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Agos o 2020
A RELAÇÃO DE INFLUÊNCIA MÚTUA ENTRE
PATRIMÓNIO E PRÁTICAS CULTURAIS
O caso do Tea o Nacional de São Ca los
Klinge da Sil a
Disse ação de Mes ado em Pa imónio
Ve são co igida e melho ada após de esa pública
A RELAÇÃO DE INFLUÊNCIA MÚTUA ENTRE
PATRIMÓNIO E PRÁTICAS CULTURAIS
O caso do Tea o Nacional de São Ca los
Klinge da Sil a
Disse ação de Mes ado em Pa imónio
Agos o 2020
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Pa imónio, ealizada sob a o ien ação cien í ica do
P o esso Ca los Manuel dos San os Va gas
AGRADECIMENTOS
Inicialmen e ex e no a minha imensa g a idão ao P o esso Ca los Manuel dos San os
Va gas pela o ien ação des a ese de mes ado no que diz espei o as suas p oposições na di eção
do ape eiçoamen o dos mé odos u ilizados no abalho, bem como sua g ande disponibilidade
pa a escla ecimen os no ocan e a in es igação e e isão ex ual, além de seu cons an e
incen i o e comp eensão, sem os quais se ia impossí el ealiza al a e a.
Em segundo luga , ag adeço aos en e is ados des a pesquisa que o am undamen ais
pa a a boa consecução e iabilidade des e abalho.
Em e cei o luga , sou mui o g a o a con ibuição di e a ou indi e a de odos p o esso es
e uncioná ios da Faculdade de Ciências Sociais da Uni e sidade No a de Lisboa que com
p o issionalismo dedicam seu abalho em p ol da cul u a e educação.
Em qua o luga , ag adeço aos amigos pelo apoio e con ibu os ao meu abalho, sem os
quais es a a e a se o na ia mais di ícil.
E po úl imo ag adeço à minha amília, em especial minha esposa, que ao longo dos
úl imos dois anos me apoia am incondicionalmen e nes a empo ada de es udos longe de meu
país.
RESUMO
Tendo em is a que a in e ligação en e exe cício cul u al e pa imónio cons i ui um
desen ol imen o po encial das capacidades sociocul u ais des as duas dimensões, pesquisa-se
aqui sob e a elação de in luência mú ua en e pa imónio e p á icas cul u ais. No in ui o de se
analisa e es uda es e ínculo de ecip ocidade na busca da pe ceção das suas dinâmicas e
lógicas, compa a-se es a comp eensão com o caso do Tea o Nacional de São Ca los; examina-
se o uncionamen o des e dinamismo elacional; iden i ica-se como as p á icas cul u ais se
epe cu em social e pa imonialmen e; pe cebe-se como pa imónio e a i idades cul u ais se
dinamizam de o ma ecíp oca. Po ou o lado, analisa-se a possibilidade do impac o das
a i idades do Tea o sob e o e i ó io no qual se inse e; desc e e-se semelhanças e di e enças
en e p á icas in e nas e ex e nas ao Tea o e como es as elacionam as p á icas en e si. Dian e
disso, e i ica-se que o pa imónio ao acolhe e coloca em ação ais p á icas, impulsiona-as e
ao mesmo empo se o alece ma e ial e simbolicamen e, conside ando-se a exis ência de um
ciclo pa imónio – p á icas cul u ais – pa imónio com os seus ela i os desdob amen os
sociocul u ais. O que impõe a cons a ação que a alo ização do pa imónio deco en e des e
ciclo é um impo an e a o pa a o desen ol imen o da cul u a e da sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: Pa imónio. P á icas Cul u ais. Música. Tea o Nacional de São
Ca los. Fes i al ao La go. T adição.
ABSTRACT
Bea ing in mind ha he in e connec ion be ween cul u al exe cise and he i age
cons i u es a po en ial de elopmen o he socio-cul u al capaci ies o hese wo dimensions, we
in es iga e he e he ela ionship o mu ual in luence be ween he i age and cul u al p ac ices. In
o de o analyze and s udy his link o ecip oci y in he sea ch o he pe cep ion o i s dynamics
and logics, his unde s anding is compa ed wi h he case o he Na ional Thea e o São Ca los;
he unc ioning o his ela ional dynamism is examined; i iden i ies how cul u al p ac ices
ha e a social and pa imonial impac ; i is pe cei ed as he i age and cul u al ac i i ies a e
dynamically ecip oca ed. On he o he hand, he possibili y o he impac o Thea e ac i i ies
on he e i o y in which i ope a es is analyzed; simila i ies and di e ences be ween p ac ices
in e nal and ex e nal o he Thea e a e desc ibed and how hey ela e he p ac ices o each o he .
In iew o his, i appea s ha he he i age, by welcoming and pu ing such p ac ices in o ac ion,
d i es hem and a he same ime s eng hens ma e ially and symbolically, conside ing he
exis ence o a he i age cycle - cul u al p ac ices - he i age wi h i s ela i e consequences. socio-
cul u al. Wha imposes he obse a ion ha he alo iza ion o he he i age esul ing om his
cycle is an impo an ac o o he de elopmen o cul u e and socie y.
KEYWORDS: He i age. Cul u al P ac ices. Music. São Ca los Ope a House. Fes i al ao
La go. T adi ion.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
QUADRO 1
P á icas Cul u ais In e nas……………………………………………...
60
GRÁFICO 1
Espe áculos 2007……………………………………………….............
61
GRÁFICO 2
Espe áculos 2017……………………………………………….............
62
QUADRO 2
P á icas Cul u ais Ex e nas……………………………………………..
64
FIGURA 1
T inómio: Pa imónio Ma e ial – P á icas Cul u ais – Pa imónio
Ima e ial………………………………………………………………...
72
LISTA DE ACRÓNIMOS
ACARTE
Se iço de Animação, C iação A ís ica e Educação pela A e
CCB
Cen o Cul u al de Belém
CNB
Companhia Nacional do Bailado
CULTURGEST
Fundação Caixa Ge al de Depósi os
DGEMN
Di eção-Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais
EPE
En idade Pública Emp esa ial
EVC
Es údios Vic o Có don
EXPO 98
Exposição Mundial de 1998
FAL
Fes i al ao La go
IP
Ins i u o Público
IPHAN
Ins i u o do Pa imónio His ó ico e A ís ico Nacional
LUME
Lisbon Unde g ound Music Ensemble
OPART
O ganismo de P odução A ís ica
OSP
O ques a Sin ónica Po uguesa
PRACE
P og ama de Rees u u ação da Adminis ação Cen al do Es ado
TNSC
Tea o Nacional de São Ca los
UNESCO
O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, Ciência e Cul u a
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO………………………………………………………………….
09
2
CONTEXTUALIZAÇÃO E FUNDAMENTOS………………………………
12
2.1
Pa imónio em Po ugal: E olução concei ual, no ma i a e ipológica…………..
18
2.2
P á icas cul u ais: noções no eado as……………………………………………
25
2.3
Fes i al: espaço- empo de in eg ação social……………………………………...
31
3
TRANSMISSÃO SIMBÓLICA………………………………………………...
36
4
O TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS………………………………...
39
4.1
Pa imónio ma e ial…………………………………………………………........
44
4.2
Pa imónio ima e ial………………………………………………………….......
47
5
PATRIMÓNIO E PRÁTICAS CULTURAIS…………………………………
50
5.1
Valo ização simbólica…………………………………………………………….
53
5.2
P á icas cul u ais in e nas…………………………………………………………
57
5.3
P á icas cul u ais ex e nas………………………………………………………...
64
6
CONSEQUÊNCIAS DA RELAÇÃO DE INFLUÊNCIA MÚTUA………….
70
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS…………………………………………………...
81
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………
85
ENTREVISTAS…………………………………………………………………
90
APÊNDICE A – ENTREVISTA 1………………………………………………
91
APÊNDICE B – ENTREVISTA 2………………………………………………
98
APÊNDICE C – ENTREVISTA 3………………………………………………
105
APÊNDICE D – ENTREVISTA 4………………………………………………
120
APÊNDICE E – ENTREVISTA 5………………………………………………
126
APÊNDICE F – ENTREVISTA 6……………………………………………….
138
APÊNDICE G – ENTREVISTA 7………………………………………………
155
ANEXO 1 – ARTIGO - OPER IN LISSABON (ÓPERA EM LISBOA) ……….
157
15
e pédagogique de l’a .” (BÉGHAIN, 2012, p. 18-19). Como mais a de se obse a á em ou os
países “Telle qu’elle éme ge en F ance, à la in du XVIIIe siècle, la p oblema ique du
pa imoine es aussi essen iellemen poli ique” (BÉGHAIN, 2012, p.15). De ac o, segundo es a
o dem de ideias, pe cebe-se que no mundo con empo âneo de edo do passado pon ualmen e
acima no i icado,
A polí ica do pa imónio é pois, e ec i amen e, uma polí ica, no sen ido mais
adicional da pala a, uma a e de apascen a o ebanho humano, hoje
dispe so e econduzido ao campo anquilizan e de uma icção: a de uma
sociedade supos amen e capaz de, melho do que as ou as, concilia a
con inuidade com a mudança, a conse ação, com a c iação (GUILLAUME,
2003, p..41).
Além disso, segundo Guillaume (2003), o pa imónio nos dias de hoje cump i ia do
mesmo modo o papel polí ico-cul u al de e o ço iden i á io, no sen ido de que al unção pa a
além da p ese ação da memó ia ajuda ia na ansposição de ba ei as cul u ais en e “classes”
e camadas sociais que es u u am a sociedade con empo ânea. Ao pa imónio ese a-se, den e
ou os obje i os, o de es imula a coesão cole i a. Como ambém comba e ia a c escen e:
Pe da do en aizamen o, da iden idade social, da es abilidade das signi icações,
p oduzida an es de mais pelo o e ac éscimo da mobilidade geog á ica e
p o issional, depois pelo desen ol imen o do consumo p i ado e pela
con usão de signos que lhe são associados (GUILLAUME, 2003, p.119).
Assim, deduz-se a pa i das e lexões acima conside adas que o pa imónio, exe ce ia
um papel c ucial como mediado cul u al en e os indi íduos e des es com a o alidade da
ealidade que os en ol e; al unção é pe cebida como “mediação simbólica” (CRESPI, 1997).
De ac o, “A complexa ans o mação da pe cepção da dimensão cul u al enquan o dimensão
especí ica p epa a, desde o século XVIII, uma p og essi a omada de consciência da
impo ância que as o mas simbólicas possuem na ida humana” (CRESPI, 1997, p.17). E
segundo o mesmo pon o de is a, bens e alo es pa imoniais o necem um conjun o de
escla ecimen os pa a os indi íduos, con ibuindo pa a uma melho comp eensão da ida
indi idual e cole i a na qual es amos in eg ados (CRESPI, 1997). Ve i ica-se, assim, que o
pa imónio cul u al pode se conside ado como um impo an e po encializado de coesão do
ecido social e ha monização en e o passado, p esen e e u u o pessoal e ambém da sociedade,
is o que, segundo C espi (1997, p.27) “[…], a cul u a con igu a-se como um pa imónio de
sedimen ação das expe iências, ep esen ações e alo es ansmi idos a a és da linguagem, dos
ex os esc i os, dos monumen os, e c., que es ão na base da memó ia indi idual e colec i a”.
16
No a-se, segundo Guillaume (2003), que o pa imónio enquan o a o cul u al possui a
ca ac e ís ica, não apenas, de ememo a um passado supos amen e auspicioso e a consequen e
alo ização do p esen e, mas que acima de udo assume, p incipalmen e, o papel de o na
acei á el a elocidade de ansi o iedade da o ma do i e desen ol ida no mundo
con empo âneo. Uma sociedade ins á el ma cada po uma ápida co ida pa a o u u o, onde
exis e, em ce a medida, segundo Guillaume (2003, p.23) um “[…] sen imen o dolo oso
esul an e da consciência de ugacidade do empo e da e eme idade das coisas […]”.
Segundo es e p essupos o, o pa imónio ameniza, diminui, ab anda as eme idades
ela i as ao po i e a elocidade dos dias de hoje, ha monizando e dando uncionalidade à
sociedade. Além de se um a i ício dissuasi o da angús ia do p esen e e das dú idas sob e o
po i é plenamen e e icaz como ins umen o lúdico (GUILLAUME, 2003). E Guillaume
(2003), conside a ainda que os bens pa imoniais se iam pa a além de “objec os mnemônicos”
depósi os de in o mação cul u al e a e ac os que le am à e lexão; a ualizado es impo an es
da ealidade indi idual e cole i a. E que, nes e sen ido, do pon o de is a da memó ia e da
a ualização “O passado é uma na a i a que, epo ando-se a acon ecimen os, es á semp e em
e o mulação e em negociação” (GUILLAUME, 2003, p.24).
To na-se e iden e que a unção do pa imónio, en e ou as, é de o alece a nossa
imagem de uma época passada, po meio de sua capacidade de ins umen aliza a c iação de
na a i as no eado as da ida em sociedade, po ado as de signi icados adu o es de nossa
exis ência no p esen e e que lhe dão sen ido, assegu ado as da nossa capacidade de p e isão em
elação aos dias indou os, diminuido as da angús ia exis en e do i e em um mundo cada ez
mais luído e e ême o. Os bens e alo es pa imoniais nos dão segu ança pa a con inua mos
i endo e con i endo com a imp e isibilidade do u u o. Pe cebe-se, segundo Gillman (2010,
p.66) que: “He i age is no on objec i e ac abou he wo ld bu a social cons uc ion, o which
his o ical and eligious na a i es, cus oma y low and pa icula indi iduals ha e con ibu ed
in impo an ways.” O pa imónio cons i ui-se assim numa e amen a da qual “na a i as” e
ep esen ações são e igidas, sejam elas: his ó icas, polí icas, cole i as ou pessoais, que
con ibuem de di e en es o mas pa a a ida em sociedade (GILLMAN, 2010). Logo,
Cul u al na a i es and oles ha e a cen al place in he cons uc ion o
he i age: we a e wha we a e, because we we e wha we we e. Fo med om
he in e wea ing o ecei ed p ac ices, e i iable his o y, my hs and eligious
s o ies, he i age e icien ly akes o e al eady es ablished na a i es wi h hei
eady-made s ocks o oles anging om he exempla y o he wicked
(GILLMAN, 2010, p.73).
17
As “na a i as” são elemen os cul u ais essenciais; ela os de pe sonagens e e en os
icos na sua di e sidade e na capacidade de in e ação mú ua. Assim, elas es ão in imamen e
elacionadas ao desen ol imen o do exe cício cul u al, a a és do qual os indi íduos usu uem
de o ma lúdica e educa i a as suas benesses, dando um sen ido impo an e pa a a ida social e
pessoal (GILLMAN, 2010). Es as “na a i as” que a iculam, em g ande medida, os campos da
cul u a, da polí ica e cien í ico com os meios de comunicação, possuem, ao mesmo empo
ca ac e ís icas locais e aquelas que ão além das on ei as nacionais (GILMANN, 2010).
Po ou o lado, pa a além do deba e dualis a simpli icado en e “cosmopoli as”,
de enso es da ideia de que odo pa imónio pe ence ia à humanidade, e “nacionalis as da
cul u a” que êm o pa imónio como um enómeno local es i amen e pa icula izado, pe cebe-
se que a ques ão cen al sob e es e ema não é a pola ização sob e a quem e dadei amen e
pe ence o ace o pa imonial e sim se o mesmo az bene ícios sociocul u ais pa as as pessoas,
a a és do seu usu u o; nes e sen ido é jus i icá el o con ínuo desen ol imen o de ma cos
egula ó ios po pa e do pode público sob e o pa imónio (GILLMAN, 2010). Vis o que, de
aco do com Gillman (2010, p.21) “He i ages (o cul u es) a e ways o hinking and alking
abou communi ies o people in space and ime, ela ed by sha ed p ac ices, con en ions and
no ms […]”.
Segundo Gillman (2010), ainda cump i ia ao pode público a unção maio de omen a
as a i idades cul u ais com a in enção de p omo e um es ado de espí i o social a o á el e
adequado pa a a po encialização das capacidades pessoais e cole i as po meio da cul u a.
Pe cebe-se, assim, que o pa imónio no mundo con empo âneo, segundo es es
delineamen os concei uais di os acima, é po ado em suas ep esen ações ma e ial e ima e ial
da ealidade social, de alo , densidade e pode simbólico. Impo an íssimos pa a cada cul u a
especí ica e pa a a humanidade como um odo. De ac o,
A mundialização dos alo es e das e e ências ociden ais con ibuiu pa a a
expansão ecumênica das p á icas pa imoniais. Essa expansão pode se
simbolizada pela Con enção ela i a à p oc eção do pa imónio mundial
cul u al e na u al, adop ado em 1972 pela Con e ência ge al da Unesco
(CHOAY, 2015, p.223).
Ve i ica-se, dessa o ma, que depois de um longo e demo ado p ocesso his ó ico, os
bens e alo es pa imoniais passa am a cons i ui -se como algo de uma g ande impo ância
social, an o em escala local quan o a ní el global. Semp e a ualizando e ino ando suas o mas
de ap op iação simbólica, no plano especí ico das indi idualidades como ambém na es e a
mais ampla e cole i a. Se indo, ainda, como e amen a cul u al undamen al pa a a
18
ha monização e/ou in eg ação do conjun o social. Além de se um a o imp escindí el, na
a ualidade, pa a o desen ol imen o das po encialidades econômicas e um o e ins umen o
pedagógico e de laze .
2.1 Pa imónio em Po ugal: e olução concei ual, no ma i a e ipológica
O concei o de pa imónio, independen emen e do país, sociedade ou cul u a possui uma
ca ac e ís ica singula : esul a po en u a semp e de uma e olução his ó ica, de aco do com o
amadu ecimen o sociocul u al e polí ico de cada época e luga . Em Po ugal não oi di e en e.
Tan o a eo ia do pa imónio e oluiu com o passa dos anos quan o a sua ipologia e o espe i o
enquad amen o legal. A elocidade de ais ans o mações e e um o e impulso a pa i da
úl ima me ade do século XX.
A es u u ação dos undamen os concei uais e no ma i os e e en es ao pa imónio em
Po ugal, a exemplo de á ios países eu opeus, se deu em ce a medida no pe íodo his ó ico que
ai do século XVIII a começos do século XX.
País com quase no ecen os anos de exis ência e po isso mesmo possuido de uma ica
his ó ia e as a cul u a, é he dei o de uma memó ia e ace o pa imonial únicos. Po ém, é
somen e a pa i do século XIX que a nação po uguesa abo da, com mais ên ase, a eo ia e a
no ma ização ela i as aos bens e alo es pa imoniais; em uma época de p o undas mudanças
sociais e econômicas, polí icas e cul u ais pa a odo o mundo, especialmen e pa a a Eu opa.
Assim cons a a-se nesse pe íodo que,
A pa i de 1867, o g au de ci ilização dos po os do mundo mede-se pela
p o ecção do pa imónio, e o çando-se o cul o das a es e dos monumen os,
espécies de eligião que as ideologias einan es e a iloso ia posi i is a não se
opuse am, mas sim a i ma am, enquan o sis ema social o ganizado de
sal agua da, conse ação e es au o mode no (CUSTÓDIO, 2011c, p.58).
De ac o, an e io men e ao e e ido ano, já no início do século XVIII, segundo
Rod igues (2011, pág.20) oi c iada a “[…] p imei a lei ge al po uguesa de p o ecção dos
es ígios ma e iais do passado, um al a á assinado po D. João V em 1721 […]”. Ve i ica-se
que, pa a a de ida execução des a no ma oi indicada a “Academia Real de His ó ia” e os
go e nos de ilas e cidades; es e al a á ainda possuía uma ca ac e ís ica pa icula : o
es abelecimen o de um ala gado concei o de monumen o, undamen al que oi pa a a cons ução
pos e io do que se en ende ia como pa imónio (RODRIGUES, 2011). O concei o de
monumen o, que an ecede a noção de pa imónio, “[…] incluía a a qui ec u a, os objec os
19
a ís icos e os es ígios a queológicos […]” (RODRIGUES, 2011, p.20). Obse a-se, dessa
o ma, que pa a a noção de monumen o “A e olução mani es a nos dicioná ios do século XVII
e a i e e sí el. ‘Monumen o’ deno a, a pa i de en ão, o pode , a g andeza, a beleza: compe e-
lhe explici amen e a i ma g andes desígnios públicos, p omo e os es ilos, di igi -se à
sensibilidade es é ica” (CHOAY, 2015, p.19).
Pe cebe-se que a pa i de 1876, com a es u u ação no ma i a dos monumen os
his ó icos e igida pelo pode es a al o go e no passou a assumi a esponsabilidade da de esa e
p ese ação do ace o pa imonial; dessa o ma, o go e no (a mona quia cons i ucionalis a)
inaugu a as condições necessá ias pa a o u u o desen ol imen o do concei o de pa imónio
(RODRIGUES, 2011). No a-se que no século XIX, cen ú ia ca ac e izada po c ises polí icas e
sociais g a es pa a Po ugal, como po exemplo, a ocupação napoleónica e o con li o social,
in ensi ica am-se os ínculos en e a sociedade e os seus ei os memo á eis. Obje i amen e
ep esen ados pelo pa imónio his ó ico e cul u al. E, como consequência desses ac os e da
chegada do libe alismo ao pode de Es ado, o ace o pa imonial passou a se is o com uma
o e cono ação nacionalis a (RODRIGUES, 2011). Assim, “O cul o do passado, da memó ia e
da his ó ia ai adqui i a unção cul u al de es abelece a con iança nacional e de p epa a a
egene ação do País” (RODRIGUES, 2011, p.23). Dessa o ma,
Semp e que se al e am as condições his ó icos-ambien ais ou nascem no as
exigências indi iduais ou colec i as, a cul u a de e adap a as suas p óp ias
in e p e ações e e o mula as suas p óp ias espos as, o necendo no os
signi icados mais adequados às exigências do momen o (CRESPI, 1997,
p.23).
Dian e dis o, no a-se cla amen e que os acon ecimen os polí icos e “his ó ico-sociais”,
de ce a o ma, são u o da cul u a, conc e izados pelos indi íduos e pela cole i idade. Tais
a os, po ou o lado, são ge ado es de no os pad ões cul u ais pa a a sociedade (CRESPI,
1997). No âmbi o da c iação des as o mas cul u ais ino ado as si ua-se o pa imónio. Nes e
sen ido, o desen ol imen o do ideá io nacionalis a em o no do ace o pa imonial po uguês
du an e o século XIX se i ia como um o e a o de união da sociedade, segundo a mona quia
libe al, pa a o en en amen o da c ise polí ico-social i ida pelo país. Tendo is o em con a,
A Cul u a, enquan o conjun o de ep esen ações, c enças, alo es, no mas,
possui po isso mesmo a unção de es abelece a coesão e o consenso sociais,
o ganizando um sis ema de con olo, apoiado em sanções e ecompensas, que
o ien a á em odas as si uações o agi dos indi íduos, limi ando-lhes os
desejos e indicando o objec i o conc e o cuja p ossecução aqueles de em
en a alcança (CRESPI, 1997, p.83).
20
De ac o, é du an e es a época que se desen ol e uma impo an e discussão pública em
o no dos bens e alo es pa imoniais. Is o a pa i de um ins umen o de comunicação social
impo an íssimo, a imp ensa. Os seus p omo o es inham como on e inspi ado a, em especial,
o con ex o pa imonial ancês com suas au o idades de e e ência eó ica e mo al sob e a
emá ica em ques ão. Concebe-se que mesmo dian e das g andes a e as de sal agua da e
conse ação o a emp eendidas pelo Es ado, o pa imónio necessi a a de p o eção con a o
abandono e des uição de que e a susce í el. Des a o ma e i ica-se que nos úl imos anos da
mona quia oi elabo ada uma legislação ela i a à c iação dos undamen os pa a a classi icação
dos imó eis que de e iam se conside ados como monumen os nacionais, a a és do Dec e o
de 30 de dezemb o de 1901. Como ambém o Dec e o de 23 de junho de 1910 que classi icou
monumen os impo an es pa a a sociedade po uguesa como de ca á e nacional. São exemplos
des acá eis des as classi icações oco idas nos úl imos anos da mona quia: As Ruínas Romanas
de É o a, a Sé de Lisboa, os Mos ei os dos Je ónimos, de Ba alha e de Alcobaça.
Cons a a-se, po ou o lado, que oi po meio de pe iódicos como O Pano ama que
Alexand e He culano a pa i das ideias pa imoniais inspi ado as, como as de Vic o Hugo e
Cha les Fo bes René de Mon alembe , ei indicou uma no ma ge al que a i masse o
pa imónio como bens e alo es pe encen es ao po o e à nação, com o obje i o de sua maio e
melho p o eção e conse ação (RODRIGUES, 2011; ROSAS, 2011). Assim,
[…] embo a a de esa e a conse ação dos es emunhos ma e iais do passado
i esse sido um dos pila es da cul u a libe al, o egime pa ecia e alhado na
ins i ucionalização dessa impo ância dispe sando compe ências e legislando
e a icamen e, em unção de si uações conc e as; demo ando a es abiliza uma
no ma i a de alo es e ca ego ias de p ese ação; […] (RODRIGUES, 2011,
p.30).
Em con apa ida, o a anço do deba e pa imonial, como di o, encon ado na imp ensa,
oi um ins umen o p o ícuo pa a o seu desen ol imen o concei ual; al ac o não oi exclusi o
de Po ugal, mas oco eu em mui os países eu opeus e cons i uiu-se em uma impo an íssima
endência cul u al na cen ú ia oi ocen is a (ROSAS, 2011). É de se no a que os concei os de
sob e os bens e alo es pa imoniais o am elabo ados, em g ande medida, em si uações de
g a es c ises sociopolí icas, como na e olução ancesa ou como acima oi e e ido du an e a
gue a ci il po uguesa, si uações conjun u ais nas quais o pa imónio oi se e amen e a ingido
em sua in eg idade. Daí o su gimen o de ozes impo an es ei indicado as da p ese ação da
memó ia nacional e a sua ansmissão pa a as p esen es e u u as ge ações (ROSAS, 2011). De
ac o,
21
O andalismo (mas ambém o abandono) e a con on ado com os p incípios
da o ganização e do desen ol imen o ci ilizacional da Eu opa na sequência
das ans o mações polí icas, sociais e cul u ais eme gen es das e oluções
indus ial, polí ica e ilosó ica da época. Ao “p og esso ma e ial” e a
necessá io segui -se o “p og esso mo al” e a “ins ução pública”
(CUSTÓDIO, 2011c, p.57).
Pe cebe-se que es as p o undas ans o mações, em ce a medida, numa cla a e di e a
supe ação da adição sociopolí ica e cul u al do passado, não possuíam o sen ido da ex inção
das lemb anças edi ican es da sociedade e nem ão pouco a eliminação do espe i o ace o
pa imonial, mas sim de inco po á-lo em um no o ní el de ínculo his ó ico e social, em um
no o con ex o polí ico, onde p e alecesse a sua unção lúdico-educa i a (CHOAY, 2015).
Coloca a-se, dessa o ma, em discussão po pa e daqueles que de endiam o pa imónio o ema
undamen al da elação en e os alo es ansmi idos do passado e o su gimen o de um no o
con ex o cul u al, ep esen ado pela e a mode na. Com o passa do empo e da oco ência
daquelas ans o mações, pouco a pouco ei indicações pa imoniais consegui am alcança
seus obje i os, oco endo mudanças nas es u u as no ma i as em mui os países da Eu opa,
inclusi e em Po ugal (CUSTÓDIO, 2011a).
É só a pa i da P imei a República que es a es u u a legal se cons i ui, segundo
Cus ódio (2011a, pág.85), como “[…] um p imei o sis ema coe en e de p o eção, sal agua da,
conse ação e ansmissão da he ança cul u al po uguesa”. Tal ac o acon ece no “[…]
con ex o da a i mação de um no o egime polí ico, de uma sociedade em ans o mação e de
uma on ade de c ia um país mais mode no.” (CUSTÓDIO, 2011a, pág.85). Es as p o undas
mudanças de ompimen o com o passado são e i icá eis, simbolicamen e, po exemplo, com
a c iação de “Uma no a Cons i uição em Agos o de 1911, um no o hino nacional – A
Po uguesa -, uma no a moeda – o escudo – e uma no a bandei a nacional, e melha e e de,
que subs i ui a bandei a azul e b anca da mona quia, […]” (LÉONARD, 2017, p.50).
De ac o, al polí ica pa imonial obedeceu a lógica de uma eo ganização dos se iços
es a ais. E oi, nesse sen ido, implemen ado a de um no o o denamen o ins i ucional sob e o
pa imónio de aco do com o ideá io epublicano; sendo cons i u i a des e conjun o de medidas,
a nacionalização dos bens pa imoniais da ig eja (CUSTÓDIO, 2011a), que o am colocados
“[…] ao se iço da ‘nação’, que pela sua ecolha nos museus nacionais e egionais, que
classi icando-os como monumen os ou imó eis públicos, que o ganizando colecções
homogéneas de esou os de a e sac a nas sés po uguesas” (CUSTÓDIO, 2011a, pág.86). Es a
es a égia polí ico-cul u al es a a elacionada com o plano mais ge al epublicano pa a a
sociedade, e dessa o ma:
22
Foi em e mos eligiosos e no domínio da amília que o comba e a ado pelos
epublicanos se e elou mais aceso, sob e udo po que a p oclamação da
República se desen ola a endo o an icle icalismo como pano de undo:
con isco dos bens do cle o, sepa ação da Ig eja do Es ado (Ab il de 1911),
[…] (LÉONARD, 2017, p.50).
Es a p o unda e o mulação se consubs ancia na en a i a de ajus amen o das polí icas
pa imoniais desencon adas do pe íodo go e namen al imedia amen e an e io , num comba e
às incong uências adminis a i as no se o pa imonial (CUSTÓDIO, 2011a).
Na e dade, nes e pe íodo, es a a a se cons ui no país um no o modelo ou pad ão no
que se e e e à es e a pa imonial. Sinal de um empo em que boa pa e das nações eu opeias
começa am a c ia suas es u u as no ma i as de p o eção e p ese ação do pa imónio cul u al.
Nes e momen o, a noção de bem cul u al com sua la ga es e a concei ual subs i uía a ideia de
monumen o. E assim a a e passou a se incula ao no íssimo concei o pa imonial. Obse a-
se, po ou o lado, que dian e des e con ex o de p o undas mudanças se ez sen i a ausência de
uma egulação no eado a ge al pa a o pa imónio em Po ugal (CUSTÓDIO, 2011a), Segundo
o e e ido au o :
A al a de um documen o o ien ado da sal agua da e da conse ação –
digamos uma lei de bases do pa imónio, al como acon ece a em I ália, em
F ança, em Ingla e a e em Espanha en e 1909 e 1933 –, cons i uiu a omissão
mais lag an e da época epublicana (CUSTÓDIO, 2011a, p.95).
Con udo, os en os dos no os empos ambém começa am a sop a em e mos legais,
mesmo que imidamen e. Obse a-se, po conseguin e, que o ocábulo “pa imónio” em
subs i uição a an iga exp essão “monumen o nacional” se az p esen e em um Dec e o de 26 de
maio de 1911 que e sa a sob e a polí ica pa imonial (CUSTÓDIO, 2011a).
Den o des e con ex o é possí el obse a -se que, em elação ao pa imónio, o pe íodo
da P imei a República possui um g ande e impo an e signi icado sociocul u al. Nes e momen o
lançou-se as bases de uma no a isão sob e o pa imónio em Po ugal. Tal ac o se de e, em
ce a medida, a abe u a pa imonial e cul u al i ida à época com as ou as nações. Conjun u a
que não e ia, no longo p azo, du abilidade su icien e pa a um desen ol imen o p o ícuo da
u u a polí ica pa imonial, pois em seguida se ins ala ia o egime de Salaza que, de ce a
o ma, e a dou o pleno c escimen o das p á icas, concei os e no ma izações essenciais ao
pa imónio. O isolamen o do país, du an e décadas, oi um a o diminuido das imensas
capacidades cul u ais da ica ese a pa imonial pe encen e ao po o po uguês (CUSTÓDIO,
2011a; CUSTÓDIO 2011d).
23
É um pouco an es do início do Es ado No o que se o ganiza o Cong esso de A enas de
1931, com e lexos eó icos e p á icos pa a Po ugal. Mas “Em Po ugal, na mesma década, à
e elia do pulsa in e nacional, es a a no auge a alo ização dos ‘monumen os nacionais’ e as
p á icas de es au o, em g ande pa e con á ias aos deba es e p incípios de A enas”
(CUSTÓDIO, 2011d, p.134-135). De ac o, o salaza ismo ia no pa imónio, em especial o
cons uído, um e o de p opagação de seu ideá io au oc á ico e de alo ização absolu a da
nação. Viés ideológico que pau ou odo o conjun o de sua polí ica cul u al e pa imonial du an e
décadas (NETO, 2011b). Es e ac o não in alida, ob iamen e odo o es o ço o ganiza i o na
consolidação das ins i uições esponsá eis pelo pa imónio e sua e e i a ope acionalidade,
mesmo longe de ep esen a o que se pode ia conside a como o ideal em e mos de um
a ualizado sis ema legal, o ganizacional e ope acional pa a boas p á icas pa imoniais. Mas, po
exemplo, é da época do Es ado No o a es u u ação de uma ins i uição go e namen al
impo an íssima pa a a his ó ia das polí icas públicas ol adas ao im pa imonial (NETO,
2011b). A Di eção-Ge al dos Edi ícios e Monumen os Nacionais (DGEMN), oi “C iada, no
seio do Minis é io do Comé cio e Comunicações, pelo Dec e o nº 16.791, de 30 de Ab il de
1929” (NETO, 2011a, pág.199) e e e ida longa; c iada em Ab il de 1929 sob e i eu a é Ab il
de 1974, e ainda um pouco mais de 20 anos após aquelas jo nadas e olucioná ias.
Po ou o lado, a lógica go e namen al do pe íodo salaza is a em elação ao pa imónio
cons uído oi es abelece e ope acionaliza ações de es au o e conse ação baseadas no
p incípio da “unidade de es ilo”, que isa a a ecupe ação ou econs ução dos monumen os de
aco do com a a qui e u a e/ou es u u a “o iginal”; al p á ica oi pos a em andamen o com
maio ímpe o du an e de e minados momen os. Como, po exemplo, com as “comemo ações
cen ená ias” em 1940 e as isi as diplomá icas es a égicas pa a a sob e i ência do egime em
consonância com a polí ica ex e io le ada a cabo pelo go e no a pa i dos anos cinquen a
(NETO, 2011b).
De ac o, e i ica-se que du an e boa pa e des e pe íodo his ó ico se consolidou a
es u u a do sis ema ins i ucional in e nacional ela i o ao pa imónio. Fundamen almen e após
a Segunda G ande Gue a com a c iação da UNESCO. Assim, a in eg ação e in e câmbio
in e nacionais, ão necessá ios ao desen ol imen o eó ico e p á ico do campo pa imonial
po uguês, na e dade, só oi plenamen e ealizá el com a dissolução do Es ado No o. É só em
1965 que Po ugal ade e à UNESCO e, p incipalmen e, após a e olução dos c a os que o país
se in eg a às ins i uições mundiais o ganizado as das polí icas globais sob e os bens e alo es
pa imoniais (CORREIA, 2011). É ac o que:
24
Na década de 70 do século XX, Po ugal es á em pleno p ocesso de
ans o mação com a úl ima ase de isolamen o e decadência do egime, e as
p o undas mudanças que oco em na sociedade po uguesa a segui ao 25 de
Ab il de 1974. Es a é a década da eme gência do concei o de pa imónio
mundial, du an e a qual é c iado o seu apa elho concep ual e uncional
(AMENDOEIRA, 2011, p.303).
Nes a ase his ó ica su ge um no o concei o de pa imónio. Aqui, deixando o seu
signi icado e impo ância exclusi amen e nacionais, os bens pa imoniais, em mui os casos,
passam a simboliza a memó ia, a cul u a e alo es de oda a humanidade. De ac o,
comp eende-se que:
É e ec i amen e a pa i des e concei o de pa imónio mundial que se á
possí el globaliza a impo ância do pa imónio pa a o u u o da humanidade,
e é ambém a pa i do pa imónio mundial que pode á desenha -se um papel
mais in e en i o des e ins umen o nos p ocessos de desen ol imen o no
u u o e aos mais a iados ní eis, na ap oximação das cul u as e no espei o
pela di e sidade cul u al (AMENDOEIRA, 2011, p.311).
Po ou o lado, c iou-se, segundo o manual de Ges ão do Pa imónio Mundial Cul u al
da O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e a Cul u a UNESCO B asil,
IPHAN (2016), de aco do com a “Con enção pa a a P o eção do Pa imónio Mundial Cul u al
e Na u al de 1972”, maio es e melho es e amen as de ges ão em pequeno e g ande espaços
e i o iais que ão desde a localidade em e mos nacionais a é a ex ensão ansnacional. Assim,
es u u ou-se melho a ha monização e combinação de elemen os analí icos à disposição das
ins i uições públicas e ambém p i adas, na o ganização de escla ecimen os e comunicações,
na con ibuição pa a o in e câmbio ins i ucional em di e sos g aus de ge enciamen o, como
ambém na oca de in o mações en e legislações em unção do desen ol imen o do campo
pa imonial.
Ve i ica-se, assim, com elação ao ape eiçoamen o no ma i o sob e o pa imónio a
impo ância da Ca a do ICOMOS (Conselho In e nacional de Monumen os e Sí ios) ela i a à
16ª Assembleia Ge al do ICOMOS de Québec (Canadá) de 4 de ou ub o de 2008 in i ulada:
“In e p e ação e Ap esen ação de Sí ios Classi icados como Pa imónio Cul u al”. De inido a
dos undamen os pa a o desen ol imen o da comp eensão e conscien ização públicas sob e os
sí ios pa imoniais bem como de p incípios pa a a o ganização comunica i a e in o ma i a
sob e os mesmos. Nes a no ma, des aca-se, pa a a o dem de ideias aqui ap esen adas, a
impo ância dos i ens 1.3 e 1.6. O p imei o pon o sublinha a ele ância do en endimen o do
público sob e o alo undamen al do sí io pa imonial pa a os indi íduos e a sociedade como
um odo. Assim de em se ealizadas a i idades elacionadas ao pa imónio que con emplem
31
social”. C iando-se, assim, não só um ambien e a o á el à in eg ação, como o p óp io
desen ol imen o de po encialidades cul u ais indi iduais e cole i as (LOPES, 2000).
As p á icas cul u ais, em especial aquelas que acon ecem em espaços pa imoniais como
o Tea o Nacional de São Ca los, sejam a i idades indoo s ou ou doo s, elacionam
p e e ências ou gos os lúdicos-educacionais com sua capacidade de alo ização simbólica,
p opo cionando um sen ido ao modo de ida pessoal e cole i o, que impac ua di e amen e a
es u u a social.
Tais p á icas, ao ansmi i em alo es cul u ais uni e sais, ampli icam o acesso à
cul u a de o ma dinâmica e pa icipa i a, seja na manei a adicional de uição cul u al e udi a
(no malmen e no espaço o mal e echado), seja na de ep esen ação a ís ica ao a -li e; um
modo a ualizado e al e na i o à adição, como é o caso do Fes i al ao La go que ep esen a
uma no a pe spe i a no desen ol imen o das p á icas cul u ais de uma ins i uição secula e
adicional como é o caso do Tea o Nacional de São Ca los. Ampliando, assim, a
acessibilidade, a ualizando p á icas, na p odução, ansmissão e eceção dos espe áculos. Tais
o mas de exe cício cul u al consolidam o pa imónio como elemen o essencial pa a o
enal ecimen o e alo ização da cul u a de Po ugal.
Logo, es as a i idades cul u ais são po encialmen e po ado as do o alecimen o do
pa imónio em e mos sociais, o nando-o p io i á io pa a a ida cole i a e indi idual, c iando
assim um ambien e em sociedade a o á el ao econhecimen o, iden i icação e alo ização do
mesmo.
2.3 Fes i al: espaço- empo de in eg ação social
O es i al, o ma pe iódica de p á ica cul u al, p esen e em g ande pa e das sociedades
e cul u as em escala global, em uma longa his ó ia que emon a a séculos. Além de possui
uma impo an e unção in eg ado a e de se um ele an e a o de desen ol imen o econômico;
bem como de o alecimen o iden i á io.
Segundo Goe schel e Hidi oglou (2013), es e ipo de es i idade possui uma ma can e
ca ac e ís ica: es abelece ins an e especial de uição cul u al i enciado no plano comuni á io
em que exis e um sen imen o iden i á io. E desen ol e i ências cul u ais o a do comum,
ge ado as de o es eco dações onde o memo á el e o nos álgico êm um papel c ucial. E ainda
cons i ui uma dinâmica p óp ia de con inuidade e in e upção a um só empo. Na medida em
que se eno a a cada época, epe e de e minados pad ões que o ca ac e izam como al,
32
man endo sua ma ca e singula idade. Ve i ica-se, assim, que ais es as sazonais possuem um
in enso apelo pa a o ap o undamen o democ á ico da cul u a, como ambém pa a o
o alecimen o da legibilidade e i o ial, p omoção da economia e ha monização do co po
social. Is o explica ia em ce a medida a explosão des as es as em e mos mundiais nos dias de
hoje.
De aco do com os au o es acima e e idos, ais p á icas cul u ais so e am com o passa
dos séculos p o undas modi icações. O iginalmen e cons i uído na o ma de an igas es as
eligiosas e ocado as de adições milena es, pouco a pouco assumiu uma p op iedade a ís ica
ma can e, especialmen e, nas sociedades ociden ais a pa i do século XIX (GOETSCHEL;
HIDIROGLOU, 2013). Des e momen o em dian e, segundo O y (2013), a e e ida es i idade
assumiu uma o ma a ís ico-musical p edominan e e ambém a ca ac e ís ica de mobilização
de g andes audiências.
Segundo Hen iques (2015), a pe iodicidade des e ipo de e en o não impossibili a ia a
sua ca ac e ís ica de su p eende o público, eno ando o luga em que oco e e modi icando o
elacionamen o en e pessoas e en e es as e a cole i idade como um odo. Nes e sen ido, es as
laços comuni á ios são inc emen ados. Assim, es es e en os são p omo o es de alo es cul u ais
ele an es i idos pela sociedade. E, po ou o lado, p omo o es e legi imado es de ins i uições
que po en u a os omen em.
De ac o, os es i ais joga am um papel impo an e na supe ação das di iculdades
ad indas da Segunda G ande Gue a nas sociedades eu opeias. Onde uma in ensa desag egação
social es a a a oco e nes a época. Nes e sen ido, ez-se necessá io o desen ol imen o de um
ambien e ha mônico e pací ico assegu ado de um u u o social exi oso e assim aquelas
a i idades es i as de am um con ibu o undamen al (ORY, 2013).
Na sociedade con empo ânea os á ios es i ais espalhados pelo mundo, seja qual o
seu es ilo a ís ico e luga onde acon ecem, jogam um g ande papel à cong egação. Pe cebe-se
que se al ins umen o cul u al se associa ao pa imónio, en ão es a unção in eg ado a é
o alecida imensamen e. Pois es as duas dimensões: es i idade e ace o de bens e alo es
pa imoniais; e oalimen am-se in ensamen e em e mos da alo ização simbólica pa a a
sociedade em ques ão.
Pe cebe-se, assim, que al p á ica cul u al sazonal p omo ida po uma ins i uição, como
é o caso do Tea o Nacional de São Ca los, con ibui imensamen e pa a o aumen o da pe ceção
e alo ização do pa imónio em e mos ma e iais e ima e iais, como ambém do e i ó io onde
33
se si ua, desen ol endo ou ampliando a legibilidade de um bai o adicional e his ó ico como
é o caso do bai o do Chiado.
Um ou o aspe o ele an e é o desdob amen o económico de ais a i idades es i as. Os
locais onde es as oco em êm um inc emen o sazonal impo an e em suas economias. De ac o,
segundo Cos a (2007), as p á icas de cul u a con ibuem imensamen e pa a o desen ol imen o.
Tais e en os o alecem o me cado de abalho e o imizam a enda, c iando um ambien e social
a o á el pa a a ida pessoal e comuni á ia. Além disso, o nam as localidades onde oco em
em condições a o á eis de compe i economicamen e. De ac o, nenhuma polí ica económica
con empo ânea pode menosp eza es e ins umen o cul u al pa a o impulsionamen o e
c escimen o da sociedade. No a-se que em plena e a da in o mação a cul u a se ans o mou em
um elemen o essencial pa a o desen ol imen o; seja a p á ica inculada à es e a adicional da
cul u a, como po exemplo o campo da música e udi a, ou aquela elacionada com a cul u a de
massas.
Dessa o ma, a es a sazonal, so eu p o undas modi icações desde o início do im da
e a indus ial a é a c escen e consolidação da e a da in o mação. E, segundo Hen iques (2015),
es as es i idades que inicialmen e possuíam ca ac e ís icas sociais e cul u ais p eponde an es,
podem assumi cada ez mais um ca á e económico. De ac o, es a endência es á em pleno
c escimen o em ní eis local e global.
Pode-se a i ma , em ce a medida, que com o passa do empo a comemo ação cole i a
so eu mui as modi icações E ais mudanças se acele a am nas úl imas décadas. Tan o hou e
uma expansão mundial, quan o uma impo an e ampli icação empo al que obedece a uma
longa du abilidade his ó ica. A is o associa-se a mul iplicidade de emas abo dados pelas es as
e a di e si icação da du ação dos e en os (ORY, 2013).
No a-se que o enômeno a ual dos es i ais se consubs ancia po e um alcance mundial
e ao mesmo empo acon ece em sí ios de e minados; além disso possui g ande mul iplicidade
ipológica deco en e das di e en es es e as cul u ais que aba ca. Aspe os que se encon am em
pleno desen ol imen o e ala gamen o. Tais es i idades se ans o ma am em ins umen os
c uciais pa a a e e i ação de um conjun o de meios e planos go e namen ais na es e a cul u al
pa a se a ingi me as sociocul u ais e económicas (GUERRA, 2016).
De ac o, com Po ugal não oi di e en e. Hoje o país az pa e do ci cui o in e nacional
de es i ais e é uma e e ência mundial nes a á ea. F u o de sua c escen e inse ção no mundo
globalizado, em especial, na á ea cul u al. Somando-se a es e espei o aços cosmopoli as cuja
34
in ensidade se e i ica numa o e hib idização cul u al. Nes a pe spe i a o país se inse e à
aldeia global de o ma in ensa (GUERRA, 2016).
Segundo Cos a (2017), nos úl imos decénios oco eu um in enso c escimen o de
espe áculos em Po ugal, a exemplo das celeb ações sazonais. Tal ac o se de e a uma sé ie
complexa de mo i os. Assim e i ica-se que es as es i idades,
Resul am de um genuíno desejo de chega a um público c escen e, de um
es o ço de democ a ização cul u al, de animação de localidades na época
es i al, mas ambém podem se u o de es a égias de a ação u ís ica, de
p ocu a aze pa e dos ci cui os mais ou menos glamo osos da a e
con empo ânea […], ou esul ando simplesmen e de es a égias de cap ação
de pa ocínios ou mecena o (COSTA, 2017, p.191).
A expansão dos es i ais ep esen a uma o ça o ien ado a ou mo imen o e i icado po
odo o con inen e eu opeu. Po encializando os ínculos indi iduais e cole i os, p omo endo o
laze nas localidades em que as celeb ações acon ecem, p opo cionando legibilidades
e i o iais, en e ou os. De ac o, as causas do e e ido enômeno são di e sas. E inse em-se
num quad o mais ge al do enômeno da “globalização”. Com odas as suas consequências
cul u ais, me cadológicas, écnico-p o issionais e mediá icas (COSTA, 2017)).
Obse a-se, po ou o lado, segundo Cos a (2017), que essas o mas de celeb ação
comuni á ia êm como desdob amen o di e o um con í io cole i o essencial nos espaços
públicos. O espaço ci adino, po ou o lado, é uma e e ência essencial em e mos económicos,
no sen ido do exe cício da eligiosidade e p á ica no campo polí ico. Sendo undamen almen e
uma localidade onde o expe imen o da cul u a oco e in ensamen e em odas as suas dimensões
(VARGAS, 2012). Assim sendo os es i ais po encializam a es e a cul u al ci adina endo, em
ce a medida, desdob amen os posi i os sob e a dimensão cole i a em seus aspe os de
con i ialidade comuni á ia, além das sine gias económicas que po encialmen e podem c ia
(COSTA, 2017).
De ac o, a complexi icação des e ipo de es i idade não le ou à supos a pe da o al da
essência da celeb ação social. Mesmo com odas as ans o mações so idas, o es i al ainda
possui um alo simbólico compa á el às an igas celeb ações em que o e o espi i ual-
cole i o esul a a em ans o mações indi iduais e sociais. E boa pa e dos e en os
con empo âneos man êm es as ca ac e ís icas como pe il celeb a i o.
In e e-se assim, des a o dem de ideias, que os alo es cul u ais elabo ados pela
sociedade ansmi idos his o icamen e, semp e ececionados e a ualizados, ep esen am uma
con inuidade da p óp ia es u u ação de de e minado con ex o social. Mesmo que as ino ações
35
oco am, gua dam-se an igas es u u as ins i ucionais, cul u ais e polí ico-sociais ep esen adas
pelos di e sos ipos de adição he dados do passado. Pe cebe-se, assim, que exis e uma
con ínua ans o mação do p esen e e pa a o u u o, anco ada na ansmissão de alo es
simbólicos o iginá ios de ou as épocas.
36
3 TRANSMISSÃO SIMBÓLICA
A sociedade con empo ânea, em ce a medida, pode se ca ac e izada po aspe os de
p o unda hib idização cul u al, hípe - agmen ação social, ans o mação no sen ido e pe da da
dimensão espaço- empo, onde exis e uma supe alo ização do momen o p esen e associado a
uma g ande apidez no que se consome, além do es ei amen o espacial do que é dis an e e
ambém a diminuição endencial da impo ância dos alo es simbólicos adicionais que são
he dados de ou as épocas po meio de ans e ências ge acionais. A necessidade e a u gência
de modi ica e oca cons an emen e udo o que nos ce ca po algo no o e e ême o caminha no
sen ido da diminuição da impo ância do que se e e e à “ adição”. Po ém, apesa dessa
endência i ida nos dias a uais, a ealidade social expe ienciada se consubs ancia pelo acúmulo
sociocul u al e his ó ico cons uído com o passa do empo; al legado assim ecebido, aduzido
em e mos ins i ucionais, ideológicos, eligiosos, cien í icos, compo amen ais, ma e iais, en e
ou os, é o que se pode de ini como “ adição” (SHILS, 1981).
Ve i ica-se, além disso, segundo Alsayyad (2004), que o legado ad indo do passado
undamen al pa a a sociedade não pode se simplesmen e assimilado e en endido como algo
limi ado e sem mo imen o. Pelo con á io, pode se comp eendido e acei o como um “modelo
não-es á ico” pa a o en endimen o “dinâmico” e a ualizado dos dias de hoje. Assim, a T adição
em si mesma ep esen a ia um pad ão simbólico que auxilia ia na “ ein e p e ação dinâmica”
da ealidade p esen e, con ibuindo e e i amen e pa a o desen ol imen o polí ico, social e
cul u al. Já, de aco do com Hobsbawm (1983), as adições, sejam elas an igas ou ecen emen e
c iadas (es as iden i icadas ge almen e pela apidez e b e idade em seu pe íodo de exis ência),
possuem a ca ac e ís ica ele an e de es a em anco adas ou espelhadas i memen e no passado
e se em po encialmen e cons an es ou in a iá eis. Fazendo com que, em ce a medida,
de e minadas aspi ações de ans o mação sociais e cul u ais necessi em da “sanção” dos
acon ecimen os e ci cuns âncias an e io men e i idos pela sociedade. Obedecendo qualque
possí el mudança da es u u a do conjun o social a uma lógica p ocessual ine en e ao e olui
his ó ico que compo a aspe os essenciais do passado que dão signi icado e sen ido ao no o.
Cons a a-se, po ou o lado, segundo Shils (1981), que mesmo exis indo uma ce a
alo ização de a e ac os do passado e espe i os usu u o e admi ação, a dimensão do que é
conside ado como adição so e, de ce a manei a, uma p opensão pa a o en aquecimen o de
seu alo e espei o. Pois exis e uma o e endência ideal de um c escen e ape eiçoamen o
sociocul u al a qualque cus o que nega a impo ância de alo es simbólicos das an igas
37
ge ações que ou o a es u u a am a sociedade no sen ido de sua coesão e ha monização. De
ac o, esse mo imen o ex emo pa a en e não pode se cons i ui em um ompimen o o al; pois
semp e pe manece á algo do passado no p esen e. A sociedade de hoje só é possí el em unção
do que oi nou o empo. E, segundo Eisens ad (1989), a sociedade con empo ânea em sua
o ma ci ilizacional o iunda do ociden e que se expandiu globalmen e, não conseguiu impo
uma pad onização pa a as ins i uições cul u ais em ge al, pois as mui as o mações sociais
espalhadas pelo mundo de em, em ce a medida, suas cons i uições à adição local, apesa das
in luências ex e nas po ado as da hib idização da cul u a.
Nes e sen ido, exis e manei as di e en es de pe cebe o enômeno do hábi o como legado
his ó ico-cul u al. Há mui os que se posicionam a a o da adicionalidade da ino ação e da
ans o mação cons an es e con es am qualque ipo de hábi o cul u al que eme a à p ese ação
de alo es indos do passado ecen e e/ou emo o. Exis e um segundo pon o de is a que apoia
es a úl ima ideia, al posição é amplamen e mino i á ia na sociedade con empo ânea. Is o de e-
se ao ac o de que o julgamen o mo al e in elec ual acionalis a inaugu ado com a época das
luzes condenou as ins i uições que, segundo seu c i é io de desen ol imen o, ep esen a am
um passado impedido dos a anços da humanidade. De ac o, al p ocedimen o na e dade
ep esen ou a inaugu ação de uma no a o ma de adição baseada no aspe o cien í ico- acional.
Po ou o lado, pe cebe-se que os alo es he dados do passado possuem ca ac e ís icas de
ansmissão, de ansi o iedade, de eículo ansmisso simbólico de épocas an igas pa a a
a ualidade, a o undamen al que con igu a e es u u a a sociedade. Assim, a e ac os, ideias,
modelos de compo amen o, ma cos ins i ucionais, são o mas di e sas de exe cício cul u al
que são p opagadas his o icamen e. Nes e con ex o os alo es simbólicos ansmi idos são
a ualizados, en iquecidos e adap ados às no as si uações i idas pela sociedade gua dando-se
aquilo que lhes é ca ac e ís ico e essencial (SHILS, 1981).
Segundo Shils (1981), a in eg ação do ecido social, em ce a medida, dá-se em unção
da empo alidade his ó ica. Em p imei o luga ela acon ece en e os indi íduos i en es de uma
mesma sociedade, onde ge ações mais an igas ansmi em alo es pa a as ge ações mais no as.
E em segundo luga , obse ando-se um maio a co empo al, an igas ge ações de indi íduos já
alecidos são o igina iamen e as on es ansmisso as das adições que chegam a é a sociedade
con empo ânea.
De ac o, an igas ins i uições, como é o caso daquelas que p opagam a cul u a e udi a,
con ibuem imensamen e como a o c ucial de in eg ação e es abilidade social. Po encialmen e
ansmi em alo es humanos uni e sais cons uídos e a ualizados a a és do empo; azem a
38
possibilidade do diálogo, da e lexão, da ha monização, como ambém de momen os de laze e
ap endizado únicos i idos em comunidade.
Tudo o que i enciamos hoje es á di e a ou indi e amen e inculado ao mundo de
ou o a; assim apa a os polí icos, cien í icos, eligiosos, legais, en e ou os, de em sua
exis ência con empo ânea à es u u a social he dada do passado. Mesmo a maio das ino ações
ou ans o mações não se ia possí el ealiza -se sem es a e e ência his ó ica. Dessa o ma,
obse a-se que uma adição ep esen a um acúmulo cul u al expe imen ado em múl iplas ases
empo ais pela sociedade; a cada e apa oco e uma adap ação ao momen o social i ido,
ab indo-se possibilidades ino ado as em espos a às demandas impos as pela ealidade. Des a
manei a, in e e-se que, uma das ca ac e ís icas do que é adicional é a capacidade de p ese a -
se e ino a -se, man endo-se sua p óp ia essência (SHILS, 1981).
De ac o, alo es simbólicos o iundos do passado são mui o impo an es, mesmo que
sejam desac edi ados e colocados em um segundo plano. Pe cebe-se, em ce a medida, que
adições nega i as ou desas osas endem a desapa ece com o passa do empo. Dessa o ma,
a sua e e i idade em se em ú eis é condição essencial pa a con inua em exis indo. Po ou o
lado, se uma adição se en aquece ou as ganham espaço e impo ância. Nes e sen ido exis e,
na e dade, um complexo de adições que con i em e dispu am a adesão indi idual e cole i a;
podendo a é mesmo undi em-se ou mis u a em-se. Uma das ma cas pe manen es das adições
é sua capacidade de mudança (SHILS, 1981).
In e e-se, segundo es a o dem de ideias, que o aniquilamen o dessas bússolas cul u ais
he dadas do passado con ibui ia decididamen e pa a agmen ação social. Vis o que a
humanidade necessi a de uma o ien ação inda de épocas emo as que a ajude a desco ina o
no o; dando, des a manei a, condições undamen ais pa a o desen ol imen o da sociedade.
An es de se um a o nega i o, ealça o passado pode signi ica a es u u ação em bases sólidas
da iagem pa a o u u o (SHILS, 1981).
Po an o, em ce a medida, a adição pa ece se um dos an ído os pa a hípe -
agmen ação social. Além de po encializa os undamen os pa a o bem-es a es a social das
a uais e u u as ge ações. Todo o desen ol imen o humano obedece a es e p ocesso e olu i o
enca nado pelas di e sas adições, mesmo as en a i as de g andes e b uscas ans o mações
polí icas, sociais e cul u ais não se consubs ancia am sem que le assem em con a o aspe o da
adicionalidade. O passado semp e se ez e se a á no p esen e.
39
4 O TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS
O Tea o Nacional de São Ca los é uma casa de espe áculos de o e e e ência
sociocul u al. Es a ins i uição de g ande alo his ó ico, social e pa imonial de ele ada
impo ância simbólica e ma e ial cons i ui-se, desde semp e, em um ele an e ins umen o
po encializado de p á icas cul u ais, em especial aquelas elacionadas à cul u a e udi a.
A es e p opósi o leia-se, en e ou os, Bene ides (1883), Ca alho (1993), Masca enhas-
Ma eus e Va gas (2014), bem como Mo eau (1999) que des acam a impo ância a qui e ónica
e ima e ial do TNSC, assim como sua ele ância como espaço sociopolí ico, cuja his ó ia se
con unde com a p óp ia e olução empo al nacional desde sua undação a é nossos dias.
O e e ido espaço de cul u a e udi a, o igina iamen e e igido pa a a encenação do ea o
musical, é uma edi icação com um conjun o de ca ac e ís icas neoclássicas e com um concei o
a qui e ónico e i icá el em p oje os simila es de ea os “à i aliana”. Localizado em um sí io
adicional da cidade de Lisboa e in eg ado, desde o início, no imaginá io indi idual e cole i o
ci adino. O Tea o com mais de duzen os anos de exis ência é, segu amen e, pa e in eg an e e
undamen al da ida social, polí ica e cul u al. Tendo sido, po ou o lado, classi icado como
Imó el de In e esse Público a a és do Dec e o nº15.962, DE, I Sé ie, nº214, de 17 de se emb o
de 1928 e eclassi icado como Monumen o Nacional a a és do Dec e o nº2/96, DR, I Sé ie-B,
nº56, de 06 de ma ço de 1996.
Concebido como sala de espe áculos ope ís icos, o Tea o oi edi icado apidamen e. A
cons ução oi le ada a cabo pelo a qui e o José da Cos a e Sil a (1747-1819) e du ou um
semes e, endo sido inaugu ado a 30 de junho de 1793 (BENEVIDES, 1883). Tal p oje o, de
aco do com Ca alho (1993), su giu, em ce a medida, de uma necessidade impe iosa de classe
da bu guesia ascenden e, onde seu obje i o oi cons ui um espaço de in eg ação social,
no adamen e, nas es e as de in luência do pode de Es ado; pa a an o um g upo sele o de
capi alis as oi esponsá el pela elabo ação do p oje o de edi icação da casa ope ís ica, assim
como, o inanciamen o das ob as. Tal p ocedimen o se coaduna ia com um discu so
con incen e do a endimen o à necessidade cul u al da exis ência no país de um g ande ea o
de ópe as que cump isse um papel socioeduca i o undamen al.
Segundo a pe ceção de Mo eau (1999), o Tea o oi idealizado e pa ocinado jun o a
mona quia e ao g upo de capi alis as pelo en ão In enden e Ge al de Polícia Diogo Inácio de
Pina Manique (1733-1805) em azão di e a da solução de p oblemas de inanciamen o da Real
Casa Pia de Lisboa. Ve i ica-se, assim, em conco dância com es e en endimen o, que a
40
p omoção e a ideia da cons ução não pe ence iam aquele g upo de al os negocian es lisboe as,
sendo os mesmos apenas inanciado es do capi al necessá io à consecução do p oje o, pois nes a
época ainda não exis iam em Po ugal es abelecimen os bancá ios em uncionamen o pa a an o
(CARNEIRO, 2014).
De ac o, as e sões do p ocesso de conceção e cons ução do TNSC que se e i icam
nes as duas isões his ó icas, com os seus múl iplos desdob amen os polí icos e sociais,
no adamen e aqueles e e en es ao es abelecimen o do en endimen o de que o ea o ep esen a
uma ins i uição, de ce o modo, eli is a, não le am em conside ação a ci cuns ância conc e a de
que o ea o enquan o espaço de impo an es p á icas cul u ais desen ol idas em oda sua
his ó ia oi e con inua sendo uma e amen a impo an e de di usão da cul u a uni e sal e de
alo ização simbólica pa imoniais pa a o conjun o da sociedade. Ci cuns ância his o icamen e
e i icá el quando a pa i do úl imo decénio do século XIX ao ap esen a -se, segundo Ca alho
(1993), pela p imei a ez no palco do São Ca los, as ob as ope ís icas de Richa d Wagne
(1813-1883), acon eceu uma g ande epe cussão e impac o sociais de ais e en os, obse ando-
se nes e momen o que a discussão poli ico-cul u al sob e o conjun o da ob a do au o alemão
se ma e ializou a a és de oda a imp ensa, inclusi e em ce os pe iódicos ep esen a i os da
classe abalhado a; deno ando o alcance simbólico das p á icas cul u ais desen ol idas pelo
TNSC.
Pe cebe-se, po ou o lado, que o TNSC man e e, de ce a manei a, a a és de séculos
de exis ência, idelidade à sua conceção ma e ial e ima e ial o iginal. De ac o, segundo Mo ei a
(2019), o São Ca los “[…] é um ea o que…, digamos, que es á pa a além das modas […]”
(in o mação e bal)
1
, cuja o ça cul u al e le e-se no seu o e apelo social e al a capacidade
adap a i a dian e das inescapá eis mudanças conjun u ais ge adas pela dinâmica da his ó ia.
De ac o, é no ó ia a capacidade adap a i a ou de a ualização des e monumen o às
exigências ma e iais e ima e iais su gidas du an e seu longo pe cu so his ó ico. A es as
qualidades se associam ou as de não menos alo : a impo an e ap idão de manu enção de seus
o es alo es simbólicos adicionais. Nes e sen ido an o a edi icação se ecen is a es á
de idamen e p ese ada, como ambém, a i alidade do ea o enquan o ele an e sala de
espe áculos da cul u a cul i ada (CARNEIRO, 2014; MASCARENHAS-MATEUS, 2014).
1
In o mação concedida pelo S . D . Ped o Mo ei a em en e is a oco ida na Rua I one Sil a, 6, 8º, D º, Ed. A cis,
Lisboa, em 25 ou . 2019. En e is ado : Klinge da Sil a. A qui o .mp3 (25m30s). A en e is a na ín eg a
encon a-se ansc i a no apêndice A des a disse ação. No i ica-se aqui que na ausência de uma eg a de alhada
(segundo a no ma de es ilo ABNT) sob e es e ipo de ci ação, ado a-se es e pad ão pa a odo o co po do ex o.
U ilizando-se a no i icação de odapé em unção do p imei o apa ecimen o no ex o de in o mação e bal de
de e minado en e is ado.
47
pa imonial. O Tea o desen ol eu com o empo um p ocesso me amó ico, cuja mudança
dinâmica e a ualizado a do seu pa imónio ma e ial ambém é condicionada pelas p á icas
cul u ais oco idas du an e os dois séculos de ida do mesmo. É e iden e, po an o, como o
simbolismo his ó ico-social-polí ico e cul u al mani es ados a a és dos á ios e di e si icados
e en os que i e am luga nes a eminen e casa de espe áculos, in luencia am di e a ou
indi e amen e o conjun o pa imonial, con ibuindo pa a a e olução de suas unções a ís icas e
alo ização simbólica.
4.2 Pa imónio ima e ial
O Tea o Nacional de São Ca los, além de se um pa imónio a qui e ónico impo an e
possui ambém a ca ac e ís ica, não menos essencial, de omen a a i idades lúdico-educa i as
pe encen es ao cânon da cul u a e udi a. Nes e sen ido, segundo Ne y (2020), “O Tea o São
Ca los é um pa imónio duplo”; e “[…], po an o, é o ea o que em si mesmo é um pa imónio
edi icado impo an e. Pois é mesmo luga de c iação de pa imónio ima e ial pe manen e […]”
(NERY, 2020).
De ac o, as a i idades cul u ais do Tea o no deco e de oda a sua his ó ia engloba am
e ainda en ol em mui as o mas de exp essão, apesa da missão p imei a da e e ida ins i uição
se o desen ol imen o de ealizações no campo do d ama musical. Nes e sen ido o TNSC é um
espaço p i ilegiado pa a a conceção de p á icas e exp essões cul u ais que ão além de sua
missão o iginal.
Pe cebe-se, dessa o ma, que o alo pa imonial ima e ial ep esen ado po dois séculos
de a i idades cul u ais é inigualá el. Não só pela mani es ação cul u al em si mesma, mas
undamen almen e pelo impac o causado no imaginá io social na pe spe i a da cons ução
iden i á ia cole i a e da manu enção de alo es adicionais e uni e sais (BARRANHA, 2016).
In e e-se que ais p á icas cul u ais são pa es in eg an es e indissociá eis da ida do
Tea o; seguem a adição cul u al da casa de espe áculos e se eno am ou a ualizam-se com o
passa do empo. De ac o, gua dam em si mesmas um alo cul u al em que a sociedade se
econhece. A es e espei o, mesmo que só uma pa cela da sociedade possa usu ui plenamen e
de de e minados e en os que oco em no TNSC, o simbolismo ad indo des as a i idades
impac ua imensamen e o imaginá io de oda a sociedade. In e e-se, assim, que nes a dimensão
pa imonial da casa de ópe as a «iden idade e memó ia cole i as» se encon am e se ealizam.
48
Es a o dem de ideias es á em con o midade com a conceção de pa imónio cul u al es abelecida
pela Lei 107/2001 de 8 de se emb o, a igo 2º que diz que:
[…] in eg am o pa imónio cul u al as ealidades que, endo ou não supo e
em coisas mó eis ou imó eis, ep esen em es emunhos e nog á icos ou
an opológicos com alo de ci ilização ou de cul u a com signi icado pa a a
iden idade e memó ia colec i as. […] (LEI 107/2001, 08 se ., a .º 2º-
PORTUGAL apud BARRANHA, 2016, p.33).
No a-se, po ou o lado, que além das p á icas ep esen adas pelos espe áculos de can o
lí ico com odos os a o es de sociabilidade e o mas de exp essão cole i as que oco em
ge almen e nes e ipo de exe cício cul u al, exis iam e ainda exis em ou as o mas de a i idades
cul u ais que se ealizam no Tea o, ais como: conce os sin ônicos, danças, espe áculos de
magia, classes de esg ima, sa ais poé icos, a i idades de ginás ica, e en os ca na alescos, en e
ou os, que compõem um conjun o de ações cul u ais do ea o com o e alo ização simbólica
pa a a sociedade (BENEVIDES, 1883; CARVALHO, 1993; MOREAU, 1999).
O Tea o é, segundo essa o dem de ideias, palco de acon ecimen os a ís icos e sociais
que con i mam aços cul u ais da sociedade. Espaço cuja con i ência social de uma eli e
cul u al di ou modismos que in luencia am a cole i idade, a a és das p á icas cul u ais ali
exe cidas (CARVALHO,1993; BENEVIDES, 1883). Tan o no passado quan o no p esen e es e
apelo simbólico do Tea o se cons i ui em um a o sociocul u al de g ande ele ância.
Ve i ica-se, dessa manei a, que o Tea o a a és do conjun o de suas a i idades cul u ais
é po enciamen e, segundo Ba anha (2016), um condu o ou meio de ansmissão de alo es
comuni á ios e simbólicos indos de ou o a que con ibuem pa a a es u u ação do a ual a anjo
social, independen emen e da casa de espe áculos em úl ima análise se dedica ao can o lí ico.
Tal espaço da cul u a e udi a, po meio de suas p á icas explici adas sob di e sas o mas
de ep odução, sejam elas indoo s ou ou doo s, a ins ou não-a ins, mani es a e/ou e ela o
acúmulo de expe iências sociocul u ais, ap idões écnicas e a ís icas a a és das quais o
conjun o da sociedade o comp eende como algo alioso que lhe pe ence e iden i ica.
Pe cebe-se que o ma e ial e o ima e ial ep esen am dimensões do pa imónio que não
se dissociam e que, conjun amen e, in luenciam e são in luenciados pelas p á icas cul u ais que
se desen olam no Tea o e a pa i do Tea o. A es e p opósi o, emos o exemplo da unidade
dimensional e e ida acima no ocan e ao e o da casa de ópe as. Em que ao longo do empo
man e e-se sua es u u a o iginal com poucas modi icações. Re ela-se assim que o conjun o
complexo de p ocedimen os écnicos u ilizados em sua cons ução ambém ep esen a um alo
pa imonial ima e ial impo an e (MASCARENHAS-MATEUS, 2014).
49
Po an o, de aco do com essas ideias acima elencadas, a dimensão ima e ial do TNSC
ep esen a um es emunho i o da cul u a e da sociedade po uguesa. O TNSC é pe cebido pelo
conjun o social como algo seu, como um bem inaliená el de sua cul u a. Um pa imónio a se
p ese ado em suas á ias dimensões; seja ela elacionada mais di e amen e ao seu aspe o
monumen al, seja elacionada ao lado simbólico ou ima e ial.
50
5 PATRIMÓNIO E PRÁTICAS CULTURAIS
O pa imónio ep esen ado pelo TNSC, em suas duas dimensões, se ees u u a
cons an emen e em consonância com as no as o ien ações a qui e ónicas de conse ação e
es au o, como ambém em unção dos mé odos con empo âneos de ep esen ação da a e lí ica
e das a i idades cul u ais que lhes são associadas. Tal p ocesso de adap ação à a ualidade se dá
sem a pe da de seus alo es ma e iais e ima e iais adicionais he dados do passado.
De ac o, como oi e e ido acima, es a eno ação e/ou a ualização bidimensional
oco e, de ce o modo, em unção das p á icas cul u ais exe cidas e da necessidade de
p ese ação/conse ação. Coloca em conco dância es es dois aspe os mode nizado es, é uma
impo an e a e a, singula e desa iado a, pa a que o Tea o man enha i a sua missão como
casa de ópe as e se adeque ao empo p esen e sem pe de sua monumen alidade e o iginalidade
(VARGAS, 2014). Cons a a-se que, segundo Ne y (2020):
[…] é no momen o que acon ece o espe áculo que a missão do ea o se
cump i, não é?!E, po an o, nesse sen ido, é uma peça de pa imónio edi icado,
pa imónio ma e ial que iabiliza o acesso ao pa imónio ima e ial. Mas, po
ou o lado, ambém podemos dize , exa amen e no sen ido opos o. Ou seja,
a a és dessa a i idade cons an e de p o eção do pa imónio ima e ial nós
ambém es amos a p ese a e a da sen ido ao pa imónio ma e ial que é o
p óp io edi ício […].
De ac o, exis i ia uma in e ação pe manen e en e os aspe os ma e ial e ima e ial, numa
dinâmica de in luência ecíp oca. Tal ac o explica ia, em ce a medida, a al a capacidade do
Tea o em man e -se eo ganizado e em pleno uncionamen o a a és de sua a i idade cul u al
com o co e dos anos.
O Tea o Nacional de São Ca los, desde sua inaugu ação, passou po cons an es
a ualizações, no adamen e em elação a dimensão ísica. Aqui, além dos equen es epa os de
meno mon a, oco e am ês g andes ações e o mado as em sua his ó ia, em: 1906-1908,
1934-1940 e 1992-1993 (MOREAU, 1999; VARGAS, 2014). Es as e o mas es u u ais
impo an es conse a am em sua essência ês pa es do Tea o: a sala de espe áculos, a
“ achada neoclássica” e a “maquina ia de cena”. Apesa de e em sido ei as mudanças isando
uma melho adequação e uncionalidade de pelo menos dois desses domínios, salien a-se que
na achada p incipal não hou e p a icamen e nenhuma al e ação signi ica i a. As maio es
in e enções no conjun o a qui e ónico o am ei as nas dependências de ele ado con a o en e
as pessoas, no adamen e: a en ada p incipal e o oye , o salão nob e e os acessos à sala p incipal
51
e cama o es (CARVALHO, 2014) e consequen e conse ação da achada p incipal; Fidalgo
(2014, p. 234) a i ma:
[…], o a qui e o e á sen ido a necessidade de desenha uma achada com
elemen os que con as assem en e si como modo de alo iza um alçado
p incipal o ien ado a no e. Op ou po da a amen os dis in os aos di e en es
ní eis e co pos da achada […], explo ando as elações de um conjun o de
linhas eais ou imaginá ias p oduzidas pela mudança de planos, co es e
ex u as, de modo a eduzi a mono onia isual e aumen a o in e esse da
composição.
Pe cebe-se, de aco do com o expos o acima, que no pa imónio c iado e ec iado
con inuamen e os ambien es são ees u u ados de manei a mais du adou a ou ansi ó ia em
elação com as a i idades cul u ais, exp essi as da dimensão pa imonial ima e ial, que ambém
são adap adas ou mode nizadas. A es e espei o é necessá io e e i -se ao caso do p oscênio ou
palco da Casa de Ópe as que oi eduzido po duas ezes, diminuindo em quase dois me os do
amanho o iginal em unção de um aumen o da capacidade de público. E, ainda, as al e ações
so idas com o passa do empo no salão nob e (o igina iamen e “Salão de O a ó ias”). Onde,
az-se necessá io isa , desen ol e am-se di e en es p á icas cul u ais du an e a his ó ia do
Tea o e que a ualmen e é um espaço exclusi o pa a a i idades de a es pe o ma i as. E quan o
ao ci ado aspe o a qui e ónico, es e ecin o so eu in e enções em sua es u u a ísica isando
uma ampliação de seu in e io , além de impo an es al e ações nos seus elemen os deco a i os
em con o midade com p a icas cul u ais ali exe cidas e os aspe os uncionais e es é icos do
edi ício como um odo (MOREAU, 1999).
De ac o, o desen ol imen o de e sões a ualizadas do pa imónio é e i icá el em odo
a sua his ó ia e in e e-se que em unção de suas ca ac e ís icas o iginais de ea o «à i aliana»
os espe áculos do can o lí ico ali encenados nos séculos XVIII, XIX e início do século XX
e am, hegemonicamen e, e e enciados pela adição ope á ica de au o es i alianos e anceses
(BENEVIDES, 1883; CARVALHO, 1993). Dessa manei a, segundo Ca alho (1993, p. 112),
mesmo “Os composi o es po ugueses que esc e e am sucessi as ópe as no século XIX
esc e e am-nos exa amen e assim: pa a os can o es i alianos e em língua i aliana”. Fac o es e
que se al e ou na sequência do século XX e início do século XXI.
É necessá io isa que hou e uma e olução nas o mas de encenação do d ama musical,
com mudanças no es ilo ope á ico, al e ações de igu ino, cená ios, iluminação e mesmo o
posicionamen o da cena na sala de espe áculos. Em ce a al u a, o espe áculo saiu do p oscênio
e e e sua ação d amá ica desen ol ida em um ablado ixado sob e a pla eia. O público se
52
anspo ou pa a os cama o es e à pa e ex e na do ea o, pa a assis i , a a és de g andes éc ans
a e alogia O Anel do Nibelungo de Richa d Wagne .
No a-se que à semelhança des e ac o, segundo Bene ides (1883), uma p á ica cul u al
que oma a luga no Tea o du an e o século XIX, no adamen e os “bailes de ca na al”,
acon ecia da mesma manei a, ou seja, a ocupação da pla eia com a e i ada das cadei as e
aposição de um ablado sob e o qual o público con idado podia es eja e se socializa . Pe cebe-
se, de aco do com o expos o acima, que segundo G aça (2020):
As a es azem pa e dos nu ien es que um se humano necessi a pa a
mani es a o seu máximo po encial. As a es pe o ma i as, em pa icula ,
po que são pe o ma i as, po que êm um ipo de comunicação que é mui o
pa icula , êm mui a… êm mui a impo ância.
Po possuí em, en e ou as ca ac e ís icas: o en e enimen o, a indagação e a educação,
são exp essão de demandas dos indi íduos e da sociedade em e mos de oca de in o mações
sociais, polí icas e cul u ais e, po isso mesmo, possuem a capacidade ine en e de adequação
con ínua dos modos de sua p odução e usu u o. Tal ap idão é e i icá el, no caso do TNSC,
quando se pe cebe o quan o as a i idades cul u ais se ans o ma am e desen ol e am
mudanças em seu pa imónio.
Nes e sen ido, pa a um melho e adequado desempenho das unções undamen ais do
Tea o se iam necessá ias ce as medidas po encializado as da cena ope ís ica local. Tais
medidas se iam adequadas pa a o desen ol imen o ala gado e mode nizado da p odução de
ópe as no país. Des a o ma, segundo o ela o de Ne y (2020) em en e is a, o TNSC:
[…] é o único ea o de ópe a pe manen e do país, as ou as expe iências de
ep odução de ópe a em Po ugal são episódicas, enquan o que es a é a de um
ea o que dispõe de odos as ca ac e ís icas e odas as condições pa a pode
p oduzi egula men e empo adas de ópe a.
Dessa manei a, seguindo ainda es e encadeamen o de ideias, Ne y (2020), a i ma que o
Tea o: “[…] em que in es i no pa imónio po uguês, em que ap esen a ob as impo an es
da his ó ia da ópe a em Po ugal do passado, em que aze encomendas a composi o es
po ugueses, em que es imula a c iação cons an e de ópe a po uguesa.”
De ac o, pa a que se dê o pleno desen ol imen o e ealização do papel pa imonial
p incipal des e espaço da cul u a e udi a, e i ica-se, de aco do com Ne y (2020), que o Tea o:
“[…] de e ambém es imula a p odução de ópe a con empo ânea em ge al e aze pa ce ias
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com ou os ea os pa a ap esen a no as ópe as, […] p ese a e di ulga o pa imónio do
passado com o olha con empo âneo e p omo e a c iação de no o pa imónio”.
In e e-se, de aco do com essa o dem de ideias, que as ans o mações so idas pelos
bens e alo es pa imoniais obedecem a uma ce a dinâmica dialé ica, onde as ca ac e ís icas
p imo diais do pa imónio (seja ele conc e o ou não) são em seu âmago p ese adas e acon ece,
ao mesmo empo, a a ualização em e sões mais ecen es do mesmo. Mo imen o me amó ico,
cujas o mas ma e iais e ima e iais e oluem num p ocesso g ada i o em con o midade com as
p o undas modi icações cons a adas nas es e as sociais, polí icas, econômicas e cul u ais. Nes e
sen ido, jogam um papel ele an e de e minadas p á icas cul u ais na dinâmica des es ac os,
como pode se pe cebido na o alidade pa imonial do Tea o Nacional de São Ca los; an o em
elação ao seu conjun o a qui e ónico, como ambém, em e e ência aos seus alo es a ís ico-
cul u ais. De ac o, es as dimensões quando in e agem ans o mam-se ecip ocamen e e, ao
mesmo empo, so em o impac o de a o es ex e nos em suas di e sas o mas, ad indos da
sociedade como um odo.
Po an o, a a ualização con ínua do pa imónio é um o e a o de p ese ação e de
econhecimen o po pa e da sociedade de seu alo cul u al, social e his ó ico. Es a adequação
ao empo p esen e az consigo p incípios uni e sais e comuni á ios ad indos do passado,
ansmi idos indi idual e cole i amen e e pelas ins i uições; undamen ais pa a se comp eende
a con empo aneidade em seus múl iplos aspe os e cons ui de manei a e e i a e asse i a
pon es pa a um u u o melho da humanidade.
5.1 Valo ização simbólica
O Tea o Nacional de São Ca los ep esen a uma ins i uição cul u al ele an e na
di eção do pleno desen ol imen o das capacidades indi iduais e cole i as. Nes e sen ido,
assume um papel essencial na disseminação de alo es uni e sais à sociedade po meio de
p á icas ec ea i as-educa i as e e enciadas no epe ó io e udi o do passado e do p esen e.
De ac o, o ea o em suas di e sas p á icas con ibui signi ica i amen e pa a o p ocesso
ag ega i o do odo social; is o que a sociedade con empo ânea é ma cada p o undamen e pela
c escen e a omização e/ou agmen ação da in eg alidade do ecido social e pelo consumismo
cul u al. A es e espei o Cen eno (2010, p.6-7) sublinha que: “O ciclo cul u al passou a obedece
a uma lógica de luc o, de e minado pela p essão c escen e da necessidade de expandi o
consumo e a consequência ine i á el pa ece se a deg adação da qualidade dos bens cul u ais.”
54
Pe cebe-se, dessa o ma, que um possí el an ído o à p og essi a me can ilização de
bens e alo es cul u ais inaugu ada com o ad en o da indús ia cul u al e consolidada na pós-
mode nidade se ia a “ ep odução simbólica”, po ado a de um sen ido di e so à lógica de
me cado pau ada pela “p odução e ep odução de bens e se iços” (CENTENO, 2010). No a-
se, segundo Bou dieu (1989, p.9), que “O pode simbólico é um pode de cons ução da
ealidade que ende a es abelece uma o dem gnosiológica: o sen ido imedia o do mundo (e em
pa icula do mundo social) […]”. De ac o, es a dinâmica al e na i a ao consumo cul u al de
massa, po ado do ebaixamen o da capacidade c í ica e das po encialidades ino ado as e
c ia i as dos indi íduos é possibili ado a do pleno melho amen o e paula ino desen ol imen o
do conjun o social (CENTENO, 2010).
Comp eende-se, ao segui es a o dem de ideias, que de e minadas o mas de ealização
cul u al são p opiciado as po excelência do ap o undamen o do diálogo en e os indi íduos,
do es ei amen o de ínculos sociais, do aumen o da massa c í ica da sociedade como um odo.
Nes e caso, ce as ins i uições ou o ganizações cul u ais po ado as de adições e da memó ia
cole i a possuem um papel imp escindí el pa a a a ual e pa a as u u as ge ações ao e e i a em
p á icas cul u ais ans o mado as. Dessa manei a, uma ins i uição que p omo a os p incipais
alo es da cul u a uni e sal e p opicie a di usão ala gada da cul u a e udi a, é um elemen o
undamen al na c iação de possibilidades al issa ei as pa a o u u o e na ag egação de alo
simbólico à sociedade con empo ânea (CENTENO, 2010).
De ac o, é nesse campo de dispu a cul u al que se si ua o TNSC, a a és de suas p á icas
cul u ais. A i idades que sob odas as suas o mas e modalidades são impo an es e e icazes
pa a a in eg ação sociocul u al. Aqui, pode-se dize , que an o uma p á ica di e amen e ligada
à missão p incipal do ea o (ap esen ação de espe áculos do d ama musical, conce os
sin ónicos, e c.), quan o uma a i idade complemen a , mas não menos impo an e, como é o
caso de isi as guiadas ao conjun o pa imonial edi icado, são igualmen e undamen ais pa a a
sociedade. Dessa o ma, p á icas ealizadas no espaço in e no do ea o e ambém aquelas
e e i adas ex amu os, a exemplo do Fes i al ao La go e de ou as a i idades ei as em pa ce ia
com ins i uições congêne es na o mação a ís ica e p odução/ap esen ação de espe áculos, são
ações mais do que pe inen es na pe spe i a de uma ep odução sociocul u al posi i a.
Obse a-se que du an e oda a sua his ó ia o São Ca los colocou em p á ica um conjun o
de meios de alo ização cul u al po meio de sua p óp ia missão enquan o espaço dedicado à
cul u a ope ís ica. Pe cebe-se, que o exe cício de múl iplas a i idades di e a ou indi e amen e
elacionadas à p odução lí ica semp e omou luga no âmbi o de sua a uação. Fac o e i icá el
55
his o icamen e desde sua o igem a é hoje numa con ínua e cons an e a ualização das es a égias
desen ol idas pa a a consecução de seus obje i os. A es e espei o Mo ei a (2019) ela a que:
“[…] o Fes i al ao La go não oi uma inicia i a, digamos, descon ex ualizada. Is o obedeceu a
uma es a égia o malizada que e e á ias a i idades, á ias inicia i as. Uma das quais oi essa
da democ a ização do acesso à cul u a.”
De ac o, de aco do com Habe mas (1981), um dos undamen os que po encializam a
melho ia da ida em sociedade é o ala gamen o ao máximo do núme o de pessoas que de em
e acesso aos bens e alo es cul u ais ep esen ados pela cul u a cul i ada. Na medida em que
o acesso à cul u a uni e sal deixa de se exclusi idade pa a alguns especialis as e alcança a
maio ia das pessoas, a eceção da cul u a ansmi ida desde o passado a é a con empo aneidade
con ibui pa a a e lexão indi idual e cole i a, além da alo ização da ida. Nes e con ex o, ao
longo dos anos, desen ol e am-se o mas de ap oximação do Tea o ao g ande público, apesa
da necessidade ainda p esen e da c iação e ap o undamen o de es a égias que in ensi iquem a
ampliação do acesso mudando a imagem de casa de espe áculos, es i a a poucos p i ilegiados
conhecedo es da cul u a de ópe a. De ac o, um exemplo a es e espei o oi a conc e ização no
ano de 2007 com o P og ama de Jo ens In é p e es, no âmbi o do p oje o do Es údio de Ópe a,
lide ado po And é Helle -Lopes. E, po meio de en e is a esc i a Helle -Lopes (2020) no i ica:
[…] ealizá amos eci ais, aulas-magnas, p epa ação desses a is as e c. As
es a égias de ala gamen o de público e am pa e de um odo. […]
ealizá amos di e sas a i idades que isa am p epa a os jo ens a is as
(can o es, igu inis a, cenóg a a, maes o, e c.) pa a a ida p o issional.
Dessa o ma, segundo Ca alho (2020), al p oje o acabou “[…] pe mi indo ao mesmo
empo ab i no os públicos e, po ou o lado, ga an i emp ego a ís ico a jo ens can o es que
de ou o modo não e iam ou a opo unidade.” E, po ou o lado, se ia necessá io ap o unda
inicia i as como a e e ida acima, como po exemplo desen ol e uma polí ica bilhe ei a o e
que p opiciasse maio es condições de acesso; nessa di eção Ne y (2020) a i ma que:
[…] em que ha e um in es imen o adicional do Es ado que pe mi a ala ga
o núme o de espe áculos e o núme o de éci as po cada p odução. Não que
dize que isso po si só pe mi e abaixa mui o o cus o dos acessos, mas pelo
menos pe mi e ala ga o núme o de bilhe es disponí eis pa a cada espe áculo
.
In e e-se, assim, que ais medidas conco em pa a o o alecimen o do ea o no
imaginá io popula , não só po meio da omada de consciência de sua impo ância his ó ica e
social, como ambém a a és do aumen o da iden i icação cul u al da sociedade com a casa de
ópe a. Pois, segundo Conde (2010, p. 124), “[…] a iabilidade cí ica das pedagogias a ís icas
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não se limi a a pedagogias uncionais pa a o ma um me cado”. En ende-se que a e e i ação
de uma sabedo ia a pa i de ais “pedagogias a ís icas”, p opiciado as da ação pessoal e
comuni á ia é on e de empode amen o de cidadãos escla ecidos e esponsá eis (CONDE,
2010). Tal ac o, além de se um elemen o es u u an e do conjun o social, p omo e a p óp ia
manu enção e conse ação dos bens e alo es pa imoniais ep esen ados pela ins i uição em
suas á ias dimensões.
No a-se, po ou o lado, que além do aspe o ma e ial e e en e ao pa imónio edi icado
com seu signi icado simbólico, jun a-se a não menos impo an e e e ência sociocul u al
consubs anciada pela dimensão pa imonial ima e ial. Es es aspe os pa imoniais con ibuem
como signi ica i os a o es pa a iden idade comuni á ia e incen i am o c escimen o pessoal de
o ma ec ea i a e educa i a.
De ac o, o pa imónio ep esen ado po ins i uições cul u ais como o Tea o Nacional
de São Ca los pode se um cul i ado do diálogo na pa ilha de conhecimen o cons i uída a
pa i do exe cício cul u al. Sendo es a in e ação dialogal p omo o a da ele ação de ní eis de
acionalidade compa í eis com a solução de ques ões ligadas às o mas de o ganização social.
Conduzindo a sociedade e os indi íduos a pa ama es supe io es de ci ilidade, jus iça social e
des inculação da ida humana da lógica de me cado p esen e em odos as es e as das elações
sociais (CENTENO, 2010).
Nessa medida, sen e-se necessá io que as o ganizações cul u ais enham como uma de
suas p incipais me as o ap o undamen o da inse ção democ á ica de no os públicos na sua
es e a de a uação. Tal p ocedimen o, sendo exi oso, e ia desdob amen os a o á eis an o no
o alecimen o ins i ucional, pois a sociedade passa ia a alo iza e se iden i ica imensamen e
com a ins i uição p o egendo-a das c ises que po en u a a ameaçassem; quan o, segundo
Cen eno (2010), no desen ol imen o da ci ada ep odução sociocul u al con á ia à ep odução
me can il dos bens da ida. A es e p opósi o G aça (2020), no i ica:
[…] nós quando pensamos es as g andes ins i uições não in e essa quão
g andioso é aquilo que se az den o de po as se não i e a simpa ia do
público. Ou seja, aquilo que legi ima a exis ência de ins i uições des a
na u eza é a sua elação com o público. E quan o mais o e o essa elação e
essa cumplicidade com o público mais p obabilidade emos de que es as
ins i uições se o nem cada ez melho es.
A alo ização simbólica le ada a cabo pelo Tea o Nacional de São Ca los po sua dupla
dimensão pa imonial, a a és do desen ol imen o de suas p á icas cul u ais, az como
consequência a ea i mação de alo es sociocul u ais in eg ado es do ecido social, bem como
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Obse a-se, conside ando as duas empo adas acima desc i as que exis e um p ocesso
de abe u a g adual do Tea o a no os públicos e maio ocupação dos espaços nob es do Tea o
pa a além da sala p incipal. Ampliando, assim, o acesso e, po ou o lado, p ese ando-se a
ca ac e ís ica essencial do Tea o que é a ealização de espe áculos lí icos. Es a es a égia le ou
ambém em con a o con ex o económico- inancei o. Pois os espe áculos ope á icos êm um al o
cus o pa a sua p odução/ ealização. E de ido a c escen e es ição o çamen á ia, p ocu ou-se
equilib a a p og amação em e mos de qualidade e em e mos do núme o de espe áculos,
dinamizando-se a u ilização do salão nob e e oye , cujos cus os das a i idades se iam bem
meno es. No a-se, po ou o lado, que a o mação de públicos como os e en os ol ados às
escolas e amílias e e en os g a ui os, no adamen e, aqueles ealizados no Foye do Tea o
oco e am em maio quan idade que aqueles e en os oco idos na sala p incipal.
De ac o, as p á icas cul u ais do Tea o se ans o ma am e di e si ica am. E ao mesmo
empo ex apola am a es ição impos a pelo espaço ísico. A maio ia das a i idades in e nas
passa am, ao longo do empo, a se ealizadas ambém ex e namen e. Tal ac o impac ou
posi i amen e an o o p óp io pa imónio quan o a pe ceção a e i a que a sociedade em pa a
com a ins i uição.
Na e dade, as duas dimensões, in e na e ex e na, e o çam-se e complemen am-se,
le ando ao c escimen o do Tea o na escala de alo es simbólicos. Quan o mais o laço en e a
ins i uição e a sociedade c esce maio se á a sine gia que oco e á en e ambas na di eção do
desen ol imen o sociocul u al.
As a i idades in e nas se man i e am, em ce a medida, de o ma menos in ensa e
di e si icada, obedecendo aos limi es ísicos impos os pelo edi ício a é um de e minado g au
de desen ol imen o obse ado na cul u a e na sociedade. Pe cebe-se que a o ma como as
p á icas cul u ais acon ecem se a ualizam cons an emen e e le indo a e olução cul u al da
p óp ia sociedade.
Tais ans o mações, no caso do São Ca los, não só a e a am o Tea o enquan o conjun o
a qui e ónico bem como as p óp ias a i idades in e nas. Fo am ede inidas as o mas de seu
exe cício e ampliados os espaços de uição. As p á icas in e nas e ex e nas con empo âneas
são de edo as, de ce o modo, des e p ocesso.
Conclui-se, dessa o ma, que apesa de suas especi icidades odas essas a i idades
jogam um papel ímpa no p ocesso dialé ico pa imónio-p á icas cul u ais-pa imónio. C iando
uma ação ine cial ino ado a e c ia i a que a ualiza e alo iza simbolicamen e o conjun o
a iculado des a elação.
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5.3 P á icas cul u ais ex e nas
As a i idades cul u ais ex e nas cump em, a exemplo das p á icas in e nas, uma unção
dinamizado a na elação de in luência mú ua en e as mesmas e o pa imónio. No en an o, ais
exe cícios cul u ais possuem ca ac e ís icas di e en es em alguns aspe os. As p á icas ex e nas
ealizam-se, ge almen e, a a és de pa ce ias com ou as ins i uições cul u ais e podem alcança
públicos não habi uados ao usu u o da cul u a cul i ada, além de ul apassa on ei as
geog á icas nacionais e in e nacionais.
As p á icas ex e nas le am o nome do Tea o, com udo o que ele ep esen a em e mos
pa imoniais e sociocul u ais, pa a um público ala gado; cump indo um papel pedagógico e de
laze de longo alcance. Ul apassando os limi es ísicos a que as p á icas in e nas, de ce a
o ma, es ão inse idas. Elas, po ou o lado, man êm no essencial os o ma os de ealização dos
espe áculos in e nos, po ém com as adap ações necessá ias ao ambien e em que se e e uam.
Cada ap esen ação é única. Tan o em e mos de ealização/p odução, quan o em e mos de
eceção pela comunidade. De ac o, essas a i idades alo izam imensamen e a ins i uição,
como ambém aumen am os ní eis de assimilação de alo es cul u ais e pa imoniais po pa e
do g ande público.
No Quad o 2, a segui , elencamos as p incipais a i idades ex e nas do TNSC:
Quad o 2- P á icas Cul u ais Ex e nas
(*) Fes i al ao La go (FAL).
(**) Realizada pelos Es údios Vic o Có don (EVC).
Fon e: TNSC/OPART, 2020
Au o ia do Quad o: Klinge da Sil a, 2020.
Di igi -se ao mundo ex e no implica, de ce a manei a, em sai de um cí culo de
i ências, imaginação, ep esen ação, opinião, en e ou os, es i o e ampli ica as capacidades
de mudança ime sas em um es ado ine cial p opo cionado po uma possí el zona de con o o,
ATIVIDADES
1. Conce o Co al
2. Conce o Co al-Sin ónico
3. Conce o Sin ónico
4. Con a uma Ópe a
5. Co os de Ópe a
6. Ensaio Ge al Abe o de Ópe a
7. Exposição
8. Fes i al*
9. Fo mação A ís ica**
10. Ópe a
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adqui ida com o passa dos anos, a a és de uma audiência ca i a e pouco eno á el. Nes es
e mos as p á icas cul u ais ex e nas con ibuem mui o pa a a eno ação dos públicos,
susci ando um maio deba e social sob e a cul u a de uma o ma ge al e o papel das g andes
ins i uições cul u ais pa a o desen ol imen o dos indi íduos e da sociedade como um odo.
Sob e es e aspe o, G aça (2020), a i ma que “As g andes ideias de ans o mação que acabam
po ans o ma aquilo que é o ins i ucional em semp e de o a ou quase semp e de o a”.
Em 2007 o TNSC ealizou um o al de 4 espe áculos. Sendo 2 ope á icos e 2 sin ónicos
(sem con abiliza as dig essões do Co o e da OSP). Nes a empo ada ap esen ou-se a ópe a
L’elisi d’amo e de Gae ano Donize i (1797-1848). Uma p odução p óp ia do TNSC. Tal
ap esen ação lí ica oco eu no Tea o Micaelense em São Miguel. Aqui ambém é p edominan e
a ópe a de o igem i aliana, especialidade do São Ca los. Quan o aos espe áculos sin ónicos,
um deles oi ealizado em pa ce ia com o Cen o Cul u al de Belém e o ou o com o Tea o
Micaelense.
As a i idades obse adas o a do pad ão de ca ego ização i e am um o al de 12
espe áculos. O Conce o Co al De Viena à B odway com 5 espe áculos; 2 ealizados no Tea o
Municipal de Almada; 1 no Tea o Micaelense; ou o no Rec eios de Amado a e o úl imo no
Audi ó io da Rei o ia da Uni e sidade No a de Lisboa. Oco e am, ainda, 2 exposições no
Tea o Micaelense: Como se az uma Ópe a? e Cená ios de Ópe a. Além disso, a a i idade
Con a uma Ópe a e e 2 ap esen ações com o í ulo B e es Pala as, oco idas ambém no
Tea o Micaelense. E po úl imo, no ea o ci ado an e io men e, o Ensaio Ge al Abe o de
Ópe a L’elisi d’amo e, com 1 ap esen ação de Co o de Ópe a ealizado no Audi ó io da
Rei o ia da Uni e sidade No a de Lisboa. No a-se, e iden emen e, a p edominância da pa ce ia
com o Tea o Micaelense e a g ande a iedade de a i idades pa a além dos espe áculos
ope á icos e sin ónicos. Is o, possi elmen e, sendo deco en e das di iculdades écnicas e de
cus os ela i os à p odução e ealização dos espe áculos e e idos em ou os espaços que não
aqueles es u u ados de idamen e pa a al im.
Na empo ada de 2017, oco e am no o al 13 espe áculos, ha endo mais de 3 ezes
ap esen ações do que em 2007. Um c escimen o de 100% no núme o de a i idades ope á icas.
Quan o ao núme o de a i idades sin ónicas passa am de 2 pa a 9. En e os espe áculos lí icos,
des aca-se: T is ão e Isolda e Richa d Wagne , oco ido po duas ezes no Cen o Cul u al de
Belém; Tu ando de Giacomo Puccini (1858-1924), com uma ap esen ação no Coliseu de
Lisboa e ou a no Coliseu do Po o. Já os espe áculos sin ónicos, oco e am 9 em pa ce ia com
o Cen o Cul u al de Belém. Des es, dois den o do p oje o educa i o e de o mação de público
66
des inado às amílias. Des aca-se aqui, a p edominância da pa ce ia en e o Tea o Nacional de
São Ca los e o Cen o Cul u al de Belém. Associação es a que ouxe bene ícios pa a ambas
ins i uições. A es e espei o, em en e is a, Hon ado (2019) no i ica,
[…] esses g andes composi o es sin ónicos es ão ligados à g andes olumes...,
digamos, acús icos, só podem se ei os aqui no CCB, e po an o, nós emos
ido algumas ópe as, po exemplo, lemb o-me do ano passado T is ão e Isolda
de Wagne que oi aqui ei o,...e po an o, há algumas p oduções ope á icas
que ambém em em i ude das condições que o CCB o e ece se em
melho es do que aquelas que o Tea o Nacional de São Ca los o e ece.
Ve i ica-se, po ou o lado, o a da ca ego ização (espe áculos sin ónicos e ope á icos)
a impo ância das dig essões em e i ó io nacional do Co o do São Ca los e da O ques a
Sin ónica Po uguesa no sen ido do o alecimen o simbólico do Tea o jun o à sociedade,
a ingindo públicos mais ala gados. Tais p á icas ex e nas em seu conjun o i e am em 2007 25
espe áculos; enquan o que em 2017 oco e am 7 espe áculos em 6 ea os ou equi alen es po
odo o país.
Den e as p á icas cul u ais ex e nas oco idas em 2017 duas êm especial ele o. A
Fo mação A ís ica le ada a cabo pelos Es údios Vic o Có don e o Fes i al ao La go. Ambas
se si uam como ou lie s do pad ão de ca ego ias u ilizado pa a es a análise. De ac o, os
Es údios Vic o Có don êm ca ac e ís icas p óp ias, bem como o conjun o de espe áculos
desen ol idos pelo Fes i al ao La go. Es as p á icas êm como pa ce ia p incipal a Companhia
Nacional do Bailado. Na e dade, cons i uem um pon o de in e seção en e a CNB e o TNSC
no que se e e e às suas ações cul u ais. Além disso, ins i uições cul u ais o a da u ela do Opa
ambém são pa cei as de ais a i idades. São, assim, possuido as da ma ca de g ande abe u a
à sociedade, le ando ao o alecimen o ins i ucional e pa imonial.
Os Es údios Vic o Có don são um núcleo de c iação que exe ce um papel de o mação
e desen ol imen o a ís ico na á ea da dança e da música. Apesa do penúl imo obje i o se
hegemónico a ualmen e, ambém abalha na ansmissão de conhecimen o à jo ens músicos.
Dessa manei a, eúne o TNSC e a Escola Supe io de Música num p oje o de po encialização
de alen os musicais que são indicados po es as duas ins i uições. Es a expe iência não se limi a
unicamen e ao ap endizado na á ea especí ica da música. Como G aça (2020) explica, “[…] o
in ui o do p og ama é desen ol e o espí i o colabo a i o en e as di e sas á eas das a es
pe o ma i as […]”, aumen ando ao máximo as po encialidades c ia i as indi iduais. Nes e
caso, o Tea o é mui o bene iciado em azão do la go conjun o de especialidades a ís icas que
são necessá ias pa a a ealização de espe áculos lí icos; em especial os aspe os ela i os ao
abalho dos jo ens composi o es. Tal p oje o, c iado em 2017 em, nos úl imos anos,
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desen ol endo aulas de música p o issionalizan es, ensaios do Tea o Nacional de São Ca los,
audições, en e ou os. Uma de suas ca ac e ís icas p incipais é o abalho colabo a i o em ede
en e á ias ins i uições em á ios ní eis e sua o e abe u a democ á ica à sociedade ci il.
Sendo um ca alisado e inc emen ado das po encialidades a ís icas da CNB e do TNSC.
O Fes i al ao La go (FAL) já é uma p á ica cul u al do Tea o Nacional de São Ca los
consolidada e com amplo econhecimen o social, nacional e in e nacional. Com mais de dez
anos de ida ans o mou-se em um e en o agua dado em odos os e ões. Es e e en o em a
capacidade de a ualização de alo es uni e sais e é eno ado , em g ande medida, das p á icas
cul u ais que passam a se ealizadas em um ou o con ex o ísico e pa a ou os públicos. De
ac o, o FAL inaugu ado em 2009 é ep esen a i o como:
[…] ins umen o pode oso que são os es i ais pa a a cons ução de um
sen imen o de pe ença das populações aos locais simbólicos que conhecem e
habi am, numa ac ualização pe manen e, logo con empo ânea do alo
simbólico do espaço u bano (VARGAS, 2012, pp. 117-118).
Pe cebe-se, segundo Ne y (2020), que o FAL “Tem uma unção de di ulgação de
música, essencialmen e, música sin ónica ou co al sin ónica. Ou seja, é complemen a daquilo
que é a unção undamen al do ea o que é a p odução de ópe a”. E de aco do com Mo ei a
(2019): “[…] o São Ca los es a a habi uado a pedi pa a os mesmos ao longo de odos os anos.
E, po an o, a abe u a da casa a no os públicos e e á ias inicia i as. Sendo que,
e en ualmen e, a mais impac an e e á sido o Fes i al ao La go”.
De longe a mais signi ica i a p á ica cul u al ex e na, o FAL ep esen a, em ce a
medida, uma sín ese a ualizado a e alo izado a do pa imónio duplamen e quali icado, em
e mos ma e iais e ima e iais que cons i ui o Tea o Nacional de São Ca los. Possui, po ou o
lado, um o e apelo pa a o conjun o da sociedade no que diz espei o ao exe cício cul u al ao
a -li e, alo izando ao mesmo empo o espaço público como palco impo an e pa a a ida
comuni á ia, nes e sen ido Fazenda (2019), comen a:
[…] é um momen o de e ão, de es i al de e ão que en iquece a cena
a ís ica da cidade no sen ido em que ap esen a um conjun o especí ico de
es u u as associadas ao Opa com uma linguagem clássica ou com uma
linguagem con empo ânea (in o mação e bal)
6
.
6
In o mação concedida pela P o esso a Dou o a Ma ia José Fazenda em en e is a oco ida na Escola Supe io de
Dança, Lisboa, em 6 no . 2019 e 20 no . 2019. En e is ado : Klinge da Sil a. A qui o 1 .mp3 (12m58s).
A qui o 2 .mp3 (12m26s). A en e is a encon a-se ansc i a na ín eg a no apêndice B des a disse ação.
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Reconhece-se que o Fes i al ao La go é palco de múl iplas e a iadas ap esen ações.
Desde espe áculos p o agonizados pela O ques a Sin ónica Po uguesa, como pelo Co o e a
Companhia Nacional do Bailado; além de pa ce ias com ou os ag upamen os a ís icos
nacionais e in e nacionais.
Es abeleceu-se aqui, pa a e ei o de análise, a obse ação ela i a en e o ano de 2009 e
2018. Além de dados complemen a es (Desdob á el do Millennium Fes i al ao La go 2018).
De ac o, em 2009 a quan idade o al de espe áculos se si uou em 14 sessões. Des as des acam-
se a Ópe a Dido e Eneias de Hen y Pu cell com uma única ap esen ação e o conce o Ca mina
Bu ana de Ca l O (1895-1962), com duas sessões. Além des e, oco e am 7 conce os, sendo
dois sin ónicos. Além disso 4 espe áculos de ea o, no adamen e 2 da peça Reci al e Tal ( ex os
sa í icos/seleção de Nuno A u Sil a e Inês Fonseca San os). No a-se, e iden emen e a quase
o alidade de ap esen ações musicais. Quan o as pa ce ias, e i icam-se nes e ano com: o Tea o
Dona Ma ia II; Tea o O icina de Guima ães; P oduções Fic ícias; G upo de Bailados Cano a
Tu ba; Escola de Música do Conse a ó io Nacional; O ques a de Bandolins da Madei a.
Na empo ada de 2018, man e e-se em elação a 2009 o mesmo núme o o al de
espe áculos, ou seja, 14. Es e ano quase 100% das ap esen ações o am musicais. Den e elas:
Ca mina Bu ana; Quin a de Tchaiko sky; Do Rio à B oadway; O ques a Me opoli ana de
Lisboa; Wagne , Bach e S auss; Á ias, Valsas e Canções; Solis as de Lisboa; L.U.M.E; Noi es
Russas. Somen e 3 o am de Dança, p o agonizadas pela Companhia Nacional do Bailado. Já
as pa ce ias o am i madas com o Co o Ju enil de Lisboa; O ques a Me opoli ana de Lisboa;
O ques a do Conse a ó io Regional de A es do Mon ijo e a p óp ia CNB.
Obse a-se que a ca ac e ís ica ele an e do es i al é a sua lexibilidade da
p odução/ ealização de espe áculos e udi os e con empo âneos, no sen ido de uma melho
ap oximação do público em ge al, não habi uado à uição da cul u a cul i ada. T abalhando-
se na pe spe i a da cap ação de no os públicos, do o alecimen o do espaço público como
dimensão sociocul u al impo an e, da democ a ização do acesso, da alo ização simbólica na
di eção da in eg ação social e o alecimen o pa imonial do Tea o. A abe u a do TNSC se dá
dessa manei a em á ias dimensões, den e elas, no aspe o da in e ação e colabo ação
ins i ucional, como ambém indo de encon o à sociedade; o mando uma ede p o e o a e
po encializado a do p óp io equipamen o cul u al e pa imonial.
Dian e do expos o, pe cebe-se que a ansmissão de alo es da cul u a ociden al às no as
ge ações e à sociedade como um odo, po meio de um es i al de música e udi a, pode
signi ica um o e a o de in eg ação e coesão social. E que a ampli icação do acesso à cul u a,
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le ada a cabo pela ex e io ização dos espe áculos, ou melho , pela c iação de uma no a o ma
de ep esen ação a ís ica ao a -li e em al e na i a à adição de uição a es clássicas,
no malmen e ei a em espaços o mais e echados; signi ica uma mudança p o unda de
pe spe i a no desen ol imen o das p á icas cul u ais de uma ins i uição secula e adicional,
como é o caso do Tea o Nacional de São Ca los. No seu conjun o, o Tea o de São Ca los,
enquan o pa imónio nacional símbolo da ansmissão cul u al de eli e e das p á icas cul u ais
adicionais e enquan o ins i uição esponsá el pela ans o mação das p á icas cul u ais, pelo
conjun o des as ações, p ocu a ala ga os seus públicos e consolida dessa o ma a sua
impo ância simbólica.
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6 CONSEQUÊNCIAS DA RELAÇÃO DE INFLUÊNCIA MÚTUA
O inómio Pa imónio Ma e ial - P á icas Cul u ais – Pa imónio Ima e ial ep esen a
um p ocesso dinâmico, singula e au o ans o mado de suas pa es cons i u i as. Es as
dimensões ao se co esponde em ecíp oca e con inuamen e ele am-se em seu conjun o, com
o passa do empo, a pa ama es sucessi os e c escen es de in e ação, a ualização e alo ização.
Mo imen o cíclico que associa a ma e ialidade e a ima e ialidade pa imonial com o exe cício
cul u al. Tal dinamismo é endencialmen e es imulado da quali icação pa imonial e do
ape eiçoamen o das a i idades cul u ais, apesa da oco ência de e en uais e ocessos que po
si sós não se iam capazes de coloca em isco a e olução do pa imónio e suas p á icas
associadas.
Nes e sen ido, o con ex o polí ico-social e cul u al de cada época pode se is o como
um a o de e minan e na elação da sociedade com o pa imónio e suas p á icas, es abelecendo
condicionan es impo an es pa a a in e p e ação dos mesmos, a a és da cons ução de ce as
na a i as sob e a he ança pa imonial que nos oi legada, bem como o seu usu u o lúdico-
educa i o (SILVA, 2014).
O TNSC, po ou o lado, possui uma g ande o ça simbólica a a és de seus dois aspe os
pa imoniais (ma e ial e ima e ial). O monumen o, po si só, possui um exp essi o alo em
e mos sociocul u ais. Rep esen a uma memó ia i a da his ó ia e da cul u a nacional. Cons a a-
se, além disso, um ou o aspe o undamen al que é se palco de exe cícios cul u ais po ado es
de alo es ele an es da cul u a ociden al, no adamen e aqueles e e en es à cul u a e udi a.
Nes e sen ido, não se en ende a cul u a e udi a como mani es ação diame almen e
opos a e supe io ao que é popula em e mos simbólicos. Aqui, en ende-se a cul u a de o ma
não e nocên ica e pola izada en e campos dis in os, opos os e hie a quizados. Em que pa celas
eduzidas da sociedade e iam o di ei o exclusi o e a condição singula de pe cebe e usu ui
os bens e alo es cul u ais supe io es em de imen o da g ande maio ia de meno capi al cul u al
(SANTOS, 1988). Dessa o ma, en ende-se a conceção de um odo cul u al ep esen a i o do
conjun o de á ios se o es que se comunicam en e si, en elaçados simbio icamen e e ao
mesmo empo de o ma an i é ica. Nes a di eção de ideias, as on ei as en e as chamadas
cul u a cul i ada, popula e de massas não se es abelece iam, em e mos concei uais, de o ma
ígida e hie á quica; pa indo-se do en endimen o que a ealidade da cul u a em qualque
sociedade é mui o mais complexa, híb ida e di e si icada do que esquemas concei uais
idealmen e p é-de inidos possam concebe (SANTOS, 1988).
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De ac o, as a i idades cul u ais ealizadas pelo São Ca los em sua longa his ó ia de
ida, e com mais ên ase nos úl imos anos, êm demons ado a sua a iabilidade e di e si icação,
pa a além de espe áculos e e enciados apenas na cul u a e udi a e ol ados pa a poucos. A es e
espei o em-se como exemplo impo an e a u ilização do Tea o como espaço polí ico e de
diplomacia du an e o pe íodo salaza is a. Segundo Ca alho (1993), o Tea o ans o mou-se
numa e dadei a “sala de isi as) do egime, além de e es i -se de uma imagem al amen e
eli is a. I ao São Ca los o nou-se algo exclusi o, o mal e “glamou oso”.
O TNSC e e semp e um acesso condicionado do pon o de is a socioeconómico. Mas
e i ica-se, po exemplo, o desen ol imen o de p á icas cul u ais ca ac e izadas po um apelo
menos exclusi o, p opo cionado as de um aumen o signi ica i o de eceção, com odos os
desdob amen os da cap ação posi i a de maio es e no os públicos e a consequen e alo ação
simbólica e ma e ial do pa imónio. Is o, ob iamen e, sem qualque ipo de pe da da missão
lí ica do Tea o e p ejuízo de seus alo es cul u ais adicionais.
Pe cebe-se a es e espei o que em ases his ó icas di e en es a isão cons i uída sob e
épocas passadas e sua in e p e ação polí ico-cul u al e le ida a pa i da in e p e ação sob e os
bens e os alo es pa imoniais ambém são di e sas. Dessa o ma a conceção pa imonial
desen ol ida e p a icada po mais de qua en a anos de salaza ismo é undamen almen e
di e enciada daquela i enciada an es des e pe íodo e a pa i da abe u a democ á ica oco ida
na segunda me ade dos anos se en a do século XX (SILVA, 2014).
De ac o, no pe íodo di a o ial o Tea o São Ca los, u ilizado pelo egime como um
monumen o enal ecedo da nacionalidade, inha, em ce a medida, a a és de suas p á icas
quase exclusi amen e i enciadas po uma eli e social e polí ica elemen os sociocul u ais
e o çado es da ideologia salaza is a. Segundo Sil a (2014, p.13), es a unção es abelecida pa a
o pa imónio “E a sob e udo a econs ução da his ó ia nacional, no sen ido adequado à
in e p e ação ideológica, à na a i a do Regime”. No pe íodo democ á ico os desdob amen os
sociocul u ais da elação en e pa imónio e p á icas cul u ais elacionados ao Tea o São Ca los
obedecem a uma dinâmica e lógica pau adas po um con ex o sociopolí ico em que a isão ou
na ação sob e o pa imónio são em essência cul u alizadas, dis anciando-se ela i amen e aos
p ecei os polí icos-ideológicos como o azia ão cabalmen e o au o i a ismo (SILVA, 2014).
Ve i ica-se que nes e no o con ex o en ão i ido pela sociedade o São Ca los com suas
a i idades passou a e uma c escen e a ualização simbólica. Conco endo pa a al ac o a
g adual abe u a do Tea o ao conjun o social. Aqui, a ligação dinâmica en e pa imónio e
p á icas oma am um no o impulso, dessa ez na di eção do ala gamen o das audiências, da
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ex e nalização de p á icas in e nas, da mul iplicidade de seu exe cício cul u al. A es e espei o,
de aco do com Sil a (2014), a democ acia ouxe uma no a isão pa imonial, supe ando-se a
o e ca ga ideológica le ada a cabo pelo egime an eceden e e c iou condições pa a o deba e
em sociedade sob e a especialização écnica no a amen o dos bens e alo es pa imoniais, bem
como consolidou a necessidade p emen e de ampli ica socialmen e a sua acessibilidade. É
impo an e isa que es e no o di ecionamen o não se consubs anciou como algo des u i o da
es u u a pa imonial an e io , mas sim como uma e olução posi i a. Desen ol endo-se assim
a a és do pa imónio em suas á ias dimensões uma no a signi icação iden i á ia que pe mi iu,
po exemplo, que uma an iga casa de ópe a secula con inuasse a exe ce um impo an e papel
social in eg ado po meio das a i idades cul u ais que lhes são conce nen es. De ac o, segundo
Ne y (2020) “[…] a unção de um ea o de ópe a é se um espaço de ap esen ação di ulgação
e p ese ação e ques ionamen o do pa imónio ima e ial”.
Figu a 1- T inómio: Pa imónio Ma e ial- P á icas Cul u ais – Pa imónio Ima e ial
Fo os: TNSC.p e Ma celo Albuque que Fo og a ia, 2020.
Au o ia da Figu a: Klinge da Sil a, 2020
Deduzindo-se, de aco do com a igu a 1 acima desc i a, que as p á icas, sejam elas
in e nas ou ex e nas ao Tea o, quando acionadas, c iam um mo imen o e lexo en iquecedo
sob e o p óp io ace o pa imonial que, po sua ez, dinamiza e po encializa aquelas a i idades.
Cons i uem-se de ce o modo ciclos em espi al pa imónio - p á icas cul u ais - pa imónio;
ampli icando a alo izando es as dimensões e e idas. A ualizando públicos já es abilizados,
Pa imónio
Ma e ial P á icas Cul u ais Pa imónio
Ima e ial
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Pe cebe-se, assim, que um ou o exemplo de isão comum, a pa i do ambien e cul u al
i enciado, é aquele e e en e ao desen ol imen o de uma p á ica le ada a cabo nos úl imos
anos pelo São Ca los que é o Fes i al ao La go. Aqui é unânime a a aliação posi i a da sua
conceção e consecução. Chegando-se a conside ação de que al p oje o p opo cionou uma
a o á el ea aliação da imagem do ea o po pa e da sociedade. Nes a di eção, segundo
Mo ei a (2019), o FAL oi uma ação de impac o social cons i u i a de um conjun o de medidas
es a égicas cujo obje i o e a a democ a ização e eno ação de audiências do ea o. E de aco do
com Ne y (2020) es e é um es i al que não subs i ui a missão ope á ica do São Ca los, mas
que assume um papel de complemen a idade à es a unção p incipal além de cump i um g ande
papel no ocan e a u ilidade pública da ins i uição. Segundo Fazenda (2019) es a es i idade
con ibui pa a o enal ecimen o das ins i uições associadas na sua p odução e ealização e
ampli icação de seus espe i os públicos. E, segundo G aça (2020), o FAL po sua impo ância
jun o à sociedade já es á es abelecido na p og amação cul u al anual da cidade e do país.
E, a segui es a o dem de ideias, é possí el cons a a um qua o exemplo de ap eciações
de dimensão cul u al que, em ce a medida, a e am a elação de in luência mú ua en e
pa imónio e p á icas cul u ais. São na e dade escolhas de comunidades a ins ao pa imónio,
pa ilhadas e ansmi idas segundo alo es que es ão além da ec eação e do con en amen o
imedia o. Logo, exis e uma sé ie de e e ências de au o es, a is as e ob as que alem à pena
se em des acadas, pois aqui se encon am, em ce a medida, dimensões pa imoniais ele an es.
No ocan e as a es pe o ma i as, em especial a dança, G aça (2020) e Fazenda (2019),
conside am como au o es/co eóg a os undamen ais pa a o bailado nacional e in e nacional:
Geo ge Balanchine (1904-1983), Ma co Goecke, I ax e Ansa, Igo Baco ich, Alexande
Heckman, além de co eóg a os e baila inos, como: Da id Zamb ano, Mikhail Ba ishniko ,
Anne Te esa Kee maeke , Manuel Leg is, Lyudmila Semenyaka e um alo oso jo em
co eóg a o po uguês au o da e is a Co eia chamado João dos San os Ma ins. Des aca-se,
nes e campo da a e pe o ma i a, os seguin es es i ais: Dias de Dança, Temps D’imagens,
Boca, Alkan a a e Cumplicidades do Po o. Já, segundo Hon ado (2019), numa ou a pe spe i a
pe o ma i a se des acam os es i ais Eu opália do início dos anos no en a, o es i al Encon os
ACARTE dos anos oi en a, Os Dias da Música e La Foulle Jou née. Pa a Hon ado (2019), no
ocan e a cul u a cul i ada são e e enciá eis composi o es da música e udi a, como: Ludwig
Van Bee ho en (1770-1827), Richa d Wagne , Gus a Mahle (1860-1911) e Geo g F ied ich
Händel (1685-1759) com sua g ande ob a O Messias.
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Ve i ica-se, ainda, ou as e e ências como as ei as po Ne y (2020) em e mos de
au o es da música clássica, como: Wol gang Amadeus Moza (1756-1791), Vicenzo Bellini
(1801-1835), Giuseppe Ve di, Richa d Wagne e Johann S auss (1825-1899). Como ambém
o des aque de Ca alho (2020) pa a os au o es Pio Ilich Tchaiko sky (1840-1893) e O o ino
Resphigi (1879-1936) e suas espe i as ob as O Lago dos Cisnes e A Bela Ado mecida. Bem
como o quad o e e encial de Fazenda (2019) e Helle -Lopes (2020) com as ob as e espe i os
au o es: Raymonda de Balanchine e Dido e Eneas de Hen y Pu cell.
De ac o, pe cebe-se que é p incipalmen e no con ex o da cul u a e udi a ociden al que
se encon a uma es e a cul u al pad onizado a de pe ceções, gos os, p e e ências e escolhas,
pe encen es a uma comunidade pa imonial ele an e pa a o en endimen o sob e aspe os que
ca ac e izam ou undamen am o sen ido da elação de in luência mú ua en e o pa imónio em
suas á ias dimensões e as p á icas cul u ais a ele inculadas. Logo, econhece a democ acia
enquan o elemen o essencial pa a a ansmissão e eceção de alo es cul u ais, conside a a
impo ância pa imonial (ma e ial e ima e ial) de uma ins i uição ea al memo á el pe encen e
à sociedade, da ele ância a um exe cício cul u al ans igu ado do imaginá io sob e es a
mesma ins i uição e modi icado do cená io cul u al e a ís ico, demons a uma isão cul u al
comuni á ia a a és de ob as, au o es e a is as elacionadas à a e e udi a, são conside ações
undamen ais pa a a de ida pe ceção do ambien e cul u al no qual se inse e a elação de
in luência mú ua en e pa imónio e a i idades cul u ais
Conclui-se, dessa o ma e de aco do com essa o dem de ideias, que são múl iplas e
di e si icadas as consequências da elação de ecip ocidade en e pa imónio e p á icas
cul u ais. E idenciando-se que es e p ocesso e oluiu com a p óp ia his ó ia do Tea o,
ans o mando-se e ambém ans o mando a ealidade social.
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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nes as conside ações inais p ocu a-se alinha o inal do abalho com os
co esponden es obje i os ge al e especí icos, hipó ese e ques ão no eado a da análise.
Recapi ulando, em b e es linhas, os esul ados alcançados e p ocu ando-se demons a quais
p oposições abo dadas se con i mam e como se a i icam.
O p esen e abalho se es u u a a pa i de uma undamen ação eó ica sob e o
pa imónio, sua e olução em e mos concei uais e ins i ucionais e as p á icas cul u ais, em
especial, a a i idade sazonal que é o es i al, além da análise do concei o de adição.
Ap esen ando-se assim um conjun o pano âmico de ideias que embasam o es udo de caso do
São Ca los. Conside ando-se os di e sos pon os de is a sob e o pa imónio e as p á icas
cul u ais a ele inculadas. Ap esen a-se, dessa o ma, aspe os a ualizado es e alo izado es das
a i idades cul u ais (in e nas e ex e nas) e do Pa imónio (ma e ial e ima e ial). Demons ando-
se como a elação de in luência mú ua en e as duas ci adas dimensões é po encializado a da
ans o mação ins i ucional, pa imonial e do exe cício cul u al.
Nes e sen ido, a gumen a-se que a elação de in luência ecíp oca se dá po meio de um
p ocesso dinâmico singula baseado no inómio pa imónio- p á icas cul u ais- pa imónio. Tal
sis ema se cons i ui em ciclos sucessi os, a pa i do alo simbólico e e i o e o iginal
ep esen ado pelo pa imónio ma e ial (conjun o de bens mó eis e imó eis) do Tea o Nacional
de São Ca los. E que, po meio das a i idades cul u ais in e nas e ex e nas, há uma
ans o mação do p óp io pa imónio na dimensão ima e ial. E, ambém, a gumen a-se que
exis e um mo imen o e lexo e in e a i o, alo izando-se as p óp ias p á icas cul u ais e po
consequência o pa imónio ma e ial.
Ve i ica-se, de aco do com o expos o acima, que a p á ica ou a i idade cul u al mais
ep esen a i a e pa adigmá ica na pe spe i a da alo ização pa imonial do TNSC é o Fes i al
ao La go. O FAL ao ealiza -se p opiciou o o alecimen o do alo simbólico e ma e ial do
Tea o. T ans o mou a imagem es abelecida socialmen e de se o São Ca los um ea o de eli e,
ao agi no sen ido de uma g ande abe u a do Tea o pa a o conjun o da sociedade. Deu uma
no a dimensão pa a o espaço público que se si ua na en ol en e de seu conjun o a qui e ónico,
na di eção de o ná-lo um ambien e de e lexi idade indi idual e cole i a sob e a ida em
sociedade em unção do usu u o lúdico e educa i o de g andes ob as a ís icas e udi as e
con empo âneas da cul u a uni e sal. Além de impac a posi i amen e a cena a ís ica local e
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ou as ins i uições cul u ais. Nes e sen ido, os bens e alo es pa imoniais ep esen ados pelo
TNSC se alo iza am imensamen e.
Conside a-se, po ou o lado, que a acima e e ida e olução p ocessual con ibuiu pa a
as á ias ans o mações e a ualizações so idas an o po pa e do conjun o a qui e ónico e
ou os bens ma e iais do Tea o, quan o ao que se e e e ao pa imónio ima e ial que o mesmo
aba ca; a a és das mui as a ualizações oco idas em seu p óp io exe cício cul u al. Aqui
obse a-se que com o passa dos anos as p á icas cul u ais se amplia am, di e si ica am-se e
ex e naliza am-se. Colocando, dessa manei a, o Tea o em ní eis sucessi os de alo ização
pa imonial e simbólica. Em ce a medida, al ac o co esponde à noção de pode simbólico
elabo ada po Bou dieu (2020) no que diz espei o à edi icação de no as in e p e ações sob e o
mundo e a ealidade social e, segundo Habe mas (1981), à ampli icação das possibilidades de
uição do pa imónio cul u al e udi o po pa e da maio ia da sociedade, o alecendo-se a
e lexi idade pessoal e comuni á ia.
De ac o, es e mo imen o dinâmico e em espi al em á ios desdob amen os; en e eles,
o social e o ins i ucional. E aqui dá-se ên ase, po ou o lado, que o TNSC é uma ins i uição
cul u al o emen e anco ada na sociedade. E udo o que acon ece em seu âmbi o de a uação é
e lexo do ambien e social, como ambém e le e sob e o espaço comuni á io. Dessa o ma as
suas p á icas cul u ais, sejam elas as mais es i as ou as mais amplas, in e nas ou ex e nas,
con ibuem signi ica i amen e pa a o acúmulo do capi al cul u al indi idual e cole i o,
assumindo um papel in eg ado do conjun o social, a a és da disseminação de impo an es
alo es cul u ais, além de abalha no sen ido da consolidação da memó ia da sociedade e do
enal ecimen o do pa imónio secula .
Em e mos ins i ucionais, e i ica-se que oco em consequências não menos ma can es
como o o alecimen o da p óp ia casa de espe áculos no ci cui o cul u al nacional e da ede de
pa ce ias es abelecidas com ou as ins i uições e/ou g upos a ís icos. Emp egando-se como
e e ência básica a associação com a Companhia Nacional do Bailado, os Es údios Vic o
Có don e o Cen o Cul u al de Belém. Tais pa ce ias são possibili ado as das dig essões
nacionais e in e nacionais, das p á icas cul u ais ela i as à missão da ins i uição e da o e a
a iada de p á icas acili ado as da cap ação e idelização de no os públicos de aco do com as
es a égias de democ a ização do acesso. Logo, jogando um papel posi i o na iden i icação da
sociedade com o Tea o e con ibuindo pa a sua p óp ia p o eção dian e das icissi udes
deco en es do con ex o económico, polí ico e social.
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Demons a-se, po ou o lado, que o pa imónio e suas p á icas, no caso do Tea o São
Ca los, colabo am pa a a a ibuição de alo ao espaço geog á ico no qual se inse e a casa de
espe áculos. Conjun o a qui e ónico e pa imónio cul u al ime so na imagé ica do adicional
bai o do Chiado, o São Ca los é p opo cionado de um incen i o à uição lúdica-educa i a
que es e sí io o e ece, an o pa a a população esiden e quan o pa a aqueles que es ão em ânsi o
em isi as u ís icas. Con ibuindo, em ce a medida, pa a o desen ol imen o socioeconómico.
Tal ac o é isi elmen e cons a ado du an e os e ões com a ealização do Fes i al ao La go.
A i idade mul i udiná ia, exp essi a da in e ação ó ima en e a sociedade e a ins i uição,
con e indo ao e i ó io uma impo an e legibilidade.
Já no que se e e e às p á icas cul u ais in e nas e ex e nas, ap esen a-se um elo comum
en e ambas que são os p óp ios bens e alo es pa imoniais. As p á icas in amu os
desen ol em-se em um ambien e, em g ande medida, condicionado pelos limi es ísicos e
uncionais da casa de espe áculos e pela al a idelização do público, no adamen e, pa a os
espe áculos lí icos, le ando-se ambém em con a as es a égias desen ol idas pa a uma maio
democ a ização do acesso nos úl imos anos. E em con apa ida, as p á icas ex e nas, embo a
com menos ên ase nos espe áculos ope á icos, são ca alisado as de maio es e a iados públicos.
E p opo cionam uma queb a endencial da imagem eli is a da casa de ópe as.
E ainda com elação às a i idades exe cidas pelo ea o, pe cebe-se que o g au de
a inidade ou inculação es ei a com o pa imónio ep esen ado pelas mesmas não é a o
de e minan e de alo ização maio ou meno do pa imónio. Todas, nes e caso, em sua di e sa
gama são undamen ais pa a a ag egação de alo simbólico. Tan o uma isi a guiada ou uma
exposição quan o a encenação de um espe áculo de ópe a con ibuem signi ica i amen e pa a a
ele ância pa imonial. Os p imei os colabo ando com a di ulgação, o mação e o alecimen o
da memó ia. E o segundo cump indo a missão úl ima de p odução/ ealização a ís ica. Ve i ica-
se, no adamen e, que as di e en es p á icas cul u ais são a iadas e complemen a es en e si e
al ac o ambém é obse ado no plano in e no e no plano ex e no de a uação dessas a i idades.
Dessa o ma, as p á icas ex e nas dão isibilidade e no os signi icados ao que acon ece
in e namen e na casa de ópe as, disseminando alo simbólico e c iando uma possí el issu a
no he me ismo do Tea o.
Nes a abo dagem deu-se ên ase na e olução his ó ica, social e cul u al do pa imónio e
p á icas inculadas na es ei a do elacionamen o de in luência ecíp oca en e ambos. A pa i
do ques ionamen o das consequências ou desdob amen os possí eis da elação en e es as duas
es e as. Chegando-se a conclusão de que o pa imónio impac ua como ambém é o emen e
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impac uado pelas p á icas cul u ais a ele inculadas. Tal in e ação p ocessual dinâmica é
po ado a de consequências ma e iais e simbólicas em á ios ní eis, nomeadamen e:
pa imonial, cul u al e social.
Es e p ocesso, que e e sua o igem na undação do Tea o, passou po á ias ases
his ó icas e con ex os sociais, adminis a i os e econômicos. P ese ando sua capacidade de
alo ização e a ualização em ha monia com a adição cul u al que a ins i uição ep esen a. O
São Ca los mudou ao longo dos anos, mas man e e o essencial em e mos ma e iais e ima e iais.
T ans o mando-se e ans o mando a ida em sociedade. P omo endo a coesão social e
cons uindo possibilidades de desen ol imen o a a és do cul i o e di usão cul u al.
De ac o, pe cebe-se que o pa imónio pode e de e se alo izado po um conjun o de
a i idades cul u ais associadas, es abelecendo-se um ínculo po encializado que com o passa
do empo pode con ibui signi ica i amen e pa a o desen ol imen o cul u al com odos os
desdob amen os posi i os que al ac o p opicie. Logo, as p á icas cul u ais elacionadas ao
pa imónio, em mo imen o, pe mi em conquis as sociocul u ais impo an es.
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95
es i al e am p og amações que, digamos, apela i as pa a um público que não e a, digamos,
o mado nes as á eas. (inaudí el) iniciais e não melômanos. (inaudí el). O que eu enho
no ando a pa i da al u a em que ambém saímos (inaudí el) é que es e ipo de posicionamen o
não oi possí el. E, po an o, aqui e acolá com mais ên ase numas edições do que ou as… o
e o em que se caiu oi de alguma o ma en a aze lá o a aquilo que se azia cá den o. E não
e a esse o obje i o. O obje i o e a aze lá o a aquilo que não se azia cá den o. Es á amos a
chega a ou os públicos. E, po an o, a lógica de p oduções é e en ualmen e um bocadinho
mais eli is a, com mais ba ei as à en ada. Aqui e acolá i… i nas p og amações … Po an o,
ou seja, a isão inicial do es i al oi ão cla a no início … eu acho que não oi espei ada pelo
menos na sua o alidade. Nalgumas edições não oi de ac o espei ada. E, po an o, isso ez
com que o es i al em alguns casos não conseguisse ol a a e o mesmo … o mesmo… o
mesmo impac o que e e na p imei a noi e.
K- Segundo a sua pe ceção hou e impac o na en ol en e do Tea o, no bai o do Chiado?
M- Cla amen e, não é?! Po que … pa a os es au an es, pa a a es au ação. Mesmo pa a a
sociedade de ad ogados que es á à nossa en e … à en e do Tea o São Ca los … em um
p édio à en e do São Ca los, is o oi de alguma o ma uma si uação que ala ancou
p o a elmen e as suas a i idades. Po que a pa i de ce a al u a nós íamos que ha ia e eições
que já e am, digamos, e o çadas e, no undo, di igidas a uma noi e de es i al. Po an o, isso
do pon o de is a do e i ó io, da ci culação e a e iden e, não é?! Po que enquan o o es i al
es á …, a p aça es á comple amen e cheia esse ipo de … nas imediações … o Tea o São Luís
a é o ou o lado onde es á o Museu do Chiado, cá… cá em baixo, cá em cima no Chiado.
Po an o, isso … é e iden e, não é?! É só consul a as o og a ias e as a i idades económicas
ao lado se bene icia am disso, ob iamen e. O u ismo, não é?! Po que isso pe mi e memó ia…
E memó ia posi i a sob e a cidade de Lisboa. Sob e a o e a cul u al de Lisboa.
K- O Tea o é um pa imónio nacional. O S . conside a que ele con inua a e a ele ância, a
impo ância que e e no passado?
M- O Tea o São Ca los em, digamos, um… uma esiliência mui o g ande. E essa esiliência
é dada po um público que em axas de idelização que não são comuns, po an o, são
al íssimas, não é?! E, po an o, é um ea o que…, digamos, que es á pa a além das modas, não
96
é?! Ou seja, não se deixa a e a mui o po …. Po ou o lado, é o único ea o lí ico onde… quem
gos a de … p oduções lí icas…, p on o… ou sai de Po ugal ou só pode acede a a és do São
Ca los, não é?! Po an o, há aqui um e ei o de al a de conco ência po um lado; há um e ei o
de glamou e s a us ele an e que é conse ado ao longo do empo, não é?! Há ambém a o es
que cons am… eu acho que con am, não é?! Po an o, o pa imónio …o ea o em si quando
nós e i icamos (inaudí el) po o a á ios ea os desse empo acaba am po sucumbi po
incêndios ou ou o ipo de agédias ou decisões. E es e ea o man ém-se iel … uma mecânica
de cena como se u iliza a no século XVIII. Po an o, ou seja, há ali uma mís ica. E o e i alismo
que se man ém, digamos, mui o e iden e, não é?! Po an o, às ezes, num empo em que udo
muda a uma elocidade mui o g ande e , digamos, ânco as …, ânco as que são mais ou menos
in empo ais podem o alece es e p odu o e es e … e es e ea o especi icamen e. Eu
since amen e acho que o São Ca los es á um bocadinho aqui, ou seja, es á ela i amen e
imune…, digamos, às (inaudí el) dos dias. De qualque o ma, a minha pe spe i a é que o São
Ca los é pago po odos os con ibuin es e, po an o, ao se pago po odos con ibuin es não se
pode di igi só a um pequeno clube de cen enas de pessoas. E, po an o, em a ob igação…
po que não é au ossu icien e. Po an o… um pouco mais ou menos… em a ob igação de
de ol e na medida do possí el ao… em se iço público a um conjun o mais ala gado de
pessoas. E essa o ma de disseminação ace a uma casa que es á limi ada do pon o de is a da
lo ação pode se ei a de á ias o mas, mas nós ensaiamos algumas, como, po exemplo, uma
p odução lí ica que oi simul aneamen e em cada capi al… es a a a passa num ea o
municipal. Po an o, há o mas de … já que só … o Es ado só em ecu sos de alguma o ma
pa a concen a ali a p odução lí ica. Po an o, o pon o é… pa a quem ge e: como é que
dissemina. E como é que se chega a ou as pessoas. Eu acho que essa é que de e se a isão. E
eu enho algumas dú idas se essa em sido a isão daqueles que me segui am. Tenho dú idas,
não. Tenho ce ezas de que ou não ha ia es a égia ou a es a égia é de algum con o o com o
ac o do São Ca los, no undo, e a pa i a bilhe e ia endida. Po an o, se ocê em uma
empo ada e se à pa ida aquilo es á endido, is o con ida a algum… a algum… a uma
passi idade… a uma zona de con o o. Eu acho que é a ges ão que em que c ia essa zona de
descon o o e dize que não…, o que nós emos que aze é chega aqueles que não conseguem
chega a é nós…, com pequenos passos, pequenas inicia i as ou po um conjun o de inicia i as,
mas que enha es e ho izon e inal. E oi isso … oi esse o g ande sucesso do Opa nesses ês
anos. Te e undamen almen e a e com is o, com a capacidade de de ini um caminho, com a
capacidade… c ia obje i os, (inaudí el) no os públicos, em e mos de p odução, de
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espe áculos. E uma es a égia mui o… ambém con olada, não é?! (inaudí el) os obje i os,
depois inha que sabe se os a ingíamos ou não pa a comunica aos p óp ios mecenas, pa a
comunica à sociedade ci il. E essa capacidade de c ia um caminho e implemen á-lo de uma
o ma mui o igo osa e di e enciado a eu já i e mais di iculdade em e a segui . Acho que
since amen e não se gas a mui o empo em e uma es a égia. E, po an o, ai-se i endo o dia-
à-dia e no con o o daquilo que é o público pe manen e do São Ca los. Eu acho que isso é uma
pena.
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APÊNDICE B – En e is a 2
Concedida pela P o esso a Dou o a Ma ia José Fazenda.
Local: Escola Supe io de Dança, Lisboa.
Em: 06 de no emb o de 2019 e 20 de no emb o de 2019.
A qui os m.p3 - 12 minu os e 58 segundos e 12 minu os e 26 segundos, espe i amen e.
K- Mesmo sem es udos le ados a cabo sob e os públicos do bailado qual a ossa pe ceção sob e
esses públicos, an o no ambien e do Tea o Camões quan o no Tea o São Ca los e ou os
ea os pelo país? E a pe ceção desse público em ambien es echados e abe os como, po
exemplo, o Fes i al ao La go.
F- A p imei a pa e, a o ma como in oduz a sua pe gun a é oda ela mui o pe inen e. Não há
es udos e e i amen e sob e os públicos. Há um es udo, e depois posso a é encaminhá-lo, se
quise , sob e os públicos da dança no Ri oli. É o único es udo que exis e sob e os públicos das
a i idades pe o ma i as em Po ugal ei o po uma socióloga num pe íodo especí ico do
Ri oli…, do Tea o Ri oli que é um ea o, digamos, que se ia um ea o pa alelo. É um ea o
municipal, mas no Po o em-se uma impo ância ão g ande quan o e á, digamos, que em
e mos de p og amação no campo da dança e do ea o, al ez do CCB ou da Cul u ges . E o
que esse es udo indica a é que no caso da dança, das a es pe o ma i as con empo âneas…,
po que o Tea o Ri oli é um ea o iminen emen e ecen e sob e udo na… nas a es
con empo âneas… e esse público, udo indica ia, e a um público de classe média, menos
abas ado do pon o de is a económico, mas que azia o des io do seu capi al económico que
não e a ele ado pa a a cul u a. Po an o, isso é in e essan e. É um pouco aquilo que … is o é o
único es udo que emos. E is o co esponde aquilo que se calha são as nossas pe ceções, não
é?! Tendo em con a o alo dos bilhe es e aquilo que se passa, po exemplo, em ou os con ex os
ambém em Pa is ou em Lond es, onde… são e en ualmen e as salas que eu mais equen o, o
que é que nós emos? Temos… e i ica-se que pelos sinais que es ão associados…, e is o é
mui o gené ico, ob iamen e que não de alha aquilo que são as mo i ações indi iduais dos
espec ado es… Cada espec ado é um indi íduo com mo i ações p óp ias, com gos os p óp ios.
Mas di íamos que olhando… se izéssemos assim um zoom e quiséssemos dize aquilo que
pode ia…, em e mos de ap eciação, e é uma me a ap eciação, que o público de ea os como
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o São Ca los, no caso da ópe a sob e udo, ou de ou os espe áculos, cujo alo … em que os
alo es dos p eços…dos bilhe es são mais one osos, di íamos que é uma classe social mais
abas ada e que es ando ambém associada a es a deslocação à ópe a alguns sinais de dis inção
social. Fazem com que essa pessoa se desloque a esses locais po uma ques ão ambém
associada a uma ce a dis inção social. E, po an o, que o gos o po de e minado ipo de…
espe áculos ambém es á associado, digamos, a um gos o de classe, digamos. No caso, … de
ou os ea os… de ou os salas de espe áculo cuja p og amação é uma p og amação que se
cen a nas a i idades mais con empo âneas ambém os p eços endem a diminui ; po que eu
acho que aí há uma co elação ambém, depois en e a p og amação… o que as salas p og amam
e os públicos que elas desejam…, que se ia, po exemplo, o Tea o Camões …, e que os p eços
são de ac o mais… são medianos e, po an o, êm a capacidade de ca i a as classes médias.
No caso da Companhia Nacional do Bailado eu acho que é um público mui o pa icula . Po que
é um público…, a sensação que enho é que é um público mui o mis o, mis u ado. Is o ambém
acho que em a e …, po exemplo, é um público que nós não emos po exemplo na ópe a de
Pa is; ou pelo menos, que dize , gene icamen e (inaudí el), não se ê na ópe a de Pa is… em
que… é cla amen e o público da ópe a de Pa is se nós pensa mos que o p eço médio dum
bilhe e, ambém ob iamen e es amos a ala de uma cidade …, de um país como F ança que as
pessoas ganham bas an e, subs ancialmen e mais do que nós em Po ugal, mas um p eço
médio… um p eço de p imei o… de p imei a pla eia, po exemplo, pa a um bailado, pa a lhe
da ago a um exemplo de um que ai es a em dezemb o em Pa is da Raymonda cus a cen o e
cinquen a eu os. O a, is o é dez ezes mais do que cus a um bilhe e na Companhia Nacional do
Bailado pa a assis i um bailado… pa a um bailado ambém clássico, con empo âneo. A
Companhia Nacional do Bailado em conseguido, na minha pe spe i a, es a pe gun a que az é
mui o, mui o in e essan e…, coloca as coisas nes a pe spe i a… e eu nunca inha pensado
sob e isso e es ou ago a a pensa consigo, po an o. Isso ale o qual, nem se que em es udos
sob e isso. Es ou a pensa ago a ins igada pela sua pe gun a que me pa ece mui o in e essan e.
Quando pensamos… a Companhia Nacional do Bailado … o Tea o Camões e, sob e udo, a
p og amação da Companhia Nacional do Bailado que é maio i á ia… que ocupa o Tea o
Camões emos um público mui o mis u ado. Desde o público jo em ao público ju enil, ao
público a é in an il que é acompanhado pelos pais. Po an o, os pais p omo em essa elação,
esse acesso e essa… esse con ac o com as a i idades da dança, seja mais clássica, seja mais
con empo ânea, po que ambém sabem que ali encon am … há uma elação de con iança com
aquela Companhia. De con iança com a qualidade dos baila inos, com a qualidade dos
100
espe áculos. Po an o, sabem que ob as ou são ob as de epe ó io ou são ob as que sendo
c iações con empo âneas assegu a ão uma qualidade do pon o de is a que da c iação, que da
in e p e ação, assinalá eis e que não põem …, ou seja, não co em mui os iscos. No sen ido
em que se ai uma amília pai, mãe e ilhos ao espe áculo e é ca o e, po an o, há essa segu ança
que a amília (inaudí el), que é di e en e quando o espe áculo de dança con empo ânea que não
es á enquad ado den o de uma Companhia cujo pe cu so se conhece o isco é maio pa a uma
amília in ei a desloca -se … O que isso implica … implica o ganização amilia , implica
gas os, e c. Es a aqui um conjun o de coisas implicadas que são impo an es. Po ou o lado, uma
ou a coisa que me pa ece mui o in e essan e e que a Companhia, nes e caso a Companhia
Nacional do Bailado, em ei o … em indo a aze ao longo dos úl imos anos ambém es a
ca i ação, cap a es es … es es públicos ju enis a a és de espe áculos, a a és de um conjun o
de a i idades pa a… jus amen e pedagógicas que es abelecem es a elação. Po an o, uma ez
mais chama as classes medias, chama o público in e essado. Ob endo odo um público com
capi al cul u al in e essado em man ê-lo, ac escen á-lo e aze … desse capi al cul u al um dos
aspe os undamen ais da sua ida e não o capi al económico, depois de p o ido o capi al
cul u al. Po ou o lado, há pa a além disso uma ou a coisa que ambém … que a Companhia
Nacional do Bailado em que é mui o in e essan e são os ensaios ge ais solidá ios. Po an o, ela
es abelece … que é um ensaio ge al que a Companhia Nacional do Bailado cos uma aze e que
ab e … o p eço do bilhe e é um p eço único, não me lemb o o alo , mas é um p eço medio. E
que … o alo não sei qual … se odo, em pa e… não sei …, mas que uma pa cela desse alo
é dada a uma ins i uição social. Po an o, as pessoas que ão e o espe áculo associam ao
mesmo empo a a i idade cul u al a uma a i idade em que elas pa icipam na ida e, ambém,
pa icipam como cidadãos em e mos de… e uma a i idade solidá ia. (inaudí el) zona de
cap ação de públicos pa a além de cu sos de o mação, e c. Há uma zona de cap ação de
públicos… A Companhia Nacional do Bailado sendo uma Companhia de eli e, no sen ido de
eli e a ís ica, em … e nes e caso quando digo Companhia Nacional do Bailado es ou a ala
do Tea o Camões, sendo que … a p og amação maio i á ia do Tea o Camões é a da
Companhia Nacional do Bailado, ainda que enha pon ualmen e um ou ou o espe áculo
di e en e e ambém de g ande qualidade. Po an o, é que um conjun o …sin e izando… que são
impo an es… que … ela assegu a a Companhia. Isso é undamen al, man e os ní eis de
qualidade. Po que nós emos em pe íodos mui o pa a ás… há uns in e anos a ás… quando
a Companhia e e p oblemas a é económicos e de es abilização da qualidade, ela dec esceu, os
públicos dec esce am. Is o que dize que a pa i do momen o em que ela o e ece uma ce a
101
segu ança do pon o de is a da qualidade, a possibilidade dos públicos amilia es e, po an o,
es es públicos mais ala gados aco e em aos espe áculos da Companhia Nacional do Bailado é
maio . Eu acho que ela em conseguido aze mui o bem esse abalho.
K- Que impo ância em o Fes i al ao La go an o pa a dança e como pa a a CNB?
F- Uma das coisas que me pa ece impo an e do Fes i al ao La go… é o ac o de e en ualmen e
de c ia … o ac o de se um es i al … uma ap esen ação que é ei a ao a li e e que é g a ui a,
sob e udo po que é g a ui a e ei a nas noi es de e ão. Po an o, há aqui um con ex o que
p opicia, e en ualmen e, a inda de mais pessoas, po um lado. O ac o de se g a ui o, o ac o
de as pessoas pode em usu ui de um empo do pon o de is a me eo ológico excecional… o
que pode, depois daquele momen o ap azí el, po an o…das duas uma; ou emos um público
que já é expec ado da CNB e, po an o, ali é apenas mais um momen o de elação com ela…
com a Companhia ou pelo con á io é um público que não sendo nem habi ual ou da Companhia
ou da dança em ali a possibilidade … é ali o e ecido um es ímulo pa a u u os espe áculos.
Po an o, em imenso in e esse pa a di ulgação da p óp ia Companhia, pa a di ulgação da
dança, pa a a conquis a de públicos. E, po an o, i pa a além das ques ões da animação da
cidade que já diz espei o a Câma a Municipal de Lisboa, em ou o sen ido, do pon o de is a
polí ico, não é?! Mas es e eu acho que em… que são bas an e impo an es.
K- Na sua a aliação exis e um an es e um depois do es i al? Oco eu alguma di e ença?
F- Não sei. Não consigo dize po que … po que não consigo e uma a aliação do an es e o
depois. Mas não enho…, mas es ou a c e que es e a o de di ulgação da Companhia num
con ex o g a ui o e num con ex o mais abe o em necessa iamen e … e e e …
necessa iamen e… a o a elmen e pa a a Companhia em e mos de público (inaudí el). Mas
não lhe sei dize obje i amen e an es e depois, o que isso se aduziu.
K- Na sua pe ceção qual a ele ância do es i al pa a a cena a ís ica de Lisboa?
F- Do pon o de is a da cena a ís ica, digamos que não …, ele é um es i al mui o cen ado no
abalho de uma Companhia e da p óp ia … e do abalho da… das es u u as que es ão
associadas ao Opa , não é?! P on o, Po an o, do pon o de is a da cena a ís ica, é impo an e
po que mos a ... mos a esses… essas es u u as uma ez mais…, à o ma associada que em
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ge al não es ão associadas, não é?! Po an o, num e en o num conjun o de dias que mos am o
abalho de cada uma dessas es u u as associadas ao Opa . E, po an o, é um momen o de
e ão, de es i al de e ão que en iquece a cena a ís ica da cidade no sen ido em que ap esen a
um conjun o especí ico de es u u as associadas ao Opa com uma linguagem clássica ou com
uma linguagem con empo ânea. Mas de ac o, de … é só no caso a CNB a única g ande
Companhia nes e momen o exis en e em Po ugal.
K- O es i al mudou a pe ceção que se em das g andes ins i uições cul u ais?
F- Não acho de odo (inaudí el) isso, não é?! Mas cá es á mais uma ez…, es amos a ala em
pe ceções, não é?! E pe ceções indi iduais. Mas eu endo a conside ação… eu acho que sim.
A é po que… a ualmen e não é necessa iamen e…. uma coisa não deco e necessa iamen e da
ou a, mas o que é ac o é que nós emos um (inaudí el) na CNB um público
ex ao dina iamen e ju enil que não ha ia an es, não é?! Mais jo em. Uma classe média …;
mas descon aída, sem se aquela… aquela bu guesia que e a habi ual nos espe áculos, a alguns
anos a ás, não é?! Po an o, … e o ac o des a Companhia se ap esen a se ap esen a des a
o ma g a ui a e abe a…, o ma de acesso li e, ap oxima mais o abalho dessa Companhia
do conjun o das pessoas e da cidade do que se man endo só echada no espaço do ea o.
K- Nesse sen ido há uma democ a ização do acesso…?!
F- Há uma democ a ização do acesso que é impo an e. E que em consequências do pon o de
is a polí ico in e essan es… que se democ a ize o acesso dessa… dessa o ma de exp essão.
K- Em que medida exis e uma alo ização do ea o a pa i da a uação da CNB?
F- Nes e momen o o Tea o Camões … nes e momen o eu não sei mui o bem se associa ao
Tea o São Ca los po que a CNB es á nes e momen o em esidência no Tea o Camões.
Po an o, de ac o, an es de no en a e oi o, po an o… an es do ea o, da cons ução do ea o
e da Companhia se o na esiden e naquele ea o o São Ca los e a a Companhia e o ques a e
udo mais, não é?! Po an o, e ha ia essa (inaudí el) …uma espécie de es u u as conjun as.
Nes e momen o eu penso que como há essa sepa ação, o São Ca los música, Tea o camões
dança. Po an o, e en ualmen e há uma dissociação maio e as pessoas não pensam: há! São
103
es u u as do Opa ; que a inal não pensam se calha nes es e mos. O que a é é uma coisa que
é impo an e. Eu acho que a é pa a a iden idade da p óp ia CNB não e de es a acoplada ou
colada à iden idade daquilo que é a p og amação musical do São Ca los, não é?! Po an o, ganha
a é uma au onomia iden i á ia que eu acho que só pode se an ajosa pa a p óp ia es a nesse
caso em luga es sepa ados.
K- Do pon o de is a cul u al qual a impo ância da dança pa a a sociedade con empo ânea?
F- Dança é semp e impo an e em qualque con ex o. Na sociedade con empo ânea e o ça-se
sob e udo se i e mos num con ex o, numa sociedade poli icamen e li e, democ á ica.
Po quê? Po que a dança…, no caso da dança ea al e da dança não só…, mas …, em que a
dança é uma es u u a, uma o ma de cul u a exp essi a que em de se ealmen e ligada à ida
das pessoas, a aquilo que são es u u as sociais, que são es u u as cul u ais. E, po an o, a dança
num con ex o que é o con ex o con empo âneo … que é um con ex o de sociedades, digamos,
de sociedades democ á icas e li es con a á ias …mos a á ias o mas de e mos o mundo.
E a exp essão pode se a exp essão de á ios g upos sociais mui o di e enciados. E, po an o,
ela em uma impo ância no sen ido em que não só exp ime, mas como ei e a, mas ambém
pode c i ica as es u u as sociais e cul u ais exis en es e da exp essão a múl iplas ozes.
Po an o, emos um campo de singula idades que só pode se impo an e no sen ido em que do
pon o de is a cul u al e social nos mos a a ida de mui os g upos mui o di e enciados de
pessoas com in e esses mui o di e enciados. Po an o, é… cla amen e a dança e o ça esse
con ex o democ á ico e de ozes plu ais em que i emos e, po an o, é impo an e que haja
essas múl iplas ozes dos á ios g upos a ala .
K- Como a P o esso a pe cebe que o co po de baila inos eagiu à ap esen ação ao a li e?
F- (inaudí el) Como di o não es ando lá, não es ando en ol ida na… na ins i uição de o ma
di e a. Mas o que é ac o é que o a li e nunca é uma coisa mui o … po mais ag adá el que
possa se nunca é pa a um baila ino, sob e udo clássico, que abalha com sapa ilhas de pon a,
mas não só. Po an o, é que es á… cujo co po es á expos o a… ao en o, à umidade, e c. nunca
é coisa e dadei amen e ag adá el. Po an o, ao ní el de… de p o eção do co po que acaba po
se nes e caso de uma linguagem da dança que é ge al e desen ol ida e que es á p epa ada pa a
se desen ol ida no in e io , num espaço ela i amen e p o egido são semp e essas mesmas
104
ob as a se em ap esen adas num espaço que es á sujei o às con ingências me eo ológicas nunca
é mui o con o á el. Pode ha e momen os em que não ha endo p oblemas o empo es á mui o
seco e se não há en o. As ci cuns âncias são mesmo conc e as, ísicas. Tem ha e com o co po
num ambien e especí ico, não é?! Po an o, odas aquelas compe ências écnicas que se
desen ol em num con ex o de espaço echado. Po an o, um ecossis ema especí ico. O a, esse
ambien e mudando, mas man endo as compe ências co po ais, po an o, não …, há um
desajus e e pode ha e um descon o o. Com desgas e, po que aquelas danças não o am c iadas
pa a espaço ex e io . Po an o, e ali pode ha e ainda que se cons ua um palco p o isó io e
esse palco não es á … não p o ege os baila inos do ... do… da umidade. Eu já i baila inos
esco ega em, caí em no chão. Já i uma baila ina a pouco empo um ano ou dois cai no chão
no meio de uma peça do Balanchine. Não é assim uma coisa mais in e essan e de
acon ece …po causa da umidade.
K- Qual o impac o social das ap esen ações da Companhia?
F- É a única Companhia…, po an o, é uma companhia … é a única Companhia es a al que nós
emos. Po an o, que exis e em Po ugal. Po an o, eu penso que o público, em ge al, é um
público c í ico no sen ido de sen i que aquelas ap esen ações co espondem ou não aquilo que
é supos o. Uma es u u a que é es a al e que é… que é apoiada cem po cen o…, não é cem
po cen o, mas que é um p oje o do Es ado esponde a uma p og amação po um lado com
qualidade a ís ica que enha a e qualidade a ís ica e que os p óp ios in é p e es ambém um
ní el a ís ico ele ado. E que enha uma p og amação que… que seja plu al ambém, não é?!
Que ap esen e simul aneamen e os clássicos e, po an o, essa é uma das unções de uma
Companhia como es a que é assegu a a manu enção e mos a de um conjun o de ob as que são
clássicos da dança. Po an o, em essa unção, mas ao mesmo empo da c iação con empo ânea.
Po an o, essa unção é… é impo an e. E, po an o, aze um abalho de di ulgação da dança,
de ca i ação de público e de mos a de como a dança é jus amen e uma a i idade social e
cul u al ele an e de á ios pon os de is a, não é?! A pa i da dança ansmi e-se alo es,
ansmi e-se ideias, pa a além do p aze que a dança p opo ciona quando se ê, mas há um
conjun o…, ques ão da o dem, da disciplina ou a é da deso dem. Mas, que dize , um conjun o
de alo es e de ideias que são ansmi idos a a és da dança e que é undamen al que… que se
enha acesso. Uma unção lúdica, educa i a e social que a dança em.
111
Ga nie em Pa is ou mesmo aqueles exemplos que eu ci ei an e io men e, não é?! P on o.
Depois, pos e io men e, eu acho que o se passa é que o Tea o Nacional de São Ca los é um
ea o que....,quando eu digo p o pio e p o melho é que em um g ande alo pa imonial, mas
depois em g ande di iculdade em acompanha udo aquilo que são as exigências da p odução
ope á ica con empo ânea e, po an o, eu penso que é uma ins i uição que nesse momen o é
ca ac e izada po á ios anac onismos, anac onismos do pon o de is a de sua o ganização,
anac onismos do pon o de is a da elação com os á ios co pos a ís icos e como os á ios
co pos a ís icos se elacionam en e eles, anac onismo na elação que...a quê.. , no undo, no
equilíb io que é mui o di ícil de ob e en e aquilo que é a o e a ou p á ica lí ica, peço
desculpa..., lí ica sin ônica e a o e a de dança clássica, po an o, e é um ea o que ao in és de
ou os ea os nacionais que exis em em Po ugal, que i e am uma ees u u ação ou que o am
ees u u ados, ou que e en ualmen e o am c iados a sua o gânica, digamos assim, oi c iada
já de o ma mui o... já mui o pos e io men e, e po an o, co espondendo a exigências
con empo âneas (inaudí el) con empo âneas da sua p odução. O Tea o Nacional de São Ca los
oi acumulando, digamos assim, não en ende esse anac onismo de hoje é uma en idade ..., uma
ins i uição mui o di ícil de ge i . E po an o, eu acho que a solução é pensa -se o p oje o de uma
o ma mui o in eg ada, de uma o ma que seja obje o de uma plani icação e de uma isão que
não pode se uma isão casuís ica, nem de cu o e mo, ou seja, eu acho que nes e momen o se
de e coloca a ques ão o quê é que Lisboa p e ende…se ai in es i numa ópe a ...., numa sala
de ópe a. O que é que p e ende que o São Ca los seja daqui a 10 anos, daqui a 20 anos, po an o,
e quais são as medidas, no undo, a ado a pa a que esse ho izon e se cump a, não é?! Po an o,
eu acho que esse es o ço de planeamen o e essa isão não em ido luga a é ago a; Tem-se
en ado de alguma manei a, no undo, como isso udo é dis uncional, em-se en ado de alguma
manei a c ia algumas soluções palia i as, mas que são soluções de cu o p azo e que não
esol em o p oblema de undo, desde logo, digamos que, a ealidade ou digamos, o
enquad amen o ju ídico em que unciona o São Ca los, como nós sabemos o São Ca los é uma
ma ca cul u al, mas es á in eg ada den o de uma ou a ins i uição que oi c iada (inaudí el)
que é o Opa e, po an o, eu acho que uma das ques ões que se em de coloca hoje em dia é se
o Opa é de ac o a es u u a e a pe sonalidade ju ídica mais in e essan e pa a o
desen ol imen o de um p oje o..., p oje os des a na u eza; po an o, a ópe a e o bailado ou se
e en ualmen e se ia necessá io epensa ambém os modelos, digamos assim, ope acionais e de
ges ão dessas duas casas, não é?! Po an o, eu acho que a discussão, o deba e de ia começa
po aí e depois de ia se a ança . Sendo ce o que há semp e aqui duas dimensões que não
112
con ém não descola e con ém que es ejam em diálogo em qualque ees u u ação que se
quei a aze , que é a pa e da limi ação ísica do ea o e a pa e, depois, de oda a esolução dos
ais anac onismos que eu acho que em que se esol idos, sob e pena do ea o nunca mais
a ingi , digamos assim, o desen ol imen o in e essan e e uma elocidade de c uzei o, e
sob e udo en a co esponde a uma... o e a que é a o e a, hoje em dia, que se espe a de um
ea o de ópe a mode no e con empo âneo, não é?! Po exemplo, o ea o de ópe a quando eu
alo em anac onismos ambém, esses anac onismos passam pa a o lado do público e da elação
com o público. O ea o con inua a se uma ins i uição mui o echada sob e si p óp ia, com um
público, de ac o, de iéis, mas é um público de conhecedo es..., um público a é mui o, em boa
medida, cono ado com um de e minado ní el social, o que acon ece semp e em ea os de ópe a.
No malmen e a bu guesia e al a bu guesia são os públicos iéis da ópe a, não é?!, po an o, no
undo, a ópe a em odo lado é um dis in i o de uma de e minada..., de de e minados ní eis
sociais. Mas o que é ac o é que mui as ópe as na Eu opa, hoje em dia, não se con en am apenas
com essa elação social, mas en am, e aliás es á nos seus es a u os e na sua missão, ala ga a
sua base pública de audiências, não é?! E, po an o, en am democ a iza -se, digamos assim,
mais uma ez... democ a iza o acesso. E o Tea o Nacional de São Ca los, en im, em en ado
muda alguma coisa, mas não em conseguido, em meu en ende , no undo, g andes conquis as
nessa democ a ização do acesso. Con inua mui o echado. Con inua a se o ea o nacional, ...
cen o nacional mui o es agnado, digamos assim, mui o pa ado em Lisboa; o que é (inaudí el)
o único ea o da ópe a do país... é p oblemá ico po que no undo aquele ea o é um ea o que
é....de que exis e a pa i das con ibuições e dos impos os de odos os po ugueses. Po an o,
uma pa e dos po ugueses, pequena pa e, que se bene icia desse ea o de ópe a, mas é uma
la ga maio ia de po ugueses que não se bene icia do ea o de ópe a. E, po an o, odas essas
ques ões são ques ões que em que se deba idas e em que se obje o de um..., de uma p o unda
análise num p oje o de ees u u ação que o ea o e á de e necessa iamen e.
K- O Fes i al ao La go, na sua opinião, em algum impac o na cena a ís ica e cul u al de
Lisboa? Qual a impo ância do Fes i al?
H- O Fes i al ao La go é uma en a i a que ob e e sucesso de en a de alguma o ma da uma
no a..., uma imagem eno ada do ea o de ópe a pa a um público que no malmen e não ai a
113
ópe a. O g ande p oblema é que o es i al, mui as ezes o público que ai ao Fes i al ao
La go..., o único con ac o que em com o ea o de São Ca los é du an e a igência des e es i al
que são os dias no e ão, não é?! Que dize , po an o, mui o... mui o... mui o desse público que
em esse acesso acili ado aquilo que é p odução..., uma pequena pa e da p odução do ea o
de ópe a no Fes i al ao La go, depois não consegue en a p op iamen e não consegue anspo
aquelas pa edes, daquele edi ício e sen a -se na pla eia pa a e egula men e espe áculos de
ópe a. E, não consegue, po á ias azões, p imei o po que mui as ezes ... ambém o p eço
dos bilhe es de ópe a não é um p eço..., en im é um p eço mui o mais ele ado de que qualque
p eço de ou os.... espe áculos, não é?! Embo a na u almen e que os p eços p a icados es ão
mui o longe dos p eços p a icados em ou os ea os de ópe a, que dize , uma pessoa se quise
i a ópe a em Pa is... se quise i pa a o melho luga é capaz de paga 500 € po um bilhe e ou
350 € se o os melho es dos melho es luga es, não é? Is o é, há uma g ande a iedade de p eços
de bilhe e pa a no undo en a sa is aze um leque, digamos, de pode de comp a bas an e
ala gado, mas p on o, no Tea o Nacional de São Ca los, apesa de udo a ópe a é um espe áculo
ca o, não é?! P on o. E po an o, digamos que exis e de ac o es e es i al...., é um es i al que
em sucesso, acho que é um es o ço in e essan e no sen ido de da ... de da uma imagem
di e en e do Tea o Nacional de São Ca los, menos ensimesmada ..., um ea o mui o...mui o
echado sob e si p óp io...,mas não sei a é que pon o é que sendo uma coisa mui o empo á ia
e mui o isolada no empo depois em, digamos, aqui o que se espe a ia que i esse que e a no
undo lança a semen e pa a que depois as pessoas passassem a se públicos egula es, e pa a
isso não bas a aze um es i al, um es i al é impo an e mas depois é necessá io odo um
sem-núme o de ou as ações..., po ce o uma polí ica bilhe ei a, a começa pela... pela... po
uma...po á ios p oje os que elacionem o público e o ea o, desde a comunicação, desde o
se ido , desde os p oje os educa i os, e c. que pe mi am p og essi amen e que haja um
público pa a além do Fes i al do La go que comece a se , digamos, que uma... uma semen e da
eno ação do p óp io público do ea o e eu acho que isso não em acon ecido po que ambém
o ea o não em ido a es abilidade que eu acho que de e ia e , no sen ido de uma p og amação
es á el..., com inanciamen o ambém es á el..., en im,... e sob e udo com algo que eu acho
que é undamen al esol e : que é o ea o.... o Opa em cus os ixos e de uncionamen o
ele adíssimos e esses cus os ixos e de uncionamen o acabam po ampi iza .... se me é
pe mi ido a exp essão, udo aquilo que é o o çamen o a ís ico. Ou seja, emos um Tea o em
que há um desequilíb io mui o g ande en e o ácio daquilo que é o in es imen o necessá io
pa a a sua sob e i ência enquan o ins i uição e aquilo que o az i e como ins i uição que é
114
sua p og amação que no undo é a cei a de qualque ins i uição cul u al, ou seja, sem
p og amação a ins i uição deixa de e sen ido...a sua exis ência deixa de e sen ido. Po an o,
há ali um p oblema a esol e en e essas duas dimensões que... que de ac o é undamen al e é
o mais u gen e em meu en ende ... ambém a u gência.
K- Como o S . analisa a descen alização do CCB e em especial a impo ância da mesma pa a
Viseu?
H- O CCB não é isso, não se pode dize que é uma ins i uição descen alizada de odo. Eu de
ac o lide ei um dos poucos p oje os de descen alização do CCB. E acon eceu apenas um ano
que oi o ano 2006/2005, já não es ou bem ce o; ou 2004 mesmo... em 2004, e de ac o oi, no
undo, um p oje o de aze ... co eu bem... e e bas an e sucesso...,. que oi de se aze uma
ex ensão da Fes a da Música em Viseu, onde eu es a a como agen e cul u al, onde iniciei a
minha a i idade como agen e cul u al na al u a. Eu e a di e o do Tea o Vi ia o, di e o a ís ico
e i e a ideia de aze uma ex ensão dos Dias da Música de Lisboa e le a alguns dos p oje os
que no undo aziam pa e da p og amação desse ano, dos Dias da Música... da es a de música
desse ano a Viseu, po an o, le a g andes in é p e es, g andes o ques as, e c. e diga-se de
passagem que não é uma ideia inédi a po que os Dias da Música...a es a da música, na sua
o igem, em sua o igem em Nan es em F ança..., esse es i al em Nan es chama-se Folle
Jou née e desde a sua o igem que a Folle Jou née em... inha esse p incípio de descen alização
na egião, mui o à ancesa..., os anceses, como se sabe, in es em mui o na descen alização
de seus p oje os cul u ais, jus amen e po ques ões de democ a ização na en a i a de aumen a
e aze bene icia , de uma o ma mais impe a i a possí el as á ias egiões, em im, os pon os
mais emo os de egiões daquilo que se... que acon ece nos g andes cen os de di usão cul u al
ambém, e , po an o, não e a uma ideia inédi a, mas e a uma inédi a em Po ugal no sen ido em
que os Dias ...a es a da música, peço desculpa, nunca ez ...nunca inha ei o uma
descen alização no e i ó io po uguês e, po an o, hou e essa descen alização que acon eceu
2004, mas não ol ou a acon ece . Po an o, o CCB não em um his ó ico de descen alização
...., não em, que dize , eu não es ou ago a a eco da de um ou ou o p oje o que possa
e en ualmen e e ei o alguma … alguma ... algum pe cu so do e i ó io nacional, mas não
em ha ido in es imen o ao longo da his ó ia do CCB nes a...nessa á ea, mas não se pode dize
115
que o CCB enha como comissão ou enha ido comissão a é ago a uma descen alização, nem
seque na... no e i ó io mais p óximo... que es á mais p óximo, ou seja, po exemplo, eu acho
que uma das missões do CCB, em e mos u u os, se ia uma elação mui o mais di e a e mais...
bas an e mais... p óxima com a á ea me opoli ana de Lisboa, po que eu acho que em dimensão
e em peso como ins i uição que lhe pe mi e essa elação, mas nada... nada disso es á a abalha ,
que dize , é apenas nes e pon o um p incípio de in enções como p oje o.
K- O S . conside a que há uma ce a descen alização do Tea o Nacional de São Ca los em
suas a i idades?
H- Que dize , exis e uma descen alização de há poucos anos que le a am ao Po o algumas
p oduções ope á icas, mas a única descen alização que é e dadei amen e ei a é a da
Companhia Nacional do Bailado (inaudí el). Po an o, a Companhia Nacional do Bailado é que
em de ac o odo um his ó ico desde seu...desde a sua génese de descen alização no sen ido
em que é uma companhia que az ... que p omo e e que o ganiza g andes ci cui os, ci culações
pelo e i ó io nacional. Esse sim é um co po a ís ico, é um p oje o a ís ico den o do Opa
que em um his ó ico e digamos em pe gaminhos em e mos daquilo que é a descen alização.
Na pa e ope á ica e lí ica não..., há, de ac o, (inaudí el) a uns anos es a pa e ambém, mui o
po exigência do Po o que em um p esiden e que nós sabemos que,...hoje em dia o p esiden e
da Câma a Municipal de Po o é uma pessoa mui o ligada às ques ões cul u ais e oi o p esiden e
da câma a que colocou o dedo na e ida e ela i amen e a um assun o que eu já e e i aqui que
é..., bom o Tea o Nacional de São Ca los é um ea o nacional.., é o único ea o de ópe a
po uguês e po an o em que aze um es o ço de descen alização, e po an o, a segunda cidade
do país não... não... não inha a é há bem pouco empo qualque o e a ope á ica de ele o e
po an o o p óp io p esiden e da câma a chamou a a enção pa a essa ques ão e po an o em
consequência disso o Tea o de São Ca los em ei o um es o ço, digamos assim, pa a le a ao
Coliseu..., depois há uma ques ão, no Po o há uma ques ão mui o complicada pa a ap esen ação
de ópe a, po que o único ea o (inaudí el) pa a ap esen a espe áculos de ópe a é necessá io
que os ea os enham um osso da o ques a na maio pa e dos casos, não é?! Que dize ,
....pode se aze (inaudí el) de conce o às ezes há ou as con empo âneas que em i ude de
e em o mações mais pequenas de câma a podem no undo p oduzi -se em cima do palco, mas
116
no malmen e pa a as g andes p oduções ope á icas é p eciso um osso de o ques a e o único
osso que exis e,... acho que o ea o que exis e com um osso no Po o é o São João e é um
osso pequeno, não é?! Po an o, não dá pa a coloca uma... uma... uma o ques a com uma
dimensão já bas an e signi ica i a e, po an o, aquilo que em sido ei o é a ap esen ação no
Coliseu do Po o dessas p oduções que em do São Ca los, no undo, uma espécie de éci as
popula es po que, no undo, o Coliseu em uma dimensão bas an e g ande, não é?! Po an o,
...po que hou e em meu en ende um e o bas an e g ande quando se ez a casa da música no
Po o...na al u a da Po o 2001, po an o, capi al cul u al da Eu opa, oi no undo, c ia uma
casa da música e não ado a um osso da o ques a. Po an o, a casa da música só pode
ap esen a conce os..., p oduções ope á icas não... não... na maio pa e dos casos não pode
aze , po que não em uma sala que enha um osso da o ques a.
K- S . Miguel, exis em ou as pa ce ias en e o Tea o São Ca los e o CCB?
H- Sim, exis em algumas pa ce ias sob e udo no que oca à empo ada sin ónica, há uma boa
pa e da empo ada sin ónica que é ei a aqui no g ande audi ó io do CCB, ... um dos casos
pa adigmá icos já ai acon ece ago a no dia 15, é um exemplo, en e á ios du an e a
empo ada, com a p odução do Messias do Händel, aqui no g ande audi ó io, di igido pela
maes ina do Tea o Nacional de São Ca los, Joana Ca alho, maes ina esiden e do ea o, que
em aqui di igi o Messias do Händel no dia 15. Po an o, digamos, que a O ques a Sin ónica
Po uguesa é, digamos, um co po a ís ico com p oduções egula es ao longo da empo ada do
CCB. Aliás, o CCB em um his ó ico de p odução, digamos, de ap esen ação de p odução de
o ques as mui o impo an e; abalha não só com a O ques a Sin ónica Po uguesa, mas
ambém com a O ques a Me opoli ana de Lisboa que é uma o ques a egional..., que ambém
se p oduz aqui mui íssimo. Também há algumas p oduções ope á icas que são aqui
ap esen adas, po exemplo, já ago a...posso dize ..., en im, sob e udo p oduções ope á icas que
lá es á, po que com limi ações de espaço não cabem no Tea o Nacional de São Ca los, a é a
ní el do osso, lá es á; po exemplo pa a ap esen a uma p odução de Wagne ou de Mahle ,
como sabe, são o ques as sin ónicas de g ande dimensão po que no undo o olume de som de
composi o es como Wagne ou Mahle é mui o mui o...mui o g ande, e po an o, isso eque
o ques as com g ande...com uma g ande a iedade de ins umen os e sob e udo com naipes
117
ins umen ais mui o ala gados que não..., mui as ezes, não cabem no osso do Tea o Nacional
São Ca los; po que o Tea o Nacional de São Ca los é um ea o sob e udo ei o pa a a
p og ama... a p odução de ópe a i aliana, lá es á, que é uma ópe a com ca ac e ís icas musicais
di e en es, e po an o, udo aquilo que o am g andes omân icos que ie am.., en im, do século
XIX já, não é?! Po an o, sob e udo da segunda me ade do século XIX esses g andes
composi o es sin ónicos es ão ligados à g andes olumes..., digamos, acús icos, só podem se
ei os aqui no CCB, e po an o, nós emos ido algumas ópe as, po exemplo, lemb o-me do ano
passado T is ão e Isolda de Wagne que oi aqui ei o, ...e po an o, há algumas p oduções
ope á icas que ambém em em i ude das condições que o CCB o e ece se em melho es do
que aquelas que o Tea o Nacional de São Ca los o e ece.
K- Qual a ossa isão sob e a ap esen ação de espe áculos indoo e ou doo (como o Fes i al
ao La go), em e mos de qualidade? Quais as di e enças?
H- (inaudí el) Não exis e pe da de qualidade, amos e , ...pois é que eu acho que os Fes i ais
ao La go..., os es i ais cons i u i os do Fes i al ao La go são impo an es no sen ido de
in eg a em uma cadeia da elação com os públicos que não se esgo a na ap esen ação desse
es i al. Ou seja, é um p imei o passo pa a en a ideliza públicos pa a es e ipo de p á ica
cul u al. Po an o, o es i al não pode de alguma manei a ale -se po si p óp io, no sen ido em
que...acha mos...no sen ido de acha mos que se ize mos aquele es i al já izemos a nossa
missão. No undo é um p imei o passo na idelização e na eno ação de públicos. Mas que
dize , nós não podemos dize que ou i ...mesmo que o Fes i al ao La go se eco a sob e udo
a uma p og amação mais popula na música e udi a, po an o, há coisas mais popula es que
ou as, não é?! Como é ób io, há um pa imônio in ini o e que há coisas bas an e mais popula es
que ou as, e po an o, na p og amação do Fes i al ao La go deco e mui as ezes... é uma
essa..., digamos, p odução e c iação mais popula embo a ainda se assen a na música e udi a,
mas cen a-se nessa... si uação mais popula econhecí el pelas pessoas. Ago a não se pode
dize que...que o Fes i al ao La go ap esen a essa p og amação nas melho es condições de
uição musical, não é?! Que dize , po que... amos e , a pessoa que es á ao a li e, em
in e e ência dos ba ulhos odos u banos, não é?! Que dize , passa o elé ico, a pessoa que es á
um pouco mais p óximo da linha do elé ico deixa de ou i a o ques a, deixa de ou i os
can o es... á a e , po an o no undo, digamos, que o p oje o é in e essan e em si, mas como
um p imei o passo que de e es a in eg ado numa cadeia de passos bas an e mais exigen e e
118
bas an e... e com uma isão bas an e mais... a médio e longo p azo de en a ideliza e eno a
os públicos de manei a a assen á-los, digamos assim, numa sala de conce os e, aí sim, a ou i
as ópe as do pa imónio musical com odas as condições... como de em se ou idas, mas não é
que..., que dize , po que...a música, não enhamos qualque ipo de ilusão, mas qualque a e
pe o ma i a, não é?! Tem que e um sem-núme o de condições de e .…ambien ais, de
concen ação, e c. que no undo só um ea o ou uma en idade c iada pa a esse e ei o
(inaudí el), que dize , po an o, nós nunca de emos con undi ... não é possí el nem é saudá el
con undi esses á ios planos, digamos assim, e há mui a coisa que é ei a na ua que é
impo an e, o p óp io… ao longo da minha ca ei a ambém iz mui a coisa em espaço público
e econheço que no espaço público é mui o impo an e que enha ambém uma ib ação cul u al
e de o e a cul u al e a ís ica impo an e, mas não podemos...não podemos con undi planos, e
po an o, mui as ezes aquilo que nós ap esen amos no espaço público..., digamos, a iscamos
a não e as condições ó imas pa a o aze ou en ão o que azemos é en e enimen o que é uma
coisa di e en e daquilo que é a expe iência cul u al de exp essão a ís ica, são coisas di e en es,
uma coisa é o en e enimen o...é uma coisa que ambém é impo an íssima pa a as pessoas e
ou a coisa é uma expe iência a ís ica mais.. mais p o unda, não é?! Cla o que ambém há uma
in inidade a ís ica; música ock, pop con i e mui o mais, ce eza absolu a, con i e mui o mais
com uma... com um con ex o u bano do que p op iamen e a música de Mahle , não é?! Mas
es amos a ala de nós e mos que e a noção do ipo de p oje o que emos en e mãos e quais
são as condições ó imas pa a o ans o ma na o e a mais o ien ada pa a os públicos que
que emos a ingi , não é?!
K- Que es a égias são impo an es pa a a democ a ização do acesso?
H- Há á ias..., que dize , a ques ão do espaço público é uma es a égia que em indo a se
mui o u ilizada, po an o, de i ao encon o das pessoas no espaço em que elas es ão, não é?!
Mas não é a única. Eu acho que..., digamos que ela é al ez a mais...se nós quiséssemos cons ui
uma pi âmide, ela é a mais básica. E com is o não es ou a dize , não es ou a c i ica , nem a se
pejo a i o, não é?! Mas é a mais básica. I ao encon o das pessoas onde elas es ão. Ago a, o
que eu acho é que...ela...pa a se subi nessa pi âmide nós emos que pensa sob e udo as
ins i uições que êm uma missão cul u al no sen ido de as o na cada ez mais abe as e
acessi as ao público. E, po an o, há á ias es a égias...es a égias que ão da es a égia mais
ma e ial que é polí ica bilhe ei a, a é a o ma como nós podemos u iliza
de e minan e...de e minado ipo de es a égias que seja dessas que de em se ... e o igem no
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p óp io espaço po odos ... odos os espaços êm ca ac e ís icas di e en es. O CCB em
ca ac e ís icas únicas como espaço. Es e espaço, com es a dimensão, com es e ipo de
a qui e u a, com es e ipo de con ex o, e po an o, udo isso de e se pensado quando se
desen ol e uma...uma p og amação no sen ido de cons i ui ...cons i ui pon os e a o es de
a a i idade pa a o público que e en ualmen e es eja in e essado em i aqui, e po an o, odas
as es a égias de descen alização passam po isso, passam po não só... ão do lado mais
ma e ial, que eu es a a a dize , a é ao lado mais a e i o e mais, digamos, ima e ial que se possa
imagina , não é?! Ou seja, a ques ão da a e i idade, a ques ão do acolhimen o, a ques ão da
acessibilidade que é mui o impo an e hoje em dia. Ou seja, pa a uma sociedade democ á ica,
hoje em dia, não é necessá io pensa mos na la ga... na maio ia das pessoas, ou seja, na la ga
maio ia, mas em odas as pessoas das mino ias pa a uma sociedade democ á ica hoje em dia
são mui íssimo impo an es, ão impo an es como a la ga maio ia. Po an o, hou e uma
p imei a ase na democ acia em que se pensou sob e udo em con en a essa maio ia, mas hoje
em dia a democ acia e oluiu, digamos assim, es á mais e oluída, penso eu, e po an o, as
elações cí icas que a de inem e que a ca ac e izam, e po an o, hoje em dia o cuidado com as
mino ias é mui o impo an e. O a, e odo uma...um posicionamen o de acessibilidade à oda
gen e...o ac o de nenhuma pessoa, endencialmen e, nenhuma pessoa se sen i excluída, mas
odas as pessoas se sen i em incluídas na p óp ia ins i uição cul u al e na dimensão cul u al é
algo undamen al pa a que haja, no undo, o ala gamen o de públicos e que na u almen e a
o e a cul u al den o daquilo que são as a es do espe áculo, a es isuais, e c. con inue a exis i
e a se , penso eu, um undamen o impo an e pa a a ida em democ acia, não é?! Pois é,
po an o, essa ques ão da inclusão é undamen al. A inclusão, no undo, az-se com um leque
mui o ala gado de es a égias, sendo ce o,... que se de e pa i semp e do con ex o onde se
es á, po que a ins i uição CCB, com as ca ac e ís icas que em, especi icidades que êm,
na u almen e em que de ini ipos de es a égias que se ão necessa iamen e di e en es da
ins i uição Tea o Nacional de São Ca los, Tea o Nacional Dona Ma ia II, a é a ques ão da
implan ação do p óp io..., da p óp ia ins i uição no espaço público, no espaço u bano, que
dize , po exemplo, dou-lhe o exemplo do Tea o Dona Ma ia II, em uma g ande p aça a sua
en e, po an o, essa p aça ambém ela p óp ia no espaço u bano que es á no en o no do ea o
ambém de e se um a o de con ibu o pa a a no o iedade dessa ins i uição. O São Ca los em
uma p aça mais pequena, em um ecuo, o que nós emos no odeamen o do Tea o São Ca los
não é aquilo que emos como anseun es no Tea o Dona Ma ia II. Is o udo são ques ões que
de em se colocadas pa a quem de ini uma es a égia cul u al pa a uma o ganização.
120
APÊNDICE D – En e is a 4
Concedida pelo P o esso Dou o Rui Viei a Ne y.
Local: Fundação Calous e Gulbenkian, Lisboa.
Em: dia 31 de janei o de 2020.
A qui o .mp3 - 18 minu os e 2 segundos.
K- Como o S . ê o Tea o Nacional de São Ca los e a Companhia Nacional do Bailado no
sis ema cul u al po uguês, qual o seu pon o de is a sob e es as duas ins i uições?
N- Na ealidade são duas ealidades di e en es que o am a i icialmen e combinadas numa
única ins i uição, mas que ep esen am enómenos comple amen e di e en es. O Tea o
Nacional de São Ca los é o an igo Real Tea o de São Ca los é um ea o que oi inaugu ado no
inal do século XVIII e que oi desde en ão, digamos, o g ande e o p incipal de Po ugal. Com
o ci cui o in e nacional da ópe a na Eu opa hou e momen os em que e e mais p odução
nacional ou as que e e mais p odução in e nacional, mas, digamos, a sua ocação é
essencialmen e um ea o de es ação que acolhe, p oduz ele p óp io espe áculos, umas ezes
au onomamen e ou as ezes em pa ce ia, em cop odução com ou os ea os ou as ezes
(inaudí el) com p oduções ex e io es. Esse é um dos aspe os, mas nesse sen ido é mais
impo an e po que é o único ea o de ópe a pe manen e do país, as ou as expe iências de
ep odução de ópe a em Po ugal são episódicas enquan o que es a é a de um ea o que dispõe
de odos as ca ac e ís icas e odas as condições pa a pode p oduzi egula men e empo adas
de ópe a. Depois, se o az ou não az podemos depois con e sa sob e isso. A Companhia
Nacional do Bailado é po de inição uma companhia esiden e. Não é uma companhia de
acolhimen o, pode e co eóg a os con idados, pode e e en ualmen e solis as con idados de
o ma espo ádica. Mas a sua unção é se capaz de se um ins umen o de abalho pe manen e,
como se osse uma o ques a que po um lado man ém o epe ó io clássico do bailado e de
ou o lado ap esen a no as co eog a ias a pa i dos ecu sos a ís icos quali icados de que
127
undamen ais e a c ia uma legislação que a o ecesse esidências a ís icas p olongá eis po
dois anos, ês, p o ogá eis. Em cine ea os e ou as es u u as que são excelen es, es ão mui o
bem equipadas, mas não êm pessoal humano lá den o a c ia cul u a. E pa a esse ei o quando
eu cheguei ao minis é io ui con on ado com o caos na a ibuição dos subsídios po que os
subsídios e am baseados em c i é ios de qualidade a ís ica abs a os em que o jú i de ês ou
qua o pessoas ou cinco azia uma a aliação de odas as candida u as independen emen e da
biog a ia, digamos assim, das en idades, de cada uma das en idades e como é que elas es a am
a abalha no e eno; e com base em c i é ios di os es é icos, de qualidade es é ica,
essencialmen e, e que a meu e e am mui o subje i os, decidiam se uma en idade inha mais
100.000 € ou menos 100.000 € ou não inha eu o nenhum. Não conheço (inaudí el) nenhum. E
eu iz... achei que esse sis ema e a um sis ema mui o a bi á io que não pe mi ia a uma en idade
pensa a a i idade a longo p azo e com con inuidade e com uma isão de u u o. En ão eu iz
uma iagem a odos as.... en idades apoiadas pelo Minis é io da Cul u a. Fiz uma iagem do
Minho ao Alga e e alei com odas as en idades apoiadas, en e g upos de ea os e ou os. E
cheguei à conclusão de que ha ia uma con adição mui o g ande. Ve i iquei que ha ia en idades
que inham mais dinhei o do que aquele que podiam gas a e ha ia en idades que inham … não
inha o dinhei o su icien e pa a aze o mínimo..., o mínimo. Ha ia en idades em ão de escada,
cujas ins alações e am um ão de escada, ou seja, não inha condições logís icas e ou as com
condições logís icas, mas sem e bas pa a pode em man e a qualidade e as solici ações dessas
condições logís icas. En ão iz uma lei que oi ap esen ada em 2006 no Cen o Cul u al de
Belém pe an e duzen os agen es a ís icos que du an e qua o ho as ize am pe gun as a mim e
a minha assesso a sob e os p incípios da lei. E ge ou-se um g ande consenso. Esse Consenso
aduziu-se na maio ia dos... esmagado a dos... dos agen es que es a am p esen es. Ha ia dois
ou ês que não es a am... não se mos a am..., mais con a iados, mas dos duzen os a g ande
maio ia conco dou com os p incípios. A lei oi... oi p omulgada pelo go e no, oi ap o ada
pelo go e no. Foi p omulgada pelo p esiden e da República e oi publicada. Foi publicada pa a
se pos a em p á ica pela p imei a ez quando acabasse o ciclo que es a a em cu so que é de
dois em dois anos. Po an o, e a pa a começa a se aplicada em 2008, no e ão de 2008, mas
en ou em igo no inal de 2006. O a, eu saí do go e no em janei o de 2008 e eio um no o
minis o pa a o mesmo go e no. E a p imei a coisa que ez o no o minis o oi anula a lei.
Anulando odo o abalho que eu inha ei o du an e quase um ano de a aliação da si uação das
es u u as em país. E eg essando ao caos an e io que se man ém hoje. Po que con inua...
con inua a ha e p oblemas em unção da inexis ência de uma polí ica, a meu e , consis en e
128
que a o eça a consolidação es u u al... es u u al de companhias baseadas não no
p og amado , não na p og amação, mas na p odução e no emp ego a ís ico es á el. Um à
semelhança do que se passa com as unidades de in es igação cien í ica. A ede de unidades de
in es igação. No undo eu que ia c ia no Minis é io da Cul u a uma ede de es u u as de
p odução a ís ica equipa á eis a ede de es u u as de p odução cien í ica que nós emos ago a
em Po ugal. Com base em c i é ios de a aliação complexos e não baseado nos gos os ou em
c i é ios de qualidade subje i os, mas que le assem em conside ação o abalho com as escolas,
alo da in e enção local, p opo ção ao emp ego a ís ico local, a o ecimen o ao emp ego
a ís ico local, os in e câmbios não só nacionais, mas ambém in e nacionais. Mas, po an o,
uma sé ie de conside ações que não... que não... que não pe mi iam, no undo, aquilo que eu
acho mais g a e que é o Es ado demi e-se e deixa que ês pessoas decidam. O que é que de e
se apoiado. E o Es ado demi e-se... E en ão com a demissão do Es ado que é que acon ece?
Uma es u u a que em dez anos de abalho impo an e, com p odução local, com polí ica
a ís ica, e c., de epen e ica sem dinhei o e o dinhei o que ai pa a um no o p oje o que
ninguém sabe o que é que ai se daquele p oje o, com base num c i é io que me pa ece a mim
pe igoso, po que não dá ga an ias às es u u as com o abalho ei o e p oduzido pa a pode
man e -se … se desen ol e . Não podemos es a cons an emen e com a co da na ga gan a. Tem
que ha e uma polí ica de alo ização do que é posi i o, co eção do que é nega i o e melho ia
de pe spe i as em unção de uma a aliação. Ou seja, o abalho das es u u as, na minha
pe spe i a, é a aliá el pelo que ize am e dois anos ou qua o, az-se um exame da si uação,
ê-se quais são os indicado es mais acos, os indicado es mais o es, alo iza-se os mais
o es, co ige-se os mais acos. Mas as es u u as são acompanhadas des a manei a de uma
o ma em que não es á em causa a sua subsis ência, mas sim a capacidade delas se eno a em
e de se consolida em e se ans o ma em pa a p es a um se iço melho do que aquele que êm
p es ado. E a isso o que eu p e endia. E a esse o obje i o. Eu posso manda esses documen os.
Es ão odos no meu si e... se o ao meu.... Google si e em lá “apoio às a es”, “dossiê apoio às
a es” e ê essa... ê essa... ê os documen os. Ou a coisa ... como eu i e a delegação... como
eu i e a delegação da minis a como sec e á io de es ado pa a a a dos espe áculos, po an o
eu es a a a a a des a ques ão, do... do apoio às a es, eu ambém me ocupei dos ea os
nacionais. E é nesse con ex o que su ge a Opa .
K- O Opa oi c iado como modelo de es a égia de ges ão pa a o Tea o Nacional de São
Ca los e a Companhia Nacional do Bailado. O que mo i ou al decisão? Tudo co eu bem ou
mal? E quais e am as o mas de ges ão an e io es?
129
C- Eu Tenho os documen os (inaudí el). Eu ou dize um pouco de co . Tudo is o em a e
com a sus en abilidade inancei a e com a au onomia inancei a e adminis a i a. Ou seja, há
uma al u a em que os ins i u os públicos pe dem au onomia inancei a. Os ins i u os... a igu a
do IP, Ins i u o Público. A pa i de ce a al u a deixam de e au onomia inancei a e só êm
au onomia adminis a i a, mas não podem ge i os dinhei os. En ão, chegou-se à conclusão que
pa a os o ganismos de p odução a ís ica e a melho , pa a eles pode em planea , aze con a os
a longo p azo mui as ezes com dois anos e ês anos de an ecedência o a do o çamen o que
es á ap o ado pa a aquele ano ci il, e c., que e a p e e í el, en ão, não se Ins i u os Públicos.
Passa em a se Emp esas Públicas, EPE’s, po que as Emp esas Públicas êm uma capacidade,
êm au onomia adminis a i a e inancei a, podem negocia com Minis é io das Finanças e da
Tu ela e da Cul u a, nes e caso, con a os-p og ama com inanciamen o plu ianual, is o é o que
es á nos es a u os, ...plu ianual. E, po an o, essa igu a pa ecia-nos a mais adequada. Ou a
hipó ese e a a hipó ese da undação. Mas a undação e a mais p oblemá ica po que implica a...
undos... um es a u o mais complexo. Po que uma undação só exclusi amen e com os undos
públicos é um pouco es anha. No malmen e uma undação en ol e á ias en idades ao mesmo
empo. En ão, op amos po essas Emp esas Públicas pa a os o ganismos de p odução a ís ica,
ou seja, os ea os nacionais, a Companhia Nacional do Bailado, e c. En e an o, es a... com a
en ada em unções do go e no a que eu pe enci, hou e um p og ama que se chama a PRACE,
p og ama da e o ma da adminis ação cen al, de es u u ação da adminis ação cen al do
Es ado, que p e endia aze uma a aliação dos o ganismos exis en es da adminis ação cen al
do Es ado pa a e i a duplicações, edundâncias e poupa em cus os de supo e, ou seja, em
núme o de adminis ado es, núme o de ges o es. Tendendo a e i ica .... o núme o de di e o es
de con abilidade, núme o de pessoal adminis a i o. Tendendo a conside a a é que pon o é que
se ia possí el condensa num o ganismo á ios..., dois ou ês, e aí em ez de se doze ges o es
ês em qua o o ganismos..., ha ia ês ges o es pa a aquilo que an igamen e e a ge ido po
doze, não é?! Po an o, uma acionalização. Uma uni icação. Os ins man êm-se, as es u u as
man êm-se, o pessoal de p odução man ém-se, o pessoal a ís ico, digamos assim, man ém-se,
o pessoal écnico e a ís ico, mas o pessoal de ges ão e con abilidade, o cus o de supo e é
con aído pa a libe a ecu sos pa a a a i idade subs an i a que é a p odução de cul u a. Não
es amos aqui pa a p oduzi ges ão. Es amos pa a p oduzi cul u a. Po an o, podemos eduzi
os ges o es se daí esul a o melho ... melho adminis ação de ecu sos com is a ao im que
se p e ende. E en ão, hou e umas comissões in e minis e iais que ize am a aliação dos á ios
minis é ios não só no minis é io, mas o ganismos que es a am em á ios minis é ios que
130
podiam se ans o mados num só. Po que semp e nalguma unção que dizia espei o a á ios
minis é ios e, po an o, inha-se que depois se decidi se ica am, mas não p ecisa a ha e ês
o ganismos, um em cada minis é io. E en ão oi suge ido ao Minis é io da Cul u a que izesse
uma sé ie de..., uni icação de á ios o ganismos, en e eles os ea os nacionais. En ão, a
p opos a que eio pa a o Minis é io da Cul u a é que eu numa p imei a ase acei ei como
possí el oi que os ês ea os nacionais de Lisboa, os ês o ganismos nacionais Lisboa: Tea o
São Ca los, Tea o Dona Ma ia II e Companhia Nacional do Bailado i essem uma só
adminis ação an o que o Opa ab angesse os ês, os ês exa amen e, ha endo depois um
di e o a ís ico em cada. Mas a adminis ação em ez de se em no e adminis ado es se iam
só ês, po que os ou os adminis ado es são ês. Os Conselhos só êm ês. Em ez de se em
no e passa iam a se ês. Os di e o es de con abilidade ambém... udo isso (inaudí el) com
ês. Mas depois numa segunda ase, em con e ência minha com o sec e á io de es ado da
e o ma adminis a i a que e a.... o ... que eu conheço mui o bem, ago a não me es ou a lemb a
do nome já... depois eu lhe digo o nome... João Figuei edo... João Figuei edo que é uma pessoa
com uma sensibilidade a ís ica. En ão, em con e sa com ele nós concluímos... quase no p óp io
momen o em que o dec e o ia se ap o ado e que e a melho sepa a o ea o Dona Ma ia II,
deixa es a o Dona Ma ia II que e a uma sociedade anónima de esponsabilidade limi ada oi
ans o mada numa EPE, po que não azia sen ido a sociedade anónima de esponsabilidade
limi ada ga an i ao Dona Ma ia II au onomia adminis a i a e inancei a, mas só inha um
acionis a que e a o Es ado e e a uma igu a de di ei o p i ado e não de emp esa pública. E,
po an o, pa a uni o miza demos-lhe o ca á e de emp esa pública, mas man i emos a
au onomia do Tea o Dona Ma ia II. E jun amos apenas o São Ca los e a Companhia Nacional
do Bailado, po á ias azões. P imei o, po que a ópe a e o bailado em 99% dos ea os eu opeus
são a iculados e uncionam jun os. E, po an o, caso de Po ugal e uma emp esa pública só
pa a o bailado, Companhia Nacional do Bailado, e a um caso excecional den o da Eu opa que
não azia mui o sen ido. Segundo, a au onomia espe i a do São Ca los e da Companhia
Nacional do Bailado man inha-se, po que inha um di e o a ís ico pa a cada uma e a é posso
dize que a au onomia icou e o çada com a no a a no a igu a do Opa , au onomia a ís ica
po que a an iga si uação da a apa en emen e uma g ande au onomia à Companhia Nacional do
Bailado, mas na e dade quem manda a na u ilização da o ques a e quem decidia os ecu sos
que o São Ca los podia pô à disposição da Companhia Nacional do Bailado e a o di e o do
São Ca los. Não ha ia nenhuma espécie de a iculação en e os dois. Eu ou lhe da um
exemplo, como é que unciona a an es do Opa : o São Ca los p og ama a. Tinha uma
131
p og amação. E dizia...: ou da a o ques a do São Ca los à Companhia Nacional do Bailado
pa a aze o p og ama de na al, adicional, que é ...Tchaiko sky..., O Lago dos Cisnes... ou
ou o mais.... de na al que ago a não es ou lemb ado o nome, pa a aze os espe áculos no dia
x.... nos dias x, po exemplo, a pa i do dia 19 de se emb o a é o dia al a o ques a es á
des inada. Mas o di e o do ea o na sua... nos seus con ac os com os a is as que inha
con a ado ou que ia con a a à úl ima ho a há um a is a que diz: não posso aze o conce o
no dia 17 só posso aze no dia 21. E o di e o do São Ca los dizia à Companhia Nacional do
Bailado: a inal já não enho a o ques a pa a o dia 20 ou pa a o dia 19, só enho pa a o dia 21.
E, en ão, a Companhia Nacional do Bailado como já inha udo p og amado inha que con a a
o a uma o ques a po 140.000 € pa a paga os cus os da al a de conside ação que o di e o do
São Ca los pa a com o comp omisso que ele inha assumido. Is o passa a-se en e as duas
ins i uições. Esse con li o. 140.000 € ... eu sou es emunha. Há uma si uação em que a
Companhia Nacional do Bailado pa a aze o espe áculo em que paga 140.000 € po que o
di e o do São Ca los decidiu que não da a o ques a à úl ima ho a. O a, is o com o Opa
deixou de acon ece . Po que quando ha ia con li o en e os dois di e o es a adminis ação
a icula a. Bom, is o é uma an agem. A iloso ia do Opa é.... que es á esc i a no... nos
es a u os. É uma iloso ia que assen a nes a ideia..., eu a é usei es a exp essão: uma pi âmide ao
con á io. Ou seja, a ges ão da sus en abilidade do p oje o a ís ico, mas não con ola o p oje o
a ís ico. Po an o, a ges ão es á ali pa a ga an i a boa aplicação dos ecu sos, a boa aplicação
dos con a os-p og ama como eles o am negociados, pa a ap o a os p og amas de p odução
que são ap esen ados, mas sem uma in e e ência abusi a na au onomia a ís ica do di e o que
em di ei o a aze as escolhas que en ende e de p og ama de aco do com esses obje i os
de inidos no con a o-p og ama. E, po an o, po ém sabia po essa azão e ambém po que os
di e o es a ís icos são con a ados mui as ezes no me cado in e nacional e mui as ezes não
acei am po ês anos, acei am po qua o ou cinco anos, o a dos ciclos habi uais da ges ão que
são de ês anos..., en ão, não se podia liga a nomeação do di e o a ís ico à nomeação da
ges ão. Po an o, a ges ão não nomeia o di e o a ís ico po que a ges ão pode se mudada a
qualque momen o, po um lado, po ou o lado pode acaba o ciclo de ês anos e o di e o
a ís ico ainda man e -se. E, po an o, o di e o a ís ico é de con iança da ges ão. Na minha
pe spe i a não pode se da con iança da ges ão. Tem que se da con iança da en idade pública,
da missão de se iço público que é a aliada em cada momen o pelo i ula da pas a. Não..., isso
não signi ica que o go e no... isso não signi ica que o sec e á io de Es ado á escolhe um
di e o pa idá io ou di e o po ia polí ica. Signi ica que o sec e á io de Es ado em que olha
132
pa a a lei ... ou digo, o minis o em que olha pa a lei, ab i concu so público ou aze uma
sondagem e nomea uma pessoa que co esponde, segundo ele, aos pad ões que são eque idos
pa a o exe cício daquela missão do se iço público. E, ao mesmo empo, az o mesmo juízo
pa a os ges o es com o Mis é io das Finanças. Po an o, po um lado o go e no nomeia... o
go e no nomeia, em conselho de minis os, os ges o es. E o i ula da pas a nomeia o di e o
a ís ico da Companhia Nacional do Bailado e do São Ca los. Des e modo há uma... uma elação
ce a de ce a manei a he e á quica e não hie á quica, he e á quica, en e os ges o es e os
di e o es a ís icos. Não se pode dize que o di e o a ís ico es á subo dinado ao ges o nem
que o ges o es á subo dinado ao di e o a ís ico. Es ão ambos numa posição de equilíb io. Têm
que ge i esse equilíb io dialogando e p ocu ando consensos cons an emen e. E, po an o, o
bom uncionamen o depende mui o de uma boa a mos e a que se ge e que seja ge ada na...
den o da Opa . Po an o, e a es a a iloso ia. Ago a, há uma coisa que que ia dize ... o São
Ca los é uma es u u a de p odução a ís ica mui o pode osa. Re e indo-me, ago a, ao São
Ca los. Po que em 400 e al uncioná ios, con ando com o ques a, com os écnicos ou ou o
pessoal. Cus a 40.000 € po dia em média mesmo es ando echado. Mesmo que o edi ício es eja
echado os o denados em que se paga e as despesas de manu enção. São 40.000 € po dia. E
na minha pe spe i a o São Ca los em ob igação de ge a emp ego a ís ico local ou massa
c í ica cada ez mais o e. En ão, na minha opinião, o São Ca los de ia c ia um núcleo
pe manen e de can o es con a ados po concu so público em Po ugal e no es angei o que
pe mi isse que hou esse não in a espe áculos de ópe a po ano, que não é nada, mas duzen os
espe áculos de ópe a po ano. O que se ia possí el aumen a exponencialmen e o núme o
espe áculos de ópe a com base em núcleo esiden e. Po que o núcleo esiden e de can o es
baseia-se numa elação con a ual em que cada can o con a ado, po um pe íodo de dois anos,
po exemplo, eno á el, é ob igado a da , po hipó ese, sessen a ou se en a eci as ou cinquen a
eci as po ano ao São Ca los como can o esiden e; com base numa a ença mensal que nunca
muda. A a ença mensal man ém-se. Se ele de cinquen a espe áculos pe cebe a mesma a ença
e se de oi en a ecebe a mesma a ença. E, po an o, isso pe mi e en abiliza o núme o de
espe áculos em unção de um cus o médio de p odução e ga an e abe u a a no os públicos e
abso ção de jo ens, e sem se jo ens, p o issionais quali icados do can o em Po ugal que es ão
no desemp ego ou que i em numa si uação de emp ego ince o, emp ego p ecá io; po que não
em nenhuma es u u a a ga an i a sua a i idade a ís ica con inuada. Po an o, eu acho que
um dos p oblemas de São Ca los que es a a a se esol ido pelo Dammann, po isso é que e a
bom o Dammann... en e is a o Dammann..., e a p ecisamen e a icula um es údio de ópe a
133
que es á p e is o na lei. Na minha lei es á p e is a a c iação do es údio de ópe a, que oi c iado,
mas depois que ie am ou os minis os e que não exigi am que o es údio de ópe a uncionasse
como es á na lei, deixou de exis i . O a, o es údio de ópe a da a emp ego a jo ens can o es
saídos da Escola Supe io de Música que êm dou o amen os e bolsas de es udo e que icam no
desemp ego. Não êm nenhum local em que possam con inua a desen ol e a sua a i idade
a ís ica. E o es údio de ópe a uncionou com o Dammann dando, po exemplo, ... (inaudí el)
como lemb a ... de umas eci as pa a as amílias que o am ei as em dezemb o 2007, c eio eu,
em que qua o ze espe áculos seguidos de ópe a esgo ados, po exemplo, com A Bela
Ado mecida do Rhesphigi can ada em po uguês com a encenação do And é Helle -Lopes que
é um encenado b asilei o que abalha a no São Ca los comigo... E com o… com c ianças,
com amílias e pessoas que nunca ão ao São Ca los, pe mi indo ao mesmo empo ab i no os
públicos e, po ou o lado, ga an i emp ego a ís ico a jo ens can o es que de ou o modo não
e iam ou a opo unidade. E não podem se mui as. Po an o, a minha espe ança no Opa e a
ambém que começasse a desen ol e -se uma no a es a égia de p odução de ópe a baseada
em núcleo esiden e pe manen e no Tea o São Ca los, não só com can o es po ugueses, mas
sob e udo com can o es esiden es em Po ugal como é o caso em g ande pa e dos ea os
eu opeus, po exemplo, em Be lim ou em Pa is que êm núcleos esiden es pa a além dos
can o es que em de o a, que em do ex e io . Cá em Po ugal chega-se ao pon o de paga a
caché ambém can o es po ugueses que i em em Lisboa. Vai anda ês ou qua o espe áculos
de ópe a e depois não em nenhum ínculo com o Tea o. Eu acho que is o não pe mi e
desen ol e -se uma cul u a ope á ica em Po ugal. A nossa cul u a de ópe a é uma apa ência...
é uma icção. Po que in a espe áculos de ópe a po ano não é cul u a de ópe a pa a ninguém.
É pa a uma eli e que ecebe..., não é uma eli e é uma click que ecebe no subsídio do Es ado
mui o ele ado. Cada bilhe e é al amen e subsidiado, po quan o mais espe áculos, mais ba a o
é o subsídio de Es ado; quan o menos espe áculos, mais al o é o subsídio que o Es ado dá a cada
espec ado . No meu empo eu iz as con as: o assinan e de oi o ópe as no São Ca los..., o que o
Es ado punha pa a paga o bilhe e dele ... o que o Es ado punha equi alia a seis meses do salá io
mínimo nacional. O assinan e de ópe a ecebia do Es ado indi e amen e o equi alen e a seis
meses do salá io mínimo nacional pa a ou i ópe a. Eu iz as compa ações, na al u a, com os
ea os eu opeus e, po exemplo, em Pa is a p opo ção e a..., o Es ado ambém paga a, ocê
ia mui o mais espec ado es..., o salá io mínimo em F ança é ambém supe io ... Po an o, o
subsídio que o assinan e em F ança ecebia do Es ado e a de in e dias do salá io mínimo
nacional. E es es dados es a ís icos dizem mui o dos bloqueios que ainda hoje... com que ainda
134
hoje nós nos de on amos. Há esis ência. Po que as pessoas não... não... is o em de ás. Eu
es udei o São Ca los desde a undação..., conheces meu li o sob e o São Ca los?! Po an o,
explica quando a gen e pe cebe como é que unciona a o São Ca los no empo de Salaza .
Pe cebe que o modelo que ainda hoje igo a em Lisboa é o modelo do São Ca los do empo de
Salaza . O São Ca los não pe mi ia a en ada de pessoas sem smoking e es ido comp ido. Não
se podia i assim ao São Ca los. E a p oibido. Qualque pessoa que quisesse en a no São
Ca los es ido no malmen e não en a a. Tinha que en a de smoking, a igo ,
independen emen e de paga bilhe e. Es a ideia de um ea o mundano pa a es e ização da
polí ica, a se iço de es e ização da polí ica ainda hoje se man ém um pouco na cabeça dos
equen ado es do São Ca los que acham... se i em o São Ca los abe o a um público mais
democ á ico começam a acha ... começam a ica essen idos. “En ão, essa gen e ago a ambém
já ai ao São Ca los?”
K- É como se o ea o começasse a pe de um alo simbólico... cul u al...?
C- O alo de uma a e ese ada. Uma música ese ada. Eli is a...ex emamen e eli is a.
K- A associação da CNB e do Tea o, sob a ges ão do Opa , impulsionou as p á icas cul u ais
dessas duas ins i uições?
C- Eu acho que apesa des as... des as...des as ese as que eu aço ao desen ol imen o an e io .
Eu acho que es á p o ado que a eunião da Companhia Nacional do Bailado e do São Ca los
numa só es u u a adminis a i a, numa só emp esa pública que pe mi e o ap o ei amen o de
sine gias a odos os ní eis. Aos ní eis de pa ilha de ecu sos comuns, pa ilha de
in aes u u as, p og amação, a iculação aos di e en es ní eis, que a sua sepa ação não
pe mi ia. É que an o o São Ca los como a Companhia Nacional do Bailado bene iciam dessa
a iculação. Acho que podia se melho ada a a i idade do São Ca los na pe spe i a que eu disse,
mas pa a an o e a necessá io que a p óp ia u ela exigisse que se começasse a cump i o que
es á na lei. Designadamen e, exigi que o es údio de ópe a ecomeçasse o seu uncionamen o.
K- Na u almen e que a c iação do Opa ouxe desdob amen os pa a o se o cul u al. Que
impac os oco e am e se em 2020 o ema do Opa é ainda polémico, exis e oposição,
esis ência?
C- Eu enho a imp essão de que essas... que es as polêmicas são um bocado a i iciais. Às ezes
eu sin o uma ce a endência, po exemplo, da pa e... algum di e o da Companhia Nacional do
Bailado que acha que se de ia ol a ao sis ema an igo, po pa e do Bailado. Mas, al ez, isso
135
enha a e com a ci cuns ância... com uma ci cuns ância que eu que ia e i a , mas que não oi
e i ado. E a que a Opa não uncionasse no São Ca los. A di eção da Opa osse nou o local,
osse num local neu o. Po que... o que acon ece é que na medida em que a Opa es á no São
Ca los pode da a ideia à Companhia Nacional do Bailado que o São Ca los em uma posição
hie á quica supe io , p i ilegiada. Seja como o , eu penso que na p á ica isso não se passa. No
conc e o acho que não há azões de queixas da Companhia Nacional do Bailado, nem do São
Ca los ela i amen e à... Opa . Acho que a Opa , Opa , como quei a chama ... a Opa ou o
Opa , que comp o ou a sua e iciência e pe mi iu poupa cus os de supo e. Pe mi iu po encia
ene gias e poupa ecu sos que de ou a manei a i iam pa a a pa e de ges ão adminis a i a
sem necessidade nenhuma.
K- Den o das es a égias de democ a ização cul u al le adas a cabo pela Opa em uma em
especial que é o Fes i al ao La go. Qual a impo ância e signi icado des e es i al pa a o Tea o
São Ca los, pa a a O ques a Sin ónica Po uguesa, O Co o e a CNB?
C- Eu conside o que o Fes i al ao La go é uma das ealizações mais elizes do Opa , po que
pa a já é uma ealização que cong ega a Companhia Nacional do Bailado como o São Ca los.
E que o di e o a ís ico é o São Ca los... o di e o a ís ico.... o di e o a ís ico é do São Ca los,
c eio eu, do Fes i al ao La go; mas que pe mi e ambém chama pa a a Companhia Nacional
do Bailado (inaudí el) e ou as en idades ex e io es ao Opa pa a essa a i idade. E é um ges o
de abe u a do São Ca los à comunidade. E acho que em, ambém, um po encial a a i o mui o
g ande, po que essas ações que são ambém comuns a mui as en idades do gêne o, no
es angei o..., es i ais de e ão ao a li e em condições pa ecidas com a do São Ca los são,
ambém, uma o ma de ca i a no os públicos pa a música e pa a a ópe a. E acho que
p ecisamen e o Fes i al ao La go nos dá o exemplo de ou as ações que podiam se ei as, como
aquela que e e i a p opósi o do es údio de ópe a pa a a ai esses públicos. Não só pa a o a do
ea o, pa a o La go, mas ambém pa a den o do ea o. E habi uá-los a equen a o Tea o São
Ca los, com as ais eci as pa a as amílias... E aumen ando o núme o de espe áculos de ópe a.
Po que há mui o pa a mos a e mui o pa a aze e há g andes capacidades ins aladas, nes e
momen o, de p odução de ópe a em Po ugal que não êm possibilidade de se mani es a . E é
p eciso que o São Ca los a ab a as po as. Esses a is as... nós podíamos... nós emos ma e ial
su icien e pa a duas ou ês companhias de ópe a de al a qualidade es a em a unciona ao
mesmo empo em Po ugal. Se con a mos com os a is as esiden es, po ugueses e não
po ugueses, esiden es em Po ugal ou ligados a Po ugal, que podem aze ópe a de al a de
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qualidade, emos ma e ial pa a ês ou qua o companhias de ópe a. Po an o, emos ma e ial
humano... emos ma e ial humano, emos can o es que são su icien es pa a isso. E é uma pena
que nos empos dos anos qua en a em que não ha ia uni e sidades, não ha ia na o mação
supe io de can o como há hoje, não ha ia o ma e ial humano, o capi al humano que hoje já no
domínio da a e lí ica, do can o lí ico e que é iquíssimo em Po ugal e não em capacidade de
se mani es a em cons ução com essa iqueza. Po que essa p odução... essa p odução é um
alo económico, ambém não é só um alo cul u al. É um capi al humano que se ansmi e...
que se ans o ma em capi al económico, pois que... se nós i e mos uma es u u a de p odução
o e no São Ca los ambém ao ní el de uma companhia esiden e, es a companhia esiden e
ambém é expo á el. Pode se expo ada quando são..., os can o es andam po odo o mundo,
mui o bem. Mas a companhia em si ambém é expo á el como abalho cole i o ou
de e minada ma ca iden i á ia, em algo a p opo , que pode in e essa a públicos es angei os,
como um odo.
K- Ou seja, não só o ea o unciona como uma casa de ópe a que ecebe do es angei o ou do
ex e io as a i idades (ópe as, éci as), mas ambém p oduzi ?
C- P oduzi ..., aze cop oduções. Também em ei o cop oduções. O que acon ece é que as
cop oduções do São Ca los são semp e baseadas em con a os indi iduais com can o es sem
da ele o à necessidade de c iação de um ensemble pe manen e, de um conjun o pe manen e,
de um emp ego a ís ico es á el. É o que me pa ece. E acho que... semp e de endi que uma das
missões do São Ca los é ambém da ópe a em língua po uguesa. Po que nós somos uma das
línguas mais aladas no mundo e não se comp eende po que é que não... há... po que é que não
há ópe a em po uguês (inaudí el) de ópe a. Eu explico pouco isso, po que é que isso acon ece
no meu li o sob e o São Ca los. Tenho me e e ido a isso. Mas não há nenhuma azão pa a
não se da ópe a em po uguês pa a..., não só pa a o público conhecedo , mas pa a o g ande
público em ge al. Po que odas as g andes cul u as músico- ea ais se basea am nas ópe as das
espe i as de línguas que o iginais, que aduzidas.
K- Segundo seu pon o de is a que ou as es a égias, além do Fes i al o ea o colocou na sua
época em p á ica?
C- Eu acho que es á esc i o na lei (nos es a u os e nos obje i os) ... do ea o... Na lei da Opa
es á esc i o. E essas a i idades o ma desen ol idas, sob e udo, pelos di e o es a ís icos, e
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ezes; e só à e cei a é que disse sim que i ia e . E isso oi ei o em aco do com o conselho de
adminis ação..., só me pude am con ida pa a i pa a cá po que as coisas não es a iam a co e
como... como e a espec á el e ha ia uma on ade de muda , não se sabia mui o bem pa a quê,
mas hou e uma on ade de muda es e... o obje i o des e, digamos, des e espaço, p on o. Eu
quando enho es a minha econ e são pa a p oje os especiais...coo denado de p oje os
especiais, es e espaço não exis ia de odo, ou seja, exis ia o espaço, não exis ia es e concei o de
Es údios Ví o Có don. Po an o, como eu e a coo denado de p oje os especiais con ida am-
me pa a i ..., eu na al u a depois alei com o p esiden e, o D . Ca los Va gas, sob e o assun o
e acei ei i . Quem es a a cá... eles muda am, p on o. E, po an o, aquilo que eu encon ei cá
e a algo que eu não que ia aze . E como não que ia aze , a minha p opos a oi: eu ica ei sim...
se pude aze is o. Só ica ei se pude aze is o..., não ac edi o... Uma das coisas que me o ien a
é que eu não consigo de ende o que é inde ensá el. Há quem enha essa habilidade. Eu não
consigo aze isso. Eu só consigo de ende o que eu acho que é de ensá el, ou seja, eu enho
que ac edi a que é.… que es e p oje o é undamen al, que em... que em um luga na sociedade,
que em luga no momen o em que i emos pa a pode de ende e pode pensá-lo e pode em
su gi ideias dessa necessidade que... que é ...que é qual?! Que é p esen e... que is o em que e
undamen o, is o em que e impo ância pa a o que es á a acon ece ago a. E não pode se na
pe spe i a de apa um bu aco de uma coisa que es á aqui sem unção. Se não em unção e se
não encon a unção, en ão, (inaudí el). Olha, ... aze só po aze não se ia possí el. Po an o,
na al u a, oi assim que eu im cá pa a .
K- Qual a ele ância e o impac o sociocul u al dos es údios e quais são as suas a i idades?
G- O que é que são en ão os Es údios Vic o Có don? É exa amen e is o que aqui es á. Os
Es údios Vic o Có don são um cen o c ia i o pe encen e ao Opa , com a missão de po encia
o abalho de baila inos, co eóg a os, músicos, composi o es, en e ou os, p opo cionando
meios pa a o seu desen ol imen o e a p ojeção p o issional. Is o é algo impo an íssimo.
Depois, como é que es ão di ididas as nossas a i idades? São em qua o e o es. São
pla a o ma, c iação, pensamen o e eino. Es es são qua o eixos que... is o a ua semp e numa
es ei a elação en e a Companhia Nacional do Bailado e o Tea o Nacional de São Ca los.
Depois, den o de cada uma des as pla a o mas.... des es eixos exis em lá den o os p og amas.
Eu enho p og amas que são..., Pla a o ma, po exemplo, o que é que é is o? Is o é, ... em o
obje i o de descob i jo ens alen os e den o des es (inaudí el)... há aqui ês p og amas: um
é o e i ó io, ou o, jo ens composi o es e ou o composi o es e co eóg a os. E is o é o que? O
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e i ó io é um p og ama que é uma pla a o ma pa a odos os jo ens baila inos. Ou seja, odos
os anos nós lançamos..., nós izemos ago a o e cei o ano, lançamos o desa io às escolas de
odo o país à exceção de Lisboa, po que Lisboa já em o Conse a ó io Nacional que em uma
g ande isibilidade com um espe áculo inal no Tea o Camões, e is o c ia a aqui um
desequilíb io com o es o das escolas do país, po que o go e no po uguês ambém inancia o
ensino da dança o a de Lisboa. O a bem, ... se os meninos de Lisboa êm aquilo que é
necessá io pa a e em isibilidade, os do es o do país ambém em essa necessidade. A ideia
des e p og ama em exa amen e daí, que é ...eu eúno... eu lanço o p og ama, as escolas odas
en iam os seus ep esen an es, azemos uma audição como um jú i ex e io a nós e isen o, e
são os pedidos dos jo ens baila inos. O que eu aço é: con ido co eóg a os, dois co eóg a os,
que es e ano po acaso é ... es e ano é Ma co Goecke e I a xe Ansa e o Igo Baco ich. No ano
passado o am ou os. No p imei o ano o am ou os. E acon ecem duas coisas, em a e com
a ida de um baila ino p o issional; um az uma eposição..., uma peça que já oi ei a que eles
ão ap ende e ou o az uma c iação. Po que a ida de um baila ino o p o issional numa
companhia de mains eam é essa, não é só c iações. É c iações e eposições. E depois, c iei uma
pa ce ia com um es i al de ídeo (inaudí el) que exis e em Po ugal, chamado o Winchado e
c iamos um p émio que é o p émio Te i ó ios de Víc o Có don..., que o encedo da ca ego ia
melho ealizado nacional ecebe como p êmio uma encomenda de um ilme... pa a e um
jo em ealizado de um ilme a ap esen a no espe áculo e en e as duas co eog a ias. Po an o,
is o, cla o que em um impac o o íssimo..., são jo ens baila inos dos qua o ze aos dezoi o.
Es ão a e -se a dança co eóg a os de opo mundial, como..., no ano passado i emos uma peça
do Alexande Heckman. O Alexande Heckman es á a se dançado na Ópe a de Pa is, no Royal
Balle e es á a se dançado em odo o plane a no mais al o ní el. E es es miúdos en e os qua o ze
e os dezoi o..., os do ano passado, êm no cu ículo dança uma peça de Heckman. A p imei a
ez em Po ugal que isso oi ei o. E ... como é que isso é possí el? É ..., po que, is o é, uma
(inaudí el) mui o di e en e do que é uma companhia p o issional. Eu não enho um elenco, não
enho um co po a ís ico. Po an o um co eóg a o es á mui o disponí el pa a apoia o mação
de jo ens baila inos. Depois a sua disponibilidade pa a abalha companhias é o almen e
di e en e. É um ou o campeona o, não em nada a e . Mas o descob i es a possibilidade oi
um momen o absolu amen e inc í el. Is o é um impac o mui o o e na ida des es jo ens
baila inos, is o ma ca-os pa a o es o da ida. Eles passam um mês em Lisboa, mas a nossa
ins i uição paga udo. Eles não pagam nada: iagem, alojamen o, alimen ação, es eia no Tea o
Camões, depois ão em dig essão. É uma expe iência única. E eles icam a sabe o que é que é
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de ac o a ida de um baila ino p o issional que é abalha ... en a num es údio de manhã,
abalha o dia odo e depois i descansa ... e se ecupe a e depois um espe áculo e depois uma
dig essão. Po an o, eu penso que é um con ibu o mui o, mui o g ande, impo an íssimo que
nós es amos a da pa a as ca ei as. E em aqui ou o p og ama que é o p og ama
Composi o es... Os Jo ens Composi o es que é o ien ado pelo composi o Luis Tinoco. E aqui,
mais uma ez, es amos a ap esen a jo ens alen os. En ão es es... es es jo ens composi o es
em de onde? São pessoas que em da escola... emos semp e es a ideia que é... a coisa é…
não é pensada só po nós; emos que pô os ou os ambém a pa icipa . Nes e caso, um dos
composi o es em... é escolhido pela Escola Supe io de Música. O ou o composi o pelo
o ien ado que é o Luis Tinoco e o ou o pelo di e o a ís ico do Tea o São Ca los. E assim
que eles cá eem e . E depois, eles êm ês semanas..., já acon eceu a p imei a, que são
emá icas, em que os composi o es se elacionam com ou as á eas das a es pe o ma i as.
Po que o in ui o do p og ama é desen ol e o espí i o colabo a i o en e as di e sas á eas das
a es pe o ma i as, po exemplo: es e ano nós já i emos a música da ópe a... música... já
i emos uma sé ie de coisas; es e ano i emos a p imei a sessão, oi es a semana, a elação en e
os composi o es e encenado es a o es. Têm músicos, ... a o es. O que é que se az? Du an e
uma semana...e em uma ap esen ação inal dos esul ados da semana. Es a segunda semana ai
se com ealizado es; os composi o es e ealizado es. Po que os composi o es podem que e se
composi o es de cinema, podem se composi o es de a es cênicas, composi o es de conce os
apenas. Se in e essa apenas po conce os, composi o es pa a ópe a. Há mui os caminhos. Tem
que expe imen a . E depois, es a úl ima semana aqui, a e cei a, é a semana dos composi o es
e co eóg a os. Que is o aqui, apesa de es a den o dos composi o es já é um ou o p og ama,
po que oi com os composi o es e co eóg a os englobam mui o mais gen e. E já emos ês
jo ens composi o es, ago a emos um ou o coo denado que é Vic o Hugo Pon es que é um
co eóg a o mui o conhecido em Po ugal e ês jo ens co eóg a os. De onde é que em es es
ês jo ens co eóg a os? A mesma lógica: um é nomeado di e o a a ís ica da CNB, da
Companhia Nacional do Bailado, ou o pela Escola Supe io de Dança e ou o pelo o ien ado
dos co eóg a os. Po an o, é mui o democ á ico. Ou seja, não é uma cabeça a pensa em udo.
São mui as cabeças a pensa ... que pensam. E uma das minhas maio es p eocupações em elação
aos Es údios Víc o Có don é e ep esen a i idade. As pessoas e em-se ep esen adas. E há
mais p obabilidades das pessoas se e em ep esen adas quando elas p óp ias pa icipam no
p ocesso de escolha do que ai acon ece . Cla o que is o não que dize que azemos não
impo a o que. A sabedo ia em que á an es. Tem-se que pe cebe quem é que se con ida p a
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p og ama as a i idades e quais são as es u u as que nós con idamos a se em nossos pa cei os.
E isso é que é ... A sabedo ia es á aí. Po que depois, ... se esses pa cei os se encaixam den o
da iloso ia do espaço, en ão udo ai unciona ce o. (inaudí el) O que é que nós azemos
mais pa a aqui..., pa a se mesmo pla a o ma... Nós azemos pa a aqui os alunos inalis as da
Escola Supe io de Dança que são os baila inos, na semana dos composi o es e co eóg a os e
alunos da Escola Supe io de Música, que são os músicos. Po an o, dia sim dia não êm de
ap esen a uma a e a. Têm que ap esen a um pequeno espe áculo, dia sim dia não. Segunda é
lançada uma a e a, na e ça à a de êm que ap esen a o espe áculo. Qua a, quin a, sex a,
sábado ambém...do dia ap esen am e sábado ao im do dia ap esen am as peças selecionadas a
um g ande público que em cá assis i ... Que chegam..., jun am cem, ... no en a pessoas den o
do es údio. É mui o o e..., é a loucu a o al..., ica udo ao con á io. Is o ica um pandemônio,
pa ece um campo de ba alha..., que é isso... é a lu a pa a consegui . P on o, is o é a pla a o ma.
Repa e que nes a pla a o ma nós emos aqui mui as camadas. Temos uma elação com o
e i ó io, emos elação com odas as escolas de dança do país. Es e é um ní el. Ou o ní el, o
ní el uni e si á io da Escola Supe io de Dança e da Escola Supe io de Música. O úl imo
ní el... os que já e mina am que es ão em início de ca ei a. os jo ens co eóg a os e os jo ens
composi o es. P on o! São mui os ní eis em que es amos a lança pessoas. Há pessoas que nes e
momen o es ão a aze ca ei a como composi o es, cujo pon o de pa ida oi o que ize am
aqui. E oi ão impo an e que alguém iu e já o es á a pô na ede de ci culação. Depois, o
ou o... é isso... é a c iação. E a c iação na ealidade é apoio à c iação. Como é que apoiamos...,
a a és des es p og amas. Um deles se chama Em T ânsi o. E al como o nome indica é um
p og ama em que as pessoas que cá em es ão em ânsi o. Vem cá um empo e depois ão
embo a. De ac o, é como no ae opo o, es a em ânsi o, não é?! Es e p og ama em elação
com os es i ais de dança. Nós emos..., al a aqui um ago a po que já oi a ualizado, que é Dias
da Dança, Temps D’imagens, Boca, Alkan a a, Cumplicidades... ma e iais di e sos..., is o aqui
é na zona de Riba ejo, is o aqui é em Guima ães e ago a al a aqui os Dias da Dança do Po o.
Cada um des es es i ais pode agenda ês co eóg a os a e em a esidência nos Es údios Víc o
Có don po ano. Po an o, emos um, dois, ês, qua o, cinco, seis, se e...são in e e um
co eóg a os po ano... êm des a elação que c iamos com es es es i ais. Mais uma ez não
somos nós que escolhemos quem é que em cá. O es i al é que escolhe, senão nós podíamos
se acusados de escolhe e e ..., di igi ..., en a in luencia , não! Nós escolhemos os es i ais
e c iamos o p og ama. Ago a quem em eles é que êm que decidi . E, po an o, sen em-se,
nesse sen ido, ep esen ados. Is o em... is o o alece aquilo que nós achamos que é es a... o
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papel da c iação a ís ica na sua elação com os es i ais ao po encia esidências a ís icas num
espaço que é acessí el, que em odas as condições pa a aze uma c iação, den o de um... dos
Es údios Víc o Có don. Depois, emos um ou o p og ama que em oposição ao Em T ânsi o
chama-se Em Casa. O p og ama Em Casa..., eu con ido odos os anos um co eóg a o que ica
du an e uma empo ada in ei a cá e oda a sua p odução a ís ica é ei a cá. Cla o que não á cá
odos os dias, em al u as... são manchas de... ou es a aqui... “quando é que ais aze a
c iação?” “-Ah eu p eciso aze em dezemb o, em ma ço, em julho” ... “Ok, en ão, quais são as
da as?”. E é p io i á io. Ele es á em casa. Pa a além de..., e es e é João dos San os Ma ins que
é um g ande alo do pensamen o co eog á ico, da p á ica da dança em Po ugal, de uma no a
ge ação, que eu ac edi o mui o. Acho que é uma pessoa com um po encial inc í el e que ai
in luencia mui o o pe cu so da dança no u u o em Po ugal, ou a endência da dança em
Po ugal. Pa a além das suas c iações em ambém ou o ipo de a i idades, ele pode p opo -
me, na ealidade p og ama coisas. Po exemplo, ele undou uma e is a; o lançamen o da
e is a Co eia, que ele undou, é ei o aqui. O lançamen o da e is a es á semp e imbuído de
mui as a i idades e é belíssimo. Ele na no a c iação, que es á a aze , ai usa língua ges ual;
en ão as aulas de língua ges ual que eles p óp ios ão aze o p oje o... em de aze ..., o que ele
ez oi pedi ... podemos con ida a comunidade, g a ui amen e, a e aze es as aulas. Po an o,
há uma sé ie de p og amas que ele pensa... na elação com escola Fó um de Dança pode em
aze aqui uma das duas o mações. E nós acei amos. Den o des e p og ama Em Casa. Pa a
além disso, há o que chamo esidências a ís icas. E o que são esidências a ís icas? É dado
aqueles que que em co eog a a ou que em compo ambém, mas o nosso espaço apesa de
es a pa a a á ea da música é mais ocacionado pa a dança. Ou seja, o nosso...os es údios não
o am ei os pa a música, o am ei os pa a a dança. Po an o, nós acolhemos mui o..., mui o
mais dança do que música. Po que is o em ha e com a ma iz do espaço. As esidências
a ís icas são pa a aqueles que não es ão nos es i ais e que ambém..., e ambém em di ei o a
e um apoio, não é?! P on o. E en ão como é que... como é que é ei o? As pessoas a a és do
si e candida am-se, dizem..., emos um egulamen o p óp io, que em aquela da a, em o p oje o,
memó ia desc i i a do p oje o, quan o é que ão es ea , onde é que ão es ea ... E nós damos
o espaço pa a es a cá duas semanas. Po exemplo, de se emb o a é ago a..., não es á a ualizado,
mas i e am uma, duas, ês, qua o, cinco, seis, ... no e, dez, onze. Es e ainda ai es a , es e,
mas de em se à ol a de onze. Po que is o não es á a ualizado... ou a é se calha mais do que
isso, não es á a ualizado.... Po an o isso ai cob i uma as a á ea de c iado es que não es ando
nos es i ais em a possibilidade de c ia obje os co eog á icos com as mesmas condições. E
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po oda a gen e. E depois há um ou o p og ama de apoio à c iação que se chama No íssimos
que é pa a cá ..., ambém são esidências a ís icas duas semanas. Só que es es não êm de
conco e a nada. Es es, bas a e em e minado uma o mação supe io , imagina! Fez a Escola
Supe io de Dança, ez a Faculdade de Mo icidade Humana, ez o Fó um de Dança, ez as
Magno Po o e que um espaço pa a p imei a ob a, en ão, pode aze aqui. E po isso é que se
chama de No íssimos. En ão eles acaba am a aculdade ou o poli écnico, ês anos, em julho, a
pa i de se emb o há uns que que em co eog a a logo, que em aze peças, não que em dança ,
que em só co eog a a . En ão nós damos esse p imei o espaço. Não em que aze es o ço
nenhum, só em de dize que que em e em e connosco e nós damos-lhes o espaço. E a amo-
los como co eóg a os consag ados. Ou seja, êm que assina um p o ocolo, êm que da ... ão a
assina con a os... E eles a é icam meios assus ados. Is o mesmo... is o é no mal... is o é o que
az um co eóg a o p o issional. (inaudí el) esidência e eles (inaudí el) assim meios em choque
(inaudí el) já no sí io pa a aze o espe áculo, ens que i pa a o espe áculo. Nós os p omo emos
a a és da página no Facebook e Ins ag am, nas publicações, comunicamos e isso dá uma ajuda.
Há uns que já começa am a aze is o..., aqui den o começa am a c ia ligações. Po que mui as
ezes des es no íssimos são os mesmos que ize am os composi o es e co eóg a os, que são
úl imo ano. Ou seja, eles es ão a pa icipa aqui ..., exa amen e, eles es ão a pa icipa aqui em
maio e junho; es ão a aze os composi o es e co eóg a os. E alguns deles em ou ub o já es ão
aqui como co eóg a os, po que aqui eles es ão a acaba o cu so. Po an o, is o é pensado pa a
se em con inuidade. Eles acabam, em es a expe iência e icou a pensa a se calha i a aze
is o..., ão de é ias, quando ol am já podem aze a p imei a peça aqui. São os mesmos. Ou
seja, há uma con inuidade. Depois, há es e e o que é o pensamen o que é e lexão e o que é
que se p omo e exa amen e aqui. A a i idade mais impo an e é ... são as con e ências
Encon os pa a o Fu u o. Eu enho aqui... se não se impo a ..., es amos a ul ima ..., é is o...,
es á aqui a conhece . En ão, es e ano... es a é a e cei a edição, em um nome gené ico Encon os
pa a o Fu u o, é assim que se chama e es a é a e cei a edição. E os Encon os pa a o Fu u o
êm emá icas elacionadas com a dança. Os dois p imei os anos e e um cu ado ... quem é que
o ganiza? Eu con ido alguém pa a aze a cu ado ia e es a pessoa..., nos dois p imei os anos
que em a e com a dança oi uma pessoa e ... e são os p o esso es de dança das escolas odo
o país. As mesmas que depois manda os meninos pa a o e i ó io. E o que é que nós que emos,
que quisemos aze : ala sob e as ques ões do ensino da dança. Po que é que não há?... Po que
é que há desp opo ções no ensino?... Po que é que há desní eis no ensino? na qualidade do
ensino? Qual é a p esença das en idades go e namen ais ou do minis é io da educação ou da
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cul u a ou da p o iciência do ensino supe io na egulamen ação do ensino da dança em
Po ugal? São es as emá icas odas que em pa a aqui, pa a as pessoas e em um espaço onde
podem ala . Ou seja, a ideia da con e ência não é ... nunca oi apon a o que es á mal, mas sim
da o mic o one às pessoas pa a elas pode em dize o que acham que pode mos aze pa a
melho a o sis ema. Não adian a nada es a a apon a o que es á mal sem e uma solução,
po que não ai esol e nada. (inaudí el) O que eu penso é: se eu não enho uma solução é
melho ica calado. Ou seja, eu enho que e uma solução. Não pode se c i ica po c i ica ,
po que a c í ica pela c í ica não cons ói um no o pa adigma. A c í ica pela c í ica apenas
des ói e põe as pessoas us adas e maldispos as. Ok..., eu enho essa solução e se o boa oda
a gen e ai a segui e, as ezes, é p eciso con ence as pessoas, mas se é mesmo bom po que é
que as pessoas não que em aze ?!..., se calha pe de am a con iança e em... ão echadas.
Po an o, em que se ganha con iança, em que se aze ..., mais do que um desejo em que se
aze . Ao aze ai-se ganhando con iança. Es e ano con inuamos na emá ica da dança, mas é
ou a ques ão... é: Sen idos pa a In e nacionalização da Dança. E aí con idamos ou a pessoa
pa a aze a cu ado ia, ambém não é de odo a mesma, que é Vânia Rod igues. E já lhe
en iamos aqui o p og ama da con e ência que p opus à Companhia Nacional do Bailado
aze mos algo em conjun o que é a con e ência ab i no Tea o Camões po que assim as pessoas
podem assis i a um espe áculo da companhia a segui ...(inaudí el) e depois em a p esiden e
do conselho de adminis ação a ab i , a di e o a da companhia que é a pessoa da casa que há
es a ligação en e es a con e ência e Companhia Nacional de Bailado e a Minis a da Cul u a
G aça Fonseca lá es a á ambém. E depois (inaudí el) a eunião e emos o, digamos que, o
o ado p incipal que em ambém ala sob e es a ques ão de in e nacionalização (inaudí el) ...
A ques ão p incipal é: quais são as no as o mas de pensa a in e nacionalização. E depois
emos um dia ac escidíssimo com o p og ama odo..., depois, es á udo echado nes e momen o,
as pessoas já podem se insc e e pa a pa icipa . Is o... is o aqui no... Pensamen o. E depois,
po exemplo, es a inicia i a Encon o de P o esso es de Dança..., quem é es a gen e?! que em
pa a aqui ala sob e dança? Bom, são o esul ado de duas con e ências que izemos. Na
segunda con e ência alguém se le an ou e p opôs a c iação de uma associação nacional que
ep esen asse os p o esso es de dança e que se isse de in e locu o com a u ela... E is o oi a
maio i ó ia da con e ência. Não o am o cen o e al pessoas que es a am, não. É alguém
le an a -se e dize : eu assumo a esponsabilidade de c ia ... nós emos que es a ep esen ados
numa associação. E nós, ob iamen e, damos acolhimen o ao que nasceu aqui. E p on o. E
depois, aqui i emos ambém já es e encon o ansmedia que é: pensa , deba e sob e no as
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o mas de comunicação nas a es pe o ma i as. Também acolhemos cá is o. E depois emos
es e e o , mui o impo an e, que é o T eino. T eino pa a p o issionais. Pa a e mos uma ideia
a é apa ece os Es údios Víc o Có don não ha ia em Lisboa um sí io onde o baila ino
p o issional pudesse aze uma aula de dança odos os dias, pa a man e o seu eino. Isso é uma
das coisas que nós emos... É: odos os dias às 10:00 da manhã exis e uma aula de dança e,
an es de ala do p eço, odas as a i idades que nós emos em como p incípio não usa os
baila inos pa a... ou seja, não ha e ap o ei amen o inancei o dos baila inos. Ou seja, as nossas
a i idades êm um p eço e esse p eço, nesse p eço o que es á con emplado ...não é o im
luc a i o, mas é o im de não da p ejuízo, ou seja, o p eço simbólico. Uma aula cus a ês eu os.
Não exis e em nenhum sí io do plane a aulas a ês eu os com um pianis a a acompanha . Tem
um p o esso e um pianis a. E is o ai desde se emb o a é julho. Po an o, há uma sé ie de
inicia i as e azemos nes as á ias seções, nas á ias inicia i as, pessoas que conside o que são
mui o ele an es pa a o eino em dança na a ualidade. E pessoas que... que po uma azão ou
po ou a não es i e am cá ainda ou não es i e am as ezes su icien es e, po an o, odos es es
p og amas são.... um, dois, ês, qua o... são mui os p og amas, são p og amas complemen a es
na o mação e a ualização de um p o issional da dança. Ou seja, nós não uncionamos como
escola, não ensinamos passos de dança, mas podemos... po enciamos aze aqui, po exemplo,
es e ano eio cá Da id Zamb ano que é uma igu a ímpa da dança con empo ânea mundial,
es a aqui uma semana e depois e e a possibilidade de expandi o seu conhecimen o, a sua a
sua pe spe i a, a sua isão e ou os e mui os ou os... mui os ou os que acon ece am. E da ...
E p opo ciona o eino diá io pa a baila inos. Cla o que além dessas inicia i as há ou as que...
umas o am ei as no ano passado ou as o am ei as no p óximo ano. Mas pa a esponde ,
assim, a sua pe gun a inicial... a in luência que is o... Is o eu penso que nenhum de nós inha
noção do impac o que es a ideia ia e e ... e aquilo que nós emos disso oi que o Opa ,
ins i uição Opa , que em dois co pos a ís icos, os meios pesados, digamos assim. a ins i uição
podia se is a como he mé ica, como qualque coisa que as pessoas não êm acesso e que não
há... e que podia a é c ia uma elação de... que não osse mui o amigá el com a comunidade
da dança em ge al ou da dança independen e. Po que na ealidade essa dança não inha luga
den o da nossa ins i uição. E o que acon eceu com os Es údios Víc o Có don é que se c ia
uma ma ca e ela exis e, a ma ca Es údios Víc o Có don que exis e em colabo ação..., com udo
o que exis e na nossa ins i uição e que passa pelo Tea o Nacional de São Ca los pela
Companhia Nacional do Bailado e desen ol e p og amas que en am po encia dança an o pa a
a Companhia Nacional do Bailado como pa a os Es údios Vic o , an o pa a o Tea o São
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Ca los, na música, como pa a os Es údios Vic o Có don. Po an o, há semp e uma p eocupação
colabo a i a, mas ao mesmo empo ab e uma g ande ins i uição pa a a comunidade da dança
independen e. Em pa icula mais a dança e, ambém, a música, mas mui o a dança a a és dos
es i ais, a a és das esidências, a a és de qualque pessoa pode i aze uma aula no es údio
aqui em cima. Po que es e espaço é um espaço ca egado de his ó ia. Aqui... passou desde
Mikhail Ba ishniko a Pina Bausch, a Anne Te esa de Kee maeke , (Inaudí el), Manuel Leg is,
Lyudmila Semenyaka... São mui os... mui os. E uma companhia ao longo de á ias décadas. A
companhia que emos hoje oi aqui que c esceu, ou seja, es e espaço em de ac o um peso na
his ó ia da dança absolu amen e inc í el. E hoje se habi ado po pessoas que adicionalmen e
não inham acesso e encon am aqui um g ande apoio pa a a sua... o seu desen ol imen o,
expansão e p ojeção, é absolu amen e ex ao diná io. Eu penso que o Opa ao acei a aze
is o..., quando eu p opus es a ideia de: amos aze um cen o c ia i o que po encia o abalho
e que mos e o abalho de jo ens alen os... e que consolide o abalho de a is as consag ados;
e ao e sido possí el nes e momen o his ó ico em que al coisa que oi possí el... eu acho que
se ab iu aqui qualque coisa que nunca se inha is o an es. E que eu acho que a única. Nós
emos uma coo denação a ís ica e po isso é que dizia que não sou di e o . Sou coo denado .
Mas emos uma au onomia, po que nós logo no segundo ano..., no p imei o ano i emos mui o
sucesso no nosso... com os p og amas odos, i e am mui o sucesso, e logo no segundo ano oi-
nos a ibuído um o çamen o p óp io. Po que quando nós começamos es á amos dependen es
do o çamen o da Companhia Nacional do Bailado e do Tea o de São Ca los. E a pa i da
segunda empo ada passamos a e o nosso p óp io o çamen o. Es e ano ambém. Já emos
(inaudí el) da impo ância e do impac o que is o em ido (inaudí el) independen es, de quem
es á o a das ins i uições. E ambém em ido uma g ande p eocupação em encon a pa cei os
que nos apoiem, po exemplo, a Sociedade Po uguesa de Au o es, a pa i do segundo ano,
apoiou-nos; no p imei o ano a Fundação Calous e Gulbenkian apoiou-nos; desde o ano passado
já es e ano ambém es amos a e apoio inancei o pa a de e minados p êmios da Sociedade
Po uguesa de Au o es; a undação GDA ambém nos apoia p og amas que pe mi em que...,
são nossos pa cei os no sen ido em que es es p og amas de o mação complemen a pa a os
baila inos são mais acessí eis, po que a undação GDA disponibiliza um mon an e inancei o
que az com que as pessoas paguem mui o menos pelas a i idades indas a a és da undação
GDA. Há aqui odo um econhecimen o e um acolhimen o social que eu penso que é mui o... é
mui o impo an e pa a uma ins i uição como es a, po que as g andes ins i uições endem a ica
c is alizadas e isso pode-se e i a ha endo den o elemen os dis up i os. E acho os Es údios
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Vic o Có don são es e elemen o dis up i o que nos man êm ligados..., man êm-nos ligados ao
mundo eal, po que a ida de um eelance não é igual a quem abalha no co po a ís ico numa
ins i uição. E, em pa icula , em Po ugal as pessoas que i em no me cado eelance
en en am mui as di iculdades. É mui o complexo aze ca ei a como baila ino sendo
eelance . Mas po ou o... há aqui um g ande pa adoxo. Po que, as g andes mudanças não
êm do ins i ucional, êm daquilo que é ma ginal. As g andes ideias de ans o mação que
acabam po ans o ma aquilo que é o ins i ucional em semp e de o a ou quase semp e de
o a. São a os os casos de g andes ans o mações na his ó ia da dança indos de den o. A é
acon ece que, às ezes, em de den o e a pessoa sai e depois ai po o a; já es e e den o e
ai po o a aze um abalho o a..., se izesse den o não e a acei o..., não e ia e ei o. E a
comple amen e aglu inado pelo mains eam; ai po o a e c ia um no o obje o es é ico, uma
no a co en e que al e a de alguma o ma a his ó ia ou o pe cu so a ís ico e depois acaba po
en a . Mas es a ida o a ao mundo eal é mui o impo an e, depois há pessoas que,
simplesmen e, nunca es i e am ligados ao mains eam e que c ia am e dadei as e oluções...
e que depois são apanhados pelo mains eam. Que dize quando a Pina Bausch apa eceu não
se imagina ia que o Ópe a de Pa is i ia dança uma peça de Pina Bausch. Que dize , quando a
Anne Te esa de Kee smaeske apa eceu aze coisas, aquelas p imei as coisas ninguém i ia
imagina que depois oda a gen e i ia que e aze peças da Anne Te esa de Kee maeske . E
odos... odos. Ou seja, quando nós es amos a ab i uma ins i uição des a na u eza a esse mundo,
na ealidade, es amos a alimen a a p óp ia ins i uição e ene gizando o que em daqui a uns
anos. Po que, a gen e que começou aqui, cujas p imei as coisas o am ei as aqui; e na al u a
que is o não inha de g ande impo ância e eu adi inho que b e emen e es a á a aze coisas
nos co pos a ís icos e que quando... quando nós demos esses p imei os apoios e es a p imei a
abe u a e a impensá el que pudessem..., só que consolida am apidamen e um pe cu so e
e en ualmen e, não que dize que não i essem já, mas o am consolidando e e en ualmen e
pode á acon ece i em ap esen a coisas nos co pos a ís icos. Po an o, acho que oi mui o
bom e ido essa abe u a do início e em sido mui o bom e es a con inuidade. Nós somos
uma es u u a mui o le e. Nós somos cinco pessoas a abalha aqui e conseguimos um
esul ado ma a ilhoso. E é isso.
K- Qual o impac o e a impo ância do Fes i al ao La go, pa a a cena cul u al?
G- É abuloso po que é uma opo unidade do Opa mos a a um ou o público..., po que o
Fes i al ao La go é ei o ali à en e da pa e de en ada do São Ca los e é de li e acesso. No