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Insucesso escolar: de um problema de indivíduos a um problema de escolas

Lima, Margarida Aguilar Mendonça de

Abstract

A ideia de sucesso ou insucesso escolar dos alunos parece estar diretamente relacionada com a escola que estes frequentam. O projeto debruça-se, assim, sobre a classificação de estabelecimentos de ensino em “bons ou maus”. Enquanto hipótese central, considerou-se que os rankings escolares poderiam ser um exemplo relevante da objetificação desta ideia de que existem escolas com mais sucesso comparativamente a outras. Nesse sentido, aproveitando o vigésimo aniversário dos rankings escolares, a investigação concentra-se numa perspetiva cronológica, de modo a investigar como é que o processo de qualificação das escolas segundo uma ordem de grandeza estatística se desenvolveu em Portugal pela primeira vez e como é que este se consolidou no tempo. A investigação apoia-se numa sociologia construtivista que combina uma sociologia bourdiana e uma sociologia pragmática, dando ênfase ao contexto político-mediático em que se desenrolaram as lutas periciais sobre este processo e aos atores sociais que nele interferiram.

Full text

Insucesso escola : De um p oblema de indi íduos a um p oblema de escolas Ma ga ida Aguila Mendonça de Lima Disse ação de Mes ado em Sociologia Se emb o, 2021 2 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Sociologia com especialização em Desigualdades Sociais e Polí icas Públicas, ealizada sob a o ien ação cien í ica do P o esso Dou o João Sedas Nunes, p o esso no Depa amen o de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa. 3 “Aquilo que oi c iado pa a se o na ins umen o de democ acia di e a não de e se con e ida em mecanismo de op essão simbólica” (Pie e Bou dieu) 4 Ag adecimen os A ealização de uma disse ação de mes ado em mui o mais signi icado do que o seu esul ado inal. A sua conc e ização esul ou no supe a de um g ande desa io e o seu des echo não podia se mais g a i ican e. É impossí el não ag adece ao meu O ien ado P o esso Dou o João Sedas Nunes, que eu an o admi o, po e ac edi ado no meu po encial e no da minha disse ação an es de qualque ou a pessoa e po me e apoiado e ajudado a encon a o ças pa a chega ao im des e pe cu so. O meu mais since o ob igada po udo! À Anas asiya, a minha companhei a desde o p imei o dia da licencia u a, que em es ado p esen e nos momen os mais impo an es. Ob igada po oda a ajuda, conselhos, co eções, mo i ação e pa ilhas de playlis lo i. Es a disse ação é ambém ua! Ao P o esso Ge son do Ca mo que incen i ou o in e esse sob e o “sucesso e insucesso escola ”, inspi ação pa a a minha disse ação e que, mesmo dis an e, con inua a incen i a -me. À minha mãe, desde semp e a minha maio apoian e, que seguiu es a disse ação como se osse dela, e que inha semp e o conselho ce o pa a me da . Ao meu pai que sabe como encon a sen ido de humo , mesmo nos momen os mais s essan es, e que nunca deixou que a ansiedade me de ubasse. Às minhas i mãs, Ma ia e Madalena, po odo o amo e mo i ação. À minha amília, um g ande ob igado. À So ia, a minha melho amiga, que enquan o ajuda a a lu a con a a Co id19 ainda a anja a empo pa a me dis ai e ob iga a descansa . Ao B uno que acompanhou dia iamen e odas as minhas angús ias e que, mesmo assim, nunca deixou de ac edi a em mim e nas minhas capacidades. Às minhas meninas da HeFo She Lisboa, Dussu e Raquel, que se o na am nas minhas “coaches” pessoais nes e úl imo ano e me ajuda am a descob i compe ências que eu nem sabia que inha. E a odos os meus amigos, que são os melho es do mundo, ob igada pela cons an e mo i ação e in e esse em sabe como es a a a co e o p ocesso. 5 Po úl imo, o meu ag adecimen o mais especial ai pa a as minhas es elinhas, a ó Nucha, a ô Rui, que pa i am du an e a minha passagem no mes ado, e à minha es elinha a ó Manela. Dedico-lhes odo es e abalho, na espe ança de que, onde que que es ejam, sin am o e lexo de odo o apoio, mo i ação e amo que me de am. O meu mui o, mui o ob igado aos meus maio es adep os! A odos os que acompanha am as minhas ansiedades, p eocupações, mas ambém as minhas aleg ias e conquis as como se ossem deles, ao longo de odo o pe cu so des e Mes ado, e o na am es a jo nada ainda mais boni a, o meu e e no Ob igado! 6 Insucesso escola : De um p oblema de indi íduos a um p oblema de escolas Resumo: A ideia de sucesso ou insucesso escola dos alunos pa ece es a di e amen e elacionada com a escola que es es equen am. O p oje o deb uça-se, assim, sob e a classi icação de es abelecimen os de ensino em “bons ou maus”. Enquan o hipó ese cen al, conside ou-se que os ankings escola es pode iam se um exemplo ele an e da obje i icação des a ideia de que exis em escolas com mais sucesso compa a i amen e a ou as. Nesse sen ido, ap o ei ando o igésimo ani e sá io dos ankings escola es, a in es igação concen a-se numa pe spe i a c onológica, de modo a in es iga como é que o p ocesso de quali icação das escolas segundo uma o dem de g andeza es a ís ica se desen ol eu em Po ugal pela p imei a ez e como é que es e se consolidou no empo. A in es igação apoia-se numa sociologia cons u i is a que combina uma sociologia bou diana e uma sociologia p agmá ica, dando ên ase ao con ex o polí ico-mediá ico em que se desen ola am as lu as pe iciais sob e es e p ocesso e aos a o es sociais que nele in e e i am. Abs ac : The idea o s uden s' academic success o ailu e seems o be di ec ly ela ed o he school hey a end. Thus, his p ojec ocuses on he classi ica ion o educa ional ins i u ion as "good o bad". As a cen al hypo hesis, i was conside ed ha school ankings could be a ele an example o he objec i ica ion o he idea ha he e a e some schools mo e success ul han o he s. In his sense, aking ad an age o he wen ie h anni e sa y o he school ankings, he p esen esea ch ocuses on a ch onological pe spec i e, o in es iga e how he p ocess o quali ying schools acco ding o a s a is ical indica o de eloped in Po ugal o he i s ime and how his was consolida ed in ime. The p esen in es iga ion is suppo ed by cons uc i is sociology ha combines Bou dain sociology wi h p agma ic sociology, emphasizing he poli ical-media con ex in which his conjec u e ook place and he social agen s ha in e e ed. 7 Índice In odução ........................................................................................................................ 8 Capí ulo I ........................................................................................................................ 12 Enquad amen o eó ico e p oblemá ica do sucesso e Insucesso das escolas............. 12 Sucesso ou insucesso escola de a o es indi iduais ................................................... 12 Ins i ucionalização do sucesso ou insucesso escola .................................................. 17 Capí ulo II ....................................................................................................................... 28 Me odologia ................................................................................................................... 28 Capí ulo III ...................................................................................................................... 33 P ocesso de Ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola ................................. 33 Momen o I – Sociogénese do P ocesso ...................................................................... 34 Momen o II – Es ado a o á el aos ankings ............................................................. 49 Momen o III – 20 anos depois .................................................................................... 54 Capí ulo IV Especi icidades da cons ução dos ankings: a o es, posições e legi imidades .................................................................................................................. 62 Dispu as no campo polí ico-mediá ico ....................................................................... 62 Legi imidade Cien í ica ............................................................................................... 70 Consolidação dos ankings .......................................................................................... 73 Conside ações Finais ...................................................................................................... 82 Re e ências Bibliog á icas .............................................................................................. 87 Fon es ............................................................................................................................. 90 A igos de jo nal ou pe iódicos não cien í icos .......................................................... 90 Documen os O iciais ................................................................................................... 92 Deba es ....................................................................................................................... 93 Anexos ............................................................................................................................ 95 8 In odução Du an e a minha licencia u a em Sociologia i e a opo unidade de pa icipa num p oje o - es ágio de in es igação, in i ulado “En e a Escola e o Bai o: Es anho, Es anhamen o e Hospi alidade”, o ganizado e coo denado pelo P o esso Dou o José Resende e o In es igado Luís Gou eia, acompanhados pelo P o esso Dou o Ge son do Ca mo. A equipa p ocu a a ap eende como se desen ola am as in e ações en e os es udan es no con ex o escola , conside ando a o es de di e ença (nacionalidade, e nia, se po ado de de iciência, e c.), que o na am uns “es anhos” em elação aos ou os. Es e p oje o deu início ao que se ans o ma ia num despe a pa a as emá icas em que encon a ia maio p aze e ca inho in elec ual. Temá icas es as que en ol e iam a ins i uição escola , o modo como es a é es u u ada e pe cecionada, bem como as di e enças que são, mui as ezes, pe pe uadas nes e con ex o especí ico. Pa alelamen e à pa icipação no es ágio cu icula , mas ap o ei ando oda a expe iência, comecei a desen ol e um in e esse do pon o de is a académico e cien í ico sob e os ocábulos “sucesso e insucesso escola ”. O ecu so a es es concei os no mundo educa i o, diz mui as ezes espei o a enómenos escola es complexos, como a ansição ou e enção escola ; a conclusão da escola idade ob iga ó ia, ou abandono escola e os esul ados escola es posi i os ou nega i os dos alunos. Es es enómenos acompanham, po sua ez, um p ocesso de classi icação do público escola : os es udan es. Assim, i-me con on ada com uma lis a de in e ogações, desde “em que consis e o sucesso e insucesso escola de um aluno?” Ou “o que az um aluno mais bem- sucedido do que ou o?”. Na al u a, ui desa iada academicamen e a conside a a possibilidade de a espos a a es as ques ões esidi jus amen e na indi idualidade de signi icados e pe ceções sociais desses concei os. En ão, é nes a conjun u a que su ge a p emissa de que o sucesso e o insucesso escola , aces opos as da mesma moeda, são ca ego ias sociais cons uídas e mobilizadas po múl iplos a o es de di e sas classes p o issionais, pa a seleciona , quali ica , compa a e a alia alunos, na qualidade de a o es indi iduais, com condições socialmen e he e ogéneas (Pe enoud, 1989). 9 O pon o de pa ida que conduz a p esen e disse ação nasce p ecisamen e da quali icação dos esul ados e desempenhos indi iduais que, quando ag upados num de e minado es abelecimen o de ensino, con e em uma ideia de e i o ialização do sucesso escola ou, po ou o lado, do insucesso escola . Po isso, conside ou-se que a ideia de que sucesso e acasso escola dos alunos pode á es a di e amen e elacionado com a escola que es es equen am de e ia se igualmen e al o de ponde ação (Pe enoud, 1989). O p oje o su ge, assim, de in e ogações le an adas na licencia u a, que conduzi am a no as e lexões que se deb uçam sob e a classi icação de es abelecimen os de ensino em “bons ou maus” e ecupe a uma no a inquie ação, que diz espei o à acilidade de pola iza as escolas “melho es/mais sucedidas ou pio es/menos sucedidas”, al como acon ece com os alunos que es udam nesses es abelecimen os. No en an o, embo a o desempenho dos alunos seja um pon o impo an e, o que se coloca em causa é, não an o o desempenho indi idual em si, mas sim a elação insepa á el que as a aliações desses esul ados êm sob e a o ma como são ambém a aliadas e en endidas as ins i uições de ensino. In e essa, pois, p oblema iza o p ocesso de ans e ência de aplicação das ca ego ias: sucesso ou insucesso escola na ap eciação de a o es cole i os, as escolas. Pa a da início à in es igação, oi elabo ada a seguin e ques ão de pa ida: Como é que as ca ego ias sucesso e insucesso escola se o nam ambém p op iedade ins i ucional de escolas? Conside ando que o obje i o p imo dial é a p ocu a de uma espos a no sen ido de cap a qual a base des a ins i ucionalização e quais os pad ões que a sus en am publicamen e, a in es igação oi conduzida po uma Sociologia da Quan i icação. A pesquisa encon ou o seu umo no ques ionamen o da cons ução das p óp ias ca ego ias, bem como das es a ís icas que as supo am, elemb ando que eem a sua génese num cons u o pe icial cole i o (Blume , 1971). Po an o, os ins umen os a alia i os e e amen as es a ís icas, que p oduzem e ansmi em os dados que supo am a ideia de que algumas escolas são melho es que ou as, enquan o ealidade social quase incon es á el, o am pe cecionados de um pon o de is a e lexi o, c í ico e sociológico. 16 podem, mesmo quando o obje i o explíci o é o in e so, e o ça desigualdades – e ei o que o sucesso escola pode e o ça ao jus amen e ep oduzi ago a no capi al escola a cli agem ocul a en e capi al cul u al ins i ucionalizado e capi al cul u al inco po ado (Pe enoud, 1989; Bou dieu, 2001). No en an o, in e essa sublinha que os mesmos ins umen os podem p oduzi e ei os di e sos, em con ex os di e enciados e po isso, o ap o ei amen o escola indi idual e ia de se explicado com base em múl iplos a o es (Jus ino, e al., 2017). Is o é, á ios g upos de a o es que pa icipam em deba es sob e a u ilização des as ca ego ias, comp eendem que di e en es condições a que es ão sujei os os es udan es, como o seio amilia e meio en ol en e, podem impo a di e a e indi idualmen e na de inição do seu desempenho e cons ução do seu sucesso ou insucesso escola (Jus ino, e al., 2017). Con udo, se conside a mos que o binómio “sucesso/ insucesso escola ”, po seu u no, ope a em con ex os de maio ou meno compe ição escola , en ão des acamos ou as a iá eis, de eo o ganizacional, e e en es ao ambien e da escola e ao pessoal docen e, uma ez que es es p opo cionam con ex os o ganizacionais e abalhos de alinhamen o sob e as classi icações escola es di e sos que de em se conside ados, pa icipando e alimen ando, assim uma maio ou meno compe ição escola (Jus ino, e al., 2017). Aliás, se se combina em esul ados dos alunos, com escolas menos compe i i as, pode á exis i isco de se ala em seg egação de alunos com condições p opícias ao mau desempenho, nessas escolas (Jus ino, e al., 2017). Segundo essa lógica, en ende-se que o desempenho dos alunos pa ece insepa á el das p óp ias escolas. Desse pon o de is a, o acasso do público escola que compõe uma escola pa ece se ambém o acasso dessa escola, dado que pa ece exis i a ideia de que a alha dos alunos es á mui as ezes elacionada com di iculdade de a o ganização pedagógica ins ui e compe i de uma o ma e icaz (Pe enoud, 1989). Assim, escolas com condições e públicos di e en es ambém pa ecem se classi icadas de o ma di e en e. E en ão, à semelhança do que acon ece com a classi icação indi idual, escolas he e ogéneas são igualmen e compa adas (Pe enoud, 1989). Is o é, como a o es cole i os, as ins i uições escola es se ão ambém al o de a aliação cons an e, baseada em pad ões de excelência e p incípios edi icados polí ica 17 e ins i ucionalmen e (Pe enoud, 1989). Po an o, en ende-se acilmen e que a a aliação pode á seleciona , o ien a e classi ica , não só alunos, como ambém as suas escolas (Pe enoud, 1989). E, desse modo, os indicado es écnicos e es a ís icos mencionados, de em se conside ados e ans o mados em obje o de e lexão sociológica, na medida em que se ans o mam em ins umen os de discu so o icial, que nomeia legi imamen e quais as escolas conside adas boas, de/com sucesso e as escolas conside adas más, de/com insucesso (Bol anski, 1979). Ins i ucionalização do sucesso ou insucesso escola O pon o ulc al da disse ação p ende-se com o exe cício de classi icação de es abelecimen os de ensino. Desse modo, impo a conside a eo icamen e em que consis iu a ans e ência de u ilização dos ocábulos sucesso e insucesso escola pa a quali ica não só es udan es, enquan o a o es indi iduais, mas ambém as escolas, como a o es cole i os. Pa a isso, ecupe a-se a ques ão inicial, mencionada an e io men e: Como é que ca ego ias sucesso e insucesso escola , p op iedades de a o es indi iduais, se o nam ambém p op iedade ins i ucional de a o es cole i os, as escolas? Nesse sen ido, o obje i o p imo dial des e p oje o consis e no es udo empí ico e e lexi o, das ca ego ias sociais: sucesso e insucesso escola de escolas, aduzido pela ideia obje i icada de escolas com/de sucesso e escolas com/de insucesso escola . Assim, p ocu a-se, num p imei o plano, comp eende o modo como es es disposi i os de classi icação cen ados no sucesso escola e as o mas de ca ego iza se desen ola am his o icamen e, con ibuindo pa a a p odução de uma hie a quia e pola ização que des alo iza escolas conside adas ‘menos sucedidas’. Além disso, impo a cap a as lógicas implíci as ao p ocesso, bem como as axionomias e ep esen ações sociais que o ien am e jus i icam a ans e ência (Bol anski, 1979). Como al, o am elabo adas duas ques ões complemen a es, insepa á eis e necessá ias à econs i uição do p oblema social cons i uído em o no da quali icação de escolas: 1. Quem pode de ini quais as escolas que sucedem ou que acassam? 2. Quais os p ocedimen os ou c i é ios a alia i os que de e minam onde começa o insucesso escola e e mina o sucesso das escolas? (Bol anski, 1979). 18 De aco do com Sousa (2017), a ab icação de uma qualque ca ego ia ou axionomia, elaciona-se com a posição que os a o es enca egues de a cons ui ocupam no espaço social. Po isso, es e p oje o pa e do concei o de espaço social de Bou dieu, uma cons ução obje i ada, que compo a á ios campos, nos quais os a o es se dis inguem e dis ibuem a a és das suas posições (Sousa, 2017; Bou dieu, 2001). Po sua ez, as posições são cons i uídas segundo as suas condições, o conjun o de alo es, in e esses e c enças pa ilhadas, bem como o olume e es u u a de capi ais: económico, social, cul u al e simbólico, epa idos de o ma desigual, o ganizando en ão os a o es em elações de p oximidade ou dis ância nos campos (Bou dieu, 2001). O a, na secção an e io pe cebe-se que as ca ego ias sociais sucesso e insucesso escola são u ilizadas po uma panóplia de a o es e ou g upos de a o es, nos seus discu sos e e lexões sob e os es udan es e as condições que condicionam, de alguma o ma, o seu desempenho académico (Blume , 1971). Nesse sen ido, e no âmbi o da ans e ência de usos des as ca ego ias, sublinha-se a possibilidade de a o es e ou g upos de di e sos campos de sabe , enham in e esse e capaci ação socialmen e legí ima pa a se p onuncia em ambém sob e a quali icação e pola ização de escolas (Blume , 1971). Desse modo, in e essa inicia a in es igação em o no do p ocesso, ompendo com conceções subs ancialis as - c i é ios, juízos, in enções e ei indicações - de a o es ou g upos que se p onunciam publicamen e sob e es a ans e ência (Bol anski, 1979; Blume , 1971). Is o é, suge e-se que o p ocesso de de inição e u ilização cole i a do sucesso e insucesso escola sob e a o es cole i os, não seja menos ab icado que as p óp ias ca ego ias mobilizadas pa a classi ica a o es indi iduais (Blume , 1971). Além disso, suge e-se ainda que, sendo es as ca ego ias mul i ace adas quan o ao seu eo e sen idos, en ão a ca ego ização de escolas pode á se igualmen e plu al, no que oca aos seus signi icados subje i os e p ocedimen os mo ais. Embo a se salien em os sen idos plu ais des as ca ego ias em á ias á eas do sabe , o na-se ele an e eco da que o sucesso e insucesso escola são cons u os sus en ados po c i é ios de a aliação e pad ões de excelência, elacionados com a quali icação de alunos (Pe enoud, 1989). Po an o, in e essa ques iona : como é que es a quali icação se desloca en ão pa a as p óp ias escolas? O p ocesso se á mais complexo do que suge e a simples ag egação es a ís ica dos (in)sucessos indi iduais. 19 Po que, mesmo se essa obje i ação es a ís ica cons i ui á a p o a de alidação dos juízos de quali icação escola , a mon an e dessa possibilidade ha e á um abalho social de ede inição social da unção das escolas. Elas não se ão mais apenas luga es de ansmissão de a aliação de sabe es. Es a ão hoje in es idas da unção complemen a de assegu a o sucesso escola e co igi o acasso dos alunos (Pe enoud, 1989). É a pa i daí que o êxi o ou acasso es a is icamen e medido dos alunos pa ece se ansmudado em (in)sucesso das escolas. Se a esponsabilidade do sucesso é hoje uma unção escola , en ão es e já pode se es abelecido – cada escola pa icula é bem ou malsucedida em assegu a que os seus alunos supe am as p o as escola es. Es a “ anslação” não pode á, po seu u no, deixa de aduzi uma sensí el modi icação do es ado do sis ema de ensino, exp essão da co elação de o ças en e os a o es que poli icamen e in e êm na sua p odução social. Ou seja, o sucesso e insucesso escola de escolas se iam iden icamen e esul ado da in e ação en e os a o es do sis ema de ensino, in e ação essa que, en e o mais, e á le ado à eme gência e ins i ucionalização de c i é ios e pad ões de a aliação an es inexis en es (Pe enoud, 1989). Desse modo, aliando as duas ques ões sup amencionadas, sublinha-se que nem odos os a o es sociais êm na sua posse o mesmo olume de pode pa a agi sob e si uações de insucesso escola de algumas escolas, nem ampouco pode pa a ca ego iza e nomea o icialmen e as di e en es escolas (Bou dieu, 2001). Assim sendo, e conside ando que o in e esse cen al se p ende com a ca ego ização o icial, pública e gene alizada das escolas, salien a-se um campo essencialmen e polí ico, p i ilegiado no que conce ne à posse, olume e es u u a dos capi ais e e idos, des acando-se em pa icula , pelo capi al polí ico-simbólico, que se aduz na capacidade de um a o ou g upo ob e alo , econhecimen o e p es ígio (Bou dieu, 2001). En ão, os a o es que pe encem a es e campo, se iam do ados de pode simbólico, is o é, ap idão p i ilegiada de con e i sen ido imedia o ao mundo escola e impo uma ep esen ação sob e a quali icação e a a aliação de escolas, eco endo a ca ego ias sucesso e insucesso escola (Bou dieu, 2001). Nou as pala as, a capacidade de impo e consag a c i é ios de a aliação, classi icação e quali icação em ele ância no campo polí ico, pois pe mi e que os a o es ep oduzam a sua e são sob e o p oblema (Lamon , 2013). 20 Assim, en a izam-se os agen es de Es ado e a sua lógica de a aliação e p odução de bens com capi al cul u al, polí ico, simbólico, que acompanham a cons ução des as ca ego ias sociais e os seus signi icados, como meio de imposição e desc ição do mundo educa i o a ual e das escolas (Lamon , 2013; Bou dieu, 2001). Os al os uncioná ios, écnicos e pe i os de educação do Es ado elabo am ins umen os especí icos de conhecimen o pa a a ação pública, na qual se des acam a es a ís ica, índices, núme os, classi icações que, como a e ac os polí icos de pode e alo simbólico essencial, são esponsá eis pelos c i é ios e p ocedimen os a alia i os de alunos, necessá ios pa a consolida a o ganização da a aliação das escolas e a população escola como uma “ o alidade de necessidades” (Sousa, 2017; Cama go, 2009; Bou dieu, 2001; Bou dieu; 1983). A gumen os que po sua ez, podem se u ilizados pa a sus en a ce os discu sos polí icos median e os quais as si uações de sucesso ou insucesso escola dessas escolas e do seu público escola são de e minadas (Pe enoud, 1989). O que se coloca em causa é p ecisamen e: como é que es es agen es p oduzem c i é ios de a aliação e juízos, que pola izam e classi icam as escolas, desclassi icando as que êm “insucesso”? Como é que eles in e êm no deslocamen o en e planos indi idual e cole i o? A ação des es écnicos é essencialmen e de ca iz bu oc á ico-adminis a i o. No caso, impo a ealça a sua ação enquan o medidas e es a ís icas o iciais (Bol anski, 1979). À semelhança da a aliação indi idual dos es udan es, es es agen es ambém o ganizam e es u u am a a aliação de escolas, que comp eende uma a aliação in e na e uma a aliação ex e na (c . Lei nº 31/2002). Po um lado, a a aliação in e na p e ende analisa o g au de conc e ização do p oje o educa i o e de p epa ação do ensino dos alunos em escola idade ob iga ó ia; o g au de desempenho dos ó gãos de adminis ação e ges ão; o g au de sucesso escola , medido a a és da equência e esul ados dos alunos (c . Lei nº 31/2002). Po ou o, a a aliação ex e na p e ende a e i o sucesso e o cump imen o de obje i os elucidados pela adminis ação e Minis é io da Educação (c . Lei nº 31/2002). Segundo es a lógica, sublinham-se no amen e indicado es e e idos, como a axa de ansição ou conclusão de cada ciclo; esul ados nos exames nacionais e pe cu sos di e os de sucesso (Jus ino, e al., 2017). Es es, u ilizados pa a moni o iza o 21 ap o ei amen o de a o es indi iduais, pa ecem demons a -se ago a indispensá eis pa a de e mina o sucesso ou insucesso das escolas (Jus ino, e al., 2017). Nesse sen ido, ainda que as di e sas escolas enham condições e públicos di e en es, são classi icadas com os mesmos p ocedimen os a alia i os (Pe enoud, 1989). Po isso, mais uma ez, impo a ei e a que a a aliação escola se á po en u a mui o codi icada, na medida em que ambém p ocu a quan i ica as escolas, segundo juízos de classi icação alusi os ao sucesso e insucesso escola . À is a disso, a a aliação escola assen e em indicado es de pe o ma i idade, que uncionam como pad ões de excelência e p incípios classi icado es, quan i ica ambém a o es cole i os, enume ando-os, hie a quizando-os e o ien ando-os nas suas egula idades e condenando as suas i egula idades (Pe enoud, 1989; Cama go, 2009). Desse modo, o Es ado ao a anja o ma de ca ego iza o espaço escola , comp ome e-se a explo a o uso social de e mos como sucesso e insucesso, pa a o na as escolas boas ou más em ag egados sociais obje i os (Bol anski, 1979). En ão, ambém as escolas se ão ca ego izadas como “boas ou más”, con o me a a aliação escola que, à semelhança do que acon ece com alunos, ambém p oduz e ei os de inco po ação que se aduzem na cons i uição obje i a des es ag egados (Bol anski, 1979). No en an o, po mais p ecisa que pa eça a desc ição, o sucesso e insucesso de escolas, não deixam de se p odu os de uma cons ução e ins umen alização pe icial, que são, em si, a i iciais (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Po ou as pala as, embo a os indicado es, ins umen os a alia i os e es a ís icas que as sus en am, uncionem como ins umen os de p o a empí ica obje i os, u ilizados publicamen e e necessá ios à comp eensão e descons ução de juízos ince os sob e a ealidade educa i a, de em se igualmen e ans o madas em obje o de e lexão sociológica (Sousa, 2017). Pa a al, o abalho se e-se da Sociologia da quan i icação, que se p eocupa com uma go e nança dos núme os, pa icula men e impo an e conside ando que o espaço escola comp eende uma panóplia de quan i icações especí icas, com e ei os, usos e ins umen alizações de e minadas (Sousa, 2017). Assim, ainda que os obje os a alia i os e es a ís icos sejam p odu os de in es imen os pe iciais, com legi imidade su icien e pa a desc e e e ge i a ealidade educa i a ou ans o má-la, es es de em se igualmen e ques ionados (Sousa, 2017). 22 As es a ís icas o iciais, gene alizadas e públicas assumem á ios papéis, desde polí ico ao cien í ico (Cama go, 2009). Po isso, os ins umen os es a ís icos e e en es à população escola êm legi imidade social, associada à legi imidade cien í ica e polí ica, pa a exe ce um papel impo an e na linguagem e ep esen ação comum, assim que di ulgados publicamen e (Sousa, 2017). En ão, en ende-se que a elação p óxima en e a es a ís ica, a polí ica bu oc á ico-adminis a i a e o campo cien í ico, são essenciais pa a a alo ização desses dados na a ena pública (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Essa alo ização, po sua ez, supõe, como p e is o po Foucaul , que os ins umen os es a ís icos possam se u ilizados socialmen e como no os modos de dominação, ges ão e go e namen alidade (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Po um lado, sublinha-se no amen e a in e enção de al os uncioná ios de Es ado, que não só se ap op iam e u ilizam concei os cien í icos, como c iam e desen ol em ins umen os es a ís icos de conhecimen o da população e e ei os especí icos, que azem pa e da his ó ia do Es ado e são disposi i os impo an es nas suas di e sas o mas de go e na (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Po exemplo, po ol a dos anos 2000, sublinha-se a eme gência de uma go e nança neolibe al, que des aca uma polí ica de esul ados e núme os compa á eis sob di e sos domínios da ida social e ins i uições públicas, nomeadamen e os es abelecimen os de ensino. O que salien a a necessidade de uma a aliação quan i icada e compa ada a a és de ins umen os de pe o mance e classi icação, como indicado es de excelência, e icácia e qualidade das escolas (Sousa, 2017; Lamon , 2013). Po an o, a es a ís ica, enquan o ins umen o de conhecimen o sob e a ealidade educa i a indispensá el à boa go e nança neolibe al, ao con e i ealismo e c edibilidade ao que enume a, cons ói uma e dade que assen a em ca a e ís icas indi idualizan es (Cama go, 2009). Seguindo essa lógica, a enume ação e quan i icação, acompanhando g amá icas de a aliação, implicam p ocessos de ca ego ização de escolas (com sucesso e insucesso), al como dinâmicas de es abilização, legi imação e ins i ucionalização dessas ca ego ias, consag ando-as como uma ealidade quase inques ioná el (Lamon , 2013). Is o é, os indicado es de pe o ma i idade (pe o mance) écnicos e es a ís icos pe mi em quan i ica enómenos especí icos, como a discussão que se o ma em o no do sucesso das escolas, e apoiam polí icas de no malização de elemen os des ian es, po exemplo, 23 os casos de insucesso, que como oi mencionado se aduzem em necessidades, cuja solução e espos a de e es a nas mãos do go e no (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Com is o, comp eende-se que a cons i uição de es a ís icas, indicado es e ins umen os de conhecimen o de Es ado a o ece a ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola . O a, um exemplo no ó io de obje i ação desses ag egados sociais, is o é, escolas boas/ de sucesso, em elação a escolas más/ de insucesso, consis e no mé odo pa a compa a i ens a aliados – a ab icação de ankings, nes e caso, de escolas. Segundo Lamon (2013), um anking supõe a compa ação de um i em com ou o, conside ando o quão bem se saem em dimensões p é-es abelecidas e, pa a a au o a, isso em consequências nas p á icas de a aliação, incluindo negociações en e os a aliado es plu alis as, que endem a posiciona as suas p e e ências, inclinações e pad ões. Is o é, a a aliação eduz-se aos c i é ios que o am de inidos e o malizados, em de imen o de ou os (Lamon , 2013). No caso dos ankings de escolas, es e consis e numa lis a o denada que ab ange odas as escolas, c iada a a és da análise dos indicado es es a ais mencionados. P imei o, e am u ilizados apenas os exames nacionais do secundá io, mas mais a de, es endeu-se pa a os exames de ou os ciclos escola es e pe cu sos di e os de sucesso (Ma ins, 2011). Po an o, os ankings ao eco e em a es es indicado es, o nam-se ambém eles numa p odução de Es ado legí ima e simbolicamen e ele an e (Bou dieu, 2001). Dessa o ma, se indo-se desses ins umen os e pad ões de excelência que pe mi em a hie a quização escola , a cons ução e consolidação de ankings de escola pa ece se uma e idência cla a das di e enças de êxi o escola en e as á ias escolas do país (Pe enoud, 1989). Ou seja, a lis a o denada de escolas apa en a con i ma publicamen e, pela p imei a ez, a ideia de sucesso ou insucesso escola de escolas. O a, assim que codi icados, os p ocedimen os de quan i icação en am na ida quo idiana e ganham au onomia ace ao Es ado, pe mi indo que o obje o seja na u alizado e eu ilizado po ou os, que podem da -lhes usos di e en es do que aqueles pa a que es a am des inados (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Ou seja, os indicado es es a ís icos acili am e con e em legi imidade à linguagem go e na i a, mas ou os a o es êm capacidade e lexi a pa a se ap op ia em dessa linguagem (Sousa, 2017). Nesse sen ido, po ou o lado, des aca-se ambém o pode de dominação de 24 ou os a o es com capi al simbólico signi ica i o, como os jo nalis as (Lamon , 2013). Is o é, além da es e a bu oc á ico-adminis a i a, ca a e ís ica de al os uncioná ios es a ais, des aca-se, po sua ez, o papel polí ico essencial da imp ensa que, bene iciando ambém de um signi ica i o capi al polí ico-simbólico, ao cons i ui -se como luga de “ e dade”, se ap op ia desses mesmos disposi i os o iciais pa a da a conhece o p oblema em o no do sucesso e insucesso das escolas, dando-lhe isibilidade na es e a pública (Bou dieu, 2001). Assim, a di ulgação mediá ica des as enume ações es a ís icas, pa ece e possibili ado que es as o ganizassem de o ma mais ealis a a população escola e as suas escolas em ag egações obje i as, com de e minados signi icados, sus en ando ce os discu sos e omadas de decisão de agen es in elec uais, écnicos e go e na i os (Sousa, 2017; Cama go, 2009). Pa a Sousa (2017), a hipó ese cen al da Sociologia da quan i icação p ende-se com a possibilidade de os aco dos socialmen e ab icados, consegui em c ia uma no a o ma de ep esen a e agi sob e o mundo escola . Dessa o ma, en ende-se que, quando são publicados na imp ensa es es dados podem associa -se a um p incípio de d ama ização da ida social, ca a e ís ico do espaço mediá ico, passando a se u ilizados pa a apoia polí icas go e namen ais, ou pa a a alia os seus esul ados (Cama go, 2009). Po isso, quando expos a na a ena pública, a es a ís ica pode se mobilizada pa a con on a publicamen e o Es ado, que po en u a em esponsabilidade pública sob e o sucesso e insucesso das suas escolas, o nando-o assim num obje o mediá ico e p o ocando con o é sias sob e a e icácia das polí icas educa i as e a manipulação dos núme os (Sousa, 2017; Po ugal e Melo, 2007; Fe ão, 2012). Nessa lógica, comp eende-se que as nomencla u as: escolas de/com sucesso e insucesso, o ganizadas segundo as ca ego ias em es udo, são p odu os impu os po que se baseiam em de e minações his ó icas e lu as simbólicas pelas classi icações, ligadas à posição que o indi iduo ou g upo ocupa no espaço social e a um campo que se e ela ago a simul aneamen e polí ico e mediá ico (Sousa, 2017). Assim, en ende-se que a u ilização das ca ego ias não se ia neu a, na medida em que es as se iam ajus adas às expec a i as e ideias dos a o es que lu am pela sua ap op iação p á ica (Bol anski, 1979). 25 O a, uma das o mas de pode simbólico é, jus amen e, o de nomea e de aze exis i escolas de sucesso e de insucesso e, po an o, sublinha-se a ele ância con e ida à p odução linguís ica e ao sen ido, alo e pode do discu so de um a o ou g upo, indissociá el da posição do locu o na es u u a social, po isso, alguns êm mais alo , au o idade e capacidade pa a aze c e a sua e são, os seus in e esses, juízos e bens p oduzidos, do que ou os (Bou dieu, 1983; Bou dieu, 2001). Pos o is o, en ende-se que a nomencla u a e p incípios de classi icação lógica das escolas, que p e endem e um alo pa a oda a sociedade são, nas pala as de Sousa, he anças de lu as simbólicas pelo domínio da nomeação o icial (Sousa, 2017; Bou dieu, 2001). Es as lu as aduzem elações de pode , o ça e dominação, na medida em que es á em jogo o monopólio da iolência simbólica legí ima, is o é, o pode de aze c e , impo e inculca aos ou os axionomias, designações e e sões da ealidade escola , como a ca ego ização de escolas (Bou dieu, 2001; Bou dieu, 1983). Po an o, se ia necessá io ap eende as lógicas implíci as nessas lu as, nas quais os a o es sen em a necessidade de p o a as suas isões sob e quais as escolas mais me ecedo as de a ibuição de alo (Lamon , 2013; Bol anski e Thé eno , 1991). Po ou as pala as, in e essa conside a os epe ó ios simbólicos e ope ações e lexi as de classi icação, a aliação e alo ação, nas quais os a o es sociais en ol idos manipulam es as ca ego ias (Bol anski e Thé eno , 1983). Nas pala as de Lamon (2013), impo a ap eende que os p ocessos de es abelecimen o de alo implicam, no malmen e, aco dos ou desaco dos subje i os sob e um conjun o de e e ências, mobilizadas pa a compa a as escolas. Po isso, a linguagem e a capacidade a gumen a i a dos a o es são indispensá eis pa a o exe cício da ans e ência em análise (Bol anski e Thé eno , 1991). Nes e caso, escolas de sucesso e insucesso escola são cons i uídas e de inidas de aco do com in e esses, pon os de is a e a gumen os especí icos dos a o es que pa icipam nes e encon o (Bol anski e Thé eno , 1991). Com is o, p ocu a-se analisa e lexi amen e as p á icas in elec uais de classi icação das escolas, os seus usos, signi icados e e ei os na ealidade cons uída es a is icamen e, de um pon o de is a da Sociologia da quan i icação, al como comp eende as dinâmicas associadas à exis ência de hie a quias e sis emas de alo , a a és de uma pesquisa his ó ica e conside ando a base semân ica a ibuída po 32 comp eende o enómeno, bem como os seus con ex os e signi icados. Pa a isso, os dados da pesquisa documen al o am analisados de o ma desc i i a e in e p e a i a, o que eme e pa a uma dimensão social undamen al, que co esponde à elação en e as pe spe i as dos a o es e os con ex os nos quais eles se encon am implicados (Gue a, 2006). Desse modo, o capí ulo III di ide-se em ês momen os: a génese dos ankings, um momen o signi ica i o pa a a consolidação dos mesmos na es e a polí ica e pública e o e cei o em que cons a a o ma como os ankings são pe cecionados na a ualidade. Pos o is o, sem se necessá io esgo a odo o ma e ial empí ico eunido, os dados o am escolhidos à medida que o a gumen o do p oblema se oi desen ol endo, segundo uma lógica de demons ação e ele ância. No capí ulo IV, a discussão sociológica basea -se- á nessa mesma lógica c onológica do p ocesso em es udo. 33 Capí ulo III P ocesso de Ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola Os ins umen os poli icamen e decididos, que a aliam os alunos e as suas escolas e ela am-se undamen ais pa a a cons ução des es ankings escola es, em pa icula as p o as suma i as inais e es anda dizadas do ensino secundá io (Ma ins, 2011). Pos e io men e, com a in odução de exames nacionais em ou os ciclos, os ankings o am ambém gene alizados às escolas desses ou os ní eis de ensino. Assim, o pon o de pa ida da sociogénese des a ins i ucionalização, sob a o ma de ankings, é p ecisamen e a a aliação ex e na, a a és de exames inais da compe ência do Minis é io da Educação (Ma ins, 2011). Ou seja, sem os dados e e en es aos exames nacionais não ha e ia ankings, na medida em que a o denação hie á quica das escolas é elabo ada segundo a média desses esul ados, po escola. No en an o, in e essa e e i que, an es da elabo ação de uma lis a de escolas o denada, os esul ados dos exames nacionais de ensino secundá io já se encon a am, em pa e, na a ena de domínio público, sendo que os esul ados dos alunos de cada escola pode iam se disponibilizados na espe i a escola. Nesse sen ido, a exis ência des es dados, po si só, não jus i ica o ab ico da lis a que, não só o ganiza, como hie a quiza e classi ica as escolas. Po ou o lado, a necessidade de di ulgação mediá ica, pública e gene alizada, que pe mi isse uma classi icação compa ada das escolas, pa ece se de e minan e pa a a exis ência de uma “ anslação” da classi icação de domínio indi idual, pa a cole i o. E, assim, a cons ução pública e mediá ica de sucesso escola como sucesso das escolas ap esen a-se mais complexo e obsole o do que se az c e , uma ez que se o na impossí el não conside a a pa icipação mediá ica na cons ução des e p ocesso essencialmen e polí ico. Desse modo, es a in es igação p ocu ou, num p imei o momen o, ap eende a sociogénese dos ankings, na qualidade de p opos a ao p oblema cons i uído em o no de escolas que sucedem e acassam. Como al, des acam-se algumas das in e ogações mais ele an es pa a o desen ol imen o c onológico des e p ocesso: Qual o con ex o e em que ci cuns âncias su gem pela p imei a ez os ankings escola es? De que ipo de 34 cons u o se a a? Es a ab icação o iginou polémicas? Se sim, de que o ma se desencadea am? E quais os a o es que pa icipa am nes as polémicas? A descobe a de como a elabo ação dos ankings escola es se conc e izou e como se desen ol e am as con o é sias simbólicas no campo polí ico e mediá ico conduzi am a no as in e ogações essenciais pa a o pe cu so da in es igação: Como se consolida am os ankings na es e a púbica e polí ica, pa a pe sis i em 20 anos depois? Com isso, es e capí ulo con a ainda com um segundo e um e cei o momen o que p ocu am jus amen e aduzi a o ma como a ideia da exis ência de escolas boas e escolas más con inua a é aos dias de hoje, enquan o ealidade social. Momen o I – Sociogénese do P ocesso A sociogénese do p oblema em o no das escolas que sucedem ou acassam pa ece ecua a é 23 de se emb o de 2000, com a epo agem “Acesso à Uni e sidade – Ranking das Escolas” do P imei o Jo nal da SIC, de 4 minu os e 31 segundos, que o ganizou o p imei o anking de escolas secundá ias 1 . A SIC pa ece e o ganizado um conjun o de dados do ensino secundá io, que ap esen ou b e emen e du an e a epo agem. No en an o, as p imei as amos as de agi ação pública su gem apenas meses mais a de, em dezemb o de 2000, após a di ulgação dos esul ados nacionais das p imei as p o as a e idas do 4º ano do ensino básico ealizadas em maio do mesmo ano. No Jo nal Público, a no ícia em que cons a am os po meno es da di ulgação des acou- se e sublinhou o que os edi o iais conside a am de “suspi o de alí io” do Minis o da Educação e a eação sa is a ó ia da equipa minis al, ace à média posi i a nas p o as e p ocesso de a e ição que en ol eu 8500 escolas básicas (Sanches, e al., 2000). O a, embo a as médias das classi icações nas p o as enham sido posi i as, os ela ó ios nacionais aça am o cená io do desempenho dos alunos po egião e, nesse sen ido, a 1 “In o mamos que a SIC pode o nece cópia do p og ama com o seguin e cus o de Licenciamen o pa a Fins académicos = 43,05€ (35€ + IVA – Du ação a é 30 minu os), cada peça.” (Email en iado pela SIC, no âmbi o da solici ação da epo agem pa a ins académicos). 35 no ícia não deixou de en a iza as disc epâncias egionais no que conce ne aos esul ados. Como demons ado pelo Minis o da Educação à época, Augus o San os Sil a, ao Jo nal Público, “mais do que ala de médias”, in e essa a u iliza os esul ados pa a “conhece e comp eende o desempenho escola dos alunos” e, assim, e le i sob e as possí eis ca ências de e adas (Sanches, e al., 2000). Com esse mo i o, a equipa minis al jus i icou publicamen e a não elabo ação ou pa ilha de médias po escola, mas salien ou a possibilidade de cada es abelecimen o de ensino acede aos esul ados dos seus alunos, enquan o ins umen o de au o e lexão sob e o seu posicionamen o em elação à média da egião e à média nacional (Sanches, e al., 2000). Assim sendo, sublinha-se uma esis ência es a al ace à cons ução de uma lis a o denada e hie a quizada de escolas, segundo os esul ados das p o as de a e ição do ensino básico. Pelo con á io, Ana Bena en e, e o çou o ca á e especí ico e a “na u eza de papel e lápis” das p o as a e idas, uma ez que, pa a a Sec e á ia de Es ado, es as não a aliam odas as compe ências e ma é ias que se espe a que os alunos a injam no ensino básico (Bena en e, 2000, p. 28). E, nesse caso, as p o as se i am como passo impo an e pa a a cons ução de uma cul u a de a aliação o ien ada pa a a p es ação de con as e apoia pedagogicamen e as escolas (Bena en e, 2000, p. 28). Con udo, o Jo nal Público se iu de palco pa a ou as pe spe i as sob e as p o as do 4º ano e a sua di ulgação pública, como oi o caso do an igo Minis o da Educação, Edua do Ma çal G ilo. Es e, po um lado, cong a ula a equipa enca egue pela ealização das p o as a e idas, po ou o, sublinha a necessidade des es ins umen os a alia i os que, “não são apenas p ocessos des inados a p eenche es a ís icas”, se em pa a “p omo e a saudá el compa ação de pe o mances”, pa a a de inição de polí icas e pa a a c iação de incen i os, “de o ma a que os melho es possam se melho es e os que não a ingem os mínimos sejam apoiados, mas ambém chamados a assumi as suas esponsabilidades” (Ma çal G ilo, 2000, p. 10). Assim, é no Espaço Público do Jo nal que Edua do Ma çal G ilo pa ilha, num ex o de opinião, a sua posição em elação à cons ução de um anking de escolas, o denado con o me os esul ados das p o as ex e nas o ganizadas pelo Minis é io: 36 “(…) publique-se a lis a das cem ou das 500 escolas que ap esen am os melho es esul ados (…) e p ocu e-se pe cebe quais são as causas do bom desempenho dessas escolas.” (Ma çal G ilo, 2000, p. 10). As pe spe i as de Ana Bena en e e de Ma çal G ilo, semelhan es no que espei a à o ma posi i a com que se e e i am às p o as de a e ição do 4º ano de escola idade, mas mui o di e en es no modo como analisa am e enca a am o p oblema, desencadea am no di e o do Jo nal à época a necessidade de ab i espaço de deba e público no Jo nal. Po an o, José Manuel Fe nandes ap o ei ou as duas e sões pa a ap esen a publicamen e a sua opinião sob e a cons ução de uma lis a o denada e hie a quizada desde as escolas que sucedem às que acassam. O jo nalis a começa, em p imei o luga , po demons a o seu desag ado ace à pe spe i a go e na i a de Ana Bena en e que, nas suas pala as, des alo iza a as o mas clássicas de ap endizagem essenciais pa a qualque sis ema de ensino (Fe nandes, 2000, p. 21). Além disso, c i ica ainda a pe spe i a da Sec e á ia de Es ado no que diz espei o à a aliação, acusando-a de a ecea e de limi a o papel das p o as a uma me a a e ição. Pa a o jo nalis a do Público, a a aliação é um ins umen o que, ao longo da ida, se e pa a ga an i jus iça no abalho e uma cul u a de me i oc acia. Nesse sen ido, desa ia go e nan es e lei o es ao lança algumas ques ões que pode ão soa p o ocado as: “Mas po que se em medo de a a com on alidade uma a aliação que não é elimina ó ia? Po que se em medo de dize às escolas e aos alunos as no as que i e am, sob e udo quando elas são apenas indica i as. (…) Po quê, en ão, an o medo de ala em a aliação – e de a alia o que pode se a aliado?” (Fe nandes, 2000, p. 21). O di e o do Jo nal Público jus i ica-se a a és de a gumen os como a anspa ência go e na i a, a impo ância de possibili a os enca egados de educação escolhe em an ecipadamen e os es abelecimen os de ensino onde que em ma icula os educandos e a necessidade de se c ia uma p essão sob e as escolas com pio es esul ados (Fe nandes, 2000, p. 21). Assim, o jo nalis a aplaudiu abe amen e a suges ão do Ex-Minis o da Educação, Ma çal G ilo e apela que os dados es i os ao Es ado, “que pe mi em es abelece um anking nacional, ou po dis i o, ou po concelho” se o nem 37 públicos e ac escen a que “Anos a io o Público em solici ado ao Minis é io da Educação a di ulgação dos dados sob e as p o as nacionais do 12º ano” (Fe nandes, 2000, p. 21). Sem deixa de censu a , mais uma ez, a pe spe i a de Ana Bena en e, José Manuel Fe nandes e mina o seu ex o opina i o colocando uma úl ima pe gun a desa ian e: “Já ago a: o que pensa o a ual Minis o da Educação Augus o San os Sil a, dis o udo?” (Fe nandes, 2000, p. 21). En ão, oi com es a “ca a abe a” que o deba e público em o no do p oblema da ins i ucionalização das escolas que sucedem ou que acassam e e o seu p incípio. Nesse seguimen o, os P o esso es S ephen R. S oe e An ónio M. Magalhães em espos a à posição de José Manuel Fe nandes no que diz espei o à necessidade de uma escola me i oc á ica, mos a am-se p eocupados com a alência de uma “escola pa a odos”, a en a às di e en es desigualdades sociais (S oe e Magalhães, 2001, p. 24). En ão, a discussão em o no da ins i ucionalização do sucesso sob a o ma de ankings escola es acompanhou um deba e mais an igo en e os apoian es de uma cul u a de a aliação e mé i o e os o ulados de “ ilhos de Rosseau”, exp essão de Ma ia Filomena Mónica, in e essados na e lexão sob e as exp essões das desigualdades no ambien e escola . Nessa ó ica, os P o esso es acusam o di e o do jo nal de en a num jogo de p eocupações polí icas em de imen o de uma eal inquie ação com as condições pedagógicas dos es abelecimen os de ensino (S oe e Magalhães, 2001, p. 24). O a igo de opinião dos P o esso es ob e e espos a do di e o e, assim, du an e os meses que se segui am, a secção Espaço Público do Jo nal Público ans o mou-se num palco de discussão pública sob e a elabo ação dos ankings de escola e apidamen e as duas posições o am apoiadas po di e sos in e enien es, mani es os no Jo nal. Po um lado, os que se encon am do lado dos “ ilhos de Rosseau” e, po ou o lado, os apoian es do mé i o, e ocando os a gumen os de José Manuel Fe nandes e a p imei a en a i a de anking c iado pela SIC no início do ano le i o. “O di e o do Público de ende há já á ios anos a ese de que o Minis é io da Educação (ME) de e publica os esul ados dos exames nacionais (REN), sob pena de, ao não aze , esconde in o mações pe inen es pa a a sociedade e, sob e udo, pa a os pais. (…) A polí ica seguida pelo ME não impediu que a SIC es abelecesse um “ anking” de escolas com base nos 38 REN. E, ao azê-lo, com base numa amos a “ad-hoc”, excluiu a maio ia das escolas do país e c iou nos cidadãos uma imagem e ónea da ealidade educa i a.” (Lemos, 2001, p. 10) Du an e o mês de ma ço de 2001 o am di ulgados os esul ados globais da in e enção elabo ada pela Inspeção-Ge al de Educação, sob e a ges ão adminis a i a e pedagógica de 348 es abelecimen os de ensino básico e secundá io. Po an o, os jo nalis as do Jo nal Público con inua am o exe cício de con as a a ação dos in e enien es de Es ado enca egues do p oblema em o no da a aliação dos es abelecimen os de ensino. Assim, des aca-se a conc e ização de duas g andes en e is as sob e a elabo ação de uma lis a o denada de escolas: p imei o à Inspe o a- Ge al da Educação e depois ao Minis o da Educação. Na p imei a, a Inspe o a-Ge al da Educação, quando con on ada com a e icácia da a aliação das escolas do 1º ciclo, man ém a posição go e na i a dominan e e posiciona-se con a a elabo ação de ankings: “Q: Es a a aliação já iden i icou as boas e más escolas. A é que pon o é que os pais e o público em ge al podem se in o mados sob e os esul ados? R: Todos e ão acesso aos ela ó ios que es ão nas escolas: pais, au a quias, en idades egionais. Faze um “ anking” com es a a aliação e a possí el, mas punha em casa a alidação dessa escolha, po que uma u u a a aliação pode mos a ou a ealidade. Q: “Signi ica que es a a aliação não oi bem ei a? R: Não há nenhuma a aliação à p o a de e o e é mui o ques ioná el a noção de qualidade absolu a. Toda a a aliação é uma in e p e ação e o que podemos aze é cons ui um mapa de sinais. Quando aço um “ anking”, es ou a u iliza um c i é io de e dade absolu a e não exis em alo es uni e sais que o jus i iquem. De ende em Po ugal os Rankings é uma alácia, se i ia apenas pa a sa is aze uma cu iosidade mó bida. Se a jus i icação pa a a exis ência de “ ankings” é a in o mação dos pais, esses, na sua la ga maio ia, não êm condições de escolha e os que êm já a azem.” (Clímaco, 2001, p. 2). A en e is a ao Minis o da Educação, Augus o San os Sil a, e e a pa icula idade de se ealizada pelo p óp io di e o do Jo nal Público, José Manuel 39 Fe nandes. O í ulo da no ícia que acompanha a a en e is a, ocupando 3 páginas dos des aques, já da a mos as sob e o desenlace da mesma: “O minis o já possui elemen os pa a dize quais são as 50 ou 100 escolas do país com melho es esul ados, mas não ai di ulgá-los”. (San os Sil a, 2001, p. 2,3 e 4). “Q: Mas de que se e se não é anspa en e? Es a semana o am di ulgados os esul ados da a aliação a 348 escolas do ensino básico e secundá io, mas o público não sabe se a escola “b” ou “x” é boa ou má. R: O sis ema de a aliação que mon ámos é mui o di e en e da elabo ação de uma lis a de escolas de “1” a “n”. é um sis ema de a aliação que implica a au oa aliação po pa e das escolas e uma a aliação ex e na. Tem como obje i o undamen al p ocede a uma a aliação do desempenho iden i icando pon os o es e acos, que são depois comunicados à escola a aliada. Pa a que possam se discu idos pelos p o esso es e ó gãos de di eção e co igidos…pa a se em abalhados po cada escola. Q: Mas se eu o pai de um aluno posso i à in e ne e e acesso a esses esul ados da escola do meu ilho? R: Pode pedi à escola do seu ilho. Q: E posso sabe se a escola ao lado e e um esul ado di e en e? Posso compa a , posso sabe se a ou a escola em menos p oblemas? R: Pode compa a com os esul ados nacionais. Mas não em acesso aos esul ados escola a escola e não classi ica escola a escola. Há uma g ande discussão dou iná ia à ol a des a ques ão, mas é assim que nós en endemos. Q: Mas isso ai con a o p incípio da anspa ência da adminis ação pública. R: Não. Vai é con a o p incípio do es abelecimen o de “ ankings” de escolas. Q: Se a adminis ação em os esul ados de odas as escolas, di ulguem-nos, as pessoas o denam se quise em mas se eu p esido a um conselho di e i o e sei a que escola “x” e e um p oblema que conseguiu esol e , ou a essa escola e pe gun o como é que ize am, po que ambém o que o esol e . Se não, pe gun o a quem? Ao minis o? R: Há consequências da a aliação. Vamos ago a aze um es udo das escolas melho classi icadas nos á ios i ens pa a que, jus amen e, se pe ceba quais são as a iá eis decisi as na excelência 40 das escolas. Q: Mas po que é que isso em de se ei o apenas a ní el cen al? R: Po que que emos dissemina as boas o mas de o ganização, não que emos es igma iza as escolas que enham icado pio es classi icadas, nem induzi uma escolha que não podemos ga an i . É que ao con á io do que sucede no ensino supe io , em que alunos são li es de indica em as escolhas que en ende em, no não supe io não há ma gem de escolha. Quan o mais não seja po que se uma escola não i e lo ação e ão p e e ência os alunos da á ea de esidência. Q: A ques ão cen al não é essa. Se há bons exemplos, po que é que não se di ulgam ao menos as cem melho es escolas, como suge iu o ex-minis o Ma çal G ilo, e deixamos as ou as pa a não as es igma iza . R: Se cada escola quise o na públicos o esul ado dos seus exames, das suas p o as a e idas e da a aliação in eg ada, não es á impedido de o aze …Q: Mas po que é que não az o minis é io? Es amos a ala das escolas que podiam se i de exemplo. R: Fazendo um es udo sob e as escolas com o melho desempenho, esse es udo não se á sec e o. (…) A o ien ação do minis é io não é classi ica escolas nem aze “o op en”. Nem aze juízos de ini i os sob e as escolas. Imagine o que e a di ulga as melho es escolas, a p ocu a dispa a a! Te iam que aze u mas bas an e maio es ou aze uma seleção, ou seja, ganhando à pa ida o que de iam ganha à chegada.” (San os Sil a, 2001, p. 2,3 e 4). O a, o anseio po uma di ulgação pública de esul ados de exames e p o as nacionais e consequen e conc e ização de ankings de escolas, con o me esses mesmos dados, oi al o de mui a con o é sia polí ica. Po an o, ao mesmo empo que o deba e ia su gindo no espaço mediá ico, en e 2000 e 2001, o P o esso Da id Jus ino, na al u a depu ado da Assembleia da República, apoiado pelo P o esso Du ão Ba oso, líde do Pa ido Social Democ a a, ep esen ou a i a e publicamen e a posição do Pa ido, no que conce ne à di ulgação de esul ados dos exames nacionais o denados po escola. “Mas po exemplo eu nunca alei com José Manuel Fe nandes sob e is o (…). O Público azia aquilo que en endia, ha ia ou as pessoas ambém que aziam a igos e eu es a a no Pa lamen o. Po an o, nem eu es a a à 41 espe a do Público pa a aze osse o que osse, nem eles es a am à minha espe a.” (Jus ino, 2020, En e is a explo a ó ia). Os depu ados do PSD en ia am um eque imen o ao Minis o da Educação solici ando a in o mação sob e a A aliação In eg ada das Escolas e os ela ó ios da Inspeção-Ge al da Educação, com análise do desempenho po cada escola a aliada, jus i icando, quando ques ionados pelo Jo nal Público que os “con ibuin es êm di ei o a conhece o mesmo que o minis o e os uncioná ios do minis é io conhecem” (Sá Lopes, 2001, p. 32). Nesse sen ido, no dia 3 de Ab il de 2001, o PSD ap esen ou dois P oje os de Lei sob e a a aliação das escolas, que p e ia a cons ução e u ilização de ankings. O P oje o de Lei nº 421/ VIII – Lei Quad o pa a a A aliação e Qualidade dos Ensinos Básico e Secundá io, des acou a impo ância na c iação de ela ó ios e análises compa adas, publicados em papel e supo e digi al, pela Comissão Nacional de A aliação do Ensino Não Supe io , pa ilhados a odos os cidadãos e ins i uições in e essados (C . P oje o de Lei nº 421/ VIII). O segundo P oje o de Lei nº 422/VIII, mais especí ico, apela a à ob igação da di ulgação dos esul ados dos exames do 12º ano, po escola e po disciplina, bem como de in o mações complemen a es que pe mi issem conhece o sucesso ou insucesso escola nos es abelecimen os de ensino do ensino secundá io (C . P oje o de Lei nº 422/ VIII). Nes e úl imo, o PSD p e endia salien a a necessidade de discussão em o no de esul ados inais em cada escola do ensino secundá io e da sua di ulgação, seja a pa i das p óp ias escolas, Adminis ação Educa i a ou ou as en idades independen es (C . P oje o de Lei nº 422/ VIII). De aco do com os depu ados do PSD a di ulgação des e ipo de in o mações pe mi e ape eiçoa as p á icas e es a égias de ensino e anula , assim, as assime ias en e es abelecimen os de ensino, melho ando-os (C . P oje o de Lei nº 422/ VIII). Além disso, ac escen am que o cidadão de e es a in o mado sob e as condições dos ecu sos de ensino do país e, po isso, en endem que a di ulgação se ia um meio pa a o maio conhecimen o sob e as pe o mances dos di e en es es abelecimen os de ensino. Pa a al, ac escen a am a necessidade da c iação de es udos que conjuguem os esul ados da a aliação ex e na a indicado es como: núme o de alunos ma iculados no 12.º ano; núme o de insc i o nos exames do 12.º ano; núme o de insc i os no 10.º ano ês anos an es da ealização das p o as do 12.º ano; 48 an e io equipa minis e ial, pa ece se – elizmen e – a da que omou posse no passado mês de julho”. (Fe nandes, 2001, p. 3). Os p imei os ankings de escola em Po ugal o am palco de mui o deba e e con o é sia, po isso, du an e o inal do mês de agos o e o mês de se emb o, a no ícia oi acompanhada po á ias in e enções e c ónicas no Espaço Público e ca as ao di e o , en iadas po lei o es. O dia “his ó ico” oi no ícia de des aque em á ios meios de comunicação social. A SIC, o ganizado a do p imei o índice de escolas de secundá io, não deixou de acompanha a no ícia. En e as á ias epo agens da SIC, des aca-se a no ícia que con emplou a opinião de José Manuel Mes e. O jo nalis a da SIC mos a o seu apoio pe an e a elabo ação dos ankings, eco endo a a gumen os já conhecidos: “a anspa ência esponsabiliza e, po isso, a o ece e es imula a p ocu a da qualidade. Se que emos e um ensino de qualidade e emos ine i a elmen e de esponsabiliza odas as pa es nele en ol idas e, nesse sen ido, os esul ados esponsabilizam quem os ap esen a.” (Mes e, 2001). Além disso, o jo nalis a e o çou, pa a os mais esquecidos, o papel de des aque da SIC pe an e o p oblema da ins i ucionalização do sucesso das escolas, sob a o ma de anking escola : “Há um ano a SIC ez po sua con a e isco, o a amen o po amos a dos esul ados ob idos em mais de qua en a escolas; o abalho e á expos o o ób io: a necessidade de ab i as escolas à sociedade pe mi indo o deba e público, a compa ação de expe iências, boas e más, com dados uni e sais conc e os. Po isso, es e ano, a SIC oi mais longe e p epa ou um le an amen o em ce ca de cen o e cinquen a escolas públicas e p i adas de odo o país de que p escindiu apenas há uma semana quando o Minis é io da Educação disponibilizou odos os dados o iciais. Os esul ados que a SIC ap esen a cons am, po an o de uma base de dados do Minis é io da Educação que an es e a emp a elei ada nos só ãos da 5 de ou ub o. O seu a amen o cons i ui, pois, uma no idade absolu a: segundo al os esponsá eis que passa am pelo Minis é io nunca, a é hoje, os esul ados dos exames nacionais de 12º ano o am a ados de o ma in eg ada, escola a escola; alegadamen e, pasme-se, pa a e i a 49 que daí pudesse esul a a elabo ação de alguma abela o denada de escolas.” (Mes e, 2001). A pa i daí, anualmen e, á ios ó gãos de comunicação social ecebem os esul ados em b u o, uma base de dados anónima com um núme o e indicação de escola, disciplina, esul ado, a aliação in e na, en e ou os indicado es que o Minis é io oi ac escen ando ao longo dos anos, nomeadamen e: a e enção, o igem social dos pais e é publicada a lis a o denada de escolas, disc iminando quais os melho es e os pio es es abelecimen os de ensino do país (Po ugal e Melo, 2007; Ve dasca, 2013). Momen o II – Es ado a o á el aos ankings Como oi e e ido na secção an e io , o p ocesso de cons ução dos ankings escola es, enquan o p opos a de ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola pa ece não se e desen ol ido de o ma neu a, na medida em que acompanhou expec a i as e in e esses de di e sos in e enien es de um espaço simul aneamen e polí ico e mediá ico. A pa i da sua p imei a di ulgação pública, os ankings o am elabo ados odos os anos, em á ios ó gãos da comunicação social, a a és da pa ilha e disponibilização polí ica dos dados essenciais à ab icação da lis a o denada. Po an o, embo a a p imei a edição de ankings não enha sido e e uada em medida o icial, o Go e no é impo an e pa a a consolidação des e p ocesso. Des e modo, o papel dos a o es que pa icipam no complexo Es a al e Minis é io da educação, não de e se subes imado, uma ez que es es p ocu am man e a o dem social e escola (Bou dieu, 2001). No en an o, impo a elemb a que o Es ado é um complexo de a o es e de in e esses, po isso, a u ilização e ap op iação dos ankings escola es, enquan o ins i ucionalização do sucesso e insucesso das escolas pode á di e i con o me o manda o polí ico e ideologias polí ico-pa idá ias: “Com a di e ença de que ago a são publicados cada ez mais a de (an es e am publicados em se emb o e ago a ainda não es ão publicados em e e ei o). Is o e ela de ce a o ma que quem es á à en e se gos a de 50 ankings acili a, se não gos a, di icul a. Hou e semp e uma g ande esis ência da pa e de quem decide e uma g ande indignação da pa e de quem e en ualmen e e a isado. A his ó ia dos ankings oi mais ou menos is o, mas semp e hou e uma g ande esis ência da pa e de quem decide e hou e semp e uma g ande indignação da pa e de quem e en ualmen e e a isado” (Jus ino, 2020, En e is a Explo a ó ia). Segundo essa lógica, conside a-se ele an e des aca mais dois momen os undamen ais pa a se comp eende a consolidação da ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola e o icialização de ankings escola es enquan o medida de alo ização. Assim sendo, o segundo momen o que de e se conside ado co esponde ao pe íodo do XIX Go e no Cons i ucional (2011 a 2015). Es e pe íodo dis inguiu-se pelo con ex o socioeconómico e pelas medidas especí icas elacionadas com o ensino em Po ugal, nomeadamen e: a a ibuição de subsídios a escolas p i adas, que deixa de depende da inexis ência de o e a pública, po egião, echo de escolas e medidas sob e o insucesso e o egime de equência ob iga ó ia (Dec e o-Lei nº176/2012). Além disso, sob alçada des e Go e no, p omulga-se a al e ação das condições de au onomia de escolas (Viei a da Sil a, 2014). “N – Só pa a lhe da um exemplo, (…) os ho á ios são decididos cen almen e, a du ação cada empo le i o. Po quê? Po que é que as escolas não podem azê-lo? E- Teo icamen e po uma ques ão de pad oniza e de ha e uma no malização. N- Mas po quê? Mas po quê? E- Po que depois os alunos ão se ensinados com os mesmos exames nacionais. N- po quê? Po que é que uma escola não pode e 3 aulas de 60 minu os e ou as 2 aulas de 90 minu os, se eles acha em que é melho aze em as coisas dessa manei a? O que o minis é io em de ga an i , eu insis o nes e exemplo pa a da a ideia do que é que es á po ás do nosso pensamen o, o que o minis é io em de ga an i é que exis am um núme o de ho as pa a cada ma é ia, como é que isso se o ganiza se é um bocadinho mais, se isso se complemen a com ou as a i idades”. (C a o, 2011). 51 Nes e âmbi o, o Minis o da Educação à época, o P o esso Nuno C a o, mani es ou publicamen e o seu in e esse no que conce ne à a ibuição de maio au onomia às escolas e maio libe dade de escolha em elação às mesmas. Po ou as pala as, e e enciando o modelo educa i o inglês e no e-ame icano, o Minis o conside ou que “de e ha e uma a aliação cen al que pe mi a aze compa ação en e as escolas e compa ação com no mas e me as que odos que emos a ingi , mas de e ha e uma g ande libe dade e de e ha e o sis ema p i ado e público” (C a o, 2011). Po an o, na pe spe i a do P o esso Nuno C a o, pa a se ob e um melho ensino, impo a en a iza a noção de conco ência e compa ação en e escolas, sejam es as públicas ou p i adas. Is o é, pa a o Minis o, a di ulgação pública e gene alizada dos esul ados escola es cons i ui-se numa e amen a essencial pa a a pa ilha de in o mação, além de a aliação e esponsabilização das escolas. Com is o, salien a-se o Minis o da Educação como um a o cen al, não só da poli ização da escola compe i i a como da o icialização dos ankings escola es como medida de alo ização e di e enciação escola . “Nes es úl imos anos a ançou-se mui o nesse sen ido e eu acho que oi uma coisa mui o posi i a, os chamados ankings. As pessoas alam mui o dos ankings. Os ankings não in e essam, os ankings são ei os po cada jo nal ou cada es ação de ele isão. Quem quise az ankings. O que é impo an e é que o Es ado começou, o minis é io começou, mui o po con a on ade na al u a, mas começou e acho que oi uma coisa mui o impo an e, a di ulga os esul ados das escolas e a pa i do momen o em que o am di ulgados os esul ados das escolas, começou a se o necida à população in o mação, aos pais, in o mação sob e o que é que as escolas es ão a aze ” (C a o, 2011). Assim sendo, en ende-se que o pensamen o neolibe al omen ou a ideia, ca a e ís ica das polí icas do Go e no Cons i ucional XIX, de que a compe ição melho a a economia e o ensino. E, dessa o ma, além de o oco em pedagogias que assen a am na solida iedade, e passado pa a segundo plano, o am c iados quase-me cados, a a és da ab icação e gene alização de ankings escola es, assen es em a aliações ex e nas, o ganizados pa a ge a compe ição e melho ias (Teodo o, 2016). 52 “A educação em indo a se colonizada pela economia. Quem ala de educação não são os educado es nem os cien is as sociais da educação. São sob e udo os economis as e ambém uma no a ca ego ia, os opinion make s que alam sob e udo. Cons oem-se opiniões que es ão nos jo nais, nos canais de ele isão, nos blogues”. (Teodo o, 2016). De uma ou a o ma, a escola e a gene alização da ideia de necessidade de a aliações ex e nas, pa a con ola o que é ei o in e namen e, passou a se um assun o cen al (Teodo o, 2016). “A ideia é que os exames, sob a o ma que se quise - sejam as p o as ipo in e nacional, como o PISA, sejam os exames in e nos -, são o elemen o p incipal de egulação, po que ge am e ei os a mon an e, nas p á icas dos p o esso es. Se só ou a alia a língua ma e na, a ma emá ica e as ciências, is o le a a que as polí icas cu icula es se cen em nessas disciplinas”. (Teodo o, 2016). Nesse sen ido, en ende-se que as al e ações polí ico-ideológicas êm incidência na o ma como os ankings, enquan o p opos a de ins i ucionalização do sucesso e insucesso educa i o, se consolida am. No en an o, impo a conside a que mesmo du an e o Go e no XIX, os pa idos de esque da mani es am na Assembleia da República o seu descon en amen o ace aos ankings e às medidas de compa ação escola es. De aco do com a depu ada Ana Vi gínia, o PCP conside a que os ankings compa am aquilo que não de e ia se compa ado: “alunos de escolas públicas com alunos de escolas p i adas; egiões do in e io com as g andes cidades do li o al; alunos de meios sociais des a o ecidos com alunos p o enien es de camadas sociais mais a o ecidas; escolas equali icadas e com odos os equipamen os com escolas desp o idas de odo o con o o, po ezes a é em ele ado es ado de deg adação e quase sem equipamen os; amílias que apoiam os ilhos com ou as que não êm a meno possibilidade de o aze ; escolas com ecu sos humanos adequados e a maio ia com g ande de iciência de ecu sos humanos” (Vi gínia, 2015, AR). 53 De no o, des acam-se as di e enças ideológico-pa idá ias, na medida em que o Pa ido Comunis a sublinha no amen e, em 2015, a p oblemá ica das desigualdades omen adas pelos ankings enquan o ins umen os de se iação de escolas, ans o mando o ensino numa ealidade menos inclusi a e uni e sal (Vi gínia, 2015, AR). Embo a a depu ada e o ce que não são os ankings que c iam as desigualdades sociais e educa i as, não deixam de se “ins umen os pe e sos” (Vi gínia, 2015, AR). Do mesmo modo, o Pa ido Bloco de Esque da ambém ap esen a o seu desag ado ace às medidas o ganizadas pelo Go e no e Minis o da Educação em pa icula . O pa ido c i ica o a gumen o do “ acili ismo da escola pública” e da “libe dade de escolha”, bem como os modelos educa i os de países nó dicos, que conside am se u ilizados po Nuno C a o pa a p omo e as escolas p i adas. Pelo con á io, no seu si e in o ma i o opõe-se a essas eo ias: “Mas os esul ados do ela ó io de e e ência da OCDE a asam po comple o essas eo ias. O ela ó io PISA 2012, di ulgado es a e ça- ei a pela OCDE, conclui que a p esença de escolas p i adas não é sinónimo de melho desempenho dos alunos ou de mais qualidade educa i a. O país que Nuno C a o apon a como a ol da sua polí ica do cheque-ensino - a Suécia - oi dos que mais caí am nos ankings da OCDE an o em Ma emá ica como em Lei u a e Ciência, passando pa a ás de Po ugal. Compa ando com o ela ó io de 2009, e i ica-se que Po ugal ul apassou a Suécia nas ês á eas des e anking e o "país-modelo" de Nuno C a o oi mesmo o que mais caiu en e os 65 países sujei os a es a a aliação.” (Esque da, 2013) Nos meios de comunicação social e no Jo nal Público em pa icula , o deba e sob e os ankings de escola e os esul ados escola es dos alunos em alguma incidência du an e es e pe íodo, apa ecendo á ias opiniões não só a a o , como con a os desen ol imen os do Go e no à época. Isabel Alçada, u ela da pas a da Educação en e 2009 e 2011, oi uma das opinion make s, que se mani es ou abe amen e con a Nuno C a o, num a igo de opinião, publicado no Jo nal Público, uma ez que conside ou que a mudança de o ien ação na polí ica educa i a e a edução dos ecu sos pos os ao se iço da educação são as p incipais ameaças ao desempenho dos alunos (Lobo, 2013). 54 Com is o, en ende-se acilmen e que, após mais de 10 anos de elabo ação e publicação mediá ica da lis a o denada, o deba e man ém-se. Momen o III – 20 anos depois O úl imo momen o a se conside ado, no que espei a à consolidação des e p ocesso, co esponde à a ualidade. O a, o p ocesso de desen ol imen o de ankings escola es, enquan o ins i ucionalização do sucesso ou insucesso escola , comple a em 2021 os seus p imei os 20 anos. Desse modo, mais uma ez, o deba e em o no da sua elabo ação ol ou a se no ícia de des aque do Jo nal Público que, ao longo dos anos o denou as escolas, do melho ao pio desempenho, de aco do com os esul ados ob idos pelos alunos que equen a am os 8 exames nacionais mais conco idos em cada ano. No dia 21 de maio de 2021, os esul ados dos ankings ocupa am as p imei as páginas do Jo nal, sob o í ulo “Escolas p i adas esmagado as no opo das melho es médias”, acompanhado de sub í ulos, como: “Vin e anos de Rankings puse am a nu desigualdades en e escolas: Os Polí icos não ize am a sua pa e”; “Lis as o denadas de odas as escolas com no as dos alunos” e o “Go e no es uda mudanças no modelo de ec u amen o de p o esso es”. Pa a abo da esses assun os, o Jo nal Público pa ilhou um suplemen o especial de 32 páginas, in i ulado de “Desigualdade en e público e p i ado acen uou-se. Vin e anos de ankings: Os polí icos não ize am a sua pa e, diz ex-minis o. Há um es ean e no 1º luga do anking dos exames”. O suplemen o compo a a um guia de lei u a nas p imei as páginas in i ulado de “O essencial dos ankings em 7 pon os”, com um apanhado dos ópicos mais abo dados ao longo do suplemen o. Nesse sen ido, ainda que a p imei a página enha sido alusi a a di e en es assun os elacionados com os úl imos in e anos de ankings escola es, es a edição jo nalís ica apenas ap esen a a um comen á io de Manuel Ca alho, na secção de Espaço Público. No seu es emunho, o jo nalis a abo da á ias das emá icas discu idas no suplemen o especial do Jo nal, como é ocaso da análise dos ankings ao longo dos anos e suge e uma al a de espos a da escola pública (Ca alho, 2021). 55 “Se ia uma eno me injus iça compa a o desempenho das escolas públicas e p i adas nos ankings dos úl imos 20 anos e conclui que a qualidade do ensino público se deg adou. Mas se ia uma eno me ceguei a olha pa a es es esul ados sem cons a a que o ensino sob o comando do Es ado não es á a da à sociedade po uguesa um dos ing edien es essenciais da sua missão: a igualdade de opo unidades. O que es es esul ados nos mos am ao longo de 20 anos é que a dis ância en e a qualidade do ensino dos ilhos das amílias mais icas e a do que é minis ado à gene alidade das c ianças e jo ens es á a aumen a . Se aluno de uma escola p i ada é mui o mais ga an ia de acesso aos cu sos uni e si á ios mais ambicionados. No país mais desigual da Eu opa, a escola pública claudica na sua unção de ga an i o uncionamen o do “ele ado social”. (Ca alho, 2021). O suplemen o p ocu ou aze o balanço de duas décadas de esul ados escola es e ensino em Po ugal, po an o, eco da es e p ocesso a a és da publicação de epo agens a di e sas escolas, as melho es e pio es da lis a, bem como casos de supe ação. Além des as, o Jo nal Público não deixou de e is a os es emunhos de a o es cen ais ao p ocesso, nomeadamen e os ex-Minis os da Educação Júlio Ped osa e Da id Jus ino, o a ual Sec e á io de Es ado Adjun o da Educação João Cos a e com a publicação do a igo de An ónio Ba e o, a o de des aque no Espaço Público do Jo nal du an e a sociogénese dos ankings. Com posições di e en es, es es a o es sociais e polí icos o am con on ados com ac o de em 20 anos, os luga es de opo nos ankings o am sendo p og essi amen e ocupados po escolas p i adas, deixando as escolas do ensino público pa a ás e na lis a dos pio es esul ados há escolas que con inuam com os desempenhos mais acos da abela, mesmo quando conside ados ou os indicado es de con ex o. Pa a o ex-Minis o Júlio Ped osa, que nunca se mos ou o almen e a o á el quan o aos ankings escola es, a si uação e a p e isí el e que, nesse sen ido, es es se i am apenas como uma e amen a de con i mação do p oblema das desigualdades sociais e educa i as p esen e nas escolas nacionais, com con ex os mui o di e en es umas das ou as (Ped osa, 2021). Pa a es e, o p oblema eside na al a de a uação de 56 a o es polí icos e sociais sob e o assun o, ga an indo que a escola assegu e a odos os alunos a possibilidade de chega mais longe (Ped osa, 2021). “Em 2001, eu dizia que e a p eciso não ica pa ado a olha pa a os ankings, que e a p eciso e o que eles nos ensina am. Na e dade, ico espan ado que, endo-se assis ido, ano após ano, a is o, não se enham omado medidas. Não emos no país uma opinião pública in o mada que diga: ‘Façam alguma coisa pa a que is o seja al e ado!’” (Ped osa, 2021). Vin e anos depois do seu apoio quan o à publicação das classi icações o denadas, o sociólogo An ónio Ba e o man em a sua posição a o á el à discussão que a di ulgação mediá ica des es dados esul ou e ao alo que es a con e e aos p óp ios ankings (Ba e o, 2021). Pa a An ónio Ba e o a ques ão não es á no é mino da publicação dos ankings, mas sim a necessidade de uma mais a i a a uação po pa e de ins i uições publicas e p i adas, no que conce ne às causas e e ei os das suas boas ou más classi icações, conside ando que o insucesso escola é ambém o insucesso das escolas (Ba e o, 2021). Assim, des acou-se a impo ância de polí icas e do Es ado na a enuação das desigualdades e di iculdades ap esen adas pelo ensino público, compa a i amen e aos esul ados do ensino p i ado. Nessa lógica, o Jo nal az um apanhado de di e sas pe spe i as ele an es no deba e des e p ocesso e ap esen a um conjun o de epo agens sob e as ques ões elacionadas com as desigualdades, nomeadamen e sob e as á ias si uações que deco e am ao longo dos 20 anos de ankings, po um lado, casos de escolas que pio a am a sua p es ação, mas ambém as que melho a am a sua posição, independen emen e das suas condições de di e sidade e con ex os mais des a o ecidos. Pa a além do suplemen o especial, o Jo nal Público ecupe ou um deba e não mui o an igo sob e a elabo ação dos ankings escola es, a impo ância de se conhece esul ados compa a i os escola a escola e as di e enças en e os desempenhos públicos e p i ados. O deba e in i ulado de “o que se ganhou e o que se pe deu” di igido na secção online “Ho a do Público”, mode ado pela jo nalis a And eia Sanches, con ou com a pa icipação do P o esso Da id Jus ino, ex-Minis o da Educação, o único minis o a encomenda um anking o icial e a o cen al no desen ola do p oblema, do a ual 57 Sec e á io de Es ado adjun o da Educação, João Cos a e dois di igen es das escolas que consegui am as melho es colocações nos ankings escola es em 2020 no ensino público e p i ado, espe i amen e José Edua do Lemos, di e o da Escola Secundá ia Eça de Quei ós, Pó oa de Va zim, e João T igo, di e o do Colégio E ano , Ma osinhos. Es a úl ima e e des aque no suplemen o, conside ando que oi a escola colocada com a melho média no anking dos exames nacionais. O deba e começou com a ên ase em ques ões que acompanha am odo o p ocesso po de ás da cons ução e elabo ação de uma cul u a de ankings, nomeadamen e o oco nas desigualdades sociais e necessidade de polí icas de a enuação das mesmas e p omoção de maio igualdade. Dessa o ma, o Sec e á io de Es ado Adjun o da Educação, embo a sem in e esse na lis a hie a quizada, demons ou- se a o á el à exis ência de dados e nos a anços es a ais sob e os indicado es educa i os, en e eles, o mais ecen e indicado de equidade (Cos a, 2021). “Gos o mui o da o ma como o público dá oz a es es 20 anos: o que se pe de e o que se ganha? Há ganhos po que se calha oi uma p essão do público que ouxe do con ex o em ibunal ao Minis é io da Educação pa a abalha dados. Es a o ganização numa lis a de um a mil pa ece ex emamen e edu o a, po que induz deba es como “ah mas as escolas p i adas es ão acima das escolas públicas, as escolas em de e minados con ex os es ão acima de ou as”. Cla o que há alo es absolu os, mas há uma se ie de a iá eis de con ex o que de em se idas em con a, daí nós p ecisa mos de á ias on es de dados, es e indicado da equidade não é o an i- anking é simplesmen e aze mos mais a iá eis pa a cima da mesa e e mos quando conseguimos con a ia mais es e de e minismo social”. (Cos a, 2021). Nesse seguimen o, o Sec e á io de Es ado des acou o ca á e edu o dos ankings na a aliação das escolas, na medida em que o abalho e o seu posicionamen o “bom/mau” não se de em eduzi aos esul ados dos exames nacionais. “Gos a a que osse no ícia es a mos hoje a celeb a nas escolas o dia da mul icul u alidade e diálogo in e cul u al, po que de ac o aquilo que nós emos em e mos de abalho das escolas ai mui o pa a além da no a do 64 em que di e sos a o es p oduzi am e manipula am a gumen os e juízos especí icos que, de ce a o ma, aduzem os seus in e esses, c enças e alo es e legi imam as suas e sões sob e o p oblema (Bol anski e Thé eno , 1991; Bol anski e Chiapello, 2009; Lamon , 2013). É undamen al e em conside ação odo es e abalho cole i o em o no da ( e)composição de sé ies es a ís icas em ankings escola es pa a en ende como se o nou possí el aos edi o es do Jo nal Público o ganiza a população escola e as escolas em ag egações obje i as, com de e minados signi icados, sus en ados e sus en ando discu sos e omadas de decisão de agen es in elec uais, écnicos e go e na i os (Sousa, 2017; Cama go, 2009). É assim que a na u alização dos ankings escola es, e ei o de um abalho pa a o qual conco eu uma conside á el mole de agen es, pôde eme gi simul aneamen e como uma ealidade e como uma e elação in o ma i a com a ma ca dis in i a do Jo nal Público, jo nal que se c edibiliza, c edibilizando os ankings como mais um dado e osímil sob e a educação em Po ugal (Po ugal e Melo, 2005). Nesse sen ido, a cons ução e di ulgação dos ankings são exemplos das no as elações que se es abelecem en e o campo polí ico e mediá ico-jo nalís ico (Po ugal e Melo, 2005). Po isso, o es ado de a iculação en e a isão polí ico-ins i ucional, ca a e ís ica de a o es que pe encem e pa icipam no Jo nal Público e a isão bu oc á ica-adminis a i a, ca a e ís ica dos al os uncioná ios de Es ado, de e se conside ado. Is o é, in e essa ap eende de que modo exis i á uma ce a negociação ou a iculação en e a ação de Es ado e ação mediá ica, uma ez que os agen es es a ais pa icipam no p ocesso de classi icação de escolas, mas os media demons a am e au onomia su icien e pa a en a na lu a polí ica que se desen ol ia no seio des e encon o, se ap op ia de de e minadas ca ego ias, ins umen alizá-las pa a con on a o Minis é io da Educação publicamen e com os seus esul ados e de inindo o des echo des a lu a (Bol anski, 1979; Bol anski e Thé eno , 1991; Po ugal e Melo, 2005). Es e a gumen o sus en a-se na p emissa da Sociologia da quan i icação que se p ende à possibilidade de os aco dos socialmen e ab icados consegui em cons ui uma no a o ma de ep esen a e agi sob e o mundo escola (Sousa, 2017). O que de ac o acon ece no momen o em que os ankings escola es são discu idos na a ena mediá ica. 65 É impossí el não conside a que, no espaço mediá ico-jo nalís ico, as pessoas são ele an es quando o mam um público, cuja opinião se espalha pa a um conside á el núme o de pessoas, c iando opinião pública e, assim, cons oem e de inem uma ealidade (Bol anski e Thé eno , 1991). Po isso, a insc ição nes a a ena mediá ica, e iden emen e, não se p oduzi á sem e ei os especí icos. De ac o, a publicação na imp ensa dos ankings escola es expo -se-á a um p incípio de d ama ização da ida social, a um p incípio de a ualidade e a um p incípio de au onomia polí ica, ca a e ís icos do espaço mediá ico, passando os ankings a se u ilizados pa a apoia polí icas go e namen ais, ou pa a a alia os seus esul ados (Cama go, 2009). Is o é, a exposição na a ena pública de ankings escola es pa ece e cons i uído a ideia da necessidade de con on a publicamen e o Minis é io da Educação e Go e no à época, com esponsabilidade pública sob e o sucesso e insucesso das escolas, o nando-o num obje o mediá ico e p o ocando con o é sias sob e a e icácia das polí icas educa i as e a manipulação dos núme os (Sousa, 2017; Po ugal e Melo, 2007; Fe ão, 2012). Nes e caso, os acon ecimen os ela ados no p imei o momen o, apon am pa a que a insis ência na di ulgação dos esul ados ealizada pela di eção, jo nalis as e opinion make s do Público e á ido impac o conside á el na agenda polí ica, nomeadamen e com a conc e ização de um deba e na Assembleia da República, quando o Pa ido Social Democ a a solici a a disponibilização pública dos esul ados ou quando o Minis é io da Educação pa ilha os esul ados com a comunicação social após a Comissão de Acesso aos Documen os da Adminis ação (CADA) e dec e ado a ob iga o iedade da en ega dos mesmos, no seguimen o de uma ação em ibunal con a o p óp io Minis é io da Educação. A ação em ibunal pa ece e uncionado como clímax do encon o que se desen ola a c escen emen e no campo polí ico e mediá ico-jo nalís ico, uma ez que oi jus amen e g aças ao ecu so a es a e amen a ex e na de apelo à opinião pública e anspa ência polí ica gene alizada, consis en e com a lógica mediá ica in ocada pelos jo nalis as do Público, que es es consegui am ga an i a sua e são sob e a ealidade escola e das escolas (Bol anski e Thé eno , 1991, Bol anski e Chiapello, 2009). Po an o, sob a lógica de uncionamen o do campo mediá ico, os jo nalis as, incluindo o di e o e subdi e o do Público, u iliza am os seus 66 ecu sos como “a ma simbólica do pode ” de ins i uição de opiniões que in luenciam decisões polí icas (Po ugal e Melo, 2005). Impo a conside a que es as omadas de posição dependem, além da lógica especí ica do p ocesso mediá ico, das condições e pau a in o ma i a do Jo nal, nes e caso, ins i ucional e in o ma i a, is o é, do seu modo ela i amen e especí ico de p odução, seleção e ap esen ação de no ícias e ópicos (Po ugal e Melo, 2005). É ce o que o Público se es u u a segundo secções, como a de Educação; po ém, de e minados ópicos o nam-se obje o de des aque, a a és da sua di ulgação na secção de “Des aque” e nos edi o iais, ex os de opinião e “ca as ao di e o ” p esen es na secção de “Espaço Público”. As no ícias de “Des aque” aduzem as emá icas que os edi o es conside am se mais impo an es e que me ece ão a enção edob ada. Po seu u no, as no ícias que não se encon em nes a secção, pode ão impac a de o ma di e sa os lei o es, po exemplo, dependendo do quão apela i os são os seus í ulos, se o em acompanhadas de elemen os iconog á icos (como o og a ias e g á icos), en e ou os (Po ugal e Melo, 2005). Rela i amen e à educação, o Jo nal compo ou um conjun o de no ícias com a iados emas sob e o uni e so escola , sendo que algumas se e e i am especi icamen e ao assun o dos ankings e a aliação das escolas, incluindo na secção dos Des aques, o que e ela in e esse dos edi o es do Jo nal na emá ica. Apesa das suas especi icidades, a cons ução des a agenda educa i a po pa e do Jo nal Público não deixa de eme e ao p incípio de d ama ização da ida social, lógica a que es e ambém es á sujei o, na medida em que se insc e e no campo mediá ico, e que a o ece a cons ução da opinião e a enção pública sob e o p oblema. Desse modo, não pa ece e sido ao acaso que os edi o iais do Jo nal ap esen em es a agenda educa i a com í ulos que compo em uma seleção de pala as o es, como po exemplo: “Um e ço dos alunos do 9º ano passa com nega i a a Ma emá ica. Só 43% êm posi i a a odas as disciplinas.”; “26 das 30 melho es escolas es ão na G ande Lisboa ou no G ande Po o. Oi o p i adas en e as dez com as médias mais al as”; “Têm acos esul ados nos exames e ão se p o esso es”. A secção “Espaço Público”, o segmen o dedicado ao deba e, opinião e pa ilha de a igos e c ónicas de pe sonalidades polí icas, cien is as sociais, p o esso es 67 uni e si á ios e jo nalis as, incluindo os p óp ios di e o e subdi e o do jo nal à época, e elou-se a mais impo an e no que conce ne à quan idade de pa ilha de in o mação ou comen á ios sob e os ankings. Impo a ano a que alguns des es a igos e ou c ónicas não se encon am no segmen o do Espaço Público em algumas edições do jo nal, e sim no segmen o de no ícias educa i as. Po ém, pa a os ins des e abalho conside a -se-á “Espaço Público” udo o que se e e i a a igos de opinião e c ónicas. Além disso, exis e ainda uma secção de opinião, uma ex ensão do Espaço Público, dedicado apenas a lei o es. Nes e segmen o, “Ca as ao di e o ”, os lei o es esponde am aos a igos publicados, a no ícias e assun os abo dados no jo nal, incluindo a di ulgação pública dos esul ados dos exames nacionais em “ anking”. O segmen o de “Espaço Público” des aca-se po se e o nado palco da insis ência exe cida pelos di e o es do Jo nal sob e o Minis é io da Educação pa a ob e os esul ados dos exames nacionais. Es a secção ap esen a-se undamen al uma ez que, concen ando a opinião, é poupada às exigências da obje i idade e da isenção jo nalís ica. É nela que se ab e pa a opiniões especializadas, po colunis as habi uais, do ados de ele ados capi ais cul u ais, linguís icos e simbólicos, cujas p o issões são maio i a iamen e p o esso es e in es igado es uni e si á ios da á ea das ciências sociais e humanas (Po ugal e Melo, 2005). Na dispu a ao edo da ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola , os in e enien es se em-se de a gumen os e juízos pa a jus i ica a cons ução (ou não) dos ankings escola es (Bol anski e Thé eno , 1991; Bol anski e Chiapello, 2009). Em pa icula des aca-se, po um lado, a gumen os que salien am uma lógica me can il e neolibe al, em que o obje o de a aliação escola se ia jus i icado pela maximização de sucesso, desempenho de me cado e ga an ia de uma me i oc acia escola , po ou o lado, os que se o ganizam em o no da p eocupação com a espos a a desigualdades sociais e escola es (Lamon , 2013; Bol anski e Thé eno , 1991). A secção é cen al não apenas po es a ca ac e ís ica de pola iza a opinião legí ima e especializada, mas ambém pelas eações que os edi o iais, c ónicas e ex os de opinião es imulam em di e sos lei o es, incen i ando-os a exp essa em ambém as suas conside ações sob e a ins i ucionalização das escolas, na secção “Ca as ao di e o ”. A es e p opósi o, é c ucial no a que, com di e enças, o Público e os seus 68 “colunis as” endem a pa ilha com os seus lei o es posições p óximas no campo cul u al. Empa elhando nessa con e gência, o in e esse de g upo p o issional di a que a maio ia dos esc ibas da secção são p o esso es, em pa icula do ensino secundá io. Po an o, as condições de pa icipação nes e “jogo” de classi icação e opinião são ma cadas po dois p incípios de seleção social: pelo capi al cul u al e pelo g upo p o issional (Po ugal e Melo, 2005). Assim, o espaço de p odução simbólica que une a secção do “Espaço Público” às “Ca as ao di e o ” con e iu legi imidade e c edibilidade su icien e à agenda educa i a cons uída pelo Público, a a és da con ibuição de mui as pe sonalidades conside adas especializadas e com discu so de au o idade, incluindo mui as ezes os di e o es do Jo nal, obje o, po seu u no, de econhecimen o p o esso al. Des a o ma, o Jo nal, po ado de alo supo ado pelas opiniões especializadas, ans e iu, pa a o domínio da a ena pública, ques ões educa i as e in e esses que os edi o es, a o es cen ais no desen ol imen o des a no a o dem educa i a, conside a am ele an es (Po ugal e Melo, 2005; Bol anski e Thé eno , 1991). O a, es abelece e man e uma elação de in luência sob e os lei o es implica que o meio de comunicação social saiba como a ai , ale a , pe suadi , in e essa e in o ma , de o ma a ganha seguido es ou epu ação (Bol anski e Thé eno , 1991). Po isso, não se julgue, con udo, que a pa icipação dos p o esso es eme endo “ca as ao Di e o ”, cump e apenas uma unção de econhecimen o. Na e dade, ela con ibui decisi amen e pa a legi ima a p á ica eminen emen e polí ica da Di eção do Público ao en a abe amen e nas lu as polí icas de classi icação escola , deslocando-as pa a a a ena pública, onde os lei o es, ece o es da mensagem o na-se ambém eme en es (Po ugal e Melo, 2005; Bol anski e Thé eno , 1991). Assim, o público nas “Ca as ao Di e o ” desempenha um papel simul âneo de espec ado e a o , po um lado po que ecebe a in o mação sob e a agenda polí ico-educa i a ap esen ada pelo Jo nal Público, e po ou o po que ao pa icipa na secção des inada aos lei o es acaba po le a a in o mação a ou os públicos (Bol anski e Thé eno , 1991). E, nesse sen ido, o Jo nal Público pa ece adequa -se acilmen e ao con on o polí ico po que se se e des a dupla ação pa a manipula , cul i a e p omo e a sua agenda educa i a (Bol anski e Thé eno , 1991). 69 Cla o que is o só se o nou possí el endo em con a as ca a e ís icas do Jo nal Público, uma ez que den o do espaço mediá ico, os meios de comunicação social não o mam um co po homogéneo e, po isso, não êm as mesmas condições e au o idade pa a impo em um no o p oblema a ca ece de a enção e soluções o iciais (Po ugal e Melo, 2005; Bou dieu, 2001). De aco do com a Associação Po uguesa pa a o Con olo de Ti agem e Ci culação (APTC, 2021), em 2001, o Co eio da Manhã e a um dos jo nais diá ios mais endido. Po ém, o seu inco d amá ico, sensacionalis a, espe acula , imp eciso e “popula ” 2 não a o ecia (e con inua a não a o ece ) a possibilidade de se cons i ui em ânco a da p odução de p oblemas legí imos que o Es ado, na sua ação, não pode limi a -se simplesmen e a igno a . Esse pode es á inega elmen e inculado a uma au o idade “in o ma i a” anqueada “apenas” a ó gãos de comunicação social como o Público ou o Exp esso. Não po acaso, o Co eio da Manhã não acompanhou os desen ol imen os do p oblema em elação à ins i ucionalização do sucesso a a és dos ankings escola es de o ma a i a como o Público. O Co eio da Manhã publicou mui o menos no ícias ou a igos sob e es as ques ões. Além de as no ícias se em cu as, nenhuma ocupa posição no segmen o dos des aques, nem mesmo no dia 27 de agos o de 2001, da a da p imei a di ulgação pública dos esul ados. O pouco in e esse em elação ao assun o, da pa e do Co eio da Manhã, ela i amen e à cons ução dos ankings, na e dade, (pa cialmen e) aduzi á um e ei o de dominação simbólica no campo jo nalís ico. Es a dominação anspa ece inclusi e no segmen o de “Espaço Público” do Co eio da Manhã. No pe íodo obse ado, a ul a um único a igo de opinião po pa e do sociólogo Albe o Gonçal es, no dia 28 de janei o de 2001, espondendo à publicação de Guilhe me Valen e e Ca los Fiolhais p esen e no Jo nal Público. Es a oi a única pa icipação no deba e que acon ecia simul aneamen e no Jo nal Público sob e as 2 Rela i amen e à o ma como são ap esen adas, as no ícias salien a am o ca á e d amá ico ipicamen e associado ao es ilo jo nalís ico des e ó gão de comunicação social, como é pe ce í el a a és dos seus í ulos: “Pano ama neg o nas escolas do Cen o”; “No as pa a o Supe io não “assus am” minis o”; “Ped osa des alo iza c í icas à e o ma do sis ema educa i o”; “No as do 12º ano ab em con as do u u o”; “O d ama da ma emá ica. Recu sos, a úl ima espe ança”; “Cená io desolado do secundá io”; “Escola de sucesso com dias con ados”; “Exames do Secundá io con i mam assime ias”; “P i adas melho es a po uguês B”; “Úl ima da lis a queixa-se do “ anking””. 70 ques ões que di idiam os apoian es de “uma escola pa a odos” e os adep os de uma “escola de mé i o”. A dominação mos a -se-á assim de ês modos: pela con ação signi ica i a da opinião legí ima, pelo ac o de o “colunis a” ocupa uma posição dominada no campo in elec ual – Albe o Gonçal es não é um especialis a da educação e, embo a à época se ap esen asse como sociólogo, na ealidade essa quali icação aduzia apenas a de enção de uma licencia u a em sociologia – e, inalmen e, po se a a de uma eação a um a igo dado à es ampa na publicação com a capacidade pa a ma ca a agenda polí ico-mediá ica: o Público. Resumindo, a dis ibuição e a cons i uição de opinião pública, pelos jo nalis as e meios de comunicação social, posiciona-se em elação aos seus públicos, al os ou audiências (Bol anski e Thé eno , 1991). Se um jo nalis a não desen ol e de e minado assun o é po que en ende que a opinião pública não é ece i a e que ou as in o mações são mais ele an es, endo em con a o seu público-al o, o que explica o pouco en ol imen o do Co eio da Manhã na ques ão e sublinha, mais uma ez, o in e esse especí ico dos a o es que ep esen am o Jo nal Público pa a en a nes e con on o que é acili ado pelas ca a e ís icas especí icas do jo nal Público, bem como o pe il dos seus lei o es, colunis as e opinion make s (Bol anski e Thé eno , 1991). Legi imidade Cien í ica Chegados a es e pon o, não é di ícil en ende que a discussão em o no dos ankings de escolas, enquan o p opos a da anslação do e (in)sucesso do plano indi idual pa a o escola , ê a sua génese numa p á ica jo nalís ica que en ol e, além de jo nalis as, pe i os da educação, in elec uais e p o esso es, dado o pe il cul u al e linguagem dos p o agonis as da discussão no Jo nal Público. Po an o, os ankings escola es, bem como a sua discussão no Jo nal, êm legi imidade social associada à au o idade dos pe i os e in elec uais que a sus en am e ao econhecimen o dos p o esso es que sob e eles se p onunciam (Sousa, 2017). Po sua ez, es a legi imidade pe mi e que os ankings e a discussão em o no dos mesmos, sejam alo izadas na a ena pública e u ilizados socialmen e como uma no a o ma de dominação (Sousa, 2017; 71 Cama go, 2009). Nesse sen ido, a con o é sia em o no da ins i ucionalização do sucesso pa ece se de o dem não só polí ico-mediá ica, como in elec ual, cien í ica e académica. En ão, po mui o consolidada que a ideia de sucesso e insucesso de es abelecimen os de ensino, a pa i da publicação gene alizada de uma lis a o denada de escolas es eja, a cons ução des a ealidade implicou lu as de classi icação simbólica que chama am no os a o es de de e minados campos especí icos, nomeadamen e cien is as sociais e da educação. O que, po si só, não pa ece descabido, uma ez que os dados que sus en am os ankings escola es êm, em si mesmos, uma cono ação in elec ual e cien í ica, sendo u ilizados po á ios especialis as nos seus es udos (Cama go, 2009). Nesse sen ido, pa a comple a a in o mação ecolhida no p imei o momen o, o passo seguin e consis iu numa busca em e is as cien í icas po uguesas do as o da con o é sia cons i uída à ol a dos ankings e da cons a ação de uma espécie de anslação do insucesso pa a o plano das “comunidades escola es”. O obje i o se ia descob i quais os esul ados e impac os que a con o é sia elacionada com a di ulgação pública da o denação de escolas pode ia e no campo in elec ual e académico. E, ao mesmo empo, cap a em que ci cuns âncias eme giu o p oblema social em es udo. Po ou as pala as, in e essa a ap eende as dinâmicas ideológicas que se desen ola am no campo académico-cien í ico. A a és da quan idade de e is as selecionadas, es e passo me odológico pe mi iu no a o essencial: que os ankings escola es não se ans o ma am signi ica i amen e num p oblema cien í ico. A discussão dos ankings oi p a icamen e inexis en e nos poucos documen os ele an es conside ados, p esen es no conjun o de e is as selecionadas no pe íodo de empo em ques ão. No que conce ne às e is as sociológicas: a Análise Social des acou as ques ões da exclusão social na escola (1 a igo), desigualdades sociais e a ên ase da amília no que conce ne às condições de exis ência (1 a igo) e na mul icul u alidade no campo educa i o (1 a igo). A Educação, Sociedade e Cul u as deu impo ância à publicação de a igos sob e as eo ias da ep odução e Bou dieu em pa icula (7 a igos); as desigualdades sociais e a ques ão da igualdade pa a odos na escola o am ambém 72 emas de discussão ele an e (8 a igos), a a aliação ex e na apa eceu ep esen ada em 1 a igo. A Fó um Sociológico ocou-se na publicação de a igos e e en es às desigualdades sociais no meio educa i o (2 a igos), a massi icação escola (1 a igo) e a jus iça em educação (1 a igo). A Re is a Sociologia deu especial ên ase às ques ões elacionadas com as desigualdades no meio educa i o (5 a igos), a jus iça em educação (1 a igo) e aos Te i ó ios Educa i os de In e enção P io i á ia (3 a igos). A Sociologia, P oblemas e P á icas pa ilhou a igos que des acassem a ques ão das desigualdades sociais associadas ao meio educa i o (3 a igos) e sob e polí icas educa i as (2 a igos). Po im, as pala a-cha e mais is osas na Re is a C í ica das Ciências Sociais o am a massi icação da escola ização e a jus iça em educação. Quan o às e is as mais i adas pa a as Ciências da Educação: a Re is a da Sociedade Po uguesa das Ciências da Educação des acou-se pela pa ilha de um a igo sob e a mul icul u alidade, di e sidade e disc iminação. E a Re is a Po uguesa de Educação deu des aque à a aliação, polí icas educa i as e ques ões o ganizacionais na educação (3 a igos), mas ambém à mul icul u alidade (1 a igo) e a massi icação escola (1 a igo). No en an o, o pouco des aque e discussão sob e a elabo ação de uma lis a o denada de escolas no campo cien í ico, pe ce í el a a és da a a menção nas e is as no pe íodo obse ado, não deixa de se impo an e. Pelo con á io, es a apa en e al a de in e esse de e se conside ada, na medida em que embo a exis a de ac o legi imidade cien í ica e in elec ual associada à cons ução dos ankings enquan o obje o de ma e ialização do sucesso ou insucesso das escolas em uma ealidade escola , es a não deixa de se ap op iada pelos in e enien es do campo polí ico e mediá ico- jo nalís ico. Po ou as pala as, o pouco des aque ealça no amen e as lógicas mediá icas p esen es na génese do p oblema. Em ez disso, as emá icas de maio des aque nas e is as selecionadas o am as desigualdades sociais e escola es, exclusão social, jus iça, mul icul u alidade e polí icas educa i as ou a aliação. Em e mos eó icos, mui os dos a igos eco iam às eo ias da ep odução. Is o é, as e is as cien í icas de am bas an e ele ância à ep odução de desigualdades e di e enças no mundo educa i o e a sua elação com os e mos “jus iça” e “injus iça” e “exclusão” social. Nesse sen ido, o que es a a em causa nes es a igos e 73 publicações cien í icas e a, p ecisamen e, a capacidade de a escola, a a és de polí icas educa i as que a uam sob e a escola e comunidades escola es, p omo e em e agi em se iamen e os aspe os da ida social que es o am a igualdade de opo unidades. A p eocupação cien í ica sob e o p oblema da incapacidade de a escola, como ins i uição, p omo e a igualdade de opo unidades, acesso e de sucesso oi um deba e que, como oi já e e ido, ambém se desen olou no segmen o de “Espaço Público” do Jo nal Público aquando o su gimen o da con o é sia da publicação (ou não) dos ankings escola es e que aliás acompanhou odo o p ocesso. Com is o, sublinha-se que a con inuidade dos p oblemas cien í ico-sociais sob e a educação e as desigualdades inham de ás, mas con inuam a se semelhan es du an e o pe íodo obse ado. E que, po an o, o p oblema em o no do sucesso ou insucesso dos es abelecimen os escola es, sob a o ma de ankings, demons a-se mais complexo, que pa ece e a sua espos a num abalho essencialmen e polí ico. Com base nes es no os desen ol imen os, a in es igação oi conduzida a deixa o “beco sem saída” do en ol imen o cien í ico e académico no p oblema e pa iu no sen ido de descob i como é que os ankings escola es, bem como a ideia gene alizada de que exis em escolas com mais sucesso do que ou as, se consolida am i memen e a é aos dias de hoje. Consolidação dos ankings A pa i daqui in e essa sublinha que a ca ego ização de escolas, ou seja, a ideia de que exis em escolas melho es/mais sucedidas do que ou as, a a és de ankings escola es, ei icou-se, consag ada odos os anos nos á ios ó gãos de comunicação social, a é aos dias a uais. No en an o, conside ando que os p óp ios ankings escola es comp eendem uma panóplia de e ei os, usos e ins umen alizações, é impossí el não conside a que es es, na qualidade de obje os a alia i os e es a ís icos, sejam p odu os de in es imen os pe iciais, com legi imidade su icien e pa a desc e e e ge i a ealidade educa i a ou ans o má-la (Sousa, 2017). Nesse sen ido, o p oblema eside em esponde de que modo oi consolidada es a ealidade social? 80 Assim, in e essa salien a algumas conside ações apon adas na edição do Jo nal Público e e en e aos úl imos in e anos de ankings escola es. O a, no suplemen o especial, os polí icos o am con on ados p incipalmen e com o ac o de os luga es de opo nos ankings escola es e em sido p og essi amen e ocupados po escolas p i adas, deixando as escolas do ensino público pa a ás na lis a da o denação dos esul ados e de algumas escolas man e em-se con inuamen e na lis a dos pio es esul ados. Es a esponsabilização pública suge e que os ankings escola es ie am demons a uma al a de espos a polí ica sob e a escola pública e um e oma do p oblema das desigualdades sociais e educa i as p esen es nas escolas con ex ualmen e di e en es, que já se sen ia in e anos an es. Dessa o ma, as no ícias e opiniões ap esen adas no Jo nal segui am o umo de a i ma que os ankings ie am desmasca a a al a de igualdade de opo unidades a que as escolas es ão sujei as, desde o momen o em que eles o am di ulgados publicamen e, a é à a ualidade, in e anos depois. No en an o, conside ando que á ias das escolas que es a am no im da lis a há uns anos, con inuam a man e -se em posições pouco a o á eis, o nou-se impossí el não ques iona a u ilidade da compe ição c iada pelo sis ema de ankings escola es, na medida em que os ankings pa ecem e idencia a ideia de que não só algumas escolas são melho es do que ou as, mas como um ensino é melho do que ou o, desa iando o Es ado na conc e ização de polí icas que ão no sen ido de a enua essas di e enças. Pos o is o, é impe a i o deixa cla o que o deba e da elabo ação dos ankings escola es, consolidados e di ulgados odos os anos du an e os úl imos in e anos, ecupe a um deba e ainda mais an igo que esse, e e ido ao longo do decu so da in es igação. E dessa o ma pode á se impo an e le an a e elança no amen e a in e ogação, sob e o que é que os ankings escola es ouxe am de no o, se não a possibilidade p á ica de c ia uma p essão simbólica na agenda educa i a, na qual, mais uma ez, se des aca o con ibu o mediá ico-jo nalís ico. É ce o que exis i am es o ços no sen ido de disponibilização de no os e mais dados, que o am de ce o modo po enciados pela exis ência dos ankings, como é exemplo o ecen e indicado de equidade. Po ém, em e mos p á icos, os esul ados da elabo ação e consolidação des a lis a pa ecem a igu a -se os mesmos de há in e anos a ás, culminando na ideia de que 81 os ankings ie am p o a que, na ealidade, exis em escolas melho es e mais bem- sucedidas do que ou as. 82 Conside ações Finais O pe cu so ealizado nes a in es igação p ocu ou esponde uma ques ão p incipal o mulada inicialmen e. Con udo, à medida que os dados o am sendo cole ados, egis ados e analisados, o am su gindo no as in e ogações, que conduzi am e econduzi am o decu so da p óp ia in es igação. Es e capí ulo inal p e ende e oma ao pon o de pa ida e a a de ap esen a um conjun o de conside ações que echem, den o dos possí eis, o es udo elabo ado no úl imo ano, que se cen ou na cons ução da ep esen ação de sucesso e insucesso escola dos es abelecimen os de ensino, o que dá supo e a en edos de uma ama ainda mais complexa: a do ab ico dos ankings escola es e da capacidade de a escola esponde a desigualdades sociais e escola es. O a, es e es udo pa iu das ep esen ações sucesso e o insucesso escola , que esul am de c i é ios de a aliação polí ica e ins i ucionalmen e decididos e codi icados, assen es em indicado es de pe o ma i idade écnicos e es a ís icos (no as, esul ados, escalas), que pe mi em quan i ica e iden i ica quais os “bons” ou “maus” alunos (Pe enoud, 1989; Cama go, 2009). Po sua ez, ao se combina em os desempenhos escola es dos alunos, c iam-se p ocessos de quan i icação e a aliação especí icos, que se em pa a compa a e seleciona escolas con ex ualmen e he e ogéneas, segundo p incípios de excelência igualmen e edi icados polí ica e ins i ucionalmen e, que conduzem à es abilização e legi imação da ideia de que algumas escolas são melho es e mais bem-sucedidas e ou as escolas são pio es e êm menos sucesso (Pe enoud, 1989). O abalho seguiu no sen ido de descob i como é que es a quali icação se desloca pa a as p óp ias escolas e como é que es as se ans o mam em luga es de ce i icação do sucesso dos alunos e co eção de e en uais acassos, o nando-se elas mesmas bem ou malsucedidas se assegu a em ou não que os seus alunos supe am as p o as escola es (Pe enoud, 1989). Assim sendo, a endendo a necessidade do ecu so à es a ís ica e a indicado es de pe o ma i idade e a aliação, conside ou-se que um exemplo no ó io da cons i uição da ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola , consis i ia no mé odo de compa ação de i ens a aliados, ca a e ís icos de ideologias de 83 go e nança neolibe al, que se aduzem numa polí ica de esul ados compa á eis nos á ios domínios da ida social, nes e caso as escolas, com a ab icação de ankings escola es. Is o é, a elabo ação da lis a o denada de escolas, uma p odução legí ima e ele an e dada a u ilização de dados da au o ia do Minis é io da Educação e dos seus ins i u os de excelência, se ia a p imei a con i mação pública da ideia de sucesso ou insucesso de escolas (Bou dieu, 2001). Desse modo, a in es igação p ocu ou esponde a no as ques ões, elacionadas com a o ma e ci cuns âncias em que su gem pela p imei a ez os ankings, no en an o, o am conside ados dois po meno es impo an es: p imei o, os esul ados dos exames já se encon a am na a ena pública, podendo se disponibilizados na espe i a escola, an es mesmo do ab ico da p imei a edição da lis a. Nesse sen ido, a me a exis ência des es dados não explica a cons ução dos ankings escola es, ou seja, sublinhou-se o des aque da di ulgação mediá ica no que oi a con i mação gene alizada e pública da exis ência da compa ação escola das escolas. Po seu u no, is o le a a conside a um segundo pon o, is o é, a possibilidade de a compa ação en e escolas di e en es pode conduzi a um e o ço de desigualdades sociais e educa i as, o que jus amen e complexi ica a p óp ia in es igação (Pe enoud, 1989). Pos o is o, in e essou ap eende quem es a a po de ás da o ganização de uma no a o ma de pe ceciona social e publicamen e os di e en es es abelecimen os de ensino. Sendo impossí el esquece que os ankings escola es su gem ine i a elmen e no seguimen o da u ilização de dados sob a u ela do Minis é io da Educação, num encon o com os meios de comunicação social, salien a-se e suge e-se que a lis a hie a quizada de escolas enha sido esul ado de esis ências pe iciais, que o igina am de e minadas lu as simbólicas de classi icação e de nomeação o icial (Bou dieu, 2001; Bol anski, 1979). Is o é, pa imos da insinuação de que o p ocesso de de inição e u ilização cole i a do sucesso e insucesso escola sob e escolas, não enha sido menos ab icado que as p óp ias ca ego ias mobilizadas pa a classi ica os seus alunos (Blume , 1971). A elabo ação dos ankings não oi ealizada olun a iamen e pelo Es ado, pelo que es as lu as simbólicas de in e esses, posições e c enças i e am como palco o Jo nal 84 Público, onde ganha am uma exis ência ine i a elmen e pública e polí ica (Bou dieu, 2001; Blume , 1971; Po ugal e Melo, 2005). Nas páginas do jo nal, os jo nalis as e di e o es da época (José Manuel Fe nandes e An ónio G anado) des acam-se pela sua isibilidade, capacidade de pe suasão e ca á e in o ma i o, que os o nou acilmen e em líde es da opinião pública sob e a necessidade de se compa a em as escolas, em Po ugal (Bol anski e Thé eno , 1991). Es e alo assen ou nas ca a e ís icas do p óp io jo nal, a se iedade e na isenção (polí ica) da in o mação e impulsionou as condições pa a c ia e impo aos agen es polí icos uma agenda sob e a educação. Além disso, o jo nal se iu-se de um conjun o de agen es com o es olumes de capi ais escola es e cul u ais, posições académicas e de p es ígio cul u al e simbólico, bene iciando e e o çando assim o p óp io p es ígio do Público. Nessa conjun u a, o Público acili ou a c iação da agenda polí ica que os p óp ios di e o es conside a am impo an es, que oi c edibilizada pela con ibuição de di e sas pe sonalidades conside adas especializadas e com discu so de au o idade, incluindo mui as ezes o dos di e o es do Jo nal (Po ugal e Melo, 2005). É assim que a na u alização dos ankings pa ece eme gi simul aneamen e como ealidade, e elação in o ma i a e con on o público da a uação do Minis é io da Educação e Go e no à época sob e o sucesso e insucesso das escolas, o nando-o num obje o mediá ico e p o ocando con o é sias sob e a e icácia das polí icas educa i as e a p eocupação, po um lado, com a incapacidade de a escola p omo e igualdade de opo unidades e, po ou o, com a e icácia (ou al a) de me i oc acia (Sousa, 2017; Po ugal e Melo, 2007; Fe ão, 2012). No amen e, a in es igação oi ob igada a conside a uma p oblemá ica mais as a, a das desigualdades e a p ocu a de espos a num abalho essencialmen e polí ico. Po esse mo i o, a pesquisa conside ou necessá ia a obse ação da ação bu oc á ica de agen es que, em nome do Es ado, agem e são con on ados com o sucesso e insucesso escola , pa a comp eende como se desen ol eu a es i uição e consolidação da ins i ucionalização de ankings escola es. Nes e quad o, a pesquisa oi conduzida no sen ido de ap eende momen os ele an es pa a a es abilização dos ankings e o modo como os agen es es a ais consegui am, de algum modo, i a ambém p o ei o des es ins umen os de esponsabilização e con on ação da p óp ia a uação. 85 Po ou as pala as, a lógica de ação pública de ap op iação de bens simbólicos, de e se omada em con a pa a a consolidação de ca ego ias sociais - ankings escola es e a ideia de que exis em escolas melho es do que ou as, como imposição de uma no a desc ição do mundo educa i o (Lamon , 2013; Bou dieu, 2001). Nesse sen ido, oi ecolhida alguma in o mação mediá ica sob e o Go e no de 2011 a 2015, manda o do P o esso Nuno C a o enquan o Minis o da Educação, ca a e ís ico pelos modelos educa i os neolibe ais, que alo iza am as dinâmicas de compa ação e compe ição en e as escolas. Es e Minis o des acou-se enquan o a o cen al na ama, se indo-se dos ankings escola es, enquan o cons uc o (inicialmen e) mediá ico, ga an indo a ealidade daqueles que a impuse am e acen uou- a po seu in e médio uma g amá ica conco encial, ajudando a consolidá-la no pensamen o público (Bou dieu, 2001). Ou seja, ao u iliza , mais ou menos, os ankings pa a sus en a as suas polí icas e medidas, in e esses e c enças, o Minis é io de Educação cauciona e e o ça p incípios de cons ução de uma agenda educa i a de índole neolibe al (Bou dieu, 2012). En ão, a consolidação da ins i ucionalização do sucesso e insucesso, enquan o c ença o nada ealidade, oi p odu o de ensões que i e am luga num espaço jun amen e mediá ico, polí ico e bu oc á ico (Bou dieu, 2001). Toda ia, a pesquisa demons ou que as a iações polí ica-ideológicas dos indi íduos que ocupam esse espaço, pa ecem e epe cussão na o ma como são na u alizados e ins umen alizados os ankings (Sousa, 2017). O a, ao longo dos in e anos de ankings escola es des acam- se di e sos po a- ozes, com di e en es ideologias polí icas, que acili am ou esis em à es abilização dos ankings e da sua agenda educa i a, que pe sis e a é aos dias de hoje, pa icula men e isí el na in o mação mediá ica ecolhida no e cei o momen o do capí ulo III. Po an o, no amen e se salien am as con o é sias que se desen ol e am, não só no momen o de ab icação des a agenda escola , que en a iza a compa ação, compe ência e conco ência en e es abelecimen os de ensino, capi alizando a ideia do seu sucesso ou insucesso, mas ambém lu as que se desen ola am no seio da ins umen alização dos ankings e da con ínua, mas não linea , manu enção dessa 86 agenda e do deba e an igo sob e as desigualdades escola es e sociais a que as escolas es ão sujei as, de o ma con ex ualmen e di e en e. Com is o, sublinha-se a ele ância de es uda , e le i e ques iona aquilo que é uma ealidade social bem consolidada, como é a agenda educa i a em caso. Is o é, embo a exis a alguma sa u ação eó ica sob e os ocábulos sucesso e insucesso escola , bem como cons an es discussões sob e quais as o mas adequadas pa a egis a , compa a e a ua sob e o insucesso, o pon o ele an e des a disse ação oi jus amen e deno a que es a agenda não deixa de se uma ealidade simbolicamen e cons uída, con o me os in e esses, posições, omadas de decisão e ideologias di e en es e, po isso, sujei a a dinâmicas de con li o, aco dos ou esis ência, num campo concomi an emen e polí ico-bu oc á ico e mediá ico-jo nalís ico (Bol anski e Thé eno , 1983; Bou dieu, 2001). E, desse modo, a ins i ucionalização do sucesso e insucesso escola pode e de e se ques ionada, enquan o p ocesso ão e dadei o quan o os p óp ios ocábulos. Nessa lógica des aca-se a impo ância de se cap a uma dimensão a gumen a i a de a o es que, pa icipando nes e espaço, con ibuí am pa a a ab icação des a agenda, mas ambém pa a a sua ins umen alização. É assim que se sublinham algumas das limi ações da in es igação no que conce ne ao pouco ap o undamen o des a e en e. Es a in es igação não p e endia se exaus i a dada a na u eza explo a ó ia da pesquisa, no en an o, na e en ualidade de se p ossegui com es e p oje o, se ia impo an e ecolhe mais con eúdo, p incipalmen e, e e en es ao segundo e e cei o momen os da ama. Além disso, se ia in e essan e po exemplo o ecu so a en e is as e a uma análise de con eúdo mais sis emá ica, de o ma a apon a g amá icas e lógicas a gumen a i as dos p o agonis as e idenciados ao longo da in es igação. 87 Re e ências Bibliog á icas Bena en e, A. (1990). Insucesso escola no con ex o po uguês – abo dagens, conceções e polí icas. Análise Social. Vol. XXV (108-109). 715-733. Blume , H. (1971). Social P oblems as Collec i e Beha iou . Social P oblems. Vol. 18. Issue 3. 298-306. Bol anski, L. (1979). Les sys èmes de ep ésen a ion d'un g oupe social: les «cad es». Re ue ançaise de sociologie. (20-4). 631-667. 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Se sim, de que ipo de con li os es amos a ala ? ➢ Se em disponí el o es udo encomendado a Sé gio G ácio e pode ia pa ilha ? ➢ Depois de sai do Minis é io con inuou a acompanha a ques ão dos ankings? ➢ Hoje man ém a mesma posição que à época assumiu em elação aos ankings de escola?