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Influência e caracterização do movimento antivacinação nas redes sociais em Portugal

Branco, Filipa Saraiva e Silva Rodrigues

Abstract

Introdução: A resposta à pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2 e as vacinas desenvolvidas têm encontrado obstáculos criados pela disseminação de notícias falsas e conspirações propagadas pelo movimento antivacinação nas redes sociais. Desta forma, a hesitação vacinal poderá ter contornos nunca antes vistos, em Portugal, até ao momento. Métodos: Este estudo analisa as publicações, comentários e membros do grupo do Facebook “Anti-VAX Portugal” desde 10 de abril a 10 de outubro de 2020, no decorrer da pandemia. Foi também aplicado um inquérito por questionário online, onde se procura compreender a influência que os conteúdos antivacinais tiveram sobre os utilizadores das redes sociais no processo de decisão de vacinação contra a COVID-19. Resultados: A partir da análise deste grupo, compreendendo 347 membros e com motivações distintas, foram identificadas 440 publicações, das quais 48% são teorias da conspiração. A partilha de publicações contra a vacina para a COVID-19 iniciou-se ainda antes da existência efetiva da vacina. No inquérito online aferimos que a influência dos conteúdos antivacinação na rede social Facebook sobre indivíduos indecisos é quatro vezes superior do que se estes não se deparassem com tais conteúdos. No caso daqueles que se mostravam decididos a não se vacinar contra o vírus SARS-CoV-2, mais de metade foram expostos a conteúdos antivacinação. Conclusão: Este movimento é altamente capacitado para influenciar a opinião de outros através de campanhas antivacinação, realizadas antes da criação da vacina para a COVID-19, e as redes sociais são o veículo ideal para a disseminação e a organização de ações fora do espaço digital.

Full text

In luência e Ca ac e ização do Mo imen o An i acinação nas Redes Sociais em Po ugal Filipa Sa ai a e Sil a Rod igues B anco Disse ação de Mes ado em Comunicação de Ciência Agos o, 2021 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Comunicação de Ciência ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia Inês Quei oz. Pa a a minha a ó Mimi que com 93 anos me ajudou incansa elmen e nes e p oje o. Pa a o Gonçalo, mãe e Soya. INFLUÊNCIA E CARACTERIZAÇÃO DO MOVIMENTO ANTIVACINAÇÃO NAS REDES SOCIAIS EM PORTUGAL Filipa Sa ai a e Sil a Rod igues B anco RESUMO In odução: A espos a à pandemia p o ocada pelo í us SARS-CoV-2 e as acinas desen ol idas êm encon ado obs áculos c iados pela disseminação de no ícias alsas e conspi ações p opagadas pelo mo imen o an i acinação nas edes sociais. Des a o ma, a hesi ação acinal pode á e con o nos nunca an es is os, em Po ugal, a é ao momen o. Mé odos: Es e es udo analisa as publicações, comen á ios e memb os do g upo do Facebook “An i-VAX Po ugal” desde 10 de ab il a 10 de ou ub o de 2020, no deco e da pandemia. Foi ambém aplicado um inqué i o po ques ioná io online, onde se p ocu a comp eende a in luência que os con eúdos an i acinais i e am sob e os u ilizado es das edes sociais no p ocesso de decisão de acinação con a a COVID-19. Resul ados: A pa i da análise des e g upo, comp eendendo 347 memb os e com mo i ações dis in as, o am iden i icadas 440 publicações, das quais 48% são eo ias da conspi ação. A pa ilha de publicações con a a acina pa a a COVID-19 iniciou-se ainda an es da exis ência e e i a da acina. No inqué i o online a e imos que a in luência dos con eúdos an i acinação na ede social Facebook sob e indi íduos indecisos é qua o ezes supe io do que se es es não se depa assem com ais con eúdos. No caso daqueles que se mos a am decididos a não se acina con a o í us SARS-CoV-2, mais de me ade o am expos os a con eúdos an i acinação. Conclusão: Es e mo imen o é al amen e capaci ado pa a in luencia a opinião de ou os a a és de campanhas an i acinação, ealizadas an es da c iação da acina pa a a COVID-19, e as edes sociais são o eículo ideal pa a a disseminação e a o ganização de ações o a do espaço digi al. Pala as-cha e: mo imen o an i acinação, Facebook, comunicação de ciência, SARS-CoV-2, COVID- 19, no ícias alsas, hesi ação acinal INFLUENCE AND CHARACTERIZATION OF THE ANTI-VACCINATION MOVEMENT ON SOCIAL MEDIA IN PORTUGAL Filipa Sa ai a e Sil a Rod igues B anco ABSTRACT Backg ound: The pandemic by SARS-CoV-2 i us and he accines de eloped will ace obs acles c ea ed by he dissemina ion o ake news and conspi acies p opaga ed by he an i- accina ion mo emen on social media. Thus, he accine hesi a ion will ha e con ou s ne e seen be o e, in Po ugal. Me hods: This s udy analyzes he pos s, commen s, and membe s o he Facebook g oup “An i- VAX Po ugal” om Ap il 10 h o Oc obe 10 h, du ing he pandemic. As well as he de elopmen o an online ques ionnai e su ey whe e we unde s and he in luence ha an i- accina ion con en has on social media use s o ake he COVID-19 accine. Resul s: The analysis o 347 membe s, wi h di e en mo i a ions, culmina es in 440 publica ions whe e 48% a e conspi acy heo ies. Vaccine sha ing o COVID-19 s a ed long be o e he e was one. In he online su ey, we e i ied ha he in luence o an i- accina ion con en on social media, on hesi an indi iduals, is ou imes highe han i hey had no come ac oss such con en . Also, o hose who ha e al eady decided ha hey will no be accina ed agains he SARS-CoV-2 i us, mo e han hal we e exposed o he con en s o he an i- accina ion mo emen . Conclusion: This mo emen is highly capable o in luencing he opinion o o he s h ough an i- accina ion campaigns, ca ied ou be o e he c ea ion o he accine o COVID-19 and social media is he ideal ehicle o he dissemina ion and o ganiza ion o ac ions ou side he digi al space. Keywo ds: an i- accina ion mo emen , Facebook, science communica ion, SARS-CoV-2, COVID-19, ake news, accine hesi a ion ÍNDICE In odução …………………………………………………………………………………………………………………………. 1 Capí ulo I: Enquad amen o Teó ico ........................................................................................ 4 1.1 As acinas como í imas do seu sucesso …………………………………………………………………. 4 1.2 A p ojeção do mo imen o nas edes sociais na úl ima década: Facebook ………………. 6 1.3 Rec u amen o pa a a causa e ca ac e ização dos indi íduos an i acinação ……………… 9 1.3.1 Seguido es de Wake ield ……………………………………………………………………………………… 12 1.3.2 Medicinas al e na i as …………………………………………………………………………………………. 12 1.3.3 Conspi ado es ……………………………………………………………………………………………..………. 13 1.3.4 Desc ença na medicina ………………………………………………………………………………………... 13 1.3.5 Pais e blogues de pa en alidade …………………………………………………………………………… 14 1.4 SARS-CoV-2 ................................................................................................................... 16 1.5 Redes sociais comba em o MAV ………………………………………………………………………………. 17 Capí ulo II: P oblemá ica da In es igação …………………………………………………………………………. 19 2. 1 P oblema ………………………………………………………………………………………………………………. 19 2. 2 Obje i os ……………………………………………………………………………………………………….……… 19 Capí ulo III: Me odologia …………………………………………………………………………………………………… 20 3. 1. Ins umen os de ecolha de dados ……………………………………………………………………… 20 3. 2. Obse ação não-es u u ada e amos a ……………………………………………………………….. 20 3. 3. Inqué i o po ques ioná io e amos a ........................................................................22 Capí ulo IV: Desc ição e análise dos esul ados ……………………………………………………………….... 27 4.1. Desc ição e análise dos esul ados da obse ação não es u u ada ……………………….. 27 Pa e I. Ca ac e ização dos memb os do g upo …………………………………………………………….. 27 Pa e II. Explo ação dos con eúdos pa ilhados …………………………………………………………….. 30 Pa e III. A e iguação do discu so u ilizado e seleção de publicações ………………………….… 36 4.2 Desc ição e análise dos esul ados do inqué i o po ques ioná io online ………………… 38 Capí ulo V: Discussão …………………………………………………………………………………………………………. 41 5.1 Dec éscimo do VCI ampliado pelo Facebook …………………………………………………………. 41 5.2. Teo ias conspi a ó ias e os conspi ado es …………………………………………………………….. 42 5.3 Es a égia de con olo da hesi ação acinal ……………………………………………………………. 47 5.4 Possí el con inuação do es udo ……………………………………………………………………………. 49 Conclusão …………………………………………………………………………………………………………………………… 50 Re e ências Bibliog á icas ……………………………………………………………………………………………………. 54 Anexos ………………………………………………………………………………………………………………………………… 57 Anexo I -Tabela de Excel dos dados a e idos no g upo “An i-VAX Po ugal” …………………………. 58 A: In o mação dos memb os do g upo e dos con eúdos “An i-VAX Po ugal” ………………..…… 59 B: Dis ibuição dos con eúdos sob e conspi ações .................................................................. 67 C: Dis ibuição dos con eúdos das libe dades .......................................................................... 68 Anexo II – Fo ma o do inqué i o po ques ioná io online …………………………………………………... 69 Anexo III – C onologia da pandemia po SARS-CoV-2 em Po ugal a é à da a de início de edação des e abalho ………………………………………………………………………………………………….…… ….……….. 74 Anexo IV Imagens das mani es ações em Lisboa ………………………………………..……………………….. 79 A: Mani es ação no Rossio a 20 de se emb o de 2020 …………………………………………………………. 80 B: Mani es ação em Lisboa a 7 de agos o de 2021 ………………………………………………………………. 81 C: Mani es ação em Lisboa a 11 de se emb o de 2021 ………………………………………………………… 83 D: Ca azes publici á ios de p omoção das mani es ações ………………………………………………..… 85 ÍNDICE DE FIGURAS Figu a 1. Pila es do Mo imen o An i acinação © Rachel Da idowi z ……..……………………..…. 8 Figu a 2. As cinco ases do modelo RECRO (Neo, 2016) ……………………………………………….….…. 9 Figu a 3. Exemplos de moldu as u ilizadas po alguns memb os do g upo “An i-VAX Po ugal” no Facebook ……………………………………………………………………………………………………………………. 28 Figu a 4. Páginas comummen e “gos adas” pelos memb os do g upo “An i-VAX Po ugal”..30 Figu a 5. Publicação no g upo “An i-VAX Po ugal” …..…………..……….………………………..…..…. 37 Figu a 6. Publicação no g upo “An i-VAX Po ugal” ……………………………………………………………37 Figu a 7. Ações que agilizam a p ocu a de in o mação em con eúdos disponibilizados pelo mo imen o an i acinação © Filipa B anco …….…………………………………………..…………………… 51 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1. Re e ências u ilizadas pa a a ca ac e ização dos subg upos…………..……………………. 11 Tabela 2. Faixa e á ia, egião e escola idade da amos a do ques ioná io online………………... 25 Tabela 3. Ag egado amilia , ilhos e endimen o amilia da amos a do inqué i o po ques ioná io online………………………………………….…………………………………………………………………. 25 Tabela 4. Os se e c i é ios pa a a classi icação de conspi ações em 2014 e em 2020 …………. 43 ÍNDICE DE GRÁFICOS G á ico 1. P e isão eó ica da u u a dimensão do mo imen o an i e p ó acinação ……….. 11 G á ico 2. E olução do núme o de no os memb os do g upo “An i-VAX Po ugal”…..………. 27 G á ico 3. Memb os do g upo dis ibuídos po a inidade polí ica……….……………………………. 29 G á ico 4. Dis ibuição do núme o de publicações do g upo “An i-VAX Po ugal po emá ica …………………………………………………………………………………………………………………………………….….. 32 G á ico 5. Núme o de publicações sob e as emá icas ‘libe dades’ e ‘conspi ações’ dis ibuídas en e ab il e ou ub o de 2020…….……………………………………………………………..….. 33 G á ico 6. Dis ibuição do núme o de publicações po emá icas den o da ca ego ia das ‘libe dades’………………………………………………………………………………………………………………………. 34 G á ico 7. Dis ibuição do núme o de publicações po emá icas den o da ca ego ia das ‘conspi ações’……………………………………………………………………………………………………..…………... 35 G á ico 8. Análise de sen imen os dos comen á ios do g upo “An i-VAX Po ugal” pelo p og ama ATLAS Ti ….………………………………………………………………………………..……………………. 36 G á ico 9. In luência dos con eúdos an i acinação nos indecisos a a és do inqué i o po ques ioná io online …………………………………………………………………………………………………………. 39 G á ico 10. In luência dos con eúdos an i acinação nos esponden es que não se que em acina …………………………………………….………………………………………………………………………….…. 40 5 p og amas de imunização em compa ação com a con iança em ou os se iços de saúde públicos, as elações en e a con iança no sis ema e os ní eis de hesi ação acinal, as azões pa a essa hesi ação, a decisão de acinação e a sua a iação baseada nos con ex os de cada país e nos a o es demog á icos. Fo am iden i icados ní eis de con iança-médios-al os na acinação e nos sis emas de saúde públicos des es países, em que os indi íduos hesi an es cons i uem uma mino ia. No en an o, a Geó gia e e a maio axa de ecusa acinal (6%) en e aqueles que epo a am inicialmen e hesi ação. Em odos os ou os países analisados a maio pa e dos indi íduos que mani es a am hesi ação à acinação acaba am po se acina à exceção do Es ado de Kano, na Nigé ia, onde a pe cen agem daqueles que ecusa am acina -se, depois de e em hesi ado inicialmen e, oi de 76%. De salien a que no Reino Unido os inqui idos com c ianças abaixo dos 5 anos demons a am maio hesi ação acinal compa a i amen e aos ou os países em es udo. Não obs an e, "em ce as ci cuns âncias, pequenos g upos de hesi ação acinal, dependendo do papel social que desempenham, podem e um impac o mui o nega i o num p og ama de acinação", explicam os au o es do es udo, La son e al. (2015). De aco do com a O ganização Mundial de Saúde, mais especi icamen e com o S a egic Ad iso y G oup o Expe s on Immuniza ion (SAGE), a hesi ação acinal pode se de inida po :”[a] um a aso na acei ação ou ecusa das acinas, mesmo que os se iços de acinação es ejam disponí eis pa a a oma das mesmas. A hesi ação da adminis ação das acinas é complexa, a iando apenas no empo, local e ipologia das acinas. É ainda in luenciada po a o es como a complacência, con eniência e con iança” (OMS, 2014). Es a de inição sin e iza as possibilidades p o enien es da ecusa das acinas, a a és do "Wo king G oup De e minan es o Vaccine Hesi ancy Ma ix", que consis e “(…) numa íade epidemiológica, incluindo a o es con ex uais, a o es indi iduais ou de g upo e ques ões ine en es à p óp ia acinação, po sua ez condicionada pelos de e minan es undamen ais do “Modelo dos 3Cs”” 6 , de aco do com Ma ga ida Fonseca e al. (2018). 6 De aco do com a de inição u ilizada pelo SAGE, o modelo dos “3Cs” des aca ês ca ego ias - complacência, con eniência e con iança - pa a analisa os indicado es de hesi ação acinal. 6 Em con o midade com o "Modelo dos 3C's", o es udo elabo ado pela Comissão Eu opeia, in i ulado “S a e o accine con idence in he EU 2018”, e e e que enquan o a complacência e con eniência se elacionam com a pe ceção dos iscos da doença e com a acilidade que cada se iço de acinação alcança, a con iança é de inida pelo c e na e icácia e na segu ança an o nas acinas como no se iço de saúde que as adminis a. Es e es udo mede a con iança na acinação desc i a an e io men e e, além disso, elaciona-a com uma compa ibilidade eligiosa. As conclusões des e es udo mos am que Po ugal possui a pe cen agem mais al a de esponden es que conco dam que as acinas são segu as (95,1%), e icazes (96,6%), e impo an es pa a as c ianças oma em (98%), seguindo-se a Finlândia, nes e úl imo pa âme o. Po ou o lado, os esponden es menos con ian es na segu ança na acinação são a Bulgá ia, a Le ónia e a F ança. A pa des es dados, Po ugal ica em 4º luga na compa ibilidade das acinas com as c enças eligiosas com uma ele ada pe cen agem (89%). No en an o, no es udo da Comissão Eu opeia de 2020 7 , Po ugal con inua a se o país com uma maio axa de con iança nas acinas, mas o núme o de esponden es que a i ma que as acinas são e icazes dec esceu 4,2% desde 2018. Apesa de se sa is a ó io que a g ande maio ia dos po ugueses des aque a segu ança e a e icácia acinal, nos úl imos dois anos o pano ama em indo a muda . Es a al e ação icou mais e iden e e no ó ia du an e a c ise epidémica p o ocada pelo í us SARS-CoV-2, pa a su p esa da comunidade cien í ica. A p ojeção do mo imen o nas edes sociais na úl ima década: Facebook Apesa de con empo âneos à acinação, o mo imen o an i acinação em e oluído e adap ado ao longo do empo. O que an es pa ecia não se uma ameaça eio ag a a -se com o apa ecimen o e, de seguida, c escimen o exponencial das edes sociais. Em Po ugal, a ede social mais u ilizada é o Facebook que, desde 2006, ano em que chega ao país, em is o os seus u ilizado es aumen a con ando, em 2019, com 7,2 milhões de con as a i as (Hoo sui e, 2019). Po se a ede social com mais u ilizado es do mundo, o Facebook oi iden i icado como o p incipal canal de disseminação de desin o mação à ol a das campanhas an i acinação, pois possui 7 La son e al. 2020 “S a e o Vaccine Con idence in he EU + UK”. 7 di e sos e e icien es mecanismos de pa ilha de in o mação a uma escala quase mundial (New Yo k Times, 2019). A maio ia dos u ilizado es é de en o de uma con a nes a pla a o ma social ou nou a e os algo i mos po de ás dos si es possibili am aos indi íduos ajus a a sua expe iência b owse. Inicialmen e, os u ilizado es ão e ‘pos s’ neu os e gené icos de con eúdos que in e essam à maio ia (comida, animais e paisagens), mas ao mesmo empo que o u ilizado con inua a in e agi com de e minado con eúdo a iadas ezes, o algo i mo “ap ende” quais os con eúdos “p e e idos” e quais são os con eúdos a e i a , de aco do com os in e esses demons ados. Se um indi íduo que se iden i ica como an i acinação só in e age com in o mação que supo a as suas ideologias, essa se á a única in o mação disponí el no seu eed, o que causa ao u ilizado a pe manência numa espécie de ‘bolha’ (Pa ise , 2011). Es e con eúdo limi ado à in o mação cons i ui um eno me desa io aos comunicado es de ciência. Como explica o documen á io da Ne lix, “O dilema das edes sociais”, especialis as e an igos uncioná ios de edes sociais como o Facebook, Pin e es ou Twi e , jun a am-se pa a pe cebe mos a o ma como os g andes g upos ecnológicos manipulam os seus u ilizado es. Pa a além dos algo i mos associados aos in e esses na ó ica do u ilizado , as ca ac e ís icas dos g upos do Facebook c iam a opo unidade pa a es es se odea em de pessoas com ideias simila es. “Os g upos o e ecem a opo unidade da comunidade de um indi íduo anscende de uma ede de ‘pessoas que conhecem’ pa a ‘pessoas que pa ilham um in e esse’, possi elmen e indi íduos que e o cem ideais ex emis as como a a i ude an i acinação” (Polonski e Hogan, 2015). As ‘câma as de eco’ nas edes sociais uncionam pa a aqueles que que em deba e as suas ideias acinais com ou os que pa ilham da mesma opinião e, onde, os seus eeds são adap ados às suas c enças. Ambos ajudam a c ia uma con i mação endenciosa. Ou o aspe o p eocupan e e e en e aos G upos do Facebook é a sua edundância. A maio ia dos con eúdos pa ilhados nos g upos an i acinação em de uma pequena ede de g upos e páginas do Facebook, que possuem a iadas semelhanças en e si. Is o aduz-se numa pa ilha de con eúdos, en e g upos semelhan es, acili ando a “mudança” dos u ilizado es se uma das páginas o emo ida (Smi h e G aham, 2019). 8 Figu a 1. Pila es do Mo imen o an i acinação. Ilus ação po Rachel Da idowi z in “The physician-scien is : de ending accines and comba ing an iscience” O a igo "Ad essing he Vaccine Con idence Gap" de La son e al., esc i o em 2011, explica que es es mo imen os conseguem um po encial de in luência global, com a acilidade e apidez de acesso à in o mação a ual, o que esul a na democ a ização da ansmissão da in o mação ho izon almen e, sem a ob iga o iedade de passa pelo p o issional de saúde, como di a a hie a quia na u al. A in o mação, equen emen e, sem undamen ação cien í ica e sus en ada em opiniões pessoais e alaciosas, chega a g upos que não são necessa iamen e con a a acinação, mas apenas p ocu am escla ecimen os sob e a impo ância da acinação, a e icácia e a segu ança das mesmas, en e ou as emá icas. Como e e e a igu a 1, o “impé io media” do mo imen o an i acinação, compos o po websi es, p esença massi a em odas as edes sociais, li os disponí eis pa a comp a na Amazon, en e ou os, é alice çado pelo silêncio da comunidade cien í ica online, que conduz à c iação de g upos con a a acinação com um o e pode de in luência. Pe an e is o, a con iança acinal de e se is a como um enómeno social e polí ico, não me amen e indi idual. "Quando a massa hesi an e numa população a inge um ní el c í ico, pode alia -se, endo um impac o ainda maio do que quando enca ado do pon o de is a indi idual", explica a in es igado a So ia Poço Mi anda (2018). 9 Rec u amen o pa a a causa e ca ac e ização dos indi íduos an i acinação Se ia de espe a que u ilizado es den o do mesmo g upo online i essem as mesmas mo i ações e um in e esse em comum. No en an o, as mo i ações pa a que um indi íduo pe ença ao mo imen o an i acinação podem se di e sas, endo em con a que algumas classes são “ ec u adas” pelos conspi ado es mais ex emis as, de modo a aumen a a dimensão do mo imen o. Apesa de ela i amen e pequeno, o MAV u iliza a i amen e as edes sociais pa a amplia a sua mensagem e “ ec u a ” pessoas em odo o mundo que es ão hesi an es em elação às acinas, especialmen e g upos de pais. Pa a além disso, os u ilizado es ambém pa ilham con eúdos an i acinação com a sua ede pessoal de amigos, aumen ando o núme o de apoian es. En e dezemb o de 2018 e e e ei o de 2019, num es udo que ab angeu mais de 500 anúncios na ede social Facebook, oi possí el descob i que 145 es a am elacionados com a ecusa acinal, ab angendo en e 5 mil e 50 mil u ilizado es da ede. Des es 145 anúncios, 54% ie am de apenas duas o ganizações: “Wo ld Me cu y P ojec ” e “S op Manda o y Vaccina ions” (Jamison e al. 2020). A o ma como as pessoas são in luenciadas pelas conspi ações em o no da acinação segue uma o dem semelhan e à de ou as adicalizações online, como se pode e no modelo de mediação adical da In e ne RECRO que u iliza cinco ases – Re lec ion, Explo a ion, Connec ion, Resolu ion e Ope a ional – (Neo, 2016). Figu a 2. As cinco ases do modelo RECRO (Neo, 2016) 10 A maio ia dos apoian es do mo imen o an i acinação passa pelas cinco ases desc i as no modelo. Vá ios es udos chega am à conclusão de que es e mo imen o consegue ans e i -se da es e a i ual, in luenciando compo amen os o line, e conseguem, po exemplo, des a o ma, o na a sua adicalização isí el a odos a a és de mani es ações 8 , (Ka a, 2012). Os memb os dos g upos con a a acinação pe encem a uma mino ia à ma gem das ideologias sociais. No en an o, es es g upos ob êm uma posição cen al nas edes sociais, po es a em p esen es, em g ande o ça, (em e mos de con eúdos e u ilizado es) em g upos de indi íduos hesi an es ou indecisos na emá ica da acinação. Ao con á io do que se pensa, a população indecisa não é passi amen e pe suadida pelos g upos an i ou p ó acinação. Os indi íduos indecisos são al amen e a i os: sendo es e o g upo com maio c escimen o e maio núme o de cliques em links sob e a emá ica da acinação, seguindo-se os mo imen os an i acinação. “Es as descobe as desa iam o nosso pensamen o a ual em que os indi íduos indecisos são is os como passi amen e à espe a que se ba alhe pelos seus ‘co ações e men es’” (Johnson e al., 2020). Os g upos an i acinação êm um maio alcance, de ido às suas na a i as po encialmen e mais a a i as. Po se em mais a iadas como, po exemplo, emá icas elacionadas com a segu ança das acinas, medicinas al e na i as, eo ias da conspi ação e, mais ecen emen e, a causa e cu a da doença COVID-19, conseguem a ai indi íduos com di e sos in e esses e causas. De aco do com os au o es do a igo “A compe ição online en e os pon os de is a p ó e an i acinação”, es es p e eem eo icamen e, que no u u o, se ninguém in e ie , os indi íduos que apoiam os mo imen os an i acinação online i ão ul apassa os apoian es p ó acinação, em apenas 10 anos. 8 A 29 de agos o de 2020, ce ca de 100 pessoas mani es a am-se em Lisboa con a o uso ob iga ó io de másca as, pelo eg esso ao ho á io no mal de abalho e o im “da na a i a do medo”. A mani es ação oi con ocada pelo mo imen o “Ve dade Incon enien e”, a a és do Facebook. In Jo nal Público (consul ado a 20 se . 2021) 11 Tabela 1. Re e ências u ilizadas pa a a ca ac e ização dos subg upos Di e sos es udos encon ados e e em a exis ência de á ios subg upos po de ás do MAV. Pa a a ca ac e ização dos subg upos, i emos como base o es udo “A Public Heal h Recommenda ion Coun e ing he Online An i-Vaccina ion Mo emen ” da au o a G ace Newmann (2020), bem como ou os ap esen ados na abela 1, com o oco em di e sos países como os EUA, Ingla e a e Po ugal. G á ico 1. P e isão eó ica da u u a dimensão do mo imen o an i (linha enca nada) e p ó (linha azul) acinação in “The online compe i ion be ween p o- and an i- accina ion iews” 12 Seguido es de Wake ield O p imei o subg upo denominado po “seguido es de Wake ield” é sus en ado pela ideia de que as acinas são óxicas e ep esen am um maio isco pa a a saúde, do que o isco que p e inem. Es e subg upo não só supo a a ideia de que as acinas causam au ismo e danos neu ológicos, mas ambém encon ou uma o ma de ans o ma o sucesso das acinas con a elas p óp ias. A designação é p o enien e de um es udo publicado, pelo médico And ew Wake ield, na econhecida e is a cien í ica The Lance 9 , onde é e e enciado que a acina VASPR, po si só, não causa au ismo, mas sim a quan idade de acinas que sob eca egam o sis ema imuni á io da c iança, causando uma “susce ibilidade ao au ismo”. Es e es udo oi ão c edi ado de ido à epu ação que Wake ield, enquan o médico pedia a, de inha quando o publicou. No en an o, o es udo oi pos e io men e emo ido pela e is a, uma ez que con inha uma sé ie de incoe ências cien í icas. Uma das pla a o mas de in o mação an i acinação, sus en ada pelo es udo de Wake ield é o Facebook. Após a publicação do es udo, os mo imen os an i acinação en e eda am pelo campo das p á icas e componen es das acinas, de modo a sus en a as suas c enças acinais, ec u ando, assim, de enso es e p a ican es na á ea da homeopa ia, holismo e medicina ances al (Neumann, 2020). Medicinas al e na i as O segundo subg upo é compos o po indi íduos que ade em a p á icas o gânicas e aos p odu os na u ais. Es a comunidade supo a o lema de que udo o que é na u al é melho pa a o co po e que uma boa alimen ação e p á icas da men e e co po saudá el são capazes de man e uma ele ada imunidade, que é su icien e pa a comba e doenças como a ube culose ou o sa ampo. Os memb os pa ilham que é possí el, a a és de medicamen os na u ais e de uma alimen ação à base de plan as e ege ais, óleos essenciais e aumen o de i amina D pelo sol, cu a o co po de doenças sem a in e enção médica (Newmann, 2020). É comum encon a mos es as suges ões em g upos de yoga, egans, aiki, co po e men e, en e ou os. F equen emen e, es e subg upo expõe, a a és da pa ilha de con eúdos, que os ing edien es encon ados nas acinas e os seus adi i os são óxicos. 9 O a igo o iginal publicado na e is a The Lance nº351, “Ileal-lymphoid-nodula hype plasia, non-speci ic coli is, and pe asi e de elopmen al diso de in child en” (Wake ield AJ e al., 1998). 13 Conspi ado es A ca ego ia com uma maio exp essão adical é compos a po indi íduos an igo e no/an issis ema e conspi ado es. Pa a além da c ença de que as acinas o am c iadas pelo sis ema pa a con ola as c ianças e os cidadãos, “exis e a ideia de que as a macêu icas c ia am as doenças pa a en iquece em. Des a o ma, as c ianças que icam doen es após a oma acinal i ão necessi a de mais medicação, en iquecendo-as com es e ciclo” (Newmann, 2020). Mui as ezes, os a gumen os passam pa a o lado polí ico, inci ando que de e minado indi íduo de e e de e minada opinião sob e as acinas, dependendo da sua posição polí ica. Smi h e G aham (2019), analisa am a in o mação disponí el nos g upos an i acinação no Facebook e concluí am que o discu so é cen ado na ai a con a o go e no e incluem e e ências a eo ias conspi a ó ias. “Mui os dos u ilizado es das edes sociais an i acinação são o emen e p oponen es da libe dade e escolha indi idual, especialmen e no que ai con a o go e no” (Benecke e DeYoung, 2019). Aqueles que são p opensos a conspi ações são, mui o p o a elmen e, adep os das a i udes an i acinação (Ho nsey e al., 2018). Desc ença na medicina O qua o subg upo compo a as mino ias e a sua desc ença na medicina. De aco do com G ace Neumann, á ias comunidades de neg os o am í imas de expe iências e es es em p ol da medicina, como os que o am conduzidos en e 1932 e 1972, em Tuskegee, nos Es ados Unidos, onde usa am 600 a o-ame icanos do sexo masculino como cobaias pa a es uda a doença in ecciosa sí ilis. No inal do es udo, apenas 74 dos doen es en ol idos ainda es a am i os. Em comunidades online, as discussões po de ás do medo do acismo na medicina, mencionam os acon ecimen os em Tuskegee. Simila men e ao que acon eceu com a comunidade neg a, a população de na i os ame icanos ambém oi al o de expe iências elacionadas com acinas especí icas. Quando os Eu opeus coloniza am a Amé ica, le a am consigo doenças, às quais já inham sido expos os, enquan o os na i os ica am doen es, o que conduziu à mo e de milha es de pessoas. O medo des as comunidades não é in undado e são necessá ias no as abo dagens pela comunidade cien í ica. Des a o ma, as comunidades e e enciadas, cons i uem a ualmen e um al o pa a o MAV, que chega a ec u a es es indi íduos, pela sua desc ença na medicina. Des e modo, os mo imen os an i acinação u ilizam es e sen imen o pa a c ia uma no a na a i a e e en e ao acismo e à hesi ação acinal. 14 Pais e blogues de pa en alidade As páginas e g upos de pais nas edes sociais cons i uem o quin o subg upo. Es es g upos es ão a mul iplica -se e são uma consequência do ec u amen o online di igido — po ou os subg upos — como, po exemplo, os conspi ado es. Foi p o ado que a desin o mação sob e a acinação em um g ande e ei o quando es ão a a alia o isco de acina ou não os seus ilhos (Jolley e Douglas, 2014). Segundo Das agi (2019): “Hou e uma al e ação en e a au o idade con e ida pela ba a b anca de um médico, pa a o e hos e e ó ica das pessoas online, que podem e expe imen ado um cená io semelhan e ao que alguém p ocu ou na In e ne . Mo i a a dú ida pode incen i a no os pais a in es iga na In e ne condições que que em a i ma como e dade.” Com oda a in o mação que o MAV disponibiliza online, os p óp ios pais (sob e udo as mães), o nam-se memb os da causa an i acinal, logo o ciclo de in luência con inua. É comum nos g upos de mães p esen es nas edes sociais pa ilha em his ó ias imp essionan es sob e os e ei os secundá ios das acinas ou as condições médicas p eocupan es, que esul a am pouco depois da adminis ação acinal. Es as his ó ias são pa ilhadas e apoiadas po ou as mães e pais que co obo am esses e ei os nega i os com ou a his ó ia sob e o ac o de os seus ilhos e em ambém os mesmos sin omas e al e ações ísicas após a acinação, c iando, assim, um sen imen o de con i mação. Como e e e S a o d (2016): “A epe ição conduz ao aumen o da c edibilidade e alidação da in o mação, independen emen e da al a de e idência cien í ica”. O deba e sob e a acinação e o en oque na acinação in an il em es ado p esen e cons an emen e nos media, desde o início do século XXI (Amy Wallace, 2009). No a igo in i ulado “How Panicked Pa en s Skipping Sho s Endange Us All”, Paul O i e le e ao dize que “cos uma a dize que es a endência ia muda quando as c ianças começassem a mo e . Bem, as c ianças começa am a mo e ”. Ao e e i os casos de mo e po meningi e em c ianças não acinadas em 2009, o médico muda a sua p imei a e lexão pa a “quando um núme o impac an e de c ianças começa a mo e ”. Em idade pediá ica, a ecusa acinal de e se al o de uma p o unda e lexão, pois essa decisão dos pais, além de condiciona a imunidade indi idual, pode á coloca em isco a imunidade de g upo e cons i ui um sé io p oblema de saúde pública. Ainda de aco do com o mesmo au o , as decisões associadas à saúde dos ilhos são da esponsabilidade dos pais, sendo, 21 Po sua ez, a obse ação oi de inida como não es u u ada, decidindo a melho es a égia e ele ância des e es udo, a a és da obse ação do con eúdo pa ilhado no g upo, exis indo, des a o ma, abe u a pa a a o mação de no as ca ego ias a se em explo adas. Pa a a elabo ação de uma g elha, que simpli icasse a o ganização dos dados que omos ecolhendo du an e os seis meses da obse ação, op ámos pela e amen a Excel da Mic oso , o que acili ou, pos e io men e, o c uzamen o de dados e a elabo ação de g á icos. Após a decisão do que se ia, de ac o, ele an e e ino ado quan i ica , desen ol emos uma abela de dados ap esen ada no anexo I - A. No deco e da análise de dados no p óximo capí ulo o ganizámos a in es igação em ês pa es. Na I pa e cons am odos os dados que conseguimos e i a da amos agem, po exemplo, o mês de en ada no g upo de cada memb o, o uso de “moldu as” na o og a ia de pe il da ede social Facebook, a dis inção dos memb os a i os do g upo e a análise das páginas ‘seguidas’ po alguns memb os. Es a p imei a pa e consis e em iden i ica ca ac e ís icas dos indi íduos que não são adep os da acinação. Os 347 memb os do g upo “An i-VAX Po ugal” cons i uem a amos a, apesa de, po ques ões de p i acidade e p o eção de dados indi iduais, es a em ocul os no p óximo capí ulo da in es igação e na abela de Excel p esen e no anexo I- A. Es e núme o oi a iando, en e “no os memb os” e “memb os que saí am do g upo”, sendo mencionado o núme o o al aquando do im da obse ação, a 10 de ou ub o de 2020. Foi, assim, possí el quan i ica os géne os da amos a, em que o sexo masculino p e aleceu (n=178) ace ao sexo eminino (n=168) + página egan Po ugal (n=1), a qual não oi possí el a e i o géne o do undado . Apenas uma con a alsa oi de e ada no deco e da análise, sem ele ância pa a os esul ados a e idos. Des a amos a oi ainda possí el e i ica a exis ência de memb os imig an es, incluindo b asilei os e ou as nacionalidades, bem como emig an es po ugueses a i e em em di e sos países. De igual o ma, conside ámos ele an e quan i ica os indi íduos ca ac e izan es da amos a que são memb os ou adminis ado es do g upo (n=19), de modo a escla ece quem pa ilha a mais con eúdos an i acinação. A II Pa e engloba odos os dados e análises ei os aos con eúdos dos ‘pos s’ publicados no g upo, classi icando e ag upando-os po emá icas es abelecidas após a obse ação dos assun os 22 mais a ados, a iculado com as e e ências que cons am no capí ulo da e isão bibliog á ica sob e os di e sos subg upos que exis em den o do MAV. Po úl imo, a III Pa e cinge-se ao discu so u ilizado po es es memb os no g upo, com ecu so ao p og ama A las Ti, usado pa a a a dados quali a i os, a a és de machine Lea ning. Com es e so wa e oi possí el analisa a linguagem u ilizada no g upo (comen á ios e publicações esc i as) e ca ac e iza cada ase po posi i a, nega i a ou neu a. Es a análise oi cons i uída po 1700 ases. Após a ecolha desses dados, elabo ámos a con agem de pala as p e iamen e e e enciadas, pa a ob e mos uma ideia dos ópicos mais mencionados nos comen á ios e obse ações do g upo. Pos e io men e, selecionámos alguns ‘pos s’ que despole a am um maio engagemen po pa e dos indi íduos pe encen es ao g upo, pa a e a a os assun os mais “polémicos”. Selecionámos, igualmen e, algumas o og a ias ele an es encon adas no deco e das mani es ações do mo imen o an i acinação, a pa de ou as imagens o og a adas em Lisboa, colocadas no anexo IV. Es a écnica de ecolha de dados possibili ou a análise de a i udes e compo amen os espon âneos - os memb os do g upo não o am in o mados sob e o es udo embo a se sal agua dasse a de ida p o eção de p i acidade– e, a cole a de in o mações, que de ou a o ma não se iam possí eis. Po ou o lado, a di iculdade na in e p e ação das obse ações, o empo despendido pa a análise e egis o de dados, co obo am algumas des an agens na u ilização des a écnica. 3. 3. Inqué i o po ques ioná io e amos a A undamen ação des e es udo é ei a a a és da u ilização do pa adigma de in es igação “empí ico-analí ico”, que isa a p edição, explicação e con olo dos enómenos, p ocu a as egula idades, o mulando leis explica i as e, po im, p ocu a a quan i icação dos dados. Ao seleciona mos o inqué i o po ques ioná io online, u ilizámos o mé odo quan i a i o, que p ocu a uma maio ab angência da população es udada e apon a pa a a epe ição e compa ação dos dados a e idos. De uma o ma ge al, al como na pesquisa expe imen al, os 23 es udos de campo quan i a i os guiam-se po um modelo de pesquisa onde o in es igado pa e de quad os concei uais de e e ência, ão bem es u u ados quan o possí el, a pa i dos quais o mula hipó eses sob e os enómenos e si uações que que es uda . A ecolha de dados en a iza os núme os (ou in o mações con e sí eis em núme os) que pe mi am e i ica a oco ência ou não das consequências, e daí en ão a acei ação (ainda que p o isó ia) ou não da posição que omámos inicialmen e 19 (Dal o o, 2008). Pa a a elabo ação do ques ioná io online, u ilizámos a e amen a Google Fo ms, po se g a ui a, apela i a, ácil de manusea e de pa ilha . Apesa da sua aplicação se mais económica e ob e espos as ápidas, como a pe ceção da localização geog á ica dos inqui idos, em ambém algumas des an agens, com que nos depa ámos nes e es udo. Pos o is o, o inqué i o po ques ioná io online icou disponí el de 16 de ou ub o de 2020 a 7 de dezemb o de 2020 e con ou com uma amos a de 200 inqui idos, endo sido echada a submissão de no as espos as após e sido alcançado es e o al. O ques ioná io online 20 con emplou 16 pe gun as de espos a echada. No en an o, apesa de se em espos as echadas e pensadas pa a se em espondidas em poucos minu os, o ques ioná io incluiu um conjun o de p ocedimen os me odológicos e écnicos que an ecede am a cons ução do mesmo. Foi necessá io iden i ica as a iá eis e indicado es, pa a se possí el alcança os obje i os da in es igação, a a és dos dados ob idos no ques ioná io. Pa a assegu a a qualidade do ques ioná io, o mesmo oi pa ilhado en e alguns olun á ios que es a am o seu uncionamen o, como um es e pilo o. Após o eedback o am edigidas al e ações mínimas. O ques ioná io oi pa ilhado ia Facebook, po o ma a ga an i que odos os inqui idos inham con a nessa ede social, undamen al pa a ob e espos as álidas e, ambém, oi dis ibuído, sob a o ma de código QR, em dois anspo es indi iduais e emune ados de passagei os em eículos desca ac e izados a pa i de pla a o mas ele ónicas (TVDE), com o in ui o de ob e espos as mais di e si icadas. De ealça , que o cabeçalho do ques ioná io, p esen e no anexo II, ad e ia pa a as especi icidades eque idas. 19 DALFOVO, Michael Sami ; LANA, Rogé io Adilson; SILVEIRA, Amélia. Mé odos quan i a i os e quali a i os: um esga e eó ico. Re is a In e disciplina Cien í ica Aplicada, Blumenau, .2, n.4, p.01- 13, Sem II. 2008 20 ANEXO II 24 As p imei as 8 pe gun as, de espos a echada e ob iga ó ia, des ina am-se à ca ac e ização da amos a com pe gun as como o “géne o”, “ aixa e á ia”, “ egião onde habi a”, “ní el de escola idade”, “cons i uição do ag egado amilia ”, “núme o de ilhos” e “ endimen o mensal”. Es as pe gun as o am c uciais pa a iden i ica segmen os homogéneos na amos a. A pa i dos dados analisados, cons a ámos que a amos a se ca ac e iza maio i a iamen e pelo sexo eminino (n=59%) apesa da pouca di e ença do sexo masculino (n=41%). Em elação à idade, e i ica-se o maio núme o de inqui idos nas aixas e á ias en e os 21-30 anos; os 51-60 anos e os 61-70 anos. Con udo, pe an e uma maio incidência de espos as po esponden es nas aixas e á ias mencionadas, a amos agem encon a-se dis ibuída he e ogeneamen e. Quan o à zona geog á ica da amos a, 67,5% dos inqui idos habi am na Capi al e Vale do Tejo, seguindo-se a zona No e do país com 11% de esponden es e o Alen ejo com 6%. Um dos p oblemas mais isí eis da pa ilha do ques ioná io online pela ede de con ac os do Facebook, e i icou-se nes a pe gun a, pela di iculdade em alcança esponden es de ou as á eas do país, incidindo a g ande maio ia dos ‘en e is ados’ na Á ea Me opoli ana de Lisboa. 25 Tabela 2. Faixa e á ia, egião e escola idade da amos a do ques ioná io online Conside ámos o ambien e amilia impo an e pa a ob e mos mais in o mações sob e os esponden es des e inqué i o, maio i a iamen e pela elação dos pais (53,5%) a uma possí el ecusa ou indecisão na acinação. Des a o ma, se os pais se encon a em no g upo de indecisos ou da ecusa da no a acina pa a o í us SARS-CoV-2, ce amen e os ilhos meno es ambém não a oma ão, o que se á uma mais- alia a e i nes e es udo. Faixa E á ia Região Escola idade <20 2 (1%) No e 22 (11%) Ensino Básico 19 (9,5%) 21-30 56 (28%) Cen o 9 (4,5%) Ensino Secundá io 66 (33%) 31-40 29 (14,5%) Lisboa e Vale do Tejo 135 (67,5%) Licencia u a 81 (40,5%) 41-50 30 (15%) Alen ejo 12 (6%) Pós-G aduação 11 (5,5%) 51-60 36 (18%) Alga e 6 (3%) Mes ado 19 (9,5%) 61-70 34 (17%) Aço es 8 (4%) Dou o amen o 2 (1%) 71-80 11 (5,5%) Madei a 8 (4%) Pós- Dou o amen o 2 (1%) 81-90 1 (0,5%) >90 1 (0,5%) Ag egado Familia Filhos Rendimen o Familia 1 29 (14,5%) Sim 107 (53,5%) <1000€ 57 (28,5%) 2 63 (31,5%) Não 93 (46,5%) 1000€-2000€ 58 (29%) 3 52 (26%) 2000€-3000€ 45 (22,5%) 4 45 (22,5%) 3000€-4000€ 20 (10%) 5 10 (5%) 4000€-5000€ 6 (3%) ≥6 1 (0,5%) 5000€-6000€ 5 (2,5%) 6000€-7000€ 3 (1,5%) 7000€-8000€ 0 (0%) >8000€ 6 (3%) Tabela 3. Ag egado amilia , ilhos e endimen o amilia da amos a do inqué i o po ques ioná io online 26 Na segunda pa e do ques ioná io incluímos uma ques ão com ecu so a uma escala de a i udes, de o ma a se possí el medi o ní el de con iança dos po ugueses nos ó gãos de Es ado de 1 a 5 - sendo (1) não enho con iança e (5) con io o almen e. As ques ões “Segue o P og ama Nacional de Vacinação” (sim ou não) e “Tem con iança no P og ama Nacional de Vacinação Po uguês” — es a úl ima con empla a duas opções de espos a p é- o ma adas (sim ou não) e a possibilidade de se incluída ou a opção adicional, que nes e caso não oi u ilizada—, o am elabo adas com o in ui o de a e i uma possí el dis inção en e as acinas con empladas no PNV e a no a acina pa a a doença COVID-19. Seguiu-se a pe gun a “Reco da-se de e alguma campanha de acinação?”, com espos a al e na i a única (sim ou não), pa a pos e io men e analisa mos os esul ados posi i os ou nega i os de campanhas p ó acinação ealizada em Po ugal e c uza com a in luência dos con eúdos an i acinais nas edes sociais. De aco do com o Digi al New Repo Global (2020), Po ugal ocupa o p imei o luga com 56% dos po ugueses a a i ma em que con iam, e e i amen e, em no ícias, enquan o apenas 22% con iam nas no ícias pa ilhadas nas edes sociais. Tendo em con a es e es udo, elabo ámos as seguin es ques ões: “Quando a acina pa a o í us SARS-CoV-2 (Co id-19) es i e disponí el ai que e omá-la?” (pe gun a de espos a única: sim, não, es ou indeciso/a), “Já se depa ou com con eúdos an i acinação nas edes sociais” (sim ou não) e “Esses con eúdos in luencia am a sua decisão de se acina ?” (sim; não; susci ou-me dú idas; espondi “não” na pe gun a an e io ). Pa a analisa se, e e i amen e, uma mino ia de po ugueses con ia nos con eúdos di undidos nas edes sociais e, pe an e um con ac o com no ícias sem undamen ação cien í ica, são in luenciá eis. A nossa úl ima ques ão: “Já p ocu ou con eúdos an i acinais nas edes sociais”, a a és de espos a única (sim ou não), pe mi e comp eende se os indi íduos an i acinação são a i os na pa ilha de desin o mação ou con eúdos que apoiem a sua na a i a ou, po ou o lado, se esse con eúdo é p ocu ado po uma quan idade signi ica i a de po ugueses nas edes sociais. 27 Capí ulo IV: Desc ição e análise dos esul ados 4.1. Desc ição e análise dos esul ados da obse ação não es u u ada no g upo do Facebook “An i-VAX Po ugal” PARTE I Ao longo dos seis meses de in es igação (10 de ab il a 10 de ou ub o) do g upo, que se in i ula como an i acinação, egis ámos a en ada de no os memb os con abilizando o o al de 347 no inal des e pe íodo. Como cons a ado no g á ico 2, o mês de maio con abilizou o máximo de adesões ao g upo (n=90), pe íodo em que Po ugal passa do Es ado de Eme gência pa a o de Calamidade. Em se emb o e i ica-se um segundo pico de no os u ilizado es, coinciden e com o aumen o de no ícias sob e o desen ol imen o e e olução das acinas con a o í us SARS-CoV-2, que inham en ado na úl ima ase de es es. G á ico 2. E olução do núme o de no os memb os do g upo “An i-VAX Po ugal” 28 A amos a ca ac e izada no capí ulo da me odologia não ap esen ou uma di e ença c ucial no géne o dos memb os do g upo. No en an o, op ámos po es uda e quan i ica a u ilização de “moldu as” na o o de pe il do Facebook de cada um dos memb os. Numa p imei a obse ação, oi possí el epa a que mui os u ilizado es (n=57) as coloca am, sendo es as a iadas e, no malmen e, se iam pa a en a iza os seus ideais e c enças a oda a sua ede de amigos e seguido es. Alguns exemplos de moldu as u ilizadas pelos memb os do g upo em es udo: Ao analisa mos e ca ac e iza mos as publicações pa ilhadas po cada um, con e imos que g ande pa e dos memb os, mais conc e amen e 274, não elabo a am qualque publicação. Apenas 21% dos memb os o am a i os no g upo, sendo 11 adminis ado es do mesmo. Somen e 5 indi íduos pa ilha am mais de 20 con eúdos no deco e do es udo e nenhum az pa e da “adminis ação” do g upo. No desen ola da obse ação, an o a ní el de ‘pos s’ pa ilhados como nos comen á ios e con eúdos ideológicos que acompanha am as publicações, a e imos algumas semelhanças en e os memb os, apesa das di e en es mo i ações que os le a am a aze pa e do mesmo g upo an i acinação. Assim, dos 73 memb os a i os do g upo apenas 44 possuíam o pe il da ede social público. Figu a 3. Exemplo de moldu as u ilizadas po alguns memb os do g upo “An i-VAX Po ugal” no Facebook 29 A a és des a con agem oi possí el seleciona os memb os do g upo com pe il público, pa a acede an o a ou os con eúdos publicados na página do u ilizado , o a do g upo, como às páginas que cada memb o a i o colocou ‘gos o’ e segue. No g á ico 3 cons a a segmen ação po a inidade polí ica, apenas dos u ilizado es com o pe il do Facebook público que oi possí el a e i . A análise demons ou que 18 memb os a i os do g upo, com o pe il de u ilizado público, gos am e seguem páginas de apoio ao pa ido Chega bem como ao seu líde du an e es e pe íodo, And é Ven u a 21 , páginas de apoio a Donald T ump 22 e e e ências às alsas eleições ame icanas do p esen e ano e, po úl imo, páginas de ap o ação ao P esiden e Bolsona o 23 , onde é isí el a anuência a é nas o og a ias de capa escolhidas po 4 memb os. Des a o ma, 41% dos memb os que es ão em análise demons a am e a inidades polí icas com a ex ema-di ei a e/ou conse ado ismo. Po ou o lado, 10 indi íduos pa ilham ou as ideologias polí icas ep esen adas a a és de ‘gos os’ em páginas de apoio ao pa ido PAN, ao comunismo, ana quismo e ao Pa ido Socialis a. Os 36% es an es e e em-se aos u ilizado es, apesa de possuí em o pe il na ede social público, em que não oi possí el dis ingui a a inidade pa idá ia. Dos 44 u ilizado es em es udo, 13 seguiam páginas al e na i as à medicina adicional e ou os ipos de alimen ação como o eganismo. 21 And é Ven u a é ju is a, polí ico, p o esso Uni e si á io e comen ado despo i o. É depu ado da Assembleia da República Po uguesa e p esiden e do Pa ido CHEGA. 22 Donald T ump é um emp esá io, pe sonalidade ele isi a e polí ico ame icano que se iu como 45º p esiden e dos EUA (Pa ido Republicano). 23 Jai Bolsona o é um capi ão e o mado, polí ico e elei o p esiden e do B asil em 2019, iliado ao Pa ido Libe ado. G á ico 3. Memb os do g upo dis ibuídos po a inidade polí ica 30 As páginas que o am comummen e “seguidas” pela maio ia dos memb os do g upo o am: inúme as páginas “pela e dade”, de apoio a Fe nando Nob e 24 , a And é Dias 25 e a página “Ve dade Incon enien e”. PARTE II Du an e os 184 dias de con eúdos analisados, com uma média diá ia de 2,4 publicações, oi possí el encon a coe ências nos dados ag upados e expo a conclusões. Após a con agem do núme o de publicações que cada memb o e e uou – o al de 440 publicações – e a dis ibuição de cada publicação po uma ca ego ia p e iamen e de inida, endo em con a a obse ação ei a ao eo das pa ilhas ealizadas no g upo, ag upámos as publicações em se e ca ego ias. Es as são: Conspi ações; E icácia das acinas; E ei os secundá ios da acinação; Composição das acinas; Libe dades, Medicinas al e na i as; Ou os. Cada ca ego ia oi elabo ada endo em con a os subg upos ap esen ados na e isão bibliog á ica que pode iam se adap ados e que, sob e udo, “encaixassem” na obse ação ei a. 24 Fe nando Nob e é médico, especialis a em Ci u gia Ge al e U ologia, e p esiden e e undado da Assis ência Médica In e nacional (AMI). Em 2010 candida ou-se à P esidência da República. A ualmen e, é uma oz a i a con a o uso de másca a ob iga ó io em espaços públicos e a iolação dos di ei os de libe dade dos cidadãos. 25 And é Dias, PhD., é Dou o ado em Modelação de Doenças Pulmona es pela Uni e sidade de T omso, na No uega. É a i o nas edes sociais, mani es ando-se sob e a o ma injus i icada como o mundo es á a lida com a pandemia. Figu a 4. Páginas mais comummen e “gos adas” pelos memb o do g upo “An i-VAX Po ugal” em Janei o de 2021 37 Figu a 6. Publicação no g upo “An i-VAX Po ugal” a 11/9/20 Figu a 5. Publicação no g upo “An i-VAX Po ugal” a 10/7/20 As publicações com um maio engagemen no g upo “An i-VAX Po ugal”, den o dos meses em es udo, es i e am elacionadas com a ob iga o iedade acinal (ainda an es de exis i uma acina), a o ma como se acina em Po ugal e, ainda, á ias dú idas de u ilizado es da ede social Facebook que não consegui am uma espos a às suas dú idas e p ocu a am o g upo an i acinação pa a se escla ece em e in o ma em. Na publicação p esen e na igu a 5, sob e a composição das acinas, a au o a não conseguiu escla ece a sua dú ida a a és de uma amilia pe encen e à comunidade cien í ica e decidiu p ocu a espos a num g upo an i acinação na ede social Facebook. Nos comen á ios encon am-se á ios a igos an i acinação (16), ídeos no You ube (2), comen á ios con a a indús ia a macêu ica e o Go e no, pd desen ol idos pelos adep os do mo imen o an i acinação (2) e, po úl imo, uma o og a ia de uma c iança acinada a cho a e uma sem acinas a so i , e e endo pa a os male ícios da acinação in an il. A publicação p esen e na igu a 6 ecebeu 53 comen á ios de ou os pais e imig an es Alemães e I alianos em Po ugal com indicações de como pode iam con o na a acinação ecomendada em Po ugal, es emunhas em p imei a mão de di iculdades que passa am an o na insc ição dos ilhos não acinados nas c eches e escolas, como ainda na ma e nidade. 38 4.2. Desc ição e análise dos esul ados do inqué i o po ques ioná io A pa i do inqué i o po ques ioná io online iden i icado no capí ulo me odológico, onde começamos po ca ac e iza a amos a, nes e caso, à população po uguesa, iden i icámos algumas esis ências que a no a acina (SARS-CoV-2) pode ia encon a . Ainda sob e a ca ac e ização da amos agem podemos a e i que, apesa de anónima, nenhum dos 200 inqui idos indicou a ex ema-di ei a como inclinação polí ica. No en an o, dois dos ês esponden es, que seleciona am a ex ema-esque da como “ a o i a”, indica am que não iam acina -se con a a doença COVID-19. Re e en e à pe gun a “Segue o P og ama Nacional de Vacinação?” 160 esponden es seleciona am que “sim” e apenas 40 que “não”. Já na ques ão pa a a e i a con iança no PNV, o am poucos os que esponde am que não (n=25). Apesa de 20% dos ques ionados não segui em o P og ama de Vacinação po uguês e de apenas 25 não possuí em con iança no mesmo, al pode se jus i icado pelo ac o de alguns dos inqui idos (n=15), pe ence em ao g upo dos imunocomp ome idos ou não e em a o alidade das acinas em dia. Com o in ui o de pe cebe o alcance das campanhas de acinação da Di eção Ge al da Saúde com o Se iço Nacional de Saúde a e imos que 26% dos po ugueses que cons i uem a nossa amos agem indica am que não se lemb am de uma campanha elacionada com a acinação. Compa a i amen e à pe cen agem de inqui idos que nunca se depa a am com con eúdos an i acinação nas edes sociais (30%), ealçamos alguma p eocupação endo em con a o ecen e su gimen o do Facebook compa a i amen e a uma DGS (c iada em 1899) ou SNS (c iado em 1979). A acina con a o í us SARS-CoV2, que du an e a ase de edação des e es udo se encon a a a se adminis ada ao p imei o g upo selecionado pa a a acinação, ainda não inha sido c iada quando oi elabo ado e di ulgado o ques ioná io. No en an o, apenas 40,5% dos inqui idos espondeu que ia oma a acina quando es a osse desen ol ida. Tendo em con a os dados ob idos, decidimos a e igua se a maio ia da amos a inha sido in luenciada pela desin o mação sob e as acinas que são cons an emen e disseminadas pela ede social Facebook, a pa i de g upos an i acinação e não só. Pa a al, analisámos os dados dos esponden es que seleciona am que não ão oma a no a acina (n=44) e dos que es ão indecisos (n=75) e 39 compa ámos com as espos as às pe gun as: “Já se depa ou com con eúdos an i acinais nas edes sociais?” e “Esses con eúdos in luencia am a sua decisão?”. O g á ico 9, posicionado abaixo, dis ingue os inqui idos que es ão indecisos quan o à oma ou não da no a acina pa a o í us SARS-CoV2, mas que não se depa a am com con eúdos an i acinais nas edes sociais (n=15), dos que es ão indecisos, mas que já se depa a am com es es con eúdos con a a acinação no mundo digi al (n=60). Pos o is o, e i icamos que o núme o de indi íduos indecisos que o am expos os a publicações que desac edi am a acinação, é 4 ezes supe io es ao dos que não o am expos os. Ou o aspe o ele an e dos esponden es que se demons a am indecisos sob e a acinação con a o no o í us e que se depa a am com con eúdos an i acinação nas edes sociais, 25 esponde am que esses con eúdos lhes susci a am dú idas e 17 chega am mesmo a p ocu a esses con eúdos. G á ico 9. In luência dos con eúdos an i acinação nos indecisos a a és do inqué i o po ques ioná io online 40 A análise dos esponden es que indica am que não se ão acina e que nunca encon a am con eúdos an i acinação nas edes sociais (n=14) compa a i amen e aos que não i ão adminis a a no a acina, mas que já se depa a am com con eúdos que desac edi am a acinação (n=30), é e a ada no g á ico 10. Des e segundo g upo de inqui idos, 4 a i mam que es es con eúdos susci a am dú idas no que se e e e às acinas, 16 p ocu a am con eúdos an i acinação e 14 indicam que a sua decisão em não se que e acina oi in luenciada pelos con eúdos que p oli e am nas edes sociais con a a acinação. G á ico 10. In luência dos con eúdos an i acinação nos esponden es que não se que em acina 41 Capí ulo V: Discussão dos esul ados ob idos 5.1. Dec éscimo do VCI ampliado pelo Facebook Após a ealização do es udo pela Comissão Eu opeia em 2018, e e ido an e io men e, Po ugal é ido em con a como o país com mais con iança nas acinas, seguindo-se a Finlândia, mas, pa a além dessa con iança e indo a dec esce , ambém a pandemia pelo í us SARS-CoV- 2 acen uou essa descida, colocando em causa uma u u a imunidade de g upo. Se an e io men e a con iança na segu ança das acinas (95,1%) e na sua e icácia (96,6%) e a bas an e ele ada, a ualmen e, a a és do inqué i o po ques ioná io online, e i icámos que apenas 40,5% dos esponden es a i ma am que oma iam a acina pa a o SARS-CoV-2, o que pode ia ab i uma descida sem p eceden es na his ó ia da acinação em Po ugal, se não i essem sido ado adas medidas mais d ás icas. Quan o à descida da con iança nas acinas, a causalidade pode de e -se a á ios a o es como a disseminação de ake news pelos g upos an i acinação e pela al a de in o mação c edí el acessí el a odos. “A al a de mode ado es adicionais é uma das azões pela qual a desin o mação online em maio alcance e se espalha mais apidamen e do que as in o mações e dadei as” (Lewandowsky e Cook, 2020). Com 88,2% dos u ilizado es da in e ne a usa em a pla a o ma Facebook em dezemb o de 2020 28 , mês em que se começou a acina em Po ugal, as dú idas e a desin o mação con inua am a dissemina -se em g ande escala nes a ede social. Como mencionado no Capí ulo I, os g upos de indi íduos hesi an es ou indecisos são al amen e a i os na p ocu a de emá ica sob e a acinação. No en an o, de ido às suas na a i as po encialmen e mais a a i as e a uma maio panóplia de con eúdos, os g upos an i acinação conseguem um maio alcance e a enção. O núme o de esponden es do nosso inqué i o que es a am indecisos quan o à adminis ação da no a acina, mas que não se depa a am com con eúdos con a a acinação o aliza apenas 20%. 28 h ps://da a epo al.com/ epo s/digi al-2020-po ugal 42 Des a o ma, p ocu amos delinea uma melho e mais e icaz abo dagem, pa a a a a p oli e ação dos con eúdos con a a acinação e, po consequência, a adesão de mais indi íduos aos g upos an i acinação em Po ugal, cujo aumen o é isí el. No g upo que es udámos a ingiu-se uma média mensal de ap oximadamen e 68 no os memb os, o que ai ao encon o do que os in es igado es p e eem no u u o 29 , com os MAV online a ul apassa em os apoian es p ó acinação, somen e em 10 anos. Apesa do c escen e núme o de memb os no g upo, apenas 21% dos memb os do g upo são a i os nas pa ilhas de con eúdos, ligados à es e a das conspi ações. 5.2 Teo ias conspi a ó ias e os conspi ado es Segundo The Conspi acy Theo y Handbook (2020), “os consumido es de eo ias da conspi ação são mais p opensos a “gos a ” de pa ilha publicações conspi a ó ias no Facebook”. Ainda de aco do com os mesmos au o es, “uma eo ia da conspi ação sa is az a necessidade de que um “g ande” e en o enha uma g ande causa…”, o que ajuda a elabo a explicações conspi a ó ias pa a e en os imp o á eis ou ince os. “Pessoas que se sen em impo en es ou ulne á eis são mais p opensas a de ende e a espalha eo ias da conspi ação”- Tü kay Ne es 30 A maio ia dos pensamen os que ogem à no ma não são classi icados como conspi a ó ios, pois nem odos os cé icos são conspi acionis as. Exis em di e enças en e os sujei os sensí eis às e idências que p ocu am a coe ência e não e u am e idências, dos que encon am suspei as absolu as, são imunes às e idências e mo em-se pela con adição, imaginando conspi ações. 29 Johnson, Neil F., Nicolas Velásquez, Nicholas Johnson Res epo, Rhys Leahy, Nicholas Gab iel, Sa a El Oud, Minzhang Zheng, Ped o Man ique, S e an Wuch y, e Yona an Lupu. 2020. «The online compe i ion be ween p o- and an i- accina ion iews». Na u e 582 30 Ne es, T.S (2014) “Ra ionale o conspi acy heo izing: Who sho he p esiden e Chen Shui-bian? Ra ionali y and Socie y”, 26, 373-394 43 Em 2014, no ela ó io “Recu en Fu y: Conspi a o ial Discou se in he Blogosphe e T igge ed by Resea ch on he Role o Conspi acis Idea ion in Clima e Denial” 31 , o am iden i icados se e c i é ios pa a a classi icação de conspi ações, ilus ados na seguin e abela, mais ecen emen e adap ados no The Conspi acy Theo y Handbook pa a o igina o ac ónimo CONSPIR (em inglês). Tabela 4. Os se e c i é ios pa a a classi icação de conspi ações em 2014 e em 2020 De aco do com as suges ões dos au o es e de o ma a classi ica as conspi ações, elabo ámos a abela 4 com uma explicação seguida de exemplos, pa a acili a a comp eensão dos esul ados a e idos ela i amen e às publicações de o o conspi ado . 31 Lewandowsky e al., Recu en Fu y: Conspi a o ial Discou se in he Blogosphe e T igge ed by Resea ch on he ole o Conspi acis Idea ion in Clima e Denial Jou nal o Social and Poli ical Psychology, 2015, Vol 3(1), 142-178 Recu en Fu y: Conspi a o ial Discou se in he Blogosphe e T igge ed by Resea ch on he ole o Conspi acis Idea ion on Clima e Denial (2014) The Conspi acy Theo y Handbook (2020) Un e lexi e coun e ac ual hinking Con adic o y O e iding suspicion O e iding suspicion Ques ionable mo i es Ne a ious in en Mus be w ong Some hing mus be w ong Pe secu ed ic im Pe secu ed ic im Sel -sealing Immune o e idence No acciden Re-in e p e ing andomness 44 Os conspi ado es podem c e em ideias con adi ó ias po que a desc ença na na a i a o icial é supe io à coe ência. Exemplo: As acinas azem adoece as pessoas, pa a que a indús ia a macêu ica luc e, mas a ualmen e se e pa a o Go e no nos con ola a a és do chip. Quando o g au de suspei a absolu a e ce icismo con a a na a i a o icial impede que se ac edi e em algo que não encaixe na eo ia da conspi ação. Exemplo: A acina se i pa a con ola o í us não ai ao encon o da eo ia que diz que as acinas são o eículo u ilizado pa a a implan ação de chips com o obje i o de con ola as pessoas. As eo ias da conspi ação são, in a ia elmen e, de ca iz malicioso e nunca p esumem que os au o es das mesmas ca eçam de boas in enções. Exemplo: O Bill Ga es não doou dinhei o pa a ajuda a desen ol e as acinas, mas sim pa a ajuda a con ola as pessoas. Mesmo que os eó icos da conspi ação abandonem alguns a gumen os quando es es se o nam insus en á eis, as conclusões não al e am o pensamen o de que “algo de e es a e ado”. Exemplo: Mesmo após a e i ada do es udo da e is a Lance , de ido a incong uências cien í icas, os seguido es de Wake ield con inua am a ac edi am que as acinas sob eca egam o sis ema imunológico e podem causa au ismo. Es es indi íduos ap esen am-se como í imas de uma pe seguição, no malmen e, po en idades supe io es que êm uma agenda. No en an o, ap esen am-se, simul aneamen e, como “co ajosos” po não segui em o “ ebanho” e não acei a em cede às in enções dos ad e sá ios. Exemplo: O Go e no que -nos con ola a a és da acinação e da ob iga o iedade das medidas do con inamen o, mas nós não cedemos po que não somos “o elhas”. Uma e idência que con a ie uma eo ia su ge como pa e da conspi ação, su gindo como au oajus á eis como melho con ie . Exemplo: O con inamen o ob iga ó io se iu pa a ins ala em li emen e a ede 5G e pa a e i ica quem ade ia ou não ao con olo. 45 Nada acon ece po acaso, des e modo, qualque e en o alea ó io pode se conec ado com a eo ia da conspi ação pa a liga e da o ça ao complô da na a i a. Exemplo: Os OCS no iciam as acinas e dão um maio en âse à pandemia do que a ou as no ícias, logo os canais jo nalís icos e os jo nalis as são audulen os e só passam as no ícias que o Go e no ap o a. En ende os sinais do pensamen o conspi a ó io se á undamen al pa a delinea uma abo dagem mais e icaz ao p oblema. Em especial, os mais “ingénuos” que se depa am dia iamen e com ake news nas edes sociais e, ou os, que disseminam esses con eúdos na sua ede de amigos, o mando uma eia de p opaganda an i acinal. “As eo ias da conspi ação […] são p imei amen e e p incipalmen e o mas de p opaganda polí ica”, de aco do com Cassam au o do li o “Conspi acy Theo ies” 32 . Como a e iguámos, an o no g upo em es udo como no inqué i o po ques ioná io online, as isões polí icas êm uma elação na o ma como con iamos nas Ins i uições Es a ais. Ao longo da du ação do es udo ealizado no g upo do Facebook “An i-VAX Po ugal”, ap oximadamen e 48% das publicações são eo ias da conspi ação e, de aco do com o g á ico 3, 41% dos memb os em análise demons a am e a inidades polí icas com a ex ema-di ei a e/ou conse ado ismo. Já no inqué i o online um dos ês esponden es que seleciona am a ex ema- esque da como “ a o i a” nas suas con icções, indica am que não iam acina -se con a a doença COVID-19, não sendo possí el p opo uma elação en e os dois a o es. Rela i amen e às páginas mais “gos adas”, expos as na igu a 4, pelos memb os do g upo do Facebook em es udo, acilmen e são explicadas pela con adição de não se ac edi a nos médicos ou cien is as que expõem a mais- alia do con inamen o e das medidas pa a con olo pandémico, mas sim no médico Fe nando Nob e (e ou os), que su ge con a o uso ob iga ó io de másca as e a iolação dos di ei os de libe dade dos cidadãos. Assim, mesmo que sejam uma mino ia, os médicos e cien is as que êm uma opinião opos a à maio pa e da comunidade cien í ica, são idola ados e usados como o ma de subs ancia as eo ias conspi a ó ias, nes e caso, de uma alsa pandemia. 32 Cassam, Conspi acy Theo ies, pp. 6-7 46 Abou he COVID-19 accine: “Bu hose who p omo e An i-Vaccine iews a en’ wai ing. They’ e ou he e now on social media, cul i a ing conspi acy heo ies and plan ing seeds o doub ha could limi a u u e accine’s sucess”. – Taylo Mooney 33 Enquan o se espe a a pelo início da oma da acina em Po ugal, há mui o empo que o mo imen o an i acinação inha iniciado o abalho de a a o sucesso da acinação, ao ins au a o medo a a és do seu desen ol imen o demasiado ápido e que se emos cobaias de es udos clínicos sob e a e icácia e os e ei os secundá ios das acinas pa a a COVID-19. Des a o ma, uma es a égia pa a do a as pessoas que es ão na p esença de eo ias da conspi ação é elemen a . 33 Consul e em: h ps://www.cbsnews.com/news/an i- axxe - ea -co ona i us- accine/ 53 O sucesso na implemen ação da es a égia de con olo da hesi ação acinal pela massa indecisa ai pe mi i que os indi íduos es ejam cien es do pe igo das ake news e que sejam capazes de dis ingui , enquan o p ocu am in o mação sob e as acinas online, quando es ão a le eo ias da conspi ação e não in o mação cien i icamen e igo osa. Num u u o p óximo, a p esença da comunidade cien í ica e das en idades de saúde po uguesas online, se á imp escindí el pa a comba e e icazmen e a p esença do MAV online e equilib a o monopólio que es e possui a é ao momen o, in luenciando e ec u ando cada ez mais indi íduos desc en es nas medidas ado adas de comba e à pandemia. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alia E. Das agi . 2019. « Fac s alone don ’ sway an i- axxe s. 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