um es ágio. No meu es ágio inha neg os... homens? P – Pode se mulhe ambém se i e . E1 - Homens eu não ia. No meu es ágio eu não ia. Mulhe es... inha 1 no RH, e ela não e a a di e o a do RH, ela e a um b aço do RH, que cuida a mais de p ocessos ope acionais. As ge en es de RH e am loi as, b ancas, e ela e a como se osse a ope acional do RH. Mas ela e a uma pessoa mui o bem is a na emp esa, mas ela e a ipo a do DP (Depa amen o Pessoal). Quem azia as di e izes da emp esa e a as b ancas, as loi as. E no meu p oje o inha uma mulhe neg a, é uma g ande amiga minha a é hoje... e ela não chegou à posição de ge en e. Ela e a uma coo denado a, mas ela azia a unção de ge en e. Ela e a a esponsá el po mui a coisa, ela e a mui o sob eca egada... e inha um ge en e homem, esse ge en e saiu e, assim, a única pessoa quali icada 107 p a assumi a posição dele e a a “(nome da mulhe )”, po que ela inha um conhecimen o écnico e as habilidades ge encias p a se ge en e. Sem ala de ques ões é icas. Ela e a uma pessoa mui o quali icada, ela e a a mais quali icada do p oje o, ela em um mes ado na Suécia, ala inglês, espanhol, ancês, po uguês, expe iência in e nacional, abalhou na ONU. Ela e a mui o bem quali icada p a posição, mas quem pegou a aga oi um ou o homem, b anco. E não inha nem 10% da quali icação dela, an o que ele icou como ge en e, mas quem e a a esponsá el po oda a ges ão do p oje o, cus o, a é a p opos a come cial e a ela. Ele basicamen e se esumia ao conhecimen o écnico que e a da ques ão ambien al, ele e a um es udioso da á ea, e ele se esumia a isso. Mas ela e a a ge en e do p oje o, ela azia a ges ão. En ão, ipo assim, isso oi no meu es ágio. No meu abalho em Po ugal, pelo a o de eu es a o a do país, p a icamen e não inha neg os. De ez em quando apa ecia um neg o de ascendência a icana, mas não ica a, eu não ia mui a in e ação, eu não ia as pessoas se em mui o ecep i as, aí a gen e já á alando de ou a cul u a, é ou a ques ão. Mas no meu úl imo abalho no Rio de Janei o eu abalhei num se o que e a um se o mais isado, po que e a um se o que ep esen a a a maio pa e dos luc os da emp esa, e lá oi um dos pio es luga es que eu i, que eu já expe imen ei o acismo, pode-se dize , den o de uma o ganização. Po que lá é uma emp esa mui o jo em, e é uma emp esa jo em... é uma emp esa jo em, mas, ipo assim, mui o jo em da classe média al a do Rio de Janei o. En ão, é um g upo de pessoas mui o eli is as, pode-se dize , e, assim, o a da ealidade do Rio de Janei o, i e aquele mundo pe ei o da Zona Sul, Ni e ói, e não en ende o que é o subú bio do Rio de Janei o. É gen e que nunca a a essou p o ou o lado do únel. En ão a gen e inha que lida com as ques ões mais absu das. En ão, eu lemb o que eu ui selecionado, depois eu ui ap esen ado ao ime. Quando eu alei que eu mo ei em Po ugal e es udei em Coimb a, odo mundo ez assim: oh! (som de espan o). “Você mo ou em Po ugal?!” Aquela admi ação. A é en ão, no mal. Mas eu acho que se eu osse um b anco do mesmo clube deles, eles i iam ala : “ca amba, que legal.” Mas não, oi uma admi ação, isso daí espan ou. Ou a coisa que espan ou: o a o de eu e me o mado no “(nome da aculdade)”. As pessoas não espe a am que eu osse do “(nome da aculdade, uma das melho es e mais ca as aculdades do Rio de Janei o)”. Ou os a os: lá eu i e que mos a mui o o meu abalho p a pode chega na posição que eu cheguei. E depois que eu consegui chega num ce o p es ígio, de ou as pessoas i em me pe gun a como que eu azia o meu abalho, de ecebe p oje os à pa e, po que eu inha capacidade de desen ol e esse abalho, eu comecei a epa a que eu a a sendo boico ado em alguns pon os, e eu epa ei que e a uma coisa de ipo: “não acei o o F. se melho do que eu. Não que o e o F. numa posição melho do que eu.” E não e a só comigo, e a com os meus ou os colegas. A quan idade de neg os que inha lá, na minha equipe, que e a uma das mais isadas, e a 4, 5, num g upo de 50. Na equipe de endas, isso daí e a uma ou a á ea da emp esa que eu iquei ho o izado. Na equipe de endas, inha á ea de endas in e na e ex e na. As in e nas, eu acho que só inha 2, 3 em 80. E odos lá inham o mesmo pe il de classe média al a do Rio de Janei o. Todos. E inha 1, 2, 3 neg os, po aí. E eu inha um amigo que abalha a lá, abalha ainda. E a equipe ex e na... essa é a mais pa o osa. Eu ui num e en o, que eu encon ei os endedo es ex e nos, de endas di e as, e na Zona Sul e na Ba a não inha neg os. Não inha neg os, não inha neg os. E aí, quando eu en ei lá, eu que ia abalha na equipe de endas ex e nas e eu não ui selecionado, en ão, o que acon eceu, depois o am me explica que e a pelo a o de eu se neg o. Um pessoal ez uma análise lá, uma análise po o a, não e a nada o icial não, cons a ou que só inha neg os no subú bio e baixada, não inha neg os endendo na Zona Sul ou na Zona Oes e/Ba a. E aí a gen e epa ou que e a esc achada a si uação. E um episódio ecen e que acon eceu lá, que icou a é passí el de denúncia, oi o seguin e: eles encaminha am um e-mail indo do RH com uma campanha de pe is de enda. Tinha o pe il 108 endedo com espí i o emp eendedo , inha lá o pe il gue ei o, que e a o ope á io do dia a dia, alguma coisa assim, e inha um ou o pe il lá que eu não me lemb o. Mas o pe il emp eendedo e a um aluno que em de aculdades como Ibmec, FGV e PUC, ele pensa p a en e, que semp e pensa em ino ação, que semp e aze o negócio p a en e, e não sei o quê. E inha uma o o dele, de um exemplo, e a uma pessoa b anca. E inha o pe il gue ei o, ope á io, que já e a o esponsá el po sus en a a emp esa odo dia, é aquele que semp e cump e o ho á io, que ba e a me a, que dá o sangue e á p epa ado p a semp e es a de p on idão p o clien e. E ala a o seguin e: “esse aqui é o aluno que em da Veiga de Almeida, que em da Es ácio.” De aculdades medianas. E inha a o o de uma pessoa neg a lá. Quando isso caiu no e-mail, o g upo neg o que em lá na equipe, no ime, icou ho o izado. Ge ou um bu bu inho ão g ande, ge ou uma mani es ação, que o esponsá el da á ea e e que pedi desculpas p a oda a ope ação de mais de 100 pessoas. En ão, ipo assim, oi um episódio lamen á el e isso ep esen ou como eles não inham noção de como eles e am acis as e des espei osos com neg os, e po aí ai. En ão, assim, se a gen e i e alando em quan idade, os meus úl imos abalhos, além de e uma quan idade mui o pequena de neg os ep esen ando ali a p o issão, e am á eas que cons an emen e o neg o so ia p a se man e na p o issão. Ou ele inha gen e que endo de uba ele, po que não acei a a ele se igual ou melho , ou en ão ocê a a num ambien e supe hos il, com pessoas o empo odo e dizendo qual é o seu luga , ou qual é o luga que ocê de e assumi , e que jamais é o luga deles, o melho luga ou o que em mais possibilidades, en ende? En ão, é um ambien e mui o hos il. P – E no ambien e de di e o ia não inha pessoas neg as? E1 - Não, nunca i. Nunca i. P – Você acha que em emp egos de b ancos e emp egos de neg os? Que há uma di isão acial do abalho? E1 - Eu não conco do, mas eu acho que em sim. Eu acho que em. Tem ce as á eas que ocê ê de ca a que a maio pa e é neg a, no malmen e são abalhos se içais, de es a semp e se indo alguém. E emp egos de b anco são emp egos que no malmen e... não sei se eu posso dize isso, mas que exigem uma o mação, uma p epa ação, um ní el in elec ual, que meio que se espe a que seja b anco. É uma coisa que eu a a pensando ou o dia, sob e as minhas expe iências hoje mo ando em “(cidade i landesa)”. Eu semp e lu ei an o p a não aze aquilo que se espe a a de mim, que e a o quê: ah, e minou o colégio, ai p o abalho, qualque me da, ganha um salá io e segue a ida. Eu semp e lu ei an o p a consegui coisas melho es e udo mais, né? Mas no im das con as, odei, odei, odei e em “(cidade i landesa)” eu ô azendo um abalho de me da. ( isos). Tô azendo um abalho que não exige quali icação e udo mais. Mas p a um b anco, no malmen e ele c esce na ida dele sem e que se p eocupa com o que espe am dele. Ele não p ecisa se p eocupa com que ipo de abalho ele ai consegui , como que ele ai aze p a ugi da ealidade dele, ou como que ele ai aze p a consegui aquela aculdade que ele jamais pensa ia que i ia consegui . Ele não em que se p eocupa com isso po que ele já em uma expec a i a mui o boa, p incipalmen e se ele em de uma classe média, já á na u alizado que ele ai e mina a escola e ai p a aculdade, ai segui uma ca ei a, que pode se a dos pais ou pode se uma di e en e, uma melho , ele ai e odo um apoio, odo mundo espe a dele, en ão, assim, a con e sa dele é pensa em cu sinho: “ah, acabei a escola, ou aze um cu sinho, ou começa a aculdade.” Tipo, a é os 25 anos, a ida dele á mui o anquila, bem o ganizada. P o neg o, isso não exis e. Se ele consegui e mina a escola, dê g aças a Deus. É essa a di e ença, en endeu? Po que ocê ê a é na eação das amílias... quando uma amília neg a ê: “ah, meu ilho e minou a escola.” É uma g ande 109 hon a. É uma es a, é um momen o especial. E p a uma amília b anca, ipo, não é nada. Não é nada. En ão, assim, são essas as elações que a gen e ê. E a gen e ê na di isão de abalho mesmo. Você ê neg os semp e ali, em pos os de abalho se içais, e b ancos, é mais comum ocê e em posições di e en es, em posições melho es, em posições de comando, e po aí ai. P – Você acha que um exemplo ideal de masculinidade é um homem bem-sucedido? E1 - Não sei. Bem-sucedido em que sen ido? Financei o? P – É... p o issionalmen e. E1 - Olha, não deixa de se um exemplo. Eu acho que p o issionalmen e, bem-sucedido, e neg os ocupando posições supe io es de comando, é sim, um bom exemplo, de masculinidade, de neg o, de pessoa a segui . Po exemplo, eu enho a “(nome da amiga)” como uma g ande e e ência. Ela é uma mulhe neg a, que em uma his ó ia mui o pa ecida com a minha. Ela me inspi a mui o po que ela saiu... apesa de ela e ido uma ida boa, azoá el, que eu ambém i e, a gen e nunca passou necessidade, a gen e semp e e e uma es u u a amilia , a gen e semp e e e uma média de enda que bancasse udo que a gen e p ecisasse... mas ela saiu do que e a espe ado dela. Que al ez se ia ali se uma uncioná ia pública, ou uma abalhado a assala iada, no máximo consegui uma coisa de ge en e de loja, alguma coisa assim. Ela saiu o almen e disso. Ela desen ol eu o inglês dela, ela ez aculdade ede al, ela oi aze mes ado na Suécia, ela se en ol e com pessoas de o a do país, ela oi abalha com a ONU, ela oi aze abalhos in e nacionais. En ão, ipo assim, ela saiu o almen e da zona de con o o dela, em busca de um pa ama melho . Quando a gen e abalha a jun os, ela e a sem dú idas nenhuma, uma das pessoas mais quali icadas do p oje o, espei adíssima, an o que ela oi abalha numa ou a agência in e nacional bombadíssima, ela a a azendo um abalho b ilhan e, e hoje á abalhando na Suécia, num ins i u o de pesquisa da Uni e sidade de Es ocolmo. En ão, ipo assim, ela é uma pessoa que eu olho e eu ejo um g ande exemplo, como pessoa neg a, como pessoa subu bana do Rio de Janei o. Ago a, como homem, não enho. Mas eu ac edi o que sim, se bem-sucedido p o issionalmen e é uma o ma de exemplo de masculinidade neg a, de pessoa, se ocê i e uma pessoa que ocê se iden i ique nesse quesi o de aça e p o issão, sem dú ida nenhuma é um exemplo. P – E quando ocê pensa num exemplo de homem ideal, que ocê gos a ia de se , quais ca ac e ís icas ocê admi a num homem? E1 - Acho que a p imei a é é ica, sem dú ida nenhuma. E eu acho que eu posso dize que eu ap endi isso mui o com a “(amiga ci ada logo an e io men e)”. Com a “(nome da amiga)” e com a “(nome da amiga)”. Eu ap endi com mulhe es isso: é ica p o issional. Po que a é ica p o issional ai mui o mais além de agi co e amen e. É uma manei a de inspi a . Po que quando ocê abalha com pessoas que são co e as, mas co e as mesmo, não são co e as só em ques ões polí icas, mas co e as na ida como um odo, uma pessoa p eocupada em como não o ende o p óximo. Uma pessoa p eocupada em como espei a o abalho do ou o, não aze algo que assedie a posição da ou a, ou que deixe a ou a pessoa descon o á el, isso daí é inspi ado . Elas me ensina am mui o em ques ões assim. E aí, uma qualidade é se é ico p o issional. A ou a que eu acho que me inspi a e que me chama mui o a a enção é cump i as me as, é cump i o que em que aze . Isso p a mim é mui o impo an e, po que isso daí é uma o ma de medi o seu esul ado. E eu acho que a p incípio é isso: se é ico p o issionalmen e, a ingi esul ados e com ce eza se empá ico, sabe espei a os ou os, sabe lida com os ou os. Eu acho que esses são os 3 pon os que eu en o segui na minha ca ei a e eu acho que isso é uma base bem boa p a se i de inspi ação e exemplo. 110 P – E o a a ca ei a, em alguma ou a ca ac e ís ica que ocê pense quando ocê pensa num homem que deseja se o na ? E1 - Ah, in eligência... se in eligen e, se uma pessoa... aí em a empa ia, de espei a o p óximo. Eu admi o mui o as pessoas que espei am as ou as. E gene osidade, sem dú ida nenhuma, é uma i ude que eu ap ecio mui o, mexe mui o comigo. A p incípio, isso. É po que isso é mui o di ícil, né? A gen e não em uma lis inha do que admi a nos ou os. A gen e conhece as pessoas, e en e os de ei os e as qualidades, a gen e acaba admi ando. Inclusi e a gen e a é admi a de ei os, né? P – E o que ocê acha do sis ema de co as e o que acha que isso ep esen ou na ida dos jo ens neg os? E1 - Eu acho um sis ema necessá io, e isso ep esen ou sem dú ida nenhuma uma opo unidade de mui os muda em de ida, e mui os mos a em o seu alo , mos a em a sua capacidade. E isso daí é um sis ema que unciona, não exis e isso de diminui a qualidade do ensino, mui o pelo con á io, az uma di e sidade de pensamen o e uma mudança na o ça de abalho que é necessá ia p a c ia no as soluções, p a c ia no os me cados, c ia no os p odu os. Esses dias mesmo eu a a endo uns a igos, eu a a endo uns amigos... eles ão p oduzindo an o, ão azendo an os abalhos, que se não ossem eles, não se iam ei os. Se iam abalhos que não se iam ei os. E são pob es, neg os, que acessa am o sis ema de co as, e ão aí azendo coisas di e en es, en ende? Coisas di e en es que ão desen ol endo um no o me cado. E aí ocê começa a olha as indús ias. No malmen e o neg o se des aca mui o na indús ia cul u al e de espo e, né? Mas se ocê o olha , po exemplo, a indús ia onog á ica do B asil, ela e e um boom mui o g ande e a base dela é de pessoas neg as, a is as neg os. En ão isso daí mos a que quando o neg o consegue acessa ce os con eúdos, ele az uma no a oupagem, um no o con eúdo, uma no a isão, sem dú ida nenhuma bené ica p o me cado. P – Na en e is a an e io ocê disse que o neg o em que es a p epa ado. Po que eu e pe gun ei como ocê acha a que a gen e ia muda essa si uação e ocê disse que o neg o em que es a p epa ado. E aí, na ealidade do neg o b asilei o, quão di ícil ocê acha que é se p epa a e qual ocê acha que é o papel do Es ado nessa equação? E1 - É di ícil p o neg o se p epa a po que ele não em exemplos. Ele não em e e ências de como se p epa a , en ão ele não sabe o caminho a segui . A é chega nesse pon o de sabe p a onde i , isso demo a mui o, pe de-se mui o empo, às ezes ele pode es a o a do me cado po causa disso, e isso é um p oblema. En ão, po isso que é mui o bom e e e ências neg as, de pessoas ensinando o caminho das ped as. En ão, assim, eu posso dize que se p epa a é mui o di ícil, e exige um au oconhecimen o mui o g ande, exige sabe os pon os acos e o es do seu po encial, e ocê p ecisa pensa mui o em como consegui o conhecimen o e a p epa ação necessá ia. Hoje em dia, eu acho que e acesso a esse conhecimen o é mui o ácil, po que ocê em a in e ne disponibilizando aí milhões de coisas, milhões de possibilidades, ocê em acesso a ídeos, ocê ap ende o que ocê quise de casa hoje em dia. En ão eu acho que adqui i conhecimen o é mui o ácil. Ago a, é mui o di ícil consegui coloca em p á ica, po que no malmen e i e uma expe iência exige dinhei o, exige es u u a, exige empo, exige mui a coisa que p o neg o que á no olé odo dia de abalha e se ude , e abalho se içal, e se i e não sei o quê, ele não ai consegui . Ganhando um salá io, ele não ai consegui . Ele p ecisa de ajuda, ele p ecisa da amília, ele p ecisa de mui a gen e po ás podendo ali alimen a esse sonho dele de consegui alguma 111 coisa di e en e, en ende? Sozinho, po si só, é mui o di ícil. Mui o di ícil. E qual que e a a ou a pe gun a? P – O papel do Es ado. Qual que ocê acha que é o papel do Es ado nessa equação. E1 - Ca a, eu acho que o papel do Es ado é sim de incen i a esse público e acesso a udo. Que seja o nece uma bolsa, ou que seja o nece uma ins i uição que coloque neg os em con a o com... ou neg os ou a população mais pob e que em essa di iculdade, em con a o com ou os conhecimen os. E eu acho que isso daí é mui o aplaudido no mundo in ei o, po que ocê ê g andes nações azendo p oje os in e nacionais, de c ianças esc e endo ca as p a ou as c ianças de ou os países. Você ê ins i uições... po exemplo, o Consulado B i ânico, ele az mui a a i idade, em di e sos países, p omo endo a cul u a deles, a cul u a b i ânica, com acesso a inglês e udo mais, em di e sos países. O B asil em um mon e de a i idade no Consulado B i ânico. E o go e no pode ia aze coisas mais... ou al ez menos excluídas do que já é, en ende? Faze aquilo ganha uma p opo ção maio . Você em a Embaixada Ame icana que az ambém uma di ulgação inc í el com a cul u a ame icana pelo mundo, a Embaixada Espanhola. En ão, assim, ocê pode e um abalho in e nacional en e di e en es nações p a p omo e essa gale a. Você pode ambém pensa em como ajudá-los a acessa a aculdade, o ensino supe io , com mui os cu sos p é- es ibula es g a ui os, e po aí ai. Ou seja, eu acho que exis em meios que o go e no pode sim omen a um desen ol imen o melho p a esse público. En ão eu acho que é undamen al o papel do go e no, po que se ocê o pa a p a e , odo mundo paga impos o, né? E a p opo ção do impos o do pob e, que paga o mesmo impos o que o ico da Zona Sul ou de qualque ou o luga do B asil. Ele paga a é mais, po que amos supo , ele em um salá io mínimo, que seja 20% do salá io dele é impos o, 30% do salá io dele é impos o, e ele paga o mesmo impos o na comida que o ico, que é 1% do salá io dele, en ende? En ão, assim, eu acho que é uma ob igação do go e no. P – Beleza. E a úl ima pe gun a é: como ocê se sen iu sendo en e is ado po uma mulhe b anca e se ocê acha que se ia di e en e, melho ou pio , se osse en e is ado po um homem neg o, se ocê se sen i ia mais à on ade, e se ocê em alguma ecomendação pa a mim. E1 - Hmm... não me sen i es anho po que eu sou uma pessoa abe a e alo, não enho mui a di iculdade pa a ala , p incipalmen e desse ipo de ques ão. Ób io que oca em alguns pon os mui o sensí eis, que mexem com a gen e, mas eu consigo ala . Mas eu acho que ocê, como mulhe b anca, não em a sensibilidade de uma pessoa neg a p a sabe oca em ques ões neg as. Você en a, ocê consegue aze mui o bem, ocê abo da ques ões mui o boas, mas al ez ocê... eu sin o que ocê não compa ilha das mesmas ques ões que eu, e eu não sei a é que pon o ocê em a capacidade de se coloca no meu luga . Eu acho que essa é uma dú ida que eu ico. Eu posso sabe depois no seu abalho, mas é uma coisa que eu ico: “não sei se ela en ende essa do em mim como eu sin o, ou se ela ele a mui a coisa.” Po ém, eu não consigo de e mina isso po que a o ma como ocê me pe gun ou oi mui o... não digo ia, po que não é ia a pala a, mas eu i que ocê en ou se impa cial, en ão, não in luencia a minha espos a e nem da mui a opinião, só cole a . En ão, nisso daí eu não posso a i ma nada, mas eu sin o que em mui as ques ões ocê não em a capacidade de se coloca no luga nem en ende a do , e al ez ca a mais. Eu acho que em ce as pe gun as que ocê pode ca a mais p a descob i mais coisas, en ende? Mas eu não sei se é isso que ocê que ambém. P – E ocê acha que ocê se sen i ia mais à on ade sendo en e is ado po um homem neg o, po exemplo? 112 E1 - Não. Não sei na e dade. Depende da posição. Depende do ipo de con e sa. Se osse um ba e-papo, onde eu alo e ele ala, al ez eu me sen i ia mais à on ade, po que ele en ende ia o que eu passo e eu ia en ende o que ele passa, en ão isso daí o na ia a con e sa mais abe a. Se osse uma en e is a, onde ele pe gun a e eu espondo, p a mim eu acho que não a ia mui a di e ença não. P – E se osse po um homem b anco? E1 - Ca a, se osse um homem b anco, não sei... se osse um homem b anco al ez eu não me ab i ia de al o ma, como me ab i, en endeu? Po que eu sen i ia que eu es a ia alando com um conco en e meu. Ou com uma pessoa que pode ia ouba uma aga minha, ou me sen i ia como demons ando o meu pon o aco p o meu p incipal inimigo, po que eu ac edi o que o meu maio conco en e é o homem b anco. Em á ios sen idos, emp ego, ida pessoal, ida... de udo, udo, udo, udo. É o ca a p incipal que ai me acusa , é o p incipal que ai me apon a ... ou seja, é a pessoa que eu menos posso con ia , que mais me ameaça, que mais me az sen i ameaçado, posso dize . En ão, al ez... ce amen e eu não me ab i ia da mesma o ma. Eu não ala ia o que eu alei. Tal ez, en a ia mos a um pouquinho das injus iças sociais, mas não sei se ele en ende ia... se ele se ab isse e se demons asse alguma empa ia, al ez eu coloca ia alguns exemplos meus, mas não ala ia udo. P o a elmen e eu não ala ia udo. Ag adecimen os. 113 TRANSCRIÇÃO SEGUNDA ENTREVISTA En e is ado 2: Aldemi o, 28 anos, Ensino Supe io Comple o, Mes ando, Ad ogado, a ua a como Consul o T ibu á io, Sol ei o, Simpa izan e de eligiões de ma iz a icana, Classe C, Homossexual, Neg o, Gêne o Masculino, ex-mo ado da Gló ia (RJ), ago a mo a em Lisboa. P - Pesquisado a E2 - En e is ado 2 P - Como é se um homem neg o no me cado de abalho b asilei o? E2 - Ca a, en ão, eu acho que eu acabei i endo numa espécie de bolha de... é es anho usa p i ilégio quando se ala de homem neg o, né? Mas eu acho que de um de e minado p i ilégio no meu úl imo abalho... e de ce a o ma desde que eu en ei p o Di ei o eu não encon ei di iculdade pa a consegui es ágio e depois o abalho, mas eu sei que isso oi, assim... uma sé ie de so es sucessi as que eu passei. E al ez ambém po que eu iz escolhas bem pensadas p a chega a é onde eu es a a... en ão... ocê que que eu ale? P – Sim, se ocê pude desc e e um pouco mais... E2 – En ão, eu comecei azendo um es ágio olun á io. Eu ui p a De enso ia Pública me o e ece p a abalha g a ui amen e... e me dediquei, e consegui a simpa ia do de enso onde eu abalha a e consegui uma ca a de ecomendação, e aí eu comecei a p ocu a um es ágio emune ado. Fui p o meu p imei o es ágio emune ado, e lá eu ambém encon ei uma equipe mui o boa, em que eu não so i nenhum ipo de a i o ou si uação de acismo. E... a é que eu cansei da ma é ia que a á amos lá, e esol i sai de lá, iquei um mês o a e aí esol i busca no amen e. O meu cu ículo oi en iado de um esc i ó io p a onde eu inha ealmen e en iado, p a um segundo esc i ó io, como ecomendação. Po que quando eu en iei, já inham con a ado um es agiá io p a lá, mas como eu inha ca a de ecomendação e e c., en ia am p a um ou o esc i ó io, que ez con a o comigo. Nesse esc i ó io, oi uma coisa mui o legal p a mim, po que quem me en e is ou oi uma ad ogada neg a. O que eu achei sensacional, po que e a um esc i ó io g ande... um esc i ó io bou ique, né? T ês anda es, espelhado, sec e á ias e udo mais que se espe a de um g ande esc i ó io... e uma ad ogada neg a me en e is ando. E aí eu ui ap o ado p a esse esc i ó io, e passei algum empo lá. Nesse esc i ó io, eu não pe cebi disc iminação... eu, pe cebe . Só que após a minha saída de lá, essa ad ogada que me en e is ou, ela me con ou as coisas que ela bloquea a p a que eu não soubesse, sabe? Ela já so eu mui o ao en a nesse esc i ó io, po que a é en ão ela e a a única pessoa neg a do esc i ó io, en e os ad ogados. No BackO ice inha pessoas neg as, em unções adminis a i as... e aí ela começou a ala que quando ela me selecionou, p imei o só endo a minha edação e udo que ela alou da en e is a, a a udo ó imo... e aí depois, no meu p imei o dia, os ad ogados o am pe gun a p a ela po que mesmo que eu ha ia sido escolhido... e semp e inha algum incômodo deles com elação a isso mas que ela nunca deixou passa , po que ela e a mui o a i a den o do esc i ó io e e c. Saindo de lá eu iz o p ocesso de ainee p o meu úl imo emp ego. Eu ui ap o ado com mui a apidez ambém, o que eu achei mui o legal... o p ocesso p a mim du ou um mês, só. Os p ocessos de ainees nós sabemos que pode du a seis, se e meses, en ão, oi mui o ápido. E aí den o dessa úl ima emp esa que eu acho que oi a maio bolha p a mim. Po que p imei o eu i e que aze uma o ação po di e sas á eas, a é i p a minha, que e a de impos os in e nacionais. E a minha á ea e a majo i a iamen e b anca, ob iamen e. O anda onde eu abalha a inha 205 pessoas, 2 pessoas neg as. 120 oda a minha cabeça, e a minha cabeça oi sendo cons uída. Po que é mui o di ícil, a gen e não ap ende sob e acismo na escola, não se ap ende as consequências disso... mui as ezes acha-se que acismo é apenas olha p a alguém e xinga , é ala : “ah, não gos o de ocê po que ocê é neg o.” E não odos os ieses inconscien es que azem jun o disso, ou odas as limi ações que são impos as pela sociedade jun o a isso, ou odo o não e pelos quais os meus an epassados passa am, e que azem udo o que es á ago a. En ão, ap endi com meu io e sim, hoje eu sou absolu amen e a a o . Acho que em que e . Eu ô lendo um li o sob e isso, sob e a e iciência da polí ica de co as em di e sos países do mundo. Comecei a le há pouco empo, en ão eu ainda não sei a conclusão, se oi e icien e em algum luga ... mas eu acho que ela é necessá ia. Sim, em que melho a o ensino na base, ambém, ob iamen e, mas as co as no ensino supe io são ex emamen e necessá ias, e acho que de e ia e mais. Acho que já em ago a p a concu sos públicos, né? E acho que, ago a, de ce a o ma, ocê em co as den o de emp esas, né, en e aspas, po que ago a a di e sidade é mais cob ada, en ão en a-se, mas den o do me cado de abalho de e se algo que de e se igiado, ambém, p a não ha e c iação de o ens, né? Que é aquele... pega, con a a uma pessoa neg a, que é a que ai apa ece semp e, e aí ão acha que aquela emp esa é di e sa. Tem uma amiga minha que abalha na B. (nome de emp esa b asilei a). E pelo que ocê ê na p opaganda, a emp esa é supe di e sidade, é supe legal e não sei o quê... e a minha aminha é uma mulhe neg a, passou p o p ocesso de ainee lá e oi mo a no sul do país... e ela não conseguiu. Depois de 1 ano ela p ecisou sai po que ela so eu an o, oi an a coisa, an o acismo em cima dela, que ela saiu. Ela ganha a um ó imo salá io, e a um ó imo emp ego, com ó imas opo unidades, mas não deu. En ão eu acho que em que se igiado ambém, p a não e a c iação de o ens, e nem p a acon ece algo que depois ai se p ejudicial p a saúde do p o issional que á ali naquela emp esa. Tem de ha e einamen o, uma po ção de coisas. E p a não ha e ambém manipulação de núme os, como acon ece com p o issionais de PcD (Pessoas com De iciência), po exemplo. Exis em leis p a co as de p o issionais de PcD, em que ha e um de e minado núme o. Só que, eu sei de emp esas, po exemplo, que em um mon e de PcD, mas só no BackO ice. Tem um mon e de PcD que le a en elope de um lado p o ou o, não az o abalho... o co e business da emp esa não é ei o po nenhum PcD. En ão, á endo ealmen e essa inclusão? Ou as pessoas só que em o núme o? Po que no inal é: “ah, 20% dos nossos p o issionais são PcD.” Tá... mas eles es ão ealmen e azendo o que a emp esa az? Os seus consumido es es ão endo isso? Es ão podendo econhece o seu abalho ou são só núme os? Mas, en im... é necessá io e de e se expandido. P – E o que ocê acha que isso ep esen ou na ida dos jo ens neg os? E2 - Ca a, essa pe gun a... essa pa e é a mais di ícil, po que... eu já li, mas mui o b e emen e, en ão eu não posso ala com ce eza, mas nós... um dos ieses inconscien es que pessoas neg as acabam so endo é de não adequação, ou acha que não se encaixa em exa as, né? Em disciplinas de ma é ias exa as: em ísica, em ma emá ica, essas coisas. En ão o que acon ece é que... e é um ema que eu que o es uda mais p a pode ala com p op iedade... mas, en im, o que acon ece é que a maio pa e dos co is as não es á indo... as co as não es ão sendo p eenchidas em odos os cu sos. Es ão indo odos pa a os cu sos das á eas de humanas. Que é supe necessá io, eu sou de humanas, en ão... humanas é necessá io, mas eu gos a ia que isso osse ampliado, po que, po exemplo, CEOs de emp esa di icilmen e são o mados em á eas de humanas, eles são engenhei os. E se os ieses inconscien es nos azem não escolhe engenha ia po acha mos que ma emá ica é algo mui o a as ado, mui o di ícil p a gen e, algo em que se ei o. Po a, ma emá ica é egípcia, ma emá ica é da gen e! É nossa! Mas ieses nos azem c e que nós não somos bons nisso. En ão, 121 po acha mos que não somos bons nisso, não p ocu amos. En ão, as co as es ão uncionando em pa e. Tá endo mais acesso ao ensino supe io , mas es ão odos indo po um mesmo caminho. E aí, passa po uma e o ma lá embaixo, né? do ensino. E aí a o ma como se ia ei o eu ealmen e não enho ideia, mas eu acho que Paulo F ei e ala a de ipos de in eligência... al ez uma e o ma de ensino ão p o unda, a pon o de e i ica o ipo de in eligência de cada uma das c ianças e en a di eciona p a es udos sob e isso... mas, en im, aqui eu já ô di agando mui o... eu acho que as co as es ão sendo e icien es, mas eu gos a ia de e mais pessoas neg as em cu sos de exa as, ou de biológicas ambém. Eu que o mais médicos neg os, eu que o... mas, é isso, á sendo e icien e, mas eu gos a ia de e a gen e indo mais pa a as exa as p a que a gen e possa ocupa ca gos em emp esas e e mais CEOs. Eu não que o que enha só a Rachel Maia (mulhe neg a, CEO da Lacos e no B asil), eu que o que enha milha es, eu que o que seja no mal. Eu não que o que seja, ipo: “olha, ejam a CEO da Pando a! É uma mulhe neg a! Olha, que legal! Bo a na capa de uma e is a!” Não, eu que o que seja ipo: “ah, á. Uma CEO neg a, ou a CEO neg a, uma CEO b anca, uma CEO asiá ica...” e oi, e icou di e so, e icou na u al, e não é um p oblema. Esse é o meu sonho u ópico. P – En endi. Você já p ecisou concilia abalho e es udo? E2 - P ecisa , não. Mas sim, conciliei. Mas, no amen e... como eu alei, eu comecei a aze es ágio, o es ágio e a necessá io den o da aculdade de Di ei o... ocê a é pode conclui o cu so sem aze es ágio, mas den o do me cado de abalho de Di ei o, e aí, independen e de aça ou gêne o, se ocê não az um es ágio, di icilmen e ocê consegue en a p a um esc i ó io depois disso. Não que seja descolado a ida o ense, a ida den o de um esc i ó io, de ibunais, com o que ocê ap ende den o da aculdade. Dá p a ocê se um bom ad ogado se ocê não ize es ágio, mas o que é acon ece é que mui a coisa acaba e pegando de su p esa. Po exemplo, po e ei o es ágio, eu iz a minha p o a da OAB, eu a a no sé imo pe íodo, iz a p imei a ase, depois no oi a o, eu iz a segunda ase e passei, endo ei o a p o a uma única ez. E só com as coisas que eu já inha assimilado po con a do es ágio. Uma ou a amiga, que não azia es ágio, mas que e a a aluna mais aplicada, mais CDF, não passou. Ela p ecisou aze , e depois ez mais uma ez, e só na e cei a ez ela oi. Po que a gen e ai ap endendo an a coisa no es ágio, que acili a, sabe? En ão... eu decidi aze o es ágio e depois do es ágio eu iz essa p o a p a ainee e passei p o ainee. P imei o, o es ágio e a necessá io po que eu já inha esse pensamen o de e uma ca ei a pos e io . E depois, quando eu passei p o ainee, e a uma opo unidade que eu alei: “ok, ai se um abalho, 8h, ai se uma o ina mais puxada...” mudei p o ho á io da noi e, po que eu azia aculdade de manhã... mas oi pensando em ca ei a, não po necessidade inancei a. En ão... p ecisei? Não. Mas iz. E eu acho que isso muda mui o a pe cepção. Po que quando ocê p ecisa, ocê ai p a qualque emp ego e acei a mais coisas. Eu ui p a essa emp esa po que eu que ia aquilo e mais, a á ea que eu iquei no inal que oi a de Impos os In e nacionais, quando eu ui p a lá, seque ha ia ainee, o his ó ico da á ea e a o de não con a a ainee. E eu só iquei na emp esa po que eu consegui se con a ado como ainee pa a aquela á ea. Se não osse p a Impos os In e nacionais, eu e ia saído. En ão eu acho que eu não p ecisa , me dá essa di e ença. P – O que ocê pensa da impo ância de possui ne wo king? E2 - Isso é uma das coisas mais impo an es, mui as das agas não icam abe as pa a o público em ge al. Na minha á ea mesmo, di e sas pessoas o am con a adas po que o am indicação de alguém... não é necessa iamen e algo uim. Po que exis em duas o mas de indicação. A indicação de “ah, é ilha do ulano” e a indicação de “conheço, po que já abalhei jun o”. Na minha á ea, 122 no amen e uma bolha, á? Mas na minha á ea, odas as pessoas que en a am oi po que alguém já abalhou jun o e a es a a qualidade daquele abalho. Conheço pessoas da emp esa que es a am lá po que e am sob inhas de um sócio, po que conheciam alguém, po que e am ilhas do di e o de uma emp esa que con a a a a gen e... acon ece, sim. Isso é o ne wo king uim. Mas o ne wo king bom é ocê conhece ou os p o issionais que a es em a sua qualidade, isso é mui o bom. P o mes ado, uma das coisas que eu ouxe oi isso: ca as de ecomendação de pessoas que abalha am comigo e que a es a am a minha qualidade. En ão, é bom. Ne wo king é bom, é necessá io... p o issionais neg os em pouquíssimo. E aí, passa po uma sé ie de coisas. Na minha á ea, ab iu aga p a assesso , eu a a p ecisando de um assesso , e a alguém p a abalha p a mim. E eu pode ia indica quem eu quisesse. E eu pa ei p a pensa , e eu não consegui pensa em nenhum p o issional neg o. Po que na minha sala de aula, é amos dois. Olha, di icilmen e eu consigo dize que eu e a sozinho, mas ambém nunca digo que eu e a um g upo. Tipo... é amos dois. E a segunda pessoa e a um apaz que e a um pouco mais elho, que a a lá numa lu a um pouco maio p a paga a mensalidade, e ele já inha o p óp io emp ego... e só. E eu não conhecia mais ninguém. E aí, den o da minha á ea, em um eco e maio , po que ocê p ecisa e luência em inglês, e é p a abalha com ibu á io... den o dos eco es que iam acon ecendo, eu não conhecia nenhum p o issional neg o p a pode indica . E po que acon ece isso? Vem, no amen e, lá de ás, po que os homens neg os, as pessoas neg as, homens e mulhe es... as mulhe es chegam um pouco mais po que as mulhe es... e aí é oda ala isso po que mulhe so e p a ca alho, mas quem mo e na mão da polícia é o homem. En ão... pelo amo de Deus, eu não ô dizendo que não em so imen o, á? Mas o homem neg o mo e an es de chega na aculdade. A mulhe chega e é massac ada pelo sis ema. En ão, os dois so em mui o. Mas o homem neg o não chega. En im... pessoas neg as di icilmen e chegam a é a aculdade... e aí, em que chega a é a aculdade, em que e o in e esse pelo ibu á io, e o ibu á io é a pa e ma emá ica do Di ei o... e aí, como eu alei an e io men e, em o iés inconscien e que nos a as a de coisas que enham con as po que, não sei... alguém in en ou. Igual quando in en a am que pessoas neg as não sabiam nada , e isso c iou um auma mui o g ande nos Es ados Unidos. Essa coisa de que pessoas neg as não sabem ou não podem nada , ou não nadam bem... e mui as pessoas neg as lá não sabem nada po que c ia am essa limi ação. E lá, inclusi e, e a p oibido. Neg os não podiam en a pa a a Ma inha, po que neg os não nada am. Mas, en im... e aí, em esse iés inconscien e e e c. E aí, ala em inglês... po a, aí... ocê que que o jo em neg o enha es udado, enha chegado a é a aculdade e que a amília ainda enha pago o cu so de inglês? E aí, ão c iando coisas que ão a as ando, en ão, o ne wo king é mais di ícil pa a a pessoa neg a po que nós não es amos no me cado de abalho. En ão, nós não nos conhecemos. En ão, é mais complicado. O ne wo king é algo essencial, mas que não aba ca p o issionais neg os, e aí, acaba não endo mui a e e i idade p a gen e. Hoje eu en o mais... eu comecei a busca mais pessoas neg as no LinkedIn, po exemplo, eu ejo uma pessoa neg a, eu já ou adicionando, eu ou endo a ede, p a en a mon a uma coisa... po exemplo, se eu soube de uma aga, ala p imei o com eles. E aí eu en o, eu enho já alguns g upos de pessoas neg as, onde eu alo: “olha, iquei sabendo disso”. E ejo eles alando ambém... en o manda p a algum amigo meu. Eu acho mui o álido. Só assim... Que dize , só assim, não. Mas assim é uma das o mas de nos in oduzi no me cado. Se não, é mui o mais di ícil. O caminho é mui o mais á duo. P – Você acha que há di isão acial do abalho? Há abalhos de b ancos e abalhos de neg os? E2 - Nossa... (hesi ação). Decla adamen e? O que a sociedade ê como abalho de pessoas neg as, são os abalhos de base, mais b açais, abalhos de limpeza... e uma coisa que eu li ambém é que pessoas neg as es ão nos abalhos de base, es ão na limpeza, mas, po exemplo, num es au an e 123 chique, mais ca o, as pessoas neg as es ão lá, mas só den o dos banhei os limpando, ou den o da cozinha. Mas nem p a a ende no salão são colocadas. No salão, quem ai a ende , quem ai in e agi com o clien e, já é uma pessoa b anca. En ão, acaba ha endo sim uma di isão. E aí, as mulhe es neg as, no B asil, são jogadas p a se em emp egadas domés icas, axinei as e a umadei as e udo isso que emon a à esc a idão. O homem neg o ambém... eu ejo mui o menos no me cado de abalho, po que a gen e á aí, apagado e sendo apagado..., mas o homem neg o es á ambém nas p o issões de base. E, no amen e, quando analisamos os ca gos supe io es, não chegamos a é lá, en ão, seque dá p a e essa di isão, po que não es amos p esen es. E aí podemos liga com o que eu disse an e io men e, dos ieses, que não amos pa a as p o issões de exa as... Eu ejo mui o o me cado de abalho coo po a i o, á? Po que é de onde eu enho, en ão, eu semp e ou e o pensamen o p a esse lado quando ala de me cado. En ão, não azemos exa as e não chegamos aos ca gos de ge ência, al a ge ência ou di e o ia. Como não buscamos essas p o issões... não é que não buscamos, mas como somos in luenciados a não busca essas p o issões, não chegamos a é lá. En ão, seque dá p a dize que haja um eco e lá em cima, po que não em como eco a o que não exis e. Acho que é isso... en ão, sim, há uma di isão ei a. Somos empu ados p a abalhos de base de ido ao acismo, e na pa e de cima não dá p a sabe se ha e ia ou não uma di isão po que seque chegamos a é lá. En ão, sim... ambém é uma ou a di isão, né? Po que se nós não chegamos a é lá, se os poucos que exis em não são p omo idos é po que já há um co e ali. P – Qual e a a p opo ção de pessoas neg as nas ge ências dos luga es onde ocê abalhou? Você me con ou que inha aquela ad ogada... E2 - É... de enso ia pública não con a, po que não e a ca go de ges ão, mas os dois de enso es e am b ancos. Não i nenhum de enso público neg o. O p imei o esc i ó io que eu ui só inha ad ogados b ancos. No segundo inha essa ad ogada neg a, só que ela e a ad ogada con a ada. E aí, isso é a é eng açado, esse caso dela especí ico... po que esse esc i ó io, e a um esc i ó io bou ique, e a um esc i ó io com mui o dinhei o e poucos uncioná ios. Tinha 8 ad ogados, eu acho, e eles e am sócios ambém, odos eles inham backg ound. Um, po exemplo, i ou sócio po que le ou a ede de ho éis da amília, o ou o e a sob inho de não sei quem, o ou o e a he dei o de uma cons u o a... e a gen e assim, nesse ní el que às ezes eu ica a a é: “ca aca! Eu não sabia que eu podia conhece essa gen e ica desse jei o.” En im, só gen e mui o ica e com mui o backg ound inancei o. En ão, p a se sócio lá, p a se ad ogado lá, ocê inha que se ilho de alguém, se não, não ola a. Só que, aí, eio essa ad ogada, a A. (nome da ad ogada), que é um dos amo es da minha ida, po udo que ela ep esen a. Ela é da baixada luminense, ela ez Di ei o na Uni io, ela passou com média 10, o C.R. (Coe icien e de Rendimen o) dela e a 10, eu nunca i uma pessoa com o C.R. 10... ela e a a pessoa que comia odas as ma é ias, e a isso... a OAB dela pa ece ambém que oi ou 9.9 ou 10, uma pa ada assim... ela e a a pessoa biza a. E aí ela oi aze esse es ágio. Na época que ela e a es agiá ia, ela con a que inha mais uma menina neg a. Só que ela... além de udo, ela sabia o quan o ela e a boa. Po que ela e a um pouquinho mais elha, ela já inha ei o uma ou a aculdade, ela ez En e magem, conseguiu um emp ego ede al, como en e mei a, en ão ela já ganha a bem. É o que eu alei, que às ezes, quando ocê não p ecisa, ica mais ácil. En ão, ela já ganha a bem como en e mei a, e aí, ela esol eu aze Di ei o, que e a uma on ade dela. A paixão dela e a o di ei o. En ão, ela oi p a esse esc i ó io. E ela conseguia concilia , po que como e a En e magem, ela conseguia concilia plan ões no ho á io X, en im... conciliou udo. En ão, ela inha o dinhei o dela, ela não p ecisa a daquele es ágio. Ela es a a no es ágio p a ap ende . En ão, ela e a mais abusada. Abusada en e aspas, né? Ela espondia à al u a 124 quando e a ques ionada. Ela me con ou de um caso que ela so eu... ela usa a o cabelo alisado. A ou a es agiá ia, não. A ou a es agiá ia usa a c eme no cabelo, e c., aquela coisa, po que a mulhe neg a so e uma p essão que hoje ela es á conseguindo sai disso, mas naquela época, ou usa a aquele cabelo alisado, ou o cabelo cheio de c eme p a con ola o olume. E uma ad ogada chamou a A. a é a sala dela e alou: “olha, ocê não pode da um oque p a ela, sob e como cuida do cabelo?” E a A. disse que espondeu: “Po que? Você iu algum p oblema no cabelo dela? Se ocê quise , ocê a chama a é aqui e ala ocê que ocê acha que ela de e alisa o cabelo e ocê des ila o seu acismo em cima dela. Um, não en endo po que ocê acha que nós somos amigas, ocê acha que as únicas duas pessoas neg as que em aqui den o em que se amigas imedia amen e? E dois, não en endo a in imidade que ocê acha que em comigo p a acha que eu ou le a o seu acismo a é ela.” A A. e a essa pessoa. Só que ela e a mui o boa. E assim, mui o, mui o boa mesmo. En ão, quando ela se o mou e se ia a época de sai , po que eles não i iam con a a , ela não ia i a sócia, po que ela não ia e dinhei o p a aze um apo e de capi al p a i a sócia. Só se ela endesse odos os bens, de odas as ge ações dela... ( isos). Só que inha um segundo di e encial nesse esc i ó io, que e a a dou o a L. (nome da ad ogada), que e a uma ad ogada lá, uma senho inha de quase 80 anos, que oi a p imei a mulhe che e de um esc i ó io de Di ei o T ibu á io no B asil. En ão, e a uma mulhe no comando daquele esc i ó io, e a uma mulhe de quase 80 anos. Isso eu acho que azia uma coisa posi i a p o esc i ó io, apesa de odo o acismo b anco en ol ido. Só que a dou o a L. sabia da impo ância da A., que ela e a impo an e p os casos mesmo... não oi po que ela e a mui o boazinha, não oi po que ela gos a a da A., ou po que ela que ia di e sidade. Foi po que a A. esc e ia mui o bem e a A. encia, e a A. azia dinhei o que ia p o bolso da dou o a L., não e a p o bolso da A. En ão, a dou o a L. ba eu o pé e alou: “olha, sócia ela ob iamen e não ai se , mas nós amos con a a essa menina.” E aí oi c iado o ca go de ad ogado con a ado p a ela. Não exis ia no esc i ó io a é ela... Nossa, isso udo é p a esponde da ge ência, né? Mas, en im... no segundo esc i ó io inha a A., mas ela e a ad ogada con a ada, não e a ca go de ge ência. Apesa de ela se ad ogada igual a odos os ou os, ela não e a sócia, ela ecebia salá io. E aí, na emp esa... em uma ques ão. Na minha á ea não inha nenhum ge en e neg o. Den o da emp esa oda, eu alei que é amos 2 pessoas neg as, né? Mas al ez ôssemos 3. Po que em um ge en e sênio lá, que é um ca go de ge ência a é mais al o, quase sócio, que eu (ên ase) o leio como neg o. Mas eu não sei se ele se iden i ica como neg o e como a maio pa e da sociedade o lê... é ques ão de colo ismo, ele em a pele cla a e e c., e em um compo amen o que nunca deu p a sabe se ele se iden i ica a como neg o. Ele nunca oi jun o da causa, nunca alou nada, en ão, eu nunca soube. Já a é ie am me pe gun a . O que é ambém uma coisa que às ezes as pessoas b ancas acham que eu sou o dedôme o: “mas, F., em cá, o ulano é neg o?” Eu ico: “ca a, ai pe gun a p a ele!” Mas, en im... ele eu não sei se ele se conside a a. E ele e a um ca a que... al ez osse a é um cuidado dele, po que ele ambém é gay. E ele nunca se posicionou como nenhuma das duas o mas. Pode: um, ele não que e se usado como o em, po que, senão, a emp esa pode ia pega e joga ele como: “olha, emos alguém aqui que é quase sócio, e olha aqui, neg o e gay.” Mas al ez, seja ambém po ele não que e se posiciona , en ão, eu ealmen e não sei. Mas den o do uni e so da emp esa, no meu anda , 205 pessoas, duas pessoas neg as que sabiam que e am neg as, e uma que eu não sei, e esse que eu não sei, a a numa ge ência. P – Você acha que há disc iminação acial na con a ação e na p omoção de candida os? E2 - Sim. E pode se ou po ieses inconscien es ou pelo acismo mesmo. Tem a é aquele ídeo mui o amoso, né? Pe gun ando p a pessoas de RH, mos ando uma pessoa b anca e uma pessoa 125 neg a na mesma si uação e como cada um enxe ga aquilo... Na minha emp esa, como eu alei, inha pouquíssimos... não sei o mo i o, não sei po que não e am con a ados, mas não e am con a ados. E... eu subi mui o ápido, a minha ca ei a oi acele ada, es a ia sendo acele ada ainda, mas... den o da minha bolha. E isso é uma ce eza que eu enho, que os meus pa es êm, que odo mundo da minha á ea em, e odo mundo do meu anda em. Todo mundo sabe que o meu che e e a um che e que não inha nenhum ipo de p econcei o... aliás, min o. Não é que ele não inha nenhum ipo de p econcei o, é que ele olha a o abalho acima de udo e ele en a a se despi de p econcei os. Po que i emos alguns emba es... já i e emba es com ele, e ele passou ambém a igia o que as ou as pessoas ala am, e ele ala a p a mim ambém: “olha, F., se ocê e i ica que alguém á endo qualque ipo de disc iminação, ocê ala comigo.” En ão, ele en a a. E ele disse que ele ap endeu isso po expe iência p óp ia. Ele con a que oi abalha numa emp esa nos Es ados Unidos, e que quando chegou lá, eles es a am buscando uma pessoa com as compe ências especí icas X, Y e Z, e que o esc i ó io já es a a buscando há um ano e meio e não acha a ninguém. E aí, acha am uma mulhe , que es a a g á ida, es a a no sex o ou sé imo mês de ges ação, e con a a am. E aí ele con a, que ele imedia amen e pe gun ou: “gen e, po que ocês con a a am essa mulhe ? Ela ai en a , e depois já ai sai , e ai se o maio gas o p a emp esa esse empo odo... ocês são loucos? Vocês são bu os?” E que a espos a que ele ecebeu oi ipo: “gas o nada, é um in es imen o. Nós es amos buscando alguém com esse pe il há um ano e meio. Ela p eenche o pe il, ela em a compe ência absolu a, en ão, ela ai se con a ada, ai ica de licença sim, o empo que ela quise , se ela p ecisa de mais um empo, a gen e dá mais um empo. E ela ai ol a e ai p eenche a aga, e ela é o que a gen e p ecisa.” E aí ele alou que isso oi... não sei, às ezes em pequenos apas na ca a que a gen e le a e que mudam mui o a nossa pe cepção. E ele diz que isso mudou mui o a pe cepção dele. Que isso oi ipo: “ok, en ão a compe ência em an es de qualque ou a coisa. Se a pessoa en ega, á bom.” E quando eu ui con a ado po ele, eu lemb o que a única coisa que ele alou oi que eu não inha exame de p o iciência de língua es angei a. E aí ele alou: “olha, eu não sei como é o seu inglês, não á aqui di o qual é o seu inglês. Mas eu já i a sua compe ência, pelo que eu i do seu inglês, é bom. Eu só peço isso, que ocê se ap imo e e me en egue semp e o melho . Se ocê me en ega semp e o melho , p a mim não em p oblema nenhum.” E eu semp e demons ei a p o iciência que e a necessá ia e e c., en ão, en im, com ele inha esse di e encial. Mas com ele. E aí, en im..., mas os núme os mos am, né? Não é c í el dize que numa emp esa com 200 uncioná ios... isso num dos anda es, á? Po que e am 4 anda es, com mais de 200 uncioná ios cada um... mas num anda com 205 uncioná ios, só e 2 ou 3 pessoas neg as... só 2 ou 3 se in e essa am p a uma aga? Não é c í el. Em algum pon o isso á sendo co ado. E aí, p a subida... eu subi, o ou o apaz neg o, ele subiu no mesmo ano que eu. En e an o, ele subiu com uma dispa idade sala ial ão al a que ele pediu demissão. P a ocê e uma ideia, eu es a a ganhando o dob o dele quando eu ui p omo ido. P – E po que ocê acha que isso acon eceu? E2 - Ca a... é mui o di ícil, po que as polí icas sala iais são um pouco obscu as, o que eu acho mui o e ado. Eu semp e alei p a odo mundo den o da emp esa o meu salá io e quan o que oi de p omoção... “ah, eu i e 40,37% de aumen o. Foi 40,37%, não oi 36, nem 38!” Po que eu acho impo an e, se odo mundo comunicasse o seu salá io... que é o que acon ece mui o, po exemplo, as mulhe es ganham mui o menos. Se ocê o ob igado a ab i o seu salá io, ai se possí el compa a . Po que se ocê az as mesmas coisas que aquela pessoa e ocê ganha menos, en ão, á endo um p oblema. En im... mas aí, quando ele oi p omo ido, ele e a de uma ou a á ea, o que ambém pode a ia o salá io, embo a odo mundo ganhe mais ou menos a mesma média. E aí ele 126 oi p omo ido com um salá io mui o, mui o mais baixo, e ele já e a p a e sido p omo ido no ano an e io , mas aí oi p omo ido no mesmo ano que eu, com o salá io baixo, e aí ele acabou pedindo demissão. En ão, eu alo a é que a di e sidade acabou, po que ele saiu, depois eu saí, e ele e a gay ambém... en ão... gays eu acho que é amos 4, neg os 2 ou 3, a depende . En ão, nós acabamos com a di e sidade quando nós saímos da emp esa. Ago a os indicado es ze a am... ( isos). Mas não sei o que le ou a isso... já ou i pessoas eclamando do inglês dele... mas não sei julga . Não sei dize ... é uma á ea complicada. Eu consigo mui o mais e ou os indicado es lá do que o de aça. Mulhe es, po exemplo, são maio ia na p imei a e apa. E aí, con o me ai subindo o ca go, ai diminuindo o núme o de mulhe es, a é a al a ge ência, que só em homem. En ão... e somen e homens b ancos, hé e os. En ão, a possibilidade de e algum iés que impeça a p omoção ali, é mui o g ande. E, po ou o lado, eu acho que a chamada disc iminação posi i a de e ia se aplicada, que é o que já á acon ecendo em algumas emp esas. A A. (nome da emp esa), po exemplo, az disc iminação posi i a p a con a ação. A A. busca p o issionais com o mação X, Y, Z e que es ejam den o do espec o de di e sidade. O que, às ezes, acaba p ejudicando pessoas neg as, po que quando a con a ação é ei a só po di e sidade como um odo, quem acaba sendo con a ado é o b anco da di e sidade. Eu li em algum luga que quando começou essa ques ão de con a ação de di e sidade, e c., o que as emp esas conse ado as começa am a aze p a dize que inha di e sidade, oi con a a mulhe es, b ancas, de classe média al a. Tá endo di e sidade? Sim, es ão con a ando mulhe es, o que é mui o bom. Mas só es ão con a ando mulhe es b ancas de classe média al a. Ou seja, eles pegam a escala de pode social e con a am somen e quem es á imedia amen e abaixo do homem b anco. O que é uma discussão mui o g ande, que eu já i e a é com uma amiga eminis a, se a mulhe b anca á abaixo do homem b anco, ou se abaixo do homem b anco es á o homem neg o, e depois a mulhe b anca. Mas, en im... discussões ideológicas à pa e... depende de como ocê ai olha essa discussão, mas den o do me cado de abalho al ez... e aí depois ela ouxe ambém ou os a gumen os..., mas en im, o que eu li oi que a con a ação e a ei a mais p a esse nicho: as mulhe es b ancas de classe média al a. En ão, en im... mas a disc iminação posi i a, a con a ação en iesada p a di e sidade, eu acho posi i a. E algumas emp esas já es ão eco ando cada ez mais. Es ão u ilizando o máximo de eco e p a en a inclui odo mundo, o que é mui o bom. Mas, assim, há di iculdade na mo imen ação, den o do me cado de abalho. Não ac edi o que as pessoas neg as sejam p omo idas, po que eu não ejo. E aí, eu enho expe iência não só com a minha emp esa, mas com os meus clien es, onde eu ia ge en es e di e o es, e eu acho que eu nunca encon ei nenhum clien e neg o. Eu nunca i. P - Eu que ia e pe gun a duas coisas. A p imei a é sob e os emba es que ocê já e e com o seu che e. Você e ia algum exemplo que pudesse me con a ? E2 – É po que uma ez eu i e uma b iga com ele que oi assim... um assun o polí ico. Eleições de 2018. Não é que ele enha... como ala ? Nossa á ea e a de Impos os In e nacionais. En ão, a depende de como anda a economia do país, nós emos mais ou menos abalho, po que nós ajudamos emp esas a en a em no país, e ajudamos emp esas a saí em do B asil. En ão, dependendo de como o país es i e , em emp esas que endo i a o dinhei o do B asil, po que não á con iando, e em emp esas que endo en a , que endo in es i . E aí, odo esse mi o de que o Paulo Guedes (Minis o da Economia do B asil) ia aze e ia acon ece , que o dóla ia ica 2 eais... eu ô pagando 5 eais nessa co ação! Po que nem p a isso eles se i am... ( isos). E aí, meu che e, um dia... a a oda a equipe na mesma sala, a gen e a a alando de alguma coisa... e aí ele i a e ala: “não, udo bem, mas o que ocê em que pa a e pensa ambém é no bem que isso ai aze p a economia, e que isso ai aze abalho p a gen e...” De ce a o ma, ele a a que endo me 127 mos a o lado bom da coisa, po que ele já inha alando que ia e odo esse c escimen o, que ia e abe u a de me cado, que ele que ia que eu es i esse ao lado dele nessas isi as aos clien es, que a gen e ia e que começa a iaja o mundo buscando clien es e e c., e que ia se um aquecimen o mui o g ande... Ele a a en ando aze um con apon o. Mas, aí ele começou: “ah, po que indo o Paulo Guedes, ai se algo mui o bom e ai melho a a economia. Melho ando a economia, ai melho a p a odo mundo...”. Aí eu alei: “ca a, não ala isso, não ai melho a p a odo mundo, não exis e isso.” Só que, os ânimos es a am mui o exal ados na época das eleições, e nesse momen o eu le an ei, e eu comecei a ala : “ca a, ocê i e den o do seu p i ilégio de homem, b anco, hé e o, classe média al a. Você não pode dize que ai melho a p a mim, nunca melho ou p a mim, não impo a, a economia pode es a lá em cima, que enquan o a sociedade o acis a, o homo óbica, não ai melho a . E ainda mais com um go e no que apoia esse ipo de coisa.” E aí, um amigo meu inha passado po uma si uação mui o... a é es anha, po dize , de homo obia, que oi assim, ele en ou no ônibus, e o ca a alou: “ ai ap o ei ando, que daqui a pouco, quando o Bolsona o o elei o, eu ou e me e a po ada quando ocê en a aqui de no o.” Tipo, é uma pa ada mui o biza o po que... quando ele o elei o, eu ou e ba e ? Ób io que não é uma in luência di e a do p esiden e, mas demons a como as ideias homo óbicas dele e odo o discu so dele, acaba, de ce a o ma, alidando udo isso. En ão, inha acon ecido isso... e... eu não posso dize que ia pio a p a pessoas neg as, po que jo ens neg os mo em desde semp e, neg os semp e mo e am na mão da polícia, e nenhum go e no nunca ez nada p a melho a isso. A ealidade nua e c ua é essa. Nem esque da, nem di ei a, nem PSOL, nem PSL, ninguém nunca pa ou p a ealmen e olha a ida da pessoa neg a. O PSOL az oda aquela coisa p a a ai nossos o os, mas e e i o, e e i o? De e dade eu não sin o. Mas, en im... al ez a ida do neg o osse pio a mais ainda, mas nunca oi boa. Mas aí, eu comecei... Eu comecei a ala ... só que eu comecei a bo a p a o a udo. E aí, odas as pessoas pa a am, as pessoas i a am p o compu ado , ninguém digi a a, e a odo mundo com a mão em cima do eclado, e olhando p a en e. E eu: “en ão, ocê ica quie o! Não adian a a economia es a boa se eu ou mo e pela polícia achando que eu não posso en a no me cado, achando que eu não posso isso e blábláblá...” E aí, eu ui alando, e desciam lág imas, po que é uma coisa mui o emocional, apesa de eu não es a necessa iamen e emocionado, a minha oz não es a a emba gada, eu con inua a i me, mas lág imas descendo... E aí, o meu che e pediu desculpas, saiu da sala e depois ele me mandou um Skype, alando á ias coisas, pedindo desculpas, dizendo que não e a aquilo, en im... e aí, desse dia em dian e, polí ica i ou um assun o meio que abu ali den o. En im, essa oi a discussão mais o e. De es o, e am discussões meio que em g upo, sabe? Às ezes com ques ões de machismo que acon eciam... como eu alei, eu comecei a le an a a minha oz. E aí, inha uma assesso a minha, que e a mui o ligada nisso, mas ela nem semp e ala a. Às ezes, es a a endo uma eunião, alguém azia um comen á io, e ela ala a: “isso é machismo.” E ela me manda a um Skype, alando: “não ô aguen ando ou i isso.” E eu ala a: “ ocê á alando me da aí.” E o meu che e: “gen e, o F. á ce o.” Mas o a isso, ele da a mui o apoio. Meu p imei o emba e com o RH oi assim: a gen e azia euniões com a á ea e com o RH, p a ala sob e a emp esa, sob e p omoções, sob e mé icas, sob e uma sé ie de coisas. E aí, uma ez, o assun o oi di e sidade. E eu alei: “ah, gen e! Pelo amo de Deus! Vocês não ão ala de di e sidade nessa emp esa, né?” Aí o RH: “como assim?” E eu: “não em neg o, não em homossexual, mulhe é só na base! Como é que ocês que em ala de di e sidade?” Aí eu comecei a ala , ala , ala , e mui o mais en iesado p a ques ão do neg o, po que, ipo, em uma mulhe sócia. Mas em uma mulhe sócia. Tem um sócio que é gay. Mas em um sócio que é gay. Mas neg o, não em nenhum sócio neg o, nenhum ge en e sênio , al ez um, neg o, nenhum ge en e, en ão, ipo? Aí eu alei, alei, alei, alei e o RH escu ou. Uns dias 128 depois, a gen e a a endo uma eunião, o RH eio ala comigo, o meu che e a a na sala, e aí eu comecei a ala udo que eu acha a p o RH. E o meu che e deu apoio, sabe? E ele e a sócio. Ele i ou p o RH e alou: “olha, udo que o F. alou es á absolu amen e co e o. Eu acho que aqui nós de emos muda sim a o ma de con a ação, po que se aqui não es á endo uncioná ios neg os, em algum p oblema na con a ação. Eu acho que a di e sidade só nos az c esce , só nos melho a. Eu ejo aqui na minha equipe, po se uma equipe mais di e sa, o quan o nós somos melho es...” E ele deu odo o apoio, que eu e a M. (colega de equipe) icamos ipo: “esse aí é o nosso che e! Ap endam aí!” P - E po que ocê saiu da emp esa? P a aze o mes ado? A si uação lá a a boa? Você acha que inha chances de c escimen o? E2 – En ão... sai oi uma das coisas mais di íceis que eu iz. Eu inha a on ade de es uda no ex e io , de e uma expe iência in e nacional, e a algo que eu já inha. Lemb a que eu alei que de ido à minha c iação, eu nunca i mui a limi ação p a algumas coisas? En ão, eu inha essa on ade, mas e a uma das pequenas coisas que eu inha uma limi ação, po que... mas não de aça, mas, eu não sei... eu acha a que es uda no ex e io osse algo absu damen e ca o e absolu amen e ina ingí el. E aí, eu acaba a não azendo nada. Eu nunca saí do país, po que eu que ia sai do país, meus amigos não inham dinhei o... Eu inha dinhei o, mas aí eu não ou paga o de odo mundo. O do meu melho amigo, á... eu posso paga , mas aí eu ou gas a mais, e aí eu posso ica pu o, po que ou chega lá, não ou consegui aze udo que eu que o, po que ô pagando po dois... En im, eu começa a a eo iza di e sas coisas e nunca iz nada. E isso acabou i ando uma pequena us ação, né? Eu ica a ipo: “po a, eu enho dinhei o p a sai do país, eu não saio do país...” En im, inha isso, lá den o, na cabeça, gua dado numa caixinha. Em de e minado momen o, na caminhada, na jo nada den o dessa emp esa, en ou uma menina, C., minha amiga, que inha acabado de ol a de um mes ado aqui na Eu opa. E aí, ela começou a me con a do mes ado dela, um mes ado de Di ei o e Economia, que é de uma pa ce ia que em, ela ez em 3 uni e sidades di e en es, em 3 países di e en es. Só isso, eu já iquei: “Wha ? Você gas ou uma o una, ga o a! Você aliu a sua amília!” E ela: “não, que isso! Eu sou da Zona No e!” E aí ela começou a me ala , e começou a ala dos gas os, e como ela ez... e isso eacendeu uma chama, sabe? Eu iquei: “po a, dá.” Só que, aí, eu a a indo bem na ca ei a... lá eles êm algumas mé icas p a a alia os uncioná ios, e aí exis em algumas compa ações que eles azem, po exemplo, quando ocê á no ní el de Consul o 1, e compa am com odos os Consul o es da egião, ipo, do B asil e de alguns países da Amé ica do Sul. E aí, eu a a so endo um des aque, ipo, eu ganha a nessa compa ação, eu inha sido elei o o melho Consul o 1 da Amé ica La ina. E eu, ipo: “pô, ou ica aqui mais um pouquinho. Pe aí, que á indo bem.” E aí, ui p omo ido a Consul o 2, no amen e com di e enciação. E aí, em ez de i p a Consul o 3, eu ui p omo ido p a Consul o Sênio . E semp e com a di e enciação, e com mui o des aque den o da á ea e den e os sócios ambém, po que eu acabei me especializando em uma ma é ia do abalho e... en im, i ei o melho do B asil ali nesse quesi o. E aí, ou os sócios me busca am p a isso... nossa, inha época que eu e a dispu ado, assim... do meu che e me p oibi de a ende o ele one, de e i ica e- mail de ou os sócios, po que eu inha que aze p imei o o dos nossos clien es. Só que eu gos a a mui o, eu a endia e ala a: “olha, eu ou aze depois do expedien e, á?” ( isos). E eu azia po que e a... eu ju o p a ocê que eu gos a a de aze . Eu ica a 3h da manhã, eu: “ca alho! Fechou! É isso!” En im, loucu as à pa e... ( isos), eu a a indo mui o bem. Só que a chama que a C. acendeu icou. Ela icou pouco empo na emp esa, depois casou, oi p a Polônia..., mas a chama inha eacendido. E aí, eu comecei: “não, en ão... enho que i , enho que i , enho que i .” Mas aí, uma 129 sé ie de coisas acon eceu no inal do ano passado, nada no abalho, mas, en im... as eleições me a e a am mui o. De e dade, as eleições a e a am a minha elação com as pessoas, a minha elação com o b asilei o como um odo oi a e ada, po que eu enquan o homem neg o e gay, eu não conseguia acei a mui as coisas. Eu des iz amizades, oda aquela ques ão... e olha que eu não iz amizades com quem o ou nele, eu des iz amizades com quem não o ou, po que isso, p a mim, já a a sendo o limi e, sabe? Uma amiga não oi o a e ainda ez ídeozinho indo almoça , eu iquei mui o pu o. Pa ei de ala eal com ela, ela e a minha amiga há, sei lá... 6 anos. Eu alei: “ca a, não dá mais. Você, ealmen e, não é a pessoa que eu conheci.” Mas, en im... mui as coisas o am acon ecendo, e aí eu iz 28 anos, e aí eio a c ise dos 28, po que 28 é quase 30, e eu comecei a pensa , ipo: “ca a, á esse go e no assumindo, eu ou aze 30 anos e ainda não iz...” E aí eu a a azendo uma pós-g aduação em Análise Financei a, eu ipo: “ á, mas eu que o aze um mes ado, e se eu o aze um mes ado no ex e io ? E se?” E aí eu pesquisei, achei o mes ado, e alei: “ á, en ão eu ou.” E aí, o go e no a ual ganhou, e aí, uma sé ie de coisas... E aí eu decidi. Mas, assim, eu inha sido p omo ido em ou ub o, a a endo essas con e sas com o meu che e, ele já a a pensando na minha p omoção a ge en e, eu já a a o mando uma ca ei a de clien es... e aí, só p a ocê e uma noção de como eu saí num momen o bom: em ge al, as pessoas i am ge en es e aí, en ão, começam a o ma suas ca ei as, começam a e que busca clien es, po que passam a e uma me a inancei a, ocê em que en ega X. Eu inha acabado de se p omo ido a Consul o Sênio e meu che e já es a a mon ando a minha ca ei a, eu já inha os meus clien es, eu já inha uma ca ei a su icien e p a ba e a p imei a me a de ge en e. E e am clien es, meus, meus e acabou. A minha elação... e isso oi algo que al ez enha acele ado mui o a minha ca ei a ambém, a minha elação semp e oi eu e esse che e di e o. Eu pula a odo mundo, odas as ou as pessoas que inham en e eu e ele, hie a quicamen e, a gen e semp e pulou. En ão, eu inha a minha ca ei a, que e am clien es que só eu a endia, que e am clien es que liga am di e amen e p a mim, clien es que con ia am di e amen e em mim e essa possibilidade... possibilidade não, né, já e a uma ealidade, ele já es a a pensando na minha p óxima p omoção, en im... Só que eu i que e a o meu momen o, eu já es a a com quase 30 anos, eu que ia aze alguma coisa, eu que ia sai , p ecisa a a eja a minha cabeça de B asil. E isso, a é mesmo po ques ões aciais ambém, po que é algo que a e a mui o. De e minadas no ícias, de e minadas coisas, e a e am de al o ma, que sua ida ica mais di ícil, sabe? Eu endo essas no ícias de jo ens sendo mo os em me cado, po causa de gua da-chu a, ou em cima da laje, são coisas que ão a e ando, po que ocê ai pensando no que ocê pode aze ou no que ocê de e ia e ei o, ou al ez em como nada possa se ei o. E são coisas que ão e enchendo de uma do ão g ande, que eu p ecisa a a eja . Eu im p a cá mui o ambém p a a eja , e po um empo eu pensei que isso pode ia se um egoísmo, mas não. É um au ocuidado que eu es ou endo comigo, po que eu não posso ajuda ninguém se eu chega num pon o em que eu não es i e bem. E aí, com medo desse bu nou , com medo de con inua no B asil, e á ias coisas... eu esol i pedi a minha demissão. Mas oi, ipo, supe di ícil. Quando eu alei p o meu che e, ele icou sem ala , ipo, oi biza o. A p imei a coisa que ele alou oi: “só posso e apoia , po que com o mes ado ocê ai melho a , ocê ai se cada ez melho . E a sua aga á aqui.” Só que depois disso ele não conseguiu mais ala . Meu che e é um ca a que almoça em 20 minu os, nesse dia ele saiu e icou 2h no almoço. Ele ol ou meio ipo: “ ou embo a daqui a pouco, gen e.” Acabou o dia ali, naquele momen o. En im, mais uma pessoa saindo e e c. Mas oi isso. Eu a a num momen o mui o bom, al ez ou as pessoas não dessem esse passo que eu dei. Pedi demissão quando ocê em uma p omoção a is a, quando ocê á bem, mas e a o meu momen o de i e de e essa i ência, de e essa expe iência, aze essa en a i a. E im. 136 P – Como ocê acha que es á a discussão sob e acismo, masculinidades neg as e eminismo no B asil? E2 – Acadêmica. Po que eu ou dize que discu o mui o sob e isso, ocê ai dize que discu e mui o sob e isso, odos os nossos amigos ão dize que discu em mui o sob e isso, mas odos nós discu imos mui o sob e isso em ambien es acadêmicos. En ão, o pe cen ual da população b asilei a como um odo, sem eco e de aça, que chegue a um ní el supe io já é mui o pequena. Se ocê pega e eco a ainda neg os, é meno ainda, en ão se a gen e á discu indo isso den o de ambien es acadêmicos, es amos discu indo p a uma na a, um nicho ão pequeno que eu não ou pega aqui e dize que é uma discussão que es á a ançada, po que se eu o na pe i e ia essa discussão não chegou lá. A discussão que em lá é qual o abalho de amanhã p a con inua , p a segui , sabe? Eu acho que ago a o que á chegando a pe i e ia é: “ok, ou en a aze o meu ilho chega numa aculdade”, mas o que acon ece na aculdade, o que é uma aculdade, eles ainda não sabem. En ão, os deba es acadêmicos, os deba es que emos sob e acismo, sob e machismo, sob e masculinidade, são mui o eclusos a gen e ainda. Isso eu me culpo ambém, eu não ou a luga es p a discu i sob e isso e, mais do que discu i , p opo e demons a , né? Po que às ezes ambém, o que acon ece? Das ezes onde há essa discussão quando alguém se p opõe a i algum luga p a le a esses pon os, ai de o ma acadêmica, en ão pega uma sé ie de pessoas que mal em o segundo g au, en a com discu so numa discussão acadêmica: “po que o ilóso o al ala isso, po que não sei o quê, po que é uma co en e.” Que as pessoas ão ica ali e ala : “uhum, de e es a ce o po que alguém... cheio de í ulo á me alando isso”, mas... não sei se consegue a ingi ali o ce ne da coisa, sabe? Mas ambém, al ez eu es eja ambém um pouco desiludido. P – E ocê acha que o eminismo e/ou o eminismo neg o são impo an es? E2 – Absolu amen e. Os dois, e eu acho que são dois. Não cabe a mim aqui aze pon uações sob e um ou ou o, c í ica sob e um ou ou o, mas acho que são dois. Acho que... pa a as minas neg as em que chega esse conhecimen o cada ez mais e aí no amen e como isso ai chega ? E a p o undidade do deba e eu ambém acho mui o impo an e po que as ezes o deba e é... eu ejo isso, á se o nando aso, sabe? Ele pa ece es a p o undo, mas no inal, eu não sei, às ezes pa ece que somos um mon e de pessoas discu indo, en ando e uma azão e en ando e a espos a mais boni a e que no inal a gen e não á azendo nada, sabe? A gen e á discu indo po que isso não pode, aquilo não pode, mo e ao homem b anco, mas mui os não alam ou não explicam ou al ez não saibam que... mo e ao homem b anco não é mo e ao indi íduo, mo e ao homem b anco é mo e a essa cons ução social que oi ei a sob e o que de e se o homem b anco e como ele ap isiona odo o es an e po ele se o mais ico de oda essa es u u a. Acaba que hoje eu acho que em g ande pa e só ê isso, sabe? Tipo, mo e ao homem b anco é não escu a qualque coisa, não. É mo e à ins i uição, mo e é ogo nas ins i uições que p omo em isso, não nos indi íduos, os indi íduos são apenas a e ados po isso ambém, e é uma coisa mui o louca, po que quem p omo e é a e ado ambém. O homem que se compo a de manei a machis a, ele é a e ado pelo machismo de ce o g au ambém. Ele ambém so e com isso, não an o quan o a mulhe ob iamen e. En ende? Vê o meu discu so, já é o medo de, ipo, pa ece que eu ô alando alguma coisa que... não, só ô dizendo que o homem so e com isso ambém, não é que so a mais, é que ele é a ingido. Ele é quem? Ele é culpado po isso e ele é a ingido po isso, en ão... nós p ecisamos de um pouco mais de p o undidade no deba e, um pouco mais de hones idade, um pouco menos de c is a, ipo, de eu ou es a ce o e ocê ai es a e ado. Isso é o ce o, isso é o e ado. E sei lá, en a chega na... paz mundial, né, Miss Uni e so ( isos)... mas não sei, eu ô desiludido um pouco com udo 137 isso que não sei, pa ece que a gen e só que ... pa ece que deixamos de que e acaba com esse sis ema p a p o oca algo mui o bom p a que e se os mais ce os, sabe? Tipo, deixou de se o homem b anco o mais ce o de udo, isso não é um discu so de “as mino ias que em domina o mundo”, não é a di adu a do “gayzismo eminazi” gen e, pelo amo de Deus, mas en ende o que eu ô dizendo? Tipo, eu sou mui o... conciliado , diplomá ico, apesa de e e minado amizades nas úl imas eleições. Eu en o e pon os e con apon os, e no inal o que eu ac edi o é: “ amos se elizes, deixem as pessoas se em elizes”, sabe? En ão... a pe gun a é sob e eminismo e eminismo neg o, absolu amen e impo an e, po que é um dos caminhos p a cons ui essa elicidade, é aze as pessoas en ende em, mas aí é isso ambém, aze as pessoas en ende em que somos iguais e que assim que de emos nos a a . Eu es a a endo ou o dia alguém... um uí e alando, ipo, que nós começamos a discussão de luga de ala po exemplo, que é impo an íssimo. Quem em que ala é quem so e aquilo. Mas isso acabou que começou a c ia ciclos que, ipo, às ezes eu me pego deba endo acismo num ambien e o almen e neg o onde odas as pessoas conco dam que exis e acismo, onde odas as pessoas conco dam que aquilo é e ado, onde odas as pessoas conco dam que udo em que acaba e aí em 10 pessoas azendo discu sos que no inal são o mesmo discu so e que odos es ão aplaudindo, que odo mundo á alando mui o bem e aí amos acaba aí, sabe? Não é que o b anco de e chega e dize o que é o acismo, mas de e ealmen e es a jun o po que ele é pa e do p oblema. Se eu só discu i com os neg os o que á acon ecendo po que semp e que algum ou o ai ala , e eu ala : “ah, ocê não em di ei o de ala, cala a boca”. Eu não sou in ansigen e a esse pon o, sabe? Eu acho que o luga de ala em que se espei ado quando eu es ou alando uma coisa, eu ô alando que eu so i acismo aqui e aí alguém que nunca so eu acismo não sabe o que é isso em e diz que não, mas o a isso eu acho que o deba e de e se amplo, o deba e de e se uni e sal po que sem a uni e salidade no deba e não há solução. E eu ainda ô espondendo sob e eminismo, né? E é isso en ão. P – É, ocê á espondendo um pouco da p óxima pe gun a, mas... das ou as duas pe gun as na e dade, mas en ão ocê ai pode ala melho . A p óxima é: qual a sua elação com a b anqui ude? E2 – É boa, eu c esci em ambien es b ancos, na ila mili a onde mo á amos inha o meu pai, inha duas amílias neg as, a minha e a do io “(nome do io”)... deixa eu e ... e nas escolas semp e ambém aquilo, aculdade, abalho, meus amigos... majo i a iamen e b ancos. Tenho uma boa elação e aí enho eco e de... há pouco empo, como alei que comecei a discu i mais a ques ão de aça, comecei a pensa mais aça, e a minha melho amiga é neg a há mui o empo, não oi depois que eu comecei a discu i aça. Mas assim, e a eu e ela ambém só, sabe? Mas a elação é isso, boa, sou um ca a conciliado , não é um ca a conciliado de depu ado do Bolsona o. É um ca a conciliado ipo: eu acho que quem é pa e do p oblema em que se pa e da solução. Nunca amos chega à solução se eu só deba e en e os meus, nunca amos chega às soluções se deba e mos academicamen e, ce o? Se eu es ingi isso a um ambien e onde á odo mundo conco dando, e não de a chance ambém do ou o ala , cla o, com essal as, mas escu a o con apon o do ou o. Po que escu a não é acei a e dize que aquilo é e dade, escu a é sabe o que á se passando, po que às ezes quando ocê escu a o a gumen o do ou o, é que ocê consegue ambém elabo a seus pon os p a mos a p a ele o seu lado, e às ezes ocê consegue con encê-lo daquilo, sabe? Se ocê não sabe o que o ou o á pensando, como ocê que en a na cabeça dele e con ence que a a i ude dele á sendo e ada? Não em como, é impossí el. As pessoas não são p og amadas p a... isso aqui não é, sei lá, não ão bo a uma ela na sua ca a e passa á ias coisas p a ocê ap ende . Não é p og amação ce eb al, é ida, é pon o e con apon o, e assim que chega a algum 138 luga . En im, a elação com a b anqui ude é boa. Meu p imei o namo ado oi b anco. Eu alei que a minha mãe icou mais assus ada com isso do que com o a o de eu se gay ( isos)? P – Não ( isos). E2 – Gen e, eu que ia e g a ado esse momen o. P – Ela icou assus ada po seu namo ado se b anco? E2 – Gen e, eu não sabia, ipo... e am an os sen imen os passando ao mesmo empo, que eu não consegui e uma eação na ho a. Po que assim, eu não saí do a má io, acho que isso eu alei já. Eu não saí do a má io, eu não iz um s a emen : “oi amília, ou euni aqui pa a ocês pa a dize que eu sou gay”, po que ninguém diz: “oi amília, ou euni ocês p a dize que sou hé e o.” Eu não enho que aze isso. Eu den o da minha ealidade, po que ac edi o ambém que pa a algumas pessoas, pa a algumas amílias, isso se encaixa melho , mas eu den o da minha ealidade, den o do que eu penso, den o de como eu ui c iado, nunca achei que isso osse necessá io. Cla o que eu inha um pouco de medo ambém, po que meio que passa po odas as pessoas gays esse medo. Mas en im, eu li um ex o no New Yo k Times sob e isso de... que nos Es ados Unidos em o Na ional Coming Ou Day e aí e a um ex o alando que esse Na ional Coming Ou Day acho que é da década de 70, a mesma época do S onewall, que oi um dia que ins i uí am pa a as pessoas saí em do a má io. É ipo o dia p a da o ça p a odo mundo se assumi e ala pa a as amílias e c., e e a um dia mui o impo an e lá e que as pessoas ealmen e se assumiam e e c., e esse ex o dizia assim: “nós es amos na Amé ica (Es ados Unidos da Amé ica) do século XXI, as pessoas já sabem ou de e iam sabe que se LGBT é uma coisa in e na de qualque pessoa, não é uma condição, não é algo, e ocê não p ecisa assumi isso po que ninguém assume se he e ossexual.” E o ex o é: “de emos acaba com o dia de sai do a má io po que ocê de e e a sua ida como os hé e os azem, em de e minado momen o chega com alguém em casa e ala: essa aqui é a minha namo ada ou meu namo ado”. É isso que ai acon ece , o LGBT ai chega e: “olha, essa aqui é minha namo ada, ou meu namo ado.” E com a minha mãe oi isso, eu... no amen e, inha um pouquinho do medo, mas eu inha essa isão de que, quando eu i esse namo ando, ala : “olha, é o meu namo ado”, e é isso. Não ui ap esen a os pegue es po que ambém: “oi mãe, ô pegando esse e ago a esse”. Não cabe, e acho que he e ossexuais azem a mesma coisa. Não p ecisa mos a um mon e... E aí eu a a dando uma es a de ani e sá io p a minha melho amiga na minha casa, e aí oi num inal de semana que a minha mãe inha combinado de i me isi a ambém. Acabou que calhou de es a odo mundo jun o, a minha casa a a uma bagunça, uma zona, 300 pessoas, 300 é hipé bole... ipo, o salão de es as do p édio cheio e não sei o quê, e o meu namo ado oi e aí a minha mãe a a lá em cima, ela alou que a a com do de cabeça e não sei o quê, ela mal sabia ainda de nada. Só que aí os meus amigos gos am mui o da minha mãe e odo mundo: “cadê a ia?” e não sei o quê... eu alei: “p on o, ou subi e ap o ei a e já ou ala logo, ap esen a o meu namo ado” e é isso. Subimos: “e aí ocê não ai desce ?” “Ah, ô com do de cabeça, ilho.” “Mãe, mui as pessoas que em e e , ocê ai se a mal-educada que ai ica den o de casa?” Aí a minha mãe: “nossa, não ala assim comigo”. Falei: “ á, amos embo a?” Ela: “ á, deixa eu me a uma ”. Minha mãe semp e gos ou de es a boni a, a umada... e aí en amos no ele ado e um de alhe impo an e, que no ele ado , eu mo a a no 13º anda e aí inha mais uns anda es de ga agem, e a ipo, no o al da a 17, e a 1 minu o descendo de ele ado , en ão e a um empo, assim... que p a algumas con e sas mais ensas e a... e eu en ei no ele ado e, ipo, quando o ele ado echou eu alei: “essa é a ho a”. “Mãe, ocê ai desce , é ani e sá io da “(nome da amiga)”, á? P a não con undi as amigas que es ão azendo ani e sá io... ocê ai conhece o meu namo ado “(nome 139 do namo ado)”. E é isso, á endo es a, em ka aokê, ocê ap o ei a.” Aí a minha mãe: “seu namo ado?” Falei: “É, “(nome do namo ado)”. “Você é gay, meu ilho?” Falei: “mãe, pelo amo de Deus, no úl imo ca na al ocê ez um sho inho dou ado de dois palmos p a mim, um palmo né? Você me espei a.” E ela: “eu semp e achei que ocê osse ashion”. Eu alei: “ah mãe, pelo amo de Deus, que ashion, ga o a? P es a a enção”. Aí ela: “ á bom, meu ilho, mas ele não é b anco, é?” Aí eu: “É.” Ela: “ai ilho, ocê á namo ando b anco?” Eu: “po quê?” Ela: “ á, como eu chamo ele?” Eu: “(nome do namo ado)”. Começou a me da um desespe o, eu achei que, sei lá, ela osse da um g i o na minha ca a e ala : “pa a esse ele ado ”. Aí saímos do ele ado e ela: “quem é?” Falei: “é aquele ali”. E aí ipo, ui p a pe o dos meus amigos, comecei a cho a de ipo, não sabia o que es a a acon ecendo, e eu disse p a eles: “ alei p a minha mãe que sou gay.” E eles: “e aí qual oi a eação dela?” Nisso, eles i a am e a a a minha mãe: “ah, me chama de sog a” e não sei o quê, “eu e chamo de gen o”. E eu: “gen e, pe aí, amos com calma, não e a esse o espe ado...” ( isos). E é b anco... en im... E aí depois ela subiu. Ela e e o momen o dela de dige i udo, mas ela oi mui o anquila. P – P incipalmen e a b anqui ude, né? E2 – E ela há pouco empo me pe gun ou isso ambém, po que minha mãe ambém á começando nesse deba e, assim, mais ap o undado dessas coisas, ela á azendo ago a. Ela es á es udando his ó ia e não sei o quê, á lendo, e eu es a a alando com ela sob e eminismo neg o e da solidão da mulhe neg a e de di iculdades e não sei o que e blábláblá e de in e esse do homem neg o e c. e em algum momen o es alou ambém na pa e da solidão do homem gay neg o e não sei o quê, ela: “é, mas eu nunca e i namo ando um neg o né, meu ilho?” Aí eu: “mas já acon eceu sim, á. Você que não iu.” Ela: “pois eu não i.” Eu: “ga o a, ocê ainda á com isso na cabeça? Que é isso ca a?” Mas en im, essa é a minha mãe. Ela é ó ima. P – Beleza, á acabando. Só em mais duas pe gun as. A penúl ima é: quais caminhos ocê enxe ga p a esol e os p oblemas dos quais a amos nes a con e sa? E2 – Como isso udo ai se esol ido? Assim: um dia o T ump ai xinga o ca a da Co éia do No e, os dois ão ape a o bo ão e melho, as bombas a ômicas do mundo ão explodi , a Rússia ai ica pu a da ida e ai esol e explodi ambém e acabou a humanidade e é isso, acabou o p econcei o. P – ( isos). Fo a isso. E2 – Fo a o caminho ideal? Aliás o ideal se ia se essas bombas só ma assem as pessoas mesmo, deixa o es o, deixa a na u eza. Ó que lindo que ia ica ! Mas ok, o caminho passa pela educação, po que a educação sal a, passa pelo deba e hones o, passa po en ende seus p i ilégios, sabe o momen o de ab i mão dele, sabe que ab i mão de p i ilégios não signi ica deixa de e coisas, só signi ica ocê en a cons ui um mundo jus o e... no amen e amo e espei o pelas pessoas, po odo mundo. Se odo mundo se espei a e se ama , eu acho que 99% já ai... odo mundo bo a na cabeça que pessoas são pessoas e que de em se espei adas e amadas só po isso, ca inho sal a, ca inho é um emédio melho do que mui a medicina. Um ab aço p oduz an a coisa boa, um a ago, um ca inho é ão bom que se a gen e passasse a da mais ca inho, a olha no olho e e mais empa ia, não só empa ia, e aí é um ex o que eu es ou de endo a lei u a, na e dade um ex o que é e i ado de um li o que eu es ou de endo a lei u a de ambos mas ok, que é assim, esse ex o diz que só a empa ia não bas a, po que pela empa ia que é ocê se coloca no luga do ou o, ocê... anda uma milha nos sapa os do ou o e e udo que acon eceu na ida daquela pessoa, o que le ou aquela 140 pessoa a é aquele momen o com esse pensamen o ocê consegue jus i ica oda e qualque ação, ainda que seja uma ação uim, po que ocê ai es a endo pela pe spec i a daquela pessoa e le ando udo a é ali. Ele diz que nós de emos analisa as ações com empa ia, mas ambém com consciência. Sabe, de emos sabe o que le ou aquela pessoa a é ali e sabe se aquela ação é jus a em alguns casos, né? E é isso, ocê ap ende a analisa as ques ões po um p isma é ico, sabe o que le ou a é ali e como aquilo de e se a ado, sabe? Tipo, o que e le ou a é aqui oi uma si uação A ou B, e po isso uma sanção C de e ou não se aplicada, ou po isso um caminho D de e se seguido, e isso não é só se coloca no luga do ou o e e que ele es á ce o. É e e analisa com simpa ia aquele caso, sabe? Mais ou menos isso. Acho que é isso, só...é que no inal cai ambém pelo amo quando ocê em uma isão amo osa pelas pessoas, ocê não ê as pessoas só como núme os ou como coisas po que... isso é uma coisa que o se humano consegue aze e que despe a o pio dele. Tem um expe imen o que oi ei o, acho que em S an o d, nossa, eu ô mui o cha o p a ca alho, e é a mesma pessoa que começou alando “o deba e é mui o acadêmico”, dois apas na minha ca a. Mas en im, em um expe imen o de S an o d, po que eu alei isso que não podemos nos e como núme os, que pega am es udan es e o expe imen o e a p a e ealmen e essa coisa in e na do homem de como... do homem pessoa né, de como ele a a o semelhan e quando ele deixa de e a pessoa como um se humano. E eles simula am uma p isão e aí oi ei o um so eio absolu amen e alea ó io, alguns es udan es i a am os gua das e ou os i a am os p isionei os. Os p isionei os deixa am de e nomes, e am núme os, e os gua das e am só senho o icial, alguma coisa assim, e oi um expe imen o que ipo, saiu do con ole, as pessoas se ag edi am, quase se ma a am, po que os gua das começa am a e os p isionei os como p isionei os, e am apenas um núme o, começa am a ba e neles e os p isionei os começa am a b iga en e si e ipo, não e a uma si uação onde... ninguém inha come ido nenhum c ime, e am es udan es de S an o d, ipo i e am o melho que a sociedade pode da po que p a ocê en a numa I y League, po a... e eles chega am nesse ní el. Po quê? Po que eles deixa am de se e como pessoas, sabe? En ão exe ce o amo , exe ce a simpa ia, e as pessoas como pessoas e en ende quem são ajuda mui o. A gen e sai desse es ado p imi i o e e olui, a gen e az o que de e ia e ei o há mui o empo. Final de 2019, quase 2020, úl imo imes e de 2019 e ainda não em um obô limpando isso aqui, a gen e á deba endo ou as coisas. Deba endo o di ei o das mulhe es, deba endo os di ei os LGBT, ca a... com amo isso e ia sido esol ido há mui o empo. P – Ce o. A úl ima pe gun a ago a. Como se sen iu sendo en e is ado po uma mulhe b anca? Se ocê acha que se ia di e en e, melho ou pio se osse en e is ado po um homem neg o, po exemplo. Se ocê se sen i ia mais à on ade. E se ocê em alguma ecomendação pa a a pesquisado a. E2 – Achei que ocê osse ala po uma mulhe neg a. Aí eu ia ala : En ão, se osse a Op ah me en e is ando, ealmen e. Olha eu gos o mui o de ocê, mas in elizmen e é isso ( isos). Foi uma su p esa quando i que ocê e a b anca, não ou men i . Foi ipo, o “(nome do amigo)” me alou que inha uma pessoa azendo a pesquisa sob e Homens Neg os no Me cado de T abalho, eu alei: “legal, ou conhece uma mina neg a es udando aqui, ou chega e já ai se aquela conexão, aquele ab aço”. Mas assim, como eu alei, pa e do p oblema em que se pa e da solução, que bom que em uma pessoa b anca dispos a a es uda um pouco disso e e o que acon ece, po que se só eu deba e com os meus... se o meu deba e com os meus é de que os seus, que na e dade somos odos nós, mas en im... se o meu deba e com os meus é que os seus não es ão nos endo co e amen e, que os seus não es ão p es ando a enção, que os seus não es ão azendo isso ou aquilo, e eu não pego e alo, i o p a ocês e: “oi, en ão, nós es amos aqui ambém, nós 141 desempenhamos unção ão bem quan o qualque ou o, amos?” Nada ai acon ece , sabe? En ão é mui o bom que pessoas b ancas es ejam... eu enho uma amiga b anca que ela az... es uda iloso ia a icana e eu acho mui o legal. Ela é a única b anca da sala, mas é mui o legal po que ela le a di e sos deba es p o meio dela, sabe? Pa a os amigos dela, e em coisa que ela az p a mim que eu não conhecia. En im, isso ge a conhecimen o, isso ag ega, isso é bom. Eu acho que só... jun a, só az bem, en ão gos ei. Se osse um homem neg o se ia ão legal quan o, mas al ez co esse o isco... a é mesmo... e aí em uma pa e de acismo acadêmico, um homem neg o ap esen ando um abalho sob e homens neg os no me cado de abalho e dizendo que há um p oblema pa a se esol ido, a banca b anca ai e como um homem neg o eclamando da ida. E as bancas são majo i a iamen e b ancas, né? En ão, uma banca b anca endo uma mulhe b anca alando sob e homens neg os, al ez p es e a é mais a enção e le e uma semen inha do deba e p a den o daqueles que al ez nunca enham pensado nisso e c ia ali uma coisa que ai e e be a e con inua . En ão pode se algo mui o bom sim, en ão gos ei bas an e. P - E se em alguma ecomendação p a mim? E2 – Não. P – Ok ( isos). E2 – Foi legal. Foi bom. P – Beleza. Ob igada. E2 – Foi isso? Falei ápido dessa ez. A ecomendação é manda alguns en e is ados ica em quie os sabe? Às ezes o ca a ala mui o. Ele começa a ala e não pa a. Pode ipo: “ei, á bom, já espondeu”. P – ( isos). Imagina, oi ó imo. Ag adecimen os. 142 TRANSCRIÇÃO TERCEIRA ENTREVISTA En e is ado 3: Maicon, 25 anos, G aduação Comple a em Engenha ia Mecânica, Auxilia Financei o, Sol ei o, C is ão*, Classe D, He e ossexual, Neg o, Gêne o Masculino. P - Pesquisado a E3 - En e is ado 3 *Quando pe gun ado sob e a eligião, o en e is ado explicou o po quê de se c is ão. De aco do com ele: E3 - Quando me pe gun am eu alo que sou c is ão, né? Mas é algo que eu acho que em um pouco a e com se neg o se c is ão, sabe? Ou o dia eu a a endo um ilme na Ne lix, ele con a sob e um p íncipe a icano que so eu abuso na ig eja e em uma cena que mos a o policial en e is ando um pad e neg o. E aí eu con e sei com uma amiga minha e alei: “ca a, não de e ia exis i pad e neg o.” E ipo, eu ui c iado no candomblé... minha mãe, na eal. Eu nunca ui mui o eligioso. E ica a nesse meio de candomblé e ig eja, ig eja e angélica. E hoje em dia minha mãe é missioná ia da ig eja e angélica. Ela me p essiona mui o p a i p a ig eja, sabe? Tem aquela ques ão da culpa e angélica. A ig eja e e uma unção social mui o impo an e na minha ida du an e um pe íodo. E em essa ques ão, po que his o icamen e a ig eja não é um luga pa a neg os. Isso é meio di ícil p a mim, me iden i ica com a dou ina, com a ideologia que C is o p egou. É meio di ícil eu es a ali. En ão hoje eu não equen o luga nenhum. Eu ico bem comigo em casa, basicamen e. É uma ques ão mui o complicada, eu acho. P - E ocê con e sa sob e esse ipo de coisa com a sua mãe ou é uma coisa mais sua? E3 - Eu não posso con e sa sob e essas coisas com a minha mãe. É mui o complicado... ca a, eu amo a minha mãe, minha mãe é ma a ilhosa, é um amo de pessoa, amo zão mesmo. Tipo, se ela e conheceu hoje, amanhã ocê é ilha dela, sabe? T a a odo mundo mui o bem. Só que em essa ques ão da eligião, que ela é mui o... ela se dedica 100% p a isso, ela se achou ali. Ca a, an es da minha mãe es a na ig eja, ela e a passis a de escola de samba. Ela e a do candomblé, e a uma pessoa mui o di e en e do que é hoje. E ela e e uma ans o mação ali ambém. P: E acon eceu alguma coisa pa a ocasiona essa ans o mação? E3 - Ah, acon eceu... é po que a gen e semp e oi uma amília classe média. Isso lá a ás. E ela pe deu o emp ego, se sepa ou do meu ex-pad as o, e aí a gen e a a numa c ise inancei a biza a. Eu inha 14, 13 anos... po aí, mais ou menos. E a é en ão eu a a acos umado com uma ealidade di e en e, eu es uda a no “(nome do colégio pa icula )”, é ca o p a ca amba. En ão, eu a a acos umado a es uda semp e em colégio pa icula , sabe? Eu inha ce os p i ilégios que meus amigos não inham, apesa de mo a em “(nome do bai o pe i é ico)”. Eu conhecia á ias pessoas que en a am no á ico depois, á ios amigos que hoje es ão p esos ou mo e am. Vá ios... in elizmen e. Poucos consegui am não en a p a esse lado, poucos consegui am sob e i e . E a maio ia dos que sob e i e am são b ancos. A maio coincidência, né? In elizmen e. E aí e e esse p oblema inancei o na nossa amília, e a gen e passou mui a di iculdade. E aí a ig eja oi de uma ajuda mui o g ande, de eles i em lá e aze em comp as p a gen e, paga luz... coisas inimaginá eis. E eu enho esse sen imen o de g a idão... Eu já ui mui o mili an e, sabe? Quando eu e a mais no o. Já ui do PSTU (Pa ido Socialis a dos T abalhado es Uni icado), já ui do PSOL (Pa ido 143 Socialismo e Libe dade), hoje eu ô mais ou menos. Só que assim, a ealidade é ou a do que es ão acos umados os mili an es de esque da, ainda mais na bolha que as pessoas i em. Hoje a esque da á mui o mais na uni e sidade pública, a esque da á na classe média al a, onde ela não e a p a es a , sabe? É o que eu alo, oda essa ques ão do Bolsona o, a ig eja po ás dele, a p óp ia ig eja e angélica que a esque da ado a ba e ... só que, ca a, ninguém az a unção social que a ig eja az. O pas o ai na boca de umo e sal a alguém que es á p es es a se mo o. Ele az as coisas que o F eixo ( amoso polí ico b asilei o de esque da) não az. E é isso que impo a pa a as pessoas. In elizmen e, é udo mui o boni o, ale a pena lu a po isso, eu pelo menos acho, só que a ealidade é mui o c uel. E é isso que ode, sabe? Esse que é o p oblema odo. E ali, p a mim, a gen e passou po odo esse p oblema, a é a gen e i se adap ando a oda a no a ealidade de ida... e aí, eu es uda a lá em “(nome do bai o pe i é ico)”, no “(nome do colégio pa icula )”, e no ano seguin e eu comecei a es uda aqui no Rio, num colégio público. E, ca a, inha uns amigos meus que endiam la anja an es da escola p a pode sob e i e . E a uma ou a ealidade... e saído de uma escola de onde as pessoas iam de ca o odo dia, odo mundo inha ca o no o, p a i p a uma escola onde um colega meu de classe inha que ende coisas p a ajuda em casa. E e ope ação da polícia e pa a a aula, sabe? En ão oi um choque de ealidade que eu acho que oi necessá io p a minha ida, p a cons ui meu ca á e . E é isso, dali eu consegui i p o “(nome do colégio ede al)”, po que na escola que eu es uda a inha um con ênio, e quem inha no a boa conseguia i ... é meio esquisi o, po que é um sis ema me i oc a a e não inha que se me i oc a a, né? Você em que e no a boa p a i , ok..., mas a ealidade é que nem odo mundo ai consegui es uda . En ão ocê acaba man endo o pad ão. As pessoas que es ão ela i amen e ali no opo ão con inua no opo. O meu amigo que endia la anja não ia consegui i a no a boa o su icien e p a pode i p o “(nome do colégio ede al)”. Eu consegui ia, sabe? Po mais que eu i esse oda a di iculdade, e a uma ou a ealidade, ainda assim. En ão é isso, eu acho que esse choque oi mui o impo an e p a mim... e eu a é esqueci qual e a a sua pe gun a. P - E a sob e eligião, p a ocê me con a um pouco como que a sua mãe se con e eu. En e is ado: É isso, e hoje a minha mãe é mui o aga ada à ig eja. Ela ala exa amen e isso: “ ocê não ai? Esqueceu de udo que acon eceu com a gen e? Tudo que ize am pela gen e?” E eu alo: “não, mãe. Não ou. Desculpa, mas não ou.” E é isso, sabe?” P - Como é se um homem neg o no me cado de abalho b asilei o? E3 – É di ícil p a ca amba. Po que assim, eu já ui es agiá io da “(nome da emp esa)”, de engenha ia. E ca a, lá só inham 2 es agiá ios neg os, e a eu e mais um, e ipo, um ambien e com 20 es agiá ios e inha ambém esse choque de ealidade g ande lá po que inha es agiá io que ia de BMW p o abalho, sabe? E a gen e inha que i de ônibus, mo ando em “(nome do bai o pe i é ico)” e ipo... é complicado, po que eu nunca pude deixa o meu cabelo g ande, inha um apaz que abalha a comigo e e a neg o ambém, que ele e a écnico de segu ança do abalho e ele e a uma das pessoas que eclama a quando eu a a com o cabelo g ande: “Co a essa po a. Co a esse cabelo que á idículo.” En ão eu co a a, po que semp e gos ei de e o cabelo baixo mesmo, mas mesmo assim acho desnecessá io, sabe? Acha a que ele e a uma pessoa que não e a iden i icada com a sua co . É mui o complicado po que odo mundo espe a ou a coisa de ocê, sabe? Apesa de eu se mui o g a o pelos che es que eu i e, coinciden emen e odos eles en endem mui o bem essas ques ões. Assim, é mui o peculia a minha si uação ali... quando eu comecei eu abalha a na qualidade, e inha uma che e que e a a “(nome da che e)”, que ela passou mui a di iculdade, eio de “(nome do bai o pe i é ico)” ambém, ela passou pelo “(nome do colégio 144 ede al)”, sabe? Tem as aízes pa ecidas com a minha... ela não é neg a, é igual a ocê, é b anca, ipo mo ena. E só que assim, ela é lésbica, sabe? Só que na época lá ocê não necessa iamen e p a ocupa os ca gos, ocê p ecisa a e um diploma, amos dize assim. Ela ocupa a uma posição mui o al a que e a de RP, e sem es a o mada como engenhei a, e a como écnica, ela a a se o mando ainda. Po que ipo assim, a ma u idade dela e a algo mui o supe io das ou as pessoas, sabe? Ela a a num ní el mui o di e en e. E isso causa a mui as ezes in eja nas pessoas e além do machismo que ica mui o mais a lo ecido, sabe? Tinha eu, a minha líde e a minha che e, e ipo, inha á ios ou os engenhei os o mados que es a am abaixo dela, sabe? Po mais que osse em ou o se o , es a am abaixo dela e isso causa a mui os p oblemas. Ela é uma pessoa que azia mui o po nós que es á amos na equipe dela, mas quem a a o a ipo, nem aí, sabe? Fazia o que e a necessá io pela gen e... e ipo, as pessoas não gos a am dela e eu sen ia mui o machismo ali, mui o, mui o. Todo mundo sabia de idamen e que ela e a lésbica, mas ninguém chega a e ala a na ca a dela algo do ipo, mas ala a po ás. A gen e saía p a bebe em “(nome do bai o na Zona Sul)”, nego só bebia, ica a bêbado só um pouquinho e começa am as piadinhas sem g aça. Tipo inha uma amiga minha, que e a a “(nome da amiga)” que e a mui o amiga da “(nome da che e)” e ica a mui as ezes ou indo piadinha sem g aça p a cace e, sabe? Mas in elizmen e a gen e a a num ambien e co po a i o em que a maio ia e a homem. Eu i e um che e, o meu segundo che e, que alou “P a gen e c esce aqui den o da “(nome da emp esa)” em que se homem, em que se baiano e em que e pa en e aqui den o ambém. Eu, o máximo que consigo chega aqui é subi umas duas posições, al ez o meu ilho possa se alguém g ande aqui den o, mas o a isso amigo, se u o o a desses ês aqui (pa âme os) ou pelo menos dois, u á e ado e não ai c esce aqui não.” E e a isso, um ciclo icioso... lá inha... em mais de 70% dos ca gos al os homens baianos. O que menos inha e a ca ioca, po inc í el que pa eça, os ca iocas e am es agiá ios e... é isso, ela oi mui o gene osa comigo, ela me ajudou mui o, mui o, de uma o ma que eu não posso e ibui . E depois eu ui p o meu ou o che e que oi o “(nome do che e)”, quando eu abalhei na p odução, que e a ambém um ca a supe inc í el, ele é uma pessoa que em de uma enda um pouquinho maio , o pai dele em um ca go al o no exé ci o, ganha bem. Só que ele so eu uma co a dia da emp esa em uma si uação, ele e a b anco ambém, só que ele en endia as coisas que eu passa a. Eu liguei p a ele e alei: “Pô, hoje não ou pode abalha po que á endo al coisa aqui em casa.” Ca a, ipo... o meu izinho, a polícia ede al pa ou o meu izinho, sabe? E olha que eu não mo a a em comunidade, nem nada do ipo, só que ele a a en ol ido com oubo de ca ga, ipo ca o o e, um negócio mui o biza o. Ca a, ocê nunca ai imagina , ocê á saindo p a abalha e a polícia ede al: “Você pode ajuda a gen e?” Po que em que e uma es emunha p a quando eles ão aze is o ia na casa da pessoa. “Não amigo, eu enho que i p o abalho.” Meu amigo a a me olhando e ele alou: “Não, ele ai p o abalho a asado.” E ca a, eu alei isso p o meu che e e ipo, é biza o, sabe? P imei o dia de abalho e acon ece um negócio desse. E ipo, é isso, sabe? E eu i e essa so e, mas nem odos i e am, in elizmen e as pessoas es ão mais p eocupadas com o delas do que com o dos ou os e isso acho que a apalha, o egoísmo, sabe? Que nem eu e alei ca a, ecip ocidade é udo. Na minha ida oi assim, as pessoas me ajuda am sem eu aze nada po elas, po que eu não ou ajuda as pessoas sem espe a nada? Acho que a ida em que se assim. A sociedade só ai melho a eu acho, quando a gen e começa a pensa assim. A sociedade é i e em g upo, né? E i e em g upo em a e com isso. Te espondi? P – Beleza. Sim. E ocê já so eu alguma desc iminação po se neg o? E3 – Ah, mui as ezes. 145 P – Pode con a ? E3 – Uma ez eu... eu odeio um luga chamado “(nome de bai o de classe al a)”, e a minha i mã abalha lá. P – Você odeia? E3 – Eu odeio. Po que é um luga que eu não me sin o bem, só em b anco e quem é p e o lá é emp egado. E ca a, uma ez eu ui lá e inha uma senho inha andando na mesma calçada que eu, só que eu a a bem a umado, abalha a de camisa social, apesa de se do es ágio. E ipo, a senho inha a a essou a ua quando ela me iu e passou po mim e deu a ol a... ca alho, que esc o a. Uma ez eu ui isi a a ex-namo ada quando ela abalha a em “(nome do bai o de classe al a)” e que eu ui pedi uma in o mação p a uma menina que a a passando lá ambém: “Você sabe onde ica al escola?” Ca a, ela omou um sus o quando me iu. En ão são coisas mui o su is, sabe? Que acaba incomodando mui o. Esses luga es são mui o... é mui o assim, é mui a gen e b anca, com enda al a e que em neg os como os emp egados. E no abalho, as pessoas mui as ezes demo a em p a con ia em ocê. É po que eu pa icula men e sou uma pessoa que lida mui o bem com as pessoas, eu sou uma pessoa que no abalho sou mui o que ido, en ão é isso, eu me dou bem, aço a polí ica da boa izinhança, en ão ine i a elmen e eu so o bem menos na elação com os ou os, sabe? Mas ipo, é po que o acismo... uma ez esc e i um a igo ajudando uma amiga minha que inha que aze um abalho p a aculdade, esc e e um a igo a pa i de um li o de uma pessoa neg a que ala a que o acismo na Bahia não exis e po que os neg os lá consegui am ca gos de pode . Sabe, ocê ai olhando ali e ê que não é bem assim, é um acismo elado, sabe? Que é o que p e alece no B asil, ninguém ai ala p a ocê... ai e xinga de macaco ou coisa do ipo, é mui o di ícil, mas as pessoas são sem pe cebe , sabe? Vão e a os acis as e não ão e consciência que são acis as nem que os a os delas são acis as. E é o que o li o ala a basicamen e. Beleza, as pessoas chega am no pode po que não inham opção, não oi po que aqui é uma sociedade iguali á ia acialmen e, não oi po causa disso, não inha opção, inha que se e... e ali eu esc e i um pouco sob e o acismo elado que exis e no B asil. E é mui o isso o dia a dia, sabe? Lá no abalho, po exemplo... eu abalho mui o com dinhei o, en ão, ca a, hoje eu ui ao banco aze um depósi o e o segu ança icou a ás de mim o empo odo, icou me enca ando. Eu ui lá pega um cheque de ol ido com o ge en e do banco que é meu colega ambém e o segu ança me pe seguindo, sabe? E eu ache desnecessá io, e esse ca a aí é neg o ambém. Tipo, o neg o á sendo acis a, mas sem pe cebe . Se ocê ai num supe me cado aqui, os que em ca aca, p incipalmen e, o segu ança ai e segui , ca a. Isso é no mal. E é uma me da po que ocê não pode ala nada que ai ica e ado. Quando na eal não es á. On em eu a a con e sando com uma amiga minha, p o esso a de inglês. Ela é b anca, loi a e mo a em “(nome do bai o de classe al a)”, e ipo, em a enda azoá el, sabe? E ela a a azendo uma c í ica sob e o ilme do Co inga e eu a a um pouquinho disco dando dela e dando um exemplo sob e o acismo e al. E eu alei: “P a mim, hoje, se eu ala que ogo nos acis as, é ogo nos acis as, po que eu não aguen o mais, sabe? Ninguém aguen a mais.” E con e sando com um amigo que mili ou mui as ezes comigo no PSCU ambém, que ele é gay. Ele alou: “Pô, acho que a gen e chegou num momen o hoje onde as pessoas que so em mui o p econcei o es ão cansadas de passa a mão, cansadas de so e caladas. É ogo mesmo!” Não em mais empo p a ica educando, sabe? Eu não sei se essa é a abo dagem co e a, eu acho que eu nunca ou descob i . Cla o que se ocê quise con e sa qualque coisa sob e o assun o, cla o que eu ou con e sa con igo, mas minha p imei a abo dagem hoje p a algumas pessoas é um pouquinho ag essi a, sabe? É mui o complicado... ocê 248 P – Ago a chegamos na úl ima pe gun a. A úl ima pe gun a é sob e mim: como ocê se sen iu sendo en e is ado po uma mulhe b anca? Se ocê acha que se ia di e en e, melho ou pio , se ocê osse en e is ado po um homem neg o, po exemplo. Se ocê se sen i ia mais à on ade ou não e se ocê em alguma ecomendação p a mim. E8 – Na e dade, eu não... p a mim não em nenhuma di e enciação, né? Não sen i ia... não me ejo sen indo mais à on ade ou não, eu acho que quando ocê se ab e p a um diálogo, acho que ocê em que se e dadei o, não impo a quem es eja aí. Acho que a p opos a oi essa, né, en ão... p a mim é sem p oblema algum. E, assim, em elação a suges ão eu... eu não ejo uma assim no p imei o momen o com acilidade. Acho que oi bem conduzida, as pe gun as es ão... ac edi o que es ejam bem pe inen es, pelo menos ao escopo ao qual ocê me na ou, né? Eu não sei quais são as ou as pessoas, mas ac edi o que essa ques ão da aje ó ia de ida ambém possa se uma coisa que possa ag ega mui o no seu abalho, po que independen e da ques ão da e nia ou não, as pessoas que em e nia neg a e i encia am uma condição de ida social um pouco mais di ícil, elas ão e uma in ensidade mui o maio p a na a p a ocê em elação ao desa io, em elação a oda essa i ência em o no de udo aquilo que ocê pe gun ou. Cla o que nem odo mundo da mesma classe social ai e os mesmos p oblemas e as mesmas opo unidades, ão e coisas di e en es, mas eu ac edi o que quando ocê i ência, uma aje ó ia, na qual ealmen e ocê enha um pouco mais de ad e sidade, o eu ní el de pe cepção e odos os seus sen imen os se aguçam. E isso causa uma in e p e ação mui o maio na sua ida, an o p a sua p ojeção, quan o p a oda aquela es u u a passada que ocê pega e e ência em se apoia e ajuda o ou o. É uma ques ão legal... eu só enho e pa abeniza aí, em elação ao abalho que á desen ol endo. Ag adecimen os. 249 TRANSCRIÇÃO NONA ENTREVISTA En e is ado 9: Nil on, 25 anos, Ensino Supe io em Relações In e nacionais, Assis en e de Comé cio Ex e io , Sol ei o, Agnós ico, No a Iguaçu, Classe C, He e ossexual, Neg o, Gêne o Masculino. P - Pesquisado a E9 - En e is ado 9 P – A p imei a pe gun a é bem ge al, gos a ia que ocê me alasse como ocê conside a se a sua expe iência enquan o homem neg o no me cado de abalho do Rio de Janei o. Eu ou ou i a sua his ó ia sem e in e ompe . E9 – Tá, beleza. En ão... assim, desde an es de en a no me cado de abalho a gen e... con i endo nessa sociedade a gen e sabe mais ou menos como as coisas são di e en es dependendo de quem ocê é, en endeu? Só que assim, p a mim, eu a é me conside o bem p i ilegiado, po que a minha jo nada no me cado de abalho semp e oi mui o boa, eu semp e consegui... eu es agio desde o qua o pe íodo da aculdade, depois eu já ui passando po á ias emp esas, en ão, assim, eu enho uma ce a expe iência, a é p a alguém da minha idade mesmo, e eu nunca sen i que a co da minha pele me a apalhou di e amen e nessa jo nada, en endeu? Assim, nunca me sen i disc iminado, sei que eu sou a mino ia nesse caso, enho essa consciência, mas pa icula men e eu me sin o p i ilegiado po con a disso, não me sin o mui o a e ado po con a disso di e amen e, mas as di e enças a gen e ê, né? Po inúme as emp esas eu e a o único neg o do esc i ó io, na p óp ia aculdade, na época da aculdade ambém eu e a o único da sala, po aí a gen e ai endo. Mas, en im, di e amen e a minha espos a é mais ou menos essa. P – Ce o. En ão ocê nunca so eu nenhuma disc iminação po se neg o? E9 – Não. Não que eu enha pe cebido, não que eu saiba. P – Nem den o do me cado de abalho e nem o a dele? E9 – Não. P – Ce o. E ocê acha que no B asil, as pessoas acham que exis e acismo? E9 – É, a maio ia das pessoas ac edi a que ainda exis e o acismo, mas elas não en endem como ele unciona na eal, en endeu? Elas acham que mui a coisa é mimimi, elas não êm noção daquele acismo es u u al, social, que não é ão explíci o assim, elas acham que acismo é só ocê come e uma injú ia, ocê ala que uma pessoa é neg a, ou ocê aze algum ou o ipo de acismo, disc iminado com alguma ou a o ma de aça, mas é aquilo, o acismo ambém é es u u ado na sociedade. Eu acho que esse acismo, a maio ia da população b asilei a não em consciência que exis e de a o. P – E como que é a sua elação com o seu abalho? Ele é impo an e p a ocê? E9 – Sim bas an e, é uma emp esa legal, uma emp esa que eu quis abalha e... eu sou assis en e hoje em dia, mas assim, lá em um plano de ca ei a, eu gos o mui o do que eu aço, já me de am uma no a unção, eu ambém aço pa e da logís ica nacional ago a, ô desen ol endo um p oje o impo an e. En ão p a mim, assim, á nas coisas mais impo an es da minha ida, e é uma coisa que eu gos o mui o. 250 P – E com que idade ocê começou a abalha ? E9 – Ah, com 18 anos eu já a a abalhando. Com 18 anos iz meu p imei o es ágio. P – E aí ocê inha que concilia abalho e aculdade? Es ágio e aculdade. E9 – Sim. P – E a sua amília p ecisa a da sua ajuda p a man e a casa? E9 – Não. P – E como ocê acha que é em média a educação p a um jo em neg o no B asil? E9 – Bem uim, a qualidade bem baixa. É uma educação que não az ele se alguém compe i i o no me cado de abalho, se ocê pensa nos bons emp egos, emp egos em g andes emp esas, ou mesmo que seja no se o público, em g andes ó gãos públicos, e po aí ai. Eu acho que não... não é uma compe ição pau a pau com a educação p i ada e de maio qualidade. P – E como que oi o seu caminho p a chega a é à uni e sidade? E9 – En ão, eu semp e es udei em escola pa icula , e na época eu p es ei es ibula p o Enem, mas na época que eu p es ei es ibula , e a o p imei o ano que o Enem a a nesse no o modelo, en ão oi bas an e complicado. Eu que ia UFRJ na época, mas não consegui pon uação, e eu já conhecia o “(nome da aculdade p i ada)” a a és de amigos e quando eu passei a p ocu a mais sob e a uni e sidade, a é a a p e e indo lá do que a UFRJ. Eu iz um inanciamen o, os meus pais não inham g ana p a paga a mensalidade in ei a e mais os cus os da aculdade, en ão eu inanciei a aculdade, mas meus pais me de am odo apoio, não só com as escolas boas, p a eu consegui acompanha o i mo daquela aculdade mas, po exemplo, mo adia, eu mo ei bas an e empo pe o da aculdade, e o meu pai p a icamen e cus eou isso, en endeu? En ão esse, basicamen e, oi o meu caminho. P – E o que ocê acha do sis ema de co as? E9 – En ão, o sis ema de co as, ele unciona, mas na minha concepção é p a se uma coisa ansi ó ia, en endeu? A é pelo que a gen e em de exemplo do sis ema de co a em ou os paíse, em ou as sociedades, a coisa unciona, ocê só não pode deixa uma coisa ad e e num. E e sis ema de co as, ele se e simplesmen e p a ocê ampa , né, acha uma pa idade com uma ce a pa cela da população que es á o a desse luga onde á sendo aplicado o sis ema, en endeu? En ão po exemplo, a gen e há alguns anos, se ocê pegasse as uni e sidades do B asil, pode se an o a pública, quan o a p i ada. Você ai e que, assim, cla o, eu ô chu ando, né, mas e a 1 neg o p a cada 10 es udan es, amos coloca assim, eu não ô me baseando em nada, é um chu e, mas a gen e sabe que a p opo ção e a mui o disc epan e, né? En ão o sis ema de co as, ele equipa a, po que de ce a o ma, ele az mais neg os es a em nas uni e sidades, ou pa a concu so público, ele az mais neg os es a em pa icipando dos concu sos com uma chance, en e aspas assim, igual de b ancos que es uda am em uni e sidades boas ou colégios bons, e neg os ambém, que i e am essa opo unidade, como eu. O sis ema de co as, eu acho que ele equaliza, mas não ô dizendo que o nosso sis ema de co as é pe ei o ambém, não adian a ocê coloca uma pessoa na uni e sidade e ela não e dinhei o p a cus ea a ida de uni e si á io, ou e a capacidade de acompanha , po que algumas uni e sidades são puxadas, en ão acho que é uma coisa que p ecisa se melho abalhada aqui no B asil, acho que unciona, mas, assim, ago a que a gen e já á caminhando p a uma igualdade, eu acho que é a p imei a ez que a gen e em mais neg os em uni e sidades ede ais do 251 que b ancos, e isso já é um esul ado ambém do sis ema de co as, en ão acho que ago a a gen e em que da o p óximo passo, p a começa a en a i a isso, e, sabe, i melho ando a educação dessa pa cela mais esquecida de ou as o mas, en endeu? P – E ago a ocê abalha, né? Como ocê conseguiu esse abalho? E9 – En ão, na época que eu comecei a abalha lá eu a a desemp egado, eu inha acabado um abalho meu, que e a um con a o empo á io, e eu semp e man i e o con a o com as pessoas da minha u ma, com as pessoas dos meus abalhos an e io es, e uma amiga minha, de longa da a abalha a na “(nome da emp esa)”, que é essa emp esa que eu abalho, que é uma indús ia ancesa de a omas e ag âncias. Ela abalha a no se o de expo ação e ela ia se muda , ela se mudou, na ealidade, p a o a do B asil, e ab iu essa aga, e aí eu iz o p ocesso sele i o. Fo am 3 ases de p ocesso sele i o, e eu consegui se ap o ado. Isso já ai aze 2 anos ago a, oi em janei o de 2018, e eu já ô lá ai comple a 2 anos. P – E como que é o ambien e o ganizacional lá? E9 – Bom, é um mains eam de emp esa, assim, ocê em a di isão de se o es, ocê em udo mui o bem di idido, ocê em plano de ca ei a, ocê em a hie a quia mui o bem di idida, a gen e em um se o de ecu sos humanos que á semp e en ando ag ega o máximo possí el, azendo polí icas de boas p á icas...é mais ou menos isso. P – E ocê se sen e con o á el lá? É anquilo? E9 – Sim. É um luga que... gos o mui o de abalha , poucas coisas me incomodam lá. P – E ocê já oi p omo ido ou acha que em chance de se ? E9 – En ão, eu ecebi uma semi-p omoção em maio desse ano, e eles me bo a am p a desen ol e um no o p oje o, que se de ce o eu posso colhe u os, en endeu? Mas pa alelo a isso, na pa e da expo ação, que e a o que eu comecei a aze lá desde o início, eu acho que al ez eu possa se p omo ido ano que em, ai e uma análise de me as e udo mais, e eu acho que com o abalho que eu iz a é ago a, é uma coisa a se conside a . P – E o que ocê pensa da impo ância de se possui ne wo king? E9 – Eu acho que é uma das coisas mais impo an es que qualque um, em qualque á ea, possa e , po que as pessoas podem não pe cebe , mas basicamen e udo que ocê consegue ambém en ol e um pouco de ne wo king, é ocê es a no luga ce o, na ho a ce a, e é mui o impo an e ocê olha pa a as pessoas, assim, pa a as pessoas da sua uni e sidade, pa a as pessoas do seu con í io, do seu cí culo social, po que a gen e não sabe o dia de amanhã, en endeu? En ão é aquela coisa, “ ocê nunca sabe quando ai p ecisa ” é a adução do ne wo king, e p incipalmen e quando ocê abalha no me cado, ocê sabe que o ne wo king é mui o impo an e, p incipalmen e se ocê é uma pessoa que deseja c esce e udo mais. E o ne wo king não é só aquela coisa de ocê es a pe o de pessoas que possam e bene icia , não é isso. É com boas elações ambém e po aí ai. P – E como que unciona essa ede p a pessoas neg as, ocê acha? E9 – Eu acho bem mais di ícil, na e dade eu não acho, eu enho ce eza, en endeu? E po exemplo, eu semp e andei, assim, em g upos de pessoas b ancas, desde semp e, desde a época da escola e udo mais, en ão, de ce a o ma, eu inha que e meio que isso in ínseco na minha cabeça, que eu de e ia agi de uma o ma X p a es a andando com aquelas pessoas, po que, se não, eu pode ia 252 se a ado de uma o ma di e en e, en endeu? E isso é mui o cla o, e isso ai desde a época do colégio, como o jei o que eu enho que me es i no abalho, se eu que o in e agi com pessoas com ca gos mais al os que eu, pessoas mais elhas que eu, pessoas mais expe ien es, en endeu? Não é o ce o, mas é o jei o que o mundo é. P – E qual se ia a o ma que ocê inha que agi com as pessoas do g upo? Seu g upo de amigos, as pessoas b ancas. E9 – Vamos, lá po exemplo, a gen e quando é adolescen e, a gen e é mui o espo en o, a gen e é mui o espalha a oso, quando a gen e anda em g upo, a gen e semp e g i a mui o, az algaza a, odo mundo já oi assim, mas eu, po e , assim, isso na cabeça, de: “ca amba, ocê não pode... en e aspas, aze algo que as pessoas ão e julga ”, eu semp e ui mui o comedido, semp e pensei mui o nos meus a os, p incipalmen e em público, ipo, “ca a, não usa esse ipo de oupa nesse luga po que podem acha que ocê é um bandido” ou “não az um ipo de coisa nesse luga po que podem acha que ocê á azendo alguma coisa”, en endeu? E po aí ai. P – E isso eio de casa? Po exemplo, a sua mãe ala a alguma coisa nesse sen ido ou ocê que desen ol eu esse ipo de pensamen o sozinho? E9 – Foi uma coisa que eu desen ol i basicamen e sozinho, a gen e aqui em casa nunca e e... cla o, a minha mãe semp e ez ques ão que a gen e se compo asse bem, se a umasse bem e udo mais, a é po con a da educação, da e ique a, mas nada que exace basse, ao pon o dela ala : “Olha ilho, se ocê o em ais luga es, se compo a...“ Não, é uma coisa que eu acabei cons uindo mesmo. P – E como ocê acha que ocê oi pe cebendo essas coisas? De que ocê inha que se compo a de uma o ma di e en e? E9 – Eu acho que não oi po algo que acon eceu, eu semp e ui mui o pe cep i o e udo mais, en ão, assim, po exemplo, eu ia amigos meus co endo no shopping, amigos b ancos meus e udo mais, e eu sabia que se eu co esse no shopping pode ia não se in e p e ado da mesma o ma po segu anças ou alguma coisa assim. E po se mui o pe cep i o, eu semp e i e mui o isso p a mim. P – En endi. E ocê acha que há di isão acial do abalho? Que há abalho de pessoas b ancas e abalho de pessoas neg as? E9 – Olha, na p á ica sim. Na eo ia não, mas na p á ica sim. Mais po con a da ca ga his ó ica da coisa, en endeu? Uma amília de neg os que, po exemplo, há 80 ou 100 anos a ás inha um subemp ego, que não e e uma ascensão social po quaisque mo i os que sejam, é mui o di ícil que os ilhos, ne os, e bisne os enham uma ida di e en e, en endeu? Cla o que quan o maio o in e alo, mais a iá el isso ica mas, po exemplo, di icilmen e um pai, neg o, axinei o, di icilmen e, sem que ce as coisas acon eçam e mudem esse con ex o social, di icilmen e o ilho dele ai se o que o ilho de um médico b anco se ia, en endeu? En ão ocê acaba endo uma gama de p o issões e de ca gos que acabam sendo ca gos de neg os, é só ocê en a po exemplo numa emp esa g ande da ida, ocê ê a quan idade de axinei os que são neg os e a quan idade de execu i os que são neg os. P – E na sua emp esa, po exemplo, qual é a p opo ção de pessoas neg as na ge ência ou em di e o ia? E9 – Nenhum. Tal ez o p imei o seja eu daqui a pouco. 253 P – Toma a. E de quan as pessoas? É mui o g ande a sua emp esa? E9 – Ela é mul inacional, ela é ancesa, en ão... ela á em 36 países e em mais de 7 mil uncioná ios espalhados pelo mundo, o a os e cei izados. Aqui no B asil a gen e não é ão g ande quan o nos ou os países, mas é uma emp esa azoa elmen e g ande ambém. A gen e em... 6 di e o es di ididos en e dadas hie a quias, 6 ou mais, al ez uns 7 ou 8, nenhum deles é neg o, e... ge en e a gen e em dezenas, e nenhum deles é neg o. P – E ocê acha que há disc iminação acial na con a ação e na p omoção de candida os? E9 – Sim, com ce eza. P – Você já iu isso acon ecendo? Po que com ocê, ocê disse que nunca passou, né? Mas em algum amigo...? E9 – Não não, nunca i. Como eu disse né, comigo nunca acon eceu, mas, assim, quando a gen e ai chegando a ca gos mais al os ocê acaba icando dependen e das decisões de pessoas que são mais elhas, pessoas que não em um pensamen o ão mode no quan o a gen e, pessoas com mui o dinhei o, pessoas de o a do B asil, aí eu acho que o p econcei o ai aumen ando con o me passa esses e apas que eu acabei de comen a , e po con a disso eu acho que o a o de, po exemplo, na minha emp esa ocê não e p a icamen e ninguém, ocê não e uma pessoa neg a em nenhuma posição de ge ência ou di e o ia, pode se e lexo disso. Eu não du ido que possa e ha ido algum caso aí, com o passa dos anos, que chegou numa ho a de omada de decisão e isso ez di e ença p a alguém, nos ca gos acima. P o a elmen e acon eceu, a não se que essa pessoa se po asse de uma o ma que não a ia di e ença p a quem á p omo endo, ou p a quem á con a ando. P – E po que ocê acha que esse ipo de coisa nunca e acon eceu? E9 – Assim, sendo bem anco, eu acho que é po que eu me compo o como b anco, p o a elmen e é isso, quase ce eza que é isso. Com ce eza é isso. P – E se compo a como b anco... E9 – Ca a, se compo a como b anco é ocê basicamen e, assim, se compo a da manei a de pessoas com um ce o ní el social, na isão de quem pensa isso. Pessoas com um ce o s a us, pessoas que não ie am de um luga mais humilde, que não ie am de uma pe i e ia, onde ealmen e ocê em uma g ande maio ia de neg os, se po a ia, en endeu? En ão é udo que eu comen ei con igo, é eu sabe ala , eu sabe me exp essa , eu sabe me es i , eu sabe con e sa com qualque pessoa que seja. Isso se ia um compo amen o que ipo... aquela coisa que a é mesmo a gen e ou e, assim, em oda de amigos: “Ca a, às ezes a gen e a é esquece que o ‘(nome do en e is ado)’ é p e o.” Não deixa de se um p econcei o ambém. P – E ocê já ou iu isso? E9 – Já, di e o. Todo im de semana p a icamen e. P a icamen e odo im de semana... e é cla o que a gen e ele a como b incadei a, po que são amigos e udo mais, mas não deixa de se uma o ma de p econcei o, cla o. P – E o que ep esen a ia es a desemp egado p a ocê? E9 – P a mim... olha, hoje em dia eu não enho an o medo do desemp ego, não. Assim, posso ala isso a é com ce a anquilidade, e a é al ez po con a do meu ne wo king, e po que eu enho 254 p oje os meus ambém, en ão eu acho que ome eu não passo, en endeu? Mas assim, em ques ão de emp ego, p a mim, isso não é um p oblema. Sei que não alo pela maio ia aí, não só dos neg os, mas dos jo ens do B asil, mas p a mim não se ia um p oblema mui o g ande. P – Ago a muda um pouco o assun o, é mais sob e masculinidades. Eu que ia sabe quem é ou oi a sua maio e e ência de masculinidade. E9 – Tem meio que uma di isão en e duas pessoas, po que eu eino Muay Thai há mui o empo, e semp e i e isso como a i idade minha desde os 12 anos. Eu enho 25 hoje, en ão me ade da minha ida. E eu enho um mes e de Muay Thai que semp e oi a minha e e ência como adul o, assim como o meu pai ambém, po eu passa mui o empo com ele, po se esse meio “masculino” da lu a... en ão acabou que po mui o empo, oi. Mas depois de um empo ocê acaba azendo uma ce a di isão, e eu di ia que mui a coisa eu me e e enciei com o meu pai e mui a coisa eu me e e enciei com ele. P – E como que oi a sua elação com o seu pai? E9 – Semp e oi mui o anquila, a gen e em uma elação mui o boa, ele semp e me apoiou em udo, qualque escolha que eu pudesse aze . Acho que eu ô mui o... assim, se em uma coisa que eu dei so e, essa de e um pai como ele, oi uma so e emenda. Eu não pode ia pensa em mui os de ei os não. P – E ele abalha a? T abalha? E9 – T abalha, ele é aposen ado do T ibunal de Jus iça, ele oi esc i ão do T ibunal de Jus iça po mui os anos e ele se aposen ou há pouco empo. P – E qual é a escola idade dele? E9 – É ensino supe io . P – E quando ocê e a c iança, quem e a o p o edo na sua amília? E9 – Majo i a iamen e ele, a minha mãe semp e abalhou ambém, mas ele po con a de e a maio enda, ele p o ia mais. P – E ocê acha que cabe ao homem o papel de p o edo ? E9 – Não. Eu acho que depende da amília, se po acaso ocê em uma amília onde ocê em uma mulhe que em uma enda maio e ela em o desejo de se p o edo a e o homem apenas complemen a , eu não ejo p oblema nenhum nisso. P – E se o papel de p o edo é negado ao homem po exemplo, que ou as o mas ocê acha que o homem neg o encon a p a exe ce a sua masculinidade? E9 – Essa eu não sabe ia esponde . P – Ce o. Você é sol ei o, né? Mas ocê em desejo de casa e e ilhos ou não? E9 – Tenho. P – E ocê acha que o desemp ego in luencia na on ade de se casa e o ma uma amília? E9 – Sim. Po que uma ez que ocê á desemp egado, não em um sus en o ixo, mesmo que não seja ixo, que seja a iá el, mas, amos lá, ocê em um emp ego, en ão ocê sabe que, não ão 255 bem quan o se ocê ganhasse mui o bem, mas pelo menos ocê consegue e um casamen o, e depois e en ualmen e uma amília. Eu acho que quando as pessoas es ão desemp egadas, a endência é que as pessoas não pensem, omando decisões acionais, cla o, não pensem em cons i ui amília e ilhos a é que as coisas se es abeleçam, mas nem semp e as pessoas omam decisões acionais. P – Você acha que as amílias neg as no ge al possuem mais equidade en e os gêne os do que as amílias b ancas? E9 – Não. A desigualdade é maio . P – Você acha que é maio ? E9 – Na minha opinião, acho que é maio . Não, deixa eu pensa . Não, na e dade... é, na e dade eu acho que é maio mesmo, acho que em mais equidade en e casais b ancos. P – Po quê? E9 – Po con a de udo aquilo que a gen e já alou, no malmen e, a maio ia dos casais b ancos endem a e uma qualidade de ida melho po que a enda é mais al a e udo mais. Po ocê e uma qualidade de ida melho e uma enda mais al a, isso e le a, na maio ia dos casos, a se mais ins uído, a se mais descons uído, a es a abe o a ideias mais mode nas, e a ques ão da equidade en e gêne os é um pensamen o, que a não se que ocê enha um ce o escla ecimen o, que ocê enha acesso a meios sociais que e pe mi i am não e p econcei o... Eu acho que é uma coisa alcançada po quem em acesso a uma educação melho , p a quem em uma enda mais al a, e po ques ões es a ís icas os b ancos são maio ia nisso, en ão, eles endem a e uma equidade maio , assim. A é em pensamen o mesmo. P – Quais ca ac e ís icas ocê acha que um exemplo de homem ideal de e possui ? E9 – Ah, eu não acho que enha ce as ca ac e ís icas que um homem ideal de a possui . Eu acho que, assim, algumas coisas são meio que essenciais p a ocê i e em sociedade, an o p a homem quan o p a mulhe , en endeu? Senso de comunidade, espei o ao p óximo, empa ia de e ia se , e po aí ai, mas eu não acho que enham ca ac e ís icas que odo homem de a e . Eu não conco do com essas cons uções sociais, en endeu? P – Se bem-sucedido po exemplo, p o issionalmen e, ou inancei amen e, ocê acha que é um exemplo de um homem que ocê admi a? E9 – Sim. Com ce eza. Mesmo que a gen e en e lu a con a, em ce as coisas que a gen e já não... são coisas que es ão na nossa cabeça há mui o empo. En ão, é mui o di ícil p a mim pensa no exemplo de alguém mui o bem-sucedido e que isso não en ol a uma pa e p o issional. Eu consigo acha exemplos ambém, mas como a pe gun a oi di ecionada p a mim, um exemplo de sucesso na ida com ce eza se ia a elado a uma p o issão boa que não necessa iamen e p ecisa se uma p o issão, pode se um es ilo de ida, um p opósi o. P – E ocê acha que em alguma di e ença en e o que é espe ado socialmen e de um homem b anco e de um homem neg o? E9 – Deixa eu e le i um pouquinho... Não. Eu acho que a di e ença á mais em e enda, nesse caso. O que é espe ado de uma c iança ica e de uma c iança pob e são coisas di e en es, sendo ela neg a ou b anca. 256 P – E o que é espe ado de di e en e dessas c ianças? E9 – Eu acho que assim... uma c iança neg a e pob e, eu acho que já é espe ado que ele con inue sendo neg o e pob e. E uma c iança b anca e ica, é espe ado que ela con inue sendo b anca e ica. En ão, assim, ocê pega uma amília de al a enda, uma amília b asilei a b anca de al a enda, onde ocê em um ilho que amos supo , que aos olhos da sociedade ele não seja ão p odu i o. En ão, a isão, na minha opinião, é que ai se o ilho de uma amília de sucesso que não deu ce o, que é a o elha neg a da amília. En ão se ocê le a isso p a uma es e a mais humilde, le a p a uma amília pob e e neg a e i e um ilho que ai con inua sendo pob e e neg o, pouco espe a am dele. Não ão espe a que ele osse alguém de sucesso, assim como o caso do exemplo b anco que eu alei. P – É ácil se um homem neg o? E9 – P a mim ou no ge al? P – Pode se a pe gun a di idida numa p imei a pa e p a ocê e na segunda no ge al, se ocê quise . E9 – P a mim, sim, mas oi uma coisa que eu i e que lu a po isso, en endeu? Hoje em dia, se é ácil p a mim oi po que eu cons uí meio que uma epu ação p a e esse espaldo, mas na maio ia das ezes não, com ce eza. P – E po quê? E9 – Po con a do p econcei o, po con a da disc iminação. Você pega... assim, amos pega um shopping de classe al a do Rio de Janei o, amos pega um Village Mall po exemplo, é um luga que eu ando ela i amen e anquilo, en endeu? Mas se ocê pega a g ande pa e da população neg a e jo em do B asil e pedi p a eles da em um passeio naquele mesmo shopping po uma ho a, eles não ão se sen i ão con o á eis. Se ocê bo a uma câme a, ocê ai e que eles ão e á ios olha es po onde que que eles passem. Po isso que, p a maio ia, não é uma coisa ão ácil assim. P – E essa epu ação que ocê cons uiu ocê acha que é pe cebida a é po pessoas que não e conhecem, po exemplo num shopping? E9 – Sim. P – E como? De que o ma? E9 – Assim, as pessoas não olham an o da o ma que eles olha iam p a alguém que á, sei lá, com oupas humildes, uma apa ência mais humilde, e quando olham, assim, quando a gen e á alando em ambien es a é mais, mais, mais p econcei uosos, eles olham assim, com su p esa, ipo: “nossa, em um neg o bem es ido aqui”. P – E ocê acha que exis e algum ipo de diagnós ico p esc i i o de como os homens neg os de em se compo a ? E9 – Eu acho que não, po que isso pode ge a ... isso não é a o ma que a gen e de e ia comba e essa disc iminação. Foi uma coisa que eu apliquei em mim po pu o ins in o de sob e i ência mesmo, en endeu? No pa icula , oi uma coisa que eu desen ol i p a mim e udo mais, mas não é a melho o ma de ocê cu a o p econcei o. Tipo assim, alguém de d ead, com uma camisa sem 257 manga, la gado, po que é o es ilo que a pessoa escolheu, de e ia se capaz de en a em qualque luga do B asil sem se mal is o, sendo neg o. En ão eu acho que ocê da uma ca ilha de how o beha e não se ia a solução. P – Mas ocê acha que exis e hoje? E9 – Exis e. P – E ocê acha que ocê a ende a essas no mas, po exemplo? E9 – Sim. Com ce eza. P – O que ocê acha que dizem, ou ocê ê dizendo sob e homens neg os na cul u a b asilei a? E9 – En ão, a gen e em ce as e e ências, p incipalmen e no meio a ís ico, né? Mas ainda há uma al a de ep esen ação em alguns campos e em algumas es e as da sociedade. Se pensa em u ebol, eu posso pensa em 10 aqui em 10 segundos, mas se ocê pensa po exemplo, na polí ica, já começa a al a e e ência, no meio acadêmico, no meio in elec ual... e quando há uma e e ência, eles en am esb anquiça a pessoa, Machado de Assis e á ias ou as pe sonalidades, que o am pessoas neg as, e que o am meio que esb anquiçadas aí, pela sociedade. P – Como ocê acha que á a discussão sob e acismo, masculinidades neg as e eminismo no B asil? E9 – Vamos po pa e: sob e o acismo, ela á e oluindo, já es a melho do que semp e oi, mas es á longe do ideal. Sob e masculinidade eu acho que á mui o a asada, mui o a asada, e sob e o eminismo, á ão a asada quan o a pa e da masculinidade, mas em mais gen e alando sob e o assun o. P – Você acha que o eminismo e ou o eminismo neg o são impo an es? E9 – Sim, com ce eza, mui o impo an es, a é mesmo po ques ões de ep esen a i idade. Você e exemplos de mulhe es neg as em posição de pode , em posição de sucesso, é impo an e pa a meninas neg as que p ocu am, mesmo que do subconscien e, alguma e e ência. P – Acho que ocê já alou um pouquinho sob e isso, mas eu que ia sabe mais especi icamen e. Qual a sua elação com a b anqui ude? E9 – Minha elação com a b anqui ude, como assim? P – Ah, com pessoas b anca, com o sis ema de alo es das pessoas b ancas, com a sociedade b anca em si. E9 – En ão, eu ap endi a me acos uma , eu nem aço mais mui a essa di e enciação. 90% dos meus amigos são b ancos e, assim, eu sou supe anquilo com isso, eu cos umo não aze essa di isão en e pessoas b ancas e pessoas neg as, en endeu? Assim, a minha elação com a b anqui ude é da mesma o ma que é com a neg i ude, en endeu? Quando em alguma coisa da cul u a neg a que eu que o usa , eu ou lá e uso, com um ce o cuidado po causa da minha p o issão. E a mesma coisa unciona p o lado b anco depois. Hoje em dia que eu sou mais bem esol ido. P – An es e a um pouco di e en e? E9 – É, quando ocê é c iança a ua au oes ima é no pé, en ão eu inha mais cuidado com algumas coisas, e hoje em dia não. 264 e e ência dele é o amigo dele que en ou p a boca, e o ca a i ou pode oso, icou com g ana e á com as melho es mulhe es, as melho es oupas, com jóia, essa e a a e e ência dele. Hoje pô, o ca a pode olha p o ca a do lado, o izinho dele que á azendo a educação ísica dele, pô, manei o, o ca a á ali azendo nu ição, en im, odon ologia... é uma e e ência, pô. Eu acho que oi assim, a impo ância de o ca a e que o amigo dele chegou, que o b o he dele ambém conseguiu, eu acho que é isso, a a al ando e e ência. É igual a minha a ó, como eu alei, de ala de educação: “pô, mas o ulano conseguiu a a és do es udo”, o ca a não inha isso. Mas es uda p a quê? O ca a não sabia esponde ... Ago a ocê pode ala : “Passei igual ao Júlio, o Júlio á azendo o in e câmbio dele lá o a, passei igual a Isado a, azendo o mes ado dela lá o a”. A gen e p ecisa disso aí, o caminho é só esse, Isado a. O caminho é só esse, p a molecada e alguém, p a se espelha , p a ab aça , p a e aquilo como e e ência, ali. Pô, olha que ba a o, é um em um milhão o ca a que i ou jogado , que ez dinhei o. Mas pela educação, a gale a na a ela não inha. Hoje em dia eu enho á ios amigos que mo am em a ela e es ão azendo a aculdade deles ama adão, a a és de á ias ações, de á ias pa adas aí que o go e no ab açou: P ouni, á ias pa adas. Engenha ia, em uma p ima minha que á azendo engenha ia, olha que loucu a, de uma amília supe humilde. Gas onomia, em um amigo meu ambém, que á azendo gas onomia, negão, que á se ama ando p a ca amba. E é isso, a a al ando um pouco disso aí, an es a a meio que pe dido. Em de e minadas pa es ambém, em de e minados bai os, po que às ezes u passa do únel, chega na zona sul, e é só isso, né, moleque que pega onda de manhã, à noi e ai p a aculdade dele, e a ida dele é essa, já á encaminhado p a isso, o pai ala assim: “Só es uda, se o ma, que ocê ai he da meu consul ó io, ocê ai he da a minha clínica, ocê ai he da ...”, né? E o moleque da a ela á o dia in ei o no Mcdonalds e à noi e ele a a indo p a casa descansa . Hoje ele que dialoga com o moleque lá da zona sul, o moleque á se endo aí no mesmo pa ama , eu digo assim, nas mesmas condições, po mais que seja di ícil. Po que quando a gen e ala de co a pa ece a é que a gen e pegou qualque neg o po aí e bo ou p a es uda no colégio. Não. O moleque es udou, o moleque é bom, o meleque é um alen o neg o. Não pegou qualque neg o que não que ia nada e colocou lá den o não, o moleque se ma iculou, oi lá, ez a p o a, di e enciou que ele é neg o e pô, beleza, em, ocê é bom. Tem um es udo den o disso aí, né? “Ah, po que eu sou con a a co a p a neg o, em que e co a p a pob e”. Mas em, a co a p a neg o é den o da co a p o pob e, só que a pessoa ala que não que , que não é a a o , mas não em nem o in e esse de pesquisa , de que e sabe como é que oi. E é isso. P – Você já oi p omo ido no seu abalho? E10 – Tô na p omessa ainda, Isado a. Eu ô na p omessa ainda. P – E como que é o ambien e o ganizacional lá na sua emp esa? E10 – Com elação a quê? Não en endi. P – Você acha que é um ambien e saudá el, ocê ica anquilo? Você gos a do ambien e? E10 – Eu gos o, eu gos o. A gale a gos a mui o de mim, sabe? Gos a mui o de mim po que eu sou um ca a al o as al, b inco, né. O pessoal gos a mui o de mim, a não se que eles es ejam me enganando mui o bem, mas o pessoal me cu e, odos eles. Tal ez a é essa pessoa que enha me en olado, ela me engula po que ela ê que eu sou necessá io ali, de ce a o ma. Eu abalhei com esse meu che e de hoje, ele é um maluco que é o a da caixinha, ele oi analis a jun o comigo, só que ele é de amília... ó que doidei a, de amília boa, ele ap esen ou o p oje o p o pai e o pai ab iu uma emp esa p a ele, olha que loucu a, eu nunca nem inha pensado nisso. P a ele udo ai se [Document text truncated for crawler view.]