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A autoridade na educação. Considerações a partir de uma experiência de formação

Fidalgo, Filipa Inês Neves

Abstract

O presente Relatório Final de Estágio, desenvolvido no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada (PES), do plano de estudos do Mestrado em Ensino de Filosofia no Ensino Secundário, divide-se em duas partes. A primeira parte do relatório incide sobre o trabalho de investigação e reflexão filosófica acerca do tema da autoridade para perceber de que forma é que a função pedagógica constrói uma autoridade que reforça a eficácia do professor, procurando responder às questões centrais: “O que é a autoridade?”, “De que forma é que a autoridade se legitima no contexto pedagógico?” e “Como exercer autoridade sem autoritarismo?”. A escola é uma instituição estruturante em todas as sociedades contemporâneas e, nos seus termos estatutários e operacionais, a instituição escola gera um contexto de autoridade enquadrada, que está num sistema de representação dos poderes sociais, cabendo-lhe ser um importante agente desses poderes. Assim, quando se fala de autoridade na escola, importa saber quem é que, em concreto, exerce essa autoridade e em nome de quem e com que objetivos, o que recoloca a reflexão no seu nível mais básico e mais importante que é o de saber qual a fonte da sua legitimidade. O que se pretende ilustrar é o complexo mecanismo social e comunitário de construção de uma autoridade legítima em contexto de escola, instituída e gerida no quadro de leis e regulamentos gerados numa democracia. O estudo enquadra-se numa investigação de natureza qualitativa de cariz descritivo e explanatório. A segunda parte incide sobre as práticas pedagógicas levadas a cabo no âmbito da construção da minha autoridade enquanto Professora Estagiária na Escola Secundária de Miraflores, refletindo sobre todo o trabalho desenvolvido, a evolução metodológica e os contextos em que ocorreu. Concluímos que, a despeito da legítima autoridade institucional que é atribuída ao professor, devido ao seu estatuto de docente, a construção de uma autoridade didático-pedagógica é fundamental para proporcionar aos alunos um bom ambiente de sala de aula, onde deve vigorar o respeito, a tolerância, a paz, a igualdade, a liberdade e a autonomia. Valores democráticos que só podem ser preservados pelo recurso a certos comportamentos e métodos, onde se incluem os disciplinares, na educação, que preparem os alunos para a prática democrática e a construção da cidadania.

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A Au o idade na Educação Conside ações a pa i de uma expe iência de o mação Filipa Inês Ne es Fidalgo Rela ó io de Es ágio de Mes ado em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io Ou ub o de 2021 2 Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io, ealizado sob a o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Luís Manuel Ai es Ven u a Be na do, P o esso Associado (com Ag egação) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa. 3 DECLARAÇÃO Decla o que es e Rela ó io de Es ágio é o esul ado da minha in es igação pessoal e independen e. O con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia. 4 AGRADECIMENTOS A elabo ação do p esen e Rela ó io Final de Es ágio não se ia possí el sem o apoio de alguns in e enien es que con ibuí am pa a a ealização e conc e ização des a e apa inal na minha o mação. Assim, deixo os meus since os ag adecimen os: À o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Luís Manuel Be na do, que, com a sua expe iência de o mação e conhecimen os en iquecedo es, me ajudou a o ganiza as ideias e desen ol e um Rela ó io bem abalhado, mos ando-se disponí el pa a o escla ecimen o de qualque ques ão e disponibilizando ama elmen e o ma e ial necessá io pa a a sua elabo ação. À o ien ado a do es ágio da PES, P o esso a Alice San os, pela o mação cons an e que me o neceu semp e com p o issionalismo, hones idade e anspa ência, ansmi indo-me os conhecimen os necessá ios à minha cons ução como u u a docen e. Ao meu an igo p o esso de Filoso ia e Psicologia do Ensino Secundá io, P o esso Hen ique Viei a, po me e o e ecido um excelen e aconselhamen o no deco e do meu es ágio e po es a semp e disponí el pa a me auxilia e encaminha com sabedo ia, expe iência e amizade. Ao meu an igo p o esso de his ó ia do Ensino Secundá io, P o esso José Vi o ino Gue a, pela disponibilidade, gene osidade e amabilidade em aze conside ações ele an es e en iquecedo as pa a a cons ução e desen ol imen o do Rela ó io. Ao Paulo Fidalgo, que mui o p ezo e es imo pelos seus ele ados conhecimen os in elec uais que me ajuda am na elabo ação e en iquecimen o do Rela ó io, mani es ando in e esse pela qualidade do abalho e disponibilidade pa a escla ece odas as minhas dú idas, mas ambém pela comp eensão, gene osidade e amizade. Num con ex o p o issional, ag adeço ainda pela lexibilidade ho á io disponibilizada, que me pe mi iu empenha de manei a o al nes a expe iência de ap endizagem que eque ia empo, abalho e dedicação, ao mesmo empo que pude man e uma a i idade p o issional a i a e bem-sucedida. 5 A odos os docen es que con ibuí am pa a a minha o mação ao longo da licencia u a e mes ado, po odos os conhecimen os ansmi idos, compe ência, dedicação e con ibu o pa a o meu c escimen o pessoal e p o issional. 6 A AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO FILIPA INÊS NEVES FIDALGO RESUMO O p esen e Rela ó io Final de Es ágio, desen ol ido no âmbi o da P á ica de Ensino Supe isionada (PES), do plano de es udos do Mes ado em Ensino de Filoso ia no Ensino Secundá io, di ide-se em duas pa es. A p imei a pa e do ela ó io incide sob e o abalho de in es igação e e lexão ilosó ica ace ca do ema da au o idade pa a pe cebe de que o ma é que a unção pedagógica cons ói uma au o idade que e o ça a e icácia do p o esso , p ocu ando esponde às ques ões cen ais: “O que é a au o idade?”, “De que o ma é que a au o idade se legi ima no con ex o pedagógico?” e “Como exe ce au o idade sem au o i a ismo?”. A escola é uma ins i uição es u u an e em odas as sociedades con empo âneas e, nos seus e mos es a u á ios e ope acionais, a ins i uição escola ge a um con ex o de au o idade enquad ada, que es á num sis ema de ep esen ação dos pode es sociais, cabendo-lhe se um impo an e agen e desses pode es. Assim, quando se ala de au o idade na escola, impo a sabe quem é que, em conc e o, exe ce essa au o idade e em nome de quem e com que obje i os, o que ecoloca a e lexão no seu ní el mais básico e mais impo an e que é o de sabe qual a on e da sua legi imidade. O que se p e ende ilus a é o complexo mecanismo social e comuni á io de cons ução de uma au o idade legí ima em con ex o de escola, ins i uída e ge ida no quad o de leis e egulamen os ge ados numa democ acia. O es udo enquad a-se numa in es igação de na u eza quali a i a de ca iz desc i i o e explana ó io. A segunda pa e incide sob e as p á icas pedagógicas le adas a cabo no âmbi o da cons ução da minha au o idade enquan o P o esso a Es agiá ia na Escola Secundá ia de Mi a lo es, e le indo sob e odo o abalho desen ol ido, a e olução me odológica e os con ex os em que oco eu. Concluímos que, a despei o da legí ima au o idade ins i ucional que é a ibuída ao 7 p o esso , de ido ao seu es a u o de docen e, a cons ução de uma au o idade didá ico- pedagógica é undamen al pa a p opo ciona aos alunos um bom ambien e de sala de aula, onde de e igo a o espei o, a ole ância, a paz, a igualdade, a libe dade e a au onomia. Valo es democ á icos que só podem se p ese ados pelo ecu so a ce os compo amen os e mé odos, onde se incluem os disciplina es, na educação, que p epa em os alunos pa a a p á ica democ á ica e a cons ução da cidadania. Pala as-cha e: educação, au o idade, disciplina, au onomia, libe dade. 8 ABSTRACT This Final Repo S age, de eloped wi hin he Supe ised Teaching P ac ice, a Cu icula Uni o he s udy plan o he mas e ’s deg ee in Philosophy Teaching in Seconda y Educa ion, is di ided in o wo pa s. The i s pa o he epo ocuses on he esea ch wo k and philosophical e lec ion on he heme o au ho i y in o de o unde s and how he pedagogical unc ion builds an au ho i y ha ein o ces he e ec i eness o he eache , seeking o answe he cen al ques ions: "Wha is au ho i y?", "How is au ho i y legi imised in he pedagogical con ex ?" and "How o exe cise au ho i y wi hou au ho i a ianism?". The school is a s uc u ing ins i u ion in all con empo a y socie ies, and in i s s a u o y and ope a ional e ms, he school ins i u ion gene a es a con ex o au ho i y amed in a sys em o ep esen a ion o social powe s, and is esponsible o being an impo an agen o hese powe s. Thus, when alking abou au ho i y a school, i is impo an o know who, conc e ely, exe cises ha au ho i y and on behal o whom and o wha pu poses, which es o es he e lec ion o i s mos basic and mos impo an le el, which is o know wha is he sou ce o i s legi imacy. Wha i aims o illus a e is he complex social and communi y mechanism o he cons uc ion o legi ima e au ho i y in he con ex o a school es ablished and managed wi hin he amewo k o laws and egula ions gene a ed in a democ acy. The s udy is pa o a quali a i e esea ch o desc ip i e and explana o y na u e. The second pa o he epo , ocuses on he pedagogical p ac ices ca ied ou in he con ex o he cons uc ion o my au ho i y as a T ainee Teache a he Mi a lo es Seconda y School, e lec ing on all he wo k de eloped, he me hodological de elopmen s and he con ex s in which i ook place. We conclude ha , despi e he legi ima e ins i u ional au ho i y ha is a ibu ed o he eache , due o hei s a us as a eache , he cons uc ion o a didac ic-pedagogical au ho i y is essen ial o p o ide s uden s wi h a good class oom en i onmen , whe e espec should p e ail, ole ance, peace, equali y, eedom and au onomy. Democ a ic alues ha can only be p ese ed h ough he 9 use o ce ain beha io s and me hods, including disciplina y ones, in educa ion, which p epa e s uden s o democ a ic p ac ice and he cons uc ion o ci izenship. Keywo ds: educa ion, au ho i y, discipline, au onomy, eedom. 16 pode ha e pode se hou e esis ência, pois, nós exe cemos pode sob e pessoas, e não sob e obje os. Cla o que quem desobedece, co e iscos, mas ninguém lhe i a a possibilidade de pode desobedece . Segundo Oli ie Reboul, na ob a “A Filoso ia da Educação”, exis em di e en es igu as de au o idade, sendo que se de inem a pa i daquilo que as o na legí imas. Exis e a au o idade con a ual, quando duas pa es es abelecem os e mos conc e os que enquad am o exe cício de um comando pe manen e e es á el de uma sob e a ou a, em oca de uma emune ação e com is a ao desempenho de a e as ou abalhos p esc i os e di igidos po quem paga. Exis e au o idade sobe ana, quando se es abelece um aco do polí ico explíci o e e en ualmen e o malizado em decisão cole i a que legi ima o exe cício de pode es de comando e p oibição po uma pessoa, conjun o de pessoas ou sis ema de adminis ação, aduzindo um aco do en e go e nados e go e nan es, median e o qual o po o acei a subme e -se ao pode sobe ano com a ga an ia de que es e i á man e a paz, o dem e segu ança – concei o de Con a o Social. A au o idade do pe i o, que em compe ência écnica especí ica e especial de habili ação numa ma é ia, que lhe con e e po isso o pode de consegui que as pessoas sigam os seus conselhos ou obedeçam às suas ins uções, como se á o caso de um médico que az uma p esc ição ou decide uma in e enção ci ú gica que o doen e acei a. A au o idade do á bi o que, numa p á ica despo i a, decla a que eg a se aplica e qual o esul ado inal da compe ição, impondo o seu pode aos p a ican es dessa modalidade. A au o idade do juiz que, num de e minado p ocesso judicial, em o pode de alo a ac os e aplica -lhes p e isões legais, es abelecendo po sen ença imposi i a o di ei o conc e o naquela si uação de li ígio. A au o idade da pe sonalidade modelo - pe sonagem his ó ica, a is a, ede a do despo o ou da canção – que po susci a admi ação e mo i a a imi ação consegue impo compo amen os e p á icas sociais po si mesmo de inidas como pad ão ou o dem; en e ou os. Aqui es amos pe an e uma au o idade que se dis ingue pelo seu ca isma. Po im, a au o idade do Rei-Pai - “A do che e ca ismá ico, do mona ca absolu o, 17 do ajudan e em campanha;” 5 - enca nando a anscendência da sociedade ela i amen e aos indi íduos. Aqui es amos pe an e uma au o idade que se dis ingue pelo seu ca isma ou demagogia, em que pode exis i um in e esse em ag ada ou manipula a população. Todos es es ipos de au o idade são legí imos na medida em que são acei es de li e e espon ânea on ade po aqueles que a ela se subme em, po que são legalmen e e o malmen e ins i uídos. É, segundo o au o , um “cons angimen o in e io izado po aqueles que o so em e que subis e median e o seu consen imen o.” 6 . Em odos es es ipos de au o idade consen idas há um elo comum, que é a con iança, o que e idencia que, como a i ma Gé a d Guillo , a “au o idade é, p imei amen e, um a o de con iança” 7 . Assim, quando se ala de au o idade, ala-se de uma au o idade acei e pelos que a ela se subme em, sendo, po isso, legí ima. Como a i ma o au o Julio G oppa Aquino, “diz- se de alguém que ele em au o idade quando seus enunciados e suas o dens são conside ados legí imos po pa e de quem ou e e quem obedece.” 8 . Es a au o idade é desp o ida de coação ou iolência, mesmo que, po ezes, eco a a sanções. A e dade é que não exis e au o idade sem um g au maio ou meno de coe ção, is o é, de es ição. E, po ezes, pode se necessá io eco e a uma ce a iolência ísica pa a es ingi ce os compo amen os. Con udo, essa iolência ísica, no con ex o da au o idade, não de e con e a os de ag essão que impinjam do ou causem qualque ipo de lesão ou so imen o. Nes es e mos, é e óneo eduzi a ques ão da libe dade a uma al e na i a algo in an il e biná ia, em que emos de escolhe en e uma libe dade o al e uma au o idade o ali á ia. A ques ão da au o idade não se esume à u ela igu a do ei – apesa de que, numa mona quia cons i ucional, a au o idade do ei se simbólica ou es i amen e egulada pela lei – ou à inelu á el necessidade ou ob igação de submissão o al, pois a a- se de uma ealidade mui o mais complexa, po que mul i ace ada, con ex ual e semp e sujei a a uma in e p e ação il ada pela pe ceção de quem é pa e nessa elação de au o idade. Po im, exis e ainda a au o idade do líde , que capi aliza a admi ação dos seus seguido es p omo endo a obediência às suas o dens e modos de e o Mundo e a Vida, 5 Oli ie Reboul (2017). A Filoso ia da Educação. Edições 70, LDA. Lisboa. Op. ci ., pág.71 6 “A Filoso ia da Educação”. Op. ci ., pág.72 7 “O esga e da au o idade em educação”. Op. ci ., pág.13 8 Julio G oppa Aquino (1999). Au o idade e Au onomia na Escola. Summus. Lisboa. Op. ci ., pág.10 18 como sucedeu, po exemplo, no nazismo. Con udo, aqui es amos pe an e uma au o idade que se impõe pelo e o e pelo au o i a ismo, a a és da iolência, ameaça e ag essão, não exis indo uma obediência pela con iança, mas sim pelo medo. Assim, como conclui Oli ie Reboul, “não há uma igu a da au o idade, mas á ias. E o e dadei o deba e não é en e uma libe dade e uma au o idade igualmen e abs a as, mas en e as di e en es igu as da au o idade: qual é a mais ap a pa a educa , is o é, pa a o ma a libe dade?” 9 2. Au o i a ismo não é sinónimo de au o idade Po que azão é que a au o idade é ão mal is a nos dias de hoje? Uma das azões de se ecea o uso da pala a “au o idade” é o medo de eg essa ao au o i a ismo igen e no séc. XX, is o que, em g ande pa e, segundo Gé a d Guillo , a “c ise da au o idade em undamen almen e do medo de um au o i a ismo des uido ” 10 e dos aumas da Segunda Gue a Mundial, que nos le a am a con undi au o idade com au o i a ismo. Há um medo do au o i a ismo e da demagogia, que esul a do eceio à submissão e à al a de libe dade. Is o po que, como dizia Hannah A end , du an e a Segunda Gue a Mundial hou e uma legi imação e banalização do au o i a ismo e da sua iolência. Legi imou-se o abuso do pode quando as Leis de Nu embe g que inci a am ao ódio e à iolência, dec e adas pelo Pa ido Nazis a em 1935, se o na am leis do Es ado, de al o ma que as leis se ans o ma am numa no mal mo al e, po isso, começou a ha e o “de e de consciência de obedece às leis” 11 . Todos e am ob igados a cump i as o dens dos seus supe io es, independen emen e dos seus juízos alo a i os, não se a ando apenas de uma “ob igação ju ídica”, mas ambém de uma “ob igação mo al.” 12 . Como a i ma No be o Bobbio, “o homem se encon a num es ado o al de sujeição a al o denamen o e nada pode aze senão obedece ou, não obedecendo, come e um a o ilíci o e po an o puní el.” 13 . Os a os de iolência esul an es des e au o i a ismo o na am-se de al o ma 9 “A Filoso ia da Educação”. Op. ci ., pág.73 10 “O esga e da au o idade em educação”. Op. ci ., pág.100 11 No be o Bobbio (1999). O Posi i ismo Ju ídico, Lições de Filoso ia do Di ei o. Ed. Ícone Edi o a L da. São Paulo. Op. ci ., pág.226 12 “O posi i ismo ju ídico”. Op. ci ., pág.226 13 “O posi i ismo ju ídico”. Op. ci ., pág.226 19 p esen es e banais que desc edibiliza am po comple o o pode , pois, po de ás de uma lei o mal, que de e ia se jus a, é ica e impa cial, es a am a os c iminosos de ex e mínio e genocídio. As p óp ias pessoas que pa icipa am desse egime e exe ciam a os de pu a iolência e de c imes con a a humanidade, quando o am julgadas no im do egime nazis a, jus i ica am as suas ações dizendo que não o am c imes mas sim “«a os do es ado»” 14 . Hannah A end dá-nos o exemplo do p ocesso de Eichmann, um sujei o que, apa en emen e, não e a um aná ico do nazismo, e que oi condenado no T ibunal de Je usalém, em Is ael, pela depo ação de cen enas de milha es de judeus pa a campos de concen ação. Eichmann alega a não se culpado dos seus a os po se e limi ado a cump i as o dens do Füh e , assinando documen os. O éu a i ma a que “ an o o julgamen o como o e edi o inham sido injus os” 15 , conside ando-se “ í ima de um engano” 16 . Eichmann a i ma a que inha a uado enquan o uncioná io do Es ado e não como indi íduo, le an ando a ques ão: como é que posso se acusado de e ei o uma coisa legal? Es e é o e a o de uma si uação que le ou a que se descon iasse da au o idade. Adol Hi le e a, na al u a, o Füh e da Alemanha, ou seja, e a a igu a de au o idade, e, po an o, as pessoas inham de obedece às eg as que impunha, bem como às leis igen es, independen emen e dos seus juízos de alo . De que se e e uma igu a de au o idade se não a obedecemos e não nos sujei amos a agi de aco do com as suas eg as? Cla o que, numa si uação des as, es amos pe an e uma si uação de au o i a ismo e não de au o idade. Con udo, como pudemos obse a , nem semp e é cla a a dis inção en e es es dois concei os. Analisemos assim em que consis em es es concei os que, apesa de se em po ezes con undidos, são bas an e dis in os e não es ão necessa iamen e ligados. 17 14 “Hannah A end (2017). Eichmann em Je usalém. Ed. Í aca. Lisboa. Op. ci ., pág.92 15 “Eichmann em Je usalém”. Op. ci ., pág.379 16 “Eichmann em Je usalém”. Op. ci ., pág.378 17 O exemplo de Eichmann se e me amen e a í ulo exempli ica i o do que se ia um uncioná io do Es ado es a sujei o às leis do egime nazis a e pa a e le i ace ca do con li o que se pode ge a en e a au o idade e o au o i a ismo. Se e e i amen e Eichmann e a inocen e, aná ico ou odia a judeus, não oi conside ado ele an e pa a a discussão. 20 A au o idade, como imos, esul a de um pode o mal, um pode hie á quico legi imamen e cons i uído. Apesa disso, num es ado democ á ico, a au o idade pode necessi a de consolidação po ia in o mal, is o é, a a és de p á icas que a jus i iquem, como analisa emos. O au o i a ismo ambém é exe cido po uma igu a de au o idade, ou melho , po um agen e que adqui iu o es a u o de au o idade, mas que exe ceu um abuso do pode isando uma obediência cega, inques ioná el e absolu a ao seu es a u o, o nando-se i ânico, despó ico, mui as ezes, deslegi imando in o malmen e a sua unção, is o é, deslegi imando-se aos olhos dos que se êm de subme e ao seu pode , p a icando a os de pu a iolência. No au o i a ismo, o agen e não ê as pessoas como ins, mas sim como meios pa a exe ce o seu pode . E, po isso, quan o maio o o con olo, o domínio e a manipulação, maio é a sua capacidade pa a lide a . O au o i a ismo pode se ealizado de o ma os ensi a, com iolência ísica ou e bal, como acon eceu no nazismo, mas ambém pode se ealizado de o ma simbólica, a a és do uso de mecanismos sub- ep ícios de pode que con olam e manipulam os sujei os, como denuncia a Michel Foucaul em “Vigia e Puni ”. P ocu emos assim, de o ma b e e e mui o gené ica, conhece es as duas o mas de au o i a ismo pa a que, pos e io men e, possamos pe cebe melho o concei o de au o idade, e de que o ma se dis ancia des as duas o mas de exe cício de pode . 2.1. Au o i a ismo e bal e ísico Pa a e uma abo dagem di e en e ao au o i a ismo e bal e ísico e num con ex o educacional ela i amen e ecen e, ejamos o exemplo do que sucedia nas escolas du an e o Es ado No o. No egime Salaza is a, e a ulga o p o esso segui um modelo au o i á io, po ezes iolen o e desp ezado de qualque necessidade de legi imação in o mal e democ á ica pelo esul ado educa i o. A au o idade do p o esso e a um p ocedimen o simé ico da au o idade di a o ial do Es ado e, em pa icula , uma espécie de homenagem po imi ação ela i amen e à pe sonalidade mais de e minan e do Go e no Salaza is a, com p e ensão de u ela sob e a sociedade po uguesa. “Du an e o Es ado No o, uma das ca ac e ís icas da escola po uguesa e a a exis ência de salas de aulas com ca ei as alinhadas, mui as ezes apa a usadas ao chão. 21 Ha ia um es ado al o, em madei a, e uma sec e á ia ele ada pa a o p o esso , pa a demons a a sua supe io idade em elação aos alunos;” 18 O ensino du an e o Es ado No o não p e endia que o aluno desen ol esse capacidades e lexi as ou de pensamen o au ónomo, mas sim ensina a o dem, a eg a, o espei o e a disciplina pa a que a população osse, desde cedo, modelada pelos pad ões p e endidos pela sociedade Salaza is a. Na al u a, “can a o hino e eza aziam pa e do dia-a-dia dos alunos.” 19 A iolência e a acei e na sociedade e pela sociedade, sendo que a p óp ia Lei pe mi ia o co e i o. Assim, e a um di ei o do p o esso aze uso da injú ia, ag essão ísica, humilhação e bal e social, sob e udo du an e o p imei o ciclo, semp e que se jus i icasse. E a a é um di ei o do docen e cas iga os alunos com eguadas iolen as nas mãos e nou as pa es do co po semp e que en endesse que uma ag essão ísica “ajuda a” o aluno a eco da o e o come ido, a co igi-lo ou a e i á-lo. “Du an e o Es ado No o, o aluno não podia demons a o seu espí i o c í ico nem a sua libe dade de pensamen o. (…) a excelência do ensino e a conseguida, quase semp e, pela o ça da memo ização de con eúdos, da in imidação, da humilhação e dos cas igos co po ais;” 20 Du an e es e egime, p edomina a uma população u al e anal abe a, sendo que a escola ização e a uma ealidade que poucos inham acesso, e poucos e am os que chega am ao liceu. “Nos anos 50 do século passado me ade das apa igas nunca chegou a en a numa sala de aula, assim como 30% dos apazes, apesa de a lei de ini que elas e am ob igadas a equen a a escola a é à 3.ª classe e eles a é ao 4.º ano.” 21 Após o 25 de Ab il, es a si uação oi in e ida pela Cons i uição de 1976, mais p ecisamen e, “pelo Código Penal de 1982 (Edua do Co eia), que ipi icou o c ime de maus- a os (a igo 152.º), que se man e e no Código de 1995 (Figuei edo Dias). Não 18 No ícia «A educação no empo do Es ado No o»: h ps://co eiodominho.p /c onicas/a-educacao-no- empo-do-es ado-no o/5854 19 No ícia «Taxa de anal abe ismo em Po ugal ainda é das maio es na Eu opa»: h ps://exp esso.p /sociedade/2016-09-03-Taxa-de-anal abe ismo-em-Po ugal-ainda-e-das-maio es-na- Eu opa 20 No ícia «A educação no empo do Es ado No o»: h ps://co eiodominho.p /c onicas/a-educacao-no- empo-do-es ado-no o/5854 21 No ícia «A educação no empo do Es ado No o»: h ps://exp esso.p /sociedade/2016-09-03-Taxa-de- anal abe ismo-em-Po ugal-ainda-e-das-maio es-na-Eu opa 22 ha ia qualque pe missão pa a um es anho ba e numa c iança, não ha ia eguada, nem a a, nem bo e ada, nem nada.” 22 2.2. Au o i a ismo simbólico Michel Foucaul , denuncia no seu li o “Vigia e Puni ” uma o ma de au o i a ismo simbólico e az uma his ó ia c í ica da mode nidade, ado ando uma isão adical do sis ema de ensino mode no, com o in ui o de ale a pa a o ac o de a iolência a a essa oda a his ó ia da humanidade. O au o eo iza ace ca da elação en e pode e conhecimen o e de como es es ins umen os são u ilizados como o ma de con ole social po pa e das ins i uições sociais. O au o ale a assim pa a o ac o de que po de ás de uma sociedade que apa en a se democ á ica e que se ege pelos ideais Iluminis as de libe dade e igualdade, exis em “ elações de pode -sabe ” 23 em que o conhecimen o p oduz um aumen o do pode e ice- e sa, mecanismos que se desen ol e am com o p og esso das disciplinas e de di e en es á eas de sabe (ciências sociais e humanas, ciências ma emá icas, medicina, ísica, en e ou as) pa a ap imo a um con ole anónimo dos indi íduos, nomeadamen e dos seus compo amen os, ges os, a i udes, discu so, en e ou os, e o ná-los em ins umen os de pode . Assim, são udo elações mecânicas de pode e de dominação que ope am, e écnicas disciplina es que, a a és do seu pode -sabe , con olam, igiam, subme em, hie a quizam, ca ego izam e classi icam os indi íduos. “(...) as ciências humanas não a am a ida, o abalho e a linguagem do homem onde es es se o e ecem na maio anspa ência, mas sim nessa camada das condu as, dos compo amen os, das a i udes, dos ges os já ei os, das ases já p onunciadas ou esc i as;” 24 Es e abalho de assujei amen o é ealizado em odas as ins i uições (na amília, no abalho, na socialização, en e ou os), mas Foucaul essal a essencialmen e a ins i uição escola , que, desde cedo, molda os jo ens pa a que possam aze pa e do sis ema. Foucaul ê os sis emas escola es como p isões e az uma analogia com o Panóp ico, uma 22 h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/sociedade/2019-10-25-p o esso es-a-ba e -nos-alunos-como-a- iolencia- deixou-de-se -uma- o ma-de-educacao/ 23 Michel Foucaul . (2013). Vigia e puni . Edições 70, LDA. Lisboa. Op. ci ., pág.27 24 Michel Foucaul (1900). As pala as e as coisas. Edições 70, LDA. Lisboa. Op. ci ., pág.391 23 peni enciá ia ideal, concebida po Je emy Ben ham, onde a disciplina como on ade de sabe e a disciplina como no malização se ag egam e po enciam um p ocesso de uni o mização de compo amen os. O panóp ico consis ia num edi ício ci cula , odeado po á ias celas, em que no meio es a a uma o e cen al que inha um obse ado que igia a odos os p esos. Os p esos sabiam que es a am a se igiados, mas não conseguiam e o igia, o que os ob iga a a i e num cons an e medo po pude em es a a se cons an emen e igiados, le ando-os a ado a o compo amen o desejado. O panóp ico é assim a me á o a da sociedade mode na como uma sociedade sob igilância. Foucaul az es a analogia com o Sis ema Panóp ico na mode nidade pa a denuncia que exis e uma iolência simbólica anónima e pe manen e que se exe ce a a és de mecanismos e disposi i os de pode . No sis ema denunciado po Foucaul , são udo “ elações de pode ” 25 que assujei am os indi íduos a a és de um p ocesso de no malização, educação e co eção, de al o ma que o exe cício de au o idade não p oduz indi íduos au ónomos, mas sim uma ab icação de sujei os, máquinas homogéneas no malizadas, desp o idas de qualque essência, que esul am de uma ab icação social pa a se i o sis ema. O sucesso do pode disciplina de e-se ao uso de ins umen os simples: o olha hie á quico, a sanção no malizado a e a sua combinação num p ocedimen o que lhe é especí ico, o exame. O p o esso , em o es a u o do sabe e de se um gua dião do sabe , e é is o como um gua da p isional que es á cons an emen e a igia e a a alia os alunos, a a és de es es, exe cícios, a i idades e exames. Há uma pe manen e igilância em sala de aula e um con ole dos ges os e compo amen os, pa a que nada saia do con ole. O exame é um pode disciplina in isí el, mas que ê udo e odos. É a a és do exame, uma “peça in ínseca das disciplinas” 26 , que se de ém um pode -sabe , que es es co pos são con olados, igiados, quali icados, classi icados e punidos. O exame es abelece um “con olo no malizan e” 27 a a és de uma isibilidade dos indi íduos que os pe mi e se em di e enciados, hie a quizados e sancionados, sendo que a indi idualidade de cada sujei o é oda documen ada e esc i a. A escola em a unção de molda os compo amen os dos jo ens. É um mecanismo de pode com in ui o de ensina a obediência e a p odução. Nos casos em que os 25 “Vigia e Puni ”. Op. ci ., pág.24 26 “Vigia e Puni ”. Op. ci ., pág.186 27 “Vigia e Puni ”. Op. ci ., pág.154 24 indi íduos não seguem os pad ões de compo amen o, são ans e idos pa a p isões, hospi ais, hospícios ou ig ejas onde são ans o mados. Há assim um p ocesso sub e âneo de domes icação dos co pos e da alma a a és de p ocessos disciplina es. Os co pos cons i uí am-se em “co pos dóceis” 28 , inse idos em "moldes": um co po ab icado pela junção da sua u ilidade económica com a sua obediência polí ica. As almas que, supos amen e, são a subje i idade, pe sonalidade e consciência, passa am a se me as ealidades his ó icas que nascem de p ocedimen os de punição, igilância, cas igo e coação. Essa alma no malizada o na-se a p isão do co po, domes icando-o. Não in e essa sabe do indi íduo enquan o al (com uma his ó ia, uma amília, amigos, en e ou os), mas sim do indi íduo enquan o uma máquina de p odu i idade. O homem é uma cons ução das disciplinas. Não há p i acidade, não há indi íduo, não há “eu”. Há máquinas homogéneas. Pa a Foucaul , seja qual o o p ocesso educa i o, no momen o em que a pessoa se escola izou, já es á ins i ucionalizado e passa a es a den o do sis ema educa i o de pode . Tan o a escola, como a p isão e a amília exe cem pode es sob e os indi íduos, al como os p óp ios indi íduos exe cem pode sob e si e sob e os ou os. Ninguém es á o a des as elações de pode que se exe cem em odo o lado. Fazem odos pa e des e g ande sis ema/eng enagem 29 . “Enquan o o se humano o humano, ida e mo e são uma e a mesma coisa.” 30 Após es a b e e exposição da isão de Foucaul , impo a coloca a ques ão, se á a ealidade como o au o denuncia? Se á que es amos des inados a es e con ole e manipulação cons an es da ida po pa e de um sis ema que nos é ocul o e nos anscende? Po de ás de um egime que apa en a se democ á ico e emos um egime que nos manipula? Pa a Foucaul , as coisas uncionam semp e assim, independen emen e do egime igen e. Segundo o au o , enquan o hou e e olução das ciências e do conhecimen o, ha e á semp e es a ede de mic opode es que con olam udo. A meu e , se assim o , de nada nos ale pensa numa au o idade legí ima nem a á 28 “Vigia e Puni ”. Op. ci ., pág.117 29 As eng enagens são es a égias sub e âneas de pode que anscendem a subje i idade 30 Geo ge O well (2007). 1984. Ed. An ígona. Lisboa. Op. ci ., pág.139 25 sen ido uma di e ença de egimes, pois, pa a odos os e ei os, se íamos semp e me os mecanismos de pode , que de o ma os ensi a, que de o ma ocul a. Em odo o caso, ambas as ealidades apa en am se ho í eis, pois, se uma manipula ia pela iolência ísica, a ou a manipula ia pela iolência psicológica. Vejamos, assim, como pode emos ca ac e iza a au o idade num egime democ á ico, onde os alo es democ á icos go e nam a sociedade sem mecanismos ocul os nem qualque ipo de iolência que coloque em causa a in eg idade e os di ei os do indi íduo. 3. Au o idade na educação escola democ á ica Como imos, em egimes au o i á ios ou di a o iais, a ques ão da au o idade não se coloca em discussão, uma ez que assume um ca á e de e idência empí ica ou imposição gene alizada, consubs anciando uma ealidade expe ienciada pelos dominados em odas as dimensões da elação com o pode exclusi o do Es ado e dos seus sequazes, sendo, po an o, uma au o idade que se exp essa essencialmen e sob a o ma de au o i a ismo. Con udo, como imos, mesmo numa di adu a, os p o esso es êm supo e legal pa a exe ce a sua au o idade que se aduz num au o i a ismo. Há uma lide ança o mal que esul a da lei e da unção, e que é legi imada pelo go e no. Em egimes democ á icos, no en an o, pa a além de e de ha e uma lei o mal que legi ima a au o idade do p o esso , em de ha e uma lide ança democ á ica em que o p o esso exe ce a sua au o idade obedecendo a p á icas democ á icas que legi imem a sua unção e isem à acei ação dessa au o idade sob e quem se exe ce o pode . É nesse con ex o que az sen ido coloca em causa a ques ão da au o idade pa a que possamos comp eende a é que pon o é necessá ia, impo an e ou mesmo indispensá el e a é que pon o impo a comp eende , conhece e es abelece os limi es da au o idade e o mas de ga an i que a au o idade é legí ima. Como amos pode e i ica ao longo do abalho, a au o idade não se cons ói com au o i a ismos, sendo que, na escola, os p o esso es que g i am, ba em, manipulam ou deixam as emoções in e e i no p ocesso educa i o, azem-no po al a de au o idade. Um p o esso só adqui e o espei o dos alunos se cons ui a sua p óp ia au o idade, pois uma au o idade apenas o mal esgo a-se acilmen e quando os alunos não acei am ou comp eendem o almen e as eg as. 32 jo ens, que ai ma ca a elação dos alunos com as ins i uições de ensino du an e o seu pe cu so escola e académico. Cla o que es e desejo de ap ende pode se ques ioná el e nem semp e os alunos sen em qualque ipo de espei o pela igu a do p o esso – es uda emos mais a de como esol e essas ques ões –, con udo, não é ques ioná el o ac o de exis i uma au o idade imanen e con e ida pela lei e pela ins i uição. Pode assim a i ma -se que, de o ma ge al, há uma obediência consen ida na educação. O aluno não é au ónomo po que não domina as di e en es á eas do sabe e é a a és da escola e do ensino escola que ai pode adqui i esses conhecimen os pa a a ob enção de au onomia (pensa e julga po si mesmo pa a decidi como agi ), um desejo ine en e à espécie humana. Fazendo uso de uma pe spe i a sociológica do sociólogo Émile Du kheim, nós p ecisamos da escola pa a que possamos se se es ci ilizados, assimila cul u a e con ibui pa a a c iação e p ese ação da cul u a. “Pa a cada sociedade, a educação é «o meio pelo qual p epa a no co ação das c ianças as condições essenciais pa a a sua p óp ia exis ência».” 47 A escola não é um labo a ó io que c ia conhecimen o, mas um luga onde os conhecimen os cons i uídos são ansmi idos aos alunos. A escola de ém algo de alioso como o conhecimen o e a cul u a, sendo uma ins i uição ao se iço dos alunos e da sociedade. Po essa azão, impõe-se como um luga de au o idade em azão da sua unção social e das suas p óp ias qualidades. O obje i o da educação é aze com que, g adualmen e, a escola se o ne “inú il” pa a os alunos, à medida que eles ão possuindo o conhecimen o de de e minadas á eas de sabe . A escola pode e de e pe mi i a in es igação dos alunos e acei a sabe es pa a além dos cons an es dos cu ícula o iciais. A au o idade em, po an o, uma na u eza empo á ia – que, na sala de aula, se exe ce de o ma pe manen e, e pu amen e ins umen al no p ocesso pedagógico, não sendo, po isso, uma p e oga i a pessoal que ise o p aze , a gló ia ou o in e esse egoís a do p o esso . O p o esso de e exe ce a au o idade pa a bene ício e in e esse do aluno, sendo que “a condução e o comando pelo mes e é algo somen e empo á io e admi ido apenas e ão-somen e po que em como inalidade cons ui no aluno a capacidade de au ocondução. Na e dade, o im úl imo da au o idade docen e é a cons ução do aluno como au ónomo, como li e, como sujei o capaz de se au ode e mina , de dispensa , 47 Émile Du kheim (2011). Educação e Sociologia. Edições 70, LDA. Lisboa.Op. ci ., pág.14 33 en im, qualque condução alheia.” 48 Segundo o ilóso o Immanuel Kan , é na escola que podemos ap ende a o ganiza o nosso pensamen o e aze um uso comple o das nossas po encialidades. Ainda segundo o au o , a educação é uma a e que pe mi e ao homem desen ol e e po encia odas as suas disposições na u ais e alcança a inalidade da sua exis ência. Não sei se “alcança a inalidade da sua exis ência” se á e e i amen e o im da educação, mas ac edi o que, pa a e mos alguma ealização pessoal, esul an e da possibilidade de usu ui mos da nossa au onomia e libe dade, necessi amos de começa p ecisamen e pela educação, pela capacidade de pode mos cons ui pensamen os o ganizados e de delibe a mos de o ma co e a. P ecisamos de desen ol e as nossas capacidades cogni i as pa a pode mos decidi ace ca dos di e en es assun os e chega a conclusões com base nos nossos aciocínios, sem in e e ência alheia. O pensamen o é o que de mais li e exis e, mas se não o desen ol ido, es u u ado e o ganizado, de pouco nos se e. A escola em um p oje o de cons ução do se , mas isso não implica que se possa au o iza o aluno a aze udo. Tem de ha e imposições e es ições. Caso con á io, es a íamos a cons ui não um se ci ilizado, mas um “mons o” aná quico. “(…) pa a que uma c iança cons ua sua iden idade, ela p ecisa de e e ências, de um enquad amen o e, po an o, de p oibições. O in e di o é es u u an e da libe dade a se conquis ada.” 49 Immanuel Kan dizia, e, a meu e , com azão, que a escola con apunha o mundo da b incadei a dos jo ens (mundo sem eg as) ao mundo do abalho (mundo das eg as e das no mas). Consequen emen e, az consigo um conjun o de imposições, como o de e de i à escola, de es uda e cump i ho á ios, de espei a os colegas, os uncioná ios e os p o esso es, bem como odos os que azem pa e da ins i uição de ensino, da comunidade escola e os es an es cidadãos que es ão o a da ins i uição. O aluno em de ap ende a sabe es a em sala de aula e a in e agi den o das eg as com odos os ou os memb os da comunidade escola e educa i a. É um exe cício complicado que exige es o ço e disciplina po pa e do aluno, mas é um abalho necessá io. E se o bem o ien ado pelos p o esso es, pode e esul ados impo an es bas an e sa is a ó ios na ida do aluno. 48 “Au o idade e au onomia na escola”. Op. ci ., pág.106 49 “O esga e da au o idade em educação”. Op. ci ., pág.55 34 “«[...] Nem udo na ida é um di e imen o; é po an o necessá io que a c iança se p epa e pa a o es o ço, pa a o so imen o e, po consequência, se ia desas oso aze - lhe c e que se pode aze udo a i .»” 50 Nes e con ex o, é legí imo que o p o esso , sendo uma igu a de au o idade, possa ob iga ou impo ce os compo amen os ao aluno, como es uda , le um li o, aze os abalhos de casa, aze as a i idades da sala de aula, en e ou os. O e bo “ob iga ” é jus i icá el po que “a elação p o esso /aluno somen e pode se uma elação hie á quica, uma elação de au o idade na qual o p imei o p ecisa de pode da o dens e e en es ao bom andamen o da ap endizagem, e o segundo p ecisa de segui-las, con an o, é cla o, que sejam jus as e se mos em, ao longo do empo, e icazes”. 51 Cla o que, no limi e, se o aluno não acei a a au o idade do docen e, o p o esso não consegue e dadei amen e ob iga a nada, po que, pa a al, e ia de aze uso da o ça ísica ou e bal, e isso se ia um compo amen o incons i ucional e nada democ á ico. E é po isso que se coloca a ques ão da au o idade e da capacidade pa a esol e con li os. É legí imo que, em momen os de a on a à au o idade do p o esso , o docen e possa eco e a ou os ecu sos – que e emos mais adian e –, pois, caso o p o esso não saiba impo a sua au o idade ao aluno, a p obabilidade de e uma u ma in ei a a i a -se con a si e a desc edibilizá-lo é bas an e ele ada, pelo que é impo an e ha e limi es es abelecidos e dados a conhece aos alunos, bem como sanções pa a quem ul apasse esses limi es ( al como é impo an e ha e limi es ao uso da sua au o idade, como analisa emos mais adian e). 4.1. O sen imen o de espei o pelo p o esso Como ínhamos is o, no mundo escola , numa ase mais a dia em que os jo ens já começam a e alguma consciência de si, essencialmen e no ensino secundá io, as elações escola es se, po um lado, ainda se desen ol em de ido a uma obediência ins i ucional e a uma ob igação pa en al, po ou o lado, es abelecem-se ambém, idealmen e, pelo espei o, mais conc e amen e, pela admi ação pelo p o esso , de ido à sua compe ência, 50 A igo de Ca los Albe o Gomes: h p:// eposi o ium.sdum.uminho.p /bi s eam/1822/12394/1/pode %2c%20au o idade%20e%20lide an %c3%a7a%20na%20sala%20de%20aula.pd 51 “Au o idade e au onomia na escola”. Op. ci ., pág.14 35 domínio dos conhecimen os e elação com os alunos. Segundo Ulisses F. de A aújo, na ob a “Au o idade e Au onomia na Escola”, o espei o em sala de aula pode se de duas o mas: pode se um espei o unila e al, “o espei o unila e al em sen ido único, daquele que espei a pa a aquele que é espei ado. Não exis e a ecip ocidade na elação e aquele que é espei ado não se ob iga a espei a o ou o.” 52 . Nes a elação, o sen imen o que p e alece é o medo, mais p ecisamen e, o medo da punição. Es e ipo de espei o é o mais comum, sob e udo nas c ianças ou no início de um no o ano le i o. No en an o, sabe-se que se não hou e um mínimo de a e i idade na elação, não ha e á espei o, e, nesses casos, e á de p e alece uma si uação de me a obediência. Pa a além disso, a cons an e aplicação de sanções ou cas igos p esen es numa elação de medo, pode e e ei os p ejudiciais. Ainda segundo a au o a, exis e, po ou o lado, o espei o mú uo, que é es abelecido a pa i da coope ação e da ecip ocidade que se es abelece numa elação. Aqui há uma g ande admi ação do aluno pela igu a do p o esso . Há uma elação de a e i idade, em que o aluno se es o ça pa a se econhecido e ap eciado. Es e é o ipo de espei o ideal, uma ez que incen i a e mo i a o aluno no seu pe cu so escola . Exis e admi ação quando se econhece ao ou o compe ência e sen ido de lide ança e de au o idade, podendo ha e a e i idade e empa ia. A admi ação pode i em o ma de espei o pelo p o esso que nos é incu ida pelos pais, pela sua au o idade ins i ucional que é os en ada no sis ema educa i o ou pela sua au o idade cien í ica, didá ica e pedagógica. De ac o, como imos, o p o esso de ém, em p imei o luga , uma au o idade ins i ucional e o mal, mas exis em ou os ipos de au o idade, diga-se, in o mais, que pode adqui i e que e o çam a sua au o idade em sala de aula: a au o idade cien í ica que se ob ém pelo domínio dos con eúdos lecionados – au o idade mais alo izada pelo aluno; a au o idade didá ica e pedagógica, p esen e na o ma como leciona, is o é, como ansmi e os con eúdos das aulas aos alunos – endo em con a que nem odos assimilam da mesma manei a –, e na o ma como dialoga com os alunos e es á ece i o a ou i-los e comp eendê-los; e a au o idade mo al, que de e ansmi i -se pela sua condu a mo al exempla pa a que possa se admi ada, alo izada, espei ada e in e io izada pelos alunos. Pa a uma p á ica democ á ica em sala de aula, cabe ao p o esso ensaia pe manen emen e caminhos de e icácia nas ap endizagens, que e igo em o desejo de 52 “Au o idade e au onomia na escola”. Op. ci ., pág.34 36 pa icipa , de conhece e de c esce dos seus alunos. Nes a pe spe i a, a máxima au o idade do p o esso se á o esul ado de um p ocesso de legi imação, p og essi o e inin e up o, que se ealiza na elação com os alunos e que, do nosso pon o de is a, em as seguin es ânco as: - Compe ência écnica: o p o esso de e es a habili ado a aze uma demons ação consis en e de domínio do conhecimen o undamen al das suas disciplinas, o e ecendo aos alunos uma isão escla ecida, de alhada e a ualizada dos i ens p og amá icos, o e ecendo pe manen emen e complemen os o ma i os que es imulem a cu iosidade, a au oap endizagem e o desejo pelo conhecimen o; - Empa ia: o p o esso de e p ocu a desen ol e es a capacidade de se coloca no luga do aluno, comp eendendo o seu quad o de e e ências emocionais e cul u ais, c iando e o alecendo laços de espei o a e uoso pela sua singula idade pessoal e demons ando disponibilidade pa a o ajuda num pe cu so cogni i o e mo al no quad o da escola; - C ia i idade: o p o esso de e acei a o desa io da au o- ein enção, dessac alizando a o odoxia me odológica e buscando nas ecnologias e nas on es abe as no as pon es en e o conhecimen o e a ap endizagem, de modo a aleg a o abalho dos alunos e a mobiliza neles o alen o e o sen ido do isco - Co agem mo al: o p o esso não de e e medo de se um líde pelo exemplo, po que é possí el compa ibiliza a impa cialidade e modés ia pessoal e me odológica com a ambição de con ibui , ainda que de o ma ci cuns ancial e empo á ia, pa a o p ocesso de educação do aluno, cons i uindo uma e e ência sólida pa a os alunos com necessidade de um e o ço posi i o ao seu es o ço de in eg ação social. O p o esso de e se um líde democ á ico e isso cons ói-se. Todas es as ânco as são essenciais na igu a do p o esso , uma ez que de e minam sob mui as o mas o ipo de in e ações p edominan es em sala de aula, os ní eis de ap eciação pelo conhecimen o ansmi ido, o g au de es o ço que os alunos es ão disponí eis pa a acei a na ap endizagem e o sen ido de jus iça que econhecem aos ges os e juízos de a aliação, bem como o ipo de espei o que lhe é a ibuído, pe mi indo que os alunos não se ebelem con a o p o esso e legi imem uma au o idade democ á ica. Cla o que se pode coloca a ques ão, se o pode é democ á ico, qual é a esis ência? Segundo uma no ícia que saiu no ano de 2020, no jo nal online Sapo24, “No ano 37 le i o de 2017/2018, a PSP e a GNR egis a am mais de seis mil oco ências em meio escola . Em média, os agen es i e am de se desloca 17 ezes po dia a uma escola do país.” 53 “(…) injú ias e ameaças são a e cei a p incipal azão das queixas à PSP e GNR.” 54 . Os con li os na escola semp e exis i am, com umas si uações mais g a es do que ou as. Mas de onde em a esis ência à acei ação da au o idade escola ? A esis ência pode exis i de di e sas o mas, ou po que o aluno em uma educação di e en e, ou po que o aluno não se enquad a na u ma, ou po que se assume como “ ebelde”, ou po que não gos a de se es ingido nas suas ações, en e ou os. Em ce os casos, os p óp ios enca egados de educação são os esponsá eis, po eles p óp ios desc edibiliza em o papel dos p o esso es e p ocu em a on á-los quando não conco dam com o modo como os p o esso es a alia am ou classi ica am os seus ilhos, po exemplo. “Além dos casos de p o esso es ag edidos e ameaçados po alunos, há docen es ameaçados po pais po que de am uma má no a ao ilho, po que o manda am pa a a ua ou apenas po que o ep eende am (…).” 55 Segundo João Cunha, coo denado da equipa da Escola Segu a da 4.º Di isão da PSP, “os p o esso es es ão a li os e p eocupados e necessi am de aconselhamen o sob e como agi ” e ac escen a “ emos indo a se abo dados pa a essa di iculdade das escolas em exe ce em a sua au o idade” 56 . “(…) cada ez mais di e o es pedem ajuda à polícia pa a encon a o mas de ge i con li os na escola, man e a disciplina nas salas de aula e e i a ag essões.” Nes e abalho, não se p e ende desen ol e mui o as causas, po que, mui as ezes, es ão o a do con ole dos p o esso es, mas sim como é que os p o esso es de em agi nessas si uações, assegu ando a sua au o idade sem cai em abusos de pode , ou seja, em 53 No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime»: h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade-quando-a-psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es 54 No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime»: h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade-quando-a-psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es 55 No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime»: h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade-quando-a-psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es 56 No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime»: h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade-quando-a-psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es 38 au o i a ismos. 4.2. Casos de indisciplina: exe ce au o idade sem au o i a ismo A au o idade do p o esso , como imos, é um equisi o ins i ucional, e oda a au o idade escola implica coe ção e disciplina, e amen as da au o idade pa a es abelece a o dem na sala de aula. Coe ção não é, con udo, sinónimo de coação, al como au o idade não é sinónimo de au o i a ismo. Coe ção signi ica o pode legal que uma au o idade em pa a impo eg as e ob iga ao seu cump imen o. Pelo con á io, coação, al como au o i a ismo, signi ica uma o ma de iolência ísica, e bal ou simbólica que ob iga uma pessoa a agi con a sua on ade ou que a impede de agi . Quando dizemos que um p o esso exe ce coe ção, dizemos que ele disciplina o aluno, sendo que disciplina é, como e emos mais adian e, incu i de e minadas eg as e no mas educa i as e sociais que ão se essenciais pa a o pe cu so escola , pessoal, p o issional e social do aluno. Disciplina não é ades a , mas sim da a conhece aos alunos as eg as e os egulamen os escola es e disciplina es, assegu ando o seu bom compo amen o e o bom ambien e em sala de aula. Cla o que es a disciplina não se esume à me a aplicação das no mas, uma ez que é exigido ao aluno uma pa icipação a i a na sua o mulação. “Todas as medidas disciplina es co e i as e sanciona ó ias p osseguem inalidades pedagógicas, p e en i as, dissuaso as e de in eg ação, isando, de o ma sus en ada, o cump imen o dos de e es do aluno, o espei o pela au o idade dos p o esso es no exe cício da sua a i idade p o issional e dos demais uncioná ios, bem como a segu ança de oda a comunidade educa i a.” 57 – Es a u o do Aluno e É ica Escola : Cap. IV, Secção 2, A igo 24º (Finalidades das medidas disciplina es). «1. Os p o esso es, enquan o p incipais esponsá eis pela condução do p ocesso de ensino, de em p omo e medidas de ca á e pedagógico que es imulem o ha monioso desen ol imen o da educação, em ambien e de o dem e disciplina nas a i idades na sala de aula e na escola.» 58 - Regulamen o In e no da Escola Secundá ia de Mi a lo es: Secção 3, A igo 117º (Papel especial dos p o esso es). 57 Es a u o do Aluno e É ica Escola : h ps://d e.p /applica ion/ ile/a/174901 58 Regulamen o In e no da Escola Secundá ia de Mi a lo es: h p://www.aemi a lo es.edu.p /joomla2/docs/19_20/Regulamen o%20In e no%202017-2021.pd 39 O sucesso da educação eque , po an o, ação disciplina , no quad o de uma lide ança ins i ucional que assegu e a au o idade dos p o esso es. Caso con á io, o p o esso pe de a sua legi imidade e o pode passa a es a na mão dos alunos. Essa disciplina es á, no en an o, limi ada, como já ínhamos e e ido acima. O p oblema da au o idade democ á ica coloca-se essencialmen e quando um aluno se opõe às eg as da ins i uição escola , não econhecendo a au o idade do p o esso e in e e indo com o bom uncionamen o da sala de aula. Como já e e imos, exis em si uações de alunos que po des espei o ou negligência ecusam essa obediência, ejei ando as eg as escola es, bem como o exe cício de pode do p o esso , con on ando a sua legi imidade pa a exe ce sob e si a au o idade e pe sis indo num compo amen o inadequado. Segundo Joseph S. Kaplan, um compo amen o é conside ado inadequado quando “in e e e com o bem-es a ísico, emocional, social ou académico de um aluno ou de ou a pessoa” 59 . Como agi nes as si uações? Como é que se podem ob iga os alunos a espei a em as eg as de condu a e a cump i em as suas ob igações escola es, sem iolência (au o i a ismo)? Como é que o p o esso de e aze uso da sua au o idade? Po se es a a ques ão mais di ícil do ema da au o idade em con ex o educacional, impo a ques iona se é e e i amen e possí el, num con ex o educa i o, ob iga os jo ens a se em disciplinados e espei ado es dos no ma i os sociais e das eg as da escola sem eco e a mé odos de au o i a ismo, como g i a , ameaça ou aplica a iolência psicológica ou a o ça ísica. “Segu amen e, a educação não pode chega a g andes esul ados quando p ocede po sa anões b uscos e in e mi en es. Como diz He ba , não é admoes ando a c iança com eemência de empos a empos que se pode agi o emen e sob e ela. Mas quando a educação é pací ica e con ínua, quando não p ocu a os sucessos imedia os e apa en es, mas p ossegue len amen e num sen ido bem de e minado, sem se deixa des ia po inciden es ex e io es e ci cuns âncias es anhas, dispõe de odos os meios necessá ios pa a ma ca p o undamen e as almas.” 60 No con ex o da educação escola , a e icácia da ação disciplina depende á mui o do bom juízo que o p o esso consiga man e em si uações de ensão, nunca pe dendo de 59 J. S. Kaplan (1995). Beyond Beha io Modi ica ion. P o-Ed. Aus in, Tx. Op. ci ., pág.69 60 “Educação e Sociologia”. Op. ci ., pág.67 40 is a o seu papel de au o idade legí ima, mas conseguindo que qualque sanção – caso se eco a à sanção – seja acei e como necessá ia pelo p óp io aluno, num quad o de consciencialização que ali ie o ca ác e de con on o e apon e a caminhos de eencon o. Nes es e mos, o p o esso de e sabe exe ce essa au o idade de o ma obje i a e impa cial, mas ambém p opo cional à sala de aula, econhecendo os limi es da sua au o idade, como sejam o não des espei a , in ligi do ísica ou emocional ou assus a o aluno, a é po que um cas igo mal adminis ado, pode o igina esul ados desas osos nos alunos, como a e ol a e a sensação de injus iça. Um p o esso só consegue e dadei amen e legi ima a sua igu a de au o idade pe an e os alunos, mesmo os mais ebeldes e não coope an es, quando e idencia o seu espei o pelas no mas que dão legi imidade a essa au o idade, seguindo nos cas igos as eg as e as inalidades educa i as que as jus i icam, ou seja, sendo i me e igo oso, mas semp e de o ma espei osa. Como a i ma Gé a d Guillo , a “au o idade econhecida e espei ada a o ece a disciplina, que pe mi e con i e e abalha em boas condições.” 61 . 4.3. Punição em casos de indisciplina – Kan e Du kheim Vamos analisa a ques ão da punição em casos de indisciplina segundo Immanuel Kan e Émile Du kheim. Ambos os au o es se e e em a casos de indisciplina e punição em c ianças e não p op iamen e em jo ens adolescen e, con udo, penso que, mesmo assim, az sen ido analisa o seu pensamen o pa a que possamos ex ai algumas conside ações ele an es. Ressal o que es amos a ala de au o es an igos com uma isão mais conse ado a do ensino, que nada em que e com uma escola inclusi a e de lide ança democ á ica. Con udo, mais adian e, exp essa ei a minha opinião ace ca do assun o. Segundo os au o es Kan e Du kheim, é impo an e que haja disciplina nas escolas e que essa disciplina se aça sen i , pois é a noção de disciplina e de udo o que o concei o aba ca ( eg as, in e dições, ob igações, en e ou as no mas que ecaiem sob as ações e compo amen os dos alunos, e não nos alunos enquan o pessoas) que nos pe mi e i e em sociedade, com a noção de consciência de que exis em limi ações às nossas ações, exis em ou os sujei os pa a além de nós e exis e uma sociedade o ganizada com no mas que nos anscendem enquan o sujei os e que de em se espei adas pa a que não haja 61 “O esga e da au o idade em educação”. Op. ci ., pág.176 41 ana quia, caos, deso dem, andalismo, en e ou os. Como dizia o ilóso o inglês He be Spence : «A libe dade de cada um e mina onde começa a libe dade do ou o» e, po isso, “ em de se sen i mui o cedo a ine i á el esis ência da sociedade.” 62 “A escola é uma cul u a po coação. É ex emamen e noci o que a c iança seja habi uada a conside a udo como um jogo.” 63 “Inca na ice e ep ésen a i e, l’au o i é épond à un besoin spéci ique de média ion en e l’indi iduel e le collec i , dans les di e s egis es de celui-ci.” 64 Segundo os au o es, a punição, em casos g a es de indisciplina, é undamen al, pois, é a punição que assegu a a au o idade do p o esso . Sem es a e amen a, o p o esso não e ia meios pa a con ola os alunos, icando à me cê deles e dos seus maus compo amen os. Em casos ex emos, Du kheim e Kan de endem que a disciplina de e consis i numa punição, mas não no sen ido pejo a i o da pala a, pois o obje i o não é in ligi do ou humilha o aluno, mas a ingi uma inalidade educa i a, como le a o aluno a acei a e espei a as eg as e a cump i os equisi os de ap endizagem em con ex o escola . Ainda segundo os au o es, é a a és do igo , disciplina, pe suasão e punição que o p o esso consegue le a os alunos a espei a as eg as mo ais e no ma i as. Segundo Du kheim, o p o esso de e o ien a os alunos no p ocesso de desen ol imen o das suas capacidades, con olo das emoções e uso do in elec o e da mo al, mas só consegue azê-lo se e idencia a sua igu a de au o idade, exigindo espei o e submissão. Ainda segundo o sociólogo, o p ocesso de ap endizagem e adap ação ao meio social, que se designa po p ocesso de socialização, é um p ocesso exigen e que pode implica algum es o ço, sac i ício e a é mesmo esis ência po pa e dos alunos sendo, nalguns casos, imp escindí el um p ocesso educa i o ca ac e izado po alguma imposição pa a que possa ha e uma assimilação das no mas sociais. É o abalho do p o esso aze com que os alunos ap endam a espei a as eg as, incu indo-lhes ce os alo es, c enças, hábi os e a i udes. Segundo os au o es, o bom uso da au o idade é aquele em que, em casos de indisciplina, o p o esso pe mi e ao aluno uma espécie de “ edenção”. Is o é, em que o 62 Immanuel Kan (2000). Sob e a Pedagogia. Edições 70, LDA. Lisboa. Op. ci ., pág. 47 63 “Sob e a Pedagogia”. Op. ci ., pág. 47 64 “Condi ions de l'éduca ion”. Op. ci ., pág. 157 48 cí ica do aluno, com is a ao desen ol imen o equilib ado da sua pe sonalidade, da sua capacidade de se elaciona com os ou os, da sua plena in eg ação na comunidade educa i a, do seu sen ido de esponsabilidade e da sua ap endizagem. 3 - As medidas disciplina es sanciona ó ias, endo em con a a especial ele ância do de e iolado e a g a idade da in ação p a icada, p osseguem igualmen e inalidades puni i as. 4 - As medidas co e i as e as medidas disciplina es sanciona ó ias de em se aplicadas em coe ência com as necessidades educa i as do aluno e com os obje i os da sua educação e o mação, no âmbi o do desen ol imen o do plano de abalho da u ma e do p oje o educa i o da escola, nos e mos do espe i o egulamen o in e no.» 78 Assim, odo o aluno de e pa icipa da sua sanção e o p o esso de e semp e p ocu a uma abo dagem dialógica e comp eensi a. Apenas quando o diálogo não é su icien e, de e-se eco e a sanções ex emas, que se podem aplica de di e en es o mas, endo em con a a in encionalidade do p o esso : “Cump i a e as, se expulso da sala de aula, ica p oibido de pa icipa em ac i idades ex acu icula es ou de acede a espaços e equipamen os, muda de u ma” 79 . Veja-se o A igo 5.º (Medidas disciplina es co e i as), do Regimen o da disciplina e do p ocesso disciplina dos alunos: «a) ad e ência o al po pa e do docen e ou do assis en e que p esencie o compo amen o in a o po pa e do aluno, escla ecendo a in ação, ale ando pa a as suas consequências e esponsabilizando o aluno; b) o dem de saída da sala de aula e demais locais onde se desen ol a o abalho escola ; c) ealização de a e as e a i idades de in eg ação, escola es ou comuni á ias, podendo se aumen ado o empo de pe manência ob iga ó ia, diá ia ou semanal, do aluno no ag upamen o de escolas; d) condicionamen o no acesso a ce os espaços do ag upamen o de escolas e a a i idades não le i as; e) mudança de u ma.» 80 Segundo o Es a u o do Aluno e É ica Escola , pode ainda eco e -se às seguin es medidas disciplina es sanciona ó ias: “ ep eensão egis ada”, “suspensão a é 3 dias ú eis”, “suspensão da escola en e 4 e 12 dias ú eis”, “ ans e ência de escola” ou “expulsão da escola” 81 . Qualque que seja o cas igo a aplica , a de ida ad e ência ao 78 Es a u o do Aluno e É ica Escola : h ps://d e.p /applica ion/ ile/a/174901 79 No ícia «Puni a indisciplina dos alunos ai se mais ácil e mais ápido»: h ps://www.dn.p /a qui o/2007/puni -a-indisciplina-dos-alunos- ai-se -mais- acil-e-mais- apido- 655889.h ml 80 Regimen o da disciplina e do p ocesso disciplina dos alunos: h p://www.aemi a lo es.edu.p /joomla2/docs/18_19/Regimen o-Disciplina .pd 81 Es a u o do Aluno e É ica Escola : h ps://d e.p /applica ion/ ile/a/174901 49 aluno e o diálogo com o Di e o de Tu ma e com os pais, de em se as p imei as medidas a se omadas, incen i ando-os a pa icipa no pe cu so escola do seu educando. Assim, pode conclui -se que o p o esso pode e de e aze uso da sua au o idade, sob e udo quando es a se encon a ameaçada, como a i ma a o coo denado da equipa da Escola Segu a da 4.º Di isão da PSP, “a classe de p o esso es não pode e medo. Compe e a cada um de nós exe ce a au o idade que cada um de nós em” 82 . João Cunha a i ma a ele ância dos p o esso es es i uí em a sua au o idade quando se encon a em al a e a impo ância dos alunos não pode em e da pa e do p o esso medo ou aqueza. Pa a que se ins au e um ambien e p opício ao ensino, mas ambém ao bem-es a ge al da u ma, o p o esso de e assegu a a sua au o idade o mal e in o mal com as e amen as necessá ias pa a que os alunos que êm in e esse em ap ende ou que, pelo menos, não pe u bam o bom uncionamen o da aula, não sejam penalizados nem des abilizados po aqueles que se e idenciam pelo seu mau compo amen o. E pa a que aqueles que se e idenciam pelo seu mau compo amen o, enham a opo unidade de al e a em a sua pos u a, se assim o p e ende em. Os alunos alo izam um p o esso que, como imos, domine os conhecimen os na á ea, enha um bom mé odo de ensino didá ico- pedagógico e que, acima de udo, seja segu o da sua p esença e consiga o e ece paz, es abilidade e segu ança. Se o p o esso mos a medo ou não se soube impo em momen os de a on a, pe de a c edibilidade pe an e os alunos, o nando-se i isó io e al o de chaco a, pe dendo po comple o o con olo das suas aulas. 82 No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime»: h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade- quando-a-psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es 50 II PARTE Conside ações a pa i de uma expe iência de o mação 5. PES na Escola Secundá ia de Mi a lo es “Melho escola, mais u u o – a escola de odos pa a odos é o lema do p oje o educa i o do Ag upamen o de Escolas de Mi a lo es que em como p incipal desa io o ma cidadãos au ónomos, esponsá eis e p oa i os, p ocu ando, pa a isso, comp eende a he e ogeneidade e complexidade da população discen e, as necessidades especí icas de cada aluno e, em simul âneo, ga an i a odos as mesmas opo unidades.” 83 No seguimen o da unidade cu icula P á ica de Ensino Supe isionada (PES), i e a opo unidade de se p o esso a es agiá ia na Escola Secundá ia de Mi a lo es, concelho de Oei as, eguesia de Algés. Es a escola des aca-se pelo seu al o ní el de exigência a ní el de abalho e compe ência écnica, an o po pa e dos alunos, como po pa e do co po docen e. No deco e do es ágio, ui supe isionada pela D a. Alice San os, uma p o esso a simpá ica, dedicada e a enciosa que, de ido aos á ios anos de expe iência em lecionação, se des aca pela sua compe ência, igo écnico e al o ní el de exigência p o issional. A Escola Secundá ia de Mi a lo es e elou-se um espaço ag adá el e acolhedo pa a eu exe ce as minhas unções enquan o p o esso a es agiá ia, disponibilizando-me as condições necessá ias pa a a execução das minhas a e as. Con udo, de ido às es ições ge adas pela pandemia Co id-19, não pude usu ui o almen e dos espaços. No en an o, dos poucos espaços equen ados (salas de aula, biblio eca, sala de euniões e e ei ó io), posso a i ma que e am espaços acolhedo es, silenciosos, limpos e espaçosos. Rela i amen e ao co po docen e e aos es an es colabo ado es, apesa de e conhecido alguns de o ma mui o aga, odos se ap esen a am com uma eno me simpa ia e co dialidade. 83 Regimen o da disciplina e do p ocesso disciplina dos alunos: h p://www.aemi a lo es.edu.p /joomla2/docs/18_19/Regimen o-Disciplina .pd 51 5.1. Au o idade na sala de aula Assim que iniciei o meu es ágio, desde logo, o p oblema da au o idade o nou-se uma ques ão cen al nas minhas e lexões sob e as aulas e sob e a escola, de e minando o emen e o ele adíssimo in es imen o pessoal ealizado na comp eensão das mecânicas de cons ução dessa au o idade, com is a a um desempenho p o issional e humano ma cado pelo desejo de e icácia e, essencialmen e, pelo sen ido de esponsabilidade ela i amen e à libe dade e dignidade indi idual dos alunos. A minha p á ica em sala de aula pe mi iu-me sen i a c i icidade des a ques ão desde o p imei o momen o do es ágio, pois acilmen e se con i ma que os alunos comp eendem e an ecipam que uma p o esso a es agiá ia em uma au o idade “sob condição”, dado es a ainda num pe cu so o ma i o e debaixo da supe isão de um o ien ado . Es a p é-exis ência – a con icção dos alunos ela i amen e à p o esso a es agiá ia – implica uma in e essan íssima e lexão sob e os múl iplos aspe os da unção de p o esso , desde as ques ões da ap esen ação pessoal às o mas de lide ança em sala de aula, passando pelas es a égias de comunicação, en ol imen o na discussão de emas, apaziguamen o de con li os e ensões, écnicas de exposição de con eúdos, modos de pe gun a e esponde e mui os ou os ópicos con ibuido es pa a essa pe ceção inal dos alunos ela i amen e à au o idade do p o esso . Faço assim alusão à minha expe iência que se iniciou com a lecionação da disciplina de Filoso ia, du an e ce ca de 9 meses (de ou ub o a junho), a duas u mas do ensino secundá io de 10º e 11º anos: 10º C4 e 11º C4, ambas as u mas do Cu so de Ciências e Tecnologia. Inicialmen e, comecei a da aulas à u ma de 10º ano, 3 ezes po semana (150 minu os), sendo que as aulas e am odas seguidas a é ao im da unidade. A u ma inha 27 alunos, com idades en e os 15 e os 16 anos. Os alunos inham acabado de sai do 3º ciclo e, po essa azão, e am bas an e jo ens e ima u os, algo que se e ela a pelos seus compo amen os, pelas pe gun as que aziam, pelo ac o de não sabe em es a em sala de aula, po se i em de udo e com udo, po e em udo como uma b incadei a, po es a em semp e a con e sa uns com os ou os e a aze piadas ou a a i a papéis. Apesa disso, e am alunos simpá icos, espei osos e educados. Po es a conscien e de que a minha au o idade em sala de aula ia se uma ques ão c ucial na dinâmica de sala de aula e na es u u ação de uma elação uncional e 52 emocional en e o mim e os alunos, an es de inicia as aulas, decidi muda o meu gua da- oupa pa a algo mais o mal po que me ape cebi de que isso me i ia pe mi i c ia uma iden idade mais impessoal e p o issional. De ce a o ma, somos o que es imos, ou apa en amos se o que es imos, po isso o p o esso de e comp eende que se á obse ado e ajuizado pelas suas escolhas de es uá io. O a, o es uá io do p o esso não de e se um discu so an agónico à sua unção pedagógica. O es uá io escolhido de e ajuda cons ui um pe il de impa cialidade que acili a á as a aliações ou ad e ências. Iniciei a minha expe iência le i a com a unidade Lógica – “A gumen ação e lógica o mal”. An es das aulas p epa ei as plani icações pa a ga an i que as aulas inham um alinhamen o lógico e es u u ado, bem como um Powe Poin pa a que os alunos dispusessem de um disposi i o isual que com a suma ização dos con eúdos lecionados. (Anexos 1, 2 e 3) Anexo 1 - Plani icação 10º Ano: «A gumen ação e lógica o mal» 53 54 Na p imei a aula, comecei po me ap esen a , dando aos alunos a libe dade pa a me aze em pe gun as ou escla ece as suas cu iosidades, como sabe a azão de e escolhido o caminho da lecionação e de op a pelo ensino de iloso ia. Fo neci-lhes assim uma b e e explicação ace ca das azões que me le a am a segui es e pe cu so, nomeadamen e o meu gos o eno me pela iloso ia, pelas á eas de sabe que es uda (é ica, epis emologia, es é ica, eligião, polí ica, e c.) e pela o ma como as es uda, bem como a minha on ade de ansmi i e explica aos ou os aquilo que ou ap endendo. De seguida, segui com a aula, sendo que a expe iência co eu ela i amen e bem. Os alunos es a am silenciosos, cu iosos e expec an es do que eu inha pa a lhes ensina . Nas aulas a segui , acilmen e os alunos começa am a ganha con iança e a sen i on ade de da em aso à sua inquie ude ju enil, começando a dispe sa com acilidade e a 55 a a con e sas uns com os ou os. Es a ealidade começou a a e a a minha pe o mance nas aulas e apidamen e me ape cebi de que não inha qualque con olo sob e os alunos. De o ma a assegu a a minha au o idade pe an e os alunos, decidi que inha de adqui i mais con iança nas aulas. A con iança esul a, em p imei o luga , da consciência do papel que, enquan o docen e, se desempenha no sis ema de ensino e das suas esponsabilidades, bem como da consciência de que se p o esso a não implica e odos os conhecimen os do mundo, mas e um domínio dos con eúdos das aulas. Com a con iança nas aulas, que se demons ou pela minha pos u a, decidi que inha de p oje a mais a minha oz pa a que conseguisse alcança oda a u ma e aze com que os alunos man i essem a a enção. Um p o esso que não sabe p oje a a oz e ela-se monó ono e desin e essan e, pe dendo e icácia e, consequen emen e, a sua au o idade. P oje a a oz não é, no en an o, sinónimo de g i a . G i a é uma o ma de au o i a ismo, e é um ecu so ex emo que de e se e i ado pelo p o esso . Mais a de, depa ei-me com ou os dois p oblemas. P imei o, de que p ecisa a de algo que ac escen asse mais às aulas, pa a além de mim a ala e a expo Powe Poin s. Segundo, de que con inua a a ha e momen os de mui a dis ação, con e sa e ba ulhei a, em que os meus apelos pa a oma em a enção e am inú eis. Pa a esol e a p imei a si uação, esol i começa po ecolhe ídeos e jogos da Escola Vi ual e da Aula Digi al 84 . Os alunos ado a am es as a i idades que os man inham in e essados, a i os e pa icipa i os. Em p a icamen e odas as aulas ha ia isualização de ídeos, seguidos de um ques ioná io c í ico sob e o ídeo. No inal das aulas, espondíamos em conjun o a pequenos es es online. Os alunos ica am eu ó icos com os mini es es e, quando inham boa no a no inal, gos a am de se aplaudi uns aos ou os, os en ando a sua sa is ação pelo excelen e desempenho. Pa a esol e a segunda si uação, i e de aze á ias expe iências a é chega à solução p e endida. Em momen os de g ande ba ulhei a, comecei, inicialmen e, po lhes pedi co dialmen e pa a ha e silêncio. Con udo, o pedido não su ia e ei o, uma ez que o uído deles aba a a a minha oz. Mais a de e após e le i sob e o assun o, decidi cala - me eu, algo que os deixou um pouco pe plexos. Quando me comecei a cala e a olha pa a baixo, pe cebi que alguns alunos começa am a chama a a enção a ou os alunos pa a se cala em. Assim que o silêncio se ins ala a, eu ag adecia e p osseguia com a aula. 84 Os links dos exe cícios podem se encon ados nos Powe Poin s que seguem com o Rela ó io. 56 Inicialmen e iquei bas an e sa is ei a com essa es a égia, con udo, com o empo, oi pe dendo e ei o e acabei po e de a anja duas no as es a égias. A p imei a e a uma ex ensão da an e io , is o é, cala a-me, mas ica a à en e deles de b aços c uzados a olha pa a eles. E assim, acilmen e, conseguia ob e o silêncio desejado. A segunda, oi começa a dize que a ma é ia ia sai no es e, que eles ou issem ou não, e que a escolha e a deles. Es a es a égia oi bas an e e icaz pa a domina em momen os de ba ulhei a e agi ação. De o ma ge al, quando ul apassadas es as di iculdades, as aulas co e am bas an e bem. Ha ia uma excelen e dinâmica de u ma. Os alunos e am mui o pa icipa i os na ma é ia, nas lei u as e nas a i idades de sala de aula. Eu gos a a de lhes pedi pa a le ; esumi a aula an e io ; chama ao quad o pa a esc e e em concei os da aula an e io ou aze em exe cícios pa a, jun amen e com a u ma, e mos o que alha a; en e á ias ou as coisas. No ge al, op ei semp e pela in e ação com os alunos em odas as a i idades e pelo andamen o das pe gun as, uma ez que os “ o ça a” a man e em-se a en os e pa icipa i os. Faze com que os alunos pa icipem da sua p óp ia lecionação é um incen i o undamen al à sua p oa i idade. É impo an e que os jo ens sin am que não es ão ali como sujei os passi os, apenas a ou i o que lhe dizem, mas que ambém eles êm de e um papel dinâmico e a i o na sua ap endizagem. P ocu ei ambém aze uso de es a égias que incen i assem a en eajuda, o espei o e o comp omisso en e uns e ou os, po exemplo, quando um aluno não sabia a espos a a uma pe gun a, eu pe gun a a à u ma: “Quem é que pode ajuda o osso amigo a esponde a es a ques ão?”. Ha ia semp e um amigo dispos o a en a ajuda , mesmo que ambém não soubesse a espos a. Ou o exemplo que posso da e a que, enquan o um aluno lia, se hou esse mui o ba ulho, in e ompia e dizia: “Desculpe in e ompe , mas os seus colegas não es ão a deixá-lo le . Se calha é melho pe gun a aos seus colegas se o deixam le .”. Eles ado a am es e momen o e ap o ei a am pa a pe gun a aos colegas se podiam le . Os colegas pediam desculpa e deixa am-no le . Mais a de, iniciei, simul aneamen e às aulas de 10º ano, o 11º ano ( ambém 3 ezes po semana, que co espondia a 150 minu os). A u ma inha apenas 22 alunos com idades comp eendidas en e os 16 e os 17 anos. Po essa azão, os alunos já demons a am alguma se enidade e ma u idade, sendo que, du an e as aulas, os alunos encon a am-se semp e em silêncio, p epa ados pa a escu a a ma é ia. Cla o que, como em qualque ou a u ma, ha ia momen os de con e sa en e eles, de piadas e b incadei as, con udo, 57 quando se pedia silêncio, eles cala am-se de imedia o, sem qualque esis ência. Comecei po leciona A Dimensão Religiosa (Anexos 4, 5) e, que pelo in e esse da ma é ia, que pela expe iência de lecionação que já inha ob ido com o 10º ano, logo de início, hou e uma dinâmica de sala de aula bas an e boa. Eles escu a am a unidade lecionada com a enção, pa icipa am e p ocu a am esponde às minhas ques ões de o ma bas an e in e essan e. Não e am alunos mui o o es em e mos de esul ados, mas e am alunos educados, simpá icos e in e essados. 64 Comecei a aula po coloca a seguin e ques ão: “Po que é que as pessoas ac edi am em Deus?”. Comecei po deixá-los pensa um pouco ace ca do assun o e, de seguida, ou i as suas espos as, e en ei aze de ad ogada do diabo, e u ando-os ou colocando ainda mais pe gun as. Sendo es e um mé odo de diálogo a o nas ou as disciplinas, azê- lo em iloso ia é essencial pa a ab i a men e dos alunos e azê-los pe cebe que, às ezes, as coisas podem se p oblema izadas de á ias manei as a é à aiz. Pa a alunos de ciências exa as, es es exe cícios são undamen ais po que não es ão habi uados a abs ai e az- lhes con usão es e ipo de aciocínio e indagações. Após discu i um pouco o ema, isualizámos um ídeo, e, po im, lemos alguns ex os in e essan es sob e a eligião e abo dámos a ma é ia. Dado o in e esse da emá ica da eligião, conside ei opo uno ge a alguns deba es nas aulas que se segui am. Con udo, ape cebi-me de que não es a a a consegui ge i esses deba es, pois os alunos começa am a discu i en e si, mis u ando assun os e a as ando-se do pon o cen al da ques ão. Eu p ocu a a puxá-los de ol a ao pon o essencial, mas sem e ei o. Eles acaba am po ica ão e o osos nas suas discussões que me excluíam do deba e e eu pe dia o con ole da si uação. Uma ou duas semanas depois, iniciei no amen e uma discussão em aula com o in ui o de me desa ia a mim mesma a consegui con ola o deba e. Como p e is o, os alunos começa am a dispe sa e a a as a -se do pon o cen al da ques ão. Foi aí que, azendo uso da minha p ojeção de oz e os en ando i meza nas pala as, comecei a in e ompe a 65 discussão quando conside a a pe inen e pa a encaminhá-los na discussão. Depois, deixa a-os p ossegui , mas, semp e que necessá io, azia uma in e enção pa a os o ien a . Como p o esso a, é essencial inci a a e lexão e o deba e, mas ambém ajuda a o ien á-lo, pa a que não caia num sem-sen ido. No im da discussão, dei a minha pala a inal sob e o assun o, cla o que, enquad ado na ma é ia, e echei o ema pa a p ossegui com a aula. A supe ação des e desa io oi mais uma conquis a pa a o e o ço da minha igu a de au o idade. Es as são assim algumas es a égias que, endo em con a minha expe iência e conhecimen os adqui idos, de em se u ilizadas pelo docen e em sala de aula pa a que possa a i ma a sua au o idade e p opo ciona um bom ambien e de ap endizagem. Es as es a égias de em se enquad adas num ambien e de con iança, espei o, cumplicidade, en eajuda e empa ia. Tenho consciência de que algumas das es a égias que enunciei podem não esul a com odas as u mas, con udo, az pa e da unção de um p o esso i expe imen ado coisas no as e e o que esul a com cada u ma. Quando as aulas do 10ºC4 e do 11ºC4 já es a am já num bom i mo, em que sen ia que ha ia in e esse nos con eúdos lecionados e começa a a es abelece -se uma elação de con iança, su giu o con inamen o. 5.2. Co id-19 e aulas online Com a e oma do con inamen o, pa a da seguimen o às aulas, a Escola Secundá ia de Mi a lo es op ou pelo uso da pla a o ma Mic oso Teams. E, pa a que se pudesse acompanha o abalho semanal que e a ealizado em aula com os alunos, c iou-se o concei o de aulas sínc onas – aulas dadas pelo p o esso – (2 ezes po semana) e assínc onas – aulas sem o p o esso (1 ez po semana), em que os alunos aziam exe cícios que se iam pos e io men e a aliados. Fo am ambém c iadas olhas de abalho semanal pa a acompanha o seu ap o ei amen o nas aulas (Anexo 6). 66 Anexo 6 - G elha de Pa icipação 11º Ano (Online) Inicialmen e, só i e de da aulas ao 11º ano (Anexo 7), uma ez que inha e minado a ma é ia de Lógica com o 10º ano. Só mais a de, embo a ainda em o ma o online, é que e oma ia as aulas com o 10º ano pa a leciona a emá ica d’A necessidade de undamen ação da mo al: análise compa a i a de duas pe spe i as ilosó icas. 67 Anexo 7 - Plano de T abalho Semanal 11º Ano (Online) Du an e as aulas online, decidi man e a dinâmica de aula, pa ilhando com os alunos o Powe Poin que ap esen a a nas aulas. O Powe Poin e a uma e amen a bas an e impo an e pa a que os alunos pudessem acompanha o que es a a a se lecionado, não só po que inha a ma é ia bem explicada, de o ma simples, sucin a e obje i a, mas ambém po que inha elemen os isuais e anexos com ídeos e jogos. Assim, ambém de ido à minha des eza a na ega na in e ne , consegui acilmen e aze 68 com que, du an e as aulas, pudéssemos aze a i idades e assis i a ídeos. Semp e que p oje a a um ídeo, pe gun a a a cada aluno, em pa icula , o que inha pe cebido do ídeo, se podia explica de e minadas ases ou concei os, ambém pa a analisa se inha es ado a en o à isualização do ídeo. O ensino online oi mui o mais exigen e do que o p esencial em e mos de dinâmica de aula, pois acilmen e os alunos podiam simula a sua p esença e, no en an o, es a a joga ou a ou i música. Assim, es i e cons an emen e a chama pelos nomes, aze ques ões, pedi e lexões ou c í icas, e, semp e que pe inen e, o am en iados abalhos pa a casa (Anexo 8), pa a que es udassem a ma é ia e pudessem da -me eedback daquilo que es uda am na aula pos e io . Es as es a égias pe mi i am-me aze um acompanhamen o pe sonalizado do ap o ei amen o escola dos alunos, algo desa ian e a a és do online. 69 Anexo 8 - Exe cícios pa a esol e em casa 11º Ano (Online) Na e cei a semana de aulas online, decidi aze uma a i idade in e essan e com o 11º C4 pa a conclui a emá ica dos alo es es é icos e eligiosos. Já que es á amos num con ex o digi al, decidi ealiza uma isi a i ual ao Tea o-Museu Dalí, em Figue es, Espanha 85 . Solici ei aos alunos que, com base nessa isi a, e endo em con a a sua expe iência es é ica, elabo assem um comen á io a uma ob a ou um espaço que i essem 85 Dada a g a idade da si uação pandémica e o echo dos museus e ou os es abelecimen os, bem como a es ição do núme o de pessoas nos espaços públicos, an es e depois do con inamen o, não me oi possí el ealiza uma isi a de es udo p esencial com os alunos. An es do con inamen o, con ac ei o Museu Nacional da A e An iga, mas, en e an o, a O ien ado a icou com Co id, e, duas semanas depois, iquei eu. Ambas i emos sin omas e di iculdades espi a ó ias, pelo que a isi a icou sem e ei o. A inicia i a oi en ão e omada a a és do online. 70 gos ado ou lhes i esse despe ado especial a enção. Foi um exe cício in e essan e que pe mi iu es imula a sensibilidade, c ia i idade e espí i o c í ico dos alunos, bem como incen i a à descobe a de a i idades in e essan es e cul u ais na in e ne . No ge al, penso que, apesa das di iculdades do online, oi possí el ge i bem as aulas e man e uma boa dinâmica. Todos pa icipa am e con ibuíam pa a o bom uncionamen o das aulas. Fizemos, inclusi e, ap esen ações o ais (Anexo 9) e ichas de a aliação (Anexo 10 e 11). Anexo 9 - Regis o das Ap esen ações O ais 11º Ano 71 Anexo 11 - Ficha de A aliação Suma i a 11º Ano (Online) 72 73 80 81 82 83 Anexo 14 - Plano de T abalho Semanal 10º Ano (Online) 84 Anexo 15 - 4ª Ficha de A aliação 10º Ano 85 86 87 88 As aulas online com o 10º ano ambém deco e am bas an e bem e de o ma mui o dinâmica. Os alunos a é se compo a am melho , uma ez que, sendo ob igados a desliga os mic o ones quando não ala am pa a a u ma, es a am impedidos de aze ba ulho e 89 de ala uns com os ou os. En e an o, com o 11º ano iniciei, ainda em o ma o online, a emá ica das Teo ias Explica i as do Conhecimen o (Anexos 16, 17, 18 e 19). Comecei po cons ui um deba e em o no da possibilidade de se pode conhece ou não alguma coisa e de pode mos ou não con ia nos nossos sen idos que já nos engana am á ias ezes. Após in oduzi- los no ema com es as e ou as ques ões, ap esen ei uns ídeos da Aula Digi al e da Escola Vi ual sob e a ida de Desca es pa a lhes susci a o in e esse. Passado umas semanas, e omámos no amen e o p esencial. Anexo 16 - Plano de T abalho Semanal 11º Ano (Online) 96 Anexo 18 - 4ª Ficha de A aliação 11º Ano 97 98 99 100 101 102 103 5.3. Fim do con inamen o e e oma do p esencial Com a e oma do p esencial, já na e a inal do es ágio, e minei a lecionação das emá icas A necessidade de undamen ação da mo al: análise compa a i a de duas pe spe i as ilosó icas e Teo ias Explica i as do Conhecimen o ao 10º e 11º ano, espe i amen e. Nes a ase e minal, após á ios semanas e meses de lecionação, sem in e upção, e depois de uma expe iência única com o online (lecionei, no o al, mais de 60 aulas), podia a i ma a minha segu ança, con o o e segu ança a da aulas. Fiz ambém ques ão de lhes ensina con eúdos que nem semp e ossem elacionados com a ma é ia das aulas. Po exemplo, quando no online oi solici ada a esolução de ce os exe cícios ao 11º ano, mui os ize am plágio da in e ne , sendo que ecebi 10 104 espos as iguais de alunos di e en es. Assim que e omámos o p esencial, achei opo uno abo da o assun o com os alunos, de o ma anspa en e e hones a, explicando-lhes a g a idade da si uação em con ex o escola , pessoal e p o issional. 5.4. Impo ância da Filoso ia na Educação Te a possibilidade de leciona a disciplina de Filoso ia oi algo que me ma cou imenso. Demons a aos alunos a impo ância da iloso ia nas suas idas, não apenas numa pe spe i a académica, mas numa pe spe i a de cons ução pessoal, é algo desa iado e, simul aneamen e, ascinan e. Dada a complexidade da disciplina, e do di ícil que é aze alunos de Ciências e Tecnologias pe cebe em a u ilidade e uncionalidade da disciplina, uma ez que o pensamen o abs a o, eó ico e me a ísico po ezes lhes az con usão, du an e as aulas, como me odologia, apos ei semp e na ap oximação dos con eúdos escola es ao eal, algo que é bas an e acessí el de aze is o que a iloso ia pa e da p óp ia ida. Ensina iloso ia pe mi iu-me assim aze esse balanção de modo mui o in e essan e en e o eal e o me a ísico e en e a eo ia e a p á ica. Pa a complemen a o ensino e ce i ica -me da comp eensão dos con eúdos lecionados, p ocu a a aze exe cícios de aplicação pa a e se e e i amen e os alunos inham comp eendido a ma é ia e sabiam aplicá-la. Po exemplo, após e ensinado aos alunos de 10º ano a di e ença en e “agi po de e ” e “agi con o me ao de e ” na é ica Kan iana, ap esen ei algumas ases no Powe Poin e pe gun ei a cada aluno qual a exp essão que se aplica a a de e minada ase e qual a azão da sua escolha. P ocu ei ambém aze ao máximo uso de e amen as in e a i as pa a que as aulas não se o nassem monó onas e me amen e exposi i as, p omo endo a pa icipação cons an e dos alunos, o espí i o c í ico, a e lexão c í ica dos con eúdos abo dados e discussões em g upo. Nesse sen ido, ambém sen i que a iloso ia oi undamen al pa a me p opo ciona o ambien e p e endido de sala de aula: um ambien e de diálogo, deba e e pa ilha de ideias. 5.5. Re lexão do meu pe cu so enquan o p o esso a es agiá ia Da aulas enquan o p o esso a es agiá ia oi uma expe iência desa iado a e bas an e 105 en iquecedo a que me pe mi iu ap ende dia iamen e coisas no as, não só com a expe iência de lecionação, mas ambém com a o ien ação da o ien ado a e com a dinâmica e in e ação com os p óp ios alunos. Conside ei que, no ge al, as aulas com o 10º C4 o am bas an e dinâmicas e sen i que, com eles, po se em uma u ma bas an e i equie a, pude desen ol e e abalha ce as es a égias que me pe mi i am cons ui a minha igu a de au o idade, con abalançando com a cons ução de uma elação de empa ia e con iança com eles. É cla o que as mesmas es a égias não esul am pa a odas as u mas nem pa a os mesmos anos, pois, se hou esse uma lei uni e sal pa a “domina ” os alunos, os p o esso es deixa iam de e p oblemas em sala de aula. Con udo, az pa e da unção de um p o esso i expe imen ado coisas no as e e o que esul a com cada u ma. É no mal e a e ha e es a égias que não esul am, po ém, o impo an e é não desmo i a e pe sis i no bom ambien e de sala de aula. À medida que se ai dominado no as es a égias e se ai conseguindo c ia um bom ambien e, o esul ado é al amen e sa is a ó io. A u ma do 11ºC4 oi bas an e acessí el, com alunos simpá icos, humildes e educados, sendo que não hou e qualque ipo de p oblema na lecionação. A u ma sabia dis ingui ni idamen e o momen o de sala de aula do momen o de ec eio, o que acili ou bas an e a dinâmica da aula. Es a u ma oi o exemplo pe ei o de uma au o idade bem-sucedida, po que eles p óp ios inham consciência do papel do p o esso e ap esen a am espei o pela igu a do p o esso . Após es e exigen e abalho de lecionação, ape cebi-me de que se há imensas emá icas que impo a es uda na e en e le i a, pedagógica e didá ica, começa pela ques ão da au o idade é essencial, uma ez que a au o idade de ine o ipo de p o esso que se ai se , as ba ei as que se ão es abelece e a mensagem que se ai ansmi i . Nesse sen ido, é de ex ema impo ância aze es e es ágio p o issional da PES que nos dá a possibilidade de analisa e expe iencia es as si uações, enquan o somos o ien ados po um p o esso compe en e e expe ien e, que em as e amen as necessá ias pa a nos encaminha no cump imen o das unções e no conhecimen o das nossas compe ências. A au o idade cons uída com o domínio e cla eza na ansmissão dos con eúdos, boa comunicação, boa p ojeção de oz, diálogo e espei o pa a com os alunos, pe mi iu-me o ien a as aulas, p omo e um espaço de espei o e en eajuda, e guia os alunos da o ma que, enquan o p o esso a, conside ei mais bené ica. No inal, u o daquilo que conside o uma boa cons ução da minha au o idade – uma au o idade i me, que, simul aneamen e, pe mi ia a boa disposição nas aulas e uma 112 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Blais, M-C e al (2008). Condi ions de l'éduca ion. S ock. Pa is. Émile Du kheim (2011). Educação e Sociologia. Edições 70, LDA. Lisboa. Gé a d Guillo (2008). O Resga e da Au o idade em Educação. A med. Lisboa. Geo ge O well (2007). 1984. Ed. An ígona. Lisboa. Hannah A end (2006). En e o Passado e o Fu u o. Relógio d'Água. Lisboa Hannah A end (2017). Eichmann em Je usalém. Ed. Í aca. Lisboa. Immanuel Kan (1990). Re léxions su l’éduca ion. T ad. Philonenko. Pa is. Immanuel Kan (2000). Sob e a Pedagogia. Edições 70, LDA. Lisboa. Julio G oppa Aquino (1999). Au o idade e Au onomia na Escola. Summus. Lisboa. J. S. Kaplan (1995). Beyond Beha io Modi ica ion. P o-Ed. Aus in, Tx. John Dewey (2007). Democ acia e Educação. Plá ano Edi o a. Lisboa. Michel Foucaul . (2013). Vigia e puni . Edições 70, LDA. 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Lisboa. 113 REFERÊNCIAS WEBGRÁFICAS A igo de Ca los Albe o Gomes: h p:// eposi o ium.sdum.uminho.p /bi s eam/1822/12394/1/pode %2c%20au o idade %20e%20lide an%c3%a7a%20na%20sala%20de%20aula.pd «Ensino das no mas e da no malização nas escolas – manual in o ma i o pa a o ensino secundá io» h p://www1.ipq.p /p /no malizacao/no maspo uguesas eexame/documen s/manual_en sino%20das%20no mas%20e%20da%20no maliza%C3%A7%C3%A3o%20nas%20esc olas.pd Es a u o do Aluno e É ica Escola h ps://d e.p /applica ion/ ile/a/174901 No ícia «Taxa de anal abe ismo em Po ugal ainda é das maio es na Eu opa» h ps://exp esso.p /sociedade/2016-09-03-Taxa-de-anal abe ismo-em-Po ugal-ainda-e- das-maio es-na-Eu opa No ícia «A educação no empo do Es ado No o» h ps://co eiodominho.p /c onicas/a-educacao-no- empo-do-es ado-no o/5854 No ícia «P o esso es a ba e nos alunos: como a iolência deixou de se uma o ma de educação» h ps:// isao.sapo.p /a ualidade/sociedade/2019-10-25-p o esso es-a-ba e -nos-alunos- como-a- iolencia-deixou-de-se -uma- o ma-de-educacao/ No ícia «Se um aluno insul a um p o esso na sala de aula não se pode ica po um p ocesso disciplina . Isso é c ime» h ps://24.sapo.p /a ualidade/a igos/ge i -con li os-e- ecupe a -au o idade-quando-a- psp- ai-a-escola-pa a-ensina -os-p o esso es No ícia «Puni a indisciplina dos alunos ai se mais ácil e mais ápido» h ps://www.dn.p /a qui o/2007/puni -a-indisciplina-dos-alunos- ai-se -mais- acil-e- mais- apido-655889.h ml 114 «O Di e encial» - jo nal dos es udan es do IST. A igo «O Ensino Democ á ico – a escola onde o aluno é ambém cidadão» h ps://di e encial. ecnico.ulisboa.p /edicao/o-papel-do-ensino-na- o macao-ci ica/o- ensino-democ a ico-a-escola-onde-o-aluno-e- ambem-cidadao/ Regulamen o In e no da Escola Secundá ia de Mi a lo es h p://www.aemi a lo es.edu.p /joomla2/docs/19_20/Regulamen o%20In e no%202017 -2021.pd Regimen o da disciplina e do p ocesso disciplina dos alunos h p://www.aemi a lo es.edu.p /joomla2/docs/18_19/Regimen o-Disciplina .pd 115 ANEXOS Anexo 1 Plani icação 10º Ano: «A gumen ação e lógica o mal» Anexo 2 Powe Poin 10º Ano: «Fo mas de In e ência Válida: Lógica P oposicional» Anexo 3 2ª Ficha de A aliação 10º Ano Anexo 4 Plani icação 11º Ano: «A dimensão eligiosa — análise e comp eensão da expe iência eligiosa» Anexo 5 Powe Poin 11º Ano: «A dimensão eligiosa: análise e comp eensão da expe iência eligiosa» Anexo 6 G elha de Pa icipação 11º Ano (Online) Anexo 7 Plano de T abalho Semanal 11º Ano (Online) Anexo 8 Exe cícios pa a esol e em casa 11º Ano (Online) Anexo 9 Regis o das Ap esen ações O ais 11º Ano Anexo 10 3ª Ficha de A aliação 11º Ano (Online) Anexo 11 Ficha de A aliação Suma i a 11º Ano (Online) Anexo 12 Plani icação 10º Ano: «A ação humana e os alo es» Anexo 13 Powe Poin 10º Ano: «A ação humana e os alo es» Anexo 14 Plano de T abalho Semanal 10º Ano (Online) Anexo 15 4ª Ficha de A aliação 10º Ano 116 Anexo 16 Plano de T abalho Semanal 11º Ano (Online) Anexo 17 Powe Poin 11º Ano: «O conhecimen o e a acionalidade cien í ica e ecnológica: desc ição e in e p e ação da a i idade cognosci i a» Anexo 18 4ª Ficha de A aliação 11º Ano Anexo 19 5ª Ficha de A aliação 10º Ano