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O diálogo entre o documentário e o jornalismo audiovisual: influências, diferenças e públicos

Simões, Ana Francisca Fernandes de Almeida

Abstract

Este relatório de estágio e investigação foi realizado enquanto produto final para conclusão do mestrado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Televisão, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. O estágio curricular prático efetuado neste âmbito decorreu no jornal Observador, sediado em Lisboa, mais concretamente na equipa do departamento de multimédia do mesmo. Neste projeto são estudadas e investigadas separada e comparativamente duas áreas que se têm vindo a influenciar ao longo da, ainda curta, História – Documentário (no sentido, sobretudo, de cinema documental) e Jornalismo Audiovisual. Por outro lado analisa-se também a evolução dos públicos nestas duas áreas. Entre as metodologias usadas neste trabalho estão: a pesquisa teórica, com recursos a diferentes documentos escritos, fílmicos e videográficos; a experiência de trabalho proporcionada pelo estágio; entrevistas personalizadas e direcionadas a profissionais das áreas em estudo. O trabalho demonstra e aponta, entre outros, os seguintes aspetos: os principais pontos em comum, mas também os divergentes, entre as duas áreas; as definições dos principais conceitos e características de cada uma; o caminho histórico de cada uma e alguns momentos de cruzamento; a evolução e adaptação do público de cada aos contextos históricos e tecnológicos (públicos esses que se ampliam cada vez mais em ambos os casos e se cruzam também cada vez mais).

Full text

Rela ó io de Es ágio O diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual: In luências, di e enças e públicos Ana F ancisca Fe nandes de Almeida Simões Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão Agos o de 2021 1 Rela ó io de es ágio ap esen ado como p odu o inal da componen e não le i a pa a conclusão do Mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão, e, assim, ob enção do g au de Mes e. Es e abalho oi ealizado sob a o ien ação do P o esso Luís Gou eia Mon ei o e do P o esso Luís Mendonça. A supe isão du an e o es ágio cu icula p á ico no jo nal Obse ado es e e a ca go de Ca a ina San os, edi o a do depa amen o de mul imédia onde es i e inse ida. 2 Ag adecimen os O p esen e ela ó io, e co esponden e in es igação, desen ol ido após a ealização de um es ágio cu icula no Jo nal Obse ado , não se ia possí el sem o apoio e ajuda de á ias pessoas. A odos elas deixo o meu p o undo ag adecimen o. Ao P o esso Luís Gou eia Mon ei o e ao P o esso Luís Mendonça, o ien ado es do Es ágio, mui o ag adeço a con iança e incen i o que mani es a am, desde o p imei o dia, ao meu p oje o pa a o Rela ó io, bem como oda a disponibilidade, apoio, aconselhamen o e p eciosas con ibuições p es adas du an e es a caminhada. À Ca a ina San os, pela disponibilidade, pelo apoio e pela con iança que deposi ou em mim e no meu abalho. A opo unidade que me oi p opo cionada de ab aça di e en es p oje os e unções, alguns dos quais com conside á eis ní eis de au onomia e esponsabilidade, pe mi i am que o es ágio osse pleno de desa ios, expe iências e ap endizagens. Aos documen a is as e es an es jo nalis as en e is ados no âmbi o des e abalho que disponibiliza am a enciosamen e algum do seu empo pa a esponde às minhas ques ões. Ob igado Jo ge Pelicano, Miguel Gonçal es Mendes, Mi iam Al es, Ped o Coelho e Rica do Cla a Cou o. Aos meus colegas de equipa no Obse ado , po me e em ecebido e acolhido de b aços abe os, po odas as ga galhadas e ocas de ideias. Ob igada Ana Raquel, Diogo, Kimmy e Tiago. Aos meus colegas e p o esso es de Mes ado, pelos ensinamen os, pelos desa ios, pelas pa ilhas de ideias, que me ize am apaixona ainda mais po es a á ea. À Ma ia João, minha colega nou as e apas do meu pe cu so académico, e que en ou nes a a en u a do Mes ado comigo. Aos meus es an es amigos, po semp e me enco aja em a segui os meus sonhos e se em uma das minhas maio es on es de apoio. Ob igado Ca a ina, Egh eda, Es e ânia, Inês, Joana, Ma ia Luís, Ma iana, Ma a, Poças, Ri a, Rúben, Sa a, Síl ia, So ia e So ia. Ao meu i mão, po ac edi a mais que eu no meu alen o. 3 Aos meus pais, po semp e me e em p opo cionado a opo unidade de p ossegui os es udos que eu que ia, po me apoia em odos os dias e po se em os meus maio es exemplos. À minha es an e amília, po odo o ca inho. A odos, o meu mais since o ob igado. 4 O Diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual: in luências, di e enças e públicos Resumo Es e ela ó io de es ágio e in es igação oi ealizado enquan o p odu o inal pa a conclusão do mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade NOVA de Lisboa. O es ágio cu icula p á ico e e uado nes e âmbi o deco eu no jo nal Obse ado , sediado em Lisboa, mais conc e amen e na equipa do depa amen o de mul imédia do mesmo. Nes e p oje o são es udadas e in es igadas sepa ada e compa a i amen e duas á eas que se êm indo a in luencia ao longo da, ainda cu a, His ó ia – Documen á io (no sen ido, sob e udo, de cinema documen al) e Jo nalismo Audio isual. Po ou o lado analisa-se ambém a e olução dos públicos nes as duas á eas. En e as me odologias usadas nes e abalho es ão: a pesquisa eó ica, com ecu sos a di e en es documen os esc i os, ílmicos e ideog á icos; a expe iência de abalho p opo cionada pelo es ágio; en e is as pe sonalizadas e di ecionadas a p o issionais das á eas em es udo. O abalho demons a e apon a, en e ou os, os seguin es aspe os: os p incipais pon os em comum, mas ambém os di e gen es, en e as duas á eas; as de inições dos p incipais concei os e ca ac e ís icas de cada uma; o caminho his ó ico de cada uma e alguns momen os de c uzamen o; a e olução e adap ação do público de cada aos con ex os his ó icos e ecnológicos (públicos esses que se ampliam cada ez mais em ambos os casos e se c uzam ambém cada ez mais). Pala as-cha e: Documen á io, Jo nalismo Audio isual, Público, Cinema, Repo agem, Jo nalismo de In es igação 5 The Dialogue be ween Documen a y and Audio isual Jou nalism: in luences, di e ences and audiences Abs ac This in e nship and esea ch epo was ca ied ou as a inal p oduc o conclude he mas e 's deg ee in Communica ion Sciences, specializa ion in Cinema and Tele ision, om he Facul y o Social and Human Sciences a Uni e si y NOVA o Lisbon. The p ac ical cu icula in e nship ook place in he newspape Obse ado , based in Lisbon, mo e speci ically in he eam o he mul imedia depa men . In his p ojec , wo a eas ha ha e been in luencing each o he o e , despi e s ill sho , ime o His o y - Documen a y and Audio isual Jou nalism - a e s udied and in es iga ed sepa a ely and compa a i ely. Among he me hodologies used a e: heo e ical esea ch, using di e en w i en, ilm and ideog aphic documen s; he wo k expe ience p o ided by he in e nship; pe sonalized and a ge ed in e iews wi h p o essionals om he wo majo a eas unde s udy. This wo k demons a es and poin s ou he aspec s in common, bu also he ones ha di e g, be ween he wo a eas; de ini ions o he main concep s and cha ac e is ics o each; he his o ical pa h o each and he momen s o c ossing be ween he wo; and he e olu ion and adap a ion o he public o each one o he his o ical and echnological con ex s, publics ha expand mo e and mo e in bo h cases and also in e sec hemsel es mo e and mo e. Keywo ds: Documen a y, In es iga ion Jou nalism, G ea Repo , Audio isual Jou nalism, Cinema, Videojou nalism, Audience 6 T ans o ma o impo an e em in e essan e é um desa io c escen e e de c escen e impo ância. Mi iam Al es, 2021 7 ÍNDICE INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................... 8 CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO ........................................................................................ 10 1.1 - CINEMA DOCUMENTAL ................................................................................................................. 10 1.1.1 - Desen ol imen o his ó ico e ecnológico do Cinema e do Documen á io ........................... 10 1.1.2 - De inição de Documen á io .................................................................................................. 18 1.2 - JORNALISMO AUDIOVISUAL .......................................................................................................... 21 1.2.1 – Apa ecimen o, c escimen o e adap ação à e olução ecnológica dos meios de comunicação ......................................................................................................................................................... 21 1.3 – DESENVOLVIMENTO E TRANSFORMAÇÃO DO ESPECTADOR ....................................................... 28 CAPÍTULO II – CONTEXTO PRÁTICO ..................................................................................................... 35 2.1 - ESTÁGIO CURRICULAR ................................................................................................................... 35 2.1.1 – O uni e so Obse ado ......................................................................................................... 35 2.1.2 - Funções e p oje os desen ol idos ........................................................................................ 36 2.1.3 - Con i ência de dois mundos no espaço da edação: a is as e écnicos mul imédia e jo nalis as ......................................................................................................................................... 40 2.2 - INVESTIGAÇÃO: PERSPETIVAS DE DOCUMENTARISTAS E JORNALISTAS PORTUGUESES .............. 41 2.2.1 - Pesquisa e es u u ação das en e is as ............................................................................... 41 2.2.2 - Análise das en e is as .......................................................................................................... 43 CAPÍTULO III – O DOCUMENTÁRIO E O JORNALISMO AUDIOVISUAL DE INVESTIGAÇÃO ...................... 44 3.1 - CARACTERÍSTICAS COMUNS E TROCA DE CONHECIMENTOS ........................................................ 44 3.2 - FATORES DIFERENCIADORES: LIMITES E OPOSIÇÕES .................................................................... 47 3.2.1 - Ques ões obje i as ................................................................................................................ 47 3.2.1.1 - Du ação do p odu o inal e do o al do p oje o ............................................................ 47 3.2.1.2 - C edi ação da a i idade p o issional ............................................................................. 48 3.2.1.3 – Fo ma os e disposi i os ................................................................................................ 49 3.2.2 – Pa âme os subje i os .......................................................................................................... 51 3.2.2.1 – Na ado e na a i a ..................................................................................................... 51 3.2.2.2 - Ca á e au o al .............................................................................................................. 52 3.2.2.3 - Fo mulação e uso de en e is as. As ques ões é icas e an opológicas que se le an am ..................................................................................................................................................... 54 3.2.2.4 – Impo ância da Es é ica ................................................................................................ 57 3.2.2.5 – Recons i uições e momen os e ob as iccionados ........................................................ 59 3.2.2.6 – Mon agem .................................................................................................................... 60 3.2.2.7 - Público ........................................................................................................................... 61 3.3 – PERSPETIVAS FUTURAS ................................................................................................................ 65 CAPÍTULO IV – CONCLUSÕES .............................................................................................................. 67 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................... 73 FILMOGRAFIA E VIDEOGRAFIA ........................................................................................................... 75 ÍNDICE DE ANEXOS ............................................................................................................................. 77 8 INTRODUÇÃO O p esen e ela ó io de es ágio, e co esponden e in es igação, oi ealizado no âmbi o da componen e não le i a do 2º ano do Mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade NOVA de Lisboa. O abalho oi ei o sob a o ien ação do P o esso Luís Gou eia Mon ei o e do P o esso Luís Mendonça e co esponde ao esul ado inal ap esen ado pa a conclusão e ob enção do g au de Mes e. O es ágio cu icula , com a du ação de ce ca de 3 meses, deco eu no jo nal Obse ado , mais conc e amen e como in eg an e da equipa do depa amen o mul imédia, e e e o ien ação, do lado da emp esa, da jo nalis a edi o a do depa amen o Ca a ina San os. Es e p oje o, com o ema O diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual – In luências, di e enças e públicos, é o esul ado, essencialmen e, das ês e en es de in es igação e sus en ação seguidas: pesquisa eó ica, com ecu sos a di e en es documen os esc i os, ílmicos e ideog á icos; expe iência de abalho p opo cionada pelo es ágio, da qual se des acam a e as de p odução in eg al de epo agens audio isuais; en e is as pe sonalizadas e di ecionadas a p o issionais das duas á eas em es udo – documen á io (Jo ge Pelicano e Rica do Cla a Cou o) e jo nalismo audio isual (Ca a ina San os, Mi iam Al es e Ped o Coelho). Sendo uma en usias a do Documen á io, a ques ão da ep esen ação da ealidade semp e me desa iou, pelo que ao longo dos empos me encon ei a explo a ou as á eas que ambém abalha am com o eal e a ac ualidade. Na u almen e o Jo nalismo oi uma das á eas em ques ão, de onde se des acou o Jo nalismo Audio isual de In es igação, po se um olha mais p olongado e po meno izado do eal al como o Documen á io. A ualmen e, com um público que em acesso a odo o ipo de p odu os que quise , na u almen e p oje os de Documen á io e Jo nalismo Audio isual de In es igação pa ilham espaço que na ele isão, que na web. Com um espec ado habi uado a di e en es ipo de na a i as e es é icas mais cuidadas, o mundo audio isual e oluiu exponencialmen e nas úl imas décadas, sendo as pe mu as en e á eas cada ez maio es. Escolhi es e ema po se um diálogo que se mos ou impo an e ao longo dos anos e que ajudou à e olução de ambas as á eas, diálogo esse que ai con inua . É impo an e ab i es e deba e pa a pe cebe as ocas de conhecimen o e limi es. Do passado ao u u o, passando e en a izando p incipalmen e o p esen e, es e ela ó io consis e numa pe spe i a ge al des e diálogo. No capí ulo I é ei o o enquad amen o eó ico das duas á eas em es udo, sendo expos as algumas e apas ma can es do pe cu so his ó ico e ecnológico de cada uma e a e olução dos espe i os públicos. Pa a além dis o, no caso do cinema documen al, 15 a dis ingui cada ez mais ilmes do géne o, exa amen e po que se p oduziam cada ez mais ilmes icos em con eúdo e de qualidade. Desde meados da década que dis ingui am, com nomeações e p émios, documen á ios que con e i am uma no a oupagem à ideia adicional e an iga do géne o. Com mais holo o es i ados pa a o Cinema Documen al, que os ealizado es que os es udos académicos começa am a con e i maio a enção à de inição conc e a de Documen á io enquan o géne o cinema og á ico. Po se um géne o com linguagem e écnicas mais p óp ias, es a ques ão o nou-se cada ez mais pe inen e de es uda (Nichols, 2017). Apesa dos p imei os es i ais de cinema emon a em à década de 30, es es assumi am-se como um ci cui o independen e, ace ao come cial, sob e udo nos p imei os anos do século XXI, g aças ao desen ol imen o das elecomunicações. Os au o es p ocu am aqui a as a -se do om co po a i o dos media e da linguagem pad onizada de cinema mais come cial (Nichols, 2017). Po con as e, a ele isão e a publicidade, que explo a am o enómeno do en e enimen o “ ácil”, inham as p óp ias exigências das indús ias de p odução e dis ibuição, o que empu ou sob e udo a is as expe imen ais pa a es e caminho sem ama as e condicionamen os, caminhos esses que passa am pela explo ação de aspe os não mos ados nos media. No en an o, e de ido aos di ames da e a capi alis a, a é es e ci cui o e oluiu na u almen e dependen e de dinhei o e pa a isso eco e a publicidade, pa ocínios, mecena o, … . Con udo, os b ie ings ílmicos, es é icas e na a i as o am capazes de con inua a se li es e ape ecí eis pa a a is as independen es. Falando ago a sob e o desen ol imen o ecnológico do mundo digi al, com o su gimen o da in e ne e, assim, de um no o meio de p opagação a ís ica, o público começou a e acesso a ob as que ou o a não inha, e os a is as a no as pla a o mas de di ulgação, mas passa am ambém a es a sujei os a no os equisi os de p odução. Quando su gi am pla a o mas como You ube, Vimeo e Facebook, os c iado es depa a am-se com meios que lhes pe mi iam uma dis ibuição sem cus os das suas ob as. No caso do cinema documen al, o documen á io independen e ganhou o ça, pa a além de e sido e o çada a espe ança nos no os a is as, com no as pe spe i as, que já inha a se alimen ada desde o início da e a de ou o (Nichols, 2019). Rapidamen e começa am a p oduzi -se ob as pa a a web e os a is as depa a am-se com a necessidade de no os o ma os e com um público que se i a a pa a o concei o de imedia o. Fo am-se o mando no as comunidades e c iando, assim, no os mo imen os. Com a a i mação das pla a o mas s eaming o público e e acesso a no os o ma os e es ilos de ilmes, en e os quais os documen ais. A lógica e undamen os p óp ios de uma pla a o ma paga e, po isso, come cial, in luenciam ine i a elmen e o seu 16 ca álogo. Po ou o lado, quan o maio o ca álogo, mais ape ecí el se o na a pla a o ma. No caso do documen á io, pla a o mas como Ne lix e HBO, apos a am em p odu os que p ocu a am esponde às endências dos seus espec ado es, endências essas que podemos ques iona se não o am elas p óp ias a c ia e induzi . En ende a dimensão da in luência do público sob e seja qual o o ipo de p odu o ou á ea, na sua o alidade, é algo u ópico, pode dize -se apenas que as in luências são mú uas. Ainda que a e a de ou o do documen á io enha começado nos anos 80, o p imei o econhecimen o oi ei o, sob e udo, po pa e das comunidades académica e ílmica. O econhecimen o po pa e do público só chega ia mais a de. Como já e e ido, o documen á io i eu du an e la gas décadas com o p econcei o de se con eúdo educa i o e abo ecido, uma imagem que demo a á algum empo a limpa comple amen e. A ele isão alimen ou es a ideia p é-de inida com a ansmissão sob e udo de documen á ios cien í icos, nomeadamen e sob e a ida animal e a Na u eza. Edua do Cou inho, cineas a e jo nalis a b asilei o, conside ado po mui os como o maio documen a is a da his ó ia do cinema do B asil, ala a e ale a a pa a es a emá ica num documen á io ei o sob e si, em 2001. Dizia: Tem duas agédias no documen á io que impedem que ele seja ap eciado pelas pessoas menos in o madas e pelos jo ens en ão nem se ala. É que há duas maldições: uma é dize que o documen á io educa e in o ma ( udo bem, isso é a epo agem que em em ele isão, em alguns documen á ios que são assim); a segunda é que o documen á io diz a e dade (Sand o Nei a, 2014). Uma das g andes i agens acon eceu exa amen e com o apa ecimen o des as pla a o mas digi ais que, mesmo nos emas mais cien í icos, incula am uma es é ica mais come cial, ape ecí el e de ácil eceção. Vejamos um exemplo, My Oc opus Teache (2020), de C aig Fos e , encedo do Ósca de Melho Documen á io, p oduzido e disponibilizado pela Ne lix, em como ema p incipal a ida de um pol o, con udo a abo dagem é comple amen e di e en e do p e iamen e associado a es e ipo de emá icas. É simplesmen e um cineas a que ai à descobe a e que mos a o que o seu olha , e o olha da sua câma a, expe ienciou, obse ou e ap endeu, sem g andes comp omissos ou p eocupações com a enume ação cons an e de ac os cien í icos. Com uma es é ica cuidada, de ido ao ambien e que e a a, desloca-se dessa e en e cinema og á ica e oca-se na anspa ência da elação do humano com a c ia u a ma inha. A humanização das emá icas, nomeadamen e pelo ecu so a ca as anónimas pa a e ei os de econhecimen o e ep esen a i idade, em conduzido a luxos na a i os que êm p endido os espec ado es a es as pla a o mas. 17 Ainda que o desen ol imen o enha sido cons an e, as in luências são ago a mais econhecidas po es a em p esen es em ob as disponí eis a qualque momen o. Is o é ans e sal a odos os géne os. Hoje em dia, com a disponibilidade de biblio ecas ílmicas ex ensas, que online, que ísicas, com a exis ência de di e sas pla a o mas de s eaming, com o acesso li e a di e sos si es web (e ambém, e in elizmen e, po acessos de o ma pi a eada), pode acede -se a p a icamen e qualque ob a que se p e enda, independen emen e do au o ou ano. Uma das ino ações cinema og á icas que ganhou e eno nos úl imos anos é a in e a i idade, que pe mi e ao espec ado escolhe en e opções sob e as ações das pe sonagens, deixando nas mãos do público, de algum modo, a de inição do p óp io en edo. Só na pla a o ma Ne lix conseguimos con abiliza , a ualmen e, mais de uma dezena de ob as in e a i as e, ainda que a maio ia sejam de animação, cada ez há mais in e esse em p oduzi con eúdos des e ipo que usa a o es e não-a o es. Hoje em dia, odo o Cinema usu ui de uma libe dade c ia i a como nunca an es is o e cada ez mais os géne os se en elaçam, não só en e eles mas ambém com ou os campos da sociedade e ou as e en es a ís icas. O Documen á io oi, como se iu, um dos p imei os géne os a bebe de ou as á eas, pelo que a abe u a pa a o con inua a aze con inua a exis i . 18 1.1.2 - De inição de Documen á io Como e e ido an e io men e, a de inição de Documen á io é um ema em discussão, e que em, aliás, desde an es ainda da a i mação do géne o, po se a a de uma linguagem p óp ia. Con udo, nunca oi des inculado do Cinema, ainda que possa e in luências e ca ac e ís icas comuns a ou os campos, inclusi amen e cien í icos e sociais, como a an opologia e o jo nalismo. A pala a documen á io é uma e olução concep ual do concei o documen ai e que p o eio de documen o. Como já e e ido, o eo documen al das p imei as cap ações de imagem em mo imen o di ou o caminho do concei o. De ido ao p ocesso e olu i o ainda p ecoce na época, a pala a ancesa documen ai e começou a se aplicada como ó ulo de alguns ilmes que, se a alia mos hoje em dia, nem se enquad am no concei o de documen á io, como po exemplo his ó ias d amá icas g a adas em locais exó icos. A u ilização equen e do ocábulo documen á io, como já expos o, su giu e consolidou-se com John G ie son, assim como se in ensi icou a discussão sob e os limi es e ca ac e ís icas do géne o (Pena ia, 1999). Como escla ece Nichols (2017) ela i amen e às de inições de documen o e documen á io, um documen o esc i o, sono o, isual ou audio isual isolado é a aliado consoan e a sua au en icidade, idelidade e e dade pe an e o eal que mos a ou desc e e. O Documen á io, po ou o lado, é uma ep esen ação da ealidade, e, como odas as ep esen ações, é a aliado “mais pela na u eza do p aze que o e ece, o alo que a isão in e na p opo ciona, e a qualidade da pe spe i a que mos a”. Po isso, o simples egis o de imagens do mundo não consis e num p odu o com alo documen al. Fa o es como au o ia, p opósi o e s o y elling são eque idos pa a a ca ego ização. Toda ia, o documen á io enquan o o ma a ís ica não es á em ques ão. É-o, de ac o. O ca á e a ís ico in ínseco é inegá el, sob e udo po pa ilha uma das p incipais e mais impo an es ocações da A e, que é, como o sublinha Ranciè e (2010), a da exposição de dissociações, oposições e con on os que pe mi em no as ole âncias e in ole âncias, assim como o con ac o com no os mundos. Den o do Cinema, a di isão comum é icção pa a um lado e documen á io pa a o ou o. Con udo, o espec o não é assim ão linea e as on ei as não são assim ão delineadas. Ao longo des e pouco mais de um século de his ó ia, cada ez se e i icou mais o in e câmbio de mé odos e p á icas en e a icção e o cinema documen al. Se po um lado o documen á io eco e a écnicas ipicamen e da icção, como o uso de sc ip , a encenação e consequen es ensaios e pe o mance, a icção usa me odologias e linguagens documen ais como o egis o in loco, o uso de não a o es, o imp o iso, o uso de ound oo age, oice-o e e luz na u al como iluminação p incipal (Nichols, 2017). 19 Di e en es au o es e es udiosos expuse am, ao longo dos anos, o que, pa a si, e a a de inição de Documen á io e qual e a o alo e eo da e dade documen al, caso conside assem que ela exis ia ou e a exigida. Rela i amen e às isões de Ve o e G ie son, Manuela Pena ia (1999) explo a- as e expõe-nas. Desde logo podemos econhece as ca ac e ís icas básicas do géne o, mas ambém o início da e olução do pensamen o sob e o ema que, desde o p incípio, se decla ou como um es ilo p óp io e único. Dziga Ve o , nos inais dos anos 20 e início dos 30, a as ou a hipó ese da “ ealidade al como ela é” e mos ou que o documen á io é mui o mais uma in e p e ação do mundo que é ilmado, do que um e a o iel do mesmo. Logo a segui , John G ie son, nos anos 30, mui o inspi ado po Flahe y, coloca a o documen á io em luga de des aque, dizendo mesmo que se encon a a numa ca ego ia supe io aos es an es géne os po abalha di e amen e com o mundo eal e ao mesmo empo não se uma me a desc ição e exposição dele mesmo. Ou o a o que jus i ica a a sua supe io idade e a a ob igação social que lhe icou inculada, e, ambém po isso, de endia o documen á io como o “ a amen o c ia i o da a ualidade”. Nessa linha, G ie son semp e se conside ou um a is a, pois en endia que a sele i idade que aplica a no a amen o das imagens e a um p ocesso c ia i o e, po isso, que o documen á io e a uma o ma de a e. A p óp ia au o a, pos e io men e, enuncia as ca ac e ís icas ob iga ó ias do documen á io que ela en ende como de inido as do géne o, sendo elas o discu so sob e o eal, o egis o in loco e o ca á e au o al, assumindo que as es an es ca ac e ís icas são maleá eis. Pa ece-me que Pena ia coloca nes a seleção de ca ac e ís icas poucas exigências de ob iga o iedade, e que se ão, po isso, áceis de cump i pa a a maio pa e das ob as. Con udo, sob e udo em documen á ios iccionados, o egis o in loco pode não se usado. Sendo assim, es am-nos en ão dois pa âme os (discu so sob e o eal e ca á e au o al) como de endo se os exigidos às peças e aos au o es. Po ém, é necessá io ap o unda o p imei o pon o (discu so sob e o eal), no sen ido de con ibui pa a a dis inção en e pensamen o documen al e icção. A exp essão “discu so sob e o eal” pode se , de ce a o ma, enganado a e e ada nes e con ex o explica i o. Qualque ealizado , a is a ou c iado pode a i ma que a sua icção e a a uma ealidade p esen e ou um aspe o e sen imen o eal no dia-a-dia, po isso impo a escla ece que o eal e a ado pelo documen á io exige uma base algo ac ual, ainda que não a demons e explici amen e ou com uma na a i a es i amen e o denada consoan e os acon ecimen os e co pos. Já den o do cinema documen al, mui os au o es discu em o alo do concei o de e dade documen al de ido aos p econcei os educa i o e jo nalís ico dos quais os au o es se que em des incula , já que não é uma ca ac e ís ica de inido a do géne o. 20 Edua do Cou inho expõe a sua opinião sob e a ligação do concei o de e dade e o documen á io: O documen á io não em comp omissos o çosos com a in o mação, com a educação ou seque com (...) se é e dade (...) is o é, o documen á io joga com a ques ão da e dade. O documen á io é e dade, a icção não é e dade, isso é olice (Sand o Nei a, 2014). Raciè e (2010) abo da ambém o alo de e dade dizendo que “o eal nunca é in ei amen e solú el no isí el”. De ac o, o concei o de e dade é abs a o e nunca alcançá el seja qual o a si uação, pois cada se em a sua p óp ia e dade (o seu p óp io olha ), que, ao colidi com ou a, impede que se enha a pe ceção segu a do seu alo o al, ou seja, do que é e dadei amen e a e dade. Com is o, e o ço a ideia an e io de que o Documen á io em um comp omisso com o ac o – o ac o da exis ência de um acon ecimen o, si uação ou co po li es sob e os quais não em con olo – e a e dade ge ada a pa i desses elemen os é c iada com o ca á e au o al assumido que, po isso, a o na numa pe spe i a única e pa icula . 21 1.2 - JORNALISMO AUDIOVISUAL 1.2.1 – Apa ecimen o, c escimen o e adap ação à e olução ecnológica dos meios de comunicação O jo nalismo audio isual su giu com a ele isão, po isso é impo an e pe cebe o su gimen o des e meio de comunicação, o seu desen ol imen o e as di eções omadas e analisa o caminho que, lado a lado, o am pe co endo. A ní el ecnológico pode dize -se que os p imei os passos da ele isão o am dados ainda no século XIX. As p imei as expe iências na á ea da eleg a ia (no sen ido de en io eleg á ico de imagens) emon am aos anos 40. Nas úl imas décadas desse século hou e con ibu os in e essan es pa a a ansmissão de imagens à dis ância, que o am ap o ei ados nomeadamen e pelo escocês John Bai d que, nos anos 20 (do século XX), c iou um dos p imei os modelos de ele isão de que há conhecimen o. A a i mação da ele isão como um media das massas acon ece en e os anos 20 e 30 do século XX nas p imei as egiões do mundo que a acolhe am. Ainda que a ele isão não enha sido conside ada um g ande enómeno ecnológico, desde o seu apa ecimen o que oi um meio de comunicação enca ado com espei o e c edibilidade po pa e dos espec ado es (Bou don, 2000). A ele isão demo ou a encon a o seu umo, ainda que, como explica Hicke hie (in: Bignell & Ficke s, 2008), já du an e os anos 20 se enham começado a de ini os seus obje i os. Foi du an e es a década que a ádio se inculou como o p incipal meio de comunicação social e on e de en e enimen o. A ele isão, se indo- se dessa expe iência, olhou pa a a ádio como exemplo e pon o de pa ida. Nessa linha, pa a a a umação de con eúdos o caminho pa ecia ób io – a o ganização po p og amas. As p imei as expe iências de p og amação e as suas p imei as emissões o am ei as na Alemanha, no Reino Unido e nos Es ados Unidos da Amé ica. Pos e io men e, os canais ele isi os eme gen es su gi am ambém em ou os países e egiões, mas na sua maio pa e e am dominados pelo pode polí ico nacional. Do pon o de is a polí ico, à época mui os egimes assen a am em polí icas op esso as. Não lhes e a, po isso, con enien e a in e enção di e a e independen e do espec ado , mas, po ou o lado, usa am a pequena caixa, mui as ezes, pa a p opaganda polí ica p óp ia. O desen ol imen o da ele isão oi, de algum modo, colocado em s and-by du an e a II Gue a Mundial, con udo as suas ecnologias o am usadas pa a desen ol imen o de ou as e amen as que se p o a am mui o ú eis du an e a gue a, como o ada , o sona e as mi as elescópicas, inclusi amen e po pa e dos alemães, ussos e ame icanos. Após o con li o, a apos a na ele isão in ensi icou-se signi ica i amen e. Pa a mui os, é aí que se dá o e dadei o nascimen o da ele isão, pelo menos em e mos da manei a de a abo da (e que se p oje ou naquilo que chegou aos dias de hoje). Ainda du an e os anos 50 hou e uma libe ação da he ança 22 adio ónica e a ele isão começou a p ocu a a sua iden idade isual, endo ido bebe ao ea o e seus cená ios pa a c ia es údios pa a g andes p oduções. Os Es ados Unidos es i e am na linha da en e des e boom de desen ol imen o. Uma década após o im da II Gue a, 65% das casas ame icanas inham ele isão e es a e a já o media p incipal. Ve ele isão o nou-se uma das a i idades amilia es de p e e ência (Boddy, 1990). Já na Eu opa a his ó ia não acon eceu da mesma o ma – o p ocesso oi mui o mais len o. Pa a mui os, a ele isão e a is a como um meio de comunicação ame icano, sinónimo de mode nidade. Den o do con inen e eu opeu, e mui o de ido à Gue a F ia, a ele isão omou di e en es umos consoan e os países. Enquan o os países ociden ais oma am um umo mais come cial (como já e a ei o no con inen e ame icano), no Les e a si uação egeu-se sob e udo pela polí ica. O domínio da ele isão como meio de comunicação p incipal na Eu opa só se deu ealmen e en e os inais da década de 60 e inícios da década de 70 (Hicke hie in: Bignell & Ficke s, 2008). Du an e os anos 60, o meio académico começou a enca a mais se iamen e a ele isão como obje o de es udo, de ido à adap ação da mesma a con ex os polí icos e sociais. A ele isão e a ago a um meio de se iço público e ins i ucional. (Bignell & Ficke s, 2008). No início da década de 70 as es u u as polí icas começa am a es abiliza -se e com isso e o çou-se o in e esse em pe cebe o passado e o caminho pe co ido a é ao momen o pelas sociedades. Na u almen e, Jo nalismo acompanhou es e p ocesso. Nes e quad o, o ecu so ao es emunho aumen ou exponencialmen e (Sal o, 2017). O es emunho passou a se is o como o ma de sus en ação idedigna, espei ando os comp omissos com a e dade, o que ab iu po as a no as pesquisas, abo dagens e opo unidades de explo ação na epo agem. Se a pala a já e a a pa e mais impo an e do jo nalismo, ago a es a se ia mais acilmen e explo ada de ido à acei ação e dominância do es emunho como p incipal on e. Po ou o lado, como e e e Sal o (2017), es a abo dagem pe mi iu anspo a o oco do ge al pa a o pa icula , o que, po sua ez, acabou po in oduzi , ine i a elmen e, subje i idade. O Ou o começou a se uma p eocupação e a assumi p eponde ância. As ques ões é icas que daí deco iam conduzi am, de algum modo, a uma ein enção do jo nalismo, que e e de começa a joga in eligen emen e com a subje i idade. A e olução da p og amação em ele isão e le e isso, de alguma o ma. O seu desen ol imen o es e e semp e di e amen e ligado ao pano ama social do p óp io país. Toda ia, um pon o comum em oda a Eu opa oi a ixação dos elejo nais (Bou don in: Bignell & Ficke s, 2008). E os elejo nais passa am a cons i ui expoen es maio es da exp essão do p óp io jo nalismo. A in o mação e o jo nalismo cla amen e domina am desde o início os canais e ansmissões ele isi as, pois da am ao público aquilo que ele an o ansia a – a úl ima ho a, a in o mação di e a e c edí el e o acon ecimen o independen emen e de onde 23 enha oco ido. Mais que nunca as ba ei as geog á icas e am queb adas e as imagens o na am as coisas mais p óximas e eais, a aldeia global es a a a cons ui -se. Como e e e Bou don (in: Bignell & Ficke s, 2008), a p og amação ho izon al du an e o dia e a e ical a pa i do inal da a de o am ado adas pela maio ia dos países, es a égia essa copiada da ádio. E o que é a p og amação ho izon al e e ical? O ipo de p og amação é de inido consoan e os ho á ios de exibição: p og amas exibidos odos os dias à mesma ho a co espondem a linhas ho izon ais, enquan o que ho á ios maleá eis e di e en es co espondem a linhas e icais. Os no iciá ios desde o início que o am posicionados em p og amação ho izon al, p oposi adamen e, pa a a c iação de habi uação no espec ado . Ao longo dos anos, a ele isão oi sendo omada po ques ões come ciais, que de audiência, que de publicidade, que se ie am a o na o p incipal sus en o dos canais, es abelecendo-se, po essa ia, uma dependência que a e ou signi ica i amen e a p og amação, as g elhas e udo o que a is o es a a associado, inclusi amen e mé odos de abalho. Os elejo nais semp e o am colocados nas ho as das e eições p incipais de ido a se em os p og amas mais impo an es, ans e sais e uni e sais. Os seus ho á ios o na am-se mais igo osos, com ace o ao minu o, e o çando-se ambém, desse modo, o comp omisso do jo nalismo com o igo e a e acidade da in o mação e com o público. Os ho á ios dos es an es p og amas começa am ambém a se me iculosamen e pensados e apidamen e as di e en es pa es do dia o am di ecionadas, a a és de con eúdo especí ico, pa a públicos de uma ce a idade ou géne o (Bu don in: Bignell & Ficke s, 2008). O ho á io nob e, po se o que concen a a o maio núme o de ele isões ligadas, passou a se o ho á io mais desejado aos olhos dos p odu o es. Como é no ó io, o jo nalismo semp e oi uma á ea impo an e na indús ia ele isi a. Os elejo nais con e iam ao público não só uma isão do pano ama nacional, como in e nacional. Ago a e a possí el sabe e e o que se passa a em qualque pa e do mundo (Bu don in: Bignell & Ficke s, 2008). Ao longo da His ó ia, as di e en es cul u as, e nias, comunidades e eligiões o am exigindo ep esen a i idade e na u almen e que ambém a ele isão e e de disponibiliza espaços pa a isso, endo o jo nalismo assumido g ande pa e dos mesmos, mos ando essa di e sidade e no os mo imen os. Is o mudou o pano ama social mundial. A ele isão acele ou p ocessos de acei ação e globalização ao longo des a ce ca de cen ena de anos. O modelo do no iciá io oi e oluindo ao longo dos empos. Ao pi o p incipal, que guia a emissão e enuncia as no ícias, o am sendo ac escen ados no os elemen os, que complexi ica am e complemen a am es es p og amas o nando-os 24 mais dinâmicos. En e esses elemen os es ão, po exemplo, en e is as, di e os, comen á ios e epo agens edi adas (Leeuw in: Bignell & Ficke s, 2008). O caminho seguin e oi a c iação de canais exclusi amen e in o ma i os de ido à cla a e cada ez maio sede de in o mação do público. A ele isão, e a no a componen e isual que ouxe consigo, p endeu apidamen e o espec ado exa amen e de ido ao pode da imagem – ep esen a i a e que con e ia mais ealidade e e acidade. O jo nalismo econheceu e ap o ei ou es e po encial e desen ol eu o jo nalismo audio isual, endo como elemen o p incipal a epo agem audio isual. A epo agem, na al u a esc i a, su giu nos inais do século XIX, sendo um dos seus in ui os p incipais da oz e ca a aos sujei os anónimos. Ma io Se elle (2009) compa a mesmo a epo agem a um “ ex o de in e enção”, na medida em que se opõe à indús ia do espe áculo, con ando his ó ias com mais se iedade, mesmo no caso de emas mais d amá icos. Es a p eocupação eio a e o ça -se e o nou-se um dos g andes aços do jo nalismo mode no. Com o espaço audio isual as me odologias de in es igação pa a epo agem o am aplicadas a es e o ma o, o que ouxe no as complexidades elacionadas com a imagem, mas ambém ouxe mais cla eza e pe mi iu ao jo nalis a e ao epó e i em desca ando mais a esc i a nes es o ma os. Sob e udo o jo nalismo de in es igação explo ou o emen e as po encialidades da imagem, pois ago a e a possí el não só da oz ao anonima o como ambém ca a e exp essão. As epo agens mais longas pe mi iam uma b e e uga do imedia ismo, pe mi indo a c iação de peças mais amplas e po meno izadas que le am a um melho conhecimen o de “o Ou o” e da si uação. A g ande epo agem não só se o nou um selo dis in i o dos meios de comunicação, como ap oximou ao máximo o público de si mesmo ao po encia a sua ep esen a i idade. Na u almen e que nes e pe cu so, como odo o desen ol imen o, á ias ques ões sociais e é icas se le an a am, ópicos esses que Comolli (2008) esume numa só (mega) pe gun a: “Dian e dos milha es de elas de ele isão ligadas noi e e dia ao edo do plane a, como ala , dize , escu a , e , en im, o que nos acon ece e como ep esen á-lo sem ac escen a , em ão, mais um uído das aidades?” A ele isão oi sedimen ando a imagem de au o idade que o jo nalismo já inha pe an e a sociedade. O des aque de alguns pi o s, e de ou os jo nalis as econhecidos como pe sonalidades o es da ele isão, em ajudado a sublinha o papel do jo nalis a enquan o ansmisso p incipal de assun os de ex ema impo ância. Pegando conc e amen e no caso do jo nalismo audio isual, é impo an e explo a a impo ância e peso do público no seu desen ol imen o. Nas en e is as a ês jo nalis as ei as no âmbi o des e abalho (que se ap esen am no Capí ulo II), 31 Das úl imas décadas do século XX é impo an e ambém ealça o papel do omance mode no cinema og á ico. Ainda que o e ei o que p o oca p o enha da li e a u a omân ica inicial, os ilmes omân icos, ca egados de clichês, i e am um o e impac o, em alguns casos de modo inconscien e, nos p óp ios p odu o es. A icção pe mi e, mais que udo, a ep esen ação de no as e di e en es elações e in e ações. A sociedade iu na icção uma o ma de ep esen ação mui o amilia , apidamen e ime si a, ca i an e e elacioná el, o que culminou na cons ução de uma pe ceção de que udo e a mais possí el. Ou seja, acon eceu uma democ a ização da expe iência e da i ência, que pa ece se cada ez mais palpá el de ido às maio es equi alências senso iais (Ranciè e, 2010). Nasce assim a sociedade omân ica, sonhado a e esbanjado a, que a ingiu o seu pico nos inais do século XX. Também o enómeno da globalização, sen ido sob e udo a pa i da II Gue a Mundial e pa icula men e acele ado a pa i das úl imas décadas do século XX, se p oje ou na moldagem e e olução dos públicos. Apesa de a economia se um dos mais impo an es se o es de exp essão desse enómeno, ambém po que deu o mo e pa a oda a mudança, o p ocesso es endeu-se às di e en es á eas sociais e cien í icas. Es ando economicamen e ni eladas, as di e en es sociedades sen iam-se ainda mais p óximas e, como e e e Ranciè e (2010), o concei o de consenso en aizou-se. Assis iu- se a uma ce a homogeneização de algumas posições e compo amen os, nomeadamen e ao ní el da cul u a do consumismo, de a i udes capi alis as, da p e alência de “me cado ia” e “ enda”, e is o de uma o ma ans e sal a odos os se o es, incluindo os a ís ico e in o ma i o. O en e enimen o omou al p opo ção que se o nou indispensá el, mas, ao mesmo, o nou-se uma epe ição pu a, pouco pensada, que deixou de se e dadei amen e um desa io que pa a os c iado es, que pa a os espec ado es. O en e ainemen o nou-se uma máquina de p odução p óp ia e ci cula que, pela sua dimensão, passou a se is a como uma das g andes ma cas do sis ema capi alis a, nomeadamen e em alguns países onde esse sis ema inha maio exp essão. A abo dagem me can il, usada em odos os meios de comunicação e en e enimen o, incu iu, na u al e inconscien emen e, uma dimensão de omissão, mui as ezes mesmo de ince eza e men i a, ela i amen e à o igem e desen ol imen o do p odu o e à p óp ia génese que es á na base do seu consumo. Em consequência, o público e oluiu na di eção da ilusão e ince eza, conduzindo-se a um espec ado cons an emen e descon iado. Mas ambém a ele isão pa icipou nesse p ocesso. Como explica Comolli (2008), com o apa ecimen o e ins alação da ele isão em massa e a banalização das mos as de ilmes, a pequena caixa passou a se o “labo a ó io” de expe iências ela i amen e ao público. O as o empo de emissão pe mi ia es a no os con eúdos. Em boa 32 e dade, o que acon ecia é que a habi uação o çada, ge ada a a és da insis ência em de e minados con eúdos, e a usada pa a ans o ma o público em unção do mais en á el, passando-lhe, no en an o, a ilusão de que podia escolhe o con eúdo que que ia e de li e on ade (e não po se uma das poucas opções) ou po p essão social inconscien e. T a a a-se, de ac o, de manipulação. En e os di e sos impac os des e posicionamen o da ele isão es á ambém o da no malização de imagens chocan es, mais uma p á ica e elado a dos e ei os manipulado es des a indús ia. Como explica Ranciè e (2010), es as imagens “in ole á eis”, de “ echa os olhos ou olha pa a ou o lado”, p o ocam culpabilidade no espec ado , mas, ainda assim, e em unção da insis ência, o na am-se quo idianas e banais. Ou as imagens, impac an es mas não ão ag essi as, o na am-se supo á eis de ido a um sen imen o de igno ância da culpa ou empa ia, em linha com o popula “com o mal dos ou os posso eu bem”. A linguagem de choque e sensacionalis a semp e es e e p esen e, ainda an es da ele isão, a a és dos jo nais po exemplo, con udo a sua oz o nou-se mais audí el e ganhou mais adep os com a ele isão e in e ne . O sangue, iolência e con li o semp e sus en a am a polémica e o i al. Hou e, no en an o, uma passagem be an e e d ás ica, um caminho que, com passos la gos, nos le ou enquan o espec ado es ao comodismo, à acei ação sem ques ionamen o, o nando-nos al os áceis de uma manipulação inconscien e e mais eco en e que aquilo que possamos imagina . Es e caminho con inua a se pe co ido, os passos con inuam a se dados na mesma di eção, cada ez mais pa ocinados pela in e ne e pelo mundo digi al. Pa a além da inquie ude da cons an e dú ida, com a popula ização das edes sociais não só essa ideia de a sa cons an e oi e o çada como essas pla a o mas passa am a se um depósi o de opiniões áceis, que alimen am sob e udo ódio e e ol a. A A e iu nas edes sociais uma no a o ma de di ulgação, comunicação e exposição, e, consequen emen e, os espec ado es e ap eciado es i am nas caixas de comen á ios e nas pa ilhas uma opo unidade de mos a e a i ma o seu espí i o c í ico (o que, em si, é posi i o). Ainda que a libe dade de exp essão con igu e, pa a cada um, a possibilidade de ex e io iza pensamen os, ideias e c í icas, es es espaços azem consigo, na u almen e, an agens e des an agens: po um lado, o a is a, o p odu o , o jo nalis a e o endedo encon am-se mais pe o do público, sendo possí el uma con e sa di e a ou indi e a e a oca de ideias independen emen e de a o es geog á icos, conc e izando um p i ilégio de p oximidade nunca an es i ido; po ou o lado, a quan idade de opiniões e e en uais mo imen os de cancelamen o delas esul an es (em unção da ep o ação e desc édi o que podem ge a ), e que êm indo a in ensi ica -se nos úl imos anos, expõem os au o es como al os áceis à nega i idade e à c í ica, o que con e e uma p essão, pessoal e social, que os pode a e a a ní el psicológico, p o issional e c ia i o. 33 Mas es a acilidade ac escida de acesso e, ago a, ambém de pa ilha e discussão, mui as ezes com desconhecidos dis an es, pe mi e uma maio c iação e coesão de mo imen os sociais, a ís icos, polí icos e cul u ais, em consequência de nes e momen o se possí el encon a aquilo que quise mos na in e ne a qualque ho a. Como e e e Ca a ina San os na en e is a concedida (2021), a e olução digi al oi p og essi a a ní el de público, implicando uma cada ez maio en ol ência e, au oma icamen e, uma maio ab angência de aixas e á ias e pano amas socioeconómicos, e o caminho con inua a se pe co ido umo à p a icamen e o al globalização na u ilização do digi al. Po ou o lado, os compo amen os e e idos, po ezes excessi os e abusi os, podem se is os, em alguns casos, como uma o ma de exp essão ag essi a de alguns indi íduos, mas, nou os casos, como um exe cício delibe ado do público pa a es a os limi es das pla a o mas, da sociedade e da p óp ia é ica. Es e enesim de p ocu a, es a on ade de explo ação e exposição, e am consequências p e isí eis com o apa ecimen o des as pla a o mas, endo em con a a e olução do espec ado a é ao momen o. Comolli (2008), quando ala da a ualidade, e e e uma pala a c ucial pa a de ini o es ado a ual da sociedade e, consequen emen e, de odas as suas dimensões e in eg an es – u gência. Rela i amen e ao Cinema, po exemplo, não só o espec ado em u gência em e no os p odu os, como os p óp ios c iado es e ealizado es êm u gência em esc e e no os p oje os, de ini-los e p oduzi-los, de ido à p essão social e publici á ia. No caso do Jo nalismo, u gência semp e oi uma pala a p esen e e à qual é impossí el ugi . Pode dize -se que no con ex o a ual o jo nalismo em em si mais u gências do que em décadas an e io es. À u gência da úl ima ho a jun am-se ou as: a da compe ição in e na en e meios po isi as, isualizações e núme os, a de encon a e da o con eúdo mais en á el, ape ecí el e suma en o, e c. E udo is o ai moldando, na u almen e, os públicos. (...) pa adoxalmen e, a indús ia do espe áculo aniquila pouco a pouco os ecu sos desse espec ado . As massas, às quais se o e ece dia iamen e milhões de coisas pa a e (...), pe dem de is a, em bom igo , a sua p óp ia apa ição subje i a no campo c uzado do econhecimen o. O e bo e o na-se um in ini i o sem sujei o (...) (Mondzain, 2015). No en an o, impo a sublinha que no meio da o en e de p oduções pad onizadas e epe i i as, que ma ca am sob e udo as úl imas décadas, á ios comunicado es e p odu o es a ís icos o am capazes de, pa alelamen e, i 34 desen ol endo p oje os, pensamen os e mo imen os independen es, mais expe imen ais, e à ma gem das ípicas e iciadas o mas de ep esen ação, enda e dis ibuição. E o am encon ando espec ado es pa a isso, ap o ei ando anjas (de público) que es a am, ambém elas, cansadas dessa pad onização. 35 CAPÍTULO II – CONTEXTO PRÁTICO 2.1 - ESTÁGIO CURRICULAR Quando con on ada com a necessidade de escolha da componen e não le i a pa a a conclusão do mes ado, decidi en e eda pela opção de es ágio cu icula com ela ó io. Sendo o es ágio uma componen e p á ica, e endo em con a os emas que p e endia desen ol e – documen á io, jo nalismo audio isual e público/espec ado -, en endi que o mais an ajoso se ia, enquan o p o issional da á ea da mul imédia e cinema, coloca -me mais pe o do ou o mundo es udado, o in o ma i o, pa a i encia os di e en es p ocessos de p oduções no iciosas e a a mos e a de uma edação. O p opósi o oi usa o es ágio como in es igação p á ica na á ea de meno o mação académica. Iniciei o es ágio no jo nal Obse ado a 28 de Se emb o de 2020, com uma du ação de ce ca de 3 meses, e minando a 31 de dezemb o do mesmo ano. O es ágio deco eu sob a o ien ação da jo nalis a Ca a ina San os, edi o a do depa amen o de mul imédia, equipa onde ui inse ida. 2.1.1 – O uni e so Obse ado O jo nal Obse ado é um jo nal digi al independen e sedeado em Lisboa, mais conc e amen e na zona de Al alade. A ideia de c ia um jo nal di e enciado , independen e de qualque ó gão já exis en e, su giu em janei o de 2012, numa con e sa en e o jo nalis a José Manuel Fe nandes, o his o iado Rui Ramos e o emp esá io e ges o An ónio Ca apa oso. Con udo, só ce ca de dois anos depois é que a ideia começou a se es ada e o anúncio o icial de ap esen ação acon eceu apenas no inal de 2013. Em 2014, o jo nal a anca com uma pequena equipa que se oi ala gando a é hoje, assim como o público que acede e isi a o jo nal egula men e. O jo nal é a ualmen e uma e e ência nacional no que oca ao jo nalismo p esen e no digi al. Reconhecido especialmen e po explo a minuciosamen e o pano ama polí ico nacional, cob e com excelência odas as á eas e p oduz con eúdos esc i os e mul imédia que alimen am o si e e as edes sociais. Todos os anos o jo nal online celeb a o seu ani e sá io com o lançamen o de uma e is a imp essa com os melho es a igos do úl imo ano. Pa a além do jo nal, o Obse ado c iou a Rádio Obse ado , que já celeb ou o segundo ani e sá io, e a e is a ísica Obse ado Li es yle, que saiu pela p imei a ez pa a as bancas em 2017 e já con a com 12 lançamen os. 36 2.1.2 - Funções e p oje os desen ol idos Enquan o es agiá ia ui in eg ada na equipa do depa amen o mul imédia, que p oduz os con eúdos audio isuais do jo nal. Ao longo dos ce ca de ês meses de es ágio pa icipei em di e sos p oje os e desempenhei unções de eo mui o dis in o. En e as p incipais expe iências es ão: a p odução de con eúdos no iciosos, nomeadamen e pequenas e médias epo agens audio isuais cons uídas com ound oo age, imagens de banco e de agências e con eúdos encon ados em edes sociais; a c iação e aplicação de g a ismos em epo agens jo nalís icas; a ope ação de câma a de es údio; e a assis ência de p odução. Ap esen o a segui alguns dos p incipais p oje os em que me en ol i, p ocu ando, pa a além da desc ição dos espe i os p ocessos, e idencia as ap endizagens ei as e as conclusões e i adas. P oje o 1 Uma das unções diá ias e a a pesquisa de con eúdo no icioso pa a a cons ução de pequenas epo agens audio isuais que e am pos e io men e pa ilhadas no canal de You ube do jo nal, no si e e nas edes sociais do Obse ado – Facebook e Ins ag am. P imei amen e e a necessá io iden i ica no os con eúdos in o ma i os, ou no as in o mações de um con eúdo já no iciado, e após a escolha, consoan e aquilo que e a mais ele an e, e após a ap o ação da edi o a do depa amen o, passa a pa a a ase seguin e – pesquisa, e i icação dos ac os e es u u ação do con eúdo. Nes a ase, a mais desa ian e, p ocedia-se à e i icação das on es, à pesquisa mais ap o undada, à con i mação de e acidade das imagens e, concluídos esses passos, à es u u ação da epo agem. Po se um con eúdo que se ia di undido ambém nas edes sociais inha de se ei o de modo a pe mi i uma isualização ácil em di e en es disposi i os, desde lap op ao elemó el. Pa a isso, a in o mação e ia de se expos a po esc i o caso a pessoa es i esse a e num ambien e des a o á el pa a ou i . A in o mação e a o ganizada em pequenas ases, di e as, cu as e concisas, o que, po si só, cons i uía um g ande desa io, ao qual se jun a a ou o - a decisão sob e a o dem da in o mação de manei a a man e o espec ado ligado a é ao inal do ídeo. 37 De en e as dezenas de pequenas epo agens desen ol idas des aco, e uso como exemplo conc e o, a no ícia Ex-baila ina com Alzheime emociona a in e ne ao eco da “O Lago dos Cisnes”. Não endo o mação em comunicação social ou jo nalismo, es a a e a diá ia, sob o ien ação cons an e da edi o a, colocou-me em con ac o di e o com as me odologias e pla a o mas de pesquisa de in o mação, assim como com as p á icas e as esponsabilidades é icas associadas à e i icação de e acidade dos con eúdos. O me iculoso cuidado eque ido ensinou-me não só a conduzi a minha pesquisa de uma manei a mais di e a, como ambém a aze essal a o con eúdo ealmen e ele an e e necessá io, aspe os em que cla amen e ui melho ando ao longo dos meses, nomeadamen e em e mos de cele idade, mas sem nunca pe de de is a o igo exigido. Desde os p imei os abalhos que pe cebi as po encialidades que es as compe ências, e ine en es linhas é icas, pode iam e quando aplicadas a ases de p é-p odução documen al. P oje o 2 A segunda unção ap esen ada consis ia na g a ação e ansmissão em di e o de um e en o ou acon ecimen o pa a o canal de You ube do jo nal. Veja-se, como exemplo, o caso da mani es ação do Mo imen o a Pão e Água que oco eu no dia 14 de no emb o de 2020 na P aça do Rossio em Lisboa. No seguimen o da emissão de um di e o que mos a a as p imei as ho as de um no o con inamen o nas uas da capi al, ao chega mos a es a p aça e depa ando-nos com as cen enas de pessoas que ali se encon a am, oi dada a indicação, a pa i da edação, de aze um no o di e o que acompanhasse os acon ecimen os da mani es ação. Es as expe iências o am o meu p imei o con ac o com o di e o enquan o ope ado a de câma a. Na u almen e, a ad enalina ine en e ao di e o jo nalís ico colocou-me pe an e no os e di e en es desa ios. A esponsabilidade colocada na unção e a g ande (e c ucial pa a a emissão), esponsabilidade essa que eque ia a aplicação de conhecimen os p á icos e apela a ambém ao en endimen o é ico da si uação. Pessoalmen e, es e abalho pe mi iu-me uma no a isão do jo nalismo, numa pe spe i a p á ica, e o con ac o, em p imei a mão, com uma das mais impo an es dimensões do jo nalismo audio isual. Fui colocada em con ac o di e o com o esponsá el da ansmissão que, ao longo dos ce ca de 45 minu os de emissão, me oi dando algumas indicações sob e o h ps://www.you ube.com/wa ch? =6m29-qK752w 38 con eúdo a mos a em momen os c uciais do e en o. Con udo, concedeu-me ambém alguma libe dade e au onomia, nomeadamen e na escolha de planos e posicionamen os. A ní el jo nalís ico, es a expe iência ob igou-me a e uma pos u a impa cial ela i amen e ao mos ado - a p io ização da ideia de conjun o ao in és das indi idualidades endo em con a a si uação. Pa a além disso, du an e a emissão pe co i di e sas ezes o espaço onde se encon a am os mani es an es, semp e com a p eocupação de não in e e i com os in e enien es. O meu papel e a documen a , não no sen ido da ideia do cinema documen al, mas sim no sen ido li e al do e bo. T anspo ando es a expe iência pa a o uni e so do Documen á io, comp eendi ainda mais explici amen e o papel da isão jo nalís ica pa a o desen ol imen o do cinema obse acional. E aí é jus o elemb a o papel que alguns jo nalis as ame icanos i e am nos p imó dios do desen ol imen o do géne o cinema og á ico, nomeadamen e em e mos da sua pos u a e do seu caminho, mas ambém os passos seguin es do di e o e do b oadcas que con inua am a se e e ências dessa pos u a (que se es endeu à sé ima a e). P oje o 3 O úl imo abalho a essal a co esponde à p odução in eg al da epo agem especial sob e a ida do ícone de u ebol a gen ino Diego Ma adona após o seu alecimen o. Semp e sob a o ien ação edi o ial da coo denado a do depa amen o (e o ien ado a de es ágio da ins i uição), desen ol i as duas g andes pa es do p oje o. P imei amen e iz a pesquisa de a igos, no ícias e demais on es de in o mação sob e a ida do ex- u ebolis a e, após a e i icação dessas mesmas in o mações em mais do que uma on e, passei à es u u ação da epo agem, p ocu ando aquela que me pa ecia a melho o ma de o ganiza o con eúdo. Pa eceu-me na u al segui uma linha empo al condu o a, pois pe mi ia ao espec ado um ácil seguimen o da na a i a. P ocu ei que a mesma não só apelasse à memó ia daqueles que acompanha am os empos de jogado de Ma adona ( ambém enquan o igu a que ex a asa a a dimensão u ebolís ica), como ambém que pe mi isse aos mais no os assimila em o seu pe cu so de ida. De ido às inúme as ma é ias p e is as pa a sai , em odo o mundo, sob e o assun o, pe cebi quão necessá io e a se ápida, obje i a e concisa nas h ps://www.you ube.com/wa ch? =UxHR cK9mEY 39 minhas decisões e linguagens. Ainda que o p óp io con eúdo da epo agem seja de alguma o ma in empo al, de ido ao ipo de na a i a, a e eme idade da no ícia pedia u gência. A ní el de linguagem, al como nas ou as epo agens mais cu as já ei as, impunha-se o mé odo di e o e cla o do jo nalismo – in o ma e a a p io idade, ainda que a peça osse ambém is a como um ibu o e uma homenagem. O que me colocou, aliás, pe an e um desa io: mexendo com sen imen os de pe da e sendo, ainda que num plano secundá io, um dos obje i os do p oje o a homenagem ao a le a, como pode ia compa ibiliza essa subje i idade (que ad inha dessa dimensão de homenagem) com a necessidade de da a in o mação de manei a di e a? A p óp ia c iação da peça e o p olongado empo que dispensei à sua p odução já con e ia ao esul ado essa ca ac e ís ica mais humana pe an e o sucedido, con udo e i a am-se comen á ios, en a izações ou oman ismos. Es a isão canalizada pa a o p opósi o p incipal de esumo e ansmissão de in o mação, com a consequen e ausência de opinião au o al, o nou-se um dilema. Sendo um p oje o mais longo, in ei amen e a meu ca go, e endo em con a a minha o mação, a en ação na u al se ia a de con a a his ó ia de ida de Ma adona aos meus olhos, algo que aqui i e de comba e . Ti e de despi comple amen e a pele de documen a is a e aí, mais que em qualque ou o p oje o, sen i o peso da neu alidade jo nalís ica e, assim, a sua maio di e gência com o mundo do Cinema. As dinâmicas i e am de se pensadamen e ni eladas, nunca c iando demasiadas oscilações exa amen e pa a espei a essa linha é ica ca ac e ís ica. h ps://www.you ube.com/wa ch? =Ja c85127hg& =299 s 40 2.1.3 - Con i ência de dois mundos no espaço da edação: a is as e écnicos mul imédia e jo nalis as Como e e ido an e io men e, enquan o es udan e de cinema e ele isão, mas sob e udo en usias a da linguagem documen al, a minha in odução num ambien e de edação jo nalís ica p o ocou um choque complexo, con udo in e essan e pa a explo ação e e lexão. Chegando ao es ágio abo dei-o como uma opo unidade de abso ção e acumulação de conhecimen o numa á ea não ão amilia a ní el académico. Também endo em con a os obje i os des e ela ó io, p ocu ei es a p epa ada pa a o exe cício de cons an e compa ação com a ou a á ea em es udo – o Documen á io. Tal como is o nos exemplos an e io men e e e idos, as di e en es unções e p oje os pe mi i am di e en es ap endizagens em á eas especí icas do jo nalismo. Ainda que nos abalhos e e idos se e i iquem sob e udo a explo ação do jo nalismo audio isual, depa ei-me com ou os concei os não ela i os ao audio isual. An es de udo, ui inse ida numa edação jo nalís ica, um ambien e que me e a o almen e alheio a é en ão, ambien e esse com dinâmicas mui o p óp ias. A u gência, a co ida con a elógio ou a p essão da úl ima ho a, ine en es ao espaço, molda am não só o meu dia-a-dia como o meu i mo de abalho. Não habi uada a al co e ia, pe cebi que ao “pe ecionismo” que já azia do cinema inha que jun a ní eis de e iciência e e icácia nunca an es expe ienciados. No en an o, o i mo que inicialmen e e a es anho apidamen e se o nou um ício. O concei o de “momen o” ganha a ali ou as dimensões, ainda que e éme o o “ago a” alia semp e mais que qualque ou a coisa. Es e choque oi, de ac o, uma das di e enças mais ma can es que sen i ela i amen e a es e mundo jo nalís ico. Ainda que as p oduções cinema og á icas ambém sejam uma co ida con a o empo, o imedia o não em o mesmo peso. No caso do Documen á io, al ez o momen o enha, mas o imedia o não. É de sublinha , ealmen e, a impo ância do momen o pa a o Cinema Documen al. O ideal é desca a epe ições e cap a exa amen e o sen imen o e a si uação naquele momen o. Con udo, o pensamen o com que é abo dado encon a-se do ou o lado do espe o ela i amen e ao Jo nalismo. Se no Jo nalismo o “ago a” ep esen a udo e b e emen e pe de á alo , no Documen á io o “ago a” só é impo an e se o pe pe uado no u u o. 47 3.2 - FATORES DIFERENCIADORES: LIMITES E OPOSIÇÕES Comolli (2008) de ine adicalmen e a di e ença en e campos: o Jo nalismo mos a o acon ecimen o, o Documen á io ealiza-se no pós-acon ecimen o. Mas se á assim ão linea ? É unânime que a abo dagem e pe spe i a pe an e os ac os sejam a maio di e ença en e o Cinema Documen al e o Jo nalismo, con udo essas mesmas linguagens podem e , en e si, on ei as po ezes énues. A discussão não pode passa apenas po b e es desc ições de pe spe i as pe an e o ac ual, pois isso não é su icien emen e escla ecedo . A dis inção é apenas possí el a endendo a di e sos a o es, uns obje i os e ou os subje i os (e com p e alência dos úl imos), dessas mesmas abo dagens, o que, mui as ezes, c ia discó dia en e os p o issionais das duas á eas. 3.2.1 - Ques ões obje i as 3.2.1.1 - Du ação do p odu o inal e do o al do p oje o Começando pelas ca ac e ís icas obje i as, há quem de enda que um dos aspe os di e enciado es é a du ação do esul ado inal, a gumen o esse acilmen e desc edibilizado. Vejamos um exemplo p á ico, assumindo que o empo de e e ência que sepa a as duas á eas seja a ma ca dos 15 minu os. En ão, uma epo agem com 15 minu os e 40 segundos passa, apenas po isso, a se classi icada como Documen á io? Ainda ela i amen e ao empo, podemos e em conside ação ambém o empo o al de p odução da ob a, desde o su gimen o da ideia a é ao lançamen o. Ao Jo nalismo con e e-se uma ideia de meno empo de desen ol imen o de ido à b e idade, pe inência e a ualidade do con eúdo. Na u almen e que es ando ligadas aos concei os de “no ícia ao minu o” e “úl ima ho a”, as epo agens de em se lançadas assim que possí el pa a se enquad a em, con ex ualmen e, nas endências ou assun os do momen o. Pa a além disso, os jo nalis as e p o issionais de ídeo que compõem a equipa es ão, mui as ezes, simul aneamen e en ol idos em ou as p oduções ou unções. Ac esce que os p azos mais es i os di ados pelas necessidades das g elhas ele isi as jo nalís icas eque em uma maio obje i idade pa a uma mais ápida espos a inal. Daí que no Jo nalismo o empo dedicado à c ia i idade é mui o eduzido de ido à p essão do imedia o, pois p a icamen e odo o empo disponí el é 48 dedicado à p ocu a e e i icação de in o mação. Sendo o empo escasso, em que se esumi e p eenche com o essencial pa a a á ea. Com o Documen á io não é exa amen e assim. Jo ge Pelicano (2020) oi epó e de imagem da SIC e há alguns anos passou a e como oco p o issional p incipal os seus documen á ios au o ais. Ele apon a o empo de p odução como sendo ealmen e uma das mais ma can es di e enças en e as á eas. O Documen á io goza da ex ensão do empo que em pa a c ia e p oduzi ligações mais subje i as, não só com os p o agonis as, mas ambém com a linha empo al dos acon ecimen os. Essa explo ação acaba po culmina em p odu os mais longos, na maio pa e das ezes. Con udo, os e dadei os e lexos desse caminho são a densidade e p o undidade das ob as. 3.2.1.2 - C edi ação da a i idade p o issional O Jo nalismo exige um o malismo que não se e i ica no Cinema. Apenas jo nalis as com ca ei a p o issional podem assina as peças, incluindo epo agens, ou seja, assumi a au o ia de uma no ícia. Pa a a ob enção des a ca ei a é necessá ia o mação académica na á ea e pelo menos seis meses de expe iência p o issional. Caso a o mação académica não seja nas á eas de comunicação social ou jo nalismo, é necessá ia a ap esen ação de um conjun o de abalhos e peças pa a a a ibuição dessa mesma ca ei a. No Cinema, como nas es an es o mas de A e, não só não há nenhuma exigência écnica semelhan e pa a o exe cício de qualque unção, como comummen e encon amos a is as cuja o mação académica não passa po qualque á ea a ís ica. Tal ez pela libe dade ex ema in ínseca à A e, o econhecimen o da ob a mui as ezes se sob eponha ao econhecimen o do a is a. Ainda que seja alo izado o ensino a ís ico e o p o issionalismo e p epa ação com que os es udan es saem des e ipo de o mação, es e a o não é impe a i o. Mais do que isso, a alo ização de cada ob a, e do p óp io a is a, é um juízo de alo pessoal que cada um az, aduzindo uma opinião subje i a de ag ado ou desag ado pe an e um p odu o, uma o ma de pensa ou um pe cu so que culmina num de e minado esul ado a ís ico. Es a exigência de c edi ação é, de ac o, uma das maio es di e enças en e as á eas em es udo. Po um lado, emos um Jo nalismo igo oso, se e o e, po ezes, e i o ial com a sua p o issão, e, po ou o, emos o Documen á io que acei a di e en es lei u as, olha es e p o issionais com di e en es backg ounds, inclusi amen e jo nalis as. Po isso, mais acilmen e se e i ica a ansição de um p o issional do Jo nalismo pa a o Documen á io do que o caminho in e so. 49 3.2.1.3 – Fo ma os e disposi i os O con eúdo não é, como já is o, o único pon o impo an e numa ep esen ação ou ansmissão de in o mação. Tudo “ em a e com as pa ilhas de espaço e de empo e com os modos de ap esen ação sensí el que essas pa ilhas ins i uem” (Ranciè e, 2010). Os o ma os, o mas e escolhas de disposi i os são, po si só, escolhas sensí eis do au o , um p ocesso pensado, sus en ado pela lógica de i ada dos obje i os do p oje o. Es as decisões conscien es são adequadas (e, de ce o modo, e le o as) ao p óp io con eúdo e à in enção do mesmo. Rica do Cla a Cou o (2020), quando ala do público, e e e como as expec a i as do mesmo a iam consoan e os ambien es e disposi i os em que o espec ado ê os p odu os isuais. Enquan o que em casa, num con o á el so á em en e a uma boa ele isão, num ambien e descon aído, o espec ado es á mais a en o à es é ica, às o mas e aos de alhes, nou os ambien es, como anspo es, escola ou abalho, o espec ado es á sob e udo concen ado no con eúdo, pois o ní el de es ímulos ex e io es eduz a sua a enção, le ando-o a cen a -se no essencial. Is o são a o es a e em a enção na p odução das ob as e peças. Ou seja, ques ões como “Onde i á se ep oduzido?”,” Em que disposi i o?”, e “Que ambien e es á associado a esse disposi i o?” êm que se omadas em de ida con a. No caso do Jo nalismo Audio isual os p odu os podem se p oduzidos num des es dois meios: ele isão ou web. Se, po um lado, a ele isão em o ma os especí icos, de inidos e não maleá eis, na web emos um conjun o de possibilidades di e en es. Os di e en es disposi i os de ap esen ação do con eúdo condicionam as o mas e o ma os de composição e cons ução. Os úl imos anos o am ma can es nesse aspe o, nomeadamen e endo em con a a cons an e adap ação ao desen ol imen o de ecnologias po á eis, caminhando-se na di eção da compac ação e do “ ácil”. Como a i ma Ca a ina San os (2021), a maio ia dos u ilizado es acede aos con eúdos do jo nal Obse ado a a és do elemó el, sendo cada ez mais amplo o leque de pessoas a acede . Po isso, é essencial que os con eúdos sejam ei os em á ios o ma os pa a que haja uma boa lei u a em odo o ipo de disposi i os, não só em desk op. O elemó el o nou-se, quase, pa e de nós, al ez o obje o com que passamos mais empo. Po isso, é na u al e in eligen e a adap ação de con eúdos pa a es es disposi i os, o que ai não só in luencia a cons ução na a i a do con eúdo, pois as pessoas que em no ícias imedia as, ca i an es e esumidas, como ambém a es é ica, que p ocu a, p imo dialmen e, p opo ciona uma boa lei u a de ex o e imagem. 50 De ido a udo is o, o Jo nalismo, sob e udo o Audio isual, começou a es ende - se pa a o online e na u almen e a molda -se a ele. Que em ques ão de empo, que em e mos de o ganização e ap esen ação da in o mação e con eúdo, os p oje os pa a es es meios êm de se in encionalmen e pensados. Fo ma os menos con encionais em ídeo, como o 1:1 ou 9:16, começa am a ganha o ça, sendo, po ém, mais usados em pequenas epo agens e ídeos explica i os. As epo agens de in es igação, ainda que pa a web, eco em maio i a iamen e ao 16:9, po se o o ma o a que o público es á mais habi uado e ambém po se uma ela ho izon al mais ampla. No caso do Documen á io, ainda que apa eçam p oje os expe imen ais a ní el de o ma os, es es são, ainda assim, a os. Po se exa amen e uma á ea que es á o emen e ligada à es é ica, os o ma os mais con encionais, po e em uma maio ela de pin u a, são mais ape ecí eis. Pa a além disso, mui as ezes os p oje os são exibidos em disposi i os di e en es, salas de cinema e web po exemplo, nos quais os o ma os mais comuns se e elam mais adap á eis. 51 3.2.2 – Pa âme os subje i os 3.2.2.1 – Na ado e na a i a A na a i a é abo dada de di e en es manei as nas duas á eas em es udo, e den o de cada uma exis em di e en es linguagens. A no ícia é uma mon agem de ozes, mui as delas con adi ó ias, e a sua es u u a na a i a não é pode osa o su icien e pa a di a semp e qual a oz a que de emos p es a mais a enção, ou qual oz de e se usada como uma ia pa a en ende o es o. 3 (Fiske, 2011 (T adução p óp ia)) No caso especí ico do Jo nalismo Audio isual de In es igação, adicionalmen e o jo nalis a maio i a iamen e assume a posição de na ado que in e liga os es emunhos e ac escen a ou as in o mações ele an es em es ilo oz o e on ape. O discu so dos in e enien es a amen e é usado de o ma exclusi a. Apesa das in e enções dos en ol idos no en edo da no ícia se em p io izados, são in e caladas com ou os momen os, en e os quais os escla ecimen os ou achegas dos jo nalis as do p oje o. Apesa da p eocupação com a ha monização das ozes, a no ícia não es á li e de um emoldu amen o ou oman ização di adas pelos in e esses come ciais do jo nalismo (Melo, 2002). Es es p ocessos acabam po o na mais apela i as as peças. A ap esen ação di e a dos ac os, conc e os e in o ma i os, não é a melho o ma de c ia engagemen com o público (Nichols, 2017). No Documen á io, o na ado e oz-o nasce am pelas mãos de G ie son e do seu ilme D i e (1929). A pa i daí, não só se o nou uma ca ac e ís ica acili ado a da ansmissão da ideia educacional, como ambém passou a se u ilizado como componen e pad ão (Pena ia, 1999). Ao longo dos empos, e com o desen ol imen o dos emas e es ilos den o do p óp io géne o, a u ilização de na ado oi diminuindo, sob e udo em ce as emá icas, pa icula men e em p oduções ocadas em ques ões sociais. Nos inais dos anos 90 e inícios do século XXI, no Cinema Documen al encon á amos um con as e em elação à u ilização do na ado , sendo o mesmo bas an e usado em documen á ios cien í icos, his ó icos e ins i ucionais, em oposição a um cinema di e o, de obse ação e expe imen al, que desca a a al elemen o. A ualmen e os documen á ios mais popula es, incluindo os disponibilizados em pla a o mas s eaming, e sob e udo os que e a am campos sociais, como c iminologia, despo o, pe sonalidades e in e enção social, dispensam um na ado . 3 The news is a mon age o oices, many o hem con adic o y, and i s na a i e s uc u e is no powe ul enough o dic a e always which oice we should pay mos a en ion o, o which oice should be used as a amewo k by which o unde s and he es . 52 O en elace de discu sos pa a c ia uma na a i a luída o nou-se um dos maio es desa ios do documen á io a ual, o que deu à pós-p odução um peso que, ainda que semp e ma can e nes e es ilo, nunca oi ão assumido. No Documen á io, o alinhamen o e dimensão das ozes não p ecisam de se ni eladas. Es as se ão ap esen adas semp e de manei a a es u u a uma na a i a que culmine e sus en e a isão e p emissa do ealizado . Que seja au opa a aseamen o, no caso de uma cons ução ób ia e na u al, que seja pa a aseamen o pensado, cons i uem semp e escolhas que êm, in insecamen e, um eo au o al e uma pe spe i a única (Melo, 2002). O documen á io em lexibilidade pa a es ica as pa es que lhe con êm. Nes e momen o, sob e udo no con eúdo no icioso online, começamos a e in luências des a linguagem documen al a ual, esul ando, inclusi amen e, na dispensa do papel do jo nalis a como na ado . Como e e e Ca a ina San os (2021), cada ez mais as epo agens mais longas dispensam a oz o , po se em i madas de manei a di e en e em elação às na a i as ele isi as e ha e um maio in es imen o na es é ica e elemen os g á icos. Tudo is o muda a na a i a, con e indo-lhe uma dinâmica que podemos conside a p óxima da usada no documen á io. 3.2.2.2 - Ca á e au o al Como de ende Possen i (2001), o concei o de au o ia es á inequi ocamen e elacionado com a singula idade, a qual, po sua ez, eme e pa a o es ilo, e es es são concei os de ca á e subje i o. De ende ambém que um au o , pa a se ealmen e um c iado com ca á e au o al, em de assumi , conscien e ou inconscien emen e, duas ações, a de da oz aos in e enien es e a de dema ca a sua opinião em elação às posições dos ou os in eg an es da ama. Classicamen e, e na obse ância dos comp omissos deon ológicos que lhes compe em, os jo nalis as nas epo agens p ocu am impa cialidade, nomeadamen e a a és do ecu so ao con adi ó io, deixando os juízos de alo pa a os espec ado es, des inculando-se assim dessa unção opina i a. A ques ão au o al no caso do Jo nalismo Audio isual de In es igação incula-se na associação dessa epo agem ao jo nalis a, uma au o ia mais ou menos econhecida consoan e o sucesso de audiências da peça, a discussão que despole ou ou a no o iedade écnica, mas nunca consoan e a opinião que o jo nalis a em da ma é ia que e a ou. Mui os a gumen am que a escolha de ema, po si só, já é uma decisão subje i a pois cola ao jo nalis a à p e ensão de que o espec ado conheça e e li a 53 sobe o ema escolhido. Mas es e de e ia se o máximo da subje i idade des e ipo de jo nalismo. O obje i o do jo nalis a é, na e dade, esconde esse asgo de subje i idade. Con udo, o as o conhecimen o que desen ol e da his ó ia p i ilegia-o e mexe com a sua subje i idade, ainda que de manei a inconscien e, ou seja, sendo conhecedo da pleni ude da his ó ia, o seu posicionamen o p i ilegiado e le e-se ine i a elmen e: (...) eu não ilmei mas i, eu não ilmei mas sei, eu não ilmei mas alei com gen e que me mos ou papéis, que eu i papéis, e ga an e-me que aquilo é, eu enho a ce eza que é – eu enho a ob igação de ab i esse caminho e po isso mesmo o jo nalis a em o p i ilégio de en a nessa his ó ia, de se ans o ma numa espécie de po ei o que ai ab indo as po as da e dade. Is o pode pa ece que é uma jus i icação pa a eu, po ezes, en a nesse uni e so da subje i idade, mas eu só en o, só c uzo a on ei a, quando a e dade é minha pa cei a, quando eu cheguei ao de alhe e eu a a és do abalho que i e pa a chega ao de alhe, eu ap oximei-me da e dade (Ped o Coelho, 2021). Po sua ez, o Documen á io a i ma-se, o gulhosamen e, subje i o, exa amen e po mos a o olha do ealizado pe an e aquilo que es á a se mos ado. Nes e campo é pe mi ida (e po ezes eque ida) a opinião, o julgamen o e a exposição. “Um documen á io ou é au o al ou não é nada” (Salles, 2001). Esse alo ac escen ado po esse olha único é que con e e o cunho a ís ico à ob a. “O documen á io o e ece-nos, isso sim, um mundo no o, o jado en e a ealidade ilmada e a sensibilidade de um cineas a” (Labaki, 2001). A posição do ealizado pode não se explici amen e expos a, podemos a é e , na e dade, uma es u u a ipicamen e jo nalís ica onde é dada igual oz aos di e en es in e enien es do en edo e dis ibuídos po semelhan e empo de an ena. Con udo, o Documen á io em um a gumen o e na a i a que guiam in encionalmen e o espec ado a i a a “mo al da his ó ia” no inal (Melo, Gomes & Mo ais, 2001). Não só as escolhas na a i as mas ambém as es é icas cinema og á icas, conscien es ou inconscien es, exp essam o pon o de is a do ealizado (Pena ia, 1999). O a is a p eocupa-se em mos a aquilo que não é acilmen e isí el, mas ambém, e ao con á io, naquilo que é demasiado ácil de e p ocu a in oduzi uma no a pe spe i a, mais complexa. O a is a que ompe p oposi adamen e ligações, elaciona aquilo que nunca se in e ligou. No undo, odas es as p e ensões edundam numa pala a: dinâmicas (Ranciè e, 2010). Cada au o escolhe e conjuga ques ões e c ia a sua p óp ia dinâmica, única e singula . O Jo nalismo es á inse ido no g ande quad o da comunicação social, uma á ea que explo a a Humanidade, ap oximando-se mais ou menos dela consoan e o 54 necessá io pa a in o ma as massas. O Cinema Documen al, po ou o lado, abo da a Humanidade enquan o musa pa a ep esen ação, exposição ou mani es o a a és da ob a decla adamen e a ís ica. Impõem-se aqui, em ambas as á eas, ques ões an opológicas, nomeadamen e em elação à abo dagem e a amen o dos sujei os en ol idos e e a ados. Comummen e, a in e enção dos pa icipan es acon ece em o ma o de en e is a, pelo que é necessá io explo a a manei a como es a é o mulada e usada pa a en ende p incípios e mé odos da emá ica em causa. 3.2.2.3 - Fo mulação e uso de en e is as. As ques ões é icas e an opológicas que se le an am Como explo a Mondzain (2015), o humano semp e en ou pe cebe a sua p óp ia pe ceção ao longo da his ó ia, desde a alego ia da ca e na. Essa en a i a de comp eensão inha na u almen e o in ui o de adequa , o melho possí el, os compo amen os pa a a i ência em comunidade e sociedade, incluindo concei os como espei o, libe dade e espaço. Todos es es concei os e p eocupações an opológicas e sociais es ão ine i a elmen e na base das abo dagens usadas pelo Jo nalismo e pelo Documen á io. Uma das p eocupações maio es é com o a amen o do Ou o en ol ido e e a ado. Comummen e, que no Jo nalismo Audio isual de In es igação, que no Documen á io, o Ou o in e ém a a és da en e is a. A pala a é um elemen o de impo ância inegá el pa a a ep esen ação idedigna e comple a que ambas as á eas pe seguem, ainda que cada uma à sua manei a. O es emunho em, em si, odo o pode , e é a base da c iação e a linha condu o a dos p odu os. Con udo, com o audio isual, como e e e Ranciè e (2010), a imagem eio p eenche o espaço que a pala a ainda deixa a azio. A insu iciência da pala a em exp essa comple amen e a ealidade dá à imagem, quando em conjun o com a pala a, um pode incon o ná el. A au o a ai mais longe ainda e diz que “a e dadei a es emunha é aquela que não que es emunha ”, o que eme e pa a a e lexão sob e a impo ância do silêncio e o que ele ep esen a – um espaço que es imula o imaginá io, pois é a oz daquilo que não se pode ou consegue pa ilha . A exp essão acial e co po al du an e esse silêncio ac escen a um alo imensu á el, des onando a ideia apa en emen e ine en e ao silêncio – o azio. Com a imagem udo é linguagem, udo é exp essão, udo é Voz, ainda que não audí el. A imagem pe mi e con e i não só a on ade como a não on ade do en e is ado. O papel do en e is ado , pa a além de ob e in o mação conc e a, é 55 ambém i a pa ido e cap a o ambien e e o silêncio (al o em olume de alo ). Tudo é es emunho. A combinação de odos es es a o es esul a numa ex u a, pessoal e única, que plas icamen e em de se cuidadosamen e cap ada. A edição dessas mesmas cap u as pode a o ece , des a o ece , en a iza ou sua iza essa ex u a consoan e o p e endido e a emoção a ansmi i . Independen emen e do ipo de ep esen ação, no o ma o audio isual que lida com não-a o es, sob e udo quando en ol e s o y elling, o co po ilmado é p oje ado pa a ou os que o ecebem e pe cecionam. “(...) nós p óp ios somos omados como co pos e des inos.” (Comolli, 2008). Como expõe o au o , a inocência do espec ado , em e mos de econhecimen o e empa ia, pe mi e-lhe uma abe u a que ex a asa o co po enquan o elemen o ísico expos o a uma câma a. A ep esen ação pa a além do co po ísico é, de ac o, uma p eocupação subjacen e às duas á eas em es udo. O es emunho em que se is o como essa o alidade, o que eme e pa a os comp omissos é icos ine i á eis en e en e is ado e en e is ado. O momen o de ilmagem das en e is as é o c ucial, e ambém o que coloca mais condicionan es, sob e udo causadas pelo elemen o de cap ação. “A p esença de uma câma a não é mui o di e en e de conhece uma pessoa no a. Nós ap esen amo- nos de uma das mui as manei as que omos ap endendo pa a o aze : amigá el, cau elosa, sedu o a, cha mosa, pe suasi a, enganado a, as u a ou c uel” 4 (T adução p óp ia - Nichols, 2017). A câma a ep esen a p a icamen e um co po, co po esse indesejado, in usi o e in imidan e, que dis o ce a e dadei a ealidade de ido ao incómodo ine i á el que p o oca. Comolli (2008), po exemplo, de ende que a câma a de e es a p óxima do en e is ado pa a que es e lhe possa oca , o nando-a um obje o do espaço, pois a habi uação pode deixa o sujei o mais à on ade. Quem diz câma a, diz ou os obje os écnicos. Os p o issionais (de ambas as á eas) en e is ados pa ilham dessa opinião – a p esença da câma a modi ica a ealidade e, dessa manei a, a e dade do en e is ado. No caso do Jo nalismo Audio isual de In es igação, an es da g a ação das en e is as que cons a ão da peça exis em ou as “en e is as” p é ias (con e sas p esenciais, ele onemas, ...) pa a ecolha de in o mação, pelo que aquelas que o espec ado ê esul am, mui as ezes, da epe ição de ques ões ao en e is ado. O Jo nalismo p ecisa de ob e oda a in o mação p e iamen e, pa a consegui deci a que pa es da his ó ia de e explo a , que elemen os de e c uza e, ao mesmo empo, e le i sob e qual a melho manei a de con a a his ó ia impa cialmen e. Mi iam Al es 4 The p esence o a came a is no e y di e en om mee ing a new pe son. We play ou sel es in one o he many ways we ha e lea ned o do so: iendly, gua ded, seduc i e, cha ming, pe suasi e, decep i e, cunning o c uel. 56 (2021) enal ece exa amen e a impo ância desse abalho de “ e eno sem câma a”: “mui as das epo agens que iz não e iam exis ido sem esse p imei o passo”. Es e abalho é essencial pa a conhece a ealidade pu a e queb a ba ei as, cons angimen os, descon ianças e p econcei os, que podem pa i de qualque um dos lados. Po ou o lado, Ped o Coelho (2021) diz mesmo: “Obse a a ealidade sem a câma a pe mi e-me obse a a ealidade in ei a”. Há di e sas écnicas e p á icas que pe mi em aos jo nalis as a explo ação da his ó ia a a és das en e is as (com e sem câma a). Mi iam Al es, no seu ex o pa a a ob a Manual de Repo agem (2021), ala, po exemplo, de como ecua nos emas du an e as en e is as, ou de como no im ques iona os en e is ados se há algum pon o que icou po ala ou que de ia e sido mais alado: “Habi ualmen e as pessoas espi am undo. Às ezes começa aí a melho pa e da en e is a”. P e e encialmen e, o elemen o su p esa não é desejado – é ca ac e ís ica do Jo nalismo a p epa ação exaus i a. Con udo, ele exis e e, quando acon ece, espe a-se que aga con eúdos ele an es e en iquecedo es pa a o abalho. Pa a além disso, a p epa ação exaus i a e p ecisa das ques ões pa a as en e is as o na os p ocessos de g a ação e edição mui o mais ápidos e simples, compa a i amen e com o Cinema Documen al. O jo nalis a coloca-se den o da his ó ia, e do con ex o, pa a pe cebe qual a melho o ma de ansmi i aquela his ó ia ao público e pa a isso usa, assumidamen e, in luências e compe ências de di e sas á eas sociais, inclusi amen e da An opologia (Ca a ina San os, 2021). Ped o Coelho (2021) ai ainda mais longe e diz: “Eu acho que o epó e é cla amen e um an opólogo”. Ainda que não aça pa e daquela ealidade, o epó e coloca-se nela da o ma possí el. “Eu a é cos umo dize como uma piada, embo a as pessoas não en endam o que em piada, mas eu acho que em, que eu sou pago pa a obse a . Eu sou pago pa a obse a e é isso”. No Documen á io, as en e is as uncionam ambém como p incipal on e de in o mação, con udo há mui o mais abe u a pa a desca a pa es e ideias e pa a alo iza ou os elemen os, alguns inespe ados. As pa celas da en e is a que se ão usadas são mui as ezes um a o i ele an e pa a o au o no momen o das g a ações. O impo an e é explo a a his ó ia e na pós-p odução é que são escolhidos os echos que en am e os que não en am no p odu o inal e o peso que cada es emunho e á na na a i a. Con udo, du an e o p ocesso, como indica Comolli (2008), colocam-se ques ões é icas undamen ais, nomeadamen e em e mos da elação com o en e is ado. “Qual é o es a u o do Ou o ilmado? O que espe a dele, o que deseja dele, o que lhe pe gun a ? Como comp eende a sua p óp ia p ocu a, qual é a sua expec a i a de mise-en-scène, o seu desejo de cinema?”. Rica do Cla a Cou o (2020), po exemplo, en e is a os mesmos in e enien es em espaços di e en es, ainda que a maio pa e 63 da in o mação, con udo a sua in e enção em indo a c esce ao longo dos empos, sob e udo com o apa ecimen o da web que pe mi iu uma comunicação mais ácil en e jo nalis a e espec ado . Ped o Coelho (2021) diz: “a colabo ação com o público (...) é ine en e ao jo nalismo; a in e enção do público nos con eúdos, ela é necessá ia, mas não de e minan e”. O público é necessá io pa a a consolidação da mensagem, con udo é necessá io, cada ez mais, il a a sua in e enção. Já no Cinema Documen al emos um público mais especí ico e men alizado pa a o ac o de, apesa de se a a de ealidade, a linguagem e o ma de comunicação se em p oduzidas e pensadas de manei a di e en e, numa e en e a ís ica e menos igo osa. Toda ia, o público do Documen á io não deixa de se um público a en o. O espec ado p ocu a a ob a, ou seja, ê-a com in enção, abo dando-a desde logo com o pensamen o p epa ado pa a a linguagem documen al usada e pa a o ema e a ado. Es ando mais ou menos in o mado sob e o assun o, assumidamen e ap esen a-se com abe u a pa a conhece um no o olha pe an e o mesmo. O Documen á io em uma ligação com o público de pe mu a de expe iências, con udo o peso que o público pode á e na ob a ica à escolha do au o . Ou seja, o p odu o pode se pensado e es u u ado consoan e obje i os come ciais e de enda, pode se um abalho mui o p óp io sem p eocupações sob e como o público o i á ecebe , ou pode se um mis o dos dois – uma peça p óp ia com algumas concessões pa a pe mi i uma mais acessí el eceção da mensagem. Pode dize -se que é uma elação maleá el. Cada ipologia de exibição coloca os seus desa ios, que podem condiciona a p odução e, consequen emen e, a elação com o público. A ualmen e as salas de cinema são espaços pa a ob as mais come ciais, com uma linguagem mais es ilizada e acessí el. Já nos ci cui os de es i al encon amos ob as mais expe imen ais, au o ais e li es de clichês, pa a um público mais es i o que p ocu a exa amen e essas ca a e ís icas especí icas. Po im emos a web, em que se inse em as pla a o mas de s eaming, onde se encon a cada ez mais a iedade, o e ecendo um po ólio mais amplo em que o espec ado pode na ega consoan e as suas p e e ências e po enciando assim a ab angência desses públicos. É in e essan e a isão de Rancié e (2010) quan o à dis inção en e a abo dagem do Documen á io e a abo dagem do Jo nalismo Audio isual de In es igação na sua elação com o público. A au o a explo a a eo ia do “mes e igno an e” de Joseph Jaco o , que da a do início do século XIX. Es a eo ia a i ma que um igno an e pode ensina a ou o aquilo que nem ele p óp io sabe. Em boa e dade es a lógica aplica-se em ambas as á eas, con udo, eo icamen e, aplica-se mui o mais no Documen á io, sob e udo se conside a mos o jo nalis a e o documen a is a como “os mes es”. 64 Po um lado, emos o documen a is a que p ocu a isso mesmo, aze o espec ado obse a , pensa , e le i . Bazin (1999, in: Comolli) ai mais longe e diz mesmo: “a qualidade e a p o undidade de uma ob a medem-se jus amen e pela dis ância en e o que o c iado quis coloca nela e o que ela con ém”. Es e pensamen o é apenas aplicá el à A e, de ido à sua assumida subje i idade, e é impo an e enal ece es e pon o exa amen e po que is o eme e pa a a igno ância assumida pelo ealizado /c iado , no sen ido de que nunca e á a noção comple a da dimensão e do impac o da sua ob a. O p opósi o é que, ao se ap esen ado aquele olha sob e ce a ealidade, cada espec ado i e a sua ilação, c iando-se um conjun o as o de in e p e ações e ensinamen os alheios ao ealizado . Po ou o lado, emos o jo nalis a que ap esen a ac os com o p opósi o de in o ma e, apesa de sabe que o espec ado pode i a ilações ou aze juízos, isso não en a no obje i o p incipal e p imo dial da sua unção. Na u almen e que ambém há uma p eocupação com os e ei os da peça, con udo a mesma é abo dada de manei a di e en e. O eedback é sob e udo le ado em con a caso con i a no as dimensões in o ma i as ele an es pa a o con eúdo, como e e e Ped o Coelho (2021). 65 3.3 – PERSPETIVAS FUTURAS Tendo em con a o i mo de e olução ecnológica, o u u o e olu i o e camaleónico de ambas as á eas é indiscu í el. Os abalhos audio isuais en ol em cada ez mais p o issionais e compe ências mul imédia. O caminho pela “in e cone i idade” é incon o ná el e a cons an e e olução exige ação e eno ação a esse ní el. Impo a i a p o ei o das an agens da ecnologia, enquan o dis ibuido a da mensagem, e “ ein en a a ação” (Coelho, 2021). No caso do Jo nalismo, Ped o Coelho mani es a p eocupação ela i amen e à “subsis ência dis in i a do jo nalismo”, de ido ao ac o de odas as o mas de comunicação es a em ago a mis u adas na web. A solução que ap esen a pa a es e p oblema é a apos a num jo nalismo dis in i o – jo nalismo independen e e li e. Também o público pede es e ipo de con eúdo, pelo que é de ap o ei a essa on ade e alimen a esse caminho. Ac esce que es e ipo de jo nalismo é ex emamen e impo an e pa a con a ia a onda de desin o mação dos mais jo ens e, sob e udo, pa a o comba e con a a in o mação alsa ( ake news). Re e indo-se conc e amen e ao campo do Jo nalismo Audio isual de In es igação, o jo nalis a ques iona: “Como é que nós, sabendo nós da impo ância do jo nalismo de in es igação, como é que amos consegui sal á-lo? Es e é cla amen e o desa io do momen o” (Ped o Coelho, 2021). A solução que p opõe é a colabo ação e in e ajuda dos jo nalis as de in es igação. As his ó ias ine i á eis, como chama, êm de se impe iosamen e publicadas, não sendo ele an e o meio (canal, jo nal, web, …) e a en idade que as no icia. No online, as hipó eses u u as são incalculá eis, sob e udo ao ní el de in e a i idade. Como e e e Ca a ina San os (2021), a maio ia dos ó gãos de comunicação po ugueses não es ão a sabe ap o ei a as capacidades e uncionalidades já disponí eis e a dam a acompanha os congéne es de ou os países que já explo am as amen e essas no as possibilidades. Mi iam Al es (2021), po sua ez, e e e que a e olução es á não só na o ma de aze epo agem mas ambém na de a ecebe : “O p óp io desen ol imen o ecnológico possibili a – e c ia – no as necessidades”. As epo agens, pa a além de apos a em em ní eis cada ez maio es de in e ação, apela ão ambém a no as o mas de linguagem e écnicas, endo ambém em con a os meios c escen emen e di e sos que o público usa pa a acede às mesmas. É undamen al ap o ei a es es no os caminhos, ambém pa a ca i a mais público, e pa icula men e o mais jo em, que, po es a comple amen e amilia izado com as ecnologias a uais, exige maio complexidade dos p odu os. 66 Ou os caminhos que es ão a começa a se pe co idos pelo jo nalismo são os das pla a o mas de s eaming. Mais do que qualque ou o p odu o jo nalís ico, a epo agem de in es igação acilmen e en elaça com ou os con eúdos nes as pla a o mas, pelo que é de ap o ei a es as no as mon as. (Coelho, 2021). No caso do Cinema Documen al, Comolli (2008) e le e: Na e a dos clipes, dos ideogames, da publicidade, dos eali y shows, o que emos a aze em elação ao cinema? Na época das simulações, dos p og amas, dos o áculos, dos o ei os, das sondagens, das p e isões e p ecauções, a que ou o p esen e o cinema documen á io pode nos ab i ? Na minha pe spe i a, o Documen á io pode con inua a aze aquilo que já azia, ab i ho izon es a a és de no os olha es, olha es esses jo ens e mode nos que c iem deba es sociais e no as dinâmicas. Pa a Po ugal, Jo ge Pelicano (2020) apon a como uma das necessidades pa a o u u o exa amen e o in es imen o nos jo ens. O documen a is a ala na necessidade de mais o e as o ma i as na á ea no ensino supe io e de equipamen os mais ba a os pa a que no os ealizado es possam eme gi , pois os no os alen os eclamam ecu sos e espaço. Re e e ambém a necessidade de mais in es imen o nas pla a o mas s eaming. As p oduções po uguesas es ão a da os p imei os passos em g andes pla a o mas como Ne lix e HBO, pelo que é necessá io mais in es imen o nesse campo de manei a a ha e uma maio pegada de p odução nacional. O documen a is a Rica do Cla a Cou o apon a o papel das ins i uições públicas (como a RTP e o Ins i u o do Cinema e do Audio isual, ICA) nes as pe spe i as de u u o. São necessá ias mais p oduções, mais a iadas, e mais di ulgação pa a que o público se habi ue a consumi p odução nacional. A indús ia, que diz e es ado a cai , em indo a ee gue -se de ido às no as pla a o mas e a algumas inicia i as: “A en ada das no as pla a o mas pode muda es e pa adigma, o apoio da RTP2 aos p odu o es independen es em sido essencial e único den o do pano ama ele isi o nacional, mas p ecisamos de mais”. 67 CAPÍTULO IV – CONCLUSÕES O p esen e Rela ó io esul a do Es ágio Cu icula desen ol ido enquan o componen e não le i a eque ida pa a conclusão do Mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade NOVA de Lisboa. O es ágio deco eu no jo nal Obse ado , em Lisboa, mais conc e amen e no depa amen o de mul imédia do mesmo, e sob a o ien ação da jo nalis a e edi o a do depa amen o Ca a ina San os. O Rela ó io oi p oduzido p ocu ando esponde a dois obje i os p incipais: po um lado, ap esen a o abalho desen ol ido e as expe iências p opo cionadas pelo es ágio em si mesmo; po ou o lado, e idencia a dimensão de alguma in es igação que p ocu ei da ao abalho e que co espondeu à explo ação do deba e à ol a do diálogo/con on o en e duas á eas: Documen á io e o Jo nalismo Audio isual de In es igação. Sendo duas á eas que abalham com o eal, na u almen e que ao longo dos empos hou e pe mu as de écnicas, conhecimen os e mesmo de p o issionais, o que, de ce a o ma, se p oje ou na p óp ia caminhada de cada uma das á eas, ainda que em sepa ado. A ualmen e, cada ez mais di e en es linguagens se mis u am e dialogam, de ido a um sis ema global de di e en es disposi i os que o am ala gando as o e as ao público. O espec ado , mais do que nunca pode explo a como quise e quando quise aquilo que en ende . No mesmo disposi i o pode encon a di e en es abalhos, um po ólio onde se mis u am abalhos de ambas as á eas em es udo. Sen i, po isso, se necessá io en ende a caminhada a é ao momen o e en a pe spe i a aquilo que pode á se o u u o que se a izinha nes e diálogo. Na u almen e que, como base c ucial pa a a análise, i e que p ocede a um conside á el abalho de pesquisa eó ica, eco endo a documen os di e sos (esc i os, ílmicos e ideog á icos). Po ou o lado, apoiei-me ambém na o mação académica e alguma expe iência p o issional an e io es, pa icula men e na á ea do Documen á io (e ambém Cinema, na sua gene alidade, e mul imédia) e no con ac o com a á ea do Jo nalismo que o es ágio me p opo ciona a. Pa a além disso, en endi que se ia mui o pe inen e aze en e is as a p o issionais, de ambas as á eas, do pano ama nacional, p ocu ando auscul a as suas opiniões em elação ao deba e em causa. Depois de iden i icados os en e is ados, os mesmos o am con on ados com um conjun o de pe gun as que edunda am, basicamen e, numa ques ão cen al: que in e câmbios e di e enças sen iam e expe iencia am eles en e as duas á eas? Em elação ao p imei o dos obje i os do documen o, de ela o do es ágio em si, as expe iências que i enciei o am mui o posi i as e en iquecedo as. Não endo conhecimen os ap o undados da á ea do Jo nalismo, a quan idade de ensinamen os abso idos oi eno me, nomeadamen e, a linguagem audio isual do jo nalismo, a o ganização de na a i as no iciosas, o abalho em ambien e de edação, os p ocessos 68 das di e en es ases de desen ol imen o de uma no ícia em o ma o mul imédia. Mas es a expe iência não oi en iquecedo a apenas a ní el p o issional. Também o oi no plano pessoal, g aças à equipa incansá el em que es a a inse ida, onde cada memb o me ajudou e me ensinou dia iamen e, pe mi indo a consolidação e aquisição de compe ências e sabe es. Em elação ao segundo g ande obje i o do Rela ó io, a explo ação do deba e à ol a do diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual de In es igação, pa eceu-me in e essan e azê-lo, endo em con a o pano ama a ual das duas á eas e o caminho an e io que pe co e am, com pon os de con ac o, de pa ilhas, de algumas con e gências, mas ambém de conside á eis di e enças en e elas. Pa a um en endimen o da a ualidade, oi p eciso en ão o es udo do caminho a é ela. Realizei uma in es igação eó ica sob e as duas á eas em es udo, assim como sob e o público e a sua pos u a pe an e as mesmas, de modo a pode aze um enquad amen o his ó ico que pudesse se ú il pa a o deba e. Des e enquad amen o é impo an e essal a alguns pon os. De um lado emos o Jo nalismo, com cen enas de anos de his ó ia, que ap o ei ou os desen ol imen os ecnológicos pa a es ende os seus meios de comunicação e, assim, chega a mais pessoas e públicos. O a um desses desen ol imen os oi p ecisamen e o Jo nalismo Audio isual, que su giu com a ele isão, o disposi i o que em poucas décadas se o nou o maio meio de comunicação. Do ou o lado, emos o Documen á io, que nasceu com o Cinema, a úl ima das se e A es, que em apenas pouco mais de um século de his ó ia, mas que, ainda assim, apidamen e chegou às massas. Rapidamen e a linguagem documen al e o Jo nalismo Audio isual i am po encial no abalho uma da ou a. Tendo em comum o abalho com o eal, o diálogo começou desde cedo. Vejamos, po exemplo, a in luência dos jo nalis as no e ame icanos que abalha am o Cinema Documen al com uma abo dagem mais obse acional, pos u a essa ca ac e ís ica do Jo nalismo. O mo imen o do qual o am undado es ab iu o pensamen o pa a écnicas e e o çou o desen ol imen o des e es ilo. Com a a i mação da ele isão, não só como maio meio de comunicação mas ambém como p incipal on e de en e enimen o, o Jo nalismo e o Cinema começa am a coexis i no mesmo disposi i o, que chega a a um público gene alis a. Na u almen e que o Cinema, po se uma A e, semp e e e g ande p eocupação com a Es é ica, e com um público mais habi uado a esse cuidado isual, o Jo nalismo Audio isual oi bebendo des e aspe o do Cinema (sob e udo o documen al). Na g elha de p og amas dos canais ele isi os começa am a su gi documen á ios, sob e udo de eo mais educacional. De ido ao seu om mais sé io, aga ou-se ao Documen á io um p econcei o, ap oximando-o à linguagem mais se e a do Jo nalismo e a as ando-o do en e enimen o. Fo a da ele isão, os documen á ios, 69 sob e udo não de eo educacional, ambém se desen ol e am, di igindo-se, con udo, pa a públicos mais especí icos. O su gimen o da in e ne eio e oluciona os dois mundos – Cinema e Jo nalismo. Po um lado, ao Jo nalismo oi con e ida ainda mais u gência. No caso conc e o do Jo nalismo Audio isual, es e e e que se adap a a no os o ma os que exigiam que os abalhos ossem mais apela i os pa a p ende a a enção do u ilizado . Po sua ez, o Cinema iu as suas ob as se em anspo adas pa a no as pla a o mas, onde ambém inham de lu a po popula idade e a enção. O digi al caminhou a é se o na um depósi o de odo o ipo de p oduções de ambas as á eas, onde as pessoas podem escolhe o p odu o que que em. Tendo a an agem de ap esen a um po ólio com a iedade que ai esponde a odos os gos os, ambém az consigo, em ambos os casos, o peso do imedia ismo. Das en e is as e i ei, sob e udo, posições sob e o pano ama a ual do con on o en e as duas á eas e, ambém, pe spe i as quan o ao que pode á a caminhada de ambas, no u u o, pa icula men e em Po ugal. Mas as opiniões ecolhidas o am ambém impo an es elemen os de sus en ação das ideias ap esen adas no deba e, assim como, em alguns casos, pon os de pa ida pa a alguma explo ação. Assen ando nas ês bases e e idas – expe iência do es ágio, enquad amen o eó ico (e his ó ico) e pe spe i as dos en e is ados – pa iu-se pa a o deba e do con on o en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual de In es igação. P imei amen e p ocu a am-se alguns dos pon os em comum en e as á eas. Elas c uzam-se logo na sua génese, base e musa: ambas abalham a pa i da sociedade, com odas as suas complexas componen es e udo o que ela em de eal. Todas as peças pa em de his ó ias e ídicas, onde os ac os são o pon o de pa ida pa a o a amen o da in o mação e co esponden e ama. Con udo, a manei a como isso é ei o é que di e e en e as duas á eas. Em elação às on ei as que, de algum modo, as dis inguem, pa a uma melho o ganização do con on o di idi am-se os elemen os em dois g andes g upos: pa âme os obje i os e pa âme os subje i os. Nos pa âme os obje i os emos: • Rela i amen e à du ação do p odu o inal, nenhum p odu o, de qualque das á eas, em associada, como ob iga ó ia, uma janela de empo. Já em elação à du ação o al do p oje o, encon amos oposição en e as duas á eas. Ainda que o Jo nalismo Audio isual de In es igação enha mais empo pa a desen ol e as peças do que o Jo nalismo quo idiano, ele so e ambém da p essão do imedia ismo e, sob e udo, da e eme idade da 70 ele ância do ema. Já o Documen á io goza de uma libe dade empo al que pe mi e ao ealizado ap o unda elações e pensamen os den o do p oje o; • Quan o à c edi ação da a i idade p o issional, encon amos uma g ande disc epância en e as á eas. O Jo nalismo, audio isual ou não, exige uma c edi ação p o issional pa a que o jo nalis a possa assina uma no ícia ou peça. No Documen á io, po aze pa e de um campo a ís ico, não é necessá io qualque ipo de ce i icação p o issional; • O úl imo pon o obje i o em a e com o ma os e disposi i os. O Jo nalismo Audio isual de In es igação p oduzido pa a ele isão, ainda que seja anspo ado pa a a web, é ei o nos o ma os clássicos da pequena caixa. Ac esce que, ainda que sejam desen ol idos pa a web, mui os abalhos acabam po se ap esen a no o ma o mais con encional de ídeo digi al (16:9). Con udo, no online, são desen ol idas epo agens mul imédia que mis u am á ios ipos de linguagem (esc i a, o og a ia e ídeo, po exemplo) e, nesses casos, ambém os o ma os. No Documen á io, sal o algumas exceções de p oduções expe imen ais no campo dos o ma os, a maio pa e das p oduções são ei as no o ma o habi ual do Cinema. Nos pa âme os subje i os emos: • No que oca à cons ução na a i a, endencialmen e o Jo nalismo Audio isual de In es igação eco e a écnicas que lhe pe mi a man e o espec ado aga ado, con udo nunca ugindo de um ni elamen o que con i a ao abalho a necessá ia impa cialidade. Ainda que classicamen e o epó e si a de na ado e elemen o de ligação en e pa es, sob e udo na web, cada ez mais es a posição começa a se desca ada, ap oximando-se de uma linguagem mais documen al. No caso do Documen á io a na a i a é cons uída de manei a a mos a o pon o de is a do ealizado , que conduz pa a uma “mo al da his ó ia”. A cons ução não em que obedece a nenhuma eg a. Ainda que a oz- o seja uma écnica u ilizada, sob e udo em documen á ios de eo educacional, cada ez é menos usada; • Rela i amen e ao ca á e au o al, o Documen á io, sendo uma o ma a ís ica, assume-o o gulhosamen e, ao in és do Jo nalismo Audio isual de In es igação. Ainda que uma epo agem seja da au o ia de um ce o jo nalis a, a ob igação com a é ica jo nalís ica secunda iza esse aspe o – o que ealmen e impo a são os ac os, não quem os ap esen a; • Falando das en e is as e de odas as suas in ínsecas implicações é icas, e po ezes an opológicas, podemos dize que es as são peças c uciais pa a a cons ução dos p odu os em ambas as á eas. T abalhando com O Ou o, exis em ques ões na elação en e is ado - 71 en e is ado que podem in e e i com o con eúdo da en e is a, inclusi amen e a câma a, enquan o co po es anho, pode condiciona o à on ade do en e is ado. No Jo nalismo Audio isual de In es igação o es emunho é a mais impo an e on e de in o mação, pelo que é undamen al c ia um ambien e p opício pa a que se possa ecolhe o máximo de in o mação possí el. As en e is as são me iculosamen e o ganizadas e pensadas pa a que o jo nalis a se ap oxime, o máximo possí el, da e dade dos ac os. De uma manei a, de ce a o ma, an opológica, o epó e en a conhece o máximo daquela ealidade, pa a a pode con a de manei a obje i a e impa cial. Já no Documen á io, es e pode escolhe o ipo e p o undidade de elação que que c ia com o en e is ado, consoan e os seus obje i os. Como usu ui de mais empo, po ezes desen ol em-se elações a ní el mais pessoal. No malmen e as en e is as não são enca adas de manei a ão igo osa, ha endo mais espaço pa a ab i no as po as e, consequen emen e, no os caminhos den o da na a i a; • A ní el es é ico, o Documen á io, po aze pa e de um campo a ís ico, endencialmen e em uma g ande p eocupação com a Es é ica, enquan o que o Jo nalismo Audio isual de In o mação olha pa a es e a o como um acili ado da ansmissão da mensagem, mas nunca como p eocupação p imo dial (como pode acon ece no Cinema); • No caso do Jo nalismo Audio isual de In es igação, po ezes es e eco e a econs i uições ou momen os iccionados que são enca ados como me os auxilia es de ilus ação e acili ado es da ansmissão da mensagem, nunca ha endo espaço pa a al e ação, nem que seja um po meno , de qualque ipo de in o mação ou acon ecimen o. No caso do Documen á io a ques ão não é assim ão linea quando en ol emos o concei o de icção. Sendo um documen á io iccionado ou um documen á io com momen os iccionados, o olha não é ão clínico no que oca ao seguimen o à isca dos acon ecimen os. Mui as ezes são ei as, a é, pequenas al e ações e ajus es de manei a a acili a a ama, desde que nunca uja à base ac ual; • Rela i amen e ao momen o de mon agem, no caso do Jo nalismo Audio isual de In es igação, a es u u a no malmen e já pa e mui o bem de inida do jo nalis a pa a o edi o , ao con á io do que acon ece na ou a á ea em es udo. No Documen á io, pa a mui os, a pós- p odução é o momen o mais decisi o do p oje o, pois é aí que se de ine o olha do ealizado , é aí que ele pega nas di e en es peças que ecolheu e começa a mon a o puzzle. Acon ece a é o p óp io ealizado se ambém o edi o , ou acompanha de pe o a equipa de pós- p odução; 72 • Em elação ao público, podemos dize que, a ualmen e, es e é o mesmo pa a as duas á eas, con udo abo da os p odu os de cada uma de manei a di e en e. Enquan o que numa epo agem são espe ados o igo e a impa cialidade do Jo nalismo, no Documen á io o espec ado ap esen a-se p edispos o a e um no o olha . Po im, e com base, sob e udo, nas espos as ecolhidas nas en e is as aos p o issionais das á eas, p oje a am-se algumas pe spe i as de u u o, sob e udo em elação às necessidades mais u gen es. No caso do Jo nalismo Audio isual de In es igação é de essal a a necessidade de um jo nalismo mais dis in i o e uma in e colabo ação po pa e dos jo nalis as de in es igação, de manei a a que nenhuma his ó ia ele an e ique po con a , independen emen e da en idade que a no icie. No caso do Cinema Documen al, os documen a is as apon am como necessidades a apos a em mais o mação supe io em Cinema, ma e iais inancei amen e mais acessí eis, apos a nas pla a o mas de s eaming, enquan o mon as aliosas pa a a p odução nacional, e exigem mais apoios às en idades públicas, sob e udo pa a os jo ens. É ealmen e di ícil esumi odo es e diálogo em poucas pala as. Ainda assim, culmina ia sublinhando a ideia cen al de que no Jo nalismo Audio isual de In es igação o jo nalis a p ocu a mos a a e dade dos ac os de uma o ma mais de alhada, ainda que sob a p essão da a ualidade, enquan o que no Documen á io o documen a is a p ocu a mos a , com o igem nos ac os, a sua e dade, com a p o undidade que en ende , no gozo da sua libe dade a ís ica. Po im, e cada uma à sua manei a, ambas as linguagens são impe iosas pa a uma sociedade mais conscien e, um espec ado mais abe o à ap endizagem, à e lexão e à expansão do pensamen o. Com um público mui o mais abe o a no as ideias e pe mu as, o diálogo daqui em dian e, en e as duas á eas, p ome e se ainda mais ico e p odu i o. 79 Quan o ao o ma o, sou um aman e do Doc Ficção e um c i ico ao o ma o “cabeças alan es”. Não me in e essa a ace do en e is ado, mas sim a sua oz, o que em a dize e a o ma como o posso ilus a sem necessi a da sua p esença. 2. Te e impac o nas p oduções o ac o de se em pa a dois meios di e en es: ele isão e web? R: Penso semp e na o ma como a ob a ai se di undida e sou de enso de di e en es es é icas consoan e a o ma de di usão. Op o semp e que possí el po g a a em o ma o 1,85 ou a é 2,33, mas po imposição do canal, enho de usa o o ma o 1,77 (16:09). Cos umo aze mos as da ob a an es da es eia, apenas pa a a equipa, em sala de cinema, e nesse edi uso semp e o o ma o 1,85, o mas e pa a TV é o necido em 1,77. 3. Ac edi a que os públicos des es dois meios são di e en es ao pon o de eque em mé odos di e en es de p odução e pós-p odução? R: Não são públicos di e en es, são po ezes o mesmo público mas com expec a i as di e en es. Quando emos uma ob a em ele isão, es amos con o á eis, num ambien e con olado, a maio ia das ezes com um bom ec ã, espe amos e planos de enquad amen o, e planos ge ais que ajudem a ob a a espi a , e es amos cada ez mais ap oximados à es é ica cinema og á ica do que ao o ma o con encional de T , e ainda bem, e pa a isso mui o êm con ibuído as pla a o mas de s eaming como a Ne lix, Filmin, Hbo. No en an o, o mesmo público que quei a e uma ob a no seu elemó el, no seu po á il, no eu able , á-lo mui as ezes em ambien es menos con olados: emp ego, escola, anspo es públicos, a iões, e c. Nes e caso a expec a i a não é an a a es é ica, mas mui o mais o con eúdo. De que me se e um plano ge al onde não consigo dis ingui a pe sonagem inse ida numa paisagem po que es ou a e num ec ãde 10”? A endência ac ual con adiz me, po que as pla a o mas de s eaming p oduzem um só ipo de con eúdo, sem se impo a em de que o ma se á is o e êm ido sucesso. No en an o, eu de endo que a p odução de um con eúdo em de es a semp e adequada à o ma como ai se di undido. 4. Po quê a adoção da ep esen ação no caso da sé ie sob e Cláudio To es? Es e mé odo em-se a i mado na á ea do documen á io nos úl imos anos sob e udo em p oduções ei as pa a s eaming in e nacionalmen e. Em Po ugal, oi das 80 p imei as p oduções documen ais com es e es ilo. Qual oi o po quê des a escolha e quais o am as in luências mais pesan es? R: A ep esen ação ou ec iação es ão semp e p esen es nos meus documen á ios, p ocu o semp e e duas ou mais na a i as que se ão c uzando e ão ajudando o espec ado a e á ias isões do mesmo objec o documen ado. Seja a a és de ec iação, a a és de animação s op-mo ion, ou de ilus ação, gos o de jun a às pala as a imagem em mo imen o. In luencia-me o o ma o DOC- Ficção, em que pa o do ac o e do eal pa a ec ia momen os e pensamen os. 5. De que manei a ê uma pon e en e o documen á io e o jo nalismo, ou ela não exis e? No seu abalho, usa alguma écnica jo nalís ica ou linha deon ológica do jo nalismo? R: O jo nalismo na sua génese, começa na in es igação, na ecolha dos ac os, é isen a, e impa cial, e é uma disciplina undamen al pa a que nós, os documen a is as nunca nos a as emos do ac o. Na minha equipa enho semp e 1 ou mais jo nalis as. 6. Nos di e en es p oje os no ei que o am ei as á ias en e is as às pessoas e a adas em di e en es momen os e espaços. Nes as, que elação p e ende e com o en e is ado? Sen e que em endências an opológicas? R. Nos meus documen á ios, p e endo semp e associa o luga ao discu so na a i o, quase como se o luga osse ele p óp io uma pe sonagem. Regis a as en e is as em di e en es momen os ambém pe mi e um maio abalho de pesquisa e in es igação, po ezes há en e is as que não e elam os ac os po que são colocadas an es de se conhece de e minado pon o, en ão é p eciso e e o que sabemos à da a e ol a a en e is a com ou os pon os de is a. 7. Como desc e e ia a sua condu a de abalho e os seus maio es obje i os numa p odução documen al? R: Não sou a melho pessoa pa a desc e e a minha condu a, p e i o deixa essa análise a e cei os. Os maio es objec i os são consegui e olui den o da á ea documen al, em pa icula no Doc- icção, e ajuda pa a que Po ugal consiga in e nacionaliza os seus documen á ios, emos uma his ó ia única que se es ende a odo o mundo, somos uma das cul u as mais an igas na Eu opa, p ecisamos que o Es ado e as en idades de apoio (ICA, e c) ac edi em nos no os alo es, nas no as linguagens e no que eu e os no os ealizado es emos pa a dize . 81 8. Como ac edi a que se á o u u o do documen á io em Po ugal? R: Es amos mui o dependen es da RTP e do ICA, com a en ada das no as pla a o mas s eaming e, sob e udo, da sua independência do ICA na escolha dos con eúdos a ealiza , c eio que o jogo possa es a mais di ido, ajudando assim à c iação de indús ia e à habi uação dos po ugueses de e em ob as po uguesas. Du an e anos essa habi uação oi sendo des uída po apoios ao cinema e ao audio isual que inham como p imei o objec i o a ob a de au o , pouco ou nada se impo ando se as salas de cinema es a am cada ez mais azias, isso des ói es a á ea, po que a as a in es imen o. Não é possí el e uma ob a p ima numa indús ia que não se desa ia e que i e abu guesadamen e dos apoios es a ais quase que po dec e o. A en ada das no as pla a o mas pode muda es e pa adigma, o apoio da RTP2 aos p odu o es independen es em sido essencial e único den o do pano ama ele isi o nacional, mas p ecisamos de mais. 82 ENTREVISTA l Janei o.2021 Au o a: F ancisca Simões En e is ado: Jo ge Pelicano Es a en e is a acon ece no âmbi o da pesquisa pa a o ela ó io de es ágio de F ancisca Simões com o ema “O diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo: públicos, in luências e di e enças” pa a conclusão do mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão. 1. Tem epo agens jo nalís icas ele isi as p emiadas, mas ambém ilmes documen ais ei os pa a sala. Po um lado, emos um público gene alis a, o da ele isão, e po ou o, um público mais especí ico, o do cinema. Ac edi a que os públicos des es dois meios são di e en es ao pon o de eque e em mé odos di e en es de p é-p odução, p odução e pós-p odução? Di ia que as ca ac e ís icas in ínsecas da epo agem e do documen á io, po si só, co espondem a di e en es mé odos de c iação e desen ol imen o. Não esquece que a epo agem pe ence ao uni e so jo nalismo e o documen á io ao cinema. Os públicos são di e en es, mas podem ansi a en e esses uni e sos. Na minha opinião, exis em duas a iá eis di e enciado as no p ocesso de c iação: o pon o de is a do ealizado e o empo. Compa a i amen e à epo agem jo nalis a, o am es as as a iá eis que descob i quando ansi ei pa a o cinema documen al. Passei a e mais empo pa a ap o unda as his ó ias e os pe sonagens. E a algo que na SIC não inha, pois a ele isão é mui o mais imedia a. No documen á io, sen i uma maio libe dade c ia i a na cons ução das his ó ias, com uma pe spe i a e um pon o de is a cinema og á ico. Na p á ica, encon ei uma no a o ma de exp essa . 2. Es ando amilia izado com as duas linguagens, de que manei a ê uma pon e en e o documen á io e o jo nalismo, ou ela não exis e? Em comum, ambas comunicam com linguagem audio isual, a a és das imagens em mo imen o e do áudio. Re a am igualmen e o eal, o jo nalismo de uma o ma mais obje i a, em con as e com a subje i idade documen al. No que diz espei o ao mé odo de abalho e c iação, sin o que a ase de p é-p odução é ela i amen e eduzida no jo nalismo de ido à al a de empo. Na minha expe iência pessoal, o 83 jo nalismo deu-me “mundo”, ou seja, pe mi iu-me conhece “o país eal”, do ico ao pob e, das agédias às aleg ias, dos bas ido es da polí ica às con e ências de imp ensa dos es ádios de u ebol. Essa expe iência, eal e ac ual, oi do que melho e i ei da minha passagem pelo jo nalismo e essencial pa a passa a pon e. 3. Nas suas p oduções documen ais usa alguma écnica jo nalís ica ou linha deon ológica do jo nalismo, conscien e ou inconscien emen e? O código deon ológico do jo nalis a es á - conscien e e inconscien emen e - semp e p esen e no meu wo k low de abalho. Des aco o espei o e humanidade que eu, como sujei o c iado , de o e pa a com a pessoa que es ou a e a a . Esse espei o assume maio impo ância quando es ou a aze documen á io, de ido ao ele ado g au de exposição e de in imidade. Assim acon eceu no meu ilme “Pá a-me de epen e o pensamen o” quando ilmei u en es de um hospi al psiquiá ico, ou en ão, quando e a ei a Eulália, mãe de um a o po no gay, no ilme “A é que o po no nos sepa e”. São ligações a e nas e humanas, en e mim e os e a ados, que icam pa a oda a ida, daí o espei o e con iança que de e exis i . Quan o às écnicas jo nalís icas, acabo po u iliza mui as delas em documen á io, mas depende se es ou a aze um documen á io obse acional ou exposi i o. Nes e úl imo, as écnicas jo nalís icas êm um maio ap o ei amen o. 4. Nos di e en es p oje os documen ais no ei que coloca a a câma a como um obje o obse ado , ou seja, deixa a os in e enien es agi em li emen e e na u almen e sem g andes in e e ências. E mesmo em en e is as, p ocu a a uma linguagem e abo dagem con o á el pa a o en e is ado. Qual a elação que p e ende e com os en e is ados/p o agonis as? Sen e que em endências an opológicas? Mais do que olha , p e i o obse a . A obse ação em, pa a mim, uma dimensão mais an opológica. A e o-me a dize que essas endências an opológicas desagua am num es ilo documen al de ca iz obse acional. Di ia a é que oi uma espos a a uma on ade e inquie ação. Quando saí do jo nalismo, p ocu ei abo dagens mais p o undas e in ospe i as, que se a as assem da supe icialidade jo nalís ica. Em algumas epo agens, e i ica a que o discu so e compo amen o das pessoas, di e gia consoan e a câma a es i esse ou não a g a a . De ce a manei a, aquilo que egis a a não e a, em si, au ên ico e e dadei o. Concluí que essa p ocu a da e dade (ou da minha e dade) só se ia possí el com maio quan idade de empo jun o do e a ado e/ou do obje o documen al. No meu p ocesso c ia i o, dedico bas an e empo aquilo que chamo “ abalho sem câma a”. Não é mais do que um con a o de con iança en e 84 mim e as pessoas que ilmo. A câma a só en a quando essas pessoas ap o am essa elação. Daí esul a uma in e ação li e e espon ânea, mais p óxima da e dade. 5. Como desc e e ia a sua condu a de abalho e os seus maio es obje i os numa p odução documen al? O meu obje i o, enquan o ealizado ou epó e ele isi o, é con a his ó ias a a és do som e da imagem. O que semp e me a aiu, o am os uni e sos e con ex os onde habi am os p o agonis as das his ó ias. Expe iencia a du a e soli á ia ida de um pas o nas mon anhas da Se a da Es ela, e a a du an e 2 meses o quo idiano de um hospi al psiquiá ico e acompanha a odagem de um ilme po no gay, são exemplos desses uni e sos que a minha p o issão pe mi iu. No p esen e e u u o p óximo, que o p ocu a no as on ei as en e o documen á io e a icção, e en e o documen á io e a epo agem ele isi a. Não que o ica associado a um de e minado es ilo ou ma ca au o al. 6. Como ac edi a que se á o u u o do documen á io em Po ugal? O documen á io po uguês a ingiu uma ma u idade e di e sidade assinalá el. No as o e as de ensino uni e si á io e a diminuição dos cus os dos equipamen os de ilmagem e áudio pe mi i am a en ada de no os ealizado es. P o a disso, é a quan idade de ilmes po ugueses que são subme idos aos g andes es i ais de cinema documen al no es angei o e ambém em Po ugal, como é o caso do DocLisboa. A pa do inc emen o exponencial des es es i ais, su gi am nos úl imos anos, no as pla a o mas de s eaming – caso do Filmin e do Fes i al Scope – que con ibuí am pa a uma maio isibilidade dos ilmes e dos ealizado es po ugueses. 85 ENTREVISTA l Maio.2021 Au o a: F ancisca Simões En e is ado: Ca a ina San os Es a en e is a acon ece no âmbi o da pesquisa pa a o ela ó io de es ágio de F ancisca Simões com o ema “O diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual de In es igação: in luências, di e enças e públicos” pa a conclusão do mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão. 1. Do desen ol imen o ecnológico p o eio o jo nalismo audio isual, p imei amen e na ele isão, es endendo-se ago a ao meio digi al. Fo am os jo nalis as que se adap a am a no os meios de comunicação exigidos pelo público, ou oi o público que se e e de amilia iza com o desen ol imen o do jo nalismo audio isual? De cada ez que su ge um no o meio de comunicação, acon ece um pouco de ambos: jo nalis as e público adap am-se. Os jo nalis as ganham uma no a linguagem e um no o modo de comunica e o público ambém começa a p ocu a essa no idade. 2. Ainda que gene alis a, o público que acede a con eúdo jo nalís ico online ende a se uma pa cela da sociedade com mais o mação, e são sob e udo jo ens adul os e adul os. De que manei a es e público in luencia as suas escolhas e a manei a como c ia e p oduz os seus abalhos audio isuais? Essa ealidade oi mudando p og essi amen e, nos úl imos anos. Hoje já se di e si icou bas an e e é bem mais plu al o e a o dos públicos que consomem con eúdo digi al. Nos úl imos anos, esse acesso massi icou-se — hoje, há pessoas de múl iplas idades e com pe cu sos mui o di e sos. E a maio ia acede a a és dos elemó eis. Em odo o caso, comunica bem implica semp e adap a o que azemos à nossa audiência — ao pe il socio-económico (que a ia consoan e o ó gão de comunicação), ao pe il de lei o , ao que p ocu a pa a se in o ma e a é ao disposi i o a pa i do qual ê/lê/ou e. Essa noção é undamen al pa a quem az jo nalismo mul imédia — na o ma como se esc e e, na linguagem dos ídeos, e c. É undamen al, po exemplo, 86 que os abalhos possam se is os, da manei a mais e icaz possí el, em odos os disposi i os (e não apenas em desk op). 3. Tendo o documen á io e o jo nalismo um p opósi o comum, o de mos a uma ealidade, de que manei a ê uma pon e en e es as duas á eas, ou ela não exis e? Há algumas linguagens e e amen as que se podem c uza — e ambos os géne os podem en iquece -se mu uamen e. Mas não conco do que enham o mesmo p opósi o. Po exemplo, um documen á io pode se iccionado, pode escolhe um ângulo e e o obje i o de demons a uma ese e não em de obedece ao código deon ológico que ege o jo nalismo. 4. Nas suas epo agens usa alguma écnica ou linguagem documen al, conscien e ou inconscien emen e? C eio que sim. Há uma es é ica que p ocu amos, no malmen e, imp imi nos abalhos mul imédia mais longos e que ai bebe mais a uma linguagem documen al do que à linguagem mais ípica da epo agem ele isi a, po exemplo. No i mo, na ausência de oz o , no a ojo g á ico. Mas os p incípios jo nalís icos êm de es a lá semp e a guia o con eúdo, independen emen e da linguagem. 5. Nos di e en es p oje os há semp e um cuidado mui o g ande com as pessoas que es ão a pa ilha as suas his ó ias. Há abe u a possí el den o da é ica jo nalís ica pa a endências an opológicas? Não sei se en endo bem a pe gun a, mas o jo nalismo lida com pessoas, con a as suas his ó ias, enquad a-as no seu con ex o, con ibui pa a que ealidades menos ób ias possam se pe cecionadas pela sociedade. Nesse sen ido, acaba po bebe con ibu os de di e en es ciências sociais - an opologia, sociologia, his ó ia, e c. 6. Como desc e e ia a sua condu a de abalho e os seus maio es obje i os ao cons ui uma epo agem? An es de mais, ege -me semp e pelo código deon ológico dos jo nalis as — é o que bas a quan o a condu a, es á lá udo. Quan o a obje i os, se á semp e con a bem uma his ó ia que conside e ele an e, su p eenden e, necessá ia, que ac escen e algo e que possa con ibui pa a uma sociedade mais in o mada — seja qual o o ema. 87 7. Como ac edi a que se á o u u o da epo agem web em Po ugal? Acho que emos mui o pa a c esce — o que é en usiasman e. Há imensos caminhos po ilha , no as o mas de con a his ó ias, de o ma mais in e a i a, mais p óxima do lei o , mais c ia i a. A maio ia das edações po uguesas es á a demo a a adap a - se e a sabe i a e dadei o pa ido des as e amen as, em compa ação com ou os meios in e nacionais, mas há uma e olução e algumas ão dando passos p omisso es. 88 ENTREVISTA l Maio.2021 Au o a: F ancisca Simões En e is ado: Mi iam Al es Es a en e is a acon ece no âmbi o da pesquisa pa a o ela ó io de es ágio de F ancisca Simões com o ema “O diálogo en e o Documen á io e o Jo nalismo Audio isual de In es igação: in luências, di e enças e públicos” pa a conclusão do mes ado em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Tele isão. 1. Do desen ol imen o ecnológico p o eio o jo nalismo audio isual, p imei amen e na ele isão, es endendo-se ago a ao meio digi al. Fo am os jo nalis as que se adap a am a no os meios de comunicação exigidos pelo público, ou oi o público que se e e de amilia iza com o desen ol imen o do jo nalismo audio isual? É uma ques ão in e essan e. Acho que, em e mos de adap ação (dos jo nalis as e do público) a espos a inclui á uma mis u a das duas hipó eses que colocas, um pouco como o o o e a galinha. Quan o ao mo o dessa e olução, acho que as explicações se complexi icam à medida que se a ança no empo e sob e udo com a en ada em cena das edes sociais. Os jo nalis as que em aze chega a in o mação ao maio núme o de pessoas possí el e da o ma mais in e essan e possí el. Mas há mui os a o es a e em con a, en e eles a p ocu a de no as o mas de chega a no os públicos pelo me cado publici á io, de que dependem em g ande medida as emp esas de média. O p óp io desen ol imen o ecnológico possibili a – e c ia – no as necessidades. 2. Tem g andes epo agens ele isi as p emiadas. De que manei a o público gene alis a da ele isão in luencia as suas escolhas e a manei a como c ia e p oduz os seus abalhos audio isuais? De odas as manei as. 95 3. Os jo ens es ão a pe de o hábi o de seque e o elejo nal às 20h po que não i em com os pais e não êm esse hábi o e se o p eciso, não ão pesquisa , só leem os í ulos... Ped o - E consomem po pa ilha, que é o mais d amá ico de udo. Quando o amigo lhe passa de e minada ma é ia ele consome, se o amigo não lhe passa não ai p ocu a . Po an o há aqui um nicho cada ez mais echado, cada ez mais en olado, um ciclo cada ez mais echado. F ancisca – E isso ambém es á a p ejudica a in es igação? R.: A única coisa que lhe posso dize ela i amen e à in es igação jo nalís ica é que cada ez que uma his ó ia é publicada num jo nal, ou é exibida numa ele isão ou uma ádio di undida, essa his ó ia em o ça. Veja, po exemplo, os p oje os al e na i os que es ão a su gi ao ní el de jo nalismo, são p oje os de jo nalismo de in es igação. Eu dou semp e o exemplo do ‘Fumaça’ po que um bom exemplo que é, um p oje o que consegue au o inancia -se p oduzindo con eúdos dis in i os. Ou seja, há uma on ade g ande das pessoas em consumi em con eúdos dis in i os. Nós emos que explo a es a on ade. Essa é a nossa ba alha, como é que: 1. o namos as his ó ias ine i á eis; 2. con inuamos a se i os in e esses do público que cla amen e eclama es e ipo de his ó ias, p ecisam delas pa a oma em decisões, como o Tom Vozicil ‘pa a se em li es e se au ogo e na em’. É pa a isso que se e o jo nalismo, no undo, mui o mais o jo nalismo de in es igação. 4. Den o das suas epo agens há alguma p eocupação especí ica endo em con a que o público gene alis a mudou? Há alguma coisa que hoje em dia... Po exemplo, en a apanha o nicho dos jo ens, é uma p eocupação? R.: É uma p eocupação a é po que o jo nalismo é um bem público. E nós emos que pe cebe que de e chega ao público e há cla amen e um público que es á dis an e das pla a o mas adicionais que são os jo ens. E há es a égias de cap ação dos jo ens. Eu dou-lhe um exemplo que eu acho que é mui o signi ica i o: a PBS, que é um canal no e-ame icano público, em um p og ama que eu al ez conside e o melho p og ama de in es igação do mundo ele isi o, que é o ‘F on line’, e o ‘F on line’ em es a égias de cap ação do público, e sob e udo do público jo em, que são mui o in e essan es. Em 2016 o ‘F on line’ publicou um documen á io de 30 minu os apenas no online a que chamou ‘S ick up kid’, que é uma his ó ia magní ica, é uma his ó ia de 96 in es igação ei a a pa i do exemplo de um jo em que inha sido de ido, na on ei a dos 15 pa a os 16 anos, e que inha sido colocado numa p isão de maio es, numa p isão de adul os, e o jo em es e e 9 anos de ido e con a oda a his ó ia dele. E à con a do documen á io da PBS a legislação oi al e ada num conjun o di e so de es ados no e-ame icanos, impedindo que miúdos ossem p esos em p isões de adul os. E po que é que eu digo is o? Digo is o po que oi c iada a pa i des e documen á io, oi c iada uma ap oximação eno me ao público jo em, po que eles publica am desde logo no luga onde o jo em es á, que são as pla a o mas da in e ne , é aí que que eles es ão. Fize am uma associação en e o con eúdo que p oduzi am e emi i am e as edes sociais do p og ama e depois consegui am uma coisa que eu acho ex ao diná ia, não apenas aquele documen á io oi is o como puxa am público jo em pa a o p og ama da PBS, pa a o ‘F on line’, c iando nos jo ens o hábi o de e em o p og ama e e em-no na o ma mais clássica de que há memó ia, que é ica am em en e à ele isão à espe a que apa eça a epo agem da PBS. Cla o que podem ê-la na in e ne , cla o que podem consumi-la da manei a que en ende em, mas aquilo que oi impo an e oi associa os jo ens a uma ma ca clássica que é o ‘F online’ e a epo agem de in es igação ele isi a. E com es e ipo de es a égias amos conseguindo aga a o público. Nós nos con eúdos que p oduzimos na SIC, po exemplo, digamos que a panóplia de ece o es é as a, não se ixa nos 65-80, é mui o mais as a, anda pelas classes supe io es, ai mui o à classe C e não exclui os jo ens. Po an o, eu acho que nós es amos a aze o que é possí el aze . Acho que emos que e um maio comp omisso com as edes sociais, um ainda maio comp omisso com o online, embo a no caso da úl ima epo agem que eu iz nós i éssemos ido du an e 8 meses o con eúdo a i e online. Fizemos uma coisa sob e a ex ema di ei a na Eu opa e o que izemos oi p oduzi con eúdos o iginais pa a o online e izemo-lo en e ou ub o de 2020 e inais de ab il de 2021. Po an o es i emos es es 6 meses a p oduzi de 15 em 15 dias con eúdos o iginais pa a o online, num mini si e que c iámos den o do si e da SIC No ícias a que chamámos ‘O P oje o Ex emos’, ainda po cima e a ei o po jo ens, po que inha na equipa um conjun o de alunos que inham sido meus alunos de jo nalismo da licencia u a (e ago a são alunos de mes ado). Eu e uma ou a p o esso a izemos esse p oje o, um p oje o inanciado pela Fundação Calous e Gulbenkian, e conseguimos de ac o p omo e uma in e ligação di e a com o luga onde os jo ens es ão. A única coisa que lhe posso dize é que a audiência da epo agem na ele isão oi absolu amen e ans e sal. 97 5. Sob e uma hipó ese se calha ainda um bocadinho longínqua... Acha que o jo nalismo ambém ai passa po pla a o mas como a Ne lix e a HBO? R.: Es á cada ez mais lá. Veja que a Ne lix em, po exemplo, em ex ao diná ios documen á ios jo nalís icos no po ólio. Ou seja, em documen á ios jo nalís icos e o géne o documen á io não jo nalís ico, em um conjun o di e so. Nós ago a emos a pla a o ma ‘Op o’ que em lá odo o con eúdo das nossas g andes epo agens e êm ní eis de acesso mui o in e essan es. Po an o, eu acho que é um pouco equi alen e àquilo que o ‘The New Yo k Times’ az, e o ‘Financial Times’, que são jo nais que se o nam imp escindí eis le ando a que as pessoas os subsc e am, e mesmo o ‘Gua dian’, que é um jo nal abe o, em ní eis de subsc ição ex ao dina iamen e ele an es. Po an o, jo nais de qualidade, con eúdos de qualidade, as pessoas pagam pa a os e . Aqui em Po ugal ambém pagamos pa a le o ‘Público’, o ‘Exp esso’. Eu pelo menos não p eciso de paga po que enho acesso ia emp esa ao ‘Exp esso’ e depois indi e amen e ao ‘Público’. Mas de ac o con eúdos dis in i os, eles podem e esse p i ilégio, e com as g andes epo agens acon ece o mesmo, se não o em, en e an o, pa a ao YouTube. Que eu sei que as g andes epo agens da ‘G ande Ilusão’, que o am 5 episódios, a SIC e e que anda semp e a impedi o YouTube de e lá aquilo. Eles publica am, nós despublicá amos e andámos nis o du an e mui o empo, po que a SIC es á a ge a ecei a. 6. Pegando no documen á io... O documen á io é odo um mundo onde há imensa coisa complexa e há uma pon a que es á mais p óxima do jo nalismo, se podemos dize assim, e po isso as on ei as são um pouco di íceis de de ini . Eu cos umo dize que o p opósi o comum es á lá, que é con a his ó ias, os es an es p opósi os comuns não sei se são assim ão linea es... A minha ques ão é, pa a além dessa, qual é a maio ligação que há en e as duas á eas – documen á io e jo nalismo? R.: Eu enho semp e uma hie a quia de géne os quando penso nos géne os jo nalís icos ele isi os em conc e o, penso semp e nes a medida que é: emos a no ícia que é o ângulo abe o, emos a epo agem, um ângulo mais echado, um zoom sob e uma pa cela daquela ealidade que é a no ícia, depois emos a média epo agem e a g ande epo agem, onde ainda echa mais e ai ao de alhe, e depois, se quise mos i ao de alhe do de alhe do de alhe, nós podemos aze um documen á io sob e uma pa cela ín ima da ealidade com um g au de comp ome imen o e de ma é ia bas an e mais ele ado. Nes a al u a posso dize que ao longo da minha ca ei a enho ei o sob e udo g ande epo agem, desde 2012 só aço g ande epo agem de in es igação e ao longo da minha ca ei a e ei ei o dois documen á ios jo nalís icos. Com um en ol imen o di e en e, com um g au de de alhe di e en e, cen ados em pessoas, mesmo que i essem um ângulo abe o, esse ângulo 98 pa ia das pessoas e nunca saia das pessoas, po an o é um ângulo mui o mais echado do que o ângulo de g ande epo agem. Cla o que há izinhanças, mas a o ma de cons ução de um e de ou o eu en endo que é comple amen e di e en e. Eu gos o semp e de da es e exemplo, eu cons uo a g ande epo agem a pensa numa es u u a de picos, em que sei que a a enção das pessoas não é pe manen e, ela não se man ém e e namen e, en ão eu consigo c ia uma es u u a, ou en o c iá-la nesse sen ido, que é começa lá em cima, sabendo que a a enção não se p olonga, depois em que encon a uma o ma de ecupe a a a enção das pessoas e andamos semp e assim na es u u a de picos, sem nunca baixa mui o pa a não a unda mos. O documen á io, a ligação que eu enho com a audiência é mui o mais la , po que a pessoa que ê o documen á io es abelece en e eu e a pessoa, en e o ealizado do documen á io e a pessoa que o consome, es abelece uma ligação di e a, a pessoa ê po que que e e a es u u a pode se mui o mais la , não em que obedece a es a lógica (de picos) que é di ícil de cons ui , é po ezes um bocadinho lesi a do con eúdo, mas em de se assim na g ande epo agem. O documen á io em essa mais alia, es abelecemos um con a o com o audi ó io e o audi ó io ê po que que e e po isso não p ecisamos de anda aqui a en a cap á-lo ou a en a pe segui-lo, não somos s alke s do nosso audi ó io, deixamos que ele lua di e amen e com a mensagem que nós lhe es amos a passa . Po um lado, con ia no ealizado , ac edi a naquele p oje o, sob e udo iden i ica-se com aquela emá ica e a isão pa cial do documen á io é cla íssima, é uma isão mais do ealizado do que p op iamen e do jo nalis a, o jo nalis a es á, mesmo o da g ande epo agem, mui o ob igado a um quad o de alo es que é exigen e, que é o quad o de alo es do jo nalismo. No documen á io jo nalís ico, sem que esses alo es sejam e i ados, po que não se pode pensa nessa possibilidade, há de ac o uma isão, di ia, um pouco mais de inida po pa e do jo nalis a que ealiza o documen á io, uma isão com alguma dose de pa cialidade a é se quise , que é um pouco inimiga do jo nalismo, mas quem ai e um documen á io sabe ao que ai e sabe po que é que ê. Se me pe gun a o que gos o mais de aze , eu es ou mui o habi uado a aze g andes epo agens de in es igação, que já são elas p óp ias den o da g ande epo agem um de alhe ainda maio , po an o um zoom ainda mais echado, mas eu digo-lhe, es ou mui o habi uado a azê- las e gos o mui o de as aze , mas pe an e o desa io de ealiza um documen á io eu não nego, an o assim é que já iz dois ao longo dos úl imos 15/20 anos, al ez, e cu iosamen e os dois i e am bons esul ados em e mos de audiência, mas cla amen e o am cons uídos numa ou a pe spe i a. 7. Sen e que depois de aze os documen á ios a sua abo dagem ela i amen e à g ande epo agem mudou? Hou e alguma coisa, alguma écnica... 99 R.: Não há, ou seja, a única coisa que há é a consciência que são dois géne os di e en es e que eu posso exe cê-los aos dois es ando, con udo, conscien e que o canal pa a o qual abalho, sendo um canal come cial, que em que e esul ados di e os, é mais imedia o, é mais na u al que eu op e pela g ande epo agem. 8. Uma das coisas que eu no o nas suas epo agens é que a subje i idade é impo an e, apesa de nunca ob iamen e sai dos pa âme os que no jo nalismo não pode sai . Eu que ia pe gun a -lhe sob e isso, como é que ocê ê a subje i idade no jo nalismo, po que é um assun o às ezes delicado, mas que ao mesmo empo ninguém consegue nega po que nada é 100% obje i o. R.: E en ão na g ande epo agem não é mesmo! Eu acho que a obje i idade é uma e e ência da qual nenhum jo nalis a se de e libe a , de e ê-la semp e como p opósi o, mas emos que e odos nós a consciência do nosso quad o de alo es, independen emen e da necessidade de se mos obje i os, o nosso quad o de alo es, o luga de onde nós pa imos, a o ma como nós in es igamos a his ó ia, po que há um momen o em que a his ó ia se o na mui o cla a na minha cabeça, em que eu enho a consciência que a es udei ao de alhe p o undo e enho a consciência absolu a sob e a his ó ia. Eu sei que aquilo que eu es udei, que eu analisei ao de alhe, alando com odas as on es possí eis e imaginá ias, eu sei que aquilo é o que es á mais p óximo da e dade. En ão eu não consigo ul apassa es a si uação, se sei que aquilo é o que eu sei que es á mais p óximo da e dade, eu enho a ob igação de mos a às pessoas que aquela in es igação que eu iz, pela o ma cuidadosa com que a iz, é o que mais se ap oxima da e dade e eu, po ezes, digo-lhe, não enho g andes con emplações e se eu enho a ce eza que aquilo é como é – eu não ilmei mas i, eu não ilmei mas sei, eu não ilmei mas alei com gen e que me mos ou papéis, que eu i papéis, e ga an e- me que aquilo é, eu enho a ce eza que é – eu enho a ob igação de ab i esse caminho, e po isso mesmo o jo nalis a em o p i ilégio de en a nessa his ó ia, de se ans o ma numa espécie de po ei o que ai ab indo as po as da e dade. Is o pode pa ece que é uma jus i icação pa a eu po ezes en a nesse uni e so da subje i idade, mas eu só en o, só c uzo a on ei a, quando a e dade é minha pa cei a, quando eu cheguei ao de alhe, e eu a a és do abalho que i e pa a chega ao de alhe, eu ap oximei-me da e dade. Eu enho a ob igação de ab i a po a daquela e dade, enho a é po ezes a ob igação de mos a às pessoas o caminho que eu iz pa a chega àquela e dade. 100 8.1 – E esse é o maio obje i o? R.: É ap oxima -me da e dade. À e dade nunca chego, po que a e dade é um alo ilosó ico inalcançá el, mas eu ap oximo-me dela o an o quan o posso na u almen e. 9. É possí el ha e uma abo dagem mais an opológica? Isso acaba po se inconscien e? Acon ece ou não acon ece? R.: Acho que há, eu acho que o epó e é cla amen e um an opólogo, mesmo que não seja pa icipan e dessa ealidade. Mas a o ma como o epó e se coloca no luga de obse ação, eu acho que em mui o do an opólogo. Eu a é gos o mui o nas minhas epo agens de e dois empos – o empo da obse ação, que me pe mi e olha pa a a ealidade sem a in e enção da câma a, e o empo da ação, que começa na obse ação. Eu obse o a ealidade, en o descodi icá-la, esquecendo que exis e uma câma a, não es ou lá com câma as, es ou lá só eu, obse o a ealidade e is o é mui o p odu i o quando eu enho o p i ilégio de aze is o. Obse a a ealidade sem a câma a pe mi e-me obse a a ealidade in ei a. Po que a pa i do momen o em que eu coloco a câma a naquela ealidade eu sei que ela já não ai se a mesma, já ai se ou a coisa dis o cida. Po isso mesmo eu gos o de e a di e ença en e o an es e o depois, en e o sem câma a e o com câma a. Po que a pa i do momen o em que eu coloco a câma a eu sei que aquela ealidade já não é o que e a, po que eu acompanhei-a an es, eu i-a an es, eu obse ei-a an es. Po an o, eu coloco-me mui o no luga da obse ação, eu acho que o elemen o p incipal da epo agem é a obse ação. Eu a é cos umo dize como uma piada, embo a as pessoas não en endam o que em piada, mas eu acho que em, que eu sou pago pa a obse a . Eu sou pago pa a obse a e é isso. E é uma obse ação quase di ia passi a, no sen ido em que eu es ou apenas a obse a , mas há um momen o em que eu ul apasso essa on ei a endo po base odos os apon amen os que eu i ei du an e a ase de obse ação, eu consigo depois en a naquela ealidade e cap á-la jo nalis icamen e. Aqui é di e en e do an opólogo po que a cap ação jo nalís ica e a seleção jo nalís ica é di e en e que qualque ou a ação, ela é mui o especí ica, ela é mui o pa icula . Eu cap o a ealidade in ei a, mas jo nalis icamen e eu apenas apanho as pa celas que eu conside o ele an es pa a o abalho jo nalís ico. Mas é impo an e que o p imei o abalho seja um abalho de an opologia, se quise , pa a que depois, num segundo momen o, o jo nalismo possa sob e i e a pa i da obse ação an opológica que oi ei a na p imei a ase.